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Numero do processo: 16327.904946/2012-46
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
IOF. PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-004.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira, OAB/SP nº 225.008.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 IOF. PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 49 46 /2 01 2- 46 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira, OAB/SP nº 225.008. Relatório Trata o presente processo de DCOMP eletrônica n° 32413.83157.151210.1.3.046465 (fls. 71/75), onde o Recorrente declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito de pagamento indevido ou a maior de IOF: data de arrecadação: 05/03/2008, com crédito original utilizado nesta DCOMP de R$ 96.745,71. A Recorrente informa que o crédito decorre de DARF recolhido em 05/03/2008, no valor de R$ 1.291.180,18, código 3467. A DRJ do Rio de Janeiro I, não deu provimento à Manifestação de Inconformidade, mantendo o que foi decidido no Despacho Decisório nº 031094612, de 04/09/2012, pelos mesmos fundamentos (fl. 76). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls.15, nº de rastreamento 031094612, emitido em 04/09/2012, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “A análise do direito creditório está limitado ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, correspondente a R$ 96.745,72 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Segundo o despacho, o crédito teria sido utilizado integralmente na quitação do débito de IOF, código 3467, PA 29/02/2008, no valor de R$ 1.291.180,18. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 14/09/2012, fls. 72. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 16/10/2012, fls. 02/08, alegando: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904946/201246 Acórdão n.º 3802004.036 S3TE02 Fl. 278 3 que efetuou recolhimento indevido de IOF no valor de R$ 96.745,72; que houve erro na DCTF original, que foi entregue sem a discriminação do valor do crédito;. que tal erro não pode ser fundamento para a não homologação da compensação, vez que houve um recolhimento indevido de IOF, naquele valor, constante do DARF de R$ 1.291.180,18, gerando um crédito em favor da manifestante, devidamente contabilizado; o crédito em questão decorre de valores recolhidos indevidamente pela manifestante a título de IOF sobre operações de seguros do cód 3467 no 3º decêndio de fevereiro de 2008, vez que a responsabilidade tributária pelo recolhimento era do Itaú Unibanco, CNPJ 60.701.190/000104; nos termos da legislação vigente, dec 6.306/2007 e IN 907/2009, a responsabilidade pelo recolhimento do IOF é da instituição financeira estipulante encarregada da cobrança do prêmio, in casu, do Itaú Unibanco, que recolheu o imposto devido, cf. tabela de fls. 5, comprovados pelos demonstrativos da conta transitória 4997.080.073.000* (doc 7),razão (doc. 8) e DARFs (doc 9); que a manifestante recolheu indevidamente o IOF, no montante de R$ 96.745,72 (Doc.5); o extrato de conta corrente comprova que o Itaú Unibanco repassou os valores das apólices líquidas (sem o IOF) à manifestante; a manifestante assumiu o encargo financeiro, condição para fazer jus à restituição do valor recolhido indevidamente, cf. art. 166 CTN; o erro de preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para não reconhecimento do crédito e deve prevalecer a verdade material; requer sejam alteradas de oficio as informações na DCTF, a fim de contemplar integralmente o crédito não homologado. Requer, in fine, a reforma da decisão proferida e o cancelamento da cobrança efetivada neste processo administrativo. É o relatório Em 21/01/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 90). Inconformado com a decisão da DRJ, em 05/02/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 92/97), no qual argumenta em suas razões, que: a) a responsabilidade pelo recolhimento do IOF, nos termos do art. 20, do Decreto nº 6.306/2007 e art. 9º, da IN RFB nº 907/2009, é da instituição financeira estipulante, no caso o Itaú Unibanco, CNPJ nº 60.701.190/000104, encarregado da cobrança do prêmio dos segurados. Para tanto, anexa aos autos, cópia Convênio Operacional para a Cobrança de Prêmio de Seguros e outras Avenças – Multiproteção, onde em seus itens 5.1 e 5.2, além das condições gerais, estabelece o responsável pela cobrança dos prêmio dos segurados e seu repasse (valor líquido do IOF) à seguradora (ora recorrente) que é o Itaú Unibanco; b) reitera que não obstante o responsável tributário (Itaú Unibanco) ter efetivamente retido e recolhido o IOF, a Recorrente por equívoco também o fez sobre o repasse Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 dos prêmios, ocorridos em 26/02/2008 (3º decêndio de fevereiro de 2008), no montante de R$ 96.745,72, apresentando documentação contábil da Recorrente – extrato de contas do Livro Razão, bem como relatórios de controles internos; c) junta aos autos relatórios analíticos das operações referidas nestes autos, separados por produto, datas e por clientes (elaborados por amostragem); d) anexa ainda, demonstrativos, com movimentação diária dividido por decêndios, dos montante contabilizados em contras transitórias que especifica documentos que comprovam que os valores foram recolhidos pelo Itaú Unibanco; e) Colaciona ainda aos autos, visando demonstrar o valor do prêmio repassado pelo Itaú Unibanco a Recorrente, telas do sistema interno, demonstrando os dados das apólices e do IOF recolhido indevidamente e a 2ª via das apólices de seguros. Por fim, quanto a divergência dos períodos de apuração constante da decisão da DRJ, a recorrente pontua que decorre do fato do Itaú Unibanco ter recolhido o IOF à medida que os prêmio eram pagos e a Recorrente ter se equivocado e recolhido o IOF quando do repasse do prêmio pelo Itaú Unibanco. Em que pese tal ocorrido, ambos os recolhimentos de IOF referemse ao mesmo fato gerador. O recurso voluntário apresentado foi apreciado por este colegiado do CARF, decidindo no seguinte sentido (Resolução nº 3802000.219, de 23/07/2014 – fls. 232/237): Neste caso, considerandose a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal e visando uma melhor aplicação do Direito, bem como às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que os autos retornassem à DRF do domicílio tributário do recorrente, para com base nos documentos anexados aos autos (fls.104/229), elabore parecer sobre: a) a divergência no período de apuração referenciado, uma vez que o Recorrente pontua que decorre do fato do Itaú Unibanco ter recolhido o IOF à medida que os prêmio eram pagos (por se o responsável tributário) e ter se equivocado e recolhido o IOF quando do repasse do prêmio pelo Itaú Unibanco. E ainda, em que pese tal ocorrido, verificar e informar se procede tal alegação e se ambos os recolhimentos de IOF referemse ao mesmo fato gerador; b) quanto aos dados registrados nos documentos contábeis e de controles interno anexo aos autos, visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário: b.1) se, a Recorrente, conforme alegado, por equívoco também fez o recolhimento quando do repasse dos prêmios, ocorridos em 26/02/2008 (3º decêndio de fevereiro de 2008), no montante de R$ 96.745,72, para isso valendose da documentação contábil apresentada – extrato de contas do Livro Razão e de outros controles internos, acostados aos autos pela empresa; b.2) a confirmação, quanto aos relatórios analíticos das operações realizadas, os quais estão separados por produto, datas e por clientes (elaborados por amostragem), bem como os demonstrativos, com movimentação diária dividido por decêndios, dos montante contabilizados em contras transitórias, alegando comprovar que os valores foram efetivamente recolhidos pelo Itaú Unibanco; Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904946/201246 Acórdão n.º 3802004.036 S3TE02 Fl. 279 5 c) após todo cotejo, emitir informação sobre a comprovação do direito creditório (valor) e se, comprovadamente, a Recorrente assumiu o encargo financeiro, atendimento ao artigo 166 do CTN. Em seguida, seja cientificada a recorrente, para dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento à Resolução nº 3802000.219, de 23/07/2014, a Diort/DEINF de São Paulo (SP) unidade de jurisdição da Recorrente, emitiu a Informação Fiscal (fls. 239/240), que no texto, a autoridade fiscal reconhece que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, conforme pode ser observado no trecho abaixo reproduzido: (...) O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que fosse realizada diligência, conforme Resolução nº 3802 000.219 de fls. 232 a 237, limitandose a análise aos documentos constantes dos autos em fls. 104 a 229. A recorrente apresentou a documentação de fls. 104 a 229 justificando a origem de seu direito creditório no valor original de R$ 96.745,72. As operações e seus valores estão detalhados na tabela de fls. 192. Todas as operações com data de crédito 22/02/2008 e data de vencimento 26/02/2008. Não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis de fls. 175 a 178, da contabilidade do Itaú Unibanco. Também não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis de fls. 193 e 194, da contabilidade de Itaú Seguros. Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 104 a 229. Isto porque não foi possível estabelecer a correspondência entre as operações detalhadas na tabela de fls. 192, e os lançamentos contábeis de fls. 175 a 178, da contabilidade do Itaú Unibanco, bem como os lançamentos contábeis de fls. 193 e 194, da contabilidade de Itaú Seguros (grifamos). (...) De acordo. Intimese o interessado a tomar ciência da presente informação, facultado o direito de se manifestar no prazo de 20 dias. Após encaminhese o processo a 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 16/10/2014, a recorrente foi regularmente intimada da Informação Fiscal acima (fl. 242), sendo que em 27/10/2014, protocolou sua manifestação sobre o conteúdo da Relatório de Diligência mencionado (fls. 244/252), onde se insurge contra o não Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 reconhecimento do direito de crédito requerido e para tanto alega os argumentos abaixo sintetizados: a) aduz que o direito creditório decorre de pagamento a maior de IOF, referente ao 3º decêndio de fevereiro/2008, incidente sobre os repasses dos prêmios de operações de seguros, cujo responsável pelos recolhimentos dos impostos, nesta situação, é da instituição financeira estipulante encarregada da cobrança pelo prêmio que, neste caso, é o Itaú Unibanco, conforme disposto no item 4.2 do Manuela do Segurado (reproduzido); b) No que tange a responsabilidade pelo recolhimento do IOF, importante frisar que a disposição contida no Manual mencionado encontra respaldo nos dispositivos legais que regem a matéria e que com base neste dispositivo legal (Decreto nº 6.306/2007), o Itaú Unibanco providenciou o recolhimento do IOF à medida que os prêmios eram pagos, sobre as operações ocorridas no período de 21.01.2008 a 20.02.2008 (elabora um demonstrativo); c) que os referidos valores recolhidos por meio de DARF apresentados nos autos, foram devidamente contabilizados pelo Itaú Unibanco na conta transitória nº 4997.080.073.000, com movimentação diária do IOF sobre operações de seguros, divididos por decêndio (demonstra). Para corroborar a devida contabilização, apresentamos nesta oportunidade, o razão contábil daquela empresa, com a provisão do IOF sobre as operações de seguros e baixa dos valores recolhidos, devidamente escriturados na conta 4801.351.000 – “TR/IOF S/SEGUROS”; d) posteriormente, conforme documentos nos autos, o Itaú Unibanco repassou os valores a Recorrente, sem a inclusão do IOF pago, posto que efetuou a retenção do tributo quando do pagamento dos prêmios; e) que apesar de todo exposto, a Recorrente, por equívoco, também efetuou o recolhimento do imposto quando do repasse dos valores pelo Itaú Unibanco, ocorrido em 26.02.2008, no valor de R$ 96.745,72, conforme DARF anexados e devidamente contabilizados, conforme razão contábil apenso aos autos; f) que tais informações, são de fácil verificação, visto que nos autos foram acostados (i) os relatórios analíticos e (ii) telas dos sistemas internos da requerente. Informa ainda que, como informado, a Recorrente procedeu o recolhimento do IOF em 05.03.2008, no valor de R$ 96.745,72, quando do repasse, pelo responsável tributário (Itaú Unibanco), ocorrido aos 26.02.2008. Demonstra em seu recurso a Agenda Tributária, conforme ADE Codac nº 13/2008. Por fim, solicita que, caso não seja provido seu pedido, que seja o processo novamente convertido em diligência para que a unidade de origem providencie novamente a análise detalhada dos documentos juntados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A respectiva manifestação da Recorrente há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904946/201246 Acórdão n.º 3802004.036 S3TE02 Fl. 280 7 Como já frisado, no caso sob análise, temos que a retenção na fonte de IOF incidente sobre operações de seguro, foi efetuado pelo Itaú Unibanco, CNPJ 60.701.190/000104. Afirma a Recorrente que o montante devido no 3º decêndio de fevereiro de 2008 foi devidamente recolhido por aquela pessoa jurídica, tendo a própria Recorrente recolhido igual valor, indevidamente, vez que a responsável legal pela retenção e recolhimento era o Itaú Unibanco na qualidade de estipulante do contrato de seguro. A controvérsia trata de questão de fato, pois quando da conclusão do Despacho Decisório, foi constatado ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na DCOMP colacionada aos autos, uma vez que, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado, após o retorno da diligência solicitada, que: “(...) não há coincidência entre os períodos de apuração do IOF indicados pela manifestante e pelo Itaú Unibanco e, tampouco do valor constante como tendo sido por este recolhido de R$ 96.733, 71 (total do IOF indicado na Tabela 1), diferente do que teria sido recolhido indevidamente pela manifestante, de R$ 96.745,72 . Nesse caso, que a compensação pretendida do IOF, no valor de R$ 94.765,51, como pretenso crédito em favor da pessoa jurídica, não é possível, pois os valores da Tabela 1, acima, referemse a fatos geradores do IOF de outros decêndios, entre os quais não se inclui o 3º decêndio de fevereiro de 2008”. Quanto a divergência dos períodos de apuração constante da decisão da DRJ acima citada, a recorrente pontua que decorre do fato do Itaú Unibanco ter recolhido o IOF à medida que os prêmio eram pagos e a Recorrente ter se equivocado e recolhido o IOF quando do repasse do prêmio pelo Itaú Unibanco. Em que pese tal ocorrido, ambos os recolhimentos de IOF referemse ao mesmo fato gerador. Como visto, a autoridade administrativa não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte pois “não é um crédito líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN, por estar em discussão administrativa e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos.” A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão desta Turma, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem, que após os exames dos documentos que se encontra acostados nos autos, a DEINF se pronunciou da seguinte forma: (...) Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 104 a 229. Isto porque não foi possível estabelecer a correspondência entre as operações detalhadas na tabela de fls. 192, e os lançamentos contábeis de fls. 175 a 178, da contabilidade do Itaú Unibanco, bem como os lançamentos contábeis de fls. 193 e 194, da contabilidade de Itaú Seguros (grifamos). Como já dito, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904946/201246 Acórdão n.º 3802004.036 S3TE02 Fl. 281 9 Já o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Da análise das normas supracitadas, quedase clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade. Neste escopo e como já abordado, considerando o princípio da verdade material no processo administrativo fiscal e visando uma melhor aplicação do Direito, bem como às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que os autos retornassem à DRF do domicílio tributário do recorrente, para com base nos documentos anexados aos autos (fls.104/229), elaborasse parecer sobre o alegado crédito. No entanto, quando do retorno dos autos para novamente ser apreciado pela Turma, restou, que não foi possível comprovar a liquidez e a certeza do indébito solicitado, pois o Fisco informa em seu relatório de diligência que “não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado” (fl. 239). Repisando, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. E a não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na apresentação da documentação insuficiente à verificação do direito creditório alegado, não pode redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Portanto, a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Do pedido para novamente converter o processo em diligência O Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93).Negritei. No presente caso, a Recorrente requer o deferimento de nova conversão em diligência para fins de constatação da veracidade dos fatos alegados. Inicialmente, cumpre destacar que já foi realizada a diligência, conforme Resolução nº 3802000.219, de 23/07/2014 (fls. 232/237), para o atendimento das verificações desejadas por este Colegiado. Como é cediço, a realização de diligências ou perícias, sendo faculdade que assiste ao julgador administrativo quando entendêlas necessárias à formação de sua convicção, se presta para dirimir suas dúvidas em relação ao conjunto probatório carreado aos autos, e não, como deseja a recorrente, para suprir o ônus que lhe cabe de juntada dos elementos de prova do direito creditório alegado. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Decorre também do mencionado preceito do CTN que não faz sentido baixar novamente o processo em diligência para exame da documentação comprobatória do suposto crédito alegado, visto que tal procedimento já foi efetuado e o seu resultando proferido pela autoridade fiscal, conforme o contido no documento de fls. 239/240. Portanto, vêse que o Recorrente teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e esclarecedores e não o fez de forma satisfatória no momento oportuno. Dessa forma, indefiro o presente pedido de diligência. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904946/201246 Acórdão n.º 3802004.036 S3TE02 Fl. 282 11 Conclusão Pelos motivos acima expostos, e tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento apropriado, deve ser negado provimento ao recurso voluntário ora analisado. Posto isto, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000049/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004, 2005
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz.
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS.
A legislação tributária autoriza o fisco ao acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passou-se a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Trata-se de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Relação de valores desacompanhada da documentação comercial de transferências entre empresas não se presta para comprovar as operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Numero da decisão: 1402-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004, 2005 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. A legislação tributária autoriza o fisco ao acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passou-se a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Trata-se de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Relação de valores desacompanhada da documentação comercial de transferências entre empresas não se presta para comprovar as operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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GÊNEROS ALIM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou no 142 do CTN. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. A legislação tributária autoriza o fisco ao acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Relação de valores desacompanhada da documentação comercial de transferências entre empresas não se presta para comprovar as operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 49 /2 00 9- 79 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000049/200979 Acórdão n.º 1402001.883 S1C4T2 Fl. 1.614 2 Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000049/200979 Acórdão n.º 1402001.883 S1C4T2 Fl. 1.615 3 Relatório Arara de Araruana Com. de Gêneros Alimentícios Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela DRF Niterói (RJ), referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica — IRPJ, no valor de R$ 1.470.983,13 (fls. 5/9 e 76/81; termo de constatação as fls. 10/75), a contribuição para o programa de integração social — Pis, no valor de R$ 478.069,41 (fls. 82/92), a contribuição para o financiamento da seguridade social — Cotins, no valor de R$ 2.206.474,73 (fls. 93/103), e a contribuição social sobre o lucro liquido — CSLL, no valor de R$ 794.330,91 (fls. 104/114), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 Fundamentaram as exações: faltas de comprovações das origens dos recursos depositados em contas bancárias, nos montantes de R$ 31.306.809,08 em 2004 e R$ 42.133.122,55 em 2005, caracterizando omissões de receitas. 3 Ao impugnar as exigências, fls. 441/442 (documentos de fls. 443/450), o interessado alega, em síntese, que: apresentou planilhas demonstrando transferências oriundas de outras empresas nas quais participam seus sócios; na elaboração do auto de infração não foram deduzidas as receitas oferecidas à tributação nas DIPJ apresentadas. 4 É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 23.751 (fls. 496501) de 16/04/2009, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Relação de valores desacompanhada da Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000049/200979 Acórdão n.º 1402001.883 S1C4T2 Fl. 1.616 4 documentação comercial de transferências entre empresas não se presta para comprovar as operações. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 08/05/2009 (A.R. de fl. 564) a interessada interpôs recurso voluntário em 04/06/2009 (fls. 516546) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000049/200979 Acórdão n.º 1402001.883 S1C4T2 Fl. 1.617 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade dos lançamentos suscitada Roga a Recorrente pela nulidade dos lançamentos eis que escorado nas Leis n° 9.311/96 e 10.174/01. Aduz que o início do processo de fiscalização se deu em 23/05/2008, e que a norma aplicável deveria ser aquela vigente ao tempo do procedimento fiscal. Não vislumbro as preliminares de nulidade suscitadas. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ademais, a fundamentação legal a escorar os lançamentos deve ser aquela vigente à época dos fatos geradores. Vale dizer que os lançamentos se referem aos anos calendário de 2004 e 2005, e o lançamento, conforme se constata à fl. 10, foi fundamentado nos arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430/96 e art. 528 do RIR/99, todos válidos à época dos fatos geradores. Quanto à ilegalidade do ato praticado, entendo que o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, abaixo transcrito, legitima a análise com base em depósitos bancários. Tal comando legal condiciona o acesso do Fisco aos dados bancários somente à Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000049/200979 Acórdão n.º 1402001.883 S1C4T2 Fl. 1.618 6 existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Por fim, quanto à alegação de inconstitucionalidade da base legal para a quebra do sigilo bancário, ressalto que, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). É certo que existe decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), dando provimento ao Recurso Extraordinário nº 389.808/PR em que se questiona o acesso da Receita Federal a informações fiscais da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do citado Recurso Extraordinário foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, e tendo em vista que não há previsão regimental em vigor que determine o sobrestamento dos processos nessa situação, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000049/200979 Acórdão n.º 1402001.883 S1C4T2 Fl. 1.619 7 Nesse sentido, é farta a jurisprudência administrativa apontando nessa direção. Vejase o Acórdão nº 130100486 da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do CARF, de 27/01/2011, por ser representativo. NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. NÃOOCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante a observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Diante do exposto, é de se rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas pela Recorrente. Do mérito Da omissão de receitas Quanto ao mérito, entendo que a decisão recorrida enfrentou adequadamente a matéria, motivo pelo qual adoto seus fundamentos como razão de decidir nesse voto, na forma a seguir apresentada. Em que pese o entendimento em sentido divergente da Recorrente, entendo que, com o art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos (art. 287 do RIR/1999). Tratase de presunção legal que, intimada a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser da contribuinte. Nessa esteira, a interessada foi intimada por três vezes (fls. 164/212, 215/257 e 263/315) a identificar as origens dos recursos relativos aos depósitos bancários indicados e suas contabilizações. Em resposta, informa apenas que parte dos valores eram decorrentes de transferências entre empresas com participações societárias de seus sócios. Para comprovar apresenta relações dos valores (fls. 318/389). Como dito acima, uma vez intimada a contribuinte para comprovar as origens dos depósitos bancários, o ônus da prova passa a ser dela e não do Fisco. Com efeito, os elementos apresentados pela interessada na fase de autuação não comprovam as alegações. As transferências entre as empresas deveriam estar documentadas com os extratos bancários dos remetentes dos valores, demonstrações dos registros contábeis das empresas remetentes e do interessado, os motivos das transferências e a respectiva documentação comercial. Simples relações de valores não podem servir como plena comprovação dos depósitos, como quer fazer crer a Recorrente com a documentação acostada às fls. 347/386 (anocalendário de 2004) e 388/416 (anocalendário de 2005). Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000049/200979 Acórdão n.º 1402001.883 S1C4T2 Fl. 1.620 8 Em se tratando de depósitos bancários de origens não comprovadas, cada valor constituise por si próprio na presunção relativa de omissão de receita, tributandose o somatório dos valores nesta condição. A matéria não é nova neste CARF. Vejase os acórdãos correlatos: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão 1402001.573 de 12/02/2014) "NUMERÁRIO EM CONTA BANCÁRIA — FALTA DE ESCRITURAÇÃO — Considerase omissão de receita o ingresso de numerário em conta corrente bancária de pessoa jurídica, quando não comprovada a origem desses valores mediante apresentação de documentação hábil e idônea, apesar de intimado para tanto." (Acórdão 10321.280 de 12/6/2003) "RECEBIMENTO DE CHEQUES DEPOSITADOS EM CONTAS BANCÁRIAS MANTIDAS PELA PESSOA JURÍDICA — ORIGEM DO RECURSO — A não comprovação da origem dos recursos representados por cheques recebidos de terceiros, depositados em contascorrentes tituladas pela pessoa jurídica, aliada impossibilidade de identificação das correspondentes operações na escrita contábil por ela mantida, autoriza a presunção de que tais recursos se originaram de receitas mantidas à margem da escrituração, e o seu conseqüente arrolamento para fins de tributação." (Acórdão 10514.132 de 11/6/2003) Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 17460.000913/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Incidência da norma tributária prevista no art. 173, I, do CTN. Encontra-se finado pela decadência o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 173, I, do CTN. Encontrase finado pela decadência o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 09 13 /2 00 7- 96 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 Data de lavratura da NFLD: 28/09/2006. Data da Ciência da NFLD: 02/10/2006. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedentes as impugnações oferecidas pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.902.5889 consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, decorrentes de responsabilidade solidária, incidentes sobre os valores constantes nas notas fiscais de serviços, apurados por aferição indireta, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 29/34. Não se conformando com o lançamento, a prestadora de serviços apresentou impugnação administrativa a fls. 48/49. Igualmente irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado responsável solidário apresentou impugnação a fls. 95/109. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0216.932 – 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 206/212, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Notificado, devedor solidário, assim como o devedor principal, foram cientificados da decisão de 1ª Instância no dia 22/02/2008, conforme Avisos de Recebimento a fls. 221 e 222, respectivamente. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Notificado interpôs recurso voluntário, a fls. 223/247, requerendo ao fim a declaração de improcedência do lançamento em debate. O devedor principal não interpôs recurso. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17460.000913/200796 Acórdão n.º 2302003.603 S2C3T2 Fl. 474 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios em 20/03/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo Fl. 476DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17460.000913/200796 Acórdão n.º 2302003.603 S2C3T2 Fl. 475 5 lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre, irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17460.000913/200796 Acórdão n.º 2302003.603 S2C3T2 Fl. 476 7 De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate aos 02 dias do mês de outubro de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2000, inclusive, nos termos do inciso I do art. 173 do Codex tributário. Ora, sendo de 01/05/1995 a 31/01/1999 o período de apuração do lançamento em realce, há que se reconhecer que na data da lavratura da NFLD em debate já se havia escoado integralmente o prazo concedido pela lei, na expressão do art. 173, I, do CTN, para que o Fisco procedesse à constituição do crédito tributário em questão, circunstância que se configura hipótese de sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15374.963929/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 14 1 13 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.963929/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.629 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente UNIVERSAL MUSIC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 29 /2 00 9- 17 Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 25 de junho de 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 08697.34150.160109.1.3.045068 (fls. 195 a 199), transmitido em 16/01/2009 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 12/2008. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao PIS, relativo ao período 10/2005, no valor total de R$ 300.787,28, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 56.477,73. À fl. 191 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 10/11/2009 (fl. 288), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 02 a 16), alegando, em resumo, que: Foi intimada acerca da decisão atacada por correspondência com aviso de recebimento, recebida em 19/10/2009, sendo a presente manifestação tempestiva; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 17 4 A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 18 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963929/200917 Acórdão n.º 3801003.629 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10480.901177/2008-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 11 77 /2 00 8- 99 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade,nos termos da ementa transcrita abaixo: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. E o artigo 170A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901177/200899 Acórdão n.º 3801004.644 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721195/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO.
Não devem ser conhecidos os embargos de declaração que visam unicamente rediscutir o mérito de questões já devidamente julgadas.
Numero da decisão: 1302-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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REDISCUSSÃO DO MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidos os embargos de declaração que visam unicamente rediscutir o mérito de questões já devidamente julgadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 1302001.486, cuja ementa assim dispõe: “ Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 95 /2 01 1- 02 Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Anocalendário: 2007 POSTERGAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DEFESA. Quando a alegação de postergação no reconhecimento de receita é trazida pela recorrente em sua defesa, cabe a ela o ônus de provar que a receita operacional teria efetivamente composto o lucro real e a base ajustada de períodos posteriores. MULTAS ADMINISTRATIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço. A dedução das multas administrativas das bases de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, ou melhor, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.”. Em seus embargos de declaração, a embargante alega, em apertada síntese, o seguinte: a) que caso prevaleça o entendimento manifesto no auto de infração e no v. acórdão recorrido, imporseá ônus tributário à Embargante à margem da lei, na medida em que esta efetuou o recolhimento do IRPJ ed CSLL sobre as receitas não operacionais reconhecidas no mês de janeiro de 2008 unicamente com o intuito de estoornar as despesas incorretamentemente deduzidas e atender ao regime de competência; b) que requer sejam os presentes embargos de declaração conhecidos e providos para que o Colegiado, atribuindolhe efeitos infrigentes, possa suprir os vícios apontados. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Os embargos de declaração são tempestivos, razão pela qual passo a analisar os outros pressupostos de admissibilidade. Os embargos de declaração são o remédio processual adequado quando a decisão embargada incorre em obscuridade, em contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou em omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. Logo, os embargos de declaração não servem para se reabrir discussão sobre o mérito de decisão embargada. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721195/201102 Acórdão n.º 1302001.573 S1C3T2 Fl. 1.209 3 No presente caso, os fundamentos dos embargos de declaração, ora em julgamento, deixam claro que os embargantes não só entenderam a fundamentação do acórdão embargados, como repetem todas as argumentação já enfrentada, para tentar reverter, em sede de embargos, o que fora decidido no mérito A clareza da decisão embargada estampa o manejo indevido e abusivo dos embargos no presente caso, se não vejamos, os seguintes trechos do referido voto condutor: “Quanto ao estorno, o Acórdão recorrrido sustenta que: “Além disso, não é demais observar que os ajustes de exercícios anteriores não transitam pelo resultado (art. 186, § 1o. da Lei nº 6.404, de 1976), fato que evidencia que o estorno contábil não necessariamente tenha afetado o resultado tributável do ano subsequente ao que a escrituração foi efetuada indevidamente.”. Ou seja, para a DRJ, a contrapartida do débito da conta passiva inexistente teria sido crédito em conta de PL (lucros acumulados), o que afastaria por completo a questão da postergação, mas também não indica o documento constante dos autos que prove o alegado. A recorrente, por sua vez, sustenta que contabilizou “uma receita não operacional em seus registros, como contrapartida a essa reversão de passivo, impactando, obviamente, a apuração do IRPJ e da CSLL, mas também não indica o documento constante dos autos que prove o alegado. O TVF a fls. 378 informa que: “Conforme se verifica, as referidas despesas foram apropriadas no perído fiscalizado, todavia foram estornadas no período seguinte. Cabe ressaltar que o contribuinte apresentou os documentos comprobatórios referentes ao estorno dessas despesas”. Ao se verificar o documento a que se refere o TVF (resposta ao Termo de Intimação nº 8), deparase com extratos de lançamentos a fls. 89 e 90, os quais informam lançamento com a seguinte descrição: “Lançamento Est. Provisão Jurídico”, em que o cabeçalho não deixa dúvida que “Est.” significa estorno. Assim, não está certa nem a DRJ nem a recorrente. A DRJ não está certa, pois a contrapartida não teria sido em conta de PL. Já a recorrente também não está certa, pois, sendo tratado como estorno de provisão, ou seja, reversão de provisão, a receita gerada não é tributável, razão pela qual não há falar que houve postergação. Como a questão da postergação foi levantada pela recorrente em sua defesa, cabia a ela o ônus de provar que a receita operacional relativa à insubsistência do passivo em tela teria efetivamente composto o lucro real e a base ajustada da CSLL do ano de 2008, porém, pelos documentos a fls. 89 e 90 por ela trazidos para sustentar a sua defesa, o que se constata é justamente um indício em sentido contrário, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto.” Assim, os embargos de declaração, ora em análise, não apontam qualquer Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 contradição, omissão ou obscuridade, pois articulam argumentos que deixam claro, primo ictu oculi, a intenção de apenas rediscutir o mérito da decisão embargada. Como se vê, estamos diante de mais um entre tantos casos de manejo flagrantemente abusivo de embargos de declaração, com o fito único de rediscutir os fundamentos da decisão embargada, conduta que muito tem contribuído para o desprestígio desse importante instrumento processual. Em face do exposto, voto por não conhecer dos embargos de declaração. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10983.905055/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000
COFINS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
O valor referente à retenção na fonte da COFINS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos.
Numero da decisão: 3401-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000 COFINS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte da COFINS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte da COFINS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 55 /2 00 8- 19 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, pelo qual a Contribuinte pretende o ressarcimento da COFINS recolhida supostamente a maior para compensar com outros débitos também da COFINS. O crédito é oriundo de retenções na fonte praticadas por órgãos público que não foram utilizadas para abatimento do valor devido no período retido. O crédito foi indeferido por despacho decisório e a DRJ em Florianópolis/SC manteve o indeferimento. A Recorrente recorreu tempestivamente da decisão da DRJ. Em primeira análise por este colegiado, sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, o julgamento foi convertido em diligência sob o fundamento de que, apesar de a Contribuinte ter direito ressarcimento, não se saber qual era o valor do crédito. O processo foi analisado pela segunda vez, ocasião na qual novamente foi convertido em diligência, para que a Recorrente sanasse um vício de representação, e se pronunciasse acerca da conclusão da primeira diligência. Em terceira análise, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a delegacia de origem buscasse no SIAFI ou junto à Contribuinte os comprovantes de retenções alegados. O relatório da diligência, presente nas fls. 144/145, informa a existência de retenção no valor de R$ 8.420,17 e que a Recorrente não utilizou esse valor para dedução do valor devido no período, contudo conclui pela inexistência do crédito em razão de, no entender da autoridade fiscal, o crédito não atender aos ditames legais. A Recorrente se manifestou informando que em outros processos de matéria idêntica o CARF já se manifestara no sentido de que a parcela de retenção que não foi utilizada pelo contribuinte na apuração dos seus tributos caracterizase como pagamento indevido ou a maior. É o Relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.905055/200819 Acórdão n.º 3401002.797 S3C4T1 Fl. 164 3 Voto Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O julgamento da presente demanda resumese a duas partes, a primeira quanto a possibilidade de ressarcimento da parcela da COFINS retida na fonte por entidade pública e não aproveitada, pela Contribuinte, para abatimento do valor devido; a segundo, se, de fato, existe algum valor retido e não utilizado. Na primeira análise do recurso voluntário, muito embora o julgamento tenha sido convertido em diligência, no voto do relator original, aprovado por unanimidade, já foi analisada a primeira parte e se concluiu pela possibilidade de ressarcimento de tais créditos para compensação, conforme fl. 83/87 dos autos, in verbis (...) constatase pelo Despacho Decisório expedido eletronicamente pela DRF/FlorianópolisSC, que o motivo do não reconhecimento do crédito foi a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do referido Darf indicado pela interessada como originário do pagamento indevido ou a maior. Assim, somente com as informações trazidas pela interessada na Manifesto:0o de Inconformidade veio a tona a completa identificação do alegado crédito, ou seja, conforme dito acima, que o mesmo seria decorrente de retenção na fonte sofrida em face da regra do art. 64 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e não aproveitada para reduzir o valor do saldo apagar da contribuição. E a DRJ, por seu turno, atribuiu a inobservância da forma o motivo da não homologação da compensação, ou seja, mesmo admitindo, ou não ter questionado, a retenção na fonte, considerou que a Dcomp haveria de ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações nos quais a interessada apurara e declarara os valores devidos e a pagar relativos as contribuições objeto das retenções e aos períodos base a que pertencem. Sobre o referido art. 64 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, é bom que se esclareça o seu teor, ou seja, a partir de 1° de janeiro de 1997, todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, passaram a sujeitarse a incidência, na fonte, do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/PASEP sendo que o "valor retido": a) é levado a crédito da respectiva conta de receita da União (§ 2°); b) é considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e as mesmas contribuições (§ 3°); e c) somente pode ser compensado com o que for devido em relação a mesma espécie de imposto ou contribuição (§ 4°) Alem disso, a segregação do valor retido, de acordo com o imposto ou a contribuição, ficou estabelecida da seguinte forma: o IRPJ, mediante a aplicação de 15% sobre o Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 resultado da aplicação do percentual de que trata a Lei n° 9.249/95; a CSLL, de I% sobre o valor do montante pago, e o P1S/Pasep e a Cofins, dos percentuais correspondentes as respectivas aliquotas (§§ 5° ao 8°). O primeiro ato infralegal dispondo especificamente sobre essa modalidade de retenção na fonte foi a Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 04, de 18 de agosto de 1997, a qual estabeleceu regras para a retenção e trouxe uma tabela de retenção, segundo a qual, para os serviços prestados sob o titulo de "energia elétrica", o percentual aplicado seria de 4,85%, correspondente a soma dos percentuais de 1,2% (IRPJ), 1,0% (CSLL), 2,0% (Cofins) e 0,65% (PIS/Pasep), bem como que o código de recolhimento seria "6147". Referido ato prevaleceu, com algumas modificações posteriores até a edição da IN SRF n° 294, de 04/02/2003, que o revogou, tendo sido editada, para tratar da matéria, a IN SRF n° 306, de 12/03/2003,fixando, no que interessa ao processo, as mesmas regras listadas acima. Esta última Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF n°480, de 15/12/2004, a qual manteve, no que interessa ao processo, as mesmas disposições listadas acima, com alguma ou outra mudança não significativa para este julgamento. Com base nessas informações, podemos concluir que o DARF indicado pela interessada como origem para o crédito postulado, cujo código de recolhimento utilizado fora o "6147", referese, de fato, à retenção efetuada pela Universidade Federal de Santa Catarina em face de pagamento a interessada pela venda de energia elétrica. Podemos concluir, também, que o seu valor é composto por outros tributos além do PIS/Pasep, e que, nos termos dos parágrafos 3° e 4° do referido artigo 64, a interessada poderia ter diminuído do valor do PIS/Pasep devido o valor que lhe fora retido na fonte a esse titulo.Assim, diante das afirmações taxativas da interessada, de que bastaria a confrontação de sua DCTF, na qual está indicado o valor devido, com o Darf recolhido a esse titulo, para verificar que não se valeu da permissão legal de utilizar o valor retido na fonte, podese dizer que, de fato, e, em princípio, incorreu ela, por seu erro, num pagamento indevido ou a maior. A ressalva que fiz no parágrafo anterior devese ao fato de que, apesar de fortes indícios, o direito ao crédito não foi demonstrado corretamente pela interessada, dai a DRI não ter admitido a compensação. A DRJ tem razão quanto a inobservância da forma adequada, haja vista que a interessada deveria ter indicado na PER/Dcomp como origem de seu crédito o "pagamento indevido ou a maior" relacionado, não ao recolhimento efetuado pela Universidade de Santa Catarina e que correspondeu ao valor por esta retido na fonte a titulo de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, mas, sim, o recolhimento efetuado por ela própria, a interessada, relacionado ao débito do PIS/Pasep do mesmo período de apuração correspondente ao que gerou a referida retenção na fonte. Pois, como visto e revisto acima, não houve erro e Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.905055/200819 Acórdão n.º 3401002.797 S3C4T1 Fl. 165 5 tampouco pagamento indevido ou a maior quando Universidade de Santa Catarina recolheu o valor da retenção na fonte, mas, sim, quando a interessada deixou de diminuir do valor a pagar da contribuição o valor da retenção sofrida na fonte, o que provocou o pagamento indevido ou a maior ora em discussão. Observo, contudo, que, ainda que a interessada tivesse assim procedido, seu pleito também não seria admitido de plano, ainda mai se considerarmos que o "batimento" das informações foi eletrônico, haja vista que os sistemas da Receita Federal fariam o confronto entre o valor do débito indicado na DCTF e o valor do recolhimento da contribuição e, obviamente, não se encontraria o crédito apontado no PER/Dcomp, que referese ao valor da retenção na fonte. E que, dadas as limitações dos campos disponibilizados para preenchimento nas PER/Dcomp, somente por ocasião da Manifestação de Inconformidade, ou por meio de petição suplementar, é que a interessada, então, teria a oportunidade de explicar as verdadeiras razões de seu pedido de reconhecimento de crédito. Além disso, não estivessem ainda sido retificados os registros e as declarações nas quais apurou e declarou os valores devidos e apagar, por óbvio, não se constataria erro algum no pagamento efetuado. Estou perfeitamente de acordo com a fundamentação utilizada pela instância de piso, especialmente quando ela diz:"É preciso ressaltar que as retenções na fonte previstas no artigo 64da Lei n.° 9.430/1996, acabaram merecendo disciplina complementar em alguns atos administrativos, como tais a Instrução Normativa SRF n.° 306, de 12/03/2003, e a Instrução Normativa SRF n.°480, de 15/12/2004. Em tais atos, está expresso que "os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do ma da retenção" (artigo 5.0 da IN SRF n.° 306/2003) e que" os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção" (art. 7o da IN SRF n.°480/2004). Como se vê, tais atos administrativos expressamente permitem que os valores retidos sejam utilizados para compensar débitos relativos a períodosbase_posteriores, mas certo é que tais disposições devem ser devidamente cruzadas com a natureza própria das retenções da fonte, expressa no parágrafo 3.0 da Lei n.° 9.430/1996, ou seja, o direito a compensação com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que as retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte.Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores." Porém, com a devida vênia, dela divirjo nas conclusões, ou seja, o pleito da interessada não pode ser considerado improcedente pela mera inobservância deforma, já que "forma por forma", também não poderia a DRJ ter deixado Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 de observar que a atribuição de verificação quanto a procedência ou não da compensação é da DRF, e não dela, e como visto, a fundamentação constante do Despacho Decisório para não homologar a compensação nada teve a ver com o motivo alegado pela DRJ. Vejase, por exemplo, os dispositivos da IN SRF n° 210, de 2002, que tratam da competência para o reconhecimento do direito creditório e para a homologação da compensação declarada: "Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a titulo de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, a data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) §1o A restituição ou a compensação de oficio do crédito do sujeito passivo com seus débitos para com a Fazenda Nacional caber6 ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, a data da restituição ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo. (...) §5o A homologação de Declaração de Compensação apresentada pelo sujeito passivo a SRF será promovida pelo titular da DRF, Derat ou Deinf que, a data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo, observado, quanto ao reconhecimento do direito creditório, o disposto no sS' 6°. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003)".] (...) Além disso, como afirmado acima, não há na PER/Dcomp campo próprio para que os detalhes que cercam esse tipo de pleito possam ser melhor esclarecidos pelos contribuintes, o que somente é possível, ou por meio de petição adicional, ou quando da apresentação de reclamação contra um despacho decisório desfavorável. Deixo aqui consignada a minha convicção, obtida dos elementos e argumentos trazidos pela Recorrente aos autos, de que existe o direito ao crédito por conta de não telo utilizado consoante a lei lhe facultava, porém, o seu reconhecimento efetivo para fins de aproveitamento em compensação não pode ser obtido neste julgamento em face de depender de providencias que :16 poderiam ter sido tomadas nas fases processuais anteriores, haja vista que as informações e documentos carreados ao processo pela interessada foram suficientes para que se aprofundasse nas investigações agora reclamadas. Neste ponto, invoco os princípios de direito administrativo aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal Federal, notadamente os da legalidade, moralidade, da eficiência e o da Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.905055/200819 Acórdão n.º 3401002.797 S3C4T1 Fl. 166 7 finalidade, bem como os princípios da verdade material, para proferir o meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem, agora sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifeste, facultando à mesma a oportunidade para também manifestarse, no prazo de trinta dias. 0 presente processo somente deverá voltar a este Colegiado se, da nova análise a ser efetuada quanto ao crédito, ainda assim não restar homologada a compensação declarada e contra tal decisão a interessada se insurgir.(grifos nossos) Por essa razão, reputo já ultrapassada a questão da possibilidade de ressarcimento da contribuição retida na fonte, restando analisar somente se existiu retenção não aproveitada para abatimento. Quanto à segunda parte, o relatório de diligência foi expresso em afirmar a existência de retenção no valor de R$ 8.420,17 que não foi utilizado para dedução do valor devido no período da retenção. Portanto, concluise pela existência de crédito em favor da Recorrente. Ex positis¸ dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer em favor o direito creditório no valor R$ 8.420,17. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14041.001182/2008-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 01 18 2/ 20 08 -2 0 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0337.028 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, contra a empresa em epígrafe, cujo montante consolidado em 18/11/2008 é de R$2.267.196,11 (dois milhões, duzentos e sessenta e sete mil cento e noventa e seis reais e onze centavos), referente às competências: 01/2003 a 12/2007. A ação fiscal foi instituída pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n°. 01.1.01.002008005343, de 28 de maio de 2008. De acordo com o relatório fiscal, fls. Nºs 09/20, o objeto do presente Auto de Infração são as 'contribuições sociais, não declaradas em GFIP, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da UBEC. Tratase das contribuições previdenciárias dos segurados, calculadas com base nas remunerações não declaradas em GFIP, conforme especificado no Relatório Fiscal. 0 crédito foi constituído com base nas seguintes rubricas: I — Descontos concedidos nas mensalidades escolares (bolsas), aos segurados e/ou aos dependentes destes, cujos valores foram apurados com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pelo contribuinte em meio magnético. II— Fornecimento de Alimentação aos Trabalhadores Durante a ação fiscal, ficou constatado que o contribuinte em questão não aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. Dessa forma, foram lançados os valores devidos, com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pela empresa. III — Remunerações Lançadas na Folha de Pagamento — Não Declaradas em GFIP Após análise das folhas de pagamento, confrontadas com as informações das GFIP, verificouse a existência de trabalhadores informados nas Folhas de Pagamento, mas não declarados em GFIP. A relação dos trabalhadores encontrase anexa ao Relatório Fiscal. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 4 3 IV — Remuneração Lançada na Contabilidade, Não Declarada em GFIP Com base nos registros contábeis apresentados pela empresa, foram constatadas divergências relacionadas As remunerações pagas, devidas ou creditadas a Contribuintes Individuais. Tendo em vista que, pela contabilidade, não foi possível identificar nominalmente os referidos Contribuintes Individuais, o crédito foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, com base nos totais mensais por competência. Como critério, foram apurados os totais mensais lançados na conta "5.1.2.3.01.01 — Serviço Prestado PF/Autônomo", deduzidos dos valores declarados em GFIP e dos valores levantados por ocasião da ação fiscal. Para fins de apuração das contribuições devidas pelos contribuintes individuais, foi utilizada a alíquota de 11% sobre a remuneração mensal aferida e a alíquota mínima de 8% para remuneração dos segurados empregados, deduzidos os valores já declarados, os quais foram catalogados nos seguintes papéis de trabalho: CND — CONTR INDIV CONTAB NÃO DECL; END — EMPREGADOS CONTAB NÃO DECL. IV — Contribuições Previdenciárias dos Segurados. A contribuição do segurado foi obtida mediante resultado da aplicação das alíquotas vigentes no período da ocorrência do fato gerador, conforme faixa salarial, respeitandose o limite máximo de contribuição. Dos valores apurados, foram subtraídas as contribuições dos segurados descontadas e declaradas nas GFIP, resultando, assim, nas diferenças lançadas a esse titulo. Foram considerados, ainda, para efeito de apuração da referida contribuição, segurados detentores de múltiplos vínculos que contribuíram pelo teto. As diferenças apuradas foram agrupadas nos seguintes levantamentos: CSE: CONTRIBUIÇÃO DE SEGUR. EMPREGADO; CSC: CONTRIBUIÇÃO DE SEGUR. CONTR. INDIV. Para fins de apropriação das guias de recolhimento foram consideradas as contribuições de empregados e contribuintes individuais (levantamentos GFE e GFC, respectivamente), declaradas pela empresa nas GFIP. Para tanto, houve a necessidade de alteração do código de recolhimento para "2100". Da Impugnação Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 24/49, cujas razões de defesa são as seguintes: Informa que se trata de entidade de direito privado, que, em 04/06/1981, foi declarada de Utilidade Pública Federal, mediante o Decreto n.° 86072; e Municipal, conforme Decreto n.° 220, de 31/08/2005, pela Prefeitura Municipal de Silvânia, mediante a Lei Municipal n.° 1422, de 31 de agosto de 2005. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 5 4 Que aderiu ao PROUNI — Programa Universidade Para Todos, instituído pela lei n.° 11.096/05, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo e tendo, portanto, assegurado o seu direito a isenção de tributos, na forma do art. 8°, III, da lei n.° 11.096/05, que preceitua a isenção da Contribuição Social sobre o Financiamento da Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n.° 70, de 30 de dezembro de 1991. Que requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n.° 3.577/59. Que obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n.° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria e faz jus à imunidade do art. 195, §7° da Constituição Federal, por preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9° e 14 do CTN. Apesar disso, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e a imunidade, o que a levou a promover a Ação Ordinária (Proc. 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade. A ação foi julgada procedente em 1° grau. A pretexto de que a entidade não preenchia os requisitos do art. 14 do CTN, nos termos da Decisão Notificação n.° 23.401, de 04/03/2006 e do Ato Cancelatório n.° 23.401.002/2006, de 25/09/2006 — cuja legalidade encontrase sub judice — a autoridade administrativa passou a negarlhe o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando sete autos de infração, com exigência de principal e multa. Ante o exposto requer: Preliminarmente Nulidade do Lançamento por Falta de seus Elementos essenciais Dispõe que o auto de infração não demonstra claramente a conduta infratora adotada pela entidade, lançando mão de arbitramento para calcular o suposto crédito fiscal nele exigido, sem indicar o nome dos contribuintes individuais que seriam devedores das contribuições. Assim, o auto de infração se ressente da falta de requisitos essenciais de validade; Que a obscuridade do auto de infração importa em sua nulidade, por cerceamento do direito de defesa, pois compelir o contribuinte a se defender de autuação que não aponta qual a conduta apenada é violar, frontalmente, o principio da ampla defesa e o direito ao contraditório. Da Decadência dos Valores Exigidos em Períodos Anteriores a 12/2003 Alega que, nos termos do art. 150, §4°, do CTN, encontramse atingidos pela decadência, os fatos geradores anteriores a 20 de novembro de 2003. No Mérito Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo A teor do que estabelece o art. 28 da Lei n.° 8.212/91, os valores que a Impugnante despende com a formação de seus Fl. 425DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 6 5 colaboradores e seus dependentes estão fora do âmbito de incidência da contribuição em questão, assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição da remuneração paga pelo empregador ou tomador do serviço em prol da educação, pois a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade, não cabendo A. fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto rastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que levem a exigência de tributo inexistente; Que a contribuição social em questão só pode alcançar rendimentos pagos pelo empregador em contraprestação a trabalho efetuado por pessoa física. A educação suportada pelo empregador, seja em prol de seus funcionários ou em favor de dependentes destes, não constitui contraprestação pelo trabalho efetuado; logo, não tem natureza de salário. Ademais, tanto a Lei n.° 8.212/91 quanto o RPS reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica. Auxilio Alimentação Dispõe a impugnante que arca com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados; logo, paga, in natura, o auxilioalimentação, o que, a teor da Lei e da jurisprudência, afasta a incidência previdenciária, por não se revestir de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT; Que a doutrina e a jurisprudência divergem sobre se a legislação consagraria o entendimento de que a condição para o gozo da isenção ou "não incidência" seria o fornecimento in natura ou a adesão ao PAT, pois o ato administrativo é meramente declaratório, e não constitutivo. Assim, por não se revestir de natureza salarial, mas de mero estimulo a que a prestação dos serviços se desenvolva em condições de maior e melhor produtividade, resta demonstrada a insubsistência do auto de infração. Além de que o auto seria nulo, de pleno direito, por não levar em conta a parte da alimentação suportada pelo próprio segurado. Divergência entre as Remunerações da Folha de Salários e o Declarado em GFIP Dispõe a impugnante que a autuação não indica, com clareza, os fatos considerados e os critérios adotados para apuração do tributo, o que a leva a juntar farta documentação aos autos. Com relação às diferenças detectadas, foram apontadas supostas inconsistências no relatório da fiscalização, conforme CD entregue, que se refeririam a: a) valores no relatório que não foram extraídos dos registros contábeis nem dos valores declarados em GFIP, conforme consta no ANEXO I (Relatório de inconsistências, pgs. 582/589); b) consideração, na composição dos registros contábeis, da Conta de Provisão de Férias — 5.1.1.1.01.02 — sendo que essa conta não compõe a base de cálculo dos tributos objeto de GFIP (ANEXO I —fls. 208). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 7 6 Em decorrência dessas inconsistências, ocorreram vários lançamentos na conta de Serviços Prestados Pessoa Física, que não configuram fato gerador de contribuição previdenciária, utilizados na composição dos registros contábeis quando o fiscal comparou com o declarado na GFIP (ANEXO II). Alguns Serviços Prestados por Pessoa Física — RPA, que constam nos registros contábeis, não foram localizados na GFIP pela fiscalização devido à data de contabilização estar diferente da competência declarada em GFIP. (ANEXO II) Outros fatores justificam os valores encontrados a maior nos registros contábeis, tais como: a) eventos que não têm incidência de contribuição previdenciária e foram contabilizados nas contas informadas no Relatório de Fiscalização (ANEXO IV), b) eventos que tem incidência de contribuição previdenciária e não foram contabilizados nas contas informadas no Relatório de Fiscalização (ANEXO IV). Com relação aos prestadores de serviço — competências 10/2004, 02/2005, 03/2005 e 04/2005 — realmente a impugnante constatou o engano de não terem sido declarados, razão pela qual fez as devidas retificações e recolheu os valores apurados, conforme guias de recolhimento em anexo. Ilegitimidade da SELIC Que a autuação também é insubsistente por incluir a incidência da taxa SELIC, uma vez que a mesma possui natureza de juros remuneratórios, definidos como medição do rendimento do capital em certo espaço de tempo, o que acarretaria o enriquecimento ilícito da Unido, vedado pelo art. 4° LICC. Da Diligencia Tendo em vista as alegações da Impugnante quanto à existência de erro material no lançamento fiscal, solicitouse que os autos fossem baixados em diligência para que o auditor notificante analisasse a documentação anexada e informasse se eram procedentes as referidas alegações. Em atenção à diligencia solicitada, foi emitido o parecer de fls. 273/274, no qual o Auditor Fiscal autuante ratifica os lançamentos efetuados e informa, em síntese, que: • os trabalhadores informados nas Folhas de Pagamento e não declarados em GFIP foram extraídos dos arquivos magnéticos apresentados pela empresa e discriminados, individualmente; • considerou, na composição dos registros contábeis da conta inerente a férias, as rubricas 5.1.1.1.01.02 e 5.1.1.2.01.02; no entanto, o correto seria considerar os valores baixados a titulo de apropriação das provisões de férias (conta do passivo 2.1.1.9.01.01); porém, o ajuste da conta de férias para composição das bases de cálculo não traria reflexos ao cálculo da contribuição dos segurados empregados, uma vez que a mesma foi obtida mediante o resultado da aplicação das Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 8 7 alíquotas vigentes no período da ocorrência do fato gerador, conforme faixa salarial, respeitandose o limite máximo de contribuição; • que, apesar de mencionada, no relatório fiscal, a utilização da alíquota mínima de 8% sobre a remuneração dos segurados empregados e 11% sobre a remuneração dos contribuintes individuais, a titulo de aferição, foram aferidos apenas os valores correspondentes aos contribuintes individuais. Por falha no Sistema, a parte correspondente aos segurados empregados não foi incluída no presente débito, motivo pelo qual foi confeccionada Representação Fiscal para que a mesma seja incluída em ação fiscal futura. A Impugnante tomou ciência da Diligência Fiscal em 20/01/2010, conforme Aviso de Recebimento As fls. 278, e não apresentou manifestação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Direito à isenção da cota patronal: o Aderiu ao PROUNI "Programa Universidade Para Todos", instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo, e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05, Requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então, a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959. o A Recorrente obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria. o Ação Ordinária (Proc. n" 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7" da CF. o Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. · Decadência. · A nãoincidência de quota patronal sobre bolsas de estudos concedidas a funcionários e seus dependentes Não incidência da quota patronal sobre Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 9 8 auxílioalimentação fornecido, in natura, pelo empregador Divergência entre as remunerações da folha de salários e o declarado na GFIP. · SELIC. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. A folha de rosto do auto de infração em questão registra que um conjunto de documentos integram o lançamento. A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal consta expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante deste Auto: IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento RL Relatório de Lançamentos RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal Ocorre que alguns desses documentos não estão presentes no processo disponibilizado para este conselheiro. Entendo necessário sanar essa falta. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001182/200820 Resolução nº 2403000.288 S2C4T3 Fl. 11 10 CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para sanar a falta apontada. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000766/2005-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF - ANO-CALENDÁRIO: 2000, 2001
Ementa: REMUNERAÇÃO INDIRETA - IMPROCEDÊNCIA - Para que prevaleça a tributação exclusiva na fonte incidente sobre remuneração indireta, é necessário comprovar que os valores
desembolsados pela empresa constituíram beneficio ou vantagem
pessoal aos administradores. Em assim não sendo, é de se
cancelar a exigência.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA - COMPROVAÇÃO - Para a perfeita caracterização da íncidência tributária de que trata o art. 674 do RIR/99, necessário se faz comprovar a entrega de recursos, por parte da pessoa jurídica, a terceiros; além disso, o beneficiário do pagamento deve restar não identificado ou, de outra sorte, não haver comprovação sobre a operação que motivou o pagamento . Havendo falha em algum desses elementos, é de se exonerar o lançamento.
MULTA DE OFÍCIO - PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO -
INCONSTITUCIONALIDADE - O princípio do não-confisco é
aplicável a tributos, que não se confundem com multas. Ademais,
o Primeiro Conselho de Contlíbuintes não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária .
TAXA SELIC - A partir de 10 de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de
inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especia de
Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 105-16.954
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF - ANO-CALENDÁRIO: 2000, 2001 Ementa: REMUNERAÇÃO INDIRETA - IMPROCEDÊNCIA - Para que prevaleça a tributação exclusiva na fonte incidente sobre remuneração indireta, é necessário comprovar que os valores desembolsados pela empresa constituíram beneficio ou vantagem pessoal aos administradores. Em assim não sendo, é de se cancelar a exigência. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA - COMPROVAÇÃO - Para a perfeita caracterização da íncidência tributária de que trata o art. 674 do RIR/99, necessário se faz comprovar a entrega de recursos, por parte da pessoa jurídica, a terceiros; além disso, o beneficiário do pagamento deve restar não identificado ou, de outra sorte, não haver comprovação sobre a operação que motivou o pagamento . Havendo falha em algum desses elementos, é de se exonerar o lançamento. MULTA DE OFÍCIO - PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO - INCONSTITUCIONALIDADE - O princípio do não-confisco é aplicável a tributos, que não se confundem com multas. Ademais, o Primeiro Conselho de Contlíbuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária . TAXA SELIC - A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especia de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 11516000766200513; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2015-01-20T17:09:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 11516000766200513; xmpMM:DocumentID: uuid:c3391058-a831-4fa7-bb77-7edb43435c99; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 11516000766200513; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-01-20T17:09:03Z; created: 2015-01-20T17:09:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; Creation-Date: 2015-01-20T17:09:03Z; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2015-01-20T17:09:03Z | Conteúdo => I I I (J!~L\N(JPOLlS DRF Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão nO Sessão de Recorrente Recorrida • • • .• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA 11516.00076612005-13 153.074 Voluntário IRF - ANOS: 2000 e 2001 105-16.954 17 de abril de 2008 PROSUL - PROJETOS SUPERVISAO E PLANEJAMENTOS LTDA. 3' TURMAlDRJ-FLORIANÓPOLISISC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF - ANO-CALENDÁRIO: 2000, 2001 Ementa: REMUNERAÇÃO INDIRETA - IMPROCEDÊNCIA - Para que prevaleça a tributação exclusiva na fonte incidente sobre remuneração indireta, é necessário comprovar que os valores desembolsados pela empresa constituíram beneficio ou vantagem pessoal aos administradores. Em assim não sendo, é de se cancelar a exigência. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS EIOU SEM CAUSA - COMPROVAÇÃO - Para a perfeita caracterização da íncidência tributária de que trata o art. 674 do RIRl99, necessário se faz comprovar a entrega de recursos, por parte da pessoa jurídica, a terceiros; além disso, o beneficiário do pagamento deve restar não identificado ou, de outra sorte, não haver comprovação sobre a operação que motivou o pagamento . Havendo falha em algum desses elementos, é de se exonerar o lançamento. MULTA DE OFÍCIO - PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO - INCONSTITUCIONALIDADE - O princípio do não-confisco é aplicável a tributos, que não se confundem com multas. Ademais, o Primeiro Conselho de Contlíbuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária . TAXA SELIC - A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, .no período de . inadimplência, à taxa referencial' do Sistema Especia( de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais . . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ~. Processo 0°11516.000766/2005.13 Acórdão 0.°105-18.954 ~ ~ ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. /7 ~ .. VISAL }residente ~~!(L-- WALDIR VEldA. ROCHA Relator Fonnalizado em: 3 O MA I 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, ALEXANDRE ANTÔNIO ALKMIM TEIXEIRA E JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Relatório PROSUL - PROJETOS SUPERVISÃO E PLANEJAMENTOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 7.411, de 17/03/2006, da 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FLORIANÓPOLlS/SC, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de Auto de Infração (l1s. 603/622), o qual exige da contribuinte a importância de R$ 1.264.102,59, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, anos calendário de 2000 e 2001, acrescido de multa de ot1ciode 75% e juros de mora. Segundo consta na Descrição dos Fatos (11.618) do lançamento, a exigência de imposto decorre das seguintes apurações: • Fatos Geradores em 2000 e 2001 Item 001. Falta de Recolhimento do IRF sobre Remuneração Indireta (Beneficiário Não Individualizado) Item 002. Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre Pagamentos Sem Causa ou de Operação Não Comprovada. No Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 579/595), parte integrante do Auto de Infração, encontram-se os detalhes das infrações. A seguir, transcrevo os trechos mais relevantes. -----------------------------------_._- - Processo nO 11516,00076612005-13 Acórdão 0,0 105-18.D54 ~ ~ 5 - DA FISCALIZAÇÃO DO IRRF - ANOS CALENDÁRIO 2000 E 2001 No processo de fiscalização do IRPJ e CSLL dos anos calendário 2000 e 2001, foram encontradas operações sujeitas ao Imposto de Renda na Fonte, não tributadas pelo contribuinte. 5.1 - Dos pagamentos sujcitos à tributação exclusiva na fonte O art. 674 do RlR/99 detennina a exigência do imposto de renda cxclusivamente na fonte à alíquota de 35%, sobre pagamentos efetuados pela pessoa juridica a beneficiário não identificado, ou pagamentos efetuados a sócios ou terceiros se não comprovada a operação que tenha lhe dado causa: [...] 5.1.1 Transferência bancária com destinatário não identificado. [...] Em resumo, o contribuinte efetuou, através do banco BESC, transferências bancárias em beneficio de terceiros não identificados, sujeitos à tributação com base no art,674 do R1R/99, nos seguintes valores: 23/0212000 09/0212001 25.000,00 26.000,00 5.1.2 - Cheques utilizados para pagamentos a bencficiários não identificados, registrados como suprimento de caixa O contribuinte registrou na conta caixa os suprimentos a seguir, com chequcs do BESC: Data N.do cheQue Valor 08/01/2001 007599 34.20000 15/02/2001 007975 30,000,00 15/02/2001 007976 50.000,00 15/0212001 007977 40,000,00 13/06/2001 008881 25.000,00 25/07/2001 009346 20,000,00 01/11/2001 010125 10,000,00 Na análise dos extratos bancários (fls,399 a 413), verificamos que tais cheques foram liquidados em compensação em não sacados no caixa. O contribuinte foi intimado a esclarecer tal fato e apresentar cópia dos cheques (fls.244 e 245). Não se manifestando, o contribuinte foi re-intimado (fls.255 e 256), mas manteve silêncio. Na conta caixa não consta nenhum pagamento para o qual tais cheques poderiam ter sido utilizados, o que caracteriza que esses cheques foram utilizados para beneficiários não identificados. 5.1.3 - Pagamentos com recunos do caixa, sem documentação hábil para sua comprovação, cujo beneficiário constante na escrituração nega tê-los recebido, são pagamentos a beneficiários não identificados. [...] Data Valor Histórico Fls. 03/07/2000 20.100,00 Pal!to, Ref, Renato Silveira NF 019 456 11/08/2000 15,000,00 Pamo. Ref. Renato Silveira NF 021 461 It- 3 Processo 0°'1516.00076612005.13 Acórdão 0.°105-16.954 CCOIIC05 Fls. 4 29/11/2000 29/12/2000 [...] o. Ref. INSTALASAN NF 023 o. Ref. INSTALASAN NF 026 477 480 Cinco pagamenlos registrados na conta caixa, a favor de Sanla Maria Agricola LIda., estavam lastreados em cópias não autenticadas de recibos, cuja assinatura está igualmente não identificada. Conforme descrito no item 4.3 deste Termo, em circularização feita na empresa Santa Maria Agricola Ltda., esta nega o recebimento dos valores ali registrados e a validade dos recibos, pois esses não foram firmados por pessoas com poderes para tal (fls.310 e 311). São os seguintes os pagamentos registrados à Santa Maria Agricola Ltda., no caixa: Data 12/03/2001 12/05/2001 01107/2001 12/09/2001 20/12/2001 Histórico P o. Parcela 02/5 Cessão de Preuizo Fiscal P o. Parcela 03/5 Cessão de Preuizo Fiscal P o. Parcela 01/5 Cessão de Preuizo Fiscal P o. Parcela 04/5 Cessão de Preuizo Fiscal P to. Parcela 05/5 Cessão de Pre'uizo Fiscal [...] Valor Fls. 197.544,00 488 197.544,00 492 197.544,00 497 197.544,00 502 197.544,00 514 5.1.4 - Pagamentos em cheques de despesas lastreadas em documentos fraudulentos, cuja efetividade da despesa não foi comprovada. Conforme de descrito nos itens 4.2.1 e 4.2.2, o contribuinte registrou em sua contabilidade várias despesas cuja efetividade não foi comprovada e lastreados em documentos comprovadamente fraudulentos. Da mesma forma, os pagamentos referentes a essas despesas inexistentes, configuram na verdade pagamentos cujos beneficiários não podem ser identificados pois estão acobertados por documentos inidôneos. Esses pagamentos foram realizados por cheques nominais à própria PROSUL, conforme cópias de cheques de fls.80 a 121 que foram sacados no caixa do banco, conforme comprovam extratos de fls.399 a 413. No quadro a seguir, um demonstralivo dos pagamentos a terceiros cujas operações não foram comprovadas: Data ESC BESC BESC ESC ESC ESC BESC ESC BESC BESC BESC Valor em R$ Documento a resentado 43.693,62 NF 1664 • ENETEL 20.044 75NF 1941 - GEOTÉCNlCA 10.291,50 1675. ENETEL areial 12.120,21 F 267 - TECNOTERRA arcial 26.000.00 1675 - ENETEL areial 16.758,00 267 - TECNOTERRA 41.69506 1952 - GEOTÉCNlCA 16.833,48 321 - TECNOTERRA 42.445,00 1387 - SERVIENGE 43.944,00 368 - DIRETRIZ 88.53104 343 - TECNOTERRA 1.4 Proccsson'11516.000766/2005-13 Acórdão R.o 10~18.954 CCOllCOS Fls. 5 Data N'cheaue Banco Valor em R$ Documento aDresentado 28/05/2001 b08710 BESC 15.183,77NFI511-SERVIENGE 13/06/2001 b08862 BESC 33.040,84 NF 1782- ENETEL 22/0612001b09OO9 BESC 38.349,00 NF 00403 - DIRETRIZ 13/07/2001 b09217 BESC 24.277,29 NF 1522- SERVIENGE 20/07/2001 b09305 BESC 41.000,00 NF 404 - DIRETRIZ 27/07/2001 b09355 BESC 71.160,34 NF 1686. ENETEL 02108/2001 b09419 BESC 21.09673 NF 365 TECNOTERRA 09/08/2001 b09515 BESC 25.236,68 NF 1697• ENETEL [...] A inquestionável conclusão que inexiste qualquer operação comercial que dê causa a esses pagamentos está alicerçada não apenas na falsidade dos documentos, mas também na impossibilidade do contribuinte identificar os prestadores de serviços e na forma de pagamento em cheques nominais ao próprio contribuinte, descontados no caixa do banco. 5.1.5 - Cheques contabilizados como pagamentos de operações nilo comprovadas e despesas cuja efetividade nilo foi comprovada. Conforme descrito no item 4.3 deste Termo, o contribuinte registrou na conta "4890 - Compra de Prejuízos" diversos pagamentos que não possuem comprovação, além da cópia de cheques. Intimado a apresentar a cópia dos cheques, em poder do banco, para que se pudesse confirmar os beneficiários, o contribuinte não o fez. Apenas os cheques BESC 8450 e 8453, de 18/0412001, tem identificados seus beneficiários (cópia do depósito bancário) tls.105 e 106, porém não há documento que comprove qual a causa desses pagamentos ou o vinculo dos mesmos com a negociação do prejuízo. Data Número do chenue Valor 16/02/2001 N/ checue Besc 7940 NAM Consultoria S/C LIda. 9.600,00 12/03/2001 N/ cheaue Dese 7934 Santa Maria Agrícola Lida. 14.760,00 12103/2001 N/ cheaue Besc 7938 NAM Consultoria S/C LIda. 9.600,00 18/04/2001 N/ cheaue Besc 7942 NAM Consultoria S/C LIda. 9.600,00 18/04/2001 N/ cheaue 8450 Benedito Fermino Costa 13.600,00 18/04/2001 N/ cheaue 8453 Francisco Carlos Faltori 5.600,00 26/11/2001 N/ cheaue 10237 Santa Maria Al!TÍcolaLIda. 2.068,00 26/11/2001 N/ cheaue 10235 Santa Maria Agrícola LIda. 9.600,00 26/1212001 N/ chenue 10236 Santa Maria A2rícola LIda. 9.600,00 Conforme descrito no item 4.2.3 deste Termo, O contribuinte efetuou pagamentos para a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA., porém não trouxe à fiscalização, documentos probatórios da efetividade das despesas, ou seja, se as despesas descritas nas notas fiscais efetivamente se realizaram. Intimado e reintimado a apresentar comprovantes dessas despesas, o contribuinte não atendeu. Por conseqüência, os pagamentos efetivados são considerados pagamentos de despesas cuja efetividade não foi comprovada. Data N'da NF Nado cheque Valor Fls. 08/10/200 I 0606 009979 - BESC 21.200,00 123 24/1/2001 0606 010071- BESC 55.000,00 124 24/1/2001 0606 0342 - B. Brasil 13.900,00 125 S Processo n° 11516.000766/2005-13 Acórdão n.o 105-16.954 CCOIlCOS Fls. 6 Data N°daNF N° do cheoue Valor Fls. 25/10/2001 0606 010088 BESC 15.900,00 126 07/11/2001 0689 010156- BESC 19.504,00 127 27/11/2001 0690 010331- BESC 71.232,00 128 07/12/2001 0764 010386- BESC 50.032,00 129 17/12/2001 0690/0765 0430- B. Brasil 81.938,00 130 18/12/2001 0765 010510- BESC 37.10000 131 19/12/2001 0844 O I0540 - BESC 60.335,20 132 [...] 5,2 - Pagamentos de beneficios Conforme informação prestada em resposta ao Tenno de Intimação Fiscal n° 001 (fis. 71) O ccntribuinte possuia no período fiscalizado, dois veiculos de luxo registrados no Ativo Imobilizado (um Vectra placa LYH 9731 e um Jeep Orand Cherokee placa MOB 5900), e outro em contrato de leasing (BMW placa CEF 8383) fis, 74, A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nOII de 21 de fevereiro de 1996, em seu art. 25, parágrafo único, estabelece quais os bens do ativo imobilizado que podem ser considerados intrinsecamente ligados à produção, e lá não se incluem veículos de luxo. A legislação permite que a pessoa jurídica disponibilize veículos para seus diretores e administradores,mas detennina que os valores referentes a esses beneficios integrem a remuneração do beneficiário (art. 358 do RlR/99) que deverá ser tributada na fonte, conforme determina o art. 622 do RJRl99. Para isso, os beneficiários deverão estar identificados e as despesas individualizadas. Intimado a identificar os usuários de cada veiculo (fls. 158 e 159) o contribuinte o fez de forma genérica (fls. 168), A não individualização e identificação dos beneficiários, implica na aplicação do disposto no art. 675 do RlR/99, conforme determina os parágrafos 1°e 2°, do art. 622: [...] A interessada apresentou sua impugnação (fls. 630/729), acompanhada dos documentos de fls. 730/1.017), Posteriormente encaminhou documento (fl, 1.019), também juntado aos autos. Seus argumentos podem ser sintetizados como segue: Preliminarmente, requer a apensação do presente processo aos autos do processo administrativo fiscal nO11516,000767/2005-68, que trata da exigência do IRPJ e reflexos, para análise e julgamento unificado da impugnação ao feito fiscal. Alega que as bases tributáveis têm origens idênticas, em valores e documentos, e que os documentos, registros e livros contábeis mencionados e acostados ao auto de infração do IRRF são, em sua quase totalidade, os mesmos que deram suporte ao lançamento de oficio do IRPJ e reflexos. Ainda em sede de preliminares, alega a interessada que teria havido a decadência do lançamento correspondente a fatos geradores ocorridos até 30 de março de 2000, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que tomou ciência do feito em 18 de abril de 2005. No mérito, aduz o seguinte: Item 001. Falta de Recolhimento do IRF sobre Remuneração Indireta (Beneficiário Não Individualizado) 6 Proces<o n' 11516.00076612005-13 Acórdão n.o 105.16.954 C0l1/COS Fls. 7 Teria sido exaustivamente provado, no processo de IRPJ, a improcedência da glosa das despesas com depreciação, leasing, manutenção e seguros dos veículos considerados "de luxo" pelo fisco, posto que seria importante para a pessoa juridica dispor de veículos confortáveis para o transporte de clientes, especialmente em eventos de negócios que demandam uma apresentação da empresa à altura dos seus convídados. Alega que os auditores fiscais não teriam produzido qualquer prova de que os veículos não eram de uso a serviço da pessoa juridica. Afirma ainda: "Dizem os fiscais que. intimada a identificar os beneficiários/usuários dos veículos. a Impugnante o fez de modo genérico. Ora. se esses eram de uso comum. para os convidados e clientes e para a circulação defuncionários e diretores. a serviço da empresa e durante o expediente comercial. não havia privacidade de uso dos mencionados bens". o art. 622 do R1R/99 somente poderia ser utilizado, por sua ótica, se comprovado o uso pessoal dos veículos por diretores, gerentes e assessores, bem como de terceiros, em atividades extra-operacionais da empresa. Mas afinna que não se encontrará qualquer documento que ateste o uso pessoal e indevido dos veículos. Faz anexar documentos com os quaís pretende provar o uso dos veículos indiscriminadamente por engenheiros e supervisores, na atividade normal da empresa, inexistindo qualquer espécie de destinação exclusiva a diretores e administradores. Item 002. Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na fonte sobre Pagamentos Sem Causa ou de Operação Não Comprovada. Quanto às ocorrências descritas no Termo de Verificação sob as rubricas 5.1.1 - Transferência bancária com destino não identificado; e 5.1.2 - Cheques utilizados para pagamentos a beneficiários não identificados, registrados como suprimento de caixa, a interessada traz extensa argumentação, insurgindo-se contra a tributação com base no art. 42 da Lci nO9.430/1996. Especificamente sobre o fato gerador do imposto de renda na fonte, silencia. Quanto às ocorrências descritas no Termo de Verificação sob as rubricas 5.1.3 - Pagamentos com recursos do caixa, sem documentação háhil para sua comprovação, cujo beneficiário constante na escrituração nega tê-Ios recebido; e 5.1.4 - Pagamentos em cheque de despesas lastreadas em documentos fraudulentos, cuja efetividade da despesa não foI comprovada, afirma que inexistiriam provas seguras e irrefutáveis do alegado (pelo Fisco) para impor à interessada "tão graves acusações e tão injusta tributação". Insurge-se contra a conclusão a que chegou o Fisco, sobre a inidoneidade dos documentos por ela apresentados, referentes a pagamentos feitos às empresas ENETEL, GEOTÉCNICA, TECNOTERRA, DIRETRIZ, SERVIENGE e INSTALASAN/RENATO SILVEIRA. Em particular. quanto à empresa GEOTÉCNICA, reclama que as notas fiscais nO 1941 e nO1942 teriam sido glosadas sem qualquer explicação dos fiscais quanto ao motivo da rejeição. Sobre as demais, expõe os motivos pelos quais reputa frágeis e superficiais as investigações do Fisco. Acrescenta, ainda (fls 676/688): f- 7 Processo 0'11516.00076612005.13 Acórdão 0,'105-18.954 Nos itens 5.l.3 e 5.l.4 são citados os mesmos fatos referentes aos itens 4.2.1. (parte final, alto dafls. 556), 4.2.2. (fls. 556 a 556) e 4.3 (fls. 575) do termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Agora, utiliza-se os valores de despesas que foram glosadas, na constituição do crédito tributário de IRPl, sob a acusação de que os respectivos documentos de suporte à Contabilidade seriam inidôneos ou de que as operações não foram comprovados efetivamente, para exigir IRRF a título de pagamento a beneficiário não identificada. [...} [...} de que não foi solicitada pelos fiscais em nenhum momento, a cópia das DlRFS da empresa. Tais documentos, agora anexados aos aulos. informam todas as retenções de Imposto de Renda efetuadas pela Impugnante, mencionando expressamente todas as empresas emitentes de nolas consideradas "inidôneas" pela fiscalização. Observe-se, desta feita, que foram feitas retenções para as empresas SERVIENGE. TECNOTERRA, ENETEL, DIRETRIZ, GEOTÉCNICA LTDA .• não tendo sido efetuadas retenções para a empresa RENATO SJLVElRA HIDRÁ ULlCO ME em razão de se enquadrar no simples. Ressalte.se ainda, que os agentes fiscais nem procederam a compensação dos valores lançados á título de IRRF com as retenções efetuadas pela Impugnante, o que denota seu total descaso e despreocupação com os aspectos materiais que devem í'!formar o lançamento fiscal, qual seja. a existência de tributo devido e não pago. {. ..J Do exposto, diante da fragilidade das imputações da Fiscalização, devem ser restabelecidas as deduções, na determinação do lucro real de 2001. concernentes às referidas despesas, eis que não há provas consistentes aptas a infirmar cabalmente o direito do contribuinte. Do mesmo modo, não há como imputar esses pagamentos a supostos "beneficiários mio identificados ", eis que a d. Fiscalização não tem provas cabais quanto à inidoneidade dos documentos ou a destinaçcio a pessoa diversa daquela a quem foi efetuado. Outrossim, é inadmissivel que. sobre mesmos fatos, a Fiscalização constitua duplo crédito tributário, um pela glosa das despesas. outro como se as saídas dos recursos tenham se dado a terceiros que não se consegue identificar. Desse modo, deve ser cancelada a exigência, não somente com fundamento nas questões de mérito suscitadas, mas sobretudo pela duplicidade de exigência. CCOIlCOS Fls. 8 Quanto à ocorrência descrita no Termo de Verificação sob a rubrica 5.1.5 - Cheques contabilizados eomo pagamentos de operações não eomprovadas e despesas cuja efetividade não foi eomprovada, lembra que esses casos abrangem os contratos com a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA., para planejamento, implantação e gestão Processo 0'11516.00076612005.13 Acórdão 0.0 105-11.954 CCOI/COS Fls. 9 de campanha promocional, e com a empresa SANTA MARIA, pela cessão de direitos de créditos decorrentes de prejuízos fiscais. No primeiro caso (SIM INCENTIVE MARKETING), alega restar inequívoco que o beneficiário de todos os pagamentos é a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA., e que a causa ou razão da operação é a prestação de servíços para elaboração, implantação e gestão de uma campanha de incentivo e premiação de pessoas e empresas ligadas à então impugnante. Por sua ótica, as despesas decorrentes seriam necessárias, nonnais, usuais, escrituradas e amparadas por documentação idônea. Além de incabivel, este segundo lançamento (de IRRF) constituiria genuína duplicidade de exigência, fugindo totalmente dos princípios juridicos do lançamento, pois não existiria fato gerador do IRRF. No segundo caso (aquisição de créditos decorrentes de prejUIZOSfiscais), relaciona, às fls. 698/700, os documentos acostados aos autos, os quais entende consistirem conjunto probatório consistente no sentido de comprovar a efetividade da operação e dos pagamentos efetuados. Afirma, ainda, à fl. 702, que "claramente se verifica que, com exclusão de dois cheques pagos a beneficiários não ligados à contratação, todos os outros pagamelltos possuem BENEFICIÁRIOS e CAUSA muito bem definidos. o que os excluem da capitulação prevista no art. 674 do RlRl99". I Das penalidades lançadas de ofício. A então impugnante insurge-se, ainda, quanto ao que entende como afronta ao preceito constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco (fls. 704/714), e menciona doutrina e jurisprudência em favor de sua tese. I Dos juros de mora: taxa SELIC A interessada aduz, às fls. 714/724, que a imposição da taxa SELIC seria ilegal e inconstitucional. Por sua ótica, essa taxa teria caráter remuneratório, e seu uso como taxa de juros afrontaria o art. 161, ~ 1°,do eTN e o art. 192, ~ 3°, da Constituição Federal. A 3' Turma da DRJ em FLORIANÓPOLIS/Se analisou a impugnação apresentada pela contribuinte c, por via do Acórdão n° 7.411, de 17/03/2006 (fls. 1074/1091), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Físíca -IRPF Período de apuração: 0l/0l/2000 a 3I/03/2000 Ementa: Decadência. IRRF. Lançamento por Homologação. Se da dala do fato gerador à ciência do lançamento, decorreram mais de cinco anos, operou-se a decadência nos termos do artigo 150 do CTN. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2000. 2001 9 Processo 0°11516.00076612005.13 Acórdão n.o 10S.15.954 Ementa: Gastos com Veículos. Beneficiários Nãa Identificados. Tributação. A falta de identificação e individualização dos beneficiários das despesas com veículos implica na tributação de imposto de renda na fonte. Pagamentos sem causa ou de Operação Não Comprovada .. Constatad" Cl inidoneidade das notas fiscais, os pagamentos registrados e tidos como desembolsados pela contribuinte reputam-se inválidos àquelas empresas, senda cabivel o lançamento de imposta de renda nafonte a titulo de paga menta Cl beneficiário não identificado. Pagamentos sem causa ou operação não comprovada (Ano-calendário: 2001). Falta de comprovação da efetividade da prestação de serviços. Incidência de imposto exclusivamente naJante. Está srifeito à incidencia do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, toda pagamento efetliado pelas pessoas jurídicas a terceiros, cOlllabilizados ou não, a titulo de prestação de serviços, quando não for comprovada a efetividade da ocorrencia da aperação ou a sua causa, por meio de documentação hábil e idônea. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário " Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: Lançamento de Oficio. Multa Aplicável As mui/as de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das abrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas as contribuintes infratores, em nada afetando o srifeitopassivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Juros de Mora. Aplicabilidade claTaxa SELlC. Sobre os débitos tributários para cam a União, não pagas nos prazos previstos em lei. aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELlC. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: Argüições de Incanstitucionalidade e Ilegalidade da Legislaçõo Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observáncia da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argiiições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editadas. CCOIlCOS Fls. 10 A procedência parcial do feito fiscal, ressalte-se, diz respeito tão somente à exoneração, por decadência, do lançamento de IRRF referente aos fatos geradores ocorridos até 10 Processo n" 11516.00076612005.13 Acórdão 0."105-16.954 CCOI/C05 Fls. 11 31103/2000. Os demais itens, inclusive multas e juros, foram mantidos pela autoridade julgadora em primeira instância. Ciente da decisão de primeira instância em 04/0512006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1095, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/06/2006 conforme carimbo de recepção à folha 1100. No recurso interposto (fls. 1100/1174), pugna preliminarmente pelo reconhecimento de seu direito à apensação do presente processo aos autos de exigência do Imposto de Renda Pessoa Juridica - processo n° 11516.00076712005-68, para julgamento conjunto, por uma única turma julgadora. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Quanto ao Item 001 da autuação - Falta de Recolhimento do IRF sobre Remuneração Indireta (Beneficiário Não Individualizado), reafirma os argumentos já apresentados na fase impugnatória. Quanto ao Item 002 da autuação - Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre Pagamentos Sem Causa ou de Operação Não Comprovada, suas alegações serão apresentadas na seqüência dos itens do Termo de Verificação. • Item 5.1.1. do Termo de Verificação - Transferência bancária com destinatário não identificado o Afirma que "se houve transferência bancária para outra conta da empresa e não houve saque de dinheiro. como dizem os Fiscais. como inferir que essa situação - por si só - e sem qualquer outro elemento adicional de prova. significa que o valor foi entregue a 'beneficiário não identificado '?". o No ano de 2000, defende que a adoção do regime de lucro presumido implicaria que o valor transferido, constante da conta "Banco", já teria sido oferecido à tributação do IRPJ. o No ano de 2001, sustenta que o valor de R$ 26.000,00 teria sido transferido da conta "Banco" para pagamento de títulos e que, se houve falha na contabilização, tal falha não seria suficiente para dar amparo à pretensão do Fisco. • Item 5.1.2. do Termo de Verificação - Cheques utilizados como suprimento de caixa o Dado que os autuantes se basearam em seus extratos bancários para afirmar que os cheques, supostamente sacados para suprimento de caixa, foram na verdade compensados, a recorrente se insurge contra o "abuso praticado com a quebra administrativa do sigilo bancário", e afirma que a Fiscalização teria plenas condições de reunir elementos para identificação dos pretensos favorecidos, e não o fez. Assim, entende caracterizado J- 11 Processo n' 11516.00076612005.13 Acórdão n.' 105-1&.954 CCOI/COS Fls. 12 o cerceamento de seu direito de defesa, posto que não teria tido oportunidade de se defender da acusação contra ela levantada. • Item 5.1.3. do Termo de Verificação - Pagamentos com recursos do caixa, sem documentação hábil para sua comprovação, cujo beneficiário constante na escrituração nega tê-los recebido. • Item 5.1.4. do Termo de Verificação - Pagamentos em cheque de despesas lastreadas em documentos fraudulentos, cuja efetividade da despesa não foi comprovada o Nestes dois itens, a recorrente reafirma os argumentos já apresentados na fase impugnatória. • Item 5.1.5. do Termo de Verificação - Cheques contabilizados como pagamentos de operações não comprovadas e despesas cuja efetividade não foi comprovada. o Mais uma vez, a recorrente lembra que esses casos abrangem os contratos com a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA., para planejamento, implantação e gestão de campanha promocional, e com a empresa SANTA MARIA, pela cessão de direitos de créditos decorrentes de prejuízos fiscais. o No que diz respeito aos contratos com a SIM INCENTIVE MARKETlNG LTDA., a recorrente se limita a repisar os argumentos já trazidos na fase impugnatória. o Já com relação à situação que envolve a empresa SANTA MARIA, a recorrente admite equivoco na contabilização do valor contratado com a NAM Consultoria, Regional Center e Nova União S/A, quando considerou parte dos valores como despesas dedutíveis. Por essa razão, "se compromete a al/mentar - desde logo - a base de cálcl/lo para apuração do ll/cro real no valor de R$ 34.300.00 e recolher o valor adequado. bem como afazer a retenção do /RRF sabre o montante pago de R$ /5./00.00 [...l". o Quanto ao mérito, faz detalhado histórico, sob sua ótica, das negociações havidas entre (i) a recorrente (adquirente dos créditos); (ii) as empresas NAM Consultoria S/C LIda. e Regional Center Consultoria e Assessoria S/C LIda. (intermediárias); e (iii) NOVA UNIÃO S/A - Açúcar e Álcool e SANTA MARIA Agrlcola Ltda., (cedentes dos créditos). Historia, ainda, a tramitação de processos administrativos nas DRF Florianópolis e DRF Ribeirão Preto, cujo objeto era o Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuizos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas. o Ao final, conclui que teria agido com lisura em todo o procedimento de aquisição de créditos, o qual estaria &- 12 Processo 0°11516.00076612005.13 Acórdão 0.°105-16.854 eCOllcas Fls. 13 devidamente contabilizado, documentado e comprovado de forma consistente, inclusive os pagamentos efetuados. Às fls. 1147/1149 relaciona todos os documentos acostados ao processo que, por sua ótica, comprovam seu direito. Pleiteia, assim, a reforma da decisão a quo e o cancelamento deste item. Quanto às multas aplicadas, afirma que o julgador de primeira instância teria sido omisso, porque "no corpo dos votos que fundamentaram o acórdão não houve exame da matéria". Insiste no caráter confiscatório das multas de 75% e de 150%, e que não haveria prova de fraudes que justificassem a imposição da multa qualificada. Quanto aos juros de mora, afirma que "tampouco houve análise dos argumentos da recorrente no corpo do voto embasador do acórdão", e insiste nos argumentos já trazidos na fase impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA, Relator O recurso é tempestivo, e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente pugna pelo reconhecimento de seu direito à apensação do presente processo aos autos de exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - processo n° 11516.000767/2005-68, para julgamento conjunto, por uma única turma julgadora. Por se tratar de apuração ocorrida durante o mesmo procedimento de fiscalização, com matéria fática em vários casos coincidente com aquela tratada neste processo (muito embora as conclusões e conseqüências tributárias possam ser diversas), e a possibilidade de aproveitamento de documentos que possam comprovar ou não as acusações do Fisco ou a defesa da recorrente, faz sentido que ambos os processos sejam julgados em conjunto, em uma mesma seção de julgamento e por um mesmo colegiado. Tal decisão se justifica por economia processual, para evitar a possibilidade de decisões divergentes sobre a mesma matéria fática e para propiciar ao contribuinte a ampla defesa que lhe é garantida legal e constitucionalmente. Ressalte-se que isso já havia ocorrido em primeira instância. Irrelevante se os processos estarão apensados ou não, bastando que suas decisões sejam proferidas em uma mesma seção de julgamento. No mérito, cabe um esclarecimento que se aplica a todas as infrações do presente processo. Em diversos pontos de sua impugnação e novamente no recurso voluntário, a interessada argúi duplicidade de tributação, posto que alguns itens teriam sido objeto de glosa no processo n° 11516.000767/2005-68, que trata do IRPJ, e no presente processo seriam sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. 13 Processo n' t 1516.00076612005.13 Acórdão n.D 105-16.954 CCOI/C05 Fls. 14 Os custos/despesas considerados indedutíveis, para fins do IRPJ, levam à constituição de obrigações tributárias do próprio fiscalizado. O sujeito passivo da obrigação é, portanto, o contribuinte do imposto. Ao contrário, nas hipóteses de incidência do IRF, o sujeito passivo não se reveste da condição de contribuinte do imposto, mas de responsável, nos termos do art. 121, inciso li, do CTN. Ou seja, o contribuinte do imposto é um terceiro (o beneficiário dos pagamentos ou dos beneficios indiretos), mas, na situação concreta, a lei atribui ao responsável a obrigação de arcar com as exigências tributárias. Pelo exposto, não se há de falar em duplicidade de exigência. A seguir, passo a analisar os argumentos da recorrente, para cada uma das infrações que lhe são imputadas no presente processo. Item 001. Falta de Recolhimento do IRF sobre Remuneração Indireta (Beneficiário Não Individualizado) O item 00 I da autuação trata do imposto de renda na fonte incidente sobre remuneração indireta. referente a beneficios não individualizados pagos pela empresa a seus dirigentes. A matéria foi analisada no item 007 do processo do IRPJ, pelo que transcrevo trecho de meu voto naquela ocasião: Neste item, foram glosadas as despesas e encargos de depreciação, leasing, combustlveis, manutenção e seguros de três veiculos, integrantes do ativo permanente da interessada, a saber, um Vectra placa LYH 9731, um Jeep Grand Cherokee placa MGB 5900 e um BMW placa CEF 8383. A fiscalização entendeu que se tratava de velculos de luxo, postos à disposição dos diretores e administradores da então fiscalizada, e glosou as despesas com base, principalmente, no art. 358, ~ 3', inciso li, do RlR/99, a seguir transcrito: Art. .358. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei n' 8.383. de 1991, art. 74): I - a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for O caso, os respectivos encargos de depreciação: a) de veiculo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; 1/ - as despesas com beneficios e vantagens concedidos pela empresa a administradores. diretores, gerentes e seus assessores, pagas diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos 011 quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) oSpagamentos relativos a clubes e assemelhados; 14 Processo n"11516.00076612005-13 Acórdão n.o 105-18.954 c) O salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. 9 1"A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, observado o disposto no ar/. 622 (Lei n° 8.383, de 1991, art. 74,91"). 9 r A inobservância do di>posto neste artigo implicará a tribulação dos respectivos valores, exclusivamente nafonte, observado o disposto no ar/. 675 (Lei n° 8.383, de 1991, art. 74,92", e Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, S 1"). 93" Os dispêndios de que trata este artigo terão o seguinte tratamento tributário na pessoa jurídica: 1 - quando pagos a beneficiários identificados e individualizados, poderão ser dedll/iveis na apuração do lucro real; CCOIIC05 Fb.15 11- qllUndopagos a beneficiários não identificados ou beneficiários identificados e não individualizados (ar/. 304), são indedutlveis na apuração do lucro real, inclusive o imposto incidente na fonte de que trata oparágrafo anterior. Em primeira instância, a glosa foi considerada correta, por inobservância ao dispositivo legal acima lranscrito. A recorrente alega que não haveria provas de que os veiculos não eram utilizados a serviço da pessoa juridica, e que, se não identificou os usuários, é porque os veículos seriam de uso comum, para convidados, clientes e para a circulação de funcionários c diretores a serviço da empresa, sem exclusividade de algum usuário. Neste ponto, constato que assiste razão á recorrente. O parágrafo terceiro, acima, reza que "os dispêndios de que trata este artigo ...••. Ora, esses dispêndios devem envolver, necessâriamente, .'ve;cu/o utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica" (I (a)); ou "despesas com beneficios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores" (11).E não encontro nos autos provas do uso dos veículos nessas condições. Ao contrário, desde o inicio a interessada já afirmava (embora sem provas) que os veiculos não seriam de uso exclusivo da diretoria, mas também utilizados pelos engenheiros responsáveis pelas fiscalizações e representações das obras (vide n. 168). Por entender que se tratava de "veiculos de luxo", a fiscalização assumiu que seriam para uso da diretoria, mas igualmente sem provas. E entendo que, aqui, o ônus da prova é do Fisco. Da forma como foi feita, entendo que a acusação não restou devidamente comprovada, pelo que a exigência deve ser exonerada. Ressalto que não encontro nos autos comprovação de que os veículos fossem utilizados em caráter particular ou exclusivo pelos dirigentes da empresa, de forma a caracterizar beneficio ou vantagem pessoal, sujeito ao tratamento de remuneração indireta. Por esse motivo, esta exigência deve ser cancelada. cf- 15 Processo nO '1516.00076612005-13 Ac6rdão n.ol05.16.954 CCOI/COS Fb.16 Item 002. Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre Pagamentos Sem Causa ou de Operação Não Comprovada. O item 002 da autuação engloba diversos pagamentos, tido pelo Fisco como feitos a beneficiários não identificados elou em operações sem causa comprovada, a teor do art. 674 e seu parágrafo primeiro, do RIR/99. Examinemos cada uma das situações: Item 002 da autuacão, item 5.1.1 do TVF No item 5.1.1 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 580 e segs.), a fiscalização aponta duas saídas de recursos do banco BESC, em 23/02/2000 e em 09/02/200 I, nos valorcs respectivos de R$ 25.000,00 e R$ 26.000,00. O primeiro valor não mais integra o litígio, atingido que foi pela decadência, reconhecida pelo julgador de primeira instância. Quanto ao segundo valor, embora a contabilidade indicasse como contrapartida a conta Caixa, o documento apresentado pelo contribuinte (fl. 198), em atendimento a intimação especifica (fls. 75/79) demonstrou que, de fato, se tratava de "pagamellto de dois lindos TRX 338". Na impugnação, a empresa se insurgiu contra o art. 42 da Lei nO9.430/96, que nenhuma relação tem com o presente lançamento. No recurso, a interessada limita-se a afirmar (fi. 1112) que "o valor em callsa. de R$ 26.000,00, foi transferido da conta 'Banco" para pagamento de tltlllos, Se houve falha na contabilização da obrigação, essa falha não é suficiente para dar amparo à pretensào do Fisco". Assim dispõe o art. 674 do Decreto nO3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99): Art. 674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente lia fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamelllo efetuada pelas pessoas juridicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n' 8.981, de 1995, art. 61). SI'A incidência prevista neste artigo aplica-se, também, aos pagamentos efetuados Oll aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou ti/ular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n' 8.981, de 1995, art. 61, $IE). $2'Considera-se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nE8.981, de 1995, art. 61, $2E). $3EO rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nE 8.981, de 1995, art. 61, $3'). Ora, o fato de que os recursos saíram da conta bancária da empresa e foram entregues em pagamento a terceiros está devidamente comprovado, e nem mesmo a recorrente o nega. No entanto, para afastar a incidência da tributação na fonte, caberia à interessada identificar e comprovar seu beneficiário e a operação que deu causa ao pagamento. E desse ônus ela não se desincumbiu, sempre passando ao largo desse aspecto central para a incidência do IRF. ~16 Processo 0°11516.000766/2005-13 Acórdão n,o 105-16.954 Pelo exposto, entendo que deve ser mantida essa exigência. CCOI/COS Fls. 17 Item 002 da autuacão, item 5.1.2 do TVF No item 5.1.2 do Termo de Verificação Fiscal (fi. 581 e segs.), a fiscalização aponta sete cheques de emissão da então fiscalizada, contabilizados como se fossem suprimentos de caixa (débito de Banco e crédito de Caixa). No entanto, a análise dos extratos bancários (fls. 408/412) revelou que os cheques foram liquidados em compensação e não sacados no caixa. Os cheques em questão constam da tabela de fl 581, a seguir reproduzida para maior clareza. Data N° do cheaue Valor 08/01/2001 007599 34.200,00 15/02/2001 007975 30.000,00 15/02/2001 007976 50.000,00 15/02/2001 007977 40.000,00 13/06/2001 008881 25.000,00 25/07/2001 009346 20.000,00 01111/2001 010125 10.000,00 Intimado e reintimado a esclarecer os fatos e apresentar cópia dos cheques, o contribuinte se manteve em silêncio. Segundo o Fisco, os cheques não se destinaram ao Caixa da empresa, visto que liquidados por compensação, mas foram sim destinados a terceiros, não identificados, motivando a tributação com base no já mencionado art. 674 do RIR/99. Da mesma forma que antes, a impugnação apresentada se dirigiu contra a tributação com base no art. 42 da Lei nO 9.430/1996, que nenhuma relação guarda com o lançamento. Em primeira instância, o lançamento foi mantido. No recurso voluntário, mais uma vez a interessada se escusa de apresentar os beneficiários dos cheques, afirmando que esse seria um ônus da fiscalização. A conclusão, aqui, é semelhante àquela desenvolvida para o item 5.1.1 do Termo de Verificação Fiscal: comprovadamente os recursos saíram da conta bancária da empresa e foram entregues a terceiros. No entanto, para afastar a incidência da tributação na fonte, caberia à interessada identificar e comprovar seu beneficiário e a operação que deu causa ao pagamento. E desse ônus ela mais uma vez não se desincumbiu, sempre passando ao largo desse aspecto central para a incidência do IRF. Pelo exposto, entendo que deve ser mantida essa exigência. Item 002 da autuacão, item 5.1.3 do TVF No item 5.1.3 do Termo de Verificação Fiscal (fi. 582 e segs.), a fiscalização aponta quatro pagamentos feitos à empresa INSTALASAN/RENATO SILVEIRA, como indicado na contabilidade, e outros cinco pagamentos feitos à empresa SANTA MARIA AGRÍCOLA LTDA" por conta de operação de aquisição de créditos para uso no REFIS. Os pagamentos, em todos os casos feitos com recursos de caixa, constam da tabela a seguir reproduzida: Data 03/07/2000 Valor Histórico 20.100,00 Pa to. Ref. Renato Silveira NF 019 '" 17 -- - - - - - - - _. - - - -- ..... . . ------- ---- ---- --------------------- Processo n' \1516.00076612005.\3 Acórdão n.o 105-16.954 CCOI/COS fls. 18 no item 006 do Data Valor Histórico Fls. 11/08/2000 15.000,00 Pa.rto. Ref. Renato Silveira NF 021 461 29/11/2000 12.000,00 Palrto. Ref. INST ALASAN NF 023 477 29/12/2000 8.000,00 PalIto. Ref. INSTALASAN NF 026 480 12/03/2001 197.544,00 P<rto. Parcela 02/5 Cessão de Preiuízo Fiscal 488 12/05/2001 197.544,00 P<rto. Parcela 03/5 Cessão de Preiuízo Fiscal 492 01107/2001 197.544,00 P"to. Parcela 01/5 Cessão de Prejuízo Fiscal 497 12/09/2001 197.544,00 Plrto. Parcela 04/5 Cessão de Preiuízo Fiscal 502 20/12/2001 197.544,00 Plrto. Parcela 05/5 Cessão de Preiuízo Fiscal 514 Sobre os quatro primeiros valores, a matéria foi analisada processo do IRPJ, pelo que transcrevo trecho de meu voto naquela ocasião: Quanto à empresa RENATO SILVEIRAlINST ALASAN, o fisco constalou in loco a falta de capacidade lécnica para a preslação dos alegados serviços, e tomou declaração a tenno do tilular (fl. 325v), nesse semido. A recorrente traz confusa alegação acerca da Inslalasan ter "emprestado" a terceiros seu talonário de notas fiscais (fl. 199), mas, também nesle caso, deixa de trazer provas ínequivocas da efeliva realização dos serviços e igualmenle não identifica os representanles da contralada. Nesle caso, a conlabilidade indica que os pagamenlos teriam sido feílos com recursos da conta Caíxa (vide cópias do livro Diário, fls. 456, 461, 477 e 480). Quanto à acusação de inidoneidade, não considero suficientemente provada pelo Físco essa imputação. No que tange à incidência do imposlo de renda na fonte, considero que não restou comprovada a entrega de recursos a terceiros ou, em outras palavras, a saída de recursos da pessoa jurídica, elemento indispensável para a caracterização da tributação com base no art. 674 do RIR/99. Quanto aos cinco últimos valores, a matéria foi analisada no item 008 do processo do IRPJ, pelo que transcrevo trecho de meu voto naquela ocasião: Trata-se, aqui, da operação de aquisição de créditos de terceiros para utilização no REFIS envolvendo (i) a recorrente (adquirente dos créditos); (H) as empresas NAM Consulloria S/C LIda. e Regional Cemer Consultoria e Assessoria S/C LIda. (intennediárias); e (iH) NOVA UNIÃO S/A - Açúcar e Álcool e SANTA MARIA Agrícola LIda., (cedentes dos créditos)., tudo confonne já descrito anteriormente no relatório. Os custos e despesas, no regime de compelência, devem ser apropriados quando incorridos, independentemente do efetivo pagamento. Naturalmente, somente serão deduIfveis se, inicialmeme, corresponderem à efetiva preslação de um serviço ou fornecimento de um bem ou direito e, cumulalivamente, satisfizerem aos requisitos de necessidade, usualidade e habitualidade. No caso, do exame de todos os documentos acostados aos autos, tenho que o contrato foi realmente firnlado entre as partes, com o ajusle do preço de R$ 987.720,00. Minha convicção vem do fato de que ambas as partes do contrato (a fiscalizada Prosul e a Santa Maria, enlão cedente dos créditos) forneceram ao Fisco, mediante intimação, o mesmo contrato em que consta esse valor. A ProsuI apresenlou o original (fls. 246/249) e a Santa Maria uma cópia não autenticada (fls. 301/304), com divergência apenas na assinatura que consta da última página. Não há divergência quanto ao objeto (a cessão \8 Processo 0'11516.00076612005.13 Acórdão n,o 105-18.954 CC01/COS Fls. 19 dos créditos) e ao prcço contratados. Cai, assim, por terra a afirmação posterior da Santa Maria de que não reconhecia o contrato e que o preço ajustado seria menor. Mais: os créditos foram efetivamente cedidos, não pela Santa Maria, mas pela Usina União, que a sucedeu no contrato original, mediante aditivo contratual datado de 14/1112001 (fls. 251/252 do proccsso e fls. 32/33 do Anexo 10. Este fato se encontra suficientemente provado nos autos, mediante as cópias de peças integrantes do processo administrativo fiscal 10840.000282/2001-04, particularmente às fls. 75, 82, 83 e 163 do Anexo li. Quanto aos pagamentos, de fato, os recibos apresentados (fls. 22/25 do Anexo 11) são frágeis como prova, por todos os motivos expostos pela autoridade julgadora em primeira instãncia. Mas, como já disse, o efetivo pagamento não é condição de dedutibilidade de custos ou despesas. No caso concreto a despesa foi incorrida, os direitos contratados foram transferidos (os créditos cedidos), e a operação se revelou necessária, usual e habilual, tratando-se, inclusive, do exercício de direito estabelecido pela lei que criou o REFIS. Afirmei, no último parágrafo acima transcrito, que os recibos apresentados como comprovantes dos pagamentos são frágeis como prova. Porém, para efeitos da incidência da tributação na fonte de que trata o art. 674 do RIR/99, há duas hipóteses: ou os recibos são bons, de fato ocorreu o pagamento, e tanto a operação quanto o beneficiário estão identificados, ou os recibos não são bons, e o pagamento não ocorreu. Em nenhuma das duas hipóteses cabe a presente espécie de tributação na fonte. Em resumo, entendo que devem ser afastadas as exigências do IRF baseadas nos valores da tabela acima e descritos no item 5.1.3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 582 e 583). Item 002 da autuacão, item 5.1.4 do TVF No item 5.1.4 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 583 c segs.), a fiscalização aponta dezenove pagamentos feitos às empresas ENETEL, GEOTÉCNICA, TECNOTERRA, SERVIENGE e DIRETRIZ. Como comprovação desses pagamentos, todos feitos mediante cheques nominais à própria empresa emitente, a então fiscalizada apresentou notas fiscais tidas pelo Fisco como documentos inidôneos. Quanto aos pagamentos referentes a notas fiscais supostamente emitidas pela empresa GEOTÉCNICA, a matéria foi analisada no item 006 do processo do IRPJ, pelo que transcrevo trecho de meu voto naquela ocasião: No que tange aos serviços que constam de notas fiscais emitidas pela empresa GEOTÉCNlCA (R$ 20.350,00, NF 1941, fl. 83; e R$ 42.330,00, NF 1952, fl. 90), mais uma vez a recorrente reclama que os documentos respectivos teriam sido rejeitados sem qualquer explicação dos fiscais. Neste particular, verifico que assiste razão à recorrente. Não encontro na descrição dos fatos os motivos que levaram o Fisco a recusar esses documentos e imputar-lhes inidoneidade. Na ausência de descrição minuciosa e comprovação da inidoneidade dos documentos, a decisão, também aqui, deve ser de afastar a tributação na fonte sobre os pagamentos lastreados pelas duas notas fiscais mencionadas no parágrafo transcrito acima. 19 Processo n° 11516.000766/2005-13 Acórdão n.o 105-18.954 CCOI/C05 F~.20 Quanto aos pagamentos referentes a notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas ENETEL, DIRETRIZ, SERVIENGE e TECNOTERRA, a matéria foi analisada no item 003 do processo do IRPJ, pelo que transcrevo trecho de meu voto naquela ocasião: A empresa foi autuada pela apropriação de custos/despesas amparadas em notas fiscais eoútidas, afirma o Fisco, por empresas inexistentes de fato, e que não foram encontradas em seus endereços cadastrais. Essas empresas são ENETEL, DIRETRIZ, SERVIENGE e TECNOTERRA. Também aqui foi aplicada a multa qualificada de 150%, pela utilização de documentos inidôneos, o que configuraria o evidente intuito de fraude. Em primeira instãncia, a autoridade julgadora manteve as exigências e respectivas multas, afirmando que: A Impugnante. em suas alegações, passou (10 largo da questão central apurada pela Fiscali:ação (jI.558): não foram apresentados os correspondentes contratos de prestação de serviços e os "pagamemos" para aquelas empresas foram feitos com cheques IIom;IIa;8 à própria contribuinte (PROSVL). No recurso, a empresa afirma que ineXistiriam, nos autos, provas seguras e irrefutáveis do alegado pelo Fisco, que permitissem impor à autuada tão graves acusaçôes e tão injusta tributação. Alega que as provas carrcadas pelo Fisco seriam superficiais e carentes de aprofundamento, e discorre sobre cada uma das situações em que é acusada de USO de documentos falsos (ENETEL, DIRETRIZ, SERVIENGE e TECNOTERRA). Às fls. 1257 e segs. do processo, encontra-se vasta documentação mediante a qual pretende comprovar a efetiva realização dos serviços objeto das notas fiscais questionadas, e que não teria agido com dolo ou fraude em nenhum momento. Com relação às notas fiscais emitidas por ENETEL, DIRETRIZ, SERVIENGE e TECNOTERRA. o Fisco relata que identificou discrepâncias entre as informações que constavam no corpo das notas fiscais apresentadas e os dados que constavam do cadastro da SRF; procedeu às circularizações cabiveis e não localizou nenhuma das empresas, ao contrário, nos endereços cadastrais havia outras empresas, de outros ramos de atividade; intimou a entâo fiscalizada a apresentar documentos (contratos, ordens de serviço, recibos, entre outros) que pudessem comprovar a efetiva realização dos serviços e identificar os representantes das contratadas; tais documentos nâo foram apresentados, nesses casos, mas tão somente ordens de serviços erJÚtidas e assinadas pela própria empresa fiscalizada. Adicionalmente, a fiscalização constatou que os pagamentos foram feitos mediante cheques nooúnais à própria fiscalizada, sacados na boca do caixa. Os documentos acostados às fls. 1257 e seguintes, se considerados os estritos termos do art. 16, inciso III e ~ 4°, do Decreto nO70.235/1972, não deveriam ser considerados, por apresentados a destempo. No entanto, emhomenagem ao princípio da verdade material, o qual deve orientar todo o processo administrativo fiscal, passo a examiná-los. E verifico que não trazem melhor sorte à recorrente. Para cada uma das notas fiscais que o Fisco afirma emitidas por empresas inexistentes de fato, a recorrente faz juntar cópias: (i) do edital de abertura de processo Iicitat6rio para deternúnada obra, (ii) do contrato firmado com o órgão responsável pela obra; (iH) da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do engenheiro da Prosul, responsável pela obra; e (iv) em alguns casos, certificação do órgão contratante de que a Prosul executou os serviços objeto do contrato e mesmo fotos da obra. 20 Processo n° 11516.00076612005.1 J Acórdão n. o 105.16.954 CCOIlCOS Fls. 21 Ora, não está em questão que a Prosul tenha sido a responsável pela execução de obras diversas, e que tenha incorrido em custos para tanto. O que se questiona é se as nolas fiscais, emitidas por empresas inexistentes de fato, não localizadas em seus endereços cadastrais e com representantes não identificados, seriam hábeis e, principalmente, idõneas para a comprovação desses custos. Do exposto, estou convicto da inidoneidade dos documentos em questão. É interessante observar que a jurisprudência citada pela recorrente se volta contra ela. À 11.1162, encontro a ementa do Ac. 10CC 103-19.504/98 - DOU de 25/09/98: IRPJ - CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - NOTAS FISCAIS DE EMPRESAS INID6NEAS OU INEXISTENTES - Nos lançamentos efelllados sob alegação de que o contribuinte utilizou documentos fiscais inidôneos, para o fim de efetuar deduções ou exclusões, na apuração do lucro real, cabe ao Fisco a prova da inidoneidade desses documentos, assim como da inverac.:idade de quaisquer dados ou elementos registrados na escrituração comercial e fiscal. Em se tratando de documentos fiscais dados como emitidos por empresa inexistente de fato. é imprescindível a prova dessa inexistência, podendo o contribuinte, entretanto. ilidir a pretensão fiscal, mediante contraprova que demonstre a efetividade da operação descrila nos referidos documentos, produzida por qualquer meio admitido em Direi/o. O Fisco fez a sua parte, mediante as diligências e tomada de declarações, comprovando a inexistência de fato das empresas supostámente emitentes dos documentos fiscais. Caberia à interessada a contraprova, demonstrando a efetividade da operação e de seu pagamento, o que não encontro nos autos. Por exemplo, a NF 00403, de 22/06/2001, emitida por Diretriz Levantamentos Topográficos Ltda (11. 1306) discrimina os serviços prestados como "Prestação de serviços topográficos planialtimétrico cadastral, em rodovia estadual, trecho Serra D. Francisca, de acordo com contraio Prosul x DER". Se, de fato, o serviço foi prestado, o relatório descritivo contendo os dados topográficos deveria estar assinado pelo responsável por sua execução, devidamente identificado, e ser arquivado junto ao acervo técnico da contratante. Mas não encontro esse documento nos autos, nem qualquer outro que demonstre a efetividade das operações descritas nos documentos questionados pelo Fisco. O mesmo se pode dizer com respeito a todas as demais notas fiscais de que se traIa neste item. Comprovada a inidoneidade dos documentos utilizados pela interessada como comprovantes de custos/despesas, cabível a glosa correspondente e a aplicação da multa qualificada de 150%, pelo evidente intuito de fraude. Especificamente no que tange à tribulação pelo imposto de renda na fonte, o que consta dos autos é suficiente para caracterizar sua incidência, visto que os valores saíram da conta bancária da empresa, mas os supostos beneficiários foram demonstrados como inexistentes de fato, e não se produziu qualquer prova de que os alegados serviços houvessem, de fato, sido prestados e pagos. Nos termos do art. 674 do RIR/99, beneficiários não identificados e operação não comprovada ou sem causa. Em resumo, entendo que devem ser afastadas as exigências do IRF baseadas pagamentos lastreados por notas fiscais emitidas pela Empresa GEOTÉCNICA, e mantidas as demais, conforme descrição e tabela que constam no item 5.1.4 do Termo de Verificação Fiscal (l1s. 583/585). 21 Processo 0'1 1516.000766/2005.13 Acórdão o.' 105-16.954 CCOl/C05 Fls. 22 Item 002 da autuacão, item 5.1.5 do TVF No item 5.1.5 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 585 e segs.), a fiscalização aponta nove pagamentos, todos relacionados com a operação de aquisição de créditos de terceiros para utilização no REFIS. Adicionalmente, são relacionados outros dez pagamentos, supostamente para a empresa SIM INCENT[VE MARKETING LTDA. Esses pagamentos, que constam das tabelas a seguir reproduzidas, foram tidos como feitos em operações não comprovadas e/ou sem causa, o que motivou a incidência do IRF, Data Número do cheque Valor 16/02/2001 N/ cheque Besc 7940 NAM Consultoria S/C LIda. 9.600,00 I 2/03/200 [ N/ cheque Besc 7934 Santa Maria AwÍcola LIda. 14.760,00 12/03/200 [ N/ cheQue Besc 7938 NAM Consultoria S/C LIda. 9.600,00 [8/04/200[ N/ cheque Besc 7942 NAM Consultoria S/C LIda. 9.600,00 [8/04/2001 N/ cheque 8450 Benedito Fermino Costa 13.600,00 18/04/2001 N/ cheque 8453 Francisco Carlos Fattori 5.600,00 26/11/2001 N/ cheQue 10237 Santa Maria Agrícola LIda. 2.068,00 26/1 [/200[ N/ cheQue 10235 Santa Maria Agrícola LIda. 9.600,00 26/12/2001 N/ cheque 10236 Santa Maria Agrícola LIda. 9.600,00 Data N°da NF N° do cheque Valor Fls. 08/10/2001 0606 009979 - BESC 21.200,00 123 24/01/2001 0606 010071 - BESC 55.000,00 124 24/01/2001 0606 0342 - B. Brasil 13.900,00 125 25/10/2001 0606 010088 - BESC 15.900,00 126 07/1112001 0689 010156- BESC 19.504,00 [27 27/11/2001 0690 010331. BESC 71.232,00 [28 07/[2/2001 0764 010386- BESC 50.032,00 [29 17/l2/200[ 0690/0765 0430. B. Brasil 81.938,00 130 18/12/2001 0765 010510- BESC 37.100,00 131 19/12/2001 0844 010540-BESC 60.335,20 132 Sobre os valores que constam da primeira tabela, acima, a matéria foi analisada no item 008 do processo do IRPJ, pelo que transcrevo trecho de meu voto naquela ocasião: Quanto aos cheques destinados à NAM Consultoria (b), encontro nos aulas o contrato de 11s. [62/163, mas sem as assinaturas de seu representanle. Há, também, cópia autenticada da Nota Fiscal n° 743, de 121021200[, no valor de R$ 24.000,00 (11. 105[). Quanto aos pagamentos, restam comprovados dois cheques no valor de R$ 9.600,00 cada um, totalizando R$ 19.200,00. Entendo que a documentação é suficiente para comprovar que as despesas foram efetivamente incorridas (embora com comprovação apenas parcial dos pagamentos), sendo dedutiveis as comissões no valor da Nota Fiscal apresentada, de R$ 24.000,00. Quanto aos cheques destinados à Santa Maria Agrícola (c) e (e), totalizando R$ 36.028,00, sua natureza não resta clara. O valor que reconheço como efetivamente acertado foram os R$ 987.720,00 que constam do contrato. Não se trataria de pagamento de comissões, posto que incabível falar de comissões pagas ao cedente, parte do contrato. Apesar dos pagamentos estarem comprovados mediante as cópias 22 Processo "°'1516.00076612005-13 Acórdão n,lI105-16,sa54 CCOI/COS Fls. 23 microfilmadas apresentadas. seu valor excede ao contratualmente estabelecido, pelo que os reputo pagamentos sem causa e não os reconheço como custos dedutiveis. Finalmente. quanto aos cheques marcados como (d). que totalizam R$ 19.200,00, foram emitidos em nome de Benedito Fermino Costa e Francisco Carlos Faltori. pessoas cuja participação no negócio ou relação com qualquer das empresas resta absolutamente desconhecida. No verso das cópias microfilmadas (fi. 176 do Anexo 11), consta anotação de que substituiriam o cheque nO007935, emitido em favor da Santa Maria Agricola. Mesmo assim, pelas razões expendidas no parágrafo anterior, considero os pagamentos sem causa, e os custos indedutíveis. Sobre os valores que constam da segunda tabela, a matéria foi analisada no item 002 do processo do IRPJ, pelo que transcrevo trecho de meu voto naquela ocasião: Verifico, nos autos, que a acusação foi de falta de comprovação da efetividade das despesas em questão, em tese contratadas com a empresa SIM INCENTIVE E MARKETING S/C LIda., e que montaram a R$ 507.602,20 no ano-calendário 2001. As despesas dedutiveis para fins do Imposto de Renda devem, antes de tudo, corresponder a uma efetiva contraprestação em bens ou serviços. A partir daí é que se há de aferir se são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Não há dúvidas de que foi firmado entre as partes o contrato de fls. 140/143, nem de que foram emitidas e pagas as Notas Fiscais-Faturas de fls. 133/137 do processo, e ainda aquela que consta à fl. 74 do Anexo I. O que está em questão é se os pagamentos corresponderam ao serviço que consta do contrato. O objetivo final da alegada campanha promocional seria o estimulo de funcionários e10u colaboradores mediante premiações em dinheiro ou compras, tudo pela via dos cartões denominados SIM CLUB. Mas a principal interessada em que seus funcionários se sentissem motivados não apresenta qualquer documento que demonstre o acompanhamento de sua produtividade, alegado fundamento para as premiações. Também não relaciona. de forma individualizada. com nome, CPF, valores recebidos e ligação com a empresa, os funcionários/colaboradores premiados na vigência do contrato. Os documentos apresentados, tanto na fase impugnatória quanto na recursal (vide Anexo I), não levam à conclusão de que os serviços tenham de fato sido prestados: O material publicitário é genérico, mesma sorte do Relatório "Soluções de Reconhecimento"; a declaração do Unibanco apenas afirma que a SIM teria contrato com aquela instituição bancária; a carta alegadamente enviada em 28/08/200 I pela SIM à Prosul não possui qualquer assinatura; o envelope lacrado, o manual SIM, os cartões resgatados e a senha Unibanco não podem ser vinculados à contratante PROSUL. Apesar das considerações acima, verifico que não se encontram presentes as condições indispensáveis à incidência do imposto de renda na fonte de que trata o art. 674 e seu parágrafo 1°, do RIR/99. O beneficiário dos pagamentos efetuados pela recorrente à SIM INCENTIVE MARKETING foi, claramente, esta última empresa, por conta de contrato firmado entre elas. O fato de que a efetividade da prestação dos serviços não restou comprovada, motivando a glosa das despesas para fins do IRPJ, não pode servir, por si só, para embasar a tributação na fonte que aqui se pretende. Pelo acima exposto, entendo que devem ser mantidas as extgencias do IRF incidentes sobre os pagamentos destinados à Santa Maria Agrícola (quatro cheques, no valor total de R$ 36.028,00) e sobre os pagamentos em nome de Benedito Fermino Costa (R$ 23 Processo .'11516.00076612005-13 Acórdão n.0105-16.954 CCOllCOS Fls. 24 13.600,00) e Francisco Carlos Faltori (R$ 5.600,00), exonerando-se as exigências sobre os valores destinados à NAM Consultoria S/C e à SIM INCENTIVE MARKETING. I Das penalidades lançadas de oficio. A recorrente afirma que o julgador de primeira instância teria sido omisso, porque "no corpo dos votos que fundamentaram o acórdão não houve exame da matéria". Insiste no caráter confiscatório das multas de 75% e de 150%, e que não haveria prova de fraudes que justificassem a imposição da multa qualificada. Verifico aqui equivoco da recorrente. Não existem multas qualificadas na presente autuação, que pudessem justificar sua reclamação, mas tão somente a chamada multa "básica", de 75%, a qual independe de alguma circunstância especial para sua aplicação, bastando que a infração seja apurada em procedimento de oficio, nos termos do art. 44 da Lei na 9.430/1996 e aplicada dentro dos parãmetros legais. Em assim, sendo, não houve qualquer omissão por parte do julgador de primeira instância, posto que não havia qualquer circunstância particular a ser apreciada. Quanto à alegação sobre o caráter confiscatório das multas aplicadas de oficio, tese já abordada na fase impugnatória, é de se transcrever o inciso IV do art. ISO da Constituição Federal de 1988, que trata do princípio do não-confisco (grifo não consta do original): Art. J 50. Sem prejUlzo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: {...} IV - utilizar tributo com efeito de confisco; {. ..J Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 30 da Lei na 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. r Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito. instituida em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato illcito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a súmula na 2 deste Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário; 24 Processo n' 11516.00076612005-13 Acórdão n.Cl 105-16.954 Súmula rcc n' 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CCOI/C05 fls. 25 I Dos juros de mora: taxa SELlC Quanto aos juros de mora, afirma que "tampol/co houve análise dos argumentos da recorrellle no corpo do voto embasador do acórdão", e insiste nos argumentos já trazidos na fase impugnatória, de que a imposição da taxa SELlC seria ilegal e inconstitucional. Por sua ótica, essa taxa teria caráter remuneratório, e seu uso como taxa de juros afrontaria o art. 161, S 1°,do CTN e o art. 192, S 3°, da Constituição Federal. Deve-se recordar que, até mesmo por solicitação da recorrente, este processo foi julgado em primeira e segunda instâncias juntamente com o processo de IRPJ, n° 11516.000767/2005-68. Nessas condições, a apreciação de determinadas matérias se tomaria repetitiva e mesmo desnecessária, como é o caso das argüições sobre a aplicação da taxa SELlC. Naquele processo, a autoridade julgadora a quo discorreu longamente sobre a matéria, demonstrando que a aplicação da taxa SELlC está legitimamente inserida no ordenamento jurídico, e que sua utilização no caso concreto foi feita rigorosamente dentro dos parâmetros legais. Não faço qualquer reparo àquelas considerações e, na inexistência de questionamentos especificos, entendo desnecessário alongar-me sobre a matéria. Apenas, para finalizar, transcrevo a Súmula nO4 deste Primeiro Conselho de Contribuintes, publicada no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, Súmula l' CC lI' 4: A partir de 10 de abril de 1995. os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários admi"istrados pela Secretaria da Receifa Federal são devidos, no periodo de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELlC para titulos federais. I Conclusão Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para: a. Exonerar totalmente as exigências constantes do item 00I da autuação; b. No item 002 da autuação, manter integralmente as exigências descritas nos itens 5.1.1 e 5.1.2 do Termo de Verificação Fiscal; c. No item 002 da autuação, exonerar todas as exigências descritas no item 5.1.3 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 582/583 do processo; d. No item 002 da autuação, quanto às exigências descritas no item 5.1.4 do Termo de Verificação Fiscal, exonerar aquelas decorrentes de pagamentos à empresa GEOTÉCNICA, mantendo-se as demais; 25 Processo 0°11516.00076612005.13 Acórdão 0.°105016.954 CCOliCOS Fls. 26 e. No item 002 da autuação, quanto às exigências descritas no item 5.1.5 do Tenno de Veriticação Fiscal, exonerar aquelas decorrentes de pagamentos às empresas NAM CONSULTORIA e SIM INCENTIVE MARKETINO, mantendo-se as demais. Sala das Sessões, em 17de abril de 2008. ?-~/(---- WALDIR VElOdROCHA 26 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026
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Numero do processo: 10983.905059/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos.
Numero da decisão: 3401-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 59 /2 00 8- 99 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, pelo qual a Contribuinte pretende o ressarcimento do PIS recolhido supostamente a maior para compensar com outros débitos da COFINS. O crédito é oriundo de retenções na fonte praticadas por órgãos público que não foram utilizadas para abatimento do valor devido no período retido. O crédito foi indeferido por despacho decisório e a DRJ em Florianópolis/SC manteve o indeferimento. A Recorrente recorreu tempestivamente da decisão da DRJ. Em primeira análise por este colegiado, sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, o julgamento foi convertido em diligência sob o fundamento de que, apesar de a Contribuinte ter direito ressarcimento, não se saber qual era o valor do crédito. O processo foi analisado pela segunda vez, ocasião na qual novamente foi convertido em diligência, para que a Recorrente sanasse um vício de representação, e se pronunciasse acerca da conclusão da primeira diligência. Em terceira análise, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a delegacia de origem buscasse no SIAFI ou junto à Contribuinte os comprovantes de retenções alegados. O relatório da diligência, presente nas fls. 149/150, informa a existência de retenção no valor de R$ 20.786,43 e que a Recorrente não utilizou esse valor para dedução do valor devido no período, contudo conclui pela inexistência do crédito em razão de, no entender da autoridade fiscal, o crédito não atender aos ditames legais. A Recorrente se manifestou informando que em outros processos de matéria idêntica o CARF já se manifestara no sentido de que a parcela de retenção que não foi utilizada pelo contribuinte na apuração dos seus tributos caracterizase como pagamento indevido ou a maior. É o Relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.905059/200899 Acórdão n.º 3401002.799 S3C4T1 Fl. 170 3 Voto Relator Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O julgamento da presente demanda resumese a duas partes, a primeira quanto a possibilidade de ressarcimento da parcela da COFINS retida na fonte por entidade pública e não aproveitada, pela Contribuinte, para abatimento do valor devido; a segundo, se, de fato, existe algum valor retido e não utilizado. Na primeira análise do recurso voluntário, muito embora o julgamento tenha sido convertido em diligência, no voto do relator original, aprovado por unanimidade, já foi analisada a primeira parte e se concluiu pela possibilidade de ressarcimento de tais créditos para compensação, conforme fl. 83/87 dos autos, in verbis (...) constatase pelo Despacho Decisório expedido eletronicamente pela DRF/FlorianópolisSC, que o motivo do não reconhecimento do crédito foi a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do referido Darf indicado pela interessada como originário do pagamento indevido ou a maior. Assim, somente com as informações trazidas pela interessada na Manifesto:0o de Inconformidade veio a tona a completa identificação do alegado crédito, ou seja, conforme dito acima, que o mesmo seria decorrente de retenção na fonte sofrida em face da regra do art. 64 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e não aproveitada para reduzir o valor do saldo apagar da contribuição. E a DRJ, por seu turno, atribuiu a inobservância da forma o motivo da não homologação da compensação, ou seja, mesmo admitindo, ou não ter questionado, a retenção na fonte, considerou que a Dcomp haveria de ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações nos quais a interessada apurara e declarara os valores devidos e a pagar relativos as contribuições objeto das retenções e aos períodos base a que pertencem. Sobre o referido art. 64 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, é bom que se esclareça o seu teor, ou seja, a partir de 1° de janeiro de 1997, todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, passaram a sujeitarse a incidência, na fonte, do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/PASEP sendo que o "valor retido": a) é levado a crédito da respectiva conta de receita da União (§ 2°); b) é considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e as mesmas contribuições (§ 3°); e c) somente pode ser compensado com o que for devido em relação a mesma espécie de imposto ou contribuição (§ 4°) Alem disso, a segregação do valor retido, de acordo com o imposto ou a contribuição, ficou estabelecida da seguinte forma: o IRPJ, mediante a aplicação de 15% sobre o Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 resultado da aplicação do percentual de que trata a Lei n° 9.249/95; a CSLL, de I% sobre o valor do montante pago, e o P1S/Pasep e a Cofins, dos percentuais correspondentes as respectivas alíquotas (§§ 5° ao 8°). O primeiro ato infralegal dispondo especificamente sobre essa modalidade de retenção na fonte foi a Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 04, de 18 de agosto de 1997, a qual estabeleceu regras para a retenção e trouxe uma tabela de retenção, segundo a qual, para os serviços prestados sob o titulo de "energia elétrica", o percentual aplicado seria de 4,85%, correspondente a soma dos percentuais de 1,2% (IRPJ), 1,0% (CSLL), 2,0% (Cofins) e 0,65% (PIS/Pasep), bem como que o código de recolhimento seria "6147". Referido ato prevaleceu, com algumas modificações posteriores até a edição da IN SRF n° 294, de 04/02/2003, que o revogou, tendo sido editada, para tratar da matéria, a IN SRF n° 306, de 12/03/2003,fixando, no que interessa ao processo, as mesmas regras listadas acima. Esta última Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF n°480, de 15/12/2004, a qual manteve, no que interessa ao processo, as mesmas disposições listadas acima, com alguma ou outra mudança não significativa para este julgamento. Com base nessas informações, podemos concluir que o DARF indicado pela interessada como origem para o crédito postulado, cujo código de recolhimento utilizado fora o "6147", referese, de fato, à retenção efetuada pela Universidade Federal de Santa Catarina em face de pagamento a interessada pela venda de energia elétrica. Podemos concluir, também, que o seu valor é composto por outros tributos além do PIS/Pasep, e que, nos termos dos parágrafos 3° e 4° do referido artigo 64, a interessada poderia ter diminuído do valor do PIS/Pasep devido o valor que lhe fora retido na fonte a esse titulo.Assim, diante das afirmações taxativas da interessada, de que bastaria a confrontação de sua DCTF, na qual está indicado o valor devido, com o Darf recolhido a esse titulo, para verificar que não se valeu da permissão legal de utilizar o valor retido na fonte, podese dizer que, de fato, e, em princípio, incorreu ela, por seu erro, num pagamento indevido ou a maior. A ressalva que fiz no parágrafo anterior devese ao fato de que, apesar de fortes indícios, o direito ao crédito não foi demonstrado corretamente pela interessada, dai a DRI não ter admitido a compensação. A DRJ tem razão quanto a inobservância da forma adequada, haja vista que a interessada deveria ter indicado na PER/Dcomp como origem de seu crédito o "pagamento indevido ou a maior" relacionado, não ao recolhimento efetuado pela Universidade de Santa Catarina e que correspondeu ao valor por esta retido na fonte a titulo de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, mas, sim, o recolhimento efetuado por ela própria, a interessada, relacionado ao débito do PIS/Pasep do mesmo período de apuração correspondente ao que gerou a referida retenção na fonte. Pois, como visto e revisto acima, não houve erro e tampouco pagamento indevido ou a maior quando Universidade Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.905059/200899 Acórdão n.º 3401002.799 S3C4T1 Fl. 171 5 de Santa Catarina recolheu o valor da retenção na fonte, mas, sim, quando a interessada deixou de diminuir do valor a pagar da contribuição o valor da retenção sofrida na fonte, o que provocou o pagamento indevido ou a maior ora em discussão. Observo, contudo, que, ainda que a interessada tivesse assim procedido, seu pleito também não seria admitido de plano, ainda mai se considerarmos que o "batimento" das informações foi eletrônico, haja vista que os sistemas da Receita Federal fariam o confronto entre o valor do débito indicado na DCTF e o valor do recolhimento da contribuição e, obviamente, não se encontraria o crédito apontado no PER/Dcomp, que referese ao valor da retenção na fonte. E que, dadas as limitações dos campos disponibilizados para preenchimento nas PER/Dcomp, somente por ocasião da Manifestação de Inconformidade, ou por meio de petição suplementar, é que a interessada, então, teria a oportunidade de explicar as verdadeiras razões de seu pedido de reconhecimento de crédito. Além disso, não estivessem ainda sido retificados os registros e as declarações nas quais apurou e declarou os valores devidos e apagar, por óbvio, não se constataria erro algum no pagamento efetuado. Estou perfeitamente de acordo com a fundamentação utilizada pela instância de piso, especialmente quando ela diz:"É preciso ressaltar que as retenções na fonte previstas no artigo 64da Lei n.° 9.430/1996, acabaram merecendo disciplina complementar em alguns atos administrativos, como tais a Instrução Normativa SRF n.° 306, de 12/03/2003, e a Instrução Normativa SRF n.°480, de 15/12/2004. Em tais atos, está expresso que "os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do ma da retenção" (artigo 5.0 da IN SRF n.° 306/2003) e que" os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção" (art. 7o da IN SRF n.°480/2004). Como se vê, tais atos administrativos expressamente permitem que os valores retidos sejam utilizados para compensar débitos relativos a períodosbase posteriores, mas certo é que tais disposições devem ser devidamente cruzadas com a natureza própria das retenções da fonte, expressa no parágrafo 3.0 da Lei n.° 9.430/1996, ou seja, o direito a compensação com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que as retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores." Porém, com a devida vênia, dela divirjo nas conclusões, ou seja, o pleito da interessada não pode ser considerado improcedente pela mera inobservância deforma, já que "forma por forma", também não poderia a DRJ ter deixado de observar que a atribuição de verificação quanto a procedência ou não da compensação é da DRF, e não dela, e Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 como visto, a fundamentação constante do Despacho Decisório para não homologar a compensação nada teve a ver com o motivo alegado pela DRJ. Vejase, por exemplo, os dispositivos da IN SRF n° 210, de 2002, que tratam da competência para o reconhecimento do direito creditório e para a homologação da compensação declarada: "Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a titulo de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, a data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) §1o A restituição ou a compensação de oficio do crédito do sujeito passivo com seus débitos para com a Fazenda Nacional caber6 ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, a data da restituição ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo. (...) §5o A homologação de Declaração de Compensação apresentada pelo sujeito passivo a SRF será promovida pelo titular da DRF, Derat ou Deinf que, a data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo, observado, quanto ao reconhecimento do direito creditório, o disposto no sS' 6°. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003)".] (...) Além disso, como afirmado acima, não há na PER/Dcomp campo próprio para que os detalhes que cercam esse tipo de pleito possam ser melhor esclarecidos pelos contribuintes, o que somente é possível, ou por meio de petição adicional, ou quando da apresentação de reclamação contra um despacho decisório desfavorável. Deixo aqui consignada a minha convicção, obtida dos elementos e argumentos trazidos pela Recorrente aos autos, de que existe o direito ao crédito por conta de não telo utilizado consoante a lei lhe facultava, porém, o seu reconhecimento efetivo para fins de aproveitamento em compensação não pode ser obtido neste julgamento em face de depender de providencias que :16 poderiam ter sido tomadas nas fases processuais anteriores, haja vista que as informações e documentos carreados ao processo pela interessada foram suficientes para que se aprofundasse nas investigações agora reclamadas. Neste ponto, invoco os princípios de direito administrativo aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal Federal, notadamente os da legalidade, moralidade, da eficiência e o da finalidade, bem como os princípios da verdade material, para proferir o meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem, agora Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.905059/200899 Acórdão n.º 3401002.799 S3C4T1 Fl. 172 7 sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifeste, facultando à mesma a oportunidade para também manifestarse, no prazo de trinta dias. 0 presente processo somente deverá voltar a este Colegiado se, da nova análise a ser efetuada quanto ao crédito, ainda assim não restar homologada a compensação declarada e contra tal decisão a interessada se insurgir.(grifos nossos) Por essa razão, reputo já ultrapassada a questão da possibilidade de ressarcimento da contribuição retida na fonte, restando analisar somente se existiu retenção não aproveitada para abatimento. Quanto à segunda parte, o relatório de diligência foi expresso em afirmar a existência de retenção no valor de R$ 20.786,43 que não foi utilizado para dedução do valor devido no período da retenção. Portanto, concluise pela existência de crédito em favor da Recorrente. Ex positis¸ dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer em favor o direito creditório no valor R$ 20.786,43. É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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