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Numero do processo: 13767.000101/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PASEP. PRESCRIÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN.
Como o protocolo se deu em 09/06/2005, resta prescrito o valor.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PASEP. PRESCRIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. Como o protocolo se deu em 09/06/2005, resta prescrito o valor. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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CONTRIBUIÇÃO. PASEP. PRESCRIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. Como o protocolo se deu em 09/06/2005, resta prescrito o valor. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 01 01 /2 00 5- 83 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição de créditos do PASEP, recolhidos no ano de 1988 sob a sistemática dos DecretosLei 2.445 e 2.449/88, apresentada pela Prefeitura Municipal de São Gabriel da Palha, em 09.06.2005 (fl. 1). A Delegacia da Receita Federal em VitóriaES, através do Parecer nº 541/2005, de fls. 15 a 28 e despacho decisório de fl. 29, indeferiu o pedido de restituição com base na constatação de que os pagamentos hipoteticamente indevidos foram efetuados em 1988 e o pedido de restituição somente foi formulado em 09/06/2005. Assim, na data da formalização do processo todo o almejado crédito já havia sido alcançado pela decadência qüinqüenal, nos termos do art. 168 do CTN, Ato Declaratório SRF nº 96, de 26/11/1999 e art. 3º da LC nº 118/2005. Prossegue o despacho decisório aduzindo que a Prefeitura Municipal de São Gabriel da Palha carece de legitimidade, pois o Município de São Gabriel da Palha é que detém a capacidade tributária passiva a ensejar pedido de repetição de indébito. A Prefeitura Municipal de São Gabriel da Palha apresenta, então, às fls. 30 a 36, manifestação de inconformidade, alegando em síntese: Que os créditos não são de 1988, mas do período que se inicia em 1988 e finda em março de 1996, quando vigoraram os Decretos 2.445 e 2.449/88; Que o pleiteante é o Município de São Gabriel da Palha, tendo ocorrido erro formal no preenchimento do pedido de restituição; Que irá providenciar a juntada dos documentos comprobatórios do crédito ao processo. Que o prazo decadencial para pleitear restituição do PASEP é de 10 anos conforme dispõe o art. 105 da IN/SRF nº 247/02 e a Lei nº 8.212/91. O referido prazo tem como termo inicial a data da Resolução do Senado que julgou inconstitucional a cobrança. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RJOII n.º 19.442, de 28/03/2008: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 29/02/1996 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13767.000101/200583 Acórdão n.º 3201001.053 S3C2T1 Fl. 150 3 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte pleitear a restituição de contribuição paga em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Solicitação Indeferida. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo discute o direito à repetição de valores retidos a título de PASEP pela recorrente. A DRJ negou o pedido em face da decadência, motivo pelo qual há o recurso voluntário. O período a repetir de PASEP alcança os meses de 01/88 a 02/96. O pedido de repetição se deu em 09/06/2005. O STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC para todos os processos. Como o pedido foi feito em 09/06/2005, o prazo de repetição é de cinco anos, motivo pelo qual está prescrito. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 Sala das Sessões, em 21 de agosto21 de agosto de 2012 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10380.913378/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 8/ 20 09 -4 8 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 65 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 08/07/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 22581.61016.080708.1.3.047320 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRRF, código de receita 1705, período de apuração Junho/2008, data de vencimento 10/07/2008, R$ 449,13; CSLL/COFINS/PIS/PASEP, código de receita 595202, 2ª Quinzena de Junho/2008, vencimento 15/07/2008, R$ 872,97; IRRF, código de receita 056107, período de apuração junho/2008, data de vencimento 10/07/2008, R$ 20.022,81; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 16.022,49; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLL do período de apuração 31/07/2005, código de receita 2484, data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 623.660,16. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 66 3 Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 729.466,29, referente à CSLL – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência da CSLL; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao período de apuração do mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do ano calendário 2005 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar do ano de 2008, nesse ano; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do IRPJ e da CSLL nesse ano, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto e da referida contribuição. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da Ficha da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, onde restou consignado expressamente que inexistem valores de IRPJ e de CSLL a pagar em 2005 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório de fls. 05/06); Por fim, com base nessas razões, concluiu a contribuinte: que dúvida não resta da existência do crédito, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora, tudo do anocalendário 2005; que, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento direto de antecipações de pagamento por estimativa como crédito sem leválo, primeiro, para a declaração de ajuste, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 67 4 Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: que, em que pese ter efetuado o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal no montante de R$ 729.466,29, período de apuração julho 2005, apurou que não havia CSLL pagar nesse período, pois, na Ficha 16 – Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito da CSLL (apurado por estimativa e indevidamente recolhido) com outros valores a pagar do ano de 2008, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou apenas parte desse crédito, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB por despacho decisório, sob o fundamento de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que, efetuada a retificação da DCTF, (fl. 44), a decisão recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 68 5 poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como CSLL Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo da CSLL do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou demonstrado nos autos que houve pagamento indevido da CSLL do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 729.466,29; que a decisão, ora atacada, ao não reconhecer o crédito, negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto merecedor de reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Por força do art. 28 da Lei nº 9.430/96, a apuração da CSLL segue o regime de apuração do IRPJ. Em relação à antecipação de pagamento da CSLL estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido dessa exação fiscal do referido período. Nesse sentido, a contribuinte juntou aos autos as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 16 da DIPJ Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por Estimativa, onde informou, para o período de apuração julho/2005, CSLL a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 16; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação da CSLL Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 2484 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29 (fls.14 e 42); d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 70 7 Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório da CSLL, nestes autos, somente parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 16.022,49 (valor original), alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, de R$ 623.660,16 (valor original na data de transmissão) – fl. 02. Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito da CSLL estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 729.466,29. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de antecipações de pagamento por estimativa mensal como crédito, devendo, primeiro, levar o valor da antecipação de pagamento para a declaração de ajuste anual, pois somente é possível utilizar em compensação tributária o saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento da CSLL do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) cópia de parte da Ficha 16 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) sequer consta cópia da Ficha de Apuração da CSLL – Ajuste Anual. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual, para formação do saldo negativo; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora para o período de apuração relativo ao Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 71 8 direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntada de cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntada de cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntada de cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimação da contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimação da contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente dos Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaboração de relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimação da contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 72 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933027/2009-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 27 /2 00 9- 79 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório HOSPITAL MATER DEI AS transmitiu Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (Per/DComp) visando a compensar o(s) débito(s) nele confessado(s), montantes a 2.680,52, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato período de apuração de março de 2003. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório Eletrônico (DDE) por meio do qual não homologou a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível para a compensação declarada na DComp. Em reclamação, fls. 2 a 5, o declarante alegou que a compensação realizada não contempla as situações impeditivas previstas no art.74, § 3º, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e que tem o direito de retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais obrigações acessórias. Instruiu sua manifestação com os seguintes documentos: a) Cópia da última alteração contratual; b) Cópia dos documentos pessoais do responsável perante a SRF; c) Cópia do DARF; d) Cópia do Despacho Decisório. A 1ª Turma da DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente por falta da existência do direito creditório. O Acórdão nº 02036.009, de 16 de novembro de 2011, fls. 24 a 26, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE. O arrazoado de fls. 30 a 51, após síntese dos fatos relacionados com a lide, rechaça a decisão recorrida por entender ter crédito em face da Fazenda Nacional, por ter incluído, equivocadamente, na base de cálculo das contribuições sociais, o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, tributandoos indevidamente às alíquotas de 3% e 0,65%. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933027/200979 Acórdão n.º 3803003.575 S3TE03 Fl. 67 3 Insurgese contra a sumária negativa de apreciação da DCTF retificadora, argumentando que a transmissão foi aceita pela Receita Federal. Entende ter obedecido às regras que disciplinam a matéria. Lembra que não há como instruir a DComp retificadora com qualquer documento comprobatório e que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da DCTF original, nos termos do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Ademais, considera que a DCTF retificadora é indiciaria do direito do contribuinte, de sorte que a Fiscalização estaria obrigada a realizar diligências ou a intimar o interessado a prestar esclarecimentos e oferecer documentos comprobatórios. Invoca o princípio do livre convencimento dos julgadores administrativos na apreciação da prova e o princípio da verdade material. Afirma que a decisão recorrida merece ser reformada para conferir validade às informações existentes na DCTF retificadora, homologando, por consequência a compensação realizada e anulando o lançamento de ofício. Alternativa e sucessivamente, pede a sua anulação, determinandose à Fiscalização a realização no intuito de verificar e conferir a existência e o valor do crédito informado na DCTF retificadora. Na continuação, discorre sobre a origem do crédito, retomando a alegação de que os mesmos decorrem da exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos medicamentos submetidos à alíquota zero por incidência da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, transcrevendo jurisprudência e decisões em Solução de Consulta. Pede o julgamento simultâneo de outros processos de seu interesse em que se debate a mesma matéria. Conclui, requerendo provimento do recurso voluntário para reconhecimento de que a DCTF enviada e aceita pelo sistema Receita Federal (pois foi possível sua transmissão eletrônica) é legítima para validar o procedimento de compensação, gerando, assim, direito creditório e, por consequência, seja homologada a compensação realizada e cancelado o lançamento de ofício Alternativa e sucessivamente, a) Que seja reconhecida validade à DCTF retificadora transmitida, anulando a decisão de 1a instância e determinando que a Fiscalização da Receita Federal de Belo Horizonte apure e confira, em diligência fiscal, se o crédito informado na DCTF retificadora realmente existe e se os referidos valores estão corretos, procedendo à devida compensação, nos moldes informados na PER/DCOMP, ou; b) Que seja dado provimento do presente recurso da 1a Turma da DRJ/BHE, contribuinte de excluir os medicamentos sujeitos à alíquota zero da base de cálculo da Contribuição e, por consequência, anular o lançamento de ofício, ou; c) Que seja provido o recurso para anular a decisão da 1a instância e reconhecer o direito ao crédito pelas razões invocadas, determinando que a Fiscalização da Receita Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Federal de Belo Horizonte apure e confira, em diligência fiscal, se o crédito informado na DCTF retificadora realmente existe e se os referidos valores estão corretos, procedendo à devida compensação, nos moldes informados na PER/DCOMP. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 30 a 51 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBHE1ª Turma nº 02036.009, de 16 de novembro de 2011. Pedido de julgamento simultâneo de processos de interesse do recorrente Quanto ao pedido formulado no sentido de outros 24 (vinte e cinco) processos sejam julgados simultaneamente, esclareço o recorrente de que o sorteio e a distribuição de processos têm regras próprias, estatuídas no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, que se sobrepõem à conveniência do recorrente. Indefiro. Matéria controversa O fundamento para o direito creditório oposto na compensação – tributação indevida às alíquotas de 3% e 0,65% das receitas de venda de medicamentos sujeitos à alíquota zero – ofertado somente na peça recursal, não será conhecido. Por se tratar de matéria preclusa, deixo de conhecêlas, haja vista que em nenhum momento da peça reclmatória de fls. 2 a 5 o manifestante tratara dessa matéria. Veja se, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933027/200979 Acórdão n.º 3803003.575 S3TE03 Fl. 68 5 i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para controverte tal matéria. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Mérito – prova do indébito Liminarmente, informo que não há, nos autos, qualquer início de prova de que o contribuinte, ora recorrente, tenha efetivamente incluído, na base de cálculo das contribuições sociais, o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, tributandoos indevidamente às alíquotas de 3% e 0,65%. Há tão somente sua alegação. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 6 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) A prova do alegado direito creditório é ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933027/200979 Acórdão n.º 3803003.575 S3TE03 Fl. 69 7 Nem mesmo a DCTF retificadora, transmitida após a ciência do DDE, quando o contribuinte não mais dispunha de espontaneidade hábil para conferirlhe a mesma natureza da DCTF original2, aporta aos autos a prova da liquidez e certeza do crédito oposto na compensação, atributos requeridos pelo art. 170 do CTN. E não se diga que o contribuinte não teve como apresentar a prova requerida. Nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o rito do processo administrativo fiscal federal facultalhe a produção probatória a te o momento processual da reclamação3, quando a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; 2 Inteligência do art. 11 da INRFB nº 903, de 2008: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. 3 Até a Manifestação de Inconformidade, nos processos de restituição, ressarcimento e compensação de tributos e contribuições federais. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 8 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) [...] O recorrente entende que a própria Administração deveria ter diligenciado a produção da prova que, como se viu, incumbialhe produzir. Dado o quadro de repartição do onus probandi, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, em seu art. 65, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. A promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. A razão pela qual estas considerações são feitas é a de que, além da improcedente alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o contribuinte não apresenta qualquer comprovação de sua alegações de erro na confissão de dívida consubstanciada na DCTF. O que se quer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933027/200979 Acórdão n.º 3803003.575 S3TE03 Fl. 70 9 indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10860.000563/2008-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO.
Não incide o imposto de renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. (Súmula CARF Nº 42)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 12.355,71, referente à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 12.355,71, referente à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
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Não incide o imposto de renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. (Súmula CARF Nº 42) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 12.355,71, referente à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 05 63 /2 00 8- 97 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.000563/200897 Acórdão n.º 2801002.831 S2TE01 Fl. 116 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fl. 27, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, anocalendário 2004, por meio da qual foi apurado o crédito tributário assim constituído: Imposto de renda suplementar (sujeito a multa de ofício): R$ 2.490,48 Multa de ofício: R$ 1.867,86 Juros de mora (calculados até 29/02/2008): R$ 979,50 Imposto de renda (sujeito a multa de mora): R$ 14.157,56 Multa de mora: R$ 2.831,51 Juros de mora (calculados até 29/02/2008): R$ 5.568,16 Valor total do crédito tributário apurado: R$ 27.895,07 Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 28, 29 e 30, constatouse, respectivamente: 1) a compensação indevida de carnêleão, no valor de R$ 2.390,30, correspondente à diferença entre o valor declarado (R$ 16.859,30) e o efetivamente recolhido sob o código de receita 0190 (R$ 14.469,00); 2) a omissão de rendimentos recebidos das seguintes pessoas jurídicas: a) G. J. Figueira Perfumes – ME, CNPJ n° 05.814.335/000167, no valor de R$ 6.673,80; e b) Santander Seguros S.A., CNPJ n° 87.376.109/000106, no valor de R$ 3.174,00; e 3) a compensação indevida de imposto de renda na fonte, relativo às seguintes fontes pagadoras: a) Prefeitura Municipal de Taubaté, CNPJ n° 45.176.005/000108, no valor de R$ 4.055,76; e b) Universidade de Taubaté, CNPJ n° 45.176.153/000122, no valor de R$ 9.089,63. Da impugnação Cientificada do lançamento em 09/04/2008 (fl. 71), a contribuinte apresentou, em 27/03/2008, a impugnação de fls. 1 e 2, acompanhada dos documentos de fls. 3 a 26, abaixo resumida. 1) Em relação à compensação indevida do carnêleão, seguem anexas cópias dos DARFs efetivamente pagos sob o código 0190, no total de R$ 16.859,30. 2) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Segue cópia do informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora G. J. Figueira Perfumes – ME, CNPJ n° 05.814.335/000167. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.000563/200897 Acórdão n.º 2801002.831 S2TE01 Fl. 117 3 3) Compensação de IRRF 3.1.) Em relação à Prefeitura Municipal de Taubaté, ocorreu o seguinte: em 01/07/2004, a prefeitura pagou à contribuinte, a título de desapropriação, o valor de R$ 12.355,71 e reteve o valor de R$ 4.055,76, conforme processo 141/793ª Vara Cível de Taubaté (cópia anexa). A advogada Daisy Cury Andraus recolheu o IRRF em seu nome, com o seu CPF, conforme cópia anexa, no valor de R$ 8.111,52, referente ao montante devido na ação, montante esse relativo a dois contribuintes. Em relação a esse pagamento, houve o desconto do honorário advocatício de R$ 4.012,87. 3.2.) Em relação à Universidade de Taubaté, segue cópia do informe de rendimentos da fonte pagadora, cópia do contrato de locação e suas alterações.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 75/92, para restabelecer a glosa do imposto pago a título de carnêleão e do IRRF referente à fonte pagadora Universidade de Taubaté, bem como afastar a omissão de rendimentos da fonte pagadora G. J. Figueira PerfumesME. Também, considerou não impugnada a omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Santander Seguros S.A. Regularmente cientificada daquele acórdão em 30/05/2011 (fls. 98), a interessada, representada por sua procuradora (fls. 100), interpôs recurso voluntário de fls. 99, em 29/06/2011. Em sua defesa, alega que o valor recebido da Prefeitura Municipal de Taubaté foi lançado como rendimento tributável, mas se trata de desapropriação, operação sobre a qual não incide imposto de renda. Ainda aduz que, por um lapso, o recolhimento do DARF foi feito em nome de Adélia Cury Andraus – advogada que a representou no processo de desapropriação, conforme cópias em anexo. Conforme Resolução nº 2801000.113 (fls. 106/109), o julgamento foi convertido em diligência à Repartição de Origem para que a da Prefeitura Municipal de Taubaté fosse intimada a informar: · Os Rendimentos pagos à contribuinte, no ano de 2004, e o respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte; · A natureza dos rendimentos pagos à contribuinte nesse período; · Se tais rendimentos estão correlacionados com a Ação de Desapropriação nº 625.01.1979.0000018/000000000. Em resposta, foi carreado aos autos o documento de fl. 113. Os autos, então, retornaram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.000563/200897 Acórdão n.º 2801002.831 S2TE01 Fl. 118 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio em questão diz respeito à tributação, ou não, do valor recebido pela contribuinte da Prefeitura Municipal de Taubaté, no anocalendário de 2004. A recorrente defende que não incide imposto de renda sobre os referidos rendimentos, considerando que são decorrentes de desapropriação. No que diz respeito à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, assim se pronunciou a decisão recorrida: Para comprovar a retenção na fonte do IRRF no valor de R$ 4.055,76, relativo à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, CNPJ n° 45.176.005/000108, a impugnante apresentou o demonstrativo de fl. 12, que trata do recebimento de valores a título de desapropriação pela impugnante e por três outras pessoas. Salientese, inicialmente, que esse documento não está assinado, nem vem acompanhado de cópia da sentença judicial que deu origem às informações ali discriminadas. Por conseguinte, não há no processo nenhum elemento aceitável de prova que vincule o DARF de fl. 11 (recolhido em nome de uma terceira pessoa) com os rendimentos declarados pela impugnante. De qualquer forma, se levarmos em consideração as informações do demonstrativo de fl. 12, podemos tirar as seguintes conclusões acerca do valor total dos rendimentos pagos às quatro pessoas ali mencionadas e do correspondente IRRF: Rendimentos brutos: R$ 38.836,46 + R$ 2.192,22 = R$ 41.028,68 Honorários advocatícios: R$ 8.205,74 IRRF: R$ 8.111,52 Rendimentos líquidos: R$ 41.028,68 – R$ 8.205,74 – R$ 8.111,52 = R$ 24.711,42 Esses rendimentos líquidos foram distribuídos da seguinte forma: à impugnante coube o valor de R$ 12.355,71 e a cada uma das outras três pessoas coube o valor de R$ 4.118,57. Observese: 3 x R$ 4.118,57 + R$ 12.355,71 = R$ 24.711,42. Ora, como a impugnante declarou na DIRPF 2005 (fl. 36) ter recebido dessa fonte pagadora o valor de R$ 12.355,71, conclui se que ela declarou exatamente o valor líquido recebido, já deduzido, portanto, o IRRF. Por consequência, não pode ela pretender compensar um valor de IRRF que não compôs o valor dos rendimentos brutos declarados. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.000563/200897 Acórdão n.º 2801002.831 S2TE01 Fl. 119 5 Diante das considerações acima, só resta manter a glosa efetuada pela fiscalização, no valor de R$ 4.055,76. Em sede de recurso, a contribuinte apresenta, às fls. 101/102, cópia da Certidão de Objeto e Pé da Ação nº 141/1979 de Desapropriação e Indenização, que aponta como “Requerente”: Antenor Mansur Abud Júnior, Antua Mansur Abud, Marília Mansur Zonaro e Ziara Maria Mansur Abud. Em princípio, tais requerentes não revestem a qualidade de sujeito passivo neste processo administrativo. Entretanto, verificase que a contribuinte é parte envolvida no referido processo, haja vista o seguinte registro constante da a lista dos Precatórios cadastrados no sistema de Pagamento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, relativa aos precatórios devidos pela Prefeitura Municipal de Taubaté, processados pelo E. Tribunal de Justiça: Ordem de Pagto.: 1/1987 Natureza: OUTRAS ESPÉCIES ES/EP: 2001/1986 Nº de autos: 141/79 Ordem Orçamentária: 0/1987 Nº do Protocolo Geral: 2556 Data do Protocolo: 24/06/1986 Autor(es) : CÉLIA MARIA ABUD ANTUNES, SUBST. PROC. DE ANTENOR MANSUR ABUD E ANTUA MANSUR ABUD Advogado(s): DAISY CURY ANDRAUS Por carecer os autos de elementos de prova suficientes a comprovar que os rendimentos recebidos pela interessada da Prefeitura Municipal de Taubaté, no anocalendário de 2004, são, de fato, oriundos da citada Ação de Desapropriação, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2801000.113 (fls. 106/109), para que a da Prefeitura Municipal de Taubaté fosse intimada a informar: · Os Rendimentos pagos à contribuinte, no ano de 2004, e o respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte; · A natureza dos rendimentos pagos à contribuinte nesse período; · Se tais rendimentos estão correlacionados com a Ação de Desapropriação nº 625.01.1979.0000018/000000000. Em resposta, a Prefeitura Municipal de Taubaté prestou as seguintes informações constantes do ofício, à ofício de fl. 113: “Pelo presente, em atenção a Intimação Sacat n° 328/2012, e de acordo com manifestação do Departamento de Administração desta Prefeitura, informamos a Vossa Senhoria que não foi encontrado no arquivo de Cadastros de Servidores o nome de Célia Maria de Souza Abud. Informamos ainda, conforme esclarecimentos do Diretor do Departamento de Finanças da municipalidade, que no exercício de 2004 foi efetuado depósito judicial nos autos da Ação de Desapropriação n° 141/79 – 3ª Vara Cível de Taubaté, no valor de R$ 21.673,08 e que, desse importe, não houve descontos a Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.000563/200897 Acórdão n.º 2801002.831 S2TE01 Fl. 120 6 titulo de Imposto de Renda, bem como, não há conhecimento de eventuais retenções efetuadas posteriormente.” Assim, a meu ver, restou confirmado que os rendimentos declarados pela recorrente, referente à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, no valor de do valor R$ 12.355,71, são oriundos da Ação de Desapropriação e Indenização nº 141/1979. Tais rendimentos não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 42, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Não há que se falar em IRRF sobre os referidos rendimentos, conforme informado pela Prefeitura Municipal de Taubaté. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 12.355,71, referente à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.902802/2005-42
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. PETIÇÃO APRESENTADA ANTES DO JULGAMENTO. ACÓRDÃO OMISSO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
Anula-se a decisão de primeira instância referente a pedido de restituição que não se manifestou sobre petição do contribuinte protocolada cerca de um ano antes do julgamento e na qual foi requerida juntada de acórdão deste Conselho que deu provimento ao recurso voluntário referente a processo em que o contribuinte defendeu-se de auto de infração relativo aos mesmos fatos e mesmo período que são objeto do presente litígio.
Numero da decisão: 2802-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a decisão de primeira instância para que outro acórdão seja proferido com apreciação acerca da petição de fls. 44, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes momentaneamente os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. PETIÇÃO APRESENTADA ANTES DO JULGAMENTO. ACÓRDÃO OMISSO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Anula-se a decisão de primeira instância referente a pedido de restituição que não se manifestou sobre petição do contribuinte protocolada cerca de um ano antes do julgamento e na qual foi requerida juntada de acórdão deste Conselho que deu provimento ao recurso voluntário referente a processo em que o contribuinte defendeu-se de auto de infração relativo aos mesmos fatos e mesmo período que são objeto do presente litígio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a decisão de primeira instância para que outro acórdão seja proferido com apreciação acerca da petição de fls. 44, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes momentaneamente os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e German Alejandro San Martín Fernández.
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PETIÇÃO APRESENTADA ANTES DO JULGAMENTO. ACÓRDÃO OMISSO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Anulase a decisão de primeira instância referente a pedido de restituição que não se manifestou sobre petição do contribuinte protocolada cerca de um ano antes do julgamento e na qual foi requerida juntada de acórdão deste Conselho que deu provimento ao recurso voluntário referente a processo em que o contribuinte defendeuse de auto de infração relativo aos mesmos fatos e mesmo período que são objeto do presente litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a decisão de primeira instância para que outro acórdão seja proferido com apreciação acerca da petição de fls. 44, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 28 02 /2 00 5- 42 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Ausentes momentaneamente os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de processo instaurado a partir da manifestação de inconformidade perante o Despacho Decisório emitido em 07/07/2009 que indeferiu o pedido de restituição referente ao Imposto que o contribuinte alegou ter sido pago indevidamente pelo DARF com as seguintes características: código de Receita 4600, data de vencimento 31/07/1998, data de arrecadação 31/07/1998, período de apuração 19/06/1998, valor do principal e valor total de R$373.593,86. O Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP) foi transmitido em 27/06/2003 e o indeferimento deuse porque não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF indicado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte alegou que houve um pedido de REDARF (processo 11080.008302/200601) protocolado em 04/10/2006 pendente de solução por parte da Receita Federal. O Pedido de REDARF (fls. 12) almejava alterar o CPF de 468.876.87020 (Carla Maria de Mello Moreira, cônjuge do recorrente) para 001.078.59068, este último o número de inscrição do recorrente. Cópia do DARF às fls. 13. Às fls. 14 o Demonstrativo de Ganho de Capital de alienação de participação societária fora da bolsa de valores (referente a Cia de Seguros Marítimos e Terrestres Phenix de POA) no qual foi apurado como imposto devido a importância igual ao valor principal do DARF em questão. A manifestação de inconformidade foi protocolada em 29/07/2009, vindo a ser indeferida pela DRJ sob o fundamento de que não houve a alegada orientação da Receita Federal para retificar o DARF, que o processo de REDARF está arquivado e que não foram apontadas as razões ou os motivos e os fundamentos em que se baseia a pretensão do contribuinte. Ciente da decisão de primeira instância em 13/10/2010, o recorrente apresentou recurso voluntário em 03/11/2010, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. violação ao devido processo legal e à ampla defesa por não ter sido apreciada a petição protocolada em 25/08/2009 na qual são apontados os fundamentos que demonstram ser indevido o pagamento e na qual juntou o DARF supostamente não localizado pela Receita Federal, bem como acórdão proferido no processo 11080.017252/200211 em que o próprio recorrente obteve deste Conselho reconhecimento de que o valor do DARF é indevido; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.902802/200542 Acórdão n.º 2802001.897 S2TE02 Fl. 139 3 2. nulidade do processo a partir da juntada de documentos feita em 25/08/2009 com nova apreciação pela DRF e pela DRJ; 3. não atendido o pedido anterior, que seja apreciado o recurso voluntário, pautado sob as seguintes razões: 3.1. o pagamento indevido referese a ganho de capital na alienação de ações de propriedade do casal, objeto do processo 11080.017252/200211, decorrente de auto de infração cujo pagamento ocorreu em 31/07/1998, com o CPF da esposa, Srª Carla Maria. 3.2. o pagamento foi muito superior ao devido pois desconsiderou que, sobre parte das ações alienadas, havia direito adquirido a isenção, o que foi reconhecido no processo 11080.017252/200211, relativamente às ações adquiridas até 31/12/1983 (acórdão 10249.306 anexado por petição de 18/08/2009 não mencionada no acórdão recorrido), é induvidoso que o pagamento foi feito indevidamente; 3.3. em decorrência do reconhecimento da isenção, segundo o acórdão o imposto devido é de R$34.881,35 e não R$373.609,87 pago tempestivamente pelo casal que declarou em conjunto; 3.4. Entretanto, como o recebimento em 1998 foi apenas parcial, o recorrente recebeu naquele exercício apenas R$209.287,78, sendo R$206.407,98 ganho isento e R$206.407,98 tributáveis, correspondendo a imposto de R$30.961,20, restando saldo a restituir, na data do pagamento, no valor de R$342.648,67 3.5. o saldo de 10% não disponibilizado ao recorrente conforme contrato firmado será tributado quando houver a disponibilização, o que pdoe, inclusive, não ocorrer; e 3.6. há pronunciamento deste Conselho no mesmo sentido defendido pelo recorrente (acórdão 10615.000) referente à alienação de ações da Phenix, em que foi recorrente a Srª Paula Anita de Mello Nesralla. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recorrente alega que houve violação ao devido processo legal em decorrência de a DRJ não ter se manifestado sobre a petição protocolada em 25/08/2009. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Esta petição não foi juntada aos autos antes do julgamento em primeira instância, porém, no recurso voluntário, o recorrente comprova às fls. 44 o recebimento do documento pela DRF Porto Alegre na data mencionada. Naquela peça o contribuinte além de expor argumentos sobre seu direito à restituição, requerimento a juntada aos autos do acórdão do Conselho de Contribuintes no processo em que se defendeu de auto de infração relativo ao mesmo período e mesmo fato que ora é objeto de pedido de restituição. O acórdão é o de nº 10249306, de 08/10/2008, e teve a seguinte ementa. IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4º letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº. 7.713, em decorrência do direito adquirido. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. De ser afastada a alegação de que parte dos valores foram recebidos e posteriormente depositados em conta especial, sem permitir ao contribuinte a disponibilidade econômica e jurídica sobre o valor tributado, já que a estipulação efetuada entre as partes, comprador e vendedor das ações, não modificou a natureza da forma de pagamento. Recurso provido. Do voto condutor destacamse dois pontos de interesse direto neste atual litígio. Diante disso, é de se reconhecer o direito adquirido do contribuinte quanto à isenção do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital na alienação das ações adquiridas na vigência do Decretolei n°. 1.510/76, sendo que no presente caso referese às ações adquiridas até agosto de 1982, excluindose dai as 970 ações adquiridas em agosto de 1989 (fls. 140). Assim, pelo exposto DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, para reformar a decisão recorrida e afastar a incidência do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital advindo de lucros decorrentes da alienação de ações depois de 5 (cinco) anos da aquisição feita na vigência do Decretolei n°. 1.510/76. Essa decisão foi ratificada pela CSRF ao negar provimento ao Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional no acórdão 9202001.681, de 26/07/2011. Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO. Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.902802/200542 Acórdão n.º 2802001.897 S2TE02 Fl. 140 5 trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4° letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n o. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76. Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4°, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de n°. 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. O acórdão recorrido é omisso em relação a essa petição. De outro giro, um dos fundamentos da decisão de primeiro grau é que “não foram apontadas as razões/motivos e os fundamentos em que se baseia a sua pretensão”. Ainda que a razão da omissão possa ter sido atribuída a uma falha de instrução processual, com a comprovação do recorrente de que houve o protocolo cerca de um ano antes do julgamento, deve o processo retornar à primeira instância para proferir novo julgamento no qual seja apreciada a petição de fls. 44. Diante do exposto, voto por ANULAR a decisão de primeira instância para que outro acórdão seja proferido com apreciação acerca da petição de fls. 44. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.902802/200542 Acórdão n.º 2802001.897 S2TE02 Fl. 141 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 25 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10840.000853/2003-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2001
BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO.
Nas saídas de produtos tributados, sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, da base de cálculo do imposto deverá ser excluído o valor relativo ao IPI, não destacado mas controlado à parte na escrituração fiscal.
CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS.
O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa.
Embargos Parcialmente Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para considerar correta a base de cálculo adotada pela Embargante, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que mantinham o resultado do julgamento do acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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CONTRADIÇÃO. CABIMENTO. São cabíveis embargos declaratórios relativamente a acórdão cujo fundamentos apresentem contradição com os fatos constantes dos autos. ARROLAMENTO DE BENS. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXIGÊNCIA. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade no 19767, a exigência de arrolamento de bens ou de depósito recursal para seguimento de recurso voluntário, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, é inconstitucional. MATÉRIA DE DEFESA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. É vedado, no processo administrativo, discussão sobre inconstitucionalidade de lei, como pressuposto para afastamento de exigência legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. Nas saídas de produtos tributados, sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, da base de cálculo do imposto deverá ser excluído o valor relativo ao IPI, não destacado mas controlado à parte na escrituração fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 08 53 /2 00 3- 64 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.000853/200364 Acórdão n.º 3302001.803 S3C3T2 Fl. 1.132 2 O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Embargos Parcialmente Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para considerar correta a base de cálculo adotada pela Embargante, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que mantinham o resultado do julgamento do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 1837 a 1848) apresentados contra o Acórdão n. 20180.501, de 15 de agosto de 2007 (fls. 1731 e seguintes), da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da interessada, em relação a lançamento do IPI. Segundo a embargante, em relação à primeira parte da autuação, relativa à adoção de base de cálculo inferior à legalmente prevista, a DRJ reconheceu a existência de suspensão da exigibilidade, o que levou à exclusão da multa. Entretanto, alegou que, primeiramente, o acórdão embargado teria afirmado que, na hipótese de suspensão de exigibilidade, o procedimento da interessada estaria correto; mas, no caso de depósitos por conta e risco, o lançamento seria procedente. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.000853/200364 Acórdão n.º 3302001.803 S3C3T2 Fl. 1.133 3 Mais adiante, teria concluído que a suspensão decorreria apenas de depósitos não autorizados judicialmente, considerando improcedentes as alegações. Os embargos foram analisados pelo despacho de fls. 1895 e 1896, cujo teor foi o seguinte: Inicialmente, cumpre esclarecer que a tese defendida no acórdão era de que, para o procedimento ser considerado correto, deveria basearse em medida liminar autorizandoo. Dessa forma, caso houvesse depósitos efetuados após a revogação ou cassação da medida liminar, o procedimento seria incorreto. De acordo com o auto de infração, apenas no âmbito de uma das ações judiciais foi deferida medida liminar autorizando a realização de depósitos, que foram efetuados a menor, em face da questão de mérito. Já a DRJ demonstrou, de fato, que um dos mandados de segurança foi extinto sem julgamento do mérito, em face de tratar da mesma matéria de outro, em que a segurança havia sido concedida. Em relação aos dois outros mandados de segurança, foi obtido efeito suspensivo em sentença com liminar e segurança concedida anteriormente à lavratura do auto de infração. Portanto, o acórdão baseouse incorretamente nas conclusões do auto de infração, cabendo razão à interessada. Em relação ao segundo item da autuação, alegou que o acórdão teria sido omisso em relação à transferência de créditos de acordo com a IN SRF n. 21, de 1997, à substituição tributária, à responsabilidade das cooperativas pelo recolhimento das contribuições sociais e à constituição das sociedades cooperativas. Ademais, teria havido omissão em relação à Nota Cosit n. 234. Nesse ponto, descabe razão à interessada, uma vez que tais questões foram completamente irrelevantes para a conclusão. Como é cediço, a decisão não precisa abordar todos os pontos da contestação, mas apenas adotar um fundamento coerente. Nesse aspecto, ficou claro no acórdão que a questão relevante seria a da legitimidade. Asseverou o acórdão que as cooperativas não têm “mandato legal” em questões tributárias e que a interessada apropriouse indevidamente dos créditos, tratandoos como se fossem seus e, ao contrário do que alegou a embargante, o acórdão analisou as conclusões da mencionada Nota Cosit. Por mais convicção que a interessada tenha de que adotou o procedimento correto, o acórdão considerou que não, não havendo previsão legal para reconsideração da decisão. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.000853/200364 Acórdão n.º 3302001.803 S3C3T2 Fl. 1.134 4 Nessa matéria, o acórdão somente poderia ser reformado por recurso especial, cuja admissibilidade depende da demonstração dos requisitos regimentais. À vista do exposto, proponho que os embargos tenham seguimento deferido apenas em relação à primeira matéria, que se refere à correta apuração da base de cálculo do IPI. Dessa forma, os embargos seguiram em relação ao cumprimento das condições para que os depósitos efetuados fossem considerados integrais e em relação à multa. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Os embargos foram admitidos apenas em relação à primeira questão, qual seja a integralidade dos depósitos efetuados, uma vez que, incorretamente, baseouse nas informações constantes do auto de infração, que foram corrigidas no âmbito do acórdão de primeira instância. Quanto a essa questão, restou demonstrado que os depósitos foram efetuados na vigência de medidas judiciais que autorizavam o procedimento da interessada. Nesse sentido, a antiga 1ª Câmara já se manifestou favoravelmente à interessada no julgamento do Recurso n. 125.144 (Acórdão n. 20179.472), cuja ementa foi a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção do sujeito passivo pela discussão judicial a respeito da incidência do tributo e eventual direito de crédito importa na renúncia às instâncias administrativas, relativamente à matéria discutida no Judiciário. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MATÉRIA DE DEFESA. É vedado no processo administrativo discussão sobre inconstitucionalidade de lei, como pressuposto para afastamento de exigência legal. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001 Ementa: BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.000853/200364 Acórdão n.º 3302001.803 S3C3T2 Fl. 1.135 5 Nas saídas de produtos tributados sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, da base de cálculo do imposto deverá ser excluído o valor relativo ao IPI, não destacado, mas controlado à parte na escrituração fiscal. Recurso provido.(D.O.U. de 21/08/2007, Seção 1, pág. 22.) O acórdão teve o seguinte fundamento: Entretanto, devem os fatos ser examinados em função do procedimento previsto na Instrução Normativa SRF n. 67, de 1998. O seu art. 1º referiuse a duas hipóteses: notas fiscais com lançamento do imposto (destaque) ou notas fiscais com indicação do imposto tendo em vista decisão judicial. No caso de “indicação do imposto tendo em vista decisão judicial”, a IN obviamente pressupõe que o valor do imposto, que deverá ser tratado como receita, estava embutido no preço dos produtos. Entretanto, a interpretação restringese aos casos em que, de um lado, tenha havido autorização em decisão judicial provisória para o procedimento e, de outro, os valores tenham sido devidamente escriturados. Dessa forma, na ausência de autorização judicial em medida liminar, cautelar ou antecipação de tutela, não seria lícito ao sujeito passivo, ainda que efetuasse depósitos judiciais, dar saída aos produtos envolvidos, sem destacar o imposto em nota. Assim, independentemente de destaque em nota, a base de cálculo do imposto será o valor da operação, que é o valor total conforme indicado em nota fiscal. Dessa forma, no caso de haver suspensão de exigibilidade, o procedimento adotado pela recorrente deve ser referendado. Entretanto, nos casos em que procedeu por sua conta e risco aos depósitos judiciais, o lançamento revelase correto. Portanto, em relação ao presente lançamento, tendo sido admitido o procedimento por medida judicial e tendo sido lançadas apenas as diferenças, relativamente ao primeiro auto de infração, o auto de infração deve ser cancelado. À vista do exposto, voto por acolher parcialmente os embargos, para alterar o voto pronunciado no Acórdão n. 20180.501, dando provimento parcial ao recurso, para considerar correta a base de cálculo adotada pela Interessada nas saídas de açúcar. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.000853/200364 Acórdão n.º 3302001.803 S3C3T2 Fl. 1.136 6 Ademais, o acórdão deve ser retificado em relação à multa de ofício, uma vez que a DRJ já havia excluído a sua incidência, não sendo a questão objeto do recurso, corrigindose a ementa em relação ao que fora efetivamente votado. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/10/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13888.005538/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 05 53 8/ 20 10 -0 2 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.005538/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2401000.248 S2C4T1 Fl. 156 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.258.0483, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para exigência das contribuições patronais destinadas à Outras entidades no total de 5,8% sendo para o Salário Educação2,5%, INCRA0,2%, SENAC1,0%, SESC1,5% e SEBRAE0,6%. De acordo com o relatório fiscal, fls. 32/35, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos de remuneração pela autuada a segurados empregados que lhe prestaram serviço no período da apuração. Afirma o fisco que o contribuinte foi excluído de ofício do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, conforme Despacho Decisório vinculado ao Processo 13888.004880/201087, por prática reiterada de infração tributária, culminando com o Ato Declaratório Executivo n.º 104 de 19/10/2010 (juntado). Foram utilizados na apuração fiscal os seguintes “levantamentos”: a) DAL – Diferença de Ac. Legais: juros e multa não incluídos em guias recolhidas em atraso; b) DF – DEB FOPAG (01/2005 a 11/2006): remunerações pagas a segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e GFIP; c) DF1 – DEB FOPAG (07/2005 a 12/2006): remunerações pagas a segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e GFIP; d) DI – DEB CONTR INDL (01/2005 a 11/2006): remunerações pagas a segurados contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento e GFIP; e) DI1 – DEB CONTR INDL (07/2005 a 12/2006): remunerações pagas a segurados contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento e GFIP f) DP – DEB PAGTOS EXTRA (01/2005 a 11/2006): remunerações pagas a segurados empregados sem contabilização e não lançadas em folha e GFIP, obtidas da movimentação bancária; g) DP1 – DEB PAGTOS EXTRA (07/2005 a 12/2006): remunerações pagas a segurados empregados sem contabilização e não lançadas em folha e GFIP, obtidas da movimentação bancária. Asseverase que as remunerações não registradas nas folhas foram obtidas mediante Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF encaminhadas ao Bradesco e Banco do Brasil, de cujas respostas se pode inferir que havia pagamentos a segurados empregados. Sustentase que, instada a se manifestar, a empresa não ofertou esclarecimentos. O sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 36/49, na qual, em apertada síntese, alegou que: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.005538/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2401000.248 S2C4T1 Fl. 157 3 a) ocorreu decadência para o período de 01 a 11/2005; b) o fisco não conseguiu demonstrar que os valores constantes nos extratos bancários eram salários pagos aos seus empregados, assim, houve atropelo aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa; c) não é admissível que haja uma cobrança a título de contribuições previdenciárias sem que sejam individualizados os beneficiários dos valores; d) a impugnante encontrase diante de erro de fato, onde o próprio Despacho Decisório DRF/PCA n° 1088, determina como data de exclusão, 01/01/2006 e o Ato de Declaratório de Exclusão não cumpre o determinado por referido Despacho Decisório, fazendo constar erroneamente 01/01/2005; A responsável solidária no processo principal LIGIA SANTANA CORRER também apresentou impugnação fls. 63/78, alegando em síntese que não pode figurar no polo passivo da presente relação, posto que não detinha poderes para gerir a empresa e que não ficou comprovado que tenha agido com máfé ou infração à lei, conforme exige o art. 135 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP) manter integralmente o lançamento (ver fls. 99/109), ressaltando que no presente AI não houve a responsabilização da pessoa física LIGIA SANTANA CORRER. Irresignados, o sujeito passivo e os responsáveis no processo principal CÍCERO MELO DA SILVA e LÍGIA SANTANA CORRER interpuseram recurso voluntário, fls. 113/315, no qual, em apertada síntese, alegaram que: a) o período de 01 a 11/2005 foi fulminado pela decadência; b) o procedimento fiscal é nulo, posto que as provas relativas à movimentação bancária da recorrente são ilícitas, posto que obtidas com quebra do sigilo bancário, o que somente é admitido mediante autorização judicial, que deve ser precedida do devido processo legal; c) o pressuposto do lançamento, que é a exclusão da recorrente do SIMPLES, ainda encontrase pendente de julgamento definitivo na esfera administrativa; d) a jurisprudência do próprio CARF tem se inclinado no sentido de que movimentação financeira não pode ser confundida com rendimento tributável a ensejar incidência do imposto de renda; e) o mero depósito de valores pela empresa em conta corrente de empregados não autoriza a conclusão de que houve pagamento de remuneração, posto que pode corresponder, dentre outros motivos, a reembolso de despesas; f) não deve subsistir lançamento em que o fisco não se desincumbiu da tarefa de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores; g)não se admite que haja exigência de contribuições previdenciárias sem que se individualize os beneficiários das remunerações supostamente pagas pela empresa; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.005538/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2401000.248 S2C4T1 Fl. 158 4 h) há uma contradição evidente entre o Despacho Decisório e o Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, posto que o primeiro indica que os efeitos da exclusão retroagem a 01/01/2006, enquanto o outro menciona o mesmo marco como 01/01/2005; i) não há o que se falar em contribuições previdenciárias para o ano de 2005, uma vez que a empresa era tributada junto ao SIMPLES, e para este regime tributário, não cabem receitas previdenciárias, tampouco, PIS, COFINS, IRPJ e CSLL; j) ainda não há o que se falar em sujeição passiva de CÍCERO MELO DA SILVA e LÍGIA SANTANA CORRER, posto que o crédito ainda se encontra em discussão administrativa; k) a multa no patamar de 75% da contribuição devida é inconstitucional, em face do seu caráter confiscatório. Ao final pedem: a) o cancelamento do crédito ou, alternativamente, o sobrestamento do feito; b) que as intimações sejam efetuadas no endereço dos seus patronos; e c) a produção de novas provas para fazer valer o seu direito. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.005538/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2401000.248 S2C4T1 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de diligência Observo que há um processo, cujo resultado irá influir decisivamente no destino da presente lide. Falo do Ato de Exclusão do SIMPLES e Exigências Tributárias, cadastrado sob o n.º 13888.004880/201087, o qual não teve ainda o trânsito em julgado administrativo, encontrandose sobrestado por força dos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10: “Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º. O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” O referido sobrestamento foi determinado pela Resolução n.º 110300.044 de lavra da Terceira Turma Ordinário da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, que entendeu que a questão relativa à suposta quebra do sigilo bancário, em razão da requisição de informações pelo fisco diretamente às instituições financeiras, é objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314 no Supremo Tribunal Federal – STF, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil. Na ocasião o Relator demonstrou que o STF tem determinado o sobrestamento de outros RE da mesma matéria. Assim, com esteio no § 3.º do art. 2.º da Portaria CARF n.º 001/2012, o processo foi restituído à Secretaria da respectiva Câmara. Diante desses fatos, é notório o caráter de prejudicialidade que o processo n.º 13888.004880/201087 exerce sobre o que ora se julga, devendose determinar o retorno dos autos sob cuidado à DRF de origem para que aguarde o julgamento definitivo da lide relativa à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.005538/201002 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2401000.248 S2C4T1 Fl. 160 6 Conclusão Voto, então, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.722500/2010-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Ivacir Júlio de Souza Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ivacir Júlio de Souza Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722500/201050 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 2403001.653 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BANCO DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 00 /2 01 0- 50 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI, DEBCAD n. 37.292.7840, lavrado em face do BANCO DO BRASIL S/A, no valor de R$ 9.649,42 (nove mil, seiscentos e quarenta e nove reais e quarenta e dois centavos), cuja notificação ocorreu em 23/08/2010 (fl. 02), em relação às competências de 11/1996 a 02/2001. Segundo Relatório Fiscal de folhas 11/23 e na documentação anexa, o lançamento decorre da responsabilidade solidária imputada à Recorrente, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente há época do fato gerador. O objeto do lançamento é a contribuição previdenciária patronal da empresa executora de obra de construção civil – ENGETER CONSTRUÇÕES LTDA. CNPJ 93.135.994/000134, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pela qual o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Ainda segundo a Fiscalização o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 e 35.067.6690, por meio dos Acórdãos ns. 2.338/2005 e 2.339/2005, ambos de 29/09/2005, conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS, verbis: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram feitos ajustes para que fossem excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário, mantidas as competências não alcançadas pela auditoria fiscal previdenciária e, excluídas as empresas do levantamento original que não foram identificados (CNPJ ou Razão Social). A Fiscalização aplicou a decadência nos termos do art. 173, inciso II do CTN. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 80/94, acompanhada dos documentos de fls. 95/140. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, prolatou o Acórdão Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 11080.722500/201050 Acórdão n.º 2403001.653 S2C4T3 Fl. 3 3 n° 0347.889, de fls. 143/155, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 AIOP DEBCAD nº 37.292.7840 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, no Auto de Infração e em seus anexos, os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, uma vez que essas informações possibilitam ao impugnante identificar com precisão os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão, por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. O proprietário da obra responde solidariamente com as empresas construtoras contratadas, pelo cumprimento das obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/91, não se aplicando o beneficio de ordem. A não apresentação da documentação necessária à elisão da responsabilidade solidária pelo tomador dos serviços implica no lançamento a este título. A responsabilidade solidária é elidida quando comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, no momento da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Descumpridos os requisitos para elisão da responsabilidade solidária, cabe à AuditoriaFiscal lançar o crédito previdenciário contra o contratante, apuradas as bases de cálculo a partir dos valores das notas fiscais ou faturas. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Não obstante seja procedimento excepcional, a aferição indireta encontrase perfeitamente autorizada na hipótese da não apresentação pelo contribuinte, ou a apresentação deficiente, dos documentos solicitados pela Fiscalização e necessários à verificação do fato gerador. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 4 A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS CND. PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não suprime o lançamento de contribuições devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 159/175, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos: Da Verdade dos Fatos – Da Constituição Irregular do Crédito Tributário – Da Imperiosa Necessidade de Notificação da Empresa Contratada – Da Subsunção à Lei de Licitações A Recorrente destaca que a DRJ não acolheu o pedido de chamamento ao processo ante a falta de previsão legal no âmbito do processo administrativo. Ressalta, porém, não haver dúvida sobre as obras de reforma nas agências da Recorrente terem sido executadas por empresas da construção civil legalmente constituídas e habilitadas para executar os trabalhos, que ficaram responsáveis pelo fornecimento, contratação e remuneração da mãodeobra necessária à realização da obra, estando sob sua responsabilidade o recolhimento de todas as contribuições, inclusive previdenciárias. Por esse motivo, os documentos de prova dos recolhimentos previdenciários estão de posse da ENGETER CONSTRUÇÕES LTDA. CNPJ 93.135.994/000134, a exemplo daqueles que compõem os processos originários de ns. 11686.000242/200813 (NFLD n. 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD n. 35.067.6690) e considerados na redução dos valores anteriormente autuados. Evidenciando pagamentos que se contrapõem aos diversos débitos cobrados novamente neste processo. Não restam dúvidas de que a obrigação para recolher a contribuição previdenciária é da empresa contratada, nos termos do art. 49, § 1o, alínea “b” da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 11.941/09. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 11080.722500/201050 Acórdão n.º 2403001.653 S2C4T3 Fl. 4 5 Segundo a Recorrente, o conceito de “obra de construção civil” constante na citada lei se refere exclusivamente à “construção ou obras de vulto”, que se faz necessária à supervisão de profissionais técnicos habilitados, o que não ocorreu no caso em tela, tendo em vista que se tratou de meros reparos, manutenção de dependência da recorrendo, sendo desnecessária a matrícula da obra. Ademais, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, a Recorrente estava respaldado pelo art. 71, § 1º da Lei n. 8.666/93 (Lei de Licitações/LLIC) e pelo art. 61 do Decreto Lei n. 2.300/86. Dispositivos esses que transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Por outro lado, o art. 124, II, do CTN e o art. 265 do CC são taxativos ao referirse à obrigação solidária: “as pessoas expressamente designadas por lei” e que a solidariedade não se presume e resulta da lei ou da vontade das partes, não podendo ser fixada de forma arbitrária. Mesmo que se admita a obrigação solidária, os valores pagos nos Processos ns. 11686.000242/200813 (NFLD n. 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD n. 35.067.6690), devem ser aproveitados para a Recorrente. Sob o risco de haver pagamento em duplicidade, urje seja determinado o chamamento ao processo da empresa contratada e o apensamento aos citados processos, em nome dos princípios da eficiência, legalidade e economicidade processual. Do Mérito Da Inexistência de Responsabilidade Solidária – Da Apresentação da CND Pela Contratada Resta evidente a impossibilidade de enquadrar a Recorrente como responsável solidária, já que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo foi assumida pela empresa contratada, esta na forma de licitação pública. De acordo com o art. 124, inciso II, do CTN devem ser notificadas as pessoas expressamente designadas por lei. E, correse o risco de pagamento em duplicidade, provocando enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, uma vez que sequer foi apurada, perante a contratada, sua adimplência. Registra que as Certidões Negativas de Débito – CND, expedidas há época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente. Estando viciado o ato de origem em relação ao fato gerador, à base de cálculo e à inclusão de períodos atingidos por CND, não se pode exigir da Recorrente responsabilização solidária por cumprimento de obrigação ilíquida e incerta. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 6 Da Irregularidade na Constituição e Cobrança do Crédito Tributário – Da Inexistência de Obrigação Solidária – Da Aplicação do Benefício de Ordem Segundo a Recorrente, o fundamento utilizado na fl. 148 do Acórdão recorrido, no sentido de que “o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, mas de responsabilidade solidária, decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da lei 8.212/91”, não condiz com a verdade, descabendo o benefício de ordem. Pela conferência do próprio Auto de Infração, no campo “3.1. A COMPOSIÇÃO DAS NFLD 35.067.6682 E NFLD 35.067.6690 E O NOVO LANÇAMENTO FISCAL”, podese confirmar a inverdade. Destaca ainda “(...) SM1 – 35.067.6682 – Remuneração paga aos segurados empregados das empresas prestadoras de serviços com cessão de mãodeobra, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil na condição de contratante dos serviços responde solidariamente. Período anterior a 01/1999.” Demonstrado que a autuação também se referiu à responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, deverá ser aplicado o benefício de ordem para afastar a coresponsabilidade solidária atribuída à Recorrente. Traz doutrina acerca do “benefício de ordem”. Nesse diapasão, a Recorrente entende que a autuação se mostra indevida, por não lhe ter sido garantido o benefício de ordem, cobrando em primeiro lugar, do contribuinte propriamente dito, já que a redação do art. 30, inciso IV da Lei n. 8.212/91, não vedava sua aplicação. Dessa forma, a manutenção parcial da autuação se mostra indevida, já que haveria de ser garantido ao Recorrente o benefício de ordem, por meio da cobrança, em primeiro lugar, do contribuinte propriamente dito (empresa contratada). Ademais, a redação do art. 30, VI, da Lei n. 8.212/91 (originada do art. 79, § 2o, da Lei n. 3.807/60), não afastava a aplicação de benefício de ordem. A Recorrente traz a Súmula n. 126 do TFR e jurisprudência do STJ Ademais, considerando que a redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91 vigorou até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei n. 9.711/98, o Banco tem assegurado, ao menos até fevereiro de 1999, o direito de exigir que promova a cobrança de eventual crédito, primeiramente, em nome da empresa contratada, sujeito passivo da obrigação tributária. Da Irregularidade na Apuração e Lançamento do Crédito Tributário – Da Ausência de Normativo Legal Para Fixação da Base de Cálculo em Percentual à Ordem de 40% Dispõe ter o agente fiscal estipulado, ao seu alvedrio, o percentual de 40% do valor expresso nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços como base para cálculo da contribuição previdenciária; e que, a fixação da base de cálculo dos tributos só pode ser estabelecida por lei, segundo o art. 97, inciso IV, do CTN. Que o legislador ordinário já havia determinado a forma de apuração da base de cálculo da contribuição em tela, no art. 33, § 4º da Lei n. 8.212/91. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 11080.722500/201050 Acórdão n.º 2403001.653 S2C4T3 Fl. 5 7 Que as autuações originárias reputaramse nulas, uma vez que o agente fiscal norteouse em norma ilegal – IN DC/INSS n. 18/2000 – para a fixação da base de cálculo do crédito lançado, pois as Instruções Normativas, enquanto espécies de ato administrativo, estão vinculadas e subordinadas às disposições estabelecidas na lei, podendo tão somente operacionalizar os mandamentos nela fixados, de modo a facilitar sua execução. Assim, ao ampliar a matriz legal, a referida IN feriu os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária. Traz doutrina e jurisprudência do STF para fundamentar ao legado. Da Legal, Devida e Obrigatória “Revisão de Ofício” do Lançamento Tributário – Do não Confisco Destaca a Recorrente que nos termos do art. 53 da Lei n. 9.784/99 “a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. O Processo Administrativo deve priorizar o princípio da verdade material, por isso, a Administração Pública tem o deverpoder de anular, corrigir ou modificar o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito. O art. 149 do CTN determina ao julgador administrativo realizar de ofício o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência, da legalidade, da moralidade administrativa e do não confisco. Ao final requer o provimento do recurso, para que seja cancelado o injusto e ilegal crédito tributário constituído, assim como seja reconhecida a nulidade da autuação procedida e a declaração da insubsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 201, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 11080.722500/201050 Acórdão n.º 2403001.653 S2C4T3 Fl. 6 9 constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. É fato incontroverso que este lançamento substituiu as DEBCADs ns. 35.067.6682 e 35.067.6690, Procs. ns. 35239.001804/200459 e 35239.001805/200401, respectivamente, pois, assim destacou o Fiscal autuante no seu Relatório Fiscal, especificamente na fl. 11, verbis: “O lançamento ora realizado objetiva restabelecer a exigência anulada por vício formal dos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2) (ver item 4 deste relatório fiscal), conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS:” Analisando os Acórdãos proferidos pela 04a CaJ – Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, referentes às citadas NFLDs, tem se a seguinte ementa, verbis: “EMENTA: LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. FALTA DE TIPO DE DÉBITO. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE CORREÇÃO. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada com falta do tipo de débito, acarretando ausência da fundamentação legal no Relatório Fundamentos Legais do Débito, enseja a sua nulidade, pela impossibilidade técnica de se efetuar a correção no sistema de cadastramento de débito, caracterizandose vício formal insanável. LANÇAMENTO NULO.” (grifo nosso) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 10 Para delimitar o início da contagem do prazo decadencial, temse que analisar se a anulação das NFLDs substituídas se deram por vício formal, como destacado na ementa, ou por vício material. Pela leitura da ementa, fica explicitado que as DEBCADs foram anuladas em decorrência da existência de vício formal. Por outro lado, analisando trechos dos Acórdãos nºs. 2338/2005 e 2339/2005, respectivamente, extraise o que segue, verbis: “Impende observar que, apesar de ser inquestionável a possibilidade de o notificado figurar no pólo passivo da obrigação previdenciária, conforme dispõem os artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional, além do inciso VI do art. 30 e o art. 31 da lei nº 8.212, de 1991, não é menos certo que a fiscalização deixou de assinalar os fundamentos de direito que autorizariam o presente lançamento. (...) Pelo fato de estar fiscalizando uma empresa tomadora de serviços, o presente lançamento se deu por meios indiretos: notas fiscais de serviços, haja vista a empresa não ter procedido na forma determinada pela legislação, conforme já assinalado. Entretanto, em nenhum momento sequer o contribuinte foi informado de que o lançamento seria por arbitramento, conforme consta no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. (...) No presente caso, no anexo Fundamentos Legais do Débito não consta a fundamentação legal para aferição indireta por arbitramento, mencionando o dispositivo que ampara a pretensão da autarquia previdenciária, sendo certo que o sistema informatizado do setor de fiscalização não admite a correção nestes casos. (...) Importante ressaltar que, além de a fiscalização ter o dever de relatar as circunstâncias e o fundamento legal que ensejaram o arbitramento e a conseqüente lavratura da notificação em relação ao sujeito passivo solidário, é mister que se informe, também, outras evidências a respeito da possível obrigação previdenciária não cumprida e que se diz solidária. (...) Assim, considerando que a responsabilidade solidária não é um fim em si mesmo, isto é, não cria por si só o fato gerador, é importante ter a certeza que exista uma obrigação que se diga solidária, pois se ela não existir, tampouco se pode afirmar que há responsabilidade para outrem. Ou seja, em princípio, a não apresentação das guias e folhas de pagamento específicas, permitem inferir a existência de inadimplemento da obrigação previdenciária, por parte do prestador. Todavia, o fato gerador não pode ser presumido, nem tampouco inferido. O CTN informa que o fato gerador é a Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 11080.722500/201050 Acórdão n.º 2403001.653 S2C4T3 Fl. 7 11 situação definida em lei como necessária e suficiente para sua ocorrência. Dessa forma, fazse necessário acrescentar outras informações que permitirão ao julgador formar sua convicção quanto à certeza da obrigação inadimplida, ou não. (...) A partir do art. 55, consta uma série de determinações para que o AFPS analise as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. Ante o exposto, CONSIDERANDO que a presente notificação foi lavrada em desconformidade com a legislação vigente; CONSIDERANDO que, não foi informado ao contribuinte o fundamento legal para que fosse promovido o arbitramento das contribuições previdenciárias, possivelmente, existentes; CONSIDERANDO que a ausência de fundamento legal não pode ser sanada por limitação do sistema de processamento de dados da fiscalização da autarquia previdenciária; CONSIDERANDO que, mesmo que fosse possível o saneamento, tal procedimento somente poderia ser feito até a decisão de primeira instância (art. 203 do CTN). CONSIDERANDO que o contribuinte teve prejudicado seu direito constitucional do devido processo legal e da ampla defesa face à omissão das normas de lei que autorizariam o fisco em promover o arbitramento. CONSIDERANDO que a menção referente à responsabilidade solidária dá fundamento para o elemento sujeito passivo da obrigação previdenciária. CONSIDERANDO que a menção referente ao arbitramento dá fundamento ao elemento fato gerador da obrigação previdenciária. CONSIDERANDO que o Termo de Inscrição em Dívida Ativa é documento solene cujas formalidades são essenciais para a prática do ato a que se destina.” (grifo nosso) Nesse diapasão, mister se faz analisar as DEBCADs ns. 35.067.6682 e 35.067.6690, há luz da legislação vigente há época, qual seja: art. 142 do CTN, art. 37 da Lei 8.212/91 e art. 243 do Decreto n. 3.048/99, verbis: CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 12 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n. 8.212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Decreto n. 3.048: Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (grifo nosso) O lançamento, como ato vinculado, deve atender aos preceitos legais, assim como leciona o Professor Luciano Amaro (Direito tributário brasileiro – 10a ed. Atual. – São Paulo: Saraiva, 2004. Pg. 337), verbis: “O lançamento deve ser efetuado pelo sujeito ativo nos termos da lei, vale dizer, tem de ser feito sempre que a lei o determine, e sua consecução deve respeitar os critérios da lei, sem margem de discrição dentro da qual o sujeito ativo pudesse, por razões de conveniência ou oportunidade, decidir entre lançar ou não, ou lançar valor maior ou menor, segundo sua avaliação discricionária.” (grifo nosso) Logo, restou evidenciado que os lançamentos originários ocorreram sem a devida fundamentação legal, não atendendo, por conseguinte, a legislação tributária, cerceando, inclusive, o direito de defesa da Recorrente. Nessa toada, verifico que tais equívocos nos lançamentos originários não ensejam a nulidade decorrente de vício formal, e sim na nulidade das DEBCADs por vício material, tendo em vista que a Fiscalização à época não informou ao contribuinte a fundamentação legal para embasar o arbitramento. A fim de robustar esse entendimento, trago à baila, trechos do Acórdão n. 920200.668, do Proc. n. 35465.000814/200584, julgado por unanimidade em 13 de abril de 2010 pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/1998 VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 11080.722500/201050 Acórdão n.º 2403001.653 S2C4T3 Fl. 8 13 necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (...) Por todo o exposto, a descrição dos fatos, quando existente mas tida como insuficiente, contamina o lançamento com um vício de conteúdo, material e, portanto, não se deve aplicar a regra especial no artigo 173, II, mas tão somente as regras gerais nos artigos 150, §4° e 173, 1 do Código Tributário Nacional. Portanto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” (grifo nosso) O período de apuração compreendeu as competências 11/1996 a 02/2001. A notificação ocorreu em 23/08/2010 (fl. 02), tendo em vista que para este relator as DEBCADs originárias continham vícios materiais. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período total, por quaisquer dos critérios do CTN. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente o recurso para aplicar a decadência total por quaisquer dos critérios do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOU ZA
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000344/2004-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitam-se os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
[Assinado com certificado digital]
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PRESSUPOSTOS. Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitamse os embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte ao Acórdão 3403001.458, de 20 março de 2012, por meio do qual o Colegiado, por maioria de votos, desproveu o recurso voluntário. Naquela assentada prevaleceu o entendimento de que antes do advento da lei nº 10.865/2004 a receita proveniente das vendas de veículos automotores estava sujeita à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 03 44 /2 00 4- 49 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 incidência monofásica (Lei nº 10.485/2002) e, portanto, submetida ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins por força dos artigos 1º, § 3º, IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e do art. 10, VII, “a”, da Lei nº 10.833/2003. Em tempo hábil o contribuinte apresentou embargos de declaração, alegando a existência de omissões no acórdão recorrido em razão de que: 1) não teria sido analisada a aplicação dos artigos 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), que tratam especificamente de hipóteses de exportação de produtos e reconhece nesses casos, o direito do contribuinte manter e aproveitar créditos decorrentes das etapas anteriores. Considerando que a Lei nº 10.485/2002 não disciplinou as receitas de exportação, é evidente a aplicação dos citados dispositivos; 2) somente foram aproveitados créditos relativos a insumos inseridos na sistemática da nãocumulatividade, ou seja, que não estavam sujeitos à alíquota zero da Lei nº 10.485/2002. O crédito só foi apurado e aproveitado em relação a insumos tributados pelo PIS e Cofins na etapa anterior à venda do veículo para o exterior; e 3) o acórdão embargado deixou de analisar que o crédito em discussão visa dar cumprimento ao art. 149, § 2º, I, da CF/88, que pretendeu desonerar as operações de exportação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. Tendo em vista a aposentadoria da Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Redatora designada para o voto vencedor do acórdão embargado, passo a relatar os embargos de declaração. Os documentos anexados aos autos comprovam que o recurso foi manejado com a guarda do prazo regimental de cinco dias. A leitura do inteiro teor da decisão embargada revela que ela englobou implicitamente as três “omissões” alegadas. Vejamos. O voto condutor do acórdão embargado considerou que antes do advento da lei nº 10.865/2004 a receita proveniente das vendas de veículos automotores estava sujeita à incidência monofásica (Lei nº 10.485/2002) e, portanto, estava submetida ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins por força da exclusão prevista nos artigos 1º, § 3º, IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e do art. 10, VII, “a”, da Lei nº 10.833/2003. Ao citar expressamente os arts. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/220 e 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003, o acórdão deixou explícito que o contribuinte não tem direito ao crédito almejado, pois a redação desses dispositivos deixa bem claro que as receitas provenientes da venda de produtos sujeitos à incidência monofásica submetiamse, à época dos fatos, ao regime cumulativo não se lhes aplicando os artigos 1º a 6º da Lei nº 10.637/2002 e nem as artigos 1º a 8º da Lei nº 10.833/2003. Ora, dizer que os arts. 1º a 6º da Lei nº 10.637/2002 e 1º a 8º da Lei nº 10.833/2003 não são aplicáveis à receitas provenientes de operações com produtos sujeitos à incidência monofásica equivale a dizer que receitas submetidas ao regime cumulativo não dão Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13820.000344/200449 Acórdão n.º 3403001.794 S3C4T3 Fl. 4 3 direito à apuração de crédito do regime nãocumulativo, ainda que as receitas sejam decorrentes de exportação. Assim, é óbvio que não houve “omissão” no julgado nem quanto à aplicabilidade dos artigos 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e do art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003; nem quanto à natureza dos créditos aproveitados (o fato de os insumos não estarem sujeitos à alíquota zero); e, tampouco, quanto ao cumprimento do art. art. 149, § 2º, I, da CF/88, uma vez que o Colegiado decidiu que as receitas do contribuinte estavam sujeitas ao regime cumulativo, no qual nunca existiu direito de crédito. É pacífico o entendimento segundo o qual o julgador não está obrigado a decidir a lide da forma como foi colocada pelas partes e nem é obrigado a rebater ponto a ponto todas as teses da defesa, conforme já decidiu o STJ nos acórdãos cujas ementas transcrevese a seguir: “Processo RESP 361026 / PI ; RECURSO ESPECIAL 2001/01380451 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/02/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 20.02.2006 p. 261 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CSSL. COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS ANTERIORES A 1992 IMPOSSIBILIDADE LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 90/92. 1. Ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento, não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados pelas partes nem a rebater, um a um, todos os argumentos levantados nas razões ou nas contrarazões de recurso. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. 2. "No STJ é firme o posicionamento no sentido de que não é possível ao contribuinte proceder à compensação de prejuízos anteriores ao exercício de 1992, inexistindo qualquer ilegalidade nas IN's 198/88 e 90/92 SRF" REsp 605.593/DF, Rel. Eliana Calmon, DJU 02.05.05 ). Súmula 83/STJ. 3. Recurso especial improvido.” (...) “RESP 677585 / RS ; RECURSO ESPECIAL 2004/01268898 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 06/12/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 13.02.2006 p. 679 RECURSO ESPECIAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA ANTECIPADA. TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS. "CEGONHEIROS". INDÍCIOS DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E FORMAÇÃO DE CARTÉIS. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre o referido vício in procedendo posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. (....)” Inexistindo a obrigatoriedade de que sejam rebatidas ponto a ponto todas as alegações da defesa e tendo constado expressamente no acórdão embargado os dispositivos legais que determinam a sujeição das receitas provenientes de operações com produtos sujeitos Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 à incidência monofásica ao regime cumulativo, não há que se falar em omissão que renda ensejo aos embargos de declaração. Com essas considerações, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11128.007530/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/12/2002
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto comercialmente conhecido como Bentone SD é um produto gelificante, de constituição química não definida, consistindo numa montmorilonita que foi submetida a um tratamento especial com alquilamônio destinado a torná-la organófila. Logo, com base na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 3 "a" e no item 41 das NESH referentes à posição NCM 38.24, verifica-se que a posição NCM 3802.90.40 não está correta. O produto em questão deve ser classificado na posição NCM 3824.90.89.
MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro, baixado pelo Decreto nº 91.030/94, aplica-se na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento não-automático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência.
MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na classificação fiscal, satisfaz-se a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/01.
Numero da decisão: 3201-001.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sergio Celani divergiu quanto a multa de licenciamento, ponto sobre o qual a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões..
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
EDITADO EM: 14/10/2012
Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 10/12/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto comercialmente conhecido como Bentone SD é um produto gelificante, de constituição química não definida, consistindo numa montmorilonita que foi submetida a um tratamento especial com alquilamônio destinado a torná-la organófila. Logo, com base na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 3 "a" e no item 41 das NESH referentes à posição NCM 38.24, verifica-se que a posição NCM 3802.90.40 não está correta. O produto em questão deve ser classificado na posição NCM 3824.90.89. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro, baixado pelo Decreto nº 91.030/94, aplica-se na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento não-automático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na classificação fiscal, satisfaz-se a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/01.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sergio Celani divergiu quanto a multa de licenciamento, ponto sobre o qual a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões.. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente. Daniel Mariz Gudiño - Relator. EDITADO EM: 14/10/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/12/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto comercialmente conhecido como Bentone SD é um produto gelificante, de constituição química não definida, consistindo numa montmorilonita que foi submetida a um tratamento especial com alquilamônio destinado a tornála organófila. Logo, com base na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 3 "a" e no item 41 das NESH referentes à posição NCM 38.24, verificase que a posição NCM 3802.90.40 não está correta. O produto em questão deve ser classificado na posição NCM 3824.90.89. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro, baixado pelo Decreto nº 91.030/94, aplicase na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento nãoautomático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado o erro na classificação fiscal, satisfazse a condição que enseja a aplicação da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sergio Celani divergiu quanto a multa de licenciamento, ponto sobre o qual a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 75 30 /2 00 6- 62 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 14/10/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, o seu inteiro teor e as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: A empresa acima qualificada importou mediante o registro da DI 02/10922553, de 10/12/2002, o que declarou ser "Bentone SD1", classificandoo na posição 3802.90.40 referente às "Outras argilas e terras ativadas". Em análise à amostra retirada, a FUNCAMP identificou o produto importado como sendo "Argila Montmorilonita tratada com alquilamônio, um produto gelificante, utilizado como agente tixotrópico e antisedimentante em adesivos, cosméticos, tintas de impressão, tintas vernizes à base de óleo, graxas lubrificantes e etc". Assim sendo, a fiscalização entendeu que a posição correta para o produto importado era a 3824.90.89, referente às "Outras preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas não especificados nem compreendidos em outras posições". Foi então lavrado o auto de infração às folhas 01 a 19 e cobradas as diferenças de II, IPI, seus juros de mora e as multas previstas nos artigos 44, I, e 45 da lei 9.430/96, 84 da MP 2.158/2001 e 526, II, do decreto 91.030/85. Às folhas 34 a 46, a interessada apresenta suas razões de defesa alegando, em suma, que: 1 a posição adotada pela fiscalização é mais genérica e só abrange os produtos que não estão compreendidos e nem especificados em outras posições; 2 o produto importado é uma matéria mineral natural ativada, tendo em vista que sua estrutura superficial foi modificada por meio do tratamento com alquilamônio, de forma a tornálo apto para a utilização como agente de suspensão em tintas à base de solvente orgânico; 3 nos termos das NESH da posição 3802, uma matéria mineral é considerada ativada quando a sua estrutura superficial for modificada por tratamento apropriado (térmico, químico, etc.) de forma a tornála apta determinadas utilizações, tais como Fl. 333DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.007530/200662 Acórdão n.º 3201001.052 S3C2T1 Fl. 333 3 descoramento, adsorção de gás ou de umidade, catálise, permuta iônica, filtração; 4 o Bentone SD1 teve sua estrutura superficial modificada pelo alquilamônio, de forma a tornálo apto para a utilização específica como agente de suspensão em tintas à base de solvente orgânico; 5 além disso, as NESH da mesma posição incluem as argilas ativadas por meio de um agente alcalino ou ácido. O alquilamônio é um quaternário de amônio orgânico, de caráter alcalino (agente alcalino); 6 o laudo FUNCAMP extrapolou sua competência ao afirmar que o produto em questão "não se trata de Outras Argilas e Terras Naturais Ativadas". Isto porque a conclusão em foco não encontra respaldo na análise laboratorial efetuada. Esta Turma decidiu baixar o processo em diligência solicitando à FUNCAMP que esclarecesse dúvidas (folhas 182 e 183) suscitadas acerca de suas conclusões. Às folhas 187 a 190, a FUNCAMP responde os quesitos propostos. Em manifestação às respostas apresentadas, a interessada (folhas 196 a 200) ressalta que o produto importado é uma argila ativada e que o laudo técnico não pode fazer menção à classificação fiscal e nem às NESH do Sistema Harmonizado por trataremse de elementos subsidiários de interpretação. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 13/01/2011, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1748.349 de fls. 202209: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 10/12/2002 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto gelificante, contendo argila Montmorilonita tratada com alquilamônio, com a finalidade de tornála organófila para utilização na fabricação de tintas, deve ser classificada na posição 3824, por força do item 41 das NESH desta mesma posição e com base na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 3 "a". Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 28/02/2011, tendo protocolado seu recurso voluntário em 25/03/2011 (fls. 216/246), no qual a Recorrente alega, em síntese, que reitera os argumentos já suscitados em sua impugnação. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. O cerne da disputa consiste em saber se o produto importado pela Recorrente deve ser classificado na posição NCM 3802.90.40, referente às "Outras argilas e terras ativadas", ou na posição NCM 3824.90.89, referente às "Outras preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas não especificados nem compreendidos em outras posições". Conforme já mencionado, os laudos requeridos pela autoridade preparadora, apesar de serem deficientes, concluíram que o produto importado pela Recorrente é argila montmorilonita tratada com alquilamônio. Essa conclusão teria motivado a autoridade preparadora a lavrar o auto de infração e a instância a quo a manter a exigência do crédito tributário. Analisando as NESH referentes à posição NCM 38.02, temse que: As argilas e as terras ativadas, consistem em argilas coloidais ou em terras argilosas, selecionadas, ativadas, consoante a sua utilização, por meio de um agente alcalino ou ácido, secas e trituradas. Ativadas por um agente alcalino, são emulsificantes, agentes de suspensão e aglomerantes, que se empregam, especialmente, para a fabricação de produtos de polimento, de limpeza e, em virtude do seu elevado poder de intumescimento, para beneficiamento das areias de moldação utilizadas em fundição e nas instalações de perfuração. Ativadas por um ácido, usamse sobretudo para descoramento de óleos, gorduras ou ceras, de origem mineral, vegetal ou animal. Por outro lado, as NESH referentes à posição NCM 38.24, quando fazem referência à argila ou à montmorilonita (espécie mineral composta por silicato de alumínio, magnésio e cálcio hidratado), assim dispõem: B. PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES (QUÍMICAS OU DE OUTRA NATUREZA) (...) Desde que não contrariem as disposições acima, podem citarse entre os produtos químicos e preparações aqui compreendidos: (...) 41) Os produtos gelificantes, de constituição química não definida, consistindo numa montmorilonita que foi submetida a um tratamento especial destinado a tornála organófila e que se apresenta em forma de pó branco cremoso utilizado para Fl. 335DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.007530/200662 Acórdão n.º 3201001.052 S3C2T1 Fl. 334 5 fabricação de numerosas preparações orgânicas (tintas, vernizes, dispersões de polímeros de vinila, ceras, adesivos, mástiques, cosméticos, etc.). (...) 46) As misturas utilizadas como espessantes ou estabilizantes de emulsão nas preparações químicas ou ainda como aglomerantes, para a fabricação de mós abrasivas, consistindo em produtos classificados quer em posições distintas, quer numa mesma posição do Capítulo 25, mesmo com matérias classificadas em outros Capítulos e que tenham uma das seguintes composições: Mistura de diversas argilas. Mistura de diversas argilas e de feldspato. Mistura de argila, de feldspato em pó e de bórax natural (tincal) pulverizado. Mistura de argila, de feldspato e de silicato de sódio. 47) As misturas utilizadas como meios de crescimento de plantas, tais como as terras de transplante, constituídas por produtos que se classificam no Capítulo 25 (terras, areias, argilas), mesmo que contenham pequenas quantidades dos elementos fertilizantes: nitrogênio (azoto), fósforo ou potássio. Excluemse, todavia, as misturas de turfa com areia e argila cuja característica essencial seja conferida pela turfa (posição 27.03). Percebese que nenhuma das NESH são conclusivas sobre a classificação fiscal do produto importado pela Recorrente, eis que não fazem qualquer referência expressa à argila montmorilonita tratada com alquilamônio. Para tentar compreender melhor o tratamento de argilas com alquilamônio, e a despeito dos laudos periciais solicitados pela autoridade preparadora, pesquisei na Internet alguns trabalhos científicos sobre o assunto, tendo a sorte de encontrar um que me chamou a atenção. Tratase do artigo intitulado ARGILAS ESPECIAIS: ARGILAS QUIMICAMENTE MODIFICADAS – UMA REVISÃO, publicado na Revista Química Nova, Vol. 30, No. 5, 12821294, 2007, da autoria de Antonio Carlos Vieira Coelho, Pérsio de Souza Santos e Helena de Souza Santos, todos da Universidade de São Paulo. Confirase os seguintes trechos: INTRODUÇÃO Um dos grupos das chamadas Argilas Especiais segundo a revista inglesa “Industrial Minerals”1 compreende esmectitas quimicamente modificadas: as esmectitas (principalmente montmorilonitas) ativadas por ácidos e as “organoclays”. O conceito de “ativação de montmorilonita”, inicialmente restrito à ativação com o uso de ácidos, foi ampliado por O’Driscoll2: temse a ativação ácida, a ativação alcalina, ativação “orgânica” ou “neutra” por compostos orgânicos e montmorilonitas naturalmente ativas (terras fuler). Barrer3 chamou de ativação a troca do cátion sódio na montmorilonita Fl. 336DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Na pelo cátion quaternário de amônio tetrametilamônio: essa conceituação foi utilizada neste trabalho, com compostos inorgânicos e orgânicos modificando as propriedades de argilas cauliníticas e esmectíticas, bem como de talcos. Há a proposta australiana4 de, em lugar de usar o termo “ativação”, ampliálo para a expressão mais abrangente “surface treated clays”, a qual é aplicável a todas as argilas e argilominerais, abrangendo também as mudanças na superfície dos cristais causadas por transformações térmicas. ESTRUTURAS CRISTALINAS E MORFOLOGIAS DOS MICROCRISTAIS DE CAULINITA, DE MONTMORILONITA E TALCO (...) Montmorilonitas ativadas por ácido (...) Montmorilonitas ativadas por ácido, na quase totalidade, são utilizadas no refino (branqueamento ou descoramento) de óleos e gorduras comestíveis; óleos, gorduras e ceras industriais; sabões e sabonetes para toalete e usos específicos; de componentes orgânicos de vernizes e tintas; na reciclagem de óleos lubrificantes usados em motores à explosão e para purificação de óleos isolantes para transformadores e turbinas elétricas. (...) Bentonitas organofílicas/quaternários de amônio No cátion amônio (NH4+) os hidrogênios podem ser substituídos total ou parcialmente por grupos orgânicos, iguais ou diferentes entre si, que são os compostos quaternários de amônio. Esses cátions podem substituir o sódio de esmectitas ou bentonitas sódicas, produzindo compostos estáveis. O primeiro caso sintetizado a despertar interesse tecnológico foi o cátion tetrametilamônio [N(CH3)4]+, cuja sigla é TMA. A substituição do cátion Na+ pelo cátion quaternário de amônio altera o valor da distância interplanar basal de 15,4 Å da montmorilonita3,36. Em 1941, a Baroid Division da National Lead Industries nos USA estabeleceu uma bolsa para pesquisa no Mellon Institute of Industrial Research em Pittisburgh, Pa (atualmente Carnegie – Mellon University), intitulada “Novos Usos para Bentonita”. O grupo de pesquisadores foi liderado pelo Dr. J. W. Jordan, hoje considerado o pai da tecnologia da bentonitas organofílicas. O foco da pesquisa estava em torno do fato de que a bentonita sódica é hidrofílica, incha em água e é agente gelificante muito eficiente em muitos sistemas aquosos; entretanto, o inchamento e o poder gelificante não ocorrem em líquidos orgânicos. A grande contribuição de Jordan foi mostrar que bentonitas trocadas com cátions quaternários de amônio – “quats” como foram chamadas – eram organofílicas e excelentes gelificantes em muitos líquidos orgânicos. Jordan37 publicou uma tabela, hoje clássica, do inchamento de bentonita de Wyoming – dodecilamônio em 44 líquidos orgânicos – mostrando que o Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.007530/200662 Acórdão n.º 3201001.052 S3C2T1 Fl. 335 7 inchamento poderia ser de praticamente nulo (não gelifica; ex.: óleo lubrificante – 1,3 mL/g) até gelificante muito eficiente (inchamento de 44 mL/g). Atualmente sabese que hectorita organofílica é melhor gelificante que a montmorilonita organofílica produzida com o mesmo quaternário de amônio38. Estrutura cristalina da montmorilonita – alquilamônio Hoje é enorme a quantidade de informação sobre a estrutura cristalina dos “quats”, devido ao grande número de diferentes ligantes que foram sintetizados com quaternários de amônio para diferentes usos industriais. (...) A composição química e as dimensões dos cátions determinam, portanto, a distância interplanar basal da bentonita organofílica, bem como controlam um conjunto amplo de propriedades, especialmente adsortivas e coloidais, que levam ao seu grande uso industrial atual. O primeiro uso industrial de bentonitas organofílicas foi desenvolvido por Jordan na fabricação de graxas industriais para uso acima de 70ºC, substituindo os sabões de cálcio ou alumínio pelas bentonitas; esses produtos receberam os nomes comerciais de “Bentonas” e “Astrotone”41. A seguir foram usadas em lugar de bentonita sódica em fluidos tixotrópicos contendo líquidos não aquosos para perfuração de poços de petróleo, especialmente no oceano e em camadas salinas. Atualmente, além destas aplicações, são usadas em tintas a óleo, tintas para impressão, cosméticos, adsorventes seletivos para poluentes e biocidas e, mais recentemente, na preparação de “nanocompósitos polímerobentonita organofílica”. (...) (Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/qn/v30n5/a42v30n5.pdf>. Acesso em 18 Ago. 2012) A partir dos excertos acima, pareceme possível definir o tratamento da argila montmorilonita com alquilamônio como o processo de ativação da argila pelo qual se troca o cátion sódio na montmorilonitaNa pelo cátion quaternário de amônio tetrametilamônio. E isso se faz porque a composição química e as dimensões dos cátions controlam um conjunto amplo de propriedades, especialmente adsortivas e coloidais, que explicam o seu uso difundido na indústria. Diante dessas considerações e em linha com a decisão recorrida, entendo que o produto importado pela Recorrente é realmente uma argila ativada, porém, não é qualquer argila ativada, e sim uma montmorilonita que foi submetida a um tratamento especial destinado a tornála organofílica. Nesse sentido, concordo com os fundamentos da decisão recorrida no sentido de que se aplica ao caso a Regra Geral 3 "a" de interpretação do Sistema Harmonizado, Fl. 338DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 segundo a qual, havendo duas ou mais classificações possíveis para um determinado produto, aplicase a que for mais específica. Desse modo, é cabível a cobrança da diferença dos tributos aduaneiros decorrentes da classificação do produto da Recorrente na posição NCM 3802.90.40, e não na posição 3824.90.89, bem como da multa proporcional de que trata os arts. 44 e 45 da Lei nº 9.430 de 1996. É interessante registrar que todas as decisões, judicial e administrativas, mencionadas na peça recursal decidiram pela classificação de produtos similares aos da Recorrente na posição NCM 3802.90.40, porém, sem enfrentar o disposto no item 41 das NESH referentes à posição NCM 38.24. Sem esse enfrentamento, a conclusão não poderia ser diferente, afinal, a montmorilonita tratada com alquilamônio é uma espécie do gênero “argila ativada”. No tocante à aplicação da multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro, baixado pelo Decreto nº 91.030 de 1994, entendo que a mesma não é devida, pois a fiscalização não fez prova de que a nova classificação fiscal exigiria licenciamento não automático. Nesse sentido, convém esclarecer que o referido entendimento está escorado no entendimento da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: NORMAS TRIBUTÁRIAS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE A MERCADORIA EFETIVAMENTE IMPORTADA ESTAVA SUBMETIDA A LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 526 II do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto 91.030/94 aplicase na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento nãoautomático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. (Acórdão nº 9303001.908, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, Sessão de 08/03/2012) Finalmente, no tocante à multa regulamentar por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, melhor sorte não assiste à Recorrente. A classificação fiscal por ela empregada não estava correta, de modo que, em termos objetivos, a infração cometida está plenamente tipificada. Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a multa de controle administrativo prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro, baixado pelo Decreto nº 91.030 de 1994. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 339DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.007530/200662 Acórdão n.º 3201001.052 S3C2T1 Fl. 336 9 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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