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Numero do processo: 10580.726542/2009-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
EDITADO EM: 05/05/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 65 42 /2 00 9- 22 Fl. 251DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O acórdão recorrido manifestou o entendimento de que referida verba tem natureza tributável. Consoante despacho de exame de admissibilidade proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão recorrido, obteve seguimento parcial para que a divergência relacionada à natureza indenizatória da URV fosse apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.334, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.334): Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10580.726542/200922 Acórdão n.º 9202006.350 CSRFT2 Fl. 3 3 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode Fl. 253DF CARF MF 4 recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastála no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência (fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional, por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10580.726542/200922 Acórdão n.º 9202006.350 CSRFT2 Fl. 4 5 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Fl. 255DF CARF MF 6 Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10580.726542/200922 Acórdão n.º 9202006.350 CSRFT2 Fl. 5 7 tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Fl. 257DF CARF MF 8 Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000670/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ART. 66 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 2401-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos inominados.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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INEXATIDÃO MATERIAL. ART. 66 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos inominados. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 06 70 /2 01 0- 94 Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15956.000670/201094 Acórdão n.º 2401005.443 S2C4T1 Fl. 776 2 Relatório Cuidase de embargos inominados da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 2403001.341 da 3ª TO da 4ª Câmara (fls. 678 e segs). Às fls. 737/742, consta despacho de admissibilidade dos embargos. Salienta se que referido despacho abrangeu a análise do Processo n º 15956.000670/20109 e os demais apensados a este. (Processos nºs 15956.000672/201083, 15956.000673/201028, 15956.000674/201072. Em relação ao presente processo, transcrevese do despacho de admissibilidade a análise da matéria objeto dos embargos: Processos 15956.000670/201094 e 15956.000673/201028: A embargante ressalta a decisão tomada no processo principal, 15956.000670/201094, que contém o lançamento de obrigação principal, no qual no acórdão 2403001.341, constou que: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão dos levantamentos PC, PC1, PF, PF1, bem como determinar o recálculo da multa de mora conforme o artigo 35 da Lei 8.212/91 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 de acordo com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão dos levantamentos PF e PF1. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão do levantamento PR quanto aos docentes submetidos a regime próprio. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Já o processo 15956.000673/201028, contém o lançamento de obrigação acessória por não ter o sujeito passivo declarado todos os fatos geradores em GFIP (auto de infração código de fundamentação legal CFL 68). Consta do dispositivo do acórdão 2403 001.343 que: Em razão de tudo que foi exposto, conheço do recurso para, à exceção dos levantamentos RA, RA1, RB ,AT, AT1, PR, RT, RT1 e RU que registram a constituição de créditos lançados na lavratura do auto em comento, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando a exclusão dos demais levantamentos PC, PC1, PF, PF1 bem como consoante princípio da retroatividade benigna determinar o recálculo da multa conforme o artigo 35 da Lei 8.212/91 nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 de acordo com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009. A embargante afirma ainda que no terceiro parágrafo do subitem intitulado “DO MÉRITO” correspondente ao voto do acórdão, onde se faz referência à decisão do processo principal, consta o seguinte: A decisão supra ficou assentada conforme abaixo: Fl. 746DF CARF MF Processo nº 15956.000670/201094 Acórdão n.º 2401005.443 S2C4T1 Fl. 777 3 Em razão de tudo que foi exposto, conheço do recurso para, à exceção dos levantamentos AT, AT1, PR, RT, RT1 e RU que registram a constituição de créditos lançados na lavratura do auto em comento, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando a exclusão dos demais levantamentos PC, PC1, PF, PF1, RA, RA1 e RB bem como consoante princípio da retroatividade benigna determinar o recálculo da multa conforme o artigo 35 da Lei 8.212/91 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 de acordo com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009. (grifo nosso) Transcreve também o conteúdo do quinto e sexto parágrafos do mesmo subitem: Conforme se extrai do sobredito “ decisium” , os levantamentos PC, PC1, PF, PF1, RA, RA1 e RB foram motivos de expurgo.” (grifo nosso) “Aduz que as planilhas colacionadas no processo em comento referemse àqueles mesmos elementos. Desse modo, analisandoas distintamente assim se observa: Planilha I às fls. 09 é a mesma do processo principal e referese à CARGA SUPLEMENTAR PROFESSORES cujos argumentos do autuante não prosperaram. Logo aqui também deve ser excluída; Planilha II DECLARADO GFIP COMO CONTR. INDIVIDUAL MAS É EMPREGADO, à exemplo do decidido no processo principal , mantenhase o lançamento; Planilha III DECLARADO GFIP COMO CONTR. INDIVIDUAL MAS É EMPREGADO, à exemplo do decidido no processo principal, pelos mesmos motivos supra, mantenhase o lançamento; Planilha IV REMUNERAÇÕES DECLARADAS EM GFIP (VERIFICAR NO PRINCIPAL , mantenhase o lançamento. Planilha V REMUNERAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇO PF, sofreu expurgo no processo principal , assim , deve ser excluída. A embargante destaca a divergência entre as decisões dos processos com lançamento de obrigação principal e o contendo a obrigação acessória correlata, quanto aos levantamentos RA, RA1, RB que constam como mantidos no acórdão do processo principal e excluídos nos termos do acórdão do processo acessório. Caso sejam corretas as exclusões dos levantamentos RA, RA1 e RB, o acórdão do processo principal estaria incorreto, caso contrário, incorreto estaria o acórdão do processo contendo obrigações acessórias. Sendo assim, constatado lapso manifesto, por divergência de conclusão, entre os Acórdãos de recurso voluntário nº 2403001.341 e nº 2403001.343, recebo os embargos como embargos inominados, nos termos do RICARF, art. 66, e proponho que ambos processos sejam incluídos em pauta de julgamento para que seja sanado o vício apontado, devendose verificar qual dos acórdãos anteriormente proferidos estaria correto, retificandose o incorreto. É o relatório. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 15956.000670/201094 Acórdão n.º 2401005.443 S2C4T1 Fl. 778 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Em resumo, temse como matéria dos presentes embargos a análise dos créditos tributários apurados a partir dos levantamentos PC, PC1, PF, PF1, RA, RA1 e RB. Neste sentido, necessário analisarmos, no tocante a cada um dos levantamentos, os fundamentos do voto condutor no Acórdão nº 2403001.341, assim disposto: LEVANTAMENTOS PC E PC1 Sobre os levantamentos PC e PC1 carga suplementar professores definidos às fls.32 a 48 o Auditor Fiscal assim relatou : “I Das contribuições decorrentes da atribuição de carga suplementar ou excedente, vinculada pela Auditoria Fiscal ao Regime Geral de Previdência Social RGPS (levantamentos PC e PCI) trata o tópico das contribuições constituídas sobre remuneração de professores titulares de cargo efetivo na Administração Municipal, no entanto, incidentes sobre horas de trabalho suplementares ou excedentes àquelas para as quais estão investidos através de concurso público.” Entendeu a fiscalização que tais horas vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social, enquanto sustenta o contribuinte que são devidas (e vertidas) ao Regime Próprio de Previdência ao qual os servidores já se encontram vinculados. Para configurar a fundamentação de seu entendimento, no Relatório Fiscal de fls. 538, o Auditor referindose à Lei Municipal n° 3.236, de 05/01/2004 (Estatuto do Magistério Público Municipal) destaca entre outros artigos 63 e 64 : “ os art. 63, 64 (incluso parágrafo único) e 65 do capítulo XI, seção II (DA ACUMULAÇÃO) que, É vedada a acumulação de cargos públicos respectivamente: (i) "É vedada a acumulação de cargos públicos, exceto o de 2 (dois) cargos de professor; (ii) "A acumulação fica condicionada à comprovação da compatibilidade de horário, cujo período para cada cargo será ofixado pela Administração., Parágrafo Único Para fins do disposto no "caput" deverá haver um intervalo mínimo de uma ora entre o período de horário dos cargos."; e (iii) "A acumulação depende sempre de aprovação prévia em concursopúblico de provas e títulos, específico para cada cargo,..." Fl. 748DF CARF MF Processo nº 15956.000670/201094 Acórdão n.º 2401005.443 S2C4T1 Fl. 779 5 [...] Concluo, pois, que a parcela remuneratória decorrente do exercício de carga suplementar integra a base previdenciária devida ao Regime Próprio de Previdência Social RPPS, nos termos da Lei Municipal n° 3.411/2005 descabendo o lançamento PC e PCI fls 32 a 48 que constituíram os créditos em razão de duplo vínculo. LEVANTAMENTO PF E PF1 No Relatório Fiscal ás fls. 542/543, consta o Levantamento PF e PF1 na forma do abaixo transcrito: L e v a n t a m e n t o PF e PF1 – Programa Emergencial de Auxílio Desemprego PEAD “ 3.8.1 O valor originário do débito apurado corresponde a este levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas pela empresa, mediante a aplicação de alíquota sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, nas competências 01 a 03 e 09 a 12/2007 (Levantamento PF1) e 04 a 08/2007 (Levantamento PF), conforme relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD e cópias de notas de liquidação e pagamento (por amostragem), anexos a este Al, da qual fazem parte integrante. No campo observação do Relatório de Lançamentos RL consta os números da notas de liquidação e pagamento, nomes dos prestadores, e os tipos de serviços. Referidos serviços estão relacionados, dentre outros: a) Em frentes de trabalho, através do denominado Programa Emergencial de Auxílio Desemprego, com folhas de comparecimento e cumprimento de horário; b) Trabalho executado em horta administrada pelo município, conforme informações adquiridas com os funcionários do setor de contabilidade, com disponibilidade orçamentária do Programa Nacional de HIV/AIDS e DST; c) Integrantes de Junta de Recursos Fiscais e de Junta Administrativa de Recursos de Infrações, enquadrado no § 3° do art. 9° da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14.07.2005 DOU. 15/07/2005. [...] a) Sobre os lançamentos dos valores pagos para as pessoas participantes das frentes de trabalho o regulamento consta do Programa Emergencial de Auxílio Desemprego –PEAD conforme os termos da Lei Municipal n° 3.371/2005, colacionadas nos autos às fls 575 destacando o artigo 4° e o parágrafo único : [...] Fl. 749DF CARF MF Processo nº 15956.000670/201094 Acórdão n.º 2401005.443 S2C4T1 Fl. 780 6 Desse modo, determino nulo os lançamentos PF e PF1 – Programa Emergencial de Auxílio Desemprego PEAD [...] b) Sobre os Trabalhos executados em horta administrada pelo município, referentes ao Programa Nacional de HIV/AIDS e DST, às fls. 587 registrase colacionado a Portaria n.° 2313/GM Em 19 de dezembro de 2002 que na forma do seu artigo 2 dispõe sobre “ Aprovar as normas relativas ao Incentivo e aos recursos adicionais, constantes dos ANEXOS desta Portaria e que dela é parte Integrante” [...] Assim, ainda que de modo oblíquo se vislumbre hipótese de incidência previdenciária, em razão do nítido objeto assistencial do programa, determino nulo os lançamentos PF e PF1 Programa Nacional de HIV/AIDS e DST referentes aos créditos constituídos motivados pela concepção de que as bolsas pagas pelo trabalho executado pelos beneficiários nas hortas administradas pelo município seriam tributados como contribuintes individuais. [...] c) Sobre os membros do Conselho Tutelar declarados nas GFIPs como contribuintes individuais, descaracterizados e reclassificados como segurados empregados pelo Auditor Fiscal [...] Desse modo impõese anular o lançamento que descaracterizou os membros do Conselho Tutelar da classificação de contribuinte individual informado nas GFIPs. Nos fundamentos do voto condutor não há referências aos levantamentos RA, RA1 e RB, apenas na conclusão: CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do recurso para , à exceção dos levantamentos RA, RA1, RB ,AT, AT1, PR, RT, RT1 e RU que registram a constituição de créditos lançados na lavratura do auto em comento, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando a exclusão dos demais levantamentos PC, PC1, PF, PF1 bem como consoante princípio da retroatividade benigna determinar o recálculo da multa conforme o artigo 35 da Lei 8.212/91 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 de acordo com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Como especificado no relatório fiscal (545/546), referidos levantamentos referemse: 3.2 Levantamento RA e RA1 Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15956.000670/201094 Acórdão n.º 2401005.443 S2C4T1 Fl. 781 7 3.2.1 O valor originário do débito apurado corresponde a este levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas pela empresa, mediante a aplicação da alíquota de 1 % relativo ao RAT sobre os totais das remunerações dos segurados empregados que lhe prestaram serviços constantes das folhas de pagamento e declarados em GFIP, referente às competências 06 a 08/2007 (Levantamento RA) e 09/2007 a 11/2008 (Levantamento RA1), conforme Planilha VI anexa a este Al da qual faz parte integrante. Referida planilha consta por competência a remuneração, 13° salário, total e o RAT (1%)..... 3.3 Levantamento RB 3.3.1 O valor originário do débito apurado corresponde a este levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas pela empresa, mediante a aplicação da alíquota de 1% relativo ao RAT sobre os totais das remunerações dos segurados empregados que lhe prestaram serviços constantes das folhas de pagamento e declarados em GFIP, referente às competências 12/2008 a 12/2009, incluindo o 13° salário, conforme Planilha VII anexa a este Al da qual faz parte integrante. Os valores dos levantamentos RA (06 a 08/2007), RA1 (09/2007 a 11/2008) e RB (12/2008 e 12/20029), constates do Discriminativo do Débito (fls. 11/21), estão detalhados nas Planilhas VI e VII Totais das remunerações dos segurados empregados constantes das folhas de pagamentos e declaradas em GFIP (fls. 539/540). Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15956.000670/201094 Acórdão n.º 2401005.443 S2C4T1 Fl. 782 8 Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido de conhecer dos embargos inominados para rejeitálos, mantendose o dispositivo com a redação original. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000447/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade se o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e contêm todos os requisitos indispensáveis à sua validade, conforme disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto n° 70.235/72; nem aventar cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender.
OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS 'CALÇADAS'. CIRCULARIZAÇÃO.
Provada a omissão de receitas, mediante confronto entre os valores registrados nas vias das notas fiscais remetidas A destinatária dos serviços e mercadorias, obtidas por circularização junto A. cliente da empresa fiscalizada, e os valores constantes das vias fixas do talonário, que embasam a escrituração comercial e a apuração de tributos sobre receitas em importâncias muito inferiores às efetivamente auferidas, cabível a exigência de oficio dos tributos devidos, com observância da sistemática de tributação adotada pela pessoa jurídica.
APURAÇÃO DO SIMPLES. PERCENTUAIS APLICÁVEIS.
Correta a apuração dos tributos devidos na sistemática do SIMPLES, visto que o percentual majorado, de conformidade com a faixa da receita acumulada no período, incide sobre o total da receita do mês de apuração.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Comprovada nos autos a prática pela contribuinte de consignar valores divergentes nas vias fixas do talonário das notas fiscais e nas vias da destinatária de mercadorias e serviços, procedimento conhecido como "nota fiscal calçada", com o conseqüente registro na escrituração comercial de valores inferiores aos efetivamente auferidos como receitas, fica evidenciado o intuito de fraude e plenamente justificada a qualificação da multa de oficio.JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF n 4
A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade se o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e contêm todos os requisitos indispensáveis à sua validade, conforme disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto n° 70.235/72; nem aventar cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS 'CALÇADAS'. CIRCULARIZAÇÃO. Provada a omissão de receitas, mediante confronto entre os valores registrados nas vias das notas fiscais remetidas A destinatária dos serviços e mercadorias, obtidas por circularização junto A. cliente da empresa fiscalizada, e os valores constantes das vias fixas do talonário, que embasam a escrituração comercial e a apuração de tributos sobre receitas em importâncias muito inferiores às efetivamente auferidas, cabível a exigência de oficio dos tributos devidos, com observância da sistemática de tributação adotada pela pessoa jurídica. APURAÇÃO DO SIMPLES. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. Correta a apuração dos tributos devidos na sistemática do SIMPLES, visto que o percentual majorado, de conformidade com a faixa da receita acumulada no período, incide sobre o total da receita do mês de apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovada nos autos a prática pela contribuinte de consignar valores divergentes nas vias fixas do talonário das notas fiscais e nas vias da destinatária de mercadorias e serviços, procedimento conhecido como "nota fiscal calçada", com o conseqüente registro na escrituração comercial de valores inferiores aos efetivamente auferidos como receitas, fica evidenciado o intuito de fraude e plenamente justificada a qualificação da multa de oficio.JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF n 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
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C. I. NETWORK GUEDES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade se o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e contêm todos os requisitos indispensáveis à sua validade, conforme disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto n° 70.235/72; nem aventar cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS 'CALÇADAS'. CIRCULARIZAÇÃO. Provada a omissão de receitas, mediante confronto entre os valores registrados nas vias das notas fiscais remetidas A destinatária dos serviços e mercadorias, obtidas por circularização junto A. cliente da empresa fiscalizada, e os valores constantes das vias fixas do talonário, que embasam a escrituração comercial e a apuração de tributos sobre receitas em importâncias muito inferiores às efetivamente auferidas, cabível a exigência de oficio dos tributos devidos, com observância da sistemática de tributação adotada pela pessoa jurídica. APURAÇÃO DO SIMPLES. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. Correta a apuração dos tributos devidos na sistemática do SIMPLES, visto que o percentual majorado, de conformidade com a faixa da receita acumulada no período, incide sobre o total da receita do mês de apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 47 /2 00 9- 15 Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 718 2 Comprovada nos autos a prática pela contribuinte de consignar valores divergentes nas vias fixas do talonário das notas fiscais e nas vias da destinatária de mercadorias e serviços, procedimento conhecido como "nota fiscal calçada", com o conseqüente registro na escrituração comercial de valores inferiores aos efetivamente auferidos como receitas, fica evidenciado o intuito de fraude e plenamente justificada a qualificação da multa de oficio.JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF n 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 719 3 Relatório A. C. I. NETWORK GUEDES LTDA EPP, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) DRJ/CPS (fls. 522 e ss), que, por unanimidade de votos, manteve o lançamento. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ (fls. 411/415), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 431/435), e das Contribuições para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 421/425), para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 441/445) e para a Seguridade Social INSS (fls. 451/455), lavrados em 19/11/2009, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 477.081,56, incluídos o principal, a multa de oficio de 75%, a multa de oficio qualificada de 150% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas no anocalendário 2004, assim consolidados no DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO a fl. 01: No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS MPF 2008 001949, as fls. 391/396, o auditor fiscal responsável pelo procedimento junto à pessoa jurídica registra o que adiante se reproduz parcialmente: CONTEXTO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado e de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR199), lavro o presente termo que se torna parte integrante do auto de infração. Dando inicio aos trabalhos, no dia 10/03/2008, foram enviados ao contribuinte Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 03/04) e o mandado de procedimento fiscal (fl. 02), cuja ciência se deu em 18/03/2008 (fl. 05). Foi dada ciência ao contribuinte do termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal no dia 15/05/2008 (fls. 24/25). Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 720 4 Foi reiterado o termo de inicio de fiscalização, através do termo de reintimação fiscal, lavrado no dia 20/05/2008, cuja ciência se deu em 28/05/2008 (fl. 26/27). Conforme protocolo (fl. 29/30), foram entregues A. fiscalização os seguintes documentos: • Livro Diário e Razão anocalendário 2004, 2005 e 2006; • Notas Fiscais de Vendas: Série D1 N°301 a 400; Série M1 N°1501 a 2350; Série D1 N°3001 a 400; • Notas Fiscais de Serviço: Série A N° 351 a 400; Série 1 N°001 a 301. • Cópia do contrato social e alterações (la a 8') folhas 31 a 59. Foi dada ciência ao contribuinte do termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal no dia 10/07/2008 e 25/08/2008 (fls. 162/165). Após a análise das notas fiscais acima descritas, foi efetuada a circularização junto ao Comando da Aeronáutica, através do Oficio N° 048/2008/Sefis/DRF/SJC (fl. 166), de 14/04/2008, onde foi solicitada a confirmação dos pagamentos efetuados fiscalizada no período de 2004 a 2006, anteriormente informados através do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI). Em resposta ao Oficio supracitado, foi encaminhado a este Serviço de Fiscalização o Oficio N° 48/GC6/2096 (fl. 167/168), do Gabinete do Comando da Aeronáutica, onde nos foi dirigido quatro cadernos contendo: a) cópias de notas fiscais relativas ao anocalendário 2004 (conforme relação fl. 170 a 176), b) 184 cópias de notas fiscais relativas ao anocalendário 2005, c) 169 cópias de notas fiscais relativas ao anocalendário de 2006 e d) Relação de Ordem Bancária (fl. 276). No dia 30/09/2008, foi lavrado o termo de intimação fiscal (fl. 282/283), onde a fiscalizada era intimada a apresentar o livro registro de saídas para o ano calendário de 2004 a 2006. Em resposta ao termo acima, a fiscalizada, através de sua procuradora Sr' Eunice Almeida de Freitas (fl. 287/288), compareceu ao serviço de fiscalização, no dia 14/10/2008, e apresentou as cópias dos livros solicitados (AC2004 fl. 290 a 317), bem como a declaração de óbito do sócio da fiscalizada Sr. Cláudio César Guedes (fl. 289) ocorrido no dia 03/10/2008. Foi efetuado o cotejo entre as 210 cópias das notas fiscais e as 08 ordens bancárias apresentadas pelo Comando da Aeronáutica e o bloco de notas fiscais apresentados pelo contribuinte, sendo apurada a falsificação material da nota fiscal que registra, na via que fica presa ao talonário, um valor diverso e inferior daquele que figurou nas vias que acompanharam o produto ou serviço prestado. Essa prática que tem Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 721 5 como especial finalidade a redução de tributos devidos, no caso em tela o recolhimento do Simples, fraudando a fiscalização tributária mediante a inserção de dados inexatos em documentos fiscais através da prática conhecida como "nota fiscal calçada". Tal prática foi fartamente comprovada nos autos, mediante a instrução processual das cópias em que há divergência entre as vias das mesmas notas fiscais que acompanham o produto, apresentadas pelo Comando da Aeronáutica (fl. 177 a 281). Diante do exposto, a fiscalizada foi intimada, através do termo de intimação fiscal n° 02 (fl. 318 a 329), a comprovar as divergências apuradas entre as vias das notas apresentadas pelo contribuinte e as vias obtidas junto ao Comando da Aeronáutica, conforme anexos ao termo de intimação, que individualizaram as diferenças nota a nota através da descrição contendo o número, o tipo, a data, o valor registrado no bloco fiscal (via que fica na posse do contribuinte) e a diferença apurada, que por fim foram totalizadas mensalmente para o anocalendário de 2004. No dia 14 de novembro de 2008, o contribuinte, através de sua procuradora, Eunice Almeida de Freitas (fl. 287 e 288), tomou ciência pessoal do termo de intimação fiscal 02, acima descrito, onde era intimado a comprovar as divergências já descritas que totalizavam os seguintes valores: Em resposta ao termo de intimação n° 02 (fl 330 a 332 e anexos fl. 333 a 353), enviado no dia 28/11/2009, a fiscalizada prestou os seguintes esclarecimentos relativos as divergências apuradas: • Que "A época dos fatos a gerência era (mica e exclusiva do sócio Cláudio César Guedes, conforme cláusula quinta do contrato social"; • Que "a sócia minoritária Luciara Aparecida Sales, que tinha a participação de 1% das cotas sociais era funcionária e entrou na sociedade em 2002, deixando a sociedade em 28 de novembro de 2007 e voltando a ser funcionária registrada em CTPS, conforme documentos que instruem este esclarecimento, como contrato social e alterações, carteira de trabalho e holerites da exsócia Luciara"; • Que "todas as decisões, confecções de notas fiscais, vendas, compras e demais atividades da empresa A C I NETWORK GUEDES LTDA EPP eram realizada (mica e exclusivamente por Cláudio César Guedes, conforme declaração anexa", Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 722 6 para tanto apresentou uma declaração (fl. 333) do Sr, Pedro Guedes, pai do sócio gerente Cláudio César Guedes, onde afirmava "que todas as notas fiscais eram realizadas de próprio punho pelo seu filho Cláudio, bem como toda a responsabilidade na emissão do talonário, não sendo tal ato praticado por pessoa diversa"; • Que "a exsócia Luciara é hoje auxiliar administrativa e mesmo figurando como sócia, sempre trabalhou nessa função não atuando no setor de vendas e nem no setor fiscal, somente no contas a pagar e receber e atendimento ao cliente"; • Que "conforme apurado por essa R. Auditoria Fiscal houve uma diferença entre as notas fiscais emitidas contra o Comando da Aeronáutica e as notas registradas pelo contribuinte, perfazendo a diferença de R$ 1.550.521,48"; • Que "a planilha apresentada demonstra que houve um erro por parte do contribuinte que em principio poderia parecer uma sonegação, mas caso isso ocorresse, não seriam apresentadas as notas quando estas foram solicitadas"; • Que "ocorre que a empresa contribuinte não tem conhecimento de notas fiscais diferentes das apresentadas ao Comando da Aeronáutica, porque, repitase, eram realizadas pelo sócio majoritário"; • Que "provavelmente, se houve erro, este foi do sócio majoritário que, por força do destino, faleceu recentemente e não pode justificar plausivamente a incongruência das declarações, pois não é apenas a troca de uma casa decimal a mais ou a menos, e sim números completamente diversos e informações completamente diferentes de mercadorias e serviços", conforme declaração de óbito já apresentada no curso da fiscalização; • Que "em análise mais profunda da planilha apresentada, a nota fiscal N. 121559, de 27 de outubro de 2004, não há descrição se é nota fiscal de mercadoria ou serviço, bem como não poder ter nota sem lançamento, mesmo com erro". DA INFRAÇÃO APURADA Diante da resposta apresentada pelo contribuinte, concluímos que não houve por parte da fiscalizada uma justificativa para as divergências apresentadas e sim apenas a atribuição ao sócio administrador da responsabilidade pela emissão de notas fiscais calçadas, ou seja, com valores divergentes entre a via da empresa e a via do destinatário. A única ressalva apresentada pelo contribuinte se refere à nota fiscal n° 121559 de 27/10/2004 (fl. 331), observase que na verdade o contribuinte foi intimado a justificar a nota 121597 (fl. 326) de 27/10/2004 no valor de R$ 44.383,00 e não havia sido identificada a nota no bloco do contribuinte. Diante da resposta acima, anexamos aqui a cópia da ordem bancária apresentada pelo comando da Aeronáutica (fl. 278) que identificava a nota de número 121597 no valor de R$ 44.383,00 e data de 27/10/2004 com a nota fiscal apresentada pelo contribuinte de n° 51 (fl. 94) emitida em 27/10/2004 no valor de R$ 2.998,00. Verificase que a nota n° 51 apresenta um outro número de controle 121597, número este que foi identificado na ordem de pagamento do Comando da Aeronáutica, diante das evidências, resta provado se tratar do mesmo documento fiscal, demonstrando mais uma vez a prática do contribuinte de reduzir o valor da Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 723 7 nota fiscal que fica retida no bloco. Neste caso foi efetuado o pagamento no valor de R$ 44.383,00 e o valor que consta no bloco é de R$ 2.998,00 conforme descrito. Sendo assim, foi lavrado o presente auto de infração tendo por base de cálculo a omissão de receita da atividade, considerada pela diferença apurada (fl. 319 a 329) entre os valores constantes das notas fiscais presas ao talonário (apresentadas pelo contribuinte), que foram registradas no livro Registro de Saídas, e as vias das mesmas notas fiscais além das ordens bancárias obtidas através de circularização junto ao Comando da Aeronáutica, totalizando os seguintes valores: * Os valores apresentados na tabela 02 são os mesmo constantes da tabela 01, com exceção apenas do riles de outubro que na tabela 01 constava o valor R$ 104.675,61 e na tabela 02 consta o valor de R$ 101.667,61. Observase que a diferença entre elas é de R$ 2.998,00, valor relativo à nota fiscal 51/121597 que não foi considerada na intimação fiscal de fl. 326, por isso o valor de R$ 2.998,00 foi desconsiderado na base de cálculo do mês de outubro. Valor total da omissão de receita da atividade (para o anocalendário de 2004) lançado em Auto de Infração: R$ 1.547.523,48. DA MULTA DE OFÍCIO Resta comprovada no presente auto de infração a pratica de uma conduta, que em tese, configura crime contra a ordem tributária tipificado no artigo 10 da Lei n° 8.137/90: Art, 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei n°9.964, de 10.4.2000) III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicara, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; Os fatos verificados e descritos acima reduziram tributos, no caso em questão o recolhimento do Simples, fraudando a fiscalização tributária mediante inserção de dados inexatos em documentos fiscais ("notas fiscais calçadas"), no período de fevereiro a dezembro de 2004. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 724 8 A especial finalidade dessa fraude fiscal é a redução da carga tributária empresarial propiciada pela falsificação material da nota fiscal que registra, na via que fica presa ao talonário, um valor diverso daquele que figurou nas vias que acompanharam o produto ou serviço prestado. Nessa conhecida pratica os tributos devidos são pagos pelo menor valor referencial, ou seja, o valor que consta da via presa ao talonário. Nesse caso, o contribuinte que ordena, realiza ou permite que se realize a irregular emissão de nota fiscal tem plena consciência da ilicitude da conduta. Restou comprovada nos autos, através de prova documental, com aproximadamente cem notas fiscais calçadas, a conduta reiterada da fiscalizada, o que por si só já é suficiente para aplicação da multa qualificada de 150% prevista no Art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96. Com a presente aplicação do artigo 173 do CTN. Diante dos fatos narrados foi lavrado o termo de solidariedade passiva do sócio administrador Cláudio César Guedes (fl. 385 a 388). Sendo assim, constituímos o crédito tributário para cobrança do SIMPLES devido à Fazenda Nacional. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 474/506, que aduziu os seguintes argumentos: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Nas preliminares, invoca a nulidade do lançamento sob o entendimento de que inexistindo a intimação para manifestação sobre a suspeita de falsificação material teria sido preterido o direito de defesa da contribuinte. Afirma a impugnante que a respeitável autoridade administrativa considerou apurada a falsificação material da nota fiscal logo após analisar a resposta apresentada por exsócia da empresa, ft. 330 a 332, que alegou não ter conhecimento das diferenças das notas fiscais, bem como que, se houve um erro este teria sido cometido pelo sócio majoritário da empresa, já falecido. Continua a impugnante: Deste modo, evidenciase que o nobre Auditorfiscal não aprofundou a fiscalização para buscar as reais provas e os envolvidos na feitura destas supostas irregularidades apresentadas, preferindo responsabilizar a ora Impugnante, por meio de meras suposições ao invés de demonstrações concretas para exigir dela imposto decorrente de suposta omissão de receitas e insuficiência de recolhimento. Ora, as diferença foram constatadas, mas não houve qualquer apuração para verificar onde houve adulteração dos valores, se no bloco apresentado pela contribuinte ou nas próprias notas fiscais apresentadas pelo Comando da Aeronáutica. A respeitável autoridade administrativa alega que tal adulteração se deu para reduzir imposto a ser pago pela ora Impugnante, o que se trata de mera suposição, uma vez que tal adulteração nas notas fiscais também poderia ter sido feita pela adquirente com o intuito de superfaturar as compras realizadas perante a contribuinte. (...) Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 725 9 Assim, ao serem lavrados os Autos de Infração sem que fosse dada oportunidade para que a contribuinte se manifestasse sobre a suspeita de falsificação material, configurouse o desrespeito aos princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório. DA RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO FEDERAL Ressalta a impugnante que as notas fiscais que geraram a autuação decorrem da contratação com o Comando da Aeronáutica, circunstância que implica retenção pelo referido órgão público dos tributos na fonte incidentes sobre a respectiva operação comercial à época da transação, em consonância com o artigo 64 §1° da Lei n° 9.430, de 1996. Dessa forma, alega a defesa que, ainda que a autuada houvesse registrado valores inferiores aos faturados, nas vias fixas do talonário, cumpriria ao comando da Aeronáutica proceder à retenção sobre os valores efetivamente pagos pelo fornecimento de bens ou serviços, o que torna indevido o lançamento por constituir obrigação daquele órgão a retenção dos valores devidos. DO EQUIVOCO NA APLICAÇÃO DO PERCENTUAL NA APURAÇÃO DO SIMPLES De plano, esclarece a impugnante que os valores constantes nos blocos das notas fiscais apresentados pela empresa autuada, igualmente escriturados em seus livros fiscais, e declarados na Declaração Anual Simplificada estão corretos, sendo assim improcedentes as exigências ora litigadas posto que apuradas sobre outros valores de receitas não auferidas pela empresa fiscalizada. Contudo, em observância ao principio da eventualidade ou da concentração, vem a impugnante demonstrar o vicio insanável existente na autuação, qual seja, a equivocada aplicação de aliquotas do imposto para apuração do crédito tributário, tendo em conta a adoção indevida pelas DRJ do principio da preclusão, que impede que as razões de defesas não alegadas na primeira fase do contencioso sejam posteriormente invocadas. Transcreve o art. 5° da Lei n°9.317, de 05/12/1996 e art. 11 da IN SRF 355, de 29/08/2003 para demonstrar que o valor do imposto deveria ser calculado aplicandose os percentuais das aliquotas em relação à receita bruta acumulada pela empresa dentro do anocalendário. Elabora planilha A. fl. 483 para demonstrar o equivoco do auditor fiscal ao aplicar o acréscimo da aliquota mensal sobre o total da receita acumulada no período quando deveria incidir apenas sobre a diferença que ultrapassou o limite estabelecido na legislação, resultando em indevido aumento do imposto exigido da pessoa jurídica nos autos. DA NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DOLO E IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA MULTA DE 150% Assevera a impugnante que a aplicação da multa de oficio no percentual de 150%, com base no inc. II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, não se justifica tendo em conta que o auditor fiscal não comprovou a autoria da contribuinte quanto à alteração dos valores das notas fiscais, não cabendo o agravamento baseado em simples suposição de prática delituosa. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 726 10 Reforça que a responsabilidade pelas alterações das notas fiscais não foi investigada pela fiscalização, que se restringiu a responsabilizar a ora impugnante por meio de meras suposições, sem que fosse averiguado onde houve a adulteração dos valores, se no . bloco apresentado pela contribuinte ou nas próprias notas fiscais apresentadas pelo Comando da Aeronáutica. Salienta, por fim, que a suposta fraude poderia ser constatada facilmente por perito, por meio de exame grafotécnico dos blocos e das respectivas notas fiscais. Destaca a impugnante que a multa de oficio conforme lançada ofende os princípios constitucionais do não confisco, que proibe a utilização de tributo com efeito de confisco, e da capacidade contributiva, que impede a exigência de impostos além da capacidade econômica dos contribuintes. Cita doutrinadores e jurisprudência judicial, concluindo que, no caso de manutenção do crédito tributário, cabe fixar a multa no percentual de 20% a titulo de mora. Discorre a defesa sobre a inaplicabilidade da Taxa SELIC como juros incidentes sobre tributos, por vincularse à remuneração de titulo públicos. Requer a limitação dos juros ao percentual de 12% ao ano, conforme previsto no §1° do art. 161 do CTN. Cita doutrinadores e decisões do STJ. Conclui pela total improcedência dos valores exigidos, tendo em conta a inexistência de omissão de receitas e a falta de comprovação de prática de dolo, fraude ou simulação. Não foi juntado qualquer documento comprobatório das alegações apresentadas. Em julgamento realizado em 02 de março de 2010, a 2ª Turma da DRJ/CPS, por unanimidade considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0528291 assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade se o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e contêm todos os requisitos indispensáveis à sua validade, conforme disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto n° 70.235/72; nem aventar cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS 'CALÇADAS'. CIRCULARIZAÇÃO. Provada a omissão de receitas, mediante confronto entre os valores registrados nas vias das notas fiscais remetidas A destinatária dos serviços e mercadorias, obtidas por circularização junto A. cliente da empresa fiscalizada, e os valores constantes das vias fixas do talonário, que embasam a escrituração comercial e a apuração de tributos sobre receitas em Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 727 11 importâncias muito inferiores às efetivamente auferidas, cabível a exigência de oficio dos tributos devidos, com observância da sistemática de tributação adotada pela pessoa jurídica. APURAÇÃO DO SIMPLES. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. Correta a apuração dos tributos devidos na sistemática do SIMPLES, visto que o percentual majorado, de conformidade com a faixa da receita acumulada no período, incide sobre o total da receita do mês de apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovada nos autos a prática pela contribuinte de consignar valores divergentes nas vias fixas do talonário das notas fiscais e nas vias da destinatária de mercadorias e serviços, procedimento conhecido como "nota fiscal calçada", com o conseqüente registro na escrituração comercial de valores inferiores aos efetivamente auferidos como receitas, fica evidenciado o intuito de fraude e plenamente justificada a qualificação da multa de oficio. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 546 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa inexistência de intimação para manifestação acerca da suspeita de falsificação material; da ocorrência diversa da caracterização pela fiscalização nos autos; da contratação com administração pública federal retenção na fonte do tributo pela Instituição Pública Federal; da equivocada aplicação das alíquotas para apurar o crédito tributário no auto de infração; da não comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação impossibilidade da cobrança de multa de ofício de 150%; do caráter confiscatório da multa de ofício; da inconstitucionalidade da utilização da taxa selic para a correção de eventual débito; Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 728 12 Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 729 13 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2004, totalizando o crédito tributário de R$477.081,56, incluindo multa de ofício de 75% sobre a insuficiência de recolhimento e qualificada de 150% sobre a omissão de receitas, bem como juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/CPS e intimada ao recolhimento dos débitos em 12/04/2010 (AR de fl. 545), e apresentou em 10/05/2010, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 546 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Foi lavrado termo de solidariedade passiva contra o sócioadministrador Cláudio César Guedes, porém, ele veio a óbito, seu espólio, apesar de intimado do auto de infração não apresentou a impugnação. (não localizei a intimação do espólio da decisão DRJ) A ação fiscal identificou omissão de receitas em razão de diferenças apuradas entre os valores constantes nas notas fiscais presas ao talonário (apresentadas pelo contribuinte) e que foram registradas no Livro de Saídas e as vias das mesmas notas fiscais além das ordens bancárias obtidas através da circularização junto ao Comando da Aeronáutica, nos seguintes valores, no valor de R$1.547.523,48: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 730 14 Preliminar de Nulidade Cerceamento de Defesa Alega a recorrente em sede de preliminar, nulidade por cerceamento de defesa, pois que em seu entendimento não houve a sua intimação para manifestar acerca da suspeita de falsificação material, que se as notas fiscais estavam divergentes deveria o auditor buscar as provas reais das supostas irregularidades. Ora, tal alegação confundese com o mérito da questão aqui tratada. Não vejo cerceamento de defesa, já que o contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabendo a proposição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para embasamento, não verifico contradição, de tal forma que questões de mérito serão analisadas adiante. Assim, deixo de conhecer desta preliminar argüida. Do mérito da ocorrência diversa da caracterização pela fiscalização nos autos; Alega o recorrente que houve uma ocorrência diversa da caracterizada pela fiscalização. Que da simples análise das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte mostrase Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 731 15 que elas estão condizentes com a quantidade e valor dos produtos e serviços prestados diferentemente do que ocorre com as notas apresentadas pelo Comando da Aeronáutica. Ora, conforme apurado pela fiscalização, tabela abaixo, e exemplo de notas com mesmo número, sendo que a via fixa conta um valor e a via do cliente, outro maior. Todos os demais dados iguais. Ademais, a própria Aeronáutica, após intimação, enviou além das notas fiscais, uma relação de ordens bancárias, com a correspondente identificação do pagamento feito no sistema SIAFI, identificando a nota fiscal relacionada, com todos os dados ao qual se liga o pagamento, com a conta corrente bancária do emitente e do favorecido. Nesse aspecto, teria razão a recorrente, caso comprovasse que o valor recebido foi o menor. O que não ocorreu, o valor que entrou em sua conta foi aquele efetivamente pago pela Aeronáutica. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 732 16 Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 733 17 Assim, de certo que o recorrente não logrou êxito em comprovar que a omissão de receitas não ocorreu. Simplesmente alega que seus dados, via fixa do talonário, estariam corretas e as notas apresentadas pelo Comando da Aeronáutica não. A simples apresentação de extratos bancários relativos à conta corrente indicado pelo próprio Comando bastaria, o que não ocorreu. Alega o recorrente também que não deve os tributos lançados pelo Fisco, já que as notas fiscais que geraram a autuação decorrem do contrato com o Comando da Aeronáutica, instituição pública federal, em que os tributos já foram retidos na fonte, nos termos do art. 64, §1º, da Lei 9.430/96, dessa forma, ainda que houvesse a omissão de receitas, não haveria o devido, já que os valores já foram retidos pelo órgão, sendo o crédito tributário indevido. De fato, tal norma prescreve a necessidade de retenção. Entretanto, conforme bem descrito na decisão recorrida, nos casos em que a empresa é optante pelo SIMPLES tal retenção não é necessária, nos termos da IN 04/97, que regulamentou tal artigo, e vigente à época. Hipóteses em que não Haverá Retenção Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 734 18 Art. 18. Não será feita a retenção do imposto de renda e das contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I nos pagamentos efetuados pelas seguintes entidades: a) Ordem dos Advogados do Brasil OAB; b) confederações de classes; c) conselhos federais e regionais representativos de classes. II nos pagamentos efetuados a: a) pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; b) pessoas jurídicas exclusivamente distribuidoras de jornais e revistas §1° A comprovação da condição de optante pelo SIMPLES far sea mediante apresentação de cópia do termo de opção de que trata a Instrução Normativa SRF n° 75, de 26 de dezembro de 1996. Por conseguinte, sem fundamento a afirmação da impugnante de que não caberia exigir da fiscalizada a tributação sobre as diferenças de receitas levantadas pelo Fisco, por se constituir obrigação exclusiva do órgão público, no caso o Comando da Aeronáutica. Notase, inclusive, que a não retenção pelo referido órgão encontrase respaldada na declaração constante do rodapé de quase a totalidade das notas fiscais inserida por carimbo com a expressão "OPTANTE PELO SIMPLES LEI N° 9.317/96", justificando, assim a ausência de qualquer valor informado no sistema de pagamentos a titulo de tributos retidos. Ademais, alega o recorrente, que esta declaração de ser optante pelo SIMPLES não consta em todas as notas fiscais emitidas, sendo dever, portanto, do Comando da Aeronáutica a retenção e por isso o cancelamento do Auto de Infração. Ora, se na quase totalidade das notas fiscais emitidas pelo recorrente há tal declaração, e esta é sua condição naquele ano, a menos que tenha sido excluído no mesmo ano, o que não ocorreu, não há alteração do seu regime. Ou seja, no seu entender ele deveria ter sido retido em determinadas notas, ora, teria recebido um valor menor, o que de fato não ocorreu, poderia ter reclamado a necessidade de tal retenção, o que também não ocorreu. Caso houvesse a necessidade de retenção, fato é que isso não geraria o cancelamento do auto de infração por omissão de receitas, mas sim, a fonte pagadora, por sua vez poderia ser questionada acerca da obrigatoriedade ou falta de retenção. Nesse sentido, de se manter o lançamento. Alternativamente, alega o recorrente também que a aplicação das alíquotas do imposto foi equivocada, que nos termos do inc. II, do art. 5º da Lei 9.317/96, os percentuais aplicáveis em relação à receita bruta deveria ser calculado sobre o valor acumulado dentro do anocalendário, gerando tais diferenças, em seu entendimento, o acréscimo do percentual deveria ter incidido apenas sobre o valor que supera o limite legal: Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 735 19 Vejamos o que fiz a norma: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: II para a empresa de pequeno porte, em relação a receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); b) de R$ 240.000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento); c) de R$ 360.000,01 (trezentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais): 6,2% (seis inteiros e dois décimos por cento); d) de R 480.000.01 (quatrocentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais): 6,6% (seis inteiros e seis décimos por cento); Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 736 20 e) de R$ 600.000,01 (seiscentos mil reais e um centavo) a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais): 7% (sete por cento). f) de R$ 720.000,01 (setecentos e vinte mil reais e um centavo) a R$ 840.000,00 (oitocentos e quarenta mil reais): sete inteiros e quatro décimos por cento; (Incluída pela Lei no 9.732, de 11.12.1998) g) de R$ 840.000,01 (oitocentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 960.000,00 (novecentos e sessenta mil reais): sete inteiros e oito décimos por cento; (Incluída pela Lei no 9.732, de 11.12.1998) h) de R$ 960.000,01 (novecentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 1.080.000,00 (um milhão e oitenta mil reais): oito inteiros e dois décimos por cento; (Incluída pela Lei no 9.732, de 11.12.1998) i) de R$ 1.080.000,01 (um milhão, oitenta mil reais e um centavo) a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais): oito inteiros e seis décimos por cento; (Incluída pela Lei no 9.732, de 11.12.1998). §1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. Acréscimo de percentuais de EPP IN 355/03 Art. 11. A empresa de pequeno porte cuja receita bruta, no decurso do anocalendário, exceder ao limite de receita bruta acumulada de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), sujeitarseá, em relação aos valores excedentes, a partir, inclusive, do mês em for que verificado o excesso, aos seguintes percentuais: I 10,32% (dez inteiros e trinta e dois centésimos por cento) correspondentes aos impostos e às contribuições referidos no §1° do art. 50; O fiscal utilizouse da cálculo abaixo: Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 737 21 Ou seja, não vejo necessidade de correção no procedimento aplicado pelo fiscal. Nos termos da lei, o percentual é único no mês, e não fracionado dentro do próprio mês como feito pelo recorrente. Da multa qualificada Questiona a recorrente a aplicação da multa qualificada de 150% sobre a omissão de receitas. Em seu entendimento, não haveria a configuração da qualificadora, ou seja, do intuito doloso de sonegação, fraude ou conluio. Segundo o TVF, a majoração da multa se deu pelo intuito fraudulento do recorrente, ao se utilizar de "notas calçadas", ao não declarar os valores totais nos seguintes montantes, ao longo de 2004, que totalizou R$1.550.521,48: Fl. 737DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 738 22 A decisão da DRJ, por sua vez entendeu que o fato do contribuinte registrar valores diferentes nas fias fixas das notas fiscais e nas vias entregues aos seus clientes o intuito fraudulento no sentido de pagar menos tributo, agindo com evidente intuito de fraudar o fisco. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 739 23 A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 740 24 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) Ademais, consignese que ao final do anocalendário, verificouse que o recorrente ultrapassou o limite da receita bruta anual como SIMPLES, ou seja, dessa forma, também, em meu entendimento caracterizado o intuito fraudulento. De se manter a qualificadora. Da natureza Confiscatória da Multa Alega ainda excesso de penalidade, e pugna pela aplicação tãosomente de 20%, penalidade moratória. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da inaplicabilidade da taxa Selic Também é sedimentado o entendimento acerca da aplicabilidade da taxa Selic, nos termos da Súmula CARF 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13864.000447/200915 Acórdão n.º 1301002.869 S1C3T1 Fl. 741 25 CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar a preliminar arguida e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 741DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.727880/2012-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE MATÉRIAS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. EXEGESE DO INC. IV DO § 1o DO ART. 489 DO CPC.
Não ocorre o cerceamento do direito de defesa do Recorrente quando comprovado que no acórdão de impugnação foram enfrentados todos os fundamentos fáticos e jurídicos capazes de, em tese, infirmar o lançamento tributário.
INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2011 sujeita-se à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001 incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido.
FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2011, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
Numero da decisão: 1002-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 05751001842 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE MATÉRIAS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. EXEGESE DO INC. IV DO § 1o DO ART. 489 DO CPC. Não ocorre o cerceamento do direito de defesa do Recorrente quando comprovado que no acórdão de impugnação foram enfrentados todos os fundamentos fáticos e jurídicos capazes de, em tese, infirmar o lançamento tributário. INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2011 sujeita-se à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001 incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2011, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
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FALTA DE ENFRENTAMENTO DE MATÉRIAS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. EXEGESE DO INC. IV DO § 1o DO ART. 489 DO CPC. Não ocorre o cerceamento do direito de defesa do Recorrente quando comprovado que no acórdão de impugnação foram enfrentados todos os fundamentos fáticos e jurídicos capazes de, em tese, infirmar o lançamento tributário. INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2011 sujeitase à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 incidentes sobre cada mêscalendário de atraso. Descabe falarse em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2011, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 80 /2 01 2- 78 Fl. 85DF CARF MF 2 força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem retratar os fatos até este momento processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB (grifos do original) : "Versa o presente processo sobre multa por atraso na entrega de Controle Fiscal Contábil de Transição FCont, período de apuração 01/01/2011 a 31/12/2011, mediante o qual é exigido da interessada supra identificada o crédito tributário no valor total de R$ 10.000,00, com base no enquadramento legal: Arts. 16 da Lei nº 9.779/99; 57, inciso I, da Medida Provisória 215835/01; art. 2º da Instrução Normativa RFB 967/09. A referida FCont foi apresentada em 13/08/2012, sendo o prazo final para entrega na data de 30/06/2012. Inconformada com a presente exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação ao lançamento arguindo a nulidade da Notificação de Lançamento por não atender aos requisitos do art. 11 do Decreto 70.235/72, além do fato da exigência fiscal, criada a partir de março de 2011, aplicarse retroativamente a todo o ano de 2011. Nesse sentido, discorre: 'Por outro lado, ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por vício formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso. Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do ar. 59, II, do Decreto 70.235/72.' Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.727880/201278 Acórdão n.º 1002000.245 S1C0T2 Fl. 3 3 Observa que a apresentação do FCONT era obrigatória, conforme IN RFB 967/2009 e 970/2009, apenas quando houvesse a situação da empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária em vigor no dia 31/127/2007, conforme exigência do RTT Regime Tributário de Transição. A exigência da apresentação do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.139, de 28/03/2011. Considerando o princípio da anualidade, as obrigações principal e acessória somente podem ser exigidas a partir do exercício seguinte ao de sua instituição ou alteração. No caso, com o FCONT apresenta informações para período anual, a norma editada em março de 2011 somente poderia vigorar para fatos geradores a partir de 20102. Ressalta que a multa em questão não foi criada por lei, sendo que a art. 16 da Lei nº 9.779/99 diz apenas que a Receita Federal poderá criar obrigações acessórias, entendendo ser necessária uma norma legal específica, conforme preceitua a própria Constituição federal em seu art. 5º, inciso II. Assim o ato é nulo de pleno direito, porque não atende ao que a legislação fiscal determina para sua natureza, infringindo preceitos de ordem pública (art. 37 da Constituição Federal) e princípios claros de Direto Tributário. No mérito alega, em síntese; que apresentou a Controle Fiscal Contábil de Transição FCont em atraso, porém espontaneamente, conforme disciplinado no art. 138 do CTN. Nesse sentido, cita doutrinadores e vasta jurisprudência. Discorre sobre as infrações de natureza continuada, e registra que: 'No caso presente, o fato gerador tributário constituise apenas um fato gerador conforme indicado na Notificação, qual seja, 'a falta de apresentação no prazo do FCONT.' [...] A aplicação de várias multas como realizado neste Auto de Infração, uma para cada mês de atraso, contraria o Direito Pátrio, merecendo sua nulidade.' Destaca as dificuldades para preenchimento do FCONT, erros nas versões dos programas geradores de declaração e de validaçãos eletrônicos disponibilizados. Por fim, ressalta a onerosidade excessiva do valor da multa, ante a vedação da utilização de tributo como forma de confisco, de acordo com art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado." Fl. 87DF CARF MF 4 A 4a Turma da DRJ/BSB julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada e manteve parte do crédito tributário discutido nos autos, por meio do acórdão nº 0351.056, de 28 de fevereiro de 2013 (efls 56), cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário, do qual foram extraídos os principais pontos e argumentos abaixo descritos que, entendese, são pertinentes à solução da lide. A DECISÃO DA DRJ Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10166.727880/201278 Acórdão n.º 1002000.245 S1C0T2 Fl. 4 5 Neste tópico de seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega que a decisão da DRJ "deixou de apreciar algumas alegações da recorrente constantes de sua peça de impugnação" e que "Uma dessas omissões é sobre a ilegalidade na forma de penalização, uma hipótese de infração continuada, como é o presente caso". Afirma que "a sequência repetida mensalmente de uma mesma penalidade para uma mesma conduta, pelo princípio da infração continuada, aplicável também ao Direito Tributário, determina que a multa deva ser unificada, para afinal traduzir em apenas uma, e não em várias como foi o caso presente". Aduz que outra questão não apreciada pela DRJ "é a irretroatividade da norma, pois o FCont foi previsto em norma para vigorar para frente. No entanto, a multa aplicada no presente caso alcança períodos pretéritos à norma legal". Argumenta que a decisão da DRJ segundo a qual não há cerceamento do direito de defesa na fase anterior ao contencioso fiscal "contraria frontalmente os princípios de Direito da Administração, com supedâneo no art. 37 da Constituição Federal, e que foi regulamentado na Lei n° 9.784/99, disciplinando o Processo Administrativo Federal" e que "eventuais princípios que não estejam claros na legislação do processo fiscal devem ser complementados ou supridos pela legislação do processo administrativo federal da Lei n° 9.784/99". Finaliza suas considerações sobre este tópico argüindo a nulidade da autuação, sob o argumento de que "A impugnação apresentou algumas deficiências na Notificação do Lançamento Fiscal, especialmente na capitulação legal da legislação que foi aplicada na autuação, no entanto, a r. decisão a quo não levou em consideração essa situação, que sem sombras de dúvidas implica num cerceio de defesa". PRELIMINAR Com respeito a este tópico, o Recorrente defende que a notificação objeto do presente lançamento fiscal é nula de pleno direito, por desatender o comando do art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Aduz que "ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por vicio formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso" e que "Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72. AS ALTERAÇÕES NA LEGISLAÇÃO DO FCONT Sobre este tópico o Recorrente registra que "O FCONT, de acordo com as exigências iniciais das IN(s) n°s 967/2009 e 970/2009, tinha como previsão a sua apresentação apenas quando houvesse a situação de a empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação Fl. 89DF CARF MF 6 tributária em vigor no dia 31.12.2007, conforme era a exigência do RTT Regime Tributário de Transição criado pela Lei n° 11.941/2009, em seus arts.15 e 16, para adaptar a legislação fiscal à legislação comercial criada pela Lei n° 11.638/2007" . Diz que "A exigência do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB n° 1139, de 28.03.2011" e que "Nesse sentido dispunha a IN n° 949/2009: Art. 8°(...) § 4o No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o, fica dispensada a elaboração do FCONT.' (grifamos)" Afirma que "A IN n° 1.139, de 28.03.2011, alterou o preceito acima, impondo a obrigação para quaisquer situações, ao dispor: 'Art.8°(...) § 4° A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.139, de 28 de março de 2011). (grifamos)" Conclui afirmando que "a recorrente não tinha a obrigação de apresentar o FCONT. Essa obrigação somente foi criada pela IN n° 1.139, no ano de 2011." É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso, obedecendo a ordem temática comumente aceita pela técnica processual. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10166.727880/201278 Acórdão n.º 1002000.245 S1C0T2 Fl. 5 7 I.a Ausência de indicação da base legal no lançamento Preliminarmente, o Recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado, argumentando que a notificação fiscal deixou de indicar o preceito legal que serviu de base ao lançamento, afirmando que consta, ao revés, referência à Instrução Normativa RFB nº 967/09, que, no seu entendimento, não seria aplicável ao caso. Não assiste razão ao Recorrente. Um simples exame da notificação de lançamento de efls. 25 permite constatar que a base legal da autuação foi naquela devidamente consignada, conforme comprova o excerto abaixo (destaque nosso): No que toca à alegação do Recorrente da inaplicabilidade da Instrução Normativa RFB nº 967/09 ao lançamento da multa em questão, cabe registrar que a notificação de lançamento é lastreada no artigo 2º da referida IN, que estabelece os prazos e condições gerais para entrega do FCONT pelos contribuintes. Confirase: Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1272, de 04 de junho de 2012) Fl. 91DF CARF MF 8 (...) Como se observa, resta claro que não fica configurado o alegado cerceamento do direito de defesa do Recorrente, eis que a base legal indicada na notificação de lançamento da multa guerreada demonstra, de forma clara e congruente, os fundamentos jurídicos da autuação, de modo que se pode concluir que o Recorrente tinha perfeito conhecimento da infração tributária que lhe foi imputada, tanto assim que apresentou sua defesa. De outro modo, registro que essa temática foi adequada e fundamentalmente enfrentada no acórdão de impugnação da DRJ/BSB, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: "Preliminarmente não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/19972, foram observados na ocasião da lavratura do auto de infração, verbis: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Além disso, o art. 59 do referido decreto, que regula o Processo Administrativo Fiscal, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, in verbis: 'Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.' Registrase que a preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura da notificação de lançamento, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada, como no caso. E mais, o impugnante articulou perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.727880/201278 Acórdão n.º 1002000.245 S1C0T2 Fl. 6 9 No presente caso, não foi negado ao contribuinte o direito de discordar com a autuação. De fato, com a apresentação da impugnação ao lançamento, conhecida e ora analisada, foi dado ao requerente a oportunidade de defenderse e mais, foilhe também garantido o direito de ter suas razões analisadas pelo órgão revisor. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), rejeitamse a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. A percuciente análise da DRJ/BSB sobre a temática ora em debate atesta claramente a higidez do lançamento da multa guerreada e não merece qualquer reparo. Ante o exposto rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa suscitada. I.b Ausência de enfrentamento de matérias constantes da impugnação: Princípio da Infração Continuada Como segunda preliminar o Recorrente afirma que o acórdão exarado pela DRJ/BSB omitiuse na análise da questão argüida sobre a ilegalidade na forma de aplicação da penalidade por ausência de consideração do Princípio da Infração Continuada. Para enfrentar a controvérsia, trago a baila os dispositivos legais e normativos que consubstanciaram a presente autuação: Lei n. 9.779/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória n. 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações Fl. 93DF CARF MF 10 financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF n. 967/2009 Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1272, de 04 de junho de 2012) Observase que o art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário e que o § 4º da Instrução Normativa/SRF n. 967/2009, com redação dada pela IN RFB n° 1.272/2012, fixou como data de vencimento da obrigação de entrega do FCONT o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se referir a escrituração. Tendo em conta a literalidade dos dispositivos citados e o fato de que o contribuinte entregou o FCONT em 13/08/2012 (efls. 24) não resta dúvida de que o atraso no cumprimento da obrigação tributária acessória perfez um total de 2 meses. Sendo assim, correta a autuação da multa no valor de R$ 10.000,00 constante da notificação de lançamento original de efls. 24, o qual foi devidamente reduzido para R$ 1.500,00 no acórdão de impugnação, ante a constatação de ocorrência do princípio da retroatividade benigna insculpido no artigo 106 do CTN. Não prospera, portanto, o argumento levantado pelo Recorrente respeitante à redução da multa por infração continuada, mesmo porque este conceito, originário do direito penal, só tem aplicação no direito tributário quando existente previsão legal nesse sentido, o que não é o caso da presente autuação. A este respeito, constato que esse tema foi apreciado no acórdão exarado pela DRJ/BSB, porém, de modo indireto, talvez pelo fato de o alegado Princípio não ter aplicação no direito tributário e, por isso, ser desinfluente à solução da lide por não ter força jurídica para desconstituir obrigação tributária ex lege ou obstar o exercício da atividade de lançamento do agente fiscal também vinculada à lei, consoante o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN1. 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.727880/201278 Acórdão n.º 1002000.245 S1C0T2 Fl. 7 11 Corrobora com essa assertiva, os seguintes trechos extraídos do acórdão de impugnação: Com relação à lide instaurada com a petição apresentada pela interessada, inicialmente devese ponderar que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, por dever de ofício, o Fisco e os colegiados dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância são obrigados a seguir fielmente a legislação, regulamentos e entendimentos emanado pelos órgãos competentes e pela administração tributária, não lhes sendo dada a discricionariedade para modificar o lançamento, abrandando ou cancelando a penalidade, se tal procedimento não estiver claramente previsto na legislação ou for determinado pelo agente público com poderes e competência para tal, o que não é o caso. Cabe esclarecer que a entrega da Declaração fora do prazo fixado pela norma tributária é considerada como sendo o descumprimento de uma obrigação acessória por parte da empresa. Como regra, é conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos do fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela Administração Pública pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Ademais, de acordo com o artigo 489 da lei nº 13.105/2015 (CPC), o julgador não precisa pronunciarse de forma exauriente sobre todos os pontos elencados na peça de defesa, bastando enfrentar apenas os fundamentos de fato e de direito que, no seu entendimento, sejam necessários e influentes à solução da lide: Art. 489. (...) I (...) (...) § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I (...) (...) Fl. 95DF CARF MF 12 IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (grifos nossos) (...) De arremate, no que toca à violação do Princípio da legalidade argüida pelo Recorrente, reforço que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade de leis tributárias, havendo, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluo, portanto, que a alegação do Recorrente de falta de apreciação no acórdão recorrido do princípio da infração continuada no lançamento tributário não procede, eis que, como se observou, essa matéria foi analisada de forma escorreita e coerente com o ordenamento jurídico vigente, razão pela qual rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa do Recorrente relacionada a este tema. II MÉRITO Com relação ao mérito, o Recorrente postula a nulidade do lançamento por aplicação retroativa da norma tributária, fundandose no fato de que a notificação fiscal considerou o anocalendário de 2011 como períodobase da autuação, porque, no seu entendimento, a obrigatoriedade de entrega do FCONT aplicarseia somente a fatos geradores a partir de 2012, com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.139/2011, que alterou o artigo 8º da IN RFB n° 949/2009. Vejamos a redação deste dispositivo, antes e depois da alteração: Parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009 Redação original Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.727880/201278 Acórdão n.º 1002000.245 S1C0T2 Fl. 8 13 § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. (grifos nossos) Parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009 Redação dada pela IN RFB nº 1.139/2011 Art. 8º (...) § 1º (...) (...) § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos acima e a teor do que dispõe o inciso I do artigo 103 do CTN2, combinado com o inciso I do artigo 100 do mesmo código3, depreendese que, a partir de 29/03/2011, data da publicação da IN RFB nº 1.139/2011 de 2011 no DOU, a elaboração do FCONT tornouse obrigatória mesmo aos contribuintes que não tinham lançamento com base em métodos e critérios diferentes dos prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. Tendo em conta que a IN RFB nº 1.139/2011 entrou em vigor em 29/03/2011 e que o prazo para entrega da FCONT que gerou o lançamento da multa questionada expirou em 30/06/2012 (efls. 24), por óbvio, podese afirmar que o Recorrente estava obrigado ao cumprimento dessa obrigação tributária acessória ainda que não fossem necessários os ajustes de que trata o parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009. Esse entendimento decorre da inteligência do princípio tempus regit actum, pelo que compreendese que a validade da norma alteradora alcança também o períodobase objeto da autuação com vencimento em 30/06/2012 por ter sido publicada antes desta data. 2 Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; II as decisões a que se refere o inciso II do artigo 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (trinta) dias após a data da sua publicação; III os convênios a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista. 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 97DF CARF MF 14 Ainda que assim não fosse, isto é, admitindose a possibilidade de o Recorrente infirmar o lançamento por entender que estava desobrigado da entrega do FCONT no exercício de 2011 por força da redação original do parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009 o que não é o caso, repitase caberia a ele provar que não existiu na sua escrituração contábil/fiscal qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, juntando aos autos os documentos comprobatórios pertinentes, tais como: Balanço patrimonial acompanhado da Demonstração do Resultado do Exercício DRE, cópia da DIPJ ou declaração de escrituração contábil digital SPED/ECD do períodobase da autuação, donde se pudesse inferir, de forma inequívoca, a desnecessidade de elaboração do FCONT de acordo com a legislação retromencionada. Incabível, portanto, falarse em vigência da norma tributária apenas para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2012, argüida pelo Recorrente. CONCLUSÃO Ante todo o exposto e ausentes motivos de fato e de direito que justifiquem a dispensa de elaboração do FCONT do períodobase da autuação, considero hígido o lançamento da multa guerreada, razão pela qual, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.000187/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SUMULA CARF Nº 103.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO PROMOVIDA PELA AUTORIDADE AUTUANTE.
O procedimento de compensação de tributos, por iniciativa do próprio contribuinte ou de ofício, segue regras específicas, não sendo possível que o autor do procedimento fiscal, ao mesmo tempo, apure infrações à legislação e reconheça indébitos tributários, promovendo compensações entre créditos tributários passíveis de lançamento com supostos créditos identificados no curso da ação fiscal.
DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarado inconstitucional o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, deve-se afastar a contribuição previdenciária que incidiu sobre as os pagamentos efetuados às Cooperativas de trabalho.
JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, também por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar a afastar a tributação previdenciária incidente sobre serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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CONHECIMENTO. SUMULA CARF Nº 103. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO PROMOVIDA PELA AUTORIDADE AUTUANTE. O procedimento de compensação de tributos, por iniciativa do próprio contribuinte ou de ofício, segue regras específicas, não sendo possível que o autor do procedimento fiscal, ao mesmo tempo, apure infrações à legislação e reconheça indébitos tributários, promovendo compensações entre créditos tributários passíveis de lançamento com supostos créditos identificados no curso da ação fiscal. DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarado inconstitucional o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, devese afastar a contribuição previdenciária que incidiu sobre as os pagamentos efetuados às Cooperativas de trabalho. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 87 /2 00 7- 61 Fl. 2457DF CARF MF 2 Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, também por unanimidade de votos, em conhecêlo e, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a afastar a tributação previdenciária incidente sobre serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário e de Ofício em face do Acórdão nº 1620.211 11ª Turma da DRJ/SPOI, fl. 2325 a 2351, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.017.7363, que de acordo com Relatório Fiscal, de fls. 85/93, referese a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes parte da empresa incidentes sobre a remuneração de empregados, dos contribuintes individuais e sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, além das destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros, abrangendo o período de 01/1999 a 01/2006, para matriz e filiais de CNPJ 96.534.094/000239, 96.534.094/000581, 96.534.094/000662 e 96.534.094/000743, conforme DAD Discriminativo Analítico de Débito, no montante de R$ 2.390.567,70 ( dois milhões, trezentos e noventa mil, quinhentos e sessenta e sete reais e setenta centavos), consolidado em 31/08/2006. Ainda de acordo com o relatório fiscal: A empresa elaborou e entregou a GFIP para o período fiscalizado. Os lançamentos referemse a diferenças entre: Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.456 3 A soma das contribuições sobre a folha de pagamentos de empregados, remunerações pagas a contribuintes individuais pela prestação de serviços e notas fiscais pela prestação de serviços por cooperativas de trabalho; e sendo deduzidos os créditos da empresa, composto por: Total de recolhimentos. Não foram consideradas as guias de recolhimentos com código de pagamento 2631 (Contribuição retida sobre a NF/Fatura da empresa prestadora de serviço com cessão de mãodeobra) e 2909 (Ação Trabalhista). Foram consideradas as Retenções de 11% destacadas em notas fiscais relativas a prestação de serviços com cessão de mãodeobra; Deduções, ou seja, SalárioFamília e SalárioMatemidade. No caso do SalárioMatemidade foram considerados somente os pagamentos iniciados até a competência 11/1999 e os requeridos a partir de 01/09/2003 e; Compensações de recolhimentos efetuados a maior em competências anteriores. Tratase de contribuições suplementares, visto que a empresa efetuou recolhimentos parciais em todas as competências contidas nesta NFLD conforme demonstrado nos anexos 01 a 12 desta notificação. Os elementos que serviram de base para a Apuração do Crédito foram: · Folhas de Pagamentos: para a apuração do saláriode contribuição dos segurados empregados; apuração do valor dedutível do total devido; · Livro Diário: para a apuração do saláriode contribuição de contribuintes individuais; apuração da base de cálculo para determinação da contribuição sobre notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho; apuração do valor relativo à retenção de 11% sobre notas fiscais de serviços prestados com cessão de mãodeobra; e · Sistema de Auditoria Fiscal da SRP (SAFIS), módulo de Contas Correntes: para extração das guias de recolhimentos com o CNPJ da empresa. Não foi formalizado o Termo de Arrolamento de Bens, visto que o total dos créditos lançados é inferior a trinta por cento do patrimônio informado no ultimo balanço da empresa. Além dos dispositivos legais citados no corpo do Relatório Fiscal, fundamentase também o presente débito na legislação constante do Anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD. DA IMPUGNAÇÃO A empresa em 15/09/2006, tempestivamente, interpôs a defesa de fls. 157/187, acompanhada de documentação correlata a esta Fl. 2459DF CARF MF 4 NFLD, tais como, alguns de seus anexos, defesa de Als, Relação de Trabalhadores constantes do Arquivo SEFIP, Procuração e documentos societários, às fls. 188/2088, alegando em síntese, após breve relato dos fatos: Que a presente NFLD deve ser anulada pois não foi lançada de acordo com o disposto no art. 37 da lei 8212/91, ou seja, deve conter a descrição clara e precisa dos fatos geradores e dos períodos a que se referem. Da mesma forma, destaca o disposto no art. 661, da IN n°3/2005, que dispõe a respeito da necessidade da exposição clara e precisa dos fatos geradores. Ressalta que além das deduções apuradas e efetuadas, a fiscalização reconheceu que a Notificada possui outros créditos previdenciários no valor de R$ 2.464.273,99 (originário), conforme consta na coluna “EXCEDENTE” do anexo I da NFLD (doc. 1), todavia, sem embasamento legal, a fiscalização desconsiderou o crédito previdenciário líquido e certo de R$ 2.464.273,99 para apuração da contribuição previdenciária devida pela Notificada. Acresce ainda que, apesar de disponibilizar a documentação solicitada através do TIAD, as diferenças apuradas da contribuição previdenciária, entre o valor indicado na folha de pagamento e o valor discriminado em GFIP, não espelham a realidade dos fatos, exemplificando ( fls. 160/161). Discorre sobre as irregularidades existentes no lançamento em relação aos Termos de Rescisão Complementar do Contrato de Trabalho. Licença Matemidade e também em relação a Ausência de inconsistência no recolhimento da contribuição previdenciária. o que se comprova pela correta análise da folha de pagamento e GFIP. Ressalta que incumbe à Administração Pública, no caso a SRP, rever e anular seus próprios atos, visando atingir a eficiência da atividade Administrativa. Diante do exposto, tendo em vista a flagrante afronta ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, deve ser declarada a nulidade desta NFLD. Acresce ainda, que a decadência das contribuições previdenciárias estão sujeitas ao que determina o artigo 173 do CTN, ou seja, a constituição dos créditos previdenciários extinguese em cinco anos. Em relação à decadência das contribuições destinadas a terceiros entidades transcreve os pareceres CJ/MPAS n°s. 828/99 e 1804/99 e também o 1829/99, que reconheceram o prazo qüinqüenal para sua decadência. Cita ainda 0 Parecer/CJ 1804, afirmando que estas devem ser canceladas em razão de sua decadência, nos períodos anteriores à competência de 08/2001. Passa a discorrer sobre os motivos determinantes do cancelamento da NFLD: Em relação ao instituto da Compensação afirma ter sido apurado pela fiscalização o crédito previdenciário da Notificada, no valor originário R$ 2.464.273,99, anexo I, sendo este pacifico de compensação com outras contribuições incidentes sobre a folha de salários e, deveria a fiscalização, de Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.457 5 ofício, realizar a compensação entre débito e crédito, cobrando somente eventual diferença. Passa a discorrer sobre o assunto citando os artigos pertinentes do código civil, do CTN e por fim as leis ordinárias n°s. 8212/91, 9032/95 e 9129/95 que estabeleceram parâmetros de utilização do instituto da compensação no âmbito previdenciária. Ressalta que através da Lei 11.196, de 22/11/2005, foi incluído o §8° no art. 89 da Lei 8212/91 que expressamente tratou da compensação de débitos previdenciários com créditos líquidos e certos do contribuinte, como forma de extinção dos débitos previdenciários, previstos no art. 156 e 170 do CTN. Notese que, se a fiscalização apurou e reconheceu o crédito da Notificada no montante acima mencionado, este deveria ter sido subtraído do valor das contribuições previdenciárias apuradas na presente NFLD. Se a legislação autoriza a compensação entre o contribuinte e 0 INSS, a presente notificação deve ser julgada improcedente, por afronta aos artigos 156, inciso II e 170 do CTN e do artigo 89, §8°, da Lei 8212/91. Transcreve doutrina e julgados a respeito. Saliente que o direito do contribuinte à compensação tem fundamento na CF. Ressalta que nos termos da IN n°3, de 14/07/2005, é admitida a compensação entre débito e crédito previdenciário, mediante processo de restituição ou reembolso e que, a operação concomitante, procedimento no qual o sujeito passivo liquida créditos constituídos no âmbito da SRP, pode ser decretada de oflcio nos termos do inciso II do referido dispositivo legal. Acresce que a ação fiscal desenvolvida na empresa teve as mesmas etapas do processo de restituição e ou reembolso, não havendo qualquer prejuízo à Administração Previdenciária a realização da compensação entre crédito líquido e certo e débitos, é direito incontestável. Ressalta que além do direito à compensação, o presente lançamento é insubsistente, pois foi apurado de forma incorreta o valor da contribuição previdenciária supostamente devida devendo de imediato ser excluídos os valores lançados indevidamente. Considerando que esta NFLD foi lavrada sob falsas premissas, requer a realização de nova diligência para a adequada análise do caso, conforme dispõe o art. ll da Portaria 520/O4. Discorre sobre a ilegalidade dos juros calculados com base na SELIC, enfatizando que os juros de mora não podem exceder 0 percentual mensal de 1%, conforme §l° do art.161, do CTN. Transcreve julgado do STJ e requer a redução do percentual os juros exigidos nesta notificação para 1%. DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, conclui que a presente NFLD não pode subsistir pelas seguintes razões: (i) nulidade da NFLD devido ao cerceamento de defesa de vício formal e de constituição; (ii) Fl. 2461DF CARF MF 6 decadência das contribuições previdenciárias e de terceiros; (iii) aplicabilidade do instituto da compensação; (iv) cobrança indevida das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados ( coluna “A”, do anexo I da NFLD); e (v) ilegalidade da aplicação da taxa Selic. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente, juntada de novos documentos, bem como realização da perícia. Protesta ainda, pela juntada de procuração e documentos societários, no prazo de 10 dias. Requer ainda a realização de diligência. Por fim, se não forem acolhidas as alegações quanto ao vício formal do presente lançamento, requer que seja decretada de oficio o direito à compensação entre o débito apurado e o crédito reconhecido na presente NFLD. Diante do exposto, requer seja totalmente acolhida a presente impugnação, decretando a nulidade da presente NFLD, ou no mérito, seja declarada a sua insubsistência, com o conseqüente cancelamento ou compensação do débito. DAS DILIGÊNCIAS FISCAIS Considerando as alegações da Notificada, bem como a documentação anexa, os autos foram convertidos em diligência para que a fiscalização se manifestasse conclusivamente a respeito de tais argüições, conforme despacho de fls.2090/2096. Foi ressaltado, ainda, que em relação a compensação deveria ser observado o disposto no Art. 192 da IN SRP n° 03, DE 14 DE JULHO DE 2005, pois, tendo a empresa optado pela compensação, de acordo com os arts. 193 e 194 da IN 03/2005 deverão ser observadas várias condições, dentre elas, que os valores compensados sejam declarados em GFIP (conforme previsto no Manual da GFIP), devendo a mesma efetuar o devido registro contábil desses valores, pois havendo ainda, comprovadamente, crédito em favor da empresa o mesmo poderá ser objeto de pedido de restituição. Foi solicitado que da informação fiscal resultante fosse dada ciência a Impugnante e reaberto prazo para sua manifestação, se ela assim o desejasse. Como resultado da diligência a fiscal notificante elaborou a Informação Fiscal de fls. 2910/2928, retificando os valores do presente levantamento. justificando detalhadamente. item por item. a retificacão efetuada na planilha às fls. 2924/2927, juntando ainda, às fls.2929 a 2973, os anexos que fazem parte desta Informação. Porém, não foi reaberto prazo para manifestação da empresa. Em relação à compensação efetuada, às fls. 2920/2921, a fiscalização afirma que foram observados todos os critérios estabelecidos pelos arts. 193, 194 e 221 da IN SRP n° 03, DE 14 DE JULHO DE 2005, relacionando às fls. 2921/2923 as GFIPS enviadas informando os valores compensados. DA ABERTURA DE PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.458 7 Considerando o pronunciamento do fiscal notificante no sentido de retificar o presente levantamento e, que é direito do contribuinte manifestarse após a fase de instrução processual, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária DRP São Paulo Sul, para envio de cópia do resultado da diligência e do presente despacho ao contribuinte, com abertura de prazo de dez dias para sua manifestação, caso desejado. Conforme despacho EQREC. em 14/01/2008. de fls.2985, a empresa foi devidamente cientificada, porém. não se manifestou. Considerando que a diligência efetuada atendeu parcialmente ao requerido, os autos retomaram à fiscalização, conforme despacho de fls.2986/2991, para que se manifestasse com relação a legislação aplicável à compensação efetuada, alertando que “a lei aplicável, em matéria de compensação, é aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos”, no caso de pagamento indevido de contribuições previdenciárias. Foi alertado ainda que, se ficou constatado que a empresa efetuou a compensação de acordo com as normas vigentes à época, foi verificado se a mesma efetuou o devido registro contábil desses valores compensados, HAJA VISTA A OBRIGAÇÃO DA EMPRESA PREVISTA NO INCISO II DO ART. 32 DA LEI N° 8.212, de 24.07.91, de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Observese que só é possível verificar se a empresa efetivamente se compensou, bem como quais são os valores corretos de basedecálculo, por meio de análise contábil e, havendo ainda, comprovadamente, crédito em favor da empresa o mesmo poderá ser objeto de pedido de restituição. Havendo emissão de Relatório Fiscal Substitutivo, deverá ser dada ciência à Impugnante e reaberto prazo de 10 (dez) dias, para sua manifestação. Em resposta a fiscalização emite Informação Fiscal, de fls.2997/2998, esclarecendo os itens apontados, em síntese, nos seguintes termos: Que o presente caso não se refere a compensação de valores~ pagos indevidamente mas, sim de VALORES REFERENTES A RETENÇAO NA CESSAO DE MÃO DE OBRA, sendo que no caso da filial 000581, conforme determina o §6° da IN 03/2005, a compensação do valor retido deverá ser feita no documento de arrecadação do estabelecimento da empresa que sofreu a retenção, sendo vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outro estabelecimento, restando a empresa a possibilidade de solicitação restituição dos valores retidos conforme artigo 204 da citada IN. Fl. 2463DF CARF MF 8 Com relação ao registro contábil dos valores compensados foi solicitado à empresa, através do TIAF, de 11/06/2008, os razões contábeis das contas onde foram lançadas as compensações do INSS e a empresa nos apresentou através de CD os razões da Conta de INSS a Recolher, e analisando referidos razões. constatamos que a empresa jamais formalizou em sua contabilidade a compensação, tendo apenas, lançado os valores referente à correção da SELIC, apurados pela fiscalização em 05/2007, onde concluímos que o procedimento adotado pela fiscalização em 11/2006 e 05/2007 está incorreto, uma vez que a compensação é o procedimento de iniciativa da empresa e não da fiscalização, e que a empresa deve solicitar a restituição dos créditos a seu favor. e poderá também solicitar a OPERAÇÃO CONCOMITANTE. para deduzir de seus débitos os créditos que possui, conforme artigo 215 da IN 03 de 14/07/2005. Em razão das conclusões acima, foi emitido relatório substitutivo ao de fls.2924/2927 ( Anexo I), com as mesmas configurações. e com a exclusão da compensação, e mantivemos os valores referentes a parte relativa à contribuição de outras entidades. Emitidos também um relatório de apuração devida ao INSS. Valores Ajustados (Anexo II) onde constam os valores devidos, os já lançados na presente NFLD. e os valores a serem levantados em nova ação fiscal, nos mesmos moldes aos de folhas 2929 a 2937. Abstivemonos de analisar a eventual aplicação da Súmula Vinculante n° 8 do STF. Conforme despacho da DEFIS/SPO, de fls.3092, INTEMPESTIVAMENTE, a impugnante se manifesta a respeito da Informação Fiscal, alegando em síntese: Com a aplicabilidade da Súmula n° 08 do STF que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da lei 8212/91, impõe se reconhecer que todos os fatos geradores anteriores a agosto de 2001, constantes desta NFLD, foram atingidos pela decadência, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. Afirma que no caso de compensação deve ser aplicada a legislação vigente à data da propositura da ação, conforme julgados do STJ. Nesta linha a Requerente cumpriu os artigos 193, 194 e 221 da IN n° 3/2005. Faz uma análise do procedimento originalmente adotado pela fiscalização no relatório fiscal anexo à NFLD afirmando, que no caso concreto, nem todas as compensações realizadas pela fiscalização estavam relacionadas aos valores referentes à retenção na cessão de mãodeobra, o que afasta por si só a alegação do Sr.Auditor Fiscal, quanto a aplicação do §6°, do artigo 203, da IN 03/2005, que trata da proibição da realização de compensação entre estabelecimentos distintos. Acresce ainda, que apesar de a fiscalização afirmar que a compensação é o procedimento de iniciativa da empresa e não da fiscalização, todo .o procedimento adotado originalmente pela D.Fisca1ização teve anuência da Requerente, tanto que Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.459 9 após a lavratura desta Notificação a Requerente providenciou a retificação de suas GFIPs. Portanto, reitera o pedido para que seja acolhida a presente manifestação, a fim de que seja integralmente cancelada a presente NFLD. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, julgoua parcialmente procedente, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: Da nulidade da NFLD Não procede a nulidade suscitada pela Impugnante, de que a presente Notificação não foi lançada de acordo com o artigo 37 da lei 8212/91, (...) O Relatório Fiscal. o Relatório de Lançamentos e as Informações Fiscais, bem como os anexos que fazem parte do Relatório Fiscal e das Informações Fiscais, discriminam de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições lançadas com os respectivos períodos a que se referem, e o relatório de Fundamentos Legais do Débito, parte integrante da NFLD, contém todos os dispositivos legais infringidos pertinentes ao período do débito, não sendo cabível, portanto, a alegação da empresa de que houve afronta ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório,(...) Da decadência parcial do direito de lançar (...) No caso em análise. conforme consta do relatório fiscal e documentos anexos tratase de diferenças de contribuições lançadas. tendo a Notificada efetuado recolhimentos parciais em todas as competências que compõem o lançamento em questão. Assim sendo, a regra a ser aplicada é a estabelecida no artigo 150, parágrafo 4° do CTN: o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador. (...) Desta forma, merece ser acolhida a alegação da impugnante, de que teria se operado, no caso, a decadência parcial deste lançamento, relativa as competências de 01/1999 à 07/2001. Por via de conseqüência, resta prejudicada a análise das demais alegações apresentadas pela Impugnante, relativas a estas competências. Da compensação de créditos A notificada argumenta na peça impugnatória em análise, a existência de valores que deixaram de ser compensados, oriundos tanto de valores retidos, quanto de recolhimentos efetuados a maior. Nestes casos, em tese, o contribuinte tem direito creditório contra o Fisco. Para usufruir destes créditos tem duas alternativas: requerer a restituição ou realizar a compensação em competências supervenientes. Tanto a Fl. 2465DF CARF MF 10 compensação como a restituição são operações fiscais que dependem da iniciativa do contribuinte. São atos que dependem da exclusiva vontade dele. (...) Ressaltese que a legislação possibilita ao contribuinte a utilização da compensação, mas não à autoridade fiscal, tampouco à autoridade julgadora. Fica claro que a iniciativa deveria ser espontânea do contribuinte. A alegação de que o credito exigido de oficio já teria sido extinto por força de crédito existente anteriormente à lavratura da Notificação, exige, para sua aceitação, a prova do efetivo exercício de compensação,... ...Todavia. não resta configurado nos autos que o sujeito passivo tenha efetuado a compensação de forma espontânea. antes de iniciada a fiscalização. Dos juros Taxa Selic ... a instância administrativa não é fórum adequado a discussões sobre inconstitucionalidade / ilegalidade. Os acréscimos legais incidentes sobre o valor das contribuições devidas atendem às disposições as determinações da Lei vigente em cada competência, conforme comprova o anexo Fundamentos Legais do Débito, que apresenta detalhadamente os fundamentos legais por período e o método de cálculo. (...) ... as alegações da empresa relativas à inconstitucionalidade de' dispositivos normativos não são passíveis de apreciação por esta instância administrativa, sendo a declaração de inconstitucionalidade de lei prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Da retificação do lançamento Como resultado da 2ª diligência a fiscalização emite Informação Fiscal, de fls.2997/2998, esclarecendo que: Com relação ao registro contábil dos valores compensados foi solicitado à empresa, através do TIAF, de 11/06/2008, fls. 2994/2995, os razões contábeis das contas onde foram lançadas as compensações do INSS e a empresa nos apresentou através de CD os razões da Conta de INSS a Recolher, e analisando referidos razões, constatamos que a empresa jamais formalizou em sua contabilidade a compensação, tendo apenas, lançado os valores referente a correção da SELIC, apurados pela fiscalização em O5/2007, onde concluímos que o procedimento adotado pela fiscalização em 11/2006 e 05/2007 está incorreto. uma vez que a compensação é o procedimento de iniciativa da empresa e não'da fiscalização. (...) Com base neste relatório, fls. 2.999/3.001, foi efetuada a retificação nesta NFLD, a partir da competência 08/2001, pois as competências de 01/1999 a 07/2001 foram excluídas deste lançamento por estarem abrangidas pela decadência. Todos os acertos possíveis já foram apropriadamente procedidos, devendo ficar mantido o lançamento naquilo que não foi retificado. (...) Portanto, está sendo encaminhada Representação Fiscal à DEFIS/DIPAC/SAPAF, visando a emissão de novo lançamento, Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.460 11 se possível, contendo os valores constantes da Informação Fiscal ( Anexo II) , planilha de fls .3.002 a 3012, que foram alterados para maior, pois não é possível efetuar tal retificação, nesta NFLD. (...) No mérito, VOTO PELA PROCEDÊNCIA EM PARTE DO LANÇAMENTO, na forma da composição de valores constante no Discriminativo Analítico de Débito Retificado (DADR), consolidado na mesma data do lançamento originário. CRÉDITO LANÇADO CRÉDITO EXONERADO CRÉDITO MANTIDO R$ 2.390.567,70 R$ 1.796.474,04 R$ 594.093,66 Contra a Decisão acima, foi interposto Recurso de Ofício, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto nº 70.235/72, art. 34, I, c/c artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 07/01/2008. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância administrativa, tempestivamente, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 2357 a 2377, no qual reitera parte dos argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão melhor detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por preencher as condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Quanto ao conhecimento do recurso de ofício, passase a sua análise. RECURSO DE OFÍCIO Conforme descrito no Relatório supra, o provimento parcial da impugnação, resultou em uma desoneração de crédito tributário no montante de R$ 1.796.474,04, da qual a Turma de Julgamento recorreu de ofício, nos termos da Portaria MF nº 3/2008. A desoneração em comento está estritamente ligada ao reconhecimento de que os débitos lançados para os períodos de apuração de 01/1999 a 07/2001 foram fulminados pela decadência e à convicção do Julgador de 1ª Instância de que o agravamento da exigência decorrente de constatações posteriores, só pode ser levada a termo em sede de lançamento complementar. A Súmula CARF nº 103 prevê que, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, assim dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total Fl. 2467DF CARF MF 12 superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Assim, ainda que entenda que não há retoques nas conclusões do Acórdão recorrido quanto à ocorrência de decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário ou quanto à impossibilidade de agravamento da exigência no curso do contencioso administrativo, deixo de conhecer a matéria em razão dos novos limites impostos para interposição de Recursos de Ofício pelas DRJ, conforme expresso na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Do Recurso Voluntário Nulidade da NFLD De início, o Recorrente faz uma breve síntese dos motivos que levaram à emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora sob discussão, destacando procedimentos e conclusões do Agente Fiscal, em particular no que refere a compensações efetuadas de ofício no curso do procedimento, bem assim sobre a constatação da existência de direito creditório na ordem de R$ 2.464.273,99. Alega, ainda documentos apresentados na impugnação não foram considerados no julgamento de 1ª instância ou pelos responsáveis pelas diligências efetuadas no curso do processo. Assim, afirma que é flagrante a nulidade do lançamento, seja por ausência da devida e correta fundamentação legal ou pelo fato de não terem sido admitidas informações e documentos apresentados pela recorrente. Resumidas as razões recursais, é inconteste que o relato produzido no início deste tema não seria possível se as informações produzidas no lançamento fiscal não fossem capazes de esclarecer o autuado dos motivos do lançamento. Eventuais erros cometidos pelo autor do procedimento fiscal em relação a itens específicos não geram nulidade do lançamento, já que o recorrente pode, no curso do contencioso fiscal, contestar a imputação fiscal apresentando elementos comprobatórios de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco, o que, ressaltese, foi feito. Nem mesmo a falta de análise de argumentos expressos na impugnação, caso ocorresse, teria o condão de tornar nulo o lançamento fiscal, quando muito a decisão do julgador de 1ª Instância, por ter se omitido na análise das alegações e provas produzidas pela defesa. Contudo, não identifico tal mácula na Decisão recorrida, já que os casos citados pelo Recorrente no item 14, fl. 2361, referemse a período alcançado pela decadência, os quais foram, propositadamente, desconsideradas pela DRJ, exatamente pela exoneração dos créditos relativos aos períodos em questão. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade. Da decadência das Contribuições Previdenciárias. Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.461 13 Não há objeto que justifique maiores considerações sobre o presente tema, já que o contribuinte limitase a concordar com as conclusões da DRJ, as quais, ainda que tenham motivado Recurso de Ofício, não será alterada, em razão do não conhecimento expresso alhures. CANCELAMENTO INTEGRAL DA NFLD Do instituto da compensação. O contribuinte apresenta as razões que amparam seu descontentamento em ralação às conclusões da Delegacia de Julgamento acerca da compensação, que, nos termos da legislação, caberia tão só ao contribuinte, mas não à Autoridade Fiscal. Aduz que o instituto da compensação consiste basicamente em extinguir obrigações entre pessoas que, ao mesmo tempo, são credoras e devedoras umas das outras, sendo plenamente reconhecido tanto pelo Direito, pela jurisprudência e pela doutrina. Alega que, ao contrário do que foi afirmado pela DRJ, a compensação de ofício está prevista no art. 26 da Lei 11.457/2007, bem assim na Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006. Afirma que a compensação adotada pela Fiscalização no curso do procedimento fiscal teve expressa anuência da recorrente, que, após a lavratura da NFLD, providenciou a retificação de suas GFIP. De início, há que se destacar que, em relação à legislação citada pela defesa, a Lei 11.457/2007 não empresta seus efeitos ao lançamento em tela, já que é posterior à data da ciência do lançamento (31/08/2006), o qual, nos termos do art. 144 da Lei 5.172/66 (CTN), reportase à data da ocorrência do fato gerador, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Já em relação à Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006, a leitura mais atenta de seu teor é necessária para constatarmos que a compensação de ofício por ela regulamentada não é exatamente aquela que a Autoridade Fiscal pretendeu promover no lançamento em discussão. Vejamos pois o que diz o seu art. 2º: Art. 2o A SRF, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de crédito do sujeito passivo pessoa jurídica, deverá verificar a existência de débitos em seu nome no âmbito da SRF e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 1o Existindo débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição ou do ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. § 2o A compensação de ofício será precedida de notificação ao sujeito passivo para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3o Havendo concordância do sujeito passivo, expressa ou tácita, a SRF efetuará a compensação. Fl. 2469DF CARF MF 14 § 4o O valor da multa, juros e atualização monetária, quando for o caso, correspondentes ao débito, deverão ser calculados até o mês em que for efetuada a compensação de ofício. § 5o Existindo simultaneamente dois ou mais débitos a serem compensados, a SRF observará o que dispõe o art. 163 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 6o No caso de discordância do sujeito passivo, a SRF reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. Ou seja, o procedimento de compensação de ofício decorre de ato anterior que tenha reconhecido o direito a uma restituição ou a um reembolso. Sendo natural que, antes de pagar ao contribuinte um direito creditório reconhecido, o Fisco verifique se este mesmo contribuinte tem débitos pendentes, anda que parcelados ou inscritos em Dívida Ativa da União. A alegada concordância do contribuinte em relação à "compensação de ofício" levada a termo durante o procedimento fiscal não tem previsão legal, já que, como visto acima, esta é importante, expressa ou tacitamente, no momento a que se refere o citado art. 2º da Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006 Por outro lado, na época em que foi efetuado o lançamento fiscal, estava em vigor a Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14 de julho de 2005, que previa expressamente, em seu art. 192: Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. A faculdade acima busca privilegiar a vontade do contribuinte, que tinha a opção de requerer a restituição dos valores retidos ou pagos, indevidamente ou a maior que o devido. Mesmo que o contribuinte optasse pela restituição ou reembolso em espécie, caso em que, deferida, esta sim seria objeto de avaliação quanto ao cabimento da compensação de ofício de que trata a Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006, poderia, ainda, formalizar o pedido de compensação no procedimento então conhecido como Operação Concomitante, que, por sua vez, comportava compensação de ofício, mas apenas nos casos de restituição de valores recolhidos indevidamente à Previdência Social ou a outras entidades ou fundos, tudo nos termos do art. 215 da mesma IN 03/2005. Não obstante, haveria de ser observado o rito próprio definido no mesmo instrumento (IN MPS/SRP nº 03/2005), em particular em seu art. 216, que trata da competência para decidir sobre requerimento de reembolso e de restituição. Não poderia o Agente Fiscal, por sua conta e risco, reconhecer o direito creditório de determinado contribuinte e, de ofício, promover a compensação de tais indébitos tributários com valores apurados no curso da ação fiscal, seja por lhe faltar competência para decidir sobre o tema, seja por lhe faltarem instrumentos para garantir que os valores não tenham sido pleiteados e pagos administrativamente. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.462 15 Vale ressaltar que é inequívoco que foram tratados no Recurso Voluntário apenas a possibilidade de compensação de ofício, não tendo havido nenhum argumento de que tais compensações teriam sido promovidas espontaneamente antes de iniciado o procedimento fiscal. Portanto, entendo que agiu bem o Julgador de 1ª instância, que reconhecendo o erro do Agente Fiscal ao promover a apuração de débitos, compensando, dentro do procedimento fiscal, os valores por ele apurados com supostos créditos identificados, decidiu por cancelar a cobrança de todos os valores que registraram os efeitos de tal procedimento equivocado, cuja revisão posterior importaria agravamento da exigência no curso do contencioso administrativo, mantendose a exigência tão somente dos valores lançados que se mostravam originalmente hígidos. Assim, não há motivos que justifiquem a reforma da Decisão recorrida. Da exclusão dos valores lançados indevidamente Entende o recorrente que os Auditores Fiscais apuraram de forma incorreta o valor da contribuição previdenciária supostamente devida. Afirma que destacou em itens específicos de sua peça recursal situações em que acarretam impacto direto no valor do tributo devido, a saber: Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, Licença Maternidade e Ausência de inconsistência no recolhimento. Sobre tais argumentos, importante retornar aos termos da Impugnação, em que tais alegações foram dispostas originariamente e podem ser assim resumidas: (i) Termos de Rescisão Complementar do Contrato de Trabalho Em diversas competências do período de janeiro de 1999 a janeiro de 2006, a D. Fiscalização visa o recolhimento da contribuição previdenciária devida pelo segurado empregado. No entanto, essa cobrança está sendo efetuada em duplicidade. (ii) Licençamaternidade Em a Sra. Auditora Fiscal em diversas competências do período de janeiro de 1999 a setembro de 2003, exigiu . da Notificada o recolhimento da contribuição previdenciária devida pela segurada empregada gestante. Nesse aspecto, de acordo com o artigo 71 da Lei n° 9.876/99, a exigência fiscal é indevida, tendo em vista que o pagamento do saláriomaternidade das gestantes empregadas até a competência do mês de setembro era efetuado diretamente, pela Previdência Social. Logo, sobre esses pagamentos a Notificada não estava obrigada a reter e recolher os valores da contribuição previdenciária devida pela segurada gestante; e (iii)Ausência de inconsistência no recolhimento da contribuição previdenciária Em diversas competências do lançamento, a D. Fiscalização está exigindo da Notificada o recolhimento de contribuições previdenciárias que foram devidamente pagas, levando em consideração a remuneração dos segurados empregados que consta nas folhas de pagamento. Assim, é certo que a cobrança da diferença de recolhimento da contribuição Fl. 2471DF CARF MF 16 previdenciária é indevida e pode ser comprovada pela correta análise da folha de pagamento e da GFIP. Em relação às alegações contidas nos itens acima, não merecem prosperar, seja porque, em parte, são relativas a período exonerado, seja por se apresentam de forma genérica, pretendendo o recorrente que, em sede de contencioso administrativo, sejam revistos todos os documentos analisados pelo autor do procedimento fiscal (Folha de pagamento e GFIP), quando, ciente das supostas incorreções, deveria apontálas detalhadamente, já que, nos termos do art. 373 da Lei 13.105/2015 (CPC), o ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, previsão esta que já estava presente no Código de Processo Civil anterior (art. 333, Lei 5.869/73). Quanto as alegações, também genéricas de que há exigência de contribuição previdenciárias que teriam sido devidamente pagas, conforme expresso no relatório, no lançamento, a Autoridade Fiscal apurou o montante suplementar do tributo devido, considerando os pagamentos efetuados, fato que se pode verificar nos anexos do Relatório Fiscal, não tendo sido apontado pelo recorrente erros em tais valores ou mesmo recolhimentos que superam, por competência, os valores já considerados pela fiscalização, valendo lembrar que a guia de recolhimento das contribuições previdenciárias não identifica o fato gerador a que se destina, mas apenas o período de apuração, o que pode gerar alguma dúvida do contribuinte que, eventualmente, esteja diante da cobrança de uma ocorrência que entendia recolhida, ao passo que o valor pago foi apropriado a outra pendência do mesmo período. Não obstante, em se tratando de alegação de incidência indevida de contribuições previdenciárias, há de se reconhecer que o Relatório Fiscal, em seu item 2, fl. 89, descreve, como origem da contribuição lançada, o valor das notas fiscais de prestação de serviços emitidas por cooperativas de trabalho, cujos cálculos compõe o Anexo 8 do citado Relatório. A incidência do tributo previdenciário sobre tais valores sempre causou algum inconformismo, em razão de uma suposta inconstitucionalidade da Lei 8.212/91, em particular nas alterações promovidas pela Lei 9.876/99, que incluiu o inciso IV ao art. 22, o qual teria inserido nova base de cálculo para a contribuição social (valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida por cooperativas), estranha àquelas previstas no art. 195 da CF/88. Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CF/88 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: : Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.463 17 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; O comando legal acima estaria prevendo contribuição previdenciária não sobre as remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas sobre a relação contratual estabelecida entre a Cooperativa e a pessoa jurídica tomadora do serviço, no que estaria extrapolando a base constitucional do tributo. O Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE 595.838/SP, tema com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional a contribuição social em análise, conforme se vê: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, nã o se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimento do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperati va, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Fl. 2473DF CARF MF 18 Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Grifouse. Portanto, considerando que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62, § 1 , II, “b” do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF343/2015, impõese afastar a tributação previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. Assim, dou provimento parcial ao voluntário neste tema. Acréscimos moratórios Alega o contribuinte que a Jurisprudência vem reconhecendo a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, razão pela qual pugna pela correção do seu indébito não excedem a 1§, nos termos do art. 161, §1º do CTN. Vejamos o que diz a legislação sobre o tema o citado: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Assim, temos que a taxa 1% ao mês é cabível quando a lei não dispuser de modo diverso. Contudo, assim dispõe a Lei 9.430/96: Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 18186.000187/200761 Acórdão n.º 2201004.368 S2C2T1 Fl. 2.464 19 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Em relação à incidência dos juros de mora com base na Selic, a despeito do que já foi acima expresso, é tema que já foi objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitida Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujos conteúdos transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, não merecem acolhida os pleitos recursais. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por conhecêlo, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, dar lhe parcial provimento para afastar a tributação previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 2475DF CARF MF
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Numero do processo: 13308.000114/2002-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO-PRESUMIDO. RESSARCIMENTO - LIQUIDEZ E CERTEZA
O ressarcimento a que alude o art. 1º da Lei nº 9.363/96 vincula-se à prova das condições e requisitos para a fruição do benefício fiscal, ônus do contribuinte. Na ausência de provas que sua atestem sua liquidez e certeza, indefere-se o pedido.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-006.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITOPRESUMIDO. RESSARCIMENTO LIQUIDEZ E CERTEZA O ressarcimento a que alude o art. 1º da Lei nº 9.363/96 vinculase à prova das condições e requisitos para a fruição do benefício fiscal, ônus do contribuinte. Na ausência de provas que sua atestem sua liquidez e certeza, indeferese o pedido. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 14 /2 00 2- 17 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 9303006.742 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 481/499), processado pelo Despacho de fls. 502/505, contra o Acórdão nº 3802001.369 (fls. 450/464), prolatado em 23/10/2012, que deu provimento parcial ao recurso voluntário seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CRITÉRIO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. INEXISTÊNCIA DE SISTEMA DE CUSTO COORDENADO E INTEGRADO COM ESCRITURAÇÃO. CRITÉRIO ALGÉBRICO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO PEPS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. Na ausência de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será (i) apurada pelo critério algébrico, somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências, e (ii) avaliada pelo método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que segue a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DOCUMENTAÇÃO ADEQUADA. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI E NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. O livro Registro de Apuração do IPI e as notas fiscais de aquisição dos insumos são considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ESCRITURAL. INDEFERIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DA CIÊNCIA DO ATO DE INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 9303006.742 CSRFT3 Fl. 4 3 Em síntese, pugna a Fazenda pela reforma do Acórdão recorrido porque, tratandose de crédito presumido a que alude a Lei 9.363/96, é ônus da pessoa jurídica interessada provar que houve a concreta aplicação dos insumos no processo produtivo da interessada. Afirma que o que tem relevo na presente discussão, é saberse se restou demonstrado o efetivo emprego, no processo produtivo da recorrente ou de terceiro por sua conta e ordem, das MP, PI e ME cujo crédito presumido de IPI derivado invoca, sendo que somente quando cabalmente comprovado tal emprego (porque referidos insumos poderiam, v.g., sofrer destinação diversa, não autorizadora do aproveitamento de créditos presumidos) é que se poderia avançar à etapa seguinte, de cálculo do valor a ser ressarcido. E conclui: "não havendo sido carreada aos autos prova em contrário, resta a conclusão de que o interessado deixou de manter efetivo controle de entrada e saída de mercadorias, bem como não manteve escrituração, fiscal e contábil, controle de estoque e emissão de notas fiscais revestidas de adequado grau de coerência e confiabilidade, indispensáveis à apuração de eventual crédito presumido de IPI", pelo que "fica patente que o entendimento esposado pelo v. acórdão recorrido, além de contrariar a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, vai de encontro à própria legislação de regência do crédito presumido do IPI". Pede, alfim, provimento ao recurso para reformar o acórdão recorrido e, consequentemente, indeferir no todo o pleito do contribuinte. O contribuinte, em suas contrarrazões (fls. 522/524), em suma, pugna pela manutenção do aresto recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos do despacho de admissibilidade. Sem dúvida que o crédito presumido de IPI tem natureza de benefício fiscal, pelo que a incidência de sua norma, a Lei 9.363/96, deve ser interpretada restritivamente. O pedido de ressarcimento foi negado, fundamentalmente, porque a empresa não comprovou a utilização das mercadorias em seu processo produtivo com documentação hábil. Vejase o que averbou o Fisco no TVF (fls. 94/122): a) “o estabelecimento produz calçados, sendo que todo o processo de industrialização é feito sob encomenda, somando 19 o número de estabelecimentos industrializadores” (fl. 91), de acordo com informação prestada pela interessada. b) Em demonstrativo intitulado “Vendas Referentes Remessas p/ Depósito”, apresentado pela requerente, encontramse listadas, por exemplo, saídas de produtos (Remessa para depósito em estabelecimento de terceiros – CFOP 5.99) ocorridas em 5/5/1999, sendo que tais produtos somente teriam sido devolvidos ao estabelecimento (nele reingressado), por meio de notas fiscais de entrada do próprio contribuinte (NF de Remessa Fl. 536DF CARF MF Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 9303006.742 CSRFT3 Fl. 5 4 nº 6744 e NF de Entrada nº 20000), em 19/12/2001, portanto, mais de dois anos e sete meses após a saída declarada (fl. 92). c) “O Interessado, ainda, dá saída a mercadorias como ‘remessa de amostra’ ou ‘remessa para teste de amostra’, classificadas nos CFOP 699 ou 799, que até a data da informação prestada não haviam retornado, chegando a somar, estas saídas, no mês de junho/2000, R$ 309.151,76; até a data da informação prestada também não foram estornados os créditos respectivos, que possivelmente foram lançados na entrada destas mercadorias”. “Da mesma forma, o Interessado dá saída a mercadorias nos CFOP 5.12 e 6.12 –Venda de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros, sem o devido estorno de possíveis créditos lançados nas respectivas entradas” (fl. 93). d) “O interessado declara que todos os seus produtos são industrializados por terceiros e que ocorrem, até o desenvolvimento do produto final, várias etapas no processo de industrialização, realizada por vários estabelecimentos industrializadores, com várias entradas, portanto, deste produtos semiacabados em seu estabelecimento e, por outra, deixou de apresentar justamente as informações relativas a estas industrializações (...), necessárias e imprescindíveis ao devido esclarecimento da questão em pauta: os procedimentos do estabelecimento quanto à emissão e registro de documentos e livros fiscais, os necessários e suficientes ao cálculo dos créditos pleiteados...” (fl. 108). e) A própria contribuinte declara que “a partir de janeiro de 2002 deuse o início da implantação de um novo programa (...) ficando pronto agora em dezembro de 2003 a parte do controle da produção que vai alimentar o livro modelo 3 referente ao movimento dos produtos prontos e intermediários”, o que indicaria a inexistência de quaisquer controles quanto a MatériasPrimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de Embalagem (ME) utilizados diretamente no processo industrial. Aduz a fiscalização que, de fato, “o Interessado nada apresentou sobre quaisquer movimentações de matérias primas, material de embalagem etc”, ressaltando que “ainda que não dispusesse mesmo do que seria devido, o livro modelo 3 – Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou fichas substitutivas ou outro controle equivalente) (...) não apresentou quaisquer controles que sejam, algum controle que valha como tal sobre alguma parte do seu processo produtivo” (fl. 109, grifouse). ... Concluiu o Fisco ao cabo de seu relato: Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 9303006.742 CSRFT3 Fl. 6 5 No Despacho Decisório inicial (fl. 274/276), a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela sob a motivação de que o interessado, não mantendo qualquer Controle da Produção e Estoque, haveria inviabilizado a verificação dos valores a serem ressarcidos, em sua função de sua forma específica de produção, toda terceirizada. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 278/303), a peticionante não procurou apresentar a prova que não produziu no curso da fiscalização, restringindose a desqualificar o trabalho do agente fiscal, alegando que parte da documentação solicitada "só pode ter sido feita por alguém com algum distúrbio psíquico ou máfé". E justamente por ausência de provas acerca do benefício fiscal postulado, é que a DRJ em Belém (fls. 338/348) indeferiu a manifestação de inconformidade. Dispõe os artigos 1º e 2º da Lei 9.363/96: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. " (grifouse) Da leitura da norma instituidora do beneplácito fiscal, constatase que o cálculo do crédito presumido toma em conta o valor dos insumos utilizados no processo industrial daqueles bens destinados à exportação. Assim, o aproveitamento de eventual crédito presumido vinculase, por óbvio, à comprovação hábil de sua existência, devendose revestir dos atributos de liquidez e certeza. É ônus do produtorexportador manter escrituração e controles fáticos que demonstrem que os insumos (MP, PI e ME) foram, efetivamente, empregados em seu processo produtivo em um dado período (aí incluída, naturalmente, a produção efetivada por terceiros). De sua feita, a Portaria MF 38/1997, estabeleceu critérios para apuração do crédito presumido, destacandose no caso em tela, o art. 3º. Art. 3° O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 9303006.742 CSRFT3 Fl. 7 6 § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. ... § 7° No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. ... § 14. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração. Por sua vez, a IN SRF n° 21, de 1997, vigente à época dos fatos, dispunha que: "Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro 'Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". § 1º No caso de apuração centralizada, o estabelecimento matriz deverá manter arquivadas, além dos originais das notas fiscais das próprias aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, cópias das notas fiscais correspondentes às aquisições efetuadas pelos demais estabelecimentos, que permitam a verificação do crédito apurado. § 2° Na empresa que houver optado pela apuração centralizada, em que o estabelecimento matriz não seja contribuinte do IPI, as memórias de cálculo, correspondentes a cada período, deverão ser transcritas no livro Diário. Assim, o direito ao aproveitamento dos créditos vinculase à prova de que houve a concreta aplicação dos insumos no processo produtivo da interessada, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. Portanto, o importante é identificar se restou demonstrado o efetivo emprego no processo produtivo da empresa ou de terceiro por sua conta e Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 9303006.742 CSRFT3 Fl. 8 7 ordem, das MP, PI e ME. Somente quando cabalmente comprovado tal emprego, uma vez que referidos insumos poderiam, v.g., sofrer destinação diversa, o que desautoriza o aproveitamento de créditos presumidos, é que se poderia avançar à etapa seguinte, de cálculo do valor a ser ressarcido. Não resta dúvida que a empresa no período em análise não dispunha do livro de registro de estoque e tampouco fichas que propiciassem esse tipo de controle, nos termos do que determina a legislação de regência do IPI. E também indene de dúvida que em vez de produzir as provas solicitadas pelo Fisco, a empresa não o fez no curso do procedimento fiscal, em sua manifestação de inconformidade e em seu recurso a este Colegiado. E as inconsistências verificadas pelo trabalho fiscal foram várias, e não contestadas em específico, apenas procurando a empresa enxovalhar o trabalho fiscal com adjetivações pejorativas, mas sem contrapôlas com provas concretas. Na verificação fiscal foi constatado que houve saídas de produtos finais do estabelecimento que somente teriam nele reingressado após mais de dois anos e sete meses da saída declarada; que não haveriam sido apresentadas informações relativas a industrializações efetuadas por terceiros; que teria havido venda de mercadorias sem o posterior estorno dos créditos escriturados na entrada, bem como a remessa de insumos sem a devida especificação. Alem disso, a escrituração estava em desconformidade com o que dispõe a legislação de regência, dentre outros fatos, cujo conjunto tornaria impraticável a efetiva identificação dos insumos empregados no processo produtivo e, por conseguinte, qualquer aferição acerca de eventuais créditos de que seria detentora a requerente. Só por esses fato, a mim resta evidente a incerteza e a iliquidez do pedido. Assim, entendo que, efetivamente, a empresa, com processo produtivo fora dos padrões, porque todo terceirizado, não se desincumbiu de provar o alegado crédito, ônus seu. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, revigorando os termos do despacho da autoridade local. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 9303006.742 CSRFT3 Fl. 9 8 Fl. 541DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.724419/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não configura o cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraram-se plenamente assegurados.
DECADÊNCIA.
Dada a inocorrência do pagamento antecipado, aplica-se ao caso o prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do CTN.
RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL.
Em decorrência da não-cumulatividade do imposto que se opera pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49), a apuração do saldo (credor/devedor) do imposto, no caso do auto de infração em comento, é efetuada pela reconstituição da escrita fiscal.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA.
Inexiste vedação legal à inclusão de juros de mora no auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, sendo que, no desfecho da ação mandamental, as partes retornam ao status quo ante: sendo favorável ao sujeito passivo nada há a cobrar; sendo vitoriosa a União, caracteriza-se a mora ab initio.
Numero da decisão: 3301-004.464
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Não configura o cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraramse plenamente assegurados. DECADÊNCIA. Dada a inocorrência do pagamento antecipado, aplicase ao caso o prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do CTN. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. Em decorrência da nãocumulatividade do imposto que se opera pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49), a apuração do saldo (credor/devedor) do imposto, no caso do auto de infração em comento, é efetuada pela reconstituição da escrita fiscal. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. Inexiste vedação legal à inclusão de juros de mora no auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, sendo que, no desfecho da ação mandamental, as partes retornam ao status quo ante: sendo favorável ao sujeito passivo nada há a cobrar; sendo vitoriosa a União, caracterizase a mora ab initio. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 44 19 /2 01 1- 74 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.097 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 787/795), abaixo transcrito: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi verificada a falta de lançamento de imposto nas saídas de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do Auto de Infração. A ação fiscal teve por objetivo a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relata o Fisco que a Impugnante ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o reconhecimento da não incidência do IPI sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.098 3 Regularmente cientificada do auto de infração a empresa apresentou impugnação, na qual alegou em suma: § A DRF de Contagem não disponibilizou a memória de cálculo do lançamento § do crédito tributário, de modo que não teve acesso a informações imprescindíveis para sua defesa, quais seja, a alíquota aplicada, fato que provoca evidente cerceamento de defesa, o que por si só já geraria a nulidade da presente autuação. § Decadência das exações de abril de 2006 a novembro 2006, vez que a Impugnante foi cientificada da lavratura do auto apenas em 09/12/2011. § A DRF de Contagem imputou à Impugnante valores relativos a juros de mora no importe de RS 163.495,36 (cento e sessenta e três mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e trinta e seis centavos) e multas isoladas no importe de R$ 321.299,03 (trezentos e vinte e um mil, duzentos e noventa e nove reais e três centavos), prática esta vedada não só pela jurisprudência consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça, como pela própria Lei n° 9.430/96. § Também procedeu o Fisco à reconstituição da escrita fiscal do período autuado, determinando o estorno mediante lançamento no Livro Registro de Apuração de IPI, no período da ciência da lavratura do presente, no importe de R$ 17.253,98 (dezessete mil, duzentos e cinqüenta e três reais e noventa e oito centavos), sem qualquer embasamento legal ou mesmo fático. O correto seria lavrar o Auto de Infração calculandose o imposto sobre as notas fiscais emitidas pela empresa, pois, repitase, a Impugnante não destacou o IPI de suas notas por estar autorizada judicialmente para tanto e a autoridade administrativa poderia proceder a reconstituição da escrita fiscal apenas se a ação já estivesse transitada em julgada e a decisão final fosse contrária a pretensão do contribuinte. § Reconstituir a escrita fiscal da empresa neste momento não faz sentido algum, pois, se a Ação for definitivamente julgada procedente, o que certamente ocorrerá, tendo em vista que todas as decisões proferidas até o presente momento são favoráveis à pretensão da Impugnante, sendo irreversível a Escrita Fiscal aos padrões anteriores. Ao proceder a Reconstituição da Escrita Fiscal da Impugnante nesse momento, o Auditor Fiscal descumpriu ordem judicial § Ademais, é certo da Impugnante, durante o período fiscalizado, procedeu a compensações dos saldos credores apurados, nos termos da legislação federal, sendo imperioso que tais compensações sejam homologadas. § A Impugnante sempre deteve autorização judicial para proceder dessa forma, qual seja, não destacando o IPI sobre Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.099 4 os produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg. Por fim, alegou ser imperioso que a autuação seja cancelada para que novo Auto de Infração seja lavrado, considerando apenas os valores relativos ao IPI calculado sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela Impugnante, acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg e com a finalidade única de prevenir a decadência do possível crédito tributário. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.288 8ª Turma da DRJ/RPO (fls 787/795), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura o cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraramse plenamente assegurados. DECADÊNCIA. Dada a inocorrência do pagamento antecipado, aplicase ao caso o prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do CTN. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. Em decorrência da nãocumulatividade do imposto que se opera pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49), a apuração do saldo (credor/devedor) do imposto, no caso do auto de infração em comento, é efetuada pela reconstituição da escrita fiscal. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. Inexiste vedação legal à inclusão de juros de mora no auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, sendo que, no desfecho da ação mandamental, as partes retornam ao status quo ante: sendo favorável ao sujeito passivo nada há a cobrar; sendo vitoriosa a União, caracterizase a mora ab initio. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.100 5 Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 815/835, no qual se alegou, em síntese: · decadência dos períodos de abril a novembro de 2006; · não observância dos requisitos formais mínimos e consequente nulidade do Auto de Infração; · inaplicabilidade dos juros de mora; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · alega a recorrente que "a reconstituição da escrita fiscal não só se deu de forma ilegal e irregular, mas também descumpriu ordem judicial que, embora não transitada em julgado, está atualmente em vigor" (fl. 833). A Recorrente requer ao final do Recurso voluntário que seja declarada a decadência do período compreendido entre abril e novembro de 2006, com base no art. 150, § 4o, do CTN; reconhecida a nulidade do Auto de Infração; e, superadas as preliminares, seja dado total provimento do Recurso Voluntário frente à não incidência do IPI nas operações em pauta. Posteriormente, a Recorrente junta aos autos (fl. 906) a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente alegou cerceamento de defesa pelo fato de a DRF de Contagem não ter disponibilizado a memória de cálculo do lançamento do crédito tributário, que impediu o acesso a informações imprescindíveis para sua defesa, quais seja, a alíquota aplicada. Contudo, conforme concluiuse na decisão recorrida, da análise dos documentos juntados ao processo, especialmente do Termo de Verificação Fiscal (TVF), verificase que o cerceamento de defesa não ocorreu. Dessa forma, pelas mesmas razões da decisão recorrida, rejeitase a preliminar de nulidade. Alegou, a Recorrente, decadência das exações de abril a novembro 2006 porque fora cientificada do Auto de Infração em 09/12/2011. Nesse ponto também adoto os fundamentos da decisão recorrida, entendendo que o caso em análise não é de lançamento por homologação, mas de lançamento de ofício em respeito ao artigo 127 do RIPI/2002, mesmo porque a autuada recorreu ao Judiciário para afastar a exigibilidade do IPI incidente sobre as Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.101 6 vendas de alimentos para cães e gatos, acondicionados em unidades com mais de 10 kg, e apesar de não ter decisão definitiva, a empresa deixou de destacar e de escriturar o IPI destas saídas e de informar em DCTF ou DIPJ os valores do imposto devido, mesmo que com a rubrica “com suspensão de exigibilidade”, incorrendo desta forma em infração a legislação. Dessa forma, na mesma esteira da decisão recorrida, concluise que ao presente caso aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN e, consequentemente não se caracterizou a decadência alegada pela Recorrente. Em relação à reconstituição da escrita, entendeu o Fisco que os valores de IPI não destacados/escriturados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte de modo a apurarse quais seriam os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. A Recorrente, por sua vez, alegou que a reconstituição não tem previsão legal e fere a decisão judicial e que o correto seria lavrar o Auto de Infração calculandose o imposto sobre as notas fiscais emitidas pela empresa, pois, a Impugnante não destacou o IPI de suas notas por estar autorizada judicialmente. Na linha adotada pela Recorrente, serlheia inaplicável o art. 20 da IN RFB no 600/2005, e ela teria o direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Cabe colacionar também o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.102 7 § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.103 8 que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 13603.724419/201174 Acórdão n.º 3301004.464 S3C3T1 Fl. 1.104 9 Sobre a incidência dos juros de mora, conforme se observou na decisão recorrida, os juros de mora são devidos mesmo durante o período de suspensão da respectiva cobrança por decisão administrativa ou judicial, nos termos do art. 5º do Decretolei n.º 1.736, de 1979. Por fim, quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 1104DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.720121/2015-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 06/02/2014 a 19/02/2014
Ementa:
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad, votaram pela conclusões. Designado o Conselheiro Jorge Lima Abud para redigir as razões das conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 06/02/2014 a 19/02/2014 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad, votaram pela conclusões. Designado o Conselheiro Jorge Lima Abud para redigir as razões das conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 01 21 /2 01 5- 78 Fl. 7728DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.729 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria não localizada, ou que tiver sido consumida, ou revendida, por não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, bem como pelo uso de documento falso no despacho aduaneiro. As importação aqui tratadas foram registradas pela Multimex como importações por encomenda de CRAW COMERCIO DE EQUIPAMENTOS E SERVICOS DE MANUTENCAO, no período de 06/02/2014 a 19/02/2014 (efl. 65/66). A fiscalização iniciou o procedimento fiscal, efetuando vários termos de intimação e reintimação, cujo descumprimento parcial e reiterado ensejou a inclusão da recorrente no procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002. Da análise da escrituração, a fiscalização concluiu pela imprestabilidade da escrituração contábil, uma vez que havia omissão de registros contábeis, especialmente a inexistência de lançamentos relativos às movimentações bancárias. O lançamento foi efetuado em face da MULTIMEX S/A e de CRAW COMERCIO DE EQUIPAMENTOS E SERVICOS DE MANUTENCAO e, ao final, elaborada representação fiscal para fins penais. A MULTIMEX S/A apresentou impugnação, alegando, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal por vício no Mandado de Procedimento Fiscal e a não comprovação dos fatos indiciários da presunção de interposição fraudulenta de terceiros por não comprovação do origem, disponibilidade e transferência dos recursos. No mérito, alega a licitude das operações e sua capacidade financeira, a ausência de provas do fato presuntivo, a ofensa ao princípio da verdade material, a inexistência da falsidade ideológica e a inexistência da simulação de negócio jurídico, a ausência de demonstração do dolo específico de fraudar, a ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das infrações imputadas, ausência de dano ao erário em face do recolhimento dos tributos incidentes, a aplicação de penalidade equivocada em vista do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. A responsável solidária CRAW COMERCIO DE EQUIPAMENTOS E SERVICOS DE MANUTENCAO apresentou impugnação alegando que a fiscalização não provou o suposto interesse comum da solidária, nem que esta tenha concorrido ou se beneficiado com a conduta praticada pela MULTIMEX e que a solidariedade imposta à recorrente está calcada apenas no fato de ser encomendante prédeterminado. A Vigésima Terceira Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 16073.880, julgando procedente a impugnação de CRAW COMERCIO DE EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, e excluindoa do polo passivo, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 7729DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.730 3 Data do fato gerador: 12/02/2015 Dano ao erário por infração de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações. A incidência do artigo 33 da Lei 11.488/2007 é específica para a prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (SUJEITO PASSIVO OCULTO / REAL COMPRADOR) está identificado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a MULTIMEX interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações efetuadas em sua impugnação. Em 18/12/2017, mediante petição juntada às efls. 7693, a MULTIMEX pediu a distribuição por dependência com o processo 12466.722113/201485. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Inicialmente, analisase a petição de distribuição por dependência ao processo nº 12466.722113/201485. A recorrente alegou que este último processo seria o principal e o processo em julgamento seria reflexo daquele. O referido processo 12466.722113/201485 tratou, segundo a recorrente, do mesmo fundamento da autuação aqui realizada, ou seja, nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, porém, referindose a importações por conta própria, enquanto estes autos tratam de importações por encomenda. Não localizei a peça acusatória do alegado processo principal, mas admitindo tratarse do mesmo fundamento fático e jurídico, constatase que não se trata de processos principal e reflexo, mas de processos conexos que tratam de exigência de multa fundamentada em fatos idênticos, nos termos do artigo 6º do Anexo II do RICARF, abaixo reproduzido: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: Fl. 7730DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.731 4 §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Não há uma obrigatoriedade de se realizar a conexão, embora seja desejável para se evitar decisões conflitantes. Porém, a recorrente efetuou o pedido de conexão apenas em 18/12/2017, quando referidos processos já haviam sido pautados para julgamento na reunião de dezembro/2017 (DOU de 1º/12/2017, Seção 1, página 93/96) e com minutas elaboradas. Além disso, o processo alegado como principal estava na carga do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, o qual não mais compõe o quadro de conselheiros do CARF, o que resultou na devolução de todos os processos para nova distribuição, não havendo, pois, prevenção em relação a este relator. Portanto, afasto o pedido da recorrente. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Ocorre que a intimação do Auto de Infração fora realizada por via postal com aviso de recebimento, conforme efls. 760 e 822, no qual consta o recebimento de dois Avisos de Recebimento, em 12/03/2015 e 27/04/2015. Assim, a alegação é estranha a este processo. Continuando em preliminares, a recorrente pugna pela nulidade do procedimento de fiscalização por vício no Mandado de Procedimento Fiscal, na instauração do procedimento especial previsto no artigo 3º da IN SRF nº 228/2002. A recorrente alegou que a intimação fora realizado por auditor incompetente, por estar lotado supostamente em repartição distinta da do domicílio da recorrente. A respeito da alegação de incompetência em razão de lotação do auditor em unidade da RFB distinta da jurisdição da recorrente, o §2º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 dispõe: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) [...] Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova Fl. 7731DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.732 5 indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Assim, o fato de auditor pertencer a outra unidade da RFB que não a de jurisdição do contribuinte, não invalida as intimações realizadas nem a lavratura do auto de infração. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 27: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Quanto a supostas irregularidades na emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (ou no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF), salientase que o MPF (ou TDPF) é um instrumento administrativo, cujo descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; Fl. 7732DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.733 6 Neste sentido, citase Acórdão nº 9101001.798, proferido em 19/11/2013, pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, cuja ementa, parcialmente, transcrevese: NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Ainda em preliminar, a recorrente alegou que possui contabilidade regular tendoa apresentado em anexo ao recurso voluntário.. Aduziu, ainda, que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória e confundemse com o mérito. Neste, a recorrente continuou a arguir que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade, não verificando se haveria IPI incidente, ou qual o lucro auferido de forma irregular, que a fiscalização não buscou a prova dentre a documentação apresentada, seguindo apenas afirmando que a contabilidade era imprestável, elegendoa como único meio de prova a comprovar a capacidade financeira da recorrente. Ressaltase que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, em operações na modalidade por encomenda, pelo encomendante CRAW COMERCIO DE EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, tendo sido aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem sido localizadas, conforme §§2º e 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Antes de adentrarmos na análise do conjunto probatório, destacase que a legislação prevê três modalidades de importação: importação direta, importação por "conta e ordem" e importação por encomenda. Na importação direta, o destinatário da mercadoria é o próprio importador que a utilizará para consumo próprio ou para revenda, possuindo a característica de não haver um destinatário prédeterminado e atualmente normatizada pela IN SRF nº 680/2006. O excerto abaixo extraído do artigo publicado na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” 1 esclarece: “I.1. Importação por conta própria 1 Tributação Aduaneira: à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Ana Clarissa M. dos Santos Araújo...[et al.]; coordenação Marcelo Magalhães Peixoto,Ângela Sartori, Luiz Roberto Domingo. 1º ed. São Paulo; MP Editora, 2013. Artigo: "Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude a Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exetrior", página 53. Fl. 7733DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.734 7 A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a venda no mercado interno para diversos compradores” Quanto às outras duas modalidades, o site da Receita Federal esclarece seus contornos2: Importação por conta e ordem: A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa a importadora , a qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa a importadora por conta e ordem , que é uma mera mandatária da adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. Importação por encomenda: A importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2º, § 1º, II, da IN SRF nº 634/2006). Assim, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, 2 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos1/importacao porcontaeordemeimportacaoporencomenda1/importacaoporcontaeordem/oqueeaimportacaopor contaeordem Fl. 7734DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.735 8 tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Em última análise, em que pese à obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é aquele e não este que pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. No caso, tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias, apesar de informar. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, não entregou as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, informou em 07/04/2014 não ter havido integralização de capital nos últimos cinco anos, não apresentou os extratos originais das DI´s nem as vias originais dos documentos das operações por encomenda. Além disso, ao longo dos trabalhos, houve disponibilização de documentos em desordem, pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantê los em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que: "A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não Fl. 7735DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.736 9 tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude." De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou que as seguintes incorreções (efls. 44 a 59): "1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante,...; c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: [...] 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Constatase que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, Fl. 7736DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.737 10 efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00. Já para 2014, a recorrente não apresentou os extratos de registros contábeis, embora intimada, e apenas em recurso voluntário, a recorrente apresenta o recibo de entrega da ECD de 2014, cuja transmissão data de 17/02/2016, porém sem qualquer informação de seu conteúdo. Embora a recorrente afirma em sua peça recursal que a contabilidade está anexada ao recurso, apenas o recibo de entrega, ao que parece, foi juntado e não o arquivo digital, como deixou transparecer. Destarte, não houve qualquer demonstração da comprovação da origem lícita, da transferência e das disponibilidades dos recursos para fazer frente às despesas de fechamento do câmbio e das despesas de nacionalização. Assim, está, sobejamente, demonstrada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 333.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. A respeito, a necessidade de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentá los à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato Fl. 7737DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.738 11 comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo não original) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e janeiro a setembro/2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes (efls. 959 a 7099). As origens foram resumidas nas planilhas de efls. 1644/1649, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Alegou que referidos documentos comprovam a capacidade econômico financeira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. De fato, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; Fl. 7738DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.739 12 II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo: "Há que se ter em mente que para fins de comprovação do finaciamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da Fl. 7739DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.740 13 disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, corre se o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade Fl. 7740DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.741 14 É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: ¨ que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e ¨ comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas Fl. 7741DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.742 15 correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Fl. 7742DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.743 16 E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. (Grifo e negrito nossos) De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. Fl. 7743DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.744 17 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital soda! e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... (grifo e negrito nossos) E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Fl. 7744DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.745 18 Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. As afirmações ao longo do recurso que há contabilidade regular anexada aos autos de forma a comprovar as origens e disponibilidade dos recursos estão equivocadas e, talvez, devem se referir a outro processo, pois o que está anexado ao recurso é apenas o recibo da ECD de 2014, que registra a transmissão em 17/02/2016 e juntada em 03/08/2016, por ocasião da interposição de recurso voluntário, revelandose, primeiramente, preclusa e, ainda que se admitida em homenagem ao princípio da verdade material, para a verdade material nada acrescenta. O mesmo ocorre com o chamado "fluxo de caixa" que deve se referir às planilhas de efls. 1644 a 1649. Ocorre que tais planilhas apenas indicam as origens dos recursos, não havendo qualquer indicação das despesas ocorridas nos mesmos períodos de modo a configurar um fluxo de caixa, que consiste em um demonstrativo da movimentação financeira, ou seja, as entradas e saídas de recursos financeiros. Assim, não demonstram nenhuma disponibilidade em relação às operações de importação, já que não há qualquer indicação das despesas incorridas pela recorrente nos períodos, sejam relativas às importações, sejam a todos os demais custos e despesas operacionais da recorrente. Além disso, seria apenas um demonstrativo a ser corroborado em vista da escrituração contábil e demais documentos. Destarte, não houve qualquer demonstração da comprovação da origem lícita, da transferência e das disponibilidades dos recursos para fazer frente às despesas de fechamento do câmbio e das despesas de nacionalização. Assim, entendo que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente Fl. 7745DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.746 19 ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º): (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 7746DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.747 20 Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Todavia, quanto à ocorrência de falsidade ideológica nos documentos necessários ao desembaraço, o colegiado, por maioria de votos, afastou esta acusação, votando pelo desprovimento do recurso voluntário pelas conclusões. Assim, nos termos do §8º3 do artigo 63 do Anexo II do RICARF, seguem abaixo as razões adotadas pela maioria do colegiado, para afastar a acusação de falsidade ideológica nos documentos necessários ao desembaraço: "A identificação do importador pelos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros se submete, necessariamente, há três aspectos: Aspecto Jurídico: O artigo 31 do Decreto Lei n° 37/66 conceitua importador como “qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional”. O Direito Tributário formata, dentre outras, a seguinte figura para desempenhar a função de importador: Aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (CTN, artigo 21, I) qualquer pessoa 3 § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Fl. 7747DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.748 21 que promova a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional ( DL 37/66, Artigo 31, inciso I). Pela legislação brasileira, entrada da mercadoria estrangeira no território nacional só ocorre no momento do registro da declaração de importação. Aspecto Operacional: Para o registro da Declaração de Importação é imprescindível a habilitação no Sistema RADAR. O governo brasileiro exige que todas as pessoas jurídicas e físicas se cadastrem no Siscomex para realizar operações de comércio exterior. São órgãos intervenientes no comércio exterior que operam através desse sistema: Receita Federal, Secretaria de Comércio Exterior e Banco Central. Dentro do Siscomex está o Radar, uma ferramenta que permite a fiscalização aduaneira licenciar e monitorar a atuação dos agentes que operam no comércio exterior. Para a habilitação no RADAR será feita uma análise prévia. Uma vez aprovada, a interessada estará apta para usar o Siscomex. Após a habilitação do responsável legal pela pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, este poderá credenciar no Siscomex as pessoas físicas que atuarão como seus representantes para a prática dos atos relacionados com o despacho aduaneiro. Aspecto Documental: São os seguintes documentos que instruem uma Declaração de Importação: CONHECIMENTO DE CARGA também conhecido como conhecimento de transporte emitido pelo transportador, define a contratação da operação de transporte internacional, comprova o recebimento da mercadoria na origem e a obrigação de entregála no lugar de destino, constitui prova de posse ou propriedade da mercadoria e é um documento que ampara a mercadoria e descreve a operação de transporte. A Declaração de Importação deve ser registrada em nome do consignatário do conhecimento, ressalvados os casos de nacionalização em determinados regimes aduaneiros especiais. FATURA COMERCIAL: é o documento de natureza contratual que espelha a operação de compra e venda entre o importador brasileiro e o exportador estrangeiro. A Declaração de Importação (DI) deverá ser obrigatoriamente instruída com a via original da fatura Fl. 7748DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.749 22 comercial, assinada pelo exportador (art. 553, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009). A fatura deve conter, dentre outras, a indicação do nome e endereço, completos, do importador (art. 557 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009). A legislação pátria define critérios jurídicos, operacionais e documentais para identificar a pessoa que promove a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional. Portanto, aquele que quer exercer a função de importador deve observar a risca tais critérios. Órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros, em especial a Receita Federal do Brasil, tem por função precípua a fiscalização e o monitoramento desses critérios. O Motivo dessa explanação é justamente demonstrar a incongruência da argumentação, até certo ponto corriqueira, de desconsiderar a figura do importador quando este recebe recursos de terceiros, não sendo esse habilitado como adquirente. É importante que se faça a seguinte ressalva antes de prosseguir com a presente análise: Em nenhum momento, a intenção aqui é desconstruir a figura da PRÁTICA EFETIVA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS, tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, até mesmo porque o sábio legislador não se valeu da expressão “importador” na descrição desse tipo infracional. São eleitas as seguintes figuras: sujeito passivo oculto, real comprador e responsável pela importação, mas não menciona a figura do “importador”. E fez isso propositadamente, pois de outro modo o tipo infracional em comento colidiria com os critérios jurídicos, operacionais e documentais usados pela legislação para identificar a pessoa que promove a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional, ou seja, o importador. É, no mínimo, um grande contra senso para o órgão responsável por fiscalizar e monitorar as operações de importação, no caso a Receita Federal do Brasil, que aplica pessoal e recursos para tanto, não reconhecer como importador aquele que atende os critérios jurídicos, operacionais e documentais. Mais, paradoxalmente, isso acontece. Embora não seja unânime esse posicionamento, é motivo deste arrazoado é justamente se contrapor a uma corrente majoritária, demonstrando seu despropósito. Para tanto, um singelo exemplo: Importador se vale de financiamento bancário para promover determinada importação, Fl. 7749DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.750 23 dando o bem como garantia. Isso não faz do Banco, fonte dos recursos, o importador. Raciocínio análogo deve ser aplicado para qualquer outra situação. A origem dos recursos para pagar a importação, seja lícita ou não, não autoriza denominala de importador. O importador, para efeitos legais, continua sendo aquele que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional, ainda que com recursos de terceiros. Nessa situação, na FATURA COMERCIAL e/ou no CONHECIMENTO DE CARGA (BL) conste o nome do importador – o mesmo nome que consta na Declaração de Importação – não se pode ter esses documentos como falsos, seja materialmente ou ideologicamente, pelo fato dos recursos advirem de terceiros, uma vez que a legislação pátria não permite essa transposição. Por fim, é preciso esclarecer – mais uma vez que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico,não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a nãocomprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou Fl. 7750DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.751 24 d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 7751DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.752 25 Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário não diz respeito apenas à proteção da arrecadação de tributos, mas ao próprio controle aduaneiro. Neste sentido, a interposição fraudulenta em si, ou seja, a própria conduta é considerada dano ao erário, como expressamente disposta no artigo 23 acima transcrito. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Neste diapasão, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3403003.188, proferido em 20/08/2014: DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Acórdão 3202000.635, proferido em 26/02/2013: OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: Fl. 7752DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.753 26 I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) . No mesmo sentido, a A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, datada de 11 de julho de 2007, que trata da aplicação de multa na cessão de nome a terceiro, em operações de comércio exterior, chega à seguinte conclusão. "Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007." De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Fl. 7753DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.754 27 Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda, que esta turma já apreciou referida nãocomprovação da origem, disponibilidade e aplicação dos recursos aqui tratados no Acórdão nº 3302003.371, cujo resultado foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/09/2014 RECURSO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO DA EMPRESA ABC BRASIL DA EXIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PROVAS CONTRA A SOLIDÁRIA. É inconteste que o importador e o encomendante são pessoas jurídicas distintas. Logo, não é plausível exigir que o encomendante tenha responsabilidade sobre a contabilidade do importador. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO VIA EDITAL. DEVOLUÇÃO DO PRAZO RECURSAL. Diante da expressa previsão contida no Decreto n. 70.235/1972, não há se falar em nulidade da intimação feita por edital, desde que cumpridos os requisitos elencados no próprio artigo 23. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. JURISDIÇÃO DIVERSA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE EXPEDIDORA. INOCORRÊNCIA. Fl. 7754DF CARF MF Processo nº 12466.720121/201578 Acórdão n.º 3302005.467 S3C3T2 Fl. 7.755 28 Alteração do domicílio fiscal do contribuinte após o início do procedimento de fiscalização. IN RFB 748/2002. Delegação possível. Previsão IN SRF 228/2002. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. IMPORTAÇÕES POR ENCOMENDA. A legislação que tipifica a prática da interposição fraudulenta na modalidade presumida expressamente prevê que para a constatação dessa infração basta a inexistência de provas. Para elidir os indícios é de responsabilidade do importador que atue por encomenda fazer provas sobre a existência de recursos próprios na data de fechamento das operações. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INFRAÇÃO ADUANEIRA SUI GENERIS. INDEPENDE DE COMPROVAÇÃO DE DOLO OU DE RESULTADO. A interposição fraudulenta presumida é caracterizada, apenas, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferências dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Art. 23 do DecretoLei n. 1.455/1976. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 7755DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000250/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 02 50 /2 00 9- 02 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13748.000250/200902 Acórdão n.º 1302002.746 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 29/12/2005, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. Foram, então, facultadas ao sujeito passivo vistas e cópias do presente processo e aberto o prazo para aditamento da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo apresentou aditamento, sustentando que os documentos indicados no Parecer que propôs a nãohomologação das compensações não indicariam os débitos a que teriam sido alocados o pagamento pleiteado. Segundo alegou, tal indicação seria necessária para a confirmação de que o crédito não teria sido alocado a débitos excluídos do parcelamento, por ocasião de pedidos de revisão apresentados, quando da consolidação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Frisou aquela decisão que a "alocação das cotas do parcelamento PAES é feita no débito total consolidado e não em cada tributo devido, como entende o interessado". Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13748.000250/200902 Acórdão n.º 1302002.746 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 29/12/2005, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13748.000250/200902 Acórdão n.º 1302002.746 S1C3T2 Fl. 5 4 pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904318/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
Numero da decisão: 1401-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 18 /2 01 1- 85 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13603.904318/201185 Acórdão n.º 1401002.483 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que manteve o crédito tributário decorrente da não homologação de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte. 2. Foi emitido despacho decisório, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP objeto do presente lançamento. 3. O crédito transmitido pela via da compensação foi reconhecido como insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual se homologou o débito parcialmente. 4. O interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: · Que "houve um equívoco, por parte da RFB, na apuração dos valores relativos aos créditos compensados, já que foi considerado indevidamente como valor original utilizado na Declaração de Compensação"; · Diz que, “com as devidas correções, o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação, ora parcialmente homologada, se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme atestam as tabelas anexas. As tabelas que seguem anexas trazem a discriminação de todas as notas fiscais e respectivas retenções efetuadas O total de retenções é superior aos valores compensados. O valor do crédito informado se fazia suficiente para compensação dos débitos relacionados na declaração parcialmente homologada”; · Requereu o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade para homologar a compensação declarada no PER/DCOMP, com o reconhecimento da extinção do crédito tributário objeto da compensação. Protestando, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, destacando que não juntou cópia de cada nota fiscal em virtude do volume de documentos. 5. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 5. Isto porque, segundo entendimento da Turma, no Despacho Decisório considerouse confirmado o IRRF em valor inferior ao declarado, não tendo sido considerada a Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13603.904318/201185 Acórdão n.º 1401002.483 S1C4T1 Fl. 4 3 totalidade das retenções informadas no PER/DCOMP em virtude da não confirmação em DIRF. 6. Por isso, “na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº. 119, de 2000”. 7. Considerou, que “não há crédito de saldo negativo de IRPJ do trimestre objeto de compensação, além do já reconhecido no despacho decisório”. 8. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a manifestação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões: · DO INDEFERIMENTO DE PROVAS: alega que “destacou em sua Manifestação de Inconformidade que não juntou cópia de cada nota fiscal objeto do pedido de compensação, pois o volume de documentos inviabilizaria o manuseio da mesma”. Mas, os livros de Notas Fiscais estariam à disposição; · NO MÉRITO, destaca que houve equívoco por parte da RFB na apuração dos valores relativos aos créditos compensados; · Argumenta que “o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme as tabelas anexadas”, destacando, que o total de retenções é superior aos valores compensados pela Recorrente. · Afirma que conforme os documentos e tabelas anexas ao presente recurso voluntário, demonstra a insubsistência e improcedência da homologação parcial da compensação declarada, com isso, requereu a extinção do crédito tributário com a consequente homologação da compensação declarada no PER/DCOMP em sua integralidade. 9. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.331, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904309/201194, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13603.904318/201185 Acórdão n.º 1401002.483 S1C4T1 Fl. 5 4 Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/10/2007 a 31/12/2007, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.331): "Sendo tempestivo, passo a analisar o Recurso Voluntário. No que se refere à preliminar de nulidade em razão do indeferimento da produção de provas entendo que a mesma não merece ser acolhida. Em regra geral, o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). A impugnação, deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, constituindose ônus do contribuinte apresentar as provas de suas alegações. No caso concreto, até o presente momento, o contribuinte não traz aos autos, nem exemplificativamente ou por amostragem, parte das provas que amparam seu direito, simplesmente aduz que em razão do grande volume as mesmas encontramse à disposição. Tratamse de documentos que deveriam estar em posse do contribuinte e, mesmo tendo a sua manifestação de inconformidade indeferida, permanece sem fazer prova do que alega. Daí que não se admite que o pedido de realização de diligência seja usado como instrumento de coleta de provas que cabiam à parte interessada produzir, e muito menos transferir esse ônus à autoridade administrativa. Outrossim, o deferimento de diligência cabe à análise do julgador, de acordo com as razões e fundamentos apresentados nos autos. No caso concreto, diante da inexistência de contexto probatório hábil a dar suporte às razões do contribuinte, o julgador optou por indeferir a diligência, decisão com a qual me coaduno. Assim, não há o que se falar em desrespeito ao princípio da verdade material quando a parte interessada não demonstra, nem de forma exemplificativa, que há alguma verdade, diferente da dos autos, que deva ser alcançada. Face o exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Como visto, o crédito utilizado na compensação é de saldo negativo de IRPJ, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13603.904318/201185 Acórdão n.º 1401002.483 S1C4T1 Fl. 6 5 Portanto, o crédito utilizado nas compensações analisadas tem origem na dedução efetuada, de cuja confirmação depende a homologação pretendida. Na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 119, de 2000. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Assim, diante da inexistência de comprovação do saldo negativo, não dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 520DF CARF MF
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