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Numero do processo: 13971.005060/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006).
APREENSÃO DE MERCADORIAS.
As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias.
INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
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SIMPLES NACIONAL Recorrente AJ ESTRELA PRESENTES E PESCA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 50 60 /2 00 8- 49 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de manifestação inconformidade contra Ato Declaratório Executivo nº 008 de 08/02/2010, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, que excluiu o contribuinte em epígrafe do Simples Nacional, com base no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inciso VII do art. 5º da Resolução CGSN nº 15/2007, com efeitos retroativos a 01/09/2008, às fls. 17. O motivo da exclusão foi a comercialização de mercadorias objeto de contrabando, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, às fls. 05/11, lavrado em 07/10/2008 e Termo de Lacração de Volumes, objeto do processo nº 13971.004216/200874, às fls. 65/102. Cientificado do Ato Declaratório de Exclusão, o contribuinte apresentou defesa em 10/03/2010, referente ao processo de exclusão do Simples Nacional, às fls. 31/102, alegando em síntese: a reclamante é pessoa jurídica de direito privado, com objeto social a exploração de ramo de loja de variedade de pequeno porte, comércio varejista de brinquedos, comércio varejistas de artigos de pesca, comércio varejista de bijuterias e comércio varejista de artigos de presentes. E seu comércio encontrase no chamado "camelôs" da Rua Nereu Ramos em Blumenau/SC. na data de 30 de setembro de 2008, deparouse com operação da Policia Federal em conjunto com a Receita Federal, advindos da Representação Criminal n 2008.72.05.0020085/ SC, que tinha como objetivo a investigação e formação de provas de supostos crimes de descaminho ou contrabando. Sublinhase que o Mandado de Busca e Apreensão tinha destinatários certos, e poderiam ser estendidos a outras pessoas jurídicas ou físicas, dependendo do caso, porém, ocorreu o fechamento de todas as bancas/Box, inclusive da reclamante. em 07/10/08 ocorreu a deslacração de mercadorias, através do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias (auto de infração 13971.004216/200874 em anexo), com a devolução de diversas mercadorias, por entender não Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 4 3 subsistirem elementos suficientes para a manutenção de sua apreensão, e retenção e guarda e o relatório anexo ao auto genérico e sem descrição de marca/modelo/número de série e origem das mercadorias. a reclamante aduz ainda que não apresentou impugnação ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, e diante deste transcurso de prazo, foi determinado o perdimento das mercadorias, conforme Termo anexo e com a posterior representação fiscal para exclusão de ofício da reclamante do Simples, por entender que as mercadorias em comercialização eram proveniente de objeto de contrabando ou descaminho, o que ensejaria a exclusão em concordância ao inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, e art. 5º, inciso VII, Resolução CGSN nº 15/07. no mérito, entende que existem vários motivos que macularam o Auto de Infração, bem como motivos jurídicos que geram a ilegalidade da exclusão da Reclamante do Simples Nacional, identificandose primeiramente o abuso de poder acometido pelos Fiscais juntamente com a Polícia Federal, visto que o mandado de busca e apreensão emitido pelo MM. Juiz da Vara de Execuções Fiscais e Criminal da Subseção Judiciária de Blumenau/SC, no processo de Representação Criminal nº 2008.72.05.0020085/ SC, tinha como objetivo a formação de provas contra a prática de crime de descaminho ou contrabando, especificadamente aos Boxes 01, 02, 04, 06, 10, 12 e 20, ou outros com a atividade ora em apuração, isso tudo em concordância com as provas já acostadas naqueles autos. o mandado de busca e apreensão não tinha o condão de “lacrar” o comércio dos outros boxes, mas assim fizeram e agiram com abuso de poder, o que maculou o ato. vale registrar que todo ato emanado de agente incompetente, ou realizado além dos limites de que dispõe a autoridade incumbida de sua prática, é inválido, por lhe faltar elemento básico de sua perfeição, qual seja, o poder jurídico para manifestar a vontade da Administração (Hely L. Meirelles, p. 141). rapidamente se demonstra o exercício arbitrário, desmensurado, abusivo e ilegal efetuado e não existiu o necessário Mandado de Procedimento Fiscal, na busca e apreensão ou em seu prazo máximo, o que selouse como ausência de início de procedimento fiscal/início de fiscalização, configurando a ilegalidade do ato. não se pode dizer que estavam albergados pelo Mandado de Busca e Apreensão, pois este foi emitido para que o Ministério Público Federal obtivesse prova, e a diligência da RFB, através de seus fiscais, fora determinado pelo MM. Juiz para o acompanhamento dos Policiais Federais. houve tempo entre a expedição do Mandado de Busca e Apreensão e o efetivo cumprimento, e se os Srs. Fiscais da RFB Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 5 4 tinham a intenção de fiscalizar, ou mesmo fazer colheita de provas, obrigatoriamente, para legalidade do ato, deveria expedir MPF, "D" ou "F", em concordância com sua vontade e intenção, ou ainda, poderia se utilizar do MPF" E", nos termos do artigo 5º da Portaria RFB nº 11.371/2007. o Auto de Infração emitido e que deu espeque ao processo de Exclusão do Simples é viciado na origem, e nulo por conseqüência dos atos ilegais praticados. E a nulidade deve ser alegada a primeira oportunidade da reclamante, e o prazo de defesa ditado era apenas quanto ao processo de apreensão, cujo prazo de defesa era de 20 dias, em concordância com o artigo 27, §1 do Decretolei 1.455/76. 29., prejudicando a defesa no prazo de 30 dias, estabelecida no Decreto n° 70.235/42. assim, diante da ausência do inicio de fiscalização, advindo pela ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como pelo abuso de poder pela abrangência mais ampla do que determinava o Mandado de Busca Apreensão, requer seja mantida a reclamante no Simples, já que os atos que motivaram a exclusão são totalmente maculados e ilegais. além disso, ninguém pode ser punido sem o devido processo legal. O motivo da exclusão do Simples é a alegação que a reclamante comercializava mercadorias objetos de descaminho ou contrabando, porém, somente após perícia para averiguação das mercadorias, e com a condenação transitada em julgado na esfera penal que se declararia a eficiência do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inclusive não houve representação para fins criminais, conforme ato emanado pelo fiscal no Auto de Infração. assim sendo, não há o que se falar ou imputar que reclamante comercializava mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, sendo este um ponto salutar, pois nem a tipicidade foi declarada, havendo gigantesca diferença entre contrabando e descaminho. Simplesmente foi jogado ao ar que a reclamante comercializava mercadoria objeto de contrabando ou descaminho, porém, sua tipicidade não foi declarada, pois não foram averiguadas as mercadorias, como será visto. para correta e legal imputação do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, caso realmente existissem mercadorias objeto de contrabando e descaminho, deveria ter sido taxada cada uma das mercadorias apreendidas, e se essa era teoricamente objeto ou de contrabando ou de descaminho. a incerteza não pode gerar qualquer imputação de exclusão do Simples à Reclamante, pois não se sabe se essa foi excluída pois supostamente suas mercadorias seriam objeto de descaminho, seriam objeto de contrabando, ou ainda, objeto das duas tipicidades. destarte, diante não condenação da reclamante penalmente, com trânsito em julgado, bem como por não ser tipificado se as mercadorias apreendidas supostamente eram objeto de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 6 5 descaminho, eram objeto de contrabando, ou ainda, objeto das duas tipicidades, não há o que se falar em exclusão da reclamante do Simples através do artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006. o fato de não existirem ou não terem sido apresentadas notas fiscais, não tipifica que as mercadorias eram advindas de descaminho ou contrabando, o que deveria ser feito por meio de perícia, bem como, ao menos, da competente discriminação de cada mercadoria apreendida. a única hipótese de declaração de que a mercadoria é objeto de contrabando ou descaminho é o flagrante, seja no traslado da mercadoria, ou seja, na recepção destas, e tudo devidamente comprovado, sendo que o próprio auto não imputa a origem das mercadorias, ele não é conclusivo sobre isso, sendo genérico e sequer diz se é objeto de contrabando ou de descaminho, fazendo isso por não ter elementos suficientes de prova, pois o fato de não terem sido apresentadas notas fiscais não quer dizer que as mercadorias são estrangeiras, ou foram importadas irregularmente. não há como declarar que as mercadorias apreendidas eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando, pois o Auto de Infração que deu espeque à exclusão da reclamante do Simples, não declara a procedência das mercadorias, ele é abstrato sobre essa circunstância, que digase vital para a Exclusão do Simples. não há nos autos qualquer documento ou conclusão que traz que mercadoria "x" é objeto de descaminho por tal motivo, mercadoria "y" é objeto de contrabando. Simplesmente foram apreendidas mercadorias, não foram declaradas, discriminadas, tipificadas as mesmas, e fora declarado o perdimento por não apresentação de defesa. assim, não há como enquadrar a empresa Reclamante no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n 123/2006, pois não há provas ou parecer ou perícia ou ainda, discriminação das mercadorias com seu pais de origem, marca, modelo, número de série que ateste e declarem que as mercadorias eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando. pugna ainda pelo princípio da irretroatividade jurídica, pois o ato declaratório ao retroagir os efeitos da exclusão a 01/09/2008, não observou o art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto Lei 4.657/42), art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal/88, não podendo a lei retroagir em seus efeitos, pois esbarra no princípio do direito adquirido, ato jurídico perfeito e da segurança jurídica e por esses motivos é vedada a irretroatividade dos efeitos, in casu, efeitos da exclusão do Simples, caso persista o maculado e ilegal ato de exclusão, transcrevendose algumas decisões judiciais nesse sentido, nas quais se baseia para solicitar que os efeitos da exclusão se postergue até a data de cientificação da decisão final no processo de reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 008/2010. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 7 6 requerse, com base em todo o exposto, a reintegração da empresa Reclamante no SIMPLES, sendo de tudo e de todos os atos comunicada a reclamante. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0127.197, de 19 de setembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/09/2008 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO/DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando, entre outras hipóteses, constatarse a comercialização de mercadorias objeto de contrabando/descaminho. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A pessoa jurídica, cientificada da mencionada decisão em 13/12/2013 (Aviso de Recebimento AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 18/12/2013, o qual traz os mesmos argumentos acima relatados expendidos na Manifestação de Inconformidade, portanto desnecessário repetilos. Finalmente requer a reintegração da empresa Recorrente no SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Compulsandose os autos constatase que, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional pelo ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BLU N° 008, DE 08 DE FEVEREIRO DE 2010, fl.15, com efeitos retroativos à 1º de setembro de 2008 em virtude da verificação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, conforme disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e no inciso VII do art. 5° da Resolução CGSN no 15, de 23 de julho de 2007, ficando a interessada impedida de optar por esse regime especial pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Verificase às fls.04/10, cópia do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias (processo nº 13971.004.216/200874 ) em nome da Recorrente com a seguinte descrição dos fatos: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 8 7 No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, efetuamos a apreensão das mercadorias estrangeiras relacionadas na Relação de Mercadorias, anexa, de diversas origens estrangeiras, por se encontrarem sem documentação comprobatória de sua regular importação, ou comercialização. A retenção das referidas mercadorias ocorreu em 30 de setembro de 2008, em operação que envolveu a Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Departamento de Policia Federal, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão epigrafado, expedido pela Vara de Execuções Fiscais e Juizado,... pecial Federal Criminal Adjunto de Blumenau. A proprietária da empresa, ora autuada, assumiu a propriedade das mercadorias em tela, acompanhou a deslacração dos volumes e a discriminação das mercadorias. Devolvemos, neste ato, as demais mercadorias, lacradas em 30/09/2008, por não subsistirem elementos suficientes para a manutenção de sua apreensão. ... Sobre o mencionado processo, consta do TERMO DE PERDIMENTO (fl.15) o seguinte: Não tendo o interessado apresentado impugnação à apreensão dos bens de que tratam os autos, foi tal circunstancia consignada mediante emissão do TERMO DE REVELIA. Assim, com base na competência que me foi atribuída pelo art.280, IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria M.F n° 125, de 4 de março de 2009, lavro, nesta data, o presente TERMO DE PERDIMENTO, mediante o qual APLICO A PENA DE PERDIMENTO das mercadorias de que tratam os autos. Blumenau, 30 de Dezembro de 2009. JOSÉ CARLOS DA VEIGA AFRFMatr. 859871 DELEGADO ADJUNTO DRF / BLUMENAU Toda a argumentação da Recorrente é no sentido de que o Auto de Infração emitido e que deu espeque ao processo de Exclusão do Simples é viciado na origem, e nulo por conseqüência dos atos ilegais praticados. A Recorrente argúi que: o fato de não existirem ou não terem sido apresentadas notas fiscais, não tipifica que as mercadorias eram advindas de descaminho ou contrabando, o que deveria ser feito por meio de perícia, bem como, ao menos, da competente discriminação de cada mercadoria apreendida. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 9 8 a única hipótese de declaração de que a mercadoria é objeto de contrabando ou descaminho é o flagrante, seja no traslado da mercadoria, ou seja, na recepção destas, e tudo devidamente comprovado, sendo que o próprio auto não imputa a origem das mercadorias, ele não é conclusivo sobre isso, sendo genérico e sequer diz se é objeto de contrabando ou de descaminho, fazendo isso por não ter elementos suficientes de prova, pois o fato de não terem sido apresentadas notas fiscais não quer dizer que as mercadorias são estrangeiras, ou foram importadas irregularmente. não há como declarar que as mercadorias apreendidas eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando, pois o Auto de Infração que deu espeque à exclusão da reclamante do Simples, não declara a procedência das mercadorias, ele é abstrato sobre essa circunstância, que digase vital para a Exclusão do Simples. Alega a Recorrente que, ninguém pode ser punido sem o devido processo legal. E que o motivo da exclusão do Simples é a alegação que a reclamante comercializava mercadorias objetos de descaminho ou contrabando, porém, somente após perícia para averiguação das mercadorias, e com a condenação transitada em julgado na esfera penal que se declararia a eficiência do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inclusive não houve representação para fins criminais, conforme ato emanado pelo fiscal no Auto de Infração. Aduz que não há como enquadrar a empresa Reclamante no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n 123/2006, pois não há provas ou parecer ou perícia ou ainda, discriminação das mercadorias com seu pais de origem, marca, modelo, número de série que ateste e declarem que as mercadorias eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando. Afirma que diante da ausência do inicio de fiscalização, advindo pela ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como pelo abuso de poder pela abrangência mais ampla do que determinava o Mandado de Busca Apreensão, requer seja mantida a reclamante no Simples, já que os atos que motivaram a exclusão são totalmente maculados e ilegais. Cabe observar que o trâmite do processo de apreensão das mercadorias é regulamentado pelo Decretolei nº 1.455/1976, cujo artigo 27 assim estabelece, in verbis: Art 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda. § 1º Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implica em revelia. § 2º Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá o prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 3º O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado quando houver necessidade de diligências ou perícias, devendo a autoridade preparadora fazer comunicação justificada do fato ao Secretário da Receita Federal. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 10 9 § 4º Após o preparo, o processo será encaminhado ao Secretário da Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministro da Fazenda, em instância única. Com efeito, foi conferido ao contribuinte impugnar o Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias, por meio de rito próprio estabelecido pelo Decreto nº 1.455/76, no prazo de vinte dias. A nãoapresentação da defesa no prazo regulamentar implicou em revelia, tornando incontestável a infração constatada pela autoridade competente. Desse modo, não há falar em nulidade, visto que o procedimento (Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias) que antecede ao ato de exclusão da empresa do Simples Nacional observou a legislação em vigor relativa a ciência do interessado. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos, que dão ensejo a pena de perdimento de bens, devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Deixando a defendente de oferecêlas no prazo que lhe foi oportunizado, operase a preclusão temporal. Indubitavelmente, nos presentes autos, não cabe discutir qualquer vício por ventura ocorrido ou não naquele processo administrativo referente ao Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias (processo nº 13971.004.216/200874 ). Ainda que revel naquele processo, poderia a contribuinte, nos presentes autos, fazer a contraprova de que não comercializara mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e, assim, não seria excluído do Simples Nacional. A Recorrente não alega com provas de que não se subsume na hipótese prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, que motivou a exclusão do Simples Nacional, que assim dispõe: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; ... § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos calendário seguintes. (...) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 11 10 GRIFEI Desse modo, não constatada a nulidade aventada pela Recorrente e, não havendo a Recorrente trazido aos autos a prova de que não praticara o ato (comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, descrito no auto de infração) que deu ensejo à exclusão da empresa do Simples Nacional há de ser mantido o Ato Declaratório Executivo em comento. A Recorrente pugna ainda pelo princípio da irretroatividade jurídica, pois o ato declaratório ao retroagir os efeitos da exclusão a 01/09/2008, não observou o art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto Lei 4.657/42), art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal/88, não podendo a lei retroagir em seus efeitos, pois esbarra no princípio do direito adquirido, ato jurídico perfeito e da segurança jurídica e por esses motivos é vedada a irretroatividade dos efeitos, in casu, efeitos da exclusão do Simples, caso persista o maculado e ilegal ato de exclusão, transcrevendose algumas decisões judiciais nesse sentido, nas quais se baseia para solicitar que os efeitos da exclusão se postergue até a data de cientificação da decisão final no processo de reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 008/2010. Sobre a exclusão do Simples Nacional e os seus efeitos, como transcrito acima, o § 1º da Lei Complementar nº 123/2006 determinou expressamente que no caso de exclusão de ofício pela comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, VII), a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a situação excludente, no caso setembro/2008. Portanto, não merece reparos à decisão recorrida que assim concluiu: ... As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de legitimidade até que sejam declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, na via direta, ou pelos demais órgãos do Poder Judiciário, inter partes, no controle difuso de constitucionalidade. De qualquer modo, somente o Poder Judiciário tem autorização constitucional para afastar a aplicação de lei regularmente editada. Concluise que as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da ilegalidade ou inconstitucionalidade das leis, seja porque tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam da presunção de legalidade e constitucionalidade, restando ao agente da Administração Pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n.º 2.346, de 1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que, efetivamente, não é o caso. Não cabe, pois, nesta esfera administrativa qualquer pronunciamento, acerca de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 123/2006, encontrando óbice, inclusive, na Súmula CARF Nº 2, verbis: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 12 11 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10580.725337/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO.
A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentá-las espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados em infração de lei os representantes de fato das pessoas jurídicas de direito privado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento aos recursos interpostos pela contribuinte e pela Responsável Solidária, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentá-las espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados em infração de lei os representantes de fato das pessoas jurídicas de direito privado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
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REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 37 /2 01 3- 26 Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados em infração de lei os representantes de fato das pessoas jurídicas de direito privado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento aos recursos interpostos pela contribuinte e pela Responsável Solidária, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), e de reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), consubstanciados nos autos de infração às fl. 03 a 55, referentes ao ano calendário 2009, com crédito tributário total de R$ 35.234.237,55e multa qualificada de 150%. Consoante descrição dos fatos constante dos autos de infração, bem assim do Termo de Verificação Fiscal (às fl. 56 a 110), parte integrante daqueles, houve o arbitramento do lucro em função da falta de apresentação dos livros Diário e Razão ou Caixa referentes a 2009, nos termos do art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), tendo sido apuradas as infrações abaixo indicadas, as quais foram objetos de incidência do IRPJ e das contribuições (reflexas): 2.1. omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada 2.1.1. intimado e reintimado a comprovar a origem dos depósitos/créditos em suas contas correntes, o fiscalizado não as comprovou. Planilha contendo os valores considerados no lançamento está às fl. 77 a 110. Para a sua elaboração foi realizada conciliação bancaria e os créditos de mesmos valores, nas mesmas datas e com os mesmos históricos foram retirados; 2.1.2. a consolidação mensal de tais valores por instituição financeira está demonstrada na planilha “Consolidação Mensal da Movimentação Financeira” à fl. 72. Os valores confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) foram diminuídos das diferenças apuradas; 2.2. falta de recolhimento de tributo sobre receita de prestação de serviços 2.2.1. o contribuinte apresentou planilhas e as Declarações Mensais de Serviço (DMS) da Prefeitura de Salvador/BA, informando os faturamentos e os valores dos tributos devidos no ano calendário 2009. O valor total anual do faturamento informado nas planilhas foi de R$ 23.632.500,77, enquanto os valores declarados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) foram de R$ 18.600,00; 2.2.2. foi elaborada planilha “Demonstrativo da Receita da Atividade Conforme Planilha Apresentada e DMS”, à fl. 73, onde estão indicados os valores dos faturamentos; 2.2.3. os valores confessados em DCTF foram diminuídos das diferenças apuradas. 3. A multa foi qualificada haja vista que, por intermédio dos atos abaixo descritos, o contribuinte visou o desconhecimento por parte da autoridade tributária dos Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 elementos que foram as bases de cálculo dos tributos, incorrendo hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964: 3.1. apresentou DIPJ com receita declarada total de R$ 18.600,00, apesar de ter receita da atividade anual de R$ 23.632.497,88, bem assim créditos em contas bancárias que totalizam R$ 53.872.894,69; e, 3.2. da mesma forma, apresentou as DCTF com valores de débitos insignificantes em comparação com os valores devidos pela empresa. 4. Houve representação fiscal para fins penais em função do contribuinte ter incorrido, em tese, em crime contra ordem tributária previsto nos art. 1º, I, e 2º, I, da Lei nº 8.137, de 1990. 5. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (fl. 111 a 122) para responsabilizar solidariamente sócios e procuradores (Josemita Almeida Brandão Rebouças, Marcelo Brandão Rebouças, Raimundo Vaz Rebouças Junior, Erenita dos Santos Almeida, Laio Santos Rebouças e Fernando Luiz Rosemberg de Oliveira), vez que, com base nos documentos que instruem os autos, estes eram responsáveis pela administração da empresa, podendo praticar quaisquer atos em nome desta, com amplos e ilimitados poderes, 5.1 A responsabilização solidária foi capitulada nos art. 124, I, 134, III, e 135, I a III, da Lei nº5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). 6. O contribuinte e as pessoas físicas responsabilizadas solidariamente foram cientificados dos lançamentos e respectivos termos de sujeição passiva por via postal e por editais. Os Avisos de Recebimentos (AR) e editais estão juntados às fl. 1485 a 1504. 7. Em 25 de julho de 2013 a Aratu Empreendimentos apresentou impugnação instruída com os documentos, onde argumentou/requereu, em síntese, o que segue: 7.1. Preliminares 7.1.1 tempestividade da impugnação; 7.1.2. preliminar de exclusão de responsabilidade dos procuradores: Josemita Almeida Brandão Rebouças, Marcelo Brandão Rebouças e Fernando Luiz Rosemberg de Oliveira. A responsabilidade do procurador em matéria fiscal deve ser comprovada através da prática de atos de excesso conforme determinação do art. 135 do CTN. Não restou provado no procedimento fiscal qualquer atitude com dolo ou excesso por parte dos procuradores no sentido de lesar o Fisco, especialmente porque todas as procurações para tais pessoas conferiram poderes para movimentações bancária, jamais para representar o sujeito passivo junto aos órgãos do Fisco Federal. Requer, pois, seja declarada ilegitimidade passiva dos procuradores; 7.1.3. ainda em sede de preliminar, a aplicação do disposto no art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, para que a defesa seja aproveitada a todas as exações citadas na autuação, bem assim aos sócios e representantes legais porventura citados no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração; 7.1.4. quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial e sem destinação para fins de investigação criminal ou instrução processual penal viola o art. 5º, XII da Constituição Federal (CF/88). Nesse sentido está jurisprudência predominante no Supremo Tribunal Federal (STF), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e nos Tribunais Regionais Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 13 5 Federais (TRF). Tais requisitos não podem ser afastados por lei ordinária (Lei nº 9.430, de 1996, art. 33, I) ou por lei complementar ( LC nº 105, de 2001) devido ao status de cláusula pétrea do dispositivo constitucional; 7.1.5. a obtenção extratos bancário viciou o procedimento fiscal contaminandoo com ilegalidade. A Administração Pública tem o mister de sujeitarse ao princípio da legalidade. A Súmula 473 do STF estabelece que a administração pode anular seus atos quando eivados de ilegalidade. No processo administrativo a conformidade ao direito também está presente na instrução probatória, conforme art. 30 da Lei nº 9.784, de 1999: as provas obtidas por meios ilícitos, como no caso presente, baseadas em legislação à revelia da Constituição, são inadmissíveis; 7.1.6. o princípio da legalidade em Direito Administrativo tem o seguinte sentido: o que não está expressamente permitido por lei está proibido. A manifesta ilegalidade do ato da autoridade fiscal reside na quebra do sigilo bancário em desatendimento dos requisitos necessários a tal excepcionalidade, violandose o art. 30 da lei nº 9.784, de 1999; 7.1.7. ante o exposto, o auto de infração deve ser anulado em função da violação do princípio da legalidade e da segurança jurídica, com base nos art. 30 e 53 da Lei nº 9.784, de 1999. Ressalta que se objetiva a declaração de nulidade do auto por conta da ilegalidade resultante da quebra do sigilo bancário e não por inconstitucionalidade, juízo que refoge à competência dessa instância administrativa; 7.2. Mérito 7.2.1. licitude nas operações da impugnante apresentou todos os documentos materialmente disponíveis: a) cópia da alteração e consolidação contratual; b) recibo de entrega das DMS de janeiro a dezembro de 2009; c) planilhas de bases de cálculo e apurações do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Informou o extravio de alguns documentos, colocandose à disposição para fornecer elementos capazes de suprimir a falta de qualquer registro contábil, como, por exemplo, as planilhas citadas. Se tivesse intenção de furtarse de suas obrigações jamais teria apresentado as planilhas informando seu faturamento. Reconhece a incorreção dos dados da DIPJ, o que decorreu do extravio dos livros. Visava a sua retificação quando da confecção das planilhas. Mesmo informando seu real faturamento via planilhas, a autoridade fiscal, ao arrepio da lei, preferiu utilizar somente os valores referentes às movimentações financeiras , bem assim o lucro arbitrado como base de cálculo; 7.2.2. inaplicabilidade do coeficiente de arbitramento de 38,4% tinha atividades diversas no ano 2009, o que desmerece a aplicação única do coeficiente de 38,40 %. Somente se justificaria tal coeficiente em hipóteses extremas e quando o objeto social for única e exclusivamente prestação de serviços em geral, o que não é o caso, conforme reconhecido pela autoridade fiscal. Junta cópia de todas as notas fiscais emitidas no ano 2009, bem como os respectivos contratos de prestações de serviços, requerendo seja feita diligência para apuração do quantum debeatur; 7.2.3. retenções não consideradas devem ser computadas todas as retenções efetivamente descontadas das notas fiscais ora apresentadas. Caso entenda pertinente, deve ser determinada a intimação das respectivas empresas tomadoras, para que estas comprovem o devido repasse aos cofres públicos dos tributos retidos; Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 7.2.4. ilegalidade de se considerar depósitos bancários como renda nem todo depósito em conta bancária configura acréscimo patrimonial, sendo devido promover as deduções das despesas e custos operacionais incorridos. Conforme Súmula nº 182 do extinto TFR, é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Assim, requer sejam considerados como receitas os valores apresentados nas planilhas e notas fiscais; 7.2.5. hipótese de incidência da multa de mora a multa de mora de 75% em caso de não recolhimento no vencimento somente tem incidência nos casos de lançamento de ofício. Como é sabido, o IRPJ sujeitase à modalidade de lançamento por homologação, o que exclui a aplicação da multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; 7.2.6. multa excessiva a multa aplicada tem caráter confiscatório, ferindo o art. 150, IV, da CF/88; 7.3. requerimento 7.3.1. requereu ao fim a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, e informou a anexação de cópia dos contratos das tomadoras de serviços, das respectivas notas fiscais e das planilhas de cálculo dos tributos. 8. Em 29 de julho de 2013 a Sra. Josemita Almeida Brandão Rebouças, responsável solidária, apresentou a impugnação às fl. 3277 a 3279, onde argumentou/requereu o que segue: 8.1. para atuar profissionalmente em defesa dos interesses de qualquer pessoa jurídica necessita de instrumento de mandato – procuração. O simples fato da empresa ter constituído a impugnante como sua procuradora revela apenas o cumprimento de uma condição necessária para que pudesse atuar em defesa dos interesses da outorgante. Ademais, sua atuação em defesa dos interesses da empresa se deu de forma pontual, em alguns processos junto a instituições bancárias, jamais assumindo obrigações ou exercendo cargo de mando longe de se materializar qualquer das hipóteses do CTN para responsabilização solidária. Além disso, atuou poucas vezes em defesa da empresa, somente quando do impedimento de seus sócios por problemas de saúde, o que pode ser provado caso deseje a autoridade julgadora; 8.2. sua responsabilização com base no art. 135 do CTN depende da comprovação de que tenha agido com excesso de poderes ao exercer seu múnus profissional, ou seja, a prática da advocacia em defesa dos interesses da empresa. Não há uma linha no auto de infração ou no Termo de Verificação Fiscal que aponte conduta com excesso de poderes. Deveria ser provado que os créditos tributários resultantes da autuação originaramse de atos abusivos de sua parte quando do exercício profissional, o que não ocorreu; 8.3. anui e ratifica todos os termos da impugnação já apresentada pela empresa; 8.4. protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. 9. Os demais sócios e procuradores responsabilizados solidariamente não apresentaram impugnação. Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 14 7 A DRJ/RECIFE (PE) decidiu a matéria consubstanciado no Acórdão 11 44.130, de 04 de dezembro de 2013, julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009 RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA (CONTRIBUINTE). ILEGITIMIDADE PARA CONTESTAR. Consoante o CPC, ninguém pode pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Como não há previsão na legislação específica do processo administrativo tributário que excepcione a regra geral estabelecida naquele código, ou seja, que autorize a substituição processual, há que se considerar que o contribuinte (pessoa jurídica autuada) não possui legitimidade para contestar a responsabilização solidária de sócios e procuradores. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando a instituição financeira transfere à Receita Federal informações sobre movimentação financeira de cliente em atendimento à RMF expedida por autoridade competente. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O disposto no art. 42 da Lei nº 9430/96 é taxativo no sentido de que a falta de comprovação da origem de depósitos bancários enseja considerar que estes valores correspondem a receita omitida, e já que este dispositivo não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes, ou teve sua aplicação afastada em sentença proferida em processo judicial em que o contribuinte era parte, sua aplicação é incontestável no âmbito administrativo. LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. OBRIGAÇÃO DE GUARDA. EXTRATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO A pessoa jurídica é obrigada a conservar guardar os livros contábeis e fiscais, bem assim os documentos que embasaram suas operações e registros contábeis. Caso ocorra extravio deverá publicar em jornal tal fato e comunicálo ao órgão do Registro de Comércio e à Receita Federal no prazo de quarenta e oito horas. Não houve comprovação do extravio. LIVROS. EXTRAVIO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO PARA REFAZIMENTO. A hipótese de extravio apenas dos livros não inviabiliza a pessoa jurídica de refazê los com base nos documentos representativos de suas operações. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS. A falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais exigidos em lei autoriza o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO 38,4%. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS COM OU SEM MÃO DE OBRA. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. COLETA DE RESÍDUOS. Serviços de locação de veículos com ou sem mão de obra, de locação de equipamentos, de locação de mão de obra e de coleta de resíduos e entulhos sujeitamse ao coeficiente de 38,4% na determinação do lucro arbitrado. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 LUCRO ARBITRADO. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO. CONDIÇÕES PARA ENQUADRAMENTO NO COEFICIENTE DE 9,6%. Os serviços relativos a construção por empreitada sujeitamse ao coeficiente de 9,6% quando todo o material indispensável à obra, assim entendido aquele que se lhe incorpora, é fornecido pelo prestador do serviço (empreiteiro). LUCRO ARBITRADO. TERRAPLENAGEM. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Em que pese o serviço de terraplenagem enquadrarse no conceito de construção civil, não sujeitase ao coeficiente de 32% por tratarse de serviço que não incorpora material à obra. LUCRO ARBITRADO. TRANSPORTE DE CARGA. FORNECIMENTO DE ÁGUA POTÁVEL. Serviços de transporte de carga e de fornecimento de água potável (por não ser concessionário de serviço público) sujeitamse ao coeficiente de 9,6% para fins de determinação do lucro arbitrado. TRIBUTO RETIDO. COMPROVAÇÃO. A nota fiscal emitida por contribuinte é um dos documentos necessários à comprovação da realização de determinada operação, seja de prestação de serviços, seja de venda de mercadorias, porém não serve como prova de que a fonte pagadora reteve os tributos devidos sobre o montante pago ao emitente da nota. Para a comprovação da retenção dos tributos, o contribuinte deve apresentar o comprovante anual fornecido pela fonte pagadora. Não obstante a falta de comprovação das retenções por parte do contribuinte, o julgador administrativo possui acesso às Dirf entregues pelas fontes pagadoras, cujos valores declarados devem corresponder aos montantes informados nos comprovantes anuais de retenção. Assim, em busca da verdade material, é devido considerar os montantes retidos informados nesta declaração. TRIBUTO RETIDO COMPROVADO. DEDUÇÃO DO TRIBUTO LANÇADO. Uma vez que o lançamento foi efetuado com base em depósitos bancários, que pressupõe abrangência de todas as receitas auferidas, há que se considerar que nas bases de cálculo apuradas pela autoridade fiscal estão incluídas as receitas da atividade, sendo, pois, passíveis de dedução os tributos retidos sobre as mesmas pelas fontes pagadoras. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Consideramse receitas omitidas, por presunção legal, os depósitos/créditos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não tenha comprovado a sua origem. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Por representarem receita omitida por presunção legal, os depósitos/créditos bancários de origem não comprovada integram a receita bruta conhecida para fins de determinação do lucro arbitrado. CONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE NORMAS. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. INSTRUÇÃO PROBATÓRIO. CARÁTER COMPLEMENTAR. Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 15 9 Não pode o colegiado administrativo substituir o contribuinte no direito/dever de produção de provas, mas tão somente buscar a verdade material de forma complementar quando surgidas dúvidas diante dos fatos e provas que instruíram a impugnação. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Dentre outras hipóteses, o lançamento de ofício é realizado quando verificado em procedimento fiscal que o contribuinte não cumpriu com sua obrigação de antecipar o tributo devido antes de prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, não cumpriu a contento a atividade a ele atribuída no lançamento por homologação. No presente caso ocorreu tal situação, tendo sido efetuado lançamento de ofício, o qual está sujeito à aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. As razões da qualificação não foram contestadas, devendo ser considerada matéria não impugnada e, por conseguinte, não sujeita à apreciação deste colegiado administrativo. CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, aplicase a eles as razões de decidir utilizadas na apreciação do lançamento de IRPJ, vez que são reflexos deste, possuindo mesmo suporte fático e probatório. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os recursos voluntário apresentados pela contribuinte/autuada e pela responsável solidária Sra. Josemita Almeida Brandão Rebouças são tempestivos e assentes em lei. Deles conheço. Os demais responsáveis solidários não apresentaram as impugnações iniciais tampouco recursos. Passo a análise das argumentações trazidas na peça recursal na mesma seqüência em que apresentadas. NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Em longo arrazoado os recorrentes repetem as alegações iniciais (impugnação) alegando a necessidade de anulação dos lançamentos em cumprimento ao disposto no art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, e da Súmula nº 473 do STF, em virtude do procedimento fiscal estar eivado de ilegalidade devido à obtenção das provas (extratos bancários) por meios ilícitos, o que é vedado no art. 30 da referida lei. Segundo o entendimento por si exposto, a quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial e sem destinação para fins de investigação criminal ou instrução processual penal viola o art. 5º, XII da Constituição Federal (CF/88). Reforçam seu argumento com jurisprudência do STF, do STJ e dos TRF. Defendem que tais requisitos fixados para obtenção de informações bancárias de contribuintes não podem ser afastados por lei ordinária (Lei nº 9.430, de 1996, art. 33, I) ou por lei complementar ( LC nº 105, de 2001) devido ao status de cláusula pétrea do dispositivo constitucional. Pois bem. Constatase do Termo de Verificação Fiscal que a ora recorrente foi selecionada no rol das empresas a ser fiscalizada a partir de indícios de Omissão de Receitas, tendo em vista a verificação de movimentação financeira no ano calendário de 2009 no montante de R$ 19.036.139,67 e a receita bruta anual do mesmo período declarada na DIPJ foi de apenas R$ 18.600,00. O arbitramento do lucro deuse em razão da não apresentação dos livros contábeis e fiscais à fiscalização. Após reiteradas intimações, inicialmente não atendidas e posteriormente (13/06/2013) alegouse que os mesmos (Livros contábeis e fiscais) encontravamse extraviados. A receita bruta foi determinada por presunção legal "Depósitos Bancários de Origem e Natureza Não Comprovada". Portanto, no presente caso, a apuração do lucro para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, deuse por arbitramento por meio do qual a lei defere à autoridade administrativa, na ausência das informações e escriturações contábeis e fiscais suficientes, a aplicação de um percentual sobre a receita bruta da empresa. No caso dos autos, a questão levantada nos recursos se refere à legalidade do procedimento adotado na identificação das entradas financeiras da pessoa jurídica, tendo em vista ter havido a requisição administrativa de informações bancárias diretamente às instituições financeiras, ante a recusa da apresentação dos extratos bancários pela Recorrente. Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 16 11 Segundo entendimento da Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros da empresa, pelo que a constituição do crédito tributário em apreço estaria eivado pelo vício e, portanto, nulo. Neste ponto, importa saber se houve, de fato, a quebra de sigilo bancário e conseqüente ilegalidade do ato. O sigilo bancário pode ser conceituado como o dever legalmente imposto a pessoa que possua informação acerca da movimentação bancária de outra de não tornar públicos referidos dados, sob pena de responsabilização pessoal. A questão é regulada, no direito pátrio, pela Lei Complementar nº. 105, de 2001, firmando, logo em seu art. 1º, que “as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados”. A referida lei complementar, por outra vez, relaciona 1) hipóteses em que o intercâmbio de informações bancárias não constitui quebra de sigilo bancário e 2) hipóteses em que será realizada a quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo bancário, nos termos do parágrafo quarto do artigo 1º, poderá ser decretada “quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial”. Ainda, “a quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis” (art. 10 da LC 105/2001). Logo, resta saber se a requisição administrativa de informações bancárias junto as instituições financeiras por Autoridade Fiscal, no curso do processo administrativo, consistira a tal quebra de sigilo bancário. Dispõe, a lei complementar nº 105/2001, o seguinte: Art. 1º (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ainda, segundo o disposto no art. 197 do CTN: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A dicção do art. 1º, parágrafo 3º, inciso VI e do art. 6º da LC 105/2001, c/c o art. 197 do CTN torna evidente não ser, a disponibilização de informações bancárias à Autoridade Fiscal no curso de procedimento administrativo de fiscalização, quebra de sigilo bancário a impedir a utilização de referidas informações por se tratar, apenas, da utilização de novo meio de fiscalização. Tenho, assim, que a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensando, nesta ordem, a interveniência do Poder Judiciário para a aquisição de referidas informações. Importante ressaltar que as informações fiscais também estão albergadas, ao lado das informações bancárias, por dever de sigilo, nos termos do art. 198 do CTN. Desta feita, a aquisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal não tornam públicos os dados da pessoa jurídica. De fato, se se pensasse que a disponibilização das informações ao Fisco tornassem públicos os dados bancários da empresa, estaríamos diante da ilegal quebra do sigilo definida na lei complementar nº 105/2001. Mas não é este o caso: o dever de sigilo fiscal protege as informações bancárias apuradas no curso do procedimento de fiscalização. Ainda, verifico que o acesso às informações bancárias da empresa é essencial para o exercício da atividade de fiscalização tributária. De fato, não se pode restringir o acesso do Fisco à identificação das entradas financeiras, de forma a permitir a verificação da veracidade da receita bruta apresentada à tributação pela pessoa fiscalizada. Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 17 13 Este é o entendimento sufragado no âmbito desta Corte Administrativa, ressaltandose como precedente o Acórdão 1401001.404, Sessão de 05 de março de 2015, cujos argumentos da lavra i. Conselheiro Alexandre Antonio Alkimim Teixeira, me servir, para ao meu modo, fundamentar o presente voto. E, no mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento pela possibilidade de requisição administrativa de informações bancárias no curso de processo administrativo tributário. Vejamos a jurisprudência daquela casa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. LEI 8.021/90 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. VIOLAÇÃO DO ART. 535, I e II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O Codex Tributário, ao tratar da constituição do crédito tributário pelo lançamento, determina que as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata (artigo 144, § 1º, do CTN), pelo que a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, atingem fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a vigência dos aludidos dispositivos legais. Precedentes da Corte: AgRg nos EDcl no REsp 824.771/SC, DJ 30.11.2006; Resp 810.428/RS, DJ 18.09.2006; EREsp 608.053/RS, DJ 04.09.2006; e AgRg no Ag 693.675/PR, DJ 01.08.2006). (...) 4. A LC 105/2002 dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinando que não constitui violação do dever de sigilo, entre outros, o fornecimento à Secretaria da Receita Federal de informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações artigo 11, § 2º, da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF , e a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, e 9º, da lei complementar em tela (artigo 1º, § 3º, III e VI). 5. Em seu artigo 6º, o referido diploma legal, estabelece que: "As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.". 6. Nesse segmento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal." (REsp 685.708/ES, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 20.06.2005). 7. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurá la. 8. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 9. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. A regra do sigilo bancário deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. (...) (Resp nº. 943.304/SP, 1a Turma do STJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 06/05/2008). Por fim, no que toca à arguição de inconstitucionalidade da lei complementar, afasto a sua verificação, seja pela ausência de pronunciamento neste sentido por parte do Supremo Tribunal Federal, seja pela aplicação da súmula nº 2 do CARF (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Com entendimento reflexo, não vejo a possibilidade de questionar a constitucionalidade da requisição realizada pela Autoridade Fiscal, posto que 1) o direito ao sigilo bancário não é absoluto, sendo permitidas exceções definidas em lei; e 2) o procedimento em apreço seguiu o procedimento definido na lei complementar nº 105/2001. Assim, rejeito a argumentação apresentada pela Recorrente. Prosseguindo a peça recursal, no mérito, alega que a autoridade julgadora de primeira instância ao não considerar sua alegação de que teve toda a sua escrituração contábil e fiscal extraviada sob o argumento de que não foram cumpridas as determinações procedimentais para o caso, deveria determinar a baixa dos autos em diligência para se apurar in loco o quanto alegado pela Recorrente. Neste ponto, cabe dizer que no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências e perícias que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 18 15 Nos expressos termos do citado art. 18 (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748/1993) o pedido de realização de perícia/diligência deve ser analisado se é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, verbis: Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. Como se percebe, o dispositivo consagra a idéia de que a prova produzida por meio da perícia ou da diligência, antes de qualquer outro motivo, tem como objetivo firmar o convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiarse de mais elementos de prova. Os termos da norma “quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável” estão claramente dirigidos à autoridade julgadora, que, apenas e tão somente quando julgar serem, diligências ou perícias, necessárias, as determinará. A diligência requerida, no caso em exame, é absolutamente prescindível e não existe nenhuma justificativa para sua realização, mesmo porque, o ônus da prova é do contribuinte, que teve oportunidade, durante todo o período, desde o início do procedimento fiscal até a fase impugnatória, de trazer aos autos os documentos probatórios necessários e não se desincumbiu a contento. Em seguida, a recorrente diz discordar veementemente dos parcos valores considerados a título de retenção de tributo sobre as notas fiscais emitidas (informados pelos tomadores de serviços). Aqui, por pertinente, reproduzo o quanto decidido no voto recorrido, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir para manter a autuação, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. "91. Outro argumento carreado pelos impugnantes referese à suposta falta de dedução pela autoridade fiscal de tributos retidos pelas fontes pagadoras. Apresenta como provas das retenções cópias das notas fiscais às fl. 2432 a 2777. Pleiteia a realização de diligência para intimar as empresas tomadoras dos serviços para que comprovem o devido repasse aos cofres públicos dos tributos retidos. 92. A nota fiscal emitida por contribuinte é um dos documentos necessários à comprovação da realização de determinada operação, seja de prestação de serviços, seja de venda de mercadorias, porém não serve como prova de que a fonte pagadora reteve os tributos devidos sobre o montante pago ao emitente da nota. Inclusive, conforme salientado na impugnação, os tributos porventura retidos não são indicados no corpo da nota. 93. Para a comprovação da retenção dos tributos, a fonte pagadora é obrigada a entregar ao prestador de serviços ou fornecedor comprovante anual na forma estabelecida em atos normativos. Vejamos as normas vigentes à época que tratavam das retenções de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS por pessoas jurídicas de direito privado ou público em virtude de pagamento ou crédito de rendimentos: Decreto nº 3000, de 1999 Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). IN SRF nº 119, de 2000 Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. (...) Art. 3º As informações prestadas no Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. Art. 4º O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. IN SRF nº 459, de 2004 Art. 12. As pessoas jurídicas que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento comprovante anual da retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, conforme modelo constante no Anexo II . IN SRF nº 480, de 2004 Art. 31. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual de retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, podendo ser disponibilizado em meio Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 19 17 eletrônico, conforme modelo constante do Anexo V, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. 94. Esse documento é o instrumento de que o beneficiário do rendimento dispõe para provar que sofreu retenção e, por conseguinte, poder deduzir tal valor na apuração do tributo a pagar. Assim dispõe a instrução de preenchimento da DIPJ/2010 aprovada pela IN RFB nº 1.028, de 2010 (embora transcrita ficha referente a IR apurado por lucro real, aplicase o mesmo entendimento, por óbvio, ao lucro arbitrado): Linha 12A/14 () Imposto de Renda Retido na Fonte (...) Atenção: (...) 2) O imposto retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. 95. Está claro, pois, que as notas fiscais trazidas pelo contribuinte não possuem qualquer valor probatório da ocorrência de retenções, cabendolhe apresentar os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras. Caso tais documentos não tenham sido fornecidos, mesmo após cobrança por si efetuada, o contribuinte deveria ter comunicado tal fato à Receita Federal, a fim deste órgão adotar as providências cabíveis em função do descumprimento de obrigação acessória pelas fontes pagadoras. 96. Nesse sentido está a orientação contida na obra “Retenções na Fonte de Impostos e Contribuições – Guia Prático” 1, conforme transcrição abaixo: O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica, discriminará os rendimentos que foram pagos ou creditados, mês a mês, e a correspondente retenção. Esse documento será utilizado para comprovar o Imposto de Renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. (...) E independentemente desta previsão, caberá ao prestador de serviço exigir este documento da fonte pagadora quando esta não entregála no prazo, uma vez que este documento é a comprovação de que a retenção foi efetuada. Se tentativas junto à fonte pagadora não surtirem efeitos, recomendase ao prestador de serviço que leve tal fato a conhecimento da administração tributária loca, a fim de resguardálo de possíveis questionamentos no futuro. 97. Não obstante a falta de comprovação das retenções por parte do contribuinte, este julgador administrativo possui acesso às Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), cujos valores declarados devem corresponder Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 aos montantes informados nos comprovantes anuais de retenção. Assim, em busca da verdade material, não posso me furtar a considerar os montantes retidos informados para a Receita Federal pelas fontes pagadoras consoante consulta realizada ao sistema Dirf, cujos extratos estão às fl. 3283 a3315. 98. Uma vez que o lançamento foi efetuado com base em depósitos bancários, que pressupõe abrangência de todas as receitas auferidas, há que se considerar que nas bases de cálculo apuradas pela autoridade fiscal estão incluídas todas as receitas da atividade indicadas na tabela acima, sendo, pois, passíveis de dedução os montantes retidos pelas fontes pagadoras. Como tais valores não foram deduzidos pela autoridade fiscal, conforme pode ser verificado nos demonstrativos dos autos de infração, onde foram considerados apenas os valores confessados em DCTF, é devido excluir tais montantes dos tributos apurados nos lançamentos." DA ILEGALIDADE DE SE CONSIDERAR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMO RENDA. Neste tópico, em síntese, os recorrentes argumentam ser ilegal considerar depósitos bancários como renda, pois nem todos configuram acréscimo patrimonial. Entendem ser devido promover as deduções das despesas e custos operacionais incorridos. Citam Súmula nº 182 do extinto TFR, que dispõe ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. De início, ressaltese, que nos casos de arbitramento, não há falarse em contraposição de receitas e despesas ou custos, pois o lucro, como o próprio nome diz, é arbitrado nos termos e percentuais definidos pela lei. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL na ausência de informações precisas da composição do lucro, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presumemse as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. No caso em apreço, o lançamento tributou omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Transcrevo o dispositivo legal que embasou o lançamento: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 20 19 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Para afastar a presunção legal, não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. No caso, verifico que o procedimento fiscal atendeu os termos da lei, pois o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários; com a recusa parcial eles foram obtidos diretamente dos bancos; depois da totalização dos depósitos, intimouse o sujeito passivo a justificar sua origem; e só após foi lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Em relação à Súmula nº 182 do TFR, é devido esclarecer que esta é anterior à publicação da Lei nº 9.430, de 1996. Somente a partir desta lei a existência de depósitos bancários de origem não comprovada passou a ser considerada, por presunção legal, como caracterizadora de omissão de receitas (antes, era mera presunção simples). Logo, a súmula e os julgados anteriores à sua entrada em vigor não servem como referência jurisprudencial. Sem razão, portanto, a defesa. Recurso Voluntário do Responsável Solidário A par das questões já julgadas que se identificam com o Recurso Voluntário da Contribuinte, passase à apreciação das matérias exclusivamente argüidas no Recurso da Sra. JOSEMITA ALMEIDA BRANDÃO REBOUÇAS, responsável solidário. Como visto do relatório e voto condutor recorrido, dentre os sujeitos passivos por responsabilização solidária, apenas a Sra. Josemita Rebouças apresentou defesa contestando a sua legitimidade passiva. Argumenta, em síntese, que é advogada, atuando em defesa dos interesses da empresa autuada de forma pontual, em processos junto a instituições financeiras e somente quando do impedimento de seus sócios por problemas de saúde. Para tanto atua por Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 procuração, não exercendo cargo de mando ou assumindo obrigações em nome de seu representado. Além disso, alega que a responsabilização com base no art. 135 do CTN pressupõe ação com excesso de poderes ao exercer seu múnus profissional, o que não restou provado nos autos. Entende que para tal capitulação deveria ter sido provado que os créditos tributários resultantes da autuação originaramse de atos abusivos de sua parte quando do exercício profissional, o que não ocorreu. Neste ponto, verificase no Termo de Verificação Fiscal, por intermédio de procurações públicas a Sra. Josemita recebeu amplos e ilimitados poderes para gerir, em todos os seus desdobramentos, os negócios e interesses da empresa e representála junto a estabelecimentos bancários. Conforme cópias das procurações às fl. 900, 1397 a 1400, 1411 a 1412, 1413 a 1414, e outras, cujos trechos de interesses descritos deixa claro que ela possuía poderes para, destaquese, assinar e endossar cheques, firmar compromissos, fazer saques, usar cartão de crédito, assinar contratos de empréstimos e negociar títulos junto a instituições financeiras, bem assim, a assumir obrigações em nome da empresa, demitir e contratar funcionários, fixar salários destes, dar quitação, entre outros. E, mais, ao se analisar as alterações contratuais e procurações conferindo amplos poderes verificase que em 04/12/2008 a Sra. ERENITA DOS SANTOS ALMEIDA foi admitida na sociedade (com 99% do capital social) e, logo, em seguida (17/12/2008), nomeia sua filha a Sra. JOSEMITA ALMEIDA BRANDÃO REBOUÇAS com os mais amplos podres como alhures anotado. Inclusive, constatase, também, que a Sra. Josemita alterou a partir desta data por diversas vezes seu domicílio tributário. Ora, não faz parte da atuação de um advogado ser responsável direto pelas movimentações e operações financeiras de uma empresa, por gerir a empresa em suas transações comerciais, bem assim por administrar sua área de recursos humanos. Resta evidenciado que a Sra. Josemita não atuava simplesmente como advogada da empresa, mas sim como gestora efetiva e de fato desta. Sendo um dos responsáveis pela administração da empresa, não resta dúvida de que a Sra. Josemita tinha pleno conhecimento da falta de escrituração das movimentações financeiras, da falta de livros contábeis e fiscais exigidos por lei, e das informações falsas prestadas em suas declarações aos fiscos municipal e federal, tendo declarado em 2008 menos de 4% de seu faturamento, e em 2009 menos de 0,02% deste. Correta, portanto, a sua sujeição passiva solidária pelo crédito tributário constituído, nos termos do disposto nos arts. 135 e 124 do CTN, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.725337/201326 Acórdão n.º 1301001.840 S1C3T1 Fl. 21 21 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nesse sentido, devese imputar ao mandatário e gestor de fato da contribuinte a responsabilidade tributária nos termos previstos no art. 135 do CTN, em virtude da prática de atos de infração à lei sob a gestão de fato e por mandato da sociedade com conduta próativa no sentido de fraudar a fiscalização tributária e omitir reiteradamente vultosa receita da sociedade apurada em movimentação bancária no período citado. No mais, e na medida em que na peça recursal a contribuinte limitase a repisar as argumentações esposadas na peça impugnatória, não vislumbro correção a ser feita na matéria tributável mantida em primeira instância. Ressaltese que não foi objeto de contestação nesta fase recursal, entre outros temas da inicial, a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas da CSLL, PIS e COFINS. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários, mantendo os tributos lançados conforme o decidido em primeira instância. “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 19515.000902/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Dec 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Nulidade Da Decisão. Cerceamento Do Direito De Defesa.
Não constitui cerceamento de defesa a apreciação das razões de defesa apresentadas pela contribuinte somente em sede de impugnação, bem como os fundamentos de fato e de direito utilizados para serem refutados.
Normas Processuais. Matéria Não Impugnada. Preclusão.
Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas; e 3) NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Rogério Aparecido Gil, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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(antiga SEMCO MANUTENÇÃO VOLANTE LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. As despesas consideradas dedutíveis para fins tributários são aquelas que se enquadrem nos conceitos de necessárias à atividade da empresa e à percepção das receitas, bem como devem ser usuais ou normais, devendo ser comprovadas como efetivamente incorridas e pagas, com documentação hábil, restando devidamente contabilizadas. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. DEDUTIBILIDADE. POSSIBILIDADE. A dedução de despesas havidas por rateio de custos entre empresas coligadas, exige a formalização prévia de convênio firmado entre as empresas envolvidas com a fixação de critérios claros, respeitada a proporcionalidade entre o efetivo gasto de cada empresa e com o preço globalpago pelos bens e serviços. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa a apreciação das razões de defesa apresentadas pela contribuinte somente em sede de impugnação, bem como os fundamentos de fato e de direito utilizados para serem refutados. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 02 /2 00 8- 30 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 2 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas; e 3) NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Rogério Aparecido Gil, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1526.430/11 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, efls. 186 a 195, que decidiu julgar procedentes os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ e CSLL, relativas ao anocalendário de 2003, no valor total de R$ 381.137,28 (incluídos os juros de mora e a multa de ofício regular), pela glosa de despesas/custos considerados indedutíveis. A glosa ocorreu pelos valores terem sido lançados na conta "Serviços Administrativos", cuja conta contábil de contrapartida foi "Dividendos a Pagar", sem que a empresa autuada apresentasse a documentação comprobatória correlata. Os Autos de Infração estão acostados às efls. 97 a 106 e os procedimentos fiscais descritos no Termo de Constatação Fiscal de efls. 94. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: (...) É importante frisar que a autoridade fiscal, de acordo com a folha n° 92 do PAF, intimou a Contribuinte em epígrafe a apresentar cópias dos documentos comprovantes dos seguintes lançamentos efetuados na conta 3.2.07.12.16 Serviços Administrativos: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 3 3 Data Histórico Valor (R$) 31/01/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 28/02/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/03/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/04/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/05/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/06/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/07/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/08/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/09/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/10/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 30/11/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 31/12/2003 Fatura de Serviços Administrativos SEI 40.000,00 Total 480.000,00 Conforme a descrição dos fatos e do termo de Constatação Fiscal (fl. 94), durante o procedimento de fiscalização a autoridade efetuou os lançamentos supracitados, pois constatou que a Contribuinte, optante pela tributação na forma de Lucro Real Anual, lançou em sua escrituração contábil custos/despesas, relativos a Serviços administrativos, para os quais não apresentou documentações comprobatórias (...) [...] Cabe ressaltar que, no referido Termo de Constatação Fiscal, a autoridade lançadora constatou que os referidos lançamentos contábeis na conta "Serviços Administrativos" tiveram como contrapartida a conta "Dividendos a Pagar", como segue: "Assim sendo, o valor de R$ 480.000,00, tendo em vista a falta de comprovação, será tributado de ofício como despesa indedutível por se tratar, de acordo com os lançamentos contábeis, de dividendos pagos ou creditados, não podendo, desta forma, serem considerados custos ou despesas...". O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 31/03/2008 (fls. 99 e 104) e apresentou a impugnação de fls. 109 a 174 em 29/04/2008, alegando, em síntese, que: a) em razão da Impugnante ter registrado a contrapartida da despesa em questão em conta contábil de passivo denominada "Dividendos a Pagar", presumiu a fiscalização que tal montante (R$ 480.000,00) seria efetivamente dividendos, considerando o dispêndio indedutível; b) a impugnante pertence a um grupo empresarial que incorre em gastos em comum, suportados inicialmente por uma das empresas (Semco Equipamentos Industriais Ltda), gastos estes que, conforme disposto no respectivo contrato de repasse e reembolso (Doe. 05), correspondem à disponibilização dos diretores da Semco Equipamentos para suporte nas áreas comercial, administrativa, financeira, e de recursos humanos da Impugnante. c) Assim, a despesa em questão foi registrada indevidamente pela Impugnante na conta contábil de "Dividendos a Pagar ", constituindo ela uma efetiva despesa operacional (rateio de gastos corporativos) e, portanto, passível de ser deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL. [...] Voto Fl. 284DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 4 [...] Na realidade, no já relatado Termo de Constatação Fiscal a autoridade lançadora assim motiva os lançamentos tributários em epígrafe: "Assim sendo, o valor de 480.000,00, tendo em vista a falta de comprovação, será tributado de ofício como despesa indedutivel por se tratar, de acordo com os lançamentos contábeis, de dividendos pagos ou creditados não podendo, desta forma, serem considerados custos ou despesas". Ora, ao analisar esta afirmação da autoridade fiscal, observase, de pronto, que a verdadeira motivação para a lavratura dos autos de infração em epígrafe, foi a não comprovação dos referidos custos ou despesas por parte da Requerente. Inclusive, conforme já relatado em sua impugnação, a própria Requerente reconhece que as contrapartidas dos tais Serviços Administrativos, não deveriam ter sido lançadas na conta Dividendos a pagar, reconhecendo, assim, que houve erro nos referidos lançamentos contábeis. [...] A Impugnante também alega que pertence a um grupo empresarial que incorre em gastos em comum, suportados inicialmente por uma das empresas (Semco Equipamentos Industriais Ltda.), gastos estes que, conforme disposto no respectivo contrato de repasse e reembolso (Doc. 05 fl. \50), correspondem à disponibilização dos diretores da Semco Equipamentos para suporte nas áreas comercial, administrativa, financeira, e de recursos humanos da Impugnante. A Contribuinte não trouxe ao PAF, qualquer documento que comprove a sua participação em qualquer grupo empresarial, além do mais, isto não se encontra declarado na sua DIPJ do anocalendário de 2003, de fls. 19 a 78, nem na consulta do sistema CNPJ, administrado pela RFB, conforme fls. 181. [...] Por fim, a Requerente, alega que teria comprovado as despesas de rateio com os serviços administrativos, ora guerreadas ao trazer, a este PAF, o referido contrato de Repasse/Reembolso de custos, de fls. 150 a 152 e as notas de débito, de fls. 154 a 165. [...] Da mesma forma, mesmo na referida impugnação (fls. 109 a 174), não foi trazido ao PAF, nenhuma nota fiscal de serviços ou comprovante de quitação pelos serviços administrativos prestados pela empresa SEMCO Equipamentos Industriais, com a qual, conforme relato da própria Requerente, teria rateado tais custos. [...] (grifos pertencem ao original) A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 234 a 245, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que a fiscalização glosou despesas por considerálas indedutíveis pela exclusiva razão de estarem registradas em conta de "Dividendos a Pagar", no Passivo. Explica ter havido equívoco na contabilização de valores que são, na realidade, despesas devidas em razão de rateio de custos entre empresas coligadas, por conseguinte dedutíveis. Conforme a cláusula 5.1. do contrato celebrado entre si e a empresa 1 AR – 10/06/11, efls. 200; Recurso – 15/06/11, efls. 234 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 4 5 SEMCO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, "(...) para o ano de 2003, esses custos dos gastos compartilhados totalizou justamente os R$ 480.000,00 glosados, os quais foram pagos em doze parcelas mensais, em conformidade com as Notas de Débitos anexas (Doc. 06 da impugnação)". Justifica, ainda, que após perceber o equívoco cometido (de haver registrado a contrapartida em conta de "Dividendos a Pagar", apropriou a dívida em conta de mútuo com a (credora) SEMCO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS". Em outro momento, por ocasião de reestruturação negocial, "(...) esse crédito de R$ 480.000,00 foi cedido à empresa SEMCO INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, razão pela qual tal valor foi transferido para outra conta contábil de mútuo (...), o qual foi liquidado em momento posterior (...)". Acrescenta ao recurso voluntário que a decisão de primeira instância inovou nos fundamentos da lide, ao se manifestar sobre as referidas Notas de Débito apresentadas, dizendo que não constituíam documentos hábeis para a comprovação das despesas de rateio. Entende que a decisão deveria aterse, exclusivamente, ao alegado equívoco de contabilização de valores, mote do procedimento fiscal que ensejou a autuação, sendolhe vedado manifestar se a respeito da comprovação das despesas que de fato ocorreram, corporativas e de natureza operacional. Cita julgados administrativos que entende corroborar o seu entendimento. Por derradeiro, contesta, na peça recursal, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, matéria não aventada na impugnação oferecida às efls. 109 a 114. Em sessão, fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Jefferson Ferreira Antunes de Souza, OAB/SP nº 325.730. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. 1) Da Inovação no julgamento Afasto a argumentação da recorrente de que a Turma Julgadora de Primeira Instância inovou no julgamento da lide ao apreciar e se manifestar sobre os documentos apresentados na defesa para demonstrar qual a verdadeira natureza dos valores contabilizados em "Dividendos a Pagar", mantendo a tributação imposta, por prosseguir em considerar tais gastos, a despeito das justificativas apresentadas, indedutíveis. A razão de a questão ter sido abordada e tratada na decisão a quo foi provocada única e exclusivamente pela própria empresa recorrente, dado quedarse totalmente silente durante o procedimento fiscal. A empresa quando fiscalizada não atendeu à fiscalização esclarecendo qual a natureza dos dispêndios incorridos, nem comprovandoos com Fl. 286DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 6 documentação hábil e idônea de forma a possibilitar o juízo fiscal, que fundamentou os lançamentos tributários pela falta de comprovação de despesas, contabilizadas em conta contábil dissociada de possível despesa dedutível, como bem esclarecido no acórdão recorrido. A denominada inovação na fundamentação do julgamento combatido foi inserida nos autos pela própria recorrente na pretensão de esquivarse dos lançamentos tributários, não podendo, portanto, consistir em cerceamento de defesa, e consequente nulidade de decisão. Correta a decisão de primeira instância ao enfrentar cabalmente as razões de defesa da impugnante, demonstrando as razões de convencimento para a manutenção dos lançamentos tributários. Se assim não fosse, a torpeza dos contribuintes fiscalizados em não atender à fiscalização nos termos estabelecidos pelas normas tributárias (apresentar a contabilidade completa, bem como documentos que embasam os registros contábeis) seria premiada com a alegada (e equivocada) nulidade de decisão. Equivocada a linha de entendimento esposada pela recorrente na matéria inovação da lide no julgamento, devendo ser totalmente afastada. A matéria dedutibilidade de despesas com rateio de despesas entre empresas coligadas deverá ser atacada sim, haja vista ser o ponto de apoio trazido pela recorrente para afastar a tributação contra si imposta. II) Dos documentos apresentados para comprovar a realização de despesas de rateio Contrato e Notas de Débito e lançamento contábeis O contrato de repasse/reembolso de custos foi apresentado pela recorrente às efls. 150 a 152. Devese destacar do referido documento, que não se trata especificamente de rateio de custos entre empresas coligadas, mas de contrato firmado entre a recorrente e a empresa SEMCO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, que se dispõe a fornecer à empresa recorrente: (...) suporte, através de seus diretores, nas áreas comercial, administrativa, financeira e de recursos humanos, consistente em suporte estratégico, apoio operacional e quaisquer outras atividades relacionadas. 1.2. O SUPORTE inclui mas não se limita, aos seguintes eventos; Reunião mensal com gestores da DEVEDORA, com discussão e análise dos resultados; Análise e proposição de alternativas de expansão do negócio; Negociação da estrutura societária com sócio estrangeiro; Apoio comercial e técnico em fechamento de contratos com clientes; Avaliação e suporte na definição do planejamento tributário, operacional e estratégico. Merece destaque, ainda, da referida prestação de serviços contratada, além de ter sido firmado pelo prazo de 1 (um) ano: ALOCAÇÃO DE CUSTOS 5.1. O repasse dos custos envolvidos poderá ser feito mensalmente, ou em outra periodicidade, acertada de comum acordo entre as partes, ficando estabelecido, como valor base de reembolso a quantia mensal de R $40.000,00 (quarenta mil reais) para o primeiro ano de contrato. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 5 7 5.2. Os valores estabelecidos correspondem a 2,0% (dois por cento) do faturamento previsto para o período. E, ainda sobre a rescisão contratual: Qualquer uma das partes que, injustificadamente, der causa ao não cumprimento do contrato ora celebrado estará obrigada a reparar as perdas e danos sofridas pela outra parte. De plano, constatase que não há qualquer rateio de custos entre empresas do grupo empresarial, "gastos em comum", consoante alegado pela recorrente, mas sim puro contrato de prestação de serviços firmado entre a recorrente (contratante dos serviços) e uma das empresas do grupo econômico (contratada). Observo que o contrato carece de formalidades extrínsecas como a aposição de assinatura de testemunhas ou qualquer elemento fornecido por terceiro que comprove ter sido efetivamente firmado em janeiro de 2003 (reconhecimento de firma, registro etc). A recorrente não traz qualquer outro documento que demonstre a efetividade dos dispêndios alegados, nem comprova ser esta despesa normal, usual ou necessária à percepção da receita, nos termos exigidos, para a sua dedutibilidade, dos artigos 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 RIR/99), já transcritos e explicitados no acórdão recorrido. Também não se verifica qualquer critério de rateio de despesas ou o envolvimento das demais empresas do grupo econômico. No que respeita às Notas de Débito e/ou lançamentos contábeis, apresentados junto à impugnação, em nada aproveita a recorrente para comprovar o alegado, visto não serem as referidas notas substitutivas de Notas Fiscais de Prestação de Serviços, hábeis para a comprovação de despesas e contabilização, nem os lançamentos contábeis condizerem com as operações de prestação de serviços são contas de mútuos firmados entre empresas. III) Do rateio de despesas tributação E, tratando da matéria com mais profundidade, valhome neste julgado de excelentes artigos publicados no Consultor Jurídico2 e no Valor Tributário3, demonstrando que resta assente na doutrina que as despesas decorrentes de contratos de "cost sharing" celebrados entre pessoas vinculadas são dedutíveis se: a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços efetivamente pagos e recebidos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio se der mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; 2 "Controvérsia sobre regras de tributação do rateio de despesas caminha para o fim" http://www.conjur.com.br/2014jun18/rateiodespesasencontrarrespaldorazoeseconomicas 3 http://www.valortributario.com.br/arquivos/3703 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 8 d) o critério de rateio for consistente com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios gerais de Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriar como despesa tãosomente a parcela que lhe couber segundo o critério de rateio. Aproveito a definição de rateio de despesas oferecida por Luciana Rosanova Galhardo4, citada no artigo da Conjur: “Os contratos de compartilhamento de custos e despesas são celebrados entre empresas com a finalidade de ratear ou alocar custos ou despesas incorridas por uma delas para as demais, já que tais custos ou despesas acabam por beneficiar todas as empresas envolvidas na produção de bens, serviços ou direitos. A finalidade desses acordos consiste em determinar precisamente o modo e em que medida essas últimas sociedades devem colaborar ou participar dos custos e despesas incorridas pela primeira no interesse das demais, ressarcindoos sob a forma de reembolso”. Este Conselho tem firmado posição de que as despesas rateadas são admitidas, porém sempre com a parcimônia de certos requisitos serem fielmente cumpridos pelas empresas envolvidas: Acórdão nº 20309.674 RESSARCIMENTO. RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. CONFIGURAÇÃO DE RECEITA. O critério utilizado para se realizar o rateio de despesas deve encontrar respaldo em razões econômicas, preservando a proporcionalidade dos valores pagos pelas empresas envolvidas; a empresa que assumiu a despesa relativa a terceiros não pode ter como objeto social o exercício da atividade causadora do dispêndio. Não se insere dentre as características da sociedade anônima o intuito não lucrativo, razão pela qual a atividade fim é sempre onerosa, ao contrário da atividade meio, onde o traço marcante é a "cooperação", em havendo interesse do grupo de sociedades, centralizada em uma empresa. (grifos não pertencem ao original) Acórdão nº 10196357 IRPJ — RATEIO DE CUSTOS — DESPESAS COMUNS A EMPRESAS DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO — As despesas comuns a diversas empresas de um mesmo grupo econômico, lançadas na contabilidade da empresa controladora, podem ser rateadas para efeito de apropriação aos resultados de cada uma delas, com base no "Convênio de Rateio de Custos Comuns", desde que fique justificado e comprovado o critério de rateio. (grifos não pertencem ao original) Acórdão 1301000.977 4 “Rateio de Despesas no Direito Tributário”, Galhardo, Luciana Rosanova, Editora Quartier Latin Fl. 289DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 6 9 DESPESAS RATEADAS. Não comprovado que as despesas atribuídas ao sujeito passivo por rateio entre empresas do grupo correspondem a bens e serviços efetivamente recebidos, temse por não comprovada a legitimidade do lucro líquido tomado como ponto de partida para apuração da base de cálculo da CSLL. Assim vem se definindo, jurisprudencialmente, requisitos para a admissibilidade de despesas rateadas e sua dedutibilidade. Aproveito, in verbis, algumas das conclusões do já mencionado artigo de Gustavo Brigagão, in Consultor Jurídico: (i) que o acordo de rateio de despesas celebrado convencione que cada uma das partes contribua com recursos para a realização de atividades de interesse comum, na proporção dos benefícios recebidos; (ii) que as atividades relacionadas ao rateio de despesas sejam alheias ao objeto social das partes contratantes; (iii) efetivo recebimento das mercadorias e serviços; e (iv) que os critérios desse rateio sejam objetivos e assegurem que cada parte não receba qualquer valor a título de remuneração, mas apenas o ressarcimento dos custos e gastos efetivamente incorridos correspondentes à contribuição que prestou para a realização das atividades. Os requisitos acima visam evitar a má utilização de acordos de rateio de despesas, o que poderia ocorrer, por exemplo, nas hipóteses em que se pretendesse encobrir verdadeiros contratos de serviços e/ou de compra e venda de mercadorias. A matéria já foi objeto da Solução Consulta Divergente Cosit nº 23, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. (grifos não pertencem ao original) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA 10 Por todo exposto, concluise que o contrato apresentado pela recorrente em nada se enquadra no conceito de despesas comuns rateadas entre empresas coligadas, bem como não há qualquer critério de rateio previamente ajustado, não há nos autos comprovação da efetividade dos pagamentos realizados a este título, nem da efetividade do recebimento dos serviços, a escrituração contábil apresentada pela recorrente não condiz em nada com as operações que alega, não houve emissão de Notas Fiscais, enfim, os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL devem ser mantidos por absoluta falta de comprovação dos valores de despesas a serem consideradas dedutíveis para os fins tributários, valores estes lançados indevidamente em rubricas contábeis inapropriadas. IV) Dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício Essa matéria não foi trazida ao litígio instaurado pela impugnação interposta pela contribuinte, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº 0103.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) V) Conclusão No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela recorrente, em não conhecer a matéria concernente nos juros incidentes sobre a multa de ofício e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19515.000902/200830 Acórdão n.º 1302001.722 S1C3T2 Fl. 7 11 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 13864.720159/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
EMBARGOS. PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO.
A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradição e obscuridade, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado.
Numero da decisão: 1301-001.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES provimento. Houve sustentação oral proferida pelo Dra Ana Paula Lui, OAB/SP nº 157.658.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO. A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradição e obscuridade, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, NEGARLHES provimento. Houve sustentação oral proferida pelo Dra Ana Paula Lui, OAB/SP nº 157.658. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 59 /2 01 1- 97 Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.017 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos pela empresa em epígrafe, tendo por objeto o acórdão nº 1301001.803, prolatado por esta Primeira Turma na sessão de julgamento realizada em 05 de março de 2015. A contribuinte foi cientificada do acórdão prolatado em segunda instância em 04/05/2015, de modo que, tendo impetrado os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em 08/05/2015, o fez com observância do prazo regimental. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de negar provimento aos recursos impetrados, de ofício e voluntário. Alega a embargante que o acórdão em referência contém omissões, contradição e obscuridade que precisam ser eliminadas. Os Embargos de Declaração foram admitidos, conforme despacho de fls. 2.015. É o Relatório. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.018 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e JUROS ISOLADOS, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas com base na imputação de ausência de oferecimento à tributação, segundo o regime de competência, de valores recebidos de fornecedores. Tendo a contribuinte apurado o imposto com base no lucro real trimestral, a matéria tributável apurada restou assim distribuída: FATO GERADOR VALOR (R$) 31.03.2006 8.830.204,71 30.06.2006 42.871.869,88 30.09.2006 75.017.019,23 31.12.2006 88.856.162,99 JUROS ISOLADOS 31.03.2006 499.486,47 30.06.2006 1.779.964,78 30.09.2006 3.549.986,82 Alega a embargante que o acórdão nº 1301001.803, de 05/03/2015, contém omissões, contradição e obscuridade que precisam ser eliminadas. Objetivando demonstrar a ocorrência dos pressupostos declinados na peça de defesa, a contribuinte indica os elementos abaixo enumerados, os quais, em seguida, passo a apreciar. i) omissões, em decorrência da ausência de exame de argumentos e documentos abordados no Recurso voluntário; i.1) Natureza dos Valores Recebidos da Kawasaki para a embargante, o Conselheiro Relator, ao concluir pela tributação dos referidos valores, fundamentou seu entendimento, sobretudo, no fato de ela ter respondido, em sede de diligência, que citados montantes não haviam sido tratados contabilmente como indenização. Alega que o acórdão atacado não analisou o denominado MEMORANDO DE ATIVAÇÃO DO PROJETO MAP 10602, que, a seu ver, deixa claro que a natureza dos valores pagos pela KAWASAKI não pode ser outra que não a de indenização. Diz que o Conselheiro Relator "deixou de se Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.019 4 manifestar acerca da defesa da ora Embargante acerca da confusão entre os termos indenização e compensação e os motivos pelos quais eles devem, no caso em tela, ser considerados sinônimos". À evidência, a contribuinte, adotando estratégia que vem se repetindo com relativa frequência na interposição de EMBARGOS, busca por meio do referido recurso rediscutir matéria que já foi devidamente apreciada pelo acórdão contestado. Ora, se a convicção acerca da natureza dos valores recebidos está lastreada em argumentos e documentos declinados no voto condutor da decisão, revelase absolutamente impertinente direcionar, em sede de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, a análise antes realizada para documento que não constituiu peça relevante na formação dessa mesma convicção. Os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do voto condutor da decisão embargada, deixam claro quais foram os elementos que serviram de suporte para o entendimento ali declinado, descabendo falar, no contexto da interposição de embargos, em omissão, pelo simples fato de um determinado documento não ter sido ali referenciado. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS DA KAWASAKI (INDENIZAÇÃO) E CRÉDITOS DE PARCEIROS Alega a Recorrente que a decisão recorrida incorreu em evidente equívoco ao não reconhecer que os valores recebidos da KAWASAKI não representaram acréscimo patrimonial tributável, e ao não considerar como correto o tratamento contábil adotado por ela com relação aos chamados “créditos de parceiros”. Diz que a Turma Julgadora, ao decidir a questão, acabou por mostrarse pouco técnica e bastante contraditória, uma vez que utilizou o termo “compensação” em sua acepção comum (e não jurídica), da mesma forma que ela ao longo da fiscalização, sem atentar para o fato de que, nesse sentido, “compensação” e “indenização” nada mais são do que termos sinônimos. Afirma que os valores recebidos da KAWASAKI possuem natureza de indenização e tem por objetivo a recomposição patrimonial dos danos sofridos com o cancelamento de contrato celebrado com a KHI, com sede no Japão, e com a KAB, com sede no Brasil. Após discorrer sobre o caráter indenizatório dos valores recebidos, sustenta que, ainda que tais montantes não tivessem tal natureza, eles só deveriam ser registrados como receita pelo regime de competência, de modo que referidos ingressos somente poderiam ser reconhecidos quando da venda das aeronaves produzidas. ... Por relevante, apresento histórico da ação fiscal desenvolvida na ora Recorrente. Em 15/03/2010 foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal (Mandado de Procedimento nº 08.1.20.002010000490 – fls. 390), recebido em 18/03/2010, conforme AR de fls. 391, por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar: 1. Escrituração dos pagamentos em dinheiro recebidos da empresa KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES LTD (“KHI”) no ano calendário de 2006 em cumprimento à Carta de Acordo (“Letter of Agreement”) firmada em 15 de maio de 2006; Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.020 5 2. Escrituração dos ativos da subsidiária brasileira da KHI, KAWASAKI AERONÁUTICA DO BRASIL INDUSTRIA LTDA (“KAB”) que foram transferidos para a EMBRAER em 31 de agosto de 2006, bem como informações conforme segue: nos termos da Carta de Acordo supra mencionada, os ativos seriam transferidos gratuitamente como forma de reembolsar a EMBRAER pelos eventuais custos e despesas decorrentes do cancelamento/revisão pela KHI e KAB dos acordos originariamente firmados com a EMBRAER para fornecimento de produtos e serviços em apoio ao programa do Embraer 170/190. Entretanto, nas notas fiscais que formalizaram a transferência de propriedade dos bens integrantes do ativo da KAB para a EMBRAER não constaram operações de doação, mas de dação em pagamento. Informar se a EMBRAER recebeu os ativos da KAB a título gratuito ou como dação em pagamento. Nessa última hipótese, informar o conteúdo exato das obrigações da KAB que teriam sido liquidadas por meio da transferência de seu ativo para a EMBRAER. Em 07 e 26 de abril de 2010, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento (fls. 392 e 396); Em 06 de maio de 2010, a contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 397/419): i) que recebeu os ativos imobilizados da KAB a título de dação em pagamento; ii) que a transferência de ativos, ocorrida em 31 de agosto de 2006, ocorreu como parte do pagamento efetuado pela Kawasaki em razão da redução do escopo do contrato firmado com a Kawasaki Japão e o término contratual com a filial da Kawasaki no Brasil; e iii) que, a título de compensação dos custos e despesas que ela incorreria pela redução do escopo e da rescisão antecipada do contrato, a Kawasaki se comprometeu em pagar o valor de USD 57.000.000,00, bem como a transferir ferramentais e equipamentos, necessários para dar continuidade a fabricação do produto objeto dos contratos assinados entre elas, evitando, assim, colocar em risco a entrega das aeronaves; Em 07/06/2010 foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 420 (recebido em 14/06/2010, conforme AR de fls. 421), no qual restou assinalado: [...] CONSTATAMOS, após análise dos documentos e informações apresentados em 06.05.2010, os fatos a seguir: a) A escrituração apresentada mostra que os ativos recebidos da KAB foram contabilizados em contas do Ativo Imobilizado/Ativo Diferido, mas não informa a contrapartida a crédito desses lançamentos. Quanto aos pagamentos recebidos da KHI, a ficha apresentada não permite conhecer a natureza da conta 112022001; b) O item 1.2 da LOA firmada em 15 de maio de 2006, bem como o item 1.1 do First Amendment da LOA firmado em 21 de agosto de 2006, estabelecem que os ativos da KAB seriam transferidos sem custos para a EMBRAER, contrariamente à afirmação contida na resposta de 06 de maio de 2010 de que seriam a título de dação em pagamento; c) Além dos ativos da KAB, a EMBRAER exigiu o valor de USD 57.000.000.00 em espécie por conta do término do contrato com a KAB e como forma de reembolso de todos os custos e despesas que poderiam resultar desse Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.021 6 término. Entretanto, nenhuma informação foi fornecida sobre como se chegou/quantificou esse valor; Diante dessas constatações, INTIMAMOS o sujeito passivo, no prazo de 10 (dez) dias, a: 1) Indicar e detalhar a natureza de todas as contas envolvidas na escrituração do numerário e dos ativos recebidos da KHI/KAB; 2) Informar como foi calculado/estimado o valor de USD 57.000.000,00 que a KHI/KHA aceitou pagar; 3) Esclarecer por que a transferência sem custos dos Ativos da KHA, conforme texto da Loa, constou nas notas fiscais como dação em pagamento e não como simples doação; 4) Informar se houve alguma tributação sobre os valores e os bens recebidos. Em 24/06/2010, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento (fls. 422); Em 05/07/2010, a contribuinte prestou os seguintes esclarecimentos: [...] Em relação à escrituração do numerário recebido da KHI no valor de USD 57.000.000,00 originalmente foi reconhecido um contas a receber da KHI que após alteração de versão de nosso sistema SAP passou a ser representado pelas seguintes contas: D – 112022001 Clientes Exterior C – 133023001 Adição – Desenvolvimento (natureza Diferido) Em relação à escrituração dos bens recebidos da KAB as contas envolvidas foram: D – Diversas contas do ativo permanente C – 133023004 – Adição – Contribuição Parceiro (natureza Diferido) [...] informa a Empresa que o valor de USD 57.000.000,00 (cinqüenta e sete milhões de dólares) foi calculado após um processo de negociação entre as partes envolvidas, decorrente da manifestação de vontade da Kawasaki no sentido de não mais dar cumprimento às obrigações assumidas perante à Embraer, em 05 de outubro de 1.999. Portanto, o valor em questão decorre de acertos comerciais oriundos da quebra de contrato por parte da Kawasaki. (GRIFEI) [...] A Empresa informa que a redação do contrato (Letter of Agreement), ao mencionar “sem custos” não o fez em sentido financeiro e contábil, mas considerando o contexto das obrigações descritas no documento. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.022 7 Ao utilizar a expressão “sem custo”, o que as partes quiseram manifestar foi a ausência de movimentação financeira decorrente da transferência de ativos, ou seja, sem novos custos ou qualquer desembolso pela Embraer, recebedora dos ativos. A “dação de pagamento” constante das notas fiscais reflete a verdadeira natureza da operação sob o ponto de vista contábil e fiscal. [...] A Empresa informa que houve tributação sobre os valores e bens recebidos e esta tributação decorreu da classificação contábil utilizada. (GRIFEI) Em 12/07/2010, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 425 (recebido em 15/07/2010, conforme AR de fls. 426), no qual restou assinalado: [...] CONSTATAMOS que as informações prestadas por meio do protocolo datado de 05/07/2010 não foram conclusivas. Diante dessa constatação, INTIMAMOS o sujeito passivo, em novo prazo de 10 (dez) dias, a: 1) Apresentar demonstrativo analítico dos custos e despesas diferidos por meio das contas ”133023001 Adição – Desenvolvimento” e “133023004 Adição – Contribuição Parceiro”; 2) Apresentar demonstrativo dos tributos apurados com base nos valores e bens recebidos da KHI/KAB por força da LOA; 3) Apresentar cópia do contrato MPC ( “Master Program Contract’”) atualizado até a data da LOA. Em 28/07/2010, a contribuinte, informando que estava apresentando cópia do contrato MASTER PROGRAM CONTRACT – MPC, requereu prorrogação do prazo para atendimento das demais solicitações (fls. 427). Em 16/08/2010, a contribuinte prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 435): que, relativamente ao demonstrativo analítico dos custos e despesas diferidos, apresentava planilha nos padrões anteriormente acertados; que, relativamente aos tributos apurados, apresentava cópias do LALUR parte B, esclarecendo que os dispêndios com gastos com Pesquisa e Desenvolvimento eram alocados no Ativo Diferido; que, no LALUR, os dispêndios do período eram excluídos da base de cálculo do Lucro Real e quando das amortizações do Diferido esses valores eram oferecidos à tributação (adição), tendo em vista que as exclusões haviam sido efetuadas à medida em que os gastos iam ocorrendo; e que, relativamente ao contrato MPC, informava que não havia cláusula “termination” referente à empresa KHI/KAB; que as cláusulas que tratavam das obrigações na hipótese de rescisão contratual seriam somente as entregue em 28/07/2010. Em 11/01/2011, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 443 (recebido em 17/11/2011, conforme AR de fls. 444) –, no qual restou assinalado: [...] Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.023 8 CONSTATAMOS, após análise dos documentos e informações apresentados em 16.08.2010, os fatos a seguir: a) O valor de USD 57 milhões recebido em espécie da KAB/KHI foi contabilizado diretamente a crédito da conta de Ativo Diferido 133023001 Gastos c/ Pesquisa e Desenvto sem antes transitar por conta de resultado. Constatase, dessarte, um desbalanceamento na apuração do resultado, pois os dispêndios em P&D foram originalmente excluídos via LALUR em montante superior ao saldo remanescente sujeito à amortização em períodos de apuração posteriores; b) A planilha do Ativo Diferido e o LALUR Parte B apresentados mostram a movimentação por montantes trimestrais, não sendo possível a identificação individual dos valores recebidos da KAB/KHI; Diante dessas constatações, INTIMAMOS o sujeito passivo, no prazo de 10 (dez) dias, a: 1) Informar por que o valor de USD 57 milhões não transitou por conta de resultado embora tenha sido contabilizado como recuperação de despesas diferidas; 2) Apresentar planilha do Ativo Diferido e LALUR Parte B com individualização de cada valor recebido pela EMBRAER da KAB/KHI por conta do distrato havido entre as empresas. Em 26/01/2011, a contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 445/447): que, de fato, existia um desbalanceamento entre os dispêndios de P&D originalmente excluídos e o saldo remanescente sujeito à amortização, e que isso ocorria por força da dissociação entre o balanço fiscal e o contábil, regidos por regras diferentes, com funções diferentes; que as exclusões eram maiores que o saldo remanescente em virtude de que estas ocorriam no momento em que os respectivos gastos eram incorridos e a amortização dependia da percepção das receitas correspondentes, ou seja, de acordo com o cronograma de entrega das aeronaves; que, relativamente ao fato de os USD 57.000.000,00 não terem transitado em conta de resultado, esclarecia que tais valores compunham os seus investimentos em desenvolvimento dos produtos, razão pela qual, por ausência de receitas para contrapor aos gastos, eles foram alocados em conta de Ativo Diferido, adequandose aos demais gastos de mesma natureza e seguindo a lógica contábil de contraposição de despesas com receitas correspondentes. Na ocasião, a contribuinte requereu a juntada do que denominou “mapeamento completo do Ativo Diferido e Parte B do LALUR”, em que procurou demonstrar a forma de amortização dos gastos. Em 03/02/2011, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal – fls. 450 (recebido em 07/02/2011, conforme AR de fls. 451), no qual restou assinalado: [...] CONSTATAMOS, após análise dos documentos e informações apresentados até 26.01.2011, os fatos a seguir: a) O valor de USD 57 milhões recebido da KAB/KHI no anocalendário de 2006 foi escriturado como recuperação de dispêndios de P&D, mas não entrou na composição do lucro real. Os dispêndios diferidos por meio da Conta de Ativo Diferido 133023001 – Gastos c/ Pesquisa e Desenvto. – foram integralmente deduzidos da base de cálculo do IRPJ via exclusão incentivada da Lei 10.637/02. Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.024 9 Assim, por estar anulando gastos que anteriormente reduziram o lucro real frente ao lucro contábil, esse valor não lançado como receita deve ser adicionado ao lucro contábil apurado em 31.12.2006. Tal adição (LALUR parte A) não se confunde em sua natureza com as adições do LALUR parte B, pois enquanto estas visam a anular os efeitos das amortizações do saldo de P&D no resultado fiscal futuro, aquela ajusta o resultado fiscal presente frente ao montante de despesas diferidas que deixaram de existir. b) A planilha de Ativo Diferido apresentada em 26.01.2011 é a mesma já apresentada em 16.08.2010, exibindo apenas a movimentação por montantes trimestrais. Diante dessas constatações, INTIMAMOS o sujeito passivo, no prazo de mais 10 (dez) dias, a: 1) Dizer sobre o valor de USD 57 milhões recebido em dinheiro da KAB/KHI, informando se existe(m) razão(ões) que justifique(m) a sua não inclusão na base de cálculo do IRPJ; 2) Apresentar planilha do Ativo Diferido e LALUR Parte B com individualização do lançamento de cada valor recebido pela EMBRAER da KAB/KHI por conta do distrato havido entre as empresas. Em 18/02/2011, por meio do documento de fls. 452/454, a contribuinte, argumentando ser necessária a correta compreensão quanto a forma de contabilização dos valores recebidos, informa ter trazido, em anexo, exemplo da forma como referidos valores são contabilizados. Requereu, ainda, a juntada de planilha do ativo diferido e LALUR parte B, com a individualização do lançamento de cada valor recebido por ela por conta do distrato. Em 28/02/2011, a contribuinte requereu a juntada do documento por ela denominado “planilha do ativo diferido – Contribuição de Parceiros e P&D – Movimentação Contábil” (fls. 460/461). Em 14/03/2011, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal – fls. 476 (recebido em 17/03/2011, conforme AR de fls. 477)–, no qual restou assinalado: [...] INTIMAMOS o contribuinte acima identificado, no prazo de 5 (cinco) dias, a responder aos quesitos relacionados abaixo: 1) Por que razão o numerário de USD 57 milhões recebido da KHI e os bens recebidos da KAB não foram escriturados na mesma conta, já que em princípio possuem a mesma natureza jurídica, ou seja, compensação/indenização por conta da rescisão do contrato com a KAB? 2) O que são os valores escriturados na Conta 133023004 – Contribuição Parceiro e como estão vinculados às despesas com P&D escrituradas na Conta 133023001? 3) Os critérios e as variáveis que comandam a amortização das despesas com P&D são os mesmos que determinam a amortização dos valores de contribuição parceiro? 4) Que suporte legal autoriza a manutenção dessa conta redutora de Ativo Diferido, cuja “amortização” gera uma receita diferida? Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.025 10 Em 22 de março de 2011, por meio do documento de fls. 479/482, a contribuinte argumentou: que era importante destacar que os bens e valores recebidos da KHI/KAB não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de “indenização”, pois, se assim o fossem, não haveria incidência de imposto de renda e seus reflexos, dada a eminente natureza de recomposição de patrimônio; que os valores e bens oriundos do distrato mantiveram o reconhecimento, mensuração e evidenciação contábeis de cada compromisso contratual anterior nos quais tiveram origem; que os USD 57 milhões foram reconhecidos como valores a serem aplicados em gastos com pesquisa e desenvolvimento e, portanto, contabilizados reduzindo o diferido e os bens foram reconhecidos como complementação da contribuição de parceiros devida pela outra parte; que as contribuições de parceiros não possuem características de “doações” por parte dos fornecedores à Sociedade, visto que há uma obrigação contratual entre as partes, não configurando a liberalidade peculiar às operações de doações; que as contribuições de parceiros são efetuadas por contrato, em que há o pagamento de determinada quantia para o desenvolvimento de projetos, os quais ficam à disposição da Sociedade até o fim do desenvolvimento e a posterior venda de unidades (aeronaves), quando encerrase a fase préoperacional; que, conforme disposição contratual, as contribuições de parceiros podem ser reembolsadas aos respectivos fornecedores, caso haja desistência ou a não homologação do resultado do projeto (aditou que a Sociedade não possui disponibilidade jurídica e econômica das quantias em seu poder, face a contra obrigação contratual suspensiva); que, quando ocorre a condição suspensiva, como exemplo a homologação da aeronave, o negócio jurídico reputase perfeito e acabado; que, considerando a necessidade de atendimento ao princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis, a Sociedade realiza a reclassificação das contribuições de parceiros recebidas e contabilizadas no passivo exigível a longo prazo para o ativo diferido, como redutora das despesas próprias da Sociedade, para posterior amortização contábil, a fim de manter o critério de contraposição de receitas de vendas de aeronave com despesas com o projeto destas; que, a princípio, a classificação no ativo diferido atende ao artigo 179, inciso V, da Lei nº 6.404/76; que, considerando que as contribuições de parceiros não são aplicações de recursos próprios da Sociedade, mas contribuirão para formação do resultado de mais de um exercício social, estas podem ser classificadas como redutora (crédito) no ativo diferido; que essa situação implica na tributação “pro rata tempore” das receitas oriundas das contribuições de parceiros na apuração do lucro real e da CSLL, vez que estão sujeitas à amortização contábil da despesa classificada no ativo diferido, sendo este o procedimento que vem adotando, isto é, os critérios e as variáveis que comandam a amortização das despesas com P&D são os mesmos que determinam a amortização dos valores de contribuição de parceiros, caso se trate do mesmo Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.026 11 projeto, ressalvando que há outros projetos e gastos efetuados pela Sociedade em que não há vinculação com as contribuições de parceiros, estes por sua vez seguem a amortização normal no tempo; que, para fins fiscais, considerando a hipótese dada pela Lei 10.637/02, deduz, no LALUR, os dispêndios incorridos durante o exercício social que foram contabilmente ativados e nos exercícios da amortização desses diferimentos, são adicionados ao LALUR, enquanto os montantes referentes aos recebimentos dos parceiros são apropriados ao resultado contábil segundo a competência e considerados como tributáveis nesse mesmo momento. Na ocasião, requereu a juntada de exemplo de contabilização de contribuição de parceiros e gastos com pesquisa e desenvolvimento. Em 27/05/2011, foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 484), recepcionado em 02/06/2011, conforme AR de fls. 485, por meio do qual a contribuinte foi intimada a: 1] a confirmar as informações a seguir, prestadas durante procedimento fiscal anterior: a) O valor de USD 57 milhões recebido em espécie no ano de 2006 da empresa KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES. LTD (“KHI”) está sendo tributado “pro rata tempore” diretamente no resultado como “receita” de amortização segundo cronograma de entrega de aeronaves. Nessa sistemática, já teria sido oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, até dezembro de 2010, o valor de R$ 65.225.346,35; b) O valor de R$ R$ 20.104.550,58 recebido em ativos no mesmo ano da subsidiária brasileira KAWASAKI AERONÁUTICA DO BRASIL INDÚSTRIA LTDA (“KAB”) também estaria sendo tributado “pro rata tempore”, via redução do CPV, segundo mesmo plano de amortização da série de aeronaves. 2] a prestar informações complementares, conforme abaixo: a) Informar qual parcela do valor de R$ 20.104.550,58 já foi tributada até dezembro de 2010 via CPV. b) Sabendo que a EMBRAER recebeu os ativos da KAB já na fase operacional do programa em parceria, livre de condição suspensiva e, portanto com plena disponibilidade jurídica sobre os mesmos, por que o valor desses ativos não foi integralmente oferecido à tributação naquele exercício ? Por meio do documento de fls. 486/489, datado de 17/06/2011, a Recorrente, demonstrando entender que tinha havido conversão do procedimento administrativo de diligência para fiscalização, prestou, em apertada síntese, os seguintes esclarecimentos: que, por ocasião da realização do procedimento de diligência, haviam sido prestadas inúmeras informações acerca dos efeitos tributários e contábeis decorrentes do DISTRATO celebrado entre ela e as empresas KHI e KAB, e, a partir da alteração de MPFD para MPFF, a Fiscalização requer confirmação de informações que foram prestadas em outro contexto e sob a guarda de outra espécie de Mandado de Procedimento Fiscal; que confirmava as informações descritas nas letras “a” e “b” do item 1 do Termo de Início; Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.027 12 que, relativamente ao montante de R$ 20.104.550,58, informava que até dezembro de 2010 a parcela amortizada tinha sido de R$ 2.811.127,94; e que o tratamento contábil dado aos ativos recebidos da KAB seguiram a mesma sistemática aplicada a todos os bens recebidos em idêntica situação, mas que o tratamento fiscal atribuído foi aquele que melhor refletia a natureza do DISTRATO, assim considerado em sua totalidade, incluindo todas as previsões constantes daquele documento, qual seja, tratamento de indenização, que reflete com exatidão o contexto lá descrito. Em 25/07/2011, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal (fls. 501/507), recepcionado em 01/08/2011, conforme AR de fls. 508, por meio do qual a contribuinte foi instada a preencher determinadas planilhas, cujos dados diziam respeito aos valores recebidos da KHI e da KAB. Por meio do documento de fls. 509/510, datado de 11/08/2011, a contribuinte requereu a juntada das planilhas preenchidas, e, em correspondência protocolada em 15/08/2011, prestou esclarecimentos complementares relacionados às planilhas anteriormente entregues. Dos fatos que serviram de suporte para a imputação da infração feita pela Fiscalização, tomando por base os elementos descritos na peças acusatórias de fls. 1.205/1.239, destaco os seguintes: i) os valores recebidos pela autuada da KHI, assim como os ativos transferidos pela KAB, não foram contabilizados em conta de resultado, mas, sim, em contas de ATIVO DIFERIDO; ii) o montante de cinqüenta e sete milhões de dólares, recebido da KHI, foi registrado em conta redutora de despesas diferidas em P&D, enquanto os ativos transferidos pela KAB foram registrados na conta das denominadas CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS DIFERIDAS; iii) em suma, o tratamento contábil que foi dado ao numerário recebido da KHI é, em essência, o mesmo que foi dispensado aos ativos recebidos da KAB, isto é, ambos foram levados a resultado, aos poucos, via amortização de contas do ativo diferido; iv) para a Fiscalização, as denominadas CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS, a partir do momento em que a contribuinte adquire disponibilidade econômica e jurídica sobre elas, passam a integrar seu patrimônio e tornamse, diferentemente do entendido pela autuada, recursos próprios da sociedade; v) ao reduzir os gastos de P&D com os recebimentos de futuros fornecedores, a autuada pretendeu dar aspecto de legalidade para uma prática contábil para a qual inexiste base legal, pois, enquanto os gastos ativados podem ser amortizados conforme as aeronaves são comercializadas, os valores recebidos dos parceiros devem ir a resultado segundo a sua competência, isto é, a partir do momento em que fique afastada a hipótese de devolução dos valores recebidos; vi) a resposta apresentada pela fiscalizada, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, no sentido de que os recursos entregues pela KAWASAKI tinham natureza de indenização, revelou contradição em relação ao anteriormente informado, visto que, na resposta apresentada em 22 de março de 2011, ela havia afirmado exatamente o contrário, isto é, que os valores em questão não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de indenização; e Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.028 13 vii) o DISTRATO referenciado pela fiscalizada qualifica os recursos entregues pela KAWASAKI como sendo referentes à COMPENSAÇÃO, e não INDENIZAÇÃO, sendo correta a escolha do termo, pois, se não houve recomposição patrimonial, não cabe falar em indenização. Concluindo, como visto, que os recursos recebidos da KAWASAKI tiveram o mesmo tratamento contábil dos demais créditos oriundos de operações com parceiros e entendendo que referido tratamento não tinha suporte legal, a Fiscalização, identificando postergação no reconhecimento dos montantes recebidos, partiu para a quantificação dos referidos valores que foram recebidos no ano de 2006, recompôs o resultado contábil do citado ano e recalculou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Retomando a questão relacionada ao fato de a ação fiscal levada a efeito na Recorrente ter sido iniciada na modalidade diligência e, depois, ter sido transformada em Fiscalização, entendo que tais modalidades, quais sejam, DILIGÊNCIA e FISCALIZAÇÃO, dizem respeito única e exclusivamente aos controles administrativos internos do Fisco, e não devem e nem podem produzir efeito de qualquer natureza na conduta do diligenciado ou fiscalizado, isto é, revela se absolutamente inaceitável que o contribuinte submetido qualquer dos procedimentos referenciados, relativamente ao mesmo fato objeto de questionamento por parte da autoridade fiscal, tenha um tipo distinto de resposta para cada uma dessas modalidades. Destaco, pois, relativamente aos valores entregues pela KAWASAKI, a evidente contradição entre as respostas apresentadas pela autuada em 22 de março de 2011, no curso da diligência fiscal, e a que foi dada em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal. Com efeito, por ocasião da diligência fiscal, a contribuinte afirmou que os bens e valores recebidos da KHI/KAB não foram contabilizados de acordo com a natureza jurídica de “indenização”, pois, se assim o fossem, não haveria incidência de imposto de renda e seus reflexos, dada a eminente natureza de recomposição de patrimônio, depois, instaurado o procedimento fiscal e intimada a ratificar as informações anteriormente apresentadas, simplesmente afirmou que, aos valores recebidos, foi dado tratamento de INDENIZAÇÃO. A linha de defesa da Recorrente, portanto, é direcionada no sentido de que os valores e ativos recebidos enquadramse como INDENIZAÇÃO. Em nítida contradição em relação ao que havia informado anteriormente à autoridade fiscal, a Recorrente afirma que “pretendeu a Turma Julgadora, com seu “jogo de palavras” (indenizar x compensar), camuflar o direito da Recorrente de não oferecer os referidos valores à tributação, na medida em que estes não correspondem a ganhos tributáveis.” Não obstante a referida contradição, que, sem dúvida, contamina com um certo grau de incerteza os pronunciamentos da fiscalizada, penso que, no que diz respeito aos recursos repassados pela KAWASAKI HEAVY INDUSTRIES LTD (KHI) e aos ativos transferidos pela KAWASAKI AERONÁUTICA DO BRASIL INDÚSTRIA LTDA (KAB), o que cabe apreciar é se constam dos autos elementos capazes de efetivamente criar a convicção de que eles, os recursos financeiros e os ativos, foram repassados para fins de recomposição patrimonial da Recorrente, revelandose, assim, ausente o acréscimo patrimonial autorizador da tributação pretendida pelo Fisco. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.029 14 Em atendimento à diligência fiscal requerida por esta Turma Julgadora, a contribuinte apresentou, devidamente traduzido por tradutor juramentado, o documento que motivou a entrega de recursos por parte da KHI e a transferência de ativos feita pela KAB, denominado LETTER OF AGREEMENT (fls. 1.761/1.772). Analisando o referido documento, extraio os seguintes elementos: a) os fatos que proporcionaram a entrega de recursos e a transferência dos ativos foram a rescisão antecipada de contratos de fornecimento e assistência firmados com a KAB, e a rescisão parcial e a reforma de contrato assinado anteriormente com a KHI; b) na cláusula I, relativo à RESCISÃO DOS CONTRATOS DA KAB, resta assinalado: [...] 1.2 Como condição precedente para que a Embraer aceite a rescisão dos Contratos da KAB, e como reembolso da KAB para a Embraer de todos os custos e despesas em que a Embraer possa a vir a incorrer em função da referida rescisão, deverá a KAB: i) efetuar (ou providenciar que a KHI efetue em nome da KAB) os pagamentos dos montantes especificados na Seção III, cláusula 3.2 abaixo; e (ii) transferir para a Embraer, a título gratuito, todos os ativos relativos à montagem dos Produtos, localizados nas Instalações da KAB, inclusive, mas, não apenas, ferramentas, aparelhos, dispositivos, máquinas, computadores, móveis, equipamentos de transportes e manuseio de asas, etc. (adiante designados “Ativos”), na condição em que se encontram e isentos de gravames e penhores; no entanto, fica estabelecido que nada nesta cláusula 1.2 terá o condão de limitar os direitos da Embraer previstos nas Seções V e VI desta Carta Convênio1, nem os previstos na cláusula 6.4 do Contrato de Programa Piloto2. Uma lista completa dos Ativos a serem transferidos consta aqui em apenso na forma de Anexo I (“Lista de Ativos”). As Partes reconhecem que aprovarão reciprocamente o conteúdo do Anexo I no prazo de 15 (quinze) dias da assinatura desta Carta Convênio, antes e como condição à aceitação da Embraer da transferência dos Ativos. c) a cláusula 3.1 do acordo, que trata do VALOR DE LIQUIDAÇÃO, estabelece que em decorrência do, entre outros, descumprimento generalizado dos termos dos contratos, a KHI e a KAB pagariam à Recorrente a importância de US$ 5.870.000 (cinco milhões, oitocentos e setenta mil dólares americanos), até 19 de maio de 2006, ficando consignado que, caso o referido pagamento não fosse feito no vencimento, o valor seria acrescido de juros, na forma estabelecida na cláusula 6.5.6 do denominado Contrato de Programa Piloto; d) na cláusula 3.1.2, resta assinalado que, mediante o pagamento do Valor de Liquidação (US$ 5.870.000), a Recorrente liberaria a KAB e a KHI, de modo que elas não teriam mais quaisquer obrigações a respeito dos itens apontados na cláusula 3.1, incorridas até 17 de março de 2006; e) a cláusula 3.2, que trata de PAGAMENTO DE COMPENSAÇÃO, registra: 1 As seções V e VI referenciadas tratam do compomisso da KHI em indenizar, defender e isentar a Recorrente, em razão de eventuais danos provocados pelo acordo (Seção V), e de garantias dadas pela KHI em relação às obrigações da KAB estabelecidas no mesmo acordo (seção VI). 2 A cláusula 6.4 do denominado Contrato de Programa Piloto (MASTER PROGRAM CONTRACT) trata das reparações decorrentes do DESCUMPRIMENTO do pactuado referido acordo. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.030 15 Além do acima exposto, a KHI e a KAB pagarão à Embraer a importância de US$ 57.000.000 (cinqüenta e sete milhões de dólares), adiante designado “Pagamento de Compensação”, para cobrir os Custos Não Recorrentes em que a Embraer possa a vir a incorrer como resultado dos Contratos da KAB e da redução do escopo de serviços do Contrato de Programa Piloto. Vêse, pois, que os recursos financeiros repassados pela KHI e os ativos transferidos pela KAB representaram uma espécie de compensação em virtude de rescisões, total e parcial, de contratos anteriormente firmados. Observese que o acordo firmado entre as partes faz referência a custos e despesas que a Embraer possa vir a incorrer e à transferência a título gratuito. Tais aspectos são relevantes na medida em que afastam, por completo, a tese da defesa de que, no caso, estamos diante de reparação patrimonial. É importante frisar que, no instituto da INDENIZAÇÃO, seja para reparar danos, seja visando o reembolso de custos ou despesas, para que se possa falar em neutralidade do ponto de vista da tributação da renda, é essencial que a percepção dos recursos esteja diretamente vinculada a uma saída anterior, previamente determinada. Ainda que se possa falar em um dano futuro, é primordial que ele, esse dano futuro, seja prédeterminado. Não identifico no instrumento que lastreou as transferências de recursos para a Recorrente (LETTER OF AGREEMENT), nenhum indicativo de que referidas transferências estavam vinculadas à obrigação de qualquer natureza, de modo que a decisão acerca da destinação dos recursos recebidos decorreu da sua livre vontade, porém, é certo que tal destinação, na medida em que provocou efeitos tributários contrários á legislação de regência, ao menos do ponto de vista do Fisco, não pode ser admitida. Além da não identificação de vinculação entre os recursos recebidos e obrigações assumidas por parte da Recorrente, o que poderia justificar o critério adotado por ela para registrar contabilmente tais recebimentos, cumpre ressaltar que o acordo firmado entre ela, a KHI e a KAB, é induvidoso acerca da natureza dos valores transferidos, eis que os trata como condição prévia para a rescisão e reformulação dos contratos e como PAGAMENTO DE COMPENSAÇÃO, e, ao tratar de INDENIZAÇÃO, o faz em cláusulas próprias, que não guardam relação direta com o montante pago em dinheiro e os ativos transferidos. Repiso, pois que a decisão da Recorrente de classificar os recebimentos da KHI e da KAB como recursos destinados a P&D ou como contribuição de parceiros não foi vinculada a qualquer instrumento contratual, decorrendo, pois, da sua autonomia de vontade. No caso específico da CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS, não identifico nos autos, especialmente nos contratos anexados a partir da realização da diligência, qualquer indicação de que os recursos recebidos estariam vinculados a acordos dessa natureza, de modo que, não obstante a densa e excelente descrição acerca da natureza, das condições e do tratamento contábil dispensado aos recursos recebidos a esse título, não há prova no processo de que os montantes questionados pela Fiscalização estavam vinculados a qualquer tipo de contrato. Portanto, relativamente aos recursos recebidos pela Recorrente da KHI e da KAB, tenho por correto o procedimento adotado pela Fiscalização, vez que Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.031 16 referidos recursos efetivamente deveriam ter sido computados no resultado no ano de 2006. O pronunciamento acima transcrito, além de demonstrar que, ao contrário do sustentado na peça de embargos, a prestação de esclarecimentos contraditórios no curso da Fiscalização não constituiu elemento essencial na definição da natureza dos valores em discussão, revela que a análise foi lastreada em inúmeros elementos, tornando absolutamente dispensável a apreciação do documento denominado MEMORANDO DE ATIVAÇÃO DO PROJETO MAP 10602. i.2) Juros Isolados argumenta a embargante que o Conselheiro Relator furtouse de analisar as alegações de que: a) não houve equívoco na defesa em face da cobrança de juros sobre a multa de ofício; e b) a cobrança dos juros isolados decorre unicamente das demais infrações atribuída à ela, para as quais se apresentou a competente defesa. Relativamente à matéria em destaque (JUROS ISOLADOS), o acórdão embargado assinala: JUROS ISOLADOS Argumenta a Recorrente que apresentou defesa relativamente aos juros isolados, de modo que não há que se aceitar o entendimento esposado na decisão recorrida no sentido de que ela teria silenciado quanto a tal matéria. Diz que, quando da apresentação de sua impugnação, expressamente mencionou que não poderia subsistir, também, a cobrança dos juros isolados, como decorrência do quanto exposto com relação à improcedência dos lançamentos relativos aos “créditos de parceiros”. Registro que o que consta assinalado na decisão recorrida é o seguinte: “De plano, consignese o manifesto equívoco da defesa em se insurgir contra lançamentos de juros isolados sobre multa de ofício, quando, na verdade, os lançamentos efetuados pelo Fisco referemse a juros isolados sobre o principal (tributo)”. (GRIFOS DO ORIGINAL). Perscrutando a peça impugnatória apresentada, penso que não seja merecedor de qualquer reparo o afirmado no ato decisório recorrido. Com efeito, as referências feitas pela Recorrente aos juros isolados se deram, unicamente, em dois momentos, quais sejam: a) ao sustentar a ocorrência de decadência, em que simplesmente reproduziu os termos da autuação; e b) no pedido formulado na peça de defesa, em que assinalou: “...requer a Impugnante sejam acolhidas as razões aqui expostas, que levarão à decretação da improcedência integral dos presentes lançamentos, extinguindose, por consequência, os créditos tributários de IRPJ; de CSLL e os juros isolados exigidos, arquivandose, por consequência, o respectivo processo administrativo. Resta evidente, pois, que a matéria não foi contestada. Diante de tal circunstância, cabe apenas considerar que, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar seá não impugnada, decorrendo daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.032 17 Como se vê, a embargante pretende, mais uma vez, rediscutir a matéria pela via estreita do recurso interposto, o que, à evidência, não é possível. Cabe destacar que, não tendo sido conhecida a matéria já em primeira instância, descabe falar em omissão na apreciação das razões trazidas em sede de recurso voluntário. ii) Contradição: Vícios de Fundamentação (MPF) Sustenta a embargante que o Conselheiro Relator, ao mesmo tempo em que afirma que não há respaldo nos autos para a alegação de que a Turma Julgadora (de primeira instância) deixou de analisar a preliminar suscitada, acaba também por assumir que a decisão de primeira instância demonstrou uma certa incompreensão acerca da matéria. Inexistente a contradição apontada. Com efeito, o que o voto condutor do acórdão embargado assinala é que, diante da confusa argumentação expendida pela contribuinte na peça impugnatória, a autoridade julgadora de primeira instância revelou uma certa dificuldade para entender a tese de defesa, mas que isso, essa "incompreensão", não a impediu de, a partir de uma adequada análise acerca da regularidade do procedimento, rejeitar a nulidade suscitada. Como registrado na própria peça de embargos, a incompreensão em primeira instância acerca do que a contribuinte denominou "vício de fundamentação" encontrou justificativa na total improcedência da argumentação, motivo pelo qual foi considerada "razoável" pelo acórdão embargado. iii) Obscuridade: Contribuição de Parceiros Alega a embargante que não ficou claro o motivo pelo qual o Conselheiro Relator negou provimento ao recurso voluntário relativamente ao item em questão. Para sustentar a sua incompreensão acerca dos fundamentos da decisão, ela, a embargante, coloca em confronto os seguintes fragmentos do voto condutor correspondente: TEXTO 1 No caso específico da CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS, não identifico nos autos, especialmente nos contratos anexados a partir da realização da diligência, qualquer indicação de que os recursos recebidos estariam vinculados a acordos dessa natureza, de modo que, não obstante a densa e excelente descrição acerca da natureza, das condições e do tratamento contábil dispensado aos recursos recebidos a esse título, não há prova no processo de que os montantes questionados pela Fiscalização estavam vinculados a qualquer tipo de contrato. TEXTO 2 Irretocável, a meu ver, a análise promovida em primeira instância, eis que absolutamente improcedente a tentativa da Recorrente de emprestar tratamento idêntico a situações absolutamente distintas. Com efeito, o que foi objeto de questionamento pela Fiscalização não foi o tratamento contábil dispensado às inversões de capital e aos custos associados aos projetos de P&D, mas, sim, o tratamento tributário que a Recorrente pretendeu dar às receitas surgidas a partir de contribuições de parceiros que, antes, estavam submetidas à condição suspensiva. Correto, pois, a meu ver, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.033 18 A embargante extrai fragmentos do voto condutor do acórdão contestado e, fora do contexto em que eles estão inseridos, alega que restam obscuros os fundamentos da decisão proferida. Nada mais razoável, pois, confrontar textos sem levar em consideração o contexto em que eles se encontram, pode, sim, gerar obscuridades. O primeiro texto relacionase às respostas da contribuinte à Fiscalização no sentido de que os recebimentos da KHI e da KAB foram classificados como recursos destinados a P&D ou como CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS. Nele, fezse a ressalva de que, não obstante a densa e excelente descrição acerca do tratamento dispensado aos recursos recebidos a esse título, não foi carreado ao processo prova de que os MONTANTES QUESTIONADOS PELA FISCALIZAÇÃO estavam vinculados a qualquer tipo de contrato. O segundo texto trata dos DEMAIS RECURSOS registrados a título de CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS, sendo que, neste caso, a embargante limitase a reproduzir a parte final da análise, deixando de transcrever os excertos onde os fundamentos relacionados ao item (DEMAIS RECURSOS REGISTRADOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO DE PARCEIROS) foram devidamente declinados, senão vejamos: No que tange aos demais recursos registrados a título de CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS, registro inicialmente que, embora intimada por meio da diligência requerida por esta Turma Julgadora, a Recorrente não aportou aos autos nenhum contrato representativo dos denominados ACORDOS DE PARCERIA DE RISCO, o que, à evidência, fragiliza a tese esposada na peça recursal acerca do diferimento da tributação dos valores recebidos e registrados a esse título (contribuição de parceiros). (GRIFO DO ORIGINAL) A situação fática relacionada às denominadas CONTRIBUIÇÕES DE PARCEIROS, a sua correlação com as normas contábeis e o adequado tratamento tributário, foram, a meu ver, brilhantemente enfrentadas na instância a quo, de modo que é com base na análise espelhada no voto condutor correspondente que eu aprecio a matéria. A situação fática pode assim ser resumida: fornecedores (parceiros) aportaram recursos à Recorrente para que ela pudesse implementar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) necessários à fabricação das aeronaves das “famílias” 145 e 170/190. A exigibilidade de tais recursos ficou sob condição suspensiva, visto que a Recorrente só arcaria com o pagamento deles caso os projetos das aeronaves não fossem aprovados e, conseqüentemente, o produto final (avião) não fosse certificado. No caso de aprovação dos projetos e certificação do produto, os recursos fornecidos pelos parceiros ficariam definitivamente transferidos para a Recorrente, sem ônus3. Portanto, a Recorrente só restitui os recursos recebidos dos parceiros no caso de o empreendimento não lograr êxito. Ocorrendo a certificação, deixa de existir a obrigatoriedade de pagamento, de modo que os recursos fornecidos incorporamse ao patrimônio da Recorrente, de forma gratuita. 3 Justificando tal fato, o voto condutor da decsião de primeira instância reproduz a seguinte passagem da defesa apresentada pela autuada: a “certificação de um determinado modelo [de aeronave] representa também um fluxo futuro de receitas para os parceiros envolvidos, uma vez que os parceiros se beneficiam com a venda de motores, componentes hidráulicos, sistemas eletrônicos de aviação, asas, interiores e partes da fuselagem e da cauda”. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.034 19 No presente caso, não existe controvérsia de que, a partir do momento desaparecimento da obrigação da Recorrente com os ditos parceiros, os valores recebidos transformamse em RECEITAS. O questionamento feito pela Fiscalização disse respeito ao momento em que esta receita deveria ser computada no resultado. Para ela, no exato momento do seu surgimento, enquanto que para a Recorrente, somente por ocasião da venda das aeronaves. O ato decisório recorrido alinhouse ao entendimento esposado pela Fiscalização, servindose, para tanto, em apertada síntese, dos seguintes fundamentos: i) a discussão centrase na receita obtida pela Recorrente por força do desaparecimento da condição que existia em relação aos recursos fornecidos pelos seus parceiros, e não em torno da apropriação do capital e custos dos projetos de P&D; ii) em um primeiro momento, o fornecimento de recursos foi feito com ônus, o que levou a Recorrente a registrar as operações no passivo, posteriormente, desaparecendo a condição suspensiva, a obrigação deixou de existir, momento em que surgiu a receita, que deveria ser reconhecida em obediência ao regime de competência; iii) revelase, assim, sem respaldo, o entendimento da Recorrente de que tais receitas, que ela própria reconhece como existentes, somente sejam apropriadas (e tributadas) por ocasião da venda das aeronaves, como se a elas fossem vinculadas; iv) resta induvidoso que os fornecedores da Recorrente registraram a finalização da operação como PERDA, pois é disso que trata a situação; v) não existe amparo legal que permita deslocar a tributação de tais receitas para o momento da venda das aeronaves; vi) as inversões feitas no projeto, controladas no ativo intangível, podem e devem ser amortizadas conforme comercialização futura das aeronaves resultantes de tais projetos, respeitado o prazo previsto na legislação, entretanto, os valores aportados pelos denominados PARCEIROS e que deixaram de ser exigíveis, passando a compor, graciosamente, sem ônus, o patrimônio da Recorrente, devem compor o resultado no momento da sua ocorrência. Irretocável, a meu ver, a análise promovida em primeira instância, eis que absolutamente improcedente a tentativa da Recorrente de emprestar tratamento idêntico a situações absolutamente distintas. Com efeito, o que foi objeto de questionamento pela Fiscalização não foi o tratamento contábil dispensado às inversões de capital e aos custos associados aos projetos de P&D, mas, sim, o tratamento tributário que a Recorrente pretendeu dar às receitas surgidas a partir de contribuições de parceiros que, antes, estavam submetidas à condição suspensiva. Correto, pois, a meu ver, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Vêse, assim, que a obscuridade apontada pela embargante só subsiste na circunstância em que se compara, fora do contexto em que foram emitidos, os pronunciamentos em discussão. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13864.720159/201197 Acórdão n.º 1301001.919 S1C3T1 Fl. 2.035 20 Pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de REJEITAR os EMBARGOS interpostos. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10880.009231/2002-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.133
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Fábio Nieves Barreira Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalização da Resolução
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 24/08/2015.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Fábio Nieves Barreira Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalização da Resolução Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 24/08/2015.
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(assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Fábio Nieves Barreira – Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalização da Resolução Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 24/08/2015. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 09 23 1/ 20 02 -4 4 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 489 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração eletrônico (fls. 22 a 36), lavrado em 09.05.2002, decorrente de auditoria interna das DCTF dos 3º e 4º trimestres do ano calendário 1997, entregues pelo contribuinte acima identificado. O lançamento se refere a quatro débitos de CSLL estimativa (código 2484) para os quais o contribuinte informou em DCTF suspensão de exigibilidade por decisão judicial (Anexo I, fls. 26 a 28). Os processos judiciais informados pelo contribuinte não foram comprovados, e por isso os valores declarados foram considerados como devidos, sendo exigidos juntamente com multa de ofício de 75% e juros de mora (Anexo III, fl. 30). O valor do principal do auto de infração é de R$ 180.854,83, com multa de ofício vinculada de R$ 135.641,12 e juros de mora calculados até 31.05.2002. A ciência do contribuinte, do auto de infração, se deu em 11.06.2002, e em 11.07.2002 apresentou impugnação (fls. 04 a 06). Alega que os débitos lançados estão com a exigibilidade suspensa por conta de depósitos efetuados no processo judicial nº 95.354667, em trâmite na 8ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo. Anexa documentos. Requer a extinção do procedimento fiscal. Em 14.09.2010 foi exarado despacho pela autoridade fiscal (fl. 402), relatando que o contribuinte desistiu do mandado de segurança nº 95.00354667 para adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, porém não apontou os débitos objeto do auto de infração no Anexo III do parcelamento. Informa ainda que os depósitos judiciais (fls. 184 a 186) foram efetuados nas datas e valores corretos, porém sua realização se deu no Banco do Brasil, e não na Caixa Econômica Federal, conforme determinava o artigo 1º do DecretoLei nº 1.737/79. Para realizar o depósito no Banco do Brasil, seria necessária autorização específica. Acrescenta que a realização dos depósitos no Banco do Brasil impossibilita a verificação de sua existência e do seu saldo atualizado. Conclui que os débitos não estão com a exigibilidade suspensa por medida judicial, e encaminha o processo a esta DRJ para apreciação da impugnação. Em 02.09.2011, por meio do Despacho nº 59/2011 7 ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 422 e 423), o processo foi encaminhado em diligência à Derat/SPO, para que se verificasse junto ao Banco do Brasil a situação dos depósitos em questão, inclusive quanto ao seu saldo atualizado ou, eventualmente, ao seu levantamento ou conversão em renda. Determinouse Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 490 3 ainda que o contribuinte fosse intimado para que tivesse ciência do despacho de fl. 402, do Despacho nº 59/2011 e do resultado da diligência, facultandolhe apresentar manifestação, inclusive com juntada de documentos. À fl. 424 consta ofício da autoridade preparadora ao Banco do Brasil, solicitando o extrato atualizado da conta de depósito judicial referente ao Mandado de Segurança nº 95.00354667. O contribuinte também foi intimado (fl. 425) a apresentar o extrato atualizado da conta judicial. Em resposta à intimação (fls. 426 a 428) o contribuinte encaminha telas de consultas realizadas em outubro de 2011 dos dados cadastrais e do saldo corrigido da conta 0265.635.00281179, da Caixa Econômica Federal, referente ao processo judicial nº 95.00354667, constando um depósito realizado em 27.10.2009 de valor original R$ 1.476.029,98 e saldo corrigido de R$ 1.773.450,02. Às fls. 429 e 430 encontrase consulta ao sistema Sinal08 realizada em 03.11.2011, demonstrando a existência de um depósito judicial em nome do contribuinte referente ao processo 95.00354667, no valor de R$ 1.476.029,98. Cientificado dos despachos exarados no processo e facultada sua manifestação (fl. 431 e 432), o contribuinte apresenta suas considerações (fls. 433 a 435), juntando documentação (fls. 436 a 456). Afirma que ficou demonstrado ter efetuado os depósitos judiciais nas datas e valores corretos no Banco do Brasil, e que em 27.10.2009 transferiu os valores para a Caixa Econômica Federal (CEF). Junta extratos para demonstrar os depósitos referentes aos débitos de CSLL do 3º trimestre de 1997, nos montantes de R$ 76.360,25, R$ 48.220,18 e R$ 35.002,03, efetuados respectivamente em 29.08.1997, 30.09.1997 e 31.10.1997, e a transferência dos valores corrigidos em 27.10.2009 para conta mantida na CEF. Com isso, entende ficar evidenciado que os valores depositados na CEF correspondem aos débitos discutidos nestes autos, o que deve ser considerado para fins de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, bem como para, no momento seguinte, a extinção do crédito tributário, mediante a conversão em renda dos depósitos e, eventualmente, o levantamento de valores que superem o débito fiscal. Informa que peticionou ao Juízo do Mandado de Segurança nº 003546645.1995.4.03.6100 para que se oficie à Caixa Econômica Federal para apresentação dos extratos contendo os valores atualizados dos depósitos efetuados nas contas vinculadas ao processo judicial, tendo em vista que houve a transferência de valores referentes a mais de uma empresa, entre as quais a transferência do montante de R$ 478.781,35, correspondente aos débitos em questão, corrigidos. A impugnação foi julgada parcialmente improcedente, pelas seguintes razões: “A impugnação é tempestiva, pelo que dela tomo conhecimento. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 491 4 Observo inicialmente que, apesar de requerer a “extinção do procedimento fiscal”, o contribuinte em nenhum momento contesta os valores lançados a título de principal. A constituição do crédito tributário pelo lançamento, nos casos em que a exigibilidade do crédito esteja suspensa por medida judicial, deve ser realizada sem a imposição da multa de ofício, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (...) Dessa forma, não há razão para cancelar os lançamentos realizados, mas para cancelar a multa de ofício, caso se comprove a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ao tempo do lançamento. Vejamos, assim, se esta é a hipótese a ser considerada no presente processo. Nos termos do artigo 1º do DecretoLei nº 1.737/79, os depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade de tributos federais deveriam obrigatoriamente ser realizados na Caixa Econômica Federal: Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Tal obrigatoriedade também veio prevista na Lei nº 9.703/98: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 492 5 (...) Não havia previsão, portanto, para a realização de depósitos junto ao Banco do Brasil. Ocorre que a Medida Provisória nº 468, de 31.08.2009 (convertida na Lei nº 12.099, de 27.11.2009), determinou a transferência à CEF dos valores depositados em outra instituição financeira, e com isso convalidou a efetivação dos depósitos realizados no Banco do Brasil, desde que transferidos para a Caixa Econômica Federal: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais realizados em desacordo com a Lei no 9.703, de 17 de novembro de 1998, bem como os efetuados antes de 1o de dezembro de 1998 em outra instituição financeira, serão transferidos para a Caixa Econômica Federal. § 1o Os depósitos de que trata o caput serão transferidos pela Caixa Econômica Federal, no mesmo dia de sua recepção, à Conta Única do Tesouro Nacional. § 2o A partir da transferência de que trata o § 1o, aplicamse aos depósitos judiciais e extrajudiciais referidos no caput os procedimentos previstos na Lei nº 9.703, de 1998. Dos documentos juntados aos autos (fls. 437 a 451), verifico que o contribuinte comprovou a realização de depósitos no Banco do Brasil referentes aos períodos de apuração julho a setembro de 1997, bem como o seu resgate em 27.10.2009. O depósito realizado na Caixa Econômica Federal foi realizado na mesma data do resgate no Banco do Brasil. Não é possível afirmar, no entanto, que os depósitos foram transferidos na sua totalidade para a Caixa Econômica Federal, já que, como explica o próprio impugnante, a conta da CEF recebeu valores das várias empresas que constam como litisconsortes na ação judicial, por meio de um único depósito. Além disso, não há extrato referente ao mês de outubro de 1997. Dessa forma, com os elementos que constam nos autos, não é possível reconhecer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários no momento do lançamento. De todo modo, a multa de ofício deve ser exonerada. Com o advento do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, o lançamento em questão, baseado no artigo 90 da MP 2.158/2001, passou a ser desnecessário: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 493 6 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Assim, os débitos informados em DCTF passaram a ser objeto de inscrição direta em dívida ativa, com incidência de multa e juros de mora. Dessa forma, deve ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, prevista no artigo 106 do CTN, em relação à multa de ofício: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Caberá à unidade de origem cobrar a multa de mora, caso o contribuinte não comprove, no momento da cobrança, que o valor depositado na Caixa Econômica Federal abarca os depósitos relativos aos períodos de apuração lançados.” Do exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, exonerando a multa de ofício exigida. A recorrente interpôs Recurso Voluntário, consoante as razões abaixo: “NECESSIDADE DO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO 6. Conforme afirmado na própria decisão ora recorrida, dos documentos acostados aos autos resta comprovado que os valores que compõem o presente Auto de Infração foram objeto de depósitos judiciais nas datas e valores corretos no Banco do Brasil e não na Caixa Econômica Federal, o que se verifica do trecho da decisão abaixo: ‘Dos documentos juntados aos autos (fls. 437 a 451), verifico que o contribuinte comprovou a realização de depósitos no Banco do Brasil referentes aos períodos de apuração julho a setembro de 1997, bem como o seu resgate em 27.10.2009. O depósito realizado na Caixa Econômica Federal foi realizado na mesma data do resgate no Banco do Brasil.’ 7. Diante disso, restou demonstrado através dos extratos bancários acostados aos autos que foi realizado os depósitos de todo o valor referentes aos débitos de CSLL do 3º trimestre de 1997, nos montantes de R$ 74.360,25, R$ 48.220,18 e R$ 35.002,03 efetuados respectivamente em 29/08/1997, 30/09/1997 e 31/10/1997. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 494 7 8. Além disso, conforme expresso na decisão recorrida, restou comprovado que todo o depósito existente na conta do Banco do Brasil fora devidamente transferido na data de 27/10/2009 para a conta mantida na Caixa Econômica Federal. 9. Não obstante o Julgador de primeira instância constatar que na mesma data em que houve o resgate dos valores depositados na conta do Banco do Brasil houve o depósito na conta da Caixa Econômica Federal, em total contradição ao entendimento exposto, bem como aos documentos acostados nos autos, entendeu por bem manter a autuação fiscal no tocante ao tributo cobrado, tendo em vista o argumento de que não estaria demonstrada a transferência da totalidade dos valores depositados, conforme se observa do trecho da decisão abaixo: ‘Não é possível afirmar, no entanto, que os depósitos foram transferidos na sua totalidade para a Caixa Econômica Federal, já que, como explica o próprio impugnante, a conta da CEF recebeu valores das várias empresas que constam como litisconsortes na ação judicial, por meio de um único depósito. Além disso, não há extratos referente ao mês de outubro de 1997.’ 10. Ora, conforme pode ser verificado do trecho acima transcrito existe verdadeira contradição na decisão proferida, uma vez que, de um lado, o Julgador afirma que houve a transferência de todo o valor depositado na conta mantida no Banco do Brasil para a conta mantida na Caixa Econômica Federal, porém, de outro lado, afirma não ser possível verificar se houve a transferência em sua totalidade. 11. Ressaltese que o próprio extrato do Banco do Brasil demonstra que a totalidade dos valores ali depositados foram objeto de resgate na mesma data em que fora realizado a abertura e o depósito na conta da Caixa Econômica Federal, de sorte que não pode servir como fundamento para a manutenção da autuação fiscal o argumento utilizado pelo Julgador Tributário. 12. Dessa forma, da simples análise dos extratos do Banco do Brasil devidamente acostados aos autos comprovase que em 27.02.2009 fora transferido integralmente os valores depositados naquela conta, restando um saldo final de R$ 0,00 na conta do Banco o Brasil. 13.Diante disso, não há como prosperar o entendimento de que não estaria comprovado nos autos a transferência da totalidade dos valores, uma vez que pelo simples fato de restar um saldo final zerado naquela conta é prova suficiente de que a totalidade dos valores foram devidamente transferidos. 14.Notese que de acordo com os extratos do Banco do Brasil é possível verificar os valores depositados originalmente, as datas em que os depósitos ocorreram e os valores referentes aos juros até a data de 27/10/2009, ocasião em que houve a transferência dos montantes integrais para a conta mantida na Caixa Econômica Federal, o que foi devidamente constatado pelo Julgador Tributário na decisão ora combatida, razão pela qual a decisão deve ser reformada e o lançamento fiscal cancelado. 15. Importa destacar que, em razão da Recorrente ter aderido ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.914/2009, os referidos valores Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 495 8 serão convertidos em renda extinguindo como conseqüência este crédito tributário, devendo, portanto, ser reconhecido neste processo a integralidade dos valores transferidos para a Caixa Econômica Federal, conforme se depreende do extrato do Banco do Brasil. 16. Com efeito, não reconhecer a totalidade da transferência dos valores depositados na conta do Banco do Brasil para a conta da Caixa Econômica Federal caracteriza verdadeira contradição contida na decisão proferida, uma vez que o próprio Julgador reconhece a existência do depósito integral realizado na conta do Brasil para fins de excluir a aplicação da multa de mora, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de sorte que a obrigação principal também há de ser cancelada em razão dos mesmos depósitos comprovados. 17. Ressaltese que de acordo com os ensinamentos do Celso Antônio Bandeira de Mello os atos administrativos devem ser motivados, sob pena de caracterizar sua invalidade: ‘Parecenos que a exigência de motivação dos atos administrativos, contemporâneos à prática do ato, ou pelo menos, anterior a ela, há de ser tida como regra geral, pois os agentes administrativos não são "donos" da coisa pública, mas simples gestores de interesse de toda a coletividade (...) Acresce que, se os próprios julgamentos proferidos pelo Poder Judiciário devem se fundamentados, pena de nulidade (art. 93, IX, da Constituição e Código de Processo Civil, art. 458, II), e as decisões administrativas dos Tribunais terão de ser motivada (inciso X do citado art. 93), a fortiori deverão sêlo os atos administrativos oriundos de qualquer outros Poderes.’ 18. Diante disso, resta nítido que não há fundamento para o não reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos créditos objeto do presente auto de infração, os quais serão posteriormente convertidos em renda para extinção do crédito tributário. 19. Nesse sentido, cumpre ser mencionado o entendimento do próprio Conselho de Recursos Fiscais, o qual é claro ao se manifestar pela suspensão da exigibilidade do crédito quando demonstrada a existência do depósito judicial: (...) 20. Ademais, a título de argumentação, mister se faz mencionar que caso a decisão administrativa não seja reformada para cancelar o crédito tributário, então, no mínimo, esta deve ser anulada, tendo em vista a contradição nos argumentos utilizados pelo Julgador para o cancelamento da multa e para a manutenção da obrigação principal.” Em razão da sucumbência, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 496 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar a Resolução. Formalizo esta resolução por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, ocorrida em 12/08/2015, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Fábio Nieves Barreira, por ocasião do julgamento realizado em 12/02/2014, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. A manifestação de voto abaixo foi consignada pelo Conselheiro relator durante a sessão e consta dos respectivos arquivos do CARF, tendo sido meramente reproduzida por mim, redator ad hoc para efeitos de formalização da presente Resolução. Voto do Conselheiro Fábio Nieves Barreira: Nos termos do art. 63, da Lei nº 9.430/96, é dever do Fisco realizar o lançamento, para prevenir a decadência: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (...)” Portanto, é legal o lançamento de ofício. Por outro lado, a recorrente informa que aderiu ao parcelamento, da Lei nº 11.941/09. Instada a falar sobre o tema, a Receita Federal assim se posicionou (fls. 402): “De modo objetivo, relato que este auto de infração cuida de créditos referentes à CSLL de 07 a 10/1997, declarados suspensos pelo Mandado de Segurança 95.00354667. Quanto ao Mandado de Segurança basta dizer que houve desistência para adesão ao parcelamento da Lei 11.941/2009. Todavia, os débitos de CSLL lavrados neste auto de infração não foram apontados no Anexo III do parcelamento (fls. 194/200). 0 contribuinte juntou aos autos quatro guias de depósitos (fls. 93/94) nas datas e valores corretos, porém realizados no Banco do Brasil e não na Caixa Econômica Federal conforme determinação legal já vigente à época. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 497 10 Importa ainda mencionar que o depósito judicial efetuado no Banco do Brasil S/A impossibilita a verificação em relação à existência do depósito e ao saldo atualizado da eventual conta. 0 DecretoLei 1.737/79 já trazia a obrigatoriedade dos depósitos judiciais na CEF em seu art. 1°, portanto, seria necessária a específica autorização judicial para a realização dos depósitos no Bancodo Brasil S/A. Neste sentido, na esfera judicial, diante da desistência do Mandado de Segurança e da irregularidade dos depósitos, concluise pela não vigência de causa judicial suspensiva da exigibilidade do crédito, possibilitando a cobrança imediata. Na esfera administrativa, há impugnação do contribuinte. Diante do exposto, proponho o envio à EQAAR/DICAT, para adoção das medidas cabíveis.” Não restam dúvidas de que a recorrente aderiu à Lei nº 11.941/09 (fls. 453/455), razão pela qual a dívida encontrase confessada (art. 5º, da Lei nº 11.941/09) e, como consequência, a recorrente requer a extinção do presente feito. Nesse passo, pede a aplicação da norma do art. 10, da referida norma: “Art. 10. Os depósitos existentes vinculados aos débitos a serem pagos ou parcelados nos termos desta Lei serão automaticamente convertidos em renda da União, após aplicação das reduções para pagamento a vista ou parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 12.024, de 2009) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) Parágrafo único. Na hipótese em que o valor depositado exceda o valor do débito após a consolidação de que trata esta Lei, o saldo remanescente será levantado pelo sujeito passivo.” Todavia, há dúvida sobre o acerto dos depósitos bancários, quanto ao local, visto que teria sido realizado em instituição financeira diversa daquela autorizada pela lei, e quanto à sua abrangência, na medida em que não há certeza se os valores compreendem a totalidade da dívida. Também, as informações contidas nos autos não dão certeza se o parcelamento requerido diz respeito à totalidade do crédito tributário exigido. Dessa forma, nos termos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72, voto por converter o julgamento em diligência, para: a) intimar a recorrente a provar a conexão entre os depósitos efetuados e, respectivamente, as dívidas objeto de parcelamento; b) que a autoridade fiscal encarregada do procedimento: (i) elabore relatório de diligência detalhado e conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessária; que deverá explicitar se o parcelamento requerido pela recorrente se estende por todo período exigido Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10880.009231/200244 Resolução nº 1103000.133 S1C1T3 Fl. 498 11 neste lançamento fiscal, se os depósitos judiciais são suficientes à satisfação do crédito constituído e, por fim, se os preditos depósitos judiciais foram aproveitados no parcelamento; (ii) entregue cópia do relatório à contribuinte; e (iii) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre o relatório de diligência, em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. É como voto. Fábio Nieves Barreira Relator Resolução formalizada em 24 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar a Resolução. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
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Numero do processo: 10680.721008/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada
O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e José Ricardo da Silva; e, 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar de sobrestamento, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que também fez declaração de voto, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Juros de Mora. Selic.
Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento.
Numero da decisão: 1101-000.808
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Nulidade. Inocorrência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Artigo 62A do RICARF Sobrestamento. Requisitos. O Regimento Interno do CARF só admite o sobrestamento de julgamento quando o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral, pois isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. O processo administrativo se pauta pelo princípio constitucional da celeridade processual. Só há que se falar em sobrestamento quando o STF assim o determinar em relação à matéria discutida. Preliminar rejeitada Sujeição Passiva Solidária. Correto o procedimento do Fisco em arrolar, como sujeitos passivos solidários e obrigadas em relação ao crédito tributário constituído, as pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, na forma do que dispõem os artigos 121, 124, I e 135, II, do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 10 08 /2 01 1- 16 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 441 2 legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Prova. Extratos Bancários. Obtenção. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Juros de Mora. Selic. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 442 3 Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e José Ricardo da Silva; e, 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar de sobrestamento, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que também fez declaração de voto, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 443 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por responsável solidário face ao Acórdão exarado pela DRJ que manteve o entendimento quanto à exigibilidade dos tributos e multa de ofício qualificada referente a infrações à legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e das Contribuições ao Programa de Integração Social (PIS); para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). Segundo o Termo de Verificação Fiscal (proc. fls. 52 a 74), o agente fazendário compareceu ao endereço cadastral da empresa fiscalizada e lá apurou que a mesma encerrou suas atividades de outubro de 2008. No entanto, a última declaração apresentada é a DIPJ de 2006, anocalendário 2005. Desta forma, foram enviadas intimações, por via postal, aos sócios constantes nos arquivos da Receita Federal do Brasil. A correspondência dirigida ao Sr. Nilton Cezar da Silva Junior retornou com a indicação de desconhecido no endereço fiscal (proc. fls. 210 e 211). A correspondência dirigida à Sra. Maria Helena Ferreira, foi recebida por outra pessoa que, no entanto, não prestou as informações requeridas (proc. fls. 214 a 216). O contribuinte tributário foi por diversas vezes intimado, por via postal e por afixação de editais, a apresentar seus Livros Comerciais que contivessem os registros contábeis relativos aos anos objetos da fiscalização. Nenhum documento foi apresentado. Foram então expedidas Requisições de Movimentações Financeiras (“RMF”) às instituições financeiras junto as quais a empresa detinha contas bancárias. A conta nº 2180063 do Unibanco teve a sua abertura em 05/06/2006, em nome da empresa Eufonia Ltda., antiga razão social da SAT – Construtora e Empreendimentos (“SAT”). Na ficha cadastral constava como representante da empresa o Sr. Carlos Eduardo Cadogan, e mesmo tendo se retirado da empresa em 26/10/2005, movimentou esta conta até o mês de julho de 2007. No anocalendário de 2007, a conta recebeu diversos aportes provenientes de vendas feitas por meio de cartões de crédito que posteriormente eram repassados para outra conta no Unibanco de titularidade da SAT. Essa segunda conta era a de nº 1139367, também aberta em nome de Eufonia Ltda. em 10/03/1999, sendo encerrada apenas em 2008. A partir de 2005, o procurador da conta passou a ser o Sr. Carlos Eduardo Cadogan, que permaneceu nesta situação até o fechamento da conta em 2008. Analisando estas duas contas em conjunto, a autoridade fiscalizadora constatou que “as saídas de numerários em 2007 e 2008 da conta corrente nº 1139367, Unibanco, beneficiaram direta ou indiretamente os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan ou empresas nas quais tinham participações ou interesses”. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 444 5 A SAT também mantinha a conta nº 0840, junto ao banco Bradesco, aberta em 04/01/2008. Desde sua abertura até seu encerramento em setembro de 2008, os representantes da empresa perante a instituição financeira foram o Sr. Edson Cardoso da Costa e a Sra. Maria Helena Ferreira. O agente fazendário ressaltou que o Sr. Edson retirouse da empresa em 02/01/2008, ou seja, dois dias antes da abertura da conta corrente. Segundo narrou o agente fiscal, esta conta movimentou entradas no total de R$ 20.560.830,25, e saídas que totalizaram R$ 20.539.446,22. Segundo consta, “a conta registra uma movimentação muito fragmentada e diversificada, sendo observados 8.869 lançamentos nos nove meses de sua existência”. Verificouse que a maioria dos lançamentos realizados nesta última conta eram transferências eletrônicas. No entanto, foram emitidos contra a conta corrente 19 cheques todos nominais à própria SAT, assinados e endossados pelo Sr. Edson Cardoso da Costa (fls. 586 a 626). Não sendo possível a localização dos atuais sócios, foram emitidos pedidos de esclarecimentos para os sócios que participaram da sociedade nos anos fiscalizados, bem como para a Sra. Rosangela Gonçalves Sanguinete, contadora da SAT. Em 07/07/2009, o Sr. Edson Cardoso Costa, acompanhado de seu advogado, compareceu à Delegacia da Receita Federal e prestou depoimento (fls. 223). Afirmou que entrou na sociedade a pedido de um amigo, Sr. José Modesto de Oliveira, falecido em 2007, sendo que no período em que figurou como sócio assinou documentos sem interesse pelo seu conteúdo. Por fim, relatou que desconhece o paradeiro do atual sócio, Sr. Nilton Cesar da Silva, e que a sócia, Sra. Maria Helena Ferreira, trabalhava com música e foi sócia juntamente com ele, permanecendo na sociedade após a sua saída. Após a quebra do sigilo bancário da fiscalizada, o Sr. Edson foi novamente intimado a esclarecer as dúvidas suscitadas pelo conhecimento dos dados das contas correntes. Em resposta (proc. fls. 639 a 641), reafirmou que ingressou na sociedade a pedido de um amigo e assinou diversos documentos de boafé e confiança. Informou que, como não possuía os extratos bancários, não pôde verificar as informações relativas às transferências ocorridas para a sua conta corrente. Complementou afirmando que não tinha como esclarecer a origem e o destino dos valores que abasteceram as contas da empresa, nem quem as movimentava. Por fim, requereu prazo de 120 dias para prestar novos esclarecimentos. A autoridade fiscalizadora ressaltou que o Sr. Edson nada manifestou a respeito dos cheques emitidos e assinados por ele contra a conta da SAT junto ao Bradesco. Consta no Termo de Verificação Fiscal que, frente à impossibilidade de localização da contribuinte, foram abertas diligências para diversas pessoas físicas e jurídicas beneficiárias ou provedoras de recursos registrados nas contas correntes da SAT, quais sejam: · Carlos Eduardo Cardogan (proc. fls. 643 a 651); · Fabio Leite Lourenço (proc. fls. 652 a 662); · Juvenilton Maximo da Fonseca (proc. fls. 663 a 672); Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 445 6 · Gildete Costa de Almeida (proc. fls. 673 680); · Nivia Leite Lourenco (proc. fls. 681 692); · Rosangela Gonçalves Sanguinete (proc. fls. 693 a 703); · Gisele Leite Lourenço (proc. fls. 704 a 705); · Aline Leite Lourenço Loures (proc. fls. 706 a 717); · W&R Comercial Ltda (proc. fls 718 a 720), · Intermediar Serviços de Locação de Mão de Obra Ltda (proc. fls. 721 a 724); · JEFE Produtora de Eventos Ltda (proc. fls. 725 a 727); · MIDE Minas Diversões Eletrônicas Ltda. (proc. fls. 728 e 734); e · Construtora Método Comércio e Serviços Ltda. (proc. fls. 735 e 745). Fábio Leite Lourenço, Juvenilton Máximo da Fonseca, Gildete Costa de Almeida, Nívia Leite Lourenço, Rosangela Gonçalves Sanguinete e Aliene Leite Lourenço Loures responderam que não tinham como levantar tais informações por se tratarem de documentos dos anos de 2007 e 2008 e pediram dilação de prazo para apresentação das mesmas. Contudo, tais informações não foram apresentadas, mesmo com a concessão do prazo requerido. Já Gisele Leite Lourenço Loures e as empresas W&R Comercial Ltda, Intermediar Serviços de Locação de Mão de Obra Ltda, JEFE Produtora de Eventos Ltda e MIDE Minas Diversões Eletrônicas Ltda não responderam às intimações. O representante da empresa Construtora Método Comércio e Serviços Ltda, Ricardo Alves dos Santos, informou que nomeou o Sr. Carlos Eduardo Cadogan como seu procurador com poderes para vender um imóvel de sua propriedade e para tanto apresentou procuração (proc. fl. 742), bem como escritura pública passada no 2º Tabelionato de Notas, no qual há o registro da venda ao Sr. Wilton José de Almeida Figueiredo. Alertou o auditor fiscal que, em análise à declaração de ajuste do exercício de 2009, o Sr. Ricardo Alves dos Santos informou a venda do imóvel para o Sr. Carlos Eduardo Cadogan. Considerando os elementos localizados pelo Auditor fiscal por meio da quebra do sigilo bancário, e, frente à ausência de novos elementos trazidos pelos demais intimados, concluiuse pela responsabilidade tributária solidária dos Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, em virtude da forma como conduziram os negócios da contribuinte, mesmo após suas retiradas formais da sociedade (proc. fls. 64). Nesse sentido, afirmou que “as alterações contratuais que visaram transferir as participações societárias dos Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan para terceiros não produziram efeitos na administração dos negócios que, na verdade, Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 446 7 permaneceu com as mesmas pessoas, o que caracteriza a solidariedade e responsabilidade pessoal previsto nos artigos 124 e 135 do CTN”. As afirmações do Sr. Edson Cardoso da Costa não encontraram respaldo nos documentos trazidos ao processo, sendo que, a análise das transferências bancárias e aportes feitos em sua conta pessoal oriundos das contas da contribuinte, apenas vieram a confirmar sua condição de administrador, já que, mesmo após sua retirada formal dos quadros societários da empresa, ainda constou como procurador daquela perante o Banco Bradesco, praticando, pois, atos de gerência. Quanto ao Sr. Carlos Eduardo Cadogan, sabese que respondia pela empresa perante o Unibanco desde 2004 até sua retirada oficial da sociedade, utilizando, inclusive, a conta bancária e numerário da empresa para pagamento de aquisições pessoais, como um imóvel adquirido da Construtora Método Comércio e Serviços Ltda. Concluiu a autoridade fiscalizadora que “a utilização de recursos da fiscalizada em proveito próprio denota o grau de ascendência exercido pelo Sr. Carlos Eduardo Cadogan sobre os demais integrantes da empresa. Somente a condição de dono de fato justificaria a liberdade de que dispunha o Sr. Carlos Eduardo Cadogan na utilização dos ativos da SAT – Construtora e Empreendimentos”. Pela análise dos arquivos da RFB, constatouse que o atual sócio da empresa, Sr. Nilton Cezar da Silva Junior, é sócio interposto, uma vez que não possuiu nem possui renda, bens ou conta bancária, o que confirma sua completa incapacidade financeira para adquirir ou gerir uma empresa, sobretudo com a vultosa movimentação financeira, como é o caso da contribuinte. O auditor fiscal ainda fez menção ao fato de que os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, juntamente com os Srs. Juvenilton Máximo da Fonseca e Sebastião Lourenço (pai de Fábio Lourenço) foram presos em uma operação da Polícia Federal denominada “Operação Safári”, ocorrida no final de 2009. Tal investigação visou coibir crimes de lavagem de dinheiro envolvendo máquinas caçaníqueis (proc. fls. 760 a 770). Analisando o teor da negativa do Habeas Corpus impetrado em prol do Sr. Edson Cardoso da Silva no STF, a autoridade lançadora concluiu que “a criação de diversas empresas representadas por interpostas pessoas, vulgo laranjas, era rotina nas atuações mercantis desses senhores”. Foi relatado ainda, que a empresa SAT deixou de funcionar em seu endereço fiscal, e pelos depoimentos colhidos e Termos lavrados, foi apurado que a empresa paralisou suas atividades no ano de 2008. O auditor fiscal afirmou que, em realidade, ficou comprovado que os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan vinham desviando, desde 2007, ativos da empresa já com o propósito da dissolução. Desta feita, concluiu o agente fazendário que “a falta de funcionamento da empresa pura e simplesmente sem as devidas comunicações aos órgãos competentes enseja o direcionamento da responsabilidade societária para os sócios. No nosso caso, conforme acima explanado, a empresa deixou de funcionar por volta de outubro de 2008 e são sócios de fato os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan”. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 447 8 Vale mencionar que a contribuinte era optante do SIMPLES até o ano calendário de 2006, quando por meio do Ato Declaratório Executivo nº 0329/2010 foi excluída, tendo em vista a constatação, por meio de fiscalização, de omissão de receita (proc. fls. 785 a 791). No que versa à constituição do crédito tributário, o agente fazendário afirmou que nos anoscalendário de 2007 e 2008, a empresa SAT não apresentou DIPJs, DCTFs e nem tampouco efetuou quaisquer recolhimentos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No entanto, verificouse que a contribuinte manteve uma intensa movimentação bancária e, instada a se manifestar sobre a origem dos valores creditados, não apresentou qualquer justificativa. Dessa maneira, com fundamento no art. 287 do RIR/99, os valores movimentados foram caracterizados como omissão de receitas. Frente à não apresentação da escrituração (Livro Razão, Livro de Apuração do Lucro Real e Livro Diário) e, a despeito das diversas intimações feitas tanto em nome da empresa como de seus representantes de fato, a autoridade lançadora optou pelo arbitramento do lucro (art. 530 do RIR/99). Assim, diante de tais conclusões, foi lavrado o Auto de Infração (proc. fls. 03 a 50) com imposição de multa de ofício na sua forma qualificada; os Termos de Sujeição Passiva Solidária, por meio do qual se responsabilizam os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, solidariamente pelos créditos tributários constituídos (proc. fls. 771 a 772 e 778 a 779); bem como a formalização do Processo de Representação Fiscal para Fins Penais, por incursão nos crimes contra a ordem tributária tipificado nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Foram intimados tanto a contribuinte (SAT) como os sujeitos passivos solidários, Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, a recolherem ou impugnarem o débito. Em 14/03/2011, o Sr. Edson Cardoso da Costa apresentou Impugnação (proc. fls. 804 a 811). Em sede preliminar, arguiu nulidade da sujeição, por suposta inobservância dos princípios da legalidade e do devido processo legal. Alega que, “da forma como se instalou o procedimento, sem a correta e precisa caracterização do Requerente como contribuinte ou responsável, esta patente o cerceamento de defesa”, razão pela qual, entende que deveria ser excluído do pólo passivo deste processo administrativo. No mérito, o Sr. Edson Cardoso da Costa suscitou a inaplicabilidade dos dispositivos legais em que se embasou o lançamento dos tributos apurados, as multas e sua responsabilização pessoal. Aduziu que “a responsabilidade prevista em lei não decorre do simples inadimplemento do tributo. Para que haja a responsabilização os sócios deve haver a prova inequívoca, nos autos do procedimento, da prática de atos descritos no artigo citado ou até mesmo a dissolução irregular da empresa, o que não é o caso. Por outro lado, cabe à Fazenda o ônus da prova acerca de tais violações, o que não ocorreu no caso presente. Assim, para o Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 448 9 direcionamento da execução contra os sócios, deve restar comprovado o elemento subjetivo, uma vez que a responsabilidade do sócio não é objetiva”. Por sua vez, o responsável solidário, Sr. Carlos Eduardo Cadogan, apresentou Impugnação em 21/03/2011 (proc. fls. 812 a 831), por meio da qual alegou: 1) ilegalidade da prova obtida com a quebra do sigilo bancário, uma vez que, em seu entendimento, teria ocorrido sem autorização; 2) inaplicabilidade da presunção de omissão de receita para arbitramento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Concluiu que o Auto de Infração lavrado “não aponta a realidade factual obtida da analise da materialidade do evento econômico e sua formalização nos registros contábeis da empresa Autuada, razão pela qual viola os preceitos inerentes ao ato administrativo e apresentase inválido”; 3) a ausência responsabilidade pelos tributos da empresa. Afirmou que tal responsabilização pessoal só deveria ocorrer “após a verificação da impossibilidade do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte (...) além disso, o artigo 134 do Código Tributário Nacional, além de atribuir responsabilidade subsidiaria às pessoas nele indicadas, dispõe que a responsabilidade destas só surge dos atos em que intervirem ou pelas omissões de que forem responsáveis”. Concluiu este argumento dizendo que não se estaria diante de nenhuma dessas hipóteses; 4) nulidade do termo de sujeição passiva solidária, por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Em 19/04/2011, o Sr. Edson Cardoso da Costa pretendeu “complementar” a Impugnação por ele interposto por meio da apresentação de nova petição. Alegou, em suas razões, a nulidade do Auto de Infração por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Afirmou que além da fiscalização ter se baseado em prova ilícita, vez que decorrente da quebra do sigilo bancário, presumiu erroneamente que todos os créditos das contas constituíam receitas tributáveis. Questionou ainda, a não verificação dos livros e documentos da empresa fiscalizada. O Sr. Edson Cardoso da Costa mais uma vez retomou o argumento de que se retirou da sociedade de maneira formal, regular e legal em 02/01/2008, tendo deixado, porém, diversos documentos assinados em branco, razão pela qual não tem conhecimento e desconhece a origem e o destino dos valores depositados e sacados das contas da empresa no Unibanco e no Bradesco. Manifestouse contra o Arrolamento de bens sob o argumento de ilegalidade, pois tal procedimento impõe verdadeira limitação ao direito de dispor do patrimônio, em nítida afronta ao direito de propriedade do contribuinte, mesmo antes do crédito tributário estar definitivamente constituído. A SAT, por sua vez, não apresentou Impugnação. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 449 10 Em sessão de 07/07/2011, a DRJ em Belo Horizonte exarou Acórdão (proc. fls. 887 a 913) que rejeitou as arguições de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário em litígio. O órgão julgador não tomou conhecimento da Impugnação complementar apresentada pelo Sr. Edson Cardoso da Costa, pois era intempestiva. Em análise à primeira Impugnação do Sr. Edson, a Turma afirmou que a sujeição passiva não se deu em face ao simples inadimplemento como argumentou o Impugnante. A sujeição se deu tendo em vista a constatação de omissão de receita e deliberada intenção de não cumprir com as obrigações tributárias ao não oferecer à tributação os valores auferidos. Diante da alegação de nulidade da sujeição por inobservância dos princípios da legalidade e do devido processo legal, não assiste razão ao Impugnante, pois não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando prontamente se defendeu apresentando todos os argumentos de seu interesse. Já no que concerne à ofensa ao princípio da legalidade, o próprio contribuinte evidencia “de forma cristalina ter pleno conhecimento de que sua indicação é como responsável solidário, sendo contribuinte a pessoa jurídica”. O colegiado também afastou a alegação de que a pessoa física não pode ser responsabilizada pelos débitos tributários da pessoa jurídica quando se retirou de forma regular. O órgão julgador ressaltou que aceitar este argumento seria convalidar a prática reiterada e abusiva da utilização de terceiros como sócios de fachada, enquanto os verdadeiros donos se aproveitam e usufruem dos resultados empresariais. Alertou que, ainda que tivesse havido dissolução regular, não haveria empecilho à indicação de pessoas como solidariamente responsáveis. Mas este não é o caso em questão. No caso em análise, a empresa encerrou suas atividades, não providenciou qualquer comunicação aos órgãos competentes, não apresentou as declarações por lei exigidas, não recolheu qualquer tributo federal e simplesmente evadiuse do endereço cadastrado. Nem mesmo no endereço constante da lista telefônica funcionou algum dia. Quanto à comprovação de que o Impugnante exercia, ao tempo da constituição do fato gerador, o cargo de gerência ou de administrador da pessoa jurídica, "o Termo de Verificação Fiscal aponta o recebimento por parte do impugnante dos valores de R$414.919,18 em 2007 e R$213.763,38 em 2008, tendo como origem a conta corrente mantida pela pessoa jurídica no Unibanco. No Bradesco, a fiscalização constatou a emissão de 19 cheques, pela pessoa jurídica, tendo ela própria como beneficiária. Todos endossados e assinados pelo impugnante. Destes 19 cheques, 15 foram sacados pelo impugnante diretamente no caixa do banco, perfazendo o total de R$318.904,22. Quatro cheques relacionados no TVF foram utilizados para depósitos diversos não identificados. A fiscalização constatou ainda inúmeras retiradas de valores expressivos tendo como beneficiárias pessoas jurídicas em que o impugnante tinha participação, direta ou indireta. Por fim, o TVF registra que o impugnante era o representante da pessoa jurídica junto ao Bradesco, mesmo depois do registro da sua saída da empresa.". Concluiu o órgão julgador a quo que “por tudo que se encontra fartamente comprovado, não há qualquer dúvida de que o impugnante participou ativamente das Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 450 11 atividades empresariais, com intervenção direta. Se assim não fosse, como explicar assinar cheques pela pessoa jurídica, tendo ela própria como beneficiária, endossálos e sacar os valores em dinheiro em seu benefício. Somente uma pessoa com poderes para decidir teria esta possibilidade. A propósito, o impugnante não apresenta em sua Impugnação qualquer menção a estes fatos. Não explica, como não explicou quando intimado pela fiscalização, o motivo de ser beneficiário destes valores e outros quesitos a ele apresentados. Em sua Impugnação prefere tecer comentários vagos e inconsistentes”. A Turma, à semelhança do explanado no caso do Sr. Edson Cardoso da Costa, asseverou a irrelevância da afirmação do Sr. Carlos Eduardo Cadogan de que não era mais sócio da pessoa jurídica no período da ocorrência do fato gerador. Assim, todos os documentos juntados aos autos comprovam a participação ativa do Sr. Carlos na gestão da empresa, sendo que até mesmo quando não mais integrava os seus quadros societários, usufruía de seus resultados empresariais. Portanto, se fosse de seu interesse, poderia prestar todas as informações que lhe foram solicitadas. O Impugnante alegou que as provas obtidas mediante a quebra de seu sigilo bancário são ilícitas e que todos os atos posteriores e decorrentes devem ser declarados nulos. O colegiado afirmou que a autoridade administrativa, ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, valese de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal possa ter o mínimo de eficácia, e no presente caso, houve criteriosa observância da lei. Assim, não há que se falar em ilicitude das provas obtidas. Segundo entendeu a Turma, não há qualquer fundamento na alegação do Postulante de que não houve ausência de recolhimento de imposto. O órgão julgador ressaltou que, de acordo com os documentos juntados aos autos, restou fartamente comprovado que a pessoa jurídica autuada não recolheu qualquer valor aos cofres públicos federais nos anoscalendários de 2007 e 2008. Na verdade, não apresentou qualquer declaração a que estava obrigada, a despeito de comprovada movimentação bancária em torno de 30 milhões de reais. A Turma ainda rechaçou a afirmação de que a autoridade fiscal não levou em consideração como indicativo de suposta omissão de receita os registros de entrada e saída da empresa. O colegiado asseverou que a fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar livros contábeis, fiscais, bem como informações relativas à sua movimentação financeira junto a instituições das quais era cliente, a fim de justificar a origem dos recursos creditados e depositados em suas contascorrentes, no entanto, quedouse silente. Dessa maneira, não restou outra alternativa à autoridade fiscal senão promover o arbitramento de ofício do lucro. O Impugnante ainda argumentou que o lançamento seria ilegal por estar fundamentado em indícios ou presunções, ou com inversão de ônus de prova não autorizado pela lei. Ocorre que conforme aduziu a DRJ, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores de depósitos bancários, cuja origem o contribuinte não comprovou mediante documentação hábil e idônea após ser regularmente intimado, são considerados valores de receitas omitidas. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 451 12 Ademais, a lei prevê que o ônus da prova é do contribuinte, devendo este apresentar provas irrefutáveis que permitam identificar a origem do efetivo ingresso dos recursos, bem como sua regular escrituração a fim de serem excluídos do montante apurado. O colegiado entendeu, ainda, não ter ocorrido “qualquer desconsideração da personalidade jurídica e, como fartamente comprovado, não se trata de simples inadimplemento. Tratase, conforme demonstrado, de tentativa de fugir às obrigações tributárias mediante retirada fictícia da sociedade, mantendo interpostas pessoas e gerenciando a empresa com totais poderes e usufruindo benefícios”. Não houve, durante a apuração e procedimento administrativo, no entender do colegiado, qualquer ofensa ao princípio da legalidade, da eficiência, muito menos da moralidade da atividade administrativa no processamento da fiscalização e autuações. Teria havido, sim, flagrante ofensa aos ditames legais por parte dos impugnantes e da autuada, cabalmente demonstrada pelas provas que instruíram o processo. O colegiado relatou que, como a Impugnação do Sr. Carlos Eduardo Cadogan apresenta trechos que podem ser entendidos como impugnação ao mérito do feito fiscal, os argumentos foram analisados inclusive como se apresentados pela pessoa jurídica. Por fim, a Turma Julgadora manifestouse expressamente a respeito da qualificação da multa, a despeito da não impugnação direta pelos Postulantes, pois houve questionamento sobre a ausência de prova que caracterizasse a ação dolosa ou mesmo a participação dos exsócios nas atividades da contribuinte. Relatou que restou cabalmente demonstrada a intenção dos impugnantes de ocultar as suas condições de efetivos gestores da sociedade, interpondo terceiros como sócios, quando, na verdade, não apenas participaram ativamente e decisivamente da gestão, como também usufruíam os resultados decorrentes. Por consequência, entendeuse por correta a aplicação da multa qualificada, decidindose pela sua manutenção. Em 17/11/11, foi interposto Recurso Voluntário pelo Sr. Edson Cardoso da Costa (proc. fls. 939 a 957). Em suas razões, o Recorrente se valeu da mesma peça processual apresentada como Impugnação complementar julgada intempestiva pela DRJ, no entanto, sob o título de Recurso Voluntário. O Sr. Carlos Eduardo Cordogan e a empresa SAT – Construtora e Empreendimentos Ltda. não apresentaram Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 452 13 Voto Vencido PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Sr. Edson Cardoso da Costa face ao Acórdão da 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, manteve o crédito tributário exigido. SOBRESTAMENTO RMF Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 453 14 Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (nossos grifos) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em trâmite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. No entanto, não é este o entendimento desta Turma. Destarte, passo à análise do Recurso interposto. Em sede de preliminar, o Recorrente alega a nulidade do Auto de Infração por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Entendo não assistir razão ao Postulante. A legislação tributária autoriza que a autoridade administrativa solicite às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte. Entendese que a intimidade e a privacidade estão preservadas, tendo em vista que não se tem acesso à identificação de gastos em relação à sua natureza, mas tãosomente aos valores. Ademais, não há que se falar em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência desse sigilo. É sabido que a Administração tem o dever de sigilo conforme disposto no art. 198 do CTN. O ordenamento jurídico pátrio autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras bancárias, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei e na regulamentação ora vigentes, in verbis: Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 454 15 Lei Complementar nº 105 “Art. 6º. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Decreto nº 3.724/01 “Art. 2º (...) § 5º. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.” “Art. 3º. Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; (...)” No caso em análise, a autoridade fiscalizadora procedeu tomando todas as precauções exigidas e resguardando as garantias do contribuinte, conforme o disposto na legislação e regulamentação tributárias vigentes. No curso da fiscalização, após diversas intimações para apresentação de documentos fiscais e contábeis sem lograr êxito, a autoridade fazendária competente expediu RMF às instituições financeiras junto às quais a empresa fiscalizada mantinha conta corrente. Portanto, agiu de acordo com o previsto na legislação pátria, não se podendo falar em nulidade do Auto de Infração. Este é não só o entendimento deste Conselho, como também do Superior Tribunal de Justiça: “NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. NÃOOCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 455 16 observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei”. (CARF, 3ª Câmara, 1ª Turma, acórdão nº1301000.486, julgado em 27/01/2011) “Primeiramente, destaco que o artigo 6º da LC 105/2001, ao se referir aos requisitos que antecedem o acesso das autoridades fiscais aos dados financeiros do particular (existência prévia de procedimento fiscal e demonstração da indispensabilidade das informações), aponta os mencionados dados de uma forma genérica, a saber: "[...] documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras [...]". Dessa forma, temse que, além da préexistência de procedimento fiscal, deve a autoridade fiscal demonstrar que é imprescindível para o seu curso o acesso aos dados financeiros do contribuinte como um todo. Não há, segundo determina o artigo em questão, necessidade de que se aponte, de forma individualizada, cada informação que se pretende acessar. Até porque, em se tratando de procedimento fiscal, no qual não há informações suficientes por parte do contribuinte, a autoridade fiscal, antes do acesso a seus dados financeiros, não possui, sequer, elementos para realizar tal especificação.” (REsp nº 1.237.852/PR, 1ª Turma, DJe 07/03/2012) O Postulante alegou ainda que o arrolamento de bens previsto no art. 64 da Lei nº 9.532/97 impõe verdadeira limitação ao direito de dispor do patrimônio, em nítida afronta ao direito de propriedade do contribuinte. Segundo o art. 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, a Autoridade Fiscal está autorizada a arrolar os bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários for superior a 30% do patrimônio conhecido. Verifiquese: “Art. 64. A Autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do seu patrimônio conhecido. (...) § 7º O disposto neste artigo só se aplica a soma de créditos de valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) (...) Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 456 17 § 10. Fica o Poder Executivo autorizado a aumentar ou restabelecer o limite de que trata o § 7º deste artigo. Art. 64 A. O arrolamento de que trata o art. 64 recairá sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário de responsabilidade do sujeito passivo. Parágrafo único. O arrolamento somente poderá alcançar outros bens e direitos para fins de complementar o valor referido no caput.” Entende o Superior Tribunal de Justiça (REsp 686.394/RJ) que o arrolamento fiscal consiste em simples inventário dos bens do devedor, não constituindo qualquer constrição patrimonial. Para o STJ, o objetivo do arrolamento é tãosomente permitir ao Fisco monitorar a evolução e a movimentação do patrimônio do contribuinte. Verificase que o arrolamento de bens e direitos não acarreta a indisponibilidade dos bens do devedor ou sequer influi na expedição de certidões de regularidade fiscal. Novamente, este é o entendimento não só deste Conselho Administrativo, como também do STJ, vide abaixo: ARROLAMENTO DE BENS – LEI 9.532/97. “O arrolamento previsto na Lei 9.532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso.” (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, acórdão nº 240101.182, julgado em 28/04/2010) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARROLAMENTO DE BENS. REQUISITO SUFICIENTE PARA A EXPEDIÇÃO DA CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL (POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA). IMPOSSIBILIDADE. 1. O arrolamento de bens, instituído pelo art. 64 da Lei 9.532/97, gera cadastro em favor do Fisco, destinado apenas a viabilizar o acompanhamento da evolução patrimonial do sujeito passivo da obrigação tributária. Este último permanece no pleno gozo dos atributos da propriedade, tanto que os bens arrolados, por não se vincularem à satisfação do crédito tributário, podem ser Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 457 18 transferidos, alienados ou onerados, independentemente da concordância da autoridade fazendária. 2. Tratase de procedimento que: a) não versa sobre créditos tributários ainda a vencer; b) não implica qualquer tipo de oneração dos bens do sujeito passivo, em favor do Fisco (penhora), ou medida de antecipação da constrição judicial a ser efetivada na Execução da Dívida Ativa da fazenda Pública (caução); e c) não constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 3. Nesse contexto, o arrolamento, isoladamente, não se presta a autorizar a emissão da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (art. 206 do CTN). 4. Recurso Especial provido.” (REsp 1.099.026/SC, Rel. Herman Benjamin. Segunda Turma, julgado em 12.5.2009, DJe 20.8.2009) Por fim, vale mais uma vez frisar que o arrolamento não se presta a garantir a execução, não se confundido, portanto, com o instituto da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Caracterizase apenas como uma medida acautelatória que visa impedir a dissipação dos bens do contribuintedevedor. Vale mencionar que, segundo o extrato do processo acostado à fl. 852, o processo de arrolamento de bens é o de nº 15504003.002/201118. E, em consulta ao site da Receita Federal do Brasil, tal processo está em andamento e tem como interessado o Sr. Carlos Eduardo Cadogan. O Recorrente alegou cerceamento no seu direito de defesa, pois lhe foi imputada a sujeição passiva com supedâneo nos artigos 121; 124, inciso I e 135, inciso II, todos do CTN. Entendeu que frente a tais dispositivos não conseguiu definir se a sujeição imputada é como contribuinte ou responsável. Entendo que esta afirmação não procede. Inclusive, vale dizer que é entendimento do Superior Tribunal de Justiça que tal situação não gera nulidade, conforme abaixo: “1. Hipótese em que, ao longo do processo administrativo fiscal, a recorrente foi caracterizada ora como contribuinte solidária, ora como responsável solidária, não tendo sido mencionada expressamente no auto de infração, embora tenha assinado Termo de Sujeição Passiva Solidária. 2. Não obstante a inconsistência na qualificação específica da empresa em momentos distintos (contribuinte/responsável), o auto de infração determinou a Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 458 19 intimação tanto do contribuinte quanto do responsável, o que é suficiente para suprir a exigência de que o sujeito passivo tenha ciência do ato administrativo. 3. A formalidade é característica do processo administrativo fiscal, mas não há nulidade sem que tenha havido prejuízo, o qual, no caso, consistiria na supressão da oportunidade de apresentar impugnação. E o prejuízo foi afastado exatamente pela apresentação da impugnação.” (REsp nº 949.959/PR, 2ª Turma, DJe 19/11/2009) O Postulante afirmou que não se pode imputar à pessoa física, responsabilidade por débitos tributários da pessoa jurídica. Ademais, afirmou que se retirou da sociedade de forma regular. A súmula 435 do STJ prescreve que “presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”. No caso em tela, o agente fiscal asseverou que, apesar de constar como ativa no sistema da Receita Federal do Brasil, ao comparecer ao endereço cadastral da empresa em julho de 2007, pôde apurar que a mesma já não funcionava no local desde outubro de 2008 (proc. fls. 141 a 144). Além disso, teve como verificar que a última DIPJ entregue pela empresa referese ao anocalendário de 2006, sendo que nenhuma declaração de inatividade foi apresentada. Dessa maneira, configurouse patente a dissolução irregular da sociedade. Oficiando a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, constatou que a última alteração societária ocorreu em 02/01/2008 com a entrada do Sr. Nilton Cezar da Silva Júnior e a saída do Sr. Edson Cardoso da Costa. O Sr. Carlos Eduardo Cadogan, figurou no quadro societário da empresa entre 18/11/2003 a 20/10/2005 quando foi substituído pelo Sr. Edson Cardoso da Costa. Verificouse que o Sr. Nilton Cezar da Silva Júnior não possui e nunca possuiu quaisquer bem, rendimentos ou sequer conta corrente. Quando ingressou na empresa em questão como sócio tinha somente 22 anos. Verificase que se encontrava desprovido de experiência suficiente para gerir uma empresa com movimentação financeira de aproximadamente 30 milhões. Nítida a sua condição de interposta pessoa, portanto. Da análise dos autos, verificase que mesmo após sua retirada da empresa SAT, os Srs. Carlos Eduardo Cadogan e Edson Cardoso da Costa permaneciam atuando como se sócios fossem, visto que eram responsáveis pela movimentação das contascorrentes da empresa. Em diversas retiradas figuravam como beneficiários, ou de forma direta, ou por meio de outras empresas (de propriedade de ambos ou de um apenas ou ainda de algum parente). Conforme os cheques de folhas 586 a 626, o Sr. Edison assinou diversos cheques nominais à própria empresa, endossandoos. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 459 20 Vale mencionar que, apesar de frequentemente questionados sobre o motivo de tais retiradas, não houve manifestação concreta por parte de nenhum deles. Assim, mostrase inquestionável a atuação direta dos Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan na gestão da empresa SAT – Construtora e Empreendimentos, pois apesar de formalmente afastados do quadro societário da mesma, atuavam claramente como gestores. Portanto, correta a atribuição da sujeição passiva solidária a ambos. No que tange ao fundamento do lançamento realizado, é sabido que a legislação tributária não permite o lançamento fundado em indícios ou presunções não autorizadas por lei. No entanto, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê o caso de presunção de omissão de receita apurável com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Vale mencionar que se trata de presunção relativa, ou seja, diante da apresentação de documentação hábil e idônea a provar a origem de cada um dos depósitos questionados, afastase a exação. No caso em análise, foram expedidas diversas intimações à sede da empresa, aos sócios de fato e a diversas pessoas físicas e jurídicas beneficiárias dos depósitos em questão, com o fim de obter informações quanto à origem dos recursos apurados nas contas correntes mantidas pela empresa em instituições financeiras. Urge mencionar que nem mesmo os livros fiscais e contábeis, livros estes de escrituração obrigatória, foram apresentados. Desta forma, irretocável o lançamento realizado pela autoridade fazendária, já que estava em conformidade com o previsto em lei, promovendose o arbitramento de ofício do lucro. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora ao explicitar a metodologia adotada, afirmou que evitou duplicidades de lançamentos ao excluir as transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de lançamentos, resgastes de aplicações financeiras, empréstimos, financiamentos bancários etc. Portanto, infundada a manifestação do Recorrente de que todos os créditos indistintamente foram tidos como omissos. Como já mencionado, os livros contábeis e toda a escrituração da contribuinte jamais foram apresentados ao auditor fiscal a despeito das diversas intimações solicitandoos. Portanto, não cabe agora ao Recorrente alegar que o arbitramento deveria ser afastado sob a justificativa de que não houve análise da escrituração da empresa. Ora, tal escrituração não foi analisada porque nunca foi ofertada à autoridade fazendária. Por fim, vale mencionar que não há qualquer manifestação de inconformidade com relação à multa de ofício, nem mesmo sobre a sua qualificação. Assim, esta deve ser mantida. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 460 21 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo os créditos tributários lançados em sua totalidade, bem como a multa na sua forma qualificada. Sala das Sessões, 12 de setembro de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 461 22 Voto Vencedor Tema: Preliminar de Nulidade Sobrestamento CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO – Redator designado. PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado ad hoc para a formalização do presente Acórdão e redação do voto vencedor na parte em que restou vencida a I. Relatora. Tendo em vista não constar dos autos quaisquer informações acerca das razões de decidir do Conselheiro originalmente designado e que o levaram a REJEITAR o pedido preliminar de sobrestamento presente no recurso voluntário da contribuinte, este Redator ad hoc adotará a posição estampada na ata da sessão em que foi realizado o julgamento para consecução do voto vencedor, consignando, porém, que o faz meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não está vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão, com as quais pode ou não concordar em situações concretas. Pois bem, como se vê no extrato da ata, o Conselheiro discordou da Relatora na parte em que esta entendeu que o julgamento deveria ficar sobrestado, “aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico”. (conforme voto antes estampado). Seguindo linha de pensamento oposta à da relatora, o voto vencedor pugnou por afastar o pedido de sobrestamento, votando, pois, pela continuidade do julgamento. Neste trilho, votou por REJEITAR a preliminar suscitada no recurso voluntário e que requeria o sobrestamento do feito. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2012. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO – Redator designado. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 462 23 Declaração de Voto PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado ad hoc para a formalização da presente declaração de voto. Tendo em vista a existência de minuta que foi apresentada pelo Conselheiro original durante a sessão de julgamento, transcrevoa literalmente, consignando, porém, que o faço meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não estou vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão, com as quais posso ou não concordar em situações concretas. Passo, a seguir, à transcrição da declaração de voto. Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. O fato da fiscalização demonstrar que a empresa não está mais no seu domicílio fiscal e que não é encontrada permite presumir que o patrimônio da empresa não mais exista e que ela não tem condições de satisfazer suas dívidas tributárias. Não obstante, apenas isso não é o suficiente para responsabilizar terceiros (sócios, gerentes, administradores, etc.). Porém, no caso em concreto, conforme relatório, ficou demonstrado que os responsabilizados tinham participação ativa na gestão da empresa no período da sonegação. Essa circunstância permite a responsabilização com base no art. 135 do CTN, por ter havido sonegação, e não por ter havido dissolução irregular. Cabe analisar o dispositivo: Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado à regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1º) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capítulo V); 2º) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 463 24 Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece razoável que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, necessariamente, um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Isso torna a responsabilidade do agente subsidiária. Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a conduta considerada tenha a ver com o prejuízo que o Fisco teria por não poder buscar a satisfação de seus créditos na empresa. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estaria alcançada pelo dispositivo seria a atuação do terceiro para que a empresa sonegasse tributos. Assim, a responsabilização ocorreria quando o débito tributário decorresse de sonegação, com participação do agente, e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a sonegação, ele responde pela sonegação com a qual esteve envolvido e no montante da sonegação. Outra conduta alcançada pelo artigo seria a destinação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Assim, a responsabilidade ocorreria quando houvesse destinação irregular, por ato do agente, sendo a empresa devedora do Fisco (de débitos conhecidos ou não), e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a destinação irregular, ele responde pela destinação e no montante do que destinou irregularmente. Porém, se o Fisco entende que houve uma “destinação irregular dos bens da empresa no encerramento das atividades” ele precisa apresentar as provas da destinação irregular. Caso contrário, ele estará presumindo a destinação irregular apenas porque a empresa encerrou suas atividades e tem dívidas fiscais. Para provar a destinação irregular, o Fisco precisa demonstrar alguns pontos: 1º) que a empresa tinha recursos suficientes para quitar a dívida tributária no momento da extinção; 2º) que a ordem dos credores foi violada; 3º) que os agentes conheciam a dívida tributária. Por estas razões, não há como aplicar a responsabilização prevista no art. 135 sob a alegação de dissolução irregular, mas apenas com a acusação de sonegação. Quanto ao art. 124 do CTN, cabe transcrever e analisar o dispositivo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 464 25 II as pessoas expressamente designadas por lei. Da leitura do art. 124, percebese seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como à natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os co proprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os coadquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que corealizam o fato gerador. Já o inciso II diz que são solidários aquelas pessoas apontadas na lei (da União, ou Estados, ou Municípios, no que pertine aos seus tributos respectivamente). Assim, por exemplo, se a legislação estadual estabelecer, o vendedor do imóvel será devedor solidário do ITBI com o comprador. Ou seja, mesmo não realizando conjuntamente o fato gerador, a solidariedade pode decorrer da lei Como visto, com a exegese aqui proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. O que serviria de argumento para pretender que a expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Com a interpretação aqui defendida para o art. 124 do CTN notase que, primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de outros fatos (inciso II). Segundo, garante que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Enfim, ao dizer “interesse comum”, o art. 124 do CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas corealizam o fato gerador. Dito de outra forma: só existe interesse idêntico, se as pessoas corealizam o fato gerador Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que o sócio gerente, o administrador, o procurador e a pessoa jurídica estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. Os fatos tributáveis realizado pela empresa são delas e os sócios/administradores/procuradores são terceiros que não têm participação nestes fatos, embora representem a empresa ou a administrem. O sistema jurídico e o direito tributário reconhecem a personalidade jurídica da empresa, que é distinta da dos seus sócios, gerentes, administradores e procuradores. Os atos e fatos da empresa são delas e de mais ninguém. Os atos e fatos dos sócios e dos administradores são deles e não da empresa. Destarte, fica claro que o sóciogerente ou o procurador não podem estar na mesma posição em relação ao fato tributável da empresa. De outra banda, é preciso registrar que não há o menor sentido em se pretender que “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” signifique algo diferente que a mesma posição em relação ao fato gerador. Admitir tal possibilidade é admitir que o CTN pretendesse criar uma instabilidade nas relações jurídicas. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 465 26 Ou seja, não é razoável imaginar que uma norma geral, voltada a regular a produção normativa tributária dos entes da federação ou a estabelecer alguns padrões normativos de âmbito nacional, fosse deixar ao aplicador da lei (da União, dos Estados e dos Municípios) um espaço tão grande para interpretação. Pretender que o aplicador da lei pudesse definir, com toda a sua subjetividade, o que seria “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” é o equivalente a pretender que o Código Tributário Nacional visasse a instabilidade das relações jurídicas. As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Por exemplo, o corretor de imóveis, e talvez até o tabelião que lavra a escritura, pode ter interesse na venda e nisso seu interesse coincide com o interesse do comprador e o interesse do vendedor. Mas, cada um deles é uma pessoa distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na compra e venda do imóvel e tem motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutála. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do sócio e da empresa na realização dos fatos tributados? Ora, não há qualquer interesse em comum. A empresa realiza suas operações para realizar sua finalidade social. Os sóciosgerentes e os administradores representam e administram a empresa. O sistema jurídico, há muito atribui a cada um seus próprios atos. Pretender que o art. 124 torne os sóciosgerentes ou administradores responsáveis solidários com os tributos da empresa é defender um retrocesso de centena de anos na definição da personalidade jurídica das pessoas. Por oportuno, cabe consignar que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o Imposto de Renda Pessoa Física, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para o PIS, a COFINS são tributos que só podem ser realizados por uma única pessoa conforme a própria definição legal. Dessarte, para tais tributos jamais se pode pensar em solidariedade decorrente do inciso I do art. 124 do CTN. Tal dispositivo só se presta a criar solidariedade para tributos que admitam mais de uma pessoa realizando o fato gerador, como é o caso dos incidentes sobre a propriedade (IPTU, ITR, ITBI, IPVA). Por tais razões, voto pelas conclusões para rejeitar a nulidade do lançamento. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 466 27 Salas de Sessões, 12 de setembro de 2012. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 14766.000298/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/2003-55, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202-000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Relatório
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS CIV Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/200355, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS CIV contra acórdão proferido pela DRJ/Recife que concluiu pela improcedência da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 66 .0 00 29 8/ 20 10 -9 1 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 165 2 manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: 2. Através do Despacho Decisório eletrônico de fl. 38, os PER/DCOMPs não foram homologados, ao fundamento de que os créditos pleiteados já foram integralmente aproveitados pela interessada em compensações anteriores, conforme decisão prolatada por esta DRJ nos autos do processo administrativo n.º 10480.001609/200355. 3. No prazo legal, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 42/45, por meio da requer o sobrestamento da cobrança dos débitos, sob a alegação de que o processo administrativo n.º 10480.001609/200355 não está definitivamente concluído ou encerrado, encontrandose, atualmente, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pendente de julgamento de recurso voluntário. Afirma que a decisão, por basearse noutra ainda não definitivamente julgada, está equivocada. O processo n.º 10480.001609/2003 55 tem relação direta com o objeto do processo administrativo n.º 19647.003321/200510, também pendente de apreciação pelo CARF. 4. Apensos ao presente processo, encontramse os de n.ºs 10480.721471/201114 e 10480.721472/201169, que trazem cópias dos PER/DCOMPs analisados. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 4ª Turma da já mencionada DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1139.150, de 14 de dezembro de 2012, por meio do qual decidiu pela procedência do feito fiscal. Considerou que a impugnante não contestou o fato de que os créditos reconhecidos no outro processo administrativo já haviam sido integralmente aproveitados em compensações anteriores. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual sustenta que há mais créditos a compensar por conta do processo nº 10480.001609/200355 e que o reconhecimento desse direito dependeria da decisão final proferida no processo nº 19647.003321/200510. Ambos, na época em que foi interposto o recurso, estariam inclusos em pauta de julgamento na 2ª Turma da 2ª Câmara desta Casa. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 166 3 Com efeito, os processos de nº 10480.001609/200355 e 19647.003321/200510 foram objeto de julgamento na 2ª Turma da 2ª Câmara desta Casa. O primeiro processo, que trata dos créditos de IRPJ e CSLL (anocalendário de 2002) com os quais os débitos do presente processo pretendem ser compensados, teve compensações homologadas até um limite inferior ao que empresa alegou ter direito. Isso se deu por causa do auto de infração consubstanciado no segundo processo que reduziu aqueles créditos em razão de glosa de despesas não comprovadas. Ao analisar a questão, a mencionada Turma reconheceu que a análise da compensação pretendida no primeiro processo dependia diretamente do resultado do julgamento do segundo processo. Tratavase, portanto, de processo decorrente. Como a decisão proferida no segundo processo estaria ainda sujeita a eventual recurso especial, a Turma resolveu converter o julgamento do primeiro processo em diligência para que a unidade de origem aguardasse a decisão definitiva a ser exarada no segundo processo. De fato, o contribuinte interpôs recurso especial nos autos do segundo processo, para o qual foi dado parcial seguimento no exame de admissibilidade (despacho datado de 17/11/2015). Considerando que o presente processo é diretamente decorrente do primeiro processo (e indiretamente do segundo) há que se reconhecêlo (o primeiro) como principal dessa relação. Assim, impõese a aplicação do artigo 6º, § 4º, do Anexo II, do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 167 4 Diante do exposto, proponho a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/200355, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720682/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Recorrente PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA contra acórdão proferido pela DRJ/Belém que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 68 2/ 20 08 -9 1 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 380 2 compensação de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003. A empresa protocolou seu pedido com base nos valores informados em sua DIPJ/2004, os quais apontavam o seguinte: . CSLL a pagar: R$ 80.088,05 . () CSLL antecipadas por estimativas compensadas: R$ 241.245,05 . Saldo negativo: R$ 161.157,00 A unidade de origem consolidou as estimativas compensadas naquele ano calendário numa tabela, contendo treze itens (fls. 109 e 110 do processo eletrônico), que foi elaborada no Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009. De acordo com essa tabela, as estimativas consideradas efetivamente compensadas totalizaram um valor de R$ 98.040,11 e correspondem aos seus itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7. Por sua vez, as estimativas correspondentes aos itens 8, 10, 11, 12 e 13 não foram incluídas naquela totalização. Segundo o Parecer, todos essas estimativas referemse aos créditos suscitados no processo nº 10280.001636/201384, porém, somente as indicadas no primeiro conjunto de itens foram efetivamente compensadas no processo. Quanto às estimativas correspondentes aos itens 6 e 9 daquela mesma tabela, o Parecer informa que suas compensações não foram homologadas conforme decisões proferidas pela DRJ/Bélem, respectivamente, nos autos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319. Assim, considerando que sua verificação apurou que o valor das estimativas efetivamente compensadas (R$ 98.040,11) superou a CSLL a pagar em apenas R$ 17.952,06, a unidade de origem homologou a compensação pleiteada no presente processo até esse limite. A empresa, então, apresentou manifestação de inconformidade questionando o não reconhecimento da totalidade do crédito apontado. Basicamente, argumentou que: (i) enquanto não proferida uma decisão final, o pedido contido nos autos do processo nº 10280.001636/201384 alcançaria todas as compensações a ele vinculadas, incluindo os itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7 (homologadas pela decisão originária) e os itens 8, 10, 11, 12 e 13 (pendentes de análise pela DRJ/Belém); (ii) o mesmo se diga em relação às compensações vinculadas aos processos nº 10280.001575/200355 (item 6) e 10280.001574/200319 (item 9), os quais encontravamse ainda pendentes de análise pela segunda instância de julgamento; e (iii) os débitos referentes às compensações não homologadas serão cobrados no âmbito dos respectivos processos, de modo que permanecerá o direito à compensação da totalidade do saldo negativo pleiteado no presente processo. A 1ª Turma da já mencionada DRJ/Belém proferiu, então, o Acórdão nº 01 27.007, de 29 de agosto de 2013, por meio do qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 381 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO.COMPENSAÇÃO. compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO.COMPENSAÇÃO.ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. não havendo ulterior homologação da extinção do crédito tributário através da compensação, a manifestação de inconformidade não tem a natureza jurídica de extinção, mas de recurso administrativo, portanto, de suspensão do crédito tributário exigido. Apesar de não se manifestar acerca das compensações pendentes de julgamento no processo nº 10280.001636/201384, a DRJ foi categórica em afirmar que os recursos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319 foram improvidos tanto na 1ª quanto na 2ª instância administrativa. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repete as razões de defesa da manifestação de inconformidade. Acrescenta, ainda, que as compensações das estimativas vinculadas ao processo nº 10280.001636/201384, que se encontrava pendente de análise (itens 8, 10, 11, 12 e 13), restaram homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém. Por sua vez, o débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6), apesar de ter sua compensação não reconhecida administrativamente, já é objeto de cobrança através da inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971. Quanto ao débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), sua cobrança estava suspensa pois ainda estaria em discussão administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Quanto aos débitos vinculados aos processos nº 10280.001636/201384 (itens 8, 10, 11, 12 e 13) e 10280.001575/200355 (item 6), considero que a recorrente juntou provas suficientes para afastar qualquer insurgência ao seu pleito. Com efeito, as PER/DCOMP listadas nos itens 8, 10, 11, 12 e 13 da tabela (fls. 109 e 110 do processo eletrônico) do Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009 fazem parte do conjunto de declarações de compensação homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém (vide a Tabela 1 fls. 361 e 376 do processo eletrônico a qual foi integralmente contemplada no voto condutor da decisão recorrida fls. 372 do processo eletrônico). Fl. 382DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 382 4 Quanto à estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6 da mesma tabela daquele Parecer), de fato, o valor originário de R$ 15.008,80 é objeto da cobrança contida na inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971 (fls. 373 e 374 do processo eletrônico). No que se refere ao débito de estimativa vinculado ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), no valor de R$ 11.917,29, verifico que foi negado seguimento ao recurso especial impetrado pela empresa (conforme despacho de admissibilidade datado de 16/09/2015). Portanto, de acordo com as decisões da primeira e segunda instâncias administrativas, a compensação do referido debito não foi homologada. Nada obstante, em 16/11/2015, aquele processo foi encaminhado para a unidade de origem e ainda não há confirmação de que, tal como aconteceu com a estimativa do item 6, seu valor originário está inscrito em dívida ativa. Destarte, por prudência e também porque não vislumbro prejuízo para as partes, entendo que deva se aguardar a confirmação da inscrição em dívida ativa do débito daquele último processo. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a inscrição em dívida ativa do débito contido no processo de nº 10280.001574/200319, retornando o presente processo para a conclusão do seu julgamento após confirmada a mencionada providência. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003736/2003-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS.
Na fase pré-operacional havendo saldo negativo entre as receitas e despesas financeiras não há que se falar em tributação. Precedentes.
Numero da decisão: 1103-000.591
Decisão: ACORDAM os membros da lª Camara / 3ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS.. Na fase pré-operacional havendo saldo negativo entre as receitas e despesas financeiras não há que se falar em tributação. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Camara / 3' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Sustent 6L0 E ita pela Dra. Eloisa Curi (OAB/SP 117304). DA SILVA - Presidente E SILVA - Relator • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percinio da Silva. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA 4t) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou procedente auto de infração lavrado para a cobrança de IRPJ no valor de R$ 6.835.714,94 e CSLL no valor de R$ 2.530.876,71 dos anos calendários de 2000 a 2002, sob o fundamento de que o contribuinte deixou de oferecer à tributação receitas com aplicações em fundo de investimento indexado em moeda estrangeira no citado período. Na sua Manifestação de Inconformidade o contribuinte alegou que nos anos- calendários objetos do lançamento se encontrava em fase pré-operacional (período de janeiro de 1999 a julho de 2002). razão pela qual seria indevida a tributação. Sustenta, ainda, que o saldo entre as receitas e despesas financeiras era negativo e que, nesta situação, também não deveria haver tributação. A decisão recorrida não aceitou tal argumento e foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - 1RP,I Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas .financeiras apuradas em fase pré-operacional devem ser oferecidas á tributação segundo o regime de competência. CSLL- O decidido quanto ao lançamento do IRRI deve nortear a decisão do lançamento decorrente tendo em vista que decorrem das mesmas provas. Lançamento Procedente" (fls. 435) Inconformado, veio o contribuinte no seu Recurso Voluntário aduzir que a decisão recorrida deve ser reformada porque, em face das regras legais e contábeis, os ganhos financeiros obtidos na fase pré-operacional não devem ser ofertados a tributação, conforme farta doutrina e •iurisprudência que acostou ao seu Recurso. Reitera, também, que mesmo que se admitisse a tributação, esta só seria possível se a diferença entre os saldos de despesas e receitas financeiras fosse positivo, o que não teria ocorrido segundo demonstrado na tabele posta as fls. 499 do Recuso, lastreada no Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/1999 e juntado as fls. 513/515 dos autos como doc. 04 Com tais considerações requer a procedência do Recurso com a improcedência do auto de infração originário. o relatório. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA S1-C1T3 11. ED 410 •Ce)? Processo n" 19515.003736/2003-19 Acóra611." 1103-00.591 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator 0 recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão posta é eminentemente de direito, qual seja, se, quando em fase pré- operacional, os ganhos de rendimentos financeiros obtidos pela Recorrente devem ser levados ou não tributação, particularmente quando o saldo das aplicações é negativo em razão das despesas financeiras serem superiores aos ganhos que o lançamento entendeu constituírem fato gerador do tributo objeto do auto de infração. Para este relator a resposta é negativa, isto 6, não há que se falar de tributação dos ganhos financeiros na fase pré-operacional, particularmente na presente hipótese, quando restaram comprovados que as despesas financeiras (juros dos financiamentos, etc) foram superiores aos ganhos das aplicações, corno se extrai do "Balanço Patrimonial" juntado as fls. 513/515, onde consta corno despesa financeira (juros do passivo") é superior a receita financeira ("rendas sobre aplicações financeiras"). Assim, mesmo que se admitisse a tributação das receitas financeiras em fase pré- operacional, a tributação so seria possível na hipótese das referidas receitas serem superiores as despesas, o que comprovadamente não ocorreu. Isto porque, em respeito ao regime de competência, its receitas devem ser confrontadas às despesas surgidas no mesmo exercício. E o que determina o art. 177 da Lei das SA (lei n° 6.404/76), verbis: "Art. 177. A escrituração da companhia sera mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mula Coes patrimoniais segundo o regime de competência" (original sem destaque). Tal entendimento foi prestigiado pela Solução de Divergência COSIT n° 32 de 05.08.2008, cuja ementa é a seguinte: "As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo erido o saldo liquido negativo entre receitas e despesas financeiras., quando provenientes de recursos classificáveis 170 referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro liquido do exercicio". Assim, na fase pré-operacional, sendo as despesas maiores que as receitas, o saldo negativo é lançado no ativo diferido do contribuinte; sendo positiva a diferença entre receitas e despesas, o saldo deve diminuir as demais despesas pré-operacionais e, eventual saldo positivo, pode ser tributado. 3 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA • A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, cuja precisão e conhecimento técnico sobre o tema é de todos conhecidos, assim se manifestou em processo análogo ao presente (Proc. n° 10580.013161/2002-11): "Segundo essa Solução de Divergência [COSIT n° 32/08], a revogação da IN 54/88, não constitui razão suficiente para se concluir que o resultado .financeiro positivo obtido a partir dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real deva ser prontamente tributado, post() que a legislação comercial, que consagra o principio da competência, inclusive no que se refere ao ativo diferido e cuja observância determinada pela legislação tributária, estabelece que devem ser registrados no ativo diferido, o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo, sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas, devendo haver tributação apenas quando o referido resultado ultrapassar o total das despesas pré- operacionais. No caso dos autos, conforme já demonstrado pela análise do Balanço Patrimonial, o saldo entre receitas e despesas financeiras foi negativo , não havendo, pois que se falar de tributação. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo espelha o entendimento aqui defendido, conforme demonstram os arestos abaixo: LUCRO REAL FASE PRE-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁ RIAS ATIVAS. As receitas financeiras originárias de empreendimentos em fase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas. Permanecendo saldo positivo, o valor é oferecido a tributação. As receitas . financeiras e as variações monetárias ativas são parte da atividade operacional da empresa, podendo ser diferidas se a situação é de pré-operacionalidade. (107-09537, de 12.11.2008,) "FASE PRE-OPERACIONAL -- SALDO CONJUNTO CREDOR — Passível de diferimento, na fbrma de lucro inflacionário, o saldo conjunto da fase préoperacional de despesas e receitas financeiras, variações monetárias ativas e passivas e do resultado liquido da correção monetária do balanço, que exceda as despesas pré- operacionais, a teor do disposto na IN SRF n°54/88. independentemente do resultado apurado em todo o período-base." (Conselho de Contribuintes - Acórdão 101-95093 de 07/07/2005) "FASE PRE-OPERACIONAL. DIFERIMENTO DAS RECEITAS E DAS DESPESAS. INICIO DA ATIVIDADE OPERACIONAL. As receitas e despesas de empreendimentos ern lase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, para amortização no prazo mínimo de 5 anos. O inicio da atividade operacional se dá quando o equipamento ou instalação passa a operar em sua plena capacidade. (1° Conselho de Contribuintes – Acórdão 103-21933, data da decisão 14/0412005)." (0--- 4 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA Process() n" 19515,003736/2003-19 Ac6RI:ao n." 1103-00.591 S1-C1T3 5(1 "IRPJ. PERÍODO PRÉ-OPER1(70NAL. Os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo erido que contribuirão para a forma ção do resultado de mais de um período de apuração devem ser amortizados e partir do inicio das operações, independentemente do resultado positivo ou de lucro. Quando a implantação da empresa se processar por etapas, cada lase da implantação deve ser bem definida, a fim de que as amortizações das despesas pré- operacionais fiquem vinculadas a cada etapa (PN/CST no 110/75). IRPJ. APURAÇÃO DE RESULTA DOS. RECEITAS E DESPESAS. Na apuração de resultados de um período, devem os custos, despesas operacionais e encargos devemz ser computados com as receitas, consoante comando expresso no artigo 187, inciso e g e § I°, letra 'a' e '6', da Lei n° 6.404/76 e artigo 70(10 Decreto-lei n 1598/77." (1° Conselho de Contribuintes - Acórdão 101-94337 de 09/09/2003)" "IRPJ — EMPRESA EM FASE PRÉ-OPERACIONAL — DESPESA DE VARIAÇÃO MONETAL4 PA SS/ VA — Na lase pré-operacional, deve ser apurado o saldo conjunto day despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado líquido da correção monetária do balanço que, se devedor, será registrado no ativo diferido. Incabível a tributação, isolada e em sua totalidade, do valor registrado a titulo de variação monetária passiva sobre operação de mútuo, Recurso parcialmente provido.(1° Conselho de Contribuintes - Acórdão 108-06007, Data da decisão 22/022000)" "FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras originarias de empreendimentos em lase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas. Caso ainda permaneça saldo positivo, o valor é oferecido e tributação. RECOLHIMENTO MENSAL. BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. FASE PRÉ- OPERACIONAL. incabível a exigéncia de recolhimento mensal sobre bases estimadas, se a empresa encontra-se em .fase pré-operacional. (Decisão 5008 da DRI/RJ - r Turma, data da decisão 2g4.2004)" Por todo o exposto, voto por julgar procedente o presente Recurso Voluntário e, consequentemente, improcedente o Auto de Infracal originário, que resta sem efeito. corno voto. Sala de Sessões, 24 de novembro de 2011. atiV(tu ERIC CASTRO E SILVA RELATOR. 5 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA
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Numero do processo: 15983.000897/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem sobrestar o julgamento nos termos do § 1º, do art. 62-A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009; que aprovou o Regimento Interno do CARF, até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Relatorio
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem sobrestar o julgamento nos termos do § 1º, do art. 62A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009; que aprovou o Regimento Interno do CARF, até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 00 89 7/ 20 10 -1 1 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000897/201011 Resolução nº 1402000.151 S1C4T2 Fl. 736 2 Relatorio C E D DISTRIBUICAO E REPRESENTACAO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a 2a. TURMA DA DRJ CAMPINAS –SP recorre de oficio haja vista que a exoneração ultrapassou seu limite de alçada. Transcrevo e adoto parte do relatório da decisão recorrida: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis, lavrados em 27/10/2010, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 7.185.007,94, incluindo multa de ofício, nos percentuais de 75% e 150%, e juros de mora calculados até 30/09/2010, em razão da constatação de omissão de receita e da falta de declaração do lucro apurado, no anocalendário 2006, conforme discriminado no Termo de Constatação Fiscal – Final de fls. 37/45: (...) A contribuinte foi cientificada dos autos de infração, mediante intimação pessoal ao procurador legalmente habilitado, na data de 27/10/2010. Inconformada, a interessada apresentou, por intermédio de seu representante legal, em 26/11/2010, impugnação de fls. 582/590, acompanhada de documentos de fls. 591/599. Após breve resumo dos fatos, protesta, preliminarmente, pela nulidade da autuação, diante da existência de vício formal, notadamente, no Termo de Constatação Final. (...) Requer, ainda, a apresentação de novos documentos, a qualquer tempo, diante da precariedade do procedimento fiscalizatório levado a efeito. A decisão recorrida está assim ementada: Provas. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Meios de Fiscalização. O Fisco não sofre qualquer restrição de investigação e, assim, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizála através Fl. 736DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000897/201011 Resolução nº 1402000.151 S1C4T2 Fl. 737 3 de todos os meios lícitos admitidos em Direito, inclusive com base em presunção simples, desde que firmada com indícios veementes. As receitas informadas pela própria interessada em seus livros de manutenção obrigatória não consistem, propriamente, em presunção, antes constituindo uma confissão da contribuinte, passível de averiguação com os elementos de que dispuser o Fisco, inclusive extratos bancários. Omissão de Receita. Constatada, em livro fiscal (Livro de Saída e Apuração de ICMS), a obtenção de receitas de vendas diferente daquela contabilizada e declarada à RFB, no anocalendário, configurada está a omissão. Falta de Declaração. A falta de declaração de receitas contabilizadas configura subtração de rendimentos à tributação. Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Multa de Lançamento de Ofício. Graduação. Qualificação da Conduta. Inexistindo discriminação de conduta relativamente à receita contabilizada e aquela considerada omitida, dado que ambas receitas estavam presentes em livros de escrituração obrigatória disponibilizados à análise da fiscalização, sendo ambas subtraídas à tributação pela mesma prática da falta de declaração à RFB, resta fragilizada a motivação para aplicação da penalidade qualificada apenas em relação à parcela da receita considerada omitida, impondose o seu reajuste, do percentual de 150% para aquele equivalente a 75%, com fundamento nas disposições do art. 112, inciso IV, do CTN. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000897/201011 Resolução nº 1402000.151 S1C4T2 Fl. 738 4 VOTO Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Apesar de ter pautado o presente processo para julgamento, ao elaborar o voto constatei que a fiscalização obteve os extratos bancários da empresa, mediante Requisição de Movimentação Financeira – RMF, ou seja, sem autorização judicial. Em conformidade com o artigo 62A, § 1º, do /regimento Interno do CARF, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Assim, em face da repercussão geral atribuída ao Recurso Extraordinário nº 601314, pelo Supremo Tribunal Federal, e do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, propugno pelo sobrestamento do julgamento do presente processo para aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal, no recurso acima referido. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 738DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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