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Numero do processo: 11020.002358/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2301-003.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar claro que devem ser excluídos do cálculo da autuação os fatos ocorridos até 11/2000, anteriores a 12/2000, devido a decadência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Adriano Gonzales Silvério
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
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CONTRADIÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar claro que devem ser excluídos do cálculo da autuação os fatos ocorridos até 11/2000, anteriores a 12/2000, devido a decadência, nos termos do voto do Relator Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 23 58 /2 00 7- 30 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão de fl 276 a 279 assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PRELIMINAR IN EXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal pois a norma que o exigia foi revogada. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. IMUNIDADE A imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, "c" da Constituição Federal está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições previdenciárias. REINCIDÊNCIA Não merece ser conhecido o recurso nessa parte, uma vez que a foi reconhecida pela decisão recorrida que não houve reincidência no caso concreto, porém não merecia retificação o Auto de Infração, pois esse atributo conferido pela fiscalização não teve o condão de alterar o valor apurado. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de Fl. 15DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11020.002358/200730 Acórdão n.º 2301003.251 S2C3T1 Fl. 288 3 outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 Sustenta a embargante incidir o acórdão embargado contradição em relação à aplicação do artigo 173, I do CTN considerando o fato de que em se tratando de descumprimento de obrigação acessória e tendo em vista que o sujeito passivo fora intimado do lançamento em 21/12/2006, a decadência somente poderia alcançar até a competência de 11/2000 e não 12/2000, como fixado no v. acórdão. Os embargos de declaração restaram admitidos pelo Despacho de nº 2301 154. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Realmente o recurso padece de contradição, pois ao tempo que reconhece a aplicação do prazo decadencial do artigo 173, inciso I do CTN, em virtude do descumprimento da obrigação acessória, efetuou a contagem do citado prazo tal como se houvesse aplicado o artigo 150, § 4º do CTN, o que não é o caso Conforme fundamentado no acórdão embargado não há que se cogitar em lançamento por homologação no qual há pagamento antecipado sujeito a posterior homologação pelo Fisco, mas tax) somente o cumprimento ou não, pelo sujeito passivo, do dever instrumental que lhe é exigido por lei. Figurase, portanto, o lançamento de oficio embasado nas hipóteses do artigo 149 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual se submete ao prazo previsto no artigo 173, inciso I desse mesmo diploma legal. Isto é, ao prazo qüinqüenal cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido levado a efeito. Sabendose que na espécie o período verificado esta compreendido entre janeiro de 1999 a dezembro de 2001 e que a ora recorrente foi intimada do AI em 21 de dezembro de 2006, verificase que está decaído o período de janeiro de 1999 a novembro de 2000. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os embargos de declaração e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 16DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720051/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543-B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015.
EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
O art. 28 § 9o, t da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade.
INDENIZAÇÃO PAGA NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO EM DECORRÊNCIA DE CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. GANHO NÃO EVENTUAL.
Possui caráter remuneratório a parcela paga ao trabalhador na rescisão do contrato de trabalho, em decorrência de Convenção Coletiva de Trabalho, que não visa a reparar ato ilícito ou a ressarcir dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço.
A Convenção Coletiva de Trabalho não é instrumento apto para conceder isenção, que só pode ser manejada por lei em sentido formal, nos termos do § 6º do art. 156 da Constituição Federal.
É não eventual o pagamento devido no término do contrato de trabalho, que é evento certo e previsível.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543-B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9o, t da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. INDENIZAÇÃO PAGA NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO EM DECORRÊNCIA DE CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. GANHO NÃO EVENTUAL. Possui caráter remuneratório a parcela paga ao trabalhador na rescisão do contrato de trabalho, em decorrência de Convenção Coletiva de Trabalho, que não visa a reparar ato ilícito ou a ressarcir dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço. A Convenção Coletiva de Trabalho não é instrumento apto para conceder isenção, que só pode ser manejada por lei em sentido formal, nos termos do § 6º do art. 156 da Constituição Federal. É não eventual o pagamento devido no término do contrato de trabalho, que é evento certo e previsível. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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SALÁRIO INDIRETO: AUXÍLIO EDUCAÇÃO. VERBA PAGA NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. Recorrente SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9o, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. INDENIZAÇÃO PAGA NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO EM DECORRÊNCIA DE CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. GANHO NÃO EVENTUAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 51 /2 01 2- 10 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Possui caráter remuneratório a parcela paga ao trabalhador na rescisão do contrato de trabalho, em decorrência de Convenção Coletiva de Trabalho, que não visa a reparar ato ilícito ou a ressarcir dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço. A Convenção Coletiva de Trabalho não é instrumento apto para conceder isenção, que só pode ser manejada por lei em sentido formal, nos termos do § 6º do art. 156 da Constituição Federal. É não eventual o pagamento devido no término do contrato de trabalho, que é evento certo e previsível. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 317 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 1253.642 da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Rio de Janeiro 1 (RJ1), f. 276284, com ciência da interessada em 02/04/2013, fls. 287, que julgou improcedente a impugnação aos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) abaixo relacionados, dos quais o sujeito passivo teve ciência pessoal em 27/01/2012: 1) AIOP DEBCAD Nº 37.327.2880, referente à exigência das contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT). 2) AIOP DEBCAD Nº 37.327.2898, referente à exigência das contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição social do salário educação e a destinada ao INCRA. De acordo com o relatório fiscal de fls. 1125, constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) valores pagos a cooperativas de trabalho no período de 01/2007 a 12/2008; b) parcela de remuneração paga a empregados dispensados sem justa causa, prevista na cláusula 28 da Convenção Coletiva de Trabalho, identificada na folha de pagamento como “Indenização Adicional CCT”, no período de 02/2007 a 06/2008; c) pagamentos em utilidades feitos a empregados, correspondentes ao custeio de cursos de pósgraduação (MBA e mestrado), no período de 04/2008 a 12/2008. A interessada apresentou impugnação, fls. 187203, solicitando o cancelamento dos autos de infração, alegando, em síntese: a) com relação à parcela identificada na rubrica “indenização adicional”, argumentou que tem natureza indenizatória, conforme previsto na norma coletiva da categoria profissional dos empregados, sendo que o caráter normativo da convenção coletiva de trabalho é reconhecido na Constituição Federal. Além disso, o pagamento é eventual e não tem caráter contraprestativo, pois devido somente na rescisão do contrato de trabalho; b) não há incidência sobre os valores pagos a título de cursos de educação em nível superior, pois atende as condições de isenção previstas na Lei 8.212/91, além de o art. 458, § 2º da CLT ter excluído essa verba do conceito de salário; c) é inconstitucional a exigência da contribuição previdenciária sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho, e, não obstante isso, houve pagamento da contribuição incidente sobre os serviços prestados por cooperativas de transporte. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário, com base nos seguintes fundamentos: a) não tem competência para negar vigência à lei que instituiu a contribuição sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho; b) o custeio de cursos de nível superior não está previsto na regra de não incidência contida no art. 28, § 9º, da Lei 8.212/1991, já que a educação superior não é educação básica, nos termos da Lei 9.394/1996; c) a parcela da remuneração paga na rescisão do contrato de trabalho não está contemplada pela regra de não incidência de contribuição previdenciária (art. 28, § 9º, da Lei 8.212/1991). Fl. 318DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Em 16/04/2013, a interessada interpôs recurso, fls. 289306, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Alega que é inconstitucional a contribuição incidente sobre a remuneração dos trabalhadores contratados por meio de cooperativa de trabalho. Com relação à rubrica "indenização adicional", sustenta que ela não tem natureza salarial, conforme previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, pois não se destina a retribuir o trabalho, sendo devida na rescisão do contrato; além disso, o pagamento é eventual, feito somente uma vez durante todo o contrato de trabalho. Alega que não há incidência das contribuições sobre os pagamentos feitos aos empregados a título de pósgraduação e técnico de aperfeiçoamento, pois se trata de verba indenizatória, destinada ao aperfeiçoamento dos serviços por eles prestados à recorrente. Argumenta que as verbas destinadas aos cursos estão disponíveis para a totalidade dos empregados que atendam às condições de elegibilidade previstas na Convenção Coletiva de Trabalho, o que se justifica pelo elevado custo do benefício, sendo que as regras previstas beneficiam a todos igualmente e não a certos empregados ou grupos de empregados. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 318 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Contribuição da Empresa sobre Serviços Prestados por Cooperados por Intermédio de Cooperativa de Trabalho. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal As contribuições exigidas neste lançamento têm por base o art. 22, IV, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, o qual foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC. Segue ementa do acórdão: RE 595.838 RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da Fl. 320DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Assim, reconheço a ausência de amparo legal para se exigir as contribuições lançadas a este título, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 20151, que determina, no âmbito deste Conselho, a reprodução das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC. Auxílio Educação. Curso de PósGraduação O fundamento fáticojurídico do lançamento é o salário utilidade pago aos empregados da recorrente, relativo ao custeio de cursos de pós graduação a eles destinados (MBA e mestrado), pois, segundo a fiscalização, apenas o custeio da educação escolar básica está excluído da incidência de contribuições previdenciárias, nos termos da alínea “t” do § 9o da Lei 8.212/91. De acordo com artigo 22, I, e art. 28, ambos da Lei 8.212/91, os ganhos habituais em forma de utilidades, em regra, integram o salário de contribuição do segurado empregado. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(g.n.) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que 1 art. 62... ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 319 7 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.) A exceção ocorre quando o salárioutilidade não possui caráter contraprestativo, notadamente quando bens ou serviços são fornecidos como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laborativa. Esse conceito é conhecido pela clássica fórmula de que somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. No caso do auxilio educação, o legislador optou por criar regra expressa de não incidência, condicionada ao atendimento de certos requisitos previstos no art. 28 § 9o, “t” da Lei 8.212/91. Vigorava, à época dos fatos geradores, a redação dada a esse dispositivo pela Lei 9.711/98, a qual isentava das contribuições aqui tratadas os valores pagos aos empregados a título de cursos de educação básica e de capacitação e qualificação profissionais, vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não constituíssem substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tivessem acesso ao plano educacional: Lei 8212/91: Art. 28. ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Posteriormente, a Lei 12.513, de 16/10/2012, promoveu alterações nesse dispositivo, passando a exigir o cumprimento de outros requisitos para a não incidência dessa verba. As novas regras, entretanto, não se aplicam ao caso, que trata de fatos geradores ocorridos antes da sua edição. É na Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que estão os conceitos de educação básica, capacitação e qualificação profissionais, bem como os princípios da educação profissional e tecnológica, a qual é concebida como educação continuada e integrada aos diferentes níveis e modalidades de educação e dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia: LDB: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) O Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004, que regulamenta a LDB, estabelece que a formação inicial e continuada de trabalhadores (dimensões que, com o Decreto 8.268/2014, foram abarcadas pela expressão “qualificação profissional” 2), incluem a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização, em todos os níveis de escolaridade: Decreto 5.154/2004: Art. 1º A educação profissional, prevista no art. 39 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), observadas as diretrizes curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação, será desenvolvida por meio de cursos e programas de: I qualificação profissional, inclusive formação inicial e continuada de trabalhadores; (Redação dada pelo Decreto nº 8.268, de 2014) II educação profissional técnica de nível médio; e III educação profissional tecnológica de graduação e de pós graduação. ... Art. 3º Os cursos e programas de formação inicial e continuada de trabalhadores, referidos no inciso I do art. 1o, incluídos a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização, em todos os níveis de escolaridade, poderão ser ofertados segundo itinerários formativos, objetivando o desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva e social. (grifei). Em suma, a qualificação profissional engloba a formação inicial e a aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade, e constitui objetivo da educação profissional, de acordo com a Lei 9.394/96. 2 A expressão "formação inicial e continuada de trabalhadores", prevista na redãção original do inciso I do art. 1o do Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004, foi alterada para "qualificação profissional", pelo Decreto 8.268, de 2014: Art. 1o A educação profissional, prevista no art. 39 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), observadas as diretrizes curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação, será desenvolvida por meio de cursos e programas de: I qualificação profissional, inclusive formação inicial e continuada de trabalhadores; (Redação dada pelo Decreto nº 8.268, de 2014) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 320 9 Por sua vez, observados os critérios legais, o art. 28 § 9o, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, exclui da tributação o valor relativo a cursos de capacitação e qualificação profissionais, a qual, conforme disposto nos arts. 1º e 3º do Decreto 5.154/2004, engloba a educação profissional em todos os níveis de escolaridade. Logo, não há respaldo, na legislação, para se excluir os cursos de pósgraduação da hipótese de isenção. No sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre o salário indireto recebido por empregado a título de custeio de curso de graduação e de pós graduação, cito os seguintes precedentes do CARF: Ac. 2403002.7343, 4a Câmara/3a Turma Ordinária/2a Seção, rel. Cons. Carlos Alberto Mees Stringari, sessão de 11/09/2014, Ac. 2402004.1674, 4a Câmara/2a Turma Ordinária/2a Seção, rel. Cons. Ronaldo de Lima Macedo, sessão de 16/07/2014; Ac. 2301003.9965 – 3a Câmara/1a Turma Ordinária/ 2a. Seção, rel Cons. Mauro José Silva, sessão de 15/04/2014. Entretanto, para que não ocorra incidência de contribuição previdenciária, o curso de pós graduação deve estar vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa e todos os empregados e dirigentes devem ter acesso a ele. A fiscalização deixou de demonstrar o desatendimento dessas condições. Quanto à pertinência dos cursos, limitouse a listar os cursos custeados pela Recorrente no anexo 3, fls. 43, os quais pertencem às áreas de administração, contabilidade e economia. Quanto à disponibilização dos cursos a todos os funcionários e dirigentes, a fiscalização apenas transcreveu a resposta dada pela Recorrente quando questionada a este respeito, a qual afirmou que as bolsas estavam disponíveis a todos os empregados e dirigentes, desde que observadas as condições previstas em Convenção Coletiva, deixando, todavia, de especificar essas condições. Em suma, a fiscalização deixou de demonstrar os requisitos necessários para afastar a isenção das contribuições aqui tratadas, em relação aos pagamentos feitos pela Recorrente aos seus empregados, na forma de utilidades, mediante custeio de cursos de pós graduação, de modo que não há respaldo legal para se exigir o crédito tributário incidente sobre esses pagamentos. 3 BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. 4 BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que extensivo a todos, insere se na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílio educação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. 5 ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO RELACIONADOS COM AS ATIVIDADES DA EMPRESA ENTENDIDOS COMO CURSOS DE CAPACITAÇÃO. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Os cursos de graduação e pósgraduação podem ser considerados cursos de capacitação e estão abrangidos pelo benefício desde que estejam relacionados com as atividades da empresa. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 Indenização Adicional Convenção Coletiva de Trabalho. Tributação A Recorrente pagou, na rescisão contratual, o valor correspondente a 0,5 salário, 1 salário ou 1,5 salário, aos empregados dispensados por iniciativa do empregador e sem justa causa, com mais de 10, 20 e 30 anos de serviço na empresa, respectivamente, conforme previsto em Convenção Coletiva de Trabalho. A base de cálculo da contribuição previdenciária prevista constitucionalmente é composta pela folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física, em retribuição ao trabalho (art. 195, I, “a”, CF). Portanto, não estão incluídas no âmbito da incidência, as parcelas de caráter indenizatório, quais sejam, os valores pagos pelo empregador, ao empregado, a título de reparação de ato ilícito ou ressarcimento de dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço. Na espécie, não se constata eventual dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço, pois a rescisão do contrato de trabalho, por si só, ainda que sem justa causa, não gera obrigação de indenizar o empregado além do previsto em lei. Inexistindo a causa jurídica geradora de indenização, concluise que as verbas em questão foram pagas em retribuição ao trabalho do empregado dispensado, de modo que possuem natureza remuneratória, e não indenizatória, notadamente por se tratar de pagamento feito por liberalidade do empregador, uma vez que a lei não prevê o pagamento desse tipo de verba, sendo que a previsão em Convenção Coletiva de Trabalho não altera a sua natureza jurídica. A Convenção Coletiva de Trabalho não é instrumento eficaz para conceder isenção tributária, que é matéria privativa de lei, nos termos do § 6º do art. 156 da Constituição Federal, 6 lei esta em sentido formal, conforme doutrina de Leandro Paulsen7: A exigência de lei formal em matéria tributária dáse tanto para a instituição ou majoração de tributos (a legalidade estrita do art. 150, I, da CF) como para a concessão de isenções e de quaisquer outras diminuições ou dispensas da carga tributária (art. 150, § 6º, da CF). Outra tese aventada no recurso é no sentido de que os pagamentos são eventuais, tendo ocorrido apenas ao final do contrato de trabalho, e, por conseguinte, estariam abarcados pela isenção prevista no art. 28, § 9o, “e”, 7, da Lei 8.212/91: Art. 28 ... 6 Art. 156... § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 7 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 321 11 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Entretanto, a ausência de continuidade não significa que o ganho seja eventual, já que este último está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo8. O pagamento das verbas em análise não é eventual, pois é devido na rescisão do contrato de trabalho quando atendidos os requisitos préestabelecidos, de modo que está atrelado a evento certo e com previsibilidade da sua ocorrência. Por fim, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao analisar a incidência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre verba paga na rescisão do contrato de trabalho, a título de indenização por liberalidade do empregador, concluiu que a verdadeira natureza dessa verba é remuneratória: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 458 E 535, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUTÁRIO. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NATUREZA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1. O acórdão suficientemente fundamentado que não aborda todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pela parte não viola o disposto nos artigos 458 e 535, do CPC. 2. As verbas concedidas ao empregado por mera liberalidade do empregador quando da rescisão unilateral de seu contrato de trabalho implicam acréscimo patrimonial por não possuírem caráter indenizatório, sujeitandose, assim, à incidência do imposto de renda. Precedentes: EAg Embargos de Divergência em Agravo 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, DJ 12.06.2006; EREsp 769.118 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ de 15.10.2007, p. 221; REsp n.º 706.817/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005; EAg 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, v.u., julgado em 24.5.2006, DJ 12.6.2006 p. 421; EREsp 775.701/SP, Relator Ministro Castro Meira, Relator p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 26/4/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 1.8.2006 p. 364; EREsp 515.148/RS, 8 As diferenças conceituais dos temas aqui abordados – eventualidade e não habitualidade, são tratadas no Ac. 9202003.044, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, Sessão de 12 de fevereiro de 2014. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 8/2/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 20.2.2006 p. 190 RET vol. 48 p. 28; AgRg nos EREsp. Nº 860.888 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.11.2008, entre outros. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (RE nº 1.102.575 MG, rel. Min. Mauro Campbell Marques) Em suma, a verba paga pela recorrente a título de “indenização condicional Convenção Coletiva de Trabalho” possui caráter remuneratório e não está excluída do campo de incidência pela lei, notadamente pelo parágrafo 9º do art. 28 da Lei 8.212, de modo que sobre ela incidem as contribuições aqui tratadas. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir as contribuintes incidentes sobre: a) valores pagos a cooperativas de trabalho no período de 01/2007 a 12/2008; b) pagamentos em utilidades feitos a empregados, correspondentes ao custeio de cursos de pósgraduação (MBA e mestrado), no período de 04/2008 a 12/2008. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 13984.720304/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE DE LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observadas todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Comprovado, por documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu valores recebidos, nos anos-calendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, a título de honorários advocatícios, provenientes de decisões de mérito favoráveis em ações judiciais nas quais atuou como patrono, fica mantido o lançamento.
ÔNUS DA PROVA. MEIOS DE PROVA - TODOS OS MEIOS LEGAIS E OS MORALMENTE LEGÍTIMOS SÃO ACEITOS
O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo.
Assim, cabe ao contribuinte produzir argumentos acompanhados de provas que se contraponham à ação fiscal e ao Fisco produzir provas que sustente o lançamento, lastreando seus relatos com documentos, termos, depoimentos, laudos e demais elementos de provas que não deixem dúvida da fidedignidade dos fatos e da autoria da infração.
Todos os meios de prova legais e moralmente legítimos são admitidos no Direito processual. Entre estes estão as perícias, oitiva de testemunhas, depoimentos e outros elementos produzidos por autoridades policiais, judiciais e fiscais.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pelo art. 173, I, do CTN.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A partir da vigência da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e o Dr. Ivacir Julio de Souza, que cancelavam o lançamento referente à multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Junior.
João Bellini Junior - Presidente e Redator Designado.
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observadas todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Comprovado, por documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu valores recebidos, nos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, a título de honorários advocatícios, provenientes de decisões de mérito favoráveis em ações judiciais nas quais atuou como patrono, fica mantido o lançamento. ÔNUS DA PROVA. MEIOS DE PROVA TODOS OS MEIOS LEGAIS E OS MORALMENTE LEGÍTIMOS SÃO ACEITOS O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Assim, cabe ao contribuinte produzir argumentos acompanhados de provas que se contraponham à ação fiscal e ao Fisco produzir provas que sustente o lançamento, lastreando seus relatos com documentos, termos, depoimentos, laudos e demais elementos de provas que não deixem dúvida da fidedignidade dos fatos e da autoria da infração. Todos os meios de prova legais e moralmente legítimos são admitidos no Direito processual. Entre estes estão as perícias, oitiva de testemunhas, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 03 04 /2 01 2- 54 Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 depoimentos e outros elementos produzidos por autoridades policiais, judiciais e fiscais. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pelo art. 173, I, do CTN. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A partir da vigência da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e o Dr. Ivacir Julio de Souza, que cancelavam o lançamento referente à multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Junior. João Bellini Junior Presidente e Redator Designado. Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.233 3 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 7ª Turma da DRJ/RJ1, nº 1259.488, constante em fls. 1.143/1.164 (PDF): Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls.1007/10033, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendários 2007, 2008, 2009 e 2010, exercícios 2008, 2009, 2010 e 2011, no valor total de R$ R$ 3.310.349,81, assim composto: Imposto 826.114,71 Juros de Mora (calculados até 08/2012) 212.005,86 Multa Proporcional (passível de redução) 1.858.758,11 Multa Exigida Isoladamente Valor do Crédito Tributário Apurado 413.471,13 3.310.349,81 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 1009/1012, o crédito tributário decorre da apuração de Omissão de Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Física. O demonstrativo de apuração do imposto devido encontrase às fls. 1013/1020, o da multa exigida isoladamente, às fls. 1021/1024, e o de Multa e Juros de Mora, às fls. 1032. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1033/1039) descreve a autoridade lançadora o andamento de todo o trabalho fiscal, desde o Termo de Início da Ação Fiscal, as Intimações e Reintimações feitas à contribuinte, as respostas da fiscalizada e as diligências efetuadas, visando apurar os valores recebidos pela contribuinte em decorrência da prestação de serviços de advocacia a inúmeros clientes. Dos documentos existentes no processo e do Termos de Verificação Fiscal de fls. 1033/1039, extraise que a fiscalizada é advogada que atua na área de Direito Previdenciário, em escritório comum com seu cônjuge, o advogado Edelson Hortêncio Alves Júlio, situado na Rua Hercílio Luz, 766 – Centro – LagesSC. Explica a autoridade que o procedimento fiscal teve como objeto inicial a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física nos anos calendário 2008 e 2009, tendo sido o período ampliado para os anos calendário 2007 e 2010. Informa, ainda, que o início do procedimento fiscal baseouse nos recibos apresentados em procedimentos de Malha Fiscal, em ações previdenciárias e em Ofícios da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal. Esclarece a fiscalização que havia indícios de omissão de rendimentos, uma vez que a fiscalizada e seu cônjuge declararam rendimentos de pessoa física ínfimos, em descompasso com as quantidades de ações previdenciárias em que atuaram como patronos. De acordo com os Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 documentos e informação da autoridade fiscal, as ações, em sua totalidade, referiramse ao reconhecimento pela Justiça Federal de aposentadorias não acatadas administrativamente pelo INSS. A concessão do benefício de aposentaria pela Justiça Federal gerou o pagamento de valores atrasados, que é a parte da aposentadoria devida ao segurado referente a período anterior ao provimento judicial. Do Termo de Verificação Fiscal destacase, ainda, as seguintes informações: A interessada teve ciência do início da ação fiscal em 28/09/2011 e foi intimada a informar os valores recebidos a título de honorários contratuais, nos anoscalendário 2007,2008, 2009 e 2010. Planilha com informações do número da ação judicial originária, do número da ação de requisição e do beneficiário da ação judicial foram encaminhadas à contribuinte a fim de que informasse os valores de honorários contratuais recebidos em cada ação. Esgotado o prazo previsto no termo, a fiscalizada não se manifestou. A fiscalizada foi novamente intimada por meio dos Termos de Intimação Fiscal nos. 002 e 003/2012 a apresentar Livro Caixa, considerando que os rendimentos são recebidos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício. Novamente, a fiscalizada não atendeu às intimações. Tendo em vista as intimações não atendidas, foram emitidos Mandados de Procedimento Fiscal de Diligência a fim de buscar as informações referente aos honorários contratuais junto aos representados da fiscalizada e de seu cônjuge. Questionados sobre os valores de honorários contratados pagos à fiscalizada ou a seu cônjuge, os diligenciados apresentaram documentos comprobatórios ou prestaram depoimentos, afirmando categoricamente que pagaram 50% da geração dos atrasados apurados na ação judicial. Os documentos levantados nas diligências foram depósitos, transferências bancárias, recibos e contratos de prestação de serviços advocatícios. Os diligenciados que não possuíam documentos comprobatórios do pagamento dos honorários, em sua maioria por não lhes terem sido fornecidos recibos, prestaram depoimentos sobre os valores e procedimentos da fiscalizada e/ou de seu cônjuge quando do recebimento dos atrasados. Da leitura dos depoimentos, concluiuse que a conduta dos fiscalizados era a seguinte: ao ter informação da disponibilidade dos recursos da ação judicial, a fiscalizada ou seu esposo e, por vezes, as suas secretárias, compareciam à instituição bancária na companhia dos beneficiários. O beneficiário sacava o valor disponível e ali mesmo era feita a divisão, cabendo ao beneficiário 50% e ao advogado 50% (um ou outro advogado). Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.234 5 Apesar de receberem valores expressivos, os advogados recebiam em espécie sua parte, que em alguns casos passou de R$ 100.000,00, evitando assim o trânsito de recursos em contacorrente bancária e comprovando a clara intenção de passar despercebidos pela Receita Federal. Recibos ou outro tipo de comprovante de recebimento somente eram fornecidos após muita insistência de seus representados, sendo que nem todos obtiveram êxito. Explica a autoridade fiscal que na análise das Declarações de Imposto de Renda (DIRPF) da fiscalizada, foi verificado que historicamente ela não oferece os rendimentos recebidos de pessoas físicas à tributação, à exceção do ano 2009, quando foi motivada por inquérito policial, em decorrência de representação formulada por um de seus clientes junto ao Ministério Público Federal a fazer Declaração Retificadora (ex 2010) para informar o rendimento recebido do cliente e representante no valor de R$ 96.261,71 e recolher o imposto de renda correspondente. As condutas referentes a patrimônio e rendas mostram a intenção de esconder a real situação financeira e fugir da tributação Corroborando essa conclusão, um caso concreto evidencia ainda mais o intuito de fraude. Tratase do Ofício nº 0307/2011 IPL 0109/20104 da Delegacia da Polícia Federal em Lages. O referido ofício encaminha cópia do Inquérito Policial no qual figuravam como investigados Adriane Santana Costa Júlio (fiscalizada) e Edelson Hortêncio Alves Júlio (esposo da fiscalizada). A investigação recaía sobre os artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90 (Crimes contra a Ordem Tributária) e artigos 168 e 171 do Código Penal. O inquérito foi instaurado tendo em vista representação do senhor ANTÔNIO DE MORAES ao Ministério Público Federal, no qual informou ter sido lesado pelos referidos advogados. A fiscalizada, ao tomar conhecimento da investigação, apressouse em apresentar declaração DIRPF 2010 retificadora, em 13/09/2010, incluindo nos rendimentos recebidos de pessoa física o valor pago por ANTONIO DE MORAES a título de honorários contratuais e, não por acaso, foi o único rendimento de pessoa física declarado pela fiscalizada nos anos calendário de 2007 a 2010. Não fossem a Representação ao MPF e o consequente Inquérito Policial, o valor pago por ANTONIO DE MORAES talvez nunca fosse oferecido à tributação, como também não foram os demais valores apurados por esta Fiscalização. A fiscalizada e seu cônjuge apostaram no fato de que, recebendo os honorários em dinheiro (evitando o trânsito por contacorrente), não fornecendo recibos ou comprovantes de recebimento aos seus clientes e omitindo os valores de honorários na DIRPF, fossem escapar da tributação desses valores. Informa a autoridade fiscal que os valores de honorários recebidos de pessoas físicas omitidos foram aferidos levando em consideração três formas de levantamento: Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 6.1.a – Com base em Documentos Parte dos valores de honorários é comprovada com documentos apresentados pelos diligenciados (TED/DOC, Cópia de Cheque, Recibo, Contrato de Prestação de Serviços, Sentença). Os documentos nominados “SENTENÇA” são ações ajuizadas na Justiça Estadual que têm por objeto a anulação da cláusula contratual que estipula honorários de 50% do valor da geração dos atrasados. Nesses casos o valor dos honorários é incontroverso, tendo em vista que os próprios advogados reconhecem ter recebido valores correspondentes a 50% dos atrasados. Os valores de honorários apurados com base em documentos constam da planilha HONORÁRIOS DOCUMENTOS (anexo 1). 6.1.b – Com base em Termos de Depoimento Os representados prestaram depoimentos, afirmando que fizeram pagamentos à fiscalizada e seu cônjuge a título de honorários contratuais. Os depoimentos reforçam a estipulação dos honorários em 50% da geração dos atrasados e confirmam que os advogados dão preferência a receber os honorários em dinheiro. Os depoentes afirmaram ainda que os advogados não lhe forneceram qualquer documento que comprovasse o pagamento dos honorários. Os valores de honorários com base em depoimentos constam da planilha denominada HONORÁRIOS DEPOIMENTOS (anexo 2). 6.1.c – Com base em Aferição a partir da documentação do procedimento A fiscalização não teve acesso a alguns representados, seja pelo fato de existirem endereços de difícil acesso, tais como áreas rurais, seja pelo fato de alguns representados não terem atendido à intimação fiscal. Pra estes casos, os valores de honorários foram aferidos em 50% e estão demonstrados na planilha HONORÁRIOS AFERIÇÃO (anexo 3). O percentual de 50% fica respaldado pela vasta documentação juntada ao procedimento fiscal, que demonstra que o valor padrão da prestação de serviços advocatícios para as ações de cunho previdenciário era de 50% do valor da geração dos atrasados. Corroborando este percentual aferido, temos ainda: a) Sentenças da Justiça Estadual nas quais a fiscalizada e seu esposo confirmam, em contestação, que o valor estipulado de honorários é de 50% da geração dos atrasados; b) Os depoimentos prestados; c) Contratos de prestação de serviços juntados ao procedimento; d) Representações encaminhadas pelo Ministério Público Federal; Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.235 7 e) Inquérito Policial 0109/20104; f) Procedimento Fiscal anterior instaurado contra a fiscalizada, quando também restou comprovado o percentual de 50%; g) Resposta da fiscalizada, informando que “existiram contratos de 20%, 50% e alguns raros de 100%”. Sobre os procedimentos que se seguiram, assim escreve a autoridade fiscal: Para garantir o direito de a fiscalizada se pronunciar sobre o valor aferido, foi emitido Termo de Intimação nº005/2012, intimandoa a se manifestar sobre o levantamento dos honorários recebidos de Pessoas Físicas e de Pessoas Jurídicas. Em resposta conjunta, a contribuinte e seu cônjuge “refutam totalmente os cálculos apresentados, bem como a forma que a Receita Federal computou a renda auferida pelos Contribuintes auditados”. Os contribuintes afirmam, entre outras coisas, que “em muitos casos os Contratantes não efetuaram o pagamento de nenhum valor referente a honorários, bem como em outros ocorreu o pagamento parcial do acordado, ficando o Contratante devedor da obrigação contraída, além de em outras situações terem ocorrido renegociações do contrato!”. Por fim, requerem “a disponibilização do processo administrativo, ou cópia completa de todos os documentos utilizados (...), a fim de não se ferirem os sagrados princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa!!”. Considerando que a fiscalização tem caráter inquisitório, não cabe alegar contraditório e ampla defesa. Ainda, desde o início do procedimento, os fiscalizados foram intimados a informar os valores de honorários advocatícios recebidos das pessoas físicas listadas, e, mesmo refutando os cálculos apresentados por esta fiscalização, eles não informaram os valores que considerariam corretos. Foi dada nova oportunidade, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 006/2012, para que a fiscalizada informasse os valores recebidos das pessoas físicas, preenchendo a planilha com os honorários recebidos das pessoas físicas nas ações discriminadas. Novamente a contribuinte, em resposta conjunta com o cônjuge, questiona os valores levantados, pede cópias dos documentos de posse desta Fiscalização, mas não informa os valores recebidos das pessoas físicas listadas na planilha. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Assim, recusandose a fiscalizada a informar os valores recebidos de pessoas físicas e ainda, de contestar individualmente os valores levantados por esta fiscalização, só cabe encerrar o presente procedimento, lançando a omissão de rendimentos apurada. Sobre o valores considerados omitidos, explica a autoridade fiscal que: De posse dos valores de honorários constantes das planilhas HONORÁRIOS DOCUMENTOS, HONORÁRIOS DEPOIMENTOS e HONORÁRIOS AFERIÇÃO, levantamos os rendimentos mensais de honorários, por representado, da fiscalizada e seu esposo, na planilha denominada TOTAL MENSAL DE HONORÁRIOS (anexo 4). O valor de honorários para os quatro anoscalendário objetos da fiscalização totalizou R$ 6.200.630,39. Considerando que Adriane Santana da Costa Júlio e Edelson Hortêncio Alves Júlio são legalmente casados, conforme consta de seus respectivos documentos de identidade; considerando que os contratos de serviços advocatícios são sempre convencionados tendo em um dos pólos o cliente e do outro sempre a fiscalizada e seu esposo; considerando que o casal apresenta declaração em separado, o total dos rendimentos auferidos com base na prestação de serviços advocatícios deve ser rateado, cabendo a cada um 50% dos rendimentos. Assim, serão considerados como rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas da fiscalizada R$3.100.315,19, (TRÊS MILHÕES, CEM MIL, TREZENTOS E QUINZE REAIS E DEZENOVE CENTAVOS) 50% do total dos honorários obtidos com os serviços advocatícios empreendidos pelo casal. Os rendimentos mensais atribuídos a cada um constam da planilha RESUMO MENSAL POR ADVOGADO (anexo 5). Para fins de cálculo do imposto devido tomamos por base que: a) A fiscalizada foi intimada (Intimação nº 002/2011) e reintimada (Reintimação 003/2012) a apresentar Livro Caixa, onde poderia comprovar deduções que seriam consideradas no cálculo do imposto devido, porém no prazo estipulado não apresentou; b) Não houve nenhum pagamento de carnêleão no período fiscalizado; c) Foi apenas declarado um rendimento recebido de pessoa física nos quatro anos fiscalizados, no valor de R$ 96.261,71, referente ao anocalendário 2009. Considerando essas informações, levantamos o CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO, considerando os rendimentos apurados atribuídos à fiscalizada, os valores declarados a título de rendimentos recebidos de pessoa física. Com isso chegamos aos valores omitidos, mês a mês, objetos de lançamento (anexo 6). Em relação às Multas Qualificada e Agravada, bem como em relação à Multa Isolada, reproduzo o conteúdo do termo elaborado pela fiscalização. Da Multa Qualificada e Agravada Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.236 9 Conforme relatado, a fiscalizada omitiu rendimentos recebidos de pessoas físicas decorrentes de processos judiciais em que ela e seu marido, Edelson Hortêncio Alves Júlio, trabalharam como patronos das causas. A omissão ocorreu durante todos os anoscalendário objeto da fiscalização, com o fim específico de impedir que a Receita Federal tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador. A fiscalizada já é reincidente neste tipo de conduta, visto que já foi autuada pela Receita Federal do Brasil, pelo mesmo motivo, em anos calendário anteriores, conforme consta do processo administrativo fiscal nº 13984.000003/200824. Além do intuito de fraudar o Fisco, a fiscalizada não atendeu as intimações e reintimações descritas nos parágrafos 6 a 9 da presente Termo de Verificação Fiscal. Caracterizado o evidente intuito de fraude pela omissão de rendimentos por quatro anos consecutivos e o não atendimento pelo sujeito passivo das intimações para prestar esclarecimentos, nos termos do artigo 44, inciso II e parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96, a multa a ser aplicada é de 225% em relação ao valor omitido. Da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF CarnêLeão Fiscalizada e cônjuge receberam rendimentos de pessoas físicas oriundos de honorários recebidos em ações previdenciárias em que atuaram como patronos nos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, conforme foi demonstrado no decorrer do presente Termo de Verificação. Sobre esses rendimentos não foi efetuado o recolhimento mensal obrigatório do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF devido a título de carnêleão, incidindo a fiscalizada na multa prevista na legislação. A multa calculada corresponde a 50% do Imposto de Renda devido a título de carnêleão que não foi recolhido, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação (fls. 1072/1085, na qual solicita seja afastado o lançamento, invocando inicialmente, com o respaldo de doutrinadores e jurisprudência, afronta aos princípios do contraditório e ampla defesa por desconhecer as razões determinantes do lançamento e os elementos em que se apoiou. Para tanto, alega em síntese, que: Após tomar ciência do Termos de Início de Fiscalização, que vieram acompanhados de planilhas contendo informações relativas a ações judiciais por ela postuladas, solicitou, sem resposta da Receita Federal, a disponibilização de cópias do processo administrativo no intuito de conhecer todos os atos e documentos que ensejaram a fiscalização. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Houve cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa na medida em que pertenceu a apenas uma das partes os documentos que alicerçaram a autuação. Em momento algum os responsáveis pela fiscalização manifestaram se em relação ao requerido A fiscalização apontou uma extensa lista de beneficiários com valores presumidos a título de honorários, alguns sustentados apenas com base em depoimentos, que não garantem a veracidade dos relatos, e contratos de honorários, que não comprovam os recebimentos do que foi acordado. A não observância dos princípios do contraditório e ampla defesa, em se tratando de matéria tributária, são extremamente lesivos ao contribuinte. A garantia do contraditório oportuniza as partes apontar suas versões sobre os fatos, analisar as peças, documentos, perícias e todos os demais atos que corroboram o procedimento realizado. Reclama a contribuinte que a abordagem realizada pela fiscalização junto aos seus clientes gerou desconforto e insegurança, podendo induzilos a erros. Neste sentido, diz que seus clientes relataram a ela que foram procurados pela fiscalização em suas residências e, quando não encontrados, comunicados através de bilhetes, solicitando o contato direto para o telefone da Receita Federal a fim de esclarecerem fatos relacionados ao pagamento de honorários profissionais. Que alguns de seus clientes a procuraram desorientados e acuados por temerem os benefícios obtidos nas ações serem cessados, motivo pelo qual teve que esclarecêlos e garantirlhes que o procedimento de fiscalização era unicamente direcionada a impugnante, sem possibilidade de prejuízos aos segurados. Citando os art 196 do CTN e art. 35 do Decreto 70.235/70, ressalta que a doutrina é específica e taxativa quanto a obrigatoriedade de lavratura do auto de infração no local do estabelecimento fiscalizado, considerandose ineficaz e inválida a peça básica do procedimento administrativo fiscal. Diz, ainda, que a lavratura fora do estabelecimento fiscalizado quebra a segurança jurídica e a própria seriedade nas relações que devem existir entre fisco e contribuinte. Quanto aos depoimentos, defende que não podem ser admitidos no processo. Aduz que a preferência pela prova documental deve ser absoluta, tendo em vista que a prova testemunhal é tida como parcial, incerta e passível de vícios. Sobre os valores apurados, aduz que do processo constam uma série de documentos relativos ao que a fiscalização presume serem valores recebidos a título de honorários contratuais e que auditor não pode valerse de uma lista de precatórios constantes do site do TRF e neles “passar uma régua” , dividindo pela metade os valores lá existentes, como consta da tabela anexa ao Termo de Início do Procedimento Fiscal.O auditor não procedeu a análise pormenorizada do crédito, conforme prescreve o parágrafo terceiro do art. 42 da Lei 9.430/1996. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.237 11 Quanto aos contratos de honorários apresentados por seus clientes, aduz que, como o próprio nome já revela “Contrato” não é pagamento, mas tão somente um acordo, um pacto, uma convenção sobre a forma de haver um pagamento resultante de alguma ação entre as partes. A existência de um contrato não comprova pagamento e considerar assim significa presumir. Que os valores foram baseados apenas em uma modalidade de contrato por meio dos quais se presumiu que foram recebidos valores correspondentes a metade dos rendimentos obtidos nas ações judiciais, sem a devida comprovação individualizada em todos os casos. Diz que a fiscalização entrou em contradição e baseou o lançamento em presunção por meio de declarações sob as quais não guardam nenhuma segurança jurídica. Em momento algum ficou comprovado neste procedimento o efetivo ingresso de renda de todos os valores apontados. Requer, ao final, seja anulado o lançamento. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação. A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1259.488 da 7ª Turma da DRJ/RJ1 em 20/09/2013 (fl. 1.169). Sobreveio Recurso Voluntário em 21/10/2014 (fls. 1.174/1.187), no qual, a contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação, acrescentando acerca de decadência/prescrição, do caráter confiscatório da multa no percentual de 75% e insurgiuse sobre a multa isolada. É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa sob o fundamento de que não foi dada vista dos autos durante a fiscalização. Contudo, não assiste razão à Recorrente, uma vez que foi dado conhecimento dos autos à interessada, que teve ampla oportunidade de apresentar impugnação e discutir o crédito tributário, como foi feito. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Em casos como este, em que é dado ao contribuinte amplo conhecimento dos fatos, assim como acesso aos autos e tempo admissível para comprovar suas alegações de defesa, sendolhe garantido o prazo legal para apresentação de impugnação, é cediço o entendimento deste E. Conselho no sentido da inocorrência do cerceamento de defesa. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 NULIDADE DE LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA Nº 46 DO CARF. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observadas todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos. [...] (Acórdão nº 2101002.684, Processo 10980.015068/200735, Relator Cons. Eduardo de Souza Leão, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 22 de janeiro de 2015)" "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano calendário: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Seguidas todas as formalidades legalmente exigidas e lavrado auto de infração claro que não impossibilite a compreensão da infração imputada, não há que se falar em cerceamento de defesa. [...] (Acórdão nº 2202002.278, Processo 10640.004075/200843, Relator Cons. Rafael Pandolfo, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 12/07/2013)" Portanto, rejeito esta preliminar. No que tange a decadência/prescrição alegada pela Recorrente, com base no art. 173 do CTN, também não merece guarida. Conforme se extraí do Termo de Verificação Fiscal em fl. 1.091: "[...] 52. a fiscalizada omitiu rendimentos recebidos de pessoas físicas decorrentes de processos judiciais em que ela e seu marido, Edelson Hortêncio Alves Júlio, trabalharam como patronos das causas. 53. A omissão ocorreu durante todos os anoscalendário objeto da fiscalização, com o fim específico de impedir que a Receita Federal tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.238 13 54. A fiscalizada já é reincidente neste tipo de conduta, visto que já foi autuada pela Receita Federal do Brasil, pelo mesmo motivo, em anoscalendário anteriores, conforme consta do processo administrativo fiscal nº 13984.000003/200824. 55. Além do intuito de fraudar o Fisco, a fiscalizada não atendeu as intimações e reintimações descritas nos parágrafos 6 a 9 da presente Termo de Verificação Fiscal 56. Caracterizado o evidente intuito de fraude pela omissão de rendimentos por quatro anos consecutivos e o não atendimento pelo sujeito passivo das intimações para prestar esclarecimentos, nos termos do artigo 44, inciso II e parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96, a multa a ser aplicada é de 225% em relação ao valor omitido." Notadamente, em razão da conduta reiterada da Contribuinte em omitir os rendimentos e oferecêlos à tributação, entendese que estão presentes os pressupostos que configuram o intuito de fraude à legislação Tributária, a teor do disposto nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Aplicandose, pois, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2009. O lançamento poderia ser efetuado em 2008, em tese, a partir do dia seguinte à data limite prevista para entrega tempestiva da declaração;então, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2009. Definido, portanto, que no presente caso a decadência de lançamento de ofício deve ser determinada exclusivamente à luz do que dispõe o inciso I do artigo 173 do CTN, constatase que, para o caso concreto, o prazo para se constituir o lançamento, relativamente ao anocalendário de 2007, esgotarseia em 31/12/2013. Assim, tendo a Recorrente sido cientificada do lançamento em 08/08/2012 (fl. 1.117), não há que se falar em decadência. Conforme resta comprovado nos excertos do AgRg no AResp 252942/PE, o STJ, na interpretação ao recurso repetitivo REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC, dá guarida ao entendimento desta conselheira conforme pode ser constatado na citação abaixo, vejamos: [...] 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadênciado direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art.173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos. Tanto na súmula CARF N.º 38, abaixo transcrita, bem como na jurisprudência do STJ, no caso de Imposto de Renda Pessoa Física, restou consolidado o entendimento de que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. De acordo com o art. 62 do Regimento Interno do CARF esta conselheira não pode afastar a aplicação dos recursos repetitivos do STJ e, sobre a matéria da aplicabilidade do art. 173,I do CTN em relação a contagem do prazo decadencial o REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC, nos excertos abaixo transcritos, assim determina: [...] 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). [...] Sendo que fato imponível e fato gerador são sinônimos, contando o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível no caso em análise relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2008 o prazo decadencial se esgotaria em 31.12.2012. Sendo que a Recorrente foi cientificada do lançamento em 08/08/2012 (fl. 1.117), não há que se falar em decadência. Inclusive, a fim de evitar quaisquer dúvidas quanto à questão, ainda que fosse aplicado o art. 150, §4º, do CTN, também não poderia se falar em decadência, pois neste caso, o prazo de contagem iniciaria a partir da ocorrência do fator gerador, no caso, em 01/01/2008, e se esgotaria em 31/12/2012. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.239 15 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [....] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto seja qual for a interpretação dada na contagem do decadencial não há o que ser falar em decadência. Por fim, tampouco há que se falar em prescrição, cuja contagem encontrase suspensa por força do art. 151, III, do CTN. Argumenta a Recorrente sobre o caráter confiscatório da multa de 75%. Em síntese alega que "A lei 9.430, em seu artigo 61, limita o percentual máximo em 20% (vinte por cento), enquanto o mencionado auto de infração atinge o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) a título de multa, sendo, portanto abusiva, imoral e injusta, tendo a conotação de confisco." Todavia, equivocase a Recorrente, pois a multa embora fixada em 75% (setenta e cinco por cento), fora aplicada na modalidade qualificada (150%), uma vez que presentes os pressupostos que configuram o intuito de fraude à legislação Tributária, a teor do disposto no artigo 44, §1º da Lei n 9.430/1996 e arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Ademais, sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Conselho Administrativo declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco e da proporcionalidade) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim, diante da conduta da Recorrente de omitir seus rendimentos à fiscalização, não há que se falar em confisco quanto à multa de ofício aplicada. Quanto a insurgência relativamente à cumulação da multa de ofício e multa isolada, assiste razão à Recorrente. A fim de elucidar melhor a questão, se faz as seguintes considerações. Por necessitar de recursos para executar suas funções, Administração não pode aguardar o encerramento do período de apuração para receber os tributos cujos fatos geradores irão ocorrer no final do exercício. Neste contexto, antes da ocorrência do fato Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 gerador, criouse obrigações impondo ao sujeito passivo o dever de antecipar recolhimentos no decorrer do anocalendário. Os valores recolhidos a título de carnêleão, no caso de pessoa física, os recolhimentos a título de estimativas, no caso de pessoas jurídicas, são deduzidos do imposto apurado no final do exercício. Se deduzidos do valor do imposto devido não há como negar que têm natureza de tributo e correspondem, assim como o IRRF, em pagamento antecipado. Quando se estabelece obrigação do sujeito passivo em recolher carnêleão ou estimativa não se está imputando a ele qualquer omissão relacionada a fato gerador. Nestas circunstâncias o fato gerador ainda não ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar tributo. Se no mês de março o contribuinte pessoa física ou jurídica deixar de recolher, por exemplo, carnêleão ou estimativa, respectivamente, no mês seguinte a autoridade fiscal pode exigir o valor não recolhido com multa de 50%. Contudo, encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnêleão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas o disposto no artigo 138 do CTN. Observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Igualmente, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Na linha do presente voto, à título de exemplo cito os seguintes precedentes deste E. Conselho: Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.240 17 "Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão nº 2202002.924 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA;CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996)." "Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão nº 2801003.110 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria IRPF MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊ LEÃO. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste Conselho." "Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão nº 1101001.234 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2014 Matéria IRPJ Incentivos Fiscais MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º., inciso IV da Lei Nº 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Com estes fundamentos, ao entender que encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão e, por consequência, também incabível a aplicação de multa isolada sobre. Desta forma, deve ser cancelada a multa isolada aplicada no percentual de 50%. No que tange as demais questões constantes do presente recurso voluntário, as quais foram as mesmas insurgidas na impugnação, entendo correta a decisão a quo, de modo Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 que à ratifico por seus próprios fundamentos. Por pertinente, transcrevo excertos baixo, que utilizo como razões para julgar. In verbis: "[...] Também não prevalece o pedido de anulação do Auto de Infração sob o argumento de que desconhece as razões que motivaram a fiscalização. É o representante da Fazenda que avalia a necessidade, ou não, de aprofundamento investigativo, pois a legislação o autoriza a efetuar o lançamento tributário a partir dos elementos de prova de que dispõe, conforme o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): [...] Na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação,tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento; o princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Na realidade, na fase de apuração das infrações (fase oficiosa), o fisco submetese à regra geral do ônus da prova no Processo Civil, que serve como fonte subsidiária ao PAF. Incumbe ao fisco, como autor, o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito. Ou seja, cabe à autoridade fazendária provar a ocorrência do fato gerador e demais circunstâncias necessárias à constituição do crédito tributário, aplicandose o disposto no Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A suficiência ou não das provas, desde que estas não sejam obtidas de forma ilícita, é questão relacionada ao próprio mérito do lançamento. [...] Nesse ponto, cabe ressaltar que o processo administrativo aceita todos os meios legais e os moralmente legítimos de provas, aplicandoselhe o previsto no art. 332, do CPC: [...] Evidentemente, os elementos constantes destes autos encaixam se perfeitamente como fontes legítimas de pesquisa e obtenção de provas. Tratamse da análise de documentos encaminhados pelo Ministério Público Federal e Justiça Federal, que deram início à fiscalização, respostas insuficientes do contribuinte e diligencias junto a terceiros que resultaram na obtenção de documentos e depoimentos, perfazendo um conjunto rico e exaustivo de investigação dos fatos relacionados todos ao recebimento de honorários advocatícios. [...] Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.241 19 Do Procedimento Fiscal e da Apuração da Omissão de Rendimentos A fiscalizada, que é advogada atuante na área de Direito Previdenciário, em escritório comum com seu cônjuge, foi alvo de denúncia por parte do Ministério Público Federal pela prática de sonegação fiscal em comum com seu esposo, também advogado. O MPF, por meio do Ofício 120/2011 (fls. 2) dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Lages, encaminhou solicitação para a realização de procedimento fiscal, que veio acompanhada dos documentos que instruíram o Inquérito Policial (fls. 3 a 132). A análise de tais documentos evidencia que um dos clientes da impugnante em ação de reconhecimento de aposentadoria, representou ao MPF o fato de ter sido lesado pela advogada e seu esposo. Relatou que seus representantes exigiramlhe o pagamento de 50% do valor total recebido na ação e que, ao final, recebeu valor maior do que seu representado, considerando também os honorários da sucumbência. Foi instaurado inquérito e a investigação recaiu sobre os artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90 (Crimes contra a Ordem Tributária) e artigos 168 e 171 do Código Penal. Ficou evidenciado, também, que a fiscalizada, ao tomar conhecimento da investigação, apresentou a DIRPF retificadora incluindo nos rendimentos recebidos de pessoa física o valor de R$ 96.261,71, que foi o valor pago por seu cliente a título de honorários contratuais, sendo este o único rendimento de pessoa física declarado pela fiscalizada nos anoscalendário de 2007 a 2010. O inquérito policial também evidencia que a advogada, juntamente com seu cônjuge, recebeu os honorários em dinheiro, evitando o trânsito por contacorrente, sem o fornecimento de qualquer recibo ou comprovante. Tendo em vista o indício de omissão de rendimentos apontado pelo Ministério Público, a investigação fiscal iniciouse com o intuito de apurar os fatos relacionados aos rendimentos oriundos de sua profissão, para averiguação quanto à tributação. Foi constatado pela autoridade fiscal que a fiscalizada e seu cônjuge declararam valores incompatíveis com as quantidades de ações previdenciárias em que atuam como patronos. Cerca de 1500 ações de acordo com o site do TRF 4ª Região, segundo a autoridade fiscal. Foi apurado também pela fiscalização que todas as ações referiamse ao reconhecimento pela Justiça Federal de aposentadorias não acatadas administrativamente pelo INSS. A concessão do benefício de aposentaria pela Justiça Federal gerou o pagamento de valores atrasados, que é a parte da aposentadoria devida ao segurado autor da causa referente a período anterior ao provimento judicial. O Termo de Início de Fiscalização (fls 133) levou ao conhecimento da contribuinte que a fiscalização abrangeria os Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 anos de 2007 e 2008 e, posteriormente, ampliação para os anos de 2009 e 2010 (fls. 140). Foi emitido regularmente o Mandado de Procedimento Fiscal no. 09.2.05.002010002393, referindo se ao Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2008, 2009, 2010 e 2011. Junto ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 133) e Termo de Intimação (fls. 140), foi encaminhado à contribuinte planilhas (fls. 141/144), contendo a relação das ações ajuizadas perante a justiça federal em face do INSS em que figurou, juntamente com seu esposo, como patronos. A planilha foi elaborada com a indicação do numero da ação, número da ação de requisição e do beneficiário da ação judicial. A contribuinte foi instada a informar os valores correspondentes aos honorários recebidos em cada ação bem como juntar os contratos de prestação de serviço. Foi emitido novo Termo de Intimação (no. 002/2011 – fls. 154), através do qual a autoridade solicita a apresentação de Livro Caixa e dos documentos relacionados. Em seguida, por meio do Termo de Intimação no. 004/2012 foi solicitada a relação de bens e direitos possuídos pela fiscalizada no período de 2007 a 2012. Os termos de Reintimação Fiscal 002/2012 e 003/12 foram emitidos com a reiteração da solicitação para apresentação de informações sobre os honorários recebidos nas ações na planilha elaborada inicialmente e apresentação de Livro Caixa. Diante da dificuldade em obter esclarecimentos da contribuinte por meio dos 4 termos de intimação emitidos, a autoridade fiscal diligencia no sentido de intimar todos os beneficiários dos precatórios, clientes da contribuinte nas causas previdenciárias. [...] Em face da ausência de qualquer esclarecimento solicitado nas quatro primeiras intimações, autoridade fiscal estendeu suas investigações na busca de informações junto aos beneficiários e clientes da contribuinte em relação aos honorários por eles pagos. Foram emitidos os Termos de Intimação nºs 005 e 006, que acompanharam planilhas, agora com a inserção do valor constante dos respectivos precatórios e o valor que teria sido pago a título de honorários advocatícios, na proporção de 50% do valor dos precatórios. Tal planilha foi elaborada com base nas informações colhidas junto aos clientes, que trouxeram aos autos documentos e depoimentos de que pagaram aos advogados o valor correspondente a 50% do montante obtida nas ações judiciais. Foi solicitado à contribuinte, neste momento, que se manifestasse quanto à exatidão dos valores levantados. Informa a autoridade fiscal naquele termo que: Considerando que o fiscalizado, anteriormente intimado e reintimado, não se manifestou sobre os honorários advocatício, considerando que a totalidade dos contratos previa o mínimo de 50% de honorários. Considerando que nas ações de revisão de Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.242 21 contratos citados o fiscalizado afirma que cobra 50% de honorários, não coube a esta fiscalização outra presunção. Em resposta aos termos de Intimação nºs 5 e 6 (fls. 188/189), a contribuinte manifestase pela primeira vez no autos (fls. 188/189), dizendo que a fiscalização concluiu erroneamente que ocorreu o pagamento de valor correspondente a 50% dos valores atrasados obtidos judicialmente a título de honorários. Diz que, em muitos casos, os contratantes não efetuaram o pagamento de honorários, em outros, houve o pagamento parcial e em outros houve renegociação do contrato. Diz, ainda, que, na justiça, em alguns processos de ação de revisão de contratos, foram prolatadas sentenças anulando os contratos ou arbitrando com base no mínimo da Tabela da OAB. Aduz que diante da incompreensível forma de cálculo adotada pelos auditores refuta totalmente o cálculo, solicitando a fundamentação que embasou os cálculos de honorários advocatícios listados. Finaliza por requerer a disponibilização completa dos autos e de todos os documentos nele existentes que embasaram os valores apresentados, a fim de que os princípios do contraditório e ampla defesa não restassem feridos. Limitandose a solicitar cópia dos documentos do processo, não apresenta, contudo, qualquer dado concreto relacionado às ações das quais evidentemente participou, trazendo argumentos em contrário à fiscalização. Manifestouse, em síntese, por desconhecer informações e valores relacionados às ações judiciais que patrocinou. . A contribuinte, insisto, limitase a refutar o percentual de 50% incidente sobre os honorários, mas não traz qualquer elemento concreto em relação ao recebimento de honorários, pretendendo apenas desqualificar o trabalho fiscal que colheu, nos documentos e depoimentos, informações bastantes sobre as cifras que recebeu a contribuinte em função dos serviços advocatícios prestados nas ações previdenciárias. [...] A autoridade fiscal descreve no Termo de Verificação Fiscal que, com base nos elementos colhidos nas Diligências junto aos clientes, utilizouse de três formas de apuração dos honorários recebidos de pessoa física, cujos valores foram omitidos: [...] Como visto, durante o procedimento fiscal, a contribuinte não trouxe qualquer explicação referente às ações e precatórios listados pela fiscalização. A autoridade fiscal, ao longo de 6 Termos de Intimação, solicitou que documentos, como contratos de honorários e livro caixa, fossem apresentados a fim de apurar os valores recebidos pela prestação de serviços de advocacia exercidos nas ações em que listou. Repiso também que, ante a não apresentação de qualquer elemento concreto, foram emitidos Mandados de Procedimento Fiscal de Diligência, com o objetivo de buscar, junto aos Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 representados da fiscalizada e de seu cônjuge, informações referente aos honorários contratuais. Quanto ao ônus da prova na relação jurídicotributária, registrese que este incumbe a quem alega o direito. Assim, à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal e da verdade material. Ao sujeito passivo, por sua vez, cabe apresentar prova em contrário, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, bem como hábeis para afastar a imputação da irregularidade apontada. A legislação autoriza os Auditores Fiscais da Receita Federal a requisitarem informações de interesse tributário, conforme estabelecem os arts. 844, 927 e 928, entre outros, do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. A Autoridade Fiscal, com base em regular emissão de Mandados de Procedimento Fiscal de Diligência – MPFD, cumpriu seu papel na busca da comprovação efetiva da omissão de rendimentos por ser dele o ônus da prova nestas situações. A contribuinte aduz que a autoridade fiscal teria cometido, quando das diligências, excessos na obtenção de informações requeridas a seus clientes, constrangendoos, levandoos a insegurança, induzindoos a possível erro e fazendolhes pensar que perderiam os os benefícios obtidos pelas ações em que tiveram êxito. Pelos elementos disponíveis nos autos, não se verifica, contudo, nenhuma manifestação de constrangimento ou desconforto por parte das pessoas que prestaram informações à fiscalização. Ao revés, a grande maioria dos diligenciados prestaram depoimentos de que pagaram aos advogados o valor correspondente à 50% dos recursos obtidos nas ações. Deve ainda ser frisado que as informações requeridas ficaram restritas às relações de interesse da Administração Tributária ocorridas entre o interessado e seus clientes e isto ficou absolutamente claro nas Intimações. Foi também por meio das Diligências que a fiscalização logrou colher vasto e concreto conjunto probatório, consistentes em documentos e depoimentos dos autores das causas patrocinadas pela impugnante. Para o presente caso, insisto, a investigação estendeuse à busca de informações junto aos beneficiários dos clientes da contribuinte em relação aos honorários por eles pagos, em decorrência da resposta destituída de elementos concretos dada pela fiscalizada. A contribuinte limitase a refutar o percentual de 50% incidente sobre os honorários, mas não traz qualquer elemento concreto em relação ao recebimento de honorários, pretendendo desqualificar o trabalho fiscal. Da Omissão Apurada com Base nos Documentos Coletados Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.243 23 Os documentos levantados nas diligências foram depósitos, transferências bancárias, recibos e contratos de prestação de serviços advocatícios. Os documentos deram suporte ao levantamento elaborado na planilha de fls. fls. 1042/1044. Este levantamento apurou um valor de honorários advocatícios total de R$ 7.968.156,13, sendo que o valor correspondente ao 50% atribuído à contribuinte foi de R$ 3.176.487,74. A materialidade está, pois rigorosamente comprovada. Friso que, em relação aos documentos apresentados, a contribuinte limitase apenas a contestar a validade dos contratos. Defende que sua existência não comprova que houve pagamento, implicando numa presunção. A impugnante conhecendo os documentos apresentados por seus clientes, não produziu prova em contrário, tendo apresentado somente sua própria afirmação para contrapor o conteúdo dos contratos, o que não é suficiente para descaracterizar o conjunto probatório construído pela fiscalização. Da Omissão Apurada com base nos Depoimentos Coletados Os depoimentos coletados deram suporte à elaboração da planilha de fls. 1045, com a apuração de um valor total omitido total de R$ 1.707.485,18, sendo R$ 783.198,03 atribuídos à contribuinte. Esclarece a autoridade fiscal que os diligenciados que não possuíam documentos comprobatórios do pagamento dos honorários, em sua maioria por não lhes terem sido fornecidos recibos, prestaram depoimentos sobre os valores e procedimentos da fiscalizada e/ou de seu cônjuge quando do recebimento dos atrasados. Diz a autoridade fiscal que todos os depoentes afirmam, categoricamente, que pagaram aos advogados o valor correspondente a 50% da geração dos atrasados obtidos na ação judicial. [...] Aduz a contribuinte, por sua vez, que os depoimentos não podem ser aceitos no processo. Defende que a preferência pela prova documental deve ser absoluta, tendo em vista que a prova testemunhal é tida como parcial, incerta e passível de vícios. Defende também que os depoimentos não tem o condão de comprovar o efetivo ingresso de renda de todos os valores apontados. O processo administrativo aceita todos os meios legais e os moralmente legítimos de provas, aplicandoselhe o previsto no art. 332, do CPC: [...] Evidentemente, os depoimentos constantes destes autos encaixamse perfeitamente como fontes legítimas de pesquisa e obtenção de provas. Juntamente com a análise dos documentos apresentados, perfazem um conjunto rico e exaustivo de Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 investigação dos fatos relacionados ao recebimento de honorários. Portanto, as provas testemunhais obtidas são legais e legítimas. Assim é que dos vários depoimentos confirmouse que a impugnante, juntamente com seu esposo, cobrava de seus clientes o percentual de 50% do valor dos precatórios a título de honorários advocatícios. A impugnante, mais uma vez, conhecendo tais depoimentos, não produziu prova em contrário, tendo apresentado somente sua própria afirmação para contrapor tais afirmações, o que, repisese, também não é suficiente para descaracterizar o conjunto probatório construído pela fiscalização. Portanto, não vislumbramos, nesse particular, nenhum reparo a fazer no trabalho da autoridade fiscalizadora. Citando, ainda, os art 196 do CTN e art. 35 do Decreto 70.235/70, ressalta que a doutrina é específica e taxativa quanto à obrigatoriedade de lavratura do auto de infração no local do estabelecimento fiscalizado, considerandose ineficaz e inválida a peça básica do procedimento administrativo fiscal. Diz, ainda, que a lavratura fora do estabelecimento fiscalizado quebra a segurança jurídica e a própria seriedade nas relações que devem existir entre fisco e contribuinte. Impõese elucidar que o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estatui que ele deve ser lavrado no local de verificação da falta, que, no caso da pessoa física, ocorre, via de regra, na repartição pública. No caso em apreço, foram necessárias, ainda, diligências a fim de se apurar corretamente a infração. O local da verificação significa que o Auto de Infração deve ser lavrado no âmbito de jurisdição da Unidade autuante, e não no endereço do contribuinte. Este entendimento é homologado pelo Conselho de Contribuintes mediante o Acórdão a seguir transcrito, ainda que se refira a estabelecimento de empresa, mas, pela sua clareza, é perfeitamente aplicado ao caso concreto: [...] Muito bem, a contribuinte reside na cidade de Lages, domicílio que está contido na área de jurisdição da Delegacia autuante. Dessa forma, não há qualquer incorreção no procedimento da fiscalização, que efetuou a lavratura do Auto de Infração nas dependências da Unidade da RFB, de jurisdição sobre o domicílio fiscal do contribuinte, corroborado por diligências efetuadas junto a terceiros. Da Omissão Apurada com Base na Aferição a Partir da Documentação do Procedimento Descreve a autoridade fiscal que não teve acesso a todos os representados, clientes da impugnante, pois alguns possuíam endereços de difícil acesso, tais como áreas rurais, e outros não atenderam às intimações. Informa, ainda, que, para estes casos, os valores dos honorários foram aferidos em 50% do valor dos precatórios, tomandose por base toda a documentação juntada ao procedimentos fiscal, como as sentenças da Justiça Federal Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.244 25 em ações de revisão de contrato de honorários, depoimentos prestados, contratos de prestação de serviços, representação encaminhada pelo Ministério Público, Inquérito policial e respostas da fiscalizada. A respeito, eis o que disse a Autoridade Fiscal: [...] Foi elaborada, por conseguinte, a planilha “Honorários Aferição” de fls. 1046/1049. Esta planilha aponta uma omissão de rendimentos no total de 4.481.889,24, sendo atribuído à contribuinte o valor de R$ 2.240.944,62. Defende a contribuinte que o auditor baseou o lançamento em presunção por meio de declarações sob as quais não guardam nenhuma segurança jurídica e que em momento algum ficou comprovado neste procedimento o efetivo ingresso de renda de todos os valores apontados. Aduz, ainda, que os valores foram baseados apenas em uma modalidade de contrato por meio dos quais se presumiu que foram recebidos valores correspondentes à metade dos rendimentos obtidos nas ações judiciais, sem a devida comprovação individualizada em todos os casos. Pelo conjunto probatório colhido e pela contextualização evidenciada no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal conseguiu demonstrar não obstante a total falta de informações do contribuinte ter efetivamente ocorrido um “esquema” para fraudar o fisco, que consistiu no recebimento de honorários advocatícios sem emissão de comprovantes e sem a circulação de valores em contas bancárias. Foi relatado pelos diligenciados que os valores eram sacados diretamente no banco e entregue aos advogados ou sua secretária. Além de indícios, foram carreadas provas concretas do procedimento da autuada, do percentual cobrado pelos serviços advocatícios e dos valores envolvidos no esquema. Assim, considero suficientes para provar o liame da contribuinte com o recebimento do valor correspondente ao percentual de 50% dos precatórios obtidos. Não se pode olvidar que o Auto de Infração deve está devidamente instruído com provas que demonstrem infração à legislação tributária. Essa regra de direito está contida no art. 9º da chamada Lei do PAF – Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70.235/72, litteris: [...] Nesse ponto, cabe novamente enfatizar que o processo administrativo aceita todos os meios legais e os moralmente legítimos de provas, aplicandoselhe o previsto no art. 332, do CPC: [...] Evidentemente, elementos extraídos de um inquérito policial, careados com depoimentos, sentenças, contratos, além dos Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 depoimentos pessoais de vários contribuintes obtidos pela autoridade fiscal, têm, em conjunto, o condão de estabelecer um padrão de comportamento da fiscalizada em omitir rendimentos no percentual apurado. Tudo o que foi careado aos autos encaixase como fonte legítima de pesquisa e obtenção de provas, especialmente quando composto de documentos produzidos por autoridades policial, judicial e fiscal. Tudo isso perfaz um conjunto rico e exaustivo de investigação dos fatos relacionados à omissão dos rendimentos recebidos a título de honorários nas ações patrocinadas pela fiscalizada. Assim, pela robustes probatória é pela falta da apresentação de qualquer elemento concreto a descaracterizar a apuração da fiscalização, resta configurada a omissão no montante apurado pela fiscalização. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para cancelar a multa isolada no percentual de 50%. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Voto Vencedor Peço vênia à insigne relatora para discordar unicamente de seu posicionamento em relação à imposição de multa isolada por falta de recolhimento do IRPF calculado na forma do art. 8º da Lei 7713, de 1988 (carnêleão), que entendo deva ser mantida. A imposição da multa isolada tem previsão expressa no art. 44, II, da Lei 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2º nos incisos I, II e III: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Lei 7713, de 1988: Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13984.720304/201254 Acórdão n.º 2301004.500 S2C3T1 Fl. 1.245 27 pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. § 1º O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. § 2º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. Verificase que o art. 14 da Lei 11.288, de 2007, é explícito ao prever a incidência da multa “de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal”, nos casos de falta de pagamento do carnêleão (art. 8º da Lei 7713, de 1988). Nesse mesmo sentido a jurisprudência deste Carf: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF após o prazo fixado enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009, 2010 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. (acórdão: 2201002.442, Relator: Eduardo Tadeu Farah) Assim, voto pela manutenção do lançamento relativo à multa isolada por falta de recolhimento do IRPF calculado na forma do art. 8º da Lei 7713, de 1988 (carnêleão). (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator designado para o acórdão Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10830.016525/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos documentos apresentados na sessão para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Simões de Souza, OAB/SP 272.318.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos documentos apresentados na sessão para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Simões de Souza, OAB/SP 272.318. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 16 52 5/ 20 09 -9 4 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 25 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 0529.575 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) CampinasSP, f. 1947 1984, com ciência ao sujeito passivo em 03/09/2010, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas contra os créditos tributários constituídos por meio dos seguintes autos de infração: 1. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.257.9655 (Processo nº 10830.016522/200951): referese às contribuições a cargo da empresa, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 01/2005 a 12/2008, incidentes sobre: a) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de contribuição a programa de previdência complementar de caráter fechado (Eatonprev), o qual não é destinado à totalidade de seus empregados e dirigentes; b) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a Lei 10.101/2000. 2. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.257.9663 (Processo nº 10380.016523/200903): referese às contribuições a cargo dos segurados empregados, no período de 01/2005 a 08/2008, incidentes sobre os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a Lei 10.101/2000. 3. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.257.9671 (Processo nº 10380.016524/200940): referese às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salárioeducação e as destinadas ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, no período de 01/2005 a 12/2008, incidentes sobre: a) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de contribuição a programa de previdência complementar de caráter fechado (Eatonprev), o qual não é destinado à totalidade de seus empregados e dirigentes; b) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a Lei 10.101/2000. 4. Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) Debcad nº 37.257.9680 CLF 68 (Processo nº 10380.016525/200994): tratase de exigência de penalidade por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com omissão das remunerações pagas aos segurados empregados a título de previdência privada complementar de caráter fechado (Eatonprev) e Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Os Processos nºs 10380.016523/200903, 10380.016524/200940 e 10380.016525/200994 estão apensados ao Processo nº 10830.016522/200951. A autuada impugnou os lançamentos tributários, cujos pontos controvertidos foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, o qual adoto aqui: Fl. 25DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 26 3 Após ciência pessoal da autuação em 03/12/2009, o contribuinte apresentou defesa ao auto principal Debcad n° 37.257.9655, fls. 586/634, alegando em síntese, o que se passa a expor. Em preliminar alega a nulidade da autuação por ofensa ao princípio da verdade material, pois a fiscalização analisou superficialmente os lançamentos e documentos apresentados, sem observar que o Plano de Previdência Privada é oferecido a todos os empregados conforme leitura mais atenta de seu regulamento, e, em relação aos pagamentos de PLR, estes seguiram as determinações legais, com a efetiva participação do sindicato, o que afasta a tributação sobre as referidas verbas e torna nula a autuação pela falta de verificação da natureza e habitualidade de tais pagamentos Ao contrário do que afirma a fiscalização, o Plano de Previdência Privada abrange todos os funcionários da empresa e atende as determinações da Lei 8.212/91, e, na esfera Constitucional, houve concessão de imunidade a pagamentos a tal título, conforme artigo 202, § 2o, da Carta e incentivos concedidos pelo Decreto Lei n° 2.296/89. Posteriormente a Lei n° 8.212/91 excluiu da incidência de contribuições previdenciárias as referidas verbas desde que atendidos os requisitos legais, o que foi feito pela empresa. Afirma que o plano de previdência privada é estendido a todos os funcionários, conforme se verifica do informativo que junta (Doc 03), entregue ao empregado no momento de sua contratação, portanto, todos os empregados são elegíveis ao plano instituído pela Eatonprev, independentemente do valor do salário, o que pode também ser verificado no Regulamento do Plano (Doc 04) e nos Termos de Opção (Doc 05). Destaca que a legislação previdenciária, no que pertine à isenção da verba paga a título de Previdência Privada, somente determina que haja disponibilização do plano de previdência a todos os empregados, inclusive como dispõe a Solução de Consulta n° 407/2009, da 8ª Região Fiscal, publicada em 07/12/2009, e jurisprudência a respeito, não existindo obrigação de adesão ou depósito nas contas de todos os funcionários, pois possível que nem todos empregados optem pela adesão ao Plano, fato que por si só não justifica qualquer tributação. Menciona que efetua depósitos/aportes de forma universal no Plano de Previdência Privada instituído pela EatonPrev de forma a garantir os benefícios a todos os empregados, anexando para melhor compreensão do tema, os relatórios anuais da entidade de previdência privada fechada, com o valor total das contribuições e o valor total dos benefícios concedidos, em que se verifica o absoluto cumprimento das determinações legais. Alega que a fiscalização entendeu equivocadamente que não houve extensão da cobertura do Plano de Previdência à totalidade dos empregados pelo fato de haver previsão no referido plano de diversas contribuições, quais sejam, contribuição normal, especial, complementar ou suplementar, de acordo com a faixa salarial do empregado, o que não afasta a sua disponibilidade para todos os empregados, conforme se verifica dos formulários e termos de opção (Doe 07), inclusive sendo a interpretação dada pela fiscalização Fl. 26DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 27 4 afastada pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais /CARF (Doc 07). O Plano prevê a obrigatoriedade de contribuição por parte da impugnante com o objetivo de garantir um benefício mínimo aos empregados e, ainda, contribuição adicional de acordo com o tipo de contribuição escolhida pelo empregado, o que não significa ofensa às normas legais como entendeu a fiscalização em interpretação equivocada, como se somente houvesse contribuição em relação às contrapartidas do empregado quanto às contribuições normal ou especial, olvidando que a empresa já contribui com fundo de reserva para custear a parte do empregado, sem distinção quanto ao tipo de contribuição, o que poderia ser concluído com a análise do regulamento, item 5.21. da Seção III, e como evidenciado nas cópias de documentos relativos a realização dos depósitos que junta(Doc 08). Os aportes feitos pela patrocinadora têm a finalidade de garantir o benefício mínimo a todos os empregados, como se depreende do Regulamento, item 7.2.5, do Capítulo VII. Junta comprovante de concessão de benefício a funcionário (Doe 09) a exemplificar o alegado. Salienta que a entidade privada fechada EatonPrev Sociedade Previdenciária, que instituiu o Plano de Previdência Complementar aos funcionários desde 1989, é idônea e fiscalizada pela Secretaria da Previdência Complementar do Min. da Previdência. Acrescenta que jamais usou de manobras para evitar tributação de suposta remuneração de empregados, pois os valores do plano não poderiam ser sacados mensalmente. Conclui que não há incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de previdência privada, devendo ser cancelada a autuação. Em relação às verbas a título de Participação nos Lucros e Resultados/PLR sustenta que foram pagas de acordo com o que preceitua a Constituição Federal e normas legais vigentes, e que tais pagamentos são imunes à incidência de contribuições previdenciárias, pois desvinculados do conceito de remuneração ex vi do artigo 7º, inciso XI e ainda artigo 218, § 4º, ambos da Constituição, tendo a Lei n° 10.101/00 facultado às empresas utilizar os critérios nela previstos, não cabendo ao intérprete restringir o seu alcance sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Acrescenta que seguiu todas as regras prescritas em lei e que, em virtude de possuir diversos estabelecimentos e em razão dos cargos profissionais esclarece que para melhor distribuição do PLR houve a divisão por filial e cargos mensalistas e folha confidencial , sendo os acordos relativos aos anos de 2004 a 2008 firmados devidamente na forma da lei, conforme visam comprovar os documentos que junta. Menciona que as participações nos lucros foram firmadas por meio de acordos de PLR negociados pela comissão mista juntamente com os Sindicatos da região, em que estabelecidas regras claras de participação, tendo como beneficiários todos os empregados da empresa, mas a fiscalização exigiu as verbas por ter entendido que foram apurados os valores de forma prévia sem negociação com as partes, em interpretação equivocada à resposta dada pela impugnante Fl. 27DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 28 5 em 04/06/2009, pois o que se pretendia esclarecer era que a fórmula prévia era baseada em negociações de anos anteriores com a empresa, aprovadas pelos representantes da empresa e trabalhadores. Afirma que os acordos de PLR, tanto para mensalistas como para funcionários em folha confidencial, tiveram a participação do sindicato, cumprindo todos os requisitos da Lei n° 10.101/00, apegandose a fiscalização ao exagerado formalismo da norma em detrimento da finalidade da participação nos lucros, que representa um beneficio ao trabalhador, estando a atitude do fisco em descompasso com os ditames constitucionais, conforme jurisprudência que colaciona. Em relação ao acordo do PLR referente a filial de Caxias do Sul no ano de 2004 (Doc 10), alega que a motivação da fiscalização se funda em mera formalidade, pois o fato de ter sido assinado o acordo próximo à data de pagamento do PLR não é motivo para desconsideração do Programa PLR, pois este foi acordado desde o início do período, apenas não formalizado à época, não tendo a fiscalização apontado sequer o dispositivo legal que foi infringido. Colaciona jurisprudência a respeito. Aduz que a falta de assinatura do representante do sindicato não é motivo para incidência de contribuição previdenciária, pois demonstrada a participação deste em documentos apresentados à fiscalização, tais como: cópias da lista de presença, cópias das comunicações entregues ao sindicato o que será juntado na defesa, sendo óbvia a participação do sindicato no acordo firmado em 2006 2008 pela filial Caxias do Sul, pois contem o carimbo deste. Ressalta que não há obrigatoriedade de concessão de poder de veto ao ente sindical como considerou a fiscalização e, ainda, a empresa não pode ser penalizada pela omissão do sindicato em participar do acordo, pois não lhe foi dada outra alternativa a não ser iniciar as negociações diretamente com seus funcionários, conforme autoriza o artigo 617, § 1º, da CLT, destacando jurisprudência a respeito. Enfatiza que o plano de PLR não se confunde com remuneração, conforme prevê o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, corroborado por julgados que transcreve, agindo a fiscalização em desrespeito a Carta, pois as empresas e os sindicatos podem estabelecer livremente os critérios para pagamento e a forma e periodicidade deste, não pode ir d fiscalização restringir o alcance da lei, conforme jurisprudência que cita. Refuta pontualmente os argumentos da fiscalização em relação aos acordos PLR, abaixo descritos, afirmando que não incidem contribuições previdenciárias a este título: em relação ao acordo PLR matriz, aplicável ao ano de 2004, houve entendimento equivocado da fiscalização em razão de suposta ausência de acordo específico para os empregados mensalistas e constantes em folha confidencial, no entanto estes foram realizados para estas categorias (Doc. 11 e 12) e com a ciência do sindicato (Doc. 13), e, em relação a matriz, acordo ano de 2005 2006, 2007, houve efetiva participação do sindicato quanto a ambas as categorias, conforme acordos que junta (Doc 14 e 15, 17 e 18, 20 e 21), e ainda com ciência Fl. 28DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 29 6 e participação do sindicato (Doc 19, 22), não podendo se afirmar que há disposição normativa que estipule obrigatoriedade de poder de veto ao sindicato; em relação aos acordos PLR filial Valinhos, ano de 2004, foram celebrados acordos com os dois tipos de categorias, mensalistas e confidencial (Doc 23), com assinatura do representante do sindicato e ainda com ciência das negociações (Doc já citados) e em relação ao PLR 2005, 2006, 2007 com participação do sindicato para as negociações e ambas as categorias (doc pré citado e doc 24 , 25) com ciência e participação do sindicato (Doc pré citado) não podendo se afirmar que há disposição normativa que estipule obrigatoriedade de poder de veto ao sindicato; em relação aos acordos PLR filial Mogi Mirim, ano de 2004, 2005, 2007 houve a assinatura do sindicato no acordo referente a folha confidencial (Doc 26, 27, 32), com ciência e participação do sindicato (Doc 28, 33) e em relação ao PLR 2006, houve assinatura do acordo com participação do sindicato para as negociações em ambas as categorias (Doc 29 e 30) com ciência do sindicato nas negociações (Doc 31); em relação aos acordos PLR filial Caxias do Sul, ano 2004, esclarece que as regras gerais, metas, benefícios e data de pagamento da participação foram negociados com os empregados desde o início do período, ainda que em alguns casos não tenha sido formalizado à época, e, o fato de o acordo relativo ao ano de 2004 ter sido assinado em dezembro de 2005, próximo ao pagamento de PLR, não pode descaracterizar o pagamento por excesso de formalismo, dispensável para a constituição do programa, pois assinado pelo sindicato, e quanto as parcelas pagas em 2005, se referem a parcelas em atraso do acordo de 2004, acrescentando em relação ao PLR 2006, 2007 que foram celebrados acordos com os dois tipos de categorias, mensalistas e confidencial (Doc 34, 35, 36, 37), com assinatura do representante do sindicato e ainda com ciência das negociações (Doe precitado) e, em relação ao PLR 2008 com assinatura do sindicato para as negociações a categoria mensalista (doc 38). Insurgese contra a aplicação da multa no percentual de 75% a que diz respeito a Lei n° 11.941/09, uma vez que a multa estabelecida na redação do antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 é mais benéfica por situarse na faixa de 24 a 50% , pleiteando a nulidade da autuação ou ao menos sua retificação para o percentual estabelecido no antigo art. 35 da Lei n° 8.212/91. Requereu ao final a improcedência das exigências, a produção de provas admitidas em direito, e que as intimações sejam também dirigidas aos patronos da causa no endereço a fl. 634. Juntou documentos, fls.671/923. Com relação aos Debcad n° 37.257.9663, Debcad n° 37.257.9680 (AI FL 68), Debcad n° 37.257.9671, o contribuinte apresentou defesa às fis. 20/56, 241/295, fis. 926/979 do auto principal, respectivamente, de conteúdo idêntico ao acima relatado, acrescentando em relação à Fl. 29DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 30 7 multa lançada por omissão em guias GFIP e em relação às contribuições de terceiros, em síntese: Debcad n° 37.257.9680 (AI FL 68) Afirma que a fiscalização realizou o cálculo da multa de forma equivocada, pois para as infrações impostas até 12/2008 deveria ser aplicado o novo critério mais benéfico ao contribuinte, com base no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, requerendo: a revisão do valor da multa em função do princípio da penalidade mais benéfica; após a retificação do valor, que seja intimada para nova manifestação em respeito ao contraditório e ampla defesa; subsidiariamente, a retificação do valor da multa de ofício aplicando se o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e o sobrestamento do processo em que lançada a obrigação acessória em virtude das impugnações apresentadas nos autos de obrigação tributária principal. Debcad n° 37.257.9671 terceiros Em relação aos terceiros, sustenta a inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA, pois possui base de cálculo idêntica a instituída sobre a folha de salários e por ser cobrada por ente público que não presta serviços previdenciários, além de não estar incluída no rol previsto no artigo 240 da Constituição Federal ou amparada pelo artigo 149 da Carta, tampouco caracterizandose como contribuição de intervenção no domínio econômico. Acrescenta que não houve recepção da contribuição ao INCRA pela Constituição Federal, a teor do disposto no artigo 34, §5°, do ADCT, e ainda que assim não fosse, não há lei complementar a instituir sua base de cálculo, e, por outro lado, há impossibilidade jurídica de cobrança das empresas urbanas, pois a tributação está vinculada à previdência rural, como se infere da Lei Complementar n° 11/71, e ainda dos julgados e doutrina que cita. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário, cujo julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 LANÇAMENTO FISCAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUSTEIO SEM ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DA LEI. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o saláriodecontribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não custeado à totalidade de seus empregados e dirigentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 31 8 A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural em face do princípio constitucional da solidariedade social. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. PROVAS. O momento para apresentação de documentos se dá com a impugnação precluindo o direito de apresentação de provas após o decurso do prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 06/10/2010, foi interposto recurso voluntário1, no qual a recorrente reitera as razões apresentadas na defesa. Em 30/03/2015 a Recorrente apresentou petição, fls. 910, suscitando a tempestividade dos recursos, alegando, em síntese, que recebeu a decisão de primeira instância em 03 de setembro de 2010, conforme comprovam o envelope e o rastreador extraído do sítio dos correios na internet, em anexo, e que os recursos foram enviados pelos correios em 05 de outubro de 2010. Em 08/12/2015 a Recorrente apresentou os avisos de recebimento dos correios (AR) correspondentes à remessa dos recursos voluntários (fls. 31323139 do Processo nº 10830.016522/200951 e fls. 1522 desses autos). É o relatório. 1 Recurso referente ao AIOP nº 37.257.9655 (Processo nº 10830.016522/200951) juntado às fls. 19882040; recurso referente ao AIOP nº 37.257.9663 (Processo nº 10830.016523/200903) juntado às fls. 20752129, recurso referente ao AIOP n° 37.257.9671 (Processo nº 10830.016524/200940) juntado às fls. 21652219, recurso referente ao AIOA nº 37.257.9680 (Processo nº 10830.016525/200994) juntado às fls. 22512310. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 32 9 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora. Admissibilidade do Recurso. Diligência O art. 33 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, estabelece que o prazo para recorrer de decisão das Turmas de Julgamento das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil é de trinta dias contados da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A ciência, ao sujeito passivo, do acórdão n.º 0529.575 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) CampinasSP, ocorreu no dia 03 de setembro de 2010, sextafeira, conforme comprova o aviso de recebimento dos correios juntado às f. 1.986. Aplicandose a regra do art. 5o do Decreto 70.235/722, a contagem do prazo teve início na segundafeira, dia 06 de setembro de 2010, encerrandose no dia 05 de outubro de 2010, terçafeira. Segundo a petição da recorrente de fls. 910, os recursos foram enviados pelos correios em 05 de outubro de 2010 e a data da postagem seria comprovada pelos avisos de recibos dos correios por ela apresentados nessa ocasião, identificados como “doc.02”. Constituem anexos da petição, a cópia do envelope da intimação, à recorrente, do acórdão de primeira instância (intimação nº 1045/10 da SECAT/DRFCPS/AAP) e o rastreamento da entrega dessa intimação à recorrente, pelos correios. Esses documentos confirmam que a data da ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 03 de setembro de 2010. Entretanto, não foram anexados à petição de fls. 910, os avisos de recebimento dos correios correspondentes aos recursos voluntários, nela citados. Extraise dos autos que os recursos da interessada foram recepcionados no Serviço de Programação e Logística da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) em 06 de outubro de 2010, conforme protocolo de fls. 1988 (recurso referente ao AIOP nº 37.257.9655 Processo nº 10830.016522/200951), 2075 (recurso referente ao AIOP nº 37.257.9663 Processo nº 10380.016523/200903), 2165 (recurso referente ao AIOP nº 37.257.9671 Processo nº 10380.016524/200940) e 2251 (recurso referente ao AIOA nº 37.257.9680 Processo nº 10380.016525/200994), portanto, fora do prazo legal de trinta dias. Em análise preliminar, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) considerou o recurso intempestivo. Entretanto, durante a sessão de julgamento de 08 de dezembro de 2015, a Recorrente apresentou os supostos comprovantes dos correios indicando que os recursos foram postados em 05 de outubro de 2010, dentro do prazo legal. 2 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016525/200994 Resolução nº 2301000.544 S2C3T1 Fl. 33 10 Os comprovantes foram juntados aos autos, fls. 1522. A tempestividade é um dos requisitos de admissibilidade do recurso, de modo que não é possível dele conhecer quando interposto fora do prazo legal. Portanto, diante do fato novo aqui mencionado, por cautela, devolvo os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) para se manifestar a respeito da pertinência e autenticidade dos avisos de recebimento dos correios (AR) correspondentes à remessa dos recursos, podendo, para tanto, intimar o contribuinte a apresentar os ARs originais. Após, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho. Conclusão Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 33DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 11853.001734/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os seguintes conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 53 .0 01 73 4/ 20 07 -7 6 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo INSTITUTO CANDANGO DE SOLIDARIEDADE em face da decisão que julgou procedente o lançamento de débito, referente ao período de 01/09/1999 a 30/11/2002. 2. Conforme consta do relatório fiscal, a empresa foi autuada com base nos seguintes levantamentos: “ 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo apurada dos valores pagos ou creditados aos autônomos pelos serviços prestados durante o mês nas competências entre janeiro de 1998 à fevereiro de 2000 20% (vinte por cento) sobre a base de cálculo apurada dos valores pagos ou creditados aos autônomos pelos serviços prestados durante o mês nas competências a partir de março de 2000.” (f. 198) 3. Após apresentação da impugnação os autos foram baixados em diligência para que o fisco juntasse ao processo explicação sobre o reenquadramento de FPAS da empresa: “(...) 3. Alega o sujeito passivo em sua defesa, à páginas 241 a 255, não conter o Relatório Fiscal as razões da desconsideração do FPAS 639. 4. De fato, verificase que o Relatório Fiscal não faz menção ao ato cancelatório de isenção da empresa em epígrafe, pressuposto autorizador desse lançamento, visto tratarse de contribuição a cargo da empresa, e do reenquadramento de FPAS. 5. Sendo assim, concluise pela necessidade de envio ao AFPS notificante para as providências acima identificadas, com emissão de Relatório Fiscal Complementar, abrindo prazo para nova manifestação do contribuinte.” (f. 270) 4. Em cumprimento à diligência, foi expedido relatório fiscal complementar (ff. 272 a 274) informando do “Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.º 23.401.4/0002/2003, determinado pela Decisão de Notificação 23.401.4/0523/2003, de 10 de novembro de 2003, que cancelou a isenção previdenciária da quota patronal do Instituto Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 4 3 Candango de Solidariedade” (f. 272). Foi dado o prazo de 30 dias para o contribuinte se manifestar a respeito do relatório complementar. 5. Antes que o contribuinte se manifestasse sobre a diligência, foi proferida decisão que restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1º, I, da Lei Complementar n.º 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE” (f.301) 6. A empresa apresentou suas manifestações a respeito da expedição de relatório complementar alegando o cerceamento do direito de defesa tendo em vista que “o contribuinte não fora intimado do teor da determinação da realização de diligência que culminou com a lavratura deste relatório fiscal – complementar”. (f. 326) 7. Houve a intimação da recorrente para que se manifestasse a respeito da decisão de primeira instância. 8. Em sede recursal, o contribuinte apresentou suas razões aduzindo, em síntese, o que segue: a) cobrança em duplicidade das contribuições sociais em decorrência da contratação de autônomos, pois tanto a presente autuação como a “NFLD 35.360.5824” trazem tais rubricas; b) ausência da exata identificação dos transportadores autônomos, tendo em vista o fisco não pode presumir a contratação de autônomos com base apenas em uma conta contábil denominada “locação de equipamentos”. 9. Como não foi dado ao contribuinte ciência do ato que determinou a diligência para que o fisco juntasse ao processo explicação sobre o reenquadramento de FPAS da empresa, foi aberto novo prazo de 15 dias para manifestação. 10. Por sua vez, o instituto apresentou, na forma de defesa administrativa, as seguintes alegações: a) a autuação deve ser considerada inexistente, pois não ostenta causa subjacente legítima à sua própria existência, pois quando lavrada ainda encontravase pendente de julgamento no CRPS a questão da isenção das contribuições previdenciárias do contribuinte, que somente fora julgado em abril de 2006; b) o fisco agiu equivocadamente ao enquadrar a empresa no FPAS 515, pois o correto teria sido o FPAS 639 como declarado pelo contribuinte; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 5 4 c) a duplicidade da cobrança das contribuições sociais em decorrência da contratação de autônomos, pois tanto a presente autuação como a “NFLD 35.360.5824”, trazem as mesmas rubricas; d) a falta da exata identificação dos transportadores autônomos, tendo em vista o fisco não pode presumir a contratação de autônomos com base apenas em uma contacontábil denominada “locação de equipamentos”. 11. Dessa forma, foi proferida nova decisão na qual a ementa restou lavrada nos termos abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. REFORMA DE DECISÃO. Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1º, I, da Lei Complementar n.º 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91. A decisão emitida com preterição do direito de defesa do sujeito passivo pode ser reformada, de ofício, pela Administração Pública. LANÇAMENTO PROCEDENTE” (f. 365) 12. A empresa apresentou novo recurso voluntário com a mesma argumentação já trazida anteriormente reiterando a duplicidade do lançamento. 13. Sem contrarrazões. Os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 6 5 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêla. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Compulsando os autos verificase que o processo foi baixado em diligência para que o fisco juntasse aos autos explicação sobre o reenquadramento de FPAS da empresa que passou do FPAS 639 (próprio de entidades beneficentes de assistência social com isenção concedida pela Previdência Social) para o FPAS 515 (referente a prestadores de serviços e cessão de mão de obra). 3. Em atendimento à diligência foi lavrado relatório fiscal complementar que trouxe ao processo a informações a respeito do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais e da decisão de primeira instância que determinou o cancelamento do benefício: “4. O INSS, por meio de Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.º 23.401.4/0002/2003, determinada pela Decisão de Notificação 23.401.4/05823/2003, de 10 de novembro de 2003, cancelou a isenção previdenciária da quota patronal do Instituto Candango de Solidariedade.” (f. 272) 4. Contudo, faltam informações sobre o resultado final do processo (trânsito em julgado) e dessa forma, para evitar atos que possam, de alguma forma, prejudicar o exame do litígio, entendo que o processo deve ser baixado em diligência para que o fisco se manifeste sobre as seguintes questões: a) a data do trânsito em julgado da decisão (de primeira ou segunda instância) que tornou definitivo o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais; b) as rubricas objeto de lançamento na “NFLD 35.360.5824”, bem como o período abrangido pela autuação fiscal, para a verificação de duplicidade de levantamentos, aduzida pelo contribuinte. 5. Feitas tais considerações, voto no sentido de converter o julgamento em diligência. Observando o direito à ampla defesa e ao contraditório, fica concedido o prazo de trinta dias para que o recorrente, caso queira, se manifeste sobre o resultado do expediente. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11853.001734/200776 Resolução nº 2301000.514 S2C3T1 Fl. 7 6 6. Após, retornem os autos à apreciação deste Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. CONCLUSÃO 7. Por todo o exposto, converto o julgamento em diligência, em consonância com as razões postas acima. Foi assim que o conselheiro se posicionou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10803.720085/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008
FOLHA DE PAGAMENTO. PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO.
A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, deixou de ser incluída em folha de pagamento, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9º do art. 225 do RPS/99.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO.
A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, foi registrada na contabilidade como se fosse pagamento de outra natureza, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99.
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de contraprestação de serviço prestado.
MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Malagoli da Silva.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 FOLHA DE PAGAMENTO. PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, deixou de ser incluída em folha de pagamento, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9º do art. 225 do RPS/99. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, foi registrada na contabilidade como se fosse pagamento de outra natureza, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de contraprestação de serviço prestado. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado
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DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE (CLF 34) Recorrente SUPERMERCADOS IRMÃOS LOPES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 FOLHA DE PAGAMENTO. PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, deixou de ser incluída em folha de pagamento, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9º do art. 225 do RPS/99. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, foi registrada na contabilidade como se fosse pagamento de outra natureza, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de contraprestação de serviço prestado. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 85 /2 01 2- 04 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Malagoli da Silva. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10803.720085/201204 Acórdão n.º 2301004.465 S2C3T1 Fl. 810 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SUPERMERCADO IRMÃOS LOPES S/A, em face do Acórdão n.º 1648.109, da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) São Paulo I, fl. 729763, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra os Autos de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) abaixo identificados: 1) Debcad n° 51.026.6290 (CFL 78): trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso IV, § 5o da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c art. 225, IV, § 4o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, decorrente do fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP), nas competências 01/2006 a 09/2007, 12/2007, 01/2008, 04/2008 e 05/2008, com omissão de valores pagos aos segurados empregados a título de premiação, através de créditos em cartão eletrônico fornecido pela empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda. Foi aplicada a multa mais benéfica prevista no art. 32A, § 3º, inciso II, da Lei 8.212/91, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. 2) Debcad n° 51.026.6304 (CFL 30): trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso I, da Lei n.° 8.212/91, decorrente do fato de a empresa ter deixado de incluir em folha de pagamento, os valores pagos aos segurados empregados a título de premiação, através de créditos em cartão eletrônico fornecido pela empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda, no período de 01/2006 a 05/2008. 3) Debcad n° 51.026.6312 (CFL 34): trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso II, da Lei n.° 8.212/91, decorrente do fato de a empresa ter deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os valores pagos aos segurados empregados a título de premiação, através de créditos em cartão eletrônico fornecido pela empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda, no período de 01/2006 a 05/2008. Ficou consignado, no termo de verificação fiscal de fls. 1018, que a autuada, na condição de contratante, firmou contrato com a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda, tendo por objeto "prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card", o que incluía o fornecimento de cartões eletrônicos com créditos, que eram entregues aos beneficiários indicados pela autuada. O pagamento das notas fiscais de serviços emitidas por Expertise Comunicação Total S/C foram contabilizados em contas de despesas, como "anúncios e publicações matriz", sem identificação, na contabilidade, dos beneficiários dos pagamentos. Ainda de acordo com a fiscalização, a autuada, apesar de intimada, deixou de apresentar à fiscalização a relação dos beneficiários das premiações, motivo pelo qual o lançamento foi feito com base na técnica do arbitramento, considerandose como base de cálculo o valor total das notas fiscais deduzida a comissão da empresa contratada. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 A autuada apresentou impugnação, contendo os seguintes pontos relevantes: a) estão extintas, pela decadência, as contribuições do ano de 2006, com base no art. 173, I, do CTN; b) explica que o valor da nota fiscal não é composto exclusivamente de pagamento de premiação, de modo que deve ser excluído, da base de cálculo do tributo, o valor correspondente às despesas efetuadas com campanha de marketing de relacionamento, o que deve ser comprovado em sede de diligência fiscal; c) alega que não incide contribuições previdenciárias sobre os prêmios pagos no âmbito de campanha de marketing de relacionamento porque tais verbas não possuem caráter remuneratório, constituindose em promessa de recompensa, conforme previsto no art. 854 do CC, além de se tratar de ganho eventual; d) suscita a ilegalidade da taxa Selic e o caráter confiscatório da multa. Pediu a realização de diligência e o cancelamento do crédito tributário. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, excluindo o AIOA Debcad 51.026.6290 (CFL 78), por considerálo indevido, uma vez que foi aplicada a multa de 75% no auto de infração de obrigação principal correspondente; as demais autuações foram mantidas com base nos seguintes fundamentos: a) estão atingidos pela decadência as competências 01/2006 a 11/2006, com base no art. 173, I, do CTN, o que, todavia, não influencia no cálculo da multa aplicada, considerando que os autos de infração mantidos têm multa fixa; b) o pedido de diligência não foi fundamentado; c) os prêmios visam à contraprestação pelo serviço prestado, constituindose em parcela tributável da remuneração; c) a autoridade administrativa não tem competência para negar vigência à lei. O sujeito passivo foi intimado dos autos de infração em 30/11/2012, fls. 613, e teve ciência do acórdão da DRJ em 12/07/2013 (sextafeira), fls. 768. O prazo de trinta dias para interposição de recurso iniciouse em 15/07/2013 (segundafeira), primeiro dia útil posterior à data da ciência, encerrando em 13/08/2013. Em 13/08/2013, a interessada, representada por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso, f. 771799, reiterando os pedidos e os fundamentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10803.720085/201204 Acórdão n.º 2301004.465 S2C3T1 Fl. 811 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Materialização das Infrações A Recorrente admite que efetuou pagamentos de prêmios aos seus colaboradores, por meio de cartões de incentivo, mas entende que esses pagamentos têm natureza de promessa de recompensa futura, o que não se confunde com remuneração, e, portanto, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Ocorre que a materialização das infrações aqui discutidas independe da natureza tributária da parcela paga, devida ou creditada aos segurados empregados, conforme passase a expor. Prêmios de Incentivo. Inclusão em Folha de Pagamento A fiscalização, com base em contrato firmado entre a recorrente e a empresa Expertise Comunicação Total SC Ltda, identificou que a primeira, por intermédio da empresa contratada, efetuou pagamentos, aos segurados empregados, a título de prêmios a título de incentivo profissional, sendo que essa parcela não foi incluída na folha de pagamento. A materialidade da infração é caracterizada pela omissão, em folha de pagamento, de parcela da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9º do art. 225 do RPS/99. Em suma, a infração está materializada, e, por conseguinte, incide a multa, nos termos do auto de infração. Prêmios de Incentivo. Registro em Títulos Próprios da Contabilidade A escrituração contábil deve ser feita de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos montantes descontados, devidos e recolhidos a título de contribuições previdenciárias, apenas com base nos títulos das contas, nos termos do inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A fiscalização, com base em contrato firmado entre a recorrente e a empresa Expertise Comunicação Total SC Ltda, identificou que a primeira, por intermédio da empresa contratada, efetuou pagamentos, a segurados empregados, a título de prêmios de incentivo profissional. Entretanto, na contabilidade da recorrente, os valores pagos a este título foram contabilizados em contas de despesas, como "anúncios e publicações matriz". Fl. 814DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 A materialidade da infração é caracterizada pela existência de parcela da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, impropriamente contabilizada com outra natureza (no caso, despesa de prestação de serviço por pessoa jurídica), ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/993. Em suma, a infração está materializada, e, por conseguinte, incide a multa, nos termos do auto de infração. Prêmios. Natureza De qualquer modo, convém esclarecer que há incidência de contribuição previdenciária sobre essa parcela. Em regra, integra o salário de contribuição, a remuneração paga, devida, ou creditada, a qualquer título, como contraprestação de serviços prestados. Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I) do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) ... Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(g.n.) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a Fl. 815DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10803.720085/201204 Acórdão n.º 2301004.465 S2C3T1 Fl. 812 7 totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Como visto, a Recorrente realizou pagamentos de prêmios a título de incentivo profissional, por meio de empresa interposta, os quais possuem caráter contraprestativo, conforme leciona Maurício Godinho Delgado1: Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstancia tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. A natureza salarial dos prêmios é reconhecida pelo STF, conforme enunciado da súmula n° 209: Súmula 209 – SalárioPrêmio, salárioprodução. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. No mais, ao contrário do alegado, esse benefício não diz respeito a um ganho eventual, nem habitual, antes se refere a uma parcela repassada aos empregados como forma de aumentar a produtividade destes e aumentar a satisfação da clientela, o que foi feito de modo continuo, durante todo o período analisado. Eventual é o que depende de evento incerto e futuro. O pagamento do prêmio não foi feito em decorrência de um infortúnio, mas decorreu do contrato de trabalho, em razão do incremento da produtividade dos empregados pelo alcance de metas previamente estabelecidas. Esse tema foi analisado no Acórdão nº 2401000.921, cujos fundamentos adoto aqui: O pagamento dessa verba, ao contrário, surge da existência do vínculo de emprego. O dito benefício não foi pago por um infortúnio (uma eventualidade), por exemplo, uma doação no caso de força maior, mas é na verdade uma concessão negociada, uma retribuição, um agrado, ou qualquer outro nome que se queira dar, que nasce de um pacto laboral, representando um ganho pelo trabalho efetuado com maior produtividade. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações efetuadas mediante créditos em cartões eram 1 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTR, 2012, p. 771. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Independe, para fins de tributação, que a verba seja paga diretamente pelo empregador, ou se esse repassa a verba ao empregado mediante o crédito em cartões feitos por uma terceira empresa. Os autos revelam que os valores passaram ao patrimônio dos segurados em razão do contrato de trabalho que têm com a recorrente, a qual incontestavelmente fez o repasse dos valores correspondentes, ainda que os mesmos tenham se dado via empresa prestadora de serviços de marketing promocional. Em suma, os prêmios pagos como incentivo profissional possuem natureza remuneratória, de modo que integram o salário de contribuição, e não foram excluídos do campo de incidência pelo § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Nesse sentido, registramos que há vários precedentes desta Corte Administrativa. Destaco o teor das ementas nos julgados abaixo: REMUNERAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o salário decontribuição, por não haver previsão legal de não incidência. (Ac. 2401003.919, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão 10/03/2015, rel. Cons. Kleber Ferreira de Araújo). INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. (Ac. 2302003.467, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 05/11/2014, rel. Cons. Liege Lacroix Thomasi) REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado Fl. 817DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10803.720085/201204 Acórdão n.º 2301004.465 S2C3T1 Fl. 813 9 (Ac. 2402004.203, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, sessão de 18/07/2014, Rel. Cons. Ronaldo de Lima Macedo). Juros Selic e Multa Confiscatória O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 2 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 818DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) A multa aplicada, por sua vez, está prevista em lei, sendo que a discussão acerca da sua razoabilidade implicaria em apreciar a constitucionalidade da lei, o que é vedado na esfera administrativa, nos termos do Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pedido de Diligência A Recorrente pede a realização de diligência com a finalidade de se esclarecer a composição das bases de cálculo apuradas no processo nº 10803.720084/201251, relativas às contribuições previdenciárias incidentes sobre a premiação, calculadas com base nas notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica Expertise Comunicação Total S/C Ltda. Na espécie, indeferese o pedido de diligência por lhe faltar utilidade, uma vez que as multas aplicadas neste processo não são calculadas com base no valor das notas fiscais de serviços, mas são calculadas pelo valor base previsto na legislação previdenciária, conforme discriminado no termo de verificação e conclusão fiscal, fls. 1018. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e NEGAR LHE PROVIMENTO. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 819DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10730.721790/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Deve ser cancelada a glosa de despesa médica realizada pela fiscalização se o contribuinte comprova, por meio de documentação hábil e idônea, a realização do ônus financeiro e dos beneficiários envolvidos no respectivo plano de saúde.
Numero da decisão: 2301-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior.
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GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa de despesa médica realizada pela fiscalização se o contribuinte comprova, por meio de documentação hábil e idônea, a realização do ônus financeiro e dos beneficiários envolvidos no respectivo plano de saúde. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 17 90 /2 01 3- 01 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Na Declaração de Anual de Ajustes da ora Recorrente, relativa ao exercício 2012, anocalendário 2011, a fiscalização tributária precedeu à glosa da despesa médica correspondente a R$ 13.948,71, em virtude de o documento comprobatório da referida despesa ter deixado de discriminar os beneficiários, conforme solicitado previamente mediante Termo de Intimação. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, juntando declaração da Coordenação de Benefícios do Banco Central do Brasil, do qual é funcionária, que atesta sua participação e contribuição para o Programa de Assistência à Saúde dos Servidores do Banco Central (PASBC), na condição de titular (fls. 11). Contudo, a decisão de primeira instância administrativa manteve a glosa, uma vez que o documento juntado pela Recorrente apenas demonstrou quem assumiu o encargo financeiro das despesas médicas, mas não indicou que ela seria a única beneficiária. Novamente inconformada, a Recorrente apresenta recurso voluntário, contestando a validade da autuação e, para tanto, junta nova declaração da Coordenação de Benefícios do Banco Central do Brasil (fls. 28). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 08/07/2013 e o recurso voluntário foi interposto na mesma data, em 27/02/2013. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Realmente, como já antecipado pela decisão de primeira instância administrativa, não basta a prova da assunção da despesa médica. É necessário também provar que tal despesa reverteu em proveito do contribuinte ou de algum dependente E tal prova acaba por vir agora na fase recursal, por meio da qual declaração feita pela Coordenação de Benefícios do Banco Central do Brasil, na qual elenca as despesas médicas do período e afirma que a Recorrente é a única beneficiária, “não possuindo dependentes agregados” (fls. 28). Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e lhe dar provimento, a fim de cancelar a glosa de despesa médica contida no auto de infração. É como voto. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10730.721790/201301 Acórdão n.º 2301004.817 S2C3T1 Fl. 38 3 Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001389/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%.
Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas.
TAXA SELIC INCIDÊNCIA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DO ACORDO EM PERÍODO POSTERIOR. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL.
A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)convenção ou acordo coletivo.
Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo.
Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. PAGAMENTO DE VALORES NÃO IDÊNTICOS AOS EMPREGADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, em relação à incidência das contribuições previdenciárias sobre a PLR, em relação à data de assinatura do acordo ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão;II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a "Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos - VÍNCULOS", anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP.
Numero da decisão: 2301-004.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração da Fazenda Nacional para rerratificar a ementa e o dispositivo do acórdão embargado, de acordo com o voto da relatora.
(assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora
EDITADO EM: 05/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Júlio César Vieira Gomes.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DO ACORDO EM PERÍODO POSTERIOR. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. PAGAMENTO DE VALORES NÃO IDÊNTICOS AOS EMPREGADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, em relação à incidência das contribuições previdenciárias sobre a PLR, em relação à data de assinatura do acordo ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão;II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a "Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos - VÍNCULOS", anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DO ACORDO EM PERÍODO POSTERIOR. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 89 /2 00 9- 12 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. PAGAMENTO DE VALORES NÃO IDÊNTICOS AOS EMPREGADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, em relação à incidência das contribuições previdenciárias sobre a PLR, em relação à data de assinatura do acordo ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão;II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a "Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 2301004.833 S2C3T1 Fl. 514 3 anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração da Fazenda Nacional para rerratificar a ementa e o dispositivo do acórdão embargado, de acordo com o voto da relatora. (assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora EDITADO EM: 05/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Júlio César Vieira Gomes. Relatório Tratase de Embargos de Declaração da Fazenda Nacional opostos contra o Acórdão nº 2301003.957 (efls. 472/487), proferido em 19/03/2014, por esta Turma, mas com outra composição, que deu provimento parcial a recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 2301004.833 S2C3T1 Fl. 515 5 que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP." Em 16/12/2014, a PGFN apresentou os presentes Embargos de Declaração (efls. 493/498) sustentando que: (...) analisando a forma como o julgado foi concluído, notase que o mesmo quedouse obscuro, uma vez que deu e negou provimento ao recurso voluntário, para o mesmo período, no que tange à isenção do PLR em questão". Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Com efeito, o pleito do recorrente é para que seja afastada a tributação incidente sobre o PLR por ele pago no período de 01/08/2007 a 31/08/2007, uma vez que considera que o mesmo observou todos os requisitos previstos na Lei 10.101/2000. A fiscalização, por seu turno, afirma que ao estabelecer critérios referentes a período cujos resultados já aconteceram e não podem ser modificados, além de haver discrepância entre os valores pagos e o valor da remuneração dos empregados, estaria contrariando os expressos ditames da Lei 10.101/2000. Por óbvio que se entende que o colegiado pretendeu analisar os requisitos fixados na Lei 10.101/2000, separadamente. Contudo, acreditase que cada requisito desse seja apenas um fundamento para, ao final, se dar ou não provimento ao recurso no que tange à isenção do PLR. É dizer, o cerne da questão é a isenção em si do PLR e, sobre isso, o colegiado não chegou a uma conclusão clara. Pelo que está dito, dáse a entender que uma parte do PLR estaria isento e outra não, uma vez que cumpriu um requisito e descumpriu outro, conclusão esta que não é viável no presente caso, uma vez que está a se lidar com apenas um PLR, pago em um período específico. Considerando que o descumprimento de um único requisito seria mais do que suficiente para se descaracterizar o PLR pago, mantendose, portanto, a tributação, nos soa estranho ver parte do recurso voluntário conhecido e provido no que tange à isenção do PLR. Acreditase que a intenção do julgador tenha sido efetivamente a de negar provimento ao recurso no quesito atinente à isenção do PLR, uma vez que o voto vencedor é claro ao afirmar que o acordo foi assinado após o período e que tal fato descaracterizaria o PLR. Tal obscuridade, contudo, merece ser sanada. ... Assim, o aresto embargado merece ser sanado, no que tange à obscuridade apontada, qual seja, se o colegiado entendeu que o PLR pago pelo contribuinte recorrente deve ou não ser tributado. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para efeito de suprir a obscuridade apontada. Os embargos foram admitidos pelo presidente da 2ª Seção em 21/07/2015, em decorrência da existência da obscuridade apontada. É o relatório. Voto Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 2301004.833 S2C3T1 Fl. 516 7 Conselheira Relatora Andrea Brose Adolfo. Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, dele conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Alega a embargante que a decisão a quo contém obscuridade, na medida em que, da análise dos diversos requisitos da PLR, não chegou a uma conclusão clara sobre a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre referida verba: Contudo, acreditase que cada requisito desse seja apenas um fundamento para, ao final, se dar ou não provimento ao recurso no que tange à isenção do PLR. É dizer, o cerne da questão é a isenção em si do PLR e, sobre isso, o colegiado não chegou a uma conclusão clara. Portanto, a obscuridade cingese apenas a esta questão: incidência das contribuições previdenciárias sobre a verba PLR. Da simples leitura da parte dispositiva da ementa, verificase que assiste razão à embargante, uma vez que no item I, 'b' foi negado provimento ao recurso, por maioria de votos, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator, e no item II, 'a' foi dado provimento ao recurso, por voto de qualidade, na questão da substituição salarial. Neste ponto, cabe transcrever ainda a seguinte contradição: II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso. (grifamos) Para esclarecimento dessas questões, fazse necessário transcrever alguns excertos dos votos vencido e vencedor, para que se possa retificar a decisão: Do voto vencido: Participação nos Lucros e Resultados – Lei nº 10.101/00 ... A legislação tributária, ao tratar da matéria, impôs condição para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9°, alínea "j", que assim preceitua: (...) Como se extrai da legislação existem alguns requisitos basilares para que os valores pagos a título de participação nos lucros não sejam tributados por meio das contribuições previdenciárias, quais sejam, exemplificativamente: i) negociação entre empresa e empregados, representados por suas respectivas comissões mediante acordo, com a participação do representante do sindicato da categoria, ou mediante acordo ou convenção coletiva; ii) o acordo entre empresa e empregados ou no acordo ou convenção coletiva deverá prever regras claras e objetivas, isto é, do conhecimento de todos, quanto à forma de atingimento das metas, índices de produtividade, lucratividade, etc. (regras substantivas), e conter mecanismos de aferição de como esses valores serão apurados; iii) dada a predileção normativa para a livre negociação entre empresa e empregados, podem ser adotados os critérios de antemão exemplificados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º ou outros de interesse das partes; iv) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; v) a participação nos lucros ou resultados não pode substituir ou complementar a remuneração devida a qualquer empregado; vi) os pagamentos a esse título não podem ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes ao ano. Importante registrar que, por um lado, se a empresa instituir a participação nos lucros ou resultados deverá atender a todos os requisitos expostos na Lei nº 10.101/00, por outro, a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. ... No caso desses autos, a autoridade fiscalizadora elencou, no Relatório Fiscal, os fatos que na sua visão comprometeram o acordo de participação nos lucros e resultados em relação ao cumprimento dos requisitos legais: a) o acordo foi assinado após o período a que se referia e, portanto, não há que se falar em metas préestabelecidas; b) divergência nos valores pagos aos empregados, sendo que os 29 empregados constantes da tabela elaborada pela fiscalização, que correspondem a aproximadamente 11% do total, fizeram jus a 71,50%, enquanto os outros 228 empregados (89% do total) receberam apenas 28,50% da PLR distribuída, o que evidencia também a substituição salarial. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 2301004.833 S2C3T1 Fl. 517 9 ... No caso dos autos verificase, em adição, que as negociações iniciaramse no período de aferição, tendo em vista que a própria fiscalização afirma que a comissão dos empregados foi eleita em março de 2007, conforme demonstram os documentos de fls. 99/101 (ata de eleição da comissão dos empregados e lista de presença à assembléia dos funcionários, respectivamente): ... E o pagamento somente foi realizado após as negociações e assinatura do respectivo acordo. ... Também nesse diapasão não se sustenta o argumento de que os empregados receberam valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria lei que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. ... Igualmente não se pode caracterizar, data vênia, como salário simplesmente o fato de um dado empregado ter recebido valores próximos a 100% do seu salário anual como participação nos lucros e resultados. A Lei 10.101/00 ao passo que não impõe limites objetivos nesse patamar não permite que se criem regras nela não subsistentes, tal como descrito acima. ... Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para, preliminarmente, aplicar a Súmula CARF 88 em relação aos co responsáveis, e, no mérito, reconhecer que os valores pagos a título de PLR seguiram os ditames da Lei nº 10.101/00, não podendo, portanto, constituírem em base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. A multa, para a obrigação principal, deverá ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Do voto vencedor: Com todo respeito, divirjo do nobre relator e fui designado para redigir o voto vencedor na questão dos acordos terem sido formalizados, celebrados, assinados após o período de aferição das metas. A legislação determina, por lógica, que os acordos sejam celebrados antes do término de aferição das metas. ... Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, divirjo do voto do relator e nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo neste ponto, prevalecendo o voto do Relator nos demais, nos termos do voto. Da análise dos trechos acima transcritos, concluise que a análise das condições da PLR paga aos empregados no caso abrangeu dois requisitos: a) data da assinatura do acordo; e b) pagamento de PLR como substituição salarial. Com relação ao primeiro requisito data da assinatura do acordo os conselheiros entenderam, por maioria de votos, que a empresa não atendeu ao disposto na Lei nº 10.101/2000, e, com relação ao segundo requisito substituição salarial os conselheiros, por voto de qualidade, entenderam que a empresa atendeu às disposições legais. Como a PLR é uma verba única, e conforme salientado pela embargante, ao deixar de atender qualquer requisito legal, todo o Programa de Participação nos Lucros e Resultados deixa de usufruir da condição isentiva das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, alínea 'j', da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, a fim de sanar a obscuridade apontada, propõese a rerratificação da ementa do Acórdão nº 2301003.957, para que conste nova ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 2301004.833 S2C3T1 Fl. 518 11 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DO ACORDO EM PERÍODO POSTERIOR. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. PAGAMENTO DE VALORES NÃO IDÊNTICOS AOS EMPREGADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, em relação à incidência das contribuições previdenciárias sobre a PLR, em relação à data de assinatura do acordo ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão;II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a "Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP. É como voto. ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Fl. 524DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10980.721823/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PROGRAMA NÃO EXTENSIVO A TODOS OS EMPREGADOS. DISCRIMINAÇÃO INJUSTIFICADA. EVIDÊNCIA DE SUBSTITUIÇÃO DE SALÁRIO. CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DIFERENCIADO PARA RESTRINGIR O PAGAMENTO A ALGUNS EMPREGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Quando não extensivas a todos os empregados da empresa, as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados não podem adotar no instrumento de negociação critério que intencionalmente venha a restringir o pagamento somente a alguns empregados.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015. INCIDÊNCIA.
A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32-A, Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015.
Numero da decisão: 2301-004.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício; e, em relação ao recurso voluntário, (b) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência dos períodos de apuração de 02/2008 e 03/2008, (c) por unanimidade de votos, não conhecer de ofício a questão de não ter sido arquivado o instrumento de acordo do PPR, acusação que não constou no auto de infração, (d) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário por considerar não cumprido o requisito legal de extensão do PPR a todos os empregados; vencidos nesta questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amílcar Barca Texeira Júnior, que davam provimento ao recurso voluntário; a conselheira Andrea Brose Adolfo considerava também não cumprido o requisito legal da existência de regras claras e objetivas; designado para redigir o voto vencedor nesta questão o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; (e) quanto à multa previdenciária (Debcad 37.360.516-1), submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor nesta questão a conselheira Andrea Brose Adolfo; (f) quanto à multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), Debcad 37.396.782-9 por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votou pelas conclusões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza; vencidos os conselheiros Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Cristiane Matsumoto, OAB/SP 222.832.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Júlio Cesar Vieira Gomes Redator designado
(Assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PROGRAMA NÃO EXTENSIVO A TODOS OS EMPREGADOS. DISCRIMINAÇÃO INJUSTIFICADA. EVIDÊNCIA DE SUBSTITUIÇÃO DE SALÁRIO. CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DIFERENCIADO PARA RESTRINGIR O PAGAMENTO A ALGUNS EMPREGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando não extensivas a todos os empregados da empresa, as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados não podem adotar no instrumento de negociação critério que intencionalmente venha a restringir o pagamento somente a alguns empregados. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015. INCIDÊNCIA. A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32-A, Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015.
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BANCO MULTIPLO DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CURITIBA (PR) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PROGRAMA NÃO EXTENSIVO A TODOS OS EMPREGADOS. DISCRIMINAÇÃO INJUSTIFICADA. EVIDÊNCIA DE SUBSTITUIÇÃO DE SALÁRIO. CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DIFERENCIADO PARA RESTRINGIR O PAGAMENTO A ALGUNS EMPREGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando não extensivas a todos os empregados da empresa, as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados não podem adotar no instrumento de negociação critério que intencionalmente venha a restringir o pagamento somente a alguns empregados. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 18 23 /2 01 3- 62 Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015. INCIDÊNCIA. A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32A, Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício; e, em relação ao recurso voluntário, (b) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência dos períodos de apuração de 02/2008 e 03/2008, (c) por unanimidade de votos, não conhecer de ofício a questão de não ter sido arquivado o instrumento de acordo do PPR, acusação que não constou no auto de infração, (d) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário por considerar não cumprido o requisito legal de extensão do PPR a todos os empregados; vencidos nesta questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amílcar Barca Texeira Júnior, que davam provimento ao recurso voluntário; a conselheira Andrea Brose Adolfo considerava também não cumprido o requisito legal da existência de regras claras e objetivas; designado para redigir o voto vencedor nesta questão o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; (e) quanto à multa previdenciária (Debcad 37.360.5161), submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor nesta questão a conselheira Andrea Brose Adolfo; (f) quanto à multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), Debcad 37.396.7829 por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votou pelas conclusões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza; vencidos os conselheiros Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Cristiane Matsumoto, OAB/SP 222.832. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Júlio Cesar Vieira Gomes– Redator designado Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.636 3 (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira. Relatório No presente processos foram formalizados três Autos de Infração, DEBCAD n.º 37.360.5161, DEBCAD n.º 37.396.7799 e DEBCAD n.º 37.396.7829, respectivamente, relativos à Contribuições Previdenciárias Patronais, Contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos (Terceiros) e Multa por descumprimento de Obrigação Acessória, abaixo relacionados: * AI DEBCAD n.º 37.360.5161, consolidado 08.04.2013, referente à exigência de R$ 128.072.829,88 em Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados da impugnante, a título de participação no resultado, considerados pela auditoria como verbas salariais pagas de forma irregular, cujas bases de cálculo e contribuições previdenciárias incidentes não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 02/2007 a 13/2008; * AI DEBCAD n.º 37.396.7799, consolidado em 08.04.2013, referente à exigência de R$ 14.059.517,65 em Contribuições Destinadas a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados da impugnante, a título de participação no resultado, considerados pela auditoria como verbas salariais pagas de forma irregular, cujas bases de cálculo e contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP e nem recolhidas à Previdência, nas competências de 02/2007 a 13/2008; * AI DEBCAD n.º 37.396.7829, consolidado 08.04.2013, referente à aplicação de multa no valor de R$ 429.345,00, por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatosgeradores de contribuições previdenciárias, incidentes nas competências de 02/2007 a 13/2008; DO RELATÓRIO FISCAL O Relatório Fiscal de folhas 922/945, comum a todos os Autos de Infrações acima discriminados, traz em síntese as seguintes informações: Programa de participação no resultado do HSBC Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A empresa, representada pela FENABAN (FEDERAÇÃO NACIONAL DOS BANCOS), firmou Convenção Coletiva de Trabalho para estabelecer "PLR Participação nos Lucros ou Resultados" (fls. 59/86), doravante referida apenas como "PLR", nos exercícios de 2006, 2007 e 2008, conforme artigo 2º, inciso II da Lei 10.101/00. Os valores foram pagos em 02/2007, 02/2008 e 02/2009, não se constituindo base de incidência de contribuição previdenciária, conforme disposto no art. 28, § 9°, j da Lei 8.212/91; Além do PLR firmado na Convenção Coletiva de Trabalho, a empresa instituiu "PPR Programa de Participação nos Resultados" (fls. 87/131), celebrado entre a empresa e Comissão Interna de Empregados do Banco, o qual se constitui em programa complementar e possui previsão de distribuição de valores nas mesmas datas do PLR. Os valores pagos a título de PLR são deduzidos do pagamento dos valores pagos a título de PPR; Os PPRs analisados foram celebrados em 2006, 2007 e 2008, com pagamentos em 02/2007, 02/2008 e 02/2009. .... Os acordos celebrados em 2006 e 2007 são idênticos na forma e conteúdo. O acordo de 2008 difere dos demais apenas na "Cláusula Quarta: Avaliação"; PPR não extensível a todos os empregados Os PPRs celebrados não são extensíveis a todos os empregados, excluindo os empregados da empresa que sejam participantes de programas específicos de remuneração variável. Essa circunstância evidencia a natureza remuneratória do PPR para os empregados que o receberam; A empresa mantém sistema de avaliação de seus empregados, sistema CDP (fls. 132/136), classificandoos de acordo com seu desempenho individual em categorias de 1 a 5. O CDP se constitui em um sistema de avaliação anual que leva em consideração o atingimento de metas individuais pelos empregados; O sistema (CDP) adota avaliação por curva forçada, o que faz com que um percentual dos avaliados obrigatoriamente integre as categorias de avaliação 4 ou 5, consideradas de desempenho insuficiente, sendo tais trabalhadores afastados da possibilidade de percepção de participação no resultado, em virtude dessa classificação; Falta de regras claras no programa Nos programas de 2006 e 2007 os empregados são classificados em dois grupos: Modelo "A" para as faixas salariais mais elevadas e Modelo "B" para as demais. (...) verificase que as avaliações de desempenho da companhia e das unidades são definidas e executadas pela alta administração da empresa, não se observando os mecanismos de aferição exigidos pelo art. 2º, § lº da Lei 10.101/00; O Modelo "A" dos programas 2006 e 2007 possui uma tabela onde a importância de cada variável avaliada (companhia, unidade e individual) possui peso diferente conforme o nível salarial do empregado. Os critérios de avaliação da companhia e da unidade são estabelecidos e executados pela administração e a avaliação individual é obtida no CDP (sistema de avaliação da impugnante); Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.637 5 O Modelo "B" o empregado é avaliado exclusivamente com base na sua avaliação no CDP, recebendo um múltiplo de seu salário conforme a sua avaliação individual. A avaliação do empregado no Modelo "B" é completamente desvinculada dos resultados da empresa, dependendo exclusivamente da sua avaliação no sistema CDP, igualandose em sua natureza ao pagamento de prêmio por produtividade, (tabela às fls. 90); Em virtude do estabelecimento de limitemáximo no pagamento do PLR, os valores pagos no PLR não são proporcionais à remuneração dos empregados e como pelo PPR se faz pagamento proporcional à remuneração, a maioria dos empregados (aqueles que têm remuneração mais baixa) recebe valores pequenos ou nada recebem no PPR. Por outro lado os empregados de níveis salariais mais altos recebem valores expressivos (porque a parcela deduzida do PLR é proporcionalmente menor; Conforme verificado durante a fiscalização, a faixa com mais empregados é aquela que nada recebe. A distribuição dos valores pagos é extremamente heterogenia (...) a política adotada pela empresa no PPR visa contemplar a dedicação dos administradores na busca de resultados e é coerente do ponto de vista empresarial, mas não traduz os objetivos da Lei 10.101/00 (...) caracterizandose como um programa de premiação que não pode ser isento de contribuições previdenciárias, face à sua natureza remuneratória; O art. 2º da Lei 10.101/00 determina que as regras do programa devam ser claras e objetivas, inclusive no tocante aos mecanismos de aferição. Em contraposição, o PPR da empresa permite avaliações discricionárias por parte da administração da empresa, majorando ou reduzindo os valores a serem pagos; Não pactuação prévia O art. 2º, §lº, inciso II da Lei 10.101/00 determina que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente, o que não ocorreu em nenhum dos PPRs analisados; Tendo em vista as considerações acima, o pagamento do PPR da empresa no período analisado caracterizase como fato gerador de contribuições previdenciárias, pois não se enquadra nas disposições da Lei 10.101/00 e não figura entre as parcelas não integrantes da base de incidência de contribuição previdenciária, previstas no art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91; Para determinação das bases de cálculo foram considerados os valores pagos a título de PPR, deduzidos os valores referentes ao PLR firmados nas Convenções Coletivas de Trabalho em 2006, 2007 (...); Programa de diferenças salariais da Losango Conforme esclarecido pela empresa (fls.31/32) houve pagamentos de remuneração variável a empregados da Losango Promoções de Vendas Ltda (empresa pertencente ao grupo do HSBC Bank Brasil S.A) transferidos para o banco, que assumiu a responsabilidade por tais pagamento, conforme Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 esclarecido pela fiscalizada, que não estão vinculados a documento formal de PPR; O período de lançamento do débito compreende as competências 02/2007 a 08/2008, representando em valores originários, R$ 121.561,98 em valores originários devidos à Previdência Social e R$ 13.950,61 devidos a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros); O fato gerador das contribuições apuradas é o pagamento das rubricas "1578 Partic Lucros" e "1579 Diferença PPR" a segurados empregados incluído em Folha de Pagamento, mas não considerado pela empresa como parcela integrante do salário de contribuição à Previdência Social; Contagem do prazo decadencial Os lançamentos constantes do presente processo referemse a fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 12/2008; As Contribuições Previdenciárias configuramse tributos sujeitos a lançamento por homologação onde, nos termos do caput do art. 150 do CTN, a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O prazo decadencial ocorre em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de ocorrido o quinquênio (art. 150, § 4º, do CTN); Quando não ocorre o pagamento antecipado não há que se falar em fato homologável, passando o lançamento a ser direto ou de ofício, tal qual previsto no art. 149 do CTN, o que desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o quinquênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazêlo; Conforme previsto no art. 149 do CTN, quando não há declaração ou quando a mesma é prestada de forma omissiva, o lançamento é efetuado de ofício e (...) comprovada omissão ou inexatidão da declaração incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial quinquenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Este é o caso dos autos, pois a empresa não declarou quaisquer dos fatos geradores de contribuição previdenciária que ensejaram a presente atuação, deixando também de efetuar o pagamento da contribuição devida em sua totalidade em relação aos créditos tributários exigidos nos Autos de Infração, não havendo que se falar em pagamento parcial ou recolhimento a menor da contribuição sobre a folha de salários, entendimento este também adotado pelo STJ; Multa aplicada Em função das alterações legislativas, quanto às penalidades aplicáveis aos fatos acima descritos, ocorridas com a edição da MP 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009), e para atender ao disposto na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN, após comparação entre a multa vigente à época da ocorrência do fato gerador com a penalidade prevista no momento do lançamento, a auditoria aplicou a penalidade menos gravosa à contribuinte, Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.638 7 ou seja, multa de ofício de 75% (Art. 35A da Lei 8212/91) no caso das faltas contatadas nas competências 04/2007 a 08/2007, 04/2008 a 06/2008 e 09/2008 a 10/2008 e a multa de mora de 24% em conjunto como a multa por descumprimento de obrigação acessória do CFL 68 para as faltas constatadas nas demais competências. IMPUGNAÇÃO Inconformada, o contribuinte apresentou impugnação aos Autos de Infrações (fls. 982/1003), alegando em síntese que: Decadência do direito de constituir créditos anteriores a abril de 2008 (...) se aplica ao presente caso a Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da qual foi editada a Lei Complementar n° 128/2008, que em seu artigo 13 revogou expressamente os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que respectivamente tratavam dos prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias. Com isso, ficou legalmente ratificada a aplicação do prazo decadencial de cinco (5) anos, a teor dos artigos 150, parágrafo 4o e 173, I, ambos do Código Tributário Nacional ("CTN"); (...) a Requerente esclarece que, especificamente, em relação aos lançamentos fiscais das competências de FEVEREIRO e MARCO de 2007 (...) independentemente da aplicação do artigo 173, inciso I ou do 150. S 4°. ambos do CTN, esses débitos foram atingidos pela decadência e, portanto devem ser excluídos (...), já que foram constituídos em 15.4.2013; Não obstante esse entendimento, a auditoria concluiu que pelo fato de o procedimento fiscalizatório que originou as autuações ter se iniciado em 2012, estaria afastada a alegação de decadência no presente caso. No entanto, esse entendimento da D. Fiscalização não encontra respaldo nem na legislação nem na jurisprudência administrativa e judicial, razão pela qual deve ser decretada a decadência do direito de cobrança dos créditos tributários pertinentes aos fatos geradores anteriores a ABRIL DE 2008, em respeito ao artigo 150, § 4°, do CTN; (...) em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1.1.2008 e 14.4.2008. também ocorreu a decadência do direito da D. Fiscalização em cobrar a contribuição previdenciária e às terceiras entidades relativas a esse período, conforme a regra do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN e jurisprudência do CARF e do STJ, pois no caso concreto houve pagamento antecipado de contribuições previdenciárias e a terceiros nas competências objeto de lançamento; Regularidade da PLR paga A participação nos lucros no Brasil deve ser considerada como pagamento desvinculado da remuneração dos trabalhadores, conforme determina o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal de 1988''. Esse dispositivo constitucional, quando especificou que a PLR deveria ser desvinculada da Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 remuneração, afastou qualquer possibilidade de integração ao salário de parcela paga a tal título; Inexigibilidade de pagamento de PLR a todos os trabalhadores A Lei n° 10.101/2000 não estipula que os Programas de PLR devem ser estendidos para todos os seus empregados, nem mesmo uma interpretação finalística da norma imunizante e de sua regulamentação nos permite chegar a tal requisito de forma genérica; Ao contrário do que afirma a D. Fiscalização, no caso específico, a Requerente esclarece que deixou de efetuar pagamentos de PLR, nos anos de 2007 e 2008, para os empregados (i) que participam do Programa Trimestral Individual ("PTI") (doe. n° 7), cujos valores distribuídos foram considerados salário, para fins de incidência da contribuição previdenciária; e para os empregados (ii) com avaliação 4 e 5, conforme disposto no sistema anual de "Gerenciamento do Desempenho CDP"; No caso concreto não houve discriminação arbitrária e atentatória às finalidades assinaladas nos Programa de PLR dos anos de 2006 e 2007, restando evidente que esses Programas cumprem fielmente com o disposto na Lei n° 10.101/2000; Suposta ausência de regras claras e objetivas para pagamento de PLR (...) é importante salientar que pelo fato de a Lei n° 10.101/2000 não enumerar quaisquer índices/metas obrigatórios para o pagamento da PLR, é certo que qualquer resultado que interesse à empresa pode ser utilizado como critério para a distribuição da PLR, desde que seja claro o objetivo. No caso da Requerente, ao contrário do que afirma a D. Fiscalização, as regras para apuração do PPR existem e são plenamente conhecidas pelos seus empregados; (...) os critérios de avaliação da companhia e da unidade no Modelo "A" foram estabelecidos pela administração da Requerente, com base nos resultados de cada ano civil, cujas notas/percentual (da cláusula 4.2.1.2.1 dos PPR dos anos de 2006 e 2007) tiveram como base a escala de avaliação indicada no CDP (...). Já o critério de avaliação individual do empregado no Modelo "A" é obtido pelo processo CDP (RGA Anual), que contém as seguintes fases: (1) fixação dos objetivos; (2) revisão dos objetivos e avaliação parcial; e (3) avaliação final de desempenho, sendo que os responsáveis pelo cumprimento dessa fase são o avaliado, avaliador e superior imediato do avaliador; (...) o CARF tem decidido no sentido de que as avaliações individuais de desempenho informam claramente as metas estabelecidas a serem atingidas por cada empregado. Logo, não há nesta hipótese justificativa que sustente a desqualificação do pagamento de PLR da empresa; (...) em relação ao Modelo "B" dos PPR dos anos de 2006 e 2007, a Requerente esclarece que, de acordo com os PPR dos anos de 2006 e 2007, o valor da PLR distribuída teve como base o critério de avaliação individual obtido pelo processo CDP; Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.639 9 (...) também para o Modelo "B" dos PPR dos anos de 2006 e 2007, os empregados tiveram condições totais de acompanhar e mensurar os resultados atingidos. Para comprovar o acerto de sua tese, a Requerente junta aos autos o cálculo da PLR e respectivas avaliações individuais de alguns de seus empregados, conforme Modelo "B" dos PPR dos anos de 2006 c 2007; Dessa forma, resta evidente que, no caso específico, o pagamento da PLR sempre esteve ancorado nos acordos (PPR 2006 e 2007) firmados por comissões compostas por representantes dos empregados, do empregador e dos sindicatos, que previam metas a serem cumpridas, condicionando a distribuição da PLR ao atingimento desses resultados; Quanto à alegação da Fiscalização de que (...) a distribuição dos valores de PLR é extremamente heterogênea, sendo que os empregados nos níveis salariais mais altos recebem valores expressivos de PLR e os demais recebem valores pequenos ou nada recebem no PPR, vale considerar que (...) os PPR dos anos de 2006 e 2007 levaram em consideração o desempenho individual, da unidade e da companhia, então parece lógico que os valores distribuídos a título de PLR não sejam idênticos para os empregados. O pagamento de PLR pode ser diferenciado justamente porque considera o atingimento de metas, que nem sempre vão ser alcançadas de forma total por todos os empregados (...); Da ausência de metas previamente fixadas A respeito da afirmação da auditoria de que a PLR dos anos de 2006 e 2007 não teve suas metas, resultados e prazos previamente pactuados (...) notese que a Lei n° 10.101/2000 apenas regulamentou um direito constitucionalmente assegurado e fixou alguns procedimentos e finalidades, como, por exemplo, que o pagamento seja ajustado mediante (í) acordo coletivo, (ii) convenção coletiva, ou (iii) através de comissão escolhida pelas partes. Assim, ao estabelecer diferentes alternativas para formalizar um acordo ou plano para participação dos empregados nos lucros ou resultados, a Lei n° 10.101/2000 apenas tratou da forma da PLR, uma vez que a natureza jurídica de verba não salarial já estava consagrada pela Constituição Federal; Portanto, a Lei n° 10.101/2000 não impõe arbitrariamente uma determinada forma para que a PLR seja negociada. Ao contrário, a legislação incentiva o consenso e a negociação entre empregados e empregadores, os quais não podem ser desconsiderados pelas autoridades previdenciárias (...). No caso sob exame (...) a Requerente efetivamente estabeleceu Programas de PLR ("PPR") (...) com a prévia pactuação de metas com seus empregados e Sindicato, cumprindo os requisitos formais exigidos pela legislação em vigor. Embora os PPR dos anos de 2006 e 2007 tenham sido assinados posteriormente ao período de aferição dos resultados/início do ano civil, os empregados da Requerente tinham conhecimento das metas pactuadas (...). Acrescentese a isso o fato de que, no caso específico os PPR dos anos de 2006 e 2007 possuíam os mesmos critérios utilizados para pagamento da PLR dos anos anteriores, sendo que os empregados já tinham ciência das Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 metas a serem atingidas desde o início do exercício (...). Ademais, importante acrescentar que o CARF tem aceito a formalização da negociação dos Programas de PLR mesmo após o início do período de apuração dos critérios pertinentes a esses Programas, como ocorreu nos PPR da Requerente dos anos de 2006 e 2007; (...) a Requerente reitera que foram cumpridas as exigências da Lei n° 10.101/2000, razão pela qual meras irregularidades formais não são suficientes para desconsiderar seus PPR. Ademais, no direito previdenciário, assim como no direito do trabalho, deve prevalecer o princípio da realidade, onde meros formalismos não se sobrepõem à verdade dos fatos; Ressaltese que, em cumprimento ao que determina a Lei n° 10.101/2000, a Requerente (i) negociou com a Comissão de Empregados e representante do Sindicato da categoria; e (ii) estabeleceu critérios com seus empregados. Assim, os procedimentos adotados pela Requerente não deixam dúvidas de que foi incentivada a negociação entre empregador e empregados, valorizando os princípios previstos nos artigos 7º e 8º da Carta Magna e as normas da Organização Internacional do Trabalho ("OIT"); Da multa aplicada no AI Debcad 37.360.5161 O cálculo da multa aplicada não está em consonância com o disposto na legislação específica. Isto porque, deve ser aplicada a multa pelo não recolhimento da contribuição previdenciária (multa de ofício), vigente à época da ocorrência dos fatosgeradores. Ou seja, para os fatos geradores ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n° 449, de 3.12.2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 27.5.2009), deve ser aplicada a multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 (redação original), ou seja, de 24%, e não de 75%, já que a multa atual (75%) é mais onerosa ao contribuinte e, portanto, não pode retroagir aos fatos geradores anteriores a sua edição. Assim, (...) a Requerente requer que para os lançamentos nas competências 4/2007 a 8/2007, 4/2008 a 6/2008 e 9/2008 a 10/2008 do AI n° 37.360.5161, seja aplicada a muita de 24%, nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, em sua redação original; Da multa aplicada no AI Debcad 37.396.7829 Quanto à multa aplicada referente ao Código de Fundamentação Legal (CFL 68), prevista no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 284, inciso II do Decreto n° 3.048/99, referente à apresentação da GFIP com dados não correspondentes a fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias incidentes, vale observar a Lei n°. 11.941/2009, revogou o artigo 32 da Lei n°. 8.212/1991 para acrescentar o artigo 32A, mediante o qual foi instituída uma nova penalidade por omissões nas declarações em GFIP. A penalidade introduzida pela Lei n°. 11.941/09 é mais benéfica do que aquela imposta pela D. Fiscalização no presente AI (artigo 32, IV, § 5º da Lei n°. 8.212/91), uma vez que o contribuinte ficará sujeito à multa administrativa de RS 20,00 para cada grupo do 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP; Com base no que dispõe o artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, a Requerente entende, caso seja mantido o auto de infração, que a nova multa trazida pela Lei n°. 11.941/2009 deverá ser aplicada de imediato aos fatos Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.640 11 geradores em discussão, de forma retroativa, por ser mais benéfica ao contribuinte que aquela prevista na legislação anterior; Indicação indevida de pessoas no Relatório de Vínculos Devem ser excluídas de plano as pessoas indicadas no Relatório de Vínculos anexo ao Processo Administrativo, já que a imputação de responsabilidade em relação à quitação de débitos não é imediata e depende de comprovação de determinados requisitos previstos no artigo 135, inciso III, do CTN. Esse dispositivo legal estabelece que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado respondem pelas dívidas tributárias, tão somente caso resultem de "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". Nesse sentido, lembramos que o mero inadimplemento de tributo é insuficiente para a caracterização de fraude à lei, condição necessária para a responsabilização dos diretores ou quaisquer representantes do Requerente, conforme já decidido pelo E. Superior Tribunal de Justiça; A pretendida aplicação de responsabilidade a terceiros que não a Requerente, pela D. fiscalização, sem qualquer prova de infração à lei ou ao estatuto social, agride a legislação tributária, motivo pelo qual devem ser excluídas as pessoas indicadas no Relatório de Vínculos anexo ao Processo Administrativo; Produção de novas provas Por fim, caso entendam Vossa Senhorias que são necessários novos elementos para que se demonstre o direito ora pleiteado, inclusive em respeito ao princípio da verdade real, a Requerente requer lhe seja assegurada a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, em especial pela posterior juntada de novos documentos, de forma a comprovar que não pode ser compelida a recolher o débito que lhe está sendo imputado; (...) a empresa requer que seja julgada totalmente procedente a impugnação apresentada, de forma a cancelar os autos de infrações objeto do lançamento. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação, conforme dispositivo abaixo transcrito: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação, cancelando do Auto de Infração n° 37.360.5161 o valor de contribuição de R$ 30.166.562,04 (trinta milhões, cento e sessenta e seis mil e quinhentos e sessenta e dois reais e quatro centavos), bem como os respectivos juros e multas de mora ou de ofício, conforme o caso, cancelando do Auto de Infração n° 37.396.7799 o valor de contribuição de R$ 3.465.866,06 (três milhões, quatrocentos e sessenta e cinco mil e oitocentos e sessenta e seis reais e seis centavos), bem como os respectivos juros e multas de mora ou de ofício, conforme o caso, e cancelando do Auto de Infração n° 37.396.7829 o valor de multa por descumprimento de obrigação acessória de R$ 171.738,00 (cento e setenta e um mil e setecentos e trinta e oito reais); em razão da declaração de Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 decadência em relação às competências 02 a 08/2007, nos termos do Voto do Relator (e dos Demonstrativos Analíticos dos Débitos Retificados, a serem emitidos quando do cadastramento do Acórdão no sistema informatizado, em relação aos Autos de Infração n° 37.360.5161 e n° 37.396.7799). O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0642.659 5ª Turma da DRJ/CTA em 19/08/2013 (fl. 1.355). Sobreveio Recurso Voluntário em 09/09/2013 (fl. 1.357/1.379), no qual, em suma, o contribuinte ratificou as razões da impugnação, alegando: Decadência do direito de cobrar os débitos relativos aos fatos geradores anteriores a abril de 2008; Regularidade dos programas de PRL do Recorrente Aplicação da multa de mora prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212/91 (em sua redação original) Auto de Infração nº 37.360.5161 Aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória (incorreções na GFIP) prevista no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/09 – Auto de Infração nº 37.396.7829 É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Alice Grecchi Relatora Os recursos ora analisados, possuem os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merecem ser conhecidos. Tratamse os presentes de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, acerca das seguintes infrações apuradas: Contribuições Previdenciárias Patronais Contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos (Terceiros) Multa por descumprimento de Obrigação Acessória Do Recurso de Ofício Inicialmente, no que tange ao Recurso de Ofício, dá análise dos autos, verificase que efetivamente o período de 2007 à que se refere as autuações está decaído, tanto pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, como fora reconhecido pela decisão de primeira instância, ou com fundamento no art. 150, § 4º, do CTN, de forma que, nego provimento ao Recurso de Ofício. Assim, passo a análise do recurso voluntário. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.641 13 Do Recurso Voluntário Da Decadência com fundamento no art. 150, §4º, do CTN Em preliminar de mérito, alega o contribuinte que no caso, “não se aplica a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, mas sim a regra do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, visto que o artigo 173 se refere unicamente aos tributos que não estão sujeitos à sistemática do lançamento por homologação ou, em se tratando de tributos que estejam sujeitos a tal sistemática, como é o caso das contribuições previdenciárias, quando houver dolo, fraude ou não houver qualquer pagamento antecipado do imposto, o que evidentemente não ocorreu neste caso.” Sustenta ainda que “houve o pagamento antecipado das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a terceiras entidades nas competências objeto dos Autos de Infração ora questionados, as quais foram devidamente declaradas em GFIP e recolhidas, por meio das Guia da Previdência Social”. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (grifei) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por consequência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (grifei) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Código Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Verificase que o lançamento fiscal em tela se refere às competências de 02/2007 a 13/2008 e foi efetuado em 08/04/2013, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 15/04/2013 (fls. 949/950). Com efeito, por tratarse o lançamento de contribuições previdenciárias, aplicase ao caso a Súmula nº 99 deste Egrégio Conselho: Súmula 99 do CARF: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.642 15 Logo, considerando que relativamente aos fatosgeradores a que se referem a presente autuação houve antecipação de pagamento parcial, conforme cópias das Guias da Previdência Social (GPS) de fls. 1.042/1.045, verificase que os valores apurados até a competência 03/2008, foram atingidas pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Com isso, devem ser excluídos do lançamento não só os valores apurados nas competências de 2007, reconhecidas pela decisão a quo, mas também as competências de 02/2008 até 03/2008, já que o lançamento fiscal se refere ao período de 02/2007 a 13/2008, e o contribuinte teve ciência do lançamento em 15/04/2013 (fls. 949/950). Do Programa de Participação nos Resultados PPR Relativamente ao mérito, no que tange as contribuições previdenciárias patronais e de terceiros sobre as remunerações pagas pelo recorrente através de Programa de Participação nos Resultados PPR, cumpre referir que, as competências de 01/02/2010 a 30/11/2011 também foram objeto de autuação pelo Fisco através dos AIOP/DEBCAD nº 51.040.3263 e AIOP/DEBDAD nº 51.040.3271, Processo nº 10980.727433/201304, de Relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, o qual trata da mesma matéria objeto do presente lançamento, e foi julgado na sessão de 12/04/2016, acórdão nº 2201003.020, de forma que acompanho o entendimento do nobre relator e o ratifico por seus próprios fundamentos, e peço licença para transcrevêlo, de forma que os utilizo para julgar: “[...] a empresa implementou dois programas de participação em resultados: um firmado em Convenção Coletiva do Trabalho (PLR – participação nos lucros ou resultados) e outro, intitulado PPR, celebrado entre a empresa e Comissão Interna de empregados do Banco. Apenas este último foi objeto do lançamento fiscal e é aqui discutido. Observo que a questão está centrada na conformidade ou não do Programa de Participação nos Resultados PPR com a Lei 10.101/2000. Para o fisco, o programa é desconforme, para o recorrente, é conforme. Analisemos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é, portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 19122008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.643 17 (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: * Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; * Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: * Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; * Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.644 19 lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. No caso presente, a autuação foi motivada por o PPR não ser extensivo a todos, não possuir regras claras e objetivas, não apresenta pactuação prévia e não ser homologado e Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.645 21 arquivado nas entidades sindicais dos trabalhadores, conforme Termo de Verificação Fiscal, folhas 627 a 640 28) Conforme analisado, verificamos que os “Programas de Participação nos Resultados“ da empresa, firmados em 2009 e 2010: ∙ Não são extensíveis a todos os empregados, excluindo aqueles que já recebem remuneração variável em programas específicos; ∙ Exclui os empregados que recebem avaliação individual considerada inconsistente ou fraca pela empresa, aferida pelo sistema CDP; ∙ Classifica os empregados em três categorias: * “A” – engloba os empregados em níveis superiores, os quais são avaliados pelo desempenho global da empresa que se utiliza do PPR para alinhar a remuneração ao mercado; * “B” – engloba os empregados de níveis intermediários, os quais são avaliados pelo desempenho de suas áreas e pelo desempenho individual registrado no sistema CDP. A empresa se reserva o direito de majorar os valores do PPR em 8unção do mercado. * “C” – engloba os empregados lotados em estruturas comerciais e de atendimento ao cliente, os quais recebem remuneração variável por meio do PPR, conforme “Normativo de Remuneração Variável”, com regras diferenciadas de acordo com a área à qual o empregado está vinculado. Seu desempenho individual registrado no sistema CDP afeta diretamente a sua participação no PPR; * Não possui regras claras e objetivas, permitindo avaliações discricionárias pela administração da empresa e conferindo poderes ao CEO da empresa para ajustar os valores do PPR em função das condições de mercado. * Não apresenta pactuação prévia, conforme determinado na legislação. * Não foram homologados e arquivados nas entidades sindicais dos trabalhadores, conforme determinado pelo art. 2º. da Lei 10.101/00. PLR EXTENSIVO A TODOS A recorrente alega a ausência de exigência legal de pagamento de PPR para todos empregados. Concordo com o recorrente. Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Não encontrei na lei a exigência de extensão de PLR para todos empregados. Abaixo apresento trecho da ementa do acórdão 920200.503 da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF. Acórdão n° 920200.503 — 2ª Turma CSRF/CARF PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. ... O legislador não fez previsão de exigência no sentido de que as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados fossem extensivas a todos os empregados da empresa para que houvesse a não incidência de contribuição previdenciária. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS Outro ponto alegado pelo fisco foi a ausência de regras claras e objetivas. A recorrente alega que os empregados tiveram totais condições de acompanhar e mensurar os resultados atingidos, apresenta as regras de avaliação do resultado e da performance dos trabalhadores e referencia documentos de avaliação individual apresentados na impugnação. Entendo que o PPR continha regras claras e objetivas. O Termo de Verificação Fiscal discorre dos itens 12 ao 25 sobre as regras constantes nos acordos, destacando no item 25 que "o PPR da empresa permite avaliações discricionárias por parte da administração da empresa, majorando ou reduzindo os valores a serem pagos." 12) A empresa mantém sistema de avaliação de seus empregados, sistema CDP (fls. 064/096), classificandoos de acordo com seu desempenho individual em categorias de 1 a 5. O CDP se constitui em um sistema de avaliação anual que leva em consideração o atingimento de metas individuais pelos empregados, conforme definido em seu regulamento: ... 13) O sistema adota avaliação por curva forçada, o que faz com que um percentual dos avaliados obrigatoriamente integre as categorias de avaliação 4 ou 5, consideradas de desempenho insuficiente: ... 25) O art. 2º da Lei 10.101/00 determina que as regras do programa devam ser claras e objetivas, inclusive no tocante aos mecanismos de aferição. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.646 23 Em contraposição, o PPR da empresa permite avaliações discricionárias por parte da administração da empresa, majorando ou reduzindo os valores a serem pagos. Considerese ainda que não é permitido ao empregador partilhar com o empregado os riscos de sua atividade empresarial, face o que dispõe o artigo 2º da CLT Consolidação das Leis Trabalhistas. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Entendo que, os termos do acordo não ferem a Lei, além do que resultaram de negociação entre as partes. PACTUAÇÃO PRÉVIA Outra motivação apresentada pelo fisco foi a falta de pactuação prévia. O recorrente alega que os instrumentos de PPR foram assinados no início do período de aferição dos resultados. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.647 25 Concordo com o recorrente. Entendo que não houve ofensa à lei. Um acordo foi firmado antes do início do prazo e outro no primeiro trimestre do ano em questão. O Termo de Verificação Fiscal assim apresenta a questão: 26) O art. 2º, § 1º, inciso II da Lei 10.101/00 determina que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente, o que não ocorreu em nenhum dos PPRs analisados, conforme abaixo Programa Registro do Acordo Período de Avaliação 2009 29/07/2009 01/01/2009 a 31/12/2009 2010 20/04/2010 01/01/2010 a 31/12/2010 Lei 10.101/00 [...] Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifo nosso) Observo que os mencionados registros referemse a registro em Cartórios de Títulos e Documentos e que os acordos propriamente ditos, contém data de 11/12/2008, para o acordo de 2009 e 16/03/2010, para o acordo de 2010. HOMOLOGAÇÃO E ARQUIVAMENTO DOS ACORDOS NOS SINDICATOS O fisco alega desconformidade com a lei 10.101/2000 por não terem sido os acordos homologados e arquivados nas entidades sindicais dos trabalhadores. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 O recorrente afirma que os acordos foram "devidamente negociados com o sindicato dos trabalhadores", que "foram devidamente arquivados nas entidades sindicais, conforme demonstram os anexos emails trocados entre o RH do Recorrente e o representante sindical dos trabalhadores (doc nº 16 da Impugnação)". Abaixo apresento trecho do Termo de Verificação Fiscal: 27) A Lei 10.101 dispõe que a participação nos lucros ou resultados deverá ser objeto de negociação entre a empresa, empregados e sindicato, devendo o instrumento do acordo ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Intimada a apresentar comprovação da homologação e arquivamento dos instrumentos do PPR nas entidades sindicais dos trabalhadores, a empresa alegou que a aposição da assinatura de um de seus empregados, representante sindical, seria o suficiente para comprovar o cumprimento da obrigação legal. Esse não é o entendimento das entidades sindicais, conforme comprova a nota abaixo, denunciando que os PPR 2009, 2010 e 2011 foram impostos pelo Banco, sem a participação do Sindicato. LEI Nº 10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. [...] Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.648 27 distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] 28) Conforme analisado, verificamos que os “Programas de Participação nos Resultados“ da empresa, firmados em 2009 e 2010: ∙ Não são extensíveis a todos os empregados, excluindo aqueles que já recebem remuneração variável em programas específicos; ∙ Exclui os empregados que recebem avaliação individual considerada inconsistente ou fraca pela empresa, aferida pelo sistema CDP; ∙ Classifica os empregados em três categorias: * “A” – engloba os empregados em níveis superiores, os quais são avaliados pelo desempenho global da empresa que se utiliza do PPR para alinhar a remuneração ao mercado; * “B” – engloba os empregados de níveis intermediários, os quais são avaliados pelo desempenho de suas áreas e pelo desempenho individual registrado no sistema CDP. A empresa se reserva o direito de majorar os valores do PPR em função do mercado. * “C” – engloba os empregados lotados em estruturas comerciais e de atendimento ao cliente, os quais recebem remuneração variável por meio do PPR, conforme “Normativo de Remuneração Variável”, com regras diferenciadas de acordo com a área à qual o empregado está vinculado. Seu desempenho individual registrado no sistema CDP afeta diretamente a sua participação no PPR; ∙ Não possui regras claras e objetivas, permitindo avaliações discricionárias pela administração da empresa e conferindo poderes ao CEO da empresa para ajustar os valores do PPR em função das condições de mercado. ∙ Não apresenta pactuação prévia, conforme determinado na legislação. ∙ Não foram homologados e arquivados nas entidades sindicais dos trabalhadores, conforme determinado pelo art. 2º. da Lei 10.101/00. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Entendo que aqui não cabe razão ao recorrente. Os acordos para pagamento do PPR foram firmados por meio de Instrumento Particular de Acordo da Participação nos Resultados, um referente ao ano 2009 e outro ao ano 2010, folhas 47 a 54 e 55 a 62, respectivamente. Ambos acordos, registram que o acordo é celebrado entre o recorrente e "Comissão de Representação Interna dos Empregados do Banco", sem citar representação sindical. Ao final dos acordos, estão consignados os signatários distribuídos em Comissão de Funcionários, Representantes Sindicais e Representantes da Empresa. O acordo 2009, registra 4 representantes sindicais, sendo que apenas 1 assinou o documento. O acordo 2010 registra 5 representantes sindicais, sendo que nenhum assinou o acordo. Observo que à folha 63, consta "Lista de Presença da Reunião com a Comissão de representação Interna dos Empregados do Banco PPR", datada de 16/03/2010, mesma data do acordo, contendo os mesmos nomes dos 5 representantes sindicais, porém, contendo 2 assinaturas. Entendo que representantes do sindicato participaram da reunião e não assinaram o acordo. Outro ponto é a questão do arquivamento dos acordos nos sindicatos. O recorrente busca comprovar o arquivamento por meio de cópia de emails apresentados por ocasião da impugnação (doc nº 16). Analisei os emails, folhas 1051 a 1060 e cheguei a conclusão diversa do recorrente. Os emails são trocados entre o RH Relações sindicais da empresa com o sr Miguel Pereira que registra abaixo de seu nome "Contraf CUT". Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.649 29 Contraf é a abreviação de Confederação Nacional dos trabalhadores do Ramo Financeiro. O PPR 2009 é enviado pelo gerente de RH junto com a observação "Favor manter apenas sob seus cuidados, tendo em vista que este material é de circulação interna do HSBC." (folha 1054) O PPR 2010 é solicitado pelo sindicalista em 03/2011, junto como informações estatísticas (número de funcionários, distribuição geográfica do setor de compensação, número de funcionários nas capitais, por sexo). A resposta contendo o PPR foi enviada alguns dias depois. (folhas 1051 e 1052). Entendo que os acordos não foram arquivados nos sindicatos. Constato desconformidade com a Lei 10.101/2000. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari” Conforme se verifica do voto supratranscrito, que esta relatora acolhe na íntegra, o qual trata da mesma questão dos autos, constatase que o Banco cumpriu os requisitos relativos ao Programa de Participação nos Resultados – PPR no que se refere a ausência de exigência legal de pagamento de PPR para todos empregados, bem como o referido Programa convencionado pelo Banco continha regras claras e objetivas, e houve pactuação prévia, de forma que não houve ofensa à lei. No que tange a falta de homologação e arquivamento dos acordos nos sindicatos, verificase que este fora o único fundamento pelo qual entendera o nobre Relator que não fora cumprido, uma vez que naquele processo, relativo ao período de apuração de 2010 e 2011, não ficou comprovado a referida homologação nas entidades sindicais dos trabalhadores. Naqueles anos (2010 e 2011), constava tãosomente Acordos para pagamento do PPR firmados por meio de Instrumento Particular de Acordo da Participação nos Resultados, um referente ao ano 2009 e outro ao ano 2010, folhas 47 a 54 e 55 a 62, respectivamente. Ambos acordos, registram que foram celebrados entre o Banco e "Comissão de Representação Interna dos Empregados do Banco", sem citar representação sindical. Ocorre que, no presente caso, relativo ao período de apuração de 2008, quanto ao Programa de Participação nos Resultados PPR, embora conste tãosomente “INSTRUMENTO PARTICULAR DE ACORDO DA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS (fls. 102/130)”, verificase que este requisito sequer foi objeto de análise pelo Fisco, tampouco consta do relatório fiscal, não havendo lançamento em relação a este requisito. Portanto, considerando que o único fundamento pelo qual a 1ª Turma da 2ª Câmara, Acórdão nº 2201003.020, manteve aqueles lançamentos consiste no descumprimento da homologação e arquivamento nas entidades sindicais, requisitos estes, não constantes do presente relatório fiscal, não obstante tratarem da mesma matéria, uma vez que os acordos firmados em todos os anos foram convencionadas através de instrumento particular, com as Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 mesmas condições (relativos tãosomente a fatos geradores distintos), e, inclusive, considerando que esta relatora não pode inovar nos fundamentos e atribuir requisitos que sequer o Fisco exigiu na peça fiscal, por tais razões, entendo que deve ser dado provimento ao recurso. DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (GFIP) DEBCAD n.º 37.396.7829 Inicialmente, cumpre referir que a análise desta infração restaria prejudicada, uma vez que a infração material (principal) fora excluída, e devido a este fato, entende esta relatora que não subsistindo o principal, a multa por descumprimento de obrigação acessória também não pode subsistir. Todavia, a fim de evitar prejuízos ao recorrente, passase a análise da mesma, em face da redação da Lei nº 13.097/22015. No que tange a autuação por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD n.º 37.396.7829, em virtude de a empresa ter apresentado GFIP’s com omissão de dados correspondentes a fatosgeradores de contribuições previdenciárias, postula a recorrente a aplicação do art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, a qual alterou a penalidade prevista no art. 32, inciso IV, §§ 3º, e 5º, o qual fora fundamentada a presente autuação (fl. 949). Ocorre que, recente foi editado regramento anistiando as infrações elencadas no art. 32A caput, inciso I e II, incluídos pela Lei 11.941/2009. Vejamos a alteração da redação do art. 32 da Lei nº 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; [...] § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: […] Verificase que a diferença básica está na citação “dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Resta Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.650 31 evidente que se nem todos os dados referentes aos fatos geradores foram declarados é porque houve omissão em relação a alguns deles. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem e descrição. Desta forma, entendo que a multa do presente auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32A, uma vez que não haveria razão jurídica para se aplicar a anistia a uma infração e não a outra apenas porque o dispositivo legal é outro. Em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, mas sim o artigo 32 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa. Superada a questão da aplicabilidade da Lei nº 13.097/2015 para infrações capituladas pelo art. 32 e não pelo 32A, da Lei 8.212/91, resta analisar o caso concreto. A nova legislação introduzida no ordenamento jurídico, em seu artigo 49, abaixo reproduzido, dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Sobre o assunto, há decisões nesse sentido. Abaixo, ementa colacionada referente ao Acórdão 2803004.218 3ª Turma Especial, de 12.03.2013, Redator Designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Do acórdão supracitado, destaco excertos das razões de decidir contidas no voto vencedor. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 32 prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devendo ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Portanto, a multa por descumprimento de obrigação acessória (omissões na GFIP), aplicada no Auto de Infração DEBCAD n.º 37.396.7829, que teve fundamento o art. 32, inciso IV, §§3º e 5º, cuja redação quanto as penalidades aplicadas fora alterada pelo art. 32 A, "caput", inciso I e II, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, a qual se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei n º 13.097/2015. Logo, deve ser cancelado o Auto de Infração DEBCAD n.º 37.396.7829, nos termos do art. 49 da Lei nº 13.097/15. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário excluindo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.651 33 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Vieira Gomes Redator designado Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 34 período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.652 35 seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Quanto à jurisprudência de nossos tribunais superiores, no RE 351.506 o STF manifestouse pela eficácia limitada do disposto no artigo 7º, XI da Constituição Federal): Dessa maneira, embora o inciso XI do artigo 7º da Constituição assegurasse o direito dos empregados à participação nos lucros da empresa e previsse que essa parcela participação nos lucros é algo desvinculado da remuneração, o exercício desse direito não prescindia de lei disciplinadora que definisse o modo e os limites de sua participação, bem assim a natureza jurídica dessa benesse, quer para fins tributários, quer para fins de incidência de contribuição previdenciária. E o STJ, pela obrigatoriedade de observância das disposições contidas na Lei nº 10.101, de 19/12/2000. Feitas essas colocações, analisemos o caso concreto. A divergência aqui é somente quanto ao modelo adotado pela recorrente para restringir o acesso ao programa somente a alguns empregados. A possibilidade de que o programa não seja extensivo a todos os empregados deve ser analisada com reservas, pois deve ser examinada em conjunto com os critérios adotados pela empresa. No caso, constatase que ficaram excluídos segurados empregados que percebem outra parcela de remuneração variável e mesmo quanto a muitos outros que estão no programa, foram criadas exigências mais rigorosas para aqueles que possuem menor remuneração enquanto para os níveis mais elevados da empresa constatamse requisitos e critérios mais acessíveis, o que denota dois problemas: a possibilidade do efeito de substituição de salários para os níveis mais elevados da empresa e a duvidosa possibilidade de existência da contrapartida por parte da maioria dos empregados no sentido de se aumentar a produtividade e os resultados da empresa. Na prática, pareceme que o pagamento de PLR fica restrito aos níveis mais elevados da empresa, justamente aqueles que teriam as maiores bases de cálculo da contribuição previdenciária. Assim, entendo que o programa se mostra descaracterizado como Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 36 tal e contrário aos preceitos gerais da lei: integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Pelo exposto voto pela incidência da contribuição previdência sobre o PLR. No mais acompanho a relatora nas outras questões. É como voto. (Assinado digitalmente) Júlio César Vieira Gomes Redator designado Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora designada Multa previdenciária Mantida a incidência de contribuição previdenciária sobre o PLR, cabe analisar o critério de apuração da multa previdenciária aplicada ao lançamento fiscal. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias referente ao período de 02/2007 a 12/2008 e multa por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP sem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias), portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. Ainda, com base no mesmo documento, extraise que, no momento da aplicação da multa, já foi observado o princípio da retroatividade benigna, conforme os seguintes excertos: 54. Para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, a multa aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inciso II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época do fato gerador e a multa imposta pela legislação superveniente. (...) O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Assim, após a edição da MP, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721823/201362 Acórdão n.º 2301004.729 S2C3T1 Fl. 1.653 37 realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que o auditorfiscal, no momento da autuação já elaborou Demonstrativo da Retroatividade Benigna (fls. 921) no qual é apresentado o valor utilizado na determinação da multa aplicável em cada competência. Destacandose que a multa prevista na legislação atual (multa de ofício de 75%), foi a mais benéfica ao contribuinte nas competências 04/2007 a 08/2007, 04/2008 a 06/2008, 09/2008 e 10/2008; a contrário senso, nas demais competências foi aplicada a legislação da ocorrência do fato gerador. Portanto, entendo que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Assim, não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração. É como voto. (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora designada Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 23/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10945.720663/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral do impugnante na primeira instância.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, opera-se a inversão do encargo probatório, cabendo ao Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2301-004.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, (b) por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade; (c) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes ; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente.
(Assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora.
EDITADO EM: 05/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Júlio César Vieira Gomes.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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SUSTENTAÇÃO ORAL. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral do impugnante na primeira instância. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, operase a inversão do encargo probatório, cabendo ao Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 06 63 /2 01 1- 07 Fl. 11009DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, (b) por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade; (c) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes ; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora. EDITADO EM: 05/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Júlio César Vieira Gomes. Relatório Trata o presente processo de lançamento de contribuições sociais previdenciárias, dos segurados e da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e as destinadas a outras entidades (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais, que lhe prestaram serviços no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, inclusive 13º salário, nos seguintes autos de infração: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR CORRIGIDO Fl. 11010DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.010 3 37.302.1119 (fls. 10369/10555) Contribuição da empresa, inclusive GILRAT 2007 e 2008 R$ 3.681.299,68 37.302.1135 (fls. 10556/10656) Contribuição devida por segurados empregados e contribuintes individuais. 2007 e 2008 (sem retenção) R$ 1.359.04,44 37.302.1151 (fls. 10657/10816) Contribuição devida a outras entidades (SEST E SENAT) 2007 e 2008 (sem retenção). R$ 611.658,49 37.302.1089 (fls. 10817/10833) Contribuições previdenciárias retidas de segurados contribuintes individuais R$ 34.923,00 37.302.1097 (fls. 10834/10850) Contribuições retidas de segurados contribuintes individuais para outras entidades (SEST e SENAT) R$ 7.505,73 Constam ainda do processo, os seguintes Autos de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR CORRIGIDO 37.302.1062 CFL 69 (fls. 10851) Entrega da GFIP com omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária. R$ 556.416,95 37.302.1070 CFL 68 (fls. 10852) Entrega da GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissão de dados não relacionados a fatos gerados de contribuição previdenciária R$ 38.872,93 Transcrevo os seguintes excertos do relatório do acórdão recorrido que esclarecem o lançamento efetuado: 3.3. O objeto do lançamento fiscal são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e aos contribuintes individuais nas seguintes situações: • Diferenças nas folhas de pagamento: Analisada a contabilidade digital da Autuada, em especial o razão da conta contábil 310103001 – Fretes Pagos, foram identificados diversos lançamentos com o histórico “PG REL FRETE POSTO Fl. 11011DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 PATRICIA LTDA”. Após, examinados os documentos da movimentação de caixa e bancos que embasaram esses lançamentos, (recibos, extratos, cópias de cheque, transferências e pagamentos efetuados, notas fiscais, dentre outros) foram identificadas diferenças de remunerações pagas, em todas as competências em análise, a segurados empregados constantes na folha de pagamento normal da Empresa, onde há pagamentos de salários complementares a empregados da área administrativa e pagamento de comissões sobre fretes realizados por empregados motoristas. Também foram constatados pagamentos a título de salários, comissões, 13.º salário, férias, inclusive rescisões de contrato de trabalho de segurados cujos nomes não constam, relacionados nos Livros/Fichas de Registro de Empregados apresentados pela Empresa. • Pagamento a segurados contribuintes individuais: A Empresa efetuou pagamentos de serviços a diversos contribuintes individuais no período: contabilistas, consultores, advogados, leiloeiros, mecânicos, despachantes, técnicos em manutenção de equipamentos de informática, agenciadores de carga e profissionais autônomos da construção civil, transportadores autônomos, dentre outros. Também efetuou pagamentos de diversas despesas de sócios e seus familiares: condomínios, faturas de cartão de crédito, planos de saúde, faturas de energia elétrica e de telefone, compras em lojas de materiais de construção, farmácias, despesas com veículos particulares, seguros de vida e previdência, além de transferências bancárias com históricos “adiantamento”, entretanto, não houve recolhimento da contribuição previdenciária respectiva. • Pró Labore: A Empresa não declarou em GFIP nem efetuou recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o Pró Labore dos sócios José Alcione de Souza, Valdomiro Pilati e Vilson Pilati nas competências março e junho de 2007. Tal infração também ocorre para a competência outubro de 2007, quando deixaram de ser declaradas e recolhidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos sócios José Alcione de Souza e Vilson Pilati. • Pagamentos de frete a transportadores autônomos com veículo próprio da empresa: os quais efetuaram o transporte de carga com veículos próprios da Empresa que se enquadra como remuneração a contribuinte individual – transportador autônomo (categoria 15). • Pagamentos de frete a transportadores autônomos: Foram contratados contribuintes individuais transportadores autônomos para realizar serviços de transportes de cargas, conforme constatado nas cartasfrete disponibilizadas para análise, para a constituição dos créditos decorrentes dos valores pagos aos contribuintes individuais – transportadores autônomos, este percentual de 20% foi aplicado sobre os valores pagos nas cartasfrete, apresentadas. • Glosa de Salário Família: Em decorrência dos acréscimos dos valores considerados como remuneração, houve a glosa de valores pagos a titulo de salário família de diversos segurados, de acordo com os limites legais. Fl. 11012DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.011 5 • Diferenças de SEST e SENAT para segurados declarados em GFIP com erro de categoria: A Autuada declarou indevidamente em GFIP diversos transportadores autônomos na categoria 13 – Demais Contribuintes Individuais, quando deveria declarar na categoria 15 – Contribuintes Individuais – Transportadores Autônomos. Em virtude dessa inconsistência, foi elaborado demonstrativo nominal de diferenças de SEST e SENAT. ... COMPARATIVO DE MULTAS: 3.5. Em atendimento ao Princípio da Retroatividade Benigna (art. 106, inciso II, c da Lei n.º 5.172, de 25.10.1966 = CTN), foi feita a comparação das multas calculadas pelas regras anteriores e posteriores à publicação da MP 449, de 03/12/2008 (DOU 04/12/2008), convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009 (D.O.U. 28/05/2009). 3.6. Como as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP’s foram entregues com incorreções enquadradas no Código de Fundamentação Legal CFL 68 + CFL 69 cumuladas com incorreções enquadradas no CFL 91, as multas foram calculadas da seguinte forma: 3.7. Foi comparada inicialmente, por competência, a Multa do (CFL 68 + CFL 69 + Multa de Mora de 24% (Até MP 449) com a Multa do CFL 78 + Multa de Oficio de 75% (Após MP 449), sendo que, para todas as competências (JANEIRO/2007 a NOVEMBRO/2008), as multas anteriores à publicação da MP 449, foi a mais benéfica; e b) Na seqüência, foi adicionado ao comparativo acima citado, o valor do CFL 91, sendo que, as multas anteriores à publicação da MP 449, continuaram sendo as mais benéficas. 3.8. Os Comparativos de Multas (AICFL 68 + CFL 69 + CFL 91 + Multa de Mora de 24%) X (AI CFL 78 + Multa de Ofício de 75%) encontramse em anexo às fls. 10.129 a 10.130 deste processo. ... Cientificada em 12/09/2011, a empresa apresentou a Impugnação de efls. 10878/10885, alegando, em apertada síntese: · a insubsistência da autuação, uma vez que baseada apenas em simples presunções da autoridade fiscal; · abusividade da multa aplicada, por desproporcional à suposta lesão praticada e por confiscatória; · aplicação incorreta do princípio da retroatividade benigna no cálculo da multa aplicada. Fl. 11013DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, nos termos do Acórdão nº 0641.298, de 29/05/2013, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. PRESUNÇÃO SIMPLES. APLICAÇÃO NO DIREITO TRIBUTÁRIO. As presunções simples constituemse em meios de prova admitido na seara do Direito Tributário. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN). MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor das contribuições apuradas como devidas e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP´s). ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa Fl. 11014DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.012 7 presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração, passível de penalidade pecuniária, a informação da Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Constitui infração, passível de penalidade pecuniária, as informações em Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, inexatas, incompletas ou omissas, com dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 25/07/2013 (efl. 10.953), apresentou o Recurso Voluntário de efls. 10.955/10.972, em 06/08/2013, alegando em síntese: · Nulidade do Acórdão Recorrido, em preliminar, sustenta que houve ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpidos no art. 5º, LV, da Constituição Federal, uma vez que não foi intimada a participar das sessões de julgamento na DRJ; · Existência de Presunções Simples no Acórdão, o acórdão recorrido "limitase a afirmar que, analisados os autos, restariam evidentes as ocorrências apontadas pela fiscalização, sem, no entanto, demonstrar inequivocamente tais situações, que continuam a ser meras presunções"; · Erro na Aplicação da Multa mais Benéfica, reitera o argumento levantado na impugnação, de que o Fisco não aplicou corretamente o art. 106, do CTN, aplicando a multa nos termos da legislação vigente anteriormente à MP nº 449/2008, como a mais benéfica, sem demonstrar os critérios utilizados para o cálculo da tabela "Multas após Lei 11.941"; · Caráter Confiscatório da Multa Aplicada, ressalta que a multa aplicada importa ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco (art. 150, IV, CF), por demasiadamente onerosa ao recorrente, não atendendo a qualquer finalidade pública que o justifique. Fl. 11015DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Requer o total provimento do Recurso Voluntário, com a reforma do Acórdão recorrido e desconstituição do crédito tributário lançado. Incluído em pauta, na sessão de 18/03/2014, pela então 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2403000.246 (efls. 10.993/10.997) nos seguintes termos: Diante do exposto, determino converter os autos em DILIGÊNCIA para informar se houve arbitramento da conta do razão 310103001 fretes pagos, e se o lançamento foi efetuado em processo distinto. Em resposta à diligência, foi anexado o Relatório Fiscal de efls. 11.001/11.003, nos quais a Auditora Fiscal esclarece o que segue: Em atendimento ao solicitado informo que: a) houve arbitramento da conta do razão 310103001 – fretes pagos e foram lançados em processos distintos abaixo citados: • Até dezembro/2008: Processo n.º 10945.720.604/201121 – DEBCAD´s n.ºs 32.302.1100, 32.302.1127 e 32.302.1143; e • A partir de janeiro de 2009: Processo n.º 10945.720.605/2011 75 – DEBCAD´s n.ºs 50.002.6092, 50.002.6114 e 50.002.613 0; Retornando os autos ao CARF, foi incluído em sorteio eletrônico, em decorrência da aposentadoria do relator originário. É o relatório. Voto Conselheira ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele conheço e passo à análise. Preliminar de Nulidade do Acórdão por cerceamento ao direito de defesa A recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do acórdão exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, porque deveria ter sido intimado a participar da sessão de julgamento, sendolhes oportunizado a apresentação de memoriais e realização de sustentação oral. Ocorrendo o julgamento sem a prévia intimação do recorrente, caracterizou se ofensa ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5º da Constituição Federal. Ocorre que o Processo Administrativo Fiscal (PAF), na esfera federal, é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e regulamentado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Esses dispositivos legais não preveem tal possibilidade no âmbito Fl. 11016DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.013 9 das Delegacias de Julgamento. Também na Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que dispõe sobre o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento citada pelo recorrente , e na Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil) não tem previsão de sustentação oral no julgamento em primeira instância. Assim, tendo a DRJ seguido o trâmite previsto nos artigos 27 a 36 do Decreto nº 70.235, de 1972, que nada dizem a respeito do direito à sustentação oral, restringindo sua regulamentação aos elementos de prova constantes dos autos, produzidos pela administração tributária, pelo contribuinte ou em decorrência de diligência considerada necessária pela autoridade julgadora, não há que se falar em ofensa ao contraditório e a ampla defesa. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade arguida pela defesa. Existência de Simples Presunções no Acórdão Em relação a este tópico, a recorrente sustenta que "embora a Autoridade Fiscal alegue ter respeitado o princípio da verdade material para comprovação das ocorrências apontadas pela fiscalização, tais alegações não restam efetivamente comprovadas. Isso porque o V. Acórdão recorrido limitase a afirmar que, analisados os autos, restariam evidentes as ocorrências apontadas pela fiscalização, sem, no entanto, demonstrar inequivocamente tais situações, que continuam a ser meras presunções." Em que pesem as alegações da recorrente, tanto em impugnação, quanto em sede recursal, de que a autuação e a decisão a quo estariam baseadas apenas em simples presunções, não assiste razão à recorrente. Estando o lançamento e a decisão de primeira instância alicerçados em documentos apresentados pela própria empresa, com a descrição pormenorizada dos fatos geradores de contribuição previdenciária e os respectivos documentos comprobatórios, tanto no relatório fiscal do auto de infração e seus anexos, quanto no voto do acórdão atacado, em especial no tópico 6.9, não há que se falar em autuação baseada em meras presunções. Ademais, em virtude do atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, dentre eles o lançamento tributário, há a inversão do ônus da prova, de modo que o autuado deve buscar desconstituir o lançamento consumado através da apresentação de provas que possam afastar a fidedignidade da peça produzida pela administração pública. Erro na aplicação da multa mais benéfica A sistemática de cálculo das multas previdenciárias foi profundamente alterada com o advento da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No presente caso, verificase que a autuação ocorreu em 02/09/2011, com ciência em 12/09/2011, portanto em data posterior à nova sistemática de cálculo das multas. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias, parte patronal, GILRAT e Terceiros, referente ao período de 01/2007 a 12/2008 e multa por descumprimento de obrigação acessória (entrega da GFIP com Fl. 11017DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária e entrega da GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissão de dados não relacionados a fatos gerados de contribuição previdenciária), portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. Para as competências até novembro de 2008, inclusive, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que a auditora fiscal, no momento da autuação já elaborou planilha comparativa entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes (alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009), conforme os seguintes trechos extraídos do relatório fiscal: COMPARATIVO DE MULTAS: Em atendimento ao Princípio da Retroatividade Benigna (art. 106, inciso II, c da Lei n.º 5.172, de 25.10.1966 = CTN), foi feita a comparação das multas calculadas pelas regras anteriores e posteriores à publicação da MP 449, de 03/12/2008 (DOU 04/12/2008), convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009 (D.O.U. 28/05/2009). Como as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP’s foram entregues com incorreções enquadradas no Código de Fundamentação Legal CFL 68 + CFL 69 cumuladas com incorreções enquadradas no CFL 91, as multas foram calculadas da seguinte forma: Fl. 11018DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10945.720663/201107 Acórdão n.º 2301004.860 S2C3T1 Fl. 11.014 11 a) Foi comparada inicialmente, por competência, a Multa do CFL 68 + CFL 69 + Multa de Mora de 24% (Até MP 449) com a Multa do CFL 78 + Multa de Oficio de 75% (Após MP 449), sendo que, para todas as competências (JANEIRO/2007 a NOVEMBRO/2008), as multas anteriores à publicação da MP 449, foi a mais benéfica; e b) Na seqüência, foi adicionado ao comparativo acima citado, o valor do CFL 91, sendo que, as multas anteriores à publicação da MP 449, continuaram sendo as mais benéficas. Os Comparativos de Multas (AICFL 68 + CFL 69 + CFL 91 + Multa de Mora de 24%) X (AI CFL 78 + Multa de Ofício de 75%) encontramse em anexo às fls. 10.129 a 10.130 deste processo. (Grifamos.) Portanto, ficou demonstrado que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, que dispõe sobre a aplicação dos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91. Assim, também não assiste razão à recorrente, em relação à alegação de aplicação errônea do princípio da retroatividade benigna. Do Caráter Confiscatório da Multa Aplicada Por fim, a recorrente ressalta que a multa aplicada importa em ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco, o qual veda a imposição de ônus insuportáveis, que ultrapasse os limites da capacidade contributiva. Em relação a esses argumentos sobre confisco, cumpre esclarecer que a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco, preceito do art. 150, IV, da Constituição Federal, não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomálo em consideração quando da elaboração das leis. À autoridade administrativa cabe apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Ademais, registrese que, nos termos do art. 62, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015 Regimento Interno do CARF, fica vedado aos membros deste Conselho, afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, exceção às situações descritas no seu § 1º, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 11019DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Não se enquadrando a situação abordada pela recorrente em nenhuma das exceções listadas, não assiste razão à recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares, e, no mérito, não conhecer da questão de controle repressivo de constitucionalidade e, quanto à matéria conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Fl. 11020DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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