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Numero do processo: 13855.723182/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS - SENAR
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02.
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão da decisão recorrida não representar exoneração de débito a que alude a legislação de regência. Em relação aos recursos voluntários formalizados pelos sujeito passivo principal e pelos devedores solidários, também por unanimidade de votos, em negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 31 82 /2 01 3- 12 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.188 2 da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão da decisão recorrida não representar exoneração de débito a que alude a legislação de regência. Em relação aos recursos voluntários formalizados pelos sujeito passivo principal e pelos devedores solidários, também por unanimidade de votos, em negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 1666.694 13ª Turma da DRJ/SPO, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora recorrente. Adotamos, em parte, o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: AUTUAÇÃO Tratase de processo administrativo resultante de ação fiscal desenvolvida na empresa acima identificada para verificar sua regularidade, no período 01/2009 a 12/2010, frente ao cumprimento das obrigações principais e acessórias exigidas pela legislação previdenciária. A auditoria teve início em 23/03/2013, data da ciência do contribuinte do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF (fls. 2/9). Integra o presente processo administrativo n° 13855.723182/201312 as seguintes autuações: Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad n° 51.056.1411 no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias devidas pela empresa (contribuição rural e Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.189 3 Giilrat), em razão de subrrogação, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoa física realizada nas competências 01/2010 a 12/2010 e não declaradas em Gfip. AIOP Debcad n° 51.056.1420 no qual foram lançadas as contribuições destinadas aos Terceiros (Senar) e devidas pela empresa em razão de subrrogação, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoa física realizada nas competências 01/2010 a 12/2010 e não declaradas em Gfip. O crédito tributário totalizou, na data de consolidação (17/01/2014), o valor de R$ 7.715.812,22 (sete milhões, setecentos e quinze mil, oitocentos e doze reais e vinte e dois centavos). O Relatório Fiscal (fls. 523/574) anexo ao processo administrativo apresenta as informações pertinentes à ação fiscal realizada no contribuinte, à apuração das contribuições previdenciárias e destinadas ao Senar no período 01/2010 a 12/2010, bem como os fatos e justificativas para a caracterização da responsabilidade solidária de terceiros (empresa e pessoas físicas) frente ao crédito tributário constituído. Do referido relatório, destacamse as seguintes informações: Preliminarmente, a Autoridade Fiscal relata os fatos relevantes verificados sobre a autuada, seus sócios e demais pessoas físicas e jurídicas analisadas no decorrer da ação fiscal: A empresa fiscalizada Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda mostrouse ser uma empresa de fachada cujo quadro societário é composto por “sócios laranjas” Marlúcio Adriano Mateus da Silva, Otávio Urbano (retirouse em 2003) e Lazara Aparecida Mateus da Silva (admitida em 2004). Os dois primeiros tiveram vínculo com a Indústria e Comércio de Carnes Irmãos Oranges Ltda (hoje denominada de Frigorífico Oranges Ltda), e a terceira é genitora do Sr. Marlúcio. A constituição da empresa de fachada Barra Mansa foi arquitetada pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, que detém a propriedade do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP, local em que se localizava um dos estabelecimentos da autuada. A prática adotada pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda de constituir empresas de fachada e utilizarse de empregados para compor o quadro societário (sócios laranjas) é utilizada desde 1984. A fiscalização identificou as seguintes empresas de fachada: (1) Frigorífico Sertãozinho Ltda; (2) Frigorífico São Domingos Ltda; (3) Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (4) Firenze Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (5) Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (6) Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda; (7) Agro Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda e (8) Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.190 4 O Frigorífico Oranges Ltda e as empresas de fachada celebravam “contrato simulado de arrendamento” do complexo industrial e outros bens móveis e imóveis como um artifício para a transferência de recursos das empresas de fachada. Ressalta a Autoridade Fiscal que resultou deste mesmo procedimento fiscalizatório autos de infração para constituir créditos tributários devidos a título de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS/PASEP, Cofins e multas por distribuição indevida de lucros. Também, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais e foram lavrados termos de responsabilidade tributária solidária e arrolamento de bens do Frigorífico Oranges Ltda e de seus respectivos sócios. O relatório fiscal anexado ao presente processo administrativo restringese a relatar as informações necessárias para constituição dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas ao Senar. A íntegra das informações, provas e elementos coletados no curso da ação fiscal estão descritos no relatório fiscal anexados aos processos n° 13855.723107/201343 (Pis/Pasep e Cofins), 13855.723105/2013 54 (IRPJ/CSLL); 13855.720173/201442 (IRRF) e 13855.720174/201497 (multa regulamentar por distribuição indevida de dividendos). A partir da análise do contrato social da fiscalizada e suas alterações, o AuditorFiscal constata que a empresa efetuou diversas alterações em seu endereço (domicílio tributário) para imóveis localizados em São Paulo e cidades da região metropolitana (Poá, Guarulhos), alguns dos quais não possuíam condições para sediar a matriz. Os únicos imóveis de fato explorados pela empresa e com estrutura física e/ou administrativa para sediar a matriz (Sitio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP e Av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705) somente foram elevados a esta condição em razão de intervenção do Fisco Federal (5a e 6a alteração do contrato social). Após diligências realizadas nos diversos endereços em que foi sediada a matriz, concluiu a Autoridade Fiscal que a empresa sempre teve por objetivo manter seu domicílio tributário em locais que, na visão de seus administradores, estaria menos suscetível à ação dos fiscos em decorrência da grande quantidade e porte dos contribuintes ali jurisdicionados. As informações constantes na página da internet mantida pela autuada (www.frigorificobarramansa.com.br) confirmam que os estabelecimentos de interesse e de fato explorados pela empresa (Sitio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP, denominado de “sede”; Av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, São Paulo/SP, denominado de “Centro de Distribuição”) eram, formalmente, filiais, enquanto que o estabelecimento matriz se encontravam em endereços que estariam menos suscetíveis à ação do Fisco Federal, situação esta alterada apenas após o início do procedimento fiscal. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.191 5 A fiscalização questionou a autuada sobre as razões da mudança de seu domicílio fiscal do Sítio Nossa Senhora Aparecida (Sertãozinho/SP) para a Av. João Pignatta, 767 Jardim São Sebastião, por meio da Alteração Contratual n° 005 (10/11/2005), situação esta revertida por meio da Alteração Contratual n° 006 (13/02/2006). Também solicitou a documentação pertinente à propriedade ou locação do imóvel situado no novo endereço, o qual não possuía condições para o funcionamento de uma indústria frigorífica (fotos anexadas ao processo) A autuada deixou de apresentar os documentos pertinentes ao imóvel e, a partir dos esclarecimentos prestados, a Autoridade Fiscal concluiu que a alteração de endereço integrava “um plano de encerramento das atividades da ‘empresa de fachada’ Barra Mansa e que foi abortado no curso do processo’’. Discorre sobre o sócio Otávio Urbano, nascido em 27/11/1925, esclarecendo que se trata de pessoa simples, de baixa escolaridade e sem nenhuma condição financeira ou patrimonial, que figurou como “sócio laranja” da empresa Barra Mansa no período 12/05/1999 a 31/10/2003, quando já possuía mais de 70 anos de idade. Em 31/10/2003, por meio da Alteração Contratual n° 003, retirouse da sociedade o sócio Otávio Urbano com cessão de suas quotas para o sócio Marlúcio Adriano Mateus da Silva. Em diligência presencial, o Sr. Otávio Urbano prestou espontaneamente declaração e forneceu as informações a seguir transcritas: “Que constou como sócio da empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda, inscrita no CNPJ n° 03.151.790/000102, sem que efetivamente tenha participação na empresa, ou seja, que era o chamado ‘laranja’ da empresa; informou ainda que trabalhou em açougue dos mesmos donos da referida empresa; também esclareceu que assinou como sócio em troca de regularização de sua aposentadoria; asseverou ainda que conheceu Marlúcio Adriano Mateus da Silva quando este trabalhava no escritório da empresa acima referida, mas especificamente no almoxarifado; por fim informou que a empresa sempre foi gerida pela Família Oranges, citando os nomes de Marcelo Oranges e Dirceu Oranges (pai e filho)'. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS INSS), a fiscalização constatou que o Sr. Otávio Urbano manteve vínculo empregatício com o Frigorífico Oranges Ltda no período de 01/04/1972 a 29/02/1980 e, posteriormente, com a empresa Só Carnes Ribeirão Preto Ltda entre 01/03/1980 a 05/01/1982, empresa esta que pertenceu aos mesmos sócios do Frigorífico Oranges Ltda e teve em seu quadro societário a interposição de pessoas. A fiscalização informa que o Sr. Marlúcio Adriano Mateus da Silva, nascido em 21/08/1969, figura como “sócio laranja” da empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda desde sua constituição e, atualmente, detém 99% das quotas. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.192 6 Após a retirada do Sr. Otávio Urbano, admitiuse na sociedade a Sra. Lázara Aparecida Mateus da Silva, aposentada, viúva e mãe do Sr. Marlúcio, ambos residentes em imóvel que, segundo informações verbais prestadas pela Sra. Lázara, pertencia a seu esposo e a construção ainda não teria sido averbada. O Sr. Marlúcio manteve vínculos empregatícios (auxiliar de escritório em geral) com diversas empresas pertencentes aos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, conforme informações extraídas do CNIS INSS: Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda (01/08/1992 a 01/11/1997); Agro Ind e Com de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda (01/08/1992 a 30/09/1998); Frigorífico Oranges Ltda (01/08/1992 sem indicação de data da rescisão e/ou transferência). A partir da análise das Declarações de Ajuste Anual dos anos calendários 2008 a 2012, a fiscalização entendeu evidente que a situação patrimonial dos sócios da empresa Barra Mansa não condiz com porte da empresa (não possuem bens imóveis em seus nomes, possuindo um veículo popular no valor de R$ 32.615,00 financiado em 60 parcelas de R$ 960,30), configurando mais uma prova robusta de que são “sócios laranjas” da autuada que, de fato, é o Frigorífico Oranges Ltda pertencente a membros da Família Oranges. Ao confrontar as informações sobre as integralizações das quotas do capital social da empresa Barra Mansa com as Declarações de Ajuste Anual dos “sócios laranja”, o Auditor Fiscal constatou que: (i) a distribuição de lucros em 2008 foi realizada para justificar a origem dos recursos utilizados para integralização das quotas subscritas pelo sócio laranja Marlúcio, vez que não possuía disponibilidade financeira; (ii) o pagamento dos lucros distribuídos em 2009 foram realizados através do “Caixa” com o intuito de não identificar os reais beneficiários dos recursos; (iii) intimada a se pronunciar sobre a distribuição de lucros no período compreendido entre 1999 e 2012, a empresa restringiuse a informar os valores distribuídos em 2009; (iv) desde a constituição da empresa (1999) até 2012, apenas houve distribuição de lucros nos anos calendários 2008 e 2009 e nas condições anteriormente relatadas. A partir dessas constatações, a Autoridade Fiscal afirma que a empresa Barra Mansa foi constituída em 12/05/1999 com objetivo de “blindar” o patrimônio pessoal dos verdadeiros sócios (mesmas pessoas físicas que compõem o quadro societário da empresa hoje denominada Frigorífico Oranges Ltda) e de sonegar os encargos sociais, previdenciários, trabalhistas e tributários. O Frigorífico Oranges Ltda é proprietário do imóvel agrícola denominado Sítio Nossa Senhora da Aparecida aonde estão localizadas instalações frigoríficas operadas a anos pela Familia Oranges em nome de empresas abertas utilizandose de interpostas pessoas (empregados) em seus quadros societários e de contratos simulados de arrendamento. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.193 7 Atualmente está em vigor contrato de arrendamento eivado de “vícios e simulação” celebrado entre a arrendante Indústria e Comércio de Carnes Irmãos Oranges Ltda (atualmente denominado Frigorífico Oranges Ltda) e a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda). Esclarece o AuditorFiscal que a autuada apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anos calendários 2009 (0000079416), 2010 (0001301070) e 2011 (0001434829) com valores idênticos informados em suas diversas fichas, enquanto que a DIPJ 2012 (0001455437) foi apresentada com as fichas em branco. Relata que elementos e evidências coletadas em fiscalização anterior (13/03/2009 a 30/12/2010) já indicavam indícios de interposição de pessoas. Retornando a tratar das etapas da fiscalização realizada, o Auditor responsável informa que a diligência inicialmente realizada no contribuinte foi convertida, em 19/03/2013, em procedimento fiscalizatório com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.11.002013000395. Após a emissão de diversos termos, em 02/12/2013 a fiscalização lavrou o Termo de Ciência e continuidade da Ação fiscal n° 002 para cientificar o contribuinte que a ação fiscal abrangeria a fiscalização das contribuições sociais devidas à Previdência Social e as devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) do ano calendário 2010. A partir da análise dos documentos apresentados, a fiscalização constatou que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança (MS) Preventivo e Repressivo, com pedido de liminar, para que fosse reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária da contribuição prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/91. O pedido do contribuinte foi negado em primeira instância e reconhecido em 2a instância, apenas quanto às contribuições previdenciárias anteriores à Lei n° 10.256/01. Referida decisão encontrase suspensa por força de liminar concedida em agravo regimental interposto perante o E. Supremo Tribunal Federal (STF). No curso da auditoria, constatouse que o sujeito passivo adquiriu produtos rurais de produtores rurais pessoas físicas e deixou de reter e recolher, na qualidade de subrogado (inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97), as contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91 (contribuição previdenciária) e no artigo 6° da Lei n° 9.528/97 (contribuição destinada ao Senar). Considerando o que determina o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 62 do Decreto n° 70.235/72, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício, para prevenir a decadência, das contribuições anteriormente citadas sem a inclusão de multa em obediência ao disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.194 8 Para a apuração das bases de cálculo, adotou o valor total das notas fiscais eletrônicas de entradas, excluídas as devoluções de bovinos para abate e as aquisições realizadas de pessoas jurídicas, conforme quadro resumo a seguir: Mês de referência Valor total das aquisições () Valor total das devoluções () Aquisições de Pessoas Jurídicas Valor líquido das aquisições PF janeiro 18.664.544,16 91.723,00 16.813,00 18.556.008,16 fevereiro 17.871.513,43 64.662,00 72.933,71 17.733.917,72 março abril maio 20.566.220,40 20.997.160,88 20.361.825,07 84.752.00 119.828,00 215.362,60 79.216,49 I88.353.9j 20.266.105,80 20.798.116,39 20 080 626,16 junho 20.963.198,03 94.547,00 254.056,13 20.614.594,90 julho agosto setembro 21.863.848,23 21.922.481,82' 30.963.878,40" 140.345,40 42.672,05 36.064,00 151.209,84 681.622,28 446.570,38 21.572.292,99 21.198.187,49 30.481.244,02 outubro 21.227.090,42 50.648,00 478.887,07 20.697.555,35 novembro 20.144.850,80 33.964,00 254.535,14 19.856.351,66 dezembro 23.030.496,99 90.793,00 94.006,93 22.845.697,06 Total 258.577.108,63 942.843,45 2.933.567,48 254.700.697,70 Os valores anteriormente informados foram considerados bases de cálculo das contribuições devidas pelo adquirente de produto rural, em subrrogação ao produtor rural. As contribuições previdenciárias foram lançadas no AIOP Debcad n° 51.056.141 1 enquanto que as contribuições destinadas ao Senar foram lançadas no AIOP Debcad n° 51.056.1420 que integra o presente processo administrativo. Considerando que no decorrer da ação fiscal ficou comprovado que a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda foi constituída por “sócios laranja” e que, de fato, a referida empresa é o próprio Frigorífico Oranges Ltda, esta última foi enquadrada como responsável solidária nos termos do inciso I do art. 124 do CTN (Termo de Responsabilidade Solidária às fls. 596). A Autoridade Fiscal indica os seguintes atos e/ou omissões praticados pelos sócios da empresa Frigorífico Oranges Ltda, que conduziram à prática de sonegação fiscal, como justificativa para a emissão dos Termos de Responsabilidade Solidária: (i) reiterada irregularidade tributária praticada pela empresa fiscalizada, bem como pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda; (ii) prestação de informações falsas ao Fisco, demonstrando intenção dolosa dos reais administradores da fiscalizada (os sócios do Frigorífico Oranges Ltda) em ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximirse do pagamento de tributos e realizar a chamada “blindagem patrimonial”; (iii) utilização de interpostas pessoas nas diversas empresas de fachada constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda. Tais fatos subsumemse ao quanto previsto no inciso III do art. 135 do CTN, motivo pelo qual foram emitidos Termos de Responsabilidade Solidária para as seguintes pessoas: Dirceu Oranges Júnior (fls. 597); Carlos Décio Rosa (fls. 598); Marcelo Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.195 9 Oranges (fls. 599); Cristina Oranges (fls. 600); Heloísa Helena Oranges Teixeira (fls. 601); Rosy Helena Oranges (fls. 602). Além dos fatos anteriormente narrados e integrantes do Relatório Fiscal específico (fls. 523/574) para as contribuições previdenciárias lançadas em decorrência da ação fiscal realizada no contribuinte, tornamse relevantes para a análise do caso as seguintes informações constantes do Relatório Fiscal referente aos tributos IRPJ, CSLL, Pis/Cofins, IRRF, além da multa por distribuição indevida de lucros, todos lançados em decorrência da mesma ação fiscal. Ressaltase que, além de ter sido anexada cópia do referido relatório no presente processo administrativo (fls. 522), a autuada e os responsáveis solidários foram dele regularmente cientificadas conjuntamente com os demais documentos integrantes de todos os processos administrativos resultantes da mesma ação fiscal (processos n° 13855.723182/201312, 13855.723107/201343, 13855.723105/201354, 13855.720174/201497 e 13855.720173/201442). No curso da diligência fiscal iniciada em 23/11/2012 e encerrada em 28/03/2013 a empresa foi intimada e apresentou notas fiscais de entrada emitidas por diversos produtores rurais decorrentes da aquisição de bovinos para abate. A Autoridade Fiscal constatou, após diligências junto aos produtores rurais, a emissão de notas fiscais “inidôneas” no período 01/2009 a 01/2010 (por amostragem): diversos destes produtores rurais afirmam que nunca realizaram qualquer transação comercial com a empresa Barra Mansa. O pagamento dessas Notas Fiscais era realizado a terceiros sem que houvesse autorização/procuração outorgada a estes pelos supostos emitentes das notas fiscais. Considerando que as vendas realizadas à Companhia Brasileira de Distribuição (empresa do Grupo Pão de Açúcar GPC) representam aproximadamente 50% do faturamento da empresa Barra Mansa, a fiscalização realizou diligência para obter maiores informações sobre os contratos de fornecimento. Nestes, verificou que os gestores de 3 áreas (“gerente da conta”, “responsável pela logística” e “contato sobre contas a pagar”) eram pessoas que mantiveram vínculos empregatícios anteriores com diversas empresas de fachada constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, enquanto que o sócio da empresa Barra Mansa, Marlúcio Adriano Mateus da Silva, figurava como “gerente nacional". Segundo informações prestadas pela empresa Frigorífico Oranges Ltda, esta deixou de operar o abate de bovinos em 29/08/1991 (22a alteração do contrato social), passando a arrendar seu complexo industrial. A empresa, no entanto, se negou a informar o nome das empresas que se instalaram e exploraram, sob suposto arrendamento, o complexo frigorífico localizadas no Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP após a interrupção da exploração direta. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.196 10 A fiscalização averiguou que o complexo industrial foi explorado por “outras empresas de fachadas” através de contrato de aluguel e/ou arrendamento desde 1984, muito antes da 22a alteração do contrato social. Ocorre que somente em 27/03/1996 a empresa fez constar no contrato social a previsão “locação de bens próprios”, evidenciando despreocupação com a verdade dos fatos e mais um elemento a caracterizar a simulação dos contratos de arrendamento. O AuditorFiscal, em consulta ao CIRETRAN/SP, obteve informação de que um dos automóveis registrados em nome da empresa Barra Mansa foi adquirido do Sr. Dirceu Oranges Junior, evidenciando mais uma forte ligação entre os sócios do Frigorífico Oranges Ltda e a empresa de fachada Barra Mansa. Ainda, em consulta à empresa CGMP Centro de Gestão de Meios de Pagamentos S/A (gestora do sistema “Sem Parar”), a fiscalização constatou que diversos veículos de propriedade de terceiros, sem aparente vínculo com a fiscalizada, estavam cadastrados no sistema “Sem Parar” em nome da Barra Mansa. Dentre esses terceiros, destacamse os registros de veículos de propriedade do Sr. Carlos Décio Rosa (sócio do Frigorífico Oranges Ltda) e de propriedade de Regina Helena Garcia Dorea Oranges (esposa de Marcelo Oranges, sócio do Frigorífico Oranges Ltda). Após consulta a diversos cartórios (2° e 4° Tabeliões de Notas de Ribeirão Preto; 13° Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais Butantã São Paulo/Capital), a Autoridade Fiscal verificou que as empresas que arrendaram o complexo industrial outorgavam procuração dando poderes a terceiras pessoas, agentes de confiança da Família Oranges, para movimentar as contas correntes das empresas em diversas instituições financeiras. Constatou também que, além dos procuradores com poderes de movimentação de contas correntes, quase todos os sócios das empresas de fachada tiveram vínculos empregatícios com a Frigorífico Oranges Ltda, destacando o fato de que o Sr. Nilson Paulino Lins, foi utilizado ora como sócio, ora como procurador, em ocasiões distintas. Com base nas informações coletadas, o AuditorFiscal averiguou que as empresas relacionadas abaixo serviram de “fachada” para a empresa Frigorífico Oranges Ltda. Para tanto, o ciclo operacional de quase todas essas empresas era composto de (a) um frigorífico para abate de bovinos (Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho/SP); (b) um entreposto comercial com armazenagem e resfriamento (Av. Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573/1705, Butantã, São Paulo/SP) e (c) uma garagem e oficina de veículos e depósito em geral (Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP): Data Abertura (RFB) Razão Social Endereços Matriz/ Filial 21/02/1978 FRIGORÍFICO ORANGES LTDA (a partir de 11/01/2012 Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Denominações anteriores Sitio N S Aparecida, SN • Sertãozinho/SP Irmãos Oranges Rua Schilling n°579, Vila Hamburguesa, São Paulo/SP Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.197 11 Irmãos Oranges S/A Irmãos Oranges e Cia Irmãos Oranges S/A Indústria e Com de Carnes Frigorífico Oranges Ltda Indústria e Comércio de Carnes Irmãos Oranges Ltda 24 01 1984 Frigorifico Sertãozinho Ltda (S/A) Sitio N S Aparecida. SN Sertãozinho/SP Rua Schilling, 579, Vila Hamburguesa, São Paulo/SP 25.09 1987 Frigorifico São Domingos Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP 04/05/1990 Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573, Butantã, SP Sitio N S Aparecida, SN • Sertãozinho/SP Rua Osvaldo Cruz, 620, Vila Virgínia Ribeirão Preto/SP 06/10/1992 Firenze Comércio de Cames e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP R. Osvaldo Cruz, 620, Vila Virgínia, Ribeirão Preto/SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP 22 07 1994 Suldoeste Comércio de Cames e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573, Butantã, SP Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP 19/01/1996 Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP 17/12/19% Agro Ind e Com de Carnes Derivados Olimpikus Ltda Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573, Butantã, SP 14/05/1999 Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda Av. Eng Heitor Antônio Eiras Garcia, 1705, Butantã, SP Sitio N S Aparecida, SN Sertãozinho/SP Rua Osvaldo Cruz, 620, Ribeirão Preto/SP Destaca que somente nas empresas Frigorífico São Domingos Ltda e Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda foi adotada forma diferente de efetivar o negócio, com o abate de bovinos sendo realizado por estabelecimentos de terceiros, motivo pelo qual não aparecem filiais abertas no Sítio Nossa Senhora da Aparecida e no imóvel localizado à Rua Osvaldo Cruz, 610, Ribeirão Preto/SP. Antes da aquisição do imóvel localizado à Av. Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, 1573/1705, Butantã, São Paulo/SP (entreposto comercial), a “Família Oranges” utilizouse para este fim do imóvel localizado à Rua Schilling, 579, Vila Hamburguesa, SP. A partir da análise dos contratos sociais e fichas cadastrais extraídos do sítio da Jucesp e dos vínculos empregatícios informados pelo Frigorífico Oranges Ltda e pelas empresas de fachada (sistema CNIS) a fiscalização constatou que os procedimentos adotados pelas empresas de fachada são os mesmos, a sequência cronológica da rescisão/transferência e entrada no quadro societário das empresas são ordenadas e há relações de subordinação no período com o Frigorífico Oranges Ltda. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.198 12 Os empregados sempre apresentaram vínculos empregatícios com a empresa de fachada anterior àquela em que se tornaram “sócios laranjas”: formalizavase sua rescisão para poder participar do quadro societário da nova empresa e, após o encerramento desta última, o vínculo empregatício era restabelecido com as empresas posteriores. Exemplifica o modus operandi com a análise dos vínculos do Sr. Sérgio Antonio Silvério que participou como sócio laranja das empresas Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda; Delta Comércio de Carnes e Derivados Ltda e Agro Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda e manteve vínculo empregatício com São Domingos Ltda, Rio Pequeno Comércio de Carnes e Derivados Ltda (em período anterior à sua entrada no quadro societário), Firenze Comércio de Carnes e Derivados Ltda, Frigorífico Oranges Ltda, e Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Discorre a Autoridade Fiscal, detalhadamente, sobre a criação e as alterações ocorridas na empresa Frigorífico Oranges Ltda, conforme informações obtidas nas fichas cadastrais simplificadas e pesquisas realizadas no endereço eletrônico da Jucesp, bem como nos contratos sociais apresentados. Discorre também sobre a criação das empresas de fachada e sobre os vínculos empregatícios dos sócios laranja com essas empresas e com o próprio Frigorífico Oranges Ltda. Apresenta declaração prestada por Airton Fernandes de Oliveira (empregado do Frigorífico Oranges Ltda, de 01/08/1976 a 03/09/1983; empregado da Só Carnes Ribeirão Preto Ltda, de 05/09/1983 a 03/12/1983; empregado do Frigorífico Oranges Ltda, de 02/01/1984 a 02/06/1990; empregado da Só Carnes Ribeirão Preto Ltda, de 03/11/1993 a 01/12/1997; sócio da Só Carnes Ribeirão Preto Ltda, de 03/08/1988 até ser declarada inapta) na qual confirma que era empregado das empresas dirigidas pelos irmão Orange e que “emprestou” seu nome para compor o quadro societário da empresa Só Carnes Ribeirão Preto Ltda. Cita o contrato de locação do imóvel localizado na Av. Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, 1.705, entre a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (locatária) e o Sr. Dirceu Oranges (locador) e um dos fundadores do Frigorífico Oranges Ltda, expondo cláusulas e fatos que demonstram ser o contrato fictício (reajuste de aluguéis incoerentes, cláusulas de não indenização por benfeitorias, entre outros). Ressalta que o imóvel localizado à Av. Heitor de Gusmão Uchôa, 28, Butantã, São Paulo/SP, de propriedade do Sr. Dirceu Oranges desde 21/11/1986 até 09/11/2009, momento em que foi doado a Guilherme Meneglelli Oranges e Eduardo Meneglelli Oranges (filhos de Dirceu Oranges Júnior e netos do Sr. Dirceu Oranges) está interligado ao entreposto, funcionando como estacionamento de veículos da empresa de fachada Barra Mansa Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.199 13 Comércio de Carnes e Derivados Ltda sem que tenha sido apresentado contrato de locação. Ainda, o imóvel localizado à Rua Oswaldo Cruz, 620, Vila Virgínia, Ribeirão Preto/SP, pertenceu ao Frigorífico Oranges Ltda, foi objeto do contrato de arrendamento firmado com a empresa Barra Mansa em 15/09/1999 e, apesar de devolvido à arrendadora em fevereiro de 2000, não houve aditamento ao contrato nem representou redução no valor do arrendamento inicialmente pago. Relata que o Frigorífico Oranges Ltda não explora atividade comercial em seu próprio nome desde o final da década de 90 e sua única fonte de receita desde 1999 seriam os valores recebidos da empresa Barra Mansa a título de arrendamento do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida (frigorífico matadouro), em Sertãozinho/SP. A Autoridade Fiscal informa outros elos de ligação entre as empresas Barra Mansa e Frigorífico Oranges: Analisando a última alteração contratual do Frigorífico Oranges (2012), constatouse que (i) o correio eletrônico informado no documento societário pertence à empresa Barra Mansa; (ii) as testemunhas arroladas possuíam vínculo empregatício com a empresa Barra Mansa à época da alteração contratual. Ao longo dos últimos 30 (trinta) anos os serviços contábeis contratados pelo Frigorífico Oranges e pelas empresas de fachada eram sempre prestados pelo mesmo escritório contábil e respectivos contadores. Desde 07/01/2004, o Sr. Amauri Ferreira Junior possui procuração com poderes para movimentar contas correntes da empresa Barra Mansa em diversas instituições financeiras. Em pesquisa ao sistema CNIS, o Auditor Fiscal verificou o citado procurador manteve vínculo formal com as empresas Só Carnes Ribeirão Preto Ltda (02/05/1989 a 22/06/1990), Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão), Agro Ind e Com de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda (02/07/1990 a 30/09/1998), Frigorífico Oranges Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão) e Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (a partir de 01/11/1999). O AuditorFiscal apresenta depoimento de Sérgio Antônio Silvério (exempregado do Frigorífico Oranges Ltda e “sócio laranja” de diversas empresas de fachada), no qual relata sobre a prática reiterada de utilizarse de funcionários da empresa como sócios laranja de empresas de fachada. Retomando a questão dos vínculos empregatícios, as pesquisas realizadas no sistema CNIS permitiram a constatação de uma “confusão” entre o Frigorífico Oranges Ltda e as empresas de fachadas, vez que os sócios do Frigorífico Oranges Ldta mantiveram vínculos empregatícios com as empresas de fachada, assim como os “sócios laranjas” das empresas de fachada foram Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.200 14 empregados do próprio Frigorífico Oranges Ltda. Observase que todos os “sócios laranjas”, à exceção de Rafael Paulino Pileggi (sócio até 26/08/1996) mantiveram, em algum momento, vínculo empregatício com uma ou mais das empresas de fachada. Apresenta trechos de diversas reclamatórias trabalhistas nas quais os reclamantes obtiveram o provimento de seus pleitos, tendo sido reconhecida judicialmente, nos casos em que não foram realizados acordos, a existência do grupo econômico formado pelo Frigorífico Oranges e as empresas de fachada que a sucederam no mesmo endereço. Os relatos extraídos das ações trabalhistas evidenciam que o preposto da empresa Barra Mansa, Sr. Mauro Donizete de Souza, também assinou documentos pelas diversas empresas de fachada. Consultas realizadas no sistema CNIS confirmaram que o referido preposto manteve vínculo empregatício formal com praticamente todas as “empresas de fachadas” constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda. Após análise do contrato de arrendamento do complexo industrial e das respostas das empresas arrendatária (Barra Mansa) e arrendante (Frigorífico Oranges), entendeu a Autoridade Fiscal que as alterações nos preços do arrendamento mensal (modificação do critério variável para fixo, com posterior aumento de 400% em 44 meses) não foi adequadamente justificado pelas partes. Essas alterações não obedeceram a qualquer critério de mercado, sendo, em verdade, uma das formas utilizadas para repassar recursos aos sócios da arrendante, verdadeiros donos da empresa de fachada fiscalizada. Ainda, o valor não foi reajustado a partir de 2008 em razão dos elevados investimentos realizados pela Barra Mansa na ampliação e modernização do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida em Sertãozinho/SP (R$ 5.265.022,13 no período 2009 a 2013, apurado na contabilidade e informado pela fiscalizada), que é uma forma “indireta” de repassar recursos aos sócios do Frigorífico Oranges vez que as benfeitorias realizadas no imóvel arrendado, segundo cláusulas contratuais, não seriam indenizáveis. O capital social autorizado da empresa de fachada Barra Mansa foi de R$ 200.000,00, em 12/05/1999, e permanece inalterado até a presente data. Na mesma data, o Sr. Marlúcio subscreveu 190.000 (cento e noventa mil) quotas no valor de R$ 190.000,00, cujo valor foi alterado após a retirada do sócio Otávio Urbano para 198.000 (cento e noventa e oito mil) quotas e R$ 198.000,00. No entanto, constatou o AuditorFiscal que a integralização do capital somente ocorreu no ano 2007 (R$ 8.000,00) e no ano de 2008 (R$ 190.000,00), quase 10 anos após a subscrição, com recursos originados da distribuição de lucros (R$ 185.208,46) ocorrida neste último ano.Destaca, ainda, a incoerência entre o montante do capital social quando comparado com o faturamento anual da empresa e que a Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.201 15 empresa não distribui lucros (reserva de lucros no final de 2010 equivalente a R$ 4.992.180,76). Com isso, a fiscalizada realizava elevados desembolsos de recursos na manutenção, investimentos e benfeitorias em imóveis de terceiro, sem que ao longo dos anos tenha distribuído lucros aos sócios, como retorno de seus supostos investimentos. Considerando todos os fatos narrados, a fiscalização teve clara e inteira convicção de que os verdadeiros sócios e reais beneficiários das operações da empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda são as mesmas pessoas que detém o controle societário do Frigorífico Oranges Ltda, podendose afirmar que a empresa Barra Mansa é o próprio Frigorífico Oranges Ltda. A Autoridade Fiscal, considerando os fatos, documentos e análises realizadas no decorrer do procedimento fiscalizatório, emitiu Termos de Responsabilidade Solidária contra a empresa Frigorífico Oranges Ltda (fls. 596), e contra os sócios desta última Dirceu Oranges Júnior (fls. 597), Carlos Décio Rosa (fls. 598), Marcelo Oranges (fls. 599), Cristina Oranges (fls. 600), Heloisa Helena Oranges Teixeira (fls. 601) e Rosy Helena Oranges (fls. 602). A autuada e os responsáveis solidários foram cientificados de todos os Autos de Infração decorrentes da mesma ação fiscal por via postal: Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (fls. 627/628), Frigorífico Oranges Ltda (fls. 629/630), Marcelo Oranges (fls. 637/638), Heloisa Helena Oranges Teixeira (fls. 631/632), Rosy Helena Oranges (fls. 639/640) e Cristina Oranges (fls. 635/636) foram cientificados em 28/01/2014, enquanto que Dirceu Oranges Júnior (fls. 641/642) e Carlos Décio Rosa (fls. 633/634) foram cientificados em 29/01/2014. IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA A autuada impugnou tempestivamente a autuação por meio do instrumento de fls. 674/715, com a juntada de documentos de fls. 716/802 (procuração, documentos societários, pedido de reabertura de prazo para defesa e Informação Fiscal que indeferiu o pedido, escritura pública de declaração de Otávio Urbano, documentos referentes a tratamento de saúde de Marlúcio Adriano Mateus da Silva, informações sobre o processo n° 15954.000103/200752, Acórdão da 4a Câmara de Julgamento do CRPS, relatórios de consultoria de auditores independentes), no qual apresenta as seguintes alegações, resumidamente: Sustenta a nulidade da notificação de lançamento em razão do cerceamento de defesa vez que não teria sido cientificada de documentos mencionados no relatório fiscal. Afirma que, conforme documento da Receita Federal, o processo digital só fora disponibilizado nos dias 07/02 e 10/02, após o requerimento de reabertura de prazo realizado pela empresa em 07/02. Ainda, os arquivos digitais contendo a cópia integral do presente Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.202 16 lançamento só foram obtidos pela contribuinte em 13/02/2014, haja vista que o tamanho dos arquivos não permitiu o download a partir do sítio eletrônico. Posto isso, requer a declaração de nulidade do ato de notificação e reabertura do prazo de 30 dias no ensejo de permitir à contribuinte o exercício pleno de seus direitos. Preambularmente, salienta que o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu acórdão, com o atributo da repercussão geral (RE 596177), que eliminou a possibilidade de cobrança do “Novo Funrural” pautandose na Lei n° 10.256/01, face a sua inconstitucionalidade. Reforça seus argumentos afirmando que a exação prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com as alterações das leis posteriores, inclusive a Lei n° 10.256/01, não observou o instrumento normativo previsto constitucionalmente: a Lei n° 10.256/01, mesmo sendo editada após a EC n° 20/98, manteve o mesmo vício de inconstitucionalidade que fez com que o STF firmasse a inconstitucionalidade das leis anteriores. Isto porque, até a presente data, tanto o verbo quanto o complemento que dão a estrutura do núcleo da hipótese normativa (critério material da norma jurídica), assim como a base de cálculo e a alíquota (critério quantitativo da norma jurídica) da contribuição social discutida, constam dos incisos do art. 25 da Lei n° 8.212/91 com redação dada pela Lei n° 9.528/97, anteriores, portanto, à promulgação e vigência da citada EC n° 20. Não bastassem os aspectos materiais realçados no acórdão do STF a implicar a inconstitucionalidade, essa contribuição, tal como instituída, reclamaria lei complementar. Complementa que a Lei n° 10.256/01 tratou, no seu art. 1°, apenas de ajuste na redação do caput do art. 25 da Lei n° 8.212/91, sem se referir aos demais elementos da hipótese de incidência tributária: fato gerador, base de cálculo e alíquotas. Um diploma legal que sequer tratou dos elementos essenciais do tributo, não será capaz, validamente, de instituir novamente a cobrança declarada inconstitucional pelo STF. Relata que o Auditor Fiscal, ao entender que a impugnante é uma empresa de fachada, constituída por “sócios laranjas”, cuja constituição foi arquitetada pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda, considerou os pagamentos realizados pela impugnante ao Frigorífico Oranges a título de arrendamento, em razão de simulação, como sem causa. Em consequência, foi a impugnante autuada com base no art. 674, § 1o1, do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99 (RIR). Tal atuação também foi imputada ao Frigorífico Oranges, na condição de responsável solidário (art. 124, inciso I, do CTN) e aos sócios desta última (art. 135, inciso III, do CTN). Dentre as diversas fiscalizações sofridas pela contribuinte desde sua constituição, destaca a fiscalização realizada em 2002, na Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.203 17 qual foram lançadas 6 (seis) Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD). No decorrer do contencioso administrativo referente a essas notificações, a instância superior convalidou a sucessão de empresas à Barra Mansa, bem como dispôs pela exclusão da empresa “Frigorífico Oranges Ltda” do pólo passivo dos lançamentos tributários por entender inexistir o vínculo de gestão alegado pela fiscalização do INSS à época. Acrescenta que a própria constatação de que foram realizadas diversas fiscalizações na empresa (2002, 2004, 2011 e 2013) demonstra o equívoco da alegação fiscal quando afirma que a manutenção da matriz em localidades como Poá e Guarulhos teria o intuito de evitar a realização de fiscalizações. Questiona a regularidade da entrevista realizada com o exsócio Otávio Urbano, considerando que este se retirou do quadro societário em 2003, muito antes da ocorrência dos fatos geradores em discussão. Ainda, afirma causar estranheza o fato do Sr. Otávio ter sido procurado pelos agentes fiscais em 21/11/2012 vez que a fiscalização do contribuinte Barra Mansa somente se inicio em 27/03/2013 (Termo de Início Fiscalização). Apresenta declaração prestada pelo Sr. Otávio Urbano, mediante escritura pública, na qual, resumidamente, desmente as declarações anteriormente realizadas para os AuditoresFiscais, afirmando ter sido coagido a concordar com as colocações apresentadas. Esclarece que abriu a empresa com Marlúcio que atuava na área de administração, enquanto que o declarante atuava na área da indústria. Sua saída do quadro social foi motivada por doença e pelo susto com o resultado da ação fiscal desenvolvida em 2002 que apurou elevados valores de impostos. Refuta a afirmação de que o Sr. Marlúcio, na condição de sócio administrador da empresa impugnante, se omitiu em atender à fiscalização. Afirma que o proprietário se apresentou aos Auditores em uma das visitas realizadas à filial da empresa situada em Sertãozinho, bem como justificou, por escrito, seu não comparecimento para prestar esclarecimentos na unidade da Delegacia da Receita Federal de Franca, em razão de motivos particulares, solicitando que todos os questionamentos fossem postulados e encaminhadas ao procurador da empresa Sr. Marcelo Henrique de Paulo. Anexa documentos comprovando os problemas de saúde do Sr. Marlúcio. Outrossim, afirma que o Sr. Marlúcio, no contexto da fiscalização levada a efeito na Delegacia da Receita Federal de Guarulhos no ano de 2013 esteve naquela unidade quando solicitado e prestou todos os esclarecimentos que se fizeram necessários. Embora não tenha ficado com cópia das declarações, requer seja oficiado àquela Delegacia para que apresente tal documento, que se acredita esteja no bojo dos seguintes procedimentos: 16095.720026/201329 (Cofins) mar/2008 a dez/2008; 16095.720025/201384 (Pis) abril/2008 a dez/2008; Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.204 18 Esclarece que o contador da empresa, Sr. Marcelo de Paulo, inobstante ser empregado registrado na empresa Barra Mansa, presta serviços freelance para outras empresas: Teixeira e Albuquerque Serviços de Treinamentos Ltda ME; Frigorífico Oranges Ltda; Skuld Corretora de Seguros Ltda; Loja Maçônica União e Liberdade; Superlog Logística S/A e Supermercado Gimenes S/A. Tal constatação contradiz a lógica fiscal no sentido de fundamentar a vinculação da empresa Barra Mansa com o Frigorífico Oranges, pautandose na identidade do contador. Afirma que as circunstâncias fáticas relacionadas ao contrato de fornecimento de carnes para a Companhia Brasileira de Distribuição (“Grupo Pão de açúcar”) e a resposta desta empresa às indagações fiscais, ao contrário do entendimento da fiscalização, corroboram a gestão do negócio exercida pelo sócio proprietário Sr. Marlúcio, a quem é atribuído o mérito da negociação com empresa de tamanho renome. Nesse contexto, as quotas sociais que o Sr. Marlúcio detém da empresa Barra Mansa são seu maior patrimônio, haja vista tratarse de pessoa jurídica capitalizada, com um bom fluxo de caixa, com um valor expressivo a título de ativo imobilizado e com uma carteira de clientes que transcendem as divisas nacionais. Portanto, improcede qualquer acusação de que o sócio da empresa, na presente data, não dispõe de patrimônio considerável. Ressalta ser inerente à contratação de mãodeobra especializada para o exercício da atividade econômica numa região do Estado que não dispõe de reserva de trabalhadores graduados para as funções atreladas ao abate de bovinos, que muitos dos funcionários tenham prestado serviços para outras empresas do ramo, seja o Frigorífico Oranges, sejam empresas que outrora arrendaram o parque industrial desta última. Relembra que, em fiscalização ocorrida em 2002, foi imputado à impugnante a sucessão tributária de todas as empresas que antes dela arrendaram o parque industrial. Tais valores foram quitados, remanescendo apenas as quantias provenientes do “Funrural” objeto de medida liminar proferida pelo STF que, cautelarmente, exime a impugnante do pagamento. Refuta, ainda, a conclusão da Autoridade Fiscal de que a participação dos funcionários da impugnante Sr. Mauro e Sr. Olindo nos contratos firmados pela empresa com o Frigorífico Oranges, como testemunhas, poderia ensejar na caracterização da unicidade das empresas. Discorda da afirmação de que a impugnante faz uso de práticas contábeis fraudulentas, haja vista que toda a escrita contábil digital foi entregue ao Agente Fiscal, o qual fez uso das informações disponibilizadas para dar seguimento na fiscalização. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.205 19 Sustenta que a ilação fiscal de que a autuada Barra Mansa é empresa de fachada é totalmente desprovida de qualquer sentido jurídico, vez que não se verifica qualquer aproveitamento econômico/tributário para a empresa Frigorífico Oranges com esse procedimento. E mais, se a impugnante é uma empresa de fachada, o Frigorífico Oranges seria o único contribuinte de qualquer obrigação tributária apurada, visto não existir interesse comum e sim único interesse econômico. Entende que, se a receita oriunda do “arrendamento simulado” gerou tributação no Frigorífico Oranges, resta demonstrada a irracionalidade de considerar o pagamento como receita tributável para a impugnante à alíquota de 35%. Ainda, inexiste informação, no Relatório Fiscal, de que o Fisco tenha desconsiderado os pagamentos efetuados a título de arrendamento como receita tributável no Frigorífico Oranges. Não restou demonstrada a existência de unidade de negócios, entre a impugnante e o Frigorífico Oranges, dotada de fins econômicos e jurídicos (sociedade de fato), elemento necessário para a invocação do interesse comum previsto no inciso I do art. 124 do CTN. Assim, a tributação do arrendamento pela alíquota de 35% é totalmente sem propósito, ainda mais quando a receita daí decorrente gerou tributação no Frigorífico Oranges. Se os beneficiários são os verdadeiros sócios, o aludido pagamento constituiria distribuição de lucro (isento pela regra do art. 10 da Lei n° 9.249/95) ou rendimentos salariais. Nega a possibilidade de revisão do lançamento, visto que o erro é de direito e não de fato. No caso em exame, o Sr. Auditor Fiscal perdeuse na subsunção dos fatos à norma. Cita julgados. Por fim, requer: (i) prazo suplementar de 15 dias, em atenção ao pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, para a apresentação de elementos concretos que colaborarão com a percepção de irregularidades materiais no contexto da autuação, vez que o prazo de trinta dias é extremamente exíguo para tanto; (ii) seja oficiada a DRF Guarulhos para que apresente a declaração de esclarecimentos prestada pelo Sr. Marlúcio no bojo dos procedimentos citados; (iii) o acolhimento dos argumentos suscitados na Impugnação com a decretação da nulidade do Auto de Infração; (iv) a juntada dos laudos/pareceres confeccionados pelas empresas de consultorias KPMG e MOORE STEPHENS dando conta das impropriedades consubstanciadas na autuação. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Os responsáveis solidários Frigorífico Oranges Ltda, Dirceu Oranges Júnior, Carlos Décio Rosa, Marcelo Oranges, Cristina Oranges, Heloísa Helena Oranges Teixeira e Rosy Helena Oranges apresentaram, conjuntamente, Impugnação Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.206 20 tempestivamente contra o Auto de Infração (fls. 803/852), com a juntada de documentos de fls. 853/979 (procurações, documentos societários da pessoa jurídica, documentos das pessoas físicas e dos patronos, Danfes/Notas Fiscais, certificados de conclusão de cursos acadêmicos das pessoas físicas), na qual apresentam as seguintes alegações, resumidamente: Indicam a existência de contradição no Relatório Fiscal: embora a vinculação da autuada com a empresa Frigorífico Oranges Ltda tenha caracterizado a responsabilidade solidária desta última pelo pagamento do crédito tributário lançado com supedâneo no inciso I do artigo 124 do CTN, as próprias afirmações fiscais corroboram se tratarem, Barra Mansa e Frigorífico Oranges, d'uma mesma pessoa jurídica. Em outras palavras, no momento em que a fiscalização reputa a existência de solidariedade entre as pessoas jurídicas citadas, por consectário lógico, corrobora a existência distinta das duas empresas, deixando em desabrigo sua conclusão de unicidade de pessoa jurídica. Acrescentam que, segundo doutrina especializada, o termo “interesse comum” aplicado pelo legislador no CTN, art. 124, inciso I, se traduz excessivamente genérico e, por si só, insuficiente para caracterizar a responsabilidade solidária. Concluem pela total improcedência da presente autuação fiscal, por vício material que macula a validade da cobrança assim como a vinculação d'outras pessoas na qualidade de devedoras solidárias. Questionam as impugnantes pessoas físicas seu ingresso no pólo passivo como responsáveis solidários, com sustentação no inciso III do art. 135 do CTN, haja vista que não houve a descrição de qualquer ato de gestão por parte delas na empresa Barra Mansa em atenção ao período fiscalizado que compreendeu os anos de 2009 e 2010. Enfatizam que o contrato de arrendamento já vigora pelo prazo de 15 anos, interregno em que as partes (arrendante e arrendatária) sempre observaram suas obrigações contratuais, sem gerar quaisquer prejuízos para terceiros. Repisam que em momento algum durante a realização de diligências junto ao maior comprador da empresa Barra Mansa, a Cia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar), suscitouse o nome de qualquer sócio da empresa Frigorífico Oranges Ltda como responsável por qualquer tipo de negociação. Pelo contrário, fora apontado o sócio da autuada, Sr. Marlúcio Adriano Mateus da Silva, como responsável nacional pelas operações. Relembra que, para a imputação de responsabilidade (inc. III do art. 135), nos termos alinhavados pelo STF, não pode ser apontada atuação genérica, devendo estar clara e objetivamente vinculada ao fato gerador. A análise perfunctória das autuações Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.207 21 revela que inexiste qualquer ato desta empresa e/ou de seu administrador (Sr. Marlúcio) no ensejo de caracterizar uma situação fraudulenta. Os valores apurados são oriundos de questões interpretativas, cujos dados a Fiscalização alega ter extraído da própria contabilidade, inexistindo qualquer alegação de omissão de receita, formação de caixa dois ou venda sem nota fiscal. Afirmam não ter sido evidenciado quais seriam as vantagens obtidas em razão da suposta constituição da empresa de fachada Barra Mansa, considerandose que esta é cumpridora de suas obrigações previdenciárias e trabalhistas: inobstante o comando para fiscalizar as contribuições previdenciárias, foram apurados somente valores devidos a título da exação Funrural que, ao que consta, está suspensa em razão de decisão judicial favorável. Destacam que todas as receitas tributáveis provenientes dos contratos de arrendamento, nos termos dos artigos do RIR, geraram tributação no Frigorífico Oranges Ltda, demonstrando o equívoco em se considerar o pagamento (do arrendamento) como receita tributável para o Barra Mansa, à alíquota de 35%, a título de IRRF. Ainda, inexiste informação, no Relatório Fiscal, de que o Fisco tenha desconsiderado os pagamentos efetuados a título de arrendamento como receita tributável no Frigorífico Oranges. Informam que dentre as receitas obtidas pelo Frigorífico Oranges Ltda a título de arrendamento, incluemse aquelas oriundas do contrato firmado com a Usina Santo Antonio para uso e plantio agrícola de canadeacúcar na área rural que circunda a unidade industrial. Tal constatação revela o interesse dos sócios do Frigorífico Oranges Ltda em abdicar do exercício da exploração das atividades econômicas em favor da locação de seus bens para terceiros. Acrescentam que nem todos os sócios da empresa exercem a prerrogativa de administração. Ainda, no momento em que optaram pelo arrendamento de seus bens, os sócios passaram a se dedicar a outras atividades, inclusive com vínculos trabalhistas (caso da sócia Cristina Oranges), conforme descrito na peça de defesa. Além disso, as declarações de imposto de renda dos sócios são plenamente compatíveis com as suas atividades econômicas, não havendo qualquer indício de que, de alguma forma, estariam sendo beneficiados pela empresa Barra Mansa no período de 2009 e2010. Noutra vertente, afirmam que o contrato de arrendamento firmado em setembro de 1999 e aditado em diversas ocasiões posteriores, por meio do qual arrendou seu complexo industrial frigorífico para a empresa Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda, jamais fora negócio interposto de maneira a ocultar qualquer ato de gerência pelos sócios da empresa arrendante na empresa arrendatária. Discorrem sobre o contexto que possibilitou a celebração do contrato. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.208 22 Discordam da análise realizada pelo AuditorFiscal das normas fixadas entre as partes no contrato de arrendamento, vez que adentra seara de interesses privados e econômicos que não lhe compete. Contestam a afirmação da referida Autoridade de que o “Frigorífico Oranges Ltda” não teria atendido às intimações solicitadas. Isto porque, além da citada empresa não estar sob fiscalização, algumas das informações solicitadas deixaram de ser atendidas porque se reportavam a fatos ocorridos há mais de 20 anos e não mais havia documento para dar suporte às respostas requeridas, e outros porque, efetivamente, inexistiam nos cadastros da empresa vez que referentes a atividades dos sócios fora da empresa. Acrescentam que, nas respostas à intimação formulada, atendeu de forma clara e fundamentada todas as proposições. No que tange às declarações do Sr. Otávio Urbano, alegam: (i) não tiveram acesso a tal documento, que não acompanhou a notificação de lançamento fiscal; (ii) não sabem que motivos levaram o Sr. Otávio Urbano a proferir tantas inverdades, reafirmando que jamais foi utilizado como pessoa interposta. Entendem não ser possível aferirse qualquer tipo de vinculação entre empresas ou caracterizar atos de gestão a partir dos alegados “atos societários praticados sem motivação societária e empresarial (alteração e alternância do endereço da matriz e filiais)”. Os impugnantes não entendem comprovada a existência de práticas fraudulentas, haja vista que todos as autuações foram respaldados na documentação contábil/fiscal apresentada pela empresa Barra Mansa, inexistindo qualquer forma de aferição por parte da Auditoria Fiscal. Sustentam que o exsócio do Frigorífico Oranges (Carlos Décio Rosa) e o sócio Marcelo Oranges ajustaram acordo com o Sr. Marlúcio no ensejo de pagar os valores do “Sem Parar” com desconto por meio do contrato que a empresa Barra Mansa nutri com a concessionária, o que não implica na existência de atos de gestão daqueles sócios nesta empresa. Questionam as conclusões adotadas com base nas reclamatórias trabalhistas vez que, como sabido, a parte reclamante não prima pela franqueza quando busca atender seus pleitos financeiros. Nos casos citados pela fiscalização, o que se verifica são tentativas de coagir a empresa Barra Mansa a formular acordos, uma vez que tentam vincular terceiro pelo simples fato de ostentar a propriedade do complexo industrial arrendado. Quanto ao imóvel intitulado como entreposto de São Paulo, afirmam que foi arrendado à empresa Barra Mansa pelo Sr. Dirceu Oranges, não guardando qualquer relação com o Frigorífico Oranges Ltda e/ou com o sócio Dirceu Oranges Júnior. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.209 23 Alegam a impossibilidade de formularem sua defesa contra os tributos cobrados pelo Fisco, vez que não têm conhecimento e nem tiveram acesso a uma série de documentos citados no Relatório Fiscal, tais como declarações, planilhas e outros documentos que não foram disponibilizados junto com o lançamento fiscal. Contestam a aplicação da multa no patamar de 150% em razão da falta de explicação, pela Autoridade Fiscal, dos motivos que ensejaram a sua qualificação. Acrescentam que, ainda que mantida, a multa qualificada não poderia ser exigida dos responsáveis solidários vez que, em momento algum, contribuíram para tal desiderato. Invocando o disposto no inciso XLV do art. 5° da Constituição Federal2, entende que a pretensão do Fisco de responsabilizar os impugnantes pela infração pretensamente praticada por outro ente personalizado caracteriza afronta ao mencionado dispositivo constitucional. Finalmente, requer: (i) seja decretada a nulidade dos atos de notificações do lançamento, oportunizandose aos terceiros vinculados, nova notificação contendo toda a documentação citada no lançamento, em especial no Relatório Fiscal (declarações, planilhas entre outros); (ii) seja julgado improcedente o presente Auto de Infração no pertinente às responsabilizações solidárias; (iii) que o I. Relator dê ciência e vistas da defesa e da documentação eventualmente juntada pela empresa “Barra Mansa”; (iv) que os advogados subscritores sejam chamados para acompanhamento do julgamento, oportunizando lhes o direito à sustentação oral, tal como lhe faculta o artigo 7° do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil; (v) prazo suplementar de 15 (quinze) dias para a juntada de documentos autenticados, em substituição às cópias apresentadas. É o Relatório. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 989/1027): CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo em razão da subrrogação, incidentes sobre a aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (Senar) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.210 24 contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA QUANDO HÁ IDENTIDADE DE OBJETOS. Por força do Princípio da Unidade Jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõese a qualquer manifestação administrativa eventualmente produzida, de forma que, nos casos de objetos idênticos, operase a renuncia à discussão administrativa. No entanto, as discussões suscitadas apenas no âmbito administrativo deverão ter seu prosseguimento normal, com a finalidade de garantir ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. VIGÊNCIA DE MEDIDA CAUTELAR. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. A medida acautelatória (medida liminar em mandado de segurança; medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial) que suspende a exigibilidade de crédito tributário em discussão judicial, afasta a possibilidade de exigência de multa de ofício em lançamento com a finalidade de evitar a decadência do direito da Fazenda Pública, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.630/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO. PROTEÇÃO PATRIMONIAL. INTERESSE COMUM. A responsabilidade tributária pelo pagamento do crédito tributário apurado em empresa com existência meramente formal, constituída com a finalidade de proteger o patrimônio de outra, estendese à empresa protegida pelo negócio jurídico simulado em razão da existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária (art. 124, I, do Código Tributário Nacional). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES. PRÁTICA DE ATOS ILÍCITOS. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se comprovada prática ilícita tendente a esvaziar o ativo da sociedade com a finalidade de prejudicar ou impedir a satisfação dos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.211 25 todas as informações relevantes para sua defesa, confirmada por meio de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Por força do disposto na legislação tributária, somente serão declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das anteriormente citadas não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal. SUSTENTAÇÃO ORAL E/OU APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa, bem como o pedido de apresentação de memoriais, tendo em vista a falta de sua previsão na legislação pertinente. Em face da referida decisão, foi interposto Recurso de Ofício, tendo em vista a exclusão de dois responsáveis solidários do pólo passivo, acarretando na exoneração, para esses responsáveis, de crédito tributário que ultrapassa o limite de alçada. Cientificado do inteiro teor da decisão em 13/07/2015, o sujeito passivo principal interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 11/08/2015 (fls. 1120/1170), reiterando as razões apresentas por ocasião da impugnação. Os responsáveis solidários, por sua vez, apresentaram Recurso Voluntário, em peça única, limitandose a argumentar que não estão presentes os requisitos necessários para a caracterização da responsabilidade solidária. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Recurso de Ofício Pontuou a decisão de piso que, unicamente, no que diz respeito à responsabilizar as sócias Cristina Oranges Junqueira Meirelles e Heloisa Helena Oranges Teixeira, merece reforma o lançamento, uma vez que, contratualmente, referidos sócios não tinham poder de Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.212 26 gestão no período em que ocorreram os fatos geradores das contribuições lançadas e, tampouco, foram citadas pela Autoridade Fiscal como partícipes na simulação apurada. Inferese da decisão supra, portanto, que não há exoneração do crédito tributário, mas tão somente exclusão de responsáveis solidário do pólo passivo da presente lide tributária. Destarte, não conheço do recurso de ofício. Admissibilidade O Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecidos. Recurso Voluntário (responsáveis solidários) O recurso voluntário dos responsáveis não rebateu o mérito do presente lançamento, limitandose a tentar afastar a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído em face da BARRA MANSA, fundamentada no art. 124, I, e art. 135, III, ambos do Código Tributário Nacional. A decisão de piso sintetizou de forma clara e objetiva, todas as situações que levaram a autoridade fiscal a considerar o Frigorífico Oranges e seus sócios, como responsáveis solidários pelo crédito tributário sob enfoque. Vêse: Analisando a última alteração contratual do Frigorífico Oranges (2012), constatouse que (i) o correio eletrônico informado no documento societário pertence à empresa Barra Mansa; (ii) as testemunhas arroladas possuíam vínculo empregatício com a empresa Barra Mansa à época da alteração contratual. Ao longo dos últimos 30 (trinta) anos os serviços contábeis contratados pelo Frigorífico Oranges e pelas empresas de fachada eram sempre prestados pelo mesmo escritório contábil e respectivos contadores. Desde 07/01/2004, o Sr. Amauri Ferreira Junior possui procuração com poderes para movimentar contas correntes da empresa Barra Mansa em diversas instituições financeiras. Em pesquisa ao sistema CNIS, o Auditor Fiscal verificou o citado procurador manteve vínculo formal com as empresas Só Carnes Ribeirão Preto Ltda (02/05/1989 a 22/06/1990), Suldoeste Comércio de Carnes e Derivados Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão), Agro Ind e Com de Carnes e Derivados Olimpikus Ltda (02/07/1990 a 30/09/1998), Frigorífico Oranges Ltda (02/07/1990 sem data de rescisão) e Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (a partir de 01/11/1999). O AuditorFiscal apresenta depoimento de Sérgio Antônio Silvério (exempregado do Frigorífico Oranges Ltda e "sócio laranja" de diversas empresas de fachada), no qual relata sobre a prática reiterada de utilizarse de funcionários da empresa como sócios laranja de empresas de fachada. Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.213 27 Retomando a questão dos vínculos empregatícios, as pesquisas realizadas no sistema CNIS permitiram a constatação de uma "confusão" entre o Frigorífico Oranges Ltda e as empresas de fachadas, vez que os sócios do Frigorífico Oranges Ldta mantiveram vínculos empregatícios com as empresas de fachada, assim como os "sócios laranjas" das empresas de fachada foram empregados do próprio Frigorífico Oranges Ltda. Observase que todos os "sócios laranjas", à exceção de Rafael Paulino Pileggi (sócio até 26/08/1996) mantiveram, em algum momento, vínculo empregatício com uma ou mais das empresas de fachada. Apresenta trechos de diversas reclamatórias trabalhistas nas quais os reclamantes obtiveram o provimento de seus pleitos, tendo sido reconhecida judicialmente, nos casos em que não foram realizados acordos, a existência do grupo econômico formado pelo Frigorífico Oranges e as empresas de fachada que a sucederam no mesmo endereço. Os relatos extraídos das ações trabalhistas evidenciam que o preposto da empresa Barra Mansa, Sr. Mauro Donizete de Souza, também assinou documentos pelas diversas empresas de fachada. Consultas realizadas no sistema CNIS confirmaram que o referido preposto manteve vínculo empregatício formal com praticamente todas as "empresas de fachadas" constituídas pelos sócios do Frigorífico Oranges Ltda. Após análise do contrato de arrendamento do complexo industrial entendeu a Autoridade Fiscal que as alterações nos preços do arrendamento mensal (modificação do critério variável para fixo, com posterior aumento de 400% em 44 meses) não foi adequadamente justificado pelas partes. Essas alterações não obedeceram a qualquer critério de mercado, sendo, em verdade, uma das formas utilizadas para repassar recursos aos sócios da arrendante, verdadeiros donos da empresa de fachada fiscalizada. Ainda, o valor não foi reajustado a partir de 2008 em razão dos elevados investimentos realizados pela Barra Mansa na ampliação e modernização do complexo industrial localizado no Sítio Nossa Senhora Aparecida em Sertãozinho/SP (R$ 5.265.022,13 no período 2009 a 2013, apurado na contabilidade e informado pela fiscalizada), que é uma forma "indireta" de repassar recursos aos sócios do Frigorífico Oranges vez que as benfeitorias realizadas no imóvel arrendado, segundo cláusulas contratuais, não seriam indenizáveis. O capital social autorizado da empresa de fachada Barra Mansa foi de R$ 200.000,00, em 12/05/1999, e permanece inalterado até a presente data. Na mesma data, o Sr. Marlúcio subscreveu 190.000 (cento e noventa mil) quotas no valor de R$ 190.000,00, cujo valor foi alterado após a retirada do sócio Otávio Urbano para 198.000 (cento e noventa e oito mil) quotas e R$ 198.000,00. No entanto, constatou o AuditorFiscal que a integralização do capital somente ocorreu no ano 2007 (R$ 8.000,00) e no ano de 2008 (R$ 190.000,00), quase 10 anos após Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.214 28 a subscrição, com recursos originados da distribuição de lucros (R$ 185.208,46) ocorrida neste último ano. Destaca, ainda, a incoerência entre o montante do capital social (R$ 200.000,00) quando comparado com o faturamento anual da empresa (aproximadamente R$ 476.000.000,00 em 2009 e R$ 494.000.000,00 em 2010) e que a empresa não distribui lucros (reserva de lucros no final de 2010 equivalente a R$ 4.992.180,76). Com isso, a fiscalizada realizava elevados desembolsos de recursos na manutenção, investimentos e benfeitorias em imóveis de terceiro, sem que ao longo dos anos tenha distribuído lucros aos sócios, como retorno de seus supostos investimentos. A meu ver, a autoridade fiscal, através de detalhada explanação, logrou êxito em comprovar que a BARRA MANSA era uma empresa interposta, criada para esconder a relação jurídicotributária, que, de fato, era estabelecida entre o Fisco e o Frigorífico Oranges Ltda. Elemento primordial para o convencimento desse julgador consiste no fato de que os sócios da BARRA MANSA eram pessoa simples, sem nenhum patrimônio, tendo identificado, inclusive, um exfuncionário do Frigorífico Oranges Ltda, que em depoimento à autoridade fiscal declarou ter aceitado ser sócio da citada empresa, em troca de sua aposentadoria. De outro lado, a existência de um contrato de arrendamento mercantil celebrado entre as empresas para viabilizar o funcionamento da autuada, denota o forte vínculo existente entre as duas empresas, revestindose de plausibilidade o argumento do Fisco, no sentido de que se trata de um negócio simulado. Nessa toada, resta claro que o responsável solidário (Frigorífico Oranges Ltda) tinha interesse direto na ocorrência do fato gerador e, ainda, que toda a operação simulada demonstrada pela Fiscalização resulta em grave infração à lei, devendo os sócios da empresa com poderes de gestão integrar o polo passivo da presente lide tributária, o que faço com supedâneo nos já citados arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. Dessa forma, encampo o entendimento sedimentado na decisão de piso, no sentido de que: A responsabilidade tributária pelo pagamento do crédito tributário apurado em empresa com existência meramente formal, constituída com a finalidade de proteger o patrimônio de outra, estendese à empresa protegida pelo negócio jurídico simulado em razão da existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária (art. 124, I, do Código Tributário Nacional). Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se comprovada prática ilícita tendente a esvaziar o ativo da sociedade com a finalidade de prejudicar ou impedir a satisfação dos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.215 29 Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário dos solidários. Recurso Voluntário (contribuinte) Considerações iniciais De início, impende ressaltar que a decisão recorrida deixou de conhecer as razões de defesa afetas à inconstitucionalidade de normas, bem como reconheceu a concomitância entre o discutido no processo judicial e administrativo. No que pertine a tais matérias, contidas na referida decisão, a contribuinte não recorreu expressamente, limitandose a reiterar os argumentos trazidos por ocasião do protocolo da impugnação, em vasta explanação acerca da inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 10.256/2001, ainda que promulgada sob uma nova ordem constitucional. Destarte, o não conhecimento de matérias pertinentes à inconstitucionalidade e a concomitância dos processos judicial e administrativo, tornaramse definitivos, eis que não são objetos do inconformismo recursal. Não obstante, para a adequada análise dos efeitos da Resolução nº 15, do Senado Federal, sobre o presente processo administrativo fiscal, fazse necessária uma análise dos desdobramentos legislativos que culminaram na nova redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei nº 10.256/2001, o que faço nos termos a seguir delineados. Da Lei nº 10.256/2001 A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, a Carta Magna não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da Constituição Federal. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.216 30 No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão: Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.217 31 Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei nº 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei nº 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei nº 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei nº 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Contudo, a recorrente argumenta que mesmo com a promulgação da EC 20/98, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, seria inconstitucional. Não obstante a vedação legal desse Conselho em pronunciarse sobre questões afetas à inconstitucionalidade de normas vigentes, é imperioso destacar que a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação trazida pela Lei nº 10.256/2001, já foi aprecida pelo STF, através do julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, nos termos seguintes: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Portanto, extraise da supra transcrita ementa que: é constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.218 32 O art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, que trata da subrogação na aquisição de produtores rurais pessoas naturais não foi objeto da declaração de inconstitucionalidade no RE 363.852/MG, permanecendo hígido para os fatos geradores a partir de 11/2001. Os fatos geradores objeto do presente lançamento correspondem ao período de 01/2013 a 12/2014. Assim, não há que se falar em aplicação ao decidido no RE 363.852/MG, porquanto a inconstitucionalidade ali declarada diz respeito à ordem jurídica anterior a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, ou seja, fatos geradores anteriores a 11/2001. Diferentemente do argumento recursal, a publicação da Resolução nº 15/2017, do Senado Federal, em nada altera o presente lançamento. Dispõe a mencionada Resolução: “Art. 1º É suspensa, nos termos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do artigo 12 da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Leiº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao artigo 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao artigo 30, inciso IV, da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Leiº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852.” Por esta resolução, portanto, há suspensão da execução do inciso VII do artigo 12, da Lei 8.212/1991, bem como artigo 1º, Lei 8.540/92, que deu nova redação ao artigo 12, V, 25, incisos I e II, artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, por força decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 363.852 (“caso Mataboi”). Como não poderia deixar de ser, a multicitada resolução senatorial tem por escopo conceder efeitos “erga omnes” a todas as situações jurídicas anteriores à promulgação da EC 20/98, não produzindo qualquer efeito em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 11/2001, como é o caso dos autos. É certo que, após a edição da Resolução nº 15, do Senado Federal, foi criada uma expectativa para se saber o posicionamento do STF em relação ao tema, já que o acórdão do julgamento do RE 718.874/RS é anterior à aludida resolução. Todavia, o Pretório Excelso já teve a oportunidade de se pronunciar acerca do tema no julgamento de Embargos de Declaração, em 23/05/2018, o que fez nos termos seguintes: EMENTA : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.219 33 modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. 5. Embargos de Declaração rejeitados. Destarte, o entendimento do STF é expresso no sentido que: a Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. Assim, o ato senatorial, vinculado por natureza às declarações de inconstitucionalidade a que se refere, somente atinge a contribuição do empregador rural pessoa física no período anterior à Lei nº 10.256/01. Portanto, o art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, permanece hígido para regular as relações constantes da constituição do presente crédito tributário, estando a empresa recorrente subrogada na obrigação de reter e recolher a contribuição do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita da comercialização de sua produção rural. Feitas essas necessárias ponderações, entendo que, no mais, não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Dos Juros Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 13855.723182/201312 Acórdão n.º 2201004.765 S2C2T1 Fl. 1.220 34 Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a insurgência da recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 1220DF CARF MF
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Numero do processo: 18239.008959/2008-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que informe se a senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com Soberj na DIRPF, exercício 2005. Vencidos os conselheiros Fábia Marcilia Ferreira Campêlo e Thiago Duca Amoni (relator) que votaram contra a diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que informe se a senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com Soberj na DIRPF, exercício 2005. Vencidos os conselheiros Fábia Marcilia Ferreira Campêlo e Thiago Duca Amoni (relator) que votaram contra a diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que informe se a senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com Soberj na DIRPF, exercício 2005. Vencidos os conselheiros Fábia Marcilia Ferreira Campêlo e Thiago Duca Amoni (relator) que votaram contra a diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 82 39 .0 08 95 9/ 20 08 -2 1 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 103 2 RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.409,38, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 01 a 17 dos autos, conforme decisão da DRJ: O contribuinte concorda parcialmente com a glosa efetuada conforme petição de fls 23 e 24.Da leitura de tal documento verificase que a parcela impugnada referese aos valores R$360,00pago ao Dr.Sylvio Ludolf Neto e R$4327,00 referente ao Plano de saúde SOBERJ/AMIL. Na peça defensória o contribuinte menciona o Perguntas e Respostas para dar amparo ao seu pleito em considerar dedutível o gasto efetuado em Plano de Saúde, tendo sua esposa como beneficiária. A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/RJ2 que por unanimidade, em 28/01/2011, no acórdão 1333.275, às efls. 32 a 35, julgou a impugnação parcialmente procedente, afastando as seguintes glosas: De acordo com a declaração de fl. 11 emitida em abril de 2004, relativa ao serviço prestado pelo médico Sylvio Ludolf Neto (R$ 360,00) está suprida a especificação do paciente e, portanto, deve ser considerada como dedução de despesa médica válida. A decisão da DRJ consigna que o recorrente não apresentou impugnação quanto as deduções das seguintes despesas médicas: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 104 3 Cumpre observar que no presente caso o impugnante não contestou a dedução indevida de despesas médicas referente ao valor total de R$ 438,00 (Dr. Sylvio Ludolf Neto R$ 360,00 e Dra. Edilene Candido R$ 78,00). Considerase, então, parte da infração como matéria não impugnada, encontrandose fora do presente litígio. Recurso voluntário Ainda inconformado, em sede preliminar, o contribuinte impugna as seguintes glosas, conforme razões apresentadas no Recurso, a glosa da despesa com o Plano de Saúde, no importe de R$ 4.327,00. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 14/03/2011, efls. 39, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/04/2011, efls. 41, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 105 4 (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. O contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, insurgese com a glosa da despesa médica com a Sociedade Beneficente dos Servidores das Entidades da Indústria do Estado do Rio de Janeiro a título de Plano de Saúde, no valor de R$ 4.327,00, sem contudo, trazer qualquer prova nova ao processo, limitandose a juntar os boletos de pagamento juntados quando da impugnação, o que não tem valia como meio comprobatório. Neste caso, mantenho as razões da decisão de piso: Com relação ao valor de R$ 4.327,00, declarado como tendo sido pago à Sociedade Beneficente dos Servidores das Entidades da Indústria do Estado do Rio de Janeiro a título de Plano de Saúde, o contribuinte não anexou documento que comprove o dispêndio com o referido plano e tampouco quais Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 106 5 as pessoas seriam beneficiárias do plano de saúde. Portanto, deve ser mantida a glosa efetuada. Por não ter sido apresentado qualquer documento relativo ao desembolso, não há que ser analisado no presente caso se o contribuinte poderia ou não deduzir o valor em sua declaração,apesar de sua esposa não ter sido declarada como dependente. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 97DF CARF MF Processo nº 18239.008959/200821 Resolução nº 2002000.035 S2C0T2 Fl. 107 6 Voto vencedor Conselheiro Virgílio Cansino Gil Redator Inicialmente, peço vênia para adotar o bem elaborado relatório do relator Conselheiro Thiago Duca Amoni. No mais, a decisão vencedora é bastante simples, pois o colegiado, graças a dúvida surgida no momento dos debates, especialmente se a dedução médica com a Soberj já teria sido utilizada pela esposa do contribuinte em sua DIRPF, o que impediria a autorização para a dedução de referida despesa com a manutenção da glosa, resolveu converter o julgamento em diligência à Unidade de origem, para que informe se a Senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com a Soberj na DIRPF exercício 2005. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e RESOLVO converter o julgamento em diligência à Unidade de origem, para que informe se a Senhora Dirce Mariano da Silva utilizou da dedução de despesa médica com a Soberj na DIRPF exercício 2005. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720908/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010
EMBARGO INOMINADO.
Na existência de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes no Acórdão recorrido, o embargo inominado deve ser acolhido.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA.
Por voto de qualidade foi rejeitada a nulidade do lançamento por falta de notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONTRATOS NULOS. INCIDÊNCIA.
A nulidade do contrato de trabalho com órgão público, por ausência de concurso público, não afasta a obrigação de recolhimento das contribuições previdências, uma vez que constatada a ocorrência do fato gerador que é a prestação de serviço. Ademais, em matéria Tributária, não importa se o contrato de trabalho é lícito, moral ou formal.
RAZÕES DO RECURSO. DEFESA GENÉRICA NO MÉRITO.
O contribuinte insurge-se basicamente em relação a questão da responsabilidade. No que tange as contribuições lançadas não há contestação específica quanto ao lançamento efetuado, de modo que deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos.
COMPETÊNCIAS LANÇADAS.
As competências de 01/2010 a 11/2010, não podem ser alcançadas pelas contribuições, uma vez que o termo de parceria, desconsiderado pelo Fisco, fora rescindido em dezembro de 2009.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas podendo exercer de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve juntar aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.842, de 21/09/2016, alterar o dispositivo do referido acórdão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro João Mauricio Vital.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010 EMBARGO INOMINADO. Na existência de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes no Acórdão recorrido, o embargo inominado deve ser acolhido. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Por voto de qualidade foi rejeitada a nulidade do lançamento por falta de notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONTRATOS NULOS. INCIDÊNCIA. A nulidade do contrato de trabalho com órgão público, por ausência de concurso público, não afasta a obrigação de recolhimento das contribuições previdências, uma vez que constatada a ocorrência do fato gerador que é a prestação de serviço. Ademais, em matéria Tributária, não importa se o contrato de trabalho é lícito, moral ou formal. RAZÕES DO RECURSO. DEFESA GENÉRICA NO MÉRITO. O contribuinte insurge-se basicamente em relação a questão da responsabilidade. No que tange as contribuições lançadas não há contestação específica quanto ao lançamento efetuado, de modo que deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. COMPETÊNCIAS LANÇADAS. As competências de 01/2010 a 11/2010, não podem ser alcançadas pelas contribuições, uma vez que o termo de parceria, desconsiderado pelo Fisco, fora rescindido em dezembro de 2009. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas podendo exercer de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve juntar aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.842, de 21/09/2016, alterar o dispositivo do referido acórdão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro João Mauricio Vital.
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Na existência de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes no Acórdão recorrido, o embargo inominado deve ser acolhido. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Por voto de qualidade foi rejeitada a nulidade do lançamento por falta de notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONTRATOS NULOS. INCIDÊNCIA. A nulidade do contrato de trabalho com órgão público, por ausência de concurso público, não afasta a obrigação de recolhimento das contribuições previdências, uma vez que constatada a ocorrência do fato gerador que é a prestação de serviço. Ademais, em matéria Tributária, não importa se o contrato de trabalho é lícito, moral ou formal. RAZÕES DO RECURSO. DEFESA GENÉRICA NO MÉRITO. O contribuinte insurgese basicamente em relação a questão da responsabilidade. No que tange as contribuições lançadas não há contestação específica quanto ao lançamento efetuado, de modo que deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. COMPETÊNCIAS LANÇADAS. As competências de 01/2010 a 11/2010, não podem ser alcançadas pelas contribuições, uma vez que o termo de parceria, desconsiderado pelo Fisco, fora rescindido em dezembro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 09 08 /2 01 4- 71 Fl. 1480DF CARF MF 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas podendo exercer de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve juntar aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301004.842, de 21/09/2016, alterar o dispositivo do referido acórdão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro João Mauricio Vital. Relatório Tratamse de Embargos Inominados (fls. 1470 e seguintes) opostos pelo Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF contra o Acórdão nº 2301004.842, proferido em 21/09/2016, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, cuja ementa recebeu a seguinte redação: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10860.720908/201471 Acórdão n.º 2301005.412 S2C3T1 Fl. 3 3 Por voto de qualidade foi rejeitada a nulidade do lançamento por falta de notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONTRATOS NULOS. INCIDÊNCIA. A nulidade do contrato de trabalho com órgão público, por ausência de concurso público, não afasta a obrigação de recolhimento das contribuições previdências, uma vez que constatada a ocorrência do fato gerador que é a prestação de serviço. Ademais, em matéria Tributária, não importa se o contrato de trabalho é lícito, moral ou formal. RAZÕES DO RECURSO. DEFESA GENÉRICA NO MÉRITO. O contribuinte insurgese basicamente em relação a questão da responsabilidade. No que tange as contribuições lançadas não há contestação específica quanto ao lançamento efetuado, de modo que deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. COMPETÊNCIAS LANÇADAS. As competências de 01/2010 a 11/2010, não podem ser alcançadas pelas contribuições, uma vez que o termo de parceria, desconsiderado pelo Fisco, fora rescindido em dezembro de 2009. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas podendo exercer de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve juntar aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Provido em Parte”. Alega o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF que o acórdão, ora guerreado, encontrase com erro material na medida em que o julgamento foi iniciado em 17/08/2016, ocasião em que a conselheira relatora Alice Grecchi acolhia a alegação de vício formal, no qual restou vencida juntamente com os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Com isso, o processo foi retirado de pauta para oportunizar à conselheira relatora o exame das demais questões alegadas, sendo que retomado o julgamento em 21/09/2016, acordouse, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências de 01/2010 a Fl. 1482DF CARF MF 4 11/2010 e reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao recurso voluntário. As respectivas pautas registraram: Sessão de 17 de Agosto de 2016 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não aceitar a alegação de vício formal; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Após, o processo foi retirado de pauta para oportunizar à conselheira relatora o exame das demais questões alegadas. Sessão de 21 de Setembro de 2016 Nas demais questões, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as competências de 01/2010 a 11/2010 e reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%. Vencida a Conselheira Andrea Brose Adolfo, quer negava provimento ao recurso voluntário. Tais registros foram transcritos no dispositivo do acórdão embargado. O erro material se demonstraria evidenciado na elaboração da pauta do dia 21/09/2016 e no dispositivo do acórdão embargado, nos quais, para refletir o ocorrido, deveria ter costado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não aceitar a alegação de vício formal; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) nas demais questões, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (b.1) excluir do lançamento as competências de 01/2010 a 11/2010 e (b.2) reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%; vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao recurso voluntário. Desse modo, com base no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção embarga de ofício o Acórdão 2301004.842, para que sejam corrigidas as citadas inexatidões materiais. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10860.720908/201471 Acórdão n.º 2301005.412 S2C3T1 Fl. 4 5 O embargo é tempestivo e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento de embargos inominados está disciplinado em seu art. 66, nos seguintes termos: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Dessa forma, o artigo 66 do RICARF determina que cabem embargos inominados quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes. A partir da leitura do Acórdão nº 2301004.842, entendemos que de fato há erro material apontado pelo Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, de modo que voto por acolher o embargo para, colmatando o erro material apontado para que passe a constar no dispositivo do referido acórdão a seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não aceitar a alegação de vício formal; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) nas demais questões, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (b.1) excluir do lançamento as competências de 01/2010 a 11/2010 e (b.2) reduzir a multa aplicada para o percentual de 75%; vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1484DF CARF MF 6 Fl. 1485DF CARF MF
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Numero do processo: 10209.720046/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/12/2003 a 22/01/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.
No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no SISCOMEX, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem.
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. EXPORTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
Numero da decisão: 3401-005.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, no que se refere à alegação de duplicidade de penalização pela mesma infração.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/12/2003 a 22/01/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no SISCOMEX, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. EXPORTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, no que se refere à alegação de duplicidade de penalização pela mesma infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 72 00 46 /2 01 1- 27 Fl. 292DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 229 e seguintes) contra decisão da7ª Turma da DRJ/FOR, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela ALF Porto de Belem, em 17.10.2011, referente a multas decorrentes do atraso no registro dos dados de embarque de mercadorias a exportar, relativamente às cargas discriminadas na planilha anexa, cuja responsabilidade pela prestação das informações legalmente exigidas era da empresa autuada. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 03 e seguintes) de R$155.000,00 (cento e cinquenta e cinco mil reais). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: (a) O prazo para prestar as referidas informações está fixado no art. 37 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 28/1994, com redação dada pela IN RFB nº 1.096/2010. (b) A autuada deixou de atender ao prazo estabelecido na legislação para prestar informação sobre carga transportada, caracterizando assim a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966. Da Impugnação Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10209.720046/201127 Acórdão n.º 3401005.385 S3C4T1 Fl. 290 3 A Contribuinte apresentou Impugnação, em 16.11.2011 (fls. 99 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: a) Ilegitimidade passiva. A impugnante não é parte legítima para figurar no pólo passivo do lançamento, uma vez que atuou apenas como agência de navegação marítima, que não se equipara a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos. Para reforçar sua tese, a defesa cita doutrina e decisões dos tribunais superiores (STF, exTFR, STJ), relativas às funções e à responsabilidade por indenização e tributária do agente marítimo. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, a informação foi prestada pela própria impugnante, antes do início de qualquer procedimento fiscal. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, bem como o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) Cerceamento do direito de defesa devido a falha na descrição dos fatos. Não constam no corpo do Auto de Infração elementos importantes para a perfeita compreensão da acusação, tais como os números dos Despachos de Declaração de Exportação (DDE), os nomes dos navios envolvidos, as datas em que as informações consideradas intempestivas deveriam ter sido prestadas. Tratase de requisito essencial cuja inobservância prejudica o pleno exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo. d) A impugnante não está adstrita ao prazo de 7 dias para registro da DDE. Conforme dispõe o art. 52 da IN SRF nº 28/1994, nos casos ali indicados o embarque da mercadoria poderá ser realizado antes do registro da correspondente DDE (embarque antecipado). Nesses casos é inaplicável o prazo de até 7 dias para informação dos dados de embarque (para reforçar esse entendimento foi citado acórdão da DRJ/Florianópolis). e) Duplicidade de pena pela mesma infração. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pelo atraso na prestação de informações, tendo em vista que a multa em foco é aplicável apenas uma vez a cada navio/viagem, como já decidiu a própria Receita Federal (para corroborar essa tese foi citado o acórdão nº 0714.259, de 10/10/2008, da DRJ/Florianópolis). f) Ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A multa combatida deve ser afastada em atendimento aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que são de observância obrigatória no âmbito do processo administrativo federal, consoante art. 2º da Lei nº 9.784/1999, eis que a penalidade aplicada é excessivamente gravosa em relação ao possível dano causado pela suposta infração. Fl. 294DF CARF MF 4 Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 0836.650 (fls 197 e seguintes), exarado pela 7ª Turma da DRJ/FOR, em 23.06.2016, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 27/11/2008 a 09/12/2009 DESCRIÇÃO SINTÉTICA DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento cuja descrição dos fatos não contemple todas as informações relacionadas com a infração apurada, mas que apresente elementos suficientes para o perfeito entendimento da acusação, especialmente quando as circunstâncias do caso demonstrarem não ter havido prejuízo ao direito de defesa. NORMA PUNITIVA EM PLENO VIGOR. AFASTAMENTO DA PENALIDADE EM RAZÃO DE SUPOSTA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A atuação do julgador administrativo é vinculada aos ditames legais, sendo lhe vedado afastar a aplicação de norma punitiva em pleno vigor a pretexto de ofensa da penalidade imposta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 27/11/2008 a 09/12/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 27/11/2008 a 09/12/2009 INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA VINCULADA A PRAZO CERTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias vinculadas a prazo certo, como é o caso da prestação de informações sobre veículo e carga transportada, uma vez que o atraso no cumprimento delas já consuma a infração, não havendo como reverter o prejuízo causado pela inobservância do prazo estabelecido. MERCADORIA PARA EXPORTAÇÃO. PRAZO PARA REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE. O prazo para registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é de (7) sete dias, contados da data em que as mesmas forem colocadas a bordo do veículo transportador, exceto no caso de embarque antecipado, quando o referido prazo passa a ser contado da data de registro da correspondente declaração para despacho de exportação. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10209.720046/201127 Acórdão n.º 3401005.385 S3C4T1 Fl. 291 5 PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. A prestação extemporânea de informação legalmente exigida referente ao transporte internacional de mercadorias é punida com multa que, em regra, é aplicável em relação a cada veículo, operação ou carga transportada cujos dados específicos a serem fornecidos, conforme definido na legislação regente, tenham sido registrados após o prazo estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que lhe tomo conhecimento. Da Preliminar de Cerceamento de Defesa A despeito das alegações da Recorrente, os documentos de instruíram o lançamento identificavam claramente os motivos para a autuação, apresentando em planilha anexada ao termo de lavratura os n.ºs dos DDE´s; os nomes dos navios aos quais estariam vinculados; e os dias em atraso para o registro tempestivo. Inexistindo cerceamento de defesa, não há razão para a nulidade nos termo do artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Do Mérito Da Ilegitimidade Passiva suscitada pela Recorrente Fl. 296DF CARF MF 6 A Recorrente sugere que, como mero agente marítimo, não possui legitimidade passiva para vir a ser exigida a cumprir obrigações tributárias, nem mesmo estaria às respectivas penalidades em caso de inadimplemento. Contudo, é expressa a responsabilidade do agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro no país, como se infere do disposto no art. 32 do Decretolei nº 37/1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; Assim, sendo certo que o agente marítimo assume a representação legal do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Além disso, vale ressaltar que a redação dada ao artigo 32 acima mencionado é decorrente da alteração trazida pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988, enquanto a Súmula TFR 192, de entendimento diversos, é de 25/11/1985, de modo que a argumentação da Recorrente já está, há muito tempo, superada. Por fim, vale ainda destacar o Acórdão 3302005.729 , julgado em 27 de julho de 2018, de relatoria do Conselheiro Jorge Lima Abud, sobre matéria idêntica: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2004 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10209.720046/201127 Acórdão n.º 3401005.385 S3C4T1 Fl. 292 7 INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. Diante disso, não há de prosperar o argumento recursal. Da Alegada Extinção da Multa por Denúncia Espontânea A Recorrente, ainda, defende a hipótese de que "as DDE´s mencionadas na intimação foram inseridas no SISCOMEX muito antes da lavratura deste auto e do início de qualquer procedimento fiscal. Mais uma vez, não se sustenta a alegação da Recorrente. Os Tribunais Superiores vêm consolidando o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do Código Tributário Nacional, não se aplica às obrigações acessórias; de modo que sua entrega fora do prazo não representa excludente da multa prevista no DecretoLEi 37/1966, mesmo porque o dever do contribuinte é adimplir a obrigação acessória no prazo estabelecido pela legislação, não cabendo adimplemento parcial do ponto de vista temporal. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. SUPOSTA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE. REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. ARESTO ATACADO QUE CONTÉM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS SUFICIENTES PARA MANTÊLO. ÓBICE DA SÚMULA 126/STJ. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC/73. (...) 4. É cediço o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido da legalidade da cobrança de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, inclusive quando há denúncia espontânea, pois esta "não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas" (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. MINISTRO CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/9/2011, DJe 27/9/2011). 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1022862/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017) Fl. 298DF CARF MF 8 Outrossim, especificamente sobre o caso presente, reafirmo a obediência desse colegiado a suas súmulas enunciadas pela CSRF. No caso, a recente exarada Súmula CARF 126 veio a corroborar esse entendimento: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Da Alegada Ausência de Previsão Legal para o prazo de cumprimento da Obrigação Acessória em 7 dias A Recorrente alega que o prazo de 7 (sete) dias para prestar as informações no SISCOMEX não se presta às operações realizadas por ela, razão pela qual não poderia a fiscalização exigir conduta não tipificada. Todavia, o artigo 37, da Instrução Normativa 28/1994, com a redação dada pela IN RFB 1.096/2010, é clara no sentido que: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pelo (a) Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13 de dezembro de 2010) O argumento da Recorrente é de que suas operações estão abrangidas pela regra contida no art. 52 da mesma legislação, que diz respeito aos casos em que é admitido o embarque antecipado de mercadorias, assim considerado aquele realizado antes do registro da declaração de despacho de exportação (DDE). Nesses casos, a impugnante sustenta que não incidiria o referido prazo. Contudo, não há qualquer evidência acostadas aos autos que a Recorrente realiza operações em loja franca, de venda de pedras preciosas e semipreciosas, ou ainda “fornecimento de combustíveis e lubrificantes, alimentos e outros produtos, para uso e consumo de bordo em aeronave ou embarcação de bandeira estrangeira ou brasileira, em tráfego internacional”. Nesse sentido, resta aplicável a regra geral compreendida no supracitado artigo 37, restando insubsistente os argumentos recursais nesse item. Da Alegada Ocorrência de Bis in Idem Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10209.720046/201127 Acórdão n.º 3401005.385 S3C4T1 Fl. 293 9 Quanto a esse item do Recurso, devese ter em mente que, è época dos fatos, vigorava a Solução de Consulta Interna COSIT 08/2008, que deveria ter sido adotada obrigatoriamente pela fiscalização, nos termos Em sua ementa, a disposição é clara no sentido que a aplicação de multa é única por embarque: Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. Em suas conclusões, o Parecer esclarece: b) a multa a ser aplicada ao caso em questão, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. c) deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, uma vez que ocorre o descumprimento da obrigação acessória de informar os dados de embarque, no Siscomex, não sendo determinante a quantidade de dados não informados. Portanto, o lançamento merece reforma para imputar multa única de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) sobre cada embarque. Dos Argumentos de Cunho Constitucional Quantos aos argumentos de linde constitucional visando afastar a aplicação de norma vigente À época dos fatos, reservome à aplicação da Súmula CARF nº 2, de modo que não há tomo dar provimento a essa parcela do Recurso. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, e doulhe provimento parcial. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 300DF CARF MF 10 Fl. 301DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.720258/2013-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora intime o contribuinte a apresentar elementos que permitam a apuração da natureza dos rendimentos efetivamente recebidos no bojo da ação judicial em que ocorreu a retenção na fonte em discussão. A partir dos elementos colhidos, deverá ser elaborado relatório circunstanciado que aponte os valores dos rendimentos tributáveis recebidos em 2007, com proporcionalização a estes do valor de IRRF comprovado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora intime o contribuinte a apresentar elementos que permitam a apuração da natureza dos rendimentos efetivamente recebidos no bojo da ação judicial em que ocorreu a retenção na fonte em discussão. A partir dos elementos colhidos, deverá ser elaborado relatório circunstanciado que aponte os valores dos rendimentos tributáveis recebidos em 2007, com proporcionalização a estes do valor de IRRF comprovado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 64/71, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) de fls. 41/54, a qual julgou procedente o lançamento decorrente de Imposto de Renda da Pessoa Física, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 25 8/ 20 13 -4 0 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 84 2 relativamente ao anocalendário de 2007, na qual foi apurado crédito tributário de R$ 615.128,31, conforme demonstrativo abaixo: Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: Das alterações restou modificado de saldo de imposto a restituir declarado pelo contribuinte no valor de R$ 97.106,53, para saldo de imposto a pagar no valor de R$ 449.753,84 Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 05/03/2013, fl. 30, apresentou, em 21/03/2013, a Impugnação de fls. 02/09, na qual alega, em síntese: 01.Como demonstrou naquela supra aludida solicitação retificadora, não tem a mínima responsabilidade concernente ao tributo que foi retido na fonte e cujo valor permaneceu sub judice, porque o que a lei exige, como consabido, é apenas e tão somente que se dê a sua retenção. 01.1A ação trabalhista por força da qual recebeu apenas parte da condenação do Banco Itaú, resultando na declaração de ajuste anual que caiu na chamada "malha fina", ainda não se extinguiu, pois as partes continuam a discutir valores e outros aspectos, atualmente, em grau de agravos (de instrumento, interposto pelo referido banco e que foi não provido pelo Tribunal Superior do Trabalho; e de petição, também interposto pela mesma instituição financeira, ainda em tramitação no Tribunal Regional do Trabalho desta 5a Região). Aliás, a Receita Federal não pode ignorar esses fatos, haja vista que atua no mesmo âmbito jurisdicional, a fim de exercer a sua ação fiscalizadora, em conjunto com o INSS. 01.2É extremamente óbvio que o requerente nada pode fazer a respeito de qualquer pagamento de parcela retida do imposto de renda e por três razões fundamentais: (1) esse recolhimento somente pode ser realizado por expressa ordem judicial; (2) não detém o reclamante trabalhista qualquer poder judicante para dispor em contrário, visto ser de norma imperativa legal e até constitucional que a parte não tem poder jurisdicional; (3) apenas e tão só recebeu o valor líquido que lhe era destinado, em que pese a penhora ter recaído sobre o valor bruto, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 85 3 do qual a Justiça do Trabalho reteve os valores concernentes aos tributos (parcelas previdenciárias e do imposto de renda na fonte) e às custas. 01.2.1No reverso dessa sua inconcussa e absoluta impossibilidade, exsurge a plenitude da competência do Juízo Trabalhista, que tem função delegada, sem falar também em que a denominada SUPER RECEITA, que possui obrigatório local físico cativo nas instalações dos órgãos da Justiça do Trabalho, detém ainda mais poder para exigir tal recolhimento, visto ter o inafastável dever de fiscalizar as incidências, cálculos, retenções e recolhimentos tributários que lhe concernem, além do que é sempre e obrigatoriamente intimada de quaisquer decisões (cognitivas ou homologatórias de acordos), conforme impõe o artigo 832, §§ 3o, 4o e 5o, da Consolidação das Leis do Trabalho, cujos textos é despiciendo reproduzir nesta peça, posto que do conhecimento de V. Sa. e de qualquer membro da Receita Federal, até porque a ninguém é facultado alegar ignorância da lei. 01.2.1.1No momento, aliás, sequer pode o impugnante saber de fato se já ocorreu esse recolhimento por via judicial, posto que os autos do processo estão indisponíveis com o relator do retro citado agravo de petição, em curso na MM. 4a Turma do Egrégio TRT5. 01.2.2O artigo 46, da Lei n° 8.541/92, recepcionado integralmente pelo artigo 718, do Decreto regulamentador n° 3.000/99, como não poderia deixar de ser, proclama, de forma induvidosa: Art. 46. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. 01.2.2.1Nos mesmos moldes é o Provimento n° 01/93, da MM. Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho, que determina que o desconto do imposto de renda deve ser efetuado por ocasião da satisfação do débito a ser, 01.2.2.2Não estanca o assunto por aí, pois, exatamente nesse sentido é a própria orientação da Secretaria da Receita Federal, como se constata pelo art. 13, § 3o, da Instrução Normativa n° 25/96: "Na falta de retenção do imposto sobre rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial, o rendimento será considerado líquido do imposto, cabendo à fonte pagadora reajustar o rendimento nos termos desse artigo." 01.2.2.2.1Logo, a condição essencial para que a fonte pagadora não o beneficiário do pagamento, observese bem! venha a ser responsabilizada pelo recolhimento do tributo é que não tenha havido a retenção do imposto; contudo, e está nos autos do presente processo administrativo, assim como está nos autos da pertinente ação trabalhista, houve a retenção. E se não houvesse, por acaso, quem teria de reajustar o rendimento seria o banco devedor, jamais o impugnante. 01.2.2.3O artigo 128, do Código Tributário Nacional, estabelece que a lei pode atribuir, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, desde que vinculada ao fato gerador da obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 86 4 a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. 01.2.2.3.1É, de forma inegável, o que ocorre no caso vertente, pois o retro aludido artigo 46, da Lei n° 8.541/92, de modo imperativo e expresso, atribui exclusivamente a obrigação do recolhimento à pessoa obrigada ao pagamento em juízo, ou seja, à fonte pagadora! 01.2.2.4Não fosse suficiente, e o Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, em perfeita harmonia com a lei, já fulminou a questão, assim decidindo, em dois brilhantes entendimentos sumulados: SÚMULA 368 / TST I A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. (...). II É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultante do crédito do empregado oriundo de condenação judicial, devendo incidir, em relação aos descontos fiscais, sobre o valor total da condenação, referente às parcelas tributáveis, calculado ao final, nos termos da Lei n. 8.541/92, art. 46, e Provimento da CGJT n. 03/05. SÚMULA 401 / TST Os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetuados pelo juízo executório, ainda que a sentença exequenda tenha sido omissa sobre a questão, dado o caráter de ordem pública ostentado pela norma que os disciplina. A ofensa à coisa julgada somente poderá ser caracterizada na hipótese de o título exequendo, expressamente, afastar a dedução dos valores a título de imposto de renda e de contribuição previdenciária. 01.2.2.5A regra pétrea e inviolável do artigo 5o, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil é de clareza solar e não deixa margem a qualquer dúvida: ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei! 01.2.3Também nessa esteira e desse modo vem iteradamente decidindo o Colendo Tribunal Superior do Trabalho em decisões outras, do que é exemplo o acórdão infra (alguns destaques não são originais): "Crédito trabalhista Imposto de Renda recolhimento obrigação do empregador. 1. A obrigação legal do Juiz do Trabalho é assegurar a retenção do imposto de renda e não determinar o recolhimento do tributo. O devedor do crédito judicial é o empregador. A ele cabe, na condição de fonte pagadora, deduzir a importância devida à Receita Federal, no momento da efetiva satisfação do débito." (Ac. Da SDI do TST mv REO 38.250/91.5 4a. R. Rei. Designado min. Francisco Fausto Paula de Medeiros j. 17.05.93 interessados: TRT da 4a Região e Hilda Liana de Melo e Silva e outro DJU I 17.12.93,p. 28,242ementa oficial, in "Repertório IOB Jurisprudência 2, verbete 8511, 1994). 01.2.4Mais apropriadamente, por ter competência para julgar ações e questões que envolvem os tributos federais, o Egrégio Tribunal Regional Federal da Ia Região desse modo interpretou a norma pertinente: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 87 5 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LEGITIMIDADE. AJUDA DE CUSTO E AUXILIO MORADIA. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO CUSTORESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ANTES DA LC 105/01. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL ILEGALIDADE. I. O art. 43 do CTN estatui que o fato gerador do imposto de renda e proventos de qualquer natureza é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, razão pela qual a falta de retenção do tributo, pela fonte pagadora não isenta o contribuinte de seu recolhimento. II. (...). III. (...). IV. (...). VI. Apelações do autor, da União e remessa oficial a que se nega provimento. (TRF1. APELAÇÃO CÍVEL 2000.38.00.0088178/MG Relator: Juiz Federal Mark Yshida Brandão (convocado) Julgamento: 26/09/08). 01.2.5E quais as ilações óbvias a serem forçosamente tiradas de tais decisões? Atentese para a simplicidade das interpretações: a) na do TST, é obrigação precípua e inafastável do juiz da causa assegurar a retenção da quantia pertinente ao tributo incidente na fonte; e da fonte pagadora, de deduzir (do valor pago, é óbvio) a importância devida à Receita Federal; b) na do TRF, apenas haveria responsabilidade do contribuinte quanto ao recolhimento se a lei assim expressamente o previsse e não prevê, como já demonstrado mas apenas e exclusivamente se não tivesse ocorrido a retenção, de resto, como normatizado e previsto no artigo 13, § 3o, da Instrução Normativa SRF n° 25/96! 01.2.5.1Ora, se a falta de retenção não desobriga o contribuinte, na ficção de que existisse lei prevendo sua responsabilidade, e não há, claro que a existência de retenção o desobrigaria, obviamente. E se há alguém de ser apenado pela falta de recolhimento, que seja outrem, jamais o contribuinte. 01.2.6E isso é induvidoso, porque, como já demonstrado, tanto os artigos 46 e 718 já identificados, quanto o Provimento 01/93, da CGJT não aludem ao recolhimento, mas à simples retenção. E, também como já comprovado, a própria Receita Federal somente trata da retenção, na sua retro citada Instrução Normativa. 01.2.7Curioso constatar como, em site de consultas do CENOFISCO, dessa maneira consultores da Receita Federal instruíram um contribuinte, em caso idêntico: 30/03/2011 18h57 Atualizado em 30/03/2011 18h57, 100 perguntas e respostas sobre o Imposto de Renda. Consultores tiram dúvidas dos leitores sobre a declaração de 2011. Prazo para prestar contas à Receita Federal termina no dia 29 de abril. Desde o início de março, A GAZETA vem publicando diariamente respostas para dúvidas de leitores sobre o Imposto de Renda 2011. Veja quais as principais perguntas e o que dizem os consultores do Cenofisco sobre elas. processo trabalhista recebido em 2003 que nunca declarei por conta desta afirmativa de meu advogado. Que devo fazer? Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 88 6 Resposta: O valor decorrente da ação trabalhista, se efetivamente recebido no ano de 2010, deverá ser declarado na Ficha Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular, já diminuído dos honorários pagos ao advogado, e do imposto de renda retido na fonte. Para os rendimentos recebidos em 2003, sugerimos ao contribuinte que proceda à retificação da sua DIRPF 2004 e proceda à inclusão desses rendimentos. 01.3Pretender que o contribuinte que não recebeu toda a quantia a que a parte contrária foi condenada, porque sobre essa importância bruta incidiu imposto de renda cujo montante foi efetivamente retido e se encontra sob a égide judicial responda pelo tributo em causa e o pague, inclusive com descabidos encargos, é não apenas, com o maior respeito, violar expressa e diretamente a Carta Magna, como quebrantar as próprias normas fiscais e tributárias, além de imporlhe uma bitributação inaceitável, sob qualquer aspecto pelo qual se examine a questão. 01.3.1O que assegura a Constituição da República Federativa do Brasil a toda e qualquer pessoa, em dispositivos petrosos que são absolutamente intangíveis, daí resultando que atos que os violem padecem da mais absoluta nulidade de pleno direito? Observese o que impõem não facultam, mas obrigam alguns dos comandos insertos no seu artigo 5o (Dos Direitos e Garantias Individuais): no caput, o respeito inafastável à igualdade e à isonomia perante a lei, pelo que ninguém pode ser tratado de forma desigual; no inciso II, que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer senão o que estiver previsto de modo expresso em lei, e, no presente caso, já se viu sobejamente que a lei não contempla nem endossa a atitude da Receita Federal contra o impugnante, antes e demais pelo contrário; no inciso XXXVI, o inabalável respeito ao direito adquirido, valendo notar que esse preceito e sua definição se encontram resguardados no artigo 6o, § 2o, da Lei de Introdução ao Código Civil (Decretolei n° 4.657/42). 01.3.1Prudente advertir que essa retenção na fonte, realizada no processo laboral movido pelo requerente contra o Banco Itaú, deuse por força de determinação expressa da coisa julgada (sentença final irrecorrível) e esta tem também os mesmos amparos protetores do supra referido inciso XXXVI e da aludida LICC, no mesmo artigo 6o, somente que no seu § 3o, 01.4Se, em tese e tão somente para argumentar, fosse possível o já lhe foi descontado e cuja quantia não está em sua mão, nem depende de nenhum ato possível seu, o que ocorreria? Seria ele onerado em uma instância e também onerado na outra, pois, repitase à exaustão, o valor retido está sob guarda e disposição judiciais. 01.4.1Prudente assinalar, também, que os §§ 4o e 5o do artigo 832, da Consolidação das Leis do Trabalho, exigem que a União Federal seja intimada de todas as decisões, a fim de que apresente os recursos que entender devidos. Efetivamente, como V. Sa. bem sabe, a Receita Federal do Brasil mantém local físico e pessoal habilitado em todas as instalações da Justiça do Trabalho no país, razão pela qual, em última análise e por dever de ofício, cabelhe intervir para que se dê o recolhimento dos tributos retidos na fonte. E por que não interveio no presente caso, ou por que não se assegura da real situação do tributo retido, examinando e copiando os autos pertinentes? Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 89 7 A devolução do imposto, conforme a declaração anual de ajuste em apreço, é direito indiscutível do impugnante, e já é grande o seu prejuízo, pois certamente obteria rendimentos muito maiores se a estivesse aplicando no mercado e/ou na aquisição de bens e/ou no comércio e/ou na prestação de serviços, em concerto com aquela (legal) que lhe será garantida até a data do seu efetivo recebimento. Por último, mas não finalmente, relembra que o requerente não recebeu o valor relativo às parcelas dos tributos que foram deduzidas do montante bruto que lhe cabia. 01.6.1Por isso mesmo, obrigálo a pagálas ainda por cima, com encargos resultará em ilícita e inconstitucional bitributação, absoluta e totalmente vedada em lei, sem falar na profunda injustiça resultante de tal despautério tributário, pois como poderia ele recuperar o que lhe foi retido, mormente após o juiz mandar recolhêlo, como fatalmente ocorrerá, se já não ocorreu? 02.Diante do exposto, ratifica integralmente suas petições anteriores e requer que se digne V. Senhoria de acolher esta peça impugnatória na sua inteireza, reformando a decisão proferida por ela contraditada, a fim de ser retificado, anulado, cancelado e arquivado o lançamento em causa, e, como de lei, determinada a restituição a que o impugnante tem inegável jus, até porque já reside nestes autos a prova da retenção, cabendo à Receita Federal, se alguma dúvida lhe restar, ter o cuidado de verificar, nos autos da reclamação trabalhista multi citada, se o recolhimento porventura já não foi determinado pela autoridade judicante e devidamente realizado. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 41): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do imposto de renda retido na fonte informado na declaração, quando não comprovada a sua retenção, e quando declarado como rendimentos tributáveis somente o valor efetivamente recebido. QUESTÃO DE FATO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É imprescindível que as alegações contraditórias a questão de fato tenham o devido acompanhamento probatório, pois: “Alegar e não provar é quase não alegar”. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 90 8 As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ e apresentou o recurso voluntário de fls. 63/71 e documentos de fls. 72/78. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação, trazendo documentos que comprovariam o direito alegado. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama A questão posta e que ainda está em discussão nos presentes autos diz respeito ao disposto Regulamento do Imposto de Renda RIR: Decreto nº 3.000/1999 Art. 87 Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): ... IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Da leitura do dispositivo acima transcrito, o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF pode ser compensado na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF, desde que atestada a retenção (apresentação de comprovante emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte, contracheques, etc). Dito isso, no caso em tela, a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 546.860,37, por falta de comprovação. Em sede de defesa, o Recorrente sustentou que faria jus à compensação, pois percebeu parte do crédito decorrente de ação trabalhista contra o Banco Itaú ainda em tramitação no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região. Entretanto, não apresentou nenhum documento comprobatório do que alegou e por isso, a decisão recorrida houve por bem manter o lançamento com a cobrança do crédito tributário em sua totalidade. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 91 9 Entretanto, com a apresentação do Recurso Voluntário, apesar de o Recorrente praticamente repetir os argumentos apresentados em sede de impugnação, trouxe documentos, dentre eles os constantes às fls. 73/75: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 92 10 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13502.720258/201340 Resolução nº 2201000.328 S2C2T1 Fl. 93 11 Apesar de tais documentos só terem sido apresentados juntamente com o Recurso Voluntário, com base no princípio da verdade material, podem e devem ser acolhidos para reconhecer o direito do Recorrente de poder compensar o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, conforme disposto no Art. 87, IV, § 2º, do RIR. Por outro lado, não é possível apurar a natureza dos rendimentos efetivamente recebidos no bojo da ação judicial em que ocorreu a retenção na fonte em discussão. Conclusão Diante do exposto, converto o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora intime o contribuinte a apresentar elementos que permitam a apuração da natureza dos rendimentos efetivamente recebidos no bojo da ação judicial em que ocorreu a retenção na fonte em discussão. A partir dos elementos colhidos, deverá ser elaborado relatório circunstanciado que aponte os valores dos rendimentos tributáveis recebidos em 2007, com proporcionalização a estes do valor de IRRF comprovado. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.019954/99-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1996
PRESCRIÇÃO. PRAZO. INOCORRÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA.
Enquanto não ocorrer decisão administrativa definitiva no âmbito do processo administrativo fiscal, o prazo prescricional não corre contra o fisco.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO. DATA DA ENTREGA DO PEDIDO ANTES DO EXAME DO PEDIDO ANTERIOR. VALIDADE DO ÚLTIMO PEDIDO FORMULADO.
Comprovado nos autos a intenção do contribuinte de substituir pedido de compensação, antes da autoridade examinar pedido anteriormente efetuado, deverá ser considerada como data da entrega a do último pedido de compensação formulado.
COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO NO PRAZO DE CINCO ANOS.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não aplicável o instituto da homologação tácita aos débitos informados em pedido/declaração de compensação quando a autoridade administrativa fez a sua apreciação, e cientificou o interessado, dentro do transcurso do prazo de cinco anos da entrega do pedido.
Numero da decisão: 1202-000.888
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 PRESCRIÇÃO. PRAZO. INOCORRÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA. Enquanto não ocorrer decisão administrativa definitiva no âmbito do processo administrativo fiscal, o prazo prescricional não corre contra o fisco. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO. DATA DA ENTREGA DO PEDIDO ANTES DO EXAME DO PEDIDO ANTERIOR. VALIDADE DO ÚLTIMO PEDIDO FORMULADO. Comprovado nos autos a intenção do contribuinte de substituir pedido de compensação, antes da autoridade examinar pedido anteriormente efetuado, deverá ser considerada como data da entrega a do último pedido de compensação formulado. COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO NO PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Não aplicável o instituto da homologação tácita aos débitos informados em pedido/declaração de compensação quando a autoridade administrativa fez a sua apreciação, e cientificou o interessado, dentro do transcurso do prazo de cinco anos da entrega do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 99 54 /9 9- 95 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 359 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase do exame do Pedido de Restituição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1996, no valor de R$ 32.969,47, cumulado com Pedido de Compensação de débitos tributários, ambos entregues em 07/07/1999, fls. 01 e 02. Posteriormente, em 27/10/2000 e 28/12/2000, o contribuinte entregou dois novos Pedidos de Compensação, com débitos distintos do primeiro pedido, fls. 17 e 19. Por fim, em 28/06/2004, o contribuinte entrega novo Pedido de Compensação, de fls. 23, consolidando os pedidos entregues em 27/10/2000 e 28/12/2000 mencionados no parágrafo anterior, requerendo a substituição (retificação) de todos os Pedidos de Compensação anteriormente entregues, conforme documento firmado pelo procurador da empresa, fl. 24. Na sequência, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever parte do relatório do Acórdão nº 1618.853 da DRJ/São Paulo I, de fls. 323 a 330, o qual passo a adotar: “3 Por ter sido inscrita na Dívida Ativa da União e executada por causa de alguns débitos que constavam nos Pedidos de Compensação, a contribuinte ingressou com Mandado de Segurança n° 2008.61.00.128764, cujo provimento determinou que o presente processo fosse examinado em cinco dias a contar da data da ciência da decisão administrativa. 4 Ao analisar a DIRPJ do anocalendário de 1996, foi apurado que embora o valor confirmado do saldo negativo fosse R$ 35.414,01, a contribuinte já havia utilizado parte desse valor para compensar sem processo, os valores do IRPJ calculados por estimativa nos meses de janeiro e maio a outubro de 1998, restando do saldo negativo apurado, o valor de R$ 17.054,35. 5 Desse modo, foi reconhecido o saldo credor de R$ 17.054,35, sobre o qual incide a correção pela taxa SELIC e foram homologadas as compensações vinculadas até o limite do crédito. Foram retirados também da DAU alguns dos débitos que já estavam incluídos nos Pedidos de Compensação quando foram inscritos na DAU. 6 Cientificada da decisão proferida em 17/06/2008, conforme termo de ciência às fls. 367, a contribuinte apresentou , em 17/07/2008, Manifestação de .Inconformidade (fls. 254 a 274), apresentando as razoes a seguir, em síntese: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 360 3 6.1 Alega que já ocorreu a prescrição do direito do Fisco de cobrança judicial dos débitos compensados, fazendo um longo arrazoado, citando leis e normas administrativas que embasariam sua tese. 6.2 Alega também que já ocorreu a homologação tácita das compensações efetuadas de acordo com a Lei nº 10.637/2002, que previu essa homologação ocorrendo cinco anos após a data da protocolização da DCOMP, citando ainda decisões administrativas para corroborar o que afirma. 6.3 Por fim, requer a reforma do Despacho Decisório e homologação do Pedido de Compensação apresentado (sic).” Após a análise da manifestação de inconformidade, foi emitido o Acórdão nº 1618.853 da DRJ/São Paulo I, de fls. 323 a 330, com o seguinte ementário: RETIFICAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO A retificação de pedidos de restituição, compensação e DCOMP, antes da decisão feita no Despacho Decisório, reinicia a contagem do prazo decadencial previsto em lei. DECLARACAO DE COMPENSAÇÃO PRESCRIÇÃO Não ocorre a prescrição de débitos elencados em DCOMP pois, o direito de cobrança, por parte do Fisco, de débitos elencados na DCOMP somente prescreveria após cinco anos da apresentação da DCOMP. Compensação não Homologada Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do Acórdão recorrido, são a seguir transcritos: os débitos constantes nas DCOMP que não puderam ser compensados por insuficiência de crédito, encontramse suspensos até o fim da lide administrativa, sendo exigíveis a partir de então, inclusive com inscrição na DAU pois, ao contrário do que entende a empresa, do mesmo jeito que o Fisco não pode exigilos, ao final da lide esses débitos não compensados voltam a ser exigíveis, conforme dispõe o art. 75 (sic) da Lei n° 9.430, de1996; desde a transformação do Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, esse documento ganhou efeito de confissão de dívida, sendo desnecessário efetuar os lançamentos dos mesmos. A DCOMP tem o efeito também de suspender a exigibilidade do crédito relativo a esses débitos, considerados declarados e, desse modo, todo os débitos constantes na DCOMP não prescrevem e serão exigidos, com os acréscimos legais, ao final do processo administrativo. Rejeitase portanto a alegação de prescrição dos débitos, alegada pelo contribuinte. a IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente a época que a empresa apresentou a retificação dos Pedidos de Compensação em 17/12/2004, dispõe em sua seção "Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação", a respeito do procedimento de retificação dos pedidos de restituição e de compensação. O art. 59 da citada IN não deixa dúvidas de como é feita a contagem do prazo para homologação tácita. Assim, uma vez que a empresa retificou os pedidos de Compensação Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 361 4 em 17/12/2004, este passa a ser o novo prazo inicial de contagem dos cinco anos previstos para a homologação tácita. Por conseguinte, o prazo de cinco anos somente se completará em 16/12/2009, não assistindo qualquer razão à empresa nesse aspecto. Não se conformando com a decisão proferida pela DRJ/São Paulo I, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 333 a 354, alegando, em síntese: i) alega a ocorrência da prescrição em relação aos débitos informados na declaração de compensação. Entende que estaria extinto o direito do fisco em se opor às compensações solicitadas pela recorrente, em 07/07/1999, em razão do transcurso do prazo de cinco anos para a propositura da respectiva ação de cobrança (art. 174 do CTN) uma vez que o indeferimento das respectivas compensações ocorreu apenas em 11/06/2008, quando da emissão do Despacho Decisório pelo órgão de origem; ii) quanto à homologação tácita, aduz que ainda que se pudesse considerar que a apresentação de Pedido de Compensação retificador, feita em 17/12/2004, reabriria novo prazo para início da contagem, já havia sido consumada a homologação tácita da compensação, na data de 07/07/2004, motivo pelo qual não poderia produzir efeito algum a eventual retificação. Mesmo que a homologação tácita não tivesse sido consumada, ainda assim não seria aplicável o disposto no art. 59 da IN SRF 460/2004, tendo em vista que não houve a rigor retificação do Pedido de Compensação, mas sim uma simples substituição de formulários, a pedido do próprio Fisco, com o objetivo de clarear as informações prestadas às autoridades fiscais, pois o Pedido de Compensação entregue anteriormente foi preenchido com dados incompletos. iii) requer, ao final, o reconhecimento da ocorrência da prescrição do direito de o fisco cobrar os débitos constantes no Pedido de Compensação e/ou a homologação tácita do Pedido de Compensação dos débitos de IRRF, PIS e CSLL relativos ao anocalendário de 1999. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Primeiramente, resta consignar que, nos termos do Despacho Decisório emitido pela DIORT/DERAT/São Paulo e do voto condutor do acórdão recorrido, resta incontroverso nos autos que ocorreu o reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1996, no valor de R$ 17.054,35, crédito esse utilizado para compensação dos débitos até o montante reconhecido, fls. 245. As controvérsias do presente processo dizem respeito à verificação da ocorrência da prescrição do direito de cobrança dos débitos não compensados e/ou da ocorrência da homologação tácita das compensações pleiteadas. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 362 5 Como mencionado no relatório deste voto, o primeiro Pedido de Compensação foi entregue em 07/07/1999, fls. 02. Posteriormente, em 27/10/2000 e 28/12/2000, o contribuinte entrega dois novos Pedidos de Compensação, com valores de débitos/vencimentos distintos do primeiro pedido, fls. 17 e 19. Finalmente, em 28/06/2004, o contribuinte entrega novo Pedido de Compensação, de fls. 23, consolidando nesse pedido os débitos dos dois pedidos entregues anteriormente, em 27/10/2000 e 28/12/2000. Em documento firmado pelo procurador da empresa, fls. 24, existe a informação de que o último pedido de compensação foi entregue à Receita Federal na data 28/06/2004, contendo ainda solicitação de que esse último pedido é que deveria ser considerado para efeito de compensação em substituição a todos os pedidos entregues com data anterior. Vejase transcrição de parte do referido documento: “Os antigos Pedidos de Compensação devem ser substituídos pelos novos que foram já entregues em mãos neste departamento em 28/06/2004, que ora formalizamos o ato, e que trazem as informações corretas e necessárias à compensação. As divergências por nós encontradas vão desde as datas de apuração dos tributos até os lançamentos de valores agrupados em um único valor e com códigos indevidos.” (destaquei) De fato, analisando os pedidos de compensação entregues anteriormente ao pedido final, verificase que teria havido incorreção no preenchimento dos códigos dos tributos e seus valores, chegandose às seguintes conclusões: i) o primeiro pedido de compensação contém cinco espécies de tributos (códigos 0561, 1708, 0588, 4574 e 2172), sendo que duas espécies (códigos 0588 e 2172) não mais aparecem nos pedidos subseqüentes; ii) o segundo pedido de compensação contém duas espécies de tributo (códigos 2469 e 4574) sendo que uma das espécies de tributo é nova (código 2469); iii) a terceira declaração de compensação contém três espécies de tributo (códigos 0561, 1708 e 4574), repetindo as mesmas espécies do primeiro pedido, mas não os seus valores; e iv) por fim, a última declaração de compensação é o somatório do segundo e do terceiro pedidos, repetindo as mesmas espécies de tributos e seus valores. Em suma, o contribuinte, ao entregar diversos pedidos de compensação, acabou por manifestar o seu desejo de compensar os débitos informados apenas no último pedido, que ele próprio diz ter entregue à Receita Federal em 28/06/2004. Já a ciência do Despacho Decisório, que examinou os Pedidos de Restituição e de Compensação, ocorreu em 17/06/2008, AR de fls. 246v, onde também foi efetuada a intimação informando os débitos não compensados pelo fisco e que deveriam ser recolhidos pela interessada (fls. 245 e ss.). Essa delimitação de acontecimentos e datas se faz necessário para poder melhor examinar os institutos da prescrição e da homologação tácita levantados pela defesa. Inicialmente, alega a recorrente que os débitos já não poderiam ser exigidos pelo fisco, face a ocorrência da prescrição. Entende que a compensação solicitada deve retroagir à data do primeiro pedido formulado, em 07/07/1999. Como o indeferimento de parte das compensações ocorreu apenas em 11/06/2008, quando da emissão do Despacho Decisório pelo órgão de origem, teria ocorrido a prescrição para cobrança, em face do transcurso do prazo de 5 anos previsto no art. 174 do CTN. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 363 6 Como bem salientou o voto condutor do acórdão recorrido, o pedido de compensação, transformado em declaração de compensação, tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos lá informados até a apreciação final da compensação pelas autoridades competentes (na origem e nos julgamentos de 1ª e 2ª instâncias), de modo que os débitos, constantes no pedido/declaração de compensação, não prescrevem enquanto não apreciados (exceção feita à homologação tácita que será examinada no tópico seguinte) e serão exigidos, com os acréscimos legais, ao final do processo administrativo, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 364 7 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (destaques meus) Da leitura do §11 acima transcrito, verificase que a lei tributária concedeu ao instituto da compensação o mesmo rito processual estabelecido no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, de modo que os recursos administrativos apresentados produzem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos objeto de compensação, nos mesmos termos do previsto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. A sequência dos pedidos de compensação entregues, primeiramente em 1999, depois em 2000 e, finalmente, em 2004, fizeram com que a unidade de origem examinasse apenas o último pedido de compensação, conforme solicitado pela própria empresa, fls. 24. Não pode agora o contribuinte querer que se considere como data de entrega do pedido de compensação o ano de 1999, quando se sabe que todos os pedidos anteriores a 2004 foram substituídos por um só, face às incorreções dos pedidos precedentes. Constatase dos autos que a empresa vem promovendo adequadamente a sua defesa administrativa nos prazos adequados e o fisco vem manifestando o seu entendimento a respeito da matéria nos estritos termos do que prevêem as normas que regem o processo administrativo fiscal, expressas no Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Com efeito, enquanto a matéria estiver sendo apreciada no âmbito administrativo, os débitos encontramse com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430. de 1996, encontrandose o fisco impedido de promover a sua cobrança/execução. Por esse motivo, enquanto não ocorrer uma decisão administrativa definitiva, o prazo prescricional não corre contra o fisco. Essa matéria inclusive já se encontra com Súmula emitida por este órgão colegiado, consoante Súmula CARF nº 11, aprovada nas sessões realizadas no dia 08 de dezembro de 2009, publicada no DOU de 22/12/2009, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 365 8 Dessa forma, sem maiores discussões, a prescrição levantada pela defesa em relação aos débitos informados no primeiro pedido de compensação, em 07/07/1999, deve ser rejeitada. Passo ao exame da direito à homologação tácita. Como já mencionado neste voto, o contribuinte, ao entregar diversos pedidos de compensação, manifestou o seu desejo de compensar os débitos informados apenas no último pedido, que ele próprio diz ter entregue à Receita Federal em 28/06/2004. Portanto, essa é a data que deve ser considerada para fins de verificação da ocorrência, ou não, da homologação tácita prevista no § 5o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, o § 5o. do art. 74, Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003 (conversão da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, DOU de 31/10/2003), estabelece o prazo de 5 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para que o fisco proceda a análise do pedido, sob pena de se considerar homologada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 5o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) No presente caso, o Despacho Decisório da DERAT/São Paulo, que reconheceu parcialmente o direito creditório do IRPJ e homologou as compensações (do último pedido de compensação) até o limite do crédito reconhecido, foi exarado em 11/06/2008, com ciência em 17/06/2008, AR de fls. 246v. A data da entrega do pedido de compensação ocorreu em 28/06/2004, e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 17/06/2008, ou seja, a menos de cinco anos do prazo previsto em lei (§ 5o. do art. 74, Lei nº 9.430, de 1996) e, dessa forma, não sujeita ao prazo da homologação tácita, diferentemente do que entende o recorrente. Em face ao exposto, voto no sentido de que sejam rejeitadas a ocorrência da prescrição e da homologação tácita, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10880.019954/9995 Acórdão n.º 1202000.888 S1C2T2 Fl. 366 9 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10880.978912/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologandose as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 12 /2 01 2- 26 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.978912/201226 Acórdão n.º 3302005.962 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) formulado, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.296, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, enfatizando o instituto da denúncia espontânea, especialmente o seu reconhecimento pelo CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.978912/201226 Acórdão n.º 3302005.962 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.954, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.978899/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.954): 1. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou ciência da decisão em 21.03.2016 (efls. 71) e apresentou o Recurso em 20.04.2016 (efls.72), portanto dentro do prazo de 30 dias de que trata o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. Mérito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal. 2.1. Denúncia Espontânea. Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina no âmbito do Poder Judiciário e no CARF, tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na sessão de 18 de outubro de 2017, cuja ementa, de Relatoria do I. Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.978912/201226 Acórdão n.º 3302005.962 S3C3T2 Fl. 5 4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência de Recurso Especial em sistemática dos Recursos Repetitivos no STJ, a matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF. "A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado." Tratandose de Recurso Repetitivo submetido à norma do artigo 543C do CPC, aplicase a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a aplicação da decisão, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do já mencionado Recurso Especial, o Ilmo. Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis: "Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.978912/201226 Acórdão n.º 3302005.962 S3C3T2 Fl. 6 5 lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente." No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e, independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro, recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...) Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo, que se deu independente de qualquer atuação por parte da Administração Pública, razão pela qual a Recorrente entende não serem devidos juros moratórios. Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste Colegiado amoldase com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903120/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/03/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 20 /2 00 9- 11 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13888.903120/200911 Acórdão n.º 3301005.384 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1427.875, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13888.903120/200911 Acórdão n.º 3301005.384 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.903120/200911 Acórdão n.º 3301005.384 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.903120/200911 Acórdão n.º 3301005.384 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.903120/200911 Acórdão n.º 3301005.384 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.903120/200911 Acórdão n.º 3301005.384 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002682/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em suspender o julgamento dos presentes autos para que se aguarde a realização das diligências propostas nas resoluções exaradas nesta reunião, vinculadas aos processos das obrigações principais aos quais estes autos estão apensados.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em suspender o julgamento dos presentes autos para que se aguarde a realização das diligências propostas nas resoluções exaradas nesta reunião, vinculadas aos processos das obrigações principais aos quais estes autos estão apensados. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Como Redator ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro: Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 68 2/ 20 09 -6 0 Fl. 603DF CARF MF Processo nº 19515.002682/200960 Resolução nº 2202000.832 S2C2T2 Fl. 604 2 Intimada, a Contribuinte protocolou impugnação. A DRJ manteve integralmente o crédito tributário. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 06/07/2009 foi formalizado o DEBCAD nº 37.191.4329 (fls. 2/8) para constituir a multa do CFL 59. Conforme o relatório fiscal (fls. 15/16 e docs. anexos fls. 14 e 17/20), "1) Por força da Lei n 8.212, de 24.07.91, art. 30°, inciso I, alínea "a" e alterações posteriores e do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", a empresa é obrigada a ARRECADAR as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. 2) Para o período auditado verificouse que a empresa deixou de descontar nos meses 2004 o valor das contribuições previdenciárias dos segurados empregados calculadas sobre o total da remuneração paga apurado em fiscalização a título de Bolsa Estágio, mas sem respeitar os dispositivos estabelecidos em lei específica. 3) Vale ressaltar que esses indivíduos foram descaracterizados por esta fiscalização como estagiários e enquadrados como segurados empregados por desrespeitar, a empresa, dispositivos de lei especifica." Intimada em 16/07/2009 (fl. 21), a Contribuinte protocolou impugnação em 14/08/2009 (fls. 25/87 e docs. anexos fls. 88/512). Analisando a defesa, a DRJ proferiu o acórdão nº 1625.352, de 18/05/2010 (fls. 515/535), que negou provimento à impugnação e que restou assim ementado: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço constitui infração à legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. Nos termos do artigo 9°, inciso I, alínea "h" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, os estagiários que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n.° 6.494/77, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregados. É do contribuinte o ônus de demonstrar a observância da Lei n.° 6.494/77 no estágio remunerado, pois a falta da demonstração do Fl. 604DF CARF MF Processo nº 19515.002682/200960 Resolução nº 2202000.832 S2C2T2 Fl. 605 3 cumprimento dos requisitos estabelecidos na referida lei implica na caracterização de serviço prestado por segurado empregado. A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga em desacordo com a Lei n.° 6.494/77, integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea “i” da Lei 8.212/91. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratandose de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 21/12/2010 (fl. 539), a ainda inconformada, a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 19/01/2011 (fls. 541/596) argumentando, em síntese: Que houve decadência até o mês de junho/2004, inclusive, uma vez que o prazo para constituição e cobrança das contribuições previdenciárias também é quinquenal, tendo o STF declarado a inconstitucionalidade do art. 5º, par.ún., do DecretoLei nº 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Outrossim, esclarece que deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4º, do CTN; Que o lançamento é nulo porquanto a autoridade fiscal não tem competência para declarar a nulidade do contrato de estágio. Constatando que o contrato de estágio padece de vícios, deve tomar as providências perante o Ministério do Trabalho, bem como perante o Ministério Público do Trabalho para que, somente após o reconhecimento da relação de emprego pela Justiça do Trabalho, possa então cobrar as Contribuições Previdenciárias, nos termos do art. 39 da CLT; Que a relação de estágio era regular, tendo acostado aos autos toda a documentação necessária para rebater as alegações da autoridade lançadora. Nessa linha, passa a discorrer sobre os requisitos e a documentação constante nos autos para comprovar a sua satisfação, inclusive a provas da frequência em curso superior, etc.; Que não pode prevalecer a alegação de que a empresa recorrente não teve condições de propiciar experiência prática e complementação do ensino e aprendizagem aos estagiários. Pelo contrário, conforme a própria autuação, o sócio estava presente, sendo ele próprio profissional de larga experiência e inclusive professor universitário. Também anota que haviam outros profissionais presentes fisicamente, passando a discorrer sobre eles; Fl. 605DF CARF MF Processo nº 19515.002682/200960 Resolução nº 2202000.832 S2C2T2 Fl. 606 4 Que apresenta documentação demonstrando que todos os estagiários foram contemplados na apólice de seguro contra acidentes pessoais mantidos pela recorrente. A eventual ausência de seguro no início do estágio não é elemento apto a configurar relação de emprego, devendo ser levado em consideração as regras para a inclusão e retirada dos estagiários da apólice de seguro, não sendo possível fazêlo a qualquer momento; e Que, analisando individualmente cada vínculo de estágio, é possível constatar que os requisitos foram preenchidos em todos. Ressalta que a eventual falta de um documento em determinado caso específico não á suficiente para descaracterizar todos os contratos celebrados. Os autos foram apensados aos processos nº 19515.002679/200946, 19515.002681/200915, 19515.002680/200971 e 19515.002683/200912 (fls. 24). É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Como Redator ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. DILIGÊNCIA Os autos não se encontram em estágio apto para serem julgados. A verdade é que o crédito contido nesses autos estão intimamente ligados àqueles dos demais processos apensos. Estes outros processos, entretanto, foram convertidos em diligência nessa sentada, respectivamente pelas Resoluções proferidas nos processos nº 19515.002679/200946, 19515.002680/200971 e 19515.002681/200915. Efetivamente, aqui se busca constituir crédito referente à multa do CFL 59, ou seja, a multa por não ter retido e recolhido os valores que a autoridade lançadora entendeu que seriam devidos pelos segurados. Acontece que essa multa só pode prevalecer se se entender naqueles que os estagiários devem realmente se reenquadrados como segurados empregados. Caso o lançamento do crédito principal seja cancelado pelo mérito, ou seja, caso se entenda que os vínculos eram realmente de estágio, então não havia retenção a ser feita. Enfim, nessa hipótese também deve ser cancelado o presente DEBCAD. Nessa linha, entendo ser necessário suspender o julgamento dos presentes autos para que aguardem a realização da diligência propostas nas indigitadas resoluções e, ao cabo, que retorne para julgamento conjunto com os processos aos quais está apensado. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Fl. 606DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.723022/2017-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA RECEBIDOS POR DEPENDENTE - ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - RENDIMENTOS PRÓPRIOS
Os valores recebidos de pensão alimentícia de dependente do contribuinte devem ser declarados e não são abrangidos pela isenção por moléstia grave prevista na legislação, vez que não se tratam de rendimentos próprios.
Numero da decisão: 2002-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA RECEBIDOS POR DEPENDENTE ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE RENDIMENTOS PRÓPRIOS Os valores recebidos de pensão alimentícia de dependente do contribuinte devem ser declarados e não são abrangidos pela isenção por moléstia grave prevista na legislação, vez que não se tratam de rendimentos próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 30 22 /2 01 7- 02 Fl. 90DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 31 a 36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos de trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, bem como a omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.897,34, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 30 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS ALUGUÉIS E OUTROS Valor da infração: R$ 26.137,50. Não concordo com essa infração. Outras alegações: foi feita declaração retificadora corrigindo essa irregularidade A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 16/06/2017, no acórdão 0659.372, às efls. 66 a 69, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 04/08/2017 às efls. 77 a 87 no qual alega, em síntese, que seus rendimentos são provenientes de aposentadoria e portador de moléstia grave, motivo pelo qual seriam isentos. Além disso, não poderia ter colocado sua mãe como dependente em sua DAA. Alega que apresentou declaração retificadora. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/07/2017, efls. 73, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/08/2017, efls. 76, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na autuação pela omissão de rendimentos de trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício da Associação de Diabetes Infantil de sua dependente, senhora Adriana Silva Lamas Costa no valor de R$9.750,00. Ainda, foram omitidos os rendimentos decorrentes de pensão judicial pagos por Roberto Costa à Anna Costa, no valor de R$26.137,50. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15504.723022/201702 Acórdão n.º 2002000.421 S2C0T2 Fl. 91 3 Em relação a autuação pela omissão de rendimentos de trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, em sede de impugnação, o contribuinte concorda com a Fiscalização, motivo pelo qual atrai a redação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Face ao pedido de exclusão de dependente de sua DAA apresentada, informamos que o presente processo administrativo não se presta para tal pleito. Assim decidiu a DRJ: Apesar de o interessado ter juntado uma cópia do que seria uma DAA retificadora (fls. 13 em diante), nos sistemas da RFB consta a apresentação somente de DAA original, exatamente com os dados analisados pela autoridade lançadora, ou seja, com omissão dos rendimentos recebidos pela dependente Anna Costa. Assim, presumese que ele elaborou e imprimiu referida declaração retificadora, mas não a transmitiu à RFB. Quanto a inclusão de pensão alimentícia da dependente A DRJ assim se posicionou: 8. Em sua impugnação (fl. 2), o interessado limitouse a dizer que "foi feita declaração retificadora corrigindo essa irregularidade". (...) 10. Cumpre salientar que o interessado devia demonstrar que sua declaração tinha sido transmitida à RFB, pois, como acontece com todo impugnante, ele tinha o ônus de apresentar com sua impugnação as provas de suas alegações, conforme preconiza o Decreto nº 7.574, de 2011, nos seguintes termos: Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, como se vê pela redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/99): Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer Fl. 92DF CARF MF 4 natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Ainda, conforme jurisprudência deste CARF: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. (Acórdão n°: 9202 002.451 – 08/11/2012) Como a senhora Anna Costa consta como sua dependente, o contribuinte deveria incluir os rendimentos na guia de dependentes. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte alega que seus rendimentos são isentos, pois provenientes de aposentadoria e por ser portador de moléstia grave. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15504.723022/201702 Acórdão n.º 2002000.421 S2C0T2 Fl. 92 5 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: Fl. 94DF CARF MF 6 REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Contudo, no presente processo não estáse discutindo rendimentos próprios do contribuinte, e sim a pensão alimentícia recebida por dependente que foi omitida quando do preenchimento da DAA do recorrente, e que deveria ser levado à tributação. Não há que se falar em isenção por moléstia grave. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15504.723022/201702 Acórdão n.º 2002000.421 S2C0T2 Fl. 93 7 Fl. 96DF CARF MF
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