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Numero do processo: 15504.020033/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 00 33 /2 00 9- 19 Fl. 961DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 3 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas Fl. 962DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 4 3 pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações Fl. 963DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 5 4 acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 964DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 6 5 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 965DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 7 6 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 966DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 8 7 · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 967DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 9 8 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 15504.020033/200919 Acórdão n.º 9202006.929 CSRFT2 Fl. 10 9 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 969DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000081/2011-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento, cancelando a glosa de despesas médicas no montante de R$3.740,00.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Recorrente MARCIA SILVA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, cancelando a glosa de despesas médicas no montante de R$3.740,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 00 81 /2 01 1- 30 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15471.000081/201130 Acórdão n.º 2002000.160 S2C0T2 Fl. 94 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2009, ano calendário 2008, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas (fl.6). O contribuinte apresentou impugnação (fls.3/41), indicando a juntada de documentação comprobatória. Em conformidade com o disposto no artigo 6oA da IN RFB nº 958/2009, com a redação dada pela IN RFB nº 1.061/2010, a autoridade autuante procedeu à revisão do lançamento efetuado, emitindo o despacho decisório de fl. 52, com base no Termo Circunstanciado de fls. 49/51, acolhendo em parte os argumentos da contribuinte. Cientificada dessa decisão, a contribuinte não se manifestou. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 66/69), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis desde que comprovadas a efetiva prestação dos serviços médicos ao contribuinte. Cientificada dessa decisão em 5/7/2016 (fl.74), a contribuinte interpôs, em 1/8/2016 (fl.77), seu Recurso Voluntário (fls. 77/88), requerendo o restabelecimento das despesas informadas com Rodrigo de Souza e Cristiane de Oliveira, diante dos documentos juntados ao seu recurso. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.71). É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 15471.000081/201130 Acórdão n.º 2002000.160 S2C0T2 Fl. 95 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. A recorrente requer o restabelecimento das despesas médicas informadas com Rodrigo de Souza e Cristiane de Oliveira. Acerca dessas despesas, a decisão de piso consignou: Em relação ao recibo apresentado que teria sido emitido pelo Rodrigo Jacyhn e Sousa, observase que não consta o endereço do profissional, tampouco o número de sua inscrição no Conselho Regional de Odontologia. No tocante aos recibos que teriam sido emitidos pela Cristiane G. Oliveira, constatase que também não discriminam o endereço da profissional. Portanto, não há como restabelecer a despesa médica declarada como tendo sido paga referente aos dois citados profissionais, por falta de apresentação de documentos que atendem aos ditames estabelecidos pela legislação. Em seu recurso, a contribuinte junta declarações emitidas pelos referidos profissionais (fls.79 e 81), que atendem aos requisitos previstos na legislação de regência. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, cancelando a glosa de despesas médicas no montante de R$3.740,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900633/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2005
PEDIDO DE DESISTÊNCIA INTEGRAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO. LEI Nº 12.996/2014
O pedido de Consolidação de Modalidade de Parcelamento, Lei nº 12.996/2014, e o Demonstrativo de Consolidação juntado aos autos, com indicação de pedido de desistência, impõe o não conhecimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1302-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Ausente Momentaneamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Suplente Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (Conselheiro Suplente), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA INTEGRAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO. LEI Nº 12.996/2014 O pedido de Consolidação de Modalidade de Parcelamento, Lei nº 12.996/2014, e o Demonstrativo de Consolidação juntado aos autos, com indicação de pedido de desistência, impõe o não conhecimento do recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Ausente Momentaneamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Suplente Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (Conselheiro Suplente), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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PER/DCOMP. DESISTÊNCIA. CONSOLIDAÇÃO DE PARCELAMENTO Recorrente HOSPITAIS E CLÍNICAS DO PIAUI S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA INTEGRAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO. LEI Nº 12.996/2014 O pedido de Consolidação de Modalidade de Parcelamento, Lei nº 12.996/2014, e o Demonstrativo de Consolidação juntado aos autos, com indicação de pedido de desistência, impõe o não conhecimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Ausente Momentaneamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Suplente Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (Conselheiro Suplente), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 06 33 /2 00 9- 52 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10384.900633/200952 Acórdão n.º 1302002.659 S1C3T2 Fl. 3 2 Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão n. 0819.222, de 29/10/2010, da 3a. Turma da DRJ de Fortaleza que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Datado fato gerador: 31/01/2005 ESTIMATIVA MENSAL. VALOR PAGO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO OU COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Segundo as normas infralegais de regência no período de 30/12/2005 a 30/12/2008, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O auto de infração referese a Declaração de Compensação (DCOMP, fls. 01/05), por meio da qual a recorrente pretendia compensar crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód. receita 2362), relativo ao período de apuração encerrado em 31/01/2005. O Despacho Decisório da DRF (fls. 06/08), do qual a recorrente foi cientificado, em 03/04/2009 (fls. 10), assim registrou: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Assim, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado. Face a essa decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/12), por meio da qual sustentou que: a) ao preencher o PER/DCOMP entendeu tratarse de um Pagamento Indevido ou a Maior; b) recolheu um valor a maior no período de apuração de 31/01/2005, conforme ficha da DIPJ de 2005. À vista da improcedência de sua Manifestação de Inconformidade, nos termos do acórdão recorrido, a contribuinte foi intimada, em 19/11/2010 (fl. 40) e interpôs o Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10384.900633/200952 Acórdão n.º 1302002.659 S1C3T2 Fl. 4 3 recurso voluntário sob exame, do qual não consta data de juntada. A peça recursal foi subscrita por advogado devidamente constituído (fls. 41/49). A DRJ recebeu o recurso voluntário e determinou a remessa ao Carf sem, contudo, apreciar o pressuposto de admissibilidade, nos termos do despacho de 07/02/2011 (fl. 87). É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Diante da ausência de informação quanto à data de juntada do recurso voluntário, está prejudicada a análise quanto a sua tempestividade. De todo modo, verificase no eProcesso que há solicitação de juntada de pedido de desistência do recurso voluntário, em 05/03/2018, conforme Termo a seguir reproduzido: INTERESSADO: 00.885.918/000165 HOSPITAIS E CLINICAS DO PIAUI S/S LTDA TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA Solicito a juntada dos documentos seguintes ao processo supracitado: l REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DATA DE EMISSÃO: 05/03/2018 11:28:05 por CARLOS ROBERTO RODRIGUES ROSA EQEXE/SAORT/DRF/TSA A solicitação de juntada foi analisada conforme o Termo a seguir reproduzido: TERMO DE ANALISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA Em 05/03/2018 11:28:06 foi registrada a Solicitação de Juntada de Documentos ao processo citado acima. Essa solicitação envolve o(s) documento(s) abaixo relacionado(s): * REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA Para a Solicitação de Juntada de Documentos descrita acima foi(ram) identificada(s) justificativa(s)/observações conforme segue: A Solicitação de Juntada de Documentos teve o(s) seguinte(s) documento(s) aceito(s): * REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA| Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10384.900633/200952 Acórdão n.º 1302002.659 S1C3T2 Fl. 5 4 E o(s) seguinte(s) documento(s) não foi(ram) aceito(s): Nenhum documento foi rejeitado. Data de Emissão: 10/03/2018 00:37:30 Para Relatar USUÁRIO NÃO IDENTIFICADO (70372178) 2a TO3aCÂMARA1aSEÇÃOCARFMFDF 3a CÂMARA1aSEÇÃOCARF MFDF 1a SEÇÃOCARFMFDF DF CARF MF Analisandose os documentos juntados como Pedido de Desistência, verifica se que juntaramse cópia de tela do COMPROT em que há as seguintes informações: Também juntaramse os respectivos comprovantes de Consolidação de Modalidade de Parcelamento da Lei n. 12.996/2014 de Demais Débitos no Âmbito da RFB: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10384.900633/200952 Acórdão n.º 1302002.659 S1C3T2 Fl. 6 5 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10384.900633/200952 Acórdão n.º 1302002.659 S1C3T2 Fl. 7 6 Assim, à vista de tais documentos, não obstante não se verificar expresso pedido de desistência do recurso voluntário, mas considerandose a desistência do recurso voluntário é condição legal a referida consolidação de parcelamento de débitos no âmbito da Receita Federal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Rogério Aparecido Gil Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.954256/2008-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade.
Numero da decisão: 3001-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 56 /2 00 8- 90 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 107 2 alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.288, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 20945.53155.020904.1.7.048727. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 39 a 46), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 20945.53155.020904.1.7.048727) em 02/09/2004, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 7 e seguintes). Nesta declaração, pretende o Contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 10, no valor total de R$ 783,51, com supostos créditos (R$ 783,51) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 6.922,09 (código de receita: 8109), recolhido em 15/08/2003. 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu Despacho Decisório (fls. 2) no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte às fls. 8. 3. Cientificado em 02/12/2008 (fls. 5) da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs a Manifestação de Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 108 3 Inconformidade de 12/12/2008 (fls. 12), tempestivamente, com a juntada de documentos de fls. 13/37 (Despacho Decisório; DARF; DCTF Retificadora; Procuração e cópia de documentos do procurador; Ata da Assembléia Geral Extraordinária e Estatutos Sociais), afirmando, resumidamente, que foi elaborada DCTF retificadora do 3º trimestre de 2003 onde consta o crédito utilizado na PER/DCOMP. Citada DCTF retificadora e o DARF do recolhimento do tributo estão anexados à Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/08/2003 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 109 4 O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 117/2012" (efl. 47) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 48), conheceu do teor do acórdão vergastado em 23.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 22.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 49 a 104). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, conforme os argumentos de defesa a seguir sintetizados, ocasião em que (re)apresenta os documentos, ao final, listados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição em comento, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 se assim entender a Autoridade Julgadora, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise dos documentos ora juntados, na medida em que o pagamento indevido ou a maior pode ser comprovado por todos os meios de prova admitidos em direito, em atenção ao principio da economia processual; 2 o cerne da questão comprobatória constitui no valor devido a título de contribuição social; 3 a declaração de imposto de renda DIPJ juntada aos presentes autos demonstra e comprova o valor devido a titulo de contribuição social é inferior ao efetivamente recolhido para o período em questão; 4 as informações transmitidas pela DCTF prestamse exclusivamente para alocar o crédito tributário o vinculálo, mas, é a DIPJ que o torna definitivo; 5 os valores constantes em DCTF somente têm natureza informativa, ao passo que a DIPJ que têm natureza jurídica declaratória para constituir o crédito tributário, cuja homologação tácita contase em 5 (anos) do primeiro dia do exercício à sua apresentação, tanto para o fisco exigir o crédito tributário apurado na DIPJ como para o contribuinte impugnálo; 6 o direito à compensação contados a partir de 5 (cinco) anos do seu pagamento não desnatura a natureza jurídica contida na DIPJ; 7 a homologação do crédito tributário dáse na DIPJ, tanto é assim, que a prescrição para o fisco cobrar contase da data da referida declaração; 8 os valores informados em DCTF não têm natureza jurídica de confissão de dívida, mas, meramente informativo para efeitos de vinculação do crédito tributário pago; 9 o Per/Dcomp regularmente transmitido têm natureza de processo administrativo fiscal e suspende a exigibilidade do crédito tributário, assim sendo suspende também o prazo prescricional, conforme dispõe o inciso III do artigo 151 do CTN, assim, não haveria impedimento para que a autoridade administrativa procedesse a alteração de oficio nas informações contidas na DCTF; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 110 5 10 a escrituração contábil também deve ser considerada para efeitos de comprovação dos valores recolhido a título de contribuições sociais (PIS/Pasep e Cofins); 11 tanto as informações contidas na DIPJ como na escrituração contábil demonstram e comprovam a existência de valor pago a maior ou indevido a título da referida contribuição, cujo direito compensação não pode ser negado ao contribuinte; 12 devem ser analisados o conjunto dos documentos produzidos pelo contribuinte a fim de poder firmar o convencimento da autoridade julgadora; 13 no exame do recurso 898266 o Carf decidiu que prevalece as informações contidas na DIPJ sobre as informações em DCTF. Diante do alegado, requer o provimento do recurso, declarandose o direito de compensar o valor pleiteado, extinguindose o respectivo crédito tributário. Ou subsidiariamente, seja o julgamento do presente recurso voluntário convertido em diligência, para análise dos documentos ora juntados. Juntamente com a presente peça recursal, (re)apresenta: procuração e cópia de documentos do procurador; ata da assembléia geral extraordinária e estatutos sociais, listagem informando o darf mencionado, despacho decisório, acórdão da decisão recorrida, DIPJ entregue em 22.06.2004 e Livro Razão Geral/Acumulado, referente ao período de janeiro a dezembro de 2003 (em parte). Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 07.10.2014 (efl. 105), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 22.02.2012, depois da ciência ocorrida em 23.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 111 6 Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do alegado crédito tributário e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos, o que, por si só, já responde à condicionante corretamente suscitada pelo interessado, ao assentar que "Se assim entender a Autoridade Julgadora o julgamento pode ser convertido em diligência para análise dos documentos ora juntados". Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. A alegação relatada na peça recursal, por consequência, não está justificada. Dos fundamentos de mérito Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, pouco há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 112 7 por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que (i) o valor do crédito compensado deriva de apuração constante em DIPJ, (ii) o Per/Dcomp regularmente transmitido têm natureza de processo administrativo fiscal e suspende a exigibilidade do crédito tributário, bem assim seu prazo prescricional, não estando a autoridade administrativa, portanto, impedida de alterar de oficio nas informações contidas na DCTF, devendo, por consequência, prevalecer as informações contidas na DIPJ sobre as informações em DCTF. Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A HOMOLOGAÇÃO DO “AUTOLANÇAMENTO” ", que reproduzo, verbis: Voto (...) 4.1. Destacase, por oportuno, que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. 4.2. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. 4.3. Ressaltase, por fim, que o regramento previsto no Decreto nº 70.235/72 é aplicável à Manifestação de Inconformidade em decorrência da previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.833/03. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE NÃO COMPROVADO 5. Inicialmente, cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 113 8 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 5.1. A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. 5.2. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de PIS/PASEP (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 6.922,09 como origem do crédito, conforme fls. 9. 5.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fls. 2). 5.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/07/2003 e Código de Receita 8109, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 5.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 114 9 5.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO PRAZO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 6. Estabelece o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que a Impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) (destaques não constam do original) 6.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 6.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto nº 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 115 10 provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. 6.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A HOMOLOGAÇÃO DO “AUTOLANÇAMENTO” 7. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar esta afirmação apresenta declaração DCTF retificadora do 3º Trimestre (documento anexo à Manifestação de Inconformidade), entregue em 11/12/2008, na qual alterou os débitos de PIS/PASEP anteriormente declarados por meio da DCTF Retificadora transmitida em 22/05/2005. 7.1. Em que pese o acima exposto sobre a necessidade de comprovação documental do alegado, a análise do documento apresentado pelo Contribuinte (DCTF Retificadora) se mostra relevante para a confirmação da improcedência da Manifestação de Inconformidade. 7.2. Inicialmente, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). 7.2.1. De fato, a conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto os dados constantes dos Sistemas da Receita Federal do Brasil, que decorrem das informações prestadas pelo Contribuinte através de declaração fiscal própria (DCTF), válida a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Conforme se verifica no corpo do citado despacho, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados na DCTF transmitida em 22/05/2005 e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF: o valor pago por meio de DARF foi integralmente aproveitado para liquidar tributos declarados pelo Contribuinte como devidos. 7.2.2. Somente após a ciência do Despacho Decisório a Manifestante apresentou declaração retificadora (11/12/2008) na qual, por meio da diminuição do valor do débito de PIS/PASEP anteriormente declarado (DCTF de 22/05/2005), pretende comprovar a origem de seu direito creditório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 116 11 7.3. Cumpre observar, neste ponto, que a análise em apreço envolve declaração de tributo lançado na modalidade por homologação, vez que a Impugnante apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 7.3.1. Sobre o assunto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento.(...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 7.3.2. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 7.3.3. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 117 12 Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento” sem entender ferido o art. 142 do CTN. 7.3.4. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos declarados como devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento”. 7.3.5. Por seu turno, de acordo com o disposto no § 1º do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 1 Curso de direito Tributário, 25a ed., 2004, São Paulo: Malheiros, pp 180/181. 2 Direito Tributário Brasileiro, 14a ed., São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 364. 3 Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro: Forense, p. 829. 4 Manual de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2009, p. 713. 5 Curso de Direito Administrativo, 9ª. Ed., São Paulo: Malheiros, 1997. 7.3.6. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que, caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerase homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 7.4. Neste ponto, relembrase que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 7.4.1. No caso em análise, apreciase suposto direito creditório referente a pagamento indevido originado de erro na declaração de tributo do período de apuração findado em 31/07/2003, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 7.4.2. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/07/2008, o crédito tributário em análise foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 7.4.3. Tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 118 13 defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 7.5. Por seu turno, é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante o disposto no art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 7.5.1. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), deixando de declarar o direito creditício que sustenta deter em face da Fazenda Pública. 7.5.2. Uma vez constatado o suposto erro cometido na declaração DCTF transmitida em 22/05/2005, cumpria à Manifestante a obrigação de dar conhecimento da nova apuração por meio do documento próprio para tanto DCTF Retificadora. Em não o fazendo, frente à relação jurídico tributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 7.6. Assim, foi corretamente emitido o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no presente PER/DCOMP, vez que baseado em documentos hábeis e aptos a produzirem seus naturais efeitos ao tempo da decisão. (...) Do complemento aos termos da decisão recorrida Especificando a cronologia da apresentação dos documentos que importam para a solução do litígio, temos que: (i) Darf do período de apuração de 31.07.2003, código de receita 8109, referente ao PIS/JUL/03, informa o recolhimento, em 15.08.2003, do valor de R$ 6.922,09; (ii) a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2004, do período de 01.01.2003 a 31.12.2003, foi entregue/transmitida em 22.06.2004; (iii) o Per/Dcomp retificador 20945.53155.020904.1.7.048727, foi criado e transmitido em 02.09.2004; (iv) o Despacho Decisório rastreamento 808284509, foi emitido em 24.11.2008 e cientificado em 02.12.2008; (v) a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora, do 3º trimestre de apuração de 2003, que retificou a DCTF retificadora de 22.05.2005, foi entregue/transmitida em 11.12.2008. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 119 14 Feitos estes esclarecimentos, convém, em reforço ao quanto decidido no acórdão vergastado, anotar que os argumentos tecidos pelo recorrente em seu recurso voluntário, notadamente os sintetizados nos itens 4 a 9 do tópico "Do recurso voluntário" falecem de juridicidade e, por consequência, de plausibilidade, pois desde o anocalendário 1998, quando foi instituída a DIPJ, temse que esta declaração possui ter caráter meramente informativo, ocasião em que a DCTF passou a ser instrumento específico de confissão irretratável de dívida e de constituição do crédito tributário. Nesse sentido, transcrevo o disposto no Parecer PGFN 1.372/2012, verbis: (...) 9. Quanto à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ela está presentemente disciplinada pela Instrução Normativa Nº 1.264, de 30 de março de 2012, a qual obriga todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, a apresentarem a DIPJ, centralizada pela matriz. Desde a Instrução Normativa Nº 127, de 30 de outubro de 1998, a obrigação da apresentação da DIPJ é anual. 10. Sobre as diferenças normativas entre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e a DIPJ, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, teceu, entre outras, as seguintes considerações: "27. Não é demais repetir que a previsão de inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DCTF existe desde a publicação da IN SRF nº 126, de 1998, que a criou, mantendose vigente, até os dias atuais, ex vi do art. 8º, § 1º, da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010: Art. 8º. (...) § 1º. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, enviados para inscrição em dívida ativa. 28. Os débitos informados por meio de DIPJ não seguem a mesma sorte, dada a inexistência de previsão nesse sentido, tanto na IN SRF nº 127, de 1998, que a instituiu, quanto no normativo vigente, qual seja, a IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010. 29. Outro ponto que evidencia a natureza diversa das duas declarações reside no fato de constar, do recibo de entrega da DCTF, a informação expressa de que a declaração correspondente constitui confissão de dívida e que os valores ali declarados e não pagos serão encaminhados para inscrição em DAU, nos exatos termos a seguir transcritos: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 120 15 O presente Recibo de Entrega da DCTF contém a transcrição da Ficha Resumo da referida declaração, que constitui confissão de dívida, de forma irretratável, dos impostos e contribuições declarados. Fica o declarante ciente de que os impostos e contribuições declarados na DCTF e não pagos serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme o disposto no parágrafo 2º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. 30. O recibo de entrega da DIPJ, por sua vez, veicula a mensagem de que as informações ali prestadas "correspondem à expressão da verdade", o que não lhe atribui o status de confissão de dívida. 31. O conteúdo das declarações também leva a identificar outra diferença que confere a apenas uma delas o condão de constituir o crédito tributário. A DIPJ traz informações de natureza contábil (balanço patrimonial, despesas operacionais e demonstrativo de lucros ou prejuízos acumulados), informações societárias (dados cadastrais, identificação dos sócios) e informações de natureza fiscal (cálculo do IR mensal por estimativa e sobre lucro real, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por estimativa, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido). 32. Observase que, relativamente às informações fiscais, há dados sobre a base de cálculo, o percentual de alíquota, as eventuais deduções e até mesmo um campo específico para o montante do tributo a pagar. Todavia, não são computados, como na DCTF, eventuais pagamentos com DARF, compensação de pagamento indevido ou a maior, outras compensações, parcelamentos e suspensão da exigibilidade do crédito." 11. Em arremate, o opinativo concluiu: "33. Portanto, verificase que, mesmo trazendo informações detalhadas sobre os tributos que abrange, a DIPJ não é instrumento bastante para a cobrança do débito e não pode ser considerada confissão de dívida, uma vez que o cômputo do valor do tributo nela veiculado não leva em conta dados que possam influir no valor do tributo (pagamentos, compensações) ou na própria exigência do crédito (parcelamentos, suspensão da exigibilidade).(...) 37. Não restam dúvidas de que a DIPJ, de fato, tem caráter meramente informativo, não representa confissão de dívida e não constitui o crédito tributário. (...) 39. Dessa forma, a DIPJ é, ou deveria ser, precedida das DCTFs mensais relativas aos tributos que informa. Se as DCTFs correspondentes aos créditos executados existem e foram entregues, o crédito foi devidamente constituído, não se operando, necessariamente, a decadência, pois a constituição pode ter se dado dentro do prazo legal de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 121 16 cinco anos contados a partir do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) ou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I), conforme o caso. Noutros falares, se o débito exequendo foi regularmente constituído por meio de DCTF, não ocorre a decadência. 40. Outra hipótese a se considerar é a inexistência de DCTFs precedentes à DIPJ sob a qual se fundamenta a execução, ocasião em que, não transcorrido o prazo decadencial, devese informar a RFB sobre o ocorrido, para que proceda ao lançamento do crédito correspondente. Caso contrário, operase, por óbvio, a decadência.(...)" 12. Como visto, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, concluiu que a DIPJ não tem o efeito de se constituir em declaração capaz de configurar lançamento por homologação, porque a DIPJ tem efeito meramente informativo, não constituindo o crédito tributário nem se configurando como confissão de dívida. (...) De se ver, portanto, que a DCTF é consagradamente instrumento de confissão de dívida e suficiente para a inscrição em dívida ativa da União. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no rito dos recursos repetitivos, decidiu que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário (Resp 1.120.295/SP). Reproduzo trecho da ementa, verbis: “4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo e constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 962.379/RS)” Por seu turno, o CTN, em seu artigo 141, prevê que o crédito tributário, regularmente constituído, somente pode ser alterado nas modalidades do artigo 145, verbis: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. (…) Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 122 17 II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. O artigo 156 estabelece os modos de extinção do crédito tributário, verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Observese, por fim, que todas essas modalidades, incluindo a compensação, ensejam a extinção, mas não a desconstituição, do crédito tributário. Evidentemente, a compensação extingue na exata medida do que for compensado. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF retificadora de 22.05.2005 ainda não tinha sido objeto de nova retificação, uma vez que transmitida somente em 11.12.2008, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.954256/200890 Acórdão n.º 3001000.479 S3C0T1 Fl. 123 18 autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ao efetuar a retificação da DCTF somente em 11.12.2008, restou evidenciado o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Não havendo qualquer reparo à decisão recorrida. Da conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915379/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO.
O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
Numero da decisão: 1401-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
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PRECLUSÃO. Recorrente BROTO LEGAL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 53 79 /2 01 1- 04 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10830.915379/201104 Acórdão n.º 1401002.710 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou compensação do(s) débito(s) discriminado(s) na Dcomp transmitida pela empresa. O Despacho Decisório considerou que, partir das características do DARF descrito na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas estes foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Em sua manifestação de inconformidade a Contribuinte alegou, em síntese, que na DIPJ e DCTF do respectivo anocalendário não foram levadas em consideração algumas despesas que mudariam a base de cálculo do IRPJ, juntando DIPJ e DCTF retificadoras. A DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese, que no anocalendário em discussão, não obstante tenha sido aprovada a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP), referidos valores não haviam sido contabilizados e declarados nas apurações dos respectivos tributos. Anos depois, ao verificar tal situação, a empresa então contabilizou os JCP, procedendo ao recolhimento do respectivo IRRF. Junta, então, documentos demonstrando o cálculo do JCP, Razão das contas demonstrando a contabilização extemporânea, comprovante de recolhimento do IRRF, memória de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme a apuração "antiga" e respectivos comprovantes de recolhimento, memória de cálculo do IRPJ e CSLL retificadas e alteração contratual referente ao aumento do seu capital social. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10830.915379/201104 Acórdão n.º 1401002.710 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Relator Luiz Augusto de Souza Gonçalves O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.709, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10830.915387/2011 42, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.709): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pleiteia a contribuinte, via declaração de compensação, o reconhecimento da dedutibilidade de juros sobre o capital próprio (JCP) que vieram a ser registrados na contabilidade em momento posterior. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade por considerar que a DCTF original serviu como confissão de dívida e a empresa não apresentou documentação que comprovasse erro que desse fundamento à retificação do tributo declarado e recolhido. De fato, em sua manifestação de inconformidade a contribuinte se limita a afirmar que o recolhimento foi indevido e a anexar declarações retificadoras, sem tecer qualquer explicação da razão pela qual a retificação estaria sendo feita, nem juntar qualquer documento relativo a tal apuração. Apenas em sede recursal é que a empresa explica o motivo pelo qual entende que ocorreu pagamento a maior de tributos e anexa documentos tais como o Razão e a memória de cálculo dos JCP. Entendo que no caso se operou a preclusão contra a Recorrente. Nos termos da legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972), os fundamentos do pedido ou de defesa, conforme o caso – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade ou da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10830.915379/201104 Acórdão n.º 1401002.710 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa (conforme o caso) e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão nesta ocasião precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Por exemplo, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, nenhuma de tais hipóteses de exceção resta configurada. Cumpre notar que, mesmo que assim não fosse, a Recorrente não logra sequer comprovar adequadamente seu direito, já que não foi juntado aos autos qualquer documento societário referente à deliberação dos JCP. Assim, mesmo que se 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10830.915379/201104 Acórdão n.º 1401002.710 S1C4T1 Fl. 6 5 admitisse a análise da documentação juntada e a supressão de instância daí decorrente, não seria possível verificar a procedência das alegações da Contribuinte. Neste sentido, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 518DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720922/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
CESSÃO DE PRECATÓRIOS DE NATUREZA ALIMENTAR COM DESÁGIO. GANHO DE CAPITAL.
A cessão de precatórios de natureza alimentar pelo beneficiário original do título, ainda que efetuada com deságio, configura acréscimo patrimonial na forma de ganho de capital apurado na alienação de direitos, sujeito à tributação do imposto de renda.
Numero da decisão: 2202-004.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 CESSÃO DE PRECATÓRIOS DE NATUREZA ALIMENTAR COM DESÁGIO. GANHO DE CAPITAL. A cessão de precatórios de natureza alimentar pelo beneficiário original do título, ainda que efetuada com deságio, configura acréscimo patrimonial na forma de ganho de capital apurado na alienação de direitos, sujeito à tributação do imposto de renda.
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GANHO DE CAPITAL. A cessão de precatórios de natureza alimentar pelo beneficiário original do título, ainda que efetuada com deságio, configura acréscimo patrimonial na forma de ganho de capital apurado na alienação de direitos, sujeito à tributação do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, que julgou procedente Auto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 09 22 /2 01 1- 20 Fl. 195DF CARF MF 2 de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao anocalendário 2006 (fls. 2/13). O lançamento decorreu da constatação da omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos adquiridos em reais, nos meses de maio a novembro do anocalendário de 2006, obtidos quando da transmissão de direitos líquidos e certos, visto que o contribuinte cedeu seus créditos em precatório judicial contra o Estado de Alagoas para as pessoas jurídicas Comercial Magazine Sapatos Ltda e GLOBALTEK Comércio e Representações Ltda, nos valores de R$ 112.500,01 e R$ 223.380,85 respectivamente. A decisão guerreada assim resumiu (fls. 154/155) os termos da autuação e da impugnação: O autuado declarou oportunamente, no quadro “rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas pelo titular” de sua DIRPF/2007, os valores recebidos das empresas acima citadas, informando também os valores correspondentes que foram retidos a título de “imposto de renda na fonte” e “contribuição previdenciária oficial”. Contudo, a autoridade fiscal, considerando, no presente caso, nulo o custo de aquisição do direito cedido, apurou como Ganho de Capital o valor líquido efetivamente creditado ao cedente no anocalendário de 2006, representado pelas 07 (sete) parcelas recebidas de maio a novembro do referido ano, no montante de R$ 217.229,93. Em sua peça impugnatória de fls.87/96, instruída com os elementos de fls. 97/148, o contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: Dos Fatos: 1) O Fisco quando lavrou o Auto de Infração em tela “não levou em consideração que os créditos em precatório cedidos eram do tipo alimentício, isto é, correspondiam a vencimentos que o contribuinte não recebeu à época devida, pelo que foi devidamente pago o imposto de renda e a contribuição para a previdência estadual, consoante os comprovantes em anexo”; Da Natureza dos Rendimentos Omitidos: 2) “Os créditos em precatório cedidos pelo contribuinte decorreram de parcelas salariais que o Estado de Alagoas (Tribunal de Contas) não lhe pagou no tempo devido, razão pela qual ingressou com ação judicial, que foi exitosa”, ou seja, “o precatório pelo contribuinte é da espécie precatório alimentício, o que não foi contestado em momento algum pelo Sr. Fiscal”; Da Cessão de Crédito Alimentício Consubstanciado em Precatório: 3) “A cessão de créditos sempre foi permitida no ordenamento jurídico pátrio, mas a cessão dos créditos em precatórios somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional nº 30/2000” e “o douto legislador constituinte derivado criou a figura da compensação dos créditos em precatório com tributos da entidade devedora, o que gerou interesse de empresas em adquirir tais créditos, com enorme deságio, para compensálos com tributos”; 4) “No Estado de Alagoas, a cessão de créditos em precatório e sua utilização na liquidação de tributos se trata de uma operação conjunta, plenamente vinculada, na qual participam o Estado, o credor do Estado e a empresa que pretende utilizar o crédito para quitar seus tributos”; 5) “Desse modo, o Estado de Alagoas ratifica a existência do precatório no valor descrito pelo credor, fiscaliza se a cessão está sendo operada nos ditames estabelecidos na Lei (a fim de evitar deságios abusivos), descreve o valor do débito tributário que a empresa possui e estipula quanto do crédito poderá ser utilizado na quitação do tributo e quanto a empresa terá que pagar em pecúnia, a fim de que o Estado não zere sua arrecadação”; 6) “Ocorre que, como o crédito trata de verba alimentícia (vencimentos atrasados), o Estado de Alagoas determina que seja feita a retenção e o consequente recolhimento da contribuição previdenciária e do imposto de renda para o próprio Estado, pois assim ocorreria se o Estado tivesse pago devidamente ao contribuinte, seja na época devida ou seja por meio do pagamento Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10410.720922/201120 Acórdão n.º 2202004.582 S2C2T2 Fl. 196 3 do precatório”; 7) “Em virtude dessa operação ser conjunta, é que inexiste alteração da natureza jurídica da verba recebida pelo credor originário, pois o Estado lhe paga o precatório por meio de uma operação de caixa (mera escrituração contábil), onde se recebe o pagamento de um tributo (empresa) e se paga um crédito em precatório (contribuinte)”; 8) Portanto, para o contribuinte “a verba recebida continua sendo alimentícia, decorrente de vencimentos atrasados, de modo que os valores recebidos devem ser declarados sob a rubrica de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica (Estado de Alagoas) e não como ganho de capital”; 9) “Tanto é, que o próprio fiscal autuante admite que o Estado de Alagoas declarou ter pago ao contribuinte o valor bruto recebido por este com a cessão dos precatórios, ao passo que as empresas nada declararam”; Da Divergência entre o Estado de Alagoas e a Receita Federal: 10) “Enquanto o Estado de Alagoas entende pagar os vencimentos inadimplidos (o que concordamos), a Receita Federal entende que a cessão configura ganho de capital, não importando de onde surgiu o crédito e qual a sua real natureza jurídica”; 11) O maior prejudicado é o contribuinte, o qual “além de se submeter a um grande deságio para o recebimento do crédito”, recolhe o imposto de renda à alíquota de 27,5% – para o Estado – e ainda sofre cobrança de imposto de renda – para a União – à alíquota de 15% sobre o valor líquido recebido ao final de toda a operação; 12) Não pode o contribuinte ser obrigado a pagar duas vezes o mesmo tributo em razão do mesmo fato gerador, “pois isso vai totalmente de encontro ao princípio constitucional da probidade administrativa e à vedação bis in idem”; 13) “Mesmo predominando o entendimento de que o rendimento deve ser tributado apenas como ganho de capital, todo o tributo devido já foi recolhido pela retenção efetuada, conforme guias em anexo, inclusive o valor recolhido é superior ao que a Receita Federal considera devido”; Da Base de Cálculo para Imposto incidente sobre Ganho de Capital: 14) Em virtude do alto deságio praticado nessas operações, o contribuinte não teve lucro algum, teve prejuízo; Do Princípio da Moralidade – Do Direito à Restituição dos Valores Pagos a Maior: 15) “Sendo o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil de que incide apenas o imposto de renda sobre Ganho de Capital, no percentual de 15%, claro está que houve recolhimento a maior por parte do contribuinte, devendo a Receita Federal apurar o valor recebido a maior e efetuar a restituição ao contribuinte, aplicando os princípios da moralidade e eficiência na Administração Pública”. (grifos do original) A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 153/158), ensejando a interposição de recurso voluntário em 27/04/2015 (fls. 163/188), no qual foram reiterados, em linhas gerais, os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe afastar as alegações do recorrente no sentido de que estaria havendo cobrança em duplicidade do imposto de renda sobre as operações de cessão de crédito. Fl. 197DF CARF MF 4 Conforme mencionado, e admitido na peça recursal, o contribuinte cedeu precatórios seus contra a Fazenda Pública do Estado de Alagoas, de natureza alimentar, a duas empresas Comercial Magazine Sapatos Ltda e GLOBALTEK Comercio e Representações Ltda. que as utilizaram no adimplemento de tributos. Sem embargo da operação de cessão de créditos, o direito em questão permanece com a sua natureza original, incidindo a tributação de imposto de renda na fonte de acordo com esse caráter, quando da quitação do precatório pelo ente público, ainda que isso aconteça perante terceiro que não o beneficiário primeiro do título. Assim, tendo como origem diferenças salariais, estará sujeito à tributação de acordo com a tabela progressiva. Nesse sentido, esclarece com propriedade o Parecer SRF Cosit nº 26/00: 18. Quanto à fonte pagadora (Fazenda Pública), o crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em que for quitado pela Fazenda Pública. 18.1. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto de renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal a homologação da compensação do precatório com débitos do cessionário para com a Fazenda Pública. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça trilha a mesma senda, vide, ilustrativamente, o decidido no REsp nº 1.505.010/DF (DJe 09/11/2015) e, recentemente, no REsp nº 1.405.296/AL (DJe 28/09/2017). Desse modo, constatase que o acordo de cessão de direitos não afasta a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em que for quitado pelo Estado, não se alterando a natureza da tributação do crédito, o qual deverá ser informado na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) pela fonte pagadora do precatório, constando como beneficiário do rendimento o cedente, a despeito da transação envolvendo as partes e o Estado federado, que não impacta na competência da União para cobrar o imposto de renda devido nos termos da legislação de regência. E se houve o abatimento do valor correspondente ao imposto na fonte quando da operação de cessão de créditos, tratase de procedimento que em nada afeta a realização do fato imponível do imposto de renda na fonte ulteriormente, quando da efetiva quitação do precatório pela Fazenda Pública estadual, não havendo assim falar em compensação dos valores discriminados sob esse título caso apurado ganho de capital a recolher. Noutro giro, deve ser verificada a efetiva ocorrência desse ganho na espécie, trazendose à colação o regramento da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10410.720922/201120 Acórdão n.º 2202004.582 S2C2T2 Fl. 197 5 § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) (grifei) Resta claro, assim, que a cessão de direitos é hipótese de alienação sujeita à apuração de ganho de capital. No caso, deuse cessão de precatório, definido esse como ordem judicial em que a autoridade forense determina o pagamento ao credor de importância líquida e certa em razão de sentença condenatória transitada em julgado imposta a pessoa jurídica de direito público, que deverá incluílo na lei orçamentária anual. Destarte, configura título judicial representativo de um crédito de titularidade da pessoa física ou jurídica que estabeleceu a lide contra o poder público, ou seja, um direito de crédito que pode ser objeto de cessão a terceiros independentemente da concordância do devedor, como previsto expressamente, aliás, nos §§ 13º e 14º do art. 100 da CF. No particular, não é questionado o valor das alienações, bem circunstanciado nos documentos juntados aos autos, mas sim o custo de aquisição, estipulado como zero pela fiscalização (fl. 5), sob o entendimento firmado no mencionado Parecer SRF Cosit nº 26/00 e Soluções de Consulta Cosit nos 153/14 e 208/17, dentre outras, que tiveram por esteio a aplicação do § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/88, abaixo transcrito: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. Fl. 199DF CARF MF 6 § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) O precitado Parecer SRF Cosit nº 26/00, por seu turno, assim aborda o tema em seu item 16.1: 16.1. O valor de alienação será o valor recebido do cessionário, e o custo de aquisição será igual a zero, já que não há valor pago pelo precatório e nem há possibilidade de aplicação das modalidades de atribuição de custo de que tratam os incisos I a V do art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, art. 16, § 4º). A abordagem da matéria deve principiar por ressaltarse que o direito aferido judicialmente não tem por antecedente, na espécie, lesão a bens ou direitos já incorporados juridicamente ao patrimônio do contribuinte. Isso porque a lide, consoante noticia o próprio em sua impugnação, envolvia diferenças de vencimentos, não pagas à época apropriada pelo ente público.Nessa esteira, a aquisição de disponibilidade jurídica dessa riqueza nova se opera com o trânsito em julgado da sentença em favor do beneficiário que reconhece o direito, e delineia o montante devido, momento a partir do qual a riqueza é passível, inclusive, de cessão a terceiros. Não há contudo custo de aquisição, propriamente dito, associado a essa percepção. Não se paga preço para tanto, e não se adequam à situação as alternativas para tanto configuradas nos incisos do art. 16 da Lei nº 7.713/88, atraindo a incidência do disposto no § 4º desse dispositivo legal. Notese que o valor corrente do direito, previsto no inciso V do art. 16, não tem pertinência no particular, visto não ser possível associálo, sob qualquer ângulo, a um custo, despesa, ou saída de recursos para obtenção do precatório. Tampouco vinculálo a uma perda patrimonial prévia a afligir a esfera do contribuinte, e que poderia estar sendo restabelecida, em tese, pela via judicial, pois tal não se verifica no caso em apreço, de acordo com o já explicado. Tal fato não passou despercebido por recorrente jurisprudência do CARF, podendose citar os Acórdãos nº 9202005.322 (j. 30/03/2017) e nº 2202002.976 (j. 15/02/2015), os quais reprisam os termos de julgados mais antigos, a saber os Acórdãos nº 04 01.021 (j. 05/05/2008), nº 0400.431 (j. 12/12/2006), e nº 0400265 (j. 12/06/2006), valendo transcrever o seguinte trecho deste último: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10410.720922/201120 Acórdão n.º 2202004.582 S2C2T2 Fl. 198 7 Assim, na operação em questão, o contribuinte não pagou qualquer preço pelo precatório, portanto o custo de aquisição a ser considerado, conforme a legislação transcrita, é zero. Vale repisar que o direito mensurado em sede judicial, de forma definitiva, dotado de certeza e, não bastasse, também do atributo disponibilidade, é passível de ser cedido/alienado a terceiros. Porém, ainda não está sujeito à informação na declaração de ajuste no anocalendário em que transitada em julgado a decisão, dado que a legislação do imposto de renda atémse, em regra, ao regime de caixa. Assim, pode optar o beneficiário originalmente contemplado pelo título judicial por aguardar o trâmite orçamentário para receber esse seu direito de natureza patrimonial, recebendo então os rendimentos acumulados devidos pelo valor de face corrigido, e informandoos na respectiva declaração de ajuste anual. Noutro giro, pode antecipar o auferimento de "caixa" decorrente de tal título, ainda que em montante menor, ao desfazerse de tal direito via convenção particular, a qual traduzse em verdadeira operação de alienação de direitos sobre a qual incide o imposto de renda sobre ganho de capital, a teor do art. 3º da Lei nº 7.713/88, tendo em vista o acréscimo patrimonial daí decorrente. Também convém afastar possível equivocada percepção no sentido de que, por ter sido o direito cedido por quantia inferior a seu valor "de face", não existiria ganho tributável na operação. Ainda que o preço de venda de um bem ou direito seja inferior ao seu preço de mercado, ou valor de face, etc., para a aferição do ganho de capital devese realizar o confronto entre o valor de alienação e o custo de aquisição, pois é no evento alienação a terceiro que se revela o acréscimo patrimonial até então latente, e auferido pelo alienante nessa ocasião. No caso em tela, havendo sido alienado o direito consubstanciado em precatório judicial por montante superior ao seu custo este firmado em zero face à legislação de regência é de rigor o pagamento do imposto de renda sobre tal ganho de capital, tal como exigido no lançamento guerreado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.720063/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OBSCURIDADE.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou a decisão contiver obscuridade.
MULTA QUALIFICADA E PUNITIVA. PROVIMENTO DO RECURSO.
Diante do provimento do recurso voluntário devem ser excluídas da fundamentação da decisão embargada a parte relativa as multas que não foram objeto de deliberação por parte do colegiado, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2202-004.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que sejam excluídos da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva, nos termos do voto da relatora, e para que seja corrigido o erro material da ementa da decisão, substituindo-se o assunto intitulado "imposto de renda pessoa física", por "contribuições sociais previdenciárias", matéria discutida nos autos.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OBSCURIDADE. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou a decisão contiver obscuridade. MULTA QUALIFICADA E PUNITIVA. PROVIMENTO DO RECURSO. Diante do provimento do recurso voluntário devem ser excluídas da fundamentação da decisão embargada a parte relativa as multas que não foram objeto de deliberação por parte do colegiado, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que sejam excluídos da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva, nos termos do voto da relatora, e para que seja corrigido o erro material da ementa da decisão, substituindose o assunto intitulado "imposto de renda pessoa física", por "contribuições sociais previdenciárias", matéria discutida nos autos. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 63 /2 01 2- 71 Fl. 230DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2202004.020, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão plenária de 04 de julho de 2017, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010 LANÇAMENTO. PROVAS INDICIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Cabe a fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. (CFL 38) Por se tratar de infração formal, sem qualquer nexo com a obrigação principal deve ser mantida a penalidade por ter a empresa apresentado livro Diário sem as formalidades legais. Cientificada da decisão em 10/08/2017 (despacho de encaminhamento de fls. 219), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em 11/09/2017 (fls. 220/223), alegando obscuridade, uma vez que tendo o colegiado apreciado o mérito da discussão e concluído pela improcedência do lançamento, a turma não discutiu e votou a desqualificação da multa e a redução do patamar da multa punitiva. Todavia, do voto da relatora consta a fundamentação dessas duas questões. Diante desses fatos, conclui a embargante que: Entretanto, inobstante a clara desnecessidade, a Relatora fez constar na fundamentação os motivos pelos quais afastava também a multa qualificada e a retroatividade benigna aplicada para a multa punitiva. Dessa forma, para que a União possa exercer plenamente o seu direito de defesa, assim como para afastar eventual supressão de instância para o contribuinte, caso a CSRF julgue procedente recurso especial da União, necessário que seja aclarado o acórdão, para excluir da fundamentação as matérias que não foram objeto de votação pela Turma, quais sejam, qualificação da multa e a aplicação da multa punitiva, conforme se depreende da ementa do acórdão. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.657 S2C2T2 Fl. 231 3 Entretanto, remotamente, acaso tenham sido objeto de votação, tendo em vista a inutilidade da discussão que permeia tais pontos (qualificação da multa e a aplicação da multa punitiva), que reste expressamente consignado na ementa do julgado o entendimento adotado, para espancar qualquer dúvida acerca do que foi realmente votado. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de que seja afastada a obscuridade apontada, para que não restem dúvidas acerca do que foi realmente votado pela Turma, propiciando a recorribilidade da União de forma plena.(grifos originais) Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise dos erros materiais e da obscuridade apontados no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Corretas as alegações do embargante. Como já reconhecido no despacho de admissibilidade: A PFN suscita a exclusão da decisão embargada da parte que não foi objeto de discussão e votação pelo colegiado, qual seja, qualificação da multa e redução da multa de ofício. De fato, observase que na ementa do julgado não constam tais matérias, o que nos conduz à conclusão de que, ou a matéria não foi de fato objeto de discussão e votação pela turma, ou a ementa contém omissão quanto a essas questões. Por outro lado, verificase a ocorrência de erro material relativo ao assunto constante na ementa, onde ao invés de CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS constou IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Assim, considerando o erro material agora detectado e que os embargos revelaram a ocorrência de mácula saneável pela via dos embargos, estes devem ser admitidos. Com efeito, as matérias relativas a redução da multa qualificada no percentual de 150% , bem como a redução do percentual da multa punitiva não foram objeto de apreciação pela turma julgadora, uma vez que esta concluiu pelo integral provimento do recurso voluntário. Sendo assim, para que se evite supressão de instância caso seja dado provimento à eventual Recurso Especial da Fazenda Nacional os seguintes pontos devem ser excluídos da decisão embargada: Fl. 232DF CARF MF 4 2.4) Da aplicação da multa agravada no percentual de 150% O Recorrente se insurge, também, quanto a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que não teria utilizado de qualquer artifício para ocultar o que teria ocorrido, como falsificação de notas e adulteração de comprovantes. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Por mais que se reconheça a prática de planejamento fiscal não oponível ao fisco, entendo que não está configurada a fraude penal necessária a aplicação da multa agravada. Como esclarece MARCO AURÉLIO GRECO em sua obra planejamento fiscal: Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca do intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc. prevista no inciso I que vai levar a multa em dobro. Se não houve o intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legalmente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir etc. Hipóteses de razoável e justificável divergência de qualificação jurídica não configuram a "fraude" a que se refere o incido II. Poderão em tese configurar fraude civil ou fraude à lei, mas esta não está alcançada pelo inciso II. (grifamos) Além disso, o artigo 112 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que " A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato". Em face do exposto, entendo que a multa agravada deverá ser reduzida para o percentual de 75%; 2.5) Da correta aplicação da multa punitiva Por fim, alega a Recorrente que, se alguma multa de mora fosse aplicada esta deveria ser a multa de 20% previta no artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.657 S2C2T2 Fl. 232 5 Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Conforme consta do voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto, proferido na decisão constante do Acórdão 2202003.445: Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Em face do exposto, dou provimento ao recurso para reduzir a multa para 0,33%, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96); Em face do exposto, dou provimento aos embargos para que sejam excluídas da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva. Da mesma forma, deve ser corrigido o erro material da ementa da decisão quando menciona como assunto o "imposto de renda pessoa física", quando a matéria em discussão referese às contribuições sociais previdenciárias. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 234DF CARF MF 6 Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901640/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE MATÉRIA RECORRIDA. PETIÇÃO APRESENTADA SEM CONTÚDO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Ausente qualquer irresignação ao que decidido pela DRJ, e tendo o contribuinte apresentado mera petição informando o parcelamento dos débitos não se conhece como se recurso voluntário ante a total ausência de matéria recorrida.
Numero da decisão: 1301-000.654
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do Recurso Voluntário.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE MATÉRIA RECORRIDA. PETIÇÃO APRESENTADA SEM CONTÚDO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Ausente qualquer irresignação ao que decidido pela DRJ, e tendo o contribuinte apresentado mera petição informando o parcelamento dos débitos não se conhece como se recurso voluntário ante a total ausência de matéria recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Verificase pela análise do presente processo que a recorrente apresentou DCOMP Eletrônica n° 19634.65818.131103.01.3.029938, utilizando crédito decorrente de saldo negativo do IRPJ ano calendário 2002. Referidas DCOMP foram analisadas em procedimentos informatizados, resultando na não homologação das compensações. Depreendese que de acordo com o Despacho Decisório (fl. 08), o valor do saldo negativo do IRPJ na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do ano calendário de 2002 era de “R$ 0,00”. Devidamente cientificada (fl. 15), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 16 – 20), alegando em síntese que seu direito encontrase respaldo no artigo 165 do CTN, porquanto no período de 01/01/2002 a 31/12/2002, apurou crédito em decorrência de pagamentos superiores ao apurado, uma vez que recolheu por estimativa o imposto que seria devido anualmente, calculado com base em balancete mensal de redução. Salientou ainda, que em face de o recolhimento mensal ser baseado em balancete de redução, a falta de um lançamento contábil poderia gerar um imposto devido maior que o recolhido, razão pelo qual sempre recolheu um valor superior ao devido, gerando crédito ao final do período. A recorrente apresentou ainda cópias de recolhimentos de IRPJ, código 5993 (fls. 44 – 47), sendo anexados pela autoridade administrativa os documentos de folhas 122 a 125. Em análise da Manifestação de Inconformidade mencionada acima, a 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 126 a 129, deferiu em parte a solicitação homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. No mister de fundamentar o que decidido, a decisão recorrida relembrou que o Despacho Decisório de folha 08, não apurou qualquer crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, porquanto na DIPJ/2003 o valor informado era de R$ 0,00 e que a recorrente alegou em sua Manifestação de Inconformidade que possuía o crédito, apresentando cópia dos pagamentos (fls. 44 – 47), totalizando R$ 57.000,00 de recolhimento a título de IRPJ, código 5993. Feita essa recapitulação preliminar, a decisão recorrida mencionou que em pesquisas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (fls. 122 – 123), constatou se que a recorrente foi cientificada, em 04/09/2006, do Termo de Intimação, n° de rastreamento 621675614, discriminando as divergências apuradas no confronto entre as declarações da PER/DCOMP, DIPJ e DCTF, todas concernentes ao crédito em questão, saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002 e que no mesmo Termo, constaria a intimação para retificar as Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10825.901640/200854 Acórdão n.º 1301000.654 S1C3T1 Fl. 2 3 referidas declarações e sanear as divergências, inclusive quanto ao detalhamento do crédito utilizado na formação do saldo negativo de IRPJ. Destacou a decisão recorrida, que a despeito da dita intimação não constaria qualquer alteração nos sistemas e em 28/11/2008, somente na manifestação de inconformidade, a recorrente esclareceu a formação do crédito, com a apresentação dos pagamentos. Assim sendo, entendeuse que o procedimento adotado pela recorrente, deixando de atender à intimação anterior à decisão, contribuiu para que a Administração não tivesse conhecimento de todas as informações concernentes ao crédito, prejudicando a análise. Salientando, entretanto, que estando a Administração Pública vinculada ao Princípio da Verdade Material, cumpriria reconhecer que assiste razão em parte à recorrente. Diante disso, assinalouse que os pagamentos foram confirmados nos sistemas, e estão vinculados aos débitos constituídos a título de estimativas de IRPJ, declarados nas DCTF apresentadas para o período em questão (fls. 124 – 125) e nos termos do artigo 2° da Lei n° 9.430/96, os pagamentos recolhidos a título da estimativa são considerados antecipações do imposto devido no final do período e como houve a apuração de prejuízo no final do período, conforme DIPJ/2003, Ficha 09A — Demonstração do Lucro Real (fl. 55), reconheceu se que eles compõem o saldo negativo de IRPJ, cabendo sua restituição ou a compensação, conforme artigo 6°, §1°, inciso II da Lei n° 9.430/96. No mais, destacouse que a despeito de a recorrente não ter preenchido a Ficha 12 A da DIPJ/2003, deixando de apurar o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, entendeuse que a natureza de pagamento indevido não foi afastada, de sorte que o preenchimento da DIPJ/2003 deveria refletir sua escrituração, e apurar corretamente o imposto, mas comprovado que houve recolhimentos de estimativas, devidamente declaradas nas DCTF, assentouse ter havido erro formal no preenchimento da DIPJ/2003, já que não se informou as antecipações do IRPJ que formaram o saldo negativo, não sendo motivo para indeferimento do pedido. Por essas razões, concluiuse que estariam comprovados os requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, previstos no artigo 170 do CTN, ou seja, a certeza e liquidez, ainda que parcial, no montante de R$ 57.000,00, e não de R$ 86.161,72, como informado na DCOMP inicial, apresentada em 13/11/2003. Devidamente notificada (fl. 138), a contribuinte apresentou petição de folhas 139 a 140 aduzindo que em razão do deferimento parcial do direito creditório e, por conseguinte remanescer débito a pagar, optou pelo parcelamento dos débitos consoante disposto na Lei nº. 11.941/09, apresentando para tanto Recibo de Declaração de Inclusão da Totalidade dos Débitos no Parcelamento (fl. 141), requerendo a inclusão no aludido débito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP certificou a interposição de Recurso Voluntário (fl.14), propondo o encaminhamento do feito para esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Em prejuízo da certidão de encaminhamento da zelosa Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF de Bauru/SP (fl. 149), não há inconformismo do contribuinte a ensejar atuação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com efeito, no documento apresentado pela contribuinte após a ciência da decisão proferida pela DRJ (fls. 139 – 140), não há irresignação ao que decidido por aquele órgão primitivo, pelo contrário, a contribuinte assevera que pela parcial procedência da Manifestação de Inconformidade e o débito que remanesceu, optavase por parcelar a totalidade dos débitos. Ausente qualquer inconformismo ou matéria a reclamar posicionamento desse CARF, não conheço da petição de folhas 139 e 140 como se recurso fosse. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10740.720025/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa.
Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade.
FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO.
No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório.
ARROLAMENTO DE BENS.
Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF.
A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituí-lo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível.
INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ.
A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário.
INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON.
O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS.
A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE.
Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150%
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA.
A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO.
Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-002.077
Decisão: (assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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decisao_txt : (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituí-lo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-20T18:23:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-07-20T18:23:14Z; dcterms:modified: 2018-07-20T18:23:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-07-20T18:23:14Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-20T18:23:14Z; meta:save-date: 2018-07-20T18:23:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-20T18:23:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 114; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 500 1 499 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10740.720025/201427 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.077 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2018 Matéria IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente COSTA JUCÁ CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 25 /2 01 4- 27 Fl. 500DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 501 3 A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los. Relatório O acórdão nº 1459.770, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), negando provimento à Manifestação de Inconformidade, formalizada pelo contribuinte, relatou com exatidão os fatos, conforme a seguir reproduzido: Tratase de: Autos de Infração (fls. 02/103) à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre Fl. 502DF CARF MF 4 o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), objeto do processo nº 10740.720068/201411, abrangendo os anoscalendário de 2010 a 2012 e lavrados na sistemática do Lucro Presumido e no âmbito da DRF Vitória – ES, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 15.097.563,35, aí incluídos principal, multa de 150% e juros de mora (estes últimos calculados até outubro/2014), com imputação de: (i) omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e (ii) receita da atividade escriturada e não declarada; Despacho Decisório exarado no processo nº 10740.720024/201482, apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 31798.32047.23092013.1.3.035781, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 1º trimestre de 2012 formado por retenção na fonte de código 5952 – Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, apurada, segundo indicado, no 1º trimestre de 2012, no valor de R$ 1.700.000,00 (fls. 15/16 e 179/193 daqueles autos); Despacho Decisório exarado no processo nº 10740.720025/201427,apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 36084.01841.10102013.1.3.039068, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 1º trimestre de 2013 formado por CSLL Retida na Fonte no código 5952 – Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, apurado, segundo indicado, no 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 100.000,00 (fls. 29/30 e 178/197 daqueles autos); Despacho Decisório exarado no processo nº 10783.720248/201498, apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 18187.18093.230913.1.3.038998, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 4º trimestre de 2011 formado por CSLL Retida na Fonte no código 5952 –Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL,COFINS e PIS/PASEP, apurado, segundo indicado, no 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 1.700.000,00 (fls. 03/04 e 179/199 daqueles autos) Auto de Infração com aplicação de multa isolada por compensação indevida, objeto do processo nº 10740.720069/201457, apenso ao presente, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 1.768.668,25 (fls. 02/07 daqueles autos); Além dos processos acima mencionados, também estão juntados ao processo principal nº 10740.720068/201411, os seguintes processos nºs: 10740.720071/201426 no qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais; 10740.720073/201415 referente a arrolamento de bens. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 502 5 Os processos em que foram formalizados os Autos de Infração e Despachos Decisórios acima relacionados serão aqui relatados e apreciados em conjunto, tendo em conta que decorrem de fatos que se relacionam entre si, contextualizados no Termo de Verificação nº 091513/2013 de fls. 105/202 do processo nº 10740.720068/201411, Termo este que também instrui o processo 10740.720069/2014 57 (às fls. 09/105), bem como os processos 10740.720024/2014 82 (às fls. 57/153), 10740.720025/201427 (às fls. 56/152) e 10783.720248/201498 (às fls. 57/153). Os números das folhas mencionadas a seguir, quando não especificado o processo a que se referem, são relativos ao processo nº 10740.720068/201411. No referido Termo de Verificação (fls. 105/201), inicia a Fiscalização esclarecendo que a auditoria teve como escopo a verificação das operações de cessão de créditos representados por Títulos da Dívida Pública e descreve seu procedimento, de forma detalhada, mediante os seguintes tópicos constantes de fls. 106/133: 2.1 TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº 01 1513/2013:....................................................................................2 2.2 RESPOSTA AO TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº 011513/2013:............................................................3 2.3 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02 1513/2013:....................................................................................4 2.4 RESPOSTA AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02 1513/2013:....................................................................................4 2.5 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 031513/2013:...............................................................................8 2.6 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 03 1513/2013:..................................................................................13 2.7 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 04 1513/2013:..................................................................................13 2.8 RESPOSTA AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 04 1513/2013:.................................................................................14 2.9 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 051513/2013:............................................................................14 2.10 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 051513/2013:....................................16 2.11 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 061513/2013:............................................................................ 16 Fl. 504DF CARF MF 6 2.12 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 061513/2013:....................................19 2.13 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 071513/2013:.............................................................................22 2.14 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 071513/2013:....................................24 2.15 TERMO DE DEPOIMENTO DE CLAUDIO ASSIS COSTA Nº 081513/2013:........................................................................25 2.16 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 091513/2013 A ROGÉRIO ALVES LOUREIRO:................................................................................27 Na sequência, assevera a Fiscalização o MODUS OPERANDI DA COSTA JUCA NA “COMPENSAÇÃO” DE TRIBUTOS, como segue: (fls. 133/137) Da análise dos documentos apresentados e das demais informações resultantes deste procedimento fiscal identificamos que o seguinte modus operandi da contribuinte para obtenção de suas receitas: a) A COSTA JUCA procurava empresas para a elas “vender” sua proposta denominada “Alternativas & Sucesso”, que formalmente consistia da cessão de créditos originários de títulos públicos (Letras do Tesouro Nacional ou Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, por exemplo) para compensação de débitos de tributos federais. Materialmente, como veremos a seguir, a prática era bem mais simples: a COSTA JUCA promovia a retificação das DCTF originalmente apresentadas pelos contribuintes, com vistas a eliminar ou diminuir o valor dos tributos declarados sem, em momento algum, lançar mão de qualquer pedido de compensação utilizando os supostos créditos representados pelos títulos públicos. b) No depoimento prestado à fiscalização, o sócio oculto e administrador da COSTA JUCA, CLAUDIO ASSIS COSTA, admitiu que a retificação das DCTF promovendo a redução e até a exclusão de tributos devidos eram realizadas por procuradores indicados pela própria COSTA JUCA. c) Com vistas a dar confiabilidade a sua proposta, a COSTA JUCA apresentava a seus futuros clientes documentos que comprovariam a veracidade e o valor atualizado dos títulos públicos, bem como promovia a cessão dos créditos por eles representados por meio de escritura pública registrada em Cartório de Registro de Títulos. Tais documentos foram apresentados a essa fiscalização, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal nº 011513/2013 e ao Termo de Intimação Fiscal nº 021513/2013. d) Em sua negociação a COSTA JUCA utilizavase de três tipos de contrato: Instrumento Particular de Compra e Venda, Instrumento Particular de Prestação de Serviço e Contrato de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 503 7 Prestação de Serviços de Consultoria Tributária e Venda de Ativos. e) Os dois primeiros contratos definiam como remuneração devida 60% do valor “compensado”, em relação aos tributos vencidos e 70% em relação aos tributos vincendos, como cláusula de sucesso, a ser paga quando da “utilização do crédito”. A obrigação do pagamento do valor devido à contratada se concretizava tão logo fosse apresentado o documento comprobatório emitido pelo órgão credor, declarando a devida liquidação por compensação dos débitos. f) Além disso, a contratante se compromete a fornecer instrumento procuratório diretamente à contratada (COSTA JUCA) com plenos poderes para representála perante “todo e qualquer órgão da União, Estado e Município”. g) Já no Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Tributária e Venda de Ativos, a COSTA JUCA contrata a pessoa jurídica MIRANDA & SOUZA CONSULTORIA EM TI LTDA ME, para a prestação de serviços de análise e regularização dos tributos federais vincendos, da terceira pessoa interessada na compensação de suposto crédito decorrente do DecretoLei nº 6.019, de 1943 – CRÉDITO DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA do Governo Brasileiro, para quitação de tributos federais vincendos. h) Neste contrato a remuneração prevista é 11% do valor do débito original já declarados ou daqueles que venham a ser declarados em DCTF mensalmente. Tal valor seria pago “de acordo com a utilização dos créditos para pagamento dos débitos”. i) Além disso, o contrato previa que a contratada se obriga a entregar, ao término do trabalho, “extrato de emissão de certidão ausente de pendências junto ao sistema de cobrança SIEF”. j) No curso deste procedimento de fiscalização e de outros realizados em pessoas jurídicas que teriam “adquirido” o crédito, restou verificado que todo esse documental tinha por objetivo, única e exclusivamente, o convencimento da pessoa jurídica a ser contratada, quanto à licitude do procedimento. Não houve, como não há, qualquer procedimento administrativo em que tais documentos tenham sido apresentados à Secretaria da Receita Federal do Brasil com vistas ao reconhecimento do crédito, seja ele decorrente dos títulos públicos ou os decorrentes do DL nº 6.019, de 1943. k) Na verdade, o modus operandi da “consultoria” COSTA JUCA era bem mais grosseiro e podia se dar de uma das duas formas a seguir descritas: k.1 Por via da retificação das DCTF originalmente apresentadas: Fl. 506DF CARF MF 8 • A empresa detentora dos débitos a serem compensados apresentava normalmente sua DCTF mensal, informando os valores dos tributos devidos e para os quais não havia a conseqüente quitação; • A COSTA JUCA, por intermédio de procuradores por ela indicados, promovia a apresentação de DCTF retificadora em que reduzia/zerava as informações originalmente apresentadas pela contratante; • Para fazer prova da “compensação” a COSTA JUCA apresentava à contratante cópia das DCTF zeradas. k.2 Por via da apresentação de Pedidos de Compensação, formalizados por meio de processo administrativo que tinha como único objetivo capturar um número de processo a ser utilizado como referência nos pedidos futuros: • A COSTA JUCA, utilizandose de procuração lavrada pela contratante, protocolava um Pedido de Compensação em processo administrativo fiscal, sem identificação de débito ou dos créditos a serem compensados. • Quando era intimado a apresentar esclarecimentos e documentos que embasassem o pedido, nada respondia. O processo administrativo era arquivado por falta de objeto. • Ato contínuo, a COSTA JUCA promovia a apresentação de DCTF retificadora em que reduzia substancialmente o valor do débito declarado originalmente. • Para “provar” à contratante que havia promovido a compensação dos débitos declarados, apresentava cópia dos pedidos de compensação em que indicava o número daquele processo administrativo e extrato das DCTF zeradas. Assim, ratificase que os instrumentos contratuais e escrituras públicas apresentadas pela COSTA JUCA serviam apenas como subterfúgios para atrair a atenção dos potenciais clientes. Nenhum procedimento efetivo de reconhecimento de tais créditos compunha seu modus operandi. O que ocorria na verdade era um procedimento ardiloso, fraudulento, que consistia na exclusão/redução de débitos, mediante a retificação de DCTF, sem qualquer referência ou relação a supostos créditos oriundos de Títulos Públicos ou qualquer outro fundamento jurídico. Importante salientar que a COSTA JUCA utilizouse do seu próprio modus operandi, promovendo a retificação de suas DCTF, para zerar ou diminuir os valores de tributos federais anteriormente declarados. Tendo sido flagrada, utilizandose do seu próprio esquema fraudulento, a COSTA JUCA foi intimada por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 031513/2013 a justificar de forma pormenorizada, apresentando documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a diferença entre os valores informados na DIPJ/Contabilidade e os valores indicados nas DCTF retificadoras apresentadas. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 504 9 Em resposta, datada de 25/03/2014, a COSTA JUCA informou que as retificações de DCTF se deram em “razão de acordos contratuais e devolução dos valores recebidos como honorários já apresentados a essa fiscalização em momento anterior”. Não convencidos da resposta apresentada, pois divorciada do conteúdo dos documentos analisados, em 02/04/2014 a contribuinte foi reintimada, por meio do Termo de Constatação e ReIntimação Fiscal nº 051513/2013, a explicar s retificações dos valores informados nas DCTF, relativamente ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à Cofins, tendo em vista que os valores originalmente informados coincidiam com os valores de receita escriturados nos Livros Diário e Razão dos anoscalendário de 2010 a 2012, nas respectivas DIPJ e com exceção do valor constante do Dacon do mês de dezembro de 2011, com os declarados nos Dacon dos demais meses dos três anos calendário analisados. Em 14/04/2013 o contribuinte apresentou resposta parcial ao Termo de Constatação e ReIntimação Fiscal nº 051513/2013, em que consignou, em relação aos valores retificados nas DCTF “favor manter os valores declarados na DIPJ e lançados na contabilidade”, ou seja, esqueçam as retificações que fiz nos valores informados nas DCTF dos períodos de apuração de 2010 a 2012, em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, comprovando assim seu intuito fraudulento. No tópico 4, a Fiscalização apresenta o resultado de dois procedimentos fiscais realizados em pessoas jurídicas clientes da COSTA JUCA, com o fito de agregar informações obtidas pela fiscalização da Receita Federal para elucidar o modus operandi descrito no item 3 deste relatório. Esclarece que nestes procedimentos, em regra, a autuação se deu a partir da apuração de “compensações” de tributos federais devidos por aquelas pessoas jurídicas, contratantes dos serviços da COSTA JUCA ou contratantes dos supostos créditos. E destaca que a descrição exposta não implica em quebra de sigilo fiscal das operações, tendo em vista que a COSTA JUCA foi parte das operações apresentadas. Expõe, então, informações acerca da auditoria fiscal realizada na CBA Transportes e Comércio Ltda (tópico 4.1, fls. 138/142) e na Transfenix (tópico 4.2, fls. 142/145), bem como aborda a motivação do Distrato da ora autuada com a P. Peixoto Pena Comércio e Transportes Ltda. (item 4.3, fls. 145/148). No tópico 5 do Termo de Verificação (fls. 148) a Fiscalização descreve a Identificação das Receitas Auferidas, expondo, em síntese: no item 5.1, fls. 148/152, a constatação de Receitas Registradas na Contabilidade Sem Individualização, com descrição no sentido de que a contabilidade apresentada pelo contribuinte em relação aos fatos ocorridos nos anos de 2010 a 2012, foi escriturada de forma resumida e consolidada por mês, Fl. 508DF CARF MF 10 inclusive no que tange às receitas auferidas. O histórico contido no lançamento padrão utilizado no Livro Diário para registrar a receita auferida pelos serviços prestados não possibilita a identificação dos clientes, nem do documento contábil ou fiscal que pudesse amparar tal registro contábil; [...] Ressaltese que também não houve, para os anos de 2010 e 2011, o registro da movimentação bancária na contabilidade apresentada pelo contribuinte, conforme se pode verificar nos registros constantes dos Livros Razão correspondentes. ... [...] No Razão Analítico relativo a 2012 houve a escrituração consolidada de alguns lançamentos na conta de Bancos Movimento, mas insuficientes para identificação dos clientes e da individualização das receitas auferidas. no item 5.2, fls. 152/ 155, a análise dos Extratos Bancários, como segue: Para suprir a falta de apresentação, pela COSTA JUCA, da comprovação da origem das receitas auferidas e tendo em vista a falta de informações nos registros contábeis, em 27/05/2014 a contribuinte foi intimada por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 061513/2014 a apresentar cópia dos extratos bancários das contascorrente de sua titularidade, relativamente às movimentações bancárias dos anoscalendário de 2010 a 2012. Em 18/06/2014, a COSTA JUCA compareceu perante essa fiscalização e entregou extratos bancários, do período de 01/2010 a 12/2012, de contacorrente de sua titularidade nº 308.4, da Agência 0168, mantida junto à Caixa Econômica Federal. Em 15/07/2014, a contribuinte entregou à fiscalização uma planilha com a indicação de alguns beneficiários e provedores de recursos relacionandoos aos lançamentos contidos nos extratos bancários. De posse daquelas informações, procedemos à conferência e correção das operações indicadas na planilha original comparandoos com os dos extratos bancários entregues, o que resultou na inclusão de operações não informadas na planilha original e exclusão de operações inexistentes nos extratos bancários. Com o fito de identificarmos os créditos efetuados na citada contacorrente que não representariam receitas a serem tributadas, excluímos os seguintes lançamentos: ABERTCRED Abertura de Crédito, APLIC AUT Aplicação Automática, Cad – Cadastro, CUSTOD TIT – Custódia de Título, DEVOL TED – Devolução de TED, RESG AUTOM –Resgate Automático. Em 06/08/2014, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 071513/2013, foi apresentada à COSTA JUCA planilha contendo cada lançamento a crédito de sua conta corrente, com as exclusões supra citadas, para que identificasse a natureza jurídica daquelas operações constantes dos extratos Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 505 11 bancários, comprovando cada uma delas com documentos hábeis e idôneos. Foi também apresentada à COSTA JUCA uma planilha consolidando os valores mensais, trimestrais e anuais dos créditos que ingressaram na contacorrente de sua titularidade, comparandoos aos valores escriturados e informados na DIPJ, sendo solicitada a justificar as diferenças apontadas entre os créditos ingressados em sua contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, conforme se reproduz abaixo: Em 21/08/2014, a COSTA JUCA informou, por meio de resposta ao Termo 071513/2013, não ser possível identificar as fontes pagadoras e credoras que deram origem aos lançamentos constantes da planilha apresentada, que representou sua movimentação bancária, reafirmando “que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”. Justificou a diferença apontada pela fiscalização entre os valores da movimentação a crédito em sua contacorrente e a informação registrada na contabilidade e na DIPJ "em função Fl. 510DF CARF MF 12 dos distratos ocorridos nas negociações realizadas com as seguintes pessoas jurídicas”, conforme informação sintetizada abaixo: Na oportunidade, a COSTA JUCA informou mais treze lançamentos a débito de sua contacorrente, como sendo devoluções de recursos em conseqüência dos distratos informados. Procede a Fiscalização, no tópico 5.3 (fls. 155 a 167) em 12 subitens, a análise dos Distratos Apresentados, a exemplo dos sub itens 5.3.1 a 5.3.3 a seguir reproduzidos : 5.3.1 Comercial Bahiano • Valor originalmente contratado: R$3.200,000,00 • Valor informado no distrato: R$1.800.000,00 (Valor incorrido até a data do distrato) + R$385.000,00, “referentes a 50% do correspondente aos juros e multas oriundos do atraso no pagamento dos tributos federais devidos pela credora à União, objeto de parcelamento junto à Receita Federal do Brasil.” • Data do distrato: 10/12/2013 • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA: R$442.108,00 • Forma de pagamento (devolução): pagamentos efetuados conforme TED, nas datas e valores abaixo: Restou comprovada a transferência de R$ 840.000,00 da COSTA JUCA para a Comercial Bahiano, por meio de três documentos de transferência bancária (TED). No entanto, a partir da planilha apresentada à fiscalização, por meio da qual a COSTA Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 506 13 JUCA indicou os depositantes e beneficiários dos lançamentos constantes de seus extratos bancários, a Comercial Bahiano realizou aportes de recursos na contacorrente da COSTA JUCA no valor de R$ 442.108,00, apurados conforme tabela abaixo: CONCLUSÃO: Como a própria COSTA JUCA afirmou que “todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”, não pode haver devolução de recursos, em razão de distrato, superior ao valor anteriormente recebido. Assim, no período ora analisado, o valor comprovado a ser considerado como devolução à Comercial Bahiano fica limitado ao valor comprovado de ingressos por ela realizados na conta corrente da COSTA JUCA: R$ 442.108,00. 5.3.2 Aços Vitória – Comercial De Aços • Valor originalmente contratado: R$1.000.000,00 • Não foi apresentado instrumento de distrato. • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA:R$ 307.317,00 • Forma de pagamento (devolução): para comprovar o pagamento de valor que teria sido devolvido à contratante, a Costa Juca apresentou um conjunto de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), efetuados no âmbito do Processo de Parcelamento 10783.909427/201120. Ocorre que os DARF foram recolhidos em nome da Aços Vitória e NÃO HÁ QUALQUER COMPROVAÇÃO DE ASSUNÇÃO DO ÔNUS de tais pagamentos pela COSTA JUCA. CONCLUSÃO: não restou comprovado que o pagamento dos DARF em nome da pessoa jurídica Aços Vitória, tenha se dado com ônus da COSTA JUCA. 5.3.3 LC Marcon Advogados Associados • Valor originalmente contratado: R$ 2.100,000,00 • Não foi apresentado instrumento de distrato. • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA: R$946.810,00 • Forma de pagamento (devolução): TED nas datas e valores abaixo: Fl. 512DF CARF MF 14 Restou comprovada a transferência de R$1.303.816,14 da COSTA JUCA para a LC Marcon, por meio de dezesseis documentos de transferência bancária (TED). No entanto, a partir da planilha apresentada à fiscalização, por meio da qual a COSTA JUCA indicou os depositantes e beneficiários dos lançamentos constantes de seus extratos bancários, no período de 2010 a 2012, a LC Marcon realizou aportes de recursos na contacorrente da COSTA JUCA no valor de R$946.810,00, apurados conforme tabela abaixo: 5.3.4 Brascobra Center ... E, no subitem 5.3.13, resume como segue: 5.3.13 Resumo da Análise dos Distratos Resumindo, os valores que serão considerados como devolvidos pela COSTA JUCA, a partir da análise realizada nos documentos apresentados para justificar a diferença apontada entre os valores de crédito constante dos extratos bancários apresentados e os registrados em sua contabilidade e informados na DIPJ, são os seguintes: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 507 15 No tópico 6 do Termo de Verificação (fls. 167 a 176) aborda a Fiscalização as declarações de compensação apresentadas contendo crédito de Saldo Negativo de CSLL de períodos trimestrais de 2011 e 2013, como segue: Conforme visto, a COSTA JUCA apresentou dois PER/DCOMP eletrônicos, de nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, que teriam por base crédito relativo ao Saldo Negativo de CSLL, cuja origem teria sido a retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado código 5952, apurados, respectivamente, no 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 1.700.000,00 e no 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 100.000,00. Abaixo relação de débitos apontados para compensação nos referidos PER/DCOMP: Um terceiro PER/DCOMP foi localizado (nº 31798.32047.23092013.1.3.035781, com crédito relativo ao 1º trimestre de 2012, no valor de R$ 1.700.000,00), mas os débitos apontados para compensação eram do anocalendário de 2013. A partir destas constatações, em 14/03/2014, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 031513/2013, procedemos à intimação do contribuinte para “identificar, comprovando com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos indicados para compensação nos PER/DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, respectivamente, nos valores de R$ 1.700.000,00 e R$ 100.000,00”. Em 25/03/2014, em resposta ao TCIF nº 031513/2013, a COSTA JUCA informa que “houve erros nos procedimentos dos Per/Dcomp nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, nos quais deveriam ter sido informados os 2º e 3º Trimestre de 2013 como períodos de apuração do crédito e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, como equivocadamente informado.” Fl. 514DF CARF MF 16 Consultada a DIPJ do anocalendário de 2011 verificamos que o contribuinte apurou CSLL A PAGAR de R$ 46.893,00 no 4º trimestre de 2011, não informou no item 32 da Ficha 18A qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado. (vide figura abaixo). De mesma forma, consultada a DIPJ do anocalendário de 2013 verificamos que o contribuinte apurou CSLL A PAGAR de R$ 46.893,00 no 1º trimestre de 2013, não informou no item 32 da Ficha 18A qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado. (vide figura abaixo) O contribuinte informou que teria errado na indicação dos períodos de apuração dos créditos, sendo correto os 2º e 3º Trimestre de 2013 e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, no entanto, a COSTA JUCA não apresentou documentação comprobatória relativa à retenção na fonte de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado, no código 5952, que teria resultado em Saldo Negativo de CSLL pleiteado nos PER/DCOMP apresentados. Na DIPJ relativa ao anocalendário de 2013, a COSTA JUCA não informou dentre as deduções da CSLL qualquer valor relativo à CSLL retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado (item 32 da Ficha 18A), relativamente aos 2º e 3º Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 508 17 trimestres, não existindo, também nestes trimestres, os alegados saldos negativos de CSLL a compensar. Vejamos. Isso por si só já aponta para indícios fortes da origem duvidosa desses créditos aventados para compensação. No entanto, existem outros indícios que apontam para a inexistência do crédito: por exemplo, a retenção na fonte de contribuições (CSLL, PIS e COFINS) sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado, conforme previsto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, pode totalizar 4,65% do valor da receita, distribuídos por tributo nos seguintes percentuais: • 1% CSLL; • 3% COFINS; • 0,65% PIS. Ocorre que a CSLL apurada no trimestre pela COSTA JUCA corresponde a 3% de sua receita de prestação de serviços (32% * 9% = 3%). Considerando que a empresa apurou lucro presumido, em hipótese alguma, poderia apurar saldo negativo de CSLL, ainda que toda sua receita houvesse sofrido retenção na fonte daquela contribuição. Isso porque se na retenção o percentual é de 1%, na apuração trimestral o percentual é de 3% da receita. Reforçando esses indícios que apontam na direção de um esquema destinado apenas à criação de créditos para fraudar a compensação de tributos administrados pela Receita Federal, as fontes pagadoras responsáveis pela retenção, informadas nas Fl. 516DF CARF MF 18 próprias PER/DCOMP apresentadas pela COSTA JUCA, foram as pessoas jurídicas: ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ nº 14.234.988/0001 68, e CONSTRUTORA APTA LTDA, CNPJ nº 35.793.397/0001 09. A ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA consta das PER/DCOMP n° 18187.18093.230913.1.3.038998 (crédito informado no 4° trimestre de 2011) e 31798.32047.230913.1.3.035781 (crédito informado no 1° trimestre de 2012) e teria efetuado pagamentos à COSTA JUCA que resultaram na retenção na fonte das citadas contribuições no valor de R$ 1.700.000,00 para cada trimestre, totalizando R$ 3.400.000,00. De outro modo, se o pagamento estava sujeito à retenção de 4,65%, o valor do serviço prestado pela COSTA JUCA equivaleria a R$ 73.118.279,57. Isso é mais do que todas as receitas apuradas pela COSTA JUCA nos anos de 2010 a 2012, conforme pode ser confirmado na análise dos extratos de sua movimentação bancária. A ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA foi inscrita no CNPJ em 19/08/2011 e possui domicílio tributário na Rua Frederico Méier, 15, sala 502, Méier – Rio de Janeiro/RJ. Apresentou DIPJ somente para os anos de 2011 e 2012, na condição de INATIVA, vindo, depois, retificar a DIPJ do ano de 2012 para apuração pelo lucro presumido, mesmo assim a declaração está com valores zerados. No entanto, a surpresa ficou por conta das DIRF apresentadas pela ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Em 2012, constam da DIRF 03 (três) beneficiários de retenção na fonte totalizando rendimentos de R$ 32.922.086,27 e retenções de contribuições sobre pagamentos de PJ a PJ de direito privado – CSLL, COFINS e PIS (código de receita 5952) no montante de R$ 15.682.972,29. Em 2013, a DIRF informa 02 (dois) beneficiários com rendimentos de R$ 64.057.310,51 e retenção de contribuições de R$ 42.311.465,90. Vide tabelas abaixo: A operação é tão grosseira que a retenção na fonte está muito além dos 4,65% previstos em lei. Há caso em que a suposta retenção alcança 72,5% do rendimento hipoteticamente pago. Isso tudo sem que a ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA tenha recolhido um único centavo aos cofres públicos a título de tributos federais. Detalhe: embora a COSTA JUCA tenha informado na PER/DCOMP que havia recebido recursos da ELITE RIO Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 509 19 DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, sujeitos à retenção na fonte no valor de R$ 3.400.000,00, conforme especificado acima, a ELITE sequer a incluiu no rol de beneficiários na DIRF apresentada. A CONSTRUTORA APTA LTDA foi inscrita no CNPJ em 13/11/1989. Apresentou DIRPJ para os anos de 1989, 1990 e 1992. Em 14/09/1999 foi declarada INAPTA por ser omissa e não ter sido localizada. Em 22/09/2006 passou à condição de ativa em razão da entrega, em 21/09/2006, de DIPJ – INATIVA dos últimos cinco anos: 2001 a 2005. Antes, porém, em 13/09/2006, a CONSTRUTORA APTA providenciou a alteração no CNPJ do quadro societário e do domicílio fiscal, que passou a ser a Rua Frederico Méier,15, 3, 4 e 5 andares, Méier – RJ/RJ. Talvez por mera coincidência, uma das salas passou a ser o endereço da então, em 2011, criada ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Mas, as coincidências não param por aqui. Muito embora a última DIPJ tenha sido apresentada em 10/11/2013, relativa ao anocalendário de 2009, a CONTRUTORA APTA LTDA apresentou DIRF para os anos de 2009, 2010, 2012 e 2013, nas quais constam vários beneficiários informados com valores vultosos de rendimentos e de retenção na fonte das contribuições CSLL, Cofins e PIS. Uma repetição do esquema adotado a partir das DIRF da pessoa jurídica ELITE. Novamente não há qualquer correlação entre o percentual determinado pela legislação (4,65% sobre pagamento efetuado) e o valor supostamente retido na fonte. Além de alguns beneficiários informados na DIRF da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA aparecerem também na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, o que chama atenção é que alguns clientes que haviam “adquirido título público” da COSTA JUCA também despontam na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, por exemplo: ZP CONSERVAÇÃO E LIMPEZA LTDA, CUNHA LOPES CONSTRUTORA LTDA, MADEIRAS ALBA LTDA, REYLE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CORREIAS LTDA, COMERCIAL AUTOMOTIVA CBA LTDA, AÇOS VITÓRIA COMERCIAL DE AÇOS LTDA, P. PEIXOTO PENA COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA, NATURAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AÇO LTDA, AEP CONSTRUCÕES E URBANIZAÇÕES LTDA, MINAS CALOR COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA e, inclusive, a própria COSTA JUCA. No período mencionado, em ambas DIRF (da ELITE e da CONSTRUTORA APTA) foram informados rendimentos no montante total de R$ 259.618.787,07 e retenção na fonte, pasmem, de R$ 111.940.763,28. Não obstante isso, a consulta realizada ao sistema da Receita Federal revelou a inexistência de recolhimento de qualquer tributo. Aliás, o único recolhimento Fl. 518DF CARF MF 20 efetuado pela CONSTRUTORA APTA LTDA é de 16/08/1995 e referese à multa por atraso na entrega de DIRPJ no valor de R$ 73,75. Repetimos: único recolhimento efetuado pela empresa. Para a COSTA JUCA, a CONSTRUTORA APTA informou nas DIRF de 2011 e 2013 rendimentos de R$ 1.200.000,00 e R$ 687.032,65 e retenções na fonte de contribuições de R$ 900.000,00 e R$ 98.003,65, respectivamente, assim distribuídos mensalmente: Como se vê, em 2011 a COSTA JUCA teria recebido mensalmente R$ 100.000,00, com suposta retenção na fonte de R$ 75.000,00, o que equivale a 75% dos recursos supostamente recebidos. Nesse ponto, a COSTA JUCA e a CONSTRUTORA APTA não se entenderam, pois para esse período aquela lançou mão de hipotéticos créditos da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, e, não, da CONSTRUTORA APTA. Por mais que se esforce é difícil de acreditar na veracidade dessas operações. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 510 21 Pela sucessão de indícios, não é crível que tudo seja uma mera coincidência. E não é. Em depoimento prestado na sede da Delegacia da Receita Federal em Vitória, em 16/09/2014, o sóciooculto da COSTA JUCÁ, e um de seus administradores CLÁUDIO ASSIS COSTA, indagado acerca da origem dos créditos constantes nas citadas PER/DCOMP, cuja origem informada eram as pessoas jurídicas ELITE e CONSTRUTORA APTA, informou que: • não tinha conhecimento dos fatos; • não ter feito operação com aqueles valores indicados na PER/DCOMP com as empresas” (ELITE e CONSTRUTORA APTA); • que a COSTA JUCA não tem contrato de prestação de serviço firmados com ELITE e CONSTRUTORA APTA, bem como não tem comprovante de valores recebidos, nem documentos de retenção na fonte, “pois não reconhece a prestação de tais serviços, tampouco a retenção na fonte daqueles valores”. • Que “não conhece nada sobre as empresas ELITE e CONSTRUTORA APTA e que o elo de ligação da COSTA JUCA com aquelas empresas era o procurador da COSTA JUCA ROGÉRIO (ALVES) LOUREIRO”. • que não tem qualquer contato direto com a ELITE e CONSTRUTORA APTA. Assim, os Pedidos de Compensação constantes dos PER/DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, devem ser indeferidos pela INEXISTÊNCIA do crédito indicado para compensação. Note que dos valores de débitos a serem compensados indicados nos PER/DCOMP supra referidos, apenas o relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2012, no montante de R$19.261,36, informado no PER/DCOMP de nº 18187.18093.230912.1.3.038998, se encontra entre os que estão sendo constituídos de ofício neste procedimento fiscal, os demais débitos indicados à compensação não são objeto destes autos, por serem débitos confessados pela COSTA JUCA. No tópico 7 de seu Termo, a Fiscalização (fls. 176) relaciona as INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. 7.1 FALTA DE DECLARAÇÃO (DCTF) E/OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS A COSTA JUCA confirmou a essa fiscalização que os valores constantes de seus registros contábeis, informados na DIPJ e originalmente nas DCTF apresentadas são representativos das receitas auferidas nas transações cujo objeto era a “compensação” de tributos federais de responsabilidade de suas clientes pessoas jurídicas. Fl. 520DF CARF MF 22 Em respostas datadas de 09/01 e 13/02/2014 houve a apresentação de planilhas referentes aos períodos de apuração do anocalendário de 2012, em que restaram confirmados tais valores. Além disso, em resposta datada de 14/04/2013 a COSTA JUCA apresentou resposta parcial ao Termo de Constatação e Re Intimação Fiscal nº 051513/2013, em que informou que deveriam ser mantidos os valores declarados na DIPJ e lançados na contabilidade e desconsiderada a retificação para menor dos valores constantes das DCTF retificadoras por ela apresentadas. Conforme visto, a COSTA JUCA apresentou DCTF retificando os valores originalmente declarados como devidos de PIS, Cofins, CSLL e IRPJ dos anoscalendário de 2010 e 2011 e dos meses de fevereiro, março, abril e junho de 2012. Assim deverão ser constituídos por falta de declaração e recolhimento os seguintes valores mensais de PIS e Cofins. De mesmo modo, deverão ser constituídos por falta de declaração e recolhimento os seguintes valores trimestrais de CSLL e IRPJ, conforme originalmente contabilizados e informados na DIPJ e DCTF, descontados os valores residuais informados nas DCTF retificadoras e o valor relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2012, no montante de R$19.261,36, que foi informado no PER/DCOMP de nº 18187.18093.230912.1.3.03 8998 caracterizando, portanto, confissão de dívida pelo contribuinte, conforme planilha abaixo: Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 511 23 No tópico 7.2 (fl. 179), com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 c/c arts. 287, 288 e 537 do RIR, de 1999 a Fiscalização descreve a constatação de OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Conforme visto, em 18/06/2014, a COSTA JUCA compareceu perante essa fiscalização e entregou extratos bancários, do período de 01/2010 a 12/2012, de contacorrente de sua titularidade nº 308.4, da Agência 0168, mantida junto à Caixa Econômica Federal e em 15/07/2014, entregou à fiscalização uma planilha com a indicação de alguns beneficiários e provedores de recursos relacionandoos aos lançamentos contidos nos extratos bancários. Conforme descrito no Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 071513/2013, datado de 06/08/2014, foi apresentada à COSTA JUCA planilha contendo os lançamentos a crédito de sua contacorrente para que procedesse a identificação da natureza jurídica daquelas operações constantes dos extratos bancários, comprovando cada uma delas com documentos hábeis e idôneos. Fl. 522DF CARF MF 24 Em 21/08/2014, a COSTA JUCA informou não ser possível identificar as fontes pagadoras e credoras que deram origem aos lançamentos constantes da planilha apresentada, que representou sua movimentação bancária, reafirmando “que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”. Justificou a diferença apontada pela fiscalização entre os valores da movimentação a crédito em sua contacorrente e a informação registrada na contabilidade e na DIPJ ”em função dos distratos ocorridos nas negociações realizadas”. Procedemos também à consolidação dos valores mensais, trimestrais e anuais dos créditos que ingressaram na conta corrente de sua titularidade, comparadoos aos valores escriturados e informados na DIPJ. Em função de tais diferenças, foram apurados os valores dos depósitos ocorridos na conta corrente de titularidade da COSTA JUCA para os quais não houve a comprovação da origem dos recursos, reduzindo destes os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 512 25 A Fiscalização identifica a base de cálculo mensal do valor do crédito tributário a ser constituído como aquele apurado na coluna VALOR A SER CONSTITUÍDO, destacando que: nos meses de janeiro a abril e junho de 2010 os valores mensais movimentados a crédito na contacorrente de titularidade da COSTA JUCA foram inferiores aos valores confirmados pela contribuinte como sendo a totalização de suas receitas para aqueles meses, conforme constam da DIPJ, da escrituração fiscal e das DCTF posteriormente retificadas. Assim, para estes períodos não haverá lançamento complementar com base nos valores da movimentação financeira; Nos meses de dezembro de 2011, julho, agosto e dezembro de 2012, o valor mensal dos lançamentos a crédito constantes dos extratos bancários da COSTA JUCA foram superiores aos valores de receita mensal informados pela contribuinte, no entanto, quando excluídos os valores comprovadamente devolvidos às pessoas jurídicas que efetuaram distrato, não resta lançamento complementar a ser efetuado; De mesmo modo, nos meses de maio e novembro de 2012 não será efetuado lançamento complementar em relação aos valores de receita mensal declarados pela COSTA JUCA, tendo em vista que o valor da movimentação mensal a crédito na conta corrente foi inferior ao valor da receita mensal declarada. Esclarece que a coluna DISTRATO CONSOLIDAÇÃO, constante da planilha supra, representa a exclusão dos valores comprovadamente devolvidos às pessoas jurídicas, no período sob fiscalização (01/2010 a 12/2012), a partir de débitos na contacorrente em questão, em função dos distratos analisados no presente item deste relatório, conforme a seguinte consolidação: Fl. 524DF CARF MF 26 No tópico 7.3 (fl. 182) a Fiscalização aborda a infração por DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE, como segue: Para análise dos PER/DCOMP transmitidos pela COSTA JUCÁ, foram gerados processos eletrônicos individualizados para os seguintes trimestres: 4°T/2011, 1°T/2012 e 1°T/2013. Após o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em VitóriaES que NÃO reconheceu o crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, conforme anotado no Item 6 deste Termo, sobre os débitos indevidamente compensados (NÃO HOMOLOGADOS) a fiscalização aplicou a multa isolada de 150% (art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003), no caso de não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, dispõe que: ... Como visto, COSTA JUCA utilizouse de artifício fraudulento para “criar” crédito de saldo negativo de CSLL na tentativa de liquidar débitos apurados pela empresa decorrente de sua atividade operacional por meio de PER/DCOMP apresentadas à Receita Federal. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 513 27 Considerando o exposto, foram apurados os seguintes valores de multa isolada: No Auto de Infração, a multa isolada calculada sobre as compensações não homologadas é lançada de forma consolidada por data de referência que é o momento da apresentação da compensação indevida, melhor dizendo: data da emissão da PER/DCOMP – que consta no próprio número de identificação do documento, por exemplo: a DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 foi apresentada pela COSTA JUCA no dia 23/09/2013. Abaixo, o valor da multa consolidado por data de referência. No tópico 8 (fls. 186/191), a Fiscalização justifica a aplicação da MULTA QUALIFICADA de 150% sobre os valores do PIS, Cofins, CSLL e IRPJ lançados de ofício em decorrência das infrações apuradas nos itens 7.1 Falta de Declaração e/ou Recolhimento de Tributos, 7.2 Omissão de Receitas Apurada com Base em Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada e 7.3 Débito Compensado Indevidamente, invocando os fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido dos tributos federais, ora constituídos de ofício,e fundandose: nas disposições do art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007; nas disposições dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que definem sonegação e fraude fiscal, no conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, que se encontra no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. nas disposições dos incisos I e II, do artigo 1º, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, que define os crimes contra a ordem tributária, Fl. 526DF CARF MF 28 no art. 2º da mesma Lei nº 8.137, de 1990, que estabelece que “fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”, também constitui crime contra a ordem tributária. E explica: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, arts. 1º e 2º da Lei n° 8.137, de 1990, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF), bem como a omissão de receitas à margem de sua contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anoscalendário seguidos, além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. De mesma forma que a COSTA JUCA procedia em relação às pessoas jurídicas a quem prestava seus “serviços”, descrita no item 3 deste relatório, ela operou em proveito próprio. Conforme se pode verificar em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão. Veja exemplo de registro em sua contabilidade: Em 2010: [fls. 189] .... Em 2011: [fls. 189] .... Em 2012: [fls. 190] Assim como procedeu em relação às suas clientes, a COSTA JUCA utilizouse do subterfúgio fraudulento de retificar as DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos, na tentativa de ludibriar sua cobrança da Receita Federal. A planilha abaixo resume o quadro das retificações dos valores devidos de tributos informados nas DCTF. [fls. 190] Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 514 29 Além disso, a COSTA JUCA omitiu ao longo dos anos calendário sob análise, 2010, 2011 e 2012, à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente. Com a omissão de informações dessas receitas, que deveriam constar das DIPJ e DCTF apresentadas nos períodos, outra não foi a intenção da COSTA JUCA senão impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Além disso, a COSTA JUCA lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações de tributos, com vistas a eximirse do recolhimento dos tributos por ela devidos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda as figuras da fraude e sonegação fiscal, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a qualificação da multa. No tópico 9 (fls. 191), descreve a Fiscalização a constatação de BLINDAGEM PATRIMONIAL DA COSTA JUCA COM UTILIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA AG COSTA, cujas sócias são as irmãs Gabriela de Alcantara Almeida Costa e Amanda de Alcântara Almeida Costa, filhas de Cláudio de Assis Costa (sócio oculto e administrador da COSTA JUCA), por meio de transferência de recursos da COSTA JUCA para a AG COSTA, ambas com mesmo domicílio fiscal, mediante concessão de empréstimos da primeira para a segunda, de 2010 a 2012, no total de R$ 9.440.000,00, para devolução em 06 (seis) anos a partir de 15/07/2014, sem cobrança de juros. E continua a Fiscalização: Fl. 528DF CARF MF 30 Qual a destinação dos recursos recebidos pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A? Foram empregados nas aquisições de imóveis (apartamentos, por exemplo, um na Barra da Tijuca/RJ e outro na Enseada Azul/Guarapari/ES, além de propriedades rurais) e veículos (Kia Cerato e Porche Cayenne) de uso particular, que compõem o Ativo imobilizado de R$ 10.245.755,99, conforme balanço patrimonial constante da DIPJ. A aquisição de bens em nome da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A com recursos transferidos da COSTA JUCA a título de empréstimo tem como único objetivo manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da COSTA JUCA em eventual execução de dívidas desta. Portanto, a criação da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi um subterfúgio usado pelos sócios da COSTA JUCA para efetuar a blindagem patrimonial dos bens adquiridos com recursos advindos de procedimentos fraudulentos de compensação de débitos tributários junto a Receita Federal. Ainda que, por hipótese, A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A tivesse a intenção de quitar o empréstimo contraído junto a COSTA JUCA isso só seria possível mediante alienação dos imóveis comprados em seu nome. Diante dos fatos narrados, restou comprovado, portanto, que A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A integra o mesmo grupo empresarial de fato junto à COSTA JUCA, com o objetivo exclusivo de blindar o patrimônio do grupo em eventual execução fiscal. No tópico 10 (fls. 193), a Fiscalização noticia e justifica a formalização de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS e, no tópico 11, aborda a atribuição de RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, apontando, de início no item 11.1 (fls. 193), seu significado como sendo a submissão de determinada pessoa, contribuinte ou não, ao direito de o Fisco exigir a prestação da obrigação tributária. Em sentido restrito, significa a submissão ao direito de o Fisco exigir a prestação, em decorrência de expressa disposição legal, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária. Transcreve: disposições do art. 121, caput, art. 124, I, art. 128 e art. 135, III, todos do CTN, entendimento doutrinário e jurisprudência do STJ e expõe: Nos casos em que o Fisco constatar a ocorrência de ato ilícito, deve, por dever de ofício, atribuir a responsabilidade tributária aos diretores, gerentes ou representantes da empresa comercial, é o que se demonstrará no próximo tópico. 10.2 (sic) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS DIMITRI CEREWUTA JUCÁ E GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA, DO SÓCIO OCULTO CLAUDIO ASSIS COSTA E DA PESSOA JURÍDICA AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, cujas qualificações individualizadas identifica no tópico 10.2.1 (sic), em função dos fatos descritos no tópico 10.2.2. (sic) [Os fatos apontados neste Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 515 31 tópico em relação a cada um dos interessados pessoas física e pessoa jurídica serão abordados no voto quando da análise das respectivas razões de defesa.] Concluiu então a Fiscalização pelo encerramento da ação fiscal (tópico 12 do Termo). Do processo nº 10740.720069/201457, consta Auto de Infração (fls. 02/07) com lançamento da multa isolada por compensação indevida e está instruído com cópia do Termo de Verificação acima mencionado. Do referido Auto de Infração extraise: [fl. 6] Nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498, também apensados ao presente, foram exarados Pareceres (respectivamente nas fls. 179/190, 178/194 e 179/196 daqueles autos) com as informações contidas no tópico 6 do Termo de Verificação acima mencionado e, em conseqüência, foram exarados Despachos Decisórios de não homologação das Compensações indicadas nas DCOMP ali mencionadas (respectivamente nas fls. 193, 197 e 199 daqueles autos). Por meio de Termos de Ciência e Entrega de Documentos (fls. 1583, do presente processo nº 10740.720068/201411) foi dada ciência das autuações e da apreciação de Declarações de Compensação assim relacionadas: A ciência postal a cada um dos responsáveis ocorreu nas datas relacionadas abaixo: Fl. 530DF CARF MF 32 Em oposição aos lançamentos e aos Despachos Decisórios foram apresentadas as seguintes peças de defesa: Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 516 33 Na peça de defesa apresentada em nome de Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda e Dimitry Cerewuta Jucá (fls. 1595/1614) são apresentados, em síntese: questionamentos acerca de arrolamento de bens, com alegação de ilegalidade do art. 64 da Lei nº 9.532, de 1997, relação de bens arrolados e argumento de impenhorabilidade de bens de família; alegação de ilegitimidade passiva do réu Dimitry Cerewuta Jucá argumentando que: não cabe ao REQUERIDO responder aos autos em vista de ser parte ilegítima, conforme preceituam os termos dos artigos 267, VI e 295, II e III, ambos do CPC, uma vez que não participou das relações jurídicas entre os envolvidos no negócio. O REQUERIDO na condição de advogado apenas atua no âmbito processual e administrativo. Também acerca da alegação acima de ilegitimidade são citados ementa de decisão judicial e excerto doutrinário que entende cabível e argumenta: Dessa forma, o REQUERIDO eximese de qualquer responsabilidade, motivos pelos quais requer sua exclusão da relação processual, com a extinção do auto,sua responsabilidade deve ser eximida. ... [...] ... aquele que age sem o consentimento escrito dos sócios em proveito próprio ou de terceiros terá de restituílos à sociedade, pois segundo o art. 1.017 e parágrafo único do Código Civil, se respalda a boafé do sócio, no caso, o REQUERIDO, pelo princípio da boafé, ao impor ao administrador probidade na gestão empresarial. O REQUERIDO não agiu, nem sequer participou das decisões tomadas entre os mandatários, que sobre este fato não tem qualquer possibilidade de manifestarse ou dar qualquer contribuição. Fl. 532DF CARF MF 34 Sob o título Desconsideração da personalidade jurídica, invoca, por respeito ao debate, o art. 50 do Código Civil que prescreve a existência de dois requisitos para tal desconsideração: abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou a confusão patrimonial, assim, somente estas situações justificariam a desconsideração que deve ser reconhecida por decisão judicial. Cita decisão do STJ e conclui que os presentes requisitos não foram cumpridos pela REQUERENTE, não demonstrando documentalmente a necessidade de tal medida, de arrolar seus bens pessoais. Sob o título serviços advocatícios, aduz a indispensabilidade do advogado à administração da justiça, sendo inviolável seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei, e alega que: os serviços prestados estavam na esteira da pretensão das REQUERENTES, inclusive a natureza desses serviços consistem numa obrigação de meio, o que pertine à cláusula ad exitum; ao exercer a atividade, o contratado não se obriga à ocorrência do resultado apenas age na intenção de que ele aconteça, sem se comprometer com a obtenção de um certo resultado. Aborda, a seguir, o princípio do não confisco e ofensa ao direito de propriedade, bem como a necessidade de o Auto de Infração, como ato administrativo, observar requisitos para sua validade, sob pena de nulidade. Nesse compasso, questiona a ausência de indicação do Fato Gerador, expondo: Arguise em preliminar, a ausência de elementos fundamentais ao contribuinte no tocante a indicação das rubricas sobre as quais visualizou o recolhimento a menor, pela não demonstração dos meses em que este fato se verificou, indicados e apenas os exercícios fiscalizados o que é absolutamente insuficiente. Pela omissão da origem dos valores constantes no Auto de Infração que deveria conter informações detalhadas, mês a mês, de cada rubrica do Plano de Contas Interno da Instituição Financeira, que entendeu a autoridade fiscal ter o contribuinte recolhido a menor. Cita doutrina acerca de cerceamento de defesa e conclui pretender a Fazenda Municipal (sic) exigir do contribuinte o recolhimento do crédito tributário, porém, sem demonstrar a ocorrência do fato gerador e sobre quais itens exigese o diferencial, inviabilizando os meios de defesa. Requer o cancelamento da autuação por nulidade absoluta por preterição do direito de defesa, conforme art. 59, II, do Decreto 70.235, ou, caso se entenda ser o ato suscetível de correção, uma vez consumada esta, pede seja restituído integralmente o prazo de defesa. Sob o título Da Nulidade Da Decisão discorre delongadamente acerca da necessidade de fundamentação de uma decisão Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 517 35 mencionando o art. 93, IX, da Constituição Federal e excertos de doutrina. Aponta, a seguir, a inexigibilidade do débito tributário, questionando a inscrição da dívida ativa e alegando que: não foi intimada de qualquer decisão definitiva referente ao Pedido de Compensação, sendo, por outro lado, surpreendida pelo recebimento da citação em Execução Fiscal referente à mesma competência; o lançamento do órgão fazendário pode ser alterado em caso de impugnação/recurso administrativo. No caso em tela, na medida em que o contribuinte pleiteou regularmente a compensação dos débitos tributária, ainda não apreciada pela Administração Pública Federal inexistem certeza e liquidez na Inscrição da Dívida Ativa executada. Cita o art. 145, I e II do CTN e ementas de decisões judiciais acerca de execução fiscal em caso de pendência de julgamento de processo administrativo. Sob o título Da inexigibilidade da Intimação em Razão da Presença de Causa Suspensiva do Crédito Tributário, invoca o art. 151, III, do CTN e expõe: Menciona os arts. 202 e 203 do CTN alegando nulidade da inscrição e argumenta: Alega irregularidade da multa de mora, expondo: Invoca Princípio da Moralidade Administrativa, discorre acerca do Direito de Petição, para alegar que: Fl. 534DF CARF MF 36 Aborda o instituto da compensação, mencionando art. 156, II, e 170 do CTN, Lei nº 8.383, de 1991, apontando as seguintes conclusões: Aborda a penalidade prevista na Lei n° 12.249, de 2010, alegando ter mudado o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e estipulando multa isolada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, dispositivos considerados inconstitucionais pelo TRF4, por conflito com o direito de petição. Sob o título Multa para pedido indevido de crédito tributário é revogada, transcreve matéria que teria sido veiculada em 20/10/2014 pela Revista Valor Econômico, tratando da revogação, pela Medida Provisória 656, do parágrafo 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e alteração do parágrafo 17 do mesmo artigo e expondo questionamento acerca da constitucionalidade da multa. Transcreve excerto doutrinário acerca de ampla defesa para concluir: Finaliza formulando os seguintes pedidos: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 518 37 Na peça de defesa de fls. 1618/1683, em nome de Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda EPP, são apresentados os argumentos a seguir sintetizados. Inicia destacando a colaboração da Impugnante no curso do procedimento fiscal, ao fornecer de forma espontânea todos os documentos de interesse da fiscalização, inclusive sua movimentação bancária, sem a necessidade de RMF. Aponta, na sequência, irregularidade da conduta da autoridade fiscal que fere preceitos constitucionais, como se vê no Termo de Intimação Fiscal nº 041513/2013, onde se exige a presença da sócia, disfarçada de um pedido de esclarecimento, alegando que tal exigência ignora o fato de que naquele momento o procedimento fiscal já havia sido instruído com o documento de procuração relatado no item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal que descreve indicação, como representante, o Sr. Rogério Alves Loureiro. Entende como atitude intimidadora e injustificável a exigência da presença da sócia Gabriela, visto que não houve em nenhum outro momento, em todo o auto de infração, a coleta de depoimento da sócia ou o envio de perguntas ou quesitos por via postal. Informa que questões acerca das compensações realizadas pela Impugnante serão respondidas e rebatidas dentro da Manifestação de Inconformidade nos processos correspondentes. Ao expor os fatos assevera que, tendo recebido, em 16/12/2013, o Termo de Início de Fiscalização, a Impugnante, no dia 23/12/2013 se apresentou perante a autoridade fiscal, através de seu procurador, solicitando melhores informações e prazo para entregar toda a documentação solicitada, de modo que a afirmação de que o representante da Impugnante só respondeu a fiscalização, em 09/01/2013, diverge da realidade e mostra intuito de macular a imagem da impugnante. Questiona o fato de que a primeira intimação exigia que a Impugnante fizesse uma planilha, apresentando as negociações, apenas com a cessão de LTN, na qual deveriam constar determinadas informações – o que alega não ser ônus do contribuinte que está obrigado por lei a guardar e apresentar os documentos fiscais e aqueles que fazem parte da respectiva comprovação destes, e não a elaborar planilhas a cargo da Fiscalização para cumprimento do art. 142 do CTN. Acrescenta que, apesar disso, apresentou em 09/01/2014 os documentos solicitados inclusive planilha objetivando atender com total presteza a fiscalização. Relaciona documentos apresentados em atendimento à intimação e noticia que, convocada por telefone, compareceu à repartição sendo atendida pelo Chefe da Fiscalização porque o Auditor responsável pela Fiscalização estaria licenciado por motivo de doença e continua: Fl. 536DF CARF MF 38 Alega que, considerando tais fatos, evidenciada está a espontaneidade, conforme exemplifica § 2º do Decreto 70.235/72, podendo realizar até uma denúncia espontânea, escapando de qualquer penalidade. Sob o título “Quanto as DCTFs Zeradas, as Compensações e as Informações Prestadas nos termos nº 03, 04 e 05” a Impugnante transcreve excertos do termo de Verificação (tópicos 2.5.1 a 2.5.4, 2.5.6 e 2.9), classifica de confusas e tendenciosas as análises feitas pela Fiscalização e alega que: todos os documentos e justificativas foram apresentadas, principalmente aqueles documentos que tratavam e especificavam os contratos de prestação de serviços e da devolução e compromissos de devolução de receitas recebidas; toda a vida da empresa foi aberta como em uma “caixa preta”, mostrando os insucessos e a obrigatoriedade de devolução dos valores recebidos a título de honorários. Tece comentários acerca da funcionalidade da DIPJ, DCTF e DACON e, logo a seguir, argumenta que: no caso da Impugnante, desde o início, foi demonstrado para a fiscalização que diversos valores recebidos pela empresa foram devolvidos em virtude dos distratos; por esse motivo, algumas das DCTFs, foram substituídas, informando que não havia movimento ou valores a pagar; originalmente as DCTF’s foram entregues com valores equivalentes aos informados no DACON e na DIPJ. Porém, com as rescisões ou distratos, houve a necessidade de revisar as declarações. Defende, então, que a DCTF não é o único instrumento hábil para confissão de dívida, e que, como exemplo, diante de valores informados na DIRF e não confessados em DCTF, ... é lícito ao Fisco exigir, por meio de lançamento de ofício, as diferenças apuradas por insuficiência de recolhimentos, porém, no caso em análise limitase ao mês de dezembro de 2011, uma vez que os valores constantes da escrituração contábil e os informados ao FISCO via DACON são os mesmos, verificando apenas uma diferença para o mês de dezembro de 2011. Reportase a documentos entregues no curso do procedimento fiscal acerca de distratos e devoluções de quantias recebidas a título de prestação de serviços com os quais alega ter demonstrado a quantia de 19.477.570,00 (...) em devoluções aos seus clientes, não havendo que se falar em irregularidade nas DCTF’s zeradas ou nas informações prestadas em respostas aos termos de intimação. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 519 39 Discorre acerca do regime de competência e do auferimento de receitas de prestação de serviço, asseverando que: Na tributação por esse regime o pagamento não é elemento essencial para ocorrência do fato gerador, uma vez prestado o serviço, com a anuência do tomador e o compromisso contratual (seja escrito ou verbal) deste de pagar o preço acertado, aperfeiçoase o negócio jurídico e o prestador passa a ter o direito de receber o seu pagamento. Situação diferente dessa (contratante inadimplente) ocorre quando o contratante não paga o valor cobrado pelo contratado porque não aceita o serviço (seja porque o serviço não foi contratado, seja porque o serviço não foi executado conforme previsão contratual) Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (seja no todo, seja em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não podem ser considerados como receitas realizadas. Reportase à Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, IN SRF nº 247, de 2002, Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 01, de 2004, e argumenta que de acordo com a alínea “a” do inciso V do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, não integram a base de cálculo a Contribuição ao PIS/PASEP as receitas referentes a vendas canceladas. Destaca que não há qualquer menção na legislação brasileira distinguindo o tratamento aplicável à mercadorias e serviços, de modo que mesmo tratandose de receitas relativas à prestação de serviços, existe o direito à exclusão da base de cálculo sobre os valores referentes a vendas canceladas, na apuração da contribuição para o PIS/PASEP. Aborda as DCTF retificadas, alegando ter sido obrigada a devolver e assumir compromissos de devolução de muitos clientes, essas devoluções afetaram diretamente toda a receita bruta dos anos de 2010, 2011 e 2013, conforme comprovado com toda a documentação apresentada. E continua: As retificadoras, não tinham como objeto sonegar informações ao Fisco, até porque os valores de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL foram detectados no relatório fiscal com tamanha facilidade, até porque a impugnante contribuiu com o trabalho da autoridade fiscal que a todo momento solicitava uma planilha diferente, logicamente economizando tempo e mão de obra. o uso da declaração sem movimento foi apenas equacionar os problemas internos da IMPUGNANTE, com as devoluções já anteriormente explicadas, pois a dispensa da constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício somente se aplica aos débitos declarados no campo saldo a pagar de DCTF, tendo assim, natureza de confissão de dívida, passível de encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa da União e execução Judicial, em caso de seu inadimplemento. Fl. 538DF CARF MF 40 Independente da confissão de valores em DCTF, a informação prestada através do DACON funciona como medida preventiva da decadência, afastando assim prejuízos aos cofres públicos; Porém, o débito confessado em DCTF e encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, não mais há a possibilidade de retificar e, em tais situações, houve a mudança do fato gerador da obrigação tributária e a redução comprovada da receita bruta auferida, a manutenção de valores anteriormente propiciariam um enriquecimento sem causa aos cofres públicos. Cita doutrina e ementa de decisão judicial acerca de enriquecimento sem causa, reportase à equidade e ao princípio da razoabilidade e retoma as objeções ao procedimento fiscal, alegando que: com o Termo de Constatação de Intimação Fiscal nº 05 1513/2013 verificase que a autoridade fiscal deixou de ser técnica em suas análises e começou um modo rudimentar de fiscalizar, em contradição com o art. 142 do CTN; apesar de toda a documentação e explicações apresentadas e ... abrindo a “caixa preta”, mais uma vez, a douta fiscalização, diz que as respostas apresentadas são parciais, sem a possibilidade de verificação de elementos probatórios e solicita nova planilha. Questiona o fato de a Fiscalização ter considerado que as intimações foram atendidas de forma apenas parcial e que as respostas apresentadas não seriam suficientes, formalizando novas intimações e alega que todas foram atendidas. Afirma que as diferenças apuradas entre os créditos ingressados em contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, objeto do Termo nº 7, exprimem a devolução de honorários devolvidos pela Impugnante, tanto que exaustivamente em 21/08/2014, foi apresentada a resposta ao referido Termo, com a reapresentação dessa informação. Acrescenta ter sido reapresentada a planilha das movimentações bancárias, onde a Impugnante conseguiu identificar outros recebimentos, sempre no intuito de melhor atender a fiscalização, conforme consta inclusive do Termo de Verificação. Aborda os termos de intimação fiscal nºs 4 e 8, alegando que demonstram uma atitude abusiva e tendenciosa da autoridade fiscal e não podem representar o interesse da administração pública. Sobre o Termo nº 4, com intimação para comparecimento da sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa, reportase à resposta de impossibilidade de atendimento relatada no Termo de Verificação e o comparecimento de seu pai Cláudio Assis Costa, questionando o tratamento que teria ele recebido: Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 520 41 Menciona a Portaria RFB nº 2.439, de 2010, que trata da formalização de Representação Fiscal para fins penais, e alega que essa portaria não tem o poder de obrigar o Contribuinte a depor, visto que são inúmeras as legislações que concedem o direito de permanecer calado. E continua: Invoca a possibilidade de a autoridade fiscal examinar livros e documentos contida no art. 195 do CTN , e alega que tais regras não se sobrepõem ao direito de não autoincriminação. Cita disposições acerca do silêncio no Código Penal e do Código de Processo Civil. Reclama que respostas e esclarecimentos apresentados em um primeiro comparecimento do Sr. Cláudio Assis Costa à repartição, em atendimento ao Termo nº 4, não foram mencionados no Termo de Verificação, o qual alega conter descrição apenas acerca do Termo de Depoimento nº 8 referente a um segundo comparecimento em atendimento a solicitação por telefone. E continua: Fl. 540DF CARF MF 42 Assevera que com o intuito de denegrir a imagem do Sr. Cláudio Assis Costa, a Fiscalização o indagou fazendo acusações quanto a utilização do CPF 728.989.921 00, afirmando que o mesmo estaria fazendo uso de outro Cadastro de Pessoa Física. Consigna que o procedimento fiscal em face da Impugnante teve como objeto a cessão de Títulos Públicos e não a vida do Sr. Claudio Assis Costa, mas a autoridade administrativa buscou juntar elementos que pudessem dar uma conotação negativa e agravar uma condição para Impugnante. Assevera ter o Sr. Cláudio explicado que, ao solicitar a 2ª via do documento de seu CPF, recebeu um segundo número por erro da própria Secretaria da Receita Federal e que já tinha tomado as medidas cabíveis e tal fato foi objeto de ação transitada e julgada. Argumenta ser sabida a ocorrência de casos de CPF em duplicidade por erro da própria Secretaria da Receita Federal, causando prejuízos para muitos contribuintes. Cita decisão judicial sobre a matéria. Conclui que: o dever de ofício pelo cancelamento do CPF é da autoridade fiscal, conforme expressa a IN RFB 1042, de 2010, mas até a presente data a inscrição encontrase suspensa e não cancelada. No sistema comprot, não se verifica nenhum processo para cancelamento, o que denota que as autoridades fiscais envolvidas no procedimento fiscal tinham apenas o objetivo de denegrir a imagem do Sr. Claudio Assis Costa na tentativa de imputação de crime contra a ordem tributária. Acerca do Modus Operandi da Costa Juca na compensação de tributos, reitera a Impugnante ter realizado a compra e venda de alguns títulos públicos no mercado, não só para a prática de compensações junto a Secretaria da Receita Federal. Destaca que nem todas as empresas que compraram esses títulos contrataram a Impugnante para prestar assessoria junto aos órgãos da administração fiscal, transcrevendo excerto do Termo de Verificação em que descritos os tipos de contrato que utilizava: Instrumento Particular de Compra e Venda, Instrumento Particular de Prestação de Serviço e Contrato de Prestação de Serviço de Consultoria tributária e Venda de Ativos – o que, entende, afasta a ideia de que a impugnante praticava atos fraudulentos e contínuos, ...pois em grande maioria, os próprios clientes eram responsáveis por apresentar suas declarações perante o fisco. Reprisa seu entendimento de que, no Termo de nº 08, teria a Fiscalização utilizado de um artifício ardil para colher o depoimento do Sr. Cláudio Assis Costa, que apenas cuidava da parte comercial da Impugnante e não possui capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados. Entende que a autoridade fiscal, desde o início do procedimento fiscal até o encerramento, utilizouse da dissimulação e atos tendenciosos para justificar a sua autuação. Transcreve excertos do item 3, alíneas a, b, k1 e k2, do Termo de Verificação para alegar que: Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 521 43 o comentário da autoridade fiscal beira o devaneio, pois nos últimos cinco anos, o sistema de informações da Secretaria da Receita Federal do Brasil está altamente informatizado. Ardiloso e fraudulento são os comentários que tentam induzir a ideia de alguém não vai verificar se as compensações e alterações foram realizadas e informadas na DCTF; diante de retificação de DCTF, a pessoa jurídica recebe a mensagem que sua informação junto ao fisco foi alterada e não iria se certificar dessas alterações, parece ser meio absurda a ideia de que em pleno século 21, alguém daria cheque em branco para o outro; o pior que a autoridade fiscal, insiste em afirmar que a Impugnante valeuse do mesmo modus operandi para diminuir os tributos anteriormente declarados, ou seja, uma estelionatária que pratica o estelionato quanto si mesmo; A verdade que a autoridade fiscal, insiste nessa tese para não convalidar de que com a devolução de honorários recebidos, a Impugnante não seria devedora dos valores anteriormente declarados. Até os processos administrativos são digitalizados e suas informações podem ser vistas através da certificação digital de cada empresa no campo processo digital; Em sua maioria as decisões que acarretam o indeferimento dos pedidos de compensação dos clientes da Impugnante se deram com base no art. 34, I, c, da Instrução Normativa nº 900/2008, ou então com base no § 1º do mesmo artigo, já que eram abertos processos administrativos para efetuar a compensação – sujeitandose a apenas Recurso Hierárquico sem o direito da Manifestação de Inconformidade, tornando os valores anteriormente compensados em imediatamente exigíveis e por sua vez acarretando a obrigatoriedade de devolução dos honorários e encerramento dos contratos; Destarte, que todo o trabalho da autoridade fiscal foi maliciosamente pensado e encaminhado para justificar a aplicação de multa qualificada – no percentual de 150%, para o que há necessidade de demonstração e comprovação cabais do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, condição que entende não comprovada no presente caso. Reportase à multa de ofício e sua majoração por situação qualificadora, mencionando as condutas dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e a exigência da prática de dolo, alegando equívoco na autuação pois das diversas intimações e respostas encaminhadas pelo fiscal ao contribuinte, em conjunto com documento contábil e contratos por este juntados, são elementos mais do que suficientes para revelar que não houve o ânimo da Impugnante em reduzir tributo devido, nem de seus clientes e nem os seus. Fl. 542DF CARF MF 44 Opõese à utilização de presunção e alega que todas as provas apresentadas pela Impugnante derrubam a utilização da presunção como elemento de prova, não podendo prosperar a multa qualificada, frente à prova de devolução dos honorários. Transcreve excertos doutrinários destacando a necessidade de existência de motivo para a simulação e concluindo não haver motivação para prática de fraude, dolo, simulação, no caso da retificadoras da DCTF, frente às devoluções realizadas pela Impugnante. Discorda do Indeferimento do PER/DCOMP apresentado por meio eletrônico, alegando que: foi contratado consultoria de fora para analisar as contas e as escriturações fiscais da Impugnante, a qual não possui conhecimento dos clientes da Impugnante e objetivavam apenas a análise de dados; todas as operações com base nas compensações são baseadas no art. 74 da Lei 9.430/96, de modo que a consultoria contratada utilizase da contabilidade e da certificação digital para apurar a possibilidade de crédito ou até mesmo irregularidades de cobranças; o art. 74 da Lei 9.430 autoriza o contribuinte que apurar qualquer crédito, compensar com qualquer tributo que lhe seja devido, sem a obrigatoriedade de compensar com tributos semelhantes, portanto, não há irregularidade na prática adotada pela sociedade Impugnante. Aborda a questão da retenção indevida de tributos na fonte e expõe caber ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito, podendo a fonte pagadora pedir a restituição desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário. Invoca o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, que prevê a obrigatoriedade de retenção na fonte de CSLL, Cofins e PIS, nos pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços que menciona. Transcreve excerto do Termo de Verificação para alegar que: a Fiscalização diz que para o código 5956, a retenção deve ser de 4,65%, com o que concorda, o que não se pode concordar é que havendo uma retenção maior que esse percentual, caracterizase uma fraude ou qualquer indício de ilícito – tese que vai de encontro ao que se chama de retenção indevida ou a maior e segundo a qual nenhum contribuinte fará apuração de crédito, pois quando ocorrer um pagamento a maior, a autoridade fiscal aumentará hipoteticamente o faturamento da empresa para extinguir o crédito. Valese da Solução de Consulta nº 22 da Cosit, que transcreve em parte (fls. 1673), para alegar que: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 522 45 tal parecer emite a possibilidade de uma empresa enquadrada no simples, solicitar a restituição desse tributo indevidamente retido; diante disso, a eventual retenção (e recolhimento) de tributos nos pagamentos feitos a pessoas jurídicas, nos moldes do art. 34 da Lei nº 10.833, de 2003, configura hipótese de pagamento indevido de tributos, o que garante ao sujeito passivo o direito à restituição da importância indevidamente retida, com fundamento no art. 165, I, do CTN; na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, que menciona; a par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. Expõe que os procedimentos para que o "sujeito passivo que promoveu a retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB" pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da IN RFB 1300, de 2012, que transcreve e que alega constituir, do ponto de vista da Impugnante, o modo ideal de reaver os tributos que lhe foram descontados indevidamente na fonte. Mas ressalva: todavia, as normas não obrigam a fonte pagadora a seguir o prescrito naquele dispositivo, apenas facultam que ela o adote. E continua: Transcreve o art. 112 do CTN e conclui: assim que se cumpra a Lei, desconsiderando o alegado pela autoridade fiscal quanto as compensações para qualificação de multas, já que não houve a apresentação de nenhuma prova de fraude, apenas presunções quanto as empresas, pois não se verificou nenhuma diligência ou mera intimação para as citadas empresas, apenas presunção. Fl. 544DF CARF MF 46 Sob o título “Da ausência de requisitos para Aplicação da Multa por Arbitramento” expõe que a legislação tributária relaciona, de forma taxativa, as hipóteses de desconsideração do Lucro apurado pelo contribuinte e passe a mensurar este mesmo lucro pelo método de arbitramento com valores diferentes do apontado pelo contribuinte. Transcreve o art. 530, inciso II, do RIR/99, e continua: Cita ementas de acórdãos acerca do arbitramento do lucro, alegando que este deve ocorrer somente em casos extremos, e mediante observância de quatro mandamentos de ordem material, que relaciona (fls. 1678/1679). Apresenta, também, excertos doutrinários para concluir que na presente investigação fiscal não caberia o arbitramento do lucro pois os livros permitem facilmente identificar a movimentação financeira da impugnante e da ausência dos quatro requisitos formais firmados pelo Conselho de Contribuintes. Sob o título “Da Representação Fiscal para Fins Penais” reitera a alegação de inexistência de fraude visto que as receitas anteriormente declaradas foram modificadas tendo em vista que houve alteração no fato gerador e obrigatoriamente resultou na devolução dos valores que faziam parte da receita apurada pela impugnante. Expõe que as desconsiderações de tais devoluções só comprovam o intuito malicioso e tendencioso de fazer a representação fiscal para fins penais, revelada desde o Termo de Verificação Fiscal nº 01, que independente da documentação a ser apresentada pela Impugnante, não teriam a força de reverter tal intuito. Noticia ser a fiscalização fruto de uma denúncia descabida realizada pela empresa TRANSFENIX LOCADORA DE VEÍCULOS, a qual alega ter sido ressarcida integralmente dos honorários pagos. Acrescenta que a autoridade fiscal apenas transcreveu a denúncia, sem realizar a devida perícia técnica. Quanto a compensações de uma forma geral, reprisa corresponderem ao direito constitucional de petição, onde o Contribuinte faz sua solicitação enviando para posterior apreciação. Transcreve dispositivo legal no qual destaca a extinção do crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento de compensação e expõe: Não pode a autoridade fiscal, esquivar do seu direito de ofício em apreciar as compensações, nem alegar que isso de alguma forma tende a acarretar prejuízos aos cofres públicos, pois todas as compensações são analisadas para posterior homologação ou Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 523 47 indeferimento através de despacho decisório, até porque no momento da entrega fica o contribuinte cientificado de que a Declaração de Compensação apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, nos termos do § 6º do art. 74 da lei nº 9.430 de 1996, com a redação determinada pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003. não se cogita de intuito de sonegação nem de prejuízo aos cofres públicos pois em todos os casos de indeferimentos, são acrescidos ao valor principal a multa de atraso e os juros correspondentes. Cita r transcreve os art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e alegando que em toda a documentação apresentada não se vislumbra a presença dos requisitos essenciais dos artigos acima citados. Finaliza formulando pedido nos seguintes termos: Por sua vez, as Manifestações de Inconformidade (em face dos Despachos Decisórios de não homologação das compensações apresentadas) de fls. 227/292 do processo 10740.720024/2014 82, de fls. 229/294 do processo 10740.720025/201427 e de fls. 252/317 do processo 10783.720248/201498, apresentadas em nome da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda, e de teor semelhante à sua Impugnação acima relatada, são encerradas com pedidos nos seguintes termos: Prosseguindo, na peça de defesa de fls. 1698/1705 do processo nº 10740.720068/201411, apresentada em nome de Cláudio Assis Costa é questionada a atribuição de responsabilidade solidária mediante os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o art. 124, II do CTN não autoriza a responsabilização de terceiros sem vinculação ao fato gerador e interpretação contrária a tal previsão e ao art. 128 do CTN implicaria flagrante violação legal. Transcreve disposições dos arts. 124 e 125 do CTN e excertos de doutrina destacando que: • a solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário; Fl. 546DF CARF MF 48 • interesses econômicos no fato gerador ou interesses nas consequências advindas da realização do fato gerador são irrelevantes para a configuração da solidariedade; • é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à terceiros que não tiveram qualquer concorrência para a realização do fato gerador da obrigação tributária. Aborda especificamente a responsabilidade solidária do Impugnante Cláudio Assis Costa, alegando a necessidade de interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador, ou na hipótese do art. 135, o qual transcreve, de responsabilidade em virtude de atuação com excesso de poderes. Transcreve excerto do Termo de Verificação e alega que restou a autoridade fiscal, ... comprovar os atos praticados com excesso de poder ou infração legal, para concluir: Na sequência, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas, as mesmas alegações apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido baixo: Na peça de defesa em nome da pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S/A. , de fls. 1709/1718 do processo nº 10740.720068/201411, (repetida às fls. 1739/1748), nega a Impugnante a ocorrência de blindagem patrimonial e de que sua criação teria finalidade de manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da Costa Juca. Considera tratarse de mera especulação, ou seja, uma pressuposição sem nenhuma comprovação e fácil de ser rebatida. Transcreve excerto do Termo de Verificação e destaca que uma das sócias da empresa AG Costa (Gabriela de Alcântara Almeida Costa) também é sócia da Impugnante (A G Costa) e alega que se houvesse esse suposto objetivo de manter o patrimônio pessoal ileso, de forma premeditada, a empresa AG COSTA poderia ter sido formada por CLAUDIO DE ASSIS COSTA e sua filha AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, ou ainda por terceiros sem qualquer vinculação direta às atividades da autuada COSTA JUCÁ CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. Expõe ser sabido que a sociedade holding patrimonial tem por finalidade a redução da carga tributária da pessoa física, o planejamento sucessório e o retorno de capital sob a forma de lucros e dividendos, com redução de tributação em favor da Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 524 49 pessoa jurídica, razão pela qual empresários utilizam esse tipo de sociedade para imobilizar capital e obter renda com o seu acervo patrimonial. Assim, ao invés das pessoas físicas manterem bens em seus próprios nomes, os mantém através de uma pessoa jurídica a controladora patrimonial. Continua apontando vantagens na constituição de pessoa jurídica para controle do patrimônio de pessoa física e alega inexistir qualquer abusividade no controle do patrimônio da sócia GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA pela sociedade empresarial patrimonial AG COSTA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A, mas tão somente vantagens concretas para os titulares das ações, que passam a ter a tributação diferenciada, facilitação na transmissão de bens e maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. Reitera a alegação de que a sociedade ostenta siglas do nome da sócia Gabriela o que afastaria a tese de pretensão de ocultar patrimônio e que a finalidade da criação da AG COSTA foi a facilidade na realização no planejamento sucessório que seria um fato concreto na vida de todos e a obtenção de renda através de um acervo patrimonial. Acrescenta que: • Essa renda é a mesma utilizada para quitar os empréstimos efetuados junto a Impugnante, sem a necessidade de alienação dos imóveis, conforme insinua maldosamente a autoridade fiscal; • todos os prejudicados com os trabalhos realizados pela Impugnante foram indenizados, se realmente houvesse uma “blindagem patrimonial” estariam todos na enorme fila do judiciário. Na sequência, sob o título “Da Responsabilidade Solidária” são expostos argumentos idênticos aos já apresentados na peça de defesa de fls. 1698/1705, em nome de Claudio Assis Costa, sendo acrescentadas as seguintes alegações: Conclui do mesmo modo no sentido de que não merece prosperar o auto de infração ao imputar responsabilidade Fl. 548DF CARF MF 50 solidária a terceiro sem que evidencie a sua efetiva participação para a ocorrência do fato gerador. Ainda, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas as mesmas alegações já apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido baixo: Na peça de defesa em nome de Gabriela de Alcântara Almeida Costa, de fls. 1769/1773, é questionada a atribuição de responsabilidade solidária, alegando ser necessário interesse jurídico da situação que constitui o fato gerador, ou na hipótese do art. 135 do CTN, a responsabilidade decorre de atuação com excesso de poderes. Afirma inexistir ato que implique em violação do contrato social a fim de ensejar a responsabilidade solidária da sócia GABRIELA, conforme imputado no auto de infração. Transcreve excerto do Termo de Verificação (na parte que se refere a Cláudio Assis Costa), e alega não ter a Fiscalização comprovado a ocorrência de ato com excesso de poder ou infração legal e expõe: Na verdade os únicos atos apontados como ilícitos pela IMPUGNANTE são aqueles inerentes à própria administração da sociedade empresária, o que por sua vez não se confunde com atos que violam o contrato social. Conclui: Também nesta impugnação, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas as mesmas alegações já apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Jucá Consultoria Empresarial Ltda, relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido abaixo: De fls. 1.785/1.788 constam Termos e Apensação dos processos mencionados no início deste Relatório. As peças de impugnação acima relatadas foram apresentadas pelos interessados nos dois processos de Autos de Infração: 10740.720068/201411 e 10740.720069/201457. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 525 51 Nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498 foram apresentadas peças de defesa em nome de Costa Juca e Dimitry e Manifestação de Inconformidade em nome de Costa Juca contendo razões de defesa no mesmo sentido daquelas apresentadas no processo de auto de Infração 10740.720068/201411 e já relatadas acima. O acórdão recorrido foi proferido, negando a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, resultando na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 550DF CARF MF 52 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 526 53 Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recursos Voluntário não expôs qualquer argumento novo, repisando os mesmos fundamentos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recursos Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 552DF CARF MF 54 Concordando com o voto proferido, com fulcro no artigo 57, parágrafo terceiro, Anexo II, do RICARF, transcrevo sua fundamentação: Do mesmo modo como indicado no relatório, os números das folhas mencionadas a seguir, quando não especificado o processo a que se referem, são relativos ao processo nº 10740.720068/201411. Acerca da tempestividade das defesas, comparamse a seguir as datas de apresentação das diversas peças com as datas de ciência dos respectivos requerentes: Registrese que: em nome da pessoa Jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda foram apresentadas duas peças de defesa: (i) uma (fls. 1595/1614) em conjunto com a pessoa física Dimitry Cerewuta Jucá e por ele subscrita (peça que é tempestiva apenas em relação à ciência de Dimitry Cerewuta Jucá) e (ii) outra peça (fls. 1618/1683) apenas em nome da própria da pessoa jurídica (contendo contestação de mérito e subscrita pelo procurador Cláudio com procuração às fls. 1695/1697), a qual é tempestiva; em nome da pessoa física Cláudio Assis Costa foi apresentada peça de defesa (fls. 1698/1705) onde não se encontra a data de protocolização, todavia fora ela juntada aos autos entre outras duas peças de defesa (fls. 1618 / 1683 e fls. 1709/1718), ambas protocolizadas em 25/11/2014, de modo que, se considerada tal data, é tempestiva a defesa de Cláudio de Assis Costa e acerca da tempestividade nada ressalva ou opõe a autoridade preparadora que encaminhou os autos para julgamento; além disso, peça de mesmo teor, em nome de Claudio de Assis Costa e com data de recepção 25/11/2014, encontrase juntada às fls. 1.182/ 1.189 do processo 10740.720069/201457; Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 527 55 em nome dos demais interessados foram apresentadas peças também tempestivas. os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, estão disciplinas na Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, da qual se extrai: ... Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. ... Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. § 5º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. § 6º Se um dos autuados pedir parcelamento ou compensação do crédito tributário lançado, aplicase o disposto no art. 5º ou no art. 6º, respectivamente. No presente caso, apresentadas: (i) peças de defesa contendo, entre outros, questionamentos sobre o vínculo de responsabilidade (em nome das pessoas físicas e da pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S/A. e (ii) peça de defesa quanto ao crédito tributário e à não homologação de compensações (em nome da pessoa jurídica Costa Juca Fl. 554DF CARF MF 56 Consultoria Empresarial Ltda), com as observações supra acerca da tempestividade e preenchendo os demais pressupostos de admissibilidade, delas se toma conhecimento. Arrolamento de Bens Acerca da matéria observese tratarse de medida de preservação do crédito tributário lançado de ofício, prevista nos arts. 64 e 64A da Lei nº 9.532, de 1997. Os procedimentos para fins de arrolamento de bens e direitos, à época em que formalizado, estavam disciplinados na Instrução Normativa RFB n.º 1.171, de 07/07/2011, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas RFB n.º 1.197, de 30/09/2011, e n.º 1.206, de 01/11/2011 e, recentemente, encontrase em vigor a Instrução Normativa RFB 1565, de 11/05/2015. Todavia, o arrolamento é formulado em apartado e não compõe os presentes processos de exigência de crédito tributário e não homologação de compensações,não se inserindo no âmbito de competência deste colegiado, definida no art. 233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, o pronunciamento acerca de questionamento relativo a procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora, a quem devem ser dirigidos os pedidos relacionados à matéria, em processo próprio, e aqui indevidamente apresentados. Nesse sentido já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo dos Acórdãos assim ementados: ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PEDIDO DE CANCELAMENTO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não é competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a apreciação de pedido de cancelamento de Arrolamento de Bens e Direitos. (Acórdão 1803002.466 Sessão de 26/11/2014) ARROLAMENTO DE BENS. Não cabe ao CARF manifestarse acerca do procedimento administrativo de arrolamento de bens, eis que não se circunscrevem ao delimitado no Decreto nº 70.235, de 1972, isto é, não dizem respeito à determinação e exigência de créditos tributários. (Acórdão 1202001.211 Sessão de 25/11/2014) E, se o órgão de julgamento administrativo de instância superior não detém competência para apreciar questionamentos relativos a arrolamento de bens, igual conclusão se impõe em relação ao julgamento em primeira instância. Representação Fiscal para Fins Penais Com relação a questionamentos acerca da formalização de Representação Fiscal para Fins Penais relativa a crimes contra a ordem tributária, definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, esclareçase que o correspondente processo, de nº 10740.720071/2014 26, não é objeto do presente julgado, pois a questão também não se insere na esfera de competência deste órgão julgador. Tanto é que, neste caso, já há até súmula do CARF a respeito: Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 528 57 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Além disso, consoante disposto no “caput” do art. 83 da Lei n.º 9.430, de 1996, a mencionada representação somente será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário em discussão nos processos em tela. Em suma, o julgado limitase à esfera de competência da autoridade julgadora administrativa, relativamente ao crédito tributário constituído de ofício, tempestivamente impugnado, e à nãohomologação de compensações, matérias estas tempestivamente questionadas, não comportando análise de questões que tratam de arrolamento de bens, nem de representação fiscal para fins penais. Alegação de nulidade – Cerceamento de defesa A nulidade da autuação foi arguida na peça em nome de Dimitry Cerewuta Jucá, sob a alegação de ausência de elementos fundamentais ao contribuinte no tocante a indicação das rubricas sobre as quais visualizou o recolhimento a menor, pela não demonstração dos meses em que este fato se verificou, indicados e apenas os exercícios fiscalização o que é absolutamente insuficiente, impossibilitando o exercício de defesa. Distintamente do que alegado, os Autos de Infração foram formalizados com observância dos requisitos do art. 142 do CTN e atendem o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Com efeito, os Autos de Infração contêm expressamente a descrição dos fatos, a identificação dos motivos que embasaram a autuação, a indicação das disposições legais consideradas infringidas, a identificação do montante tributável, do sujeito passivo e responsáveis solidários e dos critérios para sua apuração. Não se vislumbra, portanto, ausência de requisitos nem vício de formatação que pudesse comprometer o lançamento ou o direito dos interessados constitucionalmente garantido. Especificamente acerca dos períodos a que se referem as exigências, registrese que os fatos foram descritos de forma detalhada e minuciosa pela Fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal nº 091513/2013, de fls. 105/202, o qual contém detalhada e discriminadamente os períodos e valores autuados, além da ressalva, ao final, de que o mesmo é parte integrante e indissociável dos autos de infração. Para maior clareza reproduzse excertos das planilhas que integram o tópico 7.1 do citado Termo de Verificação: 7. DAS INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO Fl. 556DF CARF MF 58 7.1 FALTA DE DECLARAÇÃO (DCTF) E/OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS ... Os períodos e valores das planilhas acima também estão indicados nos Autos de Infração, a exemplo do item 002 do Auto de IRPJ (fl. 07): Quanto à infração por omissão de receitas, registrese que foi fundamentada, entre outros dispositivos, no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual prevê, no parágrafo 1º, que o valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. E, no caso, a Fiscalização identificou individualizadamente todos os créditos bancários questionados, conforme planilha de fls.1.437/ 1457, que integra intimação Fiscal nº 071513/2013, datada de 05/08/2014, para comprovação da origem de recursos (fls. 1433) e da qual se reproduz, a título de exemplo, o excerto a Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 529 59 seguir, referente ao mês de julho/2010, em que detectados créditos cuja soma perfaz R$ 918.999,99: Por sua vez, na planilha integrante do tópico 7.2 do Termo de Verificação (fls. 179 e seguintes), foram identificados os fatos geradores autuados por omissão de receitas, como se vê no excerto a seguir reproduzido, no qual, para o período exemplificado (julho/2010), foi apurada, a título de valor a ser constituído, a diferença de R$ 213.674,76 ( R$ 918.999,99 R$ 705.325,23) em comparação ao quantum contabilizado e informado em DIPJ: Ainda, nos Autos de Infração de cada tributo, também foram indicadas as datas dos fatos geradores e respectivos valores, como se verifica, no exemplo abaixo, reproduzido do Auto de IRPJ de fls. 06/07: Fl. 558DF CARF MF 60 O mesmo se verifica em relação ao Auto de Infração do processo 10740.720069/201457, também instruído com cópia do mesmo Termo de Verificação Fiscal, conforme excerto de fls. 06 e 09/105 daqueles autos: Diante dos fatos descritos, mostrase injustificável a alegação de que a Fiscalização não teria identificado os períodos autuados ou a ocorrência do fato gerador. Pelo contrário, como se vê dos Autos de Infração e do minucioso Termo de Verificação Fiscal que os instrui, os fatos geradores foram identificados em todos os seus aspectos, quer aqueles decorrentes da própria contabilidade do contribuinte e de sua DCTF que veio a ser indevidamente retificada, quer aqueles apurados em função dos créditos em sua conta bancária e, também, aqueles que ensejaram a penalidade por compensação indevida. Os Despachos Decisórios, por sua vez, foram fundados nos Pareceres emitidos pela Fiscalização contendo os fatos e a motivação do não reconhecimento de direito creditório utilizado em Declarações de Compensação, os quais também constam do Termo de Verificação Fiscal, não se cogitando da alegada falta de fundamentação. Por outro lado, todos os interessados foram regularmente cientificados dos fatos apurados, das infrações que lhes foram imputadas e das exigências e dos Despachos Decisórios formalizados, recebendo, inclusive, cópia de inteiro teor dos processos digitais correspondentes conforme fls. 1583, com concessão de prazo regulamentar para pagamento ou apresentação de defesa. E, as oportunidades de oposição aos lançamentos e aos Despachos Decisórios foram devidamente aproveitadas mediante apresentação de competentes peças de defesa em todos os processos e por todos os interessados, em que demonstram ter conhecimentos dos fatos e ter compreendido perfeitamente as infrações que lhes foram imputadas. Não se configura, portanto, o cerceamento de defesa. Deve, assim, ser rejeitada a arguição de nulidade, pois a hipótese de ilegitimidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração e despachos decisórios, está perfeitamente definida no Decreto nº 70.235, de 1972, em seu artigo 59, incisos I e II, que se referem a lavratura por pessoa incompetente e preterição de direito de defesa, situações que não se verificam no presente caso. Deve ser, portanto, rejeitada a arguição de nulidade. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 530 61 Questionamentos acerca do procedimento fiscal No contexto acima descrito, acentuese a impropriedade da defesa ao apresentar questionamentos relacionados ao desenrolar do procedimento fiscal e ao pretender discutir a formalização, o teor e o endereçamento de intimações ocorridas na fase anterior à autuação. Consignese que a constituição do crédito tributário de ofício observa o estabelecido no art. 142 do CTN que estipula, como etapas do procedimento de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível – o que foi observado no presente caso. Cumpre à Autoridade Administrativa competente a identificação de tais elementos visando a subsunção dos fatos à norma aplicável, levantando dados no procedimento investigatório de fiscalização, durante o qual não se configura o contraditório nem a ampla defesa, vez que a ação fiscal se desenvolve mediante aplicação do direito tributário material, da qual poderá redundar a formalização da exigência. Assim, a relação jurídica processual somente se concretiza com a apresentação da impugnação (ou manifestação de inconformidade) ao correspondente ato de lançamento (ou de não homologação de compensação), impugnação esta que deve vir acompanhada de todos os elementos de prova indispensáveis a infirmar o ilícito caracterizado nos autos. A teor do disposto no art. 14 do referido Decreto nº 70.235, de 1972, “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, momento em que o procedimento se torna processo, estabelecendose o conflito de interesses: de um lado o Fisco, que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. O procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou, ainda, a relação jurídica processual, o que somente se concretiza com o ato de lançamento e/ou com o ato de formalização do Despacho Decisório e a apresentação das correspondentes impugnação e manifestação de inconformidade. A esse respeito, assim leciona James Marins, em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro: Administrativo e Judicial, Ed. Dialética, São Paulo, 2001, págs. 222/223: "O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de Fl. 560DF CARF MF 62 uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, o que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula além do Estado, o contribuinte. Só quando houver vinculação do contribuinte se fará lícito aludir a processo, antes não. Corroborando tal assertiva, basta se atinar para que nem todo procedimento fiscalizatório irá conduzir necessariamente a uma exação, havendo clara separação entre os dois momentos." É a partir da apresentação da impugnação que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Nesse contexto, imprópria é a pretensão de discutir, no âmbito de impugnação ao lançamento, questões relacionadas a intimações formalizadas no curso do procedimento. Cabível, entretanto, destacar, no que se refere à obrigatoriedade de prestar informações ao Fisco, os seguintes dispositivos legais do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 RIR/1999 [destaques acrescidos]: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). §1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). §2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, §1º). §3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, §2º). (...) Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 531 63 Art. 929. As pessoas físicas ou jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da Secretaria da Receita Federal, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte (DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 11, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 10). (...) Art. 931. Sem prejuízo do disposto na legislação em vigor, as instituições financeiras, as sociedades corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades de investimento e as de arrendamento mercantil, os agentes do Sistema Financeiro da Habitação, as bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e instituições assemelhadas e seus associados, e as empresas administradoras de cartões de crédito fornecerão à Secretaria da Receita Federal, nos termos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda, informações cadastrais sobre os usuários dos respectivos serviços, relativas ao nome, à filiação, ao endereço e ao número de inscrição do cliente no CPF ou no CNPJ (Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 12). (...) § 3º A não observância do disposto neste artigo sujeitará o infrator, independentemente de outras penalidades administrativas, à multa prevista no art. 978, por usuário omitido (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 12, §3º). Portanto, a autoridade fiscal está autorizada a requerer informações relativas à apuração de tributos de todas as pessoas jurídicas e físicas diretamente ligadas ao fato investigado. Se informações foram solicitadas na forma de planilhas ou mediante comparecimento pessoal, não há impedimento legal para tanto. Eventual impossibilidade de atendimento de intimações é avaliada pelas autoridades fiscais que a ela dá as repercussões cabíveis e, se motivar formalização de exigência (lançamento), os interessados têm oportunidade de defesa contra tais exigências. Também não é capaz de invalidar o lançamento a alegação de que respostas e esclarecimentos apresentados em um primeiro comparecimento de um dos interessados (Sr. Cláudio) à repartição, em atendimento ao Termo nº 4, não teriam sido mencionados no Termo de Verificação Fiscal, o qual contém descrição acerca do Termo de Depoimento nº 8 referente a um segundo comparecimento em atendimento à solicitação por telefone. Fl. 562DF CARF MF 64 Informações e esclarecimentos dos interessados que fossem por eles considerados relevantes e tivessem sido omitidos pela Fiscalização no Termo de Verificação poderiam ter sido apresentados nas peças de defesa e apreciados neste julgamento como se faz neste Acórdão. Do mesmo modo, eventuais fatos questionados pela Fiscalização no curso do procedimento fiscal e que os interessados entendem irrelevantes para o lançamento (a exemplo da alegada menção à utilização de dois CPF pelo Sr. Cláudio) não invalidam o lançamento, cujos fundamentos legal e fático puderam ser por eles refutados ou esclarecidos em sede das peças de defesa. Aliás, observese, quanto à alegada menção à duplicidade de CPF de um dos interessados, que tal circunstância sequer foi apontada entre os motivos, analisados adiante, da formalização das exigências nem da atribuição de responsabilidade solidária. Não se vislumbra, assim, qualquer óbice ou falha que comprometa a validade dos lançamentos e dos atos de não homologação de compensação. Alegação de espontaneidade Alega a contribuinte que teria readquirido a espontaneidade no curso do procedimento, após a primeira intimação, em razão do decurso de prazo, entre as primeiras intimações, superior a 60 dias – limite de validade dos atos previsto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste aspecto, esclareçase que da descrição do procedimento fiscal contida no Termo de Verificação consta: Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 532 65 Da simples análise das datas e documentos acima citados constatase que entre as intimações iniciais, invocadas pela defesa, não se identifica decurso de prazo superior a 60 dias que pudesse suscitar reaquisição de espontaneidade. De todo modo, ainda que se confirmasse o decurso do prazo de 60 dias, cumpre consignar que a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo está também regida no art. 138 do Código Tributário Nacional de cujo caput consta: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (Destaques acrescidos). Como se vê, a denúncia espontânea requer, para sua configuração, a confirmação da efetivação de pagamento do tributo devido ou seu depósito, o que não comprovam os Impugnantes terem realizado, mesmo porque apresentadas razões de discordância com a autuação. Neste contexto, a alegação de espontaneidade em nada afeta o lançamento e não permite afastar as exigências. Mérito Compensação indevida – Não homologação Multa isolada Em oposição a não homologação de compensações, é invocado o direito de petição e feita menção ao Modus Operandi da Costa Juca na compensação de tributos, mediante realização de compra e venda de alguns títulos públicos no mercado, não só para a prática de compensações junto a Secretaria da Receita Federal, com discordância da obtenção de informações por meio de depoimento do Sr. Cláudio Assis Costa, alegandose que apenas cuidava da parte comercial da Impugnante e não possui capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados. As alegações apresentadas, contudo, não são hábeis a justificar as compensações analisadas pela Fiscalização, abordadas no item 6 do Termo de Verificação (fls. 167 a 176). A compensação de tributos na esfera federal é um direito do contribuinte desde que observados os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a compensação tributária por iniciativa do contribuinte, criada pelo art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, com fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, e ampliada pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e pelo Decreto nº 2.138, de 1997, sempre teve por pressuposto a existência de créditos decorrentes de tributos e contribuições, para fazer frente a débitos de mesma natureza. E tal circunstância já havia sido ainda mais detalhada, relativamente aos tributos Fl. 564DF CARF MF 66 administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde meados de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66 (posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 2002), que expressamente limitou a compensação a crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal passível de restituição ou ressarcimento. Além disso, com a nova sistemática de compensação por meio da apresentação de declaração de compensação (DCOMP), foi a ela atribuído o efeito de extinção dos débitos compensados sob condição resolutória de sua ulterior homologação, para o que a autoridade administrativa dispõe de prazo de 05 anos. Assim, não confirmada a existência e/ou diante da impossibilidade da utilização dos créditos informados em DCOMP quando da compensação de débitos, impõese sua não homologação. Por sua vez, a penalidade aplicada tem por pressuposto o mencionado efeito extintivo das Declarações de Compensação – DCOMP, atribuído a este documento desde a sua criação com a Medida Provisória nº 66, de 2002, in verbis: Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]” Descumprindo as regras impostas para as compensações – ao indicar crédito para o qual verificada a inexistência de qualquer materialidade fática, como descrito no Termo de Verificação e analisado a seguir , o contribuinte buscou implementar a extinção dos débitos por meio das DCOMP apresentadas. Quanto à menção à revogação da Multa para pedido indevido de crédito tributário conforme refletido em notícia publicada pela imprensa e invocada pela defesa, tratase de casos de pedido de ressarcimento previsto em dispositivo legal distinto daquele que fundamenta a exigência em questão. A multa aplicada no caso em tela encontrase capitulada no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, cujo texto original previa: Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 533 67 “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...).” Com a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, o referido artigo 18 passou a ter a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...). § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)” [Destaques acrescidos] Posteriormente, a redação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, passou a ter o seguinte teor, atualmente em vigor, dado pela Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo .” [Destaques acrescidos] Fl. 566DF CARF MF 68 O citado art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê no inciso I do caput a multa de 75% que, aplicada em dobro, resulta no percentual de 150% utilizado pela Fiscalização. Ainda, quanto à menção à revogação de dispositivos que previam a aplicação de multa isolada, observese que a Lei nº 12.249, de 2010, inseriu no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os parágrafos 15 a 17, e a Lei nº 12.844, de 2013, incluiu no mesmo artigo, o parágrafo 18, ficando o texto do ato, como segue: “Art. 74 (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” [Destaques acrescidos] Atualmente, em função das Medidas Provisórias nº 656, de 2014, e nº 668 de 2015 e Leis nº 13.097 e nº 13.137, ambas de 2015, foram revogados os parágrafos 15 e 16 e alterada a redação do parágrafo 17, o qual passou a refletir o seguinte teor: “§ 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13097, de 2015, conversão da MP 656, de 2014)” [Destaques acrescidos] Dessa forma, quando apurada falsidade na declaração apresentada permanece aplicável a penalidade de 150% nos termos do art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Observese que o percentual da multa é fixado em Lei, não se cogitando de arbitramento por parte da autoridade fiscal, como aventado em impugnação. No caso, a Fiscalização demonstra que os créditos indicados nas 03 (três) DCOMP em questão (saldo negativo de CSLL formado por retenções na fonte de código 5952 (retenção contribuições pagt de PJ a PJ dir privado – CSLL/COFINS/PIS) não existiam, pois não confirmada a ocorrência de retenção de contribuições na fonte e sequer a existência de operações entre a pessoa jurídica autuada e as fontes pagadoras por ela indicadas. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 534 69 De fato, nas DCOMP analisadas no presente caso a contribuinte indicou créditos de Saldos Negativos de CSLL de períodos trimestrais, originados de retenções na fonte que teriam sido efetuadas sob os códigos 5952 pelas fontes pagadoras ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ nº 14.234.988/000168, e CONSTRUTORA APTA LTDA, CNPJ nº 35.793.397/000109. O código 5952 contempla retenções efetuadas por pessoas jurídicas em pagamentos a outras pessoas jurídicas, no percentual total de 4,65%, do qual 1% corresponde a CSLL. E, em relação a tais compensações, descreveu a Fiscalização que: questionada acerca dos créditos utilizados em valores de R$ 1.700.000,00 e R$ 100.000,00, a contribuinte alegou erro na informação do período do crédito (que deveriam ter sido informados os 2º e 3º Trimestre de 2013 como períodos de apuração do crédito e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, como equivocadamente informado); a verificação das DIPJ de 2011 e 2012 não aponta apuração de saldos negativos de CSLL em nenhum dos períodos mencionados (nem de 2011, nem de 2013); não foram informados no item 32 da Ficha 18A das DIPJ envolvidas qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado; optante pelo lucro presumido, a CSLL apurada no trimestre pela COSTA JUCA corresponde a 3% de sua receita de prestação de serviços (32%*9% = 3%), de modo que, em hipótese alguma, poderia apurar saldo negativo de CSLL, ainda que toda sua receita houvesse sofrido retenção na fonte daquela contribuição. Isso porque se na retenção o percentual é de 1%, na apuração trimestral o percentual é de 3% da receita. Acerca das fontes pagadoras indicadas pela Costa Juca em suas DCOMP ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA e CONTRUTORA APTA LTDA descreveu a Fiscalização, às fls. 171 e seguintes, evidentes distorções e inconsistências, entre as quais: a fonte pagadora ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA apresentou DIPJ somente para os anos de 2011 e 2012, na condição de INATIVA, vindo, depois, retificar a DIPJ do ano de 2012 para apuração pelo lucro presumido, mesmo assim a declaração está com valores zerados. Apesar disso, de acordo com a DCOMP da Costa Juca, a pessoa jurídica Elite teria efetuado pagamentos à COSTA JUCA que resultaram na retenção na fonte das citadas contribuições (CSLL, PIS, Cofins) no valor de R$ 1.700.000,00 para cada trimestre, totalizando R$ 3.400.000,00. De outro modo, se o Fl. 568DF CARF MF 70 pagamento estava sujeito à retenção de 4,65%, o valor do serviço prestado pela COSTA JUCA equivaleria a R$ 73.118.279,57. Isso é mais do que todas as receitas apuradas pela COSTA JUCA nos anos de 2010 a 2012, conforme pode ser confirmado na análise dos extratos de sua movimentação bancária. por outro lado, mesmo com DIPJ inativa ou zerada, foram encontradas DIRF apresentadas pela ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, em relação às quais foi constatado que: Em 2012, constam da DIRF 03 (três) beneficiários de retenção na fonte (sequer indica a Costa Juca) totalizando rendimentos de R$ 32.922.086,27 e retenções de contribuições sobre pagamentos de PJ a PJ de direito privado – CSLL, COFINS e PIS (código de receita 5952) no montante de R$ 15.682.972,29 (em que sequer é observado o percentual de 4,65%). Em 2013, a DIRF informa 02 (dois) beneficiários (também não contemplando a Costa Juca) com rendimentos de R$ 64.057.310,51 e retenção de contribuições de R$ 42.311.465,90 (percentual de retenção sem qualquer previsão). a CONSTRUTORA APTA foi declarada INAPTA em 1999 por ser omissa e não ter sido localizada. Em 22/09/2006 passou à condição de ativa em razão da entrega, em 21/09/2006, de DIPJ – INATIVA dos últimos cinco anos: 2001 a 2005. Antes, porém, em 13/09/2006, a CONSTRUTORA APTA providenciou a alteração no CNPJ do quadro societário e do domicílio fiscal, que passou a ser a Rua Frederico Méier,15, 3, 4 e 5 andares, Méier – RJ/RJ. Talvez por mera coincidência, uma das salas passou a ser o endereço da então, em 2011, criada ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Muito embora a última DIPJ tenha sido apresentada em 10/11/2013, relativa ao anocalendário de 2009, a CONTRUTORA APTA LTDA apresentou DIRF para os anos de 2009, 2010, 2012 e 2013, nas quais constam vários beneficiários informados com valores vultosos de rendimentos e de retenção na fonte das contribuições CSLL, Cofins e PIS. Uma repetição do esquema adotado a partir das DIRF da pessoa jurídica ELITE. Novamente não há qualquer correlação entre o percentual determinado pela legislação (4,65% sobre pagamento efetuado) e o valor supostamente retido na fonte. Além de alguns beneficiários informados na DIRF da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA aparecerem também na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, o que chama atenção é que alguns clientes que haviam “adquirido título público” da COSTA JUCA também despontam na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, por exemplo: ... e, inclusive, a própria COSTA JUCA. No período mencionado, em ambas DIRF (da ELITE e da CONSTRUTORA APTA) foram informados rendimentos no montante total de R$ 259.618.787,07 e retenção na fonte, Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 535 71 pasmem, de R$ 111.940.763,28. Não obstante isso, a consulta realizada ao sistema da Receita Federal revelou a inexistência de recolhimento de qualquer tributo. Aliás, o único recolhimento efetuado pela CONSTRUTORA APTA LTDA é de 16/08/1995 e referese à multa por atraso na entrega de DIRPJ no valor de R$73,75. Repetimos: único recolhimento efetuado pela empresa. Confirmando a inexistência do crédito indicado nas DCOMP analisadas transmitidas pela contribuinte com dados inverídicos, a Fiscalização expõe as seguintes informações fornecidas, em depoimento, pelo o Senhor CLÁUDIO ASSIS COSTA, administrador da COSTA JUCA : era Procurador da COSTA JUCA e representante de sua filha GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, administrando a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCÁ; que é contador de formação; perguntado sobre a origem dos créditos informados nos três PER/DCOM apresentados pela COSTA JUCA (nº 31798.32047.23092013.1.3.035781, 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068) informou: não tinha conhecimento dos fatos; “não ter feito operação com aqueles valores indicados na PER/DCOMP com as empresas” (ELITE e CONSTRUTORA APTA); que a COSTA JUCA não tem contrato de prestação de serviço firmados com ELITE e CONSTRUTORA APTA, bem como não tem comprovante de valores recebidos, nem documentos de retenção na fonte, “pois não reconhece a prestação de tais serviços, tampouco a retenção na fonte daqueles valores”; que “não conhece nada sobre as empresas ELITE e CONSTRUTORA APTA e que o elo de ligação da COSTA JUCA com aquelas empresas era o procurador da COSTA JUCA ROGÉRIO (ALVES) LOUREIRO”. que não tem qualquer contato direto com a ELITE e CONSTRUTORA APTA. Ainda que, como alegado pela defesa, o Sr. Cláudio Assis Costa, apenas cuidasse da parte comercial da Impugnante e não possuísse capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados, vêse que a Fiscalização reuniu um conjunto de evidências que demonstram que os créditos utilizados nas DCOMP analisadas não existiam, mas sim que foram criados mediante indicação de retenções por fontes pagadoras de forma totalmente incompatível com as declarações por elas prestadas. A Impugnante, mencionando disposições legais como o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, e a IN RFB 1300, de 2012, bem como Fl. 570DF CARF MF 72 invocando solução de consulta acerca de retenção na fonte, defende a possibilidade de existência de crédito compensável decorrente de retenções indevidas ou a maior. Cumpre esclarecer, contudo, que a Fiscalização não negou, em seu Termo de Verificação, a possibilidade de ocorrência de retenções indevidas ou a maior em pagamentos de pessoa jurídica para pessoa jurídica, sujeitos a retenção sob código 5952 de contribuições (CSLL, PIS e Cofins). Também não negou, a Fiscalização (quer no Termo de Verificação quer no Despacho Decisório e Parecer que o embasa), a possibilidade de que, ocorridas retenções efetivas, fossem elas consideradas antecipações e utilizadas, nas DIPJ correspondentes, como dedução na apuração do valor devido ao final do período (quando comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e apresentados os respectivos Comprovantes de Rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, sendo este último requisito passível de ser suprido pela confirmação em DIRF). O que a autoridade fiscal detectou como irregular, ensejando a não homologação da compensação e a aplicação da penalidade no percentual de 150%, foi a utilização pela contribuinte de crédito formado por retenções em operações cuja existência sequer pode ser comprovada pelas declarações prestadas pelas pessoas jurídicas envolvidas, prestando assim a contribuinte autuada declaração falsa ao indicar crédito decorrente de retenções originadas das fontes pagadoras acima mencionadas. Para reverter a decisão de não homologação e a aplicação da penalidade por compensação indevida bastaria à interessada apresentar provas documentais evidenciando a efetiva ocorrência de operações com as empresas que indicou como fontes pagadoras (ELITE e CONSTRUTORA APTA), bem como comprovando as retenções que teriam ocorrido em tais operações e apresentando os correspondentes comprovantes de retenção. Todavia, nas peças de defesa apresentadas, nada é trazido neste sentido. Limitamse a questionar o procedimento fiscal, a defender o direito de apresentação de DCOMP e a negar a ocorrência de fraude. Em suma, a Interessada não comprovou o direito ao crédito de Saldo Negativo de CSLL. Ademais, como já mencionado, a Fiscalização apontou um conjunto de circunstâncias que demonstram a inexistência de retenções que a interessada aponta em suas DCOMP como formadoras do crédito utilizado e, consequentemente, a opção da contribuinte de inserir nos documentos de compensação informação falsa. Subsiste, pois, válida a conclusão da autoridade fiscal de que débitos foram indevidamente extintos por meio de declarações de compensações, com evidente intenção de fraude aos sistemas de cobrança da Receita Federal mediante a inserção de elementos falsos nas Declarações de Compensação. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 536 73 Importante lembrar que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que, no caso, teria sofrido a retenção do imposto. Decorre, daí, que formulado o pedido de restituição e/ou declaração de compensação deve o interessado dispor das provas hábeis do indébito tributário no qual se fundamenta, e apresentálas quando requeridas, sob pena de pronto indeferimento. Argumenta ainda a Impugnante que não houve a apresentação de nenhuma prova de fraude, apenas presunções quanto as empresas, pois não se verificou nenhuma diligência ou mera intimação para as citadas empresas, apenas presunções. Contudo, o Despacho Decisório de não homologação da compensação e a aplicação da multa de 150% por compensação indevida não foram fundados em presunção, como quis crer a interessada, mas em constatações concretas quanto à apresentação de DCOMP pela contribuinte autuada com crédito que sabidamente inexistia já que formado por retenções na fonte decorrentes de operações que sequer poderiam ter ocorrido, em face das constatações relativas a declarações das alegadas fontes pagadoras, sendo, ainda, a inexistência de tais operações confirmada por representante da própria pessoa jurídica. E, diante da apresentação de Declaração de Compensação, com efeito de extinção dos débitos, mediante utilização de crédito nas circunstâncias descritas, não há como afastar as decisões de não homologação das compensações e a imputação de ocorrência de fraude justificada pela utilização de artifício fraudulento para “criar” crédito de saldo negativo de CSLL na tentativa de liquidar débitos apurados pela empresa decorrente de sua atividade operacional por meio de PER/DCOMP apresentadas à Receita Federal. Devem ser mantidos, portanto, os Despachos Decisórios exarados nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498 e o Auto de Infração com imposição de penalidade objeto do processo 10740.720069/201457. Mérito – DCTF retificadoras zeradas – diferença entre créditos bancários e valores contabilizados Quanto ao mérito, recordese que no processo 10740.720068/201411 foram lançados: Fl. 572DF CARF MF 74 (i) valores contabilizados, informados em DIPJ e não declarados em DCTF (vale dizer, dela excluídos mediante retificação da declaração tópico 7.1 do Termo de Verificação) e (ii) valores decorrentes de depósitos (créditos) bancários cuja origem não foi comprovada, apesar de a contribuinte ter sido regularmente intimada para tanto (tópico 7.2). Quanto à retificação de DCTF zerando valores de débitos antes confessados e contabilizados, a interessada, na impugnação, atribui tal procedimento a distratos decorrentes de seus insucessos e a obrigatoriedade de devolução dos valores recebidos a título de honorários. Igual justificativa é mencionada em relação às diferenças apuradas entre os créditos ingressados em contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, objeto do Termo de Intimação e Constatação nº 7. Em suas palavras, tais diferenças exprimem a devolução de honorários devolvidos pela Impugnante, tanto que exaustivamente em 21/08/2014, foi apresentada a resposta ao referido Termo, com a reapresentação dessa informação. Ocorre que na autuação a Fiscalização já excluiu as parcelas relativas aos distratos cuja devolução dos recursos aos clientes (dentre aqueles comprovadamente contemplados na base tributável) pôde confirmar. Como descrito no Termo de Verificação, no curso do procedimento fiscal, a Interessada afirmou a prevalência de valores da DIPJ (em detrimento daqueles da DCTF retificada) e já atribuía as diferenças questionadas entre extratos e contabilidade/DIPJ a cancelamentos de receitas (distratos), sendo essa última alegação repetida na Impugnação. Para melhor análise, registrese que, como descrito no Termo de Verificação, acerca da retificação de DCTF, a interessada Costa Juca foi reintimada, no curso do procedimento fiscal (fls. 119), a: justificar de forma pormenorizada, apresentando documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a diferença entre os valores informados na DIPJ/Contabilidade e os valores indicados nas DCTF retificadoras apresentadas. apresentar planilha relacionando os valores de receitas informados na DIPJ/Contabilidade e os documentos que lhes deram origem, em face da impossibilidade de identificação dos mesmos com base nos históricos constantes nos lançamentos contábeis. Respondeu, conforme consta de fl. 1383: Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 537 75 Refletindo tal ocorrência, descreveu a Fiscalização em seu Termo de Verificação item 2.10 (fl. 120): Relativamente à diferença entre: (i) receitas contabilizadas e informadas em DIPJ e (ii) receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, foi a contribuinte intimada a: (fls. 126/128): a) tomar ciência de planilha, produzida a partir de tabela por ele apresentada elaborada com base nos extratos bancários apresentados, em que foram efetuados os seguintes procedimentos, relativamente aos créditos: conferência e correção das operações indicadas na planilha original, que resultou na inclusão de operações constantes dos extratos bancários e não informadas na planilha original e exclusão de duas operações inexistentes nos extratos bancários; desconsideração das operações que não representariam receitas a serem tributadas (ABERT CRED Abertura de Crédito, APLIC AUT – Aplicação Automática, Cad – Cadastro, CUSTOD TIT – Custódia de Título, DEVOL TED – Devolução de TED, RESG AUTOM – Resgate Automático). b) tomar ciência dos valores dos créditos que ingressaram na contacorrente de titularidade da contribuinte, conforme tabela anexa, em que os somatórios mensais, trimestrais e anuais se encontram comparados aos valores escriturados e informados na DIPJ: Fl. 574DF CARF MF 76 c) identificar a natureza jurídica e comprovar com documentos hábeis e idôneos, as operações de créditos constantes dos extratos bancários de sua contacorrente. d) justificar as diferenças apontadas entre os créditos ingressados em sua contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ. Em resposta, conforme fls. 128 e 1.460, a contribuinte consignou que: a) “não foi possível identificar as fontes pagadoras e credoras presentes na planilha anteriormente apresentada, com base em toda a movimentação bancária realizada pela empresa; tendo em vista a insuficiência de informação do próprio extrato bancário, que se encontra em poder desta fiscalização. Ressaltase que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”; b) “a diferença apontada pela fiscalização entre a DIPJ e Movimentação bancária justificase em função dos distratos já apresentados em 14/04/2014 (Recibos em anexo) das seguintes empresas: c) “com base nas devoluções acima enumeradas, a empresa preparouse desde o ano de 2010 para os possíveis distratos; os quais ocorreram, conforme demonstrados nos anexos, por isso, a divergência na contabilização dos mesmos que não integralizaram a base de lucro da empresa”. E, como expressamente constou do Termo de Verificação, todas as informações e documentos apresentados no curso do procedimento fiscal acerca de distratos formalizados com clientes e acerca de devolução de valores recebidos foram individualizadamente analisados pela Fiscalização, conforme detalhadamente descrito nos tópicos 5.3.1 (fls. 155) a 5.3.13 (fls. 167), sendo admitidas exclusões da base de cálculo referentes a valores de “receitas canceladas” para os quais fora apresentada a documentação comprobatória. Vejase, a título de exemplo, o tópico 5.3.4 (fls. 158) Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 538 77 Assim, diante das análises e constatações da Fiscalização, os valores acatados foram resumidos no tópico 5.3.13 (fl. 167), como segue: Observese que cancelamentos de receitas antes auferidas somente puderam ser acatados pela Fiscalização em relação a valores dessas receitas que comprovadamente estivessem computadas na base de cálculo dos tributos. Fl. 576DF CARF MF 78 Também a planilha de fl. 180 contida no tópico 7.2, a seguir reproduzida parcialmente, evidencia que, ao apurar os valores a serem constituídos de ofício, a Fiscalização abateu os alegados “valores devolvidos aos clientes decorrentes de distratos”, para os quais foram apresentadas provas consistentes analisadas nos tópicos 5.3.1 (fl. 155) a 5.3.13 (fl. 167): Discriminando, a título de exemplo, os valores de receitas referentes a novembro 2011, temse: depósitos bancários.................................................1.516.351,54 receita contabilizada e informada em DIPJ (cujo débito foi excluído de DCTF) .......................................................582.351,30 distratos (valores restituídos aos clientes pela PJ Costa Juca)............................................................................. 264.090,56 total da receita que ensejou lançamento : 1.516.351,54 264.090,56 = 1.252.260,98 = 582.351,30 + (1.516.351,54 582.351,30 264.090,56) = 582.351,30 + 669.909,68 (valores indicados para o fato gerador 30/11/2011respectivamente no item 2 (fls. 08) e item 1 (fls. 06) do Auto de Infração de IRPJ). Nesse contexto, todas as alegações relativas a reconhecimento de receitas e à possibilidade legal de serem excluídos, da base de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), os valores atribuídos a vendas canceladas (quer de mercadorias quer de prestação de serviços) não afetam o lançamento. Isto porque a Fiscalização expressamente admitiu a exclusão dos valores cancelados (receitas restituídas aos clientes que comprovadamente estivessem incluídas na base tributável) para os quais foi possível confirmar sua ocorrência. E, em relação às parcelas alegadas como distratos e não admitidas na autuação como redutoras das receitas tributáveis, discriminadas individualizadamente no Termo de Verificação Fiscal, nada esclarecem ou refutam expressamente os Impugnantes. Limitase a defesa a alegar que a quantia de 19.477.570,00 (...) corresponderia a devoluções aos seus clientes, mas nada opõe expressamente à apuração e às análises e constatações fiscais de que as devoluções comprovadas, passíveis de reduzirem os valores a lançar, atingem o montante de R$ 1.824.985,35, reprisese, detalhadamente demonstrado nos tópicos 5.3.1 (fls. 155) a 5.3.13 (fls. 167), como mencionado acima. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 539 79 Diante do exposto, não há como afastar nem reduzir os valores lançados no processo nº 10740.720068/201411 pois não foram apresentadas, nas peças de defesa, provas documentais de que, no universo de receitas apuradas (qual seja: valores contabilizados/informados em DIPJ e os valores creditados em conta corrente que excedem os contabilizados/informados em DIPJ), haja outros montantes que teriam sido objeto de distratos e de consequente devoluções de receitas, além daqueles já admitidos pela Fiscalização. Neste contexto, também injustificáveis se mostram os questionamentos quanto à descrição pela Fiscalização do modus operandi da autuada e à alegação de que todo o trabalho da autoridade fiscal foi maliciosamente pensado e encaminhado para justificar a aplicação de multa qualificada. Com efeito, como visto, as constatações da Fiscalização relacionamse a receitas auferidas pela autuada (omitidas ou não) e a extinção de débitos decorrentes de receitas reconhecidas na contabilidade e DIPJ (débitos esses confessados e excluídos de DCTF e/ou débitos incluídos em DCOMP com crédito irregular). Em face de respostas da contribuinte a intimações formalizadas no curso do procedimento, para averiguar a efetividade dos alegados cancelamentos (devolução aos clientes) de receitas auferidas, a Fiscalização necessitou analisar os Distratos alegados e apresentados (tópico 5.3 do Termo de Verificação, fls. 155, já citado acima), os Contratos que teriam sido revertidos (distratados) e os respectivos objetos e motivação (tópicos 3 e 4 do Termo de Verificação, fls. 133/148). E, uma vez apurado crédito tributário a ser constituído, impôsse descrever todas as constatações para justificar a exigência formalizada e a imputação da penalidade. Assim, embora o crédito tributário tenha sido apurado em função de débitos indevidamente zerados em DCTF, de depósitos bancários de origem não comprovada e de débitos confessados em declarações de compensação irregulares, não poderia a Fiscalização se furtar de contextualizar as circunstâncias em que receitas foram auferidas (receitas sem origem comprovada ou receitas de atividades contratualmente previstas, inclusive mediante procedimentos da autuada de cessão de créditos de títulos públicos e oferecimento de serviços de extinção de débitos dos clientes) e os motivos da aceitação de apenas parte das alegações de cancelamento de receitas (distratos). Questionamentos acerca da menção, pela Fiscalização, das atividades da contribuinte para obtenção de receitas e da forma de atuação perante seus clientes (modus operandi), não são hábeis a afastar a exigência. Para tanto, como já mencionado, caberia à Impugnante apresentar esclarecimentos acompanhados de provas documentais que permitissem identificar outras devoluções de receitas comprovadamente integrantes da base tributável, além daquelas já acatadas pela Fl. 578DF CARF MF 80 Fiscalização, bem como comprovar a origem, e o oferecimento à tributação, de valores creditados em suas contas bancária que excederam os valores informados em DIPJ. Mas, nada nesse sentido é apresentado, impondose a manutenção dos valores lançados. Acrescentese, ainda, a improcedência da alegação de que as desconsiderações de tais devoluções só comprovam o intuito malicioso e tendencioso de fazer a representação fiscal para fins penais, revelada desde o Termo de Verificação Fiscal nº 01, que independente da documentação a ser apresentada pela Impugnante, não teriam a força de reverter tal intuito. Tanto não é assim que toda a documentação referente aos Distratos e às devoluções de receitas aos clientes foi analisada pela Fiscalização, como refletido no Termo de Verificação mediante detalhada descrição e justificativa dos motivos da aceitação parcial, ou não, dos distratos como redutores de receitas. E, reiterese, em relação à parte dos alegados valores de distratos motivadamente não acatada pela Fiscalização, nada esclarecem nem acrescentam os interessados nas Impugnações apresentadas. Quanto a argumentos relacionados à apresentação de DIPJ e DACON e à alegação de que DCTF não é o único instrumento hábil para confissão de dívida, observase que os valores objeto do tópico 7.1 do Termo de Verificação (fls. 176), além de não recolhidos, foram apenas informados em DIPJ ou em DACON. Com referência à DIPJ, desde o anocalendário de 1999 tal declaração deixou de figurar dentre os veículos de confissão de débitos, passando a ser meramente informativa. Isto porque o Secretário da Receita Federal, no uso da competência que lhe foi atribuída pelo art. 16 da Medida Provisória 1.788/98 (posteriormente convertida na Lei nº 9.779/99), expediu a Instrução Normativa nº 127 de 30 de outubro de 1998, extinguindo em seu art. 6o, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituindo, em seu art. 1o, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Assim, a partir do anocalendário de 1999, a DIPJ deixou de trazer a confissão dos tributos a pagar. Tal informação passou a estar contida apenas na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Coerentemente, o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 77/98, que antes mencionava a possibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos saldos a pagar constantes, dentre outras, das declarações de rendimentos das pessoas jurídicas, deixou de contemplar esta referência, a partir da alteração introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 014 de 14 de fevereiro de 2000: Art. 1º. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 540 81 estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Já com referência ao DACON, importa observar que se trata de demonstrativo, e não de declaração. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 387/2004, foi ele instituído como Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, com objetivos semelhantes ao Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, para fins do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro real. É o que se infere dos controles que são exigidos na Instrução Normativa referida: Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no País; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. Tanto o é que sua apresentação não dispensa a informação dos valores correspondentes em DCTF, como evidenciado a partir da Instrução Normativa SRF nº 583/2005, que passou a impor a retificação do DACON, nos casos em que a retificação da DCTF acarretasse a alteração de valores também informados naquele demonstrativo: Fl. 580DF CARF MF 82 Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. [...] § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 7º Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Previsão no mesmo sentido consta da Instrução Normativa RFB nº 974 de 2009, e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010, esta última atualmente em vigor. Registrese, ainda, que a citada Instrução Normativa SRF nº 77/98 permanece em vigor, e seu art. 1o não foi alterado para contemplar o DACON como instrumento de comunicação dos débitos correspondentes à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição em Dívida Ativa da União. Concluise daí que, ao contrário da DCTF, o DACON não é uma declaração, e os valores nele expressos, assim como aqueles indicados em DIPJ, não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. Neste contexto, a falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, não permite a mera cobrança, com acréscimos moratórios, e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, circunstância na qual a Lei nº 9.430, de 1996 determina a aplicação de multa de ofício. Não se confirma, assim, a alegação de que independente da confissão de valores em DCTF, a informação prestada através do DACON funciona como medida preventiva da decadência, afastando assim prejuízos aos cofres públicos. Do exposto, concluise que, tendo sido excluídos débitos da DCTF, a informação em DIPJ e em DACON não permite a Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 541 83 cobrança dos valores, causando, em consequência, prejuízos aos cofres públicos, impondo a formalização do lançamento de ofício. No tocante à infração de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, a Impugnante limitase a invocar novamente a existência de distratos , aspecto já analisado acima e que, como visto, desacompanhado de outros esclarecimentos e provas, além daqueles já apreciados no curso do procedimento fiscal, não é hábil a afastar a exigência. Observese que, regularmente intimado, no curso do procedimento fiscal, a comprovar a origem de recursos creditados em contas de sua titularidade, como ocorreu no presente caso, é ônus do contribuinte tal comprovação, sob pena da caracterização de omissão de receita, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; E, nas peças de defesa apresentadas, também não se encontra identificação, acompanhada das correspondentes provas documentais, da origem dos recursos creditados em conta bancária e questionados pela Fiscalização, objeto do item 001 do Auto de IRPJ (fls. 06/07) e do tópico 7.2 do Termo de Verificação (fls. 179/182). Cabível acrescentar que a imputação de omissão de receitas apuradas em função de depósitos bancários cuja origem (apesar da intimação para tanto) não restou comprovada, decorre de expressa previsão legal contida no citado art. 42 – dispositivo que contém critério de mensuração de receita e não se confunde com forma de tributação (lucro real, presumido ou arbitrado) para apuração do IRPJ e CSLL. Fl. 582DF CARF MF 84 Assim, imprópria se mostra a alegação de que o Auto de Infração teria imposto pagamento apurado sob a forma de arbitramento através dos extratos bancários da Requerida. Ainda, sob o título Da ausência de requisitos para Aplicação da Multa por Arbitramento, são invocadas pela defesa disposições do art. 530, II, do RIR/99 e alegado que a legislação tributária relaciona, de forma taxativa, as hipóteses de desconsideração do Lucro apurado pelo contribuinte e passe a mensurar esse mesmo lucro pelo método de arbitramento com valores diferentes do apontado pelo contribuinte. Tais alegações, contudo, não são pertinentes ao presente caso. Com efeito, a Fiscalização, ao constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL, observou a forma de tributação pelo Lucro Presumido, adotada pelo contribuinte em suas DIPJ dos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, conforme se vê nos demonstrativos de fls. 09/43 e 52/75 e nas cópias de fls. 1062, 1076 e 1100, excertos a seguir reproduzidos: Improcedentes, assim, alegações no sentido de que na presente investigação fiscal não caberia o arbitramento do lucro, pois não foi esse o procedimento adotado pela Fiscalização. Concluise, assim, que as alegações apresentadas não permitem afastar as constatações fiscais de: (i) receita escriturada, informada nas DIPJ, cujos débitos foram excluídos de DCTF e (ii) omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação da origem. Impõese, pois, manter o lançamento dos valores principais referentes ao IRPJ. Em relação aos lançamentos das Contribuições CSLL, Contribuição ao PIS e à Cofins , não foram apresentadas razões de defesa específicas distintas daquelas já apreciadas e afastadas acima. Assim, tratandose de exigências reflexas, Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 542 85 decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, deve ser adotada igual orientação decisória. Multa de ofício proporcional fls. 186 Ao tratar da penalidade imposta, a Fiscalização indicou como fundamento legal: disposições do art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei no 11.488, de 15/06/2007; disposições dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que definem sonegação e fraude fiscal, conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, que se encontra no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. disposições dos incisos I e II, do artigo 1º, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, que define os crimes contra a ordem tributária, art. 2º da mesma Lei nº 8.137, de 1990, que estabelece que “fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”, também constitui crime contra a ordem tributária. E a autoridade fiscal justificou a imputação da multa proporcional no percentual de 150% em razão da atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido dos tributos federais, ora constituídos de ofício, assim explicando: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, arts. 1º e 2º da Lei n° 8.137, de 1990, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF), bem como a omissão de receitas à margem de sua contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anoscalendário seguidos, além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. De mesma forma que a COSTA JUCA procedia em relação às pessoas jurídicas a quem prestava seus “serviços”, descrita no item 3 deste relatório, ela operou em proveito próprio. Conforme se pode verificar em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar Fl. 584DF CARF MF 86 qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão. Veja exemplo de registro em sua contabilidade: Em 2010: Em 2011: Em 2012: Assim como procedeu em relação às suas clientes, a COSTA JUCA utilizouse do subterfúgio fraudulento de retificar as DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos, na tentativa de ludibriar sua cobrança da Receita Federal. A planilha abaixo resume o quadro das retificações dos valores devidos de tributos informados nas DCTF. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 543 87 Além disso a COSTA JUCA omitiu ao longo dos anoscalendário sob análise, 2010, 2011 e 2012, à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente. Com a omissão de informações dessas receitas, que deveriam constar das DIPJ e DCTF apresentadas nos períodos, outra não foi a intenção da COSTA JUCA senão impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Além disso, a COSTA JUCA lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações de tributos, com vistas a eximirse do recolhimento dos tributos por ela devidos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda as figuras da fraude e sonegação fiscal, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a qualificação da multa. De forma resumida, vêse que a Fiscalização imputa à pessoa jurídica Costa Juca: prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, com a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF),de forma a retificar tais DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos; Fl. 586DF CARF MF 88 omissão de receitas (em “montantes expressivos”) à margem da contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anos calendário seguidos (2010, 2011 e 2012), além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão; lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações. Em sua defesa, alega a interessada equívoco na autuação, pois das diversas intimações e respostas encaminhadas ao fiscal pelo contribuinte, em conjunto com documento contábil e contratos por este juntados são elementos mais do que suficientes para revelar que não houve o ânimo da Impugnante em reduzir tributo devido, nem de seus clientes e nem os seus. De plano, registrese que, no presente caso, foi aplicada penalidade qualificada, no percentual de 150%, nada tendo sido imputado pela Fiscalização no sentido de agravamento por falta de atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, o que ensejaria multa de 225%. Assim, inócuas são as alegações no sentido de que houve colaboração do contribuinte no procedimento fiscal. Das razões de oposição à qualificação da penalidade, vêse que a interessada, assim como o fez em relação ao mérito, se vale de respostas a intimações e de apresentação de documentos no curso do procedimento fiscal. Ocorre que as respostas e documentos apresentados foram analisados pela Fiscalização que descreveu detalhadamente as informações prestadas e os motivos da confirmação de apenas parte das devoluções de receitas alegadas, devoluções estas que já foram contempladas na apuração do crédito tributário lançado. Para grande parte dos valores contabilizados e informados em DIPJ e que foram zerados em DCTF não foi possível confirmar a justificativa de que decorreriam de receitas canceladas e devolvidas aos clientes, ensejando a conclusão de que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Quanto à constatação de que em sua contabilidade foi efetuada indicação de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, a Impugnante nada refuta nem esclarece especificamente. E, ainda, quanto ao reiterado procedimento de manter à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente, a Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 544 89 Impugnante apenas alega que a diferença entre movimentação financeira e contabilidade decorre de distratos e receitas canceladas. Ocorre que todas as devoluções de receitas que puderam ser confirmadas documentalmente foram acatadas pela Fiscalização e, mesmo assim, grande parte da movimentação financeira permaneceu sem origem identificada configurando omissão de receitas a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Opõese a interessada à utilização de presunção e alega que todas as provas apresentadas pela Impugnante derrubam a utilização da presunção como elemento de prova, não podendo prosperar a multa qualificada, frente à prova de devolução dos honorários. Todavia, as alegadas provas de devolução dos honorários (receitas) foram analisadas e confirmadas apenas em parte e esta análise, discriminada no Termo de Verificação, não foi expressamente refutada e contraditada, pelas defesas, com apresentação de novos esclarecimentos e provas documentais. Por outro lado, os fatos imputados pela Fiscalização e não afastados pela defesa (i) retificação de DCTF para zerar valores de débitos, (ii) existência de créditos em contas bancárias em valores muito superiores àqueles das receitas contabilizadas em três anos consecutivos, (iii) indicação na contabilidade de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, e, ainda, (iv) a utilização de créditos fictícios informados em PER/DCOMP – constituem ocorrências concretas e não presunções. Há presunção apenas no fato de se considerar como receita omitida os valores de créditos em conta bancária cuja origem, apesar de intimada, a contribuinte não logrou comprovar. Mas tal presunção decorre de expressa previsão legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como visto na análise do mérito. A penalidade aplicada, por sua vez, tem fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, com a alteração da Lei nº 11.488/2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 588DF CARF MF 90 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. [...] (Destaques acrescidos) E os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, a que se reporta o art. 44 acima, estabelecem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Destaques acrescidos) Observese que enunciados de Súmulas aprovadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, relacionados a presunção de qualificação de multa, bem refletem o direcionamento da jurisprudência administrativa acerca do tema: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 545 91 Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Disto se vê que não há qualquer vedação à aplicação de multa qualificada de 150% até mesmo nas hipóteses em que a infração decorre de presunção legal de omissão de receitas (como é o caso de uma das infrações imputadas no processo nº 10740.720068/2014 11). Apenas exigese que a este fato esteja atrelada a devida caracterização de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. E, no caso em analise, a Fiscalização identificou a motivação fática da multa qualificada por meio de um conjunto de constatações concretas , repitase: (i) retificação de DCTF para zerar valores de débitos devidos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, (ii) reiterada omissão de receitas decorrente da existência de créditos em contas bancárias em valores muito superiores àqueles das receitas contabilizadas em três anos consecutivos, (iii) indicação na contabilidade de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, e, ainda, (iv) a utilização de créditos fictícios informados em PER/DCOMP – as quais não permitem afastar a imputação fiscal de intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível. Cabível, ainda, consignar que o percentual da multa é determinado em lei, como visto nos dispositivos acima transcritos, não se cogitando da alegada aplicação da multa por arbitramento. Impõese, pois, a manutenção da multa proporcional aplicada no percentual de 150%. Responsabilidade Solidária A Fiscalização, com fundamento no art. 135 do CTN (fls. 05), atribuiu responsabilidade solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto a: (i) Gabriela de Alcântara Almeida Costa, (ii) Dimitry Cerewuta Jucá e (iii) Cláudio de Assis Costa (tendo em vista sua condição de sócio oculto e administrador da COSTA JUCA). Ainda, com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN (fls. 05), atribuiu Responsabilidade tributária de fato imputada à A G Costa Empreendimentos Imobiliários S A, tendo em vista sua utilização para blindagem patrimonial. Acerca da primeira motivação Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto – tendo a Fiscalização constatado a retificação de DCTF zerando débitos antes confessados, bem como a contabilização e apresentação de DIPJ Fl. 590DF CARF MF 92 com omissão de receitas apuradas por meio de depósitos bancários de origem não comprovada e, ainda, a transmissão de Declarações de Compensação com indicação de créditos de saldo negativo inexistentes, formados por retenção na fonte em operações cuja efetividade sequer foi confirmada – ocorrências que as defesas apresentadas não lograram êxito em afastar , resta caracterizada a prática de atos com infração a lei. E, nessas circunstâncias, o Código Tributário Nacional, no art. 135, prevê a atribuição de responsabilidade solidária, como segue: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. [Destaques acrescidos] Na defesa em nome de Dimitry Cerewuta Jucá, é alegada sua ilegitimidade passiva sob o argumento de que: não cabe ao requerido responder aos autos em vista de ser parte ilegítima, conforme preceituam os termos dos artigos 265, VI e 295, II e III, ambos do CPC, uma vez que não participou das relações jurídicas entre os envolvidos no negócio. O Requerido na condição de advogado apenas atua no âmbito processual e administrativo, inclusive. Todavia, distintamente do que alegado, a Fiscalização constatou, como descrito e demonstrado em seu Termo de Verificação (fls. 196 dos autos), que o sócio DIMITRI, que detém 50% da participação societária da COSTA JUCA, participou efetivamente das operações que deram origem ao lançamento de ofício do crédito tributário, conforme se pode comprovar com a cópia da procuração emitida pela pessoa jurídica CBA Transportes e Comércio, nos autos do PAF nº 10768.003528/200969 utilizado, conforme descrito no item 3 deste termo, como parte da ação fraudulenta no subterfúgio de “compensação” de tributos federais. DIMITRI firmou, na condição de Procurador da CBA o pedido inicial de compensação protocolizado na Receita Federal sob o nº 10768.003528/200969: Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 546 93 Além disto,o sócio DIMITRI representou a COSTA JUCA nas operações de “cessão de crédito”, conforme fazem prova as escrituras públicas juntadas aos autos, bem como firmou os contratos representativos de tais “operações” em nome da COSTA JUCA. Recordese que, como consta dos tópicos 2 (fl. 110), 4.1 (fl. 138) e 5.3. 11 (fl. 165), as pessoas jurídicas CBA Transportes e Comércio Ltda e Dimensão Montagens Promocionais Ltda, mencionadas dos documentos reproduzidos acima, tiveram relações comerciais com a autuada Costa Juca, ou seja, eram “clientes” da Costa Juca. De acordo com a Consolidação do Contrato Social da Costa Juca de fl. 1691, esta tem o seguinte objeto social: E figuram como sócios, ambos com poderes e administração (fl. 1692): Fl. 592DF CARF MF 94 Vêse, pois, que a Fiscalização traz evidências concretas de que a atividade fim da sociedade, relacionada à área tributária, foi diretamente exercida pelo sócio Dimitry Cerewuta Jucá, o qual, portanto, não pode se furtar de responder, pessoalmente, na qualidade de responsável, pelo crédito tributário apurado por infração à lei relativamente a receitas auferidas (declaradas, contabilizadas e não informadas em DCTF ou omitidas da contabilidade e de origem não comprovada), bem como pelo crédito tributário decorrente de compensação indevida mediante declarações prestadas. Destaquese, inclusive, que na Escritura Pública de Cessão de Créditos (acima reproduzida a título de exemplo), o sócio Dimitry Cerewuta Jucá, não é somente qualificado como advogado, mas é identificado como administrador da pessoa jurídica Costa Juca a qual figura como: cedente dos créditos, cessão essa que ensejou auferimento de receitas objeto de análise do procedimento fiscal, o qual veio a redundar na autuação formalizada no processo nº 10740.720068/201411; detentora do crédito e beneficiária da compensação indevida veiculada em DCOMP, que suscitou a aplicação de penalidade isolada no processo nº 10740.720069/201457. Nesse contexto, não há como acatar a alegação de que o Requerido (Dimitry Cerewuta Jucá) não agiu, nem sequer participou das decisões tomadas entre os mandatários, que sobre este fato não tem qualquer possibilidade de manifestarse ou dar qualquer contribuição. Como visto, o Requerido (Dimitry Cerewuta Jucá), além de qualificado com titulação de advogado e de ter atuado como representante da pessoa jurídica autuada e de clientes dela no âmbito processual e administrativo, também figura como seu sócio administrador participando diretamente dos atos praticados em nome da pessoa jurídica como refletido nos documentos acima reproduzidos. E, nessas condições, quer na condição de procurador, quer na condição de sócio administrador, a pessoa física, na qualidade de sócio administrador, responde pessoalmente pelo crédito tributário decorrente de infração a lei a teor dos incisos II e III do art. 135 do CTN. Ainda quanto à alegação de desconsideração da personalidade jurídica, não foi esse o procedimento adotado pela Fiscalização e nem seria ele necessário, equivocandose a Impugnante ao Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 547 95 invocálo. Referido instituto encontra fundamento no artigo 50 do Novo Código Civil em casos de abuso da personalidade jurídica caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, estendendo, nesta hipótese, a responsabilidade pelas obrigações da sociedade aos bens particulares dos administradores ou sócios. A solidariedade no processo em questão, definida nos arts. 264 e 265 também do Novo Código Civil para os casos em que na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à divida toda, resultando da lei ou da vontade das partes, independe da desconsideração da pessoa jurídica autuada e não a exonera da responsabilidade. No presente caso, a responsabilidade conjunta e solidária foi atribuída pela Fiscalização com fundamento nos arts. 124 e 135 do CTN, de modo que respondem pelo crédito tributário não apenas o Impugnante Dimitry Cerewuta Jucá, mas também a pessoa jurídica atuada Costa Juca e as demais pessoas físicas (Gabriela de Alcântara Almeida Costa e Cláudio Assis Costa) e pessoa jurídica (A G Costa) às quais também foi atribuída responsabilidade. Na defesa em nome de Cláudio Assis Costa são invocadas disposições dos arts. 124, 125 e 135 do CTN e alegada a ilegalidade da imputação de responsabilidade solidária a terceiros que não tiveram qualquer concorrência para a realização do fato gerador da obrigação tributária e necessidade de interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador, ou na hipótese do art. 135, de responsabilidade em virtude de atuação com excesso de poderes. Inicialmente registrese ser imprópria a menção ao art. 124 do CTN nesta peça de defesa, pois tal dispositivo não foi o fundamento apontado pela Fiscalização para atribuir responsabilidade à pessoa física Cláudio Assis Costa, mas sim, conforme fls. 05, o art. 135, tendo em vista sua condição de sócio oculto e administrador da COSTA JUCA. E, para justificar a responsabilidade do ora Impugnante Cláudio de Assis Costa, descreveu a Fiscalização: Em relação ao sócio oculto CLAUDIO ASSIS COSTA: (fls. 199) Por meio do Termo de Depoimento nº 081513/2013, Cláudio afirmou ser “Procurador da COSTA JUCA e representante de sua filha GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, administrando a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCA”. Tal situação já havia ficado patente para esta fiscalização quando sua filha GABRIELA, sócia da COSTA JUCA, foi intimada a comparecer perante a fiscalização da Receita Federal, ela expressamente se manifestou no sentido de que quem cuidava dos negócios da empresa era seu pai, CLAUDIO, Fl. 594DF CARF MF 96 que quando foi contactato, compareceu à Delegacia da Receita Federal e tratou com propriedade, em mais de um momento, dos assuntos pertinentes à COSTA JUCA. Além disso, CLAUDIO aparece como embargante, ao lado da COSTA JUCA, da pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SA e de sua filha AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, nos autos do processo judicial de Embargos à Execução nº 0017915 40.2013.8.08.0024, em tramitação na 2ª Vara Civil da Comarca da Capital em Vitória (ES), em execução impetrada pela pessoa jurídica TRANSFENIX LOCADORA DE VEÍCULOS E TRANSPORTES LTDA, em decorrência de distrato das operações tratadas nestes autos. CLAUDIO, ainda, firmou na condição de fiador da COSTA JUCA, o Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida com a COMERCIAL BAHIANO, em razão de “não ter tido êxito no procedimento contratado” com a COSTA JUCA. Demonstrase à exaustão, portanto, que CLAUDIO atuava como administrador e sócio oculto da COSTA JUCA, inclusive garantindo com seu patrimônio particular as dívidas resultantes do desfazimento dos contratos de que se trata no presente Termo. Ora, se, no curso do procedimento fiscal, o próprio interessado (Cláudio Assis Costa) afirma ser Procurador da pessoa jurídica autuada COSTA JUCA, representante da sócia GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, e administrar a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCA, incoerente se mostra a pretensão de, em sede de impugnação, eximirse da responsabilidade pelo crédito tributário o qual fora constituído justamente em razão de infração à lei, nas seguintes situações: (i) ao deixar a pessoa jurídica de contabilizar e declarar receitas apuradas em função de depósitos bancários de origem não comprovada, (ii) de retificar DCTF excluindo débitos decorrentes de receitas reconhecidamente existentes já que contabilizadas e informadas em DIPJ e (iii) de extinguir débitos mediante transmissão de declarações de compensação com indicação de crédito sem fundamento fático. Recordese que os atos em nome da pessoa jurídica, inclusive no âmbito das obrigações tributárias, são materializados por meio de seus representantes e administradores, quer diretamente quer mediante eleição ou designação de profissionais para tanto. E se tais atos foram efetuados com infração a lei ou excesso de poderes em relação ao contrato social caracterizada está a hipótese legal prevista no art. 135, II e III do CTN. Além disso, evidenciando a participação direta nos atos que redundaram na autuação, vêse que, conforme citado pela Fiscalização e como refletido no documento de fls. 259 e seguintes (parcialmente reproduzidos a seguir), Cláudio Assis Costa figurou como um dos Embargantes, ao lado das pessoas jurídicas Costa Juca e A G Costa e da pessoa física Amanda de Alcântara de Almeida Costa, em Embargos à Execução Judicial Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 548 97 proposta por Transfenix uma das clientes da autuada com a qual foi formalizado Distrato objeto de análise no procedimento fiscal que redundou na constituição do crédito tributário em litígio. Também, como descrito pela Fiscalização e não refutado pela defesa, Cláudio Assis Costa firmou, na condição de fiador da COSTA JUCA, Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida (fls. 408 e 411) com a COMERCIAL BAHIANO, em razão de “não ter tido êxito no procedimento contratado” com a COSTA JUCA. Ressaltese que o Distrato com a Comercial Bahiano de Alimentos Ltda. foi um daqueles analisados no procedimento fiscal do qual redundou a autuação com formalização do crédito tributário. Fl. 596DF CARF MF 98 Desse modo improcedente se mostra a alegação de que a Fiscalização não teria demonstrado a participação de Cláudio Assis Costa em atos que redundaram na apuração do crédito tributário decorrente de infração à lei. Na defesa em nome de Gabriela de Alcântara Almeida Costa também é questionada a atribuição de responsabilidade com alegação de que inexiste ato que implique em violação do contrato social a fim de ensejar a responsabilidade solidária da sócia Gabriela conforme imputado no auto de infração, mas que na verdade os únicos atos apontados como ilícitos pela Impugnante são aqueles inerentes à própria administração da sociedade empresária, o que por sua vez não se confunde com atos que violam o contrato social. Todavia, em relação à sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa descreveu a Fiscalização: A sócia Gabriela detém 50% da participação societária da COSTA JUCA e participou efetivamente das operações que deram origem ao lançamento de ofício do crédito tributário, conforme comprova a cópia do Instrumento Particular de Transação Extrajudicial, datado de 21 de fevereiro de 2014, em que constam como transigentes a COSTA JUCA, a própria GABRIELA e a pessoa jurídica P. PEIXOTO. Por aquele instrumento a COSTA JUCA se obriga a devolver à P. PEIXOTO o valor de R$ 5.800.000,00 e o fez por meio de transferência direta de domínio de bem imóvel, “que se encontrava pendente de escrituração em seu nome junto ao referido Cartório, do antigo proprietário para a terceira transigente (GABRIELA)”, conforme descrito em escritura pública de compra e venda entregue pela COSTA JUCA, como forma de salvaguardar o crédito tributário que fora constituído pela Receita Federal em desfavor da pessoa jurídica P. PEIXOTO, em razão da desconsideração das “compensações” intermediadas pela COSTA JUCA. Não resta dúvida de que a sócia GABRIELA conhecia e participou dos fatos que deram base à presente autuação, tanto Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 549 99 assim que autorizou a transferência do imóvel para quitação de débito da COSTA JUCA, em função de autuação pela Receita Federal da pessoa jurídica P. PEIXOTO pela descoberta do subterfúgio da “compensação” intermediada pela COSTA JUCA. Recordese que operações da pessoa jurídica autuada com a P. Peixoto suscitaram distrato que, entre outros, foi objeto de análise no curso do procedimento fiscal do qual redundou a formalização do lançamento e a não homologação de compensações. E, quanto à evidência apresentada pela Fiscalização acerca da ciência e participação de Gabriela de Alcântara Almeida Costa em fatos ensejadores da autuação, nada refuta expressamente a defesa. Acrescentese que, do Contrato Social (fl. 267) , consta que a sociedade será regida pelo Código Civil e, subsidiariamente, pela Lei das Sociedades Anônimas: E constatações da Fiscalização, decorrentes inclusive da análise de distrato em que foi evidenciada a ciência e participação da sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa, e que ensejaram imputação de omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada, portanto, sem identificação da origem pela contribuinte em sua contabilidade), de registro contábil de cancelamento de débitos por compensação não materializada ou por compensação objeto de declaração com informação de crédito falso (inclusive ensejando retificação de declarações prestadas ao Fisco para zerar débitos), caracterizamse não apenas infração à legislação fiscal e tributária, mas também inobservância da legislação comercial e contábil, com consequente violação do Contrato Social. Ademais, ainda que a observância das leis comerciais e contábeis não estivesse expressamente prevista no Contrato Social, impõese registrar que a necessidade de cumprimento das normas civis, comerciais e tributárias é inerente a toda Entidade, de modo que constatações que redundaram na imputação de infrações tributárias, sobretudo com aplicação de penalidade agravada – não afastadas pela defesa , não podem ser consideradas decorrentes de atos inerentes à própria administração praticados em conformidade com o Contrato Social, mas sim atos que violam também o Contrato Social. Acrescentese que, em DCOMPs transmitidas em nome da Costa Juca com compensações indevidas, a sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa figura, inclusive, como responsável da Pessoa Jurídica e responsável pelo preenchimento da declaração, com se vê às fls. 02, 14 e 28 do processo Fl. 598DF CARF MF 100 10740.720024/201482, conforme excerto reproduzido a seguir, a título de exemplo: Neste contexto, não há como afastar a imputação fiscal de responsabilidade solidária à sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa. Em relação à pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S.A., a imputação da responsabilidade solidária foi formalizada pela Fiscalização, com fundamento no art. 124, I, do CTN, em razão da constatação de ocorrência de blindagem patrimonial da COSTA JUCA descrita no tópico 9 do Termo de Verificação como segue: A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, CNPJ n° 12.048.507/000102, foi inscrita no cadastro da Receita Federal em 01/06/2010 na atividade de incorporação de empreendimentos imobiliários (CNAE: 4110700). O quadro societário é composto de GABRIELA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, sócia da própria COSTA JUCA, e AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA. Ambas filhas de CLÁUDIO ASSIS COSTA, sócio oculto e administrador da COSTA JUCA. A primeira é médica e a segunda estudante de medicina. Além disso, o domicílio fiscal da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A é o mesmo da COSTA JUCA, qual seja: Av. Baptista Parra, 673, sala 402 – B. A contabilidade da empresa COSTA JUCA, de 2010 a 2012, aponta empréstimos de R$ 9.440.000,00 para a pessoa jurídica A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A. Foram os seguintes valores transferidos anualmente: Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 550 101 As DIPJ apresentadas pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A refletem tais valores. Indagada acerca desses empréstimos, COSTA JUCA apresentou cópia dos contratos particulares de mútuo financeiro firmados com a A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A. Detalhe: nele está escrito com todas as letras que “o pagamento da quantia tomada em mútuo será efetivado em 06 (seis) anos a contar do vencimento da primeira parcela, não havendo cobrança de juros por liberalidade do MUTUANTE, vencendo a primeira parcela em 15/07/2014 e assim sucessivamente todo dia 15 de cada mês” (grifo nosso). Qual a destinação dos recursos recebidos pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A? Foram empregados nas aquisições de imóveis (apartamentos, por exemplo, um na Barra da Tijuca/RJ e outro na Enseada Azul/Guarapari/ES, além de propriedades rurais) e veículos (Kia Cerato e Porsche Cayenne) de uso particular, que compõem o Ativo imobilizado de R$ 10.245.755,99, conforme balanço patrimonial constante da DIPJ. A aquisição de bens em nome da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A com recursos transferidos da COSTA JUCA a título de empréstimo tem como único objetivo manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da COSTA JUCA em eventual execução de dívidas desta. Portanto, a criação da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi um subterfúgio usado pelos sócios da COSTA JUCA para efetuar a blindagem patrimonial dos bens adquiridos com recursos advindos de procedimentos fraudulentos de compensação de débitos tributários junto a Receita Federal. Ainda que, por hipótese, A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A tivesse a intenção de quitar o empréstimo contraído junto a COSTA JUCA isso só seria possível mediante alienação dos imóveis comprados em seu nome. Diante dos fatos narrados, restou comprovado, portanto, que A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A integra o mesmo grupo empresarial de fato junto à COSTA JUCA, com o objetivo exclusivo de blindar o patrimônio do grupo em eventual execução fiscal. Na defesa apresentada em nome de AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A., é negada a ocorrência de blindagem patrimonial, sob alegação de que Gabriela de Alcântara Almeida Costa é sócia de ambas as empresas (da AG Costa, juntamente com sua irmã Amanda de Alcântara Almeida Costa, e da Costa Juca, juntamente com o sócio Dimitry) e que Fl. 600DF CARF MF 102 se houvesse objetivo de manter o patrimônio pessoal ileso outras pessoas seriam indicadas como sócias. Justifica a criação da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A como sociedade holding familiar para fins de redução da carga tributária da pessoa física, mediante planejamento sucessório e com retorno de capital sob a forma de lucros e dividendos, com redução de tributação em favor da pessoa jurídica. Todavia, a existência de sócia comum a ambas as pessoas jurídicas vem apenas confirmar tratarse de um mesmo grupo societário. Além disso, tanto a pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A como a pessoa jurídica Costa Juca, com sede no mesmo endereço, são geridas por Cláudio de Assis Costa, como refletem as procurações outorgadas a ele e a Josenan de Alcântara Almeida Costa (outra pessoa física): procuração outorgada pelas sócias da AG Costa (Amanda e Gabriela), conforme excerto abaixo reproduzidos, para Claudio Assis Costa gerir a firma: (fl. 1736): procuração outorgada pela Costa Juca, representada pela sócia administradora Gabriela, para Claudio Assis Costa gerir a empresa (fl. 1695): Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 551 103 E, quanto à criação de holding familiar para tributação como pessoa jurídica de forma menos onerosa do que como pessoa física, tal alegação não justifica a transferência de recursos, sem qualquer ônus, entre duas pessoas jurídicas. Vejase que tal transferência, apontada pela Fiscalização, não foi feita de pessoas físicas para a pessoa jurídica AG Costa (com o alegado objetivo de que as pessoas físicas pagassem menos tributos), mas sim da pessoa jurídica autuada (Costa Jucá) para outra pessoa jurídica (AG Costa) e foi realizada de forma não onerosa. Como descreve a Fiscalização, a transferência de recursos se deu por meio de empréstimo da Costa Juca em favor da AG Costa nos anos de 2010 a 2012 a ser pago em parcelas a partir de 2014 sem qualquer previsão de acréscimos (juros) – fato não refutado pelas defesas e que não se confunde com a alegada intenção de criação de holding para tributar, de forma menos onerosa, patrimônio pessoal de pessoa física. Ainda assevera que a sociedade A G Costa ostenta siglas do nome da sócia Gabriela o que afastaria a tese de pretensão de ocultar patrimônio, reiterando o objetivo de planejamento sucessório e obtenção de renda através de um acervo patrimonial, renda essa utilizada para quitar os empréstimos efetuados junto a Impugnante, sem a necessidade de alienação dos imóveis, e alegando que todos os prejudicados com os trabalhos realizados pela Impugnante foram indenizados, se realmente houvesse uma “blindagem patrimonial” estariam todos na enorme fila do judiciário. Esses argumentos, contudo, apenas denotam concordância com a atribuição de responsabilidade solidária a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A por interesse comum. De fato, se, como assevera a Impugnante, os recursos da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A são utilizados para indenização dos prejudicados pelos procedimentos da Costa Juca, fica evidenciado o reconhecimento, pela própria Impugnante, de efetiva ligação e interesse comum entre as Fl. 602DF CARF MF 104 pessoas jurídicas citadas e injustificável se mostra a objeção de que a AG Costa também responda pela quitação do crédito tributário decorrente de procedimentos da mesma Costa Juca, já que a Fazenda Pública também foi prejudicada por atos em nome da Costa Juca. Ainda alega a Impugnante que as empresas têm atividades distintas e a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A não está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária da Impugnante. Neste ponto, recordese que o art. 124 do CTN assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Observase que o referido art. 124 reflete, em seu inciso I, a responsabilidade solidária “de fato”, quando há interesse comum, em paralelo àquela “de direito”, disposta no inciso II, que não exige a presença do interesse comum, mas precisa estar prevista em lei específica. Como se vê, o texto do art. 124 é expresso ao vincular apenas os casos de responsabilidade solidária “de direito”, objeto do inciso II, à necessidade de designação por lei, o que afasta eventual pretensão da defesa de que o conceito de interesse comum estivesse previsto em lei. Caso fosse essa a intenção do legislador, dispensável seria a previsão de duas hipóteses de obrigação solidária no art. 124. Ao distinguir as pessoas solidariamente obrigadas em duas espécies, e apenas no caso do inciso II fazer referência à previsão em lei, restou evidenciada no CTN (Lei Complementar) a existência de responsabilidade solidária de fato decorrente do interesse comum – termo que, independentemente de definição diversa do significado expresso pela linguagem, foi considerado suficiente pelo legislador para definição do vínculo da solidariedade. Assim, apesar da alegação de atividades distintas, não se vislumbra impossibilidade de existência de interesse comum entre as pessoas jurídicas, sobretudo se os recursos de uma foram transferidos para outra mediante empréstimos, sem previsão de ônus para a beneficiária, nas condições descritas pela Fiscalização. Acerca do alcance da expressão “interesse comum”, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de cuja ementa extraise: O instituto está previsto no art. 124 do CTN, em que o inciso I determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 552 105 pessoas que participam da situação que origina o fato gerador. Conseqüentemente, passam à condição de devedores solidários. (AgRg nos Edcl Resp n. 375.769/RS, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, j. 04/12/2007, DJ 14/12/2007). Destaques incluídos. Também abordando a matéria, decidiu o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no sentido de que: São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, esteja em relação com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado (Rubens Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária, 3. ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 37). A sociedade que participa de outra, ainda que de forma relevante, não é solidariamente obrigada pela dívida tributária, referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe a participação comum na realização do lucro. Na configuração da solidariedade é relevante que haja participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro” TRF da 4ª Região, A M S n. 9404550469, Rel. Des. Zuudi Sakakihara, DJ 27/10/1999. (destaques incluídos) No presente caso, o interesse comum, caracterizador da responsabilidade solidária da pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi evidenciado pela Fiscalização mediante constatação das circunstâncias descritas no item 9 do Termo de Verificação especialmente a existência de sócia comum, de mesmo domicílio e de transferência de recursos da autuada para a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, recursos esses que a própria Impugnante admite serem utilizados para quitação de compromissos da Costa Juca. Ademais, como visto, ambas as pessoas jurídicas, representadas por seus sócios administradores, outorgaram procuração à mesma pessoa física Claudio de Assis Costa para gerir ambas as sociedades. Neste contexto, não há como negar a participação e o interesse comum da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A nas ocorrências em nome de Costa Juca que ensejaram os fatos geradores autuados. Exigibilidade e Inscrição de débitos em dívida ativa Fl. 604DF CARF MF 106 Acerca de alegações relacionadas a inexigibilidade de débitos e questionamentos quanto à inscrição em dívida ativa, cumpre esclarecer aos interessados que os presentes processos têm por objeto 1) a constituição de crédito tributário por meio de lançamentos e 2) a não homologação de declarações de compensações transmitidas pelo contribuinte e, neste julgamento, são apreciadas as razões de defesa em face destes atos. Especificamente quanto à suspensão da exigibilidade dos débitos, tratandose de matéria não inserida nos atos de lançamento e de nãohomologação questionados, mas sim decorrente das Impugnações e Manifestações de Inconformidade posteriormente apresentadas, não compete a este órgão julgador qualquer manifestação a respeito. O mesmo se diga em relação à inscrição em dívida ativa e à ação de execução – procedimentos de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e que dependem de prévio encaminhamento pela autoridade da DRF jurisdicionante do contribuinte, não passível de questionamento em sede de contencioso administrativo regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972. De todo modo, registrese que, das intimações cientificadas ao contribuinte em razão da constituição do crédito tributário e da não homologação da compensação constou expressamente a concessão de prazo para pagamento ou apresentação de defesa. É o que se constata da intimação de fls. 1583 do processo nº 10740.720068/201411, que também instrui os demais processos nela mencionados e da qual se extrai o excerto a seguir reproduzido: Também das intimações integrantes dos Autos de Infração constou expressa menção de concessão de prazo para extinção do crédito tributário (por pagamento ou outra forma prevista em lei) ou para impugnálo, como se vê, a título de exemplo, no excerto a seguir, extraído do Auto de IRPJ (fl. 04): Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 553 107 Nos Despachos Decisórios de não reconhecimento de direito creditório e não homologação de compensações, também foi feita menção expressa à possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade, como se vê, a título de exemplo, à fl. 193 do processo 10740.720024/201482: Ainda, da Intimação com cobrança dos débitos indevidamente compensados, consta menção a encaminhamento dos débitos para inscrição em Dívida Ativa da União em caso de não haver pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, conforme se extrai, a título de exemplo, de fl. 198 do processo 10740.720024/201482: E consultas aos sistemas informatizados indicam a situação de suspensão por julgamento da impugnação dos processos de Autos de Infração nºs 10740.720068/201411 e 10740.720069/201457 e a situação de devedor, mas em julgamento de manifestação de inconformidade dos processos de cobrança vinculados aos processos de análise de compensação nºs 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720.248/201498, como refletem as pesquisas abaixo reproduzidas: Fl. 606DF CARF MF 108 processo de cobrança nº 10783.721252/201473, vinculado ao processo nº 10740.720 024/201482 (fls. 195 deste último): processo de cobrança nº 10783.721.254/201462, vinculado ao processo nº 10740.720025/201427 (fls. 199 deste último) Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 554 109 processo de cobrança nº 10783.721.255/201415, vinculado ao processo nº 10783.720.248/201498 (fls. 201 deste último) Concluise pela impropriedade de pretender discutir, em sede de impugnação/manifestação de inconformidade regida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, a inexigibilidade de débitos, a sua inscrição em Dívida Ativa da União ou a sua Execução Judicial – questionamentos inerentes a atos da autoridade da unidade da Receita Federal jurisdicionante do domicílio do contribuinte. Ofensa a princípios constitucionais Tendo em vista que em pontos das peças de defesa apresentadas é alegada ofensa a princípios constitucionais, como razoabilidade, não confisco e direito de propriedade, cumpre observar que, na formalização das exigências e na não Fl. 608DF CARF MF 110 homologação de compensações, a autoridade fiscal indicou os respectivos fundamentos legais. Desse modo, as ofensas alegadas refletem inconformismo com a legislação posta, o que não é passível de discussão em sede de julgamento administrativo. Com efeito, é preciso fixar que o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF/88 , sendo defeso aos órgãos administrativos, de forma original, reconhecer vícios na legislação regularmente editada, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade, constitucionalidade ou da legalidade da legislação. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Também o dever de observância das normas complementares editadas no âmbito da Receita Federal, expressas em atos tributários e aduaneiros, está previsto na Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Consignese que atualmente se encontra em vigor o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 555 111 Não se identificando nenhuma das hipóteses acima em relação a dispositivo legal que fundamente os lançamentos em litígio, impõese a manutenção da exigência. Confirmando este posicionamento, já foi editada, inclusive, Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E se o órgão de julgamento administrativo de instância superior não detém competência para apreciar questionamentos relativos a constitucionalidade de lei, igual conclusão se impõe em relação ao julgamento em primeira instância. Acrescentese, relativamente à Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 4905 (mencionada na peça de defesa em nome de Dimitry), ainda em trâmite no Supremo Tribunal Federal, que os dispositivos legais nela questionados são os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 12.449, de 2010 e, por arrastamento, os arts. 36, caput e 45, § 1º, I da Instrução Normativa RFB nº 1300 de 2012 dispositivos que não constituem o fundamento para os lançamentos e despachos decisórios em questão. Especificamente quanto à multa isolada por compensação indevida, foi aplicada, como já mencionado, com fundamento no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, conforme fls. 06 do processo nº 10740.720069/201457. Juntada de documentos Por fim, quanto ao requerimento genérico de provar o alegado e de juntada de documentos, observese que a questão do Contencioso Administrativo Fiscal está disciplinada no Decreto nº 70.235, de 1972, aplicável não só aos litígios acerca de Autos de Infração, mas também àqueles acerca dos Despachos Decisórios de não homologação de Compensação, por força do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996. Referido diploma legal, a respeito dos temas “prova” e “juntada de documentos”, dispõe em seu art. 16 o seguinte: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 610DF CARF MF 112 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” [Destaques acrescidos] Como visto, a legislação transcrita determina a apresentação da prova no momento da impugnação, admitida a dilação do prazo para formação de prova documental apenas quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nos processos ora em análise, não há notícia de apresentação de elemento de prova após o prazo de impugnação ou de Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10740.720025/201427 Acórdão n.º 1201002.077 S1C2T1 Fl. 556 113 manifestação de inconformidade que suscitasse análise de sua admissibilidade. O Recorrente não aduziu qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, como preconizado no artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. A análise jurídica dos fatos e dos demais documentos nos autos endossam a procedência do crédito tributário, exaustivamente, impugnado pelos recorrentes no exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há mera divergência entre a escrita contábil, DIPJ, DACON e DTFCs. Diversamente, vislumbrase o interesse reprovável do contribuinte em compensar insubsistente crédito. Por sua vez, a omissão de receita, assim como a inexistência de qualquer documento que invalidasse a conclusão da unidade de origem, viabilizando a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Os distratos contratuais e as restituições dos recursos aos clientes, não descaracteriza a receita tributável, nem justifica a exclusão em DCTF, tampouco as divergências entre a movimentação financeira e a escrituração contábil. Em 14/04/2014, a contribuinte, ora Recorrente, respondeu ao Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 051513/2013, no entanto, parcialmente: O contribuinte não apresentou informação que possibilitasse a identificação dos valores de receitas informados na DIPJ/Contabilidade e os documentos que lhes deram origem, suprimindo a deficiência constante dos históricos dos lançamentos contábeis, conforme intimado. Estas considerações são extensíveis à CSLL, PIS e a COFINS, eis que consiste na tributação reflexa sobre a receita identificada pela autoridade fiscal. Por fim, comprovada a existência de interesse comum, atrai a responsabilidade solidária dos sócios, tal como decidido em acórdão recorrido. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 612DF CARF MF 114 Fl. 613DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.721175/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE.
A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais.
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE.
É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE.
A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE.
É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas não-operacionais.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 11 75 /2 01 2- 61 Fl. 3603DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.604 2 É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Fl. 3604DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.605 3 É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração no valor de R$ 221.264,24 de COFINS e R$ 47.940,66 de PIS, referente ao período de 01/2008 a 12/2008. Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.606 4 Esclarece a autoridade fiscal, que a UNIMED intentou dois Mandados de Segurança, processos nº 2002.38.00.0275134 (COFINS) e 2002.38.00.027512 (PIS), discutindo judicialmente o recolhimento das contribuições apenas sobre as receitas de atos não cooperativos. Por isso, foram efetuados dois lançamentos distintos para a COFINS e dois para o PIS. Assim, para COFINS e PIS sobre as receitas de atos nãocooperativos, foi efetuado o lançamento com multa qualificada, que é objeto deste processo. E, COFINS e PIS sobre as receitas de atos cooperativos foram lançadas sem multa de ofício, e com a exigibilidade suspensa para prevenção da decadência, que é o objeto do processo nº 13629.721175/201262. Após a análise da escrituração contábil e planilhas apresentadas pela UNIMED, a autoridade fiscal glosou as deduções de custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora (hospitais, clínicas médicas, laboratórios, etc.), excluindoas da base de cálculo. Entendeu a fiscalização que a UNIMED só poderia realizar a dedução do valor pago que correspondesse a atendimentos a associados de outra operadora. Ademais, a fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições, a totalidade das receitas auferidas, nos termos do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A 2ª Turma da DRJ/JFA, no Acórdão nº 0943740, datado de 08/05/2013, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para excluir a qualificação da multa, mantendose o crédito tributário lançado com a multa de ofício de 75%, a decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo da COFINS e do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e nãocooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da Cofins e do PIS. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A UNIMED requer em recurso voluntário a total improcedência dos autos de infração, sintetizando seus argumentos nos pedidos: (i) necessários ajustes na base de cálculo, deduzindose todos os custos assistenciais repassados a terceiros, (ii) a não incidência tributária sobre os atos cooperativos; (iii) a nãoincidência das contribuições sobre as sobras Fl. 3606DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.607 5 cooperativistas destinadas ao FATES e Fundo de Reserva, bem como das sobras líquidas repassadas aos cooperados, inclusive via aumento de capital social; (iv) impossibilidade de composição da base de cálculo do PIS e da COFINS com ingressos estranhos ao conceito de faturamento (juros de aplicações financeiras); (v) não incidência de SELIC sobre a multa de ofício e (vi) caráter confiscatório da multa de ofício de 75%. Esta Turma, por meio da Resolução n° 3301000.249, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal fizesse os ajustes ao lançamento tributário, aplicando a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873/2013, independentemente de se tratar de atos cooperativos ou não cooperativos. A diligência foi cumprida, conforme o relatório fiscal de efls. 35743576. Cientificada do resultado da diligência, a UNIMED aduziu: Diante do exposto, sem prejuízo da necessidade de análise de todos os argumentos e pedidos objeto do Recurso Voluntário, requer sejam admitidos os ajustes de base de cálculo já reconhecidos em diligência fiscal, bem como expurgadas da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras e receita não operacionais, haja vista não representam faturamento da cooperativa. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de interposição. Em primeiro lugar, este processo e o de n° 13629.721175/201262 formam uma única unidade de julgamento. Por essa razão, são analisados na mesma sessão de julgamento. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS Alega a Recorrente que os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência de PIS e COFINS. Sobre a nãoincidência das contribuições sobre os atos cooperativos, a UNIMED obteve provimento judicial nos Mandados de Segurança n° 2002.38.00.0275134 e 2002.38.00.0275120 para assegurarlhe o não recolhimento da COFINS e PIS sobre tais receitas. Confirase o teor dos provimentos judiciais obtidos pela Recorrente: Mandado de Segurança n° 2002.38.00.0275134/MG COFINS Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.608 6 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586/99 E REEDIÇÕES. COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. ISENÇÃO REVOGADA. CONSTITUCIONALIDADE. 1.A Medida Provisória nº. 1.858/99 e reedições, ao revogar a isenção concedida pelo art. 6o, I, da Lei Complementar nº 70/91, às sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, não implicou em ofensa a nenhum dispositivo constitucional. 2.A medida provisória constitui instrumento idôneo para a instituição, majoração ou extinção de tributo, tendo em vista que a Constituição Federal, ao estabelecêla como ato normativo primário, não fez nenhuma restrição em relação à matéria (precedentes do eg. Supremo Tribunal Federal, Cf. Adin n. 1.0051 e Adin n. 1.4170). 3.O art. 146, III, “c”, da Constituição Federal, ao estabelecer que deveria ser dado adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas, não implicou em concessão de imunidade tributária às sociedades cooperativas. 4.As contribuições destinadas ao custeio da seguridade social podem ser instituídas por lei ordinária, quando compreendidas nas hipóteses do art. 195, inciso I, da Constituição Federal, como é o caso dos autos. Não se faz mister, para tanto, a edição de lei complementar, que somente se faz necessária nas hipóteses do art. 195, § 4º da Constituição Federal, quando se tratar instituição de novas fontes para o custeio da seguridade social (RE nº 146733, Plenário, Relator Ministro Moreira Alves, publicado no DJ de 06.11.1992, pág. 20110; RE nº 138284, Plenário, Relator Ministro Carlos Velloso, publicado no DJ de 28.08.1992, pág. 13456 e RE nº 150755/PE, Plenário, Relator para acórdão Ministro Sepúlveda Pertence, publicado no DJ de 20.08.93, pág. 16322). 5.Na hipótese em que uma matéria, que não é de regulamentação privativa por lei complementar, venha a ser por ela regulamentada, esta lei complementar, no que pertine à matéria por ela disciplinada, é materialmente ordinária, podendo, consequentemente, ser alterada por intermédio de lei ordinária, ou medida provisória. (ADC nº 11/DF, relator Ministro Moreira Alves). 6.Para fins de tributação, o termo faturamento corresponde à receita da empresa, conforme entendimento do eg. Supremo Tribunal Federal expresso no RE nº 150755/PE, Relator para o acórdão o em. Ministro Sepúlveda Pertence. 7. Apelação da impetrante improvida. 4ª Turma do TRF da 1ª Região 12/08/2003. Interposto o Recurso Especial contra o acórdão da 1ª Região, o STJ assim se manifestou, no REsp nº 729.947 MG, DJ 24/05/2007: Fl. 3608DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.609 7 TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. COFINS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃOCARACTERIZAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. Não há por que falar em violação do art. 535 do CPC nas hipóteses em que o acórdão recorrido, integrado pelo julgado proferido nos embargos de declaração, dirime, de forma expressa, congruente e motivada, as questões suscitadas nas razões recursais. 2. Os atos que não se configuram como tipicamente cooperativos, tais quais a prestação de serviços realizada por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência da Cofins. 3. Inviabilizase o conhecimento de alegada divergência jurisprudencial nas hipóteses em que o recorrente, desatendendo o disposto nos arts. 541, parágrafo único, do CPC e 255, § 2º, do RISTJ, não demonstra a similitude fática entre os arestos confrontados. 4. Recurso especial conhecido pela alínea "a" e improvido. Citese o trecho do voto do Min. João Otávio de Noronha, no REsp nº 729.947 da Recorrente, que analisa a nãoincidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperativos da UNIMED: O outro ponto a ser examinado diz respeito à sujeição das sociedades cooperativas à incidência da Cofins, especificamente no tocante aos atos cooperativos. Nesse aspecto, esta Corte, de igual modo, já firmou entendimento de que os atos tipicamente cooperativos não sofrem incidência das referidas exações. Colho, mais uma vez, o excerto do voto proferido no Recurso Especial n. 543.828/MG que cuidou do tema: "(...) As cooperativas praticam atos que lhe são próprios por isso chamados de atos cooperativos, e, também, atos comuns a toda e qualquer pessoa jurídica por essa razão denominados atos nãocooperativos. Os atos cooperativos encontramse definidos no art. 79 da Lei n.º 5.764/71, que assim dispõe: 'Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.' Por exclusão, chegase ao conceito de atos nãocooperativos, que seriam aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas nãoassociadas, revestindose, nesse caso, de nítida feição mercantil. O ato cooperativo, ao revés, por expressa dicção do parágrafo único, do art. 79 da Lei n.º 5.764/71, não implica operação de mercado ou contrato de compra e venda de mercadoria. A Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.610 8 sociedade cooperativa, quando pratica atos que lhe são próprios, não aufere lucro. As despesas são rateadas entre os associados, assim como o resultado positivo do exercício é partilhado, proporcionalmente, entre aqueles que fazem parte da cooperativa. O ato cooperativo não gera faturamento ou receita para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, faturamento ou receita decorrente de atos cooperativos que possa ser titularizado pela sociedade. Dessarte, não há base imponível para a COFINS. O ato nãocooperativo, entretanto, está sujeito a regime jurídico diverso. Assim dispõem os artigos 86 e 87 da Lei n.º 5.764/71: 'Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei.' 'Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos'. Por revestirem nítida feição mercantil, os atos nãocooperativos geram receita e faturamento para a sociedade cooperativa. Esse resultado positivo, segundo a previsão do art. 87, será levado à uma conta específica, denominada 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social', de modo 'a permitir cálculo para incidência de tributos'. Em resumo: os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para a sociedade cooperativa. Portanto, o resultado financeiro deles decorrente não está sujeito à incidência da COFINS. Cuidase de uma NÃOINCIDÊNCIA PURA E SIMPLES e não de uma norma de isenção. Já os atos nãocooperativos, aqueles praticados com não associados, geram receita à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação. (...) No caso em comento, todavia, há que se considerar que as cooperativas médicas como as da espécie – Unimed – praticam atos de prestação de serviços a terceiros, incompatíveis, portanto, com a conceituação de ato cooperativo, não se enquadrando nos ditames da Lei n. 5.764/71. Transcrevo, por oportuno, trecho do voto condutor do acórdão proferido no Recurso Especial n. 778.099/MG, também da relatoria do Ministro Castro Meira, que bem assinala a Fl. 3610DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.611 9 impossibilidade de se conferir isenção tributária a cooperativas em face de atos praticados com terceiros: "Caracterizada a diferença entre ato cooperativo e não cooperativo, resta analisar se as atividades desenvolvidas pela ora recorrida – cooperativa de trabalho médico – pode ser classificada como ato cooperativo, portanto, sem a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. No caso, temse que a recorrente, conforme estabelece seu estatuto, presta serviços não apenas aos seus associados, como também a terceiros nãocooperados, atos, assim, que não atendem aos requisitos previstos nos artigos 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764/71, como se verifica da transcrição de seus objetivos sociais: 'Art.2º) A Cooperativa terá por objetivo a defesa econômico social dos integrantes da profissão de médico, através do aprimoramento do serviço de assistência médica que será sob a forma coletiva ou individual. § 1º) No cumprimento das suas finalidades, a Cooperativa poderá assinar contratos para prestação de serviços sob a forma coletiva, com firmas ou companhias interessadas em fornecer assistência médica aos seus empregados e/ou familiares. § 2º) Para a prestação de assistência sob a forma individual, a Cooperativa poderá instituir planos de assistência familiar ou pessoal. Assinando contratos com os interessados. § 3º) Seja qual for a forma de serviços prestados. deverá ser sempre observado o objetivo de aprimoramento de assistência médica com livre oportunidade a todos os cooperados e a observância do Código de Ética Profissional. § 4º) Promoverá ainda. a educação cooperativista dos cooperados e participará de campanhas de expansão do Cooperativismo e de modernização suas técnicas. § 5º) A Cooperativa efetuará operações sem qualquer objetivo de lucro' (fl. 36)' (fl. 36). As sociedades cooperativas não estão sujeitas à tributação, apenas no que se refere aos atos cooperativos peculiares de sua finalidade. In casu, a UNIMED presta serviços privados de saúde ficando evidenciada, assim, sua natureza mercantil na relação com terceiros ou seja, vende serviços de assistência médica. Ademais, como acima exposto, os atos praticados com terceiros, nãoassociados, são considerados atos nãocooperativos. Assim, os atos cooperados da sociedade cooperativa não são suscetíveis de tributação, por configurarem hipótese de nãoincidência, ao passo que os atos não cooperados, conforme explanação acima, deverão ser tributados." (REsp n. 778.099/MG, relator Ministro Castro Meira, DJ de 21.11.2005.) Com efeito, ao menos diante de tal delineamento fático dos autos – que não comporta reexame na via do especial (Súmula 7/STJ) –, não há como concluir pelo direito da recorrente à isenção da Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.612 10 Cofins, a qual pressupõe a prática de atos tipicamente cooperativos. Mandado de Segurança n° 2002.38.00.0275120 – PIS TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL — COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS NÃO ABRANGIDA PELA DEFINIÇÃO DE ATO COOPERATIVO —INCIDÊNCIA DO PIS. 1. “Denominamse atos cooperativos os praticados entre cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais” (Lei nº 5.764/71, art. 79, caput”) 2. Não se enquadrando a prestação de serviços a terceiros na definição de atos cooperativos, possível a incidência do PIS, nos exatos termos em que determina a Lei nº 9.718/98, tida por constitucional por esta Corte (Arguição de Inconstitucionalidade na AMS nº 1999.01.00.0960532/MG, Rel designado Juiz CARLOS MOREIRA ALVES, Corte Especial, maioria, DJ II 24 SET 2001, p. 135). 3. O STJ assentou o entendimento de que as empresas em geral estão sujeitas ao PIS de 0,65% sobre a receita bruta operacional, além de 1% sobre a folha de pagamento mensal, inclusive as cooperativas em relação aos atos nãocooperativos (Resp 249368/SC, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, T1, DJ 25/09/2000, p. 76). 4. Apelação e remessa oficial providas: segurança denegada. 5. Peças liberadas pelo Relator em 22/06/2004 para publicação do acórdão. 7ª Turma do TRF – 1ª Região, 22/06/2004. E, posteriormente, em agravo regimental: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP. RECEITAS AUFERIDAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I – O Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, decidiu que “a receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade de contribuição ao PIS/PASEP” (RE 599.362/RJ, Relator Ministro DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, DJe de 10022015). II – Agravo regimental desprovido. Corte Especial do TRF/1ª Região Brasília, 16 de março de 2017. A aplicação da concomitância de instância administrativa e judicial pressupõe a identidade de objeto litigioso nas duas esferas, fato que resta evidenciado quanto à incidência tributária das contribuições sobre os atos cooperativos. Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.613 11 Portanto, neste ponto, não cabe qualquer digressão sobre a parte do lançamento que se refere à tributação dos atos cooperados, por imperativo da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Logo, é definitiva a exigência de PIS e Cofins sobre os atos cooperativos, sendo obrigatório o cumprimento daquilo que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário, nos Mandados de Segurança acima citados. COOPERATIVA COMO OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE ATOS NÃO COOPERATIVOS O principal ingresso de recursos das cooperativas de trabalho médico, inclusive da Recorrente, é resultado da venda de planos de saúde a terceiros não cooperados. Logo, a venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Nesse sentido, concordo com os termos da decisão recorrida: Uma operadora de plano de saúde tem por objeto o fornecimento de cobertura geral de qualquer serviço relativo à saúde física e mental do cliente, o que engloba serviços médicos, como consulta e exames clínicos, hospitalares, como internação e cirurgia; ambulatoriais, como prontosocorro e pequenas intervenções cirúrgicas etc., além dos serviços de outros profissionais de saúde, como de protéticos, ortopedistas, fisioterapeutas e outros tantos. Enfim, o objeto do plano de saúde é, mediante pagamento de prestação mensal, a cobertura dos custos de todo e qualquer procedimento necessário, dentro dos limites do contrato, à preservação da saúde do cliente. No caso da cooperativa, a finalidade está vinculada à atividade própria do associado. É o que se deduz da Lei n.º 5.764/71, art. 4º: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, ...” Como se vê, o objeto da cooperativa somente pode ser, diretamente, a prestação de serviços aos associados dela, nunca a prestação de serviços a terceiros. Ou seja, a finalidade da cooperativa não pode se voltar diretamente para o atendimento pleno do cliente, pois os associados, limitados a uma categoria de atuação (no caso, médicos), é que formam o parâmetro do seu objeto social. Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.614 12 No caso da interessada, os pagamentos mensais recebidos dos clientes não são de titularidade dos médicos cooperados, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente. Na segunda, é o serviço prestado ao paciente, pelo qual a cooperativa paga ao médico os honorários. Assim, é óbvio que há receitas de naturezas diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação específica do serviço médico. Assim as operações realizadas com os clientes dos planos de saúde operados pela cooperativa não representam atos cooperados. Ao pagarem pelo plano de saúde, os valores deles recebidos pela cooperativa representam contraprestação pela disponibilidade dos serviços de assistência. O voto da Min. Eliana Calmon, no REsp nº 215.311, é de hialina clareza quanto à tributação dos planos de saúde, nos quais a UNIMED firma contratos de prestação de serviços com terceiros a serem efetuados pelos seus associados, os médicos cooperados: A UNIMED é uma cooperativa médica, de natureza civil, cujos interesses têm em vista um fim comum, congregando esforços e concentrando poder diretivo. A entidade cooperativa capta recursos de terceiras pessoas que firmam com a mesma ato negocial, a fim de receberem serviços médicos prestados por sua intermediação, mediante pagamento de uma taxa de administração. Os profissionais médicos que atendem aos terceiros são associados à cooperativa e aderem aos planos da entidade dentro de critérios por ela estabelecidos, a fim de prestarem serviços profissionais àqueles que se vinculam diretamente à cooperativa por ato negocial. Os associados, constituídos dos profissionais médicos, são remunerados pela Cooperativa, cujo papel principal é aglutinar clientela; na outra ponta há também aglutinação dos profissionais que irão servir aos terceiros. A verba de manutenção do sistema advém dos terceiros que pagam uma taxa mensal de administração. Vista a sistemática de captação de recursos e de remuneração dos profissionais médicos, vejamos a legislação. O art. 79 da Lei nº 5.764 de 16/12/1971 conceitua ato cooperativo nos seguintes termos: (...) Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.615 13 A mesma Lei nº 5.764/71 também estabeleceu em favor das cooperativas isenção tributária quanto aos chamados atos cooperativos, desde que não fossem atos negociais, ou seja, genuínos atos de cooperação, nos moldes do art. 79 transcrito. Se a cooperativa presta serviço a seus associados, não tendo interesse negocial, ou fim lucrativo, há completa isenção, porquanto o fim de cooperativa não é obter lucro mas, sim, prestar serviços aos associados, sendo os próprios médicos que, recebendo honorários dos conveniados, recolhem diretamente o ISS que incide sobre as importâncias que lhes são repassadas pela cooperativa. ...................................................................................................... Diferentemente, quando a cooperativa assume o caráter empresarial, deve pagar o ISS, como previsto na Súmula nº 81 do Supremo Tribunal Federal: ‘As cooperativas não gozam de isenção de impostos locais, com fundamento na Constituição e nas leis federais’. Ademais, o STJ, no REsp 1.164.716, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que a tributação de PIS e COFINS somente incide sobre atos não cooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. Único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.616 14 a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. FATURAMENTO DAS COOPERATIVAS MÉDICAS – PLANOS DE SAÚDE Alega a Recorrente que seu faturamento, quando operadora de plano de saúde, decorre da atividade de intermediação, ou seja, das taxas de administração/comissão que remunera a atividade de operação dos planos de saúde. Entretanto, não lhe assiste razão. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Essa foi a posição da decisão recorrida, com a qual concordo: Na medida em que a cooperativa de trabalho médico autuada também atua como operadora de plano de saúde e nessa atividade oferece ao mercado plano de assistência médica hospitalar contratado por preço global que envolve a disponibilização de serviços médicos e a cobertura de despesas com diárias e serviços hospitalares e de laboratórios, é evidente que os valores recebidos assumem a feição de contraprestação, ou seja, são o preço pago por esses serviços colocados à disposição e potencialmente passíveis de serem usufruídos pelos usuários do plano operado. Nesse quadro, os valores pagos pelos usuários associados ao plano de saúde constituem faturamento da operadora do plano de saúde e, portanto, compõem a base de cálculo das contribuições nos termos da Lei nº 9.718/98. Ressaltese que o RE n° 599.362, em sede de repercussão geral, decidiu que o PIS incide sobre receitas advindas de terceiros nãocooperados, em cooperativas de trabalho: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com Fl. 3616DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.617 15 relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Por sua vez, o RE n° 598.085, também em sede de repercussão geral, declarou a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela cooperativa com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.618 16 JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.15835. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.619 17 aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.620 18 possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.858 6, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Desse modo, a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento, é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Ademais, com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais pelo PIS/COFINS. Logo, nesse ponto assiste razão à Recorrente, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÕES POSSÍVEIS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS DAS COOPERATIVAS Os lançamentos tributários objetos deste processo e do processo 13629.720065/201362 foram lavrados em 16/01/2013. Posteriormente à lavratura, a Lei nº 12.873/2013 (de 25/10/2013) incluiu o § 9ºA ao art. 3º da Lei 9.718/98, cujo teor prescritivo é justamente as exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS relativas às operadoras de planos de assistência à saúde. O artigo 3º, §9º e §9ºA da Lei 9.718/1998 prescrevem: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entende se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.621 19 da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Já a Lei nº 10.676, de 22 de maio de 200,3 dispõe: Art. 1o As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. A Instrução Normativa SRF nº 635, de 24 de março de 2006, por sua vez, estabelece: Art. 10. As sociedades cooperativas em geral, além do disposto no art. 9º, podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º É vedado deduzir da base de cálculo das contribuições de que trata o caput os valores destinados à formação de outros fundos, inclusive rotativos, ainda que com fins específicos e independentemente do objeto da sociedade cooperativa. § 2º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, podem efetuar somente as exclusões gerais de que trata o art. 9º, não se lhes aplicando a dedução prevista no caput. Art. 17 A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, apurada pelas sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, pode ser ajustada, além do disposto nos arts. 9º e 10, pela: Fl. 3621DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.622 20 I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas; III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 1º As glosas dos valores, de que trata o inciso I do caput, devem ser decorrentes de auditoria médica dos convênios e planos de saúde nas faturas, em razão da prestação de serviços e de fornecimento de materiais aos seus conveniados. § 2º As disposições dos incisos II a IV do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2001. A alteração legislativa do §9oA tem expresso caráter interpretativo, dispondo sobre as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, portanto, podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O art. 106, I, do CTN, comanda a aplicação da lei interpretativa a ato ou fato pretérito, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É pacífica a questão da exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). Sobre as despesas das cooperativas médicas, o voto do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, no acórdão n° 3301003.614, é didático: A legislação própria das operadoras de saúde permite que avencem contratos entre si para atendimento de clientes umas das outras, para maior abrangência territorial, em operações conhecidas como de intercâmbio ou transferências de responsabilidades. A Agência Nacional de Saúde ANS define três tipos: repasse em prépagamento, atendimento continuado em custo operacional, e atendimento eventual (Plano de Contas Padrão, RN 290/2012 ANS). Coresponsabilidades cedidas (inciso I do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são pagamentos a outras operadoras de planos de Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.623 21 saúde, para que assumam responsabilidade sobre o atendimento a clientes da própria empresa, havendo ou não o efetivo uso pelo cliente. As provisões técnicas (inciso II do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são fundos obrigatórios, constituídos e contabilizados para cumprimento de regras estabelecidas pela ANS, no sentido de garantir, em síntese, a solvência dos planos. Eventos ocorridos (inciso III do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são as despesas pagas aos médicos, hospitais e clínicas, pelo atendimento aos clientes, próprios ou de terceiros em intercâmbio. Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades (inciso III) são pagamentos recebidos pela empresa, pela coresponsabilidade assumida e/ou atendimento efetivo a clientes de outras operadoras de planos de saúde. Por conseguinte, a aplicação do § 9A tem direta influência na apuração da base de cálculo das contribuições, pois podem ser excluídos: o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os de beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. O que quer significar: usuários próprios e usuários de outras operadoras. A questão, inclusive, já está pacificada também na Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão n° 9303005.449, julg. 26/07/2017 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão n° 9303004.399, julg. 09/11/2016 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os Fl. 3623DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.624 22 beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9º A, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei nº 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo. Acórdão n° 9303004.184, julg. 06/07/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Logo, devem ser reconhecidos os novos valores das bases de cálculo, acolhendose o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal, efls. 3574 3576, para aplicar a dedução da totalidade dos custos assistenciais no atendimento a usuários próprios e de outras operadoras na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Em suma, é devida a dedução da base de cálculo da COFINS, das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATEs), pelas cooperativas em geral, bem como é permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde os ajustes relativos à exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; à dedução os valores das corresponsabilidades cedidas; à dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e à dedução do Fl. 3624DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.625 23 valor de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Entretanto, quanto a FATEs, bem apontou a decisão recorrida que: Dessa forma, no que tange às sobras líquidas para as cooperativas médicas, a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Acontece que tais valores não estão evidenciados nos autos. A defendente limitouse a pedir a referida exclusão, sem, contudo, destacar quais seriam os valores destinados aos fundos acima (que seriam os dedutíveis). Assim, não se pode amparar a reclamação da interessada. Assim, é possível a dedução de FATEs desde que comprovadas sua liquidez e certeza, o que não se verifica no presente processo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Prescreve o art. 113 do CTN, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato jurídico tributário e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 3625DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.626 24 O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou sobre a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012. Por isso, correta a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESOBEDIÊNCIA DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. O art. 44, I e II, da Lei nº 9.430/96 prevê a aplicação de multa no percentual de 75% do imposto devido e não recolhido, bem como a multa qualificada de 150%. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. A decisão recorrida já desqualificou a multa de 150% para 75%, não restando outro ponto a ser deferido para a Recorrente neste tópico. Por fim, a análise da caracterização da multa com efeito confiscatório ou em desobediência a capacidade contributiva implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. SÍNTESE I Quanto à tributação dos atos cooperativos, incidência ou não de PIS e COFINS, essa questão está inteiramente subordinada ao resultado dos Mandados de Segurança n° 2002.38.00.0275134 (COFINS) e 2002.38.00.027512 (PIS). II As receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde pagas pelos clientes terceiros não cooperados), são tributáveis pelo PIS/COFINS. Isso porque prestação de serviço não é ato cooperativo. Fl. 3626DF CARF MF Processo nº 13629.721175/201261 Acórdão n.º 3301004.666 S3C3T1 Fl. 3.627 25 III Devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). IV Não compõem o faturamento das cooperativas médicas as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. CONCLUSÃO Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por co responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas não operacionais. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 3627DF CARF MF
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