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Numero do processo: 10830.918677/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
EMBARGOS ACOLHIDOS, SEM EFEITOS INFRINGENTES, PARA INVALIDAÇÃO DE ACÓRDÃO FORMALIZADO EM DUPLICIDADE.
Deve ser invalidado segundo acórdão proferido pro Relator ad hoc quando devidamente formalizado nos autos, pelo Relator original, o acórdão proferido.
Numero da decisão: 3201-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para declarar a invalidade do acórdão de fls. 315/317, esclarecendo ser válido o acórdão de fls. 296/298. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que não conheceu dos embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 EMBARGOS ACOLHIDOS, SEM EFEITOS INFRINGENTES, PARA INVALIDAÇÃO DE ACÓRDÃO FORMALIZADO EM DUPLICIDADE. Deve ser invalidado segundo acórdão proferido pro Relator ad hoc quando devidamente formalizado nos autos, pelo Relator original, o acórdão proferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para declarar a invalidade do acórdão de fls. 315/317, esclarecendo ser válido o acórdão de fls. 296/298. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que não conheceu dos embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 336 1 335 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.918677/200923 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201003.923 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria EMBARGOS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE AGUA E SANEAMENTO S/A SANASA CAMPINAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 EMBARGOS ACOLHIDOS, SEM EFEITOS INFRINGENTES, PARA INVALIDAÇÃO DE ACÓRDÃO FORMALIZADO EM DUPLICIDADE. Deve ser invalidado segundo acórdão proferido pro Relator ad hoc quando devidamente formalizado nos autos, pelo Relator original, o acórdão proferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para declarar a invalidade do acórdão de fls. 315/317, esclarecendo ser válido o acórdão de fls. 296/298. Vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que não conheceu dos embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 86 77 /2 00 9- 23 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 337 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3803006.133, proferido por esta desta 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF em 27 de maio de 2014. A Fazenda Nacional aponta a existência de contradição uma vez que afirma existir nos autos 2 (dois) acórdãos de mesmo número relativos ao mesmo processo. Os referidos Embargos foram admitidos pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos seguintes termos: A embargante acusa a decisão recorrida de ser contraditória, por ter prolatado, no mesmo processo, dois acórdãos que, embora tenham o mesmo número, adotaram extensão diversa sobre o reconhecimento do crédito pleiteado. Para melhor visualizar a extensão do provimento transcrevo abaixo excertos dos v. votos condutores: Relatoria de Jorge Victor Rodrigues Constatou a fiscalização, ainda, que em consulta realizada na DCTF a recorrente apurou, para o período de dezembro/2003, Cofins no valor de R$ 784.190,99 e que, após as deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 21.201,85. Compulsando os autos verifiquei constar do demonstrativo de crédito do PER/DCOMP, página 4 (fl. 57), que o valor total do crédito original utilizado na DCOMP foi de R$ 21.201,85, exatamente aquele apurado pela fiscalização por ocasião da diligência. Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível. Relatoria de Hélcio Lafetá Reis Constatou a fiscalização que, em consulta realizada na DCTF, o recorrente apurara, para o período de julho/2003, Cofins no valor de R$ 499.591,64, o quê, após as deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 39.817,69. Compulsando os autos, verificasse que consta do demonstrativo de crédito do PER/DCOMP (fl. 58 verso) a informação de que o valor total do crédito original utilizado fora de R$ 39.817,69, exatamente o valor apurado pela fiscalização por ocasião da diligência. Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível. Assim, no caso, há efetivamente a contradição alegada pela embargante, na medida em que os acórdãos realmente adotaram extensão diversa sobre o reconhecimento do crédito pleiteado. Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os aclaratórios interpostos pela Fazenda Nacional. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 338 3 Incluase o presente processo em lote de sorteio a um dos conselheiros da Terceira Seção. Os autos, foram, então, a mim distribuídos por sorteio, uma vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme dito, a Fazenda nacional aponta a ocorrência de contradição, uma vez que existem 2 (dois) acórdãos formalizados nos autos, com conteúdo distinto Com efeito, às fls. 296 a 298 identificase o Acórdão nº 3803006.132, de 27 de maio de 2014, Relatado por Jorge Victor Rodrigues, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. REGIMENTO INTERNO DO CARF. CUMPRIMENTO. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Marques Filipini, OABSP 194.227. A Fazenda Nacional manifestou a ciência do referido acórdão em petição datada de 16 de setembro de 2014, à fl. 300. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 339 4 Em 21/08/2015, a Autoridade de origem proferiu o seguinte despacho à fl. 313: Trata o presente de Pedido de restituição , que de acordo co, o Acórdão nº 3803 006.132 da 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vide fls. 269 a 271, com pedido deferido. Encaminho para ratificação/ retificação do Acórdão , pois o período prolatado, no assunto é de 01/07/2003 a 31/07/2003, porém o voto se reporta à composição da base de cálculo do período dezembro/2003 e de acordo com os débitos declarados vide fls. 311, não há o valor no período de R$ 784.190,99. Após a ratificação/retificação retornese o presente para implantação do acórdão. Logo em seguida, à fl. 314, há um despacho deste CARF, datado de 25/08/2015: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO De ordem do Presidente da 3ª Câmara, Rodrigo da Costa Possas, nomeio o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Designação "ad hoc, para redigir o acórdão do presente processo. DATA DE EMISSÃO : 25/08/2015 Verificar Procedimentos / LEVI ANTONIO DA SILVA SECAM3ª CÂMARA3ª SEÇÃOCARFMFDF 3ª CÂMARA 3ª SEÇÃOCARFMFDF 3ª SEÇÃOCARFMFDF DF CARF MF Em seguida, às fls. 315/317, houve a formalização de novo acórdão, com o mesmo nº 3803006.131, relatado "ad hoc" por Hélcio Lafetá Reis, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, não abrangendo as demais receitas. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10830.918677/200923 Acórdão n.º 3201003.923 S3C2T1 Fl. 340 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Portanto, há que se reconhecer a impertinência do segundo acórdão proferido por Relator ad hoc (fls. 315/317), devendo este ser integralmente cancelado, uma vez que já existente nos autos acórdão devidamente formalizado pelo Relator originário. Prevalece, portanto, nos autos o Acórdão de fls. 296/298, formalizado por seu Relator Originário Jorge Victor Rodrigues. Assim, devese ACOLHER os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SEM EFEITOS INFRINGENTES, para declarar a invalidade do acórdão de fls. 315/317, esclarecendo ser válido o acórdão de fls. 296/298. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000188/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 88 /2 00 9- 75 Fl. 1149DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10932.000188/200975 Acórdão n.º 2202004.391 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1151DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10932.000188/200975 Acórdão n.º 2202004.391 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1153DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10932.000188/200975 Acórdão n.º 2202004.391 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1155DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720577/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/02/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER/DCOMP o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-005.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER/DCOMP o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 05 77 /2 01 2- 13 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que não homologou compensações, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório sustenta que os créditos utilizados pela recorrente para a compensação constam do processo nº 10410.720173/201131, cujo PER foi indeferido. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração do processo 10410.720173/201131 (PER) e do 10410.006237/2010 14(AI), vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 5 4 PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 6 5 Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 7 6 fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10410.720577/201213 Acórdão n.º 3401005.017 S3C4T1 Fl. 8 7 contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000670/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 08/06/2010
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 06 70 /2 01 0- 11 Fl. 100DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 230201.649, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de obrigação acessória – AI/DEBCAD nº 37.279.8390, lavrado em face da infração ao art. 32, IV e § 5º da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9528/9709, por ter apresentado GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o relatório fiscal, o Contribuinte deixou de informar a totalidade das contribuições devidas para a Seguridade Social atinente às remunerações pagas aos agentes políticos – vereadores , no período de 04/2005 a 12/2009, bem como informou com incorreção as contribuições devidas para o custeio dos benefícios concedidos em função da incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, informado à alíquota de 1%, quando o correto seria 2%, isto para o período de 06/2007 a 12/2009, resultando a multa no importe de R$ 25.394,22, conforme art. 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/99. Devidamente intimadas, a Câmara e a Prefeitura Municipal apresentaram impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, às fls. 38/41, julgou improcedente as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido. O Município interpôs Recurso Voluntário, fls. 46/52, sob os seguintes fundamentos: a) a lei ordinária jamais poderia criar regime previdenciário; b) a questão já teria sido dirimida pelo STF; c) não haveria relação de emprego entre o Município e os agentes políticos; d) não poderia ser cobrada multa pela ausência de dolo; e) não poderia ser imputada multa ao ente público. Às fls. 53/59, a Câmara Municipal de Chavantes interpôs igualmente Recurso Voluntário reiterando os argumentos exarados pelo Município. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 66/73, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/06/2010 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS MUNICÍPIOS MANDATO ELETIVO. LEI 10.887/2004 SÃO DEVIDAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ENQUADRAMENTO SEGURADOS EMPREGADOS. Após a entrada em vigor da Lei n ° 10.887/2004, são devidas as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga aos segurados ocupantes de mandato eletivo. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Às fls. 73/77, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, insurgindose contra o Acórdão a quo, em relação à regra aplicável à retroatividade benigna. Consignou que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Quanto à divergência, argumentou que, havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, sob pena de bis in idem. Às fls. 92/94, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a retroatividade benigna. Fl. 102DF CARF MF 4 Intimados às fls. 98/99, os Contribuintes restam inertes, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de obrigação acessória – AI/DEBCAD nº 37.279.8390, lavrado em face da infração ao art. 32, IV e § 5º da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9528/9709, por ter apresentado GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o relatório fiscal, o Contribuinte deixou de informar a totalidade das contribuições devidas para a Seguridade Social atinente às remunerações pagas aos agentes políticos – vereadores , no período de 04/2005 a 12/2009, bem como informou com incorreção as contribuições devidas para o custeio dos benefícios concedidos em função da incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, informado à alíquota de 1%, quando o correto seria 2%, isto para o período de 06/2007 a 12/2009, resultando a multa no importe de R$ 25.394,22, conforme art. 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/99. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 11 5 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 104DF CARF MF 6 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 12 7 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 106DF CARF MF 8 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 13 9 do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 108DF CARF MF 10 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11444.000670/201011 Acórdão n.º 9202007.023 CSRFT2 Fl. 14 11 Ana Paula Fernandes Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.900692/2008-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequencia, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 69 2/ 20 08 -6 6 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 72 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.763 3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea nao se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇAO. CREDITO INEXISTENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGAÇÃO Comprovado nos autos que 0 crédito infonnado como suporte para acompensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção deoutros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária (...) o fato de a Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 73 3 contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 74 4 Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 75 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 76 6 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 77 7 tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 78 8 Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 79 9 Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900692/200866 Resolução nº 3001000.098 S3C0T1 Fl. 80 10 Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002790/2008-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO.
É devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do ano calendário.
Numero da decisão: 9101-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. É devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 90 /2 00 8- 51 Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.792 2 Relatório FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 1.708 a 1.714, contra o Acórdão nº 1101001.136, de 5 de junho de 2014 (e fls. 1.695 a 1.706), que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, exonerando a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A exigência da multa isolada sobre valor de IRPJ estimativa não recolhida mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à possibilidade de exigência da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário. Transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº 140100.107 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 (...) IRPJ — CSLL MULTA ISOLADA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do anocalendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real, mesmo que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário. Inicialmente, por meio do Despacho de efls. 1.723 a 1.725, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento negou seguimento ao recurso especial. Entretanto, por meio do despacho de efls. 1.735 a 1.737, o Presidente da CSRF deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em suas razões recursais, a Recorrente aduz, em essência, que é procedente a cobrança da multa isolada, por falta de recolhimento mensal das estimativas, após o Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.793 3 encerramento do anocalendário e em concomitância com a multa de ofício. Em suma, os argumentos formulados pela Recorrente são os seguintes: a) Sustenta que a teor do então artigo 44, § 1º, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, "a 'multa isolada' é devida em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa". Por isso, defende que não se aplica ao caso o entendimento do colegiado a quo de que a multa isolada não poderia ser exigida após o encerramento do ano calendário; b) Acrescenta que "após o encerramento do exercício, apurado saldo a pagar do tributo, surge uma nova infração, que atrai a incidência de multa diversa da aplicada em razão da falta de recolhimento das estimativas devidas", de forma que "as infrações apenas pela chama 'multa de ofício' e pela 'multa isolada' são diferentes". c) Defende que com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ e a CSLL, até por que, como se percebe da Lei nº 9.430/1996, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos; d) Defende ainda que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. A primeira deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o ajuste anual, ao passo que a segunda deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas, sendo que essas antecipações não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada do CARF, são meros adiantamentos do tributo. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso especial para reformar o acórdão recorrido, com o consequente restabelecimento da multa isolada. A Contribuinte apresentou contrarrazões às efls. 1.745 a 1.763. Em primeiro lugar, a Contribuinte insurgese contra o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, por entender que "não há como reputar satisfeitos os pressupostos de admissibilidade estabelecidos pelo art. 67 do Anexo II do RICARF". Isso porque alega que o acórdão recorrido estaria em consonância com a Súmula CARF nº 105 e o acórdão paradigma apresentado seria contrário a ela. Em relação ao mérito, a Contribuinte afirma que "encerrado o exercício e apurado o tributo anualmente devido, não será cabida a aplicação de multa isolada incidente sobre os recolhimentos sobre estimativas". Alega que "não houve prejuízo ao fisco, uma vez que não restou configurada diferença entre a somatória dos valores apresentados nos períodos bases de cada mês e o valor apresentado no anocalendário, estando a obrigação principal completamente extinta, em razão da quitação dos débitos", desaparecendo, assim, "a base de cálculo referente à multa de ofício isolada para os valores de estimativa mensal". Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.794 4 Ao final, a interessada requer não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Caso assim não se entenda, requer seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo. Como a Recorrida apresenta, em sede de contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido o Recurso Especial da PFN por inobservância de pressupostos regimentais, iniciase pela análise de referidos questionamentos. O primeiro deles se encaminha no sentido de que a decisão recorrida adotou entendimento de súmula de jurisprudência do CARF e, por isso, o apelo especial não poderia ser conhecido por afrontar o art. 67, § 3º, do Anexo II, do RICARF, que dispõe que "Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso". Defende a Recorrida que a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, ao dar provimento a seu recurso, exonerando as multas isoladas lançadas, teria aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 105, a qual enuncia que "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Ocorre que o acórdão recorrido não adotou o entendimento firmado pela Súmula CARF nº 105, uma vez que essa súmula trata especificamente da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas que tenha sido exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL. Ou seja, na hipótese em que tenha havido a aplicação concomitante de multas isolada e de ofício em relação a fatos geradores ocorridos antes da publicação da Medida Provisória nº 351, de 2007, surge a possibilidade de aplicação da súmula em análise. Não é o que ocorre no caso dos autos. Portanto, não deve prosperar o argumento apresentado pela contribuinte, já que nos presentes autos não houve aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício. Além disso, o entendimento adotado pela turma a quo foi o de que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas "somente se justifica se operada no curso do próprio ano calendário", tema sobre o qual o enunciado sumular é silente. Sobre esse tema, aliás, é que a Procuradoria da Fazenda Nacional recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O segundo questionamento acerca do Recurso Especial da PFN formulado pela contribuinte é quanto ao acórdão paradigma apresentado, uma vez que entende que esse Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.795 5 acórdão contraria a Súmula CARF nº 105, o que também impediria o conhecimento do recurso em face do contido no art. 67, § 12, II, do CARF. De fato, em relação ao tema da concomitância o referido acórdão contraria o entendimento da Súmula CARF nº 105, por entender que a multa isolada é aplicável concomitantemente com a multa de ofício, mesmo se tratando de fato gerador anterior a 2007. A matéria destacada pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao apresentar a ementa do acórdão recorrido, entretanto, diz respeito à possibilidade de que "o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário". Ou seja, a concomitância de multas não é objeto do recurso da Procuradoria, até porque (i) não foi com base nisso que a turma a quo exonerou a multa isolada e (ii) não houve exigência concomitante de multa de ofício. Colacionase o trecho do recurso especial que expõe a ementa do acórdão paradigma: Ademais, verificase que no item "Do cabimento do Recurso Especial" a recorrente demonstra claramente a matéria objeto de discussão, bem como a divergência existente entre o acórdão recorrido e o acórdão indicado como paradigma, conforme exposto abaixo: O acórdão ora recorrido adotou o entendimento de que encerrado o ano calendário, não caberia a exigência da multa isolada. Diferentemente, a e. 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em decisão consubstanciada no acórdão nº 140100.107, considerou ser legítima a exigência da multa isolada sobre o valor das estimativas não recolhidas, mesmo que o lançamento ocorra após o enceramento do ano calendário. Eis a ementa do acórdão paradigma nº 140100.107 em sua integralidade: (...) Notese que o acórdão recorrido, considera incabível a aplicação da multa isolada após o período de apuração do tributo, porquanto não existiria a base imponível da penalidade, incidente sobre as estimativas não recolhidas. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.796 6 De outro lado, o acórdão paradigma, entende que, mesmo encerrado o ano calendário, persiste a exigência da multa isolada, que continua tendo como base as antecipações não efetuadas. Nesse sentido, o paradigma deixa claro seu entendimento de que a multa isolada tem base de cálculo distinta da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, incidente sobre o tributo devido com base no lucro real apurado no final do ano. Com efeito, o órgão prolator do paradigma, em análise de caso similar, interpretou o art. 44 da Lei nº 9.430/96, de modo diverso ao esposado pela E. Turma Ordinária a quo. Rejeitase, portanto, a preliminar de inadmissibilidade do recurso da Fazenda Nacional. Mérito Como dito, a questão a ser dirimida no recurso em análise diz respeito à possibilidade de ser exigida a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário. A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observese: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.797 7 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Vêse, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazêlo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitandose, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. Como se vê nos autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 726 a 731, Volume V4), a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento das estimativas mensais desses tributos teve fulcro no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07, referindose a fatos geradores ocorridos nos seguintes períodos: 31/07/2003 e 31/10/2003. A exigência da multa isolada foi mantida pela autoridade julgadora de 1ª Instância, mas, no julgamento do Recurso Voluntário, o colegiado a quo, por maioria de votos, acatou as alegações da autuada e exonerou a multa isolada exigida nestes autos por entender que "A exigência da multa isolada sobre o valor de IRPJ estimativa não recolhida mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário". O voto condutor do acórdão recorrido assinala o entendimento de que a multa isolada só seria devida se exigida no curso do próprio anocalendário, "ou se após o seu encerramento constatarse que houve recolhimento a menor do tributo apurado no final do exercício por conta da insuficiência das estimativas recolhidas". Pela lógica do argumento levantado pelo acórdão recorrido e pela contribuinte em sede de contrarrazões, o dever de antecipar deixaria de existir quando o tributo passa a ser exigível ao final do anocalendário, condição em que seria devido o próprio tributo, acrescido da multa de ofício pelo não recolhimento do ajuste anual. Pela mesma lógica, a falta de recolhimento de estimativas não seria punível porque, se ao final do período nada foi apurado como devido, ou ainda, caso tenha sido experimentado prejuízo fiscal ou saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, ou ainda, caso o contribuinte quitasse os débitos que restarem devidos ao final do anocalendário, não haveria mais que se falar em dever de antecipar algo que não existe e, assim, não haveria conduta a ser punida. Com a devida vênia, discordase desse entendimento. A vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do anocalendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.798 8 Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resultam falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Assim, a exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental, e pode ser exigida, sim, mesmo que encerrado o anocalendário, porque punese a conduta de não recolhimento de uma obrigação tributária. Ora, a evidência suficiente de que a multa isolada pode ser aplicada depois do encerramento do anocalendário permanece constando na redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido do cabimento da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Nestes termos, a lei, desde a sua redação original, afirma a aplicação da multa ainda que a apuração final revele a inexistência de tributo devido sobre o lucro apurado. Senão, vejamos: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Lei nº 9.430, de 1996 (redação atual): Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.799 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse) Ademais, a utilização da expressão "ainda que" deixa patente o cabimento da multa isolada mesmo se houver tributo devido ao final do anocalendário, hipótese na qual seria devida, também, a multa proporcional estipulada na nova redação do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Mas não é só isso que o legislador quis dizer. Em verdade, quando menciona que a multa é devida ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente, estáse dizendo também que essa multa é aplicável após o encerramento do anocalendário. Ora, com a devida vênia à tese defendida aqui pela contribuinte, se a multa não pudesse ser cobrada após o encerramento do anocalendário, como ela poderia ser exigida ainda que tivesse sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa? Como dito, a obrigação de antecipar os recolhimentos é imposta ao sujeito passivo que opta pela apuração anual do lucro, e subsiste enquanto esta opção não for, por outros motivos, afastada1. A apuração dos tributos incidentes sobre o lucro tributável ao final do anocalendário e seu eventual recolhimento a partir do vencimento fixado para os tributos 1 Lei nº 8.981, de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. [...] V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.800 10 devidos no ajuste anual não anulam o descumprimento daquela obrigação. Neste sentido é o voto da exConselheira Edeli Pereira Bessa acerca da questão2: Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. (grifouse) 2 Acórdão nº 110100.434, integrado por voto vencedor do exConselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho afastando a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício antes da alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.801 11 Consoante antes observado, o tributo apurado ao final do anocalendário somente se sujeita a encargos a partir de seu vencimento3. Logo, para desconstituir a infração de falta de recolhimento de estimativas, o sujeito passivo deve recolher as antecipações em atraso com os encargos pertinentes desde seu vencimento mensal. Isso porque, diferentemente do sustentado pela recorrida em contrarrazões, o recolhimento do tributo devido no ajuste anual, mesmo acrescido dos correspondentes encargos, não repara o prejuízo causado ao fluxo de caixa da União que, na regra geral de tributação, receberia trimestralmente o ingresso dos tributos incidentes sobre o lucro. O mesmo prejuízo ocorre se o contribuinte deixa de recolher as antecipações e apura saldo negativo de IRPJ ou de CSLL ao final do período de apuração. Veja que o legislador não fez distinção alguma a esse respeito. Assim, equivocase o contribuinte ao alegar que "não houve prejuízo ao fisco, uma vez que não restou configurada diferença entre a somatória dos valores apresentados nos períodos bases de cada mês e o valor apresentado no anocalendário" e que por terem sido "recolhidos os débitos devidos" quanto ao principal "desaparece a base de cálculo referente à multa de ofício isolada". Na verdade, a Lei nº 9.430, de 1996, seja em sua redação original, seja em sua redação posterior à Lei nº 11.488, de 2007, definiu que a multa isolada será exigida sobre o valor das estimativas que deixou de ser recolhido a cada mês. Portanto, no caso concreto, a penalidade incidirá sobre o valor total das estimativas que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte mês a mês. Assinalese, ainda, que o argumento contrário à aplicação da multa isolada depois do encerramento do anocalendário resultaria em cenário no qual a falta de recolhimento de estimativas somente seria punida se a infração fosse constatada antes do encerramento do anocalendário, interpretação que praticamente nega eficácia ao dispositivo legal e confere significativa vantagem à opção pelo lucro real anual em detrimento à regra geral de apuração trimestral do lucro tributável. Deve, portanto, o recurso fazendário ser acolhido, reformandose o acórdão recorrido para reconhecer a possibilidade de exigirse a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário. Conclusão Diante do exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo 3 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 19515.002790/200851 Acórdão n.º 9101003.354 CSRFT1 Fl. 1.802 12 Fl. 1802DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.000071/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001.
Numero da decisão: 3401-004.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) acompanharam pelas conclusões, por não entenderem que o precedente do STJ seja vinculante, no caso do regime alternativo.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) acompanharam pelas conclusões, por não entenderem que o precedente do STJ seja vinculante, no caso do regime alternativo. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 00 71 /2 00 6- 05 Fl. 226DF CARF MF 2 Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento de IPI de fls. 2 a 311, com transmissão em 06/05/2004, no valor de R$ 108.031,22, referente ao primeiro trimestre de 2004 (crédito presumido apurado com base na Lei no 10.276/2001). Anexase ao pedido cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI (fls. 32 a 42). Às fls. 63 a 68, e na Informação Fiscal de fl. 77, narrase que: (a) a empresa efetuou aquisições de couro de pessoas físicas (indicados com o sendo da empresa “Antik Comércio de Couros para Calçados e Representações LTDA” – doravante “Antik”), sendo as notas fiscais consideradas inidôneas no processo administrativo no 13855.002406/200531; (b) analisandose as referidas notas fiscais, ficou comprovado que os pagamentos tiveram como beneficiários pessoas físicas diversas, entendendose que os créditos correspondentes devem ser glosados; (c) no último trimestre de 2003 o pedido de Crédito Presumido da contribuinte resultou em saldo credor de R$ 46.468,68, o qual, de acordo com a legislação, deve ser compensado nesse pedido; (d) isto posto, após elaboração de uma nova Declaração de Crédito Presumido, verificouse que o valor do crédito alterouse de R$ 108.031,22 para R$ 38.958,02, valor que deve ser reconhecido. Com base na informação, o despacho decisório de fl. 78 reconhece, em 24/04/2006, o crédito no valor de R$ 38.958,02, deferindo parcialmente o pedido de ressarcimento. Após compensações efetuadas pela fiscalização, em relação a débitos em cobrança, noticiase restar crédito de R$ 14.716,45 (fls. 92 e 100), a ser creditado em conta corrente. Ciente das providências tomadas em 08/05/2006 (fl. 103), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade, em 05/06/2006 (fls. 107/108), argumentando, em síntese, que: (a) a alegação fiscal não procede, e tem como fundamento um processo administrativo do qual não é parte; (b) o simples fato de os pagamentos terem sido efetuados a pessoas físicas não leva à conclusão pela inidoneidade das notas fiscais, e os pagamentos foram efetuados a pessoas físicas porque lhe foi pedido pela empresa, devendo o fisco verificar se os pagamentos efetivamente correspondiam às notas, e se estas teriam sido efetivamente pagas; e (c) anexa à defesa as notas fiscais e os demonstrativos de pagamento (fls. 109 a 114), que demonstra serem idôneas as notas. Em complemento, a empresa junta ao processo, em 10/06/2008 (fls. 125 a 190), outros documentos (basicamente, cópias de notas fiscais e cheques). Em 06/07/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 194 a 199), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) os documentos fiscais emitidos pelas empresas declaradas inaptas podem ser reputados como inidôneos, ou tributariamente ineficazes, salvo comprovação do pagamento pelo prego da mercadoria e do real ingresso desta no estabelecimento industrial (inversão do ônus da prova); (b) na hipótese de solicitação 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 227 3 administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, ao contrário do que acontece no âmbito do processo de exigência tributária, em que o ônus da prova das infrações tributárias cometidas pelo sujeito passivo incide sobre o ente tributante; (c) assim, caberia à requerente, no presente processo, como empresa que registrou operações de compras efetuadas com a “Antik”, provar que tais operações se efetivaram e que as mercadorias ingressaram em seu estabelecimento; e (d) as saídas de numerário do caixa/banco sem qualquer indicio de seu transito pela “Antik” não podem ser aceitas como documentos hábeis a comprovar a operação, sem a existência de qualquer outro registro ou titulo que possa lastrear financeiramente a operação e identificar a contribuinte como pagadora e a empresa fornecedora como beneficiária do pagamento. Ciente da nova decisão de piso em 19/08/2010 (fl. 201), a empresa apresentou, em 15/09/2010, o Recurso Voluntário de fls. 202 a 222, sustentando, em síntese, que: (a) é nula a decisão de piso, pois houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram analisados documentos apresentados pela defesa, nem tomados em conta documentos apresentados após a manifestação de inconformidade, que tinham por intuito demonstrar o pagamento efetivo de todas as notas fiscais e que foram declaradas inidôneas e tiveram seus créditos indeferidos; (b) e nenhum momento foi demonstrado que a mercadoria não ingressou no estabelecimento da empresa, e todos os pagamentos foram realizados com intervenção de banco, com pagamento integral dos valores constantes nas notas fiscais; (c) o pagamento a pessoa física (terceiro) por ordem e conta do credor é possível e válido, conforme artigo 308 do Código Civil; (d) à época do negócio jurídico não havia nenhum ato da RFB considerando a “Antik” como inapta, o processo de inaptidão iniciou em 2005, ainda não estando encerrado, estando até hoje a empresa na situação “ativa” perante o CNPJ, ocorrendo violação a ato jurídico perfeito; (e) ainda que inapta fosse a empresa, a boafé do adquirente afastaria a negativa de crédito, conforme precedentes administrativos e judiciais; (f) os pagamentos a Edgar Dutra (notas fiscais 3780, 3820, 3863 e 3869) foram realizados por meio de banco, e, no próprio título, consta como sacador a “Antik”, e beneficiário “Edgar Dutra”, o que é perfeitamente legal; (g) as demais notas foram pagas diretamente à “Antik” ou a outras pessoas jurídicas nas mesmas condições; (h) o ônus da prova não é exclusivo da recorrente e, se a fiscalização não aceitou as notas fiscais para deferir o crédito presumido, caberia a ela demonstrar o vício existente nelas; e (i) a fruição do crédito depende apenas dos requisitos estabelecidos no artigo 1o da Lei no 10.276/2001, que foram atendidos, no caso. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 228DF CARF MF 4 Delimitando o contencioso, insurgese a recorrente contra as glosas efetuadas em relação a aquisições da empresa “Antik”, e contra cerceamento de defesa na instância de piso. No que concerne ao alegado cerceamento de defesa, afirma a recorrente que a DRJ, além de não analisar matérias de defesa, recusouse a examinar documentos apresentados após a manifestação de inconformidade. Em relação à apresentação posterior de documentos, a DRJ assim se manifestou (fl. 196): “A requerente, em momento posterior ao prazo legal de impugnação (sic), apresentou os documentos de fls. 121 a 178, protocolados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Franca em 10 de junho de 2008, que não os considerei (sic), por não atender (sic) ao disposto nos parágrafos 4o e 5o do art.16 do Decreto no 70.235/72 (PAF), (acrescentado pela Lei n° 9.532, de 10/12/1997).” De fato, tal dispositivo da norma acolhida com estatura legal que disciplina o processo administrativo fiscal estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação (no caso, na manifestação de inconformidade), e estabelece circunstâncias em que a preclusão deixaria de existir (desde que solicitada a juntada posterior, indicando sua ocorrência §§ 4o e 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972): impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, direito superveniente, e contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Em sua manifestação de inconformidade, em 05/06/2006, a empresa apresenta defesa específica em relação a cinco notas fiscais (fl. 109). Todas as notas fiscais (cópias às fls. 110 a 114) são emitidas pela “Antik”, e contêm indicação de “mercadoria recebida” pela recorrente, sempre com uma assinatura indicando “Carlos”. A complementação da documentação, efetuada em 10/06/2008, mais de dois meses após a manifestação e inconformidade, não invocou, nem possui fundamento em qualquer das disposições excepcionais dos §§ 4o e 5o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972. Em tal complementação, traz a empresa (fls. 131 a 190) cópias de sete notas fiscais emitidas em 2003 (2416, em 13/08; 2442, em 18/08; 2470, em 22/08; 2609, em 09/09; 2643, em 12/09; 2722, em 23/09; e 2787, em 28/09), e de duplicatas e de cheques referentes a pagamentos efetuados em 2003 em relação a tais notas. Não vejo, assim, nulidade por cerceamento de defesa por parte da DRJ ao desconsiderálas. Em relação à conclusão da DRJ sobre os documentos apresentados na manifestação de inconformidade, e já destacados aqui, não se pode afirmar que deriva de não análise, pois a premissa adotada pelo julgador de piso foi a de no caso de notas consideradas inidôneas por ato da RFB, em procedimento específico, caberia à postulante ao crédito, como empresa que registrou operações de compras efetuadas com a “Antik”, provar que tais operações se efetivaram e que as mercadorias ingressaram em seu estabelecimento, e as saídas Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 228 5 de numerário do caixa/banco sem qualquer indicio de seu transito pela “Antik” não poderiam ser aceitas como documentos hábeis a comprovar a operação, sem a existência de qualquer outro registro ou titulo que pudesse lhe dar lastro financeiro e identificar a contribuinte como pagadora e a empresa fornecedora como beneficiária do pagamento. A recorrente pode até discordar do decidido pela DRJ, mas é incorreta a afirmação de que o julgador de piso simplesmente ignorou os documentos (digase, cinco cópias de notas fiscais) apresentados com a manifestação e inconformidade. Ao que revela a simples análise do processo, o julgador a quo analisou tais documentos e os considerou insuficientes, diante do ônus probatório em processos do gênero. Improcedentes, assim, as alegações de nulidade. Passando ao mérito do contencioso, é de se recordar que os créditos glosados se referem a aquisições efetuadas indicando amparo na Lei no 10.276/2001: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei n o 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996.” (grifo nosso) A ação fiscal, que abrange os períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005 (o que nos leva a crer que há outros processos sobre o tema em julgamento, apenas dois deles em nossa carga: o de no 13855.000072/200641, referente ao quarto trimestre de 2003; e o de no 13855.000073/200696, referente ao terceiro trimestre de 2003), foi iniciada justamente em função das irregularidades verificadas em relação ao fornecedor “Antik” (fl. 63): Fl. 230DF CARF MF 6 Investigada pela DRF de Franca/SP, face à discrepância entre os valores das notas fiscais emitidas e os valores declarados, informase às fls. 65/66 que restou comprovada a prática ilegal de venda de notas “graciosas”, e que documentos ideologicamente falsos são imprestáveis para comprovar, por si só, a compra e venda de mercadorias. As notas fiscais pertinentes ao período analisado neste processo (primeiro trimestre de 2004) são as seguintes (fls. 64/65): Durante o procedimento de fiscalização, a recorrente foi intimada, entre outros, a comprovar os pagamentos efetuados à “Antik”, mediante apresentação de cópias de cheques e extratos bancários. Em resposta, apresentou, além dos livros fiscais e notas fiscais, duplicatas pagas em carteira ou mediante boletos bancários. Sobre tais documentos, assim concluiu a fiscalização (fl. 66): Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 229 7 Eis as razões para as glosas de créditos presumidos de IPI em aquisições da empresa “Antik”: embora comprovados os pagamentos, as aquisições foram efetuadas de pessoas físicas. Não constam do presente processo maiores informações sobre a análise fiscal (que, ao final, devolveu os documentos). Na Informação Fiscal que ampara o despacho decisório (fl. 77), a fiscalização informa que: Não consta, ainda, do presente processo, nenhuma cópia do ato que tenha declarado inidôneas as referidas notas fiscais. Assumindo que exista tal ato, pertinente seria, a priori, no caso, trazer à baila o disposto no artigo 82 da Lei no 9.430/1996 (como fez a DRJ): Fl. 232DF CARF MF 8 “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.” (grifo nosso) Nesse cenário, bastaria, assim, à recorrente, para afastar as glosas, comprovar que efetivou o pagamento (ao que parece, a fiscalização entendeu isso como comprovado) e que efetivamente recebeu as mercadorias (o recibo na nota fiscal, presente nas cinco notas apresentadas na manifestação de inconformidade, contribui para isso, e poderia somarse aos registros de entrada e saída nos livros da empresa). No entanto, não seguiremos, aqui, discutindo aspectos probatórios, tendo em conta que o STJ entendeu, no REsp no 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 230 9 (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Fl. 234DF CARF MF 10 Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Observações Lei no 9.363/1996 Lei no 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 231 11 matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, se aproxima da apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Fl. 236DF CARF MF 12 Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão no 3403002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp no 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei no 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei no 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1o, § 1o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos no 3403001.948 a no 3403 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13855.000071/200605 Acórdão n.º 3401004.457 S3C4T1 Fl. 232 13 001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar dois precedentes recentes e unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 – unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 – unânime) Ademais, recordese que o § 5o do art. 1o da Lei no 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5o, é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001, sendo desnecessário e irrelevante retornar os autos, em eventual diligência, para que se verificassem, de fato, questões probatórias atinentes a ser a aquisição efetivamente de pessoa física, à luz do constante neste processo e em outro, apenas citado nestes autos. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 238DF CARF MF 14 Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.900454/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.067
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 04 54 /2 01 1- 68 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10950.900454/201168 Acórdão n.º 3302005.067 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.039. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10950.900454/201168 Acórdão n.º 3302005.067 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10950.900454/201168 Acórdão n.º 3302005.067 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10950.900454/201168 Acórdão n.º 3302005.067 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908974/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.354
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(Assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 08 97 4/ 20 12 -1 0 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10380.908974/201210 Resolução nº 3401001.354 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu tratarse de recolhimento indevido de PIS e atribuiu a não homologação da compensação a erro no preenchimento na DCTF. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP, DCTF e DACON. A DRJ Brasília/DF julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” O recurso voluntário asseverou que o indébito tem origem em erro no recolhimento da contribuição, oportunidade que juntou planilhas de apuração, balancete e demonstrativos para comprovação da alegação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.352, de 20 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10380.908971/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10380.908974/201210 Resolução nº 3401001.354 S3C4T1 Fl. 5 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.352 "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe planilhas e demonstrativos, além de extrato do balancete, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10380.908974/201210 Resolução nº 3401001.354 S3C4T1 Fl. 6 4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000622/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
LEI TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Incide na hipótese do art. 135, inciso III, do CTN os sócios-administradores que praticam atos com infração de lei, aí entendida também a legislação tributária.
SÓCIOS-ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE. MESMOS FUNDAMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Aos sócios-administradores já responsabilizados por atos praticados com infração a lei, não pode ser atribuída a responsabilidade solidária por interesse comum embasada apenas nos mesmos atos.
Numero da decisão: 1302-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários com relação às matérias objeto de contestação judicial e àquelas não apresentadas na impugnação e, por maioria, em dar provimento parcial para excluir a responsabilidade tributária dos sujeitos passivos solidários arrolados imputada com base no art. 124, inc. I do CTN, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral ao recurso do responsável solidário Antonio Carlos Settani. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa acompanhou o voto do relator pelas conclusões quanto a este ponto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 LEI TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Incide na hipótese do art. 135, inciso III, do CTN os sócios-administradores que praticam atos com infração de lei, aí entendida também a legislação tributária. SÓCIOS-ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE. MESMOS FUNDAMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Aos sócios-administradores já responsabilizados por atos praticados com infração a lei, não pode ser atribuída a responsabilidade solidária por interesse comum embasada apenas nos mesmos atos.
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MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 LEI TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. SÓCIOADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 06 22 /2 01 0- 22 Fl. 10101DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.102 2 Incide na hipótese do art. 135, inciso III, do CTN os sóciosadministradores que praticam atos com infração de lei, aí entendida também a legislação tributária. SÓCIOSADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE. MESMOS FUNDAMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Aos sóciosadministradores já responsabilizados por atos praticados com infração a lei, não pode ser atribuída a responsabilidade solidária por interesse comum embasada apenas nos mesmos atos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários com relação às matérias objeto de contestação judicial e àquelas não apresentadas na impugnação e, por maioria, em dar provimento parcial para excluir a responsabilidade tributária dos sujeitos passivos solidários arrolados imputada com base no art. 124, inc. I do CTN, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral ao recurso do responsável solidário Antonio Carlos Settani. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa acompanhou o voto do relator pelas conclusões quanto a este ponto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários apresentados pelos responsáveis tributários Antônio Carlos Settani Cortez e Cleide Pedrosa Cortez, em relação ao Acórdão nº 1455.996, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/Ribeirão Preto), de 15 de janeiro de 2015 (fls. 9.072 a 9.104), que julgou improcedentes as impugnações do sujeito passivo principal e dos citados responsáveis solidários, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 10102DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.103 3 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. DOAÇÃO. PAGAMENTO DE DÍVIDAS POR TERCEIROS. A quitação de dívidas da empresa por terceiros, não registradas na escrituração, constitui receita não operacional, por representarem ingressos não decorrentes das atividades operacionais que aumentam o patrimônio do donatário ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo e não ter ocorrido dolo, fraude ou simulação, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Fl. 10103DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.104 4 A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO A LEI. INTERESSE COMUM. São responsáveis pelos débitos apurados na pessoa jurídica os sóciosadministradores que agem com infração à lei e as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador." O processo cuida de autos de infração (fls. 4.429 a 4.545) relativos a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), relativos ao ano calendário de 2005, no montante de R$ 69.681.520,75 (juros de mora atualizados até 31/03/2010). Por bem sintetizar o processo, passo a transcrever o relatório do Acórdão recorrido (com a ressalva de que todos os números de folhas nele constantes se referem ao processo em papel, de modo que os números de folhas do processo digitalizado foram inseridos entre colchetes), complementandoo, ao final: "O Termo de Constatação Fiscal de fls. 2.110/2.138 [efls. 4.295 a 4.351] descreve a ação fiscal, relatando as seguintes infrações apuradas: 1. Pagamento de dívidas da empresa por terceiros, com recursos próprios, por meio de dação em pagamento, representando receita não operacional, caracterizada por doações, correspondentes a ingressos não decorrentes das atividades operacionais, que aumentam o patrimônio do donatário (CTN, art. 43; Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2o; Decretolei nº 1.730, de 1979, art. 1o, VIII; e Lei nº 7.689, de 1988, art. 2o); 2. Créditos bancários não comprovados, relativos a transferências bancárias (RIR/1999, arts. 287 e 288); Fl. 10104DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.105 5 3. Pagamentos a beneficiários não identificados, contabilizados como transferências a conta bancária de titularidade da contribuinte (RIR/1999, art. 675, § 3o; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 61, § 3o); 4. Receitas de aluguel de máquinas não contabilizadas (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24; RIR/1999, arts. 251 e parágrafo único, e 288). Sobre os valores submetidos à tributação, referentes a créditos bancários sem comprovação de origem, foi aplicada multa qualificada, por entender a fiscalização que a contribuinte teria praticado atos que se enquadram nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, incorrendo na hipótese prevista no § 1o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, quais sejam: · Embaraço à fiscalização no início do procedimento fiscal; · Escrituração de conta bancária inexistente no Deustch Bank, com fins de acobertar os valores que transitaram pela conta no Banespa; · Apresentação de contratos de Cessão de Direitos Creditórios com diversas inconsistências, bem como de planilhas justificando créditos bancários por meio de desconto de duplicatas via Spinelli FIDC, sem qualquer relação com os valores creditados no banco; · Créditos bancários sem comprovação de origem e demais receitas omitidas em valores contrastantes com a receita informada à Receita Federal do Brasil (RFB) na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) original (R$ 0,00); · Conduta reiterada de não prestar à RFB as informações previstas na DIPJ; · Transferências efetuadas pela sócia e justificadas incoerentemente; · Diversas incoerências verificadas nas justificativas dos créditos bancários, sem qualquer respaldo em documentação idônea; · Passivo junto à CSN não contabilizado, bem como a quitação de parte do passivo escriturado com imóveis de propriedade dos sócios; · Indistinção entre os patrimônios da empresa e dos sócios, verificada nos empréstimos sem formalidades, nos pagamentos não contabilizados, nas dações em pagamento à margem da escrituração. Fl. 10105DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.106 6 Considerou o autuante que todos os elementos acima corroboram sua convicção de que não se pode considerar a completa omissão de informações à RFB como simples “erro humano” na digitação da DIPJ, como declara a contribuinte, mas antes demonstram as condutas previstas na Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, arts. 1o e 2o. A multa referente à omissão dos créditos bancários foi agravada pela falta de apresentação de livros, documentos e arquivos, sem justificativas ou esclarecimentos, de acordo com o previsto no RIR/1999, art. 959, e na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44. Com a alteração dos valores apurados pela contribuinte nos balancetes mensais, após a omissão de receitas, constatouse o nãorecolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, exigindose a multa isolada de 50% do valor não recolhido mensalmente, com base no RIR/1999, arts. 222 e 843, c/c Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1o, IV, alterado pela Lei nº 11.488, de 2007, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 106, II, “c”. Os valores da CSLL, do PIS e da Cofins, reflexos do IRPJ sobre as receitas omitidas, foram apurados de acordo com a Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 2o. Foram compensados, na apuração do IRPJ e da CSLL, os valores dos saldos de prejuízos operacionais e base de cálculo negativa de períodos anteriores. Foi efetuado o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo à multa isolada pelo IPI não lançado, com base no Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002) –, art. 448, com alterações do Decreto nº 4.859, de 14 de outubro de 2003, que foi objeto do processo nº 13896.000707/201019. Foram considerados responsáveis solidários, com base no CTN, arts. 124, 134 e 135, Cleide Pedroza Cortez (sócia administradora à época dos fatos) e Antonio Carlos Settani Cortez (sócio administrador). Notificada do lançamento em 04/05/2010, conforme autos de infração, a interessada, representada pela advogada Andréa da Silva Corrêa (procuração de fl. 2.356 [efls. 4.778]), ingressou, em 31/05/2010, com a impugnação de fls. 2.300/2.355 [efls. 4.666 a 4.776], alegando, em suma: · cerceamento de defesa, tendo em vista que foi intimada, em 12/04/2010, a apresentar novos documentos no prazo de 5 (cinco) dias úteis, tendo requerido prazo suplementar de 30 (trinta) dias, sem que houvesse resposta da fiscalização quanto a esse pedido; · a tributação nos moldes efetuados evidencia aplicação de penalidade baseada em valores levantados por amostragem, o que evidencia “presunção”, que não pode embasar a autuação fiscal; · ocorrência do lapso prescricional, tendo a Receita Federal decaído do seu direito de cobrar da requerente Fl. 10106DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.107 7 qualquer parcela a título de tributo ou encargos relativo ao período de 01/2005 a 04/2005; · no caso da omissão de receitas não contabilizadas de aluguéis, houve erro contábil no registro da receita, pois, como praticamente não havia o recebimento desses valores pela empresa, uma vez que eles sempre foram utilizados automaticamente para o pagamento de dívidas, a contabilidade equivocouse a não fazer os registros; de outro lado, por um equívoco na contabilidade, a penalidade aplicada é deveras elevada; · no que se refere à omissão de receitas com base em depósitos bancários, a autuada apresentou todos os documentos exigidos pela fiscalização de que dispunha, pelos quais foi possível justificar todos os valores constantes das indigitadas contascorrentes, sua identificação etc.; · autuante não se atentou que várias operações são oriundas de empréstimo de mútuo, conforme comprovam os documentos juntados à impugnação; · no termo de verificação fiscal, o auditor fundamentou as razões que levaram à lavratura do auto impugnado, desconsiderando todos os documentos apresentados tempestivamente pela autuada, e definiu como receita tributável o total da movimentação financeira, aduzindo que os valores transacionados pela empresa não tiveram tratamento contábil regular e que há inconsistência nos livros apresentados, o que os torna imprestáveis; · o fato de a empresa ter apresentado o livro Razão é de suma importância, pois é cediço que nele se encontram escrituradas todas as operações fiscalizadas, e, no caso vertente, ele foi acompanhado do Livro Caixa, que trouxe declinada toda a movimentação financeira da contribuinte, dia a dia; · a existência desses livros e a escrituração da movimentação financeira impediriam, em princípio, o arbitramento do lucro; · o auditorfiscal assaca que os livros seriam imprestáveis, diante de discrepâncias encontradas, entretanto, em nenhum momento, especifica quais seriam essas discrepâncias; · até mesmo para fins de regularização por parte da contribuinte, as decisões administrativas devem ser fundamentadas, como determina a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, arts. 2o, parágrafo único, VII, e 50, § 1o; · a agente fiscal argumenta em seu relatório que, nas relações das operações financeiras apresentadas pela Fl. 10107DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.108 8 contribuinte, haveria erro em algumas operações ou falta de justificativa; · por outra via, em relação aos documentos apresentados, foram acompanhados dos esclarecimentos pertinentes; · não obstante, nesse relatório foram citados outros documentos que seriam necessários ao convencimento da fiscalização, e o próprio contribuinte apresentou diversos documentos que não haviam sido solicitados quando das intimações, que não foram sequer considerados pela fiscalização; · a omissão de receita ocorre apenas quando não há escrituração das operações financeiras ou a não comprovação da origem dos valores constantes de contas bancárias; · na situação em tela, toda a movimentação foi escriturada, bem como a origem de todos os depósitos foi apontada, de forma que inevitável o afastamento da presunção de omissão de receitas; · nem todo depósito efetuado em uma conta pode ser configurado como renda, portanto há movimentações financeiras da contacorrente que não são necessariamente renda, pois empréstimos não são renda, por exemplo; · são uníssonas, nesse sentido, as jurisprudências administrativas e judiciais, consoante Súmula nº 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR); · concluise, portanto, que houve presunção no presente caso, sem quaisquer provas, não podendo ser aceito como correto; · por suposta irregularidade na apresentação da declaração do imposto de renda, a empresa seria, quando muito, penalizada por infração ao descumprimento de obrigações acessórias, desde que não sanasse tal erro no prazo assinalado pela fiscalização; · o fato de não haver registro regular desses livros não afasta a possibilidade de constatação da receita da contribuinte e, quando muito, justificaria a aplicação de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, mas jamais afastaria as informações deles constantes, o mesmo ocorrendo no que se reporta à declaração de imposto de renda de pessoa jurídica apresentada de forma equivocada; · o equívoco perpetrado quanto à apuração da base de cálculo ocasiona cobrança de imposto sobre valor indevido, evidenciando exigência de imposto sem fato Fl. 10108DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.109 9 gerador, o que é expressamente proibido pela Constituição Federal (CF); · a legislação federal é bastante clara quando limita a receita obtida pelas empresas de “factoring”, como sendo representada pela “diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago” (vide ADN Cosit nº 51, de 1994); · há erro no auto lavrado que nulifica o procedimento fiscal, conquanto são exigidos valores distorcidos da realidade, sendo que no caso do PIS e da Cofins, a situação é ainda mais gritante, pois há disposição legal expressa, que define a receita da empresa; · no que se refere às receitas não operacionais, a autuante considerou que a empresa possuía uma dívida com a CSN e para tanto utilizou recursos próprios para o pagamento, representando assim “efetivo ingresso de valores na empresa fiscalizada”; · os bens imóveis que “seriam” utilizados para pagamento da dívida se encontram devidamente escriturados na contabilidade da empresa, informação que pode ser devidamente comprovada por meio dos lançamentos efetuados nos Livros Diário e Razão de 2002, cuja cópia já solicitou para sua contabilidade e deverá ser apresentada nos próximos dias; · os bens oferecidos em “dação” para pagamento da indigitada dívida nunca saíram da empresa, ou seja, nunca foram efetivamente transferidos para a CSN, portanto o valor que foi calculado em relação às dívidas da Kofar Nordeste, conforme descrito no item “Dação em Pagamento”, nunca foram quitadas, logo não há de se falar em “ingresso de valores” na empresa; · no que se refere à apuração reflexa do PIS, Cofins e CSLL, quaisquer impropriedades incorridas quando da apuração de omissão de receitas estão produzindo efeitos confiscatórios, já que não se consegue comprovar com exatidão que o que foi apurado de “lucro” corresponde necessariamente a receitas; · a agente fiscal não pode simplesmente, a seu exclusivo critério, formular exigência reflexa a título de demais impostos; · inexigibilidade da Cofins e do PIS, em face de diversas inconstitucionalidades; · nulidade do lançamento por falta de liquidez; · a multa aplicada é excessivamente grave, não encontra respaldo na situação fática, sendo que a falta de proporcionalidade ao caso gera excesso, podendo ser Fl. 10109DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.110 10 caracterizada como confisco, que é proibido pela CF, art. 150, IV; · conforme jurisprudência, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos, o que não ocorreu no presente caso; além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo inadmissível a qualificação da multa de ofício sobre a falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contacorrente bancária, a qual se trata de simples presunção de omissão de receitas, não caracterizando evidente intuito de fraude; · o próprio CTN, art. 112, dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhe comine penalidades, se interpreta da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação; · a penalidade, se ficar comprovado o cometimento da infração, deve equivaler a, no máximo, dez por cento do valor devido a titulo de tributo; · cabe repudiar a taxa Selic como fator de juros, à vista de sua flagrante inconstitucionalidade; · a recusa da Administração em reconhecer a ilegalidade em sede administrativa não é o posicionamento mais correto diante da lei vigente; · mesmo a lei que regula os processos administrativos (Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 56) disciplina dessa forma. Requereu o reconhecimento da preliminar de nulidade da autuação fiscal ou, alternativamente, a alteração da base de cálculo utilizada, a exclusão do auto da tributação referente às contribuições sociais pela sua inconstitucionalidade, a substituição da multa aplicada em 225% por 10% e a substituição da taxa Selic por juros não superiores a 1%. Posteriormente, em 02/06/2010, a contribuinte apresentou a petição de fl.2.369 [efls. 4.804], requerendo a juntada dos documentos de fls. 2.370/2.418 [efls. 4.806/4.902], que não acompanharam a impugnação protocolada em 31/05/2010. Os senhores Antonio Carlos Settani Cortez e Cleide Pedrosa Cortez apresentaram, respectivamente, as impugnações de fls. 2.419/2.423 e 2.439/2.443 [efls. 4.904/4.912 e 4.944/4.952], contra os Termos de Sujeição Passiva Solidária, alegando, em suma: Fl. 10110DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.111 11 · o autuante utilizou a desconsideração da personalidade jurídica de maneira desvinculada das bases jurídicas estabelecidas; · a contribuinte Kofar encontrase em pleno funcionamento, possui domicílio certo e responde por todas as suas operações inclusive com patrimônio suficiente para garantir eventuais débitos apurados; · a excepcionalidade e a cautela típicas da aplicação da desconsideração da personalidade jurídica foram ignoradas; · a intimação por sujeição passiva aplicada ao caso resultou de uma conduta abusiva, onde foi ignorada a autonomia patrimonial da pessoa jurídica; · a desconsideração somente deve ser aplicada quando devidamente comprovado o desvio da função social que foi atribuído pelo Estado à pessoa jurídica; · a inclusão dos sócios no termo de responsabilidade solidária se mostra inoportuna e desnecessária, porque, além de a empresa executada existir e possuir bens, não há prova de que o sócio tenha agido com ilicitude ou excesso de mandato, o que, nos termos do CTN, art. 135, daria azo à sua responsabilização pelo débito da pessoa jurídica." Por meio do Acórdão nº 1431.413, de 28 de outubro de 2010 (fls. 4.964 a 5.008), a mesma 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto não conheceu das impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos solidários e julgou improcedente a impugnação apresentada pela KOFAR. O sujeito passivo principal apresentou, em 26 de janeiro de 2011, recurso voluntário, constante às fls. 5.038/5.154. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF decidiu, em 07 de março de 2013, por meio da Resolução nº 1402000.186 (fls. 01 a 13), sobrestar o julgamento do presente processo até a manifestação definitiva do STF sobre a matéria relativa ao acesso a dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. A mesma Turma, em 11 de fevereiro de 2014, decidiu, conforme Acórdão nº 1402001.548, anular a decisão de primeira instância, a fim de que outra decisão fosse proferida com a apreciação também das razões de defesa apresentadas pelos sujeitos passivos solidários (fls. 14 a 24). Em 15 de janeiro de 2015, a DRJ/Ribeirão Preto proferiu, então, o Acórdão ora recorrido (fls. 9.072 a 9.104), no qual: a) rejeitou a preliminar de nulidade por cerceamento de direito de defesa, uma vez que teria havido resposta a pedido de prorrogação de prazo solicitado pelo fiscalizado, para atendimento a intimação, bem como por entender que os princípios do contraditório e da Fl. 10111DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.112 12 ampla defesa somente incidem na fase litigiosa, após a ação fiscal, que seria procedimento inquisitório; b) rejeitou, igualmente, a preliminar de nulidade por lançamento por mera presunção, baseado em valores levantados por amostragem, uma vez que não teria havido análise por amostragem, mas a análise da escrituração e dos depósitos bancários, ao lado, se existente, de presunção legal; c) por fim, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento por "por falta de liquides, por não ser regular a autuação", por não ter sido demonstrada qualquer das hipóteses de nulidade previstas na legislação; d) não acatou a alegação de decadência, em relação ao período de janeiro a abril de 2005, por inexistência de pagamento antecipado e por ocorrência de fraude, de modo que o prazo decadencial seria contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN; e) declarouse incompetente para apreciar a alegação de inconstitucionalidade de norma legal; f) manteve a sujeição passiva solidária de Antônio Carlos Settani Cortez e Cleide Pedrosa Cortez, por entender amplamente demonstrado que os referidos responsáveis agiram com infração a lei, ao praticarem condutas que, em tese, constituem crime contra a ordem tributária (como omissão de informações e prestação de declarações inexatas), bem como por haver sido evidenciado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, tendo em vista a falta de distinção entre o patrimônio da pessoa jurídica e da sócia; g) em relação à infração de omissão de receitas não contabilizada de aluguéis e à apuração de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, considerou a matéria não impugnada, com base no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, declarando definitiva as exigências; h) rejeitou os argumentos apresentados em relação à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários, por não ter havido desconsideração da escrituração, nem arbitramento de lucro, e por não ter sido comprovada a origem dos depósitos relacionados pela autoridade fiscal; i) quanto à mesma infração, rechaçou a alegação de se tratar de operações de mútuo, tendo em vista o sujeito passivo haver apresentado outras justificativas no curso da ação fiscal, a documentação apresentada se tratar de cópias simples, sem assinaturas de testemunhas e sem transcrição em Registro Público, a ausência de comprovação de escrituração à época própria, e a falta de comprovação da quitação; j) quanto à infração de omissão de receitas não operacionais, não acatou a alegação de que se tratavam de bens que se encontravam escriturados na contabilidade da pessoa jurídica, por não ter sido apresentada comprovação de tal fato, tendo sido, ao contrário, apresentado provas pelo autuante da dação em pagamento por parte de terceiros; k) a mesma solução foi aplicada em relação aos autos reflexos, com base no art. 24, §2º, da Lei nº 9.249, de 1995, tendo sido rechaçada a argumentação da impossibilidade de tal autuação; Fl. 10112DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.113 13 l) a multa qualificada foi mantida, por se entender comprovado o dolo e o evidente intuito de fraude; m) igualmente, mantevese a aplicação dos juros de mora equivalentes à taxa Selic, posto que as únicas alegações contrárias foram embasadas em supostas inconstitucionalidades. Intimado, em 03 de fevereiro de 2015 (fls. 9.115 a 9.121), o sujeito passivo principal não apresentou Recurso Voluntário, conforme Termo de Perempção de fl. 9.122. Em 16 de abril de 2015, o sujeito passivo principal protocolou documento dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Barueri/SP ou Osasco/SP, por meio do qual alega haver interposto Recurso Voluntário, relata dificuldades para o exercício do direito de defesa e pede o reconhecimento da jurisdição competente diante do seu domicílio fiscal em Vargem Grande Paulista/SP. O citado documento foi indeferido por meio da Comunicação de fl. 9.147, emitido pela Agência da Receita Federal do Brasil em Cotia/SP. Os responsáveis solidários foram intimados da decisão de primeira instância em 04 de maio de 2015. Não obstante, os débitos foram encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União já em 26 de maio de 2015 (fls. 9.155 a 9.171). Por provocação do sujeito passivo, o equívoco foi reconhecido (fls. 9.172 a 9.217), culminando com o cancelamento da inscrição e retorno dos autos à RFB (fls. 9.401). Foi realizada, ainda, a juntada ao processo dos Recursos Voluntários apresentados pelos sujeitos passivos solidários Antônio Carlos Settani Cortez (fls. 9.219 a 9.262) e Cleide Pedrosa Cortez (fls. 9.265 a 9.308), desde 27 de maio de 2015. Nos documentos, de igual teor, os sujeitos passivos alegam: a) em preliminar, a nulidade de todas as decisões proferidas após o prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, bem como prejudicado o julgamento dos recursos voluntários ora sob análise; b) a ocorrência de decadência em relação à dação em pagamento registrada em escritura pública datada de 28/04/2005, a créditos bancários de origem não comprovada ocorridos em 02/03/2005, 14/04/2005, 27/04/2005 e 28/04/2005, e a receitas de aluguel de máquinas auferidas entre 12/01/2005 e 28/03/2005; c) nulidade por cerceamento do direito de defesa consistente no fato de que as partes não teriam sido intimadas para apresentação de nova impugnação após a decisão do CARF que anulou o primeiro julgamento realizado pela DRJ/Ribeirão Preto; d) que a autuação, em relação a receitas não operacionais relacionadas a imóveis dados em dação de pagamento de dívidas da pessoa jurídica, teria sido realizada sem indicação da base legal, e que a doação invocada pelo autuante não teria ocorrido, já que não Fl. 10113DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.114 14 teria havido transferência para o patrimônio da empresa autuada, tendo os imóveis permanecido no patrimônio dos sócios; e) em relação à mesma infração, que os sócios da KOFAR teriam constituído, em favor de credor desta, hipotecas, com subrogação dos direitos do primitivo credor; f) finalmente, ainda quanto à infração supra, que teria havido erro na fixação da base de cálculo, posto que a dação seria de R$ 4.500.000,00 e não de R$ 18.507.000,00, como teria sido considerado na autuação; g) a inconstitucionalidade das multas de ofício impostas, por configurarem confisco, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; h) que o arrolamento de bens dos sujeitos passivos não pode subsistir, por se fundar em autuação viciada, pelo seu deficiente enquadramento e pela sua inconstitucionalidade, e, ainda, que a publicidade do arrolamento seria ilegal, por afrontar o dever de sigilo expresso no art. 198 do CTN; i) quanto à atribuição de responsabilidade solidária, que a hipótese do art. 135, inciso III, do CTN cuida de responsabilidade pessoal (exclusiva) dos sócios, de modo que deve ser excluído o sujeito passivo principal (KOFAR), pelo que haveria nulidade do auto de infração lavrado contra a KOFAR e os seus sóciosadministradores; j) ainda quanto à responsabilidade, que a atribuição de responsabilidade com base no art. 135, inciso III, do CTN exige a infração à legislação comercial, enquanto na autuação sob análise a justificativa para a responsabilização foi a violação a normas que tratam de crimes contra a ordem tributária; k) que, no que diz respeito à atribuição de responsabilidade com base no art. 124, inciso I, do CTN, a autoridade fiscal imputou apenas à sócia Cleide Pedrosa Cortez, conduta que caracterizaria o interesse comum a que faz menção o dispositivo legal, e, ainda assim, apenas em relação a infração relativa a omissão de receitas provenientes de aluguéis de máquinas. Deveria, portanto, haver a exclusão do sócio Antônio Carlos Settani Cortez, e a limitação da responsabilidade da referida sócia à infração citada; l) que não haveria a prova do evidente intuito de fraude, necessário para ensejar a aplicação da multa qualificada em relação aos responsáveis solidários. Em 12 de setembro de 2017, foi juntado ao processo o Ofício nº 312/2017 PSFN/OSASCO (fls. 9.982 a 9.984), por meio do qual a ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em Osasco comunicou o ajuizamento pelos sujeitos passivos de ação ordinária visando à anulação do débito tributário de que trata o presente processo, conforme cópias de fls. 9.419 a 9.981. Os responsáveis tributários apresentaram, em 19 de setembro de 2017, documento intitulado Razões Finais (fls. 9.999 a 10.008), por meio do qual destacam alguns pontos alegados nos Recursos Voluntários, inovando em alguns aspectos. Na mesma data, o sujeito passivo principal também apresentou documento intitulado Razões Finais (fls. 10.011 a 10.038), por meio do qual suscita matérias que seriam, no seu entender, de ordem pública, a saber: Fl. 10114DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.115 15 a) preliminar de preclusão administrativa, por força do art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007; b) nulidade dos autos de infração por ausência de intimação de prorrogações de prazo, substituição de autoridade supervisora e inclusão de novos tributos; c) nulidade das Requisições de Movimentação Financeira (RMF) expedidas no processo, e dos autos de infração nelas embasados, tendo em vista a inexistência de "Relatório Circunstanciado", no qual constasse a motivação do ato e enquadramento legal; d) anulação da autuação referente a omissão de receitas nãooperacionais (dação em pagamento de imóveis dos sócios), posto que doação imobiliária não constituiria fato gerador de tributo federal, haveria vício na fundamentação da exação (ausência dos elementos mínimos de constituição da obrigação tributária e da legislação que autorizaria a equiparação de dação em pagamento a doação), não existiria qualquer dação com efeitos jurídicos, já que não teria havido a transferência da propriedade imobiliária, e a confusão da dação com doação seria contra legem, já que haveria a subrogação nos direitos do credor; e) pleito de exclusão da multa agravada em respeito a suposto entendimento pacífico do STF e à inexistência de dolo. Em 03 de outubro de 2017, o sujeito passivo principal e os responsáveis tributários apresentaram novos documentos (fls. 10.041 a 10.060 e 10.063 a 10.066, respectivamente), por meio dos quais alegam inexistir óbice à apreciação pelo CARF de alegações por eles suscitadas, uma vez que não integram o objeto da demanda judicial proposta. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS 1.1 Da tempestividade e legitimidade Os Recorrentes Antônio Carlos Settani Cortez e Cleide Pedrosa Cortez foram cientificados, por via postal, em 04 de maio de 2015 (fls. 9.149 e 9.150), tendo apresentado Recursos Voluntários em 27 de maio de 2015 (fls. 9.219/9.262 e 9.265/9.308, respectivamente), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Os Recursos são assinados pelos próprios recorrentes e, por possuírem igual teor, a sua apreciação será realizada de modo conjunto. 1.2 Da competência A matéria objeto dos Recurso está, em sua quase totalidade, contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, IV e VI, do Fl. 10115DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.116 16 Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. A exceção diz respeito às alegações relativas ao arrolamento de bens. Tratase de medida administrativa de garantia do crédito tributário, não sujeita ao processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. A matéria, portanto, sequer é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), sendo que eventual recurso deve ser apreciado pela própria unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme rito próprio estabelecido em normativo interno ou consoante a regra geral prevista na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 1.3 Da ação judicial concomitante Diante, ainda, do comunicado de interposição de ação judicial pelos sujeitos passivos, é necessário que se efetue o cotejo entre as matérias contidas nos Recursos Voluntários e aquelas submetidas à apreciação do Poder Judiciário. As diretrizes sobre o tema são delineadas pela Súmula CARF nº 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." A leitura da petição inicial da Ação Ordinária ajuizada pelos Recorrentes (fls. 9.420 a 9.445), em conjunto com o sujeito passivo principal, Kofar Produtos Metalúrgicos Ltda (processo nº 000469879.2014.403.6130, que tramita perante a 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Osasco/SP), permite a constatação de que o objeto daquele processo é: a) decadência em relação à dação em pagamento registrada em escritura pública datada de 28/04/2005, a créditos bancários de origem não comprovada ocorridos em 02/03/2005, 14/04/2005, 27/04/2005 e 28/04/2005, e a receitas de aluguel de máquinas auferidas entre 12/01/2005 e 28/03/2005; b) a autuação relativa a receitas não operacionais relacionadas a imóveis dados em dação de pagamento de dívidas da pessoa jurídica, a qual teria sido realizada sem indicação da base legal, sem que tivesse ocorrido, de fato, doação, e com erro na base de cálculo; c) a inconstitucionalidade das multas de ofício impostas, por configurarem confisco, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; d) o arrolamento de bens dos sujeitos passivos, o qual não poderia subsistir, por se fundar em autuação viciada e pela sua inconstitucionalidade. Por força da Súmula acima transcrita, portanto, ao veicular todas essas matérias na ação ordinária manejada, os Recorrentes renunciaram à instância administrativa, de modo que delas não pode tomar conhecimento o CARF. Fl. 10116DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.117 17 1.4 Da inovação nos Recursos Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual Fredie Didier Jr. (Curso de Direito Processual Civil, 13. ed. Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." O exame dos Recursos apresentados pelos sujeitos passivos solidários permite a constatação da presença de quatro matérias que não constam das Impugnações submetidas ao julgamento de primeira instância: a) a nulidade de todas as decisões proferidas após o prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007; b) a nulidade por cerceamento do direito de defesa por ausência de intimação para apresentação de nova impugnação após a decisão do CARF que anulou o primeiro julgamento realizado pela DRJ/Ribeirão Preto; c) a nulidade dos autos de infração porque lavrados contra a KOFAR e os seus sóciosadministradores, com base no art. 135, inciso III; d) a ausência de prova do evidente intuito de fraude, necessário para ensejar a aplicação da multa qualificada em relação aos responsáveis solidários. Fl. 10117DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.118 18 As referidas nulidades não podem ser consideradas como absolutas, posto que, ainda que comprovadas, nenhum prejuízo haveria para a ampla defesa dos sujeitos passivos. Nos primeiro e terceiros casos, o prejuízo é flagrantemente inexistente. No segundo, como haveria prejuízo se a impugnação já teria sido apresentada? A nulidade absoluta ocorreria se houvesse a anulação da primeira intimação para a apresentação da impugnação, sem que o ato houvesse sido repetido. A última alegação é matéria de mérito totalmente nova nos autos. As matérias, portanto, não se inserem dentre as exceções à preclusão consumativa, de modo que não devem ser conhecidas. 1.5 Das "razões finais" Importa analisar, ainda, as matérias trazidas pelos Recorrentes e pela KOFAR apenas nos documentos apresentados em 19 de setembro e 03 de outubro de 2017. Inicialmente, no documento intitulado "Razões Finais" (fls. 9.999 a 10.008), os Recorrentes inovam ao tratar: a) da ausência de poderes de representação da sócia Cleide; b) da responsabilização com base no art. 134 do CTN. Em que pese os Recorrentes pretenderem tratar as matérias como possíveis causas de nulidade dos autos de infração (o que as tornaria matérias de ordem pública), é evidente que a procedência delas chegaria ao limite de afastar a responsabilidade tributária, jamais maculando o próprio ato de constituição do crédito tributário. Constatase, portanto, que nenhuma das matérias se insere nas exceções acima detalhadas, de modo que se deve reconhecer a preclusão consumativa em relação a elas. No caso do documento apresentado pela KOFAR, às fls. 10.011 a 10.038, apesar de intitulado "Razões Finais" e se referir a "Recurso Voluntário interposto", o sujeito passivo, como relatado, deixou fluir todo o prazo legal sem que tenha apresentado qualquer Recurso Voluntário, conforme atestado no Termo de Perempção de fl. 9.122. Ainda que, pelo Princípio da Fungibilidade dos Recursos, a peça seja considerada como Recurso Voluntário intempestivo, impõese o seu não conhecimento. Deste modo, a análise do referido documento serve apenas para a averiguação de possível matéria de ordem pública, que deva ser conhecida de ofício pelos julgadores. Conquanto o sujeito passivo elenque supostas "nulidades absolutas", invoca vícios no procedimento fiscal que, de modo algum, encaixamse nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Primeiramente, quanto a eventual descumprimento da Portaria nº 1.137, de 2007, caso existentes os vícios apontados pelo sujeito passivo, a única consequência seria a Fl. 10118DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.119 19 devolução da espontaneidade naquele momento, jamais maculando o lançamento tributário. É que o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle interno, com impacto restrito ao âmbito administrativo. Do mesmo modo, a suposta nulidade consistente na inexistência nos autos de relatório circunstanciado que fundamentasse a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) não há como sequer ter sua plausibilidade averiguada diante da constatação de que o próprio sujeito passivo apresentou os seus extratos bancários, conforme fl. 253. Tampouco se considera matéria de ordem pública as demais alegações trazidas pelo sujeito passivo, relativas à inexistência de fato gerador do IRPJ, de ausência de prova de evidente intuito de fraude e de preclusão administrativa com base no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007. Neste sentido, todo o teor do documento apresentado pelo sujeito passivo não deve ser conhecido. 1.6 Das manifestações quanto ao Ofício da PSFN Finalmente, há que se examinar as alegações trazidas pelos sujeitos passivos, nos documentos de fls. 10.041 a 10.060 e 10.063 a 10.066, em que se manifestam sobre o Ofício nº 312/2017 PSFN/OSASCO (fls. 9.982 a 9.984), por meio do qual a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Osasco comunicou o ajuizamento pelos sujeitos passivos de ação ordinária já tratada. Mais uma vez, a análise deve se dar nos termos que excepcionam a preclusão consumativa, sendo que, ao caso, é aplicável uma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, a contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. A alegação dos sujeitos passivos de inexistir óbice à apreciação pelo CARF de alegações por eles suscitadas que não integram o objeto da demanda judicial proposta tem procedência, conforme já acolhida anteriormente, com a ressalva daquelas matérias que foram trazidas como inovação por meio das "Razões Finais" apresentadas, das quais não se deve tomar conhecimento, conforme item precedente. 1.7 Delimitação da lide De todo o exposto, concluise que os Recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, com todas as ressalvas acima postas, de modo que deles se toma conhecimento, ficando submetida a julgamento, exclusivamente, a matéria relativa à atribuição de responsabilidade solidária com base no art. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN. 2. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No Termo de Constatação Fiscal de fls. 4.295 a 4.351 e nos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 4.555 a 4.575 e 4.577 a 4.597, a responsabilidade tributária dos Recorrentes Antônio Carlos Settani Cortez e Cleide Pedrosa Cortez é embasada nos arts. 124, 134 e 135 do CTN. Fl. 10119DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.120 20 Segue a transcrição dos dispositivos invocados: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." O fundamento apresentado é: "... a caracterização da conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo 1° e art 2º da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas as autoridades fazendárias, bem como sendo caracterizadas as condutas Fl. 10120DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.121 21 descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em beneficio próprio ou de terceiros..." Quanto ao suposto benefício, a descrição é realizada do seguinte modo: "Destacase neste sentido, a falta de distinção entre o patrimônio da pessoa jurídica e da sócia, a qual contrai empréstimos destinados à quitação de dividas da pessoa jurídica e declara; no curso da fiscalização da pessoa física, ter recebido R$ 407.500,12 em decorrência de aluguéis (receita da pessoa jurídica não contabilizada) e R$ 248.247,29 da empresa Fonte Tibet Engarrafadora, ligada ao grupo (valor que teria sido pago como devolução de empréstimo à Kofar). Outra evidência da indistinção de patrimônios são as dações em pagamento não contabilizadas. Destacamos ainda, conforme já mencionado anteriormente, as transferências efetuadas pela sócia e justificadas incoerentemente (por exemplo, TED efetuada pela sócia na conta 0017068706, Banco Real, TED no valor de R$ 210.006,00, em 11/10/2005, justificada como "transferência entre contas de mesma titularidade"). Outra evidência da indistinção de patrimônios são as dações .em pagamento não contabilizadas, da ordem de R$ 19.900.000,00, (somandose valores dados à KofarNordeste), efetuadas com alguns dos diversos imóveis não declarados pelos sócios. Assim, constatase que as omissões e declarações inexatas envolveram a figura dos sócios, por terem estes — pessoas com interesse comum na situação praticado atos com infração a lei ou contrato social." Conforme síntese constante do acórdão a quo, nas impugnações apresentadas (fls. 4.904 a 4.912 e 4.944 a 4.952), os sujeitos passivos solidários sustentaram "que a desconsideração somente deve ser aplicada quando devidamente comprovado o desvio da função social que foi atribuído pelo Estado à pessoa jurídica e que a inclusão dos sócios no termo de responsabilidade solidária se mostra inoportuna e desnecessária, porque, além de a empresa executada existir e possuir bens, não há prova de que o sócio tenha agido com ilicitude ou excesso de mandato". A autoridade julgadora de primeira instância manteve a atribuição de responsabilidade solidária, nos seguintes termos: "Ora, restou amplamente demonstrado no processo que os sóciosadministradores Cleide Pedrosa Cortez e Antonio Carlos Settani Cortez agiram com infração a lei, na medida em que praticaram condutas que, em tese, constituem crime contra a ordem tributária, como omissão de informações, prestação de declarações inexatas. Ademais, restou comprovado também a falta de distinção entre o patrimônio da pessoa jurídica e da sócia, que contraiu empréstimos destinados à quitação de dívidas da pessoa jurídica Fl. 10121DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.122 22 sem cumprir formalidades e recebeu valores de receitas da pessoa jurídica não contabilizadas, o que evidencia o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consoante CTN, art. 124, I." Nos Recursos Voluntários, os sujeitos passivos sustentam, em primeiro lugar, que a imputação da responsabilidade prevista no art. 135, inciso III, do CTN demanda infração à lei societária (comercial), não sendo suficiente, como no caso em apreço, a alegação de infração à legislação tributária. De fato, encontrase na doutrina posicionamentos que acolhem a tese dos Recorrentes, restringindo a responsabilização de que trata o dispositivo em questão à infração à legislação comercial ou à legislação comercial e civil. Entendo, contudo, que a melhor hermenêutica da norma é aquela que considera que o seu propósito é responsabilizar os administradores da pessoa jurídica que atuam contrariamente aos interesses da sociedade, seja excedendo os poderes a eles outorgados, seja contrariando a lei (qualquer que seja ela), o contrato social ou estatutos. Nesse sentido, é admissível que a infração à legislação tributária seja suficiente para atrair a responsabilização em pauta, desde que tal violação decorra de conduta intencional do administrador. Daí a razão porque a Súmula 430 do Superior Tribunal de Justiça prescreve: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." (Destacouse) Constatase, portanto, que havendo o inadimplemento da obrigação tributária conjugada com um plus, que seria exatamente a atuação do administrador contrariamente aos interesses da sociedade (com excesso de poderes ou infração a lei, contrato ou estatuto), perfeitamente cabível a incidência na norma de responsabilidade tributária. Neste sentido, Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 636): "Havendo infração tributária subjetiva, praticada com dolo, quer dizer, intenção de fraudar, de agir de máfé e de prejudicar terceiros, aplicamse as figuras da responsabilidade de terceiros e responsabilidade por infrações, prescritas nos arts. 135 e 137 do Código Tributário Nacional, respectivamente." Precisa, também, a lição de Luís Eduardo Schoeri (Direito Tributário. São Paulo:Saraiva, 2011, p. 512), que ao afastar o mero inadimplemento como causa desencadeadora da responsabilidade, admite a infração à lei tributária: "Notase que a infração de que cogita o dispositivo não há de ser a mera falta de recolhimento de tributo. Claro que não recolher um tributo no prazo é uma infração a lei. Entretanto, fosse esse o alcance do artigo 135, então não teria sentido o artigo 134, que já versa sobre responsabilização por não recolhimento do tributo. Para que o último dispositivo tenha algum alcance, há Fl. 10122DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.123 23 de se entender que o artigo 135 compreende as infrações a leis não tributárias; e, no que se refere às infrações a leis tributárias, excetuase o mero inadimplemento." Por fim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº 9101002.487 1ª Turma, Relator Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, sessão de 23 de novembro de 2016) já se manifestou nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. SIMULAÇÃO. Qualificase a multa de ofício aplicada quando o pretenso “ágio interno" tratase de uma mera grandeza criada artificialmente, a que se pretendeu dar a aparência de ágio que, na realidade, nunca existiu. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CTN. Incide na hipótese do art. 135, inciso III, do CTN os sócios gerentes que praticam atos com infração de lei, aí entendida também a legislação tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012)." (Destacouse) Tornase fundamental, portanto, o exame das condutas atribuídas aos Recorrentes que configurariam infração a lei. Inicialmente, a autoridade reputa que os Recorrentes praticaram condutas que incidiram no art. 1º, inciso I, II e V, e art 2º da Lei 8.137, de 1990. In verbis: Fl. 10123DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.124 24 "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa." As condutas apontadas no Termo de Constatação Fiscal, cabe repisar, são: Fl. 10124DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.125 25 " o embaraço a fiscalização no inicio do procedimento fiscal, conforme formalizado em Auto de Embaraço à fiscalização e Representação Fiscal para Fins Penais, a escrituração da conta bancária inexistente no Deustch Bank, com fins de acobertar os valores que transitaram pela conta no Banespa, a apresentação do contratos de Cessão de Direitos Creditórios com diversas inconsistências (conforme relatado no presente Termo de Constatação), bem como de planilhas justificando créditos bancários através descontos de duplicatas via Spinelli FIDC, sem qualquer relação com os valores creditados no banco, os créditos bancários sem comprovação de origem (na ordem de R$ 33.542.294,475), e demais receitas omitidas (totalizando 53.009.294,47), em contraste com a receita informada a RFB (R$ 0,00) na DIPJ original, a ausência de apresentação de DCTF para quase todos os tributos, a conduta reiterada de não prestar à RFB as informações previstas na DIPJ. Como exemplo temos a entrega de DIPJ zerada em 2008 e 2009. Para o exercício 2007 (referente ao ano calendário 2006), o contribuinte entrega DIPJ com apuração de IRPJ pelo Lucro Presumido. Já sob procedimento de oficio (em 31/07/2009), retifica a DIPJ/2007, declarando apuração de prejuízo pelo Lucro Real, as transferências efetuadas pela sócia e justificadas incoerentemente (consta, por exemplo, no extrato da conta 0017068706, no Banco Real, TED no valor de R$ 210.000,00, recebida da sócia, na data de 11/10/2005. O contribuinte justifica, tal valor como "transferência entre contas de mesma titularidade"), as diversas incoerências verificadas nas justificativas dos créditos bancários, sem qualquer respaldo em documentação idônea, como: a) os de "transferências de mesma" titularidade", no lugar da contabilização de receitas, b) "crédito indevido regularizado na mesma data", no lugar de recebimento e pagamento não contabilizado a fornecedores, o passivo junto à CSN não contabilizado, bem como a quitação de parte do passivo não escriturado com imóveis de propriedade dos sócios, a indistinção entre os patrimônios da empresa e dos sócios, verificada nos empréstimos sem formalidades (conforme Processo de AI — IRPF emitido em nome de Cleide Pedrosa Cortez), nos pagamentos não contabilizados (ex: receita de aluguéis omitida), nas dações em pagamento à margem da escrituração." Fl. 10125DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.126 26 De fato, verificase, da leitura dos autos e das provas reunidas no curso da ação fiscal, uma série de condutas praticadas, de forma dolosa, pelos Recorrentes que, a par de configurarem, em tese, as condutas criminosas previstas na legislação apontada, representaram infração à lei, na condição de administradores da pessoa jurídica, de modo a fazer incidir a responsabilização na forma do art. 135, inciso III, do CTN. Sobressai dentre essas condutas a utilização de contas e registros contábeis fictícios destinados apenas a encobrir as reais operações ocorridas na pessoa jurídica e a omissão na escrituração de operações que deveriam ser levadas ao conhecimento do Fisco. Tais práticas, nitidamente contrárias aos deveres a que estão sujeitos os administradores no zelo pela pessoa jurídica a eles confiada, conduziu esta mesma pessoa jurídica à condição de infratora da legislação. Neste sentido, entendo que deve ser mantida a responsabilidade dos Recorrentes com base no art. 135, inciso III, do CTN. Foi atribuída aos Recorrentes, ainda, a responsabilidade tributária com base no art. 124, inciso I, do CTN. No que diz respeito a tal ponto, os Recorrentes alegam que a autoridade fiscal imputou apenas à sócia Cleide Pedrosa Cortez, conduta que caracterizaria o interesse comum a que faz menção o dispositivo legal, e, ainda assim, apenas em relação a infração relativa a omissão de receitas provenientes de aluguéis de máquinas. Deveria, portanto, haver a exclusão do sócio Antônio Carlos Settani Cortez, e a limitação da responsabilidade da referida sócia à infração citada. Inexiste, porém, na autuação, a restrição suscitada pelos Recorrentes que busca trazer como única justificativa para a aplicação do art. 124, inciso I, a confusão patrimonial. A restrição foi realizada apenas pelo julgador de primeira instância, na fundamentação de sua decisão. A leitura do Termo de Constatação Fiscal e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária demonstra que as mesmas condutas foram utilizadas pelo autuante para a caracterização da responsabilidade dos Recorrentes com base nos três dispositivos legais invocados. Entendo que é possível reconhecer o interesse comum com a pessoa jurídica autuada daqueles que praticam os atos necessários a que o fato gerador ocorra de modo a não ser alcançado pelo Fisco. Também não tenho dúvidas de que os Recorrentes participaram dos atos relatados, no intuito de deixar à margem da tributação expressivas quantias auferidas pela pessoa jurídica, ainda que, comprovadamente, apenas parte delas tenha sido desviada em favor de um de seus sócios. Entretanto, não me parece que em relação aos administradores, quando atuando, exclusivamente, em infração à lei e contrariamente, portanto, ao interesses da pessoa jurídica (daí, inclusive, a razão da sua responsabilização na forma do art. 135, inciso III, do CTN) possa ser reconhecido o "interesse comum" capaz de motivar a aplicação da solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do CTN. Fl. 10126DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.127 27 Preciosa a lição de Soraya Marina Barcelos em sua dissertação de Mestrado (Os limites da obrigação tributária solidária prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o princípio da preservação da empresa, 2011, 151 f. Dissertação Faculdade de Direito Milton Campos, Nova Lima. Disponível em: <http://www.mcampos.br/u/201503/ sorayamarinabarcelososlimitesdaobrigacaotributariasolidaria.pdf>. Acesso em: 13 dez. 2017), que peço vênia para transcrever: "Há quem defenda que o cometimento de infrações pelo sócios acarretaria no interesse comum destes em relação à empresa. Contudo, tal interpretação não é coerente com a interpretação das prescrições legais. O interesse comum é um fator que decorre da conduta lícita de ser copartícipe da realização do fato gerador tributário; ocorre quando uma determinada situação interfere nos direitos e deveres de uma pessoa, a ponto de que ela possa ter legitimidade para arguíla em juízo por ser parte na relação jurídica em conflito. O interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo,como já foi mencionado em tópico anterior. Já no caso da eventual conduta ilícita do sócioadministrador, não há realização conjunta do fato gerador entre sócio e sociedade, o que ocorre é a prática do ato ilícito gera a responsabilidade tributária. Por exemplo, quando o sócioadministrador comete o ato ilícito de sonegar tributos através da ocultação da receita da sociedade, o fato dele retirar algum proveito econômico – ilícito – com tal atitude, não o torna realizador do fato gerador tributário, e por isto ele não teria interesse jurídico no fato gerador. O Código Tributário separa nitidamente as duas circunstâncias: a solidariedade tributária gerada pelo interesse comum no fato gerador e a responsabilidade de terceiros por atos ou omissões capazes de dificultar a satisfação do crédito tributário. O crédito tributário apenas poderá ser exigido dos sócios e demais administradores se estes tiverem praticado atos com excesso de poderes, infrações à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, III do CTN. Além disso, nos termos do art. 134, III e VII do CTN, poderá haver a responsabilização subsidiária dos administradores no caso de atos ou omissões por estes desencadeados que causaram a impossibilidade de exigência do tributo da pessoa jurídica pelo fisco, dentre as quais se inclui a liquidação de uma sociedade que seja de pessoas, e não de capital. As condutas e circunstâncias elencadas nos artigos 134 e 135 do CTN não possuem nenhum liame com a solidariedade baseada no interesse comum, sendo que a previsão legal não pode ser estendida para abarcar situações que não se referiam ao interesse coincidente das partes em relação ao fato gerador. Fl. 10127DF CARF MF Processo nº 13896.000622/201022 Acórdão n.º 1302002.565 S1C3T2 Fl. 10.128 28 Desta forma, quando os sócios praticam ato ilícito causador de responsabilidade tributária, ou se os administradores praticam condutas que impossibilitem o recebimento do tributo pelo Fisco, embora estas pessoas tornemse obrigadas ao pagamento do tributo, a motivação de sua responsabilidade não será a solidariedade descrita no art. 124, I, e sim aquela a que se refere o art. 134 e ao art. 135 do CTN." Dessa forma, entendo que deve ser afastada a responsabilidade dos Recorrentes atribuída com base no art. 124, inciso I, do CTN. 3. CONCLUSÃO Isto posto, voto por NÃO CONHECER dos Recursos Voluntários e de outras manifestações posteriores dos Recorrentes e do sujeito passivo principal, em relação: a) ao arrolamento de bens, por ser matéria estranha à competência do CARF; b) às matérias contidas na Ação Ordinária ajuizada pelos Recorrentes, em conjunto com o sujeito passivo principal (processo nº 000469879.2014.403.6130), conforme explicitadas no item 1.3; c) às matérias não constantes das Impugnações apresentadas, como detalhadas nos itens 1.4, 1.5 e 1.6. Em relação à única matéria restante para apreciação por parte desta Turma, qual seja à atribuição de responsabilidade solidária aos Recorrentes, com base nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, DAR PROVIMENTO PARCIAL aos Recursos Voluntários, apenas para afastar a responsabilização com base no primeiro dispositivo legal (ficando mantida a responsabilidade tributária com base no art. 134 e 135, inciso III). (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 10128DF CARF MF
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