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Numero do processo: 10314.728364/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (suplente), Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (suplente), Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento de auditoria fiscal. Ao término dos trabalhos, a fiscalização constatou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 28 36 4/ 20 14 -8 1 Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.116 2 algumas irregularidades referentes ao anocalendário de 2011, narradas no Termo de Verificação FiscalCOFINS e no Termo de Verificação FiscalPIS (fls. 728/740 e 758/770). Transcrevo trechos destes Termos: Vale destacar, de plano como fonte de embasamento do presente auto de infração o Demonstrativo de Receita 2011 apresentado pelo contribuinte, onde atestase que os valores das contas contábeis: 61122110001(Contratos Concessão Transmissão), 6112110002 (Parcela Ajuste Concessão Transmissão), 6112210001 (Contratos Serviço Transmissão) e 6112210002 (Parcela de Ajuste Serviço Transmissão) não foram considerados pelo contribuinte como receita incidente da NãoCumulatividade para a COFINS e o PIS. (....) Analisando os valores contabilizados, em face dos contratos apresentados. O Fisco constatou que a composição das receitas registradas pelo contribuinte no anocalendário 2011 decorrem em grande parte da prestação de serviço de energia elétrica, os quais foram contratados antes de 31/10/2003. E tanto a Nota COSIT SRF/COSIT n°01, de 16/02/2007 bem como o Parecer PGFN/CAT n°1610/2007, estabelecem que as receitas oriundas de Contratos de Concessão de Serviço Público de Transmissão não se subsumem ao inciso XI do art.10° da Lei n°10.833/2003, devendo ser tributada segundo o regime nãocumulativo das Contribuições. (....) A legislação estabelece que será realizado lançamento de ofício quando constatada a insuficiência de declaração da COFINS devida, conforme foi apurado no Demonstrativo da COFINS NaoCumulativa referente a linha 29, da Picha 25 B(em anexo), em confronto com o valor confessado em DCTF (código de receita 5856).Vale destacar que os dados para o preenchimento da Linha 01, da Ficha 17 B (Apuração da COFINS) foram acrescidos dos valores do Demonstrativo de Receita de 2011(em anexo) apresentados pelo contribuinte.Onde ficam provadas as irregularidades quanto a exclusões indevidas no faturamento mensal de receitas, as quais foram consideradas equivocadamente pelo contribuinte como receita sujeita à incidência cumulativa, apesar de serem oriundas das seguintes contas contábeis: (6112110001Contratos Concessão Transmissão), (6112110002 Parcela de Ajuste Concessão Transmissão), (6112210001Contratos Serviço Transmissão) e (6112210002 Parcela de Ajuste Serviço Transmissão) totalizando um total de exclusão de receita no faturamento durante o anocalendário de 2011, no valor de R$2.067.822.705,76 dos seguintes períodos de apuração: l)janeiro de 2011R$172.998.664,64; 2)fevereiro de 2011R$170.840.064,69; 3)março de 2011R$165.679.528,33; 5)maio de 2011RS164.970.908, 14 ; Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.117 3 6)junho de 2011 R$ 167.325.108,28; 7)julho de 2011R$183.481.725,46; 8)agosto de 2011R$156.630.241,54; 9)setembro de 2011R$182.870.957,66; 10)outubro de 2011R$ 181.198.992,95; 11)novembro de 2011R$ 177.013.167,78; e 12)dezembro de 2011RS178.314.436,11. III DA BASE DE CALCULO Demonstrativo(DACON X DCTF) COFINS NÃOCUMULATIVA PA (Ficha 25 B,linha29) DCTF Diferença jan/11 16.617.344,75 3.469.446,24 R$ 13.147.898,51 fev/11 16.101.000,02 3.117.155,11 R$ 12.983.844,91 mar/11 15.377.303,36 2.785.659,21 R$ 12.591.644,15 abr/11 15.436.536,83 2.782.619,66 R$ 12.653.917,17 mai/11 15.225.363,67 2.687.574,66 R$ 12.537.789,01 jun/11 15.593.399,42 2.876.691,19 R$ 12.716.708,23 jul/11 17.190.400,80 3.245.789,67 R$ 13.944.611,13 ago/11 13.035.156,28 1.131.257,93 R$ 11.903.898,35 set/11 16.981.910,12 3.083.717,34 R$ 13.898.192,78 out/11 16.728.230,58 2.957.107,12 R$ 13.771.123,46 nov/11 16.108.760,71 2.655.759,96 R$ 13.453.000,75 dez/11 16.275.888,98 2.723.991,83 R$ 13.551.897,15 III DA BASE DE CÁLCULO Demonstrativo(DACON X DCTF) PIS NÃOCUMULATIVA Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.118 4 Em face das irregularidades apuradas foram lavrados os seguintes autos de infração cientificados ao contribuinte em 24/11/2014 (fl. 789): a) Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fl. 741): Valor do crédito tributário de R$ 321.868.254,98, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 11/2014, fundamento legal citado nas fls. 742 e 745 ;e b) Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP (fl. 771): Valor do crédito tributário de R$ 69.879.292,20, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 11/2014, fundamento legal citado na fl. 772 e 775. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 798/867 em 22/12/2014, na qual alega em síntese: a) é empresa concessionária de serviços públicos e tem como atividade principal a transmissão de energia elétrica, regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL; b) conforme os artigos 10, XI e 15, V da lei nº 10.833/03, o legislador excluiu do regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, dentre outras hipóteses, as receitas relativas a contratos que, cumulativamente: (i) tenham sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (ii) com prazo superior a 1 (um) ano; (iii) envolvam fornecimento de bens ou serviços; e, (iv) a preço predeterminado; c) firmou contratos de serviços de transmissão de energia elétrica e prestação de serviços correlatos a sua atividade principal, imprescindíveis, portanto, à consecução de seu objeto social, todos anteriormente a 31 de outubro de 2003 e com prazo superior a 1 ano, em que se obrigou a transmitir energia elétrica mediante a concessão de serviço público; Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.119 5 d) os contratos de transmissão de energia elétrica firmados entre o Impugnante e os contratantes e que foram objeto de análise no presente Auto de Infração foram os seguintes: (i) Contrato de concessão do serviço público de transmissão/prorrogação de energia elétrica nº 59/2001; e (ii) Contrato de concessão de serviço público de transmissão de energia elétrica n° 143/01; e) os dois negócios jurídicos foram celebrados antes de 31/12/2003, com prazo de vigência superior a um ano, a preço predeterminado, assim deveriam se submeter ao regime cumulativo; f) o auto de infração questiona exclusivamente o cumprimento do quarto requisito estabelecido pelo artigo 10, XI da Lei n° 10.833/03, qual seja, a predeterminação dos preços estipulados nos contratos; g) a Fiscalização sustenta que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM e a mera existência de cláusula de variação tributária resultariam em ajustes que descaracterizariam o “preço predeterminado”; h) muito embora o "preço predeterminado" seja um dos requisitos para que o contribuinte tribute suas receitas (ou parte delas) de acordo com a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS, a Lei n° 10.833/2003 não estabeleceu um conceito de tal expressão. O legislador apenas utilizou a expressão "preço predeterminado" para delimitar as receitas que estariam sujeitas, ainda, à tributação do PIS e da COFINS pela sistemática cumulativa; i) partindo do pressuposto que a Lei nº 10.833/2003 não definiu um conceito de preço predeterminado, a adequada definição deve ser obtida por meio de interpretação sistemática do ordenamento jurídico vigente, a partir do exame dos princípios do direito privado, conforme determina o artigo 109 do Código Tributário Nacional e não pode ser meramente imposta por normas infralegais da Procuradoria da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil. De acordo com o artigo 100 do Código Tributário Nacional, essas normas são denominadas "complementares" e, como o próprio nome diz, têm por finalidade apenas complementar a lei, regulamentar mandamentos já existentes no ordenamento jurídico, não podendo inovar, modificar ou alterar a ordem jurídica vigente, criando ou extinguindo obrigações ou direitos; j) são normas infralegais, que têm por função permitir uma perfeita execução da lei, bem como regulamentar o tratamento e a atuação da própria Administração dentre os seus diversos Órgãos e, ainda, o tratamento dela própria (Administração) com os seus administrados; k) a função das normas complementares prevista no artigo 100 do Código Tributário Nacional não poderia ser outra, senão a de apenas permitir a perfeita execução da lei, tendo em vista o princípio da legalidade; l) os atos infralegais, como as Soluções de Consulta, as Notas Técnicas COSIT, os Pareceres da PGFN/CAT e as Instruções Normativas nunca poderiam ultrapassar ou modificar os limites estabelecidos na lei. Este foi exatamente o posicionamento adotado pelo Conselho Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.120 6 Administrativo de Recursos Fiscais no julgamento de processos em tudo semelhantes ao presente, nos quais foram lavrados autos de infração contra a Impugnante para exigir PIS e COFINS não cumulativos sobre as receitas decorrentes dos contratos em análise nos autos, mas em relação a períodos anteriores; m) nem se diga, como fez a Fiscalização, que o artigo 109 da Lei n.° 11.196/05 esgotaria o conceito de preço predeterminado e que, nessas condições, o "preço predeterminado" permaneceria intacto apenas na hipótese de o reajuste praticado não superar o aumento dos custos de produção ou da variação dos índices que reflitam a variação ponderada dos insumos utilizados pelo Impugnante; n) nesse sentido, importante destacar que o disposto no artigo 109 da Lei n° 11.196/05 traz apenas um exemplo das situações que não serão consideradas para fins de descaracterização do preço predeterminado, que é o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O fato estabelecido no artigo 109 da Lei n° 11.196/05 é "preço predeterminado", mas ''preço predeterminado" não se limita ao fato descrito nesse dispositivo legal; o) afinal, como se sabe, um dado conceito (no caso, o de preço predeterminado) não pode ser esgotado pela negativa, uma vez que a negação não é suficiente para caracterizar exaustivamente o elemento a ser definido. Em verdade, a negativa pode até eventualmente contribuir na conformação/limitação do conceito, mas não é suficiente para, por si só, definilo; p) por se tratar de instituto regulado pelo Direito Privado, o conceito de preço predeterminado não pode ser modificado pelo legislador tributário, conforme determina o artigo 110 do Código Tributário Nacional; q) a delimitação do conceito de preço e, especialmente, de preço predeterminado, deve ser extraído de disposições legais originadas do direito privado, de onde se extrai a ideia de preço como elemento fundamental do contrato de compra e venda, ou seja, a quantia que o comprador se obriga a pagar ao vendedor. Dessa forma, para a validade do contrato de compra e venda, somente há duas espécies possíveis de preço, ou bem deve ser ele determinado ou bem deve ser ele determinável. "Preço determinado" é o preço fixo, já conhecido pelas partes desde a celebração do contrato, conforme prevê o artigo 483 do Código Civil. Por sua vez, "preço determinável"', nas palavras de Pontes de Miranda, é aquele de que não se tem conhecimento objetivo do quanto, ou dele não se tem conhecimento subjetivo, mas já se sabe como se há de determinar.. É nessa última classificação que se insere o "preço variável", ou seja, aquele que não tem um valor inicial estipulado, porém, deve se ajustar a um parâmetro qualquer escolhido pelas partes para sua aferição, sendo determinável, passível de determinação objetiva no futuro; r) é por demais óbvio que o "preço predeterminado" não se insere na classificação de "preço determinável". Isso porque é característica do "preço predeterminado ", como o seu próprio nome diz, a fixação inicial do preço do negócio acordado pelas partes. Neste contexto, Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.121 7 eventual cláusula de reajuste não descaracteriza a natureza do preço predeterminado quando tal reajuste tem por objetivo tãosomente preservar o poder aquisitivo do preço nominal inicialmente pactuado e, por decorrência, a equação econômicofínanceira originalmente estabelecida entre as partes; s) os reajustes aplicados sobre preços predeterminados têm por finalidade apenas recompor o valor originalmente fixado, não alterando o seu conteúdo. Ou seja, tem as partes, no contrato sujeito a preço predeterminado, o pleno conhecimento do preço acordado desde o seu início, sendo certo que o preço reajustado nada mais é do que a tradução do preço nominal originalmente pactuado segundo o novo cenário econômico verificado, tratase do preço passado trazido para o presente; t) nesse contexto, é de se destacar que a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil n° 21/79 confirma que o "preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento ". Da leitura dessa norma, verificase que o entendimento da Secretaria da Receita Federal, ainda hoje vigente, é o de que não é requisito essencial à caracterização de preço predeterminado a (in)existência de cláusulas de reajustes, mas sim a necessidade de o preço estar inicialmente fixado no contrato, a necessidade de o preço ser previamente conhecido pelas partes. Se não for essa a melhor e correta interpretação, o artigo 10, inciso XI, alínea "b" da Lei 10.833/03 nada mais seria do que uma norma com efeitos temporários, de curtíssima duração, para não dizer sem eficácia, pois é inconcebível que sejam celebrados contratos de longa duração sem cláusulas de revisão; u) a remuneração de uma empresa transmissora de energia se dá mediante a fixação de Receita Anual Permitida (RAP), estabelecida pela ANEEL. Essa receita cobre os custos de operação e de manutenção que as empresas transmissoras de energia possuem com esses empreendimentos. A Receita Anual Permitida (RAP) é fixada pela ANEEL mediante fórmula própria e estabelecida contratualmente, respeitando os limites fixados em lei, resultando nos contratos objeto de fiscalização e de autuação; v) no caso concreto, essa fórmula é imutável, uma vez que tem por objetivo remunerar a concessionária pela atuação em relação às redes de transmissão de energia elétrica já existentes antes da concessão. Considerando a dificuldade em precificar as instalações absorvidas pelas empresas concessionárias e, ainda, partindo do pressuposto de que a remuneração de tais empresas estaria no ganho de produtividade a ser auferido ao longo do contrato de concessão o preço do serviço prestado foi estabelecido previamente, não sendo passível de revisão; w) em razão de tais fatos, o preço estabelecido nos contratos que foram analisados pela Fiscalização é imutável, sendo alcançado pela aplicação de fórmula própria e previamente estabelecida pela ANEEL. O que existe apenas é o reajuste do valor nominal desse preço (até para que ele se mantenha imutável e não defasado) por meio da aplicação do IGPM e de mera existência de cláusula de variação Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.122 8 tributária, que não alteram a característica do "preço predeterminado" dos contratos firmados pelo Impugnante; x) a Nota Técnica nº 065/2006SRT/ANEEL, de 18/04/2006, confirma a previsão de inalterabilidade da fórmula para definição de preço no caso em concreto, em relação especificamente ao sistema de transmissão de energia preexistente (parcelas RBSE e RPC); y) em outros termos, de acordo com orientação da ANEEL, verificase que está caracterizado "preço predeterminado" quando as partes contratantes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no instante em que celebrado o negócio jurídico, ainda que este preço esteja sujeito a eventuais ajustes futuros. Por outro lado, está caracterizado "preço variável" quando as partes não tem, no momento da celebração do contrato, qualquer conhecimento objetivo do quantum a ser pago que será fixado apenas em instante futuro; z) no caso concreto, as partes contratantes tinham a exata dimensão da fórmula (inalterável) que delimitaria a composição do preço pelo serviço prestado; aa) nesse mesmo sentido, a Nota Técnica n° 041/2008SRT/ANEEL; bb) considerando o conceito de preço predeterminado extraído da legislação vigente verificase que o IGPM é mero índice de correção monetária, que não altera a condição de preço predeterminado dos contratos firmados. O IGPM é o índice de correção que reflete o custo da produção do setor elétrico, a cláusula de correção monetária pelo IGPM tem por objetivo apenas realizar a simples recomposição nominal do preço do valor do serviço prestado, sendo mera cláusula de correção monetária. O IGPM é o índice de atualização monetária aplicável, tendo em vista a sua regulamentação pelo órgão regulador, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL); cc) na verdade, muito ao contrário do que afirma a Fiscalização, é a manutenção da expressão nominal do preço do contrato ao longo de sua vigência sem qualquer reajuste monetário que propiciaria o efeito de mudança do preço real, já que o poder aquisitivo do preço declinaria inexoravelmente com o tempo; dd) o legislador editou a Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, reconhecendo expressamente que a aplicação de cláusulas de reajuste de preços decorrentes do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não alteraria o preço predeterminado dos contratos celebrados. Essa norma foi introduzida com efeitos retroativos; ee) a ANEEL, agência competente para atuar, na forma da lei e do contrato, nos processos de definição e de controle de preços e de tarifas de energia elétrica, confirma que o IGPM objetiva refletir o custo de produção ou dos insumos utilizados no setor elétrico, é o que estabelece a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL, de 19 de junho de 2006, que, dentro da competência exclusiva do Órgão Estatal, analisou especificamente a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados nos termos do artigo 10, inciso XI da Lei n° 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei n° 11.196/2005, e entendeu Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.123 9 que o índice aplicável para o ajuste dos preços seria o IGPM. Nesse mesmo sentido, Ofício n° 1431/2006SFF/ANEEL, de 23 de agosto de 2006; ff) importante mencionar que o IGPM é o índice de reajuste econômico que reflete a variação do custo dos serviços, usado historicamente nos contratos de energia elétrica, vide Decreto n° 774/93; gg) a Lei n° 9.427/96 estabelece que é de competência da ANEEL a regulamentação e controle de preços e tarifas de energia elétrica, sendo de rigor a observação pela Secretaria da Receita Federal da regulamentação baixada pela ANEEL; hh) deveria a Fiscalização ter não só identificado o índice de correção adequado, mas também mensurado a diferença encontrada entre o reajuste havido e o que seria supostamente correto, para só então apurar se de fato o reajuste promovido pela Impugnante teria sido ou não superior ao legalmente permitido. Isso porque, a Lei n° 11.196/05 concebe que o reajuste de preços não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado. Tratase de indevida inversão do dever probatório imposto ao Fisco, na qualidade de órgão acusatório e responsável pala realização do lançamento tributário. Ocorre que o ato administrativo de lançamento, por ser veiculador de obrigação cogente, deve se submeter aos princípios da legalidade e tipicidade tributária o que implica à Autoridade Administrativa o dever de provar o fato jurídico veiculado pelo lançamento; ii) a Fiscalização alega também que a mera existência de cláusula de variação tributária poderia afastar a característica de predeterminação do preço dos contratos firmados pelo Impugnante. Apesar de haver a cláusula contratual citada pela Fiscalização o impugnante não se valeu da mesma em concreto, ou seja, não reajustou suas tarifas com base no hipotético aumento da sua carga tributária. Ainda que cogitasse se valer da aludida cláusula contratual, estaria impedido de assim proceder, isso porque a ANEEL vedou a hipotética majoração de preço aqui ventilada, partindo do pressuposto que o regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS não se aplicaria para o Impugnante, motivo pelo qual não haveria que se falar em impacto tributário para o seu custo, esse é o teor da Nota Técnica n° 041/2008SRT/ANEEL jj) Caso eventualmente mantido o auto de infração, o Impugnante seria duplamente penalizado, uma vez que (i) estaria sujeito a um aumento de carga tributária decorrente da sua submissão (indevida) ao regime não cumulativo para o PIS e para a COFINS e, ainda, (ii) estaria proibido pela ANEEL de repassar esse custo ao seu preço, tendo cm vista o teor da Nota Técnica; kk) ainda que tivesse se valido das meras cláusulas contratuais relativas à variação tributária, ainda sim não haveria alteração quanto à predeterminação do preço praticado. Isso porque as referidas cláusulas apenas se prestam a albergar o que a doutrina brasileira denomina de "teoria da imprevisão", consistindo no reconhecimento Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.124 10 pelas partes, de que evento novo, imprevisto e/ou imprevisível, que reflita na economia ou execução do contrato, pode ser suscetível de revisão para ajustálo às circunstâncias supervenientes; ll) a Fiscalização já lavrou autos de infração contra o Impugnante para, com base na mesma argumentação apresentada na autuação objeto de discussão. Quando do julgamento dos recursos voluntários, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já reconheceu a necessidade de cancelar essas autuações; mm) a Fiscalização deixou de considerar os valores já efetivamente pagos na sistemática cumulativa e também na sistemática não cumulativa das contribuições, assim o auto de infração violou o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, a Fiscalização deixou de considerar os créditos do PIS e da COFINS de acordo com a sistemática não cumulativa; nn) o auto de infração seria nulo, pois a fiscalização não efetuou a devida quantificação do valor objeto de autuação. O lançamento tributário deve se submeter ao princípio da legalidade, a Autoridade Administrativa tem o dever de provar o fato jurídico que resultou na exigência tributária, mediante exata determinação da matéria tributável, com apresentação dos cálculos acerca do montante exigido pela autuação; oo) em procedimentos fiscais anteriores, sobre a mesma matéria, a fiscalização apurou os créditos não cumulativos, bem como considerou os montantes pagos de PIS/COFINS; pp) o artigo 100 do Código Tributário Nacional é enfático ao determinar que, se um contribuinte pautou o seu comportamento em qualquer das espécies de normas complementares da legislação tributária nele elencadas, expedidas por autoridades administrativas, não se pode cogitar a cobrança do suposto tributo inadimplido acompanhado de penalidades (juros de mora e multa de ofício); qq) no caso concreto, o artigo 109 da Lei n° 11.196/05, a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL e a Instrução Normativa n° 658/2006, em seu artigo 3o, determinam que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM aos contratos firmados nos termos do artigo 10, XI da Lei n° 10.333/03 não descaracteriza o preço predeterminado. Desse modo, a orientação de que a aplicação da cláusula de reajuste (IGPM) não descaracterizaria o preço predeterminado tinha como origem não apenas o Poder Legislativo (artigo 109 da Lei n° 11.196/05), mas também as Autoridades Administrativas; rr) deve ser afastada a incidência da SELIC sobre a multa, isso porque a conduta representa flagrante descumprimento das determinações do artigo 61 da Lei 9.430/96, sendo manifestamente ilegal. Somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. A multa não se presta para repor o capital alheio, mas sim para punir o não cumprimento da obrigação. Os juros sim possuem natureza essencialmente indenizatória, tanto que, diferentemente da multa, incidem no tempo, exatamente para refletir o prejuízo do credor com a privação do seu capital. Logo, não há como se admitir a incidência de Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.125 11 juros sobre a multa, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal; ss) o contribuinte citou diversos excertos doutrinários, além de julgamentos administrativos e judiciais para amparar a sua impugnação. Os autos foram baixados em diligência, por intermédio do Despacho de fls. 1.743/1.744 para que a fiscalização se manifestasse sobre as seguintes questões: a a fiscalização deverá apurar quais são os créditos não cumulativos de PIS e de COFINS (relacionados às receitas que serviram de base ao lançamento de ofício), passíveis de dedução do tributo devido, em cada um dos períodos de apuração. Este montante não deverá incluir os créditos informados em DACON, já considerados pela fiscalização; b caso a receita objeto do lançamento de ofício já tenha sido alvo de recolhimento na sistemática cumulativa, a fiscalização deverá informar os montantes recolhidos (em cada um dos períodos, PIS e COFINS); c se porventura houver recolhimentos de PIS e de COFINS não cumulativos que não estejam alocados à DCTF, caberá à fiscalização informar os montantes em cada um dos períodos; Ao término dos trabalhos de diligência fiscal, a fiscalização elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.841/1.844, na qual relatou quais seriam os créditos não cumulativos de PIS/COFINS passíveis de dedução, bem como os montantes recolhidos a título de PIS/COFINS cumulativo. Em face deste relatório, o contribuinte manifestouse nas fls. 1.846/1.855, nos seguintes termos: Deve ser declarado nulo o auto de infração, nos termos do artigo 142 do CTN, em face do erro na quantificação do valor tributável, fato evidenciado após a realização da diligência; Em seguida passa a questionar o lançamento de ofício com argumentos utilizados na impugnação. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 REGIME NÃO CUMULATIVO. REQUISITOS. As receitas oriundas de contratos firmados antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado são tributadas no regime cumulativo. O reajuste do preço previsto no contrato pelo IGPM descaracteriza o preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. RECOLHIMENTOS EM OUTRO REGIME. APROVEITAMENTO. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.126 12 A tributação de ofício de receitas no regime não cumulativo deve levar em consideração recolhimentos efetuados anteriormente pelo contribuinte no regime cumulativo. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A fiscalização ao tributar no regime não cumulativo receitas que foram erroneamente tributadas no regime cumulativo, deve apurar de ofício os créditos não cumulativos a que faz jus a pessoa jurídica. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 REGIME NÃO CUMULATIVO. REQUISITOS. As receitas oriundas de contratos firmados antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado são tributadas no regime cumulativo. O reajuste do preço previsto no contrato pelo IGPM descaracteriza o preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. RECOLHIMENTOS EM OUTRO REGIME. APROVEITAMENTO. A tributação de ofício de receitas no regime não cumulativo deve levar em consideração recolhimentos efetuados anteriormente pelo contribuinte no regime cumulativo. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A fiscalização ao tributar no regime não cumulativo receitas que foram erroneamente tributadas no regime cumulativo, deve apurar de ofício os créditos não cumulativos a que faz jus a pessoa jurídica. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Houve a interposição de recurso de ofício, tendo em vista que a exoneração do crédito tributário foi em valor superior ao previsto no art. 1º da Portaria MF 03/08. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Empresa, em seu Recurso Voluntário, repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Impugnação quanto a aplicação do IGPM, afirmando em suma que a mera existência de cláusula de variação tributária nos seus contratos não alterariam a condição de preço predeterminado. É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo. O processo trata, em suma, de auto de infração lavrado contra empresa do ramo de energia elétrica decorrente do fato dela utilizarse de índice (IGPM) para a correção dos seus contratos nº59/2001 e nº143/2001 de prestação de serviços de transmissão de energia. Sendo constatada tal situação, a Autoridade Tributária concluiu que estaria descaracterizado o preço predeterminado, devendo a empresa ser tributada pelo regime não cumulativo, ao invés Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.127 13 do cumulativo, como vinha procedendo. Assim, restou diferenças a pagar das contribuições de PIS e COFINS com os juros e as respectivas penalidades. Quanto ao Recurso Voluntário, a lide do presente processo concentrase sobre qual regime de apuração do PIS e da COFINS que devem estar sujeitas as receitas da companhia de energia elétrica decorrentes de contratos onde é prevista a utilização de índice de correção (IGPM). Segundo entendeu a fiscalização, a previsão de correção pelo IGPM é determinante para a descaracterização da predeterminação do preço, com repercussão na mudança do regime de apuração das contribuições PIS e COFINS do regime cumulativo para o não cumulativo. A Recorrente, por sua vez, afirma que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM aos contratos firmados nos termos do artigo 10, XI da Lei n° 10.333/03 não descaracterizaria o preço predeterminado. Devese analisar, portanto, os requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições, bem como a correta definição de preço predeterminado. O tema, ora analisado, há muito tempo vem sendo debatido nas turmas desta instância administrativa com várias posições discordantes, inclusive na Câmara Superior. Antes de adentrar na questão crucial da lide no caso concreto, para sua perfeita compreensão é necessário apresentar a cronologia das normas que regularam a matéria desde a criação do regime de apuração não cumulativo para o PIS e a COFINS, até os tempos atuais. Para tanto, com a devida vênia, utilizome de parte do voto proferido no acórdão nº 3302000.467 pelo Conselheiro Paulo Guilherme que, em análise sobre a mesma questão da própria Recorrente, fez uma exposição detalhada dos dispositivos legais que regeram a matéria ao longo dos anos e buscou uma definição adequada de preço predeterminado, in verbis: As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.128 14 decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.129 15 Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.130 16 produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou debates por parte dos 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.131 17 contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.132 18 EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.133 19 em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.134 20 III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria tê lo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.135 21 Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.136 22 como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Após buscar na legislação anteriormente reproduzida e jurisprudência as condições essenciais para a definição de preço predeterminado, passo a analisar os contratos que foram motivadores da autuação no caso concreto. Segundo consta nos autos, a Autoridade Tributária constatou que a empresa possuía receita de prestação de serviços de transmissão de energia elétrica contabilizadas nas contas contábeis 61122110001 (Contratos Concessão Transmissão), 6112110002 (Parcela Ajuste Concessão Transmissão), 6112210001 (Contratos Serviço de Transmissão) e 6112210002 (Parcela de Ajuste Serviço Transmissão), que não foram consideradas como receita incidente da Não Cumulatividade para o PIS e a COFINS. Tais receitas foram Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.137 23 decorrentes dos contratos de Concessão de Serviço Público de Transmissão de números 59/2001 e 143/2001 celebrados entre a empresa e a União.Federal. O objeto dos contratos é a Concessão de Serviço Público de Transmissão outorgada à Transmissora pelo prazo de 30 (trinta) anos contado a partir da assinatura do contrato e que consiste na implantação, operação e manutenção das Instalações de Transmissão Em ambos os contratos citados consta na cláusula sexta, que trata da Receita do Serviço de Transmissão de Reajustes, previsão de reajuste utilizandose o IGPM (Índice Gera de Preços de Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. Na mesma cláusula sexta dos referido contratos também consta subcláusula de previsão de revisão de receitas da empresa pelos seguinte motivos: a) de alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, exceto Imposto Sobre a Renda; b) pela execução de reforços e ampliações nas instalações de transmissão, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados pela ANEEL; e c) visando contribuir para a modicidade tarifária do serviço público de transmissão, sempre que houver receita auferida com outras atividades. Informa a Recorrente em sua defesa que, apesar de haver cláusula de previsão de revisão nos contratos, essa nunca foi aplicada no caso concreto, ou seja, não reajustou as suas tarifas com base na referida cláusula. Assim, tendo em vista que a Recorrente informa em sua defesa que jamais a cláusula de revisão foi aplicada e a Fiscalização fundamentou a sua autuação baseada apenas na cláusula de reajuste, entendo que a discussão do caso concreto em questão deve se limitar a análise do reajuste e não na revisão contratual. É incontroverso nos autos que houve a aplicação da cláusula de reajuste e quanto a cláusula de revisão, a sua previsão, por si só, não retira o caráter de preço predeterminado do contrato, exigindo a implementação da primeira alteração de preço para a descaracterização, após 31 de outubro de 2003, fato que não consta nos autos, conforme prevê o §3º do art. 3º, da IN 658/2006, in verbis: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º5, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 5 A data é 31/10/2003. Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.138 24 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Retornando a questão da cláusula de reajuste, após analisar a legislação vigente que regula a matéria, entendo é preciso apurar se o índice de reajuste escolhido (IGPM) ultrapassa ou não o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Compulsando os autos, percebi a existência de um laudo técnico elaborado por empresa de auditoria que demonstra a variação de custos da energia vendida da empresa em comparação com a variação do índice do IGPM. Assim, em decorrência da análise da legislação citada, dos contratos e do laudo anteriormente citado, bem como em consonância com a definição de preço predeterminado exposto na presente Resolução, entendo ser necessário que a Autoridade Tributária verifique se a utilização do IGPM nos contratos teve variação superior, igual ou inferior a dos custos da energia vendida. Para tanto, o laudo técnico constante nos autos deverá ser utilizado como base para a verificação solicitada, nos termos adiante indicados. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Autoridade Tributária realize os seguintes procedimentos: 1. informar se a metodologia adotada pela empresa de Auditoria responsável pelo Laudo é adequada para refletir a variação de custos da empresa; 2. informar se existem pontos de discordância quanto a elaboração do referido laudo, devendo explicar, por ventura existentes, os pontos de divergência, bem como apresentar os cálculos que julgue corretos; 3. facultar a Recorrente se posicionar sobre os pontos de divergência, caso existam, permitindo que a empresa proceda as devidas correções no laudo, caso deseje e concorde com as conclusões da Auditoria; 4. informar, demonstrando em tabela comparativa, se a variação do índice de reajuste (IGPM) utilizado pela empresa em seus contratos de prestação de serviço de transmissão foi superior, igual ou inferior a variação dos custos da prestação de serviço, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência que foi objeto de autuação. 5. efetuar quaisquer outras verificações que julgar necessárias para esclarecer as questões postas. Após conclusão, elaborar relatório fiscal facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Em seguida, os autos deverão retornar a este Colegiado para que seja aberto o prazo de 30 (trinta) dias à Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN) para se manifestar quanto ao laudo juntado pela Recorrente e as conclusões da diligência fiscal, caso tenha interesse. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10314.728364/201481 Resolução nº 3402001.187 S3C4T2 Fl. 2.139 25 Por fim, o processo deverá ser restituído aos meus cuidados para sua inclusão em pauta de julgamento. É como voto. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2139DF CARF MF
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Numero do processo: 10209.000650/2003-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000
NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000
As violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, impede a fruição do benefício de isenção de tributos na importação de mercadoria para reposição de estoques, fixado em Ato Concessório.
Adimplemento das obrigações não comprovado.
MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA.
É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.446
Decisão: Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 As violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, impede a fruição do benefício de isenção de tributos na importação de mercadoria para reposição de estoques, fixado em Ato Concessório. Adimplemento das obrigações não comprovado. MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA. É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.000650/200323 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.446 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO_II_DRAWBACK ISENÇÃO Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 As violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, impede a fruição do benefício de isenção de tributos na importação de mercadoria para reposição de estoques, fixado em Ato Concessório. Adimplemento das obrigações não comprovado. MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA. É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 06 50 /2 00 3- 23 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de lançamentos inerentes ao Imposto de Importação –II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescidos dos juros de mora previstos no art. 61, § 3°, da Lei 9.430, de 27/12/1996, e da multa de ofício tipificada no inciso I do art. 44 do mesmo dispositivo legal. Segundo o termo de fiscalização, as importações foram realizadas pela recorrente, referentes aos produtos hidróxido de sódio, tecido filtrante e polímero de poliacrilamida, procedidas através das Declarações de Importação – DI nos 97/10042815 e 98/01635908, não terem adotado as exigências legais inerentes ao Drawback Isenção, objeto do Ato Concessório n° 000198/ 0001275, de 15/09/1998. De acordo com a fundamentação para a formalização da exigência contra a autuada, as DIs citadas seriam “declarações com isenção de tributos... portanto, não servindo para a obtenção do ato concessório”. Ademais, o contribuinte não teria direito ao Drawback Isenção em relação ao produto “hidróxido de sódio em solução aquosa (soda cáustica)”, uma vez que as importações não teriam sido acompanhadas do pagamento prévio e integral dos tributos, para depois importar os mesmos produtos com isenção. Teria havido, concomitantemente, irregularidades nas exportações e nas vendas no mercado interno, uma vez que as notas fiscais inerentes a tais operações trariam no campo relativo à descrição dos produtos a referência de que o insumo (p. ex. soda cáustica) utilizado na industrialização do produto final (p. ex. alumina calcinada) havia sido importado sob o regime de drawback, com referência, no mesmo documento, a dados relativos à quantidade consumida na produção, ao Ato Concessório e à Declaração de Importação. Segundo a autoridade lançadora (sic) “esse tipo de operação realizada Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 4 3 através das notas fiscais apresentadas não poderiam servir para a obtenção do AC de isenção, uma vez que o produto utilizado na industrialização da alumina calcinada foi importado sob o regime de suspensão de tributos (Drawback) o que não está de acordo com a legislação (anexo XI item 4.1 “a” e “b” da CND)”. E continua asseverando que “tal produto deveria ser importado com pagamento integral de tributos para que o beneficiário do regime solicitasse posteriormente o Ato Concessório de isenção”. Relata, ainda, que ditas notas fiscais estariam acompanhadas de um ou mais “avisos de irregularidade em documento fiscal”, através dos quais a empresa teria feito correções no campo “descrição”. Considerando a nota fiscal reportada exemplificativamente pela Fiscalização (fls. 427/428 – volume II), vêse, por exemplo, a seguinte correção (sic): “CONSTOU: “Soda cáustica importada sob DRAWBACK, Qnt consumida na produção...” CORREÇÃO: Soda cáustica importa sob regime de DRAWBACK modalidade ISENÇÃO, A/C n° 001.97/0001116 de 27/08/1997” Em relação aos Registros de Exportação das empresas Albrás e Aluvale (fls. 136/235), não estariam consignadas nos campos 24 e 25 as informações exigidas pela legislação vigente, tais como: CNPJ do fabricante intermediário, NCM do produto intermediário utilizado no produto final, dentre outros, irregularidades as quais seriam “impeditivas para aceitação das exportações como comprovação e, por conseguinte, à habilitação ao regime de Drawback Isenção”, por estarem dissonantes com o item 12.3 do Título 12, bem como dos itens 4.5 e 4.6 do Anexo XI, todos da Consolidação das Normas de Drawback –CND (Comunicado DECEX n° 21, de 11/06/1997). Tais irregularidades levaram à exigência do Imposto de Importação – II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI incidentes sobre as importações de que tratam as 37 (trinta e sete) Declarações de Importação (DI) discriminadas às fls. 07/09, inerentes à aquisição dos produtos hidróxido de sódio (21 DI), tecido filtrante (6 DI) e polímero de poliacrilamida (10 DI), resultando na constituição dos créditos tributários já devidamente discriminados no item 1 supra. Da impugnação Cientificada dos lançamentos em 30/10/2003 (fls. 05 e 29) a recorrente insurgiuse contra a exigência, apresentando, em 01/12/2003, a impugnação de fls. 700/725 – volume III (com cópia também juntada às fls. 746/778 – volumes III e IV), onde alega basicamente o seguinte: que o drawback teria sido concedido pelo DECEX, e que “muito embora, não tenha havido pagamento de tributo antecedente que vinculasse a importação na modalidade de drawback isenção, o material importado foi todo utilizado no produto lingote de alumínio que foi exportado para o exterior”, fato este não rechaçado pela Fiscalização, o que demonstraria o cumprimento da finalidade dessa modalidade de incentivo à exportação; Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 5 4 que a autuante estaria se prendendo a “questões periféricas do drawback” no intuito de desqualificálo para, então, cobrar os tributos, “fugindo a finalidade pública do instituto que o incentivo a exportação” (sic), afirmativa esta reforçada pelo fato de ter sido a “própria SECEX quem aceitou que a importação sob o manto de DRAWBACK Isenção não tivesse o anteparo de uma importação com pagamento de tributos”; que a importação com pagamento de tributos para posterior requerimento de novo ato concessório de drawback não faria sentido para a empresa, uma vez que a mesma industrializaria apenas um produto destinado exclusivamente à exportação, fato o qual impediria a recuperação dos tributos recolhidos na operação inicial; além disso, para a glosa da isenção “a fiscalização teria que fazer um levantamento desde o início das importações realizadas pela empresa para identificar qual foi a primeira importação que foi realizada com pagamento de tributos, já que a partir daí todas as demais importações na modalidade isenção serão sempre efetuadas sem o pagamento de tributo”; teria sido com base nisso que a SECEX concedeu o benefício, e “a empresa confiando no posicionamento do órgão competente para tanto, continuou operando normalmente o drawback”; com base em jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, assevera que competiria à SECEX “reconhecer a regularidade do Drawback Isenção”, e, em assim o sendo, “jamais poderia a fiscalização da Receita Federal, desqualificar a homologação do Drawback Isenção, salvo os casos específicos e legais previstos no regulamento aduaneiro”, casos os quais não teriam ocorrido; assim, “somente competiria a Receita Federal efetuar a autuação caso houvesse quebra do compromisso de exportar por parte da empresa” (sic), fato este que não teria sido constatado; que estaria havendo “uma tentativa, bastante tímida da fiscalização, de comprovar a quebra do dever de exportar, com a alegação de que a empresa utilizou algumas notas fiscais emitidas pela exportadora Albras e que estas notas não poderiam ser utilizadas já que as mesmas advinham da produção de produtos produzidos com insumos que foram importados com suspensão do tributo” (sic); que o Fisco não poderia glosar “as notas fiscais de exportações efetuadas pela Albrás pelo fato de terem os produtos constantes delas sido produzidos com matéria prima que foi importada com suspensão de impostos”, uma vez que “essas notas fiscais, muito embora contenham produtos que tiveram a sua produção composta com alguns componentes importados sob o manto de Drawback suspensão, as mesmas não foram utilizadas em nenhum outro processo de Ato Concessório de drawback, nem mesmo de suspensão” (sic); que, pelo fato do processo industrial adotado pela empresa ser altamente dinâmico, não admitindo interrupções sob pena de Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 6 5 causar graves prejuízos financeiros, e em vista da impossibilidade de separação do estoque físico, teriam sido utilizados produtos “importados sob o manto de drawback suspensão, para comprovar um AC de Drawback Isenção”; todavia, as notas fiscais referentes aos produtos cuja industrialização fora realizada com alguns insumos importados sob o regime do drawback suspensão, não teriam sido utilizadas “em nenhum outro processo de Ato Concessório de drawback, nem mesmo de suspensão”; assevera ainda que “tais notas fiscais não serão mais utilizadas para confirmar o AC Drawback Suspensão, podendo este ser compensado com o Drawback isenção não utilizado em seu AC próprio”; com respeito a esse procedimento, ressalta, ainda, que “a alteração não acarreta prejuízos ao fisco, já que todos os produtos acabam sendo exportados no prazo a DECEX os aceita sem maiores problemas, mesmo porque o que interessa para o Governo Federal e para a própria DECEX é que as exportações sejam devidamente efetuadas e se agregue a elas valor” (sic); que a fiscalização, ao limitarse a apontar “pequenos erros nas informações prestadas ou contidas nas notas fiscais de exportação”, estaria “privilegiando o acessório (ou seja, as informações acessórias) em detrimento da informação e da comprovação principal que é a importação”; mais adiante complementa seu raciocínio esclarecendo que entende como “acessória” “a falta de informações que na alegação do Fisco fulminam a concessão do regime de Drawback”, enquanto que a obrigação principal seria a “comprovação de exportação de insumos importados sob o benefício da isenção”, o que restaria sobejamente comprovado, até porque a Fiscalização, em nenhum momento, teria afirmado que “as exportações dos produtos importados sob o regime especial de isenção não foram efetivadas”; admite, porém, que “houve alguns erros nas informações prestadas pela empresa”, os quais, todavia, jamais poderiam sacrificar o incentivo fiscal em evidência sob pena de “fazer com que o formalismo supere o substrato do instituto que é o incentivo às exportações”; assevera que ao Fisco restaria examinar se o contribuinte cumpriu ou não com suas obrigações de exportar, única condição sem a qual o regime poderia ser “cassado”; assim, não poderia a Fiscalização não aceitar concessão já viabilizada em 1997, posto que o ato de “verificar ou conceder o Drawback” não seria de sua competência, mas “da autoridade de comércio exterior” e somente por ela poderia ser dito incentivo “cassado”; ademais, amparado em jurisprudência do TRF – 4ª Região, ressalta que não teria cabimento “qualquer exigência posterior à concessão do regime”, devendo, pois, eventuais exigências extemporâneas “ser rechaçada(s) pela autoridade administrativa”; que, de acordo com as normas contidas no Comunicado DECEX n° 21/97, alteradas pelo Comunicado DECEX n° 30, de 13.10.97, assim como conforme fundamentação legal discriminada no lançamento, não haveria obrigatoriedade de Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 7 6 vinculação do drawback isenção a importação anterior acompanhada do prévio pagamento dos tributos incidentes sobre a mesma; ressalta ainda que as normas contidas no Comunicado DECEX em comento são de natureza meramente “instrumental e formal”, uma vez que “servem única e exclusivamente para efeito de comprovação do compromisso firmado no regime”, e que “a sua inobservância não retira o direito do contribuinte em usufruir do benefício já concedido”, posto que dito comunicado, “por ser norma inferior ao Regulamento Aduaneiro, não poderá criar situações que no regulamento não estejam dispostas ...”; que “a única regra material para a obtenção do regime de isenção na importação” seria “a que prevê importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado, conforme determina o Art. 314, II do RA”; que a fundamentação legal discriminada pela autoridade lançadora seria incapaz de enquadrar o fato sub examine na “hipótese de incidência” e no “fato gerador da obrigação tributária”; assevera ainda que o auto de infração seria nulo por haver infringido o art. 142 do CTN, posto que a tipificação legal seria inadequada aos fatos narrados pela fiscalização; nesse intuito, ressalta que o lançamento fora baseado na falta de pagamento de imposto, tendo o Fisco considerado, adicionalmente, “que a empresa inadimpliu o seu dever de exportar as mercadorias importadas vinculadas ao AC 0001 98/0001275, mesmo tendo a empresa exportado todas mercadorias importadas”, inadimplência esta que teria sido resultado do “descumprimento de obrigação acessória, narrado como tal nas descrições dos fatos, mas que vem a se transformar misteriosamente em falta de pagamento de II”; em vista da alegada nulidade, destaca que o lançamento deveria ser revisto de ofício, nos termos do art. 149, IX, do CTN; que “a decisão da autoridade fiscal em autuar a empresa baseada nas suas averiguações não passa de mera presunção e atenta contra o princípio da verdade material e da realidade”, posto que “a autuação desafia a própria realidade ao afirmar que o contribuinte inadimpliu o dever de exportar as mercadorias exportadas, já que todas as mercadorias importadas sob o amparo do AC 000198/0001275 foram incorporadas aos produtos exportados pela Albrás ou pela Trading Aluvale”; dessa forma, “para valer a informação, a autoridade fiscal teria que efetuar um levantamento quantitativo” a fim de “verificar se as matérias primas importadas foram incorporadas aos produtos exportados (atividade que abrange 99,99 % das operadas pela empresa exportadora) ou se foram revendidas internamente ou incorporaram produtos revendidos internamente”; ressalta ainda que a Fiscalização, por não ter realizado o levantamento quantitativo de utilização dos insumos, jamais “poderia concluir pela inadimplência do dever de exportar”, já que a impugnante “comprovou perante a DECEX o cumprimento do dever de Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 8 7 exportar, muito embora, tenha falhado na organização documental dessa exportação”; e conclui afirmando que “a inadimplência do dever de exportar se dá somente nas hipóteses contidas no Regulamento Aduaneiro no seu artigo 319, as quais como visto não estão provadas pela fiscalização nem de soslaio”; que o termo de encerramento de drawback “atesta cabalmente que o dever de exportar foi cumprido na sua íntegra” (fls. 714); reclama a aplicação do princípio da equivalência, uma vez que, por não ter havido prejuízo para a fazenda pública, e pelo fato de ter sido alcançada a finalidade do instituto do drawback, não haveria como se desqualificar o regime pela ausência do cumprimento de algumas obrigações “sequer reconhecidas pela SECEX”; nesse intuito, e com base em jurisprudência do TRF – 4ª Região, assevera que “se há possibilidade de se ignorar o princípio da identidade de mercadorias, quando comprovado que não houve prejuízo ao fisco e que toda a mercadoria importada foi exportada, nada mais justo que aceitar a equivalência dos atos praticados pelo contribuinte como certos para comprovação do adimplemento do drawback, afastandose assim a autuação” (fls. 715/717); que a autuação teria afrontado o princípio da legalidade restrita (fls. 718/719), segundo o qual somente se poderia exigir imposto havendo previamente lei, em sentido estrito, que estabeleça a relação jurídica tributária, criando, assim, os elementos essenciais dessa relação: hipótese de incidência, fato gerador, alíquota tributável e base de cálculo; assevera que, como no drawback isenção a suspensão da exigibilidade do tributo se daria em decorrência de lei, a revogação ou cassação do incentivo somente poderia ocorrer por meio de lei, em seu sentido formal; ressalta, ainda, que “não há na lei aduaneira de criação do DRAWBACK hipótese que autorize a fiscalização, ao seu livre alvedrio, descaracterizar o regime de suspensão de imposto em função do descumprimento da obrigação acessória e exigir o imposto devido como se a impugnante não tivesse cumprido com as determinações previstas em lei para ser beneficiada pela suspensão do imposto”; e conclui esta tese afirmando que “não se questiona a legalidade de obrigação acessória, o que se questiona é a exigência do imposto pelo seu descumprimento, haja vista que está bastante comprovado que o contribuinte exportou as mercadorias vinculadas ao ato concessório, e a hipótese narrada não se enquadra nas hipóteses legais de descaracterização do DRAWBACK para a exigência do tributo, pelo que há afronta ao princípio da legalidade”; que, no regime de drawback, a hipótese de incidência do I.I. vigoraria normalmente, embora mantido suspenso o pagamento, o qual só poderia ser exigido pelo implemento de uma das condições suspensivas previstas no art. 319 do Regulamento Aduaneiro; segundo entende, a caracterização de tal condição só se daria quando os insumos importados deixassem de ser utilizados na industrialização de produtos a serem exportados, ou quando fossem empregados em desacordo com o ato Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 9 8 concessório, “consumidas no mercado interno, por exemplo”; assim, “para a contribuinte, ora impugnante, estar inadimplente com o regime seria necessário que o mesmo deixasse de empregar as mercadorias importadas no processo produtivo de bens a serem posteriormente exportados ou fossem empregadas em desacordo com o Ato Concessório” (sic), hipóteses essas que não teriam sido constatadas no caso presente; apenas “a contribuinte, inadvertidamente, não forneceu algumas informações acessórias no procedimento de fechamento do AC”; ademais, ressalta que “a lei somente autoriza a exigência dos tributos suspensos, caso ocorra a condição contida no artigo 319, I, alínea"c", porquanto somente nesta hipótese, e, nem mais uma outra, é que os tributos devem ser exigidos conforme determina o parágrafo único do artigo acima transcrito”, contemplando ainda a possibilidade de a contribuinte regularizar, junto ao órgão concedente, qualquer outra condição prevista no ato concessório que porventura fosse descumprida, ou ainda de optar, antes do pagamento do tributo, pela regularização do drawback através de outras formas, dentre as quais “a devolução da mercadoria importada para o exterior”; que “as cartas de correções emitidas pela empresa com o intuito e boa fé de corrigir elementos inexatos em seus documentos fiscais são plenamente aceitas pela administração tributária estadual, que legisla sobre notas fiscais”; defende que tais cartas “se tornaram práticas reiteradas da administração”, sendo adotadas pela Secretaria Executiva da Fazenda do Pará para afastar possíveis erros contidos nos documentos fiscais, prática esta que estaria em consonância com o art. 100 do CTN, não podendo a fiscalização desconsiderar tais documentos, posto que os mesmos “corrigem as notas fiscais que comprovam a exportação dos produtos importados que foram glosadas pela fiscalização”; por fim, defende que “muito embora o principal não seja exigível por princípio da eventualidade argüise a impossibilidade de cobrança das multas aplicadas pela fiscalização, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes, já que estas devem ser cobradas conforme determina o artigo 59 da Lei 8383/91”. Com base em tais argumentos, pede que seja requerida, de ofício, a realização de diligência “para comprovar que todas as mercadorias foram efetivamente exportadas, tendo em vista que o contribuinte não vende para o mercado interno a não ser para a exportadora Albrás”. Em sede de “preliminar” faz as seguintes solicitações e considerações (sic): 2) a nulidade do lançamento por falta de elemento essencial, tendo em vista que o enquadramento legal não se coaduna aos fatos descritos no auto de infração; 3) o lançamento desafia e ofende o princípio da legalidade; Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 10 9 4) Não há ocorrência da condição suspensiva que autoriza a cobrança dos impostos suspensos pelo benefício do DRAWBACK; 5) A autuação está baseada em mera presunção fiscal; 6) A completa ausência de provas que comprovem o alegado pela fiscalização. 7) A inexistência de inadimplemento do Regime de DRAWBACK. 8) A necessidade de se declarar que a substância do drawback deve prevalecer sobre a forma. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 4196, sessão de 29/03/2004, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 Ementa: DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. RECUSA. Será indeferido o pedido de diligência quando os elementos que integram os autos revelamse suficientes para a plena formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 Ementa: DRAWBACK ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PRÉVIA IMPORTAÇÃO ONEROSA DOS INSUMOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em drawback isenção sem a prévia constatação de que a importação normal dos insumos e a exportação dos produtos industrializados com os mesmos já ocorreram. Descaracterizado o incentivo, cabível a exigência dos tributos relativos às mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de drawback isenção, acrescidos dos encargos previstos em lei. DRAWBACK ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE VINCULAÇÃO DA EXPORTAÇÃO A ATO CONCESSÓRIO DISTINTO DAQUELE DISCRIMINADO NO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. Não há como vincular Registro de Exportação a ato concessório distinto daquele discriminado no próprio documento comprobatório da exportação. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 11 10 MULTA DE OFÍCIO. FISCALIZAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SEM O PAGAMENTO DO II E DO IPI DEVIDOS. INCIDÊNCIA. É cabível o lançamento da multa de ofício quando, em procedimento de fiscalização, for constado o não recolhimento dos tributos devidos na importação. O julgamento foi no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela empresa, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, julgar procedente o lançamento objeto da presente lide, para considerar devido o respectivo crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual consigna suas razões de irresignação, conforme relatado, e que transcrevo: Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Fortaleza (CE), recurso voluntário foi interposto às folhas 848 a 889. Nessa petição, preliminarmente, discorre sobre: (1) nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa em face de ter vedado a produção de prova ao indeferir a realização de diligência oportunamente solicitada; (2) ofensa ao princípio da reserva legal, dada a ausência de "disposições do Regulamento Aduaneiro ou de outra Lei formal que obrigasse o contribuinte a cumprir" 10 o disposto nas portarias e nos comunicados Secex/Decex motivadores do lançamento do crédito tributário, bem como a inexistência de previsão legal para a penalidade aplicada: "retirada do contribuinte do regime drawback isenção"; (3) infringência ao princípio da legalidade e tipicidade tributária, pela ausência de tipificação legal correta; (4) competência do órgão concessor do beneficio para revogar o incentivo. No mérito, aduz: (1) inexistir obrigatoriedade de importação onerosa prévia para obtenção de drawback isenção; (2) ser exclusivamente da autoridade de comércio exterior concedente do beneficio a competência para a sua revogação, desde que não fundada na exigência de obrigação estranha às exigidas na época da concessão do regime; (3) ensejar violação ao princípio da legalidade a exigência formulada pela administração e estranha ao ordenamento jurídico, caracterizada pelo fato de somente considerar válido o beneficio do drawback isenção antecedido de importação onerosa anterior ao pedido do regime aduaneiro especial e a ele vinculado; (4) por força do princípio da verdade material, quebrar o dever de exportar é a única situação legal que pode cassar a concessão do beneficio de drawback; (5) por força do princípio da equivalência, devem ser "considerados válidos os documentos apresentados à Decex como próprios para a comprovação do Drawback, como se nenhum erro de forma contivessem, pois [...] alcançaram a finalidade de comprovação da exportação em quantidade suficiente para a nova importação sem pagamento de Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 12 11 tributos" I2; (6) cassar o Drawback é hipótese única e exclusivamente vinculada à modalidade suspensão, prevista no artigo 319 do Regulamento Aduaneiro; (7) incentivar a exportação, com prevalência da substância sobre a forma, é a finalidade do drawback isenção; (8) embora considere inexigível o principal, pelo princípio da eventualidade, argúi a impossibilidade de cobrança das multas lançadas. Submetido a julgamento no CARF, na sessão de 22/05/2007, decidiu a Turma Ordinária, por maioria de votos, "acolher a preliminar de ilegitimidade ativa da Secretaria da Receita Federal para aferir a regularidade do ato administrativo que concedeu o regime aduaneiro especial de drawback, nos termos do voto do relator". O acórdão nº 30334.307 foi assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 Ementa: Regime aduaneiro especial dranvback. Aferição da regularidade do ato administrativo de concessão do regime. Ilegitimidade ativa da Secretaria da Receita Federal. Compete à Secretaria da Receita Federal fiscalizar os tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a concessão do regime aduaneiro especial drcnvback. Todavia, pertence a outro órgão da administração pública federal tanto a concessão do beneficio como eventual aferição da regularidade do ato concessório. O voto condutor do acórdão assim se pronunciou: Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Relator Conheço o recurso voluntário interposto às folhas 848 a 889, porque tempestivo e atendidos os demais pressupostos processuais. Versa a lide, conforme relatado, sobre o denunciado inadimplemento de condições específicas para a fruição dos benefícios do drawback, na modalidade isenção de tributos. Preliminarmente, amparado no inciso VII do artigo 1° do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal l4, entendo da competência dela a fiscalização dos tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a • concessão do regime aduaneiro especial drawback, a despeito de pertencerem a outro órgão da administração pública federal tanto a concessão do beneficio quanto a verificação do adimplemento dos compromissos então assumidos. Nada obstante, no caso presente, os autuantes motivaram a exação em três vertentes: (1) carência de importação de hidróxido de sódio (soda cáustica) com pagamento dos tributos, "não servindo para a obtenção do ato concessório"; (2) emissão Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 13 12 do Ato Concessório (AC) da isenção findado em exportações consubstanciadas em Registros de Exportações (RE) que não guardam conformidade com a Consolidação das Normas de Drawback (CND), omitindo informações "impeditivas para aceitação das exportações como comprovação e, por conseguinte, à habilitação ao regime Drarwback Isenção; (3) notas fiscais emitidas pela Alunorte sem o obrigatório registro das informações previstas nos anexos X e XI da Consolidação das Normas de Drawback (CND), ocorrência que "impossibilita também a concessão do AC de Isenção". Por conseguinte, acolho a preliminar de ilegitimidade ativa da Secretaria da Receita Federal para aferir a regularidade do ato administrativo que concede o regime aduaneiro especial drawback. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência aduzindo a competência da Receita Federal para a fiscalização do cumprimento das condições exigidas pela legislação para a fruição da isenção. O recurso especial foi admitido e submetido a julgamento na sessão de 13/09/2013, na 3ª turma da CSRF que, por maioria de votos, conheceuo e lhe deu provimento. O acórdão nº 9303002.111, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/11/1998 a 03/08/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. É da SRF a competência legal para verificação do cumprimento dos requisitos previstos no ato concessório do benefício de drawback em complemento às meras análises documentais empreendidas inicialmente pela SECEX.. (...) No dispositivo do voto, constou a determinação de retorno dos autos para enfrentamento do mérito do recurso voluntário, que transcrevo: (...) Com essas considerações, voto pelo provimento do recurso fazendário para afastar a preliminar acatada pela Câmara a quo, a ela devendo retornar o processo para a apreciação do recurso voluntário quanto ao mérito. O processo retornou a esta Turma Ordinária, que na sessão de 22/10/2013, decidiu converter o julgamento em diligência para as providências, a cargo da unidade de origem, conforme o acórdão nº 3201000.435, que transcrevo alguns de seus excertos: Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 14 13 diligência à repartição de origem, a fim de que se intime à SECEX/MDIC para que se digne a se pronunciar a despeito: quando da concessão do Ato Concessório de que tratam os autos, através dos quais a Recorrente promoveu a importação de produtos sob o Regime de Drawback —modalidade isenção, para comprovar se todas as mercadorias foram efetivamente exportadas, ou em que percentual; tendo em vista que o contribuinte não vende para o mercado interno a não ser para a exportadora Alumínio Brasileiro S. AAlbras, conforme alega a mesma. Algumas passagens dos autos interessantes, como: da mesma forma, observo que em sede de impugnação e recurso voluntário, a mesma, apresenta notas fiscais, conforme observa o item 49 da decisão a quo: (...) assim como, sobre o item 48 da decisão de primeira instância, onde há observação de indicação errônea do Ato Concessório AC, conforme: (...) Enfim, se para expedição do Ato Concessório do drawback isenção, todas as mercadorias foram devidamente exportadas, utilizadas mercadorias anteriormente importadas? Inclusive, em caso positivo (de exportação), se há condição de vincular a Ato Concessório dos autos? Enfim, apresente as razões e critérios pela Secex adotados, quando da emissão do Ato Concessório (n° 000198/ 0001275, de 15/09/1998) referente a este processo. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo. Abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como à Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN, também se manifestar, se desejar. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. Cumprida a diligência a Decex respondeu por intermédio do Ofício nº 166 (fl. 1.094/1.097) aos quesitos formulados na resolução, os quais transcrevo em suas partes que interessam ao julgamento: (...) (...) Cabese esclarecer que neste ponto é importante se destacar as diferenças existentes entre as modalidades de Drawback cuja concessão é atribuída a este DECEX, quais sejam, suspensão e isenção. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 15 14 Na modalidade suspensão, a beneficiária do ato concessório, após deferimento, tem a oportunidade de adquirir insumos com suspensão tributária para gerar, por meio de um processo produtivo, um determinado produto a exportar, ou seja, gerase uma expectativa de produção e exportação do bem resultante do processo. Caso a produção não se concretize por algum motivo ou caso a exportação não tenha êxito, os insumos poderão ser nacionalizados, devolvidos ou destruídos, com o recolhimento dos tributos respectivos. Vide o que consta do inciso I, do artigo 67 da Portaria SECEX n° 23/2011: I drawback integrado suspensão a aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado, com suspensão dos tributos exigíveis na importação e na aquisição no mercado interno na forma do art. 12 da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009 e do art. 17 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009, e da Portaria Conjunta RFB/SECEX n° 467, de 25 de março de 2010; e Em relação à modalidade isenção, a beneficiária do ato adquire os insumos com o pagamento dos respectivos tributos, produz e exporta o bem final. Após algum tempo, a mesma pleiteia a reposição dos mesmos insumos, porém sem o pagamento dos tributos. Vide o que consta do inciso II, do artigo 67 da Portaria SECEX n° 23/2011: II drawback integrado isenção a aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado, com isenção do Imposto de Importação (II), e com redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, na forma do art. 31 da Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010 e da Portaria Conjunta RFB/SECEX n° 03, de 17 de dezembro de 2010. Portanto, as exportações, na modalidade isenção, são pretéritas. A efetiva exportação é aferida por ocasião da concessão do regime, ou seja, se não ocorreram exportações não há deferimento de ato concessório e, portanto, não há reposição de insumos. (...) (...) na modalidade isenção os registros de exportação não se vinculam ao respectivo ato concessório, tendo em vista, a exportação pretérita. Já na modalidade suspensão, como a exportação é futura, os registros de exportação são devidamente vinculados aos seus respectivos atos na ocasião de seus registros. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 16 15 (...) A legislação atual não modifica de maneira substancial a legislação vigente à época em relação aos requisitos para a concessão do regime. Seguem abaixo os artigos relacionados ao Drawback Isenção previstos na Portaria SECEX n° 4 de 11 de junho de 1977. (...) A Unidade de Origem elaborou Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.102/1.105) limitandose a reproduzir as respostas da Secex aos quesitos desta Turma. Ato contínuo foi dado ciência à contribuinte, no próprio Relatório (fl. 1.105), que não se pronunciou acerca de seu conteúdo. A Procuradoria instada a manifestarse, apenas corroborou os termos a informação fiscal prestada no Relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator A Conselheira que inicialmente relatou o processo não mais integra este Conselho, assim, após a redistribuição coubeme a relatoria do presente processo. Como relatado, o processo foi submetido a julgamento em colegiado do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes que, ao não enfrentar o mérito da autuação fiscal, decidiu pela ilegitimidade da Secretaria da Receita Federal para aferir a regularidade do ato concessório de drawback. Interposto recurso especial de divergência pela PFN, e acolhendo o que se postulou, a 3ª Turma da CSRF entendeu a competência legal da Receita Federal para verificação do cumprimento dos requisitos previstos no ato concessório do benefício de drawback em complemento às meras análises documentais empreendidas inicialmente pela SECEX. A decisão que constou no acórdão foi para "para afastar a preliminar acatada pela Câmara a quo e determinar o retorno dos autos à referida Câmara para apreciação do mérito do recurso". Dessa forma, superada as preliminares suscitadas no recurso voluntário, cingese o litígio enfrentar o inadimplemento de requisitos para a fruição do benefício de drawback isenção, conforme acusação fiscal. Conquanto a preliminar que fundamentou a decisão no acórdão nº 303 34.307, reformado pelo acórdão nº 9303002.111 da CSRF, tenha abordado tãosomente a Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 17 16 questão atinente à competência da Receita Federal a fiscalizar e controlar a regularidade do ato concessório de drawback isenção, entendo que outras matérias preliminares não foram enfrentadas, o que se procede a seguir. Preliminares (não enfrentadas no acórdão nº 30334.307) Cerceamento do direito de defesa Alega a recorrente que a recusa em conceder a diligência pleiteada para a comprovação de que os RE's são exclusivamente vinculados ao ato concessório fiscalizado cerceoulhe o direito de defesa. Sem razão a recorrente quanto à nulidade alegada. O pedido de realização de diligência apresentado pela impugnante foi indeferido, por ser prescindível à solução do litígio. Injustificada a realização de diligência quando os elementos constantes nos autos são suficientes à formação de convicção do julgador. Ofensa ao princípio da reserva legal A acusação de nulidade recai sobre a ausência de elemento essencial à autuação, tendo em vista que o enquadramento legal não se coaduna aos fatos descritos no auto de infração. Quis arguir a recorrente que o descumprimento daquilo que entende "pequenas regras acessórias" carece de previsão em lei para o Fisco decretar oo não cumprimento do regime de drawback. Sem razão a recorrente, pois nos autos consta os fundamentos e enquadramento legal que nortearam a autuação fiscal. A fiscalização apontou que a observância das regras do Regime são obrigatórias, com previsão e supedâneo legal e que o descumprimento configura as infrações previstas na legislação, em especial no DecretoLei nº 37/66. Ausência de tipificação legal correta Toda a argumentação despendida pela autuada no tópico envolve o adimplemento do dever de exportar. A fiscalização demonstrou que a situação dos autos é de regime especial de drawback isenção no qual a importação de insumo utilizado, e a própria operação de exportação do produto resultante da industrialização do insumo, precedem a concessão do benefício que permite a importação com isenção para fins de reposição de estoques. Destarte, ainda que a matéria inadimplemento do dever de exportar tivesse erroneamente abordada, que não é o caso, configurariase como questão de mérito, não de nulidade. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 18 17 Por fim, acerca das nulidades, cumpre transcrever os dispositivos que regem a matéria no processo administrativo fiscal, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Com efeito, nulo seria o ato administrativo se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, situação que não se caracteriza nos autos. Não se colocou em dúvida a competência dos AuditoresFiscais responsáveis pela autuação, não houve preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal e levados ao conhecimento da autuada, capacitandoa a se defender plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Mérito As matérias de mérito trazidas no recurso, são em sínteses irresignações quanto à autuação e ao julgamento da DRJ, a saber: i) Do correto procedimento adotado pela recorrente. Inexistência de obrigatoriedade de importação onerosa prévia para obtenção de drawback isenção. ii) Da necessária observância do Comunicado Decex nº 30/1997. Pedido de Drwaback concedido e homologado pelo Decex; iii) Da vinculação da administração a Lei. A empresa cumpriu com o que determina o art. 314 do RA e item 15.1 do Comunicado Decex 21/97; iv) Quebra do dever de exportar. Única situação legal que pode cassar a concessão do beneficio de drawback. Verdade material. v) Do principio da equivalência. Forma não pode prevalecer sobre o principal. Interpretação literal que deve ser usada em favor do contribuinte. vi) Da única e exclusiva previsibilidade legal de cassação do drawback. Hipótese limitada ao drawback suspensão. vii) Não inclusão da expressão "participação do fabricante intermediário" na DI's e REs que fizeram constar vinculação a outro AC o de n.° 196/1423. Avisos de irregularidades. viii) Drawback Isenção. Incentivo a exportação. Substância deve prevalecer sobre a forma. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 19 18 ix) As multas, se devidas, seriam aplicadas conforme previsão no art. 59 da Lei nº 8.383/91. Passo ao enfrentamento das questões que considero suficientes para fundamentar o presente voto e expor as razões de decidir. O entendimento tem amparo na jurisprudência do STF, estampada no acórdão proferido no RE nº 463.139 AgR/RJ, no julgamento de 29/11/2005: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. OFENSA AO ART. 93, IX, DA CF/88. INEXISTÊNCIA. Acórdão recorrido que se encontra devidamente fundamentado, ainda que com sua fundamentação não concorde o ora agravante. O órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento. Agravo regimental a que se nega provimento. O drawback é regime especial que concede benefícios tributários a empresas que se prestam à exportação, isto é, tratase de um incentivo à exportação. No drawback modalidade isenção, a lei concede a isenção de tributos na importação de mercadoria, em substituição a outra, equivalente em quantidade e qualidade, importada e utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Denotamse as diferenças entre as modalidades de drawback suspensão e isenção. Regime suspensivo é aquele em que o interessado postula o regime (ato concessório) e, após concedido, importa mercadoria com suspensão dos tributos, utilizaa na industrialização de outro a ser exportado, dentro de determinado prazo estipulado no ato concessório. Na modalidade isenção, o importador realiza uma importação de mercadoria, totalmente desvinculada que qualquer requisito ou condição, utilizaa na industrialização de produto e providencia a exportação; após, pleiteia ato concessório para a importação de mercadoria em quantidade e qualidade equivalente à anteriormente importada utilizada no produção de outra também exportada. Neste caso, a limitação temporal restringese ao prazo entre a data da concessão do regime e do registro da importação anterior. Evidenciadas as características da modalidade isentiva do drawback, podese afirma que sua natureza é de reposição de estoques, em qualidade e quantidade equivalentes aos insumos utilizados na fabricação de produto anteriormente exportado, por meio de uma importação. Antes de aprofundar na análise da matéria litigiosa, passemos à legislação vigente à época dos fatos. O art. 78, III do DecretoLei nº 37/66 é que dispõe acerca do drawback na modalidade isenção: Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 20 19 Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. O Decreto nº 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro) trouxe a regulamentação: Capítulo IV Drawback Seção I Art. 314. Poderá ser concedido pela Comissão de Política Aduaneira, nos termos e condições estabelecidos no presente Capítulo, o benefício do drawback nas seguintes modalidades (DecretoLei nº 37/66, artigo 78, I a III): (...) II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; (...) Seção III Isenção de Tributos Art. 320. Na modalidade de isenção de tributos, o benefício será concedido mediante ato do qual constarão: a) valor e especificação da mercadoria exportada sujeita ao regime de que trata este Capítulo; b) especificação e código tarifário das mercadorias a serem importadas, com as quantidades e os valores respectivos, estabelecidos com base na mercadoria exportada; c) valores FOB e/ou CIF da unidade de mercadoria importada; d) outras condições, a critério da Comissão de Política Aduaneira. As regras atinentes às modalidades de drawback foram consolidadas na Portaria O regime de drawback teve suas normas consolidadas no anexo ao Comunicado Decex nº 21/1997, cujos dispositivos que se aplicam ao caso seguem transcritos: CAPÍTULO IV REGIME DE DRAWBACK, MODALIDADE ISENÇÃO TÍTULO 15 Considerações Gerais 15.1 Na habilitação ao Regime de Drawback, modalidade isenção, somente poderá ser utilizada Declaração de Importação com Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 21 20 data de registro não anterior a 2 (dois) anos da data de apresentação do respectivo Pedido de Drawback. 15.2 A empresa deverá indicar a classificação na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), a descrição, a quantidade e o valor da mercadoria a ser importada e do produto exportado, em moeda de livre conversibilidade, dispensada a referência a preços unitários. 1. Deverá ser observado, obrigatoriamente, o disposto no Anexo III desta CND. 15.3 O Pedido de Drawback poderá abranger produto exportado diretamente pela pleiteante (empresa industrial ou equiparada a industrial), bem como fornecido no mercado interno à industrial exportadora (Drawback Intermediário), quando cabível. 1. Poderá, ainda, abranger produto destinado à venda no mercado interno com o fim específico de exportação, observado o disposto nesta CND. 15.4 A empresa deverá comprovar as importações e exportações realizadas a serem utilizadas para análise da concessão do Regime, na forma estabelecida no Título 20 desta CND. 15.5 No caso em que mais de um estabelecimento industrial da empresa for importar ao amparo de um único Ato Concessório de Drawback, deverá ser indicado, no formulário Pedido de Drawback, o número de registro no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) dos estabelecimentos industriais, com menção expressa da unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) com jurisdição sobre cada estabelecimento industrial importador. 15.6 No exame do Pedido de Drawback, será levado em conta o resultado cambial da operação. 1. A relação básica a ser observada é de 40% (quarenta por cento), estabelecida pela comparação do valor total das importações, aí incluídos o preço da mercadoria no local de embarque no exterior e as parcelas estimadas de seguro, frete e demais despesas incidentes, com o valor líquido das exportações, assim entendido o valor no local de embarque deduzido das parcelas de comissão de agente, eventuais descontos e outras deduções. 2. Na apresentação do pleito, a interessada deverá fornecer os valores estimados para frete, seguro e demais despesas incidentes na importação pretendida. 15.7 A concessão do Regime darseá com a emissão de Ato Concessório de Drawback. 15.8 O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback é determinado pela datalimite estabelecida para a realização das importações vinculadas e será de 1 (um) ano, contado a partir da data de sua emissão. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 22 21 1. Não perderá direito ao Regime, a mercadoria submetida a despacho aduaneiro após o vencimento do respectivo Ato Concessório de Drawback, desde que o embarque no exterior tenha ocorrido dentro do prazo de sua validade. 15.9 Qualquer alteração das condições concedidas pelo Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitada, dentro do prazo de sua validade, por meio do formulário Aditivo ao Pedido de Drawback. 1. Os pedidos de alteração somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. 2. A concessão darseá com a emissão de Aditivo ao Ato Concessório. 15.10 Poderá ser solicitada prorrogação do prazo de validade de Ato Concessório de Drawback, desde que devidamente justificado e examinadas as peculiaridades de cada caso, respeitado o limite de 2 (dois) anos da data de sua emissão. 1. Os pedidos de prorrogação somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. 15.11 Somente será admitida a alteração de titular de Ato Concessório de Drawback no caso de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente, mediante apresentação de documentação comprobatória, na qual conste a sucessão específica dos direitos e obrigações referentes ao Regime. 15.12 Na importação vinculada ao Regime, a beneficiária deverá observar os procedimentos constantes do Anexo IV desta CND. 15.13 Poderá ser fornecida cópia autenticada (2ª via) de Ato Concessório de Drawback, mediante apresentação de correspondência na qual a beneficiária do Regime assuma a responsabilidade pelo extravio e pelo uso da citada cópia. (...) TÍTULO 16 Drawback Intermediário 16.1 Operação especial concedida, a empresas denominadas fabricantesintermediários, para reposição de mercadoria anteriormente importada utilizadas na industrialização de produto intermediário fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego na industrialização de produto final destinado à exportação. 16.2 Uma mesma exportação poderá ser utilizada para habilitação ao Regime pelo fabricanteintermediário e pela industrialexportadora, proporcionalmente à participação de cada um no produto final exportado. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 23 22 16.3 O fabricanteintermediário deverá apresentar os documentos comprobatórios da importação da mercadoria utilizada no produtointermediário; do fornecimento à industrialexportadora e da efetiva exportação do produto final. 1.Deverá ser observado o disposto nos itens 21.1 e 21.5 desta CND. 16.4 É obrigatória a menção expressa da participação do fabricanteintermediário no Registro de Exportação (RE). 16.5 Deverá ser observado, ainda, o disposto no Título 15 desta CND. (...) CAPÍTULO V – COMPROVAÇÕES (...) TÍTULO 20 Modalidade Isenção 20.1 Para habilitação ao Regime de Drawback, modalidade isenção, o Registro de Exportação (RE) não poderá ser utilizado em mais de um Pedido de Drawback, bem como não poderá estar vinculado à comprovação de outros Atos Concessórios de Drawback, Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. (...) 20.4 Para comprovação das importações, será utilizada a data de registro da Declaração de Importação (DI) ou a data do registro da Declaração da Importação pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). 20.5 A empresa pleiteante deverá comprovar importações e exportações já realizadas, quando da apresentação do Pedido de Drawback, por meio do formulário Relatório de Comprovação de Drawback, devendo ser encaminhados os documentos relacionados no Título 21 desta CND. 1. A empresa deverá anexar demonstrativo das importações e exportações realizadas, obtido por meio de transação específica do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), contendo Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) a serem utilizados para análise do pleito. 20.6 Quando, por circunstâncias técnicas ou operacionais de uso do SISCOMEX, não for possível a obtenção dos demonstrativos de importação e exportação, as empresas deverão substituílos na forma do Anexo IX, devendo ser encaminhados, também, os documentos relacionados no Título 21 desta CND. (...) ANEXO XI UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL DE VENDA NO MERCADO INTERNO – Empresa de Fins Comerciais Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 24 23 1. Na comprovação de exportação vinculada ao Regime de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção será aceita Nota Fiscal de venda no mercado interno, com o fim específico de exportação, realizada por empresa industrial à empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior, devidamente acompanhada da declaração prevista no subitem 3.8 deste Anexo. (...) 4. MODALIDADE ISENÇÃO (...) 4.5 Caberá à empresa industrial comprovar que a empresa de fins comerciais consignou, no campo 24 (Dados do Fabricante) do Registro de Exportação (RE), os dados relativos ao fabricante intermediário, para permitir sua habilitação ao Regime de Drawback, modalidade isenção, devendo estar consignado: a) CGC do fabricanteintermediário; b) NCM do produto intermediário utilizado no produto final; c) Unidade da Federação onde se localiza o fabricante intermediário; d) quantidade do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final; e) valor do produto intermediário efetivamente empregado no produto final, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra vigente na data da emissão da Nota Fiscal de venda emitida pelo fabricanteintermediário. 4.6 Caberá, ainda, à empresa industrial comprovar que a empresa de fins comerciais consignou, no campo 25 (Observação/Exportador) do Registro de Exportação (RE), o número da sua Nota Fiscal de venda, bem como o número da Nota Fiscal emitida pelo fabricante intermediário. Da leitura da legislação acima transcrita, devese conduzir à interpretação dos dispositivos para se construir as normas de fruição do drawback na modalidade isenção, quanto aos requisitos e condições, e assentar algumas premissas que nortearão a análise do caso concreto. Primeira premissa: inexigibilidade de que a importação do insumo tenhase realizada com pagamento de tributos. Discorri alhures que a natureza do drawback isenção é de reposição de estoques em substituição à mercadoria anteriormente importada e utilizada em outra, industrializada e exportada. Tal natureza se distingui do que se pode denominar "crédito fiscal", ou seja, a importação anterior, exatamente por se constituir um insumo utilizado em mercadoria exportada, concederia um crédito em decorrência do pagamento dos tributos que Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 25 24 seria "compensado" quando da obtenção de Ato Concessório e daria o direito à importação de mercadoria em equivalência de qualidade e quantidade. Em que pese haver lógica e sentido nesta construção jurídica, tal entendimento não se extrai do texto legal. Isto porque não se encontrava expresso à época a exigência de pagamento de tributo na importação da mercadoria que se pretendia repor; ademais, não há qualquer menção ao tratamento tributário da mercadoria reposta. As disposições são claras ao utilizar expressões "equivalente", "qualidade", "quantidade" e "utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado". Assim, nenhum outro requisito ou condição foi prescrito para a importação de mercadoria que se pleiteia o drawback isenção para a simples reposição de estoque físico, a legislação não diferenciou ou excepcionou mercadoria importada com imposição de pagamento de tributos. Segunda premissa: Os requisitos para fruição do drawback isenção são de observância obrigatória, não se caracterizando como meras formalidades acessórias. É da natureza das operações de comércio exterior o controle aduaneiro que não visa tãosó o pagamento de tributos, mas sobretudo garantias à sociedade, à economia, ao pleno emprego, enfim, ao próprio exercício da soberania nacional. Quando se está diante de concessão de benefícios às operações e tributos de índole aduaneira mais evidente e necessária se torna a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, exercidos pelo Ministério da Fazenda, mediante prerrogativa constitucional (art. 237 da CF/88). A instrumentalização desses controle darseá via documental, daí não somente justificável a importância como também a obrigatoriedade dos intervenientes do comércio exterior e beneficiários de regimes tributários à prestação de informações quando prevista em lei. Firmado nessas premissas, cabe ao beneficiário do drawback isenção, proceder conforme as exigências dos atos que disciplinam o Regime que pressupõe: 1) uma importação de mercadorias, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); 2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e 3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento. Percebese, pelo exposto, que todas as operações realizadas nas diferentes fases são documentadas. Basta, então, à fiscalização verificar se o teor dos documentos é condizente com a realidade da operação. E, para tanto, deve o fisco analisar as entradas e saídas de mercadorias, e a movimentação do estoque, para saber se houve efetivo cumprimento Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 26 25 de cada fase. E foi esse o objetivo do procedimento fiscal iniciado em 18/03/2003, que trata do caso em análise. O procedimento fiscal Ato Concessório n° 000198/0001275, de 15.09.1998 Os autuantes motivaram a exação em três vertentes: (1) inexistência de importação de hidróxido de sódio (soda cáustica) com pagamento dos tributos, "não servindo para a obtenção do ato concessório"; (2) emissão do Ato Concessório (AC) da isenção fundado em exportações consubstanciadas em Registros de Exportações (RE) que não guardam conformidade com a Consolidação das Normas de Drawback (CND), omitindo informações "impeditivas para aceitação das exportações como comprovação e, por conseguinte, à habilitação ao regime Drcrwback Isenção; (3) notas fiscais emitidas pela Alunorte sem o obrigatório registro das informações previstas nos anexos X e XI da Consolidação das Normas de Drawback (CND), ocorrência que "impossibilita também a concessão do AC de Isenção". A fiscalização "glosou" as isenções nas importações de hidróxido de sódio (soda cáustica) realizadas sob a fruição do Ato Concessório nº 000198/0001275, com a função de repor os estoques em quantidade e qualidade equivalentes às importações de mesmas mercadorias efetuadas nas DIs relacionadas. Os fundamentos trazidos neste voto caminham no sentido de que a legislação não exige o pagamento dos tributos nas mercadorias importadas e utilizadas como insumos na fabricação de produto exportado para a concessão da isenção de tributos das importações realizadas sob amparo de AC que visam a reposição de estoque. Destarte, estariam sem razão os autuantes caso não se observe duas peculiaridades: (i) a ausência de pagamento nas importações de soda cáustica, para reposição de estoque, deveuse à fruição de regime de drawback suspensivo vigente, o que torna a utilização da mesma mercadoria impossível a dois regimes distintos. Dito isto, tornase evidente que a importação não objetivou tal reposição, mas sim o vínculo a um ato concessório de drawback suspensão a ser fielmente adimplido. (ii) em princípio, a legislação não veda a utilização de uma importação de reposição com isenção de tributos para a fabricação de produto destinado à exportação, de tal forma a comprovar os requisitos obrigatórios para fruição de novo benefício de drawback isenção, desde que factível o cumprimento, cronológico e legal, das operações (importação e exportação) de que decorrem a fruição de novo benefício. Contudo, como bem demonstrou a fiscalização e corroborou os julgadores a quo, a recorrente não faz jus ao benefício de drawback isenção nas operações por si realizadas ou com sua participação. Seguemse os fundamentos para manter na integra a autuação fiscal. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 27 26 a. A importação de hidróxido de cálcio (soda cáustica) não sofreu tributação em razão da operação estar amparada pelo benefício de drawback suspensão. Uma mesma importação não poderá ser fundamento para fruição de dois benefícios; dará amparo a somente, que entendo no caso, o da suspensão em razão do vínculo. b. O hidróxido de cálcio (soda cáustica) importado foi utilizado na produção de alumina calcinada; esta revendida no mercado interno à indústriaexportadora na utilização como insumo em produto destinado à exportação. Contudo, nas notas fiscais emitidas nessas operações, bem como nos Registros de Exportações das empresas Albrás ou Aluvale, deixaram de cumprir os requisitos para fruição do drawback isenção, quais sejam, as prestações de informações necessárias à fiscalização e controle previstos na CND: itens 4.1, "a" e "b" do anexo XI; 12.3 do Título 2; 4.5 e 4.6 do Anexo XI (ausência de registros nos campos 24 e 25 dos REs CNPJ do fabricante intermediário, NCM do produto intermediário, quantidade e valor do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final). A omissão (nas NFs e REs) das informações ou sua prestação em desacordo com a legislação impedem a aceitação das exportações como comprovação para a concessão e fruição do drawback isenção. c. As notas fiscais de venda da alumina calcinada, industrializada com a soda cáustica importada, destina a industrialexportador, consignaram a utilização do insumo em AC vigente diferente do aqui auditado, o que denota sua importação sob o regime de drawback para reposição de estoque anteriormente suprido; ademais, como apontado pelo Fisco, descumpridos preceitos do Anexo XI da CND, que trata da utilização da nota fiscal de venda no mercado interno, em especial os do iten "4". Melhor exemplificando com uma operação que se encontra às folhas 444/445: em 09/07/1997, registrouse a DI nº 97/5521450, com a importação de soda cáustica para reposição de estoque, ou seja com isenção, amparada pelo Ato Concessório nº 001.97/0001116, de 27/08/1997 (fl. 445); em 27/08/199, obtevese o Ato Concessório nº 001.97/0001116; em 08/09/1999, emitiuse a NF nº 1.400 para a venda de alumina calcinada, industrializada com a soda cáustica importada em 09/07/1997. A operação não poderia estar amparada pelo drawback isenção, vez que, segundo sua metodologia, a importação de insumo utilizado na fabricação de produto, bem como a exportação deste devem preceder o ato concessório. Como se vê, o AC foi concedido entre a importação e a exportação, descumprindo o regime. Neste mesmo raciocínio, e diversamente do pretendido pela recorrente, o AC nº 000198/0001275, de 15.09.1998, igualmente não ampararia futura importação com isenção, para fins de reposição de estoques, pois ausente, à data de concessão, a necessária exportação de produto fabricado com o insumo cujo benefício se pretendia. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 28 27 Em relação às importações de tecido filtrante” e “polímero de poliacrilamida o descumprimento ao AC referemse, exclusivamente, às irregularidades quanto às NFs e aos REs, conforme explicitado. Aplicação da multa de ofício Concordo integralmente com os fundamentos e decisão exarada no voto proferido no acórdão da DRJ nº 4196, quanto à exigência da multa de ofício de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 8.4320/96, e não aquela suscita pelo recorrente, como sendo a do art. 59 da Lei nº 8.383/91 Assim, peço vênia para reproduzir aquele voto fazendoo minhas razões de decidir com relação à multa de ofício aplicada: Uma vez demonstrada a procedência da exigibilidade do II e do IPI incidentes sobre as importações cujo incentivo do drawback isenção não foi reconhecido, resta examinar se assiste razão à contribuinte quando esta defende que as multas aplicadas pela fiscalização são improcedentes, uma vez que reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes estabeleceria que tais multas deveriam ser exigidas segundo o art. 59 da Lei 8.383/91. Segundo os demonstrativos de multa e juros de mora que fazem parte dos autos de infração lavrados contra a recorrente (vide fls. 27 e 40), a multa lançada foi tipificada no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 (multa de 75% nos casos de lançamento de ofício quando constatada a falta de pagamento, dentre outras hipóteses), enquanto os juros moratórios (não contestados) foram exigidos com base no art. 61, § 3°, do mesmo diploma legal (juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC). Por sua vez, o art. 59 da Lei 8.383, de 30/12/1991, dispõe o seguinte, textualmente: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Da análise dos ditames legais acima delineados em relação à realidade fática, vêse que a tipificação utilizada pela autoridade lançadora foi absolutamente adequada ao caso concreto, posto que a multa exigida pelo Fisco foi lançada de ofício, hipótese de que trata o caput do art. 44 da Lei 9.430/96. O art. 59 da Lei 8.383/91, por sua vez, é restrito aos casos de recolhimento Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10209.000650/200323 Acórdão n.º 3201003.446 S3C2T1 Fl. 29 28 espontâneo por parte do contribuinte, condição na qual não se emoldura o caso ora em análise. Assim, como as importações realizadas pela suplicante não foram acompanhadas do devido recolhimento dos tributos incidentes sobre a mesma, e tendo em vista que tal irregularidade foi apurada pela Administração Tributária em procedimento de fiscalização, portanto, ex officio, vêse como correta a aplicação da multa de ofício exigida com base no art. 44 da Lei 9.430/96. A tipicidade é clara, evidente; não é outra coisa senão a aplicação da hipótese normativa ao caso concreto, donde se conclui pela plena legalidade da exigência dos encargos referenciados, não havendo, pois, nenhuma emenda a ser feita no auto de infração ora contestado. Dessa forma, em razão da exigência da diferença de tributos em procedimento de ofício pertinente a aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Conclusão De todo o exposto acima, restaram comprovadas violações aos requisitos previstos na legislação que trata do drawback na modalidade isenção, em especial às regras da Consolidação das Normas de Drawback, Comunicado Decex nº 21/1997, que a recorrente não logrou demonstrar o adimplemento de suas obrigações. Portanto, ao analisar as matérias suscitadas, REJEITO as preliminares de nulidade e, no mérito, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000025/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ.
Sobre o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, há que se observar o decidido no REsp. nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que autoriza o creditamento sobre essas aquisições.
PROVAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS
Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002.
CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO
Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC.
É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e em negar provimento quanto à atualização dos créditos pela SELIC; e, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso para, por falta de provas, reverter a glosa somente da empresa Ki-Belo Prod. e Equip. Ident. Animal LTDA., e em negar provimento quanto à validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto a estes itens o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Sobre o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, há que se observar o decidido no REsp. nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que autoriza o creditamento sobre essas aquisições. PROVAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Sobre o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, há que se observar o decidido no REsp. nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que autoriza o creditamento sobre essas aquisições. PROVAS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 00 25 /2 00 6- 48 Fl. 2882DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e em negar provimento quanto à atualização dos créditos pela SELIC; e, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso para, por falta de provas, reverter a glosa somente da empresa KiBelo Prod. e Equip. Ident. Animal LTDA., e em negar provimento quanto à validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto a estes itens o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Tratase de PER/DCOMP referente a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao primeiro trimestrecalendário de 2004, segundo o regime alternativo de que trata a Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias declarações de compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos. Conforme leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 14171450) e planilhas/demonstrativos (fls. 14511598) que o acompanham, houve a glosa do montante do beneficio fiscal em escrutínio correspondente a aquisições efetuadas de fornecedores pessoas físicas e pessoas jurídicas em situação irregular (inexistentes de fato, inativas, omissas), tendo sido alguns pagamentos realizados mediante cessão de créditos. O Despacho Decisório de fl. 1502, exarado pela DRF/Presidente Prudente reconheceu apenas parcialmente o direito creditório. Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.876 3 Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo: I) que a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, não prevê exclusões da base de cálculo do crédito presumido; todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem devem compor a base de cálculo do beneficio, em particular no caso de compras efetuadas de pessoas fisicas e cooperativas, sendo que, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes, Instruções Normativas não podem inovar ou modificar texto legal; II) que não merece prosperar a glosa referente a fornecedores em situação irregular, por motivos como inexistência de fato, inatividade, nãohabilitação no SINTEGRA, etc., pois a efetividade das operações de compra, assim como o recebimento das mercadorias, tem comprovação nos documentos anexados (RPA's e comprovantes de pagamento): a) Alexandra Nagles G. dos Reis Rodrigues, CNPJ 05.542.612/000120 — empresa "ativa" no CNPJ desde 03/11/2005 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 31/12/2003, "habilitado" no SINTEGRA conforme consultas de 17/03/2004 e 07/10/2004; b) Ki Belo Prod. e Equip. Identif. Animal Ltda., CNPJ 05.553.811/000133 — empresa "suspensa" no CNPJ desde 21/12/2007 e "habilitada" no SINTEGRA desde 12/11/2003, conforme consultas de 2004; a declaração de inaptidão foi publicada depois do inicio do processo n° 15940.000434/2007 41, em 19/11/2007, não podendo retroagir; c) Jadluc Ind. e Com. de Couros Ltda., CNPJ 03.595.910/000152 — empresa com situação "inapta" desde 27/12/1999 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 03/06/2005 ("habilitada" em consulta de 21/07/2003); a inaptidão foi declarada em 05/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000032/200828 e não poderia retroagir; d) Marifabi Agro Comercial Ltda., CNPJ 05.724.387/000142 — empresa com situação "inapta" desde 04/03/2008 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 11/07/2003 ("habilitado" conforme consulta de 03/11/2003); a inaptidão foi declarada em 04/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000431/200716 e não poderia alcançar fatos pretéritos; e) M J Aragão Cruz ME, CNPJ 00.432.430/000182 —empresa com situação "inapta" desde 24/04/2002 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 25/01/2006 ("habilitado" conforme consultas de 2004 e 2005); a inaptidão foi declarada em 27/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000030/20083916 e não poderia alcançar fatos pretéritos; f) WG Couros Ltda., CNPJ 04.461.371/000121 — empresa com situação "inapta" desde 22/05/2001 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 01/11/2006 ("habilitado" conforme consultas de 2001, 2004, 2005 e 2006); a inaptidão foi declarada em 24/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000022/20089216 e não poderia alcançar fatos pretéritos; g) Frigoan Frigorifico Noroeste Ltda., CNPJ 70.435.383/0002 —empresa "ativa" desde 03/11/2005 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 02/09/2004 ("habilitado" conforme consulta de 19/10/2005); h) Santos Soares Dias, Fl. 2884DF CARF MF 4 CNPJ 02.200.033/000100 —empresa com situação "inapta" desde 11/02/1999 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 06/07/2006; a inaptidão foi declarada depois de 13/10/2004 no âmbito do processo n° 10670.001046/200449 e não poderia alcançar fatos pretéritos; i) Maxicouros Ind. e Com. Ltda., CNPJ 05.700.759/000109 —empresa com situação "ativa" desde 03/11/2005 e "habilitada" no SINTEGRA desde 06/08/2003 ("habilitado" conforme consultas de 2004 e 2008); as glosas devem ser desconsideradas, pois não se encontram relacionadas no termo de verificação fiscal; j) Nelore Couros Ltda., CNPJ 03.887.315/000190 — empresa com situação "inapta" desde 17/07/2004 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 01/08/2003 ("habilitado" conforme consulta de 05/02/2004); quanto à declaração de inaptidão, não consta o número do processo no sistema Comprot e a publicação do Ato Declaratório, sendo que não poderia alcançar fatos pretéritos; k) Pro Boi Comércio Impugnação. Exp. Ltda., CNPJ 71.226.856/000128 — empresa com situação "inapta" desde 16/01/2008 e "não habilitada" no SINTEGRA desde 16/01/2008; a inaptidão foi declarada em 13/03/2008 no âmbito do processo n° 15940.000019/200879 e não poderia alcançar fatos pretéritos. III) que, nos termos da IN SRF n° 200, de 13 de setembro de 2002, art. 43, §3º, I e II, a inidoneidade de documentos emitidos somente pode ser aplicada com a publicação do ADE no Diário Oficial; a nãolocalização dos contribuintes não pode ensejar as glosas das operações que se referem ao ano de 2003, sendo as inaptidões declaradas apenas a partir de dezembro de 2007; IV) que a interessada tomou o cuidado prévio de somente contratar fornecimentos de empresas habilitadas no sistema SINTEGRA do Fisco Estadual e junta documentos comprobatórios da efetividade das operações, como cópias de depósitos bancários que comprovam os pagamentos, "tickets de pesagem" que comprovam o recebimento das mercadorias e RPAs que comprovam o transporte das mercadorias, tudo discriminado em planilha elaborada; V) que as glosas efetuadas são flagrantemente ilegítimas e nulas, pois A. época das operações as empresas fornecedoras encontravamse devidamente habilitadas, tendo sido tornadas públicas as declarações de inidoneidade em datas bem posteriores aos fatos; VI) que o crédito ressarcido deveria sofrer correção monetária, assim requer a aplicação de juros moratórios ao valor deferido, porquanto tratase de isonomia com a Fazenda Pública, que os cobra nos casos de inadimplência e os acresce as restituições de pagamentos indevidos, nos dois casos com juros equivalentes à taxa do Selic; transcreve julgados nesse sentido; A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.877 5 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS INAPTAS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Sao glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas jurídicas declaradas como inaptas, ausente a comprovação da efetividade das operações: pagamento do preço e recebimento dos bens. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos os casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Fl. 2886DF CARF MF 6 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligencia ou perícia. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões aduzidas anteriormente. Em razão da decisão de Agravo de Instrumento juntada aos autos, foi determinada a apreciação no prazo máximo de 30 dias dos processos de ressarcimento de PIS e COFINS do contribuinte agravante, observandose o precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, o processo foi encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. As questões controversas neste Recurso Voluntário são as seguintes: I) Glosa do crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas. II) Glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas. III) A validade das operações de cessão de crédito. IV) Correção monetária do ressarcimento pela SELIC. Elas serão analisadas sequencialmente, para esclarecer o nosso entendimento acerca do presente caso. A Lei nº 9.363/96 trouxe a previsão de um crédito presumido de IPI para as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, como forma de permitir um ressarcimento econômico das contribuições sociais do PIS e Cofins, tendo como fato gerador a aquisição, no mercador interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que seriam utilizados no processo produtivo. É esta a dicção expressa de seu art. 1º, verbis: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.878 7 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Diante disso, passemos à análise dos pontos controvertidos. I) Glosa do crédito presumido de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Sobre isto, divergimos do entendimento adotado pela DRJ, endossando as conclusões alcançadas pelo Cons. Rosaldo Trevisan no acórdão CARF nº 3403003.173. O REsp no 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, e, portanto, vinculante em relação aos julgamentos deste tribunal administrativo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Fl. 2888DF CARF MF 8 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” ( Diante disso, reproduzo a argumentação do Cons. Rosaldo Trevisan, abaixo: A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/ 2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.879 9 dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)”O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Fl. 2890DF CARF MF 10 Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, se aproxima da apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.880 11 Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em Fl. 2892DF CARF MF 12 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e nº 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. É improcedente a glosa, então, neste tópico. II) Glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas. Parte das glosas de créditos pleiteados pelo contribuinte no trimestre respectivo do anocalendário de 2004, referentes à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. Em seu recurso voluntário a interessada alega que os atos declaratórios de inaptidão de seus fornecedores foram exarados a partir de 2008, daí porque não poderiam produzir efeitos retroativamente para alcançar operações efetuadas em 2004, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp 1.148.444MG. Sobre a aquisição de empresas declaradas inaptas a lei nº 9.430/96 a partir do art. 80 estabeleceu as diretrizes sobre “empresa inidônea" e define em seu art. 82 “caput” que não produzirá efeitos em favor de terceiros os documentos expedidos por pessoas jurídicas inaptas, in verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Percebese que a norma acima propõe duas formas em que os documentos serão considerados inidôneos, pois a declaração de inaptidão da empresa não exclui as outras formas de inidoneidade de documentos prevista na legislação, assim o fato da declaração de inaptidão ser posterior, não legitima os documentos emitidos no passado, caso estes preencham as hipóteses de inidoneidade prevista na norma. Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.881 13 Observando o termo de verificação fiscal, percebese que as compras que foram objeto de glosa decorrem de empresas inaptas, inaptidão essa caracterizada em sua grande maioria por inexistência de fato, consoante se depreende do item 10 do referido termo de verificação fiscal: A empresa acima identificada adquiriu, de fornecedores localizados no estado de São Paulo e de outros Estados, matéria prima (couro verde), a ser utilizada no processo de Fabricação. Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse ern" situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: A IN nº 200/2002, vigente à época dos fatos, dispõe que a inexistência de fato será configurada nos seguintes casos: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV– cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28. Quanto aos documentos emitidos por pessoa jurídica considerada inapta a mesma resolução, já os considerava inidôneos, mesmo antes da declaração da inaptidão, consoante prescreve os inciso III, IV e V do §3º e § 4º do art. 43, os quais assim definem: Art. 43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. §3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: Fl. 2894DF CARF MF 14 I a partir da data da publicação do ADE a que se refere o art. 32, na hipótese do inciso I do art. 29; II a partir da publicação do ADE a que se refere o art. 35, na hipótese do inciso II do art. 29; III a partir da data desde a qual se caracteriza a situação prevista no inciso III do art. 37; IV na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 37, desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade regular; V na hipótese do inciso IV do art. 29, desde a data de ocorrência do fato. §4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º deste artigo (Grifo nosso). No tocante ao argumento do recorrente de que a declaração de inidoneidade dos documentos apenas podem surtir efeitos após a publicação do ADE, ele não deve ser tomado de forma absoluta, pois, só as hipóteses dos incisos I e II do§3º do art. 43 estabeleciam tal marco temporal, sendo as situações respectivamente definidas nos inciso I e II do art. 29 da IN nº 200/2002: Art. 29. Será declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas nos itens 1 e 3 da alínea "c" do inciso I do art. 48, por cinco ou mais exercícios consecutivos e, intimada, não regularizou sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas no inciso anterior, por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não foi localizada no endereço informado à SRF; III inexistente de fato; IV pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Pois bem, o Recorrente pleiteia a aplicação do precedente vinculante do REsp nº 1.148.444MG, inclusive sendo determinado tal observância pela decisão judicial do Agravo de Instrumento já mencionado anteriormente, cuja ementa diz o seguinte: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.882 15 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das Fl. 2896DF CARF MF 16 notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) A melhor interpretação dessa decisão foi feita no Acórdão CARF nº 1201 000.798, no voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, que bem esclareceu o alcance desse provimento judicial vinculante: A fim de esclarecer a decisão acima referida, há que se dizer que o mencionado art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, abaixo transcrito, ao contrário do art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, não ressalva a possibilidade de o interessado produzir prova em contrário à presunção de não ocorrência dos negócios registrados nas notas fiscais declaradas inidôneas. Art. 23. O direito de crédito, para efeito de compensação com débito do imposto, reconhecido ao estabelecimento que tenha recebido as mercadorias ou para o qual tenham sido prestados os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e, se for o caso, à escrituração nos prazos e condições estabelecidos na legislação. (Grifamos) Ao interpretar a referida norma o fisco estadual entendeu que ela estabelecia uma presunção legal absoluta, que, como tal, não admite prova em contrário por parte do interessado no crédito, não importando se a nota fiscal havia sido emitida antes ou após a publicação do ato que a declarou inidônea. Por meio da decisão acima mencionada o STJ flexibilizou a interpretação do fisco estadual, mas, s.m.j., somente em relação às notas fiscais emitidas antes da publicação do ato que as declarou inidôneas. Em relação a esses casos, entendeu a Corte que o creditamento do ICMS seria admitido, desde que o interessado no crédito comprovasse a efetiva realização da operação. Dito de outro modo, nestes casos permanece a presunção legal de inidoneidade da nota fiscal e, portanto, é vedado o creditamento do ICMS, facultado ao contribuinte produzir prova em contrário, caso em que fará jus ao crédito. Tratase, assim, de presunção legal relativa. Já em relação às notas fiscais emitidas após à publicação do ato que as declarou inidôneas, pareceme, pela leitura do inteiro teor do REsp 1.148.444– MG, que a interpretação emprestada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996 é de que se trata de presunção legal absoluta, como defendido pelo fisco estadual, sendo por conseguinte incabível o creditamento do ICMS, ainda que o adquirente viesse a comprovar a efetividade da operação. Seja como for, no presente processo administrativo não há dúvida de que as notas fiscais objeto da glosa foram emitidas pelos fornecedores da contribuinte antes de publicados os atos declaratórios de sua inidoneidade. Em assim sendo, seja com base no art. 82, parágrafo único, da Lei n 9.430/96, seja com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, aquelas notas fiscais são inidôneas à comprovação dos atos nelas registrados, facultado à contribuinte a produção de prova em contrário. Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.883 17 Foi exatamente este o esforço probatório que o ora recorrente procurou fazer desde a fase de fiscalização até a presente fase recursal. Tais provas, contudo, foram consideradas, tanto pela autoridade lançadora quanto pela autoridade julgadora de primeiro grau, como insuficientes à comprovação do recebimento das mercadorias e do pagamento do respectivo preço. Isso posto, no âmbito do presente recurso, em que a interessada reitera seus argumentos, caberá a esta Turma decidir, pelo exame dos elementos juntados aos autos pela contribuinte, se esta se desincumbiu do ônus de provar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço. Consta dos autos, no Termo de Verificação Fiscal, abrangendo o período do 4º trimestre de 2002 ao 2º trimestre de 2007, que Vitapelli Ltda. adquiriu de fornecedores matéria prima (couro verde) a ser utilizada no processo de fabricação. A Fiscalização, após análise das notas fiscais de compras e pesquisas aos sistemas corporativos da Receita Federal, bem como do SINTEGRA (sistema cadastral do fisco estadual de São Paulo), e mesmo na INTERNET, constatou que parte dos fornecedores encontravamse em situação cadastral irregular por inexistência de fato, inatividade, omissão na entrega de declarações, não habilitação no sistema cadastral da secretaria de fazenda estadual (não habilitada no Sintegra) etc. A partir dessa constatação, realizaramse diligências nesses fornecedores, verificandose que a maioria deles era inexistente de fato, posto que não se localizavam nos endereços informados como sendo seu domicílio tributário no cadastro do CNPJ. São eles: Fl. 2898DF CARF MF 18 Assim, glosouse todas os créditos referentes às aquisições desses fornecedores. Glosaramse também os créditos referentes às aquisições de pessoas jurídicas que haviam sido objeto de representação da Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente) da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Os créditos glosados referemse a operações posteriores à data em que as representadas ingressaram na situação cadastral que ensejou a representação. São elas: A Fiscalização ainda glosou os créditos referentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas não habilitadas no sistema Sintegra e que, portanto, não estavam autorizadas a emitir documentos fiscais. As glosas operaramse a partir da data da entrada na situação“não habilitada". São elas: Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.884 19 Em primeiro lugar, o contribuinte confrontou as glosas relativas às aquisições da Maxicouros Ind. e Com. Ltda (CNPJ 05.700.759/000109), cuja situação do CNPJ é ativa, e se encontra habilitada no SINTEGRA, visto que ela sequer foi arrolada no termo de verificação entre as empresas com irregularidades. Desse modo, não há razão para a manutenção dessas glosas específicas. As demais empresas cujas aquisições foram glosadas correspondem àquelas cuja inexistência de fato foi constatada em diligência do órgão fiscalizador, com fundamento no art. 37, II da IN nº 200/2002 (empresa que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem), com exceção da Nelore Couros Ltda, cujo fundamento da glosa foi a não habilitação no SINTEGRA, razão pela qual deve ser mantida a glosa em relação às aquisições desta empresa. Pois bem, as demais glosas se fundamentaram na inexistência de fato das empresas fornecedoras, cuja inaptidão foi declarada apenas com o ADE publicado em 2008. É preciso, pois, que se analise a regulamentação específica dos efeitos temporais da inidoneidade das notas fiscais de aquisição de matériasprimas emitidas, nos termos do art. 43, §3º da IN nº 200/2002. Compulsandose o TVF, vêse que foi empreendida uma abrangente e cuidadosa ação fiscal, com exceção da ponto relativo à análise e conclusão a que chegou a Fiscalização quanto a nunca terem existido as pessoas jurídicas indicadas no 10.1 do Termo. Conforme aduzido no Acórdão CARF nº 3803003.332, observouse que em todo o texto que cuida dessa análise, conforme o transcrito abaixo, podese perceber que não há elementos suficientes para que esta conclusão restasse consignada. Informa o teor do TVF que as cessões de crédito foram autorizadas pelos fornecedores, as pessoas destinatárias foram localizadas, e a única pergunta feita a esses destinatários é impertinente e, por si, insuficiente para descaracterizar a existência do fornecimento das matériasprimas, muito menos para atribuir inexistência a estes fornecedores desde a sua origem como pessoas jurídicas: No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato continuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Fl. 2900DF CARF MF 20 Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. Ora, a fiscalização reconhece a existência de três partes na relação: i) a Vitapelli, adquirente de matériasprimas; ii) a fornecedora de matériasprimas, a quem foi imputada a inaptidão; e iii) terceira pessoas que receberam pagamento da Vitapelli, em razão de "cessão de crédito" realizada entre eles (terceiros) e os fornecedores. É preciso que reste claro, pois, que a cessão de crédito é um negócio jurídico que ocorre entre o fornecedor (cedente) e o comprador do crédito (cessionário) identificado pela Fiscalização como "terceiras pessoas" , não havendo qualquer intervenção do Recorrente (Vitapelli), exceto a exigência do art. 290 do Código Civil: Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. Voltamos então à descrição da atividade da fiscalização: o fiscal intimou esses terceiros, adquirentes dos créditos dos fornecedores, e questionou sobre a existência de vínculos comerciais com a Vitapelli, tendo recebido respostas negativas e, em razão disso, concluído pela inexistência das operações comerciais: "Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais.". Absolutamente impertinente o questionamento, provavelmente em razão de não compreender que a operação de "cessão de crédito" não tem como parte o Recorrente, mas os fornecedores e os cessionários. Um exemplo deixará isto bastante claro: poderia eu, Conselheiro do CARF, entender ser um bom negócio utilizar meu jeton para adquirir créditos de uma das fornecedoras da Vitapelli, quiçá com algum deságio se no curso da fiscalização acerca da idoneidade das notas fiscais me fosse questionado se eu teria relações comerciais com o Recorrente, minha resposta seria certamente negativa, resposta essa que nada permite inferir sobre a inexistência das fornecedoras ou sobre a inocorrência da operação comercial. Não foram vistos nos autos elementos hábeis para caracterização dessas pessoas jurídicas como inexistentes de fato, sobretudo desde a sua constituição, senão tão só o sumário enquadramento feito pela Fiscalização, com base na inexistência de relação comercial entre os cessionários dos créditos e o Recorrente. Sem base, pois, a afirmação no TVF de que tais pessoas jurídicas nunca existiram, para o fim de enquadrar os efeitos temporais da inidoneidade dos documentos no § 3º, IV, do art. 43, IN RFB nº 200/2002: § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: IV na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 37, desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.885 21 a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade regular; Não há nos autos quaisquer provas que indiquem que as fornecedoras nunca realizaram suas atividades regularmente, desde a sua constituição. O máximo que se pode inferir diante das provas dos autos é que os fornecedores se enquadram na caracterização do art. 29, II da IN 200/2002, verbis: Art. 29. Será declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica: II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas no inciso anterior, por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não foi localizada no endereço informado à SRF; É dizer, logrouse comprovar que elas não estavam localizadas nos endereços informados à SRF, mas não se fez prova específica necessária à caracterização da inexistência de fato, que é a comprovação de que a empresa jamais exerceu atividade regular, e mais, a resposta dos cessionários dos créditos em absolutamente nada corrobora a conclusão pela inexistência. Caracterizada as fornecedoras como "omissa e não localizada", há que se aplicar a regra temporal do art. 43, §3º, II da IN 200/2002: § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere o art. 32, na hipótese do inciso I do art. 29; II a partir da publicação do ADE a que se refere o art. 35, na hipótese do inciso II do art. 29; Tal dispositivo determina que os efeitos da inidoneidade se iniciam exclusivamente com a publicação do ADE de inaptidão. Frisese que instrução dos autos não se desincumbiu de elidir as aquisições como de boafé, frente ao ateste da própria Fiscalização de que as cessões de crédito dos fornecedores para terceiros foram por aqueles autorizadas, embora ante a resposta também destes, ao questionamento posto, de que não travaram relações comerciais com esta Recorrente, circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a VITAPELLI. Diante disso, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte para reverter todas as glosas, com exceção daquelas relativas à empresa Nelore Couros Ltda. III) Da validade da cessão de créditos A fiscalização entendeu por desconsiderar os pagamentos feitos pelo Recorrente a terceiros que não correspondiam aos fornecedores, em razão da existência de contratos de "cessão de crédito a terceiros com autorização do fornecedor" (sic), para arrematar em tom triunfal que as operações negociais não existiram, pois os cessionários dos créditos não comprovaram sua relação comercial com a Vitapelli. Fl. 2902DF CARF MF 22 O equívoco é total, neste ponto. A cessão de créditos é operação típica, descrita no art. 286 do Código Civil: Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Em primeiro lugar, o titular, proprietário, dos créditos que serão cedidos NÃO é a Vitapelli, mas sim os FORNECEDORES que se tornaram credores do Recorrente após o fornecimento de matériasprimas mediante contraprestação (ou promessa de contraprestação). Portanto, que cede o crédito não é a Vitapelli, mas sim o fornecedor. Assim, a cessão de crédito, como já foi dito anteriormente, é uma relação negocial entre o fornecedor credor da Vitapelli e uma terceira pessoa que não tem qualquer relação necessária com a Vitapelli , cujos efeitos somente poderão ser opostos ao devedor (o Recorrente) mediante notificação deste, nos termos do art. 290 do CC/02 (Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.). O que a cessão de crédito opera é apenas o efeito translativo na posição creditória da relação jurídica decorrente do negócio realizado originalmente entre a Vitapelli e seus fornecedores. Ora, se é reconhecido pela própria fiscalização que os pagamentos foram feitos aos terceiros cessionários dos créditos dos fornecedores, a relação jurídica creditória decorrente dos negócios jurídicos de aquisição de matériasprimas que estarão sendo extintas por esses pagamentos pois o cessionário subrogase na posição do fornecedor, como credor da Vitapelli. Como bem colocado pela Recorrente, não há que se confundir a cessão de créditos relativos à operação de compra e venda, com a operação de compra e venda em si, pois é nesta que se funda o direito aos créditos, conforme a legislação. São três momentos distintos: i) a compra e venda (Vitapelli e fornecedor); ii) a cessão dos créditos (fornecedor e terceiros); e iii) o pagamento das compras (Vitapelli e terceiros). Ainda se aduziu, na decisão recorrida, que segundo o art. 288 do CC/02, "É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654". Ora, o Fisco não é terceiro interessado na cessão de créditos, mas apenas na ocorrência do pagamento relativo ao negócio jurídico, de modo que o negócio foi celebrado mediante instrumento particular com assinaturas devidamente reconhecidas em cartórios, garantindo a validade da operação de cessão e a sua oponibilidade ao devedor (Vitapelli). O terceiros a que se refere a legislação são aqueles que tenham interesses patrimoniais em bens e direitos dos envolvidos na operação de cessão de crédito especificamente o cedente e o cessionário como forma de proteger terceiros, por exemplo, da dilapidação patrimonial para frustrar obrigações privadas existentes absolutamente nada tem a ver com a verificação da ocorrência ou não dos negócios jurídicos de aquisição de matérias primas entre os fornecedores e o Recorrente. Pelo contrário, ao atestar a ocorrência dos pagamentos feitos pela Vitapelli aos cessionários, a Fiscalização confirma a ocorrência da condição necessária para afastar a inidoneidade dos documentos, conforme art. 82, parágrafo único da Lei 9.430/96: Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.886 23 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. É dizer, a própria Fiscalização confirmou o pagamento as obrigações oriundas do fornecimento de matériaprima. Desse modo, há que se reconhecer a validade das operações de cessão de crédito realizadas pelos fornecedores, que impactaram na comprovação do pagamento do preço respectivo das matériasprimas adquiridas, o que, conjuntamente ao Livro de Registro de Entradas do período analisado, servem para comprovar as condições para afastar a inidoneidade das notas fiscais. IV) Correção monetária do ressarcimento pela SELIC. Requer o contribuinte o reconhecimento do direito à correção monetária pela SELIC. Sobre o tema, aduziu o Cons. Waldir Navarro no julgamento do PAF nº 10835.002183/200471, nos seguintes termos: Pois bem. O art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e o art. 39, caput e § 4º , da Lei nº 9.250, de 1995, autorizavam a compensação ou a restituição, corrigida monetariamente, com base na variação da Unidade Fiscal de Referência (Ufir), ou o abono de juros calculados pela taxa Selic, de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições, o que não é o caso de ressarcimento de créditos, oriundos de receitas de exportação, de PIS/COFINS não absorvidos pelos débitos do mesmo imposto ou compensados com os demais tributos federais. Cabe ressaltar que ressarcimento e restituição são institutos distintos, porquanto o primeiro é modalidade de aproveitamento de incentivo fiscal (um benefício), ao passo que a restituição, ou repetição de indébito é a devolução, ao contribuinte que tenha suportado o ônus do tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior do que o devido, ou seja, de receita tributária que ingressou indevidamente nos cofres da Fazenda Pública. E mais. Entendo que essa matéria prescinde de maiores digressões, pois a pretensão da Recorrente correção do ressarcimento da COFINS pela incidência da taxa SELIC, encontrase cabal e expressamente vedada pela legislação de regência, disposta no art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável também ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa pela norma de extensão do inciso VI do art. 15: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (....). Fl. 2904DF CARF MF 24 Assim, contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a Recorrente. E é desta forma que vem reiteradamente sendo decidido pela CSRF. Por fim, sobre a alegação de inconstitucionalidade, deste outro lado, pela aplicação da Súmula CARF nº 2, fica impedido o Colegiado deste CARF de apreciar a Constitucionalidade da lei. Vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. À vista disso, o pleito feito pela Recorrente de atualização monetária e incidência de juros pela SELIC dos valores dos créditos a serem ressarcidos não pode ser acolhido. Aderindo às razões acima, há que se negar o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC. V) Conclusão Ante o exposto, voto por: I) Reverter as glosas de crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. II) Reverter todas as glosas sob fundamento de inidoneidade das notas fiscais, com exceção daquelas relativas à empresa Nelore Couros Ltda; III) Reconhecer a validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.887 25 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto, ressalto minha discordância em relação aos seguintes pontos tratados neste voto: (i) à glosa de créditos relativas à aquisição de matérias primas das empresas fornecedoras (empresas inaptas); e (ii) a validade das operações de cessão de crédito entre os fornecedores e terceiros. Cabe repisar que trata os autos de Pedido eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) referente a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao primeiro trimestrecalendário do ano de 2004. Consta dos autos que parte das glosas de créditos pleiteados pela Recorrente no primeiro trimestre respectivo do anocalendário de 2004, referese à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo Fisco sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. O cerne da questão aqui tratada reside em que no seu Recurso Voluntário a interessada alega que os Atos Declaratórios (ADE) de inaptidão do CNPJ de seus fornecedores foram exarados a partir de 2008, daí porque não poderiam produzir efeitos retroativamente para alcançar operações efetuadas em 2004, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp. nº 1.148.444MG. Das Diligências realizadas pelo Fisco em outros PAF (mesma empresa e matéria) Dentro do contexto acima, verificase que quando do julgamento do PAF nº 10835.002183/200471 (da própria recorrente VITAPELLI Ltda.), também decorrente de processo de PER Pedido de Ressarcimento de saldo credor de COFINS, oriundos de receitas de exportação sob a sistemática da nãocumulatividade, referente ao 2º Trimestre de 2004, o qual resultou no Acórdão nº 3402004.900, de 01/02/2018, de lavra deste Conselheiro, constatase que quando do cumprimento da Diligência solicitada pelo CARF, em sua Informação Fiscal, o Fisco proferiu o seguinte Despacho (5.441/5.442): "(...) Com a finalidade de atender o contido na Resolução nº 3402000.696 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, fls. 3676 a 3682 e, considerando que os elementos solicitados fazem parte, inclusive, do processo administrativo fiscal nº 15940.000293/200929 (IRPJ/CSLL), processo este findo administrativamente, por economia processual, providenciamos cópia da documentação pertinente e juntamos ao presente processo, fls. 3862 a 5410. (Grifei) Ato contínuo, com apoio na documentação citada, elaboramos planilhas com as seguintes indicações: a) Empresas inaptas, nº do ADE, data da publicação no DOU, fundamentação e data dos efeitos (fl.5.419); Fl. 2906DF CARF MF 26 b) Notas fiscais glosadas, datas dos lançamentos e de emissão dos documentos, identificação das emitentes, valores das notas fiscais, forma de pagamento (fls.5.432 a 5.438). Prosseguindo, foi elaborado relatório fiscal, denominado esclarecimentos complementares (fls 5.420 a 5.429), tendo por base as pessoas jurídicas cuja documentação fiscal foi objeto de glosa. Assim sendo, entendemos que a documentação carreada aos autos, adicionada aos esclarecimentos complementares, permite a tomada de decisão". Verificase ainda que, no referido Relatório Fiscal denominado de "Esclarecimentos Complementares" (às fls 5.420/5.429, daquele processo), encontrase relacionadas as informações a respeito das pessoas jurídicas cuja documentação fiscal foi objeto das glosas naqueles autos. Desta forma, para deslinde da questão posta nestes autos, subscrevo trechos das considerações tecidas no referido Acórdão (3402004.900, de 01/02/2018), adotandoas como fundamentos e razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. Assim, iniciamos colacionando, a título de exemplo, trechos do referido Acórdão nº 3402004.900 (advindo do Relatório de Fiscalização), referente às observações colhidas sobre a empresa Alexandra Nagle Gonçalves dos Reis Rodrigues (fls. 15.180 do PAF nº 10835.002183/200471): "5.1 Alexandra Nagle Conçalves dos ReisiCOMERCIAL ST PAUL LTDA. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3461 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) a atividade declarada é o comércio varejista de carnes (açougue), e não o comércio de couros; b) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Jacareí – SP; c) o proprietário do imóvel onde deveria funcionar a empresa declarou que o contrato de locação encerrouse em dezembro de 2003, não tendo sido renovado; d) consta como “não habilitado”, desde 31/12/2003, no cadastro do Fisco paulista; e) os pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foram feitos a terceiro, por meio de cessão de crédito; f) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 06/11/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 31/12/2003. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5232 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 07/10/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.888 27 b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 54.600,00, emitidas pelo fornecedor no mês de março de 2004; c) comprovante bancário de pagamento feito à NEC Negócios Complementares Ltda., acompanhado de instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) a essa empresa (cessionário); d) ticket de pesagem de carga emitido pela própria recorrente, e recibo de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) o fornecedor, supostamente domiciliado em Jacareí – SP, cedeu seu crédito à NEC Negócios Complementares Ltda., que se encontra domiciliada em Belo Horizonte – MG; b) a NEC Negócios Complementares Ltda. também aparece como cessionária de outros fornecedores da recorrente que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda. e Karla Patrícia Lessa Paim." Nessa mesma trilha, o Acórdão citado, pontuou sobre outras empresas envolvidas no processo (fls. 15.180/15.185). Encontrase abaixo reproduzido, PLANILHA elaborada pela fiscalização, em forma de extrato, demonstrando sobre a declaração de Inaptidão do CNPJ: a empresa, nº do ADE, data de publicação, fundamentação, data dos efeitos e as folhas referente a documentação acostada (fl. 5.419, do PAF nº 10835.002183/200471): Da Manifestação da Recorrente (pós diligência) Cabe ressaltar que, naquele processo nº 10835.002183/200471, da seguinte forma consta da Manifestação elaborada pela Recorrente (pós diligência fiscal de 02/04/2015 fls. 5.451/5.460), que "(...) Apesar de ter sido proferida decisão irrecorrível da 1ª SEJUL do CARF no PA n.° 15940.000293/200929, em sentido contrário ao da recorrente, o Judiciário determinou que a cobrança do IRPJ e CSLL seja suspensa até que haja o trânsito em julgado dos PAs de ressarcimento de 2004, pois, havendo a manutenção da decisão da 3ª Turma Fl. 2908DF CARF MF 28 Especial da 3º SEJUL revertendo as glosas, o AIIM de IRPJ e CSLL sucumbirá (Mandados de Segurança n.° 000499106.2014.4.03.6112 e 000023432.2015.4.03.6112). Em suma, a Recorrente entende que o Judiciário reconheceu que o Auto de Infração de IRPJ e da CSLL (PAF nº 15940.000293/200929, da empresa VITAPELLI) foi lavrado em decorrência da análise dos pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS do ano calendário 2004 e, havendo a manutenção das decisões da (extinta) 3ª TE/3ª Sejul, esse lançamento terá que ser cancelado. Aduz que há identidade entre os fornecedores de matériasprimas abarcados neste feito e aqueles abarcados nos processos n.°s 10835.003027/200427 e 10835.000162/200500. Nesses dois PAFs, foram analisadas justamente aquelas operações realizadas em 2004, fornecedores estes considerados "em situação irregular", quais sejam, Comercial St. Paul Ltda., Frigorífico Alta Noroeste Ltda., Jadluc Indústria e Comércio de Couros, MJ Aragão Cruz, Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda., Ki Belo Couro Comercial Ltda., Marfabi Agro Comercial Ltda., Montaria Comércio de Óleo Ltda. e Santos Soares Dias e WG Couros Ltda, dentre outros. Por fim, ressalta que a Recorrente tomou as cautelas exigidas pelo STJ, no REsp nº 1.148.444/MG. Por ocasião da celebração das operações comerciais, consultou a situação dos fornecedores e constatou que eles se encontravam "habilitados", conforme consultas efetuadas no SINTEGRA (fls. 1.811/1.812, 1.868/1.897, 2.374, 2.409/2:415 e 2.499/2.501), reafirmando que , "(...) conforme decidido pelo STJ, a verificação da idoneidade das empresas compete ao Fisco". Em relação aos demais itens da conversão em diligência, o objetivo dos julgadores foi o de obter a certeza de que a recorrente agiu de boafé (entendimento firmado no REsp do STJ) e que as operações, de fato, ocorreram. Naquele processo, visando comprovar que as operações mercantis de fato ocorreram a Recorrente solicitou a realização de Perícia Contábil pela empresa ATHROS/ASPR Auditoria e Consultoria, que examinou todas as operações realizadas com os fornecedores em questão, constatando documentalmente que todas efetivamente ocorreram e que foram devidamente registradas na sua escrituração fiscal e contábil. Informa que o referido Laudo com os 21 Anexos de documentos em meio digital foram protocolizados no CARF em 15/09/2014. Mais especificamente em relação às cessões de crédito realizadas (será tratada em outro tópico), a recorrente apresentou as notificações que recebeu de seus fornecedores (fls. 257/413, 757/762, 1.179, 1.1491, 1.6218/1.219, 1.229, 1.230, 1.250, 1.266/1.267, 2.638, 2.644, 2.650, 2.654, 2.661, 2.664, 2.667, 2.671/2.672, 2.675, 2.678, 2.686, 2.690, 2.696, 2.700, 2.704, 2.711, 2.721, 2.727, 2.730, 2.735, 2.740, 2.743, 2.746, 2.750 e 2.753). Em resumo, a Recorrente entende ter comprovado a realização das operações, a regularidade das cessões de crédito e a entrada das mercadorias em seu estabelecimento, na forma da Lei e da jurisprudência. Das Provas carreadas aos Autos PAF nº 15940.000293/200929 (IRPJ/CSLL) Quando do atendimento da Resolução nº 3402000.696, da 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara (fls. 3.676/3.682, do do PAF nº 10835.002183/200471), o Fisco, considerando que os elementos solicitados pelo CARF faz parte, inclusive, do PAF nº 15940.000293/200929 (IRPJ/CSLL processo da empresa VITAPELLI que se encontra Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.889 29 encerrado administrativamente), alegando economia processual, providenciou cópia da documentação pertinente e juntou naquele processo às fls. 3.862/5.410. Verificase que o processo, referese a lançamento reflexo dos tributos IRPJ e CSLL, decorrente da glosa de notas fiscais de compras consideradas inidôneas perante a RFB (controladas em outros processos). Foram lançadas não só o imposto e as contribuições anuais como também as multas isoladas por falta do recolhimento mensal por estimativa. Em consulta ao sitio do CARF, verificase que após análise do processo, foi proferido o Acórdão nº 1201000.798, de 07/05/2013, e que o resultado do julgamento se deu da seguinte forma dispositiva: "Não havendo o sujeito passivo logrado êxito em provar nem a entrega da mercadoria por ele supostamente adquirida, nem o pagamento do respectivo preço, correta a glosa de custos realizada pela fiscalização e a conseqüente lavratura de auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos aos Cofres Públicos". Por outro lado, há que se considerar que os membros do Colegiado acordaram, em dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada, por entenderem que, no caso, houve a concomitância. Como se vê, no acórdão de Recurso Voluntário citado, o CARF decidiu por serem indevidas as multas isoladas, mantendo, tão somente, as contribuições anuais. Verifica se que, embora tenha havido novo recurso para a instância superior deste Conselho Administrativo, o seu RE (Recurso Especial) não foi admitido pela CSRF/CARF. Da observância ao decidido pelo STJ REsp (repetitivo) nº 1.148.444/MG Na decisão Judicial perpetrada pela Recorrente, ficou determinado pelo juízo que se faça as análises dos fatos com observância do decidido pelo STJ no REsp repetitivo nº 1.148.444/MG. E, nesse passo, a observância ao decidido pelo STJ se faz obrigatório, uma vez que o art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), impede contrariar decisões emanadas pelo Superior Tribunal de Justiça tomada em Recurso escolhido como repetitivo. Vejase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, em cumprimento ao comando Judicial e em observação ao RICARF, passo a análise da questão com a observância do decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG. Fl. 2910DF CARF MF 30 Para tanto, entendo que neste caso, por tratarse de PAF da empresa Vitapelli Ltda e das mesmas empresas envolvidas, mesmos períodos fiscalizados e dos mesmos elementos de provas, que tinha como objetivo manter o lançamento, reproduzo e adoto como fundamentos para decidir a questão aqui tratada (com algumas alterações pontuais), nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784, de 1999, os argumentos expostos no Acórdão nº 1201000.798, de 07/05/2013 (findo administrativamente), de Ralatoria do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, que passa a fazer parte integrante do presente voto, nas partes que interessam ao deslinde deste processo, quais sejam: (i) da inexistência de Ato Declaratório de Inaptidão do CNPJ anterior aos fatos (data dos efeitos); (ii) das provas trazidas aos autos; (iii) da valoração das provas; (iv) do pagamento e do recebimento das mercadorias (couro de boi); (v) das cautelas exigidas em Lei; e (vi) das irregularidades das cessões de créditos realizados. Primeiramente, há que se ressaltar que foram analisadas naquele Acórdão, além das empresas aqui tratadas, outras, que não foram relacionadas pelas glosas tratadas neste processo. A seguir, com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, reproduzo trechos do voto condutor do Acórdão nº 1201000.798, de 07/05/2013 (da empresa Vitapelli Ltda), o qual analisa todas as questões aduzidas pela Recorrente no recurso voluntário, bem como na Manifestação elaborada pós diligência realizada pela fiscalização, fazendo observância do decidido pelo STJ no REsp repetitivo nº 1.148.444/MG, conforme o comando Judicial reportado. " (...) . Dos Atos Declaratórios de Inaptidão dos Fornecedores Parte dos custos escriturados pela contribuinte no anocalendário de 2004, referentes à aquisição de couro bovino junto aos 16 fornecedores indicados no Termo de Verificação Fiscal (do PAF nº 10835.002183/200471), foi glosada pelo Auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. A referida glosa (fl. 5.135 e fls. 8.328/8.341) corresponde a aproximadamente 10,8% do total dos custos informados pela autuada em sua DIPJ/2005. Em seu recurso voluntário a interessada alega que os Atos Declaratórios de inaptidão de seus fornecedores foram exarados a partir de 2008, daí porque não poderiam produzir efeitos retroativamente para alcançar operações efetuadas em 2003/2004, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp nº 1.148.444–MG. Argumenta, ainda, que não há Ato Declaratório para alguns dos 16 fornecedores apontados pelo auditor, e que, para os demais, os atos padecem de vício formal pois não foram publicados no sítio da RFB na Internet, conforme previsto no art. 80, § 4º, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 11.941/2009. Pois bem, sobre o assunto os arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, assim estabelecem: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (Grifei) Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.890 31 documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. (Grifamos) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (Grifei) O art. 81 acima transcrito trata das hipóteses de declaração de inaptidão da inscrição de uma pessoa jurídica junto ao Cadastro Geral de Contribuintes CGC (atualmente denominado de Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ). Entre essas hipóteses, a que mais nos interessa no presente caso é a da pessoa jurídica inexistente de fato, ou seja, aquela pessoa que não possui existência real (estabelecimento, bens necessários à consecução de seus objetivos etc), mas apenas formal (registro dos atos constitutivos, inscrição estadual, inscrição no federal etc.). Já o art. 82 cuida de um dos efeitos da declaração de inaptidão, qual seja, a presunção de inidoneidade dos documentos emitidos pela pessoa jurídica declarada inapta, ressalvada ao sujeito passivo a produção de prova em contrário. Tratase aqui de presunção legal relativa cujo efeito, como é cediço, é a inversão do ônus da prova. Em assim sendo, declarada a inaptidão da pessoa jurídica, caberá ao interessado que com ela manteve negócios comprovar o recebimento dos bens e o respectivo pagamento, sem o que poderá o fisco presumir que aqueles negócios efetivamente não ocorreram. (Grifei) Embora tratando de questão relativa à legislação do ICMS, em especial do art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, a decisão do STJ apontada pela Recorrente, exarada no âmbito do REsp nº 1.148.444–MG, vai ao encontro do estabelecido no art. 82 da Lei nº 9.430/96, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE).NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOA FÉ. 1. O comerciante de boa fé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (...) (Grifei) (...) 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria Fl. 2912DF CARF MF 32 incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. (grifamos) 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A fim de esclarecer a decisão acima referida, há que se dizer que o mencionado art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, abaixo transcrito, ao contrário do art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, não ressalva a possibilidade de o interessado produzir prova em contrário à presunção de não ocorrência dos negócios registrados nas notas fiscais declaradas inidôneas. Art. 23. O direito de crédito, para efeito de compensação com débito do imposto, reconhecido ao estabelecimento que tenha recebido as mercadorias ou para o qual tenham sido prestados os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e, se for o caso, à escrituração nos prazos e condições estabelecidos na legislação. (grifamos) Ao interpretar a referida norma o fisco estadual entendeu que ela estabelecia uma presunção legal absoluta, que, como tal, não admite prova em contrário por parte do interessado no crédito, não importando se a nota fiscal havia sido emitida antes ou após a publicação do ato que a declarou inidônea. Por meio da decisão acima mencionada, o STJ flexibilizou a interpretação do fisco estadual, mas, s.m.j., somente em relação às notas fiscais emitidas antes da publicação do ato que as declarou inidôneas. Em relação a esses casos, entendeu a Corte que o creditamento do ICMS seria admitido, desde que o interessado no crédito comprovasse a efetiva realização da operação. Dito de outro modo, nestes casos permanece a presunção legal de inidoneidade da nota fiscal e, portanto, é vedado o creditamento do ICMS, facultado ao contribuinte produzir prova em contrário, caso em que fará jus ao crédito. Tratase, assim, de presunção legal relativa. Já em relação às notas fiscais emitidas após à publicação do ato que as declarou inidôneas, pareceme, pela leitura do inteiro teor do REsp nº 1.148.444–MG, que a interpretação emprestada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996 é de que se trata de presunção legal absoluta, como defendido pelo fisco estadual, sendo por conseguinte incabível o creditamento do ICMS, ainda que o adquirente viesse a comprovar a efetividade da operação. Seja como for, no presente processo administrativo não há dúvida de que as notas fiscais objeto da glosa foram emitidas pelos fornecedores da contribuinte antes de publicados os atos declaratórios de sua inidoneidade. Em assim sendo, seja com base no art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, seja com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, aquelas notas fiscais são inidôneas à comprovação dos atos nelas registrados, facultado à contribuinte a produção de prova em contrário. Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.891 33 E foi exatamente isso que a Recorrente procurou fazer desde a fase de fiscalização até a presente fase recursal. Tais provas, contudo, foram consideradas, tanto pela autoridade lançadora quanto pela autoridade julgadora de primeiro grau, como insuficientes à comprovação do recebimento das mercadorias e do pagamento do respectivo preço. Isso posto, no âmbito do presente recurso, em que a interessada reitera seus argumentos, caberá a esta Turma decidir, pelo exame dos elementos juntados aos autos pela Recorrente, se esta se desincumbiu do ônus de provar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço. Mas há mais. A rigor, uma vez que a autoridade fiscal também produziu provas que, sob sua ótica, são suficientes à comprovação de que as operações sob exame não ocorreram (em especial, diligências juntos aos fornecedores da contribuinte), sequer haveria necessidade, ao menos para os fins do presente processo, que propusesse às DRFs competentes a declaração de inaptidão das pessoas jurídicas fornecedoras (vide processos de representação à fl. 3.461 e ss.). De fato, é preciso ter em conta que uma das principais funções do ato declaratório de inaptidão da pessoa jurídica “A” é dispensar o auditor, que esteja fiscalizando a pessoa jurídica “B”, de produzir prova da inidoneidade das notas fiscais emitidas por “A”. Assim, basta ao auditor acostar aos autos o ato declaratório de inaptidão de “A” para que o ônus da prova se inverta, cabendo então a “B” fazer prova do recebimento da mercadoria adquirida junto a “A” e do pagamento do preço. Mas, como já afirmado, no caso dos autos o auditor não lastreou sua autuação exclusivamente nos atos declaratórios de inaptidão dos fornecedores da contribuinte. Muito ao contrário, cuidou de colacionar elementos materiais que, em seu entender, provam a não ocorrência das operações descritas nas notas fiscais glosadas. Em assim sendo, a alegada inexistência de ato declaratório para alguns fornecedores, bem como a suposta ocorrência de vício formal nos atos declaratórios dos demais fornecedores (não publicação no sítio da RFB na internet), de modo algum seriam suficientes para afastarse, de pronto, o lançamento. Resumindo, a existência e validade dos atos declaratórios de inaptidão dos 16 fornecedores da contribuinte são questões cuja solução de modo algum porá fim ao litígio de que cuida o presente processo pois o lançamento, em tese, poderia se sustentar apenas nos elementos de prova trazidos aos autos pelo fisco. Nesse sentido, o litígio somente será solucionado por meio do exame e da valoração dos elementos de prova trazidos pela Recorrente, pela fiscalização e pela diligência solicitada pela DRJ. É o que se passa a fazer. Do Exame dos Elementos de Prova Em seu termo de verificação fiscal (fls. 5.125 e ss.) o Auditor afirma serem inidôneas, para fins de comprovar as transações nelas registradas, as notas fiscais apresentadas pela contribuinte para amparar a dedução de custos relativos à aquisição de couro bovino junto a 16 fornecedores deste produto. Lastreia sua afirmação nos fatos por ele apurados quando da realização de diligências junto aos fornecedores (fls. 3462/3780), bem como em documentos apresentados pela contribuinte em resposta a intimações fiscais a ela dirigidas (fls. 334/3461 e fls. 3803/5044). A relação dos custos glosados encontrase às fls. 3781 a 3802. A contribuinte, por sua vez, contesta a mencionada glosa de custos mediante a apresentação de elementos que, a seu juízo, comprovam tanto a efetiva entrega da mercadoria quanto o respectivo pagamento. Em anexo a sua impugnação a interessada juntou os documentos já apresentados durante a fiscalização, mas de uma forma mais organizada (fls. 5232/7658). Argumenta ainda que adquiriu os produtos de boa fé, e que não pode ser responsabilizada por eventuais irregularidades cometidas por seus fornecedores. Fl. 2914DF CARF MF 34 O julgamento de primeiro grau foi convertido em diligência, havendo, então, a autoridade fiscal designada, juntado aos autos o relatório de diligência e os documentos que serviram de base à resposta aos quesitos formulados pela DRJ (fl. 7.707/8.360). Não foi apresentada pela interessada contrarrazões ao Relatório de Diligência. O órgão a quo julgou improcedente a impugnação. A recorrente não apresentou novos elementos de prova em anexo ao recurso voluntário. Dito isso, passemos ao exame dos elementos de prova presentes nos autos, relativamente a cada um dos fornecedores investigados. 5.1) Alexandra Nagle Gonçalves dos Reis Rodrigues Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3461 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) a atividade declarada é o comércio varejista de carnes (açougue), e não o comércio de couros; b) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Jacareí – SP; c) o proprietário do imóvel onde deveria funcionar a empresa declarou que o contrato de locação encerrouse em dezembro de 2003, não tendo sido renovado; d) consta como “não habilitado”, desde 31/12/2003, no cadastro do Fisco paulista; e) os pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foram feitos a terceiro, por meio de cessão de crédito; f) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 06/11/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 31/12/2003. Como forma de comprovar sua boa fé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5232 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 07/10/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 54.600,00, emitidas pelo fornecedor no mês de março de 2004; c) comprovante bancário de pagamento feito à NEC Negócios Complementares Ltda., acompanhado de instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) a essa empresa (cessionário); d) ticket de pesagem de carga emitido pela própria recorrente, e) recibo de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8.342 e ss.): a) o fornecedor, supostamente domiciliado em Jacareí SP, cedeu seu crédito à NEC Negócios Complementares Ltda., que se encontra domiciliada em Belo Horizonte MG; b) a NEC Negócios Complementares Ltda. também aparece como cessionária de outros fornecedores da recorrente que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda. e Karla Patrícia Lessa Paim. 5.2) (...). 5.3) Frigorífico Alta Noroeste Ltda. Frigoan Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5.127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3554 e ss.) e nos documentos a eles anexados: Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.892 35 a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Araçatuba SP; b) seus sócios não possuem capacidade econômica para realização das atividades da empresa; c) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; d) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 13/06/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 27/12/2002. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5842 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 19/10/2005, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 2.044.380,40, emitidas pelo fornecedor entre os meses de março e agosto de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro; c) as cessionárias Ibituruna Couros Ltda. ME e Norte Sul Comércio de Couros Ltda. receberam créditos, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Comércio de Couros Celeste Ltda. e Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda.; d) também figurou como cessionária de créditos a empresa Lacerda Couros Ltda., que aparece como fornecedor investigado nos autos deste processo. 5.4) Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. (Itacouros) Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3577 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) seu domicílio tributário, em Itabuna – BA, sequer existe fisicamente; b) os sócios da empresa não foram encontrados em seus domicílios tributários; c) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; d) o Sr. Francisco Barros Montes e a empresa Curtume Souza Ltda., que figuram como cessionários de créditos do fornecedor, afirmaram que nunca mantiveram relações comerciais com este; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 23/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 27/12/1999. Como forma de comprovar sua boa fé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5982 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 21/07/2003, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 1.632.972,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e setembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets Fl. 2916DF CARF MF 36 de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro; c) os cessionários Manoel Medici de Souza, Norte Sul Comércio de Couros Ltda. e Jadelson Sardinha Brandão receberam créditos, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, M J Aragão Cruz ME, Marfabi Agro Comercial Ltda., Nelore Couros Ltda., Comércio de Couros Celeste Ltda. e Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda.; 5.5) M J Aragão Cruz ME (M A Comércio de Couros) Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3616 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Mata de São João – BA; b) o titular da firma individual informou que inicialmente o objeto da empresa era o comércio de carnes (açougue), mas que essa atividade encerrouse em 2002, e a partir de então passou a eventualmente representar a empresa Sergicouros na venda de couro, onde recebia apenas comissão; c) afirmou também desconhecer a emissão de aproximadamente R$ 15.000.000,00 em notas fiscais de sua empresa; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 27/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 24/04/2002; Como forma de comprovar sua boa fé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6080 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 27/09/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 10.989.000,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) diversas notas fiscais em seqüência numérica e valores idênticos; c) boa parte dos pagamentos realizados pela recorrente a este fornecedor se deu em valores muito inferiores àqueles constantes das notas fiscais; d) há notas fiscais com numeração repetida; e) diversos pagamentos feitos via conta Caixa; f) baixas contábeis efetuadas no ano de 2006; g) na condição de cessionária, a Sergicouros transferiu créditos para terceiros, sem encargos, após 17 meses da emissão da documentação fiscal pelo fornecedor. 5.6) Marifabi Agro Comercial Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3633 e ss.) e nos documentos a eles anexados: Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.893 37 a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São Paulo – SP; b) um dos sócios também não foi localizado em seu domicílio tributário. O outro afirmou jamais haver participado como sócio em nenhuma empresa; c) o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de 11/07/2003; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 04/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 16/06/2003. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6786 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 03/11/2003, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 1.725.955,50, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e junho de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) apesar de estar supostamente domiciliado em São Paulo – SP, cedeu crédito a pessoas supostamente domiciliadas em Aracaju – SE, Belo Horizonte MG, Bom Despacho MG, Feira de Santana – BA. 5.7) Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3633 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São José do Rio Preto – SP; b) os sócios da empresa também não foram encontrados em seus domicílios tributários; c) o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de 17/06/2004; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 31/01/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 17/06/2004. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6900 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 03/03/2005, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 351.680,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de novembro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): Fl. 2918DF CARF MF 38 a) a cessionária Norte Sul Comércio de Couros Ltda. recebeu crédito, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. e Comércio de Couros Celeste Ltda. 5.8) (...). 5.9) Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3652 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) o estabelecimento matriz não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Belo Horizonte – MG. O mesmo se diga em relação à filial, que deveria estar domiciliada em Nova Serrana – MG; b) o único sócio identificado também não foi localizado em seu domicílio tributário; c) o Fisco mineiro “bloqueou” a empresa em 27/04/2004 em razão de seu desaparecimento; d) o Fisco estadual também informou que o Banco do Brasil não reconheceu a autenticação aposta nas guias de recolhimento antecipado do ICMS na saída interestadual de couro bovino dos meses de junho a agosto de 2004, bem como do ICMS sobre as respectivas operações de transporte, razão pela qual o imposto foi lançado de ofício; e) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; f) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 13/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 01/01/2003. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6986 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 15/10/2005, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “não habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 3.678.150,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de março e agosto de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga; e) conhecimentos de transporte. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) ocorreram baixas contábeis nos anos de 2005 a 2007, tendo como origem notas fiscais emitidas em 2004. Diversos valores baixados tiveram como contrapartida a conta “Caixa”; b) a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro. Intimada, a cessionária declarou não ter realizado qualquer operação comercial ou financeira com o fornecedor. 5.10. (...). 5.11) WG Couros Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3727 e ss.) e nos documentos a eles anexados: Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.894 39 a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Esmeraldas – MG; b) os sócios da empresa também não foram encontrados em seus domicílios tributários; c) o Fisco mineiro informou que a pessoa jurídica encontrase bloqueada desde 01/12/2006; d) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 24/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 22/05/2001. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7224 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 16/06/2006, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 4.927.500,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feito ao terceiro R.S.P. Fomento Mercantil Ltda., acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àquele (cessionário); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) ocorreram diversas baixas contabilizadas ao longo dos anos de 2005 e 2006, destacandose o lançamento efetuado em 19/07/2005; b) a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro. Intimada, a cessionária declarou não ter realizado qualquer operação comercial ou financeira com o fornecedor; c) cessões de créditos contendo redação semelhante às emitidas por outras “noteiras”; d) pagamentos de duplicatas efetuados à Marfrig. 5.12. (...). 5.15) Nelore Couros Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), e nos documentos a eles anexados: a) supostamente domiciliado em Conselheiro Lafaiete, MG; b) foi considerado como “não habilitado” pelo Fisco estadual em 01/08/2003, em razão de seu “desaparecimento” (fl. 3777); c) foi considerado “inapto” pela SRF em razão de sua condição de omisso não localizado, conforme ato publicado em 20/07/2004, com efeitos a partir de 11/02/1999 (fl. 3778); d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; Como forma de comprovar sua boa fé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7598 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 05/02/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 540.000,00, emitidas pelo fornecedor no mês de janeiro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros; d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Fl. 2920DF CARF MF 40 Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionário registrados pelo fornecedor em 2004; b) os cessionários Jadelson Sardinha Brandão, Manoel Medici de Souza, Carlos Chaves Rego Jr. e Cláudio César Bueno Henrique receberam créditos, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda., Marfabi Agro Comercial Ltda. e M J Aragão Cruz ME; c) foram ainda constatadas algumas anormalidades, como notas fiscais emitidas em seqüência numérica, a maioria com valores idênticos e descontos elevados. 5.16) Santos Soares Dias Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) supostamente domiciliado em Montes Claros – MG; b) foi considerado pela SRF como “inapto” por motivo de inexistência de fato, conforme ato publicado em 23/11/2004, com efeitos a partir de 11/02/1999 (fl. 3779). Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7625 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 07/04/2008, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “não habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 135.000,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de fevereiro e maio de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros; d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionário registrados pelo fornecedor em 2004; b) não foram exibidos sequer os documentos de cessão de crédito; c) é anormal o desconto concedido à nota fiscal nº 49286. Da Valoração dos Elementos de Prova Neste voto examinamos os elementos de prova trazidos aos autos pela fiscalização, pela contribuinte e pela autoridade que realizou a diligência solicitada pela DRJ. Passemos agora a sua valoração, primeiro no que toca ao recebimento da mercadoria e depois quanto ao pagamento do respectivo preço, conforme exigido pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. Do Recebimento do Couro A fim de provar o efetivo recebimento da mercadoria a contribuinte juntou aos autos tickets de pesagem de carga e recibos de pagamento a autônomo (RPAs) pela suposta prestação do serviço de transporte da carga. Pois bem, a meu juízo, o valor probatório desses elementos é relativamente baixo, haja vista que tanto os tickets de pesagem de carga quanto os RPAs são documentos de emissão do próprio autuado. Maior força probante teriam os conhecimentos de transporte rodoviários de cargas (CTRC), pois são documentos emitidos por terceiros não interessados, quais sejam, os transportadores das mercadorias. No entanto, a ora Recorrente, apesar de estar obrigada a exigir dos transportadores a 2ª via do CTRC, que inclusive serviria como comprovante de entrega das mercadorias (vide art. 19, II, do Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.895 41 Convênio Sinief nº 06/1989, mais adiante transcrito), não exibiu esse importante documento à fiscalização, nem os juntou aos autos posteriormente. Por outro lado a fiscalização apresentou como prova de sua acusação as diligências realizadas nos domicílios tributários dos 16 fornecedores objeto da auditoria e, em alguns casos, as diligências também efetuadas pelo fisco estadual (fl. 3461 e ss.). Nessas diligências restou cabalmente comprovado que os 16 fornecedores, à época em que emitidas as notas fiscais aqui glosadas (ano de 2004), não existiam nos endereços constantes das notas fiscais objeto da presente glosa, ou seja, não existiam em seus domicílios tributários. Embora esteja provado que, em 2004, os citados 16 fornecedores não existiam nos endereços constantes das notas fiscais glosadas, esse fato, por si só, não pode ser tomado como prova inequívoca de que a contribuinte não recebeu a mercadoria, pois ainda haveria a possibilidade que esses fornecedores estivessem desenvolvendo clandestinamente suas atividades em outros locais, que não em seus domicílios tributários. Nessa hipótese, a contribuinte poderia alegar, como realmente o fez, que não estava obrigada a saber que os 16 fornecedores não funcionavam em seus domicílios tributários. Todavia essa afirmação contradiz um dos elementos juntados pela própria contribuinte em sua defesa, qual seja, os recibos de pagamento a autônomo por ela emitidos em razão da alegada contratação dos serviços de transporte de carga. De fato, se é verdade que ora recorrente contratou os serviços de transporte do couro bovino (daí a emissão dos RPAs), é de se perguntar: qual o endereço que a contribuinte informou aos transportadores como local para recebimento da carga? Ora, o endereço para o qual o transportador deve se dirigir para receber a carga é informado pela contratante do serviço de transporte, no caso, pela contribuinte. E se a contribuinte os mandou receber a carga nos domicílios tributários de seus 16 fornecedores, então os transportadores não os encontrariam ali, pois, como visto, à época eles não existiam naqueles endereços. Também aqui o conhecimento de transporte rodoviário de carga poderia fazer prova a favor da (ou contra a) contribuinte. Neste documento, de emissão obrigatória por todos os transportadores, inclusive os autônomos, deve estar indicado, entre outras coisas, o local do recebimento da carga. Sobre a emissão do CTRT, o Convênio Sinief nº 06/1989 assim estabelece: Art. 16. O Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, modelo 8, será utilizado por quaisquer transportadores rodoviários de cargas que executarem serviço de transporte rodoviário Intermunicipal, interestadual e internacional, de cargas, em veículos próprios ou afretados. (Grifamos) Parágrafo único. Considerase veículo próprio, além do que se achar registrado em nome da pessoa, aquele por ela operado em regime de locação ou qualquer outra forma. Art. 17. O documento referido no artigo anterior conterá, no mínimo, as seguintes indicações: (...) VI a identificação do remetente e do destinatário: os nomes, os endereços e os números de inscrição, estadual e no CGC ou CPF; VII o percurso: o local de recebimento e o da entrega; (Grifamos) VIII a quantidade e espécie dos volumes ou das peças; IX o número da nota fiscal, o valor e a natureza da carga, bem como a quantidade em quilograma (Kg), metro cúbico (m³) ou litro (l); Fl. 2922DF CARF MF 42 Art. 19. Na prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas para destinatário localizado no mesmo Estado, o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido, no mínimo, em 4 (quatro) vias, que terão a seguinte destinação: I a 1ª via será entregue ao tomador do serviço; (Grifamos) II a 2ª via acompanhará o transporte até o destino, podendo servir de comprovante de entrega; (Grifamos) (...) Art. 20. Na prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas para destinatário localizado em outro Estado, o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido com uma via adicional (5ª via), que acompanhará o transporte para fins de controle do fisco do destino. (...) Isso posto, sobre o efetivo recebimento da carga, há que pesar se, pela lado da contribuinte, a debilidade das provas por ela trazidas aos autos (documentos de sua própria emissão), bem como a falta de juntada dos CTRC. Pelo lado do fisco pesa o fato, provado, de que os 16 fornecedores não existiam nos endereços informados nas notas fiscais glosadas, na época em que foram emitidas. Por fim, há ainda a questão, aqui levantada, sobre o local para onde os transportadores deveriam se dirigir a fim de receber a carga dos 16 fornecedores, já que foi a contribuinte quem contratou os serviços de transporte (vide RPAs). A valoração dessas provas, a meu juízo, autorizam concluir que a ora recorrente não se desincumbiu do ônus de provar, conforme exigido pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, o efetivo recebimento da mercadoria (sobre o ônus da prova vide item 4 deste voto). Dos Pagamentos pela Aquisição das Mercadorias A fim de provar o efetivo pagamento do couro que alega ter adquirido junto aos citados 16 fornecedores, a contribuinte apresentou os comprovantes bancários dos pagamentos (TED, transferência bancária etc.), bem como a grande maioria dos instrumentos de cessão de crédito dos fornecedores em favor de terceiros. Devese reconhecer desde já que os comprovantes bancários constituemse em elementos de prova aos quais devese atribuir elevado peso, já que, além de serem emitidos por terceiros não interessados no presente litígio, não seria crível que instituições financeiras fornecessem comprovantes bancários ideologicamente falsos a seus clientes. De seu lado, não nega o fisco a existência dos aludidos comprovantes bancários. Afirma entretanto que os pagamentos não tiveram como beneficiários os 16 fornecedores, e sim terceiros, por meio de cessão de crédito. Ademais, constatou o autor da diligência fiscal que parte dos créditos foi cedida a pessoas ligadas ao sócio majoritário da ora recorrente. Pois bem, quanto aos contratos de cessão de crédito é de se dizer que tratase de um negócio jurídico legítimo, por meio do qual o cedente (no caso dos autos, o fornecedor) transfere ao cessionário (no caso dos autos, o terceiro) a sua posição de credor de um direito perante o devedor (no caso dos autos, a contribuinte). Havendo a contribuinte sido notificada por escrito da cessão de crédito dos fornecedores aos terceiros, em princípio nada há de irregular nos pagamentos feitos diretamente. A situação se inverte, todavia, quando a autoridade que realizou a diligência solicitada pela DRJ constatou que em diversas ocasiões os fornecedores do couro cederam seus créditos às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini, que vêm a ser parentes da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio que detém 95% do capital social da autuada. Intimadas, aquelas senhoras declararam ao fisco que não mantiveram negócios com os cedentes do Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.896 43 crédito, o que nos autoriza concluir que cessão teria se dado a título gratuito. Ademais, intimada do relatório de diligência, a ora recorrente não se manifestou sobre o assunto, nem em contrarrazões àquele relatório, nem no voluntário. Assim sendo, devese perguntar: (i) seria razoável crer que os supostos fornecedores do couro à contribuinte tenham cedido seus créditos a terceiros a título gratuito? (ii) ainda que positiva a resposta, seria razoável crer que os beneficiários da cessão gratuita dos créditos sejam pessoas ligadas justamente ao devedor dos títulos, no caso, a contribuinte? As respostas a ambas as perguntas há que ser, definitivamente, negativa. É de conhecimento público que, via de regra, as pessoas não cedem seus créditos (dinheiro a receber) a terceiros a troco de nada. Exceções podem existir, como, por exemplo, o caso do pai que cede o crédito a seu filho, mas esse não é o caso dos autos. Aqui os supostos fornecedores do couro, em diversas ocasiões, cederam gratuitamente seus créditos a pessoas que não eram a eles ligadas, e sim ligadas à contribuinte, devedora dos títulos. O fato de a contribuinte haver feito pagamentos a pessoas a ela ligadas, sem que houvesse entre estas pessoas e os cedentes do crédito (os supostos fornecedores de couro), qualquer relação negocial (a não ser a própria cessão gratuita do crédito), autoriza concluir, sem espaço para dúvida, que os citados pagamentos, apesar de comprovados (vide comprovantes bancários), não tiveram como causa a aquisição de couro junto àqueles supostos fornecedores. Conclusão sobre a Valoração dos Elementos de Prova Conforme visto no item 6.1, a meu juízo, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o efetivo recebimento do couro bovino a que aludem as notas fiscais objeto da glosa. Recordese uma vez mais que, conforme explicado no item 4 do voto, o ônus da prova, no caso, recai sobre a contribuinte, uma vez que as citadas notas fiscais foram emitidas por pessoas jurídicas inexistentes de fato, à época de sua emissão. Assim sendo, haja vista que a recorrente não logrou êxito em provar o efetivo recebimento do couro bovino registrado nas notas fiscais, não haveria sequer necessidade de examinar se a questão da comprovação do pagamento do respectivo preço, uma vez que o art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96 exige que a contribuinte comprove tanto o recebimento da mercadoria quanto o seu pagamento. Ainda assim, no item 6.2, examinamos a questão dos pagamentos relativos às aquisições de couro bovino junto aos 16 fornecedores. Aqui a recorrente juntou aos autos os respectivos comprovantes bancários de pagamento tendo como beneficiários, via de regra, terceiros, cessionários dos créditos dos fornecedores pela suposta venda a prazo do couro bovino à contribuinte. Todavia, restou cabalmente provado pela fiscalização, ao menos em relação às cessões de crédito feitas pelos fornecedores às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini, que os respectivos pagamentos realizados pela contribuinte não tiveram como causa a alegada aquisição de couro bovino. Quanto aos demais pagamentos, é certo que poderíamos pedir a realização de nova diligência, já que a solicitada pela DRJ não teve como objeto a verificação da ligação entre os cessionários dos créditos (terceiros) e a contribuinte, ou entre aqueles e os cedentes. A realização de nova diligência, contudo, revelase desnecessária pois a contribuinte, como dito acima, deixou de provar o efetivo recebimento do couro bovino, condição necessária ao aproveitamento do custo dessas supostas aquisições. Fl. 2924DF CARF MF 44 (...) ". Da Perícia Contábil (manifestação pós diligência) No PAF nº 10835.002183/200471, a Recorrente informa em sua Manifestação (pós diligência) que "(...) para comprovar que as operações mercantis de fato ocorreram a Recorrente solicitou a realização de Perícia Contábil por ATHROS/ASPR Auditoria e Consultoria (fls. 5.503/5.533), que examinou todas as operações realizadas com os fornecedores em questão, constatando documentalmente que todas efetivamente ocorreram e que foram devidamente registradas na sua escrituração fiscal e contábil." Consta que o referido Laudo (Perícia Contábil), com 21 anexos de documentos, foram protocolados e apensados aos autos e, com a conversão do feito em diligência, a Recorrente junta todos os documentos que ampararam a citada perícia. Aduz que a referida Perícia é importante justamente para comprovar que "as presunções da fiscalização em torno de situações isoladas da atividade comercial da recorrente não são capazes de afastar a boafé e a efetiva ocorrência das operações com os fornecedores". No entanto, da leitura dos dispositivos legais transcritos neste voto e dos documentos acostados aos autos, em especial do parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430, de 1996, do art. 48 da IN SRF nº 748, de 2007 (em vigor à época dos fatos), e do art. 40 da Portaria MF nº 187, de 1993, concluise que a partir do momento em que um documento é declarado tributariamente ineficaz, mediante processo administrativo regular, compete à empresa que fez uso desse documento (terceiro interessado) provar que a operação nele descrita, de fato, ocorreu (conforme relatado no item "Das Provas carreadas nos Autos", deste voto). Isso porque, conforme a legislação, se presume que as operações contidas nos documentos inidôneos não ocorreram. Cabe ao interessado se desincumbir do ônus de provar o contrário. E, desse ônus probatório a Recorrente não se desincumbiu. De fato, não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de Inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. Como é cediço, os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200, de 2002 (vigente à época dos fatos). Por fim, muito embora tratando de questão relativa à legislação do ICMS, em especial do art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, a decisão do STJ apontada pela Recorrente exarada no âmbito do REsp. nº 1.148.444–MG, e solicitada sua observância pela decisão Judicial, que vai ao encontro do estabelecido no art. 82 da Lei nº 9.430/96, pelos motivos expostos neste voto, entendo que não cabe sua aplicação ao presente caso sob análise. Da cessão de Créditos Em relação a cessão de crédito sustenta a Recorrente que não seriam necessárias maiores formalidades, bastando apenas a comunicação ao devedor nos termos dos art. 107 e 108 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002). O Código Civil em seu art. 288 define que a mesma é ineficaz quando a transmissão de um crédito não for celebrada através de instrumento público, ou em caso de Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10835.000025/200648 Acórdão n.º 3402004.967 S3C4T2 Fl. 2.897 45 instrumento particular, que sejam atendidos os requisitos insculpidos no art. 654 do mesmo diploma legal, o qual ao estabelecer as condições de validade da procuração particular define em seu § 1ª que a mesma deve conter a indicação do lugar onde ocorre a outorga, a qualificação das partes, e discriminação dos poderes conferidos. Código Civil Art. 288: É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 12 do art. 654. Código Civil Art. 654: Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1º O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, 411 a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 22 O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Ressaltese ainda que a Lei de Registros Públicos nº 6.015, de 1973, que estabelece em seu art. 130, § 9º, que para os instrumentos de cessão de direitos e de créditos surtirem efeitos perante terceiros, devem ser registrados no Registro de Títulos e Documentos. Art.130. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (Renumerado do art. 130 pela Lei nº 6.216, de 1975). 9º os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. Acontece, que no caso dos autos não foram obedecidas as exigências indicadas, tal assertiva também pode ser constatada pelas afirmações da própria Recorrente ao dizer em suas razões recursais que “as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação do devedor/recorrente”. Não constam nos autos os instrumentos referentes às diversas cessões de crédito que os fornecedores da requerente teriam feito com vários cessionários, apenas há cartas de alguns fornecedores (denominado Notificação de Cessão de Crédito), comunicando a Recorrente que o pagamento deveria ser feito para um terceiro por eles escolhidos (fls. 5.399). Por essas razões não há como reconhecer a eficácia das cessões de créditos desprovidas das formalidades legais. Conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado quanto à glosa dos créditos relativos a aquisições de matériaprima de empresas declaradas inaptas e a validade das operações de cessão de crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2926DF CARF MF 46 Waldir Navarro Bezerra Fl. 2927DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721292/2013-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Tratando-se de pedido de ressarcimento, não fixa a legislação um lapso temporal para sua análise, tampouco o reconhecimento tácito do referido crédito.
AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO.
Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à não-cumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero.
Numero da decisão: 3302-005.274
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Tratandose de pedido de ressarcimento, não fixa a legislação um lapso temporal para sua análise, tampouco o reconhecimento tácito do referido crédito. AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 92 /2 01 3- 79 Fl. 2129DF CARF MF 2 [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de autos de infração lavrados para formalizar glosas de crédito na apuração da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 2007/2010) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 2011/2014) no regime não cumulativo, relativas aos terceiro e quarto trimestres de 2004, a todos os trimestres de 2005, 2006 e 2007 e ao primeiro trimestre de 2008. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1998/2005), o autuante assim justificou a lavratura dos autos de infração: 18. Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. (...) 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. (...) 20. Em que pese o raciocínio supracitado, entende o interessado ser possível a apuração de créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção do créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) 21. Como as receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas com as vendas de máquinas, veículos e autopeças submetidos à incidência monofásica estão sujeitos à alíquota zero, em vista do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, o contribuinte sustenta a tese de que, com o advento da Lei nº Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 19515.721292/201379 Acórdão n.º 3302005.274 S3C3T2 Fl. 2.129 3 11.033, de 2004, se tornou possível a apuração de créditos calculados em relação as referidas aquisições. 22. Quanto à referida norma contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, na qual o interessado fundamenta o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER),cabem algumas considerações. 23. A legislação tributária, como norma jurídica que é, deve ser interpretada sistematicamente e não isoladamente, como pretende o sujeito passivo. Assim, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, deve ser entendido no sentido de que os créditos que podem ser mantidos são aqueles que existiriam caso a receita ao qual é vinculado não fosse tributada com alíquota zero. Não é lógica a manutenção de crédito que a lei veda desde a sua definição – como no caso em tela, oriundos de veículos e autopeças , pois estes não constituiriam crédito, estando ou não suas receitas sujeitas à alíquota zero, em função da vedação expressa contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 24. Assim, o artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tratou de criar novos créditos, mas de possibilitar a manutenção daqueles que existiriam se não houvesse a desoneração tributária nas vendas relacionadas aos créditos em questão. Seria inconsistente e absurdo permitir a manutenção de um crédito que sequer existiu. 25. Ademais, à semelhança da substituição tributária, a tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e autopeças tratados aqui – faz incidir toda a carga tributária da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na pessoa jurídica fabricante ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto (atacadistas e varejistas). A concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo importador. (...) 28. Da análise das informações prestadas pelo contribuinte, depreendese que a totalidade das aquisições de veículos se referiu a mercadorias cujos códigos fiscais encontramse no rol existente na Lei nº 10485, de 2002, e, portanto, para as mesmas, incide a vedação contida no art. 3º, I, b da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. (grifei). 29. Em vista do exposto, decidiuse pela glosas dos créditos (...). Cientificada dos autos de infração em 08/06/2013 (fl. 2017), a contribuinte apresentou impugnação em 05/07/2013 (fls. 2022/2025), na qual alega: Fl. 2131DF CARF MF 4 1. Por entender ter direito aos créditos de PIS/COFINS não cumulativos, em relação aos produtos que adquiriu, a Contribuinte pleiteouos via PER/DCOMP. 2. Todavia, a Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu, via vários Despachos Decisórios, seu pedido porque supostamente não haveria base para o creditamento. 3. E a equivocidade de cada um desses Despacho Decisórios já está sendo combatida por Manifestações de Inconformidade, como é o previsto e usual. 4. Mas, supreendentemente, para esses mesmos créditos discutidos nas Manifestações de Inconformidade, houve também a lavratura deste Auto de Infração (...). (...) 5. Todavia também é uma autuação equivocada, e por vários motivos: a. a discussão do creditamento pertence a outros processos administrativos, nos quais serão analisadas as várias Manifestações de Inconformidade, assim esta autuação é violadora do direito de defesa da Contribuinte, pois duplica o atos do fisco, sobrecarregando indevidamente a Contribuinte, com o ônus processual desnecessário, já que: 1. se reformados os Despacho Decisórios, o creditamento está adquirido, portanto este Auto de Infração fica inútil; 2. já se os Despachos Decisórios forem mantidos, o creditamento é inexistente, portanto este Auto de Infração também é inútil. b. ademais, não há porque a autuação reprovar o direito creditório da Contribuinte, pois existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à nãocumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; c. e, pior, sequer seria necessário estender esse mérito, pois nenhuma negativa do creditamento pode prevalecer já que cientificada após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Da Existência de Reconhecimento Tácito ao Direito 6. A Contribuinte foi cientificada em 08.06.2013 da negativa do creditamento pretendido, referente a PER/DCOMP transmitido em 07.05.2008, portanto havendo entre as duas datas lapso superior a 5 anos. 7. Cientificação que ocorreu no mesmo dia, tanto deste Auto de Infração, como dos Despachos Decisórios aos quais se refere. 8. Logo já havia escoado o prazo para análise do fisco, e não cabia mais negar o direito ao creditamento pretendido pela Contribuinte. 9. É que, como é óbvio, o fisco não tem direito eterno para analisar pleitos transmitidos via PER/DCOMP; até porque, do Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 19515.721292/201379 Acórdão n.º 3302005.274 S3C3T2 Fl. 2.130 5 contrário, haveria completa insegurança jurídica na relação fisco e contribuinte. 10. Realmente, é certo que o fisco pode constituir ou desconstituir pleitos veiculados em PER/DCOMP, mas tem prazo para exercer esse direito de negar;afinal tudo tem prazo para ser praticado. 11. Mutatis mutandis, quando a Constituição Federal admitiu prazos eternos, assim expressamente previu: [transcreve os incisos XLII e XLIV do art. 5º e o § 5º do art. 37 da Constituição Federal] 12. Como se vê, não se encontram entre as exceções constitucionais a possibilidade de o fisco analisar PER/DCOMP pelo tempo que for conveniente, portanto a análise de PER/DCOMP está subordinada a termo final. 13. E, com efeito, a legislação traz referencial que se deve trazer para esta situação, evitando que o fisco não tivesse prazo limite para apreciar um PER/DCOMP: [transcreve o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996] 11. Ressaltese que esse prazo de cinco anos é o maior do Direito Tributário, portanto fica até muito beneficiado o fisco, sendo descabido ainda pretender ultrapassálo. 12. Assim, como a Contribuinte foi cientificada da negativa do creditamento aqui discutido já com o transcurso do lapso superior a cinco anos, a partir da data de protocolização do PER/DCOMP, portanto em período em que o fisco na não poderia mais negar o creditamento pleiteado, a autuação aqui discutida ficou insubsistente, pois, (a) além de equivocada porque o mérito do creditamento já está sendo discutido via Manifestação de Inconformidade, (b) também as normas permitem o creditamento, e (c) findou tratando de creditamento que já se consolidou no tempo, motivos pelos quais esta Impugnação deve ser julgada procedente para reconhecer o direito ao creditamento pleiteado pela Contribuinte, portanto insubsistente o Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INDEVIDOS. GLOSA. Fl. 2133DF CARF MF 6 É legítimo o lançamento realizado com o fito de formalizar a glosa de créditos do regime não cumulativo constituídos em desacordo com os preceitos legais. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Quando se trata de pedido de ressarcimento, não há que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, tampouco existe nesse caso a hipótese de reconhecimento tácito do crédito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INDEVIDOS. GLOSA. É legítimo o lançamento realizado com o fito de formalizar a glosa de créditos do regime não cumulativo constituídos em desacordo com os preceitos legais. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Quando se trata de pedido de ressarcimento, não há que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, tampouco existe nesse caso a hipótese de reconhecimento tácito do crédito. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 16/10/2015, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 2.089, apresenta em 16/10/2015, através da Solicitação de Juntada de fl. 2.091, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e documentos anexados, fls. 2.092/2.114, em extenso arrazoado sobre o seu suposto direito aos créditos glosados. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Matéria Preclusa Verificase que o recurso voluntário além do prazo questionado quanto a análise pelo fisco dos PER/DCOMP transmitidos, traz quanto ao mérito várias premissas Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 19515.721292/201379 Acórdão n.º 3302005.274 S3C3T2 Fl. 2.131 7 argumentativas, as quais não foram submetidas à primeira instância, já que se limitou a questionar o mérito via impugnação, conforme excertos a seguir: b.ademais, não há porque a autuação reprovar o direito de crédito da Contribuinte, pois há norma que possibilita o creditamento,afinal é intrínseco à nãocumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei n° 11.033/04;2 Da inexistência de homologação tácita Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação declarada, inexistindo na legislação prazo quanto à homologação tácita de pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos. Rejeitase assim a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, destacamse a seguir os excertos do TVF: Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de veículos e autopeças, mercadorias sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 2135DF CARF MF 8 II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Estando bem delineada a espécie normativa que fundamenta a questão e objetivamente abordada pela decisão de piso, reproduzemse os fundamentos, como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a seguir destacados: 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 19515.721292/201379 Acórdão n.º 3302005.274 S3C3T2 Fl. 2.132 9 Quanto ao mérito, digase que a alegação da impugnante de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro o Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei). Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 2137DF CARF MF 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuinte não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. Com isso, concluise novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar os lançamentos de ofício para formalizar as glosas dos créditos, devendo a contribuinte retificálos em suas declarações.(grifei). Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 19515.721292/201379 Acórdão n.º 3302005.274 S3C3T2 Fl. 2.133 11 Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 2139DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.907152/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 61 1 60 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.907152/201117 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.037 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 22 de fevereiro de 2018 Assunto PIS DCOMP ELETRÔNICA DIREITO CREDITÓRIO Recorrente SEMENTES GUERRA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 07 15 2/ 20 11 -1 7 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 62 2 Manifestação de Inconformidade A recorrente, em manifestação de inconformidade, solicita a extinção do crédito tributário relativo ao despacho decisório, mediante o deferimento da compensação com débitos. Erro no preenchimento da DCOMP Ao preencher o Per/Dcomp, teria informado que a totalidade de créditos de de PIS seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas, quando, de fato, tais créditos vincularseiam, também, com receitas de exportação. A justificativa do lapso, segundo o raciocínio apontado, decorreria do fato de ter tomado por base os dados da DACON original, a qual não segregou, ou vinculou, a receita interna e externa, mas teria informado de forma mensal totalizada. Ou seja, por ter consignado que os créditos estavam integralmente vinculados a receitas não tributadas no mercado interno, quando deveria ter segregado entre receitas de mercado interno e externo. Origem do Crédito mercado interno não tributado e receita de exportação Argumenta que a totalidade do crédito de PIS a compensar seria oriunda de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas. Quando, em verdade, apenas parte de aquisições ocorreram no mercado interno com receitas não tributadas. Enquanto parcela diversa referiase a receita de exportação. A Ficha 28B, DACON, apresenta informação do crédito de PIS vinculado a receita não tributada no mercado interno e proveniente de exportação, assegurando a legitimidade do crédito de PIS. Documentos anexados Foram anexados a estes autos: cópia parcial da DACON originária, referente ao terceiro trimestre de 2004 e cópia parcial da DACON do mês de janeiro de 2006 e Per Dcomp. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0833.009 4ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 TIPO DE CRÉDITO. DISCRIMINAÇÃO. PER/DCOMP. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação exigem a formulação de pleitos distintos quando da demonstração de créditos de natureza não cumulativa decorrentes de aquisição no mercado interno e de receitas de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 63 3 O relatório da mencionada decisão, por bem retratar o assunto, é trazido em sua integralidade. Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em oposição ao Despacho Decisório (fl. 33) que deferiu parcialmente o crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 37048.27724.310308.1.1.115145 e homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 04053.30668.310308.1.3.115060. O primeiro PER/DCOMP acima citado continha o Pedido de Ressarcimento e a demonstração do crédito referente a Cofins não cumulativa vinculada a receita não tributada no mercado interno, relativamente ao 3º trimestre de 2004, e lastreava as compensações intentadas. O Despacho Decisório não homologou as compensações sob a justificativa de que o crédito apurado foi inferior ao requerido, sendo o valor reconhecido insuficiente para extinguir os débitos declarados. Cientificado da decisão em 17/01/2012 (fl 37), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse, em duas ocasiões, a saber. Primeiramente, no preenchimento do demonstrativo no PER/DCOMP que discrimina o direito creditório, ao indicar que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, de fato, parte do crédito pleiteado decorria de receitas de exportação. Em segundo lugar, alega que cometera o equívoco de preencher o Dacon do período em questão sem segregar os valores de crédito associados a receitas internas daqueles decorrentes de vendas ao mercado externo. Alega, contudo que no Dacon do mês de janeiro de 2006 os créditos pleiteados encontramse devidamente vinculados, de forma segregada, entre receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação. Cientificado da decisão em 37 (fl 37), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse ao preencher o demonstrativo do crédito no primeiro PER/DCOMP entregue, ao indicar apenas o total do crédito no trimestre, quando deveria ter discriminado o direito creditório mês a mês. Já em trecho de seu voto, destacase tópico no qual expõe a questão central deste caso, a saber: a possibilidade de discussão, em sede de manifestação de inconformidade,sobre a utilização de créditos de natureza distintas; e, a comprovação da existência do crédito alegado. Para tanto, destacase, na primeira tese, os seguintes trechos: De plano, cabe esclarecer que o PER/DCOMP não comporta a utilização de créditos de natureza distintas, como quer o defendente. Se o contribuinte possui créditos decorrentes de aquisições no mercado interno e créditos decorrentes de receitas de exportação deve apresentar um pedido para cada tipo de crédito. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 64 4 Na segunda tese, finaliza sob o seguinte argumento: Destaquese por fim, que o interessado não apresentou, junto com a manifestação de inconformidade, nenhum elemento extraído de seus assentamentos contábeis, visando demonstrar a existência do crédito adicional, no sentido de justificar os alegados erros cometidos no Dacon e no PER/DCOMP. Recurso Voluntário Apresentado a defesa, a recorrente relata que se trata de pedido de compensação cujo resultado foi o indeferimento de parte dos valores, em face do qual, apresenta sua iresignação. Relatou que o crédito reclamado está alocado no mês de competência e estariam vinculados à receitas não tributadas no mercado interno e á atividade de exportação, mas que, conforme relatou em manifestação de inconformidade, reprisando a narrativa da forma como se deu o erro no preenchimento da Per/Dcomp Requer a baixa em diligência para averiguação do crédito tomado. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário que pretende demonstrar a ocorrência de erro no preenchimento de valores em DACON. Em síntese, a recorrente aponta crédito decorrentes de venda não tributada no mercado interno e crédito advindo da atividade de exportação, e pretende aproveitar o crédito mediante compensação. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, conforme relatado acima, sustentase em dois argumentos centrais. O primeiro, de plano, considero superado, pois este Conselho detém competência para analisar as compensações postas no litígio administrativo. O segundo, merecedor de maior atenção, revelase no tema acerca da possibilidade de busca da verdade material por este Tribunal Administrativo. Meios de Prova do Crédito Tributário A recorrente argumenta que seus créditos são legítimos, não indicando porém, nenhum documento comprobatório de sua narrativa. Ao contrário, limitase a repisar os argumento trazidos em manifestação de inconformidade sustentandoos, basicamente, nas DACONs. Em outros julgados, fui adepto à corrente mais formalista, no que tange à possibilidade da juntada de documentos após o início da fase litigiosa, no processo Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 65 5 administrativo federal, aceitandoos, tão somente, sob a tutela dos artigos 14 e 16 do Decreto 70.235/72. Esta egrégia Primeira Turma Extraordinária, muito embora, vem aplicando entendimento mais favorável ao contribuinte, motivo pelo qual, arredo posição de decisões anteriores para seguir os precedentes, como ressaltado a seguir: Da proposta de diligência Conforme observase do voto condutor do acórdão recorrido, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou como crédito a compensar, o constante de DARF relativo ao IPI do período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 11.253,67, mas que, entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que o valor recolhido, referente ao citado DARF, encontravase inteiramente alocado para a quitação de outros débitos do sujeito passivo e, por conseguinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, notadamente, em razão de o Colegiado a quo concluir que o contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade, não a instruiu com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito creditório pleiteado. O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade afirma que "devido a erro de preenchimento da DCTF (...), onde a empresa informou como débito total o valor de R$ 11.253,67 (...) referende ao Débito de IPI do mês de Abril desse mesmo ano, enquanto o valor apurado foi de R$ 6.027, 56 (...), gerouse um pequeno equívoco na constatação da existência do crédito", e que "constatado o erro de preenchimento em sua DCTF, procedemos a retificação da mesma a qual gerou o recibo de entrega nº 12.67.79.26.7273"; logo, "conforme se pode observar, a inexistência do crédito apontada (...) se deu apenas pelo erro cometido pela empresa no preenchimento de sua DCTF referente ao 1º Semestre de 2005". Não obstante o contribuinte, além de reconhecer o evidenciado equivoco e de ter apresentado juntamente com sua manifestação de inconformidade, a cópia da DCTF retificadora do período de apuração em questão e do PER/DCOMP, verdade é que com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida, o recorrente colaciona as cópias: do livro Registro de Apuração do IPI, Modelo 8, do anocalendário de 2005 (fls. 125 a 151), da PER/DCOMP 09262.56375.310805.1.3.04 5123, transmitida em 31.08.2005, acompanhada dos respectivos DARF e comprovante de recolhimento bancário (fls. 152 a 160), da DCTF/SEMESTRAL 100.0000.2010.2080235820 referente ao 1º Semestre de 2005 Número do Recibo 41.72.69.01.9197, recepcionada e processada em 30.08.2010 (fls. 161 a 276), do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 861818943, emitido em 19.04.2010 (fl. 282). Em face do exposto, e do possível erro quando do registro dos fatos contábeis na sua escrituração, com reflexo no preenchimento da DCTF, que, ao menos em tese, deveriam ser sanados de ofício, mediante a confirmação da aludida DCTF, mas que não se observa a manifestação conclusiva da autoridade fiscal competente para se pronunciar sobre referido documento DCTF retificadora e tendo em Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 66 6 vista verossimilhança das alegações do contribuinte e em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que, nas circunstâncias observadas nestes autos, devem nortear o processo administrativo fiscal de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, em consonância, inclusive, com os termos do recente Acórdão 9303005.096, da 3ª Turma da CSRF, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os O recurso voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a não só confirmar a existência do indébito alegado, mas, sobretudo, para demonstrar o acerto quanto à apresentação da DCTF retificadora Neste sentido, Robson Bayerl, nos autos do processo n.º 13502.900764/201311 assevera: Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. O caso presente, contudo, escapa aos precedentes acima mencionados, por manterse inerte a recorrente no sentido de apresentação das provas a fim de comprovar existência ao seu direito de crédito, por exemplo, das receitas advindas das atividades de exportação. Faço, portanto, análise que nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, resumese a líde no protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 67 7 pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 68 8 recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 69 9 Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, os documentos trazidos no Recurso Voluntário, são insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 70 10 O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como no caso, a comprovação de suas vendas para exportação. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 71 11 Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 72 12 inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila VOTO VENCEDOR Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo Em que pesem os elogiáveis argumentos do Voto Vencido, da lavra do I. Conselheiro Relator, Sr. Renato Vieira de Avila, peço licença, primeiro, para, aqui, em nome da eficiência, reproduzir seu Relatório e, segundo, em divergindo do seu entendimento, para, em breves linhas, explicitar as razões às quais considero que justifica a conversão do presente julgamento em diligência. Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 73 13 pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao quarto trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 14373.74702.300608.1.3.107767. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao quarto trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábilfiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.907152/201117 Resolução nº 3001000.037 S3C0T1 Fl. 74 14 Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao quarto trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a DRF/CASCAVEL. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente no Per/Dcomp 14373.74702.300608.1.3.107767. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902237/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 22 37 /2 00 8- 20 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10983.902237/200820 Acórdão n.º 1402002.936 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10983.902237/200820 Acórdão n.º 1402002.936 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10983.902237/200820 Acórdão n.º 1402002.936 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10983.902237/200820 Acórdão n.º 1402002.936 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923133/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/02/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.844
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 20/02/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/02/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 33 /2 01 2- 93 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.923133/201293 Acórdão n.º 3302004.844 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.308. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.923133/201293 Acórdão n.º 3302004.844 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.923133/201293 Acórdão n.º 3302004.844 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.923133/201293 Acórdão n.º 3302004.844 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.923133/201293 Acórdão n.º 3302004.844 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902365/2008-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/02/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/02/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 464 1 463 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902365/200817 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.019 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente PETROVIARIO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 23 65 /2 00 8- 17 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 465 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 14/19), transmitido em 30/07/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 120), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 20/08/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/4), na qual informou que, primeiramente, no anocalendário de 2003, havia recolhido a contribuição para o PIS/Pasep pelo regime cumulativo, contudo, posteriormente, no início de 2004, fez uma revisão interna e optou por adotar o regime da não cumulatividade, inclusive, em relação ao ano anterior. Essa mudança de critério, segundo ela, teria gerado pagamentos a maior, os quais foram objeto de pedidos de compensação com outros tributos. Informou, ainda, que deixou de retificar suas declarações em época própria: Dacon, DIPJ e DCTF, apresentadoas juntamente com sua manifestação. A DRJ/CPS converteu o julgamento em diligência (fl. 125/126) para que a autoridade fiscal cumprisse os seguintes quesitos: "a) verifique, com exame da documentação contábilfiscal da contribuinte, a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade apurados pela interessada. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 466 3 b) examine a apuração da contribuição na sistemática não cumulativa, incluindo o eventual aproveitamento futuro dos créditos apurados em 2003; c) elabore relatório circunstanciado destacando a contribuição efetivamente devida." Assim, em 24/11/2011, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Campinas intimou o sujeito passivo (fl 128/129) a apresentar, no prazo de 20 dias, a seguinte documentação: "Apresentar documentação contábilfiscal que comprove a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela acima e utilizados no DACON; Apresentar fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Março de 2003." Após essa data, ocorreram pedidos de dilação de prazo e reintimações. A seqüência fática encontrase bem evidenciada na Informação Fiscal (fl. 304/305) e, por isso, transcrevese excerto: "Em 24/11/2011, através da INTIMAÇÃO SEORT/DRF CPS/1669/2011 a interessada foi chamada a apresentar documentação contábilfiscal que comprovasse a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela e utilizados no DACON, bem como fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Fevereiro de 2003 Em 14/12/2011 a interessada protocolou pedido solicitando mais 20 dias para atendimento à intimação SEORT/DRF CPS/1669/2011. A interessada teve ciência do deferimento de seu pedido em 29/12/2011. Entretanto, em 25/01/2012, através do protocolo do dossiê eletrônico nº 10010.008343/011254 (documentos juntados às folhas 156/288), a interessada apresentou documento alegando já ter prestado os esclarecimentos solicitados, anexou cópia das manifestações de inconformidade já apresentadas e pediu ainda o cancelamento da intimação. Através da intimação SEORT/DRFCPS/232/2012 este SEORT esclareceu à interessada que os documentos estavam sendo requeridos a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas e que estes eram necessários para Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 467 4 análise do crédito em discussão (folhas 158/290). Assim, em 09/04/2012, a interessada novamente solicitou mais 20 dias para a apresentação dos documentos. Concedido prazo de 20 dias contados da ciência da intimação SEORT/DRFCPS/ 502/2012 (ciência em 26/06/2012) a interessada não se manifestou até 15/08/2012. Por todo o exposto, considerando as diversas tentativas improfícuas deste SEORT em receber os documentos necessários ao cálculo do crédito de PIS do período de apuração Mar/2003, informamos que não foi possível preceder à análise/cálculo do crédito em questão." (grifo nosso) Após ser cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou Complementação à Manifestação de Inconformidade e outros documentos. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 417/422), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando os seguintes documentos: a) cópia do livro de registro de entrada nº 2; b) cópia do livro de registro de entradas nº 5; c) nova planilha de apuração de demonstrativo de base de cálculo do PIS não cumulativo e d) planilha das diferenças dos valores a compensar e a recolher. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 468 5 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 469 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 470 7 Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 471 8 afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito, juntar planilha e cópia de declarações retificadoras, DCTF, DIPJ e Dacon, em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que todas as declarações apresentadas foram transmitidas após a ciência do Despacho Decisório. Em seu texto, a própria recorrente reconhece sua falha: "A mudança de critério foi feita corretamente, todavia, incorreu o contribuinte no erro de deixar de retificar os documentos informativos de tais alterações referentes ao exercício de 2003, como por exemplo: DCTF, Dacom e DIPJ." Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. A despeito disso, a DRJCampinas resolveu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência e, na prática, oportunizar à contribuinte nova chance para apresentar as provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Data venia, creio que essa medida não era necessária, obrigatória, nem mesmo conveniente, tendo em vista que nenhuma prova havia sido juntada aos autos no momento oportuno. De qualquer forma, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas, em atendimento à diligência requisitada, intimou, por diversas vezes, a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e os documentos fiscais que a embasavam. Todavia, a maior interessada não cumpriu as intimações e, conseqüentemente, inviabilizou a auditoria que poderia comprovar a existência do suposto crédito. Em realidade, somente após tomar ciência da Informação Fiscal, que noticiava o término da diligência, a contribuinte apresentou peça denominada "complementação à Manifestação de Inconformidade", repisando alegações já formuladas e sem adentrar no teor das informações prestadas pelo SEORT, e juntando documentos já Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 472 9 apresentados e outros novos. Contudo, mais uma vez, esses documentos não se configuravam como prova. Do voto condutor do Acórdão guerreado, transcrevese: "A falha da contribuinte em atender às seguidas intimações para submeter aqueles elementos à verificação fiscal fragiliza, ao ponto de inviabilizar, os argumentos que apresentou para contestar o ato de não homologação. Mesmo a apresentação do que seria seu Razão Analítico Contábil, no contexto em que o foi, ou seja, após ter sido reiteradamente intimado a fazêlo no âmbito da diligência, não tem o poder de socorrêlo. Concorre para comprometer seu valor probatório o fato de que o documento não apresenta os requisitos intrínsecos e extrínsecos que permitam aferir sua regularidade e, mais importante, está desacompanhado dos documentos contábeis e fiscais que permitiriam a aferição da correção dos valores e operações que dele constam. Diante de tudo isso, concluise pela inexistência de prova, nos autos, que permita acatar a nova apuração da contribuição realizada pela contribuinte e, por conseguinte, os créditos utilizados na compensação e que nela teriam origem." (grifo nosso) Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Por oportuno, frisese que documentos fiscais continuaram a não ser anexados. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela sua inércia em atender às diversas intimações, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10830.902365/200817 Acórdão n.º 3002000.019 S3C0T2 Fl. 473 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 483DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.003328/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ERRO ARITMÉTICO EM TABELA ELABORADA PELA FISCALIZAÇÃO. DESVINCULAÇÃO DA INFORMAÇÃO CORROMPIDA DA ANÁLISE MATERIAL DO DIREITO DO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA.
A presença de lapso em somatória de valores apresentada pelo Fisco é irrelevante e não causa qualquer prejuízo ao contribuinte quando o elemento corrompido por tal erro em nada influencia no reconhecimento do direito alegado.
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SOBRE LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL RECOLHIDOS NO EXTERIOR. DATA DA CONVERSÃO CAMBIAL. DIA DO EFETIVO PAGAMENTO.
Nos termos do art. 26, § 3º, da Lei nº 9.249/95, repetido no art. 14, § 2º, da IN nº 213/2002, para fins de compensação dos tributos recolhidos no exterior, adota-se a data do efetivo pagamento na conversão cambial para Reais.
CONFIRMAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO UTILIZADO PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Se após diligência, a própria Fiscalização atesta a origem e a existência de parte do direito creditório utilizado na DCOMP, a compensação pretendida deve ser parcialmente homologada.
Numero da decisão: 1402-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformando-se o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 21.336.525,87; homologando-se as compensações ainda pendentes até esse limite.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 ERRO ARITMÉTICO EM TABELA ELABORADA PELA FISCALIZAÇÃO. DESVINCULAÇÃO DA INFORMAÇÃO CORROMPIDA DA ANÁLISE MATERIAL DO DIREITO DO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA. A presença de lapso em somatória de valores apresentada pelo Fisco é irrelevante e não causa qualquer prejuízo ao contribuinte quando o elemento corrompido por tal erro em nada influencia no reconhecimento do direito alegado. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SOBRE LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL RECOLHIDOS NO EXTERIOR. DATA DA CONVERSÃO CAMBIAL. DIA DO EFETIVO PAGAMENTO. Nos termos do art. 26, § 3º, da Lei nº 9.249/95, repetido no art. 14, § 2º, da IN nº 213/2002, para fins de compensação dos tributos recolhidos no exterior, adota-se a data do efetivo pagamento na conversão cambial para Reais. CONFIRMAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO UTILIZADO PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Se após diligência, a própria Fiscalização atesta a origem e a existência de parte do direito creditório utilizado na DCOMP, a compensação pretendida deve ser parcialmente homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformando-se o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 21.336.525,87; homologando-se as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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DESVINCULAÇÃO DA INFORMAÇÃO CORROMPIDA DA ANÁLISE MATERIAL DO DIREITO DO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA. A presença de lapso em somatória de valores apresentada pelo Fisco é irrelevante e não causa qualquer prejuízo ao contribuinte quando o elemento corrompido por tal erro em nada influencia no reconhecimento do direito alegado. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SOBRE LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL RECOLHIDOS NO EXTERIOR. DATA DA CONVERSÃO CAMBIAL. DIA DO EFETIVO PAGAMENTO. Nos termos do art. 26, § 3º, da Lei nº 9.249/95, repetido no art. 14, § 2º, da IN nº 213/2002, para fins de compensação dos tributos recolhidos no exterior, adotase a data do efetivo pagamento na conversão cambial para Reais. CONFIRMAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO UTILIZADO PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Se após diligência, a própria Fiscalização atesta a origem e a existência de parte do direito creditório utilizado na DCOMP, a compensação pretendida deve ser parcialmente homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 21.336.525,87; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 33 28 /2 00 8- 71 Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.947 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.948 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2268 a 2436) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF (fls. 2237 a 2258) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 617 a 805), homologando parcialmente as DCOMPs (fls. 02 a 81) objeto do feito, reconhecendo crédito superior àquele confirmado inicialmente pelo r. Despacho Decisório (fls. 602 a 612). O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, formado por recolhimentos de impostos sobre o lucro, efetuados no exterior por filiais localizadas em 8 (oito) países (Paraguai, Alemanha, Portugal, Inglaterra, Espanha, EUA, Itália e Japão) e 2 (duas) empresas controladas pelo Recorrente (BB Viena Austria e Brasilian American Merchant Bank BAMB Ilhas Cayman). O r. Despacho Decisório (fls. 602 a 612), reconhecendo apenas uma pequena parcela do imposto pago em Portugal, deixou de homologar todo o crédito pleiteado, em face de insuficiência do saldo negativo apontado, em razão de irregularidades nas comprovações de recolhimento e divergências entre valores declarados e tais tributos recolhidos no exterior. Diante de tal revés, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 2287), alegando, em suma, a regularidade da comprovação de recolhimento de todos os tributos pagos por suas filiais e controladas, trazendo vasta documentação, explicando a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também questiona o critério temporal do câmbio utilizado para a conversão dos valores dos tributos pagos por suas filiais e controladas em outros países. Processado o feito, antes de julgar a contenda, a DRJ de Brasília determinou a realização de diligência (fls. 803 a 805). Assim, para melhor instruir o feito, foram emitidas inúmeras intimações, solicitando ao Contribuinte a apresentação de diversos documentos e informações (fls. 820 a 1939). Completada a instrução necessária, foi elaborada e acostada aos autos Informação fiscal (fls. 1942 a 1962). Imediatamente, os autos foram remetidos à DRJ, sendo proferido o v. Acórdão (fls. 2237 a 2258), que adotou integralmente a análise e a conclusão técnica obtida na diligência, usando seus termos como razão de decidir, dando, assim, provimento parcial à Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.949 4 Manifestação de Inconformidade, reconhecendo, adicionalmente, como procedente a comprovação de pequena parte dos recolhimentos efetuados nas Ilhas Cayman e na Áustria. Confirase a ementa e trechos do v. Acórdão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o pretenso crédito da empresa foi parcialmente reconhecido por falta de comprovação de sua existência integral. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) 84. Dessa forma, tendo em vista a exclusão dos valores de R$ 487.856,22 e R$ 319.508,14, dos R$ 6.100.185,90 pleiteados pela contribuinte, somente R$ 5.292.821,54 correspondem ao imposto pago pela Ativos S.A., no anocalendário 2007, na proporção da participação do BAMB no capital daquela empresa. (...) 91. Dessa forma, concluise que, do total de R$ 1.307.154,38 alegados pela contribuinte, apenas o montante de R$ 278.799,57 corresponde a retenções de imposto de renda no Brasil em que o BB Viena seria o beneficiário. (...) Destarte, tendo em vista o resultado da Diligência efetuada pela Delegacia de origem, como transcrita acima, se conclui que a contribuinte tem direito a R$ 5.561.621,11 referente ao imposto pago na Áustria e nas Ilhas Cayman, conforme itens 84 e 91 (R$ 278.799,57 + R$ 5.292.821,54 = R$ 5.561.621,11). Ex positis, VOTO no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade formulada, para reconhecer o Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.950 5 crédito de Saldo Negativo de IRPJ, ano base 2007, no valor de R$ R$ 5.561.621,11, de acordo com a legislação de regência. Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 2268 a 2436), ora sob apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do crédito não reconhecido, também fazendo específica alusão e questionando os termos desfavoráveis deste r. decisum a quo. Na mesma oportunidade, é acostada aos autos nova documentação, referente a recolhimentos no exterior e comprovação de consolidação de resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas. Posteriormente, foi juntado aos autos petição do ora Recorrente (fls. 2439 a 2536), trazendo documentos e traduções juramentadas de comprovantes de recolhimento de tributos pagos em outros diverso países, pugnando pelo seu conhecimento, em face da verdade material. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402000.434 (fls. 2538 a 2546), determinado o seguinte: Assim, tendo em vista que, além da nova documentação contábil acostada aos autos, existem centenas de novas folhas, entre documentos de arrecadação e sua traduções, mostrase adequado e prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela própria Unidade Local que inicialmente reconheceu a falta ou a invalidade da documentação, antes de se efetuar o derradeiro julgamento meritório do feito, apreciando todas as matérias, considerando eventuais alterações dos valores controversos. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) analisando a nova documentação acostada nos autos (fls. 2268 a 2529) em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão e sua fundamentação, determine se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP ainda não homologado. 2) Fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.951 6 igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento. Ato contínuo, a Autoridade Fiscal acostou inúmeros documentos referentes a transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 2730 a 2749), com profunda análise e claro resumo, concluindo pela procedência de outras parcelas do crédito, antes não homologadas. Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou Manifestação (fls. 2755 a 2764), em suma, discordando da análise da Unidade Local em relação às parcela do crédito não reconhecida e apontando supostas falhas em tal trabalho, reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais centenas de novos documentos. Na sequência, os autos retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.952 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já verificado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Antes de adentrar o mérito da comprovação de recolhimentos e sua aceitação ou rejeição pela Fiscalização, frisese que o Recorrente juntou novamente centenas de folhas como prova de seu direito em sua Manifestação, após ter sido acostado aos autos o Relatório de diligência. Ainda que este Conselheiro sempre privilegie o princípio da verdade material (inclusive exarando a Resolução anterior em razão exclusiva da juntada de documentos em sede de Recurso Voluntário e complemento), é necessário estabelecer um limite, atribuindo duração razoável ao processo e racionalizando o número de diligências realizadas, para que não fique o Julgador à mercê de cada nova juntada promovida pelo Contribuinte, quando bem lhe convir revelar nova documentação, previamente existente, principalmente quando não motivada sua juntada por fato ou questionamento legal inaugurado durante o contencioso, sem qualquer justificativa para a apresentação somente nesse momento. No presente caso, a apreciação da causa nessa instância já havia se iniciado quando da prolatação da Resolução e os documentos agora acostados vieram após o retorno dos autos da DRF de origem, e nem houve pedido expresso para a sua juntada ou explicação para fazêlo somente agora, fatos estes que corroboram com a sua rejeição. Os autos já foram submetidos a duas diligências para a apreciação de documentos trazido pela Parte. Dessa forma, agora nesse caso, justificadamente, entendese por não conhecer da nova documentação acostada à Manifestação do Contribuinte sobre o Relatório de diligência. Superado tal ponto, o Contribuinte alega em sua Manifestação que haveria uma suposta redução dos limites legais dos valores compensáveis do período, devendo ser alterado seu valor máximo. Para maior clareza, confirase as breves alegações: Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.953 8 Observando tais parágrafos, primeiro fica claro que não está devidamente demonstrado ou justificado onde e como a Fiscalização teria incorrido em erro ou lapso que justifique a alteração dos valores. Simplesmente afirmase, abstratamente, existir erro material e que o Fisco deve proceder à correção. Compulsando ao Relatório de diligência, especificamente no que tange à limitação de compensação permitida pelos normativos vigentes, realmente confirmase a presença de equívoco na soma dos valores totais das colunas 2 (Limite Legal Individual) e 3 (IRPJ Confirmado): Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.954 9 Na verdade, o valor que encontrase na somatória da coluna 2 (Limite Legal Individual) é R$ 99.310.593,22 e na coluna 3 (IRPJ Confirmado) R$ 34.182.745,31, conforme alegado pelo Recorrente e, agora, pessoalmente confirmado por este Conselheiro. Por outro lado, apurando a forma de utilização de tais informações para a determinação do direito do Contribuinte à compensação pretendida,constatase, sem dúvidas, que tal simplório erro de aritmética não representou qualquer prejuízo ou supressão. Nesse sentido, a dinâmica de interação dos números expressos em tal tabela (e em outras do Relatório) aplicada Autoridade Fiscal é horizontal, de forma que o equívoco contido na somatória final das informações (vertical) em nada influenciou na monta do crédito validado, o qual foi obtido do confronto individual, por filial (horizontal) dos valores confirmados de IRPJ recolhido com os limites normativos aplicáveis para cada uma delas, inclusive alocando o eventual excedente nas possibilidade de compensação com a CSLL. Mais importante é o fato de que os limites referentes aos § 10 e § 11 do art. 14 da IN 213/20021 foram devidamente calculados e aplicados pela Fiscalização em seu 1 Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.955 10 Relatório de diligência, calculados de forma individual e comparados entre si de forma autônoma, demonstrados em tabelas próprias: Diante disso, ainda que exista lapso matemático na totalização de alguns valores de tal Tabela 14 (uma dentre mais de uma dezena), o elemento corrompido por tal erro em nada influenciou no reconhecimento do direito compensatório da Parte. Lembrese que nem o Contribuinte demonstrou como teria tal equívoco de somatória lhe prejudicado. Apenas acusa a sua presença. Assim, dentro de uma necessária lógica racional e prática na condução dos processos administrativos fiscais, não há razão para o retorno dos autos a Unidade Local para promover os reparados apontados pelo Contribuinte, podendo se prosseguir com o julgamento da lide, sem qualquer prejuízo às Partes envolvidas. DATA DA CONVERSÃO DOS VALORES DE TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.956 11 O tema da data da conversão dos valores pagos no exterior representa controvérsia dos autos que independe de documentação e outras circunstâncias individuais dos recolhimentos de cada filial ou coligada sob debate. Posto isso, em suma, alega o Contribuinte que a data do câmbio a ser adotada para a conversão de valores é a do dia do fechamento do balanço do anocalendário (último dia do ano), em obediência às regras do regime de competência, invocando o art. 177 da Lei das S/A, os arts. 247 e 274 do RIR/99 e as disposições do art. 1ª da Lei nº 9.532/97. Ainda que para fins de oferta à tributação no Brasil dos lucros auferidos no exterior a data da conversão de seu valor para Reais, realmente, seja a do balanço do período correspondente, como reza a Súmula CARF nº 942, a conversão da monta dos tributos pagos no estrangeiro, a serem compensados, possui regulamentação própria, bastante clara e objetiva. Confirase o disposto no §3º do art. 26 da Lei nº 9.249/95: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. (...) § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. (destacamos) O mesmo comando repetese em esfera infralegal, na regulamentação dada pela IN nº 213/2002: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. 2 Súmula CARF nº 94: Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.957 12 (...) § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. (destacamos) Diante disso, não havendo necessidade para maiores ilações, resta claro que, por força legal, a data para conversão cambial do valor dos tributos pagos no exterior a serem compensados com o IRPJ (e a CSLL) no Brasil deverá ser aquela do seu efetivo pagamento. Adentrando, finalmente, a análise da comprovação dos recolhimentos, procederseá a uma abordagem individual, por filial e coligada, como empreendido nos recursos, decisões e relatórios do feito, considerando as razões de não homologação da DRJ e do Relatório de diligência (quando aplicável), em confronto com o alegado pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário e posterior Manifestação. PARAGUAI Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável de R$ 480.339,81, referente a 1.178.388.737,00 PYG. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ identificou que, mesmo após intimação, apenas uma parte da documentação era autenticada, referente a 564.491.763,00 PYG (fls. 828). Convertendo tal monta de Guaranis para Reais, obtevese o valor de R$ 219.192,15. Contudo, tal valor foi glosado por se entender que estaria ausente qualquer registro legível de reconhecimento pelo órgão arrecadador paraguaio. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, a correção da utilização da data do balanço para a conversão das moedas, bem como ser improcedente a afirmação de inadequação dos documentos do v. Acórdão, vez que estaria presente a logomarca da repartição arrecadatória, além da sua consularização. Não obstante, pugna pela juntada posterior de novos documentos. Na diligência, afirmando ter analisado todos os documentos trazidos, reconheceuse a validade da nova documentação apresentada, atendendo aos requisitos do §2º Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.958 13 do art. 26 da Lei nº 9.249/25, confirmando ao final apenas a comprovação de recolhimentos no valor R$ 219.192,15, compensáveis com o IRPJ. Em sede de Manifestação, o Recorrente atémse a alegar que a Fiscalização cometeu equívoco ao deixar de confirmar a parcela relativa à compensação no valor de 613.896.974,00 PYG, afirmando, simplesmente, que tal entendimento não possui previsão legal. Frisese, primeiramente, que em Recurso Voluntário, as alegações da recorrente são dirigidas a data do câmbio e à validade do documento analisado no v. Acórdão da DRJ (referente a 564.491.763,00 PYG, que mostraramse legitimamente correspondente a R$ 219.192,15). Além de representar inovação não justificável, a argumentação trazida em sede Manifestação é confusa, não delimitando efetivamente como se operaria tal equívoco de análise e quais argumentos da Fiscalização não possuiriam previsão legal, sem fazer qualquer referencia a documentos ou folhas dos autos (revelandose genérica). Assim, não há qualquer alegação ou fundamentado para afastar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou apenas R$ 219.192,15 dos R$ 480.339,81 pretendidos. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 219.192,15. ALEMANHA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 3.240.707,36, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que não foi efetivamente comprovado seu recolhimento com documentação hábil, inclusive incapaz de se determinar a data do pagamento efetivo do tributo, ressaltando a ausência de chancela do órgão arrecadador alemão. Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.959 14 O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 e do art. 16 da Lei nº 9.430/96 pela documentação probatória, afirmando que fora reconhecida pela DRJ a presença de tradução, sendo inegável a expressão nos documentos da natureza dos tributos pagos. Não obstante, pugna pela juntada posterior de novos documentos. Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada nos autos e, após minuciosa análise, concluiu que houve a devida e idônea comprovação de pagamentos na monta de R$ 4.471.783,83, a qual, submetida aos limites do art. 14 da IN nº 213/2002, resultou no reconhecimento de crédito compensável com o IRPJ de R$ 3.240.707,36 e, inclusive, consigna que o restante de R$ 1.231.076,47 seria ainda compensável com a CSLL. Em sede de Manifestação, a Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial germânica. Uma vez prejudicada a argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência e não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 3.240.707,36. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 3.240.707,36 (além de R$ 1.231.076,47 compensáveis com a CSLL do mesmo período). PORTUGAL Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável de R$ R$ 2.517.637,02. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O r. Despacho Decisório proferido neste feito já havia validado o montante de R$ 2.197.138,24. O v. Acórdão da DRJ não homologou o restante da compensação por entender, primeiramente, pela adoção de critério ilegítimo para conversão cambial (nos mesmo termos já defendidos neste Voto) e desconsiderou o documento de arrecadação apresentado por não ter sido demonstrado que a legislação lusitana prevê a incidência do imposto de renda por Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.960 15 meio do documento de arrecadação apresentado, o que implicaria em desrespeito ao art. 16 da Lei nº 9.430/96. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que seria correta a adoção da data do balanço para a conversão de valores de tributos pagos no exterior a compensar, bem como demonstrou que o Decreto nº 4.012/2001, que internalizou a Convenção firmada entre Brasil e Portugal para evitar a Dupla Tributação, esclarece que os tributos "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS)", "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) e a "derrama" referemse a oneração fiscal da renda. Também acosta novo comprovante de recolhimento do IRC. Na diligência, afirmando ter analisado todos os documentos trazidos, reconheceuse a validade da documentação apresentada, atendendo aos requisitos da IN nº 213/2002, e aplicando a data da taxa cambial correta, como apontado pela DRJ, confirmando ao final a comprovação de R$ 2.198.786,23. Em sede de Manifestação, a Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial germânica. Uma vez afastada a tese do Contribuinte sobre a data correta da conversão das moedas envolvidas e prejudicado o restante de sua argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência, bem como não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 2.198.786,23. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 2.198.786,23. INGLATERRA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 5.312.526,07, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que os documentos apresentados (swifts de pagamento e recibo da filial BB Securities para a BB Londres) não são adequados para a comprovação de pagamento de tributos, violando o Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.961 16 disposto no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95 e art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Igualmente aponta para a conversão cambial indevida, efetuada na data do fechamento do balanço (último dia do ano). O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 e do art. 16 da Lei nº 9.430/96 pela documentação acostada, afirmando que nas mensagens swift consta o termos (já traduzido) imposto empresarial do Banco do Brasil, valor do recolhimento e data. Não obstante, acosta novos documentos e a respectiva tradução juramentada. Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada nos autos e, após minuciosa verificação, concluiu que houve a devida e idônea comprovação de pagamentos na monta de R$ 5.651.569,25 a qual, submetida aos limites do art. 14 da IN nº 213/2002, resultou no reconhecimento de crédito compensável com o IRPJ de R$ 5.312.526,07 e, inclusive, consigna que o restante de R$ 339.043,18 seria ainda compensável com a CSLL. Em sede de Manifestação, o Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial inglesa. Uma vez prejudicada a argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência e não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 5.312.526,07. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 5.312.526,07 (além de R$ 339.043,18 compensáveis com a CSLL do mesmo período). ESPANHA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 399.008,92, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que estavam ausentes cópias traduzidas da legislação espanhola, como determina o comando do art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, assim como a documentação apresentada, visando à prova do recolhimento no exterior, não contava com autenticação do órgão arrecadador, Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.962 17 violando o disposto no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95. Igualmente, teria o Contribuinte se valido de data não adequada para a conversão cambial. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 pela documentação acostada, afirmando que existe brasão do órgão arrecadador espanhol (Agência Tributária do Governo da Espanha) no canto esquerdo superior e que também estaria expressamente traduzido o termo pago em efetivo importe: 146.047,37. Defende a adequação da data da conversão cambial, em face da dinâmica do regime de competência. Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Contudo, tal documentação referente a filial espanhola não foi juntada. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a não homologação de tais valores. Em sede de Manifestação, o Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial espanhola. Realmente, como apontado no v. Acórdão da DRJ, carece o conjunto fático probatório do Contribuinte da legislação tributária da Espanha traduzida. Tal fato já representaria, per si, um obstáculo ao reconhecimento de seu direito. Não obstante, o brasão da agência nacional de arrecadação do tributo pago na guia de pagamento não se confunde com validação do pagamento pelo órgão arrecadador, como previsto no art. 26 da Lei nº 9.249/95. Desse modo, deve ser mantida a não homologação desse valor. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. ESTADOS UNIDOS Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.963 18 Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 2.338.116,00. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que a documentação acostada (cópias de cheques e comprovantes de transferências bancárias, traduzidas e trechos da suposta legislação estadunidense referente aos impostos pagos) não atendia ao exigido pelo art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95, estando ausentes informações relativas à apuração do imposto de renda no período, assim como carente de autenticação pelo órgão arrecadador. Também não teria sido observado o art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, por não ter o contribuinte comprovado que a legislação dos Estados Unidos prevê a incidência do imposto de renda por meio dos comprovantes de transferências bancárias e cheques apresentados. Afirma, inclusive, que a suposta legislação acostada mais se assemelha a manual. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que nos cheques constam as expressões "Pagamento do Imposto de Renda PJ..." e "Imposto de Renda PJ Estimado" e que lá estariam evidenciados datas, valores e o Departamento de Arrecadação Tributária de Nova Iorque como beneficiária. Em relação às transferências bancárias, estariam registradas as expressões "Tipo de imposto 1120 arquivamento período 123107", com datas e valores. Tais informações bastariam para o atendimento ao art. 26, § 2º da Lei nº 9.249/95. Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a não homologação de tais valores. Contudo, em sede de Manifestação, o Contribuinte acosta Legislação extraída de sítio eletrônico do Estado de Nova York e da Cidade de Nova York, alegando que lá estaria demonstrado que os impostos recolhidos, expressos pelos cheques e transferências, são incidentes sobre a renda. Reforça sua argumentação recursal de que as informações contidas nos swifts acostados denotam as informações referente a sua apuração. Como já decidido anteriormente, a documentação acostada em Manifestação, após a diligência realizada nessa Instância, não será conhecida. Assim, prevalece a constatação do v. Acórdão da DRJ de não atendimento ao art. 16 da § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, vez que, claramente, o documento de fls. 893 não apresentase como legislação local e sequer é explicada sua natureza ou origem. Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.964 19 Não obstante, as menções técnicas e os códigos constantes das cópias de transferência bancária não permitem a constatação cabal de que efetivamente tratam de liquidação de tributo sobre a renda, compensável no Brasil. Assim, mesmo que consularizada, a documentação conhecida não atende a ao imposto no art. 26, da Lei nº 9.249/95. Desse modo, deve ser mantida a não homologação desse valor. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. ITÁLIA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 1.301.368,89, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que os documentos apresentados não dispõem de reconhecimento pelo órgão arrecadador italiano, conforme exigido no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, e, dessa forma, não são passíveis de serem admitidos como documentos que amparam a compensação de imposto de renda pago no exterior com o IRPJ devido no Brasil. Também faz apontamentos que os documentos não permitem determinar se o valor do imposto sobre a renda lá constante tratase daquilo efetivamente pago ou do seu montante antes de deduções, bem como não há esclarecimentos sobre os códigos de arrecadação doméstica lá mencionados. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que os comprovantes apresentados são guias para pagamento unificado de tributos, emitidos pela agência arrecadadora italiana e que possuem consularização. Também esclarece que os códigos 3812, 3813 e 3800 referemse ao tributo IRAP, supostamente incidente sobre o valor da produção líquida. Conclui, com tais apontamentos, que estaria atendida a exigência do art. 26, § 2º da Lei nº 9.249/95. Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.965 20 Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada aos autos e, após minuciosa verificação, concluiu que em relação ao tributo denominado IRES, na verdade, não houve pagamento efetivo, mas, sim, compensações e abatimentos que levaram seu saldo a zero. Confirase os itens 29 e 30 do Relatório de diligência: 29. Apesar de o contribuinte ter informado que o valor pago de IRES foi no montante de 650.640,00 euros (RN9), a tradução apresentada, fl.910, informa que o imposto devido é zero (campo RN23), conforme cópia abaixo. Nesse sentido, observase que após a apuração do imposto (RN9), houve a dedução de créditos de impostos pagos no exterior (RN13) e a compensação com créditos excedentes de declaração precedente (RN19), o que resultou em imposto devido zerado (RN23). 30. A esse respeito, devese observar o art. 14, § 8º, da IN SRF nº 213, de 2002, abaixo transcrito, que estabelece que o contribuinte pode compensar tributo a partir do valor efetivamente pago. No caso em análise, verificouse que não houve pagamento efetivo para o anocalendário 2007. Como se observa, o fato constatado também impede a identificação da data para a devida conversão cambial, já que não fora efetuado recolhimento, propriamente dito. Já em relação ao tributo denominado IRAP, a Fiscalização desconsiderou seus recolhimentos por entender que este não incide sobre lucros, rendimentos ou ganhos de capital, mas, sim, sobre o valor da produção líquida. Confirase as palavras da Autoridade Fiscal: 33. De início, constatase que IRAP não é tributo que incide sobre os lucros, rendimentos ou ganho de capital, nos termos do art. 14, § 1º, da IN SRF nº 213, de 2002. De acordo com o a Guia Prático para Pagamentos de Impostos, publicado pela “Agenzia Entrate” (Receita Federal Italiana), tradução às fl.2364/2430, apenas o IRES e IRPEF se referem a imposto de renda, fl.2393. Para ratificar esse entendimento, o próprio contribuinte em fl. 2281 do Recurso Voluntário confirmou que o IRAP é imposto incidente sobre o valor da produção líquida. 34. Dessa forma, os pagamentos realizados para IRAP não serão considerados, haja vista que este não é tributo que incide sobre renda, rendimentos ou ganho de capital. Ademais, da mesma forma como aconteceu com o IRES, os pagamentos de IRAP não possuem a data do efetivo pagamento, o que impossibilita a conversão de euro para real. Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.966 21 Em sede de Manifestação, o Recorrente alega, em suma, que, no que tange ao IRES, não teria sido identificado na legislação qualquer vedação para a utilização do crédito decorrente de imposto de renda pago no exterior via compensação, não se tratando no caso de gozo de benefício, e consigna que a documentação atende a toda exigência legal. Em relação ao IRAP, simplesmente afirma ser este incidente sobre a renda, trazendo cópias de Decreto Legislativo italiano. Quanto ao IRES, ainda que a regulamentação da compensação de tributos recolhidos no exterior utilize a terminologia valor efetivamente pago, imediatamente o Legislador complementa a frase com a sentença não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. Assim, seria juridicamente defensável o entendimento do Contribuinte, de que não há vedação para a compensação de tributo liquidado por compensação, que não decorrente de benefício. Porém, o Recorrente não se aprofunda em tal demonstração, não havendo comprovação e esclarecimento cabal da natureza das compensações efetuadas, sua dinâmica e mecanismo. Atémse a alegar a ausência de base legal para a negativa fazendária e acrescenta se utilizou de créditos de pagamentos efetivamente realizados ao fisco local. Tal argumentação não basta para arrimar o direito pleiteado, inclusive quando também não foi apresentado pelo Contribuinte uma solução para a data que deveria ser adotada como a de sua quitação, como expressamente aventado pela Autoridade Fiscal no Relatório fiscal como motivo adicional para negativa aplicada, por ser consequência impossibilitante da conversão de moedas. Em relação ao IRAP, novamente, a simples e módica alegação de que este tributo é incidente sobre a renda em nada socorre ao direito da Recorrente. Ainda que tenha juntado cópia da legislação italiana em sua Manifestação, essa não será conhecida. Contudo, é do conhecimento acadêmico deste Conselheiro que o IRAP incide sobre a produção líquida de seus contribuintes, tendo como base positiva a receita percebida em suas atividades, o que lhe aproximaria da dinâmica do PIS e da COFINS. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.967 22 Não obstante, sua natureza é notoriamente complexa, pois são permitidas deduções na sua apuração, como alguns pagamentos referente a alguns itens das folhas de salário, além de ser de competência regional, o que faz com que as regras de sua apuração variem pela localização das empresas e demais aspectos das pessoas sujeitas à sua incidência. Desse modo, sua suposta natureza de tributo sobre a renda, como afirmado pela Recorrente, é academicamente polêmica e questionável, exigindo uma demonstração aprofundada da sua fenomenologia de incidência e normas de apuração aplicáveis aos valores que foram efetivamente recolhidos pela filial na Itália o que já poderia ter sido feito sem a necessidade de juntada de nova documentação, no bojo das peças de defesa. Não há tal demonstração por parte do Contribuinte, o que leva à prevalência e adoção das conclusões da Unidade Local, agora chanceladas por este Julgador, devendo ser mantida a negativa a tal valor pretendido. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. JAPÃO Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 10.365.314,06, já calculado dentro dos limites do art. 14 da IN nº 213/2002. Foi utilizada a conversão cambial da data do balanço do período (último dia do ano). O v. Acórdão da DRJ não homologou a compensação por entender que o Contribuinte não trouxe cópia da legislação local, mas, na verdade, copia de obra doutrinária de autoria de Takeshi Kawada, assim como, consequentemente, não comprovou que a legislação japonesa prevê a incidência do imposto de renda por meio dos documentos apresentados violando o disposto no art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Igualmente aponta que os documentos trazidos aos autos como prova de pagamento, ainda que consularizados no Brasil, não possuem a necessária autenticação do órgão arrecadador japonês, mas apenas chancela de Instituição Financeira, indo de encontro ao previsto no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, o atendimento aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.249/95 e do art. 16 da Lei nº 9.430/96 pela documentação acostada, afirmando que nela consta a denominação dos referidos tributos, a data do pagamento, valor das exações e a expressão "paid on", o que denotaria seu efetivo Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.968 23 recolhimento ao órgão arrecadador japonês . Ao final, pugna pela juntada posterior de documentação. Na diligência, a Unidade Local analisou toda a nova documentação acostada nos autos e, após minuciosa verificação, excluiu parcela dos tributos que não incidem efetivamente sobre a renda e concluiu que houve a devida e idônea comprovação de pagamentos na monta de R$ 16.069.792,74 a qual, submetida aos limites do art. 14 da IN nº 213/2002 resultaram no reconhecimento de crédito compensável com o IRPJ de R$ 10.365.314,06 e, inclusive, consigna que o restante de R$ 5.704.478,68 seria ainda compensável com a CSLL. Em sede de Manifestação, o Recorrente não faz qualquer menção sobre o crédito reconhecido referente a sua filial japonesa. Uma vez prejudicada a argumentação do Recurso Voluntário pelo resultado da diligência e não havendo óbice em sua Manifestação correspondente, devese adotar a conclusão do Relatório de diligência, que confirmou o crédito de R$ 10.365.314,06. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: R$ 10.365.314,06 (além de R$ 5.704.478,68 compensáveis com a CSLL do mesmo período). ILHAS CAYMAN (BAMB) Em relação a esta empresa, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 6.100.185,90. Tal valor é referente ao imposto pago no Brasil pela empresa do Grupo chamada "Ativos S/A" que, por sua vez, tem 25,5% de seu capital detido pela "BAMB Ilhas Cayman" (Brasilian American Merchant Bank), subsidiária integral do Contribuinte, sendo compensável por força da dinâmica de consolidação de resultados de suas subsidiárias, através de equivalência patrimonial e da autorização da MP nº 2158/2001 para se compensar o imposto retido na fonte quando os respectivos rendimento compuseram a apuração de lucro real. O v. Acórdão da DRJ homologou apenas parcialmente a compensação, por entender que de tal valor global (R$ 6.100.185,90), R$ 487.856,22 referentes a ganho de Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.969 24 equivalência patrimonial do mês de dezembro de 2006, não estavam abarcados pelas demonstrações financeiras do períodos. Confirase a fundamentação: 79. A contribuinte informou que a Ativos S.A. apura IRPJ e CSLL com base no lucro real anual e apresentou à fl. 1020 o demonstrativo da composição do valor de imposto de renda supostamente compensável com o IRPJ devido pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 6.100.185,90. Tal valor seria composto pelo IRPJ e CSLL pagos pela Ativos S.A. no anocalendário 2007, no valor de R$ 21.793.714,65, acrescidos do IRPJ e CSLL pagos em referência ao período de dezembro de 2006, no valor de R$ 2.008.796,11, calculados na proporção da participação do BAMB na Ativos S.A., o que resultaria em R$ 5.780.677,76. A este valor somouse a quantia de R$ 319.508,14, sob a rubrica “outros”, que, segundo a contribuinte, seria decorrente de imposto pago pelo BAMB correspondente a retenções sobre a receita de Juros sobre Capital Próprio – JCP, aluguel de imóveis, aplicações financeiras e alienação de ações (fls. 1469 e 1470). 80. Os DARFs correspondentes aos pagamentos de estimativas e ajuste de IRPJ e CSLL do anocalendário 2007 (fls. 1021 a 1048) foram confirmados no Sief. Quanto à parcela de composição referente ao mês de dezembro de 2006, verificase que todas as demonstrações financeiras do BAMB foram elaboradas para o período de janeiro a dezembro de 2007 e, dessa forma, não foi possível averiguar o registro do ganho de equivalência patrimonial do BAMB referente ao período de dezembro de 2006. Ademais, conforme se verifica nos relatórios divulgados na página da Ativos S.A. na internet (www.ativossa.com.br), às fls. 1759 a 1764, foram publicados balanços patrimoniais levantados nos finais dos anos de 2006 e 2007. Diante disso, do total pleiteado pela contribuinte, cabe desconsiderar a parcela referente a dezembro de 2006, o que implica na glosa de R$ 487.856,22 (valor calculado com base na participação do BAMB no capital da Ativos S.A., tendo em vista o imposto pago por esta no montante de R$ 2.008.796,11). (destacamos) Também foi rejeitada pela DRJ a quo a parcela de R$ 319.508,14, que teria sido informado pelo Contribuinte em seu pleito como outros eventos. Para sua comprovação, apresentouse DARFs referente a retenções na fonte em que a BAMB seria beneficiária. Entendeuse que, por não constar a BAMB em DIRF correspondente ao período como beneficiária, o valor supostamente retido não teria sido comprovado e, também, que não houve o pagamento de JCP pela Ativos S/A, referente ao anocalendário de 2007. Confira os termos do v. Acórdão: Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.970 25 81. Em relação à quantia de R$ 319.508,14, informada na composição do montante do imposto de renda pago no exterior sob a rubrica “outros”, a contribuinte não especificou como esse valor se distribui entre retenções sobre receita de JCP, receita de aluguel de imóveis, aplicações financeiras e alienação de ações, apenas apresentou DARFs e comprovantes de pagamento (fls. 1055 a 1078 e fls. 1487 a 1489), correspondentes a retenções de imposto de renda das quais o BAMB seria beneficiário. A soma dos valores constantes dos DARFs e comprovantes de pagamento, desconsiderados aqueles em que o período de apuração não está contido no ano de 2007 e os que não se referem a imposto de renda, resulta em R$ 247.993,70. Além disso, na resposta à Intimação 993/2012 (fl. 816), a contribuinte informou que a Ativos S.A. efetuou o pagamento de JCP ao BAMB no valor de R$ 66.429,90, conforme comprovante de emissão de recursos às fls. 1097 a 1100. Esse valor teria sido base de cálculo para retenção de imposto de renda. 82. No que concerne aos DARFs e comprovantes de pagamento, o BAMB não consta em DIRF como beneficiário de retenção de imposto de renda para nenhum dos códigos de receita constantes dos documentos apresentados (fl. 1767). Quanto à suposta retenção de imposto de renda sobre a receita de JCP, verificou se no balanço de 31/12/2007 da Ativos S.A. (fl. 1763 – Nota 7.d) que a referida empresa decidiu pelo não pagamento de JCP aos seus acionistas. Assim, resta concluir que a parcela de JCP no valor de R$ 66.429,90 se refere a períodos anteriores, o que, aliás, é presumível da data do registro da remessa de recursos, 31/12/2006, constante do documento de fl. 1099. 83. Portanto, diante da não confirmação em DIRF das alegadas retenções de imposto de renda sofridas pelo BAMB e da informação do não pagamento de JCP pela Ativos S.A., conclui se que não é cabível a inclusão da importância de R$ 319.508,14 na composição do imposto de renda pago pelo BAMB no exterior. Assim, dos R$ 6.100.185,90 pretendidos pelo Contribuinte a DRJ apenas reconheceuse a procedência de R$ 5.292.821,54 correspondentes ao imposto pago pela Ativos S.A., no anocalendário 2007, na proporção da participação do BAMB no capital daquela empresa. O Contribuinte em seu Recurso Voluntário alega, em suma, que o art. 387, inciso I, do RIR/99 permite incluir em seu balanço valores referentes a até dois meses anteriores a sua data de elaboração e subscrição, o que lhe garantiria o direito de compensar os R$ 487.856,22 referentes a ganho de equivalência patrimonial do mês de dezembro de 2006. No que tange aos DARFs, afirma que constitui dever da fonte pagadora dos rendimentos o fornecimento de comprovante anual de retenção à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.971 26 conforme, aliás, dispõem os arts. 942 do RIR/99 e 37 da Lei 1.234/2012, não cabendo ao órgão fiscalizador desconsiderar os comprovantes de retenção na fonte emitidos, DARF e comprovantes de pagamento de JCP. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a homologação apenas parcial de tais valores, conforme decidido pela DRJ. Em sede de Manifestação, o Recorrente repete textualmente as alegações do Recurso Voluntário. Em relação aos R$ 487.856,22, referentes aos ganhos com equivalência patrimonial de dezembro de 2006, a questão aqui é que não se afirmou ser injurídica a sua eventual inclusão em balanço patrimonial de 2007, mas sim que não foi possível averiguar o registro do ganho de equivalência patrimonial do BAMB referente ao período de dezembro de 2006, quando verificada as demonstrações financeiras. Realmente, analisando o balanço de fls. 1485, primeiramente, não há qualquer menção ou indicação de que lá foram utilizados valores de novembro ou dezembro de 2006 (ainda que facultado pelas normas vigentes), mas apenas consta ser aquela a posição patrimonial em 31/12/2007. Frisese que o mesmo se aplica aos demonstrativos da Ativos S/A de fls. 1762 a 1764, confirmando a conclusão da DRJ de que não pode se verificar se tal valor foi efetivamente registrado na apuração fiscal do período de referência. Igualmente, não existem quaisquer outros elementos de prova que atestem a inclusão de tal valor da na apuração do lucro tributável, procedida em relação ao ano calendário de 2007. Em relação às retenções e ao suposto pagamento de JCP, supostamente computado no período, a alegação de não caber ao órgão fiscalizador desconsiderar os comprovantes de retenção na fonte emitidos, DARF e comprovantes de pagamento de JCP simplesmente não combate a conclusão alcançada por efetiva análise documental de que não consta a BAMB como beneficiária na DIRF referente ao período e que, no próprio balanço da Ativos S/A às fls. 1743, consta que não foram distribuídos JCP no período. Ainda que possa se alegar que os JCP de dezembro de 2006 constaram de tal balanço em face da prerrogativa de inclusão de eventos/posição de até 2 meses anteriores a Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.972 27 data do balanço, não existe qualquer indicação ou prova de que isso efetivamente ocorreu, além da simples e postulatória argumentação recursal. Desse modo, deve ser mantida a não homologação parcial desse valor. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. ÁUSTRIA Em relação a esta filial, o Contribuinte informou o valor compensável com o IRPJ de R$ 1.307.154,38, decorrente de retenções na fonte de remessas de juros ao exterior. O v. Acórdão da DRJ homologou apenas parcialmente a compensação por entender que parte dos DARFs apresentados, quando cruzados com extratos e comunicações internas, não confirmavam a referência precisa da sua correspondência com os juros efetivamente pagos à filial austríaca. Confirase a fundamentação do v. Acórdão: Diante disso, foram considerados somente os DARFs ou extratos de agendamento de pagamento acompanhados dos swifts correspondentes. A partir dos swifts foi possível verificar os valores das parcelas de capital tomadas em empréstimo por clientes brasileiros e os montantes pagos por estes ao BB Viena com o acréscimo dos juros, e, além disso, constam desses documentos as partes envolvidas nas remessas de valores entre o Brasil e a Áustria, quais sejam, uma unidade brasileira do Banco do Brasil, intermediária da operação, e o BB Viena. 89. Os demais documentos colacionados pela contribuinte, para os quais não constam swifts, foram desconsiderados por se tratarem de DARFs ou extratos de agendamentos relativos a retenções de imposto de renda efetuadas por terceiros, sem qualquer referência ao BB Viena, ou, ainda, por serem documentos extraídos de sistemas de comunicação interna do Banco do Brasil, como correspondências eletrônicas. Também foram desconsiderados os pagamentos efetuados para períodos base não contidos no ano de 2007, como o constante às fls. 542 a 544. Tais documentos não foram reconhecidos por esta Diort como suficientes para fazerem prova da retenção de imposto de renda cujo beneficiário seria o BB Viena. 90. Os pagamentos dos DARFs e dos extratos de agendamento para os quais apresentaramse os swifts foram confirmados nos Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.973 28 sistemas da RFB. Na tabela de fl. 1768, os valores de retenção foram organizados por páginas dos documentos em que constam no processo, de modo que, ao final, verificouse o montante de retenção de R$ 278.799,57. 91. Dessa forma, concluise que, do total de R$ 1.307.154,38 alegados pela contribuinte, apenas o montante de R$ 278.799,57 corresponde a retenções de imposto de renda no Brasil em que o BB Viena seria o beneficiário. Como se observa, dos R$ 1.307.154,38 pretendidos pelo Contribuinte, a DRJ apenas reconheceu a procedência de R$ 278.799,57. O Contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário, em suma, que numa análise dos documentos apresentados, podese claramente identificar em cada mensagem swift o número da operação correspondente ao DARF, o qual encontrase anexado ao final das referidas mensagens. Ocorre, contudo, que tais documentos, ao contrário do fundamentando pela DRF, indicam sim ser o tributo pago sob o código de receita 0481, cuja denominação se refere a juros e comissões remetidas ao exterior na contratação de operações de financiamento à importação. Em face da ausência de nova documentação dessa sucursal, não houve nova análise ou conclusão na diligência procedida pela a Unidade Local, a qual manteve em seus cálculos gerais a homologação parcial de tais valores procedida pela DRJ. Em sede de Manifestação, o Recorrente repete textualmente as alegações do Recurso Voluntário. Como se observa acima, a alegação do Contribuinte é genérica e abstrata, nada mais fazendo do que afirmar o oposto daquilo constatado pela DRJ em seu v. Acórdão. Não há o apontamento de folhas ou qualquer referência de onde tais documentos estariam acostados e sequer foi colacionado um único exemplo demonstrando que a análise efetuada pela DRJ (mesmo após diligência determinada por aquela Instância) estaria equivocada. Confirase os profundos e técnicos termos da primeira diligência, solicitada pela DRJ, em relação aos valores a compensar dessa filial austríaca: Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.974 29 Áustria 85. A contribuinte pretendeu compensar com o IRPJ devido no Brasil a quantia de R$ 1.307.154,38, originária de sua subsidiária em Viena, na Áustria, conforme planilha de fls. 549 a 550. Tal valor seria decorrente de retenções de imposto de renda no Brasil ocorridas sobre juros de operações entre o Banco do Brasil em Viena e clientes brasileiros. 86. Para comprovar as retenções de imposto de renda no Brasil, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 181 a 544. Esses documentos consistem essencialmente de DARFs recolhidos sob o código de receita 0481, correspondências eletrônicas trocadas entre unidades do Banco do Brasil, extratos de agendamentos de pagamento emitidos por sistemas internos do Banco do Brasil e swifts relativos às operações que culminaram na retenção de imposto de renda. 87. A fim de verificar se o valor constante dos DARFs de fato totaliza a quantia pleiteada relativa ao imposto retido no Brasil, a contribuinte foi intimada (fl. 809) a apresentar uma planilha que consolidasse os valores utilizados na composição do montante de R$ 1.307.154,38, com indicação por página do processo dos respectivos documentos. 88. Em resposta (fl. 817), a contribuinte apresentou relatório emitido por empresa de auditoria independente (fls. 1111 a 1150), o que não atende ao solicitado na Intimação. Diante disso, foram considerados somente os DARFs ou extratos de agendamento de pagamento acompanhados dos swifts correspondentes. A partir dos swifts foi possível verificar os valores das parcelas de capital tomadas em empréstimo por clientes brasileiros e os montantes pagos por estes ao BB Viena com o acréscimo dos juros, e, além disso, constam desses documentos as partes envolvidas nas remessas de valores entre o Brasil e a Áustria, quais sejam, uma unidade brasileira do Banco do Brasil, intermediária da operação, e o BB Viena. 89. Os demais documentos colacionados pela contribuinte, para os quais não constam swifts, foram desconsiderados por se tratarem de DARFs ou extratos de agendamentos relativos a retenções de imposto de renda efetuadas por terceiros, sem qualquer referência ao BB Viena, ou, ainda, por serem documentos extraídos de sistemas de comunicação interna do Banco do Brasil, como correspondências eletrônicas. Também foram desconsiderados os pagamentos efetuados para períodos base não contidos no ano de 2007, como o constante às fls. 542 a 544. Tais documentos não foram reconhecidos por esta Diort como suficientes para fazerem prova da retenção de imposto de renda cujo beneficiário seria o BB Viena. 90. Os pagamentos dos DARFs e dos extratos de agendamento para os quais apresentaramse os swifts foram confirmados nos sistemas da RFB. Na tabela de fl. 1768, os valores de retenção Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.975 30 foram organizados por páginas dos documentos em que constam no processo, de modo que, ao final, verificouse o montante de retenção de R$ 278.799,57. 91. Dessa forma, concluise que, do total de R$ 1.307.154,38 alegados pela contribuinte, apenas o montante de R$ 278.799,57 corresponde a retenções de imposto de renda no Brasil em que o BB Viena seria o beneficiário. (fls. 1959 a 1960) Ora, a mera afirmação genérica de que a documentação estaria plenamente regular, podendo extrair dela a comprovação do seu direito, não combate o trabalho técnico e fundamentado que, precisamente, apenas identificou que parte das comprovações (DARF e SWIFT) estavam completas. Além disso, o simples fato de as DARFs terem sido preenchidas código 0481 (IRRF JUROS E COMISSÕES EM GERAL RESIDENTES NO EXTERIOR) não lhes relaciona com quaisquer operações específicas e nem diretamente com a filial austríaca. Diante disso, deve ser mantido o entendimento professado no v. Acórdão da DRJ e a não homologação parcial sofrida. Crédito adicional reconhecido nesse Voto: nenhum. Ainda, alega a recorrente em seu Recurso Voluntário que o deferimento parcial do direito creditório pleiteado, diante das glosas indevidamente operadas, além de indevido tem intuito meramente arrecadatório, sendo de todos confiscatório, violando frontalmente os preceitos constitucionais. Posto isso, a análise de violação de disposição constitucional (princípio do não confisco) para afastar os fundamentos legais ou mesmo infralegas do v. Acórdão não é matéria adequada ao debate empreendido nesta esfera administrativa, deixando, então, de se conhecer dessa matéria. Diante de todo, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, naquilo conhecido, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 21.336.525,87; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 14033.003328/200871 Acórdão n.º 1402002.919 S1C4T2 Fl. 2.976 31 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2976DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.000162/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA.
O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da COFINS e do PIS na sistemática não cumulativa de apuração dessas contribuições.
Embargos Acolhidos.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-004.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos inominados para sanar a omissão apontada e, no mérito, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos o Relator e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
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BASE DE CÁLCULO. RECEITA. O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da COFINS e do PIS na sistemática não cumulativa de apuração dessas contribuições. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos inominados para sanar a omissão apontada e, no mérito, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos o Relator e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto e Redator Designado. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 01 62 /2 00 5- 00 Fl. 2714DF CARF MF 2 Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3803003.328, recebido como embargos inominados¸ conforme despacho de fls. 26232627. A matéria admitida nos embargos diz respeito à exclusão dos valores de crédito presumido de IPI da base de cálculo do PIS/Cofins, que não teria sido analisada no acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Os embargos inominados devem ser considerados tempestivos, pois atenderam ao prazo de interposição do recurso de divergência que lhe fundou, e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A matéria da exclusão dos valores de crédito presumido de IPI da base de cálculo do Pis/Cofins não foi objeto de decisão por parte do acórdão recorrido, que dela não tomou conhecimento. Transcrevo trecho do voto condutor (fl. 2.151) : “Apesar de o recorrente insistir na exclusão do Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, da base de cálculo da Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, desde 01/02/2004, quando entrou em vigor a sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, passou a ser vedado aos contribuintes dessa contribuição e do PIS nãocumulativo o direito à fruição do referido benefício, nos termos dos arts. 14, 93, inc. I, e 94, inc. VI, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: ‘Art. 14. O disposto nas Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de .setembro de .2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2° e 3º da Lei nº 10 637, de 30 de dezembro de 2002.’ A vedação é lógica, já que, na sistemática não cumulativa de apuração, há previsão legal de ressarcimento da contribuição incidente na cadeia produtiva de produtos exportados. Admitir a exclusão da tributação de valores indevidamente aproveitados a titulo de ressarcimento de CPIPI implicaria duplo ressarcimento e enriquecimento sem causa, repugnado pelo ordenamento jurídico. Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 3 3 Carente de sentido, a controvérsia surpreendeume. Compulsando os autos, na planilha de cálculo anexa à Informação SAFIS nº 41/2008, fls. 1.473, constatei que não houve qualquer acréscimo a esse título na base de cálculo da contribuição. Concluo, assim, que o ajuste referente à inclusão do CPIPI na base de cálculo não diz respeito ao período de apuração de interesse, razão pela qual a controvérsia não será conhecida.” Todavia, na tabela de apuração de crédito de fl. 1473 (processo físico), consta no campo "outras receitas" um crédito presumido de IPI em dez/04, no valor de R$ 163.823,00, referente a períodos anteriores e considerado como "outras receitas" em razão de sua disponibilização em processos de ressarcimento. Desse modo, se verifica a existência de uma omissão que deve ser sanada por este colegiado. Crédito Presumido de IPI na base de cálculo de PIS/Cofins nãocumulativo Na apuração do pedido de ressarcimento, a DRF inclui na base de cálculo da contribuição a recolher o crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, por entender que este se enquadraria como receita bruta, nos termos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, tem como escopo a redução de custos vinculados ao PIS/COFINS sobre o insumos utilizados no produto brasileiro a ser exportado, conforme a dicção expressa do art. 1º dessa lei: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Sobre esta matéria, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem se posicionado de forma dominante pela impossibilidade de inclusão, na base de cálculo das contribuições sociais apuradas na forma da lei 9.718/98, sob dois fundamentos distintos: I) o crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil e jurídico, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos"; II) tal incentivo fiscal, ainda que fosse receita, se configuraria uma receita de exportação, isenta do pagamento dessas contribuições. Vejamos os seguintes precedentes: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI DECORRENTE DE EXPORTAÇÕES. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE Fl. 2716DF CARF MF 4 CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REGRAS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.IMPOSSIBILIDADE. 1. A pretensão da contribuinte – de que a amortização da dívida da Fazenda Pública seja realizada primeiro sobre os juros e, somente depois, sobre o principal do crédito, mediante compensação – não está amparada pelo art. 354 do CC e não existe previsão de que esse dispositivo possa, no caso, ser aplicado subsidiariamente. 2. É pacífico o entendimento do STJ sobre a não incidência de COFINS/PIS tanto sobre o crédito presumido do IPI quanto sobre os insumos empregados na industrialização de produtos exportados. Precedentes. 3. Recursos especiais não providos. (REsp 1130033/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2009, DJe 16/12/2009) TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001 – NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na redação anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtorexportador apropriase de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 4 5 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. (REsp 807.130/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2008, DJe 21/10/2008) Poderseia objetar que os precedentes apontados se referem às contribuições previstas na lei nº 9.718/98 (cumulativas), mas analisando as razões de decidir dos acórdãos, se verifica que são integralmente aplicáveis para exclusão do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, no âmbito da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, disciplinadas nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Isso porque, para o STJ, o mencionado crédito presumido não se configura receita, mas recuperação de custo, e, ainda que receita fosse, o montante alusivo a esse incentivo fiscal enquadrariase como receita decorrente de exportação. Ora, trazendo tais premissas ao contexto da nãocumulatividade das contribuições, concluise que, não sendo receita, não há que se falar que o crédito presumido se enquadra na definição de receita bruta, trazida pelo art. 1º da Lei nº 10.637/2002. E, em sendo receita de exportação, inexiste a incidência das contribuições, nos termos do art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e correspondente na lei 10.833/03. Além disso, fazer incidir PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI seria uma contradição técnica, visto que esse benefício fiscal tem como escopo exatamente desonerar o produto brasileiro a ser exportado da carga econômica dessas contribuições sociais é dizer, se estaria, na prática, reduzindo incentivo fiscal concedido legislativamente, através de uma interpretação contrária à própria lógica do mesmo. Mais ainda, a ideia de que as redações originais do art. 1º das leis 10.637/02 e 10.833/03 abrangia qualquer tipo de ingresso como receita tributável já foi afastada por esse Colegiado em diversas oportunidades, especialmente em vista do eloquente voto do conselheiro Antonio Carlos Atulim, proferido no Acórdão CARF nº 3402003.072, transcrito abaixo: Historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A tentativa de a União incluir no rol de incidência das contribuições todas as receitas operacionais da pessoa jurídica tornouse uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição de dois decretosleis. Fl. 2718DF CARF MF 6 O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, a qual previa que as empresas privadas passariam a contribuir para o fundo com duas parcelas, sendo uma com base na dedução do imposto de renda devido e outra com base no faturamento (arts. 1º e 3º). Esse quadro legislativo se manteve até julho de 1988, quando foram editados os DecretosLeis nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as contribuições mensais até então devidas sobre o faturamento, passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V, do DecretoLei nº 2.445/88). A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 148.754, por meio do qual o Tribunal declarou a inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia teve início com a instituição do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por meio da edição do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, quando foi criada uma contribuição devida pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do faturamento (art 1º, § 1º). Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar dos anos a alíquota inicial de 0,5% do FINSOCIAL foi sendo elevada ao mesmo tempo em que foi criada a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Houve contestação judicial por parte dos contribuintes e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir. No julgamento do RE nº 150.764, o Tribunal manteve a cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data da promulgação da CF/88, declarando inconstitucionais as majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova ordem constitucional. Diante da inviabilidade do aumento da contribuição ao FINSOCIAL, foi editada a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL, instituindose a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com alíquota de 2% incidente sobre o faturamento (art. 2º). Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º). E mais uma vez a União viu sua tentativa frustrada, pois por meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Desse breve retrospecto legislativo, resulta a comprovação da assertiva inicial deste voto, no sentido de que historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que a intenção da União, pelo menos a partir de 1988, sempre foi ampliar o campo de incidência para abarcar a receita operacional. Todas as vezes em que a União tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS para alcançar as receitas operacionais das empresas, houve declaração de inconstitucionalidade da norma infraconstitucional. Esse quadro mudou com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, por meio do qual foi alterado o texto do art. 195, I, "b" da CF/88, que passou a prever a incidência das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social sobre a "receita ou o faturamento". A partir dessa alteração constitucional, passou a existir permissão para que o legislador incluísse nas bases de cálculo das contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, pois o texto constitucional utilizou o vocábulo "receita" sem nenhuma qualificação ou limitação. Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 5 7 Com lastro nessa alteração constitucional, foram editadas as Medidas Provisórias nº 66, de 2002 e 135, de 2003, que resultaram na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente, que nas suas redações originais definiram as bases de cálculo das contribuições nos seguintes termos: Lei nº 10.637: " Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" Lei nº 10.833 "Art. 1 o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" A primeira leitura desses dispositivos legais aparentemente autoriza a pretensão fiscal de incluir a na base de cálculo das contribuições qualquer tipo de receita, seja ela operacional ou não operacional. Mas embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: Lei 10.637/2002: Fl. 2720DF CARF MF 8 § 3 o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I a IV omissis... V referentes a: a) vendas canceladas ou aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (incluído pela Lei nº 10.684/2003) Lei nº 10.833/2003: § 3 o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I omissis II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III e IV omissis V referentes a: a) omissis b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...)" Ao contrário do entendimento de alguns, esse rol de exclusões das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador, no momento da elaboração da norma, não tem condições de prever todas as hipóteses de receitas não operacionais que podem se apresentar no mundo real. Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, houve alteração na técnica de redação dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às receitas estabelecidas no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e no art. 183, VIII da Lei nº 6.404/76, houve ampliação do rol de exclusões de receitas não operacionais das bases de cálculo, fato que comprova que o rol de exclusões anteriormente existente não era exaustivo. Se fosse exaustivo, não seria necessário e nem logicamente possível que uma lei posterior viesse a ampliálo. Assim, se historicamente o legislador nunca pretendeu incluir as receitas não operacionais nas bases de cálculo do PIS e COFINS e se existe previsão expressa de exclusão dessas receitas nas leis que instituíram as contribuições não cumulativas, é incabível a pretensão da fiscalização tributálas. Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 6 9 Tenho para mim que o montante recebido pela pessoa jurídica a título de crédito presumido de IPI, previsto na lei 9.363, não se configura como receita operacional da empresa, e sim como recuperação de custo decorrente de incentivo fiscal concedido à exportação, de modo que não se enquadra na hipótese de incidência das contribuições sociais não cumulativas, razão pela qual deve ser excluída da base de cálculo. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento integral aos Embargos Inominados, na parte que foi admitida, para reconhecer a exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo da Cofins. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2722DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator, ressalto minha discordância em relação as receitas relativas ao crédito presumido do IPI (BC do PIS e da COFINS). Quanto à receita relativa ao crédito presumido do IPI, primeiramente, devese estabelecer a sua natureza jurídica. A norma assegura o direito ao crédito às empresas produtoras e exportadoras. Como é cediço, as operações de exportação são, historicamente, protegidas da incidência das Contribuições Sociais sobre o faturamento (PIS e COFINS). No entanto, os insumos adquiridos para a fabricação já sofreram a carga tributária das aludidas contribuições nas etapas anteriores da circulação econômica. O valor do crédito adquirido é utilizável como forma de compensação de IPI, devido no mercado interno, bem como compensação com outros tributos ou mesmo ressarcimento em espécie (IN/SRF nº 23, de 1997, IN/SRF nº 21, de 1997). Resta verificar a tributabilidade ou não de tais receitas à luz das legislações relativas às Contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. A Recorrente argumenta que o credito presumido de IPI é um ressarcimento de despesas já suportada pela empresa e que por esta razão tratase de recuperação de custos. Pois bem. Antes da edição da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas em análise não integravam a base de cálculo da COFINS, nem da contribuição ao PIS. No entanto, a partir do advento da referida lei, passouse a adotar uma base universal para efeitos de exigência destas Contribuições, abrangendo, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente de sua classificação contábil. Com relação à apuração nãocumulativa das Contribuições, as Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, mantiveram, respectivamente para o PIS e para a COFINS a mesma base de cálculo prevista nos art. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, ou seja, a totalidade das receitas auferidas pela empresa (faturamento). A legislação pode, portanto, e desde que o faça expressamente, excluir dessa incidência algumas receitas, o que não ocorre com o crédito presumido do IPI. Desta forma, é de se entender que, a partir de 01/02/1999, a nova sistemática de apuração das contribuições passou a impor a tributação sobre o referido crédito, conforme os dispositivos legais já citados. Concluindo, o valor do crédito presumido do IPI deverá ser computado na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, no mês em que a receita a ele correspondente for auferida, ou seja, no mês em que ocorrer a exportação das mercadorias. Posto isto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 2723DF CARF MF Processo nº 10835.000162/200500 Acórdão n.º 3402004.901 S3C4T2 Fl. 7 11 É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2724DF CARF MF
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