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Numero do processo: 16349.000208/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.350
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2003 A 30/09/2003 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 08 /2 00 8- 93 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 16349.000208/200893 Acórdão n.º 3201003.350 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.917, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 16349.000208/200893 Acórdão n.º 3201003.350 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909187/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 95, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 18 7/ 20 11 -1 2 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 252 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 039/040, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição eletrônico nº 25131.69759.140606.1.2.042054 (fls. 002/004), protocolado em 14/06/2006, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 1.896,85. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 03/01/2012, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 15/02/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.909184/201189, nº 10850.909185/201123, nº 10850.909186/201178 e nº 10850.909187/201112, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 253 3 higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 1.896,85, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório. A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 254 4 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 255 5 Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o despacho decisório verificou a escrita do contribuinte e concluiu pela não existência do crédito, a DRJ/SP, por sua vez, entendeu que o contribuinte não descreveu em seu pedido de restituição e compensação a origem do crédito, ou seja, em nenhum momento tratou da inconstitucionalidade do §1.º, Art. 3.º, da Lei 9718/98 e manteve o não reconhecimento do crédito. Segundo o contribuinte, em suas peças de defesa, este recolheu de forma indevida o Cofins, nos moldes que foram declarados inconstitucionais pelo STF. Isto seria suficiente para que a fiscalização reconhecesse o crédito. Contudo, não há nos autos qualquer análise da fiscalização com relação ao recolhimento do Cofins sob a base de cálculo declarada inconstitucional, razão pela qual a lide encontrase incompleta. O princípio da verdade material e a regra constitucional da legalidade impedem que este Conselho defira ou indefira recurso administrativo fiscal sem o amparo da materialidade, de modo que, se a alegação do contribuinte for materialmente verdadeira, este Conselho não pode permitir o não reconhecimento do crédito originado de tributo recolhido sob moldes inconstitucionais. É importante considerar neste voto a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo asism como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10850.909187/201112 Resolução nº 3201001.135 S3C2T1 Fl. 256 6 constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: os autos sejam remetidos à unidade de origem para nova análise e apresentação de relatório que considere a escrita do contribuinte, o modo de recolhimento e a base de cálculo em confronto com a inconstitucionalidade mencionada. após, o contribuinte deve ser informado do conteúdo do relatório e intimado para apresentação de nova manifestação; A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 256DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725532/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO REGIME. IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO.
Por garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e a ampla defesa, a emissão e a ciência prévia do ADE - Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado de tributação, nos termos da Lei Complementar nº 123/06 e da Resolução nº 94/2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional, é condição inafastável para efetivação de Auto de Infração que pretenda constituir créditos tributários supostamente devidos pelo fato de o contribuinte ter deixado de fazer direito ao recolhimento pelo SIMPLES NACIONAL. Cancelamento do lançamento que se impõe por ausência de pressupostos básicos quando da sua constituição.
Numero da decisão: 1302-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado) e Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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NÁUTICA LTDA. EPP ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO REGIME. IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO. Por garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e a ampla defesa, a emissão e a ciência prévia do ADE Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado de tributação, nos termos da Lei Complementar nº 123/06 e da Resolução nº 94/2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional, é condição inafastável para efetivação de Auto de Infração que pretenda constituir créditos tributários supostamente devidos pelo fato de o contribuinte ter deixado de fazer direito ao recolhimento pelo SIMPLES NACIONAL. Cancelamento do lançamento que se impõe por ausência de pressupostos básicos quando da sua constituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 55 32 /2 01 3- 43 Fl. 1836DF CARF MF 2 Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado) e Flavio Machado Vilhena Dias. Relatório A SEFIS/DRF/Curitiba PR realizou procedimento administrativo fiscal, amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09.1.01.002013000920, que culminou na lavratura de Auto de Infração em face do contribuinte SCHOONER COMÉRCIO DE VESTUÁRIO E DEC. NÁUTICA LTDA. EPP, ora Recorrido, no qual foi constituído crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no valor total de R$ 8.806.442,75, incluindo se o principal, multa de ofício qualificada à razão de 150% e juros de mora calculados até 07/2013, abrangendo os anoscalendário de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. O Auto de Infração foi lavrado no dia 31/07/2013. Cumpre ressaltar que, após um longo trabalho, de quase 06 meses, realizado de forma preparatória ao lançamento analisado, a fiscalização concluiu, em síntese, que o Recorrido, em que pese estar enquadrado no SIMPLES NACIONAL, na verdade, compunha um conjunto de empresas constituídas de forma independente, apenas para não extrapolar o limite de receita exigido pela legislação para manutenção naquela forma de tributação, mas que, na verdade, tinham os mesmos sócios, as mesmas marcas. Entendeu a fiscalização que se tratava de uma mesma empresa que, ao invés de abrir filiais, optou, de forma fraudulenta, pela abertura de empresas distintas, para se favorecer do regime tributário diferenciado do SIMPLES NACIONAL. O relatório do acórdão recorrido traz de forma detalhada todo o trabalho da fiscalização e as conclusões a que chegou, que acabaram por culminar na lavratura do Auto de Infração, que, como mencionado, constituiu crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em face do Recorrido. A acusação fiscal foi assim resumida naquele acórdão: DA ACUSAÇÃO FISCAL Em Termo de Verificação do Procedimento Fiscal de fls. 147/1731, a Autoridade Tributária relatou o resumo de todo o procedimento havido, inclusive as respostas e manifestações feitas pela fiscalizada e diligenciadas, discorreu sobre as irregularidades apuradas e afirmou, em caráter inaugural, que a empresa apresentou declarações e efetuou recolhimentos dos tributos pela sistemática do SIMPLES NACIONAL nos anoscalendário de 2008 a 2012 (conforme planilha que elaborou e transcreveu fls. 147/159), assentando que os lançamentos fiscais efetuados originamse de informações colhidas neste procedimento e nos instaurados contra outras oito pessoas jurídicas, que listou, inclusive com seus CNPJ e os MPF que lastrearam as ações contra as mesmas (fl. 149): Acroline Comércio de Confecções Ltda – Epp, Aspideck Indústria e Comércio de Confecções Ltda – Epp, Clothe Campinas Comércio de Confecção Ltda – Epp, Clothepar Comercio de Confecções Ltda – Me, Clothepollo Comércio de Confecções Ltda – Epp, Clothesul Confecções Ltda – Epp, Primo Bordados Ltda Epp e Textilprima Comercio de Confecções Ltda – Epp Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.837 3 Conforme posição da Fiscalização, referidas pessoas jurídicas “têm o mesmo objeto social da Schooner, ou seja, o comércio de artigos de vestuário e acessórios”, “as informações coletadas no decorrer das fiscalizações no sujeito passivo ora autuado e nas demais empresas mencionadas nesse relatório revelaram o real liame entre as empresas e conduziram à convicção de que, no mundo dos fatos, há apenas uma empresa: SCHOONER COMERCIO DE VESTUARIO E DEC NAUTICA LTDA.”, e “na medida em que as atividades da Schooner foram se expandindo, ao invés de se criarem filiais do estabelecimento, foram criadas diversas pessoas jurídicas de forma a fracionar a receita bruta e usufruir, indevidamente, do regime tributário favorecido denominado Simples Nacional”. Prosseguiu destacando que, “para cada novo ponto de vendas (loja) da Schooner, uma nova pessoa jurídica foi criada. A Schooner, sob comando de seu sócio majoritário, administrador da pessoa jurídica desde 26/09/1986, Antonio Carlos Ferreira, por intermédio de pessoas de seu núcleo familiar, amizade e confiança pessoal, fracionou suas atividades utilizandose, de forma simulada, das demais pessoas jurídicas referidas neste relatório, todas indevidamente optantes pelo Simples Nacional, com a finalidade de manter a Schooner no regime do Simples Nacional e, conseqüentemente, suprimir tributos devidos à Receita Federal, Previdência Social e às outras entidades e fundos (terceiros), já que para a empresa optante pelo Simples a tributação do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS é bastante reduzida e simplificada e não há incidência, sobre a folha de pagamento, de contribuições sociais a cargo da empresa”, e apresenta minucioso relato acerca do que nominou de “Desenvolvimento empresarial da rede de lojas Schooner”. Após transcrever como se deu a constituição de cada uma das empresas (e aqui se furta da transcrição, remetendose àquele acórdão), o julgador de 1ª instância administrativa demonstra os vínculos familiares dos sócios de cada uma das empresas que, aos olhos da fiscalização, seriam a mesma empresa, mas que foram constituídas de forma autônoma apenas para manteremse no SIMPLES NACIONAL. Prossegue, o acórdão, relatando de forma detalhada como se dava a operação da empresa e, em especial, as "manobras" realizadas, que, a princípio, comprovariam de forma incontestável a acusação fiscal. Confirase: Para prosseguir: i) que, “entre as pessoas jurídicas integrantes da rede SCHOONER há uma intensa movimentação de empregados”; que, “a sucessão de vínculos consecutivos de diversos empregados demonstra a administração comum das pessoas jurídicas (na realidade filiais) do grupo, transferindo empregados de um estabelecimento para outro conforme a necessidade e conveniência do momento”, e que, “em várias dessas movimentações percebese a interrupção dos vínculos empregatícios pelo tempo necessário à possível fruição do benefício social denominado “seguro desemprego”, disfarçado Fl. 1838DF CARF MF 4 pelo reingresso do empregado em outra “empresa” do grupo Schooner” (apresenta quadro com rotatividade de empregados das empresas); ii) que, “as declarações em GFIP das empresas correspondentes às lojas da rede SCHOONER em Curitiba e São José dos Pinhais (ASPIDECK, ACROLINE, CLOTHEPAR, CLOTHEPOLLO, PRIMO BORDADOS, TEXTILPRIMA e SCHOONER) são enviadas pela mesma pessoa: Luana Lopes de Oliveira, CPF 029.803.15907 (...), que (...) é empregada da Acroline desde 01/09/2005”; iii) que, “resumindo: uma empregada da Acroline, usando o e mail da Schooner, envia as declarações em GFIP de 7 das 9 filiais da rede Schooner (excetuamse as filiais de Balneário CamboriuSC e CampinasSP, cujas declarações são enviadas por contadores desses estados)”; iv) que, “conforme pesquisa feita no site do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) a marca “Schooner” pertence à autuada, Schooner Comércio de Vestuário e Decoração Náutica Ltda.”; v) que, “as empresas componentes da rede de lojas Schooner foram intimadas a esclarecer a que título a utilizam a marca “Schooner”; que, “em primeira resposta afirmaram que “o nome Schooner é utilizado como decorrência e expressa autorização do detentor da marca, uma vez que labora como espécie de franqueador informal”, vi) que, “em razão dessa resposta, novas intimações foram lavradas para que fossem apresentados os instrumentos jurídicos que contivessem a “expressa autorização do detentor da marca” para uso do marca/nome “SCHOONER”, bem como fosse esclarecido o significado da expressão “franqueador informal” e a forma e valores de remuneração paga ao “franqueador informal”, com indicação da conta contábil de registro dos pagamentos dessa remuneração”; vii) que, “como resposta, as empresas “de fachada” tergiversaram respondendo que embora possuíssem autorização expressa para o funcionamento sob o sistema de franquia, esta se operou de maneira informal”; que, “nenhum documento foi apresentado” e que, “nada comprovou a alegada “expressa autorização”; viii) que, “na contabilidade das “empresas” da rede SCHOONER não consta qualquer conta ou registro contábil de receita ou despesa referente ao alegado “sistema de franquia”, e que, “portanto, não há que se falar em sistema de franquia”; ix) que, “a fraude ora descortinada não guarda relação com sistema de franquia”; que, “como já dito, o dono da primitiva Schooner, Antonio Carlos Ferreira, associouse a Jorge Dib Manne”; que, “com a expansão de suas atividades empresariais, ao invés de abrirem filiais da empresa, passaram a criar diversas pessoas jurídicas optantes pelo regime tributário Simples Nacional, fracionando suas receitas e suprimindo tributos”, e que, “essas pessoas jurídicas foram criadas em nome próprio de Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne e, Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.838 5 conforme já relatado em itens anteriores, mediante interposição de pessoas”. Trata, na continuidade, dos diversos contratos de locações das lojas, da forma assim sintetizada: ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Acroline “O contrato de locação consta no anexo “Acroline Intimações e documentos.pdf”. Nesse contrato, como ordinariamente acontece, assina como representante da locatária o “sócio” Jorge Mane. Inusitada, não fosse o conluio que ora se desvenda, é a presença de Antonio Carlos Ferreira e sua esposa Kátia Rosana Zardo Ferreira como fiadores do locatário. A presença de Antonio Carlos Ferreira na figura de fiador evidencia, novamente, a existência de administração centralizada da rede de lojas Schooner”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothepar “Nesse contrato, Jorge Dib Manne, que não é sócio dessa pessoa jurídica, comparece como fiador da empresa. O contrato de locação consta no anexo “Clothepar Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothepollo “Nele consta a sucessão havida entre a Primo Bordados e a Clothepollo. As pessoas relacionadas no contrato são Iolanda Ferreira Zardo e Fernando Zardo, pais da esposa de Antonio Carlos Ferreira conforme já relatado. Anexo “Clothepollo Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothesul “Neste contrato, apesar de não conter a assinatura do fiador, consta o nome de Jorge Dib Manne. O simples fato de constar nesse contrato o nome do grande sócio de Antonio Carlos Ferreira, em uma “empresa” sem qualquer ligação aparente entre os dois, demonstra, novamente a existência de atividade empresarial conjunta das referidas pessoas. Anexo “Clothesul Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Primo Bordados “Presentes Antonio Carlos Ferreira como representante do locatário e como fiador aparece, novamente, Jorge Dib Manne. Novamente o que poderia ser uma aparente coincidência é mais uma evidência da associação empresarial existente entre as referidas pessoas. Anexo “P Bordados Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Textilprima “Nesse contrato consta o nome da ora autuada (Schooner) como cedente do contrato original de locação para a Textilprima. E novamente aparecem as figuras de Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne de forma a reiterar a atividade negocial conjunta e a existência de confiança recíproca entre si. Anexo Fl. 1840DF CARF MF 6 “Textilprima Intimações e documentos.pdf”. Mais: esse contrato demonstra que após um inicial planejamento para criação de uma verdadeira filial da primeira Schooner, os sócios de fato Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne escolheram criar uma nova pessoa jurídica mediante nova interposição de pessoas (no caso a mãe de Jorge Dib Manne) de forma a ocultar os verdadeiros sócios da empresa”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothe Campinas “Nesse contrato consta o nome de Antonio Carlos Ferreira (administrador da rede Schooner) como cedente do contrato original de locação para a Clothe Campinas. Outra vez, não por acaso, aparece a figura de Jorge Dib Manne (como fiador do contrato) de forma a reiterar a atividade negocial conjunta e a existência de confiança recíproca entre si. Anexo “Clothe Campinas Intimações e documentos.pdf”. Mais: esse contrato demonstra, novamente, que após um inicial planejamento para criação de uma verdadeira filial da primeira Schooner, os sócios de fato Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne escolheram criar uma nova pessoa jurídica mediante nova interposição de pessoas (no caso a esposa e a sogra de Antonio Carlos Ferreira) de forma a ocultar os verdadeiros sócios da empresa O acórdão relata, ainda, o rateio de despesas de publicidade entre as empresas e empréstimos tomados das empresas pelos sócios, o que a fiscalização chama de reais sócios do Recorrido. Ainda, demonstra que a fiscalização afirmou que as empresas faziam importações em conjunto das mercadorias que, posteriormente, seriam colocadas à venda. O acórdão recorrido também transcreve as conclusões da fiscalização nos seguintes termos: Sequencialmente, o Fisco passa às suas conclusões, expondo: xv) que, “os fatos apresentados, quando analisados rápida e isoladamente, podem não se revestir de grande relevância. Mas, a visão do todo, do conjunto de indícios carreados, demonstra, indene de dúvidas, que a empresa ora autuada procedeu ao fracionamento de suas atividades mediante simulação de existência de pessoas jurídicas distintas, todas optantes pelo regime tributário privilegiado denominado SIMPLES NACIONAL, com vistas à ocultação de sua real receita bruta auferida e com isso fraudar o Fisco”; xvi) que, “a situação apontada, em que a empresa Schooner simulou o fracionamento de suas atividades mediante utilização de várias pessoas jurídicas, tem como intuito usufruir indevidamente dos benefícios do sistema de tributação Simples Nacional, em que há substituição do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS a cargo da empresa por tributação sensivelmente menor, incidente sobre a receita bruta auferida pelo contribuinte”. Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.839 7 Por fim, o acórdão da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto faz transcrição acerca do procedimento de exclusão do Recorrido do SIMPLES NACIONAL, bem como das demais empresas envolvidas na suposta fraude fiscal. Confirase: Discorre sobre o tema, afirmando que, “diante dos fatos anteriormente relatados concluise que, ao utilizar simuladamente outras pessoas jurídicas para albergar partes de suas atividades, o contribuinte supracitado ultrapassou o limite máximo permitido para permanência no referido sistema de tributação simplificado”, e que, “infringiu, assim, o disposto no inciso I do artigo 29 da lei complementar nº 123/2006, incorrendo, por conseqüência, na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista no inciso IV do artigo 29 dessa lei complementar”. Acrescenta ter sido “encaminhada Representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba – PR, processo administrativo comprot nº 10980.725.564/201349, para que fosse determinada a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2008, nos termos do parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, de 14 de dezembro de 2006”. Para concluir: “também foram representadas, pela exclusão do SIMPLES, as demais empresas componentes do grupo Schooner, por serem constituídas de interpostas pessoas” (TVPF fls. 171). O Recorrido apresentou longa Impugnação, na qual refuta veementemente as conclusões a que chegou a fiscalização, requerendo, ao final, em síntese, o cancelamento em definitivo da autuação. Analisando os argumentos e documentos juntados pela fiscalização e pelo Recorrido, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), entendeu por bem dar provimento a impugnação e, por consequência, cancelar o crédito tributário, tendo em vista a ausência de ADE Ato Declaratório Executivo, com a formalização da exclusão do Recorrente do SIMPLES NACIONAL, na data em que o Auto de Infração foi lavrado. Eis a ementa do acórdão, que foi proferido em 27/02/2014: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO REGIME. A emissão e ciência, à interessada, do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do regime simplificado trazido pela Lei Complementar nº 123, de 2006, prevista no artigo 75, I, § 1º, da Resolução nº 94, de 29/11/2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional, é condição sine qua non para prosseguimento do feito, sob pena de, como no caso concreto, sua inexistência corromper os lançamentos havidos, exigindo seu cancelamento. Mera “Representação para Exclusão do Simples”, de cunho interno, inclusive desprovida da subsequente Fl. 1842DF CARF MF 8 abertura de prazo para manifestação de inconformidade do sujeito passivo a respeito, não se constitui, por si só, em documento adequado para garantir a exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES NACIONAL, por não suprir a exigência legal da emissão do Ato Declaratório excludente. Após a prolação do acórdão e a determinação de remessa dos autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista a interposição de Recurso de Ofício, foi acostada ao processo cópia do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA no 134, de 14 de novembro de 2014. Consta dos autos a ciência pessoal do ADE, pelo Recorrido, em 19/11/2014. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Em face da exoneração de parte do crédito tributário pelo acórdão recorrido, houve a interposição de Recurso de Ofício. Como o valor exonerado supera o valor de alçada de R$2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63/2017, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. Como se denota do relatório acima, ao Recorrido, foram imputadas uma série de infrações à legislação tributária, notadamente, o fato de ter optado por abrir empresas distintas e, em alguns casos, com sócios diferentes, apenas para não ultrapassar o limite de receita bruta exigido na legislação para a manutenção do contribuinte no SIMPLES NACIONAL. Assim, entendeuse que, ao contrário do que foi informado durante o processo fiscalizatório, a realidade era outra: as empresas criadas de forma autônoma seriam, em verdade, filiais, devendo a receita bruta ser considerada de forma unitária, o que ultrapassaria o limite legal para manutenção naquela forma de tributação. Com tais conclusões, constituiuse crédito tributário com base no lucro presumido, de acordo com opção do contribuinte, quando instado a se manifestar, além de terem sido aplicadas sanções, nos termos do ordenamento jurídico pátrio. Entretanto, o acórdão recorrido, antes de analisar as ilações a que chegou o agente fiscal que lavrou o Auto de Infração, bem como os argumentos de mérito lançados, pelo Recorrido, na impugnação administrativa apresentada, entendeu que o autuação não poderia prevalecer, uma vez que não foi formalizado previamente à autuação o ADE Ato Declaratório Executivo de exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL e que, por isso, carecia de fundamentação o Auto de Infração. Após tecer considerações sobre o histórico do SIMPLES e os requisitos exigidos pela legislação, notadamente pela Lei Complementar 123/06, para enquadramento nessa forma de tributação pelos contribuintes, a douta Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), chegou a seguinte conclusão: Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.840 9 Ou seja, mudou a Lei, mudou seu status (de ordinária para complementar), mas mantevese o rigorismo exigido a ambas as partes, de um lado os contribuintes sendo parametrizados pelas condições presentes na norma cogente para usufruir do “tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” (Art. 1º da LC nº 123/2006), de outro, o ente fiscal que se vê obrigado a seguir os exigentes preceitos trazidos no artigo 29 da já mencionada Lei Complementar e em sua regulamentação, inclusive a abertura do contraditório e da ampla defesa aos excluídos e a emissão e ciência do respectivo Ato Declaratório Executivo de exclusão.(destacouse) E não há reparos para se fazer nessa conclusão. De fato, tanto o parágrafo 3º do mencionado artigo 29, da Lei Complementar 123/06 e no artigo 75 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, asseguram ao contribuinte o direito de ser formalmente notificado do ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, para que possa exercer o contraditório e ampla defesa, princípios estes que estão, inclusive, consagrados no texto da Constituição Federal de 1988. Essa é a redação dos dispositivos: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) § 3o A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributante Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: I da RFB; II das Secretarias de Fazenda, de Tributação ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento; e III dos Municípios, tratandose de prestação de serviços incluídos na sua competência tributária. § 1º Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federado que iniciar o processo de exclusão de ofício. § 2º Será dada ciência do termo de exclusão à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha iniciado o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 1ºA a 1º D; art. 29, §§ 3º e 6º) § 3º Na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, observandose, quanto aos efeitos da exclusão, o disposto no art. 76. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 39, § 6º) Fl. 1844DF CARF MF 10 Pela leitura dos dispositivos transcritos, não há dúvidas de que o legislador complementar deu garantias aos contribuintes, para que o ato de exclusão do programa do SIMPLES NACIONAL não fosse impositivo e arbitrário, sem que houvesse a possibilidade de se fazer prova em contrário, caso o ente federado entendesse que os requisitos para a manutenção no programa não estivessem sendo cumpridos. Assim, não há dúvidas de que o ADE deve ser emitido e comunicado ao contribuinte, antes de qualquer formalização de lançamento de crédito tributário decorrente daquela suposta exclusão. Não se pode admitir que a fundamentação do lançamento se dê com base em uma suposição de que o contribuinte será (ou poderá ser) excluído do SIMPLES NACIONAL. O ato de exclusão é formal e o seu rito, nos termos definidos pela legislação, deve ser respeitado, sob pena de cometimento de arbítrios por parte do ente que tem competência constitucional para instituir e cobrar tributos. No presente caso, o que se verifica da simples leitura dos documentos acostados aos autos é que: o Auto de Infração foi lavrado em face do Recorrido no dia 31/07/2013. A impugnação administrativa foi a analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto no dia 27/02/2014 (data de sessão de julgamento). Já o ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL é de 14/11/2014, sendo a ciência do contribuinte no dia 19/11/2014. Portanto, o Auto de Infração, que se baseou na premissa de que o contribuinte não estaria mais enquadrado no SIMPLES NACIONAL, foi formalizado mais de um ano antes do ato formal de exclusão, o que não se pode admitir. Não se pode perder de vista, neste sentido, que o Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, determina que o Auto de Infração deve ser instruído, dentre outros requisitos, com os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Essa é a redação do artigo 9º. Confirase: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito Fabiana Del Padre Tomé, em obra intitulada "A prova no Direito Tributário", é cirúrgica ao demonstrar que as provas devem ser apresentadas pela fiscalização no momento de formalização do ato, ou seja, na introdução da norma individual e concreta no sistema. Veja se a sua lição: No que diz respeito à exigência de apresentação de provas pela Administração, inexiste exceção veiculada pelo texto legal. Nem poderia ser diferente, já que só se admite a emissão de norma individual e concreta constituidora da obrigação tributária ou de relação jurídica sancionatória quando evidenciados os elementos tipificadores do fato que desencadeia efeitos dessa natureza. Além disso, por meio dos atos fiscalizatórios, a autoridade administrativa tem acesso às mercadorias, livros, Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.841 11 arquivos e demais documentos relacionados com as atividades comerciais e industriais do contribuinte, estando habilitada a proceder às diligências que entenda necessárias. Nada justifica, portanto, a juntada posterior de provas imprescindíveis à motivação do ato de lançamento ou de aplicação de penalidade. (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008, pág. 197). E, mais a frente, arremata a festejada professora: Do exposto decorre a conclusão de que, sendo o lançamento ou o ato administrativo de aplicação de penalidade realizados sem respaldo em provas, estando, portanto, viciados na motivação, é imperativa sua retirada do ordenamento jurídico pela autoridade competente. Ainda que depois de instalado o processo administrativo tributário venham a ser colacionadas provas capazes de construir o fato jurídico ou o ilícito tributário, tal procedimento não supre a invalidade que afeta o ato, pois, como anotamos, tratase de vício na estrutura interna, de natureza não convalidável. A instrução, realizada no corpo do processo instaurado por ocasião da impugnação do contribuinte, voltase tãosomente ao convencimento do julgador sobre pontos contraditados pelo particular, não servindo para preencher eventual ausência de comprovação do fato que serve de suporte à exigência ou autuação fiscal. (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008, pág. 298). No caso em análise, não há dúvidas, pela ordem cronológica acima transcrita, que o ADE de exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL foi expedido muito tempo depois da formalização do Auto de Infração e do início da fase litigiosa. E mais: só após a decisão da Delegacia de Julgamento, no qual foi apontado o vício da autuação, é que o ADE foi expedido e formalizado junto ao contribuinte. E essa conclusão fica mais robusta quando se analisa o Termo de Verificação Fiscal que embasou o Auto de Infração. No tópico denominado "DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL", a própria fiscalização admite que o ADE não foi expedido antes de formalizada autuação, quando argumenta que foi encaminhada representação ao Delegado da Receita Federal para que promovesse a exclusão da autuada e das demais empresas do SIMPLES NACIONAL. Confirase: 67 Em face ao anteriormente exposto foi encaminhada Representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba – PR, processo administrativo comprot nº 10980.725.564/201349, para que fosse determinada a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2008, nos termos do parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, de 14 de dezembro de 2006. 68 Também foram representadas, pela exclusão do SIMPLES, as demais empresas componentes do grupo Schooner, por serem constituídas de interpostas pessoas. Esta afirmação é confirmada no acórdão recorrido, que menciona o fato de o presidente da sessão de julgamento em primeira instância ter questionado a DRF de Curitiba Fl. 1846DF CARF MF 12 acerca da formalização do ADE e ter recebido como resposta que "o processo de Representação para Exclusão do Simples Nacional nº 10980.725564/201349 se encontra em análise, não tendo sido ainda emitido o ADE de exclusão do Simples Nacional". Ora, não se pode admitir que, sendo exigido, pela legislação, ato formal, com direito ao contraditório e ampla defesa, para exclusão dos contribuintes do SIMPLES NACIONAL, que a fiscalização se baseie no fato de que o contribuinte deixou de cumprir os requisitos para se enquadrar no SIMPLES NACIONAL e que, por isso, deve ser tributado pelo lucro presumido, além de ser penalizado pelas supostas condutas ilícitas praticadas, sem que a formalização do ato de exclusão tenha sido efetivada. Se o ato de exclusão tem rito próprio, não se pode admitir uma autuação antes de que esses requisitos sejam formalmente praticados pela autoridade fiscal. Por analogia, para robustecer o argumento ora acatado, não se pode olvidar que o Supremo Tribunal Federal tem o entendimento pacificado no sentido de que o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente. Assim, uma Emenda a Constituição não tem o condão de tornar constitucional a cobrança de tributos com base em legislação incompatível com o Texto Constitucional quando da entrada em vigor desta legislação. Neste sentido, vejase a ementa do julgado que declarou como inconstitucional dispositivo da Lei nº 9.718/98, mesmo tendo sido, posteriormente, editada a emenda constitucional nº 20/98, que pretendia "constitucionalizar" a cobrança na forma estipulada por aquela lei: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.(RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10980.725532/201343 Acórdão n.º 1302002.662 S1C3T2 Fl. 1.842 13 Ao caso em apreço, guardadas as devidas proporções, tem que se adotar o posicionamento do STF: não se pode admitir que o ADE, formalizado mais de um ano após a decisão administrativa, tem o condão de tornar válida uma autuação. Autuação esta, ressaltese, que partiu da premissa de que o contribuinte estava excluído do SIMPLES NACIONAL, mas não estava no momento em que foi formalizado o Auto de Infração. Admitir o contrário é ir contra ao que já decidiu a mais alta Corte do país, quando proferiu entendimento pela impossibilidade, no sistema jurídico brasileiro, de ato posterior convalidar ato que lhe é anterior. Cumpre ressaltar, ainda, que, o presente caso, com muito bem colocado no acórdão recorrido, não se amolda ao que restou definido na Súmula nº 9 do CARF. O entendimento sumulado é de que a discussão administrativa do ADE não pode ser empecilho para o lançamento de crédito tributário decorrente da exclusão. Vejase: “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.” Ou seja, na posição consolidada no CARF, o lançamento, com base no ADE, é válido, até mesmo porque, se este não fosse o entendimento, a depender do tempo da discussão administrativa do ato de exclusão, a decadência poderia fulminar a possibilidade de constituição do crédito tributário pelo agente fiscal. Contudo, no presente caso, o que se verifica é uma autuação com base em um entendimento construído de que o contribuinte não se enquadra nos requisitos do SIMPLES NACIONAL, olvidandose, o agente autuante, que, para a exclusão, deve haver um ato formal, que é o ADE. Se este não foi expedido previamente, não pode prevalecer uma autuação com o fundamento simplório de que o contribuinte não cumpre ou deixou de cumprir os requisitos para se beneficiar da tributação favorecida do SIMPLES NACIONAL. Por fim, é importante esclarecer que, por ser a questão ora analisada uma prejudicial de mérito, tendo em vista os vícios insanáveis na constituição do Auto de Infração, não se analisou os argumentos bem fundamentados da fiscalização que relatam a prática de ilícitos tributários pelo contribuinte, a ensejar a autuação lavrada. Como, a princípio, o ADE já foi expedido, entendese que, respeitados os prazos decadenciais e princípios que regem o processo administrativo fiscal, poderá ser efetuada nova autuação, agora sim com o requisito de exclusão prévia do contribuinte do SIMPLES NACIONAL devidamente formalizado, como determina a legislação. Esta ressalva, inclusive, também restou consignada no acórdão recorrido Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo, na totalidade, o acórdão que exonerou as exigências formalizada no presente processo. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 1848DF CARF MF 14 Fl. 1849DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13898.720074/2013-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OPÇÃO. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 OPÇÃO. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
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INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 06) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos não previdenciários (Cofins2172: R$ 81,99, 09/2012; IRPJ2089: R$ 393,55, 03/2012; CSLL2372: R$ 236,13 03/2012; e Multa atraso/falta DCTF1345: R$ 200,00, 2008) com a Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 8. 72 00 74 /2 01 3- 83 Fl. 88DF CARF MF 2 Federal do Brasil (SRFB), com exigibilidade não suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando ter pago/parcelado os débitos com a RFB. A decisão de primeira instância (efls. 51/53) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que somente em 19/03/2013, portanto após a data limite de 31/01/2013, a totalidade dos débitos foi paga. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/11/2013 (efl. 55) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 14/11/2015 (efl. 86), em que aduz, em resumo, que não houve o pagamento, mas que a RFB não acatou a quitação do principal em sua integralidade. Alega também que em consulta de 14/10/2013 a RFB reportou equivocadamente que débitos já pagos ainda estavam abertos. Quando analisamos os arquivos anexos ao processo em questão, através do Site eCAC, e cruzamos as informações com os respectivos comprovantes de pagamento, constatamos que a RFB – Receita Federal do Brasil simplesmente NÃO acatou o pagamento integral do valor principal que foi efetuado, gerando assim os débitos em aberto que a mesma alega, ou seja: (...) Além do engano acima, é possível apontar outro, também cometido pela RFB – Receita Federal do Brasil. Através do procedimento de “Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional”, realizado pela RFB – Receita Federal do Brasil em 14/10/2013, a Consulta apresentou em seu detalhamento, débitos que já foram quitados pelo contribuinte. A existência destes débitos na data da respectiva consulta, é outra inverdade visto que, quando efetuamos consulta da situação fiscal da empresa através do eCAC, e geramos o “Relatório Diagnostico Fiscal”, datado de 04/11/13, o mesmo apresenta que “Não foram detectadas irregularidades nos controles da Receita Federal e da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional”, realidade que é facilmente comprovada através das CND`s (Certidoes Negativas de Débitos) emitidas pelos respectivos órgãos (vide anexo). Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13898.720074/201383 Acórdão n.º 1001000.320 S1C0T1 Fl. 89 3 “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Isto porque os demonstrativos anexados (efls. 40/46) comprovam que os acréscimos legais não foram pagos até 31/01/2013. Dos valores efetivamente pagos até 31/01/2013 correta a imputação proporcional para quitar principal, multa e juros. Isto porque a partir de uma interpretação conjunta dos arts . 163 e 167 do CTN, chegase à conclusão de que eles não só estabelecem, na imputação de pagamentos pela autoridade administrativa, a inexistência de precessão entre tributo, multa e juros moratórios, como também vedam ao próprio sujeito passivo estabelecer precedência de pagamento entre as parcelas que compõem um mesmo débito tributário, ou seja, vedam ao sujeito passivo imputar seu pagamento apenas a uma das parcelas que compõem o débito tributário. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 90DF CARF MF 4 Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.905271/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 52 71 /2 01 1- 03 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.393, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.905271/201103 Acórdão n.º 3201003.282 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000478/2007-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/09/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1997 a 30/09/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/09/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 78 /2 00 7- 87 Fl. 400DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de Fl. 402DF CARF MF 4 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: "DAS QUESTÕES PRELIMINARES Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 4 5 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio Fl. 404DF CARF MF 6 tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 5 7 Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III Recurso provido." Fl. 406DF CARF MF 8 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, Fl. 407DF CARF MF Processo nº 12045.000478/200787 Acórdão n.º 9202006.620 CSRFT2 Fl. 6 9 e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661488/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.106
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 88 /2 01 2- 83 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.498. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.661488/201283 Acórdão n.º 3302005.106 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 264DF CARF MF
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Numero do processo: 10425.001941/2005-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000, 2001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, deverão calcular o seu valor com base na receita bruta, na forma disciplinada na Lei n° 9.317/96 e legislação superveniente. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantém-se a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e as notas fiscais da contribuinte, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. ATIVIDADE COMERCIAL DO TITULAR. RECEITAS DA FIRMA INDIVIDUAL. A prática de atividade comercial pelo titular de firma individual com o mesmo objeto da própria firma, equipara as receitas decorrentes destas atividades como faturamento da firma individual.
Numero da decisão: 1402-000.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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SIMPLES. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, deverão calcular o seu valor com base na receita bruta, na forma disciplinada na Lei n° 9.317/96 e legislação superveniente. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e as notas fiscais da contribuinte, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. ATIVIDADE COMERCIAL DO TITULAR. RECEITAS DA FIRMA INDIVIDUAL. A prática de atividade comercial pelo titular de firma individual com o mesmo objeto da própria firma, equipara as receitas decorrentes destas atividades como faturamento da firma individual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001941/200546 Acórdão n.º 140200.851 S1C4T2 Fl. 821 2 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001941/200546 Acórdão n.º 140200.851 S1C4T2 Fl. 822 3 Relatório Silvanildo Araújo do Ó recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Recife/PE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “I DA EXIGÊNCIA FISCAL Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, em 02/12/2005, os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica SIMPLES, anos calendário 2000 e 2001, fls. 03 a 24, da Contribuição para o PIS SIMPLES, anos calendário 2000 e 2001, fls. 25 a 32, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES, anos calendário 2000 e 2001, fls. 33 a 40, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social SIMPUS, anos calendário 2000 e 2001, fls. 41 a 49 e da Contribuição para Seguridade Social SIMPLES, anos calendário 2000 e 2001, fls. 50 a 58, conforme demonstrativo a seguir: Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. No Termo de Encerramento, fls. 60/61, o autuante descreve as informações concernentes ao procedimento fiscal onde relata que: Analisando as informações fornecidas à Receita Federal pelos clientes da fiscalizada, observamos que parte dos valores informados não estavam registrados nos livros fiscais da mesma. Sendo assim, solicitamos às empresas que adquiriram produtos da fiscalizada que nos fornecessem Notas Fiscais de Compra e comprovantes de pagamentos referentes aos produtos adquiridos. Obtivemos os documentos das empresas: BERMAS INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 02.411.238/000216 (fls. 92 a 129), CURTUME CAMPELO S/A (RAZÃO SOCIAL ATUAL: CAMPELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.), CNPJ 14.664.957/0001 47 (fls. 130 a 173) e VITAPELLI LTDA. CNPJ 03.582.844/000186 (fls. 174 a 758). De posse das notas fiscais, dos comprovantes de pagamentos e das informações registradas no Livro Caixa da empresa, elaboramos planilhas onde estão relacionadas as Notas Fiscais de Vendas por cliente (fls. 62 a 71). Elaboramos, também, as planilhas "Composição da Base de Cálculo — Apuração Sintética" (lls. 72 e 73), "Apuração de Débito" (fls. 74 e 75) e "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" 76 e 77). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001941/200546 Acórdão n.º 140200.851 S1C4T2 Fl. 823 4 IIDA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a empresa apresenta sua impugnação de fls. 784/787, alegando em síntese que: •"A simples informação prestada pelos clientes, não identifica a personalidade praticante. Visto se tratar de empresa mercantil individual, o nome se confunde com o próprio titular, que por sua vez, poderá ter despachado, o que realmente o fez, mercadorias de terceiros negociados com os Curtumes, por intermediação." • Alega que as notas fiscais avulsas foram emitidas por repartição Fiscal e não haveria como identificar a que Sivanildo Araújo do Ó estariam se referindo, ou seja, o sujeito passivo da obrigação tributária. Afirma que não se constatou a emissão de nota fiscal do seu talonário autorizado, do qual faz uso regularmente e conforme determina a legislação fiscal. • Assevera que para demonstrar a omissão de receita, a fiscalização deveria demonstrar a diferença positiva ou negativa entre a soma da quantidade de produtos em estoque no início dos períodos, a soma das quantidades entradas no curso dos exercícios, a soma das quantidades vendidas e o saldo final das quantidades de mercadorias em cada período considerado. • Ao se restringir a informações de terceiros, que não identificam de fato e de direito o agente das operações consideradas, o procedimento fiscal tende a ser presunçoso. • Ao considerar só o documento de despacho das mercadorias, a fiscalização deixou de levar em consideração os seus custos. • Cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes e afirma que o autuante deveria ter aprofundado suas investigações. Uma demonstração desacompanhada de outras que lhe são interligadas e até determinantes, não pode legalmente elucidar e conferir idoneidade ao que se afirma.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 11 21.843 (fls. 791795) de 29/02/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, deverão calcular o seu valor com base na receita bruta, na forma disciplinada na Lei n° 9.317/96 e legislação superveniente. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores demonstrados nas Declarações DIPJ e as notas fiscais da contribuinte, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. ATIVIDADE COMERCIAL DO TITULAR. RECEITAS DA FIRMA INDIVIDUAL. A prática de atividade comercial pelo titular de firma individual com o mesmo objeto da própria firma, Fl. 818DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001941/200546 Acórdão n.º 140200.851 S1C4T2 Fl. 824 5 equipara as receitas decorrentes destas atividades como faturamento da firma individual.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 22/04/2008 (A.R. de fl. 800), a interessada interpôs recurso voluntário em 12/05/2008 (fls. 804817) onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação, acrescentando pedido de perícia técnica pelos motivos ali relatados. É o relatório. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001941/200546 Acórdão n.º 140200.851 S1C4T2 Fl. 825 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Por concordar com seus fundamentos, peço vênia ao autor da decisão recorrida para adotálos como razão de decidir no presente Voto. A recorrente sustenta que a informação prestada pelos clientes não identifica a personalidade praticante, visto que o titular da firma individual Sivanildo Araújo do Ó realizou intermediação de mercadorias de terceiros. Assim, as notas fiscais avulsas, em nome da pessoa física, confirmariam a sua condição de intermediário. Porém, a recorrente não traz aos autos provas de ter realizado alguma intermediação. Não há qualquer documento no processo que demonstre que as mercadorias vendidas pertenciam a terceiros, apenas meras alegações da contribuinte. Nas operações onde há a intermediação de um terceiro, quando concretizado o negócio, pagase uma comissão, corretagem, ao intermediador e o valor do bem ao vendedor. No caso em tela, o valor do bem foi pago ao contribuinte, como bem demonstrou a fiscalização ao apresentar recibos de depósitos dos clientes da impugnante, fls. 92/173 e 180/234. A empresa não apresenta outro documento que demonstre o repasse de parte dos recursos para o suposto proprietário das mercadorias. Os depósitos em sua conta corrente comprovam o recebimento, pela venda do produto, já que os tais depósitos correspondem ao valor do bem e não de uma comissão. Entre outros, consta como objeto da Firma Individual Sivanildo Araújo do Ó o comércio atacadista de couros e peles, que são exatamente as mesmas mercadorias comercializadas com notas fiscais avulsas em nome do titular como pessoa física. Ora, não tendo a contribuinte comprovado a sua condição de intermediário, e tendo seu titular desenvolvido as mesmas atividades que constam como objeto da impugnante na Declaração de Firma Individual, resta comprovado que as receitas das notas fiscais avulsas em nome de Sivanildo Araújo do Ó, CPF 425.674.59472, pertencem de fato, à firma individual Sivanildo Araújo do Ó, CNPJ 00.337.975/000140. Os documentos trazidos ao processo pela fiscalização mostram informações de três clientes da contribuinte: (i) BERMAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 02.411.238/0002 16 (fls. 92 a 129), onde constam as notas fiscais avulsas em nome da pessoa física Sivanildo Araújo do Ó e os depósitos realizados na conta corrente 11.1503, agência 5215, Banco do Brasil também em nome de Sivanildo Araújo do Ó. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001941/200546 Acórdão n.º 140200.851 S1C4T2 Fl. 826 7 (ii) CURTUME CAMPELO S/A (RAZÃO SOCIAL ATUAL CAMPELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.), CNPJ 14.664.957/000147 (fls. 130 a 173) — foram anexadas as notas fiscais avulsas em nome da pessoa física Sivanildo Araújo do Ó. (iii) VITAPELLI LTDA. CNPJ 03.582.844/000186 (fls. 174 a 758) — constam as notas fiscais avulsas em nome da firma individual e da pessoa física Sivanildo Araújo do Ó e os depósitos realizados na conta corrente 11.1503, agência 5215, Banco do Brasil. Pelo DOC de fls. 223, verificase que o titular da conta corrente é a pessoa física Sivanildo Araújo do Ó. Todos estes documentos anexados ao processo comprovam as vendas efetuadas pela impugnante, mesmo que tenham sido realizados em sua maioria utilizandose de notas fiscais avulsas e de conta bancária em nome da pessoa física do titular Sivanildo Araújo do Ó. É importante realçar que o lançamento não está lastreado em presunção alguma, e sim em provas efetivas do faturamento da empresa baseado em notas fiscais e em depósitos bancários efetuados na conta corrente do titular, trazidos ao processo pela fiscalização. Foram os próprios clientes da impugnante que, reconheceram as compras efetuadas e apresentaram os comprovantes dos pagamentos — a grande maioria em nome da pessoa física do titular. O lançamento não está baseado somente em despacho de mercadorias, mas também nos outros elementos já citados, como comprovantes de pagamentos e Declaração de Firma Individual. Tampouco há a necessidade de averiguação de custos ou de estoques pois a empresa é tributada pelo SIMPLES, ou seja, a base de cálculo é somente o seu faturamento. De posse do real faturamento da empresa, a fiscalização meramente cotejou os valores declarados nas Declarações Anuais Simplificadas, fls. 79/86, para identificar os valores omitidos, planilhas de fls. 62/78. O aprofundamento requerido pela contribuinte foi efetuado pela fiscalização, que com provas, demonstrou a ocorrência de omissão de receitas. Quanto ao pedido de perícia técnica, entendo não haver a necessidade, haja vista serem os elementos constantes dos autos suficientes para a formação de minha convicção a respeito da autuação. Ademais, ainda que necessário fosse, o pedido formulado pela Recorrente deixa de atender aos aspectos básicos para o seu mister, previstos na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF, o Decreto 70.235/72. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso para considerar procedentes os lançamentos. Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001941/200546 Acórdão n.º 140200.851 S1C4T2 Fl. 827 8 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 15889.000219/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE PAGAMENTO.
O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos oriundos de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos é mensal e, não havendo pagamento, o prazo de decadência para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que podia ter sido lançado (CTN, art. 173, I).
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. APURAÇÃO DA DECADÊNCIA.
Nas vendas a prazo, o ganho de capital é apurado na data da alienação do bem, porém o imposto é pago periodicamente, na medida do recebimento dos valores pactuados.
O imposto de renda incide sobre renda disponível. Neste sentido, no caso de alienação a prazo, o fato gerador ocorre quando do recebimento das parcelas pelo contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÃO FALSA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
Somente é justificável a exigência da multa qualificada de 150%, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Ao deixar de informar em suas Declarações de Ajustes a sua real condição pessoal (disponibilidade de rendimentos para aquisição de imóvel), assim como omitir do Fisco dados relevantes envolvendo a aquisição e alienação de imóvel, o contribuinte age de forma tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude), ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE.
É devida multa isolada de 50% sobre o valor do imposto mensal quando o contribuinte deixa de recolher o valor correto do tributo devido (carnê-leão), ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste.
Numero da decisão: 2201-004.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE PAGAMENTO. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos oriundos de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos é mensal e, não havendo pagamento, o prazo de decadência para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que podia ter sido lançado (CTN, art. 173, I). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. APURAÇÃO DA DECADÊNCIA. Nas vendas a prazo, o ganho de capital é apurado na data da alienação do bem, porém o imposto é pago periodicamente, na medida do recebimento dos valores pactuados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 19 /2 01 0- 18 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 237 2 O imposto de renda incide sobre renda disponível. Neste sentido, no caso de alienação a prazo, o fato gerador ocorre quando do recebimento das parcelas pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÃO FALSA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada de 150%, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Ao deixar de informar em suas Declarações de Ajustes a sua real condição pessoal (disponibilidade de rendimentos para aquisição de imóvel), assim como omitir do Fisco dados relevantes envolvendo a aquisição e alienação de imóvel, o contribuinte age de forma tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude), ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE. É devida multa isolada de 50% sobre o valor do imposto mensal quando o contribuinte deixa de recolher o valor correto do tributo devido (carnêleão), ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatório Fl. 237DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 238 3 Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 205/229, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 185/194, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 131/141, lavrado em 06/09/2010, decorrente das seguintes infrações: (i) omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, relativo a fatos geradores ocorridos em abril/2006, abril/2007, maio/2007 e outubro/2007, que resultou no imposto de renda devido no valor de R$ 321.849,99, R$ 209.434,13, R$ 31.833,98 e R$ 80.581,87, respectivamente, com aplicação da multa qualificada de 150%; e (ii) multas isoladas de 50% pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, incidente sobre os acréscimos contratuais nas parcelas recebidas pela alienação das Fazendas Inverada e Tijuca Preto, nos meses de abril/2006, abril/2007, maio/2007 e outubro/2007, além de insuficiência de recolhimento do carnêleão em outros períodos, que resultou na penalidade de R$ 45.684,26 em 2006 e de R$ 70.896,33 em 2007. A ciência do RECORRENTE ocorreu em 10/09/2010 (fl. 156). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.978.250,91, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura), multa de ofício de 150%, além da multa exigida isoladamente. Do Ganho de Capital De acordo com o Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal – TVF de fls. 142/154, a fiscalização no contribuinte teve início quando da investigação da operação envolvendo a compra e venda das Fazendas Invernada e Tijuco Preto. O RECORRENTE foi intimado a apresentar a documentação relativa à alienação dos citados imóveis, verificada em sua declaração relativa ao anocalendário 2006. Em atendimento, acostou aos autos as escrituras e outros documentos (fls. 60/85) e esclareceu que: “Tratandose de aquisição antes da entrega da DIAT e alienação posteriormente ao cumprimento dessa obrigação, a isenção do imposto sobre o ganho de capital tem amparo na Instrução Normativa n° 84/2001, em função do valor da terra nua ser o mesmo, tanto no ano da compra como no ano da venda. Esse entendimento vem manifestado pela Receita Federal desde 2002, como pode ser verificado nas respostas às Perguntas n°s 589 e 603, do Manual de Perguntas e Respostas — IRPF 2009, editado para o ano calendário de 2008.” Com o objetivo de se coletar elementos para análise da transação imobiliária, a fiscalização intimou o alienante do imóvel ao contribuinte (Auxiliar S/A) e o adquirente (Sr. Mário Bovi). Quando do confronto dos documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 60/85) com aqueles apresentados pela empresa de quem ele adquiriu o imóvel (Auxiliar S/A – fls. 06/15) e pela pessoa a quem ele alienou ditos bens (Sr. Mário Bovi – fls. 16/31), a autoridade Fl. 238DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 239 4 fiscal observou uma discrepância entre as datas de aquisição e alienação do imóvel, nos seguintes termos: “De acordo com os documentos apresentados por José Hamilton Lajara, ele adquiriu aqueles imóveis rurais em 19/09/2007 de Auxiliar S/A e os alienou, para o Sr. Mário Bovi, em 18/10/2007, com um superávit de R$ 10.630.000,00, num lapso temporal de apenas um mês. Já os documentos apresentados por Auxiliar S/A e Sr. Mário Bovi, demonstram que o sujeito passivo adquiriu as fazendas em 05/09/2002 e as alienou em 1°/10/2004. Face às divergências apuradas, emitiuse o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização no 08190002010024173 (Regional), em decorrência do qual foi elaborado o Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 27/07/2010 (...)” Intimado para se manifestar a respeito dos documentos acostados e acerca dos valores recebidos, além de esclarecer os motivos para a não inclusão, em suas Declarações de Bens e Direitos, da aquisição dos imóveis, ocorrida no anocalendário de 2002. Também foi solicitada cópia dos Demonstrativos de Apuração do Resultado da Atividade Rural ou os motivos pelos quais não foram apresentados. O RECORRENTE afirmou, em síntese, que (fls. 96/97): a) Nada tenho a contestar em relação aos documentos mencionados nas alíneas "al", "a2", "a4" e "a5". Todavia, não é possível convalidar o "Doc.3 Análise Contábil 208 elaborado por Auxiliar S/A", pois os lançamentos nele estampados podem conter outros equívocos de datas, a exemplo daquele registrado em 24/07/08, cujo histórico 'BX ADTO CF ESCRITURA DE COMPRA E VENDA", corresponde a evento ocorrido em 05/10/2007, quase um ano antes. Esse fato coloca sob suspeita a exatidão das datas concernentes aos demais lançamentos, o que estou buscando desvendar. (...) d) Também em virtude das mesmas circunstâncias, a aquisição não foi incluída em minhas Declarações de Bens e Direitos, e por não ter exercido ou patrocinado qualquer exploração nas propriedades mencionadas, deixei de elaborar os Demonstrativos de Apuração do Resultado da Atividade Rural, fato impeditivo do encaminhamento das respectivas cópias. e) Em meu entendimento, as transações não haviam se completado antes da lavratura do Instrumento Particular de Quitação e das Escrituras Públicas. Por essa razão não houve o recolhimento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital.” Pelos elementos apresentados pelo sujeito passivo, bem como por Auxiliar S/A e Mário Bovi e, em consonância com o disposto no art. 4° da Lei nº 9.393/1996, a fiscalização entendeu que o contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 240 5 relativamente As Fazendas Invernada e Tijuco Preto, é o RECORRENTE, já que o mesmo as adquiriu em 05/09/2002 de Auxiliar S/A. Sendo assim, o disposto no § 1º, item III do art. 6° da Lei n° 9.393/1996 obrigava o RECORRENTE a apresentar o DIAC, haja vista a ocorrência da transmissão, por alienação das fazendas e dos direitos a elas inerentes. Sendo que tal obrigação não foi cumprida pelo sujeito passivo. A fiscalização verificou que as Declarações do ITR (DIAC/DIAT) dos Exercícios 2002 a 2006 foram apresentadas por Auxiliar S/A (fls. 107/130) e não pelo RECORRENTE, a quem caberia a obrigação acessória. Salientou, ainda, que as DITR dos Exercícios 2002, 2003 e 2004 foram apresentadas todas em 20/08/2004, ou seja, 40 (quarenta) dias antes da alienação das fazendas para o Sr. Mario Bovi, ocorrida em 1°/10/2004. Assim, a fiscalização concluiu que o RECORRENTE adquiriu as propriedades rurais denominadas Fazendas Invernada e Tijuco Preto em 05/09/2002, pelo valor de R$ 5.675.607,82, de Auxiliar S/A e as alienou, de forma parcelada, para Mário Bovi em 01/10/2004, por R$ 15.930.000,00, e que o contribuinte não contestou a autenticidade dos contratos de compra e venda, assim como dos recibos das parcelas por ele recebidas. Ademais, o Sr. Mário Bovi consignou em sua Declaração de Bens e Direitos da DAA do Exercício 2005 a aquisição das propriedades rurais. Portanto, ante a falta de apresentação, pelo RECORRENTE, do Diat do ano de aquisição (2002), a autoridade fiscal tomou como custo de aquisição e valor de alienação aqueles valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, de acordo com o §2° do artigo 10, da IN SRF n° 84/2001. Quando da apuração do ganho de capital, a fiscalização observou que os valores foram recebidos pelo RECORRENTE de forma parcelada e com reajuste. Tal situação é relevante, haja vista que os juros e reajuste de parcelas sujeitamse ao recolhimento mensal do IRPF (carnêleão) e não ao ganho de capital, conforme § 3°, do art. 19 da Instrução Normativa SRF no 84/2001. Segue, abaixo, trecho extraído do TVF (fls. 149/150): “No caso em questão, apurouse a ocorrência de reajuste das parcelas recebidas em 2006 e 2007, reajustes estes sujeitos ao carnêleão, que deixou de ser recolhido, acarretando, desta forma, na aplicação da multa isolada acima especificada. O reajuste de parcelas está previsto no parágrafo 2°, da cláusula 4a do Contrato por Instrumento Particular de Cessão de Direitos de Imóvel Rural e Outras Avencas, à fl. 17. O valor de cada parcela, com vencimentos em 01/10/2005, 01/10/2006 e 01/10/2007, era de R$ 3.333.333,33. De acordo com os recibos apresentados pelo adquirente Mário Bovi, às fls. 22 a 28, os pagamentos das parcelas ocorreram nas datas e valores abaixo discriminados. Vale ressaltar que as datas dos pagamentos das parcelas não coincidiram com as datas préestabelecidas no Contrato (01/10/2005, 01/10/2006 e 01/10/2007): R$ 3.333.333,33 em 09/03/2005 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 241 6 R$ 3.660.649,31 em 19/04/2006 R$ 2.500.000,00 em 16/04/2007 R$ 380.000,00 em 07/05/2007 R$ 961.900,00 em 17/10/2007 Em relação à parcela de R$ 3.660.649,31 recebida em 19/04/2006, R$ 327.315,98 correspondem ao reajuste estabelecido cm contrato (R$ 3.660.649,31 R$ 3.333.333,33 = RS 327.315,98). Quanto às parcelas recebidas no ano de 2007, elas totalizaram R$ 3.841.900,00 (R$ 2.500.000,00 + R$ 380.000,00 + R$ 961.900,00 = R$ 3.841.900,00). Deste montante, R$ 508.566,67 correspondem ao reajuste pactuado no contrato (R$ 3.841.900,00 R$ 3.333.333,33 = R$ 508.566,67). A parcela correspondente aos reajustes recebidos em 2007 corresponde à fração de 0,132374 do montante recebido no ano (508.566,67/3.841.900,00=0,132374). Aplicandose este percentual sobre cada parcela recebida em 2007, encontramos os valores correspondentes aos reajustes das parcelas sujeitos ao recolhimento do carnêleão: parcela recebida em 16/04/2007: R$ 2.500.000,00 x 0,132374 = R$ 330.934,35 parcela recebida em 07/05/2007: R$ 380.000,00 x 0,132374 = R$ 50.302,02 parcela recebida em 17/10/2007: R$ 961.900,00 x 0,132374 = R$ 127.330,30” Feitos os ajustes acima, a fiscalização deduziu, na apuração do ganho de capital, as parcelas correspondentes aos juros e correção, auferidos conforme acima demonstrado, e calculou o imposto de renda da seguinte forma: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 242 7 Verifico que não foi calculado o ganho de capital relativo à parcela de R$ 3.333.333,33 recebida em 09/03/2005 nem sobre o valor de R$ 5.930.000,00 recebido em 09/10/2004 no ato do contrato de alienação (fl. 25). Da Multa Isolada Durante a fiscalização, o RECORRENTE foi intimado a informar os valores recebidos, mês a mês, de pessoas físicas cujo montante de R$ 31.500,00 constou de sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2007 Ano Calendário 2006. Em resposta, informou que: “os rendimentos tributáveis no valor total de R$ 31.500,00, consignados em minha Declaração de Ajuste Anual, que corresponderam a R$ 2.000,00 no período de janeiro a abril, R$ 2.500,00 de maio a novembro e R$ 6.000,00 no mês de dezembro do referido ano.” (fl. 106). Em sua declaração relativa ao anocalendário 2007, foram apresentados de forma discriminada (mês a mês) os rendimentos recebidos de pessoa física e o valor recolhido por carnê leão (fl. 48). Após pesquisa dos recolhimentos efetuados pelo RECORRENTE (fls. 90/91), a fiscalização verificou o que o valor do carnêleão recolhido foi inferior ao imposto devido em alguns meses, conforme trecho abaixo transcrito extraído do TVF (fl. 150) Para o cálculo do valor dos impostos complementares devidos (carneleão), foram computados os rendimentos mensais informados pelo sujeito passivo, em suas Declarações de Ajuste Anual e resposta ao Termo de Reintimação Fiscal, recebidos de pessoas físicas. Considerouse, também, os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, os quais encontramse na pesquisa juntada às fls. 83 e 84 [fls. 90/91] (código de recolhimento 0190): (...) Em relação ao anocalendário 2006 observouse que não houve recolhimento do carneleão em relação aos rendimentos recebidos nos meses de janeiro a abril. Considerando que o sujeito passivo recebeu R$ 2.000,00 naqueles meses, deveria ter ocorrido o recolhimento de R$ 125,40 em relação a janeiro/2006 e R$ 111,43, relativamente aos meses de fevereiro a abril/2006. Quanto a dezembro/2006, o sujeito passivo declarou ter recebido R$ 6.000,00, gerando, desta forma, um imposto de R$ 1.147,42, porém, recolheu apenas R$ 186,43. Para os meses em questão, gerouse a correspondente multa pelo não recolhimento do carneleão. A mesma situação pode ser observada no mês de dezembro/2007: o sujeito passivo informou o recolhimento do carneleão no valor de R$ 272,31, para um rendimento de R$ 10.000,00. De acordo com a tabela progressiva para o cálculo do IRPF, o valor devido era R$ 2.224,81. Portanto, sobre a diferença de R$ 1.952,50 não recolhida, deve ser lançada a multa carneleão no valor de R$ 976,25.” Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 243 8 Ademais, tendo em vista os valores dos juros e correção das parcelas relativas à venda das Fazendas Invernada e Tijuco Preto (que não entraram na apuração do ganho de capital, conforme já exposto), a autoridade fiscal considerou tais valores no cálculo do imposto de renda mensal devido pelo RECORRENTE (vide tabela à fl. 150). Assim, apurou a multa isolada de 50% também sobre o imposto de renda relativo a esses mencionados valores, recebidos em abril/2006, abril/2007, maio/2007 e outubro/2007 (demonstrativo de apuração às fls. 137/138 e fl. 140). A multa isolada resultou no montante total de R$ 116.580,59 (R$ 45.684,26 relativa a 2006 e R$ 70.896,33 relativa a 2007). Do Crime Contra a Ordem Tributária A fiscalização afirmou que o RECORRENTE omitiu do fisco a aquisição dos imóveis rurais ocorrida no ano de 2002, bem como sua alienação em 2004, fazendo crer que eles foram adquiridos em setembro/2007 por R$ 5.300.000,00 e alienados no mesmo ano, em outubro/2007, por R$ 15.930.000,00, apresentando as escrituras que foram lavradas somente no ano de 2007. Sobre o tema, colaciono trecho do TVF (fl. 152): “A aquisição das Fazendas Invernada e Tijuco Preto, no município de Boa Esperança do Sul/SP, deixou de ser informada nas Declarações de Ajuste dos Exercícios 2003 a 2007 e a alienação nas Declarações dos Exercícios 2005 a 2007. Tal transação imobiliária somente constou da Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2008. Consoante Análise Contábil apresentada por Auxiliar S/A, no ano de 2002 o sujeito passivo deu um sinal de R$ 300.000,00 pela aquisição das Fazendas Invernada e Tijuco Preto. No ano de 2003 efetuou pagamentos no total de R$ 700.000,00. Analisando as Declarações de Ajuste dos Exercícios 2003 e 2004, cujas cópias encontramse juntadas às fls. 30 a 35, temos que o sujeito passivo declarou ao fisco o recebimento de rendimentos tributáveis nos totais de R$ 12.320,00 e R$ 10.400,00, respectivamente. Não informou o recebimento de quaisquer outros rendimentos, quer seja isentos ou não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou dividas. Tais rendimentos estão bem aquém dos valores pagos pela aquisição daquelas propriedades rurais. Com esta conduta, deixou de se recolhido aos cofres públicos o Imposto de Renda incidente sobre o Ganho de Capital correspondente à alienação das fazendas Invernada e Tijuco Preto. Eximiuse, ainda, o sujeito passivo do recolhimento do Imposto de Renda (Carneleão) incidente sobre a correção monetária, com base nos índices de atualização da Caderneta de Poupança, sobre o saldo devedor de R$ 10.000.000,00, divididos em 3 parcelas iguais de R$ 3.333.333,33 com vencimento em 01/10/2005, 01/10/2006 e 01/10/2007, nos termos da clausula 4ª Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 244 9 do Contrato por Instrumento Particular de Cessão de Direitos de Imóvel Rural e Outras Avenças. A conduta do sujeito passivo, acima descrita, configura, em tese, Crime contra a Ordem Tributária tipificada no inciso I dos Artigos 10 e 2° da Lei n° 8.1370/90 acima transcritos.” Neste sentido, entendeu que houve dolo do RECORRENTE quando este deixou “de informar ao fisco a aquisição das propriedades rurais no anocalendário de 2002, omitindo os pagamentos das parcelas no decorrer dos anos de 2002 a 2005, no montante de R$ 5.675.607,82, aliado aos valores de rendimentos informados em suas Declarações de Ajuste Anual daqueles anos, bem inferiores àquelas parcelas:” Portanto, aplicou a multa de ofício de 150%. Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 159/179 em 11/10/2010. A DRJ de origem assim resumiu as razões de defesa do RECORRENTE: “DO GANHO DE CAPITAL — DECADÊNCIA como consta do próprio Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, a data da ocorrência do fato gerador do ganho de capital — alienação dos imóveis rurais Fazenda Invernada e Tijuco Preto — foi 01/10/2004, sendo este o marco determinante, qualquer que seja a forma de pagamento do valor da alienação, sendo que a circunstância do parcelamento não transmuda a data de apuração do ganho de capital e conseqüentemente a de ocorrência do fato gerador; tendo a alienação ocorrido em 01/10/2004, no entender da fiscalização, não lhe assiste o direito de promover lançamento tributário como se a cada pagamento correspondesse a venda de uma fração dos aludidos imóveis (transcreve pergunta do Manual de Perguntas e Respostas — Imposto de renda pessoa física, da RFB, sobre alienação cujo contrato contém cláusula prevendo a rescisão por falta de pagamento); como a data do fato gerador foi 01/10/2004, como afirma a própria fiscalização e a ciência do lançamento se deu em 10/09/2010, decaiu o direito do Fisco de efetuar o lançamento, posto que decorrido mais de 05 anos, enquadrandose o ganho de capital no artigo 150, §4°, do CTN, como já reconhecido por Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 245 10 copiosa jurisprudência administrativa (transcreve ementas do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior); MULTA QUALIFICADA é sabido que qualquer circunstancia ensejadora da aplicação da penalidade de 150% deve estar minuciosamente caracterizada e justificada nos autos conforme a súmula 14 da Câmara Superior de Recursos Fiscais e diversos acórdãos do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (transcreve teor da súmula 14 e ementas); para enquadrar a conduta do sujeito passivo em evidente intuito de fraude, não basta apontar aquisições não declaradas ou mesmo pressupor omissão de receitas cujo reflexo tenha ocasionado a não apuração de tributos, sendo indispensável comprovar o propósito doloso e sua materialidade; a fiscalização fundamenta a elevação da penalidade no fato do sujeito passivo não ter informado ao Fisco a aquisição das propriedades rurais no anocalendário de 2002, omitindo o pagamento das parcelas no decorrer dos anos de 2002 a 2005, sendo que tal circunstância caracteriza a prestação de declaração inexata, sujeita à multa de oficio de 75%; ademais, a acusação de dolo está ancorada em pretensa irregularidade da DIRPF/2003, anocalendário de 2002, inexistindo vinculação com a transação posteriormente efetivada pelo contribuinte através do contrato firmado em 01/10/2004; por sua vez, o instrumento particular celebrado em 05/09/2002, entre a empresa Auxiliar S/A e o impugnante envolve cessão de crédito decorrente de arrematação dos mencionados imóveis, sendo que o mesmo não foi imitido na posse dos imóveis, ficando o negócio jurídico sujeito a condição suspensiva, assim, não tendo a posse dos imóveis não poderia informálos na declaração de bens da DIRPF/2003; mesmo em 01/10/2004, data do contrato celebrado com o Sr. Mario Bovi, os embargos encontravamse pendentes de julgamento, podendo a solução judicial interferir no aperfeiçoamento das transações; as declarações de ITR dos exercícios de 2003/2004/2005 e 2006 das propriedades foram apresentadas em nome da Companhia Agrícola e Industrial São Jorge, considerada, até então, titular da propriedade dos imóveis, não podendo ser atribuída ao impugnante a iniciativa de transmitilas; inexistem, assim, elementos materiais comprobatórios do ilícito; por fim, a motivação para o agravamento da multa de oficio ao patamar de 150% não distingue qual a conduta atribuída ao Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 246 11 contribuinte, se sonegação, fraude ou conluio, sendo sabido que esses institutos não se confundem; MULTA ISOLADA requer o afastamento da multa isolada alegando sua incompatibilidade com a multa de oficio.” Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou procedente o lançamento (fls. 163/181). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. APURAÇÃO VENDA A PRAZO. 0 fato gerador do ganho de Capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. O ganho de capital, quando o valor da venda é recebido em parcelas, deve ser apurado como alienação A vista e o imposto deve ser pago de acordo com o recebimento das parcelas, até o último dia útil do mês subsequente ao do recebimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa isolada sobre carnê leão não recolhido concomitante A multa de oficio sobre o imposto apurado de oficio na declaração inexata, porquanto são multas aplicáveis sobre bases de cálculo distintas e penalizam infrações diferentes. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 247 12 As decisões administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões do voto proferido na ocasião, a autoridade julgadora rebateu os argumentos do RECORRENTE e findou por manter o lançamento do crédito exigido. O Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 27/10/2011, conforme AR de fl. 201, apresentou o recurso voluntário de fls. 205/229 em 28/11/2011. Em suas razões, praticamente reitera o alegado na Impugnação. Apenas acrescenta outros argumentos sobre a data de ocorrência do ganho de capital nas alienações a prazo, colaciona Soluções de Consultas e afirma que “o diferimento do pagamento do tributo em nada interfere na hipótese tributária ganho de capital, que terá seu fato gerador na data de alienação do bem”. Assim, concluiu que houve a decadência do direito de lançar o importo, haja vista que a venda do imóvel ocorreu em 01/10/2004. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Decadência Em princípio, analiso as questões relativas à decadência do crédito em cobrança. O RECORRENTE defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150 §4º, o CTN, a contar a partir da data de alienação do bem vendido de forma parcelada, independentemente da data de efetivo recebimento das parcelas. Assim, requereu a extinção do Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 248 13 crédito tributário, pois a alienação ocorreu em 01/10/2004 ao passo que o presente lançamento foi lavrado em 06/09/2010. No entanto, entendo que não assiste razão ao RECORRENTE. Primeiramente, para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 248DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 249 14 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso concreto, o imposto de renda lançado decorre de ganho de capital proveniente de venda a prazo de imóvel por parte do RECORRENTE no ano 2004 e o crédito tributário foi apurado sobre as parcelas por ele recebidas em abril/2006, abril/2007, maio/2007 e outubro/2007. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 250 15 A autoridade fiscal expõe no TVF que o RECORRENTE não apurou o ganho de capital devido em decorrência da operação. Em resposta, durante a fiscalização, o RECORRENTE alegou que estaria isento do imposto de renda sobre o ganho de capital, ao afirmar que: “Tratandose de aquisição antes da entrega da DIAT e alienação posteriormente ao cumprimento dessa obrigação, a isenção do imposto sobre o ganho de capital tem amparo na Instrução Normativa n° 84/2001, em função do valor da terra nua ser o mesmo, tanto no ano da compra como no ano da venda. Esse entendimento vem manifestado pela Receita Federal desde 2002, como pode ser verificado nas respostas às Perguntas n°s 589 e 603, do Manual de Perguntas e Respostas — IRPF 2009, editado para o ano calendário de 2008.” É notório que o RECORRENTE não promoveu o recolhimento, ainda que parcial, de tal exação. Sendo assim, no caso concreto, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é contado nos termos do art. 173, I, CTN, ou seja, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que este corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, conforme decisão do STJ acima exposta. Resta saber qual o exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado, visto tratarse de venda a prazo. O RECORRENTE apresentou a tese de que o momento da incidência tributária sobre o ganho de capital seria a data da alienação do bem e não a data de recebimento do valor da alienação. Argumenta que “o critério material da regramatriz de incidência tributária é o ganho de capital decorrente da alienação (...) e não decorrente do recebimento do valor da alienação, isto é, a legislação, considera como critério temporal da regramatriz de incidência não o recebimento efetivo da moeda, mas a própria alienação, da qual decorra ganho de capital (...)”. Cita o art. 21 da Lei nº 8.981/95 e o art. 31 do IN nº 84/2001 para sustentar a ideia de que a incidência do tributo ocorre já no momento da alienação, ainda que a venda seja a prazo, diferindose tãosomente o pagamento do tributo devido. Contudo, entendo que o RECORRENTE apresenta uma interpretação um pouco distorcida da regramatriz de incidência tributária do imposto de renda. A definição do conceito de renda é construída nos termos dos arts. 43 e 44 do CTN, que dispõem o seguinte: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 251 16 (...) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.” Segundo Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário: Linguagem e Método. 6ª ed. São Paulo: Noeses, 2015, p. 699), sobre o conceito de “renda”, prevalece no direito brasileiro a “teoria do acréscimo patrimonial”, segundo a qual o que interessa é o aumento do patrimônio líquido, sendo considerado como lucro tributável exatamente o acréscimo líquido verificado no patrimônio do contribuinte, durante período determinado, independentemente da origem das diferentes parcelas. O mesmo autor leciona ainda que “renda é, sempre e necessariamente, renda disponível, pelo que tributar renda indisponível importaria ultrapassar os limites postos pelo legislador do Código Tributário, para efeito de criar a regramatriz da exação” (Direito Tributário: Linguagem e Método. 6ª ed. São Paulo: Noeses, 2015, p. 703). Sendo assim, o que importa para o fato gerador do imposto de renda é o momento da disponibilidade da renda ao contribuinte. Ou seja, numa venda de bem a prazo, o fato gerador do imposto de renda ocorre no momento em que o contribuinte recebe as parcelas (dinheiro, título de crédito, etc.). Isto para evitar que seja tributado valor não disponibilizado ao contribuinte/alienante, na hipótese dele não vir a receber as parcelas da venda. Sobre as a apuração do ganho de capital nas alienações a prazo, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99) determina o seguinte: “Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida.” Sobre o tema, a Instrução Normativa nº 84/2001 prevê o seguinte: “Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I.” A regra definida nos dispositivos acima transcritos tem por objetivo apenas elucidar como se dará a apuração do ganho de capital. Ou seja, a lei define que o ganho de Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 252 17 capital seja apurado no momento da alienação para calcular corretamente o custo de aquisição, o valor de alienação, aplicar os fatores de redução do ganho de capital (se cabíveis) incidentes à época da venda, etc. Sendo que o próprio art. 31 da IN nº 84/2001 é expresso ao afirmar que o imposto é devido periodicamente, na medida do recebimento dos valores (renda; disponibilidade) pelo contribuinte. Isso tudo para evitar que seja tributado o patrimônio do contribuinte (nãodisponibilidade). Conforme dito, a regra de apuração do ganho de capital na data de alienação também tem a função de identificar os corretos custos de aquisição e valor de alienação. Isto porque buscase evitar uma situação como a levantada pelo RECORRENTE, que alegou (durante a fiscalização) estar isento do imposto de renda pois não teria havido ganho de capital, uma vez o imóvel foi adquirido antes da entrega da DIAT e alienado, no mesmo ano, após a entrega do referido documento (art. 10, inciso II, da IN nº 84/2001), situação, esta, que não espelha a realidade dos fatos. Por esses e outros motivos é que há norma determinando seja o ganho de capital apurado na data da alienação do bem, mesmo que as parcelas do imposto sejam devidas periodicamente, na medida do recebimento dos valores pactuados. Portanto, feitos esses esclarecimentos, os fatos gerados do imposto de renda decorrente do ganho de capital foram os meses de abril/2006, abril/2007, maio/2007 e outubro/2007. Conforme já exposto, no caso concreto, a contagem do prazo decadencial segue a regra estipulada pelo art. 173, I, do CTN (prazo contase do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível). Seguindo tal regra, o dies a quo do prazo decadencial do fato gerador mais remoto (abril/2006) foi 01/01/2007, o que autoriza o lançamento do crédito tributário até 31/12/2011. Portanto, entendo que não estão extintos pela decadência quaisquer créditos objeto do presente lançamento, tendo em vista que o RECORRENTE tomou ciência do lançamento em 10/09/2010 (fl. 156). MÉRITO Da Multa Qualificada O RECORRENTE defende o afastamento da multa qualificada pois, dentre outros argumentos, a circunstancia ensejadora da aplicação da penalidade qualificada não estaria minuciosamente caracterizada e justificada. Com isso, alegou não estar comprovado o seu propósito doloso. Contudo, entendo que não merecem prosperar as razões do RECORRENTE. A norma legal que estabelece a multa de oficio aplicável nos casos em que restar evidenciado o intuito de fraude é o artigo 44, I, § 1°, da Lei 9.430/96, transcrito abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 253 18 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim definem: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Como se percebe, nos casos de lançamento de oficio, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo 44, da Lei 9.430/96, acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação pela autoridade lançadora da conduta dolosa do contribuinte no cometimento da infração segundo as definições da Lei 4.502/64. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), que dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A doutrina decompõe, ainda, o dolo em dois elementos: o cognitivo, que é o conhecimento do agente do ato ilícito; e o volitivo, que é a vontade de atingir determinado resultado ou em assumir o risco de produzilo. Na aplicação da multa qualificada, a autoridade fiscal deve subsidiar o lançamento com elementos probatórios que demonstrem de forma irrefutável a existência destes dois elementos formadores do dolo, elemento subjetivo dos tipos relacionados nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964 os quais o §1°, do artigo 44, da Lei 9.430 de 1995 faz remissão. É, pois, esta comprovação nos autos requisito de legalidade para aplicação da multa na sua forma qualificada. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 254 19 No caso concreto, entendo que a autoridade lançadora demonstrou, no Termo de Verificação Fiscal, a atitude dolosa do RECORRENTE de tentar impedir o conhecimento, pelo Fisco, da ocorrência do ganho de capital auferido. Primeiro, quando da aquisição do bem alienado (em 05/09/2002), a fiscalização apurou que o RECORRENTE fez vultuosos pagamentos à Auxiliar S/A no decorrer dos anos 2002 a 2005, conforme documento contábil apresentado por esta empresa à autoridade fiscal (fl. 15): Importante esclarecer que, quando intimado para se pronunciar a respeito do referido documento, o RECORRENTE afirmou o seguinte: “Todavia, não é possível convalidar o "Doc.3 Análise Contábil 208 elaborado por Auxiliar S/A", pois os lançamentos nele estampados podem conter outros equívocos de datas, a exemplo daquele registrado em 24/07/08, cujo histórico 'BX ADTO CF ESCRITURA DE COMPRA E VENDA", corresponde a evento ocorrido em 05/10/2007, quase um ano antes. Esse fato coloca sob suspeita a exatidão das datas concernentes aos demais lançamentos, o que estou buscando desvendar.” Contudo, não trouxe aos autos qualquer prova idônea capaz de refutar as informações trazidas pela Auxiliar S/A, limitandose a desqualificar o documento em razão da data em que a empresa baixou a conta em sua contabilidade, o que, no meu entendimento, não pode servir como motivo para afastar a apreciação do documento. Neste sentido, a autoridade lançadora observou, por exemplo, que nas Declarações de Ajuste dos anoscalendário 2002 e 2003 (fls. 33/38), o RECORRENTE informou ter recebido rendimentos tributáveis nos totais de R$ 12.320,00 e R$ 10.400,00, respectivamente. Ademais, não declarou o recebimento de quaisquer outros rendimentos, quer seja isentos ou não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, ou ainda dívidas, de modo a fazer frente aos pagamentos referentes à aquisição do bem imóvel. No TVF, a autoridade lançadora esclareceu que “o dolo encontrase configurado no fato de o sujeito passivo deixar de informar ao fisco a aquisição das Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 255 20 propriedades rurais no anocalendário de 2002, omitindo os pagamentos das parcelas no decorrer dos anos de 2002 a 2005, no montante de R$ 5.675.607,82, aliado aos valores de rendimentos informados em suas Declarações de Ajuste Anual daqueles anos, bem inferiores àquelas parcelas:” No ano em que alienou o imóvel ao Sr. Mario Bovi (anocalendário 2004), o RECORRENTE também nada informou em sua declaração de ajuste (fls. 39/41), ao passo que o Sr. Mário Bovi declarou a aquisição da Fazenda pelo valor de R$ 15.930.000,00, sendo que naquele ano pagou o sinal de R$ 5.930.000,00, conforme trecho de sua Declaração de Bens e Direitos demonstrado pela autoridade fiscal (fl. 148). Ademais, o Sr. Mario Bovi apresentou diversos recibos referentes aos valores pagos pela aquisição da Fazenda, todos assinados pelo RECORRENTE (fls. 25/31). Durante a ação fiscal, o RECORRENTE afirmou que nada tinha a contestar em relação a tais recibos. Ocorre que o RECORRENTE não fez qualquer declaração de tais recebimentos, exceto em sua DAA relativa ao anocalendário 2007, quando informou ter recebido o valor R$ 10.634.508,00 o qual seria isento (fls. 48/54). Ora, da exposição dos fatos acima, resta evidente que o RECORRENTE omitiu do Fisco dados relevantes envolvendo a aquisição da Fazenda, assim como dados relativos à alienação do mesmo bem. Em sua primeira resposta à fiscalização (fls. 58/85), acostou aos autos as escrituras relativas à compra e à venda do bem, ambas datadas de 2007, ao passo que demonstrou conhecimento da legislação tributária quando afirmou o seguinte: “Tratandose de aquisição antes da entrega da DIAT e alienação posteriormente ao cumprimento dessa obrigação, a isenção do imposto sobre o ganho de capital tem amparo na Instrução Normativa n° 84/2001, em função do valor da terra nua ser o mesmo, tanto no ano da compra como no ano da venda. Esse entendimento vem manifestado pela Receita Federal desde 2002, como pode ser verificado nas respostas às Perguntas n°s 589 e 603, do Manual de Perguntas e Respostas — IRPF 2009, editado para o ano calendário de 2008.” O RECORRENTE tinha conhecimento da hipótese de inexistência de ganho de capital prevista no art. 10, §1º, II, da IN nº 84/2001. Neste sentido, o conjunto probatório dos autos converge para o entendimento de que o RECORRENTE agiu dolosamente para omitir a ocorrência do fato gerador, e apenas informou a ocorrência da operação quando verificou a possibilidade de não apurar o ganho de capital, com arrimo no art. 10, §1º, II, da IN nº 84/2001. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 256 21 Ou seja, podese constatar que a atitude do RECORRENTE se enquadra no art. 71 da Lei nº 4.502/64, pois tentou impedir que o Fisco tivesse conhecimento tanto da ocorrência do fato gerador como também das suas condições, na medida que, apesar de possuir rendimentos suficientes para adquirir o bem imóvel, não fez constar tais rendimentos em sua declaração de ajuste. Em sua defesa, o RECORRENTE afirma que o negócio envolvendo a aquisição do bem imóvel estava sujeito a condição suspensiva, uma vez que a empresa Auxiliar S/A havia adquirido tais bens nos autos de Ação de Execução. No entanto, não apresentou nos autos qualquer prova de sua alegação. Ademais, mesmo que houvesse a condição suspensiva mencionada, tal fato não acobertaria a atitude dolosa do RECORRENTE de deixar de informar em suas Declarações de Ajustes a real condição de seus rendimentos. Portanto, entendo que restou comprovado o intuito doloso do RECORRENTE, de modo que deve ser mantida a multa de 150%. Da Multa Isolada O RECORRENTE requer o afastamento da multa isolada sob o argumento de que ela seria incompatível com a multa de oficio. No entanto, também não merece prosperar esse argumento do RECORRENTE. A multa isolada de 50% lançada em desfavor do RECORRENTE teve sua origem no art. 44, II, “a”, da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;” Por sua vez, o art. 8º da Lei nº 7.713/88 disciplina o seguinte: Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. § 1º O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 257 22 oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. § 2º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos.” Ou seja, ao auferir rendimentos de outra pessoa física que não tenham sido tributados na fonte, o contribuinte deve apurar e pagar o imposto de renda mensalmente, mediante carnêleão. Assim, mesmo que não seja apurado imposto a pagar no final do ano (quando da elaboração da declaração de ajuste), o contribuinte fica sujeito à multa isolada de 50% do valor do imposto que deixou de ser pago à época, como forma de penalidade pelo não recolhimento do tributo no período correto. No que diz respeito aos reajustes das parcelas quando da alienação de bens, a IN nº 84/2001 afasta tais valores da tributação do ganho de capital, quando esclarece que referidos ganhos devem ser tributados mediante carnêleão: “Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual.” Portanto, deveria o RECORRENTE ter apurado e recolhido o valor do imposto de renda decorrente dos reajustes das parcelas recebidas em abril/2006, abril/2007, maio/2007 e outubro/2007, além de ter recolhido o valor correto do imposto incidente sobre os rendimentos auferidos (e declarados) em outros meses, conforme apontado pela fiscalização à fl. 150 (foi constatado que, apesar de ter declarado o recebimento de valores mensais, o RECORRENTE não recolheu o valor correto do imposto de renda correspondente a jan/2006, fev/2006, março/2006, abril/2006, dez/2006 e dez/2007). Ao contrário do que defende o RECORRENTE, a multa isolada de 50% não é incompatível com a multa de ofício. Já resta esclarecido acima que a multa isolada decorre do não recolhimento do valor do tributo na época própria (ou seja, é aplicada mesmo que, ao final do ano, não tenha sido apurado imposto de renda a pagar pelo contribuinte). Já a multa de ofício, por sua vez, tem sua aplicação decorrente da ausência de recolhimento do imposto de renda e é devida quando a autoridade fiscal realiza, de ofício, a apuração do imposto devido pelo contribuinte (ou seja, ela somente é aplicada quando o contribuinte deixa de recolher o tributo). Esclareçase que, no caso concreto, ao contrário do que alega o RECORRENTE, as multas não incidem sobre o mesmo evento jurídico. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 258 23 A multa de ofício (aplicada na alíquota qualificada de 150%) foi lançada sobre o ganho de capital que deixou de ser pago pelo RECORRENTE nos meses de abril/2006, abril/2007, maio/2007 e outubro/2007, conforme quadros abaixo extraídos do TVF (fl. 151): Já a multa isolada de 50% foi aplicada sobre a diferença decorrente dos reajustes das parcelas recebidas pelo RECORRENTE. A fiscalização apurou que tais reajustes foram de R$ 327.315,98 em abril/2006 e de R$ 508.566,67 dividido em três períodos (abril/2007, maio/2007 e outubro/2007), conforme detalha o TVF (fls. 149/150): Em relação à parcela de R$ 3.660.649,31 recebida em 19/04/2006, R$ 327.315,98 correspondem ao reajuste estabelecido cm contrato (R$ 3.660.649,31 R$ 3.333.333,33 = RS 327.315,98). Quanto às parcelas recebidas no ano de 2007, elas totalizaram R$ 3.841.900,00 (R$ 2.500.000,00 + R$ 380.000,00 + R$ 961.900,00 = R$ 3.841.900,00). Deste montante, R$ 508.566,67 correspondem ao reajuste pactuado no contrato (R$ 3.841.900,00 R$ 3.333.333,33 = R$ 508.566,67). A parcela correspondente aos reajustes recebidos em 2007 corresponde à fração de 0,132374 do montante recebido no ano (508.566,67/3.841.900,00=0,132374). Aplicandose este percentual sobre cada parcela recebida em 2007, encontramos os valores correspondentes aos reajustes das parcelas sujeitos ao recolhimento do carnêleão: parcela recebida em 16/04/2007: R$ 2.500.000,00 x 0,132374 = R$ 330.934,35 parcela recebida em 07/05/2007: R$ 380.000,00 x 0,132374 = R$ 50.302,02 parcela recebida em 17/10/2007: R$ 961.900,00 x 0,132374 = R$ 127.330,30” Ou seja, é evidente que as multas de 150% e de 50% não foram calculadas sobre a mesma base. Portanto, não houve bis in idem, como alega o RECORRENTE. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 259 24 Ambas as penalidades não se confundem. No entanto, a jurisprudência do CARF vem afastando a aplicação concomitante das multas quando for constatada a incidência das duas sobre uma mesma base. Em uma situação hipotética, seria como se houvesse a aplicação da multa de ofício para a cobrança de imposto que deixou de ser recolhido e, ao mesmo tempo, a aplicação da multa isolada pelo fato de o imposto não ter sido recolhido no mês correto. Contudo, conforme já exposto, esta não é a situação dos autos, pois a base de incidência das penalidades são valores diferentes. Ademais, a atividade da fiscalização é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, tendo o auditor o dever de efetuar o lançamento caso verifique imprecisão no recolhimento do contribuinte, sob pena de responsabilidade funcional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sendo assim, ao observar afronta à legislação fiscal, a autoridade lançadora passou a ter o poderdever de efetuar o lançamento tributário para a cobrança do crédito, além das penalidades cabíveis. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa isolada de 50%. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de imposto de renda, pelas razões acima expostas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15889.000219/201018 Acórdão n.º 2201004.136 S2C2T1 Fl. 260 25 Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722188/2013-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE.
Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento são objeto de cobrança em processo eletrônico já inscrito em dívida ativa (coincidência de períodos e valores), resta caracterizada a duplicidade.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE.
Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento são objeto de cobrança em processo eletrônico já inscrito em dívida ativa (coincidência de períodos e valores), resta caracterizada a duplicidade.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-004.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento são objeto de cobrança em processo eletrônico já inscrito em dívida ativa (coincidência de períodos e valores), resta caracterizada a duplicidade. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento são objeto de cobrança em processo eletrônico já inscrito em dívida ativa (coincidência de períodos e valores), resta caracterizada a duplicidade. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário provido em parte.
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DUPLICIDADE Recorrente CERPA CERVEJARIA PARAENSE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento são objeto de cobrança em processo eletrônico já inscrito em dívida ativa (coincidência de períodos e valores), resta caracterizada a duplicidade. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento são objeto de cobrança em processo eletrônico já inscrito em dívida ativa (coincidência de períodos e valores), resta caracterizada a duplicidade. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 88 /2 01 3- 28 Fl. 536DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por já ter sintetizado o presente processo até a interposição do Recurso Voluntário, me valho do relatório da Resolução n.º 3402000.807 de lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: "Tratase de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em 08/07/2013 (fl. 89), lavrados para exigir diferenças do PIS e da COFINS em relação aos fatos geradores das contribuições ocorridos durante o ano calendário de 2010. Foi aplicada a multa regulamentar pela apresentação de DCTF com incorreções em 31/03/2011 e 31/08/2011. Segundo a descrição dos fatos, em revisão interna de declarações foram constatadas diferenças entre valores declarados em DCTF e os DACON. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, nulidade do procedimento devido à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal; que o auto de infração não poderia ter sido lavrado, pois os valores estavam declarados nos DACON e DCTF, que serão encaminhados para execução, acarretando cobrança em duplicidade; que houve confissão espontânea dos débitos e não cabe sequer a multa de mora; os juros de mora já punem a mora e não podem ser cumulados com multa de mora; que os juros de mora não podem ser cobrados com base na taxa Selic; que a multa de 75% é desnecessária e abusiva. Por meio do Acórdão nº 61.267, de 16 de maio de 2014, a 2ª Turma da DRJ Brasília, julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2011 a 31/12/2011 MPF. MALHA FISCAL. DESNECESSIDADE. É desnecessária a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal para execução de trabalho interno de malha fiscal, que consiste no confronto dos dados colhidos das informações declaradas pelo contribuinte. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10280.722188/201328 Acórdão n.º 3402004.889 S3C4T2 Fl. 537 3 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos julgadores administrativos é vedado apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. INEXISTÊNCIA. Inexiste duplicidade de cobrança quando o levantamento fiscal excluiu no cálculo das insuficiências de recolhimento os valores dos débitos informados em DCTF, que são objeto de cobrança administrativa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação à Cofins lançada a partir de idêntica matéria fática e dos mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Regularmente notificado em 04/06/2014 (fl. 192), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 193 e seguintes, em 30/10/2014 [30/06/2014, efl. 193], no qual alegou, em síntese, que o lançamento de ofício não considerou as DCTF retificadoras e que os valores ora exigidos correspondem exatamente às diferenças entre os DACON e as DCTF originais, que passaram a constar das retificadoras. Contestou o acórdão de primeira instância na parte em que não aceitou a denúncia espontânea, sob o argumento de as retificadoras terem sido apresentadas após o início da ação fiscal. A recorrente alegou que as retificadoras apresentadas foram encaminhadas para cobrança executiva (CDA 20.7.24.000.24993 e 20.6.14.001.65999). Entende que se não houve a denúncia espontânea, as retificadoras não poderiam ter sido encaminhadas para a cobrança, sendo imperiosa a declaração de nulidade das CDA. Contestou a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic, pois essa taxa não pode ser cumulada com nenhum outro índice de juros." (efls. 244/245 grifei) Naquela oportunidade, o processo foi convertido em diligência para verificar a existência de crédito cobrado em duplicidade. Nos termos da resolução: "Considerando o quadro de incerteza reinante no processo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem a fim de que a fiscalização se manifeste conclusivamente, em parecer fundamentado, sobre a existência ou não de crédito tributário cobrado em duplicidade no auto de infração e nas DCTF. Caso exista duplicidade, solicitase que no parecer fundamentado a fiscalização elabore um demonstrativo indicando os valores em duplicidade e em quais períodos de apuração tais duplicidades ocorreram. A defesa deverá ser notificada do parecer a ser elaborado pela fiscalização e terá o prazo regulamentar de 30 dias para apresentar manifestação (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011). Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento." (efls. 246/247 grifei) Em cumprimento desta diligência, foi elaborado o Relatório Fiscal da efl. 253, sendo juntadas planilhas às efls. 254/255, entendendo pela existência de duplicidade indicada pela autuada, mas com valor remanescente a ser exigido: "2) Resultado das verificações procedidas: Fl. 538DF CARF MF 4 a. Existem 2 processos alusivos à inscrição de débitos de PIS e de COFINS em DAU (Dívida Ativa da União), todos declarados em DCTF retificadoras e referentes ao anocalendário de 2010. b. Esses valores não foram considerados pela fiscalização quando da feitura do auto de infração, uma vez que as mencionadas DCTF foram entregues no curso do procedimento fiscal, quando o sujeito passivo não mais gozava de espontaneidade. Todavia, foram elas acatadas pelos sistemas da Receita Federal e os débitos ali declarados encaminhados para inscrição em DAU. c. Deste modo, é indubitável a existência de duplicidade na cobrança de parte desses valores, uma vez que foram declarados em DCTF, cujos débitos foram inscritos em DAU, e também objeto de auto de infração. d. As planilhas anexas, denominadas “RECÁLCULO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO – PIS – ANOCALENDÁRIO DE 2010” e “RECÁLCULO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO – PIS – ANOCALENDÁRIO DE 2010” indicam os valores remanescentes que devem compor os respectivos autos de infração." (efl. 253 grifei) A Recorrente apresentou manifestação quanto à diligência, indicando a existência de cobrança em duplicidade inclusive quanto ao saldo remanescente apontado na diligência. Acostou aos autos as cópias das DCTFs que identificam dois diferentes códigos de recolhimento do PIS e da COFINS, bem como cópias das cobranças relativas à diferenças em DCTF. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como relatado, o presente processo traz Autos de Infração lavrados para a cobrança de débitos de PIS e COFINS decorrentes da diferença a maior entre os valores indicados como devidos no DACON e aqueles declarados em DCTF, recolhidos à menor pelo contribuinte. No Recurso Voluntário interposto, sustenta o contribuinte que os valores autuados estão sendo exigidos em duplicidade nos processos de cobrança automática gerados pela diferença entre os valores declarados em DCTF e aqueles recolhidos via DARF. Para melhor compreender a alegação de duplicidade do contribuinte, importante esclarecer os acontecimentos que antecederam a lavratura do Auto de Infração. Em 12/04/2013 (efl. 5) o contribuinte foi intimado do procedimento de revisão do DACON do anocalendário 2010, para apresentar esclarecimentos da razão pela qual "os valores informados em Dacon referentes a 'Contribuição para o Pis/Pasep a Pagar' e 'Cofins a Pagar' estão superiores aos informados em DCTF." (efl. 4). Após o recebimento desta intimação, o contribuinte procedeu com a retificação das DCTFs, transmitidas em 28/05/2013 (para as competências de janeiro/2010 a Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10280.722188/201328 Acórdão n.º 3402004.889 S3C4T2 Fl. 538 5 novembro/2010) e 07/06/2013 (para a competência de dezembro/2010), para que passassem a refletir os valores de débitos que foram indicados no DACON. A transmissão das DCTFs retificadoras para todo o ano calendário antes da lavratura dos Auto de Infração, lavrados em 01/07/2013 (efls. 67 e 79) e dos quais a empresa foi notificada em 08/07/2013 (efl. 89), foi evidenciado pela própria fiscalização na relação de DCTFs transmitidas relacionadas à efl. 32: Não obstante a empresa tenha adotado o mesmo procedimento para todo o ano de 2010, a fiscalização procedeu com a lavratura do Auto de Infração como se persistissem a diferença entre o DACON e a DCTF, considerando as informações retificadas apenas para os meses de janeiro/2010 e maio/2010 para o PIS, em relação às quais foi lançada a multa por informação inexata do art. 7º, IV, da Lei n.º 10.426/2002, e somente o mês de janeiro/2010 para a COFINS. Segundo observação trazida pela fiscalização, para essas competências seria aplicável o art. 9º, §4º da Instrução Normativa n.º 974/2009. Nos termos da autuação: Auto de Infração de PIS (efl. 69) Fl. 540DF CARF MF 6 Auto de Infração de COFINS (efl. 81) O art. 9º, §4º da IN RFB n.º 974/2009 indicado pela fiscalização tem a mesma redação daquele da IN RFB n.º 1.110/2010, efetivamente vigente à época da retificação das DCTF e da lavratura da autuação, admitindo a validade da retificação da DCTF ainda que no curso da ação fiscal, em se tratando de retificação de erro de fato, sem prejuízo da cobrança de multa por informação inexata: "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: (...) II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10280.722188/201328 Acórdão n.º 3402004.889 S3C4T2 Fl. 539 7 § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º." (grifei) Observese, portanto, que para o PIS, nas competências de janeiro/2010 e maio/2010, e para a competência janeiro/2010 da COFINS a fiscalização admitiu as retificações feitas em 28/05/2010 como correção de erro de fato, para que a DCTF refletisse o valor do DACON. Contudo, essa mesma conclusão deve ser admitida para todas as retificações realizadas no presente caso, vez que o procedimento adotado pelo contribuinte foi adotado de forma igual para todas as competências do ano de 2010, não tendo a fiscalização justificado a razão pela qual admitiu a retificadora de janeiro/2010 e não admitiu as demais retificadoras apresentadas ou mesmo a retificação de maio/2010 para a COFINS. Com efeito, atentandose para as informações das DCTFs retificadoras emitidas pela Recorrente, juntadas na oportunidade da diligência fiscal (constantes entre os documentos das efls. 283/380 e 403/512), vislumbrase que todas as retificações foram feitas exatamente para que a DCTF passasse a indicar o valor das contribuições devidas que foram informadas no DACON, com base na qual a fiscalização se respaldou para proceder com a autuação. Para confirmar o procedimento adotado pelo contribuinte, vejamos a título de exemplo as cópias das DCTFs das competências de janeiro/2010 e fevereiro/2010 quanto ao PIS e a COFINS e a de maio/2010 quanto à COFINS: Janeiro/2010 (cujas informações foram admitidas como válidas pela fiscalização no Auto de Infração). ü Valor do DACON, adotado como base pelo Auto de Infração: R$ 55.130,13 (PIS) e R$ 268.204,70 (COFINS) ü DCTF retificadora n.º 100.2010.2013.189723657 de 28/05/2013 (efls. 283/285 do PIS e efls. 407/409 da COFINS), com a abertura dos débitos declarados de PIS (efl. 284) e COFINS (efl. 408): Fl. 542DF CARF MF 8 Fevereiro/2010 (cujas informações não foram admitidas como válidas pela fiscalização no Auto de Infração, sendo consideradas as informações da declaração original, sem justificativa). ü Valor do DACON, adotado como base pelo Auto de Infração: R$ 73.916,57 (PIS) e R$ 357.405,70 (COFINS) ü DCTF retificadora n.º 100.2010.2013.1881725027 de 28/05/2013 (efls. 292/294 do PIS e efls. 415/417 da COFINS), com a abertura dos débitos declarados de PIS (efl. 294) e COFINS (efl. 417): Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10280.722188/201328 Acórdão n.º 3402004.889 S3C4T2 Fl. 540 9 Maio/2010 (cujas informações foram admitidas em parte como válidas pela fiscalização no Auto de Infração, sendo consideradas para o PIS as informações da declaração retificadora e para a COFINS as informações da declaração original, sem justificativa). ü Valor do DACON, adotado como base pelo Auto de Infração: R$ 87.460,92 (PIS) e R$ 357.296,55 (COFINS) ü DCTF retificadora n.º 100.2010.2013.1861725929 de 28/05/2013 (efls. 319/321 do PIS e efls. 442/444 da COFINS), com a abertura dos débitos declarados de PIS (efl. 321) e COFINS (efl. 444): E esse mesmo procedimento foi adotado para as demais competências. Fl. 544DF CARF MF 10 Portanto, por meio das DCTFs retificadoras transmitidas, a Recorrente retificou erro material cometido no preenchimento (como reconhecido pela própria fiscalização), para que os valores de débito declarados em DCTF refletissem exatamente os valores dos débitos apontados como devidos no DACON. Cumpre apontar que a retificação foi realizada considerando os códigos de receita correspondentes, tanto de PIS, nos códigos 0679 (PIS TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS CERVEJAS) e 0691 (PIS TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS DEMAIS BEBIDAS), como da COFINS, nos códigos 0760 (COFINS TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS CERVEJAS) e 0776 (COFINS TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS DEMAIS BEBIDAS). Uma vez que o procedimento adotado pela empresa foi idêntico para todas as competências, para sanar erro material e declarar os valores em DCTF em conformidade com o DACON, vislumbrase que não há qualquer justificativa para que a fiscalização desconsiderar as retificações feitas e admitir apenas aquelas realizada nas competências de janeiro/2010, integralmente, e na competência de maio/2010, parcialmente apenas para o PIS. Feito este esclarecimento, é possível depreender o problema da duplicidade que envolve a presente autuação. Após a retificação das DCTFs, admitidas como válidas pelo sistema da RFB, o contribuinte confessou as diferenças antes existentes entre os valores constantes do DACON e os valores declarados na DCTF. Os valores que passaram a ser declarados como devidos nas retificadoras em 28/05/2013 e 07/06/2013 e que não estavam abrangidos pelos pagamentos realizados foram devidamente constituídos pela DCTF, na forma da súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco." Por conseguinte, os valores foram automaticamente direcionados para cobrança por meio dos processos de cobrança eletrônicos n.º 10280.501250/201421 dos valores do PIS, inscrito em dívida ativa sob o n.º 20.7.14.000.24993 (abrangendo os códigos de receita 0679 e 0691) e n.º 10280.501251/201475 dos valores de COFINS, inscrito em dívida ativa sob o n.º 20.6.14.001.65999 (abrangendo os códigos de receita 0760 e 0766). Neste contexto que o Recorrente sustentou na sua defesa a existência de duplicidade da cobrança autuada com aquelas objeto dos processos de cobrança. A diligência requerida neste processo foi exatamente com o propósito de verificar a duplicidade alegada, oportunidade em que foi confirmada pela fiscalização. Vejamos novamente os exatos termos do relatório da diligência fiscal (efl. 253), à qual foram juntadas planilhas às efls. 254/255, entendendo pela existência de duplicidade indicada pela autuada, mas com valor remanescente a ser exigido: "2) Resultado das verificações procedidas: a. Existem 2 processos alusivos à inscrição de débitos de PIS e de COFINS em DAU (Dívida Ativa da União), todos declarados em DCTF retificadoras e referentes ao anocalendário de 2010. b. Esses valores não foram considerados pela fiscalização quando da feitura do auto de infração, uma vez que as mencionadas DCTF foram entregues no curso do procedimento fiscal, quando o sujeito passivo não mais gozava de espontaneidade. Todavia, foram elas acatadas pelos sistemas da Receita Federal e os débitos ali declarados encaminhados para inscrição em DAU. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10280.722188/201328 Acórdão n.º 3402004.889 S3C4T2 Fl. 541 11 c. Deste modo, é indubitável a existência de duplicidade na cobrança de parte desses valores, uma vez que foram declarados em DCTF, cujos débitos foram inscritos em DAU, e também objeto de auto de infração. d. As planilhas anexas, denominadas “RECÁLCULO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO – PIS – ANOCALENDÁRIO DE 2010” e “RECÁLCULO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO – PIS – ANOCALENDÁRIO DE 2010” indicam os valores remanescentes que devem compor os respectivos autos de infração." (efl. 253 grifei) Contudo, considerando os documentos acostados aos autos pela Recorrente quando da resposta à diligência, verificase que a diferença suscetível de cobrança por meio do presente Auto de Infração é inferior àquela apontada pela fiscalização na diligência. Isso porque, em sua diligência, a fiscalização considerou as informações prestadas pela empresa quanto às informações declaradas e recolhidas para os códigos de receita 0679 e 0760 (de tributação de cervejas), desconsiderando as informações dos códigos correspondentes às demais bebidas, 0691 e 0776. Com efeito, depreendese da planilha elaborada pela fiscalização na diligência que os valores indicados como declarados a título de PIS e COFINS são inferiores aos próprios valores indicados no auto de infração. Somente a título de exemplo, vejase pela competência de janeiro/2010. Nesta, a fiscalização na diligência indica que foi declarado o valor de PIS de R$ 51.160,76. Contudo, nesta competência foi declarado R$ 55.130,13 como indicado no próprio Auto de Infração e na DCTF (admitida como válida pela fiscalização, como já mencionado anteriormente). O valor indicado na diligência corresponde somente ao código de receita 0679, como evidenciado pela DCTF acostada pelo Recorrente já reproduzida acima (efls. 284/285). Atentandose para os documentos acostados aos autos pela Recorrente na diligência (efls. 278/530), vislumbrase que o contribuinte conseguiu demonstrar que a maior parte dos valores autuados efetivamente já se encontram em cobrança automática em razão da declaração nas DCTFs retificadoras. Após a análise das DCTFs e das cópias dos processos de cobrança acostados aos autos é possível confirmar com clareza a existência da duplicidade tal como informada no relatório de diligência. Contudo, por ter desconsiderado os valores declarados e em cobrança quanto aos códigos de receita 0691 (PIS) e 0766 (COFINS), a diligência apontou uma diferença passível de cobrança maior que a efetivamente existente. Pelo cotejo dos documentos acostados aos autos, confirmo a necessidade de se excluir os valores que são objeto de cobrança eletrônica em razão de sua constituição pela DCTF, com uma diferença passível de cobrança identificada apenas na competência de dezembro/2010 para a COFINS. Senão vejamos: Fl. 546DF CARF MF 12 Planilha relativa aos valores de PIS Planilha relativa aos valores de COFINS Assim, confirmase pelos documentos acostados aos autos que parte dos valores de PIS e COFINS autuados já são objeto de cobrança automática nos processos eletrônicos por já terem sido declarados e confessados pelo contribuinte em DCTF retificadora válida, com coincidência de períodos e valores. Estes valores devem ser excluídos deste Auto de Infração, como reconhecido por este CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/10/1993 a 31/12/2002 (...) EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. Constada em diligência o lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF excluise do auto de infração os valores indevidamente lançados. (...) Recurso voluntário provido em parte." (Número do Processo 10980.010287/2003 02 Data da Sessão 24/01/2017 Relator Antonio Carlos Atulim Acórdão n.º3402 003.776 grifei) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF E CONFESSADO EM PROGRAMA DE PARCELAMENTO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não deve subsistir o Auto de Infração no qual é exigido crédito tributário que foi excluído do Programa de Parcelamento ao qual a empresa aderiu, por ter sido, ele próprio, incluído no mesmo Programa tendo por base o valor declarado em DCTF, uma vez que esteja configurada ameaça de cobrança em duplicidade do débito. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10280.722188/201328 Acórdão n.º 3402004.889 S3C4T2 Fl. 542 13 Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado" (Número do Processo 13819.002458/200381 Data da Sessão 12/11/2014 Relator Ricardo Paulo Rosa Acórdão n.º 3102002.319 grifei) Diante do exposto e que foi acostado aos autos em fase da diligência fiscal, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas em duplicidade. Salientese que, em dezembro/2010, em razão da divergência entre os valores de créditos vinculados declarados na DCTF para a COFINS (R$ 608.089,98 efl. 506) em relação aqueles créditos de recolhimento indicados no Auto de Infração (R$ 584.673,66 efl. 81), permanece passível de cobrança neste processo a título de COFINS, em dezembro/2010, do valor de R$ 23.416,32. Ora, como se depreende da relação de pagamentos alocados trazidos pelo próprio contribuinte às efls. 527/528, o valor de pagamentos alocados para a competência de dezembro/2010 corresponde à soma indicada no Auto de Infração de R$ 584.673,66, sendo R$ 556.472,12 do código de receita 0760 e R$ 28.201,54 do código de receita 0776. Este é igualmente o montante de pagamento indicado pelo contribuinte em sua planilha apresentada na resposta à diligência à efl. 402. Assim, a título de tributo, permanece passível de exigência no presente processo administrativo a diferença de R$ 23.416,32 de COFINS relativo a competência de dezembro/2010, que deverá ser acrescida dos correspondentes valores de juros de mora (SELIC) e da multa de ofício previstos legalmente. Neste ponto, sustenta a Recorrente que não caberia a incidência da taxa SELIC na hipótese por configurar bis in idem por ser cumulada com juros de mora. esta questão já se encontra sedimentada neste tribunal pela Súmula CARF n.º 4, que expressa: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Assim, deve ser mantida a aplicação da SELIC sobre a parcela remanescente. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir os valores de PIS e COFINS em duplicidade. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 548DF CARF MF 14 Fl. 549DF CARF MF
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