Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.689978/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.689978/2009-49
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838384
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.858
nome_arquivo_s : Decisao_10880689978200949.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 10880689978200949_5838384.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7151221
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007554228224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.689978/200949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.858 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP Recorrente CALVO COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 78 /2 00 9- 49 Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10880.689978/200949 Acórdão n.º 1402002.858 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de CSLL, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10880.689978/200949 Acórdão n.º 1402002.858 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10880.689978/200949 Acórdão n.º 1402002.858 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10880.689978/200949 Acórdão n.º 1402002.858 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10880.689978/200949 Acórdão n.º 1402002.858 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.002307/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS.
Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE.
O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA.
A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura.
Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.
AFERIÇÃO INDIRETA
Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2401-005.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18050.002307/2008-81
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851422
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.324
nome_arquivo_s : Decisao_18050002307200881.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 18050002307200881_5851422.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7199828
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007558422528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.002307/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.324 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 23 07 /2 00 8- 81 Fl. 212DF CARF MF 2 AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18050.002307/200881 Acórdão n.º 2401005.324 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1517.157/2008, às efls. 164/169, que julgou procedente o lançamento fiscal, decorrente da aferição da remuneração da mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação ao período de 11/1998 a 12/1998, conforme Relatório Fiscal, às efls. 28/31 e demais documentos que instruem o processo. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 28/31), as contribuições apuradas são incidentes sobre a remuneração dos empregados, tendo sido inseridas no Levantamento denominado “SAO” SÃO GERALDO ENGENHARIA LTDA, constante do “DAD Discriminativo Analítico de Débito” (fls. 04), onerando as rubricas “Segurado” (8%), “Empresa” (20%) e “SAT/RAT” (3%). A COELBA foi intimada, através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 18 a 20), a apresentar a documentação necessária à elisão da responsabilidade solidária, apresentandoa, contudo, sem a observância de todos os dispositivos da legislação vigente no período do débito, tendo sido lavrada, por esse motivo, a NFLD em questão. Para os serviços constantes de Notas Fiscais emitidas a partir de 05/1995, o que ocorre nestes autos, é necessário a apresentação de guias específicas vinculadas às referidas notas fiscais e de folhas de pagamento vinculadas ao Tomador de Serviços. De acordo com o relatório fiscal, constitui fato gerador da NFLD em questão a remuneração contida nas Notas Fiscais / Faturas / Recibos de Prestação de Serviços emitidos pela empresa prestadora em apreço, apurado por aferição indireta, disciplinado no art. 31 da Lei 8.212, de 1991, referentes à mãodeobra de leitura de medidores, entrega de contas e avisos de cobrança, na competência ll e 12/1998, cujos valores encontramse registrados no Relatório de Fatos Geradores e no Discriminativo Analítico do Débito, fls. 04 e 07 respectivamente. Fundamentado no §3° do art. 33 da Lei 8.212, de 1991, para a apuração da remuneração da mãodeobra contida nas notas fiscais listadas foram aplicados, sobre seus valores brutos, 0 percentual de 40%, conforme estabelecido no art. 63 da Instrução Normativa IN INSS/DC n° 070, de 10 de maio de 2002, que tratava da Aferição Indireta da Remuneração da MãodeObra Contida em Nota Fiscal, Fatura ou Recibo de Prestação de Serviços. Encaminhado o processo ao então Serviço de Análise de Defesas e Recursos, este concluiu, em 30/06/2003, pela necessidade de baixar os autos em diligência fiscal (fls.72/74), para que se elucidassem os seguintes pontos: a) elaboração do Relatório Fiscal Complementar, descrevendo a fundamentação legal para a utilização da aferição indireta como meio de apuração da base de Fl. 214DF CARF MF 4 cálculo das contribuições previdenciárias, art. 33, § 3°, inserta na Lei n° 8.212, de 1991; e referência ao art. 61, inciso XIV, da Instrução Normativa INSS 070, de 10 de maio de 2002; b) explicitar os pressupostos da cessão de mãodeobra previstos no art. 31, § 3° da mencionada Lei n° 8.212, de 1991; c) esclarecer sobre os serviços prestados ; d) inclusão de cópias de documentos para instrução do processo; e) após elaboração do Relatório Fiscal Complementar, encaminhar o mesmo a COELBA, reabrindo o prazo para defesa, caso queira aditar a impugnação; Í) dar ciência da Notificação Fiscal de Lançamento do Débito ao prestador do serviço, que até então não havia sido juntado aos autos, devendo este ser notificado tanto do Llançamento original quanto do Relatório Fiscal Complementar; e g) juntar aos autos, comprovante de se ter dado ciência da Notificação Fiscal de Lançamento do Débito ao prestador dos serviços. Em resposta a solicitação de diligência fiscal, pronunciouse o notificante, às fls. 75, pela insubsistência do crédito apurado, tendo em vista que os serviços de leitura de medidores, entrega de contas e avisos de cobranças não se enquadrariam como serviços sujeitos à responsabilidade solidária, nos termos do art. 42, § 5° do Decreto 2.173, de 5 de março de 1997. Em novo pedido de diligência, o Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário, fls.77/79, esclarecendo que o rol de atividades previsto no § 5° do art. 42 do Decreto n° 2.173, de 1997, era exemplificativo, a partir da publicação da Lei n° 9.032, de 1995, confirma a necessidade de proceder ao saneamento do presente processo. Após emitir o mencionado Relatório Fiscal Substituto, a Auditoria Fiscal elaborou despacho (fls.116) endereçado ao então Serviço de Contencioso Administrativo relatando, em suma, o contido no mencionado Relatório Substitutivo e esclarecimento dos itens questionados. Incluiu cópia de comprovação da ciência do citado relatório por parte da empresa notificada e do devedor solidário, este último através de edital, o qual, novamente, não se pronunciou. A empresa tomadora dos serviços, COELBA, cientificada do novo relatório da NFLD sob julgamento em 10/07/2007, conforme comprovante de Aviso de Recebimento (AR), fls. 117. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 173/186, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, alega a existência do litisconsórcio necessário por solidariedade, isso porque, somente diante da incapacidade de comprovação do recolhimento pela prestadora, e, conseqüentemente, da confirmação da existência de débito, é que poderia se cogitar em imputação de responsabilidade solidária à COELBA, a qual se funda exclusivamente, ressalte se, no inadimplemento aferido. Contudo, o que se vê, no caso em tela, é que a autuação deveuse ao simples fato de não dispor, a recorrente, no momento da fiscalização, das cópias de guia de Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18050.002307/200881 Acórdão n.º 2401005.324 S2C4T1 Fl. 4 5 recolhimento, o que, por absurdo, entendeu o Autuante, seria definitivo para comprovar que não teria havido o recolhimento. No entanto, tal documentação fora apresentada, devendo ser cancelado o lançamento por violação à ampla defesa. Argumenta também que a fiscalização restringiuse a autuar a tomadora dos referidos serviços, lançando sobre ela o ônus de arcar com a referida obrigação, antes mesmo de que fosse averiguado o seu cumprimento por quem a lei prevê como principal obrigada, qual seja a empresa prestadora dos serviços. Desta forma, reitera a recorrente o seu requerimento para que sejam examinados os documentos já, e mais uma vez, colacionados, que demonstram o efetivo recolhimento das contribuições, porque a configuração da coresponsabilidade somente se dará na inadimplência do principal obrigado, deixando de ocorrer em virtude da inexistência de débito do mesmo, hipótese essa que se enquadra na presente situação. Sendo assim, uma vez que a solidariedade do dono da obra (tomador) se dá em virtude da inadimplência da prestadora de serviço, não havendo débito, não há que se falar em inadimplência como sequer, por conseqüência, em responsabilidade nela fundada. Diante da inequívoca comprovação do recolhimento, que se deu nos autos com a juntada das folhas de pagamento, GFlP, GRPS ou GPS, não subsiste o débito imputado, e, portanto, não há que se falar em responsabilidade já que esta está diretamente vinculada a eventual inadimplência da prestadora, o que, definitivamente, não corresponde ao caso em concreto. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA BENEFÍCIO DE ORDEM Conforme relatado acima, o crédito foi lançado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei n. 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, pela empresa prestadora de serviços. A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Ainda assim, a recorrente entende que outras exigências de cruzamento de informações deveriam ter sido cumpridas. Todavia, sem amparo na legislação vigente à época dos fatos geradores. Vejamos. A Lei nº 8.212/91, em seu artigo 31, na redação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, com o executor, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) §1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. §2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades Fl. 217DF CARF MF Processo nº 18050.002307/200881 Acórdão n.º 2401005.324 S2C4T1 Fl. 5 7 normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032/95). (grifos nossos) §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032/95). No mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. §1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações. §2º A responsabilidade solidária pode ser elidida desde que seja exigido do executor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, conforme definido pelo INSS. §3° Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem plena identificação dos fatos geradores das contribuições, independentemente da natureza e da forma de contratação. §4° Enquadramse na situação prevista no §3° as seguintes atividades: a) construção civil; Fl. 218DF CARF MF 8 b) limpeza e conservação; c) manutenção; d) vigilância; e) segurança e transporte de valores; f) transporte de cargas e passageiros; g) outras atividades definidas pelo MTA. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 31, culminou por atribuir ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas prestadoras dessa modalidade de serviços, fazendo com que aquele exija deste cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Destarte, ao não exigir da empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra as cópias autênticas dos documentos a que se refere o §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação que lhe foi dada, de berço, pela Lei nº 9.032/95, o Contratante se sujeita, ex lege, automaticamente, à solidariedade pelo adimplemento das contribuições previdenciárias devidas pelo executor, relativas aos serviços contratados. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 18050.002307/200881 Acórdão n.º 2401005.324 S2C4T1 Fl. 6 9 inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a ocorrência de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela lei, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre prestador e tomador, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Portanto, não assiste razão à recorrente. CESSÃO DE MÃO DE OBRA Em relação à cessão de mãodeobra, cumpre esclarecer que se trata apenas da aplicação da lei ao caso concreto. Neste sentido, o parágrafo 2°, do artigo 31, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 9.528/97, conceituava cessão de mão de obra, como sendo: a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Já constou da decisão a quo que, pela análise da documentação apresentada pela empresa contratante, durante a ação fiscal, os Auditores notificantes constataram a existência de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela contratada, nos moldes do art. 31, § 2°, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97. Verificase, no presente caso, que a cessão de mãodeobra referese a serviços de mão de obra de leitura de medidores, prestados pela empresa São Geraldo Engenharia Ltda. Análise dos termos do contrato de prestação de serviços, seus anexos e aditivos, demonstra a ocorrência da cessão de mão de obra. Fl. 220DF CARF MF 10 O serviço em tela se enquadra perfeitamente no conceito de cessão de mão de obra previsto na legislação, bastando para tanto a verificação das descrições dos serviços prestados nas cópias das notas fiscais. Observese que o mesmo art. 42 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 1997, em seu parágrafo 5° assim dispunha: Art. 42 (..)§ 5° Enquadramse na situação prevista no § 43, dentre outras, as seguintes atividades: a) construçao civil; b) limpeza e conservação; c) manutenção; d) vigilância; e) segurança e transporte de valores; f) transporte de cargas e passageiros; g) serviços de informática. (g.n.) É evidente a existência de cessão de mão de obra, não havendo elementos na peça recursal que infirmem os fatos relatados ou os fundamentos jurídicos do lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA A fundamentação legal para o procedimento adotado Aferição Indireta encontrase na no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Confirase: art. 33: Parágrafo 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Em análise atenta a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD em questão, notase claramente que esta se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com a legislação vigente PAGAMENTO PELO PRESTADOR E ELISÃO Quanto à alegação de que houve o pagamento pelo prestador, as guias apresentadas pela recorrente em sua defesa são genéricas, não atendem às disposições legais capazes de elidir o lançamento. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18050.002307/200881 Acórdão n.º 2401005.324 S2C4T1 Fl. 7 11 A Lei n° 9.032 de 1995, ao acrescentar o § 3° ao art. 31 da Lei 8.212, de 1991, no caso da cessão de mão de obra, disciplinou a possibilidade de elisão desta responsabilidade solidária, mediante o prévio recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída na Nota Fiscal de Prestação de Serviços, quando da quitação da referida nota. A mesma Lei n° 9.032, de 28 de abri de 1995, acrescentando o § 4° ao art. 31 da Lei 8.212/91, determinou que o tomador de serviços deveria exigir do prestador, quando da quitação da Nota Fiscal, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada. A Ordem de Serviço INSS/DAF n° l76, de 05 de dezembro de 1997, vigente à época dos fatos geradores disciplinava como deveria ser feito o preenchimento da GRPS Guia de Recolhimento da Previdência Social: 10 A empresa prestadora de serviço mediante cessão de mão deobra deverá preencher GRPS distintas para cada empresa tomadora, ou, alternativamente, para cada estabelecimento desta, conforme 0 “Manual da GRPS ", com as seguintes adaptações; Campo 8.' a) número de segurados colocados à disposição da tomadora; b) saláriodecontribuição dos segurados empregados, segundo a folha de pagamento; c) número, data de emissão e valor da nota fiscal, fatura ou recibo; d) matrícula (CGC/CEI) e nome ou razão social da empresa tomadora. 10.2 A contribuição relativa ao pessoal da administração da própria empresa prestadora de serviço será recolhida em guia distinta daquela referente a segurado objeto de cessão de mão deobra. Assim, no presente feito, as guias apresentadas não atenderam aos dispositivos acima citados. Já a ocorrência do fato gerador estava comprovada pelas informações constantes nos contratos e nas notas fiscais apresentadas. A empresa tomadora não apresentou os documentos necessários à elisão da solidariedade. Diante da não apresentação dos documentos, as contribuições foram lançadas adotandose os mesmos critérios que deveriam ter sido adotados pela empresa tomadora caso pretendesse se elidir da responsabilidade solidária. Isto porque, entre as formas de elisão da solidariedade, as normas que disciplinam o custeio da Seguridade Social sempre colocaram como opção à empresa tomadora, a exigência de recolhimento das contribuições de acordo com os percentuais utilizados pelo INSS para aferição indireta. Neste sentido, o art. 42 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 05/03/ 1997, assim determinava: Fl. 222DF CARF MF 12 Art. 42. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste Regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, de que trata o art. 28. § I” Fica ressalvado o direito regressiva do contratante contra o cedente de mãodeobra e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações. § 2° A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo cedente de mãodeobra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma e percentuais estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o cedente de mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do cedente de mãodeobra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Neste aspecto, melhor sorte não resta a contribuinte. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11684.000964/2007-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/08/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/08/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11684.000964/2007-15
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855082
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.471
nome_arquivo_s : Decisao_11684000964200715.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11684000964200715_5855082.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7234322
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007585685504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 488 1 487 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11684.000964/200715 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.471 – 3ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria II. MULTA Recorrente VOTORANTIM METAIS ZINCO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/08/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 09 64 /2 00 7- 15 Fl. 488DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3302002.936, de 10/12/2015, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/08/2006 REQUERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS A POSTERIORI. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses previstas em lei, ex vi do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº. 70.235/1972, incluído pela Lei nº 9.532/1997. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/08/2006 ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA N.º 58 (ACE 58). OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR DE TERCEIRO PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. DESCUMPRIMENTO. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE 58, deve ser informada em campo próprio do Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no acordo a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo e não houver o atendimento aos requisitos exigidos no ACE 58. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/08/2006 JUROS MORATÓRIOS. SELIC. Os juros moratórios, calculados com aplicação da taxa Selic, são devidos pelo não pagamento de tributos nos prazos previstos na legislação específica. MULTA MORATÓRIA. EXIGIBILIDADE. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 9303006.471 CSRFT3 Fl. 489 3 Procede a exigência de multa de mora nos casos de solicitação, feita no despacho de importação, de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabível. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Recorrente apresentou recurso especial, alegando divergência de entendimentos com relação às seguintes matérias: a) atendimento dos requisitos necessários à configuração do direito à preferência tarifária estabelecida pelo ACE 58; b) caracterização de mero erro formal no preenchimento dos certificados de origem; e, finalmente, c) prevalência da verdade material. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 30133.800 e 30130.223 (primeiro tema) e 30333.324 e 0306.033 (segundo tema) e 0306.155 (terceiro tema). O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 459/468. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 470/477). É o Relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Para demonstrálo, passamos a reproduzir excertos dos votos condutores dos acórdão de impugnação e de recurso voluntário (o recorrido!): Acórdão de impugnação: A possibilidade de negociação com país não signatário do referido Acordo é pacífico. O Acordo prevê claramente que a empresa negociadora deverá constar no certificado de origem e a mercadoria deverá ser remetida diretamente do país produtor/exportador ao país comprador e ambos signatários do acordo. O ACE n.º 58, bem como a Resolução 252 e a Portaria MF/MICT/MRE n.º 11/1997, tratam também dos possíveis erros que venham a ser constatados pela autoridade fiscal e que possam ser retificados pela importadora junto à autoridade estrangeira certificadora. Todavia tais erros são aqueles considerados “erros formais” e que não afetem a qualificação de origem da mercadoria. Poderia assim ser resumido: a o não cumprimento de qualquer uma das regras da certificação de origem, estabelecidas no Acordo e nas normas complementares, acarreta a desqualificação do Certificado de Fl. 490DF CARF MF 4 Origem apresentado, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades previstas na legislação nacional; b admitese, contudo, a relevância de alguns erros, que não descaracterizem a origem da mercadoria, desde que não haja suspeita de fraude, falsificação e adulteração do Certificado de Origem, demandando às autoridades aduaneiras a aplicação de normas cabíveis aos erros praticados. São duas as possibilidades: 1.ª) erros considerados formais tais como inversão de números e errônea indicação de domicílio não impedem a aceitação do Certificado de Origem e 2.ª) quando o erro for de codificação (classificação). Quanto à definição de erro formal, a própria norma enumera exemplos (ainda que não exaustivos) mas que denotam a preocupação com a garantia de tratamento diferenciado entre os países signatários do Acordo, superando algumas falhas que poderiam ser sanadas para a manutenção do benefício fiscal. Mas vejase que o “elemento” origem é fundamental na questão. E é justamente na comprovação da origem da mercadoria que reside a dúvida. Isto porque o certificado apresentado não demonstra a operação comercial que se constata através da DI. Como já dito, não se está a questionar a possibilidade de terceira empresa não signatária, e sim a comprovação de que a mercadoria importada é aquela constante dos certificados apresentados. Não há como tratar como mero erro formal a indicação tanto de exportador como de intermediário no certificado estranho aos documentos apresentados na importação (invoices e BL). Tal erro não pode parecer tão superável, haja vista que foram as autoridades peruanas que certificaram que as mercadorias eram as que constavam das faturas apresentadas por produtoras peruanas e negociadas por outra empresa (que não a brasileira). Se estas duas informações estavam incorretas, segundo a impugnante por erro da certificadora peruana, então é de se concluir que a certificação estava incorreta. E também não é de se entender que a fiscalização tivesse a obrigação de intimar a interessada a retificar junto a autoridades peruanas os certificados apresentados. Isto porque, desde a primeira intimação foi solicitado à importadora que apresentasse as faturas que corresponderiam à operação comercial em trato. Ao que parece, a autuada teceu explicações quanto à natureza e operacionalidade do negócio mas se absteve de apresentar a fatura que espelharia a venda da mercadoria dos produtores peruanos (Volcan, Cormin e AYS) à adquirente e negociadora Votorantrade S.A. Ressaltese, também, que não é só esta a divergência. Nos certificados também a negociadora não é a Votorantrade e sim a Glencore Internacional e Trafigura Beheer, sobre as quais não há qualquer referência de participação na operação comercial em apreço. (...) Fl. 491DF CARF MF Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 9303006.471 CSRFT3 Fl. 490 5 Concluindo, os Certificados de Origem apresentados não acobertam a importação feita através da DI n.º 06/10000580, devendo, portanto, serem desqualificados e exigidos os tributos devidos. (g.n.) Acórdão de recurso voluntário: Da análise da peça recursal verificase que a matéria nuclear da presente lide cingese ao exame dos documentos que instruem a DI n.º 06/10000580 (fls. 16/39), notadamente quanto à participação do suposto operador na importação em destaque, à luz das regras do Acordo de Complementação Econômica n.º 58, doravante (ACE 58), visto que são incontroversos o trânsito direto da mercadoria e a Certificação emitida pelas autoridades do Estado Parte produtor. (...) Ante as normas citadas dessumese que há amparo legal para a participação de um operador de uma Parte Signatária ou não do Acordo, diferente ao da origem da mercadoria, logo a questão não se prende à possibilidade de participação de um operador ainda que de uma Parte não Signatária do Acordo em importações da espécie dos autos, mas na verificação da compatibilidade dos documentos instrutórios da importação aos requisitos impostos na legislação quanto à operacionalização de um operador de país não signatário em importação com pleito de preferência tarifária. (...) Da análise do suporte documental em cotejo com a natureza da operação descrita pela Recorrente constatase uma evidente contradição, haja vista que todas as faturas que instruíram a DI foram emitidas pela empresa VOTORANTRADE, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI e identificada na referida DI como empresa exportadora, no entanto nos Certificados de Origem nºs: 41408, 41409, 40903, 40902, 40944, 40943 e 40942, além de não haver qualquer indicação de que as mercadorias objeto da certificação de origem estariam sendo faturadas por esse interveniente, conforme prevê o art. 13 do anexo V do ACE 58, quando há [...Faturamento em país distinto ao da origem], verificamse ainda duas situações retratadas nos Certificados de Origem em análise, como já identificado nos subitens 3.1, 3.2 e 3.3 acima destacado: a) nos Certificados de Origem nºs 41408, 41409, 40903, 40902 no campo observações há a informação de que as mercadorias estariam sendo faturadas por Glencore International Ag., Switzerland, Trafigura Beheer B.V. Amsterdam, no entanto, as faturas que instruíram a DI foram emitidas empresa VOTORANTRADE, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI; Fl. 492DF CARF MF 6 b) nos Certificados de Origem nºs 40944, 40943 e 40942, no campo observações o seguinte: NOTIFICADO: VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A., RODOVIA BR 267 KM 119 IGREJINHA JUIZ DE FORA/MG /BRASIL, CNPJ 42.416.651/000883. Nesse caso, embora não haja informação no campo observações quanto ao faturamento por um operador de um terceiro país, as mercadorias também foram objeto de invoices emitidas pela empresa VOTORANTRADE, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI; Conforme destacado pela Recorrente em sua peça recursal, há duas operações de venda e dois faturamentos, no entanto se há duas operações de venda, uma do exportador, no Peru para a Votorandrade, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI e outra, desta para a recorrente e conforme aduz em sua defesa, as empresas fornecedoras no Peru não emitem faturas diretas para a Recorrente, a situação fática dos autos além de não está retratada na documentação que instrui a importação em apreço tampouco encontra amparo nas disposições do ACE 58, cujos dispositivos que regem a espécie dos autos, notadamente o art. 13 do Anexo V do ACE deixam claro a forma de operacionalização de faturamento de uma mercadoria originária dos Estados Partes da ALADI por um operador de um terceiro país, signatário ou não do acordo, ou seja há requisitos a serem cumpridos entre os quais [“identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fatura a operação a destino”]. (g.n.) Como se percebe dos parágrafos acima reproduzidos de ambos os acórdãos, a questão central neles debatida é que a operação comercial refletida nos documentos que instruíram a DI não autoriza que a importação correspondente seja reconhecida como amparada pelo benefício fiscal de que trata o Acordo de Complementação Econômica ACE 58, firmado entre os países membros da Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. Noutras palavras, os certificados de origem apresentados não correspondem à operação comercial tal como consta da DI. A questão aqui, portanto, é de substância, não meramente formal, como a que foi tratada no primeiro paradigma, o Acórdão nº 30133.800. Vejam a descrição dos fatos, e o enfrentamento de alguns deles, em conformidade com o seu voto condutor: Certificado de origem com emissão anterior a fatura comercial, certificado de origem em desacordo com formulário único adotado pelo Comitê de Representantes; Triangulação comercial sem amparo da legislação, pois envolvido país não signatário; Não apresentação de declaração juramentada, enseja a perda do beneficio; O certificado de origem e da fatura comercial apresentados em desconformidade na forma prescrita a espécie, o importador não tem direito a tributação com alíquota reduzida; O benefício a que dispõe o Acordo de Complementação Econômica n 27 (A CE29) fica condicionado às exigências de Fl. 493DF CARF MF Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 9303006.471 CSRFT3 Fl. 491 7 certificação de mercadoria, prevista no Regime Geral de Orientação da ALADI Mercadoria direto para o Brasil No tocante ao descumprimento no prazo previsto na IN 97/94, para apresentação do Certificado de Origem nas importações, é de bom tom sustentar que não por isso acarreta perda do benefício de redução tarifária decorrente de acordo internacional, em homenagem ao direito material, deixando de lado formalidades exageradas, que não refletem, sequer, índole subjetiva negativa do contribuinte com fraude a fiscalização tributária. Tema adiante retomado. No tocante a perda de redução tarifária por motivos de erros formais de preenchimento do certificado de origem e outros, também, devese considerar, que a omissão, na fatura comercial, não é suficiente para afirmar se foi emitida antes ou depois do Certificado. Isto é, a indicação expressa no certificado do número da fatura, pressupõe que quando da emissão deste, já existia a fatura. Citase Acórdão 30234118, proferido pela 2 Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos da Ementa: (...) Demonstrase, pois, a correspondência entre o certificado de origem e a fatura comercial, tomandose possível diferenciar ordenadamente as tarefas de produtor, importador e exportador, como exige esse regime de beneficiamento. Outrossim, aceita a triangulação comercial, que foi acolhida pelo ordenamento jurídico vigente, e juntado tais documentos, resta clara a transparência formal da operação. Neste sentido, temse a Resolução ALADI n 232, de 08/12/1998: (...) Por fim, quanto à alegada inexistência de apresentação de declaração juramentada, de plano, ao se analisar a Resolução n 232, notase que tal exigência passou a ser necessária após a ocorrência da importação, posto que tal norma é de posterior vigência, como observado pelo próprio fisco, fls. 67 — item 52. Por seu turno, a questão debatida no segundo paradigma, o Acórdão de nº 30130.223, é bem diversa da discutida nos autos. Naquele, o que ocorreu foi que a fiscalização entendeu indevida a utilização da redução tarifária, porque o importador realizou uma operação comercial triangular, aproveitandose da redução prevista no ACE39 e Decreto 3.138/99, mas essa triangulação comercial, segundo a fiscalização, não seria permitida pela Resolução ALADI 232. Confirase: Fl. 494DF CARF MF 8 O que se verifica no certificado de origem de fls. 19, contudo, é o não atendimento ao disposto no artigo Segundo incorporado ao Acordo 91 pela Resolução 232, de 08/20/97, do Comitê de Representantes da ALADI, que trata do Decreto n.° 2.865/98. Não consta do Certificado, no campo "observações" a referência ao faturamento do negócio por terceiro. "Segundo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". Entretanto, foi expressamente prevista, por norma constante de Resolução, a possibilidade do faturamento da mercadoria originária de pais da ALADI por terceiro, associado ou não, conforme disposto no artigo segundo, da Resolução 232. A Divisão de Tributação da SRRF/8a RF, na Decisão n.° 203, de 01/07/99, afirmou: (...) Assim, inferese que foi acrescida, pela Resolução n° 232, uma exigência formal na elaboração do Certificado de Origem, na hipótese de as mercadorias serem negociadas através de operador de um terceiro país, porém tal fato não desqualifica a origem dessas mercadorias, ainda que esse país não fosse membro da ALADI." No caso, apesar de, no Certificado de Origem de fl. 19 não ter constado, expressamente, no campo "observação" a ressalva prevista na norma ALADI, não se impugnou ou se pôs em dúvida, em momento algum, a origem das mercadorias e a sua importação pela recorrente, a determinar a manutenção dos beneficios fiscais, já que o produto importado é de origem de pais membro da ALADI. Concluindo, temos que, enquanto no acórdão recorrido entendeuse que os certificados de origem apresentados não correspondiam à operação comercial tal como constava da DI, o primeiro paradigma, apreciando "equívocos" bem diversos, adotou o entendimento de que estes se afiguravam meramente formais (exceto com relação à triangulação, admitida por razão diversa, e ao adotado no segundo paradigma), de forma que não obstavam o reconhecimento do benefício. E no segundo paradigma, de outra banda, enfrentouse tema muito específico (o fato de mercadorias serem negociadas através de operador de um terceiro país), o qual, como se viu, foi considerado ultrapassado por norma superveniente. Não há, em face dos fatos evidenciados, como admitir o apelo. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 9303006.471 CSRFT3 Fl. 492 9 As demais questões suscitadas no recurso especial – caracterização de erros formais no preenchimento dos certificados de origem e busca da verdade material – tampouco devem ser admitidas. No concernente ao segundo tema proposto no recurso, o primeiro paradigma, o Acórdão de nº 30333.324, no qual discutida apenas a questão da triangulação comercial, decidiuse que, quanto a "meros erros formais no Certificado de Origem, não se pode decidir pela desclassificação da operação original, visto que o intuito desse Conselho de Contribuintes é buscar a verdade material e a justiça fiscal" (Acórdão nº 30333.324). O erro cometido, contudo, em nada se assemelha aos tratados no acórdão recorrido, assim como não se assemelha o que deu origem à exigência cuja procedência foi discutida no segundo paradigma, o Acórdão de nº 0306.033, em que se decidiu que o Certificado de Origem emitido a destempo não acarreta a perda do benefício fiscal, quando comprovada a origem da mercadoria de país signatário do acordo. Finalmente, com relação ao terceiro tema, o Acórdão paradigma de nº 03 06.155 consubstanciou o entendimento de que a emissão de Certificado de Origem em desacordo com as normas do acordo de redução tarifária não acarreta, por si só, a descaracterização do benefício fiscal, pelo que deve a Administração Aduaneira buscar a verdade dos fatos. Não é disso que se tratou no acórdão recorrido. Como vimos, nele restou decidido que os certificados de origem apresentados não correspondiam à operação comercial constante da DI. Os fatos, portanto, são tão desassemelhados, que descabe aqui qualquer consideração adicional, depois de tudo sobre o que antes discorremos. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908861/2012-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 3001-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.908861/2012-17
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830887
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.133
nome_arquivo_s : Decisao_10983908861201217.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATO VIEIRA DE AVILA
nome_arquivo_pdf_s : 10983908861201217_5830887.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
dt_sessao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7125497
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007589879808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 76 1 75 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908861/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.133 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2018 Matéria COFINS Recorrente NASCIMENTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 88 61 /2 01 2- 17 Fl. 76DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 041991035 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 37254.94928.220312.1.3.044603, enviada em 22/03/2012, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 546,81. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, tendo sido homologado parcialmente a compensação. Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 3.095,69 de principal, R$ 119,45 de multa e R$ 40,07 correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente apresentou argumentos no sentido de reconstruir a sinopse histórica dos fatos. Pagamento a maior Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.908861/201217 Acórdão n.º 3001000.133 S3C0T1 Fl. 77 3 Em maio de 2011, teria efetuado pagamento de COFINS, no valor de R$ 43.786,31, enquanto, na verdade, deveria ter recolhido valor menor. DACON Retificadora Isto posto, ou seja, de sua percepção pelo pagamento a maior, apresentou, em dezembro de 2011 DACON retificadora, na qual apurou COFINS, no valor de R$ 32.042,20. Dcomp Posteriormente, no mês de dezembro, manuseou Per/Dcomp n.º 25516.10176.250112.1.3.047552, 24216.77121.150312.1.7.048009 e 37254.94928.220312.1.3.044603, na intenção de compensar referido pagamento a maior. Documentos anexados Anexou, nesta manifestação de inconformidade Despacho Decisório e DACON. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1450.773 11ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração abril de 2011, no valor de R$ R$ 546,81, transmitido através do PER/Dcomp nº 37254.94928.220312.1.3.044603. Fl. 78DF CARF MF 4 A DRF Florianópolis não homologou a compensação por meio do despacho decisório de fl. 7, proferido em 03/01/2013, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 24/01/2013 (fl. 8), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, para argumentar que o crédito seria decorrente de recolhimento a maior da contribuição. Alegou que teria declarado em Dacon e DCTF valor maior do que o débito devido, e que, posteriormente, teria efetuado a correção, restando saldo de pagamento disponível. Concluiu para solicitar a homologação do PER/Dcomp nº 37254.94928.220312.1.3.044603. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja: O argumento da interessada limitouse a suposto erro no preenchimento de DCTF, o qual, uma vez sanado, demonstraria o indébito alegado na Declaração de Compensação. Ocorre que a mera retificação da DCTF não pode ser aceita como prova, já que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. No presente, o interessado limitouse a alegar que a retificação da DCTF faria surgir saldo de pagamento disponível, sem apresentar qualquer documentação que lastreasse tal argumento. Recurso Voluntário Em sua peça de defesa, a recorrente apresenta o cabimento e tempestividade, refazendo, a seguir, o quadro histórico já apresentado na manifestação de inconformidade. Dando continuidade, põe em elenco suas razões para a reforma da decisão de primeiro piso. Dacon Retificadora A recorrente julga suficiente a apresentação de DACON retificadora para comprovar a correta apuração da base de cálculo da Cofins, e a cabal demonstração do pagamento a maior efetuado. Dcomp Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.908861/201217 Acórdão n.º 3001000.133 S3C0T1 Fl. 78 5 A recorrente refaz os fatos pelo quais apresentou Dcomp requerendo a homologação da compensação declarada. Documentos Anexados A recorrente, em sede recursal, juntou cópia dos DARF pagas a maior, DCTF original e retificadora, Dacon retificada e original, Dcomp e cópia do Razão. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tempestividade A Recorrente, segundo consta no Termo de Ciência de Abertura de Mensagem, mediante o respectivo DTE, tomou ciência do acórdão que julgou sua Manifestação de Inconformidade em 30 de setembro de 2014. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 27 de outubro de 2014. Tempestivo, portanto, o Recurso Voluntário. Em decorrência, dele tomo conhecimento. Mérito Tratase de processo administrativo cuja origem deuse em Dcomp com decisão desfavorável em sede de despacho decisório. Ao ver negado seu direito ao crédito reclamado, a recorrente expôs suas razões no sentido de firmar entendimento pelo qual deteria legitimidade para reivindicar a quantia em razão de pagamento a maior. A comprovação deste pagamento a maior, deuse pela tentativa de apontar a devida sincronicidade entre as declarações acessórias as quais encontrase submetida, em especial a DACON e Dcomp. E, conforme visto, em sede de manifestação de inconformidade, buscou sustentar a legitimidade de seu crédito a que foi rechaçado por 2 motivos: desrespeito às formalidades da IN 900/08, para fins de cancelamento da primeira Dcomp; e, a utilização do crédito apontado na Dcomp e pagamento DARF. Nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, remonta faticamente o ocorrido, com o protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. Após a breve consolidação dos fatos, temse que o cerne deste processo é a capacidade probatória dos documentos, anexados a estes eautos, para comprovar a existência do pagamento a maior e possibilitar o deferimento do pedido feito em Recurso Voluntário, voltado ao reconhecimento da compensação declarada na Dcomp. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: Fl. 80DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10983.908861/201217 Acórdão n.º 3001000.133 S3C0T1 Fl. 79 7 informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Fl. 82DF CARF MF 8 E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, além de intempestivos os documentos trazidos no Recurso Voluntário, seriam, caso apreciados, insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10983.908861/201217 Acórdão n.º 3001000.133 S3C0T1 Fl. 80 9 ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Fl. 84DF CARF MF 10 Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10983.908861/201217 Acórdão n.º 3001000.133 S3C0T1 Fl. 81 11 produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendo se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima Todavia, consoante se verá adiante, descuidouse a recorrente de observar o adequado momento processual para instrução probatória. Momento para apresentação da prova A Recorrente juntou ao seu Recurso Voluntário, a destempo portanto, documentos acima listados, não devendo ser apreciados devido à preclusão, conforme os entendimentos adiante listados. Parto do entendimento que o art. 16, § 4o do Decreto no Fl. 86DF CARF MF 12 70.235/1972 é claro e suficiente em seu regramento quanto ao momento de apresentação das provas. Não deixando margem para juntadas posteriores à manifestação de inconformidade. Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado. 3802002.108–2ªTurma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade o despacho decisório exarado por autoridade competente e devidamente fundamentado. O momento oportuno para apresentação de esclarecimentos pelo contribuinte é o da manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, restando afastada a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10983.908861/201217 Acórdão n.º 3001000.133 S3C0T1 Fl. 82 13 Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001155/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11516.001155/2009-16
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852538
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.355
nome_arquivo_s : Decisao_11516001155200916.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
nome_arquivo_pdf_s : 11516001155200916_5852538.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. José Renato Pereira de Deus - Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7205037
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007609802752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001155/200916 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302005.355 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de março de 2018 Matéria PIS Embargante CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. Interessado CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Carbonífera Metropolitana S.A., ora embargante, face ao Acórdão 3803003.377, de 21/08/2012, por suposta omissão, contradição e obscuridade da decisão. O acórdão embargado possui a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 55 /2 00 9- 16 Fl. 411DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Segundo o entendimento da embargante, a decisão acima indicada estaria eivada de vícios que a levariam a omissão, contradição e obscuridade, conforme se depreende das efolhas 351 e seguintes do processo, conforme trecho abaixo colacionado: Consoante o objetivamente exposto na fundamentação e conclusão dispositiva dos votos decisórios proferidos, acolhido e assegurado o direito ao crédito, no regime de apuração não cumulativo das contribuições COFINS e PIS, em relação aos insumos assim entendidos e compreendidos como sendo os itens direta ou indiretamente vinculados e necessários ao processo produtivo como um todo (materiais e serviços em geral com tal precisa vinculação e indispensabilidade), como condição para o funcionamento da empresa e assim afetando e sendo responsável pela concreta geração e possibilidade de auferir as receitas sujeitas a tributação por tais mesmas contribuições sociais (...) Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11516.001155/200916 Acórdão n.º 3302005.355 S3C3T2 Fl. 3 3 Ocorre que (...) demais relevantes itens vinculados e intrínsecos a este processo produtivo e ensejador de decorrente receita da aqui embargante foram igualmente desconsiderados e assim indevidamente vedados, para fins de creditamento, como embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, etc; (...) também incluindo serviços e materiais de terraplenagem em decorrentes recuperações e conservações de natureza ambiental. Destarte impõese que também tais itens sejam especificamente considerados e declarados para fins de regular creditamento no regime de apuração não cumulativa das contribuições COFINS e PIS, sanando tal omissão no respeitável e colegiado decisum ora proferido, visto que, como afirmado pelo próprio e derradeiro acórdão proferido, insumo dedutível é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social! Ademais, especificamente em relação aos gastos com mão de obra contratados e pagos com/a terceiras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da COFINS e do PIS, considerando que as leis de regência expressamente vedam somente o creditamento de valores de mão de obra pagos a pessoa física e não a pessoa jurídica e ainda configurando os mesmos obrigações expressamente definidas em decisões judiciais homologatórias proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho (de observância assim impositiva pelas empresas carboníferas como os TACs ambientais com o Ministério Público Federal), configura, com a máxima vênia, contradição e obscuridade, não acolher respectivo e postulado creditamento também sobre os valores de tais precisos itens igualmente direta ou indiretamente vinculados ao processo produtivo de forma notória e absoluta (iguais obrigações, de natureza trabalhista, impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, que geram significativas e correspondentes despesas, assim impositivas, necessárias e imprescindíveis a esse mesmo funcionamento e operação empresariais). Pede, pois, que especificamente se manifestem e esclareçam adicional e de maneira integrativa, acerca da contradição e obscuridade em tais termos fundamentada e arguida (...) Este imprescindível e obrigatório enfrentamento de tais expressamente alegados itens e argumentos e de seus supedâneos legais correspondentes restou, com a máxima vênia, ainda assim omitido e/ou não completa e claramente realizado, o que se faz impositivo seja ora formalizado pelos Eminentes Julgadores com e no pertinente acolhimento e julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 413DF CARF MF 4 O exercício de admissibilidade do recurso se deu por meio do despacho de e folhas 405/409 ocorrendo de forma parcial, com o consequente encaminhamento desse para deliberação e julgamento dessa Turma, nos seguintes termos: Não obstante, entendo que houve omissão quanto à apreciação dos outros insumos. Explico. O acórdão de manifestação de inconformidade mantém as glosas efetuadas pela autoridade autuante segundo dois fundamentos: i) o conceito do termo “insumos” mais restrito que o considerado pelo contribuinte, e ii) a falta de provas quanto ao pertencimento de alguns insumos ao processo produtivo. No recurso voluntário o embargante suscita a questão do ônus da prova, argumentando que não lhe cabe a instrução probatória sobre a efetiva compra dos insumos e sobre sua vinculação com a produção (efolha 228 e seguintes). Reproduzo apenas o primeiro parágrafo dessa argumentação (efolha 228): Também já de início, com incisiva veemência, cumpre ora contestar observação/fundamento consignado neste acórdão de primeira instância, consistente na suposta assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados pela empresa contribuinte, antes de todo o, demais, arguido. Todavia, o acórdão embargado não trata dessa questão. Com efeito, não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais não se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção. Por exemplo, os materiais elétricos, um dos insumos suscitados nos presentes embargos, podem pertencer ou não ao conceito de insumos que geram crédito, a depender de estarem efetivamente vinculados à produção. Portanto, entendo que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11516.001155/200916 Acórdão n.º 3302005.355 S3C3T2 Fl. 4 5 Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou omissão, contradição e contrariedade do acórdão embargado e, segundo o nobre Conselheiro que recebeu o recurso para a análise dos requisitos de admissibilidade, teria havido omissão quanto a questão do ônus da prova e efetiva compra de insumos e sua vinculação ao processo produtivo. Para o Conselheiro "não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção." E dessa forma entendeu "que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão." Não obstante, compulsando os autos não entendo tenha havido falta de provas, ou até mesmo que a fiscalização tenha deixado de analisar os documentos trazidos pela contribuinte embargante, explico. Do Despacho Decisório/Informação Fiscal encartado às fls. 156/166 do e processo, podemos verificar de forma clara que a fiscalização observou e analisou todos os documentos colacionados pela contribuinte, inclusive realizando inspeção in loco em uma das unidades da embargante, que teve por finalidade entender de forma exata a atividade da empresa para se ter por base qual tipo de material/prestação de serviços poderia ser considerado como insumo. Destaco trecho da informação fiscal, com inicio à fl. 164 do eprocesso: 4 Do Direito Creditório Em fiscalização realizada no estabelecimento do contribuinte verificouse que há um elevado número de insumos e serviços aplicados no processo de extração, beneficiamento e venda do carvão mineral. Impende informar que o processo produtivo de uma mineradora é totalmente diferente das demais empresas, pois nela as instalações para a extração do carvão são transferidas para dentro da mina, como máquinas, transformadores, cabos elétricos, luminárias, etc. Há também o apoio externo para o desenvolvimento das atividades lá dentro, como ventilador para inserir ar puro e exaustor para extrair ar contaminado. Para o desenvolvimento do trabalho de identificação dos insumos e serviços prestados na extração do carvão, que dão origem ao crédito do PIS e da COFINS, visitouse uma mina do contribuinte em plena atividade de extração. Com isso, podese visualizar de forma precisa todo o processo produtivo da empresa. A verificação fiscal dos documentos que deram origem ao crédito ora analisado, efetuada pelo método de amostragem, Fl. 415DF CARF MF 6 abrangeu o período de julho de 2004 a dezembro de 2007. Foram apreciadas as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, além das informações contidas nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nos Pedidos de Ressarcimento PERDCOMP, fls. 01 a 04, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 05 a 31, e nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), fls. 53 a 114. Além desses, a empresa forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas fiscais utilizadas como "Compras de Insumos" Ao analisar os arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do PIS, vários produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 66 da Instrução Normativa — SRF no 247, de 21 de novembro de 2002. Tais produtos estão arrolados na planilha juntada às fls. 126 a 141, e foram excluídos quando do cálculo da referida contribuição. Destaquese que os insumos não considerados na apuração do PIS referemse a produtos e serviços que não estão ligados diretamente à produção (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, serviço hospitalar, etc). Há também a exclusão de alguns produtos baseado nos atos expedidos pela RFB, como é o caso das aquisições de bens usados — ex, aquisição de motores retificados. Segundo o I, § 30, art. 1° da IN SRF no 457/2004 é vedada a utilização de crédito decorrente da aquisição de bens usados. Outra exclusão diz respeito às instalações, máquinas ou motores novos que a empresa incluiu indevidamente no crédito de insumos, pois tais produtos estão sujeitos ao crédito de suas amortizações ou depreciações, conforme estabelece a legislação, e não do seu valor total quando da construção ou aquisição. Impende esclarecer, ainda, que os créditos decorrentes dos encargos de amortizações e depreciações que a empresa deixou de considerar na apuração das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos podem ser efetuadas dentro do prazo de 5(cinco) anos da construção ou amortização, conforme o caso. Nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte, fls. 123 a 125, verificouse que foram incluídos, no rol de créditos a serem descontados na apuração do PIS e da COFINS, serviços e produtos que não estavam relacionados nas "Compras de Insumos". Como esses "insumos" não estavam devidamente discriminados, intimouse a empresa a apresentar arquivo magnético contendo todas as informações necessárias à análise desses dados. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte encaminhou arquivo contendo relação com nome completo do fornecedor e seu CNPJ, o no do documento, as datas de emissão e entrada, a discriminação de cada produto/serviço e seu valor. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11516.001155/200916 Acórdão n.º 3302005.355 S3C3T2 Fl. 5 7 Apurouse que alguns desses dispêndios não podem ser considerados como crédito na apuração do PIS e da COFINS, como é o caso das comissões de vendas, da assessoria fiscal e contábil, dos diversos cursos, das despesas com alimentação dos trabalhadores, do transporte dos empregados, das despesas com vigilância e limpeza, dentre outros. Diante disso, emitiuse novas memórias de cálculo, considerando apenas os insumos que dão direito ao crédito das contribuições em análise. Nelas inseriuse, também, os faturamentos da empresa, fls. 145 a 147. Destaquese, ainda, que os pagamentos efetuados a empresa GR TERRAPLENAGEM LTDA, inseridos nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte,contêm valores que não fazem parte do conceito de insumo, conforme planilha de custo dos serviços, fls. 142 a 144, motivo pelo qual excluiuse tais valores nas novas memórias de cálculo, supra mencionadas. Por sua vez, o contribuinte incluiu em alguns meses no cômputo dos valores tributários, de forma indevida, as receitas financeiras. Tais valores foram extraídos dos cálculos das contribuições, conforme se verifica nessas novas memórias de cálculo. As fls. 148, contém demonstrativo em que são apresentados o crédito de cada mês, o montante do trimestre, o valor solicitado de ressarcimento e o valor concedido. É importante ressaltar nesse momento que vários dos itens elencados no despacho parcialmente transcrito, já foram objeto de decisão, indicados inclusive quando da analise de admissão dos presentes Embargos de Declaração, havendo nesse momento deliberação somente sobre outros insumos que, a despeito de terem sido indicados pelo contribuinte, não foram objeto de análise do acórdão embargado. Assim, temos que o despacho decisório deve ser analisado conjuntamente com as planilhas de fls. 133 a 148 do eprocesso, onde podemos verificar de forma precisa quais itens indicados como insumo pela contribuinte embargante, foram objeto de glosa pela fiscalização. Analisando item a item de referidas planilhas, excluindo aqueles já tratados na decisão que não são objeto dos presentes embargos, podemos verificar que os eventuais créditos sobre insumo relacionados a embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, não constam como itens glosados pela fiscalização, assim não haveria que se falar em impossibilidade de fruição dos créditos relacionados à aquisição desses itens, e, como consequência, não esta configurada a omissão alegada pela embargante. Dessa forma, entendo que não se trata de omissão, pois como podemos verificar dos autos do processo, em que pese não terem sido elevados à condição de "insumos", os produtos e materiais relacionados no parágrafo anterior, não foram, pelo menos é o que se depreende das planilhas trazidas pela fiscalização, objeto de glosa do crédito. Fl. 417DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900547/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10950.900547/2011-92
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838827
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.070
nome_arquivo_s : Decisao_10950900547201192.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10950900547201192_5838827.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7153181
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007612948480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.900547/201192 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.070 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP. PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 05 47 /2 01 1- 92 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.900547/201192 Acórdão n.º 3302005.070 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.042. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.900547/201192 Acórdão n.º 3302005.070 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.900547/201192 Acórdão n.º 3302005.070 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.900547/201192 Acórdão n.º 3302005.070 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.002042/2002-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
Numero da decisão: 9303-006.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10820.002042/2002-55
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855053
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.346
nome_arquivo_s : Decisao_10820002042200255.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 10820002042200255_5855053.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7234293
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007616094208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1233; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 458 1 457 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10820.002042/200255 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.346 – 3ª Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria CREDITO PRESUMIDO IPI Recorrente DESTILARIA VALE DO TIETE S/A DESTIVALE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de nãocontribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 20 42 /2 00 2- 55 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 459 2 Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 220100.177 de 07 de maio de 2009 (fls.214 a 222 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte, de compensação de débitos fiscais vencidos de sua responsabilidade, no total de RS 166.063,91, indicando créditos financeiros decorrentes de ressarcimento de créditos presumidos de IPI referentes ao PIS e COFINS, no montante de mesmo valor, calculado sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos exportados e/ ou vendidos a empresas comerciais exportadoras, correspondentes ao 3° trimestre de 2002. Por meio do despacho decisório, a DRF em Piracicaba/SP deferiu em parte o ressarcimento pleiteado e homologou a compensação de débitos fiscais até o total deferido. Inconformado com o deferimento parcial, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma daquele despacho decisório a fim de que lhe fosse reconhecido, na integra, o direito ao ressarcimento/ compensação do montante pleiteado. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 460 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS 0 ressarcimento de contribuições para o PIS e Cofins, a título de crédito presumido de IPI, está condicionado à efetiva incidência dessas contribuições no custo das matériasprimas e insumos adquiridos e utilizados pelo produtor exportador. Assim, não se incluem na base de cálculo do incentivo as matérias primas e os insumos adquiridos de pessoas físicas e de não contribuintes dessas contribuições. COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA Súmula n°12. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃOUTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO Os insumos não utilizados na industrialização dos produtos exportados não geram créditos presumidos de IPI decorrentes do PIS e da Cofins pagos sobre os insumos neles empregados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a entrega de Dcomp, depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros utilizados por ele. Recurso negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 229 a 254) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte, diz respeito às inclusões na base de cálculo do crédito Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 461 4 presumido, de que trata a Lei n.º 9.363/96: (1) das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; (2) das aquisições de combustíveis e energia; e (3) das aquisições de materiais e peças industriais. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada no primeiro dissenso, os dois primeiros paradigmas, por matéria, indicados no recurso, nos termos do §7º, do art. 67, Anexo II, do RICARF, foram os Acórdãos CSRF/0201.629 e CSRF/0201.626 (1), descartandose os demais. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de fls. 346 a 348, sob o argumento que pelo simples confronto do acordão recorrido frente aos acórdãos paradigmas, restou comprovada a divergência jurisprudencial quanto a inclusão na base de cálculo do crédito presumido, de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas. Quanto às demais questões sobre inclusões na base de cálculo do crédito presumido, de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições de combustíveis e energia e das aquisições de materiais e peças industriais, inicialmente suscitadas, constatada desistência expressa às fls. 285, foi proposto não conhecimento do recurso quanto a essas matérias. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ás fls. 350 a 352, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial e que seja mantido o v. acórdão. Ressalto que a Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool sucedeu por incorporação a empresa Destilaria Vale do Tietê S/A. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 462 5 Inicialmente cumpre esclarecer que o Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de fls. 346 a 348, sob o argumento que pelo simples confronto do acórdão recorrido frente aos acórdãos paradigmas, restou comprovada a divergência jurisprudencial quanto a inclusão na base de cálculo do crédito presumido, de que trata a Lei n.º 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas. Quanto às demais questões sobre inclusões na base de cálculo do crédito presumido, de que trata a Lei n.º 9.363/96, das aquisições de combustíveis e energia e das aquisições de materiais e peças industriais, inicialmente suscitadas, constatada desistência expressa às fls. 285, foi proposto não conhecimento do recurso quanto a essas matérias. Assim, entendo que o Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade conforme despacho de fls. 346 a 348. O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo diz respeito ao direito à apuração do crédito presumido PIS/COFINS sobre as aquisições de pessoas físicas. Tratase de matéria que não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior, pois o tema, foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), nos autos do REsp n° 993.164MG, de relatoria do Ministro Luiz Fux, decidindo a questão, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 463 6 VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 464 7 Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 465 8 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 466 9 (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos termos do art. 62, §1º, II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, é obrigatória a reprodução das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça pela sistemática dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 467 10 na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, cumpre ressaltar que quanto ao cômputo das aquisições não contribuintes (pessoas físicas ou cooperativas) na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei n.º 9.363/96, existe Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN dispensando apresentação de contestação para esses casos nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. E no âmbito do STJ, existe inclusive Súmula a respeito deste tema, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10820.002042/200255 Acórdão n.º 9303006.346 CSRFT3 Fl. 468 11 Por essas razões, deve ser acolhido o pleito do Contribuinte para reconhecer o direito à inclusão das aquisições de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário de nãocontribuintes (pessoas físicas) do PIS e da COFINS na base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96. E como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.901136/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10950.901136/2011-14
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838830
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.073
nome_arquivo_s : Decisao_10950901136201114.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10950901136201114_5838830.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7153184
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007619239936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.901136/201114 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.073 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP. PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 11 36 /2 01 1- 14 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10950.901136/201114 Acórdão n.º 3302005.073 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.045. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10950.901136/201114 Acórdão n.º 3302005.073 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10950.901136/201114 Acórdão n.º 3302005.073 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10950.901136/201114 Acórdão n.º 3302005.073 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.900801/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Relatório
Reproduzo o relatório da Resolução 1402-000.235:
Trata-se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0942.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada.
Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida:
A requerente transmitiu a Declaração de Compensação - Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.02-9240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.02-9120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22.
A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.02-6930, 26190.00143.300306.1.3.02-7825, 37079.37262.280406.1.3.02-2707, 24830.98820.300606.1.3.02-7257, 06442.11163.271206.1.3.02-6907, 41967.08034.29010.1.7.02-0807, 23041.51497.290607.1.3.02-7183, 12462.42250.070807.1.7.02-0307, 38722.19923.100907.1.3.02-0950, 22521.22508.140907.1.3.02-3850, 31401.06261.280907.1.3.02-5333 e 40390.10582.240108.1.7.02-7715.
A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu:
Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido:
1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257;
2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001-58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano-calendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem.
A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual:
A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate.
Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional.
É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte).
Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade.
A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367-373 em 04 de março de 2013.
Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no ano-calendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista tratarem-se de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376-396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão.
Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido:
O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece.
A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate.
A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação.
Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada.
Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores.
Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano-calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência.
Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifeste-se sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornem-se os autos para julgamento.
Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848-852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento:
O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555-567):
- planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em2005 nas contas contábeis: 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações,3503002 Receita Financeira Mútuo e 3503005 Receitas Financeiras deOutras Aplicações;
- controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizadosnas contas 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 ReceitasFinanceiras de Outras Aplicações; e
- arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005.Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577-581).
[...]
Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificou-se que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 Receita Financeira Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo.
Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade.Verificou-se, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003.
Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano.
Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeisdesacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, conclui-se que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005.
Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada:
[...]
9. Pois bem, a partir da leitura do Termo de Encerramento de Diligência,depreende-se que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu RecursoVoluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pelainsubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos.
10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direitocreditório - e confirmado pela r. decisão recorrida - consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação.
11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentosproduzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado ano-calendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento dareceita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto oIRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja,quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação.
12. Pois bem. No Termo de Encerramento de Diligência, a i. Autoridadeconsignou que, em que pese a falta de parte dos documentos bancários, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que:
(i) ... o contribuinte registrou, em observância ao regime decompetência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valortotal, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras deAplicações e 3503005 - Receitas Financeiras de Outras Aplicações,e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitasrealizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao dolançamento. Na conta 3503003 - Receita Financeira - Mútuo, foipossível verificar os lançamentos das receitas de juros nasoperações de mútuo.;(ii) Quando do efetivo regime das aplicações, registrou nacontabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de formaindividualizada para cada operação, de forma que todos osrendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados nacontabilidade..
13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da oraSuplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que da análiserealizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informaçõesconstantes da Dirf/2004, conclui-se que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática deregistro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005.
14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupouem examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido.
15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização damesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeiraem exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que devenortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadoratodos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal.
É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10650.900801/2010-56
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841738
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.474
nome_arquivo_s : Decisao_10650900801201056.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10650900801201056_5841738.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7172838
ano_sessao_s : 2018
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Reproduzo o relatório da Resolução 1402-000.235: Trata-se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0942.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: A requerente transmitiu a Declaração de Compensação - Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.02-9240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.02-9120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22. A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.02-6930, 26190.00143.300306.1.3.02-7825, 37079.37262.280406.1.3.02-2707, 24830.98820.300606.1.3.02-7257, 06442.11163.271206.1.3.02-6907, 41967.08034.29010.1.7.02-0807, 23041.51497.290607.1.3.02-7183, 12462.42250.070807.1.7.02-0307, 38722.19923.100907.1.3.02-0950, 22521.22508.140907.1.3.02-3850, 31401.06261.280907.1.3.02-5333 e 40390.10582.240108.1.7.02-7715. A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu: Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido: 1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257; 2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001-58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano-calendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem. A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual: A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate. Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional. É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte). Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367-373 em 04 de março de 2013. Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no ano-calendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista tratarem-se de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376-396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão. Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido: O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece. A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação. Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada. Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores. Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano-calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifeste-se sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornem-se os autos para julgamento. Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848-852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento: O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555-567): - planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em2005 nas contas contábeis: 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações,3503002 Receita Financeira Mútuo e 3503005 Receitas Financeiras deOutras Aplicações; - controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizadosnas contas 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 ReceitasFinanceiras de Outras Aplicações; e - arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005.Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577-581). [...] Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificou-se que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 Receita Financeira Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo. Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade.Verificou-se, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeisdesacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, conclui-se que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada: [...] 9. Pois bem, a partir da leitura do Termo de Encerramento de Diligência,depreende-se que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu RecursoVoluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pelainsubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos. 10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direitocreditório - e confirmado pela r. decisão recorrida - consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação. 11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentosproduzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado ano-calendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento dareceita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto oIRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja,quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação. 12. Pois bem. No Termo de Encerramento de Diligência, a i. Autoridadeconsignou que, em que pese a falta de parte dos documentos bancários, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que: (i) ... o contribuinte registrou, em observância ao regime decompetência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valortotal, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras deAplicações e 3503005 - Receitas Financeiras de Outras Aplicações,e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitasrealizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao dolançamento. Na conta 3503003 - Receita Financeira - Mútuo, foipossível verificar os lançamentos das receitas de juros nasoperações de mútuo.;(ii) Quando do efetivo regime das aplicações, registrou nacontabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de formaindividualizada para cada operação, de forma que todos osrendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados nacontabilidade.. 13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da oraSuplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que da análiserealizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informaçõesconstantes da Dirf/2004, conclui-se que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática deregistro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. 14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupouem examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido. 15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização damesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeiraem exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que devenortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadoratodos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal. É o relatório.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007632871424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.023 1 1.022 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.900801/201056 Recurso nº Resolução nº 1301000.474 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2018 Assunto Diligência Recorrente VALE FERTILIZANTES S/A (sucessora de FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A FOSFÉRTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 50 .9 00 80 1/ 20 10 -5 6 Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.024 2 Relatório Reproduzo o relatório da Resolução 1402000.235: Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0942.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: A requerente transmitiu a Declaração de Compensação Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.029240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.029120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22. A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.026930, 26190.00143.300306.1.3.027825, 37079.37262.280406.1.3.022707, 24830.98820.300606.1.3.027257, 06442.11163.271206.1.3.026907, 41967.08034.29010.1.7.020807, 23041.51497.290607.1.3.027183, 12462.42250.070807.1.7.020307, 38722.19923.100907.1.3.020950, 22521.22508.140907.1.3.023850, 31401.06261.280907.1.3.025333 e 40390.10582.240108.1.7.027715. A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu: Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido: 1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257; 2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001 58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem. A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual: Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.025 3 A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate. Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional. É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte). Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367373 em 04 de março de 2013. Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no anocalendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista trataremse de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão. Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido: O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece. A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.026 4 A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação. Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada. Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores. Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifestese sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento: O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555567): planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em 2005 nas contas contábeis: 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações, 3503002 – Receita Financeira – Mútuo e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações; controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizados nas contas 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações; e arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005. Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577581). [...] Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificouse que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 – Receita Financeira – Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo. Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.027 5 Verificouse, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeis desacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, concluise que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada: [...] 9. Pois bem, a partir da leitura do “Termo de Encerramento de Diligência”, depreendese que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu Recurso Voluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pela insubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos. 10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direito creditório e confirmado pela r. decisão recorrida consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação. 11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentos produzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado anocalendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento da receita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto o IRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja, quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação. 12. Pois bem. No “Termo de Encerramento de Diligência”, a i. Autoridade consignou que, em que pese a “falta de parte dos documentos bancários”, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que: (i) “... o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 Receita Financeira Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo.”; Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.028 6 (ii) “Quando do efetivo regime das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados na contabilidade.”. 13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de 2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da ora Suplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que “da análise realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, concluise que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005”. 14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupou em examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido. 15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização da “mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira” em exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que deve nortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadora todos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal. É o relatório. Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.029 7 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso voluntário foi alvo de conhecimento quando da conversão do julgamento em diligência (Resolução 1402000.235). Conforme descrito no voto condutor da resolução citada, a controvérsia é relativamente simples: alega a recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A resolução determinou à unidade de origem que analisasse se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no anocalendário de 2005 e as constantes em DIRF teriam sido, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Ao final, requereuse que fosse elaborado relatório circunstanciado com as conclusões da autoridade fiscal, cientificandose o contribuinte de seu teor e fosse aberto prazo de 30 dias para que, se houvesse interesse, se manifestasse sobre o seu teor. Contudo, compulsando o resultado da diligência, com a devida vênia, entendo não ser possível prosseguir com o julgamento de mérito. Vejamos. Em determinada passagem, em relação às contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, a autoridade fiscal responsável pela diligência diz que as receitas financeiras foram registradas contabilmente pelo regime de competência, mas, de forma sistemática, o contribuinte teria realizado “estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento”. S.m.j., nessa hipótese, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, não haveria que se falar em oferecimento à tributação das receitas financeiras, pois o valor computado como receita em um mês, teria sido estornado no mês seguinte. A seguir, conclui que “quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade”. Pelo que se extrai do Termo de Encerramento de Diligência, o contribuinte teria registrado as receitas pelo regime de competência, depois as estornado, e, por fim, registrado as receitas novamente quando do resgate das aplicações. Ora, se isso realmente tivesse ocorrido, certamente o litígio não teria chegado a esse ponto, pois foi justamente a divergência entre receitas oferecidas à tributação no ano Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.030 8 calendário de 2005 e o valor das receitas financeiras informado em DIRF (leiase: “o valor das receitas financeiras no período de resgate das aplicações”) que redundou no não reconhecimento ao direito de deduzir parte do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRFonte pleiteado pelo contribuinte. É bom ressaltar que a conclusão da autoridade fiscal, embora aparentemente decida a favor da recorrente, contradiz a própria tese da defesa de que os rendimentos teriam sido oferecidos à tributação com base no regime de competência. Salientese mais uma vez que a conclusão de que todas as receitas foram registradas na contabilidade não esclarece se todas compuseram efetivamente o resultado auferido, até mesmo porque a autoridade fiscal alega que, embora as receitas financeiras tenham registradas com base no regime de competência, posteriormente teriam sido estornadas. Mais adiante, a autoridade fiscal alega que: Verificouse, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. É importante frisar que a própria recorrente já afirmara em seu recurso voluntário que teria reconhecido as receitas financeiras pelo regime de competência, anexando fichas do Livro Razão que entendeu como suficientes para comprovar suas alegações (fls. 376 396). No dia 11/04/2016 (fls. 575576) o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativos com indicação individualizada do lançamento contábil para registrar cada uma das receitas de aplicação de renda fixa no momento do reconhecimento pelo regime de competência, anteriores a 2005, bem como os arquivos digitais (referentes a lançamentos contábeis) de todos os anoscalendário anteriores a 2005 (fl. 570). O contribuinte atendeu à intimação parcialmente, solicitando prorrogação de prazo, prontamente concedida (fls. 555567). Somente quatro meses adiante (05/08/2016 – fl. 582), o contribuinte alcançou os documentos solicitados, sem, contudo, anexar as fichas da escrituração contábil que comprovariam o oferecimento à tributação, no anocalendário de 2003, de parte das receitas financeiras informadas na DIRF de 2005. Conforme já dito, somente após o encerramento da diligência é que a recorrente anexou aos autos os supostos comprovantes referentes à escrituração do anocalendário de 2003. É importante ressaltar que a Resolução que converteu o julgamento em diligência foi proferida na sessão de 11 de fevereiro de 2014, ou seja, dois anos e meio após o contribuinte já saber da conversão em diligência ainda não foi capaz de atender a contento à intimação da unidade de origem para cumprimento do determinado pelo colegiado. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.031 9 Em que pese a flexibilização que possa se dar ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, no que diz respeito ao momento em que se considera precluso o direito do contribuinte a anexar aos autos documentos comprobatórios de seus argumentos, entendo que não se pode mitigar a questão da preclusão a situações como as tratadas nos presentes autos: converteuse o julgamento em diligência para que a unidade de origem pudesse intimar o contribuinte e analisar a documentação comprobatória apresentada justamente pela impossibilidade de realizar isso a contento, inclusive com direito ao contraditório, diretamente no colegiado, e o contribuinte não aproveitou, mais uma vez, sua oportunidade de fazêlo tempestivamente. Por essas razões, entendo que não se deva reconhecer o direito ao IRFonte proporcional às receitas financeiras que o contribuinte deixou de comprovar que foram efetivamente oferecidas à tributação. Ademais, ainda que se superasse a dúvida sobre a efetiva comprovação de reconhecimento e o oferecimento à tributação das receitas financeiras nos anoscalendário de 2004 e de 2005 (informadas na DIRF de 2005), não foi informado pela autoridade fiscal responsável pela diligência qual o valor das receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação (no caso, o montante que o contribuinte alega ter oferecido à tributação no ano calendário de 2003, mas não apresentou a documentação comprobatória pertinente). Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.032 10 CONCLUSÃO Desse modo, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência1, nos seguintes termos: proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que: a) seja esclarecido se as receitas financeiras foram reconhecidas pelo regime de competência e efetivamente oferecidas à tributação do IRPJ; b) em caso afirmativo, do montante informado em DIRF (2005), quanto foi oferecido à tributação no anocalendário de 2004 e quanto no anocalendário de 2005; c) qual o montante de receita financeira que o contribuinte alega ter oferecido à tributação no anocalendário de 2003, mas não apresentou a documentação comprobatória quando da realização da primeira diligência. Ao final da realização da diligência, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado com as respostas aos quesitos formulados, cientificando o contribuinte sobre tais conclusões, e informandoo que, se houver interesse, poderá se manifestar sobre o conteúdo do relatório no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Cumprido esse rito, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto 1 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. Fl. 1032DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001299/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001.
DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00.
Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.
SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-005.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001. DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.001299/2007-22
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853930
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.289
nome_arquivo_s : Decisao_19515001299200722.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001299200722_5853930.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7223452
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007696834560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.102 1 1.101 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001299/200722 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.289 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de março de 2018 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente SILVIO GIOVANOLLI NUNZIATO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001. DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 99 /2 00 7- 22 Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.103 2 SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.104 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.105 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1647.952 (fls. 1031/1067) da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1). Às fls. 820/830, consta o lançamento de ofício (Auto de Infração) de crédito tributário no montante de R$ 2.724.392,63 (dois milhões, setecentos e vinte e quatro mil, trezentos e noventa e dois reais e sessenta e três centavo), referente à omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações. Do termo de Verificação Fiscal (fls. 831/836), extraise a motivação do lançamento de ofício, consoante excertos a seguir transcritos: O contribuinte foi selecionado para fiscalização por apresentar movimentação bancária incompatível com os rendimentos declarados, durante o ano de 2001 a 2004 (fls.03/46). Esclarecemos que o período base de 2001 foi tratado no processo administrativo n° 19515.2096/200672. [...] Em 10/07/06, o contribuinte, através de seu procurador, conforme fls.49, apresentou os seguintes documentos: a) Extratos do Banco Itaú, referente à conta 0845.438001, com movimentação de 2002 a 2004(fls. 50/64;123/134;172/ 183); b) Extratos da conta bancária 86024, do Banco Safra, para o ano de 2002 (fls.65/82.) c) Extratos do Unibanco, referentes à conta 2022304, para 2002 a 2004 (fls.83/119;135/171;184/199 e 202/224); d) Extratos da conta 0024328, do Banespa, o período de 2002(fls. 120/122). [...] As justificativas apresentadas para os valores creditados na conta do Banco Itaú, constante das planilhas de fls. 229/252, como sendo Devolução de Empréstimos Intermares, não estão sendo aceitas, visto que o contrato apresentado somente tem validade entre as partes (fls. 413/414), pois sem o necessário registro ou reconhecimento de firma, à época conforme o Código Civil Brasileiro, em seu artigo 135, visto que o Contrato foi assinado antes da vigência do novo Código. Os itens justificados como transferência de aplicação de mesma titularidade, na realidade não o são, visto que não encontramos Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.106 5 contrapartida nos extratos dos outros bancos. Quanto ao salário recebido da Intermares Marketing Internacional, Importação e Exportação Ltda, no valor de R$ 390.200,00, pago no ano de 2002 e por ela declarado, conforme fls.14, estão somados pelo contribuinte, na sua Declaração do Imposto de Renda, com os valores de aluguéis também pagos pela mesma, no valor de R$ 72.000,00, totalizando R$ 462.920,00 (fls.27). Ambos serão excluídos das planilhas referentes aos créditos em conta. Os valores creditados em 2003, justificados como venda de imóvel Adalivia, foram desconsiderados, visto que os documentos do referido imóvel apresentados comprovam dação em pagamento do mesmo, em 2003, à empresa panamenha Beloha Trade Inc, conforme fls. 618/656. Também foi considerado não comprovado o valor de R$ 60.000,00 de 06/01/03, do Banco ltaú, fls. 123 e 464, justificados como rendimentos de pessoa física declarados, que contraposto folha 34, do volume 01/04, não encontra respaldo, visto que o declarante declarou rendimentos de R$ 7.000,00 mensais para essa natureza. O Acordo Comercial, de fls. 535/536, do volume 03/04, foi desconsiderado, visto somente ter validade entre as partes, não fazendo provas para terceiros, por não ter sido registrado em cartório, na época de sua assinatura, conforme o Código Civil Brasileiro, em seu artigo 135, visto que o Contrato foi assinado antes da vigência do novo Código. Quanto aos valores oferecidos à tributação através da Declaração do Imposto de Renda dos anoscalendário sob análise e recebidos da empresa Intermares Marketing Ltda constatamos uma diferença entre os valores justificados pelo interessado, nas diversas planilhas, e os valores constantes como tributáveis nas respectivas DIRPF. Pelo exposto, elaboramos a planilha de fls.743, do volume 04/04, cujas diferenças entre aqueles valores serão tributadas de oficio, como omissão de rendimentos. Em 2004, os valores justificados como Distribuição de Lucros da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, aberta em fevereiro de 2003, com capital social de R$ 30.000,00 e cujo Contrato Social e alteração encontramse juntados às fls. 657/666, do volume 04/04, são provenientes da empresa lntermares, conforme observado nos históricos dos extratos bancários e, portanto, não considerados como isentos, sendo tributados como omissão de rendimentos, conforme planilha de fls. 744, do volume 04/04, visto que foi demonstrada a origem. Foram elaboradas as planilhas de fls. 745/750, onde constam todos os valores creditados nas diversas contas bancárias de titularidade do fiscalizado, durante o período de 2002 a 2004, cujas origens foram consideradas não comprovadas. Observouse, conforme fls.667/681 e 713/742, operações como: 1) a compra e venda da empresa Sonoma Administração de Bens entre o fiscalizado e seus familiares: a esposa, Meyre Camarano Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.107 6 Nassar e o pai: Paschoal Nunziato, sugerindo simulação para justificar movimentação financeira, visto que os fluxos de entrada e saída dos valores movimentados de uma conta para outra não foi comprovado; 2) a dação em pagamento já referida entre o fiscalizado e a empresa Beloha Trade Inc, "com sede no Panamá", que na guia de recolhimento de fls. 621 (626, do volume 04104, fica demonstrado que funciona no mesmo endereço do fiscalizado; 3) Alterações contratuais da empresa Intermares Marketing Internacional de Importação e Exportação Ltda, onde fica bem caracterizada essa conveniente saída e retorno dos sócios pai e filho, inclusive com participação de 410 empresa internacional, no caso a Goodspeed International Logistic L.L.C, da Pennsylvania, U.S.A, que tem como procurador o próprio fiscalizado e que cuja participação na empresa é de 1% do capital, em 2003 (fls. 730). Todo esse movimento na sociedade sugere, também, a utilização de empresa do exterior para justificar movimentação financeira. Diante do exposto, de maneira geral, desconsideramos todos os itens referentes a empréstimos, pela não comprovação da sua efetivação, através de documentação hábil e idônea. Isto posto, emitimos a planilha de fls.751 que consolida, além dos de fls. 683 e 684, os novos valores de créditos em contas bancárias, depois de expurgadas as devoluções de cheques de terceiros, resgates de aplicações financeiras, estornos diversos, transferências interbancárias do próprio contribuinte, valores já tributados ou isentos de fácil identificação de conhecimento da Receita Federal e obtivemos o total anual para 2002, de R$ 1.071.844,79; para 2003, de R$ 1.401.800,81 e para 2004, de R$ 1.215.285,54, considerados como de origens não comprovadas, e, com base nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e com limites alterados pelo artigo 40. da Lei n° 9.481/97 e parágrafos adicionados pelo art. 58 da Lei 10.637/2002, classificados como omissão de rendimentos e sujeitos, portanto ao lançamento de oficio, nos meses em que foram concretizados. [...] As Declarações do Imposto de Renda referentes aos anos calendário de 2002 a 2004, exercícios de 2003 a 2005, encontramse juntadas às fls.26/46, do volume 01/04. Cientificado do Auto de Infração em 18/06/2007 (fls. 840), apresentou impugnação em 06/07/2007 (fls. 844/877). Do relatório da decisão de piso, retiramse os principais argumentos da peça impugnatória: [...] I) Os fatos; II) A ilegalidade do lançamento ex officio por abranger período em que já se operou a decadência nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; III) A ilegalidade do lançamento por abranger “informações” de valor mensal inferior ao admitido Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.108 7 pela Lei nº 9.430/1996; IV) A ilegalidade do lançamento por consignar importâncias plenamente justificadas que não configuram “acréscimo patrimonial injustificado”, referentes: a) a empréstimos tomados do genitor do requerente, no valor total de R$ 128.553,00 e à venda de participação societária que detinha na empresa Sonoma a seu genitor, no valor total de R$ 270.000,00; b) à venda de imóvel (apartamento – R. Adalívia nº 235 – Ed. Pal. Orleans, no valor total de R$ 385.510,00) e veículos de propriedade do requerente (no valor total de R$ 179.500,00); c) a recebimentos de distribuição de resultados isentos da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, da qual é sócio (R$ 538.515,54) e a recebimentos de empréstimos das empresas Intermares Marketing International de Importação e Exportação Ltda no ano 2002 (R$ 843.493,61) e Intermares Logística Ltda (R$ 475.000,00) no ano calendário 2004, ambas das quais o requerente é sócio; d) transferências entre contas do próprio requerente e resgates de aplicações financeiras (R$ 418.835,00), bem como reembolsos de despesas (R$ 131.387,15), feitos pela firma da qual o requerente é sócio; V) A ilegalidade do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentos bancários já proclamada pela jurisprudência judicial e administrativa; VI) A ilegalidade da exigência cumulada de juros moratórios e “taxa Selic” sobre o suposto “debito”; VII) protesta pela juntada de 12 documentos, com seus apensos, para requerer que se digne de julgar nulos e insubsistentes, tanto a acusação de infração, como o lançamento ex officio, cancelando as exigências de IRPF, multa e acréscimos, por manifestamente ilegais. O Acórdão nº 1647.952 do colegiado de primeira instância restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anos calendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os rendimentos omitidos apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, embora submetidos à apuração mensal, estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, pelo que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele fixado para entrega tempestiva da declaração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.109 8 Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CRÉDITOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 25/10/2013 (fls. 1071), e apresentou Recurso Voluntário em 18/11/2013 (fls. 1072/1099), do qual reproduzemse abaixo os principais argumentos: a) Em preliminar, aduz que, por ter sido notificado em 18/06/2007, o período compreendido de janeiro a junho de 2002 já havia sido abrangido pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, e artigos 2º, 3º e 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Neste ponto, cita ainda julgados do CARF e jurisprudência; b) Questiona o lançamento em relação as informações sobre movimentações financeiras, informando que a fiscalização não considerou os limites legais estabelecidos pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Apresenta planilha de valores que deverão ser excluídos; c) Discorda do lançamento de ofício por entender que os valores consignados em extratos bancários não poderiam ser tributados, por consubstanciarem meras transferências entre contas do recorrente, bem como se refiram a distribuição de lucros de empresa do recorrente; d) Informa que o valor de R$ 128.553,00, referese a pagamentos relativos a empréstimos comprovadamente tomados do seu genitor, estando devidamente registrado em sua DIRPF/2004. O valor de R$ 270.000,00, referese a venda de participação societária que detinha na Empresa Sonoma a seu genitor, também registrado na sua DIRPF/2004; e) O valor de R$ 565.010,00 referese a comprovação da venda de imóvel (Apartamento Rua Adalívia nº 235 Ed Pal. Orleans) e de veículos; Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.110 9 f) O valor de R$ 1.857.008,15, classificado como receita omitida no calendário 2004, diz referirse a distribuição de resultados isenta de IRPF, no valor de R$ 538.514,54, recebidos da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, e recebimentos de empréstimos das empresas Intermares Marketing International de Importação e Exportação, no valor de R$ 843.493,61 (ano calendário 2002) e Intermares Logística ltda, no valor de R$ 475.000,00; g) Declara que o valor de R$ 418.735,00 referese a transferência entre contas do recorrente e resgates de aplicações financeiras. O valor de R$ 131.387,15, referese a reembolsos de despesas feitos pela empresa que o recorrente é sócio, no caso, a Intermares Marketing Ltda; h) Reforça seus argumentos, mais uma vez, para afirmar a total inconsistência dos lançamentos fiscais de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentação bancária. Cita vários julgados do Conselho de Contribuintes e Jurisprudência do STJ e TRFs; i) Questiona a aplicação, simultânea e cumulativamente, dos juros moratório de 1% ao mês e taxa selic, todos sobre o valor do tributado apurado; j) Ao final, requer a anulação ou reforma do v. acórdão recorrido, para sejam julgadas insubsistentes as acusações fiscais, bem assim canceladas as exigências de imposto, multa e acréscimos. É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.111 10 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar Da ilegalidade do lançamento com base exclusivamente em extratos de movimentação bancária Quanto à ilegalidade do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentação financeira, o Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. [...] 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.112 11 mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001) 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. [...] 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. [...] 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.665 SP, relator: MINISTRO LUIZ FUX, Dje de 15/10/2009). Observase que o acórdão do REsp nº 1.134.665 SP foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.113 12 que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Sobre o caráter vinculante da decisão do STJ, a Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), traz as seguintes disposições: Art. 62. ... b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Portanto, sem razão o recorrente. Mérito a) Da decadência de períodos do ano calendário 2002 Neste ponto, necessário esclarecer que a análise da decadência restringeseá ao item 002 do Auto de Infração (fls. 827/828), nos termos em que foi apresentado o Recurso Voluntário (fls. 1075): 2. Realmente, no item 002 do AI já impugnado, verificase que a D. Fiscalização incluiu operações supostamente ocorridas no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2004. Portanto, os valores apurados no item 002 do Auto de Infração, tratamse de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Intermares Marketing Internacional de Imp. e Exp. Ltda, CNPJ 47.543.236/000138, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 831/836) e planilhas (fls. 811/812). Salienta o recorrente que ao caso aplicase a regra do §4º do art. 150 do CTN, por entender que o regime de tributação aplicável ao imposto de renda pessoa física é o de caixa, o que significa que o imposto passa a ser devido no momento da percepção do rendimento, para tanto, cita ainda os arts. 2º, 3º e 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e arts. 2º e 3º da Lei nº 8.134, de 1990. Pois bem. A situação em apreço passa necessariamente pela análise de qual regra deve ser aplicada: o § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.114 13 Pacificando o assunto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.115 14 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por ter sido submetido ao regime do art. 543C do CPC, sistemática dos recursos repetitivos, essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. No caso (os valores apurados no item 002 do Auto de Infração), constituem se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual que se enquadram no conceito de lançamento por homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao exercício analisado. Assim, em relação aos fatos geradores do exercício 2002, contase o prazo de 05(cinco) a partir de 01/01/2003, sendo o termo final o dia 31/12/2007, como o sujeito passivo tomou ciência em 18/06/2007 (fls. 838), concluise como regular o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Ademais, em relação ao item 001 do AI (matéria não contestada), omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, necessário esclarecer que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à essa omissão ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a decadência do período de janeiro a junho de 2002 b) valor mensal inferior ao admitido Art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 Aduz o recorrente que a autoridade lançadora não considerou os limites legais estabelecidos no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para tanto, demonstra, por meio da planilha abaixo, quais valores deveriam ser excluídos (fls. 1080). Item do AI Fato gerador Valor 002 28/02/02 R$ 3.510,22 002 31/01/02 R$ 10.000,00 002 31/01/03 R$ 11.245,58 002 31/05/03 R$ 10.000,00 002 30/06/03 R$ 10.000,00 002 30/11/03 R$ 5.000,00 002 31/01/04 R$ 3.000,00 002 03/11/04 R$ 5.189,60 Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.116 15 Total R$ 57.945,40 Da planilha com os valores informados pelo sujeito passivo, necessário seja esclarecido que o valor de R$ 3.510,22, fato gerador 28/02/2002, referese ao item 001 do Auto de Infração (OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA fls. 825). Em relação aos demais valores referemse ao item 002 do Auto de Infração (OMISSÃO DE RENDIMENTOS fls. 827/828). Esses esclarecimentos são necessários, considerando que o art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 9.481, de 1997, aplicase apenas em relação aos valores tributáveis do item 001 do Auto de Infração. Lei nº 9.430, de 1996. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: [...] II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Lei nº 9.481, de 1997. Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.(grifouse) Como se percebe das planilhas de valores creditados na C/C nº 0845.43800 1, do Banco Itaú, sem comprovação de origem (fl. 813), de valores creditados não tributados, C/C nº 2022304 do Unibanco (fl. 814), relativas ao ano de 2002, e Planilha de consolidação (fls. 819), a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes do sujeito passivo ultrapassa o limite de R$ 80.000,00 no ano de 2002, considerando que o somatório dos depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 é superior ao referido limite. Desse modo, não há que se falar em exclusão do depósito bancário de R$ 3.510,22, fato gerador 28/02/2002, do item 001 do Auto de Infração (fl. 825), com base no art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 e suas alterações. Em relação aos demais valores, relativos ao item 002 do Auto de Infração, omissão de rendimentos recebidos da Intermares Marketing Internacional de Imp. e Exp. Ltda, Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.117 16 esclarecese que não se aplica o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso, o enquadramento legal do lançamento de ofício foi pelos arts. 1° a 3º da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 37, 38, 43, 56 e 83 do Regulamento do Imposto de Renda e art. 1° da Lei n° 10.451, de 2002 (fls. 829). c) Empréstimos recebidos do Sr. Paschoal Nunziato Aduz o recorrente que o valor de R$ 128.553,00, indevidamente incluído no lançamento, referese a pagamentos de empréstimos comprovadamente tomados do seu genitor e devidamente consignados em ambas declarações de imposto de renda. Para tanto, apresenta o seguinte demonstrativo como os valores recebidos a título de empréstimo no ano de 2003, que totalizam o valor de R$ 125.000,00: 8/10/03 R$ 20.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 10/10/03 R$ 15.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 23/10/03 R$ 25.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 4/11/03 R$ 15.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 10/11/03 R$ 20.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 14/11/03 R$ 10.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 25/11/03 R$ 10.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 28/11/03 R$ 10.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF Total R$ 128.533,00 Os valores em referência estão consignados no demonstrativo de valores creditados, ano 2003, referente a conta corrente nº 0845.438001 do Banco Itaú SA (fl.s 816). Para melhor compreensão dessa operação de empréstimo entre o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, CPF nº 010.421.13858, e seu genitor, O Sr. Paschoal Nunziato, CPF nº 108.857.65834. Necessário apresentar os seguintes esclarecimentos: a) DIRPF do exercício 2002, ano calendário 2001 (fls. 73) DÍVIDAS E ÔNUS REAIS: consta que o Sr. Paschoal Nunziato emprestou ao Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, no ano calendário 2001, a importância de R$ 1.300.000,00. b) DIRPF do exercício 2003, ano calendário 2002 (fls. 30) DÍVIDAS E ÔNUS REAIS: consta, no quadro discriminação, que o empréstimo recebido do seu genitor foi reduzido em R$ 550.000,00, mediante dação em pagamento de um imóvel situado a Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie. DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS: consta, no quadro discriminação, que o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, adquiriu em 05/03/2002, o imóvel situado à Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie, e Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.118 17 repassou ao Sr. Paschoal Nunziato como pagamento parcial da dívida contraída. c) DIRPF do exercício 2004, ano calendário 2003 (fls. 30) DÍVIDAS E ÔNUS REAIS: consta, a mesma informação, que o empréstimo recebido do seu genitor foi reduzido em R$ 550.000,00, mediante dação em pagamento de um imóvel situado a Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie. DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS: consta, no quadro discriminação, que o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, adquiriu em 24/10/2003 o mesmo imóvel situado à Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie. Na DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS do Sr. Paschoal Nunziato (fls. 891) consta que o referido imóvel foi vendido novamente ao Sr. Silvio Giovavanolli Nunziato, sem especificação da data em que ocorreu a operação. Observase ainda que não consta informação na DIRPF/2004 do Sr. Paschoal Nunziato se foi apurado ou não ganho de capital sobre referida alienação, bem como as condições e forma do recebimento da alienação do bem. Registrese ainda que, em relação ao empréstimo que diz haver tomado de seu genitor, no valor de R$ 125.000,00, ano calendário 2003, não consta consignado na DIRPF/2004 Dívidas e Ônus Reais. Pois bem. A alegação de que os valores estão informados em declarações de imposto, do recorrente e de seu genitor, por si só, não elide a imputação do crédito tributário apurado. A comprovação da origem dos créditos em contratos de empréstimos, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430 de l996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Como se observa dos autos, não há documentos comprobatórios de efetiva transferências dos valores creditados na conta corrente nº 0845.438001 do Banco Itaú, no ano calendário 2003, conforme relação de depósitos acima mencionados, do Sr. Paschoal Nunziato para o Sr. Silvio Giovanolli. Pelo exposto, sem razão o recorrente, mantémse o r. acórdão da DRJ/SPI, que assim concluiu nos seguintes termos: Assim, dado que faltam documentos comprobatórios da efetiva transferência de numerários de seu genitor, Paschoal Nunziato/CPF 108.857.65834, para a c/c 0845.438001/ Banco Itaú SA, de titularidade do interessado, bem como faltam provas consistentes relativas aos empréstimos tomados de seu genitor informados nas declarações de ajuste anual do interessado, ditos valores creditados na conta corrente nº 0845.438001/ Banco Itaú SA, pertencente ao interessado, seguem com sua origem de recursos injustificada. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.119 18 d) Venda de participação societária da empresa SONOMA Diz o recorrente que o valor de R$ 270.000,00 referese a pagamentos da venda de participação societária que detinha na empresa Sonoma a seu genitor, em período coincidente e devidamente consignados em ambas declarações. Assim, apresenta o seguinte demonstrativo: 07/4/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 30/4/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 27/5/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 03/6/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 05/6/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 09/6/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 09/6/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 18/6/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 30/6/03 R$ 25.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 07/7/03 R$ 16.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 08/7/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 31/7/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 08/5/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 20/8/03 R$ 25.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 22/8/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 25/8/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 25/7/03 R$ 4.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 DOC Total R$ 270.000,00 Da análise dos depósitos bancários em referência na conta corrente 0845.438001 (fls. 134/142), constatase que, basicamente, as Transferências Eletrônicas de Fundos (TEF), Histórico Ag TEF 0845 442060, referemse a valores creditados por Intermares Logística Ltda, titular da conta corrente nº 44.206 0/ Agência 0845/Banco Itaú SA. Portanto, em relação aos créditos com histórico de TEF 0845.442060, concluiuse que não se tratam de transferências originárias da conta corrente de titularidade de Paschoal Nunziato, como informou o recorrente. Do r. acórdão recorrido, por esclarecer pontos importantes da venda da participação societária da empresa SONOMA, extraise os seguintes trechos: Examinando o Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Civil Por Quotas de Responsabilidade Limitada de “Sonoma Administração de Bens S/C Ltda” de 13/08/2001 (fls. 893/896), bem assim o Instrumento Particular de Alteração de Contrato de Sociedade Civil Por Quotas de Responsabilidade Limitada de “Sonoma Administração de Bens S/C Ltda” 1ª Alteração de 06/11/2001 (fls. 731/733 e 897/899); 2ª Alteração de 24/09/2002 (fls. 736/738 e 900/902) e 3ª Alteração de 03/11/2003 (fls. 741/747 e 903/910), verificase que pelo Instrumento Particular 2ª Alteração datado de 24/09/2002 (fls. 736/738 e 900/902), o sócio Silvio Giovanolli Nunziato, que detinha 999.999 quotas do Capital Social da Sonoma Administração, retirouse da sociedade e vendeu à sócia remanescente Meiry Camarano Nassar, que detinha 1 quota, 999.998 quotas do Capital Social, pelo preço certo e ajustado de R$370.000,00. Consta, ainda, do referido Instrumento, que Silvio Giovanolli Nunziato cedeu e transferiu 1 quota já integralizada Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.120 19 do Capital Social à própria sociedade, pelo preço ajustado de R$0,37, ficando esta quota em Tesouraria. Por meio do Instrumento Particular de Alteração Contratual de Sociedade Simples Sonoma Administração de Bens S/C Ltda 3ª Alteração de 03/11/2003 (fls. 741/747 e 903/910), a sócia Meiry Camarano Nassar cedeu e transferiu a totalidade de suas quotas do Capital Social ao sócio ora admitido Paschoal Nunziato, nascido aos 20/12/1925, que ficou com 999.999 quotas ou R$999.999,00 do Capital Social. Ato contínuo, a quota em Tesouraria, representando 1 quota, no valor de R$1,00, foi transferida a sócia Meiry Camarano Nassar. É curioso notar que citado Instrumento não mencionou o preço pelo qual se realizou a transferência de 999.999 quotas de Meiry Camarano Nassar para Paschoal Nunziato. [...] Tanto a declaração do interessado de que deu as citadas quotas em pagamento parcial da divida junto a Paschoal Nunziato, quanto a que constou consignada na Declaração de Bens e Direitos da DIRPF/2004 de Paschoal Nunziato (juntado pelo impugnante à fl. 891), de que as quotas de capital social da Sonoma Administração de Bens SC Ltda foram recebidas em pagamento do empréstimo ao Sr Silvio Giovanolli Nunziato, sendo a sua situação em 31/12/2002 e 31/12/2003, respectivamente, de R$0,00 e R$364.000,00, revelamse dissonantes com o Instrumento Particular de Alteração Contratual de Sociedade Simples Sonoma Administração de Bens S/C Ltda 3ª Alteração de 03/11/2003 (fls. 741/747 e 903/910). Em vista do exposto, entendo que nesse ponto não merece reforma o r. acórdão da DRJ/SPI. e) Venda de imóvel e de veículos Informa que a omissão de R$ 565.010,00 referese à venda de imóvel (apartamento – Rua Adalívia nº 235 – Ed. Pal. Orleans) e a de veículos de propriedade do recorrente, conforme demonstrado: 24/11/03 R$ 3.910,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF 147.912.60805 CRED DOC ELETR 27/11/03 R$ 160.000,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF CRED DOC 17/12/03 R$ 4.100,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF CRED DOC 7/11/03 R$ 205.500,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF DEP INTE. 5/11/03 R$ 12.000,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF TED Total R$ 385.510,00 5/03/03 R$ 46.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 AG. TEF Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.121 20 21/3/03 R$ 30.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 AG. TEF 31/01/03 R$ 30.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 TED 28/2/03 R$ 30.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 TED 21/10/03 R$ 43.000,00 Venda Automóvel Corola Toyota Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 DEP CHQ 3/07/03 R$ 500,00 Venda Moto Rafael Nassar DOC Total R$ 179.500,00 Em relação a venda do Apto na Rua Adalivia, 235 Ed. Pal Orleans, entendo que o depósito de R$ 160.000,00, datado de 27/11/2003 (fls. 183), C/C nº 2022304, Ag 0738, UNIBANCO, com base no Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra, Mútuo, Confissão de Dívida, Pacto Adjeto de Hipoteca e Outras Avenças” datado de 03/11/2003 (fls. 911/921), está devidamente comprovado. Veja que há um contrato firmado entre o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato (Vendedor), o Sr. Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior (Comprador, Mutuário e Devedor Hipotecário) e o Unibanco União de Bancos Brasileiros SA (Mutuante e Credor Hipotecário), contendo o preço total de venda e compra de R$ 430.000,00, sendo R$ 270.000,00 pagos com recursos próprios e R$ 160.000,00 financiados. Salientese ainda que o recorrente apresentou o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fls. 39). No tocante aos demais valores, relacionados acima, entendo que, com base nos documentos acostados aos autos, restou não comprovados os depósitos creditados na Conta Corrente nº 2022304, do Unibanco, Durante o Ano de 2003, Sem Comprovação de Origem” (fl. 815), igualmente em relação os valores creditados na conta corrente nº 438001/ Banco Itaú SA, identificados na planilha acima, constantes do Demonstrativo dos Valores Creditados de fl. 816. Desse modo, assiste razão, em parte, ao recorrente para que seja reformado o acórdão recorrido, excluído do lançamento o valor tributável de R$ 160.000,00, fato gerador 30/11/2003 (item 001 do AI), considerando que o valor está devidamente comprovado, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. f) Distribuição de resultados e recebimentos de empréstimos de empresa do qual o recorrente é sócio Diz o recorrente que o valor de R$ 1.857.008,15, identificado nas planilhas de fls. 859/863, considerado como “receita omitida”, é composto por distribuição de resultados isenta de IRPF (R$ 538.514,54) recebidos da Jera Participações e Serviços Ltda no ano calendário 2004 e por pagamentos de recebimentos de empréstimos da Intermares Marketing International de Importação e Exportação Ltda no ano calendário 2002 (R$ 843.493,61) e da Intermares Logística Ltda (fl. 475.000,00) no ano calendário 2004. Primeiramente, consoante demonstrativo de fls. 1085/1088, será analisada a distribuição de lucros da empresa Jera Participações. Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.122 21 03/05/04 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED 12/5/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED 12/7/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 19/7/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 2/8/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 10/8/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 16/8/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 10/9/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 27/9/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 1/10/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 13/10/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 19/10/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 22/11/2004 R$ 4.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 10/12/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 20/12/04 R$ 3.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES Da análise dos extratos dos valores creditados na C/C nº 202234, Unibanco (fls. 225/226, 236/237, 239/240, 243/244), relacionados no Demonstrativo de fls. 817, constatase que os valores acima tratam de TED/DOC recebidos de Intermares Logisticas. 29/7/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 16/9/2004 R$ 15.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 21/9/2004 R$ 15.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 30/9/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 4/10/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 5/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.123 22 9/11/2004 R$ 30.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 12/11/2004 R$ 25.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 16/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 18/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 22/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 26/11/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 30/11/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 2/12/2004 R$ 30.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 6/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 9/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 10/12/2004 R$ 45.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 15/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 20/12/2004 R$ 40.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 27/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 29/12/2004 R$ 40.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF Total R$ 538.514,54 Também, os valores acima tratam de transferências efetuadas por Intermares Logística Ltda., CNPJ 04.534.711/000105, para a C/C nº 0845438001 do Sr. Silvio Giovanolli, relacionados do demonstrativo de fls. 818, conforme extratos de fls. 201 e 204/209, TED (fls. 624, 626, 635/636, 641/645, 648/651, 653/656, 1002/1009 e 1011/1018). 5/4/2004 R$ 3.618,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 CRED DOC. 21/12/2004 R$ 1.374,54 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 DEP CHQ 30/8/2004 R$ 6.522,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TRANSF CC No mesmo sentido, são os créditos acima relacionados, tendo em vista que o recorrente não comprovou que tem origem em distribuição de lucros da Jera Participações e Serviços Ltda., CNPJ 05.575.862/000166. Ainda em relação a distribuição de lucros, constata se do Dossiê Integrado (fls. 25/26) que o regime de tributação da referida empresa Jera Participações e Serviços Ltda., CNPJ 05.575.862/000166 é pela sistemática do Lucro Presumido. Desse modo, entendo que, em relação a distribuição de lucros da empresa Jera Participações, não merece ser reformado o entendimento da decisão de primeira instância, que assim concluiu: Assim, os valores acima justificados como Distribuição de Lucros da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, aberta em fevereiro de 2003, com capital social de R$ 30.000, conforme Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.124 23 Contrato Social da Jera Participações e Serviços Ltda de 20/02/2003 (fls. 716/723) e 1ª Alteração de 13/02/2004 (fls. 725/730 e 930/936), sendo provenientes da empresa Intermares Logística Ltda, não podem ser considerados rendimentos isentos. A apresentação do Contrato de Prestação de Serviços datado de 12/01/2004 (cópia de fls. 925/929) celebrado entre Intermares Logística Ltda/CNPJ 04.534.711/000105 (contratante) e Jera Participações e Serviços Ltda/CNPJ 05.575.862/000166 (contratada), sem registro em Cartório de Títulos e Documentos, bem assim da Nota Fiscal de Serviços de emissão da Jera Participações e Serviços Ltda (cópia de fls. 937/945), são insuficientes para comprovar que os créditos efetuados nas citadas contas bancárias referemse a distribuição de lucros da Jera Participações. Não tendo o impugnante comprovado a natureza dos créditos efetuados pela Intermares Logística Ltda na c/c nº 202234/Banco Unibanco SA, assim também na c/c nº 0845. 438001/ Banco Itaú SA, ditos valores seguem com sua origem de recursos injustificada. A seguir, passase a análise dos valores recebidos pelo Sr. Silvio Giovanolli em decorrência de empréstimos realizados com a empresa Intermares Marketing International de Importação e Exportação Ltda no ano calendário 2002 (R$ 843.493,61) e da Intermares Logística Ltda (fl. 475.000,00) no ano calendário 2004. 23/01/2002 R$ 2.366,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 23/01/2002 R$ 36.745,80 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 07/03/2002 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 07/03/2002 R$ 8.373,08 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 02/04/2002 R$ 5.289,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 02/04/2002 R$ 39.562,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 15/04/2002 R$ 129.330,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 02/05/2002 R$ 12.282,26 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 03/06/2002 R$ 3.040,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 10/06/2002 R$ 3.342,50 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 10/06/2002 R$ 120.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 03/07/2002 R$ 11.292,77 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 22/07/2002 R$ 136.614,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 26/07/2002 R$ 36.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 26/07/2002 R$ 2.620,20 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.125 24 05/08/2002 R$ 2.718,40 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 05/08/2002 R$ 18.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 07/08/2002 R$ 5.959,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 14/08/2002 R$ 38.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 14/08/2002 R$ 4.389,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 04/09/2002 R$ 4.774,80 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 04/09/2002 R$ 25.300,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 16/09/2002 R$ 29.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 16/09/2002 R$ 3.024,80 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 23/09/2002 R$ 43.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 AG. TEF. 04/10/2002 R$ 2.048,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 04/10/2002 R$ 33.300,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 09/10/2002 R$ 7.400,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DP. CHEQUE 10/10/2002 R$ 14.564,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 17/10/2002 R$ 8.105,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 23/10/2002 R$ 6.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 23/10/2002 R$ 2.366,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 05/11/2002 R$ 36.017,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. R$ 843.493,61 18/2/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 15/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 22/1/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 16/2/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 30/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 5/3/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 10/3/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 14/4/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 5/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 15/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.126 25 15/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 26/1/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 30/1/2004 R$ 20.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 10/2/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 20/2/2004 R$ 25.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 2/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 8/3/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 10/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 22/3/2004 R$ 30.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 26/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 14/4/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 30/4/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 5/5/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 10/5/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 19/5/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 21/5/2004 R$ 25.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 11/6/2004 R$ 35.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 14/6/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 21/6/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 5/7/2004 R$ 20.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 12/7/2004 R$ 30.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 3/8/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 12/8/2004 R$ 20.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 26/2/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 10/8/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED R$ 475.000,00 Da análise do contrato de mútuo (fls. 946/947) entre o Sr. Silvio Giovanolli e a empresa Intermares Marketing Internacional de Imp e Exp Ltda, CNPJ 47.543.236/000138, datado de 26 de setembro de 2001 (fls. 946/947), consta como objeto o suprimento de numerário à mutuária, mediante a comprovação em cheque ou moeda corrente. Consta ainda que o suprimento farseá segundo as necessidades de caixa da Mutuária. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.127 26 Nas mesmas condições, também foi o Contrato de Mútuo celebrado entre Silvio Giovanolli Nunziato (mutuante) e Intermares Logística Ltda, CNPJ 04.534.711/000105 (mutuária), datado de 02 de janeiro de 2004 (fls. 948/949). Pois bem. Se existem depósitos de referidas empresas nas contas correntes do recorrente, em face dos contratos de empréstimo (mútuo), logicamente, numa operação anterior, ocorreu o suprimento do caixa dessas empresas pelo Sr. Silvio Giovanolli. Assim, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, considerando que não existem nos autos comprovação efetiva de transferência de numerários do recorrente para referidas empresas, resta não comprovada a origem dos recursos, em virtude das operações de empréstimos. Pelo exposto, não assiste razão ao recorrente em seus argumentos, não merecendo, nesse ponto, reforma do acórdão da DRJ/SPI, que assim concluiu: Não tendo o impugnante logrado comprovar que os créditos efetuados na c/c nº 202234/Banco Unibanco SA, assim também na c/c nº 0845. 438001/ Banco Itaú SA, referemse às devoluções de mútuo realizadas por Intermares Marketing Internacional de Importação e Exportação Ltda no ano calendário 2002 e por Intermares Logística Ltda no ano calendário 2004, fica mantida a tributação dos referidos depósitos, por não restar comprovada a natureza dos recursos creditados nas aludidas contas de titularidade do interessado. g) Transferências entre contas do próprio recorrente, resgates de aplicações financeiras e reembolso de despesas de empresa do qual é sócio. Salienta o sujeito passivo que a fiscalização incluiu, entre as receitas omitidas, os valores de transferências entre contas do recorrente e resgates de aplicações financeiras no montante de R$ 418.835,00, bem como os reembolsos de despesas de empresa do qual é sócio no valor de R$ 131.387,15. A seguir, demonstrativo com os créditos relativos a resgates de aplicações financeiras: 21/1/2002 R$ 25.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 2/1/2002 R$ 40.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 22/7/2002 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 3/1/2002 R$ 49.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE CART ADM Total parc. R$ 134.000,00 5/6/2003 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 1/12/2003 R$ 13.013,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 29/12/2003 R$ 4.835,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 29/12/2003 R$ 5.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 30/12/2003 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.128 27 27/2/2003 R$ 46.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 25/3/2003 R$ 85.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF Total Parc R$ 193.835,00 20/1/2004 R$ 18.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 1/3/2003 R$ 35.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 5/3/2003 R$ 5.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 4/8/2003 R$ 8.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 11/8/2003 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 03/09/2003 R$ 5.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF Total Parc. R$ 91.000,00 Total Geral R$ 418.835,00 Os valores em discussão referemse aos creditados na C/C nº 0845.438001 do Banco Itaú, conforme extratos de fls. 54/60, 132/150 e 189/204. Afirma o recorrente que os valores dos créditos correspondem: "Resgate aplicação Transferência de aplicação titularidade do declarante AG. TEF". Desta forma, incumbi ao recorrente demonstrar de forma clara a origem do crédito em outra conta de sua titularidade, correlacionando valor e data da operação, que, ao meu ver, não consta demonstrado nos autos. Essa, também, foi a conclusão da autoridade lançadora: "Os itens justificados como transferência de aplicação de mesma titularidade, na realidade não o são, visto que não encontramos contrapartida nos extratos dos outros bancos ". A seguir, demonstrativo com reembolsos de despesas de empresa do qual é sócio: 8/12/2003 R$ 4.241,20 Reembolso Cestas de Natal Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 18/12/2003 R$ 1.824,00 Reembolso Cestas de Natal Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 30/1/2003 R$ 449,00 Reembolso de despesas pagas pelo declarante, almoço com cliente Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 7/5/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de Despesas com Refeição e Taxi pagas pelo declarante em viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CEI 11/2/2003 R$ 3.489,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 13/10/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 15/9/2003 R$ 4.000,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ TRANSF CC Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.129 28 Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 17/9/2003 R$ 1.500,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 22/9/2003 R$ 8.000,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 21/3/2003 R$ 5.700,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 9/4/2003 R$ 273,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 7/5/2003 R$ 4.500,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 5/6/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 14/7/2003 R$ 2.781,94 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 25/7/2003 R$ 1.467,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 11/4/2003 R$ 4.683,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 21/8/2003 R$ 3.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 14/4/2003 R$ 4.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DP INTERA 8/4/2003 R$ 6.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TED RECEBIDO 19/11/2003 R$ 5.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TED RECEBIDO 14/3/2003 R$ 2.300,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 19/3/2003 R$ 1.600,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 22/5/2003 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 10/6/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 17/6/2003 R$ 945,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 7/7/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 19/8/2003 R$ 2.500,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.130 29 2/9/2003 R$ 5.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 10/9/2003 R$ 5.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 1/10/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 7/5/2003 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CEI 17/9/2003 R$ 4.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 4/8/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 6/1/2003 R$ 3.600,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 2/1/2003 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 18/9/2003 R$ 4.309,10 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 30/6/2003 R$ 120,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 7/5/2003 R$ 183,91 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 DEP CHQ 30/4/2003 R$ 400,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 DEP DINHEIRO 30/4/2003 R$ 650,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 TRANSF CC 18/6/2003 R$ 500,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 TRANSF CC 21/8/2003 R$ 500,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 TRANSF CC R$ 108.516,15 5/2/2004 R$ 200,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 12/2/2004 R$ 394,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 15/3/2004 R$ 394,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 17/2/2004 R$ 172,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 20/1/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 21/6/2004 R$ 3.000,00 Reembolso de despesas estadia táxi, almoço Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.131 30 17/8/2004 R$ 1.500,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TEC DEP 17/8/2004 R$ 2.500,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TEC DEP 5/3/2004 R$ 1.500,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 15/6/2004 R$ 5.575,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 1/7/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de despesas de viagens estadia táxi almoço Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 2/12/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de despesas pagas pelo declarante em uso profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 28/12/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de despesas pagas pelo declarante em uso profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC R$ 22.871,00 Em relação ao reembolso das despesas, amparase o recorrente em Acordo Comercial (fls. 964/965), entre o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato e a empresa INTERMARES MARKETING INTERNATIONAL DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 47.543.236/000138. Na cláusula Segunda, está prevista que o administrador, Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, deve : ".. receber à titulo de reembolso todas as despesas que tiver com atividades da empresa, como viagens (terrestres, aéreas ou marítimas) , visitas à clientes e fornecedores, refeições, entre outras necessidade inerentes a atividade. Consta do Dossiê Integrado (fls. 25/27) que o regime de tributação da INTERMARES MARKETING INTERNATIONAL DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA é pela sistemática do Lucro Real. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no Lucro Real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decretolei 1.598/1977, artigo 7°). Desse modo, temse que a escrituração com base nas leis comerciais e fiscais deve abranger os registros de todas as receitas, despesas e custos. Dispõe o art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) que as despesas pagas ou incorridas não as necessárias à atividade da empresa, verbis: Custos, Despesas Operacionais e Encargos Subseção I Disposições Gerais Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.132 31 §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Neste sentido, entendo que cabia ao recorrente ter demonstrado, por meio da escrituração contábil da Intermares Marketing International de Imp. e Exp. Ltda, comprovados por documentos hábeis, que os valores creditados em suas contas correntes correspondiam ao pagamento de despesas necessárias a atividade operacional da referida empresa. Diante do exposto, não assiste razão ao recorrente em seus argumentos. h) Da ilegalidade da exigência cumulada de juros moratório e taxa Selic. Em relação a ilegalidade da exigência cumulada de juros moratórios e taxa selic. É pacífico o entendimento, no âmbito desse colegiado, de que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, tal qual consta do lançamento do crédito tributário, nos termos da Súmula CARF nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir o valor tributável de R$ 160.000,00, fato gerador 30/11/2003 (item 001 do AI). (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
