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Numero do processo: 10120.901147/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 11 47 /2 00 8- 71 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10120.901147/200871 Acórdão n.º 1001000.631 S1C0T1 Fl. 235 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília/DF, mediante o Acórdão nº 0336.148, de 29/03/2010 (efls. 94/97), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Em suma, o r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, pois "a contribuinte não trouxe aos Autos cópia de sua escrituração contábil ou outro material probatório que comprovasse o erro cometido que justificasse o pagamento". O acórdão foi assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativofiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 10/05/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 104, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 10/06/2010 (efl. 105), conforme carimbo aposto no documento, alegando o seguinte: Em defesa anterior a empresa anexou ao mesmo cópia dos Livros Contábeis, Fiscais bem como DCTF'S e PERD/COMP, deixando a disposição da própria Receita Federal a solicitação dos originais, uma vez que não foi enviado copias autenticadas, devido ao grande volume de copias. Portanto estamos enviando novamente todas as copias para serem apreciadas pela Receita Federal e colocando novamente a disposição para que seja solicitado os originais para a devida conferencia, uma vez que estamos enviando copias simples e não autenticadas devido ao grande volume de copias. Estamos cientes de que a Receita Federal também possui em seu arquivo, as DCTF, assim como as PERD/COMP enviadas para retificação, assim como o devido valor recolhido em seus cofres a maior, O que nos leva a crer, que não houve nenhuma irregularidade quanto a documentação fiscal. É o Relatório. Voto Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10120.901147/200871 Acórdão n.º 1001000.631 S1C0T1 Fl. 236 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator DA INTEMPESTIVIDADE RECURSAL Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Isto posto, como a data de ciência foi no dia 10/05/2010 (segundafeira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na terçafeira, dia 11/05/2010. Tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de 30 (trinta) dias, ou seja, em 09/06/2010 (quartafeira), mas o recurso voluntário somente foi apresentado em 10/06/2010, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902025/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
ELETRODUTO CORRUGADO FLEXÍVEL EM PVC E TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT.
Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM.
Numero da decisão: 3401-005.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes- Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 ELETRODUTO CORRUGADO FLEXÍVEL EM PVC E TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT. Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM.
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NORMAS ABNT. Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 20 25 /2 01 3- 44 Fl. 560DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI referente ao 4º trimestre de 2011, no valor R$ 3.222.556,53, seguido de em despacho decisório que homologou parcialmente as compensações, tendo o saldo sido reduzido em função de débitos apurados em procedimento fiscal. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, narra a autoridade fiscal que o procedimento de fiscalização teve início para a verificação de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI formalizados por meio dos seguintes PER/DComp 3. Em 07/05/2013, foi efetuada visita técnica às instalações fabris da contribuinte para conhecimento dos processos produtivos e materiais utilizados, sendo que todos os documentos que serviram para embasar o termo de verificação em referência foram anexados ao Processo Administrativo nº 10920721.864/201363. Em decorrência da reclassificação fiscal de alguns produtos, foram apurados débitos de IPI não lançados em notas fiscais nem escriturados, que foram cobertos com os créditos apurados, tendo restado caracterizada prática punível com multa isolada, nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/1964, objeto de lançamento de ofício no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352. Assim, foram verificadas irregularidades na classificação fiscal adotada pela contribuinte na venda das linhas ELETRODUTO CORRUGADO e TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL, nos seguintes termos: No caso do primeiro produto, a fiscalização apurou notas fiscais de saída emitidas tanto com o código TIPI 3917.32.90, indicado pelo Fisco, quanto no 3917.23.00, e em todos os casos houve emissões com e sem destaque do imposto. Nos casos da saídas com destaque não há prejuízo ao Fisco. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 561 3 Já nas saídas sem destaque, a fiscalização alega que a empresa não justificou a redução da alíquota para zero quando foi utilizada a classificação 3917.32.90, e classificou incorretamente quando utilizou o código 3917.23.00, destinado aos “tubos rígidos”. (...) No caso dos tubos extensíveis (ou engates flexíveis), a interessada classificou tais produtos majoritariamente no código NCM 3917.23.00 (tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila), sempre sem destaque do IPI; e, minoritariamente, nos demais códigos, com e sem destaque do imposto. Da mesma forma, defende a fiscalização que tais produtos classificamse no código 3917.33.00 (Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios), cuja alíquota de IPI à época era cinco por cento". 4. A reclassificação de tais produtos foi o fundamento para a homologação parcial de diversas PER/DComps apresentadas pela contribuinte que se referem ao período de apuração abrangido pela multa isolada discutida no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 (1º trimestre de 2011 a 3º trimestre de 2012), sendo que tais pedidos de ressarcimento geraram os seguintes processos administrativos, todos pautados para esta mesma sessão de julgamento, para apreciação conjunta: PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 10920.902022/201319 1º trimestre de 2011 R$ 2.177.522,81 10920.902023/201355 2º trimestre de 2011 R$ 3.035.238,52 10920.902024/201308 3º trimestre de 2011 R$ 4.311.367,39 10920.902025/201344 4º trimestre de 2011 R$ 3.222.556,53 10920.902026/201399 1º trimestre de 2012 R$ 3.115.341,97 10920.902027/201333 2º trimestre de 2012 R$ 3.348.939,57 10920.902028/201388 3º trimestre de 2012 R$ 3.170.939,74 5. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal, por ela industrializados, são eletrodutos de PVC (Policloreto de Vinil) que, sejam planos ou corrugados, rígidos ou flexíveis, têm a mesma finalidade: proteger e conduzir condutores providos de isolação em instalações elétricas. Logo, o que deveria diferenciar a utilização de um eletroduto não é o fato dele ser rígido ou flexível, plano ou corrugado, e sim a sua resistência mecânica, sendo que a autoridade fiscal levou em conta apenas o critério rigidez, sem levar em consideração que a finalidade dos produtos é a mesma dos eletrodutos rígidos, devendo receber a mesma classificação destes últimos; (ii) assim como o eletroduto rígido, o eletroduto corrugado está inserido na linha de materiais elétricos utilizados na construção, Fl. 562DF CARF MF 4 sendo ambos tratados em um mesmo programa setorial de qualidade perante o PBQPH (Programa de Garantia da Qualidade de Eletrodutos Plásticos para Sistemas Elétricos de Baixa Tensão em Edificações); (iii) apresentou laudo (parecer técnico), no qual o perito e engenheiro atesta, nos termos da norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, que "(...) o discrímen para determinarse a efetiva e correta classificação fiscal desses produtos não corresponde à sua rigidez, mas sim à sua finalidade e aplicação"; e (iv) requereu a realização de diligência para que se demonstre, por meio de perícia, a "(...) correição da classificação adotada pela recorrente". 6. Em /01/2015, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0130.993, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro Da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELETRODUTOS CORRUGADOS FLEXÍVEIS E TUBOS EXTENSÍVEIS. Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90, e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser afastadas as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Classificação Fiscal não é matéria técnica, não exigindo laudo técnico para sua definição. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. A contribuinte, intimada da decisão em 11/05/2015 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 472, interpôs, em 26/05/2015, em Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 562 5 conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 473, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. No decurso dos anos de 2011 e 2012, a contribuinte realizou pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 em decorrência: (i) da aquisição de insumos utilizados na elaboração de seus produtos, e (ii) da saída de mercadorias imunes ou tributadas à alíquota zero: Lei nº 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. 10. A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte teria adotado classificação fiscal incorreta quanto aos produtos eletroduto corrugado e tubo extensível universal, o que implicou a apuração do IPI por meio de alíquotas menores do que aquelas efetivamente devidas e, assim, promoveu a reconstituição da escrita fiscal da autuada referente às operações ocorridas entre 01/01/2011 e 30/09/2012, concluindose, ao final do procedimento, pela inexistência de saldo devedor de IPI a ser adimplido. Em que pese tal constatação, a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em virtude da classificação fiscal equivocada conduziu à lavratura do auto de infração em debate no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352, lavrado sob o pálio do art. 80 da Lei nº 4.502/1964: Fl. 564DF CARF MF 6 Lei nº 4.502/1964 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. 11. A questão de fundo consiste, portanto, em deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (3917.23.00 para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (3917.32.90 para o eletroduto corrugado e 3917.33.00 para o tubo extensível universal): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 e a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 12. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto da posição: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "plásticos e suas obras" (Capítulo 39), e tampouco questionam estar diante de "tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos" (Posição 3917). 13. Para a contribuinte recorrente, no entanto, (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal devem ser classificados na Subposição, Item e Subitem 3917.23.00 ("De polímeros de cloreto de vinila"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 14. Por outro lado, para autoridade fiscal, (ii) o ELETRODUTO CORRUGADO deve ser classificado na Subposição 3917.32 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios"), Item e Subitem 3917.32.90 ("Outros"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI; já (iii) o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL deve ser classificado na Subposição, Item e Subitem 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 563 7 (i) 3917.23.00: CLASSIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA O ELETRODUTO CORRUGADO E PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 15. Deve ser realizada, em primeiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela contribuinte (3917.23): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), rígidos (3917.2), de polímeros de cloreto de vinila (3917.23). Não havendo alternativas após o texto da subposição, tratase esta da classificação completa NCM nº 3917.23.00. 16. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido? 17. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte: (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? 18. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação está equivocada. Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), então necessariamente a classificação correta para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal será 3917.23.00, apontada pela contribuinte. (ii) 3917.32.90: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O ELETRODUTO CORRUGADO 19. Deve ser realizada, em segundo lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o ELETRODUTO CORRUGADO (3917.32): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), outros (3917.3), 20. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 21. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte: (ii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda Fl. 566DF CARF MF 8 afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? 22. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios? 23. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), passase à seguinte: (ii.d) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 24. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.d), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.d), então necessariamente a classificação correta do eletroduto corrugado será 3917.32.90 ("Outros"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da única alternativa. (iii) 3917.33.00: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 25. Deve ser realizada, em terceiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL (3917.33): 26. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (iii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 27. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.a), passase à seguinte: (iii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 564 9 28. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 29. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.c), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (iii.c), então necessariamente a classificação correta do tubo extensível universal será 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da mais específica. 30. Como se sabe, para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH). Ao nos voltarmos especificamente às metaregras de aplicação descritas no Capítulo 39 da TIPI ("Plástico e suas obras"), advertimos que, para que se respondam às questões que fizerem menção ao termo "copolímero", deve ser levada em conta, necessariamente, a Nota 4, mas, por outro lado, uma vez que o texto da posição é incontroverso, desnecessária a menção à Nota 8 do Capítulo 39, que dispõe acerca do termo "tubos". Devem, no entanto, ser aplicadas as disposições veiculadas pela Nota de subposição 1, sobre a forma como se classificam os polímeros (incluindo os copolímeros) e os polímeros modificados quimicamente. 31. Observese que caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), e se conclua estarmos diante de um tubo de plástico rígido, desnecessário, para fins de provimento ou não provimento do recurso voluntário interposto, prosseguir na classificação, pois equivocados estarão os dois códigos ofertados pela autoridade fiscal, e procedente restará o recurso voluntário interposto. 32. Com estas observações em mente, o laudo (parecer técnico) apresentado pela contribuinte, baseado na norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, além de não responder se os dois produtos em apreço seriam "rígidos" ou "nãorígidos" ("flexíveis"), primeira pergunta para se prosseguir em qualquer das três classificações em disputa, concluiu que tanto o eletroduto corrugado como o tubo extensível universal atenderiam à mesma finalidade e teriam a mesma aplicação, baseada em sua resistência mecânica de suportar os esforços de compressão quando a ele submetidos. Assim, no entendimento do perito, o critério correto para se realizar qualquer classificação, seria a resistência, e não a rigidez. 33. A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. 34. Observese que, mesmo uma rápida busca no compêndio de ementas de soluções de consulta e soluções de divergência emitidas pelo Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam) da Receita Federal do Brasil, indica que a resposta à questão sobre ser rígido ou flexível o tubo de plástico é condição inexorável para o prosseguimento do intento classificatório: Fl. 568DF CARF MF 10 3917.32.90 | SC 4/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão máxima de 1 Mpa. 3917.32.90 | SC 5/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão de 1,5 a 6 Mpa. 3917.32.90 | SC 283/2017 4ª Turma Tubo flexível corrugado fabricado em PVC (poli(cloreto de vinila), com propriedades antichamas, próprio para proteção mecânica das instalações elétricas prediais, medindo 20 mm d e diâmetro e 50 m de comprimento, com tensão de ruptura inferior a 27,6 MPa. 3917.32.90 | SC 130/2016 3ª Turma Tubo flexível termo contrátil de polietileno, sem reforços ou acessórios, com tensão de ruptura máxima de 10,4 MPa, diâmetro interno em estado natural de 41,5 mm, peso líquido de 104,8 g/ml e apresentado em bobina de papelão de 50 metros. 35. Por outro lado, em que pese a imprestabilidade da prova produzida pela recorrente, tampouco a autoridade fiscal responde à questão sobre ser ou não rígido o produto a ser classificado de maneira minimamente satisfatória, valendose unicamente das máximas de experiência e da visita ao site comercial da recorrente, conforme excerto, situado à fl. 488, que se transcreve do termo de verificação fiscal: 36. O recurso a tal prova é ecoado e refletido pela decisão recorrida, que não envida esforços em buscar outros indícios ou provas que sirvam como sustentáculo para a sua conclusão: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 565 11 12. No que se refere aos produtos, inexistem divergências quanto ao fato de se tratarem de tubos de plásticos, enquadrados, portanto, na posição 39.17 da NCM. Também não existem dúvidas de serem flexíveis de fato, aptos às aplicações propostas no sítio da empresa (“O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade”), o que não seria possível se fossem rígidos de fato. Não releva saber, para a identidade dos produtos e seus efeitos fiscais, no caso concreto, se foram fabricados com composto de PVC rígido. 37. Observese que a contribuinte, ao ser questionada sobre a rigidez dos produtos, "(...) informou que utiliza na fabricação dos produtos da linha eletroduto de PVC flexível corrugado o composto de PVC rígido, o mesmo utilizado na produção dos tubos para água e esgoto, e que por isso utiliza a mesma classificação". O maior apuro técnico de que se vale a autoridade lançadora é obtido por meio de consulta ao site da Wikipedia: 38. Assentese com a afirmação da acusação fiscal de que o simples fato de os produtos utilizarem o PVC rígido como insumo de produção não implica, necessariamente, que deva ser entendido como um tubo rígido. No entanto, tampouco há de se comungar com a afirmação, igualmente falaciosa, no sentido de que o nome comercial do produto exposto no site da contribuinte seja prova em suficiência para a classificação no texto da posição da nomenclatura comum. Muito embora a frase “o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade” ofereça um forte indício sobre se tratar de um material não rígido, impressão esta que apenas se reforça com o silêncio do laudo pericial apresentado quanto a este aspecto, não se vislumbra, apenas com a página da Internet, a prova necessária para se afirmar com segurança a respeito das características físicoquímicas do produto. 39. Assim, acerta a autoridade fiscal ao afirmar que primeiro critério é definir se o tubo de plástico é ou não rígido. Mas se equivoca na forma como constrói precariamente seu argumento, eivandoo de carência probatória, uma vez que incumbida está do ônus de provar, não sendo absolutamente aceitável estribar o despacho decisório unicamente em uma informação comercial obtida na Internet que, quando muito, serviria de indício para o início de uma investigação técnica. E, por outro lado, acerta a contribuinte ao entender que, para subsidiar a classificação, fazse necessário o recurso à perícia. No entanto, igualmente se equivoca ao buscar critérios próprios para aferir o código NCM correto, uma vez que o aplicador se volta às específicas regras e metaregras do sistema harmonizado em uma seqüência lógica prédeterminada. 40. A questão passa a ser: há nos autos provas em suficiência para se afirmar se os produtos são ou não rígidos? Em caso positivo, deve o aplicador passar à pergunta Fl. 570DF CARF MF 12 seguinte, e assim sucessivamente, uma vez que as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Não sendo possível se responder a esta questão inaugural com os dados e documentos disponíveis, deverá o julgamento aguardar a realização de diligência que responda à dúvida do julgador. Neste caso, deverá o colegiado antecipar as dúvidas supervenientes para que todas restem respondidas nesta mesma oportunidade. 41. Concluímos, ao compulsar os autos, que não há outras provas que permitam afirmar, com segurança, se os produtos em análise seriam rígidos ou não rígidos, o que, no atual estado do processo, e caso eventualmente vencida a proposta de diligência, redundaria, necessariamente, na conclusão pela insuficiência de provas hábeis a lastrear o despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento pleiteado. 42. E se observe que, ainda que a questão em torno da rigidez pudesse eventualmente ser superada, outras questões restariam pendentes: para se confirmar a correção do código adotado pela contribuinte, necessário seria se confirmar que se trata de tubo de polímero de cloreto de vinila. 43. Por outro lado, caso seja não rígido o tubo e, portanto, incorreto o código utilizado pela contribuinte, forçoso se confirmar que a acusação fiscal classificou corretamente os produtos em análise e, para isso, imprescindível se compreender se podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa, hipótese que descartaria a suposição do despacho decisório. Caso não possam, a tarefa do classificador ainda não estaria concluída, pois indispensável a questão sobre se os produtos são reforçados com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias, se apresentam acessórios e, em caso positivo, se tais acessórios seriam ou não copolímeros de etileno. 44. Como se pode perceber, a decisão sobre a procedência ou não do recurso voluntário interposto, depende de um seriado de perguntas que demandam saber técnico alheio ao jurídico e, depois de percorrer todas as folhas deste processo em busca de respostas embasadas e minimamente seguras, não as encontramos e, portanto, da maneira em que se encontra, o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Apresente laudo técnicopericial conclusivo que responda afirmativa ou negativamente, de maneira objetiva e fundamentada, os seguintes quesitos referentes ao produto "eletroduto corrugado" e ao produto"tubo extensível universal": (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido ou nãorígido ("flexível")? (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? (i.c) unicamente se o produto for nãorígido ("flexível"), pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa? (i.d) o produto é reforçado com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias? Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 566 13 (i.e) unicamente se o produto não for reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, ele apresenta acessórios? (i.f) unicamente se o produto apresentar acessórios, são estes acessórios de copolímeros de etileno? Deverá a resposta a este específico quesito levar em consideração o texto da Nota 4,1 transcrito em nota de rodapé no presente voto. (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) 1 "Consideramse 'copolímeros' todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95 % ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os copolímeros (incluindo os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine, em peso, sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Na acepção da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem numa mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros classificamse, conforme o caso, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração". Fl. 572DF CARF MF 14 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Redatora designada. Apesar de concordar com muitos dos argumentos apresentados pelo Ilustre Relator, e por acompanhar sua linha de argumentação, dele ouso divergir quanto a necessidade de diligência para se efetuar a classificação fiscal das mercadorias autuadas. A controvérsia gira em torno de dois produtos, ambos classificados na NCM 3917.23.00 pela recorrente: eletroduto corrugado tubo extensível universal E classificados pela fiscalização nas NCMs 3917.32.90 e 3917.33.00, respectivamente. Concordo que o cerne da questão está em se decidir se estamos diante de um tubo rígido ou tubo flexível (3917.2 ou 3917.3), já que não existe controvérsia quanto a posição 3917, adotada tanto pela recorrente e pela fiscalização, para ambos produtos. A questão parece tão simples e tão óbvia que a primeira vista não há questionamentos a serem efetuados. Rígido e flexível são duas definições que se opõem e que são utilizadas cotidianamente em muitas situações. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 567 15 Por isso nosso primeiro impulso é buscar essas definições nos dicionários, já que são de uso corrente. No dicionário Houaiss, disponível no endereço eletrônico https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v33/html/index.php#0 encontramos as seguintes definições: Rígido adjetivo em que há rigidez 1 falto de maleabilidade física; teso, rijo, hirto, duro ‹corpo r.› ‹metal r.› 2 p.metf. que é ou se mostra inflexível em suas opiniões, decisões etc.; duro, intransigente 3 que denota severidade, austeridade; austero ‹princípios r.› ‹homem r.› 3.1 falto de meiguice, de ternura com relação a outrem; rude, áspero ‹pais r.› 4 que não permite frouxidão; exato, rigoroso ‹tinha no trabalho um horário r.› 4.1 extremamente controlado; minucioso, apurado ‹r. controle de qualidade› sinônimos ver sinonímia de rigoroso antônimos: flexível Flexível adjetivo de dois gêneros 1 que se dobra ou curva com facilidade; arqueável, flexo 2 que revela agilidade; elástico, elegante ‹um andar f.› 3 fácil de manejar; domável 4 que se acomoda facilmente às circunstâncias, que é facilmente influenciável; dócil, maleável, compreensível ‹um caráter f.› 5 que tem aptidão para diferentes atividades sinônimos ver antonímia de sólido antônimos: ferrenho, inflexível, intransigente, rígido; ver tb. sinonímia de sólido Como se pode concluir, com o auxílio do dicionário, rígido é o antônimo de flexível, sendo flexível aquilo que se dobra ou curva com facilidade, aquilo que é arqueável, que é flexo, que é elástico, fácil de manejar, domável. Já rígido é aquilo em que há rigidez, que falta maleabilidade física, é teso, rijo, hirto, duro. A partir dessas constatações chegamos as duas subposições de primeiro nível possíveis: 3917.2 Tubos rígidos 3917.3 Outros Tubos Ora ou o tubo é rígido ou ele não é rígido, tanto assim que o Sistema Harmonizado faz a distinção em Tubos rígidos e outros tubos. Muitos países adotaram a tradução como "3917.3 Tubos não rígidos" ao invés de outros tubos. A título de esclarecimento, na versão em inglês do SH temos: Fl. 574DF CARF MF 16 3917.2 Tubes, pipes and hoses, rigid: 3917.3 Other tubes, pipes and hoses: Valendonos do senso comum podemos concluir que estamos diante de tubos flexíveis, já que a própria recorrente apresenta seu produto como "Eletroduto corrugado flex" e no site da empresa o produto é apresentado como, fazendo parte da linha "Eletroduto de PVC flexível Corrugado": Os eletrodutos flexíveis corrugados são aplicados em instalações prediais elétricas de baixa tensão, para condução e acomodação de fios, cabos elétricos e dispositivos embutidos em paredes e lajes, ou aparentes em local protegido. O sistema é composto por eletrodutos corrugados para paredes (amarelo) e para lajes (laranja), com comprimento comercial de 50 metros, para bitolas de 20 e 25 mm; e 25 metros para bitola de 32 mm. O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. Antichama, o produto adequase perfeitamente às exigências da norma NBR 5410, oferecendo segurança às instalações elétricas de baixa tensão. Completa o sistema uma linha de caixas de luz e luvas de pressão, que se interligam aos tubos pelo sistema de simples encaixe. No caso dos tubos extensíveis, ou engates flexíveis, eles são apresentados no catálogo da empresa como "Sifão Extensível Universal", relativo aos mesmos códigos de produtos apontados pela fiscalização (10101, 17311, 96665 e 17815). E consta o esclarecimento que "o tubo extensível universal permite que sua curvatura tome o formato de um sifão", e que esses tubos possuem corpo sanfonado. Claro que não podemos nos valer apenas do que afirma a recorrente ser o produto, mesmo que em informações amplamente divulgadas para efeitos de comércio e propaganda. Para a classificação fiscal é preciso haver a identificação correta da mercadoria. Também não acabe à classificação fiscal adotar critérios diferentes dos preconizados pelas normas do Sistema Harmonizado. Não há como adotar, conforme quer a recorrente, a resistência ao invés da rigidez para classificar a mercadoria, já que esse não foi o critério escolhido pelo SH. Esclareço que nem sempre os critérios elegidos para a classificação fiscal de uma mercadoria coincidem com as necessidades de mercado, de produto ou de outras normas existentes (normas de outros órgãos administrativos são próprias às necessidades do órgão e o objetivo que se quer alcançar). São critérios próprios do SH que devem ser seguidos. Assim, correto o entendimento do Ilustre Relator do voto vencido: A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. Apesar de restar definido o que seja rígido e flexível, para efeitos de conhecimento geral, para maiores esclarecimentos devemos buscar apoio em normas técnicas nacionais e internacionais que podem servir de subsídio para nossa investigação. As normas da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, apesar de serem de utilização no país, seguem as normas internacionais de padronização, e por isso servem para o nosso propósito: Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 568 17 Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização ISO), da Comisión Panamericana de Normas Técnicas (Comissão Pan Americana de Normas Técnicas Copant) e da Asociación Mercosur de Normalización (Associação Mercosul de Normalização AMN). Desde a sua fundação, é também membro da International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional IEC). Também temos a nos socorrer as normas internacionais ISO, International Organization for Standardization, em especial a ISO 182632:2015 Plastics Mixtures of polypropylene (PP) and polyethylene (PE) recyclate derived from PP and PE used for flexible and rigid consumer packaging Part 2: Preparation of test specimens and determination of properties. E a American Society for Testing Materials (ASTM), em especial as normas ASTM D79017 Standard Test Methods for Flexural Properties of Unreinforced and Reinforced Plastics and Electrical Insulating Materials e ASTM D123813 Standard Test Method for Melt Flow Rates of Thermoplastics by Extrusion Plastometer. A norma ABNT NBR 15465, sobre Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricos de baixa tensão requisitos de desempenho, utilizada pela recorrente em sua argumentação, define quais requisitos de desempenho devem cumprir o produto: · Resistência à curvatura · Resistência à compressão · Resistência ao impacto · Resistência ao calor · Resistência à chama · Resistência rigidez dielétrica · Resistência do isolamento elétrico A recorrente alega seguir as orientações e estar qualificada pelo PBQPH, que é o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PBQPH, do Ministério das Cidades. Esse programa qualifica fabricantes de materiais e componentes, que para isso devem seguir suas orientações, e segue a norma ABNT NBR 15465. Na Diretriz de avaliação técnica de Produtos Sinat/PBQPH nº 013, para Tubulações corrugadas de polietileno contendo polietileno de alta densidade reciclado para microdrenagem de áreas internas de empreendimentos residenciais e comerciais, estão definidos os critérios de desempenho dos produtos: Assim, as tubulações alvo desta Diretriz são compostas por: Tubos corrugados (ver Figura 1) com ponta e bolsa. A ponta do tubo acomoda o anel de vedação elastomérico. Estes tubos possuem parede dupla, sendo a parede interna lisa (superfície que fica em contato com água de escoamento) e a parede externa com corrugações anelares ocas (ver Figura 2). A matériaprima utilizada na fabricação destes tubos contém polietileno de alta densidade reciclado (pósconsumo e pós indústria) e/ou polietileno reprocessado, cujo percentual na composição deve estar de acordo com os limites estabelecidos no item 1.2. Estes Fl. 576DF CARF MF 18 tubos devem atender aos requisitos e critérios especificados por esta Diretriz; Essa diretriz avalia os seguintes requisitos: densidade fluidez módulo de flexão tensão de escoamento na tração teor de negro de fumo tempo de oxidação induzida teor de cinzas teor de polipropileno resistência química. A diretriz também avalia o desempenho estrutural do produto, avaliando a rigidez anelar, conforme ISO 9969:2016, o achatamento, resistência ao impacto, fissuramento sob tensão com entalhe, resistência ao calor, e a durabilidade. Toda essa digressão foi efetuada para demonstrar que existem métodos para avaliar a rigidez e a flexibilidade de um produto, e que rigidez e resistência a impactos são características distintas, que podem conviver no mesmo produto. O produto pode ser flexível e apresentar resistência anelar, em cada anel do elemento corrugado, por exemplo. Porém para efeitos de classificação fiscal de mercadoria, o SH elegeu diferenciar os produtos entre flexíveis e rígidos em um primeiro momento, para apenas em um segundo momento fazer a diferenciação dos produtos relativa à resistência (vide descrição da NCM 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa). Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 569 19 Voltando aos produtos em análise devemos identificar o produto para saber se eles são rígidos ou não. O TVF informa que foram utilizadas informações obtidas em diligência à empresa para visita técnica, análise de informações constantes no sítio eletrônico da empresa na internet, catálogo de produtos, informações prestadas pela empresa nos seus documentos fiscais, imagens dos produtos, forma de comercialização dos produtos em bobinas para firmar seu convencimento que estava diante de produtos flexíveis, e que o fato de utilizarse para sua produção PVC rígido não significa que se está a produzir um produto rígido. A empresa apresenta Parecer Técnico, por ela solicitado ao engenheiro Eduardo A. C. Monteiro, em que discorre sobre a definição e características do PVC, policloreto de vinila, e informa que a diferenciação entre produtos rígidos ou flexíveis é feita pela detecção da presença ou não de óleo plastificante, e os produtos produzidos pela recorrente não utilizam em sua formulação aditivos plastificantes e que por isso são produtos rígidos Para o técnico a classificação de um eletroduto de PVC, em rígido e flexível, tem como base a sua resistência mecânica e a sua aplicação se baseia fundamentalmente nesta capacidade de suportar aos esforços de compressão quando a eles submetidos. Discordo do parecer técnico, pois a norma ABNT utilizada faz a diferenciação entre resistência à curvatura e à compressão, o que demonstra que não se pode tomar uma resistência pela outra. Pelos documentos citados e a leitura atenta do material técnico disponível para o tema, concluímos que os tubos corrugados são compostos de vários anéis. Esses anéis são juntados entre si por material de PVC. Cada anel pode apresentar rigidez (por isso algumas normas trazem testes quanto à rigidez anelar) se considerado isoladamente, mas o tubo, ao conectar os anéis permite que haja uma flexibilidade no produto como um todo. A característica principal dos tubos corrugados é permitir a realização de curvaturas com mudança de direção, dispensando o uso de conexões. Superada a questão quanto a característica dos produtos, concluo a partir de todas as elucubrações efetuadas que os produtos fabricados pela recorrente são produtos flexíveis. Portanto estamos diante da NCM para a subposição 3917.3 outros tubos, pela aplicação da RGI6: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Percorrendo a trilha do procedimento para classificação da mercadoria, agora devemos analisar a subposição de 2º nível: 3917.3 Outros tubos: 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa 3917.32 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios Fl. 578DF CARF MF 20 3917.32.10 De copolímeros de etileno 3917.32.2 De polipropileno 3917.32.21 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise ou para oxigenação sanguínea 3917.32.29 Outros 3917.32.30 De poli(tereftalato de etileno) 3917.32.90 Outros 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios 3917.39.00 Outros Já concluímos que estamos diante de tubos flexíveis, para os dois produtos. Pela aplicação da RGI6 temos que verificar entres os textos das subposições, qual o melhor descreve o produto. Para o produto "eletroduto corrugado" as subposições 3917.31 e 3917.32 são possíveis, desde que se esclareça qual a pressão mínima suportada por ele. Já o produto "tubo extensível universal" são possíveis as subposições 3917.31 e 3917.33. A recorrente afirma em seu Recurso Voluntário que o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral. Quanto especificamente ao produto fabricado pela recorrente temos a informação em email interno da empresa, já que o Parecer Técnico esclarece pontos relativos a tubos corrugados em geral e não realiza uma análise do produto da recorrente: No catalogo de produtos disponível no site da empresa consta que: O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. ... Toda instalação elétrica deve possuir um projeto de instalação que ofereça segurança ao usuário, atendendo às especificações exigidas pela NBR 15465 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho. ... Os eletrodutos são fornecidos em bobinas de 25 e 50 metros, facilitando sua aplicação, gerando uma economia de tempo e reduzindo a quantidade de conexões. Em casos de aproveitamento dos segmentos que sobraram durante a instalação, estes poderão ser unidos por meio de luvas de pressão. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 570 21 ... A nova norma de eletrodutos plásticos ABNT NBR 15465:2007 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho – classifica os eletrodutos plásticos da seguinte forma: Para a norma ABNT, os eletrodutos da empresa, como apresentam resistência mecânica média e leve, estão sujeitos a esforços de compressão de até 320N e 750N: Para as aplicações em que os eletrodutos e suas conexões ficam submetidos a esforços de compressão de até 320N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "leve", para esforços até 750N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "médio", para esforços de compressão de até 1250N, devese utilizar a classe de resistência mecânica "pesado". A NCM 3917.31.00 descreve os tubos flexíveis que podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa. O pascal (Pa) é uma unidade padrão de pressão e equivale à força de 1 (um) Newton aplicada uniformemente sobre uma superfície de 1 (um) m2. Logo 27,6 Mpa equivale a 27.600.000 Newton/metro2. Concluímos que a pressão suportada pelos produtos está muito abaixo do mínimo estipulado pela NCM 3917.31.00, não atendendo a descrição da mercadoria ao que está descrito nessa NCM. Chegamos a conclusão que pela aplicação da RGI6 para o produto "eletroduto corrugado" é aplicável a subposição 3917.32. E como o produto é fabricado com PVC, policloreto de polivinila, deve ser aplicada a NCM 3917.32.90. Para o produto "tubo extensível universal" concluímos pela subposição 3917.33, e como não existe desdobramento para essa subposição temos que se aplica a NCM 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com Fl. 580DF CARF MF 22 outras matérias, com acessórios. Já que segundo o catálogo da empresa esse sifão extensível universal vem acompanhado de acessórios. Depois dessa longa explicação concluo por negar provimento ao Recurso Voluntário e pela manutenção da Classificação Fiscal identificada pela Fiscalização no auto de infração. Por todo a exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002808/2006-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Assessoria Técnica Jurídica - ASTEJ, da Presidência do CARF, para apreciação do requerimento de e-fls. 326 a 332, com posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Assessoria Técnica Jurídica ASTEJ, da Presidência do CARF, para apreciação do requerimento de efls. 326 a 332, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .0 02 80 8/ 20 06 -4 6 Fl. 333DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 334 ___________ Relatório: Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Conforme auto de infração (fls. 108 e seguintes) a autuação pode assim ser resumida: 1) Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal ( art. 10 a 15 do Decreto n°4.382, de 19 de setembro de 2002): Foi declarada em a área de 133,3 ha e 1.180,4 ha, APP e ARL, respectivamente. Para comprovação destas áreas, estabelece a legislação de regência (§ 3° do art. 10 do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002) que o documento hábil é o Ato Declaratório Ambiental — ADA —, expedido pelo IBAMA, ou seu protocolo até 6 (seis) meses após a data prevista para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR —, que foi em 30092002. O ADA foi protocolado apenas em 22/01/2004, fora do prazo legal, portanto, devendo ser glosada as áreas. 2) Valor da terra nua: foi desconsiderado laudo técnico que trazia informações referentes aos anos de 1995 e 1997, impondose aplicação dos valores constantes do SIPT haja vista ausência de provas válidas a fundamentarem o VTN declarado. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 115/122. A Delegacia de Julgamento (fls. 127/135), rejeitando as preliminares arguídas julgou improcedente a impugnação e manteve na íntegra o lançamento. Em Recurso Voluntário (fls. 140/153) o Contribuinte retificando os termos da impugnação apresentada reiterou a preliminar de nulidade do lançamento e se insurgiu contra a obrigatoriedade de apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental) e a reformulação do valor atribuído ao VTN com a desconsideração do laudo técnico apresentado. Por meio do acórdão nº 280100.715 a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer a Área de Reserva Legal no total de 1.225,4ha. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou a órgão de fiscalização ambiental, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Resolução nº 9202000.135 CSRFT2 Fl. 335 3 de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. AREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de Areas de utilização limitada/reserva legal reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e órgão de fiscalização ambiental estadual, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ONUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, o qual corrobore sua declaração. Não sendo hábil o laudo apresentado, cabível a autuação que' considerou o VTN, constante do SIPT, considerandose o município de localização do imóvel, a aptidão de uso do solo e as extensões de Areas declaradas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência (fls. 166) para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de exclusão das áreas de reserva legal da área tributável do ITR. O Contribuinte apresentou contrarrazões e interpôs o seu Recurso de Divergência, com indicação de três matérias: obrigatoriedade de comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental da áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal; averbação das áreas de utilização limitada/reserva legal; e subavaliação do valor da terra nua. Conforme despacho que fls. 253, o recurso do contribuinte foi recebido apenas no que tange a necessidade de ADA tempestivo para fins de caracterização da APP. Há nos autos duas contrarrazões da Fazenda Nacional juntadas às fls. 259/269 e 303/309. Originalmente o processo foi pautado para a sessão do dia 26/01/2017, oportunidade em que o Colegiado resolveu por converter o julgamento em diligência para que fosse dada ciência ao contribuinte quanto ao despacho de admissibilidade que conheceu parcial do recurso especial por ele interposto (Resolução nº 9209000.081). Em manifestação de fls. 326 e seguintes, o Contribuinte apresenta argumentos para refutar a tese exposta pela Fazenda Nacional e reitera os fundamentos do seu recurso especial. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Resolução nº 9202000.135 CSRFT2 Fl. 336 4 Voto: Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme consta do relatório, para sanar irregularidade processual apontada por este Colegiado, o contribuinte foi intimado acerca do despacho de admissibilidade que conheceu apenas em parte do respectivo Recurso Especial interposto. Na oportunidade, o contribuinte faz juntar aos autos a petição de efls. 326 a 332, por meio da qual reitera suas alegações recursais. Considerado que quando da realização do ato processual de intimação já havia no regimento interno deste Conselho a previsão do Recurso de Agravo, nos temos do artigo 71, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência à autoridade competente para devida manifestação. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à Assessoria Técnica Jurídica ASTEJ, da Presidência do CARF, para apreciação do requerimento de efls. 326 a 332. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660288/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.692
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 88 /2 01 2- 11 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13681.720031/2017-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RECONHECIMENTO DO DÉBITO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou admitida sua omissão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE ALUGUÉIS.
Lançamento efeituado em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis. Considera-se como verdadeira a informação do valor de rendimentos de aluguéis constante na peça recursa, em comparação com a informação da fonte pagadora. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para efeito de tributação incidente sobre locação.
Numero da decisão: 2001-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 RECONHECIMENTO DO DÉBITO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou admitida sua omissão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE ALUGUÉIS. Lançamento efeituado em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis. Considera-se como verdadeira a informação do valor de rendimentos de aluguéis constante na peça recursa, em comparação com a informação da fonte pagadora. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para efeito de tributação incidente sobre locação.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou admitida sua omissão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE ALUGUÉIS. Lançamento efeituado em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis. Considerase como verdadeira a informação do valor de rendimentos de aluguéis constante na peça recursa, em comparação com a informação da fonte pagadora. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para efeito de tributação incidente sobre locação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 1. 72 00 31 /2 01 7- 67 Fl. 54DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão de rendimentos. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.304,88, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente deveria ter oferecido à tributação o valor integral dos recebimentos das fontes pagadoras. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação do valor correspondente aos recebimentos, seja a título de aposentadora seja a título de renda de aluguéis, como segue: O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento em que foi lhe exigido o imposto suplementar no valor de R$ 4.304,88, relativo ao anocalendário 2014, em virtude da apuração de omissão de rendimentos com vínculo e/ou sem vínculo empregatício e omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 08 e seguintes). Omissão de rendimentos com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. O impugnante concorda com essa infração. Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas. Fonte Pagadora: LAERTE RIBEIRO Infração: R$ 24.750,00 O valor foi declarado na DIRPF/2015 no campo Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior pelo Titular", no valor total de R$ 21.600,00, quando deveria ter sido declarado em Rendimentos de PJ recebidos pelo titular no valor de R$ 24.750,00. O interessado pede para desconsiderar o valor de R$ 21.600,00 lançado de forma errônea, mas referente a mesma natureza de rendimentos. (...) A impugnação é parcial e o imposto relativo à parcela não litigiosa foi apartado dos autos (fl. 29). O litígio restringese à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas. O impugnante alega que o valor de R$ 21.600,00 foi indevidamente declarado na DIRPF/2015, no campo "Rendimentos Tributáveis Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13681.720031/201767 Acórdão n.º 2001000.435 S2C0T1 Fl. 55 3 Recebidos de Pessoa Física e do Exterior pelo Titular", quando deveria ter sido declarado em "Rendimentos de PJ Recebidos pelo Titular", no valor de R$ 24.750,00. No entanto, com os elementos dos autos, não é possível afirmar que o valor declarado de R$ 21.600,00 referese a rendimentos recebidos da empresa LAERTE RIBEIRO. Salientese que o contribuinte poderia ter retificado a declaração de ajuste anual antes do procedimento de ofício. Depois de iniciada a ação fiscal, qualquer alteração na declaração é efetuada de ofício à luz das provas apresentadas pelo contribuinte. Nos termos do artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Não tendo o impugnante juntado aos autos nenhum elemento capaz de evidenciar o alegado equívoco, deve ser mantido o lançamento. Diante de todo o exposto, voto no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, na parte litigiosa. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência do crédito tributário nos termos do Lançamento. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A Contribuinte acima qualificada não se conformando com o julgamento improcedente a impugnação, vem apresentar recurso voluntário dentro do prazo que lhe é concedido e anexar comprovantes de alegações à defesa. Eu, AGMAR SANTOS PEREIRA ALVES, DECLARO perante a RECEITA FEDERAL DO BRASIL, que no ano calendário de 2014, possuía apenas dois rendimentos provenientes das seguintes fontes pagadoras: 1 – INSTITUTO DE PRECIDENCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO MUNICÍPIO DE JANAUBA – CNPJ 04.124.168/000160 – Rendimento anual: R$ 17.763,48. 2 – LAERTE RIBEIRO – CNPJ 09.341.535/000109 – Rendimento anual: R$ 24.750,00. E que não fui eu quem fez a DIRPF/2015 em meu nome, como também não tive ciência do valor de R$ 21.600,00 informados em “recebimentos de Pessoas Físicas”, eu NUNCA recebi esse valor declarado de forma incorreta e não concordo em pagar um imposto sobre um rendimento que NÂO recebi. Efetuei sim o pagamento do imposto resultante sobre o montante das duas fontes pagadoras acima Fl. 56DF CARF MF 4 qualificadas conforme DARF em anexo. Jamais recusei receber em minha residência intimação fiscal da Receita Federal, na qual poderia ter ciência do erro de informações da DIRPF/2015 e retificá la a tempo. Acredito ter havido uma falha do correio ao devolver a correspondência com informações falsas, tanto assim é que na AR Digital, cópia em anexo, não consta data e horário da visita do correio. Em virtude dessa ocorrência entrei em contato com o telefone 080 7250100 sendo comunicada que o correio quando da devolução do termo de intimação fiscal, informara que a procura teria se dado nos dias 22, 24 e 28/11/2016 respectivamente nos horários 12:26 hs, 11:33 hs e 14:27 hs, o que fica confirmada a falsidade da informação, pois estes são os horários de almoço onde todos os moradores se encontram em casa. Além do mais, se fosse verdade a informação do correio, teria deixado os avisos na caixa de correio da residência, o que não aconteceu. Diante do exposto, solicito mais uma vez a possibilidade da retificação da DIRPF/2015 ou a exclusão do valor de R$ 21.600,00 na qual nunca recebi, não preenchi a declaração, não enviei pela internet. Estou ciente que é um procedimento que qualquer pessoa de posse de meu número de CPF pode preencher e enviar. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A Recorrente, mesmo que tenha indicado na DAA como Natureza da Ocupação o “código 61 – Aposentado, militar da reserva ou reformado e pensionista de previdência”, não fez constar qualquer valor a título de recebimento do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Janauba, CNPJ 04.124.168/000160, no valor de R$ 17.763,48. Também não informou na Declaração do I.R. no espaço próprio para “Rendimento Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica Pelo Titular”, os recebimentos, na sua integralidade, referente a aluguéis de Laerte Ribeiro, CNPJ 09.341.535/000109, no valor de R$ 24.750,00. Porém, declarou ter recebido mensalmente valores de R$ 1.800,00, que seria a título de aluguel, contudo no espaço correspondente a “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior Pelo Titular”, no total de R$ 21.600,00, no período no ano calendário de 2014. É de entenderse que no afã de preencher o formulário da DAA, ao ver o nome Laerte Ribeiro tenha o funcionário entendido tratarse de pessoa física, o que há de se considerar somente um erro formal de campo do formulário da Declaração do I.R. Em razão desse erro de preenchimento do formulário o Agente Fiscal entendeu que o Lançamento deveria abranger a parte omitida no valor de R$ 42.513,48, mais o valor declarado de R$ 21.600,00, o que resultou num montante de R$ 64.113,48, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13681.720031/201767 Acórdão n.º 2001000.435 S2C0T1 Fl. 56 5 Instituto de Previdência ......................... R$ 17.763,48 (fls.08 e 15) + Aluguéis Laerte Ribeiro .......................... R$ 24.750,00 (fls.09 e 16) = Total da Omissão .................................... R$ 42.513,48 (fls.10 e 17) Valor Declarado no IR ............................. R$ 21.600,00 (fl.21) Total de Rendimentos do Lançamento ... R$ 64.113,48 Constatase facilmente que o valor declarado de R$ 21.600,00 foi incluído duplamente no Lançamento, pelo que se observa no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido apresentado pelo Fisco, conforme fl. 17. A Recorrente declarou em sua DAA aluguéis parcialmente de R$ 21.600,00, quando deveria ser de R$ 24.750,00 e não declarou o valor referente a Pensão de R$ 17.763,48, o que resulta numa omissão líquida de R$ 20.913,48, conforme demonstrativo a seguir: Valor Recebido de Aluguéis ... R$ 24.750,00 – Declarado de Aluguéis............ R$ 21.600,00 = Omissão de Aluguéis .............. R$ 3.150,00 Omissão da Previdência ........ R$ 17.763,48 + Total da Omissão Líquida....... R$ 20.913,48 No Recurso Voluntário a Recorrente admite que recebeu rendimentos de duas fontes, sendo R$ 17.763,48 do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Janauba e R$ 24.750,00 de Laerte Ribeiro a título de aluguéis, como segue: 1 – INSTITUTO DE PRECIDENCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO MUNICÍPIO DE JANAUBA – CNPJ 04.124.168/000160 – Rendimento anual: R$ 17.763,48. 2 – LAERTE RIBEIRO – CNPJ 09.341.535/000109 – Rendimento anual: R$ 24.750,00. Portanto, o valor total recebido pela Recorrente é de R$ 42.513,48 e, quanto a isso não há o que divergir que se trata de rendimentos referentes a essas duas fontes de pagamento, por declaração da própria Recorrente (fl.44). Ocorre que a Contribuinte apresentou DAA do anocalendário de 2014 com a informação de rendimentos de tão somente R$ 21.600,00, o que pela diferença da parte omitida restou isenta de imposto indevidamente. Assim, o que persiste é a necessidade de oferecer a tributação o valor total dos rendimentos recebidos, pela Contribuinte reconhecidos de R$ 42.513,48, neste incluído o valor declarado. Neste sentido o ajuste na apuração do imposto referente ao anocalendário de 2014, deve resultar do que se demonstra a seguir, sendo que nenhum outro valor deve ser exigido da Recorrente, sob pena de incorrerse em dupla contagem do valor declarado. Total de Rendimentos Tributáveis Declarado..........R$ 21.600,00 Omissão de Rendimentos Apurada..........................R$ 20.913,48 Total dos Rendimentos Tributáveis Apurados.........R$ 42.513,48 Desconto Simplificado.............................................R$ 8.502,48 Base de Cálculo Apurada.........................................R$ 34.010,80 Imposto Apurado......................................................R$ 1.081,27 Observase pelo demonstrativo acima que foi considerado o valor informado na DAA mais a diferença do valor omitido a tributação. Sendo que R$ 21.600,00 mais a diferença omitida de R$ 20.913,48 que é igual à soma do valor dos valores recebidos das duas Fl. 58DF CARF MF 6 fontes informada no Recurso Voluntário (R$ 17.763,48 + R$ 24.750,00 = R$ 42.513,48). O valor de R$ 42.513,48 corresponde a tudo quanto a Recorrente recebeu no anocalendário de 2014, incluídos nesse total os valores declarados e os não declarados. Assim que, o cálculo do imposto deverá ser feito sobre o total que deveria ter sido informado como rendimentos. Se considerar o valor informado na DAA, deverá ser incluída somente a diferença do valor verdadeiramente omitido, o que resulta no corresponde ao valor a ser tributado, coerente com as informações fornecidas pela Recorrente no Recurso Voluntário. Assim, o novo cálculo de apuração do imposto deve ser feito considerandose a omissão verdadeira, sem a dupla contagem do valor já declarado porque se refere a recebimento de aluguéis, conforme demonstrado anteriormente. VALOR REAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (fl.26) Ocorre que o valor do Lançamento foi R$ 4.304,88, contudo, a verdadeira omissão se deu no valor de R$ 1.081,27, conforme o cálculo feito pela própria fiscalização como apresentado na fl. 26, com o título de Crédito Tributário não Questionado. Neste sentido, considerase Provido o Recurso porque este se referia somente em relação à duplicidade de inclusão do rendimento de 21.600,00, já declarado na DAA e em razão da concordância da Recorrente (fl.44), em relação aos valores omitidos à tributação, conforme amplamente demonstrado acima. Portanto, dáse provimento para excluir do Lançamento o valor de 3.223,61. Por fim, com base nas demonstrações antes expostas, assim como pela análise do que consta no processo e, em observância ao que determina a legislação tributária, se conclui que o saldo do valor definido como crédito tributário do Lançamento se limita a R$ 1.081,27, conforme calculado pela própria fiscalização (fl.26). Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para excluir da exigência do crédito tributário lançado o valor de R$ 3.223,61. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.720567/2007-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI.
Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata.
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI. Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 05 67 /2 00 7- 62 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo de pedido de Declaração de Compensação de IPI com débitos de IRPJ conforme relatório da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 247/251) exarado nos seguintes termos: "Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação — DCOMP Eletrônica no 20668 .79092.130804.1.3.010904 (fls. 04/85), baixada para tratamento manual no presente processo, transmitida em 13/08/2004, cujo débito compensado monta R$ 32890,36, tendo por lastro crédito decorrente de Ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado ao final do trimestre 3 °/2002, apurado pela filial n° 036204, localizada no município de BetimMG, com lastro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Do procedimento de fiscalização instaurado por intermédio do MP fl. 94 resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 187/193, que concluiu pelo indeferimento do direito creditório sob a seguinte motivação, em síntese: =>em visita à unidade operacional da Petrobrás Distribuidora SA denominada FASBET — Fábrica de Emulsões Asfálticas de Betim constatouse que o estabelecimento industrializa emulsões asfálticas classificadas na TIPI aprovada pelos Decretos 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002, na posição 2715.00.00, com alíquota de 5% (conforme declarou a empresa às fls. 99/100); => até dezembro/2006 a empresa dava saída aos produtos que industrializava — emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00 na TIPI — sem destaque do IPI, sob o argumento de se tratar de produto derivado de petróleo, sujeito a imunidade, com amparo na Solução de Consulta favorável obtida pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfaltos (da qual é associada) por meio do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 854, de 1993 (fls. 108/110), que expressamente reconheceu tratarse de produto imune, baseado no Parecer Técnico exarado pelo DNC (fls. 106/107); => dai decorreu o acúmulo de créditos que originou diversos pedidos de ressarcimento/compensação; => ocorre que o produto industrializado pelo estabelecimento detentor do crédito, a emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00, apresenta alíquota de 5% na TIPI, denotando, assim, não se tratar de produto imune e nem derivado de petróleo nos termos do art.18, inciso__ IV, §3°, do RIPI/2002; => assim, ao se proceder a reconstituição da escrita fiscal fazendo incidir o IPI à alíquota de 5% na saída e considerando se "os créditos escriturados no RAIPI verificouse a apuração de saldo devedor ao final de todos os trimestres, desde outubro/2001 até junho/2004 (conforme demonstrativos de fls. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 4 3 150/181 e 182/186), razão por que não existe direito ao ressarcimento/compensação nos moldes previstos nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, tendo, sido, inclusive, os saldos devedores apurados não alcançados pela decadência objeto de lançamento mediante auto de infração; => acerca da conclusão do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 854, de 28/07/1993, é de se lembrar que quando o mesmo foi exarado não havia qualquer regulamentação acerca da EC n° 03/1993 e, ainda, que o mesmo só tem validade até a publicação de ato ou norma que adote outro entendimento sobre a matéria consultada (aplicação da imunidade à emulsão asfáltica), que, como visto, apresentase atualmente, na TIPI aprovada pelo Decreto n° 4.542/2002 com alíquota de 5%, indicando não se tratar de produto abrangido pela imunidade atribuída aos derivados de petróleo; => propôsse, assim, o indeferimento do pedido de ressarcimento. 0 auto de infração a que se refere o TVF foi formalizado por meio do processo administrativo n° 10976.000214/200878 — cujo extrato encontrase anexado às fls. 237/240 do presente processo — que se encontra enviado A PFN desde 30/12/2008. Na seqüência foi proferido o Despacho Decisório de fls. 194/196, que, mencionando a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito e destacando excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade a que se refere o art. 153, §3° da CF, mas, sim, de produto tributado alíquota de 5% na TIPI, concluiu pelo indeferimento do direito creditório e pela não homologação da compensação declarada. Ciente do despacho decisório em 19/01/2009 (fls. 200/201) manifestou a interessada a sua inconformidade em 13/02/2009 (fls. 204/214), alegando, em apertada síntese: i) a nulidade do despacho decisório por falta de motivação; ii) eventual equivoco na tributação de emulsão não reflete inadequação na tomada de crédito de IPI pelas entradas de MP, PI e ME, assim, procede o creditamento realizado, conforme já reconhecido tantas vezes pela SRF, a exemplo do DOC. 07; iii) requer a produção de prova documental suplementar e diligência fiscal no estabelecimento tendente a determinar a adequação dos créditos tomados, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a homologação da compensação declarada. Ocorre que, não obstante o Despacho Decisório mencionasse o Termo de Verificação Fiscal — o que nos leva a inferir ter sido o mesmo adotado como fundamento para o indeferimento do pleito — não se verificou dos autos ter sido remetida sua cópia à pleiteante (que também não se valeu da faculdade de vista dos autos durante o prazo de impugnação), o que motivou o retorno do processo A. DRF de origem, em diligência (fls. 241/242), a fim de que fosse remetida cópia do Termo de Verificação Fiscal e reaberto prazo para apresentação de razões adicionais de Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 5 4 defesa, de modo a se assegurar o pleno exercício do contraditório e ampla defesa. Cumprida a diligência (fls. 243/244) e oportunizada a se manifestar a interessada não se pronunciou." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 204/214), alegando, em resumo, que deveria ser anulado o r. Despachos Decisório DRF/CON nº 54 (fls. 194/196) de 13/01/2009 por conter vício a decisão proferida pela DRF, informando que os créditos referemse à aquisição de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários, apontando o equívoco na tributação da emulsão asfáltica e, por fim, devendo reconhecer a totalidade do crédito compensado com base no art. 21, § 3º e 6º da Instrução Normativa SRF nº 900/08. Analisado os argumentos do contribuinte pela 3ª Turma da DRJ/JFA na manifestação de inconformidade (fls. 204/214) que julgou improcedente, por entender que o contribuinte deixou de destacar o IPI (até dezembro/2006, passando a fazêlo somente a partir de janeiro/2007) nas vendas de emulsões asfálticas, produto classificado sob o código 2715.0000, sujeito à alíquota de 5% na TIPI, sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 SALDO DEVEDOR. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL.CONVALIDAÇÃO. À apresentação de defesa dissociada da motivação do indeferimento do direito creditório implica convalidação da reconstituição da escrita fiscal que apurou saldos devedores após o registro dos débitos decorrentes das saídas de emulsão asfáltica, não havendo se falar em direito creditório a ser reconhecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PROVA DOCUMENTAL/DILIGÊNCIA. Indeferemse os pedidos de apresentação de prova documental suplementar em momento posterior à impugnação e de diligência quando a autoridade julgadora os entende desnecessários e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez constatada a inexistência do saldo credor passível de Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 6 5 ressarcimento indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da(s) DCOMP(s) em análise, cabe a não homologação da(s) compensação (ões) sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 256/262) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) a suposta incidência de IPI nas saídas das emulsões asfálticas, em . face da .sua respectiva imunidade constitucional e ausência de TIPI especifica para seu efetivo enquadramento.; b) o efeito suspensivo e, por fim, c) a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator É oportuno esclarecer que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "RECURSO ADMINISTRATIVO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE" em atenção ao princípio da fungibilidade, recebo e processo como Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte a nulidade do despacho decisório por falta de motivação, o que não se pode prosperar, pois como bem descrito no acórdão proferido pela DRJ "além de mencionar a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito, destacou excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade, mas sim de produto tributado à alíquota de 5% na TIPI", claramente demonstrado as razões de fato e de direito que fundamentaram o indeferimento, ademais pode se perceber que seguiuse todos trâmites regulares e legais quanto ao seu processamento, afastando também qualquer narrativa de cerceamento de defesa. Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações, passo a analisar o cerne da lide, qual seja, se a emulsão asfáltica, supostamente abrangida pela imunidade, darseia direito a crédito ou se é produto tributado à alíquota de 5% classificada na TIPI Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 7 6 Por oportuno, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 187/193) é esclarecedor para demonstrar que "se o produto está sujeito à alíquota do IPI na TIPI (aprovada pelos Decretos nºs 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002), ela deve ser aplicada, salvo disposição em contrário. Concluindo, as emulsões asfálticas, classificadas na TIPI na posição 27.15.00.00, não estão incluídas na imunidade prevista no artigo 155, §3° da CF, e devem ser tributadas pelo IPI à aliquota de 5%.". Sendo assim, "incorretas as atitudes tomadas pelo contribuinte no sentido de não promover o recolhimento do IPI nas operações que têm por objeto os produtos em apreço". Cabe aqui, observar que na reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo devedor de IPI em todos os trimestres, não tendo assim, o contribuinte, direito a restituição/compensação nos moldes previstos nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Ademais, a compensação tributária é regulada pelo art. 170 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública" (grifo nosso). Ainda que se assim não fosse, prevalecendo a tese preconizada pelo contribuinte que a emulsão asfáltica "cuja imunidade constitucional é decorrente do mesmo ser integralmente derivado de petróleo, conforme art. 155 §39 da CF/88", entendo que não assiste razão o contribuinte em sua tese. É o que se infere nos termos do art. 11, da Lei nº 9.779/99, instituidora do regime de creditamento em discussão, é expresso em garantir o benefício somente quanto à produção de mercadorias isentas e sujeitas à alíquota zero, não se estendendo às mercadorias imunes ou não tributadas, nos seguintes termos: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." A imunidade tributária se diferencia das figuras exonerativas da isenção e da alíquota zero principalmente pelo fato de que, nessas situações, os entes políticos têm competência para instituir o tributo, mas que, por razões extrafiscais, decidem exonerar determinados setores ou produtos por meio de normas infraconstitucionais, cuja tributação encontravase constitucionalmente autorizada. Por fim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem reconhecendo a vedação do aproveitamento de créditos de sobre insumos utilizados na industrialização de produtos imunes ao IPI. (Acórdão nº 9303006.516 e Acórdão nº 9303004.581). No tocante ao efeito suspensivo requerido pelo contribuinte a fim de garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ressalta não ser necessário qualquer Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 8 7 provimento por parte do relator, uma vez que tal suspensão já está garantida na forma do art. 151, III do CTN, "in verbis": "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726410/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA - Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-001.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os
Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior (Relator), que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior (Relator), que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallman Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.957,55, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal elaborado pela autoridade lançadora, constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Segundo a autoridade lançadora as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na Fl. 137DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/SDR n° 1523.334, de 07 de abril de 2010 (fls. 84/89), cuja ementa segue abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 3 5 MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Devidamente intimado em 29 de junho de 2010, a recorrente apresenta tempestivamente recurso em 12 de julho de 2010, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 139DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Relator Natureza Indenizatória Do Valor Recebido Antes de adentramos ao mérito da questão, gostaria de fazer um breve histórico de como originou a questão objeto de julgamento. Inicialmente devemos analisar as disposições do artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, que tratou concedeu o abono variável a partir de 1 de janeiro de 1998 aos membros do Poder Judiciário: “Art. 6º: Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Referido dispositivo legal faz menção ao artigo 93, inciso V da Constituição Federal, condicionando a produção de efeitos do abono até a data de vigência de futura Emenda Constitucional alterando o comando constitucional mencionado. A Emenda Constitucional nº. 19, de 04 de Junho de 1998, alterou o dispositivo constitucional mencionado: “Art. 93: (...) V os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. (redação anterior à EC 19/98) V o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os Fl. 140DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 4 7 subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.” (redação dada pela EC 19/98) A forma de cálculo e de pagamento foi disciplinado pelo artigo 2º, da Lei nº. 10.474/2002: “Art. 2º: O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º: Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º: Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º: O valor do abono variável da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.” O Supremo Tribunal Federal STF ao editar o artigo 1º da resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002 definiu a natureza jurídica indenizatória do abono previsto no artigo 2º da Lei nº. 10.474/2002, nos seguintes termos: “Art. 1º: É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº. 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.” Assim a partir da edição da Resolução n° 245/02 do STF o abono variável de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474/02 tem natureza indenizatória, portanto não é passível de ser tributado pelo imposto de renda. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 O “abono variável” devido aos Magistrados do Estado do Bahia, objeto de discussão no presente caso tem como fundamento legal nos artigos 4º e 5º, da Lei 8.730 de 09 de setembro de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Nos termos da referida norma legal, entendo que foi pago aos membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia abono variável nos mesmos moldes do que dispõe o artigo 2°, da Lei n° 10.747/02. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos Magistrados Estaduais pela Lei n° 8.073 de 2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPF, portanto tem natureza indenizatória nos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não sendo portanto fato gerador do imposto de renda nos termos do que dispõe o artigo 43 do CTN. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 142DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 6 11 Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : Fl. 145DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 146DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10840.907412/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 74 12 /2 00 9- 81 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior 2089 IRPJ Lucro Presumido, para a compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada porque identificou que o pagamento efetuado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO emitiu Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: (...) DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. 4. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 5. Alega que identificou, depois de ter entregado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os valores que havia confessado e pago via DARF eram indevidos; por isso apresentou a PEr/Dcomp requerendo o crédito para fins de compensação; e que a RFB interpretou incorretamente, dado que apresentou DCTF retificadora, conforme anexa ao processo; afirma que o Despacho Decisório tomou por base a DCTF original e não considerou a retificadora. 6. Discorda que não tenha apresentado documentação comprobatória suficiente de que os recolhimentos foram indevidos; afirma anexar documentos que comprovam a alegação. 7. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.210, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906603/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.210): "1 Paradigma de lote. 7. A interessada informou na DIPJ, o código da atividade 85.138/01 atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios); o objeto social é "Serviços Médicos de ortopedia e traumatologia, bem como pronto socorro"; declarou o IRPJ pelo regime do Lucro Presumido, apurado mediante o percentual de 8% sobre a Receita Bruta. 8. Este processo foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do lote, cuja composição consta da tabela na sequência deste voto. 9. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ dos processos que compõem este lote são de teor idêntico. 10. A DRJ/RPO, explicou a necessidade de a interessada apresentar provas de que efetuou recolhimentos a maior: Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadores, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada; e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. 11. Os dados dos processos que compõem o lote, com os respectivos documentos são os apresentados na tabela a seguir: DIPJ retif nº processo crédito PA dta arrec Darf pago Crédito requer data ciê DD data DIPJ retif Receita Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 03/2001 30/04/2001 3.725,11 1.099,66 26/06/2009 06/07/2005 290.538,25 764,28 10840.907603/200925 3.725,11 26/06/2009 10840.907129/200959 06/2001 31/07/2001 4.013,55 337,81 26/06/2009 06/07/2005 301.734,50 857,04 10840.907399/200960 3.675,74 26/06/2009 10840.907130/200983 09/2001 31/10/2001 4.109,02 152,23 26/06/2009 06/07/2005 280.798,50 805,71 10840.907131/200928 12/2001 31/01/2002 5.291,18 1.921,13 26/06/2009 06/07/2005 274.914,51 813,00 10840.907132/200972 03/2002 30/04/2002 4.262,97 709,99 26/06/2009 06/07/2005 128.981,22 380,35 10840.907133/200917 06/2002 31/07/2002 5.026,96 829,26 26/06/2009 06/07/2005 151.694,50 434,05 10840.907409/200967 1.006,67 26/06/2006 10840.907410/200991 2.030,70 26/06/2009 10840.907411/200936 1.092,13 26/06/2009 10840.907412/200981 68,20 26/06/2009 DCTF retif A B nº processo Data IRPJ a pagar IRPJ a pagar REC Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 16/07/2009 não consta 314,50 112.211,52 314,50 10840.907603/200925 10840.907129/200959 16/07/2009 não consta 334,17 120.769,93 334,17 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 6 5 10840.907399/200960 10840.907130/200983 16/07/2009 não consta 347,65 123.796,19 347,65 10840.907131/200928 16/07/2009 não consta 441,20 159.232,99 441,20 10840.907132/200972 14/07/2009 não consta 380,36 128.981,22 380,36 10840.907133/200917 14/07/2009 não consta 434,63 151.694,50 434,63 10840.907409/200967 10840.907410/200991 10840.907411/200936 10840.907412/200981 A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário B Demonstr de IRPJ Devido/Recolh/A recuperar anexado c/ Rec Voluntário 12. Da análise dos A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário, da DIPJ e dos dados supra, verificase: a. A interessada apresentou DIPJs dos anoscalendário 2001 e 2002, retificadoras, em 06/07/2005; os Despachos Decisórios lhe foram cientificados em 26/06/2009; a entrega da DCTF retificadora foi posterior, em 14 e 16/07/2009, não espontânea; b. Os "A Demonstrativo de apuração do IRPJ" dos trimestres do ano 2001, apresentam valores de Receita Bruta e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF divergentes dos da DIPJ; os referentes aos 1º e 2º trim/2002, são coincidentes; c. em todos os trimestres, a apuração do IRPJ a pagar negativo resultou da dedução de IRRF; d. apesar da explicação da DRJ, da necessidade de documentos comprobatórios, o contribuinte não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de retenção de IR na fonte, que as fontes pagadoras lhe teriam fornecido e que comprovariam os valores de IRRF deduzidos nas apurações retificadoras; e. em todos os trimestres em análise, a soma dos valores de créditos requeridos nas PER/Dcomp supera o SN de IRPJ que informou; por exemplo, tomandose o 2º trim/2002 (06/2002), temse que o Darf cód 2089 IRPJ Lucro Presumido, recolhido em 31/07/2002, totalizou R$5.026,96; o SN IRPJ constante tanto da DIPJ como dos "A Demonstrativo de apuração do IRPJ", foi R$()434,63, e a soma dos créditos requeridos nas PER/Dcomp foi R$5.026,96, ou seja, a totalidade do recolhimento. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO, ao Recurso Voluntário." Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002057/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
Auto de Infração. Possibilidade de Vista dos Autos. Cerceamento de Defesa. Não Ocorrência.
Não ocorre cerceamento do direito de defasa quando assegurado ao contribuinte o direito de vista dos autos, bem como o direito de extrair cópia de qualquer documento ou dos autos integralmente.
Numero da decisão: 1301-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DE VISTA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defasa quando assegurado ao contribuinte o direito de vista dos autos, bem como o direito de extrair cópia de qualquer documento ou dos autos integralmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 57 /2 01 0- 51 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 132 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AA INDUSTRIAL E COMERCIAL FERRO E AÇO LTDA., contra o Acórdão nº 1431.672, da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à impugnação da recorrente e manteve o lançamento que dela exigia crédito tributário de IPI, no monante de R$ 14.286.404,48, compreendendo imposto, multa e juros. A Fiscalização, pelo exame das informações prestadas pela recorrente à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, constatou a falta de declaração e de recolhimento do IPI, no ano de 2007. Baseouse a autoridade lançadora nas saídas classificadas sob o CFOP 5101, referente a vendas de produção do estabelecimento. Contra a exigência do Fisco, foi apresentada impugnação na qual, em síntese, alegouse cerceamento do direito de defesa, porquanto a recorrente não teria tido acesso às provas e aos documentos com base nos quais o lançamento fora realizado. A DRJ RPO negou provimento à impugnação, em acórdão assim resumido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, AA INDUSTRIAL E COMERCIAL FERRO E AÇO LTDA. recorreu do acórdão que lhe fora contrário, reproduzindo os mesmos argumentos da impugnação, que se resumiram ao cerceamento do direito de defesa. Disse a recorrente ser necessário que o autuado tenha conhecimento de todos os termos, laudos, documentos e declarações que serviram de base à lavratura do auto de infração, a fim de poder exercer, de forma ampla, o direito de defesa. No caso concreto, porém, a recorrente não teria sido intimada para se manifestar acerca da GIA e da DCTF utilizadas como base para lavratura do auto de infração, o qual não se fez acompanhar das cópias dos referidos documentos, impedindo que a autuada tivesse pleno conhecimento dos fatos a ela imputados. Ressaltou que o pedido de vista dos autos demanada pelo menos quinze dias para ser deferido, sendo necessário prévio agendamento que, normalmente, leva uma semana e meia. Já a solicitação de cópia dos autos é atendida em torno de sete dias. Arrematou dizendo que o auto de infração deveria ter sido enviado com todos os elementos de prova indispensáveis à caracterização do ilícito, e que não é admissível que o Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 133 3 Fisco fundamente toda ação fiscal em dados extraídos de GIA, DCTF e DIPJ, sem permitir à autuada ter ciência de tais dados. Com essas alegações, a recorrente pugnou pela reforma da decisão recorrida e a anulação do lançamento. Os autos foram remetidos à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, pelo Acórdão nº 3201002.221 (fls. 126 a 128), declinou da competência em favor da 1ª Seção, alegando conexão com o processo 19515.002056/2010 15, do qual o presente processo seria reflexo. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia se limita à alegação de cerceamento de defesa, pois a recorrente afirma não ter tido acesso aos elementos de prova com base nos quais a autoridade fiscal realizou o lançamento. Não houve cerceamento do direito de defesa. O respeito ao direito de defesa se garante permitindo ao contribuinte a vista dos autos e a possibilidade de extrair cópias de todos ou de alguns documentos, a critério do próprio autuado. O direito de obter cópia e de ter vista dos autos é garantido pela Lei nº 9.784/1999: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; Tal dispositivo busca assegurar exatamente o direito de defesa, permitindo que ao interessado o conhecimento de todos os elementos probatórios constantes dos autos. Entendeu a lei que, para dar efetividade àquele direito constitucional, bastava permitir ao Fl. 133DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 134 4 interessado a possibilidade de vista dos autos, e a faculdade de solicitar cópia das peças e dos documentos que o próprio interessado, a seu juízo, entendesse importantes. Assim, portanto, estaria assegurado o direito de defesa. Nas instruções que acompanham o auto de infração, e que foram remetidas à recorrente quando da notificação do lançamento, está expressamente indicado esse direito. Eis o teor da informação: IV Após a formalização do processo, havendo necessidade de vista do mesmo, esta só será concedida ao próprio Sujeito Passivo ou ao seu representante legal, devidamente comprovado ou habilitado nos autos processuais. O interessado deverá comparecer no seguinte endereço: (g.n.) (fl. 52) O auto de infração entregue à recorrente, quando da ciência do lançamento, não precisa vir acompanhado das provas da infração, as quais o sujeito passivo poderia examinar mediante vista dos autos e, assim, ter conhecimento de todos os dados que serviram de base à autuação. A recorrente alega, por outro lado, que, no mais das vezes, é demorado o procedimento para se ter vista dos autos, bem como para obter cópias. É possível que, em algumas situações, a morosidade da Administração ocorra. O fato, entretanto, deve ser provada. O contribuinte deve comprovar a data em que o pedido foi feito e a data em que foi atendido. Se a Administração for morosa, causando prejuízo ao direito de defesa, o contribuinte terá direito à devolução do prazo para impugnação ou recurso. Essa circunstância, entretanto, tem de ser comprovada e examinada, caso a caso, a fim de verificar o efetivo prejuízo ao direito de defesa. No caso concreto, não há um único documento a revelar que a recorrente tenha solicitado cópia dos autos, e que essas cópias não tenham sido entregues ou que o foram tardiamente. Em suma, não ficou demonstrado nenhum óbice ou embaraço ao exercício do direito de defesa. Por fim, cabe registrar que, no processo nº 19515.002056/201015, que tinha por objeto a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, recaindo todos os tributos sobre a mesma base fática do presente processo, que cuida do IPI, a decisão foi no mesmo sentido. Confirase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES. INOCORRÊNCIA. A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsálo e obter as copias que entendesse necessárias. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 135 5 Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação foram plenamente assegurados no curso do processo. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937652/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.937652/201158 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.501 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de junho de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CSC COMPUTER SCIENCES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RELATÓRIO Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 37 65 2/ 20 11 -5 8 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.937652/201158 Resolução nº 1201000.501 S1C2T1 Fl. 3 2 Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente. A decisão de Primeira Instância apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO PARA SALDO NEGATIVO. NOVO PER/DCOMP. A modificação da natureza jurídica do crédito não configura inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterála impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro com a informação correta. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO.DIREITO. Não restou demonstrado o erro que teria provocado o pagamento maior que o devido, razão pela qual não se reconhece o direito creditório pleiteado e nem se extingue por compensação o débito informado. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) a nulidade do Acórdão recorrido que modificou a fundamentação do Despacho Decisório; b) O Despacho Decisório havia consignado não ser possível reconhecer o crédito da recorrente ante o erro material verificado no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido, por seu turno, mantém a não homologação do crédito, todavia, por fundamentação diversa, consignando que o mesmo não foi devidamente comprovado; c) O Acórdão recorrido não poderia ter simplesmente ignorado a apuração do crédito do imposto procedida pela recorrente. Bastaria comparar o valor lançado mensalmente com os recolhimentos feitos para concluir a existência do crédito; d) Afastada a nulidade, deveria a autoridade " a quo" ter diligenciado ou intimado a parte para a comprovação do crédito compensado, sob pena de nova nulidade por cerceamento do direito de defesa administrativa. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.937652/201158 Resolução nº 1201000.501 S1C2T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.500, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.937651/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2005 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 28/12/2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.500): "Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.937652/201158 Resolução nº 1201000.501 S1C2T1 Fl. 5 4 fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 166DF CARF MF
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