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Numero do processo: 10665.001860/2010-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 18 60 /2 01 0- 81 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 9202006.076 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 9202006.076 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 9202006.076 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 9202006.076 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 9202006.076 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 9202006.076 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10665.001860/201081 Acórdão n.º 9202006.076 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729205/2011-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
Numero da decisão: 1001-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 09/10) para o ano calendário 2011, tendose em vista a existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza não previdenciária, e débitos inscritos na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 92 05 /2 01 1- 13 Fl. 49DF CARF MF 2 Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 31/33) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender: Os débitos referemse, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao tributo “Simples Nacional”, dos períodos de apuração 05/2008, 08/2008, 09/2008, 11/2008 e 12/2008. Quanto às pendências na PGFN, referemse ao Tributo “Simples”, inscrições nºs 409000288751 e 41000263491. Inconformado, o sujeito passivo alega que efetuou todos os pagamentos e anexa cópia de alguns Documentos de Arrecadação do Simples Nacional – DAS e Consulta efetuada através do eCAC ( Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte ) em 23/09/2011, onde consta que as inscrições relacionadas do Termo de Indeferimento encontramse extintas por pagamento. Consultando os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verifiquei que realmente todos os débitos do Simples Nacional constantes do Termo de Indeferimento foram quitados em 14/03/2011. Já os sistemas da PGFN confirmam a extinção dos dois débitos antes relacionados, ambos em setembro/2011. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação de Em 10/09/2013 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/09/2013 (e fls. 40/46), em que aduz, em resumo: (...) É ilegal e coatora EM MANTER a exclusão APLICADA PELA RFB, E DEPOIS DE O CONTRIBUINTE TER PAGO OS "DÉBITOS) E REQUERER EM JUÍZO COMPENSAÇÕES COM RETENÇÕES ILEGAIS E TOMADOS DA SUA RECEITA BRUTA, COMO PENHORA ILEGAL" POR TOMADORES DE SERVIÇOS COAGIDOS PELA RFB, sem respeitar a "Sumula 425, relatada pela "Ministra Eliana Calmon, e aprovada, e os requisitos do art. 146, III, "d" da CF/88 e ferindo o Art 154,1 da CF88, pela RFB como agente cobrador e obrigando o contribuinte, ( microempresário), ao ônus de recorrer ao judiciário e gerando encargos legais desnecessários, e para livrarse da sua desídia e inércia, e da pratica ABUSIVA DE COBRANÇA, conforme vossa "Conclusão" em votos de improcedência e a manter o indeferimento, da inscrição do contribuinte no "simples" desde 09.08.1999 e no "Simples Nacional" desde 31.07.2007, e não há razão após a cobrança de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 11080.729205/201113 Acórdão n.º 1001000.149 S1C0T1 Fl. 50 3 tributos do " Simples" e os recebeu e ainda está cobrando os impostos a título "Simplificado"; E a RFB através dos membros da 6a junta só não se prontificam a se auto fiscalizar internamente nos créditos do contribuinte e as suas "fontes pagadoras", e a repassar as verbas pagas de ISS (PMPA), cujo fato o contribuinte sofre a duplicidade de tributação em execução fiscal, as quais seriam os responsáveis pela tributação compulsória imposta pela a RFB, para as microempresas e que não realizou as correções e fiscalização tributária, na época própria, (um ano de prazo) e notificar a Pessoa Jurídica; Ora Sra. Cecília Dutra Pillar (Presidente...) e Relatora e Agentes cobradores , ao contribuinte só resta o "JUDICIÁRIO", para poder trabalhar receber os seus direitos e a apurar quem serão responsabilizados por "Omissão, Desídia e Danos Materiais e Morais" pela prática de postergar o direito constitucional do contribuinte de zelar pelo seu patrimônio. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 09/10) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Isto porque o débito do Simples Nacional constantes do Termo de Indeferimento foram quitados em 14/03/2011 e os débitos da DAU (PGFN) em setembro/2011 (efls ). E para inclusão no Simples Nacional no anocalendário de 2011 o contribuinte dispunha do prazo até 31/01/2011, para regularizar eventuais pendências impeditivas. Assim, os débitos previdenciários não se encontravam pagos ou com parcelamento em dia em 31/01/2011. Quanto à alegação de eventual excesso inconstitucional do legislador ordinário (ao fixar, na Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, a impossibilidade de Opção pelo Simples Nacional de empresas com débito com a Fazenda nacional; e por determinar a retenção na fonte de tributo), cabe destacar que é tarefa exclusiva reservada ao Poder Judiciário a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.016005/2007-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.036
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara de origem, a fim de que se dê ciência à PGFN dos acórdãos que julgaram os embargos de declaração da DRF/Curitiba e da contribuinte (Acórdão nº 1201-00.592 e Acórdão nº 1401-001.568, respectivamente), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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(assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 4º da Portaria MF nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 16 00 5/ 20 07 -0 4 Fl. 10018DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 3 2 256/2009 (RICARF/2009) e art. 3º da Portaria MF nº 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10323.588, de 15/10/2008, por meio do qual a Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, entre outras questões, por maioria de votos, decidiu afastar o agravamento da multa de ofício. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 e 2005 ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real, bem assim a escrituração financeira (livro caixa) considerada imprestável implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFICIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Sumula 1º CC nº 2). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Fl. 10019DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 4 3 A simples falta de atendimento de intimações nos prazos estipulados não é motivo para o agravamento da multa, principalmente quando a fiscalização já sabia que o sujeito passivo não possuía escrituração contábil e fiscal capaz de suportar auditoria pelo Lucro Real. JUROS DE MORA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema.Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Sumula 1° CC nº 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito quo os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MEDALHÃO PERSA LTDA. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário apenas para afastar o agravamento da multa de oficio aplicada; vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe e Antonio Carlos Guidoni Filho que davam provimento parcial ao recurso também para afastar a qualificação da multa de oficio e os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Ester Marques Lins de Sousa (Suplente Convocada) que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime contrária à lei e às provas dos autos, no que toca ao afastamento do agravamento da multa de ofício. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que reduziu a multa agravada (225%); contra a recorrida foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social CONFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, referentes aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005; diante do fato de a recorrida não atender a intimações para apresentar os esclarecimentos necessários à autoridade fiscal, de forma reiterada, bem como não apresentar extratos bancários, arquivos magnéticos e livro caixa solicitados pela fiscalização, foi aplicada a multa agravada de 225% prevista na Lei 9.430/96; Fl. 10020DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 5 4 a e. Câmara a quo, entretanto, reformou o agravamento da multa de oficio aplicada, dai porque a União (Fazenda Nacional) recorre a essa e. Câmara Superior para que a decisão em comento seja reformada, como se demonstrará a seguir; DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO o r. voto condutor do aresto recorrido foi proferido por maioria (fl. 575); na hipótese dos autos, a União (Fazenda Nacional) fundamenta o presente recurso com base na violação da lei. Entendese que é perfeitamente aplicável o agravamento da multa em face da renitência da contribuinte ao cumprimento das intimações fiscais, em que pese o arbitramento dos lucros; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO DA VIOLAÇÃO À LEI E ÀS PROVAS DOS AUTOS de pórtico, devese ressaltar que o arbitramento não pode ser confundido com a conduta omissiva da contribuinte no que tange ao atendimento das intimações da autoridade fiscal. Enquanto o arbitramento possui natureza de modalidade de apuração dos lucros, não se confundindo com penalidade, diversamente, o ônus decorrente da falta de atendimento às intimações fiscais possui natureza de penalidade, porquanto a contribuinte violou o principio da cooperação que deveria haver para com a fiscalização; dentro desse contexto, o agravamento da multa decorre da conduta renitente da contribuinte em não atender as intimações fiscais. Por outro lado, o arbitramento é a medida extrema de apuração decorrente da absoluta impossibilidade de apuração do lucro real da empresa. Considerando a diversidade de naturezas, os institutos podem ter, e têm, regramentos diferenciados e passíveis de cumulação, sob pena de se violar, como, de fato, violou, o art. 44, §2° da Lei 9.430/96; de acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fl. 230 "Além de não terem sido apresentados os extratos bancários, arquivos magnéticos, livro caixa contemplando toda a movimentação financeira, também não foram respondidos os Termos de Intimação n° 07 e 09, que tratam da escrituração a menor das Notas Fiscais de Saída nos livros fiscais e contábeis e da comprovação dos créditos efetuados em contascorrentes bancárias, respectivamente". Verificase, então, que a multa agravada se sustentou na inércia da recorrida em apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados, de forma reiterada, não obstante as aludidas intimações; no caso em tela, a recorrente entende que, por não atender às solicitações da autoridade fiscal, a recorrida demonstrou o intuito de retardar/impedir a atuação fiscal, razão pela qual deve ser mantida tal penalidade agravada; de fato, a multa qualificada de 225% foi aplicada com fundamento no art. 44, §2° da Lei n° 9.430/1996 em função da constatação de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, cumulado com a inércia e falta de cooperação da contribuinte em atender às intimações fiscais e apresentar os documentos solicitados; segue abaixo a transcrição dos textos legais aplicáveis ao caso: [...]; Fl. 10021DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 6 5 a conduta da contribuinte em desatender aos chamados do fiscal para apresentação de esclarecimentos e documentos teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, assim como das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; já o arbitramento dos lucros teve o escopo de mensurar o suposto lucro da empresa nos anoscalendário fiscalizados, ajustando a base imponível para o cálculo do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL devido à imprestabilidade da escrita fiscal da contribuinte; demonstrada a distinção entre os institutos, concluise que, para cada fato, é factível a diversidade de regras. Entretanto, data venia, o acórdão recorrido aplicou o mesmo entendimento para situações distintas, uma vez que, não obstante as sobreditas dissociações, criou uma regra que exclui a multa prevista no art. 44, § 2° da Lei 9.430/96 quando houver o arbitramento; urge salientar que o julgado abre um perigoso precedente. Isto porque, na hipótese de a contribuinte não escriturar corretamente os livros fiscais, ela também estará propensa a não cumprir as intimações para esclarecimentos, que rotineiramente são valiosas para a descoberta da verdade material. Assim, tanto o contribuinte que não registra corretamente os livros fiscais como aquele que não atende às intimações, embora existente distintas regras, terão o mesmo tratamento jurídico, violandose o principio da isonomia; por tudo que foi exposto, percebese que, em face da violação ao art. 44, §2° da Lei 9.430/96 e ao principio da isonomia, bem como em razão da violação às provas dos autos, o acórdão recorrido merece ser reformado; em face do exposto, requer a Unido (Fazenda Nacional) seja dado provimento ao presente recurso, para reformar o r. acórdão recorrido, aplicandose o agravamento da multa de oficio ao percentual de 225%. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, a Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200.016/2009, exarado em 19/03/2009, deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] A matéria objeto do recurso referese a parte do acórdão proferido pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em que se decidiu reduzir a multa de oficio de 225% para 75%, por maioria de votos, conforme o voto vencedor (fl. 602). Argumenta a PFN que a decisão recorrida afronta o artigo 44, § 2° da Lei n° 9.430/96 em função da constatação de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 e 72 da Lei n°4.502, de 30/11/1964. O RICSRF, no seu artigo 7° inciso I, dispõe que cabe recurso especial quando a decisão não unânime de Câmara "for contrária à lei ou à evidencia de prova". A Recorrente demonstra contrariedade ao art. 44, §2°, da Lei n° 9.430/96, e, por se tratar de decisão não unânime, o recurso preenche as condições de admissibilidade. Fl. 10022DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 7 6 Em face do exposto e, no uso da competência estabelecida pelo art. 15, §6° do RICSRF, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Na sequência, ao receber os autos para as providências de sua alçada, a unidade preparadora (DRF Curitiba) apresentou embargos de declaração, cuja apreciação resultou no Acórdão nº 120100.592, exarado em 19/10/2011 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Esses embargos foram acolhidos sem efeitos infringentes, apenas com a finalidade de suprir obscuridade no Acórdão nº 10323.588. Foi esclarecido que a fiscalização tinha aplicado os dois tipos de multa de ofício (normal e qualificada), e que o afastamento do agravamento atingiu tanto a multa de 225% quanto a de 122,5%, que foram reduzidas para 150% e 75%, respectivamente. Em 20/03/2014, a contribuinte foi intimada dos acórdãos referidos acima, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Em 25/03/2014, a contribuinte apresentou embargos de declaração, cuja apreciação resultou no Acórdão nº 1401001.568, exarado em 02/03/2016 pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Esses embargos também foram acolhidos sem efeitos infringentes, com a finalidade de sanar omissão sobre questão referente à tempestividade dos embargos que haviam sido apresentados anteriormente pela DRF Curitiba, e sobre questão relativa à utilização de prova emprestada. Logo após apresentar os embargos de declaração (em 25/03/2014), a contribuinte também apresentou tempestivamente, em 04/04/2014, contrarrazões ao recurso especial da PGFN, com os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE RECURSO EXTEMPORÂNEO não merece conhecimento o recurso especial apresentado, visto ser prematuro, extemporâneo, já que interposto antes mesmo da publicação do acórdão que decidiu os embargos de declaração interpostos pela DRF/CTA e não ter sido ratificado, posteriormente, pela Fazenda Nacional; isso porque, a interposição dos aclaratórios pela DRF/CTA interrompe o prazo para a interposição do recurso especial, conforme determina o art. 57, §5º, da então vigente Portaria MF 147/2007. Diante disso, concluíse que a decisão recorrida não é definitiva, impedindo que a recorrente cumpra com os requisitos do art. 7º, I, c/c art. 15, §1°, da citada Portaria revogada. Em resumo, até que seja julgado os declaratórios apresentados não restará aberta a via especial de recurso; com o julgamento dos embargos de declaração e intimação da Fazenda Nacional do resultado essa, a partir desse momento, passa a ter a ciência da definitividade do acórdão anteriormente recorrido e, portanto, deve ou ratificar ou complementar o especial anteriormente apresentado, o que não foi feito no presente caso. Vale lembrar que o Judiciário já sufragou o entendimento pelo não conhecimento de recursos em casos análogos, como resta evidenciado pela Súmula 418, do STJ e demais julgados daquela c. Corte: [...]; Fl. 10023DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 8 7 diante do exposto e ante a ausência de ratificação pela Fazenda Nacional do recurso especial interposto de forma prematura, ou seja, antes da interposição e julgamento dos aclaratórios da DRF/CTA e também do contribuinte, que na oportunidade apresentou os seus embargos, deve ser reconhecida a inadmissibilidade do recurso apresentado; MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA INEXISTÊNCIA DE HIPÓTESE DE AGRAVAMENTO o dispositivo legal cuja interpretação está em discussão possui a seguinte redação: [...]; com fulcro na tipicidade que norteia a aplicação da legislação penal, em especial daquela que estabelece penalidades ao contribuinte, é fácil perceber que a punição posta no art. 44, §2º, I, da Lei 9430/96 serve para apenar o contribuinte que intimado a prestar esclarecimentos não o faz no prazo posto. Caso a intimação seja para apresentar livros contábeis e fiscais, o seu não atendimento justifica arbitramento, como definido por esta c. CSRF: [...]; compulsando os autos do processo administrativo percebese que nove intimações precederam à autuação. Entre elas, apenas uma exigia esclarecimentos da contribuinte, sendo que todas as intimações foram respondidas pela contribuinte, como se pode notar do quadro anexo: [...]; veja, então, que apenas através do TIF 07 foi exigida da contribuinte a apresentação de esclarecimentos sobre determinados pontos levantados pela fiscalização, concedendose, no entanto, prazo irrazoável de 72 horas, irrazoabilidade essa que se agrava ao percebermos que todos os TIFs exarados pela fiscalização remetemse a datas próximas, quando não idênticas; mesmo diante do prazo exíguo, a contribuinte cumpriu com o seu dever de atender à fiscalização, no prazo, informando a sua dificuldade com pessoal, haja vista os vastos números de intimações da Receita Federal e, também, da fiscalização estadual que então existia e na qual a RFB se baseou, solicitando prazo adicional para prestar os esclarecimentos. Na sequência, novamente, a contribuinte buscou a fiscalização e informou que por conta da debilidade de sua escrita contábil não teria explicações a dar ao fisco; notase, então, que, em nenhum momento a contribuinte se manteve inerte, embaraçando ou desdenhando da fiscalização. Sempre que chamada a apresentar documentação, apresentavaas ou justificava os motivos da ausência dos documentos solicitados. Da mesma forma ocorreu quando chamada a prestar, em prazo exíguo, esclarecimentos sobre sua contabilidade, quando informou que ante a debilidade da escrita não conseguiria explicar o motivo das divergências apontadas entre os valores constantes das notas fiscais e os declarados; o fato de não conseguir esclarecer o motivo das divergências a maior de valores declarados e faturados apenas serve de base para (i) definir a hipótese de arbitramento e (ii) prejudica o próprio contribuinte, uma vez que não prestasse a ilidir a presunção de omissão de receitas que já militava em favor da Fazenda Nacional quando da exigência dos esclarecimentos como ocorre quando essa exigiu a comprovação de origem de recursos depositados em contas correntes em nome da recorrida , o que, por si só, não é caso de agravamento da multa, como já definiu essa c. Câmara Superior: [...]; Fl. 10024DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 9 8 veja, então, que o fato da contribuinte não conseguir prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização em prazos exíguos, não causou qualquer tipo de prejuízo ao fisco, vez que esse já tinha a seu favor as presunções legais confirmadas pela impossibilidade de esclarecer que acometeu à recorrida que lhe possibilitaram à lavratura do auto de infração. Mais uma vez, essa c. CSRF, em casos análogos, já firmou entendimento pela inaplicabilidade do agravamento da multa de ofício, veja: [...]; diante disso, não há substrato possível para o agravamento da multa qualificada aplicada, vez que sempre que exigido o contribuinte apresentou a documentação que possuía e justificou a ausência desta ou a impossibilidade de se prestar esclarecimentos, sendo que a ausência destes apenas serviu para que a fiscalização tivesse por confirmada presunções legais e lançasse a exigência nos moldes postos; ademais, frisese que houve múltiplas e simultâneas intimações, bem como, em alguns casos, os prazos concedidos eram ínfimos (como 24 ou 72 horas), sendo, porém, todas as intimações atendidas, o que demonstra, claramente, que a recorrida jamais teve a intenção de embaraçar a fiscalização; ressaltese, ainda, que na época em que foi deflagrada a presente fiscalização federal, a contribuinte sofria com uma fiscalização de impacto perpetrada pela Receita Estadual do Paraná, motivo pelo qual toda a contabilidade existente da empresa estava de posse daquele órgão estadual de onde advieram as provas constantes destes autos , o que dificultou a situação da contribuinte; por fim, percebese que o v. acórdão recorrido, no ponto, possui razão. O substrato fático posto serve apenas para debater hipótese de arbitramento e não agravamento de multa. Sendo assim, e ante a ausência dos pressupostos fáticos exigidos para a aplicação do art. 44, §2º, I, da Lei 9.430/96, pedese o improvimento do recurso apresentado pela Fazenda Nacional e a manutenção, nesse ponto, do v. acórdão recorrido; diante do exposto, requerse a essa c. CSRF que, (i) preliminarmente, não conheça do recurso especial por ser esse prematuro/extemporâneo; ou, (ii) no mérito, negue provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, mantendo, no ponto atacado, o v. acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 10025DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005. A fiscalização apurou omissão de receitas a partir da constatação de: "vendas escrituradas a menor", "devoluções de vendas não comprovadas", e "depósitos bancários de origem não comprovada". A contribuinte havia adotado o regime do lucro presumido para os referidos períodos de apuração. O lançamento de IRPJ e CSLL foi feito com base no lucro arbitrado. Para a apuração do lucro arbitrado foram computadas também as receitas escrituradas e declaradas em DIPJ pela contribuinte, sendo deduzido dos autos de infração o tributo correspondente a essas receitas declaradas. No lançamento referente à omissão de receitas, foi aplicada a multa qualificada e agravada (225%). E sobre a parte do lançamento que alcançou as receitas declaradas, foi aplicada a multa normal com agravamento (112,5%). No caso do lançamento das contribuições PIS e COFINS, a autuação fiscal abrangeu apenas as receitas omitidas (multa de 225%), e o regime adotado para apuração foi o não cumulativo. A decisão de primeira instância administrativa manteve as exigências fiscais, conforme constavam dos autos de infração. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), entre outras questões, decidiu afastar o agravamento da multa de ofício. E a controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito exatamente ao agravamento da multa, que a PGFN pretende ver restabelecido. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta uma preliminar de não conhecimento do recurso, alegando que a PGFN deveria ter ratificado ou complementado o recurso que foi interposto de forma prematura, ou seja, antes da interposição e julgamento dos embargos apresentados pela DRF/Curitiba e também por ela própria (a contribuinte). Quanto a essa preliminar, primeiramente é preciso registrar que o processo administrativo fiscal (PAF) tem rito próprio, em que o acórdão do CARF é cientificado à PGFN antes de o processo ser enviado à unidade preparadora para a ciência da contribuinte. A partir da data em que é cientificada da decisão do CARF (ciência pessoal ou ficta), a PGFN tem o prazo regimental de 15 dias para apresentar o recurso especial. Portanto, não procede o argumento de que o recurso especial da PGFN foi apresentado de forma prematura, antes de se tornar definitiva a decisão passível de recurso. Fl. 10026DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 11 10 O recurso especial da PGFN foi apresentado no momento correto. Entretanto, a contribuinte tem certa razão em dizer que a PGFN deveria ter ratificado ou complementado seu recurso após o julgamento dos embargos de declaração. Na verdade, a PGFN poderia ter complementado seu recurso, especialmente depois do julgamento dos embargos de declaração apresentados pela DRF/Curitiba, quando se esclareceu que a fiscalização tinha aplicado os dois tipos de multa de ofício (normal e qualificada), e que o afastamento do agravamento tinha atingido tanto a multa de 225% quanto a de 112,5%, que foram reduzidas para 150% e 75%, respectivamente (Acórdão nº 1201 00.592). É que, em razão de algumas imprecisões contidas nos votos vencido e vencedor do Acórdão nº 10323.588, quanto à matéria relativa ao agravamento da multa de ofício, a PGFN reivindicou apenas o restabelecimento da multa de 225%, silenciandose sobre a multa de 112,5%. Nesse contexto, o caso não seria propriamente de não conhecimento do recurso, mas de delimitação do conhecimento à matéria recorrida, ou seja, ao restabelecimento da multa de 225%. Ocorre que a PGFN não foi intimada do Acórdão nº 120100.592, onde se esclareceu que também houve redução da multa de 112,5% para 75%, e não apenas da multa de 225% para 150%. Após proferido o Acórdão nº 120100.592 (que julgou os embargos da DRF/Curitiba), os autos foram encaminhados diretamente à unidade de origem para a ciência da contribuinte, sem que fosse dada ciência dessa decisão à PGFN. O mesmo ocorreu posteriormente com o Acórdão nº 1401001.568 (que julgou os embargos da contribuinte), mas isso não gerou nenhum problema porque essa decisão não teve nenhuma repercussão sobre o agravamento da multa de ofício, que é objeto do recurso especial da PGFN. A falta de ciência da PGFN sobre o desagravamento da multa de 112,5% inviabiliza nesse momento uma decisão para a preliminar apresentada pela contribuinte. Não se pode subtrair da PGFN a oportunidade de buscar também o restabelecimento da multa de 112,5%, já que ela não foi intimada do referido Acórdão nº 1201 00.592. Obviamente que a apreciação de mérito também fica prejudica nesse momento, em razão do problema acima apontado, relativamente ao encaminhamento dos autos. Desse modo, voto para que a PGFN seja cientificada dos acórdãos que julgaram os embargos de declaração da DRF/Curitiba e da contribuinte (Acórdão nº 1201 00.592 e Acórdão nº 1401001.568, respectivamente), assegurandolhe a oportunidade para nova manifestação acerca da matéria objeto do recurso especial anteriormente apresentado, e que foi posteriormente afetada pelo julgamento dos embargos da DRF/Curitiba, no caso, o agravamento da multa de ofício. Caso haja uma complementação ao recurso, ela deve seguir o curso normal dos recursos especiais a partir de sua apresentação. Feito o saneamento Fl. 10027DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 12 11 processual, independentemente de haver ou não novas manifestações das partes, os autos deverão retornar a essa CSRF para a apreciação da matéria já recorrida e já admitida. Em síntese, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à câmara de origem, a fim de que se dê ciência à PGFN dos acórdãos que julgaram os embargos de declaração da DRF/Curitiba e da contribuinte (Acórdão nº 120100.592 e Acórdão nº 1401 001.568, respectivamente). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 10028DF CARF MF Processo nº 10980.016005/200704 Resolução nº 9101000.036 CSRFT1 Fl. 13 12 Fl. 10029DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000120/2007-65
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-001.131
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 42DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13881.000120/200765 Acórdão n.º 180101.131 S1TE01 Fl. 35 2 A Recorrente formalizou em 15.05.2003 o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), fl. 01, a partir de 03.05.2007. Suscita que Em 21/09/2006 a referida empresa alterou seu Contrato Social, incluindo 02 sócios de profissão regulamentada. Sendo assim, pediu desenquadramento espontâneo, porém como esta opção só é aceita a partir de Janeiro de cada ano, a efetivação do pedido só se realizou em Janeiro 2007. Agora em 03/05/2007, houve uma nova alteração na Junta Comercial do Estado de São Paulo, saindo do quadro societário os respectivos sócios que haviam entrado, com isto, a empresa pode enquadrarse novamente no Simples. Diante do exposto, requer que seja considerada a volta da opção Simples a partir de 03/05/2007. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 1415, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido de inclusão retroativa nos seguintes termos No presente caso, conforme interpretação da própria contribuinte, a condição impeditiva da opção pelo sistema integrado foi eliminada em 03 de maio de 2007 e, conforme [art. 8º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996], o pagamento dos impostos e contribuições de forma simplificada somente poderá ser exercido a partir do ano seguinte. Cientificada em 29.10.2008, fl. 16verso, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.11.2008, fl. 17, com as alegações a seguir Tendo em vista decisão de V.Sa em indeferir o meu pedido de opção pelo Simples Federal a partir de 03/05/2007, conforme processo n°: 13881.000120/2007 65, tenho a manifestar INCONFORMIDADE, uma vez que V.Sa aceitou meu pedido espontâneo de exclusão do simples, que também ocorreu em período diferente à Janeiro daquele ano. Se tal pedido foi aceito, poderia V.Sas reconsiderar e não efetuar a exclusão, pois, ao fazer este pedido de forma espontânea, demonstro minha boa fé em não burlar o sistema tributário. Tenho ainda a esclarecer que efetuei o pedido de exclusão do simples, porque achei que por estar admitindo os sócios João Paulo de Oliveira e Luiz Fernando de Oliveira, que possuem profissão regulamentada, deveríamos proceder desta forma. Informo ainda que o período de atuação dos sócios foi curto, sendo de 21/09/2006 à 02/05/2007. Sem mais, espero que meu pedido seja aceito e minha empresa possa novamente estar como Simples desde sua abertura até a presente data. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0528.171, de 05.02.2010, fls. 2829: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13881.000120/200765 Acórdão n.º 180101.131 S1TE01 Fl. 36 3 Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2007 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES FEDERAL. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico científico próprio de profissional da engenharia e/ou medicina são circunstâncias que impedem o ingresso ou a permanência no Simples Federal. Notificada em 12.03.2010, fl. 31verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.04.2010, fl. 32, reiterando Tenho em vista a decisão de V.Sa. em indeferir o pedido de retorno ao Simples Federal a partir de 03/05/2007, conforme processo n° 13.881.000120/2007 65, tenho a manifestar INCONFORMIDADE, solicitando esclarecimentos quanto ao débito atual apontado pelo órgão, uma vez que não há sócios com profissão regulamentada no presente contrato, desde a data do contrato em epígrafe. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 12.03.2010, fl. 31verso, e apresentou o recurso voluntário em 27.04.2010, fl. 32. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13881.000120/200765 Acórdão n.º 180101.131 S1TE01 Fl. 37 4 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 45DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15504.730481/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas as contribuintes individuais.
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
SERVIDORES PÚBLICOS COM CARGO DE PROVIMENTO EFETIVO. EC Nº 20/98. VINCULAÇÃO AO RESPECTIVO RPPS.
A partir da publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 16.12.1998, apenas os servidores públicos ocupantes de cargo de provimento efetivo podem filiar-se ao Regime Próprio de Previdência Social, devendo os não ocupantes serem considerados segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social.
ACORDO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO. NORMA COM FORÇA DE LEI ENTRE AS PARTES.
Uma vez homologado acordo judicial, as disposições da avença revestem-se com força de lei entre as partes, devendo ser rigorosamente observado pelos envolvidos.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO
Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Diante da falta de previsão específica para o terço constitucional de férias relativo às férias gozadas, incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias sobre tas férias que tenham sido gozadas pelos empregados.
Numero da decisão: 2301-005.125
Decisão: Continuou-se o julgamento iniciado no mês de agosto de 2017, ocasião na qual o relator votara por não acolher a preliminar, não reconhecer a decadência, e negar provimento ao recurso voluntário, nas demais questões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, considerar não ocorrida a decadência do crédito tributário e, nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 07/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas as contribuintes individuais. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SERVIDORES PÚBLICOS COM CARGO DE PROVIMENTO EFETIVO. EC Nº 20/98. VINCULAÇÃO AO RESPECTIVO RPPS. A partir da publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 16.12.1998, apenas os servidores públicos ocupantes de cargo de provimento efetivo podem filiarse ao Regime Próprio de Previdência Social, devendo os não ocupantes serem considerados segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. ACORDO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO. NORMA COM FORÇA DE LEI ENTRE AS PARTES. Uma vez homologado acordo judicial, as disposições da avença revestemse com força de lei entre as partes, devendo ser rigorosamente observado pelos envolvidos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 04 81 /2 01 2- 20 Fl. 2096DF CARF MF 2 Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Diante da falta de previsão específica para o terço constitucional de férias relativo às férias gozadas, incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias sobre tas férias que tenham sido gozadas pelos empregados. Continuouse o julgamento iniciado no mês de agosto de 2017, ocasião na qual o relator votara por não acolher a preliminar, não reconhecer a decadência, e negar provimento ao recurso voluntário, nas demais questões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, considerar não ocorrida a decadência do crédito tributário e, nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 07/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 0829.887, de 28/05/14 (fls. 1976 a 1998). Em 20/11/2012 foi lavrado Auto de Infração por descumprimento de obrigações principais e acessórias, consoante discriminação adiante esmiuçada: a) AI DEBCAD 37.334.5739, importando R$ 5.020.528,01, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte da empresa (rubrica 12 e 14, alq. 20%) e devidas a título de GILRAT (rubrica 13, alq. 2%), com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD, competências 01 a 12/2007. b) AI DEBCAD 37.334.5755, importando R$ 2.692.077,47, incidindo a parte devida por segurados empregados (rubrica 11) e contribuintes individuais (rubrica 1F), Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 15504.730481/201220 Acórdão n.º 2301005.125 S2C3T1 Fl. 3 3 com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD, competências 01 a 12/2007. c) AI DEBCAD nº 37.334.5747, importando R$ 129.369,60, motivado por ter apresentado documento a que se refere o art. 32, inc. IV, §3º da Lei n° 8.212, de 24.07.1991, com alterações dadas pela Lei nº 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com lastro na fundamentação legal contida no na folha de rosto do AI, cujo Código de Fundamentação Legal – CFL é 68. O relatório fiscal aduz que (fls. 38 a 52): existem servidores não efetivos, detentores de função pública, relacionados no Anexo VII que foram considerados segurados obrigatórios do RGPS para os quais a autuada não ofereceu suas remunerações à tributação previdenciária nem os informou em GFIP (levantamentos FP e FP1); idem para os servidores ocupantes de cargo de recrutamento amplo (comissionado), levantamentos RA e RR, anexo I; há verbas não oferecidas à tributação, quais sejam, Honorários, Gratificação de 1/3 Férias Regulamentares, Acerto Exercício Anterior 13º Salário, pagas a servidores não vinculados ao RPPS e ocupantes de recrutamento amplo (levantamentos PR e PP); há pessoas físicas contratadas sob a modalidade de contrato administrativo que desempenham atividades na área fim da ACADEPOL e que são, na verdade, segurados empregados, consoante contratos acostados (levantamentos CA e AC); A fiscalização verificou que os contratados são pessoas físicas que firmam contratos com a fiscalizada pessoalmente e com obrigações de realizar as tarefas contratadas em local previamente determinado pela fiscalizada e em horário préestabelecido; apresentar plano de trabalho previamente; fornecer mensalmente relatório de desenvolvimento do trabalho e cumprir as normas contidas no Regimento da ACADEPOL, restando provados os requisitos da pessoalidade, subordinação e habitualidade. A fiscalização observou, também que as atividades exercidas pelas pessoas físicas contratadas, incluídas no levantamento CA (Anexo III) são diretamente relacionadas com a atividade fim da ACADEPOL e atendem às atividades normais da fiscalizada no sentido de promover os cursos de formação policial, treinamento, aperfeiçoamento e preparação para a chefia policial. A fiscalização verificou, ainda, que a fiscalizada efetua, com regularidade, o pagamento dos honorários nos termos do Decreto n° 44.172/2005 aos contratados, observandose a prestação dos serviços profissionais é a carga horária consignadas no contrato administrativo apresentado, por cópia, restando configurada a onerosidade vez que tais honorários se constituem erro remuneração como contraprestação pelo serviço executado. (...) A fiscalização constatou, a existência de um estado de sujeição em relação ao poder de direção da fiscalizada vez que observada a cláusula do contrato administrativo que trata da obediência e cumprimento do Regimento Interno da ACADEPOL temse comprovado que os contratados sob a modalidade de contrato administrativo se subordinam, à Direção da ACADEPOL, ao Chefe da Divisão Psicológica da ACADEPOL ou a outra Autoridade competente. há pessoas físicas contratadas cuja remunerações não foram consideradas bases de cálculo (levantamentos CI, AI, VC, CC, AA e PC), anexos IV, V e VI. Constam em folha com categoria de trabalhador 13(treze) e recebem verba Honorários; Fl. 2098DF CARF MF 4 A fiscalização, constatou, ainda que as pessoas físicas listadas no Anexo VI mantém vínculo com a fiscalizada na condição de ocupantes de cargo efetivo ou efetivados e, que, nos termos do Decreto 44172, de 12/12/2005, das Leis 869/1952, artigo 118, inciso VI e Lei 15962/2005, Decreto.33335, de 16/01/1992 e Decreto 45228, de 03/12/2009 são, sem prejuízo da execução das atividades correspondentes ao cargo de que é titular e do cumprimento da jornada de trabalho, designadas para prestar serviços em Curso de Treinamento e Programas de Desenvolvimento de Recursos Humanos na ACADEPOL bem como integram as Comissões Examinadoras do DETRAN/MG; A fiscalizada deixou de informar em suas GFIP's remuneração paga a servidores detentores de função pública, servidores ocupantes de cargo de recrutamento amplo, pessoas físicas contratadas sob a modalidade de contrato administrativos e demais pessoas físicas que lhe prestaram serviços, apurada pelo confronto entre a base de cálculo identificada pelo, resumo da folha de pagamento em meio digital entregue à Receita Federal do Brasil e a remuneração declarada em GFIPs; Foi confeccionada Representação Fiscal para Fins Penais; Em 03/12/12, a ora Recorrente, inconformada com a autuação apresentou impugnação (fls. 1.866 a 1.887) apresentando dentre outros argumentos: a) a intimação é nula, pois direcionada ao Secretário de Estado da Pasta, que não tem personalidade jurídica; a intimação deveria ter sido dirigida ao Estado de Minas Gerais, pessoalmente na pessoa de seu AdvogadoGeral, forte no art. 23, I, do PAF, sendo que futuras intimações devem ser feitas também pessoalmente ao AdvogadoGeral do Estado; b) O AI DEBCAD 37.334.5755, que engloba os servidores ocupantes de cargo em comissão de recrutamento amplo (não efetivos) é objeto de acordo judicial (RE 1.135.162) entre Estado de Minas Gerais e União, devidamente homologado pelo STJ, cujos valores fora parcelados; c) o período de 01/2007 a 10/2007 está decaído, visto que o lançamento deu se em 20.11.2012; d) seria necessária perícia pelo princípio da indisponibilidade do interesse público, da ampla defesa e do contraditório; e) férias regulamentares e diárias de viagem são parcelas indenizatórias, portanto, devem ser excluídas da base; f) a auditoria lançou verbas indenizatórias como auxílio transporte, auxílio refeição e abono família, que não devem compor o salário de contribuição; g) A CF/88 atribui competência ao Estado para disciplinar a matéria previdenciária de seus servidores. O fez o Estado de Minas Gerais por meio da Lei nº 10.254/1990; h) a legislação estadual garante benefícios aos servidores estaduais, aí incluindo aposentadoria e pensão aos dependentes, inclusive para servidores não efetivos, por conta da Lei nº 10.254/1990, do Decreto Estadual nº 31.930/90 e da Resolução nº 463/90; i) justo ou injusto, existia o RPPS para os servidores não efetivos, o que afasta a competência da Receita Federal do Brasil para questionálo em face do princípio Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 15504.730481/201220 Acórdão n.º 2301005.125 S2C3T1 Fl. 4 5 constitucional da paridade federativa entre os entes federativos (CF, art. 19, II). Tratase da aplicação do disposto no art 13 da Lei n° 8.212/91. O Acórdão da DRJ julgou a impugnação improcedente e recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas as contribuintes individuais. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SERVIDORES PÚBLICOS COM CARGO DE PROVIMENTO EFETIVO. EC Nº 20/98. VINCULAÇÃO AO RESPECTIVO RPPS. A partir da publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 16.12.1998, apenas os servidores públicos ocupantes de cargo de provimento efetivo podem filiarse ao Regime Próprio de Previdência Social, devendo os não ocupantes serem considerados segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. ACORDO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO. NORMA COM FORÇA DE LEI ENTRE AS PARTES. Uma vez homologado acordo judicial, as disposições da avença revestemse com força de lei entre as partes, devendo ser rigorosamente observado pelos envolvidos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL DO GOVERNADOR OU DO REPRESENTANTE LEGAL DO ESTADO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DA INTIMAÇÃO VIA POSTAL. Fl. 2100DF CARF MF 6 Não é necessária a intimação pessoal do Governador ou Representante Legal do Estado para que a intimação seja reputada válida, por falta de previsão normativa, visto que o rol do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 é exaustivo. Farseá a intimação por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido". Em 12/02/2015, houve desmembramento de parte dos débitos (fls. 2002 a 2035), conforme Despacho de Desmembramento (fls. 2034 a 2035), cujo principal trecho transcrevo abaixo: Atendendo ao disposto no referido acórdão, efetuamos o desmembramento do crédito originalmente apurado, transferindo os valores não impugnados para o processo COMPROT: 15504.721052/201512 da seguinte forma: a) AI DEBCAD 37.334.5739: transferidos os levantamentos “AI – Pagamento a Pessoas Físicas“, “CA – Contratos Administrativos” e “VC – Pagamento a Prestadores de Serviços“, para o DEBCAD 37.430.1824 (documentos anexos às fls. 2002 a 2018); b) AI DEBCAD 37.334.5755, transferidos os levantamentos “AA Pagamento a Pessoas Físicas”, “AC – Contratos Administrativos”, “CC – Pagamento a Pessoas Físicas” e “PC – Pagamento a Prestadores de Serviços“, para o DEBCAD: 37.437.3906 (documentos anexos às fls. 2019 a 2033). Irresignado, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 2050 a 2069), reiterando as alegações da impugnação, mas também há o argumento de nulidade processual em virtude do Acórdão da DRJ ter decidido pelo desmembramento do processo para segregar os débitos das matérias não impugnadas, no entanto, o artigo 21, §1º, do Decreto nº 70.235/72 prevê que o órgão preparador providenciará o desmembramento antes da remessa dos autos a julgamento, além do que as impugnações teriam abrangido a matéria considerada como não impugnada, inclusive constando a análise de que "o sujeito passivo em referência apresentou impugnação total tempestiva" (fl. 1972). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Desmembramento Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 15504.730481/201220 Acórdão n.º 2301005.125 S2C3T1 Fl. 5 7 Com relação à questão do desmembramento do débito tributário, o artigo 21, §1º, do Decreto nº 70.235/72 prevê o órgão preparador providenciará o desmembramento antes da remessa dos autos a julgamento, conforme abaixo: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Nesse sentido, o órgão preparador não entendeu ser o caso de desmembramento no referido caso, de modo que se entendeu que toda matéria estava passível de ser remetida para julgamento (fl. 1972). Todavia, no julgamento do Acórdão de Impugnação (fls. 1976 a 1998), verificouse que parte da matéria autuada não foi objeto da impugnação, de forma que o Acórdão expressamente estabeleceu quais foram as matérias não impugnadas. Nesse sentido, em 13/06/2014, houve a emissão do Termo de Juntada e Encaminhamento (fl. 1999), pelo qual propõese o encaminhamento do processo ao SECAT/DRF/BELO HORIZONTE/MG para intimar o sujeito passivo nos termos da legislação aplicável e adoção das demais providências de sua competência, diante da não impugnação dos levantamentos CA, AC, AI, VC, CC, AA e PC, nos termos do Acórdão nº 0829.887 – 6ª Turma da DRJ/FORCE. Assim, a matéria não impugnada foi objeto de desmembramento (fls. 2002 a 2029) para que já pudesse ser cobrada do contribuinte, tal qual exposto de forma resumida no DespachoDesmembramento (fls. 2034 a 2035), que assim dispõe: “4. Atendendo ao disposto no referido acórdão, efetuamos o desmembramento do crédito originalmente apurado, transferindo os valores não impugnados para o processo COMPROT: 15504.721052/201512 da seguinte forma: a) AI DEBCAD 37.334.5739: transferidos os levantamentos “AI – Pagamento a Pessoas Físicas“, “CA – Contratos Administrativos” e “VC – Pagamento a Prestadores de Serviços“, para o DEBCAD 37.430.1824 (documentos anexos às fls. 2002 a 2018); b) AI DEBCAD 37.334.5755, transferidos os levantamentos “AA Pagamento a Pessoas Físicas”, “AC – Contratos Administrativos”, “CC – Pagamento a Pessoas Físicas” e “PC – Pagamento a Prestadores de Serviços“, para o DEBCAD: 37.437.3906 (documentos anexos às fls. 2019 a 2033).”. Dessa forma, ainda que o desmembramento não tenha ocorrido antes da remessa dos autos a julgamento, não há como afastar que o desmembramento seja uma decisão da sessão de julgamento da DRJ, tendo em vista que não há órgão mais apropriado para verificar se houve ou não impugnação de uma determinada matéria autuada do que a DRJ, de modo que ela pode determinar o desmembramento do débito tributário. Ante o exposto, rejeito a referida preliminar. Fl. 2102DF CARF MF 8 Decadência Com relação à decadência, ratifico aqui a decisão de primeira instância, os quais, uma vez que ela reconhece a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, que declara a inconstitucionalidade do prazo decadencial previsto nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, para depois analisar se deve ser aplicado o prazo decadencial do artigo 150, §4º, do CTN ou do artigo 173, I, do CTN. Consta no Acórdão da DRJ que foi feita pesquisa nos sistemas informatizados da RFB, de modo que percebeuse que a ora recorrente não antecipou nenhum valor a título de contribuição previdenciária à Fazenda Pública, entre 01/2007 e 12/2007, de modo que a regra decadencial aplicável é a do artigo 173, I, do CTN, sendo o “dies a quo”, 01.01.2008 e o “dies ad quem”, 31.12.2012. Considerando que a ciência deuse em 03.12.12, não há de falar em decadência alguma. Da Questão do pedido de perícia No que tange ao pedido de perícia, entendo que tal perícia é desnecessária, uma vez o presente processo está instruído com todos os elementos necessários ao seu julgamento. Nesse sentido, faço minhas as considerações feitas no voto do Acórdão de Impugnação no sentido de que "os quesitos postos não carecem de perícia alguma, já que as informações são de posse da própria autuada, que, querendo, poderia ter amplamente arrazoado, inclusive documentalmente, em sentido contrário ao posto pelo fisco. Constituem se em quesitos meramente protelatórios, portanto". Da Questão do Acordo Judicial Com relação ao acordo judicial celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS, cumpre ressaltar que ele foi analisado de forma detalhada no Acórdão de Impugnação nos seguintes termos: A alegação de que o acordo firmado entre o Estado de Minas Gerais e o INSS impediria a constituição do crédito merece estudo aprofundado, já que o laço jurídico firmado tem força de lei entre as partes. Necessário saber se os segurados aqui tributados são os que a citada avença aponta como pertencentes ao RGPS ou ao RPPS. Sendo assim, a partir da fl. 10 do Acórdão de Impugnação (efl. 1985), verificase que foi analisado para cada categoria de colaborador se os segurados estavam sujeitos ao RGPS ou ao RPPS. Essa análise foi feita para os servidores não efetivados, ocupantes de cargos exclusivamente comissionados, segurados empregados da ACADEPOL e contribuintes individuais contratados. A análise efetuada no âmbito do Acórdão da DRJ em combinação com o relatório de fiscalização é exaustiva, de modo que não merece prosperar a alegação de que o acordo judicial celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS deveria servir de base para afastar o referido auto de infração, de modo que faço minhas as considerações feitas no âmbito do Acórdão da DRJ. Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 15504.730481/201220 Acórdão n.º 2301005.125 S2C3T1 Fl. 6 9 Nesse sentido, também não merece prosperar a alegação de erro no trabalho do fiscal, uma vez que foram avaliados se cada empregado é ou não servidor público, assim como cada empregado é ou não segurado. Dos Servidores não Efetivos Com relação aos servidores não efetivos, faço minhas as considerações feitas no Voto do Acórdão da DRJ, no sentido de tributação dos servidores não efetivados pelo Estado de Minas Gerais. Da Questão do terço constitucional de férias No tocante à incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, que é tratada no recurso voluntário tanto na rubrica "do erro na composição da base de cálculo das contribuições previdenciárias" quanto na rubrica "das parcelas não incorporáveis", é importante ressaltar que a questão está posta com existência de repercussão geral (art. 543B do CPC) no Recurso Extraordinário nº 593.068, que trata “da constitucionalidade, ou não, da exigibilidade de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade, tendo em vista a natureza jurídica de tais verbas”. Conforme consulta ao sítio do STF, os autos estão "em vista" junto ao Ministro Gilmar Mendes desde 16/11/2016, de forma que o referido caso ainda está pendente de decisão definitiva, de modo que determino o sobrestamento do presente processo administrativo, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. Vale ressaltar que o artigo 28, §9º, "d", da Lei nº 8.212/91 apenas dispõe sobre a não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional incidente sobre as férias indenizadas, conforme pode ser observado abaixo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; Diante da falta de previsão específica para o terço constitucional de férias relativo às férias gozadas, voto pela incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias sobre tas férias que tenham sido gozadas pelos empregados. Da Questão dos Honorários Tal qual observado no Acórdão da DRJ, o pagamento feito aos segurados empregados da Acadepol era feito a título de “Honorários”, consoante Decreto nº 44.172/2005, sendo que não houve contestação de tal ponto no âmbito da impugnação, de modo que não há como conhecer tal questão. Fl. 2104DF CARF MF 10 Da Questão da Capacidade Estadual para Instituir Tributo e Ausência de Competência da União para tributar Também não merece prosperar a alegação de ausência de competência da União para tributar contribuição previdenciária de servidores públicos estaduais, uma vez que resta claro que tais servidores também usufruirão do regime previdenciário federal, além de também serem financiadores do regime da seguridade social, que se pauta no princípio da solidariedade. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 2105DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909114/2011-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 14 /2 01 1- 21 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10850.909114/201121 Acórdão n.º 9303006.200 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.745, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.909114/201121 Acórdão n.º 9303006.200 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.909114/201121 Acórdão n.º 9303006.200 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10850.909114/201121 Acórdão n.º 9303006.200 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.721378/2014-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
POSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
LANÇAMENTO. NULIDADE EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. IMPROCEDÊNCIA
Não há que se falar em nulidade do lançamento em virtude da ausência de citação de pessoa jurídica cuja existência foi desconsiderada no trabalho fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE PESSOAS INTERPOSTAS.
Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas e físicas interpostas e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas.
MULTA QUALIFICADA (150%) . INTERPOSTAS PESSOAS
"Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas." (Súmula CARF nº 34 - Vinculante).
O trabalho fiscal está calcado num encadeamento lógico de indícios convergentes que levam à conclusão de que o sujeito passivo agiu dolosamente com o intuito de simular negócio jurídico, criando empresas de fachada e se utilizando de interpostas pessoas, a fim de ocultar o real beneficiário das receitas.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DO TRIBUTO RECOLHO PELA PESSOA INTERPOSTA AOS VALORES LANÇADOS
No caso de desconsideração de pessoa interposta, os tributos por ela já recolhidos deverão ser imputados aos tributos devidos pela pessoa física, exigidos no auto de infração.
Numero da decisão: 2202-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) compensar os tributos efetivamente recolhidos pelas pessoas jurídicas oriundos de valores exigidos neste auto de infração; b) compensar os valores do imposto de renda da atividade rural efetivamente recolhidos por José Luiz Alves Neto; vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento parcial em maior extensão para também afastar a multa isolada do carnê-leão. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. LANÇAMENTO. NULIDADE EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade do lançamento em virtude da ausência de citação de pessoa jurídica cuja existência foi desconsiderada no trabalho fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE PESSOAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas e físicas interpostas e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 13 78 /2 01 4- 45 Fl. 11242DF CARF MF 2 É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas. MULTA QUALIFICADA (150%) . INTERPOSTAS PESSOAS "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas." (Súmula CARF nº 34 Vinculante). O trabalho fiscal está calcado num encadeamento lógico de indícios convergentes que levam à conclusão de que o sujeito passivo agiu dolosamente com o intuito de simular negócio jurídico, criando empresas de fachada e se utilizando de interpostas pessoas, a fim de ocultar o real beneficiário das receitas. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DO TRIBUTO RECOLHO PELA PESSOA INTERPOSTA AOS VALORES LANÇADOS No caso de desconsideração de pessoa interposta, os tributos por ela já recolhidos deverão ser imputados aos tributos devidos pela pessoa física, exigidos no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) compensar os tributos efetivamente recolhidos pelas pessoas jurídicas oriundos de valores exigidos neste auto de infração; b) compensar os valores do imposto de renda da atividade rural efetivamente recolhidos por José Luiz Alves Neto; vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento parcial em maior extensão para também afastar a multa isolada do carnêleão. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. Relatório Fl. 11243DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.243 3 Tratase de Auto de Infração (fls. 9820/9851) de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício(s) 2010 e 2011, ano(s)calendário 2009 e 2010, no valor total de R$15.206.624,86 (quinze milhões, duzentos e seis mil, seiscentos e vinte e quatro reais e oitenta e seis centavos), sendo: Imposto R$5.648.280,90 Juros de Mora (calculados até 05/2014) R$1.805.603,73 Multa Proporcional (passível de redução) R$7.614.202,77 A descrição dos fatos encontrase detalhada no Termo de Verificação Fiscal às fls. 9854/9955, e o enquadramento legal, no Auto de Infração, à(s) fl(s). 9825/9831, versando sobre as seguintes infrações: “001 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA FUNDAÇÃO PIO XII POR INTERMÉDIO DA INTERPOSTA PESSOA ÁGUIA AZUL” “002 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA FUNDAÇÃO PIO XII POR INTERMÉDIO DA INTERPOSTA PESSOA MJ BARRETOS” “003 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA FUNDAÇÃO PIO XII MEDIANTE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS DA LUSA COMÉRCIO DE METAIS LTDA” “004 – RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DA INTERMEDIAÇÃO DE VENDAS DE FAZENDAS” “005 – ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL” “006 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA CONTAS BANCÁRIAS DE TITULARIDADE DO FISCALIZADO” “007 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA, MAS DE TITULARIDADE DE FATO DO FISCALIZADO” “008 – MULTAS APLICÁVEIS À PESSOA FÍSICA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO” No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fls. 9851. Fl. 11244DF CARF MF 4 De acordo o Relatório Fiscal as pessoas jurídicas acima mencionadas eram interpostas pessoas do fiscalizado (Henrique Duarte Prata) com a finalidade de desvio de recursos financeiros da Fundação PIO XII (Hospital do Câncer de Barretos), entidade beneficente que não pode distribuir lucros e da qual o fiscalizado é vicepresidente do conselho de administração e responsável pela parte financeira. O esquema fraudulento engendrado pelo fiscalizado (Henrique Duarte Prata) consistia na simulação de prestações de serviços, aquisição de bens pelas interpostas pessoas a Fundação PIO XII com o recebimento de vultosas quantias monetárias. Posteriormente, estes recursos financeiros desviados da fundação eram destinados ao fiscalizado mediante simulação de empréstimos por meio de contratos de mútuos para dar uma aparência de legalidade aos desvios de recursos financeiros da Fundação PIO XII, com intuito de ocultar o verdadeiro sujeito passivo. Afastadas as interpostas pessoas e as simulações fraudulentas, concluiu a fiscalização que os valores pagos pela Fundação PIO XII às interpostas pessoas deveriam ser considerados rendimentos omissos do fiscalizado (Henrique Duarte Prata), real beneficiário e verdadeiro sujeito passivo e, portanto, sujeitos a tributação, conforme previstos no Art. 55, Inciso X, do RIR/99. Cientificado do Auto de Infração em 08/05/2014, o Contribuinte apresentou, em 09/06/2014, a impugnação de fls. 9959/9991, instruída com documentos de fls. 9992/11106, na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Ilegitimidade da prova obtida por meio de Requisição de Movimentação Financeira RMF, uma vez que seria inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem ordem judicial; b) que a empresa Águia Azul dedicase às atividades de organização de eventos diversos e também do ramo imobiliário, tendo sido contratada pela Fundação Pio XII para a realização de eventos (shows e leilões) nos anos de 2009 e 2010. Ressalta que não tem qualquer participação societária na empresa e nunca teve qualquer ingerência em suas atividades; c) que os valores por ele recebidos referemse à contratos de mútuo apresentados no curso da fiscalização e informados em suas Declarações de Ajuste, sendo irrelevante o fato de tais empréstimos não terem sido quitados; d) que nunca teve participação societária na empresa MJ Barretos, a qual se dedica à prestação de serviços relacionados à construção civil e que foi contratada pela Fundação para realização de obras diversas nos anos de 2009 e 2010; e) Questiona a conclusão da Autoridade Fiscal de que todos os valores pagos para a empresa foram vertidos em seu benefício, quando resta concretamente demonstrada a existência dos imóveis entregues, que, obviamente, tiveram um custo f) Reclama que, também no caso dessa infração, a Autoridade Fiscal considerou como rendimentos seus todos os valores pagos pela Fundação à empresa e não aqueles efetivamente transferidos a ele em decorrência dos mútuos assinados; g) Em relação aos valores pagos à empresa Lusa Comércio de Metais, conclusão da Autoridade Fiscal de que tal empresa serviria para desviar recursos da Fundação Fl. 11245DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.244 5 para ele, via endossos de cheques para conta de titularidade de José Luiz Alves Neto, atribuída a ele; h) alega que a empresa Lusa Comércio de Metais não foi intimada, motivo pelo qual, o Auto de Infração seria nulo. i) Questiona o procedimento da fiscalização de imputar a ele todos os depósitos bancários na conta de José Luiz, assim como os rendimentos da atividade rural. Esclarece que José Luiz é sogro de seu filho. j) O fato de José Luiz ter passado procuração para funcionárias do contribuinte não é suficiente para demonstrar que era o contribuinte que movimentava a conta bancária de José Luiz; l) Indica a juntada de extrato de vacinas, emitido pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso, que, segundo informa, demonstra que José Luiz explorou mais de 3.000 cabeças de gado apenas em uma das fazendas; m) Em relação à infração relativa a omissão de rendimentos pela intermediação de venda de imóveis rurais, diz que a autuação se sustenta somente nos depoimentos colhidos pelas pessoas responsáveis pelos pagamentos e que não lhe foi oportunizado o contraditório e ampla defesa; n) No tocante a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada em contas de sua titularidade alega que está em busca dos referidos comprovantes; o) Alega que a exigência de multa isolada cumulativamente com a multa de ofício configura bis in idem; p) Alega que a multa de ofício qualificada é indevida, uma vez que todas as empresas tidas pela fiscalização como interpostas encontramse ativas nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil;a q) Requer, subsidiariamente, que os valores relativos aos tributos recolhidos pelas interpostas pessoas sejam abatidos do valor constante no presente lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 1112 e processo): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. EXAME DE EXTRATOS E DOCUMENTOS. DISPENSABILIDADE. É lícito ao Fisco, na forma da Lei Complementar nº105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros Fl. 11246DF CARF MF 6 de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Inexistindo decisão do Supremo Tribunal Federal, estabelecendo efeito vinculante e/ou aplicação erga omnes em relação a julgado que considerou inconstitucional a quebra do sigilo bancário, deve a Autoridade Administrativa, em obediência ao princípio da legalidade, seguir os ditames da legislação vigente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE PESSOAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas e físicas interpostas e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. INTERPOSTA PESSOA. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta. MULTA QUALIFICADA (150%). INTERPOSTA PESSOA. É lícita a imposição da multa qualificada de 150% quando constatada a omissão de rendimentos apurados mediante depósitos bancários de origem não comprovada feitos por intermédio de interposta pessoa, diante da caracterização da fraude, na forma da Súmula Carf nº34. Intimado da referida decisão (AR fls. 11147) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 11150/316, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. Fl. 11247DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.245 7 É relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço Conforme mencionado no relatório, a presente autuação referese à lançamento de imposto de renda pessoa física relativo aos anos calendários 2009 e 2010. O referido lançamento tem como pressuposto omissão de receita relativa a pagamentos realizados pela Fundação Pio XII (que gere o Hospital do Câncer de Barretos) ao Recorrente por meio de diversas interpostas pessoas (físicas e jurídicas). Dessa forma, a solução da lide está em verificar se foi suficientemente demonstrado pela fiscalização a simulação que fundamenta a desconsideração dos pagamentos realizados aos terceiros e, conseqüentemente, o lançamento na pessoa do Recorrente. 1) PRELIMINARES 1.1) POSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01 OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário só poderia ser feita mediante prévia autorização judicial, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 398.808/PR e que tal decisão deveria ser aplicada ao caso em questão por força do disposto no inciso I, do §6º do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Improcedentes as alegações do Recorrente. De acordo com o artigo 62, §1º inciso II, "b " da Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015, RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Fl. 11248DF CARF MF 8 b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária (grifamos) O Recurso Extraordinário mencionado pelo Recorrente não foi proferido com fundamento na sistemática de repercussão geral prevista no artigo 543B do Código Processo Civil. Logo, não está dentre as decisões de observância obrigatório por parte desse Conselho. Ademais, o procedimento adotado no presente trabalho fiscal foi legalmente autorizado pela nº 105/2001. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de Fl. 11249DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.246 9 competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. 1.2) NULIDADE DO LANÇAMENTO EM VIRTUDE DA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA LUSA COMÉRCIO DE METAIS LTDA. Alega o Recorrente a nulidade do lançamento relativo aos valores recebidos pela empresa Lusa Comércio de Metais Ltda, uma vez que esta não foi intimada durante o procedimento fiscal. Diante desse fato, tanto o lançamento como o acórdão recorrido seriam nulos por preterição do direito de defesa (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72). Sem razão o Recorrente. Isso porque, o pressuposto do presente auto de infração é de que as referidas empresas não existiam de fato. Funcionavam, unicamente, como interpostas pessoas que intermediavam os pagamentos para o Recorrente (real destinatário dos recursos). A autoridade fiscal não imputou responsabilidade solidária às empresas juntamente com o Recorrente. Ao invés disso, procurou demonstrar a inexistência das mencionadas empresas para desconsiderar os negócios jurídicos simulados (pagamento às pessoas jurídicas) e tributar o negócio jurídico dissimulado (pagamento ao Recorrente). Dessa forma, caso, ao final, se conclua pela existência da pessoa jurídica e legitimidade dos pagamentos a ela efetuados a conseqüência não seria a nulidade, mas a improcedência do lançamento. Ademais, é importante registrar que esta turma tem precedente no sentido de que nem mesmo quando lançamento faça a imputação da responsabilidade solidária, seria necessária a citação dos coresponsáveis, conforme se verifica pela decisão constante do Acórdão nº 2202003.764, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 11250DF CARF MF 10 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam se insuficientes para comprovar os fatos alegados. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não considerase nulo o auto de infração se a autoridade fiscal deixou de incluir no polo passivo do auto de infração outras pessoas (físicas e/ou jurídicas), por responsabilidade solidária. Em face do exposto, rejeito a preliminar. 2) MÉRITO 2.1) OMISSÕES DE RENDIMENTOS VINCULADAS ÀS EMPRESAS ÁGUIA AZUL E MJ BARRETOS. De acordo com o Recorrente, em relação aos valores recebidos pela empresa MJ Barretos, as obras realizadas pela referida empresa estão comprovadas pelos documentos e planilha de fls. 10290/11050. Ressaltese que, dentre a documentação apresentada, não constam as notas fiscais, bem como o registro dos gastos na contabilidade da empresa. Como corretamente concluiu a decisão recorrida: Assim, a juntada a sua defesa de registros dos eventos vinculados ao Hospital do Câncer ou das obras realizadas não o socorrem nem são hábeis a desconstituir a autuação, que está baseada em provas concretas de que as empresas não existem de fato e que os recursos repassados a elas pela Fundação Pio XII acabaram nas mãos do contribuinte ou de empresa de fachada de sua propriedade, sob a forma de empréstimos tomados das empresas ou dos sócios, interpostas pessoas. Os elementos reunidos pela Autoridade Fiscal demonstram que as empresas Águia Azul e MJ Barretos existiam apenas no plano formal, não dispondo de capacidade operacional para realização dos contratos apresentados. Cumpre destacar alguns pontos: ÁGUIA AZUL (Direção e produção de eventos artísticos ao vivo e incorporação e compra e venda de imóveis): inexistência de sede própria, sendo indicado, inicialmente, o endereço de um dos sócios, Vicente Vieira. Posteriormente, com a saída desse sócio, foi alterado para o endereço de Fernando Heitor Canas, nomeado administrador da empresa no contrato social. Na diligência realizada em seu domicílio, o senhor Fernando declarou que sua “função” era apenas de emprestar seu endereço em troca de um “salário”. Informou ainda que a atividade da empresa seria compra e venda de terrenos em Barretos, desconhecendo o exercício de outra atividade. Ou seja, Fl. 11251DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.247 11 o suposto administrador do negócio, e que consta como autorizador de diversa das transferências bancárias, sequer tinha conhecimento da organização de eventos, que, do exame da contabilidade apresentada, era a atividade que mais gerava receita na empresa. vínculos existentes entre os sócios (antigos e atuais) e o contribuinte. o sócio Marco Antônio da Silva Reis, além de ter sido empregado da mãe do contribuinte e do próprio contribuinte, informa o mesmo domicílio do contribuinte e não apresenta declarações de imposto de renda. foi declarado que os serviços contratados eram executados pelo sócio Marcelo Semeghini Palmitesta, sem contratação de terceiros. Ocorre que o senhor Marcelo é piloto de aeronave, tendo trabalhado para o contribuinte nessa função de 2000 a 2007. No período sob exame, trabalhou, ainda como piloto, para outras empresas, nas cidades de Penápolis/SP e São João da Boa Vista/SP. Intimadas, uma das empresas informou que o funcionário trabalhava 44 horas semanais e a outra, que ele trabalhava de 07:00 às 17:00, com duas horas de intervalo. não foi apresentado qualquer documento acerca dos serviços prestados: planilhas de custos, relatórios, prestação de contas. A empresa limitouse a informar que os serviços prestados foram aqueles previstos em contrato. a contabilidade da empresa não tem registros de despesas típicas da atividade empresarial, tais como, telefone, pessoal (recepcionista, garçom, fotógrafo, operador de luz e som), internet, materiais de divulgação, equipamentos, material de escritório. em relação à atividade imobiliária, a empresa se iniciou na atividade com a compra de 100 lotes de terreno com aporte financeiro do contribuinte. Posteriormente, parte dos terrenos foi vendida para a Fundação Pio XII, com lucro. em 2009, do faturamento de R$3.004.383,28, a empresa repassou ao contribuinte a quantia de R$2.504.972,00 e de R$1.291.000,00 para a empresa Mustang Prata, da qual o contribuinte é sócio, alegando mútuo. Em 2010, do faturamento de R$3.477.759,00, a empresa repassou para o contribuinte o valor de R$1.575.444,70 e de R$823.000,00 para a empresa Mustang Prata, da qual o contribuinte é sócio, também sob a forma de mútuo. Fl. 11252DF CARF MF 12 Os contratos apresentados não estão registrados em cartório, não tem avalista, fiador ou garantias. As transferências para o contribuinte estão assinadas pelo administrador Fernando, que, como já visto, declarou não ter qualquer conhecimento das atividades desenvolvidas pela empresa. encontrouse movimentação de valores para conta do contribuinte com registro na contabilidade como se fosse para o caixa da empresa. a empresa Mustang Prata, da qual o contribuinte é sócio, foi objeto de investigação fiscal, que concluiu que se trata igualmente de empresa de fachada (fls.9717/9748). transferências de valores entre o contribuinte e as empresas envolvidas, de forma a simular a quitação de empréstimos, sendo que o numerário retornava para o contribuinte em poucos dias. diversos documentos da contabilidade da empresa consignando informações do contribuinte e de suas propriedades, o que permite concluir que o controle finaceiro da empresa era realizado pelo contribuinte e seus funcionários. MJ BARRETOS (Administração de obras, reformas em edificações não residenciais: escritórios, lojas) inexistência de sede própria. O domicílio fiscal da empresa é o endereço do funcionário José Eduardo de Oliveira, que informou não ser responsável técnico por quaisquer obra da empresa. existência de vínculo entre os sócios e o contribuinte. intimada a apresentar discriminação detalhada dos serviços prestados, a empresa limitouse a fazer alusão aos contratos assinados e que os serviços foram prestados pelos sócios e pelo funcionário da empresa. Ocorre que um dos sócios é Marcelo Semeguini Palmitesta, que como já se viu, é piloto e trabalhava em outras cidades no perídodo fiscalizado. O outro sócio, José Luiz Alves Neto, sogro do filho do contribuinte, também não tem formação de engenharia e seu domicílio era em outro Estado. Um engenheiro foi contratado somente em 01/05/2009, mas da data de sua abertura, em 02/03/2009, até essa contratação, a empresa já faturara R$235.000,00, por suposto serviço prestado à Fundação Pio XII. foram emitidas notas fiscais em nome de Bruno Aurélio Ferreira no exato valor de empréstimo efetuado por ele ao contribuinte e que foi quitado no ano de 2009, conforme registrado nas declarações de ajustes de ambos. Também foram emitidas notas fiscais no valor da comissão recebida pelo contribuinte pela intermediação na venda de imóveis, que será tratada em tópico próprio. Intimada a apresentar os projetos dos serviços prestados, a empresa limitouse a informar que “não foi realizado projeto, trocouse os serviços das notas por outros que não dependiam de projetos”. Fl. 11253DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.248 13 no ano de 2009, o faturamento foi de R$1.106.539,71, tendo distribuído lucros de R$885.000,00 (R$265.500,00 para Marcelo e R$619.500,00 para José Luiz) e efetuado outras tranferências para sócios de R$232.000,00. Em 2010, o faturamento foi de R$3.767.439,42, com distribuição de lucros de R$3.049.000,00. Em 2009, o sócio Marcelo declarou empréstimo ao contribuinte da quantia de R$265.500,00 e o sócio José Luiz declarou empréstimo de R$2.732.518,70. da análise da contabilidade da empresa e dos extratos do contribuinte, verificase que, após a empresa efetuar depósitos na conta do sócio José Luiz (inclusive as parcelas referentes ao outro sócio), diversas transferências eram efetuadas para o contribuinte ou pagamentos de seu interesse eram efetuados. Registrese que restou evidenciado nos autos, após diversas diligências, que a conta em nome do sócio José Luiz era, na verdade, movimentada em interesse do contribuinte, como será tratado em item próprio neste voto. Essa conta, em nome de José Luiz, recebia, além das parcelas relativas ao outro sócio, o salário do engenheiro contratado registrado na contabilidade. apesar de emitir diversas notas fiscais acima de meio milhão de reais, a contabilidade da empresa não registra despesas corriqueiras da atividade empresarial, tais como aluguel, água, luz, informática. o telefone indicado no cadastro CNPJ é o mesmo da empresa Águia Azul e do contribuinte, que vem a ser o telefone de propriedade do contribuinte. O endereço eletrônico da empresa também é de propriedade do contribuinte (rancho.Guadalupe@terra.com.br). Todos esses fatos estão fundados em provas concretas, conforme indicações do Termo de Verificação Fiscal. Assim, fica evidenciado que as empresas Águia Azul e MJ Barretos receberam receitas da Fundação Pio XII por serviços que nunca foram prestados. Essas empresas foram criadas apenas no papel, não dispondo de capacidade operacional, tendo sido constituídas com o único fim de emitir notas fiscais de serviços para encobrir o verdadeiro fato gerador da obrigação tributária e o devido sujeito passivo dessa obrigação. Diante de todo o conjunto probatório trazido aos autos pela autoridade lançadora restou suficientemente demonstrado que as empresas Águia Azul e MJ Barretos não dispunham de capacidade operacional para prestação dos serviços pelos quais foram remuneradas. Por outro lado, diante de todo o conjunto probatório acima descrito, correta a desconsideração do contrato de mútuo, uma vez que o empréstimo foi concedido sem garantia real a uma taxa de juros de 1% ano mês e os valores não foram devolvidos. Embora tais fatos, isoladamente, não sejam suficientes para nulificar o contrato de mútuo, na hipótese dos autos, tais fatos, somados à toda a situação fática acima descrita conduz à conclusão de que tais Fl. 11254DF CARF MF 14 operações buscavam conferir a aparência de mútuos às transferências a título definitivo para o patrimônio do contribuinte. 2.2) OMISSÕES DE RENDIMENTOS VINCULADA À EMPRESA LUSA COMÉRCIO DE METAIS LTDA. Em relação aos valores pagos à empresa Lusa Comércio de Metais, o Recorrente, preliminarmente, alega nulidade do lançamento, uma vez que a referida empresa não foi intimada. O referido questionamento já foi objeto de análise no item 1.2 da presente decisão. Quanto ao mérito, alega o recorrente que jamais teve qualquer participação societária nessa sociedade e que a autoridade fiscal não buscou estabelecer um vínculo entre os sócios da Lusa e o Recorrente. Alega que o destinatário dos valores recebidos foram depositados na conta bancária do Sr. José Luiz Alves Neto que seria o contribuinte. Conforme exposto na decisão recorrida, o conjunto probatório trazido pelo trabalho fiscal para estabelecer a conexão entre a empresa e o Recorrente foi o seguinte: Tratase de empresa, aberta em 03/2009 com capital social de R$50.000,00, e que não foi localizada no domicílio constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A correspondência encaminhada ao sócio da empresa também foi devolvida. Consta, nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entrega de DIPJ apenas para o ano calendário 2009, zerada. Não obstante, a Fundação Pio XII efetuou pagamentos a essa empresa no montante de R$1.370.914,51, em 2009, e de R$947.835,52, em 2010. Dos elementos reunidos e indicados pela Autoridade Fiscal, verificouse que todos os cheques emitidos pela Fundação Pio XII para efetuar pagamentos a empresa Lusa Comércio de Metais foram depositados em conta de José Luiz, já mencionado neste voto, sendo que ele não tem qualquer vínculo com essa empresa. Os depósitos foram efetuados na conta que, como será visto mais a frente, tem como real titular o contribuinte. Do exame dos extratos, constatouse ainda que, logo em seguida a esses depósitos, os valores saiam para contas do próprio contribuinte ou de suas empresas ou ainda para efetuar pagamentos de seu interesse. Registrese que tais fatos estão amparados por provas concretas, indicadas no Termo de Verificação Fiscal, não combatidas pelo contribuinte em sua defesa. Diante de todo o conjunto probatório acima descrito, entendo que restou suficientemente demonstrado que Recorrente é o real beneficiário dos valores pagos pela Fundação Pio XII à empresa Lusa Comércio de Metais Ltda. 2.3) DAS QUESTÕES ATINENTES AO SR. JOSÉ LUIZ ALVES NETO. A autoridade fiscal entendeu que o Sr. José Luiz Alves Neto seria uma interposta pessoa do Recorrente e, como conseqüência, imputou a este último todos os depósitos realizados na conta concorrente cuja origem não foi comprovada pelo Sr. José Luiz. Fl. 11255DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.249 15 Diante da mesma premissa, a autoridade fiscal unificou os rendimentos da atividade rural das duas pessoas físicas mencionadas. O Recorrente contesta o trabalho fiscal sob a alegação de o Sr. José Luiz é sogro do seu filho, fato esse que explicaria a rápida evolução patrimonial de suas atividades empresariais. Alega também que a procuração conferida pelo Sr. José Luiz às funcionárias do Recorrente não é suficiente para demonstrar que essa outorga de poderes fez com que ele efetivamente controlasse a movimentação bancária da conta. Tais alegações foram detalhadamente refutadas pela decisão recorrida, nos seguintes termos: Não procede a alegação do contribuinte de que os créditos ocorridos nas contas de José Luiz Alves Neto foram atribuídos a ele somente por conta das procurações passadas por José Luiz para duas funcionárias do contribuinte. Além desse fato, a Autoridade Fiscal apontou, no item 4.7.8 do TVF (fls.9930/9940) diversas outras evidências que nos permitem concluir que as contas eram movimentadas no interesse do contribuinte, ou seja, ele era o titular de fato dessas contas. Na detalhada narrativa do TVF, sobressaem os seguintes tópicos: análise das Declarações de Ajuste de José Luiz, dos exercícios 2006 a 2012, demonstrando descompasso entre os valores movimentados e seu patrimônio; os endereços fornecidos por José Luiz para cadastro nas instituições bancárias eram fazendas ou a caixa postal do contribuinte; recebimento de créditos decorrentes de atividade comercial, que foram transferidos na mesma data ou em data bem próxima para contas de titularidade do contribuinte, conforme demonstrativo de fl.9929 e item 4.7.8.2 do TVF. identificação de diversos destinatários de recursos dessas contas, que vincularam os recebimentos ao contribuinte (operações comerciais, serviços prestados, doações), conforme detalhado no item 4.7.8.1.5 do TVF e fls. 9368/9700. utilização da conta pelo contribuinte na compra da Fazenda Nossa Senhora de Fátima. Diante dos fatos acima expostos, entendo correto o procedimento adotado no lançamento de atribuir os créditos existentes nessas contas ao Recorrente. 2.4) DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DA ATIVIDADE RURAL Em relação a omissão de rendimentos da atividade rural, alega o Recorrente que o extrato de vacinas confeccionado pelo Instituto de Defesa Agropecuária do Estado do Mato Grosso demonstra que o Sr. José Luiz Alves Neto é quem efetivamente explorou os Fl. 11256DF CARF MF 16 imóveis rurais objeto de comodato. Isso porque, através desses documentos, seria possível constatar que o Sr. José Luiz explorou mais de 3.000 cabeças de gado na Fazenda Nossa Senhora de Fátima durante os anoscalendários de 2009 e 2010. Da mesma forma que nos itens anteriores, entendo correta a decisão recorrida que considerou que os elementos trazidos pela autoridade fiscal demonstram que a exploração da atividade rural efetivamente realizada pelo recorrente. Isso porque: Da análise dos cadastros nas instituições bancárias, verificou se que os endereços fornecidos por José Luiz são de propriedades do contribuinte ou de sua caixa postal. A Autoridade Fiscal analisou de forma detalhada as declarações de ajuste de José Luiz dos anoscalendários 2005 a 2011 (fls. 9919/9921) e fica patente o descompasso entre a capacidade contributiva do contribuinte e os valores movimentados na atividade rural. Como apontado no Termo de Verificação Fiscal, o qual reproduzo, “...um simples empregado do fiscalizado (Henrique Duarte Prata), com baixos rendimentos, passou a ser produtor agropecuário, explorando gratuitamente as terras do seu patrão, obtendo altos rendimentos positivos e empresário de sucesso abrindo uma empresa de engenharia altamente lucrativa que presta serviços a Fundação PIO XII que é administrada pelo seu patrão. E, por incrível que possa parecer, passou a ser credor do seu patrão, Henrique Duarte Prata, no valor total declarado de R$ 4.708.164,65 no ano de 2011.” Como ressalatado pela Autoridade Fiscal, é interessante notar que, apesar dos altos rendimentos auferidos nas atividades empresarial (MJBarretos) e rural, José Luiz continua possuindo os mesmos bens. Também não consta de suas declarações informações quanto a empréstimos ou financiamentos obtidos. Diversos documentos relativos às despesas da atividade de rural, embora consignem o nome de José Luiz, indicam, para cobrança, endereços e telefones do autuado. Esses documentos foram indicados e digitalizados pela Autoridade autuante às fls. 9925, 9927, 9928. no livrocaixa do ano de 2009, apresentado por José Luiz, não consta o registro de despesas corriqueiras para desempenho da atividade, tais como, empregados, luz, telefone, produtos veterinários, equipamentos. Ou seja, ele desenvolve uma atividade rural de grande monta sem contratar nenhum funcionário e sem maiores cuidados com os animais. as receitas da atividade rural (vendas de bovinos) eram creditadas em conta do autuado na mesma data do recebimento por José Luiz ou em datas bem próximas, conforme quadro demonstrativo de fl.9929. Diante do exposto corretas as conclusões do trabalho fiscal e da decisão recorrida no sentido de que a atividade rural levada a efeito por José Luiz Alves Neto teve como real beneficiário o Recorrente. Fl. 11257DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.250 17 2.5) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DA INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS RURAIS. Em relação a omissão de rendimentos decorrentes da intermediação da venda de imóveis rurais alega o Recorrente que não poderia ter a autoridade efetuado em lançamento com base, unicamente, nos depoimentos daqueles que realizaram o pagamento, sob pena de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Incorretas as alegações do Recorrente. Em primeiro lugar, porque a autoridade lançadora não se baseou exclusivamente em depoimentos de Bruno Aurélio Ferreira Jacintho e José Jacintho Neto de que efetuaram pagamentos de comissões ao contribuinte pela intermediação na venda de suas propriedades. Tais depoimentos são corroborados pelos seguintes elementos: a) os créditos estão identificados nos extratos da conta bancária do contribuinte. b) As operações imobiliárias constam das declarações de ajuste dos depositantes e a escritura de venda de um dos imóveis. Além disso, como ressalta a decisão recorrida, "no curso da ação fiscal, o contribuinte foi intimado e reintimado das diligências efetuadas junto a esses depositantes (fls.1343/1346, 1347/1350 e 1355/1358) e, tal qual na defesa ora apresentada, limitouse a informar estar levantando a documentação correspondente". 2.6) COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELAS PESSOAS JURÍDICAS E AQUELES DECORRENTES DA ATIVIDADE RURAL. Na hipótese de ser reconhecida a simulação das operações praticadas pelas pelas interpostas pessoas, o Recorrente formula pedido subsidiário de compensação dos valores por elas recolhidos com aqueles lançados no presente processo. Com razão o Recorrente quanto a esse ponto. A decisão recorrida indeferiu o mencionado pedido por entender que o contribuinte não é credor do alegado crédito com o qual pretende ver compensado o débito em seu nome.Cita, em amparo a sua decisão, o art. 68 da IN RFB nº 1300, de 20/11/2012 o qual dispõe que "é vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. O Código Civil, ao tratar dos efeitos dos negócios jurídicos simulados, assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Dessa forma, se considerarmos correta a premissa utilizada no trabalho fiscal (existência de simulação) deveria ter sido desconstituído o ato simulado (pagamento às interpostas pessoas) e considerado, para os efeitos da tributação, o que se quis dissimular (pagamentos ao recorrente), tal como previsto no caput do artigo 167 acima transcrito. No entanto, ao desconsiderar os pagamentos realizados às interpostas pessoas e, ao mesmo tempo, impedir dedução dos tributos pagos pelas interpostas pessoas, a Fl. 11258DF CARF MF 18 fiscalização se limitou a desconsiderar o ato praticado previsto na primeira parte do artigo e não considerou a segunda parte do artigo que é o ato que se dissimulou. O mesmo ocorre em relação aos pagamentos aos pagamentos de atividade rural realizados por José Luiz, uma vez que os recursos foram considerados como pertencentes ao Recorrente. Em outras palavras, aqui, da mesma forma que em relação às pessoas jurídicas o senhor José Luiz foi considerado como interposta pessoa. Dessa forma, uma vez desconsiderados os pagamentos a ele realizados é fundamental que se proceda a compensação dos valores por ele recolhidos. Sendo assim, não há que se falar em recolhimentos de terceiros como mencionado na decisão recorrida exatamente porque a desconsideração dos atos praticados pelas pessoas jurídicas e pelo senhor José Luiz foi o fundamento da autuação. Nesse sentido, valiosa a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em Acórdão nº 9202 002.764 de relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002 NORMAS GERAIS. MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA. Nos casos de lançamento de ofício será aplicada a multa, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. No presente caso, o evidente intuito de fraude restou comprovado pela ação do sujeito passivo, motivo de provimento do recurso neste ponto. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADE PERSONALÍSSIMA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DO TRIBUTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA AOS VALORES LANÇADOS. No caso de desconsideração de pessoa jurídica interposta para a realização de serviços personalíssimos, os tributos já recolhidos pela pessoa jurídica deverão ser imputados aos tributos devidos pela pessoa física, exigidos no auto de infração. Recurso Especial provido em parte. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para admitir imputação dos tributos recolhidos pelas interpostas pessoas oriundos dos valores efetivamente recolhidos exigidos no presente Auto de Infração. 3) MULTA ISOLADA Quanto a questão da multa isolada, aplicada no percentual de 50%, calculada com base no art. 44, §1º, alínea "a", da Lei nº 9.430/96. Insurgese o contribuinte pela impossibilidade de concomitância com a multa de ofício, aplicada com base no art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430/96, nos percentuais de 75% e 150%. Em concomitância, a seguinte multa isolada aplicada foi igualmente aplicada sobre a mesma base de cálculo. Fl. 11259DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.251 19 Acrescento que esta matéria encontrase inclusive com jurisprudência neste sentido da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de acórdão abaixo: IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão n° 920200.883, sessão de 11/05/2010). Ainda mais recentemente, a 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestou no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão 9202003.552, sessão de 28/01/2015) Deste modo, entendo por cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com multa de oficio. 4) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Por fim, requer Recorrente a redução da multa qualificada no percentual de 150%, pois não haveria nos autos a comprovação de que ele agiu com dolo Conforme já exposto no decorrer dessa decisão, o trabalho realizado pela auditoria fiscal deixou suficientemente demonstrada a utilização de interpostas pessoas no recebimento dos valores pagos pela Fundação Pio XII, bem como na movimentação das contas bancárias. Sendo assim, correta a qualificação da multa de ofício em relação à omissão de rendimentos de depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que foi demonstrado no trabalho fiscal que a movimentação dos recurso era realizada por terceiros. É o que determina a Súmula CARF nº 34 (Vinculante) abaixo transcrita: Fl. 11260DF CARF MF 20 Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Além disso, em relação às demais infrações, conforme se verifica do relatório, o trabalho fiscal está calcado num encadeamento lógico de indícios convergentes que convencem a julgadora de que o sujeito passivo agiu dolosamente com o intuito de simular negócio jurídico, criando empresas de fachada e se utilizando de interpostas pessoas, a fim de ocultar o real beneficiário das receitas pagas pela Fundação Pio XII. Diante do exposto, entendo suficientemente comprovada a simulação que justificaria a qualificação da multa em 150%. 5) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para: a) compensar os tributos efetivamente recolhidos pelas pessoas jurídicas oriundos de valores exigidos neste auto de infração; b) compensar os valores do imposto de renda da atividade rural efetivamente recolhidos por José Alves Neto; c) cancelar a multa isolada do carnêleão. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Em que pese o bem fundamentado voto da ilustre Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, peço vênia para divergir tão somente em relação à aplicação da multa isolada do carnêleão. Entendo que deve ser mantida a multa isolada pela falta de recolhimento de IRPF a título de carnêleão, por entender que não há nenhum impedimento legal para a sua aplicação em conjunto com a multa de ofício após o anocalendário 2007, quando ocorreu uma alteração legislativa. Tratase, na verdade, de infrações distintas que resultam em penalidades diferentes: da falta de pagamento do tributo devido decorre a multa de ofício prevista no art. 44, inc. I da Lei 9.430, de 1996, enquanto que, do descumprimento do regime de recolhimento mensal do carnêleão decorre a multa isolada prevista no atual art. 44, inciso II, alínea "a", da Lei 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 11261DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.252 21 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de eclaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nª 11.488, de 2007) Conforme o art. 97 do CTN, somente a lei poderia trazer hipótese de dispensa ou redução de penalidade, vedado ao intérprete da norma criar hipótese de dispensa, como a cobrança concomitante de multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo com a multa isolada pela falta de recolhimento de IRPF a título de carnêleão; Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: [...] VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Somente é cabível a multa de ofício quando existir tributo a pagar por ocasião do ajuste anual. Por sua vez, a multa isolada será devida mesmo que no final do período não exista nenhum tributo a recolher, visto que a infração da qual resulta essa multa consiste no descumprimento do regime de antecipação pelo carnêleão, não possuindo relação com o pagamento do tributo em si. O art. 44, inc. II, "a", da Lei 9.430, de 1996, dispõe que a multa isolada será devida "ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste". Quanto ao alegado bis is idem, observo que o ordenamento jurídico rechaça a sua existência na aplicação de penalidades tributárias, ou seja, não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, significando que o contribuinte não pode ser penalizado duas vezes pela prática do mesmo ilícito. Contudo, não há óbice na aplicação ao contribuinte de duas penalidades, quando se está diante de duas infrações tributárias, ainda que incidam sobre a mesma base de cálculo, pois esta é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, possuindo, necessariamente, estreita relação com os fatos ou atos que lhe dão origem, mas não se confundindo com eles. A penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade. Portanto, não se deve confundir a proibição do bis in idem que pretende evitar a dupla penalidade por um mesmo ato ilícito com a utilização de uma mesma base de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física possui fato gerador complexivo, o que significa dizer que, apesar de a disponibilidade jurídica ou econômica da renda ser Fl. 11262DF CARF MF 22 adquirida no decorrer de todo ano calendário, o fato gerador do IR apenas ocorre no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Entretanto, apesar de o fato gerador ocorrer somente no dia 31 de dezembro, foi criada a sistemática do recolhimento antecipado do imposto, a ocorrer mensalmente, sob a forma do carnêleão, com finalidade arrecadatória. Vale ressaltar, ainda, que a multa de ofício e a multa isolada do carnêleão possuem bases de cálculos distintas, uma vez que a multa de ofício incide sobre o tributo efetivamente devido por ocasião do ajuste anual, enquanto a multa isolada incide sobre as antecipações que não foram pagas pelo Recorrido no decorrer do ano por meio do carnêleão, as quais não são necessariamente as mesmas, uma vez que no cálculo do ajuste anual o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas ao longo do ano que não são dedutíveis da base do carnêleão, como despesas médicas e de instrução. Nesse sentido temos as seguintes decisões recentes do CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Atendidos os pressupostos de admissibilidade regimentalmente previstos, inclusive com a indicação de julgado contendo interpretação de lei divergente da que lhe deu o acórdão recorrido, o apelo deve ser conhecido. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas. Recurso Especial do Procurador conhecido e provido. (Acórdão nº 9202004.022, de 10/05/2016, Rel. Maria Helena Cotta Cardozo). [...] MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual." (Acórdão nº 2201002.718, de 09/12/2015, Rel. Eduardo Tadeu Farah). Ante o exposto, voto por manter a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, concordando com a Relatora nas demais questões. (assinado digitalmente) Fl. 11263DF CARF MF Processo nº 13855.721378/201445 Acórdão n.º 2202004.139 S2C2T2 Fl. 11.253 23 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 11264DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721818/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. FATO GERADOR TRIBUTÁRIO. ASPECTO TEMPORAL.
O momento de ocorrência do fato gerador é aquele previsto na legislação de regência do tributo. No caso de alienação de ações, por valores superiores ao seu custo de aquisição, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no momento da efetiva alienação, sendo apurado o tributo devido quando do recebimento do valor avençado.
INCORPORAÇÃO REVERSA. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.
Devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado quando constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização. Inteligência do artigo 135 do Decreto no 3.000, de 1999.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS LEGALMENTE PREVISTA. NECESSIDADE.
Ausente a comprovação da prática intencional, pelo sujeito passivo, das condutas reprovadas pela Lei nº 9.430/96 é inaplicável a qualificadora da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%. Votaram pelas conclusões os Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. FATO GERADOR TRIBUTÁRIO. ASPECTO TEMPORAL. O momento de ocorrência do fato gerador é aquele previsto na legislação de regência do tributo. No caso de alienação de ações, por valores superiores ao seu custo de aquisição, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no momento da efetiva alienação, sendo apurado o tributo devido quando do recebimento do valor avençado. INCORPORAÇÃO REVERSA. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado quando constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização. Inteligência do artigo 135 do Decreto no 3.000, de 1999. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS LEGALMENTE PREVISTA. NECESSIDADE. Ausente a comprovação da prática intencional, pelo sujeito passivo, das condutas reprovadas pela Lei nº 9.430/96 é inaplicável a qualificadora da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%. Votaram pelas conclusões os Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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FATO GERADOR TRIBUTÁRIO. ASPECTO TEMPORAL. O momento de ocorrência do fato gerador é aquele previsto na legislação de regência do tributo. No caso de alienação de ações, por valores superiores ao seu custo de aquisição, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no momento da efetiva alienação, sendo apurado o tributo devido quando do recebimento do valor avençado. INCORPORAÇÃO REVERSA. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado quando constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização. Inteligência do artigo 135 do Decreto no 3.000, de 1999. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 18 /2 01 3- 11 Fl. 1060DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS LEGALMENTE PREVISTA. NECESSIDADE. Ausente a comprovação da prática intencional, pelo sujeito passivo, das condutas reprovadas pela Lei nº 9.430/96 é inaplicável a qualificadora da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%. Votaram pelas conclusões os Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ em Brasília/DF, que manteve, na integralidade, o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido nos anoscalendário de 2010 e 2011, em razão de ganho de capital por venda de ações não listadas na bolsa. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 603 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 1.663.250,57, que compreende imposto (R$ 607.535,72), juros de mora (R$ 144.411,25), multa proporcional (R$ 911.303,60), valores consolidados em agosto de 2013. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente ao IRPF dos anoscalendário 2010 e 2011, ocorreu em 19 de agosto de 2013, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 612. Em 11 de setembro de 2013, foi apresentada impugnação (fls 620) ao lançamento. A decisão da 3ª Turma da DRJ BSB, consubstanciada no Acórdão 0361.652 (fls. 920), de 30/05/14, foi pela improcedência da impugnação, mantendose o crédito tributário Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.060 3 constituído. Dessa decisão consta o seguinte relatório que, adoto, por sua precisão e clareza (fls 707): "O imposto a pagar apurado decorre de omissão apurada na alienação da participação societária que o Contribuinte possuía no Banco Pactual, CNPJ nº 30.306.294/000145, a UBS Brasil Participações Ltda, CNPJ nº 08.245.975/000191. O conteúdo do Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 584/602, mostra que, nesta operação de venda representada por 7.371.501 ações ordinárias, o Contribuinte “após um complexo processo de reorganização societária”, mediante “sofisticados artifícios contábeis”, “inflou artificialmente o custo das ações” com “o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação”. O processo de reorganização consistiu, segundo a autoridade lançadora, na elevação do capital em empresas investidoras, por meio de equivalência patrimonial com as empresas investidas e, simultaneamente, extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, mediante sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas. Referida alienação foi formalizada em dezembro de 2006, no entanto, o recebimento ocorreu de forma parcelada nos anos calendário de 2006, 2009, 2010 e 2011. A mencionada reorganização societária, com o objetivo de inflar o custo de aquisição das ações, envolveu o Contribuinte, Pactual Holdings S/A, Nova Pactual Participações Ltda (antiga Pactual Participações S/A), Pactual S/A, Banco Pactual S/A, UBS Brasil Participações Ltda, diversas empresas do grupo Pactual e outras pessoas físicas participantes da respectiva composição societária.. Os registros feitos no TVF demonstram que em 13/10/2006, os sócios da Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A aprovaram, em Assembléia Geral Extraordinária, o aumento do capital social de cada uma das empresas, nos valores de R$ 686 milhões (créditos dos sócios) e R$ 202,5 milhões (distribuição de dividendos e reserva legal), respectivamente. No mesmo dia, as duas pessoas jurídicas foram incorporadas pela Pactual S/A. A fiscalização frisa que “praticamente a totalidade do acervo” das incorporadas referese a participações na incorporadora Pactual. Ato contínuo, com base no artigo 135 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999), em decorrência do aumento de capital em Nova Pactual Participações Ltda, o Contribuinte promove elevação de R$ 27.430.522,00 no custo de aquisição de seu investimento nessa empresa. Fl. 1062DF CARF MF 4 No dia 3/11/2006, a Pactual S/A, por meio de Assembléia Geral Extraordinária realizada pelos seus sócios, aumenta em R$ 996.087.876,00 o seu capital social, provenientes de créditos dos sócios. Aqui o Contribuinte, novamente ao amparo do artigo 135 do RIR/1999, eleva o custo de aquisição de sua participação em mais R$ 17.431.540,00. No dia 1º/12/2006, a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A. O total dos ativos da Pactual era composto pela participação no Banco Pactual. Os sócios da Pactual, em contrapartida, recebem ações do Banco Pactual. Na mesma data, o Contribuinte aliena as ações do Banco Pactual a UBS Brasil Participações Ltda. A autoridade lançadora conclui que o Contribuinte lançou mão de um planejamento tributário praticando atos simulados, pois elevou indevidamente o custo de aquisição da participação societária alienada, especificamente em relação ao efeito produzido pelas capitalizações ocorridas nas empresas Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, em 13/10/2006, uma vez que esse efeito foi utilizado em duplicidade, haja vista que está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A realizada em 3/11/2006, no valor de R$ 996.087.876,00, quando o fiscalizado ajustou o custo das ações alienadas em R$ 17.431.540,00. Anota a referida autoridade que o único fato econômico que justifica o aumento do custo de aquisição da participação alienada pelo sujeito passivo é o lucro obtido pela Banco Pactual S/A, que sustentou a capitalização de lucros de R$ 996.087.876,00, realizada pela Pactual S/A. Nesse sentido, na ação fiscal realizada, foi ajustado o custo de aquisição das ações alienadas pelo Contribuinte para R$ 17.431.540,00, expurgandose o acréscimo decorrente da capitalização feita pela Nova Pactual Participações Ltda, no valor de R$ 27.430.522,00. A autoridade fiscal explica que o custo de aquisição foi ajustado para refletir o valor dos recursos investidos, sejam do patrimônio do sócio ou dos lucros apurados pela sociedade. A apuração do custo de aquisição foi assim demonstrada: Recebimento 2006 e 2009 78.214.626,60 3/2010 3.387.183,64 9/2010 3.387.183,64 3/2011 3.387.183,64 7/2011 3.387.183,64 Valor da Alienação (1) 91.763.361,16 Custo de Aquisição Informado 44.862.029,50 Custo de Aquisição Indevido 27.430.522,00 Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.061 5 Custo de Aquisição Correto (2) 17.431.507,50 Ganho de Capital Correto (1 – 2) 74.331.853,66 Depois de ajustar o custo de aquisição, o Ganho de Capital foi atribuído para os anoscalendário 2006, 2009, 2010 e 2011. Em 2010 e 2011, o Ganho de Capital foi distribuído proporcionalmente para cada uma das parcelas recebidas em março e setembro de 2010 e em março e julho de 2011. Após analisar os documentos e esclarecimentos constantes dos autos, a fiscalização apurou a infração a seguir, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal anotados no auto de infração e no TVF, fls. 585/601, 605 e 609: 001 – Omissão de Ganho de Capital decorrente da Alienação de Ações/Quotas não negociadas em Bolsa de Valores Fato Gerador Valor (R$) Multa (%) 18/3/2010 2.743.749,09 150 20/9/2010 2.743.749,09 150 18/3/2011 2.743.749,09 150 01/7/2011 2.743.749,09 150 A omissão relativa aos anoscalendário 2006 e 2009 foi objeto de autuação nos autos do processo administrativo fiscal nº 19515720.681/201115 Representação Fiscal para Fins Penais Foi formulada Representação Fiscal para Fins Penais, nos autos do processo administrativo nº 19515.721819/201365, tendo em vista que o Contribuinte, ao participar das operações que antecederam a alienação com o fim de majorar indevidamente o custo de aquisição das ações alienadas a UBS Brasil Participações Ltda, incorreu na prática de ato simulado com o propósito de lesar a Fazenda Nacional. DA IMPUGNAÇÃO Depois de cientificado do Auto de Infração, o Contribuinte apresenta impugnação às fls. 620/679. Reportase aos termos da autuação e da reestruturação societária, para, em seguida, expor os argumentos de defesa. O Auto de Infração e a Reestruturação Societária O lançamento exige a diferença de IRPF referente aos anos calendário 2010 e 2011, decorrente da apuração de ganho de capital verificado na alienação de ações do Banco Pactual. A alienação alcançou R$ 91.763.361,16, sendo recebidos R$ 35.663.950,11 e R$ 42.550.665,43 em 2006 e 2009, respectivamente. O saldo restante foi recebido em quatro Fl. 1064DF CARF MF 6 parcelas de R$ 3.387.183,64, nos meses de março e setembro de 2010 e março e julho de 2011. O IRPF relativo aos anoscalendário 2006 e 2009 é objeto de outro auto de infração (processo administrativo nº 19515.720681/201115). Antes da reestruturação, o Impugnante era titular de investimentos representativos de 2,24% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital da empresa Pactual S/A, holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; Os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade da Pactual Holdings S/A, sociedade holding na qual o Impugnante não tinha qualquer participação. A autoridade lançadora, conforme TVF, assim questiona os principais atos da REESTRUTURAÇÃO: a) Aumento de capital de PARTICIPAÇÕES realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo de custo dos investimentos do IMPUGNANTE em PARTICIPAÇÕES em R$ 27.430.522,00; b) Também em 13/10/2006, aumento de capital de HOLDINGS mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP; este passo é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o IMPUGNANTE não era titular de investimentos em HOLDINGS; c) Incorporação de PARTICIPAÇÕES (e HOLDINGS, o que não é relevante no caso) por PACTUAL, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao IMPUGNANTE, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, em PACTUAL; d) Aumento de capital de PACTUAL ocorrido em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP; com isso, o custo dos investimentos do IMPUGNANTE em PACTUAL aumentou em R$ 17.431.540,00; e) Incorporação de PACTUAL pelo BANCO (incorporação reversa) tendo o IMPUGNANTE recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no BANCO. Realizada a reestruturação societária, o custo dos investimentos do Impugnante no BANCO passou a ser de R$ 44.862.029,50. A capitalização de lucros gerados pelo BANCO, refletida em suas investidoras em razão da aplicação do MEP, seguida da incorporação inversa dessas mesmas investidoras por suas Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.062 7 investidas, acarretou majoração do custo de aquisição dos investimentos do Impugnante no BANCO e a conseqüente redução do montante do ganho de capital e do IRPF sobre ele incidente. A fiscalização sustenta que, individualmente, os atos que integraram a reestruturação foram legais, a despeito de as incorporações inversas não terem seguido “o padrão normal”. O TFV afirma que a reorganização societária: a) Implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do IMPUGNANTE no BANCO, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; b) Consubstanciou ato simulado cujos efeitos –artifícios para reduzir o IRPF devido em razão da venda das ações do BANCO –, nos termos do art. 116, parágrafo único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; c) Por ter resultado em majoração indevida do custo de aquisição de investimentos do IMPUGNANTE no BANCO, a REESTRUTURAÇÃO representaria, cumulativamente, uma sonegação, uma fraude e um conluio (artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964), motivando a aplicação da multa de 150%. Em razão dos fatos sintetizados, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do IMPUGNANTE no BANCO. Enquadramento legal Menciona que o auto de infração não indica o dispositivo legal que teria sido infringido, registra como enquadramento legal uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas. Decadência O Impugnante assevera que, no caso do IRPF sobre ganho de capital decorrente da alienação de bem ou direito, o termo inicial da decadência é a data da sua realização, tendo em vista que se refere a tributo lançado por homologação, sendo irrelevante, para a contagem do prazo, que o pagamento do preço da venda tenha sido feito de forma parcelada ou à vista. A alienação das ações do Banco Pactual ao UBS Brasil ocorreu em 1º/12/2006 e a ciência do auto de infração em 29/6/2013. Logo, decorridos mais de 5 anos entre a data da alienação e a data da ciência, o crédito tributário lançado está extinto por decadência, ainda que caracterizada fraude, dolo ou simulação, hipótese que deslocaria o termo inicial do prazo decadencial para o artigo 173, I, do CTN. Fl. 1066DF CARF MF 8 Recorre ao artigo 149, parágrafo único, e artigo 150, § 4º, todos do CTN, artigo 140 do IR/1999, artigo 31 da IN SRF nº 84/2001 e à jurisprudência administrava. Operações que precederam a venda do Banco e seus propósitos O Grupo Pactual era composto por diversas holdings – PARTICIPAÇÕES, HOLDINGS e PACTUAL. Por opção, as holdings, que tinham como única função organizar o exercício do controle do Banco Pactual, foram extintas antes da alienação das ações do BANCO a UBS BRASIL.. Afirma que o caminho trilhado pelos ACIONISTAS para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico. O acréscimo do custo de seus investimentos é mera conseqüência de aplicação das normas vigentes. Discorre sobre as formas que poderiam ser utilizadas pelos ACIONISTAS para realizar a venda de suas participações no Banco Pactual. Ressalta os tipos de incorporações – diretas e reversas. Restou mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal a incorporação reversa das holdings pelo BANCO. Discorda do exemplo anotado no TVF – evolução patrimonial das empresas hipotéticas ALFA e BETA. Para demonstrar a elevação indevida no custo de aquisição no caso em apreço, a fiscalização traça o seguinte cenário: a) ALFA é constituída com o capital social de R$ 100.000,00; b) BETA recebe os R$ 100.000,00 a título de realização de capital; c) Encerrado o exercício, BETA aufere lucro de R$ 400.000,00; d) Capitalização dos lucros em ALFA, pelo MEP, aumentando o custo dos investimentos dos acionistas para R$ 500.000,00; e) Incorporação de ALFA por BETA; f) BETA, após a incorporação, capitaliza o lucro de R$ 400.000,00; g) O custo dos investimentos dos acionistas de BETA atinge a cifra de R$ 900.000,00 (R$ 500.000,00 reconhecidos em ALFA e R$ 400.000,00 decorrente da capitalização do lucro em BETA). Repisa que não foi adotado planejamento fiscal para elevar indevidamente o custo de aquisição das ações, mediante aumentos de capital sucedidos por incorporações reversas. A reorganização societária no caso concreto foi realizada por ser a forma mais eficiente e rápida no sentido de fazer com que as ações do BANCO chegassem aos ACIONISTAS. Efeitos das Incorporações Inversas Elabora extensa exposição sobre a reorganização societária realizada pelo Grupo Pactual que culminou na alienação das ações do Banco Pactual pelos acionistas. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.063 9 Nas incorporações inversas, a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também pelo Fisco (IN nº.77/1986, Lei nº 7.450/1985, artigo 63 do DL nº 1.598/1977 e artigos 376 e 377 do RIR/80). Nos itens 5.14 a 5.21, em defesa do processo de reorganização levado a efeito pelos acionistas do Grupo Pactual, relata as operações contábeis decorrentes de uma hipotética incorporação inversa. Pontua que, se o patrimônio líquido da incorporada é representado pelas contas de capital, lucros e reservas, é evidente que ocorrerá a capitalização de tais lucros e reservas nos processos de incorporação, pois tais contas, da incorporada, são transferidas para a incorporadora. Assim, a capitalização feita pela incorporadora acarreta acréscimo do custo de aquisição para os ACIONISTAS. Afirma que a capitalização de lucros antes das incorporações é irrelevante em termos fiscais. No que tange a Nova Pactual Participações Ltda, ocorreu a distribuição e capitalização de lucros previamente à incorporação pela Pactual S/A porque a Nova Pactual distribui lucros de forma desproporcional. Este procedimento não se trata de mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas. Nesse sentido, antes de sua incorporação pela Pactual S/A, a Nova Pactual Participações Ltda realizou capitalização de lucros, em 13/10/2006, aumentando o seu capital em R$ 686.000.0000,00, mediante conversão de créditos detidos por seus quotistas (direito ao recebimento de lucros). Dessa forma, os lucros de Nova Pactual Participações Ltda foram distribuídos e reaplicados na Pactual S/A, acertando as participações dos acionistas no patrimônio liquido antes da incorporação. Esse procedimento elevou a participação indireta do Impugnante no Banco Pactual, passando de 0,30% para 0,65%. Aumento do Custo Resultante da Reestruturação. Objeções da Fiscalização Os termos do artigo 130, §1º e artigo 135 do RIR/1999 determinam que, em regra, o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados. Ocorre que, nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado, ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada. Fl. 1068DF CARF MF 10 No caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação. O aumento do custo de aquisição do valor dos investimentos do Impugnante no BANCO se verificaria independentemente da existência de deliberação expressa no sentido da capitalização dos lucros das holdings. A capitalização de lucros gera aumento do custo de aquisição dos investimentos de acionistas, sem cogitar da natureza de lucro. O ajuste feito pelo Impugnante decorre da aplicação da lei e não há como rejeitálo. Carece de base legal a sugestão da fiscalização para baixar uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos, qual seja, a referente a lucros da incorporada que foram capitalizados. A autoridade lançadora limitase a dizer que houve uma “conotação” equivocada do artigo 135 do RIR/1999. A opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do BANCO pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção. A lei foi aplicada e o Fisco não pode deixar de fazer o mesmo por considerar que ela beneficia indevidamente o Contribuinte. As distorções apontadas, decorrentes da aplicação do MEP, se verificam não só nas incorporações reversas, mas também em outras situações. O 1º CC já decidiu, em diversas situações, que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”. Arremata que, por vezes, a legislação fiscal contém distorções, algumas favoráveis e outras prejudiciais ao contribuinte, todavia, as correções devem ser feitas pelo legislador que está revestido da respectiva competência. Além disso, faltaria até lógica adotar o procedimento sugerido pela fiscalização, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital. O Impugnante tinha investimentos diretos em Nova Pactual Participações Ltda e a realização de aumento de capital dessa empresa propiciou um aumento do custo de aquisição de seus investimentos. Após a incorporação da Nova Pactual por Pactual S/A, ocorreu um aumento de capital dessa última, proporcionando ao Impugnante um novo acréscimo de custo. Ressalta que o lançamento contra um dos acionistas do BANCO foi julgado improcedente pelo 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção do Carf. Inexistência de Simulação Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.064 11 É totalmente equivocada a afirmação de que os atos praticados pelo Impugnante foram simulados. Não houve simulação e, ainda que tivesse ocorrido, o artigo 116, parágrafo único do CTN, não seria aplicável ao caso, seja pela inexistência de simulação, seja pela ineficácia diante da falta de regulamentação, ausência de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. O dispositivo legal inserido no CTN (parágrafo único do artigo 116) visa combater atos em que a simulação não está presente, conforme manifestações do próprio Ministério da Fazenda, o que se evidencia nos termos da Exposição de Motivos nº 211, que acompanhou a MP nº 66/2002. O escopo dessa norma foi atingir atos que, embora lícitos, tivessem sido praticados com abuso de forma ou falta de propósito negocial, mas sem conotação penal, diferentes daqueles em que está presente o evidente intuito de fraude. O Artigo 167, § 1º, inciso I, do CC/2002 contempla situações em que pessoas sem qualquer interesse real participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes, sendo essencial que a parte oculta não apareça, cenário totalmente diverso daquele descrito pela fiscalização. A alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e UBS Brasil. Nada mais. A reestruturação em causa foi feia “ás claras” para viabilizar a negociação das ações do BANCO diretamente pelos CONTROLADORES, e representou a maneira mais rápida e econômica para viabilizar o negócio. Não houve majoração artificial do custo de aquisição das ações. O acréscimo de custo verificado é atributo de uma participação societária, resultante de aplicação das normas legais vigentes, e pertence ao seu proprietário no momento em que ocorre a capitalização de lucros. A jurisprudência dominante no 1º CC, atual 1ª Seção do Carf, mostra que a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles. Na alienação do BANCO, assim como na REESTRUTURAÇÃO que a precedeu, todas as partes da operação eram conhecidas e foram as destinatárias dos direitos que lhes foram conferidos. O Impugnante junta aos autos parecer elaborado pelo doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira, citado no TFV, no qual, ao analisar a REESTRUTURAÇÃO para um dos controladores, concluiu pela inexistência de qualquer ato simulado. Da Inaplicabilidade da Multa de 150% A fiscalização entendeu que a REESTRUTURAÇÃO teria configurado cumulativamente, uma sonegação, uma fraude e um Fl. 1070DF CARF MF 12 conluio por parte do IMPUGNANTE, conforme definidos pelos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, por isso, aplicou a multa de oficio de 150%. Todavia, a REESTRUTURAÇÃO foi motivada por objetivos negociais legítimos e a majoração do custo dos investimentos do IMPUGNANTE no BANCO é mera decorrência da aplicação direta da legislação em vigor. Em nenhum momento o IMPUGNANTE se desviou das regras previstas na LSA ou na legislação fiscal. As distorções apontadas no auto de infração decorrem do texto da lei, e, para evitálas, seria necessário descumprir a legislação, implementando procedimento que não tem qualquer base normativa. Jurisprudência do Carf e da CSRF, além de manifestações de doutrinadores, evidencia a inexistência de fraude, sonegação, conluio ou mesmo simulação na forma adotada para alienação das ações de propriedade do IMPUGNANTE no BANCO. Fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual sua cobrança é improcedente. Dos Juros sobre a Multa É descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Do Pedido Requer o IMPUGNANTE a total improcedente do lançamento, com a conseqüente extinção do crédito tributário apurado." Em 21 de julho de 2014, o Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 965), de maneira tempestiva, contra a decisão de primeiro grau da qual teve ciência em 07 de julho de 2014. Tal recurso, em linhas gerais, reprisa os argumentos constantes da impugnação. O processo foi distribuído em sessão pública, de modo eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.065 13 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Conheço do recurso pois se encontram presentes os requisitos de admissibilidade. Passo a analisálo. Como relatado, a lide se instaura basicamente sobre a quantificação do ganho de capital decorrente da alienação de participação societária do Recorrente após a utilização de diversas incorporações reversas como forma de reestruturação societária que precedeu tal alienação. Tratase de tema complexo, porém já discutido no âmbito deste Colegiado e com reiterada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive em caso de extrema similaridade, posto que aplicado aos sócios do Recorrente. Me filio ao entendimento que norteia os recentes julgamentos da CSRF. Assim, com o devido pedido de licença à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, relatora do Processo 12448.735830/201142, Acórdão 9020003.765, de 16 de fevereiro de 2016, para adorar seu voto como fundamento para o presente julgamento. Ressalto que, além de minha concordância com os argumento e fundamentos ali esposados, tal decisão se apóia em voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, proferido na decisão consubstancia pelo Acórdão 9202003.700, que elucida a raciocínio jurídico que espelha meu entendimento sobre o tema. Vejamos: "O cerne da questão é identificar se a legislação aplicável no caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica, bem como a Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n°3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Fl. 1072DF CARF MF 14 Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.066 15 Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendo se para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Fl. 1074DF CARF MF 16 Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.067 17 consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para nãotributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro Fl. 1076DF CARF MF 18 auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.068 19 (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding_______________ (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL);" Assentados quanto a interpretação da norma e portanto, quanto à aplicação da norma ao caso concreto o que fundamenta e explicita minha concordância com a motivação fiscal para o lançamento passemos a examinar as alegações recursais quanto à decadência do crédito tributário, improcedência da decisão de piso, agravamento da multa de ofício, e incidência da taxa SELIC sobre a multa, pontos que não restaram superados após tudo o acima exposto. DECADÊNCIA Segundo o Recorrente (fls 1016), há decadência do crédito tributário constituído. Vejamos seus argumentos: "5.1 0 RECORRENTE alegou na IMPUGNAÇÃO que a alienação das ações do BANCO à UBS ocorreu em 01.12.2006 e, como decorridos mais de 5 anos entre esta data e a da ciência da lavratura do AUTO, em 13.08.2013, o crédito tributário nele lançado estaria extinto por decadência. 5.2. Isso porque, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência se dá no prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, que diz: (...) Fl. 1078DF CARF MF 20 5.3. O IRPF incidente sobre ganho de capital é tributo lançado por homologação, já que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; assim, a extinção do respectivo crédito tributário, por decadência, se opera no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. 5.4. 0 fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital ocorre na data da alienação do bem ou direito; daí o termo inicial da decadência corresponder à data da sua realização. É irrelevante, para fins de contagem do prazo decadencial, que o pagamento do preço de venda tenha sido feito de forma parcelada ou à vista. 5.5. Tal conclusão é confirmada pelo art. 21 da Lei n° 7.713/1988, reproduzido no art. 140 do RIR e no art. 31 da Instrução Normativa SRF (IN) n° 84, de 11.10.2001, que expressamente dispõem que nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse à vista. Os dispositivos acima mencionados são do seguinte teor: (...) 5.6. Tratase de fato gerador instantâneo, no qual o tributo é devido no momento em que o sujeito passivo pratica a conduta típica (alienação do bem ou direito). 5.7. 0 RECORRENTE alegou, ainda, que o fato de o pagamento do preço ser feito a prazo em nada altera o momento da ocorrência do fato gerador do IRPF sobre o ganho de capital, não existindo nenhuma previsão legal nesse sentido; o que a lei autoriza é tão somente o diferimento do pagamento do imposto para o momento do recebimento do preço pelo alienante. Ou seja, há um deslocamento da data de vencimento do tributo e não de seu fato gerador, que continua sendo a data da alienação do bem ou direito. (...)" (destaques não constam do recurso) Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 719): "Portanto, para solucionar a controvérsia, imprescindível entender como a legislação tributária estabelece a tributação do IRPF sobre ganho de capital nas alienações de bens com recebimento parcelado. A Lei nº 7.713/1988 e o Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999) fixaram regras específicas para a apuração do ganho de capital quando o recebimento do produto da alienação de bens ou direitos ocorre de forma parcelada: Lei nº 7.713/1988 Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. RIR/1999 Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.069 21 respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Notase que nas alienações parceladas a apuração do ganho de capital ocorre no momento da realização do negócio, como venda à vista. Contudo, para a tributação do IRPF, de acordo com o percentual de ganho de capital relativo a cada parcela, será considerada a data de recebimento. Apurase o ganho de capital e o percentual referente a cada parcela na data da alienação, no entanto, a tributação do IRPF devido pelo sujeito passivo ocorre nas datas de recebimento de tais parcelas. É o que estabelece a legislação tributária, pois no momento da alienação ainda não há imposto devido, uma vez que o fato gerador e a respectiva obrigação tributária surgem com a aquisição das disponibilidades representadas pelos valores decorrentes da operação de venda. É assim que dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN) e da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 determinam (...) Na data da alienação, em 1º/12/2006, o ganho de capital foi apurado. Posteriormente, restou caracterizada a obrigação tributaria (IRPF sobre ganho de capital) no momento da ocorrência do fato gerador. Nestes autos, o fato gerador ocorreu quando foram recebidas as parcelas nos meses de março e setembro de 2010 e março e julho de 2011." Em resumo, nas operações de vendas parceladas, concluise que a apuração do ganho de capital e o fato gerador do IRPF ocorrem em momentos distintos." (destaques não constam do original) A leitura dos argumentos recursais e da motivação da decisão 'a quo' deixam claro que a divergência interpretativa cingese a questão do momento de ocorrência do fato gerador tributário, posto que, por expressa disposição do Código Tributário vigente, aplicase ao caso em apreço, as regras constantes do parágrafo 4º do artigo 150. Examinemos a questão Inicio pelo próprio conceito de fato gerador, posto que o lançamento tributário, por expressa disposição do CTN, exige sua exata delimitação. Regina Helena Costa (Curso de Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, pg. 198), nos alerta para a dupla acepção da expressão: "Fato gerador "in abstracto" é, assim, substituído pelas expressões hipóteses de incidência ou hipótese tributária, que não deixam dúvidas quanto ao conceito a que se referem o da situação hipotética. Fl. 1080DF CARF MF 22 E o fato gerador "in concreto " é designado por fato imponível ou fato jurídico tributário, de molde a designar a situação aperfeiçoada no plano concreto" Podemos, portanto, inferir que a expressão fato gerador se refere tanto à escolha que o legislador fez entre os fatos economicamente apreciáveis que uma fez realizados ensejam a obrigação tributária, como também ao próprio fato praticado pelo, a partir da realização, sujeito passivo. A sempre precisa lição de Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário: Linguagem e Método, 2ª Ed., Noeses, pg. 421), elucida: "Como decorrência do acontecimento do evento previsto hipoteticamente na norma tributária, instalase o fato, constituído pela linguagem competente, irradiandose o efeito jurídico próprio, qual seja, o liame abstrato mediante o qual uma pessoa, na qualidade de sujeito ativo, ficará investida do direito subjetivo de exigir de outra, chamada de sujeito passivo, o cumprimento de determinada prestação pecuniária. Empregandose a terminologia do Código Tributário Nacional, diríamos que ocorreu o " fato gerador" (em concreto), surgindo daí a obrigação tributária: é a fenomenologia da chamada "incidência dos tributos". " Esclarecedora explanação. A prática de um ato previsto na lei como ensejador de obrigação tributária, exige daquele que o praticou , o sujeito passivo, o dever de suportar o crédito tributário decorrente da obrigação tributária instaurada, nos termos do artigo 139 do CTN. Novamente nos socorremos dos ensinamentos de Paulo de Barros (ob. cit. pg. 431): "Como elemento indissociável da obrigação tributária, o crédito que falamos surge no mundo jurídico no exato instante em que se opera o fenômeno da incidência, com aplicação da regra matriz do tributo" Assentemos. Tendo praticado o sujeito passivo o fato previsto na norma tributária como ensejador de obrigação dessa espécie, surge em dado momento, o direito do credor dessa obrigação, o Estado, de exercer seu direito de crédito, ou seja, cobrar o tributo devido. Tal vínculo obrigacional, como recorda Luís Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, pg. 609), não deve perdurar para sempre: "Mas a pergunta é imediata até quando persiste essa relação jurídica? A resposta é: até que surja em evento que dê por extinta a obrigação. Ou seja: uma vez nascida a obrigação tributária, com um fato jurídico tributário, ela persiste até que seja extinta." As formas de extinção da obrigação tributário e do correspondente crédito tributário, como assevera Paulo de Barros (ob. cit. pg. 469): "(...) e assim também a extinção das obrigações tributárias hão de ocorrer nos precisos termos da lei. Nesse terreno, o princípio Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.070 23 da estrita legalidade impera em toda a extensão e a ele se ajunta, em vários momentos, o postulado da indisponibilidade dos bens públicos" As formas de extinção do crédito tributário se encontram elencadas no artigo 156 do Código Tributário Nacional. Vejamos a redação do artigo: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149." (destaquei) Aqui o ponto basilar de nossa análise. É causa de extinção do crédito tributário a decadência e a prescrição. Sobre o tema, leciona Paulo de Barros (Direito Tributário: Fundamentos Jurídicos da Incidência Tributária, 6ª ed., Ed. Saraiva, fls. 234 ): "Um passo que nos parece importante nesse caminho é asseverar que a palavra decadência é usada para denotar esse procedimento complexo, em que se observa o decurso de certo trato de tempo, sem que o titular do direito o exercite, e , quando traduzido em linguagem competente, tem o condão de instaurar a norma decadencial. Em outras palavras, o procedimento prevê desde o ponto que dá início à contagem do prazo decadencial Fl. 1082DF CARF MF 24 (primeiro dia do exercício seguinte, do fato gerador da homologação), até as últimas providências normativas para a satisfação do direito subjetivo pelo ato que constitui o fato decadencial." Exsurge o ponto fundante da questão, como aliás bem reconhecem tanto a decisão de piso quanto o apelo interposto: a definição do 'dies a quo', do marco inicial da contagem do prazo decadencial. Imprescindível recordar: o momento de ocorrência do fato gerador é escolha do legislador, logo temos que encontrar na lei instituidora do imposto sobre a renda da pessoa física a definição de tal momento. Antes, porém, mister uma visita doutrinária. Há que se recordar que os fatos geradores tributários apresentam momentos de ocorrência distintos, típicos do negócios jurídicos que os ensejam. Enquanto uns ocorrem em um átimo, a circulação de mercadoria por exemplo, outros o acréscimo patrimonial exigem dois momentos distintos para sua apuração. Outros ainda, produzem efeitos contínuos, como, v.g.¸ocorre na propriedade de um imóvel urbano. Recordemos a lição de Luís Eduardo Schoueri sobre o momento de ocorrência do fato gerador (Direito Tributário, 3ª ed. E. Saraiva, pag. 496): "Reconhecida a distinção entre hipóteses tributárias instantâneas e periódicas, notase que a referida classificação tornase importante para reconhecer que enquanto para as primeiras não seria necessário que a lei fixasse expressamente seu aspecto temporal (a menos que a lei pretenda deslocar adiante sua ocorrência), para as últimas a fixação expressa do aspecto temporal tornase relevante, já que o legislador deverá determinar a partir de que momento considerase ocorrido o fato jurídico tributário e nascida a obrigação tributária " Assentados nos fundamentos dogmáticos aplicáveis, recordemos o texto legal sobre o imposto de renda incidente sobre o ganho de capital. Dispõe a Lei nº 7.713/88: "Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver." (destaquei) O Regulamento do Imposto sobre a Renda, disciplinando o comando legal, preceitua: "Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida." (destaquei) Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.071 25 Diante da digressão enfrentada, podemos afirmar: a lei tributária assentou que o momento de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física incidente sobre o ganho de capital decorrente de venda a prazo se dá com a percepção das parcelas pagas em cada mês, mesmo devendo ser considerado tal ganho como se a venda fosse realizada à vista. Esclareço, com o perdão da repetição: o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física decorrente do ganho de capital instaura a obrigação tributária a partir da ocorrência da alienação, devendo ser apurado o tributo devido, ou seja, surgindo o direito do Fisco ao crédito tributário com o recebimento das parcelas. Tal afirmação decorre de mais um conceito: lançamento tributário. Me socorro novamente das lições de Barros Carvalho em razão de sua abrangência (ob. cit. pg. 432): "Lançamento tributário é o ato jurídico administrativo, da categoria dos simples, constitutivos e vinculados, mediante o qual se insere na ordem jurídica brasileira uma norma individual e concreta, que tem como antecedente o fato jurídico tributário, e como consequente, a formalização do vínculo obrigacional, pela individualização dos sujeitos ativo e passivo, a determinação do objeto da prestação, formado pela base de cálculo e correspondente alíquota, bem como pelo estabelecimento dos termos espaçotemporais em que o crédito há de ser exigido" Mais sintético, porém não mesmo preciso, Luís Eduardo Schoueri (ob. cit., pg. 575), assevera a função do lançamento: "(...) o lançamento, para que aquele fato jurídico seja formalmente apurado, quantificandose o montante devido" Digo: o lançamento tributário é o ato administrativo pelo qual a autoridade, de modo plenamente vinculado: i) constitui o crédito tributário decorrente da obrigação tributária surgida, posto que constatada a ocorrência do fato gerador, previsto em lei, por meio de ato praticado pelo sujeito passivo, ii) determina a matéria tributável; iii) calcula o tributo devido; iv) e impõe a penalidade prevista em lei. Ora, o lançamento tributário necessariamente se reporta a um fato gerador in concreto praticado pelo sujeito passivo. Como consequência, há uma matéria tributável a ser determinada, com a discriminação da base de cálculo e da alíquota aplicável. Como visto acima: uma hipótese de incidência (fato gerador 'in abstracto'), um fato imponível (fato gerador 'in concreto'). Fl. 1084DF CARF MF 26 Não obstante tal afirmação, situações há em que um fato gerador enseja vários momentos de constituição de crédito tributário, como por exemplo, na obtenção da renda pelo trabalho. Surge a importância do aspecto temporal da regra matriz de incidência, acima examinado à luz da Lei nº 7.713/88 e do RIR/99. O lançamento tributário se reporta, forçosamente, a um fato gerador ocorrido. O momento de ocorrência do fato gerado se encontra firmado em lei, independentemente das consequências do negócio jurídico firmado entre as partes (art. 118, II, do CTN). Logo, não assiste razão ao Recorrente. O momento de ocorrência do fato gerador para a apuração do ganho de capital se dá com a percepção no mês das parcelas recebidas. Assim, no caso em concreto, tendo os valores sidos recebidos pelo Recorrente nos anoscalendários de 2009 e 2010, e tido o lançamento tributário se aperfeiçoado com a ciência deste, pelo contribuinte, por via postal, em 19 de agosto de 2013, não se verifica inércia do Fisco , suficiente para a perda de seu direito. Recurso negado nessa parte. IMPROCEDÊNCIA DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Segundo o Recorrente, a decisão de piso é improcedente, posto que não contesta as alegações constantes da impugnação, não analisando seus argumentos sobre a lisura da reorganização societária e o permissivo legal para a incorporação reversa ocorrida, com a consequente alteração do valor de aquisição das ações. Os extensos e recorrentes argumentos recursais (fls. 1024 a 1013), reprisam a questão do permissivo legal constante do artigo 135 do RIR, além de citar jurisprudência administrativa e judicial que apontando no sentido de seu entendimento. Não observo a improcedência apontada. A decisão de piso foi construída de maneira lógica, fundamentada e devidamente motivada. O fato de não rebater de maneira pontual todos os argumentos constantes da impugnação, não a macula, posto que conexa e como dito, fundamentada, apoiada ainda em doutrina e jurisprudência, permitindo que a posição da Turma de Julgamento seja perfeitamente inteligível e demonstre inequivocamente os motivos pelo qual se entendeu totalmente procedente o lançamento tributário. Ressalto que a decisão de piso cumpriu todos os requisitos legais para que produza os efeitos que dela se espera. Inequívoco, porém, que tal decisão contrariou os interesses do contribuinte, restando a esse, a propositura do presente recurso voluntário, pelo qual pode reprisar seus argumentos e comproválos, o que garante a ampla defesa por meio do necessário contraditório. Com essas considerações, nego provimento ao recurso nessa parte. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.072 27 INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no mesmo voto acima mencionado, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão Fl. 1086DF CARF MF 28 sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.073 29 Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Fl. 1088DF CARF MF 30 Recurso negado também nessa parte. MULTA QUALIFICADA Nesse ponto assiste razão ao Recorrente. O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" (destaquei) Não observo a intenção do contribuinte em adotar uma conduta ilegítima. Ao reverso, viu o contribuinte permissivo legal para sua conduta. Muito se discutiu, em vários Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 19515.721818/201311 Acórdão n.º 2201003.956 S2C2T1 Fl. 1.074 31 âmbitos, até que as correntes dos efeitos tributários desse tipo de reorganização societária se materializassem. Não comprovou o Fisco, fraude, sonegação ou conluio. Não se verificam as condições previstas na Lei nº 9.430/96 que determinam a imposição da qualificação da multa. Nesse sentido, dou provimento ao voluntário nesta parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecendo do recurso voluntário, darlhe provimento parcial para determinar a redução do percentual da multa de ofício aplicada para 75%. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1090DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.908421/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/06/2006
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/06/2006 PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 84 21 /2 00 9- 91 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10875.908421/200991 Acórdão n.º 1302002.475 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 09/08/2007, a Dcomp de nº 04122.58651.090807.1.3.045825, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código CSLL (2484 Estimativa), pago em 30/06/2006, no valor de R$ 92.479,30, a fim de quitar débito do próprio Cofins, relativo à competência de abril de 2007, no montante de R$ 94.333,07. Em Outubro de 2010, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 44), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 46). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10875.908421/200991 Acórdão n.º 1302002.475 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL (2484 Estimativa) pago em 30/06/2006. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10875.908421/200991 Acórdão n.º 1302002.475 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000290/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para ciência ao contribuinte do resultado da diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB-SP 83755, escritório Mattos Filho Advogados..
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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