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Numero do processo: 10880.919924/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez.
Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado
Numero da decisão: 1301-002.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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W. KOGOS - PROCEDIMENTOS MEDICOS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.919924/2009-13 Acórdão n.º 1301-002.714 S1-C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente. O presente processo decorre de pedido de Declaração de Compensação, onde o contribuinte utilizou-se de crédito de pagamento a maior de IRPJ. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento considerado indevido foi integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ, inexistindo, portanto, crédito a compensar. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, informando que retificou sua DCTF, apropriando-se integralmente do valor recolhido indevidamente. Pondera que a única justificativa da RFB, ao proferir tal despacho, foi ter-se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora, caso contrário não teria porque não homologar a compensação realizada. Estes argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu pela improcedente da defesa. Anote-se que, em seu decisium, a DRJ consignou que o contribuinte não comprovou a existência do crédito declarado. Após intimado, inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, pugnando por provimento, sustentando a certeza e liquidez do crédito apresentado, pois, em sua ótica, o crédito está devidamente demonstrado através da comparação das obrigações acessórias transmitidas e DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-002.696, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.973679/2009-90. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-002.696): O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Da análise do recurso Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.919924/2009-13 Acórdão n.º 1301-002.714 S1-C3T1 Fl. 4 3 Como bem apontado na decisão recorrida, a compensação prevista nos artigos 156 e 170 do CTN, e regulada pelo artigo 74, da Lei 9.430/96, constitui-se em um instrumento de extinção de crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. O contribuinte quem figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso de pagamento indevido, que é o caso específico dos autos, o reconhecimento de seu direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registro contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O contribuinte trouxe aos autos apenas suas Declarações (DCTF, Dcomp e DIPJ), informando que retificou sua DCTF, e insiste na comparação das informações declaradas com o DARF recolhido, pois, a partir de tal confronto, em sua ótica, estaria comprovado o crédito que alega ser titular. Não penso assim, pois deveria ter trazido mais elementos de provas, com o escopo de demonstrar não só a origem do crédito, como sua liquidez e certeza. Além do mais, é bom que se diga que as Declarações são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe-se a obrigação da recorrente de comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocadamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66. Neste ponto, acresça-se o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou-se) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, veja-se: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.919924/2009-13 Acórdão n.º 1301-002.714 S1-C3T1 Fl. 5 4 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Portanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Por fim, com relação ao argumento da recorrente, ao final, de que no Acórdão recorrido, foram acrescentados fatos e alegações novos e estranhos ao processo, desconhecidos da empresa recorrente, em especial por ter feito referência a Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.919924/2009-13 Acórdão n.º 1301-002.714 S1-C3T1 Fl. 6 5 julgamentos de outros processos de compensação, e por isso, por esta referência, sustentou que foi desrespeitado o devido processo legal, entre outros princípios; também não há que se dá razão ao contribuinte. O fato da decisão recorrida ter feito referência a outros processos que discutem a certeza e liquidez de crédito oriundo de pagamento indevido a título de IRPJ, não agride a estes princípios, e nem altera o resultado da decisão recorrida, pois não se reconhece o crédito pretendido por ausência de provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte. Sendo assim, rejeitam-se suas alegações. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 109DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000150/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAS NÃO CONHECIDAS.
O pedido de desistência parcial do recurso voluntário implica em concordância com a decisão recorrida relativamente aos débitos objeto de desistência e impede o conhecimento do recurso quanto a esses débitos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DESÁGIO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS E JUROS NÃO CONTABILIZADOS NO RESULTADO.
A diferença entre o valor dos créditos adquiridos e o valor efetivamente pago é uma forma de aquisição de disponibilidade econômica de renda, fato gerador do IRPJ.
Da omissão apurada podem ser deduzidos os valores dos tributos e juros de mora quitados com os créditos adquiridos e que não transitaram por contas de resultado. As multas de ofício, por terem caráter punitivo, são indedutíveis na apuração do lucro real.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DA INCORPORADA. VEDAÇÃO LEGAL.
Os saldos de prejuízos fiscais da incorporada não podem ser compensados pela incorporadora, por expressa vedação legal contida no art. 514 do RIR/99.
MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105.
As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DESÁGIO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS E JUROS NÃO CONTABILIZADOS NO RESULTADO
A diferença entre o valor dos créditos adquiridos e o valor efetivamente pago é uma forma de aquisição de disponibilidade econômica de renda, fato gerador da CSLL.
Da omissão apurada podem ser deduzidos os valores dos tributos e juros de mora quitados com os créditos adquiridos e que não transitaram por contas de resultado. As multas de ofício, por terem caráter punitivo, são indedutíveis na apuração da base de cálculo negativa da CSLL.
COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA INCORPORADA. VEDAÇÃO LEGAL.
O art. 22 da MP nº 1.858-6/99 estabelece que aplica-se à CSLL o mesmo dispositivo legal que veda a compensação pela incorporadora dos saldos de prejuízos fiscais da incorporada.
MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105.
As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000
DESÁGIO OBTIDO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL.
Os valores auferidos com o deságio na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS pois o STF reconheceu, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000
DESÁGIO OBTIDO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL.
Os valores auferidos com o deságio na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas devem ser excluídos da base de cálculo do PIS pois o STF reconheceu, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 1301-002.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MILENE DE ARAÚJO MACEDO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAS NÃO CONHECIDAS. O pedido de desistência parcial do recurso voluntário implica em concordância com a decisão recorrida relativamente aos débitos objeto de desistência e impede o conhecimento do recurso quanto a esses débitos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DESÁGIO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS E JUROS NÃO CONTABILIZADOS NO RESULTADO. A diferença entre o valor dos créditos adquiridos e o valor efetivamente pago é uma forma de aquisição de disponibilidade econômica de renda, fato gerador do IRPJ. Da omissão apurada podem ser deduzidos os valores dos tributos e juros de mora quitados com os créditos adquiridos e que não transitaram por contas de resultado. As multas de ofício, por terem caráter punitivo, são indedutíveis na apuração do lucro real. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DA INCORPORADA. VEDAÇÃO LEGAL. Os saldos de prejuízos fiscais da incorporada não podem ser compensados pela incorporadora, por expressa vedação legal contida no art. 514 do RIR/99. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DESÁGIO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS E JUROS NÃO CONTABILIZADOS NO RESULTADO A diferença entre o valor dos créditos adquiridos e o valor efetivamente pago é uma forma de aquisição de disponibilidade econômica de renda, fato gerador da CSLL. Da omissão apurada podem ser deduzidos os valores dos tributos e juros de mora quitados com os créditos adquiridos e que não transitaram por contas de resultado. As multas de ofício, por terem caráter punitivo, são indedutíveis na apuração da base de cálculo negativa da CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA INCORPORADA. VEDAÇÃO LEGAL. O art. 22 da MP nº 1.858-6/99 estabelece que aplica-se à CSLL o mesmo dispositivo legal que veda a compensação pela incorporadora dos saldos de prejuízos fiscais da incorporada. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000 DESÁGIO OBTIDO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. Os valores auferidos com o deságio na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS pois o STF reconheceu, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2000 DESÁGIO OBTIDO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. Os valores auferidos com o deságio na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas devem ser excluídos da base de cálculo do PIS pois o STF reconheceu, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Presidente. (assinado digitalmente) MILENE DE ARAÚJO MACEDO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
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PARCELAS NÃO CONHECIDAS. O pedido de desistência parcial do recurso voluntário implica em concordância com a decisão recorrida relativamente aos débitos objeto de desistência e impede o conhecimento do recurso quanto a esses débitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DESÁGIO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS E JUROS NÃO CONTABILIZADOS NO RESULTADO. A diferença entre o valor dos créditos adquiridos e o valor efetivamente pago é uma forma de aquisição de disponibilidade econômica de renda, fato gerador do IRPJ. Da omissão apurada podem ser deduzidos os valores dos tributos e juros de mora quitados com os créditos adquiridos e que não transitaram por contas de resultado. As multas de ofício, por terem caráter punitivo, são indedutíveis na apuração do lucro real. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DA INCORPORADA. VEDAÇÃO LEGAL. Os saldos de prejuízos fiscais da incorporada não podem ser compensados pela incorporadora, por expressa vedação legal contida no art. 514 do RIR/99. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 01 50 /2 00 5- 71 Fl. 2204DF CARF MF 2 concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DESÁGIO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS E JUROS NÃO CONTABILIZADOS NO RESULTADO A diferença entre o valor dos créditos adquiridos e o valor efetivamente pago é uma forma de aquisição de disponibilidade econômica de renda, fato gerador da CSLL. Da omissão apurada podem ser deduzidos os valores dos tributos e juros de mora quitados com os créditos adquiridos e que não transitaram por contas de resultado. As multas de ofício, por terem caráter punitivo, são indedutíveis na apuração da base de cálculo negativa da CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA INCORPORADA. VEDAÇÃO LEGAL. O art. 22 da MP nº 1.8586/99 estabelece que aplicase à CSLL o mesmo dispositivo legal que veda a compensação pela incorporadora dos saldos de prejuízos fiscais da incorporada. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 DESÁGIO OBTIDO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. Os valores auferidos com o deságio na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS pois o STF reconheceu, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 DESÁGIO OBTIDO COM A AQUISIÇÃO DE SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. Os valores auferidos com o deságio na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas devem ser excluídos da base de cálculo do PIS pois o Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.205 3 STF reconheceu, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Presidente. (assinado digitalmente) MILENE DE ARAÚJO MACEDO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1219.571 5ª Turma da DRJ/RJOI, que julgou parcialmente procedente os autos de infração de IRPJ R$ 546.445,22, CSLL R$ 298.422,39, COFINS R$ 54.247,33 e PIS R$ 11.753,59, acrescidos de multa do ofício de 75%, juros de mora e multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL. A parcela da autuação exonerada referese à infração de multas isoladas de IRPJ e CSLL que tiveram seu percentual reduzido de 75% para 50% sobre o valor das estimativas, mantendo, respectivamente, os valores de R$ 280.533,84 e R$ 158.519,71, com acréscimos legais cabíveis. Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de IRPJ (fls. 140/154), COFINS (fl. 328/332), CSLL (fl. 503/515) e PIS (fl. 694/702), lavrados pela DRF Joinville, em 2 de setembro de 2005, por meio dos quais foi exigido da interessada acima identificada, para os exercícios de 2001 a 2006: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 546.445,22, com multa de 75 % e juros; Multa Isolada, no valor de R$ 420.800,75, no total de crédito tributário de R$ 1.666.259,55 (fl. 03); COFINS, no valor de R$ 54.247,33, com multa de ofício de 75 % e juros cabíveis, no total de crédito tributário de R$ 137.739,38 (fl. 328); CSLL, no valor de R$ Fl. 2206DF CARF MF 4 298.422,39, com multa de 75 % e juros cabíveis; Multa Isolada da CSLL, no valor de R$ 237.925,06, no total de crédito tributário de R$ 932.132,77 (fl. 510); PIS, no valor de R$ 11.753,59, com multa de 75 % e juros cabíveis, no total de crédito tributário de R$ 29.843,53 (fl. 694). 2. Os Processos n º 13974.000147/200557 (COFINS), 13974.000148/200500 (CSLL) e 13974.000149/200546 (PIS) foram juntados por anexação, em observância à Portaria SRF n º 6.129, de 2005, I, a (fl. 729 verso). O presente processo foi encaminhado a esta DRJ, por força da Portaria RFB n º 340, de 22 de fevereiro de 2008. DA AUTUAÇÃO 3. A autuação, com início em 7 de julho de 2005, conforme Termo de Início de Fiscalização (fl. 04) e, em síntese, decorreu da apuração das seguintes irregularidades, conforme Relatório de Atividade Fiscal (fl. 155/168) e descrição dos fatos (fl. 150/152): A) Primeira Infração: Omissão de receitas, por existência de receitas financeiras não contabilizadas em conta de resultado 4. A fiscalização esclareceu que a interessada optou pelo REFIS, em 14 de março de 2000 (fl. 116) e, para liquidar seus débitos (fl. 33), compensou, conforme Processo n º 10920.000157/200104 (fl. 33), prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, adquiridos de terceiros (fl. 30/32), no caso, de Nordon Indústrias Metalúrgicas S.A, sem levar a conta de resultado o deságio obtido em tal operação, de acordo com explicação relativa aos lançamentos contábeis em dezembro de 2000 (fl. 157). 5. Foi caracterizada a omissão de receitas pela constatação de ausência de contabilização do valor de R$ 1.808.244,07, relativamente ao anocalendário de 2000, em conta de resultado. Tal valor corresponde ao deságio na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, adquiridos de terceiros para quitação de REFIS: Prejuízos fiscais adquiridos (fl. 30/32) R$ 1.051.304,69 Bases de cálculo negativas adquiridas (fl. 30/32) R$ 1.051.304,69 ()Valores com intermediação na aquisição dos créditos(fl. 27/29): (R$ 294.365,31) Deságio não adicionado ao Lucro Real (fl. 64/79): R$ 1.808.244,07 6. O valor tributável remanescente, após a compensação de prejuízos, foi de R$ 246.478,75 de IRPJ e, após os devidos ajustes da base de cálculo negativa da CSLL, foi de R$ 162.741,99. Tais ajustes serão relatados na segunda infração, para o anocalendário de 2000. Enquadramento legal: Art. 43 e 44 do CTN, Art. 24 da Lei n º 9.249, de 1995, Art. 247, 249, II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283, 288 do RIR/1999, Art. 177 da Lei n º 6.404, de 1976. B) Segunda Infração: Glosa de Prejuízos/Bases de cálculo negativas da CSLL compensados indevidamente 7. A fiscalização relatou que a interessada também compensou, indevidamente, pretensos saldos próprios e inexistentes de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, nos anoscalendário de 2001 a 2004. 8. Esclareceu que, em decorrência de anterior fiscalização, por meio do Processo n º 10920.000304/0095, foi constatado que a interessada efetuou Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.206 5 compensações acima do limite de 30 %, tendo sido efetuado ajuste do SAPLI (fl. 80/106), de 1995 a 1997. 9. Os saldos inicial e final do anocalendário de 2000, para não onerar a interessada, foram retificados, respectivamente, para R$ 1.045.040,31 e R$ 968.767,27 (R$ 1.045.040,31 menos R$ 76.273,04), pois estavam escriturados no Lalur, de forma equivocada, os valores de R$ 76.273,04 e R$ 1.418.611,57 como saldo inicial e final, no anocalendário de 2000. 10. Como conseqüência, no anocalendário de 2001, houve ajuste do saldo inicial da interessada, constante no Lalur, de R$ 1.418.611,57 para R$ 389.124,13. A diferença foi lançada de ofício, no decorrer dos anoscalendário de 2001 a 2004, na medida em que a fiscalizada levou a efeito compensações de prejuízos fiscais sem que houvesse saldo credor (fl. 139). Enquadramento legal: Art. 247, 250, III, 251 parágrafo único, 509 e 510 do RIR/1999 (IRPJ) 11. Em relação à CSLL (fl. 511), foi verificado que houve compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores em razão da inexistência de saldo. 12. Após o lançamento de excesso de compensações, relatados no item 8 do presente Voto, o saldo inicial da base de cálculo negativa da CSLL do ano calendário de 2000, passou para R$ 184.240,85 e o saldo final restou nulo. Observe se que estava escriturado no Lalur, de forma equivocada, o valor de R$ 456.522,26 como saldo inicial e R$ 2.846.695,97 (fl. 64) como saldo final, no anocalendário de 2000. 13. Como conseqüência, no anocalendário de 2001, houve ajuste do saldo inicial da interessada, constante no Lalur, de R$ 1.418.611,57 para R$ 389.124,13. A diferença foi lançada de ofício, no decorrer dos anoscalendário de 2001 a 2004, na medida em que a fiscalizada levou a efeito compensações de prejuízos fiscais sem que houvesse saldo credor (fl. 139). C) Terceira Infração: Multas Isoladas, por falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada: 14. Em decorrência do lançamento de omissão de receitas financeiras, no anocalendário de 2000 e compensação de pretensos saldos de prejuízos fiscais, em 2001 a 2004, foram apurados débitos mensais em IRPJ em cadeia, nos períodos subseqüentes, cujos pagamentos por estimativa não foram efetuados (fl. 131/134, 135/138) 15. Enquadramento legal: Art. 222, 843, 957 parágrafo único, VI do RIR/1999, Art. 43 e 44, § 1 º , IV da Lei n º 9.430, de 1996. DA IMPUGNAÇÃO 16. A interessada interpôs impugnações, em 3 de outubro de 2005 (fl.170/205, 340/348, 531/574 e 706/714). Alegou, em síntese: A) Primeira Infração: Omissão de receitas, por existência de receitas financeiras não contabilizadas em conta de resultado 17. Esclareceu, em síntese, que optou pelo REFIS, conforme legislação de regência (fl. 173/175) e que, por meio de cessão de saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, junto à Nordon Indústrias Metalúrgicas S.A., utilizou se do montante de R$ 2.102.609,38, quitando débitos devidos. Fl. 2208DF CARF MF 6 18. Alegou que houve vantagem para a RFB, com extinção do saldo devedor da mencionada empresa e débito da interessada quitado, com deságio em favor do fisco federal; que não houve prejuízo para o fisco, pois o efeito fiscal foi nulo. 19. Alegou, ainda, que houve incorreto entendimento da RFB ao tributar diferença entre o valor cedido e o custo da aquisição (deságio); que contabilizou valores destas operações; que o deságio foi possível com anuência da legislação que permitiu a aquisição de créditos de terceiros, por valores inferiores aos valores reais; se não houve benefício, não haveria motivo de ingressar no REFIS; não havia previsão legal expressa de tributação destes valores, nas normas do REFIS. 20. A interessada acrescentou que a interpretação da RFB fere a lei que deve ser obedecida, sob pena de afronta aos princípios da Segurança Jurídica (fl. 178/180) e da estrita legalidade (fl. 182/183); citou jurisprudência (fl. 180/181); alegou que deveria ser aplicado o princípio do in dúbio pro contribuinte; explanou acerca de seus lançamentos contábeis (fl. 183/187), admitindo que o crédito adquirido foi diretamente registrado em conta de prejuízos acumulados (fl. 186). 21. Em relação às multas e juros, incluídos no REFIS, alegou que, pelo raciocínio da fiscalização, deveriam ser deduzidos do lucro real para fins de tributação, nos termos do Art. 344 do RIR/1999, tratandose de multa compensatória, reduzindo o lucro, para, depois, se lançar o deságio, o que o tornava sem efeito econômico e fiscal; em síntese, alegou que deságio não era renda ou lucro (fl. 189/193) e que não houve ingresso de qualquer renda ou lucro que justificasse a tributação pretendida (fl. 194). 22. Na impugnação quanto à COFINS e PIS, alegou, ainda, que a multa de 75 % era confiscatória e inadmissível; citou julgados (fl. 341/344); alegou que a operação de amortização de juros e multa dentro do REFIS, não correspondia a uma efetiva receita; que o deságio não pode ser considerado um retorno de investimento; que não houve acréscimo de patrimônio ou ganho por parte da empresa. B) Segunda Infração: Glosa de Prejuízos/base de cálculo negativa da CSLL compensados indevidamente 23. Em relação a este item da autuação, a interessada alegou, em síntese, que a fiscalização desconsiderou os prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da CSLL, obtidos por ocasião da incorporação, realizada em 31 de julho de 1998, da empresa Mannes Indústria e Comércio de Espumas de Colchões, CNPJ n º 80.977.267/000172. Entendeu que os valores a serem considerados eram os a seguir demonstrados: IRPJ: PREJUÍZOS ACUMULADOS Prejuízos acumulados, segundo a interessada Saldo inicial: R$ 76.273,04 Crédito retorno de excesso de limite de prejuízos fiscais: R$ 1.418.611,57 Total de débitos (R$ 76.273,04) Saldo final dos prejuízos acumulados em 2000: R$ 1.418.611,57 (e, não, R$ 968.767,27 de Prejuízos acumulados, segundo a fiscalização) Diferença (prejuízos da incorporada): R$ 389.124,13 Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.207 7 CSLL: BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS ACUMULADAS Bases de cálculo negativas acumulados, segundo a interessada Saldo inicial: R$ 456.522,26 Crédito retorno de excesso de limite de prejuízos fiscais: R$ 2.680.271,91 Total de débitos (R$ 290.098,20) Saldo final de Bases de cálculo negativas acumuladas em 2000: R$ 2.846.695,97 (e, não, () R$ 105.857,35, de saldo final das Bases de cálculo negativas acumuladas em 2000, segundo a fiscalização) 24. A interessada alegou que a fiscalização entendeu que a incorporadora não poderia aproveitar 100 % dos prejuízos da incorporada pelo ato da incorporação. Porém o Primeiro Conselho de Contribuintes eliminou o limite de 30 % na compensação de prejuízos (fl. 197); citou ementas (fl. 197/198). 25. Reiterou ser indevida a glosa do deságio, o qual alterava a compensação de prejuízos e da base de cálculo negativa da CSLL. 26. Na impugnação quanto à CSLL (fl. 557/558), alegou que foram desconsideradas as bases de cálculo negativas adquiridas por meio de incorporação, em 1998; que no relatório a fiscalização afirmava que, devido a anterior autuação, foram efetuadas alterações de ofício, no SAPLI, notificadas à interessada; que, contudo, ainda que notificada, tais alterações de ofício, por afetarem o objeto do presente auto de infração, deveriam estar devidamente demonstradas; que não houve apresentação de planilha, memória de cálculo, com forma, índices, a alteração de saldo. 27. A simples notificação não bastaria para justificar as alterações; seria o mesmo que a fiscalização efetuar um lançamento sem cumprimento das disposições legais; apenas com demonstrativo justificando as alterações a interessada teria condições de verificar as razões da diminuição das bases de cálculo negativas da CSLL no SAPLI; 28. Não tendo sido acatadas tais premissas, têmse que as alterações das bases negativas da CSLL, realizadas de ofício, não podem ser acatadas, devendo ser revisto este procedimento no sentido de restabelecer o saldo inicial da interessada. 29. Que com a incorporação operouse a sucessão a título universal, onde a incorporadora fazia jus a base de cálculo negativa da CSLL. A vedação de utilização de valores acumulados só passou a existir por meio da MP n º 1.8586, de 29 de junho de 1999, em seu Art. 22 (fl. 561/562) e reedições e apenas, a partir de 1 º de outubro de 1999, foi estendida a proibição de manutenção, nas operações de cisão e incorporação, da base de cálculo negativa da CSLL, sendo que a incorporação ocorreu em 31 de julho de 1998, quando não havia restrições na lei; citou julgados (fl. 567). C) Terceira Infração: Multas Isoladas, por falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada: 30. Em relação a este item da autuação, a interessada alegou, em síntese, que as receitas glosadas indevidamente não correspondiam a acréscimo patrimonial, Fl. 2210DF CARF MF 8 que estava sendo penalizada duplamente sobre o mesmo fato, não sendo justo ter o valor do deságio considerado renda ou acréscimo patrimonial, ser multada em 75 % por este fato e, ainda, ser penalizada com a aplicação de mais uma multa, isolada, sobre aquele mesmo valor glosado; que tal medida era confisco; citou julgados (fl. 201/203) 31. Requereu a produção de novas provas, juntada de novos documentos e realização de diligência. 32. Juntei pesquisa ao sistema da RFB, SAPLI (fl. 739/809) 33. É o relatório." Ao apreciar a impugnação, a 5ª Turma da DRJ/RJOI manteve parcialmente os lançamentos efetuados, conforme acórdão nº 1219.571, de 13 de junho de 2008, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DESÁGIO OBTIDO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE TERCEIROS. REFIS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízo fiscal e de bases de cálculo negativas da CSLL, adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, se constitui em acréscimo patrimonial tributável. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL INCORPORAÇÃO. A lei tributária veda a compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativas da CSLL de empresa incorporada, com lucros da empresa incorporadora. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. REDUÇÃO DE 75% PARA 50%. A multa isolada por falta de pagamento do imposto mensal, apurado por estimativas, deve ser aplicada sem prejuízo da eventual exigência da multa de ofício prevista para a falta de pagamento do imposto calculado, a partir do Lucro Real verificado no ajuste anual. Considerase, contudo, a retroatividade benigna, devido à lei nova que reduziu o percentual de setenta e cinco para cinqüenta por cento. PIS.COFINS. CSLL. Tendo em vista a decorrência, devem ser mantidos os lançamentos, sob os mesmos fundamentos do processo de IRRJ. Lançamento Procedente em Parte" Devidamente cientificada do acórdão em 18/07/2008, AR às fls 1.694, a recorrente apresentou, tempestivamente, em 19/08/2008, o recurso voluntário de fls. 1696 a 1.744, em que efetuou, em apertada síntese, as seguintes alegações: Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.208 9 Se o deságio obtido na aquisição dos prejuízos fiscais e bases negativas de terceiros fosse tributável, conforme decidido no acórdão recorrido, o valor do principal, multa e juros incluídos no Refis poderia ter sido deduzido do lucro real para fins de tributação. Acrescentou que, se o valor do deságio lançado diretamente no PL deveria ter transitado pelo resultado, de igual forma deveriam ser levados ao resultado os valores dos tributos, contribuições, multas e juros que foram contabilizados diretamente no PL; Afirma que as multas fiscais incluídas no Refis possuem natureza compensatória pois preenchem as seguintes condições: não são excluídas pela denúncia espontânea e guardam equivalência com a lesão provocada; Para dar respaldo à pretensão fiscal, seria necessário a dedução do lucro tributável dos valores de principal, multa e juros, o que aumentaria a despesa e reduziria o lucro, tornando sem efeito econômico e fiscal a tributação do deságio; A aquisição de prejuízos fiscais de terceiros não deu origem a acréscimo patrimonial, não é lucro nem renda, o que houve foi apenas a amortização de juros e multa dentro do Refis, sendo injustificada a tributação pretendida pelo Fisco; O Fisco desconsiderou os prejuízos fiscais obtidos com a incorporação da pessoa jurídica Mannes Indústria e Comércio de Espumas e Colchões CNPJ 80.977.267/000172, ocorrida em 31/07/1998, e recompôs o saldo acumulado de prejuízos fiscais no ano de 2000, inclusive compensando parte desse prejuízo com os valores tributados a título de deságio; Alega que com a quitação dos autos de infração lavrados em decorrência do aproveitamento de prejuízos fiscais em limite superior a 30% haveria um retorno do excesso de prejuízos fiscais; Ao efetuar os ajustes no SAPLI Sistema de Acompanhamento de Prejuízos, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL,a fiscalização considerou apenas os prejuízos da contribuinte, sem levar em consideração os prejuízos da pessoa jurídica incorporada Mannes Indústria e Comércio de Espumas e Colchões CNPJ 80.977.267/0001 72. Afirma que por ter dado continuidade às atividades da incorporada, assumiu, por determinação legal, todos os direitos e obrigações, sendo portanto, indevida a desconsideração dos prejuízos fiscais; Relativamente à base de cálculo negativa de CSLL, a vedação para utilização dos valores acumulados pela incorporada somente passou a existir a partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, ou seja, quando da realização da incorporação, em 31/07/1998, não havia nenhuma restrição na legislação pátria e o que se deve levar em conta é a data do fato gerador; Afirma que sendo indevida a tributação do deságio obtido com a aquisição dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de terceiros, por consequência, a compensação do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas com aqueles valores também é ilegítima; Alega que o deságio obtido não é receita e alerta que o STF declarou inconstitucional o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Assim, a tributação além do efetivo faturamento não pode ser incluída na base de cálculo da COFINS e PIS ; Fl. 2212DF CARF MF 10 Requer o cancelamento da totalidade da multa aplicada, haja vista existir uma legislação menos gravosa que a da época dos fatos, em obediência ao princípio da retroatividade benigna da lei; Defende a impossibilidade de concomitância de aplicação da multa de ofício com a multa isolada. No julgamento realizado em 03/03/2016, esta turma julgadora decidiu pela conversão do julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1301000.312, para que fossem dirimidas dúvidas acerca das questões suscitadas pela recorrente, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que esta: 1. confirme se os valores dos impostos, contribuições, multa e juros que foram quitados via REFIS não foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSLL, em qualquer exercício, conforme alega a ora Recorrente; 2. reconstitua a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, desta feita considerando todos os efeitos do REFIS (adição da receita obtida com o deságio na aquisição de prejuízo fiscal de terceiros, bem como com a adição das despesas com impostos, contribuições, multas e juros pagos com o dentro do mesmo programa (REFIS) comparandoa com a base de cálculo do Auto de Infração para o IRPJ e CSLL; 3. esclareça se as multas e os juros quitados via REFIS, objeto da reconstituição solicitada no item (ii), caso de fato não tenham sido lançados à resultado, são de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REFIS), ou se se tratam de multa e juros decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST N° 61/79 (por exemplo, multas lançadas de ofício); 4. se manifeste sobre qualquer outro ponto que entenda importante para a correta elucidação da questão posta nestes autos, bem como traga à colação qualquer outra informação ou documento que seja tida como fundamental ou que, no seu entender, possa ajudar na formação do convencimento dos julgadores de 2a Instância. Em cumprimento à Resolução nº 1301000.312, a autoridade fiscal reconstituiu as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, relativas ao anocalendário de 2000, subtraindo das receitas omitidas as despesas relativas aos tributos e juros parcelados no Refis. Com a redução das omissões de receitas, houve também a redução da infração relativa à compensação indevida de prejuízos fiscais nos anos subsequentes, bem assim, foram retificadas as planilhas com apuração das multas isoladas de IPRJ e CSLL. Cientificada do Relatório de Diligência em 19/05/2016 (fls. 2.069) a recorrente apresentou, tempestivamente, em 24/05/2016 (fls. 2.150. a 2.161), 25/05/2016 (fls. 2.054 a 2.068) e 26/05/2016 (fls. 2.185 a 2.200), respostas ao relatório de diligencia em que faz as seguintes considerações: (i) parte dos débitos discutidos no presente processo foram indicados para o parcelamento previsto na Lei nº 11.941/09, conforme pedido de desistência parcial do recurso voluntário anexado às fls. 2.193 a 2.198, onde consta a inclusão de débitos de IRPJ e CSLL nos Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.209 11 valores de R$ 111.714,65 e R$ 120.964,64, respectivamente. Tendo em vista que os valores pagos no parcelamento são superiores aos valores apurados pela autoridade fiscal em procedimento de diligência, bem assim, que referidos valores representam créditos em seu favor, requer a utilização desses valores em períodos subsequentes ou por restituição; (ii) na parte atinente às multas isoladas aponta que suas exigências foram afastadas por meio da Súmula CARF nº 82. É o Relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. No Recurso Voluntário a recorrente insurgese contra os itens abaixo relacionados, os quais serão analisados em seguida: 1 Da omissão de receita financeira pela falta de escrituração, em conta de resultado, do deságio na aquisição de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL; 2 Da compensação indevida do IRPJ com pretensos saldos próprios de prejuízos fiscais de anos anteriores; 3 Da tributação reflexa de PIS/COFINS; 4 Da impossibilidade de concomitância de aplicação da multa de ofício com a multa isolada. DA OMISSÃO DE RECEITAS No Relatório da Atividade Fiscal (fls. 319 a 345) a fiscalização informa que a contribuinte, ora recorrente, adquiriu créditos oriundos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL da pessoa jurídica Nordon Indústrias Metalúrgivas S/A no montante de R$ 2.102.609,38, com o intuito de quitar débitos relativos a multas de mora, de ofício e juros moratórios, consolidados no Refis Programa de Recuperação Fisccal instituído pela Lei nº 9.9642/2000. Consta ainda do relatório da fiscalização que tanto o valor de R$ 294.365,31 despendido pela fiscalizada com a aquisição dos créditos quanto o valor dos créditos adquiridos não transitaram por contas de resultado nem foram objeto de adições ou exclusões na apuração do lucro real. Por este motivo a fiscalização efetuou o lançamento de ofício da omissão de receitas obtidas com o deságio na aquisição de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa no valor de R$ 1.808.244,07 (R$ 2.102.609,38 R$ 294.365,31). O acórdão recorrido considerou que o deságio obtido na aquisição do crédito fiscal de terceiro, utilizado no âmbito do Refis, constitui receita operacional do cessionário e compõe seu lucro líquido, para concluir pela procedência dos lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Fl. 2214DF CARF MF 12 No recurso voluntário, alega a recorrente que os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL não são lucro, nem renda, pois não resultam em acréscimo patrimonial, logo, não são tributáveis pelo IRPJ e CSLL. De início, importante ressaltar que o objeto de tributação não é o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL adquiridos de terceiros, mas sim o deságio obtido na aquisição. A diferença entre o valor dos créditos adquiridos e o valor efetivamente pago na aquisição, ou seja, o deságio, é uma forma de aquisição de disponibilidade econômica de renda, pois os créditos adquiridos representam um ativo que foi utilizado para quitação de obrigações tributárias relativas a multa e juros no âmbito do Refis. Assim, o deságio obtido caracteriza o acréscimo patrimonial previsto no art. 43, do Código Tributário Nacional, que é o fato gerador do Imposto sobre a Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Aliás, este tem sido o entendimento jurisprudencial deste Colegiado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 Ementa: IRPJ DESÁGIO OBTIDO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE TERCEIROS. UTILIZAÇÃO NO REFÍS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL adquirido de terceiro, no âmbito do Refis, se constitui em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e, por decorrência, também pelas contribuições sociais (CSLL). Constatado, pela autoridade fiscal, que as despesas com juros e tributos compensados não reduziram o resultado do exercício, retificase a matéria tributável relativa ao IRPJ e à CSLL para considerar os efeitos produzidos no lucro real e na base de cálculo da CSLL pela despesa com juros (dedutível) e não computada nu lucro liquido." (Acórdão nº 1301001.148, de 06/03/2012) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, portanto, ser acrescido à base de cálculo do imposto de renda, na proporção de sua utilização para quitação dos créditos tributários. A tributação do deságio está relacionada , em controle de legalidade, à despesa gerada com a quitação dos tributos e encargos quando dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL." (Acórdão nº 1401000.889, de 07/11/2012) Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.210 13 Alega a recorrente que, se a tributação do deságio confirmada pelo acórdão recorrido fosse procedente, o valor de principal, multa e juros incluídos no Refis, contabilizados diretamente no Patrimônio Líquido, também deveriam ser levados ao resultado. Afirma que as multas incluídas no Refis têm natureza compensatória , pois preenchem os requisitos do item 4 do Parecer Normativo nº 61/79, ou seja, não foram excluídas pela denúncia espontânea e guardam equivalência com a lesão provocada. Para que fossem dirimidas dúvidas acerca das alegações da recorrente, esta turma, por meio da Resolução nº 1301000312, converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem esclarecesse se os valores dos impostos, multa e juros que foram quitados via Refis não foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSLL em qualquer exercício, conforme alegado pela contribuinte. Foi também solicitado esclarecimento se as multas quitadas via Refis, não lançadas a resultado, tinham natureza compensatória (denúncia espontânea dentro do Refis), ou se tratavam de multas e juros decorrentes de infrações fiscais. Em cumprimento à diligência, a unidade de origem elaborou a planilha de fls. 2.035 e 2.036, em que foram relacionados todos os valores de impostos, multas e juros contabilizados diretamente no PL, relativos aos processos administrativos 10920.000302/00 60, 10920.000303/0022, 10920.000304/0095 e 10920.000305/0058. Da análise da planilha, concluise que, foram consideradas como despesas passíveis de serem deduzidas da omissão de receitas apurada no presente processo, o valor de R$ 479.738,94, referente aos tributos incluídos no Refis, bem assim, o valor de R$ 454.928,09, referente aos juros de mora. Esses valores foram extraídos dos "Demonstrativos de Débitos Consolidados" do Refis, anexados às fls. 1.894 a 2.034 do processo. Com relação às multas, a autoridade fiscal esclareceu que, inobstante tenha havido redução nas multas de ofício, tais valores não foram levados em conta porque multas de ofício, com ou sem descontos, segundo a legislação em vigor, são indedutíveis para efeitos de apuração do lucro real. Apesar da recorrente afirmar em seu recurso voluntário que as multas incluídas no Refis teriam natureza compensatória, de fato, as multas incluídas no Refis decorrem dos lançamentos de ofício formalizados nos processos administrativos 10920.000302/0060, 10920.000303/0022, 10920.000304/0095 e 10920.000305/0058. Dessa forma, em virtude do disposto no art. 344, § 5º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), têmse que referidas multas são indedutíveis Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). [...] § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º). Dessa forma, verificase que de acordo com o Relatório de Diligência elaborado pela unidade de origem, foi apurada uma redução na omissão de receita no valor de R$ 934.667,03, decorrente da exclusão dos valores do principal e juros de mora incluídos no Fl. 2216DF CARF MF 14 Refis. Em virtude dessa redução na base de cálculo, o IRPJ apurado na infração 1 Omissão de Receitas Financeiras Não Contabilizadas em Conta de Resultado, no valor de R$ 246.478,75, seria reduzido para R$ 82.912,02, conforme planilha anexada às fls. 2.039. Para a CSLL, os ajustes na omissão de receitas ensejariam uma redução de R$ 169.479,71 para R$ 85.359,67. Entretanto, na manifestação apresentada ao relatório da diligência fiscal (fls. 2.190 a 2.198), a recorrente informa que parte dos débitos discutidos no presente processo foram indicados para o parcelamento previsto na Lei nº 11.941/09, dentre eles o IRPJ apurado em 31/12/2000, no valor de R$ 111.714,65 e a CSLL de 31/12/2000, no valor de R$ 120.864,64. Com a finalidade de comprovar suas alegações anexou o requerimento de desistência parcial do recurso voluntário onde solicita o desistência dos seguintes débitos: Código Receita Período de Apuração Valor do Débito Processo nº 2917 IRPJ Lançamento de Ofício 31/12/2000 R$ 111.714,65 13974.000150/200571 6378 IRPJ Multa Isolada 31/12/2000 R$ 55.857,33 13974.000150/200571 2973 CSLL Lançamento de Ofício 31/12/2000 R$ 120.964,64 13974.000148/200500 6094 CSLL Multa Isolada 31/12/2000 R$ 60.482,32 13974.000148/200500 A petição de fls. 2.195 a 2.198 demonstra a desistência parcial da recorrente do recurso voluntário interposto, nos termos do art. 78, § 1º do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 e sua concordância com a decisão recorrida relativamente aos débitos objeto de desistência. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário quanto aos débitos relacionados no requerimento de desistência e por dar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida da infração 1 Omissão de Receitas Financeiras, para cancelar os débitos de IRPJ e CSLL, relativos ao período de apuração de dezembro/2000, conforme valores abaixo discriminados: Tributo Débitos Auto de Infração (A) Débitos Relatório Diligência (B) Débitos não Conhecidos /Desistência (C) Débitos Conhecidos no RV (A C) Valor Exonerado (D) IRPJ 246.478,75 82.912,02 111.714,65 134.764,10 134.764,10 CSLL 162.741,99 85.359,67 120.964,64 41.777,35 41.777,35 Na manifestação apresentada ao relatório da diligência fiscal, a recorrente afirma que, do confronto entre o relatório elaborado pela autoridade fiscal na diligência e os valores incluídos no parcelamento, verificouse a existência de créditos em seu favor, nos montantes de R$ 28.802,63 para o IRPJ e R$ 35.604,97 para a CSLL. Requer a recorrente que referidos recolhimentos a maior sejam considerados no ajuste final, seja por meio de utilização em períodos subsequentes ou restituição. Relativamente ao pleito da recorrente, o CARF não é competente para apurar pedidos de compensação ou restituição referentes a recolhimentos que sequer foram conhecidos pelo presente recurso voluntário, tendo em vista a desistência parcial do recurso voluntário. Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.211 15 DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS e BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL A autuação das compensações indevidas tem como origem a redução do saldo de prejuízos fiscais apurado em 31/12/2000, do valor de R$ 1.418.611,57, para R$ 968.767,27, e da base de cálculo negativa de CSLL de apurada em 31/12/2000 de R$ 2.846.695,97 para R$ 0,00, fato este que ocasionou as compensações indevidas realizadas nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Consta do auto de infração que a redução dos saldos de prejuízos existentes em 31/01/2000 devese ao fato da contribuinte ter reapropriado no LALUR, em 31/12/2000 o montante de R$ 1.418.611,57, relativos a prejuízos fiscais e R$ 2.680.271,91, relativos às bases de cálculo negativas de CSLL, compensados acima do limite de 30%, objetos dos autos de infração constantes do processo administrativo 10920.000304/0095, quando o valor correto extraído do sistema SAPLI seria de saldo de prejuízos fiscais em 01/01/2000 no valor R$ 1.045.040,31 e saldo de bases de cálculo negativas de CSLL de R$ 184.240,85. Em sua peça recursal, a recorrente alega que o Fisco restabeleceu apenas os saldos dela própria e desconsiderou os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL obtidos com a incorporação da pessoa jurídica Mannes Indústria e Comércio de Espumas e Colchões CNPJ 80.977.267/000172, ocorrida em 31/07/1998. Afirma que por ter dado continuidade às atividades da incorporada, assumiu, por determinação legal, todos os direitos e obrigações, sendo portanto, indevida a desconsideração dos prejuízos fiscais. Diversamente do alegado pela recorrente, consta expressamente do art. 514 do RIR/99, cuja base legal é o art. 33 do DecretoLei nº 2.341/87, que os prejuízos fiscais da incorporada não podem ser utilizados pela incorporadora: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Relativamente à base de cálculo negativa de CSLL, a recorrente sustenta que a vedação para utilização dos valores acumulados pela incorporada somente passou a existir a partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, ou seja, quando da realização da incorporação, em 31/07/1998, não havia nenhuma restrição na legislação pátria e o que se deve levar em conta é a data do fato gerador. Assiste razão à recorrente quando afirma que se deve levar em conta a data do fato gerador. No caso, os fatos geradores consistentes na compensação das bases de cálculo negativas da incorporada ocorreram nos anocalendário de 2000 a 2004 e não na data da incorporação, conforme sustenta a recorrente. Considerando que se aplicam aos fatos geradores a legislação vigente à época, bem assim, o disposto no art. 22 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, o qual estabelece que aplicase à CSLL o disposto no art. 33 do DecretoLei nº 2.341/87, correto o procedimento adotado pela fiscalização de excluir do saldo de bases de cálculo negativas de CSLL existente em 01/01/2000, os valores acumulados pela incorporada Mannes Indústria e Comércio de Espumas e Colchões CNPJ 80.977.267/000172. Por fim, afirma que o Fisco recompôs o saldo acumulado de prejuízos fiscais no ano de 2000, inclusive compensando parte desse prejuízo com os valores tributados a título de deságio. Acrescenta que a tributação do deságio obtido com a aquisição dos prejuízos fiscais Fl. 2218DF CARF MF 16 e base de cálculo negativa de terceiros é indevida e, por consequência, a compensação do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas com aqueles valores também é ilegítima. Para afirmar que compensação do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL com a omissão de receitas decorrente do deságio obtido na aquisição de créditos de terceiros, a recorrente parte da premissa equivocada de que a tributação do deságio é ilegítima. Conforme já demonstrado, o deságio obtido com a aquisição de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL é receita tributável pelo IRPJ e CSLL e, com o objetivo de minimizar os efeitos dessa tributação é que a fiscalização efetuou, de ofício, a compensação dos saldos disponíveis de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Entretanto, foi constatado durante o procedimento de diligência fiscal, que a redução da omissão apurada ensejou também a necessidade de ajustes nos valores dos prejuízos fiscais compensados indevidamente, conforme valores demonstrados nas planilhas anexadas às fls. 2.039, abaixo transcritas: IRPJ Ano 2001 2002 2003 2004 Compensação Indevida AI 46.873,12 75.538,64 114.389,35 63.165,36 Compensação Indevida Diligência 46.873,12 5.438,61 114.389,35 63.165,36 Parcela Exonerada 0,00 70.100,03 0,00 0,00 Para as bases de cálculo negativas de CSLL o relatório de diligência não identificou necessidade de ajustes nas compensações indevidas constates do auto de infração. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a parcela de R$ 70.100,03, relativa ao fato gerador ocorrido em 31/12/2002, da infração 2 Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente Saldos de Prejuízos Insuficientes. DOS REFLEXOS DE COFINS E PIS Alega a recorrente que o deságio obtido com a aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros não é receita auferida e, portanto, não estaria sujeito à tributação pelo PIS e COFINS. Além disso, alerta que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo STF de forma que, quaisquer receitas não decorrentes da venda de mercadorias e/ou serviços não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS. A Lei nº 9.718/98, ao definir a base de cálculo das contribuições para a COFINS e PIS, assim dispõe em seus arts. 2 º e 3º: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.212 17 alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Verificase portanto, que referidas contribuições incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa e não apenas as receitas relativas às vendas de mercadorias e prestações de serviços. Assim, estariam incluídas no campo de incidência as receitas financeiras, dentre elas, o deságio obtido nas aquisições de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros. Entretanto, conforme apontado pela recorrente em seu recurso, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nº 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pacificando o entendimento de que a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS é a receita decorrente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Posteriormente, no julgamento recurso extraordinário nº 585.235/MG, em 10/09/2008, o STF decidiu, reconhecendo a repercussão geral do tema, que o alargamento da base de cálculo era inconstitucional, conforme acórdão a seguir ementado: "EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." Assim, considerando o disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, que determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, sistemática dos arts. 543B, em sede de repercussão geral, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, aplico o decidido no RE 585.235/MG para excluir da base de cálculo das contribuições sociais para a COFINS e PIS os valores do deságio obtido com as aquisições de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL e cancelar os autos de infração relativos à COFINS e PIS. DAS MULTAS ISOLADAS A recorrente pleiteia o cancelamento da totalidade da multa isolada aplicada, sob o argumento de que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, tanto em sua versão original, quanto Fl. 2220DF CARF MF 18 após as modificações trazidas pelas Leis nº 11.051/2004 e 11.488/2007, prevê a aplicação da multa isolada somente nos casos de compensação não homologada por inexistência de fato do crédito, ou se demonstrada alguma das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Afirma que apesar dos fatos geradores do presente processo terem ocorridos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.488/2007, em obediência ao art. 106, alínea "c", do Código Tributário Nacional, referida lei deveria ser aplicada pois prevê uma penalidade menos severa. De fato, o art. 106 do CTN estabelece que aplicase a ato ou fato pretérito ainda não definitivamente julgado, a lei que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Foi justamente com base neste dispositivo legal que acórdão recorrido reduziu o percentual da multa isolada aplicada de 75% para 50%, em virtude das alterações legislativas supervenientes às lavratura dos autos de infração, que reduziram o percentual da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.420/96. Entretanto, a art. 18 da Lei nº 10.833/03, invocado pela recorrente para cancelamento da multa isolada é aplicável apenas às multas isoladas decorrente da não homologação de compensação ou quando se comprove a falsidade da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo. No caso concreto, em que a multa isolada decorre da falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, o dispositivo legal aplicável é o art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo inaplicável a legislação pertinente às compensações. No recurso voluntário a recorrente defende a impossibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, pois as mesmas são aplicadas sobre a mesma base de cálculo e fato gerador do tributo. Na manifestação ao relatório de diligência apresentada em 26/05/2106, a recorrente requer o cancelamento da importância relativa à multa isolada, dada a previsão veiculada na Súmula CARF nº 82. Antes de analisar o mérito das alegações da recorrente acerca da aplicação da multa isolada, importante ressaltar que na manifestação apresentada ao relatório da diligência fiscal (fls. 2.190 a 2.198), a recorrente informa que parte dos débitos discutidos no presente processo foram indicados para o parcelamento previsto na Lei nº 11.941/09, dentre eles a multa isolada de IRPJ, referente ao período de apuração de 31/12/2000, no valor de R$ 55.857,33 e a multa isolada de CSLL, também referente a 31/12/2000, no valor de R$ 60.482,32. A petição de fls. 2.195 a 2.198 demonstra a desistência parcial da recorrente do recurso voluntário interposto, nos termos do art. 78, § 1º do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 e sua concordância com a decisão recorrida relativamente aos débitos objeto de desistência. Assim, não conheço do recurso voluntário quanto às multas isoladas de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$ 55.857,33 e R$ 60.482,32, relativas aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2000. Com relação ao mérito da autuação, a aplicação concomitante das multas isoladas e de ofício, com a redação dada pelo ar. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96, antes portanto das alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007, é objeto da Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 13974.000150/200571 Acórdão n.º 1301002.668 S1C3T1 Fl. 2.213 19 Considerando o disposto no art. 72 do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF), que determina a observância obrigatória da Súmulas pelos membros do CARF, aplico a Súmula CARF nº 105 para cancelar as exigências de multas isoladas de IRPJ e CSLL, relativas aos fatos geradores ocorridos no períodos de janeiro/2001 a maio/2005. Com relação ao fato gerador ocorrido em dezembro/2000, a parcela a ser cancelada limitase ao valor do débito conhecido no presente recurso, conforme abaixo demonstrado: Período de Apuração Dezembro/2000 Tributo/Mult as Débitos Auto de Infração (A) Débitos não Conhecidos /Desistência (C) Débitos Conhecidos no RV (A C) Valor Exonerado (D) Multa Isolada IRPJ 184.859,08 55.857,33 129.001,75 129.001,75 Multa Isolada CSLL 127.255,79 60.482,32 66.773,47 66.773,47 CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário quanto aos débitos objeto do pedido de desistência, relacionados nos documentos de fls. 2.190 a 2.198, a seguir transcritos: Código Receita Período de Apuração Valor do Débito Processo nº 2917 IRPJ Lançamento de Ofício 31/12/2000 R$ 111.714,65 13974.000150/200571 6378 IRPJ Multa Isolada 31/12/2000 R$ 55.857,33 13974.000150/200571 2973 CSLL Lançamento de Ofício 31/12/2000 R$ 120.964,64 13974.000148/200500 6094 CSLL Multa Isolada 31/12/2000 R$ 60.482,32 13974.000148/200500 Quanto à matéria conhecida, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: Cancelar as exigências de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, relativas às infração de omissão de receitas nos valores abaixo relacionados: Tributo Período Apuração Débito Cancelado Processo nº Fl. 2222DF CARF MF 20 IRPJ 31/12/2000 134.764,10 13974.000150/200571 CSLL 31/12/2000 41.777,35 13974.000148/200500 COFINS 31/12/2000 54.247,33 13974.000147/200557 PIS 31/12/2000 11.753,59 13974.000149/200546 Exonerar a parcela de R$ 70.100,03, relativa ao fato gerador ocorrido em 31/12/2002, da infração 2 Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente Saldos de Prejuízos Insuficientes. Cancelar as exigências de multas isoladas. (asssinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 2223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001137/2010-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/10/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 11 37 /2 01 0- 33 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10920.001137/201033 Acórdão n.º 9202005.832 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13405.000027/2003-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Feb 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ esta pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Precedentes STJ.
Numero da decisão: 9303-006.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ esta pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Precedentes STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 5. 00 00 27 /2 00 3- 42 Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13405.000027/200342 Acórdão n.º 9303006.010 CSRFT3 Fl. 656 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3802003.662, proferido pela 2º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que possui a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DA NOTA TÉCNICA COSIT 01/2012. AFASTAMENTO DA MULTA DE MORA. Nos termos da Nota Técnica COSIT 01/2012, afastase a aplicação da multa de mora nos casos em que o sujeito passivo, espontaneamente, quita o crédito tributário devido mediante compensação antes de intimado de quaisquer medidas fiscalizatórias. Transcrevo, inicialmente, parte que interessa do excerto do relatório da decisão de primeiro grau: “Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI à fl. 01, formalizado pela empresa interessada em 28/01/2003, através do qual é requerido o reconhecimento de direito de crédito do imposto no montante de R$ 362.038,12, relativo ao 4° trimestre de 2002, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999. Mediante PER/DCOMP n°s 28611.39556.150803.1.3_013156 (fls. 36 a 39), 33398.90257.290803.1.3.019158(fls.40/41)e19703.79966.290903.1.3.011035 (fls. 42/43), a contribuinte efetuou compensações do crédito pleiteado com débitos relacionados nos referidos documentos. Por meio do Despacho Decisório datado de 21/12/2007 (fl. 89), o Delegado da Receita Federal do Brasil no Recife, concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal de fls. 75 a 80, no Termo de Constatação Resultado da Fiscalização à fl. 81 e no Termo de Informação Fiscal de fls. 87/88, decidiu: 1) RECONHECER o direito creditório da contribuinte junto à Fazenda Nacional, referente ao IPI do 4°trimestre de 2002, no valor de R$ 362.038,12, em obediência ao disposto no artigo 165, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional); 2) HOMOLOGAR EM PARTE a compensação dos débitos declarados nos PER/DCOMP de fls. 36 a 39, 40/41 e 42/43, com o crédito reconhecido no item anterior, com base nas orientações contidas na IN/SRF n° 600/2005, devendo ser cobrados os débitos remanescentes relacionados à fl. 82. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13405.000027/200342 Acórdão n.º 9303006.010 CSRFT3 Fl. 657 3 De acordo com o que consta do Termo de Informação Fiscal de fls. 75 a 80, a contribuinte faz jus à totalidade do valor requerido de R$ 362.038,12, a título de ressarcimento de IPI, para fins de compensação do referido valor com os débitos relacionados nos já citados PER/DCOMP. Por outro lado, consta do Termo de fls. 87/88 que o montante de crédito reconhecido em favor da interessada não foi suficiente para compensar todos os débitos declarados, considerando os cálculos efetuados mediante utilização do Sistema de Apoio Operacional (SAPO), tendo resultado os saldos devedores relacionados na Listagem de Débitos à fl. 82. Devidamente intimada a recolher os valores devidos após o procedimento de compensação, a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade de fls. 116 a 127 (juntamente com documentação de fls. 128 a 186), onde alega que alguns dos débitos compensados se encontravam vencidos, mas que a transmissão dos PER/DCOMP nos quais se encontravam relacionados os citados débitos caracteriza denúncia espontânea, de conformidade com o disposto no artigo 138 do CTN. Adita que o citado dispositivo do CTN prevê a exclusão da responsabilidade por infração quando de sua denúncia espontânea, isto é, apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Em seguida, argumenta que o artigo 138 do CTN não faz distinção nem menção sobre multas, determinando apenas que sobre o pagamento incidem juros e correção monetária, o que, em seu entendimento, significa que a exclusão é extensiva a todas as multas. Conclui, dessa forma, que a multa de mora possui caráter exclusivamente punitivo, por não substituir o tributo, que é a obrigação principal. Prossegue a interessada afirmando que, sendo a multa de mora de natureza penal, a mesma deve ser excluída diante da denúncia espontânea da infração". Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja conhecido e provido o apelo, para reformar o acórdão atacado e não homologar integralmente a compensação pleiteada pela Contribuinte, mantendose incólume o acórdão recorrido. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº 330101.282. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência, o Presidente da 3º Seção de Julgamento, deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 608/621, pugna pelo não conhecimento do Recurso Especial interposto, ou quando não, negar provimento ao apelo, mantendose o acórdão proferido pela E. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13405.000027/200342 Acórdão n.º 9303006.010 CSRFT3 Fl. 658 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito exclusivamente quanto à aplicação do instituto da denúncia espontânea para exclusão da incidência da multa de mora por meio de compensação tributária. Sem embargo, a decisão recorrida deu provimento ao recurso voluntário, por entender o seguinte: "O ponto de discordância entre o que foi decidido pela autoridade a quo e a pretensão da empresa requerente reside, tão somente, na imputação de multa de mora sobre as contribuições cujas datas de vencimento já haviam ocorrido quando da transmissão dos respectivos PER/DCOMP. Isto porque a contribuinte entende que, tendo formalizado as compensações pretendidas anteriormente ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, encontrase amparada pelo instituto da denúncia espontânea. No entanto, administrativamente a Receita Federal, por intermédio da Nota Técnica COSIT 01/2012, estendeu os benefícios da denúncia espontânea aos casos de compensação". Como se observa, a decisão recorrida laborouse no sentido de que nos termos da Nota Técnica COSIT 01/2012, afastase a aplicação da multa de mora nos casos em que o sujeito passivo, espontaneamente, quita o crédito tributário devido mediante compensação. Com efeito, como descrito no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, a denúncia espontânea é uma forma de exclusão de infração tributária, e conseqüentemente, da incidência de juros de mora sobre o montante devido do imposto que deveria ser recolhido e não o foi, tratandose de comando legal a ser previsto nos respectivos dispositivos legais que determinam a incidência do imposto em relação aos sujeitos passivos da relação tributária. Há de fazer algumas ressalvas: Para que se considere configurada o afastamento da responsabilidade pela infração, se faz necessário que a denúncia espontânea seja acompanhada do pagamento integral da quantia considerada devida (tributos + juros), com exclusão das penalidades. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13405.000027/200342 Acórdão n.º 9303006.010 CSRFT3 Fl. 659 5 A confissão da infração acompanhada do pagamento parcial da quantia exigida, apenas do principal sem juros, ou declaração de crédito por meio de DCTF, e compensação, não atrai a incidência da norma veiculada no art. 138 do CTN. Neste sentido o STJ já decidiu que para se configurar a denúncia espontânea, se faz necessário a recomposição, por iniciativa do infrator e anteriormente a qualquer procedimento fiscalizatório, dos prejuízos advindos da infração, pelo pagamento imediato e integral do tributo devido, dos juros de mora e da correção monetária. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO – CONFISSÃO DA – PARCELAMENTO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – NÃO CONFIGURAÇÃO – SÚMULA 208/TFR – Consoante entendimento sumulado do extinto TFR, “a simples confissão da dívida, acompanhada do pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea." Para exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea é imprescindível a realização do pagamento do tributo devido, acrescido da correção monetária e juros moratórios; somente o pagamento integral extingue o débito, daí a legalidade da cobrança da multa em face da permanência do devedor em mora. Entendimento consagrado pela eg. 1ª Seção quando do julgamento do REsp. 284.189/SP. Os honorários advocatícios, quando vencida a Fazenda Pública, serão fixados de acordo com a apreciação eqüitativa do juiz, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC, não se impondo ao ao julgador a observância de limites percentuais mínimos e máximos e nem a base de cálculo. A configuração do prequestionamento exige a emissão de juízo decisório sobre a questão jurídica controvertida. Recurso especial conhecido, mas improvido ( Resp 291953/SP, 2º Turma, Min.Peçanha Martins). Contudo, a jurisprudência oscilou relativamente á admissão de que o artigo 138 do CTN, seria aplicável nas hipóteses em que o contribuinte realizasse a denúncia espontânea e, em vez de pagar a vista, fizesseo em parcelas. Inicialmente, o Tribunal de Recursos sumulou seu entendimento no sentido de que “a simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea (Sumula nº 208/TRF). Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), entendo que no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ esta pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13405.000027/200342 Acórdão n.º 9303006.010 CSRFT3 Fl. 660 6 Neste termos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 660DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.000636/2004-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR INDÉBITO
TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. Decai em cinco anos, contados inexoravelmente do
pagamento indevido, o direito de repetir tributo espontaneamente recolhido a maior (CTN: art, 165, I; art. 168, 1; e § 1° do art. 150), não prevalecendo a tese dos "cinco anos mais cinco".
Numero da decisão: 1401-000.272
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Ananim Teixeira (Relator) e Mauricio Pereira Faro, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Decai em cinco anos, contados inexoravelmente do pagamento indevido, o direito de repetir tributo espontaneamente recolhido a maior (CTN: art, 165, I; art. 168, 1; e § 1° do art. 150), não prevalecendo a tese dos "cinco anos mais cinco". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Ananim Teixeira (Relator) e Mauricio Pereira Faro, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. '---._—___-___.----- Viviane Vidal Wagner - Presidente derr",..-_- , . ~alie "',, . .-- .-. :.- .4" ". .,•--; -- -..i'' - - - ,___, Alexandre Antonio Allunim Teixeira - Relator A, e- ntorno B a ketreTi-ator Designado EDITADO EM: 05/08/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Allunim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. t Processo ri" 13876.00063612004-36 S1-0411 Acórdão o,' 1401-00.272 Fl 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário visando o deferimento de Declaração de Compensação de IRPJ, cujo período de apuração do crédito se deu em no ano calendário de 1997 e o débito compensado teve seu período de apuração em outubro de 2002. Em 2002, a Recorrente atualizou o referido indébito tributário e deu início ao procedimento compensatório deste com o próprio Imposto de Renda, apurado no mês de outubro do mesmo ano, no montante de R$16.154,39. Tal procedimento foi informado por meio da DCTF referente ao 4' trimestre de 2002, a qual foi entregue em 14/02/2003. Em 2004, a Recorrente deparou com a necessidade de retificar a DCTF referente ao 4 0 trimestre de 2002 (objeto da compensação). Porém, na versão da declaração retificadora não era mais permitido a formalização de compensação sem que fosse informado o número do respectivo processo administrativo. Diante dessa situação a Recorrente formalizou o processo administrativo, por meio da entrega da Declaração de Compensação. Todavia, a autoridade administrativa não reconheceu o crédito pleiteado e, por conseguinte, não homologou a compensação efetuada. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que: (i) efetuou recolhimento a maior de IRPJ; (ii) efetuou a compensação do referido indébito com a IRPJ devida no mês de outubro de 2002; (iii) o Fisco fora noticiado de tal procedimento por meio de DCTF, entregue em 14/02/2003. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação, conforme acórdão DRJ/RPO n° 14-16,949 (fls. 168/173), cujas ementas seguem transcritas abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar n' 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. Assunto Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997 Processo n° 13876 000636/2004-36 S1-C4T1 Acórdão n " 1401-00,272 Fl 3 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA N°66, de 2002. A compensação tributária, a partir de I" de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e de.stinação constitucional Diante da negativa, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma: a) Que não houvera motivos justos e legais para que a autoridade administrativa não homologasse a compensação, tendo em vista que a contribuinte respeitara todas as disposições legais pertinentes à restituição/compensação de tributos federais, instituídas por lei e/ou reguladas pela RFB; b) Que a Recorrente informara a autoridade administrativa de sua compensação em 14/02/200.3, quando entregou a DCTF e, portanto, dentro do prazo decadencial; c) Que, ainda, não pode a autoridade administrativa amparar-se na retroatividade da Lei Complementar tf 118/2005 para denegar a compensação da recorrente. É o relatório, Voto Vencido Conselheiro Alexandre Antonio Allunim Teixeira, Relatar O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos exigidos pela legislação de regência, dele conheço. Inicialmente, alega a Recorrente que respeitara todas as disposições legais pertinentes à compensação de tributos federais, instituídas por lei efou reguladas pela Secretaria da Receita Federal por meio de instruções normativas, quando da informação a esta por meio de DCTF do seu procedimento compensatório. Ocorre que o crédito fora compensado em outubro de 2002, durante a vigência da Instrução Normativa n° 210/2002, na qual dispunha: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. /13 Processo n° 13876 000636/2004-36 Acórdiio n.° 1401-00.272 H. 4 1' A compensação de que trata o capta será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2"- A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento, § 3' Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: 1- o saldo a restituir apurado na DIRPF,- II - os tributos e contribuições devidos no registro da Dl; III - os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União, e IV - os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo, § 4' O sujeito passivo poderá utilizai-, na compensação de débitos' próprios relativos aos tributos e contribuições' administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação". § g- A compensação de tributo ou contribuição lançado de oficio importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. § 6" A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição, (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) § 7" Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação„ (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) § 8" O disposto no § 7" também se aplica aos pedidos de compensação já deferidos pela autoridade competente da SRF. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003). Ou seja, a compensação deveria ter sido efetuada mediante o encaminhamento à Declaração de Compensação, que somente foi realizado em 23/09/2004. Diante da decorrência do lapso temporal entre a compensação contábil e a entrega da declaração de compensação, passa-se a discorrer acerca do prazo decadencial do direito de o contribuinte pleitear a compensação. Processo n" 13876.000636/2004-36 SI-C4T1 Acórdão n 1401-00.272 Fl. 5 Segundo o art. 168 do Código Tributário Nacional, o direito do contribuinte de pleitear a restituição das contribuições indevidamente recolhidas extingue-se em cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. Em se tratando de tributo sujeito à homologação, não ocorrendo homologação expressa, aguardam-se cinco anos para que se considere ocorrida a homologação tácita e, conseqüentemente, a extinção do crédito tributário. Assim, aplica-se o art. 150, §4 » , do CIN, ia litteris Art.. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ,sç 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do . fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude simulação, Segundo o entendimento massivo da doutrina e jurisprudência, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergado pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, L E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Todavia, o art. 3' da Lei Complementar n° 118/2005, proclamando-se meramente interpretativo, fixou a data do pagamento corno termo inicial para a contagem do prazo decadencial. Confira-se: Art.. 3'. Para efeito de interpretação do inciso 1 do art. 168 da Lei no 5,172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o àç 1' do art. 150 da referida Lei. Ari, 40 Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 30, o disposto no art.. 106, incho 1, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Acerca da determinação da retroatividade do dispositivo transcrito acima, faz-se mister analisar o voto do Exmo, Sr. Ministro Teori Albino Zavascki, quando a Corte Especial apreciou o incidente de inconstitucionalidade l , declarando inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3', o disposto no art. 106, I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional", do dispositivo em questão, Al nos E • RESP 644.736/PE, Min. Temi Albino Zavaselci„julgado em 06,06.2007, Dl de 27.08.2007 • • 5 Processo n" 13876,000636/2004-36 S1-C4T1 Acórdão a' 1401-00172 Fi 6 IV - Inconstitucionalidade do art. 4", segunda parte, da LC 118/0,5 7 Não se nega ao Legislativo o poder de alterar a norma (e, portanto, se . for o caso, também a interpretação formada em relação a ela). Pode, sim, .fazê-lo, mas não com efeitos retroativos Admitir a aplicação do arL 3" da LC 118/2005, sobre os fatos passados, nomeadamente os que são objeto de demandas em juizo, seria consagrar verdadeira invasão, pelo Legislativo, da função jurisdicional, comprometendo a autonomia e a independência do Poder Judiciário. Significaria, ademais, consagrar ofensa à cláusula constitucional que assegura, em face da lei nova, o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e à coisa .julgada. Portanto, o referido dispositivo, por ser inovador no plano das normas, somente pode ser aplicado legitimamente a situações que venham a ocorrer a partir da vigência da Lei Complementar 118/2005, que ocorreu 120 dias após a sua publicação ('art. 49, ou seja, no dia 09 de . junho de 2005. Tratando-se de norma que reduz prazo de prescrição, cumpre observar, na sua aplicação, a regra clássica de direito intertemporal, afirmada na doutrina e na jurisprudência em situações dessa natureza. o termo inicial do novo prazo será o da data da vigência da lei que o estabelece, salvo se a prescrição (ou, se for o caso, a decadência), iniciada na vigência da lei antiga, vier a se completar, segundo a lei antiga, em menos tempo, São precedentes do STF nesse sentido: "Prescrição Extintiva. Lei nova que lhe reduz prazo,. Aplica-se à prescrição em curso, mas contando-se o novo prazo a partir da nova lei. Só se aplicará a lei antiga, se o seu prazo se consumar antes que se complete o prazo maior da lei nova, contado da vigência desta, pois seria absurdo que, visando a lei nova reduzir o prazo, chegasse a resultado oposto, de ampliá-lo" (RE 37,223, Min. Luiz Gallotti, julgado em 1007,582 "Ação Rescisória„ Decadência. Direito IntertemporaL Se o restante do prazo de decadência .fixado na lei anterior .1br superior ao novo prazo estabelecido pela lei nova, despreza-se o período já transcorrido, para levar-se em conta, exclusivamente, o prazo da lei nova, a partir do início da sua vigência" (AR 905/DF, Min. Moreira Alves, DJ de 28.04.78). No mesmo sentido: RE 93.110/RJ, Min Xavier de Albuquerque, .julgado em 05.11,80; AR 1.02,5-6/PR, Min, Xavier de Albuquerque, DJ de 13.0,3.81. É o que se colhe, também, de abalizada doutrina, como, v.g. , a de Pontes de Miranda (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, 1998, Tomo VI, p, 359), Barbosa Moreira (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, 1976, volume E p 205-207) e Galeno Lacerda, este com a seguinte e didática lição sobre situação análoga (redução do prazo da ação rescisória, operada pelo CPC de 1973):. g6 Processo ri' 13876.000636/2004-36 S1-C4T1 Acórdão i 1401-OC272 Fi 7 "A mais notável redução de prazo operada pelo Código vigente incidiu sobre o de propositura da ação rescisória O velho e mal situado prazo de cinco anos prescrito pelo Código Civil (art. 178, § 10, VIII) foi diminuído drasticamente para dois anos (art. 495). Surge, aqui, interessante problema de direito transitório, quanto à situação dos prazos em curso pelo direito anterior. A regra para os prazos diminuídos é inversa da vigorante para os dilatados, Nestes, como vimos, soma-se o período da lei antiga ao saldo, ampliado, pela lei nova. Quando se trata de redução, porém, não se podem misturar períodos regidos por leis difèrentes: ou se conta o prazo, todo ele pela lei antiga, ou todo, pela regra nova, a partir, porém, da vigência desta. Qual o critério para identificar, no caso concreto, a orientação a seguir? A resposta é simples. Basta que se verifique qual o saldo a fluir pela lei antiga. Se for inferior à totalidade do prazo da nova lei, continua-se a contar dito saldo pela regra antiga. Se superior, despreza-se o período já decorrido, para computar-se, exclusivamente, o prazo da lei nova, na sua totalidade, a partir da entrada em vigor desta. Assim, por exemplo, no que concerne à ação rescisória, se já decorreram quatro anos pela lei antiga, só ela é que há de vigorar: o saldo de um ano, porque menor ao prazo do novo preceito construa a . fluir, mesmo sob a vigência deste. Se, porém, passou-se, apenas, um ano sob o direito revogado, o saldo de quatro, quando da entrada em vigor da regra nova, é superior ao prazo por esta determinado. Por este motivo, a norma de aplicação imediata exige que o cômputo se proceda, exclusivamente, pela lei nova, a partir, evidentemente, de sua entrada em vigor, isto é, os dois anos deverão contar-se a partir de I" de janeiro de 1974. O termo inicial não poderia ser, nesta hipótese, o do trânsito em julgado da sentença, operado sob lei antiga, porque haveria, então, condenável retmatividade" (O Novo Direito Processual Civil e as Feitos Pendentes, Forense, 1974, pp. 100-101). Câmara Leal tem pensamento semelhante: "Estabelecendo a nova lei uni prazo mais curto de prescrição, esse começará a correr da data da nova lei, salvo se a prescrição iniciada na vigência da lei antiga viesse a se completar em menos tempo, segundo essa lei, que, nesse caso, continuaria a regê-la, relativamente ao prazo" (Da Prescrição e da Decadência, Forense, 1978, p.90) Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09,06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.. 7 Processo n" 13876..000636/2004-36 S1-C411 Acórdão n . a 1401-00172 Fl 8 8. Ocorre que o art. 4" da Lei Complementar 118/2005, em sua segunda parte, determina, de modo expresso, que, relativamente ao seu art, 3', seja observado "o disposto no art. 106,1, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional", vale dizer, que seja aplicada inclusive aos atos ou .fatos pretéritos. Ora, conforme antes demonstrado, a aplicação retroativa do dispositivo importa, nesse caso, ofensa à Constituição, nomeadamente ao seu art. 2" (que consagra a autonomia e independência do Poder Judiciário em relação ao Poder Legislativo) e ao inciso XXXVI do art. 5", que resguarda, da aplicação da lei nova, o direito adquirido, o ato jurídico peifiito e a coisa julgada" Diante do exposto, entendo que somente a partir da homologação do crédito tributário é que teria início o prazo previsto no art 168, L Em não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Assim, voto no sentido de baixar o feito para análise e confirmação da certeza e liquidez do suposto indébito pleiteado. - Alexandre Antonio Ananim Teixeira Processo n" 13876.000636/2004-36 S1 -C4T1 Acórdão o" 1401-00272 Fi. 9 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relatar A minha discordância em relação ao voto vencido se dá em relação ao prazo decadencial, onde foi abraçada a tese "dos cinco anos mais cinco" adotada pelo MI Essa tese caracterizar-se-ia pelo prazo de cinco anos para repetir o indébito (art. 168 do CTN) só começar a fluir a partir da extinção do crédito tributário, que se operaria, então, com a homologação do pagamento antecipado (expressa ou tácita). Convirjo para o entendimento adotado tanto pela DRF quanto pela DR,J, ao decidiram que o direito à repetição do indébito já havia decaído, uma vez o prazo decadencial começaria a fluir a partir da data da extinção do crédito tributário, que operar-se-ia no momento do pagamento (indevido), ex vi art. 168, 1 c/c 165, 1, ambos do CTN„ Desnecessário se faz a distinção entre prescrição e decadência, no caso do direito de repetir o indébito, quando este direito está claramente descrito em categorias jurídicos-positivas (arts, 165 e 168 do CTN). Não podemos nos afastar do fato de que, decadência e prescrição são, no dizer de Pontes de Miranda (Tratado do Direito Privado, vol„.6, p,100) conceitos jurídicos-positivos. Estas categorias jurídicos-positivas estão muito bem delineados nos artigos 165, 1 e 168, 1, do CTN, verbis: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual ,for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do artigo 162, nos seguintes casos: 1 - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;" "Art.. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 - nas hipóteses dos incisos 1 e 11 do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; "(grifei) O § 1° do artigo 150 afirma que no lançamento por homologação o pagamento extingue o crédito tributário, por condição resolutória de ulterior homologação. Essa condição não descaracteriza a extinção do crédito no momento do pagamento do tributo, pois não impede a eficácia imediata do ato produzido. Aliás, tal aspecto foi ratificado pela Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, que definiu, em seu art, .3°, o momento da ocorrência da extinção do crédito tributário: "Art. 3' (c-Para efeito de interpretação do inciso Ido art, 168 da Lei no .5.172, de 25 de outubro de 1966 —Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de Processo n° 13876,000636/2004-36 SI-C4T1 Acórdão n ° 1401-00272 El, 10 tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § I" do art. 150 da rjericlii Lei. Portanto, de plano não há como se aceitar como razoável a tese dos "cinco mais cinco anos" em que o prazo de cinco anos para repetir o indébito (art. 168 do CTN) só começaria a fluir a partir da extinção do crédito tributário, que se operaria, então, com a homologação do pagamento antecipado (expressa ou tácita). A evidência, que os defensores dessa tese, em primeiro lugar, partem de premissas que considero equivocadas. A primeira delas é a de que o instituto da homologação se caracteriza pela homologação do "pagamento" e não da "atividade" e, a última, e quiçá mais importante, desconsideram os efeitos da condição resolutória no sentido de extinguir o crédito tributário no átimo do seu pagamento e, na mesma dimensão quantitativa. É que a homologação vem como uma prerrogativa do fisco no sentido de que, acaso sobrevenha alguma diferença paga a menor quando se homologa toda a "atividade" envolvida, o fisco no uso dessa prerrogativa possa se utilizar do lançamento suplementar. Apenas isso. Outrossim, apesar de a meu ver, desnecessária, inclusive para a fundamentação deste voto conforme se demonstrou, a simples existência empírica da Lei Complementar n°118, de 09/02/2005, corrobora ainda mais com o entendimento acima apregoada. Essa Lei em seu artigo 3° veio interpretar o inciso I do art. 168 do CTN: Art 3° Para efeito de interpretação do inciso Ido art 168 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocone, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § I" do art. 150 da referida Lei. Como se viu a Lei Complementar está aqui sendo usada apenas como um argumento subsidiário, mas não o principal, o que quer dizer que as alegações concernentes à inconstitucionalidade da referida Lei, além de não poderem ser aferidas em sede administrativa são completamente inócuas perante o presente Voto. Dessa forma, não há como o administrador público afastar a prescrição/decadência na repetição de indébito tributário, em face de tudo que foi dito alhures e das normas gerais e abstratas correspondentes a estes institutos estarem perfeitamente descritas em categorias jurídicos-positivas na figura dos arts. 165 e 168 do CTN. No caso concreto, tendo o pleito se dado há mais de cinco anos dos pagamentos está ele completamente fulminado pela decadência e conseqüentemente as compensações pretendidas foram corretamente não-homologadas pela DRF Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Antonio .1%; erra Neto
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901763/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES
Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
Ocorrendo a obscuridade, devem ser acolhidos para saná-la, sem efeitos modificativos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO
Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação..
ÔNUS DA PROVA.
Superada a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza-se como indébito tributário, não se reconhece o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão, não trouxe aos autos provas quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Numero da decisão: 1301-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para sanar a obscuridade existente, sem efeitos modificativos, propondo a alteração da ementa da decisão recorrida, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo a obscuridade, devem ser acolhidos para saná-la, sem efeitos modificativos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.. ÔNUS DA PROVA. Superada a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza-se como indébito tributário, não se reconhece o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão, não trouxe aos autos provas quanto ao fato constitutivo de seu direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para sanar a obscuridade existente, sem efeitos modificativos, propondo a alteração da ementa da decisão recorrida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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OBSCURIDADE. CABIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo a obscuridade, devem ser acolhidos para sanála, sem efeitos modificativos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.. ÔNUS DA PROVA. Superada a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase como indébito tributário, não se reconhece o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão, não trouxe aos autos provas quanto ao fato constitutivo de seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 17 63 /2 00 9- 41 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1301002.632 S1C3T1 Fl. 154 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para sanar a obscuridade existente, sem efeitos modificativos, propondo a alteração da ementa da decisão recorrida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratam os presentes de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, acima identificado, em face do acórdão nº 1803002.056, de 12.02.2014, prolatado pela extinta 3ª Turma Especial da 4ª Câmara desta 1ª Seção de julgamento.O acórdão embargado foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. [...] Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Aduz a embargante que o aresto combatido padece de contradição e omissão, pelos motivos que especifica. Em suas palavras: II. DO CABIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os presentes embargos de declaração tem como fundamento o Art. 496, IV do CPC e no Regimento Interno do CARF, em razão de contradição, omissão prejudiciais a causa da defesa. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1301002.632 S1C3T1 Fl. 155 3 Tratase de contradição na Ementa e no Voto do Acórdão n° 1803002.056 – 3a Turma Especial – 4a Câmara – 1˚ Seção de Julgamento, Sessão de 12 de fevereiro de 2014, ao apreciar matéria essencial para o deslinde da questão, como também, especialmente, em face da omissão em citar como fonte de credito tributo e numero de PER/DCOMP diversa daquela declarada no inicio da transmissão da declaração de compensação que ensejou o referido julgado. O esclarecimento da questão levantada, que adiante será mais detalhada e necessário, data vênia, em homenagem ao principio da ampla defesa e do contraditório, visto que elucidara pontos do R. Acórdão que será objeto de Recurso Especial ao CSRF como também atendera vários princípios da Administração Publica, em especial o da eficiência e economia processual. III. DA CONTRADIÇÃO E DA OMISSÃO Constou na Ementa do R. Acórdão que: “O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.” Contudo, no item 2 ainda na primeira folha, consta o seguinte: “Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” A simples leitura da primeira folha do Acórdão, ora objurgado, é contraditória o suficiente para eivar o Acórdão de vícios e gerar dúvidas no contribuinte, ora embargante, posto que, enquanto o 1˚ parágrafo da Ementa leva ao entendimento de que o Acórdão n˚ 0122.007 da 3ª Turma da DRJ/BEL NÃO FOI REFORMADO, e que a PER/DCOMP de final 1429, objeto do processo, NÃO FOI HOMOLOGADA, o 2˚ parágrafo induz o contribuinte a acreditar no oposto, isto e, que o recuso voluntário foi parcialmente provido para reconhecer a possibilidade de formação de indébito. Notese que a informação contida neste 2˚ parágrafo, e a mesma de conclusão do Acórdão inserta na folha 6 deste e folha 129 do processo. Portanto, este e o ponto em que há a contradição. IV. DO PEDIDO Diante do exposto e tendo demonstrado a contradição do Voto do V. Acórdão n° 1803002.056, vem mui respeitosamente requerer o seguinte: Seja conhecido e acolhido o presente recurso de Embargos de Declaração, provendoos integralmente para que, esclarecida a contradição apontada, o r. Acórdão exponha explicitamente o direito creditório da ora embargante, com o objetivo de apurar a certeza e liquidez do crédito pleiteado objeto da presente contenda. Às fls. 149 a 152, encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual o Sr. Presidente da 4ª Câmara, desta Seção admitiu os embargos, determinando a inclusão em lote de sorteio e posteriormente que os embargos fossem submetidos à apreciação de colegiado. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1301002.632 S1C3T1 Fl. 156 4 É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade previstos no vigente Regimento Interno do CARF, razão pela qual os conheço e passo a analisálos. Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/08/2005 pelo contribuinte acima identificado, na qual indicou crédito de R$ 16.695,85 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 09/2004, no valor originário de R$ 112.806,02. Ao analisar o crédito apresentado, a Delegacia de origem, em análise datada de 25.03.2009, entendeu pela improcedência do mesmo, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que, em sua ótica, o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, sendo os argumentos analisados pela Delegacia de Julgamento em Belém do Pará, que não fez reparos à conclusão do despacho decisório então impugnado, julgando, assim, improcedente a manifestação apresentada. No entanto, na oportunidade, o r. julgador administrativo manifestouse acerca da distribuição do ônus da prova, atribuindo ao autor a comprovação da existência do direito creditório pleiteado, notadamente que o pagamento foi realmente indevido. À propósito, na ocasião, restou consignado fazerse indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc, haja vista que a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. (o destaque consta no original). Apresentado o recurso voluntário contra esta decisão, o mesmo foi apreciado pelo Colegiado da extinta 3ª Turma Especial da 4ª Câmara desta 1ª Seção de julgamento, sob a relatoria do Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que, após rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente. Ao redigir a ementa, o eminente relator consignou que deveria prevalecer decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório pleiteado e, em seguida, no parágrafo seguinte, transcreveu a parte dispositiva de seu voto que, inclusive, foi acompanhado por unanimidade pelos demais integrantes do Colegiado, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1301002.632 S1C3T1 Fl. 157 5 recolhidas a maior ou indevidamente, o que, no entendimento da embargante, suscitou dúvidas, e por isso aduz vício de contradição/omissão no decisium, pela via dos embargos. Através de despacho fundamentado, o e. Presidente da 4ª Câmara, desta Seção, admitiu os embargos de declaração opostos, sob o entendimento de haver tanto a contradição como a omissão apontada, aquela no fato da dissonância existente na decisão guerreada entre a ementa e a parte dispositiva, e esta consubstanciase no fato de inexistir expressa manifestação sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento, dentro dos ditames da causa de pedir, vez que reconheceuse "a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente", sem, no entanto, fazer uma análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Pois bem. Vejamos os vícios apontados. Omissão/Contradição Aponta a recorrente omissão por inexistir análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado, vez que reconhecido a possibilidade de formação do indébito de estimativas a maior ou indevidamente . Entendo que não há omissão a ser sanada, pois a decisão recorrida se manifestou sobre os pontos controvertidos relevantes, vez que, admitiu a possibilidade de formação de indébito através de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente e não reconheceu o direito creditório, por ausência de provas. Em outras palavras, houve expressa manifestação, no sentido de admitirse que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase indébito tributário na data de seu efetivo recolhimento, sendo, portanto, possível de restituição ou compensação. Porém, não reconheceuse liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, ao verificar que o contribuinte não trouxe provas quanto ao fato constitutivo de seu direito. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Da mesma forma, não há que se falar em contradição entre a ementa e a parte dispositiva da decisão recorrida. Isso porque, em que pese, numa primeira leitura, ser possível enxergar contradição interna no julgado (ementa e parte dispositiva), ela desaparece quando da leitura integral do voto, pois, o que se depreendese de tal leitura é que o reconhecimento parcial diz respeito apenas à possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente. Aliás, esse é o sentido do que prevê a Súmula CARF nª 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, apesar de admitir a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, o colegiado não reconheceu o direito Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1301002.632 S1C3T1 Fl. 158 6 creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão aqui deduzida, não trouxe provas quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste ponto, há que se esclarecer que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne à admissão de que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase indébito, e por isso, passível de restituição. Por outro lado, o colegiado concordou com parte da decisão da DRJ, quando atribuiu ao sujeito passivo o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito alegado, e como ele não o fez satisfatoriamente, a decisão recorrida não reconheceu o direito creditório pleiteado por ausência de provas. Nesses termos, entendeuse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega, e, sendo o contribuinte o titular da pretensão, deve ele trazer os elementos de provas necessários para constituição do direito creditório pretendido, o que, como visto, não foi realizado. Desta forma, entendo que não restou caracterizada a omissão/contradição apontada, devendose rejeitar os embargos quanto aos vícios alegados. Porém, em face do que exposto acima, os presentes Embargos merecem ser acolhidos para afastar a obscuridade, considerandose, assim, sanado tal vício. Para uma melhor clareza, propõese que a decisão recorrida seja assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. ÔNUS DA PROVA. Superada a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase como indébito tributário, não se reconhece o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão, deveria ter trazido aos autos provas quanto ao fato constitutivo de seu direito, e não o fez. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos opostos, para sanar a obscuridade existente, sem efeitos modificativos, propondo a alteração da ementa da decisão recorrida, nos termos aqui sugeridos. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1301002.632 S1C3T1 Fl. 159 7 Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722816/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ERRO - CORREÇÃO
Uma vez constatado o erro de referência à CSLL, quando o correto é IRPJ, deve-se proceder a correção,
Numero da decisão: 1401-002.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, no mérito, dar provimento com o fim de substituir o termo "IRPJ" por "CSLL", nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, no mérito, dar provimento com o fim de substituir o termo "IRPJ" por "CSLL", nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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score : 1.0
Numero do processo: 10935.902216/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2002
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.704
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-11-08T15:33:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-11-08T15:33:30Z; Last-Modified: 2017-11-08T15:33:30Z; dcterms:modified: 2017-11-08T15:33:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-11-08T15:33:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-11-08T15:33:30Z; meta:save-date: 2017-11-08T15:33:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-11-08T15:33:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-11-08T15:33:30Z; created: 2017-11-08T15:33:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-11-08T15:33:30Z; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-11-08T15:33:30Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.902216/201266 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.704 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria PER/DCOMP PIS/COFINS Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/03/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 16 /2 01 2- 66 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.902216/201266 Acórdão n.º 3402004.704 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06041.741, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.902216/201266 Acórdão n.º 3402004.704 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.902216/201266 Acórdão n.º 3402004.704 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.902216/201266 Acórdão n.º 3402004.704 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.902216/201266 Acórdão n.º 3402004.704 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.902216/201266 Acórdão n.º 3402004.704 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.902216/201266 Acórdão n.º 3402004.704 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 13856.000244/2004-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
COMERCIAL EXPORTADORA. AQUISIÇÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 5º da Lei 10.637/2002, o direito à manutenção do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep é garantido apenas ao exportador fabricante das mercadorias, que as vende à comercial exportadora.
A sistemática da incumulatividade afasta, por princípio, a possibilidade de apropriação de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento dos tributos/contribuições. No caso, inexiste disposição legal que autorize a comercial exportadora a apropriar-se de um crédito ficto ou presumido.
Numero da decisão: 9303-006.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 COMERCIAL EXPORTADORA. AQUISIÇÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 5º da Lei 10.637/2002, o direito à manutenção do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep é garantido apenas ao exportador fabricante das mercadorias, que as vende à comercial exportadora. A sistemática da incumulatividade afasta, por princípio, a possibilidade de apropriação de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento dos tributos/contribuições. No caso, inexiste disposição legal que autorize a comercial exportadora a apropriar-se de um crédito ficto ou presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 COMERCIAL EXPORTADORA. AQUISIÇÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 5º da Lei 10.637/2002, o direito à manutenção do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep é garantido apenas ao exportador fabricante das mercadorias, que as vende à comercial exportadora. A sistemática da incumulatividade afasta, por princípio, a possibilidade de apropriação de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento dos tributos/contribuições. No caso, inexiste disposição legal que autorize a comercial exportadora a apropriarse de um crédito ficto ou presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 44 /2 00 4- 13 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3802001.201, proferido pela extinta 2º Turma Especial da 3ª Seção de julgamento, que decidiu por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso, por entender de que seria impossível o creditamento da contribuição para o PIS/PASEP, sob o regime de incidência nãocumulativa, por empresa comercial exportadora em relação a produtos adquiridos com isenção destinados especificamente para exportação. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), fl. 1, cujo crédito provém do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de março de 2003, no valor de R$ 3.705,50". Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, contudo, não foram acatados pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO SP, que negou provimento à manifestação de inconformidade, julgando procedente a glosa de créditos e negando o direito creditório. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário:2003 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE. O regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à “pessoa jurídica vendedora” (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica Fl. 411DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 4 3 que vende para “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da não cumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5ºda Lei nº 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação. A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 posterior aos fatos geradores , que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...]”, objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002. Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada. Recurso ao qual se nega provimento. Direito creditório não reconhecido". Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo o seguinte: "seja reconhecido o direito ao aproveitamento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados em relação ã aquisição de mercadorias com fim especifico de exportação por empresas comerciais exportadoras, com fundamento no artigo 3º da Lei n°. 10.637/02, dada a ausência de vedação legal no período compreendido entre as edições da Lei n°. 10.637/02 e da Lei n°. 10.865/04; alternativamente, seja também reconhecido o direito ao aproveitamento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculado em relação ã aquisição de mercadorias com rim especifico de exportação por empresas comerciais exportadoras, por expressa previsão legal do artigo 5°, inciso I e §1° da Lei n°. 10.637/02, ao menos ate a edição da Lei n°. 10.865/04; e, finalmente, sendo reconhecido o direito ao credito da Contribuição para o PIS/Pasep, com fundamentos nos itens (i) e (ii) acima, REQUER seja reformado o v. acórdão recorrido para fins de homologar o Pedido de Compensação originário, reconhecendose a extinção dos débitos compensados de CSLL, nos exatos termos do artigo 156, inciso II, do CTN". Fl. 412DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 5 4 Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigmas, o acórdãos n°s 340201.755 (PA nº. 13856.000234/200470), 20313.233 (PA nº. n° 11080.101373/200593). Em seguida, o Presidente da 2 Câmara da 3º Seção de Julgamento do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 386/393, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito exclusivamente ao direito de aproveitamento de créditos de PIS, utilizado por empresa Comercial Exportadora de Mercadorias decorrente de compras efetuadas com fim especifico para exportação, cujas operações pressupõem não incluírem os valores da contribuição ao PIS em seus preços, tendo em vista a isenção da contribuição, concedida para as vendas de mercadorias efetuadas para empresas comerciais exportadoras, anterior a vigência da lei 10.865/04, a qual inseriu no ordenamento jurídico o parágrafo 2º, II, do artigo 3º da lei nº 10.637/02. Sem embargo, a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário da Contribuinte ao entendimento de que seria impossível o creditamento da contribuição para o PIS/PASEP, sob o regime de incidência nãocumulativa, por empresa comercial exportadora em relação a produtos adquiridos com isenção destinados especificamente para exportação. Para melhor compreensão dos fatos, verifico que a Contribuinte é uma empresa comercial exportadora, cujo objeto social principal é a originação de commodities agrícolas — açúcar e álcool no mercado interno para posterior revenda no mercado interno e externo, colocando à disposição das empresas brasileiras, sobretudo aquelas atuantes no mercado agropecuário, sua estrutura administrativa e expertise na gestão de contratos, logística e estruturação financeira com instituições do Brasil e do exterior. Após esse breve esclarecimento sobre atividade empresária exercida da Contribuinte, se faz necessário delimitar o regime jurídico das empresas Comerciais Exportadoras, para fins de incidência do PIS. Destarte, as empresas comerciais são sociedades que têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 6 5 efetuar sua comercialização no mercado doméstico. Ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão “trading company” não é utilizada na legislação brasileira, e na doutrina há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. Deste modo, as empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação. Essa norma assegura, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Conforme preconiza o DecretoLei nº 1.248, de 1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação. Contudo, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): i) as que possuem o Certificado de Registro Especial e ii) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012, o qual o legislador vedou a manutenção de créditos de PIS na aquisição de produtos não sujeitos ao recolhimento da contribuição, por meio da lei nº 10.865/04, a qual deu nova redação ao artigo 3º, parágrafo 2º da lei nº10.637/071. in verbis: “A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicamse a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior.” Portanto, atualmente, existem duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grupos: i) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988, com status de lei ordinária; e, ii) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. Pela análise dos autos, evidenciase que as operações de vendas da Contribuinte destinavase a exportação. Consta, ainda, que a própria Contribuinte, apresentou à fiscalização uma relação completa de documentos, o que de uma análise mais detida, comprovase referidas exportações. 1 Extraído do Portal do Ministério da Indústria, Comércio e Serviço. Acessado em 17/03/2017. http://www.mdic.gov.br/comercioexterior/empresacomercialexportadoratradingcompany Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 7 6 Superada a questão das atividades da Contribuinte, passo a analisar a aplicação das regras do PIS não cumulativo no que tange às empresas comerciais exportadoras. Com efeito, o PIS é uma contribuição que encontra previsão no artigo 195, I, "b" da Constituição Federal de 1998, tem como hipótese de incidência o faturamento da pessoa jurídica. Referida contribuição foi instituída pela Lei Complementar nº 7/70, inicialmente, tinha como hipótese de incidência o faturamento com alíquota de 0,65% ( regime cumulativo). Neste modelo, não era permitido o abatimento de custos financeiros, aquisição de bens e serviços utilizados no processo produtivo. Nada obstante, com objetivo de desonerar a cadeia produtiva, a técnica cumulativa foi alterada por meio da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na lei nº 10.637/02, a qual instituiu o novo modelo não cumulativo do PIS. A novel legislação á época, determinava que sobre a base de cálculo apurada nos termos da lei (faturamento) incidirá a alíquota de 1, 65%, maior do que aplicada na técnica cumulativa, contudo, a nova legislação permitia a manutenção dos créditos calculados á alíquota de 1,65% sobre valores referentes aos custos e despesas na aquisição de serviços, sendo abatidos do valor apurado de PIS devido no fim do período de apuração. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação ás mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 8 7 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Neste sentido, a época dos fatos (Auto de Infração lavrado referente ao ano calendário de 2003) estava em vigor a lei nº 10.627/02, a qual em seu inciso I, determinava que o montante a ser pago á título de PIS não cumulativo poderia ser descontados créditos calculados sobre bens adquiridos para revenda, exceto em relação ás mercadorias ou produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, á época da lavratura do Auto de Infração não havia dispositivo legal que limitava a manutenção ao direito de crédito nas operações de compra de produtos não sujeitos a tributação, inexistindo vedação para apropriarse de tais créditos. Contudo, o legislador vedou a manutenção de créditos de PIS na aquisição de produtos não sujeitos ao recolhimento da contribuição, por meio da lei nº 10.865/04, a qual deu nova redação ao artigo 3º, parágrafo 2º da lei nº10.637/07. No caso em espécie, mesmo considerando o artigo 6, parágrafo 4º, da lei nº 10.833/03, também aplicável ao PIS em razão do artigo 15, inciso III, do mesmo diploma, a vedação a manutenção ao direito de crédito de PIS, não poderia ser aplicado, pois os créditos guerreados dizem respeito ao ano calendário de 2003. Deste modo, observo que o Acórdão recorrido nada falou sobre o interregno da lei nº 10.637/02, inciso I, vigente a época dos fatos, bem como da alteração do artigo 3º, parágrafo 2º, promovido com a edição da lei nº10.865/04. Considerando a vigência das alterações trazidas pelas leis nºs 10.637/02 ,10.865/04 e 10.833/02. Para reforçar meu entendimento de que á época dos fatos não havia dispositivo legal que vedasse o direito a manutenção de créditos de PIS não cumulativos, utilizo como fundamento adicional em minhas razões de decidir, o acórdão paradigma nº 203 13236, da lavra do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "A nãocumulatividade do PIS e da Cofins, sem restrições ao direito de se apropriar créditos, foi elevada à categoria de principio constitucional em 01/01/2004, com a inclusão do parágrafo 12 no art. 195 da CF/88, por meio da Emenda n° 42/03. Implementar efetivamente a nãocumulatividade para essas contribuições implica tributar apenas o valor que é agregado ao longo de uma cadeia produçãoconsumo. Dentre os diversos métodos de tributação do valor agregado existentes, o Poder Executivo elegeu o método indireto subtrativo na própria exposição de motivos que acompanhou a proposta que resultou na edição da MP n° 135/03, eleição essa avalizada mais tarde pelo Poder Legislativo ao convertêla na Lei n° 10.833/03. Indireto subtrativo é o método segundo o qual o valor do tributo devido é resultado da diferença entre o valor apurado pela alíquota aplicada sobre as vendas e o valor apurado pela alíquota aplicada sobre as compras. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 9 8 Em um primeiro momento, foi criada a Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, mediante a edição da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, a qual veio a ser convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Atendida a anterioridade mitigada (90 dias), a nova forma de incidência passou a ser aplicada para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/2002. Posteriormente, estendeuse a nãocumulatividade para a Cofins, por meio da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, que veio a ser convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Considerandose a anterioridade nonagesimal, a Cofins nãocumulativa passou a ser aplicada para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/2004. As Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 instituidoras da cobrança não cumulativa do PIS e da Cofins , ambas no art. 3 0, prevêem a possibilidade de o contribuinte calcular créditos em relação ao valor da aquisição de insumos, valendose das mesmas alíquotas aplicáveis na determinação dos débitos sobre o valor do faturamento. Como dito alhures, a sistemática de apuração das contribuições no regime nãocumulativo consiste em permitir ao sujeito passivo descontar, da contribuição apurada, créditos referentes à aquisição de mercadorias e/ou insumos e outros encargos e despesas, previstos em lei, relacionados às atividades desenvolvidas pela Pessoa Jurídica. Ressaltese que as operações praticadas pela pessoa jurídica que permitem a constituição de créditos da nãocumulatividade são apenas as que estão estritamente especificadas na legislação tributária, não sendo permitido o creditamento sobre aquisição de bens ou serviços que não tenha previsão legal, mesmo havendo incidência tributária de PIS e Cofins quando de sua aquisição. Até 31/07/04, era irrelevante saber se o valor dos insumos adquiridos estava ou não sujeito às incidências desses tributos, na hipótese de aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no Pais. Entretanto, a contar de 01/08/04, a Lei n° 10.865/04, alterando substancialmente o § 2° do art 3° das Leis n's 10.637/02 e 10.833/03, vedou o aproveitamento de créditos em relação ao valor de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento de PIS e Cofins, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou nãotributados. Com efeito, essa vedação atingiu, indistintamente, os insumos não tributados e os sujeitos à alíquota zero e, parcialmente, os isentos. alíquotas aplicáveis na determinação dos débitos sobre o valor do faturamento. Após essa breve digressão, retornando aos autos, o primeiro ponto a ser analisado diz respeito às atividades da recorrente. O fisco entende que são típicas de "empresas comerciais exportadoras", no entanto, a contribuinte não se considera como tal. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 10 9 A meu sentir é se suma importância conhecermos o que vem a ser uma empresa comercial exportadora". As micro e pequenas empresas brasileiras nos últimos anos vem obtendo um aumento em suas exportações que, mesmo sendo em termos absolutos ainda pequeno, já demonstra uma maior vontade por parte de seus empresários a aumentar suas vendas com o mercado externo. Muito se deve às atitudes tomadas pelo governo com a criação de meios que facilitam e desburocratizam os processos necessários para tal feito. Não se pode olvidar que essas empresas possuem uma certa dificuldade em atuar no mercado internacional, muitas vezes por não possuírem estrutura logística, departamento capacitado ou até mesmo pela dificuldade ao acesso dos programas de incentivo à exportação do governo e de iniciativas privadas, podendo, portanto contar com o trabalho realizado pelas trading companies e comerciais exportadoras. Como isso funciona? Ao receber um pedido de exportação de mercadorias de sua produção, por muitas vezes a empresa fabricante não está preparada ou não tem condições de exportálo, por qualquer motivo. A empresa produtora poderá optar por não efetuar exportações diretamente, utilizando uma terceira empresa para processar suas vendas ao exterior. A modalidade de exportação através de uma terceira empresa se chama "Exportação Indireta", ou "Exportação, via Interveniente", e tem um tratamento especial, que vamos aqui tratar. A empresa produtora efetua, então, a venda no mercado interno, com o fim específico de exportação, a uma empresa comercial, que se encarregará de exportála, atuando como interveniente na operação. Portanto, a operação de exportação indiretaS consiste na venda de produtos destinados à exportação, os quais saem do estabelecimento industrial ou comercial para empresas comerciais exportadoras, trading companies ou qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior. A exportação indireta via empresas comerciais exportadoras, têm tratamento tributário diferenciado e as vendas realizadas para elas têm caráter de exportação direta. Dessa forma, o produtor/exportador conta com isenção de impostos e deixa de ter qualquer responsabilidade sobre a continuidade da operação. Além desse beneficio, cito as seguintes vantagens: Gasto reduzido na comercialização do produto; b) Eliminação da pesquisa de mercado; c) Eliminação dos procedimentos burocráticos e seus custos, já que a documentação se resume à Nota Fiscal; d) Redução de riscos comerciais e de movimentação da mercadoria no exterior; e) Redução do custo financeiro decorrente das vendas a prazo, já que, via de regra, as comerciais exportadoras compram à vista; e, f) Dedicação exclusiva à produção. Até pouco tempo, a empresa comercial exportadora e a trading companies se confundiam. Com o passar dos tempos, a União Federal permitiu que outras empresas tenham características típicas de comercial exportadora, Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 11 10 proporcionando um registro equivalente no momento em que seja realizada a primeira exportação ao exterior. Neste momento, as figuras de comercial exportadora e trading se dissociaram. Uma trading company deve ser constituída com base no DecretoLei n° 1.248/72, devendo obrigatoriamente ser S/A, ter capital social mínimo equivalente a 703.380 UFIR e obter registro especial para operar como trading na SECEX/MICT e SRF/MF. Por sua vez, uma empresa comercial exportadora tem sua constituição regida pela mesma legislação utilizada na abertura de qualquer empresa comercial ou industrial para operar no mercado interno, sem nenhuma exigência quanto a sua natureza, capital social ou registro especial. As empresas comerciais exportadoras e as trading companies atuam como intermediárias na representação e comercialização de produtos entre Brasil e outros países. Tem como objetivo social a comercialização, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, assim como importar mercadorias e 1 efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. Essas empresas proporcionam um grande fomento na área de comércio exterior, tanto no que se diz respeito aos trâmites legais de exportação quanto no estudo de mercados, viabilidade econômica e a inserção de produtos de interesse para os mais variados mercados. Com essa pequena noção sobre "empresa comercial exportadora", me atrevo a enfrentar o caso em epígrafe. Pela análise dos autos, em especial o relatório fiscal de fls. 39/48, fica comprovada, por intermédio de circularizações feitas aos fornecedores da recorrente, que as vendas dos produtos a Bianchini S/A tinham o fim específico de exportação. Consta, ainda, que a própria recorrente, após o resultado da circularização, apresentou à fiscalização uma relação completa dos memorandos de exportação emitidos bem como demonstrativo dos valores totais mensais. Ao ensejo da exposição acerca da exportação indireta e seus componentes, calha observar que ao adquirir mercadorias no mercado interno para revenda com o fim específico de exportação, a recorrente está exercendo uma atividade própria/típica de empresa comercial exportadora Superada a classificação das atividades da recorrente, passo a analisar a aplicação das regras do PIS e Cofins não cumulativos no que concerne às empresas comerciais exportadoras. Não se pode olvidar que as receitas referentes às operações de exportação gozam de tratamento privilegiado, sobre as quais não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, em consonância com o disposto no art. 149 da Constituição Federal. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 12 11 A legislação que instituiu o regime de apuração nãocumulativo para o PIS e para a Cofins dispõe e relaciona as receitas não sujeitas à incidência das contribuições, quais sejam: receitas da exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Apesar das pessoas jurídicas que realizam operações de exportação não apurarem contribuições a recolher sobre as respectivas receitas auferidas, a legislação permite que sejam apurados créditos referentes às mercadorias, produtos e insumos adquiridos, bem como em relação às despesas e encargos incorridos para o auferimento da receita da exportação (desde que estas receitas, se auferidas no mercado interno, estivessem sujeitas ao regime nãocumulativo), nas mesmas regras, condições e limites aplicáveis aos créditos apurados sobre as receitas auferidas no mercado interno. Para a empresa comercial exportadora existe vedação legal expressa à apuração dos créditos relativos à Cotins, conforme se verifica na disposição constante do art. 6°, § 40, extensiva à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 15, inciso III, da Lei n° 10.833,de 2003. Destarte, por força do disposto no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003, concluise que não é permitida a utilização de créditos diretos e indiretos da Contribuição para o PIS e para a Cofins, vinculados às despesas efetuadas por pessoa jurídica comercial exportadora. Não obstante, devemos tomar cuidado com as datas de vigência das modificações trazidas pelas Leis n° 10.833/2003 e n° 10.856/2004, pois para a Cofins, a vedação acima retratada vale a partir de 01/02/2004, enquanto para o PIS, vale a partir de 01/05/2004. Mais uma vez socorrome do relatório fiscal de fls. 39/48 para identificar os períodos glosados pela fiscalização. O item 02 do relatório informa que os créditos glosados do PIS, referentes aos custos dos produtos adquiridos com o fim específico de exportação são dos meses de janeiro e 2003 a janeiro de 2004 e agosto de 2004; Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar a glosa dos créditos do PIS referentes aos custos dos produtos adquiridos com o fim especifico de exportação do período compreendido entre 01/04/2003 e 31/05/2003". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso da Contribuinte, para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar, e álcool, exceto para fins carburantes. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 13 12 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Em que pesem as consistentes considerações do i. Relator do processo, ouso divergir em parte de seu posicionamento, pelas razões que a seguir passo a declinar. O arcabouço normativo que deu forma ao sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS foi, desde o início, estruturado com base no princípio de que, do valor devido em cada período de apuração, poderiam ser descontados os créditos a que a contribuinte tinha direito. O art. 1º da Lei 10.637/2002 determinou a amplitude da base de cálculo da Contribuição, nos seguintes termos: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Produção de efeito) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); (grifos acrescidos) O art. 2º especificou a alíquota de 1,65% incidente sobre a base estabelecida no art. 1º. Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). O art. 3º, por sua vez, autorizou o desconto de créditos do valor apurado na forma do art. 2º. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 15 14 O valor apurado na forma do art. 2º, em referência, é obtido pela multiplicação da alíquota de 1,65% sobre o valor imponível especificado no art. 1º. Ou seja, somente deste valor é que se admitiu, desde o primeiro momento, o desconto de créditos calculados nos termos do art. 3º. Isso quer dizer que, para as operações realizadas no mercado interno, na concepção original do sistema, não havia previsão para apropriação de créditos quando não houvesse valor devido pela contribuinte. A lógica por trás dessa estrutura está na própria essência da incumulatividade. A menos que haja um incentivo específico para determinado tipo de operação, segmento de mercado, área geográfica etc, a apuração não cumulativa apenas afasta a possibilidade de que o encargo tributário incida em cascata, autorizando o desconto do valor devido, daquilo que já foi pago pela contribuinte na etapa anterior. À luz dessa sistemática, não é difícil compreender que a apropriação do crédito está intimamente relacionada a dois eventos, quais sejam: a ocorrência desse crédito decorrente do ônus embutido na compra e de um débito em consequência da venda. Outro critério genérico que definiu os contornos do sistema de apropriação e utilização dos créditos na incumulatividade foi a autorização para que os créditos não aproveitados no mês fossem (apenas) descontados dos débitos apurados nos meses subsequentes, ex vi, parágrafo 4º, a seguir transcrito. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Esta regra também está em perfeita harmonia com a essência da mecânica de apuração não cumulativa. Se o crédito concedido tem como propósito afastar a cumulação do encargo tributário, não haveria, a priori, outro destino ao crédito do contribuinte se não a dedução do valor devido por meio do desconto. Todas essas generalidades, contudo, não foram reproduzidas no disciplinamento das operações de exportação. Para elas, como é comum acontecer, definiuse um tratamento tributário diferenciado. Uma vez que o exportador correria o risco de não ter como descontar os créditos apurados nos termos do art. 3º do valor apurado na forma do art. 2º, já que a exportação não é onerada pela Contribuição, a lei autorizouo a utilizar o crédito acumulado também na compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou, ainda, para ressarcimento em dinheiro, se não vejamos. Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 16 15 § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Sobressaem três premissas de grande relevo no teor normativo das regras que disciplinam as particularidades na apropriação dos créditos do contribuinte nas operações com o mercado externo. A primeira diz respeito à forma de apuração propriamente dita. Como se depreende do teor do §1º do art. 5º, os créditos, mesmo nas operações de exportação, são apurados na forma do art. 3º. De tudo que se disse até aqui, resta incontroverso que o art. 3º somente autoriza o crédito para desconto do valor apurado na forma do art. 2o, ou seja, para operações tributadas. A segunda é que essa regra estrutural é mitigada pela concessão do direito ao ressarcimento. Ou seja, embora a lógica sistêmica seja descontar o encargo anterior daquele que sobrevêm, na exportação, por ser concedido tratamento especial, é permitido a apropriação do crédito decorrente do encargo anterior sem que haja encargo posterior, do que decorre a necessidade do direito ao ressarcimento, sob pena de tornarse uma concessão inócua. A terceira é a de que, ao disciplinar individual e destacadamente as operações de exportação, o legislador estabeleceu com clareza os limites do direito que concedia às partes envolvidas. Ao fazêlo, jamais aventou da possibilidade de que a empresa comercial exportadora fosse autorizada a constituir créditos fictos (já que materialmente inexistentes) e pudesse mantêlos para quaisquer finalidades. E, de fato, a cogitação do direito ao crédito para comercial exportadora implicaria na fragmentação lógica do processo, ao sugerir a apropriação de um crédito inexistente de fato a ser compensado com um débito que jamais ocorrerá. Com o passar do tempo, toda essa estrutura foi sendo aprimorada, com a inclusão de novas regras. A Lei nº 11.033/2004, interpretando o disposto na legislação de regência, tratou da possibilidade de manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuição. A Lei nº 11.116/2005 autorizou a utilização desses créditos na compensação e ressarcimento, tal como já era admitido nas operações de comércio exterior. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 17 16 Lei nº 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. A Lei nº 10.865/2004, por seu turno, vetou expressamente o direito de apropriação de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) É notória a sintonia da legislação novel com o escopo do ordenamento legal préexistente. A Lei nº 11.033/2004, que autoproclamouse interpretativa e, por conseguinte, tornouse aplicável a fatos pretéritos autorizou a manutenção de créditos existentes mesmo Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 9303006.025 CSRFT3 Fl. 18 17 quando vinculados a vendas que não gerassem débitos, uma possibilidade lógica e inerente à incumulatividade, pois a dispensa do pagamento em apenas um dos lados do processo reduz sobremaneira o efeito do incentivo concedido. Já a Lei nº 10.865/2004 esclareceu o óbvio, qual seja, que não existe crédito sem que se incorra no gasto que lhe origina. Em outras palavras, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito. De se observar também que as disposições legais acima reproduzidas, a toda evidência, deram às operações no mercado interno tratamento análogo àquele que fora, desde o princípio, concedido às operações de exportação, autorizando a manutenção do crédito nas vendas desoneradas, concedendo direito à compensação com outros tributos/contribuições e o ressarcimento em espécie, e afastando a possibilidade de apropriação de créditos nas aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição, como é o caso das compras realizadas pelas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. Com base em tudo o que foi exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 426DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.722190/2012-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 21 90 /2 01 2- 91 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 56 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1254.094, de 22/03/2013 (efls. 36/41), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em razão de ter sido negado à Requerente o ingresso no Simples Nacional. 2. Conforme o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fls. 19/23 do eprocesso, constataramse: 2.1. Como pendências fiscais de natureza previdenciária, os débitos 366704222 e 369571754, mais 35 competências não recolhidas, de 02/2007 a 11/2011, com respectivos valores. 2.2. Como pendências fiscais de natureza não previdenciária, foram indicados 27 débitos diversos, referentes a multa por atraso/falta de DIPJ, débitos de PIS, COFINS, IRPJ, CSLL. 2.3. Por fim, foram indicados 6 débitos inscritos em Dívida Ativa da União (PGFN). 3. Consta como data do registro do Termo de Indeferimento o dia 16/02/2012 e o Número do Recibo 00.04.94.77.14. 4. A interessada protocolou Manifestação de Inconformidade em 13/03/2012, vide fls. 02/18 do eprocesso. Em síntese: 4.1. Pede sejam as futuras correspondências encaminhadas ao endereço de seu patrono. 4.2. Pede o cadastramento do processo no serviço de pushprocesso do COMPROT. 4.3. Protesta pela juntada de documentos a posteriori. 4.4. Pede seja declarada a prescrição do crédito tributário cabível nos termos do art. 174 do CTN, cc. art. 269, IV do Código de Processo Civil. 4.5. Pede que a empresa, enquanto não finda a lide administrativa, seja mantida como optante pelo Simples Nacional, nos termos do art. 151, III do CTN, por força do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade. 4.6. Argumenta sobre a cobrança excessiva de acréscimos legais, requer seja respeitado o princípio de capacidade contributiva e pede que seja fornecida “planilha atualizada dos débitos legalmente exigíveis, bem como sejam os mesmos Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 57 3 convertidos em UFIR da época para que após aceitação de nossa parte, sejam os mesmos objeto de parcelamento, em tantas parcelas quanto possível, viabilizando dessa forma a existência da própria empresa, face ao disposto no art. 179 da Carta Constitucional de 1988”. 4.7. Pede que seja deferida a inclusão da empresa no Simples Nacional com data retroativa a 01/07/2007 . 4.8. Tece outras diversas considerações de cunho genérico, como protestos contra o grande número de dispositivos legais e infralegais a serem obedecidos, dificultando a regularização dos créditos em aberto, em especial através do parcelamento; da falta de respeito ao direito a tratamento diferenciado para as micro e pequenas empresas; da criação do Simples Nacional; da ilegalidade do art. 20 da Resolução 4 CGSN/2007, cc. art. 79 da LC 123/2006. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. Deve ser indeferido o pedido de opção pelo Simples Nacional, se o contribuinte não regularizou, dentro do prazo fixado pela legislação, a pendência impeditiva de seu ingresso no regime especial de tributação. ART. 17 DO DEC. 70.235/72 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. Necessidade da estabilização da relação jurídicoprocessual no contencioso administrativo fiscal. Compatibilidade com a Legalidade Administrativa insculpida no Art, 37, caput, da Constituição da República. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 20/05/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 48, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 03/06/2013, conforme carimbo aposto no documento de folha única (efl. 51). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 57DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 58 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) E o artigo 31, §2º, tem a seguinte redação: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso Fl. 58DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 59 5 não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente requer a "submissão de seu recurso a instância imediatamente superior". Os argumentos apresentados em sede de primeira instância foram fundamentadamente afastados, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: 6. Inicialmente, cumpre ressaltar que as discussões acerca da legalidade e constitucionalidade de lei ou ato normativo, as quais foram alegadas pela notificada em diversos pontos ao longo de sua defesa, são de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, devendo vigorar o texto legal, enquanto não retirado do ordenamento jurídico. Existindo norma legal em vigor que discipline a matéria, não cabe às instâncias administrativas oporse à sua aplicação. O mérito da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias deve ser enfrentado junto ao Poder Judiciário, que por força constitucional, é o foro adequado para tal discussão. 7. Aplicamse ao processo administrativofiscal, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, as determinações constantes no Decreto 70.235/1972, que estipula que o local legalmente determinado para o recebimento de intimações, por via postal, é aquele eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio tributário (endereço postal, eletrônico autorizado, ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais). Decreto 70.235/1972 Art. 23. §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 7.1. Portanto, não é de competência da autoridade administrativa de julgamento essa alteração, indeferindose o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas na forma pretendida pelo interessado, pois, na atual fase do procedimento, elas são feitas por via postal, endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos da legislação transcrita. Prejudicial 8. Observo que, considerando a data de efeito do Termo de Indeferimento, 01/01/2012, não há que se falar em prescrição ou decadência dos débitos apontados Fl. 59DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 60 6 no Termo de Indeferimento, haja vista que, dentre as competências não recolhidas e que não foram objeto de lançamento, nenhuma é anterior a janeiro de 2007, o mesmo podendose dizer dos recolhimentos em aberto de natureza não previdenciária. Quanto ao débito mais antigo, número de processo 10768401091200411, este já se encontra inscrito desde 21/08/2006. Os débitos previdenciários, DCGB 36.670.4222 e 36.957.1754, datam, respectivamente, de 26/12/2009 e 21/08/2010, sendo inscritos na Dívida Ativa em 24/12/2011 e 09/10/2010. Mérito 9. O parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, assim dispõe: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo. 9.1. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007, cujo art. 7º assim estabelece: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. §1ºA opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo e observado o disposto no §3º do art. 21. (grifei) §1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (grifei) I – regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (grifei) §1ºB O disposto no §1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (...) §3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 61 7 I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (...) 10. Como visto, o legislador fixou um prazo peremptório para a regularização das pendências impeditivas, que devem ser saneadas até o término do prazo para solicitação da opção. 11. Dessa forma, para que a manifestação de inconformidade fosse considerada procedente, a Requerente deveria ter demonstrado que foi providenciada a regularização de todas as suas pendências até o último dia do prazo para a opção, a saber, 31/01/2012. 11.1. Observo que, em relação ao anocalendário de 2012, a empresa não se encontrava ‘dentro’ do Simples Nacional e foi excluída. Ao contrário, estava ‘fora’ e não foi aceita sua entrada no Simples Nacional. 12. O Decreto 70.235/72 fixa o conceito de processo administrativo fiscal como aquele que se inicia com a impugnação tempestiva do lançamento (art. 14), e estabelece que a impugnação deverá arrolar os pontos de discordância e as provas que possuir, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) 13. Deste modo, operouse a chamada preclusão administrativa pela qual o ato administrativo, esgotados ou inexistentes os recursos contra ele, adquire estabilidade, e não mais pode ser modificado pela Administração. Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello (Cf. Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de direito administrativo, 9ª ed., São Paulo, Malheiros, 1997, p. 91), “Preclusão é a perda de uma oportunidade processual (logo, ocorrida depois de instaurada a relação processual), pelo decurso do tempo previsto para seu exercício, acarretando a superação daquele estágio do processo (judicial ou administrativo)”1 (grifei). 14. Importante notar que o ônus da impugnação específica do mérito da emissão do Termo de Indeferimento, além de requisito indispensável à aferição da adequação formal da manifestação de inconformidade, é uma importante regra processual afeta aos critérios de distribuição do ônus prova, já que a legislação é expressa ao afirmar que, nas razões de defesa, cabe ao sujeito passivo manifestarse precisa e especificamente sobre cada ponto de discordância. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 62 8 15. Constato que a manifestação de inconformidade, na medida em que não especifica qual dos débitos apontados no Termo de Indeferimento não constituiria empecilho à admissão da empresa no regime simplificado de tributação, não aponta os erros e as discordâncias presentes no referido Termo, tornase inepta, sendo admitidos como verdadeiros os pontos (matérias) não impugnados, e não se instaurando a lide em relação a eles. 16. É o que se depreende também da doutrina de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López, in “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, Dialética, 2002, p. 236/237: “O artigo 16 do PAF estabelece, ainda, em seu inciso III, como requisito da peça impugnatória, a menção dos motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que o contribuinte possuir. Assim, se o contribuinte não questiona item por item da exigência fiscal, de forma direta e objetiva, corre o risco de ver sua pretensão indeferida por não estar instaurado o litígio. Impende observar que a matéria devolvida à instância julgadora é aquela expressamente contraditada na peça impugnatória, ou seja, aquela em que esteja evidenciada, de maneira inequívoca, a reação do contribuinte ao lançamento. É preciso, portanto, demonstrar a intenção de impugnar. Não bastando contestar, de forma genérica, a autuação (negação geral) e pedir o cancelamento do lançamento”(grifamos). 17. Concluise, assim, que a peça defensiva cingiuse a tratar de questões genéricas, mas não especificamente às pendências apontadas como empecilhos à opção da empresa pelo regime de tributação do SIMPLES NACIONAL, o que conduz à conclusão pela procedência do Termo de Exclusão guerreado, haja vista terse dado a preclusão no que diz respeito ao questionamento dos débitos nele apontados, bem como da oportunidade de produção de provas. Conclusão 18. Finalmente, concluo que o processo de exclusão cumpriu todos os requisitos legais e VOTO por NEGAR PROVIMENTO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para manter o Termo de Indeferimento da opção da empresa ao Simples Nacional . Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Outrossim, a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 18470.722190/201291 Acórdão n.º 1001000.253 S1C0T1 Fl. 63 9 A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 63DF CARF MF
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