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Numero do processo: 10983.904015/2013-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/03/2010, Código de Receita 5993, Data de Arrecadação 30/04/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 29079.57233.310111.1.3.04-0193.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/03/2010, Código de Receita 5993, Data de Arrecadação 30/04/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 29079.57233.310111.1.3.040193. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 76/77) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 67/69), proferida em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 01 5/ 20 13 -1 7 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10983.904015/201317 Resolução nº 1002000.032 S1C0T2 Fl. 158 2 sessão de 17 de maio de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1287.664, da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 02/08/2013 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 29079.57233.310111.1.3.040193 (efls. 05/10), transmitido em 31/01/2011, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de PER/DCOMP n.º 29079.57233.310111.1.3.040193, na qual o contribuinte compensou o valor relativo a pagamento a maior no valor de R$ 11.650,19 do período de apuração de 31/03/2010, código de receita: 5993, valor total do DARF: R$ 60.455,49, recolhido em 30/04/2010, com débitos próprios. Segundo o despacho decisório (fl. 04) o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada, tendo em vista que o DARF havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte foi cientificado em 12/08/2013 (fl. 62) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) em 10/09/2013, alegando em síntese que informou o valor do débito de IRPJ a maior na DCTF e que o equívoco já foi corrigido. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 11.650,19, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do Data de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10983.904015/201317 Resolução nº 1002000.032 S1C0T2 Fl. 159 3 DARF Arrecadação 31/03/2010 5993 R$ 60.455,59 30/04/2010 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 4668772142 R$ 60.455,59 DB: Cód. 5993 PA 31/03/2010 R$ 60.455,59 Valor Total R$ 60.455,59 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/08/2013 Principal: R$ 10.175,60 Multa: R$ 2.035,12 Juros: R$ 2.481,82 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A compensação pleiteada foi negada em virtude de o crédito estar vinculado ao débito do período segundo a DCTF apresentada pelo contribuinte. Após o despacho decisório de nãohomologação o contribuinte retificou a DCTF (fl. 25) reduzindo o valor do débito de IRPJ para R$ 48.805,30, portanto, tornando disponível para restituição parte do valor do DARF recolhido fls. 65/66. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove o valor correto do IRPJ, apenas retificou a DCTF. Por todo o acima exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade interposta, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte se limitou a reiterar os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e justificar a retificação da DCTF. Eis os argumentos de defesa nas palavras do contribuinte: Tratase de uma DCTF de março de 2010 que tinha sido entregue com o pagamento de R$ 60.455,49 de IRPJ, código 5993, período de apuração 03/2010, sendo que estava todo alocado ao débito, o que é improcedente, pois o valor do débito de fato é R$ Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10983.904015/201317 Resolução nº 1002000.032 S1C0T2 Fl. 160 4 48.805,30, conforme DCTF retificada em 05/09/2013 e conforme DIPJ apresentada no anocalendário 2010, assim o PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR de saldo a crédito a favor do contribuinte é de R$ 11.650,19, conforme PER/DCOMP que foi indeferida. Diante dos fatos aqui citados e por erro de preenchimento da DCTF pelo auxiliar contábil, a qual foi retificado e solucionado o problema, pedese que seja acatada a Per/Dcomp apresentada no período. O crédito de pagamento indevido a maior está aqui comprovado com as DCTF's, DIPJ, PER/DCOMP, BALANCETE contábil de 08/2010, LALUR na qual é comprovado com documentos contábeis fidedignos e que comprovam a veracidade do crédito tributário através da contabilidade como prova material para comprovar o crédito tributário. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 11.650,19. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10983.904015/201317 Resolução nº 1002000.032 S1C0T2 Fl. 161 5 (intimação em 01/06/2017, efls. 70/72, protocolo recursal em 30/06/2017, efls. 73/77 e encaminhamento da unidade preparadora efl. 155), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Diligência Pois bem. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem se, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. O contribuinte, por sua vez, retificou a DCTF, reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, crédito. Entretanto, sob o argumento de falta de comprovação do motivo da retificação, a DRJ não acolheu a tese de defesa, desconsiderando a retificação. No recurso voluntário, o contribuinte reforça a justificativa da retificação da DCTF e apresenta documentos (efls. 78/154), os quais dariam substância a retificação, justificandoa, o que daria ensejo a reforma da decisão de primeira instância. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10983.904015/201317 Resolução nº 1002000.032 S1C0T2 Fl. 162 6 Compulsando os autos, verifico que, juntamente com o recurso voluntário, o contribuinte efetivamente colacionou documentação apta a lastrear e justificar a retificação realizada na DCTF. Destarte, tais documentos e os demais elementos probatórios corroboram com a possibilidade de haver direito creditório em favor do contribuinte. De mais a mais, destaco a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Sendo assim, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência, a fim de diligenciar junto a unidade de origem (DRF) para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/03/2010, Código de Receita 5993, Data de Arrecadação 30/04/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 29079.57233.310111.1.3.040193. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002073/2006-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 20 73 /2 00 6- 34 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2002, anocalendário de 2001, por meio do qual foi identificada a alegada omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, retificado para R$ 64.423,50, de acordo com documento encaminhado pela fonte pagadora à Receita Federal do Brasil. O enquadramento legal encontrase às fls.49 e 52. Inconformado, o contribuinte, por intermédio de sua representante legal, apresentou impugnação alegando, em síntese, que o preenchimento da declaração do imposto de renda pessoa física foi feito de forma equivocada, considerando total de rendimentos auferidos no exercício anterior, e além disso sustenta que é portador de moléstia grave (esquizofrenia paranóide), comprovada através de laudo desde de abril de 2001, o que lhe permite isenção do imposto de renda pessoa física, nos termos da legislação tributaria. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda tendo em vista que a doença contida nos laudos, qual seja esquizofrenia paranóide, não se encontra elencada no rol das doenças passíveis de isenção previstas no inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Em sede de Recurso Voluntário, demonstra a representante do contribuinte as razões para que seja declarado o direito a isenção por moléstia grave. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito do direito a isenção por moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13706.002073/200634 Acórdão n.º 2001000.805 S2C0T1 Fl. 3 3 irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. Sustenta a DRJ que a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é literal (art. 111 do CTN). Portanto, deveria estar expressamente previsto no laudo a alienação mental do contribuinte. Com a devida vênia, discordo da DRJ . Entendo que a “alienação mental” para fins de isenção de Imposto de Renda pode abarcar estados de demência, psicoses esquizofrênicas, paranóia, parafrenia, oligofrenias, bem como outros quadros clínicos graves que interfiram na vida psicossocial e laboral do indivíduo. Sabemos que se deve interpretar “literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção” (art. 111, II, CTN). Entretanto, quando a norma isentiva carece de um conceito preciso e não possibilita, por si só, sua aplicação imediata, é necessário fazer o uso de interpretação, para dar algum sentido à letra da lei. Ao tratar de hipóteses de isenção de Imposto de Renda, a lei 7.713/88, em seu art. 6º, XIV1, prevê isenção fiscal aos proventos de aposentadoria ou reforma percebidos pelos portadores de alienação mental. A esse respeito, é pacificado no âmbito do STJ que “o rol contido no referido dispositivo legal é taxativo (numerus clausus), vale dizer,restringe a concessão de isenção às situações nele enumeradas” (REsp 1.116.620/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, 1ª seção, julgado em 9/8/10, DJe 25/8/10. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/08). Fl. 89DF CARF MF 4 O mesmo precedente aponta que “revelase interditada a interpretação das normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva, restando consolidado entendimento no sentido de ser incabível interpretação extensiva do aludido benefício à situação que não se enquadre no texto expresso da lei, em conformidade com o estatuído pelo art. 111, II, do CTN”. Em que pese o dever de homenagem à literalidade da matéria, não há como se identificar, com exatidão, o indivíduo acometido por “alienação mental”, conforme alude o dispositivo. Com maior clareza, verificase que, "segundo explicita a doutrina, a alienação mental não constitui, de fato, uma doença em seu sentido estrito, mas um estado cuja constatação depende, antes de tudo, de um diagnóstico médico específico e afirmativo, que primeiro reconheça a existência de uma moléstia e depois, principalmente, a sua conformação à hipótese legalmente estabelecida" (TRF 3ª região, Órgão Especial, MS 0013142 03.2010.4.03.0000, Rel. Desembargador Federal Carlos Muta, julgado em 14/3/12, eDJF3 Judicial 1 Data:20/3/12). Em tom elucidativo, a portaria 1.675/MPOG, de 6/10/06, pelo seu Manual para Serviços de Saúde dos Servidores Civis Federais, prescreve que “alienação Mental é um estado de dissolução dos processos mentais (psíquicos) de caráter transitório ou permanente (onde o volume de alterações mentais pode levar a uma conduta antisocial), representando risco para o portador ou para terceiros, impedindo o exercício das atividades laborativas e, em alguns casos, exigindo internação hospitalar até que possa retornar ao seio familiar. Em geral estão incluídos nesta definição os quadros psicóticos (moderados ou graves), como alguns tipos de esquizofrenia, transtornos delirantes e os quadros demenciais com evidente comprometimento da cognição (consciência, memória, orientação, concentração, formação e inteligência)”. Entendese que a alienação mental não será decorrência de qualquer doença psiquiátrica, tampouco expressa uma patologia específica, vez que reflete o estado de “alteração completa ou considerável da personalidade, comprometendo gravemente os juízos de valor e de realidade, bem como a capacidade de entendimento e de autodeterminação, tornando o indivíduo inválido total e permanentemente para qualquer trabalho (Portaria 797 MPOG, de 22/03/2010)” (TRF 3ª Região, Órgão Especial, MS 001314203.2010.4.03.0000, Rel. Desembargador Federal Carlos Muta, julgado em 14/3/12, eDJF3 Judicial 1 Data:20/3/12). Nessa linha, é possível identificar abertura da jurisprudência à caracterização da alienação mental a partir da constatação do Mal de Alzheimer: “Tendo o Tribunal de origem reconhecido a alienação mental da recorrida, que sofre do Mal de Alzheimer, impõese admitir seu direito à isenção do imposto de renda” (REsp 800.543/PE, Rel. Ministro Francisco Falcão, 1ª turma, julgado em 16/3/06, DJ 10/4/06, p. 154), já considerada a doença espécie do gênero “Alienação Mental” (TRF 3ª Região, Quarta Turma, Apelreex 000789625.2011.4.03.6100, Rel. Desembargadora Federal Mônica Nobre, julgado em 11/6/15, eDJF3 Judicial 1 Data:24/6/15). A Portaria Normativa 1174/MD, de 6/9/06, instituindo o Manual do Ministério da Defesa para Perícias e Auditorias Médicas no Distrito Federal, bem como da Portaria n. 1.675/MPOG, de 6/10/06, pelo seu Manual para os Serviços de Saúde dos Servidores Civis Federais, convergem ao exigir à caracterização da alienação mental: a) seja Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13706.002073/200634 Acórdão n.º 2001000.805 S2C0T1 Fl. 4 5 enfermidade mental ou neuromental; b) seja grave e persistente; c) seja refratária aos meios habituais de tratamento; d) provoque alteração completa ou considerável da personalidade; e) comprometa gravemente os juízos de valor e realidade, com destruição da autodeterminação e do pragmatismo; f) torne o paciente total e permanentemente inválido para qualquer trabalho; g) haja um eixo sintomático entre o quadro psíquico e a personalidade do paciente. Por conseguinte, concluem ser “necessariamente casos de alienação mental”: a) estados de demência (senil, présenil, arterioesclerótica, luética, coréica, doença de Alzheimer e outras formas bem definidas); b) psicoses esquizofrênicas nos estados crônicos; c) paranóia e a parafrenia nos estados crônicos; d) oligofrenias graves. O enquadramento do aposentado, reformado ou pensionista em um desses quadros clínicos, bem como em outros que possam se afigurar às características comentadas, pode indicar a satisfação do critério jurídico de “alienação mental” para fins de isenção de imposto de renda, o que recomenda a busca pela declaração do direito ao benefício, bem como à repetição do tributo já pago indevidamente, se for o caso, administrativamente e até via intervenção judicial, se necessária. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Fl. 91DF CARF MF 6 Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se nos fatos e argumentos acima expostos, entendo que deve ser exonerado o crédito tributário lançado pela autoridade fiscal, de forma proporcional, considerando a isenção a partir de abril de 2001. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar o contribuinte como portador de moléstia grave a partir de abril de 2001 e por conseqüência, reconhecer proporcionalmente a sua isenção para fins de imposto de renda. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902553/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/07/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.990
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/07/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/07/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 53 /2 01 2- 36 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.902553/201236 Acórdão n.º 3302005.990 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.747, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902553/201236 Acórdão n.º 3302005.990 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902553/201236 Acórdão n.º 3302005.990 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902553/201236 Acórdão n.º 3302005.990 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902553/201236 Acórdão n.º 3302005.990 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902553/201236 Acórdão n.º 3302005.990 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000087/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
AUTÔNOMO. TRABALHO NÃO ASSALARIADO. LIVRO-CAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIRO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DEDUÇÃO COMO DESPESA DE CUSTEIO. POSSIBILIDADE.
O contribuinte que obtém rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir no livro-caixa a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, cabendo à fiscalização justificar a glosa realizada.
Numero da decisão: 2401-005.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 AUTÔNOMO. TRABALHO NÃO ASSALARIADO. LIVRO-CAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIRO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DEDUÇÃO COMO DESPESA DE CUSTEIO. POSSIBILIDADE. O contribuinte que obtém rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir no livro-caixa a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, cabendo à fiscalização justificar a glosa realizada.
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente SERGIO BASSI GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 AUTÔNOMO. TRABALHO NÃO ASSALARIADO. LIVROCAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIRO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DEDUÇÃO COMO DESPESA DE CUSTEIO. POSSIBILIDADE. O contribuinte que obtém rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir no livrocaixa a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, cabendo à fiscalização justificar a glosa realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 00 87 /2 01 0- 00 Fl. 498DF CARF MF Processo nº 15504.000087/201000 Acórdão n.º 2401005.739 S2C4T1 Fl. 499 2 (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, julgou improcedente Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, anocalendário 2006, tendo sido apuradas as seguintes infrações: (1) Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa: Fato Gerador 31/12/2006 Glosa de R$ 341.210,50 Multa de 75%; e (2) Dedução Indevida de Despesas Médicas Fato Gerador 31/12/2006 Glosa R$ 1.961,84 Multa de 75%. O contribuinte apresentou impugnação parcial, considerada tempestiva, alegando, em síntese: a) As despesas lançadas no Livro Caixa como pagamento a terceiros autônomos, sem vínculo empregatício, no valor de R$ 336.181,00 caracterizamse como despesas de custeio necessárias à manutenção da receita e à manutenção da fonte produtora, logo passíveis de dedução (Lei 8.134, de 1990, art. 6°, III; IN SRF n° 15, de 2001, art. 51, III; Regulamento do Imposto de Renda RIR, art. 75, III; Perguntas e Respostas, item 400; Parecer Normativo CST nº 392, de 1972; e Ato Declaratório Normativo CST nº 16, de 1979). Como prova, junta contrato de prestação de serviços com a Prefeitura Municipal de Grão Mogol, contratos com os prestadores de serviço e comprovantes de rendimento pagos. b) Pede a declaração de nulidade do lançamento das despesas relativas ao pagamento de terceiros sem vínculo empregatício. Do Acórdão prolatado pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, em síntese, se extrai: a) Pagamentos realizados com terceiros, mesmo sem vínculo empregatício, podem ser dedutíveis a título de Livro Caixa da base de cálculo do imposto de renda. Porém, para fazer jus a tal dedução, o contribuinte deve demonstrar que se trata de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo indispensável que fique demonstrada a relação entre as despesas e a atividade profissional do notificado (Bacharel em Ciências Contábeis). Fl. 499DF CARF MF Processo nº 15504.000087/201000 Acórdão n.º 2401005.739 S2C4T1 Fl. 500 3 b) Às fls. 16/34, constam Contratos de Prestação de Serviços mantido com Prefeituras de vários Municípios para serviços especializados de auditoria e consultoria contábilfinanceira e administrativa, revisão e elaboração de plano de cargos e salários e estatutos dos servidores, bem como representar o município junto a órgãos públicos, em especial o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Alguns desses contratos com prazo de 12 meses de vigência, podendo serem prorrogados por mais 60 meses, foram lavrados antes de 2006, não constando os referidos aditivos, além do que os serviços realizados, na sua maioria, estão afetos a profissionais da área de administração de empresas, economia, direito e engenharia, diversos da atividade contábil do notificado. Constam nos Contratos de Prestação de Serviços, fls. 35/76, que o contratado se obriga a prestar ao contratante serviços administrativos na área financeira e administrativa, nos serviços desempenhados junto a clientes do contratante ou a quem o mesmo indicar. Logo, os serviços prestados pelos autônomos citados podem estar ou não relacionados com os serviços vinculados aos contratos com os municípios contratantes já mencionados. Não consta dos autos recibos mensais de autônomos RPA, necessários à análise correta dos efetivos pagamentos aos profissionais autônomos, apenas comprovante de rendimentos pagos anualmente, não hábil à análise de Livro Caixa. Dos autos consta RPA mensal (fls. 53/60) apenas do profissional autônomo Cláudio José Pacífico Homem, sendo que o mesmo no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil consta como tendo vínculo empregatício com Sérgio Bassi Consultoria Associados Ltda, cujo sócio administrador é o Sr. Sergio Bassi Gomes, ora impugnante. Dos prestadores de serviços relacionados (fls. 35/81), constam também como tendo vínculo empregatício com a citada empresa os profissionais Raimundo Francisco dos Reis (fls.36/37) e Paulo Giovanni Giarola (fls. 38/39). A empresa Sérgio Bassi Consultoria Associados Ltda (CNPJ 00.430.093/000194) está sediada à Avenida Raja Gabaglia nº 4859, conjunto 311, Bairro Santa Lúcia, Belo Horizonte, onde funciona o escritório da pessoa física contribuinte individual Sr. Sergio Bassi Gomes, conforme consta dos contratos de prestação de serviços firmados entre este profissional liberal (contratante) e os prestadores de serviços (fls. 35/81). O contribuinte não trouxe, nessa fase impugnatória, o Livro Caixa devidamente escriturado, acompanhado da documentação exigida, em conformidade com a legislação anteriormente especificada. Assim, resta não comprovada a dedução de despesas de Livro Caixa, nos termos acima expostos, no montante de R$336.181,00, Cientificado em 22/05/2012, o contribuinte interpôs em 13/06/2012 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestividade. Intimado em 22/05/2012, requer o recebimento do recurso voluntário. b) O Acórdão tomou a exemplificação do Perguntas e Respostas como taxativa, terminando por negar o constante da resposta. Dispensável a observação de dois autônomos serem também empregados de empresa do recorrente. Na verdade, são sócios minoritários da empresa controlada pelo recorrente. Tais circunstâncias não os desqualificam Fl. 500DF CARF MF Processo nº 15504.000087/201000 Acórdão n.º 2401005.739 S2C4T1 Fl. 501 4 como autônomos, tendo os mesmos oferecido à tributação tais rendimentos, conforme comprovantes. c) O Recorrente é especialista na organização de concursos e licitações públicas em geral, prestação de contas públicas, planos de cargos e salários, Estatuto de Servidores Públicos e presta serviços nessa área a diversos municípios. Os contratos prevêem a terceirização de parte do objeto, serviços auxiliares ou complementares. Para tanto, contratou profissionais especializados, terceirizando parte do objeto contratado, como levantamento dos funcionários públicos, coleta de dados, cálculos, planilhamento, sistematização, levantamentos econômicos no setor público etc. Dado o volume, o Recorrente não tem como executálos pessoalmente, necessitando auxilio especializado para tanto. Inegável tratarse de pagamentos necessários à percepção dos rendimentos, sem o que a execução dos trabalhos contratados seria impossível, não se tratando de deleite ou assuntos pessoais (Lei 8.134, de 1990, art. 6º, III; RIR, art. 75, III; PArecer Normativo Cosit nº 392, de 1970; Ato Declaratório Cosit nº 16, de 1979; e Perguntas e Respostas nº 400 do site da Receita). d) A atuação vinculada não autoriza a aplicação de convicções pessoais, subjetivismos ou preferências dos agentes fiscalizadores/julgadores, nem tampouco de arbítrio. Não se pode exigir tributo por analogia ou interpretação extensiva (CTN, art. 108, §1º). A aplicação e interpretação das regras jurídicas não pode ofender ao princípio da oficialidade e nem conduzir ao absurdo ao ponto de se glosar despesas reais e necessárias à percepção dos rendimentos, apenas por não se ter vínculo empregatício, quando o fisco em suas instruções via site assim faculta. Ao aplicar as normas, o julgador não pode desprezar as condições e situações ensejadoras do pleito, sob o risco de iniquidade. Não há justificativa plausível para imposição tão severa e desproporcional, absurda, confiscatória e atentória ao exercício das funções sociais do empreendedor privado. e) Pede a reforma do Acórdão de piso para se declarar insubsistente/improcedente a exigência e, subsidiariamente, o cancelamento ou redução das multas e penalidades, por se tratar de um imperativo de justiça. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Considerandose a intimação em 22/05/2012 e a interposição em 13/06/2012, o recurso voluntário é tempestivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33). A confrontação entre a impugnação e as razões do recurso voluntário revela inovação ao se pedir subsidiariamente o cancelamento ou redução das multas e penalidades sob o fundamento de ser um imperativo de justiça. A impugnação instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa e a competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II), logo não Fl. 501DF CARF MF Processo nº 15504.000087/201000 Acórdão n.º 2401005.739 S2C4T1 Fl. 502 5 há como se conhecer de recurso que pretenda a apreciação pedido e causa de pedir não mencionados na impugnação e não submetidos à primeira instância administrativa. Assim, operouse a preclusão consumativa e a apreciação por esse Conselho da matéria não deliberada pela Delegacia de Julgamento ensejaria ofensa aos dispositivos legais citados em evidente supressão de instância1 e violação do princípio da congruência2. Logo, conheço em parte do recurso voluntário, deixando de apreciar o pedido subsidiário. De fato, em face do lançamento efetuado, é irrelevante a circunstância de parte dos contratados pelo recorrente ser empregado ou sócio de empresa controlada pelo contribuinte, bem como terem ou não oferecido os rendimentos à tributação. Discordando do entendimento veiculado no Acórdão de piso, o recorrente sustenta que, com lastro nos contratos firmados com seus contratantes, terceirizava parte dos serviços contratados para trabalhadores autônomos; seriam serviços auxiliares ou complementares. Logo, no seu entender, incorreria em despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III). Em razão desse enquadramento, o contribuinte invoca o Perguntas e Respostas, item 400; o Parecer Normativo CST nº 392, de 1972; e o Ato Declaratório Normativo CST nº 16, de 1979. A leitura dos contratos constantes dos autos revela que os trabalhadores autônomos prestaram serviços inerentes ao objeto dos contratos firmados com os clientes do recorrente. Logo, não estamos diante de despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III; e Perguntas e Respostas 2007, 3863), mas de pagamento pelo exercício da própria atividade geradora de receita, hipótese em que só se admite a dedução da remuneração paga para empregado (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, I). A legislação do imposto de renda não impede que o contribuinte contrate terceiro autônomo para o auxiliar no exercício da própria atividade geradora de receita (atividadefim). Se o fizer, não o toma por empresa (Parecer Normativo Cosit nº 392, de 1970). Mas, se o fizer, os pagamentos não poderão ser deduzidos a título de livrocaixa. Se contratar para atividademeio, poderá deduzir (Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979). O entendimento veiculado no Perguntas e Resposta constante do site da Receita Federal, a partir das normas invocadas pelo contribuinte, não ampara a leitura efetuada pela defesa, mas a aqui explicitada, como podemos verificar: Perguntas e Respostas Exercício 2007 PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS 398 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? 1 Lei n° 5.869, de 1973, art. 515; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013. 2 Lei n° 5.869, de 1973, arts. 128, 183, 294 e 460; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15, 141, 223, 329 e 492. 3 Deduções Livro Caixa. DESPESAS DE CUSTEIO 386 — O que se considera e qual o limite mensal da despesa de custeio passível de dedução no livro Caixa? Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 15504.000087/201000 Acórdão n.º 2401005.739 S2C4T1 Fl. 503 6 Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, I e III; RIR/1999, art. 75, I e III; PN Cosit nº 392, de 1970; ADN Cosit nº 16, de 1979) Portanto, para não se negar validade ao inciso I e nem ao inciso III, ambos do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, impõese a adoção de interpretação literal/declarativa no sentido de que pode ser deduzida a remuneração paga ao terceiro autônomo tão somente quando restar caracterizada despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, ou seja, despesas como remuneração de contabilista autônomo pela escrituração do livrocaixa do contribuinte, aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Logo, a remuneração de terceiro por atividade inerente ao trabalho do próprio contribuinte (prestações de serviços integrantes do objeto contratual devido pelo contribuinte a seus clientes) não se constitui em despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo dedutível apenas se a remuneração for devida para empregado. O entendimento em tela não se apresenta subjetivo, absurdo, desproporcional, iníquo, severo, confiscatório, ofensivo à vedação da exigência de tributo por analogia ou interpretação extensiva ou ao princípio da oficialidade etc. Isso porque, simplesmente se interpretou a legislação nos estritos limites do art. 111 da Lei n° 5.172, de 1966. Isso posto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu voto, na parte em que manteve a glosa de despesas escrituradas em livrocaixa referentes a pagamentos a terceiros (autônomos). De início, uma breve síntese dos pontos mais relevantes. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento, às fls. 15, a fiscalização identificou pagamentos a autônomos dentre as despesas de livrocaixa, porém tais valores foram glosados por falta de previsão legal, tendo em vista que só é dedutível a remuneração paga a terceiros quando existente vínculo empregatício (art. 6º, inc. I, da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990). Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15504.000087/201000 Acórdão n.º 2401005.739 S2C4T1 Fl. 504 7 Diferentemente da autoridade fiscal, o acórdão de primeira instância, ora recorrido, admitiu que os pagamentos realizados com terceiros, mesmo sem vínculo empregatício, podem ser dedutíveis a título de livrocaixa da base de cálculo do imposto de renda. Porém, considerou não comprovadas as despesas, por falta de documentação (fls. 123/130). Na fase recursal, o recorrente juntou aos autos cópias de folhas do livrocaixa, de contratos e recibos de pagamento (fls. 152/458). O voto do I. Relator, Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, posicionouse no sentido de que os pagamentos a terceiros se efetivaram por atividades inerentes ao trabalho do próprio contribuinte, ou seja, prestações integrantes do objeto contratual pactuado com os clientes do profissional autônomo, não se constituindo em despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo dedutível apenas quando há vínculo de emprego. Pois bem. Em primeiro lugar, o fundamento da autuação fiscal é bastante frágil, levando em consideração a legislação de regência. Aparentemente, para o agente lançador é irrelevante o tipo de serviço prestado pelos terceiros, já que a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física em relação a pagamento de remuneração a prestador de serviço exige o indispensável vínculo empregatício (fls. 13/15). Além de equivocada, tal interpretação da legislação tributária é contrária à própria orientação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, segundo a publicação "Perguntas e Respostas" disponível no sítio da Internet, a qual afirma que podem ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (art. 6º, inc. III, da Lei nº 8.134, de 1990). Em segundo lugar, observo que o I. Relator, Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, desenvolveu o raciocínio de fazer a distinção entre atividademeio e atividadefim na contratação de terceiros, para fins de produção de efeitos tributários. Dado que, no caso dos autos, a contratação de terceiro autônomo se deu com a finalidade de auxiliar o exercício da própria atividadefim geradora de receita, a consequência é a indedutibilidade da despesa nos rendimentos decorrentes do exercício da respectiva atividade do contribuinte. Contudo, novamente não me parece uma solução apropriada, ainda mais para dar respaldo à glosa das despesas com remuneração de terceiros nos moldes em que realizada pela fiscalização. Segundo consta, o recorrente é profissional liberal, com formação em contabilidade, especialista em atividades ligadas ao serviço público (fls. 87/93 e 141/148). Como sabido, a tributação como rendimentos do imposto de renda na pessoa física pressupõe o exercício individual da profissão, mesmo que com auxiliares. Cuidase de prestação de serviços. Por outro lado, se a exploração da atividade é colegiada, mediante a participação habitual de outros profissionais, haverá uma venda de serviços, independentemente de vínculo empregatício ou não. Nessa situação, fica configurada a condição de empresa individual equiparada à pessoa jurídica, nos termos do art. 150, inciso II, c/c § 1º, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15504.000087/201000 Acórdão n.º 2401005.739 S2C4T1 Fl. 505 8 Além do mais, quando da equiparação à pessoa jurídica, é permitida a dedução de despesas operacionais, tais com serviços prestados por terceiros, desde que necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (art. 299 do RIR/99). Ora, se evidenciada a habitualidade de outras pessoas físicas na prestação de serviços integrantes do objeto contratual devido pelo contribuinte a seus clientes, como expõe o I. Relator, estão presentes, a priori, os requisitos da legislação do imposto de renda para a equiparação à pessoa jurídica. Nesse cenário potencial, caberia à autoridade fiscal, e não à instância julgadora, avaliar as condições do exercício da atividade pelo contribuinte, mediante o aprofundamento da investigação dos fatos, para, caso fosse a hipótese, providenciar a constituição do crédito tributário com base nas normas de tributação específica da pessoa jurídica. Acrescento, ainda, que a documentação carreada aos autos aponta para um vasto campo de atividades desenvolvidas pelo recorrente junto aos municípios contratantes de seus serviços profissionais, desde a participação na organização da estrutura administrativa e de pessoal até a consultoria contábil e financeira (fls. 16/81 e 152/458). Tal circunstância reforça a necessidade de um trabalho fiscal mais bemfeito antes do lançamento, de maneira a identificar a real situação do exercício da atividade do recorrente no respectivo anocalendário de 2006. Inclusive, a princípio, não é possível descartar que as contratações de terceiros, sem vínculo empregatício, para coleta de dados, digitação, serviços na área de informática e serviços advocatícios, conforme alguns recibos apresentados, se enquadrem em despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (fls. 164/179, 260/264, 304/311 e 346/358). Em suma, tendo em conta a fundamentação da autoridade lançadora, que justificou a glosa das despesas com remuneração paga a terceiros pelo só fato da inexistência do vínculo empregatício, sem nenhum comentário adicional, cabe declarar a improcedência da autuação fiscal. Registro, por fim, que a decisão no contencioso administrativo fiscal não deve extrapolar a fundamentação da glosa das despesas escrituradas em livrocaixa, sob pena de caracterizar inovação da motivação do lançamento, invadindo a função da autoridade lançadora. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer as despesas escrituradas em livrocaixa referentes a pagamentos a terceiros (autônomos), no valor de R$ 336.181,00. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902724/2008-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF - período de apuração 30/11/2002 - fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 30/11/2002 fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0629.302, de 19 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 02 72 4/ 20 08 -1 2 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.902724/200812 Resolução nº 1003000.034 S1C0T3 Fl. 3 2 Aos 13/06/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 01), rastreamento n° 763941993, emitido em 20/05/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 02789.67017.260404.1.3.041204. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte defendeu que apurou prejuízo no valor de R$ 29.924,44 no exercício de 2002. Conforme DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos. A DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem Compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ RECOLHIDA COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. O valor da estimativa mensal de IRPJ corretamente recolhido com base na receita bruta e acréscimos não constitui pagamento indevido ou a maior passível de ser utilizado como direito creditório em declaração de compensação, cabendo à contribuinte aproveitálo mediante dedução do imposto devido na apuração anual dos resultados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que a empresa, no exercício de 2002, optou pela forma de tributação Lucro Real por estimativas, tendo recolhido mensalmente IRPJ e CSLL; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.902724/200812 Resolução nº 1003000.034 S1C0T3 Fl. 4 3 (ii) que, ao encerrar o balanço patrimonial contábil de 2002, constatou prejuízo no valor de R$ 29.924,44; (iii) que, de conformidade com a DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos; (iv) que, durante o exercício de 2004, fez diversos pedidos de restituições através de PER/DCOMP e as respectivas Declarações de Compensação. Por fim, requereu nova análise de todos as suas declarações de compensação, oriundo de pagamentos indevidos durante o exercício de 2002. É o Relatório VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Pelos fatos e provas acostados ao processo, verificase que a Recorrente pleiteia a declaração de compensação em razão de pagamento indevido ou a maior. No entendimento da mesma, por ter apurado prejuízo no ano de 2002, os recolhimentos realizados por estimativas são pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL. A IN 210/2002, vigente na época da transmissão do PER/DCOMP, determina, em seu art. 6º, que os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição. Conforme a DIPJ 2003 acostada ao processo, o valor preiteado como pagamento a maior ou indevido DARF de novembro de 2002 (fls. 08) foi computado para gerar o saldo negativo do período (vide fls. 61). Ocorre, porém, que, até 25/10/2004, a Instrução Normativa que disciplinava a restituição e compensação era a de nº 210/2002. Essa IN não estabelecia qualquer vedação com relação a utilização de crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ para compensação de débitos próprios. A IN nº 210/2002 foi revogada pela IN nº 460/2004 (publicada em 26/10/2004). A declaração de compensação ora em análise foi transmitida em 26/04/2004, anterior, portanto, a alteração normativa que proibiu a possibilidade de utilização das estimativas mensais. Ocorre que, como o valor pago na estimativa mensal de novembro de 2002 foi utilizado na apuração do saldo negativo, imprescindível verificar se o saldo negativo apurado no exercício de 2002 foi utilizado. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.902724/200812 Resolução nº 1003000.034 S1C0T3 Fl. 5 4 Isto posto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem para informar se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 30/11/2002 fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação. . (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694654/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL.
A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de CSLL ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais.
Numero da decisão: 1302-003.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.694658/2009-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de CSLL ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.694658/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 46 54 /2 00 9- 22 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.694654/200922 Acórdão n.º 1302003.172 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão DRJ São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para fazer jus a qualquer direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRF não homologou Declaração de Compensação (DCOMP), que indicava pagamento indevido ou a maior de CSLL. Concluiuse que, o referido crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente e que não teria restado crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP em questão. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade tempestivamente, em que sustentou que ao entregar a DCTF relativa ao 1o. trimestre de 2003, verificou que teria havido pagamento a maior de CSLL. Para evidenciar seu crédito, a Recorrente informa que retificou a referida DCTF. Todavia, a retificadora não teria produzido efeitos pelo fato de ter sido efetuada após Despacho Decisório. Essa situação teria levado à conclusão de que não haveria créditos a serem compensados. Juntou à Manifestação de Inconformidade a DCTF em questão, com as alterações realizadas e o DARF referente à compensação, a fim de demonstrar a existência de crédito a seu favor. Cientificada da decisão da DRJ, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, cujas razões são a seguir destacadas: a) houve erro no preenchimento da DCTF 1o. Trimestre 2003 e esqueceuse de indicar no campo devido da respectiva DIPJ, o Ano Calendário 2003; b) a omissão nada teria prejudicado o fato de que o prejuízo fiscal teria ocorrido no Ano Calendário 2003, tanto que a respectiva DIPJ teria sido homologada tacitamente; c) o pagamento mensal por estimativa da CSLL, referente a janeiro de 2013, num período em que houve prejuízo fiscal, representa Saldo Negativo da CSLL 2003, razão pela qual a Recorrente formalizou a devida compensação; d) a DIPJ, Ano Calendário 2003, devidamente homologada, apurou prejuízo fiscal, razão pela qual não foi apontado CSLL a pagar; e) a CSLL estimada mensal, indevidamente recolhida, poderá ser compensada a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, assegurada a alternativa de requerer a restituição, conforme disposto no Ato Declaratório SRF n. 3, de 7 de janeiro de 2000, que dispõe sobre a Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.694654/200922 Acórdão n.º 1302003.172 S1C3T2 Fl. 4 3 restituição e compensação do saldo negativo do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real apurado anualmente; f) para as pessoas jurídicas que optarem pelo balanço anual, sendo este o caso da Recorrente, o fato gerador do imposto de renda e da CSLL ocorre em 31 de dezembro de cada ano, data da apuração do lucro real; g) o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, sendo incontroverso o prejuízo fiscal, o qual denota a existência do crédito em discussão; h) o fato de a Recorrente não ter incluído o recolhimento estimado na DIPJ do respectivo período, não tem o condão de considerar indevida a compensação, diante do incontroverso prejuízo fiscal; i) homologada tacitamente a DIPJ que apurou prejuízo fiscal, houve a inversão do ônus da prova, sendo certo que não houve qualquer prova material capaz de indeferir a compensação; j) devese considerar a base negativa de 2003, dando ensejo ao crédito, referente à CSLL estimada mensal, recolhido em janeiro de 2003, objeto do PER/DCOMP; k) requereu o conhecimento e o provimento do recurso voluntário, sendo apreciado toda a matéria, tendo em vista os ditames dos artigos 53 e 65 da Lei 9.784/994, bem como Súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal, para que homologue o PER/DCOMP transmitido; l) requereu que as intimações fossem realizadas em nome do Dr. Rodrigo Franco Montoro, inscrito na OAB/SP n. 147.575 e Dr. Faissal Yunes Júnior, inscrito sob o n° 129.312, ambos com escritório na Rua Pedroso Alvarenga, 1046, 17° andar, CEP 04531004, Itaim Bibi, São Paulo SP, tel. (011)21916699. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.171, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.694658/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.171): "Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua tempestividade e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. O Acórdão recorrido destaca as seguintes razões: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.694654/200922 Acórdão n.º 1302003.172 S1C3T2 Fl. 5 4 O DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, no valor de R$38.903,12, corresponde exatamente ao débito de IRPJ relativo à estimativa do mês de janeiro de 2003, confessado na última DCTF entregue antes de ser proferido o Despacho Decisório (fl. 62), inexistindo, a princípio, pagamento indevido de IRPJ. Destaquese que a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN SRF n° 126/98 constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5o, § 1o, do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". Cumpre observar que a DCTF retificadora que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições entregue após o início de qualquer procedimento fiscal, como no presente caso (a DCTF retificadora, fls. 11/44, foi entregue em 30/11/2009, após a ciência do Despacho Decisório), não produz efeitos, nos termos do artigo 9o, § 2o, inciso II, da IN RFB n° 974/2009 (vigente à época da apresentação da DCTF retificadora), in verbis: "Art. 9o. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 2o A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: II. alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte nem sequer esclarece porque o pagamento no valor de R$ 38.903,12, confessado originalmente em DCTF, seria indevido. Ademais, a DCTF retificadora (na qual foi excluído o débito de IRPJ), assim como a DIPJ/2004 (na qual as estimativas encontramse zeradas), além de entregues após a ciência do Despacho Decisório (a DCTF Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.694654/200922 Acórdão n.º 1302003.172 S1C3T2 Fl. 6 5 retificadora em 30/11/2009, e a DIPJ em 29/12/2009), deveriam estar acompanhadas de documentos que dessem respaldo às alterações efetivadas na DCTF. Tratandose de pagamento mensal de estimativa, a regra é a apuração do tributo tomandose como base de cálculo a aplicação de um percentual sobre a receita bruta auferida mensalmente. A contribuinte teria a opção de reduzir ou suspender o pagamento mensal, mas desde que subsidiado no correspondente balanço ou balancete. Mas a contribuinte nada apresenta. Observese que em processos de restituição / compensação o ônus da prova do direito creditório alegado recai sobre o contribuinte, e que nos termos do §4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade. Em resumo, a simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF que. conforme supra mencionado, presumese líquido e certo e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior de IRPJ. À vista das razões da Recorrente e da DRJ, verificase que a DCOMP de 11/09/2006 indica como crédito o DARF de R$38.903,12 (fl. 47). Com o objetivo de fundamentar suas alegações quanto ao referido direito creditório por pagamento indevido ou a maior, a Recorrente juntou à Impugnação a DIPJ de 29/12/2009 (fl. 87); LALUR, fl. 149; DRE, fl. 169; e Balanço Patrimonial, fl. 170, por meio dos quais pretende evidenciar que o pagamento seria indevido, face à apuração de prejuízo fiscal (ano calendário 2003). A Recorrente salienta que o valor pago indevidamente ou a maior decorre do fato de que no período em questão apurou prejuízo. Verificase, ainda, que não obstante as razões da DRJ de que a Recorrente deveria ter apresentado balancetes de suspensão ou redução para demonstrar o pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ, a Recorrente apurou pagamento indevido ou a maior no final do exercício e utilizou o respectivo valor, em sequência, na forma da DCOMP em questão. Dessa forma, resta comprovado a existência de saldo negativo em favor da Recorrente, da qual faz parte a referida estimativa recolhida, sendo assim o caso de reconhecer o crédito sob a forma de saldo negativo de IRPJ (parcial). Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.694654/200922 Acórdão n.º 1302003.172 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do direito creditório reconhecido como saldo negativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900014/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de intimação realizada através de abertura de mensagem registrada na caixa postal do Domicílio Tributário Eletrônico do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3402-005.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra- Presidente
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de intimação realizada através de abertura de mensagem registrada na caixa postal do Domicílio Tributário Eletrônico do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra- Presidente (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
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MULTA DE MORA Recorrente FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de intimação realizada através de abertura de mensagem registrada na caixa postal do Domicílio Tributário Eletrônico do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 14 /2 00 8- 10 Fl. 492DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que tem por objeto a análise de Pedido de Compensação realizado através da PER/DCOMP nº 34219.56096.061103.1.3.049982, transmitida em data de 06/11/2003, pela qual a contribuinte FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL – PETROS, inicialmente pretendia utilizar crédito originado de pagamento indevido de COFINS (Código de Receita 7987) realizado em 15/08/2002, para compensar com débito de COFINS (Código da Receita 79871), referente ao período de apuração de abril e maio de 2002, com os seguintes valores: Valor Original do Crédito Inicial: 101.367,22 Crédito Original na Data da Transmissão: 101.367,22 Selic Acumulada: 25,76 Crédito Atualizado: 127.479,42 Total dos Débitos desta DCOMP: 97.077,36 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 77.192,56 Saldo do Crédito Original: 24.174,66 Período de Apuração: 31/07/2002 Código da Receita: 7987 Data de Vencimento: 15/08/2002 Data de Arrecadação: 15/08/2002 Valor do Principal: 174.478,44 Valor da Multa: 0,00 Valor dos Juros: 0,00 Valor Total do DARF: 174,478,44 Conforme Despacho Decisório proferido pela DEINF/Rio de Janeiro (fls. 7), o pedido de compensação não foi homologado, uma vez que o crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensar com os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada da decisão em data de 27/02/2008, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em data de 28/03/2008 (fls. 05 a 68), arguindo que os créditos não foram integralmente utilizados para quitação de débitos anteriores, sendo que a compensação fora efetuada sem que tivesse realizada a devida retificação da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do 3º Trimestre de 2002, relativa ao Fl. 493DF CARF MF Processo nº 15374.900014/200810 Acórdão n.º 3402005.601 S3C4T2 Fl. 493 3 crédito original da PER/DCOMP, o que foi regularizado através de retificação para comprovar a existência de crédito para compensação dos respectivos débitos. Inicialmente, constatando informações divergentes registradas nos sistemas de informações da RFB, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro proferiu decisão de fls. 9496, pela qual propôs o encaminhamento do processo à Diort/Deinf/RJO, para as seguintes providências: Intimar a Contribuinte a comprovar a existência do crédito objeto da presente lide, apresentando, para isso, o demonstrativo de apuração do PIS e da Cofins referentes ao meses relacionados, acompanhado da documentação contábil (cópia autenticada) que ratifique as informações nele fornecidas; Atendida a intimação citada no subitem anterior, com base na documentação apresentada pela Contribuinte, informar: Qual é o valor devido do PIS e da Cofins para os meses em referência; Se o valor recolhido por meio dos Darf informados nos PER/DCOMP é maior que o devido; No caso de o valor recolhido ser maior que o devido, qual seria o valor do crédito da Contribuinte, e se esse seria suficiente para quitar o débito declarado nos PER/DCOMP; No caso do crédito não ser suficiente para quitar o débito informado, qual seria o saldo devedor do débito; e Dar ciência à Interessada do resultado da diligência solicitada, podendo esta, no prazo de 30 (trinta) dias contado da data da ciência, apresentar aditamento à manifestação de inconformidade, em relação a fatos novos que venham a ocorrer em decorrência da diligência solicitada. A contribuinte foi intimada através do Termo de Intimação nº 064/2009, para apresentar o demonstrativo de apuração da COFINS e do PIS referente aos meses relacionados às fls. 9798, acompanhado da documentação contábil que ratifique as informações nele contidas, bem como apresentar quaisquer outros esclarecimentos/documentos que entender necessário para comprovar a existência do crédito objeto da lide. Às fls. 100218 a Recorrente atendeu ao Termo de Intimação, encaminhando demonstrativo de apuração do PIS/COFINS e balancetes que compreende o respectivo período, bem como acórdão transitado em julgado, proferido pela 3ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região que reconheceu o direito da Impugnante de recolher o PIS e a COFINS apenas sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, bem como o direito à compensação dos valores pagos indevidamente a partir de 08/02/2002. Foi requerido o cancelamento do PIS exigido no despacho decisório recorrido, uma vez calculado sobre receitas outras que não decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O resultado da diligência foi consignado na decisão recorrida nos seguintes termos: O resultado da diligência consta do despacho de folhas 392 a 399. Transcrevo a seguir as respostas aos quesitos formulados na diligência: Qual valor devido da contribuição? Fl. 494DF CARF MF 4 O valor devido da COFINS, código 7987, para o período de Julho de 2002, vencimento de 15 de agosto de 2002, corresponde a R$ 73.141,97, conforme demonstrado no quadro elaborado às fls. 307 deste processo e discriminado em DCTF rctifícadora (íls. 293). O valor recolhido por meio do Darf informado no PER/DCOMP é maior que o devido? O valor recolhido em 15 de agosto de 2002, no montante de R$ 174.478,44 (fls. 282), é maior que o tributo COFINS, período de Julho de 2002, com vencimento em 15 de agosto de 2002, correspondente a R$ 73.141,97, demonstrado no quadro elaborado às fls. 307. No caso de o valor recolhido ser maior que o devido, qual seria o valor do crédito da Contribuinte? Esse crédito é suficiente para quitar o débito declarado no PER/DCOMP? Com o propósito de atender à indagação acima, foi providenciada a utilização dos dados básicos em aplicativo interno da RFB (fls. 308/310 vide também fls. 287), considerando o débito devido em 15 de agosto de 2002, no valor de R$ 73.141,97 e o crédito de R$ 174.478,44, recolhido em 15 de agosto de 2002 (fls. 282), resultando na apuração de saldo remanescente de RS 101.336,47 (fls. 287 e 309). Referido valor é suficiente para quitar os débitos declarados no PER/DCOMP (fls. 296/300), conforme Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 309). No caso do crédito não ser suficiente para quitar o débito informado, qual seria o saldo devedor do débito. De acordo com o Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 309) a hipótese levantada pela DRJ/RJ1I não se aplica ao presente caso, havendo, inclusive, ao final, apuração de saldo remanescente no valor de R$ 12.214,87 (fls. 310). Cientificada, a interessada apresentou a petição de folhas 407 a 418, na qual manifesta sua discordância quanto ao resultado apurado. Alega que, diferentemente do apurado, o crédito é suficiente para quitar o débito declarado na Dcomp. 7. Com efeito, a origem do crédito é evidente, uma vez que ao se examinar a DCTF retificadora, às fls. 296/300, identificase como devido para o período de apuração de julho de 2002, com vencimento em 15/08/2002, o valor de RS 73.141,97 (setenta e três mil. cento e quarenta e um reais e noventa e sete centavos) a título de CQFINS e, no entanto, o valor efetivamente recolhido para este período foi de R$ 174.478,44 (cento e setenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e oito reais e quarenta e quatro centavos), conforme se verifica através da fl. 282 dos autos, apurandose inquestionável crédito de R$ 101.336,47 (cento e um mil, trezentos e trinta e seis reais e quarenta e sete centavos). 12. In casu, a Requerente mostrou as corretas informações fiscais pela DCTF retificadora, fundamentada nas informações de seus Livros Contábeis e Fiscais, devendo as mesmas serem levadas em consideração no julgamento da Manifestação de Inconformidade. 13. Portanto, ainda que a Requerente tenha cometido erro ao prestar suas informações iniciais, tal vício não desnatura o seu direito ao crédito, uma vez que o princípio da verdade material obriga a Autoridade Fiscal a agir com diligência na apuração dos fatos durante a fiscalização. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 15374.900014/200810 Acórdão n.º 3402005.601 S3C4T2 Fl. 494 5 Com isso, a 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ) julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS no montante de R$ 101.336,47 (cento e um mil, trezentos e trinta e seis reais e quarenta e sete centavos), o que resultou na homologação das compensações declaradas, mantendo o débito remanescente vencido em data de 15/08/2002, no valor de R$ 12.214,87 (doze mil, duzentos e quatorze reais e oitenta e sete centavos). O Acórdão sob o nº 1277.196 (fls. 460464) foi proferido por unanimidade nos termos do voto do Relator com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA Incide multa de mora na compensação efetuada após o vencimento do débito compensado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 479 a 487 em data de 10/05/2017, alegando, em síntese, que: Que o artigo 28 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002 e artigo 61 da Lei nº 9.430/96 condicionam o acréscimo de juros e multa de mora ao pagamento em atraso, o que, no presente caso, foi devidamente contabilizado pela Recorrente, a título de juros, conforme se vê na PER/DCOMP de fls 367/371; Que o valor atinente à multa consta zerado tendo em vista se tratar de uma denúncia espontânea: in cau, tratase de um fato gerador de abril de 2002, com data de vencimento em 15/05/2003, e com relação ao qual não havia qualquer procedimento de fiscalização até a apresentação da PER/DCOMP em voga, em 06/11/2003. Aplicase o artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional; Embora a recorrente estivesse em mora no que tange ao pagamento do tributo em questão, tendo feito denúncia espontânea à Receita Federal, não caberia a cobrança de multa moratória prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. Para fundamentar a tese de defesa, foi invocado acórdão proferido em rito de recursos repetitivos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1149022/SP, bem como o acórdão nº 9900000.915, proferido pela CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, além de Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, objeto do Ato declaratório PGFN nº 4/2011. Fl. 496DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade O Decreto nº 70.235/72 assim prevê quanto ao prazo para interposição de recurso administrativo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 2° Considerase feita a intimação: III se por meio eletrônico: b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Por sua vez, a Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, com alterações pela Portaria RFB nº 574/2009, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal e prevê a intimação por meio eletrônico através do envio ao domicílio tributário do sujeito passivo (artigo 4º, inciso I), considerando a Fl. 497DF CARF MF Processo nº 15374.900014/200810 Acórdão n.º 3402005.601 S3C4T2 Fl. 495 7 intimação efetivamente realizada na data do comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo (artigo 6º, inciso I). Compulsando os autos, verificase às fls. 469 que a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro foi registrada para intimação da contribuinte em data de 07/04/2018, às 15:28:57. Ainda no dia 07/04/2018 (sextafeira), às 16:27:02., o comunicado foi acessado pela contribuinte no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e CAC), como se constata às fls. 470, através do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM. Ao que pese a contribuinte alegar ter sido intimada do Acórdão nº 1277.196 através da certidão de fls. 471 no dia 10/04/2017, constatase que nesta data ocorreu a abertura de documentos, sendo que a efetiva intimação já havia sido confirmada em fls. 470. Com isso, o prazo recursal de 30 (trinta) dias iniciou em data de 10/04/2017 (segundafeira), com a contagem em dias corridos, finalizando em data de 09/05/2017 (terça feira). Considerando que o Recurso Voluntário foi postado em data de 10/05/2017 (quartafeira), conforme comprovante de fls. 477478, bem como confirmado através da certidão de fls. 488, resta flagrante a intempestividade do recurso, impossibilitando seu conhecimento. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16020.000195/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1997 a 30/06/1997
DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE.
São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição.
RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES INOVADORAS. NÃO ACOLHIMENTO.
A menos que seja para contrapor razões trazidas na decisão recorrida, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e prova que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados na impugnação ou ainda, em caso de perícia ou diligência das quais sobrevenham fatos ou documentos novos, no prazo estabelecido para manifestação a seu respeito.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O construtor responde solidariamente com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
Numero da decisão: 2402-006.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) e Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Maior Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator designado.
(assinando digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1997 a 30/06/1997 DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES INOVADORAS. NÃO ACOLHIMENTO. A menos que seja para contrapor razões trazidas na decisão recorrida, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e prova que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados na impugnação ou ainda, em caso de perícia ou diligência das quais sobrevenham fatos ou documentos novos, no prazo estabelecido para manifestação a seu respeito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O construtor responde solidariamente com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 153 1 152 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16020.000195/200774 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.264 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente ELLENCO CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 30/06/1997 DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES INOVADORAS. NÃO ACOLHIMENTO. A menos que seja para contrapor razões trazidas na decisão recorrida, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e prova que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados na impugnação ou ainda, em caso de perícia ou diligência das quais sobrevenham fatos ou documentos novos, no prazo estabelecido para manifestação a seu respeito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O construtor responde solidariamente com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) e Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 01 95 /2 00 7- 74 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 154 2 (assinado digitalmente) Maior Pereira de Pinho Filho – Presidente e Redator designado. (assinando digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Temse Recurso Voluntário (fls. 186 a 193) lançado contra acórdão da 9ª Turma DRJ/POR (fls. 169 a 178), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, cancelando o crédito relativo às competências de 10/1995 e 11/1995, bem como retificou o valor lançado, de R$ 27.910,43 para R$ 24.788,29. Adotaremos o relatório da decisão combatida por bem representar os fatos até agora ocorridos: "Tratase de crédito previdenciário constituído pela fiscalização contra os sujeitos passivos acima identificados (DEBCAD n° 37.076.3890), consolidado em 31/01/2007, no valor de R$ 148.685,93 (cento e quarenta e oito mil seiscentos e oitenta e cinco reais e noventa e três centavos), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pelos segurados (sem desconto) e pela empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Constituiu fato gerador das contribuições lançadas a remuneração devida aos segurados empregados da empresa Rovigo Construtora Ltda. que prestaram serviços em obras de construção civil da Ellenco Construtora Ltda., no período de 05/1997 a 06/1997. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços. O crédito foi constituído em nome da Ellenco Construtora Ltda., com fundamento na responsabilidade solidária do construtor com as subempreiteiras, prevista no artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 155 3 As contribuições lançadas foram objeto de crédito previdenciário anteriormente constituído, mas anulado, em razão de vício formal, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS (Acórdão n° 608/2006), com decisão definitiva em 26/04/2006. A empresa Ellenco Construtora Ltda. apresentou impugnação, acompanhada de documentos, na qual requer a nulidade do lançamento ou, subsidiariamente, a sua improcedência, sob os seguintes argumentos: Ausência de motivação O artigo 37, caput da Lei n° 8.212/91, estabelece que a NFLD deve discriminar, de forma clara e precisa, os fatos geradores de contribuição previdenciária. A motivação do ato administrativo foi alçada a princípio pelo artigo 2 o da Lei n° 9.784/99. O lançamento foi efetuado em nome da impugnante (responsável solidária) em razão desta não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelas subempreiteiras que contratou para executar obras de construção civil. A imposição dessa responsabilidade solidária depende da comprovação da ocorrência do fato gerador, ou seja, que a subempreiteira executou obra de construção civil. Contudo, a fiscalização não comprovou que os serviços contratados pela impugnante enquadravamse como obra de construção civil, apenas presumiu essa situação, valendose do artigo 33, § 3 o da Lei n° 8.212/91. O fato do contribuinte não apresentar a documentação requisitada pela. fiscalização não permite a esta praticar o lançamento sem qualquer atividade investigatória Modificase apenas a qualidade da prova. Ao invés da prova direta, a fiscalização pode se valer da prova indireta, pela verificação de indícios da ocorrência do fato gerador. Entretanto, sequer a prova indiciária foi investigada pela fiscalização. Hia apenas verificou os livros Diário da impugnante, eximindose de verificar as notas (iscais de serviços que descreviam as atividades executadas pelas empresas terceirizadas. Não há nos autos qualquer prova de que os serviços contratados pela impugnante figuram como obra de construção civil. A indicação do nome da empresa terceirizada não constitui fato que. por si só. convença da existência da execução de obra de construção civil. Inexistência de responsabilidade solidária Ao lançamento deve ser aplicada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. A responsabilidade solidária do construtor com o subempreiteiro apenas adveio com a Lei n° 9.528/97. Em sua redação original, o artigo 30. VI da Lei n° 8.212/91 somente previa responsabilidade solidária entre o proprietário, o incorporador. o dono da obra ou o condômino. Assim, para o período anterior à Out/1997. não existe fundamento legal que autorize a fiscalização a responsabilizar o proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino com o subempreiteiro. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 156 4 E nulo de pleno direito qualquer ato administrativo regulamentar que estabeleça a responsabilidade solidária entre as partes, em especial, o item 15 da OS INSS/DAF n° 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124. II do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). A despeito disso, a fiscalização responsabilizou à impugnante pelas obrigações previdenciárias descumpridas pela subempreiteira de obra de construção civil, relativas ao período de 05/1997 a 06/1997. Inaplicabilidade do artigo 124,1 do CTN Caso, ainda, o sujeito ativo pretenda convalidar o lançamento com fundamento no artigo 124, I do CTN, isso não será permitido, pois este dispositivo não foi informado como fundamento legal do lançamento. A empresa Rovigo Construtora Ltda., regularmente notificada, não apresentou impugnação. Remetidos aos autos a DRF de origem para que a autoridade lançadora indicasse os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil, ela apresentou Relatório Fiscal Complementar, acompanhado de documentos, na qual precisou os motivos adotados para fundamentar o lançamento. A Ellenco Construtora Ltda. regularmente cientificada do resultado da diligência, manifestouse pela nulidade do lançamento, sob os seguintes argumentos A motivação inicial do ato administrativo não pode ser modificada após a sua lavratura. Caso a motivação inicial seja insuficiente, o ato administrativo deve ser declarado nulo. Não obstante, a informação fiscal apresentou motivação sem fundamento em fatos, apenas em especulações da autoridade administrativa. São três os motivos apresentados pela fiscalização: a terceirização do serviço pressupõe sua vinculação à atividade fim da impugnante; a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE; e o fato da impugnante não fazer prova do contrário. Contudo, existem inúmeras atividadesmeio que podem ser terceirizadas (p.ex limpeza, manutenção e segurança); o CNAE não pode ser aceito como legislação tributária (art. 100 do CTN). devendo prevalecer a definição do item 1 da OS 1NSS/DAF n° 165/97. vigente à época dos fatos geradores; e o ônus probatório é sempre da autoridade administrativa, que é obrigada a investigar a ocorrência dos fatos geradores. A fiscalização afirma que faz prova da natureza dos serviços pelas cópias de livro Razão da impugnante, porém, a escrituração contábil não serve como elemento probatório dos serviços prestados por terceiros, porquanto não descreve os serviços tomados pela impugnante. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 157 5 Remetidos os autos à DRF de origem para a cientificação da empresa Rovigo Construtora Ltda. do Relatório Fiscal Complementar, com abertura do prazo de trinta dias para manifestação. Regularmente cientificada, a empresa não se manifestou." É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passamos a sua análise. 2. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE PRECLUSÃO. CONHECIMENTO DE OFÍCIO DECADÊNCIA. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTO E DISPOSITIVO DE DECISÃO QUE AUTORIZA A REEMISÃO DE LANÇAMENTO ANULADO. As obrigações objeto de lançamento são referentes a contribuições previdenciárias devidas por Rovigo Construtora Ltda e exigidas da Recorrente em razão de solidariedade que se impões nas relações inerentes a construção civil. No presente caso houve reemissão de lançamento que restou anulado em razão de suposto vício formal autorizando assim sua correção, exclusivamente nos pontos tidos por irregulares, nos termos do Art. 173, II do CTN. As notificações de lançamento de débitos originárias são as de n° 35.374.5081; 35.374.5065 e 35.374.5030 emitidas em 20/12/2001 tornadas nulas conforme decisão constante do Acórdão n° 608/2006 na qual a 4° CAJ/CRPS, em revisão ao Acórdão n° 819/2003, conheceu do pedido de revisão interposto pelo contribuinte e tornou nulo o Acórdão 819/2003, bem como as NFLDs supra citadas. (Fls 53 a 63). Na ocasião, a 4ª CAJ/CRPS reconheceu a nulidade do lançamento indicando na conclusão do voto tratarse de vicio formal, registrando na fundamentação da decisão que: "No entendimento dessa autoridade julgadora a ausência da fundamentação legal não é vicio passível de saneamento em razão da impossibilidade operacional do sistema informatizado da SRP em reemitir, após o encerramento da ação fiscal, o relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD retificado e, assim emitir a CDA Certidão de Dívida Ativa sem qualquer vício. Nãoobstante a ausência de fundamentação legal para o procedimento de arbitramento, cumpre observar que não é possível lavrar o debito em questão da forma como foi efetuado pela autoridade fiscal, isto é, consolidado em uma mesma notificação os débitos correspondentes a diversos prestadores de serviços. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 158 6 Para fins de cumprimento ao disposto no §1º da lei 8.212/91, todos os solidários deverão ser informados do débito levantado, para que possam exercer seu direito constitucional a ampla defesa." O lançamento foi reemitido gerando a NFLD de nº 37.076.3820 lavrada na data de 31/01/2007 em substituição da NFLD nº 35.374.5065 de 20/12/2001, cuja a decisão de anulação tornouse definitiva em 26/04/2006, sob o argumento de vício formal e nessa condição abrindose novo prazo de cinco anos para a Fazenda Pública reemitir o a NFLD relativo às competências 01/05/1997 a 30/06/1997. Fluxo temporal de atos emitidos ao abrigo do presente processo administrativo tributário: Fatos Geradores 01/05/1997 a 30/12/1997 Primeira emissão do lançamento 20/12/2001 Definitificade da anulação do lançamento 26/04/2006 Reemissão do Lançamento 31/01/2007 Reprisados os pontos fáticos de maior relevância para análise das questões prejudiciais ao mérito, há de se investigar a legalidade do lançamento, originário ou reemitido, frente ao instituto da decadência e sua regra especial de recontagem prevista no inciso II do Art. 173 do CTN, o que se pode fazer de oficio por tratarse de matéria de ordem pública. Para este relator, a verificação da ocorrência ou não de decadência no presente caso impõem uma necessária incursão nas razões decisórias do Acórdão nº 608/2006 no que tangencia a classificação do vício que ensejou a anulação do primeiro lançamento, eis que a razão essencial do Acórdão é supedâneo para validade do presente lançamento. De inicio, é ponto de atenção o fato do disposto no inciso II do Art. 173 do CTN tratarse de regra excepcional as disposições gerais sobre decadência, prevendo um novo termo a quo de contagem com inicio no momento em que se torne definitiva a decisão prolatada no sentido de declarar a nulidade do lançamento original por vício formal. Para boa parte da doutrina tratase de hipótese de interrupção de prazo decadencial, já para autores não se trata de interrupção do prazo decadencial, eis que a decadência restaria prevenida com o lançamento realizado, ainda que por vicio formal, se tratando então do estabelecimento de novo prazo decadencial para promover a correção do lançamento que deve ser reemitido nos exatos termos materiais em que foi inicialmente concebido, ajustandose tão somente os elementos formais que ocasionaram sua nulidade. 1 Perfilamos a tal entendimento, eis que, em se tratando de vicio meramente formal, o fato gerador estaria adequadamente identificado, quantificado e constituído, sendo a reemissão do instrumento de constituição uma continuidade do proceder originário visando resguardar o interesse público, não o sujeitando aos efeitos de correntes de erros de seus agentes, eis que assim como as matérias de ordem pública, o interesse resguardado transcende tais pormenores. 1 [Koch, Deonísio Processo Administrativo Tributário e Lançamento, 1ª ed., FlorianópolisSC : Editora Mandamento Atual, 2003 pág. 283/284]. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 159 7 Para alguns doutrinadores tal previsão representa quebra do princípio da isonomia e segurança jurídica, por tal motivo tem recebido diversas criticas doutrinárias duras de doutrinadores renomados. 2 De certo, não nos cabe avaliar o dispositivo ante a sua constitucionalidade, eis que tal controle não integra as competências deste colegiado, entretanto, cabe registro quanto ao posicionamento majoritário da doutrina apontando a questão como um privilégio para o qual não há justificativa sustentável frente a princípios como isonomia e segurança jurídica, tese com a qual não comungamos, mas que importa em adoção de postura interpretativa restritiva. Assim, para que seja aplicável o disposto no inciso II do Art. 173 do CTN, o caso concreto não deve apresentar qualquer dubiedade quanto as razões legais do decisório que o faz aplicável ou mesmo o novo lançamento não deve se afastar dos aspectos materiais originários, inclusive quanto aos registros de fato, se alterando tão somente as formalidades geradoras do vício previsto no referido normativo, sob pena de ferir direitos e garantias fundamentais do contribuinte e atentar contra a ordem pública. Este relator entende que o CTN, ao criar hipótese especial de contagem de prazo para realização de lançamento anulado em razão de vício formal, passou a prever situação jurídica extrínseca ao fato gerador e com hipótese de ocorrência própria e diversa das regras gerais de decadência, exigindo para sua conformação a presença dos seguintes elementos: 2 "Cuida o art. 173, II, de situação particular; tratase de hipótese em que tenha sido efetuado um lançamento com vício de forma, e este venha a ser "anulado" (ou melhor, declarado nulo, se tivermos presente que o vício de forma é causa de nulidade, e não de mera anulabilidade) por decisão (administrativa ou judicial) definitiva. Neste caso, a autoridade administrativa tem novo prazo de cinco anos, contados da data em que se torne definitiva a referida decisão, para efetuar novo lançamento de forma correta. O dispositivo comete um dislate. De um lado, ele, a um só tempo, introduz, para o arrepio da doutrina, causa de interrupção e suspensão do prazo decadencial (suspensão porque o prazo não flui na pendência do processo em que se discute a nulidade do lançamento, e interrupção porque o prazo recomeça a correr do inicio e não da marca já atingida no momento em que ocorreu o lançamento nulo). De outro, o dispositivo é de uma irracionalidade gritante. Quando muito o sujeito ativo poderia ter a devolução do prazo que faltava quando foi praticado o ato nulo, Ou seja, se faltava um ano para a consumação da decadência, e é realizado um lançamento nulo, admitese até que, enquanto se discute esse lançamento, o prazo fique suspenso, mas, resolvida a pendência formal, não faz nenhum sentido dar ao sujeito ativo um novo prazo de cinco anos, inteirinho, como "prêmio" por ter praticado um ato nulo." [Amaro, Luciano D|ireito tributário brasileiro 20 ed. São Paulo : Saraiva, 2014 p. 433/434] "Na verdade o legislador quis oferecer tratamento privilegiado à Administração Pública, o que por si só é perfeitamente louvável e defensável, sobretudo em face do primado do principio do interesse coletivo sobre o particular, sustentáculo maior do Direito Administrativo pátrio. A despeito de tal cautela, o que restou normatizado foi um inafastável privilégio dos maus administradores, que se vêem assim albergados e protegidos para sair impingindo lançamentos despudorados e sem a menor sustentação legal, garantidos que estão de posteriormente "rever o erro", principiando novamente no exercício de lançar. Assim, esse preceito legal deixou de configurar respeito ao coletivo para transfigurarse as claras na razão de instabilidade do contribuinte (sentido lato)[ Castro, Alexandre Barros Teoria e prática do direito processual tributário São Paulo : Saraiva, 2000 pág. 75/76]" "a solução do legislador não foi feliz, pois deu para a hipótese excessiva elasticidade a beneficiar o Erário no seu próprio erro. Premiou a imperícia, a negligência ou a omissão governamental" [Martins, Ives Gandra da Silva Comentários ao Código Tributário Nacional São Paulo : 1998, citado por Deonísio Koch na obra já referenciada neste voto, pág. 285] Na mesma linha seguem Paulo de Barros Carvalho e Ruy Barbosa Nogueira ao tecer as mesmas criticas ao dispositivo, apontando como uma benesse injustificada conferida ao Fisco. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 160 8 Anulação de lançamento em razão de vicio formal Prazo de cinco anos contados da data em que a decisão que anulou o lançamento por vicio formal tornouse definitiva; Diferente do que ocorre na regra geral de decadência, tais elementos não consideram nenhum aspecto material do lançamento originalmente anulado, sendo irrelevante para sua aplicação a data do fato gerador, se houve ou não pagamento ainda que parcial ou a natureza do lançamento por exemplo. Com efeito, nenhum dos elementos inerentes a regra geral de decadência sofre qualquer impacto pela incidência do disposto no inciso II do Art. 173 do CTN, tal dispositivo mantém a suspensão do prazo decadencial vinculado a materialidade do fato e estabelece novo prazo de cinco anos para reemitir o lançamento ajustandose apenas os elementos formais que ensejaram sua anulação, podendose falar em regra de decadência material (regra geral) e decadencial formal (II, Art. 173). Com isso em conta, ante a lançamentos reemitidos com base no inciso II do Art. 173 do CTN, a perfeita subsunção dos elementos decisórios somente é revelada pela analise integral do julgado que anula o lançamento, devendo ser analisada não com o objetivo de se promover uma revisão da decisão caso existam vícios como contradição, omissão ou erro, mas sim para verificar a perfeita conformação do caso ao núcleo normativo que autorizaria a reemissão de lançamento anulado, de modo a revelar a verdade material neste quesito. Outrossim, ainda que o colegiado possua entendimento diverso, no presente caso, o Acórdão da decisão que anulou o lançamento original e a própria conclusão do voto fazem remissão clara a integralidade do voto, razão pela qual, em que pese uma leitura superficial indicar que tratouse de anulação por vicio formal, somente a leitura e interpretação do texto integral do voto é capaz de revelar a verdadeira razão de anulação do lançamento originário. Por fim, em que pese haver possibilidade jurídica para proceder a tal expediente, registramos que não será objeto deste voto qualquer encaminhamento no sentido de nulidade da decisão que anulou o lançamento. Como o tema esta relacionado a decadência, material amplamente aceita como de ordem pública, a possibilidade do julgador ordinário conhecer de oficio de tais temas, bem como a não incidência de preclusão sobre tais matéria é questão amplamente aceita na doutrina e jurisprudência, racional aplicável aos processos judiciais e administrativos. Embora haja divergência quanto a conhecer de tais matérias em instancias extraordinárias quando há falta de préquestionamento, tal hipótese não se aplica a este colegiado eis que tratase de esfera ordinária. No que se relaciona ao caso em destaque, tema em questão não se afigura inovador no âmbito do CARF, contudo, não há definitividade de posicionamento sumulado que importe em adesão vinculativa deste colegiado aos precedentes em sentido contrário ao posicionamento que ora se expõem. Ante a ausência de causa limitadora ao juízo de conhecimento de tal temática, afigurase relevante, de modo breve, delinear a natureza jurídica daquilo que se conhece de oficio no presente caso e as razões de não operação da preclusão. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 161 9 A decadência e a existência de contradição entre os fundamentos do Acórdão que anulou o lançamento original e seu dispositivo, são matérias de ordem pública que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, não estando sujeitas a preclusão. A posição deste relator está alinhada a alguns posicionamentos jurisprudenciais manifestados pelo STJ, por tribunais ordinários e no próprio CARF. 3 Apesar de juridicamente possível até mesmo analisar a decisão anulatória original, tal proceder não se faz necessário à verificação de decadência no presente caso, pois, nula ou não, corrigida ou não, a análise de seus elementos compõe a hipótese legal de conformação dos requisitos de aplicação do inciso II, do Art. 173. Cabe destacar que, em que pese discordamos quanto à definitividade de decisões que apresentam contradição entre dispositivo e fundamentação, o que caminha em sentido contrário a excelentes precedentes exarados no CARF, não é esse o ponto fundamental do entendimento motivador do presente voto. Ao contrário, nossa orientação quanto ao tema, conforme já exposto, toma o conteúdo decisório em sua integralidade como elemento de verificação da possibilidade de aplicação do prazo excepcional de decadência, analisando a temática sob tal prisma. 3 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA CITAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. 1. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. 2. Os pressupostos de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo, assim como as condições da ação matérias de ordem pública , não se submetem à preclusão nas instâncias ordinárias. 3. A nulidade da citação constitui matéria passível de ser examinada em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente de provocação da parte; em regra, pode, também, ser objeto de ação específica ou, ainda, suscitada como matéria de defesa em face de processo executivo. Tratase de vício transrescisório. Precedente. 4. O defeito ou a ausência de citação somente podem ser convalidados nas hipóteses em que não sejam identificados prejuízos à defesa do réu. 5. Recurso especial parcialmente provido. [Superior Tribunal de Justiça. 3ª Turma, REsp 1138281 / SP 16/10/2012]" "Processo 03787131 Apelação Cível 03787131 Origem 22ª vara cível do foro central da comarca da região metropolitana de Curitiba. Relator: Des. Celso Seikiti Saito. Apelação Cível medida cautelar inominada com pedido de liminar sentença que julgou extinto o processo com fundamento no Art. 806 c/c Art.267, IV, DOCPCEM Razão do lapso temporal decorrido a partir do indeferimento da liminar Impossibilidade contagem do trintídio para promover a ação principal não iniciada em face de ausência de liminar CONTRADIÇÃO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A DISPOSIÇÃO DA SENTENÇA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA sentença cassada de ofício recurso de apelação prejudicado." "IRPJ. INCORPORAÇÃO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A decadência constitui matéria de ordem pública, razão pela qual não é atingida pela preclusão. Para os tributos lançados por homologação, caso do IRPJ, havendo antecipação de pagamento, e desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, no caso de extinção de empresa por incorporação, é a data da ocorrência do fato gerador, que correspondente à data do evento societário. [Acórdão CARF nº 1201001.643 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária]" "NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ACOLHIMENTO DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que encontrase colhido pela decadência o lançamento feito há mais de 5 (cinco) [Acórdão CARF nº 2402004.603– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária]" Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 162 10 Conforme registrado, o ato de lançamento original foi anulado por suposto erro formal, ao menos essa foi a declaração final do voto vencedor emitido pela 04ª CAJ Quarta Câmara de Julgamento, Documento: 0035.374.5065, anexado a partir da Fls 55, dos presentes autos. Nos termos do relatório, o recurso apresentado sagrouse vencedor por unanimidade. A tese recursal, nos termos relatados foi a seguinte: "Segundo a interessada o acórdão em questão teria violado o art 37 da Lei n° 8.212/91 e o art. 2°, inciso VII d a Lei n° 9.784/1999. Que ao lavrar a NFLD, a fiscalização deve indicar os pressupostos de fato e de direito que determinam a sua lavratura, sob pena de nulidade absoluta. Afirma que não sendo possível verificar a real remuneração dos trabalhadores contratados pela empresa, a fiscalização aferiu o valor devido das contribuições devidas e não indicou os dispositivos legais que amparam tal procedimento na NFLD, sendo nula de pleno direito. Que a fiscalização aplicou retroativamente a Lei n° 9.528/1997, de modo a atribuir responsabilidade solidária da empresa em relação a empresas que subempreítaram obras de construção civil e que de acordo com o art. 124, inciso II do CTN, a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei, sendo defeso a todo e qualquer ato regulamentar estabelecer esta obrigação. Afirma que a motivação inicial foi completamente modificada pela DecisãoNotificação, uma vez que a motivação inicial do lançamento fiscal é a responsabilidade solidária da recorrente com construtores de obras de construção civil de acordo com o art. 30, inciso VI da Lei n° 8.212/91. Posteriormente, a DN menciona o art. 31, da Lei n° 8.212/91 e que o Acórdão utilizou ambos os dispositivos legais para justificar a manutenção da NFLD. Alega que não estava obrigada a descontar guias específicas de todo o ocorrido. Dois de acordo com o Parecer CJ n° 1.830/1999, somente com o advento da Lei n° 9.032/1995, pode ser exigida guia especifica para fins de elisão de responsabilidade solidária.. Por fim, solicita a concessão de efeito suspensivo." g.n. O Acórdão em questão reconhece estar o recorrente com a razão em suas alegações: "Da análise das razões da recorrente, verificase que assiste razão à recorrente de que a ausência de fundamento legal que ampare o lançamento arbitrado tem sido considerado vício insanável pela 4a Câmara, de Julgamentos em razão, da impossibilidade operacional da reemissão do relatório de Fundamentos Legais do débito retificado para uma ação fiscal já encerrada, o que impede a emissão da Certidão de Divida Ativa CDA sem vícios;" g.n. A nulidade assente na falta de fundamentação legal e também na clara descrição do fato ou sua caracterização de forma plena de modo a autorizar a aplicação do método de apuração por aferição indireta. Não se trata de mero vício exterior ao ato, mas essencial à sua introdução válida no mundo jurídico, vejamos: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 163 11 "Ao efetuar a aplicação do percentual sobre os valores dos lançamentos efetuados para obter a base de cálculo de incidências das contribuições previdenciárias, a auditoria fiscal claramente efetuou um arbitramento, procedimento que tem como base legal, in casu, o § 3o , do art. 33, da Lei n° 8.212/91" (...) "Não obstante, ter se utilizado da prerrogativa estabelecida em lei de arbitrar o salário de contribuição que reputasse devido, a Auditoria Fiscal não fez constar no Relatório de Fundamentos Legais os dispositivos legais que amparam tal procedimento; O arbitramento é procedimento utilizado quando não é possível obter a base de cálculo da documentação específica que registra as ocorrências relacionadas â remuneração dos segurados empregados, quais sejam, folhas e recibos de pagamento, ou GFIP´s e outras; Como a ação fiscal se deu na tomadora dos serviços, a apuração do salário de contribuição se deu por meios indiretos, com base nos valores pagos à prestadoras e, em nenhum momento o contribuinte foi informado de que o lançamento seria efetuado por arbitramento e qual o amparo legal para esse procedimento; A auditoria fiscal tem o dever de informar ao contribuinte sob ação fiscal que efetuará um arbitramento da importância que reputou devida. As falhas na construção do Ato de Lançamento representaram sim um grave prejuízo ao recorrente, prejuízo insanável. O ato, conforme reconheceu a própria decisão, afrontou os princípios da ampla defesa e contraditório. Além de dificultar a apresentação de defesa adequada, eximia o poder público de provar que estavam presentes os requisitos para aplicação da aferição indireta, o que integra sua materialidade: "A aferição tem fundamento no art. 33, parágrafos 3o , 4 o e 6o , da Lei n° 8.212791 e tais dispositivos determinam, inclusive, a inversão do ônus da prova. Portanto, a omissão em informar devidamente o contribuinte desse procedimento vicia todo o procedimento em razão de clara violação dos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório;" Por último, a relação jurídica do recorrente no presente do ato em questão é a de Responsável Solidário, assim, apesar da solidariedade estabelecida por Lei, não há como estabelecer tal responsabilidade sem a realização de fiscalização dos contribuintes ou, ao menos, com sua notificação, eis que somente contra o Responsável foi lavrado NFLD: "Não obstante a ausência de fundamentação legal para o procedimento de arbitramento, cumpre observar que não é possível lavrar o débito em questão da forma como foi efetuada pela autoridade fiscal, isto é, consolidando em uma mesma notificação os débitos correspondentes a diversos prestadores de serviço. Para fins de cumprimento ao disposto no § 1 do art. 37, da Lei 8.212/91, todos os solidários deverão ser informados do débito Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 164 12 levantado, para que possam exercer seu direito constitucional da ampla defesa" (...) "Pela necessidade do sigilo fiscal, não .seria possível dar conhecimento às, subempreiteiras mediante envio de cópia dos autos às mesmas, uma vez que consta numa mesma notificação o lançamento de todas" (...) "A fim de se certificar de que efetivamente existe contribuição previdenciária não recolhida por parte da prestadora, a fiscalização tem procurado elementos que forma essa convicção, como por exemplo, a verificação do CFE Cadastro de Fiscalização da Empresa, para analise das ações fiscais desenvolvidas na prestadora, e se a mesma já teria sido objeto de fiscalização com cobertura contábil no periodo referente ao débito lançando" (...) Esses procedimentos têm por objetivo evitar a duplicidade do lançamento de contribuições ou o lançamento de contribuições regularmente recolhidas, o que contrariaria o contido no Parecer CJ n° 2376/2000, acima mencionado. O Principio da Verdade Material exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como ocorrem na realidade, e se configura como verdadeiro sustentáculo do processo administrativo fiscal, que tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário; O que está em jogo é a legalidade da tributação, logo, tomase necessário que reste cabalmente comprovado nos autos a existência de obrigação tributária principal não recolhida aos cofres previdenciários, não sendo mais aceitável o lançamento única e exclusivamente pela não apresentação de folhas e guias especificas" Percebam que existe acentuada dúvida até mesmo quanto a ocorrência do fato gerador, pois o Recorrente relata que não se tratou de serviços de construção civil, mas de serviços técnicos, e dada a falta de qualquer diligência ou lançamento contra as empresas que deveriam constar como contribuintes, resta não comprovada a própria materialidade do fato gerador. Isso foi claramente reconhecido na exposição da motivação da decisão que anulou o lançamento originário e mesmo no lançamento reemitido foi objeto de diligencia visando aclarar tal situação, gerando um lançamento complementar. Todo relatório e fundamentação do voto caminham em posição contrária a conclusão registrada na decisão original. Esta por sua vez, não articulou uma única linha apta a fundamentar a classificação das nulidades como meramente formais. Assim, ao contrário do que concluiu a decisão anulatória dos lançamentos originários, os vícios apontados na decisão em questão não tinha características de meros vícios formais. Tais vícios são elementos substanciais da própria obrigação tributária: a fundamentação legal da autuação; a correta identificação da materialidade do fato gerador e a indicação dos efetivos contribuintes. No presente caso, os vícios apresentados são essencialmente materiais, sendo esse o verdadeiro sentido do decisório em foco. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 165 13 Por todo exposto restou clara, no que concerne ao lançamento original, a correta leitura da decisão indica que sua anulação se deu em razão da falta de motivação, de fundamentação legal, de comprovação da materialidade do fato gerador e prova de estarem presentes os requisitos legais para o arbitramento e aplicação da responsabilidade solidária e de notificação dos contribuintes relacionados ao suposto fato gerador, portanto, um conjunto de nulidades insanáveis e integrantes não só da forma, mas da substancia do próprio ato de lançamento. O novo termo a quo de contagem do prazo decadencial excepcionalmente previsto no inciso II, do Art. 173, do CTN pressupõe que a decisão que anulou um primeiro lançamento tenha lastro em vícios meramente formais do ato, vícios exteriores ao ato, em regra passiveis de convalidação. Este não foi o caso do presente processo eis que, como já visto nos itens anteriores, apesar da declaração errônea proferida no dispositivo da decisão da 4º CAJ (Fls 55 e seguintes), os vícios do ato de lançamento tangenciam a materialidade, integram a substância, são intrínsecos, portanto, inquestionavelmente, vícios materiais. Os Acórdãos proferidos no âmbito do PAF não devem ser interpretados unicamente por seus termos dispositivos, mas por todo o conjunto, isso inclui relatório e voto. No âmbito administrativo, marcado por fundamentações fáticas detalhadas e por dispositivos mais sumários, quase sempre referenciando os termos do próprio voto, relatório e voto apresentam maior relevâncias para o entendimento adequado do ato decisório que o próprio dispositivo. E ainda que se entenda que o dispositivo é que faz coisa julgada, quando este próprio dispositivo faz remissão às motivações expostas no voto vencedor, como ocorre no presente caso, não há como negar que seus termos devem guardar alinhamento e a exata interpretação do ato somente pode ser obtida através da análise conjunta de tais elementos. De certo, as conclusão apresentadas até aqui tem ancoragem em precedentes jurisprudenciais e doutrinários, contudo, tal entendimento está alinhado à melhor interpretação de dispositivos legais incidentes no processo administrativo tributário. Tendo em conta que, apesar de tratarse de atividade administrativa marcada por ritualística própria e litigiosidade, indubitavelmente as decisões de órgãos administrativos colegiados como o CARF revestemse da natureza jurídica de ato administrativo, emanando manifestação de vontade da Administração Pública eis que também objetivam constituir, resguardar, conservar ou extinguir direitos, e impor obrigações a si própria ou a terceiros. Como tal, as decisões em foco estão sujeitas aos preceitos da Lei nº 9.784, de 23 de Janeiro de 1999. 4 4 "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; [...] VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 166 14 Percebam que tais dispositivos reforçam o entendimento quanto a exigência de indicação dos motivos de fato e de direito que determinam a decisão, emitida conforme a lei e o Direito e com observância das formalidade essenciais à garantia dos direitos dos administrados (Art. 2º, I, VII, VIII). Exige ainda que, quando importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação, os atos administrativos sejam motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos que o determinaram. (Art. 50, VIII). E, por derradeiro, mesmo quando o recurso não é conhecido, ainda que após o exaurimento da esfera administrativa não há impedimento para a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão (Ordem Pública). (Art. 63, IV, §2º) Como ultimação argumentativa, cabe registrar entendimento manifestado por Deonísio Koch e perfilado por este relator, nos seguintes termos: "Quando o cancelamento tiver motivação diversa, ainda que a decisão em seu dispositivo indique como razão de cancelamento vício formal, não cabe o benefício da dilação do prazo decadencial para a Fazenda Pública. Suponhamos que o lançamento contenha erros materiais (erro de calculo, por exemplo) e o julgador atribua a esta irregularidade um vício formal. Não estará a Fazenda Pública autorizada a se beneficiar da interrupção da decadência para reemissão deste lançamento." (ob. cit. pag. 294) O entendimento ora manifestado resta fundamentado, cabendo reprisar que o instituto representa regra excepcional, que apesar de atender a questões de interesse público resguardando o direito do erário, para uso do benefício deve haver uma subsunção perfeita entre as disposições contidas no inciso II do Art. 173 do CTN e o caso concreto, fato que para verificação demanda análise integral da decisão anulatória e não apenas seu dispositivo. Registrese que não há, neste voto, encaminhamento no sentido de se declarar a nulidade da decisão, apesar de ser juridicamente possível tal proceder, é desnecessário para fins de avaliação da legalidade do lançamento em foco. IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; [...] Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. [...] Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: [...] IV após exaurida a esfera administrativa. [...] §2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa." Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 167 15 A análise realizada está centrada no atendimento de requisito essencial para o advento da hipótese autorizativa da dilação de prazo decadencial, o que se faz pela análise integral do julgado. Não se verificando a adequação da decisão aos preceitos normativos em foco, a autoridade fiscal, no presente caso, não estaria autorizada a reemitir o lançamento sob o abrigo de prazo decadencial excepcional, razão pela qual há de se reconhecer a decadência no presente caso. Sendo matéria de ordem pública dela conheço de oficio eis que as alegações recursais apenas tangenciam o tema e, por todo exposto, verifico a não subsunção do caso a hipótese descrita no inciso II, Art. 173 do CTN, eis que a motivação da anulação exposta no decisório em foco indica expressamente a ocorrência de nulidade absoluta, material, revelando contradição entre tais elemento, levando a conclusão de que o lançamento reemitido não estava salvaguardado pelo prazo decadencial excepcional de que trata Art. 173, II do CTN. 3. NULIDADE DA NFLD Nº 370763890 E DA DECISÃO RECORRIDA, POR ALTERAÇÃO DOS MOTIVOS DETERMINANTES. Dada a possibilidade de restar vencido quanto ao posicionamento exarado nos itens anteriores, prosseguiremos na análise das razões recursais. Mesmo após toda conturbação processual decorrente da nulidade do lançamento original, ao reemitir o lançamento, o i. Agente fiscal comente novos equívocos que importam em vício material. Na presente NFLD foram lançadas as contribuições devidas pela subempreiteria ROVIGO CONSTRUÇÕES LTDA através da NFLD 370763890 lavrada em 31/01/2007, registrando como a Recorrente Responsável solidária. Percebam que o documento de fls. 02 a 38 não teve o esmero de registrar qualquer construção de demonstre, minimamente, ter o fisco realizado qualquer procedimento nas empresas contribuintes ou mesmos sustentação quanto as razões legais de atribuição de responsabilidade solidária da Recorrente com a descrição dos serviços tidos pelo agente fiscal como sendo de construção civil. Esse elemento era fundamental para um perfeito enquadramento da relação jurídica da Recorrente com os contribuintes em questão, no que tange a regra matriz geradora de responsabilidade solidária. Tal falha é tão patente que foi objeto de resolução e emissão de ato de lançamento complementar. Ora, novamente, tentouse emendar o ato eivado de nulidade material através de expediente que gera grave prejuízo a ampla defesa e contraditório. Não cabe emendas quanto ao elemento central de identificação do ato. E por se tratar de reemissão de lançamento esse não poderia se afastar dos registros materiais contidos no lançamento originário, é o que leciona Deonísio Koch: "É notória a conclusão de que a reconstituição do lançamento com o uso do novo prazo decadencial previsto no art. 173, II, do CTN, não comporta inovações ou inserções de elementos novos que não figuravam no lançamento anterior, cancelado por vício Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 168 16 formal. Deve o novo lançamento ser uma reprodução do antorior, apenas corrigindo a falha que deu causa ao seu cancelamento. Tratase de reedição de lançamento com mesmo conteúdo descritivo, ressalvada apenas a medida corretiva. [Koch, Deonisio Processo Administrativo Tributário 1ª ed., Editora Momento Atual, FlorianópolisSC, 2003. pag. 294]' Como se percebe, tal proceder não foi observado e não poderia, eis que o vício condutor da nulidade era essencialmente material, reeditar o lançamento nos mesmos termos conduziria ao mesmo resultado, razão pela qual se tenta a todo o custo emendar desventuras em série. As intervenções realizadas neste processo até o momento indiciam a possibilidade de haver uma certa parcialidade dos ilustres julgadores que precederam este colegiado na função de revisar o lançamento, eis que mesmo diante de tantos equivocos cometidos no lançamento original, repetidos na versão reeditada, ainda permitem que se complemente o instrumento de lançamento, mesmo diante de vícios materiais. Tais condutas, ultrapassam (e muito) os limites aceitáveis de busca da máxima efetividade da lide, ferindo uma série de direitos e garantias fundamentais do Recorrente. Os termos do despacho nº 0041 8a Turma da DRJ/RPO, de 04 de setembro de 2008, corroboram a tese recursal de modo indiscutível, pois, antes de tal diligência, o lançamento carecia de motivação e base probatória. Vejamos seus termos: "No relatório fiscal consta a informação de que os fatos geradores das contribuições apuradas foram os pagamentos efetuados a várias subempreiteiras. Consta ainda, que a empresa Ellenco apresenta em sua contabilidade dois centros de custos mais utilizados: Custos/Obras de Terraplenagem e Custos/Obras da Telesp, onde são lançadas, entre outras, as despesas com as subempreiteiras. No entanto, no relatório fiscal não há qualquer indicação de que as notas fiscais de prestação de serviços foram lançadas dentro dos centros de custos acima citados, nem qualquer outra prova de que tais serviços foram prestados na atividade de construção civil. Assim, retornamos os presentes autos para que a autoridade fiscal lançadora indique os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil, juntando, quando possível, os elementos de provas que possuir." Mesmo depois do retorno de diligência, momento em que foi emitido lançamento complementar com novas motivações, ainda que o colegiado entenda que não há vícios quanto a motivação contida no relatório fiscal, as parcas notas fiscais levadas aos autos não deixam claro se estamos realmente diante de serviços de construção civil. O documento juntado em decorrência do retorno de diligência tinha o seguinte registro: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 169 17 "EXECUÇÃO DE MELHORIAS E SERVIÇOS NA REDE TELEFÔNICA, EM CAB0S, DUTOS E .LINHAS. NAS LOCALIDADES DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA E VINHEDO" (fl. 82) Os serviços de melhoria, não implicam necessariamente em obras civis, pois, em grande parte do Brasil linhas telefônicas correm por rede suspensa, nos parecendo muito mais um serviço de técnico na área de telecomunicações do que construção civil propriamente dita. Outrossim, apesar da diligência ter requisitado a juntada de notas fiscais, o documento juntado não tem tal natureza, tratandose de fatura, o que não é elemento probatório hábil e idôneo para verificação da real natureza das atividades ou mesmo, para verificação quanto a existência fornecimento de materiais, operação que somente estaria destacada em nota fiscal. Dado o fato de tratarse de uma empresa apenas, com poucos períodos de competência, caberia a fiscalização juntar a totalidade das notas fiscais relacionadas ao caso, nem que para tal tivesse de se dirigir a ROVIGO e proceder junto ao contribuinte original a fiscalização de deixou de promover. Mas grave do que a fragilidade das provas acostadas, seja por ordem do lançamento, seja em razão da diligência é a complementação da informação fiscal do lançamento contido as fls 86/88, que representa verdadeira inovação no lançamento, eis que, pela primeira vez, insere motivação adequada. E justamente tais elementos foram determinantes para fundamentar a decisão objurgada, é cristalino o fato de ter o Relator construído seu convencimento integralmente calcado em tais provas, provas esses produzidas de modo extemporâneo e por intervenção do julgador. A relação processual deve ser marcada pela isonomia e uma vez realizado o lançamento ou apresentada a impugnação, salvo as exceções previstas em lei, não cabe a produção de novas provas, a apresentação de manifestação complementar a impugnação ou ao lançamento, tão pouco a diligência por finalidade permitir a emenda da impugnação, do lançamento ou a juntada de provas de deveriam acompanhar tais expedientes desde a origem. Este é posicionamento que, salvo raras exceções, tem prevalecido nesta turma. Vejamos alguns exemplos: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. CONTRARRAZÕES DO RECORRENTE. LIMITAÇÃO AO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso complementar ou de provas apresentadas por ocasião de diligência quando referidos elementos não tenham relação com seu objeto. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS E DE RECURSO VOLUNTÁRIO EXTEMPORÂNEO EM VIRTUDE DE DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Somente é cabível a apresentação de novas provas ou de razões recursais em face de diligência quando essas se refiram a fato ou a direito superveniente ou destinemse a contrapor fatos ou razões Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 170 18 posteriormente trazidas aos autos em decorrência do resultado desse procedimento. [Acórdão 2402005.842] NULIDADE. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA E DE DILIGÊNCIA. Estando devidamente fundamentado pela instância de primeiro grau a rejeição dos pedido de diligência e de perícia, procedimentos que não se prestam à produção de provas cujo ônus de apresentar é do contribuinte, não há nulidade a ser declarada. [Acórdão nº 2402005.006] PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. DESCABIMENTO. Rejeitase pedido genérico de juntada posterior de provas, mormente em etapa processual inapropriada do rito processual administrativo. [Acórdão 2402 005.094] Em que pese os precedentes juntados versarem sobre juntada de novas provas, complementação das razões originais e impossibilidade de uso da diligência para produção de provas que deveriam instruir as manifestações dos contribuintes nos momentos propícios, tal racional tem aplicabilidade mutatis mutandis aos atos fiscais. A decisão recorrida foi proferida com base em tais elementos, seus termos deixam claro serem tais documentos a motivação suficiente de convencimento do órgão colegiado a quo, o que implica em alteração dos motivos determinantes. É válido lembrar a lição de Hely Lopes Meirelles sobre a teoria dos motivos determinantes, a ser observada nos atos administrativos: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência elegitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido.(...)" 5 Ao promover alteração nos termos originais do lançamento reemitido e, com base na nova conformação de motivos apresentada em razão da diligencia solicitada, a decisão recorrida transcendeu os motivos determinantes originários, que mais do que esclarecer pontualmente algo, alterou substancialmente os motivos expostos no lançamento original em claro prejuízo a ampla defesa e contraditório promovido em desfavor da Recorrente. Não só a desconformidade entre o evento (real) e o fato descrito na norma individual e concreta (lançamento) é causa de decretação da improcedência do lançamento pelo mérito, com base na teoria dos motivos determinantes, mas também o é a alteração de tais motivos, quando a motivação original é inexistente. 4. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. 5 Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 171 19 Neste ponto, essencialmente, o Recorrente o recorrente reagita a mesma tese levada a lide por ordem da impugnação, basicamente, afirma que não haveria base legal para o estabelecimento de responsabilidade solidária do construtor antes da Lei nº 9.528/97. Sem embargos quanto a dubiedade da própria natureza do serviço e validade do lançamento, restando vencido quanto aos pontos anteriores e promovendo a análise unicamente com base no lançamento reemitido, nosso posicionamento quanto a possibilidade de estabelecer a solidariedade do construtor se coaduna com o exposto na decisão recorrida, razão pela qual adotaremos integralmente seus termos neste ponto: "Responsabilidade solidária A impugnante aduz que a responsabilidade solidária do construtor com o subempreiteiro somente adveio com a redação dada ao artigo 30, VI da Lei n° 8.212/91 pela Lei n° 9.528/97. Diante disso, alega a ilegalidade do item 15 da OS 1NSS/DAF n° 51/92 e do item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. O argumento não deve ser acatado. A responsabilidade solidária do construtor com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, exigidas neste lançamento, tem por fundamento legal o artigo 30. VI da Lei n° 8.212/91 combinado com o item 15 da OS INSS/DAF n° 51/92 (vigente no período de 01/94 a 07/97) ou item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97 (vigente no período de 08/97 a 12/98). As argüições de ilegalidade de normas infralegais não devem ser conhecidas, vez que é vedado a este órgão de julgamento afastar a aplicação de atos normativos por ilegalidade, ante o disposto no artigo 18 da Portaria RFB n° 10.875/2007. Por fim, o artigo 124. I do CTN não foi utilizado como fundamento legal da responsabilidade solidária no presente lançamento." Estes foram os únicos objetos do recurso. Conclusão Por todo exposto voto por conhecer de ofício das questões relacionadas a decadência, acolhendo tal razão prejudicial ao mérito e, no mérito, voto por dar provimento ao recurso quanto a nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 172 20 Não obstante as razões suscitadas pelo i. relator, que o levaram a reconhecer, de ofício, a decadência do lançamento em litígio e, por razões de mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, não vejo como com elas anuir. A respeito da solidariedade, estou de acordo com as conclusões voto vencido. Lançamento Substituído – Natureza do Vício No caso em tela, temse um lançamento substituto, decorrente da anulação de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, relativa aos Debcad nº 35.374.5081; 35.374.5065 e 35.374.5030. Referidos lançamentos foram anulados, por vício formal, pela decisão consubstanciada no Acórdão nº 608/2006 (fls. 41/48), da Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social (4ª Caj/CRPS). Vejamos a conclusão do decisum: Voto no sentido de ANULAR o Acórdão n° 819/2003, para CONHECER DO RECURSO e ANULAR a presente notificação por vício formal. A despeito disso, entendeu o i. relator que, em vista dos argumentos que embasaram a decisão do CRPS, a natureza do vício que levou à anulação do lançamento seria material, tendo, por essa razão, afastado a aplicação do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN e declarado decadentes os créditos tributários na sua totalidade. Com a devida vênia, não há como considerar pertinentes as considerações insertas no voto vencido a respeito desse tema. É que o inciso II do art. 42 do Decreto 70.235/1972 é expresso no sentido de que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, sendo incabível a oposição de recurso ou tendose esgotado o prazo para sua interposição, as decisões administrativas de segunda instância tornamse definitivas. Senão vejamos o teor do dispositivo: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] No caso concreto, não se tem notícias sobre a interposição de qualquer espécie de recurso pelo sujeito passivo, questionando a natureza do vício que anulou o primeiro lançamento, ou seja, a decisão materializada pelo Acórdão nº 608/2006 do CRPS tornouse definitiva, não sendo mais admissível qualquer questionamento a seu respeito na esfera administrativa. Com a devida vênia, a norma processual impossibilita a adoção de decisões tendentes a reverter algo que, nos termos da lei processual, tenha tornadose imutável. E mais, no presente PAF a recorrente, em nenhum momento, questionou a natureza do vício declarado em relação ao lançamento substituído. Não é plausível que o julgador administrativo, ainda que a pretexto de conhecer de questão de ordem pública, adote decisão com base em fundamentos estranhos aos erigidos no recurso do contribuinte. Aliás, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1970, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a discordância do sujeito passivo em relação ao lançamento devem ser por ele suscitados, e não pelo julgador administrativo. Confirase: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 173 21 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Além do que, o art. 141 do Código de Processo Civil, que abaixo se transcreve, é expresso quanto à vedação imposta aos julgadores em conhecer de questões que não tenham sido fomentada por quem, em virtude de lei (como é o caso), tinha a incumbência de fazêlo: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Por tudo o que até aqui se expôs, voto no sentido de afastar as razões arguidas no voto vencido quanto à alteração da natureza do vício reconhecido pelo Acórdão nº 608/2006 do CRPS (de vício formal para material), tendo em vista que referida decisão há muito se tornou definitiva na esfera administrativa. Do mesmo modo, entendo as questões afetas à decadência devem ser também afastadas em razão de o recurso voluntário nada ter tratado a esse respeito. Nulidade Absoluta – Modificação dos Motivos Determinantes De acordo com apelo recursal, ainda na fase impugnatória, a recorrente arguiu a nulidade do lançamento pelo fato de esse “não descrever sequer o serviço executado pela subempreiteira, quanto mais, afirmar que ele se definia como ‘obra de construção civil’. Isto é, por não possuir motivação”. A nulidade não teria passado desapercebida pela autoridade julgadora de primeira instância administrativa, que determinou a realização de diligência, tendo dado à autoridade administrativa a oportunidade de proceder conforme o art. 142 do CTN c/c o caput do art. 37 da Lei nº 8.212/1991. Aduz ainda que: A autoridade administrativa respondeu à diligência, instruindo a NFLD com cópias de notas fiscais de serviços e da escrituração contábil da recorrente. E, diante desses documentos, complementou o relatório fiscal original, mediante informação fiscal. Alega que o lançamento tributário, enquanto ato administrativo, respeita os seus princípios, dentre eles, a impossibilidade de se modificar a sua motivação, sob pena de nulidade. Prossegue afirmando que, na tentativa de convalidar um ato nulo, a autoridade julgadora teria faltado com a verdade, pois, no seu entender, a Informação Fiscal não complementou o Relatório Fiscal, e sim modificou os fatos originariamente verificados pela autoridade administrativa, visto que “a NFLD nunca se baseou em um único elemento de prova, sequer a prova indiciária. Ela se fundamentou, exclusivamente, na documentação contábil da recorrente, seu livro Razão”, sendo que “a escrituração contábil não se presta Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 174 22 como elemento probatório dos serviços, prestados por terceiros, porquanto não descreve os serviços tomados pela recorrente”. A despeito dessas e de outras questões abordadas no tópico do recurso voluntário denominado pela recorrente de “NFLD. Nulidade absoluta. Modificação dos motivos determinantes”, o fato é que os fundamentos ali erigidos não foram apresentados em momento processual oportuno. Conforme já se esclareceu neste voto, o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 prescreve que, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que o sujeito passivo possuir devem ser mencionados ainda na impugnação. É certo que a autoridade julgadora a quo, acostada no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, converteu o julgamento em diligência, tendo o Fisco prestado importantes esclarecimentos para a sua tomada de decisão e, em casos como esses, o art. 28 da Lei nº 9.784/1999 impõe à Administração o dever de intimar o interessado, vejase: Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Aliás, o parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011 é ainda mais claro quanto à necessidade de cientificação do contribuinte quando, em virtude de perícia ou diligência, fatos ou documentos novos seja trazidos aos autos, estabelecendo inclusive prazo para manifestação: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). (Grifouse) Apercebase que referidas normas conferem ao contribuinte a oportunidade de complementar sua defesa, mediante reabertura do prazo impugnatório, de forma garantirlhe o pleno exercício à ampla defesa e ao contraditório. Contudo, é no prazo definido no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011 que as razões adicionais de defesa devem ser apresentadas, não havendo como o sujeito passivo fazêlo em momento processual posterior, a menos que para contrapor razões referidas na decisão objeto de recurso, o que não é o caso. Porém, o contribuinte foi regularmente intimado do resultado da diligência e, conforme expediente de fl. 137, não apresentou qualquer tipo de manifestação. Não cabe agora, já por ocasião do recurso voluntário, trazer à lide argumentos inovadores. Em vista disso, não acolho essas novas razões recursais a respeito do presente tema, dada sua perempção. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16020.000195/200774 Acórdão n.º 2402006.264 S2C4T2 Fl. 175 23 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000194/2004-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 01 94 /2 00 4- 14 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração (efls. 28/33) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002, onde se apurou: Omissão de Rendimentos, Dedução Indevida com Dependentes e Dedução Indevida à Título de Despesas Médicas. O sujeito passivo ingressou com impugnação contestando apenas a glosa de despesas médicas (efls. 02/04). O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/SPOII em razão da falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas (efls. 89/93). O acórdão de impugnação foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DESPESAS MÉDICAS REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se; os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova efetiva de que os serviços foram prestados e de que houve o dispêndio dos recursos. Cientificado da decisão de piso em 22/10/2008 (efls. 96), o contribuinte ingressou com recurso voluntário em 21/11/2008 (efls. 97) com os argumentos a seguir sintetizados: Alega que a exigência de comprovação dos pagamentos efetuados, seja pelos cheques emitidos ou pela disponibilidade financeira, esbarra nos termos do artigo 5°. da Constituição Federal, não havendo na legislação de regência nada que obrigue o contribuinte a provar essas condições. Expõe que o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, com as alterações da Lei 9.250/95, em seu artigo 80, obriga tão somente a informação dos pagamentos efetuados, conforme recibos que ficam em seu poder, mencionando valor e dados do recebedor, seja pessoa física ou jurídica. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.000194/200414 Acórdão n.º 2002000.492 S2C0T2 Fl. 101 3 O litígio a ser analisado recai somente sobre a dedução de despesas médicas, disciplinada pelo art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Extraise do Auto de Infração (efls. 28/33) que a glosa foi efetuada por não ter o contribuinte comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Do exame dos autos verificase que, durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo foi devidamente intimado a apresentar cópias de cheques nominais ou coincidentes em datas e valores ou outro meio de prova que permitisse uma vinculação inequívoca entre os pagamentos e os recibos (efls. 36). No entanto, na resposta constante do próprio Termo de Intimação, o mesmo indica que não há possibilidade de apresentar documentos, uma vez que os pagamentos foram feitos em dinheiro. Ainda que os pagamentos tenham sido realizados em dinheiro, tal como alega o recorrente, verificase que este não trouxe à sua defesa nenhum comprovante bancário capaz de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento da despesa. Dessa forma, não há reparos a serem feitos na decisão de piso. Cumpre ressaltar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Assim, havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. O pagamento em dinheiro serve muito bem para quitar um débito, mas para comproválo, ainda mais junto a terceiros, pode se tornar tarefa árdua. Importa salientar, por fim, que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 102DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911461/2009-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ.
A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento.
Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 3002-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
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RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 61 /2 00 9- 26 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.911461/200926 Acórdão n.º 3002000.430 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 165/167) exarado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 22301.02014.170507.1.3.043780, transmitida em 17 de maio de 2007, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 18.398,88, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), mediante Darf código 5856, em 13 de abril de 2006, no valor de R$ 42.334,82, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 07 de outubro de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o valor do crédito pleiteado é proveniente de serviços de administração de obra, conforme notas fiscais que junta aos autos, os quais estão sujeitos ao regime cumulativo até 31 de dezembro de 2006. A contribuinte informa que não retificou a DCTF e o Dacon referente ao período de apuração do crédito porém, após a constatação do erro (com a ciência do Despacho Decisório) transmitiu as declarações retificadoras, em relação aos períodos de apuração de fevereiro, março e abril de 2006, conforme documentação que anexa." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 09), alegando, em resumo, que deveria ser reconsiderado o r. Despachos Decisório uma vez que juntou todas as notas fiscais, declaração retificadora da DCTF, bem como da Dacon, planilha de apuração da base de cálculo do tributo pleiteado e, por fim, cópia dos pagamentos por regime não cumulativo a fim de reconhecer a totalidade do crédito compensado, com base na Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ votou por indeferir a manifestação de inconformidade, por considerar que o contribuinte "na data de apresentação da Dcomp, não havia retificado a DCTF", conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.911461/200926 Acórdão n.º 3002000.430 S3C0T2 Fl. 4 3 "COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 171/177) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) o direito subjetivo à compensação, o qual não se pode ser afastada por mero erro formal da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. De inicio, é valido observar que a DRJ deixou de analisar a certeza e liquidez do crédito tributário alegando que "ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF, esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp" afirmando que "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida" e, por fim, "que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem.". À primeira vista, entendo que os documentos juntados pelo contribuinte são suficientes à comprovação do direito creditório pleiteado, ou seja, planilha de apuração da base de cálculo do tributo com os DARF´s (fls. 23/34), notas fiscais (obras por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil fls. 16/22) e a DCTF devidamente retificada (35/75) e a DACON (fls. 76/143). Contudo, em razão da retificação da DCTF que só foi feita após o despacho decisório (fls. 07), o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada, entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Do transcrito acima, extraise que a DRJ ao assim proceder, ou seja, deixando de analisar à DCTF retificada, por considerar "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF." Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10580.911461/200926 Acórdão n.º 3002000.430 S3C0T2 Fl. 5 4 prejudicou o sujeito passivo, pois, tendo em vista a adoção de premissa equivocada (impossibilidade de análise de DCTF retificadora), deixou de apreciar o mérito da contenda (existência ou não do crédito tributário). E, uma vez constatada tal falha, tornase imperativa a sua correção, com amparo no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, "in verbis": "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por oportuno, é válido mencionar que ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho Decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Outrossim, por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/15, a administração tributária se manifestou favoravelmente quanto à possibilidade de retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação e depois do indeferimento do pedido, exarado nos seguintes termos: "RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. (...) Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010." Corroborando com o entendimento acima disposto, conforme Acórdão nº 9303006.266 da CÂMARA SUPERIOR de 25/01/2018, "in verbis": "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).". Sendo assim, uma vez anexada aos autos, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer a possibilidade de análise Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.911461/200926 Acórdão n.º 3002000.430 S3C0T2 Fl. 6 5 da DCTF retificadora enviada após a DCOMP, e, por consequência, determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira nova decisão, em que seja analisada a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 196DF CARF MF
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