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Numero do processo: 13896.901476/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. MOMENTO DA RETIFICAÇÃO. INSTRUMENTO RETIFICADOR. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO NÃO ATENDIDA.
A retificação de declaração de compensação não é possível se essa pretensão se dá em sede de manifestação de inconformidade, após a decisão administrativa que negou homologação à compensação declarada. Essa conclusão se mostra especialmente correta na situação em que a contribuinte foi alertada de irregularidades na declaração e deixou de promover tempestivamente as indispensáveis retificações.
Numero da decisão: 1301-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior, que votou por DAR provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. MOMENTO DA RETIFICAÇÃO. INSTRUMENTO RETIFICADOR. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO NÃO ATENDIDA. A retificação de declaração de compensação não é possível se essa pretensão se dá em sede de manifestação de inconformidade, após a decisão administrativa que negou homologação à compensação declarada. Essa conclusão se mostra especialmente correta na situação em que a contribuinte foi alertada de irregularidades na declaração e deixou de promover tempestivamente as indispensáveis retificações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior, que votou por DAR provimento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 14 76 /2 00 8- 30 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.105 S1C3T1 Fl. 209 2 Relatório ARCOS DOURADOS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1212.064.179, de 21/03/2014, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de compensação materializada pela declaração (Per/DComp) de fls. 02/07, na qual a interessada acima qualificada empregou alegado crédito, no valor de R$ 845.722,87, oriundo de saldo negativo referente ao anocalendário 2000. A compensação, declarada 15/03/2004, não foi homologada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente (fls. 09), o pretenso saldo negativo não consta na DIPJ, não havendo, por conseguinte, crédito disponível para a compensação realizada. Fundamentouse a decisão nos dispositivos legais que constam do aludido despacho. Inconformada com a denegação de seu intento, da qual tomou ciência em 29/07/2008 (fls. 13), a interessada interpôs, no dia 21 do mês seguinte, a manifestação de inconformidade de fls. 17/23, alegando, em síntese, erro no preenchimento do Per/DComp, precisamente quanto à origem do crédito empregado, que não seria o saldo negativo de 2000, mas do ano de 2001. A 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I/RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1212.064.179, de 21/03/2014 (fls. 156/158), negoulhe provimento com a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2000 ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. A reti ficação de declaração de compensação somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais veri f icadas no preenchimento de referido documento. O erro de identi f icação do indébito tributário na formulação do PER/DCOMP é insanável , já que se trata de alteração do próprio direi to. Ciente da decisão de primeira instância em 03/02/2015, conforme termo à fl. 163, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/03/2015 conforme registro à folha 165. No recurso interposto (fls. 165/181), a interessada traz argumentos que podem ser sintetizados como segue: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.105 S1C3T1 Fl. 210 3 · Diante dos princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, a recorrente conclui que erros cometidos pelo sujeito passivo não são capazes de criar obrigações tributárias. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. · A recorrente discorre sobre o conceito de “erro”, conforme doutrinadores diversos. Conclui, citando Orlando Gomes, que “a palavra erro tem, na linguagem jurídica, sentido amplo, compreendente até o equívoco na declaração de vontade e na sua transmissão”. Por sua ótica, esse raciocínio seria estendido aos casos de restituição e compensação tributárias. · A interessada acrescenta que, do exame da DIPJ do exercício de 2002, anocalendário 2001, se verifica que o valor do saldo negativo de IRPJ pleiteado no presente processo administrativo, R$ 845.722,87, corresponde exatamente ao montante informado em sua DCOMP. Estaria, assim, caracterizado e comprovado o erro no preenchimento, a declaração equivocada do período de apuração a que se referia seu direito creditório (informado 2001, anocalendário, como se fosse o exercício). · A recorrente aduz que “diferentemente do que se alega na r. decisão recorrida, em momento algum, pretendeuse retificar o crédito que foi utilizado naquele PER/DCOMP, mas apenas retificar o erro material cometido quando do preenchimento do exercício a que o mesmo se referia”. A contribuinte conclui com o pedido de reforma do acórdão recorrido, reconhecimento da existência do crédito do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2001, exercício de 2002, e homologação da compensação discutida nos presentes autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuida o processo de declaração de compensação (DCOMP) na qual o alegado crédito é saldo negativo de IRPJ. O débito é de COFINS do período de apuração março/2004. Na declaração transmitida (fl. 3), consta que o crédito seria do exercício 2001. Ao não ser identificado pela Administração Tributária qualquer saldo negativo correspondente a esse período, foi negada homologação à compensação assim declarada. Alega a recorrente que o saldo negativo seria efetivamente existente, em valor idêntico ao declarado, correspondente ao exercício 2002, declarado por equívoco como 2001, e aí reside exatamente a discussão. De toda a argumentação da interessada e das provas dos autos, convençome de que de fato tenha havido um erro, por parte da interessada, no preenchimento da DCOMP de fls. 2/7. Em especial, a coincidência de valores entre o saldo negativo da DCOMP (fl. 3) e o saldo negativo da DIPJ do exercício 2002 (fl. 110), R$ 845.722,87; e as coincidências entre as Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.105 S1C3T1 Fl. 211 4 retenções de fonte da DCOMP (fls. 4/5) e as da ficha 43 da DIPJ (fls. 138/139). Esses elementos levam a crer que a intenção da interessada, ao preencher a DCOMP, tenha sido a de levar à compensação direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, exercício 2002, e não, como na verdade o fez, do exercício 2001. Não obstante, as conclusões a se extrair daí não são, necessariamente, aquelas pretendidas pela recorrente, em particular quanto aos efeitos disso sobre a compensação aqui discutida. A compensação em matéria tributária regese por disposições específicas. Aqui, vigora o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN, grifos não constam do original): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em cumprimento da faculdade outorgada pelo supracitado art. 170 do CTN, foi promulgada a Lei nº 9.430/1996, cujo artigo 74 tinha, originalmente, a redação abaixo: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (DOU de 31/12/2002), alterou essa redação, que passou a ser a seguinte (grifos não constam do original): Artigo 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.105 S1C3T1 Fl. 212 5 § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Com isso, já é possível afastar a principal argumentação da recorrente, de que erro seria incapaz de gerar obrigação tributária. Não porque essa afirmação, em si, não seja verdadeira, mas porque se demonstra inaplicável ao caso sob exame. Aqui, o crédito tributário exigido da interessada é de COFINS de março de 2004, e sobre esse crédito tributário não há qualquer alegação de erro ou incorreção. O crédito tributário não foi criado por erro de qualquer espécie, mas pela ocorrência inconteste do fato gerador tributário. A interessada buscou valerse de uma forma de extinção desse crédito tributário que lhe é facultada por lei, a saber, a compensação, mas o fez de modo incorreto. Essa forma de extinção do crédito tributário, a teor da legislação supratranscrita, se reveste de características peculiares. Ressaltese: as condições e garantias para tanto são aquelas estipuladas por lei ou pela Autoridade Administrativa competente, por outorga legal. A lei criou o instrumento declaratório da compensação, a ser apresentado pelo sujeito passivo, com informações acerca dos créditos utilizados. Na sequência, a autorização para que a então Secretaria da Receita Federal disciplinasse os procedimentos de compensação, seja na redação original do art. 74 (“a Secretaria da Receita Federal, [...], poderá autorizar [...]”), seja expressamente pelo § 5º do dispositivo, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, levou à edição de normativos adequados e conformes à legislação vigente em cada momento. De especial interesse para o caso analisado os arts. 6º a 8º da Instrução Normativa SRF nº 376/2003 (publicada no DOU de 31/12/2003, grifos não constam do original) 1: Art. 6º O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.2, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7º e 8º. Parágrafo único. Na hipótese de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação elaborado mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º, a retificação de que trata o caput será requerida pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF de pedido de retificação e de novo formulário, os quais serão juntados ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 7º A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º somente será admitida na hipótese de inexatidões 1 Esse era o normativo vigente em 15/03/2004, data da transmissão da DCOMP aqui discutida, vide fl. 2. Diversos outros normativos o sucederam, com disposições idênticas ou muito semelhantes. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.105 S1C3T1 Fl. 213 6 materiais verificadas no preenchimento de referido documento e, ainda, da nãoocorrência da hipótese prevista no art. 8º. Art. 8º A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação de referida Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Como se vê, a retificação da declaração era permitida, mas isso deveria ser feito mediante a entrega de declaração retificadora e antes de proferida decisão administrativa. Tratase, a meu ver, de disciplina perfeitamente compatível com a outorga legal conferida à Receita Federal, e ainda, com as “condições e garantias” de que trata o CTN. Ademais, ao examinar os autos, encontro à fl. 8 um Termo de Intimação, datado de 31/08/2006, no qual é constatada irregularidade no preenchimento do PER/DCOMP, consistente precisamente na não identificação de saldo negativo na DIPJ do exercício 2001. A contribuinte é intimada nos seguintes termos: Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Não consta dos autos qualquer providência saneadora adotada pela interessada, pelo que, em 18/07/2008 (quase dois anos após a intimação para regularização), foi lavrado o Despacho Decisório de fl. 9, negando homologação à compensação por ausência do alegado direito creditório. Diante disso, é possível concluir que, não obstante aparentemente ter havido erro no preenchimento da DCOMP, esse erro não criou qualquer obrigação tributária. Mas influiu, sim, na nãohomologação da extinção de obrigação tributária pela via da compensação. O erro, não corrigido a tempo (antes da decisão administrativa), apesar de intimada a contribuinte a tanto, corresponde ao descumprimento da disciplina baixada pela Receita Federal, no uso da competência recebida por lei. Com isso, a extinção do crédito tributário (de COFINS) por compensação não foi permitida. Sendo a compensação procedimento de iniciativa do sujeito passivo, é sua responsabilidade bem instruir o processo, prestando corretamente e em tempo hábil as informações pertinentes. E, como bem ressaltado pela decisão recorrida, a manifestação de inconformidade não é instrumento para retificação de declaração de compensação, posto que apresentada após a decisão administrativa. Observo, finalmente, que não se trata de negar reconhecimento ao hipotético direito creditório de saldo negativo de IRPJ do exercício 2002. E digo hipotético, porque neste processo não se fez qualquer análise sobre sua existência, certeza ou liquidez. Mas sim, de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.105 S1C3T1 Fl. 214 7 negar homologação à compensação declarada, posto que feita sem a observância da disciplina correspondente. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000443/2001-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES ENTRE O PARADIGMA E O ACÓRDÃO RECORRIDO. DIVERGÊNCIA INEXISTENTE.
Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas dos paradigmas apontados e do acórdão recorrido são diferentes e resta impossível verificar divergência capaz de ensejar a revisão do julgamento em sede de recurso especial.
Numero da decisão: 9303-004.357
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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DIVERGÊNCIA INEXISTENTE. Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas dos paradigmas apontados e do acórdão recorrido são diferentes e resta impossível verificar divergência capaz de ensejar a revisão do julgamento em sede de recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 04 43 /2 00 1- 32 Fl. 353DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivamente apresentado pela Fazenda Nacional, com amparo no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em face do Acórdão n° 340201.862, de 21/08/2012, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Comprovado por laudo técnico que os produtos intermediários sofrem desgaste no processo produtivo, em função de seu contado com o produto em fabricação, demandando sua constante reposição, deve ser reconhecido o direito de crédito básico e IPI sobre tais insumos. ] A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão da subsunção ao conceito de insumos para partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, não classificados no ativo permanente da empresa, e mesmo se constatado o desgaste ou consumo no processo produtivo dela. Para comprovar o dissenso foram apontados, como paradigmas, os Acórdãos nº 20180.424 e 20311.519, cujos inteiro teor das ementas foram transcritas no recurso. Na decisão recorrida restaram acolhidas as conclusões de laudo pericial e reconhecidos os créditos sobre os produtos (partes de máquinas) listados às fls. 221 a 248. Contrariamente, os paradigmas em foco entenderam que as partes, peças e componentes de máquinas e equipamentos não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para os fins de manutenção do crédito do IPI. Dado seguimento ao recurso especial, a recorrida oferece contrarrazões, em que aponta a inexistência de divergência, pois os paradigmas trazidos contemplam situações diversas da do recorrido. No mérito, chama a atenção para laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, produzido especificamente para o contencioso, e requer a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13876.000443/200132 Acórdão n.º 9303004.357 CSRFT3 Fl. 354 3 O recurso interposto pela PGFN é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante demonstro a seguir. Consoante relatado supra, a divergência foi suscitada em razão da subsunção, pelo acórdão recorrido, do conceito de insumos para partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, não classificados no ativo permanente da empresa, e que tiveram constatação de desgaste ou consumo no processo produtivo dela, mediante produção de laudo técnico específico. Assim é que para haver divergência de aplicação da lei tributária ora sub analisis é indispensável que a discussão abarque não só o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados, mas também haja identidade de situação fática entre os paradigmas e o caso vertente. Notase que em ambos os acórdãos indicados pela PGFN houve discussão sob o prisma da pertinência das peças e partes de máquinas como insumos relativamente ao processo produtivo da pessoa jurídica, todavia, para configurar divergência de interpretação da lei aplicada neste contencioso, não basta que peças e partes de máquinas sejam glosados como insumos. Esses têm de não ser classificados no ativo permanente da empresa e ter constatação de desgaste ou consumo no processo produtivo dela, tudo isso mediante produção de laudo técnico específico. Foi dessa forma muito peculiar que a recorrida conseguiu o seu creditamento. Ainda podese adicionar outra diferença entre os acórdãos em cotejo: o processo produtivo da recorrida é todo realizado na área de mineração; ao passo que o das empresas veiculadas nos paradigmas ocorrem no setor têxtil. Ora, se as situações fáticas das lides julgadas são bem diversas, resta impossível verificar divergência capaz de ensejar a revisão do julgamento em sede de recurso especial, porquanto ilegítimo o cotejo entre os paradigmas apontados e o acórdão recorrido. Nesse sentido, o recurso interposto pela Fazenda Nacional convolase mais em um pedido de reconsideração do acórdão, onde são apresentados argumentos e jurisprudência, do que em um recurso especial de fato. Do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do presente recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Fl. 355DF CARF MF 4 Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.003228/2005-33
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. DECISÃO NÃO UNÂNIME. CONTRARIEDADE À LEI. SUPERVENIÊNCIA DE SÚMULA VINCULANTE DO STF. PROVIMENTO NEGADO.
Nega-se provimento a recurso especial da Fazenda Nacional, de decisão não unânime, por contrariedade à lei, quando da superveniência de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) em sentido contrário.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA. PARADIGMAS. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS.
NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial do contribuinte, por divergência, quando os paradigmas apresentados tratam de situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
Numero da decisão: 9101-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Nathalia Correia Pompeu.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Luis Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Nathália Correia Pompeu. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. DECISÃO NÃO UNÂNIME. CONTRARIEDADE À LEI. SUPERVENIÊNCIA DE SÚMULA VINCULANTE DO STF. PROVIMENTO NEGADO. Nega-se provimento a recurso especial da Fazenda Nacional, de decisão não unânime, por contrariedade à lei, quando da superveniência de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) em sentido contrário. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA. PARADIGMAS. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial do contribuinte, por divergência, quando os paradigmas apresentados tratam de situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
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DECISÃO NÃO UNÂNIME. CONTRARIEDADE À LEI. SUPERVENIÊNCIA DE SÚMULA VINCULANTE DO STF. PROVIMENTO NEGADO. Negase provimento a recurso especial da Fazenda Nacional, de decisão não unânime, por contrariedade à lei, quando da superveniência de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) em sentido contrário. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA. PARADIGMAS. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial do contribuinte, por divergência, quando os paradigmas apresentados tratam de situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Nathalia Correia Pompeu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 32 28 /2 00 5- 33 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003228/200533 Acórdão n.º 9101002.407 CSRFT1 Fl. 952 2 (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Luis Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Nathália Correia Pompeu. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida, no que interessa à presente lide: Cuidase de recurso voluntário interposto pela empresa Marambaia Capital S.A. contra decisão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, que julgou inteiramente procedentes os lançamentos consubstanciados em autos de infração relativos a IRPJ, PIS, COF1NS, CSLL, com imposição da multa de 150%. Foi ainda lançada a multa isolada pela falta de recolhimentos por estimativa do IRPJ e da CSLL. A ciência dos autos de infração ocorreu em 12/12/2005. A empresa foi acusada de ter praticado omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização da operação de venda de participações, a qual foi registrada, de forma simulada, como permuta sem pagamento de torna. Os fatos caracterizados como simulados, segundo o Termo de Verificação Fiscal, foram os seguintes: [...]. Em impugnações tempestivas, a interessada suscita a decadência e contesta a acusação de simulação. [...] A 7ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão 10.119, de 30 de março de 2006, cuja ementa tem a seguinte dicção: [...] DECADÊNCIA, DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ARTIGO 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Nos lançamentos por homologação, o direito de constituir o crédito tributário decai após decorridos 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, exceto nas hipóteses em que ocorram dolo, fraude ou simulação, cujo prazo passa a ser de 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003228/200533 Acórdão n.º 9101002.407 CSRFT1 Fl. 953 3 [...] CSLL/PIS/COFINS. DECADÊNCIA. O art. 45, caput e inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, reza que o direito de constituir o crédito tributário extinguese somente após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. [...] Cientificada da decisão em 24.04.2006 (fl. 531), a empresa ingressou com o recurso em 26 de maio seguinte, conforme carimbo à fl. 533. [...] Na reedição da arguição de decadência, reforça que o lançamento poderia ter sido efetuado até setembro de 2004, que não há comprovação de dolo, fraude ou simulação, que a intenção das partes na celebração da permuta é clara e de acordo com a legislação. A Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 10196.066, de 29 de março de 2007, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente, no que interessa à presente lide: DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos lançamentos por homologação, o direito de constituir o crédito tributário decai após decorridos 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, exceto nas hipóteses em que presente dolo, fraude ou simulação, cujo prazo passa a ser de 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. [...] ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER, em parte, a preliminar de decadência suscitada, apenas em relação às exigências da contribuição para o PIS, da COFINS e das multas isoladas, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias, que rejeitaram essa preliminar em relação à exigência da COFINS, e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Mário Junqueira Franco Júnior, que deram provimento ao recurso. Da decisão recorrida, transcrevo os seguintes trechos: O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais. Dele conheço. A Recorrente suscitou a decadência. O termo inicial para contagem do prazo decadencial variará, conforme se conclua que ocorreu ou não dolo, fraude ou simulação. Assim, deixo para analisar a questão da decadência depois de enfrentar a questão principal de mérito. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003228/200533 Acórdão n.º 9101002.407 CSRFT1 Fl. 954 4 [...] Uma vez presente a simulação, não há como afastar a qualificação da multa. Passo a analisar a arguição de decadência, observando que o sujeito passivo tomou ciência dos autos de infração em 12/12/2005, e as operações motivadoras ocorreram em setembro de 1999. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de casos de fraude, dolo ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado. Como a empresa optou pela tributação com base no lucro real anual, de acordo com a jurisprudência desta Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o lançamento poderia ter sido efetuado em 2000, e o termo inicial é 1º de janeiro de 2001. Por conseguinte, a decadência só se operaria em 31/12/2005. O PIS e a COFINS, por terem fato gerador mensal, poderiam ter sido lançados ainda em 1999. Assim, o termo inicial é 1º de janeiro de 2000 e o termo final é 31/12/2004. Portanto, estão as exigências fulminadas pela decadência. [...] Pelas razões expendidas, dou provimento parcial ao recurso para cancelar as exigências relativas ao PIS, à COFINS, e às multas lançadas isoladamente por falta de recolhimento das estimativas, porque atingidas pela decadência. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial de decisão não unânime, por contrariedade à lei, relativamente à Cofins, argumentando, em síntese: a) que não foi aplicado ao caso o disposto no art. 45 da Lei 8.212/91, que dispõe sobre o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais para a seguridade social; b) que não cabe ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar o art. 45 da Lei 8.212/91, eis que estaria decretando a sua inconstitucionalidade; c) que, consoante a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, afastar a aplicabilidade de lei significa declarar a sua inconstitucionalidade; d) que o art. 45 da Lei 8.212/91 é norma especial frente ao art. 150, § 4º, do CTN, e, como este mesmo diploma admite a edição de normas específicas sobre o prazo decadencial, inexiste qualquer conflito entre essas disposições; e e) que deve ser afastada a decadência do lançamento da COFINS, apontada pela Câmara a quo, determinandose o retorno dos autos àquela Câmara, para apreciação do mérito do recurso voluntário interposto nos presentes autos. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003228/200533 Acórdão n.º 9101002.407 CSRFT1 Fl. 955 5 a) que qualquer disposição acerca de prazos de prescrição e decadência em matéria tributária, tais como o início, a suspensão, a interrupção e o lapso temporal de tais prazos, é matéria que, no direito brasileiro, está reservada à lei complementar; b) que o prazo decadencial para a formalização do crédito tributário, de acordo com o CTN, será sempre de cinco anos, qualquer que seja sua hipótese; c) que o que pode variar é apenas o termo inicial determinado para a contagem desse prazo; e d) que a decisão da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes não declarou a inconstitucionalidade da norma da Lei 8.212/91, apenas seguiu a orientação dessa Câmara Superior, e de outros precedentes do próprio Primeiro Conselho, a fim de aplicar a norma que a Constituição Federal determina. Foram interpostos embargos de declaração pelo contribuinte, questionando a ausência de formalização das declarações de votos vencidos, os quais foram rejeitados pelo Presidente da Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) da divergência quanto à declaração do voto vencido; e b) da divergência quanto à decadência. Quanto a esse último tópico, indica, como paradigmas, os acórdãos CSRF nºs 0105.425 e 0105.453, ambos de 2006, assim ementados, respectivamente (grifei): DECADÊNCIA – IRPJ A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei nº 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150, § 4º, e 1731 e § único do CTN). [...]. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DECADÊNCIA TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei nº 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da Fl. 955DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003228/200533 Acórdão n.º 9101002.407 CSRFT1 Fl. 956 6 ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150, § 4º, e 1731 e § único do CTN). Conclui que, sendo os fatos objetos da autuação relativos a setembro de 1999, e tendo a ora Recorrente entregue sua declaração em junho de 2000, com lastro na IN 28/00, o termo ad quem para constituição do crédito tributário em questão, à luz dos julgados paradigmas, só pode ser junho de 2005. Como o auto de infração atacado foi lavrado somente em 12 de dezembro de 2005, dúvidas não restam acerca da configuração da decadência. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, na parte relativa à “divergência quanto à decadência”, e negado pelo Presidente da CSRF/CARF na parte referente à “divergência quanto à declaração do voto vencido”. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nelas argumentando, em síntese, que a declaração de rendimentos (DIPJ) não é hábil a trazer para si a contagem do prazo decadencial, nos termos do parágrafo único do artigo 173 do CTN, uma vez que tal declaração não indica o início da constituição do crédito tributário por meio da notificação do sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Inicio, analisando o recurso especial da Fazenda Nacional, de decisão não unânime, por contrariedade à lei, relativamente à Cofins. Embora preenchesse, à época, os requisitos para seu conhecimento, referido recurso deve ser negado, em face da superveniência da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) de nº 8, de seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Passo a analisar o recurso especial do contribuinte, por divergência. Observo, de início, que os paradigmas apresentados não se prestam a comprovar a divergência jurisprudencial arguida, uma vez que se trata de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida tratase de Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), instituída pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998 (anocalendário de 1999), nos acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos CSRF nºs 0105.425 e 0105.453, ambos de 2006) tratouse, ao contrário, de Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (DIRPJ): CSRF/0105.425, de 21 de março de 2006: Fl. 956DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003228/200533 Acórdão n.º 9101002.407 CSRFT1 Fl. 957 7 Tratam os autos lançamentos de IRPJ e CSL, exercício de 1997 anocalendário de 1996, com fato gerador em 31.12.96, formalizada em virtude de glosa de despesas efetuadas através de operações com opções flexíveis em dólar por falta de comprovação. [...]. CSRF/0105.453, de 19 de junho de 2006: Tratam os autos lançamento de CSLL exercício de 1994, meses de janeiro a março de 1993, nos quais a fiscalização detectou compensação indevida de base negativa de CSLL gerada em períodos anteriores a 1992, quando não havia autorização legal para a referida compensação. E conforme ficou assentado na Súmula CARF nº 92, a DIPJ — ao contrário do que ocorria anteriormente com a DIRPJ (art. 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984): [...], desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Portanto, o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por não conhecer o recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 957DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11080.720349/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO POR MORTE POR BENEFICIÁRIO PORTADOR DE HIV. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO NO LAUDO PERICIAL DA DATA EM QUE A DOENÇA FOI CONTRAÍDA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE OUTROS DOCUMENTOS LEGÍTIMOS.
Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de HIV deve ser comprovada a sua condição de saúde atestada por laudo médico oficial. No presente caso, ante a ausência de comprovação deste requisito, e com base no princípio da verdade material, atestada a comprovação da doença por outros documentos idôneos que somados ao laudo oficial atestam o reconhecimento anterior da doença, há de ser reconhecido seu direito à isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, que negava provimento ao recurso voluntário.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO POR MORTE POR BENEFICIÁRIO PORTADOR DE HIV. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO NO LAUDO PERICIAL DA DATA EM QUE A DOENÇA FOI CONTRAÍDA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE OUTROS DOCUMENTOS LEGÍTIMOS. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de HIV deve ser comprovada a sua condição de saúde atestada por laudo médico oficial. No presente caso, ante a ausência de comprovação deste requisito, e com base no princípio da verdade material, atestada a comprovação da doença por outros documentos idôneos que somados ao laudo oficial atestam o reconhecimento anterior da doença, há de ser reconhecido seu direito à isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 03 49 /2 01 0- 15 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, que negava provimento ao recurso voluntário. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11080.720349/201015 Acórdão n.º 2401004.311 S2C4T1 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1040.505 (fls. 74/78), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que julgou improcedente a impugnação (fls. 01/02) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2004 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DO INÍCIO. Quando não identificada, no laudo pericial, a data em que a doença foi contraída, a isenção aplicase aos rendimentos recebidos a partir da data da emissão do laudo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento nº. 2005/610445597722197 de fls. 07/11 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 6.077,47, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, em virtude da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 08) a fiscalização informa a glosa de R$ 25.317,83, correspondente à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, nos seguintes termos: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de renda retido na fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 25.317,83, recebido(os) da(as) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido(IRRF)sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que é portadora de moléstia grave, desde 2006, fazendo jus à isenção tributária, nos termos do artigo 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88, artigo 47, da Lei nº. 8.541/92, artigo 30, da Lei nº. 9.250/95 e artigo 5º, da Instrução Normativa SRF nº 15/01 que, expressamente preveem os casos de rendimentos isentos e não tributáveis. A contribuinte trouxe documentos ao presente processo administrativo buscando justificar o direito a isenção tributária, apresentando, por sua vez, o Laudo Pericial emitido pelo IPE, declarando que a interessada é portadora de patologia enquadrada no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, alterada pela Lei n° 8.541/19992. No entanto, não consta no laudo a data do início da doença. Intimada do acórdão da DRJ/POA em 08/10/2012 (A.R. fl. 82), que julgou improcedente a sua impugnação, a recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fl. 84) em 23/10/2012, onde alega: a) Equívoco por parte da perícia do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do sul – IPÊ, na qual não foi inserida a data em que a recorrente contraiu a doença que proporciona a isenção do IRPF. b) Solicita que o exame e o atestado médico sejam levados em consideração, diante da ausência da data em que contraiu a doença no laudo emitido pelo IPÊ, até que novo laudo seja emitido, onde conste a data do início da doença. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11080.720349/201015 Acórdão n.º 2401004.311 S2C4T1 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado acima, a Notificação de Lançamento nº. 2005/610445597722197 de fls. 07/11 originase da OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS À TABELA PROGRESSIVA da recorrente, ainda que em sede de impugnação tenha apresentado simplesmente o laudo pericial atestando que a beneficiária dos rendimentos é portadora de moléstia grave prevista no art. 6°, XIV, da Lei nº 7.713/88. Já em sede de recurso voluntário (fl.84) a recorrente nada trouxe a conhecimento desse órgão julgador pela via documental. Apenas pela via da argumentação, na tentativa de usufruir do benefício da isenção, pugna pelo direito de apresentar novo laudo médico onde conste a data que contraiu a doença. A Lei n° 7.713 de 22 de dezembro de 1988, em seu art. 6°, inciso XIV(com nova redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, determina o seguinte: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Acerca do reconhecimento das doenças relacionadas nos incisos acima, foi editada a Lei nº. 9.250/95, que assim dispôs no seu artigo 30: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifamos) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. A Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, que dispõe sobre normas de tributação relativas à incidência do imposto de renda das pessoas físicas, estabelece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 3º São isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, conforme os incisos XII e XXXV, Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11080.720349/201015 Acórdão n.º 2401004.311 S2C4T1 Fl. 110 7 atestada por laudo médico oficial, desde que correspondam a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave. § 4º É isenta também a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão referidas nos incisos XII e XXXV. No presente caso, muito embora a contribuinte seja pensionista do IPÊ – Instituto de Previdência do Estado do RS (fls. 32), não foi atendido o requisito previsto no § 2°, inciso III do dispositivo legal supramencionada, uma vez que não consta no laudo pericial a data do início da doença. Dessa forma, embora suas razões de impugnação e recurso voluntário sejam sempre pela sua condição de isenta por ser portador da doença HIV, a contribuinte autuada não apresentou a prova prevista legalmente da data em que contraiu a doença, a qual proporciona o direito de usufruir da isenção do IRPF. Todavia, ante o fato de existir a possibilidade da doença ter sido contraída no ano de 2003 não cabe a este julgador basearse em probabilidades para tirar conclusões para elaboração do presente voto. Destaco que para a comprovação da sua condição de portadora de HIV, a Sra. Clelia Nunes Admar trouxe ao processo administrativo os seguintes documentos: a) Exame (fl. 89) realizado no laboratório Faillace pela Dra. Adelma Maria Wolff datado de 29/10/2003; b) Atestado Médico (fl. 26), assinado pelo Dr. Breno Riegel Santos (CRM 8641), datado de 17/04/2008; Assim, diante das alegações da Recorrente, bem como as provas apresentadas, entendo que, muito embora haja a ausência de um prérequisito considerado indispensável à análise da isenção, qual seja, a identificação, no laudo pericial, da data em que a doença foi contraída, é plausível a análise de eventual isenção diante dos outros documentos apresentados pela contribuinte. Essa relativização ocorre em razão do princípio da verdade material, eis que é garantido ao particular, também no âmbito do processo administrativo, o devido processo legal e todas as demais garantias constitucionais como a ampla defesa e contraditório. Pois bem, o exame realizado no Laboratório Faillace (Fl. 89), conferido eletronicamente e sob coordenação da Direção Técnica de dois Médicos, sendo eles: Prof. Dr. Renato R. Fallace(CRM 1407) e Dr. Bruno Bertschinger (CRM 1234) e realizado pela Dra. Adelma Maria Wolff, na data de 29/10/2003, tem o condão de constituir prova necessária a respeito da condição de saúde da contribuinte no ano de 2003, uma vez que positivo o resultado do exame para HIV: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 No mais, promovendo o cotejo das provas, a fim de prolatar uma decisão justa, há ainda o atestado médico do Dr. Breno Riegel Santos (Fl. 26), infectologista (CREMERS 8641), onde constatase a declaração de que a Sra. Cleia Nunes Ademar é portadora de Aids, estando em acompanhamento desde a data de 07/11/2003 e em tratamento desde a data de 26/01/2006. Desse modo, entendo que, diante da legitimidade de um exame laboratorial sob coordenação médica apresentando o resultado dos exames e, ainda, da declaração de Médico Especialista afirmando ser a contribuinte portadora da doença HIV desde a data de 07/11/2003, as provas trazidas ao processo merecem ser consideradas em toda a sua extensão Isto posto, ante a análise dos documentos apresentados a fim de contestar o crédito tributário exigido que ensejaram o presente lançamento, bem como a consideração, devido ao princípio da verdade material, das provas apresentadas pela contribuinte, suficientes a possibilitar a análise de sua isenção antes do ano de 2006 por ser portadora de HIV, dou provimento ao presente recurso voluntário. CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER E DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 18470.900973/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/11/2002
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.392
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/11/2002 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 09 73 /2 01 2- 11 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 18470.900973/201211 Acórdão n.º 3402003.392 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.331), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 18470.900973/201211 Acórdão n.º 3402003.392 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 440DF CARF MF Processo nº 18470.900973/201211 Acórdão n.º 3402003.392 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 18470.900973/201211 Acórdão n.º 3402003.392 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 442DF CARF MF Processo nº 18470.900973/201211 Acórdão n.º 3402003.392 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.004138/2003-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1986
IRPF. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A existência do direito à restituição é condicionada à comprovação de existência de pagamento, indevido ou maior que o legalmente devido e não previamente compensado ou restituído (fato constitutivo do direito em questão). O ônus da prova da existência de tal pagamento assim, recai, assim, sobre o contribuinte, autor do pedido.
Numero da decisão: 9202-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes..
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A existência do direito à restituição é condicionada à comprovação de existência de pagamento, indevido ou maior que o legalmente devido e não previamente compensado ou restituído (fato constitutivo do direito em questão). O ônus da prova da existência de tal pagamento assim, recai, assim, sobre o contribuinte, autor do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 41 38 /2 00 3- 33 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.004138/200333 Acórdão n.º 9202004.296 CSRFT2 Fl. 255 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 210102.186, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de abril de 2013 (efls. 212 a 217). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1986 IRPF. PDV. Comprovadas pelo Recorrente (i) a adesão ao PDV da empresa IBM; (ii) a natureza indenizatória das verbas recebidas, como incentivo à demissão voluntária, e (iii) a rescisão espontânea do contrato de trabalho, a restituição deve ser deferida. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No cálculo do valor a ser restituído devem ser incluídos os expurgos inflacionários correspondentes. Recurso provido em parte. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer o direito do Recorrente à restituição do imposto de renda incidente sobre a verba de Cr$ 415.264.624, intitulada “Indenização Complementar”, devidamente corrigida monetariamente, nos termos do voto do relator. Enviados os autos para fins de ciência da PGFN em 06/03/2014 (efl. 224), insurgindose contra esta, a Fazenda apresenta, em 19/03/2014 (efl. 225), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 226 a 232 e anexos). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 29/07/2009 , no Acórdão no. 130200.015, de lavra da 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 1a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e em no Acórdão no. 140100.115, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 1a. Seção deste Conselho, datado de 05/11/2009, cujas ementas e decisões são a seguir transcritas: Acórdão 130200.015 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.004138/200333 Acórdão n.º 9202004.296 CSRFT2 Fl. 256 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Outro Anocalendário: 1994 e 1995 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o captei do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.637, de 2002, excluiu do regimento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4° e 50 do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INAPLICABIL1DADE À evidência, o prazo estampado no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributados nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de reconhecimento de direito creditório, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVANTE DE RETENÇÃO.INDISPENSABILIDADE Ex vi do disposto no artigo 55 da Lei no 7.450, o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.Recurso Voluntário Negado. Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Acórdão 140100.115 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEI O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.004138/200333 Acórdão n.º 9202004.296 CSRFT2 Fl. 257 4 do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. RETENÇÃO NA FONTE COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa fisica ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA CSLL. A pessoa jurídica poderá compensar o valor de até 1/3 da COFINS efetivamente pago, relativo aos meses do anocalendário, na apuração de 31/12/1999 (ajuste anual), sendo que o excesso não compensado no ajuste anual não poderá ser compensado e nem utilizado em períodos posteriores. Decisão: por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e João Francisco Bianco (Suplente Convocado) e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integra o presente julgado. Ausente, momentânea e justificadamente, a Conselheira Karem Juredini Dias. Em breve síntese, alega a Fazenda Nacional, em seu recurso, em linha com o entendimento adotado pelos acórdãos paradigma, que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição somente poderia ser reconhecido com a apresentação do comprovante de retenção de rendimentos emitido pela fonte pagadora, a partir de exigência insculpida no art. 50 da Lei no. 7.450, de 23 de dezembro de 1985, matriz legal do art. 943, § 2o. do RIR/99, contrariando, assim, o entendimento do guerreado, no sentido de que a falta de tal documento pudesse ser suprida por prova distinta Requer, assim, que o Recurso Especial seja conhecido e que, no mérito, lhe seja dado provimento, para que seja restabelecida a decisão de 1a. instância, indeferindose o pedido de restituição em questão. O recurso foi admitido através de despacho de efls. 234/235. Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência, inicialmente o mesmo não foi encontrado, tendose promovido a citação através de edital de efls. 248 a 251. Assim, cientificado o contribuinte 15/07/15, o autuado quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões ou recurso especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.004138/200333 Acórdão n.º 9202004.296 CSRFT2 Fl. 258 5 Pelo que consta no processo quanto à tempestividade do recurso e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adentrando o mérito, verifico se estar diante de questão acerca do cabimento ou não de exigência de apresentação do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora quando do recebimento dos valores pelo requerente a título de PDV, durante o ano calendário de 1985. A propósito, entendo que, conforme previsto no art. 165, I, da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), a restituição é direito do contribuinte, sempre que caracterizada a cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido. decorrendo daí, em meu entendimento, a aplicação subsidiária ao instituto do disposto no art. 333, I do CPC/1973, em vigor em todas as fases processuais do presente feito (e, notese, integralmente reproduzido pelo art. 373, I do CPC/2015), que estabelece, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Assim, entendo que, aqui, em sede de repetição de indébito, não há que se falar em direito do requerente á eventual restituição, sem que antes estejam devidamente caracterizadas: a) a ocorrência de pagamento (ou retenção) indevido(a) ou maior que o(a) devido(a) e, notese, no mínimo, no montante pleiteado pelo requerente, incumbindo, destarte, ao interessado carrear aos autos provas no sentido do montante requerido a título de restituição ser indevido ou em excesso ao legalmente devido (a meu ver, no caso de retenção, a ser feita mediante comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, consoante art. 50 da Lei no. 7.450, de 23 de dezembro de 1985. e art. 943, § 2o. do RIR/99); b) A inexistência de compensação ou restituição prévia do montante objeto do pedido de restituição, visto que, nesta hipótese, o direito à restituição sob análise já resultaria, à época do pleito, extinto. Ou seja, entendo inexistir direito à restituição no montante objeto de pedido de restituição enquanto não comprovada a ocorrência de pagamento indevido ou em excesso ao quantum legalmente devido, pagamento este não compensado ou restituído previamente. Assim, tratase este fato, o pagamento/retenção não compensado ou restituído previamente, do fato constitutivo do direito à restituição (que inexiste, se não comprovado tal pagamento/retenção. Desta forma, entendo como em perfeita consonância com o arcabouço legal vigente a etapa inicial de reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo prevista pela Instrução Normativa SRF no. 210, de 2002, cabível, assim, ao sujeito passivo, consoante dispositivo do CPC acima reproduzido, provar o fato constitutivo de seu direito à restituição, qual seja, a existência de pagamento indevido ou maior que o legalmente devido, não objeto de compensação ou de restituição já efetivada, inclusive, sob pena de, em se abrindo mão desta última condição, se estar a validar enriquecimento ilícito às custas do erário. No caso em questão, cabível, assim, ao requerente comprovar que o montante que tenciona restituir, uma vez que indevidamente cobrado, haja sido objeto de retenção, a fim de que se caracterize o fato constitutivo que ensejaria o direito à restituição pleiteado e que não Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.004138/200333 Acórdão n.º 9202004.296 CSRFT2 Fl. 259 6 tenha havido compensação ou restituição do montante. Tal comprovação deve ser feita na forma legalmente determinada, pelo art. 55 da Lei no. 7.450, de 1985, mediante comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. A partir dos elementos constantes dos autos, verifico não ter o contribuinte se desincumbido deste ônus probante no caso em questão, uma vez que o referido comprovante de retenção não foi carreado aos autos, não havendo, ainda, notese, qualquer prova no sentido do montante retido já não ter sido objeto de compensação na declaração de ajuste anual ou de restituição já quitada. Assim, de se negar a restituição pleiteada e, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.004138/200333 Acórdão n.º 9202004.296 CSRFT2 Fl. 260 7 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o brilhante voto do relator ouso discordar de seu entendimento quanto a alegação de que o autor não tenha se desincumbido do ônus da prova por falta do comprovante de retenção do valor que almeja restituir. A aplicação do Código de Processo Civil possui aplicação subsidiária dentro do Processo Administrativo, deste modo, havendo norma mais favorável e específica como é o caso da Lei 9784/99 esta terá prioridade na sua aplicação, uma vez que regula os procedimentos administrativos de âmbito federal. Não se trata aqui, portanto, de uma disputa entre particulares no qual almejam discutir ou partilhar algo privado. Tratase do Estado através de sua administração que tributa particulares, e que deve fazêlo dentro dos estritos limites da lei. Aplicar neste caso a máxima do CPC de que a prova cabe a quem alega levaria a diversas interpretações que não atendem ao Interesse Público. Observese que a Lei citada, de ordem mais específica que o CPC possui maior condição de ser aplicada ao Processo Administrativo Fiscal. Isso se dá por que, embora a nova redação do CPC, em seu artigo 15 inove trazendo a aplicação do diploma ao Processo Administrativo este sempre se dará de forma supletiva. O CPC tem sua estrutura originária voltada para regular procedimentos civis entre particulares, ou seja, regula em maior monta direito de propriedade entre partes que se encontram judicialmente em pé de igualdade. Não é o que acontece no Processo Administrativo Fiscal, onde a Administração Pública – Fisco e Contribuintes atuam em total disparidade de condições. E isso se dá em qualquer procedimento administrativo no qual a Administração Pública figure, por que ela possui o mais importante dentro de um processo – Acesso integral a Informação e o Poder de mando. No caso especifico dos autos, a aplicação da Lei 9784/99 é muito mais prudente e focada nos objetivos do legislador ordinário, de modo que seus princípios de verdade material e inversão do ônus da prova devem ser aqui aplicados. No caso concreto dos autos observo que o contribuinte possui prova legítima do valor recebido a título de PDV, pois há exata correspondência do valor em sua declaração de Imposto de Renda do ano de 1985 anexada aos autos. A alegação ventilada em sede de julgamento de que a Fazenda Nacional não é obrigada a guardar documentos foge completamente do espírito da norma, por que a informação pode ser averiguada através de diversas outras provas que devem ser corroboradas pela Fazenda Nacional que reteve na fonte a verba em discussão. O entendimento da Câmara Ordinária foi unânime neste sentido, vejamos: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.004138/200333 Acórdão n.º 9202004.296 CSRFT2 Fl. 261 8 “Comprovadas pelo Recorrente (i) a adesão ao PDV da empresa IBM; (ii) a natureza indenizatória das verbas recebidas, como incentivo à demissão voluntária, e (iii) a rescisão espontânea do contrato de trabalho, a restituição deve ser deferida” Observo que a formalidade exagerada vai em desencontro com o que preleciona a Lei 9784/99, pois a verdade material se sobrepõe a forma. E no caso dos autos não se trata de uma verdade hipotética, mas sim de uma verdade real, houve retenção na fonte de verba comprovadamente indenizatória. Existe uma preocupação exagerada de se evitar o enriquecimento ilícito do contribuinte às custas do erário, contudo não há qualquer preocupação com a gravidade de se causar prejuízo ao administrado, face ao enriquecimento ilícito do Estado que usa de sua força para locupletarse de verba não devida pelo contribuinte. Insta frisar, que diferentemente de um processo entre particulares a Receita Federal não possui interesse próprio dentro do Processo Administrativo Fiscal, seu interesse é o interesse público e seu dever é o de eficiência conforme preleciona o art. 37 da Constituição Federal e estes dois valores conjugados, interesse público e dever de eficiência, exigem que a Fazenda Nacional colabore dentro do processo administrativo buscando não a vitória a qualquer custo, mas a melhor administração de sua função pública dentro da Estrutura do Poder Executivo a qual faz parte. Diante do exposto voto por conhecer do Recurso da Fazenda Nacional e no mérito negarlhe provimento. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11060.000037/2004-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002, 2003
Ementa:
ATOS COOPERATIVOS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. TRIBUTAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Restando comprovado nos autos que a COOPERATIVA praticava, tão- somente, atos mercantis, isto é, aquisição de produtos para posterior revenda, o resultado apurado deve ser submetido à incidência dos tributos federais, sendo irrelevante o fato de parte das aquisições ou dos destinatários dos referidos produtos se apresentarem como “associados”.
Numero da decisão: 1302-000.637
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. TRIBUTAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Restando comprovado nos autos que a COOPERATIVA praticava, tão somente, atos mercantis, isto é, aquisição de produtos para posterior revenda, o resultado apurado deve ser submetido à incidência dos tributos federais, sendo irrelevante o fato de parte das aquisições ou dos destinatários dos referidos produtos se apresentarem como “associados”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 422DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 413 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 414 3 Relatório COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE SÃO PEDRO DO SUL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, Rio Grande do Sul, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas aos anoscalendário de 2001 e 2002, formalizadas a partir da imputação de exclusão indevida, da base de cálculo das exações, de resultados positivos apurados. Em conformidade com Relatório produzido pela Fiscalização, a contribuinte exerce tão somente atividade própria de cooperativa de consumo, motivo pelo qual a totalidade de suas receitas deveriam, nos termos do art. 69 da Lei nº. 9.532/97, ser submetidas à tributação. Restou esclarecido, ainda, que a fiscalizada não promoveu a segregação contábil das aquisições feitas com associados e não associados. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 267/304), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que preencheria os requisitos da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, para ser enquadrada como sociedade cooperativa; que a Fiscalização teria se servido de lei inconstitucional, visto que o art. 69 da Lei n° 9.532, de 1997, tentou normatizar matéria reservada à lei complementar; que a única possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL seria quando da prática de atos não associados fato que não desnaturaria a sociedade como cooperativa, pois facultado em lei desde que, por óbvio, resultasse lucro desta atividade; que não poderia ser desclassificada da sua condição de cooperativa agropecuária para de consumo, porque seria permitida a aquisição de produtos de terceiros não associados, para a complementação de cotas que seriam repassadas aos associados; que o fato de ocorrer erro formal na documentação dos depósitos feitos pelos associados (no caso, os registros constam como de compra e venda) não desnaturaria o ato como cooperativo; que a circunstância, em virtude da complexidade jurídica e fática, demandaria a realização de perícia. A 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 3.319, de 28 de outubro de 2004, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevo. Fl. 424DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 415 4 PRELIMINAR.. NULIDADE DO LANÇAMENTO Como o Auto de Infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n.° 70.235/1972, e como não foram verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica arguir a nulidade do lançamento de oficio. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PROVA A prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não tem competência para apreciar matéria atinente à constitucionalidade ou legalidade de normas legais, ficando adstrita ao seu cumprimento. O foro próprio para discussões dessa natureza é o Poder Judiciário. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CONSUMO. TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS São tributadas como as demais pessoas jurídicas os resultados das sociedades cooperativas que atuem somente com a compra e venda de mercadorias. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, ao lançamento decorrente, quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 322/329, por meio do qual, amparandose em jurisprudência deste Colegiado, sustentou: que, se as operações estavam incluídas no seu objeto social e envolviam cooperados, não haveria hipótese de tais atos serem submetidos à tributação, sob pena de desvirtuar totalmente o mister das cooperativas; que, no que dizia respeito à segregação das operações praticadas com cooperados e nãocooperados, caberia observar que a própria decisão recorrida admitiu que existia operações com cooperados; Fl. 425DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 416 5 que, não obstante esse reconhecimento, a referida decisão indeferiu a perícia requerida por entendêla prescindível ou impraticável; que a tributação global revelaria forma de punição ao contribuinte por não ter realizado a citada segregação, o que seria rechaçado pelo art. 3°. do Código Tributário Nacional. Em sessão de 26 de abril de 2006, a Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu pela conversão do julgamento em diligência (Resolução nº 1051.250) para que fosse averiguado se, efetivamente, a contribuinte havia praticado operações que configuravam ato cooperativo. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria produziu o Relatório de fls. 355/356, por meio do qual argumentou que, consideradas as informações trazidas pela Fiscalização e as constantes do demonstrativo anexado pela contribuinte em sede de recurso, resultava evidente a preponderância das compras de não cooperados sobre as de cooperados e a prevalência das vendas a cooperados em relação a não cooperados. Aditou que tal fato evidenciaria característica de cooperativa de consumo, em que a atividade principal é representada pela compra de produtos para venda a associados, em oposição às cooperativas de produtores, que objetivam receber a produção dos cooperados para levála ao mercado consumidor com maior poder de negociação. A contribuinte, não obstante ter sido cientificada do resultado da diligência requerida pelo órgão julgador de segunda instância, não se manifestou. A já citada Quinta Câmara, de posse dos autos, entendendo que a Delegacia da Receita Federal não havia promovido as verificações nos termos em que haviam sido requeridas, decidiu, em sessão de 13 de novembro de 2008 (Resolução nº 1051.434), por nova conversão do julgamento em diligência. No voto condutor da referida decisão, restou assinalado: A diligência foi determinada para que fosse verificado se a contribuinte adquiriu produtos de seus associados para posterior revenda ou se os mesmos lhe são entregues mediante atos cooperativos, sem configurar operação mercantil. A autoridade encarregada da diligência, sem ter procedido a qualquer verificação, concluiu que a cooperativa comprava os produtos e os revendia, não se diferenciando de outro qualquer estabelecimento comercial. Diante disso, voto pela conversão do julgamento em diligência para que se faça a verificação determinada por esta Câmara. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria apresentou o Termo de fls. 374/375, em que, segregando as vendas realizadas para NÃO COOPERADOS das efetivadas para COOPERADOS, informou, in verbis: Os valores acima, representando as receitas de Vendas da Cooperativa nos períodos verificados, não se encontram segregados na contabilidade, entre vendas a cooperados e a não cooperados, conforme se constatou nas folhas dos balancetes Fl. 426DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 417 6 mensais ali indicadas, nas quais foram confirmados somente os valores totais constantes nas planilhas. Tanto na contabilidade quanto nos documentos que lhe serviram de base, estes verificados por amostragem, confirmouse a compra de produtos produzidos pelos associados para posterior revenda pela Cooperativa, em vez de depósito, como deveriam ser, para caracterizar um ato cooperativo de entrega de produtos para comercialização pela Cooperativa, em nome do associado. Adiante, por meio do Relatório de fls. 377, a referida unidade administrativa adita que: a) não ser possível apurar o percentual entre a receita com cooperados e não cooperados, pelo fato das receitas encontraremse escrituradas de forma globalizada, sem discriminação das operações praticadas com nãocooperados; b) a segregação de oficio das receitas implicaria necessariamente em refazer a escrituração diária da cooperativa, o que seria inviável executar por meio de diligência. Intimada a se pronunciar, a contribuinte trouxe aos autos o documento de fls. 379/386, argumentando, em apertada síntese, que: em um primeiro momento há que se denunciar a atitude tomada pela Fiscalização, eis que, flagrantemente, busca desvirtuar o decidido e determinado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, visto que não deu efetividade ao determinado e não envidou os necessários esforços na verificação do ali decidido, tentando, por via oblíqua, retirar a força do julgado e impondo exigência tributária diferente e excessiva; dentro de seu acervo de registros e controles possui todo um aparato (arquivos magnéticos, livros e registros contábeis) que dão conta da contabilização e registro de todas as suas operações, possível de se extrair, com pequeno dispêndio de tempo, as informações solicitadas, ou seja, o montante das receitas segregadas entre cooperados e não cooperados em cada um dos períodos de apuração; os relatórios apresentados em diferentes oportunidades e passíveis de análise nas diferentes esferas, são extraídos de sistema informatizado gerador da escrituração contábil da cooperativa – sistema este que é todo integrado – sendo, portanto, meio idôneo e hábil para que a Fiscalização, usando dos recursos e das técnicas hoje disponíveis, pudesse extrair todas as conclusões necessárias e possíveis; é possível, à vista dos elementos existentes e disponibilizados, apurar o percentual entre receita entre cooperados e nãocooperados; a segregação de oficio das receitas não implica necessidade de se refazer a escrituração contábil diária da cooperativa no período em tela; basta compulsar os elementos existentes para se verificar o que foi operação com cooperado e o que foi operação com nãocooperado, algo que já foi feito por ela e que consta de relatório disponibilizado. É o Relatório. Fl. 427DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 418 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas aos anoscalendário de 2001 e 2002, formalizadas a partir da imputação de exclusão indevida, da base de cálculo das exações, de resultados positivos apurados. Em conformidade com o Relatório de fls. 224/243, os lançamentos tributários sob apreciação foram consubstanciados nos seguintes fundamentos: 1. a partir da análise das operações efetuadas pela Recorrente, restou constatado que esta praticou nos anos objeto de averiguação operações meramente mercantis de COMPRA e VENDA; 2. a conclusão acima teve por base os seguintes fatos: a) os balanços (fls. 134/137) analisados demonstraram que a Recorrente contabilizou as operações como operação de COMPRA e VENDA; b) inexiste na contabilidade apresentada pela Recorrente qualquer segregação capaz de indicar a prática de atos cooperados; c) as mercadorias entregues à Recorrente foram provenientes de grandes empresas, domiciliadas em diversas regiões do país, algumas, inclusive, multinacionais, caracterizando, com isso, verdadeiras fornecedoras; d) a Recorrente já havia sido autuada (processo administrativo nº 11060.000173/200218) pela falta de recolhimento da COFINS e, apreciando impugnação interposta, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria se pronunciou no sentido de que a Recorrente atuava, tãosomente, na COMPRA e VENDA de mercadorias (acórdão DRJ/STM nº 1.682, de 27 de junho de 2003) 1; e) o voto condutor da decisão exarada no processo nº 11060.000173/200218 assinalou: ... Alega a contribuinte que não poderia ter sido desclassificada de cooperativa agropecuária para cooperativa de consumo. Ocorre que a impugnante, apesar de constar em seu Estatuto Social que poderá exercer atividades de cooperativa de produção e de consumo, somente exerce a atividade de 1 Não consta registro neste Colegiado de que a contribuinte tenha impetrado RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 428DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 419 8 cooperativa de consumo, conforme apurado pela fiscalização e não contestado pela impugnante. Aliás, os vários argumentos trazidos pela contribuinte em sua impugnação somente reforçam o entendimento de que realmente opera apenas como cooperativa de consumo. O fato de adquirir produtos de terceiros e, eventualmente, de cooperados e revendêlos em seu estabelecimento de supermercado, a terceiros ou a associados, não a caracteriza como cooperativa de produção, ao contrário, são exatamente estas operações que a caracterizam como cooperativa de consumo e a tais operações deve ser aplicado o disposto no art. 69 da Lei n° 9.532, de 1997, considerandose como consumidores tanto os associados como os nãoassociados, conforme dispõe o item 2, do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 004, de 1999. Para que ficasse caracterizado o exercício da atividade de cooperativa de produção (agropecuária), previsto em seu estatuto, a cooperativa deveria receber os produtos dos seus associados para classificação, padronização, armazenagem, beneficiamento, industrialização e registro de marcas, e então vendêlos, em nome dos seus associados. Entretanto, não é isso que ocorre, visto que a contribuinte apenas adquire e revende os produtos. ... (GRIFEI) Destaco que os excertos acima encontramse reproduzidos, por inteiro, na decisão exarada em primeira instância no presente processo. Em resposta à primeira diligência requisitada pela Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, a Delegacia da Receita Federal em Santa Maria reafirmou que, considerado os registros contábeis analisados, a Recorrente efetivamente praticava, apenas, compra e venda de mercadorias, não se caracterizando, assim, como cooperativa de produção, mas, sim, de consumo (Relatório de fls. 355/356). No referido Relatório, restou consignado: Do exposto, concluise que, no período fiscalizado, a Cooperativa comprava os produtos, tanto dos associados quanto de nãoassociados, para posterior revenda, o que nesse aspecto, não a diferenciava de outros estabelecimentos comerciais que intermedeiam negócios do gênero. Ressalto que, apesar de cientificada do inteiro teor do citado Relatório (aviso de recebimento às fls. 358), a Recorrente não se manifestou em relação às conclusões nele expressadas. No que tange à segunda diligência requisitada, as conclusões foram dirigidas no sentido de que: Fl. 429DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 420 9 restou confirmado mais uma vez que as operações realizadas pela Recorrente não configuraram ATO COOPERATIVO, mas, sim, COMPRA para posterior REVENDA, ainda que parte das referidas aquisições tenham sido feitas de “cooperados”; a Recorrente não efetuou qualquer segregação entre as operações realizadas entre com “cooperados” e “não cooperados”; a planilha anteriormente apresentada pela Recorrente decorreu de levantamento efetuado por seus advogados em virtude de demanda da justiça, sendo desconhecidas as fontes contábeis que serviram de suporte para tal levantamento. Observo, pois, que a imputação feita pela Fiscalização foi dirigida no sentido de que a Recorrente apresentava características de COOPERATIVA DE CONSUMO, isto é, adquiria produtos para revendêlos a consumidores, fossem eles associados ou não. Nesse diapasão, estaria a Recorrente, nos termos do art. 69 da Lei nº 9.532, de 1997, sujeita às incidências previstas para as pessoas jurídicas em geral. O dispositivo legal em referência tem a seguinte dicção: Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas Nesse contexto, noto que, a partir do recurso e das diligências requeridas em segunda instância de julgamento, a controvérsia posta em discussão, distanciandose do elemento nuclear da acusação feita pela Fiscalização (caracterização de cooperativa de consumo), centrouse no fato, a meu ver meramente subsidiário, de a contabilidade da Recorrente não refletir, de forma segregada, as operações realizadas com cooperados e não cooperados. Entendo, pois, que referida segregação revelase irrelevante no presente caso, eis que ela serviria, apenas, como elemento de confirmação da constatação feita pela autoridade fiscal. Noutro sentido, serviria para a Recorrente consubstanciar sua defesa, demonstrando que, nas operações realizadas com cooperados, atuou como autêntica cooperativa de produção, isto é, nos exatos termos do seu estatuto (alínea “d” do art. 2º e inciso III do parágrafo 1º do mesmo artigo), recebeu os produtos de seus associados e classificou, padronizou, beneficiou, industrializou e registrou as marcas de tais produtos, para, depois, mediante autorização prévia deles, os comercializar. Não identifico nos autos, entretanto, elementos capazes de infirmar os fatos apurados pela Fiscalização, em especial os relacionados à demonstração de que as operações promovidas pela Recorrente caracterizaramse, à vista dos registros contábeis e correspondente documentação de suporte analisados, como de COMPRA e VENDA. Destaco que também não encontro aportado ao processo qualquer documento indicando repasse da Recorrente para os associados em virtude da comercialização dos produtos supostamente entregues à ela. Fl. 430DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 421 10 Em sentido oposto, o que encontro nas peças de defesa apresentadas pela Recorrente é um conjunto de argumentos dirigido no sentido de criticar o trabalho feito pela autoridade fiscal e, principalmente, sustentar ser possível promover a segregação entre as operações realizadas com cooperados e não cooperados, questão que, como já disse, não guarda relevância frente à acusação imputada pela Fiscalização. Ressalto que, já por ocasião da interposição da peça impugnatória, a contribuinte demonstrou ter inteiro conhecimento acerca do elemento crucial do tratamento que lhe fora imputado pela Fiscalização, visto que ali, em seara preambular, assinalou: Em síntese, do que se depreende dos Relatórios de Fiscalização, há, pela prática de certos atos por parte da impugnante, desqualificação do tipo societário, redundando na imposição de tributação equiparada às demais pessoas jurídicas, ou seja, incidência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), tal qual qualquer sociedade de cunho industrial, comercial ou de prestação de serviços que vise lucro. Assim, o cerne da questão ora guerreada, sem dúvida, é a qualificação jurídica da atividade desenvolvida pelo impugnante. Em verdade, este é o ponto de discordância entre o entendimento do Fisco e do impugnante que ora passa a ser demonstrado. Resta fora de dúvida, portanto, que, no caso vertente, deveria a Recorrente ter envidado esforços no sentido de, primeiro, esclarecer os motivos que a levaram a contabilizar as operações de aquisição de produtos de cooperados e não cooperados e posterior comercialização como de COMPRA e VENDA, para, a partir daí, por meio de documentos hábeis e idôneos, demonstrar que atuava em nome dos seus associados, comercializando os produtos e promovendo os repasses correspondentes. Observese que as COOPERATIVAS têm por objeto principal a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nesse sentido, afastase dessa natureza as que, por via autônoma, adquirem produtos e os alienam sem qualquer autorização prévia de seus associados. Diferentemente do sustentado pela Recorrente, repiso, a autuação promovida pela Receita Federal não teve por fundamento o fato de não haver segregação contábil dos resultados com associados e não associados, mas, sim, por restar constatado por meio da contabilidade investigada e respectiva documentação de suporte que a contribuinte atuava como revendedora de produtos. Apesar de a Recorrente afirmar ter incorrido em “erro formal na documentação dos depósitos feitos pelos associados – nos registros consta como compra e venda” (fls. 290), o que, mais uma vez, denota perfeito conhecimento do fundamento da autuação, não traz ao processo elementos que possibilitem vislumbrar a prática de ato cooperativo. Nessa linha, a jurisprudência referenciada nas peças de defesa deixa de guardar relação com os fatos apurados no presente processo, pois, nas situações ali retratadas, não se duvidou da existência efetiva de atos cooperativos, panorama em que a segregação em relação aos atos tidos como não cooperativos assume especial relevância na solução do litígio. Fl. 431DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 422 11 Aqui, diferentemente, antes de se falar em segregação de atos cooperativos e não cooperativos, seria vital ultrapassar a questão da natureza das operações praticadas pela Recorrente, se mercantil ou não, ou seja, se atuou autonomamente visando lucro ou, despida de tal intuito, efetuou operações comerciais em nome dos seus associados. Como reiteradamente assinalado, a Recorrente, tirando do foco a principal acusação que lhe foi imputada, cuidou, apenas, de afirmar que as diligências não foram efetuadas nos termos em que foram requeridas e que seria possível, à luz de meios informatizados, promover a segregação das operações envolvendo associados e não associados. Relativamente à PLANILHA de fls. 330, documento de prova trazido pela Recorrente para servir de sustentação para os argumentos acerca da existência de atos cooperativos, ainda que se desconsidere a sua origem e o fato de ela não ser compatível com os registros contábeis, com a devida permissão, não constitui elemento hábil capaz de macular a conclusão da autoridade fiscal, eis que encontrase desprovida de documentação complementar que possibilite demonstrar que as operações ali discriminadas como efetuadas com associados efetivamente se caracterizam como atos cooperativos. Inservíveis, também, a meu ver, os documentos anexados em resposta à segunda diligência requerida, eis que: as fichas (fls. 388 e 390) estão representadas por documento de natureza interna e, isoladamente, nada comprovam; os denominados CADASTRO DE ASSOCIADO sequer se encontram assinados e, a exemplo das fichas referenciadas no item anterior, isoladamente, nada comprovam; as cópias de folhas do Livro Diário (fls. 393 e 394) encontramse desprovidas de documentação de suporte; os “extratos de conta” (fls. 395/400), o arquivo magnético referenciado às fls. 401 e a Relação de Movimentos de Associados (fls. 403 e 404), por outro lado, além de não estarem acompanhados de comprovação contábil, encontramse, também, desprovidos de documentos de suporte. Não custa lembrar que, nos termos da norma de regência (parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971), o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, situações que, considerados os registros contábeis e fiscais analisados pela autoridade fiscal, restaram configuradas nas comercializações promovidas pela Recorrente. Nesse compasso, equivocase a Recorrente ao afirmar que a simples inclusão no seu objeto social das operações realizadas, conjugada com o fato de tais operações envolverem associados, seriam suficientes para lhe retirar do campo de incidência tributária, eis que, tratandose de exercício comprovado de atividade mercantil, a exclusão pretendida não pode lograr êxito. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 432DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11060.000037/200481 Acórdão n.º 130200.637 S1C3T2 Fl. 423 12 Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 433DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003152/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
SUCESSÃO DISSIMULADA DE EMPRESAS. DEMONSTRAÇÃO POR MEIO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. ART 133 D0 CÓDIGO TR1BUTÁRIO NACIONAL.
Comprovada pelo Fisco, mesmo que com vastíssima prova indiciária, a sucessão dissimulada entre empresas com vínculos entre sócios e confusão patrimonial é cabível a responsabilidade prevista no artigo133 do CTN.
ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVAÇÃO. NECESSIDADE.
Encontra-se devidamente motivado o lançamento tributário precedido de MPF, no qual o contribuinte foi devidamente intimado para afirmar ou infirmar as imputações fiscais e acompanhado de relatório fiscal que especifique a ocorrência dos fatos geradores verificados pela Autoridade Notificante.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei nº 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei nº 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias ou subsidiária pelo crédito constituído.
Numero da decisão: 2201-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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DEMONSTRAÇÃO POR MEIO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. ART 133 D0 CÓDIGO TR1BUTÁRIO NACIONAL. Comprovada pelo Fisco, mesmo que com vastíssima prova indiciária, a sucessão dissimulada entre empresas com vínculos entre sócios e confusão patrimonial é cabível a responsabilidade prevista no artigo133 do CTN. ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVAÇÃO. NECESSIDADE. Encontrase devidamente motivado o lançamento tributário precedido de MPF, no qual o contribuinte foi devidamente intimado para afirmar ou infirmar as imputações fiscais e acompanhado de relatório fiscal que especifique a ocorrência dos fatos geradores verificados pela Autoridade Notificante. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei nº 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei nº 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias ou subsidiária pelo crédito constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 31 52 /2 00 8- 08 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra lançamento de contribuições previdenciárias referente a auto de infração por descumprimento do dever de retenção e recolhimento de valores devidos pelos contribuintes individuais que lhe prestam serviços. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 3 do processo digitalizado). O crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória foi formalizado por: Auto de Infração AI n° 35.790.9046, no valor de R$ 1.101,75 (hum mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), por infringir o Art. 4°, “caput”, da Lei n° 10.666, de 08.05.2003, ou seja, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições do segurado contribuinte individual a seu serviço (COD 59). Na mesma ação fiscal também foram constituídos os seguintes documentos de crédito, que se encontram anexados ao processo principal 18050.001828/200811: "Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.790.9089, no valor de R$7.095.725,86 (sete milhões, noventa e cinco mil, setecentos e vinte e cinco reais e oitenta e seis centavos), referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, nos termos do art. 20, art. 22 incisos I, II, III e art. 31 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991; do artigo 4° da Lei 10.666 de 08/05/2003 e às contribuições por lei devidas a terceiros, cuja arrecadação e fiscalização estão previstas no art. 94 da mesma lei; Auto de Infração AI n° 35.790.9003, no valor de R$ 1.101,75 (hum mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), por infringir o Art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o Art. 225, inciso I, § 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo decreto 3.048/99, ou seja, deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.003152/200808 Acórdão n.º 2201003.288 S2C2T1 Fl. 243 3 todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas legalmente (COD 30); Auto de Infração AI n° 35.790.9011, no valor de R$ 11.017,50 (onze mil, dezessete reais e cinqüenta centavos), por infringir o Art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, ou seja, não lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social (COD 34); Auto de Infração AI n° 35.790.9020, no valor de R$ 11.017,50 (onze mil, dezessete reais e cinqüenta centavos), por infringir o Art. 32, inciso III da Lei 8.212/91, combinado com o An. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo decreto 3.048/99, ou seja, deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis (COD 35); Auto de Infração AI n° 35.790.9038, no valor de R$ 11.017,50 (onze mil, dezessete reais e cinqüenta centavos), por infringir o Art. 33, §§ 2° e 3° da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo decreto 3.048/99, ou seja, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou Livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às fonnalidades legais exigidas, que contenha infonnação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira (COD 38); Auto de Infração AI n° 35.790.9054, no valor de R$ 666.007,91 (seiscentos e sessenta e seis mil, sete reais e noventa e um centavos), por infringir o An. 32, inciso IV, e §§ 3° e 9°, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inc. IV e §§ 2°, 3° e 4° do “caput” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, ou seja, deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por interrnédio de GFIP / GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo (COD 67); Auto de Infração AI n° 35.790.9062, no valor de R$ 293.759,20 (duzentos e noventa e três mil, setecentos e cinqüenta e nove reais e vinte centavos), por infringir o Art. 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 284, inc. Il e art. 373, ou seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (COD 68); Auto de Infração AI n° 35.790.9070, no valor de R$ 1.101,75 (hum mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), por infringir o disposto no Art. 2°, §3°, alínea “a”, do Decreto n“ 1.007, de 13 de dezembro de 1.993, combinado com o art. 33, §5° da Lei n° 8.212/1991, ou seja, deixou a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições a que se refere o art. 7° da Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, devidas pelo Fl. 244DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST e ao SENAT, incidentes sobre 0 valor do frete (COD 99); Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.790.9097, no valor de R$ 42.329,35 (quarenta e dois mil, trezentos e vinte e nove reais e trinta e cinco centavos), correspondente a contribuições previdenciárias previstas no Art.l 31 da Lei 8.212/1991. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do Contribuinte em 22 de setembro de 2005 (TEAF às folhas 84) Inconformado, o Contribuinte apresenta impugnação (fls. 156), tempestivamente. Em consequência, foi produzida a DecisãoNotificação nº 04.401.4/0551/2005, de fls 170. Tal decisão contém o seguinte relatório: "DA AUTUAÇÃO O presente Auto de Infração foi lavrado tendo em vista que a empresa referenciada deixou de arrecadar, mediante desconto na remuneração, a contribuição dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, conforme relacionados no Relatório Fiscal da infração (fls. 27 a 30), devidas a partir de 0412003, o que constitui infração ao art. 40, " caput, da Lei 10.666, de 08.05.2003.. 2.A MM Comércio S/A, CNPJ n° 01.866.643/000185, foi comunicada da ação fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal — MPFF n° 09241558, emitido em 27.05.2005. Em 09.08.2005, foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal — MPFF n° 09256741, para a empresa MULTIBEL Utilidades Domésticas Ltda. 3. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes nem a atenuante previstas nos artigos 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048199. 4. Consoante o Relatório Fiscal da Multa Aplicada às fls. 34, em decorrência da infração praticada, está sendo aplicada a multa cabível prevista no art. 283, inciso I, alínea "g", do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente ao valor de R$1.101,75 (hum mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), reajustada conforme determinado pela Portaria Ministerial n° 82 , de 11.05.2005.DA IMPUGNAÇAO 5. Da caracterização da sucessão — Constam dos itens 1 e 2 e respectivos subitens do Relatório Fiscal (fls. 02 a 27), relato circunstanciado e cronológico dos fatos e documentos examinados na ação fiscal que comprovam a condição da empresa notificada como sucessora da empresa MM Comércio S/A. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.003152/200808 Acórdão n.º 2201003.288 S2C2T1 Fl. 244 5 6. Para corroborar com as conclusões expostas no Relatório Fiscal, foram anexados aos autos, os seguintes documentos: Instrumento Particular de Constituição de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada da MM Comércio Ltda e alterações contratuais (fls. 80 a 86, 93 a 99); Laudos de Avaliação datados de 30.01.1998 (do patrimônio liquido da MM Comércio Ltda e da parcela cindida da Comercial Ramos Ltda, fis. 87188 e 91/92); Proposta e Justificação de Cisão Parcial da Comercial Ramos Ltda, de 02.07.1998 (versão de parcela de seu patrimônio para o património da MM Comércio Ltda., às fls. 89190); Ata da Assembléia Geral de Transformação da Estrutura Jurídica da empresa MM Comércio Ltda para MM Comércio S/A, em 06.07.1999 (fis. 100 a 106); atas de reunião e de assembléias ordinárias e extraordinárias da MM Comércio S/A (fls. 107 a 114); Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Ações entre Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira Junior (vendedor) e Silvio Luiz de Azambuja Correia e Josevando Souza Andrade (compradores), às fls. 115 a 117; Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Ações entre Silvio Luiz de Azambuja (vendedor) e Antonio da Silva Andrade (comprador), às fls. 1181119; Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Ações entre Josevando Souza Andrade (vendedor) e Antonio Sizínio de Souza (comprador), às fis. 120 a 122; Contrato de Constituição de Sociedade Comercial "MULTIBEL UTILIDADES E ELETRODOMÉSTICOS LTDA",registrado na Juceb em 28.06.1996, e alterações contratuais, às fls. 123 a 147. DA IMPUGNAÇÃO 7. A autuada, através de seu procurador constituído mediante procuração anexada às fls. 161, apresentou impugnação tempestiva, protocolizada SOB Nº 35013.00033101200534, às fls. 149 a 151. Em seu arrazoado alega, em síntese, o que passamos a relatar. 8. Argüi que a multa imposta na presente autuação por suposta conduta da empresa MM Comércio S/A, conforme invocado pela fiscalização em seu relatório, com fundamento no art. 133 do CTN, não poderá ser aplicada à autuada, pois, ainda que esta tivesse adquirido fundo de comércio, somente poderia ser responsabilizada por tributos, conforme vem decidindo o STF, pois as multas só podem ser cobradas do infrator (cita julgados do STF)." A DN 04.401.4/0551/2005 considerou o lançamento totalmente procedente, tendo sido o contribuinte devidamente intimado da decisão em 14 de março de 2006 (AR fls. 177). Em 03 de abril seguinte, tempestivamente portanto, foi interposto recurso (fls 182), sem o depósito recursal exigido à época, porém com uma liminar proferida em mandado de segurança interposto para afastar tal exigência. Consta do recurso voluntário, em síntese, as seguintes alegações: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 · O procedimento fiscal é nulo pois foi realizado em desacordo com os ditames do MPF uma vez que foi expedido em nome da Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda e nele não consta a extensão para as empresas MM Comércio S/A ou Loja Comercial Ramos. · Não há a sucessão tributária pretendida pelo Fisco uma vez que a empresa MM Comércio continua em pela atividade comercial, estando devidamente registrada nas Receitas Federal e Estadual, tanto assim que foi beneficiada por refinanciamento de dívidas tributárias. · Tal fato desconsidera a sucessão atribuída pela Autoridade Fiscal, segundo jurisprudência transcrita do STJ, e afasta, por expressa disposição do artigo 133 do CTN, a imposição de penalidades. · Alega ainda que, mesmo que se verificasse a sucessão imputada, a responsabilidade da sucessora seria subsidiária, uma vez que as empresas continuam em atividade. · Há ausência de motivação no lançamento tributário uma vez que nos MPF's estão direcionados para empresas em atividade e não se sabe qual delas deixou de recolher as contribuições devidas. · A ausência de TIAD específico, com a correta identificação do contribuinte e com a ausência de descrição dos fatos geradores, impede a ampla defesa e o devido processo legal. · Se insurge contra a coresponsabilidade dos sócios imputada pelo CORESP. Em 21 de novembro de 2006, por despacho constante de folhas 212, o Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador, denegou o seguimento do recurso em razão da decisão desfavorável de mérito proferida pela Justiça Federal na. Bahia. Agravada a decisão, esta restou modificada em face de alteração do entendimento do STF sobre a exigência de depósito como condição recursal. Por isso, em 15 de JULHO de 2008, por meio de despacho fundamentado (fls. 231), o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, SECAT, da DRF Salvador, encaminha o presente para este Conselho Administrativo. Em 15 de outubro de 2010 o presente processo é apensado aO DE Nº 18050.003152/200808, que trata de autuação por descumprimento de obrigação principal e outras acessórias lavradas no mesmo procedimento fiscal consoante despacho de folhas 777 do processo principal. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.003152/200808 Acórdão n.º 2201003.288 S2C2T1 Fl. 245 7 Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade, passo a apreciar o recurso voluntário interposto na ordem das alegações. PRELIMINAR IRREGULARIDADE NO CUMPRIMENTO DO MPF: Segundo a Recorrente, há irregularidades no procedimento fiscal em consequência de vícios no MPF. Vejamos seus argumentos: "A imposição da penalidade administrativa em nome de Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda “sucessora” de MM Comércio S/A (Loja Comercial Ramos) contraria a regulamentação do Mandado de Procedimento Fiscal nos temos da Portaria MPS 520 de 19 de maio de 2004 que assim determina em seu artigo 32: Art. 32. São nulos: I os atos e termos Iavrados por pessoa incompetente; /I os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. (grifos nossos). Ora, a determinação da autoridade lançadora contida no Mandado de Procedimento Fiscal, bem como os três termos para apresentação de documentos TIAD estão direcionados exclusivamente à Recorrente, logo inadmissível a punição pela não apresentação de documentos pertencentes às empresas alheias ao procedimento fiscal." Incabível o argumento do Recorrente pois contrario aos fatos constantes do processo. Observo às folhas 334 do processo principal digitalizado (18050.001.828/200811), que contém todas as peças da ação fiscal que resultou no presente auto de infração, o MPF 09241558 emitido em 27 de maio de 2005, com ciência em 30 de maio de 2005, pelo Contribuinte MM Comércio S/A, CNPJ 01.866.643/000185. Como o lançamento ocorreu em 22 de setembro de 2005, foram cumpridos os ditames da norma mencionada pelo Recorrente. Em face do exposto, rejeito a preliminar alegada. MÉRITO AUSÊNCIA DE SUCESSÃO Alega a Recorrente a ausência de sucessão em razão da existência de atuação das empresas constantes da autuação. São seus argumentos: "Registra a Decisão de Notificação em seu inciso terceiro de que a MM Comércio S/A CNPJ n° 01.866.643/000185 foi Fl. 248DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 comunicada da ação fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal MPFF N° 09241558 emitido em 27/05/2005 e em 09/08/2005 foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal MPFF n° 09256741 para a Recorrente. A própria Autoridade Julgadora reconhece tratarse de empresas distintas e em atividades normais , neste sentido também corrobora a Autoridade Lançadora ao cumprir os respectivos mandados intimando do procedimento fiscal separadamente os sócios consignados nos respectivos estatutos ou contratos sociais das referidas empresas, ou seja, os Srs. Antonio Sizino de Souza em nome de MM Comércio S/A e Josenilson de Souza Andrade representante da Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda. Importa esclarecer, mais uma vez que a empresa MM. Comércio continua em plena atividade comercial, na Avenida Fros da Mota, n. 2491, Contorno, Feira de Santana, haja vista que mantém em vigor o seu registro perante as Receitas Federal e Estadual, valendo realçar, mais ainda, que, em decorrência disso, chegou até a ser beneficiária de refinanciamento de dívidas tributárias tanto perante a Receita Federal, com regular adimplemento, conforme comprovam os documentos anexos. A recorrente, de sua parte, detém sede social e desenvolve sua atividade comercial na Av. ACM, n. 2423, SSA/BA, registro na Fazenda Federal distinto daquela outra. A empresa dita sucedida, de há muito já funcionava, como ainda funciona, na Cidade de Feria de Santana, como se verifica dos documentos anexos. Por conseguinte, ao que se verifica dos aludidos documentos, ilegais e injustos se afiguram as autuações e lançamentos procedidos contra a recorrente. (...) Os documentos anexados comprovam que a empresa MM Comércio S/A mantém suas atividades regulares, logo, havendo débitos ou imposição de penalidades, a esta devem ser atribuídos e jamais à pseudo sucessora. Neste sentido são reiteradas as decisões do STJ no sentido de que havendo continuidade das atividades da empresa “pseudo” sucedida não há que se falar em sucessão tributária conforme os seguintes julgados:" Em primeiro lugar, mister apontar a incoerência entre o argumento utilizado pela recorrente quanto ao vício constante do MPF, analisado nas preliminares, e a alegação acima reproduzida. Em que pese tal apontamento, novamente não cabe razão ao Recorrente. Vejamos. Consta do Relatório Fiscal, folhas 3, todo o desenvolvimento, em ordem cronológica, dos documentos constitutivos e alterações de contrato social das empresas MM Comércio S/A e Multibel Utilidades e Eletrodomésticos Ltda., além das questões afetas a utilização da marca "Comercial Ramos", e da enorme confusão patrimonial e societária existente. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.003152/200808 Acórdão n.º 2201003.288 S2C2T1 Fl. 246 9 Em especial, pela clareza e conclusividade, reproduzimos o item 2.4 do mencionado relatório (fls 25): "Considerando os fatos supra citados, devemos considerar que: Soa demasiadamente estranho, para ser aceito como verdade, que uma empresa detentora de conhecida marca comercial, em local dos mais prósperos da cidade, houvesse decidido, sem mais nem menos, transferir suas atividades para outro local, ainda mais, tratandose dos endereços e forma adotados. E que, instantaneamente, outra empresa, justamente interligada a antigos acionista e sócio daquela, houvesse se instalado no local, passando a operar no mesmo endereço e a utilizar a mesma marca comercial, móveis, equipamentos, etc, sem nenhuma oficialização de aquisição de fundo de comércio. Tratase de circunstâncias suficientes para uma convicção não apenas que houve transferência dos negócios, mas também de que a dissimulação se deu com o propósito de afastar a responsabilidade pelos débitos fiscais da sucedida. A empresa não se reduz aos elementos materiais, acrescentam se, muitas vezes, bens economicamente mais significativos, por exemplo, o conceito comercial, o ponto e a marca de que é titular. Em se projetando tais considerações para a transferência da marca “Comercial Ramos”, a qual se agrega valor econômico da freguesia, é lógico, a repercussão comercial desta marca comparece como fator de real significado. É notório que o valor econômico da marca comercial prevalece em relação aos demais componentes do fundo de comércio. Pouco importa, acrescentese, a transferência ocorrer mediante compra ou locação. Nessa hipótese, formalmente, pode não comparecer o trato das duas empresas, mas substancialmente, no entanto, caracterizar seá verdadeira sucessão. Devemos considerar que, a passagem do Sr. Josevando de Souza Andrade como acionista da MM Comércio S.A., mediante aquisição de pequena parcela de quotas, e seu ingresso posterior na MULTIBEL; a permanência do Sr. Silvio Luiz de Azambuja Correa como diretor não empregado da MM e administrador não sócio da MULTIBEL; e os lançamentos contábeis referentes a contrato de mutuo e rateio de despesa de pessoal, configuramse em irrefutável demonstração de vínculo entre as duas empresas. Por outro lado, de direito, o endereço ocupado originalmente pela MM Comércio S.A. diferenciase do endereço atualmente ocupado pela Multibel apenas na identificação “1° andar”, contudo, de fato, o endereço é o mesmo, pois corresponde a um Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 10 único prédio onde funciona no 1° andar a atividade administrativa e no térreo a atividade comercial. Similarmente, o endereço adotado para transferência da MM Comércio S.A. em 04/11/2004, à Av. Antonio Carlos Magalhães, s/n, lote C1, bairro Parque Bela Vista, na cidade de Salvador / BA, de fato, também corresponde ao mesmo endereço atualmente usado pela MULTIBEL, visto que é um depósito integrante das instalações da loja “Comercial Ramos", que, como já mencionado, não apresentava, à época da fiscalização, instalações adequadas para desenvolvimento de qualquer atividade empresarial. A alteração de endereço para Feira de Santana / BA ocorre, também, apenas de direito, já que a visita fiscal realizada no endereço não identificou funcionamento da MM Comércio S.A. no mesmo. Portanto, de fato, as duas empresas coexistem dentro do mesmo espaço físico, desenvolvendo conjuntamente suas atividades, inclusive com empregados da área de vendas da MM alocados dentro da loja “Comercial Ramos”, fato verificado durante a ação fiscal, que só confirma os fortes indícios de simulação na continuidade operacional da MM Comércio S.A. Ainda, corroborando a linha de pensamento da fiscal notificante, encontramos jurisprudência neste assunto em decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no julgamento do recurso especial n° 3.828/SP, interposto pela Fazenda do Estado de São Paulo, registro n° 9000061830, conforme ementa e acórdão adiante transcritos: EMENTA: “DIREITO TRIBUTÁRIO. DÉBITOS DE ICMS. SUCESSÃO DISSIMULADA DE EMPRESAS, SUSCETÍVEL DE SER DEMONSTRADA POR MEIO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. ART 133 D0 CÓDIGO TR1BUTÁR10 NACIONAL. Caso em que o v. acórdão impugnado evidenciou circunstâncias suficientes para autorizarem a presunção de que houve, efetivamente, a alegada transferência do estabelecimento comercial. Erro de valoração da prova, que redundou em negativa de vigência do dispositivo legal acima citado. Recurso provido.” ACÓRDÃO: “Vistos e relatados estes autos em que sao partes as acima indicadas: I Decide a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.” Cabe, ainda, transcrever trecho extraído do voto do Exmo. Sr. Ministro Ilmar Galvão (Relator): Fl. 251DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.003152/200808 Acórdão n.º 2201003.288 S2C2T1 Fl. 247 11 “Não se pode esquecer que, nas condições descritas, a prova da fraude dificilmente poderia ser feita por meio da 'exibição do instrumento da cessão, ou outro equivalente, razão pela qual pode ela assentarse em indícios e presunções (WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, in Curso de Direito Civil, 1” vol., ed. Saraiva, 1977, pág. 210), que, no caso, são preciosos, graves e concordantes.” , A Autoridade Fiscal relata com riqueza de detalhes a verdadeira simbiose existente as alegadas duas empresas envolvidas na sucessão apontada. Como bem relatado, embora existentes vários negócios jurídicos realizados no sentido de configuração de alterações de composição societária e de aquisição de uma pessoa jurídica por outra, todo o desenvolvimento real dos negócios se dá em continuidade no sentido de sua atividade econômica consolidada ao longo dos anos. Entendo comprovado pela Autoridade Notificante, a ocorrência de confusão patrimonial e administrativa no sentido de afastar o manto de personalidades jurídicas distintas alegado no Recurso. Vejamos (fls. 362): "Ata de Assembléia Geral realizada em 06/07/1999, registrada na Junta Comercial do Estado da Bahia sob n° 29300024198, em 27/08/1999, trata da transformação da MM em sociedade anônima, aprova o Estatuto Social e elege como membros da diretoria os Srs. Sílvio Luiz de Azambuja Correa (diretor presidente) e Marciano de Santana Filho (diretor executivo). Em 27/01/2000, mediante instrumento particular de compra e venda de ações de sociedade anônima, Sr. Marcus_Maimone Ramos de Sena Pereira Júnior, possuidor de 12.744 (doze mil, setecentos e quarenta e quatro) ações ordinárias nominativas representativas de parte do capital social da MM Comércio S.A.,vendeu ao Sr Silvio Luiz de Azambuja Correa as ações de números 001 a 12.624, pelo preço de R$ 12.624,00 (doze mil, seiscentos e vinte e quatro reais), e ao Sr. Josevando Souza Andrade (CPF 074.866.00544) as ações de números 12.625 a 12.744, pelo preço de R$ 120,00 (cento e vinte reais), retirando se da sociedade. Contraditoriamente, em 25/07/2002 consta a participação como “Presidente da Mesa Diretora” da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da MM Comércio S/A, registrada na JUCEB em 30/09/2002, sob n° 96400198, o Sr. Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira Júnior. Apesar dos sócios Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira e Marcus Maimone Ramos de Sena Pereira Júnior terem saído da sociedade em 04/02/1999 e 27/01/2000, respectivamente, a escrituração contábil da MM Comércio S.A. nos exercícios 1999 a 2002 registra pagamentos mensais a ambos, escriturados nas contas 2.05.07.01.00002 e 2.05 .07.01.0000l, intituladas “Empréstimo de Sócios”. Ainda, nas competências janeiro a julho / 2004, constam na escrituração contábil da MM Comércio S.A. lançamentos com Fl. 252DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 12 históricos de pagamentos efetuados a Marcus Maimone, SBNA Ramos e Sena Ramos, contabilizados apenas nas contas passivo (Fomecedor) e ativo (Banco). Solicitados os documentos fiscais e contratos correspondentes aos empréstimos concedidos pelos sócios à empresa, para esclarecimentos da fiscalização, a empresa não apresentou nenhuma documentação esclarecedora, conforme consta do Auto de Infração lavrado sob n° 35.790.9038." (destacamos) Significativo o último parágrafo da transcrição acima. Intimado a esclarecer, ou seja, oportunizado ao Recorrente o direito de aplacar as dúvidas ensejadoras da imputação da responsabilização pelos tributos devidos pela 'sucedida', o Fisco não obtém resposta. Essa omissão, pela qual a Recorrente não se livra do ônus de afastar a acusação fiscal, tem o condão de caracterizar a confusão patrimonial, societária e administrativa das pessoas jurídicas envolvidas, descaracterizando os atributos de personalidade no sentido da proteção jurídica atribuída pela lei. Há responsabilidade tributária nos termos imputados pela Fiscalização, quanto mais ao se recordar que a alegada manutenção da responsabilidade da sucedida, em face da sua existência posterior à venda de seus ativos, cai por terra ao se observar que, de fato, pela acusação fiscal e pela simulação demonstrada, essa sucessão se observa somente nos documentos registrados na Junta Comercial. Não obstante a simulação apontada, necessário recordar, com o fito de afastar definitivamente a questão da responsabilidade subsidiária arguída, que o descumprimento das obrigações de retenção é posteriores ao negócio jurídico entabulado, posto que ocorrido em fevereiro de 2003. Pelos mesmos motivos apontados, não vejo possibilidade de afastamento das penalidades aplicadas a Recorrente, não se aplicando, ao caso concreto, o entendimento do Pretório Excelso. Diante do exposto, nego seguimento ao recurso nessa parte. Quanto à ausência de motivação no lançamento tributário alegada no recurso às folhas 188, observo que argumentou o Recorrente: "Causa estranheza a lavratura de auto de infração em nome de MULTIBEL UTILIDADES E ELETROMÉSTICOS LTDA SUCESSORA DE MM COMERCIO SIA (LOJA COMERCIAL RAMOS) na medida em que os Mandados de Procedimentos Fiscais MPFs estão direcionadas para duas empresas em atividades regulares MULTIBEL UTILIDADES E ELETROMESTICOS LTDA e MM COMERCIO S/A, não se sabe qual delas deixou de cumprir o termo de intimação para apresentação de documentos, ou qual delas não esclareceu sobre os contratos de mútuo realizados entre a MM Comércio S/A e a MULTIBEL Utilidades e Eletrodomésticos Ltda., assim como qual delas não identificou os bens e direitos registrados em nome das citadas empresas. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.003152/200808 Acórdão n.º 2201003.288 S2C2T1 Fl. 248 13 Acrescese ainda que a constituição do crédito previdenciário sobre os mesmos fatos geradores deste auto de imposição de penalidade encontrase sob apreciação da impugnação oposta na NFLD—DEBCAD 35.790.9089, portanto passível de anulação A ausência de TIAD especifico, ou seja, com a correta identificação do contribuinte, bem como a descrição e conteúdo da informação solicitada, ou seja, o recolhimento da contribuições bem como dos respectivos fatos geradores da retenção, impede o exercício da ampla defesa e obsta o devido processo legal." Não é o que consta do processo administrativo. Esclarece o relatório fiscal (fls. 31): "DA COMUNICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL 4.1 A MM Comércio S.A. foi comunicada sobre a ação fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPF n° 09241558, emitida em 27/05/2005 no CNPJ 01.866.643/000185, conforme cópia anexa; 4.2 Em 09/08/2005, foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPF n° 09256741 em nome da MULTIBEL Utilidades e Eletrodomésticos LTDA, conforme cópia anexa; DISPOSIÇÕES GERAIS 5.1 De forma a atender os princípios da ampla defesa e do contraditório, estão sendo encaminhados ao contribuinte notificado cópia deste Relatório, da relação dos corresponsáveis da MM Comércio S.A.e MULTIBEL Utilidades e Eletrodomésticos LTDA e Relatório de Instrução para o Contribuinte IPC. 5.2 Ambas as vias do processo administrativo do AI estão instruídas, ainda, com cópias dos seguintes documentos: Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF e Mandados de Procedimento Fiscal MPF. " Não obstante constar explicitamente a existência de MPF e termos de intimação específico das empresas relacionadas, há ainda anexado ao auto de infração, completo relatório fiscal, além de inúmeros relatórios auxiliares sobre o débito, de forma sintética e também discriminada, além de relatório com fundamentos legais do débito, documentos apresentados, documentos apropriados, créditos apropriados e termo de encerramento de ação fiscal. Mister realçar, pois elucidativo, que como consta do Relatório Fiscal (item 3, fls 28), os valores que ensejaram a verificação dos valores pagos aos Contribuintes Individuais sem o devido desconto, foram obtidos na contabilidade da Recorrente, sendo portanto dela conhecidos. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 14 Não há falta de motivação ao ato administrativo do lançamento, tampouco qualquer impedimento à ampla defesa. Recurso negado nessa parte. DA CORESPONSABILIDADE Insurgese o recorrente (fls. 190): "Urge ainda impugnar a pretensão da fiscalização que apesar de autuar somente a Recorrente como se sucessora fosse de outra empresa também em atividade , aponta nos relatórios CORESP os sócios da Autuada e de sua pseudo antecessora como co responsáveis pelo valor da autuação em apreço, vez que também indevida, pois a imposição de penalidade em comento não pode surtir efeitos quanto aos mesmos." Reproduzo, pela minha total concordância com a argumentação e fundamentação, por sua clareza e objetividade, o voto do ínclito Conselheiro Julio César Vieira Gomes, condutor da decisão unânime prolatada pela 1ª Turma da 3ª Câmara deste Conselho que resultou no Acórdão 2301004.602 de 12 de abril de 2016: "Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93. Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEGRelatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei8.620/93: Art. 13.O titular da firma individua le os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 18050.003152/200808 Acórdão n.º 2201003.288 S2C2T1 Fl. 249 15 previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente como contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto3.048/99: Em síntese ,temos que: a) a“Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b)a revogação do artigo 13 da Lei nº 8.620/93 pelo artigo79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação" Como dito acima, tal entendimento é pacificado no âmbito do Colegiado. Vejamos a dicção da Súmula CARF nº 88: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Nesse sentido, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 16 Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, e afastando as preliminares de nulidade, no mérito negarlhe provimento. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18470.732998/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
LANÇAMENTO REFLEXO.
Se não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, deve ser aplicada ao lançamento reflexo a mesma decisão prolatada em relação à exigência de omissão de receita consubstanciada no processo principal referente ao IRPJ e à CSLL.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
LANÇAMENTO REFLEXO.
Se não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, deve ser aplicada ao lançamento reflexo a mesma decisão prolatada em relação à exigência de omissão de receita consubstanciada no processo principal referente ao IRPJ à CSLL.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1401-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. Se não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, deve ser aplicada ao lançamento reflexo a mesma decisão prolatada em relação à exigência de omissão de receita consubstanciada no processo principal referente ao IRPJ e à CSLL. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. Se não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, deve ser aplicada ao lançamento reflexo a mesma decisão prolatada em relação à exigência de omissão de receita consubstanciada no processo principal referente ao IRPJ à CSLL. Recurso de Ofício Negado
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COFINS. Omissão de receita. Multa qualificada. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARVALHO HOSKEN S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. Se não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, deve ser aplicada ao lançamento reflexo a mesma decisão prolatada em relação à exigência de omissão de receita consubstanciada no processo principal referente ao IRPJ e à CSLL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. Se não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, deve ser aplicada ao lançamento reflexo a mesma decisão prolatada em relação à exigência de omissão de receita consubstanciada no processo principal referente ao IRPJ à CSLL. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ofício. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 29 98 /2 01 2- 86 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18470.732998/201286 Acórdão n.º 1401001.745 S1C4T1 Fl. 937 2 Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência da impugnação. Recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IIDRF/RJ2, relativos ao anocalendário de 2008, por meio dos quais foram exigidos do interessado acima identificado a contribuição para o programa de integração socialPIS no valor de R$ 1.049.274,72 (fls.351/355) e a contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins no valor de R$ 4.833.022,97 (fls. 356/360), acrescidos de multa de ofício de 150% e de juros de mora. 2. Fundamentaram a exação as omissões de receitas apuradas, conforme minuciosamente relatado no termo de verificação de infraçõesTVI de fls. 328/350. 3. Cientificado dos lançamentos em 12/12/2012, o interessado apresentou a impugnação de fls. 877/892, em 11/01/2013 (data da postagem), em que alega, em síntese, a licitude da operação realizada e que, dentro da lei, tem o direito de conduzir seus negócios de forma menos onerosa. 4. É o relatório. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 1255.826, de 14 de maio de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência da impugnação. Assim figurou o voto condutor do referido julgado: Fl. 937DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18470.732998/201286 Acórdão n.º 1401001.745 S1C4T1 Fl. 938 3 5. A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. 6. Ao apreciar o lançamento de imposto de renda pessoa jurídica objeto do processo nº 18470.730856/201284, esta Turma de Julgamento afastou a omissão de receita imputada ao interessado, conforme cópia do acórdão nº 1255.825, juntado às fls.899/921. 7. Na medida em que não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, aplicase ao lançamento reflexo a decisão prolatada em relação à exigência principal. 8. Em sendo assim dou provimento à impugnação para exonerar o interessado do crédito tributário exigido. 9. É o meu voto. Em 26/02/2015, mediante o Acórdão nº 3403003.594, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção desta Casa declinou a competência para julgar o presente caso por entender que a motivação fática da exigência decorre dos mesmos fatos que configuram a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, devendo ser distribuído por dependência ao Processo Administrativo nº 18470.730856/201284. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. Com efeito, o presente feito decorre dos mesmos fatos consubstanciados no processo nº 18470.730856/201284. Tratase do PIS e da COFINS reflexos da omissão de receita apurada como consequência de a fiscalização ter considerado que houve simulação na criação de empresas para que o interessado se beneficiasse de uma menor base de cálculo dos tributos envolvidos no regime do lucro presumido. Naquele processo, a primeira instância de julgamento afastou a omissão de receita relativamente ao IRPJ e à CSLL. Essa decisão foi posteriormente confirmada com a Fl. 938DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18470.732998/201286 Acórdão n.º 1401001.745 S1C4T1 Fl. 939 4 negação do provimento ao recurso de ofício pelo Acórdão nº 1201001.025, de 6 de maio de 2014. Considerando que, conforme atestado pela instância a quo, não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas, entendo que deve ser aplicado ao lançamento reflexo a mesma decisão prolatada em relação à exigência de omissão de receita consubstanciada no processo principal. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 939DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720083/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Tatiana Josefovicz Belisário, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, e Cássio Schappo.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Tatiana Josefovicz Belisário, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. O feito foi assim relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), conforme acórdão de fls. 36.778 e seguintes: Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 35720/35724), no montante total de R$ 56.175.010,28, para os períodos de apuração dezembro/2006 a abril2008 e junho/2008 a dezembro/2009, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 35725/35729), no montante total de R$ 258.776.606,61, para os períodos de apuração de dezembro/2006 a dezembro/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 08 3/ 20 12 -8 3 Fl. 37049DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.050 2 No Termo de Termo de Verificação Fiscal (fls. 35730/35795), o autuante, para fundamentar a lavratura do auto de infração, de início, discorre sobre a operação Tempo de Colheita realizada pela Delegacia da Receita Federal em Vitória – ES: em diversos depoimentos, foi constatado que as indústrias adquiriam café de produtores rurais ou de maquinistas, mas trocavam as notas fiscais para outras de pessoas jurídicas atacadistas inexistentes de fato; o objetivo era o de aumentar os créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, já que, se a aquisição fosse feita de pessoas físicas ou cerealistas, o crédito presumido era de 3,2375 %, enquanto que a aquisição efetuada de pessoa jurídica atacadista gerava crédito de 9,25 %. Ademais, os créditos presumidos não podiam ser compensados ou ressarcidos em espécie; os produtores rurais e os maquinistas expuseram em detalhes como era feito o transporte do café até as grandes indústrias e exportadoras, a troca no caminho da nota fiscal pela da pseudoatacadista e o pagamento a esta pelo fornecimento da nota; os corretores corroboraram as afirmações dos produtores rurais e maquinistas. Reconheceram que o café adquirido pelas indústrias e exportadoras provinham de vendas de produtores rurais ou maquinistas. Do mesmo modo, reconheceram que os adquirentes eram informados de como se davam as operações, ou seja, que a venda de café era feita por pessoa física. Fizeram revelações surpreendentes de vínculos diretos de algumas exportadoras e indústrias com o esquema; para dar a aparência de boa fé, as indústrias e exportadoras em toda operação de aquisição de café guiado por nota fiscal de pessoa jurídica “noteira” procedia das seguinte forma: verificava a situação cadastral da “noteira” perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, imprimindo a certidão negativa de débito expedida; imprimia a situação cadastral da empresa perante o ICMS – Sintegra; efetuava o pagamento identificando a remetente dos recursos (indústrias/exportadoras) na conta bancária das “noteiras”; era a indústria quem dava o aval para o corretor fechar o negócio com o produtor rural/maquinista, e este “ok” era dado apenas após a consulta da situação cadastral da empresa que seria a “noteira” perante os órgãos de fiscalização federal e estadual. Portanto, está claro que a indústria/exportadora tinha pleno conhecimento das aquisições efetuadas junto a essas pseudoatacadistas; restou comprovado que após o recebimento dos recursos enviados pelas indústrias, as “noteiras” repassavam os recursos aos proprietários rurais/maquinistas, ou a quem esses indicavam. Inclusive foram identificados diversos recursos creditados nas contas bancárias dos produtores rurais, supridos pelas contas das empresas “noteiras”, o que corrobora as informações prestadas pelos produtores rurais e maquinistas; comprovouse também que, antes da mudança na legislação relativa às contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, as vendas dos produtores rurais e maquinistas eram realizadas diretamente à indústria/exportadora, utilizando para guiar o café as notas fiscais Fl. 37050DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.051 3 emitidas pelos produtores rurais ou maquinistas. Após a mudança na legislação, embora a negociação continuasse sendo realizada da mesma forma, as indústrias e exportadoras orientavam os produtores rurais e maquinistas para guiarem o café com nota fiscal em nome de uma pessoa jurídica, suposta atacadista de café (“noteira”). O objetivo, como dito, era a obtenção de crédito maior, cujo saldo poderia ser compensado ou ressarcido em espécie; da análise das informações prestadas pelos produtores rurais, maquinistas e corretores, restou demonstrado que as indústrias e exportadoras tinham pleno conhecimento da existência das pessoas jurídicas interpostas, chegando elas, inclusive, a indicar o nome das “noteiras” que guiariam o café adquirido; os produtores rurais mostraram total desconhecimento acerca das pseudoatacadistas (“noteiras”) cujas notas fiscais eram usadas para guiar o café vendido. Negociavam com uma determinada pessoa (corretor/corretora, maquinista ou até mesmo a empresa adquirente) e no momento da retirada do café surgiam nomes desconhecidos de “empresas” para serem utilizados no preenchimento da nota fiscal do produtor. A partir desses fatos e da necessidade de se investigar empresas localizadas em outros estados da federação, com indícios de também se tratar de pessoas interpostas, foi criado grupo de trabalho para uma nova operação de fiscalização denominada Robusta, para, inclusive, rastrear os pagamentos efetuados pelas indústrias de forma a possibilitar a identificação dos reais beneficiários das aquisições suspeitas, tendo o auditor fiscal discorrido sobre essa operação no Termo de Verificação Fiscal: antes da deflagração da operação Robusta, foi feita uma representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, para que solicitasse ao Ministério Público Federal local a proposição de medida judicial visando o afastamento do sigilo bancário de pessoas jurídicas inexistentes de fato, relativamente aos anoscalendário de 2005 a 2009. A partir disso, o Procurador da República requisitou a instauração de inquérito policial à Polícia Federal local. O Delegado da Polícia Federal instaurou inquérito em 27/08/2010 e, na mesma data, remeteu os autos à Justiça Federal local. Em 26/10/2010, foi deferido o pedido de afastamento do sigilo bancário nos termos da representação formulada; da análise dos extratos bancários verificouse uma situação peculiar: depósitos efetuados pelas indústrias e exportadoras de café, de forma identificada, para as empresas sob investigação e saídas dos recursos das contas bancárias dessas empresas logo em seguida, por meio de transferência (TED) e cheques, muitos emitidos ao próprio titular. Verificouse, como previsto, que as contas bancárias movimentadas pelas “noteiras” servem apenas de passagem dos recursos transferidos dos compradores (indústrias/exportadoras) para os vendedores de café (produtores rurais, maquinistas e cerealistas), mediante interposição fraudulenta, visando induzir a administração tributária em erro, bem como para futura alegação de boa fé. Fl. 37051DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.052 4 A partir disso, a fiscalização constatou que a empresa Sara Lee Cafés do Brasil Ltda. adquiriu insumos (café) das empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., CNPJ 27.568.625/000100, Fortaleza Agro Mercantil Ltda., CNPJ 05.735.193/000142 e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, CNPJ 08.011.238/000124. No que tange à empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., o autuante assim dispôs no Termo de Verificação Fiscal: a fiscalizada adquiriu café da empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. nos anos de 2006 a 2009; a representação fiscal lavrada na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto, e que deu origem à Operação Robusta, informa que a empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. é inexistente de fato. Essa representação detalhou modus operandi das empresas comerciais atacadistas inexistentes (“noteiras”): funcionam como agente de intermediação na compra e venda de café entre os produtores rurais e os destinatários finais do grão, ou seja, torrefadores, indústrias, exportadores, etc.; por essa intermediação retinham em seu proveito quantia financeira que variava entre R$ 0,15 a R$ 0,30 + CPMF por saca de café operada. em alguns casos, o destinatário final entrava em contato com as “noteiras” informando sobre a necessidade de um determinado número de sacas de café, especificando a qualidade, quantidade, tipo de embalagem, preço ofertado por saca, prazo de pagamento, etc. De posse dessa informação, as “noteiras” localizavam produtores interessados na venda do produto; d. a “noteira” exigia do produtor que guiasse o produto com nota de produtor para si. Então, recebendo a nota fiscal do produtor, liberava para este o valor da venda, emitindo, em seguida, uma nota fiscal de venda para a compradora, retendo em seu favor apenas a parte que lhe cabia (R$ 0,15 a R$ 0,30 por saca); em alguns casos, as “noteiras” funcionavam como intermediárias financeiras, ou seja, recebiam a encomenda do comprador, localizavam o vendedor e no fechamento do negócio somente operavam o dinheiro. Recebiam o recurso do comprador e repassavam o dinheiro ao vendedor, sendo que o comprador podia informar outra empresa, que não as “noteiras”, para receber a nota fiscal do produtor e, assim, emitir a nota fiscal de viagem/venda; f. em outro casos, as “noteiras” nem mesmo procuravam o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a noteira que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a nota do produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir a nota fiscal de venda/viagem. a empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. entregou as DIPJs relativas aos anoscalendário de 2005 a 2006, mas não declarou Fl. 37052DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.053 5 nenhuma receita (valores iguais a “zero”). Não apresentou a DIPJ relativa ao anocalendário de 2007 (omissa). Não obstante sua movimentação financeira do mesmo período foi superior a cento e oitenta e cinco milhões de reais. Digase que essa é uma situação típica das empresas inexistentes de fato que foram investigadas. Verificouse também que, apesar de essa empresa ter apresentado DCTFs referentes aos anoscalendário de 2005 a 2007, nenhum débito foi nelas informado. Além disso, nos anoscalendário de 2005 a 2007 praticamente não houve recolhimento de tributos federais, apesar da movimentação financeira milionária da empresa. Apresentou, ainda, em 2009 DIPJ como inativa. Portanto, restou devidamente comprovado que a empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. não tinha condições patrimoniais necessárias ao funcionamento como atacadista de café; diversos corretores confirmaram que utilizaram a Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. para “guiar” o café adquirido pelas indústrias e exportadores dos produtores rurais e maquinistas. Também ficou evidenciado que as contas bancárias dessa empresa eram de passagem, ou seja, recebiam os recursos enviados pelos compradores e repassavam aos produtores rurais e maquinistas. Concluise, pois, que essa empresa foi utilizada apenas para emissão de notas fiscais a fim de dar cobertura ao esquema fraudulento de criação de créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. A seguir, no Termo de Verificação Fiscal, o autuante cita trechos de algumas declarações prestadas na operação Tempo de Colheita, que serviram de base para a demonstração da inexistência de fato das pessoas jurídicas “noteiras”, especificamente da Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., bem como do esquema fraudulento implementado com o objetivo de aumentar, indevidamente, o crédito apurado sobre as aquisições de café. O autuante também constatou, analisando os extratos bancários da Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira realizada pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto, do Bradesco, agência 3511, contacorrente 2658, que em diversas ocasiões após o recebimento de pagamento da empresa Sara Lee Cafés do Brasil Ltda. aquela “noteira” realizou depósitos a pessoas físicas citadas como produtoras de café no relatório da investigação. O auditor fiscal transcreve, então, parte desses extratos no Termo de Verificação Fiscal. Por essas razões, o autuante concluiu que os créditos das contribuições PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas deviam ser glosados, e considerados como créditos presumidos referentes a apenas 3,237 %, o que a impossibilitava de se ressarcir ou compensar saldos desses créditos. Quanto à empresa Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, o auditor fiscal assim se reportou no Termo de Verificação Fiscal: a Polícia Federal de Porto Velho – RO realizou diligência no endereço da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, em Ariquemes – RO, tendo assim se pronunciado: Fl. 37053DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.054 6 No momento que chegamos ao endereço foi possível observar que existia no interior do galpão apenas alguns equipamentos (aparentemente de panificação) armazenados e uma sala ao fundo com um funcionário que informou que naquele local “mexia com nota fiscal”, embora não tivesse nenhuma identificação que ali existisse a empresa GALES foi observado que no interior do galpão, próximo à porta de entrada existe uma placa indicativa da referida empresa, conforme fotografia abaixo. a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME apresentou declaração de inativa relativamente ao anocalendário de 2006. Com relação aos anoscalendário de 2007 e 2009, apresentou DIPJ com opção pelo lucro presumido, porém, não declarou nenhuma receita, pois os valores declarados são todos iguais a “zero”. Além disso, essas declarações só foram apresentadas em junho e julho de 2010. Entretanto, no período de 2007/2009, teve uma movimentação financeira de R$ 43.680.858,19. o objeto social da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME é “beneficiamento de arroz”. Outro detalhe que merece destaque é a informação do funcionário encontrado no galpão dessa empresa, que afirma que naquele local se mexia com nota fiscal, o que é uma prova inequívoca que se trata de uma empresa aberta com o único objetivo de fornecer notas ficais para acobertar operação de terceiros; a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME segue o mesmo modus operandi da empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda.: fornece a nota fiscal e empresta a conta bancária para que as indústrias e exportadoras possam efetuar o depósito dos valores relativos às compras de café e, assim, alegar à Receita Federal que adquiriram esse produto de boa fé; a Srª. Amélia Alves, apesar de ter sido incluída no quadro societário da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME somente em maio de 2010, já a administrava desde 2007, ano em que essa empresa entrou no esquema fraudulento. O patrimônio dessa sócia não condiz com a movimentação financeira milionária da empresa; o fato de que a Srª. Amélia Alves comandava a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME desde 2007 ficou evidente também nas declarações prestadas pelo corretor Claudinei Silvestre, de Maringá: Também comprava café por intermédio da Srª. Amélia, cujo produto vinha acompanhado de nota fiscal da empresa “Galés”, localizada no município de Ariquemes/RO. Esclarece que o produto (café) era armazenado em armazéns gerais, sendo que o declarante se lembra de dois deles: JODAN, de propriedade dos irmãos José e Daniel, localizado no município de Rolim de Moura, e TUCUMÃ, localizado em Ariquemes. Com relação ao armazém geral denominado “Tucumã”, afirma que a Srª. Amélia trabalhava lá, já que o declarante, quando precisava falar com ela, ligava na “Tucumã”. além da informação do corretor Claudinei Silvestre, no sentido de que a Srª. Amélia Alves trabalhava na empresa Tucumã – Agricultura e Florestal Ltda., CNPJ 02.240.481/000138, outros fatos demonstram a Fl. 37054DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.055 7 proximidade entre essa empresa e a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – M.E. Por exemplo, as várias transferências de recursos da conta bancária desta para aquela. A empresa Tucumã foi intimada a identificar as operações que deram causa às transferências que recebeu da Galés e, em 07/07/2011, apresentou sua resposta acompanhada de algumas notas fiscais de vendas, informando que a origem dos créditos teria sido a venda de café. Contudo, os valores e as datas constantes das notas fiscais apresentadas pela Tucumã eram totalmente diferentes daqueles dos lançamentos de créditos em sua conta bancária. Por isso, ela foi intimada novamente a apresentar documentos comprobatórios das operações, ao que respondeu se tratar os valores de adiantamentos realizados no ano de 2007, cujas remessas/entregas de café se deram no ano de 2008, e vendas recebimentos realizados nos anos de 2008 e 2009. Informou ainda que os valores recebidos dos seus clientes eram fracionados por dois motivos: as vendas eram realizadas a prazo com pagamentos em parcelas e os valores eram pagos de forma antecipada pelos seus clientes, de modo que poderiam formar capital de giro, que era utilizado para a aquisição de café diretamente dos micro e pequenos produtores rurais, até que se formassem lotes em quantidade suficiente para realizar a venda e dar saída do produto; conforme constatado no endereço da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, ela não possuía estrutura alguma que lhe permitisse adquirir grandes quantidades de café da empresa Tucumã – Agricultura e Florestal Ltda.; o que fica claro na resposta da Tucumã é que ela adquiria café em coco de pequenos produtores rurais, beneficiava o produto e o revendia, ou seja, nada mais seria que uma empresa maquinista que se utilizava de notas fiscais de empresa de fachada para vender café. Destaquese que o exame dos documentos apresentados por essa empresa permite concluir que a intermediação do negócio foi efetuada pelo corretor Claudinei Silvestre, o mesmo que informara que a Srª. Amélia Alves, responsável pela Galés, era o seu contato na Tucumã; no dia 24/05/2011, a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME foi intimada a apresentar vários documentos e livros contábeis, bem como diversos esclarecimentos sobre a integralização do capital da empresa, a movimentação das contas bancárias, a razão das declarações de imposto de renda terem sido entregues com todos os valores iguais a “zero” e não ter sido entregue a do anocalendário 2009. Todavia, alegando que os documentos solicitados no termo de intimação extrapolavam o descrito no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF Diligência, nada apresentou, o que não é de estranhar, porque lhe seria impossível responder à intimação sem confessar que se tratava de empresa de fachada, com o único propósito de emitir notas fiscais para acobertar operações de terceiros. Vale destacar ainda a observação do autuante de que, nesse tipo de investigação, há um complicador que é a figura do terceiro de boa fé, ou seja, o adquirente de insumos acobertados por notas fiscais inidôneas, emitidas por pessoas jurídicas interpostas, que sempre alega que não sabia que tais empresas não existiam de fato. Isso porque a Fl. 37055DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.056 8 legislação tributária protege o terceiro de boa fé (cf. art. 45, § 5º, da Instrução Normativa nº 1.005, de 2010. No caso concreto, a fiscalizada foi intimada a comprovar os pagamentos relativos a aquisições feitas de empresas já suspensas pela RFB. Todos os pagamentos foram comprovados, o que, segundo o autuante, já era de se esperar, pois os contribuintes, cientes da condição de inexistência de fato das empresas, fazem, como dito, o pagamento nas contas bancárias de titularidade delas, visando, no futuro, a alegação de terceiro de boa fé. A seguir o auditor fiscal passa a fundamentar as glosas efetuadas a partir da análise dos créditos referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos. Com o intuito de se verificar a regularidade dos créditos de PIS/Pasep e de Cofins referentes às aquisições feitas pela autuada junto às sociedades cooperativas, o autuante afirma que estas foram intimadas a responder questões sobre: o enquadramento no modelo de cooperativa de produção, nos termos do art. 3º, § 1º, inciso III, da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, ou de agroindústria, nos termos do art. 6º, inciso II, da mesma instrução normativa; se adquiria produtos somente de associados ou também de terceiros (não associados) e, neste último caso, se segregava os valores em sua contabilidade/escrita fiscal; se, nos termos do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, adotava o critério de excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep os valores/receitas relacionados nos incisos I a V daquele dispositivo legal. A partir da análise das respostas fornecidas, as aquisições de café realizadas puderam ser divididas em dois grupos, quais sejam as feitas junto às cooperativas de produção agropecuária e as feitas junto às cooperativas agroindustriais. Em relação ao primeiro desses grupos, prossegue o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal expondo que a Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, posteriormente alterada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, e pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, permitiu às empresas apurarem crédito presumido quando da compra de insumos de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas de produção agropecuária. Enquadramse nessa hipótese, as aquisições de café feitas pela autuada junto às seguintes cooperativas: Fl. 37056DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.057 9 Porém em quase a totalidade dessas aquisições, a autuada calculou crédito integral, ao invés de calcular crédito presumido, como determina a legislação. O autuante esclarece que também foram enquadradas como crédito presumido, por ser mais benéfico à fiscalizada, as aquisições feitas junto às cooperativas para as quais não foram obtidas respostas às intimações: Concluiu, então, o auditor fiscal que, em obediência ao art. 8º, § 1º, inciso III, c/c § 3º, inciso III, da Lei nº 10.925, de 2004, os créditos integrais considerados pela autuada seriam glosados e concedidos os devidos créditos presumidos (35% dos créditos integrais). Quanto ao segundo grupo, o das cooperativas agroindustriais, o autuante afirma que, de acordo com os §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, c/c § 1º, inciso II, do art. 9º do mesmo diploma legal, a suspensão das contribuições PIS/Pasep e Cofins não se aplica às vendas feitas pelas cooperativas que exercem atividade agroindustrial, não havendo, pois, que se falar em créditos presumidos. No caso, foram essas as cooperativas agroindustriais das quais a autuada adquiriu insumos (café): Dessa forma, conclui o auditor fiscal que, como as vendas não saem com suspensão e as cooperativas agroindustriais que forneceram à fiscalizada excluem da base de cálculo os valores das mercadorias adquiridas de seus associados, conforme respostas fornecidas por elas próprias, a autuada não podia se creditar de nenhum valor a título de PIS/Pasep ou Cofins nessas aquisições. Com efeito, nos termos do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, as vendas efetuadas pelas sociedades cooperativas agroindustriais à autuada não estão sujeitas à incidência do PIS/Pasep e da Cofins e, por conseguinte, não geram direito a crédito, razão pela qual todos os créditos referentes a essas operações utilizados pela contribuinte foram glosados. Fl. 37057DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.058 10 No tocante aos bens incorporados ao ativo imobilizado, o art. 3º, inciso VI, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2004, permitia às empresas o aproveitamento de créditos relativos aos encargos de depreciação. Todavia, o art. 31 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2005, vedou o desconto de créditos relativo aos encargos de depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. O auditor fiscal apurou que a autuada utilizou desconto de créditos relativos aos encargos de depreciação relativos a bens que foram adquiridos antes de 30/04/2004, razão pela qual tais descontos foram glosados. Com relação às aquisições realizadas pela contribuinte junto a pessoas jurídicas cerealistas, que exercem atividades agropecuárias, elas deveriam ser realizadas, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, a teor do disposto na Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. Para essas operações a autuada deveria ter apropriado crédito presumido e não crédito integral, como equivocadamente fez ao calcular as contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, a teor do disposto no art. 8º, inciso II, da citada Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. Segundo o autuante, tomandose emprestadas as provas obtidas na fiscalização acobertada pelo MPF 08107002010002262, que também fez parte da Operação Robusta, sabese que diversos fornecedores confirmaram que se enquadravam no conceito de cerealistas ou que exerciam atividades agropecuárias. Dentre estas empresas a fiscalizada adquiriu café das seguintes: Exportadora de Café Astolpho Ltda, CNPJ 07.764.089/000101, e Valorização Empresa de Café S.A., CNPJ 01.316.790/000262, razão pela qual os créditos apurados nas aquisições efetuadas junto a essas duas pessoas jurídicas foram considerados créditos presumidos, glosandose parcialmente os créditos indevidamente apropriados. O auditor fiscal glosou também, no cálculo das contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, os créditos apropriados indevidamente em razão das aquisições de café de produtores rurais, maquinistas e cerealistas “guiados” com nota fiscal das empresas inexistentes de fato Miranda Com. Imp. e Exp. de Carfé Ltda. e Ind. Com. Impl. Exp. de Cereais Galés, considerando, entretanto, os créditos presumidos decorrentes dessas operações que poderiam ser abatidos. Assim, o autuante, considerando todas as glosas de créditos feitas, recalculou as contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas devidas pela autuada, constituindo, por meio de lançamento de ofício, o crédito tributário devido em razão da insuficiência de recolhimentos/declaração. O auditor fiscal destacou que o lançamento do PIS/Pasep e da Cofins sujeitase ao art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, mas que, dado que a fiscalizada constituiu créditos indevidos e deixou de recolher as contribuições devidas, coube então a aplicação do art. 149, inciso VII, também do CTN, efetuandose, Fl. 37058DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.059 11 pois, o lançamento de ofício. E sendo de ofício o lançamento da diferença apurada, entendeu o autuante que deveria ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Por fim, o auditor fiscal assim fundamentou a qualificação da multa de ofício: A fiscalizada constituiu, reiteradamente, créditos integrais sobre a aquisição de café de produtores rurais e maquinistas utilizandose de notas fiscais de empresa de fachada (noteiras). A fiscalizada também constituiu, reiteradamente, créditos integrais sobre a aquisição de café de cerealistas e cooperativas de produção agropecuária, sendo conhecedora de que somente poderia constituir créditos presumidos sobre tais aquisições. Além disso, constituiu, reiteradamente, créditos integrais sobre a aquisição de café de cooperativas agroindustriais que excluíam da base de cálculo do PIS/COFINS os valores das mercadorias adquiridas de seus associados, sendo conhecedora de que não poderia constituir quaisquer créditos sobre tais aquisições. Friso que a prática reiterada de constituição de créditos indevidos ultrapassa as fronteira de mero erro de apuração. Os créditos permitidos estão delimitados nos artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, exclusivamente. Cabe destacar que por se tratarem de normas que implicam desoneração tributária (redução da contribuição devida), não se pode dar a elas interpretação extensiva, consoante regra de hermenêutica consagrada no art. 111 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, não há suporte legal específico para a constituição dos créditos irregulares, os quais foram glosados pela fiscalização neste procedimento. Portanto, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996 (...). (...) Ressaltese que qualquer conduta irregular do sujeito passivo estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta irregular se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. O autuante informa ainda que, nos termos do art. 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010, formalizou representação fiscal para fins penais, em razão de ter considerado a presença, em tese, de crime contra a ordem tributária, com a reiterada inserção de elementos indevidos na apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, ressalvando que essa representação deverá permanecer no âmbito da RFB até decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário. Fl. 37059DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.060 12 Cientificada do auto de infração em 31/08/2012 (fl. 35797), a contribuinte apresentou impugnação em 28/09/2012 (fls. 35829/35906), na qual, após dizer da tempestividade de sua contestação, alega que: adota uma política uniforme para cadastro de fornecedores e para compra dos produtos utilizados em sua atividade. Para se certificar da idoneidade e da regularidade fiscal de seus fornecedores, implementou a “Política de Cadastro de Fornecedores”, de 06/07/2004, cujas regras determinam os procedimentos a serem adotados para a certificação da austeridade do fornecedor. Somente após as verificações, o fornecedor é habilitado para vender à impugnante. Tão rígido é o controle que a emissão do “Pedido de Compra” somente é autorizada a funcionários previamente habilitados e apenas em relação a fornecedores previamente cadastros; todos os pagamentos decorrentes de aquisição de café são realizados via boleto, cheques ou transferências bancárias diretamente aos fornecedores e nas contas previamente indicadas por eles e somente após verificado que a conta corrente indicada é de fato de titularidade do fornecedor. Jamais os pagamentos são feitos a terceiros indicados pelos fornecedores ou a qualquer outra pessoa jurídica ou física que não seja o próprio fornecedor; os produtos adquiridos segundo essa política da empresa são entregues sob condição CIF, ou seja, o transporte e a entrega são de responsabilidade do fornecedor, de forma que os produtos (café) adquiridos são todos entregues no estabelecimento da impugnante; em nenhum momento há a comprovação de que a autuada participou das fraudes relatadas pela autoridade fiscal. Digase “relatada” porque no Termo de Verificação Fiscal o autuante simplesmente descreve o que seria parte do inquérito da Polícia Federal (operações “Tempo de Colheita” e “Robusta”) a que, aliás a contribuinte não teve acesso; não pode ter lavrado contra si um auto de infração de tamanho porte e monta como o presente, simplesmente porque a autoridade fiscal concluiu, com base em presunção, que houve a participação da impugnante, que não era – e não é – parte do rol das empresas investigadas pela Polícia Federal. Foi intimada pela Polícia Federal a apresentar os pagamentos realizados a duas empresas que estavam sob investigação, o que foi devidamente cumprido. Entretanto, o fato de ter realizado pagamento a essas empresas – apenas duas do rol de cinquenta investigadas –, que eram seus fornecedores, não autoriza a acusação de ser participante da fraude investigada, reputandolhe todos os efeitos fiscais e, o que é pior, sem nenhuma prova cabal; a situação é tão esdrúxula que o auditor fiscal não só aplicou a multa qualificada, como também a estendeu à totalidade das supostas infrações que teriam sido cometidas. Ora, não há como admitir que a questão relativa a créditos sobre depreciação de bens do ativo possa ser considerada fraude e muito menos que possa estar relacionada às operações investigadas pela Polícia Federal. Além da questão envolvendo fornecedores supostamente inidôneos, o autuante fundamenta o auto de infração em outras questões que dizem respeito somente à interpretação da legislação fiscal aplicável, sendo que, de Fl. 37060DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.061 13 modo algum isso poderia ensejar a aplicação de multa qualificada. Isso só demonstra que a autoridade fiscal simplesmente ignorou os princípios básicos previstos na Constituição Federal e que norteiam o Direito Tributário, como a ampla defesa, tipicidade, ônus da prova, entre outros; sempre foi séria, diligente e transparente nos seus negócios, cumprindo sua obrigação de checar a regularidade dos fornecedores nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas não lhe cabe exercer o poder de polícia, chegando às raias de investigar a existência de fato de seus fornecedores, obrigação que é da autoridade fiscal e, dependendo do caso, da Polícia Federal; o lançamento de ofício é insubsistente, pois decorreu de possíveis irregularidades envolvendo seus fornecedores que não guardam relação com a autuada. As infrações de natureza tributária não podem ser baseadas simplesmente em presunções ou indícios, devendo os fatos e o nexo de causalidade entre a infração imputada e a conduta do sujeito passivo ser cabalmente demonstrados e comprovados, assegurando ao sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa, o que não ocorreu no presente caso; a presunção criada pelo auditor fiscal afronta diretamente os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa assegurados pela Constituição Federal, bem como pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que rege de forma subsidiária o procedimento administrativo em âmbito federal; não obstante o fato de não ter sido parte das investigações mencionadas pelo autuante, em nenhum momento teve acesso ao inquérito policial nº 000659474.2010.403.6106, uma vez que referido procedimento de investigação tramita sob segredo de justiça; caracterizado o nítido cerceamento do direito de defesa, o auto de infração deve ser integralmente cancelado; se levado em conta o entendimento consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal, notase que, apesar de não ter havido formalmente a desconsideração da personalidade jurídica das empresas atacadistas que forneciam os insumos à autuada, em termos práticos foi exatamente isso o que aconteceu, na medida em que a contribuinte foi equiparada a sociedade adquirente de produtos comercializados por empresas cerealistas ou que desenvolviam atividades agropecuárias, e não por empresas atacadistas, como de fato elas eram. No entanto, a desconsideração da personalidade jurídica é medida extrema que só pode ser autorizada quando verificada uma das hipóteses previstas nos seguintes dispositivos: art. 28 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor); arts. 117 e 118 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas); art. 18 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994 (Lei Antitruste); e art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). Todos esses dispositivos têm por base a má administração da sociedade, questão que sequer foi discutida no presente caso. Assim, não há nenhum elemento que possa justificar a desconsideração da Fl. 37061DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.062 14 personalidade jurídica dos fornecedores da autuada, não podendo se ignorar o fato de eles serem empresas comerciais atacadistas, e não empresas cerealistas ou que desenvolviam atividades agropecuárias, como pretende o auditor fiscal. Ademais, a desconsideração da personalidade jurídica extrapolaria a própria competência da autoridade fiscal, já que, de acordo com os dispositivos acima citados, essa prerrogativa caberia tãosomente à autoridade judicial; considerando que, de acordo com o disposto no art. 1º, caput, da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 1º, caput, da Lei nº 10.833, de 2003, os fatos geradores do PIS/Pasep e da Cofins são mensais, a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos até agosto/2007 já se encontra fulminada pela decadência, em conformidade com o § 4º do art. 150 do CTN. A autoridade fiscal, contudo, acusou a contribuinte de ter agido de forma fraudulenta e, com base nessa frágil premissa, alegou que o prazo decadencial aplicável seria o do art. 173, inciso I, do CTN, o que não pode prosperar, já que não ocorreu, como dito, a comprovação de dolo, fraude ou simulação. Desse modo, o auto de infração lavrado em 29/08/2012 não poderia exigir valores anteriores a agosto de 2007; nos termos do § 1º, inciso I e II, do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, a suspensão do PIS/Pasep e da Cofins prevista no caput desse artigo não se aplica para as vendas de café (código NCM 0901) realizadas por pessoas jurídicas que, cumulativamente, padronizem, beneficiem, preparem e misturem tipos de café. A esse respeito, cabe destacar que as atividades para as quais a suspensão não ocorre são, em síntese, aquelas que o art. 165, § 1º, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, c/c o inciso III do mesmo dispositivo define como atividades agroindustriais. Dessa forma, uma vez caracterizada a pessoa jurídica como agroindustrial, a suspensão prevista pelo art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, deixa de ser aplicável, independentemente de o fornecedor ser eventualmente considerado como cerealista ou explorador de atividades agropecuárias em seus documentos societários; os créditos presumidos de PIS/Pasep e de Cofins previstos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, somente devem ser apurados quando houver aquisição de café in natura junto às seguintes pessoas jurídicas: cerealistas, pessoas jurídicas que exercessem atividades agropecuárias e cooperativas de produção agropecuária; nas aquisições de café que tenha sido beneficiado (não se encontrando, portanto, em estado in natura) ou que proceda de pessoas jurídicas agroindustriais, não se aplicam nem os créditos presumidos de PIS/Pasep e de Cofins, nem a suspensão dessas contribuições; a autoridade fiscal equivocadamente adotou a premissa de que, tratandose de vendas de café realizadas por cooperativas ou por pessoas jurídicas supostamente agropecuárias, aplicarseia automaticamente a suspensão e o crédito presumido previstos nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004. No entanto, a glosa feita pelo autuante não merece prosperar porque não corresponde ao que efetivamente determinam esses dispositivos legais; o autuante acusa a autuada de registrar indevidamente créditos de PIS/Pasep e de Cofins na aquisição de café cru de diversas Fl. 37062DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.063 15 cooperativas (em seu entender, agropecuárias) e empresas por ele consideradas como cerealistas ou que exerçam atividades agropecuárias. Ocorre que a contribuinte: (i) não adquiriu café in natura desses fornecedores; (ii) de acordo com as informações prestadas pelos seus próprios fornecedores, não adquiriu produtos junto às pessoas jurídicas referidas pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; e (iii) o registro dos créditos se deu com base em informações prestadas pelos próprios fornecedores nas notas fiscais que foram emitidas em cada uma das aquisições e em decorrência da sistemática nãocumulativa prevista na legislação; o café adquirido pela autuada não se encontrava no estado in natura. Com efeito, a contribuinte adquire café cru de seus fornecedores, o que não se confunde com o café in natura, ao qual se reporta o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Um produto considerado in natura é aquele que se encontra da mesma forma como na natureza, ou seja, sem passar por nenhum processo de transformação, processamento ou alteração de suas propriedades organolépticas. Especificamente para os casos de produtos alimentícios, o art. 2º do DecretoLei nº 986, de 21 de outubro de 1969, que institui normas básicas sobre alimentos, define alimento in natura como todo alimento de origem vegetal ou animal, para cujo consumo imediato se exija apenas, a remoção da parte não comestível e os tratamentos indicados para a sua perfeita higienização e conservação. Por sua vez, segundo o disposto na Resolução CNNPA nº 12, de 24 de julho de 1978, o café cru, produto adquiridos pela contribuinte nas operações comerciais questionadas pelo auditor fiscal, é definido como a semente beneficiada do fruto maduro de diversas espécies de café. Já beneficiamento é definido pelo art. 4º do inciso II, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Ripi/10), como o processo que caracteriza industrialização, por meio do qual haja a modificação, aperfeiçoamento ou, de qualquer forma, a alteração do funcionamento, da utilização, do acabamento ou da aparência do produto. Portanto, a própria legislação define o café cru como um produto beneficiado, de tal modo que o primeiro dos requisitos previstos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, para ensejar a aplicação de créditos presumidos (aquisição de café in natura) não se verifica no presente caso; a autuada não adquiriu produtos das pessoas jurídicas a que se reportam os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.924, de 2004, mas sim de pessoas jurídicas que exercem atividades agroindustriais e que, por conseguinte, não estão sujeitos à aplicação da suspensão do PIS/Pasep e da Cofins e, por isso, não ensejam a aplicação dos créditos presumidos; seus fornecedores não se enquadram em nenhuma das classificações definidas pelo § 1º do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, uma vez que: (i) não são cerealistas, por não vender produtos in natura, como explicado no item anterior; (ii) não exercem atividades agropecuárias, segundo definição contida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e/ou (iii) no caso de cooperativas, não comercializam produtos de seus associados, mas de sua própria titularidade. Para demonstrar essa situação, a impugnante colacionou ao presente processo administrativo cópias do CNPJ e do cadastro no Sintegra das pessoas jurídicas indicadas pelo autuante no Termo de Fl. 37063DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.064 16 Verificação Fiscal. Além disso certificouse junto a cada um dos fornecedores sua respectiva natureza jurídica, a fim de assegurar que estava adotando o procedimento correto. O resultado dessa certificação está consubstanciado em questionários encaminhados pelos próprios fornecedores à autuada, nos quais lhes eram requisitadas as seguintes informações: (1) A sua empresa se enquadra nas atividades de padronização, beneficiamento, preparo e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor ou a atividade de separar café por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial? (2) A sua empresa é beneficiária de algum regime especial de tributação ou suspensão de impostos previstos na Lei 10.924/04? I – Caso seja beneficiada da suspensão do PIS e da Cofins em suas notas fiscais deverão obrigatoriamente: a) ser abatidos no valor total o montante relativo a PIS/Cofins; b) mencionar a seguinte mensagem no corpo da nota fiscal: “Saída com suspensão do PIS/Cofins nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, com alteração da Lei 11.051/2004” II – Caso não seja beneficiária da suspensão do PIS/Cofins deverá constar no corpo da nota fiscal os seguintes termos: “Saída sem suspensão do PIS e Cofins nos termos do artigo 9º da Lei 10.925/2004, com alteração da Lei 11.051/2004” (3) A sua empresa está cadastrada na Receita Federal como cerealista ou pessoa jurídica de atividade agropecuária? (4) A sua empresa é uma cooperativa de produção agropecuária? Em caso positivo enviarnos carta informando esta condição para que não efetuemos as retenções de IR e CSLL nos termos da MP 232/2004, a partir dos pagamentos de 01/03/2005. (5) O café que está sendo adquirido é de titularidade da cooperativa ou de algum cooperado? Caso seja de cooperado mencionar os dados do mesmo na nota fiscal. (6) A empresa propôs alguma medida judicial em relação à Lei 11.051/2004 ou da Medida Provisória 232/04? Em caso positivo anexar a cada fornecimento a certidão de objeto e pé referente à ação proposta. além da compilação e dos documentos pertinentes aos questionários respondidos pelos fornecedores, cujas perguntas foram acima transcritas, anexaramse ainda aos autos Estatutos Sociais disponibilizados por alguns fornecedores, os quais confirmam as informações prestadas, bem como a correção dos procedimentos adotados; o autuante precipitouse ao equiparar os fornecedores da autuada às pessoas sujeitas ao regime especial instituído pela Lei nº 10.925, de 2004, pois na verdade tratase de cooperativas ou de pessoas jurídicas que exploram atividades de natureza agroindustrial, que, conforme Fl. 37064DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.065 17 reconhecido expressamente pela própria Receita Federal do Brasil, não se sujeitam às regras dos arts. 8º e 9º da referida lei; apenas o fato de o procedimento adotado pela contribuinte estar devidamente embasado em respostas dadas por escrito pelos seus fornecedores já seria suficiente para eximila de qualquer responsabilidade pelo suposto registro indevido dos créditos de PIS/Pasep e de Cofins decorrentes de produtos adquiridos junto a essas pessoas jurídicas; todos os documentos que a contribuinte recebeu de seus fornecedores (notas fiscais) continham a seguinte informação no campo “Informações Complementares”: Saída sem suspensão de PIS e COFINS nos termos do art. 9º da Lei 10925/04, com alteração da Lei 11051/04. Para comprovar essa situação, apresenta notas fiscais emitidas por fornecedores referidos pelo autuante, que demonstram de forma cabal e irrefutável não ter ocorrido a aplicação da sistemática prevista pela Lei nº 10.925, de 2004, nas operações de venda de café cru; a glosa feita pelo auditor fiscal em razão de seus fornecedores (cooperativas agroindustriais) terem excluído de suas respectivas bases de cálculo de PIS/Pasep e de Cofins valores supostamente repassados a seus cooperados se deu por um equívoco na interpretação do disposto no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Conforme determina expressamente esses dispositivos, apenas as seguintes situações não ensejam o direito aos créditos: (i) isenção; (ii) sujeição à alíquota zero; ou (iii) não incidência das contribuições. Nenhuma dessas situações, entretanto, se aplica ao presente caso. Ademais, a partir das informações prestadas pelos fornecedores, ainda que tivesse havido o referido repasse aos cooperados, é de se notar que a autuada não teria como saber dessas ocorrências, já que não há informações a respeito nas notas fiscais e essa questão diria respeito exclusivamente à relação jurídica entre cada fornecedor e seus cooperados, de modo que, eventual ausência de pagamento do PIS/Pasep e da Cofins pelas cooperativas agroindustriais ou pelas pessoas para quem essas cooperativas repassem os valores recebidos, deveria implicar a cobrança dessas pessoas, e não da impugnante, que agiu de forma diligente e em observância ao disposto na legislação fiscal aplicável; antes mesmo das limitações impostas pelo art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, expressamente autorizavam a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. A referida alteração normativa, portanto, ofendeu a diversos princípios constitucionais de Direito Tributário, em especial o da irretroatividade da lei tributária, o da segurança jurídica, o do direito adquirido e o da nãosurpresa. E não se diga que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não poderia examinar ofensas a princípios gerais de Direito Tributário embasados em normas constitucionais, pois, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/0103.620, é Fl. 37065DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.066 18 dever dos órgãos julgadores na esfera administrativa assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique a violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior; a exigência referente à glosa de créditos decorrentes de transações comerciais com as empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME não merece prosperar porque a contribuinte agiu de boa fé e diligentemente no desenvolvimento de seus negócios com essas empresas, de forma que não cabe lhe ser transferido o ônus de tributos eventualmente não recolhidos por elas. Além disso, a diligência e a boa fé das empresas adquirentes de mercadorias são fatores decisivos para lhes reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep e de Cofins apurados em observância ao princípio da não cumulatividade. Citase jurisprudência tanto do Carf, como do Superior Tribunal de Justiça; • o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996, e o § 5º do art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011, expressamente asseguram a possibilidade de manutenção de créditos de documentos considerados posteriormente inidôneos quando resta demonstrada a boa fé do contribuinte (terceiro interessado); não se pode pretender descaracterizar a diligência e o dever de boa fé da impugnante, como pretendeu fazer o autuante no Termo de Verificação Fiscal, pois o dever de boa fé se manifesta principalmente por meio do cumprimento de deveres de prestação de informações, que, em última análise, levam as partes à confiança mútua e, consequentemente, à materialidade da regulação jurídica: em relação à empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda, apresenta em anexo cópias dos seguintes documentos: comprovante de inscrição e de situação cadastral perante o CNPJ, no qual sua situação conta como “ativa”; Cartão de Recepção dos Padrões Globais para Fornecedores, entregue a essa empresa pela autuada em 22/02/2006, assim como em 23/01/2007; questionário enviado pela impugnante no qual aquela empresa afirma expressamente que não é beneficiária de nenhum regime especial de tributação ou suspensão de impostos previstos na Lei nº 10.925, de 2004, nem é cadastrada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil como cerealista, pessoa jurídica de atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária; em relação à empresa Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, apresenta em anexo cópias dos seguintes documentos: comprovante de inscrição e de situação cadastral perante o CNPJ e o Sintegra, nos quais sua situação consta, respectivamente, como “ativa” e “habilitada; Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e Certidão Negativa de Débitos Estaduais em nome da Galés; folha de cheque emitida em nome da Galés, que demonstra que essa sociedade mantinha conta junto a instituição financeira devidamente autorizada a operar no país pelo Banco Central do Brasil; Cartão de Recepção dos Padrões Globais para Fornecedores, entregue a essa empresa pela autuada; questionário enviado pela impugnante no qual aquela empresa afirma Fl. 37066DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.067 19 expressamente que não é beneficiária de nenhum regime especial de tributação ou suspensão de impostos previstos na Lei nº 10.925, de 2004, nem é cadastrada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil como pessoa jurídica de atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária; dos documentos referentes às empresas cujas cópias Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, vale notar que no Cartão de Recepção dos Padrões Globais para Fornecedores a autuada deixa claro, dentre outros deveres, que os fornecedores não ocultarão, não deixarão de registrar informações, nem registrarão entradas falsas. Todos os livros, registros e contas financeiras devem refletir de maneira precisa operações, pagamentos e acontecimentos e estar em conformidade com os princípios de contabilidade geral e com os controles internos apropriados; cabe ressaltar que a própria RFB já se manifestou em Processo de Consulta (nº 97/03 da 7ª Região Fiscal, de 15/04/2003), no sentido de que a declaração prestada por uma das partes exime a outra de responsabilidade pela veracidade e cumprimento do declarado; o dever da fiscalização e o poder de polícia são prerrogativas exclusivas das autoridades fiscais, e não da contribuinte. Não cabe à autuada investigar a real situação fática de seus fornecedores. A contribuinte, por se tratar de uma grande empresa atacadista, adquire diariamente mercadorias de uma quantidade bastante pulverizada de fornecedores, e seria, no mínimo, inviável investigar a regularidade fiscal de todos esses fornecedores a todo momento. Desse modo, a impugnante não poderia ser responsabilizada por fato que desconhecia e que a lei não lhe exigia conhecer; há entendimento consolidado tanto na esfera administrativa (CSRF), quando na esfera judicial (STJ), no sentido de que cabe às autoridades fiscais punir empresas em situação irregular, e não os contribuintes que com elas transacionaram, não tendo os contribuintes o poder de polícia atribuído àquelas autoridades, nem a obrigação legal de fiscalizar os atos e comportamentos de seus parceiros comerciais; em razão da própria política de compras da autuada, os produtos por ela adquiridos são sempre entregues por seus fornecedores em seus estabelecimentos próprios, localizados no Estado de São Paulo, de modo que sequer chega a tomar conhecimento ou a se responsabilizar pelo caminho feito pelos transportadores respectivos ou por eventuais irregularidade ocorridas no percurso. Isso pode ser comprovado por meio das Confirmações de Pedido emitidas pelas empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, anexadas aos autos, que confirmam o fato de as mercadorias serem embarcadas nos Estados do Espírito Santo e de Rondônia, respectivamente, para serem sempre descarregadas nos estabelecimentos da impugnante no Estado de São Paulo. Esse fato corrobora a completa ausência de relação entre as acusações feitas pelo auditor fiscal e o que efetivamente ocorre no presente caso; de acordo com o disposto no art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996, e nos arts. 29 e 30 da Instrução Normativa RFB nº 1.181, de 2011, para que a contribuinte estivesse legalmente vedada a aproveitar os créditos de Fl. 37067DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.068 20 PIS/Pasep e de Cofins decorrentes da aquisição de insumos junto à Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e à Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, a autoridade fiscal deveria ter realizado a série de procedimentos para declarar tais empresas inaptas perante o CNPJ. Com efeito, nos termos do art. 43 da citada instrução normativa, a vedação ao creditamento somente procede com a declaração de inaptidão da pessoa jurídica perante o CNPJ, o que não ocorreu no presente caso. A esse respeito o Carf em diversas oportunidades já reconheceu que não procede a glosa de créditos decorrentes de notas fiscais supostamente inidôneas sem que haja expressa manifestação da autoridade fiscal a respeito da inaptidão do fornecedor antes da celebração do negócio jurídico. Se essas empresas estão regulares perante o CNPJ, não caberia à contribuinte suspeitar de sua idoneidade, que, vale notar, somente foi aventada pela Polícia Federal, operação esta que tramita sob segredo de justiça e, logo, não lhe permite acesso. Ademais, os documentos fiscais que diziam respeito às operações ora questionada gozavam de presunção de veracidade e, portanto, propiciavam o creditamento; o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430, de 2006, e o § 5º do art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 2011, expressamente asseguram a possibilidade de manutenção de créditos de documentos considerados posteriormente inidôneos quando as operações tenham efetivamente ocorrido. No caso, como demonstram os documentos anexados aos autos e que já haviam sido apresentados ao longo do procedimento de fiscalização, as operações de aquisição de insumos junto à Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e à Ind. Com. Imp.Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME efetivamente ocorreram, tendo sido devidamente efetuados os pagamentos pelas mercadorias, diretamente nas contas bancárias indicadas por elas, ensejando assim o direito aos créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Citase jurisprudência administrativa. Dessa forma, essas operações, por serem efetivas e realizadas entre partes independentes e não relacionadas, não poderiam de modo algum serem desconsideradas pelo auditor fiscal tãosomente pelo fato de terem sido alvo de investigações da Polícia Federal, das quais a impugnante sequer faz parte e às quais não pode ter acesso; ainda que as empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME fossem de fato consideradas inidôneas (o que, conforme mencionado, não ocorreu até o presente momento), a legislação fiscal aplicável determina que, tendo a autoridade fiscal identificado os responsáveis pelas infrações mencionadas ao longo do Termo de Verificação Fiscal, é imperativo que as contribuições potencialmente devidas sejam exigidas dessas sociedades, que são efetivamente as empresas infratoras. Isso porque, se tratando de dolo, a responsabilidade é subjetiva, pessoal do agente, a teor do disposto no art. 137 do CTN. A corroborar esse entendimento, ressaltese que, no Termo de Verificação Fiscal, o autuante não afirma em nenhum momento que a autuada teria participado dos atos que foram investigados no contexto das operações Tempo de Colheita e Robusta, e tampouco apresenta provas contundentes e convincentes a respeito da participação da impugnante. Além disso, a impugnante não contribuiu para o comportamento supostamente malicioso dessas empresas e em nenhum momento Fl. 37068DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.069 21 demonstrou intenção de sonegar impostos ou fraudar o Fisco. Portanto, não tendo participado da prática de nenhuma irregularidade, não pode ser responsabilizada por eventual fraude praticada por outrem; em nenhum momento o auditor fiscal questionou a efetiva utilização dos bens adquiridos pela autuada em seu processo produtivo, ou seja, não colocou em dúvida o fato de que as mercadorias adquiridas são efetivamente empregadas nas suas atividades. Logo, considerando a própria sistemática não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins (art. 3 º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), os valores creditados são legítimos, pois, apurados em conformidade com a legislação vigente; no presente caso, todas as operações efetuadas pela contribuinte estavam devidamente escrituradas em sua contabilidade, nos exatos termos prescritos pela legislação em vigor, o que faz prova a seu favor, a teor do disposto nos arts. 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Por isso, o auditor fiscal deveria ter considerado a contabilidade e os documentos apresentados ao longo da fiscalização, bem como suas operações, tal como elas efetivamente ocorreram, o que levaria à conclusão de que os créditos registrados são válidos e legítimos, de modo que não subsistiriam as glosas pretendidas; a multa qualificada de cento e cinquenta por cento não poderia ter sido aplicada, pois não ocorreu conduta simulada, dolosa ou fraudulenta por parte da autuada. Ademais, não há nenhum nexo de causalidade imputável à impugnante que justifique a aplicação da multa qualificada; o autuante aplicou multa qualificada sobre a totalidade das infrações imputadas, quando tal qualificação, no seu entender, decorreu tãosomente da suposta prática de fraude no aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de insumos junto a empresas investigadas no contexto das operações Tempo de Colheita e Robusta. Em outras palavras, em razão de uma infração cujo valor não passa de 3,5 % do total questionado no presente lançamento de ofício, o auditor fiscal aplicou a severa multa qualificada sobre o total dos valores exigidos. Para os itens que não dizem respeito à investigação feita nessas operações, o autuante em nenhum momento alega ter ocorrido sonegação, fraude ou conluio, requisitos indispensáveis para a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, razão pela qual, para esses itens, a qualificação da multa deve ser prontamente afastada, dada a total ausência de fundamentação fática e jurídica; com relação às aquisições de insumos junto a empresas investigadas nas operações Tempo de Colheita e Robusta, embora aventada, em nenhum momento foi efetivamente comprovada pela autoridade fiscal a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, segundo o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, como se conclui a partir da leitura da seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: Ressaltese que qualquer conduta irregular do sujeito passivo estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Fl. 37069DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.070 22 Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta irregular se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. (não destacado no original) Assim, valendose de mera presunção e do fato de a impugnante haver negociado com empresas investigadas, imputa a grave acusação de ter agido mediante fraude, sem haver nos autos nenhum nexo de causalidade ou documento que corrobore essa alegação; conforme a já consolidada jurisprudência do Carf, para aplicação da multa qualificada, as autoridades fiscais devem trazer provas inequívocas da ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Se no caso em tela não se permite sequer cogitar de uma suspeita minimamente racional de fraude ou de qualquer tipo de conduta dolosa por parte da impugnante, é lógico então que não se pode falar em evidente intuito de fraude; segundo a jurisprudência do Carf, é inaplicável a multa qualificada sem que a autoridade fiscal produza provas que evidenciem o nexo de causalidade entre a conduta do sujeito passivo (que deve apontar para o evidente intuito de fraude) e as supostas infrações de natureza tributária. Especificamente para as infrações semelhantes às tratadas neste caso (suposto aproveitamento indevido de créditos de PIS/Pasep e de Cofins), devese ainda restar comprovada a atuação em conluio com os respectivos fornecedores, o que não foi em momento algum demonstrado pelo auditor fiscal. Anexase aos autos acórdão no qual o Carf tratou da aplicação de multa qualificada sobre supostas infrações decorrentes de esquema investigado pela Polícia Federal, no qual, do mesmo modo como no presente processo, a autoridade fiscal apenas argumentou que, em razão dessas investigações, restaria caracterizada a infração de natureza tributária pelo sujeito passivo. Naquele caso, dada a inexistência de provas que indicasse o nexo de causalidade entre as empresas investigadas e o sujeito passivo alvo da autuação, o Carf concluiu que a multa qualificada deveria ser prontamente afastada, como, da mesma forma, deve a multa qualificada ser aqui completamente afastada; além de registrar todos os seus atos nos estritos termos da legislação em vigor, a contribuinte portouse ainda de forma exemplar durante a fase de fiscalização e disponibilizou todas as informações e documentos solicitados pelo auditor fiscal, sem jamais omitir ou ocultar nenhum dado que lhe tenha sido requisitado; é empresa sujeita à fiscalização e acompanhamento especiais disciplinados pela Portaria RFB nº 2.356, de 14 de dezembro de 2010, de forma que não seria nem razoável supor que iludiria a autoridade fiscal. O Carf já se manifestou no sentido de que, se o contribuinte é transparente em seus atos e contribui com a fiscalização apresentando também todos os lançamentos contábeis pertinentes, não se pode aplicar a multa de cento e cinquenta por cento, mormente quando ele esteja sujeito ao acompanhamento econômico tributário diferenciado de pessoas jurídicas, como no caso da impugnante; conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante, ao dispor sobre a aplicação de sanções tributárias, o CTN encampa a Fl. 37070DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.071 23 chamada “teoria da imputação subjetiva”, segundo a qual a aplicação de penalidade deve levar em consideração a conduta do contribuinte diante de um risco novo e injusto, e não apenas sob a perspectiva da mera ação materialmente realizada. Em outros termos, para que reste configurada a hipótese de aplicação de uma penalidade, as autoridades fiscais devem demonstrar a ocorrência de aspectos objetivos e subjetivos na conduta do contribuinte, sendo que somente após essa avaliação, podese decidir pela aplicação ou não da penalidade. Sob o ponto de vista dessa teoria da imputação subjetiva, resta claro que a autuada não incorreu em nenhum dos aspectos de ordem objetiva e subjetiva que permitissem a aplicação da penalidade qualificada; o art. 112 do CTN dispõe expressamente que a norma tributária que comine penalidades deverá ser interpretada e aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida a respeito da capitulação legal do fato e da natureza ou das circunstâncias materiais do fato. Na realidade, o presente caso deve ser tratado como um mero conflito entre interpretações dadas pelo auditor fiscal e pela contribuinte a um mesmo conjunto fático, de forma que a multa qualificada deve ser integralmente cancelada ou, no mínimo, reduzida para 75%, dadas as disposições contidas no citado art. 112, incisos I e II, do CTN; a aplicação de sanções deve sempre seguir o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, conforme o art. 2º, parágrafo único, inciso VI, da Lei nº 9.784, de 1999. No mesmo sentido, o art. 142 do CTN dispõe que no ato do lançamento, a autoridade administrativa, sendo o caso, poderá propor a aplicação da penalidade cabível. O termo propor no dispositivo em referência deve ser entendido como a competência dada para ponderar as situações objetivas e subjetivas da conduta praticada pelo contribuinte, de modo que possa ser feito um verdadeiro juízo de pertinência e de adequação da aplicação da penalidade se for o caso. É com base nesse posicionamento que Marco Aurélio Greco mostrase enfático ao concluir que o valor percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação pela autoridade administrativa, uma vez que a legislação fiscal apenas a caracteriza como um teto máximo, e não como um valor único a ser aplicado; de forma a exemplificar a desproporcionalidade da multa qualificada no presente caso, citase o seguinte trecho de decisão proferida pelo Carf, que consignou que, mesmo na ocorrência de simulação, não caberia a aplicação da multa qualificada: O lançamento fiscal realizado justificase com base no próprio CTN que em seu artigo 149, inciso VII, prevê a possibilidade de sua realização quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. E no caso em questão entendo que houve simulação, como já justificado acima. Cumpre ressaltar que agiu bem a Fiscalização ao não aplicar a multa qualificada, apesar da ocorrência da simulação. É que em nenhum momento ficou evidenciado o intuito de fraude. Se assim fosse, todos os outros passos das operações não teriam sido registrados no órgão Fl. 37071DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.072 24 competente de acordo com a legislação societária. (Acórdão nº 10809793) no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 523.471/MG, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, confirmou a redução do percentual de multa originalmente fixada em 60% do valor principal em discussão para 30% corroborando a aplicação da teoria da proporcionalidade ao caso concreto; incabível a cobrança de juros à taxa Selic sobre a multa de ofício aplicada. Essa atualização é realizada pelas autoridades fiscais com amparo no Parecer MF nº 28, de 02/04/1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação, mas o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, utilizado como fundamento desse parecer trata tãosomente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal. O Carf já pacificou o entendimento de que as multas de ofício não são atualizáveis; no que se refere ainda aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da Selic aos créditos tributários, pois essa taxa não foi criada por lei para esse fim. Por isso, não obstante a posição já sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e tendo em vista a real possibilidade de a taxa Selic vir a ser considerada inaplicável para fins tributários pelo Poder Judiciário, contestase sua aplicação e requerse sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. Ao final, a autuada pleiteia o acolhimento integral da sua impugnação e o imediato cancelamento integral do Auto de Infração em tela (principal, multa e juros), com o consequente arquivamento do processo administrativo. A impugnante protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do art. 15, § 4º, alínea a do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em razão do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. O acórdão proferido julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo parcialmente o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir o crédito tributário, contados, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou, no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, da data do fato gerador. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. Fl. 37072DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.073 25 Não há que se falar em cerceamento de defesa quando, ao contrário do que alega a contribuinte, a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração da Cofins no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS. Os valores referentes a insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais que repassam o respectivo valor a seus associados não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. GLOSA. Comprovada a existência de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de mascarar a aquisição de insumos diretamente de pessoas físicas, para obter valores maiores de crédito na apuração da contribuição no regime não cumulativo, correta a glosa dos créditos decorrentes desses expediente ilícitos. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revelase improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício é atividade administrativa vinculada e obrigatória, não restando margem de discricionariedade na aplicação da legislação. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 37073DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.074 26 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir o crédito tributário, contados, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou, no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, da data do fato gerador. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. PROVAS NOS AUTOS. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando, ao contrário do que alega a contribuinte, a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração do PIS/Pasep no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA. VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS. Os valores referentes a insumos adquiridos de cooperativas que repassam o respectivo valor a seus associados não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. GLOSA. Comprovada a existência de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de mascarar a aquisição de insumos diretamente de pessoas físicas, com o intuito exclusivo de obter valores maiores de crédito na apuração da contribuição no regime não cumulativo, correta a glosa dos créditos decorrentes desses expediente ilícitos. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revelase improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. Fl. 37074DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.075 27 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício é atividade administrativa vinculada e obrigatória, não restando nenhuma margem de discricionariedade na aplicação da legislação. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 36845 e seguintes, cujos argumentos serão destacados no voto. Em face do valor exonerado, houve interposição de recurso de ofício. Após, os autos foram remetidos a este CARF e foram a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Como se verifica pelo relato dos fatos, tratamse de Autos de Infração com glosas de crédito apurados nos regimes da não cumulatividade do PIS e da COFINS em empresa adquirente de café. Antes de se realizar o julgamento do mérito dos recursos, reputo necessários alguns esclarecimentos por parte da Autoridade preparadora. No item "4.1.1.1 Compra de insumos de Cooperativas Agropecuárias" foram elencadas as glosas correspondentes à aquisição de insumo de cooperativas caracterizadas, pela Fiscalização, como sendo de produção agropecuária. A fiscalização negou o direito à apropriação integral dos créditos, permitindo, apenas, a apropriação do crédito presumido. O Contribuinte reconhece que, nos termos da Lei nº 10.925/04, toda a aquisição de empresas ou cooperativas agropecuárias apenas poderia gerar direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS. Não obstante, discorda da interpretação fiscal no que diz respeito ao enquadramento dos seus fornecedores como agropecuários, afirmando que estes são, de fato, agroindustriais, uma vez que efetuavam o beneficiamento do café e não a mera remoção de partes não comestíveis; assim como não aplicavam a suspensão do PIS e da COFINS nas Fl. 37075DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720083/201283 Resolução nº 3201000.699 S3C2T1 Fl. 37.076 28 vendas à Recorrente, por não se sujeitarem à Lei nº 10.925/04, conforme informações colhidas pela própria Fiscalização. Não se verifica, nem no Relatório Fiscal, nem no acórdão recorrido, a razão pela qual houve o enquadramento das cooperativas como agropecuárias (entendimento do Fisco) e não como agroindustriais (entendimento do contribuinte). Desse modo, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora esclareça, dentre os fornecedores listados no item "4.1.1.1 Compra de insumos de Cooperativas Agropecuárias", quais foram enquadrados como agropecuárias e quais foram tidas por agroindustriais, esclarecendo, para cada uma delas, qual razão fundamentou a respectiva classificação. Após, seja concedida vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste acerca do resultado da diligência, ao final, retornando estes autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 37076DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 16 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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