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Numero do processo: 13161.720131/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2006
VTN LAUDO
TÉCNICO CONFISSÃO.
O laudo técnico apresentado voluntariamente pelo contribuinte, ainda que não atenda as exigências mínimas a afastar o arbitramento, tem natureza de confissão do valor nele
declarado.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.Incabível a aceitação da Área
de Preservação Permanente alegada pelo contribuinte, sem a colação de provas, no sentido de sua efetiva existência.
Numero da decisão: 2201-001.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 VTN LAUDO TÉCNICO CONFISSÃO. O laudo técnico apresentado voluntariamente pelo contribuinte, ainda que não atenda as exigências mínimas a afastar o arbitramento, tem natureza de confissão do valor nele declarado. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.Incabível a aceitação da Área de Preservação Permanente alegada pelo contribuinte, sem a colação de provas, no sentido de sua efetiva existência.
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O laudo técnico apresentado voluntariamente pelo contribuinte, ainda que não atenda as exigências mínimas a afastar o arbitramento, tem natureza de confissão do valor nele declarado. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.Incabível a aceitação da Área de Preservação Permanente alegada pelo contribuinte, sem a colação de provas, no sentido de sua efetiva existência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) EDITADO EM: 16/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, EDUARDO TADEU FARAH, EIVANICE CANARIO DA SILVA (Suplente convocada), GUSTAVO LIAN HADDAD, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, a Conselheira RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 31 /2 00 8- 71 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0424.914 I a Turma da DRJ/CGE que julgou procedente o de Lançamento (fls. 98 a 102), mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural ITR, Exercício 2005, no valor total de R$ 219.645,82, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Vista Alegre', com área de 8.219,3 ha, NIRF 2.657.1617, localizado no município de Rio Brilhante/MS, em razão de divergência entre o VTN declarado e o constante de laudo técnico apresentado pela contribuinte durante o procedimento fiscal. Cientificada do lançamento, por via postal, em 08/04/2009, conforme AR à fl. 113, a interessada apresentou a impugnação de fls. 114 a 126, em 07/05/2009, alegando, em síntese, que: • O Fisco ao desconsiderar a área de preservação permanente indicada no laudo técnico apresentado, que totaliza 395,6 ha, afastou o ônus que lhe pertence, qual seja, de perseguir a verdade material na apuração do valor do tributo, maculando o lançamento de nulidade, da mesma forma procedeu quando computou indevidamente as áreas ocupadas com benfeitorias, e produtos vegetais, bem como a área em descanso, prejudicando assim a fixação da base de cálculo do tributo; • Embora não se consiga isentar as áreas não tributáveis pela suposta falta de documentos exigidos na intimação, estas áreas ainda assim não perdem a característica de inaproveitáveis, de forma que não incidirá sobre elas a regra matriz tributária, e nem terão a possibilidade de influenciar na apuração da base de cálculo do tributo, conforme dispõe o inciso IV do art. 10 da Lei n° 9.393/96 aliado com o art. 112 do CTN; • Requerse a produção de prova pericial, com fundamento no art. 16 do Decreto 70.235/72, para apurar a existência e o quantitativo da área de preservação permanente; Conforme o art. 160 do CTN e o entendimento doutrinário tributário, só agora, através da notificação de lançamento é que foi constituído o crédito tributário, não cabendo, portanto, a aplicação de juros de mora e multa pelo inadimplemento da obrigação; • O valor cobrado a título de multa deve ser razoável e proporcional, conforme se analisa pelos precedentes jurisprudências do STJ, STF e TJ/MS, bem como a doutrina tributária, todavia no caso em tela, a multa de 75% do valor do tributo evidenciando uma nítida desproporção e violação ao princípio constitucional do não confisco; • Requer a desconstituição do auto de infração, conseqüentemente do lançamento suplementar efetivado (principal, juros e multa), tendo em vista a realidade fática do imóvel exposta no laudo técnico; caso não se cancele o débito, que seja reconhecida a área de preservação permanente apurada pela perícia, de forma a readequar a base de cálculo incidente na regramatriz; • Se não repelida a ação fiscal, que sejam repelidos os acréscimos de juros de mora e multa, ou a menos adaptálos de acordo com as normas constitucionais e infraconstitucionais; • Finaliza protestando pela juntada dos documentos necessários para o deslinde do litígio. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13161.720131/200871 Acórdão n.º 2201001.660 S2C2T1 Fl. 175 3 Instruíram a impugnação os documentos de fls. 109 a 114, representados pela cópia da notificação de lançamento e documento de identidade do representante legal do autuado. A decisão da DRJ que rejeitou os argumentos da impugnação foi assim ementada: ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Nulidade do Lançamento Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Perícia. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Valor da Terra Nua VTN. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado no Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte, quando na fase impugnatória, não é trazido outro documento hábil e idôneo que comprove que o valor do imóvel é menor que o considerado no lançamento. Multa de Ofício Lançada. Juros de mora. É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu recurso a recorrente ataca a decisão pleiteando apenas o restabelecimento do VTN declarado e o reconhecimento da APP informada no laudo técnico. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Inicialmente devese consignar que o laudo apresentado pela contribuinte, ao contrário que afirma, tem como objeto apenas a apuração do valor do imóvel, e não comprovar a efetiva área de preservação permanente, in verbis: A avaliação teve por objeto apurar o valor do imóvel na data de cada ano, mediante levantamento de dados no campo, documentos e informações úteis para determinar os valores almejados, bem como de todas as benfeitorias existentes no mesmo, imóvel este de propriedade de Cirene Ribeiro da Costa Vanni, denominada Fazenda Vista Alegre, município de Rio Brilhante/MS, para atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 01402/00045/2008 da Secretaria da Receita Federal. Ainda que o laudo apresentado tivesse como escopo a comprovação de área de preservação permanente não teria logrado êxito. Com efeito não há no laudo qualquer indício de que a APP indicada exista, não há fotos do local ou mesmo indicação em mapa da área de APP. No tocante ao VTN, revisando a declaração apresentada e confrontando com o lançamento de ofício, verificase que as alegações da recorrente não condizem com as provas. Ao afirmar que “A realidade dos fatos e a verdade material consta nos autos, que a Contribuinte apresentou o valor de R$ 3.024,16” demonstra o seu total desrespeito por esse colegiado. Ás fls 71 dos autos consta como VTN declarado o valor de R$ 3.024.160,00 que na verdade é o VTN total da área e não o VTN/ha. Por fim cabe salientar que o laudo apresentado constitui confissão do contribuinte quanto ao VTN. Neste sentido é a jurisprudência desta corte. Diante do exposto e de tudo mais que dos autos consta, nego provimento ao recurso. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722089/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2012, 2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DESCARACTERIZADA.
Descaracterizada a alegada omissão no julgado, os Embargos devem ser rejeitado.
Numero da decisão: 1201-003.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em rejeitar os EMBARGOS de declaração. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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OMISSÃO DESCARACTERIZADA. Descaracterizada a alegada omissão no julgado, os Embargos devem ser rejeitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em rejeitar os EMBARGOS de declaração. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratam-se de Embargos de Declaração (fls. 1.941/1.944) opostos em razão de alegada omissão no Acórdão 1201-002.896 (fls. 1.926/1.939), sob o seguinte fundamento: 1. Cuida-se, na origem de lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLS, PIS e Cofins dos anos-calendário de 2012 e 2013. A autuação se assentou no entendimento fiscal de que o crédito presumido de ICMS concedido ao contribuinte pelo estado de Santa Catarina teria a natureza de subvenção de custeio, não sendo possível a sua exclusão da base de cálculo dos tributos lançados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 20 89 /2 01 6- 14 Fl. 1950DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.313 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.722089/2016-14 2. Na hipótese, a colenda 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção, sob o entendimento de que foram cumpridos os requisitos da Lei Complementar 160/2017, considerou que os benefícios fiscais discutidos deveriam ser enquadrados como subvenções de investimento, podendo as receitas dali decorrentes serem excluídas do cômputo do lucro real. Considerou-se, ainda, que os lançamentos do PIS e da Cofins eram puramente reflexos, impondo-se o seu consequente afastamento. 3. Eis a ementa do acórdão ora embargado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LEI COMPLEMENTAR 160/2017. BENEFÍCIOS FISCAIS DE ICMS. ESTADO DE SANTA CATARINA Uma vez demonstrado que os benefícios fiscais de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina cumprem os requisitos previstos na Lei Complementar nº 160/2017, correto seu enquadramento enquanto subvenção para investimento, podendo as receitas dali decorrentes serem excluídas do cômputo do Lucro Real. CSLL. PIS E COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratarem de exigências reflexas, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do IRPJ deve ser aplicada aos lançamentos decorrentes, relativo à CSLL, PIS e COFINS. 4. No que diz respeito especificamente ao PIS e à Cofins, contudo, o acórdão embargado mostra-se omisso na medida em que deixou de observar que os fatos geradores são todos anteriores ao advento da Lei 12.973/2014. 5. Tal análise se mostrava de primordial importância porquanto anteriormente à Lei 12.973/2014, mesmo as receitas de subvenções para investimentos integravam a base de cálculo do PIS e da Cofins, no sistema não-cumulativo de apuração. Nesse sentido, inclusive, já decidiu este Conselho, conforme se pode observar dos acórdãos abaixo: (...) 6. De se notar, portanto, que a simples constatação de que a subvenção não seria de custeio, mas de investimento, no que concerne especificamente ao PIS e à Cofins, não se mostra suficiente para a solução da lide. Mostrava-se indispensável, tendo em vista que estamos diante de fatos geradores anteriores à Lei 12.973/2014, a demonstração de que tais verbas, no regime não cumulativo de apuração, deveriam ser excluídas das receitas tributáveis. 7. Diante dos fatos acima narrados, a Fazenda Nacional entende ser patente a omissão em que incorreu o acórdão embargado, impondo-se o seu saneamento. Os embargos foram admitidos por meio do despacho de fls. 1.947/ Revisando o acórdão embargado, vis-à-vis a argumentação da embargante, constata-se a existência de efetiva omissão no julgado quanto a ponto acerca do qual deveria haver-se pronunciado o colegiado, no que toca especificamente aos lançamentos de PIS e de COFINS. Isto porque, tendo o colegiado concluído tratar-se, no caso, de subvenções para investimento, nos termos da LC 160/17, que deu nova redação ao artigo 30 da Lei 12.973/2014, permitindo a sua exclusão do cômputo do Lucro Real, deixou de pronunciar-se acerca dos artigos 54 e 55 da mesma Lei 12.973/2014, os quais contém disposições específicas relativas ao PIS e à COFINS das subvenções para investimento. Pelo exposto, e com fulcro no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO os embargos de declaração opostos, para que seja sanada a mencionada omissão. Fl. 1951DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.313 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.722089/2016-14 Os autos, então, foram a mim reencaminhados para análise dos referidos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Antes de enfrentar o mérito dos embargos, entendo necessário rever qual foi a motivação do Auto de Infração para exigir o PIS e COFINS, bem como qual foi o efetivo fundamento que se valeu o julgado embargado para afastar tais cobranças. No Relatório da Atividade Fiscal, mais precisamente às fls. 1.695, verifica-se a motivação dos lançamentos das aludidas contribuições: VI) DO LANÇAMENTO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVA A Lei nº 12.973, de 2014, prevê que as subvenções para investimento podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Porém, face ao já exposto, não é o caso do incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina, mediante autorização de crédito presumido de ICMS, já que não se configura como subvenção para investimentos e sim como subvenções para custeio ou operações. (grifamos) Como se percebe, os Autos de Infração de PIS e COFINS têm a mesma motivação dos Autos de IRPJ e CSLL, ou seja, o enquadramento dos benefícios concedidos ao contribuinte enquanto subvenções para custeio, e não subvenções para investimentos. Percebe-se, aliás, que a própria autoridade fiscal responsável pelos lançamentos registra expressamente que a Lei nº 12.973, de 2014, prevê que as subvenções para investimento podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Dessa forma, forçoso concluir que a discussão do presente processo gira exclusivamente em torno do enquadramento dos incentivos. O IRPJ e CSLL cobrados, pois, tiveram como meros reflexos as cobranças de PIS e COFINS, as quais, repita-se, foram constituídas exatamente nos mesmos termos do lançamento principal. É por isso que, nessa situação particular, o objeto do litígio é um só, qual seja, o enquadramento ou não dos benefícios nas duas possíveis categorias de subvenções. Assim, prevalecendo o entendimento de que a natureza das subvenções é de investimento, os tributos ora lançados devem ser cancelados (conforme, aliás, é o entendimento da própria autoridade autuante). Por outro lado, caso seja constatada que a natureza das subvenções é de custeio, não só o IRPJ e a CSLL, mas também o PIS e COFINS, são exigíveis. Durante o presente contencioso, e considerando a publicação da Lei Complementar 160/17, que conferiu nova redação ao artigo 30 da Lei 12.973/2014, o contribuinte, alegando existência desse fato superveniente, peticionou aos autos (fls. 1.901/1.903), comprovando que preenche os requisitos legais tendentes a qualificar seus incentivos fiscais como subvenções para investimentos. Fl. 1952DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.313 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.722089/2016-14 E foi com base nessa comprovação que o IRPJ foi afastado, conforme atesta a seguinte passagem do acórdão embargado: Nesse contexto, cumpridos os requisitos da Lei Complementar 160/17, os benefícios fiscais ora discutidos devem ser enquadrados como subvenções de investimento, podendo as receitas dali decorrentes serem excluídas do cômputo do Lucro Real. Especificamente em relação às contribuições exigidas, estas foram canceladas pelo r. acórdão sob a seguinte alegação: Dos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) Os lançamentos referentes às contribuições para o PIS, COFINS e CSLL são puramente reflexos e tiveram como único fundamento o enquadramento dos referidos benefícios fiscais enquanto subvenções para custeio, e não subvenção para investimentos. Dessa forma, tendo em vista que restou demonstrado que esses benefícios, aos olhos da LC 160, devem ser considerados como de investimento, também os lançamentos constituídos por decorrência do IRPJ não se sustentam, em razão da relação de causa e efeito. Pois bem. Segundo consta do embargos opostos pela PGFN, “o acórdão embargado mostra- se omisso na medida em que deixou de observar que os fatos geradores são todos anteriores ao advento da Lei 12.973/2014”. E mais adiante, afirma que “a simples constatação de que a subvenção não seria de custeio, mas de investimento, no que concerne especificamente ao PIS e à Cofins, não se mostra suficiente para a solução da lide. Mostrava-se indispensável, tendo em vista que estamos diante de fatos geradores anteriores à Lei 12.973/2014, a demonstração de que tais verbas, no regime não cumulativo de apuração, deveriam ser excluídas das receitas tributáveis”. Com a devida vênia, a omissão apontada não existe, uma vez que, conforme acima demonstrado, o CARF julgou a procedência ou não das autuações nos termos em que elas foram fundamentadas e motivadas. Nota-se, aqui, que a palavra “omissão” exprime aquilo que se absteve de fazer; é a falta de menção, ou seja, a não apreciação daquilo que foi provocado. Para que houvesse a alegada omissão, então, quando menos o argumento em questão deveria ter sido invocado antes do julgamento, o que nunca ocorreu. No despacho que admitiu os embargos, restou assentado que o Colegiado deixou de pronunciar-se acerca dos artigos 54 e 55 da mesma Lei 12.973/2014, os quais contém disposições específicas relativas ao PIS e à COFINS das subvenções para investimento. A pergunta que se faz é: como o Colegiado deixou de pronunciar-se acerca dos referidos artigos 54 e 55 da Lei 12.973/14 se estes artigos nunca foram mencionado neste processo administrativo, seja no Auto de Infração, seja na decisão de primeira instância, seja nos próprios Embargos? E a resposta é uma só: o Carf não se pronunciou acerca dos artigos 54 e 55 da mesma Lei 12.973/2014 porque tratam-se de dispositivos legais nunca invocados, o que reforça a Fl. 1953DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.313 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.722089/2016-14 afirmativa que a omissão invocada constitui, na verdade, uma intenção de rediscutir o mérito já devidamente enfrentado. Os embargos da PGFN, evidentemente, pretende inserir nova fundamentação aos Autos de Infração de PIS e COFINS (irretroatividade da lei 12.973/14), inédita até este momento processual, numa clara tentativa de salvar ao menos esses lançamentos, os quais, repita-se, foram feitos exclusivamente em face da indevida classificação das subvenções como de custeio. Essa tentativa, porém, é inadmitida em sede de Embargos. Diante do exposto, REJEITO os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.720011/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2003
Ementa: ITR. ÁREAS ALAGADAS PARA IRRIGAÇÃO. Áreas alagadas
por barragens, destinadas a irrigação, estão sujeitas à incidência do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE
LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do
valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT.
Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.370
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ÁREAS ALAGADAS PARA IRRIGAÇÃO. Áreas alagadas por barragens, destinadas a irrigação, estão sujeitas à incidência do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 29/07/2011 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA SÃO MARCOS LTDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 82) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto da notificação de lançamento de fls. 01/04, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 10.680,77, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 25.187,38. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2003 da qual foi alterado do Valor da Terra Nua – VTN de R$ 9.600,00 para R$ 3.569.856,67. Reproduzo a seguir a descrição dos fatos da notificação: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descrição dos Fatos: Devido a não apresentação de laudo de avaliação do imóvel em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 10109/00006/2007, encaminhado por via postal ao contribuinte, e entregue em seu destino em 27/08/2007 conforme aviso de recebimento dos correios, procedese o arbitramento do valor da terra nua do imóvel, com base nas informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT, da Receita Federal do Brasil. A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliação do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá A determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de Área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1, inciso II da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 11075.720011/200737 Acórdão n.º 220101.370 S2C2T1 Fl. 2 3 ¡III Para o município de Uruguaiana, o valor constante do SIPT Sistema de Pregos de Terra, aprovado pela Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, para o exercício de 2003, de R$ 1.312,93/ha. Com base nesse dado, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN do imóvel para o exercício 2003, perfazendo um total de R$ 3.569.856,67, conforme demonstrado abaixo: Área Total do Imóvel declarada = 2.719 ha VTN/ha = R$ 1.312,93 VTN do Imóvel = VTN/ha x área do Imóvel. VTN do Imovel = 1.312,93 x 2.719 = R$ 3.569.856,67 O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a cooperativa é titular da área em questão com o alague da barragem, restando tãosomente 8,0ha de suas terras; que o laudo e os documentos que apresenta demonstram que dos 2.719,0ha de terra total, 2.711,0ha é alagada, restando somente 8,0ha de terra nua; que as terras alagadas são dedutíveis para efeito de cálculo do ITR; que quanto ao preço das benfeitorias, estes se agregam ao valor do solo e viceversa; que a barragem é de titularidade de seus cooperados, os quais, na qualidade de proprietário de áreas de terras cultivadas à margem da barragem também têm suas terras tributadas pelo ITR. A DRJCampo Grande/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJCAMPO GRANDE/MS observou que o laudo apresentado pela qual a Contribuinte pretendia demonstrar o VTN do imóvel era insuficiente tecnicamente para ser admitido como meio de prova, dentre outros motivos porque não traz pesquisa de preço de outros imóveis da região, que não esclarece como chegou ao valor médio dos imóveis para a região em 2003; não esclarece de que forma atribuiu valor médio ao solo da barragem. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/10/2009 (fls. 98 ) e, em 09/11/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 99/104, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações quanto à existência da barragem na propriedade. Argumenta que o valor da barragem como benfeitoria deve ser excluída para fins de apuração do VTN. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento de ITR decorrente da revisão, por arbitramento, do Valor da Terra Nua – VTN, alterandoo de R$ 9.600,00 (valor declarado) para R$ 3.569.856,67 (valor apurado). A Recorrente insurgese contra a autuação sob o argumento de que a quase totalidade da área do imóvel é alagada por uma barragem que serve para irrigação das lavouras de seus cooperados, nas adjacências da barragem. Apresenta laudo que confirmaria essa alegação. Incorre em equívoco a Recorrente, contudo, quanto interpreta que, por ser alagada, a área rural não estaria sujeita à incidência do ITR ou deveria ser excluída para fins de apuração da área tributável. Fosse a área alagada destinada à produção de energia elétrica, aí sim, deveria a mesma ser excluída, conforme posição consolidada da administração tributária. Porém, como afirma apropria recorrente, tratasse de área alagada destinação à irrigação. Notese que o ITR é imposto sobre o patrimônio, no caso a propriedade rural, e não imposto sobre a produção agrícola. É certo que a legislação exclui da incidência tributária, por imunidade ou isenção, algumas áreas, mormente aquelas destinadas a projetos de preservação ou conservação do meio ambiente. Porém, são exceções da própria legislação, motivadas pelo objetivo de estimular a preservação do meio ambiente. Isto não diz respeito, todavia, à própria norma de incidência tributária. No caso de áreas alegadas, portanto, da mesma forma como qualquer área utilizada na produção agrícola ou pecuária, há uma propriedade, a qual tem um valor e que, como qualquer outra, sua propriedade ou posse constitui hipótese de incidência do ITR. A Recorrente, por outro lado, não apresentou nenhum fundamento, legal ou doutrinário, que dê sustentação à sua pretensão. Quanto ao laudo e a avaliação que faz do imóvel, o mesmo é insuficiente para infirmar o valor arbitrado. O laudo, quanto ao VTN, é meramente opinativo, não demonstrando tecnicamente como chegou aos valores que aponta. Por outro lado, não observa os parâmetros mínios, em termos técnicos e formais, estabelecidos pela ABNT. Enfim, o laudo se apresenta tecnicamente inaceitável como parâmetro de avaliação do imóvel. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 11075.720011/200737 Acórdão n.º 220101.370 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10630.902732/2011-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
COFINS. INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não-cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
Consoante o conceito de insumos com fulcro na pertinência e essencialidade ao processo produtivo, devem ser reconhecidos como insumos os itens ora em discussão no presente recurso, tanto aqueles utilizados na fase agrícola quanto no processo de fabricação do produto da Contribuinte: (1) aos custos incorridos na fase agrícola da produção e às despesas incorridas com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose: (2) aos custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica; (3) aos custos de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria e aos custos de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria; (4) aos custos de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes.
Numero da decisão: 9303-009.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10630.902490/2011-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10630.902490/2011-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Consoante o conceito de insumos com fulcro na pertinência e essencialidade ao processo produtivo, devem ser reconhecidos como insumos os itens ora em discussão no presente recurso, tanto aqueles utilizados na fase agrícola quanto no processo de fabricação do produto da Contribuinte: (1) aos custos incorridos na fase agrícola da produção e às despesas incorridas com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose: (2) aos custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica; (3) aos custos de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria e aos custos de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria; (4) aos custos de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10630.902490/2011-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 27 32 /2 01 1- 34 Fl. 816DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. Dessa forma, adoto, no que pertinente, excertos do relatório constante do Acórdão nº 9303-009313, proferido no âmbito do processo paradigma deste julgamento: Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL buscando a reforma do acórdão recorrido, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL –COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não- cumulativo. CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Fl. 817DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose ocorrem na fase de comercialização do produto acabado e caracterizam despesas operacionais, não gerando créditos no regime da não-cumulatividade. CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose). CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FASE AGRÍCOLA. É legítima a tomada de créditos em relação ao custo de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. É vedada a correção do ressarcimento por expressa determinação legal. Recurso voluntário provido em parte. Não resignada com o julgado, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à reversão da glosa efetuadas. Para comprovar o dissenso, colacionou os acórdãos paradigmas. O recurso especial foi admitido, por ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial. De outro lado, o apelo especial do Contribuinte não teve seguimento, consoante despacho confirmado em sede de reexame de admissibilidade Na mesma oportunidade, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, requerendo a sua negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 818DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Da admissibilidade O recurso especial de divergência atende aos pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Uma vez que o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 9303-009.313, paradigma desta decisão: “No mérito, a Fazenda Nacional insurge-se requerendo a reversão das glosas dos créditos de PIS e COFINS não-cumulativos para os seguintes pontos: (1) aos custos incorridos na fase agrícola da produção e às despesas incorridas com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose; (2) aos custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica; (3) aos custos de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria e aos custos de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria; (4) aos custos de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes. De início, explicita-se o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrar-se à análise dos itens individualmente. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção Fl. 819DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhando-se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entende-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ - Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (grifou-se) Fl. 820DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/2006-72, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equipará-lo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de torná-la inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirma-se que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Fl. 821DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303-003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317-MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de Fl. 822DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 - Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 - Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou-se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº Fl. 823DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 1.221.170 - PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170-PR pela sistemática dos recursos repetitivos, embora já tenha havido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no sentido de lhe ser negado provimento3. Faz-se a ressalva do entendimento desta 3 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÕRDÃO QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS Fl. 824DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. POR LEI. ARGUMENTOS TRAZIDOS UNICAMENTE EM SEDE DE DECLARATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543-C DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso especial, inovando questões não suscitadas anteriormente (AgRg no REsp 1.378.508/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 07.12.2016). 2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de despesas cujo creditamento é expressamente vedado em lei), não foram objeto de impugnação quando da interposição do Recurso Especial pela empresa ANHAMBI ALIMENTOS LTDA, configurando, portanto, indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios. 3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 21/11/2018) Fl. 825DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, são analisados os itens suscitados pela Fazenda Nacional em seu recurso: (1) aos custos incorridos na fase agrícola da produção e às despesas incorridas com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose: (2) aos custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica; (3) aos custos de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria e aos custos de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria; (4) aos custos de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes. Pertinente, neste ponto, transcrever trecho do acórdão recorrido em que esclarece que a atividade do Sujeito Passivo, embora contemple a fase Fl. 826DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 agrícola e a fase de industrialização, deve também ser vista como um todo: [...] Relativamente à fase agrícola do processo produtivo, consistente na criação de mudas, plantio, manejo e colheita dos eucaliptos, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa expurgue dos cálculos os custos incorridos com insumos na floresta, sob o argumento de que a madeira lá produzida não se destina à venda, mas sim a consumo próprio. Isto porque, conforme já ficou assentado antes, a atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, em razão de que: (i) pela interpretação literal do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, que alude à insumos aplicados na "produção ou fabricação" de bens e serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com o direito de crédito tanto a "produção" quanto a "fabricação"; e (ii) pela aplicação da definição legal de "agroindústria" prevista no art. 22-A da Lei nº 8.212/91, a atividade econômica do contribuinte consiste na "industrialização de produção própria", ou seja, a lei considera que a produção da madeira e a extração da celulose é uma atividade única. No âmbito das contribuições não-cumulativas não existe um conceito de industrialização específico como ocorre no âmbito do IPI (art. 3º da Lei nº 4.502/64). Sendo assim, devem ser revertidas as glosas dos créditos relativos aos custos incorridos com os bens e serviços discriminados nas planilhas de glosa sob as rubricas: a) manejo das plantações de eucalipto; b) frete na manutenção de equipamentos florestais; c) manutenção de equipamentos florestais; d) fretes manutenção viveiro de um das; e) manutenção do viveiro de mudas de eucalipto; e f) frete no manejo das plantações de eucalipto. Todos esses gastos caracterizam-se como custo de produção (art. 290, I, do RIR/99), pois são incorridos no processo produtivo do contribuinte e sem eles restaria inviabilizada a extração da celulose, que o produto final exportado. Devem, portanto, gerar crédito das contribuições com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos valores glosados a título de frete sobre o transporte de madeira, é fato incontroverso nos autos que se tratam de custos incorridos pelo contribuinte no transporte da matéria-prima (madeira) entre a floresta de eucaliptos e a fábrica. [...] Tratando-se de fretes relativos ao transporte de matéria-prima entre a floresta e a fábrica, esses fretes são identificados com a hipótese listada no item "c" do excerto acima transcrito. Em outras palavras: a glosa efetuada pela fiscalização deve ser revertida, pois esses gastos integram o custo de produção da celulose (art. 290, I, do RIR/99) e, assim, geram créditos da contribuição nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Observa-se que os fretes relativos ao transporte de madeira entre a floresta e a fábrica foram nomeados pela fiscalização como "TRANSPORTE DE MADEIRA" e "TRANSPORTE DE MADEIRA SMAD". Entretanto, nas planilhas de glosa encontramos a denominação "Transporte de madeira produzida" ora seguida da rubrica "Frete Produção Celulose Fábrica", ora da rubrica "Produção Celulose Fábrica" e ora da rubrica "Manutenção equipamentos indústria". Devem ser revertidas todas as glosas referentes a transporte de madeira entre a floresta e a fábrica classificadas nas planilhas de glosa sob quaisquer das rubricas acima identificadas. Fl. 827DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Relativamente aos "custos e despesas de manutenção no tratamento de efluentes" e de "custos e despesas de frete na manutenção de tratamento de efluentes", a glosa foi fundamentada no fato de que esses custos não são aplicados na fabricação de produtos destinados à venda. A defesa alegou, em síntese, que esses custos são incorridos para a manutenção das estações de tratamento de água e tratamento biológico, que são necessários para permitir o reaproveitamento da água utilizada em seu processo industrial. Segundo a descrição do processo industrial, a água adicionada de soda cáustica é utilizada em um equipamento denominado digestor, no qual ocorre o cozimento, sob pressão, dos cavacos de madeira. Posteriormente ao cozimento, ocorre a injeção de água no digestor para iniciar o processo de lavagem da celulose. Como se vê, a água tem participação significativa no processo de fabricação da celulose (produto destinado à venda) e os custos necessários à sua reciclagem, embora não sejam aplicados diretamente no produto em fabricação, constituem custos de produção da celulose (art. 290, I, RIR/99), estando aptos a gerarem créditos, nos termos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04. Com esses fundamentos, deve ser revertida a glosa efetuada sob rubrica "custos e despesas de manutenção no tratamento de efluentes" e "custos e despesas de frete na manutenção de tratamento de efluentes". Relativamente à glosa do crédito tomado sobre o custo de aquisição de bens do ativo permanente, o motivo invocado para a glosa foi que os bens em relação aos quais houve glosa "são utilizados não só na produção de bens destinados à venda, como também em outras atividades da empresa, como, por exemplo, a produção de madeira (matéria-prima), tratamento de efluentes e a manutenção florestal." Tendo em vista que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não dão amparo para que a atividade do contribuinte seja seccionada e que a definição legal de "agroindústria", estabelecida no art. 22-A da Lei nº 8.212/91, considera como atividade do contribuinte a "industrialização de produção própria", devem ser revertidas as glosas dos créditos tomados com base no custo de aquisição dos bens do ativo permanente. [...] Com relação à aquisição de bens do ativo permanente, foi reconhecido o crédito calculado somente sobre os valores da depreciação, conforme premissa estabelecida no voto do acórdão recorrido: [...] Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não-cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Fl. 828DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 O contribuinte invocou a seu favor o art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08, pois esses dispositivos teriam encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida tanto no dispositivo legal, quanto no art. 27, caput, da Instrução Normativa, alude aos gastos incorridos no auferimento das receitas especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em outras palavras: o direito à tríplice forma e aproveitamento dos créditos gerados por operações de exportação refere-se unicamente aos créditos apurados com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. E como já se viu alhures, este dispositivo legal não instituiu o direito à tomada do crédito sobre todos os custos e despesas necessários à manutenção da atividade da empresa. [...] O decidido pelo Colegiado a quo está em consonância com o entendimento que tem prevalecido nesta 3ª Turma da CSRF, reconhecendo a possibilidade de creditamento de insumos também utilizados na fase agrícola do processo de produção. Nesse sentido, é o Acórdão n.º 9303-009.186, de relatoria do Ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, julgado em julho de 2019, e que trata do processo produtivo do mesmo Contribuinte que figura como Sujeito Passivo nesses autos. No julgado, foi reconhecido o direito ao creditamento dos gastos efetuados relativo a máquinas e veículos utilizados na plantação de eucalipto e aplicados em "manutenção de equipamentos florestais" e "manejo plantações de eucalipto". Com relação ao tratamento de efluentes, também há jurisprudência predominante nessa Turma de que devem ser reconhecidos como insumos, citando-se Acórdão n.º 9303-008.996, proferido pela nobre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, na sessão de julho de 2019. Portanto, consoante o conceito de insumos com fulcro na pertinência e essencialidade ao processo produtivo, devem ser reconhecidos como insumos os itens ora em discussão no presente recurso, tanto aqueles utilizados na fase agrícola quanto no processo de fabricação do produto da Contribuinte. Não merece reforma o acórdão recorrido, devendo ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Dispositivo Diante do exposto, nega-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.” Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Fl. 829DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9303-009.322 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10630.902732/2011-34 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, adoto a decisão consignada no acórdão paradigma, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 830DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13882.001339/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n° 8.852/94 não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, circunstâncias cuja aplicação, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, requerem disposição legal específica.
Numero da decisão: 2402-007.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Júnior, Luis Henrique Dias Lima, Paulo Sérgio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n° 8.852/94 não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, circunstâncias cuja aplicação, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, requerem disposição legal específica.
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As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n° 8.852/94 não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, circunstâncias cuja aplicação, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, requerem disposição legal específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Júnior, Luis Henrique Dias Lima, Paulo Sérgio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 00 13 39 /2 00 8- 52 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13882.001339/200852 Acórdão n.º 2402007.983 S2C4T2 Fl. 47 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 31) pelo qual o contribuinte se indispõe contra decisão em que a autoridade julgadora de primeiro grau considerou improcedente impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento (fls. 07), relativa a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2004, anocalendário 2003, de imposto a restituir de R$ 5.285,63 para imposto a restituir ajustado de R$ 4.070,63, em razão de glosa de rendimentos declarados isentos (adicional de tempo de serviço) considerados como tributáveis pela fiscalização. Consta da decisão recorrida (fls 22) o seguinte resumo dos fatos verificados até aquele momento processual: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 06/08, referente ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2003, que reduziu o saldo de imposto a restituir de R$ 5.285,63 para R$ 4.070,63. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 8.100,00, recebidos do Comando da Aeronáutica, CNPJ n° 00.394.429/0082 76. Inconformado, o interessado apresentou, em 22/09/2008, a impugnação de fls. 01/04, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. a Lei n° 8.852/94 é explícita ao considerar, em seu artigo Io, inciso III e suas alíneas, especificamente na letra "n", que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração, não podendo, portanto, ser tributado; 2. o artigo 43 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99 em momento algum se reporta em seus incisos à tributação do adicional por tempo de serviço; 3. o enquadramento legal mencionado pela Receita Federal fica comprometido, uma vez que a Lei n° 8.852/94 se sobrepõe à Lei n° 7.713/88, sendo os demais fundamentos legais utilizados (Lei n° 8.134/90, Lei n° 9.250/95, arts. Io a 3o, 6o, 11 e 32, Lei n° 9.532/97, art. 21, Lei n° 9.887/99) totalmente inconsistentes, vez que em momento algum tratam do fundamento da discussão, ou seja, a não tributação sobre os adicionais; 4. o adicional por tempo de serviço não se trata de acréscimo patrimonial e sim de indenização paga pelo Estado ao servidor em virtude das vedações impostas pelos artigos 92, 102 e 117, da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, com as alterações efetuadas pelo artigo 18 da Lei n° 11.094/2005, que dispõem sobre o Regime Jurídico do Servidor Público; 5. traz à colação doutrina e jurisprudência a respeito de indenização; Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13882.001339/200852 Acórdão n.º 2402007.983 S2C4T2 Fl. 48 3 6. por não revelar riqueza nova ou acréscimo de patrimônio, o recebimento de pecúnia pelo servidor público, por absoluta necessidade de serviço, não tem o condão de sujeitálo ao tributo em questão; 7. nem se alegue que através do mecanismo das ficções, presunções e equiparações, o legislador federal pode transformar indenizações em rendimentos tributáveis. Ao analisar o caso, em 17.03.2010 (fls 22), entendeu a autoridade julgadora de primeiro grau ser improcedente a impugnação do contribuinte, conforme as seguintes ementas: ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constar do auto de infração vários dispositivos legais concernentes à tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, de forma genérica, não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, disposição legal específica. Irresignado, o recorrente apresentou recurso voluntário, reafirmando que o adicional de tempo de serviço percebido não caracteriza renda tributável, pois tratase de valor pago a título indenizatório, sendo portanto isento de IRPF. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Das alegações do contribuinte Quanto ao recurso voluntário apresentado, tratase de instrumento meramente procrastinatório, por meio do qual o contribuinte apenas reafirma as razões já analisadas e superadas pela autoridade de piso (natureza indenizatória o adicional de tempo de serviço), sem apresentar qualquer informação ou documento capaz de alterar o resultado daquele julgado. Assim, por concordar do entendimento adotado na decisão recorrida, com fulcro no art. 57, §3º, do RICarf, colacionase o seguinte trecho do acórdão de primeiro grau, tratando da matéria: Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13882.001339/200852 Acórdão n.º 2402007.983 S2C4T2 Fl. 49 4 Discutese no processo em tela a natureza tributária das verbas recebidas pelo contribuinte a título de adicional por tempo de serviço. Sobre a tributação do imposto de renda, o art. 43 do Código Tributário Nacional determina que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. A Lei n° 7.713, de 22/12/1988, por sua vez, esclarece o alcance da norma citada nos seguintes termos: "Art 3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9oa 14 desta Lei. § Io Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. " Importante ressaltar que o § 4o do art. 3o desse mesmo diploma legal estabelece que "a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título Inferese dos dispositivos transcritos que a incidência do imposto de renda vinculase à natureza do rendimento, independentemente da denominação ou classificação contábil adotada pela fonte pagadora. 0 Decreto n° 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), ao regulamentar a norma legal, apontou expressamente, no art. 39 e seguintes, os rendimentos nãotributáveis e os isentos, sendo certo, de forma inquestionável, que as verbas objeto da presente controvérsia não estão incluídas em tais dispositivos. A Lei n° 8.852/94, embasamento legal que o contribuinte entende amparar seu pleito, dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § Io, da Constituição Federal, além de dar outras providências, definindo aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos e estabelecendo limites para a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e também do Poder Judiciário. Art. Io Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: 1 como vencimento básico: (...) Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13882.001339/200852 Acórdão n.º 2402007.983 S2C4T2 Fl. 50 5 // como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; (...). III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei n° 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei n° 8.237, de ¡991; e) saláriofamília; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; I) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a Io de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13882.001339/200852 Acórdão n.º 2402007.983 S2C4T2 Fl. 51 6 q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso 11 do art. 3o e o inciso II do art. 6o da Lei n° 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1° O disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. § 2o As parcelas de retribuição excluídas do alcance do inciso III não poderão ser calculadas sobre base superior ao limite estabelecido no art. 3o. Como se vê, as alíneas "a" a "r" do inciso III do art. Io da Lei n° 8.852/94 contêm exclusões do conceito de remuneração, mas não contemplam hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mesmo porque, a lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6o do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. No âmbito do Direito Administrativo, a estrita conceituação do que é remuneração, vencimento, gratificação, adicional e indenização tem importância fundamental para as questões previstas nos incisos X e XI do art. 37 da Constituição Federal, além de outras questões específicas deste ramo do direito, tais como assuntos ligados à irredutibilidade da remuneração, concessão de acréscimos salariais, incorporação de vantagens, etc. Esta conceituação, todavia, não interfere na definição do que é renda tributável, visto que, conforme já mencionado anteriormente, a teor do art. 3o, § 4o, da Lei n° 7.713/88, a tributação independe da denominação dos rendimentos ou da forma de percepção das rendas ou proventos. Ademais, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), as normas instituidoras de isenção devem ser interpretadas literalmente: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário: II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias Dessa forma, resta demonstrado que as verbas recebidas caracterizam renda e proventos de qualquer natureza, nos ditames do art. 43 do CTN, sendo, portanto, tributáveis e sujeitas à Declaração de Ajuste Anual, tendo em vista que não foram expressamente consideradas isentas ou excluídas da tributação do imposto de renda por meio de norma legal. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13882.001339/200852 Acórdão n.º 2402007.983 S2C4T2 Fl. 52 7 Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a redução do imposto a restituir. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.901848/2013-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/03/2012 a 31/03/2012
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. NÃO HOMOLOGAÇAO.
A retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação.
Numero da decisão: 3001-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. NÃO HOMOLOGAÇAO. A retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 18 48 /2 01 3- 41 Fl. 64DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-001.024 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.901848/2013-41 Trata-se de PER/DCOMP nº 34256.40574.211212.1.3.04-0584 (fls. 10 a 15), onde a Contribuinte indica crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS (código 5856) referente ao período de apuração 31/03/2012 no valor de R$ 56.248,23, transmitido em 21/12/2012. Referido crédito teria sido originado pelo recolhimento do valor total do DARF de R$ 56.248,23, com data de arrecadação em 25/04/2012. 2. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico nº 048862469 de 04/04/2013 (fl. 9), o direito creditório não foi reconhecido em virtude da anterior utilização integral do pagamento indicado como origem do crédito para a quitação de débitos do contribuinte. 3. Tendo sido cientificada do referido Despacho Decisório em 16/04/2013 (fls. 36), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 02/05/2013 (fls. 2), por seu procurador habilitado, alegando, em suma, que: 3.1 A empresa ora citada declara que houve um equívoco no preenchimento da DCTF do mês de março de 2012, considerando: 1º Não houve valor referente à apuração COFINS para recolher no mês de março do ano de 2012, considerando o saldo remanescente em DACON neste mesmo mês, é certo afirmar que não há saldo devedor na competência março 2012 (Anexo IV); 2º Entretanto, foi efetuado, indevidamente, o pagamento de COFINS referente a março 2012, no valor de R$ 56.248,23 com pagamento no dia 25 de abril de 2012. Diante disso evidencia-se o fato gerador de um crédito que dá direito à empresa compensar com tributos federais a partir deste fato. Nesse caso, a empresa compensou através de Per/Dcomp, no dia 21 de dezembro de 2012, como ‘Pagamento Indevido’, o valor atualizado de R$ 59.004,39 com o débito de COFINS referente ao mês de novembro de 2012 (Anexo III); 3º Mediante o equívoco, a empresa retificou a DCTF referente a março de 2012, informando no campo ‘Pagamentos com DARF’ que houve o pagamento indevido de R$ 56.248,23 de COFINS demonstrando que a empresa recolheu indevidamente um tributo federal, que possibilitou um direito a crédito no decorrer do ano de 2012 (Anexo V). 3.2 Requer a validação do Per/Dcomp transmitida em 21/12/2012. 4. Em 29/09/2017, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento (fl. 45). A DRJ do Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão n o 12-99.981 a seguir transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ACÓRDÃO SEM EMENTA Não sujeito à emenda, conforme Portaria RFB 2.724/2017. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 65DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-001.024 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.901848/2013-41 Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, extraiu-se do voto que, apesar da permissão da retificação da DCTF, devem ser atendidas as seguintes condições: (i) prova inequívoca de erro de fato no preenchimento da declaração, e (ii) que esta retificação ocorra enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário correspondente à declaração. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância trazendo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. Afirmando ser incontroverso o pagamento indevido de COFINS referente a março/2012 e que retificou a DCTF deste período de apuração. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre declaração de compensação com suposto saldo credor de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, tendo por base hipotéticos pagamentos indevidos ou a maior, por meio da PER/DCOMP nº 34256.40574.211212.1.3.04-0584. Fl. 66DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-001.024 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.901848/2013-41 Inicialmente o Despacho Decisório indeferiu o pleito tendo em vista que os valores recolhidos por meio de DARF para a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social estavam totalmente alocados aos valores declarados em DCTF para aquela contribuição. Diante deste indeferimento, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou que houve erro no preenchimento da DCTF. Perante este fato, retificou a referida declaração de modo a constar a diferença correta e paga a maior pelo DARF, segundo a recorrente. A decisão de piso manteve o indeferimento do despacho decisório, não acatando a retificação da DCTF pelo fato de que a então manifestante não ter apresentado provas inequívoca do erro cometido. Afirmando assim em sua decisão: Cabe destacar que a comprovação do erro de preenchimento da DCTF ativa à época do despacho decisório é ônus do contribuinte, em cumprimento ao disposto no art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação da Lei nº 8.748, de 1993 (aplicável ao contencioso decorrente de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação em virtude do disposto no art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003), que exige a instrução da contestação com as provas documentais das alegações apresentadas. Inconformada, a Recorrente discorre em sua peça processual que o acórdão recorrido não reconheceu o direito creditório em razão da retificação da DCTF ter ocorrido após o despacho decisório, mas que não há dúvidas da existência do direito ao crédito oriundo de recolhimento indevido a maior em março/2012, como amplamente comprovado nos autos. Inicialmente cabe ressaltar que este Conselho tem decidido que a retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pedido de restituição/ressarcimento. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como estabelecido no §1º do art. 147 do CTN, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Este entendimento encontra-se disposto também no Parecer Normativo COSIT n o 2, de 28 de agosto de 2015, no qual expressamente esclarece que “não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010”. Cabe aqui fazer um aparte de que, tal qual decidido pelo Acórdão Recorrido, o Despacho Decisório se encontrava materialmente correto quando de sua emissão anteriormente à retificação da DCTF pelo recorrente, tendo em vista que na ocasião não havia saldo de crédito Fl. 67DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-001.024 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.901848/2013-41 disponível para dar suporte ao pedido de restituição/compensação por intermédio da PER/DCOMP. Insta ainda destacar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. A Recorrente, por ocasião do Recurso Voluntário, apresenta tão somente os argumentos de que ficou comprovado nos autos o direito creditório e que a retificação posterior à intimação acerca do despacho decisório não desconfigura o direito de crédito da recorrente. Contudo não foi identificado nos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse a apuração da contribuição no referido período de apuração e que se pudesse chegar ao direito creditório pleiteado. Frise-se que, em termos de direito creditório e de demonstração da sua certeza e liquidez, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que, no presente caso, não ocorreu. Portanto, não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002150/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2402-007.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 50 /2 00 5- 90 Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 618 2 Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento de IRPF do exercício 2001 (ano calendário 2000), em face da constatação da infração consistente em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O valor original do crédito tributário lançado (principal, juros e multa) perfaz R$ 271.566,44 (fls. 99). Notificado pessoalmente do lançamento aos 23/12/05, o recorrente apresentou impugnação tempestivamente, alegando, em síntese: em preliminar, nulidade do auto de infração, porque a MP nº 258, de 27/10/05, que dispôs sobre a administração tributária federal, alterou a estrutura jurídica da Receita Federal, criou a carreira de Auditor da Receita Federal do Brasil, concedeu aos seus integrantes, em caráter privativo, as atribuições de constituir o crédito tributário de tributos e contribuições mediante lançamento, perdeu a eficácia por não ter sido convertida em lei tempestivamente, conforme exige o art. 62, § 3º da CF, com a redação da EC nº 32/01. O Decreto Presidencial de nº 5.644, de 28/12/05 restaurou a Receita Federal do Brasil, mas o fez irregularmente e sem força para convalidar os atos praticados pela "pseudofiscalização". Assim, tendo sido o AI lavrado aos 12/05/05, é nulo de pleno direito; houve cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não lhe foi concedido prazo razoável para apresentar provas essenciais à sua defesa. Cita doutrina; inconstitucionalidade da LC 105/01; develhe ser concedido prazo para comprovar os depósitos tributados, que foram depositados em sua contacorrente para que fizesse a liquidação dos processos trabalhistas e fiscais da sociedade Bigforte Segurança e Vigilância Ltda. Afirma que a documentação comprobatória dos depósitos e dos pagamentos realizados em nome da empresa está sendo providenciada. Por fim, requer sejam acolhidas as preliminares e, acaso superadas, que seja a impugnação julgada procedente para cancelar o auto de infração. A impugnação apresentada foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 Preliminar de nulidade Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 619 3 Rejeitase a preliminar de nulidade invocada, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Aplicação da Lei no Tempo Aplicase ao lançamento a legislação que, posterionnente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos A Lei nº 9.430, de 1996, no seu at 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Lançamento Proccdente Notificado dessa decisão aos 04/06/09 (fls. 136), o recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 141 ss.), no qual alega, em síntese: reitera a preliminar nulidade suscitada na impugnação, em razão da perda da eficácia da MP nº 258/05; no mérito, afirma que todos os créditos em sua contacorrente têm origem comprovada, oriundos das contascorrentes das empresas Possante Assessoria e Produção de Eventos Ltda. e Big Forte Segurança e Vigilância Ltda. Diz que sua intervenção na consolidação e pagamento dos débitos dessas empresas, que eram de propriedade de sua esposa, decorreu do fato de que estavam em processo de insolvência e, assim, a fim de evitar "não só problemas comerciais, mas também de segurança pessoal, uma vez que os sócios das empresas vinham sofrendo ameaças de morte por atraso no pagamento de salários de empregados e credores", para "tranquilizar" sua esposa e salvar as empresas, assumiu a responsabilidade por liquidar os débitos por meio de acordos de forma a reduzir os passivos e os custos fixos. Para tanto, diz que as empresas aportavam valores em sua contacorrente e, no escritório do contador, à medida que os recebia, efetivava os pagamentos de empregados e credores. Junta farta documentação (fls. 148/1.368), composta por alterações do contrato social das empresas em questão, planilhas relacionando pagamentos efetivados a credores/funcionários e recibos de quitação fornecidos à empresa Possante Assessoria e Produção de Eventos Ltda. Não houve contrarrazões. É o relatório. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 620 4 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora Do que consta dos autos, não é possível aferir a data em que o recurso voluntário foi interposto. Com efeito, do envelope dos Correios anexado a fls. 08, não consta a data da postagem. Todavia, o memorando DERATRJO/CAC/CENTRO, a fls. 139, datado de 02 de julho de 2009, dá conta do encaminhamento do recurso voluntário daquela unidade da Receita Federal do Brasil para a DERATRJO/CAC/BANGU. Ou seja, aos 02 de julho de 2009, o recurso voluntário já se encontrava nas dependências da Receita Federal do Brasil. Portanto, àquela data, já houvera sido postado/interposto. Desse modo, considerando que o recorrente foi notificado da decisão de primeira instância aos 04/06/09 (fls. 136) e, aos 02/07/09, menos de 30 dias após aquela data, seu recurso voluntário já se encontrava na Receita Federal do Brasil, mais precisamente na DERATRJO/CAC/CENTRO, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso é tempestivo. Sendo tempestivo e estando presentes os demais requisitos formais de admissibilidade, deve ser conhecido. Preliminar Nulidade do auto de infração ausência de competência da autoridade fiscal para o lançamento Como relatado, em seu recurso, o recorrente reitera expressamente a alegação de nulidade do auto de infração constante de sua impugnação, no sentido de que a MP nº 258, de 27/10/05, que dispôs sobre a administração tributária federal, alterou a estrutura jurídica da Receita Federal do Brasil, criou a carreira de Auditoria da Receita Federal e concedeu aos seus integrantes, em caráter privativo, as atribuições para constituir o crédito tributário de tributos e contribuições mediante lançamento, perdeu a eficácia por não ter sido convertida em lei tempestivamente, conforme exige o art. 62, § 3º da CF, com a redação da EC nº 32/01. Diz que o Decreto Presidencial de nº 5.644, de 28/12/05, restaurou a Receita Federal do Brasil, mas o fez irregularmente e sem força para convalidar os atos praticados pela "pseudofiscalização", de modo que uma vez que a Medida Provisória perdeu sua eficácia aos 21/08/05 e o auto de infração foi lavrado aos 12/05/05, é nulo de pleno direito, pois não foi lavrado por servidor competente. Não tem razão. Inicialmente, anotese que o recorrente aponta alguns dados e informações inconsistentes em seus argumentos de defesa: em primeiro lugar, diz que a Medida Provisória nº 258, de 27 de julho de 2005 perdeu sua eficácia aos 21/08/2005, nos termos do art. 62, § 3º da CF, com a redação que foi atribuíd a este dispositivo pela EC n° 32/01. São os seguintes os termos do mencionado dispositivo constitucional: Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 621 5 Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (...) § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (Destacamos) Ora, se, nos termos do § 3º do art. 62 da CF, as medidas provisórias perdem a eficácia em SESSENTA DIAS caso não convertidas em lei, tendo sido editada aos 21/07/2005, evidentemente que aos 21/08/2005 ela ainda estava vigente e eficaz. Nessa linha, anotese que o Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 40, de 21/11/2005, dá conta de que "a Medida Provisória nº 258, de 21 de julho de 2005, que "dispõe sobre a Administração Tributária Federal e dá outras providências", teve seu prazo de vigência encerrado no dia 18 de novembro do corrente ano"1. Portanto, a MP em questão somente perdeu a eficácia aos 18/11/2005. Ademais, o recorrente também afirma que o auto de infração teria sido lavrado aos 12/05/05, o que não procede. Conforme se verifica a fls. 99, o AI foi lavrado aos 20/12/05, com ciência pessoal do sujeito passivo aos 23/12/05. Portanto, quando da lavratura do AI, a MP nº 258/05 houvera perdido sua eficácia há aproximadamente um mês. Diz o recorrente que, em função desse "hiato", o auto seria nulo, pois lavrado por servidor incompetente. No entanto, vejamos que é a própria Constituição Federal que dá a solução para essa questão: com efeito, como dispõe o § 3º do art. 62 da CF, acima transcrito, as medidas provisórias, salvo as exceções previstas naquele mesmo dispositivo constitucional, se não convertidas em lei, perderão a eficácia no prazo de sessenta dias, "devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes". Como anota a doutrina, "atento às desastrosas consequências que a perda de vigência da medida provisória pode acarretar no âmbito da segurança das relações, o constituinte prevê que o Congresso regulará essas relações"2. E dispõe, ainda, a Constituição Federal, no § 11 do mesmo art. 62, que Art. 62. ... (...) 1 Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2005/Congresso/atocnmpv258se05.htm. Acesso aos 31/10/19. 2 MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 954. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 622 6 § 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Em suma, perdida a vigência da medida provisória por decurso de prazo e não reguladas as relações jurídicas dela advindas pelo Congresso Nacional em sessenta dias, essas mesmas relações permanecerão por ela regidas. Ainda no ensinamento da doutrina já citada, Criouse, desse modo, uma hipótese de ultraatividade da medida provisória não convertida em lei, mas apenas para a disciplina das relações formadas com base na mesma medida provisória e durante a sua vigência. (Idem) Concluise, portanto, que nos termos dos dispositivos constitucionais acima transcritos, enquanto não editada a MP nº 46, de 26 de junho de 2002, convertida na Lei nº 10.593/02, o auto de infração permanceu regido pela MP nº 251/01, que atribuia competência aos auditores fiscais para a atividade de lançamento, não se havendo falar em nulidade. Anotese, por fim, que o parágrafo único do art. 194, do CTN3, é claro no sentido de que a legislação que disciplinará "a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação" se aplica tanto às pessoas naturais como às jurídicas, contribuintes ou não, ainda que gozem de imunidade ou de isenção tributárias, não tendo igualmente razão recorrente quando pretende excluir do âmbito da atividade fiscalizatória exercida pela Receita Federal do Brasil as "sociedades civis" e os "prestadores de serviço", numa interpretação equivocada do art. 196, "caput" do CTN4. Mérito Dos depósitos bancários de origem não comprovada O recorrente alega que todos os créditos em sua contacorrente são oriundos das contascorrentes das empresas Possante Assessoria e Produção de Eventos Ltda. e Big Forte Segurança e Vigilância Ltda. Diz que sua intervenção na consolidação e pagamento dos débitos dessas empresas, que eram de propriedade de sua esposa, foi necessária porque estavam em processo de insolvência e, assim, a fim de evitar "não só problemas comerciais, mas também de segurança pessoal, uma vez que os sócios das empresas vinham sofrendo ameaças de morte por atraso no pagamento de salários de empregados e credores", para "tranquilizar" sua esposa e salvar as empresas, assumiu a responsabilidade por liquidar os débitos por meio de acordos, de forma a reduzir os passivos e os custos fixos. 3 Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplicase às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. 4 Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 623 7 Afirma que para tanto, as empresa aportavam valores em sua contacorrente e, no escritório do contador, à medida que os recebia, efetivava os pagamentos de empregados e credores. Pois bem. Inicialmente, verificase que o recorrente apresenta em seu recurso voluntário versão dos fatos distinta da apresentada em sua impugnação. Com efeito, naquela peça de defesa, o recorrente afirma que os depósitos questionados foram efetivados em sua conta corrente para que ele "fizesse liquidação dos processos trabalhistas e fiscais existentes contra a sociedade Bigforte Segurança e Vigilância Ltda" (destacamos) (fls. 110). Em seu recurso voluntário, por seu turno, ele alega que todos os créditos em sua contacorrente são oriundos das contascorrentes da empresa Big Forte Segurança e Vigilância Ltda. e da empresa Possante Assessoria e Produção de Eventos Ltda., que, até então, não havia sido mencionada. Anotese que juntamente com seu recurso voluntário, o recorrente anexa farta documentação visando à comprovação de suas alegações, tais como recibos de pagamento de valetransporte, refeição, alimentação, "quentinha", de pagamento de rescisão contratual, documentos chamados de "chequesalário" e, até, de locação de equipamentos (fls. 148/1.368). Todos esses documentos, no entanto, dizem respeito à empresa Possante Assessoria e Produção de Eventos Ltda., que, como dito, não foi mencionada na impugnação como sendo, também, uma das fontes dos depósitos questionados, para que o recorrente liquidasse os respectivos débitos. Seja como for, a documentação juntada aos autos com o recurso voluntário não é hábil a comprovar que os depósitos efetivados na contacorrente do recorrente efetivamente tiveram origem na transferência de recursos seja por parte de uma ou outra empresa. Não há nenhuma coincidência entre datas e valores dos pagamentos supostamente efetivados pelo recorrente e os depósitos questionados. Ademais, também não há comprovação nos autos de que esses pagamentos foram efetivamente por ele realizados, uma vez que o extrato bancário anexado tampouco demonstra que tenha havido saída de valores de sua conta corrente para fazer frente a eles. Ressaltese que o art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse ônus é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. São os seguintes os termos do mencionado dispositivo legal: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 624 8 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19975) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Tratase de uma presunção legal, relativa, dado o conteúdo do dispositivo mencionado, de modo que pode ser afastada por prova em contrário cujo ônus compete, no caso, ao recorrente. Conforme esclarece a doutrina, "A presunção é uma operação mental por meio da qual o juiz, partindo da convicção a respeito da existência de um 5 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 625 9 determinado fato secundário, infere com razoável probabilidade que o fato primário ocorreu. (...) "As presunções legais, por sua vez, decorrem de lei. É o legislador que, a priori, estabelece a correlação entre os fato, dispondo que, diante da comprovação de determinado fato [no caso, a existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea], é razoável supor a ocorrência de outro [a existência de renda não submetida à tributação]". 6 Na lição de ninguém menos do que Pontes de Miranda, "A presunção simplifica a prova, porque a dispensa a respeito do que se presume. Se ela apenas inverte o ônus da prova, a indução, que a lei contém, pode ser elidida, in concreto e in hypothesi. Se ao legislador parece que a probabilidade contrária ao que se presume é extremamente pequena, ou que as discussões sobre provas seriam desaconselhadas, concebeas ele como presunções inelidíveis, irrefragáveis: temse por notório o que pode ser falso.7 A disposição contida no art. 42, assim, é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatarem afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita pelo contribuinte de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do dispositivo em quesão, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. Nesse sentido, também é o entendimento deste tribunal administrativo, manifestado no enunciado de nº 26 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante: Enunciado CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Destacamos) A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. De acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si sós, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. 6 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lucia Lins; RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de. PRIMEIROS COMENTÁRIOS AO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ARTITO POR ARTIGO. São Paulo: RT, 2015, p. 374. 7 PONTES de Miranda, F. C. COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, t. IV. Rio de Janeiro: Forense, 1974, , p. 235/236. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 18471.002150/200590 Acórdão n.º 2402007.849 S2C4T2 Fl. 626 10 Dito de outro modo, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é decorrente de venda de imóveis, de recebimento de prólabore e lucros etc. Se não o fizer, então e só então incidirá o consequente normativo da presunção, com a constituição do crédito tributário dela decorrente. Ressaltese que o Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, conforme se constata do precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Desse modo, não tendo o recorrente comprovado nos autos a origem dos depósitos questionados, restou caracterizada a infração. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 1381DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720293/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Alexandre Kern
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 93 /2 01 1- 16 Fl. 2306DF CARF MF 2 Relatório Em decorrência de ação fiscal relativa ao anocalendário de 2007, programada pelo critério Vendas DIPJ Terceiros x Receita Bruta Declarada, com o escopo de se verificar o correto lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, FLEXPACK INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA. teve contra si lavrado o Auto de Infração de fls. 2.081 a 2.084, para determinação e formalização da exigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 18.229.185,40. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, fls. 2.074 a 2.080, em procedimento de circularização junto aos clientes da sociedade autuada, o lançamento se justificou pelo fato de terem sido constatados valores consideráveis a título desse imposto informados nas relações e nas notas fiscais fornecidas por Cibrapel S/A Indústria de Papel e Embalagens (fls. 65 a 2.036) e nada constar declarado nas DCTF's correspondentes (fls. 15 a 48), nem haver qualquer recolhimento a esse mesmo título. O valores totais devidos em cada período de apuração estão tabulados abaixo: PA IPI MATRIZ IPI FILIAL IPI TOTAL jan/07 381.802,28 122.850,00 504.652,28 fev/07 315.613,95 136.080,00 451.693,95 mar/07 383.381,10 116.235,00 499.616,10 abr/07 347.326,50 113.400,00 460.726,50 mai/07 450.935,85 112.455,00 563.390,85 jun/07 414.250,65 143.640,00 557.890,65 jul/07 432.627,00 192.780,00 625.407,00 ago/07 448.388,85 162.540,00 610.928,85 set/07 390.951,45 158.760,00 549.711,45 out/07 552.960,15 108.675,00 661.635,15 nov/07 560.977,80 126.630,00 687.607,80 dez/07 421.526,70 110.565,00 532.091,70 Total 5.100.742,28 1.604.610,00 6.705.352,28 A penalidade aplicada agravada, porque, nos termos do TVF, foi constatado que, na contabilidade de Cibrapel S/A, os pagamentos das notas fiscais relacionadas nas planilhas de fls. 65 a 74 foram devidamente registrados e que não foi comprovado qualquer recolhimento o confissão dos respectivos débitos. Para o agravamento, invocouse os arts. 1º e 2° da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Imputouse responsabilidade pessoal passiva solidária a NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÕES SOCIEDADE SIMPLES LTDA – CNPJ 03.939.374/000153, na condição sócia majoritária com 386 cotas da sociedade autuada, e a RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS CPF 291.322.70828, na condição de sócio da Nirwald do Brasil Rep. Soc. Simples Ltda, no anocalendário de 2007, ano em foram verificadas as irregularidades descritas no TVF, única pessoa física que pode ser identificada pela fiscalização como pertencente ao quadro social de pelo menos uma das duas sociedade empresárias. O procedimento fiscal resultou na lavratura de dois autos de infração: o referente ao IPI, objeto do presente processo, e, tendo como base omissão de receitas apuradas nas notas fiscais, o referente ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, objeto do processo nº 15563720292/201163. Também foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, por meio do processo n 15563.720296/201141. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 15563.720293/201116 Acórdão n.º 3403003.105 S3C4T3 Fl. 2.307 3 Em impugnação de fls. 2.114 a 2.138, defendeuse a sociedade autuada e a responsável solidária NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA com as seguintes alegações: Em preliminar de nulidade: a) impossibilidade da sujeição passiva de NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA., haja vista inexistir prova de dolo; b) afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, por falta de intimação da representante legal das sociedades para acompanhamento da verificação fiscal, de modo que todo o processo está eivado de nulidade; c) o auto de infração não preenche os requisitos formais elencados pelo artigo 142 do CTN, por não conter o preciso enquadramento legal do suposto ilícito fiscal, impossibilitando ao autuado exercer o seu direito à defesa e ao contraditório, afrontando o princípio da verdade material; d) •as intimações edilícias e o lançamento por estimativa não permitiram a verificação da ocorrência do fato gerador, nem se deu de forma a garantir o direito da ampla defesa e contraditório do contribuinte, nem mesmo possibilitou que próprio julgador tivesse uma visão clara dos fatos ocorridos; e) a matéria tributável também não restou bem definida, já que não precisa a capitulação da infração supostamente realizada pela autuada; f) não restando devidamente verificada a ocorrência do fato gerador, impossível a aplicação de penalidade. No mérito do lançamento: a) falta de prova inequívoca da omissão de receita, pugnandose pela aplicação subsidiária dos artigos 332 e 333 do CPC; b) a Fiscalização não diligenciou no sentido de tentar comprovar a receita de forma idônea, de forma que a sistemática utilizada e a inversão do ônus da prova são irregulares; c) há créditos em favor do contribuinte, havendo necessidade de comprovação do nexo causal entre eles e o fato que representasse efetiva omissão de receitas para que o lançamento fosse considerado procedente e eficaz, não demonstrado pelo fisco nos autos d) o emprego da presunção como fundamento para a lavratura de auto de infração deve ser utilizada com extrema cautela pelo Fisco, sendo que quando o contribuinte questiona especificamente esse método, cabe à autoridade administrativa o ônus de comprovar a eficácia de sua autuação; Fl. 2308DF CARF MF 4 e) irresignase contra a majoração do percentual da multa aplicada, tendo em vista que não são reincidentes na suposta infração, cabendo a alíquota mínima de 50%; f) falta de comprovação da presença das circunstâncias qualificadoras previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; g) efeito confiscatório da penalidade e inobservância da capacidade contributiva; h) ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC para indexar os juros de mora. SOLANGE MARIA DE SOUZA apresentou impugnação, fls. 2178 a 2183, na condição de sócia administradora da NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. Alega que: a) recebeu o termo de ciência de autuação, no qual consta seu nome como contribuinte autuado, dispondo, dessa forma, de 30 dias para apresentação de sua impugnação; b) impossibilidade da incidência do artigo 135, inciso III, do CTN, haja vista que, na data da suposta omissão de receitas, não exercia qualquer poder de gerência, tampouco era sócia da NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA, carecendo, portanto, de respaldo fático, razão pela qual a autuação não lhe pode ser redirecionada; c) falta de provas de que tenha atuado com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS apresentou impugnação, fls. 2191 a 2194, alegando: a) que detinha apenas 1% da participação no capital social, e jamais exerceu a função de administrador, tendo se retirado da sociedade em 10/01/2011, e que a mera condição de sócio não é suficiente para configurar responsabilidade solidária por débitos fiscais da sociedade, que somente se caracteriza quando se exercer função de administração com comprovado excesso de poderes ou infração à lei; b) que, ante a ausência dos pressupostos legais para caracterização da responsabilidade solidária de sócio com participação ínfima no capital social, e sem poderes de gestão, é improcedente a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Tributária para fins de exigência de qualquer crédito tributário eventualmente devido; c) que não há comprovação de omissão de receitas nos autos do processo administrativo, ficando expressamente impugnado o lançamento realizado, do que resulta a nulidade dos lançamentos, multa e juros, que são indevidos. A 5ª Turma da DRJ/RJO1 julgou a impugnação procedente em parte, apenas para reduzir o percentual da penalidade aplicada e retirar do polo passivo RODOLFO Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 15563.720293/201116 Acórdão n.º 3403003.105 S3C4T3 Fl. 2.308 5 MAQUINEZ DOS SANTOS, mantendo todavia a sujeição passiva de NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA, e deixando de conhecer da impugnação de SOLANGE MARIA DE SOUSA. O Acórdão nº 1246.550, de 17 de maio de 2012, fls. 2200 a 2205, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 NULIDADE Inocorrência O lançamento com base nos preceitos legais, bem como a observância do amplo direito de defesa afasta a hipótese de nulidade do lançamento. FALTA DE LANÇAMENTO. VALORES DESTACADOS EM NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. “CIRCULARIZAÇÃO” DE CLIENTES. Procede a exigência do imposto destacado em notas fiscais de saídas emitidas pelo sujeito passivo, obtidas em procedimento de “circularização” de seus clientes, que não foram pagos ou declarados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA PESSOA JURÍDICA SÓCIA Configurando a pessoa jurídica como sócia majoritária, detentora de fato de poderes de decisão, já que o outro sócio era falecido na época dos fatos geradores, e caracterizados os requisitos previstos na legislação tributária, é cabível a imputação da responsabilidade solidária para satisfação dos créditos tributários constituído por meio de lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA A sujeição passiva solidária depende da comprovação da conduta com infração à lei e de poderes de gestão dos agentes, no período em questão, cabendo afastar a responsabilidade quando este requisito não restou demonstrado nos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Só se justifica a qualificação da multa de ofício quanto comprovados os requisitos previstos na legislação. No caso, não houve demonstração da ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, e sequer a comprovação de alguma circunstância agravante, previstas no artigo 68 da Lei nº 4.502/64. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. Fl. 2310DF CARF MF 6 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 5ª Turma da DRJ/RJ1 recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recursos voluntários contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJ1. Flexpack e Nirwald apresentaram, em 17/09/2012, o arrazoado de fls. 2.244 a 2.259, por meio do qual, após protesto de tempestividade, argúem a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, na medida em que seus argumentos não foram observados, e repetem as argüições de nulidade já oferecidas na impugnação. Retomam também o pedido de exclusão de NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. do polo passivo. As razões de defesa quanto ao mérito do lançamento também foram repetidas. Irresignamse contra a redução da multa apenas para o patamar de 75%, pugnando por sua redução ao patamar de 50%, haja vista não serem reincidentes. A autoridade preparadora, fls. 2.244, consignou, na folha de rosto do recurso recebido que a signatária, SOLANGE MARIA DE SOUSA, não consta no cadastro da RFB como responsável pelo CNPJ. Em 07/02/2013, NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. formula nova petição, fls. 2.263 a 2.78, repetindo os termos do recurso apresentado anteriormente, em conjunto com FLEXPACK INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA. A autoridade preparadora, fls. 2.263, registrou ter recebido a petição por insistência da signatária, que não apresentou instrumento de mandato, nem cópia de atos societários. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Conforme relatado, o lançamento de ofício de que se trata foi decorrente da apuração de que FLEXPACK INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA. promoveu saídas de produtos tributáveis sem declaração ou recolhimento do IPI destacado nas notas fiscais que documentaram as operações. Esses mesmos fatos ensejaram também a constatação de omissão de receitas tributáveis pelo IRPJ e contribuições conexas, objeto do auto de infração constante do processo administrativo nº 15563720292/201163. Nos termos do Inc. IV do art. 2º do Anexo II ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, compete à Primeira Seção o julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação dos demais tributos e do IRRF, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Tal é exatamente o caso do presente processo. Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 15563.720293/201116 Acórdão n.º 3403003.105 S3C4T3 Fl. 2.309 7 Assim sendo, voto por que não se conheça dos recursos de que se trata e que se decline a competência para o seu julgamento à 1ª Seção do CARF. Sala de sessões, em 23 de julho de 2014 Fl. 2312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900086/2008-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. EXISTÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
Uma vez demonstrado nos autos que o recolhimento realizado com base no lucro presumido se dera indevidamente, visto que o contribuinte é optante do SIMPLES, há de se reconhecer o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3002-000.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Sabrina Coutinho Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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PAGAMENTO INDEVIDO. EXISTÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Uma vez demonstrado nos autos que o recolhimento realizado com base no lucro presumido se dera indevidamente, visto que o contribuinte é optante do SIMPLES, há de se reconhecer o direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Sabrina Coutinho Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 69 dos autos: Trata-se de PER/DCOMP transmitido em 16.12.2004 (fls. 62/66), em que foi utilizado crédito referente a pagamento indevido de Cofins — PA 30/06/2004 — para compensar débito de Simples referentes aos PA maio e setembro de 2004, no valor de R$ 1.965,77. 2. A DRF/Ji-Paraná/RO, através do Despacho Decisório de fl. 05, indeferiu o pedido de restituição e considerou não homologada a compensação, sob o argumento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 00 86 /2 00 8- 25 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13227.900086/2008-25 Acórdão n.º 3002-000.932 S3-TE02 Fl. 1,5 de que o valor recolhido foi integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte (Cofins PA 30.06.2004). 3. Cientificada em 06.05.2008 (AR fl. 60) a interessada apresentou, tempestivamente, em 23.05.2008, manifestação de inconformidade (fls. 06/07) na qual alega: A refirida empresa foi constituída sob o regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte - SIMPLES. Constava no banco de dados da Receita Federal do Brasil a entrega das DCTFs referentes ao I° trimestre com recibo sob o n.° 37.10.79.85.24-06 enviada em 13/05/2004 e, 2° trimestre com recibo sob o n.° 15.23.77.24.13-68 enviada em 12/08/2004, ambas do ano de 2.004; que firam apresentadas de firma equivocada, cujo seu respectivo cancelamento já fora solicitado conforme protocolo em anexo. Solicita também neste ato após corrigido o equívoco a revisão de todas as Per/Dcomp apresentadas no exercício do ano de 2.004. Segue em anexo ao requerimento cópias: do Contrato Social e Alterações, do CNPJ, da Consulta Situação Optantes pelo Simples, da PAY 2005/2004, P1512005/2004 retificadora (onde foi informado o número das Per/Dcomp), protocolo do pedido de cancelamento das DCTFs referente ao 1° e 2° trimestre de 2004 e, dos despachos decisórios." A manifestação de inconformidade do contribuinte foi juntada às fls. 07/08 e os documentos a ela anexados constam das fls. 09/58. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 68/70): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDA SOCIAL- COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Tendo o contribuinte efetuado opção pelo lucro presumido em 2004 mediante o pagamento do imposto de renda, resta definitiva esta opção e a exclusão do SIMPLES por opção. Por conseguinte, inexiste pagamento indevido efetuado a título de Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 28/07/10 (vide AR à fl. 73 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 16/08/2010, Recurso Voluntário (fls. 77/78). O recurso do contribuinte consiste na seguinte explicação e requerimento: 1- A referida empresa foi constituída sob o regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte - SIMPLES, conforme cópia impressa na data de 13.02.2006 em anexo, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13227.900086/2008-25 Acórdão n.º 3002-000.932 S3-TE02 Fl. 2 onde, se verifica que a empresa optou pelo SIMPLES na data de sua abertura, em 19.09.2003. 2- Com o início das atividades comerciais no mês de Março de 2004, foram gerados impostos equivocados ao regime que a empresa escolhera, isso, por falha humana ao cadastrar a empresa na contabilidade, erro este, que só foi percebido em Outubro de 2004, sendo que foram efetuados recolhimentos indevidos dos PAs. de: 03/2004 a 09/2004.nIndevidos, pois, os recolhimentos seriam pelo SIMPLES — 6106 e não Cofins -2172, CSLL — 2372, IRPJ 2089 e PIS — 8109 como foram recolhidos. 3- Identificado o equívoco foram geradas e transmitidas PER/DECOMPs, com a finalidade de compensar o valor pago como: Cofins -2172, CSLL — 2372, IRPJ 2089 e PIS — 8109, para: SIMPLES — 6109, no período compreendido dos: PAs. de: 03/2004 a 09/2004. Salientando que os PAs. 10, 11 e 12/2004, foram recolhidos de forma correta, no SIMPLES —6106. 4- A empresa não teve e, não tem interesse em trocar o regime federal de tributação sob o qual foi constituída, por esse motivo fez as PER/DCOMPs, para que a SRF, deferisse favorável as compensações através de medida administrativa ou outra medida legal, para sanar de forma cabal as pendências do exercício de 2004 com a SRF. 5- Foi solicitado o cancelamento das DCTFs do período em questão. 6- Foi apresentada declaração da PJSI 2005/2004 e PJSI 2005/2004 Retificadora, com a informação dos números das PER/DCOMPs, do mesmo período. À fl. 78, o recorrente indicou os documentos juntados com seu recurso. Contudo, anexados a ele se encontram apenas procuração e cópia do documento de identidade do procurador (fls. 74/76). À fl. 79, consta despacho informando o comparecimento do procurador com cópia do recurso a ser encaminhado ao CARF, o que levou à conclusão de que tal recurso havia sido extraviado. Propôs o encaminhamento do processo ao CARF, com a informação de que o recurso é tempestivo. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, sustenta o contribuinte que o crédito alegado decorre do recolhimento indevido de COFINS do período de apuração de 30/06/2004, para compensar débito do SIMPLES referente aos períodos de apuração de maio e setembro de 2004. Defende Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13227.900086/2008-25 Acórdão n.º 3002-000.932 S3-TE02 Fl. 2,5 que o recolhimento da COFINS se dera indevidamente, visto que teria, por falha humana, apurado indevidamente esta contribuição, visto que a empresa era optante do SIMPLES. Ao analisar o caso, assim entendeu a DRJ: 5. A empresa alega haver transmitido indevidamente duas DCTF, confessando e pagando a Cofins do PA junho/2004, sendo que não caberia tal recolhimento por ser a mesma optante do Simples no período. 6. Muito embora a Lei n° 9.317, de 5 de novembro de 1996, determinasse que a exclusão por opção da pessoa jurídica deveria ocorrer mediante alteração cadastral (art. 13, § 10), essa regra não era absoluta. Nesse sentido, o Perguntas e Respostas do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica 2003, manual elaborado pela Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil, assim estabelecia na Pergunta n° 179: "179 — Quais as exigências impostas às pessoas jurídicas que desejarem ou forem obrigadas a sair do Simples? R: As pessoas jurídicas que forem excluídas do Simples, por opção ou obrigatoriamente, deverão proceder à alteração cadastral com vistas à atualização da situação. A falta de comunicação ensejará a aplicação de penalidade correspondente a 10% (dez por cento) do total de impostos e contribuições devidos de conformidade com o Simples no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não podendo ser inferior a RS 100,00 (cem reais), insusceptível de redução. A pessoa jurídica excluída do Simples, por opção, obrigatoriamente ou de oficio, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, sujeitar-se-á às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive com relação à forma de apuração dos seus resultados, tomando como base as regras previstas para o lucro real, ou, quando seja permitido, opcionalmente, pelo lucro presumido." 7. Nota-se, dessa maneira, que a exclusão por opção poderia ainda ocorrer mesmo que o contribuinte não tenha procedido à alteração cadastral. Seria necessário que o contribuinte tivesse efetuado, nos termos da legislação em vigor, a opção por outra forma de apuração do imposto de renda. 8. Os sistemas da Receita Federal do Brasil mostram que a empresa somente efetuou pagamentos a título do Simples nos meses de novembro e dezembro do ano, tendo, pelo contrário, portado-se anteriormente como optante pela tributação com base no lucro presumido a partir do início de sua operação, com recolhimento de imposto de renda por por essa forma em 30.04.2004, além de recolhimentos de CSLL, PIS/Pasep e Cofins e entrega das DCTF. 9. A Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, trata, em seu art.26, §10, da opção pelo lucro presumido: "§ I° A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário." 10. Além disso, nos termos do §1° do art. 13 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, a opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o ano-calendário. 11. Destarte, estando correta a opção pelo lucro presumido, os recolhimentos efetuados a título de Cofins reputam-se válidos, motivo pelo qual vota-se pelo indeferimento da Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13227.900086/2008-25 Acórdão n.º 3002-000.932 S3-TE02 Fl. 3 presente manifestação de inconformidade, mantendo-se a decisão da Unidade de origem. Como se vê acima, entendeu a DRJ que o contribuinte seria optante pela tributação com base no lucro presumido, tendo em vista o pagamento realizado nesta modalidade, em que pese o seu cadastro indicar que a mesma seria optante do SIMPLES. Sendo assim, a COFINS paga com base no lucro presumido seria devida, inexistindo o crédito alegado pelo contribuinte. Discordo da conclusão a que chegou a DRJ em sua decisão. De fato, é possível que existam casos em que o contribuinte, ainda que esteja cadastrado como optante do SIMPLES, não faça jus ao recolhimento com base neste regime simplificado. Em tais casos, seria possível desconsiderar o regime escolhido pelo contribuinte, para fins de se exigir o recolhimento dos tributos com base em regime diverso. Não foi esta, contudo, a razão disposta pela DRJ em sua decisão. Entendeu aquela instância de julgamento que o contribuinte seria optante pela tributação do lucro presumido tão somente em razão de o recolhimento da COFINS ter sido realizado pela empresa com base naquele regime. Sendo assim, entendeu que este fato (pagamento com base no lucro presumido) seria mais relevante do que o cadastro no SIMPLES realizado pela empresa. Como dito acima, entendo que o cadastro no SIMPLES, por si só, não seria suficiente para fins de comprovar que o contribuinte fazia jus ao recolhimento neste regime. Porém, ao contrário do que entendeu a DRJ, penso que a realização do recolhimento da COFINS com base no lucro presumido, por si só, não é suficiente para fins de concluir que tenha o contribuinte renunciado à opção do SIMPLES e realizado a opção por este outro regime de tributação. Destaque-se, inclusive, que a DRJ não trouxe qualquer razão adicional para desconsiderar o enquadramento do contribuinte no SIMPLES, tendo fundamentado a sua decisão apenas no recolhimento realizado com base no lucro presumido. Essa fundamentação, contudo, não se sustenta, vez que a própria DRJ reconhece que o contribuinte realizou o recolhimento com base no SIMPLES quanto às competências de novembro e dezembro de 2004. Sendo assim, temos que o contribuinte, no mesmo ano calendário, realizou pagamentos nas duas modalidades, lucro presumido e SIMPLES. Há de se analisar, então, qual das duas modalidades era a correta. Em seu recurso, o contribuinte insiste que a apuração realizada com base no lucro presumido se dera indevidamente, visto que era optante do SIMPLES desde a sua constituição e que não teria interesse em trocar o regime federal de tributação sob o qual fora constituída. Informou, ainda, que requereu o cancelamento das DCTFs do período em questão e que apresentou Declaração Simplificada 2005/2004 retificadora. No meu entender, é possível que o recolhimento com base no lucro presumido tenha sido realizado de forma equivocada, e que, uma vez verificado a falha, seja requerida a compensação dos valores indevidamente recolhidos sob aquele regime, para que seja recolhido no regime correto. E, no caso dos autos, a existência de cadastro do contribuinte no SIMPLES, somado à apresentação da Declaração retificadora e à inexistência de qualquer outro elemento Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13227.900086/2008-25 Acórdão n.º 3002-000.932 S3-TE02 Fl. 3,5 apto a desqualificar o contribuinte como beneficiário do SIMPLES, são elementos que me levam a concluir que o recolhimento com base no lucro presumido, de fato, se dera indevidamente. Logo, faz jus o Recorrente ao crédito alegado. Da conclusão Diante das razões supra expendidas, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de reconhecer o direito creditório pleiteado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001221/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2201-005.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10730.005757/2008-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10730.005757/2008-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10730.005757/2008-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2201-005.783, de 05 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de recurso voluntário em face do Acórdão exarado pela Delegacia da Receita Federal Brasil de Julgamento. O contencioso administrativo tem origem na Notificação de Lançamento que considerou omitida parte do rendimento tributável recebido no curso do ano-calendário em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 12 21 /2 00 8- 16 Fl. 48DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.833 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13736.001221/2008-16 discussão, tendo em vista a divergência entre os valores declarados e aqueles informados em DIRF pela respectiva fonte pagadora. Cientificado do lançamento, inconformado, o contribuinte autuado formalizou, tempestivamente sua impugnação, em que, basicamente, alega que sobre os valores considerados omitidos não incide tributação, já que excluídos da incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física pela Lei 8.852/94. Debruçada sobre os termos da impugnação, a autoridade recorrida considerou improcedente os argumentos da defesa, por entender que as exclusões do conceito de remuneração contidos na Lei 8.852/94 não correspondem a isenção de tributo. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário em que reitera o argumento de que os rendimentos em comento seriam isentos de tributação em virtude do preceito contido na citada Lei 8.852/94. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2201-005.783, de 05 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. Por ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Uma análise perfunctória dos termos da Lei 8.852/94 é suficiente para se constatar que tal diploma legal não trata de isenção tributária, mas apenas dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. A inaplicabilidade da previsão legal suscitada pela defesa para fins de isenção poderia ter um maior detalhamento no presente voto, contudo, a questão é tema que não merece maiores considerações, pois sobre ele este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula Carf nº 68 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não prosperam os argumentos recursais. Fl. 49DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.833 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13736.001221/2008-16 Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em negar provimento ao recurso voluntário.. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 50DF CARF MF
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