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Numero do processo: 10508.000133/2009-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 10/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO.
Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.741
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 10/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. Recurso Voluntário Negado
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PRODUTOS QUÍMICOS E VEGETAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 10/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 01 33 /2 00 9- 75 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10508.000133/200975 Acórdão n.º 2803003.741 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10508.000133/200975 Acórdão n.º 2803003.741 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de ausência de recolhimentos de retenções obrigatórias quando da contratação de serviços de limpeza, construção, manutenção e segurança. O r. acórdão – fls 598 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A recorrente apresentou documentos comprobatórios dos recolhimentos realizados pelos prestadores de serviço. A exigência no percentual de 11% das notas configuraria assim bis in idem · Decadência do direito de lançar. · Requer o provimento do recurso, reconhecendo o indevido lançamento. Caso assim não entendam os julgadores, requer seja reconhecida a decadência referente a fevereiro e abril de 2014. É o relatório. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10508.000133/200975 Acórdão n.º 2803003.741 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 622DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10508.000133/200975 Acórdão n.º 2803003.741 S2TE03 Fl. 6 5 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No presente caso, aplicase a regra do art 173, pois o relatório DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO, não registra pagamentos parciais. Assim sendo, aplicandose o art. 173, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2003, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 29/05/2009. Nessa linha já se manifestou o STJ, no rito do art. 543C do Código Processual, consoante RESP 973.733/SC e nos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010, que transcrevo. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 623DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10508.000133/200975 Acórdão n.º 2803003.741 S2TE03 Fl. 7 6 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Ante o exposto, não há competências decadentes, uma vez que o débito se refere a 02/2004 a 12/2004. DO MÉRITO A presente notificação diz respeito a apuração dos valores referentes a retenção e recolhimento obrigatórios de 11%, não efetivados pelo contribuinte, tendo como base as notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra. Alega o recorrente que não haveria o que recolher uma vez que as contribuições já foram recolhidas pelos próprios prestadores. A dupla cobrança configuraria assim bis in idem. Tenho que não assiste razão ao contribuinte. A responsabilidade pelo desconto e recolhimento dos valores retidos é exclusiva do contratante, ex vi art. 31 da lei 8.212/91. Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no § 5° do art. 33. § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente de mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Não estamos aqui a falar sobre responsabilidade solidária ou subsidiária. O contratante é o responsável pela retenção e recolhimento da exação. Não há que se falar em afastamento do comando legal em razão de possíveis recolhimentos do prestador de serviço, Fl. 624DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10508.000133/200975 Acórdão n.º 2803003.741 S2TE03 Fl. 8 7 uma vez que inexiste tal obrigação, cabendo apenas de destacar a retenção em nota fiscal obrigação acessória. Cumpre ressaltar que, na eventualidade de o prestador ter efetuado recolhimentos sem considerar a retenção efetuada, tem o devido direito à restituição ou compensação, mantendo incólume a responsabilidade da recorrente. Não comprovados os recolhimentos por parte do tomador dos serviços, consolidase o lançamento. Dessarte, a decisão da Delegacia de Julgamento não merece reparo, estando de acordo com o ordenamento jurídico pertinente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720327/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2007 a 30/06/2010
PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. INCIDÊNCIA.
A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços por sentença proferida pelo Supremo Tribunal Federal.
SEGURADORAS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. JUROS SOBRE DEPÓSITOS JUDICIAIS. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. PIS. NÃO INCIDÊNCIA.
As receitas financeiras referentes sobre depósitos judiciais e dos rendimentos auferidos com o aluguel de imóveis não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas das operadoras de planos de saúde, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento para efeito da incidência do PIS.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/2007 a 30/06/2010 PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços por sentença proferida pelo Supremo Tribunal Federal. SEGURADORAS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. JUROS SOBRE DEPÓSITOS JUDICIAIS. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. PIS. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas financeiras referentes sobre depósitos judiciais e dos rendimentos auferidos com o aluguel de imóveis não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas das operadoras de planos de saúde, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento para efeito da incidência do PIS. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
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BASE DE CÁLCULO. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições para a COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no por sentença proferida pelo Supremo Tribunal Federal. SEGURADORAS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. JUROS SOBRE DEPÓSITOS JUDICIAIS. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas financeiras referentes sobre depósitos judiciais e dos rendimentos auferidos com o aluguel de imóveis não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas das operadoras de planos de saúde, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento para efeito da incidência da COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2007 a 30/06/2010 PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços por sentença proferida pelo Supremo Tribunal Federal. SEGURADORAS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. JUROS SOBRE DEPÓSITOS JUDICIAIS. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. PIS. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 27 /2 01 2- 51 Fl. 5159DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 As receitas financeiras referentes sobre depósitos judiciais e dos rendimentos auferidos com o aluguel de imóveis não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas das operadoras de planos de saúde, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento para efeito da incidência do PIS. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 31/07/2009 a 30/09/2009, exigindoselhe contribuição para o PIS de R$ 823.611,73 e para a COFINS exigência de R$ 5.068.382,77. Os enquadramentos legais encontramse nos autos de infração juntados às fls. 4869/4885 e 4886/4902. De acordo com o Termo de Verificação, de fls. 4855/4866, a fiscalização apurou a falta de recolhimento pelos seguintes motivos: III.1 – FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS E DA COFINS EXCLUSÕES INDEVIDAS DAS BASES DE CÁLCULO A partir da análise comparativa entre os valores registrados em sua escrituração contábil e os dados trazidos nos Demonstrativos de Apuração das Bases de Cálculo do PIS e da COFINS apresentados, constatouse que a fiscalizada excluiu, das aludidas bases de cálculo, os valores concernentes às receitas contabilizadas nas contas do grupo "Receita Financeira Receitas com Atualização Monetária de Depósitos Judiciais" Fl. 5160DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16682.720327/201251 Acórdão n.º 3201001.781 S3C2T1 Fl. 5.159 3 (Contas nos 3443590010000, 3443590020000 e 3443590030000 (Julho/2007 a Dezembro/2009) e 3483192001000, 3483192002000 e 3483192003000 (Janeiro/2010 a Junho/2010)). No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade administrativa explica que: Referido procedimento foi inclusive por ela confirmado na resposta apresentada ao Termo de Intimação N° 02 em 23/01/2012, onde afirmou que "para fins de apuração da base de cálculo do PIS/COFINS, no período fiscalizado a empresa procedeu a exclusão da Receita de Atualização Monetária sobre Depósitos Judiciais, contabilizada de acordo com a observância nas Lei 9.703/98 artigo 2°A, parágrafo 2o e Lei 9.250/95 artigo 39, parágrafo 4o" e, através da qual, apresentou o detalhamento dos valores mensalmente excluídos, bem como a relação das contas patrimoniais do ativo que foram acrescidas pelo valores mensais das receitas reconhecidas. O Auditorfiscal explica que a fiscalizada registra entre os seus ativos, no grupo denominado "Valores e Bens Depósitos Judiciais e Fiscais" (Grupos de Contas 1374 (Julho/2007 a Maio/2009), as contas relativas aos valores que possui depositados, ativos esses que são mensalmente acrescidos dos mesmos montantes registrados às respectivas contas de receita que foram excluídas das bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS. Demonstra que tal procedimento pode ser constatado no Razão das citadas contas contábeis ora juntados aos autos, bem como nas planilhas intituladas "MOVIMENTAÇÃO DEPÓSITO JUDICIAL ANOS 2007, 2008, 2009 E 2010" e "DEPÓSITOS JUDICIAIS CONTA PATRIMONIAL SALDOS EM 31 DE DEZEMBRO" apresentadas pela fiscalizada na resposta ao Item 6 do Termo de Intimação n° 02. E conclui: Assim, se houve auferimento de receita, devidamente reconhecido segundo regras contábeis e, em especial, segundo o regime de competência, o mesmo deveria ter sido tributado pelo PIS e pela COFINS no momento de sua ocorrência, ex vi dos arts. 2o e 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98. Também, a autoridade constatou, conforme entende, falta de adição de valores relativos às receitas com imóveis de renda: II.2 Falta de Recolhimento do PIS e da COFINS Falta de Adição de Valores relativos a Receitas com Imóveis de Renda Por fim, constatouse que, a partir do mês de junho/2009, a fiscalizada deixou de incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas obtidas com imóveis de renda, o que sinaliza a adoção de um entendimento segundo o qual a partir daquela data junho/2009 tais receitas não seriam mais tributadas pelas referidas exações. A autoridade entendeu que a revogação do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 não autorizou o entendimento da autuada em não considerar tais valores na base de cálculo das contribuições em tela, mas sim que o faturamento continua a corresponder à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, o que Fl. 5161DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 compreende a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. Cita a definição trazida no Pronunciamento Técnico NPC 14 do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil IBRACON segundo a qual "a receita operacional corresponde ao evento econômico relacionado com a atividade ou atividades principais da empresa independentemente da sua frequência", concluindo que: E, no caso das seguradoras, as Receitas com Imóveis de Renda, tal qual as Receitas de Aplicações Financeiras, decorrem do desempenho de sua atividade típica, constituindose, portanto, receitas operacionais submetidas à incidência do PIS e da COFINS. Para corroborar o seu entendimento, explica que: O cerne da questão é que, em relação a essas espécies de ativo (aplicações financeiras, imóveis), a situação da seguradora é diferente da das empresas de outros ramos. Para a seguradora a propriedade desses ativos e obtenção de rendimentos a partir deles estão diretamente relacionadas com sua atividadefim, com sua atividade operacional, e decorrem inclusive das normas reguladoras dessa sua atividade, enquanto que para empresas de outros ramos, como comércio e indústria por exemplo, tais ativos e rendimentos em nada se vinculam à atividade principal desenvolvida, tratandose, aí sim, de receitas não operacionais. Resta patente que, diferentemente das empresas dos ramos de indústria e comércio, as receitas obtidas pelas seguradoras decorrentes das aplicações financeiras e dos aluguéis de seus bens imóveis de renda são necessariamente operacionais, eis que diretamente decorrentes do desempenho de sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, de sua atividade típica, e dessa forma devem integrar as bases de cálculo do PIS e da COFINS. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 3045/3080, na qual inicia resumindo o contido no Auto de Infração: (i) Juros Incidentes sobre Depósitos Judiciais (07/2007 a 05/2009): Entendeu a Fiscalização que, em síntese, até a revogação do parágrafo 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, deveria a empresa ter oferecido à tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS as receitas decorrentes da "atualização monetária" de seus depósitos judiciais, já que a base de cálculo de tais tributos era então composta pela totalidade das receitas da pessoa jurídica. (ii) Aluguéis de "Imóveis de Renda" (06/2009 a 06/2010): A Fiscalização considerou que, em resumo, os aluguéis oriundos de imóveis que a empresa é obrigada a manter a título de "ativos garantidores", nos termos da Resolução Normativa da ANS n° 159/2007, seriam receitas operacionais, isto é, decorrentes do exercício de sua atividadefim, nos termos de seu objeto social. Segundo as autoridades fiscais, o fato de a ANS determinar que as empresas seguradoras tenham tais "ativos garantidores" implica que os aluguéis a eles pertinentes configuram receitas operacionais. No mérito, inicia argumentando quanto à “Improcedência da Autuação Fiscal Quanto aos Juros Incidentes sobre Depósitos Judiciais (Fatos geradores de 07/2007 a 05/2009)”: Fl. 5162DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16682.720327/201251 Acórdão n.º 3201001.781 S3C2T1 Fl. 5.160 5 Inicia com o tópico “Atualizações de Depósitos Judiciais Não Configuram Receitas”, no qual faz considerações sobre a natureza dos depósitos judiciais e o regime jurídico e contábil aplicável às atualizações monetárias de depósitos da espécie em comento. Nesta esteira, explica: 14. Os depósitos judiciais em matéria tributária constituemse em uma prerrogativa conferida ao sujeito passivo da obrigação tributária, para que, de um lado, (i) sirva como garantia ao crédito tributário, suspendendo sua exigibilidade, a teor do art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional ("CTN"); e, de outro, (ii) transfira à instituição depositária o dever de remunerar, à taxa Selic, os valores depositados, de modo a retirar do sujeito passivo a obrigação de, em caso de insucesso na demanda, acrescer ao valor depositado os juros incorridos desde a data de depósito até a data da conversão em renda. Continua, na peça recursal, com os argumentos, no mérito, afirmando que “desde a efetivação do depósito até o encerramento do processo, os valores depositados não se encontram em poder da Impugnante e, por essa mesma razão, a atualização dos valores depositados, pela taxa Selic, não é receita da Impugnante”. Entende, também, que: 23. Assim, é incontestável que, apenas com o eventual levantamento dos depósitos pela Impugnante é que se poderá falar em auferimento de receita com os juros que o remuneraram. Cita decisões, administrativa, judicial, STJ, além de ementa de acórdão, Solução de Consulta nº 96/07 e Pronunciamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Argumenta, na peça recursal, que: 41. A bem da verdade, impende asseverar que esta questão (se os juros de depósito judicial, após o levantamento, configuram acréscimo patrimonial) será definitivamente decidida pelo E. STJ no REsp n° 1.138.695, afetado à sua Primeira Seção no regime dos recursos repetitivos. Vejase a ementa da decisão monocrática proferida pelo Rei. Min. Mauro Campbell Marques: E, neste tópico, pede: 45. Pelo exposto, por se tratarem os juros sobre depósitos judiciais de valores cujo auferimento é incerto, e sobre os quais a Impugnante não possui qualquer disponibilidade ou direito até decisão final favorável nos respectivos processos judiciais, resta evidente o acerto em não incluir tais valores nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, por não se tratarem de receitas. Desse modo, cumpre proceder ao cancelamento dos lançamentos efetuados nos presentes autos, dada sua completa invalidade. No tópico intitulado de “ii”, entende que a norma aplicada no Auto de Infração é inconstitucional: 51. No entanto, tendo essa ampliação do conceito de faturamento pela Lei n° 9.718/98 ocorrido antes da alteração constitucional, ela foi questionada perante o Poder Judiciário, sendo, ao final, declarada inconstitucional pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal ("STF"), no julgamento dos Recursos Fl. 5163DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 Extraordinários ("RE") n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Discorre sobre a manifestação do STF, da vinculação do agente administrativo ao decido pela Corte Maior e ainda que: 59. Assim, consoante tais dispositivos, é de rigor o afastamento do art. 3o, § 1o da Lei n° 9.718/98, julgado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, utilizado como fundamento das autuações de PIS e COFINS ora combatidas. E, afastado tal enquadramento, não há base legal para o lançamento, que deve, invariavelmente, ser cancelado por essa C. Turma Julgadora. Também, no mérito, a impugnante combate a autuação fiscal quanto às rendas de aluguéis: 11.2 Da Improcedência da Autuação Fiscal Quanto Aluguéis de "Imóveis de Renda" (Fatos Geradores de 06/2009 a 06/2010) 71. No Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração ora guerreado, alega a Autoridade Fiscal, quanto à infração descrita no item 2 do Auto de Infração, que, no período compreendido entre junho de 2009 e junho de 2010, a Impugnante "deixou de incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas obtidas com imóveis de renda, o que sinaliza a adoção de um entendimento segundo o qual a partir daquela data junho/2009 tais receitas não seriam mais tributadas pelas referidas exações." 72. Contudo, o que a Autoridade Fiscal chama de "imóveis de renda" são, na verdade, imóveis afetados pela legislação regulatória para fins de contrapartida na constituição de provisões técnicas próprias das entidades de seguros dedicadas ao ramo de assistência à saúde. Explica que, para fins de cumprimento da legislação, a impugnante constituiu como ativos garantidores de suas provisões técnicas imóveis de sua propriedade e, a para cobrir custos de manutenção de tais imóveis em seu balanço, firmou contratos de aluguel cuja remuneração foi devidamente registrada em sua contabilidade como receita não operacional. Afirma que a obtenção de receitas de aluguel não se constitui na atividadefim da Impugnante, como empresa seguradora operadora de planos de saúde que é. Interpretação legislação que entende aplicável e a RN ANS nº 290, de 2012, transcrevendoa e entende que: 96. Portanto, como receitas nãooperacionais que são, os recebimento relativos aos aluguéis dos imóveis registradas pela Impugnante devem, para fins de Contribuição ao PIS e de COFINS, ter o tratamento adequado, qual seja, não compor as bases de cálculo dessas contribuições, conforme explicitado no item 11.1 ii acima, mormente após a revogação do art. 3o, § 1o, da Lei n° 9.718/98, levada a efeito pela Lei n° 11.941/09. No item II.3, entende ser ilegal a incidência de juros sobre a multa de ofício, argumentando que: 106. Assim, não há como se pretender a incidência de juros sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. 107. Fora dessa hipótese, qualquer incidência de juros mostrase abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato reposição do numerário que deveria ter ingressado nos cofres públicos mas não ingressou pela falta do contribuinte. Fl. 5164DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16682.720327/201251 Acórdão n.º 3201001.781 S3C2T1 Fl. 5.161 7 108. É cediço que os juros não existem por si sós. Esses decorrem, antes de tudo, de uma obrigação principal. O mesmo ocorre com a multa, que só surgirá se existir uma obrigação anterior não quitada no prazo legal. 109. Logo, os juros não podem incidir sobre a multa, na medida em que essa não retrata a obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o devedor. No final da peça impugnatória, defende a ilegalidade da utilização da Taxa Selic." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2007 a 30/06/2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. COFINS. ALUGUEL DE IMÓVEIS. Durante a vigência da Lei Complementar no 70/1991 as receitas decorrentes da locação de imóveis já se sujeitavam à incidência da Cofins. DEPÓSITO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária dos depósitos judiciais caracterizase como receita financeira constituindo, assim, em fato gerador da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2007 a 30/06/2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. PIS. ALUGUEL DE IMÓVEIS. Na vigência da Lei Complementar no 07/1970, as receitas decorrentes da locação de imóveis já estavam sujeitas à incidência da contribuição para o PIS. DEPÓSITO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária dos depósitos judiciais caracterizase como receita financeira constituindo, assim, em fato gerador da Cofins. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/2007 a 30/06/2010 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. Fl. 5165DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. As decisões do STF sob a sistemática da Repercussão Geral somente vinculam o julgamento administrativo após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2007 a 30/06/2010 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não compete à autoridade julgadora se manifestar sobre eventos futuros e incertos, não presentes no lançamento, como é o caso da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista no artigo 61, § 3º, da Lei n° 9.430, de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide gira em torno da incidência da COFINS e do PIS sobre as receitas das operadoras de plano de saúde referentes à correção monetária de depósitos judiciais e as receitas obtidas com o aluguel de imóveis. Do conceito de faturamento na apuração da COFINS e do PIS no regime cumulativo. As operadoras de plano de saúde estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da COFINS sobre o seu faturamento, considerando as exclusões permitidas na legislação. No caso em tela, a discussão trata sobre os limites do conceito de faturamento o que influencia diretamente na base de cálculo a ser considerada na apuração das contribuições. O conceito de faturamento a ser adotado na apuração do PIS e da COFINS previstos na Lei nº 9.718/98, quando da sua edição, trouxe uma grande discussão sobre o Fl. 5166DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16682.720327/201251 Acórdão n.º 3201001.781 S3C2T1 Fl. 5.162 9 alargamento da base de cálculo, que passou a comportar as receitas financeiras e outras além daquelas originárias das atividades da empresa, conforme definido nos arts. 2º e 3º deste diploma legal. “Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Como é de conhecimento geral, a questão já foi enfrentada pelo STF nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, quando foi decidido pela inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Abaixo a ementa da decisão no RE 358.273 de relatoria do Ministro Marco Aurélio. “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Fl. 5167DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 10 A impossibilidade deste colegiado em apreciar a inconstitucionalidade de normas legais não alcança a matéria em questão e entendo ser de aplicação deste colegiado, pois, apesar de não existir súmula vinculante tratando da matéria, a decisão foi realizada no âmbito do Tribunal Pleno e vem sendo adotada por aquela corte superior. A possibilidade de afastar a aplicação de norma sob o fundamento de inconstitucionalidade, quando existe decisão do STF está prevista no inciso I, do Parágrafo Único, do artigo 62, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009. “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” A matéria também já foi objeto de julgamento na Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que decidiu no Acórdão nº 0203.757, na sessão de 11 de fevereiro de 2009 pelo afastamento do alargamento da base de cálculo, previsto no § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Transcrevo abaixo a parte da ementa que trata da matéria. “PIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.” Afastado a ampliação da base de cálculo da COFINS, prevista na Lei nº 9.718/98, resta definido que o PIS e a COFINS incidem somente sobre o faturamento, sendo considerado a receita de venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Fl. 5168DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16682.720327/201251 Acórdão n.º 3201001.781 S3C2T1 Fl. 5.163 11 A discussão que se concentra nos autos diz respeito ao entendimento adotado pela Autoridade Fiscal de incluir na base de cálculo das contribuições os valores referentes às receitas contabilizadas nas contas do grupo "Receita Financeira Receitas com Atualização Monetária de Depósitos Judiciais" e as receitas obtidas com imóveis de renda, ou seja, a receita advinda dos alugueis de imóveis pertencentes a Recorrente. A justificativa Fiscal para a exigência nasce do entendimento que as seguradoras possuem características diferentes das demais empresas e que a posse dos ativos em discussão nos autos e os seus respectivos rendimentos estão diretamente ligados à atividade fim da Recorrente e portanto, comporiam as receitas operacionais e estariam sujeitas a incidência das contribuições. Como se observa da motivação da exigência fiscal, a discussão passa pelo entendimento apresentado pelo Fisco, que as receitas financeiras e o renda obtida com o aluguel de imóveis estariam incluídas no conceito de faturamento previsto na Lei 9.718/98. Em que pese os arrazoados trazidos pela Autoridade Fiscal e da posição adotada na decisão de piso, divirjo deste entendimento. A decisão judicial, que delimitou o alcance de faturamento, previsto na Lei nº 9.718/98 deixou cristalino o conceito de faturamento, estando unicamente atrelado às receitas referentes à venda de bens e serviços. Quanto a este ponto, não existe nenhuma inovação. Tal matéria resta mais do que pacificada, após o julgamento do RE 585.235 OORG, de relatoria do Min. Cezar Peluso, que decidiu a matéria, aplicando ao caso o instituto da repercussão geral. “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.” . Ao nos debruçarmos sobre a análise do caso em tela, adotar o entendimento defendido pela autoridade fiscal, seria considerar que as receitas financeiras e aquelas obtidas com o aluguel de imóveis seria venda de mercadorias ou venda de serviços. A atividade das seguradoras de plano de saúde corresponde a vender um serviço de reembolso de custos dos segurados referentes à utilização de serviços de saúde. Nestes serviços estão incluídas as despesas referentes ao pagamento de médicos, hospitais e outros serviços ligados à saúde, a depender do tipo e característica do plano contratado junto a seguradora. Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 12 A receita das operadoras destes planos é o premio pago pelos clientes. As outras receitas, obtidas a partir de outras operações, no caso em espécie, aquelas referentes a juros sobre depósitos judiciais e aluguel de imóveis, por obvio que se trata de recursos que vão adentrar a empresa, entretanto, não há como classificar tais receitas como advindas da venda de mercadorias ou de serviços e portanto, neste diapasão não há como fazer incidir sobre tais receitas o PIS e a COFINS. A matéria já vem sendo debatida neste conselho sendo decidido pela não inclusão destas receitas na base de cálculo das contribuições, como pode ser confirmado nos acórdãos listados a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da Cofins para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SEGURADORA. BASE DE CÁLCULO DO PIS. A base de cálculo do PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefím. Recurso Voluntário Negado”.(Acórdão nº 3302001.874. Rel. Maria da Conceição Arnaldo Jacó) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2008 SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS E PATRIMONIAIS. COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas componentes dos resultados financeiros, registradas no Grupo 36, do plano de contas estabelecido pela Resolução CNSP nº 86/2002 e consolidado pela Circular SUSEP nº 424/2011, e dos resultados patrimoniais, registradas no Grupo 37, não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento. Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16682.720327/201251 Acórdão n.º 3201001.781 S3C2T1 Fl. 5.164 13 Recurso voluntário provido.(Acórdão nº 3401002.708. Rel. Robson José Bayerl” Dentre as decisões adotadas pelo CARF, uma chama atenção por tratarse de recurso de ofício, onde a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento teve o mesmo entendimento aqui esposado quanto às atividades de empresa que atua na área de seguros, afastando da base de cálculo das contribuições às receitas obtidas com receitas financeiras e a renda de alugueis. O Acórdão de nº 3302001.875, foi exarado pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara desta Seção de julgamento, do qual peço vênia para parte do voto condutor da decisão. “RECURSO DE OFÍCIO Analisase, inicialmente, o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de 1ª instância, em face da exoneração parcial do crédito tributário lançado, decorrente exatamente da exclusão na base de cálculo do PIS das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Como já ressaltado, a empresa impetrou a Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, com pedido de antecipação de tutela, contestando a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em 12/12/2005 foi concedida a tutela antecipada, confirmada por sentença alterada pela oposição de embargos declaratórios, na qual foi declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assegurando o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS levando em conta a base de cálculo prevista na legislação anterior, ou seja, nos moldes do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e do art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998. O processo encontrase atualmente no TRF da 1ª Região aguardando o julgamento dos recursos de apelação apresentados pela Fazenda e pela impetrante, que foram recebidos somente no efeito devolutivo. O referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o conceito de receita bruta, assim dispunha: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 14 Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas de que se encontra afastada a possibilidade de se tributar como base de cálculo da PIS/COFINS as receitas da contribuinte que não sejam receitas operacionais, assim consideradas as decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora, a exemplo das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”, posto que tais receitas efetivamente não são provenientes do exercício de sua atividadefim, isto é, da exploração de seguros em suas diversas modalidades, conforme definido em seu Estatuto Social (fls. 29/36). Portanto, não há reparos a se fazer no Acórdão n° 0236.659, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 12/12/2011, quanto à exoneração parcial do crédito tributário decorrente das exclusões na base de cálculo das mencionadas receitas e cujos valores encontramse devidamente totalizados no demonstrativo de fl. 1.476.” Conforme dito alhures, entendo que no caso em tela devese afastar da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS, as receitas referentes à correção monetária de depósitos judiciais e a renda obtida com o aluguel de imóveis, por não ser configurar em receita de venda de mercadorias ou serviços da Recorrente. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/11/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15771.720302/2013-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 04/06/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
Numero da decisão: 3803-006.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/06/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/06/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 03 02 /2 01 3- 77 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720302/201377 Acórdão n.º 3803006.501 S3TE03 Fl. 307 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/06/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 31/11/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720302/201377 Acórdão n.º 3803006.501 S3TE03 Fl. 308 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720302/201377 Acórdão n.º 3803006.501 S3TE03 Fl. 309 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720302/201377 Acórdão n.º 3803006.501 S3TE03 Fl. 310 9 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11176.000084/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2401-000.122
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: Kleber ferreira de Araujo
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ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente KL .BER FERREIRA DE ARA 1.1 . 0 Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antônio Souza Correa, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. RELATÓRIO Trata este processo do Auto de Infração lavrado em 20110/2006 contra o sujeito passivo acima identificado, no valor de R$ 527.745,34 (quinhentos e vinte e sete mil setecentos e quarenta e cinco reais e trinta e quatro centavos) por ter o mesmo efetuado a entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP nos meses de 01/2002 a 07/2006 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições devidas pela empresa. Cabe esclarecer que as remunerações não declaradas nas GF1P referem-se aos pagamentos efetuados pela autuada aos seus empregados através de créditos em cartões eletrônicos bônus concedidos em razão de melhorias na produtividade. O sujeito passivo, no prazo regulamentar, interpôs impugnação contra a autuação para requerer a sua desconstituição e cancelamento e, alternativamente, a dispensa da penalidade aplicada, ante a correção da falta. Em face da juntada das copias das GFIP, o processo foi distribuído em diligência ao Auditor Fiscal autuante, para pronunciamento sobre a efetiva correção da falta.Em cumprimento da diligência imposta, o Auditor Fiscal emitiu a manifestação de fis. 2762 atestando a correção integral da falta. A URI ern Curitiba declarou a autuação procedente e concedeu o beneficio de relevação da penalidade, tendo em vista o cumprimento dos requisitos legais.. Reconeu-se de oficio daquela decisão. É o relatório. 2 Processo n° 11176 000084/2007-71 S2-C4T1 Resolução n ° 2401-000.122 Fl 2 782 VOTO Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Verifica-se na espécie uma falha processual que reclama saneamento antes que o processo seja posto em julgamento por esse Colegiado. Falo da falta de ciência pela empresa autuada Da decisão de primeira instância, para que a mesma, caso entenda conveniente, possa efetuar a interposição de recurso voluntário, haja vista que foi sucumbente na decisão a quo quanto ao pedido de cancelamento da autuação. Nesse sentido, os autos devem ser remetidos ao órgão preparador para que oportunize ao sujeito passivo o prazo legal para manifestação e, uma vez transcorrido o prazo, com ou sem apresentação da peça recursal, os autos retornem a esse Conselho para apreciação dos recursos necessário e voluntário, esse último, caso seja interposto. Diante desse quadro, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Sala das Sessões, em 23 setembro de 2010 \46\ KLEBER FERREIRA DE ARAIA - Relator (\ 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS — Q. 01 — BLOCO "J" — ED. ALVORADA— 11 0 ANDAR EP: 70396-900 — BRASÍLIA (DF) Tel: (0xx61) 3412-7568 PROCESSO: 11176.000084/2007-71 INTERESSADO: EMPRESA HOTELEIRA MABU LTDA, TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2401-000.122 de folhas / Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providencias de sua alçada,
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Numero do processo: 10680.014384/2004-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
IPI. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS.
Os depuradores de ar, de uso doméstico, classificam-se no ex 01 da posição 8421.39.00.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 IPI. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Os depuradores de ar, de uso doméstico, classificam-se no ex 01 da posição 8421.39.00. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente Substituto (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Os depuradores de ar, de uso doméstico, classificamse no ex 01 da posição 8421.39.00. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 43 84 /2 00 4- 21 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão 30238.656, proferido pela Segunda Câmara da do Terceiro Conselho de Contribuintes, que negou provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Os depuradores de ar e as coifas, de uso doméstico, classificamse no ex 01 da posição 8414.60.00. As máquinas de lavar roupas de uso doméstico classificamse no ex 01 da posição 8450.19.00 As máquinas de secar roupas de uso doméstico classificamse no ex 01 da posição 8451.21.00. MULTA DE OFÍCIO E MAJORAÇÃO. Cabe a imposição da multa de ofício e sua majoração, porque aqui não se cogita de dolo ou máfé para sua aplicação, e sim da falta de recolhimento do tributo, só isso. Pura aplicação do art. 136 do Código Tributário Nacional – responsabilidade objetiva tributária. E a majoração da multa é apenas conseqüência da reincidência, também prevista na lei aplicável. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Foi interposto Recurso Especial pelo sujeito passivo argumentando que a classificação correta seria a 8421.39.00, ex 01. Eis os fatos, somente na parte objeto do presente recurso: A infração, relatada pelos auditores fiscais no Termo de Verificação Fiscal de fls. 30 a 37, parte integrante do Auto de Infração, pode ser assim resumida: 1) PRODUTO DEPURADOR DE AR No período de 01/01/2004 a 30/06/2004, o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados de sua linha de fabricação, denominados ‘Depuradores de Ar’ com motor elétrico incorporado, de dimensão horizontal não superior a 120 cm, para uso doméstico, utilizandose da classificação fiscal ‘8421.39.90 Aparelhos para filtrar ou depurar gases outros – outros tributando o produto à alíquota de IPI de 5%. Em decorrência desta classificação errônea, o IPI destacado nas notas fiscais foi inferior aquele que seria correto. Assim, considerando tratarse de produto de uso doméstico e de acordo com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (.), classificase este produto no código 8414.60.01 das TIPI (...) O autuado por sua vez, em todos os seus recursos, defende a classificação 8421.39.00, com os seguintes argumentos: 3 Quanto ao produto “depurador de ar” a Impugnante adotou aposição “8421.39.90 – aparelho para filtrar ou depurar gases outros” ao passo que a Fiscalização pretende seja o produto classificado na posição “84.14.60.01 Coifas de uso doméstico”. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.014384/200421 Acórdão n.º 9303002.997 CSRFT3 Fl. 308 3 4 – A classificação fiscal adotada pela Impugnante tem respaldo em Parecer (Prot. INT NR 012.40.001693/92 de 25/09/1992 doc.3) firmado pelo Instituto Nacional de Tecnologia cuja conclusão é enfática no sentido de que o produto fabricado pela Impugnante “possui as características dos produtos enquadrados no Código 8421.39.9900 (outros).”, in verbis”: (...) 11 – Verificase, pois, que as características técnicas do “DEPURADOR DE AR” são completamente diversas das de uma “COIFA” ou “EXAUSTOR”, uma vez que o depurador se destina a remover um conjunto de substancias suspensas, misturadas ou dissolvidas no ar, através de um conjunto aspirador insuflado que permite a circulação de ar por câmaras filtrantes, de ação mecânica, química, elétrica, eletrostática, etc, devolvendo ao próprio ambiente um ar sem impurezas. 12 A “Coifa” ou “Exaustor”, por seu turno, tem a função especifica de executar o trabalho de remoção do conjunto de substâncias suspensas de um ambiente para outro. (...) 15 – Ora, se tecnicamente o produto fabricado pela Impugnante reúne as características dos produtos classificados no Código 8421.39.9900, segundo o INT, e ainda, se tecnicamente o produto fabricado pela impugnante não se confunde com a COIFA, podendo ser enquadrado como uni depurador de ar, segundo o CETEC, é evidente que a correta classificação fiscal é a Posição 84.21, que trata dos produtos de depurar gases, e não a Posição 84.14 (Coifas) pretendida pela fiscalização. A PGFN defende a classificação adotada pela fiscalização e pelo acórdão recorrido e junta algumas decisões que corroboram este entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O presente recurso foi admitido somente na parte da classificação fiscal dos depuradores de ar. Existe um processo do mesmo contribuinte e com as mesma mercadorias, julgados em outro colegiado, com uma classificação diferente. No entender deste relator, assiste razão à recorrente. Usarei a fundamentação do voto proferido no Acórdão 930302.039, processo 10680.014.385/200476, como razões de decidir do presente voto, proferido pelo relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com idêntico objeto, negado por unanimidade de votos, em julgamento realizado no dia 10 de julho de 2012, estando presentes os seguintes conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado), e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 No caso presente consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 139/147que foi constatado destaque a menor do IPI em função de erro na classificação fiscal, portanto, indiscutível o fato de que houve recolhimento do tributo mesmo que, na ótica da Fiscalização, de forma insuficiente. Com essa constatação, na minha visão, o Acórdão de nº CSRF/0103.215 ofertado como paradigma e constante do Despacho de nº 229, quanto à decadência, não oferece divergência posto que estabelece a aplicação do art. 173, I, do CTN para a contagem de prazo nos casos em que não houve pagamento. Daí se extrai que, quando da existência de pagamento, o art. 150, § 4º, seria o adotado, como de fato o foi no Acórdão recorrido. Em razão dessa ocorrência submeto ao Colegiado a não inclusão no julgamento do que se refere à decadência. Relativamente à classificação fiscal e partindo das características estruturais que definem o que venham a ser coifas e depuradores de ar, encontro como resultante que o depurador tem como finalidade limpar o ar de impurezas e fazêlo retornar ao ambiente, livre das impurezas depuradas e a coifa se destina a exaurir o ar impuro para outro ambiente. Assim, o depurador fabricado pela Recorrida é composto de vários materiais como monobloco feito de chapa de aço; motor elétrico de 110/220; quadro filtrante com perfil de alumínio, tela perfurada, manta de bidim; arame trave da tela; painel frontal feito com chapa de aço; sistema elétrico e filtro de carvão ativado, tudo isto,devolvendo ao ambiente ar aspirado isento de partículas indesejáveis. O código 8421.39.9900 retrata: 8421.3 – Aparelhos para filtrar ou depurar gases; 8421.39.90 – Outros Segundo a NESH esses aparelhos destinamse a reter partículas sólidas ou líquidas em suspensão nos gases com a finalidade de recuperar produtos de valor ou simplesmente de eliminar resíduos nocivos (poeiras do ar ou de fumaças), alcatrão dos gases, óleos de vapor expelidos pelas máquinas de vapor etc. Já o código TAB8416.60.0100, corresponde ao código NCM 8414.60.00: 8414.60 – coifas (exaustores) com dimensão horizontal máxima não superior a 120 cm. 8414.60.0100 – Do tipo doméstico interpretado pela NESH como sendo “um grande número de aparelhos deste grupo, por sua própria concepção, consiste em dispositivos puramente estáticos, desprovidos de qualquer mecanismo móvel. A presente posição engloba os filtros e depuradores de todos os tipos (mecânicos, químicos, magnéticos, eletromagnéticos, eletrostáticos, etc). Compreende também pequenos aparelhos de uso doméstico e os dispositivos filtrantes de motores a explosão, e ainda material industrial pesado. De modo geral, as máquinas e aparelhos deste grupo distinguemse nitidamente pela sua própria utilização:filtrar líquidos ou gases.” Mesmo diante da aparente similitude que a posição 8414.60 guarda por vontade de quem estabeleceu características na TIPI, soluciono para mim a diferença operacional entre coifas e depuradores, justificando posições diferentes. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.014384/200421 Acórdão n.º 9303002.997 CSRFT3 Fl. 309 5 A coifa, podendo ou não possuir elementos filtrantes, retira do ambiente o ar poluído e o expele para fora enquanto o depurador após a filtragem do ar retirando impurezas o devolve ao mesmo ambiente. Concluise afinal que as características operacionais de um e de outro equipamento são diversas. Também sobre este aspecto a classificação admitida torna íntegra, pertinente e jurídica a decisão recorrida, para que o depurador de ar de uso doméstico seja enquadrado no ex 01 da posição 8421.39.90 porque o equipamento em questão se caracteriza como um aparelho de filtragem e depuração. Em minha opinião instaurouse equívoco em considerar o aparelho depurador de ar como coifa. Em razão de todo o exposto nego provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 339DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.727795/2011-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011, 2012
CANCELAMENTO DE DÉBITO PARCELADO E CANCELAMENTO DE CPF DE PESSOA FALECIDA. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não tem competência para se pronunciar sobre o cancelamento de débito parcelado em vida por contribuinte que, posteriormente à confissão da dívida, veio a falecer, tampouco para cancelar o CPF do de cujus.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por falta de competência para apreciar os pedidos formulados na peça recursal, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011, 2012 CANCELAMENTO DE DÉBITO PARCELADO E CANCELAMENTO DE CPF DE PESSOA FALECIDA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não tem competência para se pronunciar sobre o cancelamento de débito parcelado em vida por contribuinte que, posteriormente à confissão da dívida, veio a falecer, tampouco para cancelar o CPF do de cujus. Recurso Voluntário Não Conhecido
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CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não tem competência para se pronunciar sobre o cancelamento de débito parcelado em vida por contribuinte que, posteriormente à confissão da dívida, veio a falecer, tampouco para cancelar o CPF do de cujus. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por falta de competência para apreciar os pedidos formulados na peça recursal, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 77 95 /2 01 1- 14 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.727795/201114 Acórdão n.º 2801003.803 S2TE01 Fl. 66 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 45/46 deste processo digital), reproduzido a seguir: 1. O contribuinte apresentou, às fls. 28 a 30, Manifestação de Inconformidade para alegar em síntese que: O Sr. Alfredo Francisco do Nascimento, quando em vida, ao apresentar sua declaração de rendimentos em 28/03/2010, não declarou os rendimentos percebidos das seguintes fontes pagadoras CNPJ/CPF 00.306.305/000104, no valor de R$ 80.453,12 e CNPJ/CPF 00.394.429/001859, no valor de R$ 17.724,24, conforme extrato de processamento do IRPF 2010 anexo. Constatada tal situação, o de cujus, através de seu procurador à época, o Sr. Marcelo de Carvalho, CPF 026.423.12445, compareceu à Receita Federal/RN, ocasião em que, tomando ciência do débito referente ao IRPF 2010 no valor total de R$ 26.395,11 (vinte seis mil, trezentos e noventa e cinco reais e onze centavos) pelos valores omitidos à título de rendimentos, solicitou junto à Receita Federal o parcelamento de referido débito, o qual foi deferido para pagamento em 60 (sessenta) parcelas no valor inicial de R$ 439,91 (quatrocentos e trinta e nove reais e noventa e um centavos), com pagamento da primeira parcela no dia 07/07/2010 e término no ano 2015, valores estes devidamente atualizados quando do pagamento, conforme pedido de parcelamento anexo. Ao apresentar a certidão de óbito à Receita Federal, constatase da mesma a veracidade das informações ali constantes de que o de cujus não deixou bens, ou seja, não há quinhão, legado ou meação passível de imputar ao espólio, cônjuge ou outro sucessor o pagamento de débito contraído pessoalmente pelo de cujus, conforme certidão de óbito anexa. Por ser assim, a continuação da cobrança do débito em apreço após o falecimento do Sr. Alfredo Francisco do Nascimento, em 16/11/2010, dívida pessoal, sem deixar bens, é indevida e sobremaneira penalidade injusta que merece a devida correção, sob pena de manifesta e qualificada injustiça fiscal. Em sendo assim, após tramitar os autos do processo administrativo no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal/RN, foi julgado improcedente o pedido formulado pela Sra. Ilza, sob o argumento de que o contribuinte falecido Sr. Alfredo Francisco do Nascimento, conforme sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil anexado ao processo, é proprietário de 2,6 hectares na cidade de Nísia Floresta/RN (grifo e destaque nosso), motivo pelo qual deixando bens a inventariar não há como cancelar o débito, bem como restituir as parcelas pagas após sua morte. Acontece, que o Sr. Alfredo Francisco do Nascimento, ainda quando em vida, no ano de 2002, transmitiu a propriedade do referido imóvel objeto do presente procedimento (Sítio Boa Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.727795/201114 Acórdão n.º 2801003.803 S2TE01 Fl. 67 3 Vista, Estrada de Tororomba, Nísia Floresta/RN), ao Sr. Marcelo de Carvalho, CPF 026.423.12445, sem, contudo, por lapso ter informado há época a transferência de propriedade junto à Receita Federal do Brasil para fins de ITR. Verdade é que a Sra. Ilza de Carvalho, no dia 03/10/2011, diante do constatado fez juntar ao presente procedimento cópia da escritura pública do aludido imóvel como prova idônea a comprovar a veracidade das informações alhures prestadas, conforme petição protocalada em anexo, contudo, não foi observado pelo órgão julgador originário. Diante do exposto, REQUER a Sra. Ilza de Carvalho Nascimento, na condição de viúva do contribuinte falecido, Alfredo Francisco do Nascimento, que Vossa Senhoria digne RECONSIDERAR e decidir o seguinte: a) Nos termos do artigo 131, incisos I I e I I I , do CTN, em não havendo bens deixados pelo de cujus, devidamente documentado e comprovado, seja cessada a cobrança da dívida no valor total de RS 26.395,11 (vinte e seis mil trezentos e noventa e cinco mil reais e onze centavos), considerando as parcelas já pagas no total de 11 (onze) parcelas referente ao parcelamento do IRPF. b) O imediato cancelamento do CPF sob n.° 064.176.63434 do contribuinte falecido Alfredo Francisco do Nascimento, conforme certidão de óbito anexa. c) A restituição das parcelas pagas indevidamente do IRPF parcelado após o óbito do contribuinte falecido em 16/11/2010. Por fim, solicitou prioridade no julgamento por se tratar de pessoa idosa. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela viúva do contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 44/49, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011, 2012 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO PAGO EM NOME DE TERCEIRO. Os casos passíveis de pedido de restituição estão taxativamente previstos no art. 165 do Código Tributário Nacional. CANCELAMENTO DE COBRANÇA E DE REGISTRO NO CPF. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para examinar tais questões apresentadas pelo contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/02/2012 (fl. 52), a Interessada interpôs, em 21/03/2012, o recurso de fls. 54/55. Na peça recursal reitera as razões lançadas na Manifestação de Inconformidade e formula os seguintes pedidos: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.727795/201114 Acórdão n.º 2801003.803 S2TE01 Fl. 68 4 a) Em não havendo responsabilidade tributária por parte da Sra. Ilza de Carvalho Nascimento, diante da inexistência de outro bem a inventariar, seja CESSADA a cobrança da dívida no valor total de R$ 26.395,11 considerando as parcelas já pagas. b) O IMEDIATO cancelamento do CPF nº 064.176.63434, do contribuinte falecido Alfredo Francisco do Nascimento, que até a presente data encontrase com situação regular. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Registro, inicialmente, que a viúva do contribuinte Alfredo Francisco do Nascimento, Sra. Ilza de Carvalho Nascimento, ora Recorrente, formulou, junto a DRF de origem, “pedido de cancelamento da cobrança do IRPF devido pelo contribuinte falecido” cumulado com “pedido de cancelamento do CPF do de cujus” e “restituição das parcelas pagas após o óbito do contribuinte”, relativamente ao IRPF que havia sido parcelado em vida pelo mesmo. Após ter seu pleito indeferido (DespachoDecisório às fls. 24/25), a Interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 28/30) por intermédio da qual formulou os seguintes pedidos: a) Nos termos do artigo 131, incisos I I e I I I , do CTN, em não havendo bens deixados pelo de cujus, devidamente documentado e comprovado, seja cessada a cobrança da dívida no valor total de RS 26.395,11 (vinte e seis mil trezentos e noventa e cinco mil reais e onze centavos), considerando as parcelas já pagas no total de 11 (onze) parcelas referente ao parcelamento do IRPF. b) O imediato cancelamento do CPF sob n.° 064.176.63434 do contribuinte falecido Alfredo Francisco do Nascimento, conforme certidão de óbito anexa. c) A restituição das parcelas pagas indevidamente do IRPF parcelado após o óbito do contribuinte falecido em 16/11/2010. Em relação aos dois primeiros pedidos, a DRJ/REC se declarou incompetente para apreciálos, com base nos seguintes fundamentos (fl. 48): 13. Da análise do dispositivo acima transcrito, inferese que a Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não tem competência para cancelar a cobrança do crédito tributário decorrente do pedido de parcelamento feito em vida por ALFREDO FRANCISCO DO NASCIMENTO, nem determinar o cancelamento de seu registro no CPF. 14. Assim, tendo em vista a extinção do sujeito passivo e a inexistência de responsabilidade dos tributos devidos pelo de cujus por parte da Sra. Ilza de Carvalho Nascimento, conforme analisado nos itens 3 a 7 deste acórdão, a interessada deverá se dirigir à Delegacia da Receita Federal de seu domicílio fiscal, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.727795/201114 Acórdão n.º 2801003.803 S2TE01 Fl. 69 5 Unidade esta que tem competência para julgar o pedido em questão. O terceiro pedido (restituição das parcelas pagas após o óbito do contribuinte) foi indeferido pela DRJ/REC sob o fundamento de que os casos passíveis de restituição estão taxativamente previstos no art. 165 do CTN, bem como de que o tributo era devido, uma vez que o pedido de parcelamento, feito pelo contribuinte, constituiu confissão de dívida (fl. 47). Inconformada com o resultado do julgamento de primeira instância, a Interessada apresenta o presente recurso, cujos pedidos foram formulados nos seguintes termos: a) Em não havendo responsabilidade tributária por parte da Sra. Ilza de Carvalho Nascimento, diante da inexistência de outro bem a inventariar, seja CESSADA a cobrança da dívida no valor total de R$ 26.395,11 considerando as parcelas já pagas. b) O IMEDIATO cancelamento do CPF nº 064.176.63434, do contribuinte falecido Alfredo Francisco do Nascimento, que até a presente data encontrase com situação regular. Como se vê, a irresignação da Interessada, nesta sede recursal, se restringe aos pedidos de cancelamento da dívida anteriormente parcelada pelo marido falecido e de cancelamento do seu CPF. Ocorre, todavia, que tais matérias não se encontram albergadas na competência das Turmas de Julgamento da Segunda Seção deste Conselho, consoante pode ser observado nos artigos 3º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, de cujas redações se extraem as seguintes dicções: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. (...) Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.727795/201114 Acórdão n.º 2801003.803 S2TE01 Fl. 70 6 Os julgadores da instância de piso já haviam alertado a Interessada de que a competência para apreciar os pedidos apresentados nesta sede recursal era da “Delegacia da Receita Federal de seu domicílio fiscal, unidade esta que tem competência para julgar o pedido em questão” (item 14 da decisão recorrida). Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso, por falta de competência para apreciar os pedidos formulados na peça recursal. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10920.909585/2012-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 85 /2 01 2- 49 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909585/201249 Acórdão n.º 3801002.736 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909585/201249 Acórdão n.º 3801002.736 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909585/201249 Acórdão n.º 3801002.736 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909585/201249 Acórdão n.º 3801002.736 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909585/201249 Acórdão n.º 3801002.736 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909585/201249 Acórdão n.º 3801002.736 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909585/201249 Acórdão n.º 3801002.736 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.002658/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.271
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório RICARDO LUIZ APPARECIDO COSTA DE FREITAS, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 228.794.80825, com domicílio fiscal na cidade de Cotia, Estado de São Paulo, à Av. Dona Cherubina Viana, n.º 669 Bairro Granja Viana, jurisdicionado a Agência da Receita Federal do Brasil em Cotia SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 259/281, prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 294/305. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 11/11/2009, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 122/128), com ciência pessoal, em 13/11/2009 (fls. 125), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 821.666,96 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2006, correspondente ao anocalendário de 2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2006, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme apurado durante procedimento fiscal e descrito no próprio Auto de Infração. Infração capitulada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997; art. 1º da Lei nº 9.887, de 1999 e art. 58 da Lei nº 10.637, de 2002. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o conteúdo do Auto de Infração através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 13/11/2009 (fls. 118/121), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, em 20/06/2009, o contribuinte apresentou procuração constituindo Aparecida Rosana da Silva Carvalho, OAB n° 103.933, como sua representante perante a Receita Federal do Brasil. Na mesma data solicitou prorrogação de prazo, tendo em vista a mudança de sua assessoria contábil e jurídica; que tendo em vista a falta de apresentação dos extratos bancários, solicitamos RMF Requisição de Movimentação Financeira para o Banco do Brasil, Bradesco, e Itaubank; que com base na documentação recebida das instituições financeiras, em 28/09/2009, Aviso de Recebimento de 06/10/2009, intimamos o contribuinte a justificar e comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos creditados nas contas correntes mantidas junto aos bancos acima citados, cujos lançamentos foram relacionados nos anexos à intimação; que em resposta à intimação, foi apresentada declaração, a qual informa que, a movimentação financeira apurada através dos extratos bancários das instituições financeiras Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 3 3 citadas, são provenientes dos recursos recebidos através de Lucros e dividendos, os quais foram informados na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de renda do exercício 2005. Juntou as Declarações de Ajuste dos exercícios de 2006 e 2005; que considerando que o contribuinte não apresentou documento que comprovasse a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, em 26/10/2009, encaminhamos novamente o mesmo termo de intimação fiscal para o endereço do contribuinte, por via postal com AR Aviso de Recebimento, porém, após o retorno do Aviso de Recebimento, com a informação de "RECUSADO", encaminhamos Termo de Constatação e Intimação Fiscal, intimando o contribuinte a justificar e comprovar a origem dos valores depositados em contascorrentes, mantidas junto aos Bancos: Brasil, Unibanco e Itaubank, através de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor. Este Termo também teve o retorno do Aviso de Recebimento AR, com a informação de "RECUSADO"; que após colher todos os documentos e elementos necessários para embasar o procedimento fiscal, diante da inércia do contribuinte e considerando que não ficou comprovada a origem dos depósitos efetuados em contas correntes, estamos autuandoo por omissão de rendimentos provenientes de valores depositados em contas correntes mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foram comprovados mediante documentação hábil, conforme artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 11/12/2009, a sua peça impugnatória de fls. 133/139, instruído pelos documentos de fls. 140/257, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que de acordo com a movimentação financeira apurada através dos extratos bancários, apresentados pelo impugnante, vale ressaltar que a movimentação no período é proveniente de recursos recebidos através de lucros e dividendos e que foram devidamente informados por ocasião da Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2005, e que parte dos valores representam resgate de aplicações financeiras das mesmas instituições financeiras e constam das declarações de Imposto de Renda relativas aos exercícios de 2005 e 2006; que importante salientar que o ora impugnante, no período em questão, era titular de conta corrente junto a 3 (três) bancos distintos, sendo eles, Banco do Brasil, Unibanco e BankBoston, o que o levava por diversas vezes a efetuar transferências entre suas contas, fato esse, não observado pelo Fisco; que os créditos realizados na conta corrente 22.8142.10 mantida junto ao BankBoston no período de 2005 são provenientes de baixa de aplicação financeira conforme extrato, cuja aplicação foi declarada no IRRF exercício 2005, ano calendário 2004. Os referidos resgates ficam demonstrados nos extratos de movimentação da CONTA DE INVESTIMENTO ora anexado; que ainda em relação aos créditos realizados junto ao BankBoston os valores de R$2.940,21 (dois mil, novecentos e quarenta reais e vinte e um centavos) e R$199.039,03 (cento e noventa e nove mil, trinta e nove reais e três centavos) são provenientes de resgate de aplicação em bolsa de valores, conforme histórico de operações e extrato emitido pela corretora de valores PLANNER; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 4 4 que o valor mensal do pro labore é de R$ 445,00(quatrocentos e quarenta e cinco reais), correspondentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2005, totalizando R$ 4.005,00 (quatro mil e cinco reais); que o valor total reembolsado pela AMIL Assistência Médica Internacional Ltda. é de R$ 395.268,73 (trezentos e noventa e cinco mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e três centavos), conforme demonstrado através de relatório de créditos emitido pela AMIL, onde o valor aparece de forma detalhada; que requer ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial pela juntada de novos documentos, realização de perícia e oitiva de necessárias testemunhas, facultandose oportunidade de nova manifestação pontual acerca dos valores e itens objeto de cobrança, sempre que nova manifestação da autoridade julgadora precedente ao julgamento for proferida, por força do princípio do contraditório e da ampla defesa, direitos consagrados constitucionalmente. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Oitava Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, concluíram pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção em parte do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o lançamento com base em depósitos ou créditos bancários tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei n.° 9.430 de 1996 e alterações posteriores (Leis 9.481/97 e 10.637/2002); que a partir de 01 de janeiro de 1997, data inicial de eficácia da Lei n.° 9.430 de 1996 publicada no DOU de 30/12/1996, estabeleceuse uma presunção de omissão de rendimentos sempre que o titular ou titulares de conta mantida junto à instituição financeira, pessoa física ou jurídica, após regularmente intimado(s), não comprove(m) mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados/depositados por terceiros; que a comprovação de origem dos recursos financeiros deve ser compreendida como a apresentação pelo fiscalizado de documentação hábil e idônea que possa identificar, de maneira irrefutável, a procedência do crédito, o valor, à data e principalmente, a que título este foi efetuado por terceiros em benefício do interessado; que não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal; que, em regra, é inaceitável em âmbito administrativo a comprovação feita de forma genérica, como por exemplo, a indicação de uma procedência com a finalidade de comprovar vários créditos em conta; que é incumbência da fiscalização da Receita Federal do Brasil comprovar a existência dos créditos (geralmente por meio de extratos bancários) e intimar o contribuinte a apresentar os esclarecimentos necessários com vistas a elidir a presunção que incide sobre os Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 5 5 mesmos. No entanto, a comprovação da origem dos recursos é obrigação exclusiva do contribuinte; que para que seja acatado o argumento do contribuinte e caracterizado a transferência de numerário entre contas de uma mesma titularidade, se faz necessário à ocorrência de uma operação a débito no mesmo valor e data em outra conta cujo fiscalizado também seja o titular; que a cópia de cheque microfilmado de fls. 165/166 do Banco do Brasil (conta 21433) comprova a transferência em 19/08/2005 do valor de R$ 75.000,00 para a conta corrente de n.° 2098940 do Unibanco de mesma titularidade do autuado (extratos às fls. 48 e 85); que o extrato de conta corrente do Unibanco (conta n.° 2098940) às fls. 167 atesta a transferência (operação a débito) em 10/02/2005 do valor de R$ 10.000,00 para a conta corrente de n.° 21433 do Banco do Brasil (operação a crédito) de mesma titularidade do autuado (fls. 168); que com fundamento no artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo artigo I o da Lei n° 8.748, de 1993, cabe afastar o pedido de perícia suscitado pelo requerente, posto se tratar de medida absolutamente prescindível, j á que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento; que salientamos que somente justificase a formulação de pedidos de perícias pelo autuado quanto à matéria de fato, ou em razão da natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela impossibilidade de deslocar os elementos materiais examináveis, quer seja pela localização da prova, que, por exemplo, pode encontrarse em poder de terceiros, ou em outros procedimentos fiscais existentes; que deficiências da defesa na apresentação de provas, quando estas são de responsabilidade do contribuinte, não implica na necessidade de realização de perícia com o objetivo de angariar e analisar essas mesmas provas. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. Comprovada a origem de recursos, retificase o lançamento de acordo com a prova documental carreada aos autos. PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 6 6 Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em momento processual diverso. PERÍCIA CABIMENTO. Deficiências da defesa na apresentação de provas, quando estas são de responsabilidade do contribuinte, não implica na necessidade de realização de perícia com o objetivo de angariar e analisar essas mesmas provas. DOUTRINA. EFEITOS. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Impugnação Procedente em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/05/2011, conforme Termo constante às fls. 291/293, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (17/06/2011), o recurso voluntário de fls. 294/305, sem instrução de documentos adicionais, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Inicialmente se faz necessário observar, que não resta dúvidas de que a exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2006, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme apurado durante procedimento fiscal e descrito no próprio Auto de Infração. Infração capitulada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997; art. 1º da Lei nº 9.887, de 1999 e art. 58 da Lei nº 10.637, de 2002. Observase, ainda, às fls. 118/121 do Termo de Verificação Fiscal os seguintes excertos: Em 24/04/2009, encaminhamos por via postal, com AR Aviso de Recebimento, datado de 29/04/2009, nova intimação para apresentar os mesmos documentos solicitados no Termo de Início anteriormente citado. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, em 20/06/2009, o contribuinte apresentou procuração constituindo Aparecida Rosana da Silva Carvalho, OAB n° 103.933, como sua representante perante a Receita Federal do Brasil. Na mesma data solicitou prorrogação de prazo, tendo em vista a mudança de sua assessoria contábil e jurídica. (...). Tendo em vista a falta de apresentação dos extratos bancários, solicitamos RMF Requisição de Movimentação Financeira para o Banco do Brasil, Bradesco, e Itaubank. Com base na documentação recebida das instituições financeiras, em 28/09/2009, Aviso de Recebimento de 06/10/2009, intimamos o contribuinte a justificar e comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos creditados nas contas correntes mantidas junto aos bancos acima citados, cujos lançamentos foram relacionados nos anexos à intimação. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 8 8 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega Fl. 351DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 9 9 das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.(RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável a prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e Fl. 352DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 10 10 inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos Fl. 353DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 11 11 bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 12 12 diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente(RE 410054 AgR, Relator(a): Min. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 13 13 DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 14 14 Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão Fl. 357DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 15 15 O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). A PFN embargou o RE 389.808 e a parte contrária já foi cientificada e apresentou suas razões. Os autos estão conclusos com o relator desde 09/11/2011, verbis: Origem: PR PARANÁ Relator: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) G.V.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A ADV.(A/S) JOSÉ CARLOS CAL GARCIA FILHO RECDO.(A/S) UNIÃO PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Data Andamento 09/11/2011 Conclusos ao(à) Relator(a Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso, seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10882.002658/200978 Resolução n.º 220200.271 S2C2T2 Fl. 16 16 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 359DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13502.720817/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, deve-se anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto de impugnação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-001.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, determinando que a Unidade Preparadora suspenda a exigência do PIS controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/2013-85, apensando-o ao presente processo para julgamento conjunto dos dois processos.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto de impugnação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, determinando que a Unidade Preparadora suspenda a exigência do PIS controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385, apensandoo ao presente processo para julgamento conjunto dos dois processos. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 08 17 /2 01 1- 50 Fl. 13171DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 2/12, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de janeiro a março de 2007, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 7.888.318,41. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/50 (e anexos de fls. 51/68), a autuação é resultado de procedimento fiscal tendente a verificar a procedência de diversos PER/DCOMP apresentados pela empresa, alegando créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins passíveis de ressarcimento. Primeiramente, a fiscalização apurou indevida utilização de crédito de PIS e CofinsImportação, apurado na forma do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, por falta de previsão legal para sua compensação com outros tributos ou ressarcimento, podendo apenas ser utilizado como desconto da contribuição a recolher. Analisando o processo produtivo da empresa, bem como as informações adicionais por ela apresentadas, a autuante glosou os créditos relativos aos produtos descritos à fl. 26, por não se enquadrarem no conceito de insumo geradores de créditos de que tratam o inciso II, art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e § 4º, art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. No tocante aos produtos “óleo combustível”, “carvão REF.CET 3700” e “gás natural Sulgás”, eles seriam fontes energéticas utilizadas para geração de Energia e Vapor. Estes, por sua vez, podem ser classificados como produtos, se forem vendidos a terceiros, ou fatores de produção indiretos, se utilizados em sua produção. No caso de venda a terceiros dessa energia, seus insumos (os produtos mencionados) dão direito a crédito. Em caso de utilização da energia em sua produção, não se enquadram no conceito de insumo e não dão direito a crédito por não comporem o produto final, e a energia consumida também não gera crédito por não ter sido adquirida de pessoa jurídica. Em seu relatório, a autuante explicou (fl. 30): ... A autuada não teria conseguido comprovar ou demonstrar a efetiva utilização, por ela alegada, do gás natural como combustível em fornos de pirólise, sendo glosados seus créditos. Disso resultou (fl. 31): Fl. 13172DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.131 3 Quanto aos serviços utilizados como insumos, da rubrica “Píer IV”, constatouse (fls. 32/33) serem referentes a gastos com logística na operação de exportação do produto acabado e frete de produtos diversos, não ensejando geração de créditos por não se enquadrarem como “serviços aplicados na produção de bens ou serviços”. Glosouse também os créditos relativos aos pagamentos pelo serviço de transmissão de energia elétrica, por não se enquadrarem como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (fls. 34/35). No tocante às despesas de armazenagem e frete, a autuante entendeu como indevidos os créditos referentes a transferência de produto acabado entre seus estabelecimentos, ou destes para empresa de armazenagem. Também foram glosados créditos referente a serviços administrativos do navio, por falta de previsão legal para sua apropriação (fls. 36/38). Os créditos de encargos de depreciação também foram glosados (fls. 38/43), por falta de apresentação de documentação necessária para verificação da legitimidade do crédito. Por fim, às fls. 47/49, a autuante detalhou a apuração dos valores lançados no presente processo. O enquadramento legal encontrase a fls. 4, 6, 8 e 10. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 11122/11173, na qual contestou o procedimento fiscal, aduzindo as razões a seguir. Primeiramente, discorreu sobre a nãocumulatividade da Cofins, partindo de seu suporte constitucional, argumentando ser juridicamente inadmissível qualquer interpretação do conceito de insumo, posto na Lei nº 10.833/2003, “que implique na cumulatividade” da contribuição. Acrescentou que, diferentemente do entendimento da fiscalização, o art. 3º, § 3º da referida lei “preceitua que o direito ao crédito se circunscreve aos bens e serviços adquirido e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Assim, todos os itens que compuserem o custo das mercadorias exportadas, bem com as despesas assumidas para esse fim, ensejam o direito ao creditamento. Não podem ser impostas limitações ao direito conferido pela Lei º 10.833, eis que a única limitação admitida pela Constituição é quanto a “setores econômicos sujeitos à sistemática nãocumulativa.” Em síntese, propugnou pelo direito à apropriação de créditos sobre todos os “gastos incorridos pela pessoa jurídica para fabricar e vender mercadorias enquadradas nas hipóteses” mencionadas, “e não apenas os bens e serviços aplicados diretamente em tais atividades.” Fl. 13173DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Transcreveu trechos de Acórdãos do CARF e da Câmara Superior de Recurso Fiscais, que dariam guarida à sua argumentação (fls. 11128/11129). Prosseguiu alegando que é na legislação do Imposto de Renda que o intérprete deve buscar a definição do alcance do direito ao crédito, transcrevendo o art. 290 do RIR aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que trata do custo de produção de bens e serviços, para reafirmar a incidência do direito sobre todos os custos diretos e indiretos de produção. Transcreveu doutrina relativa ao tema (fl. 11132), mencionando ainda, em relação aos gastos classificáveis como custos de produção, cuja Lei das Sociedades Anônimas seria silente, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da FIPECAF, que discriminaria tais gastos, bem como norma do IBRACON (fl. 11133), trazendo a definição de custo e critérios para sua avaliação. Ainda nessa esteira, acrescenta serem geradoras de crédito, a teor do art. 299 do RIR e da NPC 14 do IBRACON, as despesas incorridas relacionadas às receitas em voga. Tratou da impropriedade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que teria adotado o conceito de insumo do IPI para fins de apuração de créditos da Cofins, transcrevendo doutrina (fls. 11135/11137). Caso não se aceitem os argumentos até então expendidos, a impugnante reclamou a interpretação de que a “ação direta” de que trata o art. 8º, § 4º, I, a, da IN 404/2004, não fique “adstrita ao contato físico do bem ou serviço (insumo) com a mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta à atividade econômica, em vista da essencialidade daquele para a consecução desta.” Disse ainda (fl. 11139): ... Em resumo, sustentou que a caracterização do insumo se dá pela “imprescindibilidade do bem ou serviço no processo fabril, independente do contato físico direto com o bem produzido”, e que assim, “os bens e serviços adquiridos pela ora Impugnante são essenciais ao desempenho da sua atividade econômica, sendo diretamente afetados às atividades fabris”. Passou a tratar, um a um, dos produtos cujos créditos foram glosados pela fiscalização, descrevendo sua utilização no processo produtivo: I – Insumos utilizados no Tratamento de Água: o sulfato de alumínio, o cloro líquido, o Purate e o Kuriverter são utilizados na obtenção de água desmineralizada, água clarificada e água potável, todos produtos finais da impugnante, e portanto geram direito a crédito (fls. 11141/11143); II – Gás Natural: possui duas funções distintas (laudo técnico – doc. 8, de fls. 11285/11303), sendo utilizado como matéria prima na produção de eteno e como combustível fornecendo energia térmica indispensável ao processo industrial, ambas gerando direito a crédito (fls. 11143/11144); III – Kurita: produto utilizado no tratamento químico da água de caldeira (laudo técnico – doc. 7, de fls. 11270/11284), Fl. 13174DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.132 5 necessário para produção de vapor de boa qualidade, como descrito à fl. 11145, cuja essencialidade ao processo produtivo é inconteste, configurandose em insumo gerador de crédito; IV – Petroflo: solubilizante e antipolimerizante consumidos no processo produtivo, que “têm fundamental importância na obtenção do produto final, visto que é a água tratada com os referidos produtos que dará origem ao vapor que será misturado com a nafta e/ou condensado nas fases seguintes do processo”, restando claro sua natureza de insumo (doc. 7); IV – Carvão e Óleo Combustível: insumos utilizados na produção de vapor, o qual é utilizado como energia térmica e vendido como utilidade para outras empresas do Pólo Petroquímico. Se por um lado a fiscalização não efetuou glosas quanto ao carvão e óleo combustível utilizados na produção de vapor destinado à venda, as promoveu quando o vapor era utilizado como trocador de calor no processo produtivo. A alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007, no inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833, passou a prever o crédito também sobre a energia térmica consumida pela pessoa jurídica. Seria desarrazoado admitir que a aquisição de vapor gera direito ao crédito e os custos para produzilo não, mesmo restando comprovado que eles estão diretamente vinculados aos seus parques fabris (docs. 7 e 8); V – Betzdearborn: agente neutralizante, cuja principal função é reduzir o potencial corrosivo do meio, promovendo o aumento do pH da água (laudo técnico – docs. 7 e 9, este à fls. 11304), sendo imprescindível ao processo produtivo; VII – Diesel Marítimo (fl. 11149): ... No tocante aos serviços utilizados como insumos no processo produtivo, alegou ter por objeto, além das atividades industriais e comercias, a exploração de terminal portuário, conforme seu Estatuto Social (doc. 10, fls. 11305/11316). Nesse contexto, “o Píer IV era utilizado para exportações através de navio, com o seguinte roteiro: do Píer de Triunfo, os produtos petroquímicos (gases e líquidos) seguiam de navio via Lagoa dos Patos até o Terminal do Rio Grande, de onde eram exportados.” Assim, as despesas com os serviços prestados no Píer IV, de movimentação de contêineres do Terminal Santa Clara para o de Rio Grande, para subseqüente exportação, fazem parte da atividade econômica da impugnante, sendo imprescindíveis para a atividade de exploração de terminal portuário, sendo indevida sua glosa. A seguir, relacionou, a título exemplificativo, cinco serviços cujos créditos foram glosados pela fiscalização, para demonstrar sua imprescindibilidade. São eles: transporte, estufagem, empilhadeiras, descarga e manuseio de contêiner, realocação de pátio e armazenagem de contêiner cheio, manutenção ISPS Code, descritos às fls. 11150/11151. Fl. 13175DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Com essas considerações, propugnou pela procedência do direito ao crédito, nos termos do art. 3º, IX da Lei nº 10.833. Quanto à glosa de créditos relativos ao “uso e transmissão de rede”, que estavam incluídos nos gastos com energia elétrica, discorreu sobre a reestruturação do setor elétrico (Lei nº 9.074/1995), que previu a obrigatoriedade dos consumidores, para viabilizar a utilização das redes de distribuição e transmissão no ambiente de contratação livre, de firmar Contrato de Uso do Sistema de Transmissão – CUST ou Contrato de Uso de Distribuição com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – NOS ou com os concessionários e permissionários do serviço público de distribuição (art. 15, § 6º da referida lei). A Aneel, por meio da Resolução nº 281/1999, disciplinou tal matéria (excertos transcritos à fl. 11154). Em síntese, à data dos fatos objetos do presente, a impugnante estava obrigada a usar a rede de transmissão das concessionárias ou permissionárias, sujeitandose ao pagamento da tarifa remuneratória do USO E TRANSMISSÃO DE REDE. Ressaltou ainda que, após sucessivos ofícios não respondidos pela Receita Federal, que objetivavam apurar eventuais impactos financeiros de seus reajustes e revisões tarifárias, a Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da Aneel emitiu a Nota Técnica nº 554/2006, que menciona “jurisprudência administrativa” (fl. 11359) concluindo pela inafastabilidade do direito ao crédito em discussão (fls. 11157/11158). Portanto, em se tratando de despesa obrigatória que compõe o custo da energia elétrica consumida, não procede a glosa efetuada. Refutando a glosa dos créditos sobre despesas com frete, efetuada ao argumento de se tratarem de transferência de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte e para empresas de armazenagem, alegou ter se baseado em “interpretação meramente literal do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833”. Discorreu sobre as dificuldades que enfrenta para a distribuição de seus produtos “no mais diversos rincões do país”, o que a levou a fixar diversos estabelecimentos que consistem em centros distribuidores em todo território nacional. Assim, a impugnante transfere continuamente os produtos de suas unidades industriais para os referidos centros de distribuição, para armazenamento e posterior venda. A “contínua contratação de serviço de transporte, cujo ônus recai sobre a impugnante”, são despesas consideradas na apuração dos créditos, importando “salientar que as mercadorias transferidas para os centros distribuidores ou remetidas para armazenagem têm sempre por destino a sua posterior comercialização.” Seriam, portanto, “etapas do percurso que os produtos percorrerão até seus destinatários finais.” Acrescentou (fl. 11161): ... Fl. 13176DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.133 7 Transcreveu Acórdão do CARF para embasar seu entendimento (fls. 11161/11162). Com relação às glosas referentes ao “Serviço Administrativo de Navio”, argumentou terem a natureza de frete, sendo legítimo o direito ao crédito. É que, sendo proprietário de Navio Tanque, contratou a empresa COMERCIAL MARÍTIMA OCEÂNICA LTDA. (doc. 13, fls. 11367/11379) para prestar serviços que envolvia “a armação, operação, manutenção de pronto atendimento e o gerenciamento das atividades pertinentes ao uso” do navio. Os referidos serviços administrativos, previstos na cláusula quatro do contrato, correspondem a operações estritamente acessórias à prestação do transporte aquaviário que se realizava de modo manifestamente vinculado às operações de venda. Apresentam, portanto, “evidente natureza de frete marítimo”, o que pode ser constatado dos Conhecimentos de Transporte Aquaviários de Cargas emitidos pela contratada (doc. 14, fls. 11380/11389). No que concerne às despesas com depreciação e aquisição do ativo imobilizado, argumentou que “a prova do direito creditório pode ser feita com base em diversos elementos, e não apenas mediante a apresentação das notas fiscais de aquisição dos bens integrantes do ativo imobilizado do contribuinte, conforme entendeu a autoridade julgadora.” Apelando ao princípio da verdade material, argumentou que os documentos por ela apresentados, “Relatórios Gerenciais extraídos dos seus Sistemas de controle do Ativo Imobilizado” contêm “informações necessárias à análise do crédito”. Como exemplo, os relatórios de fls. 11390/11396 (doc 15) trazem identificações “do bem patrimonial que está sendo depreciado”, “da conta de controle pelo Módulo de Ativo Fixo” e “centro de custo a que o ativo imobilizado está vinculado”, salientando ainda que “tais relatórios encontramse diretamente vinculados à contabilidade da empresa (conforme se infere dos balancetes mensais e razão contábil do 1º Trimestre de 2007 ora colacionados – docs. 16 e 17)” (fls. 11397/11428 e 11429/11522), revelando “os elementos necessários a atestar a regularidade dos créditos aproveitados pela Impugnante”. Após discorrer sobre os procedimentos que poderiam ter sido adotados pela autuante, aduziu que, sendo “a maior indústria petroquímica da América Latina”, “é possível imaginar a gigantesca quantidade de notas fiscais que – caso fosse possível – teriam de ser apresentadas à fiscalização.” Apesar de tal dificuldade, disse ter localizado as notas fiscais de aquisição anexas à impugnação (doc. 18, fls. 11523/11569), requerendo sua juntada, e comprometendose a providenciar a juntada dos demais documentos comprobatórios solicitados, logo que obtidos, para demonstrar a total regularidade do crédito fiscal utilizado. Alegou ainda: Fl. 13177DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 ... Reiterou que a autuante deveria ter avaliado toda a documentação comprobatória apresentada pela impugnante, e se necessário, determinasse a realização de diligência com vistas a validar a apuração dos créditos decorrentes de depreciação. Transcreveu os dispositivos legais que prevêem o aproveitamento de tais créditos, o dispositivo da Lei das S/A que define os bens do ativo imobilizado (art. 179 da Lei nº 6.404/1976), para afirmar que a apuração do crédito informado no DACON está totalmente lastreada nos registros contábeis. Acrescentou tratarse de “empresa séria e conceituada no mercado nacional e internacional”, sociedade anônima de capital aberto, sujeita à fiscalização por parte da CVM, inclusive com auditoria externa independente, em estrito cumprimento ao art. 177, § 3º da Lei nº 6.404, “sendo certo que, feito o registro contábil, como determina a lei, tornase norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo (Acórdão 10807.816, 1º Conselho de Contribuintes)”. Fez novas considerações sobre esse mesmo argumento (fls. 11171/11173),para concluir que “a autuação ora combatida merece ser reformada, na parte em que glosa os créditos em virtude da suposta inexistência de prova documental da existência deste”. Por derradeiro, em razão de todas as razões expendidas, requereu que o auto de infração seja julgado improcedente, protestando ainda “pela juntada posterior de documentos e pela realização de diligência fiscal hábil a atestar tudo o quanto pontuado nesta Impugnação”." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou não impugnado o auto de infração referente ao PIS, em razão da ausência de impugnação contra tal lançamento, determinando a apartação dos débitos referentes a esta contribuição para cobrança imediata. Quanto a exigência da COFINS manteve integralmente o lançamento, nos mesmos termos do auto de infração. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da nãocumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 13178DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.134 9 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa incidente em suas aquisições. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. OUTROS GASTOS. A interpretação relativa a gastos não incluídos no conceito de insumos, mas geradores de créditos da nãocumulatividade por expressa disposição legal, deve ser restritiva, sob pena de criação de benefício fiscal sem previsão em lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. APARTAÇÃO. A parte não litigiosa do crédito, por ausência de impugnação, deve ser apartada para imediata cobrança. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INÉPCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, alegando que apresentou em 19/01/2012, perante a Delegacia da Receita Federal em Camaçari/BA, duas impugnações, sendo uma relativa à Contribuição para o PIS e uma segunda impugnação referente a COFINS. Cópia dos protocolos das referidas impugnações foram apresentadas no recurso (fls. 11780 e 11832). Diante destes fatos, pede que sejam formados autos apartados para julgamento em primeira instância do auto e infração do PIS; b) sejam cancelados o Termo de Revelia e a Carta Cobrança nº 701/2013 e seja suspensa a cobrança que ora se realiza referente a contribuição para o PIS, controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385, tendo em vista, que não existe revelia no caso concreto; c) que o presente processo siga o seu curso natural, com o julgamento do presente recurso no que tange ao mérito da exigência da COFINS. Quanto ao restante do recurso repisa as alegações já apresentadas em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 13179DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Inicialmente por tratarse de questão preliminar, merece analise a discussão quanto a existência de impugnação referente a contribuição para o PIS. A Recorrente alega a existência da impugnação conforme recibo de protocolo trazido ao processo. Consultando os autos verificase a existência da impugnação do Auto de Infração referente a exigência do PIS. (fls. 11780 a 11831) Diante dos fatos, não há outro caminho, que não seja a anulação da decisão proferida pela autoridade de piso, sendo necessária a realização de novo julgamento, apreciando todas as matérias impugnadas. Quando aos efeitos da anulação da decisão a quo, ao meu sentir, não existe dúvida quanto ao prejuízo dos atos decorrentes, pois um novo julgamento do auto de infração do PIS, por tratarse de matérias fáticas idênticas, poderá ter caminhos diferentes daquele que foi anulado e sendo assim, eventuais posicionamentos da decisão poderão prejudicar ou trazer novos julgados que poderão ser objeto de questionamento e manifestação pelas partes envolvidas, tanto o sujeito passivo quanto à Fazenda Nacional representada pela sua Procuradoria. Assim, é mister que todos os atos realizados no processo a partir da decisão declarada nula, inclusive o Termo de Revelia e a Carta Cobrança nº 701/2013 e ainda em razão da existência de discussão administrativa quanto a exigência do PIS e da COFINS suspender a cobrança que ora se realiza referente a contribuição para o PIS, controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385. Diante do exposto, voto no sentido de anular o processo a partir da decisão da primeira instância, inclusive. Determinando novo julgamento para apreciar as impugnações apresentados do PIS e da COFINS e ainda, que a Unidade Preparadora suspenda a exigência do PIS controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385 até a decisão final do julgamento administrativo, atendendo os ritos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Winderley Morais Pereira Fl. 13180DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 15471.001430/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Nos termos da Súmula CARF n.º 11, não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
São dedutíveis das receitas de aluguéis apenas as despesas relativas ao específico contrato de locação, não alcançando, portanto, valores pagos a terceiros pelo locador, a título de aluguel, em decorrência de outra locação.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
No lançamento de ofício, a Lei n.º 9.430/96 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, que não pode ser afastada, sob pena de violação à Súmula CARF n. 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n. 4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.578
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Nos termos da Súmula CARF n.º 11, não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. São dedutíveis das receitas de aluguéis apenas as despesas relativas ao específico contrato de locação, não alcançando, portanto, valores pagos a terceiros pelo locador, a título de aluguel, em decorrência de outra locação. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. No lançamento de ofício, a Lei n.º 9.430/96 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, que não pode ser afastada, sob pena de violação à Súmula CARF n. 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF n. 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 14 30 /2 00 7- 54 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 38/42) interposto em 03 de março de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (efls. 26/31), do qual o Recorrente teve ciência em 15 de fevereiro de 2011 (fl. 37), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de efls. 07/10, lavrado em 25 de junho de 2007, em decorrência de Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoas Físicas Dimob, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DO PAGAMENTO DE ALUGUÉIS Por falta de expressa previsão legal, não há como considerar como dedução à base de cálculo do imposto, os pagamentos efetuados pelo Contribuinte a título de aluguel. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio, no percentual de 75%, e de juros de mora à taxa Selic sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 26). Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15471.001430/200754 Acórdão n.º 2101002.578 S2C1T1 Fl. 62 3 Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 38/42), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Depreendese do relatório fiscal que a exigência do imposto se fez em virtude de o contribuinte ter omitido rendimentos de aluguéis informados na Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 18.133,56, no anocalendário de 2004. Sustenta o Recorrente, preliminarmente, que o longo período de duração do processo teria causado prejuízo, motivo pelo qual deveria ser reconhecida a prescrição. Não obstante, nos termos da Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, motivo pelo qual a preliminar deve ser afastada. No mérito, alega que devem ser deduzidos dos valores recebidos a título de aluguéis os valores que ele paga, também, a título de aluguel, a terceira pessoa. Ocorre, todavia, que não há, no direito brasileiro, qualquer dispositivo legal que embase sua pretensão, conforme muito bem decidiu a DRJ, até porque os valores pagos a título de aluguel pelo Recorrente não tem qualquer relação com as quantias que ele recebe em virtude de outro contrato de locação. A lei admite a dedução de montantes que digam respeito, única e exclusivamente, ao contrato de locação objeto da referida DIMOB; Por fim, quanto à alegação de que os juros de mora e a multa de ofício tornam o valor do crédito tributário abusivo, não há como afastálos, sob pena de incorrer em violação à Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Aliás, no caso específico dos juros de mora, aplicase ao presente caso, ainda, a Súmula CARF n. 4, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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