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Numero do processo: 10469.720148/2007-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO
INTERNO DO CARF.
Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros
no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em
que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento de defesa em fase não contenciosa, préprocessual, na qual a autoridade fiscal investiga a ocorrência de eventos relevantes para fins de eventual autuação.
IMUNIDADE OBJETIVA. INAPLICABILIDADE AO IRPJ E CSLL.
A imunidade estatuída pelo artigo 150, VI, “d” da Constituição Federal de 1988 é objetiva, não se aplicando à obtenção de renda ou de lucro da pessoa jurídica, independentemente de seu auferimento se dar em razão do comércio de livros, jornais ou periódicos. PROVA EMPRESTADA.
Não se caracteriza a utilização da prova emprestada pela Receita Federal quando o Fisco lança mão de dados da escrituração relativa ao imposto estadual ICMS e tenha deflagrado a ação fiscal com base na legislação que disciplina o fato gerador do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica e constituído o crédito tributário a ele relativo sob a égide do Processo
Administrativo Fiscal da União (Decreto n° 70.235/72)
Numero da decisão: 1802-001.056
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,
REJEITARAM as preliminares alegadas pelo recorrente, e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa em fase não contenciosa, pré processual, na qual a autoridade fiscal investiga a ocorrência de eventos relevantes para fins de eventual autuação. IMUNIDADE OBJETIVA. INAPLICABILIDADE AO IRPJ E CSLL. A imunidade estatuída pelo artigo 150, VI, “d” da Constituição Federal de 1988 é objetiva, não se aplicando à obtenção de renda ou de lucro da pessoa jurídica, independentemente de seu auferimento se dar em razão do comércio de livros, jornais ou periódicos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 157 2 PROVA EMPRESTADA. Não se caracteriza a utilização da prova emprestada pela Receita Federal quando o Fisco lança mão de dados da escrituração relativa ao imposto estadual ICMS e tenha deflagrado a ação fiscal com base na legislação que disciplina o fato gerador do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica e constituído o crédito tributário a ele relativo sob a égide do Processo Administrativo Fiscal da União (Decreto n° 70.235/72) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM as preliminares alegadas pelo recorrente, e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa (ausência momentânea), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 158 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 125/149 interposto em 10/02/2009, por TIROL CENTER LTDA., contra a decisão de fls. 111/120, proferida em 21/11/2008 pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – Recife (“DRJ/REC”), que julgou procedente o lançamento efetuado pela Recorrida, visando a cobrança do IRPJ e da CSLL, acrescidos de juros de mora e multa proporcional, totalizando R$ 50.681,18. Conforme exposto nos Autos de Infração de fls. 06/08 e fls. 15/17, lavrados em 29/03/2007, o montante devido a título dos referidos impostos foi definido em processo de fiscalização junto ao contribuinte quando da revisão da DIPJ 2003, referente ao anocalendário 2002, onde consta apuração incorreta do IRPJ pela utilização do coeficiente 1,6% quando o correto seria 8% sobre as receitas da atividade de comércio, apuradas com base no livro de apuração do ICMS 9FLS. 45/70) e no MOVECO — Controle do Movimento Econômico Tributário (fls. 71/72) fornecidos pela Secretaria de Estado da Tributação doRio Grande do Norte, e não recolhimento da CSLL. Contra o lançamento efetuado, o contribuinte apresentou em 30/04/2007, Impugnação de fls. 80/100, argumentando, em síntese: a) Decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2002, conforme regra do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, sob fundamento de que a IRPJ e a CSLL devem ser recolhidas independentemente da apresentação de declarações, acosta diversas ementas do antigo Conselho de Contribuintes; b) Gozo da imunidade do artigo 150, VI, “d”, da Constituição Federal de 1988, em razão da atividade de comércio de livros; c) Improcedência do lançamento em razão do uso de prova emprestada, inadmissível no processo tributário, ferindo o direito à ampla defesa. O julgamento de primeira instância resultou pela procedência do lançamento, em decisão unânime da 3ª Turma da DRJ em Recife/PE, nos termos do Acórdão DRJ/REC no 1124.597, de 21/11/2008 (fls. 111/120), cuja ementa assim dispôs: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECADÊNCIA: No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio, regendose pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 159 4 IMUNIDADE ART. 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL: A imunidade prevista no dispositivo constitucional em comento é entendida como objetiva, diz respeito somente as operações. Não alcança o faturamento, a receita bruta ou o lucro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECADÊNCIA: No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio, regendose pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. IMUNIDADE ART. 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL: A imunidade prevista no dispositivo constitucional em comento é entendida como objetiva, diz respeito somente As operações. Não alcança o faturamento, a receita bruta ou o lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: Não há falar em cerceamento do direito de defesa durante a ação fiscal, posto que se trata de fase préprocessual em que se verifica o cumprimento das obrigações tributárias e, se for o caso, efetuase o lançamento do tributo devido. PROVA EMPRESTADA: Não se caracteriza a utilização da prova emprestada pela Receita Federal, quando o Fisco lança mão de dados da escrituração relativa ao imposto estadual ICMS e tenha deflagrado a ação fiscal com base na legislação que disciplina o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e constituído o crédito tributário a ele relativo sob a égide do Processo Administrativo Fiscal da União (Decreto n° 70.235/72). Lançamento Procedente” Em sua decisão, a DRJ/REC entendeu serem improcedentes as preliminares de decadência e cerceamento de defesa suscitadas pela Recorrente. Ademais, no mérito, considerou inaplicável o instituto da imunidade prescrita no artigo 150, VI, “d” ao caso em tela, por se tratar de imunidade objetiva. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 160 5 O Contribuinte apresentou, em 10/02/2009, Recurso Voluntário de fls. 125/149, no qual ratifica as alegações contidas em sua impugnação, requerendo que sejam acolhidas as preliminares invocadas ou, caso não haja tal acolhimento, seja dado integral provimento ao recurso. É o relatório, passo a decidir Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 161 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No tocante ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 162 7 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do E. STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não, termos do § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Com efeito, além da concordância desse Conselheiro à posição acima apresentada, nos termos do artigo 62 e 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”), na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, as decisões do STJ dadas na sistemática dos recursos repetitivos – como é o presente caso – devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Em vista disso e, uma vez que no caso em questão não ocorreu o pagamento, o entendimento a ser adotado é o da decisão proferida E. STJ, ou seja, o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subseqüente àquele no qual poderia ter havido o lançamento, nos exatos termos do inciso I do artigo 173 do CTN. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 163 8 Não acolho, por conseguinte, a decadência alegada pela Recorrente. Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alega a utilização de prova emprestada por parte da fiscalização, visto que o lançamento teria sido baseado em informações obtidas por meio do MOVECO, que é um mecanismo de controle utilizado pelo Fisco estadual. Nesse sentido, afirma que a utilização de prova emprestada fere seu direito à ampla defesa, sendo ainda inadmissível no âmbito do processo tributário. Em vista disso, pleiteia pelo reconhecimento de nulidade de ambos os Autos de Infração. No que se refere à ocorrência de cerceamento de defesa, entendo não assistir razão à Recorrente, como será visto adiante. Conforme pontuado pela decisão proferida pela DRJ – REC: “A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase na qual os agentes da Administração Tributária, imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias. Nesta fase a contribuinte tem uma participação de natureza passiva, devendo cooperar e atender à fiscalização, quando solicitada, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Nessa etapa, ainda não há exigência de crédito tributário formalizada por parte da Fazenda Pública, nem há também, conseqüentemente, resistência a ser oposta pela pessoa fiscalizada. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há o que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. Quando encontradas infrações à lei tributária, a autoridade fiscal lavra auto de infração para formalização da exigência. A partir da lavratura do auto de infração, na hipótese de discordar da exigência, é que a contribuinte, respaldada pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário para apresentar razões e provas sobre as quais está fundamentada a sua discordância.” No caso em tela, não se nota qualquer espécie de cerceamento à defesa da contribuinte, visto que as informações obtidas através do MOVECO vieram a integrar os autos em momento anterior à efetiva defesa, na chamada fase unilateral. Ademais, é certo que a fiscalização requereu a juntada de outros documentos para análise, assim como abriu a possibilidade para que o Recorrente oferecesse esclarecimentos, conforme se depreende dos Termos de Intimação (fls. 21) e Reintimação (fls. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 164 9 23), documentos estes utilizados para basear o lançamento, conforme descrito pela decisão recorrida. Nesse sentido, é certo que, mesmo com a juntada de alguns dos documentos requisitados, a saber, o Contrato Social da Recorrente e seus aditivos posteriores (fls. 27/44), e também o Livro de Apuração do ICMS (fls. 45/70), a Recorrente não logrou afastar os fundamentos que embasam os Autos de Infração combatidos. Por último, lembro que, a partir da lavratura dos Autos de Infração, foi aberta à Recorrente a oportunidade de exercer plenamente seu direito de defesa, oportunidade esta que foi efetivamente aproveitada, por meio da interposição de Impugnação e do Recurso Voluntário ora apreciado. Com relação à figura da prova emprestada, já decidiu o antigo 1° Conselho de Contribuintes (“CC” atual CARF) que sua utilização durante a fase unilateral não prejudica o direito à defesa, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 e 2005 ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real, bem assim a escrituração financeira (livro caixa) considerada imprestável implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 165 10 MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIO Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1º CC nº 2) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A simples falta de atendimento de intimações nos prazos estipulados não é motivo para o agravamento da multa, principalmente quando a fiscalização já sabia que o sujeito passivo não possuía escrituração contábil e fiscal capaz de suportar auditoria pelo Lucro Real. JUROS DE MORA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. (grifo nosso) (Ac. 10323.588, 1° CC, 3ª Câmara, Relator: Antonio Bezerra Neto, Julgamento em 15/10/2008) Lembro também que o exame dos Autos demonstra que a fiscalização se utilizou de elementos probatórios juntados pela própria Recorrente, e não obtidos através de consulta ao MOVECO, como bem ressalta a decisão da DRJ – REC: Alegou a contribuinte que a fiscalização havia se valido de prova emprestada ao basearse no controle do movimento econômico, emitido pela Secretaria Estadual de Tributação. Inicialmente cabe esclarecer que a fiscal autuante utilizouse para deflagrar o procedimento fiscal contra a citada empresa dos dados relativos às receitas de vendas de mercadorias, obtidas pela autuada em sua atividade principal, fornecidos pela própria empresa autuada, de acordo com os Livros Registro de Apuração do ICMS, conforme expressamente descrito no Auto de Infração em lide, tendo sido anexadas aos autos cópias dos Livros Registros de Apuração do ICMS da contribuinte As fls. 45/70. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 166 11 Não assiste razão à contribuinte ao alegar que houve equivoco do procedimento fiscal, neste aspecto, eis que a Fiscalização procedeu corretamente a apuração dos valores tributáveis, na medida em que os obteve a partir dos dados relativos às receitas de venda de mercadorias obtidas pela autuada em sua atividade principal (revenda de mercadorias — comércio varejista de artigos de papelaria), fornecidos à Fiscalização pela própria autuada, conforme Termo de Reintimação Fiscal e Termo de ciência e de solicitação de documentos, fls.23/25 dos autos. Os demonstrativos que integram a presente exação (Demonstrativos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL, respectivamente as fls. 11 e 20), espelha justamente isso. Ou seja, as receitas apuradas decorreram, como se vê, dos valores escriturados nos livros fiscais. Não se trata, dessa forma, de prova emprestada, porquanto a Fiscalização não se utilizou para o fim colimado, de conclusões produzidas em outro processo. Na verdade, nada impediria que se aplicasse ao processo administrativo fiscal o referido instituto, desde que, obviamente, as provas produzidas em outro processo fossem compatíveis com os fatos cuja prova se pretenda oferecer, sobretudo quanto a servir para caracterizar o fato gerador do tributo de competência da entidade tributante que tomou tal prova de empréstimo. No caso sob exame, não. A agente fiscal autuante, reiterase, lançou mão de dados concernentes às receitas efetivas (venda de bens e/ou mercadorias) auferidas pela própria empresa sob fiscalização, conforme mapas elaborados pela autoridade administrativa, feitos à luz dos dados constantes do livro fiscal RICMS, conforme demonstrativos supracitados, e menção feita na Descrição dos Fatos e Enquadramento (fls. 07 e 16). Ou seja, ainda que demonstrativos obtidos por meio de consulta a sistema do Fisco Estadual integrem os Autos, está claro que o lançamento não foi baseado somente neles, mas sim em informações prestadas pela própria Recorrente. Também nesse sentido já se pronunciou o antigo 1° CC, em caso semelhante, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2000 e 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA EMPRESTADA não ocorre a denominada prova emprestada quando não há utilização de prova produzida em outro processo. No caso presente ocorreu a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 167 12 confirmadas por informações de livros de sua escrituração, sendo tal procedimento perfeitamente válido. ARBITRAMENTO PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO LIVRO CAIXA FALTA DE APRESENTAÇÃO a pessoa jurídica optante pela apuração do IRPJ pelo lucro presumido se obriga a manter Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira. ERRO NA TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO não tem qualquer conseqüência a discussão quanto a erro na tipificação da infração à legislação tributária, quando o contribuinte dela consegue se defender e quando o tratamento tributário dado a ambas é o mesmo. Recurso Voluntário Negado. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (grifo nosso) (Ac. 10195.919; 1° CC, 1ª Câmara, Relator: Caio Marcos Cândido, Julgamento em 07/12/2006) Quanto à suposta inadmissibilidade da utilização de prova emprestada, também aqui entendo não assistir razão à Recorrente. Verificase, de tal sorte, que o lançamento combatido não foi baseado em prova emprestada, mas sim em documentos que foram juntados aos autos mediante requisição do Fisco. De toda forma, mesmo que as autoridades fiscais tivessem se utilizado de prova obtida através da consulta ao MOVECO, tratarseia de prática perfeitamente legítima, conforme precedentes deste E. Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anos calendário: 2001 a 2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA Não há que se cogitar de nulidade quando a autoridade julgadora indefere pedido de diligência ou perícia por entender que os elementos constantes dos autos são suficientes para que se possa proferir o julgamento do feito. IRPJ LANÇAMENTO DE OFÍCIO APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL PROVA EMPRESTADA É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em informações prestadas ao Fisco Estadual. IRPJ LUCRO ARBITRADO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS E DE LIVROS E DOCUMENTOS NECESSÁ RIOS A APURAÇÃO DO LUCRO REAL A não apresentação da declaração de rendimentos, bem assim dos livros e da Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 168 13 documentação contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. OMISSÃO DE RECEITAS Provado de forma inequívoca que a contribuinte omitiu receitas decorrentes da venda de mercadorias, bem como ofereceu à tributação valores em montante inferior àqueles efetivamente realizados, cabível o lançamento com a exigência das diferenças apuradas. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (grifo nosso) Recurso Negado. (Ac. 10196.387; 1° CC, 1ª Câmara, Relator: José Ricardo da Silva, Julgamento em 18/10/2007) IRF PROVA EMPRESTADA APURAÇÃO DO FISCO ESTADUAL INOCORRÊNCIA DE NULIDADE Inexiste vedação à utilização, pelo Fisco Federal, dos levantamentos efetuados pelo Fisco Estadual quando as provas coletadas demonstrem a ocorrência de infração à legislação tributária federal. Não ocorre nulidade na lavratura de auto de infração por servidor competente, com observância de todos os requisitos legais. Preliminar rejeitada. IRF DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DL 2.065/83 A ocorrência do fato gerador desta modalidade de tributo pressupõe a existência de fluxo financeiro, que permita a distribuição efetiva dos recursos aos sócios. Diferenças no resultado da pessoa jurídica que não se adéquem à hipótese legal devem ser exonerados do lançamento do IRF. OMISSÃO DE RECEITA PROVA EMPRESTADA NECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO EFETIVA O que se pode emprestar da fiscalização estadual são os documentos e as provas que demonstram a infração, cuja prática traz reflexos para a tributação federal, não apenas a conclusão exposta no auto de infração lavrado pela Secretaria da Fazenda Estadual. Preliminar rejeitada. Recurso provido. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. (grifo nosso) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 169 14 (Ac. 10807.502; 1° CC, 8ª Câmara, Relator: José Henrique Longo, Julgamento em 15/08/2003) Com efeito, rejeito todas as preliminares arguidas pela Recorrente. Superadas as preliminares, passo agora à análise do mérito. A Recorrente alega que, por ter como objeto social o comércio de livros, goza da imunidade prevista no art. 150, VI, d, da Constituição Federal, reproduzido a seguir: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (…) VI instituir impostos sobre (…) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão (…)” Antes de analisar tal alegação, noto que o objeto social da Recorrente não compreende apenas o comércio de livros, como quer fazer crer em seu Recurso Voluntário. Nesse sentido, vejase que, de acordo com a cláusula 3ª do Aditivo V ao Contrato Social (fls. 41), consta como objeto social: “DO OBJETO SOCIAL A sociedade que tem como objetivo o comércio varejista de livros em geral, discos e fitas cassetes, material de escritório, papelaria, artigos evangé1icos e para presentes, acrescenta neste ato, o comercio de revistas e jornais” Assim, destaco que a imunidade supracitada, se aplicável, abarcaria apenas as operações da Recorrente envolvendo o comércio de livros, revistas e jornais, não sendo possível estendêlas às outras atividades previstas no Objeto Social. Ao examinar a matéria, a DRJ/REC entendeu ser inaplicável a imunidade para os fins pretendidos pela Recorrente. Isto pois tal imunidade é objetiva, ou seja, aplicável apenas às operações de comércio de livros, revistas e jornais, e não ao sujeito, ficando assim o faturamento e o lucro da Recorrente sujeitos à tributação. Como fundamento, cita duas decisões proferidas pelo E. STF, a saber, os Recursos Extraordinários de n° 170.717/PR e n° 206.7741/RS. Este E. Conselho também já decidiu de forma semelhante sobre a questão, conforme abaixo: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 170 15 IRPJ EX: DE 1991 A imunidade prevista no art. 150, VI "d" da Constituição é objetiva, e somente alcança os impostos indiretos ou reais que compõem o preço dos livros, jornais, periódicos e papéis destinados à sua impressão, não beneficiando aos lucros das empresas jornalísticas, que se sujeitam ao imposto de rendapessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro. (Ac. 10512.133; 1° CC, 6ª Câmara, Relator: Ivo de Lima Barbosa, Julgamento em 07/01/1998) IRPJ E OUTROS Ex(s): 1999 IRPJ/CSLL. ARBITRAMENTO DE LUCROS COM BASE NA RECEITA BRUTA. VENDAS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA COM FUNDAMENTO EM COMISSÃO.PLEITO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. CONSIGNAÇÃO E INTERMEDIAÇÃO. DISTINÇÃO. Na consignação ocorre uma operação mercantil com duas vertentes de compra e venda e que são concomitantes, mas distintas e autônomas: a do consignante para o consignatário e a do consignatário para o terceiro comprador. Nesta, o preço é estabelecido pelo próprio consignatário. A intermediação, contrário senso, ocorre quando o negócio é realizado em nome e sob responsabilidade do cliente, o qual se obriga diretamente com o fornecedor de bens ou serviços demandados, fixandose o preço final da transação sem interveniência do mediador da operação. IRPJ/CSLL. LIVROS E REVISTAS. COMERCIALIZAÇÃO. IMUNIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO ARGÚIDO. A vedação constitucional quanto à instituição de tributos sobre livros, periódicos e o papel destinado à sua impressão tem natureza objetiva, aprisionando se nos limites restritos de alguns materiais gráficos e do papel destinado a sua impressão, não abarcando, conseqüentemente, os respectivos distribuidores e as suas operações de revenda com ânimo de lucro Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, NÃO CONHECER da matéria estranha à lide e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (grifo nosso) (Ac. 10706.945; 1° CC, 7ª Câmara, Relator: Neicyr de Almeida, Julgamento em 29/01/2003) Com base nos precedentes acima, entendo que, ainda que se admita que as operações envolvendo o comércio de livros, jornais e periódicos, estejam cobertas pela imunidade prevista na Constituição Federal, o mesmo não se pode dizer a respeito do faturamento e dos lucros auferidos pela Recorrente mediante o desempenho de suas atividades. Em vista disso, foi correta a interpretação feita pela DRJ – REC, não havendo motivos para reformála. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10469.720148/200703 Acórdão n.º 180201.056 S1TE02 Fl. 171 16 Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares alegadas, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
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Numero do processo: 12269.004711/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. SIMPLES PROTESTO.
A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzi-las.
Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacioná-las
na contestação.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL.
Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo.
No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958.
A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205.
Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária.
Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal.
Numero da decisão: 2302-001.388
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de
decadência, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se
o art. 150, paragrafo 4 do CTN. Quanto ao mérito vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu pela exclusão
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. SIMPLES PROTESTO. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzi-las. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacioná-las na contestação. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal.
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Recorrente FUNDACAO MEDICA DO RIO GRANDE DO SUL Recorrida DRJ JUIZ DE FORA MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. SIMPLES PROTESTO. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN. Quanto ao mérito vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu pela exclusão apenas dos valores relativos à bolsa de extensão. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.004711/200857 Acórdão n.º 230201.388 S2C3T2 Fl. 413 3 Relatório Trata o presente lançamento relativo ao período de 01/01/2003 a 30/12/2007, contendo a cobrança de contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, em razão das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais e dos valores pagos pela utilização de serviços mediante cooperativa de trabalho médico, conforme relatório fiscal às fls. 50 a 57. Não concordando com o lançamento, foi apresentada impugnação pela autuada, fls. 61 a 170. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora proferiu a decisão de fls. 254 a 260, mantendo o lançamento em parte. Foi excluído o levantamento referente à cooperativa de trabalho UNIMED pelo pagamento anterior à ação fiscal. Inconformada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário, conforme fls. 263 a 302. Alega em síntese que: a) Não foi oferecida a produção de prova, nem perícia; b) É nula a decisão por cerceamento do direito de defesa; c) as bolsas de pesquisa e extensão atenderam integralmente ao disposto previsto na Lei n° 8.958/94 e o respectivo Decreto n° 5.205/04 que o regulamenta, de forma que estão totalmente isentas de quaisquer recolhimentos de contribuições sociais. d) Outrossim, os profissionais que receberam as respectivas bolsas, jamais podem ser considerados como contribuintes individuais, haja vista que não recebem valores a título de remuneração e sim como mera doação, ou seja, recebem os valores como ressarcimento ou indenização pelo desenvolvimento de pesquisa ou pela extensão. e) Há norma específica da Previdência Social dispondo que não há incidência sobre os valores pagos a título de bolsa na forma da Lei 8.958; f) O doador não se beneficiou da atividade dos beneficiários; g) Não há a prestação de serviço de assistência médica por parte do professor médico preceptor, que tem por único objetivo o ensino. h) A recorrente possui direito à imunidade; i) Não há certeza nem liquidez na presente autuação; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o relato suficiente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.004711/200857 Acórdão n.º 230201.388 S2C3T2 Fl. 414 5 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 411. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas têm que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. Nesse sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia têm que constar na petição inicial, bem como na contestação. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Quanto ao argumento da recorrente de que houve omissão por parte da autoridade no julgamento proferido na decisão de primeira instância; não lhe confiro razão. Todos os pontos relevantes e controversos para o deslinde da questão, sejam preliminares ou de mérito foram apreciados pela autoridade julgadora, conforme fls. 254 a 260. De acordo com o entendimento pacificado nos tribunais superiores, STF e STJ, o julgador não é obrigado a se manifestar expressamente sobre todos os pontos levantados pelas partes. Nesse sentido segue acórdão proferido pela 1ª Turma do STJ no Recurso Especial n ° 667603, publicado no DJ em 01/08/2005, nestas palavras: MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE AMPLA DEFESA. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre a violação posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. 2. São princípios basilares do processo administrativo e judicial a ampla defesa e o contraditório, insculpidos no artigo 5º, LV, do Texto Constitucional, o qual estabelece que: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". 3. A ampla defesa, constitucionalmente reconhecida, traduz a exigência de que o exercício do poder jurídicopúblico se realize de maneira justa, implicando para o Administrado o direito de conhecer os fatos e fundamentos invocados pela Autoridade, o direito de ser ouvido e de contraporse às alegações do adversário. 4. Deveras, esse postulado da ampla defesa, ou do direito de audiência, configura direito à participação procedimental, assegurando ao administrado, na maior extensão possível, a oportunidade do seu exercício pleno, com produção de provas e apresentação de alegações que lhe favoreçam. 5. Atestando a instância a quo a inexistência da intimação da decisão, a verificação que a Fazenda pretende em seu recurso esbarra em matéria fática, mercê de o cumprimento do due process of law não exonerar o contribuinte do pagamento, apenas diferindoo até o cumprimento da exigência legal. 6. Recurso especial desprovido. O simples protesto, vago e genérico, pela produção de provas não é suficiente para se instaurar um ponto controvertido a merecer enfrentamento pela decisão a quo. Quanto ao argumento de que as bolsas de pesquisa e extensão teriam atendido integralmente ao disposto na Lei n° 8.958/94 e no respectivo Decreto n° 5.205/04 que o regulamenta, de forma que estão totalmente isentas de quaisquer recolhimentos de contribuições sociais; não assiste razão à recorrente. De acordo com o disposto no art. 4º, paragrafo 1º da Lei 8.958 de 1994, a participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Dessa forma é bem verdade que não há vínculo empregatício, mas é possível o enquadramento dos segurados como contribuintes individuais. No presente caso o tributo foi lançado considerando os segurados como contribuintes individuais. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.004711/200857 Acórdão n.º 230201.388 S2C3T2 Fl. 415 7 Conforme previsto no art. 6o do Decreto 5.205 de 2004, as bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º, § 1º, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. Além do mais, no paragrafo 4º do mesmo artigo do Decreto, é previsto que somente poderão ser caracterizadas como bolsas, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere esse artigo. Desse modo, o ponto controvertido é justamente a verificação se os valores pagos aos segurados se enquadraram como bolsas para fins de isenção de contribuição previdenciária. Conforme informado pelo Auditor Fiscal no relatório às fls. , não há no convênio firmado entre a Fundação Médica e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência à bolsa de extensão e coordenação do Programa de Docência em Residência Médica e Assistência à Saúde; o que infringe o disposto no parágrafo 4º do art. 6º do Decreto n 5.205. Assim, os valores pagos não podem ser caracterizados como bolsas. Os valores relativos às bolsas não eram fixados nos convênios, pois os valores seriam fixados mensalmente pela Diretoria da Fundação. Também consta do relatório fiscal que parte integrante das atividades do professores/médicos vinculados a Fundação Médica do RS era a prestação de serviços médicos à população usuária do Sistema Único de Saúde conforme demonstra os Relatórios de Ação de Extensão. Ora, a condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considera se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Quanto ao valores pagos a título de pesquisa, é relatado pela Auditoria Fiscal que o contrato firmado entre a Fundação Médica e os Patrocinadores está revestido de características de contratos de prestação de serviço, apresentando cláusulas em que o desenvolvimento da pesquisa fica condicionada a aprovação, supervisão e subordinação ao Patrocinador. Ainda consta no relatório fiscal que o outro item que mostra o caráter de prestação de serviços é o que determina que os resultados do estudo e quaisquer informações, dados e registros relativo ao estudo serão propriedade exclusiva da Patrocinadora, revertendo o(s) benefício(s) da pesquisa a terceiros na medida em que se tratam de pesquisa farmacêutica (neste caso vacinas) que serão comercializadas no futuro, resultando retorno financeiro a Patrocinadora. Desse modo fica patente a violação ao art. 6º do Decreto n 5.205 de 2004, configurando a retribuição pela prestação de serviços. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 O pesquisador deveria se submeter a qualquer tempo à fiscalização pela Concedente do andamento da pesquisa, a sugestão de adoção de procedimentos técnicos, operacionais, a prestação de contas. Pelo exposto não procede o argumento recursal de que os profissionais que receberam as respectivas bolsas, jamais poderiam ser considerados como contribuintes individuais, haja vista que não recebem valores a título de remuneração e sim como mera doação, ou seja, recebem os valores como ressarcimento ou indenização pelo desenvolvimento de pesquisa ou pela extensão. Restou caracterizada a remuneração por serviços prestados, não se tratando de doação. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Conforme indicado nos documentos anexos ao relatório fiscal, fls. 169, 181, 188, do Anexo VI, e fls. 09, 17 do Anexo VII, consta expressamente como justificativa e objetivo do programa o seguinte: Este Programa de extensão é uma iniciativa dos professores da Faculdade de Medicina que atuam no HCPA e tem as finalidades de apoiar as atividades de treinamento de profissionais médicos recémformados, através de preceptoria para a residência médica e de prestar assistência médica à população que utiliza os serviços de saúde através do SUS. 3. Em relação à assistência médica a população: Atender a demanda dos pacientes que procuram o HCPA para atendimento médico; possibilitar o acesso da população aos meios diagnósticos e terapêuticos disponíveis através do SUS; executar ações preventivas e educativas que promovam a saúde da população. Assim, ao contrário do afirmado pela recorrente, há prestação de serviço de assistência médica por parte do professor médico preceptor. Essa prestação é traduzida tanto na prestação de serviços de ensino, como também no atendimento ao SUS. Não há razão à recorrente ao afirmar que o doador não se beneficiou da atividade dos beneficiários. Ao utilizarse da mãodeobra dos segurados, a entidade conseguiu cumprir os contratos e convênios, e com isso auferiu rendimento pelos serviços executados. A recorrente não possui direito à imunidade de contribuições previdenciárias. Somente as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos de lei na forma do art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal possuem tal direito. A imunidade prevista no art. 150, inciso VI da Constituição Federal não se confunde com a prevista no art. 195, parágrafo 7º. Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, não lhe confiro razão. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.004711/200857 Acórdão n.º 230201.388 S2C3T2 Fl. 416 9 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. Mesmo porquê para aplicação do art. 150, parágrafo 4º ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, a mesma somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O lançamento foi realizado em 23 de dezembro de 2008. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto não fluiu o prazo decadencial. A competência janeiro de 2003 não decaiu, o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2004, a qual findaria em 1o de janeiro de 2009. Por todo o exposto, o lançamento seguiu os ditames legais, devendo ser mantida a decisão recorrida, tendo certeza e liquidez o crédito apurado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 CONCLUSÃO: Voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11020.001822/2005-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ITR ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO MEDIANTE ATO ESPECÍFICO. REQUISITO LEGAL. EXIGÊNCIA CUMPRIDA.
No caso, o contribuinte protocolou junto ao IBAMA, aproximadamente três anos antes da ocorrência do fato gerador deste lançamento, pleito para reconhecimento de que seu imóvel rural é área de interesse ecológico. Na resposta, emitida quase cinco anos após o pedido inicial, que foi reiterado por
duas vezes, o órgão ambiental declara que toda a propriedade representa área de interesse ecológico. Está cumprida, pois, a exigência do artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96, de modo que tal área deve ser excluída da base de cálculo do ITR.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO MEDIANTE ATO ESPECÍFICO. REQUISITO LEGAL. EXIGÊNCIA CUMPRIDA. No caso, o contribuinte protocolou junto ao IBAMA, aproximadamente três anos antes da ocorrência do fato gerador deste lançamento, pleito para reconhecimento de que seu imóvel rural é área de interesse ecológico. Na resposta, emitida quase cinco anos após o pedido inicial, que foi reiterado por duas vezes, o órgão ambiental declara que toda a propriedade representa área de interesse ecológico. Está cumprida, pois, a exigência do artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96, de modo que tal área deve ser excluída da base de cálculo do ITR. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 808DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 792 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Agropecuária Continental S.A., CNPJ n° 87.764.213/000178, foi lavrado o auto de infração de fls. 4550, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2001, em razão da glosa parcial de área declarada como sendo de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Continental III, situado no município de Cambará do Sul (RS). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 5658): Na Declaração, DITR/2001, a contribuinte informou uma área de 1.758,72 ha como sendo de Utilização Limitada, o que corresponde à totalidade da área do imóvel. A mesma alega estar, referida área isenta do imposto por estar enquadrada como área de utilização limitada e, apresenta cópia da Declaração do IBAMA (fl. 14), datada de 26/11/2003, a qual declara toda a propriedade como de "interesse ecológico". O Departamento de Recursos Naturais Renováveis declarou na Certidão de fl. 16 que o imóvel em questão está sujeito às limitações e proibições de uso impostas pela Lei Estadual n° 9.519/92, pelo Decreto Federal n° 750/93 e por legislação complementar por encontrarse localizado dentro da poligonal descrita como Mata Atlântica. O Departamento de Florestas e Áreas Protegidas da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do RS informou no documento de fl. 18 que o pedido da interessada para obtenção de licenciamento de manejo de floresta nativa no imóvel foi indeferido na modalidade requerida, e na Certidão de fl. 19 (extraída do processo n° 11020.003087/200497 relativo a DITR/2000), declarou que, no imóvel, fica proibida a exploração comercial de vegetação nativa e não, qualquer exploração, Fl. 809DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 793 3 conforme o disposto na lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 10, § 1°, inciso II, alínea "c", acima transcrito. Quanto ao fato de o imóvel rural estar localizado em uma área de proteção ambiental e que, mesmo que obrigatória por Lei a manutenção das florestas para fins de preservação ambiental, os efeitos tributários dessa isenção somente podem ocorrer se cumpridas as exigências regulamentares. As áreas de interesse ecológico não compõe a área tributável do imóvel para fins de apuração do ITR, conforme previsto no art. 10, parágrafo 1°, inciso II, de Lei n° 9.393, de 19/12/1996, anteriormente transcrito, porém, para a verificação desse enquadramento, é necessário uma manifestação específica de órgão público reconhecendo quais as áreas do imóvel se encontram nessa situação, isso por que a área de interesse ecológico tem seu uso restringido e não totalmente proibido, da mesma forma que pode não se estender ao total do imóvel. O fato de o imóvel estar enquadrado em uma zona maior onde há restrições de uso pelos proprietários não é suficiente para o reconhecimento de isenção para sua área total. Salientase que, essa declaração do poder público não é o ADA — Ato Declaratório Ambiental, apresentado pelo contribuinte. Como se depreende do § 1°, art. 2°, da Portaria Ibama n° 162, de 18/12/1997, a seguir transcrito, o ADA é um formulário preenchido pelo interessado, que assume inteira responsabilidade pelo que foi declarado, não se confundindo com o ato do poder público que declararia a área de interesse ecológico: (...) Segundo a contribuinte, o documento de folhas 09 e 10, protocolado junto ao Ibama em 13/01/1998, referese ao ADA — Ato Declaratório do Ambiental, exigido pelos dispositivos legais, embora não o tenha feito em formulário padrão. Somente em 26 de novembro de 2003, conforme documento de folha 14, houve a emissão do ato, pelo Ibama, de reconhecimento da área em questão como sendo de interesse ecológico (fl. 14). Segundo o Decreto n° 4,382, de 2002 — Regulamento do ITR, artigo 10, §3°, inciso II, abaixo transcrito, para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural devem estar enquadradas na hipótese de Interesse Ecológico em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR — para o exercício de 2001, em 1°/01/2001, o que, conforme anteriormente exposto, somente ocorreu em 26/11/2003, não sendo, neste caso, documento válido para comprovação da área declarada como de interesse ecológico na DITR/2001. (...) Conforme cópia da Certidão expedida pelo Registro de Imóveis de São Francisco de PaulaRS (fls. 22 e 23), constam as Fl. 810DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 794 4 averbações de números AV. 7/5.343 de 28 de setembro de 1981, com 850,00 ha e AV. 10/5.343 de 09 de dezembro de 1988, com 250,00 ha, gravados como de Utilização Limitada. Respectivas áreas são reconhecidas como devidamente comprovadas para fins de exclusão da tributação do ITR. Salientase que também foram aceitas no processo referente a DITR/1998, conforme Acórdão de n° 02.406 DRJ/CGE de 12/06/2003. Com base nas observações acima descritas, procedemos às devidas correções nos itens declarados incorretamente, afastando a tributação sobre a área de 1.100,00 ha e efetuando se a tributação sobre a área de 658,70 hectares. Portanto, a área de utilização limitada (de interesse ecológico) foi reduzida de 1.758,7 ha para 1.100,0 ha (fls. 45). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 524543, Volume III). Por sua vez, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 30238.970, que se encontra às fls. 670683 (Volume IV), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL DO IBAMA. O Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar improcedente o lançamento. Eis a conclusão do voto condutor desta decisão (fls. 683): Portanto, concluindo, há dois motivos para afastar a incidência do tributo, ambas decorrentes do comando legal expresso no parágrafo sétimo do artigo 10° da lei 9.393/96: a primeira, é a dispensa de apresentação de qualquer documento para obter a isenção e a segunda, é que o ônus probanti recai sobre a autoridade fiscal, que não logrou provar a inexistência fática das áreas de reserva legal e/ou de preservação permanente. Assim, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e lhe dar provimento. Fl. 811DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 795 5 Intimada do acórdão em 03/12/2007 (fls. 685), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 688689, sob o fundamento de que, enquanto a decisão tratou de área de preservação permanente, o lançamento envolve área de reserva legal ou, mais especificamente, área de interesse ecológico. Além deste equívoco, não se analisou o requisito relativo ao reconhecimento desta área por ato específico do órgão competente. Através do acórdão n° 30239.234 (fls. 693696, Volume IV), os embargos restaram rejeitados por unanimidade de votos, em razão dos seguintes fundamentos: Em verdade, o voto condutor em nada se relaciona com as provas produzidas pelo contribuinte, mas referese e fundamentase na ausência de prova por parte da autoridade fiscal. É meu entender, reproduzido no voto vencedor, que o fiscal somente poderia ter intimado o contribuinte a apresentar documentos ou provas dos dados informados na DITR, se houvesse previamente, ao menos, indício de falsidade ou erro nas informações constantes daquela declaração. Inexistindo o indício deste erro ou falsidade, não há como afastar a presunção favorável ao contribuinte e portanto não poderia o contribuinte ser intimado pela autoridade a comprovar algo que já conta com presunção de correção. Desta forma, VOTO para conhecer dos embargos de declaração interpostos, mas para negarlhes provimento. É como voto. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às fls. 700715, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Em sede preliminar, há de se levantar, uma vez mais, a nulidade do decisum primário; b) Vejase que, como bem externado por ocasião da interposição dos embargos declaratórios, a autuação fiscal objeto do presente processo se deu pela glosa das áreas de interesse ecológico. Esclareçase que tal glosa se deu pela não comprovação à época do fato gerador do tributo de que as áreas declaradas seriam, de fato, áreas de interesse ecológico; c) Conforme se verifica às fls. 670, a ementa do r. acórdão, bem como as decisões apresentadas no corpo do voto, tratam de julgados que analisam áreas de preservação permanente. Determinam que não se faz necessária a apresentação de ADA para comprovação das áreas de preservação permanente; d) Ocorre, porém, que o objeto da autuação fiscal nada diz a respeito das áreas de preservação permanente; Ao revés, constatase por simples leitura das fls. 45, bem como do relatório fiscal de fls. 52 e seguintes, que a autuação fiscal se deu com relação às áreas de interesse ecológico; Fl. 812DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 796 6 e) Nesse sentido, o v. acórdão primário encontrase eivado de nulidade, por imperativo lógico, haja vista que tratou de matéria estranha ao objeto do presente processo administrativo; f) Não é por demais lembrar que os requisitos para comprovação das áreas de preservação permanente são diversos daqueles necessários para a comprovação de áreas de interesse ecológico; g) Requer seja declarada a nulidade da decisão a quo, para que seja prolatada nova decisão que analise efetivamente a existência ou não das áreas de interesse ecológico; h) Considerando a prejudicial acima argüida, a comprovação da divergência jurisprudencial acabou se dando por duas searas; i) Se partirmos do pressuposto de que o acórdão ora recorrido, embora tenha dito que não se pode exigir comprovação de ato declaratório das áreas de preservação permanente, em verdade quis dizer que não se pode exigir comprovação de ato declaratório das áreas de interesse ecológico, temos como divergente o acórdão n° 30132.389; j) Vejase que este acórdão paradigma contraria frontalmente o decisum ora recorrido. Ele é preciso ao informar que, com relação às áreas de interesse ecológico, há a necessidade de ato declaratório específico para sua delimitação; k) Mais ainda, caso se remeta aos fundamentos esposados tanto no acórdão quanto da apreciação dos embargos declaratórios interpostos, fundamentos esses que entendem que o contribuinte não poderia ser intimado pela autoridade para comprovar algo, invertendo, assim, o ônus de prova, temos inúmeros julgados divergentes. Dentre eles os acórdãos nos 20600.082, 10614.086, 10194.562 e 1614.279; l) Tais julgados são unânimes ao informar que o ônus de prova é do contribuinte e que cabe à autoridade fiscal requisitar documentos necessários para a comprovação daquilo que fora declarado; m) Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. Tudo isso encontrase prescrito na Lei n° 9.393, de 1996, em seu artigo 10, § 1°, II, "h" e "c"; n) É de se lembrar ainda que para exclusão das áreas de interesse ecológico da incidência do ITR é necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio no prazo de até 6 (seis) meses, contados a partir do término do Fl. 813DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 797 7 prazo fixado para a entrega da declaração, que as áreas sejam declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que atendam ao disposto na legislação pertinente, conforme ditames da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1 °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de 2000, art. 1°; o) A lei dispõe ainda que o "cuidado" com a terra é de tal importância, que a vegetação das áreas de interesse ecológico não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento; p) No caso em apreço, toda a documentação apresentada pelo contribuinte informa que a declaração do poder público se deu apenas em 2003, não socorrendo, pois, a inexigibilidade do tributo à época da autuação fiscal, a saber o ano de 2001; q) Por esta razão, a inexistência do compromisso público de preservar as áreas assim como o compromisso extemporâneo não podem ter o condão de isentar o tributo anterior à respectiva anotação. Caso assim o fosse, nenhum efeito resultaria da medida de incentivo à conservação do meio ambiente, pois o proprietário da terra usaria o benefício da exclusão de tais áreas na apuração do ITR e Poder Público não teria qualquer garantia quanto à responsabilidade pela preservação, o que não ocorre quando da existência da averbação da área ou termo de compromisso estiverem devidamente registrados; r) Requer seja dado provimento ao presente recurso, mantendose desta forma a exigência fiscal. Por intermédio do Despacho n° 302.271 (fls. 717720, Volume IV) o recurso restou admitido, mas tãosomente com relação à necessidade ou não de ato declaratório específico para o reconhecimento de áreas de interesse ecológico, adotandose como paradigma o acórdão n° 30132.389. Em sede de contrarrazões apresentadas às fls. 730760, a contribuinte, devidamente representada, defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão de segunda instância, destacando que as autuações do ITR desta propriedade relativas aos exercícios 1998, 2000 e 2002, com idêntico objeto, restaram canceladas. É o Relatório. Fl. 814DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 798 8 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, exatamente nos termos da decisão proferida pela Presidente da Câmara recorrida às fls. 717720. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. A recorrente insurgiuse com a alegação preliminar de que a decisão seria nula, pois analisou matéria estranha aos autos. Quanto ao mérito, defendeu, basicamente, que a contribuinte deixou de apresentar o ato declaratório específico para o reconhecimento de áreas de interesse ecológico, motivo pelo qual a exigência deve prevalecer, invocando como paradigma o acórdão n° 30132.389. Eis as matérias em litígio. Inicialmente, entendo que não pode prosperar a preliminar suscitada pela recorrente, pois a decisão de segunda instância está devidamente fundamentada. Para ela, a regra do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, impede a manutenção do lançamento, na medida em que “... o fiscal somente poderia ter intimado o contribuinte a apresentar documentos ou provas dos dados informados na DITR, se houvesse previamente, ao menos, indício de falsidade ou erro nas informações constantes daquela declaração. Inexistindo o indício deste erro ou falsidade, não há como afastar a presunção favorável ao contribuinte e portanto não poderia o contribuinte ser intimado pela autoridade a comprovar algo que já conta com presunção de correção. (fls. 696). Podese até não concordar com tal conclusão, como, aliás, é a posição deste julgador. No entanto, sob minha ótica, inexiste a nulidade apontada, pois estão claras as justificativas para se considerar improcedente o auto de infração. Rejeito, pois, a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, que se relaciona com área de interesse ecológico, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 815DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 799 9 (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de interesse ecológico estão excluídas da base de cálculo do ITR. Para tanto, devem ser declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, bem como ter restrição de uso maior dos que as áreas de preservação permanente de reserva legal, cujos contornos estão estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001. Nos termos do artigo 16 da Lei n° 9.985/2000, que regulamenta o artigo 225, § 1°, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências: Art. 16. A Área de Relevante Interesse Ecológico é uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizálo com os objetivos de conservação da natureza. No caso, de acordo com o documento de fls. 0910, a interessada protocolou petição junto ao IBAMA no Estado do Rio Grande do Sul, em 13/01/1998, onde requereu a declaração de que a totalidade do imóvel em questão, com 1.758,72 hectares, é área de interesse ecológico. Através das petições de fls. 11 e 12, protocoladas junto ao IBAMA no Rio Grande do Sul em 22/03/2002 e em 27/01/2003, respectivamente, reiterou a pretensão expressa no requerimento de 1998. Em 19/03/2003, o IBAMA informou, através do Of. n° 128/2003 (fls. 13), “... que o processo protocolado sob n° 02023.00040/9823 e 000399/02, referente à solicitação de Declaração de Área de Interesse Ecológico encontrase em análise na Divisão técnica aguardando definição de normas para o embasamento da demanda e vistoria a propriedade.” Na seqüência, em 27/08/2003, o IBAMA declarou que (fls. 20): “Conforme Parecer Técnico n°011/2003DUC declaramos que a área apresentada como Fazenda Continental III, em Cambará do Sul, Rio Grande do Sul, está situada dentro da área protegida do polígono da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e parcialmente dentro da Unidade de Conservação da APA da Rota do Sol, sendo, portanto, área de interesse ecológico.” Fl. 816DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 800 10 Finalmente, em 26/11/2003, quase cinco anos após o pedido inicial, o IBAMA se manifestou nos seguintes termos (fls. 14): O INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS IBAMA, por sua GERÊNCIA EXECUTIVA NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, DECLARA, aos vinte e seis dias do mês de novembro do ano de dois mil e três, por iniciativa de seu proprietário, AGROPECUÁRIA CONTINENTAL S/A, de acordo com a lei n° 9.399 de 19/12/96, artigo 10°, e com base no processo n° 02023.00145/0321, a ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO, com 1758,72 hectares, de cobertura de florestal caracterizada como Floresta Ombráfila Mista pertencente ao Bioma Mata Atlântica, devidamente identificada na planta topográfica da propriedade anexa ao referido processo, denominada FAZENDA CONTINENTAL III, localizada no município de São Francisco de Paula, matriculado em 19/12/96, sob n° 14.892, livro 2CF, folha 175v, no Registro de Imóveis e Especiais da Comarca de São Francisco de Paula /RS. É inquestionável que o contribuinte possui um ato específico, emitido pelo IBAMA, reconhecendo a propriedade rural em questão, com 1.758,72 hectares, como área de interesse ecológico. A autoridade lançadora justificou a glosa parcial da área informada pela interessada em sua DITR/2001 (de 1.758,7 ha para 1.100,0 ha) no fato de que o documento fora expedido pelo IBAMA apenas em 26/11/2003, enquanto o fato gerador do tributo ocorreu em 01/01/2001 (fls. 57). Não posso concordar com tal posicionamento. O contribuinte não pode ser apenado pela morosidade do Poder Público. Desde janeiro de 1998, ou seja, aproximadamente três anos antes da ocorrência do fato gerador do tributo em tela, a empresa tentava obter a declaração de que sua propriedade era área de interesse ecológico. Portanto, em 01/01/2001, data do fato gerador do caso em questão, o imóvel rural do contribuinte, com 1.758,7 hectares, já era integralmente área de interesse ecológico, conforme restou reconhecido pelo IBAMA. Ainda que por fundamentos diversos, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Voto, pois, no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 817DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001822/200517 Acórdão n.º 920201.629 CSRFT2 Fl. 801 11 Fl. 818DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 11/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10730.013711/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. LEI N.º 8.852/1994.
TRIBUTAÇÃO.
“A Lei n.° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física” (Súmula CARF n. 68).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.291
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. LEI N.º 8.852/1994. TRIBUTAÇÃO. “A Lei n.° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física” (Súmula CARF n. 68). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 40DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10730.013711/200819 Acórdão n.º 210101.291 S2C1T1 Fl. 34 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente justificadamente o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 30/31) interposto em 1º. de outubro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) (fls. 25/27), do qual o Recorrente teve ciência em 4 de setembro de 2009 (fl. 28), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 04/06, lavrado em 1º de setembro de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, verificada no anocalendário de 2006. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto n. 70.235, de 1972, art. 17). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 25). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 30/31), pedindo a reforma da decisão recorrida, para cancelar a notificação de lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10730.013711/200819 Acórdão n.º 210101.291 S2C1T1 Fl. 35 3 Tendo em vista que o Recorrente não se insurgiu contra a parte do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, a controvérsia gira exclusivamente em torno da tributação da verba intitulada “adicional por tempo de serviço”, recebida pelo contribuinte. Entende o Recorrente que a Lei n.º 8.852/94 impede expressamente a tributação do “adicional por tempo de serviço” pelo imposto de renda, tendo em vista a redação de seu artigo 1º, inciso III, alínea “n”: “Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço”. Ocorre que este tribunal administrativo tem entendido que referida lei não institui qualquer isenção do imposto de renda, mas tãosomente regula a estrutura remuneratória do Poder Público, discriminando os tipos de recebimentos dos funcionários/servidores públicos. Nesse sentido, dentre outros inúmeros julgados, pode ser citado o seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2003 RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTOS NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO DO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E DA GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei n° 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço.” Fl. 42DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10730.013711/200819 Acórdão n.º 210101.291 S2C1T1 Fl. 36 4 (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão 210200.736 de 28/07/2010) Esse entendimento está cristalizado na Súmula n.º 68 deste tribunal administrativo, que tem a seguinte redação: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.”. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 43DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000282/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL
O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei.
AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição
indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há cerceamento de defesa quando, o Lançamento foi lavrado em
observância ao artigo 37 da Lei nº 8212/91, bem como o artigo 142 do Código Tributário Nacional, eis que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, e seus anexos, discriminam claramente, o fato gerador das contribuições apuradas, os períodos a que se referem e os fundamentos legais que sustentam o lançamento.
Numero da decisão: 2401-002.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos às competências 05/98, 06/98 e 07/98. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há cerceamento de defesa quando, o Lançamento foi lavrado em observância ao artigo 37 da Lei nº 8212/91, bem como o artigo 142 do Código Tributário Nacional, eis que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, e seus anexos, discriminam claramente, o fato gerador das contribuições apuradas, os períodos a que se referem e os fundamentos legais que sustentam o lançamento.
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AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há cerceamento de defesa quando, o Lançamento foi lavrado em observância ao artigo 37 da Lei nº 8212/91, bem como o artigo 142 do Código Tributário Nacional, eis que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, e seus anexos, discriminam claramente, o fato gerador das contribuições apuradas, os períodos a que se referem e os fundamentos legais que sustentam o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos às competências 05/98, 06/98 e 07/98. Vencido(a)s Fl. 278DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Magalhães de Oliveira. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000282/200792 Acórdão n.º 240102.065 S2C4T1 Fl. 269 3 Relatório Retornam os autos, após diligência requerida pela então 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. Tratase de crédito lançado pela fiscalização que, de acordo com Relatório Fiscal de folhas 38, referese a contribuições sociais devidas pela notificada, destinadas à Seguridade Social, correspondentes às contribuições dos segurados, da empresa e para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, devidas em função da responsabilidade solidária com as contribuições da empresa SEBASTIÃO RODRIGUES DA COSTA Informa o Relatório Fiscal que a presente notificação substitui a de n° 353562416, declarada nula pela I autoridade julgadora de primeira instância por vicio formal, conforme DN nº 08.401.4/0237/2002. Segundo o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, a ocorrência da prestação de serviços, por empresa cedente de mãodeobra, através de segurados empregados, que executaram serviços à tomadora, cujas remunerações estão contidas no valor das notas fiscais de prestação de serviços, devidamente identificadas e relacionadas em planilha denominada ANEXO I – PLANILHA DE FATOS GERADORES (RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO)"; Informou o referido relatório fiscal que a empresa notificada não se elidiu da responsabilidade solidária prevista no artigo 30 inciso VI da Lei n° 8212/91 e artigo 42 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social —ROCSS aprovado pelo Decreto n°356, de 07/12/1991, com nova redação dos Decretos 612/92 e 2.173/97, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, exigindo das prestadoras de serviços, os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias e respectivas folhas de pagamento para todas as competências das emissões das notas fiscais ou faturas, "ANEXO I" integrante à presente notificação, tornando assim responsável solidariamente pelos recolhimentos das mesmas. Os salários de contribuição contidos em notas fiscais de serviços, foram apurados de acordo com a OS/INSS/DARF/051/92, mediante a aplicação do percentual de 40% sobre o montante do serviço contido nas referidas notas fiscais. Tempestivamente, a empresa contratante apresentou sua impugnação (fls. 44 55, juntando aos autos ao documetnos às fls. 56/68, requerendo sua nulidade ou improcedênci a do lançamento. Em face das alegações da impugnante, a Seção de Análise de Defesas e Recursos, da Secretaria da Receita Previdenciária em Goiânia/GO proferiu despacho nº 08401.4/00285/2004, às fls. 72/73, solicitando esclarecimentos de alguns itens constantes do Relatório Fiscal, que se mostram contraditórios, devendo tais contradições serem sanadas mediante emissão de Relatório Fiscal Complementar. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Bem assim, os fundamentos legais enunciados no item 2.2 também merecem melhor elucidação. E ainda, que deverá ser excluído dos itens 2.3 e 2.2.1.1 do Relatório Fiscal a referência à OS/INSS/DARF n° 51/92 pois tal dispositivo não mais vigorava na época de ocorrência dos fatos geradores e efetivamente não foi utilizado para apuração dos salários de contribuição. Solicita, ainda, que seja efetuada a verificação da documentação anexada pela contratante a fim de constatarse se realmente foram efetuados os recolhimentos devidos assim como no contacorrente da contratada e se esses casos existentes, deverão ser apropriados nas respectivas competências. Foi elaborado Relatório Fiscal Complementar, às fls. 75/76 em que a autoridade fiscal notificante justifica que ao analisar o contrato e aditivos (fis. 77/156), apresentados pela notificada, chegouse a conclusão que tratase de "Contrato de Empreitada", retificou os subitens 2.1, 2.2, 2.3 e 2.3.1.1 do Relatório Fiscal (fls 38/41), deverão ser substituídos pelos subitens 2.1,1 2.2, 2.3 e 2.3.1.1, logo abaixo: "2.1 A ocorrência de prestação de serviços por empresa do ramo de construção civil, que executou parte da obra por empreitada, e cujas remunerações estão contidas no valor das notas fiscais, devidamente identificadas e relacionadas em planilha denominada "ANEXO I —PLANILHA DE FATOS GERADORES (RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO)"; "2.2 A empresa notificada não se elidiu da responsabilidade solidária prevista no artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97 c/c o artigo 124, inciso I, do CTN, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, em decorrência de não ter exigido da empresa contratada os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias e respectivas folhas de pagamento para todas as competências das emissões das notas fiscais ou faturas, relacionadas no "ANEXO I" integrante presente notificação, tomando assim responsável solidariamente pelos recolhimentos da mesma. As referidas folhas de pagamento passaram a ser exigidas a partir da competência 03/97, com a vigência do Decreto No. 2.173, de 05/03/97". "2.3 Os saláriosdecontribuição contidos em notas fiscais de serviços, foram apurados de acordo com a OS/INSS/DAF/165/97, de II de julho de 1997, publicada no DOU no. 140 de 24 de junho de 1997— Vigência de 01/08/97 a 12105/2000, conforme a natureza dos serviços:" "2.3.1.1 Os saláriosdecontribuição contidos em notas fiscais de serviços, foram apurados com fidcro nos seguintes dispositivos legais: Item 31 e respectivos subitens da OS/INSS/DAFt/19 615/ de 11/07/1997. Intimado, o contribuinte apresentou aditamento à defesa(fls. 179/172). A Prestadora de Serviços, apesar de regularmente intimada, não apresentou manifestação. A Secretaria da Receita Previdenciária em Goiânia/GO, por meio da Decisão Notificação n° 08.401.4/0075/2006, julgou procedente o lançamento, ementando, assim, sua decisão: CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTRUÇÃO CIVIL RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RELATÓRIO FISCAL. BENEFÍCIO DE ORDEM. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000282/200792 Acórdão n.º 240102.065 S2C4T1 Fl. 270 5 O dono da obra, a construtora e a subempreiteira respondem solidariamente pelas contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados que laboraram na obra O relatório fiscal, parte integrante da notificação fiscal de lançamento de débito, é documento válido pára identificação do sujeito passivo; Nos termos da Lei, não se aplica o benefício de ordem na constituição do crédito previdenciário lançado com base na responsabilidade solidária. Não há cerceamento de defesa se as falhas detectadas durante a instrução do processo são sanadas antes do julgamento, com cientificação e reabertura de prazo ao sujeito passiva ) LANÇAMENTO PROCEDENTE Contra a decisão, a empresa contratante interpôs recurso a este Conselho, alegando a nulidade absoluta da decisão notificação, pois que afronta o direito, afronta o bom censo, afronta a verdade dos fatos, confirma o que se disse nas impugnações; que o INSS desrespeitou o Parecer MPAS/CJ n°2376/2000. Alegou falta de motivação, clareza e transparência no lançamento. Na informação fiscal o autor da notificação afirma que os serviços prestados não estão enquadrados nos previstos no ANEXO I da OS/INSS/DAF n° 165, condição necessária para a elisão da responsabilidade solidária..." mas não explica porque chegou a essa conclusão e não informa a natureza dos serviços; que inutilmente, longa e genericamente a decisão transcreve normas administrativas sem correlacionalas especificamente aos fatos que ensejam a apuração do débito; Alegou, ainda, que os argumentos despendidos nas impugnações anteriores, até agora, ou foram ignorados ou foram apreciados de forma equivocada pelo fisco. Na esperança de que sejam analisados em via recursal pelo Colendo Conselho de Recursos, pede se que todas as impugnações anteriores sejam consideradas como partes integrantes deste recurso. Desta forma, em decorrência dos comprovados erros de direito e de fato, requerse a improcedência ou a declaração de nulidade de todo valor apurado como crédito tributário, ou, caso o Colendo Conselho entenda de ultrapassar as preliminares argüidas, requerse a exclusão dos valores relativos às competências que apresentam recolhimento, considerando o item 21 da OS 165/97, que prevê a elisão da responsabilidade solidária pela apresentação do conta corrente do prestador de serviços nas e competências em que foram prestados os serviços e o seu subitem 39.1 que inclui o serviço de pintura entre os de natureza específica. Intimada para recorrer, a Prestadora de Serviços não se manifestou. Houve depósito recursal obrigatório, nos termos da legislação em vigor A Secretaria da Receita Previdenciária em Goiânia/GO ofereceu contrarrazões. Estes autos foram objeto de apreciação pela 6ª Câmara do então 2º Conselho dos Contribuints que, por meio da Resolução nº 20600.074/2007, converteu o julgamento em Fl. 282DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 diligência, para que a para que a autoridade lançadora informasse, em relação ao período objeto desta notificação, se a empresa prestadora de serviços já sofreu fiscalização total (com contabilidade) ou parcial; se há lançamentos referentes ao período considerado no Tomador, se aderiu a parcelamentos especiais, se tem CND de baixa já emitida e se está incluído no regime de tributação diferenciado SIMPLES. A diligência foi cumprida, e, de acordo com a Inforamção Fiscal de fls. 224, a autoridade lançadora informa que empresa não foi submetida à fiscalização da Receita Federal do Brasil até a presente data; Que em consultas aos sitemas informatizados, verificouse que: Há lançamento (recolhimento) no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) da Contratada relativo as competências 05/98, 06/98 e 07/98, abrangendo apenas parte do período de apuração. Período total: 01/98, 02/98,05/98 a 08/98, 10/98 a 12/98; Não foram encontrados Parcelamentos Especiais em nome da empresa Contratada; Não foi encontrada CND emitida para a empresa; Que a empresa Contratada não aderiu ao regime de tributação diferenciado do SIMPLES até a presente data; É o Relatório. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000282/200792 Acórdão n.º 240102.065 S2C4T1 Fl. 271 7 Voto Conselheira Cleusa Vieria de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidde, o recurso merece ser conhecido. Em sede de preliminar o Recorrente alega falta de clareza e confusão do Relatório Fiscal, nesse sentido importa esclarecer que as falhas apontadas foram sanadas, conforme se verifica do Relatório Fiscal Complementar (fis. 75/76) e a Informação Fiscal (fls. 161). O que faz com que restasse demonstrado de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. A lavratura da Notificação Fiscal deveuse ao INSTITUTO DA SOLIDARIEDADE, sendo as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados utilizados na prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, apuradas por aferição indireta a partir dos valores das notas fiscais, aplicandose os percentuais contidos na legislação previdenciária, uma vez que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela fiscalização que serviria para elidir sua responsabilidade ou compor a base de cálculo das contribuições ora lançadas por arbitramento conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório Fiscal. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência em sua plenitude, aduzindo para tanto que, antes de lavrar a presente notificação contra a recorrente, o fisco previdenciário, a partir de seus sistemas informatizados, aparelhamentos e poder de polícia, deveria ter procurado verificar junto a prestadora de serviços se efetivamente existem os débitos ora lançados, com o fito de se evitar o bis in idem. Em detrimento à argumentação da contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância, achou por bem não acolher o pedido de diligência, mantendo integralmente a exigência fiscal em comento, sob o argumento de que caberia à recorrente, na condição de contratante dos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias com documentação hábil e idônea. Com o entendimento de que cabe a autoridade lançadora ao promover o lançamento buscar a realidade dos fatos para que a notificação fiscal não esteja apoiada em simples presunções, devendo para tanto dispensar esforços com o fito de evitar a cobrança em duplicidade das contribuições previdenciárias, sobretudo quando sua exigência decorre do instituto da responsabilidade solidária, e que, nada mais justo e/ou correto que o fiscal autuante, antes de lançar as contribuições previdenciárias por responsabilidade solidária, procure saber se a empresa prestadora de serviços já fora fiscalizada ou se existe algum parcelamento, CND de baixa ou recolhimento em relação período objeto do lançamento, mormente quando o fisco dispõe de muito mais condições para assim proceder do que os contribuintes, o primeiro julgamento foi convertido em diligência. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Com isso, retornam os autos com as informações de que a empresa não foi submetida a nenhuma fiscalização e que em pesquisa aos sistemas informatizados, verificouse que: Há lançamento (recolhimento) no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) da Contratada relativo as competências 05/98, 06/98 e 07/98, abrangendo apenas parte do período de apuração. Período total: 01/98, 02/98,05/98 a 08/98, 10/98 a 12/98; Não foram encontrados Parcelamentos Especiais em nome da empresa Contratada; Não foi encontrada CND emitida para a empresa; Que a empresa Contratada não aderiu ao regime de tributação diferenciado do SIMPLES até a presente data. Com relação às alegações da recorrente acerca da responsabilidade solidária, na construção civil, clara é a possibilidade legal nesse sentido. Conforme destacado no art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Assim, descreve o texto legal: Art. 30 (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; LEI 8212/91 Artigo 30 inciso VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. Decreto 612 de 21/07/92 Art. 42. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000282/200792 Acórdão n.º 240102.065 S2C4T1 Fl. 272 9 • § 1° A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma estabelecida pelo INSS. Decreto 2173 de 05/03/97 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1° A responsabilidade solidária somente será elidida, se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. §2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimentos distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra,quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da_guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifamos) §3° Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Destarte, entendo que ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, abriu o legislador a possibilidade de a autoridade previdenciária cobrar a satisfação da obrigação de qualquer das solidárias. A constituição do crédito pode ocorrer tanto no prestador como no tomador de serviços e, no presente caso, restou comprovado que a empresa prestadora do serviço não foi submetida a nenhuma fiscalização e que em pesquisa aos sistemas informatizados, não foram encontrados Parcelamentos Especiais em nome da empresa Contratada; não foi encontrada CND emitida para a empresa e que não aderiu ao regime de tributação diferenciado do SIMPLES até a presente data.Deitando por terra, qualquer arguição de nulidade nesse sentido. Aliás, mesmo que assim não fosse, tal questão foi, inclusive, objeto de apreciação pelo Conselho Pleno do CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social que detinha a competência para julgar os casos da espécie, a qual foi transferida para o Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Por meio do Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº. 1, de 31 de Janeiro de 2007, publicada no DOU de 05/02/2007, o CRPS assim decidiu: “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” O lançamento foi efetuado pelo fato da recorrente haver contratado a prestadora de serviços e não haver apresentado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária em todas as competências, quais seja, cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante. Contudo, há que se esclarecer que, em cumprimento da diligência deste colegiado, constatouse que a empresa prestadora dos serviços, houvera procedido o recolhimento das contribuições relativas à competências 05/98, 06/98 e 07/98, devendo, por isso, os valores relativos às referidas contribições serem exlcluídas do lançamento. Como a ação fiscal foi realizada na tomadora, a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, tomando por base as notas fiscais de serviços emitidas pela prestadora, em procedimento previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8212/1991, que dá à auditoria fiscal a prerrogativa de ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Assim, vale ressaltar que a NFLD em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que o fisco previdenciário constituiu o presente crédito de acordo com o que determina o art. 37 da Lei n°. 8.212/91, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, cabendo ressaltar que sé trata de procedimento de natureza indeclinável por parte do AFPS notificante, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art.142, parágrafo único, do CTN Dessa maneira, entendo que os argumentos apontados pelo recorrente são insuficientes para desconstituir o lançamento. Pelo exposto: VOTO sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de excluir do lançamento, os valores relativos às competências 05/98, 06/98 e 07/98. Cleusa Vieira de Souza Fl. 287DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000282/200792 Acórdão n.º 240102.065 S2C4T1 Fl. 273 11 Fl. 288DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 12045.000613/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei
nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999.
Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio
princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre a remuneração de pessoas físicas que a fiscalização entendeu tratarem-se de segurados empregados e, ainda, da apuração de diferenças de contribuições pagas a segurados empregados que constavam na folha de pagamentos, bem como divergências, a maior, entre salários de contribuição
constantes da folha de pagamentos e os informados em GFIP.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando-se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros.
Os documentos constantes nos autos, especificamente no Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 04/29), Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 82/112) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 113/144), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em agosto de 2004, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 07/1999 encontravam-se
fulminados pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre a remuneração de pessoas físicas que a fiscalização entendeu tratarem-se de segurados empregados e, ainda, da apuração de diferenças de contribuições pagas a segurados empregados que constavam na folha de pagamentos, bem como divergências, a maior, entre salários de contribuição constantes da folha de pagamentos e os informados em GFIP. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando-se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 04/29), Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 82/112) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 113/144), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em agosto de 2004, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 07/1999 encontravam-se fulminados pela decadência. Recurso especial negado.
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NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre a remuneração de pessoas físicas que a fiscalização entendeu trataremse de segurados empregados e, ainda, da apuração de diferenças de contribuições pagas a segurados empregados que constavam na folha de pagamentos, bem como divergências, a maior, entre salários de contribuição constantes da folha de pagamentos e os informados em GFIP. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 04/29), Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 82/112) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 113/144), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em agosto de 2004, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 07/1999 encontravamse fulminados pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 24/01/2012 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12045.000613/200794 Acórdão n.º 920201.924 CSRFT2 Fl. 346 3 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2402 00.858, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção em 08/06/2010 (fls. 275/278), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 282/318). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, nas preliminares, deu provimento parcial ao recurso, para que seja reconhecida a decadência das contribuições apuradas até a competência 07/1999, anteriores a competência 08/1999, pela regra expressa no §4º, art. 150 do CTN; nas preliminares, deu provimento ao recurso, para declarar a nulidade do lançamento, por vício material, quanto às rubricas CEE e CEP posteriores a 07/1999; no mais, manteve a exigência fiscal. Segue abaixo sua ementa: “DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN. Ê de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. LANÇAMENTO. ENQUADRAMENTO. NULIDADE. ERRO MATERIAL.OCORRÊNCIA. Deve o auditor fiscal, quando da formalização do lançamento, indicar pormenorizadamente no relatório fiscal todos os elementos de fato que o levaram a efetuar o enquadramento de autônomo como segurado empregado, demonstrando inequivocamente e de forma cumulativa, a presença da onerosidade, habitualidade, pessoalidade e subordinação, de forma a não restarem dúvidas sobre a legitimidade e fundamentação do procedimento levado a efeito, sob pena de nulidade. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes 6 cabível a cobrança de juros de mo com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribui96 administrados pela Secretaria da Receita Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Inicialmente, a recorrente apresenta paradigma em foi perquirido, conforme levantamentos e competências especificamente considerados, em quais houve ou não recolhimentos efetuados antecipadamente pelo contribuinte, conforme os documentos colacionados ao feito pelo Fisco Previdenciário, sobretudo com base no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, para fins de se aferir qual seria a regra jurídica aplicável — artigo 150, § 4º ou artigo 173, inciso I, do Código Tributário. Destaca que a decisão recorrida, por outro lado, aplicou para todas as competências e levantamentos o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, passando ao largo de Fl. 362DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 quaisquer considerações acerca de que em alguns levantamentos e competências não ocorreu a antecipação de pagamento ali consignada. Em seguida, observa que o v. acórdão ora guerreado decreta uma nulidade do auto de infração sem a comprovação de prejuízo. Considera patente o fato de que o contribuinte, apesar da alegação de deficiência nos elementos fáticos do lançamento das contribuições previdenciárias, demonstrou ter pleno conhecimento do crédito tributário devido, tendo apresentado as defesas durante o trâmite processual, em que se inserem a Impugnação e o Recurso Voluntário. Nesse sentido, sustenta que divergiu o Colegiado do entendimento perfilhado pelo paradigma que apresenta, onde se refutou por inteiro a possibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief), especificamente no que se refere à descrição deficiente do fato gerador. Finalmente, destaca que o acórdão recorrido entendeu que a ausência da descrição completa e clara no auto de infração do fato gerador apurado pela Fiscalização impõe a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Cita paradigma que, ao analisar situação idêntica, entendeu que a incompleta descrição do fato gerador não gera a nulidade do lançamento por vicio material, principalmente se o contribuinte impugnou o lançamento de forma minuciosa, inclusive acerca das questões de mérito (não só preliminares). No mérito, explica que, ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade por homologação, não ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo apurado, para aferição do prazo decadencial, deverá ser aplicada a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da constatação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação na espécie. Entende que a constatação de que ocorreu o recolhimento antecipado do tributo deve derivar de provas carreadas aos autos e não advir de mera presunção por parte do julgador e que o ônus da prova do pagamento é do contribuinte. Considera que não há nos autos qualquer prova no sentido de que o contribuinte tenha procedido ao regular recolhimento das contribuições previdenciárias objetos do presente lançamento. Por outro lado, destaca que a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por vicio insanável, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ademais, pondera que a deficiência na exteriorização das razões de fato que levaram a autoridade fiscal a lançar o credito tributário, por ausência de recolhimentos relativos às diferenças de contribuições sociais, eis que reconhecido o vinculo empregatício, vicio apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. Explica que não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12045.000613/200794 Acórdão n.º 920201.924 CSRFT2 Fl. 347 5 demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram. Já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. No caso em debate, diz que o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente. Tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo. Portanto, vicio de forma. Ao final, requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 2400249/2010 (fls. 319/323), foi dado seguimento parcial ao pedido em análise, no que diz respeito à primeira e terceira divergências arguidas. Cientificado em 25/11/2010 (fl. 327), o contribuinte apresentou contrarazões (fls. 328/342) fora do prazo regimental (consoante protocolo de fl. 328, em 23/12/2010). Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito à natureza do vício que acarretou a nulidade do lançamento. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação Clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." Tenho me posicionado no sentido de que nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12045.000613/200794 Acórdão n.º 920201.924 CSRFT2 Fl. 348 7 “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – DÉBITO NORMAL SEGURADOS EMPREGADOS – CARACTERIZAÇÃO DEFICIENTE LANÇAMENTO ARBITRADO. Para que o crédito tributário seja constituído com base na caracterização de segurado empregado, é necessário que os elementos caracterizadores do vínculo empregatício fiquem devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. A falta da exposição clara e precisa dos elementos citados acima dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal. A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do crédito. Ocorrência de vício de natureza material.” (2ºCC/6ª C – Ac. 20601817 – Rel. Elias Sampaio Freire) Outro aspecto a ser enfrentado diz respeito a divergência jurisprudencial apresentada pela Fazenda Nacional, no sentido de que a Câmara prolatora do acórdão recorrido entendeu que a insuficiente descrição dos fatos que ensejaram a autuação fiscal é bastante para a nulidade, por vício material, do lançamento. Desconsiderou, no entanto, a inexistência de prejuízo ao contribuinte. Destaca que o v. acórdão ora guerreado mostrase dissonante da jurisprudência majoritária na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. Por diversas vezes neste colegiado tenho me manifestado no sentido de que quando estamos diante de um vício formal e inexiste prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa, a nulidade não deve ser declarada, de acordo com o princípio pas de nullité sans grief: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Mesmo que estejamos diante de um vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso Especial Provido (2ª Turma CSRF – Ac. 920201609 – Rel. Elias Sampaio Freire) Entretanto, no presente caso, o vício existente no lançamento é de natureza material e não de natureza formal, conforme demonstrado alhures. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Por certo, quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Nestes casos, há que se ter em mente a noção de prejuízo ao sujeito passivo; somente quando o lançamento, enquanto ato declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito fiscal, conduzir a um efetivo prejuízo ao contribuinte terse á como conseqüência a nulidade por vício formal. Por outro lado, cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. Destarte, a declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12045.000613/200794 Acórdão n.º 920201.924 CSRFT2 Fl. 349 9 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre a remuneração de pessoas físicas que a fiscalização entendeu trataremse de segurados empregados e, ainda, da apuração de diferenças de contribuições pagas a segurados Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 empregados que constavam na folha de pagamentos, bem como divergências, a maior, entre salários de contribuição constantes da folha de pagamentos e os informados em GFIP. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 04/29), Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 82/112) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 113/144), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em agosto de 2004, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 07/1999 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001279/2004-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano calendário:2001
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.760
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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FISCAL PERC Recorrente BANCO ALFA DE INVESTIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Substituta (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polancyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva 2 Relatório Na DIPJ do exercício de 2002, anocalendário de 2001, a empresa informou os seguintes valores destinados ao FINAM: R$ 122.769,30, opção via DARF (fls. 13) e R$ 233.523,02, valor normalizado (fls. 14 e 319). Em 15/05/2004,, a Secretaria da Receita Federal expediu o EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS (fls.25), com a liberação apenas do valor de R$ 122.769,30 e informando que a contribuinte encontravase com débitos de tributos e contribuições federais e/ou com irregularidades cadastrais (Lei 9.069/96, artigo 60). Em 23/09/2004, a empresa protocolou o pedido de revisão de emissão de incentivos fiscais – PERC (fls. 02), em razão de não haver sido emitido o certificado de incentivos destinado ao Finam conforme parcela do IRPJ e informado na DIPJ/02, relativa ao anocalendário de 2001. Pelo extrato de fls.25, o referido certificado não foi emitidos em razão de contribuinte em estar com débitos de tributos e contribuições federais e/ou irregularidades cadastrais. No Despacho Decisório de 17/03/2006 (fls. 335 a 337), a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo, indeferiu o pedido sob a alegação:de que, naquela data a empresa não atendia as exigências contidas no artigo 60 da Lei nº 9.069/95,ou seja, quitação de tributos e contribuições federais pois, : após consultas ao CADIN e os registros de regularidade mantidos pela SRF, PGFN e CEF/FGTS (fls. 323/334), constatouse o seguinte: A mais a recente certidão quanto aos débitos de tributos e contribuições federais emitida em nome do interessado foi a certidão 'conjunta PGFN/SRF do tipo "positiva" datada de 17/01/2006 (f1.326); a mais recente CND emitida pela SRF encontrase vencida desde 16/10/2001 (fl.327) e é irregular a situação do interessado junto à este órgão (fls.328;3311333); é irregular a situação do contribuinte junto à PGFN (fl.334); impedindoo de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação prevista na legislação transcrita: Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo 110 ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou • jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Cientificada do Despacho em 29 de março de 2006 (fls.339), apresentou Manifestação de Inconformidade em 19 de abril de 2006, alegando: Processo nº 16327.001279/200438 Acórdão n.º 1801000.760 S1TE01 Fl. 496 3 I – de acordo com a legislação vigente para o anocalendário de 2001, optou, por meio de indicação na DIPJ, por aplicar parte do IRPJ para o FINAM; II – por não ter havido a ordem de emissão para o FINAM, protocolou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais; III – com fundamento em supostas irregularidades na sua situação fiscal, o pedido foi indeferido; IV – que não possui quaisquer pendências que impossibilitem a concessão dos incentivos fiscais; V – a decisão é equivocada, não servindo de fundamento suficiente para obstar o deferimento total do PERC; VI – que procura manter constantemente a regularidade perante todos os órgãos, mas não depende só de iniciativas dela contribuinte pois na maioria das vezes, as correções dependem dos próprios órgãos do governo e as vezes é obrigado até a recorrer ao poder judiciário para ter a sua situação regular. VII a última certidão positiva com efeitos de negativa foi emitida em 07/04/2005 com validade até 07/10/2005 (doc. 02) e só não foi renovada a tempo devido a necessidade do ingresso em juizo para provar que o único processo que impedia a sua renovação (PAES) foi pago integralmente conforme em seguida será melhor demonstrado. VIII Os supostos débitos (fls. 328), processos fiscais em cobrança cadastrados no sistema PROFISC, já foram objeto de esclarecimentos para que os mesmos ganhem novamente a condição de suspensos ou de extinção quando foram iniciados os procedimentos de renovação da respectiva Certidão conjunta SRF/PGFN, e detalha a situação de cada processo; IX , Os supostos débitos em cobrança no sistema SIEF (fls.331/333), foram todos recolhidos dentro do prazo legal, porém estes créditos não estavam alocados no sistema SIEF, sendo que após a remessa da cópia dos DARF's ao CAC Centro de Atendimento ao Contribuinte os mesmos foram extintos quando foram iniciados os procedimentos de renovação da respectiva Certidão conjunta SRF/PGFN. X – Resta claro que a Recorrente não pode ser penalizada com a perda dos incentivos fiscais decorrentes dos processos cadastrados nos sistemas PROFISC e SIEF, uma vez que ficou demonstrado que os mesmos deverão continuar com a exigibilidade suspensa ou extintos. Acrescentase ainda que a Receita Federal somente colocou os respectivos processos em cobrança recentemente, cobranças essas frisese, relativas a períodos de apuração posteriores aos da opção Pelo incentivo fiscal. XI Por fim quanto às supostas irregularidades junto à PGFN fls. 334, as mesmas encontramse com a exigibilidade suspensa, inclusive tramita junto ao Poder Judiciário o MS n°. 2005.61.00.0125464 (doc. 05), visando justamente à expedição da Certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa onde é demonstrada à improcedência de cada uma das mencionadas inscrições. 4 XII Importante pontuar que, seja pela existência de constantes movimentações junto aos sistemas da SRF de supostos débitos que são prontamente demonstrados como indevidos pela Recorrente, seja pela existência de inscrições indevidas enviadas ã PFN cujas análises encontramse pendentes junto ao poder judiciário, à época dos fatos (anocalendário 2001) não havia crédito exigível; XIII Antes de analisar a regularidade fiscal no presente caso, cumpre à Recorrente insurgirse contra o procedimento adotado pela Administração Tributária para a averiguação da situação fiscal do contribuinte. XIV Nesse sentido, a análise teleológica e sistêmica da legislação impõe a necessidade de verificação das pendências existentes à época da opção pelo Incentivo Fiscal em comento, e não em qualquer momento, ou melhor, no Momento em que mais lhe interessar como vem procedendo a Administração Tributária. XV Com efeito, a legislação que trata da concessão dos Incentivos Fiscais prevê é a necessidade de regularidade fiscal do optante mas não especifica qual o exato momento em que deve ser verificada essa regularidade, dando ensejo à Administração Tributária esquivarse da análise do pedido por vários anos, até que haja alguma irregularidade para que possa sumariamente indeferir um direito conferido legalmente ao contribuinte. XVI Nesse caso não há que se falar em cumprimento estrito da legislação, haja vista não ser outro o objetivo da Lei que não o da verificação da regularidade fiscal do contribuinte à época da • opção pelo Incentivo Fiscal.Essa óbvia conclusão restringe os órgãos julgadores da Administração Tributária de procederem a análise da intenção do legislador ordinário sob outro prisma, como vem reiteradamente acontecendo. Ora, como já anteriormente mencionado, o imposto de renda que deu ensejo à concessão do incentivo fiscal foi Integralmente recolhido aos cofres da Fazenda Nacional XVII Assim, verificase que a utilização, pela Administração Tributária, de débitos surgidos em momentos posteriores aos da opção pelo •beneficio fiscal pretendido, não obstante essa condição não esteja prevista na legislação, fere o principio da moralidade administrativa na medida em que permite à Administração Tributária eleger o momento que lhe seja mais conveniente para analisar, e consequentemente indeferir, quaisquer Pedidos de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC, dado que quanto maior é a demora para a sua análise, infinitas são as possibilidades para o seu indeferimento. XVIII Com efeito, no presente momento o Recorrente possui todas as certidões vigentes. INSS, CEF/FGTS, inclusive a Certidão Conjunta PGFN/SRF Positiva com Efeitos de Negativa, cujas cópias anexamos ,docs. 06, 07 e 08 (fls. 418, 419 e 420). XIX Ora, se a finalidade do PERC é o de conceder um Incentivo fiscal aos contribuintes que estejam em situação fiscal regular, neste momento o Recorrente encontrase em situação regular, devendo o pedido ser deferido. Pede provimento à Manifestação de Inconformidade e o deferimento do Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais –PERC. Em sessão de 27 de abril de 2007, a 8ª Turma da DRJ/SPOI, indeferiu a solicitação no Acórdão 1613.215, assim ementado (Fls. 424/439): Processo nº 16327.001279/200438 Acórdão n.º 1801000.760 S1TE01 Fl. 497 5 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou • reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. “tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido.” A DRJ entende que existem dois momentos em que autoridade administrativa pode conceder o benefício: o momento em que ocorre o processamento eletrônico de dados (emissão do “Extrato das aplicações em incentivos fiscais” pela Secretaria da Receita Federal) e o da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais – PERC.E mais, entende a DRJ que o PERC é um procedimento regulado em normas de execução exarada pela SRF, o qual cria uma nova possibilidade de concessão do benefício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Hipótese em que o contribuinte recebeu o extrato sem as opções efetuadas ou com divergências. • Hipótese em que o contribuinte não recebeu o extrato, mesmo tendo feito a opção na declaração de rendimentos. Para a DRJ se o contribuinte lograr comprovar na data do Despacho Decisório que não havia débito em aberto, a decisão deve ser reformada. Ao analisar a situação de cada processo da Recorrente, a DRJ fez constar no voto do Acórdão que indeferiu a solicitação: II. Da manifestação de inconformidade Passamos a análise da situação concreta do presente caso, a partir das conclusões explicitadas no tópico anterior, ressaltando que a Manifestante anexou documentação com a intenção de demonstrar que as irregularidades apontadas pela autoridade administrativa eram improcedentes na data do despacho decisório. 11.2.1. Processo n° 13805.002384/9219 Alega a Manifestante que o crédito tributário referese a valor de FINSOCIAL oriundo de auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, sendo que após seu julgamento final foi objeto de pagamento integral nos termos da Lei n° 10.684/2003 (PAES). Conforme extrato do SINCOR anexado a lis. 412, o processo foi enviado para inscrição em Dívida Ativa em 17/03/2007. Por outro lado, a contribuinte não anexou nenhum comprovante de pagamento relativo a este processo. Ademais, a decisão proferida nos autos do mandado de segurança n° 2005.61.00.024926 (cópia de fls. 355/357), apenas determinou a 6 reinclusão da empresa no PAES não se referindo expressamente ao processo n° 13805.002384/9219. Logo, os documentos acostados pela Manifestante são insuficientes para comprovar que o crédito tributário relativo a este processo não estivesse exigível na data do despacho decisório. 11.2.2. Processo n" 16327.001296/200122 Alega a Manifestante que o crédito tributário relativo a este processo, referese à SI,L or inda de auto de infração e encontrase com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 1 II do CTN 11.2.3. Débitos em cobrança no sistema Sief Alega a Manifestante que os débitos em cobrança no sistema SIEF foram todos recolhidos dentro do prazo legal, porém estes créditos não estavam alocados, sendo que após a remessa dos Darf s ao CAC os mesmos foram extintos. No entanto, a contribuinte não anexou nenhum comprovante para corroborar a 111111 sua alegação, sendo que a análise da data em que os pagamentos foram efetuados poderia possibilitar a verificação da situação do débito na data do despacho decisório. Logo, os documentos acostados pela Manifestante são insuficientes para comprovar que os débitos apontados a fls. 331/333, estivessem extintos na data do despacho decisório. 11.3. Das inscrições em Divida Ativa da União No âmbito da PGFN constam 2 inscrições em cobrança — ativas processos administrativos de números 16327.000536/00 83 e 16327.00221719961 (fls. 334). A Manifestante anexou certidão conjunta a fls. 420, emitida em 12/04/2006, em que consta a seguinte informação no campo "Observações PGFN": Liberação em função de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 2005.61.00.0125464, pelo Juízo da 2°. Vara Cível de São Paulo" Em relação à PGFN, a certidão é a documentação hábil e idônea a comprovar a inexistência de débitos em cobrança. Notese que isto não ocorre em relação à SRF, em virtude do disposto no art. 10 da Instrução Normativa n°574/2005. Em que pese, a certidão ter sido emitida tão somente em 12/04/2006, a decisão judicial exarada no mandado de segurança n° 2005.61.00.0125464, é datada de 23/06/2005 (fls. 374/375). Tal decisão determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos inscritos sob os números 80 6 00 00258013 e 80 6 02 00665976, sendo que em 12/04/2006, data em que foi emitida a certidão, ainda encontravase válida. Processo nº 16327.001279/200438 Acórdão n.º 1801000.760 S1TE01 Fl. 498 7 Logo, é procedente a alegação da Manifestante, visto que a exigibilidade dos créditos tributários relativos às inscrições 80 6 00 00258013 e 80 6 02 00665976 estava suspensa na data do despacho decisório Conclui a DRJ:. Em face do disposto no artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/1972, que determina que a prova documental seja apresentada com a impugnação, não há como deferir a solicitação da Manifestante, sob pena de descumprimento do art. 60 da Lei 9.069/1995, não estando comprovada pela documentação constante nos presentes autos a regularidade fiscal da empresa na data do despacho decisório. Por todo o exposto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da contribuinte. Cientificada do Acórdão em 17 de maio de 2007, interpôs Recurso Voluntário em 18 de junho de 200715 de junho de 2007, onde I –. alega que o preenchimento dos requisitos necessários para usufruir os benefícios fiscais deve se dar com relação ao período de opção; II – afirma que exigir regularidade para o futuro, por prazo indeterminado, fere a segurança jurídica e a previsibilidade que devem nortear as atividades da administração fiscal e do contribuinte frente à lei; III – questiona que garantia tem o contribuinte de que o sistema de processamento de dados da Receita Federal não realizará algum equivoco na alocação dos pagamentos, como tantas vezes acontece, seja por erro prévio do contribuinte, seja por erro do próprio agente arrecadado; IV – procura demonstrar que atendia e os requisito legais para a concessão do benefício na época da opção e pede o deferimento integral do incentivo fiscal manifestado na DIPJ de 2002. É o relatório. 8 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal Relator O Recurso é tempestivo e dele conheço. A questão central deste processo é a definição d data em que o contribuinte deve provar sua regularidade fiscal. Sobre esta matéria, o CARF editou a Súmula 37: Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade em 19 de abril de 2006 (fls. 340/345), a Recorrente apresentou as certidões adiante relacionadas, provando sua regularidade fiscal: I Certidão Positiva de Débito com Efeito de Negativa, expedida pela Receita Federal do Brasil em 24/10/2005, com validade até 22/04/2006, relativa exclusivamente às contribuições previdenciárias e às devidas, por lei, a terceiro, inclusive às inscritas, até 14 de agosto de 2005, em Dívidas Ativas do INSS (fls. 418) II – Certificado de Regularidade do FGTS – CRF, expedido a pela Caixa Econômica Federal em 10/04/2006 e válida até 09/05/2006 (fls. 419); e III – Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, expedida pela PGFN e SRF em 12/04/2006 e válida até 09/10/2006 (fls. 420). As negativas à concessão do benefício ocorreram em 3 (três) datas diferentes: na expedição do Certificado de Aplicações, no Despacho Decisório e no Acórdão da DRJ/SP. Em todas elas o motivo alegado era o disposto no artigo 60 da Lei 9.069/95, que condiciona a concessão à situação regular fiscal da empresa. Tanto no Despacho Decisório quanto no Acórdão da DRJ o entendimento era que a Recorrente deveria estar regular na data do Despacho Decisório. Entretanto, diante do contido na Súmula CARF 37, entendo que a Recorrente estava regular na data da apresentação de Inconformidade , conforme atestam as certidões de folhas 418 a 420. Diante do exposto, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. Processo nº 16327.001279/200438 Acórdão n.º 1801000.760 S1TE01 Fl. 499 9 (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator.
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Numero do processo: 10680.003389/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. RECEITAS
DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO
As receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais das instituições de educação e assistência social para os quais foram criadas são isentas da Cofins.
VALORES NÃO DECLARADOS/ PAGOS. LANÇAMENTO.
Inexiste amparo legal para a exigência da Cofins apurada sobre o faturamento mensal das instituições de educação e assistência social.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3301-001.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos, dar
provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Esteve presente no julgamento a advogada Érica Garcia, OAB/MG 123.512.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO As receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais das instituições de educação e assistência social para os quais foram criadas são isentas da Cofins. VALORES NÃODECLARADOS/PAGOS. LANÇAMENTO. Inexiste amparo legal para a exigência da Cofins apurada sobre o faturamento mensal das instituições de educação e assistência social. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Esteve presente no julgamento a advogada Érica Garcia, OAB/MG 123.512. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Belo Horizonte que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) referente aos fatos geradores dos meses de competência de janeiro de 2000 a dezembro de 2001. O lançamento decorreu da falta de declaração nas respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs) e, conseqüentemente, falta de pagamento das parcelas mensais da contribuição devida naquele período de competência. Cientificada do lançamento, inconformada a recorrente impugnouo, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “A quaestio iuris a ser enfrentada no presente processo administrativo é a correta aplicação de uma norma isentiva introduzida pela própria MP 2.1385 (e pelas MPs que a antecederam, dentre as quais a MP 1.8586 de 29/06/1999). A impugnante cumpriu todos os requisitos procedimentais previstos no § 2° do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para aplicar corretamente a legislação tributária federal – e, desse modo, saber se houve ou não incidência da Cofins no caso vertente – cumpre tão somente verificar se ... o serviço de educação, quando prestado por entidade educacional e de assistência social, sem fins lucrativos e regularmente constituída, está ou não compreendido na moldura da norma isentiva do art. 14, X, da MP 2.15835. Nesse sentido, indagase: ‘quais são as atividades próprias das entidades educacionais e de assistência social’? Respondida essa pergunta, resolvido está o problema jurídico. Jamais se poderia imaginar, para as entidades educacionais que suas atividades próprias compreendessem algo diverso da prestação do serviço de educação. Essa é, por imposição lógica, a única "atividade própria" possível para essas entidades. A Lei simplesmente não prevê a incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes da prestação dos serviços de educação – que é a atividade própria de todas as entidades educacionais – pelas entidades a que se refere o art. 13 da MP 2.15835, de modo que absolutamente defeso ao Fisco pretender cobrar tais exações. Cumpre frisar o entendimento adotado pelo Poder Judiciário a respeito da exigência da Cofins sobre as atividades educacionais da impugnante. A Sentença Judicial de fls. 66/73 (extraída dos Autos do Processo Judicial n° 1999.38.00.0204748), faz expressa referência a um pedido formulado pela ora impugnante, de se abster do ‘dever jurídico’ de recolher a Cofins. De outra banda, também chama a atenção o fato de que, segundo o Juiz, a própria Autoridade Impetrada teria informado – lá no processo judicial – que a MP Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.003389/200518 Acórdão n.º 330101.203 S3C3T1 Fl. 505 3 1858 ‘eximiu a impetrante da obrigação de efetuar o pagamento da referida contribuição’. Verificase, s.m.j., uma situação paradoxal. De um lado, a autoridade impetrada no Mandado de Segurança nr. 1999.38.00.0204748 afirma que a MP 1858 eximiu a impugnante de efetuar o pagamento da Cofins. De outro, alguns Fiscais lavram Auto de Infração contra a impugnante, impondo multa de 75% e juros SELIC. Data máxima vênia, há neste ponto pelo menos uma tremenda incoerência, a qual poderia ter sido evitada se se tivesse procedido a uma análise científica e imparcial das normas legais que instituem a isenção para a Cofins (arts. 14, X e 13, III, ambos da MP 2.13835/2001). Não há qualquer relação jurídica entre a impugnante e a União Federal que obrigue a primeira a recolher Cofins relativamente aos exercícios financeiros de 2000 e 2001, devendo o AI ser anulado. Frisese, por derradeiro, a insofismável inconstitucionalidade do art. 47, § 2°, da IN SRF 247/2002, eis que se trata de mero ato administrativo infralegal, de caráter regulamentar, que não poderia jamais modificar o conceito de ‘atividades próprias’ instituído pela lei. Em verdade, quando a lei diz: ‘A Cofins não incide sobre as atividades próprias’ das Entidades Educacionais sem fins lucrativos que preencham os requisitos estabelecidos no Direito, a isenção é concedida de forma ampla, sem o estabelecimento de qualquer ressalva. Assim, não pode a Administração, portanto, impor requisitos adicionais para o aproveitamento da isenção, manipulando os conceitos jurídicos empregados pelo legislador ordinário. Quando assim o faz – ou seja, quando estabelece que ‘não se consideram receitas decorrentes de atividades próprias as mensalidades que possuam caráter contraprestacional direto’ – , a Administração está usurpando as competências do legislador, isto é, modificando o desenho da hipótese de incidência da Cofins, em outras palavras: criando uma ‘obrigação tributária’ não originalmente prevista na lei. Tratase, portanto, de norma manifestamente inconstitucional por violar o princípio da legalidade tributária (Constituição Federal, art. 150, I). Requer a anulação do Auto de Infração. Em 23/10/2006, foi autorizada ajuntada dos documentos adicionais de defesa de fls. 184/359, com os argumentos assim resumidos: A Fiscalização, ao utilizarse de ato normativo (IN SRRF n° 247/02) para estabelecer campo de incidência da norma tributária, estaria ferindo de morte o princípio da legalidade, um dos principais pilares do Direito Tributário. Ainda que se admitisse que a IN SRF n° 247/02 fosse capaz de descrever a hipótese de incidência tributária no que tange ao aspecto de definição do conceito de atividade própria, estava tal instrução normativa, como assim está, impedida de alcançar fatos pretéritos, visto que sua vigência iniciouse em 26 de novembro de 2002, data de publicação no Diário Oficial da União. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A impugnante encontrase albergada pelo Instituto da imunidade tributária, cumprindo com os requisitos necessários à manutenção do benéfico constitucional. Pelo simples fato de ser reconhecida pela Fiscalização como ‘entidade de assistência social’, já faz ela jus à isenção às contribuições sociais previstas no art. 55 da lei n° 8212/91, dentre elas a Cofins. O Juiz, nos autos do Processo Judicial n° 1999.38.00.02204748, reconhece direito da impugnante em se ver eximida da obrigação de recolhimento da Cofins, em face do advento da MP 18586 (atual MP 2.15835). Incorre em vício de ilegalidade a Fiscalização ao buscar definir o alcance da lei como também por utilizarse de ato normativo, de caráter administrativo, para estabelecer campo de incidência da norma tributária. A lei deve indicar, de modo rigoroso, a realidade a tributar, fazendo assim, uma precisa, taxativa e exaustiva tipificação dos fatos necessários e suficientes ao nascimento do tributo. Não lhe é dado apontar conceitos indeterminados, fórmulas abertas ou cláusulas gerais que permitam, de acordo como o subjetivismo do aplicador, a identificação de múltiplas situações tributáveis. Quando a hipótese de incidência é incompleta, ou seja, não descreve de modo exaustivo o tipo tributário, a exação não poderá ser exigida. Portanto, a Medida provisória n°2.1583501 ao estatuir a isenção da Cofins às receitas oriundas das atividades próprias das instituições de educação e de assistência social, o fez sem a delimitação pretendida pelo Auditor Fiscal. Notese que o referido diploma normativo em momento algum define a extensão das atividades compreendidas como próprias, como pretende equivocadamente a IN SRF 247/02. E não o fez porque atividades próprias são todas aquelas pertencentes ao sujeito, de modo particular e natural, e que estão diretamente relacionadas com os seus objetivos institucionais, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Sendo assim, os rendimentos auferidos por tais entidades, em razão da locação de imóveis, aplicações financeiras ou mesmo da prestação de serviços, uma vez consubstanciados recursos instituídos e vertidos à consecução dessas finalidades essenciais, constituem meios eficazes para o desempenho de suas atividades e, por conseguinte, jamais poderão ser excluídos do universo isencional. A subsunção, como fenômeno lógico, só se opera entre iguais. Esse é o pano de fundo que gostaríamos de delinear, para que se analise especificamente o conteúdo e alcance da norma contida no art. 12 da Lei n° 9.532/97, assim como no art. 14 do CTN. O princípio da irretroatividade da lei tributária é instrumento necessário para a manutenção da segurança nas relações jurídicas, o que permite a estabilidade dos direitos subjetivos. A lei que cria ou aumenta um tributo não pode alcançar fatos ocorridos em época anterior à sua entrada em vigor. Mesmo que se admita que a Instrução Normativa SRF n° 247/2002 seja o instrumento válido para descrever a hipótese de incidência tributária, quanto ao aspecto relativo à extensão do conceito de "atividades próprias", a mesma somente teve vigência a partir de sua publicação (DOU 26/11/2002). Logo, jamais poderia alcançar fatos pretéritos. Em assim sendo, não deve prevalecer a constituição do crédito tributário relativo à Cofins, atribuídas incidentemente sobre as receitas geradas pela Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.003389/200518 Acórdão n.º 330101.203 S3C3T1 Fl. 506 5 impugnante no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2001, em face da irretroatividade da norma tributária (IN SRF 247/2002, e subsidiariamente em decorrência ao princípio da anterioridade especial ou anterioridade nonagesimal, o qual prevê que as contribuições sociais que financiarão a seguridade social somente poderão ser exigidas depois de decorridos noventa dias da data da publicação da norma que as houver instituído ou modificado (art. 195, § 6° da Constituição de 1988). A Associação Propagadora Esdeva é instituição de educação e assistência social sem fins lucrativos, declarada de Utilidade Pública Federal pelo Decreto n° 1.264, de 25 de junho de 1962, publicado no DOU em 31 de julho de 1962. Além disso, possui registro e certificado do Conselho Nacional de Assistência Social, declaração de Utilidade Pública Estadual, Utilidade Pública Municipal, certificados dos Conselhos Municipais de Assistência Social, fornecidos pelos diversos Municípios onde sua presença é referendada por suas filiais e outros títulos. Estes certificados e títulos que comprovam a situação da impugnante, relativo ao período abrangido pela fiscalização, encontramse anexo ao presente. Esses certificados e títulos revelam, além do caráter beneficente, o reconhecimento do trabalho de educação e assistência social desenvolvido pela impugnante, marcado pelo signo da ausência de finalidade lucrativa e da benemerência social, em face da incapacidade do Estado de suprir a demanda existente. Esse trabalho de imenso valor coletivo não advém de uma estratégia operacional, própria do planejamento tributário, mas sim, de uma natureza vocacional exercida há mais de cem anos pela impugnante, confirmada em seu Estatuto Social, cujos atos constitutivos datam de 19 de março de 1895, com registros efetuados em 21 de março de 1903. Além da própria vocação institucional, a impugnante realiza atividade de assistência social sem fins lucrativos, de forma benemerente, por que assim regula e determina seus atos constitutivos, já que é essa, em essência e prática, a sua atividade operacional. A impugnante, por praticar a assistência social de forma vocacional (Estatuto Social) e efetiva (Relatório de Atividades), com ações corroboradas pelos órgãos públicos controladores da política de assistência social (certificados e certidões), cumpre um dos principais requisitos para que possa ser amparada pelo manto da imunidade tributária, tanto no que tange aos impostos quanto no que diz respeito às contribuições sociais. A entidade beneficente de assistência social assim como a impugnante desde que atendidos os requisitos do art. 14 do CTN, tem o inafastável direito de não ser tributado por meio de contribuições Sociais para a Seguridade Social. O artigo 14 do CTN dá plena eficácia e total aplicabilidade ao artigo 195, § 7° da Constituição Federal. Os atos administrativos não podem exigir cumprimento de outros requisitos que não os apontados no artigo 14 supramencionado para o pleno desfrute da imunidade em comento. A impugnante faz jus à imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois, é entidade beneficente de assistência social (conforme reconhecido pelo Auditor Fiscal) e cumpriu os requisitos estatuídos no artigo 14 do Código Tributário Nacional, uma vez que não distribuiu qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas; aplicou integralmente, no país, os seus recursos na Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 manutenção dos seus objetivos institucionais; manteve ao registro de suas receita se despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, não havendo quaisquer irregularidades apontadas pela fiscalização. É evidente que dentre os requisitos necessários à manutenção da imunidade figura a ausência de finalidade lucrativa. No entanto, se a instituição não deva ter lucro como fim, não lhe é vedado à realização de gestão em busca de resultados positivos denominado como superávit. O que lhe é reclamado é a aplicação desse superávit em suas finalidades, dado sua ausência de capacidade contributiva, em função do múnus publico assumido. Certo é que a realização de atividade remunerada voltada para a manutenção das finalidades estatutárias da entidade beneficente de assistência social não se confunde com a hipótese de incidência definida para o fato gerador da Cofins, apresentado pela Fiscalização. A posição doutrinária, inequívoca, é no sentido de que realizar atividades econômicas no intuito de geração de rendas para aplicação nos objetivos institucionais não retira da instituição a garantia da imunidade, sendo, isto sim, um pressuposto assegurador de que a organização será bem gerida e continuará a manter os seus propósitos enobrecedores, realizando políticas públicas em complemento do Estado, devido à sua inoperância e impossibilidade. Não há dúvidas de que em nosso ordenamento jurídico afiguramse espécies normativas distintas: imunidade de impostos (art. 150, VI ‘c’, da CF) e imunidade de contribuições sociais (art. 195, § 7°, da CF). No primeiro dispositivo exigese que a instituição de assistência social não detenha finalidade lucrativa; no segundo impõese que a entidade seja beneficente. Entidade beneficente não possui finalidade lucrativa, mas, além disso, é aquela que dedica suas atividades, ainda que parcialmente, ao atendimento gratuito dos necessitados. Para a imunidade de impostos, basta tratarse de entidade sem fins lucrativos, mas, para ter jus à imunidade tributária das contribuições relativas à seguridade social, é preciso mais. É necessário que, além disso, a entidade colabore com o Estado no campo da assistência social, atendendo gratuitamente uma parcela de carentes ou de necessitados. Dai, a importância do contexto de ações de assistência social realizadas pela impugnante, devidamente comprovadas e atestadas pelos órgãos públicos, o que só robustece as alegações aqui apresentadas quanto ao direito e gozo da mesma ao universo da imunidade tributária para impostos e contribuições sociais. A própria Medida Provisória n°2.15835/01, utilizada pela fiscalização para dar fundamento à autuação fiscal, corrobora o aqui exposto ao dispor: Art.17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei n' 8.212, de 1991. Portanto, na qualidade de entidade beneficente de assistência social, está a impugnante, também, albergada pela isenção da Cofins concedida pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão nº 0218.387, datado de 14/07/2008, às fls. 350/372, sob a seguinte ementa: “Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.003389/200518 Acórdão n.º 330101.203 S3C3T1 Fl. 507 7 contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária.” Cientificada desta decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 380/463, requerendo a sua reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento sob os argumentos de que: i) suas receitas por decorrerem de atividade própria são isentas da Cofins nos termos da MP nº 2.15835, de 2001, arts. 13 e 14, X, c/c o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, por ser entidade beneficente e também por que goza de imunidade tributária nos termos da Constituição Federal (CF) de 1988, arts. 150, VI, “c”, e 195, § 7º, c/c o art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 14 do CTN. Suscitou, ainda, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, 27/11/1998, declarada pelo STF (ampliação da base de cálculo da Cofins), bem a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 2000, nos termos do CTN, art. 150, § 4º. Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: i) das receitas derivadas das atividades próprias; ii) da IN SRF nº 24/02 como fundamento do lançamento realizado; iii) da não apreciação, por parte da D. Autoridade Julgadora, dos direitos assegurados à Recorrente: imunidade tributária/isenção – art. 55 da Lei nº 8.212/91; iv) das ponderações apresentadas pela D. Autoridade Julgadora acerca do universo da assistência social; v) da Súmula Vinculante nº 8 editada pelo Supremo Tribunal Federal; e, vi) da atividade administrativa plenamente vinculada, concluindo, ao final, que o lançamento deve ser cancelado por ser entidade beneficente de assistência social e, portanto, suas receitas são isentas/imunes à Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A recorrente suscitou a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente aos meses de competência de janeiro a março de 2001; a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição lançada e exigida; a isenção e/ ou imunidade de suas receitas à Cofins. As questões suscitadas em relação à decadência, à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e a imunidade ficaram prejudicadas em face do julgamento favorável à recorrente, quanto à isenção de suas receitas ao pagamento dessa contribuição, a seguir. I – isenção Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 A recorrente defende a isenção de suas receitas operacionais ao pagamento da Cofins, nos termos da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24/08/2001, art. 14, inciso X, c/c a Lei nº 9.532. de 10/12/1997, art. 12. Realmente a MP nº 2.15835, de 24/08/2001, prevê a isenção da Cofins para as instituições de educação e de assistência social sobre suas receitas operacionais, assim dispondo: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...); X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...).” Por sua vez, o artigo 13, estabelece: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...). III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...).” Já o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelece: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.189 49, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...).” Conforme demonstrado nos autos e prova seu Estatuto, cópia às fls. 470/479, a recorrente é uma instituição de educação e de assistência social, sem fins econômicos, de duração indeterminada que tem por finalidade: “promover o aperfeiçoamento humanosocial de seus associados, o ensino em seus diversos graus e a assistência social a pessoas carentes, independentemente de credo político ou religioso, etnia ou nacionalidade, a evangelização e a assistência moral e espiritual”. Os dispositivos legais citados e transcritos acima provam a isenção das receitas decorrentes de atividades próprias da recorrente ao pagamento da Cofins. Portanto, demonstrado que a recorrente é uma instituição de educação e de assistência social, sem fins econômicos, suas receitas estão isentas da Cofins nos termos do inciso X do art. 14, c/c o inciso III do art. 13, ambos da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, todos citados e transcritos anteriormente. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.003389/200518 Acórdão n.º 330101.203 S3C3T1 Fl. 508 9 Como o lançamento decorreu da falta de declaração e pagamento da Cofins sobre as receitas de atividades próprias auferidas pela recorrente, em cumprimento aos seus objetivos sociais, este deverá ser cancelado. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25 /11/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 44000.001632/2005-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 16327.001499/2005-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 31/01/2002 a 12/06/2002
INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI nº 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF nº 37)
Numero da decisão: 9101-000.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para restabelecer o indeferimento do PERC. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karen Jureidini Dias.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 31/01/2002 a 12/06/2002 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI nº 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF nº 37)
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REQUISITOS ART. 60 DA LEI nº 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF nº 37) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para restabelecer o indeferimento do PERC. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karen Jureidini Dias. (documento assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (VicePresidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho e Valmir Sandri. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001499/200542 Acórdão n.º 910100.858 CSRFT1 Fl. 189 2 Relatório A Fazenda Nacional impetrou Recurso Especial com fundamento no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, em face do Acórdão nº 10709.427, fls. 140/144, proferido pela extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 26/06/2008. Tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao anocalendário de 2002. A contribuinte fez a opção pela aplicação no Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) no montante equivalente a R$ 107.886,32, conforme Ficha da DIPJ/2002 – Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 16). Entretanto, os referidos incentivos fiscais não foram confirmados pela Receita Federal. O pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, apresentado em 30/07/2005, (fls. 01/24), foi indeferido em despacho decisório da DIORT/DEINF/SP de 22/03/2006 (fls. 45/47), nos seguintes termos: (...)... DECIDO INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2002, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida pelo art. 60 da Lei nº 9.069/95”. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 28/04/2006 (fls. 50/53), alegando, em síntese, que os débitos listados pela SRF e PGFN são todos justificáveis e não podem impedir a liberação do incentivo fiscal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, considerando que a contribuinte não logrou comprovar a sua regularidade fiscal, manteve o indeferimento do PERC, tendo em vista a verificação de débitos tributários perante a RFB e PGFN na data de expedição do acórdão nº 1616.327 (fls. 109/115), assim ementado: “INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais.” Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 312/323), ratificando as razões expendidas na manifestação de inconformidade. A Câmara recorrida, por sua vez, reconheceu o direito da Contribuinte de que seu pedido fosse apreciado, ao argumento de que o art. 60 da Lei nº 9.069/95 não indicou momento para comprovação de quitação de tributos e contribuições federais. Ademais, ressaltou a câmara a quo, a impossibilidade de vincular o gozo ao incentivo fiscal, apurado na declaração de rendimentos, a pendências apontadas pelos sistemas da SRF e PGFN, sob o argumento de que estas podem manifestar oscilações, motivo pelo qual permitido ao contribuinte apresentar prova posterior de que os débitos verificados nos controles internos estariam garantidos ou com exigibilidade suspensa. O acórdão recorrido restou assim ementado: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001499/200542 Acórdão n.º 910100.858 CSRFT1 Fl. 190 3 “PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS – EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL – INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE – PROVA DE REGULARIDADE FISCAL A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº 9.069/95, art. 60). A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional. Sendo as divergências levantadas pela autoridade lançadora referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa expedida por aquele órgão comprova a regularidade fiscal.” Em sede de recurso especial, cujo seguimento foi dado pelo despacho de fls. 167/168, a Fazenda Nacional suscita divergência entre a decisão recorrida e a proferida no acórdão nº 10807.970. Em síntese, sustenta que a contribuinte “não logrou demonstrar, tempestivamente, a sua regularidade fiscal, à época da opção pela destinação de parte do seu imposto de renda ao FINOR. Presentes as contrarazões da contribuinte às fls. 176/180, onde pugna pela manutenção do acórdão recorrido que decidiu que “não se pode impedir o contribuinte de fazer prova posterior de que os débitos verificados nos controles internos estão garantidos ou com exigibilidade suspensa”. Os autos foram distribuídos a este Relator para análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia cingese em estabelecer a interpretação que deve ser dada ao art. 60 da Lei nº 9.069/1995, especialmente no que se refere ao momento da regularidade fiscal a ser comprovada pelo contribuinte. Tal dispositivo não estabelece expressamente qual seria o momento para se verificar a regularidade fiscal, fixada como condição para o gozo de benefícios e incentivos fiscais, verbis: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa Pica ou Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001499/200542 Acórdão n.º 910100.858 CSRFT1 Fl. 191 4 jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." (grifouse) Como se pode observar, o dispositivo não indica o momento em relação ao qual deve ser verificado o cumprimento da condição para a concessão/reconhecimento do incentivo, o que acarreta inúmeras controvérsias sobre essa matéria. Este Conselho já se pronunciou por diversas vezes no sentido de que a regularidade do contribuinte deve ser verificada no momento de sua opção pelo investimento incentivado e não na data da análise do pedido pela instância julgadora do PERC. Como a opção se dá com a entrega da declaração de Imposto de Renda pelo contribuinte, é neste momento que devese verificar a existência dos requisitos para a concessão do benefício fiscal. Recentemente, firmouse esse entendimento, tendo o mesmo sido consignado no enunciado nº 37 da Súmula CARF, aprovada pela Portaria MF nº 383, de 12.07.2010 (DOU de 14.07.2010), verbis: Súmula CARF º 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Por outro lado, se fosse admitido o deslocamento desse marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal (por exemplo, para a data de exame do PERC, ou outra posterior), haveria que se admitir também o deslocamento temporal para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Tal linha de raciocínio, porém, não guarda significação lógica dentro do contexto normativo. No presente caso, devese registrar que, não há nos autos documentos que indiquem a situação fiscal da contribuinte na data da entrega de sua declaração DIPJ/2002, ou seja, em 31/07/2002 (fl. 08). O relatório extraído do sistema informatizado da SRF (RFB) intitulado "Informações de Apoio para Emissão de Certidão" (fls. 36/44), emitido em 20/03/2006, e que serviu de base para o indeferimento do PERC, apresenta a seguinte situação, considerando apenas os débitos existentes no momento da opção pelo incentivo, ou seja, em 31/07/2002 e excluídos aqueles com i) exigibilidade suspensa por medida judicial indicada no sistema e ii) aqueles com pendência de julgamento na esfera administrativa: a) processo nº 10845.005831/9164 – Execução ajuizada – 15/12/1997; b) processo nº 13805.000085/9196 – Execução ajuizada – 24/02/2003; c) processo nº 10880.017643/9883 – Execução ajuizada – 29/08/2005. Analisandose os documentos juntados pela defesa por ocasião da manifestação de inconformidade, constatase que relativamente ao processo constante da alínea Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001499/200542 Acórdão n.º 910100.858 CSRFT1 Fl. 192 5 “c” acima, há decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Quanto aos demais, descritos nas alíneas “a” e “b”, tratase de débitos inscritos na dívida ativa, cujas ações de execução já estavam ajuizadas no momento da emissão do relatório “Informações de Apoio para Emissão de Certidão” e que, portanto, à época da opção pelo benefício fiscal já constituíam débitos impeditivos do acesso ao incentivo. Em relação a estes últimos, não há nos autos documentos que atestem o contrário, ou seja, que no momento da entrega da declaração, estes débitos não eram exigíveis. Referidos débitos, por serem contemporâneos ao momento da opção, impedem o acesso ao benefício fiscal, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069/1995. Destarte, em face dos documentos trazidos ao processo, a contribuinte não faz jus à expedição de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais, razão pela qual o indeferimento de seu pedido deve ser restabelecido. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional para reformar o r. acórdão, indeferindose o pedido de revisão da contribuinte, com fulcro no art. 60 da Lei nº 9.069/1995. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
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