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Numero do processo: 13896.909356/2016-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-005.001
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 93 56 /2 01 6- 91 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13896.909356/201691 Acórdão n.º 3201005.001 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10061.638, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13896.909356/201691 Acórdão n.º 3201005.001 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13896.909356/201691 Acórdão n.º 3201005.001 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003243/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007.
O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.875
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007. O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
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CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente PARÁ AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007. O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 32 43 /2 00 7- 27 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10850.003243/200727 Acórdão n.º 3201004.875 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/SP, que manteve o Despacho Decisório da DRF/São José do Rio Preto e, consequentemente, não reconheceu o crédito de pleiteado. O processo teve início com pedido de restituição de Cofins, vinculado a compensação. Segundo informado pelo contribuinte, o direito creditório decorre de pagamento efetuado a maior, mediante compensação efetuada anteriormente, que se mostrou indevida em razão de o STF ter julgado inconstitucional a cobrança da contribuição sobre receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. A Manifestação de Inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela DRJ/SP, nos termos do Acórdão 14054.898, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Não existe a possibilidade jurídica do pedido de restituição de compensação indevida. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificada da decisão acima, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, ser perfeitamente possível a restituição de débitos extintos pela via da compensação (compensação tratada no processo 13804.000953/200153, devidamente homologada), e que apresentou documentos (planilha e balancete) que comprovam os valores indevidamente compensados em razão da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei 9.718/1998. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10850.003243/200727 Acórdão n.º 3201004.875 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.871, de 28/01/2019, proferido no julgamento do processo 10850.003238/200714, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.871): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Logo, por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A decisão de primeira instância manteve o entendimento do Despacho Decisório que negou a possibilidade de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Sobre o tema, é importante registrar que é obrigatório a este Conselho a aplicação de decisão do STF em sede de repercussão geral ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), conforme Art. 62 A, de nosso regimento interno. Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. O segundo entendimento do despacho decisório, mantido em primeira instância e que deve ser enfrentado, tratou da não equivalência da compensação indevida ao pagamento indevido. Contudo, diversos precedentes deste conselho registraram o entendimento de que a extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10850.003243/200727 Acórdão n.º 3201004.875 S3C2T1 Fl. 5 4 A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007, exposto parcialmente a seguir: "20. Na linha do PN Cosit nº 8, de 2014 (item 35, já citado), extinto o crédito tributário não há mais falar em revisão de ofício de lançamento, sendo necessária a formalização de pedido de restituição em caso de haver erro de fato no lançamento. O pagamento ou a compensação do objeto da prestação pelo sujeito passivo representa a sua concordância com o seu dever jurídico, ou seja, com a existência da relação jurídica obrigacional entre ele e o sujeito ativo (Estado), bem assim com o lançamento realizado, responsável pela quantificação do objeto da relação. Tais atos ensejam a extinção da relação obrigacional e, por consequência, incabível, em princípio, revisão de ofício do lançamento. 21. Todavia, a incorporação ao patrimônio pelo sujeito ativo de valor a que não fazia jus como portador do direito subjetivo de sua percepção, ou seja, de tributo indevido, representaria uma violação ao princípio que veda o locupletamento sem causa, e permite nascer uma nova relação obrigacional, mas agora com os pólos invertidos Em vista disso, o legislador introduziu no CTN o art. 165, que autoriza a restituição da importância paga indevidamente pelo sujeito passivo. Nesse sentido, posicionamento de Luciano Amaro : O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. 22. Este pagamento de tributo indevido pode ter advindo de ato espontâneo do sujeito passivo, que recolheu valor superior ao objeto da relação obrigacional devido, ou de pagamento/compensação exatamente no montante do tributo lançado (cobrado), mas cuja quantificação foi feita de forma irregular. É o que se depreende dos incisos I e II do art. 165 do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 23. A hipótese de interesse do estudo aqui efetuado é a do pagamento indevido de tributo em virtude de erro na quantificação do crédito tributário, ou seja, de erro no lançamento. 24. Logo, a formalização de pedido de restituição, desde que no prazo de cinco anos estabelecido no art. 168 do CTN, com interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, é o caminho legal para que o sujeito passivo possa demonstrar a existência de erro no lançamento após a extinção do crédito tributário: CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10850.003243/200727 Acórdão n.º 3201004.875 S3C2T1 Fl. 6 5 LC nº 118, de 09/02/2005 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 25. Uma revisão do débito (e não do lançamento) decorrerá de provocação do contribuinte. Caso a postulação seja apenas para fins de cancelamento de um débito já quitado, sem expressamente requerer a restituição do valor pago, ainda assim deve ser aplicada a analogia para fazer incidir o art. 168 do CTN para se promover a revisão do débito e seu cancelamento, na linha do item 36 do PN Cosit nº 8, de 2014 (já transcrito), e os valores antes alocados ao débito cancelado poderão, a partir daí, ser utilizados pelo sujeito passivo ‒ quer seja para pleitear restituição ou para quitar outros débitos, p.ex., por meio de declaração de compensação, ou mesmo compensação de ofício ‒, atentandose que o prazo que alude o art. 168 do CTN remete, no caso, à data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento indevido (e não da data do cancelamento do débito). 26. Não foi estabelecida pelo CTN a necessidade de prévia alteração do lançamento efetuado de forma irregular para que o sujeito passivo possa pleitear e ter deferida a devolução do valor pago a maior ou indevidamente, ainda que seja necessária a utilização do elemento quantitativo ali contido para aferição dos cálculos e fins operacionais. Conclusão 27. Com base no exposto, concluise que depois de extinto o crédito tributário lançado de ofício ou confessado, seja por meio de pagamento ou por meio de compensação, não há que se cogitar em revisão de ofício do lançamento (ressalvados os casos de inexatidões e erros materiais, erros de cálculo) ou da declaração (seja a de obrigação acessória como a DCTF, seja a de compensação), mas sim a análise de pedido de restituição formulado nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN." Diante do exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720383/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso.
IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. ARBITRAMENTO. PREÇO PARÂMETRO
A recorrente industrializava e vendia, no atacado, para a sua controladora, produtos sem a marca comercial - esta última apunha as marcas e os revendia para outras atacadistas. Isto é, participavam da mesma cadeia produtiva, porém em etapas distintas, com estruturas próprias e distintas de custos industriais e administrativos. E, naturalmente, suas vendas não eram realizadas no mesmo mercado.
Assim sendo, reputo que a fiscalização não aplicou corretamente o disposto no §1° do art. 138 do RIPI/02, pois não apurou o "preço médio do mercado nacional" da recorrente, tendo, por outro lado, adotado o preço médio da controladora, que operava em mercado absolutamente distinto. Por conseguinte, deve ser cancelado o crédito tributário de IPI.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS.
Os produtos gel fixador e gel desodorante fixador para cabelo classificam-se no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%.
CONDUTA DELITIVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA
Não foi adotada qualquer conduta dolosa ou fraudulenta, porém tão simplesmente reorganização lícita de negócios e prática de preços compatíveis com os dos mercados em que atuavam.
Assim sendo, deve ser desqualificada a multa de ofício incidente sobre as diferenças entre o VTM, calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92, e os preços efetivamente praticados, bem como sobre as diferenças de IPI decorrentes de erro na classificação fiscal.
Pelo mesmo motivo, devem ser afastadas as atribuições de responsabilidade tributária solidária à controladora, capitulada no inciso I do art. 124 do CTN, e aos diretores da recorrente e da controladora, fundamentada no inciso III do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 3301-005.610
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ser a competência do julgamento da Terceira Seção do CARF, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora) e Valcir Gassen. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para afastar a) a exigência referente aos valores arbitrados, b) a solidariedade da Hypermarcas, e das pessoas físicas e c) afastar a multa qualificada reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Salvador Cândido Brandão Junior e a Conselheira Semírames de Oliveira Duro que também afastaram a reclassificação fiscal do produto gel para cabelo e a Conselheira Liziane Angelotti Meira (Relatora) que negou provimento integralmente ao recurso. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. ARBITRAMENTO. PREÇO PARÂMETRO A recorrente industrializava e vendia, no atacado, para a sua controladora, produtos sem a marca comercial esta última apunha as marcas e os revendia para outras atacadistas. Isto é, participavam da mesma cadeia produtiva, porém em etapas distintas, com estruturas próprias e distintas de custos industriais e administrativos. E, naturalmente, suas vendas não eram realizadas no mesmo mercado. Assim sendo, reputo que a fiscalização não aplicou corretamente o disposto no §1° do art. 138 do RIPI/02, pois não apurou o "preço médio do mercado nacional" da recorrente, tendo, por outro lado, adotado o preço médio da controladora, que operava em mercado absolutamente distinto. Por conseguinte, deve ser cancelado o crédito tributário de IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Os produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo classificamse no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%. CONDUTA DELITIVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 83 /2 01 3- 69 Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.017 2 Não foi adotada qualquer conduta dolosa ou fraudulenta, porém tão simplesmente reorganização lícita de negócios e prática de preços compatíveis com os dos mercados em que atuavam. Assim sendo, deve ser desqualificada a multa de ofício incidente sobre as diferenças entre o VTM, calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92, e os preços efetivamente praticados, bem como sobre as diferenças de IPI decorrentes de erro na classificação fiscal. Pelo mesmo motivo, devem ser afastadas as atribuições de responsabilidade tributária solidária à controladora, capitulada no inciso I do art. 124 do CTN, e aos diretores da recorrente e da controladora, fundamentada no inciso III do art. 135 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ser a competência do julgamento da Terceira Seção do CARF, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora) e Valcir Gassen. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para afastar a) a exigência referente aos valores arbitrados, b) a solidariedade da Hypermarcas, e das pessoas físicas e c) afastar a multa qualificada reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Salvador Cândido Brandão Junior e a Conselheira Semírames de Oliveira Duro que também afastaram a reclassificação fiscal do produto gel para cabelo e a Conselheira Liziane Angelotti Meira (Relatora) que negou provimento integralmente ao recurso. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do Voto Vencedor Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Fl. 4017DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.018 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 1049.864 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 3351/3384): Tratase de auto de infração lavrado em 21/08/2013 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP (fl. 2.151 e seguintes), em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – nº 08128002012 000259, para exigir Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 52.262.003,31, acrescido de juros de mora no valor de R$ 18.932.891,10 e multa de ofício de R$ 78.393.005,00, no percentual de 150%, o que totalizou crédito tributário de R$ 149.587.899,41, na data da autuação. O crédito que está sendo exigido neste processo diz respeito ao estabelecimento filial, localizado na cidade de Taboão da Serra/SP. Foi apontado no auto de infração que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com inobservância do valor tributável mínimo entre estabelecimentos interdependentes. Fazem parte do auto de infração os demonstrativos do cálculo de juros de mora e multa de ofício, e devida fundamentação legal, bem como o Termo de Descrição dos Fatos IPI (TDF), que a seguir será sintetizado. A empresa Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A, doravante designada “Cosmed”, é fabricante de medicamentos alopáticos para uso humano, cosméticos e produtos alimentícios (Código da Atividade Econômica CNAEFiscal n° 2121101), tributada sob a forma do Lucro Real – Anual, e tem por objeto uma vasta gama de produtos e serviços. A origem da empresa decorre das seguintes operações, no âmbito do grupo econômico Hypermarcas: outubro de 2008: Hypermarcas S/A, CNPJ nº 02.932.074/000191, doravante denominada “Hypermarcas”, adquiriu a empresa Niasi Indústria de Cosméticos Ltda., CNPJ 61.082.426/000126, bem como a comercial atacadista a ela vinculada – Aprov Comercio de Cosméticos Ltda., CNPJ 08.098.571/000112. A denominação social de Niasi foi alterada para Hypermed Industrial Ltda. Em dezembro de 2008, Aprov foi incorporada à Hypermarcas. 2009: Foi mudada a denominação social de Hypermed Industrial Ltda. para Cosmed Industrial Ltda. e alterado o estabelecimento matriz para o CNPJ 61.082.426/000207, localizado em Barueri/SP. A seguir a empresa foi transformada em sociedade anônima, passando a denominarse Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A . Essa denominação foi alterada em 11/05/2009 para Hypermed Indústria Farmacêutica S.A. e novamente alterada para Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A, em 01/06/2009. Na seqüência, em 30 de junho de 2009, houve a cisão parcial da Hypermarcas , com incorporação do acervo cindido pela Cosmed, e, ato contínuo, a Hypermarcas incorporou a totalidade das ações ordinárias da Cosmed, que se tornou sua subsidiária integral. O acervo cindido, incorporado na Cosmed referese aos ativos relativos à fabricação de medicamentos e cosméticos, industrializados nas fábricas situadas nas cidades de São Paulo (estabelecimento oriundo da aquisição, pela Hypermarcas, da empresa FARMASA – Laboratório Americano de Farmacoterapia S/A – CNPJ 61.150.819/000120, em dezembro de 2008) e Barueri (estabelecimento oriundo da aquisição, pela Hypermarcas, da empresa DM Farmacêutica Ltda – CNPJ 67.866.665/000153, em outubro de 2007). Relata o autuante que no 1º semestre de 2009, antes da transferência dos ativos industriais oriundos das empresas adquiridas e incorporadas pela Hypermarcas, a Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.019 4 Cosmed industrializava os produtos anteriormente produzidos pela Niasi em Taboão da Serra/SP, sendo a quase totalidade das vendas feita à Aprov e à Hypermarcas e uma parte ínfima a terceiros, conforme demonstrativo a fl. 2069. A análise destas transações aponta que os preços praticados nas vendas da Cosmed às referidas empresas ligadas foram significativamente inferiores aos adotados nas vendas para os demais clientes (terceiros), conforme consolidado na planilha de fl. 2070 e seguintes. Referidos preços são também muito inferiores aos preços de revenda dos mesmos produtos praticadaos pela Hypermarcas com seus clientes, o que levou ao entendimento de que teriam sido feitas por valores subfaturados. No 2º semestre de 2009, após a transferência dos complexos industrias oriundos da incorporação da DM Farmacêutica e FARMASA para a Cosmed, a quase totalidade das vendas desta foram feitas à Hypermarcas, igualmente, em valores considerados subfaturados. O item 2 do TDF dá conta de que a autuada foi intimada a apresentar a composição dos preços de seus produtos, e que após reiteradas intimações, apresentou os custos de fabricação dos produtos industrializados pela matriz e filiais, sem informar os custos financeiros, de venda, administração e publicidade, o lucro normal e demais parcelas, individualizados por produto. Tais parcelas foram totalizadas por estabelecimento, enquanto as despesas operacionais, especialmente com propaganda e marketing foram concentradas na Hypermarcas, quando o correto seria a contabilização direta por meio de contabilidade integrada de custos ou indireta, utilizando critério objetivo de rateio. Também foram intimadas as empresas Aprov e Hypermarcas, bem como comerciais atacadistas, com vistas à verificação dos preços praticados em operações com a autuada, sendo realizadas as comparações que constam no TDF. Diante da circunstância de que os estabelecimentos envolvidos pertencem a empresas integrantes do mesmo grupo econômico, a fiscalização considerou que o remetente (interessado neste processo) e o destinatário dos produtos (Hypermarcas) mantêm relação de interdependência, em face do disposto no art. 520 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002 (art. 612 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010. De acordo com o art. 24 do RIPI/2002, a Cosmed é contribuinte do IPI, por ter industrializado referidos produtos. Não existe no Regulamento previsão de equiparação a industrial, da Hypermarcas. Assim, a tributação do IPI nas operações entre as empresas integrantes do grupo econômico está concentrada na indústria. Segundo o art. 136 do mesmo Regulamento, nas operações entre empresas interdependentes deve ser observado um valor mínimo tributável, o qual não pode ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. De acordo com o autuante, a inobservância do valor tributário mínimo também repercutiu no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, uma vez que os produtos farmacêuticos, de perfumaria, toucador ou higiene pessoal estão sujeitos à incidência concentrada/monofásica. Esse procedimento ainda teria possibilitado o aumento da margem de lucro da adquirente, caracterizando uma Distribuição Disfarçada de Lucro (DDL) da Cosmed para a Hypermarcas, cujos efeitos, em relação ao IRPJ e CSLL teriam sido amenizados mediante a concentração de despesas operacionais na controladora, além da realização de incorporações de companhias, adquiridas com ágio, a ser utilizado para reduzir o pagamento de tributos, o que consistiria em planejamento tributário ilícito. Em decorrência das conclusões desta ação fiscal, foram formalizados autos de infração para exigir os tributos PIS, COFINS, IRPJ, CSLL (processo administrativo 16004720.395/2013 Fl. 4019DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.020 5 93) e IPI (processos administrativos 16004.720383/201369 e 16004.720382/2013 14). Aponta a fiscalização que esse planejamento evidencia a inobservância dos princípios consitucionais da capacidade contributiva, isonomia, neutralidade da tributação em relação à competição e da solidariedade social, além de contrariar a lei, por ter sido praticado com atos ilícitos (abuso de direito) e de forma delituosa (crime contra a ordem tributária), caracterizando verdadeira evasão fiscal. O procedimento adotado pelo grupo empresarial e seus dirigentes teria resultado em modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos impostos e contribuições devidas, estando caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação das penalidades impostas, consoante artigos art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996, e alterações da Lei 11.488/2007, bem como os arts. 71,72 e 73 da Lei 4.502/1964. APURAÇÃO DO IPI DEVIDO PELO ESTABELECIMENTO FILIAL LOCALIZADO EM TABOÃO DA SERRA/SP De acordo com as notas fiscais de venda, no 1º semestre de 2009, período que antecede a transferência dos ativos industriais oriundos das empresas adquiridas e incorporadas pela Hypermarcas DM Farmacêutica e FARMASA, a quase totalidade das vendas da Cosmed foi feita à Aprov e à Hypermarcas, sendo que o preço dos produtos vendidos à Aprov equivale à cerca de 32% do preço que esta pratica nas vendas aos demais clientes (valor de mercado) e à cerca de 30% do preço dos produtos vendidos pela própria Cosmed a terceiros. Ou seja, os preços que esta pratica com terceiros é 324% superior ao transacionado com a Aprov. No 2º semestre de 2009 os complexos industriais oriundos das empresas DM Farmacêutica e FARMASA foram transferidos para a Cosmed, e quase que a totalidade das vendas da Cosmed foi feita à Hypermarcas. Da mesma forma que no semestre anterior, o preço dos produtos vendidos para a empresa ligada Hypermarcas equivale à cerca de 33% do preço que esta pratica no mercado atacadista e à cerca de 30% do preço dos produtos vendidos pela própria Cosmed a terceiros. Portanto, o valor que a Cosmed pratica em relação a terceiros é 329% maior do que o praticado com a Hypermarcas. A autuada foi intimada a detalhar o custo de fabricação dos produtos vendidos para a Aprov e Hypermarcas, porém as informações prestadas não refletiram os valores unitários praticados, nem os valores declarados em DIPJ. Também foi apontado pelo autuante que em relação ao segmento de medicamentos existem um preço mínimo de fábrica (PF – Preço de Fábrica), a ser praticado pelas empresas produtoras e importadoras ou distribuidoras e um Preço Máximo ao Consumidor (PMC), controlados pela Secretaria Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos – CMED. No presente caso, o PF não é o praticado pela Cosmed, mas sim pela Hypermarcas, conforme detalhado a fls. 1967 e amostragem no item 5.14 do TDF. Para fins de apuração do valor tributável mínimo a ser considerado nas operações entre a Cosmed e empresas interdependentes, nos termos do art. 163 do RIPI/2002, foi realizada pesquisa junto ao mercado atacadista da praça remetente (Taboão da Serra e Barueri) com o objetivo de verificar o preço corrente de produtos com as mesmas características e especificidades dos produtos de referência elencados pela fiscalização, conforme detalhado no item 6 do TDF. Tendo em vista que parte Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.021 6 produtos produzidos pela Cosmed não possuíam similares vendidos pelas atacadistas na praça do remetente, e que também não foi possível tomar como base de cálculo o custo de fabricação acrescido dos demais custos, apresentados pelo contribuinte, em relação a estes, o valor foi arbitrado de acordo com o art. 138 do RIPI/2002. Tendo em vista que os preços praticados pela Hypermarcas e Aprov representavam os preços de mercado, foram considerados como preço médio nos principais mercados nacionais. As alíquotas utilizadas foram as mesmas adotadas pela Cosmed nas notas fiscais de venda, exceto quanto aos produtos “preparações capilares (gel)” classificados pelo contribuinte no código 3307.2090 do Decreto nº 6.006/2006 Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2007, então vigente, tributado com alíquota de 7%. Entende a fiscalização que a classificação correta seria no código 3305.9000 – outras preparações capilares, tributado à alíquota de 22%. A diferença entre o IPI apurado pela fiscalização e pelo contribuinte para os períodos de julho a dezembro de 2009 corresponde a R$ 52.262.003,32. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA À vista do disposto nos artigos 153 e 154 da Lei 6.404/1976, bem como artigos 1.011 e 1.016 da Lei 10.406/2002 Código Civil Brasileiro, e nos art. 124, inc. I e 135 do CTN, foi imputada responsabilidade solidária tributária à Hypermarcas S.A. e aos senhores Márcio Roberto Marques dos Santos (CPF 189.273.21812), Regina Célia Barros Dias (CPF 522.822.52772), Juarez Ênio Dahmer (CPF 411.004.840 00) diretores da Cosmed – senhores Cláudio Bergamo dos Santos (CPF 101.110.68843), Nelson José de Mello (CPF 130.110.221 00), Martim Prado Mattos (CPF 221.793.32807), Carlos Roberto Scorsi (CPF 030.408.158 22), Alexandre Augusto Olivieri (CPF 157.441.60817) – diretores de Hypermarcas – e Sr. João Alves de Queiroz Filho, CPF 575.794.90820 (Principal acionista e Presidente do Conselho de Administração de Hypermarcas), conforme Termos de Sujeição Passiva que se encontram nos autos. Tendo em vista que o montante do crédito tributário sob responsabilidade do sujeito passivo ultrapassa trinta por cento do Total do Ativo declarado em 31/12/2012, foi formalizado Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (processo administrativo 16004.720403/201300), com fundamento nos arts. 64 e 64A da Lei 9.532/1997 e art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1.171/2011 e alterações. Também foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo nº 16004.720402/201357. A empresa autuada e os sujeitos passivos solidários apresentaram impugnações tempestivas que serão a seguir sintetizadas. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA COSMED PRELIMINAR DE NULIDADE Aponta a nulidade do auto de infração, em síntese, pela ausência de liquidez e certeza do crédito tributário, à vista do art. 142 do CTN e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa pois não teriam sido juntadas as planilhas com as memórias de cálculo que demonstrariam as vendas consideradas efetuadas abaixo do valor mínimo tributável, bem como a quantificação do valor lançado. Alega que vários trechos do TDF contém menção às planilhas juntadas aos autos, mas ao consultar as folhas referidas deparouse apenas com a relação destas, que não teriam sido juntadas ao processo, conforme demonstrativo que elabora a fl. 2.268, o mesmo Fl. 4021DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.022 7 ocorrendo com as notificações enviadas e respondidas por empresas atacadistas. Dessa forma, não seria possível identificar os valores que o agente fiscal considera corretos quando comparados com os praticados pela impugnante. Alega que a falta de motivação ou motivação insuficiente do lançamento acarreta sua nulidade. Considera que o Termo de Descrição dos Fatos não registra a efetiva busca pela verdade material, pois não haveria a comprovação dos elementos que justifiquem a desconsideraração dos preços praticados pela empresa, nem foi intimada para justificálos. Também não é possível verificar a correção do valor tributável mínimo indicado pelo agente fiscal, nem estariam demonstrados os critérios que levaram à escolha dos estabelecimentos atacadistas intimados, nem de que cobrem todo o mercado atacadista da praça da impugnante. Muitos deles, inclusive, não atuariam somente no mercado atacadista, ou localizam se em municípios diversos. Além disso, apenas parte dos estabelecimentos intimados teria respondido à fiscalização, e, ainda assim, não constariam no processo todas as planilhas apresentadas, do que se conclui que o auto de infração se basearia em afirmações e presunções, não amparadas na busca pela verdade material. Tanto que o fiscal utilizou informações relativas a outros tributos, presentes em DIPJ, ao invés de valerse das informações constantes nos documentos relativos ao IPI , como Notas Fiscais, por exemplo. Apesar de a auditoria ter durado aproximadamente 18 meses, o IPI não teria sido objeto de questionamentos específicos. Tal prova, emprestada, não poderia ser utilizada na instrução do caso em análise. Como será demonstrado a seguir, o alegado planejamento teria propósito negocial, não mantendo qualquer relação com o IPI. Resta também prejudicada a defesa da impugnante, diante do foco do TDF, que seriam questões relativas à apuração de receitas, despesas e lucros, matéria relevante para apuração dos demais tributos, mas não do IPI, cuja legislação prevê a hipótese de empresas interdependentes realizarem operações entre si, o que teria sido desconsiderado. Haveria, nesse caso, clara ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. MÉRITO Alega inicialmente que a autuada Cosmed e Hypermarcas operam de forma independente, e nas transações entre elas devem ser observadas as disposições dos arts. 136 e 137 do RIPI/2002, cujo fundamento é o art. 15 da Lei 4.502/1964, no que tange ao valor tributável mínimo. Esclarece que os estabelecimentos da Cosmed industrializam medicamentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal, ao passo que a Hypermarcas atua no ramos de revenda e distribuição de produtos de marcas de grande reconhecimento popular, que são de sua propriedade, industrializados por terceiros, inclusive estabelecimentos da Cosmed, havendo a transferência de titularidade de um produto sem marca, da impugnante para a Hypermarcas, que realizaria os esforços relativos à sua venda, inclusive atribuição da marca. O arbitramento para o valor de produtos que, no entender do agente fiscal, não teriam similares vendidos pelas atacadistas da praça remetente, com base no art. 138 do RIPI/2002, teria sido utilizado como medida sancionatória. Não estaria Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.023 8 comprovado que os documentos e as informações prestadas pela autuada não merecem fé ou desvirtuam a realidade das operações efetuadas, tendo o agente fiscal extraído conclusões a partir da própria percepção de mercado, sem intimar a impugnante para efetuar as devidas comprovações. Cita doutrina e jurisprudência amparando seu posicionamento. Os custos de produção apurados pelo Agente Fiscal com base na DIPJ não corresponderiam à realidade, uma vez que foi disponibilizado o custo médio de produção, sem considerar as variações de inventário, as provisões de perdas prováveis, os descartes de materiais, entre outras variações de estoque que compõem o valor informado na Ficha 04A da DIPJ. Os valores de custos apresentados se refeririam exatamente ao valor discriminado na conta contábil 5110103 Custo de Venda Produtos Coligadas/Controladas do balanço da Impugnante, transmitido através do Sistema Público de Escrituração Digital Sped Contábil, que totaliza R$ 215.814.674,72 (duzentos e quinze milhões oitocentos e quatorze mil seiscentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos), o qual não contempla as variações citadas, as quais incluem custo de produção própria e custo de produtos revendidos, R$ 247.440.260,71. Esse equívoco apontaria uma diferença inexistente de quase R$ 9 milhões, relativos a custos de revenda. Se a comparação considerasse a Linha 21 (Custo dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos), seria verificada uma diferença de no máximo R$ 21 milhões, o que torna desproporcional e não razoável a adição de pelo R$ 350 milhões na base tributável do IPI, ou mais de 1500% (mil e quinhentos) por cento do valor da suposta diferença de custo levantado. A alegação de subfaturamento nas operações entre a impugnante e a Hypermarcas, não estaria amparada em qualquer elemento de prova, nem teria sido utilizado critério claro, razoável, e proporcional e previsto em lei para determinar o valor tributável correto. A documentação colocada à disposição da fiscalização permitiria apurar os valores das operações realizadas pela impugnante e, embora esta pudesse arbitrar apenas os custos das operações realizadas, optou por arbitrar o preço total de tais operações, considerando, para tanto, os valores médios praticados pela Hypermarcas nas vendas para terceiros, o que não tem previsão legal. Quanto aos produtos em relação aos quais foi aplicado o art. 136, inc I do RIPI/2002, também não teria sido observada a legislação de regência, nem se pode verificar a exatidão cálculos da fiscalização, pelos seguintes motivos: não é possível apurar se foram intimadas todas as empresas que comporiam o mercado atacadista da praça da impugnante, nem se os preços informados na resposta à intimação correspondem aos efetivamente praticados por elas, quais foram os períodos das vendas informadas, além de poderem estar incluídos neles o valor do ICMS, PIS e Cofins; os preços praticados pela própria Cosmed não foram computados no cálculo do preço médio, o que contraria o posicionamento firmado no Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982, que transcreve, e cujo efeito seria vinculante; o cálculo da fiscalização se vale de informações prestadas por empresas localizadas em praças distintas daquela em que se localiza a impugnante, conforme relacionado no documento 05, anexo à impugnação. Além disso, algumas delas não atuam apenas no comércio atacadista, pelo que o critério de seleção pelo CNAE informado no cadastro CNPJ seria impróprio, pois muitas pessoas jurídicas possuem CNAE principal e CNAEs secundários, como demonstra com dados obtidos da JUCESP relativos às empresas intimadas pelo autuante. Fl. 4023DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.024 9 Ressalta que apenas parte das empresas intimadas teriam encaminhado respostas à fiscalização. Invoca o item 6.1 do Parecer Normativo CST n° 44/1981 e o Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982, que transcreve; não teriam sido consideradas as mercadorias perfeitamente individualizadas, existindo diferenças entre as marcas dos produtos comercializados pela impugnante e pelas empresas atacadistas, além de não ser possível verificar se detém a mesma qualidade; de acordo com os itens 5.2 e 5.7 do TDF foram considerados dados e informações relativas a um terceiro estabelecimento da Cosmed (antiga FARMASA), localizado em São Paulo, o qual além de situarse em praça diversa não mantém relação com o presente auto de infração. Quanto à classificação fiscal dos produtos “preparações capilares (gel)” argumenta que seriam breves e superficiais as razões apontadas pelo fisco, sendo nula e inválida a acusação de que a impugnante teria utilizado classificação fiscal incorreta, cabendo ao fisco o ônus de comprovar a incorreção alegada, à vista do art. 142 do CTN. Defende a classificação no código 3307.20.90 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sob o argumento de que referidos produtos consistem em desodorante capilar, por possuir em sua composição a substância denominada Triclosan, antibactericida que atua na pele (couro cabeludo) e não propriamente no cabelo, sendo responsável pelo efeito desodorisador, conforme laudos técnicos que anexa (doc. 06 – fls. 3.283/3.307). Informa que diante da alegação de que teria havido planejamento tributário, contratou elaboração de parecer econômico pela empresa LCA Consultores (doc. 07), acerca da caracterização dos setores de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos ("HPPC") e de medicamentos, e sua estrutura organizacional à luz da teoria econômica e das experiências internacionais. Esclarece que o agente fiscal teria se equivocado ao deixar de levar em conta a atividade de terceirização que, seguindo padrão adotado mundialmente, viria sendo implementada pela indústria brasileira do setor desde a década de 50, como seria o caso das empresas que cita. Define terceirização como sendo “a prática das sociedades detentoras de marcas registradas (que desfrutam da credibilidade do mercado) em se concentrar nas suas atividades fins (objeto social) e repassar para "terceiros" aquelas atividades fabris e de produção (não essenciais), que podem ser delegadas com baixos custos e altos padrões de qualidade”. O mercado de produção sob encomenda, no qual atua a COSMED, tem oportunidades de lucro relacionadas, sobretudo, com redução de custos fixos e variáveis de produção enquanto o de comercialização, no qual atua a Hypermarcas, tem potencial de ganho relacionado com ferramentas de propaganda, marketing e distribuição. A terceirização de serviços para produção de bens do mercado de HPPC está regulamentada pela Resolução – RDC nº 176/06, da Anvisa, além de ser reconhecida formalmente pela legislação tributária, como no caso do da Lei 7.798/1989 e Regulamento do IPI, bem como o art. 464 do RIR/1999, que determina regras para as operações realizadas entre partes vinculadas, estabelecendo que o valor de venda não pode ser notoriamente inferior ao valor de mercado sob pena de se caracterizar a DDL. Discorre sobre o plano de negócios da Hypermarcas, iniciado pela aquisição da empresa Prátika Industrial Ltda., detentora da marca Assolan, em 2001, Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.025 10 prosseguindo com a aquisição de diversas outras companhias até o ano de 2009, as quais encontravamse em estágios evolutivos de negócios diferentes, gerando desafios também diferentes quanto a sua gestão. A cisão dos parques fabris situados em Barueri e em São Paulo, que foram conferidos à Cosmed, representaria mais um passo em direção da terceirização, política do Grupo Hypermarcas préexistente ao período fiscalizado, e que continua em vigor até os dias atuais, adotada também frente a empresas não pertencentes ao grupo. A escolha pela segregação das unidades industriais teria ocorrido em função dos estabelecimentos envolvidos e não do tipo de tributação dos produtos, além da necessidade de os estabelecimentos industriais cindidos da Hypermarcas possuírem sinergia entre si e com a estrutura de produção da Impugnante. Também foi considerada a grande dificuldade que terceiristas autônomos tradicionais enfrentariam para absorver um aumento de demanda de forma tão abrupta, além dos aspectos regulatórios próprios dos produtos em questão. No caso de medicamentos, o registro do produto junto ao Ministério da Saúde deve obrigatoriamente pertencer ao produtor, mesmo que o nome fantasia do produto pertença a um terceiro. Por decorrência, para os medicamentos, a única forma de a Hypermarcas realizar seu plano de negócios de dedicarse exclusivamente à atividade comercial seria mediante terceirização junto a empresa do próprio grupo econômico. Tudo isso se refletiria em perda de produtividade e grande aumento de custo, afetando a competitividade da companhia, e gerando um risco real de desabastecimento do mercado. Atualmente, quase todos os parques fabris da Hypermarcas teriam sido transferidos à Cosmed. A evolução da terceirização da produção das mercadorias do portfólio da Hypermarcas pode ser verificada nas fichas 6A das DIPJ referentes aos períodos a partir de de 2008. A representatividade dos produtos terceirizados (revenda de mercadorias), estaria crescendo não só em valor absoluto, mas também na proporção com o total de receitas, passando de 24,8% no ano de 2008, para 84,4% na DIPJ referente ao segundo semestre de 2012. Assim, grande parte dos produtos comercializados não estariam incluídos no regime monofásico quanto às contribuições citadas, o mesmo se verificando em relação ao IPI, o que torna insubsistente a alegação de planejamento tributário. Ademais, de acordo com as DIPJ anexas, a Hypermarcas S/A viria apurando prejuízos fiscal ano após ano, não exisitindo economia no que se refere ao IRPJ e à CSLL, e caso as atividades da impugnante fossem consolidadas com as da controladora, não haveria saldo a pagar desses tributos. Ou seja, ao contrário do apontado pelo agente fiscal, a não segregação das atividades industrial e comercial geraria um benefício tributário. Ressalta que, contrariando o entendimento do AFRFB tal forma de concentração de despesas não seria dolosa. Contesta a análise comparativa dos índices de lucro bruto da impugnante com 62 outras pessoas jurídicas, alegando que pelas informações do TDF aparentemente referemse a somente um dos setores de atuação da Hypermarcas. Observa que, de acordo com o apontado, sua margem bruta seria muito próxima de sua principal concorrente, Provider (sendo inclusive um pouco maior). Também não se pode falar em subfaturamento, situação em que o valor registrado na contabilidade do contribuinte é inferior àquele praticado pelo mercado, presumindo se que a diferença entre o valor efetivamente escriturado e àquele praticado pelo mercado foi mantida à margem da contabilidade. Os preços praticados nas vendas da impugnante para a Hypermarcas tem amparo legal, foram efetivos, reais e seriam compatíveis com os praticados no setor de HPPC e de medicamentos, além de serem Fl. 4025DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.026 11 suficientes para arcar com todos os custos incorridos pela impugnante na fabricação, não havendo de se falar qualquer conduta ilícita e abusiva. Haveria confusão no tópico 5.14 do TDF com respeito ao que foi intitulado "Preço Mínimo de Fábrica PF", pois o que é estabelecido pela CMED é o Preço Máximo de Fábrica e não ao contrário. De fato, a justificativa para esse tipo de controle, é proteger os consumidores sobre possíveis abusos praticados pelas distribuidoras de medicamentos. Ocorre que Hypermarcas S/A apenas pratica um preço próximo àquele fixado pela CMED nas operações em que realiza justamente porque detém a propriedade das marcas dos medicamentos que distribui. Como seria prática corrente nesse setor operações a indústria "terceirista" vende o medicamento para o detentor da marca sem esse valor agregado, para então ser vendido ao consumidor final respeitando o Preço Máximo de Fábrica. Por fim, embora as contribuições ao PIS e à COFINS não sejam objeto do presente auto de infração, argumenta que as opções fiscais de tratamento tributário para o regime monofásico seriam facultadas pelo ordenamento jurídico e colocadas à disposição dos contribuintes para que fossem seguidas, não existindo nenhum tipo de vedação legal à segregação de atividades pelos grupos econômicos atuantes nos mercados de HPPC e medicamentos, com o recolhimento dessas contribuições sob o regime monofásico pela unidade que fabrica os seus produtos vendidos e à alíquota zero na unidade que os comercializa. O fato de a Hypermarcas ter auferido vantagem com a estrutura societária implementada não justifica a imputação de suposto abuso de direito, e ainda que se considerasse a existência de planejamento tributário, o que se admite a título argumentativo, é certo que todos os limites impostos para a implementação deste "planejamento" teriam sido efetivamente cumpridos. Indevida Cobrança da "Multa Agravada" Ausência de "Fraude Penal" Não estaria comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não se caracterizando a fraude, sonegação ou conluio necessários à imposição da multa agravada no presente caso. Tanto é assim que a impugnante levou a registro todos os atos societários relacionados à operação; prestou todas as informações ao Fisco Federal, por meio das declarações e obrigações acessórias bem como apresentou todos os esclarecimentos requeridos pela Fiscalização, oferecendo todos os documentos necessários à investigação, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir seu trabalho. Também não se considera que a impugnante possa ter agido em conluio, pois em nenhum momento o agente fiscal fez alegação neste sentido, nem comprovou tal prática por parte da impugnante, o que por si só, já revela imprecisão na tipificação penal. Nesse caso, a interpretação da legislação tributária deve ser feita favoravelmente ao contribuinte, conforme estabelecido no artigo 112 do CTN. Em decorrência, a acusação fiscal seria desproporcional, evidenciando ofensa ao princípio da legalidade tributária, da razoabilidade e da utilidade. Aponta a ilegalidade da cobrança de juros com base na Taxa Selic sobre a multa de ofício, tendo em vista que o o artigo 13 da Lei 9.065/1995, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/1995, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Há que se ter presente a distinção do art. 113 do CTN. Finalizando, requer a declaração da nulidade do auto de infração, ou, alternativamente, quanto ao mérito, seja julgado totalmente improcedente, com o cancelamento da exigência formalizada. Fl. 4026DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.027 12 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR HYPERMARCAS Inicialmente aponta a nulidade do auto de infração pela ausência de liquidez e certeza do crédito tributário e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa e pela falta de juntada das planilhas com as memórias de cálculo que fundamentaram as autuações. Não teria sido buscada a verdade material, estando o TDF baseado em presunções, sem que o agente fiscal tenha solicitado esclarecimentos da Cosmed a respeito da diferença de custo. Além disso, o auto de infração teria sido instruído com TDF produzido para outro auto de infração em que a Cosmed figura como autuada, não sendo possível verificar os fundamentos da exigência do IPI. Quanto ao mérito, contesta a alegação de fraude e abuso de direito. O mesmo modelo de negócio adotado pela Hypermarcas seria utilizado por empresas que atuam no mercado nacional e internacional, cujas vantagens e propósito negocial procura demonstrar com parecer da empresa LCA Consultores, anexo à impugnação. A transferência de ativos industriais de Hypermarcas para a Cosmed não teria finalidade de redução de carga tributária, mas sim de adequação à realidade mundial do seu ramo de atuação, sendo que em 2012 mais de 50% da receita da impugnante teria sido tributada com alíquota zero quanto ao IPI. Os preços praticados pela Cosmed estariam de acordo com os riscos e a operação que pratica – terceirização – sendo equivalentes aos praticados por outros terceiristas atuantes no mercado, inclusive com a própria Hypermarcas, como demonstra o citado laudo econômico, que aponta que 37% dos produtos acabados adquiridos pela Hypermarcas em 2009 foram terceirizados por empresas independentes. Contesta o arbitramento do valor tributável do IPI, desconsiderando os custos incorridos pela Cosmed e adotando preço que não seria o usual na praça do contribuinte e não representariaa margem usual do mercado em que opera, além de a alegada inconsistência de custo representar, no máximo R$ 21 milhões e não os valores considerados pelo autuante, além de haver divergências quanto ao levantamento do preço de mercado na praça do remetente. Defende a classificação adotada pela empresa para o produto “preparações capilares (gel)” descolorante para cabelo”. Esclarece que o foco da impugnação é demonstrar a improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, sendo que a discussão dos autos de infração está sendo feita na impugnação da Cosmed, que ratifica e reitera. Passa a contestar o Termo de Sujeição Passiva, conforme síntese a seguir. Nesse sentido, alega.que o conceito de “interesse comum” presente no art. 124, I, do CTN não se prestaria para atribuir responsabilidade solidária à Hypermarcas, não se confundindo com o “interesse econômico” no resultado do fato gerador, conceito já rechaçado pela doutrina e jurisprudência, que considera que o mesmo teria uma dimensão jurídica. Na sequência, repete os argumentos dos diretores da empresa, que serão a seguir relatados, ressaltando que o dispositivo em questão não se presta para atribuir responsabilidade solidária entre partes contrapostas de contratos de compra e venda, ainda que se considerasse que os preços praticados seriam inferiores aos de mercado. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELOS DIRETORES DE HYPERMARCAS A impugnação de fl. 2.196 e seguintes, é assinada por representantes dos senhores CLÁUDIO BERGAMO DOS SANTOS, NELSON JOSÉ DE MELLO, MARTIM Fl. 4027DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.028 13 PRADO MATTOS, CARLOS ROBERTO SCORSI E ALEXANDRE AUGUSTO OLIVIERI. Alegam inicialmente que o lançamento seria improcedente, conforme demonstrado na defesa administrativa apresentada pela Cosmed, cujos termos reiteram e ratificam, e que optaram por apresentar defesa conjuntamente porque se encontram em situação análoga e possuem argumentos em comum, e que o foco desta é a demonstração da improcedência dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Solicitam que sejam consideradas as suas razões, a seguir sintetizadas, no caso de serem rejeitados os argumentos apresentados pela autuada. Seria indevida a utilização do art. 124, I, do CTN para atribuir responsabilidade tributária aos impugnantes, na condição de diretores de Hypermarcas, pelos autos de infração lavrados contra a Cosmed. A definição de interesse comum pretendida pelo agente fiscal seria equivocada e rejeitada pela doutrina e jurisprudência. Em sentido jurídico, só haveria interessse comum entre pessoas que realizam conjuntamente o fato gerador da obrigação tributária, todos assumindo a condição direta de contribuinte. Não se pode dizer que a Hypermarcas tenha participado efetivamente da ocorrência do fato gerador, o que só ocorreira se as duas empresas tivessem efetuado, conjuntamente, a venda de produtos para terceiros. Neste caso, não haveria que se falar em venda subfaturada ou distribuição disfarçada de lucros. A propósito, o termo “subfaturado” não teria sido utilizado em sentido técnico (emissão de fatura em valor inferior ao efetivamente praticado), o que caracterizaria simulação. Nesse sentido, observa que a doutrina citada pelo agente fiscal (artigo publicado na RDT n.° 4, de 1978) também não se refere à hipótese dos autos, pois não haveria qualquer situação de fraude. Mesmo que se admitisse, a título de argumentação, a existência de abuso de planejamento tributário, este não seria por meio de ato fraudulento ou simulatório. A existência de diretores em comum entre as duas empresas seria prática legal comumente verificada na maioria dos grupos societários e também não sustentaria a configuração de interesse em comum. Devese esclarecer, ainda, que o Sr. Martim Prado Mattos, diretor da Hypermarcas, só passou a ser Diretor da Cosmed em 30 de abril de 2013. Também não se pode presumir que esses diretores tenham sido economicamente beneficiados pela suposta falta de recolhimento de tributos. Poderia existir, quando muito, interesse meramente econômico entre as duas empresas, porém não se trataria de interesse comum na acepção jurídica. Devem também ser consideradas áreas de atuação específica de cada diretor, bem como as atribuições dos membros do Conselho de Administração, não sendo razoável pensar que todos são diretamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações tributárias da empresa. Prosseguem citando doutrinadores como PAULO DE BARROS CARVALHO, JOSE JAYME DE MACEDO OLIVEIRA, SACHA CALMON NAVARRO COELHO, ANDRÉA M. DARZÉ, bem como jurisprudência do CARF E a súmula "Súmula STJ n.° 430 O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." (DJe maio/2010). A responsabilidade dos diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito privado é regulada pelo art. 135, III, do CTN, cuja aplicação requer a demonstração, de forma individualizada, de infração à lei ou ao contrato social, praticada pessoalmente por esses agentes, o que não ocorreu no presente caso. Ainda assim, esse dispositivo legal só poderia ser usado para atribuir responsabilidade Fl. 4028DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.029 14 tributária, se fosse ao caso, aos diretores da autuada, e não aos de Hypermarcas, por débitos daquela. Logo, a interpretação dada pelo autuante desconsiderou a personalidade jurídica distinta das duas empresas. Citam ainda o art. 2º da Portaria PGFN 180/2010 e o item 11 do Parecer/PGFN/CRJ 1407/2013, no sentido de que o inadimplemento não tem o condão de ensejar responsabilização as pessoas elecadas no art. 135 do CTN. Além disso a Portaria RFB 2.284/2010 estabelece que nas hipóteses de lançamento com pluralidade de sujeitos passivos, os AFRFB deverão reunir provas para caracterização dos responsáveis, cujo vínculo de responsdabilidade deverá estar caracterizado na autuação. Tal não teria ocorrido no presente caso, caracterizando inversão do ônus da prova e presunção de fraude, não admitidos no nosso ordenamento jurídico. Sustentam que também não seria aplicável o art. 1.016 do Código Civil Brasileiro, pois em matéria tributária prevalece a disposição específica do art. 135, III, do CTN, que tem status de lei complementar. Mesmo admitindo sua aplicação, a título de argumento, ainda assim, os impugnantes não poderiam ser responsabilizados porque não eram diretores da empresa autuada, nem ficou demonstrado que agiram com culpa no desempenho de suas funções.Da mesma forma, seria inaplicável o art. 117 da LSA, pois os impugnantes não são acionistas “controladores" da empresa Cosmed. Com respeito à desconsideração da personalidade jurídica com fundamento no art. 50 do CC salientam que referido dispositivo não pode ser aplicado em matéria tributária, pois não consiste em lei complementar a que alude o art. 146, III da Constituição Federal. Tal desconsideração só poderia ser determinada pelo juiz, não podendo ser realizada unilateralmente pelo Auditor Fiscal. Para chegar aos administradores da Hypermarcas por meio desse dispositivo, seria necessário primeiro desconsiderar a personalidade jurídica da própria Cosmed, para tratála como mero estabelecimento da Hypermarcas e, a seguir, desconsiderar também a personalidade jurídica da Hypermarcas. Ora, se ambas fossem tratadas como uma única empresa, seria impossível falar de DDL, que não pode existir entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica. Finalizam solicitando o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, e solicitam a produção de todo gênero de provas em direito admitidas. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO SR. JOÃO ALVES DE QUEIROZ FILHO – Presidente do Conselho de Administração de Hypermarcas Inicialmente, repete a alegação de nulidade e os argumentos quanto ao mérito elencados pela empresa Hypermarcas, acima relatados, que ratifica e reitera. Passa a contestar o Termo de Sujeição Passiva, conforme síntese a seguir. Alega que não foi apontado qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei e que não seria o acionista majoritário de Hypermarcas. A empresa Igarapava Participações S.A, da qual é acionista, é que sempre teria feito parte do bloco de controle da Hypermarcas e, mesmo assim, sem ser acionista majoritária, posto que mantinha, no final do ano de 2009, apenas 31% das ações com direito a voto. Além disso, não se pode confundir as competências do Presidente com as do próprio Conselho de Administração. Prossegue repetindo os argumentos apresentados pelos diretores da Hypermarcas, antes relatados, com respeito à aplicação do art. 124, I, do CTN e à existência de “interesse comum”. Fl. 4029DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.030 15 Quanto à aplicação do art. 135, III, do CTN, informa que jamais revestiu a condição legal de "diretor, gerente ou representante legal" a que se refere esse dispositivo. Teria desempenhado a função de Presidente do Conselho de Administração da Hypermàrcas, nos limites da competência deste, que é de fixar a orientação geral dos negócios da companhia, de acordo com o art. 142, inc. I da LSA. De qualquer forma, os membros do Conselho de Administração não estão contemplados no enunciado art. 135, III, do CTN, aos quais o legislador não atribuiu responsabilidade tributária. O cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias é de responsabilidade da área executiva, competindo exclusivamente ao diretor responsável pela área tributária. Ademais, as hipóteses de responsabilidade tributária estão expressamente previstas em lei, não cabendo a utilização de analogia para estendêlas a casos não previstos, por força do disposto no art. 108, § 1º do CTN. Esclarece que os diretores de Hypermarcas são eleitos pelo Conselho de Administração e não individualmente pelo impugnante. A responsabilidade dos sócios é tratada pelo art. 134 do CTN, enquanto que o art. 117 da LSA, que trata da responsabilidade do acionista controlador pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder, tem como objetivo a proteção do interesse dos acionistas minoritários, também não se prestando à imputação de responsabilidade em matéria tributária, por força do art. 146, III, da Constituição Federal. Finaliza solicitando o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, e a produção de todo gênero de provas em direito admitidas. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA SRA. REGINA CELIA BARROS DIAS – DIRETORA INDUSTRIAL DA COSMED Alega que o a atuação como diretora seria restrita ao campo regulatório da divisão de medicamentos da companhia, com vínculo regido através da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT – como comprovado pela cópia da Carteira de Trabalho em anexo. Assim não haveria fundamento jurídico para sua responsabilização, nos termos do art. 135, III do CTN, bem como do art. 117, da Lei nº 6.404/1976, pois a prática de atos contrários à lei ou com excesso de mandato só induz a responsabilidade de quem tenha administrado a companhia, pelo que a solidariedade não se expande aos meros diretores, sem poder de gestão. Salienta que, ao longo de 39 anos de atuação profissional não teria exercido outra a atividade senão a de farmacêutica, dentre outras razões, por expresso impedimento legal. Discorre sobre Direito Sanitário, ramo autônomo do direito que tem fonte no art. 24, inc. XII da Constituição Federal e abrange diversas normas legais e infralegais com objetivo de preservar a saúde da população e mitigar riscos sanitários inerentes a certas atividades próprias das sociedades atuais, pautados pelo princípio da segurança sanitária, cujo objetivo é assegurar que referidas normas se concretizem. Esclarece que os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, definidos na Lei 5.991/1973, bem como os produtos de higiene, os cosméticos, perfumes, saneantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e outros, sujeitamse às normas de vigilância sanitária instituídas pela Lei 6.360/1976, só podendo ser extraídos, produzidos, fabricados, transformados, sintetizados, purificados, fracionados, embalados e reembalados, importados, exportados, armazenados ou expedidos por empresas autorizadas pelo Ministério da Saúde, cujos estabelecimentos tenham sido inspecionados pelas unidades dos Estados ou Municípios em que se localizem. O art. 8º da mesma norma determina que nenhum Fl. 4030DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.031 16 estabelecimento que fabrique ou industrialize referidos produtos poderá funcionar sem a assistência e responsabilidade efetivas de técnico legalmente habilitado, sendo esse o fundamento das atividades da impugnante, de natureza eminentemente técnica. Destaca que não estaria atuando como administradora ou dirigente da empresa Cosmed, mas sim exercendo a profissão de farmacêutica, ainda que como Diretora Técnica, e, por decorrência, achavase submetida às regras do Conselho Federal de Farmácia, que impõem uma conduta estritamente vinculada com a sua área de atuação. Dentro de suas atribuições, no âmbito da legislação sanitária, jamais teria praticado atos que pudessem ser imputados como culposos ou dolosos, o mesmo não ocorrendo em área de seu completo desconhecimento, como a área fiscal. Sequer haveria, nas atas da empresa, registro de sua participação em atividades econômicas ou financeiras. Suas atividades se davam integralmente na área regulatória, em constante comunicação com os órgãos do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária, como decorrência do disposto na Lei 6.360/1976, arts. 53 a 56. O termo Diretora Técnica ou Industrial seria comumente usado para todos aqueles farmacêuticos ligados à produção e assuntos regulatórios, no referido segmento industrial. Anexa cópias do Estatuto Social e Atas das Assembléias Gerais para comprovar suas alegações. Observa que na qualidade de diretora empregada da Cosmed estava vinculada ao poder da direção administrativa da companhia na prestação dos serviços inerentes à sua área de atuação, só respondendo solidariamente em caso de prejuízos causados em virtude do não cumprimento das normas a ela relativas. Invoca, nesse sentido, o art. 158 da Lei n° 6.404/76, que trata das responsabilidades dos administradores das sociedades anônimas, bem como jurisprudência judicial, no sentido de excluir a responsabilidade tributária de diretor técnico, à vista do art. 135, III do CTN. Finaliza solicitando a anulação do Termo de Sujeicão Passiva Solidária e o reconhecimento de sua ilegitimidade para figuar no pólo passivo do auto de infração. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELOS DIRETORES DA COSMED A impugnação de fl. 2.519 e seguintes, é assinada por representantes dos senhores JUAREZ ÊNIO DAHMER e MÁRCIO ROBERTO MARQUES DOS SANTOS, na qual reiteram e ratificam a defesa apresentada pela empresa autuada e com argumentos idênticos aos dos diretores de Hypermarcas, sustentam que seria indevida a sua responsabilização, solicitando o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva. O Recurso Voluntário foi julgado pelo Acordão nº 1049.864 3ª Turma da DRJ/POA , com a seguinte Ementa (fl. 3351): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 4031DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.032 17 É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É legítimo o lançamento de ofício de diferenças do IPI, apuradas em relação a saídas de produtos para firma com a qual o remetente mantém relação de interdependência, praticando preços muito inferiores aos de mercado e sem incluir na base de cálculo do IPI todos os custos e demais elementos previstos na legislação como obrigatoriamente componentes do valor tributável mínimo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Os produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo classificamse no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. A existência de circunstâncias qualificativas previstas em lei justifica a exigência de multa de ofício no percentual de 150% do imposto que deixou de ser recolhido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IPI no prazo legal. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária à empresa integrante do mesmo grupo econômico da autuada, em vista do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária apurada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Esta turma do CARF, por meio da Resolução no. 3301000.532 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fl 4105/4126), determinou diligência para que a unidade de origem providenciasse a disponibilização nos autos do teor dos arquivos indicados às fls. 1976 a 1982 e consolidasse os valores da presente autuação, segregandoos por modalidade de apuração da base de cálculo, isto é: (i) VTM do art. 136 e 137 do RIPI/02 e (ii) arbitramento do art. 138 do mesmo RIPI. Fl. 4032DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.033 18 Em resposta, foi juntada a Informação Fiscal às fls. 3980/3984. A Recorrente teve oportunidade de se manifestar sobre a Informação Fiscal, conforme documentos constantes às fls. 3990/3998. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre inicialmente consignar que a ação fiscal objeto do MPF n.º 0812800 2012000259, referiuse aos tributos IPI, PIS/COFINS nãocumulativos, IRPJ e CSLL, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, junto à Recorrente. Serão julgados conjuntamente o Processo no. 16004.720382/201314, relativo ao tributo IPI ESTABELECIMENTO MATRIZ, e o Processo no. 16004.720383/201369, concernente ao o IPI do ESTABELECIMENTO FILIAL. O Processo no. n° 16004720.395/201393, relativo a PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, já foi julgado, Acórdão nº 1402002.337 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 5 de outubro de 2016, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO FISCAL. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência simulação, fraude, abuso direito ou de formas ou ainda fraude à lei. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. OPERAÇÕES REALIZADAS A VALOR DE MERCADO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em distribuição disfarçadas de lucros quando as operações foram realizadas em valores absolutamente dentro da média praticada no mercado. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.034 19 Em decorrência da relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento de CSLL as razões de decidir utilizadas em relação ao lançamento de IRPJ. PIS E COFINS. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. INEXISTÊNCIA DE NORMA QUE ESTIPULE VALORES MÍNIMOS NAS OPERAÇÕES INTRAGRUPO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Demonstradas que as operações questionadas pelo Fisco não configuram distribuição disfarçada de lucros, tampouco simulação, e na ausência de normas que estipulem valores mínimos a serem praticados entre empresas do mesmo grupo para fins da incidência de PIS e de Cofins no regime monofásico, cancelase o crédito tributário correspondente. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. INSUMO. CONSULTORIAS. Insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos diretamente na fabricação do produto ou serviço prestado. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. ANÁLISE LABORATORIAL. EXIGÊNCIA DA ANVISA. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos relativos à aquisição de serviços ligados à análise laboratorial, decorrentes de exigências legais, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. A locação de mão de obra é citada expressamente como prestação de serviço, já que sujeita ao ISS, conforme Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116/2003 item “17.05 Fornecimento de mão de obra, mesmo em caráter temporário, inclusive de empregados ou trabalhadores, avulsos ou temporários, contratados pelo prestador de serviço”. Não se pode confundir a locação de mão de obra (prestação de serviço), com a locação de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pois essa não é considerada prestação de serviço (Súmula Vinculante STF nº 31), razão pela qual o legislador citou Fl. 4034DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.035 20 expressamente que dá direito ao crédito de PIS e Cofins o pagamento feito a pessoas jurídicas a título de locação de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, não sendo necessária a menção direta a locação de mão de obra por esta já estar enquadrada no conceito de insumo utilizado na produção e fabricação de bens e produtos destinados à venda. Portanto, caso o legislação não citasse expressamente o direito à apropriação de crédito relativo a locações de prédios, máquinas e equipamentos não seria possível incluir tal direito na cláusula geral de serviço prestado por pessoa jurídica, o mesmo não ocorrendo em relação à locação de mão de obra. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. ALUGUEL. Vedado o creditamento relativamente a aluguel de imóvel que já tenha integrado patrimônio da pessoa jurídica. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004, bem assim, de bens não utilizados diretamente na produção. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente qualquer elemento que denote dolo, não há como se manter a qualificação da penalidade, mormente na hipótese de manutenção do lançamento somente no tocante à discussão de direitos a créditos de PIS e Cofins. Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.036 21 INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. Não há que se falar em exoneração de multa e juros, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN, se as decisões colacionadas pela Recorrente não possuem efeito vinculante, sendo válidas somente entre as respectivas partes. Na ausência de qualquer norma complementar que tenha orientado a conduta praticada pela Recorrente, não há como aplicar o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Cancelada a única infração que poderia, em tese e em relação aos coobrigados, demonstrar seus interesses jurídicos na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal, bem como demonstrado não haver qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por consequência, excluemse os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária. Recursos Voluntários dos Coobrigados Providos. Recurso Voluntário da Pessoa Jurídica Autuada Provido em Parte. Registrese ainda que o Acórdão nº 1402002.337 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (Processo 16004720.395/201393) foi objeto de Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda (admitido) e Embargos de declaração da contribuinte e encontrase no CARF para prosseguimento. Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.037 22 Cumpre observar, preliminarmente, as disposições do RICARF sobre conexão e vinculação de processos. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Dessa forma, entendese que há conexão entre os dois processos em julgamento nesta sessão Processo no. 16004.720382/201314 e Processo no. 16004.720383/201369 e o Processo Processo no. n° 16004720.395/201393, relativo a PIS, COFINS, IRPJ e CSLL já foi julgado, Acórdão nº 1402002.337. Em razão das disposições do RICARF colacionadas, concluise que a competência é da 1a Seção deste CARF e propõese o encaminhamento dos processo em pauta para a Seção competente. Após a preliminar de incompetência, passamos a analisar as alegações constantes do Recurso Voluntário, que são as seguintes: · Nulidade da decisão recorrida e do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. · Impossibilidade de se aplicar o arbitramento no caso concreto, sendo necessário se considerar os custos indicados pela recorrente, que não apresentam qualquer incompatibilidade com a DIPJ, com alegado pela fiscalização. Além disso, todas as informações necessárias para a Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.038 23 quantificação da base de cálculo do IPI encontravamse disponíveis na escrituração contábil digital entregue pela recorrente à RFB. Com isso, concluiu que o Fiscal se utiliza do arbitramento como medida sancionatória. · A legalidade da estrutura societária do Grupo Hypermarcas. Inexistência de planejamento tributário ilícito, inocorrência de fraude à lei, demonstração de propósito negocial nas operações. Pela análise do segmento econômico da recorrente, demonstrou o fundamento do plano de negócios do Grupo Hypermarcas. · A diferença de preços praticados pelas empresas decorre do fato de que cada uma delas atua com plena autonomia e dentro de suas características, a fim de atingir os objetivos previstos no seu respectivo contrato social, apresentando custos diferentes e agregando valores distintos, inerentes às suas próprias atividades dentro do Grupo. A essencialidade das despesas de distribuição e marketing para a Hypermarcas, e não para a recorrente. · O arbitramento não poderia ter sido baseado nos preços praticados pela Hypermarcas, visto que esses não correspondem ao preço dos “principais mercados nacionais” previstos no art. 138, § 2º do RIPI/02, pelo simples fato de que tal empresa atua em mercado distinto ao da recorrente, que exerce atividades de terceirização de produção de mercadorias. · Inobservância dos critérios legais para a determinação do VTM: não há provas de que as empresas intimadas para representar o mercado atacadista da praça do remetente refletem todo o universo das vendas de Taboão da Serra; parte das empresas intimadas sequer apresentou resposta à fiscalização; várias empresas atuam também no mercado varejista; não houve realização de auditoria competente para verificar a correção das informações prestadas pelas empresas intimadas; foram considerados dados relativos a empresas situadas em praças distintas (São Paulo e São Caetano do Sul); foram tomados preços de produtos diversos dos produzidos pela recorrente (de marcas e qualidades diferentes); o preço praticado pela recorrente nas suas vendas para Hypermarcas não poderia ter sido desconsiderado. · Correção da classificação fiscal dos produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador”. · Inexistência de vendas subfaturadas. Regular apuração do preço máximo de fábrica, imposto pela Secretaria Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. · Indevida cobrança de multa agravada, por não haver prova de qualquer irregularidade cometida pela empresa e nem do alegado intuito de fraude. Fl. 4038DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.039 24 · Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Os responsáveis solidários, ao tempo em que aderem integralmente aos argumentos do recurso voluntário da COSMED, alegam ter havido modificação do fundamento legal indicado no termo de sujeição passiva solidária, considerando que a DRJ sustenta sua decisão no art. 8º do DL 1736, não mencionado na autuação. Defendem, ainda, a improcedência do termo de responsabilidade solidária seja porque o agente fiscal não enunciou a conduta infracional supostamente praticada pelos responsáveis; seja porque não há que se falar em interesse comum que justificasse a aplicação do art. 124, I do CTN; seja, ainda, porque não houve fraude ou simulação para fundamentar a responsabilidade no art. 135 do CTN, que não se aplica para casos de mero inadimplemento das obrigações tributárias; seja, por fim, pela impossibilidade de se aplicar o art. 50 do Código Civil em matéria fiscal. 1. VALIDADE DO LANÇAMENTO E DA DECISÃO RECORRIDA Nos termos do relatado, a Recorrente pleiteia a nulidade do lançamento em razão de suposto cerceamento de seu direito de defesa, tendo em vista que a ela não teria sido dada a oportunidade de analisar os cálculos realizados pelo Fiscal, já que faltam instruções ou detalhamentos da planilha utilizada no Termo de Descrição dos Fatos, que não se encontra no corpo da peça que instruiu o lançamento. Sem razão, porém, a autuada. No entanto, segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Nenhum desses vícios, entretanto, é verificado no presente procedimento, que foi conduzido por autoridade competente e com total observância ao direito de defesa do fiscalizado. Nesse sentido, a decisão atacada confirma que todos os documentos mencionados na autuação encontramse no processo digitalizado, explica como acessálos e exemplifica o que afirma quando traz a imagem de um dos documentos a que o contribuinte se refere como não tendo tido acesso. Ademais, aduz que: Verificase, ainda, que o TDF reportase ao procedimento da auditoria como um todo, tendo o autuante exposto suas conclusões a respeito do procedimento adotado pelo contribuinte e seus reflexos em relação aos tributos que ensejaram lançamento de oficio, para a seguir expor minuciosamente o procedimento de apuração do IPI que deixou de ser recolhido no período auditado. Os itens 6 e 7 do TDF dão conta que a formalização do lançamento desse tributo foi precedida de incontestável interação entre a empresa impugnante e o agente fiscal, com vistas a apuração da efetiva base de cálculo do IPI nas operações praticadas. O autuante não só esclareceu as razões que o levaram a adotar a apuração de valor tributável mínimo, em detrimento dos preços praticados pela impugnante nas vendas para a Aprov e para sua controladora Hypermarcas, como também demonstrou com documentos, planilhas e memórias de cálculo os fatos que motivam suas conclusões, tudo isso obtido mediante análise de informações contidas nos bancos de dados da RFB, de Fl. 4039DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.040 25 documentos, notas fiscais e esclarecimentos prestados pela própria autuada e também pelas demais empresas que foram intimadas no curso da auditoria, nesse caso com estrita observância das normas a respeito da apuração do valor tributável mínimo. Além disso, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa da parte, que apresentou extensas, substanciosas e detalhadas razões recursais, demonstrando conhecer perfeitamente os motivos da autuação, devese observar a jurisprudência já consagrada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo” (Acórdão: CSRF/0202.301). Pelo exposto, portanto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. 2. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO O valor tributável mínimo está previsto nos arts. 136 e 137 do RIPI/02, in verbis: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (Decretolei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para Fl. 4040DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.041 26 efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarse á por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA‑GERAL DA FAZENDA NACIONAL De início, restanos afirmar que, ainda que a legislação do IPI não impeça a terceirização de etapas da industrialização, o fato é que, na hipótese dos autos, as saídas ora tributadas referemse a produtos industrializados pela COSMED, por conta própria, conforme documentado em livros, notas fiscais, registros e demais documentos juntados aos autos e já devidamente analisados pelos Julgadores de Primeira Instancia, que afastam, assim, a insistente argumentação da empresa, de que teria havido, na verdade, apenas transferência de produtos sem marca, sendo as operações da empresa de mera terceirização. Visto isso, ressaltase que a interdependência de duas empresas, nos termos do art. 520, I, do RIPI/02 verificase sempre que uma delas tiver participação no capital social da outra de quinze por cento ou mais, por si, seus sócios ou acionistas, bem como por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física, exatamente como se dá no presente caso, em que a HYPERMARCAS S.A. (empresa Comercial) detém 100% das ações da COSMED INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS E MEDICAMENTOS S.A. (recorrente), segundo indicado pela Fiscalização. A interdependência, no caso, estaria também configurada pela vinculação gerencial e coincidência de sócios e administradores (devidamente demonstrado no item 7.1.1.1 do Termo de Descrição dos Fatos) e, ainda, porque a recorrente vende para a Fl. 4041DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.042 27 HYPERMARCAS quase a totalidade dos produtos que industrializa. De todo modo, a relação de interdependência entre as partes sequer foi contestada pela recorrente. Apontada, portanto, a interdependência entre as empresas envolvidas nas operações fiscalizadas, a recorrente deveria ter aplicado, nas vendas realizadas para a HYPERMARCAS, o valor tributável mínimo. No entanto, o que se viu nos autos foi que a fiscalizada industrializou seus produtos e os vendeu, quase que em sua totalidade para a HYPERMARCAS a preços significativamente inferiores àqueles praticados na operação com terceiros independentes. Além disso, identificouse, ainda, que os preços praticados pelas interdependentes no mercado atacadista, na venda a terceiros não integrantes do Grupo Hypermarcas, eram muito superiores aos preços praticados intragrupo. Senão vejamos: 1º Semestre de 2009 (01/01/2009 a 30/06/2009): Ou seja, apuramos que o preço dos produtos vendidos à Aprov [incorporada pela Hypermarcas em dezembro de 2008] equivalia à cerca de 32% (trinta e dois por cento) do preço pratica pela Aprov nas vendas aos seus clientes (valor de mercado). O quadro acima também demonstra que o preço dos produtos vendidos à Aprov equivale à cerca de 30% (trinta por cento) do preço praticado pela Cosmed nas vendas a terceiros (outros clientes da Cosmed). (...) 2º Semestre de 2009 (01/07/2009 a 31/12/2009): Mais uma vez apuramos que o preço dos produtos vendidos para a empresa ligada (Hypermarcas) equivale à cerca de 33% (trinta e três por cento) do preço praticado pela Hypermarcas no mercado atacadista. Da mesma forma, o preço dos produtos vendidos para a empresa ligada (Hypermarcas) equivale à cerca de 30% (trinta por cento) do preço praticado nas vendas da Cosmed com terceiros (clientes da Cosmed). O simples fato de estabelecimentos interdependentes praticarem entre si preços diferentes daqueles negociados no mercado, quando da comercialização entre partes não relacionadas, denota o favorecimento entre elas o que, por si só, autoriza a conclusão de que a recorrente, de fato, praticou a infração que lhe foi imputada. Tudo isso, partindose do pressuposto de que o RIPI/02, nos seus arts. 136 e 137, traz normas que, claramente, visam A impedir que os fabricantes se utilizem de firmas interdependentes para reduzir a base de cálculo do imposto. Assim, existindo mercado atacadista na praça do remetente, o preço do produto negociado entre as empresas interdependentes deveria corresponder ao preço corrente naquele mercado, o que, claramente, não se deu nos autos. A fim, portanto, de demonstrar a infração cometida pela fiscalizada e de se chegar a esse valor de mercado, a ser calculado com base na média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês antecedente ao da saída do estabelecimento remetente ou ao mês imediatamente anterior, exatamente como manda a legislação, a Fiscalização intimou 25 Fl. 4042DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.043 28 empresas comerciais atacadistas localizadas em Taboão da Serra e Barueri (cidades onde estão localizados os estabelecimentos industriais da COSMED, respectivamente, filial e matriz), listadas no item 2.3 do Termo de Descrição dos Fatos e identificados por meio do CNAE Fiscal, a informar o preço de revenda, no atacado, de cada produto que tivesse as mesmas características e especificidades das mercadorias industrializadas pela COSMED, indicando, ainda, a quantidade de produtos vendidos. Nesse sentido, na intimação enviada aos atacadistas da praça da recorrente constava que “para os produtos de referência, cujas características e especificidades são diferentes dos produtos revendidos pela Atacadista Intimada, não é necessário infirmar o valor do preço de venda”, o que afasta qualquer alegação no sentido de que a apuração dos preços de mercado teria levado em consideração produtos diversos dos fabricados pela recorrente. De todo modo, é certo que não se pode exigir, na apuração desta média, que sejam considerados produtos idênticos, até porque, isso seria impossível, levandose em conta as peculiaridades de cada marca. Assim, as orientações das autoridades fiscais para o caso são no sentido de que se considerem as mercadorias caracterizadas por tipo, modelo, espécie e quantidade, ou seja, produtos de mesma natureza que permita à Fiscalização ter parâmetros para se obter o valor de mercado, a exemplo do ADN CST nº 05/82, que não exige mercadorias exatamente iguais. Aceitar a tese da recorrente e entender que as mercadorias analisadas para se chegar ao valor de mercado deveriam ser idênticas seria, em última análise, reconhecer que a base de cálculo estabelecida pelo fabricante (que seria sempre único) de certo produto nas saídas para empresas interdependentes estaria correto, pela ausência de qualquer outro produto da mesma natureza que integrasse o universo de preços do mercado atacadista da praça do remetente. Esse entendimento, além de ilegal, por impedir a aplicação da Lei, esvaziaria o significado do termo “mercado”. Obtido, portanto, o preço de mercado praticado pelas atacadistas que, na praça da remetente, vendem produtos com as mesmas características daqueles que são por ela fabricados, e levandose em conta que o “universo das vendas” representa as vendas de produtos de mesma espécie, praticadas pelos estabelecimentos atacadistas localizadas na mesma praça da remetente, ainda que isso não represente levar em conta todos os atacadistas – embora a presente ação fiscal tenha sido bastante abrangente, e a recorrente não tenha demonstrado quais atacadistas teriam, supostamente, ficado de fora da pesquisa – correto o lançamento. Para os casos em que os produtos industrializados pela COSMED não possuíam similares vendidos por atacadistas de Taboão da Serra, considerouse inexistir mercado atacadista naquela praça e, por isso, aplicouse, na apuração do VTM, a regra do art. 137, parágrafo único, II do RIPI/02, tomandose como base de cálculo o custo de fabricação do bem, acrescido dos demais custos previstos na legislação. Levandose em conta que referido cálculo deve abranger todos os custos referentes ao PRODUTO: sejam eles custos de produção, de venda e de publicidade, dentre outros que concorrem para a formação do preço do bem, ainda mais porque o IPI não é um imposto pessoal (de modo a considerar os custos da pessoa do industrial ou da pessoa do distribuidor), mas sim um imposto real, devendo ser levados em conta todos os custos da mercadoria, o preço praticado pelo destinatário (no caso, pela HYPERMARCAS) é o que Fl. 4043DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.044 29 efetivamente abrange, além dos custos de fabricação, também os demais elementos que devem ser considerados na fixação do VTM, razão pela qual foram eles considerados, sem se falar em arbitramento. Mas ainda que se entenda que de arbitramento se trata, o fato é que a prática de preços irrisórios na venda dos produtos pelos industriais para comerciais interdependentes ofende a teleologia da norma e representa burla à legislação levada a feito pelo contribuinte, o que autorizaria a Fiscalização – com fundamento no art. 148 do CTN, no art. 138 do RIPI e, ainda, com esteio no princípio da verdade material – a desconsiderar a contabilidade da empresa (ainda mais em casos como os dos autos, em que a fiscalizada sequer informou os custos indiretos individualizados por produtos ou o lucro apurado na venda de cada um dos bens) e levar em conta, na fixação da base de cálculo da exação, os preços de mercado dos produtos, a fim de se chegar a um valor correspondente à realidade. Nesse sentido, e partindo do pressuposto de que quase a totalidade das vendas da recorrente foi destinada à Hypermarcas, que revendeu os produtos industrializados pela COSMED no mercado atacadistas independente, os valores praticados nestas operações foram tidos como os preços reais e com isso, apurouse a média dos preços praticados pela Comercial interdependente para fins de apuração das diferenças de IPI devidas pelo estabelecimento industrial remetente. Esta providência adotada pelo Fiscal já foi corroborada por este Conselho, a exemplo do que decidido no acórdão nº 20204.484, em que a Turma Julgadora concluiu que no caso de não haver outros atacadistas que comercializem os produtos especificados, o VTM deve ser o preço praticado na venda a terceiros pelo próprio estabelecimento interdependente, quando único na praça. Ainda no mesmo sentido foi proferido o acórdão nº 3301001.847. Mais recentemente, em julgamento proferido pela Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção, negouse provimento ao recurso voluntário do contribuinte (acórdão 3201001204) sob o fundamento de que o preço praticado pela distribuidora interdependente nas vendas para terceiros independentes, equivale ao preço de mercado, por abranger os custos do produto. Por fim, não faz sentido incluir, segundo pleiteado pela recorrente, na apuração do VTM, o valor das vendas da Industrial para a Comercial interdependente, já que se o VTM é para ser aplicado justamente nestas vendas (entre interdependentes), por óbvio que não se pode tomar em conta o preço erroneamente praticado na venda para a Comercial. Assim, a decisão recorrida deve ser mantida neste ponto. 3. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Nos termos do relatado, as alíquotas utilizadas pela recorrente na apuração do IPI devido em razão da saída do produto gel para cabelos foi indevida, uma vez que, ao contrário do que entende a fiscalizada, tais produtos não devem ser classificados no código 3307.2090 da TIPI/ 2007, mas sim na posição 3305.9000, com alíquota de 22%. Em relação ao tema, pedese vênia para transcrever trechos da decisão recorrida, que corrobora o entendimento da Fiscalização e concluiu que: Fl. 4044DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.045 30 Definida a competência da RFB para efetuar a classificação fiscal de produtos, devese também considerar que o art. 16 do RIPI/2002, em vigor na época, estabelece que a classificação fiscal dos produtos é feita em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI) do Sistema Harmonizado, Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do texto da referida nomenclatura, em que se baseia a TIPI. A RGI 1 estabelece que os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo, sendo que, para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas demais RGIs. Os produtos de cuja classificação se trata, anteriormente citados podem ser classificados no Capítulo 33, referente a “óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas. O texto da posição 3305 e suas subposições diz o seguinte: (...) Nesse caso, devese ainda recorrer ao art. 17 do RIPI/2002 segundo o qual as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, em que se baseia a TIPI (Decretolei no 1.154, de 1971, art. 3o). Vejase o que dizem as Nesh da posição 3305: (...) Consequentemente, a posição 3305 compreende todos os produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas para uso capilar, excluindose a sua classificação na posição 3307, o que revela a impropriedade da classificação adotada pela impugnante, na subposição 3307.20 que se refere a desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes e o acerto da classficação do produto “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo no código 3305.9000 da TIPI/2002, adotada no auto de infração, que deve ser mantida, para fins de exigir a diferença de imposto resultante da utilização da alíquota inadequada. Em resumo, e para finalizar, cabe dizer que o interessado promoveu saídas de produtos tributados pelo IPI, destinados a firma com a qual mantém relação de interdependência, praticando preços muito inferiores aos de mercado, não tendo incluído na base de cálculo do IPI todos os custos e demais elementos previstos na legislação como obrigatoriamente componentes do valor tributável mínimo, além de ter dado Fl. 4045DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.046 31 saída aos produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo com alíquota incorreta, em virtude de errônea classificação fiscal, fatos que foram regularmente apurados no presente processo, devendo ser integralmente mantida a autuação, nesse particular. Dessarte, a decisão recorrida deve ser mantida também neste ponto. 4. DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Insurgese a recorrente contra a aplicação da multa qualificada, prevista no art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, alegando que não teria agido com dolo ou fraude. Afirma, ainda, que a multa teria sido aplicada com base em meras alegações da Fiscalização, sem elementos probatórios que corroborassem tal entendimento. Na hipótese vertente, em relação ao IPI, a autuação decorreu do fato de a recorrente ter efetuado a venda de seus produtos industrializados para a comercial interdependente por valores sabidamente ínfimos (ainda que não se fale, propriamente, em preços subfaturados, o fato é houve a prática de preços notoriamente irrisórios), sem observar o VTM imposto pela legislação do IPI, praticando valores conhecidamente vis, que não eram observados no mercado e nem mesmo nas vendas para empresas independentes. Nesse sentido, transcrevese trechos do Termo de Descrição dos Fatos, que resumem de forma clara a situação dos autos e demonstram a existência de fraude que justifica a manutenção da qualificação da penalidade aplicada: ...Desta forma, restará comprovado que nas vendas subfaturas intercompany o único fundamento econômico que justifica as operações realizadas é a redução da carga tributária do referido grupo. (...) Restou comprovado que a venda de produtos, produzidos pela Cosmed, por valores ínfimos, afeta sobremaneira a apuração do lucro bruto da companhia. Se compararmos o índice da Cosmed com o obtido em 62 (sessenta e duas) pessoas jurídicas do mesmo segmento, apuramos que o índice destas empresas é 25 vezes maior. (...) Portanto, não há propósito negocial nas operações entre a Cosmed e a Hypermarcas, pois estas transações não seguem os padrões e critérios de mercado, mormente no tocante à obtenção de lucros. Prova disso é que a Cosmed pratica preços totalmente diversos quando o cliente não é a Hypermarcas. (...) Conforme demonstrado no tópico 1.2, o grupo Hypermarcas utiliza dois critérios na valoração dos preços de venda praticados pela Cosmed: um para as vendas feitas para as empresas ligadas (Hypermarcas e Aprov) e outro para os demais clientes (terceiros). Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.047 32 Restou comprovada a desproporção entre as vendas para Aprov/Hypermarcas e as vendas efetuadas para os demais clientes (terceiros) ao longo do anocalendário de 2009. (...) Ou seja, não encontramos nenhuma lógica ou explicação plausível para o fato de a Cosmed adotar um critério de preço (subfaturado) praticado nas vendas à Hypermarcas (produtos submetidos à tributação monofásica) e outro critério de preços praticados nas vendas à terceiros clientes (que não seja a Hypermarcas) ou nas vendas de produtos submetidos à tributação normal do PIS e da COFINS (cuja tributação não é concentrada). Ademais, intimamos a fiscalizada, por diversas vezes, para esclarecer a razão pela qual adota política de preços diferenciada em razão da natureza da tributação (monofásica x normal). Até esta data nada foi esclarecido. Por todo o exposto não resta dúvida de que não houve propósito econômico nas vendas subfaturadas feitas à Hypermarcas. (...) Além de já ter sido demonstrado que as partes envolvidas são empresas interdependentes (a Cosmed é subsidiária integral da Hypermarcas), ou seja, pertencem ao mesmo grupo econômico, restou comprovado que as operações realizadas (venda de produtos industrializados pela Cosmed para a Hypermarcas por valores subfaturados) fogem da normalidade comercial e tiveram como objetivo preponderante a economia tributária. Portanto, é notório que nas operações realizadas entre a Hypermarcas e sua subsidiária (Cosmed) o único fim econômico e social que houve foi a diminuição da carga tributária e o aumento do lucro do grupo Hypermarcas, obtidos à custa de uma prática abusiva, ilegal e ilícita. Ainda que outras alegações também tenham sido utilizadas pelo Fiscal como reforço de argumentação, o fato é que da simples leitura destes trechos do relatório fiscal já se pode aferir os fatos que deram origem à autuação e que representam ofensa ao RIPI/02. Nesta toada, o que fez a Fiscalização foi considerar inoponíveis ao Fisco os valores de vendas da Industrial para a Comercial, procurando demonstrar a sua abusividade, que não estaria encerrada, exclusivamente, na separação das atividades de industrialização e comercialização dentro do Grupo Hypermercas, mas sim na prática dos preços inferiores ao de mercado na venda intragrupo, em total desrespeito ao VTM. Verificase, assim, que ao segregar suas atividades e, em consequência dessa separação, praticar preços muito inferiores aos de mercado nas vendas realizadas para empresa comercial interdependente, o contribuinte praticou conduta fraudulenta, tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da real ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos no montante que ora lhe é exigido. Portanto, devese também manter a decisão de piso neste ponto. 5. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 4047DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.048 33 A despeito de a DRJ ter informado que, no caso dos autos, os juros incidem apenas sobre o principal, não recaindo sobre a multa, a contribuinte, fazendo uma interpretação meramente literal, mais simples e de menor grau de certeza da legislação aplicável, pleiteia a exclusão dos juros aplicáveis sobre a multa, por entender que deveriam recair apenas sobre o valor do tributo. Ocorre que, em uma análise sistemática do Código Tributário Nacional, percebese que os juros são devidos também sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Vejamos. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1º do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de crédito tributário está esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. No acórdão nº 10196.177, a Conselheira Relatora conclui neste mesmo sentido: “1. A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). 2. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendese no crédito tributário o valor do tributo e da multa. ... b. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora;” Por tudo isso, não há como se negar a incidência de juros sobre a multa de ofício. Fl. 4048DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.049 34 6. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Segundo relatado, paralelamente ao lançamento foram lavrados termos de sujeição passiva solidária em face da Hypermarcas, de seus diretores e do Presidente do seu Conselho de Administração, bem como em face dos diretores da Cosmed. Em suas defesas, os responsáveis solidários alegaram, basicamente, ter havido modificação do fundamento legal indicado no termo de sujeição passiva solidária, considerando que a DRJ sustenta sua decisão no art. 8º do DL 1736, não mencionado na autuação e, ainda, a improcedência do termo de responsabilidade solidária, considerando que o agente fiscal não enunciou a conduta infracional supostamente praticada pelos responsáveis; que não interesse comum que justificasse a aplicação do art. 124, I do CTN; e nem qualquer outra razão que permite fundamentar a responsabilidade no art. 135 do CTN, que não se aplica para casos de mero inadimplemento das obrigações tributárias; seja, por fim, pela impossibilidade de se aplicar o art. 50 do Código Civil em matéria fiscal. De início, importa ressaltar que, em momento algum de suas defesas, os responsáveis em questão buscam provar que a condição de efetivos diretores, responsáveis pela gerência das empresas, que lhes foi atribuída, não condiz com a verdade. Assim, é indiscutível a condição de gestores de tais recorrentes. Ademais, também não há que se falar que a DRJ teria alterado o fundamento legal da responsabilidade imposta, já que, da mesma forma que nos termos de sujeição passiva, tratou expressamente dos arts. 124 e 135 do CTN. A menção ao art. 8º do DL 1736/79 representou mero argumento de reforço à sua tese de que, de fato, há que ser mantida a autuação também em face dos responsáveis solidários. Outrossim, também não há que se falar em improcedência da responsabilização por aplicação equivocada do art. 50 do Código Civil ao caso dos autos. Ora, em momento algum se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma das empresas envolvidas na operação fiscalizada e nem os atos por elas praticados, ao contrário do que a firma a recorrente. Em relação aos fundamentos da responsabilidade que lhes foi imputada, reza o art. 135, inc. III do CTN, que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. É da dicção do art. 135 do CTN que a solidariedade do diretor, gerente ou representante, pela divida da sociedade, se manifestará, quando comprovado que, no exercício de sua administração, foram praticados atos contemplados pelo comando legal citado, porém com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 4049DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.050 35 Assim, para que haja a subsunção da norma do art. 135, inc. III do CTN, segundo o qual há responsabilidade solidária da empresa fiscalizada e do administrador, temos que perquirir a presença de dois elementos: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. A qualidade de administradores é indiscutível. A prática de ato ilícito, consoante relatado outrora e constatado no curso da ação fiscal instaurada para a apuração de crédito tributário devido, consubstanciase na adoção, nas vendas intragrupo, de preços sabidamente irrisórios, notoriamente muito inferiores aqueles praticados nas vendas realizadas no mercado, bem como nas vendas da recorrente para empresas independentes. Assim, conforme conclusão do auditor fiscal, “nos termos dos artigos 116 e 117, da Lei nº 6404/76, a venda de produtos subfaturados à Hypermarcas, caracteriza o exercício abusivo de poder por parte dos dirigentes do grupo econômico Hypermarcas, já que favorece outra sociedade em detrimento dos interesses da Cosmed”, o que justifica, portanto, a imputação da responsabilidade que ora se discute. Diante de todas as evidências trazidas aos autos, portanto, não se está tratando aqui, por óbvio, de "mero inadimplemento", como alegado pelos interessados. O crédito lançado pela fiscalização em auto de infração não é um crédito de "mero inadimplemento", visto que, se houve autuação é porque, segundo a administração fazendária federal, houve infração à lei, havendo, portanto, um ato ilícito do ponto de vista tributário e por esta razão, autorizada está a imputação de responsabilidade tributária dos administradores das pessoas jurídicas envolvidas na autuação. Em relação à responsabilidade da Hypermarcas, destacase que, segundo informado no TDF: “apuramos que a Cosmed não decide em favor se seus próprios interesses, já que controle é exercido pela controladora que determina as condições de negociação... Portanto, ficou comprovado que os diretores da Hypermarcas controladora da Cosmes, exercem efetivamente a direção e as condições de negociação entre as empresas integrantes do grupo econômico, ditando as regras a serem seguidas, mormente no tocantes à redução da carga tributária. Destarte, restou configurado, por parte da Hypermarcas, o interesse comum no fato gerador, tipificado no inciso I do art. 124 do CTN, já que além de se beneficiar das fraudes perpetradas, participa efetivamente da ocorrência do fato gerador.” Deste modo, com base no art. 124, I do CTN, devese reconhecer a solidariedade entre eles. Isto porque, nos termos daquele dispositivo legal, são definidos como solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso dos presentes autos, o lançamento em comento demonstrou de forma clara e suficiente o interesse comum (econômico e jurídico) dos responsáveis tributários Fl. 4050DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.051 36 solidários na situação que constituiu os fatos geradores dos tributos apurados. A fim de corroborar esta posição, mister destacar o que, acertadamente, concluiu a DRJ: No presente caso, o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador achase materializado, justamente, no fato de que ambas empresas fazem parte de um mesmo grupo econômico, sendo a empresa Hypermarcas controladora da autuada. A redução da base de cálculo do IPI decorre da forma como organizam suas operações. À vista das argumentações da autuada Cosmed e também sua controladora, fica evidente que no âmbito da atividade empresarial do grupo econômico a definição dos preços de produtos é efetivamente uma equação complexa que leva em consideração, no mínimo, os custos de toda a atividade empreendedora e os investimentos futuros do mesmo grupo. Logo, configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, bem como a prática de atos com excesso de poder e infração à lei devem, tanto a Hypermarcas quanto todos os diretores autuados, ser considerados responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado em face da contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Voto Vencedor Peço vênia para discordar do voto da relatora, no que concerne às seguintes questões: competência da 3° Seção para julgar o presente feito; adoção do preço praticado pela Hypermarcas com seus clientes como valor tributável para fins do lançamento de ofício de IPI sobre para as vendas da Cosmed para a Hypermarcas, no período de 01/07/2009 a 31/12/200; e agravamento da multa de ofício e atribuição de responsabilidade solidária tributária à sócia pessoa jurídica Hypermarcas e a diretores desta empresa e da recorrente. Fatos Consta no "Termo de Descrição dos Fatos" que a Hypermarcas era subsidiária integral da Cosmed. Que o somatório das vendas das três filiais (Matriz, Barueri/SP, Taboão da Serra/SP e São Paulo/SP) da Cosmed para a Hypermarcas representou 99% da sua receita bruta. Fl. 4051DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.052 37 E que o preço de venda para a Hypermarcas equivalia a 33% do preço que esta praticava no mercado atacadista em que atuava e 30% do observado nas vendas da Cosmed para terceiros. Com efeito, a fiscalização titulou tal prática comercial de "subfaturamento", a qual estaria inserida no contexto de um "planejamento tributário ilegal e abusivo", cujo objetivo era, exclusivamente, "a economia de tributos", quais sejam, CSL, IRPJ, PIS, COFINS e IPI. O planejamento teria envolvido diversas operações de cisão e incorporação, com o deslocamento de atividades e unidades industriais (bens, custos e despesas). E as justificativas contidas nos atos societários seriam "subjetivas, abstratas e desvinculadas da realidade dos fatos". Competência da 3° Seção de Julgamentos O mesmo procedimento fiscal e as mesmas provas resultaram em autuações de CSL, IRPJ, PIS, COFINS (processo n° 16004.720395/201393) e IPI, o que, em princípio, poderia levar à conclusão de que a competência para julgar o processo seria da 1° Seção de julgamentos, nos termos do art. 2° c/c art. 6° do Anexo II da Portaria MF n° 343/15 (RICARF) "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (. . .) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (. . .) Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (. . .) III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (. . .)" (g.n.) Minha leitura do RICARF é a de que processos de IPI e IRPJ devem ser julgados em conjunto pela 1° Seção, quando as bases tributáveis são formadas a partir dos Fl. 4052DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.053 38 mesmos elementos fáticos e jurídicos, os quais, se eventualmente desconstruídos, importaria no cancelamento de ambos os lançamentos de ofício. Todavia, isto não se verifica no caso em tela. O IPI foi lançado, porque o Fisco concluiu que os preços praticados nas vendas da Cosmed para a Hypermarcas eram inferiores aos valores tributáveis mínimos, determinados de acordo com os artigos 136 a 138 do RIPI/02 (integralmente reproduzidos no voto condutor). Adicionalmente, houve lançamento de IPI, motivado por erro de classificação fiscal. Por outro lado, os lançamentos de CSL e IRPJ foram calculados sobre a diferença entre o preço praticado e o de mercado "distribuição disfarçada de lucros (DDL)", artigos 464 a 467 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Verificase que os dispositivos legais apuram os valores tributáveis com base em parâmetros distintos, permitindo que um subsista, ainda que o outro não. Portanto, entendo que, na parte que trata de IPI, o presente processo deve ser julgado pela 3° Seção de Julgamentos. Arbitramento do valor tributável mínimo para o IPI A Hypermarcas detinha 100% das ações da Cosmed, pelo que eram consideradas "interdependentes" para fins de IPI (inciso I do art. 520 do RIPI/02). Com isto, a base de cálculo do IPI nas vendas da Cosmed para a Hypermarcas tinha de atender o disposto no inciso I do art. 136 do RIPI/02: "Valor Tributável Mínimo Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); (. . .)" A fiscalização efetuou pesquisas nos mercados onde se localizavam as filiais da Cosmed (Taboão da Serra/SP e Barueri/SP), porém verificou que diversos produtos não eram comercializados naquelas localidades (item 6 do "Termo de Descrição dos Fatos", fl. 2.136). Para estes casos, então, teria ela de adotar o inciso II do art. 137 do RIPI/02: "Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.054 39 Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: (. . .) II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado." Contudo, também não foi possível adotar o inciso II do art. 137, pois concluiu no curso de seus exames que os custos industriais não mereciam fé. Restou, assim, como única alternativa, o arbitramento (item 6 do "Termo de Descrição dos Fatos", fl. 2.137), previsto no art. 138 do RIPI/02: "Arbitramento do Valor Tributável Art. 138. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 133 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 17, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 148)." § 1º Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2º Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 137." A fiscalização concluiu que houve subfaturamento entre Cosmed e Hypermarcas e que não se eram confiáveis os custos industriais apresentados. E também deduziu que os preços praticados entre as demais empresas do Grupo Hypermarcas não eram reais. Por isto, viuse impossibilitada de obter o "valor real da operação". Buscouse então o "preço médio dos produtos no mercado do domicílio" das filiais da Cosmed. Contudo, conforme já mencionado, naquelas localidades, não havia produtos idênticos ou similares. Restou, portanto, uma única alternativa: "o preço médio do produto (. . .) nos principais mercados nacionais". E é neste ponto que surgiu minha discordância: foi adotado como preço no mercado nacional o praticado pela Hypermarcas. Fl. 4054DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.055 40 Ora, consta no "Termo de Descrição dos Fatos" que a Cosmed industrializava e vendia, no atacado, para a Hypermarcas, produtos sem a marca comercial esta última apunha as marcas e os revendia para outras atacadistas. Isto é, Cosmed e Hypermarcas participavam da mesma cadeia produtiva, porém em etapas distintas, com estruturas próprias e distintas de custos industriais e administrativos e, naturalmente, suas vendas não eram realizadas no mesmo mercado. Assim sendo, reputo que a fiscalização não aplicou corretamente o disposto no §1° do art. 138 do RIPI/02, pois não apurou o "preço médio do mercado nacional" da Cosmed, tendo, por outro lado, adotado o preço médio da Hypermarcas, que operava em mercado absolutamente distinto. Por conseguinte, voto pelo cancelamento do crédito tributário de IPI correspondente. Agravamento da multa de ofício e atribuição de responsabilidade tributária solidária Da autuação, restaram os seguintes lançamentos de ofício: IPI sobre a diferença entre o preço praticado nas vendas da Cosmed para a Hypermarcas e o valor tributável mínimo, calculado de acordo com o inciso I do art. 136 do RIPI/02; e diferenças de IPI derivadas de erro na classificação fiscal do produto gel para cabelos do código 3307.2090 para a 3305.9000. A relatora ratificou o trabalho fiscal e decidiu manter a multa agravada, em razão dos seguintes motivos (trechos do voto condutor): (. . .)" Na hipótese vertente, em relação ao IPI, a autuação decorreu do fato de a recorrente ter efetuado a venda de seus produtos industrializados para a comercial interdependente por valores sabidamente ínfimos (ainda que não se fale, propriamente, em preços subfaturados, o fato é houve a prática de preços notoriamente irrisórios), sem observar o VTM imposto pela legislação do IPI, praticando valores conhecidamente vis, que não eram observados no mercado e nem mesmo nas vendas para empresas independentes. Nesse sentido, transcrevese trechos do Termo de Descrição dos Fatos, que resumem de forma clara a situação dos autos e demonstram a existência de fraude que justifica a manutenção da qualificação da penalidade aplicada: '...Desta forma, restará comprovado que nas vendas subfaturas intercompany o único fundamento econômico que justifica as operações realizadas é a redução da carga tributária do referido grupo. (...) Restou comprovado que a venda de produtos, produzidos pela Cosmed, por valores ínfimos, afeta sobremaneira a apuração do lucro bruto da companhia. Se compararmos o índice da Cosmed com o obtido em 62 (sessenta e duas) pessoas jurídicas do mesmo segmento, apuramos que o índice destas empresas é 25 vezes maior. (...) Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.056 41 Portanto, não há propósito negocial nas operações entre a Cosmed e a Hypermarcas, pois estas transações não seguem os padrões e critérios de mercado, mormente no tocante à obtenção de lucros. Prova disso é que a Cosmed pratica preços totalmente diversos quando o cliente não é a Hypermarcas. (...) Conforme demonstrado no tópico 1.2, o grupo Hypermarcas utiliza dois critérios na valoração dos preços de venda praticados pela Cosmed: um para as vendas feitas para as empresas ligadas (Hypermarcas e Aprov) e outro para os demais clientes (terceiros). Restou comprovada a desproporção entre as vendas para Aprov/Hypermarcas e as vendas efetuadas para os demais clientes (terceiros) ao longo do anocalendário de 2009. (...) Ou seja, não encontramos nenhuma lógica ou explicação plausível para o fato de a Cosmed adotar um critério de preço (subfaturado) praticado nas vendas à Hypermarcas (produtos submetidos à tributação monofásica) e outro critério de preços praticados nas vendas à terceiros clientes (que não seja a Hypermarcas) ou nas vendas de produtos submetidos à tributação normal do PIS e da COFINS (cuja tributação não é concentrada). Ademais, intimamos a fiscalizada, por diversas vezes, para esclarecer a razão pela qual adota política de preços diferenciada em razão da natureza da tributação (monofásica x normal). Até esta data nada foi esclarecido. Por todo o exposto não resta dúvida de que não houve propósito econômico nas vendas subfaturadas feitas à Hypermarcas. (...) Além de já ter sido demonstrado que as partes envolvidas são empresas interdependentes (a Cosmed é subsidiária integral da Hypermarcas), ou seja, pertencem ao mesmo grupo econômico, restou comprovado que as operações realizadas (venda de produtos industrializados pela Cosmed para a Hypermarcas por valores subfaturados) fogem da normalidade comercial e tiveram como objetivo preponderante a economia tributária. Portanto, é notório que nas operações realizadas entre a Hypermarcas e sua subsidiária (Cosmed) o único fim econômico e social que houve foi a diminuição da carga tributária e o aumento do lucro do grupo Hypermarcas, obtidos à custa de uma prática abusiva, ilegal e ilícita.' Ainda que outras alegações também tenham sido utilizadas pelo Fiscal como reforço de argumentação, o fato é que da simples leitura destes trechos do relatório fiscal já se pode aferir os fatos que deram origem à autuação e que representam ofensa ao RIPI/02. Nesta toada, o que fez a Fiscalização foi considerar inoponíveis ao Fisco os valores de vendas da Industrial para a Comercial, procurando demonstrar a sua abusividade, que não estaria encerrada, exclusivamente, na separação das atividades de industrialização e comercialização dentro do Grupo Hypermarcas, mas sim na prática dos preços inferiores ao de mercado na venda intragrupo, em total desrespeito ao VTM. Verificase, assim, que ao segregar suas atividades e, em consequência dessa separação, praticar preços muito inferiores aos de mercado nas vendas realizadas para empresa comercial interdependente, o contribuinte praticou conduta fraudulenta, tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da real ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos no montante que ora lhe é exigido. Fl. 4056DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.057 42 (. . .)" (g.n.) Em suma, considerouse como conduta fraudulenta uma reorganização de negócios, que resultou na redução do ônus com IPI, em virtude de o preço praticado pela Cosmed para a Hypermarcas ser significativamente menor do que da Hypermarcas para seus clientes consta no "Termo de Descrição dos Fatos" que o primeiro era 33% do segundo. O agente fiscal enquadrou os fatos nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 (fls. 2.103 e 2.104): "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. " Como os atos praticados foram classificados como crimes contra a ordem tributária, temos de recorrer à Lei n° 8.137/90, que traz as necessárias definições: "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.058 43 prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa." A reorganização societária (aquisições de empresas, cisões e incorporações) consta em atos societários, devidamente registrados. Todas as operações comerciais foram formalizadas por meio dos devidos documentos fiscais e regularmente contabilizadas. E foi dado pleno acesso à fiscalização. Aliás, destaquese que o arbitramento tratado no tópico anterior se deu com base nos registros oficiais das vendas da Hypermarcas. Já me manifestei no sentido de que entendo como lícita a reorganização de negócios, desde que implementada por meio de operações industriais e/ou comerciais verdadeiras, com substância econômica, que tenham como um de seus resultados a economia tributária. E foi isto que vi nos presentes autos. Por um lado, a fiscalização fez um raciocínio simplista, comparando preços, sem considerar a natureza dos negócios que auditava. Fl. 4058DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.059 44 Por outro, a recorrente trouxe Laudo Técnico (doc. 07 da impugnação), contendo explicações absolutamente plausíveis, tais como: a forma de organização separação das atividades industriais e comerciais e terceirização da produção do Grupo Hypermarcas está em linha com a de outros grupos do mesmo ramo; a Cosmed era uma "terceirista", isto é, industrializava por encomenda, sem riscos comerciais e gastos com propaganda, logística e, principalmente, com o desenvolvimento de novos produtos, o que ficava a cargo da Hypermarcas; e gráficos, demonstrando a compatibilidade entre os preços cobrados da Hypermarcas pela Cosmed e por outras terceiristas não pertencentes ao Grupo Hypermarcars e entre terceiristas e atacadistas de outros grupos empresariais. Necessário destacar que não desqualifica a política de preços do Grupo o fato de a fiscalização ter, para alguns casos, apurado diferenças entre o VTM calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92 e os correspondentes preços praticados. Com efeito, a própria legislação do IPI não estabelece qualquer relação entre a eventual diferença tributável apurada e uma possível conduta delitiva. Em razão das pesquisas apresentadas no Laudo Técnico, é possível imaginar que tais diferenças tenham sido motivadas por alterações ocorridas naquele mercado ("mercado atacadista da praça do remetente"), naquele momento, e não necessariamente por força de um amplo "planejamento tributário abusivo. Vale mencionar que o Fisco sequer conseguiu obter informações de todos os participantes do "mercado atacadista da praça do remetente". Por fim, fazse mister mencionar que, em relação ao mesmo procedimento fiscal, em sede do processo n° 16004.720395/201393, foram cancelados os créditos tributários de CSL, IRPJ, PIS e COFINS sobre valores tributáveis calculados em decorrência da suposta diferença de preços. Adicionalmente, não obstante terem sido mantidos os derivados de glosas de créditos de PIS e COFINS, a multa de ofício foi desagravada e afastada a atribuição de responsabilidade tributária solidária. Reproduzo trechos da ementa (Acórdão n° 1402002.337, de 05/10/16): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 (. . .) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO FISCAL. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência simulação, fraude, abuso direito ou de formas ou ainda fraude à lei. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. OPERAÇÕES REALIZADAS A VALOR DE MERCADO. INCORRÊNCIA. Fl. 4059DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.060 45 Não há que se falar em distribuição disfarçadas de lucros quando as operações foram realizadas em valores absolutamente dentro da média praticada no mercado. (. . .) MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente qualquer elemento que denote dolo, não há como se manter a qualificação da penalidade, mormente na hipótese de manutenção do lançamento somente no tocante à discussão de direitos a créditos de PIS e Cofins. (. . .) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Cancelada a única infração que poderia, em tese e em relação aos coobrigados, demonstrar seus interesses jurídicos na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal, bem como demonstrado não haver qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por consequência, excluemse os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária. (. . .)" Isto posto, em razão de não ter identificado qualquer conduta dolosa ou fraudulenta, voto por desqualificar a multa de ofício incidente sobre as diferenças entre o VTM, calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92, e os preços efetivamente praticados, bem como sobre as diferenças de IPI decorrentes de erro na classificação fiscal. Adicionalmente, foi atribuída responsabilidade tributária solidária à Hypermarcas, capitulada no inciso I do art. 124 do CTN. O Fisco concluiu que tinha interesse comum no resultado do "planejamento tributário abusivo", além de ter participado ativamente das operações que constituíram fatos geradores de IPI. E também aos diretores da recorrente e da Hypermarcas, em razão do cometimento de crimes tributários, com base no inciso III do art. 135 do CTN. Como não identifiquei condutas delitivas, porém tão simplesmente reorganização lícita de negócios e prática de preços compatíveis com os dos mercados em que atuavam, não há razão para manutenção da responsabilidade solidária da Hypermarcas e dos diretores de ambas as empresas, tanto em relação ao crédito tributário derivado da aplicação do inciso I do art. 136 do RIPI/92 quanto à diferença de IPI resultante de erro na classificação fiscal. Fl. 4060DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Acórdão n.º 3301005.610 S3C3T1 Fl. 4.061 46 É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 4061DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721740/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.731
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 74 0/ 20 15 -8 6 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16682.721740/201586 Resolução nº 3201001.731 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16682.721740/201586 Resolução nº 3201001.731 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.720037/2007-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. COMISSÃO AGENCIA DE VIAGEM. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E FOTOCÓPIA
Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas com Comissões pagas a agências de viagens, entretanto as despesas com aluguel de equipamentos de informática e fotocópias não se verificou a relação com atividade fim da empresa.
Numero da decisão: 3001-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas das despesas de comissão das Agências de Viagens.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. COMISSÃO AGENCIA DE VIAGEM. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E FOTOCÓPIA Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas com Comissões pagas a agências de viagens, entretanto as despesas com aluguel de equipamentos de informática e fotocópias não se verificou a relação com atividade fim da empresa.
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. COMISSÃO AGENCIA DE VIAGEM. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E FOTOCÓPIA Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas com Comissões pagas a agências de viagens, entretanto as despesas com aluguel de equipamentos de informática e fotocópias não se verificou a relação com atividade fim da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas das despesas de comissão das Agências de Viagens. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 00 37 /2 00 7- 88 Fl. 124DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de PIS no 1º Trimestre de 2003, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor original total de R$1.551,87 por meio das Declaração de Compensação 36794.83411.280205.1.3.043691. A Inspetoria da Receita Federal em Ilhéus/BA, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efls. 32) homologando parcialmente a compensação declarada tendo em vista que a inexistência do crédito utilizado. O crédito de pagamento a maior ou indevido pleiteado surgiu após a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) promovida pela contribuinte. A autoridade fiscal, após a análise do Dacon, glosou despesas com material de limpeza, despesas com comissões de agência de viagem, despesas com locação de equipamentos do setor administrativo, assim como despesas com aquisição de cigarros, de forma que não foi reconhecido o direito creditório em favor da interessada. Cientificada do despacho decisório em 16/02/10, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade em 18/03/10, alegando os seguintes pontos: a) A autoridade administrativa glosou as despesas com material de limpeza (R$ 44.702,79), sob fundamento de que não seriam insumo; Porém são materiais utilizados pela lavanderia do hotel, pelo setor de alimentos e bebidas, pelo departamento de governança, ou seja, estão intrinsecamente relacionadas A atividade hoteleira; b) A autoridade administrativa glosou as despesas com comissões de agência de viagem (R$164.800,03), por não poder ser consideradas insumo, tratandose de despesas administrativas; Ao contrário, essas despesas estão relacionadas à atividade principal da recorrente, oscilando de acordo com a receita do hotel, sendo uma despesa operacional; c) Da mesma forma, a autoridade administrativa glosou as despesas com locação de equipamentos do setor administrativo (R$3.701,11), por não poder ser consideradas insumo, tratandose de despesas administrativas; Porém, tratase de fotocopiadoras e equipamento de informática utilizados nas atividades da empresa e locadas de PJ, conforme inciso IV do artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002; d) Com relação à aquisição de cigarros (R$ 2.848,59), a recorrente reconhece que a apropriação do crédito foi de fato indevida. A DRJ de Salvador julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconheceu o direito creditório em parte conforme Acórdão no 1523.949 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2005 AQUISIÇÕES DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A pessoa jurídica que explora atividade de hotelaria faz jus ao crédito referente as despesas com aquisição de material de limpeza, enquanto as despesas com comissões pagas a agências de viagem não geram direito a crédito. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13558.720037/200788 Acórdão n.º 3001000.757 S3C0T1 Fl. 326 3 Apenas geram direito a crédito as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens, ou na prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que em síntese alega serem incorretas as glosas dos seguintes insumos: despesas com "comissões de agência de viagem" e despesas com "locação de equipamento administrativo". Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre a glosa de créditos da Contribuição para o PIS efetuada na análise de Declaração de Compensação cujo crédito teve origem em recolhimentos indevidos ou a maior. Os créditos glosados e mantidos pela decisão de piso referemse às seguintes rubricas: despesas com "comissões de agência de viagem" e Fl. 126DF CARF MF 4 despesas com "locação de equipamento administrativo". Passemos a análise de cada um destes itens. Antes de adentrarmos na discussão propriamente dita da presente controvérsia, importante tecer alguns comentários a respeito da conceituação de insumos que vem prevalecendo na jurisprudência deste Conselho. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). O art. 3º, inciso II de ambas as leis autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. A Emenda Constitucional nº 42/2003 estabeleceu no §12º, do art. 195 da Constituição Federal o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais, consignando a sua definição por lei dos setores de atividade econômica. Portanto, a constituição deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. A Secretaria da Receita Federal apresentou nas Instruções Normativas nos 247/02 e 404/04 uma interpretação sobre o conceito de insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS um tanto restritiva, semelhante ao conceito de insumos empregado para a utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, previsto no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). Este entendimento extrapola as disposições previstas nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, contrariando o fim a que se propõe a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições. Nesta mesma linha de entendimento, igualmente incorre em erro quando se utiliza a conceituação de insumos conforme estabelecido na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, visto que esta seria demasiadamente ampla. Segundo o RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica, ou seja, seria insumo na sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais todos os bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. Portanto, é entendimento deste Conselho que o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser interpretado seguindo o critério da essencialidade. Este critério busca uma posição "intermediária" construída pelo CARF na definição insumos, com vistas a alcançar uma relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Reproduzo a seguir um conceito de insumo consignado no Acórdão nº 9303003.069, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF, e que vem servindo de base para os julgamentos dos processos deste Conselho: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. (grifos da reprodução) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13558.720037/200788 Acórdão n.º 3001000.757 S3C0T1 Fl. 327 5 Sintetizando, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. O Superior Tribunal de Justiça adota o mesmo entendimento conforme pode ser observado no julgamento do recurso especial nº 1.246.317MG, cuja ementa segue abaixo reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os Fl. 128DF CARF MF 6 alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Portanto, após o relato do entendimento predominante a respeito da conceituação de insumos na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e para a COFINS, adentremos nas circunstâncias que regem o caso concreto. Do desconto do crédito de PIS calculado sobre Agência de Viagens (comissão) A Recorrente alega que a atividade hoteleira precisa disponibilizar uma gama de serviços visando atender os desejos e anseios dos clientes/hospedes. Com isso oferece "pacotes turísticos" que inclui o transporte do hospede "transfer aéreo e terrestre", hospedagem, alimentação e outros serviços que variam de acordo com a época "temporada" ou ocasião dos clientes/hospedes, por exemplo, pacote de núpcias através de parcerias com Agências de Viagens. Para elas são pagas comissões por esse serviço em cada operação. Afirma que dentro da sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais previstos na Lei 10.637/02 cabe o aproveitamento de créditos decorrentes dos “serviços prestados por pessoa jurídica domiciliado no país, aplicados ou consumidos na prestação de serviço”. Outra afirmação constante de seu Recurso Voluntário diz o seguinte: Cabe aludir, guardando as devidas particularidades, que o regime da não cumulatividade do PIS se assemelha ao aplicável ao Imposto sobre a Renda, que na composição da base de cálculo tem como pressuposto a dedutibilidade dos "custos", consumidos na prestação de serviços da Recorrente, tributando somente o resultado positivo — lucro auferido pela Recorrente. Com isso reivindica que a glosa relacionada com as comissões pagas à agências de viagens não deve ser mantida. Conforme exposto na parte introdutória do voto, o ponto determinante no qual o bem ou serviço possa gerar crédito da Contribuição ao PIS vem a ser a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço. No presente caso estamos diante da prestação de serviços das redes hoteleiras relacionada, também, com as atividades de turismo. Dentro desta linha de atividade, percebese que as Agências de Viagens, como prestadoras de serviços na qual contribuem às redes de hotéis e resort nas suas atividades fins, necessariamente devem ser remuneradas por tais apoios por intermédio de comissões. Ou seja, esses valores pagos pela rede hoteleira estão umbilicalmente ligados as suas atividades e, por conseguinte, podem ser considerados insumos conforme previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/03, devendo fazer parte do cálculo do crédito a ser descontado do valor apurado da Contribuição para o PIS. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste particular. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13558.720037/200788 Acórdão n.º 3001000.757 S3C0T1 Fl. 328 7 Do desconto do crédito de PIS calculado sobre Aluguel de Maquinas e equipamento utilizados nas atividades da empresa A Recorrente alega que as despesas de locação de equipamentos de informática e máquinas de fotocópia utilizados pela recorrente por ser serviços utilizados na atividade da empresa e assim caracterizaria como insumo para fins de creditamento na sistemática da não cumulatividade da Contribuição para o PIS. Não assiste razão à Recorrente. Socorrome à parte introdutória do voto na qual o conceito de insumo para fins da tributação da Contribuição para PIS não deve ser tão restritiva como estabelece a legislação do IPI, e nem tão elástico quanto a legislação do Imposto de Renda, conforme neste caso pretende a Recorrente. Percebese que os equipamentos tratados neste tópico estão diretamente ligados à atividade administrativa da Recorrente e, portanto, não possuem vínculo direto com a atividade de prestação de serviços de hotelaria. Portanto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste particular. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas de comissão das Agências de Viagens. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900984/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900981/2009-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900981/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.579 de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .9 00 98 4/ 20 09 -6 4 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13227.900984/200964 Resolução nº 1201000.579 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de processamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, transmitida antes do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou a cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, em síntese, diante da insuficiência da prova documental anexada à Manifestação de Inconformidade, in verbis: Em hipótese tal qual a dos autos, fazse indispensável, portanto, a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc. No caso concreto, ao que consta dos autos, a antecipação em tela foi apurada pelo sujeito passivo nos termos e em conformidade com a legislação vigente (haja vista a não exibição de balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro Diário, que autorizassem a suspensão ou redução do pagamento do tributo devido art. 230, § 1° do RIR/I999). Também a documentação trazida aos autos pela interessada (limitada à cópia de DARF fl. 11) não autoriza a conclusão de que decorre da estimativa mensal em tela a existência de qualquer indébito. O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13227.900984/200964 Resolução nº 1201000.579 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real presumido, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial ou balancetes mensais, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquid o do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13227.900984/200964 Resolução nº 1201000.579 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A forma de tributação na qual estava enquadrada a empresa, no exercício em questão (exercício em que esta sendo discutida a compensação) era “lucro real presumido” no qual é feito o recolhimento por estimativa mensal, baseandose na receita bruta, devendo ser ao final do ano calendário realizada à apuração do tributo devido, forma de tributação esta detalhadamente explicada no relatório do acórdão, elaborado pela relatora, do qual transcrevemos trechos. Contudo, quando do termino do ano calendário, ao ser realizada a apuração do imposto devido, momento em que é possível se fazer à comparação entre o valor pago e o efetivamente devido, é que se obteve o valor de crédito, (advindo da diferença entre créditos e débitos), que poderia vir a ser usado em futuras compensações, ou seja, abatimento de impostos devidos. No exercício em pauta, conforme a nossa explanação, ao serem analisados os valores apurados e devidamente registrados nos documentos que seguirão em anexo, é possível chegar ao valor de crédito abaixo identificado: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13227.900984/200964 Resolução nº 1201000.579 S1C2T1 Fl. 6 5 Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referente ao anocalendário de 2002; (ii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com pagamento da estimativa mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de maio/2002 e valor de R$ 86,40, e; (iii) Livro Diário, anocalendário de 2002, contendo a transcrição do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado e Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13227.900984/200964 Resolução nº 1201000.579 S1C2T1 Fl. 7 6 perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado antes do despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13227.900984/200964 Resolução nº 1201000.579 S1C2T1 Fl. 8 7 em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase que o Recorrente, aparentemente, comprova seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), havendo o pagamento a maior da estimativa mensal. Todavia, demonstrou somente o pagamento da estimativa mensal de maio/2002, com valor de R$ 86,40, não anexando os demais comprovantes, que somariam o montante total de R$ 3.551,63. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13227.900984/200964 Resolução nº 1201000.579 S1C2T1 Fl. 9 8 pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao Período de Apuração de 31/08/2003 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905183/2009-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 51 83 /2 00 9- 10 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 182 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de nº 32279.72508.170706.1.3.044249, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 02/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/98, na qual alega, em síntese, que: DOS FATOS A empresa no ano base de 2005, apurou Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, facultandolhe o direito de compensar este valor conforme Instrução Normativa n° 460, artigo 10. A DIPJ/2006 n° 23.33.22.30.3914, transmitida em 30/06/2006, apresenta na ficha 16, no mês de dezembro/05 na linha 11, o Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 183 3 valor devido referente a CSLL Estimativo competência 12/2005, tendo o mesmo valor sido declarado na DCTF do período. Assim a PER/DCOMP n° 32279.72508.170706.1.3.044249 entregue em 17/06/2006, apresentou a compensação do Pagamento Indevido a Maior detectada na DIPJ/2006(ano base 2005). A empresa foi notificada pela SRFB através do Despacho Decisório rastreamento n° 831687436 conforme Processo de Crédito n° 13888905.183/20091, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil. DO DIREITO A Perdcomp a qual se refere o Despacho Decisório n° 25079649 está correta baseada na IN 460, artigo 10 que segue: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrada que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ouda CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/2004/in460200 4.htm Valor CSLL devido na DIPJ — R$ 59.730,18 Valor do debito na DCTF 12/2005 — R$ 59.730,18 Valor pago — R$ 61.614,59 Saldo credor — R$ 1.884,41 em 31/12/2005 Esse saldo foi utilizado parcialmente na Perdcomp inicial 33659.95464.210306.1.3.044330, onde após efetuado a compensação restou um crédito que foi utilizado na Perdcomp 32279.72508.170706.1.3.044249 que é objeto do Despacho Decisório contestado nessa Manifestação. Podese observar claramente o valor do crédito utilizado na Perdcomp. Débito compensado parcialmente: CSLL estimativa mês 06/2006. DO MÉRITO Segue cópias dos documentos a seguir: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 184 4 DIPJ/2006, ano calendário 2005 entregue em 30/06/2006 conforme recibo n° 23.33.22.303914. DCTF mensal referente 12/2005, retificadora entregue em 05/05/2008 conforme recibo n° 10.63.98.83.0687. PERDCOMP versão 2.2 entregue em 17/07/2006:n 32279.72508.170706.1.3.044249. Despacho Decisório n°831687436 conforme Processo n° 13888905.183/200910. DA CONCLUSÃO A vista de todo exposto, solicitamos a aceitação da PERDCOMP declarandose a improcedência e a insubsistência do despacho decisório ora contestado, homologandose em definitivo a compensação levada a efeito pela contribuinte. Certo em contar com as devidas providências, colocome a disposição. P. Deferimento A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1440.922, de 25 de março de 2013 (efl. 99), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 17/07/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Irresignada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 118), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Registra que " ...é pessoa jurídica de direito privado que apura e recolhe o IRPJ e a CSSL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa Mensal, com apresentação de balancetes mensais de suspensão...". Diz que "No mês de dezembro de 2005, a Recorrente apurou, por estimativa, um débito de CSLL no montante de R$ 61.614,59 (sessenta e um mil seiscentos e quatorze Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 185 5 reais e cinqüenta e nove centavos), tendo promovido o regular recolhimento do tributo em questão conforme faz prova o comprovante de arrecadação expedido pela própria Receita Federal do Brasil...". Aduz "....que o tributo efetivamente devido no mês de dezembro de 2005 redundou ser de R$ 59.730,18 (cinqüenta e nove mil setecentos e trinta reais e dezoito centavos), conforme claramente se verifica pelo balancete do referido mês/ano, pela DIPJ e pela DCTF...". Conclui que "...é credora do Fisco em R$ 1.884,41 (um mil oitocentos e oitenta e quatro reais e quarenta e um centavos), o qual, corrigido, montava em R$ 1.924,92 (um mil novecentos e vinte e quatro reais e noventa e dois centavos), tendo utilizado referido crédito em duas Per/Dcomp, sendo uma delas de R$ 1.844,75(um mil oitocentos e quarenta e quatro reais e setenta e cinco centavos) e outra de R$ 39,66 (trinta e nove reais e sessenta e seis centavos)". Ao final, requer o integral provimento do recurso para o fim de homologar a compensação declarada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 32279.72508.170706.1.3.044249, transmitido em 17/07/2006, sob a alegação de que o crédito original de R$ 39,66 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 186 6 Como se observa, o suposto crédito informado no PER/DCOMP nº 32279.72508.170706.1.3.044249 decorre de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu indeferimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 2484 (CSLL Demais PJ que Apuram o IRPJ com base em Lucro Real Estimativa Mensal), do período de apuração de 31/12/2005. Em suas razões de defesa, o Recorrente afirma que apura e recolhe o IRPJ e a CSLL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa mensal, com a apresentação de balancetes mensais de suspensão ou redução dos tributos, e que no mês de dezembro de 2005 apurou um saldo credor correspondente a R$ 1.884,41, utilizandose da parcela de R$ 39,66 para compensação no PER/DCOMP nº 32279.72508.170706.1.3.044249. Vejo que o Recorrente não trouxe provas suficientes ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o então manifestante apresentou, tão somente, DIPJ/2006 e DCTF mensal retificadora do mês de dezembro/2005, desacompanhadas de provas documentais provenientes de sua escrituração contábilfiscal; agora, no Recurso Voluntário, limitouse a apresentar fichas de DRE, de Balanço patrimonial encerrado em 31/12/2005 e de balancete analítico do mês 12/2005, emitidas em 08/08/2013 (efls. 138), data posterior à de ciência do despacho decisório, ocorrida em 28/04/2009 (efls. 97). Além disso, o Recorrente ignorou por completo o registro do voto condutor do acórdão recorrido alertando para a necessidade de apresentação de outros documentos e Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 187 7 livros contábeis/fiscais do períodobase examinado para a comprovação do suposto crédito, tais como: Livro Diário e Lalur. Este arcabouço probatório seria imprescindível ao batimento dos dados constantes das declarações com os da escrituração do contribuinte, para efeito de comprovar a regular transcrição, idoneidade e identidade dos registros e atestar o oferecimento à tributação de receitas que ensejaram retenções legais do período, de modo a permitir, assim, a formação de juízo conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório postulado. Concluo, portanto, não haver reparos a fazer na decisão recorrida, motivo porque reproduzo, na sequência, os trechos principais dela extraídos, adotandoos como razões de decidir, de acordo com o §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF (grifos do original): (...) Assim, admitido o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Diante disso, caberia a recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL do mês de dezembro de 2004, a CSLL devida em meses anteriores (até novembro/2004) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei nº 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, etc, além dos registros pertinentes do livro “LALUR”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte levantou balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução. (...) No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, não apresentou qualquer elemento contábil que comprovasse o indébito pleiteado. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 188 8 Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado e seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. Acrescento que os requisitos de liquidez e certeza do crédito são exigências legais para deferimento da homologação da compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 189 9 É de se ressaltar, ainda, que não compete a este relator sanar possíveis erros de preenchimento de PER/DCOMP ou demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado é do Recorrente, conforme prevê a legislação1 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplos, os Acórdãos 3201002.303 e 3001000.312: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. À vista do exposto, o improvimento do recurso impõese. 1 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13888.905183/200910 Acórdão n.º 1002000.607 S1C0T2 Fl. 190 10 Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 39,66 constante do PER/DCOMP de nº 32279.72508.170706.1.3.04 4249 fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 2484 de período de apuração de 31/12/2005; e, ainda, que o Recorrente não traz elemento de prova capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903801/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. IRRF. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa e documentos comprobatórios trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 2202-005.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. IRRF. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa e documentos comprobatórios trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 38 01 /2 00 9- 49 Fl. 258DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 100/123), acompanhado de cópias de documentos comprobatórios, interposto contra o Acórdão no. 0129.798 da 1a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA – DRJ/BEL (efls. 65/73), que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade interposta face a Despacho Decisório que não homologou pedido formulado pela ora recursante em PER/DCOMP . 2. Em detalhes, a Manifestação de Inconformidade foi interposta contra o despacho decisório 821083461, que não homologou a PER/DCOMP 08430. 69224.100208. 1.7.04.2598, relativa a pagamento supostamente indevido de IRRF, durante o ano calendário de 2005, uma vez que, embora localizado o pagamento do DARF código 0561, na data de 31/12/2005, no valor de R$ 376.908,40, o mesmo foi integralmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte de igual valor. No PER/DCOMP referido, o valor do crédito original pretendido na data de transmissão foi de R$ 237.523,13. 3. Em síntese, a interessada alega em sua manifestação de inconformidade o seguinte: quando da transmissão do PER/DCOMP o valor de R$ 376.908,40 não foi totalmente utilizado por ser indevido, tendo sim o direito ao crédito de R$ 237.523,13, que atualizado é equivalente aos débitos compensados; a conferência eletrônica elaborada pela fiscalização não deve se sobrepor à realidade dos fatos, devendo ser respeitado o princípio da verdade material; e entende que deve ser integralmente homologada a compensação. 4. O Voto da 1a. Turma, no sentido de improcedência da Manifestação de Inconformidade, é transcrito a seguir em sua essência: Voto (...) A extinção do crédito tributário mediante o instituto da compensação apresentase na legislação: (transcreve legislação correlata à compensação) (...) A legislação acima indica: necessidade de apuração de crédito, do débito; e que os créditos apurados sejam declarados em PER/DCOMP. Importante preceito do CPC é o constante do art.333, que trata do ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” (...) No caso concreto, Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11080.903801/200949 Acórdão n.º 2202005.038 S2C2T2 Fl. 259 3 O pagamento informado pela recorrente em sua DCOMP encontrase utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e a ele está alocado, extinguindo o crédito tributário devido. Não existe o saldo positivo a ser utilizado pela recorrente; Há ausência de outras provas que colaborem à aceitação da verdade material dos fatos alegados pela recorrente, indicando a improcedência do pleito da recorrente. (...) Diante do exposto voto por: considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade; compensação PER/DCOMP 08430. 69224.100208.1.7.04.2598, “não homologada”; direito creditório “ não reconhecido”. 5. Cientificada da decisão a quo a contribuinte apresenta, através de seu procurador, os seguintes argumentos recursais, transcritos em síntese: a Braskem S.A. sucede por incorporação a Ipiranga Petroquímica S.A.; alega tempestividade do recurso; apresenta breve histórico do processo; entende que o Acórdão baseou sua decisão apenas em conferência eletrônica, como a feita pelo Despacho Decisório; inicia então a esclarecer suas razões sobre a existência do crédito tributário, alegando que no ano calendário em questão a incorporada Ipiranga Petroquímica S.A. efetuava adiantamento mensal dos salários no dia 13 de cada mês ou no dia útil imediatamente anterior, e a folha de pagamento mensal era paga no antepenúltimo dia do mês, regra que valia também para membros de Conselhos; explica que tal regra divergia em dezembro, quando antecipava o pagamento mensal para o dia 15, juntamente com a segunda parcela do décimo terceiro, sem adiantamentos. Os conselheiros recebiam antecipadamente no dia 20 de dezembro (quarta semana); já no final de dezembro, a folha era reprocessada para eventuais pagamentos extraordinários; por equívoco, a incorporada calculou o valor do IRRF sobre a folha de pagamento reprocessada, após seu fechamento, sem descontar o valor já recolhido na terceira semana ; destaca que na terceira semana foi considerado como IRRF o valor de R$ 237.523,13; Já na quinta semana foi considerado o valor de R$ 314.168,13. Os valores efetivamente pagos de IRRF na terceira e na quinta semanas englobando os valores referidos foram de R$ 527.048,83 e R$ 376.908,40. sustenta que o valor correto a ser considerado para a quinta semana era de R$ 76.645,00, o qual correspondia à incidência do imposto sobre as verbas extraordinárias pagas no final do mês; procura comprovar e esclarecer os fatos com a folha de pagamento final de dezembro de 2005 e com tabelas e cálculos explicativos; Fl. 260DF CARF MF 4 retoma seus argumentos contra a não homologação, agora esclarecendo que sua informação constante na DCTF original, que traz o DARF em questão totalmente vinculado, está equivocada, mas que está impossibilitada de promover a retificação por força da IN RFB 1.110/2010; ocorreu que o valor pago na última semana do mês de dezembro de 2005 implicou inclusive em erro de fato na informação da DCTF: ao invés de constar o valor de R$ 376.908,40, deveria ter sido informado R$ 139.385,27, diferença que resulta justamente no valor do crédito por ele utilizado na PER/DCOMP, R$ 237.523,13; entende que é um equívoco ser do contribuinte o ônus da prova em relação ao direito creditório, pelos princípios do processo administrativo, notadamente a verdade material, (cita jurisprudência da CSRF e do CARF, e cita doutrina) e sustenta que a DRJ poderia haver determinado de ofício diligência ou perícia, cf. art. 18 do Decreto 70.235/72, não apenas se baseado à consulta de sistemas internos; suscita que provas além da produzida e apresentada não lhe podem ser exigidas, não haveria como demonstrar um não fato: a inocorrência do fato gerador de IRRF que ensejasse o pagamento a maior promovido pela recorrente. Não há prova de fato negativo. O ônus da prova de demonstrar que as informações constantes nos sistemas da RFB estavam equivocadas foi por ela desincumbido; 6. Requer, por fim, o provimento do recurso com a homologação da compensação declarada. 7. Foram anexados ao Recurso cópias dos seguintes documentos, com a denominação dada pela recorrente, juntados às efls. 124/254 dos autos : Doc. 01 Instrumento de mandato e Atos Societários Doc. 02 Tela da Caixa Postal do eCAC referente à intimação da Recorrente e Intimação DRF/CCI/SAORT n°: 988/2014 Doc. 03 Folha de Pagamento de dezembro de 2005 final Doc. 04 DCTF retificadora de dezembro de 2005 Doc. 05 DCTF retificadora de junho de 2005 Doc. 06 DCTF retificadora de julho de 2005 Doc. 07 DCTF retificadora de agosto de 2005 Doc. 08 DCTF retificadora de setembro de 2005 Doc. 09 DCTF retificadora de outubro de 2005 Doc. 10 DCTF retificadora de novembro de 2005 8. Foi apresentado ainda Memorial da Recorrente, onde foi ressaltado que a verdade material deve prevalecer e o recurso deve ser provido, com a conseqüente homologação da compensação declarada. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator 10 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11080.903801/200949 Acórdão n.º 2202005.038 S2C2T2 Fl. 260 5 inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 11. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 12. Com isso, fica claro que decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo CARF. E mais, tais decisões, ou mesmo respeitáveis citações doutrinárias não são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 13. Não é demais lembrar que, no âmbito do contencioso administrativo atinente ao procedimento compensatório (compensação espontânea ou autocompensação), quem afirma possuir o direito ao encontro de contas entre o crédito e o débito compensados é o próprio sujeito passivo interessado na compensação. Conseqüentemente, é dele o ônus de trazer ao processo os elementos probatórios da existência desse direito, cabendo à Administração Tributária apenas a função de verificar a regularidade do procedimento em comento, homologandoo somente se devidamente comprovados os requisitos e as condições estabelecidos em lei, dentre os quais, por força do disposto no artigo 170 do CTN, a comprovação da liquidez e certeza do crédito informado, o que não ocorreu no procedimento em análise. 14. Embora todas as partes devam cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, buscando a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal, no presente caso efetivamente o sujeito passivo não se desincumbiu de seu ônus probatório. 15. Conforme já explanado, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando a contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual a contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). 16. O caso em pauta envolve suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e existindo débito próprio, a contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o Despacho Decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado. 17. A DRJ/BEL manteve tal entendimento, uma vez que o interessado não comprova a existência de pagamento indevido, o pagamento informado pela recorrente em sua DCOMP encontrase utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, estando a ele alocado, não existe o saldo positivo a ser utilizado pela recorrente e há ausência de outras provas que colaborem à aceitação da verdade material dos fatos alegados pela recorrente. Fl. 262DF CARF MF 6 18. A contribuinte apresenta novos argumentos, acerca de sua sistemática de antecipação de pagamentos a funcionários na época dos fatos, e colaciona documentos complementares, nesta sede de Recurso, o que caracteriza o instituto da preclusão, e portanto deles não se deve conhecer, com base no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no. 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no. 9.532/97) 19. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental hábil à comprovação dos registros contábeis relativos aos fatos, que fundamentassem plenamente suas alegações e, mormente, colacionados aos autos no momento oportuno. 20. No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas devem trazer os elementos de prova. 21. A determinação de realização de perícia e diligência foi considerada pela DRJ como desnecessária. A diligência e a perícia não se destinam a suprir prova que pode ser produzida pela juntada de documentos ou a levantamento de dados que não possam ser carreados facilmente ao processo, principalmente pela contribuinte, que tem a obrigação jurídica de manter seus meios probatórios. Citese propriamente o art. 18 do Decreto 70.235/72, indicado até mesmo pela ora Recursante em seu Recurso: "A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis,( ...)" (grifei). 22. Isto posto, pela falta de provas inequívocas dos fatos, e como cumpria exclusivamente à contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, no que não logrou êxito, correta está a decisão da DRJ/BEL e sem reforma deve restar seu Acórdão; não deve haver então homologação da compensação declarada. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11080.903801/200949 Acórdão n.º 2202005.038 S2C2T2 Fl. 261 7 Conclusão 23. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722271/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Estando comprovado que os itens "óleo combustível BPF", "inibidor de corrosão" e "ácido sulfúrico", são bens utilizados e consumidos diretamente no processo produtivo da Alumina, necessário reconhecer o direito aos créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 9303-008.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Estando comprovado que os itens "óleo combustível BPF", "inibidor de corrosão" e "ácido sulfúrico", são bens utilizados e consumidos diretamente no processo produtivo da Alumina, necessário reconhecer o direito aos créditos apurados no regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 71 /2 00 9- 11 Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3302004598, de 25/07/2017, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003). ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do “Óleo Combustível BPF” utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção. INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 4 3 equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. 3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada. Recurso Voluntário Provido em Parte. O recurso especial insurgese quanto ao conceito de insumos, para fins de apropriação de créditos da nãocumulatividade da Cofins, mais precisamente sobre os créditos referentes a óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. os quais foram reconhecidos no acórdão recorrido. O recurso especial foi admitido por despacho do presidente da 3ª Seção de Julgamento. É o relatório. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. No mérito a insurgência da Fazenda Nacional é quanto à parte do acórdão recorrido que reconheceu a possibiliade de apropriação de créditos da nãocumulatividade da Cofins sobre os gastos com óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico, únicos itens em que o recurso voluntário do contribuinte foi provido. Conceito de insumos Antes de adentrarmos ao mérito específico, entendemos ser necessário pontuar o conceito de insumos para fins de apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 6 5 entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 7 6 (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 8 7 o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 9 8 exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. A legislação do PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão. A Fazenda Nacional insurgese contra a parte do acórdão recorrido que reconheceu a possibiliade de apropriação de créditos da nãocumulatividade da Cofins sobre os gastos com óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. O acórdão recorrido concedeu esses créditos diante da conclusão inequívoca de que tais produtos são utilizados diretamente na linha de produção da alumina, produto final industrializado pelo contribuinte. Em síntese concluiu que o Óleo Combustível BPF é utilizado para a produção de energia térmica a qual, sob forma de vapor, é consumida no processo industrial. Quanto ao item "inibidor de corrosão" concluiu que é utilizado na limpeza ácida dos equipamentos trocadores de calor utilizados no processo industrial. Por fim quanto ao item "ácido sulfúrico", concluiu que é utilizado na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e no tratamento dos efluentes. Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10280.722271/200911 Acórdão n.º 9303008.256 CSRFT3 Fl. 10 9 A Fazenda Nacional, em seu recurso especial, limitase a pedir a exclusão de tais créditos em razão do conceito de insumos advindo da legislação do IPI, no qual exigese o desgaste ou consumo do bem, diretamente em contato com o bem em produção. Como visto, na introdução deste voto, este conceito já está devidamente superado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1000DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723389/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
RECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário
Numero da decisão: 1401-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos apresentados tão somente por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, Naturaly Conveniência Ltda ME, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP, Posto Líder Ltda, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME, CCR Empreendimentos Ltda. Também por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento tão somente aos recursos de UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME e CCR Empreendimentos Ltda, para excluí-los do pólo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente),
Nome do relator: Relator
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 33 89 /2 01 5- 14 Fl. 2798DF CARF MF 2 elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos apresentados tão somente por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, Naturaly Conveniência Ltda ME, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP, Posto Líder Ltda, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME, CCR Empreendimentos Ltda. Também por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento tão somente aos recursos de UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME e CCR Empreendimentos Ltda, para excluílos do pólo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 0738.817 4ª Turma da DRJ/FNS, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento, mantendo o mantendo o crédito tributário exigido de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho e improcedentes as impugnações das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, para mantêlas no pólo passivo: Impugnações Improcedentes: UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME – CNPJ 06.143.726/000160; CCR Empreendimentos Ltda – CNPJ 08.274.076/000117; Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda – CNPJ 01.480.360/000109; Naturaly Conveniência Ltda ME – CNPJ 08.815.205/000137; Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP – CNPJ 08.845.735/000128; Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.798 3 Posto Líder Ltda – CNPJ 40.778.979/000148. Não foram conhecidas as impugnações apresentadas pelas empresas: Henrique Lage Salineira do Nordeste S/A – CNPJ 08.225.849/000175; Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda EPP – CNPJ 03.473.711/000171; Realplast Indústria e Comércio Ltda ME – CNPJ 05.010.066/000186; Sacoplast do Brasil Ltda ME – CNPJ 05.933.101/000139; Realplastic Industrial Ltda ME – 06.170.475/000102; e Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda – CNPJ 40.802.126/000102. Não apresentaram impugnação as seguintes pessoas: Edvaldo Fagundes de Albuquerque – CPF 315.676.30472; Zulaide de Freitas Gadelha – CPF 314.261.58491; Ana Catarina Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.46490; Eduardo Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.44446; Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque – CPF 060.921.57446; Mossoró Indústria e Comércio de Sal Ltda – CNPJ 04.081.262/000189; Dmarket Indústria e Comércio de Artefatos Plásticos Ltda – CNPJ 05.058.541/000194; EBS Empresa Brasileira de Sal Ltda – CNPJ 08.168.935/000193; Rafitex Rafia Têxtil Ltda – CNPJ 08.504.177/000137; Efa Gestão de Negócios Ltda – CNPJ 11.555.510/000141; CBC Indústria de Termoplásticos da Amazônia Ltda – CNPJ 15.399.734/000162; Premolds Indústria & Comércio Ltda – CNPJ 16.558.305/000153; ESS – Empresa de Serviços Salineiros Ltda EPP – CNPJ 14.942.555/0001 67; Locmaquip Locadora & Construtora Ltda ME – CNPJ 05.880.262/0001 01; Arroba Salineira Ltda EPP – CNPJ 17.364.994/000128; Compac Ltda ME – CNPJ 01.622.336/000159; Companhia Cachucha Pastoril CNPJ 06.298.962/000155; Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Fl. 2800DF CARF MF 4 Tratase de Autos de Infração através dos quais foram lançados, em nome da empresa acima identificada, créditos tributários da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, nos valores de R$ 2.277.817,30 e R$ 10.489.174,88, respectivamente, em relação a fatos ocorridos no período de 31/01/2010 a 31/12/2013. Foram lançados juros de mora e multa de ofício no percentual de 75% incidentes sobre as contribuições apuradas. Do lançamento Da DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, consta que a infração consiste de CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Relata Autoridade Fiscal que a análise do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa em relação às contribuições se restringiu à verificação da apuração dessas contribuições tomandose por base os valores escriturados pela empresa em sua contabilidade, em confronto com os valores informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Dacon. Ressalta que, de acordo com as informações prestadas nos demonstrativos, no período objeto da fiscalização a apuração efetuada pelo contribuinte não resultou em contribuições a recolher. Por conseguinte, a contribuinte não efetuou qualquer recolhimento e nem declarou valores devidos a título dessas contribuições em DCTF. Na referida análise verificouse que a contribuinte inseriu valores aleatórios na base de cálculo dos créditos, apurando incorretamente as contribuições e, em consequência, deixando de efetuar os pagamentos devidos caso tivesse procedido à apuração corretamente. No que tange a solidariedade passiva, a Autoridade Fiscal informa a existência de um conjunto de empresas, capitaneadas pelo Sr. EDVALDO FAGUNDES DE ALBUQUERQUE, CPF 315.676.30472, as quais constituem o denominado “Grupo Líder”. Traz em seu relatório um gráfico em que demonstra que o quadro societário da maioria das empresas deste grupo é formado principalmente por membros da família de Edvaldo Fagundes e, em algumas, os sócios são prepostos ligados a empresas do grupo. Relata que a existência do referido grupo econômico de fato formado por 32 empresas atuantes nas áreas de indústria de plástico, tecidos, resinas, extração de sal, revenda de combustíveis e veículos, construção civil, transportes e maricultura foi constatada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no âmbito da execução fiscal contra uma das empresas do grupo, a empresa Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda. A fim de fundamentar sua decisão, a Autoridade Fiscal traz em seu relatório a transcrição da íntegra da petição da Procuradoria da Fazenda Nacional, de onde constam todos os elementos, fatos e modus operandi do grupo utilizados para demonstrar o desvio de finalidade e a confusão patrimonial verificada entre as empresas envolvidas, situações que caracterizariam o “abuso de personalidade jurídica”, este que autorizaria a “desconsideração da personalidade jurídica” conforme previsto no art. 50, do Código Civil. A Autoridade Fiscal informa, ainda, que em decorrência do inquérito policial, IPL nº 1.28.100.000128/201331, a Polícia Federal requereu e a Justiça Federal, em novembro de 2013, determinou a busca e apreensão de documentos e registros contábeis nos endereços de empresas, sócios e pessoas relacionadas ao “Grupo Líder” e que, nessa ação, o Ministério Público Federal solicitou, e o juízo autorizou, o compartilhamento com a Receita Federal do Brasil das informações coletadas. Relata que foram apreendidos novos documentos que corroboram e confirmam a existência do “Grupo Líder” e que trouxeram indícios da existência de outras empresas relacionadas ao grupo, no caso as empresas: EME EMPRESA DE MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA LTDA – CNPJ nº 14.945.955/000126; COMPANHIA CACHUCHA PASTORIL – CNPJ nº 06.298.962/000155; CCR Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.799 5 EMPREENDIMENTOS LTDA – CNPJ nº 08.274.076/000117; COMPAC LTDA – ME – CNPJ nº 01.622.336/000159; UTI DO CARRO COMÉRCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI – ME – CNPJ nº 06.143.726/000160. Com fundamento no interesse comum (art. 124, I, da Lei 5.172/66 – CTN) e na prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, I, II e III), foram arrolados como responsáveis solidários as pessoas físicas: Edvaldo Fagundes de Albuquerque – CPF 315.676.30472 (diretor da empresa); Zulaide de Freitas Gadelha – CPF 314.261.58491; Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho – CPF 008.326.57409 (diretor), Ana Catarina Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.46490 (administradora); Eduardo Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.44446 (administrador); Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque – CPF 060.921.57446 (administrador). E, configurado o interesse comum na situação (art. 124, I, da Lei 5.172/66 CTN), as seguintes pessoas jurídicas integrantes do Grupo Líder: TECIDOS LIDER INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ 01.480.360/000109; MOSSORO TRANSPORTES LOCACAO E CONSTRUCAO LTDA EPP, CNPJ 03.473.711/000171; MOSSORO INDUSTRIA E COMERCIO DE SAL LTDA, CNPJ 04.081.262/000189; REALPLAST INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME, CNPJ 05.010.066/000186; DMARKET INDUSTRIA E COMERCIO DE ARTEFATOS PLASTICOS LTDA, CNPJ 05.058.541/000194; SACOPLAST DO BRASIL LTDA ME, CNPJ 05.933.101/000139; REALPLASTIC INDUSTRIAL LTDA ME, CNPJ 06.170.475/000102; REVENDEDORA DE COMBUSTIVEIS PORTALEGRE LTDA ME, CNPJ 07.692.724/000192; EBS EMPRESA BRASILEIRA DE SAL LTDA, CNPJ 08.168.935/000193; RAFITEX RAFIA TEXTIL LTDA, CNPJ 08.504.177/000137; NATURALY CONVENIENCIA LTDA ME, CNPJ 08.815.205/000137; DIAMANTE CRISTAL INDUSTRIA E COMERCIO EIRELI EPP, CNPJ 08.845.735/000128; EFA GESTAO DE NEGOCIOS LTDA, CNPJ 11.555.510/000141; POSTO LIDER LTDA, CNPJ 40.778.979/000148; CIEMARSAL COMERCIO INDUSTRIA E EXPORTACAO DE SAL LTDA, CNPJ 40.802.126/000102; CBC INDUSTRIA DE TERMOPLASTICOS DA AMAZONIA LTDA, CNPJ 15.399.734/000162; PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, CNPJ 16.558.305/000153; ESS EMPRESA DE SERVICOS SALINEIROS LTDA EPP, CNPJ 14.942.555/0001 67; LOCMAQUIP LOCADORA & CONSTRUTORA LTDA ME, CNPJ 05.880.262/000101; ARROBA SALINEIRA LTDA EPP, CNPJ 17.364.994/0001 28; UTI DO CARRO COMERCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI , CNPJ 06.143.726/000160; COMPAC LTDA ME, CNPJ 01.622.336/000159; CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ 08.274.076/000117; COMPANHIA CACHUCHA PASTORIL, CNPJ 06.298.962/000155. Como se verá adiante, nem todos os responsáveis solidários impugnaram o lançamento ou sua inclusão no polo passivo da exigência de que se trata. Assim as especificidades da situação de cada empresa que as ligariam ao grupo econômico serão abordadas por ocasião da análise das respectivas impugnações, quando for o caso. Das impugnações Regularmente cientificadas das autuações, não apresentaram impugnação: Edvaldo Fagundes de Albuquerque, Zulaide de Freitas Gadelha, Ana Catarina Fagundes de Albuquerque, Eduardo Fagundes de Albuquerque, Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque, Mossoró Indústria e Comércio de Sal Ltda, Dmarket Indústria e Comércio de Artefatos Plásticos Ltda, EBS Empresa Brasileira Fl. 2802DF CARF MF 6 de Sal Ltda, Rafitex Rafia Têxtil Ltda, Efa Gestão de Negócios Ltda, CBC Indústria de Termoplásticos da Amazônia Ltda, Premolds Indústria & Comércio Ltda, ESS – Empresa de Serviços Salineiros Ltda – EPP, Locmaquip Locadora & Construtora Ltda ME, Arroba Salineira Ltda EPP, Compac Ltda – ME, Compac Ltda – ME, Companhia Cachucha Pastoril. Os respectivos termos de revelia se encontram às folhas 2081 a 2097 dos autos. As empresas Henrique Lage Salineira do Nordeste S/A, Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda EPP, Realplast Indústria e Comércio Ltda ME, Sacoplast do Brasil Ltda ME, Realplastic Industrial Ltda ME e Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda., após a apresentação das respectivas impugnações foram intimadas a apresentar os documentos hábeis a atestar a legitimidade do outorgante com poderes para apresentar impugnação junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas não atenderam a esta intimação. As impugnações apresentadas por essas empresas não serão aqui relatoriadas em face do que sobre elas se decidirá. Impugnação de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, apresentou a impugnação de fls. 1992/2012 onde suscita preliminarmente a nulidade do lançamento em face da “ausência de fundamentação ou documentos” que o embasem. No mérito, no que tange a glosa de créditos, o impugnante alega que os créditos de “decorrentes do consumo de energia elétrica, consumo de lubrificantes, encargos com depreciação e outros” foram excluídos indevidamente dado que vai de encontro ao entendimento da Receita Federal do Brasil, como pode ser visto na Solução de Consulta n°58/2010, cuja ementa transcreve. Em relação à insuficiência de recolhimentos das contribuições, alega que “as supostas receitas a maior encontradas pela fiscalização não refletem a realidade, pois não foram feitas exclusões imprescindíveis para se chegar à verdadeira base de cálculo da COFINS e do PIS, que foi informada corretamente pela contribuinte”. Reclama da “tentativa frequente do Fisco de considerar os ingressos como base de cálculo” quando “na verdade são as receitas (sic) compõe a base de cálculo de tais contribuições”. Contesta a qualificação da multa de ofício alegando que inexiste qualquer tentativa de suprimir tributos de forma ilícita por parte da contribuinte, razão pela qual cai por terra a tentativa de “qualificar” a multa, elevandoa para o patamar de 150% do valor do tributo. Pugna que as correções a serem efetuadas no âmbito do presente processo, sejam levadas aos lançamentos reflexos que foram efetuados no processo de IRPJ e CSLL. Aponta vício de inconstitucionalidade na aplicação da multa de ofício, por seu caráter confiscatório. Por fim, o impugnante pugna pela realização de perícia contábil para “estabelecer com certeza qual seria a exata base de cálculo dos tributos que supostamente seriam devidos pela contribuinte”. Impugnação de Tecidos Líder e outras As empresas TECIDOS LIDER INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ n° 01.480.360/000109; MOSSORO TRANSPORTES LOCACAO E CONSTRUCAO LTDA EPP, CNPJ n°03.473.711/000171; REALPLAST INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME, CNPJ n° 05.010.066/000186; Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.800 7 SACOPLAST DO BRASIL LTDA ME, CNPJ n° 05.933.101/000139; REALPLASTIC INDUSTRIAL LTDA ME, CNPJ n° 06.170.475/000102; REVENDEDORA DE COMBUSTIVEIS PORTALEGRE LTDA ME, CNPJ n° 07.692.724/000192; NATURALY CONVENIENCIA LTDA ME, CNPJ n° 08.815.205/000137; DIAMANTE CRISTAL INDUSTRIA E COMERCIO EIRELI EPP, CNPJ n° 08.845.735/000128; POSTO LIDER LTDA, CNPJ n° 40.778.979/000148; CIEMARSAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO DE SAL LTDA, CNPJ n° 40.802.126/000102, apresentaram impugnação em conjunto (fls. 1857/1951) onde contestam sua inclusão no lançamento como responsável solidária, com fundamento no art. 124, I do CTN, sem uma prévia e necessária decisão administrativa ou judicial fundamentada, contra a qual lhes tivesse sido permitido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Pugnam pela nulidade do lançamento e que o julgamento seja aplicado ao processo n° 10469723.387/201517. Impugnação de UTI do Carro A empresa UTI do Carro Comércio e Transporte Express Ltda ME, foi cientificada das autuações e as contestou alegando, inicialmente, ilegalidade da sua inclusão no pólo passivo da demanda haja vista ter ocorrido sem o prévio e necessário procedimento administrativo ou judicial. Nesse sentido traz excertos doutrinários e aduz que a própria Receita Federal do Brasil, através da Portaria RFB n° 2.2484/2010, art. 2º, passou a exigir a prévia verificação administrativa para imputar a responsabilidade tributária a alguém. Aponta como outro fator de ilegalidade, o fato de a Autoridade Fiscal ter usado como fundamento para sua inclusão no lançamento como responsável solidária o art. 124, I do CTN, pois, segundo alega, este não se aplica ao caso, mas “se destina aos casos onde há coincidência de pessoas em um dos pólos do fato gerador do tributo devido”. Defende, então, que “Mesmo que a empresa peticionante integrasse o ‘grupo econômico’ delineado ..., ainda assim não subsistiria a responsabilidade tributária oriunda do art. 124, I do CTN”, haja vista que “não participou do negócio jurídico que desencadeou o fato gerador”. Suscita a nulidade do lançamento alegando cerceamento de defesa em face de os Auditores Fiscais terem “fundamentaram suas decisões em processos judiciais e inquéritos que correm em segredo de justiça e, além de não ter acesso aos referidos processos e inquéritos, a impugnante não pôde ter acesso a tais documentos, já que esses não foram anexados aos autos”. No mérito, nega que faça parte do grupo econômico e afirma que não tem gerência de nenhuma terceira pessoa, que não o seu proprietário, Saulo Negreiros. E reclama que a sujeição passiva foi, de forma arbitrária, fundamentada em relações comerciais e transações absolutamente lícitas, “realizadas pela impugnante com a pessoa de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho”. Impugnação de CCR Empreendimentos Ltda Já a empresa CCR Empreendimentos Ltda impugna sua inclusão como responsável solidária alegando que o simples fato de ter sido avalista da empresa Premolds Indústria & Comércio Ltda na compra de um equipamento, empresa esta tida como pertencente ao Grupo Econômico de fato em Inquérito Policial, não implica que também integre o tal grupo. Em relação à menção da Autoridade Fiscal de que há “indícios de uma relação mais que comercial entre a CCR Empreendimentos e o Grupo Líder, o que pode Fl. 2804DF CARF MF 8 indicar que a empresa é parte integrante do próprio grupo econômico” a impugnante defende que tais indícios não prosperam, pois as tratativas comerciais entre a CCR e o Grupo Econômico de fato existiram por força do Contrato a Locação de Equipamentos, pertencentes à PREMOLDS quais sejam, o CONJUNTO MÓVEL LT106 (britador de mandíbulas), o CONJUNTO MÓVEL LT200HP (britador cônico) e o CONJUNTO MÓVEL ST4.8 (peneira vibratória). Apreciadas as impugnações da devedora principal e demais solidários que preenchiam os requisitos de admissibilidade, o lançamento foi mantido, afastada a preliminar de cerceamento de defesa, uma vez que constatada a suficiência da fundamentação e de documentos para dar suporte a autuação. No mérito o lançamento foi mantido, tendo em vista que em sede de impugnação laborou o impugnante no sentido de (1) apontar claramente quais os valores geradores de créditos que teriam sido declarados em Dacon e que teriam sido desconsiderados na análise da Fiscalização – indicando a competência, a linha do Dacon e o respectivo valor e (2) comprovar a existência e a legitimidade destes créditos – indicando o registro contábil referente a cada operação indicada e trazendo a respectiva nota fiscal. Na verdade, a alegação é genérica na medida em que o impugnante nem mesmo identifica as eventuais despesas que teriam sido por ele inseridas na base de cálculo do crédito e que entende que teriam sido indevidamente excluída ou desconsideradas pela Fiscalização. Sendo que em análise aos demonstrativos trazidos pela Autoridade Fiscal em seu relatório, vêse claramente que os valores lançados decorrem das diferenças apuradas entre os créditos apurados pela RFB e os informados pela empresa em Dacon, na medida em que, sendo os créditos reconhecidos menores que os descontados pela empresa, restaram valores das contribuições não pagos. Mantevese a aplicação da multa de ofício, uma vez reconhecida a sua constitucionalidade. A responsabilidade da solidária UTI do Carro Comércio e Transporte Express Ltda – ME, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda e CCR Empreendimentos Ltda, fundada no art. 124, inciso I, do CTN, foi mantida, posto que demonstrada a confusão patrimonial entre as empresas do mesmo grupo econômico, com intuito de sonegação, resta evidenciado o interesse comum das demais empresas do grupo na relação jurídica tributária que deu causa à exigência, cabendo a inclusão dessas no pólo passivo da obrigação tributária. Intimados da decisão, os contribuintes interpuseram recurso voluntário, cujo histórico de intimação do acórdão recorrido e apresentação de recurso se extraí do despacho de fls. 2.7542.758, a saber: 1 Henrique Lage Salineira do Nordeste S/A – CNPJ 08.225.849/000175 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.426). Acórdão da DRJ decidiu pelo não conhecimento da impugnação, sendo tal decisão definitiva (fls. 2.172/2.202). Entretanto, foi protocolizado Recurso Voluntário (RV) em 18/10/2016 (fls. 2.488 e 2.490/2.514). 2 – Edvaldo Fagundes de Albuquerque – CPF 315.676.30472 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 3 – Zulaide de Freitas Gadelha – CPF 314.261.58491 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 4 – Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho – CPF 008.326.57409 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.424). Recurso Voluntário apresentado em Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.801 9 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.521), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 5 – Ana Catarina Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.46490 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 6 – Eduardo Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.44446 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 7 – Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque – CPF 060.921.57446 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 8 – Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda – CNPJ 01.480.360/000109 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.425). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 9 – Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda EPP – CNPJ 03.473.711/000171 Cientificado em 14/10/2016 (fls. 2.481). Não protocolizou RV (fls. 2.747). 10 – Mossoró Indústria e Comércio de Sal Ltda – CNPJ 04.081.262/000189 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 11 Realplast Indústria e Comércio Ltda ME – CNPJ 05.010.066/000186 Cientificado em 25/10/2016 (fls. 2.661). Não protocolizou RV (fls. 2.748). 12 – Dmarket Indústria e Comércio de Artefatos Plásticos Ltda – CNPJ 05.058.541/000194 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 13 – Sacoplast do Brasil Ltda ME – CNPJ 05.933.101/000139 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.427). Não protocolizou RV (fls. 2.750). 14 – Realplastic Industrial Ltda ME – 06.170.475/000102 Cientificado em 23/11/2016 (fls. 2.732). Não protocolizou RV (fls. 2.749). 15 – Revendedora de Combustíveis Portalegre Ltda ME – CNPJ 07.692.724/000192 Cientificado em 13/03/2017 (fls. 2.751/2.752). Não protocolizou RV (fls. 2.753). 16 – EBS Empresa Brasileira de Sal Ltda – CNPJ 08.168.935/000193 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 17 – Rafitex Rafia Têxtil Ltda – CNPJ 08.504.177/000137 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 18 – Naturaly Conveniência Ltda ME – CNPJ 08.815.205/000137 Cientificado em 14/10/2016 (fls. 2.483). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 19 – Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP – CNPJ 08.845.735/000128 Cientificado em 22/09/2016 (fls. 2.431). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2806DF CARF MF 10 20 – Efa Gestão de Negócios Ltda – CNPJ 11.555.510/000141 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 21 – Posto Líder Ltda – CNPJ 40.778.979/000148 Cientificado em 14/10/2016 (fls. 2.482). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 22 – Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda – CNPJ 40.802.126/000102 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 23 – CBC Indústria de Termoplásticos da Amazônia Ltda – CNPJ 15.399.734/000162 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 24 – Premolds Indústria & Comércio Ltda – CNPJ 16.558.305/000153 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 25 – ESS – Empresa de Serviços Salineiros Ltda EPP – CNPJ 14.942.555/000167 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 26 – Locmaquip Locadora & Construtora Ltda ME – CNPJ 05.880.262/000101 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 27 Arroba Salineira Ltda EPP – CNPJ 17.364.994/000128 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 28 – UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME – CNPJ 06.143.726/000160 Cientificado em 23/09/2016 (fls. 2.477/2.478). Recurso Voluntário apresentado em 24/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.645/2.658), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 29 – Compac Ltda ME – CNPJ 01.622.336/000159 Cientificado em 27/09/2016 (fls. 2.453/2.454). Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária, uma vez que não foi apresentada impugnação. Entretanto, foi protocolizado RV em 24/10/2016 (fls. 2.666/2.672). 30 – CCR Empreendimentos Ltda – CNPJ 08.274.076/000117 Cientificado em 26/09/2016 (fls. 2.475/2.476). Recurso Voluntário apresentado em 26/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.675/2.698), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 31 – Companhia Cachucha Pastoril CNPJ 06.298.962/000155 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. Em linhas gerais, os autuados Recorrentes reproduziram suas razões apresentadas em sede de impugnação, principalmente em relação aos argumentos da impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária por formação de grupo econômico. Em relação aos demais, o lançamento restou definitivo. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. É o relatório. Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.802 11 Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Admissibilidade Não Conhecimento do Recurso Voluntário interposto por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Observo que há nos autos Recurso Voluntário apresentado em 19/10/2016 pelo responsável solidário Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho – CPF 008.326.57409, cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.424), portanto tempestivo (fls. 2.521), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Contudo, observo que não houve impugnação deste responsável no momento oportuno a instauração da fase litigiosa no presente processo, o que tornou o lançamento definitivo em relação à ele, conforme anotado pelo Acórdão DRJ. De maneira que não há como conhecer dos argumentos por ele trazidos no Recurso Voluntário em relação a ausência dos requisitos para atribuição de sua responsabilidade solidária pelo pagamento do credito tributário aqui exigido. Portanto em obediência ao art. 17 do Decreto 70.235/72, segundo o qual, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Conhecimento dos Recursos Voluntários Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda IP, Naturaly Conveniência Ltda ME IP, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP IP, Posto Líder Ltda IP, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME IP, CCR Empreendimentos Ltda IP Os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Preliminar Cerceamento de defesa. A Recorrente reclama nulidade da autuação por cerceamento de defesa, os Auditores Fiscais “fundamentaram suas decisões em processos judiciais e inquéritos que correm em segredo de justiça e, além de não ter acesso aos referidos processos e inquéritos, a impugnante não pôde ter acesso a tais documentos, já que esses não foram anexados aos autos”. Fl. 2808DF CARF MF 12 A decisão de piso afasta tal alegação igualmente não procede, pois os elementos que levaram a Fiscalização a identificar a empresa ora impugnante como integrante do grupo de empresas são os documentos apreendidos por meio do Processo nº 0001030 38.2005.4.05.8401 e compartilhados com a RFB, cujas cópias encontramse no corpo do próprio relatório fiscal. Portanto, a Autoridade Fiscal não só apontou os fatos apurados a partir dos documentos que ligam a impugnante ao Grupo Líder como trouxe as cópias desses documentos, estes, salientese, referentes a bens da impugnante, razão pela qual não houve cerceamento de defesa. Entendo que assiste razão a DRJ no que diz respeito ao não conhecimento da preliminar. Mérito. Quanto ao Mérito, sobre a participação no grupo econômico e responsabilização dos recorrentes, temos que todos os recorrentes negam fazerem parte de grupo econômico, sob fundamento de que inexistiriam provas específicas em relação às suas condutas de maneira suficiente a respaldar a responsabilização. E reclamam que a sujeição passiva foi, de forma arbitrária, fundamentada em relações comerciais e transações absolutamente lícitas, realizadas com a pessoa de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda e outras Algumas empresas do “Grupo Líder” foram arroladas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário constituído, com fundamento no Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. Dentre estas, as empresas TECIDOS LIDER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 01.480.360/000109; MOSSORÓ TRANSPORTES LOCAÇÃO E CONSTRUCÃO LTDA EPP, CNPJ n°03.473.711/000171; REALPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ME, CNPJ n° 05.010.066/000186; SACOPLAST DO BRASIL LTDA ME, CNPJ n° 05.933.101/000139; REALPLASTIC INDUSTRIAL LTDA ME, CNPJ n° 06.170.475/000102; REVENDEDORA DE COMBUSTÍVEIS PORTALEGRE LTDA ME, CNPJ n° 07.692.724/000192; NATURALY CONVENIÊNCIA LTDA ME, CNPJ n° 08.815.205/000137; DIAMANTE CRISTAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO EIRELI EPP, CNPJ n° 08.845.735/000128; POSTO LIDER LTDA, CNPJ n° 40.778.979/000148; CIEMARSAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO DE SAL LTDA, CNPJ n° 40.802.126/000102, apresentaram impugnação em conjunto (fls. 1857/1951). Antes de se passar às razões de contestação, observese que, temse como não conhecida a impugnação apresentada em relação às empresas Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda – EPP, Realplast Indústria e Comércio Ltda ME, Sacoplast do Brasil Ltda – ME, Realplastic Industrial Ltda ME – 06.170.475/000102 e Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda. No que tange à legitimidade do procedimento fiscal, remetese ao motivos e razões de decidir postos no item 5.1 deste voto, para, aqui também, afastar a alegação de ilegalidade pela inclusão das impugnantes como responsáveis solidárias no lançamento fiscal sem uma prévia decisão administrativa ou judicial contra a qual tivessem tido a oportunidade de defesa. Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.803 13 Quanto à responsabilidade solidária, salientese que a impugnação não nega a existência do grupo econômico de fato e nem a configuração do interesse comum demonstrada pela Fiscalização. Limitase, tão somente, a suscitar de forma genérica a ilegalidade do feito fiscal ao alegar que não se aplica ao caso a hipótese de responsabilidade solidária prevista no o art. 124, I do CTN. Entretanto, não assiste razão às Contribuintes, posto que, uma vez havendo confusão patrimonial entre as empresas do mesmo grupo econômico, com intuito de sonegação, pode ser identificado o interesse comum entre as empresas de um grupo, mesmo que não tenham realizado formalmente o fato jurídico tributário. Temse, portanto, como legítima a responsabilização das impugnantes com fundamento no art. 124, I do CTN. No que tange a solidariedade passiva, a Autoridade Fiscal informa que foi constatada pela Procuradoria da Fazenda Nacional a existência do grupo econômico, denominado “Grupo Líder”, formado por 32 empresas, capitaneadas pelo Sr. EDVALDO FAGUNDES DE ALBUQUERQUE, CPF 315.676.30472, atuantes nas áreas de indústria de plástico, tecidos, resinas, extração de sal, revenda de combustíveis e veículos, construção civil, transportes e maricultura. A fim de fundamentar sua decisão, traz em seu relatório a transcrição da íntegra da petição da Procuradoria da Fazenda Nacional, de onde constam os elementos, os fatos e o modus operandi do grupo que demonstrariam o desvio de finalidade e a confusão patrimonial verificada entre as empresas envolvidas, situações que caracterizariam o “abuso de personalidade jurídica”, este que autorizaria a “desconsideração da personalidade jurídica” conforme previsto no art. 50, do Código Civil. Seguem algumas conclusões que constam da referida petição, tiradas a partir dos fatos lá narrados: Em síntese, pelo demonstrado acima, parecenos perfeitamente caracterizadas as fraudes do Grupo Líder no ramo de revenda de combustíveis. Mais adiante, passa se a provar a ligação das empresas acima referidas com a TECIDOS LÍDER e demais empresas de outros ramos, com fito de revelar porque estamos diante de típica hipótese de manejo da teoria da desconsideração da pessoa jurídica e da regra de responsabilização tributária de grupos econômicos com interesse comum. [...] Inicialmente, cabe mencionar que, dentro de cada atividade produtiva em si, o liame e confusão patrimonial entre as empresas já ficou devidamente demonstrada seja pela sobreposição formal, sucessão temporal, pulverização, identidade de objetos sociais, uso da mesma marca, utilização das mesmas pessoas interpostas, controle da atividade das empresas por procuração, etc. [...] A confusão entre as empresas de diferentes ramos caracterizase também pela “direção formal” e por seus quadros societários que, concomitantemente, são formado por “sócios” (na verdade, laranjas) que simultaneamente exercem funções nos diferentes ramos de atuação. [...] A promiscuidade da relação entre pessoas físicas e jurídicas na atividade do Grupo Líder é uma das marcas constantes de sua atuação. [...] Fl. 2810DF CARF MF 14 Em que pese toda a demonstração acima a respeito do Grupo Líder, em verdade, podese afirmar que é FATO PÚBLICO e NOTÓRIO na cidade de Mossoró/RN, a existência do referido conglomerado econômico familiar. Há anos, o Tribunal Regional do Trabalho de 21ª Região tem referendado as dezenas de sentenças exaradas nas Varas Trabalhistas de Mossoró/RN que dizem respeito ao Grupo Líder e a confusão patrimonial engendrada pelas empresas componentes. As decisões são deveras consistentes e lastreiamse em provas que só poderiam ser obtidas por exfuncionários reclamantes que conheciam de perto e por dentro a estrutura do Grupo. [...] Portanto, como dito acima e podese confirmar pelas decisões da Justiça Obreira, a existência do conglomerado empresarial LÍDER e suas técnicas de blindagem patrimonial já são deveras conhecidas em Mossoró/RN. Toda longa exposição acima visou, portanto, elucidar o modus operandi do grupo e, com isso, imprimir EFETIVIDADE às cobranças, já que mesmo extremamente conhecido, o grupo parece inatingível pelos poderes constituídos. [...] In casu, como se viu acima, a Fazenda Nacional buscou, ao máximo, colacionar todos os fatos que levaram às conclusões aqui expostas. Por motivos óbvios, prescindível seria a especificação ano a ano de rigorosamente todas condutas fraudulentas. O modus operandi e a farta demonstração de superposição e sucessão de CNPJ’s, de simulações e técnicas de blindagem patrimonial já são suficientes para comprovação do grupo e do esquema de evasão. [...] Na hipótese sob exame, não há dúvida quanto à configuração dos dois elementos (desvio e confusão). Evidentemente, diversas sociedades criadas, do modo como apontando, foram constituídas sem que houvesse qualquer finalidade, uma vez que não agregaram qualquer tipo de valor aos negócios. Não agregaram patrimônio, recursos financeiros, knowhow, absolutamente nada. As pessoas jurídicas simplesmente se multiplicaram nos mesmos endereços, superpondo e sucedendo umas as outras (confusão). Em todos os ramos de atuação, empresas “sujas” foram blindadas e abandonadas. Os patrimônios divididos entre pessoas físicas e jurídicas. Abusouse, exageradamente, de uso de pessoas interpostas. Em verdade, existem elementos contundentes a fundamentar a desconsideração da personalidade jurídica das pessoas envolvidas. [...] Portanto, não resta dúvida de que todas as pessoas envolvidas nas fraudes devem responder solidariamente pelos débitos, pois não o objetivo das fraudes é justamente não demonstrar os principais envolvidos e resguardar o patrimônio em nome de pessoas que supostamente pouco ou nada tem com todo o esquema montado. No caso em análise, a existência de um grupo econômico de fato, com a participação conjunta das Impugnantes e da empresa autuada, restou evidenciada a partir da presença de vários elementos, dentre os quais a confusão patrimonial. Assim é que demonstrada a confusão patrimonial entre as empresas do mesmo grupo econômico, com intuito de sonegação, resta evidenciado o interesse comum das Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.804 15 demais empresas do grupo na relação jurídica tributária que deu causa à exigência, cabendo a inclusão dessas no polo passivo da obrigação tributária. Diante do exposto, legítima é a responsabilização das contribuintes relacionadas ao Grupo Lider com fundamento no art. 124, I do CTN, mantémse a responsabilidade solidária destas empresas. CCR Para sustentar a imputação de responsabilidade solidária da CCR Empreendimentos Ltda, a Autoridade Fiscal alega que o vínculo com o grupo Lider se daria, principalmente em razão da relação dessa empresa com a Premolds Indústria & Comérico Ltda. Dentre os documentos analisados foram encontradas diversas referências a CCR Empreendimentos, que a unem a várias empresas do Grupo Líder, em especial a Premolds Indústria & Comércio Ltda, conforme abaixo: Três contratos de venda de empreendimentos no interior do estado do Rio Grande do Norte, vendidos pela CCR Empreendimentos para a Premolds, sendo um de extração mineral no Sítio Saco da Areia, em Currais Novos, um de extração de granito no Sítio Lagoinha, em Itajá, e um de extração de calcário, em Pendências (Equipe 01 – Itens 42.11 a 42.13; Equipe 02 – Item 6.24). Aquisição de maquinário pela Premolds, sendo que a CCR Empreendimentos foi avalista e os pagamentos foram efetuados pela Premolds, CCR Empreendimentos, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda e EBS Empresa Brasileira de Sal Ltda (Equipe 01 – Item 45; Equipe 02 – Itens 6.3, 6.4 e 6.18). Pagamentos de despesas diversas da CCR Empreendimentos, com autorização de Edvaldo Fagundes, e efetuadas por empresas do Grupo Líder (Equipe 02 – Itens 6.5, 6.10, 6.15, 6.27, 6.33 a 6.35). Pagamento de ICMS relativo a material de perfuração da Premolds. A comunicação eletrônica anexa à guia de recolhimento encaminha a guia para pagamento pelo Posto Líder Ltda, e para contabilizar na CCR Empreendimentos (Equipe 09 – Item 9.6). [ANEXA CÓPIA DE EMAIL EM QUE CONSTA O SEGUINTE TEXTO: “Segue em anexo GRI para ser pago e colocar a despesa no caixa da CCR conforme autorização de Edvaldo Filho.] Esses documentos são indícios de uma relação mais que comercial entre a CCR Empreendimentos e o Grupo Líder, o que pode indicar que a empresa é parte integrante do próprio grupo econômico. O Contribuinte rebate os principais pontos apresentados pela Autoridade Fiscal, alegando que não ter realizado os citados pagamentos e que as demais operações se vinculavam ao contrato de aluguel de equipamentos firmado com a Premolds Indústria & Comércio Ltda, argumentando que: Acontece que a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA foi Avalista da PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, devido existir interesse da primeira empresa CONTRATAR A LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS pertencentes a segunda empresa, o qual foi materializado através de contrato particular, cópia em anexo, a locação de um CONJUNTO MÓVEL LT106 britador Fl. 2812DF CARF MF 16 de mandíbulas), um CONJUNTO MÓVEL LT200HP britador cônico) e um CONJUNTO MÓVEL ST4.8 (peneira vibratória). De toda sorte, os pagamentos realizados através das contacorrente n° 57.879 7 e 49.7860, ambas existentes na agência n° 3226, do banco Bradesco, informada nos presentes autos como sendo de titularidade da CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, na verdade pertencem a REVENDEDORA DE COMBUSTÍVEIS PORTALEGRE, empresa arrolada no Grupo Econômico de fato, conforme se pode inferior nos comprovantes de depósitos em anexos. Sendo assim, a responsabilidade solidária arrostada a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, não deve prosperar, pois jamais a mesma pertenceu ao investigado Grupo Econômico de fato, pois a fiança que esta deu em favor da empresa PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, se limitou apenas e tão somente a obrigação afiançada, qual seja, a compra de equipamento. De igual sorte, resta comprovado que a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA se limitou a afiançar a empresa PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, tendo o equipamento afiançado sido pago por empresas que formam o investigado Grupo Econômico de fato. Menciona também a Autoridade Fiscal, em seu relatório, existir “indícios de uma relação mais que comercial entre a CCR Empreendimentos e o Grupo Líder, o que pode indicar que a empresa é parte integrante do próprio grupo econômico”, através de “Três contratos de venda de empreendimentos no interior do estado do Rio Grande do Norte”, “pagamentos de despesas diversas da CCR Empreendimentos, com autorização de Edvaldo Fagundes, e efetuadas por empresas do Grupo Líder”, e, “Pagamento de ICMS relativo a material de perfuração da Premolds”. De toda sorte, referidos indícios não hão de prosperar, haja vista o fato gerador de todas as tratativas comerciais entre a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA e o Grupo Econômico de fato existiram por força do CONTRATO A LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS, pertencentes à PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, quais sejam, o CONJUNTO MÓVEL LT1Q6 (britador de mandíbulas), o CONJUNTO MÓVEL LT200HP britador cónico) e o CONJUNTO MÓVEL ST4.8 peneira vibratória). Acontece que toda a manutenção dos referidos equipamentos locados, foram arcados exclusivamente pela empresa CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, entretanto, algumas delas tiveram de ser adquiridas diretamente pela PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA. Sendo assim, existia um contacorrente, na PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, para computar todas as despesas referente as peças de desgaste natural e combustível, utilizados pelo BRITADOR locado a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA. Somente por tal fato é que a PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA menciona, em seus documentos, que a despesa com o guia de pagamento do tributo fosse contabilizado pela CCR EMPREENDIMENTOS LTDA. Ora, Douto Julgador, a PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, pagou uma GIM, referente a compra de uma peça de desgaste do seu BRITADOR, que estava locado a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA. Entretanto, a responsabilidade por tal manutenção era da locatária. Por fim, devido a inviabilidade na continuação do contrato, os representantes das empresas PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA e CCR Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.805 17 EMPREENDIMENTOS LTDA decidiram dar termo a locação, e, por inexistir interesse por parte da segunda empresa em extrair minério, pois estava entregando o BRITADOR, anuíram quitar o débito através da cessão dos 03 (três) requerimentos de registro de licença de operação existentes no lDEMA, ou seja os 03 (três) empreendimentos mencionados nos presentes autos. Foi na relação estabelecida com a Premolds Industria & Comercio Ltda que a Autoridade Fiscal vislumbrou um vínculo de tal natureza que só seria justificável caso ambas as empresas pertencessem ao mesmo grupo econômico. Isoladamente, há de se reconhecer que os indícios trazidos nos autos pela Autoridade Fiscal pareciam corroborar esse entendimento. Por seu turno, a Contribuinte apresenta uma versão factível, na qual as transações havidas como suspeitas pela Autoridade Fiscal se articulariam em torno de um negócio contratual referente à locação de máquinas e equipamentos firmado entre ela e a Premolds Industria & Comercio Ltda. De pronto, devese afastar a afirmativa do autuante de que os depósitos realizados a titulo de pagamento para a empresa Metso Brasil Indústria e Comércio Ltda – com origem nas .contascorrentes 57.8797 e 49.7860 (ambas da agência 3226 do Bradesco) – sejam de autoria do Impugnante. Prova disso são os dois depósitos bancários trazidos pelo Impugnante onde consta como titular dessas mesmas contas a empresa REVENDEDORA DE COMBUSTÍVEIS PORT (nome resumido no extrato, que se refere provavelmente à Revendedora de Combustíveis Portalegre, empresa também arrolada no Grupo Econômico de fato). Dessa forma, fica prejudicada a afirmação de que a CCR teria pago (parcialmente) a compra de equipamentos para a empresa Premolds. Restam então, como eventuais evidências de interesses em comum, (i) três contratos de venda de empreendimentos extrativistas, (ii) a condição de avalista da Premolds na aquisição de máquinas e equipamentos, (iii) pagamentos de despesas da CCR Empreendimentos efetuadas pelo Grupo Lider e (iv) pagamento de ICMS relativo a material de perfuração da Premolds. A Contribuinte afirma que a venda dos empreendimentos extrativistas (com respectiva cessão dos direitos de lavra) também decorre daquele mesmo Contrato a Locação de Equipamentos. Alega que houve anuência em “quitar o débito através da cessão dos 03 (três) requerimentos de registro de licença de operação existentes no IDEMA, ou seja os 03 (três) empreendimentos mencionados nos presentes autos”. Curiosamente, nos contratos apresentados, embora haja cláusula obrigando o pagamento de preço, não se estipula esse preço a ser pago. Em razão da imprecisão contábil e financeira, a versão apresentada pelo Impugnante poderia levantar suspeitas sobre vários aspectos da citada operação, mas não se apresenta como um indício de confusão patrimonial. A condição de avalista da Premolds na aquisição de equipamentos – que seriam posteriormente locados à CCR – tampouco se apresenta como uma operação exótica, destituída de racionalidade econômica. Conforme argumenta o Impugnante – e segundo as cláusulas do contrato firmado entre as partes (CCR e Premolds) – , os equipamentos adquiridos seriam objeto de locação para a própria CCR, daí seu interesse em que a compra se realizasse sem percalços. Não vejo nessa concessão de aval, concretamente vinculada à posterior locação do bem pelo avalista, indício de formação de grupo econômico. Fl. 2814DF CARF MF 18 O pagamento das despesas da CCR por empresa do grupo Líder, assim como o pagamento do ICMS também foram devidamente contextualizados pelo Contribuinte, vinculando tais pagamentos à obrigatoriedade contratual de arcar com os custos de desgaste e manutenção locados à Premolds, tudo ainda vinculado ao mesmo contrato de locação de equipamentos. Devese destacar que a questão relevante aqui é menos a regularidade contábil/fiscal das operações, e mais a verossimilhança de interpretálas como indícios suficientemente robustos para qualificar a Impugnante como pertencente ao grupo econômico Líder. Sob esse prisma, entendo que a possibilidade fática de que todas as operações indicadas pela Autoridade Fiscal estarem vinculadas àquele único contrato a locação de equipamentos enfraquece substancialmente a tese do autuante. Isso porque faz convergir todas as possíveis irregularidades para uma única operação/contratação, a qual teria que assumir características muito específicas para, isoladamente, implicar vinculação umbilical com o grupo econômico. Ora, tomar parte de um grupo econômico de fato demandaria evidências de uma articulação contínua, envolvendo valores substanciais, em transações de natureza duvidosa e com patente confusão patrimonial. Tudo isso a indicar que, duas ou mais pessoas jurídicas, não obstante formalmente distintas – e que, em razão dessa individualidade, deveriam estar atuando sob comando de vontades autônomas –, atuam sob comando daquela vontade única que coordena as ações de todo o grupo. No entender esse relator, não há indício suficientes no processo para caracterizar essa situação em relação à empresa CCR Empreendimentos LTDA. Sob esses argumentos, a DRJ entendeu no sentido de afastar do pólo passivo da obrigação tributária a Contribuinte, não sendo possível atribuirlhe a condição de responsável solidário, com o que concordo, razão pela qual, mantenho a decisão por seus próprios fundamentos. Por estas razões dou provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte CCR. Uti Do Carro Comércio e Transportes Express Eireli – Me No caso da empresa UTI do Carro, a Autoridade Fiscal entendeu que os seguintes indícios seriam suficientes para imputarlhe a condição de responsável solidário. Relembrando: a existência do “Grupo Líder”, formado por 32 empresas, está demonstrada na petição da Procuradoria da Fazenda Nacional, extraída dos autos da execução fiscal contra uma das empresas do grupo, a empresa Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, de onde constam os elementos, os fatos e o modus operandi do grupo que demonstram o desvio de finalidade e a confusão patrimonial verificada entre as empresas envolvidas; em decorrência do inquérito policial, IPL nº 1.28.100.000128/201331, a Polícia Federal apreendeu novos documentos os quais trouxeram indícios da existência de outras empresas relacionadas ao “Grupo Líder”, dentre as quais, a UTI DO CARRO COMÉRCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI. Sobre esta empresa, consta do Relatório Fiscal: 5. UTI DO CARRO COMÉRCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI – ME – CNPJ nº 06.143.726/000160 Empresa criada em 08 de março de 2004, com endereço a Avenida Presidente Dutra, nº 2043, Alto de São Manoel, Mossoró – RN. Possui atividade de comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores, e seu único sócio é Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.806 19 Saulo Negreiros Duarte, CPF nº 673.187.20406. A empresa possui uma filial (0002 40) localizada em Icapuí – CE. Os documentos analisados mostram a existência de ligação entre a empresa UTI do Carro e o Grupo Líder, conforme segue: • Equipe 14 – Item 9 – Contrato de parceria empresarial firmado entre Severino Ramos Andrade de Almeida, CPF nº 551.129.00768, e Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Pelo contrato, Edvaldo Filho adquire 50% (cinqüenta por cento) do imóvel matrícula 9316, com área de 40 hectares, para implementação de um loteamento, a ser realizado por ambos os contratantes. Edvaldo Filho paga sua parte no terreno pelo valor de R$ 630.000,00 (seiscentos e trinta mil reais), em bens e em dinheiro. Um desses bens é um veículo Pajero Dakar blindada, placas OJR 1212, chassi 93XJRKH8WCCC04954. O contrato está datado de 27 de setembro de 2013 e, a essa época, o proprietário do veículo era a filial 0002 da UTI DO CARRO, conforme registro no RENAVAM. • Equipe 02 – Item 20 – Tratase das ordens de serviço nº 009718, da E. B. de H. Rebouças – ME, referente a serviço de guincho, e 0080788, de L. E. Pneus Ltda, referente a serviços de alinhamento e balanceamento, ambos do veículo BMW M6 placas GCB4545. As ordens de serviço estão identificadas em nome de “Grupo Líder” e “Tecidos Líder”, respectivamente. No RENAVAM este veículo está registrado em nome da filial 0002 da UTI DO CARRO. • Equipe 14 – Item 31 – Recibo no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) destinado a “Edvaldo Filho”, apenas com assinatura, sem identificação do recebedor. O pagamento é efetuado em cheque da filial 0002 da UTI DO CARRO. • Equipe 14 – Item 35 – Recibo de depósito em dinheiro no valor de R$ 223.000,00 (duzentos e vinte e três mil reais) efetuado em conta corrente da UTI DO CARRO no banco Bradesco. O recibo foi encontrado na residência de Edvaldo Fagundes Filho. Já o interessado apresenta impugnação na qual, preliminarmente, alega: (i) cerceamento de defesa pela inexistência de prévio procedimento administrativo, (ii) cerceamento de defesa pelo não acesso à integra dos documentos citados no termo de sujeição passiva e, no mérito, (iii) afirma que as transações citadas como indício de interesse comum são operações regulares levadas a cabo condizentes com seu objeto social. Em sua defesa, a Contribuinte considera que ainda, não se pudesse olvidar em dizer que "não só a ausência dos requisitos previstos no art. 10 são causas de nulidade do presente auto de infração ou da notificação de lançamento. A norma do art. 9º, que prevê a anexação de todos os documentos, no caput referidos, é impositiva, e a desobediência a esse mandamento [...deverão estar instruídos com todos os...) implica a nulidade do auto de infração, por dois fundamentos: primeiro, porque constitui desobediência a mandamento legal cogente; segundo, porque implica cerceamento de defesa, impedindo o sujeito passivo autuado de conhecer por completo a acusação, com todas as provas que alegadamente o tornariam devedor da quantia exigida". Nesse prisma, cumpre destacar que os AuditoresFiscais fundamentaram suas decisões em processos judiciais e inquéritos que correm em segredo de justiça e, além de não Fl. 2816DF CARF MF 20 ter acesso aos referidos processos e inquéritos, a impugnante não pôde ter acesso a tais documentos, já que esses não foram anexados aos autos. A transação comercial da Pajero Dakar blindada não chegou a ser concluída, os cheques e o depósito são decorrentes de compra e venda de veículos, que digase, tem previsão no contrato social da peticionante, e os recibos da L.E pneus, cuja ordem de serviço estão identificadas em nome do “Grupo Líder”, foram de serviço realizado na BMW adquirida pela U.T.I. do carro, que desde o início apresentou problemas mecânicos, enquanto ainda estava no prazo de garantia do vendedor. Qual a irregularidade das condutas acima praticadas? A Interessada mostrou pleno conhecimento das operações, transações e documentos citados no relatório fiscal. Tanto é assim, que, sem qualquer embaraço, apresentou sua fluida contestação para cada indício apontado pela Autoridade Fiscal. Portanto, improcede também a preliminar pela não anexação de todos os documentos citados no relato fiscal. Já no mérito, há de se reconhecer que as evidências trazidas aos autos pelo agente fiscal podem – se tanto – servir como indício de irregularidades em transações envolvendo a empresa UTI do Carro Ltda e integrantes do Grupo Líder. Porém, mostrase temerário e precipitado inferir, a partir apenas dessas evidências, sem um aprofundamento investigativo mais cuidadoso, que a atuação do Impugnante é compatível com a pertinência àquele grupo econômico. O que se tem objetivamente são evidências materiais de operações com traços de irregularidade – umas menos evidentes, outras mais – que deveriam demarcar o início de uma investigação a qual poderia, eventualmente, culminar com a desconsideração da personalidade jurídica do impugnante. Importante destacar que não se descarta tal hipótese de confusão patrimonial, apenas reconhecese não haver, nos autos, elementos indiciários suficientes para sacramentar esse entendimento. Portanto, em razão da escassez de evidências conclusivas, entendo que deve ser afastada a imputação de responsabilidade solidária para a empresa UTI do Carro Ltda. O fato de a autoridade fiscal não encontrar sentido em tais operações dentro do contexto por ela desenhado, não implica necessariamente que elas sejam escusas ou com objetivo de fraude. Diante do exposto, excluise a responsabilidade solidária destas empresas. Conclusão: Ante o exposto, conhecer dos recursos apresentados tão somente por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, Naturaly Conveniência Ltda ME, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP, Posto Líder Ltda, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME, CCR Empreendimentos Ltda. Também por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento tão somente aos recursos de UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME e CCR Empreendimentos Ltda, para excluílos do pólo passivo da obrigação tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.807 21 Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 2818DF CARF MF
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