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Numero do processo: 13808.005787/98-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Inexistindo omissão no julgado embargado, rejeitam-se os embargos de declaração.
Numero da decisão: 3403-003.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausentes ocasionalmente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inexistindo omissão no julgado embargado, rejeitamse os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausentes ocasionalmente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 57 87 /9 8- 11 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil por AKZO NOBEL LTDA ao Acórdão nº 3403001.724, por meio do qual, por unanimidade de votos, negouse provimento aos recursos de ofício e voluntário. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/1995, 30/09/1995 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITOS DE SUCEDIDA POR INCORPORAÇÃO. Não merece reparo o v. acórdão recorrido, no que reconheceu à recorrente o aproveitamento de créditos de Finsocial apurados por pessoa jurídica de que é sucessora por incorporação. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Não se conhece do segundo recurso voluntário interposto, em razão de preclusão consumativa. INTIMAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O vício de procedimento, para acarretar a nulidade do processo administrativo fiscal, deve caracterizar uma das hipóteses contempladas pelo artigo 59, do Decreto no 70.235/72. FINSOCIAL. DIREITO CREDITÓRIO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. COMPENSAÇÃO. COFINS. Não se insurgindo especificamente o contribuinte contra os critérios de atualização monetária utilizados pela auditoria fiscal e garantidos por meio de decisão judicial, permanece incólume o montante do direito creditório calculado. RO negado e RV negado. Em sede de embargos de declaração o contribuinte explicou que foram interpostos dois recursos voluntários. Um em nome de INTERVET DO BRASIL VETERINÁRIA LTDA. e outro em nome da ora embargante, posto que esta última recebeu intimação para ratificar os termos do recurso voluntário apresentado pela primeira empresa. Naquela oportunidade a ora embargante apresentou requerimento para que fosse intimada regularmente da decisão de primeira instância para apresentação de novo recurso voluntário. Regularmente notificada, a ora embargante interpôs recurso voluntário arguindo em preliminar a responsabilidade tributária com fundamento nos artigos 132 e 133 do CTN, e nas razões de causa para alegar questões sobre o critério de correção monetária. Entretanto, o colegiado negou por unanimidade o recurso de ofício, negou o recurso interposto por INTERVET DO BRASIL e não conheceu do recurso voluntário da ora embargante, em razão da preclusão consumativa nos termos do art. 473 do CPC. Informa que o objetivo desses embargos de Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.005787/9811 Acórdão n.º 3403003.583 S3C4T3 Fl. 3 3 declaração é o saneamento da omissão havida no julgamento sobre qual ponto teria havido a citada preclusão consumativa nos termos do art. 473 do CPC. Informa que: "(...) Em linhas gerais, no bojo do direito processual civil a preclusão consumativa se conceitua na perda do direito de realização de um determinado ato processual. Ou seja, ultrapassado o prazo determinado o processo e a parte não se manifestou, ocorre a preclusão consumativa. (...)" Entende que o recurso voluntário foi interposto dentro do prazo de 30 dias da intimação recebida e que não há motivo para que não seja conhecido. Ademais, entende que o fato de existirem dois recursos interpostos não impede o conhecimento de ambos, na medida em que se tratam de pessoas jurídicas distintas. Invocou o princípio da verdade material e requereu o acolhimento dos embargos para que o colegiado se manifeste sobre o ponto omitido, levandose em consideração as razões postas a debate de forma que seja julgado o recurso voluntário interposto pela embargante. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator ad hoc. Tendo em vista que o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, relator originário deste processo, deixou o CARF em março de 2014, passo a relatar os embargos de declaração na condição de relator ad hoc. No voto condutor do acórdão recorrido está consignado o seguinte: "(...) 2. Recursos Voluntários. Dois recursos voluntários foram sucessivamente interpostos do v. acórdão de fls. 670/676, o primeiro por “Invervet do Brasil Veterinária Ltda.” e, o segundo, por “Akzo Nobel Ltda.”. Satisfazendo os pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto ao prazo para interposição, o primeiro deles deve ser conhecido. O segundo – no qual se alega, em resumo, matéria fática e jurídica idêntica ao anterior – incorre em preclusão consumativa e, nos termos do artigo 473, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, não será conhecido. (...)" O acórdão embargado foi bem explícito: o colegiado não tomou conhecimento do recurso voluntário interposto por AKZO NOBEL LTDA porque o ato processual já havia sido validamente praticado pelo contribuinte INTERVET DO BRASIL VETERINÁRIA LTDA. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O embargante está confundindo os conceitos de preclusão consumativa e de preclusão temporal. O que a embargante chamou de preclusão consumativa nos embargos, na verdade corresponde ao conceito de preclusão temporal. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000102/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
Numero da decisão: 2202-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhiam a preliminar de decadência para o ano-calendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhiam a preliminar de decadência para o anocalendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 01 02 /2 00 6- 11 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Foi lavrado auto de infração contra WILSON BENEDITO RACHIONI, com a exigência de crédito tributário no montante de R$ 4.676.452,13, sendo R$ 1.874.291,18 de imposto; R$ 1.405.718,38 de multa de ofício, e R$ 1.396.442,57 de juros de mora calculados até 30/12/2005 (fls. 03 a 08), em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com aplicação de multa de ofício de 75%. A fiscalização, baseada em indícios de omissão de rendimentos por cruzamento de dados bancários, intimou o contribuinte para apresentar extratos bancários dos anoscalendário 2000 e 2001 no prazo de vinte dias, não tendo o contribuinte atendido à intimação. Foram então emitidas Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira para as instituições financeiras Banco do Estado de São Paulo S/A, Banco Bradesco S/A e Banco Itaú S/A, tendo essas instituições atendido ao requisitado. Assim, foram obtidos os documentos bancários de fls. 50 a 219. A fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 46 a 47), intimando o contribuinte a comprovar com documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados e/ou creditados em suas contas correntes n° 27.8327, no Banco Bradesco S/A, n° 6.7967, no Banespa S/A e n° 3.9333, no Banco Itaú S/A, não tendo o contribuinte respondido até a data da lavratura do Auto de Infração. Cientificado do Auto de Infração em 27 de janeiro de 2006 (sextafeira), por via postal, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 227/v, o contribuinte apresentou impugnação em 3 de março de 2006 (fls. 231 a 247), por meio de procurador legalmente habilitado, na qual alega, em resumo: sem a prévia, formal e correta intimação do contribuinte, a autoridade fiscal não pode ter acesso às informações financeiras do contribuinte, nos termos do art.6° da Lei Complementar n° 105/01 e do art. 2º , § 1º , do Decreto n° 3.724/01, pois as intimações foram feitas por via postal sem atender aos ditames do art. 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, por indicarem como destino a Avenida Carlos Alberto Catapani, n° 193, Portal das Rosas, Limeira/SP, domicílio do impugnante, e serem entregues na portaria do condomínio, que tem endereço distinto, não sendo recebidas pelo impugnante; como as intimações não foram recebidas pelo contribuinte em seu domicílio fiscal, mas sim por Francisco B. da Silva (fls. 30), José Carlos do Nascimento (fls. 220/221 e 224) e Antônio Aparecido Braga (fls. 228), todos vigias e funcionários da Associação dos Moradores do Portal das Rosas, esse ato não alcançou sua finalidade de comunicar ao ora impugnante a existência de um processo administrativo ou procedimento fiscal, destinado a lhe imputar uma obrigação tributária, violando os artigos 2ºo e 26, § 3º, ambos da Lei n° 9.784/99, além de violar os princípios constitucionais da estrita legalidade, da publicidade e o da finalidade, restando, portanto, nulos de pleno direito; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000102/200611 Acórdão n.º 2202003.009 S2C2T2 Fl. 387 3 em relação ao ano de 2000, houve a decadência do lançamento, nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois o fato gerador do IRPJ(sic) ocorreu em 31 de dezembro de 2000, o primeiro dia do exercício seguinte é 01 de janeiro de 2001, e com o transcurso de cinco anos, temos 01 de janeiro de 2006 como prazo final, mas o lançamento só foi efetuado em 27 de janeiro de 2006, operandose, assim, a decadência; o procedimento fiscal iniciado pelo AuditorFiscal em face da impugnante é desmotivado, porque a simples movimentação financeira, por si só, não é motivo aceitável para tanto, sem se basear em outros elementos, como, por exemplo, patrimônio incompatível com seus rendimentos e sinais externos de riqueza, o que não ocorreu, sendo nulo de pleno direito o presente processo administrativo fiscal; foram desconsiderados os lucros acumulados relativos à pessoa jurídica integrada pelo impugnante, que já foram tributados e não podem sofrer nova tributação; incabível o agravamento da multa, por não ter havido intimação válida e por ter a fiscalização se baseado nos extratos bancários fornecidos pelas próprias instituições financeiras. Ao final, requer: o recebimento da impugnação como tempestiva, uma vez que o impugnante não foi intimado, nem em seu domicílio fiscal, nem na data apontada no documento de fls. 227, que foi recebido por funcionário do condomínio na portaria do mesmo, citando jurisprudência administrativa no sentido de que, não havendo prova do recebimento da intimação por via postal no domicílio tributário do sujeito passivo, considerase que ela ocorreu quinze dias após a data de sua expedição; seja reconhecida a inexistência de intimação válida ou reconhecida a inexistência de motivação para a fiscalização, anulando o procedimento fiscal e tornando ilegal o acesso às informações fiscais do impugnante, sendo considerado o auto de infração totalmente improcedente. seja reconhecida a decadência do lançamento relativo ao ano de 2000; provar o alegado por todas as provas admitidas, em especial por: a) diligências efetuadas por agentes do Poder Público, visando comprovar que as intimações não foram recebidas no domicílio fiscal do contribuinte, mas sim em local distinto e formula quesitos; b) prova pericial efetuada por agente do Poder Público, visando comprovar que o somatório de recursos constantes no presente auto de infração não são, em verdade, rendimentos omitidos, mas mera movimentação de receita financeira e indica perito; c) prova documental através de posterior juntada de novos documentos, como escrituras públicas de declarações, cópias autenticadas de carteira de trabalho, etc; d) requer que todas as intimações sejam feitas em nome do Dr. Vitor Meirelles, advogado e bastante procurador do impugnante, conforme instrumento procuratório já juntado aos autos. Em 31/03/2006, foi exarado pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal em Limeira o Despacho Decisório de fls. 251/258, não conhecendo da impugnação, por intempestiva, e dando caráter terminativo ao processo na esfera administrativa. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cientificado da decisão em 06/04/2006, fls. 259/v, o contribuinte interpôs recurso voluntário ao 1º Conselho de Contribuintes, em 05/05/2006 (fls. 260/267), no qual se insurge contra o Despacho Decisório de fls. 251/258, requerendo a sua total reforma e reconhecida a instauração do litígio quanto à tempestividade da impugnação apresentada. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/Limeira reconheceu que houvera a suscitação da tempestividade da impugnação na peça de fls 232/238 e tornou sem efeito o despacho anteriormente exarado e encaminhou os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPII), para apreciação da preliminar de tempestividade e eventual mérito da impugnação. A DRJ/SP2 não conheceu da impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 CIÊNCIA POR VIA POSTAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Considerase recebida a intimação fiscal na data de sua entrega no domicílio fiscal do contribuinte, confirmada com assinatura do recebedor, ainda que este não seja o próprio contribuinte ou seu representante legal e seja o porteiro do condomínio fechado em que mora o contribuinte. Assim, expirado o prazo de trinta dias da ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva a impugnação interposta. DECADÊNCIA. O prazo para o Fisco efetuar o lançamento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas é de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do PAF a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa e domicílio profissional do procurador. Impugnação não Conhecida Conforme despacho de fl. 342 e extrato do processo à fl. 341, o contribuinte foi cientificado da decisão em 15 de janeiro de 2009 e interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 319 a 339), alegando, em síntese: A intimação deuse por via postal, porém o contribuinte tem residência numa Associação de Moradores, num conjunto de habitações não consideradas como condomínios (verticais ou horizontais), que nem é registrada junto ao órgão da classe; tratandose então, de uma associação de moradores, cada qual tem seu endereço individualizado, diferentemente de um condomínio ou edifício, em que tem um ponto comum para entrega de correspondências, um endereço comum. como exemplo prático, determinado edifício tem para todos os apartamentos, um único endereço, alterandose somente, a numeração dos apartamentos que compõem tal condomínio; em informações obtidas junto a portaria da associação em que reside o recorrente, foi questionado sobre o procedimento na entrega de correspondências, tendose a informação de que os moradores tem "caixas de correspondências", exceto no caso de Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000102/200611 Acórdão n.º 2202003.009 S2C2T2 Fl. 388 5 notificações jurídicas, casos em que são encaminhadas para a residência de cada moradores, o que não ocorreu no presente caso, por se tratar de entrega realizada por correio; quanto à distinção entre a natureza jurídica entre condomínios e associação de moradores temse que quanto aos condomínios, ele regemse pelos artigos 1.331 e seguintes do Código Civil, onde uma vez que se adquire um imóvel fica obrigado aos termos da Lei e convenções, ainda que não se concorde com elas, desobrigandose somente quando da venda do imóvel, enquanto as associações regemse pelos artigos 53 e seguinte do Código Civil, onde se caracterizam por sociedades civis (sem fins lucrativos) integradas somente por aqueles que aderem a elas, assinando respectivo documento; desta forma, uma vez que a citação postal somente é aceita no endereço do sujeito passivo, e o local onde reside o recorrente não se trata de um condomínio (vertical ou horizontal), ele foi citado em endereço diverso do seu, e assim, o procedimento não ocorreu nos moldes que são definidos por lei; a distinção do endereço citado pela RFB e o endereço fiscal do sujeito passivo, ora recorrente, é evidente: RFB citação com AR: Rodovia SP 147, KM 03, Limeira/SP; RFB domicílio fiscal: Rua Carlos Alberto Catapani, n° 193 Portal das Rosas, Limeira/SP; assim, temse presente a situação em que o contribuinte não foi citado em seu domicílio tributário, não teve oportunidade de manifestarse em relação aos procedimentos fiscais, tampouco o acompanhamento de valores e intimações que lhe eram feitas; constatase a decadência de parte do período, pelo fato de ter transcorrido 05 (cinco) anos do fato gerador, levando em conta que referidos lançamentos se deram por homologação, modalidade esta que tem tratamento específico, de acordo com o art. 150, IV do CTN, combinado com o art. 42, § 4º, da Lei 9430/96; sendo a decadência matéria de ordem pública e fazendose a mesmo presente neste processo administrativo, deveria esta ter sido a mesma declarada de oficio pelo fisco, sem qualquer discussão quanto ao mérito em questão; o lançamento de imposto de renda tendo como base apenas a movimentação financeira é totalmente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício. A movimentação financeira, embora constitua fato gerador da CPMF, não indica que esteja ocorrendo a hipótese de incidência do imposto de renda, seja na pessoa física ou na jurídica; o antigo Tribunal Federal de Recursos, tamanha a pacificidade envolvendo a ilegalidade do lançamento baseado em presunção ou apenas em movimentação financeira, chegou até a editar a Súmula 182: É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; a Fiscalização deveria ter realizado diligências e circularizações nos eventuais beneficiários de valores que transitaram pelas contas correntes do recorrente, em respeito ao princípio da verdade real; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Ao final, solicita que as citações e intimações sejam remetidas ao escritório dos patronos, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente a perícia contábil, diligências e a sustentação oral, além de requerer que seja dado provimento ao recurso para cancelar o Auto de Infração. Posteriormente ao recurso voluntário, em 4 de março de 2010, o contribuinte peticionou solicitando o seguinte (fls. 343 e 344): “1) O recorrente desiste dos seguintes direitos que se fundam a ação: a) Não configuração em renda dos depósitos bancários (art. 42, Lei 9430/1996). 2) Por outro lado, o processo administrativo em questão deverá ter seu prosseguimento, com as seguintes questões: a) Decadência para o exercício de 2000, b) Parte probatória a que se refere as planilhas e documentos já constantes dos autos, bem como, os que serão juntados comprovando justificativas quanto aos depósitos ou créditos mantidos nas contas bancárias em questão, e c) Tudo o que mais constar no processo, excetuado o item 1.” O contribuinte apresentou nova petição em 14 de dezembro de 2010 (fl. 350), solicitando prioridade na tramitação do processo, com base no artigo 71 da Lei nº 10.71/2003 (Estatuto do Idoso). Em 27 de maio de 2011, entrou com novo pedido (fls. 552 a 554) reiterando o seu pedido anterior de desistência parcial do recurso, em relação ao valor principal de R$ 36.868,00, em virtude de adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Conforme despacho de fls. 560, o montante relativo à desistência do recurso foi transferido para outro processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que não conheceu a impugnação por esta ser intempestiva. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000102/200611 Acórdão n.º 2202003.009 S2C2T2 Fl. 389 7 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Nesse caso, a ciência do Auto de Infração deuse em 27 de janeiro de 2006 (sextafeira), por via postal, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 227/v. Assim, ao apresentar a sua impugnação somente no dia 3 de março de 2006 (fls. 231 a 247), estava exaurido o prazo legal. O prazo teria esgotado em 28 de fevereiro de 2006, terçafeira de carnaval, feriado nacional. Como não houve expediente normal na quartafeira de cinzas, o prazo esgotouse em 2 de março de 2006 (quintafeira). O recorrente alega que a citação postal somente é aceita no endereço do sujeito passivo e o local onde reside não se trata de um condomínio (vertical ou horizontal), mas sim uma associação de moradores, onde cada qual tem seu endereço individualizado, diferentemente de um condomínio ou edifício, em que tem um ponto comum para entrega de correspondências, um endereço comum. Argúi que as intimações foram recebidas pelos porteiros, os quais não tinham autorização para recebêlas. Portanto, ele foi citado em endereço diverso do seu, e assim, o procedimento não ocorreu nos moldes que são definidos por lei. Compulsando os autos, mais especificamente a foto acostada à fl. 290, constatase que se trata de um condomínio fechado na sua acepção mais ampla. Embora não esteja comprovado que é um condomínio horizontal de direito em conformidade com a legislação pertinente, ele o é de fato. Conforme exposto no voto da decisão da DRJ, observase que o domicílio tributário do contribuinte, Rua Carlos Alberto Catapani n° 193, é uma rua interna ao condomínio fechado Portal das Rosas, situado no KM 03 da Rodovia SP 147, Limeira/SP, local onde o sistema viário interno do condomínio alcança a via pública e onde existe uma guarita ou Fl. 393DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 portaria, que limita e controla o acesso às dependências internas, caracterizandose como condomínio fechado. Restando comprovado que as intimações foram recebidas pelos funcionários do condomínio (ou Associação de Moradores) Francisco B. da Silva, José Carlos Nascimento e Antonio Aparecido Braga (fls. 30, 220, 221, 224 e 227), no exercício de suas atribuições na portaria, reputoas como válidas. Notese também que o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 27 de janeiro de 2006 (fl. 227/v) e, logo em seguida, no dia 1º de fevereiro de 2006, compareceu à DRF para solicitar cópia dos autos do presente processo (fl. 228). Quanto à ciência da decisão realizada por outra pessoa, assim dispõe a Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Portanto, é de se manter a decisão de primeira instância no sentido de que a impugnação apresentada pelo contribuinte é intempestiva. Em sendo intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Dessa forma, não há que se analisar os demais argumentos do contribuinte em relação ao mérito da autuação. Quanto à solicitação de que as citações e intimações sejam remetidas ao escritório dos patronos, não há como acolher por falta de previsão legal. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 12585.720473/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA
Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO.
As despesas com inspeção e movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da não-cumulatividade.
CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO.
É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria, ainda que sejam classificáveis no ativo permanente.
CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO. BENS PASSIVEIS DE ATIVAÇÃO.
Não há direito à tomada de créditos sobre o custo de aquisição de bens ou serviços empregados na manutenção de bens passiveis de ativação que não guardem estreita relação de pertinência e essencialidade com a fase agrícola.
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO.
Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de ressarcimento, o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, reconhecendo as receitas de exportação apuradas na data de embarque das mercadorias.
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. REINTRODUÇÃO NA CADEIA DE PRODUÇÃO. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.605
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator e do redator designado, que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, quanto ao aproveitamento extemporâneo de créditos e quanto ao frete de produtos acabados, Alexandre Kern e Aparecida Martins de Paula, quanto ao aproveitamento de créditos sobre gastos com combustíveis. Designado o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior para redigir o voto vencedor quanto aos créditos sobre combustíveis.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Júnior Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção e movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da não-cumulatividade. CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria, ainda que sejam classificáveis no ativo permanente. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO. BENS PASSIVEIS DE ATIVAÇÃO. Não há direito à tomada de créditos sobre o custo de aquisição de bens ou serviços empregados na manutenção de bens passiveis de ativação que não guardem estreita relação de pertinência e essencialidade com a fase agrícola. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de ressarcimento, o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, reconhecendo as receitas de exportação apuradas na data de embarque das mercadorias. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. REINTRODUÇÃO NA CADEIA DE PRODUÇÃO. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator e do redator designado, que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, quanto ao aproveitamento extemporâneo de créditos e quanto ao frete de produtos acabados, Alexandre Kern e Aparecida Martins de Paula, quanto ao aproveitamento de créditos sobre gastos com combustíveis. Designado o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior para redigir o voto vencedor quanto aos créditos sobre combustíveis. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnior Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência ou perícia não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matéria prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 04 73 /2 01 1- 43 Fl. 7336DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção e movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da nãocumulatividade. CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria, ainda que sejam classificáveis no ativo permanente. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO. BENS PASSIVEIS DE ATIVAÇÃO. Não há direito à tomada de créditos sobre o custo de aquisição de bens ou serviços empregados na manutenção de bens passiveis de ativação que não guardem estreita relação de pertinência e essencialidade com a fase agrícola. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento, o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, reconhecendo as receitas de exportação apuradas na data de embarque das mercadorias. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. REINTRODUÇÃO NA CADEIA DE PRODUÇÃO. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Fl. 7337DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.337 3 Apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator e do redator designado, que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, quanto ao aproveitamento extemporâneo de créditos e quanto ao frete de produtos acabados, Alexandre Kern e Aparecida Martins de Paula, quanto ao aproveitamento de créditos sobre gastos com combustíveis. Designado o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior para redigir o voto vencedor quanto aos créditos sobre combustíveis. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnior – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório FIBRIA CELULOSE S/A transmitiu, em 04/11/2011 o PER nº 18827.32332.270511.1.1.088105 (fls. 5 a 9, retificado em 27/05/2011 PER nº 24964.27565.041111.1.5.086062), por meio do qual pretendeu ressarcimento de saldo credor de PIS não cumulativa, vinculado à receita de exportação, acumulado no 1º trimestre de 2011, no valor de R$ 7.220.729,59. Não constou apresentação de DCOMPs. O Despacho Decisório, fls. 6.042 a 6.072, deferiu o ressarcimento em R$ 2.379.548,99. O deferimento apenas parcial decorreu dos seguintes ajustes: a) na data de apropriação dos créditos, glosando as notas que não foram emitidas no mês da apropriação; b) glosa dos créditos tomados sobre as aquisições de insumos adquiridos a pessoas físicas; c) glosa dos créditos tomados sobre aquisições de itens que escapam do conceito de insumos adotado na legislação do IPI, entre eles, ferramentas de Fl. 7338DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; d) glosa dos créditos tomados sobre os gastos com todos os bens e serviços utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente, entre eles, com corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere); e) glosa dos créditos tomados sobre despesas de exaustão de reservas florestais; f) glosa dos créditos tomados sobre despesas de fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado; g) glosa dos créditos tomados sobre despesas com materiais de transporte (correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, palete e caixas de papelão); h) glosa de créditos tomados sobre despesas de estadia e translado, locação de veículos e despesas de transporte de supervisores; i) glosa dos créditos tomados sobre partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado (reparos em veículos e de carga e peças de reposição de transpaleteiras); j) glosa dos créditos tomados sobre itens incorporados ao ativo imobilizado edificações: tijolo comum, tintas para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral, pedra brita, k) glosa de créditos tomados sobre despesas de logística, armazenagem e frete de transporte de produtos acabados entre estabelecimentos; l) glosa dos créditos tomados sobre gastos com combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos; m) glosa dos créditos extemporâneos tomados sem observância do critério temporal (sem retificação do Dacon do mesmo período dos créditos), ou não comprovados; Em reclamação, fls. 6.082 a 6.123, o interessado controverteu: (i) o índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno adotado pelo Fisco, que colidiria com o disposto no § 3º do Fl. 7339DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.338 5 art. 6º, c/c § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas de exportação; (ii) o momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos, que pretende que seja no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários; (iii) a desnecessidade de retificação de DACON e DCTF para o aproveitamento do crédito em meses subseqüentes; (iv) o conceito de insumo usado como critério para a sua apropriação, rechaçando as instruções normativas da SRF; (v) a glosa dos dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, considerando que a madeira é seu principal insumo; (vi) as glosas dos créditos tomados sobre gastos com ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altera de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos, locação de guindastes, correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallets (palete), caixas de papelão, despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de NFs, copos para água mineral, almofada para carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, óculos de segurança Bandido, tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita, que são parte essencial no processo produtivo, e para os quais requer a realização de diligência para a comprovação de que os bens e serviços adquiridos pela empresa são efetivamente custos ligados à sua produção ou fabricação; (vii) as glosas dos créditos tomados sobre as despesas de formação de florestas, inclusive sobre a exaustão, já que seu processo produtivo iniciase com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensifica na formação das florestas e, se encerra após a transformação da madeira em celulose, de forma que todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de Fl. 7340DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 insumo na elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da empresa destinado à venda; (viii) as glosas sobre gastos com serviços de clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita, contratados a terceiros; conforme atestariam as próprias planilhas elaboradas pela Fiscalização; (ix) as glosas dos créditos sobre fretes não relacionados à entrega de mercadorias diretamente aos clientes armazenagem/transporte de papel e logística, já que todos esses gastos são tidos como custo de produção, constituindo insumos, cujo crédito é assegurado pelo inciso II do art. 3º das Leis de regência; Requereu expressamente a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1050.032, de 19 de maio de 2014, fls. 6.434 a 6.464, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. RAZÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO ADMINISTRATIVO. PERTINÊNCIA COM A MATÉRIA. Fl. 7341DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.339 7 Em sede de contestação de primeiro grau contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, descabem discussões acerca de matéria estranha ao objeto da lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumlatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito Fl. 7342DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 6.893 a 6.958, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma os argumentos da Manifestação de Inconformidade, controvertendo: I) o equivocado critério utilizado para aplicação do índice de rateio proporcional dos créditos; II) a inaplicabilidade das instruções normativas da SRF para a definição do conceito de insumo, pugnando por que se adote o conceito equivalente aos custos de produção; III) o equivocado entendimento de que o processo produtivo iniciase somente no momento do tratamento físicoquímico da madeira; IV) a ilegalidade das glosas dos créditos tomados sobre: a. gastos com equipamentos de proteção individual, com itens consumidos em laboratórios químicos, com a utilização de rádios de comunicação; com partes e peças de reposição empregados na manutenção de máquinas e equipamentos florestais; b. encargos de exaustão; c. serviços de clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita, contratados a terceiros; d. todos os fretes contratados, tanto na aquisição de insumos, quanto na transferência de produtos em elaboração ou acabados (para colocação no estabelecimento vendedor), e ainda nas aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado; e. gastos com GLP utilizados em empilhadeiras; gasolina utilizada nos veículos que transportam pessoal; óleo diesel, óleo biodiesel e GLP a granel; f. materiais de transporte de celulose; g. despesas de veículos e materiais de construção. V) O momento correto para a apuração do crédito; VI) A possibilidade de aproveitamento extemporâneo de créditos e a desnecessidade de prévia retificação do Dacon e da DCTF, e; Fl. 7343DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.340 9 VII) O direito aos créditos vinculados à receita de exportação. Renova o pedido de perícia, formulando quesitos e indicando peritos. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 6.893 a 6.958 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1050.032, de 19 de maio de 2014. Pedido de diligência/perícia O laudo técnico oferecido pelo recorrente e constante dos autos responde todos os quesitos formulados e revela a desnecessidade da providência requerida. Nada obstante, são recorrentes em processos de iniciativa do contribuinte a conversão de julgamentos em diligência a fim de ser suprida suas deficiências probatórias. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do art; 9°do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras Fl. 7344DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 10 do lançamento. Já nos casos de ressarcimento, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré requisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Fl. 7345DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.341 11 Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Fl. 7346DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 12 Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 7347DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.342 13 b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 7348DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 14 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a Fl. 7349DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.343 15 totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretendem o recorrente, parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 7350DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 16 f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O CARF, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus Fl. 7351DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.344 17 estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Fl. 7352DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 18 Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. O contribuinte tem como objeto social: “a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros.” Assim como rechaçamos o conceito de insumos restritivo, vinculado ao IPI, por considerálo desamparado de autorização legal, pelo mesmo motivo rejeitamos a secção da atividade do contribuinte, procedida no Despacho Decisório em duas etapas, a primeira, da produção da matériaprima (madeira) até seu tratamento, e a segunda, a extração da pasta de celulose propriamente dita. O viés introduzido nos critérios da Fiscalização pela adoção do conceito de insumo da legislação do IPI, dissociado do aspecto material das contribuições sociais não cumulativas, acabou por considerar como produção apenas a etapa industrial do processo produtivo, o que vai de encontro à redação dos arts. 3º, incs. II, das Leis de Regência, que empregam as locuções produção e fabricação. A propósito, ao tratar do tema, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, percucientemente assentou no voto condutor do Acórdão nº 3403002.824, de 27 de fevereiro de 2014: Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação "de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar" ,"dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota" transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima Fl. 7353DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.345 19 (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art.1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária,"agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados. Glosas revertidas Assim, relativamente à fase agrícola do processo produtivo, consistente na criação de mudas, plantio, manejo e colheita dos eucaliptos, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa expurgue dos cálculos os custos incorridos com insumos na floresta, sob o argumento de que amadeira lá produzida não se destina à venda, mas sim a consumo próprio. Isto porque, conforme já ficou assentado antes, a atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, seja pela interpretação literal do art. 3° da Lei de Regência, ou pela aplicação da definição legal de "agroindústria". Bens e serviços caracterizáveis como insumo, segundo o conceito adotado neste voto, aplicados na fase agrícola do processo produtivo Sendo assim, devem ser revertidas as glosas dos créditos tomados sobre dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuam classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem. Fl. 7354DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 20 Da mesma forma, revertase a glosa dos créditos tomados sobre os aluguéis de guindaste, que, enquanto máquina/equipamento utilizado na atividade da empresa, está expressamente autorizada pela Lei de Regência no inc. IV do art. 3°.. Gastos com serviços de transporte Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Assim, muito embora a Fiscalização não tenha especificado as glosas do frete na etapa agrícola do processo produtivo – condensandoas sob a rubrica frete pago na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado, devem ser revertidas todas as glosas referentes a transporte de madeira entre a floresta e a fábrica. Lubrificantes A possibilidade de desconto de créditos calculados em relação aos gastos lubrificantes consumidos nos equipamentos utilizados na produção de pasta de celulose está expressamente prevista no inc. II do art. 3° das Leis de Regência. Materiais para transporte dos produtos acabados O acondicionamento para transporte do produto acabado deve ser considerado como etapa integrante do processo produtivo da recorrente. Assim o valor dos gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados, ensejam a tomada de créditos. Essas são as glosas que devem ser revertidas. Glosas mantidas Na continuação, abordamse os ajustes que devem ser mantidos. Método de rateio proporcional A Fiscalização apurou novos índices de rateio segundo a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, detalhados em memoriais de cálculo constantes do relatório da auditoria. A partir deles, parte do crédito pretendido foi indeferido por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. A recorrente alega que é equivocado considerar a data do embarque das mercadorias como o momento para o reconhecimento da receita de operações com o mercado externo. Segundo seu entendimento, o ADI SRF nº 22, de Fl. 7355DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.346 21 2002, no qual teria se baseado o procedimento fiscal, regularia especificamente a exportação de produtos nacionais sem saída do território nacional, para o gozo da isenção, o que não seria o presente caso. A matéria tem regramento na Portaria MF nº 356, de 1988, que fixou o momento em que deve ser reconhecida a receita de exportação (sublinhado na transcrição): I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I...1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. A doutrina1 chancela: Na hipótese de exportações de produtos manufaturados nacionais, a receita bruta de vendas será determinada pela conversão, em moeda nacional, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior, entendida esta como o data averbada pela autoridade aduaneira, na Guia de exportação ou documento de efeito equivalente. As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias ativas ou passivas/ Momento de Apuração de Créditos na Aquisição de Insumos A recorrente defende que o momento correto para a contabilização do crédito, não é a data da aquisição do bem ou da contratação do serviço, mas sim a data da entrega do bem ou da conclusão da prestação do serviço, momento em que se operariam os efeitos patrimoniais relevantes. O momento correto para apuração de eventuais créditos da Contribuição decorrente da aquisição de insumos está determinado no art. 3º, inciso II, das Leis de Regência. E, novamente, como assentado pelo Conselheiro Atulim, no já referido Acórdão nº 3403 002.824 (grifo na transcrição): 1 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Iudícibus, Sérgio de, e outros. São Paulo: Atlas, 2009, 7 ed., p. 363): Fl. 7356DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 22 Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Aproveitamento de Créditos Extemporâneos Não é possível o aproveitamento direto de créditos resultantes da aquisição de um determinado insumo em mês diverso da aquisição. O que é possível é aproveitar o saldo de créditos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. O recorrente, por sua vez, remete a discussão às Leis de Regência, para argumentar que o 4 do art. 3° é claro ao dispor que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá ser aproveitado nos meses subseqüentes. Aduz que não se pode desconsiderar as aquisições de insumos e o respectivo direito aos créditos pelo simples fato de que foram escrituradas em momento posterior. A matéria no entanto já tem entendimento pacificado neste colegiado, plasmado, por exemplo, no Acórdão nº 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons.Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto,que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova caba de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. Glosas dos créditos tomados sobre itens que não se subsumem no conceito de insumo adotado neste voto Há que se atentar para o fato de que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3°, inc. II, das Leis de Regência, ele deve ser pertinente e essencial ao processo produtivo, integrando o seu custo de produção, e, ao mesmo tempo, não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99; Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Seja por não guardarem a necessária relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo, considerado na sua indivisível unicidade, ainda que sejam contabilizados como custo de produção; ou por serem passíveis de ativação, devem ser mantidas as glosas dos créditos tomados sobre os seguintes itens: Fl. 7357DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.347 23 a) ferramentas de trabalho para manutenção, b) calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, c) pistola de ar comprimido, d) serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências; e) serviços logísticos, f) serviços de movimentação de materiais, g) despesas com equipamento de proteção individual, óculos de segurança Bandido, h) etiquetas adesivas de escritório, i) rolos de pintura, j) lonas de plástico para efetuar manutenções, k) insumos utilizados em análises químicas em laboratório, l) baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, m) manutenção de PABX e de nobreaks, n) encadernação de NFs, o) copos para água mineral, p) almofada para carimbo, q) binóculos, r) borrachas para lápis, s) brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, t) tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita; u) peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere); v) correntes de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos. Fl. 7358DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 24 Especificamente em relação às despesas com manutenção de bens, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3°, inc. II, das Leis de Regência (i. é, como insumo) ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. A esse respeito, ver, por exemplo, Acórdão nº 3403002.648, de 27 de novembro de 2013, Rel. Conselheiro Antonio Carlos Atulim, unânime quanto a essa matéria. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização (inc. III do § 1° do art. 3°), conforme normas específicas. A defesa limitouse a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a despesas de manutenção de máquinas e equipamentos florestais na qualidade de insumo, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um desses bens se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no seu custo de aquisição. O exame das alegações recursais e da parca documentação acostada junto com a Manifestação de Inconformidade revela que os equipamentos de que se trata – da marca John Deere e Komatsu são notoriamente passíveis de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, § 2º do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, 1º, do RIR/99).. Não sendo esse o caso, tocaria ao contribuinte demonstrálo, consoante o sistema de distribuição da carga probatória adotado em processos de iniciativa do contribuinte, o que não ocorreu. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. GLP utilizados em empilhadeiras, GLP a granel, óleo diesel, biodiesel e GLP granel A possibilidade de desconto de créditos calculados em relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes está expressamente prevista no inc. II do art. 3° das Leis de Regência. Por outro lado, as diversas “formas” de desoneração da tributação (imunidade, nãoincidência, isenção e tributação à alíquota zero) não dão, em princípio, direito ao creditamento. Nesse ponto, convém lembrar o entendimento no STF de que a aplicação do princípio da nãocumulatividade, como o próprio vernáculo está a indicar, pressupõe tributação positiva tanto na entrada quanto na saída, sem o que não há cumulação. Não foi por outra razão, a Lei de Regência vedou expressamente o direito a crédito sobre o valor da aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da Contribuição (não gravados), em qualquer hipótese, nos termos do inc. II do § 2° do art. 3°: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 2° Não dará direito a crédito o valor: Fl. 7359DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.348 25 ... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A Lei de Regência, ao mesmo tempo, excluiu da base de cálculo as receitas tributadas à alíquota zero, em dispositivo que engloba, indistintamente, também a isenção e a nãoincidência: Art. 1º A Contribuição para o ..., com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); (grifei) A redação original do art. 4° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, instituiu sistema de tributação pelas contribuições sociais cumulativas por substituição tributária (ST) para a cadeia dos combustíveis e derivados de petróleo: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. A técnica de tributação por ST, no que diz respeito aos combustíveis, teve vida breve. O art. 3º da Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000, alterou o art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, instituindo a tributação concentrada na refinaria: Art. 3º Os arts. 4º, 5º e 6º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: Fl. 7360DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 26 I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP;’ IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. A Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, por sua vez, reduziu a zero as alíquotas incidentes nas etapas subseqüentes das cadeias (distribuidores e varejistas): Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Como se vê, a tributação monofásica dos combustíveis foi erigida dentro da moldura normativa da incidência cumulativa. Toca agora verificar se a nãocumulatividade é compatível com a tributação concentrada nas etapas desoneradas, isso é, das distribuidoras em diante. A propósito do tema, o Ministro Marco Aurélio, no voto condutor do RE nº 460.785/RS, esmiuçou definitivamente o conteúdo do princípio constitucional da não cumulatividade e cristalizou o entendimento, agora predominante na Suprema Corte, de que a aplicação do princípio, como o próprio vernáculo está a indicar, pressupõe tributação positiva tanto na entrada quanto na saída, sem o que não há cumulação. Esclareceu também que não importa se há ou não a incidência na venda dos produtos, mas sim se a operação é ou não onerada pela tributação e só será onerada, por óbvio, se a alíquota for positiva e não haja a isenção. Ilustro com os seguintes excertos os seguintes trechos do voto: No mais, atentem para a razão de ser do creditamento. Visa a evitar a sobreposição de cobrança de tributo consideradas sucessivas operações. Então, ante o princípio da não cumulatividade, o valor do tributo apurado em certa operação sofre a diminuição do que satisfeito anteriormente. Utilizase o crédito com o objetivo único de não haver a sobreposição, a cobrança do tributo em cascata, transgredindo o princípio vedador da duplicidade. (...) Pois bem, de início, ante a sucessividade de operações versadas neste processo, percebese o nãoenvolvimento do princípio da nãocumulatividade. A conclusão decorre da circunstância de o Fl. 7361DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.349 27 inciso II do § 3º do artigo 153 da Carta da República, não bastasse o alcance vernacular da expressão – não cumulatividade – , surgir pedagógico ao revelar que a compensação a ser feita levará em conta o que for devido e recolhido em operações anteriores com o montante cobrado na subseqüente. Considerando apenas o princípio da não cumulatividade, se o ingresso da matériaprima ocorreu com incidência do tributo, logicamente houve a obrigatoriedade de recolhimento. Mas, se na operação final verificouse a isenção, não existirá compensação do que recolhido anteriormente ante a ausência de objeto. Compensar o que? [...] Em síntese, presente o princípio da nãocumulatividade – e deste somente é possível falar quando há dupla incidência, sobreposição , o direito do contribuinte ao crédito considerado o que recolhido em operação anterior, tendose a isenção ou alíquota zero na operação final surgiu – e mesmo assim implicitamente, se é que isso é possível – com a edição da Lei nº 9.779/99. Não implicou ela mera explicitação de um direito. Entenderse, como fez a Corte de origem, que no caso pouco importa o período alusivo às operações, se anterior à lei comentada ou posterior, implica fugir a ordem natural das coisas, olvidandose o princípio da nãocumulatividade no que sem o envolvimento de dupla incidência, caminhouse, sem previsão em lei, no sentido de creditamento. Ratificando o decidido no RE nº 460.785/RS e dando consistência à doutrina do STF sobre o princípio da não cumulatividade, extraio excerto do voto condutor do julgamento proferido pelo STF no RE nº 475.551/PR, proferido pelo Ministro Menezes Direito: A alíquota zero, portanto, significa ser o crédito inexigível, sendo uma modalidade de desoneração do tributo. De todo os modos, a conseqüência final não é alterada, porque em todos os casos de isenção ou de alíquota zero o que existe é a desoneração do tributo e daí, penso, respeito embora aqueles que entendem em sentido oposto, não há falar na distinção para efeito de se estabelecer o sistema da não cumulatividade. Portanto, para que se cogite em não cumulatividade deve haver necessariamente incidência plurifásica, sob pena de ofensa à lógica do princípio. A está respaldada também na jurisprudência do STJ: REsp nº 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 22/09/2010. TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL PIS COFINS – INCIDÊNCIA MONOFÁSICA – CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE – LEGALIDADE – INTERPRETAÇÃO LITERAL – ISONOMIA – PRESTAÇÃO JURISDICIONAL SUFICIENTE – NULIDADE – INEXISTÊNCIA. [..] Fl. 7362DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 28 2. A Constituição Federal remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do art. 195, § 12 da CF/88. 3. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. AgRg no REsp n 1.226.371/RD, Rel. Min. Humberto Martins, Dje 10/05/2011 TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. ART. 14 DA LEI N. 11.727/2008. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO ÀS EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. [...] 2. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento.... A Ministra Eliana Calmon, no voto condutor do REsp nº 1.140.723/RS, enfatizou que a técnica de tributação concentrada é incompatível com o creditamento porque não há cumulatividade a compensar: Como bem explanado no aresto recorrido, a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à nãocumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) para a concessão de qualquer benefício fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de benefício fiscal. Na mesma direção caminha a jurisprudência dos tribunais regionais, como ilustra decisão do TRF da 5º Região (AC nº 490.763/SE, TRF da 5º Região, Rel. Des. Geraldo Apoliano, Dje 10/02/2011): TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. DIREITO AO CREDITAMENTO. LEIS 10.637/02, 10.833/03 E 10.865/04. IMPOSSIBILIDADE. 1. Mandado de Segurança impetrado por PETROX DISTRIBUIDORA LTDA. firma distribuidora de combustíveis que pretende, com base nas Leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e Fl. 7363DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.350 29 10.865/04, ver assegurado o direito de escriturar os créditos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,6%), calculados sobre o valor da nota fiscal dos combustíveis adquiridos para revenda. [...] 3. Segundo o regime da Lei nº 9.718/98, a sistemática do recolhimento do PIS e da COFINS para as operações relativas a combustíveis, concretizavase pela via da substituição tributária, uma vez que o primeiro integrante da cadeia produtiva (as refinarias) recolhia as exações através da antecipação do fato gerador. 4. Com o advento da Lei nº 9.900/00, a tributação permaneceu sobre o primeiro integrante da cadeia produtiva; entretanto, na sistemática do 'regime monofásico', no qual as contribuições são pagas com uma alíquota elevada, logo na primeira fase da cadeia produtiva; para as demais pessoas que participam das etapas seguintes (v.g. distribuidores e revendedores) incide a alíquota zero. 5. O regime monofásico permaneceu em vigor, inclusive, após o advento das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que implantaram a sistemática da nãocumulatividade para as contribuições 'PIS/COFINS'. 6. Com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.865/2004, o alcance da sistemática da nãocumulatividade foi ampliado, passando a abranger as receitas provenientes da comercialização de combustíveis. No entanto, tal alteração alcançou apenas as empresas produtoras e importadoras, tendo em vista que foi mantida a alíquota zero para os demais comerciantes (revendedores e distribuidores). 7. Impetrante/Apelante que não faz jus ao creditamento das contribuições em questão, pois, se assim fosse permitido, estaria, de forma indevida, auferindo um crédito relativo a um tributo que não foi por ela suportado, mas sim, pelo fabricante, o que importaria em enriquecimento ilícito. A configuração estrutural do sistema de incidência monofásica, por si só, inviabiliza a concessão do crédito às distribuidoras de combustíveis. 8. Precedentes deste Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Apelação improvida. Reporto, por fim, a percuciente análise do tema desenvolvida pelo AFRFB Cláudio Losse, por ocasião do julgamento da Manifestação de Inconformidade interposta nos autos do processo nº 10469.720452/201048 (grifos do original): 24.4 Assim sendo, da etapa em que a tributação é concentrada em diante, não há sentido em se falar em nãocumulatividade, pois simplesmente não é devida a contribuição. Se não estamos na nãocumulatividade, por definição, também não há o direito ao crédito, a qualquer título. Fl. 7364DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 30 25. A etapa concentrada bem poderia ainda ser cumulativa – como o foi, por algum tempo, a produção da gasolina e do óleo diesel – mas optou o legislador, por questões de política tributária, permitir, com a edição da Lei nº 10.865/2004, o creditamento nas refinarias. 26. A referida lei, resultado da conversão da MP nº 164/2004, na realidade, tratou de matéria bem mais ampla, que foi a introdução da COFINS Importação e da Contribuição para o PISImportação, que têm por fundamento constitucional o inciso IV do art. 195, introduzido pela Emenda Constitucional nº 42/2003, tanto é que o “mote” principal da Exposição de Motivos (nº 00008/2004) da referida medida provisória foi o “tratamento isonômico entre a tributação dos bens produzidos e serviços prestados no País, que sofrem a incidência da Contribuição para o PISPASEP e da ... COFINS, e os bens e serviços importados de residentes ou domiciliados no exterior, que passam a ser tributados às mesmas alíquotas dessas contribuições”. 26.1. Enfocando o caso específico em discussão, cumpre transcrever ainda outras justificativas trazidas na citada Exposição de Motivos (grifei): 3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS – cumulativa e nãocumulativa – no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência não cumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória. ................... 10. Objetivando evitar evasão fiscal e regular o mercado de combustível, a proposta altera a alíquota ad valorem da Contribuição do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda de gasolina e óleo diesel, bem como estabelece a incidência mediante alíquotas específicas, por opção do contribuinte. 26.2. Aí se vêem três aspectos que interessam à causa em discussão: a) Por mais que o senso comum seja refratário à tese – por parecer, em primeira análise, “injusta”, em alguns casos – a adoção do regime nãocumulativo não necessariamente implica na aceitação de todo e qualquer creditamento, pois, já na exposição de motivos, ele é restrito a bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços e, ainda, nos casos que especifica, ou seja, fica patente que não há determinação constitucional que obrigue que toda e qualquer aquisição necessária à atividade empresarial gere direito a crédito, mas apenas aquelas que o legislador eleger (ainda mais, aí já de acordo com o senso comum, quando toda a tributação já ocorreu em etapa anterior); Fl. 7365DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.351 31 b) Tanto é assim, que as hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta medida provisória; c) O aumento das alíquotas (que já era mais que esperado, pois senão seria brutal a queda na arrecadação, mas, mesmo assim assombrou a reclamante) não foi só resultante da adoção o regime não cumulativo nas refinarias, mas também foi decorrente de política tributária/econômica. 26.3. Às escancaras, então, o que quis o Poder Executivo foi alterar tãosomente a tributação dos combustíveis derivados de petróleo na importação e na produção (que passou a ser nãocumulativa, com direito a crédito, mas com alíquotas bem superiores na saída), em nada modificando a situação do distribuidores e varejistas. Não foram inseridos estes comerciantes no regime não cumulativo e, como não poderia deixar de ser, não se permitiu a eles qualquer creditamento. Assim sendo, homenageando o AFRFB Cláudio Losse, endosso suas conclusões: da etapa em que a tributação é concentrada em diante, não há sentido em se falar em não cumulatividade, pois simplesmente não é devida a contribuição. Se não estamos na não cumulatividade, por definição, também não há o direito ao crédito, a qualquer título. Não há portanto direito a crédito nas aquisições desses combustíveis. Glosas dos créditos tomados sobre despesas de exaustão A possibilidade de tomada de créditos sobres os encargos de exaustão de florestas não foi contemplada nas Leis de Regência, que referemse, exclusivamente, às despesas de depreciação e amortização. Glosa de créditos tomados sobre os serviços de transporte de produtos acabados até o estabelecimento vendedor O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403 001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. Fl. 7366DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 32 De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3° das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Não se configurando ainda uma operação de venda e tratandose de transporte de produto acabado, isso é, quando já se encerrou o processo produtivo, não há Fl. 7367DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.352 33 hipótese legal que autorize a tomada de crédito sobre fretes para transporte de produtos acabados até o estabelecimento vendedor. Glosa de créditos tomados sobre gasolina utilizada no transporte de pessoal O transporte de pessoal não guarda a relação de pertinência e essencialidade requerida pelo conceito de insumo adotado neste voto. Por essa razão, as glosas respectivas deverão ser mantidas. Ademais, valem as considerações já feitas para o creditamento sobre gastos com combustíveis. CONCLUSÕES Pelo exposto, voto por que se dê provimento parcial ao recurso, para o efeito de reversão das seguintes glosas: a) dos créditos tomados sobre dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; b) sobre os aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; c) referentes a transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; d) sobre os lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; e) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015 Fl. 7368DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 34 Voto Vencedor Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior Com todas as vênias de direito pelo entendimento esposado pelo Ilustre Relator, Conselheiro Alexandre Kern, no aspecto relativo ao direito a tomada de créditos sobre combustíveis que são empregados pela Recorrente no processo de produção, não pude acompanhálo em suas conclusões, cabendome a honrosa e desafiadora tarefa de expressar o entendimento que acabou sendo agasalhado pela maioria da Turma, nesse aspecto. Analisando as razões que levaram o voto vencido a concluir pela inexistência ao direito de crédito sobre a aquisição de combustíveis, a conclusão a que chegamos é que entendeu o Ilustre Conselheiro Relator que o fato dos combustíveis serem tributados, para fins de PIS e COFINS, pelo método de incidência concentrada ou monofásica, tributandose uma única vez na indústria ou no importador, por toda a cadeia de circulação até o consumidor final, referida aquisição não estaria sujeita ao pagamento das contribuições, e, assim, nos termos do inciso II, do §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, não se concederia o direito ao desconto do respectivo crédito. Tenho, porém, que o dispositivo que veda o direito a tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não possui a abrangência que lhe fora dada no referido entendimento. Revisitemos, para melhor compreensão dos fundamentos, o referido inciso II, do §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 2° Não dará direito a crédito o valor: ... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Com efeito, a vedação a tomada de créditos referese a casos em que não haja pagamento da contribuição. Porém, na aquisição de combustíveis houve o pagamento da contribuição, na etapa do fabricante ou importador. Logo, não se aplica o referido preceito, pois que houve a sujeição do combustível ao pagamento da contribuição, de maneira concentrada no fabricante ou importador. Em sendo a aquisição feita junto a distribuidores atacadistas ou varejistas, o eu mais comum pelo sistema de redes de distribuição que prepondera no Brasil, a incidência darseá a alíquota zero, já que a tributação por toda a cadeia de circulação dos combustíveis restou concentrada numa única fase, repercutindo financeiramente o valor dos tributos até se chegar ao consumidor final. Desta forma, fosse para uso final, próprio ou para revenda, efetivamente essas aquisições não concederiam o direito ao crédito. Porém, a realidade é que referidos Fl. 7369DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 12585.720473/201143 Acórdão n.º 3402002.605 S3C4T2 Fl. 7.353 35 combustíveis foram reintroduzidos no processo de produção, participando da etapa de fabricação de um novo produto a ser revendido, esse agora com nova incidência das contribuições ao PIS e a COFINS, sendo nítido que as contribuições que gravaram referidos combustíveis, compõem o custo do produto em fabricação, inclusive onerando seu custo em caso de exportação. Desta forma, ao ser reintroduzido no processo fabril, os combustíveis interromperam aquela cadeia de circulação que era esperada pela metodologia de incidência concentrada havida na fábrica ou importador e que antecipa a tributação dos distribuidores atacadistas e varejistas, aumentando a alíquota e concentrandoa em uma só fase (incidência monofásica). Ao participarem do processo produtivo de outro bem ou serviço, os combustíveis assumem a natureza jurídica de insumo, e como tal, voltam a conceder o direito ao desconto de crédito pelo fabricante ou industrial, pois que o novo produto em fabricação trará embutido em seu custo de produção o valor das contribuições que foram pagos pela fabrica (refinaria) ou importador. Daí o porquê da razão do legislador que regulou a não cumulatividade das contribuições, expressamente tratar dos combustíveis como concessores do direito ao desconto de créditos, nos seguintes termos: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por certo que o legislador do inciso II, acima, era pleno conhecedor que os combustíveis estavam sujeitos a incidência monofásica, e ainda assim, fez questão de deixar expresso que os combustíveis que fossem utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação d bens ou produtos destinados a venda, garantem o direito ao credito. Talvez ate antevia a possível antinomia que se poderia suscitar com o inciso II, do §2º, do mesmo preceito, e desejou deixar extreme de dúvida a vontade da lei quanto ao direito de crédito sobre referido insumo. Assim sendo, apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para também conceder o direito ao desconto de créditos sobre os combustíveis empregados no processo produtivo (lato sensu) da Recorrente. Fl. 7370DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 36 Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior, redator designado. Fl. 7371DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE KERN, As sinado digitalmente em 10/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Numero do processo: 19509.000200/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001
DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS NA GFIP E AS QUANTIAS RECOLHIDAS. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
Ainda que se saiba que a declaração dos fatos geradores em GFIP constitui o crédito tributário, os lançamentos de ofício das contribuições informadas em GFIP não devem obrigatoriamente ser anulados.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
A relação apresentada no anexo "CORESP - RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
MANDATÁRIOS. SÓCIOS DE FATO. INCLUSÃO NO RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS.
É válida a inclusão dos mandatários no Relatório "CORESP", na condição de sócios-gerentes, quando o fisco demonstra que essas pessoas de fato eram proprietárias e geriam a empresa.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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COM. DE CARNES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001 DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS NA GFIP E AS QUANTIAS RECOLHIDAS. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Ainda que se saiba que a declaração dos fatos geradores em GFIP constitui o crédito tributário, os lançamentos de ofício das contribuições informadas em GFIP não devem obrigatoriamente ser anulados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo "CORESP RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. MANDATÁRIOS. SÓCIOS DE FATO. INCLUSÃO NO RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. É válida a inclusão dos mandatários no Relatório "CORESP", na condição de sóciosgerentes, quando o fisco demonstra que essas pessoas de fato eram proprietárias e geriam a empresa. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 50 9. 00 02 00 /2 00 8- 35 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 584 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação DN n.º 06421.4/062/2003 de lavra da Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva do INSS em Dourados (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 35.201.2137. A lavratura em questão referese a exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos (terceiros), cujos fatos geradores foram os pagamentos de remuneração aos segurados a serviço da empresa, os quais foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. De acordo com o relatório fiscal, fls. 29/31, os senhores Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci foram incluídos como coresponsáveis pelo débito devido à constatação de que eram sócios de fato da empresa. Afirmase que a configuração societária aparecia disfarçada em procurações, que designavam as referidas pessoas como mandatários, todavia, estas eram os proprietários da autuada. Para fazer valer esta imputação o fisco acostou o documento denominado "Histórico e Pontos Relevantes da Auditoria Fiscal" (fls. 59/80), cujo conteúdo foi sintetizado na decisão de primeira instância da seguinte forma: "6.1. A paralisação da empresa Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda teria sido repentina, em agosto de 1999, segundo teria informado um de seus sócios, Luiz Carlos Rodrigues Palloni. Inúmeras dívidas trabalhistas teriam sido deixadas, além de dívidas com os fornecedores (pecuaristas) e dívidas bancárias. Também segundo informações do sócio em comento, constantes do relatório, os "irmãos Capuci" teriam firmado acordo com o Sr. Dory Grando, um dos sócios do Friporã, assumindo as dívidas trabalhistas, as dívidas com os pecuaristas fornecedores e as dívidas bancárias. As dívidas com os pecuaristas teriam sido quitadas pelos Capuci, as trabalhistas assumidas pelo Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, na condição de sucessor do Friporã, e as dívidas bancárias continuariam pendentes. Várias ações trabalhistas movidas por exfuncionários da Friporã, de fato foram assumidas pelo Frigonostro, conforme demonstram cópias de partes de processos trabalhistas, mandados de notificação de audiências, certidões de notificação e contestações, anexadas aos autos pela fiscalização (fls.181/204). 6.2. Foram lavradas duas "Escrituras Públicas de Confissão de Dívida cumulada com Dação em Pagamento" (fls. 145/152), datadas de 16/08/1999 e 25/08/1999, firmadas pelos sócios da empresa Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda, confessando serem devedores e saldando a dívida com os Srs. Antônio Carlos Capuci e João Martins Casavechia, entregando como dação em pagamento todo o maquinário da unidade industrial frigorífica e um imóvel, ambos localizados na Rodovia Alcides Saovesso Km 08, nos valores de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), respectivamente. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 6.3. Em 20/09/1999, foi lavrado o contrato de arrendamento do complexo industrial frigorífico (fls. 162/168), firmado pelos Srs. Antônio Carlos Capuci e João Martins Casavechia, ao Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, cujos sócios são Ademar Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto. Destaquese que a pessoa jurídica Frigonostro somente foi constituída em 22/09/1999, dois dias, portanto, após a data do arrendamento. Os sócios do empreendimento, na data de assinatura do arrendamento, eram empregados de Frigocap Comércio de Carnes Ltda e de Prudenfrigo Prudente Frigorífico Ltda, com salários médios de R$ 349,06 e R$ 396,51, respectivamente (fls. 81/116). O sócio Antônio Lourenço de Lima Neto rompeu seu vínculo de trabalhador empregado com o Prudenfrigo em 22/11/1999, dois meses, portanto, após a constituição do Frigonostro. Não obstante as baixas remunerações, cada um concorreu com R$ 75.000,00 para a integralização do capital do Frigonostro. O prazo de arrendamento foi avençado em 15 anos, com valor total de R$ 1.080.000,00, o que equivale a R$ 6.000,00 mensais, quantia muito abaixo da realidade, segundo a fiscalização, haja vista que o complexo industrial tem capacidade para abater e processar mais de 20 mil cabeças de gado por mês. 6.4. Em 15/10/1999, menos de um mês após a constituição da empresa, a Frigonostro, representada pelos sócios Ademir Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto, outorgou procuração aos Srs. José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci (fls. 169/170), conferindo a estes amplos e gerais poderes para gerir todos os negócios, direitos e interesses da firma outorgante. Salientese a ocorrência de situação peculiar, qual seja, o endereço residencial e domicílio constantes respectivamente do instrumento de procuração e do contrato social da Frigonostro (fls. 117/131) dos Srs. Antônio Lourenço de Lima Neto e José Clarindo Capuci são os mesmos, Rua Emílio Trevisan, 626, apartamento 83, Presidente Prudente. Entretanto, os bairros são diferentes, constando para o primeiro "Vila Bela Daria" e para o segundo, "Vila Cristina". 6.5. Em 05/06/2000, o sócio Antônio Lourenço de Lima Neto retirouse da sociedade comercial, transferindo suas cotas para a empresa "Deraplus Sociedad Anonima", que tem como sócias Marta Otero Bergonzoni e Judith Vieira Garola, e como procurador, o Sr. Roberto Cláudio Capuci (fls. 121, 133/144). O sócio Ademir Filaz também transferiu 74 cotas a essa sociedade. Assim, a Deraplus passou a deter 149 cotas da Frigonostro e o sócio Ademir Filaz 1 cota. Ressaltese que, inobstante deter apenas 1 cota da sociedade, Ademir Filaz manteve a condição de único sócio gerente do empreendimento. 6.6. O Frigonostro possui uma filial localizada na Rodovia Assis Chateaubriand, Km 476, sala 03 Zona Rural, Pirapozinho SP. Neste endereço, sala 03, funciona a empresa Lovitha Transportes Ltda, cujos sócios são Alberto Sérgio Capuci, Malvina Regina Capuci Gasparim e Francisco Claudinei Capuci, tendo como empregado o Sr. Antônio Lourenço de Lima Neto, exsócio da Frigonostro, desde 01/02/2000 (fl.98). 6.7. Em 28/08/2001 e 26/10/2001, respectivamente, João Martins Casavechia vendeu 16,5% do imóvel onde funciona o Frigonostro para Fábio Pablo Capuci e 16,5% para Carlinho Grando (fls. 153/160). Estes, junto, com Antônio Carlos Capuci, constituíram a Comanche Assessoria de Bens Ltda (fls. 257/263), integralizando o capital desta com o imóvel onde funciona o Frigonostro e funcionava o Friporã. 6.8. Assevera a fiscalização que os Srs. Alberto Capuci, Luiz Paulo Capuci, José Clarindo Capuci, Osmar Capuci e Mauro Martos eram sóciosgerentes (proprietários) da empresa Prudenfrigo Prudente Frigorífico Ltda até 12/03/1993, data em que se retiraram da sociedade. Em 14/02/1993, assumiram a empresa na condição de sóciosgerentes os Srs. José Filaz (mesmo sobrenome de Ademir Filaz, sócioproprietário do Frigonostro) e Luiz Carlos dos Santos. Informa que o Sr. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 585 5 Ademir Filaz manteve vínculos empregatícios com o Prudenfrigo no período de 06/09/1988 a 20/05/1998. (fls. 82) 6.9. Também conforme o relatório "Histórico e Pontos Relevantes da Auditoria Fiscal", o Sr. Deusdete Filaz, irmão de José Filaz (sócio do Prudenfrigo), mantém vínculo empregatício com o Frigonostro, desempenhando a função de motorista, com salário de R$ 412,00 (fl. 176). Assim, os Filaz ora aparecem como proprietários de indústrias frigoríficas que movimentam milhões de reais, ora como meros empregados com baixas remunerações. 6.10. Foi constatado também que, além do Sr. Francisco Claudinei Capuci, mandatário da Frigonostro, que ocupa o cargo de gerente administrativo e financeiro de tal empresa, também atuam no frigorífico o Sr. Ademar Capuci, no cargo de gerente administrativo e financeiro, o Sr. Fabrizzio Capuci, no cargo de auxiliar administrativo de vendas e a Sra. Aparecida Capuci Ribeiro, no cargo de encarregada financeira. (fls. 172/175) 6.11. Quanto às transações comerciais efetuadas pela Frigonostro, não obstante o montante de seu capital social (R$ 150.000,00), já no primeiro mês de funcionamento, foi registrado alto volume de compras, basicamente aquisição de gado para abate, em valor total de R$ 3.870.211,17. 6.12. Destaquemse alguns pontos levantados pela fiscalização ao pretender demonstrar que os mandatários do Frigonostro seriam os verdadeiros proprietários do empreendimento: 6.12.1. O Sr. Francisco Claudinei Capuci ofereceu bens integrantes da unidade industrial locada à penhora, no valor de R$ 30.000,00, como garantia de débitos em ação trabalhista (fls.181/204). Não obstante, conforme a cláusula décimaprimeira do contrato de arrendamento (fls. 166), a unidade industrial locada não pode ser objeto de penhor ou onerada de qualquer outra forma. 6.12.2. No local onde funciona a sede da Comanche, funciona um escritório denominado "Irmãos Capuci". Segundo diligência efetuada pelos auditoresfiscais notificantes, os proprietários do negócio seriam António Carlos Capuci (sócio da Comanche e arrendante/locador do terreno e da unidade industrial onde funciona o Frigonostro) e Roberto Cláudio Capuci (procurador com amplos poderes da "Deraplus", sócia do Frigonostro com 149 cotas (99,33% do total). De acordo com as informações fiscais, consta no cartão comercial do escritório a denominação "Irmãos Capuci" e o nome de fantasia e o logotipo comercial do Frigonostro. 6.12.3. A Fazenda Paquetá Ltda figura dentre os maiores fornecedores de gado bovino do Frigonostro. Segundo seu diretor, as vendas para o Frigonostro eram negociadas com o Sr. Ademar Capuci, e as notas promissórias rurais pelos Srs. José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, assim como os cheques utilizados para pagamento do gado. (fls. 264/332). 7. Conclui a fiscalização asseverando que há evidências cristalinas que indicam uma simulação, engendrandose uma aparência artificiosa dos negócios com o intuito de se esquivar do pagamento das contribuições previdenciárias. Elenca, a final, alguns motivos que levaram a tal conclusão: a pessoa jurídica não possui quaisquer bens, pois suas instalações comerciais são arrendadas; os sócios gerentes não possuem capacidade financeira ou quaisquer bens; deixouse de recolher sistematicamente as contribuições previdenciárias relativas à cota patronal incidente sobre a folha de salários e aquelas devidas por subrogação na aquisição de produção rural (gado para abate), prática adotada desde o início de suas atividades; Fl. 587DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 outra empresa já ocupa o complexo industrial frigorífico, uma vez que o mesmo foi novamente arrendado. Segundo o Relatório Fiscal, a prevalecer tal simulacro ardiloso, a Previdência Social jamais logrará êxito no efetivo recebimento dos créditos previdenciários apurados." Cientificada do lançamento em 22/07/2002, a notificada ofertou duas peças de impugnação de fls. 355/366 e 375/378, onde questionou a inclusão de Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci na condição de coresponsáveis pelo crédito lançado. Depois aponta erro na descrição da base de cálculo, afirmando que no relatório fiscal consta que a base de cálculo foi obtida unicamente com base na GFIP, todavia no Discriminativo Analítico do Débito consta a expressão "Valores declarados GFIP/GRFP". Alega que ao confrontar os dados do lançamento e os valores declarados na GFIP detectou diferenças a maior na base de cálculo lançada. Advogou que na espécie não há o que se falar em sonegação fiscal ou mesmo máfé do sujeito passivo, na verdade, a falta de pagamento dos tributos ocorreu em razão de dificuldades financeiras. Também impugnaram a NFLD os coresponsáveis Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci, afirmando que não há base legal para sua inclusão na condição de responsáveis pelos valores lançados, posto que não houve comprovação de que detinham a capacidade econômica do empreendimento, além de não figurarem no quadro social da empresa. Esclareceram ainda que sempre agiram na condição de mandatários, cumprindo fielmente os poderes que lhes foram outorgados, sem cometerem excesso que os enquadre no artigo 135 do CTN, bem como nunca foram sequer mandatários da empresa Friporã. Alegaram que inexistiu sonegação e que devem ser excluídos em definitivo do rol de coresponsáveis. Todos os argumentos foram rejeitados pelo órgão de julgamento de primeira instância (ver fls. 392/411), motivo pelo qual foram apresentados recursos voluntários de fls. 417/422 (empresa), 425/432 (José Clarindo Capuci) e Francisco Claudinei Capuci 439/446. Além desses, recorreu também o sócio de direito Ademir Filaz, fls. 453/460. No recurso da empresa sustentase que a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios e aos mandatários representa ato arbitrário da fiscalização, o qual foi chancelado pela decisão de primeira instância. O julgamento de segunda instância deve rever a decisão do INSS, posto que esta feriu os princípios constitucionais da legalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. Os coresponsáveis apresentaram recursos de igual teor, nos quais alegam que os mandatários nunca foram gestores de negócios da empresa, mas apenas assinavam documentos condizentes a direitos e obrigações adquiridos e assumidos pela direção da empresa. Assim não há base legal para responsabilização dessas pessoas. Advogaram que a empresa notificada não foi constituída com o propósito de sonegar contribuições previdenciárias; pois, a sua constituição foi como a de qualquer outra Fl. 588DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 586 7 empresa, ou seja, um risco de capital, onde o objetivo principal é o resultado positivo; porém, também, correse o risco de obter resultado negativo. Afirmaram que os débitos levantados pelos Auditores da Previdência são originados de inevitável inadimplência, em razão de dificuldades por que passa todo o setor de frigoríficos. Não há razão para se atribuir a ocorrência de crime tributário. Asseguraram que também inexistiu a apropriação indébita, posto que as contribuições dos segurados apurada na NFLD n.º 35.201.0908 foram integralmente quitadas. A falta de declaração das compras de gado ocorreu por desinformação do setor responsável pela preparação da GFIP, jamais por intuito de sonegar as contribuições, até porque as operações foram documentadas em notas fiscais e nos livros de entrada de mercadorias. Alegaram que foi nítida a intenção da empresa de colaborar com a fiscalização, tanto que há o registro de que durante a ação fiscal não houve circunstâncias agravantes. Ao final pedem que seja reformada a decisão a quo e que os mandatários sejam excluídos da relação de coresponsáveis. O INSS apresentou contrarazões, fls. 469/472. A 4.ª Câmara de Julgamento do CRPS não conheceu do recurso em razão da não instrução do mesmo com o depósito no valor de 30% da exigência fiscal (fls. 473/475). A empresa foi beneficiada com decisão judicial garantindo o processamento dos recursos independentemente de depósito prévio, por isso, os autos foram encaminhados ao CARF. As fls. 577/578 consta petição apresentada pela empresa requerendo a declaração de nulidade da NFLD, haja vista que o crédito já se encontrava constituído mediante declaração na GFIP. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Lançamento de ofício de débitos declarados na GFIP Alega a empresa que o lançamento deve ser cancelado, posto que representa inadmissível bis in idem, haja vista que as contribuições já teriam sido objeto de declaração na GFIP. Para iniciar essa análise é curial que se assinale que as contribuições em questão foram declaradas em GFIP, tendo o fisco apenas apurado as divergências entre os valores declarados e aqueles efetivamente recolhidos. Não é mais novidade que a declaração na GFIP é ato constitutivo do crédito tributário, assim, quando o sujeito passivo declara que deve determinada contribuição, o fisco já pode, independentemente de lançar o tributo de ofício, inscrever o crédito em dívida ativa, caso não haja a sua quitação após esgotados os recursos de cobrança administrativa amigável. Os tribunais pátrios já pacificaram esse entendimento.Sobre o tema a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 436, que carrega a seguinte redação: “A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco.” Todavia, tempos passados, a Administração Tributária, por deficiências do sistema de gestão dos dados da GFIP, preferia lançar, mediante NFLD, as contribuições já declaradas. Meu entendimento é de que para essas situações não estamos diante de um novo lançamento, o que se passa, na verdade, é o acertamento de um crédito já constituído, tendose em conta a fragilidade do banco de dados referente às declarações prestadas pelo contribuinte. Tal permissão é dada pelo inciso IV do art 149 do CTN1. Se é certo que não se 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; (...) Fl. 590DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 587 9 podia falar categoricamente na existência de erro nas declarações prestadas na GFIP, é certo também que a falta de confiabilidade do sistema, seria motivo para se aferir a justeza das informações prestadas, recaindose na hipótese de revisão de lançamento acima mencionada. Observo que toda a jurisprudência colacionada fala na desnecessidade de lançar as contribuições declaradas em GFIP, todavia, e nenhum momento afirma que o lançamento de ofício dessas divergências devam ser declarados nulos. Mesmo porque há mecanismos no sistema informatizado da Fazenda que impedem que haja a dúplice cobrança das mesmas contribuições, não se justiçando o receio de cobrança em excesso. De se concluir que o simples fato de se lançar de ofício contribuições que tenham sido declaradas em GFIP não é causa de nulidade da lavratura. Ainda que com pouca frequência, têm chegado ao CARF processos de débito relativos à divergências GFIPXGPS sem que tenha havido a declaração de nulidade dos lançamentos. Vale a pena apresentar precedentes nesse sentido: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO RAZOÁVEL PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Considerando que a parte teve um prazo razoável para apresentar os documentos solicitados em ação fiscal, não há o que se falar em cerceamento de defesa. GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP’s e os recolhidos ou não em GPS’s, considerase ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão n. 2403001.447, de 21/06/2012) .................................................................................................. ....... Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/1996 a 30/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Fl. 591DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. SEGURADOS EMPREGADOS– DIVERGÊNCIA GPS X GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91. (Acórdão n. 2301002.182, de 28/07/2011) .................................................................................................. ....... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/07/2005 BATIMENTO GFIP X GPS DIVERGÊNCIAS. DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUPERADA. UFIR. INCONSTITUCIONALIDADE. ÍNDICE INEXISTENTE NO CRÉDITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI BENÉFICA. INAPLICÁVEL À MATÉRIA. LEI PRÓPRIA. NOVA CONTRIBUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NA CF/88 REDAÇÃO ORIGINAL. SELIC. APLICABILIDADE. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão n. 280300.483, de 09/02/2011) Diante dessas considerações, afasto esta preliminar. Exclusão da lista de coresponsáveis do sócio Ademir Filaz O pedido para exclusão do sócio de direito Ademir Filaz do passivo da relação tributária não merece acolhida. Ele figura na relação de coresponsáveis como sócio gerente, mas nem por isso há a sua vinculação na condição de devedor. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da entidade autuada. Os sócios, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada à NFLD apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo. O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, o recorrente carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos Fl. 592DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 588 11 representantes legais da lista de coresponsáveis, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Esse entendimento inclusive consta de Súmula do CARF: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Coresponsabilidade dos senhores Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci Para estas pessoas cabenos apreciar se foi correta a inclusão de seus nomes no Relatório "CORESP". É que estas formalmente atuavam apenas como mandatários da empresa, não figurando no seu quadro societário. O fisco porém detectou que o verdadeiro comando da notificada estava nas mãos destas duas pessoas, sendo os sócios de direito meros "laranjas", utilizados para encobrir os reais proprietários do empreendimento. É de se ressaltar, todavia, que mesmo com essa imputação não estão estas pessoas sendo responsabilizadas pelo débito. Todos ali listados poderão numa futura execução judicial serem chamados a responder pelas contribuições não recolhidas, caso o juízo da execução entenda estarem presentes os requisitos do art. 135 do Código Tributário Nacional. E por falar nesse dispositivo, é de se salientar que ele permite a responsabilização dos mandatários, como se pode ver da redação do seu inciso II: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, ainda que o fisco não tivesse identificado que a gerência da empresa era de fato dessas pessoas, mesmo assim seria justificável a sua inclusão no Relatório "Coresp", haja vista que os mandatários podem ser responsabilizados pessoalmente pelo crédito tributário em caso de ocorrência atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Mas não me furtarei de apreciar as alegações acerca da impossibilidade de arrolar os mandatários como potenciais responsáveis pelas contribuições lançadas, na condição de gerentes. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 Para mim são muito robustas as evidências apresentadas pelo fisco de que Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci detinham de fato o controle da empresa autuada. Um primeiro aspecto que deixa transparecer claramente a operação montada no intuito de esconder os verdadeiros proprietários da empresa é a capacidade econômica dos sócios constantes no contrato social. A empresa Frigonostro, constituída em 22/09/1999, tinha inicialmente em seu quadro societário Ademir Filaz e Antonio Lourenço de Lima Neto, como sócios gerentes, com 75 cotas cada um, representando R$ 75.000,00. Consta dos autos que as pessoas referidas sempre laboraram como empregados em empresas frigoríficas, como demonstrado no quadro de fls. 77/80, com remuneração de pouca monta e ocupando cargos auxiliares. Não há na defesa, tampouco no recurso, qualquer fato que pudesse justificar como essas pessoas amealharam recursos suficientes para se tornarem proprietários de uma empresa com grande movimentação financeira. Observese que esses sócios de fachada, em 15/10/1999, outorgaram procuração (fls. 169/170) a José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, conferindo lhes amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar todos os negócios, direitos e interesses da firma outorgante, representandoa em todos os atos, contratos, negócios e transações que por sua natureza dependa da presença, assistência, manifestação e assinatura. Com os poderes conferidos, os mandatários passaram verdadeiramente a exercer a gerência da empresa notificada. Outro fato curioso envolvendo um dos sócios de direito da empresa é que no cotejo entre o contrato social e o instrumento de procuração, notase a coincidência de endereço de Antonio Lourenço de Lima Neto e José Clarindo Capuci, ambos residentes na rua Emilio Trevisan, 626, ap. 83, em Presidente Prudente. Destaquese ainda que membros da família Capuci laboravam na empresa Frigonostro em cargos de relevância como foi relatado pela autoridade lançadora. Francisco Claudinei Capuci — Gerente administrativo e financeiro, Ademar Capuci Gerente administrativo e financeiro, Fabrizzio Capucci Auxiliar administrativo de vendas e Aparecida Capuci Ribeiro Encarregada Financeira. (fls. 172/175). Por outro lado, a estrutura física para criação da empresa Frigonostro teve origem em transações financeiras realizadas por membros da família Capuci, como se pode ver de excerto da decisão recorrida, citando passagens do relatório fiscal: "21.3. A empresa Friporã, através de Escritura Pública de Confissão de Dívida cumulada com Dação em Pagamento, confessa ser devedora de Antonio Carlos Capuci e João Martins Casavechia na quantia de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), entregandolhes como dação em pagamento todo o maquinário da unidade industrial frigorífica e o imóvel onde está instalada. (16/08/99 e 25/08/99) (fls. 145/152) Desta feita, Antonio Carlos Capuci e João Martins Casavechia em 20/09/199 arrendam à empresa Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, constituída somente dois dias após, ou seja, em 22/09/99, o complexo industrial, visando, como já Fl. 594DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 589 13 analisado no tocante à sucessão, à continuidade das atividades da Friporã, desta vez, livre de qualquer dívida que pudesse restringir sua ampla atuação mercantil." Chama atenção também o fato de que integrantes do clã dos Capuci viabilizaram também a continuidade das operações do Frigonostro assumindo dívidas da falida empresa Friporã. Vejam o que disso sobre a questão o Auditor Fiscal, conforme consta da decisão recorrida: "21.2. Importante ainda ressaltar a afirmação contida no Relatório Fiscal do débito de que o sóciogerente da empresa Friporã, Luis Carlos Rodrigues Palloni, informou que os irmãos Capuci negociaram e firmaram acordo com o Sr. Dory Grando (sócio da Friporã) onde assumiram as dívidas trabalhistas, as dívidas com os pecuaristas fornecedores e as dívidas bancárias. Informa ainda que as dívidas com os pecuaristas foram de fato quitadas pelos Capuci, as dívidas trabalhistas foram assumidas pelo Frigonostro e que as dívidas bancárias continuam pendentes. Evidentemente, para que o empreendimento pudesse continuar, os créditos dos fornecedores de bovinos deveriam ser quitados e para que os empregados continuassem em suas atividades, embora em nova empresa, com novo nome, a quitação dos créditos trabalhistas também se fazia imprescindível. O que transparece é que os irmãos Capuci asssumem as dívidas trabalhistas, mas quem as quita é a empresa Frigonostro (fls. 1811204). Tal fato não foge à normalidade, já que, como mencionado pelos auditoresfiscais, os empreendimentos Friporã e Frigonostro eram de propriedade de Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci, sendo por eles administrados. A pessoa jurídica (Friporã/Frigonostro) era o que menos importava; o que, realmente, levavase em consideração era a capacidade de se operar a exploração econômica, gerando os lucros esperados." Outra evidência de que os Capuci eram de fato quem geriam a empresa é que todas as negociações com o principal fornecedor Fazenda Paquetá eram efetuadas por Ademar Capuci, sendo todos os documentos relativos às operações assinados por José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci (fls. 264/332). A partir de 05/06/2000 a empresa Deraplus Sociedad Anonima passou a condição de maior participante do empreendimento Frigonostro possuindo 149 das 150 cotas do capital social. A empresa Deraplus é gerida por Roberto Cláudio Capuci, que detém procuração com amplos poderes de administração. Esse fato também demonstra que o comando da notificada de fato estava nas mãos da família Capuci Essas evidências para mim já são suficientes para concluir que de fato Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci eram os administradores da empresa Frigonostro, não tendo os argumentos lançados no recurso a força necessária para afastar essa imputação do fisco. Nessa toada devem ser mantidos no Relatório "CORESP" o nome dessas pessoas na condição de sócios gerentes. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 14 Afronta da decisão recorrida a princípios constitucionais Não vislumbrei na decisão do INSS qualquer atropelo a princípios consagrados na Constituição Federal. Observo que o julgador monocrático apreciou satisfatoriamente todos os pontos trazidos na peça de defesa. As conclusões do órgão de primeira instância foram obtidas a partir do confronto entre os elementos constantes dos autos e o direito aplicável, onde se observa que todas as questões tratadas foram apreciadas a contento, não tendo o julgador deixado um só aspecto da impugnação sem a devida análise. O fato do sujeito passivo não concordar com o entendimento expresso na decisão recorrida não a autoriza a conclusão de que esta foi exarada em afronta à Carta Magna. Vejamos: a) Princípio da Legalidade: toda a fundamentação legal que embasou a apreciação das questões preliminares e de mérito foram mencionadas na decisão; b) Princípio da Motivação: as conclusões do órgão recorrido foram claramente explicitadas, fundandose nos fatos narrados, nos argumentos da defesa, nas provas colacionadas e no direito aplicável; c) Princípio da Razoabilidade: ao contrário do que afirmou a recorrente, o julgador de primeira instância aprofundouse na apreciação da lide, não tendo ficado preso apenas a aspectos formais da lavratura; d) Princípio da Verdade Real: a decisão está em consonância com os elementos constantes nos autos, não tendo em nenhum momento deixado de lado a apreciação das provas, além de que os dados presentes no processo são suficientes para que se chegue a uma conclusão segura sobre a contenda; e) Princípio da Ampla Defesa: o decisório do INSS foi redigido de forma a possibilitar à notificada plena compreensão das razões de decidir, além de que o prazo para impugnar foi aquele prevista na legislação: f) Princípio da Segurança Jurídica: inexistiu qualquer prejuízo à segurança jurídica, posto que ao administrado foram ofertadas todas as prerrogativas previstas na legislação e a decisão pautouse nos fatos e no direito aplicável; g) Princípio do Interesse Público: esse princípio foi respeitado na medida que o órgão de julgamento do INSS apreciou os motivos de inconformismo do sujeito passivo e ofereceu uma decisão voltada o para controle da legalidade do ato administrativo do lançamento. Assim, afasto a tese da afronta da decisão do INSS aos princípios apontados no recurso. Da inexistência de crimes Quanto a alegação da inocorrência de crimes, feita no intuito de cancelar a Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000200/200835 Acórdão n.º 2401003.907 S2C4T1 Fl. 590 15 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727034/2011-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, de 1972.
No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.191
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, de 1972. No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, de 1972. No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 34 /2 01 1- 77 Fl. 932DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, conforme determinam os artigos 11 e 33 da Lei nº 8.212, de 1991 e os artigos 2º e 3º da lei nº 11.457, de 2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 02 de outubro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. O princípio da ampla defesa é prestigiado na medida em que o contribuinte tem total liberdade para apresentar sua pela de defesa, com os argumentos que julga relevantes, fundamentados nas normas que entende aplicáveis ao caso, e instruída com as provas que considera necessárias. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, e recolher à Seguridade Social, as contribuições dos segurados a seu serviço, conforme previsto nas Leis nº 8.212/91 e nº 10.666/93. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. SÚMULA Nº 60 DA AGU. NÃO INCIDÊNCIA. Em decorrência do entendimento da AGU, manifestado pela Súmula nº 60, de 08 de dezembro de 2011, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 4 3 Com a publicação do Ato Declaratório nº 03/2011, que aprovou o parecer da PGFN nº 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu devida a aplicação da jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores, sem inscrição no PAT, a seus empregados. FOLHA DE PAGAMENTO NÃO DECLARADA EM GFIP; PREMIAÇÃO. OBJETIVIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SUJEITO PASSIVO. Sendo objetiva a constituição obrigação tributária constituída, prescinde de intenção ou culpa do agente e até mesmo de terceiros, excetuado somente o permissivo legal. Meras justificativas escusatórias não constituem motivos suficientes para eximir o contribuinte do pagamento do imposto de renda suplementar, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, constituído via ação fiscal. DISSÍDIO E OUTROS ADICIONAIS DE FÉRIAS RETROATIVAS. CONVENÇÕES E ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO. Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho possuem a natureza de convenção particular, cujos termos têm eficácia restrita às partes aderentes, não podendo se contrapor às disposições da Lei nº 8.212/91, nem ampliar o rol de isenções legalmente previstas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: É certo que a fundamentação apresentada pelos julgadores não analisou a matéria de fundo, se abstendo de destacar que os autos de infração foram lavrados de maneira correta e as penalidades impostas são legais. O acórdão ora impugnado não tratou da matéria de fundo, como por exemplo, da defesa relativa ao vale transporte, FOPG, premiação, dissidio e férias, alimentação sem PAT. Não restam dúvidas que o acórdão impugnado se mostra omisso. Às fls. 775 os il. julgadores informaram que não houve defesa relativa aos Autos de Infração nºs 51.008.1835, 51.008.1851, 51.008.1860 e 51.008.1878, no entanto, conforme se observa na cópia da impugnação em anexo a recorrente refutou todos os argumentos lançados. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 5 4 No caso em exame, comprovada a impugnação dos autos de infração, necessário que a matéria fosse objeto de análise, no entanto, tal inércia gera a nulidade dos autos de infração em virtude da violação do contraditório e ampla defesa. Compulsando os autos dos processos não há como verificar com toda certeza como se deu o fato que culminou nos autos de infração, pelo contrário, os documentos apenas citam que a auditoria entendeu ser a infração, sem demonstrála e nem descrevêla explicitamente. Diferente do que consta no v. acórdão recorrido, os autos de infração não foram confeccionados dentro dos preceitos legais exigidos, razão pela qual deve ser reconhecida sua nulidade. O recorrente cumpre rigorosamente com seus compromissos, não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus funcionários, sendo, em determinados casos e excepcionalmente por algum lapso deixado de declarar na GFIP, conforme consignou o próprio auditor fiscal. Na remota hipótese de não serem acatadas as teses acima alinhavadas, o que se admite apenas por amor ao debate, devese levar em consideração, no julgamento, o dispositivo contido na Lei 11.941/2009, o qual determina que deve ser aplicado o dispositivo mais benéfico ao contribuinte quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias, portanto, deve ser revisado o auto de Infração na busca do maior benefício ao ora impugnante. Diante do que foi exposto, mais ao certo o que Vossas Senhorias acrescentaram, requer seja recebido o presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão impugnado, conforme fundamentação apresentada. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada em 02 de outubro de 2013, momento em que foram excluídas as despesas com alimentação, por ausência de inscrição no PAT (levantamentos AL1 e AL2), bem como o valetransporte pago em pecúnia (levantamento VT2). No que se referem aos demais levantamentos, igual sorte não teve o contribuinte. No ponto, percebese, a exemplo do que já foi identificado no acórdão recorrido, que o contribuinte continua se defendendo de forma genérica deixando de combater os pontos relevantes do lançamento, in verbis: Em sua impugnação, a interessada alega que “cumpre rigorosamente com seus compromissos, não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus funcionários, sendo, em determinados casos e excepcionalmente por algum lapso deixado de declarar no GFIP; a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha em não por dolo, porém, o que era devido foi pago; nestes casos, em que não existe dolo e o pagamento foi realizado, não há débito principal, portanto, a multa, que é acessória, deve seguir o principal e deixar de existir, conforme já determinado pelo Poder Judiciário em incontáveis oportunidades”. (grifouse e destacouse) Como se pode observar das partes em destaque (acima), o próprio contribuinte admite suas falhas. No Recurso Voluntário, os argumentos continuam na mesma linha de defesa, situação que se enquadra nas disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Enquadramse na regra do artigo acima descrito, os Levantamentos FP1, FP2, CS1, CS2, PE1, PE2, FE1, FE2 e DI. Assim sendo, conheço do recurso, mas negolhe provimento, tendo em vista que o procedimento fiscalizatório se deu em perfeita harmonia com a legislação que rege a matéria, nomeadamente o art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10166.727034/201177 Acórdão n.º 2803004.191 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908249/2011-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2001
PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2001 PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 49 /2 01 1- 79 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração março de 2001, no valor de R$ 279,50. O pedido foi transmitido através do PER nº 22176.18002.271205.1.2.049507, fls. 2/4, em 27/12/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 6 4 Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 200/202 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição do PIS devida para o mês de Março de 2001 no valor de R$.1.792,31 e, observado que o valor recolhido foi de R$.1.112,41 (fls.199), concluímos que o recolhimento foi insuficiente..” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição PIS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 200/202 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição do PIS devida para o mês de Março de 2001 no valor de R$.1.792,31 e, observado que o valor recolhido foi de R$.1.112,41 (fls.199), concluímos que o recolhimento foi insuficiente..” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição do PIS do mês de Março de 2001, recolhido em 12/04/2001, no código 8109, no valor original de R$.279,50 (Duzentos e Setenta e Nove Reais e Cinquenta Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 22176.18002.271205.1.2.049507, transmitida em 27/12/2005 (fls.2/4). A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 10 8 Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 11 9 c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de Contribuição para o PIS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908249/201179 Acórdão n.º 3801004.918 S3TE01 Fl. 12 10 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13839.001185/98-82
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005.
No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal.
Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data da formalização.
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator.
EDITADO EM: 16/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 11 85 /9 8- 82 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 2 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (efls. 157/169), em face do Acórdão n° 0306.196 (efls. 149/154), proferido pela 3a. Turma da CSRF, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 29/02/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça. RECURSO ESPECIAL NEGADO” (efl. 149). A Recorrente aponta como paradigma o Acórdão 0202.088, proferido pela 2a. Turma da CSRF, que restou assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso especial negado.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 178/179, não tendo apresentado a Recorrida contrarrazões. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13839.001185/9882 Acórdão n.º 9900000.896 CSRFPL Fl. 185 3 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 178/179. De fato, o acórdão recorrido aplicou a tese do prazo dos “5 mais 5”, nos termos da jurisprudência do STJ, enquanto o acórdão paradigma afastou a aplicação da referida tese, reconhecendo o caráter interpretativo da Lei Complementar n. 118/2005, bem como afastando a prescrição com base na aplicação da jurisprudência então dominante no CARF, segundo a qual o prazo para restituição deveria ser contado a partir da Resolução do Senado que suspendia a eficácia dos Decretosleis 2445 e 2449, negando provimento a recurso especial do sujeito passivo. Conheço, portanto, do recurso extraordinário. No mérito, devese salientar que a questão acerca da constitucionalidade da aplicação retroativa prevista no art. 4º da LC n.º 118/05 que trata do termo “a quo” para contagem do prazo de restituição/repetição do indébito já restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 4 necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (STF, Tribunal Pleno, RE 566.621, Relatora Min. ELLEN GRACIE, julgado em 04/08/2011, DJe195, DIVULG 10102011, PUBLIC 11102011, EMENT VOL0260502, PP00273). Em síntese, restou decidido que a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos, contado do pagamento antecipado, só se aplica às ações ajuizadas após o advento da Lei Complementar n.º 118/2005, respeitado, ainda, o decurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Assim, para as ações ou pedidos propostos anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é o de 10 (dez) anos, contado da data do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5). Pois bem, referido julgado se deu pela sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, nos termos do dispositivo supra, deve ser aplicado o referido julgado do STF ao caso concreto, nos termos, aliás, da jurisprudência deste Pleno da CSRF: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13839.001185/9882 Acórdão n.º 9900000.896 CSRFPL Fl. 186 5 homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (Resp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, Dje 18/12/2009). Recurso Extraordinário Negado.” (CARF, Pleno, Processo 13882.000035/0059, Acórdão 9900000.850, Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, j. 09.12.2013). No presente caso, o pedido de restituição foi formulado em 04 de dezembro de 1998, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de setembro de 1989 (efl. 09). Assim, nos termos da jurisprudência do STF, o pedido de restituição deve abranger os 10 (dez) anos anteriores a dezembro de 1998, ou seja, todos os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 1988. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
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Numero do processo: 10283.909657/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 57 /2 00 9- 13 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909657/200913 Acórdão n.º 3202001.533 S3C2T2 Fl. 366 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10283.900004/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 00 04 /2 01 0- 02 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900004/201002 Acórdão n.º 3202001.494 S3C2T2 Fl. 355 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 18088.720393/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) origem dos documentos de transferência bancária identificados pela fiscalização, (b) afastamento do sigilo bancário e (c) lançamentos contábeis referidos no termo de verificação fiscal..
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Recorrida IESA PROJETOS, EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A, MARCO BERNARDI E FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) origem dos documentos de transferência bancária identificados pela fiscalização, (b) afastamento do sigilo bancário e (c) lançamentos contábeis referidos no termo de verificação fiscal.. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Ewan Teles Aguiar. Relatório Considerandose a excelência do relatório da autoridade julgadora de 1a. instância até a fase de impugnação, o adoto também no presente. As folhas ali mencionadas referemse ao processo digitalizado, tratadas no âmbito do presente sob a menção de “efls”. Reza o relatório: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .7 20 39 3/ 20 13 -4 7 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 532 2 “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 19/11/2013 (fl. 128), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008. Nesta mesma data o responsável tributário solidário Marco Antonio Bernardi, CPF 046.529.15896, conforme Relatório Fiscal (itens 41 a 42.4 – fls. 121 e 122), também foi cientificado do lançamento e da respectiva sujeição passiva solidária (Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 477 2013 fls. 109 e 110). 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Relatório Fiscal (fls. 111 a 122) e planilhas de cálculo de fls. 13 a 16 e 46 a 49, a contribuinte efetuou pagamentos, por meio de débitos em suas contas correntes bancárias registrados em sua contabilidade (créditos contábeis nas contas bancos), cuja operação e respectiva causa não foram comprovadas pela contribuinte intimada (Termo de Diligência Fiscal nº 02/330/2013 – fls. 44 a 50) e reintimada (Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013 – fls. 59 a 61). 3. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, o Auto de Infração de IRRF (ato e anexos às fls. 02 a 12). A multa de ofício aplicada foi qualificada (itens 32 a 39 do Relatório Fiscal – fls. 120 e 121) com fulcro nos artigos 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação) e majorada por falta de resposta ao Termo de Diligência Fiscal nº 03/330/2013, conforme artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, totalizando 225%. Os juros de mora estão calculados com base na taxa Selic. 4. Irresignada, a autuada e o responsável solidário, representados por mandatário (fls. 29, 30, 41 e 159 a 175), apresentaram, em 19/12/2013 (fls. 447 e 453), conjuntamente a impugnação de fls. 131 a 159, instruída com documentos de fls. 160 a 446, na qual alegam em síntese: 4.1. a Receita Federal do Brasil (RFB) pretende validar informações e documentos (escutas telefônicas e informações bancárias) colhidas em operação promovida em conjunto com a Polícia Federal em Fortaleza, Ceará (Operação Podium – documentos de fls. 176 a 206), cuja lacração dos documentos apreendidos foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (fls. 207 a 209) e ilegalidade do procedimento foi decidida pelo mesmo STJ no HC nº 198.224/CE (fls. 210 a 290), o que burla as exigências legais para constranger o cidadão e mitiga os direitos e garantias individuais; 4.2. apesar de não constar no processo como teria sido obtida a informação de que parte dos pagamentos realizados retornou para as contas dos impugnantes, resta claro que o auto de infração é ilegal pela quebra do sigilo bancário do responsável solidário Marco Antonio Bernardi, conforme se pode observar no item 21 do Relatório Fiscal que indica que foram quebrados também os sigilos bancários do Sr. Hybernon e da Sra. Karla Cysne, pois não houve autorização judicial, Fl. 532DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 533 3 o que viola o inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, conforme jurisprudência judicial reproduzida; 4.3. há probabilidade latente de estender aos impugnantes os efeitos da decisão exarada no HC 198.224CE, que determinou a impossibilidade de utilização, por serem ilícitas, das provas colhidas na Operação Podium, que, segundo o item 1 do Relatório Fiscal, é a origem do auto de infração ora impugnado, por meio de expediente enviado pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, pois são ilegais as provas obtidas por derivação de provas nulas; 4.4. apesar de a fiscalização afirmar que os atos dos impugnantes geraram grande fraude à Fazenda Nacional, é certo que o narrado nos itens 07 a 24 do Relatório Fiscal apenas informa que a contabilidade provisionava os pagamentos, o que ocorre em toda empresa de grande porte, e na data indicada estes eram efetuados, o que não configura nenhuma fraude, pois ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei; 4.5. conforme doutrina reproduzida e artigo 924 do Regulamento do Imposto de Renda, que diz que cabe ao Fisco a prova de fatos inverídicos, para aclarar a descrição da fraude fiscal, a auditoria fiscal deveria indicar em que momento foi perpetrada a fraude e indicar que ocorreu o retardamento, diminuição ou supressão no pagamento do tributo de forma ardilosa; 4.6. do total de pagamentos efetuados, presumiuse sem provas que o impugnante Marco Bernardi recebeu em devoluções aproximadamente R$250.000,00, o que não chega nem aos pés das grandes fraudes contra a Fazenda Nacional do passado e do presente; 4.7. “por mais questionável que tenham sido os pagamentos feitos em favor do Impugnante, tais pagamentos não constituem fraude, pois não foram com o objetivo de suprimir o pagamento de tributo”; 4.8. no momento do lançamento (19 de novembro de 2013) encontrava se decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram até 19 de novembro de 2013, pois, conforme o § 2º do artigo 674 do RIR/1999 (norma que fundamenta o lançamento) considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento e o prazo decadencial é de cinco anos a partir do fato gerador de acordo com o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e orientação jurisprudencial citada da própria Receita Federal; 4.9. na hipótese de ser inadmitida ilegalidade da quebra do sigilo, bem como inadmitida a desconstituição da fraude, somente pode ser mantida a caracterização de fraude em relação ao montante de R$256.635,00, que é o valor que foi creditado em favor do responsável tributário Marco Bernardi e não em relação ao total dos pagamentos realizados (R$7.547.378,24); 4.10. é indevida a aplicação da multa de ofício duplicada (qualificada), já que a conduta do contribuinte é de inadimplemento e não de sonegador, cujo ônus da prova é da auditoria fiscal segundo jurisprudência transcrita, pois em momento algum restou Fl. 533DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 534 4 caracterizado o retardamento ou a criação de empecilhos, já que os fatos foram devidamente documentados na contabilidade; 4.11. a qualificação da multa também é indevida por ser confiscatória, e não atender os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade aos atos praticados; 4.12. também é indevido o aumento da multa pela metade, pois as requisições foram atendidas na medida do possível, visto que sempre esclareceu que os documentos solicitados não estavam em posse dos impugnantes, por serem objeto de outro procedimento, não podendo o Estado se utilizar da própria torpeza para agravar a situação da contribuinte; 4.13. era impossível apresentar a documentação em face dos princípios constitucionais do sigilo, do direito em não produzir provas contra si e do trancamento do procedimento criminal por decisão judicial; 4.14. não pode permanecer a solidariedade atribuída a Marco Bernardi sobre todo o crédito tributário constituído, pois menos de 5% do valor dos pagamentos retornaram para sua conta e a responsabilidade do diretor se limita aos atos que efetivamente deu causa, além do que, como já dito, esta informação foi obtida por ato inconstitucional; e 4.15. como não restou comprovada a fraude por parte do contribuinte, é impossível a responsabilização de seu diretor.” Analisando a impugnação, a 1a. Turma da Delegacia da Brasil de Julgamento em São Paulo I, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação para reduzir o percentual da multa aplicável a 150%, rejeitando o aumento de 50% (a 225%) levado a cabo pela autoridade autuante, por entender esta última no auto caracterizada a hipótese prevista no art. 44, §2o., inciso I da Lei no 9.430, de 24 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei no 11.488. de 15 de junho de 2007. No mesmo Acórdão, uma vez superado o limite de alçada de exoneração estabelecido pela Portaria MF no 3, de 03 de janeiro de 2008, formalizase Recurso de Ofício a este Conselho, quanto ao crédito tributário não mantido em sede de 1a. instância. Cientificados do mencionado Acórdão em 17 de fevereiro de 2014 (efls. 480 a 487), em 18/03/2014 a contribuinte e o sujeito passivo solidário ingressam com o Recurso Voluntário de efls. 495 a 519, onde, resumidamente: a) Iniciam o pleito recursal alegando que a investigação criminal denominada “OPERAÇÃO PODIUM” foi considerada ilegal para dois dos investigados, se encontrando suspensa em face do Sr. Marco Antônio Bernardi. Citase que a quebra de sigilo bancário e telefônico não obedeceram aos princípios de ampla defesa e devido processo legal, violando o contraditório. Mencionam decisão de lacração de documentos apreendidos, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Habeas Corpus (HC) nºs 199.884/CE (efls. 207 a 209), acreditando, ainda, na extensão do entendimento emanado em outro HC (198.224/CE) em favor dos pacientes vinculados à Recorrente IESA. Entendem que, a partir da decisão ali proferida, ficaram a Receita Federal e a Polícia Federal impedidos de dar seguimento ao procedimento inquisitorial, citando como evidência a inexistência de ação penal proposta, bem como a falta de andamento do inquérito Fl. 534DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 535 5 há mais de um ano. Retomam, a seguir, assim, a argumentação de que a Receita Federal do Brasil (RFB) intimou o contribuinte com o intuito de arrecadar documentos e validálos, por via oblíqua, para fins de constituição dos crimes imputados aos autuados, através de posterior compartilhamento com a Polícia Federal em Fortaleza. b) Após breve síntese da autuação, passam a fundamentar seu recurso, divindoo nos seguintes itens: b.1) Quanto ao sigilo bancário: Entendem que todas as peças acostadas aos autos se referem ao sigilo de terceiras pessoas que não os recorrentes, refutando a documentação citada pelo Acórdão recorrido em seu item 7, da seguinte forma: efl. 179: Tratase de ofício da RFB informando ao Juiz Federal de Fortaleza que um dos investigados iria dizer toda a verdade. efls. 187 a 189: Tratase de decisão judicial que defere a quebra de sigilo de pessoas jurídicas outras – Federação Cearense de Automobilismo, Capitalize Fomento Comercial e Construtora Marquize. efls. 190/191: Tratase de documentação arrecadada pela Polícia Federal e Receita Federal nos mandados de busca e arrecadação, os quais, por decisão do STJ, devem permanecer lacrados até decisão final, decisão esta que beneficia diretamente os documentos arrecadados na sede da residência da recorrente IESA, do recorrente Marco Bernardi e na Residência de Jauvenal OMS. Quanto ao item 10 do recorrido, transcreve excerto do Acórdão prolatado nos autos do HC 198.224CE que se refere a interceptação telefônica dos pacientes. Encerra o item ressaltando inexistir prova, nos autos, da quebra de sigilo dos recorrentes, alegando a insubsistência do auto por se basear na quebra de sigilo bancário de terceiros. b.2) Quanto à inexistência de fraude: Além de repisar os itens 4.4 e 4.5 constantes do relatório da autoridade julgadora de 1a. instância, o contribuinte alega que os fatos descritos não indicam a existência de ação ou omissão dolosa a impedir, retardar a incidência do IRRF. Entende que haveria necessidade da autoridade fiscal demonstrar objetivamente a tentativa dos contribuintes omitirem ardilosamente a necessidade de retenção a título de IRRF, tendo, porém, se limitado a demonstrar, em tese, que os pagamentos a título de adiantamento teriam retornado aos recorrentes, sendo utilizados com a intenção de fraudar o Imposto de Renda da Pessoa Física ou prejudicar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, temas que fogem completamente ao escopo da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. Propugna que não restou comprovado o comportamento de fraude dos recorrentes, mas apenas o seu inadimplemento, a ausência de retenção do IR, requerendo que o auto de infração e a imposição de multa sejam anulados, principalmente, com relação à fraude. c) Quanto à decadência : Defende a aplicabilidade, no caso de acolhimento da fundamentação da ausência de fraude, do disposto no art. 150, §4o. da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), ressaltando que, nesta hipótese, restaria extinto o direito de exigir o crédito tributário dos fatos geradores ocorridos até 19 de novembro de 2008. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 536 6 d) Quanto aos pagamentos efetivados: São repisados in totum os argumentos constantes do item 4.9 do relatório da autoridade julgadora de 1a. instância. e) Quanto à multa de ofício duplicada e a sua majoração em 50% : Entende não caber a duplicação da multa efetuada, uma vez que o presente processo cuida de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, não havendo prova de que os recorrentes ludibriaram o Fisco para não pagar o IRRF. Ressalta que em momento algum restou caracterizado o retardamento, a criação de empecilhos, ou por ventura se logrou esconder o inadimplemento por parte dos recorrentes, com todos os fatos tendo sido documentados em sua escrita contábil. Volta a mencionar a falta de andamento da ação penal, afirmando que não há sonegação, não há fraude, mas tão somente o inadimplemento dos autuados. Finalmente, quanto aos argumentos referentes à majoração da multa em 50%, ainda que tal matéria não esteja mais em litígio no âmbito do Recurso Voluntário, permanece a mesma em litígio no âmbito do Recurso de Ofício e, assim, achouse por bem reproduzir as alegações dos contribuintes em sede do presente Relatório. Alegam, aqui, os recorrentes, que as requisições foram atendidas, na medida de sua possibilidade jurídica, havendo documentos que não estavam em posse dos recorrentes, bem como eram objeto de outro procedimento. Alega que a documentação requisitada sempre esteve em poder do Fisco, com as justificativas, esclarecimentos e requisições não passando de ardil para agravar a pena dos Recorrentes, entende assim incabível a majoração da multa em 50% Do exposto, requerem os recorrentes que se: a) Se declare a insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal, uma vez que: a.1) A ação fiscal foi movida em flagrante inconstitucionalidade, baseada em quebra do sigilo bancário dos Recorrentes, sem a prova da autorização judicial; a.2) A ação fiscal resta ilegal por ser decorrência direta de procedimento criminal suspenso, tendo já sido declarado, para outros envolvidos no procedimento criminal, a ilegalidade das provas obtidas; b) Não sendo acolhida nenhuma das preliminares ao mérito, requerse que seja acolhida a desconstituição da fraude, pois, conforme exaustivamente o que ocorreu foi o inadimplemento; c) Após a desconstituição da fraude no Imposto de Renda Retido na Fonte, requer o reconhecimento da decadência de grande parte dos lançamentos. d) Se ainda assim, mantiver o auto, requer que a multa seja reduzida proporcionalmente aos atos praticados; e) Outrossim, requer que a solidariedade seja anulada. No entanto, não entendendo desta forma, espera que ela seja mitigada para os atos, eventualmente, cometidos pelo impugnante Marco Bernardi; (Pedido sem fundamentação); f) Caso não seja acolhido nenhum pedido para cancelamento e desconstituição do crédito tributário total, que seja reduzido o crédito tributário às ações em que forem comprovadas à fraude. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 537 7 Remetemse os autos à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente: 1. Quanto à insubsistência e improcedência da ação fiscal por sua decorrência direta de procedimento criminal suspenso e à ilegalidade de provas obtidas. Inicialmente, quanto aos argumentos tecidos pelos recorrentes acerca da Receita Federal “intimar o contribuinte a produzir prova contra si mesmo”, com o intuito de posterior compartilhamento com a Polícia Federal para fins de instrução da ação penal, noto que todas as intimações realizadas pela Receita Federal do Brasil obedeceram, de forma estrita, a autorização legal contida nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/99), não havendo que se cogitar de qualquer tipo de ilegalidade no que tange às intimações efetuadas, inclusive no que diz respeito a prazos concedidos, bem como a sua prorrogação. Uma vez perfeitamente suportadas legalmente todas as informações solicitadas pelo Auditor, incabíveis a propósito, aqui, ilações outras que não digam respeito à obediência às prerrogativas supra, repitase, legalmente estabelecidas, tudo em pleno respeito ao princípio da legalidade. Ainda, é de se notar que o andamento do feito criminal mencionado, em meu entendimento, em nada afeta a análise de legalidade do presente auto de infração, a menos que houvesse determinação judicial expressa, existisse decisão judicial definitiva acerca da ilicitude de provas aqui utilizadas ou ao menos decisão judicial de caráter precário que inviabilizasse sua utilização até que tal decisão final fosse proferida. A propósito, compulsando, junto ao site do Superior Tribunal de Justiça, as decisões proferidas no âmbito do HC 198.224CE, verifico que as decisões ali proferidas se circunscrevem às provas obtidas quando da busca e apreensão realizadas nos domicílios residenciais e comerciais dos pacientes originais que tiveram a ordem concedida e, posteriormente, dos demais pacientes que tiveram os pedidos de extensão deferidos (nos quais apesar de se incluir o Sr. José Hybernon Cysne Neto, não se inclui o impugnante Marco Antonio Bernardi). Notese, também, não atingir o mencionado HC, assim, eventuais decisões judiciais anteriores acerca da possibilidade de interceptação telefônica e obtenção de informações bancárias, uma vez que se esteve, no âmbito deste mandamus, a se decidir, sempre, acerca da ilicitude das provas obtidas a partir de autos de busca e apreensão. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 538 8 Ainda, não é suficiente, para fins de extensão do âmbito da decisão exarada no mandamus, o excerto de efl. 502 trazido pelos recorrentes, uma vez que, notese, independentemente do que consta nos autos a título de razão de decidir ou de obiter dictum, não se estava ali a decidir acerca da legalidade dos prévios interceptação e afastamento de sigilo, mas sim sobre a busca e apreensão. Escorreito, assim, o posicionamento emanado do recorrido em seus itens 9 a 11, os quais reproduzo novamente abaixo, utilizandoos como ratio decidendi, verbis: “ (...) 9. Em relação ao argumento de que as provas que provocaram o início da ação fiscal foram consideradas ilícitas e inutilizáveis pelo STJ no HC nº 198.224CE (fls. 210 a 290), é necessário esclarecer que esta decisão do STJ, que teve dois votos favoráveis e dois votos contrários aos impetrantes (prevaleceu a decisão mais favorável aos réus), teve como pedido o reconhecimento da ilicitude da prova obtida a partir de busca e apreensão realizada em 25 de novembro de 2010 nos endereços residenciais e comerciais dos pacientes (segundo parágrafo de fl. 215), que não são a autuada e o responsável tributário, não tendo como atingir, desta forma as informações bancárias e telefônicas, obtidas anteriormente a esta data e em relação a todos os investigados, inclusive quanto aos impugnantes. 10. O voto do relator que foi favorável aos réus aponta falta de fundamentação idônea apenas da decisão do juiz de primeiro grau que determinou a referida busca e apreensão (fls. 225 e 226), nada falando sobre as decisões deste mesmo magistrado que autorizaram a quebra dos sigilos bancário e telefônico. Para o relator (fls. 230 e 231), os documentos viciados são os Autos Circunstanciados de Busca e Arrecadação realizados na sede de outra empresa investigada (não a autuada) e na residência do acusado J. E. A (não o responsável). 11. Assim, como as provas que fundamentam a presente autuação não decorrem das obtidas nas invalidadas Buscas e Apreensões, as mesmas provas são lícitas e podem ser utilizadas nos lançamentos ora discutidos, aplicandose ao caso o entendimento expresso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no RHC 90.376, relator o Ministro Celso de Mello, Dje de 17/05/2007, citado no voto do relator do HC nº 198.224CE (fl. 235): “Se, no entanto, o órgão da persecução penal demonstrar que obteve, legitimamente, novos elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova – que não guarde qualquer relação de dependência nem decorra da prova originariamente ilícita, com esta não mantendo vinculação causal – tais dados probatórios revelarseão plenamente admissíveis, porque não contaminados pela mácula da ilicitude originária.” (...)”. Assim, entendo que não há nenhum reparo a fazer ao recorrido nesta seara, a menos do pleno esclarecimento/comprovação de não terem sido as provas aqui utilizadas Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 539 9 objeto dos referidos mandados de busca e apreensão, assunto que será tratado com a devida propriedade conjuntamente com o item 2 abaixo. 2. Quanto à inexistência de autorização judicial para afastamento do sigilo bancário Adentrando agora a questão do sigilo bancário, confrontamse duas argumentações: a) O Acórdão recorrido, no âmbito dos seus itens 6 a 8 de efls. 460 a 462, afasta a hipótese de ocorrência de quebra de sigilo sem autorização judicial da seguinte forma: (...) 6. Quanto à obtenção das informações bancárias que permitiram a verificação que parte dos valores pagos pela empresa autuada a terceiros retornou à conta bancária de seu presidente/diretor financeiro, o Relatório Fiscal elaborado pela Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SAPAC) da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, documento que provocou a ação fiscal cujos lançamentos estão formalizados no presente processo, assim afirma (fls. 20 e 21): A quebra regular do sigilo bancário de todos os envolvidos foi autorizada pelo Juiz da 11ª Vara da Justiça Federal Seção do Ceará. Com isso, o Banco Itaú S/A disponibilizou a relação de DOC´s/TED´s que as empresas do Grupo Iesa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A e IESA ÓLEO & GÁS S/A) se utilizaram para remeter numerário diretamente para a conta corrente do Sr. José Hybernon Cysne Neto, durante o anocalendário de 2008. Um total de 09 (nove) DOC´s foram assim movimentados, totalizando R$964.935,00. Um fato peculiar deve ser destacado quando da remessa do DOC pela IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A de R$273.135,00 em 21.11.2008. Ao receber o numerário, o Sr. Hybernon emite em 24.11.2008, um cheque no valor de R$114.900,00, nominativo ao Sr. Vanderlei Costa de Lima (que é empregado da firma individual Karla Lusitano Cysne). Este, por sua vez, liquida o cheque por depósito direto na conta corrente do Sr. MARCO ANTONIO BERNARDI, Presidente da empresa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A), remetente originária do DOC para o Sr. Hybernon em 21.11.2008. Em outro momento, agora em 03.05.2010, segundo escuta telefônica descrita no corpo do Relatório do ESPEI 3ª RF (cujo teor parcial anexamos a esta Representação), vêse uma provável manipulação sobre a movimentação de uma quantia de R$500.000,00, envolvendo as pessoas ligadas ao Grupo IESA (Sr. Marco Antonio Bernardi e o Sr. Juvenal de Oms, conhecido como “Peteco”), o Sr. Hybernon e a firma individual Karla Lusitano Cysne. 7. Os documentos apresentados pelos impugnantes referentes à Operação Podium e às ações judiciais relacionadas, em diversos trechos, confirmam que os sigilos bancário e telefônico das pessoas e Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 540 10 empresas investigadas foram afastados por autorização judicial devidamente concedida. Entre estes documentos encontramse os seguintes: 7.1. o Ofício RFB/Espei03 nº CE20100018 encaminhado ao juiz federal da 11ª Vara no Ceará (fl. 179 – referência à autorização judicial para compartilhamento de informações com a Receita Federal); 7.2. a Decisão deste mesmo juízo autorizando a quebra de sigilo bancário e fiscal da entidade e de empresas envolvidas na investigação (fls. 187 a 189); 7.3. o Despacho da Superintendência Regional da Polícia Federal no Ceará que expressamente se refere, entre outros documentos, a guias de depósito de numerário em favor da autuada e do responsável tributário, além de outras pessoas (fls. 190 e 191); 7.4. a Decisão do mesmo juízo da 11ª Vara Federal no Ceará que autoriza a quebra do sigilo bancário da empresa individual Karla Lusitano Cysne (CNPJ 72.403.678/000126), uma das pessoas beneficiárias dos pagamentos feitos pela autuada (31 de um total de 46 pagamentos – fls. 13 a 16), cuja parte dos valores recebidos foi devolvida ao responsável tributário, conforme demonstra a fiscalização nos itens 21.2 e 21.3 do Relatório Fiscal (fl. 115); 7.5. o Voto do ministro relator proferido no HC nº 198.224/CE julgado pelo STJ que fala textualmente em “reiteradas concessões de interceptações telefônicas e telemáticas, bem como de quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados” (fl. 217); e 7.6. o Votovista proferido no mesmo HC nº 198.224/CE no qual se encontra escrito que “(...) foi autorizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento nas ditas operações, a partir do que se produziram laudos de exame financeiro pelo Setor TécnicoCientífico da Polícia Federal” (fl. 242). 8. Enfim, não há nos autos nenhum indício de que a quebra do sigilo bancário da autuada e do responsável tributário e/ou das pessoas que receberam dos e/ou transferiram numerários para os impugnantes tenha ocorrido sem autorização judicial. Pelo contrário, há diversos documentos afirmando e comprovando que estas investigações bancárias se deram com autorização e sob a supervisão do Poder Judiciário. Assim ficam sem sentido as afirmações da impugnante em sentido contrário, bem como a jurisprudência que trata de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial e que acompanha a impugnação (fls. 298 a 403). (...) b) O recorrente, por sua vez, em seu pleito recursal, propugna que “(...) em momento algum, seja pela documentação acostada pelos recorrentes e/ou informações ou documentos da auditoria é evidenciada a quebra de sigilo bancário dos recorrentes”, refutando, ainda, as alegações constantes do item 07 do Acórdão impugnado (efl. 461). Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 541 11 Assim, inicio a análise pelos indícios documentais de existência de afastamento do sigilo bancário que suportaria os elementos utilizados na instrução probatória, consoante apontados pela autoridade julgadora de 1a. instância (item 7 do Acórdão vergastado): a) Quanto ao expediente de efl. 179, entendo assistir razão aos recorrentes, em relação à sua pouca utilidade de forma a se validar a documentação bancária carreada aos autos, uma vez que, ainda que se mencione ali decisão judicial prolatada no âmbito do Processo 2009.81.00.0039653, é de se entender, pelo teor da mesma, que se tratava tal decisão tão somente do compartilhamento de informações com a RFB, não se podendo comprovar a anterior efetiva quebra de sigilo que deu origem à documentação bancária carreada aos autos, a partir deste elemento. b) Quanto à decisão de efls. 187 a 189, tratase de decisão relacionada a quebra de sigilo bancário de terceiros que não se revestem da qualidade de autuados, não guardando estes terceiros, ainda, qualquer relação com os documentos bancários de efls. 82 a 87 e 89 a 94, utilizados na autuação. Julgase tal decisão assim imprestável para fins de efetiva comprovação da efetiva quebra de sigilo, de forma a suportar os elementos probatórios. c) Quanto ao despacho de efls. 190 e 191, tratase de mera anexação, aos autos do IPL, de elementos diversos, não se podendo concluir decisivamente, exclusivamente a partir do mesmo, acerca da existência de prévio afastamento de sigilo para fins de obtenção dos elementos bancários anexados, nem mesmo se os mesmos teriam sido obtidos em etapas distintas ou em etapa única (requisição de informações bancárias e/ou autos de busca e apreensão), sendo, também, assim, de pouca utilidade para fins de comprovação da regular quebra de sigilo que deu origem aos elementos utilizados para fins de instrução do lançamento. d) A decisão judicial mencionada de efls. 192 a 199 é suficiente para concluir pela regular quebra de sigilo da empresa individual de Karla Lusitano Cysne (CNPJ 72.403.678/000126), respaldando a documentação bancária utilizada na autuação de fls. 83 a 85, não sendo porém suficiente para respaldar a documentação de fls. 82, 86, 87, 89 e 90 a 94, abrangendo estas últimas os documentos onde surge o nome do recorrente Marco Antônio Bernardi, sujeito passivo solidário. e) e f) Para as menções feitas à quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados e das pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento, sempre no âmbito do HC 198.224/CE, tais menções não são precisas o suficiente para que se possa concluir pelo legal prévio afastamento do sigilo bancário que deu origem aos elementos bancários anexados aos autos. Assim, para fins da efetiva comprovação da existência de autorização judicial para fins de obtenção da documentação bancária anexada aos autos, passam a se confrontar, exclusivamente, a expressa negativa dos impugnantes quanto à existência de regular quebra de sigilo dos recorrentes e o teor do relatório de fls. 20/21 da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SAPAC) da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, onde se afirma categoricamente que: “ A quebra regular do sigilo bancário de todos os envolvidos foi autorizada pelo Juiz da 11ª Vara da Justiça Federal Seção do Ceará. Com isso, o Banco Itaú S/A disponibilizou a relação de DOC´s/TED´s que as empresas do Grupo Iesa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A e IESA ÓLEO & GÁS S/A) se utilizaram para Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 542 12 remeter numerário diretamente para a conta corrente do Sr. José Hybernon Cysne Neto, durante o anocalendário de 2008. Um total de 09 (nove) DOC´s foram assim movimentados, totalizando R$964.935,00. Um fato peculiar deve ser destacado quando da remessa do DOC pela IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A de R$273.135,00 em 21.11.2008. Ao receber o numerário, o Sr. Hybernon emite em 24.11.2008, um cheque no valor de R$114.900,00, nominativo ao Sr. Vanderlei Costa de Lima (que é empregado da firma individual Karla Lusitano Cysne). Este, por sua vez, liquida o cheque por depósito direto na conta corrente do Sr. MARCO ANTONIO BERNARDI, Presidente da empresa (IESA PROJETOS EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A), remetente originária do DOC para o Sr. Hybernon em 21.11.2008” A de se ressaltar, ainda, a falta de indicação, nos autos, acerca da origem da documentação utilizada, se oriunda de prévias interceptações telefônicas e intimação/ofício às instituições financeiras (esta última alegação conforme vergastado e relatório supra) ou se oriunda de autos de busca e apreensão. Adicionalmente, entendo que é de se considerar, ainda: a) A temeridade de se concluir acerca da existência de afastamento judicial do sigilo bancário com base em provas indiretas ou indiciárias e b) a especial importância da caracterização da regular quebra de sigilo bancário para a documentação bancária carreada aos autos no caso sob análise, haja vista ter sido a documentação bancária carreada aos autos utilizada, inclusive, para fins da construção da argumentação de ocorrência de fraude pela autoridade autuante. Diante de todo o exposto, entendo se estar diante de situação que requer adicional esclarecimento fático, através de diligência a ser realizada pela autoridade preparadora. Entendo que, no caso em questão, somente a partir de tal esclarecimento acerca da efetiva origem e regularidade de obtenção da documentação bancária anexada (repitase, utilizada diretamente para a construção da hipótese de caracterização da fraude) se deva prosseguir tanto nos demais itens do Recurso Voluntário (que envolvem os itens de decadência e a qualificação da multa, dependentes da caracterização da fraude), devendo ainda que se postergue, no caso, o julgamento do Recurso de Ofício para fins de prolação de decisão única, consoante rito amparado pelo Decreto no. 70.235, de 1972. Finalmente, entendo como recomendável que se junte aos autos, também, os lançamentos contábeis mencionados no item 15 do relatório de efl. 113, de forma a que se esclareça a posterior apropriação ao resultado pela empresa dos montantes contabilizados na conta de adiantamento ou serviço de terceiros, na forma do mencionado item 15. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de se esclarecer os seguintes pontos: a) Como se deu, em detalhes (mencionando números de Ofícios e/ou outros expedientes) a obtenção pela autoridade autuante da documentação carreada aos autos (inclusa, aqui, a documentação bancária de efls. 82 a 87 e 89 a 94) ? Teria sido a mesma obtida pela Policia Federal no âmbito do IPL 1311/08 e posteriormente transferida à Receita Federal ? Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.720393/201347 Resolução nº 2101000.193 S2C1T1 Fl. 543 13 b) Quanto à documentação bancária utilizada, teria se originado a mesma de envio pelas instituições financeiras, na forma relatada pelo relatório de fls. 20 a 21, com prévio afastamento de sigilo bancário autorizado judicialmente, ou de RMF, ou através de autos de busca e apreensão ? c) Houve, em algum momento, o afastamento dos sigilos bancário e telefônico, por força de decisão judicial, dos impugnantes IESA Projetos, Equipamentos e Montagens S/A e Marco Antonio Bernardi, bem como a autorização judicial do compartilhamento, com a Receita Federal do Brasil, das informações assim obtidas pela Polícia Federal relacionadas aos recorrentes e utilizadas no presente lançamento? d) Juntar aos autos, também, os lançamentos contábeis mencionados no item 15 do relatório de efl. 113, de forma que se esclareça a posterior apropriação ao resultado pela empresa dos montantes contabilizados na conta de adiantamento ou serviço de terceiros, na forma do mencionado item 15. O resultado da diligência deverá ser encaminhado através de relatório circunstanciado, com a devida ciência à autuada, abrindose prazo de 30 dias para sua manifestação. No referido relatório deverão ser juntadas cópias de todas as decisões judiciais que assim decidiram pelo afastamento do sigilo bancário, pela possibilidade de interceptação telefônica e pela autorização de compartilhamento das referidas informações com a Receita Federal, bem como quaisquer outros elementos comprobatórios que a autoridade preparadora julgar pertinente. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 543DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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