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Numero do processo: 10166.721498/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal.
APURAÇÃO COM ESTEIO EM DOCUMENTOS APRESENTADOS NA AÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA.
Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA.
APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. JUROS SELIC.
Na multa constante no presente Auto de Infração não está incluída qualquer parcela a título de juros ou correção monetária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.458
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. APURAÇÃO COM ESTEIO EM DOCUMENTOS APRESENTADOS NA AÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. JUROS SELIC. Na multa constante no presente Auto de Infração não está incluída qualquer parcela a título de juros ou correção monetária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721498/201099 Acórdão n.º 2401002.458 S2C4T1 Fl. 1.684 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte acima identificado, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração n.º 37.289.3856. O AI diz respeito a lavratura para aplicação de multa em razão da empresa haver declarado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias.. No Relatório Fiscal da Infração às fls.06/10, a autoridade lançadora esclarece que a empresa autuada apresentou a GFIP, com informações inexatas nos seguintes campos: a) RETENÇÃO – não informou os valores das retenções, conforme conta contábil “INSS a Recuperar” em todas as competências; b) SALÁRIOFAMÍLIA – não informou os valores conforme a folha de pagamento apresentada; c) SALÁRIOMATERNIDADE – não informou os valores conforme a folha de pagamento apresentada; e d) NIT – Número de Inscrição do Trabalhador – alguns segurados foram informados em GFIP com o número incorreto. O acórdão de primeira instância foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS. CFL 69 Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar sem motivação ou prescindíveis. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na sua peça recursal, o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) todo o procedimento fiscal deve ser nulificado, posto que, há Mandados de Procedimento Fiscal MPF que não foram prorrogados dentro do prazo regulamentar e, assim, os MPF subsequentes deveriam ter autorizado outro auditor fiscal para dar continuidade ao procedimento, conforme determina a legislação; b) não se admite no direito pátrio que se estabeleça obrigação tributária com esteio em presunção do fato gerador, como é o caso dos autos em que o fisco não conseguiu demonstrar a ocorrência dos fatos geradores; c) a multa deve ser aplicada com base na legislação mais benéfica, qual seja o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991; d) não se admite a cumulação dos juros SELIC com índices de correção monetária e juros moratórios. Ao final, requer: a) declaração de nulidade do AI; b) reconhecimento da improcedência da multa aplicada; c) exclusão dos juros SELIC É o relatório. Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721498/201099 Acórdão n.º 2401002.458 S2C4T1 Fl. 1.685 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A nulidade motivada por falha nos MPF Alega a recorrente que, tendo havido expiração de dois dos MPF, na substituição dos mesmos deveria o obrigatoriamente constar outra autoridade fiscal para dar continuidade ao procedimento. Não se tendo procedido dessa forma é nulo o procedimento fiscal. Consultando a sítio da RFB pude constatar que o MPF original, com duração de 120 dias foi emitido em 09/10/2009, com prazo de expiração em 06/02/2010 (120 dias, conforme art. 11, I, da Portaria RFB n.º 11.371/2007), as prorrogações deramse em 06/02/2010; 07/04/2010 e 06/06/2010 (60 dias, conforme art. 11, II, da mesma Portaria). Considerandose que a ciência do lançamento pelo sujeito passivo ocorreu em 12/07/2010, percebese que na data da ciência do lançamento havia MPF vigente e que não houve expiração de qualquer dos MPF lavrados, mas apenas prorrogação dos mandados. Assim, a afirmação da recorrente encontrase totalmente dissociada dos fatos ocorridos no processo. Afasto, então, essa preliminar. A suposta presunção quanto à ocorrência dos fatos geradores Os autos estão a revelar que a apuração das contribuições deuse mediante análise da documentação apresentada pela empresa. Foi com esteio na documentação exibida durante a ação fiscal, mormente nas folhas de pagamento, que o fisco constatou ter a empresa declarado na GFIP informações incorretas nos campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Foram indicados pela Auditoria os campos preenchidos incorretamente pela empresa. Esta por sua vez, embora manifeste inconformismo, não juntou qualquer elemento que pudesse alterar o resultado da apuração fiscal realizada. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, o direito de Fisco de aplicar a multa restaria extinto se o sujeito passivo conseguisse demonstrar que a Administração houvera incorrido em erro na comparação entre os dados constantes na documentação e aqueles declarados em GFIP. Considerandose que esse fato não restou demonstrado, deixo de acolher, por absoluta falta de provas, o argumento de que houve na espécie presunção de fatos geradores ou mesmo equívoco na apuração. Não custa repetir que a empresa não acostou qualquer retificação dos documentos que serviram de base para a autuação. Aplicação da multa A empresa requer a aplicação da multa com base no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. A meu ver esse não é o dispositivo adequado. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de ofício nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721498/201099 Acórdão n.º 2401002.458 S2C4T1 Fl. 1.686 7 assim, de haver cumulação de multa por descumprimento da obrigação de declarar corretamente a GFIP com a penalidade decorrente do inadimplemento da obrigação principal, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Por esse motivo, o fisco efetuou o comparativo entre o valor da multa calculado com esteio na legislação revogada e na legislação nova, aplicando à penalidade menos gravosa ao sujeito passivo, conforme muito bem detalhado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa. Juros SELIC A insurgência da recorrente quanto à aplicação de juros SELIC cumulado com atualização monetária e juros moratórios não deve ser considerada. É que na multa presente no AI guerreado não há qualquer referência à incidência de juros ou atualização monetária, sendo impertinente esse argumento. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10825.002640/2008-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2008 INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL. PRAZO. INSCRIÇÕES MUNICIPAL E ESTADUAL. A empresa tem 30 (trinta) dias a contar da última inscrição efetuada nos entes municipal, estadual e federal para optar pelo Simples Nacional (Resolução CGSN nº 41/08).
Numero da decisão: 1801-001.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 93 1 92 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.002640/200870 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.061 – 1ª Turma Especial Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria Simples Nacional Inclusão Recorrente RADIADORES BAURU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL. PRAZO. INSCRIÇÕES MUNICIPAL E ESTADUAL. A empresa tem 30 (trinta) dias a contar da última inscrição efetuada nos entes municipal, estadual e federal para optar pelo Simples Nacional (Resolução CGSN nº 41/08). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa não teve seu pedido de inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – Simples Nacional, porque efetuou a inscrição em Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 06 de agosto de 2008, quando ainda não havia realizado a inscrição municipal, efetuada esta em 20 do mesmo mês, conforme comprova o Termo de Inscrição Municipal trazido junto à impugnação às fls. 05 e 06. Na consulta ao histórico da empresa no Simples Nacional, fls. 14, resta demonstrado que a interessada solicitou a inscrição em 06 de agosto de 2008, o pedido foi processado em 16 de agosto, quando indeferido de plano, eletronicamente, e que constou nas informações estar a empresa no início de atividades. Observase às fls. 17 que a empresa pleiteou a inscrição ao Regime Especial novamente em 19 de fevereiro de 2009, sendo deferido o pedido, com efeito a partir de janeiro de 2009. Resta, portanto, o interregno do início das atividades em 15 de maio, consoante Contrato Social (fls. 08 a 12) até dezembro de 2008, para ser dirimido. O Despacho Decisório nº 808/09 proferido pela autoridade a quo, fls. 18 e 19, indeferiu o pedido de inclusão retroativo para o ano de 2008, tendo em vista que a empresa na data de solicitação não se encontrava com inscrição no ente municipal, com fulcro na Resolução CGSN (Comitê Gestor) nº 4/2007, artigo 7º, §3º, incisos I e V, alínea ‘b’. Apresentada a Manifestação de Inconformidade contra o referido despacho, a Nona Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP, prolatou o Acórdão nº 1435.041/11, fls. 37 e 38, mantendo o indeferimento com fulcro no mesmo dispositivo infralegal. Assim restou ementado o aresto: “SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. A ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 73 a 91 argumentando, em suma, que fez o pedido dentro do prazo concedido pelo art. 7º, § 3º, inciso I da Resolução CGSN nº 4/2007, uma vez ter procedido ao requerimento eletrônico antes dos dez dias da última inscrição efetuada, no caso a municipal, prazo que a legislação concede para as empresas, em início de atividades, procederem ao pedido. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. No mérito, assiste razão à recorrente. O indigitado preceito legal, versado por ambas as partes, dispõe: Resolução CGSN nº 04/07 DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.002640/200870 Acórdão n.º 180101.061 S1TE01 Fl. 94 3 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (grifos não pertencem ao original) Ora, a recorrente, em início de atividade, inscreveuse no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) em 26/05/08 (fls. 13), na inscrição estadual em 24/07/08 (fls. 15) e na inscrição municipal em 20/08/2008 (fls. 06). Por conseguinte, sendo o último registro justamente aquele no município, poderia ter optado pelo Simples Nacional até 30 de agosto de 2008. O fato de a empresa haver antecipado a solicitação ao ingresso no Simples Nacional não invalida o preceito regulamentar, transcrito acima. Tendo o conhecimento que se tratava de empresa em início de atividades, o fisco deveria ter intimado a recorrente a exibir as inscrições necessárias a sua habilitação ao Regime Especial Unificado e aguardar findar o prazo legal para decidir sobre o indeferimento ou não. Em 30 de agosto, inquestionável que a recorrente estava inscrita no município, no Estado e no cadastro federal. Por curiosidade, a norma foi inclusive alterada neste concernente, antes de proferido o Despacho Denegatório (11/05/2009), estendendo o prazo para as empresas que iniciaram as atividades no mesmo anocalendário em que fazem a opção: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (grifos não pertencem ao original) Por esta nova disposição, vigente à época da decisão proferida pela autoridade a quo, a recorrente teria até o dia 20 de setembro para ser considerada apta ao ingresso no Simples Nacional. Superado este ponto, considerandose que os requisitos foram atendidos pela recorrente dentro do prazo estabelecido na norma de regência, há que tratarse dos efeitos da opção ao ingresso no regime tributário diferenciado. A alínea ‘b’ do inciso V, c/c o inciso VI, ambos do artigo 7º, § 3º, da Resolução em questão dispõem: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) [...] b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) VI validadas as informações, considerase data de início de atividade: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) [...] b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, a da respectiva abertura. (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso, para admitir o ingresso retroativo da recorrente no Simples Nacional para o anocalendário de 2008, a partir da data de abertura da empresa. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000031/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2004, 2005.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há o que se falar em
cerceamento do direito de defesa quando a contribuinte ataca de forma precisa o conteúdo do ato administrativo.
NULIDADE. Comprovado que o processo obedece a todos os requisitos
previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, descabem as alegações do interessado.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n.º 9.430, de 1996, em
seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS.
Aplicam-se às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo Regime do SIMPLES, na forma da Lei nº 9.317/1996, todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na mencionada norma legal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de
produção de provas em face da não apresentação de qualquer elemento que evidencie a reversão de valores.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE E EFICÁCIA DOS PROCEDIMENTOS VINCULADOS AO MANDADO. A ação fiscal suportada por MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) regularmente emitido e prorrogado por autoridade competente, bem como autorizado e formalizado em conformidade com os pressupostos legais,
presume-se válida e eficaz em relação aos atos firmados durante a vigência do MANDADO.
SIMPLES. ESCRITURAÇÃO. A empresa optante pelo SIMPLES está
obrigada a escriturar sua movimentação financeira no Livro Caixa.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício de 75% incide sobre
a diferença existente entre os valores devidos e os recolhidos, quando do lançamento de ofício.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.964
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004, 2005. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há o que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a contribuinte ataca de forma precisa o conteúdo do ato administrativo. NULIDADE. Comprovado que o processo obedece a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, descabem as alegações do interessado. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Aplicam-se às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo Regime do SIMPLES, na forma da Lei nº 9.317/1996, todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na mencionada norma legal. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de produção de provas em face da não apresentação de qualquer elemento que evidencie a reversão de valores. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE E EFICÁCIA DOS PROCEDIMENTOS VINCULADOS AO MANDADO. A ação fiscal suportada por MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) regularmente emitido e prorrogado por autoridade competente, bem como autorizado e formalizado em conformidade com os pressupostos legais, presume-se válida e eficaz em relação aos atos firmados durante a vigência do MANDADO. SIMPLES. ESCRITURAÇÃO. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a escriturar sua movimentação financeira no Livro Caixa. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício de 75% incide sobre a diferença existente entre os valores devidos e os recolhidos, quando do lançamento de ofício. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há o que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a contribuinte ataca de forma precisa o conteúdo do ato administrativo. NULIDADE. Comprovado que o processo obedece a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, descabem as alegações do interessado. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Aplicamse às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo Regime do SIMPLES, na forma da Lei nº 9.317/1996, todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na mencionada norma legal. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de produção de provas em face da não apresentação de qualquer elemento que evidencie a reversão de valores. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE E EFICÁCIA DOS PROCEDIMENTOS VINCULADOS AO MANDADO. A ação fiscal suportada por MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 501DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 2 (MPF) regularmente emitido e prorrogado por autoridade competente, bem como autorizado e formalizado em conformidade com os pressupostos legais, presumese válida e eficaz em relação aos atos firmados durante a vigência do MANDADO. SIMPLES. ESCRITURAÇÃO. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a escriturar sua movimentação financeira no Livro Caixa. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício de 75% incide sobre a diferença existente entre os valores devidos e os recolhidos, quando do lançamento de ofício. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório LUCIENE LOMBARDI & CIA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de procedimento fiscal realizado em faze da contribuinte optante pelo SIMPLES e que foi concluído com a lavratura de Autos de Infração no total de R$ 57.445,52, abrangendo o anocalendário de 2004 e 2005 e abarcando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 75% e juros de mora calculados até 30/12/2008. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 3 i) IRPJ no total de R$ 1.728,78 ii) CSLL no total de R$ 9.151,99 iii) PIS no total de R$ 1.728,78 iv) COFINS no total de R$ 22.123,79 v) CONTR.INSS no total de R$ 22.712,19 A contribuinte foi intimada a apresentar os extratos bancários dos Bancos: do Brasil, Bradesco, Real e Itaú, referentes aos anos 2004 a 2006. Em decorrência da análise dos extratos bancários efetuada pela fiscalização, a empresa foi intimada a informar e comprovar a origem dos recursos e a natureza das operações que deram causa aos depósitos e créditos efetuados em suas contas correntes. Em não havendo a total comprovação da origem dos recursos e a apresentação da natureza das operações por parte da pessoa jurídica, esta foi autuada com base na presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei 9430/96. A ciência do auto de infração ocorreu em 07/02/2009 e a contribuinte ingressou com a impugnação em 09/03/2009. Em sua peça de defesa, a impugnante alega que: 1) Os esclarecimentos prestados, pessoalmente, por sua representante legal, em janeiro de 2010, não foram considerados, tampouco foram reduzidos a termo; 2) Os autos de infração lavrados padecem de formalidades previstas no parágrafo 5º do artigo 9º do Decreto 70.235/72, que determina a lavratura de um “único” auto de infração no caso de regime especial unificado de arrecadação de tributos; 3) A inobservância da regra trazida no item anterior acarreta um vício sanável, que enseja, no mínimo, agrupamento ou reunião dos autos de infração lavrados e nova intimação com abertura de novo prazo para impugnação, na forma do artigo 10 combinado com o parágrafo 3º do artigo 18, ambos do Decreto 70235/72; 4) Baseado nas considerações descritas nos itens 2 e 3, a contribuinte requer o cancelamento dos autos de infração por padecerem de nulidade formal por afronta ao devido processo legal administrativo, na forma da previsão do inciso LIV do artigo 5º da Constituição Federal, aplicandolhes o Capítulo III do Decreto 70.235/72 (nulidades); 5) A ausência do termo de declarações (relatada no item 1), além de caracterizar o vício formal já suscitado, macula o processo administrativo materialmente, pois extirpa dele importante meio de defesa quanto aos valores utilizados para fundamentar o lançamento; 6) O processo administrativo apresenta vício material em razão de inúmeras incorreções verificadas na base dos valores utilizados pela Auditora Fiscal como fatos geradores das supostas omissões de receitas; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 4 7) Por via de conseqüência, todos os valores resultantes do trabalho fiscal realizado estão eivados de vícios, causando nulidade absoluta e insanável de todos os autos de infração; 8) Os autos devem ser considerados nulos em respeito ao que preceitua o inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal (direito ao contraditório e à ampla defesa), na forma e alcance do Capítulo III do Decreto 70.235/72, o qual trata das nulidades; 9) Sejam excluídos das bases de cálculo dos tributos diversos depósitos/créditos, os quais passarão a ser analisados por ocasião do Voto desta Relatora; 10) Sejam desconsiderados todos os valores “não apontados especificamente”, posto que estava desobrigada à escrituração contábil regular; 11) Como a empresa opera no ramo de floricultura e decorações de eventos, muitas vezes compra objetos ou encomenda serviços em nome de seus clientes, os quais a reembolsam. Sendo assim, solicita um prazo de 60 dias para reunir as provas necessárias que corroborem o que alega. 12) Os depósitos bancários efetuados nas contascorrentes da impugnante não estão sujeitas à tributação. Não há identidade destes “recebimentos” com as hipóteses de incidência tributária relativas aos tributos inerentes à “modalidade” do SIMPLES. 13) O Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta (fls. 280) é repudiado, uma vez que a necessária e justa exclusão de valores requerida no item retro redundará em novos valores de Receita Bruta Acumulada; 14) O Demonstrativo de Apuração dos Valores Não Recolhidos (fls 282 a 289) é refutado, tendo em vista que o cálculo da Receita Bruta está incorreto e, por conseqüência, também estão equivocados os percentuais aplicados à receita bruta acumulada para a microempresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; 15) O Demonstrativo de Apuração dos Valores Não Recolhidos não considera todos os valores constantes da Declaração Simplificada de Pessoas Jurídicas – Simples (Fls. 246 a 279), principalmente os relativos aos meses de janeiro a abril de 2004; 16) O Demonstrativo de Apuração do Imposto/Contribuição sobre Diferenças Apuradas é refutado pela mesmas razões aventadas em relação aos demais demonstrativos que compõem o auto de infração; 17) Os autos de infração são inconsistentes e se afastam da incidência tributária aplicável, por esta razão a autuada refuta o Demonstrativo do Crédito Tributário do Processo (fls. 1); 18) Estava desobrigada da escrituração desobrigada da escrituração contábil regular de sua movimentação operacional; 19) A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) é indevida, pois não houve lançamento de ofício em virtude de todos os vícios apontados no auto de infração; 20) A multa de ofício de 75% teria incidido sobre os valores recolhidos pela contribuinte (fls. 282 a 289), o que contraria o artigo 44 da Lei 9.430/96. O sujeito passivo assevera que a multa está adstrita ao lançamento de ofício e não incide sobre valores declarados e confessados. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 5 Diante de todo o exposto, a contribuinte requer a nulidade, insubsistência e ilegalidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), assim como de todos os autos de infração, processos e procedimentos administrativos dele constantes e resultantes. Considerando os princípios constitucionais vigentes, a segurança jurídica e os elementos materiais dos autos de infração e do MPF, a impugnante solicita, ainda, que a impugnação seja recebida em seus efeitos devolutivo e suspensivo. A decisão recorrida está assim ementada: AUTOS DE INFRAÇÃO DIVERSOS. Para cada tributo cabe um auto de infração. Os autos de infração podem ser formalizados em um único processo administrativo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há o que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a contribuinte ataca de forma precisa o conteúdo do ato administrativo. NULIDADE. Comprovado que o processo obedece a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, descabem as alegações do interessado. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Aplicamse às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo Regime do SIMPLES, na forma da Lei nº 9.317/1996, todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na mencionada norma legal. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazê lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Indeferese o pedido de produção de provas em face da não apresentação de qualquer elemento que evidencie a reversão de valores. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE E EFICÁCIA DOS PROCEDIMENTOS VINCULADOS AO MANDADO. A ação fiscal suportada por MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) regularmente emitido e prorrogado por autoridade competente, bem como autorizado e formalizado em conformidade com os pressupostos legais, presumese válida e eficaz em relação aos atos firmados durante a vigência do MANDADO. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 6 SIMPLES. ESCRITURAÇÃO. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a escriturar sua movimentação financeira no Livro Caixa. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício de 75% incide sobre a diferença existente entre os valores devidos e os recolhidos, quando do lançamento de ofício. IMPUGNAÇÃO. EFEITOS SUSPENSIVO E DEVOLUTIVO. A impugnação tempestiva apresenta os efeitos suspensivo e devolutivo sempre. Impugnação procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, ipisis literis, as alegações da peça impugntória sem fazer qualquer referência ou contraponto à decisão recorrida. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância: Da Nulidade Formal Em primeiro lugar, analiso a argumentação da impugnante no sentido de que os lançamentos de ofício deveriam ter sido efetuados num único auto de infração sob pena de incorrer em vício sanável por meio de agrupamento ou reunião dos autos lavrados e nova intimação com abertura de novo prazo para a impugnação. Complementando sua defesa, a impugnante requer o cancelamento dos autos por padecerem de nulidade formal por afronta ao devido processo legal administrativo, na forma da previsão do inciso LIV do artigo 5º da Constituição Federal, aplicando lhes o Capítulo III do Decreto 70.235/72 (nulidades). Para demonstrar a improcedência da alegação, reproduzo o artigo 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal e que estabelece: Art. 9º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005)” (Grifo acrescido) Percebase que a norma determina a lavratura de auto de infração distinto para cada tributo e, em assim sendo, não existe nenhuma impropriedade no processo em análise. Ou seja, a pessoa jurídica, quando autuada, recebeu um auto de infração para cada tributo. Destarte, é descabida a feitura de novos autos de infração, bem como de abertura de novo prazo para a impugnação. Do Cerceamento do Direito de Defesa Assevera o sujeito passivo que os esclarecimentos prestados, pessoalmente, por sua representante legal, em janeiro de 2010, não foram considerados, tampouco foram Fl. 507DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 8 reduzidos a termo. Assegura que a ausência do termo de declarações, além de caracterizar o vício formal já suscitado, macula o processo administrativo materialmente, pois extirpa dele importante meio de defesa quanto aos valores utilizados para fundamentar o lançamento. Não prospera tal afirmação da contribuinte, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e a pessoa jurídica foi devidamente cientificada. Na fase litigiosa do procedimento, regida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, foram observados as normas e os princípios processuais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. O enfrentamento das questões, por ocasião da impugnação, demonstra perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento fiscal (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972). Do Mérito A contribuinte requer a exclusão de depósitos/créditos incorretamente incluídos nas bases de cálculo dos tributos e a desconsideração de todos os valores “não apontados especificamente”, posto que estava desobrigada à escrituração contábil. No mesmo sentido, pede que todos os Demonstrativos, partes integrantes dos autos de infração sejam desconsiderados, bem como os próprios autos. A autuada afirma que a autoridade autuante não considerou os valores constantes da Declaração Simplificada de Pessoas Jurídicas – Simples (Fls. 246 a 279), principalmente os relativos aos meses de janeiro a abril de 2004. A impugnante repudia os percentuais aplicados à receita bruta acumulada para a microempresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Solicita que a primeira instância de julgamento administrativo considere o fato de a empresa operar no ramo de floricultura e decorações de eventos, muitas vezes comprando objetos ou encomendando serviços em nome de seus clientes, os quais a reembolsam. Sendo assim, solicita um prazo de 60 dias para reunir as provas necessárias que corroborem o que alega. Primeiramente, passo a analisar as alegações da contribuinte relativas às supostas incorreções das planilhas demonstrativas dos créditos/depósitos bancários (fls.405 e 406). (...) Em relação à planilha acima, teço os seguintes comentários: a) Pensão Alimentícia para as Filhas, Valor Rel. a Acordo de Separação Judicial – não foram apresentados documentos hábeis que comprovassem a alegação da contribuinte; b) Transferências entre c/c de mesma titularidade –excluídas das bases de cálculo aquelas cujas correlações entre débitos e créditos forem precisas, ou seja, valores, datas e números de documentos coincidentes; c) Financiamento de Desconto – não se verificou a operação casada de débito e crédito, conforme alega a impugnante. Sendo assim, nesta parte a impugnação foi indeferida; d) Digitação Errada, Devolução de Cheque e Valor Estornado – excluídos das bases de cálculo. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 9 (...) Em relação às questões que envolvem a planilha utilizada para a autuação, considero satisfeitas e analisadas as alegações da contribuinte. Em relação à falta de escrituração contábil, por ser optante pelo Simples, em nada tem a ver com o fato de não oferecer à tributação valores que, por presunção legal são considerados como omissão de receita, como é o caso dos depósitos bancários não justificados, conforme Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42. Ademais, a empresa é dispensada de escrituração contábil, desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deverá ser escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, conforme prevê a Lei 9317/96, em seu artigo 7º, parágrafo 1º, a. Portanto, a alegação da impugnante de que não possui escrituração contábil, estando desobrigada do controle de sua “movimentação operacional” não prospera. A empresa sustenta que opera no ramo de floricultura e decorações de eventos, muitas vezes comprando objetos ou encomendando serviços em nome de seus clientes, os quais a reembolsam. Muito embora seu tipo de atividade seja específica, recebendo valores em suas contascorrentes que não lhe pertencem, cabe à contribuinte controlar estes recursos, separando o que é seu do que é de seus clientes. Não cabe ao fisco fazêlo, tampouco aceitar que todos os créditos pertencem a terceiros com base em meras alegações. Mesmo a contribuinte estando sob o regime do Simples, à ela são aplicáveis as presunções de omissões de receitas. Portanto sua defesa não prospera neste sentido. Solicita um prazo de 60 dias para reunir as provas necessárias que corroborem o que alega. No que tange à prova documental, o mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 dispõe nos §§ 4º e 5º: “Art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)” De acordo com esse dispositivo legal, o momento para apresentação de documentos comprobatórios é o da apresentação da impugnação. Transcorrido este, apenas será possível a juntada de tais elementos ao processo administrativo se, e somente se, ocorrer algum dos eventos descritos na norma legal. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.000031/200977 Acórdão n.º 140200.964 S1C4T2 Fl. 0 10 A impugnante requer a nulidade, insubsistência e ilegalidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Não acato o seu pedido, tendo em vista que o MPF seguiu todos os pressupostos legais, sendo regularmente emitido. Convém salientar que o MPF consiste em instrumento interno de controle e planejamento administrativo das atividades e procedimentos fiscais, cuja finalidade não interfere nas prerrogativas legais do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para execução dos procedimentos inerentes às ações fiscais e na realização da constituição de créditos tributários deles decorrentes, porquanto as competências e atribuições encontram fulcro nos termos da Lei no 10.593, de 2002, alterado pela redação atual introduzida pela Lei nº 11.457, de 2007. Tendo sido o MPF emitido e prorrogado por pessoa competente, não prospera a alegação de que é nulo. Multa de Ofício de 75% A contribuinte afirma que a multa de ofício de 75% incidiu sobre os valores recolhidos, o que contraria o artigo 44 da Lei 9.430/96. Complementa sua tese, asseverando que a multa está adstrita ao lançamento de ofício e não incide sobre valores declarados e confessados. A multa de ofício, conforme se observa nas planilhas acima, não incidiu, de forma alguma, sobre valores declarados e confessados. Ela foi aplicada sobre a diferença entre os valores devidos e os recolhidos. Conclusão Evidenciase nos autos que a omissão de receitas, embora verificada mediante prova indireta, está devidamente caracterizada haja vista que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários, sendo que decisão recorrida já excluiu os valores errôneos (transferências entre contas não excluídas e digitações incorretas). Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10830.009029/2003-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1992
IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF.
De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contando-se da data do pagamento indevido.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 130 1 129 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.009029/200399 Recurso nº 159.377 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.158 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTÔNIO RAFAEL RIBEIRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1992 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data do pagamento indevido. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório ANTÔNIO RAFAEL RIBEIRO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, em 25/11/2003, em relação ao anocalendário 1993, incidente sobre as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária ocorrida em 15/06/1992, conforme Petição Inicial, às fls. 01/11, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 7a Turma da DRJ em São Paulo/SP, consubstanciada no Acórdão nº 1717.668/2007, às fls. 32/38, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 4ª Turma Especial, em 19/03/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 380400.022, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1992 RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO Contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 1998, ocorrida em 06/01/1999, o prazo decadencíal para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário, sendo irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial de contagem do prazo extintivo. Recurso Voluntário Provido.” Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10830.009029/200399 Acórdão n.º 920202.158 CSRFT2 Fl. 131 3 Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 71/81, com arrimo no artigo 7o, incido II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras deste Conselho e, bem assim, da CSRF, Acórdãos n° CSRF/9303 00.080, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que admite como termo inicial para contagem do prazo decadencial do pedido de restituição a data da extinção do crédito tributário e não com a publicação de ato normativo ou prolação de decisão judicial, na forma que restou decidido pela Câmara recorrida. Insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assevera que a Instrução Normativa nº 165/1998, que reconheceu a não incidência de IRPF sobre as verbas pagas a título de PDV, em razão de sua natureza indenizatória, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação, sobretudo quando referida norma secundária, por esse próprio caráter, não tem o condão de extinguir exigência tributária. Alega que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório nº 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa a capacidade de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Instruções Normativas, Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência, em total afronta a segurança jurídica. Defende que os artigos 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3º, da LC nº 118, em virtude de sua natureza interpretativa. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação doutrina a propósito da matéria, consonante com o entendimento acima esposado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da 2ª Câmara do 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas a respeito da mesma matéria, conforme Despacho nº 2202 00.239/2010, às fls. 117/119. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 123/126, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas divergiram do entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho a respeito da mesma matéria, Acórdão n° CSRF/930300.080, impondo seja conhecida peça recursal da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Em defesa de sua pretensão, sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que admite como termo inicial para contagem do prazo decadencial do pedido de restituição a data da extinção do crédito tributário e não com a publicação de ato normativo ou prolação de decisão judicial, na forma que restou decidido pela Câmara recorrida. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito do ilustre Conselheiro relator, as quais sempre compartilhei, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Art.165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” “Art.168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10830.009029/200399 Acórdão n.º 920202.158 CSRFT2 Fl. 132 5 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto à existência do indébito, tendo em vista tratarse de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF incidente sobre as verbas concedidas em virtude de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, reconhecidas como indenizatórias e, por conseguinte, não integrantes da base de cálculo do tributo sob análise, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Nesse sentido, a discussão centrase tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 3o, 97, inciso I, 106 e 168, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricional em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Câmara recorrida, em sua maioria, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação dos tributos em referência (IRPF) iniciase na data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o IRPF, cobrado sobre as verbas recebidas pela pessoa física em decorrência de adesão a PDV, só passou a ser indevido quando do definitivo reconhecimento pela autoridade fazendária da não incidência de tal imposto sobre aludidos valores, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Em outras palavras, antes da IN SRF nº 165/1999, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos dos malfadados dispositivos legais que regulamentavam a matéria. Mais a mais, repitase, à época dos pagamentos do IRPF incidentes sobre as importâncias recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua natureza indenizatória pela própria autoridade fazendária e, por conseguinte, fora do alcance do IRPF, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165/1999. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao princípio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, era o entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister trazer à baila a jurisprudência, anteriormente consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: “IRPF – RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – Contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. . IRPF – PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ALCANCE – Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa nº 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. – Recurso Especial negado.” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 127.011, Acórdão nº CSRF/0104.174 – Sessão de 14/10/2002) “IRRF – RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. PRAZO DECADENCIAL – Nos casos de retenção pela fonte pagadora de importância a título de imposto de renda na fonte considerado indevido por legislação superveniente, o termo inicial para o sujeito passivo apresentar o pedido de restituição junto ao órgão competente é a data em que vigora os efeitos da nova legislação. PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – No caso de retenções relativas a Programa de Demissão Voluntária ocorridas além do prazo de cinco anos, o termo inicial para protocolização de pedido de restituição ocorre em 06.01.1999, data da publicação de ato administrativo que reconheceu indevida referida exação. Recurso negado” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 126.098, Acórdão nº CSRF/0105.133 – Sessão de 29/11/2004) Não obstante as razões de fato e de direito acima esposadas, as quais vinham sendo adotadas nos julgados por este Colegiado, ao contemplar a matéria, o certo é que o tema vem sendo objeto de inúmeras discussões no Judiciário, o qual já se manifestou das mais diversas formas, sobretudo após a edição da Lei Complementar nº 118, que em seus artigos 3o e 4o, assim prescreveu: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10830.009029/200399 Acórdão n.º 920202.158 CSRFT2 Fl. 133 7 pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Escorado nos dispositivos legais encimados, a Procuradoria reforça sua tese, mormente com arrimo no artigo 4º, que estabelece a retroatividade de aludidas determinações. Em face da edição da Lei Complementar nº 118/2005, inúmeras foram as discussões que permearam o Judiciário, especialmente no que tange a constitucionalidade do disposto na parte final do artigo 4º, relativamente à retroatividade daquela norma. Após muitas disceptações a propósito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os preceitos inscritos na parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, encontramse maculados por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante se infere da ementa do Acórdão exarado nos autos do Recurso Especial nº 1.002.932/SP, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” ” (STJ – 1a Seção – Resp n° 1.002.932/SP – Relator Ministro Luiz Fux, Julgado em 25/11/2009) Conforme se depreende da ementa acima transcrita, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da Lei Complementar n° 118, contase da seguinte forma: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10830.009029/200399 Acórdão n.º 920202.158 CSRFT2 Fl. 134 9 1) Recolhimentos efetuados antes da LC 118/2005 – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos 5 + 5 , a contar do pagamento indevido, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal, rechaçou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência de aludido Diploma Legal. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Como se observa do julgado acima ementado, o Supremo Tribunal Federal, ao contemplar a matéria, corroborou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, ressalvando, porém, seu entendimento no sentido de que referido Diploma Legal somente poderá ser aplicado às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso vertente, afora entendimento pessoal a respeito do tema, é de se restabelecer a decretação da prescrição do direito do contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição em 25/11/2003, antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, relativamente a recolhimento indevido ocorrido em 15/06/1992, a título de IRPF sobre verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária, fora, portanto, do prazo decenal, seja qual for o posicionamento a ser adotado, do STF ou STJ. Partindo dessas premissas, uma vez pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal o entendimento no sentido do prazo prescricional de 10 (dez) anos para protocolização do pedido de restituição de indébito, contado da data do pagamento do tributo indevido, impõese reconhecer a prescrição do pleito do contribuinte de maneira a reformar o Acórdão recorrido. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada no âmbito dos Tribunais Superiores, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10830.009029/200399 Acórdão n.º 920202.158 CSRFT2 Fl. 135 11 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10650.001538/2006-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA QUALIFICADA – A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Da mesma forma, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. (Súmula CARF nº 25).
Numero da decisão: 9101-001.363
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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MULTA QUALIFICADA – A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Da mesma forma, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. (Sumula CARF nº 25). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero (Suplente), Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente). Fl. 698DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Cuida-se de recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 103-23.633, sessão de 17/12/2008, por meio do qual a Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a de 150% para 75% e, por conseqüência, acolheu a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte em relação aos fatos geradores ocorridos até setembro de 2001 (a primeira instância reconhecera a decadência até setembro de 1998). Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional que, no que se refere à multa agravada, o acórdão contraria as provas existentes nos autos, além do disposto no art. 44 da Lei 9.430/96 e nos arts. 71 a 72 da Lei 4.502/64. Entende a Fazenda Nacional que a multa qualificada foi devidamente aplicada ao contribuinte, “porque restou caracterizada, em tese, a conduta dolosa na reiteração da omissão de rendimentos, o que levou à supressão do valor tributário devido pelo sujeito passivo. A obrigação tributária foi diretamente afetada pela omissão, reiterada e injustificada, da contribuinte, na medida em que, no mesmo ano-calendário, ela "esqueceu-se" de informar 1.137 (hum mil, cento e trinta e sete) depósitos bancários” .E consigna que “o fato de as omissões terem sido verificadas no mesmo ano-calendário (2001) não excluem a qualificação da multa, mas, ao contrário, elas reforçam o nítido caráter doloso de esconder as receitas auferidas pela contribuinte data venia.” Aduz que “se uma conduta isolada do sujeito passivo da obrigação tributária, que importe na redução do valor devido ao fisco e seja ilícita não revela com absoluta segurança a sua vontade consciente de trapacear a Administração, o mesmo não se pode afirmar quanto à prática reiterada dentro do mesmo ano-calendário (2001) dessa conduta (omissão sistemática) por 1.137 (hum mil cento e trinta e sete) vezes.” Ressalta que o contribuinte absteve-se, reiteradamente, de declarar suas receitas, conforme robusta documentação bancária, O Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF deu seguimento ao recurso por atendidos os pressupostos que o autorizam. É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.001538/2006-34 Acórdão n.º 9101-001.363 CSRF-T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme se depreende do relatório, pretende a Fazenda que seja reformado o acórdão recorrido, no que respeita à desqualificação da multa, com conseqüência na decadência referente ao 4º trimestre de 1998. A qualificação da multa está prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, nos seguintes termos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Portanto, o que justifica a duplicação da multa é a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, conforme definem os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/94, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I -da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI 4 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da redação desses dispositivos percebe-se que a qualificação da multa está diretamente ligada à conduta dolosa do contribuinte. Portanto, para decidir sobre a qualificação é preciso verificar não só a tendência da conduta num dos sentidos identificados nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, mas também se essa conduta foi dolosa (justificando a qualificação) ou culposa (afastando a qualificação). Como o dolo é elemento subjetivo, na maioria das vezes não é simples identificar a situação que justifica a qualificação. No caso de que se trata, a fiscalização não teve acesso aos livros contábeis do contribuinte (intimado, o contribuinte alegou não possuir livro diário, razão, caixa ou auxiliares). Porém, a partir da movimentação financeira requerida aos bancos, demonstrou a consistente prática do contribuinte em omitir receitas, parte provada por prova direta (diferença entre duplicatas descontadas e receitas declaradas), e parte por presunção legal (depósitos de origem não comprovada). O motivo declinado pela fiscalização para a qualificação da multa foi a reiteração da omissão de receitas. A conferir: “ A prática reiterada de omissão de rendimentos perpetrada pelo contribuinte, caracterizada por 1.137 depósitos bancários com origem não comprovada, equivalentes a 16,71 vezes a receita declarada, sobre os quais o contribuinte não apresentou qualquer justificativa, denota conduta, em tese, dolosa, consoante o disposto no art. 72 da Lei 4.502/64, (...)” Logo, entendo plenamente aplicáveis as Súmulas CARF nº 14 e nº 25, que enunciam: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64.” Isto posto, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de maio de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.001538/2006-34 Acórdão n.º 9101-001.363 CSRF-T1 Fl. 3 5 Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10831.013198/2004-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do Fato Gerador: 29/12/2004 Ementa: NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o Acórdão que deixe de analisar questão fundamental levantada na impugnação.
Numero da decisão: 3403-001.665
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o acórdão de primeira instância.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o Acórdão que deixe de analisar questão fundamental levantada na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o acórdão de primeira instância. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, e Domingos de Sá Filho. Relatório Fl. 315DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa a autuação a que se refere o presente processo sobre exigência do imposto de importação (fls. 1 a 4), do imposto sobre produtos industrializados (fls. 5 a 7), da contribuição para o PIS/Pasepimportação (fls. 8 a 10) e da COFINSimportação (fls. 11 a 13). Na descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 14 a 16), lavrado em 29/12/2004, narrase basicamente que: (a) em ato de conferência final de manifesto, efetuada nos termos dos arts. 51 e 589 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543, de 27/12/2002), com base no art. 39, § 1o do DecretoLei no 37/1966, apurouse o não armazenamento de cargas (5 volumes) informadas pelo autuado no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento (MANTRA), instituído pels IN SRF no 102/1994; (b) há presunção legal de entrada das referidas cargas no território aduaneiro, tendo ocorrido o fato gerador do imposto de importação, conforme o DecretoLei no 37/1966, art. 1o, § 2o, sendo cabível ainda a exigência da multa referida no art. 628, III, “d” do Regulamento Aduaneiro (106, II, “d” do DecretoLei no 37/1966); (c) há presunção legal de desembaraço, em relação ao IPI, ocorrendo também o fato gerador deste tributo, conforme a Lei no 4.502/1964, art. 2o, § 3o; (d) por presunção legal de entrada (Lei no 10.865/2004, art. 3o, § 1o), há ainda a ocorrência do fato gerador da contribuição para o PIS/Pasepimportação e da COFINSimportação; (e) tendo em vista a impossibilidade de identificação das mercadorias importadas e extraviadas, o cálculo foi efetuado com base no art. 67 da Lei no 10.833/2003; e (f) a autoridade aduaneira constatou em procedimento regular que a empresa autuada é responsável tributária pelo extravio. Cientificado em 30/12/2004 (fls. 1), o sujeito passivo da presente autuação apresentou impugnação tempestiva em 27/1/2005 (fls. 52 a 63), alegando, em suma, que: (a) o não armazenamento por parte da impugnante se refere a 5 volumes: Termo de entrada Data de entrada Peso Documento 990005372 8/2/1999 42,1 Kg MAWB 30755426873 e HAWB 45813935799 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10831.013198/200402 Acórdão n.º 3403001.665 S3C4T3 Fl. 2 3 990005372 7/4/1999 42,1 Kg MAWB 30755426873 e HAWB 42103280333 990005061 15/10/1999 20,2 Kg MAWB 30797059874 e HAWB 707886W7LXM1 990005061 15/10/1999 20,2 Kg MAWB 30797059874 e HAWB 707886W7LXM2 990005061 15/10/1999 20,2 Kg MAWB 30797059874 e HAWB 707886W7LXM3 (b) com relação à mercadoria declarada em 8/2/1999, a impugnante havia desmembrado a remessa em 2 pacotes sem notar a falta de um dos volumes, mas as informações relativas ao pacote constam de DREI, que permite a identificação e comprova o pagamento dos impostos incidentes (mesmo sobre o pacote faltante), cf. documentos de fls. 96 a 99; (c) com referência à carga declarada em 7/4/1999, a mercadoria está atualmente retida na Infraero (sob o termo de guarda 381/04), tendo a Infraero etiquetado de forma errada o volume, corretamente descrito pela impugnante, gerando um DSIC indevido, cf. documentos. de fls. 101 a 115; e (d) no tocante às cargas registradas em 5/10/1999, elas foram consolidadas em um único pacote, com 4 volumes, tendo a impugnante após a consolidação deixado de excluir 3 volumes do sistema, cf. documentos de fls. 117 a 183; (e) a autação é nula, por capitulação legal indevida, falta de precisão e clareza, no que se refere a fundamentação, determinação da data do fato gerador e cálculo de COFINS, e porque o art. 67 da Lei no 10.833/2003 viola o Acordo de Valoração Aduaneira; (f) no mérito, em relação ao imposto de importação, a única carga que efetivamente foi faltante é a chegada em 8/2/1999, e sobre tal carga foram pagos os tributos, mas não a multa por extravio, que, se cobrada, deveria ser calculada de acordo com a legislação vigente ao tempo da importação; (g) há isençaõ de IPI para remessas expressas; e (h) há inconstitucionalidade na Lei no 10.865/2004, art. 4o, II. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 Em 20/8/2009, a DRJ/São Paulo II (fls. 188) converte o processo em diligência para que se comprove o confronto do manifesto com os registros de descarga e para que se informe a motivação da desconsideração dos documentos apresentados pelo importador na valoração da mercadoria. O Relatório de Diligência, lavrado em 15/3/2011 (fls. 197 a 198), informa, sinteticamente, que o confronto do manifesto com os registros de descarga é exatamente o efetuado no MANTRA, com base no art. 21 da IN SRF no 102/1994, e que os documentos apresentados na impugnação não o foram quando das investigações que levaram à autuação, por isso, a matéria sequer foi analisada naquele momento, e que as alegadas incorreções não descaracterizam o manifesto, tendo em vista o disposto no art. 6o da mesma IN SRF no 102/1994. A autuada manifestase sobre o Relatório de Diligência em 27/4/2011 (fls. 237 a 240), reiterando a argumentação expedida na impugnação, com destaque para o enfoque de que a autuação não foi clara e fundamentada, e que, pelo princípio da verdade material, há que se considerar os argumentos e documentos anexados à intimação. O julgamento de primeira instância ocorre, então, em 24/11/2011, pela DRJ/São Paulo II (fls. 254 a 268), que conclui, em síntese, pela procedência da autuação, sustentando que: (a) com referência à carga declarada em 7/4/1999 (e chegada ao País em 4/2/1999), a autuada não atuou conforme o disposto no art. 4o da IN SRF no 102/1994, assumindo em decorrência disso a responsabilidade pelo extravio da carga; (b) também em relação à carga declarada em 8/2/1999, não foi feita qualquer ressalva no Sistema MANTRA, devendo a autuada assumir em decorrência a responsabilidade pelo extravio da carga; (c) não foi feita qualquer contestação em relação ao Manifesto 307 5542 6151 W8715994015; (d) no tocante às cargas registradas em 5/10/1999, a lógica arquitetada pelo legislador mais uma vez atribui a responsabilidade àquele que possuía a sua custódia e não procedeu à regular baixa, o autuado; e (e) os efeitos irradiados pelo art. 67 da Lei no 10.833/2003 inibem a aplicação do art. 7o da Lei no 4.502/1964, e do art. 4o da IN SRF no 57/1996. Cientificada da decisão de primeira instância (AR às fls. 273, com data de recebimento indicada como 12/12/2011), a autuada apresenta RECURSO VOLUNTÁRIO tempestivo em 10/1/2012 (fls. 282 a 310), reiterando a argumentação exposta na impugnação, e afirmando que: (a) o Acórdão do julgamento de primeira instância é nulo, visto que deixou de analisar matéria essencial à Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10831.013198/200402 Acórdão n.º 3403001.665 S3C4T3 Fl. 3 5 impugnação (fixação da base de cálculo do imposto de importação face ao Acordo de Valoração Aduaneira), e que a análise da matéria por este CARF implicaria supressão de instância: o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) integra a legislação tributária nacional, por força do art. 98 do CTN, estipulando a primazia do valor de transação na determinação da base de cálculo do imposto de importação, sendo que a medida prevista no § 1o do art. 67 da Lei no 10.833/2003 é inconstitucional e avessa ao CTN e ao AVA; (b) o auto de infração e o Acórdão do julgamento de primeira instância são nulos pela falta de fundamentação, em especial por violação aos incisos III e IV do art. 10 do Decreto no 70.235/1972; (c) o auto de infração e o Acórdão do julgamento de primeira instância são nulos por arrolarem legislação posterior aos supostos fatos geradores ocorridos em 1999, incorrendo em falha no motivo e na motivação do ato administrativo; (d) com referência à carga declarada em 7/4/1999 (e chegada ao País em 4/2/1999), não houve qualquer culpa da autuada, haja vista que houve erro de recepção pela Infraero; (e) em relação à carga declarada em 8/2/1999, todas as informações sobre o pacote constam da DREI, o que permite à RFB comprovar o pagamento do imposto, mesmo sobre o pacote faltante; (f) no tocante às cargas registradas em 5/10/1999, a autoridade julgadora de primeira instância desconsiderou causa comprovada de extinção da obrigação tributária; (g) também deixou de se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância sobre a inconstitucionalidade na Lei no 10.865/2004, art. 4o, II, e sobre os pagamentos efetuados em relação às cargas tidas como extraviadas; (h) todos os impostos exigíveis na importação foram pagos, não houve falta de mercadorias, e, no único caso que poderia ser considerado “falta de mercadoria” a recorrente já havia efetuado o pagamento do imposto de importação devido, restando apenas ser apurada a eventual multa na hipótese da mercadoria declarada em 8/2/1999, de acordo com a legislação vigente na data do fato gerador; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 (i) a exigência de IPI (isento por força do art. 7o da Lei no 4.502/1964) em relação à mercadoria faltante é ilegal e inconstitucional; (j) a contribuição para o PIS/Pasepimportação e a COFINSimportação são indevidas, tendo em vista que a lei instituidora é de 2004, enquanto que as mercadorias tidas como extraviadas ingressaram no País em 1999; (k) a Lei no 10.865/2004 é inconstitucional; e (l) houve erro de cálculo na autuação em relação à contribuição para o PIS/Pasepimportação e à COFINS importação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe manifestarse, já de plano, sobre as preliminares de nulidade levantadas pela recorrente, tecendose, a seguir, considerações julgadas relevantes sobre a substância das argumentações apresentadas no presente processo. Das preliminares de nulidade A recorrente aponta diversos tópicos ensejadores de nulidade da autuação e do Acórdão de primeira instância. O primeiro deles é referente à omissão no julgamento de primeira instância na análise de matéria essencial à impugnação (fixação da base de cálculo do imposto de importação face ao Acordo de Valoração Aduaneira), sustentando a recorrente ser a medida prevista no § 1o do art. 67 da Lei no 10.833/2003 inconstitucional e avessa ao CTN e ao AVA GATT. De fato, o julgador a quo não analisou a matéria. O § 1o do art. 67 da Lei no 10.833/2003 trata de situação em que não é possível identificar a mercadoria, para aplicarlhe as regras do GATT e do CTN, ou seja, complementa tais diplomas normativos. E, face à Súmula CARF no 2, não se aprecia no processo administrativo fiscal a constitucionalidade do citado dispositivo legal. Fosse isso dito pelo julgador de primeira instância, provavelmente não seria suscitada a nulidade. Ocorre que não o foi, e a apreciação do tema por este CARF diretamente poderia ensejar supressão de instância. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10831.013198/200402 Acórdão n.º 3403001.665 S3C4T3 Fl. 4 7 Afigurarseia, assim, motivo suficiente para a nulificação do Acórdão referente ao julgamento de primeira instância. Contudo, sigase na análise das outras preliminares, em observância à economia processual e à verdade material, e ainda considerando a eventualidade do disposto no § 3o do art. 59 do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 8.748/1993. O recurso voluntário apresenta ainda como causas de nulidade (da autuação e da decisão de primeira instância) a falta de fundamentação, em especial por violação aos incisos III e IV do art. 10 do Decreto no 70.235/1972; e o arrolamento de legislação posterior à ocorrência dos supostos fatos geradores ocorridos em 1999. Aqui se adverte que não se deve confundir falta de fundamentação com discordância em relação à fundamentação (que parece ser o caso dos autos). A fundamentação indicada (enquadramento e descrição dos fatos, em consonância com os incisos III e IV do art. 10 do Decreto no 70.235/1972), com motivo e motivação, corresponde efetivamente ao que consta tanto na autuação quanto na decisão exarada pela DRJ. O que se pode (e se deve) discutir nos presentes autos é se efetivamente tal fundamentação se aplica perfeitamente à situação fática apresentada. E isso já não é questão preliminar, mas de mérito (e será aqui somente delineado no tópico intitulado “da verdade material”). O arrolamento da legislação posterior a 1999 decorre da legislação adotada na autuação, referente a extravio, que aponta como fato gerador a data do respectivo lançamento, e não a data de chegada da mercadoria ao País. A discussão, repisese, também é de mérito, e não enseja nulidade alguma. Como derradeira causa de nulidade da decisão emanada do tribunal a quo, a recorrente suscita que também deixou de se manifestar a autoridade julgadora sobre a inconstitucionalidade na Lei no 10.865/2004, art. 4o, II, e sobre os pagamentos efetuados em relação às cargas tidas como extraviadas. Em relação à inconstitucionalidade, reiterese a menção à Súmula CARF no 2, que trata de vedação de apreciação do tema no processo administrativo fiscal. No que tange à falta de análise dos pagamentos efetuados, entendese tratar de mérito (que será também abordado perfunctoriamente no tópico adiante, referente à verdade material). Resta, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente so julgamento de primeira instância, pela preterição do direito de defesa (com fundamento no art. 59, II do Decreto no 70.235/1972). Objetivando diretamente a verdade material, mas ainda contemplando a economia processual, o contraditório, a eficiência e a razoável duração do processo, passase a objetivar considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no § 2o do art. 59 do Decreto no 70.235/1972. Da verdade material A autuação tem por enquadramentos legais para exigência dos tributos e multas o DecretoLei no 37/1966, art. 1o, § 2o, e art. 106, II, “d”; a Lei no 4.502/1964, art. 2o, § 3o; e a Lei no 10.865/2004, art. 3o, § 1o. Afora o art. 106, II, “d” do DecretoLei no 37/1966, todos os dispositivos legais possuem algo em comum: espelham presunções. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN 8 Para o imposto de importação, para a contribuição para o PIS/Pasep importação e para a COFINSimportação, existe presunção legal de entrada no território aduaneiro da mercadoria extraviada (faltante), para efeito de ocorrência do fato gerador. Para o IPI, presunção de desembaraço, pelos mesmos motivos. Optou o legislador, no Brasil, a exemplo de outros países, por entender a mercadoria faltante como introduzida irregularmente na economia nacional. Daí a escolha da data do lançamento como fato gerador e não a efetiva entrada no País: primeiro, porque não se sabe se a mercadoria efetivamente entrou (caso se comprove por meios idôneos que ela não entrou, elidida está a presunção), e segundo, porque é nessa data (a do lançamento), e não na chegada do meio de transporte que teoricamente conduzia a mercadoria, que toma contorno jurídico a introdução irregular na economia nacional. Disso decorrem preliminarmente duas conclusões: (a) o fato gerador de todos os tributos citados, nos casos de extravio, é a data do lançamento efetuado pela autoridade competente; e (b) a presunção de entrada (imposto de importação, PIS/Pasepimportação e COFINSimportação) ou desembaraço (IPI) não pode se sobrepor a uma comprovada realidade fática de que efetivamente a elida. Nos presente autos, vêse que a recorrente buscou comprovar que: (a) a mercadoria declarada em 8/2/1999, embora faltante, constou de DREI, na qual foi identificada e valorada, tendo o imposto de importação sido pago inclusive em relação à parte faltante (o que permite o cálculo da multa prevista no DecretoLei no 37/1966, art. 106, II, “d” sem a invocação do art. 67 da Lei no 10.833/2003); (b) a mercadoria declarada em 7/4/1999 está atualmente retida na Infraero (e, portanto não foi extraviada); e (c) as mercadorias declaradas em 5/10/1999 foram consolidadas em um único pacote, tendo sido despachadas para consumo, com pagamento dos tributos devidos. Se procedentes as argumentações da recorrente, ocorreu extravio tãosomente no primeiro caso, sendo os demais casos referentes não a extravio, mas a inserção incorreta de dados no sistema MANTRA. O registro irregular de dados no MANTRA, ou em qualquer outro sistema, pode (e deve) dar ensejo a penalidades, para que os operadores melhorem a qualidade de seu trabalho e a Aduana possa efetuar melhor gestão de risco. Contudo, o registro irregular, por si somente, se comprovada pelo sujeito passivo a não ocorrência da situação ensejadora da exigibilidade (no caso, o extravio), não pode constituir fato gerador de tributos, sob pena de contrariar o próprio conceito de tributo estabelecido no art. 3o do CTN (“prestação pecuniária ... que não constitua sanção de ato ilícito...”). É preciso esclarecer que não se está aqui afirmando que os registros de não armazenamento no MANTRA demandam para sua validade e produção de efeitos a confirmação fática do extravio. Pelo contrário, o registro de não armazenamento no sistema Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10831.013198/200402 Acórdão n.º 3403001.665 S3C4T3 Fl. 5 9 presume o extravio, incumbindo ao responsável apontado pela autoridade aduaneira (no lançamento) a prova da não existência do extravio, elidindo a presunção. É essa prova que se entende que a recorrente buscou fazer. Assim, em pura manifestação da verdade material, entendese que também a análise fática deve ser levada a cabo no julgamento de primeira instância (se necessário, com nova diligência). É preciso que se esclareça se: (a) a mercadoria declarada em 8/2/1999 (fls. 96) corresponde à despachada para consumo na DREI de fls. 97 a 99, e se nesta DREI houve efetivamente pagamento de tributo (há menção na lateral do documento à IN SRF no 82/1996, e não consta DARF); (b) a mercadoria declarada em 7/4/1999 (fls. 103) corresponde à retida pela pelo TG 381/04 (mencionado às fls. 101); e (c) as mercadorias declaradas em 5/10/1999 correspondem às despachadas para consumo na DREI de fls. 120 e ss.), e se foram pagos os tributos devidos na importação. Em suma, é preciso saber se na autuação não se atenta contra a realidade: (a) exigindo tributo de mercadoria já despachada para consumo com tributos pagos; ou (b) tratando como carga extraviada a mercadoria que ainda está em depósito, apreendida, à disposição da fiscalização. Entendese que a resposta a essas questões, além daquelas levantadas pela recorrente (então impugnante) são imprescindíveis para o prosseguimento e a solução do processo. Assim, declarase a nulidade do Acórdão 1755.560, da 1a Turma da DRJ/SPO2, exarado no presente processo (e as peças processuais que lhe sucedem), devendo o órgão julgador de primeira instância reanalisar a impugnação apresentada à autuação, manifestandose sobre todos os argumentos levantados, e contemplando (se necessário, com a determinação de novas diligências) as considerações sobre verdade material aqui esposadas. Rosaldo Trevisan Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN 10 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10932.000794/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Previdenciária
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DOS EMPREGADOS E NÃO
RECOLHIDAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PROVAS. PERÍCIA
CONTÁBIL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS TERMOS DO
ART. 16, INC. IV DO DECRETO Nº 70.235/72. DOCUMENTOS
IMPRESCINDÍVEIS NA NFLD. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS
PENAIS. POSSIBILIDADE. LAVRATURA DE DOCUMENTO FISCAL
FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE.
LEGITIMIDADE. ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA
DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
CÁLCULO EM SEPARADO SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO.
LEGITIMIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
MULTA DE MORA
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias,
descontadas dos empregados segurados, em época própria. Sobre a
remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição
previdenciária, inclusive em relação à contribuições arrecadas dos
empregados e não recolhidas.
A apresentação de provas, no contencioso administrativo previdenciário,
deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito
de fazêlo
em outro momento, salvo nas hipóteses do art. 16, inc. IV do
Decreto nº 70.235/72.
O lançamento encontrase
revestido de todas as formalidades exigidas por lei,
dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre
outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de
relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o
pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de
Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público
irá instaurar o procedimento criminal.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a
infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao
exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação
profissional de contador.
A partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o
cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo
terceiro salário (gratificação natalina).
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente
pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter
irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se
refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova
redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei
nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS TERMOS DO ART. 16, INC. IV DO DECRETO Nº 70.235/72. DOCUMENTOS IMPRESCINDÍVEIS NA NFLD. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. POSSIBILIDADE. LAVRATURA DE DOCUMENTO FISCAL FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE. ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CÁLCULO EM SEPARADO SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. LEGITIMIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias, descontadas dos empregados segurados, em época própria. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição previdenciária, inclusive em relação à contribuições arrecadas dos empregados e não recolhidas. A apresentação de provas, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, salvo nas hipóteses do art. 16, inc. IV do Decreto nº 70.235/72. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público irá instaurar o procedimento criminal. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina). O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 2 3 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PRODUSA INDUSTRIAL LTDA em face de decisão que julgou procedente o lançamento de débito referente ao período 01/2003 a 01/2007. 2. Narra o relatório fiscal que a recorrente teria, em tese, deixado de repassar à Previdência Social as contribuições descontadas de pagamentos efetuados a empregados segurados. “1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados. 1.1 A situação acima descrita, em tese, configura o ilícito previsto no Decreto Lei n 2.848/40 Código Penal, art. 168A, parágrafo 1º, inciso I, cm redação da Lei nº 9.98/2000 (apropriação indébita previdenciária), motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. (...) 3. Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento de débito ocorreram com o pagamento das remunerações a segurados empregados, sendo os descontos verificados pela fiscalização através das folhas de pagamento e da Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP.” 3. Diante da autuação, a recorrente apresentou impugnação tempestiva e a ementa do julgamento de primeira instância restou posta nos termos que ora transcrevo: “SEGURADO EMPREGADO – Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição previdenciária. A empresa está obrigada a arrecadar e recolher essa contribuição, descontandoa da respectiva remuneração. FORMALIDADES LEGAIS – A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo disso lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. REPRESENTAÇÃO FICAL PARA FINS PENAIS – É dever legal do auditorfiscal, sob pena de incorre em contravenção penal comunicar ao Ministério Público a ocorrência do ilícito que configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, para que este promova ou não a Ação Penal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ARRECADAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E DECLARADAS EM GFIP – as informações constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive em relação à contribuições arrecadadas dos empregados e não recolhidas em época própria. NOTIFICAÇÃO LAVRADA FORA DO ESTABELECIMENTO DA EMPRESA – é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula nº 7 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – Definidas em Lei, ou em ato legislativo com força de Lei, as atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, e inexistindo quaisquer determinações acerca da formação específica e/ou registro em Conselho Regional para fins de regular exercício profissional, não subsiste qualquer alegação de nulidade dos lançamentos, formalizados pelos agentes fiscais, no regular exercício de sua competência funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUEMNTOS – A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PERÍCIA CONTÁBIL – Indeferese o pedido de perícia para comprovar mesma matéria que já foi objeto de auditoria pela Fiscalização da RFB. ACRÉSCIMOS LEGAIS – São devidos os juros e a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso. TAXA SELIC – Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS que estejam em atraso incidem juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC de caráter irrelevável (art. 34 da Lei nº 8.212/91) DÉCIMO TERCEIRO – O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCOSNTITUCIONALIDADE DE LEI NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não cabendo apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de legislação em vigor. Lançamento procedente.” 4. Buscando a reforma do acórdão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) que o crime de apropriação indébita previdenciária é um crime material e não meramente formal assim, é incabível e ilegal a representação fiscal para fins penais enquanto o procedimento administrativo tributário não for encerrado; b) preliminarmente, a nulidade do lançamento pois alega que não foram juntados aos autos os TIADS mencionados no relatório fiscal, documentos que entende imprescindíveis para comprovar a veracidade das alegações do fisco, sendo assim, considera que o princípio da ampla defesa foi prejudicado; c) que deve ser declarada a perda de eficácia do auto de infração, pois o auditorfiscal que o lavrou é incompetente. Tendo em vista que ele não é diplomado como bacharel em ciências contábeis tampouco está registrado como contador no Conselho Regional de Contabilidade – CRC; d) aduz que o auto de infração não tem eficácia pois foi lavrado fora do estabelecimento da autuada; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 3 5 e) nulidade do lançamento, requerendo perícia contábil dos livros e documentos examinados pelo auditor fiscal por profissional devidamente habilitado com a possibilidade de indicação de assistente técnico; f) argumenta que, como a gratificação natalina integra o salário, não deveria as contribuições previdenciárias incidentes sobre tal parcela do salário serem calculadas mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas previstas para os saláriosdecontribuição. g) que a multa de mora aplicada pelo fisco (24%) é exorbitante, sendo assim busca que sejam consideradas, analogicamente, regras do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor para diminuir o percentual da penalidade ou excluíla. h) que os juros e a multa de mora incidem apenas sobre o valor da obrigação descumprida (valor das contribuições) e a partir da inscrição da dívida, ademais o montante da penalidade deve ser limitada a 20%; i) considera inadmissível a correção monetária incidente sobre a multa e os juros, pois entende cabível somente o cálculo sobre o débito original levantado; 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES Do pedido de perícia 2. O requerimento de perícia nos autos deve ser feita no momento da impugnação. Para que sejam afastados indícios de função meramente protelatória do pedido é necessário que o contribuinte cumpra os requisitos que estão expressos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. “Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993).” (grifei) 3. Cumpre mencionar que um dos argumentos do contribuinte para pedir nova perícia, fundase no fato do auditor fiscal que procedeu à lavratura do auto de infração, não ter habilitação no Conselho Regional de Contabilidade. Acontece que como foi exposto em tópico específico, esse argumento não prospera, por consequência, os motivos para uma nova perícia nos documentos analisados pelo fisco não subsistem. 4. Dessa forma, entendo que razão não assiste ao contribuinte, quanto ao pedido de perícia, tendo em vista os motivos supra aduzidos e por ter constatado que não foram cumpridos os requisitos expressos no inciso IV do Decreto 7.235/72. Da improcedência da nulidade por falta de documentos 5. Preliminarmente aduz o contribuinte que não foram juntados aos autos os TIADS mencionadas no relatório fiscal, tampouco foi devidamente emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. 6. Entretanto o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. 7. Compulsando os autos depreendese que existem TIADS juntados aos autos que solicitam ao contribuinte a apresentação de documentos tais como, livro diário, livro razão, plano de contas, comprovantes de recolhimento, folhas de pagamento de todos os segurados dentre outros, ff. 37 e 38. 8. No tocante ao MPF, ao contrário do que sustenta a recorrente este foi devidamente emitido pelo auditor fiscal, bem como lhe foi dado ciência ao contribuinte, conforme f. 33. 9. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada pelo contribuinte, pois não merece prosperar o argumento da recorrente, tendo em vista que os documentos suscitados pela recorrente como indispensáveis para o exercício do contraditório e da ampla defesa constam nos autos da NFLD. Do cabimento da representação fiscal para fins penais 10. Ainda em sede de preliminar, a recorrente pugna pela nulidade da representação fiscal nº 10932.000805/200771, pois entende que não é cabível o encaminhamento da Representação Fiscal para fins penais, tendo em vista que “o prévio esgotamento da via administrativa constitui condição de procedibilidade para a ação penal, sem Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 4 7 o que não se vislumbra justa causa para a expedição de representação fiscal para fins penais, bem como instauração de inquérito policial e, principalmente, ação penal, já que o suposto crédito fiscal ainda pende de lançamento definitivo, impedindo a configuração do delito” f. 175. 11. Sustenta a recorrente que o crime de apropriação indébita tributária é um crime material, sendo assim exige para sua consumação a ocorrência de resultado naturalístico, consistente em dano para a Previdência que somente ficaria caracterizado, com o fim do processo administrativo. 12. No entanto não há como dar razão ao contribuinte tendo em vista que os atos administrativos são, por natureza, estritamente vinculados ao cumprimento da lei, e por essa razão não se pode ignorar o fato de que o auditorfiscal ao lavrar a notificação fiscal com fins penais estava cumprindo obrigação prevista no art. 116 da Lei nº 8.112/90, que rege a atuação do funcionário público federal. “Art. 116 – são deveres do servidor: (...) VI – levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver conhecimento em razão do cargo.” 13. Assim se o agente público não informasse à autoridade competente sobre o que teve conhecimento durante a auditoria, poderia incorrer em omissão de comunicação de crime como previsto no art. 66 do DecretoLei nº 3.688 de 01 de outubro de 1941 (Lei de Contravenções Penais) “Omissão de Comunicação de Crime Art. 66 – deixar de comunicar a autoridade competente: I – crime de ação penal pública, de que teve conhecimento no exercício da função pública, desde que a ação penal não dependa de representação.” 14. Destaquese que esse conselho já exarou entendimento compatível com a inafastabilidade da obrigação do auditorfiscal em lavrar o relatório de representação com fins penais. “APROPRIAÇAO INDÉBITA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATIVIDADE VINCULADA. RECOLHIMENTO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. O recolhimento dos valores descontados dos segurados não implica na extinção da punibilidade do contribuinte. A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público irá instaurar o procedimento criminal. Os recolhimentos existentes no curso do processo administrativo deverão ser aproveitados pela autoridade administrativa, não extinguindo a punibilidade do contribuinte, matéria afeta ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido.” (grifei) (Processo nº 35403.00534/200410, recurso nº 142.532, acórdão nº 20500.473, Data: 08 de abril de 2008, Relatora: Liege Lacroix Thomasi) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 “CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição ;de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI , OU ATO NORMATIVO. autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO SOBRE PROCEDÊNCIA. Não é competência dos órgãos de julgamento administrativo decidir sobre procedência de Representação Fiscal para Fins Penais. ARROLAMENTO DE BENS. REQUISITO PARA ADMISSÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE. A exigência do arrolamento de bens no valor de trinta por cento da exigência fiscal como condição de admissibilidade do recurso em processo administrativo fiscal foi declarada inconstitucional pelo STF em sede de controle concentrado. Recurso Voluntário Provido em Parte. (...) malgrado o auditor fiscal tenha mencionado no relatório a suposta ocorrência de ilícito penal pela omissão de fatos geradores de contribuição social em GFIP, esta matéria é estranha ao lançamento tributário, portanto, à lide que ora se julga não cabendo a este órgão de julgamento administrativo enveredar por esta seara. Cabe ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal publica, posicionarse sobre a procedência ou não da Representação encaminhada pelo agente tributário.”(grifei) (Processo: 17460.000859/200789, Recurso nº 159.136, Acórdão 296 00.105, Data: 10 de fevereiro de 2009, Relator: Elias Sampaio Freire) 15. Dessa forma, entendo que não prospera o argumento da recorrente, pois tratase de mero encaminhamento de documento às autoridades competentes para averiguarem os fatos trazidos pelo auditorfiscal. Da eficácia do auto de infração lavrado fora do estabelecimento do contribuinte 16. Não encontra guarida o argumento do contribuinte de que a lavratura do auto de infração deveria ter sido feito no estabelecimento da empresa, sob pena de ineficácia e invalidade da peça básica do processo administrativo fiscal (f. 176), pois entendo que tal fato não invalida o ato administrativo. 17. No que tange à alegação da empresa, insta mencionar que este Conselho, atualmente, possui entendimento pacificado no sentido de que é legítima a lavratura do auto de infração ainda que seja realizado fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula nº 6 do CARF). 18. Assim, cumpre destacar julgado recente que evidencia como vem decidindo o Conselho ao enfrentar o tema. “AUTO DE INFRAÇÃO Constitui infração deixar de inscrever segurado empregado. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 5 9 HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O local da verificação da falta expresso no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento físico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizálo. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.Súmula n.º 6 do CARF. Recurso Voluntário Negado. (Processo nº 15196.000006/200799, Recurso nº 260.205, Acórdão nº 230200.883 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, Relatora: Liege Lacroix Thomasi, 15 de março de 2011)” (grifei) Da validade do auto de infração lavrado por agente fiscal não habilitado como contador 19. Em sua defesa o recorrente alega que o auto de infração não tem eficácia, tendo em vista o fato dele ter sido lavrado por auditor fiscal, não habilitado no Conselho Regional de Contabilidade como contador. 20. Acrescenta que “a habilitação no CRC como contador é requisito pleno e essencial para a validade do procedimento administrativofiscal fundado em exame de escrita ou revisão contábil falada. Faltando a habilitação legal, o agente estará exercendo ilegalmente tarefa privativa de profissão regulamentada por federal”. 21. A jurisprudência atual do Carf não referenda os argumentos trazidos pelo contribuinte. O órgão tem já tem entendimento sumulado a respeito da legitimidade da conduta do auditor: “Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” 22. Superada essa questão, passamos a demonstrar que a Lei 10.593/2002, a qual regulamenta as atribuições do Auditor Fiscal, não prevê como requisito específico para o exercício do cargo, formação acadêmica de contador, tampouco registro em órgão da categoria (CRC). “Lei nº 10.593, de 6 de Dezembro de 2002 Art. 2º Os cargos de Auditor Fiscal da Receita Federal, de Técnico da Receita Federal, de Auditor Fiscal da Previdência Social e de Auditor Fiscal do Trabalho são agrupados em classes, A, B e Especial, compreendendo, a primeira, cinco padrões, e, as duas últimas, quatro padrões, na forma dos Anexos I e II. (grifei) Art. 3º O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 ou habilitação legal equivalente. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) §1º O concurso referido no caput poderá ser realizado por áreas de especialização. (...) Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; (...).” (grifei) 23. Destaco que já houveram, nesse Conselho, vários julgamentos sobre a questão levantada pela recorrente e todos reconhecem a competência do Auditor Fiscal, para lavratura de auto de infração independentemente de título de contador. Transcrevo, a seguir, ementa e trecho de julgamento recente do CARF que corroboram tal afirmativa. “ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL. DESNECESSIDADE. É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 6 11 passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. Da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. (...) A julgar pelo entendimento do Recorrente, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federa do Brasil, além de ter formação acadêmica em contabilidade, teria concomitantemente que ter habilitação em Direito, pois interpreta e aplica leis, decretos, regulamentos, etc.; Formação em engenharia, pois analisa obras de construção civil, aplica o método CUB em aferição indireta, etc.; Formação em Tecnologia da Informação, pois opera com computadores, identifica, extrai e analisa dados essenciais armazenados em arquivos e mídias digitais; Formação em comércio exterior, dada às suas atribuições de controle aduaneiro e classificação de mercadorias; Formação em matemática, pois a realização de cálculos, equacionamentos e resolução de problemas aritméticos fazem para do seu cotidiano; Formação em letras, eis que a redação de relatórios, a solução de consultas e a lavra de decisões de natureza tributária constituemse prerrogativas do seu cargo; Formação em psicologia, para entender o animus de certas razões recursais, dentre outras. Por esses e tantos outros motivos, não assiste razão ao Recorrente quanto a sua alegação de ilegitimidade do Auditor Fiscal.” (grifei) (Processo nº 17546.000827/200733, Recurso nº 258.362, Acórdão nº 230201.099 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Relator: Arlindo da Costa e Silva). 24. Além disso, cumpre ressaltar que o decisum recorrido encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do acórdão vergastado. DO MÉRITO Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 DO CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO 25. Não há o que se discutir quanto a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina), uma vez que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a incidência de contribuições previdenciárias sobre a referida rubrica, ainda que recolhidas e não repassadas à Previdência. 26. O Pretório Excelso, inclusive, reconheceu o tema como Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 593.068.8 – Santa Catarina. Como o entendimento foi pacificado na Corte, editouse Súmula para não dar margem a qualquer controvérsia. “Súmula 688. É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário.” 27. No que tange a forma de cálculo da contribuição previdenciária sobre o décimoterceiro a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil, nº 971, de 13 de novembro de 2009 e o parágrafo 7º do artigo 37 do Decreto nº 612/92, assim determinam: “Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 95. A contribuição social previdenciária dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, incidente sobre o décimo terceiro salário, é calculada em separado da remuneração do mês, conforme disposto no § 2º do art. 7º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, mediante a aplicação da alíquota de 8% (oito por cento), 9% (nove por cento) ou 11% (onze por cento), de acordo com a faixa salarial constante da tabela publicada periodicamente pelo MPS, observados os limites mínimo e máximo do saláriodecontribuição e o disposto no art. 63 e no inciso I do § 2º e no § 4º do art. 78. Decreto nº 612 de 1992 Art. 37. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 6º A gratificação natalina décimoterceiro salário integra o saláriodecontribuição, sendo devida a contribuição quando do pagamento ou crédito da última parcela, ou na rescisão do contrato de trabalho. § 7º A contribuição de que trata o § 6º incidirá sobre o valor bruto da gratificação, sem compensação dos adiantamentos pagos, mediante aplicação, em separado, da tabela de que trata o art. 22 e observadas as normas estabelecidas pelo INSS.” (grifei) 28. O recorrente aduz que a contribuição previdenciária incidente sobre a gratificação natalina, calculada mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas para os saláriosdecontribuição é ilegal. Para corroborar sua alegação a empresa baseiase em julgados do Superior Tribunal de Justiça, nos quais o Tribunal entendia ser ilegal o referido cálculo. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 7 13 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 105, INCISO III, ALÍNEA “A”, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. GRATIFICAÇÃO NATALINA (13º SALÁRIO) – ARTIGO 28, § 7º DA LEI N. 8.212/91. FORMA DE CÁLCULO DETERMINADA PELO DECRETO 612/92. ILEGALIDADE. PODER REGULAMENTAR. LIMITES. REPETIÇÃO. ARTIGO 39, § 40, DA LEI 9.25095. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DESDE O RECOLHIMENTO DEVIDO. Se a Lei 8.212/91 contém previsão diversa para cálculo da contribuição social incidente sobre o 13º salário, não poderia o Decreto n. 612/92, sob pena de ultrapassar as divisas do poder regulamentar, determinar a incidência em separado da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina, mediante a aplicação das alíquotas previstas na tabela a que se refere o artigo 22 do mencionado decreto. “Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o executivo” (Hely Lopes Meirelles, in “Direito Administrativo Brasileiro”. São Paulo: Malheiros Editores, 2001, 26º edição, p. 171)”. (grifei) (STJ – 2ª Turma Resp 333248, processo nº 200100880357/PR, DJ 31/03/2003, p. 194, Ministro Franciulli Neto). 29. No entanto, após pesquisa jurisprudencial no Superior Tribunal de Justiça, verificouse que houve uma mudança de entendimento do tribunal a respeito do assunto. Existem diversos julgados da Corte que já reconhecem a legitimidade do “cálculo em separado” sobre o décimo terceiro salário. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. GRATIFICAÇÃO NATALINA. EXTENSÃO DE DECRETO REGULAMENTADOR. LEI Nº 8.212/91. DECRETO N 612/92. LEI Nº 8.620/93. 1. O regulamento não pode estender a incidência ou forma de cálculo de contribuição sobre parcela de que não cogitou a lei. Deve restringirse ao fim precípuo de facilitar a aplicação e execução da lei que regulamenta. 2. No período anterior à Lei n 8.620/93, o Decreto n 612/92 (art. 37, § 7º), ao regulamentar o art. 28, § 7º, da Lei nº 8.212/91, extrapolou sua competência ao determinar que a contribuição incidente sobre a gratificação natalina deva ser calculada mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas prevista para os saláriosde contribuição. Precedentes. 3. Entretanto, com o advento da Lei nº 8.620/93, a tributação em separado da gratificação natalina galgou status legal, nos termos do art. 7º, § 2º, desse diploma normativo. 4. Recursos especiais improvidos.” (grifei) Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 (REsp 415604/PR; Relator Ministro Castro Meira, Data do Julgamento: 05/10/2004; Data da Publicação: DJ 16.11.2004, p. 227) 30. Insta mencionar ainda, julgamento do Ministro Teori Albino Zavascki em 2007, que descreve exatamente a mudança de entendimento do STJ. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. CÁLCULO EM SEPARADO. 1. Segundo entendimento do STJ, era indevido, no período da vigência da Lei 8.212/91, o cálculo em separado da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina em relação ao salário do mês de dezembro. Todavia, a Lei nº 8.620/93 estabeleceu expressamente essa forma de cálculo em separado, que, portanto, passou a ser legítima a partir da sua vigência. 2. Embargos de divergência a que se nega provimento”. (grifei) (STJ – Primeira Seção, EResp 442781 PR 2006/01951203, Julgamento: 13/11/2007, DJ 10/11/2007, p. 278, Ministro Teori Albino Zavascki) 31. Nesse sentido, a Turma Recursal do Juizado Especial Federal Cível da Seção Judiciária do Estado da Bahia editou a Súmula nº 09, na qual estabelece que “a partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina)”. 32. Como se pode observar o entendimento de vários Tribunais é de que a aplicação do parágrafo 7º do artigo 37 do Decreto nº 612 é perfeitamente válida, até mesmo porque a sua aplicação evita a exclusão de uma das fontes de custeio para o benefício da gratificação natalina dos aposentados e pensionistas. Tendo em vista que, de fato, a Previdência, no mês de dezembro, lhes paga, o provento do mês e mais a gratificação natalina, justificando, deste modo, a incidência sobre o décimo terceiro em separado dos contribuintes. 33. Além disso, acredito ter sido esse o meio encontrado pelo legislador para preservar o equilíbrio econômico e financeiro do sistema da seguridade social, bem como manter a isonomia dos contribuintes segurados. 34. Observese que somente o cálculo em separado viabiliza que, aqueles segurados que contribuem pelo teto do saláriodecontribuição acabem contribuindo, também, com o seu 13º salário. A forma preconizada pela recorrente implica em “isenção” de incidência da contribuição para estes e acarreta violação do princípio da isonomia entre os empregados que contribuem com o mínimo e os que o fazem pelo teto. 35. Passamos a expor o que foi dito de forma matemática para que fique claro. A seguir a tabela de contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, para pagamento de remuneração a partir de 1º de Janeiro de 2012, atualizada pela Portaria nº 02, de 06 de janeiro de 2012. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 8 15 36. Vejamos que considerando o atual teto do saláriodecontribuição, o segurado empregado que ganha R$ 3.916,20 reais mensais contribui com uma alíquota de 11% para a Previdência Social, ou seja, R$ 430,78 (quatrocentos e trinta reais e setenta e oito centavos). No mês de dezembro o mesmo segurado, contribui com R$ 430,78 referente ao seu salário e mais a mesma quantia referente ao seu décimoterceiro salário, totalizando R$861,56 (oitocentos e sessenta e um reais e cinquenta e seis centavos), nisto se resume o cálculo em separado. 37. Considerando o argumento da recorrente, os valores do salário mensal e da gratificação natalina seriam somados e sobre o total, incidiriam a porcentagem da contribuição. No caso do segurado que contribui pelo teto, esse não recolheria à Previdência R$ 861,56 e sim, somente R$ 430,78 (invariáveis 11% do teto). 38. Já no caso de um trabalhador que contribui com o saláriode contribuição de um salário mínimo, atualmente R$ 622,00 (seiscentos e vinte e dois reais), sobre o qual incide a alíquota de 8%. No mês de dezembro ele contribui com R$49,76 (quarenta e nove reais e setenta e seis centavos) referente à remuneração mensal, mais a mesma quantia referente ao décimo terceiro, totalizando R$ 99,52 (noventa e nove reais e cinquenta e dois centavos). 39. Ocorre que no caso do trabalhador que contribui com o mínimo, adotada a tese da recorrente, este não pagará contribuição com um valor menor, como ocorre no caso do trabalhador que contribui com o teto, pelo contrário, pagará um valor maior do que se os valores (remuneração e décimoterceiro) fossem calculados separadamente. 40. Se adotados os argumentos da recorrente, o trabalhador de baixa renda, remunerado com apenas um saláriomínimo, contribuiria com R$ 111,96 (cento e onze reais e noventa e seis centavos), já que sobre a soma dos valores incide a alíquota de 9%, ou seja, R$12,44 (doze reais e quarenta centavos) a mais no mês de dezembro, ao passo que o contribuinte que ganha o teto do salário de contribuição não arcará com os valores referentes ao 13º salário. 41. Dessa forma, a tese do recorrente não prospera pois entendo que o cálculo em separado é a única forma de fazer incidir contribuição previdenciária na gratificação natalina dos segurados que recolhem pelo teto, ou seja, a forma encontrada pelo legislador para não restar violado o principio da isonomia entre os contribuintes. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 42. Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 43. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 44. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. 45. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por Fl. 16DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 9 17 cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (g.n.) (grifei) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) 46. E quanto às alegações de multa confiscatória, devese concluir que não possuem fundamento, pois o valor da multa não corresponde ao valor da contribuição. Tal constatação pode ser alcançada pela leitura da discriminação dos valores realizadas pelo agente fiscal no auto de infração. Assim, tendo atendido à determinação legal e não sendo equivalente à totalidade do débito, não há que se falar em caráter confiscatório da multa. DA MULTA APLICADA 47. Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 48. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 48. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” (grifei) 49. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 50. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vem se sedimentando no sentido de que os juros de mora constituem matéria de ordem pública, de forma que sua aplicação, alteração de cálculo, ou modificação do termo inicial – de ofício – não configuram reformatio in pejus (reforma para piorar a situação de quem recorre), nem dependem de pedido das partes. (AgRg no Ag 1.114.664RJ, DJe 15/12/2010. EDcl nos EDcl Fl. 17DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 no REsp 998.935DF, Rel. Min. Vasco Della Giustina, Desembargador convocado do TJRS, julgado em 22/2/2011). 51. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 52. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se essa for mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 18DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10715.001487/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. A falta de instrução do processo de auto de infração com os documentos que comprovam a efetiva ocorrência da infração identificada pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil importa na insubsistência da autuação.
Numero da decisão: 3102-001.357
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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INSTRUÇÃO PROCESSUAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. A falta de instrução do processo de auto de infração com os documentos que comprovam a efetiva ocorrência da infração identificada pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil importa na insubsistência da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 28/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 O presente processo trata da exigência do valor de R$ 125.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11, referente à imposição da multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, regulamentada nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas, em 1994 e 2005, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, as autoridades lançadoras, ao verificar o cumprimento da obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, constataram que a contribuinte acima identificada deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque referentes ao transporte internacional realizados no mês de agosto de 2006, iniciado no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “Auto de Infração nº 0717700/00111/10”, parte integrante do respectivo auto de infração, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. A contribuinte apresentou, às fls. 14 a 18, impugnação administrativa, por discordar da exigência à qual foi intimada. Na referida peça de defesa, a autuada alega em preliminar que o auto de infração em apreço foi lavrado “com total carência de informações que possam relacionar as Declarações de Exportações (DEs) nele referidas, com os respectivos conhecimentos aéreos (AWBs)”, o que impõe sua nulidade, “uma vez que dificulta, ou impede completamente, a defesa da Impugnante”. No mérito, aduz que (i) autuação discrepa da norma reguladora da espécie, posto que a locução “deve prestar”, contida no artigo 37 do Decretolei 37/1966, modificado pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, constitui mera recomendação ao transportador, não subsumindo suposto desatendimento à multa aplicada; (ii) a autuação não esclarece quais são os conhecimentos aéreos a que se referem às diversas declarações de exportação objeto da apuração realizada; (iii) jamais deixou de prestar as informações pertinentes aos embarques às autoridades aduaneiras, pois de outra forma não teria ocorrido o desembaraço, muito menos o embarque das referidas mercadorias; (iv) em atendimento à recomendação legal, imediatamente disponibilizou às autoridades aduaneiras dossiê contendo os conhecimentos aéreos, manifestos do vôo e demais documentos pertinentes à carga, o que causa estranheza à firmação contida na peça acusatória; (v) a rigor não há fato gerador para as multas aplicadas no presente auto de infração, pois o fato gerador de qualquer penalidade é o descumprimento de obrigação legal, e não de mera recomendação, como é o caso dos autos; e (vi) traz à colação excerto jurisprudencial que trata da nulidade do lançamento por vício formal. Nesse sentido, requer seja declarado nulo o auto de infração, a fim de ver cancelada a multa exigida. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DE FATO E DE DIREITO. INOCORRÊNCIA Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.001487/201025 Acórdão n.º 310201.357 S3C1T2 Fl. 2 3 É descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação de fato e de direito, quando se constata que todos os fatos e bases legais indispensáveis à compreensão do feito fiscal e à sua validação estão presentes no auto de infração e no demonstrativo que o acompanha. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento da obrigação de prestar à Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas é punível por embarque no veículo transportador, cuja data a ser considerada, segundo a legislação de regência, é a do vôo, no caso de transporte aéreo internacional. NÚMERO DA DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO OBRIGATÓRIA. CONHECIMENTO DE CARGA. TRANSPORTADOR. É defeso ao transportador aéreo alegar desconhecer o número atribuído à declaração para despacho de exportação uma vez que referida informação deve obrigatoriamente constar em todos os documentos que instruem o despacho, em especial no conhecimento e no manifesto de carga. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. As penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui natureza objetiva, cuja sanção objetiva disciplinar seu cumprimento tempestivo, por parte dos transportadores e seus representantes. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A recorrente alega preterição ao direito de defesa pela ausência de informações no auto de infração com vistas à comprovação da ocorrência da infração, assim como por não ter sido indicado os números das Declarações de Exportação relacionadas com os respectivos conhecimentos aéreos – AWB. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Examinando a instrução processual até a folha 16, onde encontrase a primeira folha da impugnação ao lançamento, percebese que a autoridade fiscal deixou, de fato, de anexar ao auto de infração qualquer documento que demonstrasse a efetiva ocorrência do atraso na prestação de informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil. É provável que a constatação de que as informações foram prestadas pela contribuinte fora do prazo determinado na legislação tenha sido respaldada em dados obtidos em sistemas informatizados acessados pela fiscalização; contudo, deixouse de incluir no processo cópia das telas correspondentes. Quanto a isso, importante destacar que as planilhas elaboradas pela Fiscalização não substituem o extrato das telas obtidas dos Sistemas, pelo menos não quando se fala em comprovação da ocorrência das irregularidades informadas no Auto de Infração. O dever de provar, em regra geral, recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base neste critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, contudo, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do direito precisa ser aplicado levandose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo documentos ou mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar a documentação que a lei o obriga a produzir e manter, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração, ou, ainda, pela obtenção de provas no local de funcionamento da empresa ou, como no caso, por meio de controle eletrônico baseado em dados fornecidos pelos sistemas informatizados disponíveis. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido, providência sem a qual não haverá como comprovar a ocorrência de um fato. Admitida essa importante premissa, há de se ponderar, contudo, que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu, tampouco de instruir o processo administrativo fiscal com elas. No presente caso, como informado antes, as peças processuais identificadas entre o auto de infração e a impugnação não incluem nenhum tipo de documento capaz de fazer prova da acusação. Encontramse apenas documentos produzidos pela própria fiscalização, como é exemplo o quadro demonstrativo informando o número da declaração de despacho de exportação, dia de embarque, dia em que a informação foi prestada e número do vôo. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.001487/201025 Acórdão n.º 310201.357 S3C1T2 Fl. 3 5 Não me parece que tenha acontecido preterição do direito de defesa, como alegado pela recorrente. Conforme tenho reiteradamente defendido em meu votos, a preterição ao direito de defesa não ocorre em tese, é preciso que tenha acontecido de fato. No caso vertente, a recorrente não demonstrou nenhuma dificuldade em entender do que estava sendo acusada, tampouco a ausência das informações lhe subtraído as melhores condições de defesa, razão pela qual descarto a hipótese. Inobstante, a acusação contida no auto de infração não pode prosperar pelo simples fato de que não há provas de sua ocorrência, em afronta ao prescrito no artigo 9º do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Também não se cogita da proposição de diligência. Admitise tal providência somente quando a instrução processual complementar decorre de falta identificada segundo critério de avaliação pessoal do julgador, jamais se a omissão aconteceu no momento da formalização da exigência, segundo juízo objetivo dos fatos e interpretação literal das normas legais aplicáveis. Nem mesmo se trata de decretação de nulidade por vício formal. Observese o que dispõe o Ato Declaratório Normativo nº 02/99, artigo 5º, a esse respeito. Art. 5º Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I a identificação do sujeito passivo; II a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III a norma legal infringida; IV o montante do tributo ou contribuição; V a penalidade aplicável; VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII o local, a data e a hora da lavratura; VIII a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Em conseqüência, embora, do ponto de vista formal nada obstasse novo lançamento das multas, elas encontramse hoje fulminadas pela decadência. Em tais circunstâncias, deixo de examinar as demais questões suscitadas nos autos para VOTAR PELO PROVIMENTO do recurso voluntário apresentado, em vista da ausência de provas da ocorrência dos fatos informados no auto de infração sub judice. Sala de Sessões, 26 de janeiro de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11516.000636/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
PIS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. POSSIBILIDADE.
O sujeito passivo que deixar de apurar seus créditos decorrentes de aquisições de insumos no momento adequado pode aproveitá-los nos meses subsequentes ao de sua apuração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 PIS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. POSSIBILIDADE. O sujeito passivo que deixar de apurar seus créditos decorrentes de aquisições de insumos no momento adequado pode aproveitálos nos meses subsequentes ao de sua apuração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 06 36 /2 00 8- 23 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de créditos de Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ 116.763,12, referente aos 2º. 3º e 4º trimestres do anocalendário 2004. A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC manifestouse pelo reconhecimento parcial do direito creditório postulado pela requerente, confirmando créditos passíveis de utilização para compensação nos valores de R$ 18.690,44 (2o trimestre), R$ 401,92 (3o trimestre) e R$ 72.584,32 (4o trimestre). A interessada apresenta manifestação de inconformidade frente a esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Argumenta que efetuou corretamente a inclusão de créditos extemporâneos em seu Dacon do 4º trimestre de 2004. Sustenta que, em dezembro de 2004, por meio de uma auditoria contábil, quando da averiguação da existência de créditos que não foram compensados nos seus respectivos meses, foi feito um ajuste no Dacon do 4º trimestre, no campo ajuste positivo de crédito, no montante de R$ 26.644,36 (vinte e seis mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e trinta e seis centavos). Referido valor teve como base de cálculo despesas não incluídas anteriormente no cálculo dos créditos, conforme se observa na planilha de despesas não consideradas na apuração do crédito de PIS e Cofins. Esclarece que possui todos os documentos hábeis para a comprovação do referido crédito, disponíveis para análise a qualquer momento pela Secretaria da Receita Federal. Defende que, se o saldo dos créditos remanescentes pode ir se acumulando mês a mês ante a sua não utilização, conforme dispõe o §4° do artigo 3º da Lei 10.833/2003, e a própria legislação autoriza a compensação extemporânea dos créditos, não existiria vedação legal para o ajuste positivo no Dacon referente aos créditos de períodos anteriores não compensados. Requer, por fim, a homologação da compensação de saldo credor de PIS. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 12 3 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, o ressarcimento/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, apresenta uma resenha fática argumentando que é ilegítimo o indeferimento dos créditos extemporâneos. Com relação ao seu direito descreve o regime da não cumulatividade da contribuição PIS com base na Constituição Federal e na Lei 10.637/02 com ênfase no direito de descontar créditos e respectivas vedações. Sustenta que com base no § 4º do art. 3º da Lei 10.637/02 uma vez apropriados os créditos de PIS, não sendo eles utilizados integralmente dentro do mês para fins de dedução de débitos da mesma contribuição, poderá ocorrer o seu aproveitamento nos meses seguintes. Defende que os créditos remanescentes do encontro entre créditos e débitos de PIS dentro do mês podem ser utilizados nos meses seguintes e, tratandose de empresa que realiza operações de exportação, a utilização poderá ser inclusive para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa. Defende a tese de que o que resta confinado ao mês é apenas o cálculo dos créditos, e não o aproveitamento via restituição ou compensação. Discorda da justificativa de que é vedada administrativamente a inclusão em um só Pedido de Ressarcimento de créditos referentes a períodos, isto é, trimestres distintos nos termos do art. 22, § 3º, inc. I da IN SRF 600/05, a qual revogou a IN SRF nº 460/04. Argumenta que a legislação que rege a compensação é a vigente à época da realização do encontro de contas, ou seja, do protocolo da Per/Dcomp, in casu, a IN SRF nº 460/2004, a qual não limitava o Pedido de Ressarcimento a apenas um trimestre calendário. Neste sentido apresenta jurisprudências administrativa e judicial. Destaca que é evidente a ilegitimidade do indeferimento dos créditos solicitados nas Per/Dcomp’s, posto que fundado no descumprimento de exigência formal que sequer existia no momento do protocolo das declarações. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 13 4 Cita o princípio de que a norma que rege o ato é a vigente ao tempo da sua prática – “tempus regit atum”. Além do mais, atribuir eficácia retroativa às exigências formais e burocráticas da IN SRF 600/05 significa destruir o princípio constitucional da irretroatividade. De outra banda, sustenta que ainda que aplicável a IN SRF 600/05, a limitação do Pedido de Ressarcimento a um único trimestre é inválida, pois os atos normativos do Poder Público não podem restringir os direitos legalmente garantidos, excedendo o conteúdo legal, ainda mais quando não haja um motivo razoável para tanto. No sentido da ilegalidade do art. 22, §3º, inc. I da IN SRF nº 600/05 menciona jurisprudências administrativa e judicial. Ressalta que basta apurar os créditos de distintos trimestres dentro dos correspondentes períodos e conforme os respectivos requisitos e colacionar todas as informações em um único pedido. Assim, é possível segregar por período de apuração dentro de um mesmo Pedido de Ressarcimento com o que são observadas as peculiaridades da apuração das contribuições sociais no regime não cumulativo. No que se refere a tese da decisão a quo de que o DACON precisa ser apresentado antes da análise do Pedido de Ressarcimento, argumenta, os Dacon’s referentes ao período dos créditos solicitados nas Per/Dcomp’s foram devidamente apresentados pela recorrente tendo havido erro por parte da Receita Federal no que concerne à análise das informações deles constantes. Afirma que em dezembro de 2004, por meio de auditoria contábil, quando da averiguação da existência de créditos que não foram compensados nos seus respectivos meses, foi feito um ajuste no DACON do 4º Trimestre do ano de 2004, no campo ajuste positivo de crédito no valor de R$ 26.644,36 e que este valor teve como base de cálculo despesas não incluídas anteriormente no cálculo dos créditos, segundo planilha apresentada. Discorda da assertiva da autoridade fiscal de que “não é correto incluir créditos relativos a outros períodos como ajustes positivos de créditos, fora do período em que os créditos foram apurados”, isto porque efetuou, em 2002 e 2003 e em alguns meses de 2004, o pagamento de tributos. Logo a retificação do DACON dos respectivos trimestres implicaria em alteração nos valores das guias já quitadas. Destarte, da mesma forma que a recorrente teria que formular Per/Dcomp’s para compensar as guias pagas a maior, foram feitas Per/Dcomp’s para os créditos não lançados à época, ajustandose o referido montante somente no mês de dezembro de 2004. Alega que o fato de o Pedido de Ressarcimento ser referente a mais de um trimestre calendário não traz qualquer prejuízo financeiro ao Fisco em atenção aos princípios da verdade real e razoabilidade. Recorre ao disposto no art. 55 da Lei nº 9.784/99. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida no sentido de homologar a compensação pleiteada do saldo credor de PIS dos 2º, 3º e 4º trimestres com os débitos de IRPJ, CSLL e IPI de 2004. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos extemporâneos ocorridos no mês de dezembro de 2004 no valor de R$ 26.644,36, linha 26 da ficha 04 do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon retificador), fl 101. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal após exame da documentação fiscal e contábil e do processo produtivo relatou: No 4° trimestre, o contribuinte escriturou na linha 26 da Ficha 04, o valor de R$ 26.644,36, como ajuste positivo de crédito (fl. 101). Questionado a respeito da natureza desse crédito, o contribuinte apresentou o documento de fl. 131, e informou tratarse de créditos referentes a períodos anteriores, anos calendário 2002 e 2003 e ainda outros trimestres do ano calendário 2004. Quando se apura que houve erro no cálculo do crédito de um trimestre anterior, devese retificar o Dacon do trimestre em que foi apurado o crédito, além dos Dacon dos períodos posteriores, se assim for necessário. Não é correto incluir créditos relativos a outros períodos como ajustes positivos de créditos, fora do período em que os créditos foram apurados. O campo "Ajustes Positivos de Créditos" é destinado ao registro de créditos não contemplados nas outras linhas do Dacon, referentes ao mesmo período de apuração, e não para que seja informado crédito de outros períodos. Registrese, por oportuno, que a decisão de primeira instância manteve a glosa dos referidos créditos extemporâneos com o argumento principal de que créditos extemporâneos devam compor pedidos de ressarcimento/compensação específicos. Com referência ao aproveitamento de créditos extemporâneos, a legislação de regência, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subsequentes. (grifouse) Como se nota, é bom o direito da recorrente. Além do mais, a recorrente inclusive apresentou uma Dacon retificadora entregue em 10/10/2006 e o aproveitamento dos Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 15 6 créditos extemporâneos foi dentro do prazo legal, que é de cinco anos da aquisição dos insumos. Cumpre observar que a autoridade fiscal limitouse a impugnar o momento da apropriação dos créditos. A contrario sensu, implicitamente concordou que as referidas despesas poderiam gerar o direito de descontar créditos da contribuição, o que torna esse fato incontroverso. Se os créditos eram inadmissíveis por força de algum dispositivo legal, a fiscalização deveria explicitar essa condição por ocasião da verificação fiscal da legitimidade dos créditos. Por outro lado e do exame dos elementos comprobatórios, verificase que a recorrente deixou de apurar seus créditos decorrentes de diversas despesas no momento adequado, fato que por si só não inviabiliza uma apuração extemporânea, como realizada pela recorrente nos termos da legislação vigente. Como visto, os créditos pleiteados jamais haviam sido apropriados pela recorrente. Com efeito, não existe norma legal que veda a utilização de créditos extemporâneos de forma acumulada. Pelo contrário, o aproveitamento de créditos extemporâneos é admitido em diversas Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a exemplo da Solução de Consulta nº 73 de 20 de abril de 2012 – SRRF10/Disit: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Além disso, a administração fazendária reconhece em outros atos legais, o direto de aproveitar créditos extemporâneos, conforme o previsto no Ato Declaratório Executivo nº 34, de 28 de Outubro de 2010, DOU de 01/11/2010, que aprovou o Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (EFDPIS/Cofins), segundo tabela abaixo: 4.3.7 Tabela Código de Base de Cálculo do Crédito: A ser utilizada na codificação da base de cálculo dos créditos apurado no período, no caso de ser preenchido registro de documentos e operações geradoras de crédito, nos Blocos A, C, D, F e 1 (Créditos extemporâneos). (grifouse) Outrossim, a Receita Federal do Brasil reafirma o direito em discussão, segundo respostas abaixo transcritas no sítio do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): 78. O que é uma operação extemporânea? Operação extemporânea corresponde a um fato gerador de crédito que esta sendo escriturado em período posterior ao de referência do credito. A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 16 7 crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal. Por exemplo: Caso uma empresa que adote o método da apropriação direta adquira um insumo em janeiro e o produto adquirido só venha configurar o direito a crédito, pelo método da apropriação direta, em abril, deve ser regularmente informada a aquisição na escrituração de abril, no Bloco C, com o CST representativo de crédito do período (50 a 56). Agora, se o crédito da aquisição de janeiro é de competência abril, mas a empresa não escriturou em abril e sim em maio, estaria então configurada a situação de extemporaneidade. 79. Como informar um crédito extemporâneo na EFD Contribuições? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido às condições previstas na Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 2012, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (Cofins). (...)(grifouse) (disponível em http://www1.receita.fazenda.gov.br/faq/efd contribuicoes.htm) Ademais, outras exigências, como DCTF’s retificadoras, não afastam o direito legítimo da recorrente de apropriar créditos extemporâneos. O mero erro formal de utilizar um campo indevido no Dacon, ajustes positivos de créditos, não inviabiliza o direito do contribuinte de ter os seus créditos extemporâneos reconhecidos pela administração fazendária. A Fazenda Nacional não pode enriquecer ilicitamente. Em remate, restabelecese no mês de dezembro de 2004 o direito de descontar créditos da contribuição PIS no valor total de R$ 26.644,36. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 17 8 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10120.006112/2002-31
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
IRPJ E CSLL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997 IRPJ E CSLL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Extraordinário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 1.490 1 1.489 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.006112/200231 Recurso nº 134.832 Extraordinário Acórdão nº 9900000.228 – Pleno Sessão de 07 de dezembro de 2011 Matéria IRPJ E CSLL DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INSTITUTO GOIANO DE RADIOLOGIA S/C ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 IRPJ E CSLL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 61 12 /2 00 2- 31 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1453 a 1460) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1426 a 1449) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A ementa do v. acórdão recorrido é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE DIVERGÊNCIA CONTEÚDO DA EMENTA E DO VOTO PARADIGMA CASO CONCRETO: A simples semelhança estampada na ementa do acórdão paradigma, quando trata de decisão apoiada em critérios técnicos que analisam a questão sob aspectos não tratados no processo, e sem que a recorrente exponha objetivamente os pontos de divergência, não serve para apoiar o seguimento de recurso especial de divergência. Recurso especial não conhecido parcialmente, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA IRPJ: Tratandose de lançamento por homologação (art.150 do CTN), o prazo para Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador. A ausência de recolhimento da prestação devida não altera a natureza do lançamento, já que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006112/200231 Acórdão n.º 9900000.228 CSRFPL Fl. 1.491 3 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA CSLL SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN: A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da ConstituiçãoFederal de 1988. Desta forma, a contagiem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. Recurso especial parcialmente conhecido e negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, divergência jurisprudencial quanto à aplicação dos dispositivos constantes do § 4º do artigo 150 e do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, apresentando como paradigma acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 1.488 e 1.489. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006112/200231 Acórdão n.º 9900000.228 CSRFPL Fl. 1.492 5 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 No presente caso, o auto de infração, cuja ciência se deu em 21/08/2002, diz respeito a crédito tributário referente ao IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 1997, com fato gerador em 31/12/1997. Em primeira instância decidiuse pela manutenção do lançamento e, em segunda instância, acolheuse a preliminar de decadência com arrimo no artigo 150, § 4º do CTN. Pelo que consta dos autos, notadamente do contido na r. decisão proferida em segunda instância (fls. 1.346 e 1.347), verificase que houve pagamento antecipado quanto ao IRPJ e CSLL referentes ao 1º e 2º trimestres de 1997 – fatos geradores ocorridos em 31/03/1997 e 30/06/1997. Assim, havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase à espécie o disposto no inciso § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, para os fatos geradores de 31/03/1997 e 31/06/1997, considerando o disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, o prazo decadencial se exauriu, respectivamente, em 31/03/2002 e 31/06/2002. Como a ciência se deu em 21/08/2002, ocorreu a decadência quanto a esses fatos geradores. Por conseguinte, em face de todo o exposto, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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