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Numero do processo: 10630.720182/2006-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
O recurso voluntário interposto após o prazo 30 dias, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Numero da decisão: 3001-000.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto após o prazo 30 dias, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 01 82 /2 00 6- 70 Fl. 492DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de COFINSExportação no 2º Trimestre de 2005, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor original total de R$3.207,36 (Pedido de Ressarcimento 14950.07016.270106.1.1.093474) por meio das Declaração de Compensação 23856.01296.300606.1.3.090121. A DRF de Governador Valadares/MG, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efls. 451 a 464) homologando parcialmente a compensação declarada tendo em vista que na apuração na análise dos documentos (livros contábeis/fiscais e notas fiscais) apresentados, afirmou o seguinte: (i) houve exclusão indevida de valores relacionados a repasses a cooperados; (ii) glosa de aquisição de materiais tendo em vista a não apresentação de parte dos documentos; (iii) glosa de serviços indevidamente utilizados como insumos; (iv) glosa de parcela dos créditos presumidos em virtude da aplicação indevida do percentual de 9,5% ao invés de 3,65%; (v) glosa de parcela dos créditos oriundos de devoluções de vendas em virtude deste terem sido maiores que os débitos gerados. Diante desta apuração, a fiscalização concluiu que a recorrente não teria o valor do crédito correspondente, mas sim parte dele que totalizou R$2.950,25 de R$3.207,36. Cientificada do despacho decisório em 20/11/09, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade em 22/12/09, alegando os seguintes pontos: a) as leis que instituíram a nãocumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; b) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da União; c) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos; A DRJ de Juiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme Acórdão no 0922.259 a seguir transcrito: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PROVA DOCUMENTAL A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de _PIS/Pasep e COFINS e o previsto no § 5° do artigo 66 Instrução Normativa SRF 247/2002. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA Às alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10630.720182/200670 Acórdão n.º 3001000.742 S3C0T1 Fl. 326 3 Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que em síntese alega o seguinte: (i) ausência de definição técnica do que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; (ii) o crédito presumido sobre estoque de abertura deve ser calculado com base no art. 12, §7º da Lei 10.925/04; (iii) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento Em juízo de admissibilidade do presente Recurso Voluntário constatei que o não preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. O Aviso de Recebimento – AR, de efl. 415, informa que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 27/02/2009. Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão que julga a impugnação e/ou manifestação de inconformidade caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Ressaltese ainda que, conforme estabelecido no parágrafo único do art. 5º do mesmo diploma legal, os prazos somente se iniciam e vencem em dia de expediente normal da repartição pública. Conforme assinalado, a ciência válida da decisão ocorreu em 27/02/2009, sextafeira. Diante deste fato, o início da contagem do prazo para interposição do Recurso Fl. 494DF CARF MF 4 Voluntário iniciouse no primeiro dia útil seguinte, qual seja, segundafeira 02/03/2009. Por conseguinte, somandose 30 dias ao marco inicial, o vencimento do prazo ocorreria em 31/03/2009, terçafeira. Tendo em vista que o Recurso Voluntário foi protocolado em 02/04/2009, é inconteste a sua intempestividade. Destaquese que a Recorrente alega em seu Recurso Voluntário (efl 418) a tempestividade tendo em vista que foi cumprido o prazo de 30 dias, “contados da data da intimação que ocorreu no dia 04 de março”. Apesar de alegada a referida data de ciência, nenhum documento comprobatório desta foi apresentado. Ao contrário, conforme descrito acima, o Aviso de Recebimento juntado aos autos atesta e comprova que a data de ciência em 27/02/2009. Pelo exposto, diante da sua extemporaneidade, voto por não conhecer o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721768/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.748
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 76 8/ 20 15 -1 3 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721768/201513 Resolução nº 3201001.748 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721768/201513 Resolução nº 3201001.748 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933858/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2402-006.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 38 58 /2 00 8- 11 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.933858/200811 Acórdão n.º 2402006.932 S2C4T2 Fl. 161 2 Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra o Despacho Decisório Eletrônico nº 791231031 proferido pela DERAT/SP, que não reconheceu o direito creditório do recorrente e, por conseguinte, não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos. O contribuinte transmitiu, em 29.12.03, Declaração de Compensação com as seguintes características: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO nº data valor CÓD REC pa vencimento dt recolhimento 21228.81055.291203.1.3.042699 29.12.2003 489.988,58 0481 28.10.2003 28.10.2003 28.10.2003 Em 4.11.08, o sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade aduzindo em resumo: (fls. 10/24) 1 Nulidade do Despacho Decisório, eis que careceria de fundamentação; e 2 Que o crédito resultaria do recolhimento indevido de IRRF, na medida em que seria indevida a incidência do IRRF sobre os juros pagos pela recorrente à sua matriz na Alemanha em função de um empréstimo em moeda dela obtido. Para isso, cita o artigo 691, X do RIR/99 e o fato de o item 8 do Certificado emitido pelo BACEN em favor da recorrente está especificada a não incidência do IRRF sobre as operações de câmbio. Como já dito, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 109/113). Em seu Recurso Voluntário de fls 125/145, a recorrente reitera as razões de defesa de sua Manifestação de Inconformidade, além de aduzir novas razões à lide, como se seguem: 1 Da nulidade do Despacho Decisório, eis que careceria de fundamentação; 2 Da nulidade da decisão de primeira instância, posto que a autoridade de piso teria inovado modificado o critério jurídico (art 146 do CTN) ao não apreciar a temática acerca da não incidência do IRRF sobre remessa de juros ao exterior decorrente de lançamento de fixed rute notes; 3 Da higidez do crédito compensado. Que o crédito resultaria do recolhimento indevido de IRRF, na medida em que seria indevida a incidência do IRRF sobre os juros pagos pela recorrente à sua matriz na Alemanha em função de um empréstimo em moeda dela obtido. Para isso, cita o artigo 691, X do RIR/99 e o fato de o item 8 do Certificado emitido pelo BACEN em favor da recorrente está especificada a não incidência do IRRF sobre as operações de câmbio; e 4 Da inexigibilidade dos débitos de Estimativa Mensal de IRPJ e CSLL relativas a 11/2003 Súmula CARF Nº 82 É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.933858/200811 Acórdão n.º 2402006.932 S2C4T2 Fl. 162 3 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 15.6.15, consoante se denota de fls. 123 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 14.7.15 (fls. 125). O recurso apresentado inovou ao trazer para a lide questão atinente ao exigibilidade dos débitos declarados e confessados pelo próprio recorrente em sua DCOMP. Para tanto, invocou a Súmula CARF nº 821. Vale destacar que referida súmula aplicase à hipótese de lançamento de ofício, o que, definitivamente, não é o caso. Vale dizer, em 29.12.2003 o recorrente confessou e compensou, sponte propria, débitos de estimativa apurados no mês anterior. Não há, assim sendo, controvérsia instaurada acerca da procedência e "exigibilidade" desses débitos capaz de demandar qualquer análise por este colegiado. Face ao exposto, conheço parcialmente do recurso apresentado, à luz do inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Quanto à suscitada nulidade do Despacho Decisório por carência de fundamentação, valhome dos esclarecimentos e conclusão da decisão de piso, eis que, com propriedade, bem esclarece e resolve a controvérsia. Vejamos: 1 Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.933858/200811 Acórdão n.º 2402006.932 S2C4T2 Fl. 163 4 Na sequência, no que toca à suposta nulidade da decisão de piso em virtude da alegada modificação do critério jurídico e não análise de temática atinente à não incidência ou alíquota zero na remessa, in casu, de juros ao exterior, penso não assistir razão à recorrente. Como já dito, trata o caso de compensação promovida pelo recorrente valendose de direito creditório que alega possuir. Por sua vez, o artigo 170 do CTN é textual ao prescreve que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Em outras palavras, o crédito oferecido em compensação precisa ostentar indubitavelmente os prérequisitos de liquidez e certeza, cabendo ao titular desse direito, o ônus de sua comprovação. 2 Dito isso, cumpre observar que a controvérsia em tela comporta duas condições que precisam ser simultaneamente atendidas, com vistas ao reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo. A primeira, que demandaria uma análise de fato, consistiria na comprovação de que o recolhimento que teria dado origem ao crédito referese, sem sombra de dúvidas, ao IRRF apurado e recolhido pelo recorrente em função da remessa de juros decorrente do empréstimo tomado de sua matriz no exterior a título de fixed rute notes. 2 Art 333 do CPC/73 Art 373 do NCPC Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.933858/200811 Acórdão n.º 2402006.932 S2C4T2 Fl. 164 5 Sobre esse ponto, cumpre mencionar que não teria sido atendida a intimação fiscal, por meio da qual se pretendida fossem esclarecidos os itens abaixo (fls. 107): A segunda, a ser verificada após satisfeita a condição acima, consistiria na análise da disposição legal invocada para, se for o caso, concluir pelo indevido recolhimento do tributo e o conseqüente reconhecimento do direito creditório. Assim sendo, a decisão de piso entendeu, acertadamente, que não teria sido demonstrada a vinculação do recolhimento reclamado à circunstância ensejadora de seu direito creditório. Vale destacar que mesmo após o assentado acima, o recorrente não buscou trazer aos autos máxime em seu recurso voluntário evidências que tendessem a infirmar tal conclusão. Vejamos os fundamentos da decisão de piso sobre o tema, com os quais concordo e passo a adotar. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.933858/200811 Acórdão n.º 2402006.932 S2C4T2 Fl. 165 6 Como se pode notar, a decisão recorrida, de forma bastante prudente, preocupouse em analisar a adequação fática à circunstância legal suscitada, marco inicial para o reconhecimento do direito creditório reclamado. Nesse rumo, não vislumbro qualquer inovação na decisão recorrida que pudesse cercear o direito de defesa do recorrente. Ao contrário, foi dado ao sujeito passivo as diretrizes para, se assim o entendesse, prosseguisse na comprovação de seu direito ao crédito nesta fase recursal, o que não foi feito. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER parcialmente do recurso apresentado para, na parte conhecida, REJEITAR as preliminares suscitadas e NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722299/2017-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 541/563), relativos ao período de 01/01/2013 a 31/12/2013, incluídos principal, juros de mora e multa de ofício. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 22 29 9/ 20 17 -1 1 Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 3 2 Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono abaixo o relatório do Acórdão da DRJ: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, fls. 541/563, que constituíram o crédito tributário total de R$ 33.695.352,17, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/12/2017. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 511/539, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: 5. O presente procedimento foi instaurado em razão de os sistemas de acompanhamento desta RFB terem detectado a necessidade de verificação de possíveis infrações reiteradas, cometidas pela fiscalizada em período posterior a autuações já procedidas, conforme processos administrativosfiscais nºs 12898.000039/201039 (06/2004 a 12/2007) e 16682.721410/201591 (07/2010 a 12/2011). 6. De acordo com os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – DACON transmitidos aos sistemas do fisco federal para o AC 2013 (anexados às fls. 69 a 380 do processo de constituição dos créditos tributários ora apurados), o contribuinte apurou as contribuições devidas ao PIS e à COFINS sob os dois regimes previstos pela legislação: Cumulativo e NãoCumulativo. 7. A fiscalizada, entretanto, não se utilizou destes DACON para informar à RFB como fez para apurar as contribuições devidas para o PIS e para a COFINS no período em questão, já que constam valores iguais a zero em TODAS as fichas de TODAS as competências. Ao longo deste relatório, veremos que o contribuinte disponibilizou planilhas eletrônicas com a apuração das referidas contribuições pelos dois regimes. Também veremos que utilizou parte expressiva de seu faturamento na apuração pelo regime cumulativo. Nesse ponto, a autoridade fiscal expõe o decidido na primeira instância administrativa naqueles outros dois processos citados acima, cujos resultados foram contrários aos argumentos da autuada. Os recursos apresentados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ainda pendem de julgamento. Prossegue: 12. A base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos é o valor do faturamento mensal, definido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637/2002, artigo 1º, §§ 1º e 2º e Lei nº 10.833/2003, artigo 1º, §§ 1º e 2º). 13. Portanto, como regra geral, todas as receitas da empresa devem ser incluídas na base de cálculo. A legislação prevê, contudo, algumas exclusões. Para fins de determinação da base de cálculo, podem ser excluídos do faturamento, quando o tenham integrado, os valores (Lei nº 10.637/2002, artigo 1º, §3º e Lei nº 10.833/2003, artigo 1º, § 3º; IN SRF nº 247/2002, artigo 24): ... Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 4 3 14. No regime da nãocumulatividade, salvo nas hipóteses de regime especial, que não se aplicam a esta ação fiscal, computadas as receitas e subtraídas as exclusões, apurase o PIS à alíquota de 1,65% (art. 2º da Lei nº 10.637/2002) e a COFINS à alíquota de 7,6% (art. 2º, Lei nº 10.833/2003). Contudo, as contribuições apuradas podem, ainda, serem reduzidas por créditos de PIS/COFINS de que o contribuinte disponha. Neste ponto, cumpre destacar que os créditos admitidos, no regime de não cumulatividade, são aqueles previstos em lei. 15. A lógica do regime de nãocumulatividade consiste, basicamente, no seguinte: 15.1. Ao vender um produto ou serviço, o contribuinte aufere receita tributável pelo PIS e pela COFINS. 15.2. Contudo, ao adquirir um produto para revenda (empresa comercial), produzilo (empresa industrial), ou prestar um serviço (empresa prestadora de serviços), o contribuinte incorre em custos, cujos valores embutem parcelas de PIS e COFINS. 15.3. Visando evitar a incidência cumulativa destas contribuições, a legislação permite que o contribuinte se credite de determinadas parcelas de PIS e COFINS pagas, na aquisição/fabricação de seus produtos/serviços. 15.4. Estes créditos são calculados, via de regra, às mesmas alíquotas das contribuições a pagar, de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS). 15.5. Desta forma, o PIS e a COFINS a pagar, em cada mês, é a contribuição resultante após o desconto dos créditos disponíveis. 15.6. O crédito não aproveitado em determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes. 15.7. O valor dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas como desconto, no cálculo da contribuição a pagar. 16. Os créditos de nãocumulatividade são, como dito, aqueles previstos na legislação de regência. Entretanto, alguns contribuintes incorrem no equívoco de calcular créditos sobre quaisquer despesas julgadas necessárias, na produção e comercialização de produtos e serviços. É preciso ter em conta que a dedução de despesas efetivas e necessárias à atividade social é procedimento adequado na apuração do imposto de renda, pela sistemática do lucro real, mas não na apuração de PIS/COFINS nãocumulativos, conforme veremos nos parágrafos seguintes. ... 18. Ainda a propósito de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, cumpre considerar que parte das hipóteses previstas em lei se aplica apenas a empresas industriais ou prestadoras de serviços. É o caso, por exemplo, dos créditos calculados sobre a aquisição de bens e Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 5 4 serviços considerados como insumos, na fabricação de produtos para venda ou na prestação de serviços: (...). ... 20. Ademais, a lei veda expressamente o cálculo de créditos sobre despesas relacionadas com mãodeobra paga a pessoas físicas (salário, aviso prévio, hora extra, pagamentos a autônomos, etc.). Também prevê diversas limitações para o desconto de créditos como, por exemplo, só dão direito a créditos os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País (a exceção é o direito ao crédito relativo às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços PIS Importação e COFINS Importação, pagos na forma da Lei nº 10.865/2004)(...) 21. Da leitura de todos os dispositivos supra, podese ver com toda clareza que o regime nãocumulativo tem legislação e procedimentos próprios, descabendo a analogia com os procedimentos aplicáveis na apuração do imposto de renda pela sistemática do lucro real, onde são previstas em lei as deduções das despesas efetivas e necessárias para o desenvolvimento das atividades das empresas. Após relatar as diversas intimações encaminhadas à contribuinte e as respostas recebidas, sendo importante aqui destacar o seguinte trecho de umas delas: (...) a Fiscalizada tem sua receita submetida as 2 formas de apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, quais sejam, a cumulativa e a não cumulativa. Isto porque, conforme determinação a contrario sensu do art. 10, II da Lei nº 10.833/2003, as pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real devem apurar as contribuições ao PIS e à COFINS pela sistemática não cumulativa, regulamentadas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. No entanto, o mesmo art. 10 da Lei nº 10.833 através do inciso XX c/c art. 15, V da mesma norma determina que as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil incorridas até o ano de 2019, inclusive, estão submetidas à sistemática cumulativa do PIS e da COFINS regulamentada pela Lei nº 9.718/1998. Neste sentido, tendo em vista que a maior parte das receitas da Fiscalizada são decorrentes da execução de mesma norma determina que as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, resta clara a razão pela qual a Fiscalizada submete a maior parte de seu faturamento à apuração do PIS e da COFINS pela forma cumulativa”. Diante dos resultados obtidos com a auditoria, a autoridade fiscal relata as conclusões a que chegou: 34. Relacionamos, no quadro a seguir, as informações de interesse sobre os contratos para os quais o contribuinte informou ter adotado o regime Cumulativo para apuração das bases de cálculo do PIS e da Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 6 5 COFINS (anexados às fls. 489 do processo de constituição dos créditos tributários): (...) . 35. O quadro a seguir relaciona as informações de interesse sobre os contratos para os quais o contribuinte informou ter adotado, concomitantemente, os regimes Cumulativo e Nãocumulativo para apuração das BC do PIS e da COFINS (anexados às fls. 490 do processo administrativofiscal): (...). 36. Analisando os contratos relacionados nos dois parágrafos anteriores, verificouse que seus objetos versam sobre montagem e, principalmente, instalação, operação e manutenções preventivas e corretivas de equipamentos e sistemas mecânicos, elétricos, eletromecânicos, eletrônicos, hidráulicos e outros semelhantes. 37. Com relação aos contratos em que há menção à execução de serviços de obras civis, o núcleo do objeto contratual, em sua maioria, é a montagem ou a manutenção de sistemas ou equipamentos, restando como prérequisito complementar obras civis e outras tarefas. 38. Além disso, todos os contratos foram firmados mediante preço global, não havendo a segregação das receitas para cada tarefa, requisito indispensável para discriminar as parcelas que, em tese, estariam submetidas ao regime cumulativo daquelas submetidas ao regime nãocumulativo para apuração do PIS/COFINS devidos pela fiscalizada. 39. Desta forma, considerando que nenhum dos contratos tem por objeto obras de construção civil, em seu sentido específico, e em consonância com os entendimentos já exarados no Acórdão nº 13 40.392 da DRJ/RJ2 (ver 8 º parágrafo, pág. 03) e no Acórdão 1459.756 da DRJ Ribeirão Preto/SP (ver 10º parágrafo, pág. 06), as receitas deles derivadas devem ser tributadas pelo regime geral da não cumulatividade, não se submetendo ao regime excepcional da cumulatividade previsto no artigo 10, inciso XX (COFINS) e no artigo 15, inciso V (PIS/PASEP), ambos da Lei nº 10.833/03. Acerca dos créditos apurados no âmbito da não cumulatividade, diz a autoridade fiscal: 40. Dando continuidade à análise das planilhas de apuração apresentadas pelo contribuinte, por ele consolidadas na planilha resumo “APURAÇÃOMPE2013. xls” (fls. 508), constatouse que descontou das contribuições mensais do PIS e da COFINS devidos no ano calendário 2013, a título de créditos, valores calculados em percentuais correspondentes às alíquotas das referidas contribuições (PIS/PASEP = 1,65% e COFINS = 7,6%), aplicadas sobre valores contabilizados em diversas contas de custos/despesas operacionais. 41. Tais valores foram contabilizados a débito nas contas 1.1.3.05.0003 Recuperação PIS/Serviços Prestados PJ e 1.1.3.06.0003 Recuperação COFINS/Serviços Prestados PJ, tendo por contrapartida créditos em diversas contas de despesas operacionais/custos. Entretanto, constatouse que vários dos custos/despesas cujos valores foram tomados como base de cálculo para créditos do PIS/COFINS não Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 7 6 se encontram amparados por qualquer previsão legal que dê direito à fruição deste benefício tributário. 42. Como se depreende da leitura dos dispositivos transcritos a partir do 17º parágrafo (pág.12), para efeito de apuração de créditos da COFINS relativos a aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, o termo "insumo" não pode ser interpretado como sendo todo e qualquer bem/serviço necessário à atividade da pessoa jurídica, mas tãosomente assim deve ser entendido aquele bem/serviço adquirido de pessoa jurídica e aplicado ou consumido diretamente na fabricação do produto ou prestação de serviços destinados à venda. Ou seja, o direito ao desconto relativo ao valor de aquisição de insumos somente existe se o bem ou o serviço adquiridos integrarem diretamente o processo de produção dos bens a serem vendidos ou a ação relativa aos serviços a serem prestados. 43. De se dizer ainda que a essencialidade do gasto ou da despesa com a aquisição por si só não é critério para se considerar se um bem/serviço deve ou não ser tido como insumo para fins de apuração de créditos do PIS/COFINS, sendo imprescindível determinar a relação de pertinência destes com o processo produtivo do bem/serviço destinado à venda, somente considerando insumo aqueles bens/serviços intrínsecos ao processo de produção da mercadoria/serviço a ser vendido pela empresa. Desta forma, determinado gasto/despesa com aquisição de um bem ou serviço, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, pode ser considerado essencial ao desempenho das atividades da empresa, mas, por não estar diretamente ligado ao processo produtivo dos bens destinados à venda, não pode ser considerado insumo para fins de creditamento no regime não cumulativo. 44. Estes créditos indevidos constam discriminados no arquivo magnético “Anexo I Créditos Glosados PIS_COFINS.xlsx”, anexado a este TVF. (...). 45. A apuração dos créditos tributários foi realizada a partir dos Demonstrativos de Apuração do PIS e da COFINS preparados pelo contribuinte (planilha “APURAÇÃOMPE2013.xls”, às fls. 508 do processo de constituição), tendo por base a documentação apresentada e a escrituração contábil extraída do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), referentes ao anocalendário de 2013, cujas respectivas bases de cálculo fornecidas foram ajustadas pelos seguintes assuntos: 45.1. Conforme subitem VI.1 _ a empresa apurou a base de cálculo das contribuições devidas para o PIS e para a COFINS pelos regimes não cumulativo e cumulativo, utilizando parte expressiva de seu faturamento na apuração pelo regime cumulativo. Entretanto, de acordo com entendimento desta fiscalização, corroborado pelos acórdãos mencionados, todas as receitas auferidas no período fiscalizado devem ser tributadas pelo regime geral da não cumulatividade. 45.2. Conforme subitem VI.2 _ Foram glosados – da apuração do PIS e da COFINS efetuada pela fiscalizada – os valores deduzidos a título de créditos, contabilizados como despesas/custos operacionais, sem que haja a devida previsão legal que dê direito à fruição deste benefício tributário. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 8 7 Cientificada, a interessada apresentou Impugnação alegando, em síntese, que: A impugnante, inobstante apurar o imposto de renda sob a forma de tributação do lucro real, com regime de apuração anual, é uma empresa focada na área de engenharia e tem grande parte de suas receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, sujeitandose, nestes casos, às normas anteriores à instituição da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, estabelecidas designadamente pela Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, conforme disposições do art. 10, caput, inciso XX, e do art. 15, caput, inciso V, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Conforme sintetizou a autoridade fiscal, o problema central em discussão resumese "em definir se as atividades da contribuinte, realizadas mediante contratos, registradas em sua contabilidade, subsumem como "obras de construção civil" em virtude de não acolher os argumentos da impugnante no sentido de que "o conceito de construção civil a ser levado em consideração é o definido na Lei Complementar n°116/03, item 7.02 da lista de serviços". A autoridade fiscal, de forma totalmente equivocada e desamparada de embasamento legal, inclusive com inobservância de orientações normativas da própria RFB, concluiu que "nenhum dos contratos tem por objeto obras de construção civil, em seu sentido específico" (...). De imediato, facilmente constatase que a autoridade fiscal, contrariando totalmente as orientações normativas da própria RFB, impõe à impugnante um conceito, que denomina em sentido específico, para obras de construção civil, para efeitos de aplicação do inciso XX do art. 10, e inciso V do art. 15, ambos da Lei n° 10.833/2009, com a finalidade de averiguar a submissão ao regime da cumulatividade da COFINS e do PIS. Vale transcrever Solução de Consulta Disit/SRRF04 n° 4029, de 04 de setembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 06/09/2017, seção 1, página 47), que de forma expressa dispõe que a atividade de construção civil deve ser considerada sob um ponto de vista abrangente (...). Vêse, ainda, que a autoridade fiscal contraria entendimento expresso da RFB, vez que a Solução de consulta acima transcrita, além de reconhecer a orientação pela adoção de conceito mais abrangente para obra de construção civil, dispôs expressamente que contratos de fornecimento de bens e serviços para construção estações, subestações e redes de distribuição de energia elétrica, por se enquadrarem na definição de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, exemplificados no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30, de 1999. De mais a mais, contrariando mais uma vez o entendimento normativo exarado pela própria RFB, a autoridade fiscal refutou a possibilidade de adoção do conceito de construção civil deve levar em consideração a definição prevista na Lei Complementar n° 116/2003, item 7.02 da Lista de Serviços (...). Pois é, a autoridade fiscal contrariou a Solução de Divergência COSIT n° 11, de 27/08/2014 (Publicado(a) no DOU de 08/09/2014, seção 1, Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 9 8 página 19), que ao examinar a legislação que pode ser mais plausivelmente utilizada como parâmetro interpretativo das disposições do inciso XX do art. 10 da Lei n° 10.833, de 2003, adota expressamente os ditames da Lei Complementar n° 116/2003, concluindo que há uma tendência de adoção de conceito ampliativo de construção civil, provavelmente em razão da enorme diversidade de atividades e funcionalidades atreladas às modernas construções humanas sobre o solo e que a atividade de construção civil deve ser considerada sob um ponto de vista abrangente, tendo o ramo econômico como gênero, permitindose a inclusão das atividades auxiliares e complementares às obras propriamente ditas, nos seguintes termos: (...). Salientese, ainda, que a referida Solução de Divergência COSIT n° 11, de 27/08/2014 concluiu que a instalação de redes hidráulicas e elétricas, de instalação de sistemas centrais de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação e de prevenção contra incêndio enquadramse como serviços prestados no âmbito da execução de obras de construção civil (...). Observese que não escapou do legislador complementar federal, na LC n° 116/2003, o fato das obras de instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos serem alcançados pelo conceito de construção civil e outro não poderia ter sido o entendimento, uma vez que a construção de uma caldeiraria, de um altoforno, de um gasoduto, de uma usina de geração de energia ou de biocombustível, ainda que tenham poucas edificações de alvenaria, revestemse em verdadeiras obras de engenharia de construção civil. Cabe observar que, nas situações objeto do presente lançamento, a impugnante já discrimina em sua contabilidade as receitas submetidas ao regime nãocumulativo das receitas submetidas ao regime cumulativo E a comprovação de que os contratos pactuados tratam efetivamente de obras de construção civil, nos termos legalmente disciplinados e não no conceito utilizado ao alvedrio da autoridade fiscal, se faz pelos próprios contratos mencionados e juntados aos autos pelo fisco, vez que regularmente apresentados pela impugnante por ocasião da fiscalização. Portanto, tendo a autoridade fiscal identificado expressamente que "o problema central, então, resumese em definir se as atividades da contribuinte, realizadas mediante contratos, registradas em sua contabilidade, subsumem como "obras de construção civil", e sendo certo que a insurgência da autoridade fiscal diz respeito exclusivamente a sua opção pela adoção de "conceito específico" para obras de construção civil, em detrimento de conceito mais abrangente, adotado sistematicamente pela Receita Federal do Brasil, devese reconhecer que as receitas objeto do presente lançamento são abarcados pela legislação que determina que a receita decorrente da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil devem ser tributadas sob o regime cumulativo, cancelando, consequentemente, o crédito tributário lançado, por insubsistente. Ademais, na remota hipótese de se considerar que as receitas de algum/alguns dos contratos relacionados pela autoridade fiscal (fls. 531/533) devem ser tributados sob o regime não cumulativo, o processo administrativo deve ser convertido em diligência, a fim de que se possa Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 10 9 mensurar o quantum efetivamente devido, em função dos créditos decorrentes das contribuições apuradas pelo sistema não cumulativo, independentemente de terem eles sido informados ou não na DACON. Já no que diz respeito aos créditos descontados pela impugnante, mensalmente das contribuições do PIS e da COFINS, a autoridade fiscal os glosou por dar, mais uma vez, interpretação restritíssima a determinado conceito jurídico. Desta feita a restrição da abrangência atingiu o conceito de insumo, que no entender da autoridade fiscal assim se restringe: "tãosomente assim deve ser entendido aquele bem/serviço adquirido de pessoa jurídica e aplicado ou consumido diretamente na fabricação do produto ou prestação de serviços destinados à venda. Ou seja, o direito ao desconto relativo ao valor de aquisição de insumos somente existe se o bem ou o serviço adquiridos integrarem diretamente o processo de produção dos bens a serem vendidos ou a ação relativa aos serviços a serem prestados". (fls. 535) Ocorre que o CARF tem adotado conceito não tão restrito: "Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Acórdão 9303005.623). Como se vê, o conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição do PIS e da COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI, adotado pela fiscalização, justamente por ser demasiadamente restritivo. Consequentemente, a totalidade das glosas efetuadas pela fiscalização deve ser desconsiderada, vez que o fisco sequer averiguou se tratavam se de elementos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda dos serviços, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais, por considerar, sem qualquer distinção, que bem/serviço adquirido de pessoa jurídica e deve ser aplicado ou consumido diretamente na fabricação do produto ou prestação de serviços destinados à venda. ... Na remota hipótese de se considerar que as receitas de algum/alguns dos contratos relacionados pela autoridade fiscal devem ser tributados sob o regime não cumulativo, o processo administrativo deve ser convertido em diligência, a fim de que se possa mensurar o quantum efetivamente devido, em função dos créditos decorrentes das contribuições apuradas pelo sistema nãocumulativo, independentemente de terem eles sido informados ou não na DACON. Em julgamento datado de 14 de maio de 2018, a DRJ Ribeirão Preto/SP, julgou parcialmente procedente a impugnação da Contribuinte (Acórdão 1486.013), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 11 10 31/12/2013 FATURAMENTO. REGIME DE APURAÇÃO. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONDIÇÕES. As receitas auferidas decorrentes da execução de obras de construção civil permanecem submetidas à apuração cumulativa das contribuições sociais. Em se tratando de exceção ao regime geral de apuração não cumulativa, cabe ao sujeito passivo a prova da natureza dos serviços prestados e do atendimento das condições para o enquadramento excepcional. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 FATURAMENTO. REGIME DE APURAÇÃO. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONDIÇÕES. As receitas auferidas decorrentes da execução de obras de construção civil permanecem submetidas à apuração cumulativa das contribuições sociais. Em se tratando de exceção ao regime geral de apuração não cumulativa, cabe ao sujeito passivo a prova da natureza dos serviços prestados e do atendimento das condições para o enquadramento excepcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada quanto ao resultado do julgamento pela DRJ, a Contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 688 e seg.), repisando os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I Da natureza dos contratos analisados pela fiscalização Para a recorrente, utilizandose de situação fática verificada no processo nº 12898.000039/201039, haveria a necessidade de se promover a baixa do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal, como ocorrido no processo mencionado, promovesse a análise dos contratos e procedesse à classificação das atividades contratadas pela recorrente. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 12 11 Pois bem. Conforme relatado pela própria recorrente, por se tratar da mesma discussão, havendo somente a diferença quanto ao período de apuração, a sorte do presente processo deveria seguir a do de nº 12898.000039/201039: "Portanto, a rigor, o melhor cenário é que a sorte desse processo fosse determinada pela decisão final a ser tomada no P.A. referido como paradigma, de modo a dar prevalência, in caso, ao princípio da segurança jurídica. É direito do contribuinte saber de que modo deve agir para se conformar ao entendimento do Fisco (se entender ser ele regular)." No processo acima mencionado foi determinada diligência pela Resolução n. 3102000.278, nos seguintes termos: VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a Fiscalização Federal proceda á classificação das atividades contratadas pela Recorrente à luz das considerações apresentadas. Outrossim, para as Contribuições que venham ser apuradas no Sistema NãoCumulativo, sejam levado sem contato dos os créditos computados na contabilidade da empresa, independentemente de terem eles sido informados ou não na DACON. As considerações para que se chegasse à conclusão pela necessidade de realização da diligência, feitas pelo I. Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, foram as seguintes: Em apertada síntese, o i. Julgador de primeira instância considerou que o objeto dos contratos firmados pela parte não poderia ser classificado como obra de construção civil pelas seguintes razões: (i) vários referemse a serviços classificados como montagem e não construção civil; (ii) em um dos casos, a Recorrente faz, além da montagem, basicamente, atividade de acompanhamento da parte classificada como construção civil; (iii) muitos tratamse de serviços de manutenção e restauração; (iv) outros de fornecimento de materiais e equipamentos eletromecânicos com respectiva montagem e (v) um deles de implantação de um sistema de telecomunicação. Conforme site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em se tratando de responsabilidade pelo pagamento do INSS, considerase obra da construção civil. Regularização de Obra de Construção Civil Obra de construção civil:é a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Por outro lado, o Decreto 7.708/12, ao instituir a Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio – NBS, que, conforme artigo 2º será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados, introduz definições relevantes para solução da lide, como segue. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 13 12 SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção (...) 1.0117.00.00 Serviços de montagem e edificação de construções pré fabricadas (...) SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Considerações Gerais (...) Capítulo 1Serviços de construção Notas (...) 4)Incluemse nas posições 1.0101, 1.0105, 1.0106, 1.0109, 1.0127, 1.0128 e 1.0138 e nas subposições 1.0107.2 e 1.0108.2, além dos serviços de construção, os serviços de reparo. (grifos meus) (...) Considerações Gerais O Capítulo 1 inclui todos os serviços de pré edificação; os serviços pertinentes a novas construções e os serviços pertinentes a reparos, alterações e restaurações de edifícios residenciais, não residenciais e trabalhos de engenharia civil. Os itens aqui classificados são os serviços essenciais no processo de edificação de diferentes tipos de construção e o resultado final das atividades de construção. Inclui também o aluguel de equipamentos para construção ou demolição de edifícios ou trabalhos de engenharia civil, com operador. (...) 1.0117 Serviços de montagem e edificação de construções pré fabricadas Nota Explicativa Aqui se classificam os serviços de instalação e montagem de edificações e de outras estruturas pré fabricadas, bem como os serviços de instalação de mobiliário urbano, como por exemplo, abrigos para ônibus e bancos em praças. Estão excluídos desta posição: 1Serviços de construção de estruturas, que se classificam na posição 1.0119; e 2Serviços de edificação de partes préfabricadas de aço para edifícios e outras estruturas, que se classificam em serviços de estruturas de aço estrutural da posição 1.0122. Dos excertos acima transcritos, pareceme que os critérios de classificação de serviços estabelecidos na legislação de regência determinam que se incluam no conceito de construção civil alguns dos serviços de montagem, reparo e manutenção rejeitados na decisão de primeira instância. Por outro lado, o Capítulo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.708/12 especifica outros serviços, não passíveis de serem classificados no Capítulo 1, como construção. Capítulo 20Serviços de manutenção, reparação e instalação (exceto construção) Notas. 1)No presente Capítulo, entendese por: Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 14 13 a)“manutenção” o ato de manter um bem no estado em que foi recebido, o que é feito por meio da reunião de ações técnicas e administrativas, evitando assim sua deterioração; b)“reparação” a ação corretiva efetuada com o intuito de consertar maquinário ou equipamentos, restabelecendo o desempenho original dos mesmos; c)“instalação” a montagem de maquinário ou equipamentos. 2)Na posição 1.2001: a)são exemplos de “produtos metálicos”: aquecedores e caldeiras industriais; geradores, condensadores, superaquecedores e coletores de vapor; tubulações e partes auxiliares dos geradores de vapor; tanques e reservatórios, dentre outros; b)o termo “computador” abrange desde microcomputadores até computadores centrais (mainframe), incluindose aí os chamados super computadores; c)entendese por “veículo automotor rodoviário” todo veículo que circule por seus próprios meios, o que normalmente é feito por motor de propulsão, e que sirva, em regra, para o transporte viário de pessoas e coisas ou para tração viária de veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas; a expressão compreende ainda os veículos conectados a uma linha elétrica, porém que não circulam sobre trilhos. Os critérios orientam no sentido de que não sejam classificados como obras de construção civil os serviços de montagem, reparo, manutenção etc efetuados em equipamentos, máquinas, utensílios. De uma maneira geral, observase trataremse de serviços que não são realizados em bens imóveis, mas em bens móveis diversos. Esses pressuposto, como está claro, não convergem com os critérios adotados em primeira instância para classificação da atividade contratada pela Recorrente. Noutro vértice, a leitura do objeto dos contratos sugere que, pelo menos em alguns casos, a atividade contratada deve, mesmo, ser classificada no Capítulo 20 e não no Capítulo 1. De tudo isso, pareceme necessário o reexame das conclusões à luz das considerações acrescentadas no presente Voto, o que, inclusive, dará a chance à Fiscalização Federal de manifestarse, no mérito, sobre a classificação das atividades contratadas, o que não foi possível, em um primeiro momento, por conta do não atendimento, por parte do contribuinte, à intimação para apresentação de documentos. Por fim, acrescentese que o fato de o contribuinte figurar apenas como administrador da obra não me parece que seja razão para deixar de considerar a operação como uma obra de construção civil, ex vi o teor do inciso XX do artigo 10 da Lei 10.833/03. Assim, considerando que os contratos que fazem parte do presente processo, são similares aos apresentados no processo n. 12898.000039/201039, e, digase de passagem, foram apresentados à autoridade fiscal desde o início da fiscalização, entendo que no caso em comento deve ser aplicada a mesma solução. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 15 14 Vale ressaltar que no processo acima mencionado, a conclusão do relatório da diligência reclassificou vários contratos apresentados pela recorrente considerandoos como contratos de obra de construção civil e, consequentemente, suas receitas seriam submetidas ao regime cumulativo das contribuições. Destarte, entendo que os contratos abaixo relacionados, devem ser analisados sob a ótica do Decreto 7.708/12, descrita em parágrafos acima (planilha efls. 856/858): II Dos Insumos Não obstante, verificase ainda que os créditos relacionados a insumos empregados na atividade da recorrente, trazidos em planilhas, declarações e registros contábeis, foram totalmente glosados pela fiscalização e mantidos na decisão de piso, sob o argumente de não se enquadrarem no conceito de insumo trazidos pela IN SRF n 404/2004. Para dirimir todas as peculiaridades que envolve a questão do crédito de PIS/COFINS, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 16 15 "Pacificando" o litígio, o STJ julgou a matéria, na sistemática de recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 17 16 Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR A PGFN opôs embargos de declaração e o contribuinte interpôs recurso extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do repetitivo, nos seguintes termos: "42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]64. Feitas essas considerações, concluise que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o entendimento do STJ de que: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 18 17 eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 65. Considerando a pacificação da temática no âmbito do STJ sob o regime da repercussão geral (art. 1.036 e seguintes do CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à União, a matéria apreciada enquadrase na previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, os quais autorizam a dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, por parte da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. 66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002[6], cumprindolhe, inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art. 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014). 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressaltese, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o AuditorFiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Devese, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. V Encaminhamentos 69. Ante o exposto, propõese seja autorizada a dispensa de contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:" Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 19 18 Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo, ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de qualidade de produtos, tratamento de efluentes do processo produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item 5 do parecer), os dispêndios com a formação de bens sujeitos à exaustão, despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares em bens do ativo imobilizado da produção, materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização dos ativos produtivos (item 7 do parecer), dispêndios de desenvolvimento que resulte em ativo intangível que efetivamente resulte em insumo ou em produto destinado à venda ou em prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com combustíveis e lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matériaprima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividadefim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (item 10 do parecer), testes de qualidade de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer). Por outro lado, entendeu que o julgamento (questões estas que não possuem caráter definitivo e que podem ser revistas em julgamento administrativo) não daria margem à tomada de créditos de insumos nas atividades de revenda de bens (item 2 do parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da produção de bens ou prestação de serviços (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou para entrega ao cliente (nesta última situação, tomaria crédito como frete em operações de Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 20 19 venda), embalagens para transporte de produtos acabados, combustíveis em frotas próprias (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento de ativos intangíveis malsucedidos ou que não se vinculem à produção ou prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço malsucedido), contratação de pessoa jurídica para exercer atividades terceirizadas no setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos da pessoa jurídica contratante (item 9.1 do parecer), dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer), combustíveis e lubrificantes utilizados fora da produção ou prestação de serviços, exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes (item 10 do parecer), auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação de serviços (item 11 do parecer). Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do Parecer Normativo Cosit 05/2018, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Os documentos trazidos pela recorrente no decorrer da fiscalização apontam a existência de aquisição de produtos utilizados como insumos no desempenho de suas atividades, entretanto, não há um detalhamento ou mapeamento de onde é utilizado o suposto insumo e qual seria sua função no processo produtivo Assim, necessário se faz que a recorrente demonstre no processo, de preferência em planilhas, onde quais são, onde são utilizados os produtos que entende ser insumos para a sua atividade, bem como indique a sua função. III Conclusão Desta feita, voto por converter o julgamento em diligência, para que (i) a autoridade fiscal proceda à classificação dos contratos descritos na planilha indicada acima no corpo do presente voto, à luz das considerações apresentadas sobre o conceito de serviços de construção civil do Decreto nº 7.708/12 e, (ii) intime a recorrente para demonstrar, de preferência em planilhas, quais são, onde são utilizados os produtos que entende como insumos para a sua atividade, além de indicar a sua função no processo produtivo. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16682.722299/201711 Resolução nº 3302000.965 S3C3T2 Fl. 21 20 manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 878DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720689/2014-86
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não se conhece de recurso especial que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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PREJUÍZO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IPANEMA AGRÍCOLA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se conhece de recurso especial que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 06 89 /2 01 4- 86 Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.873 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado contra o acórdão de nº 1301002.553 (efls. 1.702/1.727) proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 15/8/2017, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA SALDO DE PREJUÍZO GLOSA. A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco revise o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado. IRPJ. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE SALDOS NEGATIVOS ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA. Constitui revisão de lançamento a redução do saldo negativo decorrente da alteração da base de cálculo, razão pela qual não se opera a decadência EXCLUSÃO A TÍTULO DE DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Afastase a exigência a esse título, quando demonstrado que os valores excluídos correspondem às aquisições de imobilizado do ano, para a atividade rural, e a análise dos lançamentos constantes dos razões contábeis evidencia de forma detalhada e individualizada as exclusões efetuadas pela empresa. Extraise dos autos os seguintes fatos: tratase de auto de infração de IRPJ, relativo aos anos calendário de 2009 a 2012, acrescido de juros e multa de ofício de 225%, lavrado em decorrência das seguintes infrações: (1) compensação indevida de prejuízos fiscais, nos montantes de R$ 7.991.268,79, R$ 3.092.651,95, R$ 10.439.915,01 e R$ 6.943.340,10, com os resultados apurados nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente; (2) compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com “saldo inexistente de prejuízo fiscal” no montante de R$ 2.941.422,15; e (3) exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.601.022,72, a título de depreciação acelerada. as exigências resultantes das infrações (1) e (2) tiveram como fundamento a interpretação que o agente fiscal deu à decisão judicial no Mandado de Segurança nº 94.00238258, com base na qual a empresa efetuou a dedução fiscal da diferença de correção monetária de balanço correspondente ao expurgo inflacionário do Plano Verão, aplicada sobre as despesas de depreciação, exaustão, amortização e baixas; Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.874 3 cientificado do auto de infração em 31/03/2014, o contribuinte apresentou, em 29/04/2014, a impugnação de fls. 772/825. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília julgou a impugnação procedente em parte, para cancelar a parcela referente às infrações (2) e (3), bem como afastar o agravamento e qualificação da multa de ofício pela ausência de dolo em relação à controvérsia quanto à interpretação do conteúdo da decisão transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança, reduzindo a multa para 75%. Dessa decisão coube recurso de ofício. Em face da manutenção parcial da autuação (infração 2), o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: a decadência do direito de lançar o valor autuado em vista da indevida recomposição das apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos períodos de 1990 a 2008; a ilegalidade da compensação retroativa de prejuízos fiscais; adoção de critérios equivocados para a quantificação do valor autuado em razão da ausência da correção dos efeitos integrais da correção monetária de balanço pela inobservância do conteúdo da coisa julgada proferida em sede de Mandado de Segurança nº 94.00.238258, que teria garantido ao contribuinte o direito de deduzir, da base de cálculo da CSLL, as despesas decorrentes da correção monetária do seu ativo permanente, computandose os expurgos inflacionários decorrentes do Plano Verão (1989); a recomposição e legitimidade dos prejuízos fiscais glosados. O recurso voluntário foi provido pela 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que reconheceu a decadência do lançamento, por este ser oriundo da compensação de oficio e retroativa de prejuízos fiscais com valores de CSLL em relação aos anos de 2004 a 2008, que resultou na apuração de valores devidos a título de CSLL entre os anos de 2009 a 2012. Intimada sobre o resultado e teor do acórdão nº 1301002.553, a PFN, tempestivamente, apresenta recurso especial de divergência (efls. 1.729/1.741), indicando como paradigmas os Acórdãos nºs 110200.785 e 10419.219, que veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº 110200.785 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.875 4 fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO AUFERIDO POR CONTROLADA OU COLIGADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos por pessoa jurídica controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A alienação de investimento em controlada ou coligada, domiciliada no exterior, caracteriza disponibilização dos lucros auferidos por intermédio da referida controlada ou coligada e ainda não tributados no Brasil, os quais devem ser adicionados ao lucro liquido da alienante, para efeito de determinação do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula Acórdão nº 10419.219 IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. IRPF ATIVIDADE RURAL PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS CORREÇÃO MONETÁRIA Os prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei n° 8.23/90, artigos 14 e 15 , são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado, o óbice administrativo à sua correção plena, por índices legalmente admitidos, para efeitos de sua compensação. Em suma, a PFN discorda do entendimento manifestado no acórdão recorrido que reconheceu a decadência do direito à glosa de prejuízos fiscais de período não decadente, Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.876 5 em face da repercussão de períodos pretéritos, anteriores aos cincos anos fixados na regra do art. 150, § 4º, do CTN. Aduz que os paradigmas afirmam que o transcurso do prazo decadencial no tocante aos períodos pretéritos, que repercutem na formação de prejuízos fiscais futuros, não impedem o lançamento decorrente da glosa do saldo apurado em exercício não decadente. Por conseguinte, para os paradigmas é permitida a glosa de prejuízos fiscais (e bases negativas) quando o contribuinte aproveita prejuízos fiscais (e bases negativas) inexistentes e indevidos, ainda que já transcorridos mais de 5 (cinco) anos. A decadência, assim, não abrangeria a revisão de valores (prejuízos fiscais e bases negativas) quando estes influenciam na apuração do resultado de anocalendário ainda não decadente. Nesse sentido, lembra que a autuação decorre da compensação indevida de prejuízos fiscais e de bases negativa da CSLL no período de 2009 a 2012. Desse modo, ao contrário do que afirma a Turma recorrida, não haveria como reconhecer a decadência do direito de o Fisco glosar o valor dos prejuízos fiscais (e bases negativas) acumulados de 2009 a 2012, uma vez que, inobstante a repercussão de fatos anteriores, o período se insere no quinquênio legal fixado para a constituição do crédito tributário neste lançamento, efetuado em tempo hábil. Diz ainda que o tempo não pode transformar em verdadeiro determinado fato (prejuízo e base negativa) inexistente e cita julgados administrativos e judiciais. Ao final, requer seja admitido e provido o recurso especial para que seja afastada a decadência e restabelecida a decisão de primeira instância. Pelo despacho de admissibilidade de efls. 1.812/1.818, foi dado seguimento ao recurso fazendário. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1.827/1.851) em que diz que o recurso especial da PFN é inadmissível diante de "eleição de premissa fática equivocada". Aduz que, diversamente do que foi asseverado pela recorrente, bem como no despacho de admissibilidade, a decretação da decadência em relação ao lançamento efetuado pela Fiscalização não ocorreu somente em razão da reavaliação do prejuízo fiscal anterior a 2009, mas também, e principalmente, em razão da metodologia ilegal e equivocada utilizada para mensurar o valor lançado. Isto porque, para conseguir apurar valores em aberto a título de IRPJ passíveis de lançamento entre os anos de 2009 a 2012, a Fiscalização teria adotado um procedimento de compensações retroativas de prejuízos fiscais com valores de IRPJ supostamente em aberto, incorrendo em patente ilegalidade e arbitrariedade, por não haver previsão legal para a realização desse procedimento na situação em questão, e que esse teria sido o fator determinante para a decretação da decadência pelo colegiado a quo. No mérito, defende que a decadência em relação ao valor autuado é patente e que a fiscalização deixou de observar o prazo decadencial do crédito tributário, devendo ter se limitado a analisar prejuízos fiscais apurados apenas no período objeto do lançamento, entre 2009 e 2012. Assinala que a decadência impede que a fiscalização glose prejuízos fiscais apurados há mais de 5 anos, porque o prejuízo é formado, declarado e informado em suas Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.877 6 declarações fiscais, permitindose que o Fisco já tenha condições de analisar a sua pertinência e quantificação respeitando o prazo decadencial. Ao final, pede alternativamente: i) seja inadmitido o recurso especial, haja vista a comprovação de eleição de premissa equivocada tanto pela recorrente quanto pelo despacho de admissibilidade, em relação ao fundamento do acórdão recorrido e, por conseguinte, da imprestabilidade dos acórdãos paradigmas para o conhecimento do recurso; ii) lhe seja integralmente negado provimento, mantendose o cancelamento do lançamento autuado em vista da decadência da Fiscalização em rever os prejuízos fiscais de períodos anteriores a 2009; iii) em caso de provimento, seja determinado o retorno dos autos para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção apreciar as demais alegações de mérito aduzidas pela Recorrida em seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Preliminarmente O recurso especial interposto pela PFN é tempestivo. Contudo, o contribuinte apresenta, em contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido o apelo especial, por entender que os paradigmas foram ofertados com base em uma premissa equivocada sustentada pela Fazenda Nacional que não teria se confirmado no acórdão recorrido. Afirma que a decretação da decadência não ocorreu somente em razão da reavaliação do prejuízo fiscal anterior a 2009, mas também, em razão da metodologia ilegal e equivocada utilizada para mensurar o valor lançado, eis que a Fiscalização teria adotado um procedimento de compensações retroativas de prejuízos fiscais com valores de IRPJ supostamente em aberto. Sustenta, por fim, a imprestabilidade dos acórdãos paradigmas para o conhecimento do recurso. Passo a apreciar a admissibilidade recursal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.878 7 modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Analisando os fatos demonstrados nos autos, a maioria dos membros do colegiado a quo acatou as razões da defesa e cancelou a autuação. O voto condutor do acórdão recorrido está assentado nos seguintes fundamentos: No caso em tela, ficou evidenciado que a fiscalização retroagiu a períodos em que não era mais possível alterar a base de cálculo dos tributos, em razão da necessidade de lançamento fiscal para tanto, desde que, como apontado, observado o prazo decadencial. Desse modo, como não poderia ser realizado o lançamento em períodos anteriores, o agente fiscal procedeu a "compensação retroativa de prejuízo fiscais, quando apurou bases de cálculo positivas, em razão dos ajustes efetuados, inclusive quanto ao mérito da exação fiscal diferença dos IPC/BTNF, ocorrido pela primeira vez no AC 2004 e posteriormente nos anos de 2005 a 2008. Como o lançamento não poderia ter sido efetuado, a fiscalização "carregou" essa base de cálculo positiva para períodos posteriores em que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais, consumindo esses prejuízos em com esses lucros anteriores. Com efeito, os períodos futuros em que o contribuinte compensou tais prejuízos, redundou em insuficiência de prejuízos a compensar. O primeiro período de apuração objeto de lançamento foi em 2009, pois, em relação a tal período, não havia decadência em 2014, época da formalização do lançamento. Desse modo, a fiscalização realizou em 2014 lançamentos que somente poderiam ter sido efetuado em 5 anos da suposta base de cálculo positiva, ora, resultante de períodos retroativos, que fora consumados pela decadência. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.879 8 Assim, entendo que o fisco agiu erroneamente tanto na questão da compensação retroativa para amortizar prejuízos apurados em períodos anteriores, quanto na requalificação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, uma vez que alcançados pela decadência. Diante o acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, a fim de exonerar o crédito tributário lançado no tocante a infração (i). (grifouse) Como se pode ver, o voto condutor do acórdão recorrido não acolheu o procedimento fiscal na parte em que a Fiscalização efetuou a denominada "compensação retroativa" nem a requalificação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pela decadência. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal, às efls. 28/47, descreve que a Fiscalização refez os cálculos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, a partir da DIPJ e do LALUR, confrontando os valores registrados pelo contribuinte com os dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal. Desse ponto em diante, a Fiscalização, de ofício, compensou os prejuízos e a base de cálculo negativa da atividade rural com o lucro das demais atividades, desde o ano calendário de 1991 até o anocalendário de 2008. Com isso, os saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa a compensar, em 31/12/2008, restaram reduzidos, o que se refletiu no lapso temporal entre 2009 e 2012, justamente o período abarcado pelo lançamento fiscal. Por sua vez, o Recurso Especial da PFN sustenta que a decadência não abrange a revisão de valores (prejuízos fiscais e bases negativas) quando estes influenciam na apuração do resultado de anocalendário ainda não decadente. Alude aos acórdãos nº 1102 00.785 e 10419.219. Segue a transcrição das respectivas ementas e trechos colacionados pela recorrente a fim de caracterizar o dissídio jurisprudencial: Acórdão nº 110200.785: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. (grifouse) Voto Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.880 9 .... Quanto à alegação de decadência, de se observar que não há, no caso, lançamento de tributo relativo aos balanços da pessoa jurídica domiciliada no exterior levantados nesses anos, nem mesmo propriamente de auditoria de seus resultados, senão tão somente a exigência de comprovação dos resultados negativos que alega ter, os quais repercutem no período fiscalizado. O lançamento é de disponibilização de lucros ocorrida no ano calendário de 2002, e foi cientificado à recorrente em 21.12.2007, portanto dentro do prazo quinquenal de que dispõe o fisco. Neste sentido, as ementas dos acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes colacionadas pela decisão recorrida, bem como as considerações feitas pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarazões, são bastante elucidativas, expressando a plena possibilidade de exame, pelo fisco, dos livros e documentos das pessoas jurídicas sem limitação temporal, bem como a necessidade de que os fatos formados no passado repercutam na sua exata dimensão, sem distorções, nos períodos futuros ainda não atingidos pela decadência, exatamente como ocorreu no presente caso. (trecho do voto condutor) Acórdão nº 10419.219: IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de anocalendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. (grifouse) Voto .... De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência. Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.881 10 incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referência. Aliás, o próprio CTN ratifica o entendimento, através de seu artigo 195, invocado pela autoridade recorrida. Este dispositivo infraconstitucional, ao introduzir, na área tributária, o artigo 10, § 30 do Código Comercial, expressamente determina, em seu § único,"verbis": ... A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. (trecho do voto condutor) Portanto, revelase inequívoco que os acórdãos suscitados como paradigmas não refletem qualquer posição sobre a juridicidade da denominada "compensação retroativa." De outro lado, é certo que o voto condutor do acórdão recorrido deu grande relevo a esse tema, ao explicitar que, "desse modo, como não poderia ser realizado o lançamento em períodos anteriores, o agente fiscal procedeu a "compensação retroativa de prejuízo fiscais, quando apurou bases de cálculo positivas, em razão dos ajustes efetuados, inclusive quanto ao mérito da exação fiscal diferença dos IPC/BTNF, ocorrido pela primeira vez no AC 2004 e posteriormente nos anos de 2005 a 2008". Prosseguindo, o voto condutor do acórdão recorrido conclui: Como o lançamento não poderia ter sido efetuado, a fiscalização "carregou" essa base de cálculo positiva para períodos posteriores em que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais, consumindo esses prejuízos em com esses lucros anteriores. Com efeito, os períodos futuros em que o contribuinte compensou tais prejuízos, redundou em insuficiência de prejuízos a compensar. Nesse cenário, o voto condutor do acórdão recorrido não apenas baseouse na proibição à superação do prazo de cinco anos para a efetivação da revisão dos valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativa da CSLL; baseouse também no erro da compensação retroativa, ao expressar, por derradeiro, "que o fisco agiu erroneamente tanto na questão da compensação retroativa para amortizar prejuízos apurados em períodos anteriores, quanto na requalificação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL." Como se vê, o relator trata do aspecto temporal dizendo que a fiscalização não poderia ter retroagido a períodos anteriores alcançados pela decadência, para recompor os valores das bases de cálculo em razão direta desconsideração dos prejuízos fiscais e das bases negativas de forma cronológica até o período não decaído para promover o lançamento desse período. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.882 11 Assim, não se trata apenas de recálculo dos prejuízos fiscais, como apontado no recurso especial; há também a compensação de prejuízos fiscais em períodos pretéritos, que, sem dúvida, é tratada no voto condutor do acórdão recorrido como razão de decidir e não é mencionada no recurso especial. Verificase, portanto, que a recorrente deixou de apresentar paradigma relacionado à compensação, efetuada de ofício, entre lucros e prejuízos fiscais. Dessa maneira, resta caracterizada a insuficiência recursal por parte da Fazenda Nacional. Nesse sentido, os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF, por não se verificar a necessária similitude fática entre eles e o recorrido. A análise dos paradigmas evidencia que as situações apresentadas são distintas do caso ora analisado, uma vez que tratam apenas de autuações em que se exigiu a comprovação dos resultados negativos de períodos pretéritos (ainda que, em tese, decaídos) que repercutiriam no período objeto de lançamento. Naqueles precedentes inexistiu a situação verificada nos autos, destacada pelo voto condutor do acórdão recorrido, em que a autoridade fiscal realizou a "compensação retroativa de prejuízo fiscais, quando apurou bases de cálculo positivas, em razão dos ajustes efetuados" em períodos pretéritos. O primeiro paradigma Acórdão nº 110200.785 como visto, especificamente na parte controvertida, decidiu: PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. Naquele processo tratouse de tributação de lucros auferidos com coligada/controlada no exterior. Discutiuse se, em decorrência da transferência de ações possuídas na HOHNECK para a SKOL, teria ou não ocorrido disponibilização dos lucros apurados pela HOHNECK à AMBEV, ensejando, então, a tributação destes no Brasil. A autoridade fiscal teria constatado que a coligada HOHNECK no exterior apurou prejuízo fiscal nos anos de 1999, 2000 e 2001 e lucro no ano de 2002. Entretanto, por não ter sido apresentada a documentação que lastreou os registros contábeis, a fiscalização desconsiderou os prejuízos apurados nos anos de 1999, 2000 e 2001 e lavrou, em 2007, auto de infração de IRPJ e CSLL referente ao lucro do ano de 2002. No voto, o relator consignou, em resumo: Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.883 12 Deste modo, por absoluta falta de comprovação, correto o procedimento fiscal de desconsiderar os prejuízos alegadamente sofridos em 1999, 2000, e 2001. Não há nenhuma incoerência em não acatar a compensação de alegados prejuízos, por absoluta falta de comprovação destes, e tomar o resultado positivo demonstrado pela recorrente em balanço de 2002, e em nenhum momento infirmado, como sendo o correto. Quanto à alegação de decadência, de se observar que não há, no caso, lançamento de tributo relativo aos balanços da pessoa jurídica domiciliada no exterior levantados nesses anos, nem mesmo propriamente de auditoria de seus resultados, senão tão somente a exigência de comprovação dos resultados negativos que alega ter, os quais repercutem no período fiscalizado. O lançamento é de disponibilização de lucros ocorrida no ano calendário de 2002, e foi cientificado à recorrente em 21.12.2007, portanto dentro do prazo quinquenal de que dispõe o fisco. Neste sentido, as ementas dos acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes colacionadas pela decisão recorrida, bem como as considerações feitas pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarazões, são bastante elucidativas, expressando a plena possibilidade de exame, pelo fisco, dos livros e documentos das pessoas jurídicas sem limitação temporal, bem como a necessidade de que os fatos formados no passado repercutam na sua exata dimensão, sem distorções, nos períodos futuros ainda não atingidos pela decadência, exatamente como ocorreu no presente caso. (destacouse) Denotase que, no caso do paradigma, os prejuízos fiscais da HOHNECK no exterior, nos anos 1999, 2000 e 2001, foram considerados como não comprovados, o que resultou na sua desconsideração no confronto com o resultado positivo apurado em 2002. Naquele caso, o colegiado entendeu que é plenamente possível ao fisco proceder ao exame dos livros e documentos das pessoas jurídicas sem limitação temporal, bem como é necessário que os fatos formados no passado repercutam na sua exata dimensão, sem distorções, nos períodos futuros ainda não atingidos pela decadência Não é o mesmo caso dos autos, em que a autoridade fiscal não se limitou "somente a exigência de comprovação dos resultados negativos que [o contribuinte] alega ter, os quais repercutem no período fiscalizado", mas foi além e efetuou uma auditoria nos resultados apurados em anos anteriores ao período fiscalizado. Neste caso, a autoridade fiscal promoveu o confronto entre os valores apurados pelo sujeito passivo e controlados em LALUR e declarados em DIPJ, com aqueles constantes do sistema interno da Receita Federal que controla os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL SAPLI, como bem relatado no voto proferido no acórdão recorrido: Conforme TVF às fls 27 a 37, foram verificadas divergências de saldo de prejuízo fiscais e base negativa de CSLL lançados no LALUR e DIPJ da Recorrente quando confrontados com os saldos existentes pelo sistema da Receita Federal (SAPLI). Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.884 13 A recomposição compreendeu o período de 1991 a 2008. A partir de então foi constituído o crédito tributário resultante, com nova composição dos LALUR anocalendário 2009 até 2012, período da autuação fiscal. Nesse ponto, a Recorrente alega que a fiscalização, ao realizar tal recomposição acabou por retroceder abusivamente no tempo, vez que apurou as bases de cálculo do IRPJ e CSLL de período 1991 a 2008. Dessa forma, conclui, que as apurações dos referido período já estavam consolidadas no tempo e imutáveis, vez que já alcançadas pela decadência, com base no parágrafo 150 §4º do CTN. Assim, apesar do lançamento se referenciar aos períodos base de 2009 a 2012, o fisco incorreu em glosas referentes períodos pretéritos, refazendo os valores apurados pelo contribuinte. Tal conduta foi verificada na recomposição dos anoscalendário de 1996 a 1998, conforme fl. 14 do TVF. Ou seja, no recorrido houve a compensação retroativa de prejuízo fiscais, a partir da apuração de bases de cálculo positivas em períodos, em tese, decadentes, enquanto no paradigma a situação fática se limitou à falta de comprovação do saldo de prejuízos fiscais utilizados em compensação em período, em tese, não decadente. Logo, não está caracterizada a similitude fática apta a demonstrar a divergência jurisprudencial na comparação entre este paradigma e o acórdão recorrido. Passando a análise ao paradigma seguinte Acórdão nºs 10419.219 recebeu a seguinte ementa no que toca especificamente ao tema: IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Transcrevese do relatório: Tratase de exigência de ofício do imposto de renda de pessoa física, atinente aos exercícios de 1996 a 2000, anos calendários de 1995 a 1999, fundamentada em glosa de prejuízos da atividade rural, compensados nas declarações de rendimentos correspondentes àqueles anos civis. De acordo com a fiscalização, intimado o sujeito passivo a apresentar demonstrativo da compensação d prejuízos do exercício anterior, relativamente à declaração anual de ajuste relativa ao ano calendário de 1994, corroborado por documentação contábil, o Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.885 14 contribuinte apresentou a documentação de fls .149/150 e os esclarecimentos e documentos de fls.153/183. Através destes documentos demonstra a utilização de índices de correção monetária dos valores, com base na Lei n° 8.200/91 e artigo 16 da Lei n° 8.218/91 correção monetária de prejuízos e de saldos de incentivos fiscais, dos anos calendários de 1989 e 1990. Com fundamento no artigo 19, § único, da Lei n° 9.250/95 (RIR/99, art. 65), de que a pessoa física é obrigada à guarda e conservação do livro caixa e dos documentos fiscais que demonstra apuração do prejuízo a compensar. A fiscalização fundamenta a glosa por considerar a) não terem sido comprovados os valores dos anos calendários de 1989 a 1992, corrigidos monetariamente, no montante de 5.010.912,44 UFIR, utilizados à compensação nas declarações dos exercícios de 1996 a 2000, fls. 20; b) a legislação de que se valeu o contribuinte para correção dos valores somente é aplicável às pessoas jurídicas e à apuração de ganho de capital das pessoas físicas. Não, à atividade rural. Ao impugnar a exigência o contribuinte alega, em síntese: 1. da decadência do direito de rever lançamento relativo aos anos calendários de 1989 e 1990, face ao disposto no artigo 150, § 40, do CTN, Acórdão do TRF 2 . Região n° 95.04.58329 e deste Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas ementas são transcritas nos autos, fls.174/175; [...] E, do voto: Duas são as questões dos presentes autos: a preliminar de decadência, relativamente a valores apurados em anos calendários anteriores, que influam em ano calendário não abrangido pela caducidade e, a correção monetária de prejuízos apurados na atividade rural, se admissível a utilização para tal, das disposições da Lei n° 8.200/91 e 8.218/91, art. 16. [...] De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência. Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10660.720689/201486 Acórdão n.º 9101003.980 CSRFT1 Fl. 1.886 15 motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. A transcrição literal do relatório e do voto do segundo paradigma também evidencia que não se trata de situação fática similar àquela apreciada pelo acórdão recorrido, pois neste paradigma, assim como no primeiro, houve a simples desconsideração de prejuízos fiscais apurados em períodos, em tese, decaídos com repercussão em período de apuração não alcançado pela decadência. Conclusão Por todos estes fundamentos, voto no sentido não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1886DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.721081/2011-58
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário sem preliminar de tempestividade interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, não será conhecido.
Numero da decisão: 2003-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Recurso Voluntário sem preliminar de tempestividade interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, não será conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 10 81 /2 01 1- 58 Fl. 1037DF CARF MF 2 Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ R$ 34.368,69, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2008, anobase de 2007, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da omissão de rendimentos honorários advocatícios recebidos de pessoa jurídica (fls. 27 a 33). Impugnação Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando a necessidade da realização de perícia (indicando quesitos e dados específicos), bem como o abaixo sintetizado (fls. 02/25): 1. que rateia a receita proveniente de honorários advocatícios com outros profissionais, conforme declarações de ajuste acostadas aos autos; 2. que não apresenta disponibilidade econômica ou jurídica da receita indicada pelo Autuante como tendo sido omitida, ficando afastada a ocorrência do fato gerador do imposto; Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os argumentos sintetizados abaixo (fls.1.007/1.014): 1. a alegação de que os valores recebidos foram rateados com outros advogados não se sustenta, pois está desacompanhada de prova dos supostos repasses; 2. a perícia requerida é prescindível, já que a quesitação formulada apenas refletiria itens que supostamente já deveriam ter sido demonstrados pelo Impugnante. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos (fls. 1.021/1.031): 1. os rendimentos tidos por omitidos segundo a Autoridade Fiscal são ingressos nunca pertencidos; já que trabalha em sociedade com outros advogados. Nessa condição, as requisições de pagamentos ou de precatórios são expedidas com o CPF de um dos profissionais atuante no processo, e não em nome da sociedade. Por conseguinte, não houve a ocorrência do fato gerador apontado na autuação; 2. a solução da questão (comprovação do repasse aos demais profissionais) carece da realização de perícia, objetivando a busca da verdade material;. 3. Por fim, requer o provimento integral do Recurso, determinando a produção de prova material por meio de perícia, a fim de provar a improcedência do lançamento. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 11060.721081/201158 Acórdão n.º 2003000.016 S2C0T3 Fl. 1.038 3 Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade Como se pode notar, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. De igual relevância, cumpre aferir a data de ocorrência de ciência do Acórdão recorrido, momento em que se considerou intimado o Contribuinte, com fins à abertura da contagem de prazo para a interposição do Recurso em análise. Assim considerado, o citado Decreto determina que a ciência da intimação feita por via postal se dará no dia do seu recebimento (art. 23). Ademais, na reportada contagem, os prazos são contínuos, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5.º, caput), bem como só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na Repartição Fiscal (art. 5.º, parágrafo único). Confira se: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (grifo nosso) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. [...] Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 1039DF CARF MF 4 Superado o formato legal atinente ao lapso temporal estabelecido para a interposição do Recurso Voluntário aí se incluindo o momento de ocorrência da ciência, assim como o prazo em si e sua forma de contagem passo a enfrentar o caso em debate. Consta nos autos que o Contribuinte foi intimado da Decisão recorrida (Intimação de Resultado de Julgamento nº 0016/2015 fls. 1.016), por via postal, com recebimento datado de 03/02/2015, terçafeira (Aviso de Recebimento fls. 1.018). Logo, o início da contagem do prazo ora questionado ocorreu no dia 04/02/2015, quartafeira, restando seu termo no dia 05/03/2015, quintafeira. Contudo, mencionado Recurso somente foi interposto no dia 09/03/2015 (fls.1.021), revelandose notoriamente extemporâneo. Por oportuno, convém ressaltar que a peça Recursal nada se manifestou acerca da tempestividade, inclusive, se fosse o caso, trazendo provas que afastassem a preclusão temporal revelada pela prática de ato processual fora do prazo legalmente previsto (feriado local, greve, etc.). Portanto, restou afastada a capacidade processual, porque declinada dentro do prazo peremptório estabelecido em lei (preclusão temporal). Assinale, ainda, que não houve feriado estadual ou municipal na cidade de Santa Maria/RS durante a fluência do interregno para a interposição do supracitado Recurso informação disponível no sítio eletrônico "http://www.feriados.com.br/2015". Confirase: Feriados SANTA MARIA 2015 01/01/2015 Ano Novo 16/02/2015 Carnaval 17/02/2015 Carnaval 18/02/2015 Carnaval Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo Sujeito Passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confirase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Arrematando o que está posto, conforme se ver na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciandose o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 11060.721081/201158 Acórdão n.º 2003000.016 S2C0T3 Fl. 1.039 5 [...] § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (grifo nosso) Como visto, o Contribuinte declinou do direito de interpor sua pretensão em prazo hábil, razão por que a decisão recorrida alcançou todos os requisitos de definitividade na esfera administrativa. Pensar diferente implicaria afastar a aplicação de prescrição legal vigente a caso específico, ainda que atendidos os pressupostos de fato e de direito que lhes são próprios, competência que não dispõe a autoridade judicante administrativa. Nessa compreensão, conforme o art. 2º, § único, incisos I e VII, c/c com o art. 50, inciso V, da Lei nº 9.784/1999 de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal os atos que resultem decisão de recursos administrativos carecem, além da conformidade com a lei e o Direito, de motivação explicitando seus pressupostos de fato e de Direito. Confirmase: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (grifos nosso) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; [...] VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] V decidam recursos administrativos; Na verdade, considerando que referido Recurso Voluntário foi apresentado fora do prazo para sua interposição e ausente ponderação acerca da preliminar de tempestividade, entendo que a Unidade preparadora deveria têlo desconsiderado, dando início à cobrança administrativa do crédito apurado, e não ter dado continuidade a uma lide, cujo direito de recorrer já estava extinto. Por assim compreender, razoável pensar que foi dado tratamento semelhante a contextos, infinitamente, desiguais. É que recurso extemporâneo, mas contrapondo preliminar de tempestividade, conforma situação jurídica processual distinta daquela originária dos apelos onde mencionada preliminar deixar de ser atacada. Fl. 1041DF CARF MF 6 No ensejo, vale a transcrição do 35 do referenciado Decreto nº 70.235, de 1972, por que objeto de análise na seqüência: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. (grifo nosso) Nessa esteira, as disposições dos arts. 35 e 42 retromencionados deverão ser interpretadas em harmonia, já que compatíveis entre si, embora de "aspectos funcionais" próprios e distintos. Afinal, inaceitável se crer que uma decisão seja, ao mesmo tempo, não definitiva e definitiva, respectivamente, suspendendo a exigibilidade do crédito apurado por um lado assentindo o litígio (art. 35) e, por outro, dandolhe o prosseguimento da cobrança administrativa negando o litígio em face de ausência da interposição recursal em si (art. 42, inciso I), como também na parte não atacada no apelo ou não sujeita a recurso de ofício (art. 42, parágrafo único). Com efeito, resta claro que o mandamento visto no reportado art. 35 se apresenta na legislação (“...que julgará a perempção.") com a finalidade de DELIMITAR os recursos que serão encaminhados à segunda instância, ainda que intempestivos. Nesse mister, a ordem legal se impõe às situações com perempção pendente de julgamento, assim consideradas somente aquelas cuja preliminar de tempestividade foi atacada, e não qualquer recurso apresentado fora do prazo legal. De outro modo, os ditames do citado art. 42 tratam dos limites estabelecidos para a prática dos atos processuais, caracterizandose a preclusão com a perda do direito de exercício da pretensão em si, por ter se esgotado o prazo legal a isso definido. Por conseguinte, o eixo mandamental consignado em aludido artigo não contempla o afastamento da preclusão temporal de decisão definitiva de primeira instância em virtude da interposição extemporânea de recurso, o que implicaria o restabelecimento do contencioso. Conclusão Diante das razões de fato e de Direito ora expendidas, ausente a instauração do contencioso administrativo pressuposto necessário para a análise do mérito voto por NÃO CONHECER de mencionado Recurso Voluntário, visto sua INTEMPESTIVIDADE. Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 1042DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000856/2010-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/11/2007
RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. EXISTÊNCIA. DIVERGÊNCIA IDENTIFICADA. CONHECIMENTO.
Identificada a similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, bem como a divergência de entendimentos adotados nos julgados, merece ser conhecido o recurso especial.
GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS.
É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988.
Não demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, impossibilita-se a análise da subsunção do presente caso à norma isentiva referida e, portanto, não há como conferir o direito pleiteado.
Numero da decisão: 9202-007.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/11/2007 RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. EXISTÊNCIA. DIVERGÊNCIA IDENTIFICADA. CONHECIMENTO. Identificada a similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, bem como a divergência de entendimentos adotados nos julgados, merece ser conhecido o recurso especial. GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Não demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, impossibilita-se a análise da subsunção do presente caso à norma isentiva referida e, portanto, não há como conferir o direito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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SIMILITUDE FÁTICA. EXISTÊNCIA. DIVERGÊNCIA IDENTIFICADA. CONHECIMENTO. Identificada a similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, bem como a divergência de entendimentos adotados nos julgados, merece ser conhecido o recurso especial. GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decretolei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Não demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, impossibilitase a análise da subsunção do presente caso à norma isentiva referida e, portanto, não há como conferir o direito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 08 56 /2 01 0- 67 Fl. 253DF CARF MF 2 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2201003.895 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 13 de setembro de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 1887: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/11/2007 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. Se a legislação tributária previa isenção para a alienação de participação societária em função do tempo de permanência das ações em propriedade do contribuinte, isenção esta sem prazo certo, mas o contribuinte as alienou após a revogação do benefício, a operação realizada não está acobertada pelo favor legal, já que não há direito adquirido a regime jurídico. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO LÍQUIDO EM RENDA VARIÁVEL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA. Na apuração do ganho líquido auferido na alienação de ações em operações realizadas em bolsa de valores, é ônus do contribuinte a comprovação do seu custo de aquisição. Para tanto, não é suficiente a alegação de que os valores utilizados como custo vinham sendo historicamente declarados na DIRPF do interessado. Interposto o Recurso Especial pelo Contribuinte, fls. 204 a 227, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 232 a 236, para rediscutir a decisão recorrida no tocante ao direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei n.º 1.510/1976. Em seu recurso, aduz o Contribuinte, em síntese, que: a) a norma prevista no art. 4º da DecretoLei 1.510/76 concede isenção de imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13005.000856/201067 Acórdão n.º 9202007.614 CSRFT2 Fl. 3 3 ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária; b) temse que a isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei; c) em que pese a isenção prevista no DL 1510/76 tenha sido revogada pela Lei 7.713/88 e as alienações tenham ocorrido no ano de 2007, a totalidade das ações alienadas já entregavam o patrimônio do contribuinte há muito tempo, desde o final da década de 1970, já havendo transcorrido com folga o período de cinco anos que ensejava o direito à isenção do imposto de renda destas ações; d) fazem provas as declarações de renda dos anos de 1984, 1985, 1986 e 1987, bem como os demonstrativos de pagamento de dividendos dos mesmos anos das empresas Gerdau, Refinaria Ipiranga, Souza Cruz e Banco da Amazônia, o que provam que as ações contemplam o período de isenção que a lei concede; f) requer o integral provimento ao recurso. Intimado, a Fazenda apresentou Contrarrazões, fls. 238 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, com as seguintes considerações: a) não efetivada a alienação, depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, na vigência da lei que outorgou a isenção, caso esta seja revogada, não há que se falar em direito adquirido. b) conforme previsto no art. 178, a isenção pode ser revogada a qualquer tempo, exceto quando for concedida com prazo certo e em função de determinadas condições; c) no caso, não basta que se preencha o requisito de não alienação pelo prazo de 5 anos, pois a alienação teria que ter ocorrido na vigência da lei isentiva, para que a contribuinte tivesse direito à isenção, em razão de publicação de lei revogadora da isenção; d) pugna a Fazenda Nacional pelo desprovimento do recurso do contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Fl. 255DF CARF MF 4 Em suas contrarrazões, pugna a Procuradoria da Fazenda Nacional pelo não conhecimento do Recurso interposto pelo Contribuinte, aduzindo a ausência de divergência jurisprudencial. Apesar dos argumentos expostos pela Recorrida, entendo que merece ser conhecido o Recurso especial, consoante o disposto no Despacho de Admissibilidade: Com estas considerações, constatase que, a despeito de o acórdão recorrido ter apresentado dois fundamentos para o não provimento, o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte somente aborda a matéria relativa à isenção do Decretolei nº 1.510, de 1976. Alega o Recorrente, em síntese, que, embora tenha alienado as ações em questão após a revogação da isenção, a jurisprudência veiculada nos acórdãos paradigmas é pela preservação do direito adquirido, divergindo, neste ponto, do entendimento esposado pela decisão recorrida. A matéria objeto do recurso foi prequestionada e os acórdãos trazidos como paradigmas foram proferidos por turma diversa da que prolatou o acórdão recorrido, não contrariam as decisões elencadas no art. 67, § 12, do Anexo II, do RICARF, tampouco foram reformados e constam do sítio do CARF na Internet, portanto não há óbice ao seu exame. Quanto à divergência apontada, esta é de fácil constatação. O acórdão recorrido não reconhece direito adquirido à isenção prevista no art. 4º, “b” do Decretolei nº 1.510, de 1.976, divergindo, neste ponto, do entendimento esposado pelos acórdãos apontados como paradigmas, que reconhecem o direito adquirido à isenção nos casos de alienação de participações societárias ocorridas após a revogação do art. 4º, “b” do Decretolei nº 1.510, de 1.976. Diante do exposto, com fundamento no artigo 67, do Anexos II, do RICARF, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, para que seja reapreciada a matéria atinente à isenção prevista no art. 4º, “b” do Decretolei nº 1.510, de 1.976. Assim, conheço do recurso especial interposto pelo Contribuinte. 2. Do mérito Consoante narrado, a controvérsia se refere ao direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei n.º 1.510/1976. Acerca do tema, aplico, na íntegra, o Ato Declaratório PGFN n.º 12, de 25 de junho de 2018, que assim dispõe: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13005.000856/201067 Acórdão n.º 9202007.614 CSRFT2 Fl. 4 5 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” Desse modo, adquiridas as ações e as bonificações adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias, ainda que a alienação tenha ocorrido após a revogação da lei concessiva do direito à isenção. Não obstante os argumentos jurídicos acerca do reconhecimento do direito adquirido à isenção, no presente caso, fazse relevante destacar que não houve comprovação do custo de aquisição das ações alienadas e as respectivas datas, como bem consignou a decisão recorrida: Por outro lado, o ganho líquido é apurado pela diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição dos bens, sendo ônus do contribuinte a comprovação deste último. Não servem a esse propósito as Declarações de IRPF anteriormente apresentadas, pois elas tem cunho declaratório e devem ser suportada pela documentação comprobatória. Quanto a essa matéria, extraise da ementa do Acórdão nº 2101002.551, relatora a Conselheira Nubia Matos Moura, o seguinte excerto: GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA. A comprovação do custo de aquisição deve ser demonstrada quando da alienação do imóvel. No ganho de capital, o instituto da decadência indica o prazo que a autoridade fiscal tem para proceder ao lançamento do imposto incidente sobre o corresponde ganho, não havendo que se falar em prazo decadencial para comprovação do custo de aquisição do imóvel alienado. (...). Temse assim, na hipótese em questão, que o contribuinte não apresentou qualquer documentação que servisse de comprovação para o custo de aquisição das ações alienadas e, ao falar em "não apresentação de documentação", quero significar que não basta anexar documentos ao processo, sendo necessário que o recorrente lhes dê um significado exato para sua defesa. Na verdade, restou confirmada a suposição da fiscalização de que o contribuinte arbitrou, sponte propria, uma valor fixo para cada ação que detinha, sem qualquer razão econômica ou financeira para tanto. Não comprovado o custo de aquisição a não sendo possível sua aferição por um dos meios estabelecidos pela legislação já que não é conhecida a data em que ela ocorreu, atribuise a ele o valor zero, como fez a fiscalização. Compulsandose os autos, observase que o Contribuinte foi intimado especificamente para comprovar o custo de aquisição das ações declaradas, por meio do Termo Fl. 257DF CARF MF 6 de Início da Fiscalização, consoante constam das fls. 6 do Relato Fiscal, contudo, não houve a devida comprovação, como se extrai dos trechos abaixo transcritos: Verificando a relação de bens e direitos de declarações de ajuste de anos anteriores, relativas aos exercícios 2002 e 2003 ~ anos calendário 2001 e 2002 respectivamente, apresentadas por meio de formulário, manuscritas e assinadas pelo contribuinte (fls. 05 e 08 respectivamente) constatouse que ao invés de informar o custo de aquisição das ações o contribuinte informa o número de ações possuídas. Este quantitativo de ações foi transcritos para a relação de bens e direitos da declaração de ajuste 2004 anocalendário 2003, entregue por meio eletrônico, transformandose de quantidade para valor monetário e assim mantido nas declarações de ajuste dos exercícios subseqüentes. (...). Embora possam ter sido adquiridas há vários anos, o valor constante na relação de bens e direitos deve ser comprovado por meio de documentação hábil e idônea, especialmente no presente caso, quando se trata de evidente erro de transcrição de quantidade para valor, quando o Contribuinte deixou de utilizar como meio de entrega o formulário e passou ao meio eletrônico. Portanto, o Contribuinte, intimado a comprovar o custo de aquisição das ações alienadas, não o fez. (...). Como bem asseverou a decisão recorrida, na hipótese em questão, o contribuinte não apresentou qualquer documentação que servisse de comprovação para o custo de aquisição das ações alienadas e, ao falar em "não apresentação de documentação", quero significar que não basta anexar documentos ao processo, sendo necessário que o recorrente lhes dê um significado exato para sua defesa. Na verdade, restou confirmada a suposição da fiscalização de que o contribuinte arbitrou, sponte propria, uma valor fixo para cada ação que detinha, sem qualquer razão econômica ou financeira para tanto. Não comprovado o custo de aquisição e não sendo possível a aplicação de um dos critérios estabelecidos pela legislação para sua apuração, atribuise a ele o valor zero, como fez a fiscalização. Diante desse contexto, entendo pela manutenção da decisão recorrida, em razão da ausência de comprovação dos requisitos previstos no DecretoLei n.º 1.510/1976, pois não restaram demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, razão pela qual não há como averiguar a subsunção do presente caso à norma isentiva referida. Assim, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13005.000856/201067 Acórdão n.º 9202007.614 CSRFT2 Fl. 5 7 Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725749/2014-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
REVISÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não tendo a diligência fiscal alterado o lançamento, não houve revisão do lançamento.
ERRO MATERIAL NO JULGADO. INOCORRÊNCIA
Não ocorreu erro material no julgado de primeira instância quanto ao o valor apontado pelo Auditor Fiscal na coluna Base de Cálculo Excluída.
DESPESAS COM LOCAÇÃO. PROVA
Constam os empenhos com referência às despesas de aluguel de imóveis para órgãos da administração direta, além dos contratos de locação adunados aos autos, os quais comprovam as despesas efetuadas com aluguel de imóveis e excluem referidos valores da base de cálculo das contribuições.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
O auxílio alimentação fornecido in natura pelo empregador, mesmo que não comprovada a inscrição da empresa no PAT, não possui natureza salarial, razão pela qual não está sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Comprovação e exclusão do lançamento.
SUPRIMENTO INDIVIDUAL. PROVA.
O Recorrente não trouxe a prova da correspondência de suas afirmações, de forma analítica, com as correspondentes provas conduzidas aos autos para lastrear as suas alegações, apenas lista os valores inseridos no lançamento, sem colacionar prova do alegado. A documentação deve ser organizada de modo a realizar a comprovação em favor do contribuinte, razão porque deve ser mantido o lançamento nesse aspecto.
SERVIDORES EXTRAQUADROS VINCULADOS AO RPPS EXCLUSÃO DE VERBAS
Depreende-se, do conjunto probatório adunado aos autos, que procedeu corretamente a Fiscalização, devendo, por conseguinte, ser mantido nesse ponto o lançamento. Não há que se falar em erro da fiscalização.
PAGAMENTO DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. ALEGAÇÕES GERAIS
Não obstante ter sido intimado no decorrer da auditoria fiscal para explicitar e comprovar a natureza indenizatória de verbas objetivando a sua exclusão do lançamento, não ocorreu a devida motivação e comprovação por parte do contribuinte, devendo ser rejeitada a alegação aduzida.
Numero da decisão: 2401-006.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os valores das despesas com aluguel de imóveis e alimentação in natura. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para também reconhecer a decadência das competências 01/10 e 02/10 da base de cálculo do levantamento FG, relativos à folha de pagamento base CTD. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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INOCORRÊNCIA. Não tendo a diligência fiscal alterado o lançamento, não houve revisão do lançamento. ERRO MATERIAL NO JULGADO. INOCORRÊNCIA Não ocorreu erro material no julgado de primeira instância quanto ao o valor apontado pelo Auditor Fiscal na coluna “Base de Cálculo Excluída”. DESPESAS COM LOCAÇÃO. PROVA Constam os empenhos com referência às despesas de aluguel de imóveis para órgãos da administração direta, além dos contratos de locação adunados aos autos, os quais comprovam as despesas efetuadas com aluguel de imóveis e excluem referidos valores da base de cálculo das contribuições. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO O auxílio alimentação fornecido in natura pelo empregador, mesmo que não comprovada a inscrição da empresa no PAT, não possui natureza salarial, razão pela qual não está sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Comprovação e exclusão do lançamento. SUPRIMENTO INDIVIDUAL. PROVA. O Recorrente não trouxe a prova da correspondência de suas afirmações, de forma analítica, com as correspondentes provas conduzidas aos autos para lastrear as suas alegações, apenas lista os valores inseridos no lançamento, sem colacionar prova do alegado. A documentação deve ser organizada de modo a realizar a comprovação em favor do contribuinte, razão porque deve ser mantido o lançamento nesse aspecto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 57 49 /2 01 4- 75 Fl. 16146DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 3 2 SERVIDORES EXTRAQUADROS VINCULADOS AO RPPS EXCLUSÃO DE VERBAS Depreendese, do conjunto probatório adunado aos autos, que procedeu corretamente a Fiscalização, devendo, por conseguinte, ser mantido nesse ponto o lançamento. Não há que se falar em erro da fiscalização. PAGAMENTO DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. ALEGAÇÕES GERAIS Não obstante ter sido intimado no decorrer da auditoria fiscal para explicitar e comprovar a natureza indenizatória de verbas objetivando a sua exclusão do lançamento, não ocorreu a devida motivação e comprovação por parte do contribuinte, devendo ser rejeitada a alegação aduzida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os valores das despesas com aluguel de imóveis e alimentação in natura. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para também reconhecer a decadência das competências 01/10 e 02/10 da base de cálculo do levantamento FG, relativos à folha de pagamento base CTD. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 16147DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário interposto em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido em parte, conforme ementa do Acórdão nº 1674.760 (fls. 13640/13675): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 A RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO NÃO IMPLICA NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A retificação do auto de infração não implica novo lançamento, mas apenas alteração do mesmo, a partir de documentos e informações trazidos aos autos. Aplicase o art.173, I do CTN, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, não declaradas em GFIP, na hipótese de lançamento de oficio. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART.142 DO CTN. Não há que se falar em nulidade, quando o auto de infração encontrase revestidos das formalidades legais, com a identificação do sujeito passivo, dos fatos geradores, da matéria tributável, do montante devido, observando os ditames do art.142 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PROCEDIMENTO VÁLIDO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB pode inscrever de ofício importância que reputar devida, com base nos dados disponíveis. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE A alteração do crédito tributário deve ser baseado em fatos extintivos ou modificativos, arguidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de Fl. 16148DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 5 4 perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. EXCLUSÕES LEGAIS. Entendese por salário de contribuição, para o segurado empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. (art. 28, I da Lei 8.212/91) Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição (artigo 28, parágrafo 9º da Lei n.º 8.212/91). O auxílio alimentação pago em pecúnia integra o saláriode contribuição, independentemente de estar ou não o órgão público inscrito no PAT. Entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. É devida a contribuição a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestem serviços. Apenas as hipóteses taxativamente previstas no §9º do art. 28 da Lei 8.212/91, estão excluídas do salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Este processo trata de quatro Autos de Infração, consolidados em 03/07/2014, abrangendo as competências 01/2010 a 12/2010, inclusive 13º salário, lavrados contra o Município de Recife. São eles: 1. AIOP DEBCAD nº 51.053.8142 (fls. 24/42): Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados Fl. 16149DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 6 5 (levantamentos AE – Aferição Empregados e FG FOLHAXGFIP) e contribuintes individuais (CI – Contribuintes Individuais), no montante de R$ 31.529.509,28, incluindo juros e multa; 2. AIOP DEBCAD nº 51.064.7332 (fls. 43/57): Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre a remuneração dos mesmos (levantamentos AE – Aferição Empregados e CI – Contribuintes Individuais), no montante de R$ 10.985.769,68, incluindo juros e multa; 3. AIOA DEBCAD nº 51.064.7340 (fl. 58): Auto de Infração de Obrigação Acessória, por deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenham informações diversas da realidade ou que omita a informação verdadeira (art.33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91), no montante de R$ 18.128,43; 4. AIOA DEBCAD nº 51.064.7359 (fl. 59): Auto de Infração de Obrigação Acessória, por deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (art.32, I da Lei 8.212/91 c/c o art.225, I e § 9º do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99), no montante de R$ 1.812,87. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 72/84): 1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas e devidas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço do Contribuinte, não informadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, apuradas nas folhas de pagamento e balanços anuais de despesas; 2. Dos valores apurados (Anexo I – fls. 85/109), foram deduzidos os valores informados em GFIP (Anexo II – fl. 110)); 3. A ausência de recolhimento e de declaração em GFIP configura, em tese, ilícito de Sonegação de Contribuição Previdenciária, razão pela qual os fatos levantados foram comunicados às autoridades competentes mediante Representação Fiscal para Fins Penais. Em 10/07/2014 o Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração lavrados (AR fl. 327) e, em 08/08/2014, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 331 a 347, instruída com os documentos de fls. 350 a 513. A impugnação apresentada foi parcial, uma vez que somente foram expressamente impugnados os Autos de Infração DEBCAD nº 51.064.7332 e 51.053.8142. Fl. 16150DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 7 6 Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/SPI para julgamento, onde, em 02/10/2014, a 14ª Turma emitiu o Despacho de Saneamento nº 8 (fls. 522/523) solicitando o retorno do processo à Delegacia de origem para que fosse concluído o procedimento de desmembramento do crédito para cobrança da parte incontroversa. Em 08/10/2014 os créditos incontroversos, discriminados na planilha de fl. 529, foram transferidos para o Processo nº 10480730.219/201449. Os autos foram encaminhados a DRJ/SPO para prosseguimento e, em 28/11/2014, a 14ª Turma emitiu o Despacho nº 15 (fls. 536/539) convertendo o processo em Diligência para que a Fiscalização se manifestasse a respeito das divergências apontadas nos itens 7 a 9.1 do referido despacho, objetivando a verificação de erros e modificação na base de cálculo. A Fiscalização, através da Informação Fiscal de fls. 541/552, se manifestou a respeito da Diligência solicitada, realizou modificações e prestou esclarecimentos. O Contribuinte tomou ciência do resultado da Diligência em 04/03/2015 e, em 02/04/2015, apresentou sua Manifestação de fls. 556/588, instruída com os documentos de fls. 589/605. Encaminhados os autos à DRJ/SPO para prosseguimento, em 15/05/2015, a 14ª Turma emitiu o Despacho de Saneamento nº 9 (fls. 608/610) com o fito de que o CD entregue fosse digitalizado conforme a IN RFB 1412/2013 e NE COAET 01/2014, pois de acordo coma as informações da nota do eprocesso, o referido CD foi anexado juntamente com o adendo à defesa sem READ. A solicitação feita do Despacho de Saneamento nº 9 foi atendida pelo Contribuinte, conforme Despacho de Encaminhamento à fl. 13547. Os autos mais uma vez foram encaminhados a DRJ/SPO para prosseguimento e, em 14/09/2015, a 14ª Turma emitiu o Despacho nº 14 (fls. 13548/13550) convertendo o processo em Diligência para verificação da documentação entregue pelo Impugnante juntamente com o adendo à defesa (CD rom). A Fiscalização, através da Informação Fiscal de fls. 13553/13557, se manifestou a respeito da Diligência solicitada. Cientificado da Informação Fiscal em 03/03/2016 (AR – fl. 13559), o Contribuinte apresentou sua nova Manifestação de fls. 13561 a 13584, acompanhada dos documentos de fls. 13585/13637, em 01/04/2016. Encaminhados os autos para a DRJ/SPO para prosseguimento, em 28/09/2016 a 14ª Turma, através do Acórdão nº 1674.760, decidiu pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da defesa e dos adendos a defesa, mantendo em parte o crédito tributário constituído no presente processo, conforme planilhas constantes nos itens 36 a 38 do voto (fls. 13671/13673). Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 1.000.000,00, RECORREUSE DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 16151DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 8 7 Em 10/10/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 13687) e, em 09/11/2016, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 13693 a 13715, instruído com os documentos de fls. 13716/16074. Em seu Recurso Voluntário assevera acerca da sua tempestividade, traz uma síntese do Feito e do Acórdão recorrido (fls. 13693/13696), para em seguida alegar: 1. Preliminarmente, a decadência total ou, ao menos, parcialmente dos lançamentos (Item 3 fls. 13696/13699); 2. No Mérito: a. Erro material do Acórdão com relação ao valor a ser excluído da base de cálculo do levantamento CI, bem como das respectivas contribuições previdenciárias apuradas nos Autos de Infração (Item 4.1 fls. 13699/13700); b. Impropriedade dos lançamentos quanto à locação de imóveis de pessoas físicas, diárias pagas a colaboradores eventuais (verbas indenizatórias), fornecimento de refeições e locação de bens móveis, uma vez que todas essas despesas foram comprovadas mediante a apresentação das respectivas notas de empenho (Anexo I), documentos dotados de fé pública com presunção de validade e veracidade (Item 4.2 fls. 13700/13703); c. Irregularidade na apuração da base de cálculo das contribuições do Contribuinte Individual com relação à rubrica “Suprimento Individual”, que corresponde a adiantamentos para pequenas despesas (Item 4.3 fls. 13703/13708); d. Falha na autuação ao desconsiderar as relações dos servidores que integram o RPPS, não vinculados ao RGPS (categoria EQR – vinculados a autarquias/fundações, órgãos estaduais e federais) bem como a discriminação de cada parcela remuneratória por eles percebida e até mesmo a ficha cadastral de cada um destes servidores apresentadas (Item 4.5 fls. 13710/13714). Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo a anulação ou, consecutivamente, a reforma do Acórdão recorrido, com consequente anulação/ improcedência total ou parcial dos Autos de Infração impugnados. Foi feito o desmembramento da parte não questionada e encaminhado ao CARF o Recurso Voluntário e de Ofício para julgamento. O processo foi encaminhado para julgamento e em 05/06/2018 a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Fl. 16152DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 9 8 No que tange aos valores pagos a título de despesas com locação de bens móveis e imóveis, o julgador de primeira instância asseverou que os documentos anexados aos autos deveriam vir acompanhadas de outras provas, devidamente ordenadas, que efetivamente tivessem o condão de comprovar que não se trata de remuneração indireta e que a verba não integra o salário de contribuição. No entanto, verificouse que, dentro da massa de documentos adunada aos autos, constam os empenhos com referência às despesas de aluguel de imóveis para órgãos da administração direta, além dos contratos de locação adunados aos autos às fls. 13.720/15.995, o que demonstram a plausibilidade das alegações do recorrente no sentido de comprovar as despesas efetuadas com aluguel de imóveis. No que tange ao fornecimento de alimentos, verificouse a existência de auxílio alimentação fornecido in natura pelo empregador. Nesse cenário, em prol da aproximação da verdade material, levando em consideração os preceitos do processo administrativo fiscal, bem como a necessidade de reunir os elementos necessários para a convicção desta Relatora, é recomendável a prévia conversão do julgamento em diligência para a elucidação dos pontos controvertidos. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade da RFB de origem providencie a intimação do contribuinte para (i) apresentar, dentro do acervo probatório adunado aos autos às fls. 13.720/15.995, os valores relativos às verbas pagas com locação, por competência, apresentando tabela com somatório e indicação do número de folhas; (ii) apresentar quais os documentos comprovam o fornecimento de alimentação in natura. O Processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal para as providências solicitadas na Resolução e, em 16/08/2018 (AR fls. 16141), o Contribuinte foi Intimado para cumprir o que restou decidido na Resolução. Em 05/09/2018 o Contribuinte juntou aos Autos o Ofício nº 376/218 GSF (fls. 16100/16140) encaminhando a documentação solicitada (fls. 16601/16140). É o relatório. Fl. 16153DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Recurso de Ofício Juízo de admissibilidade O Recurso de Ofício, formalizado na própria decisão, foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, tendo em vista que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 2008. Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício, conforme já sedimentado pela Súmula CARF nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme decisão de piso, para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, o valor excluído do imposto e da multa de ofício é superior ao montante mínimo de R$ 2.500.000,00. Assim, conheço do recurso de ofício. Pois bem. O AIOP DEBCAD nº 51.053.8142, foi retificado no levantamento AE Aferição Empregado (exclusão total do levantamento/parte da empresa 01/2010 a 13/2010), Fl. 16154DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 11 10 no levantamento CI Contribuinte Individual (alteração parcial das bases de cálculo/parcial da parte da empresa 01/2010 a 12/2010) e no levantamento FG – FOLHA X GFIP (exclusão da parte da empresa apenas no 13º Salário), com relação aos valores da contribuição previdenciária parte da empresa (Receita 2141), que ficaram alterados, em valores originários, sendo excluídos dos levantamentos os valores constantes no item 36 do Acórdão da DRJ (fls. 13.671/13.672). Restou também alterado o AIOP – DEBCAD nº 51.053.8142, no levantamento AE Aferição Empregado (exclusão total do levantamento/GILRAT/FAP 01/2010 a 13/2010) e no levantamento FG – FOLHA X GFIP (exclusão do GILRAT/FAP apenas no 13º Salário), com relação aos valores das contribuições previdenciárias GILRAT/FAP (Receita 2158), que ficaram alterados, em valores originários conforme item 37 do Acórdão da DRJ (fl. 13.672). No AIOP DEBCAD nº 51.064.7332, foi modificado no levantamento AE Aferição Empregado (exclusão total do levantamento/parte do segurado empregado 01/2010 a 13/2010) e no levantamento CI Contribuinte Individual (alteração parcial das bases de cálculo/parcial da parte do segurado contribuinte individual (01/2010 a 12/2010), com relação aos valores das contribuições previdenciárias apuradas da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais (Receita 2096), que restaram alterados, em valores originários, conforme item 38 da decisão de piso (fl. 13.673). A DRJ levou em consideração todas as provas que tiveram força de modificar os autos de infração, buscando assim, observar o princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal. Diante das modificações efetuadas no levantamento fiscal, deve ser mantida a decisão de piso. Recurso Voluntário Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência O lançamento fiscal se refere ao período de 01/2010 a 13/2010, consolidado em 03/07/2014 (fls.24 e 43) e com a ciência ao contribuinte perfectibilizada em 10/07/2014. Ocorre que o lançamento originário sofreu alteração (fls. 541/547), com cientificação do sujeito passivo em 4/03/2015 (fl. 553), nos seguintes termos: 4. Por equívoco, no anexo I apenas constou a apuração das bases de cálculos das folhas de pagamento denominadas EQR, não constando as bases apuradas das folhas de pagamento denominadas CTD. Fl. 16155DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 12 11 5. Sendo assim, os valores constantes no anexo II na coluna denominada “Base Folha de Pagamento Fiscalização” estão, a exceção da competência relativa ao décimo terceiro salário, corretos, pois perfazem o somatório das bases apuradas nas folhas de pagamento EQR (anexo I do relatório fiscal) e CTD (os quais anexamos junto com essa informação fiscal), como segue: 6. Notese que, no anexo II, apenas houve erro no valor relativo ao décimo terceiro salário, cujo apurado corretamente é de R$ 2.653.302,04. 7. Em sendo assim, proponho a retificação do salário de contribuição lançado, na competência de décimo terceiro salário, do AI 51.053.8142, como segue: ∙ Levantamento FG de R$ 62.108,48 para R$ 0,00. [...] 18. Em pesquisa realizada no sistema CNPJ, encontramos os entes da administração indireta municipal e suas respectivas naturezas jurídicas: [...] 20. No entanto, ao extrairse da base considerada no anexo III do relatório fiscal os valores afetos aos entes da administração indireta com personalidade jurídica própria (abaixo), que totalizam R$ 147.802.484,75, é de se excluir o lançamento AE em sua totalidade, tanto do AI 51.053.8142 quanto do AI 51.064.7332, pois depois de subtraídos os valores do RPPS não haveria o que se aferir. [...] Fl. 16156DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 13 12 29. Desta forma, retirando da base de cálculo do anexo III, do Relatório Fiscal (R$ 19.691.899,08), R$ 5.356.843,15, relativos aos entes da administração indireta, conforme item 25 acima, chegaríamos a uma base total de R$ 14.335.055,93, e mensal de R$ 1.194.587,99. 30. Com tais modificações, a tabela constante do anexo V do relatório fiscal (fl. 113) ficaria: [...] Desta feita, ocorreu a revisão do lançamento com nova abertura do prazo para defesa, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional que assim dispõe: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 16157DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 14 13 Ocorreu um aperfeiçoamento do lançamento com relação à base de cálculo do levantamento FOLHA x GFIP apurado na folha de pagamento denominada CTD. A parte relativa ao EQR não ocorreu modificação pois foram devidamente identificadas. Entretanto, o lançamento somente pode ser revisto enquanto não estiver extinto o direito da fazenda pública pela decadência. No presente caso aconteceu a antecipação do pagamento da contribuição (item 7.4 do Relatório Fiscal, fl. 81), razão pela qual a regra da contagem do prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no art. 150, § 4°, do CTN. Assim, como o lançamento referese ao período de 01/2010 a 13/2010, com intimação do sujeito passivo da revisão efetuada em 4/03/2015 (fl. 553), verificase a ocorrência de decadência das competências 01/10 e 02/10 com relação a base de cálculo do levantamento FG, relativos à folha de pagamento base CTD. Erro material no julgado O Recorrente alega erro material no Acórdão da DRJ com relação ao montante excluído da base de cálculo em virtude da divergência com o valor apontado pelo Auditor Fiscal na coluna “Base de Cálculo Excluída”. Ocorre que a DRJ acatou a documentação entregue após o prazo de defesa, em razão do princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, alterando as bases de cálculo do levantamento CI, com exclusão do valor de R$ 6.469.228,27, no período de 01/2010 a 12/2010, bem como das respectivas contribuições previdenciárias apuradas nos autos de infração (DEBCAD’s 51.053.8142 e 51.064.7332), razão pela qual não ocorreu erro material no julgado. Despesas com locação No que tange aos valores pagos a título de despesas com locação de bens móveis e imóveis, o julgador de primeira instância asseverou que os documentos anexadas aos autos deveriam vir acompanhadas de outras provas, devidamente ordenadas, que efetivamente tivessem o condão de comprovar que não se trata de remuneração indireta e que a verba não integrante do salário de contribuição. Por ocasião do julgamento ocorrido neste colegiado, verificouse que, dentro da massa de documentos adunada aos autos, constavam os empenhos com referência às despesas de aluguel de imóveis para órgãos da administração direta, além dos contratos de locação adunados aos autos às fls. 13.720/15.995, restando demonstrada a plausibilidade das alegações do Recorrente no sentido de comprovar as despesas efetuadas com aluguel de imóveis. O julgamento foi convertido em diligência e o contribuinte juntou tabela com indicação dos dados relativos aos aluguéis, com os valores, competência e indicação do número de folhas na qual se encontra o documento. Fl. 16158DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 15 14 Destarte, integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, com exceção das verbas previstas no §9° do art. 28, da Lei 8.212/91. No entanto, verifico que no caso submetido ao crivo deste colegiado constam os empenhos com referência às despesas de aluguel de imóveis para órgãos da administração direta, além dos contratos de locação adunados aos autos às fls. 13.720/15.995, e os esclarecimentos trazidos pelo contribuinte após a diligência, o que a meu ver, comprovam as despesas efetuadas com aluguel de imóveis, razão pela qual entendo pela exclusão dos referidos valores de alugueis da base de cálculo das contribuições. Não cabe a exclusão dos valores relacionados a aluguel de bens móveis, tendo em vista que da documentação acostada aos autos, constatase que na realidade tratase de prestação de serviços. Assim, devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições o montante das despesas com aluguel de imóveis. Auxílio alimentação Aduz o contribuinte que o valor de R$ 5.426,00 se refere a alimentação fornecida in natura. No que tange ao fornecimento de alimentos, é pacífica a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o auxílio alimentação fornecido in natura pelo empregador, mesmo que não comprovada a inscrição da empresa no PAT, não possui natureza salarial, razão pela qual não está sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Com efeito, as notas de Empenho relativa aos pagamentos efetuados aos fornecedores (fls. 13.727/13.731), demonstram em sua descrição o fornecimento de alimentação in natura no total de R$ 3.431,00. A tabela juntada após a diligência (fl. 16.114) também indicam o mesmo valor. Assim, deve ser excluído do levantamento o montante respectivo. Suprimento individual Com relação ao suprimento individual para a realização de despesas que não possam subordinarse ao processo normal, aduz o Recorrente que o servidor presta conta posteriormente, quando da prestação do serviço, ocasião em que efetivamente ocorre o fato gerador da contribuição e que essa situação não foi observada pela fiscalização. Ocorre que o Recorrente não trouxe a prova da correspondência de suas afirmações, de forma analítica, com os respectivos documentos conduzidos aos autos para lastrear as suas alegações, apenas lista os valores inseridos no lançamento, sem colacionar Fl. 16159DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 16 15 prova do alegado A documentação deve ser organizado de modo a realizar a comprovação em favor do contribuinte, razão porque deve ser mantido o lançamento nesse aspecto. Servidores Extraquadros vinculados ao RPPS – exclusão de verbas Segundo o contribuinte, existem servidores vinculados a autarquias e fundações com regime geral próprio que deveriam ser excluídos do lançamento. Anexa em sua defesa o resumo da folha por verba paga a categoria EQR (servidores extra quadros). Destarte, durante todo o procedimento fiscal foi solicitado ao sujeito passivo as folhas de pagamento, com o destaque das verbas pagas (conforme TIF 1), objetivando a exclusão das bases de cálculo eventuais servidores vinculados ao regime próprio, como também, possíveis verbas que não sofressem incidência de contribuição previdenciária. Não obstante a juntada de documentos por parte do contribuinte, tais como, planilha com verbas recebidas por EQR não vinculados ao RGPS, fichas cadastrais, financeiras, vantagens, descontos e resumos da folha por verba referente a categoria EQR, referidos documentos não comprovam com clareza e precisão quem seriam os servidores não vinculados ao RGPS e quem seriam os da categoria EQR vinculados a autarquias/fundações, órgãos estaduais e federais. A informação fiscal às fls. 542 e 13.557/13.558 assim se pronunciou: Informações Fiscais – fls. 542 [...] 11. Quanto à documentação de fls. 444/447, de acordo com o art. 32, I, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a empresa, dentre outras obrigações, é obrigada a: preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço; discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; e destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. [...] 13. Ademais, durante todo o decorrer do procedimento fiscal, a fiscalização aguardou a apresentação das folhas de pagamento dos segurados vinculados ao RGPS, separados daqueles do RPPS, sem que a edilidade mostrasse qualquer disposição em cumprir sua obrigação, afirmando verbalmente o representante administrativo que acompanhou a fiscalização, diversas vezes, que o sistema informatizado não tinha condições de cumprir o que determinava a legislação previdenciária. (grifouse) 14. Transcorrido ainda o prazo para impugnação a edilidade nos vem com lista de CENTENAS de nomes, e um demonstrativo Fl. 16160DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 17 16 que, de forma alguma, substitui a necessidade de se apresentar item básico de qualquer órgão, uma folha de pagamento do pessoal vinculado ao RGPS e outra do pessoal vinculado ao RPPS. Informações Fiscais – fls. 13.556/13.557 20. Quanto ao lançamento relativo aos segurados empregados, o contribuinte inicialmente afirma que a folha do contribuinte é composta por (sic) “ativos e inativos estatutários/efetivos, aos empregados públicos, e aos EQR (=servidores “extra quadro”) e CTD (=contratação por tempo determinado)”. 21. Logo em seguida, o contribuinte afirma que há equívoco na autuação quanto aos EQR, considerado pela autuação indistintamente como vinculados ao RGPS. E, ainda, discorre sobre o regime a que estariam vinculados os servidores cedidos de outros órgãos, anexando fichas cadastrais financeiras (Anexos I.1 e I.2) que comprovariam sua vinculação ao RPPS. 22. Notese que, o contribuinte, ao afirmar que nas folhas EQR estão servidores vinculados aos dois regimes de previdência, apenas confirma o que está descrito no relatório fiscal da autuação e reforça a motivação da aferição do salário de contribuição procedida. 23. Agora, pretendendo elucidar os fatos, são apresentadas fichas cadastrais dos servidores. Talvez pretenda o contribuinte que, manualmente, a fiscalização da Receita Federal refaça suas folhas de pagamento, separando os servidores vinculados ao RPPS dos vinculados ao RGPS utilizando a ficha de mais de 2000 segurados...” 24. Tais fichas cadastrais serviriam apenas para que fossem confirmadas as informações contidas nas folhas de pagamento, caso fossem apresentadas conforme os ditames legais. 25. Desta forma, não há de se alterar tais valores, pois que o motivo basilar que dá sustentação e legalidade ao lançamento não foi sequer abalado. [...] 27. Já a alegação de que valores pagos a segurados vinculados ao RPPS teriam sido incluídos nas bases de cálculos, tal fato nos faz reportar a um dos cernes desse lançamento que é a não separação em folhas de pagamento distintas dos segurados integrantes do RPPS e do RGPS, conforme já suficientemente comprovado e circunstanciado no Auto de Infração, não havendo que acatar qualquer alegação de redução das bases nesse sentido, sem que haja a elaboração das folhas de pagamento separadas que pudessem abalar o lançamento.(grifouse) Fl. 16161DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 18 17 Depreendese, do conjunto probatório adunado aos autos, que procedeu corretamente a Fiscalização, devendo, por conseguinte, ser mantido nesse ponto o lançamento. Assevera ainda erro na repetição do cômputo da verba vale refeição, pois no mesmo mês foi indicado o montante de R$ 4.181,21 (março/2010) e R$ 417.153,00 (agosto/2010). Realmente existe o mesmo valor do vale refeição (fls. 91, 99/100), porém, referidos valores foram retirados das folhas de pagamento em que constam códigos distintos para cada um deles. Assim, não há que se falar em erro da fiscalização. Pagamentos de natureza indenizatória Aduz o contribuinte, de forma genérica, que ocorreu equívoco no lançamento quanto à inclusão de várias rubricas que não configurariam salário de contribuição, citando adiantamento de férias, 13º proporcional, restituição de IR, restituição de multa de trânsito, restituição INSS, além de desconto produtividade SUS e desconto 13º salário, sem explicitar os motivos pelos quais referidas rubricas deveriam ser excluídas, ou porque deveriam ser consideradas indenizatórias e não integrantes do salário de contribuição, não obstante ter sido intimado no decorrer da auditoria fiscal para tal fim. Percebese que as alegações são apenas genéricas, devendo, dessa forma, ser rejeitada a formulação aduzida. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício e NEGOLHE PROVIMENTO; CONHEÇO do recurso voluntário, acolho a preliminar de decadência relativa às competências 01/2010 e 02/2010 com relação à base de cálculo do levantamento FOLHA x GFIP apurado na folha de pagamento denominada CTD e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo os valores das despesas com aluguel de imóveis (fls. 13.720/15.995; 16.116/16.130); e excluir o valor da alimentação in natura no total de R$ 3.431,00. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 16162DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 19 18 Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente tão somente em relação ao recurso voluntário e no que se segue. No Relatório Fiscal do presente processo (fls. 75), constou: 4.2 Por meio do TIF 001, foram solicitados, em relação ao período de 01/2010 a 12/2010: Tabela de Incidência da Folha de Pagamento (indicação de quais rubricas da folha de pagamento compõem a base de cálculo do RGPS); que se indicasse a que se refere (ressaltando o tipo de verba, e quem as recebe ou sofre os descontos) cada rubrica da folha de pagamento; e que se informassem quais categorias de funcionários integram, especificamente, as folhas de pagamento denominadas CTD e EQR, e por meio de quais rubricas delas são remunerados. 4.3 Contudo, apenas foram apresentados mapas de apuração das bases de cálculo previdenciárias das folhas de pagamento CTD e EQR (anexos). Os referidos mapas apenas identificam as rubricas, pelo código, que foram consideradas pela edilidade como base de cálculo de contribuições previdenciárias, sem, contudo, revelar de que se tratam as mesmas, haja vista que, nos resumos apresentados, apenas há um código e uma descrição resumida. 4.4 Sendo assim, tomamos, mês a mês (vide anexo I), as rubricas que reputamos como integrantes do salário de contribuição para apuração das bases de cálculos das contribuições previdenciárias dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento. 4.5 Dos valores apurados conforme o anexo I, deduzimos os valores informados em GFIP pela edilidade referente à Prefeitura Municipal (10.565.000/000192), conforme se enxerga observandose o anexo II. Ao se verificar o Anexo I (fls. 85/109), aflora para as competências 01/2010 (fls. 84/85) e 02/2010 (fls. 86/87) a transcrição de rubricas do resumo da folha EQR (fls. 324/326) a gerar uma base apurada de R$ 3.909.317,97 para 01/2010 e de R$ 4.204.698,08 para 02/2010. No Anexo II (fls. 110), foi especificada a base folha de pagamento apurada pela fiscalização, sendo R$ 3.911.174,42 para 01/2010 e R$ 4.206.294,69 para 02/2010. Além disso, o Anexo II demonstra que essa base de folha foi confrontada com a informada em GFIP para se apurar a diferença a ser considerada como base de cálculo no lançamento de ofício. Fl. 16163DF CARF MF Processo nº 10480.725749/201475 Acórdão n.º 2401006.062 S2C4T1 Fl. 20 19 A diferença entre os valores de R$ 3.909.317,97 para R$ 3.911.174,42 e de R$ 4.204.698,08 para R$ 4.206.294,69 consiste no montante apurado a partir do resumo da folha CTD. A apuração a partir da folha CTD foi expressamente consignada no Relatório Fiscal, conforme acima transcrito, tendo o valor dela resultante sido explicitado no Anexo II, ainda que não tenha constado do Anexo I. A folha CTD instruiu o lançamento fiscal (fls. 322/323) e sua análise revela que a diferença em questão, de fato, dela resulta. Em outras palavras, a base CTD integrou o montante lançado e o contribuinte tinha conhecimento de que a apuração empreendida pela fiscalização envolvia tanto a folha EQR como a folha CTD, bastando a confrontação dos Anexos I e II com os resumos das folhas EQR e CTD para se detectar o lapso manifesto existente no Anexo I. Ao explicitar tal situação em decorrência da diligência comandada pelo órgão julgador de primeira instância, a fiscalização não alterou lançamento originário, não agregou nova motivação e nem trouxe fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento. Logo, efetivada a intimação do lançamento em 10/07/2014, não há que se falar em decadência das competências 01/10 e 02/10 da base de cálculo do levantamento FG, relativos à folha de pagamento base CTD (CTN, art. 150, § 4º). Isso posto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir da base de cálculo os valores das despesas com aluguel de imóveis e alimentação in natura. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 16164DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720289/2016-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.747
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais de Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 28 9/ 20 16 -5 4 Fl. 964DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 965 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1158.949, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, que por unanimidade julgou parcialmente a impugnação interposta, mantendo parte do crédito tributário constituído, conforme Ementa abaixo reproduzida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 29/02/2012 a 31/12/2014 AMAZÔNIA OCIDENTAL. CRÉDITO. Estão isentos do IPI os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental com projeto aprovado pela Suframa. Por expressa disposição legal, tais produtos gerarão crédito do imposto, calculado como se devido fosse, sempre que empregados, como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS ISENTOS. O princípio da nãocumulatividade é implementado pela sistemática de créditos e débitos do IPI, segundo a qual do imposto devido pela saída de produtos do estabelecimento deve ser abatido o imposto pago relativamente aos produtos nele entrados. Assim, o direito ao crédito do IPI, em regra, condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. EQUÍVOCOS NO LANÇAMENTO. GLOSA INDEVIDA DE CRÉDITOS. CORREÇÃO. As glosas indevidas de créditos devem ser corrigidas, a fim de que os equívocos no lançamento sejam reparados, de modo que a autuação possa adequarse à realidade dos fatos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/02/2012 a 31/12/2014 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. As decisões administrativas e judiciais trazidas pelo sujeito passivo não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Impugnação Procedente em Parte Fl. 965DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 966 3 Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o parcialmente o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 775/799, para exigir R$ 14.278.555,94 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 5.971.331,29 de juros de mora calculados até janeiro de 2017 e R$ 10.708.916,83 de multa proporcional ao valor do imposto, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 30.958.804,06. O presente lançamento abrange fatos geradores ocorridos entre 29/02/2012 e 31/12/2014. De acordo com o que consta do referido Auto de Infração, o lançamento foi efetuado por ter sido constatada a utilização pelo contribuinte de créditos indevidos provenientes das entradas/aquisições de insumos para produção de bebidas. Para melhor detalhamento das razões que levaram à presente autuação, segue abaixo uma série de informações contidas no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 748/774, que se configura como sendo parte integrante e inseparável do Auto de Infração em apreço, explicitadas por meio de imagens extraídas dos autos digitais: (...) Tendo sido cientificado em 09/01/2017 (vide documento de fl. 805), o contribuinte ingressou, tempestivamente, em 07/02/2017 (conforme documento de fls. 808/809), com a impugnação de fls. 810/828 dos autos digitais, na qual, em síntese: a) Ressalta que é "pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a fabricação e a comercialização de bebidas em geral" e que para realizar a fabricação das referidas bebidas adquire "matériaprima, produto intermediário e material de embalagem de empresas sediadas em diversos Estados". b) Afirma que entre os insumos adquiridos "encontramse os 'concentrados para bebidas não alcoólicas' classificados na posição 22.02 da TIPI, utilizados na fabricação dos refrigerantes". Segundo expõe, tais concentrados, por serem em sua maioria adquiridos de estabelecimentos sediados na Zona Franca de Manaus, a princípio, não propiciariam direito à crédito, posto que são adquiridos com isenção do IPI. Todavia, por serem os referidos concentrados produzidos com matériaprima regional o creditamento é permitido, em conformidade com os arts. 95 e 237 do RIPI/2010. c) Defende o direito ao crédito na aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, alegando ter cumprido os requisitos estabelecidos nos arts. 237 e 95, II, do RIPI/2010. Nesse sentido, afirma ter adquirido 'concentrados para bebidas não alcoólicas' classificados na posição 22.02 da TIPI da Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda., empresa sediada na cidade de Manaus/AM e com projetos aprovados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, nos termos da Resolução SUFRAMA n° 285/2003 (doc. 002) e do Parecer Técnico de Projeto n° 118/2003 (doc. 003). Segundo expõe, os citados atos atestariam a aprovação dos benefícios instituídos através do artigo 9o do Decretolei n° 288/1967 e do artigo 6o do Decretolei n° 1.435/1975 . d) Alega que o Fisco se equivocou ao fundamentar a glosa dos créditos referentes aos concentrados e que as premissas utilizadas para autuálo não encontram sustentação Fl. 966DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 967 4 em nosso ordenamento jurídico. Segundo seu entendimento, seria equivocada a interpretação restritiva imposta pela fiscalização a respeito do disposto no inciso III do artigo 95 do RIPI/2010, quando alega "que os insumos 'corante caramelo', 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado' não são matériasprimas agrícolas extrativas vegetais de produção regional pois teriam passado por processo de beneficiamento". e) Argumenta que a característica agrícola e extrativa vegetal encontrase presente nos insumos 'corante caramelo', 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado', pois, tais insumos são derivados da canadeaçúcar e, também, que a restrição pretendida pela fiscalização de limitar o direito ao crédito apenas aos casos em que a matéria prima seja 'in natura', não foi contemplada pelo legislador, bastando "uma simples análise literal do texto dos referidos dispositivos regulamentares para se notar que em nenhum momento buscou o legislador federal restringir o benefício do crédito do IPI no presente caso". f) Sustenta a manutenção do crédito nas aquisições de 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado', posto que estes deveriam ser considerados matériasprimas agrícola e extrativa vegetal de produção regional, haja vista que o insumo para sua fabricação ('álcool verde') originase do Acre, Estado localizado na Amazônia Ocidental. Sobre o tema, aduz que o seu fornecedor, Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda, adquire insumos da usina Álcool Verde S/A, sediada no Estado do Acre, e os remete à empresa Magama para industrialização, sendo que após a industrialização por encomenda, os produtos 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado' são encaminhados novamente à empresa Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda. através de uma nota fiscal de retorno de industrialização. g) Busca ampliar o conceito de Amazônia Ocidental para enquadrála como Amazônia Legal, consoante estaria estabelecido pelo art. 2º da Lei n° 1.806/1953, art. 45 da LC n° 31/1977 e nos arts. 13 e 14 da CF, a qual abrangeria os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, e volta a destacar "que as matériasprimas 'corante caramelo', 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado' são agrícolas e extrativas vegetais de produção regional e, portanto, sua utilização na fabricação dos concentrados para bebidas não alcoólicas classificados na posição 22.02 da TIPI gera o direito ao crédito do IPI". h) Com base em citações doutrinárias e excertos jurisprudenciais que transcreve, argumenta "que o direito ao crédito do IPI nas aquisições de insumos isentos deve ser mantido, independente do preenchimento de qualquer requisito, sob pena de violar o princípio da nãocumulatividade do imposto" (art. 153, IV, §3º, II da CF). Nesse sentido, alega que se a intenção fosse vedar o creditamento do IPI quando da aquisição de produtos isentos teria o constituinte feito a ressalva na própria Constituição Federal, tal como fez em relação ao ICMS, que igualmente é não cumulativo mas expressamente não contempla a possibilidade de crédito em se tratando de operação anterior isenta ou beneficiada com a nãoincidência (artigo 155, §2°, inciso II da CF). Quanto à questão, diz ainda ser inaceitável que espécies normativas infralegais, como o são os Regulamentos do IPI, "possam obstar o gozo de um direito constitucional". i) Argui que houve erro, por parte da fiscalização, na quantificação do crédito tributário apurado. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 968 5 Nessa trilha, expõe que parte dos valores glosados pela autoridade fiscal corresponde a aquisições efetuadas junto a estabelecimentos que não se encontram situados na Zona Franca de Manaus e por meio de operações nas quais houve incidência de IPI, de forma que não haveria razão para manter as respectivas glosas, devendo os correspondentes créditos ser considerados em sua apuração. Para fazer prova das suas alegações, junta documentos aos autos. Por fim, requer o provimento da impugnação "para que seja desconstituído o crédito tributário". Diante da alegação formulada pelo impugnante e da juntada aos autos de documentos indicativos da possibilidade de cometimento de equívoco, por parte da fiscalização, relativo à glosa de créditos referentes a aquisições de produtos junto a estabelecimentos situados fora da ZFM, em operações nas quais teria ocorrido incidência de IPI, o presente processo foi encaminhado, em diligência, à DRF de origem para que fosse esclarecida a razão pela qual os referidos documentos fiscais foram objeto de glosa e, caso pertinente, efetuados os ajustes necessários. A diligência solicitada foi levada a efeito, tendo a fiscalização, após realizar os exames que entendeu oportuno, conforme estampado na Informação Fiscal inserida à fl. 894, concluído que foram "indevidas as glosas dos créditos nas aquisições de concentrados junto aos estabelecimentos CNPJ: 50.221.019/005448 e 50.221.019/005790, notas fiscais nº120243 e nº 457034". É o que importa relatar. A Contribuinte recebeu eletronicamente a Intimação nº 24/2018 (fls. 917), com abertura de mensagem em data de 08/01/2018 (fls. 923). O Recurso Voluntário de fls. 931 a 952 foi interposto em data de 06/02/2018 (fls. 924), através do qual pede pelo provimento do recurso para desconstituir o crédito tributário, o que faz com os seguintes argumentos: No dia 09/01/2017, a recorrente teve lavrado em seu desfavor o auto de infração que deu origem ao processo epigrafado, exigindo recolhimento de IPI em face da glosa de créditos provenientes de aquisição de preparações compostas utilizadas na fabricação dos refrigerantes que produz. No período de 01/2012 a 12/2014, a recorrente registrou créditos do IPI na aquisição de preparações compostas não alcoólicas utilizadas na fabricação de refrigerantes, classificadas na posição 21.06.90.10 Ex 01 da TIPI, junto à empresa Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda. A fornecedora é sediada na cidade de Manaus/AM e possui projeto aprovado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, sendo os produtos vendidos à recorrente classificados na posição 21.06.90.10 Ex 01 da TIPI e indicando a aplicação do inciso II do artigo 81 e do inciso III do artigo 95 do RIPI1, e informando o emprego de matérias primas agrícolas ou extrativas vegetais de origem regional (fls. 274), empregadas na produção de refrigerantes, sujeitos à incidência do IPI, com crédito previsto pelo artigo 237 do RIPI, valendose da alíquota prevista na TIPI. A acusação fiscal afasta a isenção prevista no inciso III do artigo 95 do RIPI, e, consequentemente, o direito ao aproveitamento de crédito, afirmando que os insumos adquiridos pela recorrente não teriam sido produzidos com matérias primas agrícolas extrativa vegetal de produção regional. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 969 6 O corante caramelo e o álcool empregados na fabricação das preparações compostas não alcoólicas foram elaborados com açúcar extraído de canadeaçúcar originária do Estado do Mato Grosso, o que afastaria o caráter ‘regional’ de que trata o inciso III do artigo 95 do RIPI. A decisão recorrida é nula, posto que não se manifestou sobre razões aduzidas na peça de impugnação, essenciais para a defesa, pela qual a Recorrente apresentou documentos que demonstram que parte da canadeaçúcar utilizada na produção de açúcar é proveniente do Estado do Acre (fls 866/881). É parte ilegítima para figurar no polo passivo desta ação fiscal, uma vez que a aplicação do inciso III do artigo 95 do RIPI deuse pelo fornecedor da recorrente. É indiferente se o contribuinte aplica diretamente a matériaprima in natura ou se há prévia transformação ou beneficiamento da mesma. A utilização do termo ‘matériaprima’ no caput do artigo 6º do decretolei nº 1.435/75 prestase a vincular a isenção ao fomento da atividade agrícola regional. O fundamental é que haja a participação de matériaprima agrícola ou extrativa regional no produto isento, independentemente de prévia transformação. O §1º, por sua vez, garante que a isenção prevaleça independentemente da destinação do produto isento. Daí o emprego dos termos ‘matériaprima’, ‘produto intermediário’ e ‘material de embalagem’. Desde que tenha havido a utilização de matériaprima agrícola ou extrativa regional, o produto é isento, independentemente de sua destinação. Traz aos autos documento posterior, correspondente a declaração da empresa D. D. Williamson do Brasil Ltda afirmando que “o corante caramelo fornecido a Brasil Kirin Logística e Distribuidora Ltda, inscrita no CNPJ sob n°. 05.254.957/006895, no período compreendido pelos anos de 2013 a 2016, CONTÉM MATÉRIA PRIMA agrícola de produção regional (Amazônia Ocidental), atendendo desta forma ao disposto no artigo 6°. do decretolei n°. 1.435, de 16/12/1975 c/c Decretolei n°. 291, de 28/02/1967” Os insumos adquiridos pela recorrente contêm insumos oriundos da Amazônia Ocidental. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 970 7 2. Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Como se constata em análise dos autos, a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a fabricação e a comercialização de bebidas em geral e que, para realizar a fabricação das referidas bebidas, adquire "matériaprima, produto intermediário e material de embalagem de empresas sediadas em diversos Estados". Entre os insumos adquiridos encontramse os concentrados para bebidas não alcoólicas classificados na posição 22.02 da TIPI, utilizados na fabricação de refrigerantes, sobre os quais foi aproveitado o crédito do IPI, nos termos previstos pelos artigos 6º, §1º do Decretolei nº 1.435/75 e artigos 95 e 237 do RIPI/20101. A Autuada afirma que as matériasprimas 'corante caramelo', 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado' são agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, haja vista que o insumo para sua fabricação originase do Acre, Estado localizado na Amazônia Ocidental e, portanto, sua utilização na fabricação dos concentrados para bebidas não alcoólicas classificados na posição 22.02 da TIPI gera o direito ao crédito do IPI. Por sua vez, da análise das conclusões apontadas pela equipe de fiscalização em Termo de Verificação Fiscal de fls. 748774, constatase a seguinte afirmação: Ainda que se admitisse, o que aqui se faz apenas como exercício de raciocínio, que, como o açúcar é a base para elaboração do corante caramelo e que para a produção de açúcar e de álcool o componente principal é a canadeaçúcar, o art. 95 do RIPI/2010 contemplasse também os produtos intermediários elaborados matériaprima agrícola extrativa vegetal de produção regional, mesmo assim o fiscalizado não teria direito ao crédito pelos motivos abaixo: a. A Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda adquiriu o corante caramelo da empresa DD Williamson do Brasil Ltda, que por sua vez, adquiriu o açúcar da Usinas Itamarati, cujo principal fornecedor de canadeaçúcar foi a Agropecuária Palmeira Ltda, localizada em Mato Grosso. b. A Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda adquiriu o álcool neutro da empresa Magama Industrial Ltda, que por sua vez, adquiriu o álcool hidratado da Usimat Destilaria de Álcool Ltda, cujo principal fornecedor de bagaço de canadeaçúcar foram a Sipal Industria e Comercio Ltda, Cooperativa Agr Prod Cana de Campo Novo do Parecis Ltda e Agropecuária Novo Milenio Lltda, todas localizadas em Mato Grosso. Essas informações foram obtidas no SPED NFE e serão anexadas no processo administrativo. Concluo que, tanto o corante caramelo, quanto o álcool neutro e o álcool etílico hidratado, não são matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, as vendas dos concentrados elaborados 1 "Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei no 1.435, de 1975, art. 6o, § 1o)." Fl. 970DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 971 8 a partir desses produtos não podem ser enquadradas no artigo 95, III, do RIPI/2010 – não gerando; portanto, direito de manutenção dos créditos de IPI às empresas adquirentes. O lançamento teve por base valores apurados por itens de Nota Fiscal e consolidados por período de apuração. Por outro lado, constatase em razões de defesa a afirmação de que a empresa Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda não é a única cliente da empresa Magama Industrial Ltda e não poderia a fiscalização presumir que toda a aquisição de matériaprima realizada pela Magama estaria vinculada aos produtos adquiridos pela Brasil Kirin. Sustenta que a fornecedora Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda "adquire insumos da usina Álcool Verde S/A, sediada no Estado do Acre, e os remete à empresa Magama para industrialização, sendo que após a industrialização por encomenda, os produtos 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado' são encaminhados novamente à empresa Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda. através de uma nota fiscal de retorno de industrialização". Para comprovação, foram apresentados com a peça de impugnação os documentos de fls. 866 a 881 para demonstrar que parte da canadeaçúcar utilizada na produção de açúcar é proveniente do Estado do Acre, o que, a princípio, contraria as informações constantes em TVF de que o corante caramelo e o álcool empregados na fabricação das preparações compostas não alcoólicas pelo fornecedor da Recorrente foram elaborados com açúcar extraído de canadeaçúcar originária do Estado do Mato Grosso. Ou seja, da análise dos autos, resta, de momento, prejudicada a apuração da autuação com base na efetiva origem dos insumos utilizados pela Contribuinte, passíveis de gerar o direito creditório perseguido. Por tais motivos, em atenção ao Princípio da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, e artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem responsável pela lavratura do auto de infração proceda às seguintes providências: a) Analise e relacione as Notas Fiscais emitidas e constantes do Demonstrativo de Créditos Concentrados, inclusive aquelas apresentadas pela Contribuinte às fls. 866 a 881, consolidandoas e apurando valores de acordo com os seguintes critérios: a.1) Demonstrar a origem das matériasprimas indicadas como regionais, nos termos exigidos pela norma isencional (art. 6° do Decreto lei n° 1.435/75), em especial se os insumos adquiridos da empresa Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda (inclusive quanto às operações de industrialização por encomenda) são originados de produção regional de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA; a.2) Relacionar, dentre as Notas Fiscais mencionadas no item "a.1", a descrição, classificação fiscal, quantidade, base de cálculo e valores de IPI dos insumos (matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (Amazônia Ocidental)) utilizadas na produção de 'corante caramelo', 'álcool neutro' e 'álcool etílico hidratado'. Fl. 971DF CARF MF Processo nº 15563.720289/201654 Resolução nº 3402001.747 S3C4T2 Fl. 972 9 b) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar informações e apresentar documentos para os esclarecimentos mencionados no item "a", inclusive oportunizando a elaboração de Laudo Técnico com o objetivo de determinar a real natureza, características e classificação fiscal de cada um dos componentes efetivamente utilizados na fabricação dos produtos em análise; c) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; d) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 972DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.723437/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-005.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, alterar a ementa e dispositivo da decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, alterar a ementa e dispositivo da decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 34 37 /2 01 1- 02 Fl. 152DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2301004.966 de 16/03/2017, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (efls. 136/140), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). O processo foi encaminhado à PGFN em 25/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de efl. 141). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após essa data. Em 26/06/2017, tempestivamente, foram interpostos os Embargos de Declaração de efl. 142 (Despacho de Encaminhamento de efl. 143), nos seguintes termos: A Fazenda Nacional requer, ao ensejo, que seja RETIFICADO o dispositivo do acórdão e do voto condutor de modo que passe a constar que o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, e não apenas provimento. Isso porque no recurso, o contribuinte interessado faz outros pedidos (cancelamento do Auto de Infração, exclusão e redução da multa de ofício, etc.) não acolhidos, de forma total ou parcial, pela Turma. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10640.723437/201102 Acórdão n.º 2301005.836 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado nos seus artigos. 65 e 66, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, bem como artigo 66 do RICARF dispõe que inexatidões materiais serão corrigidas mediante embargos. A partir da leitura do Recurso Voluntário, verificase que o Recorrente além de requerer a aplicação da regra de competência para tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, requer também a revisão do percentual de multa aplicado, alegando inclusive o caráter confiscatório da multa, bem como a inobservância dos princípios da razoabilidade e devido processo legal. Considerando que o Acórdão recorrido somente enfrenta a questão da regra de competência para tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, há omissão no sentido de que não foi analisada a questão do lançamento tributário a inobservância dos princípios do não confisco, da razoabilidade e do devido processo legal na quantificação da multa. Como se trata de matéria que não pode ser apreciada pelo CARF nos termos da Súmula 2 do CARF, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o Acórdão embargado tem que ser retificado para que não seja conhecido o Recurso Voluntário no tocante às alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, seja dado provimento parcial ao Recurso Voluntário. Dessa forma, voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada seja a alterada a parte dispositiva do Acórdão e sua ementa no seguinte sentido: Parte Dispositiva: Fl. 154DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 155DF CARF MF
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