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Numero do processo: 13808.000340/99-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos para esclarecer os termos da decisão.
Numero da decisão: 1801-001.134
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para esclarecer os termos do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.144, de 07.12.2009, e ratificar o decidido, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos para esclarecer os termos da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para esclarecer os termos do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.144, de 07.12.2009, e ratificar o decidido, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 437DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 438 2 Processo nº 10880.030392/9698 No processo nº 10880.030392/9698 foi formalizado o Auto de Infração às fls. 3639, com a exigência do crédito tributário no valor de 232.323,70 UFIR a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional relativamente ao anocalendário de 1991, apurado na forma de tributação com base no lucro real. O lançamento se fundamenta na compensação indevida dos prejuízos fiscais existentes dos anoscalendário de 1987 e 1988 corrigidos pelo índice IPC, quando o correto deveria ter sido pelo BTNF, ou seja, resultante da diferença da correção monetária complementar de IPC/BTNF, nos termos do art. 3º da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. Cientificada em 22.07.1996, fl. 40, a Recorrente apresentou a impugnação em 21.08.1996, fls. 0114. Está registrado como resultado da Decisão da DRJ/SPO/SP nº 012973/97 11.2434, de 25.08.1997, fls. 5153: Decido tomar conhecimento da impugnação, por tempestiva e, declarar, de oficio, a nulidade do lançamento contestado. Deste ato, recorro de oficio ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo em vista que o valor total do lançamento declarado nulo, excede a 150.000 UFIR, nos termos do Art.34, inciso I, do Decreto n ° 70.235/72, com a nova redação dada pelo Art.1° da Lei n ° 8 .748/93. Restou ementado NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. E nulo o lançamento cuja notificação não contem todos os pressupostos legais contidos no artigo 11 do Decreto no 70.235/72 (Aplicação do disposto no art. 6 ° da IN SRF n° 54/97). Em conformidade com o Despacho DIFIS/DRF SPO/SP, de 09.04.1999, fl. 55, o processo foi encerrado por nulidade e apensado ao processo nº 10880.000340/9973, que foi considerado como o principal. Tendo em vista a Decisão da DRJ/SPO/SP nº 012973/9711.2434, de 25.08.1997, fls. 5153 e o Despacho DIFIS/DRF SPO/SP, de 09.04.1999, fl. 55, do processo nº 10880.030392/9698 foi emitido o Termo de Início da Ação Fiscal nos presentes autos, fl. 02, para fins de efetuar novamente o lançamento anteriormente anulado por vício formal. Processo nº 10880.000340/9973 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 439 3 A partir deste procedimento de revisão da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) do anocalendário de 1991, contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 4550, com a exigência do crédito tributário no valor de R$238.042,08 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional relativamente ao anocalendário de 1991, apurado na forma de tributação com base no lucro real. O lançamento se fundamenta na compensação indevida dos prejuízos fiscais existentes dos anoscalendário de 1987 e 1988 corrigidos pelo índice IPC, quando o correto deveria ter sido pelo BTNF, ou seja, resultante da diferença da correção monetária complementar de IPC/BTNF, nos termos do art. 3º da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. De acordo com o Despacho DIFIS/DRF SPO/SP, de 09.04.1999, fl. 51, o processo nº 10880.030392/9698 foi encerrado por nulidade e apensado ao presente processo, que foi considerado como o principal. Cientificada em 05.04.1999, fl. 50, a Recorrente apresentou a impugnação em 29.04.1999, fls. 5278. Argui que procedeu regularmente à correção monetária do balanço do ano calendário de 1991, em conformidade com o art. 185 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Suscita que o Decreto nº 332, de 4 de novembro de 1991, é ilegal e inconstitucional, uma vez que ultrapassou o fiel cumprimento da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. Tendo em vista o princípio da eventualidade, afirma que “apurou lucro real suficiente nos períodosbase de 1990 a 1993 para possibilitar a compensação da diferença de correção monetária referente ao períodobase de 1990 sobre o saldo dos prejuízos fiscais”. Para tanto, elabora planilha para inferir que se deduzir esse crédito dos valores apresentados no Auto de Infração, resultará em anulação do imposto apurado pela fiscalização, já que o suposto imposto relativo ao períodobase em questão teria sido compensado em períodobase subseqüente, havendo nesse caso a postergado do imposto de renda e não a falta de pagamento do principal. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, e considerando que: (i) o direito à correção monetária das demonstrações financeiras por índice que efetivamente reflita a variação do poder aquisitivo da moeda é imperativo constitucional; (ii) a Lei n° 8.200/91 reconheceu expressamente o expurgo inflacionário verificado em janeiro de 1990; (iii) o Decreto n° 332/91 não poderia ter restringido o direito a apropriação do índice real de inflação no período, com relação à compensação dos prejuízos fiscais, sem que encontrasse amparo na Lei 8.200/91; Fl. 439DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 440 4 (iv) as decisões administrativas e judiciais já proferidas sobre o assunto corroboram integralmente o procedimento da Impugnante, e, (v) se considerarmos por hipótese a pretensão contida no Auto de Infração, a Impugnante teria um crédito fiscal, crédito esse que anularia o valor do imposto lançado, tem a presente a finalidade de requerer seja a presente IMPUGNAÇÃO recebida e acolhida, para o fim de determinarse o cancelamento do Auto de Infração em todos os seus termos, por ser absolutamente improcedente, decretando se o conseqüente arquivamento do processo. Termos em que, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SPO/SP nº 3.828, de 21.08.2003, fls. 120124: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1992 DECRETO — LEGALIDADE — não é da competência das Delegacias de Julgamento o controle da legalidade dos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal e dos órgãos superiores. POSTERGAÇÃO — Não comprovada postergação, urge a manutenção da autuação por falta de recolhimento do imposto sobre a renda. Notificada em 23.08.2007, fl. 125verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.09.2007, fls. 133177, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge tecendo esclarecimentos sobre a regularidade da apresentação da peça de defesa. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, acrescentado que a decisão de primeira instância de julgamento não pode prosperar, porque não foram consideradas as seguintes questões: (a) foi decretada a nulidade do primeiro lançamento tributário que originou o Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698, lavrado sem a observância do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional; (b) a decretação da nulidade por evidente vicio material impede a aplicação da regra inserta no art. 173, II, do Código Tributário Nacional, que veicula a reabertura do prazo decadencial; (c) em razão do exposto nos itens "a" e "b", operouse a decadência em relação ao suposto crédito tributário relativo ao períodobase 1991, exercício financeiro 1992, constituído por intermédio de auto de infração lavrado apenas em 05/04/1999; (d) o segundo lançamento tributário lavrado contra a Recorrente que deu origem a este Processo Administrativo, é nulo, tendo em vista que o Processo Fl. 440DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 441 5 Administrativo n° 10880.030.392/9698, que trata da mesma exigência fiscal, ainda não foi definitivamente julgado no âmbito administrativo; e (e) a ação fiscal é improcedente, tendo em vista a manifesta legalidade no procedimento adotado pela Recorrente quando da apuração do lucro tributável para fins de incidência do IRPJ relativo ao período base 1991, exercício financeiro 1992. Aduz que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário foi alcançado pela decadência (§ 4º do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional). Alega restar evidenciado que (a) a decisão proferida nos autos do Processo Administrativo n° 10880.030392/9698 decretou a nulidade do lançamento efetuado por vicio material, tendo em vista o reconhecimento, pela própria fiscalização, da não observância do disposto no art. 142 do CTN; (b) a decretação da nulidade por vicio material não perfaz a hipótese da norma jurídica veiculada pelo art. 173, II, do CTN, que determina a reabertura do prazo decadencial; (c) o lançamento de oficio impugnado nestes autos foi formalizado em 05/04/1999; impõese a reforma do julgado para que seja declarada a extinção do suposto credito tributário exigido nestes autos, pela decadência, nos termos do disposto no art. 156, V, do CTN, indevidamente constituídos pela fiscalização, relativos ao períodobase de 1991, exercício financeiro de 1992. Tendo em vista o princípio da eventualidade, menciona que o lançamento é nulo por ter sido efetuado em duplicidade, pois independentemente do desfecho definitivo do contencioso administrativo instaurado nos autos do Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698, como já comentado, novo auto de infração, que originou o presente Processo Administrativo (Processo n° 13808.000.340/9973), foi lavrado contra a Recorrente, no dia 05/04/1999, objetivando a cobrança da mesma exigência fiscal. Acrescenta que a inteligência do disposto no art. 173, II, do CTN (se aplicável fosse ao caso), [...] prevê a reabertura do prazo decadencial tão somente após a prolação de decisão definitiva que anule o lançamento tributário por vicio formal. [...] Considerando que não há decisão definitiva proferida nos autos do Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698, que objetiva a cobrança do crédito tributário supostamente devido pela Recorrente a titulo de IRPJ relativo ao períodobase 1991, exercício financeiro 1992, fazse necessária a decretação da nulidade do segundo auto de infração que originou esta ação fiscal (Processo Administrativo n° 13808.000.340/9973), em razão da impossibilidade da concomitância de duplicidade de lançamento. Conclui Diante de todo o exposto, considerando que: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 442 6 (a) o lançamento tributário que deu origem ao Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698 foi formalizado com o objetivo de cobrar o mesmo crédito tributário pretendido nestes autos; (b) foi decretada a nulidade do primeiro lançamento por vicio material, nos autos do Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698, tendo em vista que o julgador tributário reconheceu expressamente que a sua formalização foi efetuada sem a observância dos requisitos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional; (c) a decretação da nulidade do lançamento originário por vicio formal afasta a aplicação da norma jurídica prescrita no art. 173, II, do Código Tributário Nacional, não sendo possível, portanto, a reabertura do prazo decadencial; (d) em razão do exposto nos itens "a", "b", e "c", operouse a decadência, nos termos do disposto no art. 156, V, do CTN, do suposto crédito tributário relativo ao IRPJ do períodobase 1991, exercício financeiro de 1992, constituído por intermédio do lançamento tributário que deu origem a este Processo Administrativo n° 13808.000.340/9973, formalizado em 05/04/1999; (e) a decisão que decretou a nulidade do lançamento originário determinou que os autos do Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698 fossem remetidos ao 1° Conselho de Contribuintes, para processamento e julgamento do recurso de oficio; (f) até a presente data os autos do Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698 não foram remetidos ao 1° Conselho de Contribuintes, razão pela qual inexiste decisão definitiva no âmbito administrativo em relação ao primeiro lançamento tributário; (g) em virtude do exposto nos itens "e" e "f", concluise que a administração pública efetuou duplo lançamento tributário, ao autuar a Recorrente no dia 05/04/1999, com o objetivo de cobrar o mesmo crédito tributário daquele discutido nos autos do Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698, pelo que deverá ser decretada a nulidade do lançamento tributário que originou este Processo Administrativo, de n° 13808.000.340/9973; (h) o procedimento adotado pela Recorrente, ao deduzir da base tributável do IRPJ devido no períodobase 1991, exercício financeiro de 1992, a integralidade do diferencial da correção monetária foi realizado nos termos da Lei n° 8.200/91; e ( 1) na eventualidade de serem superados todos os argumentos deduzidos nos itens anteriores, deverá ser considerado que houve tão somente postergação do pagamento do IRPJ, tendo em vista que a Recorrente auferiu lucro tributário nos anos subseqüentes, suficiente ao aproveitamento do diferencial da correção monetária das demonstrações financeiras; é a presente para requerer o recebimento e provimento do presente Recurso Voluntário, reformando o v. acórdão recorrido, para: (I) decretar extinto pela decadência, nos termos do disposto no art. 156, V, do Código Tributário Nacional, o crédito tributário cobrado por intermédio deste processo administrativo, e por conseguinte, o julgamento de improcedência da ação fiscal; ou Fl. 442DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 443 7 (II) declarar a insubsistência do lançamento que originou este processo administrativo, tendo em vista a impossibilidade da concomitância de duplo lançamento; ou (III) decretar a improcedência da ação fiscal, tendo em vista a legalidade do procedimento adotado pela Recorrente, ao deduzir da base tributável do IRPJ devido no período base 1991, exercício financeiro de 1992, a integralidade do diferencial da correção monetária, nos termos da Lei n° 8.200/91; (IV) na eventualidade de serem superados todos os argumentos deduzidos nos itens anteriores, dever á ser considerado que houve tão somente postergação do pagamento do IRPJ, tendo em vista que a Recorrente auferiu lucro tributário nos anos subseqüentes, suficiente ao aproveitamento do diferencial da correção monetária das demonstrações financeiras; ou (v) ao menos determinar o sobrestamento da presente ação fiscal, até que sobrevenha decisão definitiva a ser proferida pelo 1° Conselho de Contribuintes, nos autos do Processo Administrativo n° 10880.030.392/9698. [...] Protesta a Recorrente por sustentar oralmente os argumentos ora aduzidos quando do julgamento do Recurso Voluntário, nos termos em que disposto no art. 21, inciso II, do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. [...] Por fim, requer que todas as intimações sejam feitas em nome de Júlio M. de Oliveira, OAB/SP n° 120.807, e Daniel Lacasa Maya, OAB/SP n° 163.223, com endereço profissional na Av. Brigadeiro Faria Lima, n° 1656, 11 0 andar, São Paulo — Capital, CEP 01451918 — Fone: (11) 38194855. Está consignado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.144, de 07.12.2009, fls. 427429: “Recurso Voluntário Provido”. Restou ementado Lançamento Suplementar de IRPJ Preliminar. Nulidade do lançamento. É nulo o segundo lançamento efetuado nos termos do art. 173, II do Código Tributário Nacional quando ainda estava pendente o primeiro lançamento. No presente caso foi feito este lançamento enquanto ainda pendente de julgamento o primeiro lançamento, assim o presente é nulo. Tratase de nulidade material. Lançamento nulo. Cientificada em 14.12.2011, fl. 433, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração em 14.12.2011, fls. 434435, alegando que o Acórdão embargado contém omissão porque [...] não vislumbrou a I. Relatora que o processo originário, ainda pendente de julgamento (nº 10880.030392/9698), foi apensado a este para que se tornasse o principal. Desta forma, patente a necessidade de manifestação sobre o apensamento dos autos determinada pela DRF/SP/OESTE, ainda que seja para seu desentranhamento e regular curso, sob pena de o processo originário jamais ser julgado. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 444 8 Apresentou sustentação oral a representante legal da Recorrente Dr. Renato Silveira, OAB/São Paulo nº 222.047. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, deles tomo conhecimento. A PFN suscita que não foi analisado o recurso de ofício da Decisão da DRJ/SPO/SP nº 012973/9711.2434, de 25.08.1997, fls. 5153, proferida no processo nº 10880.030392/9698 apenso a este. Processo nº 10880.030392/9698 Em regra, a norma genuinamente processual é da aplicação imediata, alcançando inclusive os processos não definitivamente julgados. Neste sentido, o ordenamento jurídico pátrio adota o sistema do isolamento dos atos em que a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos a praticar1. Cabe esclarecer que o Decisão da DRJ/SPO/SP nº 012973/9711.2434, de 25.08.1997, fls. 5153, exonerou a Recorrente do pagamento de 232.323,70 UFIR a título de IRPJ, juros de mora e multa de ofício proporcional. Como naquela época o recurso de ofício estava fixado no valor de 150.000 UFIR, houve o procedimento correto (inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). A partir de 07.01.2008, a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, estabelece o valor de R$1.000.000,00 para fins de interposição do recurso de ofício. Verificase a falta de finalidade deste CARF para o julgamento do recurso de ofício interposto. Por conseguinte, a Decisão da DRJ/SPO/SP nº 012973/9711.2434, de 25.08.1997, fls. 5153, deve ser declarada definitiva. Por esta razão, deve ser esclarecido em sede de embargos, que não comporta ser prolatado acórdão por este órgão de segunda instância no processo nº 10880.030392/9698, sendo suficiente o despacho decisório terminativo já exarado às fls. 5153, entendimento ratificado no acórdão ora embargado, embora de forma não suficientemente clara o que ensejou a interposição dos presentes embargos declaratórios. 1 Fundamentação legal: art. 1.211 do Código de Processo Civil e art. 106 do Código Tributário Nacional. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 445 9 Processo nº 10880.000340/9973 Nos Embargos de Declaração o que foi questionado referese especificamente a “patente a necessidade de manifestação sobre o apensamento dos autos determinada pela DRF/SP/OESTE, ainda que seja para seu desentranhamento e regular curso, sob pena de o processo originário jamais ser julgado”. Vale ressaltar que na decisão embargada restou evidenciado mediante a motivação explícita, clara e congruente no sentido de que um dos fundamentos da nulidade decretada na Decisão da DRJ/SPO/SP nº 012973/9711.2434, de 25.08.1997, fls. 5153, do processo nº 10880.030392/9698 é material, razão pela qual o lançamento não mais poderia ser refeito no processo nº 10880.000340/9973, porque em 07.12.2009 já havia decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1991 (§ 4º do art. 150 e inciso I do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional). No Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.144, de 07.12.2009, fls. 427429, consta: Assim, há nulidade do segundo lançamento tendo em vista que feito enquanto pendente ainda o primeiro lançamento, que aliás não foi anulado por vício formal, mas sim material. Ou seja, este lançamento, o presente, é nulo e não deve prevalecer. Frisese que esta nulidade ora decretada é material e não formal, razão pela qual não poderá mais haver lançamento porque já decaído o direito. Logo, à época em que foi proferido o Acórdão embargado a Decisão da DRJ/SPO/SP nº 012973/9711.2434, de 25.08.1997, fls. 5153 do processo nº 10880.030392/9698, não mais estava pendente do exame do recurso de ofício, tendo em vista a legislação processual superveniente. Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para esclarecer os termos do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.144, de 07.12.2009, e ratificar o decidido. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.000340/9973 Acórdão n.º 180101.134 S1TE01 Fl. 446 10 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 17460.000112/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/2006
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos.
O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
RESTRIÇÕES AOS CONJUNTO PROBATÓRIO INSTITUÍDAS POR NORMA INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
No curso do processo administrativo fiscal não são aplicáveis normas infralegais limitadoras dos elementos de prova a serem considerados, por serem conflitantes com o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa e por não terem respaldo nas leis que regem a discussão administrativa de créditos tributários. Havendo um conjunto probatório que aponte para a conclusão da obra em período decadente, é de ser afastado o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-002.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente ROGÉRIO EDUARDO GARCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. RESTRIÇÕES AOS CONJUNTO PROBATÓRIO INSTITUÍDAS POR NORMA INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. No curso do processo administrativo fiscal não são aplicáveis normas infralegais limitadoras dos elementos de prova a serem considerados, por serem conflitantes com o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa e por não terem respaldo nas leis que regem a discussão administrativa de créditos tributários. Havendo um conjunto probatório que aponte para a conclusão da obra em período decadente, é de ser afastado o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 126 3 Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 20/12/2006, que constituiu crédito tributário, segundo Relatório Fiscal, fls. 14/15, referente a contribuição previdenciária, parte do empregador e parte do empregado, contribuições de terceiros e SAT /RAT incidentes sobre remunerações de trabalhadores empregados em obra de construção civil apuradas por aferição indireta, no período 01/11/2006 a 30/11/2006, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 6.786,07, fls. 01. O relatório da decisão a quo resume bem os fatos do caso: Diante da não regularização da obra de matricula CEI em referência, foi comandada ação fiscal n.° 09362559F00, decorrente de Aviso para Regularização de Obra (ARO) emitido de oficio pela Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária (UARP) de Presidente Prudente SP, após emissão de Carta de convocação com prazo para regularizar a situação do obra. Os valores lançados na presente NFLD correspondem à parte devida pelo sujeito passivo responsável pela obra; e 6. parte devida pelos segurados empregados, cujo recolhimento compete ao empregador, equiparado à empresa. A apuração da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de responsabilidade de pessoa física será feita com base na área construída e no padrão da obra, por aferição indireta, nos termos do art. 33, § 4.° da Lei n° 8.212/91. A partir da área construída de 201,38 m2, chegouse a um saláriodecontribuição a regularizar de R$ 15.896,88, sobre o qual foram aplicadas as alíquotas previstas, quais sejam, a da parte patronal (20%); para o financiamento do Seguro Acidente do Trabalho SAT (3%); as destinadas a terceiros: Salário Educação (2,5%), INCRA (0,20%), SESI (1,5%)/SENAI (1,0%)/SEBRAE (0,6%); e do segurado (8,00%). Após tomar ciência postal da autuação em 21/12/2006, fls. 22, a recorrente apresentou impugnação, fls. 25/26, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto converteu o julgamento em diligência, em 11/07/2007, para que a autoridade fiscal apresentasse manifestação sobre algumas questões: a classificação da obra como H012Q, sendo que o contribuinte afirma ter a construção 3 quartos e 2 pavimentos; a existência de áreas passíveis de redução, tal como garagem, uma vez que a cópia do projeto, como integrante da defesa apresentada, "será apresentada ao lNSS"; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 a solicitação de inclusão, se for o caso, como coresponsável pelo débito, de Cássia Cristina Queiroz Monteiro, CPF 531.610.33191, conforme declaração de Imposto de renda anexa e decisão de separação judicial mencionada na impugnação. A autoridade fiscal apresentou sua informação fiscal em fls. 44/45 esclarecendo os seguinte: 3 Deixamos de incluir como coresponsável Cássia Cristina Queiroz Monteiro, CPF 531.610.33191, conforme a Declaração de Imposto de Renda, em razão de constar a mesma apenas como usufrutuária e não ter sido apresentado outros documentos. (...) 5 Portanto no calculo foi considerado a Area de 201,38 m2., com o enquadramento padrão de 3 quartos, com redução de 50% de Áreas abertas de garagem com 25,82 m2., totalizando a Área para calculo de 188,47 m2., conforme ARO de Fls. 43. Cientificado para manifestarse sobre o resultado da diligência, o recorrente repisou seus argumentos presentes na impugnação. A 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 93/98, julgou o lançamento procedente em parte, tendo o recorrente sido cientificado do decisório em 17/03/2008, fls. 100. O recurso voluntário, protocolizado em 16/04/2008, fls. 101/109, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta que teria havido prejuízo à defesa devido a problemas nas intimações que precederam à lavratura da NFLD. Argumenta que os fatos geradores estão sim atingidos pela decadência, pois há provas de que a obra foi concluída em data já atingida pela caducidade. Já estava habitando no imóvel em 1996, conforme comprovam os documentos que anexa. Entre os documentos apresentados pode ser encontrado um pedido de Alvará de Conservação apresentado à Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, juntamente com laudo técnico que aponta a metragem construída em 20/03/1996. Junta outros documentos na tentativa de preencher os requisitos do art. 482 da IN 03/2005. Insiste que deveria ser providenciada a inclusão de sua exmulher como co responsável pela obra. Como a obra foi realizada num período no qual estava casado entende que a existe responsabilidade mútua sobre os débitos tributários. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 127 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Da violação ao devido processo legal por ofensa ao contraditório e/ou ao direito à ampla defesa na fase fiscalizatória A recorrente aduz que houve violação do devido processo legal durante a fase fiscalizatória. Não há como acolher a pretensão da recorrente de violação ao devido processo legal, seja por ofensa ao contraditório ou à ampla defesa , pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 128 7 Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 129 9 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 148DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 130 11 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 131 13 Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 21/12/2006, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2000. Todos os fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Restrição aos elementos probatórios instituída por norma infralegal. Impossibilidade. Questão de relevo que enfrentamos é a possibilidade ou não de normas infralegais criarem restrições aos elementos probatórios. As leis que tratam diretamente ou subsidiariamente do processo administrativo fiscal não trazem limitação em relação às provas. Vejamos: Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; IV as diligências que o impugnante pretenda sejam efetuada, expostos os motivos que as justifiquem. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 132 15 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Lei 9.784/99 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Tomando o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99 podemos notar que o primeiro nada trata sobre eventual limitação das provas ao passo que a segunda é explícita ao permitir sejam recusadas somente as provas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Corrobora a conclusão de que os elementos de prova não podem ser limitados por norma infralegal o dispositivo constitucional do art. 5º, inciso LV que garante a todos o contraditório e a ampla defesa, com os recursos e meios a ela inerentes. Eventual previsão em norma infralegal de limitação a elementos probantes só pode ser tomada como orientação para as autoridades administrativas e para os contribuintes quanto aos elementos que afastam de imediato qualquer dúvida quanto ao fato que se quer provar. Por outro lado, se determinado conjunto probatório não obedece ao que a norma infralegal traçou, isso não pode ser tomado, no curso do processo administrativo fiscal, como obstáculo para sua consideração na formação do convencimento do julgador. Todos os elementos indiciários relacionados ao que se quer provar e que tem relação os aspectos do fato gerador devem ser considerados, desde que lícitos. Oportunas, nessa altura, algumas considerações sobre as provas indiciárias. Fabiana Del Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é freqüentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que “toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato”(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescente aque “ toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere”(op.cit., p. 94). Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que “o indício em nada difere da prova”(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes. Os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que “a força probatória de qualquer indício(...) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário(prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, terseá por provado o fato”. (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Del Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López(Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como conseqüência apenas um único fato. Essa exigência, no entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desse indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.”(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte Fl. 154DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 133 17 ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” O que queremos destacar de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídicoaxiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que “a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica”. O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma Fl. 155DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indício convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais sobre os elementos probantes a serem considerados, passamos a outras questões de relevo para o caso. Conforme já anotamos, no curso do processo administrativo fiscal não são aplicáveis normas infralegais limitadoras dos elementos de prova, como são aquelas do art. 482 da IN 03/2005. Temos que considerar o conjunto probatório e dele extrair ou não a conclusão sobre determinado fato. Se o conjunto indiciário convergente for avaliado como suficiente para fundamentar nossa conclusão da ocorrência de determinados fatos, então decidiremos levando os em conta. In casu, há vários elementos de prova que nos levam a concluir que o recorrente tem razão ao insistir que a obra foi construída integralmente em período decadente. Vejamos o conjunto probatório que consideramos na formação de nossa convicção: 1. laudo técnico no qual consta, não só a metragem construída até aquela data 20/03/1996 —, mas também a descrição das Fl. 156DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000112/200721 Acórdão n.º 2301002.614 S2C3T1 Fl. 134 19 fundações, alvenaria, cobertura, revestimento, pisos, esquadrias e a conclusão do responsável técnico, fls. 113/114; 2. Outros documentos de fls. 116/121; Considerando tais informações, concluímos que a obra foi concluída em período anterior a 11/2000, o que impede o lançamento das contribuições sobre as remunerações nela envolvidas. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 157DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015261/2008-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 DIVERGÊNCIAS APURADAS ENTRE DIPJ E DCTF Está sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não comprova a quitação dos mesmos. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS - NÃO CUMPRIMENTO A partir de 1º de outubro de 2002, com a entrada em vigor do artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002 (convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002), não mais é possível realizar a chamada auto-compensação, que era prevista no art. 66 da Lei 8.383/1991. Desta data em diante, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras da Lei 9.430/1996, especificamente aquela prevista no § 1º de seu art. 74, que exige a apresentação de Declaração de Compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os recorrentes argumentos sobre a concomitância de multas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 DIVERGÊNCIAS APURADAS ENTRE DIPJ E DCTFEstá sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado
em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não
comprova a quitação dos mesmos.
QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO REQUISITOS
LEGAIS NÃO
CUMPRIMENTO
A partir de 1º de outubro de 2002, com a entrada em vigor do artigo 49 da
Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002 (convertida na Lei 10.637, de
30/12/2002), não mais é possível realizar a chamada autocompensação,
que
era prevista no art. 66 da Lei 8.383/1991. Desta data em diante, todos os
procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as
regras da Lei 9.430/1996, especificamente aquela prevista no § 1º de seu art.
74, que exige a apresentação de Declaração de Compensação.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE
ESTIMATIVAS
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de
meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não
haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se
confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de
dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao
Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os
recorrentes argumentos sobre a concomitância de multas.
Numero da decisão: 1802-001.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista e Marco Antonio Nunes Castilho, que apenas afastavam a multa isolada, e o Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 DIVERGÊNCIAS APURADAS ENTRE DIPJ E DCTF Está sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não comprova a quitação dos mesmos. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS - NÃO CUMPRIMENTO A partir de 1º de outubro de 2002, com a entrada em vigor do artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002 (convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002), não mais é possível realizar a chamada auto-compensação, que era prevista no art. 66 da Lei 8.383/1991. Desta data em diante, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras da Lei 9.430/1996, especificamente aquela prevista no § 1º de seu art. 74, que exige a apresentação de Declaração de Compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os recorrentes argumentos sobre a concomitância de multas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 DIVERGÊNCIAS APURADAS ENTRE DIPJ E DCTFEstá sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não comprova a quitação dos mesmos. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO REQUISITOS LEGAIS NÃO CUMPRIMENTO A partir de 1º de outubro de 2002, com a entrada em vigor do artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002 (convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002), não mais é possível realizar a chamada autocompensação, que era prevista no art. 66 da Lei 8.383/1991. Desta data em diante, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras da Lei 9.430/1996, especificamente aquela prevista no § 1º de seu art. 74, que exige a apresentação de Declaração de Compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os recorrentes argumentos sobre a concomitância de multas.
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QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO REQUISITOS LEGAIS NÃO CUMPRIMENTO A partir de 1º de outubro de 2002, com a entrada em vigor do artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002 (convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002), não mais é possível realizar a chamada autocompensação, que era prevista no art. 66 da Lei 8.383/1991. Desta data em diante, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras da Lei 9.430/1996, especificamente aquela prevista no § 1º de seu art. 74, que exige a apresentação de Declaração de Compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os recorrentes argumentos sobre a concomitância de multas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIVERGÊNCIAS APURADAS ENTRE DIPJ E DCTF Fl. 838DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 2 2 Está sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não comprova a quitação dos mesmos. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO REQUISITOS LEGAIS NÃO CUMPRIMENTO A partir de 1º de outubro de 2002, com a entrada em vigor do artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002 (convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002), não mais é possível realizar a chamada autocompensação, que era prevista no art. 66 da Lei 8.383/1991. Desta data em diante, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras da Lei 9.430/1996, especificamente aquela prevista no § 1º de seu art. 74, que exige a apresentação de Declaração de Compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os recorrentes argumentos sobre a concomitância de multas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista e Marco Antonio Nunes Castilho, que apenas afastavam a multa isolada, e o Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 2 a 18, nos valores de R$ 177.820,93 e R$ 55.699,92, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. O lançamento também abrangeu a aplicação de multa isolada nos valores de R$ 119.518,62 e R$ 29.022,12, pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, respectivamente. Nesse caso, a multa correspondeu a 50% do valor das estimativas não recolhidas. Os fatos autuados ocorreram nos anoscalendário 2004 e 2005. De acordo com a peça fiscal, o cotejo dos dados declarados em DIPJ com os declarados em DCTF evidenciou ter havido falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL em vários meses destes anoscalendário, e também a insuficiência de recolhimento e declaração de IRPJ e CSLL referentes ao ajuste anual nestes mesmos períodos. Para descrever os fatos que antecederam o recurso sob exame, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0235.570, às fls. 787 a 815: DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS Auto de infração de IRPJ A autuante, reportandose ao termo de verificação a folhas 19 a 22, atribui à autuada duas infrações, de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO DE IRPJ – Insuficiência de recolhimento ou de declaração de IRPJ, apurada pelo cotejo dos dados declarados em DIPJ com os declarados em DCTF e com os recolhimentos efetuados. Data dos fatos geradores: 31.12.2004 e 31.12.2005. Enquadramento legal: artigo 841, incisos I, III e IV do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. 2. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA – Multa apurada em decorrência da falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos ou de balanços de suspensão ou redução. Períodos de apuração: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e setembro de 2004; janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, agosto, setembro e dezembro de 2005. Enquadramento Fl. 840DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 4 4 legal: artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007; artigos 222 e 843 do RIR 1999. Auto de infração de CSLL A autuante, reportandose ao termo de verificação a folhas 19 a 22, atribui à autuada duas infrações, de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO DE CSLL – Insuficiência de recolhimento ou de declaração de CSLL, apurada pelo cotejo dos dados declarados em DIPJ com os declarados em DCTF e com os recolhimentos efetuados. Data do fato gerador: 31.12.2005. Enquadramento legal: artigo 841, incisos I, III e IV, do RIR 1999. 2. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA – Multa apurada em decorrência da falta de pagamento da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos ou de balanços de suspensão ou redução. Períodos de apuração: janeiro, fevereiro, março, abril e dezembro de 2005. Enquadramento legal: artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007; artigos 222 e 843 do RIR 1999. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 19 a 22 a autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. • Nos anoscalendário de 2004 e 2005, o contribuinte foi tributado pelo lucro real com apuração anual do IRPJ e da CSLL. De 01/2004 a 03/2005 os valores relativos ao IRPJ a pagar, constantes da ficha 11 da DIPJ não foram declarados em DCTF nem recolhidos por meio de Darf, de acordo com a verificação no sistema Sinal. Esses valores foram lançados no livro razão a crédito da conta “impostos a recuperar”, mas o contribuinte não apresentou PER/Dcomp que lhes correspondesse. • De 01/2005 a 03/2005 os valores referentes à CSLL a pagar, constantes da ficha 16 da DIPJ também não foram declarados em DCTF nem recolhidos por meio de Darf, de acordo com a verificação no sistema Sinal. O contribuinte não apresentou PER/Dcomp referente a esses valores. • De 04/2005 a 12/2005 os valores de IRPJ a pagar e de CSLL a pagar, constantes da DIPJ foram declarados na DCTF a menor e recolhidos a menor, conforme verificado no sistema Sinal. Para esse período também não houve entrega de PER/Dcomp. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 5 5 • Em decorrência dos dados expostos nas planilhas constantes do termo de verificação fiscal, constatouse a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada nas competências referidas nas planilhas e insuficiência de recolhimento e declaração de IRPJ e CSLL no ajuste anual dos anoscalendário de 2004 e 2005. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Conforme aviso de recebimento a folhas 337, a notificação dos lançamentos foi feita por via postal em 01.12.2008. Em 26.12.2008 os lançamentos foram contestados mediante a apresentação de uma só impugnação, juntadas a folhas 344 a 350. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. • Consta no termo de verificação fiscal que, no período de 01/2004 a 03/2005, os valores relativos ao imposto a pagar, fls. 11 da DIPJ, não foram declarados em DCTF, mas foram contabilizados no livro diário na conta “impostos a recuperar”. Entretanto, o fisco deixou de verificar a favor da impugnante que esses mesmos valores foram compensados com o saldo devedor da mesma conta “impostos a recuperar”, que é formado pelos valores do seu direito contra a Fazenda Nacional, decorrente do imposto de renda pago antecipadamente e é representado pelos débitos contabilizados de imposto de renda retido pelas fontes pagadoras, conforme provam a respectiva escrituração no livro diário, com amparo na documentação pertinente. • Anexase cópia do livro diário no qual estão escrituradas, de janeiro a dezembro de 2002 e de 2003, com observância das leis comerciais e fiscais, todas as suas operações, acompanhadas da respectiva documentação comprobatória do IRRF. • Comprovado que os valores objeto dos autos de infração estão devidamente compensados com o crédito contra a Fazenda Nacional, com amparo no instituto da compensação expresso no inciso II do artigo 145 do CTN, os créditos tributários em causa devem ser declarados extintos. A persistir a exigência fiscal, pode caracterizarse excesso de exação e a subseqüente bitributação. • A falta de verificação pelo fisco do crédito da impugnante, originário do IRRF, fere o princípio da igualdade tributária a que se refere o § 2º do artigo 147 do CTN, segundo o qual o fisco tem o dever de investigar de ofício os casos sujeitos à tributação, apurar as relações de fato e de direito essenciais à formação da obrigação. Antes do lançamento, o fisco tem o dever de examinar os documentos colocados a sua disposição, detectando também o que for a favor dos contribuintes a fim de estabelecer a justa e correta tributação. • As divergências entre escrituração, DIPJ e DCTF devem ser desprezadas, com a prevalência da prova escriturada no livro diário. Nesse sentido é a decisão do Conselho de Contribuintes cuja ementa se transcreve. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 6 6 • Mesmo que a fonte pagadora não houvesse pago o IRRF, o contribuinte teria direito de o compensar, conforme expresso em acórdão cuja ementa se transcreve. • A interpretação econômica das leis tributárias não pode ser levada a extremos, a ponto de não serem incluídos na apuração dos créditos tributários os valores do IRRF devidamente contabilizados na conta impostos a recuperar verificada pelo fisco, sob pena de passar a autoridade lançadora a dispor de poderes discricionários e até mesmo confiscatórios. • Os lançamentos de IRPJ e de CSLL surgiram porque ocorreu erro de preenchimento da DCTF, perfeitamente sanável e caracterizado, em relação ao IRPJ, pela falta de compensação do IRRF, para ser abatido do IRPJ a pagar no período de janeiro a dezembro de 2004, no montante de R$ 90.917,98, página 11 da DIPJ 2005/2004, e pela falta da compensação do IRRF, para ser abatido no período de janeiro a dezembro de 2005, no montante de R$ 155.070,36, página 11 da DIPJ 2006/2005, com a dedução do efetivo pagamento de R$ 68.166,01, do que resulta o saldo a compensar de R$ 86.903,75. E com relação à CSLL, caracterizado pela falta da compensação do IRRF, para serem abatidos da CSLL a pagar, no período de janeiro a dezembro de 2005, no montante de R$ 128.280,27, com dedução do efetivo pagamento de R$ 72.580,35, o que resulta no saldo a compensar de R$ 55.699,92, página 16 da DIPJ 2006/2005. Assim é porque houve omissão na transferência dos valores contabilizados para as citadas declarações, conforme prova a escrituração contábil (razão de 2004, folhas 166, 200 e 201, e razão de 2005, folhas 128, 179 e 180, ora apresentados). Os valores de R$ 90.917,18 e de R$ 86.903,75 deveriam ser compensados e deduzidos do IRPJ a pagar e compensados e deduzidos do valor de R$ 55.699,02 da CSLL a pagar. • As receitas financeiras que originaram o IRRF foram computadas na apuração do lucro real, conforme demonstra o Lalur e a DIPJ. Conseqüentemente, o fisco não poderia impedir a compensação desse IRRF, sob pena de violar o princípio da nãocumulatividade e configurar dupla tributação. Um mesmo imposto é retido e exigido novamente, o que pode também caracterizar confisco de patrimônio, vetado pelo artigo 150, inciso IV, da CF. • Ainda que devidas fossem as exigências de IRPJ e de CSLL, os lançamentos de multa isolada sobre base de cálculo de cada um dos tributos, concomitantemente com a aplicação das multas específicas previstas no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser cancelados, sob pena de o feito caracterizar excesso de exação, porque sua exigência está em conflito com a norma jurídica expressa no inciso V do artigo 97 combinado com o artigo 113 do CTN. As multas isoladas são incompatíveis e não acumuláveis com multa específica. • A exigência concomitante das duas multas de ofício de 75% caracteriza dupla tributação e ainda corresponde à aplicação da Fl. 843DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 7 7 multa de 150% prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para os casos de evidente intuito de fraude definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e não para as matérias objeto da lide. • A cobrança da multa isolada colide com as normas gerais de direito tributário constantes do CTN. O inciso V do seu artigo 97, que confere à lei fixar penalidades, deve ser interpretada em consonância com as demais disposições, especificamente com o artigo 113. • De acordo com o § 1º desse artigo 113, são estabelecidas duas obrigações: a de pagar tributo e a de pagar penalidade pecuniária, esta em conseqüência da transformação da obrigação de fazer acessória em obrigação pecuniária. Por isso, somente é possível a cobrança da obrigação principal de pagar penalidade pecuniária isolada no caso de inadimplência do contribuinte em relação à obrigação acessória. A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória é autônoma e portanto não é acessória da obrigação. Quando se descumpre obrigação acessória e se é obrigado a pagar uma penalidade pecuniária prevista em lei, convertendo se a obrigação de fazer em obrigação de dar, neste momento é isolada da própria prestação de fazer, cujo cumprimento pode ser ainda exigido ou não, na forma da lei. • De acordo com a tipicidade das mencionadas normas, somente é possível estabelecer duas hipóteses de obrigação de dar. Uma ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios (juros e multa) e outra relativamente à penalidade pecuniária, por descumprimento de obrigação acessória. Assim, a exigência de multa isolada com amparo no inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não deriva nem da inobservância de dar principal, nem de infração de regras relativas a obrigação acessória, de modo que colide com a regra geral do Código Tributário Nacional. O artigo 97, inciso V, combinado como o artigo 113 do CTN, estabelece que a única hipótese de se exigir multa isolada é a por descumprimento de obrigação acessória. Por isso a multa questionada deve ser cancelada. Em abono do argumento, citamse as ementas de decisões atribuídas ao Conselho de Contribuintes. • Para comprovar que os valores objeto dos autos de infração estão devidamente contabilizados e comprovados, e visando a salvaguardar o seu direito, a impugnante requer que seja determinada perícia em seus livros e documentos. Para isso, indica como seu perito pessoa que qualifica e enumera cinco quesitos que pretende que sejam esclarecidos, a saber: a) está contabilizado na conta “impostos a recuperar” o seu direito contra a Fazenda Nacional decorrente do IRRF retido nos anos de 2002 a 2003, integrante dos saldos que foram amortizados com os créditos tributários federais? b) está contabilizado a débito da conta “impostos a recuperar” o montante de R$ 90.917,98, detectado pelo fisco a título de IRPJ não pago, no anocalendário de 2004, e o de R$ 86.903,75, no anocalendário Fl. 844DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 8 8 de 2005? c) está devidamente contabilizado CSLL no montante de R$ 55.699,92, detectado como não pago pelo fisco no ano calendário de 2005? d) na compensação do IRPJ e da CSLL a pagar em 2004 e 2005 sobre o IRRF retido em 2002 e 2003 foram respeitados os limites dos saldos da conta “impostos a recuperar”? e) houve alguma compensação indevida de IRPJ e CSLL nos anos de 2002 a 2005 e conseqüentemente prejuízo para o erário no período? • Diante das razões de fato e direito expendidas, esperase o integral provimento do apelo, para determinar o cancelamento dos lançamentos. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Por meio da Resolução nº 1.107, de 27 de maio de 2009, a 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, deliberou, por unanimidade, nos termos da proposta do relator, converter o julgamento em diligência, para que, retornando o processo à repartição de origem, fossem tomadas as seguintes providências: 1. verificar qual a razão da divergência entre os valores constantes da DIRF e da DIPJ no que concerne ao IRRF retido e o deduzido e às receitas financeiras reconhecidas; 2. verificar, individualmente em relação a cada título de longo prazo que venceu ou foi resgatado antecipadamente em 2004 e 2005, se os rendimentos a eles correspondentes foram inteiramente submetidos à tributação; 3. verificar individualmente em relação a cada um dos títulos referidos no item anterior, se há saldo de IRRF retido nos anos calendários de 2004 e 2005 que já não tenha sido utilizado mediante dedução na apuração dos débitos de IRPJ (antecipações por estimativa e ajuste anual) informados nas respectivas DIPJ, ou ainda, no caso do anocalendário de 2002, compensado mediante simples informação em DCTF, quando tal procedimento era permitido; 4. sendo acrescentados aos autos elementos que possam implicar agravamento ou mudança do fundamento das exigências fiscais, cientificar a autuada do resultado da diligência e reabrirlhe prazo para se manifestar. Encerrada a diligência, a autoridade administrativa dela incumbida, no termo de encerramento a folhas 718 a 720 expõe os esclarecimentos que obteve e as conclusões a que chegou. De sua exposição extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. • A empresa esclareceu, atendendo a intimação, que oferece mensalmente à tributação as receitas de aplicações financeiras, não aguardando a data dos resgates para que sejam tributadas as receitas e compensado o IRRF incidente sobre as aplicações financeiras. Em virtude desse procedimento, ela recolhe também a CSLL incidente sobre as receitas de aplicações financeiras. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 9 9 • Analisandose a documentação acostada ao processo, verifica se que os rendimentos das aplicações financeiras de renda fixa e de fundos de investimento foram apropriados mensalmente, em regime de competência e registrados em conta de resultado, conforme cópias do razão a fls. 659 a 670. • O IRRF é registrado mensalmente em conta do subgrupo de impostos a recuperar do ativo circulante. Essa conta compõese do IRRF obtido com a aplicação das alíquotas determinadas pela legislação vigente sobre os rendimentos escriturados, o qual é deduzido na apuração do IRPJ mensal estimado, independentemente da efetiva retenção pela fonte pagadora. • Os rendimentos e o IRRF escriturados mensalmente, bem como os valores informados em DIRF, constam nas planilhas a folhas 698 a 711. Em relação às aplicações em fundos de investimento, não ocorrem divergências significativas com os valores informados em DIRF. O mesmo não ocorre com os títulos de renda fixa, em virtude do reconhecimento da receita pro rata tempore e da dedução do IRRF sem ocorrência da respectiva retenção. • Em virtude da forma de contabilização adotada, os rendimentos de aplicações financeiras foram submetidos à tributação, em conformidade com a legislação tributária vigente e normas contábeis aplicáveis. • No anocalendário de 2002, o IRRF contabilizado e deduzido no ajuste anual perfaz R$155.284,82. Já nas DIRF encontrase a soma de R$147.017,48, que corresponde ao imposto efetivamente retido por ocasião do resgate ou do vencimento das aplicações. A empresa efetuou pagamentos mensais de IRPJ no total de R$ 104.686,92. Foi apurado saldo negativo de IRPJ no ajuste anual, que foi levado a débito da conta Imposto de Renda a Compensar, pertencente ao ativo circulante. A empresa apresentou também saldo negativo de CSLL de R$54.716,29. • No anocalendário de 2003, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ de R$16.982,53, deduzindo R$ 259.569,00 de IRRF registrados em sua escrituração, e realizou contabilmente a compensação de IRPJ mensal por estimativa de R$66.280,63. O IRRF informado em DIRF é de R$206.777,24. Não houve apuração de saldo negativo de CSLL no período. • No anocalendário de 2004, o contribuinte deduziu todo o IRRF no valor de R$169.091,80 referente às receitas de aplicações financeiras na apuração das estimativas mensais. Nos meses de janeiro a julho e de setembro, efetuou contabilmente a compensação do IRPJ a pagar por estimativa com os saldos negativos apurados nos anoscalendário de 2002 e 2003, no total de R$110.131,05. Nos sistemas da RFB não foi encontrada nenhuma PERDCOMP nem processo de compensação referente aos débitos do anocalendário de 2004. A DCTF apresentada não contém débitos no período. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 10 10 • No anocalendário de 2005, o IRPJ mensal pago com DARF somou R$68.166,61; o IRRF deduzido das estimativas mensais, R$ 177.263,73; o IRRF conforme DIRF, R$81.175,97. O ajuste anual resultou em IRPJ a pagar de R$ 86.903,75, compensado com saldo negativo de IRPJ apurado em 2002 e 2003. A DCTF referente ao período apresenta débitos de IRPJ no valor de R$ 68.166,61. A CSLL apurada nos meses de janeiro a março foi compensada, somente na escrituração, com o saldo negativo do IRPJ apurado em 2002. Do termo de encerramento da diligência foi dada ciência ao sujeito passivo em 20.06.2011, a qual se comprova mediante assinatura colhida no seu próprio corpo (vide folhas 720). Foramlhe dados trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões da diligência, mas o prazo transcorreu sem que se voltasse a manifestar, conforme despacho a folhas 723. Como mencionado, a DRJ Belo Horizonte/MG considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 APURAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS TRIBUTÁVEIS CONFRONTO ENTRE DCTF E DIPJ Está sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não justifica, por meio de elementos hábeis e idôneos, a divergência entre uma e outra declaração. MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DAS ANTECIPAÇÕES MENSAIS Verificada o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos. IRRF DEDUÇÃO Desde que atendidas as demais condições impostas pela legislação vigente, o IRRF deve ser deduzido da diferença do tributo apurado pelo fisco, considerando o seu caráter de antecipação do imposto devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 APURAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS TRIBUTÁVEIS CONFRONTO ENTRE DCTF E DIPJ Está sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se Fl. 847DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 11 11 o contribuinte não justifica, por meio de elementos hábeis e idôneos, a divergência entre uma e outra declaração. MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DAS ANTECIPAÇÕES MENSAIS Verificada o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/11/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/12/2011, com argumentos sobre os tópicos abaixo. DA DILIGÊNCIA: o Relator do acórdão recorrido, com base nas informações da diligência fiscal, esclareceu que a Recorrente ofereceu à tributação nos períodos 2002 a 2005 o montante de R$ 4.153.895,48 referente a sua receita financeira contabilizada mensalmente, conforme sua DIPJ, enquanto nas DIRFs foram indicadas apenas o montante de R$ 3.512.001,96; na fl. 809, último parágrafo, o ilustre relator limitouse a informar que “apesar de não fazer parte do litígio instaurado neste processo, as informações referentes aos anos AC de 2002 e 2003 comprovam que a soma do IRRF retido em 2002 e 2003 (R$ 147.017,48 + 206.777,24 = R$ 353.794,72) é maior que o IRRF deduzido pelo contribuinte no período (R$ 155.284,82 + R$ 0,00). Assim sendo, o IRRF retido nos AC de 2004 e 2005 não foram utilizados antecipadamente pelo contribuinte em anos anteriores”; mas data vênia, as retenções ocorridas em 2002 e 2003 devidamente comprovadas são partes integrantes do litígio, eis que na impugnação da Recorrente, item 2.1 , ela reclamou que o Fisco deixou de verificar a favor da impugnante que estes mesmos valores foram compensados com o saldo devedor da mesma conta “IMPOSTOS A RECUPERAR”, que é formado pelos valores do seu direito contra a Fazenda Nacional, decorrente do imposto de renda pago antecipadamente, representados pelos débitos contabilizados do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras conforme provam a respectiva escrituração no livro Diário (ano de 2002 e 2003) com amparo na documentação pertinente. DA COMPENSAÇÃO: pela simples leitura dos termos da ementa, percebese que a Autoridade julgadora entendeu que os valores de IRRF a favor do Contribuinte, no montante de R$ 198.509,90 (= R$ 353.794,72 imposto retido R$ 155.284,82 imposto deduzido), nos exercícios 2002 e 2003 não poderiam ser abatidos por não fazer parte do litígio, o que não tem cabimento; esses valores estão contabilizados e comprovados conforme o resultado da diligência fiscal. A douta autoridade julgadora deixou de observar o princípio da tipicidade legal insculpida no inciso II artigo 156 do CTN que determina, comprovado que houve de fato Fl. 848DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 12 12 a retenção e que ela não foi compensada, que o respectivo crédito deve ser considerado sob pena de o ato se caracterizar em bitributação, ou seja, mesmo provado a retenção do imposto ainda obriga o Contribuinte a promover o seu recolhimento novamente; as divergências entre a escrituração, DIPJ e DCTF, na espécie, data vênia, devem ser desprezadas, com a prevalência da prova escriturada no seu livro Diário. Neste sentido é, também a respeitável decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes do MF expressa no Acórdão n° 10322.219, de 08/12/2005, publicada no DOU n° 21, de 07/02/2006, com a seguinte EMENTA: “DIVERGÊNCIAS ENTRE ESCRITURAÇÃO, DIPJ E DCTF IRPJ E OUTROS É legítimo o lançamento efetuado com base na escrita contábil, desprezandose as informações prestadas em DCTF e declaradas na DIPJ, até prova em contrário (sic).” por isso, a escrita contábil deve prevalecer sobre quaisquer outras declarações, inclusive PER/DCOMP., sabendo que o direito à compensação deve prevalecer em qualquer hipótese não podendo ser restringido jamais, sob pena de caracterizar bi tributação; não pode prosperar o entendimento do relator no sentido de que “apesar de identificar nas planilhas elaboradas pelo fisco à fl.712 e no IRPJ calculado pela DRF à fl. 713 o IRF deduzido contabilmente, bem como as compensações de saldo negativo também compensadas contabilmente pelo contribuinte não podem ser computadas como válidas considerando que efetuadas em desconformidade com a legislação tributária vigente”, porque tal entendimento está incompatível com o resultado apurado e declarado pela auditora fiscal na diligência, fls. 793, 6º parágrafo, em que diz “em virtude da forma de contabilizar adotada, os rendimentos de aplicações financeiras foram submetidos à tributação, em conformidade com a legislação tributária vigente e normas contábeis aplicáveis”; em conseqüência disso, a compensação merece ser aceita. A falta de compensação dessa diferença de 2002 e 2003 já detectada pela Fiscalização no montante de R$ 198.509,90 em favor do Contribuinte, fls. 809, também fere o princípio da igualdade tributária a que se refere ao §2° do artigo 147 do CTN, segundo o qual o Fisco tem o dever de investigar de ofício os casos sujeitos à tributação, apurar as relações de fato e de direito essenciais à formação da obrigação, detectando também o que for a favor dos contribuintes a fim de estabelecer a justa e correta tributação; neste caso, o Fisco, apesar de detectar um saldo de R$ 198.509,90 a favor do Contribuinte, não efetivou sua compensação, visto que se efetivasse teria compensado a totalidade do auto de infração apurado à fl. 814, a saber: a título de IRPJ, no valor de R$ 89.145,41, e mais a título de CSLL, no valor de R$ 55.699,92, e ainda assim restaria um saldo a favor do Contribuinte no montante de R$ 53.664,57, comprovado na diligência fiscal. DA MULTA ISOLADA: ainda que devida fossem as exigências tributárias a título de IRPJ e CSLL, os lançamentos da multa isolada (inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96) sobre base de cálculo de cada um dos tributos, concomitante com a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei n° 9430/96, devem ser cancelados sob pena de o feito caracterizarse em excesso de Fl. 849DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 13 13 exação, porque sua exigência está em conflito com a norma jurídica expressa no inciso V do art. 97 combinado com o art. 113 do C.T.N. (Lei n° 5.172/66); se o lançamento é de oficio e é exigida a multa específica de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9430/96, não há como exigir, concomitante, a multa isolada de 75%, prevista no inciso IV do mesmo artigo 44, quando incidentes sobre a mesma base de cálculo (o imposto ou tributo não pago) que serviu de âncora para aplicação da multa proporcional. Por isso, as multas isoladas são incompatíveis e não acumuláveis com multa específica; a exigência concomitante das duas multas de ofício de 75% caracterizam dupla tributação e ainda corresponde à aplicação da multa de 150% prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, para os casos de evidente intuito de fraude definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4502/64, e não para as matérias objeto da lide; a cobrança da multa isolada do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei n° 9430/96 está em colisão com as Normas Gerais de Direito Tributário insculpidas no Código Tributário Nacional (Lei n° 5172/66). A regra jurídica contida no inciso “V” do seu art. 97, que confere à lei fixar penalidades, deve ser interpretada, data vênia, em consonância com os demais dispositivos expressos no C.T.N., especialmente com seu art. 113; somente é possível a cobrança da obrigação principal de pagar (dar) penalidade pecuniária isolada, a multa isolada, no caso de inadimplência do Contribuinte em relação à obrigação (de fazer ou não fazer) acessória; a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória é autônoma. Portanto, não é acessório da obrigação. Isso porque quando se descumpre uma obrigação acessória, sendo obrigado a pagar uma penalidade pecuniária prevista em lei, há a conversão da obrigação de fazer em obrigação de dar, que neste momento é isolada da própria prestação de fazer, cujo cumprimento pode ser ainda exigido ou não, na forma da lei; de acordo com a tipicidade das mencionadas normas, somente é possível estabelecer duas hipóteses de obrigação de dar. Uma ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios (juros e multa) e outra relativamente à penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória; mas a exigência da multa isolada com amparo no inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96 não deriva nem da inobservância da obrigação (de dar) principal e nem de infração às regras de obrigação acessória (de fazer e não fazer), e colide, por conseqüência, com a regra geral do Código Tributário Nacional; os termos do inciso V do art. 97, combinado com o art. 113 do CTN, estabelecem que a única hipótese de se exigir multa isolada é por descumprimento de obrigação acessória e, por isso, a multa questionada deve ser cancelada; coerentes com o mencionado entendimento são as seguintes decisões do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes do M.F., sobre matéria da mesma natureza e espécie: Acórdão CSRF/0105.078 (Sessão de 17/10/2004, publicado na pág. n° 37 do DOU do dia 21/02/2006), Acórdão n° 10322.219 (Sessão de 08/12/2005, publicado na pág. n° 21 do Fl. 850DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 14 14 DOU do dia 07/02/2006) e Acórdão n° 10245.249 (Sessão de 08/11/2001, publicado na pág. n° 52, do DOU do dia 14/03/2002). Este é o Relatório. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 15 15 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para a exigência de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005, e também a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais destes mesmos tributos nos mesmos anos. A falta/insuficiência nos recolhimentos do ajuste anual e das estimativas mensais foi apurada a partir de divergências entre os valores informados em DIPJ e os declarados em DCTF. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO Desde o início, a Contribuinte alega que estas diferenças são indevidas, uma vez que teriam sido quitadas por compensação com o imposto de renda retido na fonte em 2002 e 2003, conforme comprovava a sua contabilidade. Durante o julgamento em primeira instância administrativa, o processo foi baixado em diligência, para a obtenção de esclarecimentos sobre as receitas financeiras e as retenções a elas correspondentes, relativamente ao regime de contabilização, ao resgate antecipado de títulos, ao oferecimento dos rendimentos à tributação, etc. A diligência trouxe detalhadas informações sobre o regime de apropriação dos rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de fundos de investimento, e sobre as regras de retenção relativas a esses rendimentos, discriminando ainda, ano a ano, de 2002 a 2005, os valores relativos a estas rubricas. Trouxe também esclarecimentos sobre os valores pagos pela Contribuinte e os saldos finais dos tributos em questão, relativamente a estes períodos. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, fundada no art. 837 do RIR/99, considerou parcialmente procedente as alegações da impugnante, excluindo do lançamento do imposto de renda as retenções de IR que correspondiam a 2004 e 2005. As informações prestadas permitem concluir que parte das retenções sobre as aplicações financeiras, apesar de terem sido contabilizadas em 2002 e 2003, pelo regime de competência, correspondiam na verdade aos anos de 2004 e 2005 (quando ocorreram os resgates). Além disso, embora a Contribuinte tenha contabilizado antecipadamente estas retenções, pelo regime de competência, ela não as utilizou efetivamente de modo antecipado, de modo que puderam ser aproveitas pela Delegacia de Julgamento para reduzir as Fl. 852DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 16 16 diferenças apuradas tanto em relação ao ajuste anual do IRPJ, quanto às estimativas mensais deste imposto, nos períodos a que realmente correspondiam. Para a CSLL, no entanto, a impugnação foi considerada totalmente improcedente, porque qualquer compensação desta contribuição com créditos de IR, independentemente do período a que correspondam estes créditos, dependeria de apresentação de PER/DCOMP, procedimento que não foi adotado pela Contribuinte. Em sede de recurso, a Contribuinte insiste que ainda possui créditos a serem compensados no auto de infração; que as retenções ocorridas em 2002 e 2003 são partes integrantes do litígio; que uma vez comprovado que houve de fato a retenção e que ela não foi compensada, o respectivo crédito deve ser considerado sob pena de o ato se caracterizar em bi tributação; que a escrita contábil deve prevalecer sobre quaisquer outras declarações, inclusive o PER/DCOMP; que apesar de se detectar um saldo de R$ 198.509,90 em favor da Contribuinte, não foi efetivada a sua compensação; que seu crédito é suficiente para compensar a totalidade dos autos de infração IRPJ, no valor de R$ 89.145,41, e de CSLL, no valor de R$ 55.699,92, e que ainda restaria um saldo a favor da Contribuinte no montante de R$ 53.664,57, comprovado na diligência fiscal. São improcedentes os argumentos da Recorrente. Primeiramente é importante registrar que o que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo de IRPJ, e não retenções de IRfonte ocorridas ao longo de um determinado ano. Com efeito, as retenções são aproveitadas como “dedução” do tributo devido no ajuste anual, servindo para reduzir o seu montante, ou para a formação de saldo negativo, este sim, a ser restituído ou compensado em momento posterior. A legislação não autoriza que as retenções na fonte sejam utilizadas diretamente para a compensação de outros tributos, e nem para a compensação do mesmo imposto referente a outros períodos (Lei 9.430/1996, art. 2º, § 4º, III, c/c art. 6º, § 1º, II). Não obstante, ainda que pretendêssemos analisar as reivindicadas retenções na fonte de 2002 e 2003 sob a ótica de saldos negativos destes períodos, não se poderia acolher as compensações da Contribuinte, pela forma em que foram realizadas. Nesse sentido, cabe registrar que a Lei 10.637/2002 introduziu profundas modificações para os procedimentos de compensação realizados a partir de 1º de outubro de 2002. As novas regras foram inseridas no art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 853DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 17 17 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação:(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Não há dúvidas de que até setembro de 2002, os contribuintes podiam realizar compensações entre tributos de mesma espécie na sua própria contabilidade, a chamada autocompensação, independentemente de apresentação de pedido de compensação, de instauração de processo administrativo, etc., enfim, independentemente de maiores formalidades, com base no art. 66 da Lei 8.383/1991. Contudo, este tipo de procedimento não foi mais admitido a partir de 1º de outubro de 2002. Desde então, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no art. 74 da Lei 9.430/1996 (acima transcritas), especialmente aquela prevista em seu § 1º, segundo a qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. Com as referidas modificações na Lei 9.430/1996, a Declaração de Compensação DCOMP configurou um instrumento totalmente novo no Direito Tributário, porque a ela foi conferido o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º do art. 74 da Lei 9.430/1996). A compensação deixou de ser um mero procedimento de encontro de contas a ser homologado pelo Fisco, e se tornou equivalente à quitação por moeda, com efeitos semelhantes àqueles previstos no art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação). Assim, no novo e atual contexto, se não for apresentada a Declaração de Compensação – DCOMP exigida pela Lei, não há que se falar em realização de compensação de débitos de IRPJ de 2004 e 2005 com retenções de IR (ou saldo negativo) de 2002 e 2003. E com muito mais razão devem ser rejeitadas as compensações dos débitos de CSLL com estes mesmos “créditos”, pois estas, mesmo antes das modificações legais acima referidas, já não poderiam ser realizadas da forma defendida pela Contribuinte, porque a chamada autocompensação somente era autorizada para tributos de mesma espécie. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 18 18 MULTA ISOLADA POR FALTA DE ESTIMATIVAS Quanto à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, cabe registrar que a previsão dessa penalidade está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, e que ela deve ser aplicada ainda que tenha sido “apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, conforme o inciso IV do §1º deste artigo, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Esta multa está atualmente prevista no art. 44, II, “b”, da mesma lei, conforme as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007, e fixada em 50%, percentual que já foi aplicado no caso em exame. Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima (ainda que tenha apurado ...). Fl. 855DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 19 19 Também é importante destacar que o texto legal diz “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Suas características, inclusive, a distinguem das obrigações normalmente enquadradas no padrão traçado pelo § 1º do art. 113 do CTN, pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. E ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os recorrentes argumentos sobre a concomitância de multas. Finalmente, quanto ao argumento de que a norma legal que estabeleceu a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas estaria colidindo com a sistemática traçada pelo Código Tributário Nacional (em vista de seus artigos 97, V, e 113), por conta das espécies de obrigações que o legislador ordinário estaria autorizado a instituir, cabe registrar que o art. 113 do CTN, em seu conjunto, não tem o caráter restritivo que lhe pretendeu dar a Recorrente. Seria uma incoerência o CTN vedar a instituição de obrigações inerentes aos regimes tributários que ele próprio autoriza, sob pena de uma completa inviabilização destes. É o caso das obrigações relativas à antecipação de tributo próprio, à retenção de tributo por terceiro fonte pagadora, e à substituição tributária. Basta ver que se houvesse a incompatibilidade apontada pela Recorrente, no que diz respeito às espécies possíveis de obrigação, toda a sistemática de retenção na fonte, por exemplo, estaria legalmente comprometida, porque também não se amoldaria ao art. 113 do CTN, na forma como ele foi interpretado pela Contribuinte. Também é importante lembrar que o lucro real tem como regra períodos de apuração trimestral, e que o período anual com recolhimento de estimativas é uma opção dos contribuintes. Assim, feita a opção pela apuração anual com estimativas mensais, não poderia a Contribuinte submeterse apenas à obrigação do fim do período (ajuste), desconsiderando simplesmente as obrigações anteriores atinentes a este regime de tributação. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015261/200831 Acórdão n.º 180201.256 S1TE02 Fl. 20 20 Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 857DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10183.721745/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE
IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha
apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Numero da decisão: 2201-001.504
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/08), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 857.622,30, calculados até 27/11/2009, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Terezinha”, localizado no município de Porto dos Gaúchos MT. A fiscalização apurou dedução indevida de 839,0 ha de área de preservação permanente, dedução indevida de 6.714,4 ha de área de reserva legal e subavaliação do Valor da Terra Nua – VTN. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 7.1. Dos Fatos. Aduziu que, mesmo informando quando em atendimento à intimação que o imóvel não mais lhe pertencia na época da apuração do imposto, o Fisco efetuou o lançamento, procedendo a glosa da APP e da ARL e arbitrando o VTN declarado. 7.2. Em Preliminar. Da Ilegitimidade Passiva do Impugnante ratificou ser parte ilegítima para responder pelas áreas que são de propriedade de outrem, como se verifica pela análise da Escritura Pública de Compra e Venda apresentada, lavrada em 16/09/2003, evidenciando a inexistência de qualquer vínculo do interessado, juntamente com os condôminos, com o imóvel em comento, uma vez que sua totalidade foi transferida para os novos proprietários. 7.2.1. Explanou sobre a obrigação propter rem para, em seguida, afirmar que mesmo estando os adquirentes do imóvel na condição de possuidores e, ainda, que não ocorrida a transferência da propriedade junto ao serviço notarial, os mesmos configuram como contribuintes do ITR, consoante prevê o art. 31, do Código Tributário Nacional CTN, que atribui a responsabilidade tributária mesmo ao possuidor do imóvel rural a qualquer título. Transcreveu jurisprudências administrativas e dos Tribunais que vão ao encontro de suas argumentações. 7.3. Em Mérito. Da Apuração do Crédito Tributário relatou sobre as alterações realizadas na área tributável, no Grau de Utilização GU e na alíquota, devido a glosa das áreas isentas efetuada no lançamento e, embasado em jurisprudência do Conselho de Contribuintes que trata da questão das áreas Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721745/200913 Acórdão n.º 220101.504 S2C2T1 Fl. 2 3 isentas, afirmou que, independentemente do fato de não ser o sujeito passivou ou mesmo responsável pelo imposto em tela, será demonstrada, tópico a tópico, a insubsistência da lavratura. Na seqüência reproduziu decisão administrativa relativa ao tema. 7.4. Em Do Valor da Terra Nua argumentou que na apuração do VTN/ha médio não foram obedecidos os ditames legais, posto que foi utilizado o SIPT sem efetuar uma pesquisa para obtenção de valores mais próximos a realidade do imóvel. Sabese que existe a possibilidade de revisão do VTN na existência de fatores que dificultam a utilização econômica do imóvel, caso em que se iguala o presente imóvel, diante disso, se não foi acatado o VTN declarado, se deve proceder a essa revisão, através de um perito nomeado pela Receita Federal, com observância as exigências da NBR 8.799. 7.5. Em Da Comprovação da Área de Reserva Legal, mencionou os motivos da glosa da ARL expostos no lançamento, quais sejam, a não apresentação do ADA e da averbação dessa área na matrícula do imóvel, argumentando ser indevida tal glosa, mediante a apresentação de jurisprudência dos Tribunais Federais e transcrição de voto proferido no Conselho de Contribuintes. 7.6. Em Da Comprovação da Área de Preservação Permanente, argüiu que as informações presentes no ADA servem para instruir o IBAMA e, apesar da sua entrega ser importante na apuração do ITR, a sua ausência não altera a situação fática da área tributada. Afirmou ter procedido corretamente a DITR, considerando verdadeiramente a APP e ARL, e discordou haver sido surpreendido com a lavratura da NL. Tratou da Medida Provisória n° 2.166/01 ao modificar o art. 10, da Lei n° 9.393/1996 determinou que a declaração do contribuinte não depende de prévia comprovação, das áreas isentas do tributo presentes em seu imóvel, assim, não pode o ADA, um instrumento infralegal, efetivar tal comprovação. Com observância ao princípio da verdade material, se conclui que a glosa efetuada foi indevida. Transcreveu decisões de nossos tribunais para ilustrar seu entendimento. 7.7. Em da Prova Pericial, requereu a realização de diligências para confirmar a posse, domínio ou exploração do imóvel por parte dos adquirentes do imóvel referidos na Escritura Pública de Compra e Venda e as perícias de modo a comprovar a existência de APP, ARL, bem como avaliar o VTN. 7.8. Em Do Pedido, requereu seja: 7.8.1. Recebida e autuada impugnação. 7.8.2. Atribuídos os efeitos suspensivos da exigibilidade total do crédito tributário apurado na NL impugnada. 7.8.3. Julgada procedente a preliminar arguida na presente impugnação, para considerar a ilegitimidade passiva do Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 impugnante, cancelando a NL e extinguindo o crédito tributário apurado. 7.8.4. Em caráter subsidiário, seja, no mérito, julgada procedente a presente impugnação, visto estar demonstrada a insubsistência da ação fiscal, de modo a cancelar totalmente a NL e, por conseqüência, seja extinta, totalmente, o crédito tributário nela apurado. 7.8.5. Sejam deferidas as diligências e perícias requeridas. 8. Instruiu a impugnação com a documentação de fls. 75 a 84, composta por: procuração, cópias do documento de identificação do contribuinte, da NL e da Escritura Pública de Compra e Venda. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Transferência de Propriedade Escritura Pública Sem Registro De acordo com a legislação, se transfere entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Enquanto não se proceder ao registro, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721745/200913 Acórdão n.º 220101.504 S2C2T1 Fl. 3 5 Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 07/07/2011 (fl. 106), Carlos Vian apresenta Recurso Voluntário em 05/08/2011 (fls. 117 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou a área de preservação permanente (839,0 ha) e a área de utilização limitada (6.714,4 0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 680.000,00 (R$ 81,01/ha) para R$ 1.767.565,80 (R$ 210,60/ha), com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fls. 02/03, entendeu a autoridade lançadora que “... para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário... ato declaratório ambiental ADA... Exigese ainda, para as áreas de preservação permanente... a) laudo técnico... b) Certidão do Órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente nos termos do art. 3 ° da Lei n° 4.771/65. E, relativamente à área de reserva legal ... sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel....”. Em relação ao VTN asseverou a autoridade fiscal que “... O documento hábil a comprovar o valor da terra nua informado na DITR/2004 é o laudo técnico... até a presente data ... não acusamos o recebimento de qualquer manifestação de sua parte...”. Em sua peça recursal alega o recorrente, preliminarmente, ilegitimidade passiva, pois alienou a propriedade em 16/09/2003, conforme escritura pública apresentada. Quanto ao mérito afirma o suplicante que é descabida à exigência do ADA, bem como desnecessária a averbação da reserva legal a margem da matrícula do imóvel, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. Além do mais, junta ao recurso laudo técnico de avaliação com fito de confirmar todas as informações prestadas a autoridade fiscal. Ilegitimidade Passiva Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar a preliminar aventada pelo recorrente e que diz respeito à ilegitimidade passiva, pois, segundo argumenta, transferiu a propriedade em 16/09/2003, evidenciando, assim, “... a inexistência de qualquer vínculo do interessado, juntamente com os condôminos, com o imóvel em comento”. Em relação ao tema, cumpre trazer à baila as observações da autoridade lançadora, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 03: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Assim, considerando que o Sr. Carlos Vian apresentou tão somente cópia da escritura pública de compra e venda, sem demonstrar que esta tenha sido registrada à margem da matrícula do imóvel rural, eis que não colacionou a seu requerimento cópia da matrícula n° 5.559 do RGI de Porto dos Gaúchos/MT, não restou comprovado que não mais seria o proprietário do imóvel rural. Ademais, cabe observar que, o Sr. Carlos Vian e outros apresentaram as declarações de ITR, para o NIRF 0.312.2352, dos exercícios de 2004 a 2008, ou seja, após a data de lavratura da escritura pública de compra e venda (16/09/2003), não tendo sido apresentada justificativa para tal fato. Ressaltese que nas DITRs dos exercícios de 2004 a 2008, o Sr. Carlos Vian e condôminos prestaram informação quanto à área utilizada, referente a produtos vegetais e pastagens (DITR/2008), demonstrando a exploração da atividade rural nesse imóvel. Destarte, não restou caracterizado que os Srs. Valdir Antonio Orsi, Dario José Micharski e Cristiano Marin seriam os verdadeiros detentores da posse e/ou domínio do imóvel rural em lide. Necessário se faz ainda mencionar que o NIRF 0.312.2352 e o código INCRA n° 901199.1046202 encontramse em situação ativa e em nome dos Srs. Carlos Vian e Emilio Divino Rodrigues, conforme extratos em anexo. Assim, considerando que não restou comprovado que os Srs. Valdir Antonio Orsi, Dario José Micharski e Cristiano Marin são os atuais proprietários e que o Sr. Carlos Vian e condôminos promoveram a entrega das DITRs dos exercícios de 2004 a 2008, tendo inclusive informado a utilização da área (produtos vegetais e pastagens), resta caracterizado que os Sr. Carlos Vian e condôminos são contribuintes do ITR, nos termos do art. 4º da Lei n° 9.393/1996. Depreendese do excerto transcrito que o proprietário do imóvel é de fato o ora recorrente. Corrobora com este entendimento o fato de o contribuinte ter apresentado declaração de ITR para o NIRF 0.312.2352 dos exercícios de 2004 a 2008, além do que, regulamente intimado, não ter apresentado o registro na matrícula do imóvel da suposta venda efetuada. Destarte, afastase, pois, a suscitada preliminar. Área de Preservação Permanente De início, deve ser registrado que sempre me posicionei no sentido de que antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental – ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como preservacionistas. Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721745/200913 Acórdão n.º 220101.504 S2C2T1 Fl. 4 7 Todavia, a Lei nº 10.165/2000 alterou a Lei n° 6.938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo Ibama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, mencionado pela defesa, registrese que sua redação apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Assim, a partir do exercício 2001 a utilização do ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR, não importando se são as áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico) ou as de Preservação Permanente. Em se tratando do exercício de 2004 e considerado o art. 10, § 4º, inciso II, da IN/SRF nº 043/97, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67/97, e, especificamente, o parágrafo 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, o prazo para a protocolização, junto ao IBAMA/órgão conveniado, do requerimento do Ato Declaratório Ambiental ADA expirou em 30 de março de 2005, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2004, até 30.09.2004, de acordo com a IN/SRF nº 435/2004. Ressaltese que a posição majoritária deste Colegiado é no sentido de não exigir o ADA para as áreas de preservação permanente, todavia, a Turma Julgadora condiciona a comprovação efetiva da referida área à apresentação de laudo técnico acompanhado de ART. Contudo, o laudo técnico apresentado às fls. 147/157 limitase a informar a existência de áreas Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 de preservação permanente, sem, entretanto, delimitálas e discriminálas, de modo a tornar possível a subsunção às alíneas dos arts. 2º e 3º da Lei n° 4771/1965 Código Florestal. Portanto, como não se encontra nos autos documento que comprove a entrega tempestiva do ADA, bem como laudo técnico discriminando as áreas de preservação permanente na forma dos arts. 2º e 3º do Código Florestal, o contribuinte não poderá se beneficiar da isenção do imposto. Área de Reserva Legal De acordo com o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, o sujeito passivo poderá suprimir da base de cálculo da apuração do ITR a área de reserva legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Todavia, para fazer jus à redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Assim, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721745/200913 Acórdão n.º 220101.504 S2C2T1 Fl. 5 9 Neste sentido, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Valor da Terra Nua VTN Quanto ao VTN a autoridade fiscal alterou o valor informado na DITR/2004 de R$ 680.000,00 (R$ 81,01/ha) para R$ 1.767.565,80 (R$ 210,60/ha). Por sua vez, o valor encontrado pelo recorrente, conforme nova DIAT preenchida de fl. 189, representou o montante de R$ 1.727.558,00 (R$ 205,83/ha), valor este bem próximo do VTN apurado pela autoridade fiscal com base no SIPT Sistema de Preços de Terra (fl. 09). Em que pese à proximidade dos valores, o “Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel”, fls. 147/157, carreado aos autos pelo recorrente não apresenta nenhum elemento que justifique, objetivamente, suas conclusões sobre o valor estimado para o imóvel. Em verdade, o Laudo Técnico apresentado traz apenas impressões genéricas e sem comprovação, visto que a avaliação não se baseou em pesquisa de mercado, mas de um valor aleatoriamente informado pelo engenheiro florestal, Remes Rezende Leite, em 03/08/2011. Assim sendo, penso que não há como acatar o referido laudo para fins de revisão do valor fundiário atribuído ao imóvel. Por fim, a realização de perícias e diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, não podendo ser utilizada para a produção de provas que o contribuinte deveria trazer à colação junto com a Impugnação. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003681/2009-92
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Quando os recursos tidos como provenientes de omissão de receitas resultam de pagamentos feitos pelos destinatários finais dos produtos às controladas da contribuinte, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa, posto que inexistente pagamento de valores por parte da autuada que ensejariam a
retenção em fonte.
OMISSÃO DE RECEITAS. ACUSAÇÃO DE OPERAÇÕES SIMULADAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. É do fisco o ônus da prova de que a contribuinte incorreu em omissão de receitas mediante simulação de operações envolvendo empresas situadas em paraísos fiscais. Diante da inexistência de provas, sequer indiretas de que os recursos saíram dessas empresas e ingressaram na autuada de alguma forma, a acusação fiscal não se sustenta.
IRPJ E CSLL. OPERAÇÕES COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Inexistindo valores omitidos, haja vista que, em principio a operações foram efetivamente realizadas e os valores envolvidos foram regularmente contabilizados, incabível tratar o subfaturamento em vendas a subsidiárias no exterior como receita omitidas.
Verificada a observância da legislação de preços de transferência, resta ao fisco, nessas hipóteses auditar os
resultados tributáveis da controlada no exterior, à luz do art.
394 do RIR/99.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 9101-001.402
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que votava pela anulação do acórdão recorrido. A Conselheira Karem Jureidini Dias votou pelas conclusões. Os
Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Susy Gomes Hoffmann apresentarão declaração de voto. O Conselheiro Valmir Sandri declarou-se impedido.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Quando os recursos tidos como provenientes de omissão de receitas resultam de pagamentos feitos pelos destinatários finais dos produtos às controladas da contribuinte, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa, posto que inexistente pagamento de valores por parte da autuada que ensejariam a retenção em fonte. OMISSÃO DE RECEITAS. ACUSAÇÃO DE OPERAÇÕES SIMULADAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. É do fisco o ônus da prova de que a contribuinte incorreu em omissão de receitas mediante simulação de operações envolvendo empresas situadas em paraísos fiscais. Diante da inexistência de provas, sequer indiretas de que os recursos saíram dessas empresas e ingressaram na autuada de alguma forma, a acusação fiscal não se sustenta. IRPJ E CSLL. OPERAÇÕES COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Inexistindo valores omitidos, haja vista que, em principio a operações foram efetivamente realizadas e os valores envolvidos foram regularmente contabilizados, incabível tratar o subfaturamento em vendas a subsidiárias no exterior como receita omitidas. Verificada a observância da legislação de preços de transferência, resta ao fisco, nessas hipóteses auditar os resultados tributáveis da controlada no exterior, à luz do art. 394 do RIR/99. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido.
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Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. Fl. 5841DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 2 2 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Quando os recursos tidos como provenientes de omissão de receitas resultam de pagamentos feitos pelos destinatários finais dos produtos às controladas da contribuinte, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa, posto que inexistente pagamento de valores por parte da autuada que ensejariam a retenção em fonte. OMISSÃO DE RECEITAS. ACUSAÇÃO DE OPERAÇÕES SIMULADAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. É do fisco o ônus da prova de que a contribuinte incorreu em omissão de receitas mediante simulação de operações envolvendo empresas situadas em paraísos fiscais. Diante da inexistência de provas, sequer indiretas de que os recursos saíram dessas empresas e ingressaram na autuada de alguma forma, a acusação fiscal não se sustenta. IRPJ E CSLL. OPERAÇÕES COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Inexistindo valores omitidos, haja vista que, em principio a operações foram efetivamente realizadas e os valores envolvidos foram regularmente contabilizados, incabível tratar o subfaturamento em vendas a subsidiárias no exterior como receita omitidas. Verificada a observância da legislação de preços de transferência, resta ao fisco, nessas hipóteses auditar os resultados tributáveis da controlada no exterior, à luz do art. 394 do RIR/99. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que votava pela anulação do acórdão recorrido. A Conselheira Karem Jureidini Dias votou pelas conclusões. Os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Susy Gomes Hoffmann apresentarão declaração de voto. O Conselheiro Valmir Sandri declarouse impedido. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Relator. EDITADO EM: 14/08/2012 Fl. 5842DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Em sessão de 30/11/2011, a 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mediante Acórdão 140200.754, por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso voluntário do contribuinte MARCOPOLO S/A, proferido em litígio em que se discutia a exigência de IRPJ, CSLL e IRRF relativos ao ano calendário de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, acórdão esse que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Quando os recursos tidos como provenientes de omissão de receitas resultam de pagamentos feitos pelos destinatários finais dos produtos às controladas da contribuinte, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa, posto que inexistente pagamento de valores por parte da autuada que ensejariam a retenção em fonte. OMISSÃO DE RECEITAS. ACUSAÇÃO DE OPERAÇÕES SIMULADAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. É do fisco o ônus da prova de que a contribuinte incorreu em omissão de receitas mediante simulação de operações envolvendo empresas situadas em paraísos fiscais. Diante da inexistência de provas, sequer indiretas de que os recursos saíram dessas empresas e ingressaram na autuada de alguma forma, a acusação fiscal não se sustenta. Fl. 5843DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 4 4 IRPJ E CSLL. OPERAÇÕES COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Inexistindo valores omitidos, haja vista que, em principio a operações foram efetivamente realizadas e os valores envolvidos foram regularmente contabilizados, incabível tratar o subfaturamento em vendas a subsidiárias no exterior como receita omitidas. Verificada a observância da legislação de preços de transferência, resta ao fisco, nessas hipóteses auditar os resultados tributáveis da controlada no exterior, à luz do art. 394 do RIR/99. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Para melhor compreensão da matéria, trascrevo abaixo o relatório constante no Acórdão recorrido, in verbis: MARCOPOLO S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto AlegreRS em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo, em parte o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração (i) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – e multa isolada por insuficiência de recolhimento das estimativas de IRPJ (fls. 02/08), (ii) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – e multa isolada por insuficiência de recolhimento das estimativas da CSLL (fls. 18/21) e (iii) de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 27/65), exigindo um total de credito tributário de R$ 183.903.699,01. A pessoa jurídica optou pelo regime do lucro real anual com pagamentos mensais de IRPJ e CSLL calculados com base em estimativas. De acordo como Relatório de Fiscalização de folhas 173/265, os lançamentos foram efetuados porque o sujeito passivo, ao longo dos anos de 1999 a 2007, efetuou exportações para tradings sediadas no Uruguai e nas Ilhas Virgens Britânicas, operações entendidas pela fiscalização como sendo simuladas, cujo objetivo foi de omitir receitas e manter o numerário em contas bancárias no exterior. A ação fiscal tem raízes em representação fiscal, oriunda do processo administrativo 11051.000143/200211, no qual foram detectados indícios de irregularidades em exportações praticadas pelo contribuinte. à partir de então, foram lavrados autos de infração relacionados aos anoscalendário de 1999 (11020.003966/200508, 11020.003967/200544), 2000 (11020.004103/200621), 2001 e 2002 (11020.004863/200719) e 2003 (11020.007753/200890). Neste processo são tratadas as mesmas questões fáticas dos processos anteriores, só que em relação aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 a 2007, com o acréscimo de novos elementos que foram solicitados ao contribuinte e com novas informações por este trazidas aos autos. Dentre esses novos elementos merece referência a interferência de duas novas Tradings no processo de exportação adotado pelo impugnante. Tratase Das Sociedad Anônima Financiera de Inversiones – SAFIs – Kilvert e Kemplive, sediadas no Uruguai e cujo objeto, descrito em seus instrumentos constitutivos (fls. 1881 e 1898), é totalmente amplo, não permitindo que se aponte uma atividade Fl. 5844DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 5 5 principal. Nessas sociedades a Marcopolo não detém qualquer participação societária. Quando intimado a apresentar os contratos firmados com as referidas sociedades, o contribuinte inicialmente nada apresentou. Depois de reintimado (fls. 706), a exemplo das procurações anteriormente apresentadas, emitidas por MIC/Ilmot, apresentou também procurações outorgadas por Kilvert e Kemplive à funcionários da Marcopolo (fls. 1446/1453). Nos esclarecimentos a respeito da participação das referidas sociedades nas exportações da Marcopolo, esta informou (fls. 713/714) que a Kilvert e a Kemplive, estando domiciliadas no exterior, realizavam operações de trading, adquirindo seus produtos e revendendoos para terceiros. Afirmou que essas empresas foram indicadas pelo Bank Boston e London Forfaiting, com quem mantinha relações comerciais e lhes forneciam apoio creditício. Nada detalhou acerca da operacionalização das operações. Afirmou, outrossim, não existirem contratos de representação comercial firmados com as referidas Tradings. Noutra oportunidade, quando intimada a esclarecer o motivo ou fundamento para a intermediação de tais empresas e para explicar também o motivo por que deixou de utilizar, nas exportações intermediadas por Kilvert e Kemplive, suas próprias controladas (MIC/Ilmot), esclarece que a estruturação das operações realizadas para essas empresas em 2004 a 2006 foi apresentada pelas instituições financeiras à época parceiras da Marcopolo, que indicaram as empresas para viabilizar financeiramente a exportação dos seus produtos (fls. 1835). Esclareceu que as subsidiárias MIC e Ilmot estabeleceriam contato com os compradores finais, promoveriam, adquiririam e revenderiam os produtos da Marcopolo no exterior, além de prestarem, diretamente ou por terceiros, serviços de assistência técnica. Dessa forma, a eventual diferença entre os valores constante das faturas comerciais emitidas pela Marcopolo para a MIC e Ilmot e as faturas emitidas por estas, seria atribuída à natureza distinta de cada operação uma, de venda pelo estabelecimento industrial ao revendedor e outra, de revenda ao consumidor final. No que tange às sociedades Kilvert e Kemplive, esclareceu que as intermediações de vendas se processaram de forma idêntica, com a justificativa de que tais empresas foram indicadas por instituições financeiras que possuíam relações comerciais com as mesmas e lhes forneciam apoio creditício (fls. 714). Tais empresas teriam viabilizado financeira e comercialmente a exportação dos produtos da Marcopolo (fls. 399), sendo que a estruturação das operações, nos anos de 2004 a 2006, foi apresentada pelas instituições financeiras à época parceiras da Marcopolo, que indicaram as empresas para viabilizar financeiramente a exportação de seus produtos (fls. 1835). As exportações sob análise, efetuadas nos anoscalendário de 2004 a 2007, perfazem os seguintes totais: Ano TRADINGS Total Global ILMOT KEMPLIVE KILVERT MIC 2004 11.579.447,00 56.933.626,00 19.855.370,00 88.368.443,00 2005 11.022.019,00 7.078.234,00 77.437.674,00 15.011.257,00 110.549.184,00 Fl. 5845DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 6 6 2006 18.794.350,00 22.992.960,00 80.594.016,00 122.381.326,00 2007 22.521.654,00 113.581.098,0 0 136.102.752,00 Como se tratam das mesmas questões fáticas dos processos anteriores, por questões de celeridade e economia processual, valhome do Relatório integrante do Acórdão nº 1019.635, sessão de 21 de maio de 2009, desta Primeira Turma de Julgamento, Processo nº 11020.007753/200890, que assim sintetizou os fundamentos dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2003: O relatório fiscal (fls. 95/172) pretende demonstrar que a interessada utilizava as sociedades vinculadas Marcopolo International Corporation (MIC), com sede nas Ilhas Virgens Britânicas (paraíso fiscal), e Ilmot International Corporation, no Uruguai, como centrais de refaturamento para intermediar formalmente negócios que, na essência, corresponderiam a operações diretas entre a Marcopolo S/A e seus importadores finais. Nesse intento, aponta indícios que evidenciariam a ausência de participação daquelas empresas na exportações da Marcopolo e desvendariam os artifícios utilizados para conferir aparência de legalidade a operações destinadas a subfaturar receitas e manter irregularmente em contas bancárias estrangeiras numerário que deveria ter sido internalizado no País. A expressão centrais de refaturamento teria origem no termo inglês reinvoincing centers e foi assim explicada no relato da fiscalização: ... são entidades ligadas direta ou indiretamente a uma “empresamãe” que busca reduzir sua carga tributária, estando quase invariavelmente localizadas em paraísos fiscais. O termo “refaturamento” decorre da sistemática inerente a esse forma de planejamento tributário. As Centrais de Refaturamento são introduzidas formalmente (embora raramente exerçam, de fato, qualquer operação) em transações de comércio internacional (importação ou exportação) e seu papel primordial é promover a emissão de uma segunda fatura por valor superior à original. [...] Há algumas características comuns às Centrais de Refaturamento. Normalmente, essas empresas são constituídas de direito, mas inexistentes de fato, e não apresentam qualquer corpo operacional efetivo (ou têm um corpo bastante reduzido para o volume de operações). Pela ausência de estrutura e em virtude de seu papel, as mercadorias por ela intermediadas são sempre remetidas diretamente para o país de destino final. Ainda, essas empresas não intermedeiam operações cujo país de destino (ou origem) seja o mesmo no qual estão localizadas, já que habitualmente esses casos seriam tributados, mesmo em alguns paraísos fiscais. Também consta a tradução de texto explicativo, com grifos dos autuantes (fl. 150): O que é Refaturamento? Refaturamento é o uso de uma corporação offshore para agir como uma intermediária entre uma empresa nacional e seus clientes no exterior. Os lucros dessa corporação intermediária e a operacionalização dos negócios no país permitem a transferência de parte ou de todo o lucro nas transações para a corporação offshore. Estruturas similares podem ser usadas pelo importador. Uso de refaturamento – exemplo: Fl. 5846DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 7 7 Uma corporação em uma jurisdição com alta carga tributária vende $500.000 em produtos ou serviços para a Alemanha a cada ano. Digamos que o custo de produtos e despesas operacionais seja de $300.000. Assim, a empresa lucra $200.000 antes da tributação. Digamos que essa empresa estabeleça uma offshore para agir como intermediária. A empresa nacional vende seus produtos e serviços para a empresa offshore por, suponhamos, $320.000. A offshore imediatamente revende os produtos e serviços para o cliente na Alemanha por $500.000, tendo um lucro de $180.000. Como offshore não paga tributos, os $180.000 são lucro líquido. A empresa exportadora, em jurisdição com alta carga tributária, apresenta lucro mínimo ($20.000). Os $180.000 de lucro, livres de tributação, podem ser depositados em uma conta bancária ou em outro investimento, de acordo com os interesses da empresa nacional. Como é o transporte da mercadoria? A mercadoria pode ser enviada diretamente para o cliente do exportador. O relatório assim apresentou, de forma didática, o fluxograma das operações simuladas: 1. Negociação com o importador final, e posterior venda (valor hipotético de R$ 115 mil); 2. Simulação da participação de uma das empresas controladas (MIC/ILMOT), escolhida de acordo com o interesse da Marcopolo. Entre os vários procedimentos que objetivam conferir uma aparência de legalidade à operação, podese citar a emissão de faturas pelo sujeito passivo para MIC/ILMOT (valor hipotético de R$ 100 mil) e concomitante emissão de faturas da MIC/ILMOT para o importador final (R$ 115 mil), embora, de fato, todas essas faturas tenham sido emitidas pela própria Marcopolo; e 3. Envio das mercadorias diretamente para o importador final, com a simulação de pedido de remessa por conta e ordem da empresa intermediária escolhida. Vários indícios levantados pelos autuantes objetam a existência fática das empresas intermediárias, mesmo que elas estivessem formalmente constituídas: () Relativamente à MIC: a) situada nas Ilhas Virgens Britânicas – paraíso fiscal onde é prometido sigilo e não há cobrança de impostos sobre a renda de empresas estrangeiras; onde estariam registradas mais de 700.000 empresas, em país com área de 153 Km2 e população de 23 mil habitantes em 2007 (a título de comparação, a Receita Federal registraria, no mesmo ano, em Caxias do Sul a existência de 35.600 empresas ativas regulares, sejam matrizes ou filiais, em município de 400 mil habitantes e área de 1.644 Km2); e onde há grande quantidade de firmas que oferecem serviços de criação de offshores, tais como a sucursal de empresa panamenha, Sucre & Sucre Trust Ltd.; b) documentos de desembaraço aduaneiro uruguaios relativos a exportações da Marcopolo em 1999 registram o domicílio da MIC com o mesmo endereço da Marcopolo S/A, em Caxias do Sul; c) para o propósito de comprovar a existência fática da MIC, a fiscalizada apresentou fatura de energia elétrica e recibo de pagamento de serviços telefônicos Fl. 5847DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 8 8 de 2006, nas quais constava a empresa Sucre & Sucre como usuária do serviço – no recibo telefônico, além do valor pago, não constava dados relevantes, como o tipo de serviço prestado, o número do telefone, o endereço da linha telefônica, a discriminação das ligações etc.; d) as explicações da contribuinte para a divergência entre o endereço da fatura de energia elétrica e o das faturas comerciais foram inconsistentes e apresentaram erros primários, demonstrando o desconhecimento pela contribuinte da estrutura postal da localidade; e) há vaguidade na informação do endereço normalmente utilizado para localizar a MIC (faturas comerciais), não havendo citação de nome de logradouro, código postal ou número de edificação; f) não foi apresentada documentação que comprovasse e explicasse efetivamente a ligação entre as empresas MIC e Sucre & Sucre, relativamente ao fornecimento de bens de infraestrutura para atendimento de suas necessidades; g) segundo o sítio da internet, a Sucre & Sucre presta serviços de domicílio, linhas de telefone e fax, endereço eletrônico e emissão de faturas – outras empresas são até mais explícitas na internet, oferecendo a criação de companhias offshores para fazer refaturamento, providenciando serviços de caixa postal, telex, telefone e fax para uso da companhia offshore; h) inexiste sítio da MIC na internet – investimento justificado para o porte dos negócios formalizados; e i) embora o faturamento anual da MIC em 2000 tenha sido de aproximadamente US$ 13,7 milhões, por vendas para Trinidad e Tobago, África do Sul, Barbados, Uruguai, Moçambique e Costa Rica, entre outros países, os únicos salários pagos foram os de quatro sóciosgerentes da Marcopolo S.A. () Relativamente à Ilmot: a) foi criada no Uruguai, onde as sociedades anônimas financeiras de investimentos (Safi) gozam de tratamento fiscal privilegiado; b) as faturas de energia elétrica e de serviços telefônicos de 2006 apresentadas para justificar a existência da empresa registravam a empresa KPMG Uruguay como usuária dos serviços, esta que, segundo a autuada, seria locadora o espaço para Consadi Asociados Asesoramiento Empresarial; c) nenhum documento apresentado pela fiscalizada – inclusive o recibo de pagamento de uma fatura paga em 2000, referente a serviços administrativocontábeis prestados em 1999 – foi hábil para comprovar e explicar a efetiva ligação entre as empresas Ilmot e Consadi Asociados, relativamente ao fornecimento de bens de infraestrutura para atendimento de suas necessidades; d) a análise de fatura telefônica apresentada, mesmo que de um período em que a contribuinte já estava sob fiscalização, estabelece forte indício de que o serviço de telefonia não era utilizado para o atendimento das necessidades da Ilmot, já que não há registro de contato com a Marcopolo no Brasil ou com importadores finais; e e) haveria incongruência entre o faturamento da Ilmot e a estrutura da empresa, segundo a documentação apresentada, como exemplificado por ausência de sítio na internet da Ilmot e Consadi Asociados, reduzida quantidade de ligações Fl. 5848DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 9 9 internacionais na fatura de telefonia apresentada e ausência de comprovação de contatos com os compradores finais. () Relativamente a ambas empresas externas: a) as controladas não tinham estrutura adequada para promover vendas no exterior, estabelecer contato com compradores finais, supervisionar ou fornecer assistência técnica, entre outros, para os quais de se comprometeram contratualmente a fornecer; b) a justificativa da vantagem geográfica das empresas é desmentida pelo fato de somente a MIC haver vendido para o Uruguai, onde está instalada a Ilmot – o contrassenso poderia ser justificado apenas pela manutenção do ganho fiscal; c) o único contrato apresentado para comprovar a formalização de vendas a compradores finais (exportação de carrocerias para Bidayah Intertrade FZE, dos Emirados Árabes Unidos, outro paraíso fiscal) não guarda relação direta com as operações investigadas e é pouco para firmar a tese da contribuinte relativamente à atuação das empresas estrangeiras, considerandose as elevadas cifras de vendas formais das duas empresas; d) a pequena amostra e a simplicidade dos pedidos eletrônicos apresentados para comprovar as compras das intermediárias junto à Marcopolo (fls. 474/477) pouco valor tiveram como prova em favor da contribuinte diante dos indícios apontando para a simulação – os pedidos poderiam ter sido formalizados até mesmo após o início do procedimento fiscal; e) as cartas de crédito dos importadores finais em favor de MIC/Ilmot e as transferências de numerário também não servem de prova para estabelecer a efetiva participação dessas empresas nas operações, e ainda constituem parte da mecânica da simulação; f) os financiamentos obtidos pelas intermediárias apresentam a Marcopolo na figura de garantidora; g) o volume significativo de cópias de pedidos de importação originários da Polomex S.A., empresa mexicana controlada pela Marcopolo, não é suficiente para comprovar a efetiva ligação entre as intermediárias e os importadores finais, nem afastar a simulação, já que não foram apresentados documentos relativos a outras empresas, apesar de solicitados; h) os contratos firmados entre Marcopolo e MIC/Ilmot agregamse aos diversos mecanismos direcionados a conferir aparência de legalidade a operações inexistentes; i) todos os documentos da MIC e Ilmot são emitidos em Caxias do Sul e assinados por funcionários da Marcopolo, mandatários de suas centrais de refaturamento que não recebem remuneração destas, mas somente da autuada; j) há imensa semelhança entre as faturas comerciais emitidas pela Marcopolo e pela MIC e Ilmot; k) o argumento de que MIC e Ilmot seriam fundamentais para a manutenção e conquista do mercado externo não condiz com os documentos apresentados pela autuada para comprovar as vendas das intermediárias pois existem vínculos societários entre a Marcopolo e os supostos adquirentes (Polomex, Marcopolo South Africa e Brasa); e Fl. 5849DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 10 10 l) o fato de o gestor comercial das empresas externas, Rafael Adauto da Costa, ser empregado da Marcopolo evidencia a estreita relação de independência operacional e gerencial das intermediárias com a autuada. O relatório fiscal destaca também o conteúdo dos contratos de prestação de serviços formalizados entre a Marcopolo e suas controladas MIC e Ilmot, segundo os quais estas seriam responsáveis, no exterior, pela distribuição oficial (compra e revenda de produtos de fabricação da Marcopolo) e representação comercial (agenciamento de vendas), além de: manutenção própria ou por subcontratados de escritórios equipados com telefone, telex, máquinas, móveis, funcionários qualificados, etc.; remessa de informações detalhadas sobre os negócios, clientes visitados e situação de mercado; manutenção de técnico ou preposto para desempenharem os serviços de pósvenda; dentre outros deveres. A omissão de receita apurada em cada operação de exportação (vinculada a uma DDE) foi obtida pela diferença entre o valor da fatura emitida pela empresa intermediária no exterior para o importador final e o valor da fatura emitida pela Marcopolo para a MIC/Ilmot, excluída parcela de drawback, se houvesse. Os resultados, apurados em dólares, foram convertidos para reais pela taxa de compra fixada pelo boletim de abertura do Banco Central do Brasil, vigente na data da averbação dos produtos (confirmação da saída da mercadoria do país). No caso de operações amparadas no Protocolo ICMS 10/94, que permite a exportação de chassis de ônibus com trânsito pela indústria de carroceria, observouse que o valor da fatura da MIC/Ilmot, informado pela Marcopolo, já expurgava o valor do chassis. A diferença de preço omitido ao fisco federal, além de ser considerada receita operacional omitida – evadida do País e empregada a terceira pessoa, sem registro contábil ou fiscal na Marcopolo –, foi considerada como pagamento sem causa, razão pela foi lançado IRRF exclusivamente na fonte sobre base de cálculo reajustada. A fiscalização entendeu não adequarse o mecanismo dos preços de transferência alegando porque ele teria por pressuposto a ocorrência efetiva das operações de exportação ou importação, o que não teria ocorrido no caso. Os resultados auferidos pela MIC e Ilmot não vêm sendo tributados. Uma das razões para a esquiva tributação, segundo a fiscalização, é a inexistência de órgão que assegure as informações originárias das duas empresas externas. Até a quando era prevista a tributação dos lucros distribuídos, os estatutos da MIC agregavam, por exemplo, a possibilidade de criação de fundo de reserva, antes mesmo da apuração dos dividendos – o que poderia afastar parcela de lucro tributável – com a faculdade de reincorporação de dividendos não solicitados por 3 anos. Com a vigência da Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001, quando a tributação dos lucros independeria da distribuição efetiva, coincidentemente, em 2001 houve um vultoso prejuízo, fato que se repetiu em 2002, com total de prejuízos acumulados que até 2004 não haviam sido revertidos. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, então prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.460, de 1996, por entendimento de que houve simulação da participação das Centrais de Faturamento em exportações visando, dolosamente, a omissão de receitas e a evasão de divisas, o que se caracteriza como fraude, como definido no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Como o sujeito passivo optou pela tributação dos seus resultados pelo Lucro Real Anual com recolhimentos mensais calculados com base em estimativas ou balanços Fl. 5850DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 11 11 suspensão/redução, o uso das Centrais de Refaturamento proporcionoulhe a diminuição dos valores devidos mensalmente a título de IRPJ e CSLL. Por isso, com base na previsão do art. 44, inc. II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, foi lançada a multa isolada de 50% sobre o valor da estimativa não recolhida em razão da infração apontada nos autos. (...) A ciência dos autos de infração se deu em 01/12/2009 (fls. 03) e a impugnação foi apresentada em 28/12/2009, de fls. 4092/4159, 4695/4759 e 4801/4869. Ao final da peça impugnatória a contribuinte requereu o cancelamento integral das exigências fiscais. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Nos casos de dolo, fraude ou simulação o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário tem seu termo de início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não alcançando os fatos geradores tratados nos autos. EXPORTAÇÕES. SIMULAÇÃO. As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. No caso dos autos, em que o sujeito passivo construiu de forma artificiosa operações de exportação para empresas sediadas em países que adotam tratamento fiscal favorecido, o abandono da intermediação inexistente impõe a tributação das receitas omitidas, resultante da diferença entre o montante efetivamente pago pelo destinatário final e o apropriado contabilmente pelo contribuinte. CUSTOS E DESPESAS DE TERCEIROS. DEDUTIBILIDADE. Os custos e despesas dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto são somente aqueles intrinsecamente vinculados à fonte produtora das receitas, não havendo que se falar em dedutibilidade quando os referidos dispêndios foram efetuados por terceiros. INCENTIVOS FISCAIS. A omissão de receitas pode demandar o recálculo dos incentivos fiscais desde que atendidos requisitos específicos da legislação, admissibilidade do recálculo, obediência aos limites e comprovação das despesas. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. OPERAÇÃO OU SUA CAUSA NÃO COMPROVADA. Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas cuja operação ou sua causa não for comprovada está sujeito à incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35%, com reajustamento do respectivo rendimento bruto. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido. Fl. 5851DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 12 12 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de subtrair valores à tributação para reduzir os tributos devidos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL E IRRF. Aplicase aos lançamentos decorrentes a mesma solução dada ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. A síntese das alegações recursais encontrase no memorial apresentado pela contribuinte a seguir transcrito: (...) conforme passará a demonstrar, os Autos de Infração mantidos não podem prosperar uma vez que: não houve omissão de receitas, uma vez que, se todas as receitas estão devidamente registradas e declaradas, é impossível o enquadramento de suposta infração nesta espécie; a tese fiscal de omissão de receitas não se sustenta para as vendas feitas às empresas KILVERT e KEMPLIVE, eis que, por não terem relação societária com a Recorrente, não há qualquer vantagem econômica ou fiscal no suposto subfaturamento das transações, nem mesmo quando a posterior revenda tenha como destinatário uma empresa do grupo econômico da Recorrente; não houve simulação, uma vez que todas as operações efetivamente ocorreram da forma como declaradas, produzindo os efeitos jurídicos a elas inerentes, estando devidamente comprovadas, conforme documentos acostado aos autos; está comprovada nos autos a execução material das operações de revenda praticadas pelas empresas MIC e ILMOT; ainda que se admitisse a desconsideração das operações, tal desconsideração não poderia ser parcial, sem considerar os custos e despesas relacionados às operações, sob pena de nulidade do lançamento; a Recorrente observou as regras de preço de transferência e tributação de lucros de controladas situadas no exterior, o que, pela natureza antielisiva dessa legislação, afasta qualquer acusação de manipulação dos preços nessas operações; nesse mesmo sentido, ainda que fosse possível admitir a desconsideração no presente caso, imprescindível o afastamento da multa qualificada de 150%, visto que ausente o comportamento doloso por parte da Recorrente. Da mesma forma, nos termos do art. 100 do CTN, a convivência por anos das autoridades com as operações em tela, também corrobora a necessidade de afastamento de penalidades contra a Recorrente; nos termos do art. 146 do CTN, a mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento tributário somente pode alcançar fatos geradores futuros, jamais podendo retroagir à situações pretéritas, Fl. 5852DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 13 13 ainda mais para a aplicação de multa qualificada de 150%; ainda em relação às penalidades impostas à Recorrente, incabível a cumulação da multa isolada sobre as estimativas supostamente não recolhidas e a multa de ofício qualificada, pois recaem sobre a mesma base de cálculo, nos termos do que já decidido pela CSRF; por fim, igualmente absurdo o lançamento de IRRF, uma vez que não verificada a ocorrência do seu critério material de incidência, já que a Recorrente não realizou qualquer pagamento para suas controladas. Vejamos. I DA AUTUAÇÃO FISCAL E DA DECISÃO RECORRIDA De acordo com o relatório fiscal e a r. decisão recorrida, o cerne da autuação é a suposta simulação nas vendas da Recorrente ao exterior, que teria se utilizado de suas controladas e empresas terceiras como "centrais de refaturamento". Particularmente, nestes autos, a Fiscalização aborda, sob a mesma infração, as operações envolvendo empresas uruguaias que não guardam relação societária com a Recorrente. O debate jurídico e fático dos autos, portanto, centralizase na comprovação de que as exportações realizadas por intermédio das empresas localizadas no exterior, notadamente as controladas MIC e ILMOT, compreenderam, efetiva e materialmente, dois negócios jurídicos distintos, quais sejam, a venda efetiva de produtos da Recorrente para essas empresas e outro negócio consubstanciado na venda dos produtos dessas empresas offshore aos clientes finais. Em que pese os argumentos apresentados e a farta documentação acostada aos autos, a r. decisão recorrida manteve os lançamentos fiscais, considerando como verdadeira a alegação fiscal da suposta venda direta ao exterior, com fundamento, principalmente, nas seguintes alegações: a) O fato de parte das vendas efetuadas pela MIC, ILMOT, Kilvert e Kemplive serem realizadas para empresas coligadas ou controladas da Marcopolo (Polomex e Marcopolo South Africa) e; b) A gestão comercial no exterior e a utilização de rede de representantes comerciais seria realizada pela própria Recorrente, inclusive ressaltando os vínculos que os coordenadores da MIC e da ILMOT tinham com a Marcopolo; Diante da intransigente posição da DRJ/POA, que se mostra totalmente desconexa aos fatos comprovados pela ora Recorrente desde o início da fiscalização cabenos, reprisar, de forma clara e objetiva, os motivos extrafiscais que informaram a adoção do modelo negocial contestado, demonstrados nas incontestáveis provas dos autos, que a participação efetiva das empresas MIC, ILMOT, Kilvert e Kemplive ocorreu, de modo que não é possível desconsiderar os efeitos fiscais das operações com elas contempladas. II IMPOSSIBILIDADE DA TESE FISCAL PARA AS EMPRESAS KILVERT E KEMPLIVE O ponto que deve ser considerado, antes do aprofundamento nas provas materiais do caso, é o fato de que, nesta autuação em particular, a Fiscalização buscou abarcar as operações envolvendo as empresa KILVERT e KEMPLIVE, indicadas pelos Bancos (doc. 01 fls. 4221 a 4223 dos autos) que financiaram as operações de exportação e que não guardam qualquer relação societária com a Recorrente. Fl. 5853DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 14 14 De fato, as certidões de notário uruguaio traduzidas por escrivão juramentado (doc. 02 fls. 4205 a 4219) demonstraram, de forma inequívoca, que as empresas KILVERT e KEMPLIVE são totalmente independentes e não têm nenhum vínculo societário com a Recorrente, empresas do seu grupo econômico, sócios ou administradores, o que torna ilógica e inaplicável a tese fiscal de que a Recorrente teria auferido vantagem fiscal ilícita nessas operações. Com efeito, o cerne da tese arguida pelas autoridades fiscais para justificar as autuações lavradas contra a Recorrente reside no suposto subfaturamento nas vendas para "paraísos fiscais" e o subseqüente refaturamento a preços de mercado, de forma a deslocar o lucro para locais com menor tributação, porém, mantendose os ganhos financeiros dentro do grupo econômico. Contudo, essa tese não se sustenta logicamente quando as supostas "centrais de refaturamento" não são empresas do mesmo grupo econômico, visto que o lucro auferido por essas empresas no exterior jamais acrescerão o patrimônio da Recorrente ou de suas empresas controladas e coligadas. Mesmo admitindo que as empresas KILVERT e KEMPLIVE constituemse Em "centrais de refaturamento", sem qualquer substância, ainda sim, não poderia subsistir a acusação de omissão de receitas contra a Recorrente, uma vez que essas receitas não se incorporaram, quer direta, quer indiretamente, ao patrimônio da Recorrente ou das empresas de seu grupo econômico. Manterse a autuação fiscal para essa situação representa uma afronta às provas trazidas aos autos acerca da correção formal e material das operações praticadas pela Recorrente, mas principalmente um atentado à todo e qualquer princípio e regra constante em nosso sistema tributário, pois implicaria em admitir, sem qualquer indício, prova, fundamento legal ou sequer alegação lógica, que a Recorrente seja tributada e penalizada em razão de um acréscimo patrimonial auferido por um terceiro. Tal questão é particular dos Autos de Infração envolvidos neste processo administrativo e, desta forma, deve ter atenção especial dos N. Conselheiros, haja vista não se fazer presente nos demais processos administrativos julgados na mesma sessão, em que pese a relevância de todos os outros argumentos ora trazidos e constantes nos demais autos. III DA INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO De acordo com a decisão de primeiro grau, o "esquema geral da simulação" (fls. 4914/4914V) identificado pela autoridade fiscal consistiria nas seguintes etapas: a) Clientes entrariam em contato com a Recorrente em Caxias do Sul Br; b) Após negociações comerciais com a Recorrente, introduziase uma de suas controladas offshore (MIC ou ILMOT) ou uma terceira empresa (Kilvert e Kemplive); c) Por meio de uma série de operações, simulavase a participação das empresas controladas no exterior nas revendas para clientes; d) A documentação correspondente às operações era expedida e assinada pela Recorrente; e) Os clientes pagariam às empresas controladas, que repassariam apenas parte dos valores para a Recorrente; Fl. 5854DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 15 15 Por sua vez, os seguintes indícios foram apontados na decisão como determinantes para a conclusão acerca da existência de simulação: a) As empresas controladas no exterior estariam localizadas em paraísos fiscais BVI e Uruguai; b) Não haveria evidências da participação das controladas nas operações de revenda; c) As empresas controladas não possuiriam estabelecimentos e funcionários condizentes com o volume de operações praticadas; d) Os documentos correspondentes às revendas realizadas pelas controladas seriam expedidos e assinados por funcionários da Recorrente em Caxias do Sul Br, além de haver "imensa" semelhança entre os documentos emitidos pela Recorrente e pelas controladas; e) o vínculo existente entre a Recorrente e alguns importadores finais (Polomex e Marcopolo South Africa); f) o contrato de representação firmado entre a Recorrente e as empresas MIC e ILMOT impedem a autonomia destas nas negociações com terceiros; g) os contratos de financiamento firmados por MIC e ILMOT tinham como beneficiária a Recorrente. Vejamos, pois, as razões pelas quais a Recorrente reafirma que a acusação de simulação apontada nos anos de 2004 a 2007 é absolutamente destituída de comprovação e, por outro lado, as provas trazidas aos autos, porém, ignoradas pela decisão de primeiro grau, que demonstram a correção das vendas realizadas pela Recorrente e suas controladas. IV DA COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES PRATICADAS PELAS EMPRESAS MIC E ILMOT Conforme mencionado, a primeira etapa da suposta simulação praticada consistiria no contato de clientes localizados no exterior com a Recorrente (Marcopolo S.A.), com a conseqüente negociação comercial sobre as condições de venda das carrocerias de ônibus. Importante notar que, desde já, nenhuma prova ou indício é apontado pela fiscalização ou pela decisão de primeiro grau como motivador da conclusão de que os clientes situados no exterior entravam em contato e negociavam diretamente com a Recorrente a venda das carrocerias. Repitase, ao longo dos seis anos em que a Recorrente vem sendo fiscalizada acerca da presente operação, em nenhum momento qualquer indício documentos, evidência de ligações telefônicas, correspondências, mensagens eletrônicas, etc... foi trazido pela fiscalização para demonstrar a primeira etapa da simulação por ela apontada, qual seja, o contato com clientes situados no exterior com a Recorrente. E não há indícios ou provas desse contato, por mais óbvio que pareça, porque, simplesmente, os clientes situados no exterior NÃO ENTRAM EM CONTATO OU NEGOCIAM DIRETAMENTE COM A RECORRENTE, mas sim com representantes comerciais situados em países diversos, contratados (doc. 03), geridos e comissionados (doc. 04) pelas empresas MIC e ILMOT. Fl. 5855DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 16 16 Notem que as atividades exercidas pelas empresas MIC e ILMOT consistiam basicamente na gestão dessa rede de representantes comerciais situados em diversos países, responsáveis pela prospecção e o contato direto com os clientes, gestão financeira para a captação de financiamentos no exterior e gestão da assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente. Essas atividades de gestão, obviamente, não demandam o uso intensivo de mãode obra ou o uso de uma estrutura operacional complexa, mas apenas e tão somente a capacidade laboral de um gestor e um escritório com funcionalidades básicas (linha telefônica, fax, email, computador e secretária). Nesse sentido, restou comprovado pela Recorrente que, nos anos de 2004 a 2007, tal atividade de gestão era exercida pelo Sr. Rafael Adauto e, posteriormente, pelo Sr. Alexandre Luis Scherner Rodrigues e pelo Sr. Sérgio Muradas, que possuíam à sua disposição a estrutura operacional necessária para o exercício de suas atividades. Acerca da comprovação da atividade de gestão comercial da rede de representantes comerciais das empresas MIC e ILMOT, gestão financeira, assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente, ou seja, da execução material das operações de revenda praticadas, foram trazidos aos autos os seguintes documentos: Contratos de trabalho, remuneração, contas telefônicas com o detalhamento das ligações realizadas e recebidas para diversos clientes, comprovantes de despesas de viagens para visitas comerciais dos gestores das empresas MIC e Ilmot Srs. Rafael Adauto (doc. 05), Alexandre Scherner (doc. 06) e Sérgio Muradas (doc. 07); Comprovantes de despesas de assistência técnica e garantia dos produtos Marcopolo (doc. 08 fls. 4393 a 4417); Vejase que existem provas contundentes da efetiva participação das empresas MIC e ILMOT, através de seus gestores, nas operações de exportação dos produtos fabricados pela Recorrente. Em especial, vale citar os emails onde o Sr. Alexandre Scherner claramente, em correspondência com a própria Recorrente e clientes, se apresenta como representante da MIC (doc. 09), bem como em relação ao Sr. Rafael Adauto, negociando e efetivando as vendas em nome das empresas offshore (doc. 10). Em que pese as claras evidências de que os gestores comerciais acima mencionados agiam em nome das empresas MIC e Ilmot, como legítimos executores dos atos jurídicos e comerciais praticados por essas empresas, a decisão de primeiro grau busca desqualificar essa atuação por supostamente ter sido mantido o vínculo empregatício entre os gestores comerciais e a Recorrente no período em que exerciam, no exterior, a função de gestores das empresas MIC e Ilmot. Contudo, como demonstrado em Recurso Voluntário, a manutenção do vínculo empregatício no caso de expatriação de profissional para o exterior é prática comum nessas operações e visa garantir os benefícios previdenciários, tal como a contagem do tempo de serviço, dos profissionais que se sujeitam à mudança de país. Nada obstante, tal manutenção de vínculo com a empresa brasileira não desnatura o fato desses profissionais efetivamente representarem as empresas estrangeiras perante terceiros, firmando contratos e operações comerciais em nome destas. Fl. 5856DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 17 17 Acerca dessa questão, trouxe a Recorrente, inclusive em Recurso Voluntário, exemplos claros de situações e evidências de que os Srs. Rafael Adauto, Alexandre Scherner e Sérgio Muradas agiram e praticaram atos de mercancia em nome das empresas MIC e Ilmot, o que demonstra a execução material dessas operações pelas empresas estrangeiras. Outra questão que parece causar estranheza à decisão recorrida consiste na relação jurídica entre a Recorrente e alguns importadores finais, tais como a Polomex, a Marcopolo South Africa, empresas controladas pela MIC, em operações intermediadas pelas empresas KILVERT e KEMPLIVE. Notese, porém, que tal situação apenas demonstra que o modelo negocial adotado sempre era utilizado, independentemente do destinatário final, ou seja, mesmo quando o cliente final eram empresas vinculadas ao grupo, o mesmo modelo negocial era utilizado, eis que essa era a intenção da Recorrente. Sobre esse assunto, voltamos a afirmar que não se trata de planejamento tributário ilícito, mas sim de legítima opção de modelo negocial, que vem sendo utilizado consistentemente desde o início da década de 90. Frisese que as operações acima com a Polomex se iniciaram desde 1999 e demais empresas do grupo acontecem desde 1997 e vem acontecendo até hoje. Não, foram, pois, operações transitórias e isoladas visando como propósito reduzir a carga tributária, mas sim decorreu da estrutura eleita pela Recorrente para expansão (e manutenção) internacional de seus produtos. É assim que a Recorrente opera e, com relação à escolha do modelo negocial que melhor lhe atenda, não pode a fiscalização questionar sua legitimidade. V DEMAIS INDÍCIOS APONTADOS PELA FISCALIZAÇÃO Como mencionado, além da suposta falta de comprovação da execução material das operações de revenda pelas empresas MIC e ILMOT, cujas provas já foram tratadas no tópico anterior, a decisão recorrida ainda arrola alguns indícios de simulação que motivaram a manutenção dos Autos de Infração, quais sejam: (i) as empresas controladas no exterior estariam localizadas em paraísos fiscais BVI e Uruguai; (ii) as empresas controladas não possuiriam estabelecimentos e funcionários condizentes com o volume de operações praticadas; (iii) os documentos correspondentes às revendas realizadas pelas controladas seriam expedidos e assinados por funcionários da Recorrente em Caxias do Sul Br e eram semelhantes aqueles da própria Recorrente; (iv) o vínculo existente entre a Recorrente e alguns importadores finais (Polomex e Marcopolo South Africa); (v) o contrato de representação firmado entre a Recorrente e as empresas MIC e ILMOT impedem a autonomia destas nas negociações com terceiros; (vi) os contratos de financiamento firmados por MIC e ILMOT tinham como beneficiária a Recorrente. Acerca do fato das empresas MIC e Ilmot estarem situadas em países com tributação favorecida BVI e Uruguai a Recorrente, apoiandose em seu direito de escolha, elegeu as localidades que lhe melhor convinha para a consecução de seus objetivos1. Veja que a localização dessas empresas, em países com tributação favorecida, no máximo, poderia indicar uma motivação de economia fiscal pela Recorrente, o que não é, contudo, indicativo de irregularidade ou simulação de operações de revenda, especialmente quando tais operações e a participação dessas empresas restaram cabalmente evidenciadas. Fl. 5857DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 18 18 Da mesma forma, o fato estrutura física dos estabelecimentos das empresas MIC e Ilmot resumiremse a uma sala locada com equipamento básicos de escritório e funcionários administrativos terceirizados, tampouco representa um indicativo de que tais empresas não executaram as atividades pelas quais são responsáveis. Com efeito, tal como mencionado, as atividades exercidas por tais empresas fundamentalmente referemse à atividades de gestão comercial de seus representantes comerciais, gestão financeira e gestão da assistência técnica e garantia. Essas atividades fim, como já ressaltado, prescindem da utilização intensiva de mãodeobra ou de complexa estrutura física, bastando para sua execução uma estrutura operacional mínima que possibilite o contato com clientes, representantes comerciais, oficinas mecânicas e agentes financeiros, especialmente quando, como no presente caso, parte das atividades meio administrativas e de suporte eram realizadas por outras empresas do grupo. Aliás, se considerado o total dos representantes comerciais e oficinas credenciadas que são contratados pelas empresas MIC e Ilmot o número de pessoas e recursos envolvidos nas operações praticadas por essas empresas multiplicase exponencialmente, chegando a aproximadamente trezentos funcionários. Assim, não é espantoso, como quer fazer crer a decisão recorrida, a disparidade entre essa estrutura e o volume de operações realizadas, visto que foi exatamente ela que levou à expansão internacional do grupo Marcopolo. Em relação ao fato dos documentos de venda das empresas MIC e Ilmot para clientes serem expedidos e assinados por funcionários da Recorrente localizados em Caxias do Sul RS, importa dizer que, dentro de um contexto de grupo empresarial, não havia outra forma de operacionalizar a entrega das mercadorias revendidas sem que tais documentos acompanhassem as mercadorias desde sua fabricação do Brasil. Vejam que, o que é trazido pela decisão como um grande indício da simulação é a existência de funcionários da Recorrente que, mediante procuração e sem receber remuneração das empresas MIC e ILMOT, tinham poderes para atuar perante portos, aeroportos nas atividades de desembaraço aduaneiro, obtenção de documentação de exportação e transporte e embarque de mercadorias. Ora, a Recorrente sempre afirmou que determinado documentos aduaneiros, por exigência da própria legislação aduaneira e comercial, eram impressos e assinados por procuradores das empresas MIC e ILMOT no Brasil, o que, aliás, encontrava se devidamente previsto nos contratos de agenciamento e distribuição firmados, muito antes de qualquer procedimento de fiscalização, entre a Impugnante e a MIC e a ILMOT. Não há qualquer vedação legal ou indício de simulação nisso, pelo contrário, visto que sem tais documentos não seria possível se realizar as remessas por conta e ordem de terceiros, tal como ocorrido no presente caso. Vale ressaltar, inclusive, que terceiros, escritórios contratados, despachantes aduaneiros, poderiam imprimir e assinar (mediante procuração) os mesmos documentos em nome das empresas no exterior, o que, por obviedade e economia de custos, não foi realizado. Fl. 5858DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 19 19 Da mesma forma segue o indício levantando pela Fiscalização de semelhança de faturas comerciais. Ora, o fato das empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico e compartilharem padrões e serviços de informática idênticos não configura nenhum indicio de irregularidade, tampouco serve de argumento para provar a inexistência de intermediação das controladas nas operações de exportação. Outro argumento falacioso que foi rebatido conclusivamente pela Recorrente foi de que evidenciaria a simulação o fato de que, nas operações envolvendo a KILVERT e KIMPLIVE, alguns importadores finais (Polomex e Marcopolo South Africa) seriam controlados pela MIC e com relação societária com a Recorrente. Não há o que se falar em simulação no caso, haja vista os mesmos argumentos de inexistência de vantagem econômica quando a operação envolve empresa estrangeira não relacionada, como dito no tópico II e que também se encaixa ao presente fato, já que nestas operações a Recorrente era obrigada a aplicar as regras de transfer pricing2 que visam justamente eliminar qualquer efeito de possível subfaturamento nas exportações. E mesmo que os lucros fossem direcionados às empresa relacionadas com a Recorrente (Polomex e Marcopolo South Africa), ainda assim não haveria proveito econômico, eis que as referidas empresas, durante o período fiscalizado, pagaram imposto de renda em seus países, e a uma alíquota elevada (35% no México e 28% na África do Sul), não havendo justificativa para a Recorrente deixar de tributar estes valores no Brasil. Outro indício levantado é de que as empresas MIC e ILMOT não existiriam de fato, em razão de estarem supostamente impedidas de praticar os preços que julguem mais apropriados nas suas relações com clientes finais. Tal alegação demonstra, apenas, o desconhecimento por parte da Fiscalização acerca das características as características inerentes aos contratos de representação e agenciamento. É perfeitamente normal e intrínseco a esse tipo de negócio jurídico que o agente se subordine às ordens do representado, já que vai realizar atos em benefício daquele, mas essa não é uma representação hierárquica (o representante não é empregado do representado). Assim, é totalmente justificável que a Recorrente, na qualidade de empresa controladora do grupo, estabeleça os parâmetros mínimos e máximos em relação aos preços e especificações técnicas dos produtos revendidos pelas empresas MIC e ILMOT, sendo certo que o cumprimento de tais condições contratuais não desnaturam a atividade de intermediação nas operações de exportação exercida pelas empresas controladas situadas no exterior. Acerca dos contratos de financiamento firmado pelas empresas MIC e ILMOT terem como beneficiária a Recorrente, devese relembrar que a Fiscalização não foi capaz de entender o fluxo de uma operação realizada por intermédio das empresas offshore, haja vista que a Recorrente figurava como beneficiária nos referidos contratos pelo simples fato de receber à vista os valores sobre a venda de seus produtos, sendo que as coligadas eram responsáveis pelo pagamento das parcelas que seriam quitadas, em um prazo dilatado, com o recebimento dos valores dos clientes finais. Ou seja, a Marcopolo recebe à vista, mas os clientes finais, ou seja, os clientes que compraram seus produtos de MIC e ILMOT pagam em 90/180 dias, sendo que o Fl. 5859DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 20 20 custo financeiro é absorvido pelas intermediárias que contrataram os financiamentos junto aos bancos. Dessa forma, a Recorrente demonstra que não há qualquer irregularidade nas exportações e revendas objeto dos Autos de Infração ora discutidos, estando comprovado nos autos a execução material e participação das empresas MIC e ILMOT, de forma que deve ser afastado qualquer acusação de simulação nas operações em tela. VI DO CRITÉRIO ERRÔNEO DO CÁLCULO É preciso mencionar, ainda, que, mesmo que superado todos os argumentos acima expostos, e admitida a acusação de planejamento fiscal irregular, ainda sim, os Autos de Infração lavrados não merecem prosperar visto que o suposto crédito tributário foi calculado sem qualquer critério estabelecido em lei e sem considerar os custos incorridos e as despesas efetuadas pela MIC e ILMOT nas operações "desconsideradas". Com efeito, se entende a fiscalização que as receitas supostamente omitidas são em realidade auferidas pela Recorrente, da mesma forma deveria considerar que todos os custos e despesas relacionadas também são da Recorrente, ou seja, se é para se desconsiderar as operações, imprescindível que se faça por inteiro, realizando o cálculo do crédito tributário com base na real materialidade do tributo em tela, isto é, apurando o eventual lucro dessa "operação". Aliás, de crucial importância é a menção de julgado proferido pelo E. Conselho de Contribuintes, o qual, muito embora tratando de tradings interposta no país, determinou, além da descaracterização da simulação, a imputação dos custos no cálculo fiscal relativamente às receitas omitidas . Nesse mesmo sentido, na sessão de abril de 2008, a 1a Turma da CSRF confirmou decisão da 1a Câmara (sessão de 15.06.2005) relativamente à empresa MLSP Comércio e Participações Ltda. (processo 11080.007081/200212), justamente para reafirmar que no caso de desconsideração de operação, em razão de planejamento fiscal irregular, há que se desconsiderar completamente os efeitos da operação irregular, tributandose a operação subjacente, sob pena de nulidade do auto de infração. VII DA MULTA AGRAVADA Por fim, não se pode deixar de repisar que o intuito doloso é prérequisito para a aplicação da multa de 150%. Entretanto, no caso em análise não há dolo e não houve sequer tentativa de impedir o conhecimento dos atos praticados, dada a evidência como eles se externaram publicamente e na contabilidade, bem como foram dados ao direto conhecimento da fiscalização, razão pela qual não há como se aplicar a multa agravada. Ora, no presente caso, se sequer a hipótese de simulação pode ser alegada, como demonstrado à exaustão nas linhas acima, com muito maior razão, a hipótese de evidente intuito de fraude deve ser afastada, com o conseqüente afastamento da multa agravada de 150%. Ademais, não se pode deixar de mencionar que o evidente intuito de fraude resta inexoravelmente descaracterizado quando a conduta do contribuinte, à época dos fatos, afiguravase para ele sob o manto da licitude e amparo do direito. Isto é, num esforço de imaginação, caso desconsiderado tudo o quanto demonstrado pela Fl. 5860DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 21 21 Recorrente, é certo que se tratando de erro de proibição não tem cabimento a multa agravada. Esse entendimento vem sendo seguido pelos mais recentes julgados deste E. CARF . Até como forma de corroborar a completa ausência de intuito doloso em burlar qualquer norma tributária por parte da Recorrente, cumpre trazer à colocação a disposição da novel Instrução Normativa n° 1.154/2011 (artigo 11, §4°, II), editada para regulamentar as disposições da também recente Lei n. 12.249/10, que trouxe pela primeira vez em nosso ordenamento os conceitos de "capacidade operacional" e "efetivo beneficiário" como requisitos para a validação de operações realizadas com pessoas jurídicas situadas em países com tributação favorecida. Notese que, além de apenas a partir do ano de 2010 ter sido introduzido dispositivo legal que demande a comprovação de requisitos reclamados pela fiscalização no ano de 2004 a 2007 para a validação das operações de empresas situadas em países com tributação favorecida, a própria IN 1.154/11 dispensa da comprovação desses novos requisitos operações realizadas com empresas coligadas e controladas sujeitas à disponibilização automática dos lucros nos termos do artigo 74 da MP n° 2.158/2001. Veja que, se somente agora, a partir do ano de 2010, há previsão legal acerca da exigibilidade de requisitos empresariais tais como "capacidade operacional" para a validade de operações realizadas por empresas situadas em países com tributação favorecida, é certo que no ano de 2004 a 2007 a discussão sobre a necessidade de uma estrutura operacional robusta era deveras incipiente. Assim, ainda que se considere que a Recorrente teria planejado irregularmente suas operações, não se pode atribuir a ela qualquer intuito doloso de evadir receitas tributárias, especialmente porque, como já mencionado, todas as operações questionadas sempre foram levadas à conhecimento fiscal, por meio de declarações fiscais, demonstrações financeiras, registros aduaneiros, dentre outros documentos, e que por anos e anos jamais foram questionadas pelas autoridades fiscais. VIII IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO Ainda em relação a aplicação da penalidade pecuniária, relembre que deve ser afastada a intenção do Fisco consistente na imposição da multa isolada de 50% incidente sobre suposto não recolhimento por estimativa, cumulada com a imposição da multa de ofício agravada de 150%, exposta no tópico anterior. Entretanto, a aplicação da multa de ofício, cumulativamente com a multa isolada, implica na dupla penalização pelo mesmo fato, além do fato de que a multa isolada decorrente de falta de pagamento ou recolhimento a menos por estimativa não pode ser aplicada após o encerramento do anocalendário correspondente, conforme orientação maciça deste Tribunal Administrativo5. Nesse breve contexto, verificase que a multa isolada incide sobre o valor da estimativa mensal não recolhida, enquanto que a multa de ofício incide sobre o total dos rendimentos não recolhidos pelo contribuinte, albergando dessa forma os valores das estimativas mensais não recolhidas. Vale dizer: na hipótese em que seja aplicada a multa de ofício à falta de recolhimento do tributo apurado em lançamento de ofício, a ausência de anterior recolhimento mensal, por estimativa, do IRPJ ou CSLL não deve ocasionar a Fl. 5861DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 22 22 aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente é aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penalização sobre a mesma base de incidência. Ademais, outro ponto que impossibilita a aplicação de multa isolada ao caso da Recorrente se deve refere ao fato de que tal multa decorrente de falta de pagamento ou recolhimento a menos por estimativa não pode ser aplicada após o encerramento do anocalendário correspondente, visto que a obrigação de recolhimento das estimativas mensais surge no decorrer do anocalendário. Esse foi o entendimento fixado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes (Recurso 107143920 CSRF 1ª Turma Data da Sessão: 23/06/2008 Relator Marcos Vinícius Neder de Lima Acórdão CSRF/0105.875). IX DA OMISSÃO DE RECEITAS Ademais, importante mencionar que a capitulação legal da autuação foi omissão de receitas, no entanto, no caso da Recorrente, não há que se falar em omissão de receitas, visto que os valores constantes das notas fiscais emitidas nas operações de exportação para as empresas intermediárias correspondem aos preços efetivamente praticados pelas partes. Em outras palavras, não foi recebido qualquer valor "por fora", não houve diferença de preço recebida e nãocontabilizada. As autoridades fiscais não levaram em conta, na autuação, o fato de que as variações patrimoniais verificadas nos investimentos na MIC e na ILMOT foram registradas na contabilidade da Recorrente pelo método da equivalência patrimonial. Não há dúvidas de que a Recorrente contabilizou todas as operações praticadas em seus Livros Diário e Razão, mantendo planilhas com fluxo de operações, bem como reconheceu os lucros auferidos por suas controladas no exterior, assim, além da presente situação não se conformar à nenhuma das hipóteses de omissão de receita previstas no art. 283 do RIR/99, tais registros têm o condão de afastar a ocorrência de omissão de receitas na autuação em questão. X DO IRRF Por derradeiro, cabe frisar que no caso em comento, não cabe a exigência do imposto na fonte, porquanto não se verifica a ocorrência da regramatriz de incidência tributária, visto que: (i) não houve pagamento e propriamente também não houve entrega de recursos; (ii) "in casu" há prova da operação e da causa da entrega que teria havido, que é exatamente a realização das exportações; (iii) no passado já houve a previsão legal de incidência de imposto na fonte sobre omissão de receitas, mas tal norma está revogada, sendo certo que a aplicação do IRRF em questão assume norma de caráter muito mais sancionatório, do que de norma que tipificaria verdadeira incidência tributária. Com efeito, verificase que a pretensão fiscal acaba por tributar duplamente a mesma renda (ao considerar hipóteses excludentes: rendimento no Brasil e cobrar IRPJ, CSLL e, ao mesmo tempo, aplicar regramento afirmando que referido rendimento foi remetido ao exterior), cujo resultado não é outro que não utilizar a exigência tributária, mediante a cobrança de IRFonte, como espécie de "sanção", ao arrepio da característica essencial de tributo: prestação pecuniária de característica não sancionatória. Fl. 5862DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 23 23 Por fim, vale colacionar jurisprudência deste CARF materializada no acórdão n° 105.17.084 da 5a Turma que afastou o IRRF no mérito e não pela decadência. Vejamos: (...) Desta feita, não pairam dúvidas acerca da impossibilidade de exigência do IRRF no presente caso. XI DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 100 DO CTN AO PRESENTE CASO Outro ponto que merece destaque é o fato de que as operações que hoje são contestadas pela Administração não são novidade na prática do comércio exterior na Recorrente e há longa data são de conhecimento das autoridades fiscais. Como se verifica dos documentos acostados, pelo menos desde 1994 o mesmo modelo negocial já era adotado. Como se percebe das demonstrações financeiras (balanço) publicadas no Diário Oficial, em 1994, houve venda de produtos da Recorrente para sua controlada MIC na ordem de R$ 445.000,00, sendo que nos na os subseqüentes o fluxo dessas operações aumentou consideravelmente, sendo, já em 1995 da ordem de R$ 3.339.000,00 (balanço do anocalendário 1995, também devidamente publicado no Diário Oficial, o mesmo ocorrendo nos anos posteriores (doc. 11). É o que se percebe quando se analisa as linhas correspondentes à "partes relacionadas" no balanço, mais especificamente o "contas a receber por produtos e serviços" vendidos à partes relacionadas, no caso a MIC. Tal fato é corroborado com a existência de Notas Fiscais de venda de produtos, faturas comerciais e telas do Siscomex que claramente indicam as operações realizadas entre Marcopolo e suas controladas MIC e ILMOT em períodos anteriores aos autuados (doc. 12). Assim, o que se verifica é que já naquela época produtos exportados pela Marcopolo o eram feito com intermediação das empresas no exterior. Não custa lembrar, ainda, que operações dessa estirpe são de amplo conhecimento das autoridades fazendárias, já que contemplam uma série de obrigações acessórias, como registro no SISCOMEX, questões de câmbio junto ao BACEN, etc. Poderseia, então dizer que a aceitação dessas operações por quase uma década sem qualquer questionamento por parte do Fisco, seria uma prática reiterada observada pelas autoridades administrativas, invocando, dessa forma, a incidência do artigo 100 do CTN ao caso: (...) Ora, a Fiscalização sabia da ocorrência dessa espécie de operação e, por longos anos, as aceitou sem qualquer ressalva, não sendo razoável que, de uma hora para outra, passe a questionálas de forma tão veemente, como se fosse a prática de um enorme ilícito tributário. Vejase, que se aplicando o preceito acima ao caso concreto, a autuação deve ser reduzida sensivelmente, já que, caso houvesse algo a se exigir, apenas se poderia exigir o principal histórico eis que o parágrafo único do artigo 100 do CTN é claro no sentido de que a incidência da norma ali exposta exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 5863DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 24 24 XII DA NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DO ARTIGO 146 DO CTN AO PRESENTE CASO Como se viu, a administração tributária conviveu por muitos anos desde a criação das empresas MIC e ILMOT no início dos anos 1990 até 2005, ano da lavratura do primeiro auto de infração com as operações praticadas entre a Recorrente e suas empresas controladas, sempre tendo o conhecimento integral da sua realização. Por óbvio que tal convivência tinha como pressuposto a jurisprudência então dominante no Conselho de Contribuintes e a própria doutrina majoritária que entendiam pela desnecessidade de cumprimento dos requisitos hoje reclamados para a validade de planejamentos tributários. Nesse sentido, é certo que a repentina mudança de tratamento por parte das autoridades fiscais representa e reflete a total mudança nos critérios jurídicos que regem a atual doutrina e jurisprudência acerca do tema planejamento fiscal. De fato, a consideração de operações reiteradamente praticadas pelo contribuinte sob outros critérios jurídicos é gerador de notória insegurança jurídica, tanto que coibida pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: (...) Nos termos do artigo acima transcrito, parece claro que a mudança de entendimento fiscal acerca dos elementos caracterizadores da figura da simulação, tal como na acusação ora discutida, a exemplo da necessidade de comprovação da capacidade operacional das empresas MIC e ILMOT, execução material das operações, dentre outros, somente poderia atingir fatos geradores ocorridos após essa mudança de entendimento, isto é, posteriormente ao ano de 2005. Isso porque o mesmo fato as vendas realizadas pelas empresas MIC e ILMOT passou a ser considerado simulado em razão da alteração nos critérios jurídicos para a validação de operações que de alguma forma envolvam economia tributária. Ora, por amor à segurança jurídica, princípio esse resguardado pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional, evidentemente que essa alteração de entendimento não pode ser aplicada retroativamente para fatos ocorridos antes da manifestação desse novo entendimento pelas autoridades fiscais. Dessa forma, também por essa razão improcedente o Auto de Infração lavrado contra a Recorrente. XIII EXIGÊNCIA DA RECEITA DA MIC EM DUPLICIDADE NECESSIDADE DE RESTABELECIMENTO DE PREJUÍZOS Ainda, no que se refere à constituição do crédito tributário, na remota hipótese de ser mantida a exigência fiscal, é certo que o auto de infração deverá ser revisto, a fim de que a autoridade fiscal recomponha o saldo dos prejuízos das empresas MIC e ILMOT, uma vez que a suposta "receita omitida" atribuída pela fiscalização, foi devidamente considerada na apuração do resultado da Recorrente. Assim, caso venham as autoridades julgadoras entender que tais resultados, em verdade, foram auferidos pela Marcopolo, então que essas receitas sejam estornadas dos resultados das empresas MIC e ILMOT, recompondose os prejuízos acumulados por essas empresas. De todo o exposto, fica claro que as decisões proferidas pela Delegacia de Julgamento de Porto Alegre, que mantiveram integralmente quanto ao mérito os Fl. 5864DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 25 25 Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, merecem integral reforma por esse E. Conselho, uma vez que não só as operações praticadas pela Recorrente e suas empresas controladas no exterior são legítimas e não configuram qualquer espécie de planejamento fiscal irregular, como também as próprias autuações possuem vícios insanáveis que justificam seu cancelamento por este E. Conselho de Contribuintes. Instada a manifestarse nos termos do Regimento Interno do CARF, fl. 5482, a douta PGFN apresentou contrarrazões de fls. 54835529, aduzindo que (verbis): (...) Os lançamentos estão fundados em omissões de receitas, caracterizadas por subfaturamento decorrente da participação simulada de terceiras empresas em operações de exportação de bens produzidos pela atuada e, ainda, pela falta de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em razão de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. O relatório fiscal demonstra que a interessada utilizava as sociedades controladas Marcopolo International Corporation (MIC), com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, e Ilmot International Corporation, do Uruguai, bem como as empresas Kilvert S.A e Kemplive S.A, também sediadas no Uruguai, como centrais de refaturamento, para intermediar formalmente negócios que, na essência, correspondiam a operações diretas entre a Marcopolo S/A e seus importadores finais. Nesse sentido, a fiscalização aponta indícios suficientes de que aquelas empresas não exerciam qualquer participação nas exportações de produtos da Marcopolo e desnuda os artifícios utilizados para conferir aparência de legalidade a operações destinadas unicamente a subfaturar receitas e manter, irregularmente, em paraísos fiscais, numerário que deveria ter sido submetido à tributação no País. Em suma, o esquema apresentado pela fiscalização era o seguinte: Formalmente, as operações de exportação apresentavam como exportadora a Marcopolo, e compradoras suas controladas MIC e Ilmot e ainda as empresas Kilvert e Kemplive todas titulares de tratamento fiscal privilegiado nos países onde estão estabelecidas. Estas empresas, por sua vez, revendiam os produtos adquiridos a clientes seus, localizados em países diversos. Elas se responsabilizavam, também, pelos serviços de pósvenda (garantia, assistência técnica, etc.). A Marcopolo, por conta e ordem de tais empresas, remetia os produtos negociados diretamente aos seus próprios clientes. É dizer, a mercadoria não chegava a ser fisicamente transferida às empresas intermediárias. Diante do vínculo societário entre a autuada e suas controladas, a fiscalização cogitou, para elas, do uso do Método de Preços de Transferência para aferir a regularidade das operações. Nesta ocasião, constatou que os preços praticados apresentavam conformidade com os patamares mínimos exigidos pela legislação de preços de transferência (arts. 18 a 22 da Lei 9.430/96). Todavia, aprofundando as investigações, a fiscalização entendeu inadequado o uso de tal método, já que constatou que as vendas de mercadorias da Marcopolo às suas controladas, assim como às demais intermediárias, eram SIMULADAS, visando encobrir o verdadeiro negócio jurídico, entabulado entre a Marcopolo e o destinatário final da mercadoria no estrangeiro, e omitir receitas ao Fisco brasileiro. Fl. 5865DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 26 26 Com efeito, o se observou foi que, na prática, tanto as subsidiárias integrais MIC e Ilmot, como as empresas Kilvert e Kemplive foram indevidamente utilizadas para simular a existência de um intermediário entre a Marcopolo e o importador final. Essas empresas funcionavam, na verdade, como centrais de refaturamento. O conjunto de evidências que levou a fiscalização a esta conclusão encontrase detalhado no relatório fiscal. Com efeito, diante do robusto conjunto de indícios levantados concluiuse que a Marcopolo exportava diretamente para os compradores finais (supostos clientes de MIC, Ilmot, Kilvert e Kemplive), operação dissimulada através da simulação de duas operações de compra e venda: uma entre a autuada e as intermediárias e outra entre estas empresas e os compradores finais. Com isso, ao mesmo tempo em que reduzia as receitas de exportação para a formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, obtinha efeito equivalente à remessa de divisas ao exterior, sem justa causa e não submetida à retenção na fonte (IRRF). Assim, a diferença entre o valor de venda às controladas e o valor de venda aos destinatários finais foi qualificada como omissão de receitas da Marcopolo e tratada nos termos do RIR/99. Além disso, a fiscalização considerou corretamente que tais valores foram, de forma oblíqua, remetidos da Marcopolo às suas controladas no exterior sem qualquer motivação plausível, o que dá ensejo à Retenção de Imposto de Renda na Fonte. A simulação engendrada, além de promover a omissão de receitas da autuada, possibilitou burlar a necessidade de remessa formal de numerário do Brasil para os paraísos fiscais em questão, embora isso tenha ocorrido por vias indiretas. Em decorrência do proceder ardiloso de simular a participação de empresas de refaturamento nas exportações, com a finalidade de omitir receitas e evadir divisas, configurou se a fraude a ensejar a aplicação de multa de 150% prevista no art. 44, §1° da Lei 9.430/96 (nova redação do art. 44, inciso II). Devidamente cientificada da autuação, a empresa fiscalizada apresentou impugnação, alegando, em síntese: a nulidade do lançamento por erro no enquandramento da conduta, tendo em vista que a receita tida por omitida não era de titularidade da fiscalizada; que os preços praticados nas operações com as tradings estaria de acordo com as regras do preço de transferência, o que afastaria a acusação de subfaturamento nas vendas para empresa vinculadas e, portanto, a possibilidade de se alegar planejamento fiscal irregular; a inexistência de simulação em relação às operações com as empresas Kilvert e Kemplive, que são empresas independentes, sem relação societária com a Marcopolo, sendo por isso impossível imputar a receita auferidas por aquelas empresas à fiscalizada. As operações com essas intermediárias foram realizadas em virtude da indicação feita por instituições financeiras, como forma de viabilizar financeiramente as operações de exportação; a inexistência de simulação em relação às operações com as empresas MIC e Ilmot, que aliás, foram devidamente comprovadas e tiveram como fundamento a estratégia negocial de expansão internacional. As referidas controladas exercem a gestão comercial no exterior, por meio da contratação de extensa rede de Fl. 5866DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 27 27 representantes comerciais responsáveis pela venda de produtos da Marcopolo, como também pela assistência técnica a tais mercadorias; a desconsideração de negócio jurídico sem base legal para tanto, já que o parágrafo único do artigo 116 do CTN ainda não foi regulamentado; que teria trazido para o Brasil os resultados auferidos no exterior por controladas. E que se não houve tributação, foi porque aquelas empresas tiveram prejuízo fiscal em razão, dentre outras causas, da crise na Argentina; que os contratos firmados entre a Marcopolo e a MIC e Ilmot e com os agentes comerciais demonstram o papel de intermediação exercido por aquelas empresas. Que neste tipo de contrato, de representação e agenciamento, é comum que o agente se subordine às ordens do representado, ainda mais quando se trate da "empresamãe" do grupo econômico; que os pedidos de importadores finais à MIC e à Ilmot e destas à fiscalizada teriam sido apresentados e que mesmo que não o tivessem sido, na praxe do comércio internacional, é comum a inexistência destas formalidades; os contratos de financiamento e fluxo de caixa, tendo a própria Marcopolo como garantidora, também é praxe comercial e foram reconhecidos como válidos tanto pelo Banco do Brasil como pelo BNDES; a apresentação de cartas de crédito e comprovantes de pagamentos bancários; que as empresas do mesmo grupo econômico usam o mesmo sistema eletrônico de processamento de dados, o que justificaria a semelhança entre as faturas comerciais, sem que isso representasse qualquer simulação; o vínculo entre a Marcopolo e os importadores finais decorre de uma legítima opção de modelo negocial, não de um planejamento tributário ilícito; que a MIC era responsável pelas operações de exportação comercial para o Uruguai, já que ela tinha relacionamentos comerciais de longa data e contratos de representação comercial celebrados com representantes naquele país; a nulidade do auto de infração, por vício da apuração do crédito tributário, já que decorrente de erro na determinação dos valores lançados, em razão da desconsideração da participação da MIC e Ilmot nas operações, bem como de todos os custos incorridos para a realização das supostas vendas refaturadas; a exigência em duplicidade das receitas auferidas por MIC e Ilmot, sendo necessário recompor o saldo de prejuízos fiscais, já que a suposta receita omitida teria sido devidamente considerada na apuração do resultado da impugnante; a necessidade de recalcular todos os incentivos fiscais apurados com base no lucro real; o descabimento da multa agravada, em razão da não ocorrência da simulação, mas sim de mero erro de proibição; a indevida cumulação da multa isolada com a multa de ofício em razão do não recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos por estimativas; especificamente em relação ao IRRF, suscitou a decadência do direito de lançar, com base no artigo 150, § 4° do CTN. Afirmou, ainda, não ter ocorrido o fato Fl. 5867DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 28 28 gerador do tributo, já que os artigos 674 e 725 do RIR/99 tratam de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja causa não seja conhecida, o que não se verifica no caso dos autos, em que não houve pagamento irregular. A Marcopolo é acusada de ter recebido valores de terceiros e não oferecido à tributação,e não de ter realizado pagamentos quaisquer. Se a fiscalização desconsidera a intermediação, não cabe falar em pagamento a beneficiários no exterior. Alegou que se houvesse pagamento algum, teria sido a beneficiário identificado (as empresas intermediárias) e em razão de operações claramente caracterizadas e comprovadas. Argumentou que não teria havido evasão de divisas, já que todas as operações foram contabilizadas e, por fim, que o reajustamento da base de cálculo do IRRF fere o conceito de renda, sendo ilegal a IN SRF n° 15/01. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve o lançamento, em decisão cuja ementa ora se transcreve: (...) Inconformada, a Marcopolo apresentou recurso voluntário a este douto Conselho, reiterando as considerações já aduzidas quando da impugnação, e acrescentando, na ocasião, a alegação de decadência do direito de lançar o IRRF, desta feita com fundamento no entendimento de que, mesmo que se entendesse por aplicar o artigo 173 do CTN, o termo "exercício seguinte", para esse fim, deveria ser entendido como o período de apuração seguinte ao que não houve pagamento, ou seja, a semana seguinte, e não o ano calendário posterior. Com isso, estariam decaídos os períodos até a terceira semana de novembro de 2004. Afirmou, ainda, que todos os tributos estariam decaídos em atenção à tese supostamente adotada pela STJ, de que no caso dolo, a aplicação do artigo 173 do CTN deve ter como termo inicial a própria constatação e notificação do ilícito, o que no caso dos autos teria ocorrido em 2002, quando foi iniciada a primeira fase da fiscalização; Entretanto, não merecem prosperar as suas alegações, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, conforme restará demonstrado a seguir. II. DA VALIDADE DO LANÇAMENTO Nos termos do que relatado, a recorrente reclama, preliminarmente, pela nulidade do auto de infração, fundamentando seu pleito ora no erro de enquadramento da conduta, ora em supostos equívocos nos métodos aplicados para a constituição do crédito tributário. Sua irresignação não deve, no entanto, prevalecer. De início, devese ter em mente que a omissão de receitas restou devidamente demonstrada nos autos, não havendo que se falar em equivoco quanto à determinação da conduta autuada. Também não houve erro na apuração da base de cálculo dos tributos, já que fixada nos termos da legislação em vigor. De toda a sorte, tais temas serão discutidos quando da análise do MÉRITO da controvérsia, não cabendo sequer a sua argüição em sede de preliminar. Mas ainda que assim não fosse, segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235/72, os termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. A propósito, confirase a redação dos dispositivos supra citados: (...) Fl. 5868DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 29 29 Nenhum desses vícios, entretanto, é verificado no presente procedimento. O lançamento que deu início a este processo foi lavrado por Auditor Fiscal competente e em total respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, tendo sido dada à recorrente as devidas oportunidades de manifestação. Além disso, a jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, de longa data, firmou orientação no sentido de que "Não há nulidade sem prejuízo" (Acórdão: CSRF/0202.301). Considerando, então, que a recorrente rebateu os fundamentos da autuação, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, devese afastar a pretensão de declaração de nulidade de lançamento. Diante do exposto, a presente preliminar deve ser rejeitada. III. DA INOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA A recorrente pleiteia, com fundamento no artigo 150, § 4° do CTN, a declaração da decadência. Todavia, razão não lhe assiste, devendo a decisão de primeira instância ser mantida neste particular. Isto porque, segundo o entendimento majoritário tanto na doutrina quanto na jurisprudência, diante da ressalva veiculada pelo artigo 150, § 4° do CTN, as regras sobre o prazo decadencial constantes daquele dispositivo legal não se aplicam às hipóteses de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como a que ora enfrentamos e, nesses casos, o prazo de que dispõe o Poder Público para lançar os créditos tributários é o do artigo 173, I do CTN, o que, por si só, já confirma a regularidade do lançamento. Assim, uma vez constatada a fraude, a simulação ou o dolo, o Fisco dispõe de cinco anos a contar do primeiro dia exercício seguinte àquele em que se poderia ter praticado o lançamento. Nesse sentido, vejamos a posição do STJ sobre o assunto: (...) Diante disso, em relação ao IRPJ e à CSLL, temse que o período mais remoto abrangido pelo auto de infração é 31/12/2004. Aplicandose a regra do artigo 173, I do CTN e considerando que o lançamento poderia ter sido realizado em 01/01/2005, o prazo decadencial somente começou a correr em 01/01/2006. Tendo em vista que a recorrente tomou ciência do lançamento em 01/12/2009, não há que se falar na perda do direito do Fisco lançar. Já no tocante ao IRRF, o período mais remoto é 02/01/2004. Destaque se que o imposto de renda na fonte de que trata o art. 61, §2°, da Lei 8.981/95, sujeita se a lançamento direto ou de ofício e, em caso como o dos autos, em que se comprova a fraude do contribuinte, também tem como termo inicial, para efeito de contagem do prazo decadencial, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, I do CTN. Assim sendo, e já que o lançamento poderia ter sido realizado ainda em janeiro de 2004, o prazo decadencial começou a correr no exercício seguinte, ou seja, em 01/01/2005. Novamente, não houve a perda do direito do Fisco lançar, vez que a ciência ao auto de infração se deu dentro do prazo qüinqüenal. Fl. 5869DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 30 30 Com efeito, ao contrário do que afirma a recorrente, o primeiro dia do exercício seguinte não pode ser considerado como o "período de apuração seguinte ao que não houve pagamento", ou seja, a semana seguinte àquela em que o IRRF deveria ter sido recolhido, mas não foi. Ora, não há qualquer controvérsia acerca do entendimento do que vem a ser "exercício seguinte": o primeiro dia do ano seguinte ao de ocorrência do fato gerador. Sabese que quando o artigo 173, I do CNT menciona o termo "exercício", referese ao exercício financeiro que, no Brasil, nos termos do que determina o artigo 34 da Lei 4320/64, coincide com o ano civil, ou seja, cada exercício financeiro inicia no dia 1° de janeiro e termina em 31 de dezembro do mesmo ano. Nesse sentido, aliás, é a jurisprudência pátria, conforme comprova o trecho da decisão a seguir colacionada: (...) Apesar de insistir na tese de que não teria agido com dolo e que, por isso, a decadência deveria ser contada com base no artigo 150 do CTN, a recorrente, subsidiariamente, considera a aplicação da regra do artigo 173, I do CTN e afirma que, segundo decisão adotada pelo STJ, o termo inicial da contagem do prazo decadencial em caso de dolo seria a constatação e notificação do ilícito, o que, segundo ela, teria ocorrido em 2002. Novamente sem razão a recorrente. Isto porque, o que se vê é que o Fisco, em 2002, não constatou/notificou ilícito algum, mas apenas teve simples notícias de possíveis irregularidades nas exportações da Marcopolo. Aliás, esse fato é reconhecido pela própria recorrente, que diz que naquela data as investigações estavam apenas se iniciando. Simples suspeitas de fraude não podem, jamais, ser tidas como constatação de um ilícito para os fins que pretende a contribuinte, assim como meros indícios também não bastariam para fundamentar um lançamento. De todo o modo, destaquese que naquele ano, nos autos do processo n° 11051.000143/200211, houve uma mera representação que demontrava, apenas, indícios de ilegalidade das exportações praticadas pela contribuinte. Não houve, naquela ocasião, nenhuma investigação mais apurada sobre tais ilícitos e, em conseqüência, nenhuma conclusão sobre a fraude. A mencionada representação serviu, na verdade, para que em 2005 fossem, então, iniciados os procedimentos de auditoria tributária, com intimações da fiscalizada para apresentação de documentos e informações necessárias à elucidação dos fatos referentes ao ano calendário de 1999. Assim, considerandose que as investigações das operações realizadas pela recorrente foram separadas por ano(s) e cada uma delas foi autorizada por um Mandado de Procedimento Fiscal diverso, restrito para cada período, em razão do MPF n° 10106002009001363, que teria autorizado a fiscalização dos períodos abrangidos pelo presente processo, a contribuinte foi notificada do início desta ação fiscal em 01/04/2009, antes, portanto, de decaído o direito do Fisco lançar, segundo a regra aplicável à hipótese, qual seja, a do artigo 173, I do CTN. Interessante registrar a posição outrora adotada por este CARF, que no Acórdão n° 20501.115, de lavra do Conselheiro Relator Marco André Ramos Vieira, concluiu que nos casos de suspeita de dolo, fraude ou simulação, quando então a fiscalização não detém, de plano, as informações necessárias para se efetuar o Fl. 5870DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 31 31 lançamento, devendose apurar o crédito tributário devido em ação fiscal, o Poder Público tem o prazo de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído para notificar o contribuinte de medida preparatória indispensável ao lançamento e, a partir daí, mais cincos anos para efetivamente lançar. Registrese que, no caso, considerouse a ciência pelo sujeito passivo, do início da ação fiscal como notificação de medida preparatória. O mesmo entendimento já foi consagrado, também, pelo TRF da 5a Região, quando do julgamento do AI n° 99029CE (2009.05.00.0653098). Mas ainda que se pudesse cogitar que as conclusões das investigações iniciais, de 2002, pudessem embasar os lançamentos relativos aos demais anoscalendários, o que se admite apenas para argumentar, mais uma vez não haveria como se concluir pela decadência. Isto porque, os resultados das análises iniciadas em 2002 indicaram a existência de elementos característicos de planejamento tributário levado a efeito naquele período de apuração (1999). No entanto, somente após extenso estudo, tal planejamento ficou de fato configurado, ou seja, apenas em 14/12/2005 é que se pode CONSTATAR, FORMALIZAR E NOTIFICAR a recorrente de que tal planejamento estava eivado de ilicitude. Assim, encampandose a tese da contribuinte, devese concluir que em 2005 é que teria iniciado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente das operações fraudulentas levadas a efeito pela Marcopolo, e não em 2002. Corroborando esta tese, trazemos à baila os ensinamentos de Eurico Marcos Diniz de Santi, para quem o Fisco deve, dentro do prazo de 5 anos para a homologação, CONSTATAR E FORMALIZAR A OCORRÊNCIA DO ILÍCITO. A partir desta constatação, inicia se o prazo de 05 anos previsto no artigo 173, I do CTN. O STJ também já se manifestou no mesmo sentido, inclusive fazendo menção ao referido autor: "A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171)" ... (STJ, RESP 200702227153, julgado em 02/12/2008, Relator: Ministro Luiz Fux). Na ocasião, mister registrar que a própria ementa colacionada pela recorrente é nesse sentido, ou seja, a própria recorrente usa, em sua defesa, decisão que determina que o início do prazo decadencial, nos casos de dolo, é a CONSTATAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO ILÍCITO, e não a singela notificação do início dos trabalhos de fiscalização. Com isso, tomandose como termo inicial do prazo decadencial a verdadeira constatação do ilícito, em 14/12/2005, e considerando que a recorrente teve ciência do presente lançamento em 01/12/2009, os créditos tributários não foram atingidos pela decadência. Fl. 5871DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 32 32 Por todas essas razões, deve ser mantido o lançamento, já que não o direito de lançar, sob qualquer uma destas óticas, não restou fulminado pela decadência. IV. DA SIMULAÇÃO No mérito, melhor sorte não assiste à recorrente, que insiste em afirmar ter havido a efetiva intervenção das controladas MIC e Ilmot, bem como das empresas Kilvert e Kamplive nas exportações das peças que fabrica. A autuada tenta demonstrar a execução material das exportações por parte das supostas intermediárias, mediante a juntada de diversos documentos em sua grande maioria de emissão das próprias empresas envolvidas que comprovariam a existência de duas vendas distintas e independentes em cada operação, atestando a execução material das exportações por parte das intermediárias. Ocorre, no entanto, que na simulação os aspectos formais (documentais) da operação simulada apresentamse, tanto quanto possível, de acordo com a realidade que se deseja fazer transparecer. Logo, é de se esperar que a fiscalizada apresente documentos que, formalmente, atestem a venda às empresas intermediárias, e as operações destas para atingir os compradores finais das mercadorias. Não obstante, quando se busca em circunstâncias ou fatos marginais mais dificilmente manipuláveis pelas partes razões ou evidências que justifiquem ou que se coadunem com aquelas declarações de vontade manifestas, não se encontra neles a ressonância que tais vontades normalmente encontrariam, se correspondessem à verdadeira intenção subjacente que se procurava instrumentalizar. Nesta toada, se as empresas offshore MIC, Ilmot, Kilvert e Kemplive efetivamente adquiriam as mercadorias da Marcopolo e atuavam como grandes e notórias revendedoras globais destes produtos atuação esta supostamente motivada pela necessidade de impulsionar as vendas externas, diminuir burocracias e turbulências cambiais, facilitar captação de financiamentos , como quer fazer crer a recorrente, tais fatos e circunstâncias deveriam ser facilmente confirmados por meios outros que não apenas documentos firmados pelas próprias partes envolvidas. Todavia, não é o que acontece. Na busca para confirmar, por meio de fatos, circunstâncias ou mais documentos, a execução material das exportações pelas controladas, a fiscalização se deparou com toda ordem de inconsistências e incongruências. IV.1. DA INEXISTÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO EFETIVA DAS CONTROLADAS NAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO Para começar, imaginase que empresas que se ocupam da revenda de bens complexos e personalizados, como carrocerias para ônibus e caminhões, com altíssimos faturamentos, apresentem estrutura física e corpo funcional compatível ou que, de alguma forma, busquem se apresentar a seus potenciais clientes como as empresas bem sucedidas que são. Não é, entretanto, o que ocorre com MIC e Ilmot, que parecem preferir a discrição, não só no que diz respeito à visibilidade como também quanto à estrutura física. Instada a comprovar que suas controladas mantinham estrutura operacional capaz de realizar o mister para o qual foram criadas, mediante apresentação, dentre Fl. 5872DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 33 33 outros documentos, de faturas de energia elétrica ou telefonia destas, a recorrente limouse a apresentar poucos documentos. A título de exemplo, vejase que em relação à Ilmot, juntou aos autos contas telefônicas e de energia elétrica tão somente relativas ao ano de 2007. Destaque se que a fatura atribuída à Ilmot não apresenta, entre as escassas ligações internacionais que dela constam, nenhuma ligação para o Brasil (sede da controladora). Já as ligações feitas para países nos quais a empresa efetivou vendas não somam 10 minutos, sendo que para o Chile, um dos destinos das exportações naquele ano, não há uma ligação sequer. Juntou, ainda, recibos de despesas de energia em nome de Sucre&Sucre Trust Ltda.(empresa panamenha que presta serviços de planejamento tributário, criação de offshore, e outros serviços de gerenciamento), que se refeririam a gastos, supostamente, realizados pela MIC. No entanto, deixou de comprovar a contratação da Sucre&Sucre pela MIC. De todo o modo, o recibo atribuído à MIC não apresentava qualquer dado relevante, como discriminação das ligações ou endereço da linha telefônica. Logo, é de se duvidar que tais escritórios efetivamente se prestassem a suprir as necessidades de infraestrutura de MIC e Ilmot. Segundo a recorrente, tamanha singeleza de estrutura é plenamente justificável, diante da simplicidade das operações empreendidas pelas suas controladas. Segundo o contrato assinado entre elas e a Marcopolo, essas "modestas" operações consistiriam em: comprar os produtos da controladora, revender e distribuílos no mercado externo, prestar serviços pósvenda (garantias, assistência técnica), manter escritórios equipados com funcionários qualificados, remeter informações detalhadas sobre os negócios, clientes visitados e situação de mercado, dentre outros. No entanto, não se pode concordar com a recorrente. Ora, não se admite que empresas que movimentaram, entre 2004 e 2007, montante superior a R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais), como se deu com a MIC, não tivessem escritórios administrativos organizados, com número de funcionários compatível com suas atividades e seu faturamento e capazes de gerir e administrar a empresa. A fiscalização apurou que todos os documentos das empresas MIC e Ilmot eram emitidos em Caxias do Sul, e assinados por funcionários da Marcopolo, que recebiam procuração de seus diretores (que são os mesmos das controladas) para tanto. Toda a documentação necessária às exportações (faturas comerciais, certificados de origem, documento único aduaneiro), fossem em nome da Marcopolo, fossem das offshore, era emitida pela estrutura da recorrente. Na verdade, a autoridade autuante identificou que a "estrutura física" da MIC não passava de uma caixa posta e contas bancárias. A corroborar essa conclusão, registrese que a sua gestão era feita pelo Sr. Rafael Adauto, diretamente de Miami, e não na sede da empresa, nas Ilhas Virgens Britânicas. E mesmo no ano de 2007, em relação ao qual a recorrente apresentou contrato supostamente celebrado com uma empresa que forneceria escritório administrativo à MIC, o que se viu foi a contratação para a utilização meramente formal de um endereço físico que sequer era exclusivo, podendo ser utilizado, também, pela própria Sucre&Sucre ou oferecido a outros clientes. É relevante observar, também, que os funcionários que emitiam e assinavam os documentos em nome das intermediárias não recebiam delas qualquer remuneração, tão somente da Marcopolo. Ora, um dos poucos indícios de que Fl. 5873DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 34 34 essas empresas realizaram as exportações que alegam são justamente os documentos de exportação formalizados em seu nome, já que os bens sequer transitam pelos territórios em que elas se situam vão direto do fabricante ao comprador final. O fato de tais documentos terem sido emitidos e assinados por pessoas que não possuem vínculo financeiro com a suposta exportadora, mas apenas com a Marcopolo, fortalece a tese de que tais serviços foram prestados no interesse da Marcopolo, indicando ser esta a real exportadora dos bens aos compradores finais. Com efeito, vale mencionar, ainda, que conforme se vê nos documentos acostados ao processo, toda comunicação relativa à MIC deveria ser remetida com cópia para a Marcopolo no Brasil, em mais um indício que seria ela, na realidade, a responsável pela execução das operações de exportação que, supostamente, envolviam também a sua controlada no exterior. Foram trazidos à colação, ainda no intuito de demonstrar a execução material das exportações pelas controladas, contratos de distribuição e agenciamento comercial de produtos e outras avenças, celebrados entre a Marcopolo e as suas controladas, com cláusula que determina que os preços a serem praticados pela MIC e pela Ilmot perante seus clientes devem obedecer a parâmetros determinados pela Marcopolo. Eis aí mais um indício da diminuta autonomia das controladas no exercício de seu mister de revender os produtos da controladora, evidenciando suas atuações como mera extensão da controladora nos paraísos fiscais. A despeito de ter apresentado diversos documentos, a recorrente não conseguiu se desimcumbir do ônus de demonstrar o envio de pedidos de mercadorias da MIC e da Ilmot para a Marcoplo. Também não comprovou a negociação entre clientes finais e as suas controladas, supostamente intermediárias nas exportações. Somente em relação ao ano de 2007 é que aprestou uma comunicação eletrônica que objetiva comprovar as tratativas entre MIC e seus representantes comerciais. Entretanto, cumpre lembrar que a pessoa que naquela ocasião personifica a controlada é o Sr. Alexandre Luis Scherner Rodrigues, empregado da Marcopolo S/A até junho de 2007, quando teria sido supostamente contratado pela MIC, passando a receber dela os seus rendimentos. Ressaltese, no entanto, que mesmo após tal "contratação", o Sr. Alexandre continuou residindo em Caxias do Sul, cidade sede da empresa fiscalizada, conforme suas declarações de IRPF. Assim, tornase impossível precisar no interesse de quem, na verdade, ele atuava. Tais tratativas, na verdade, ilustram como a Marcopolo, por intermédio de seus funcionários, participava ativamente das vendas destinadas aos seus compradores finais. Nesse sentido, é de se ver, ainda, que em um dos pedidos apresentados pela recorrente para corroborar a existência de tais negociações, levadas a efeito pelas controladas, o comprovador final informa se dirigir diretamente à fábrica, ou seja, à Marcopolo, o que reforça a tese fiscal, de que não houve participação das intermediárias nas operações de exportação. De tudo, percebese que os fatos efetivamente verificados não condizem com a participação positiva das empresas controladas no processo de exportação das mercadorias da Marcopolo até os clientes finais. A interposição da MIC e da Ilmot Fl. 5874DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 35 35 mais parece um percalço a ser superado com vistas a atingir os compradores finais do que um instrumento catalisador das vendas da recorrente. Este Conselho já julgou a mesma operação, realizada pelo mesmo contribuinte, em outros períodos de apuração. Na ocasião, após uma exaustiva e detalhada análise das provas juntadas àqueles autos, na tentativa de demonstrar a efetiva realização das intermediações, bem como a licitude das operações de exportação levadas a efeito pela Marcopolo, corroborouse o presente entendimento, concluindose que (Acórdão n° 10517.084): (...) EXPORTAÇÕES PARA PESSOAS VINCULADAS INEXISTÊNCIA. SIMULAÇAO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. No caso vertente, em que a contribuinte construiu de forma artificiosa operações de exportação para empresas sediadas em países que adotam tratamento fiscal favorecido, o abandono da intermediação inexistente impõe a tributação das receitas omitidas, resultante da diferença entre o montante efetivamente pago pelo destinatário final e o apropriado contabilmente pela fornecedora do produto. (...) IV.2. DA FALTA DE INTERMEDIAÇÃO DAS EMPRESAS KILVERT E KEMPLIVE A Kilvert e a Kemplive, sediadas no Uruguai, são constituídas sob a forma de SAFI (Sociedades Anônimas Financeiras de Investimentos), empresas com tributação favorecida, geralmente constituídas por meio de ações ao portador e utilizadas para fraudes como remessas ilegais ao exterior. A Marcopolo não detém participação nestas intermediárias o que, no entanto, não é suficiente para infirmar o lançamento. Isto porque a simulação, via de regra, envolve mesmo as chamadas interpostas pessoas, ou seja, terceiras pessoas contratadas para a realização de um negócio que, se realizado por outra pessoa jurídica, teria efeito tributário. Mas ainda que assim não fosse, devese destacar que as operações de exportação que envolviam as empresas Kilvert e Kemplive ocorriam da seguinte maneira: a fiscalizada negociava com os compradores finais, e para eles efetivava a venda e enviava diretamente o produto. Emitia faturas para as offshores e estas emitiam novas notas fiscais para os importadores finais, embora, de fato, todas as faturas tenham sido emitidas diretamente pela própria Marcopolo. Nesse sentido, a fim de comprovar que a intermediação das empresas Kilvert e Kemplive não se efetivou, a fiscalização identificou uma série de elementos. Senão vejamos. Apesar de não possuírem vínculo societário com a recorrente, as faturas da Kilvert e da Kemplive eram emitidas em Caxias do Sul e assinadas por funcionários da própria Marcopolo. Aliás, toda a documentação necessárias à exportação era feita pela estrutura operacional da fiscalizada. Além disso, intimada a explicar a participação das intermediárias nas operações de exportação de bens, a Marcopolo informou que a Kilvert e a Kemplive teriam sido indicadas por instituições financeiras (Bank Boston e London Forfaiting), à época parceiras da recorrente, como forma de viabilizar financeiramente as exportações dos produtos da autuada. No entanto, a autuada não se desincumbiu Fl. 5875DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 36 36 do ônus de demonstrar a forma como isso acontecia e nem ao menos a efetiva imposição da instituição financeira para que tais empresas, de fato, participassem das operações da Marcopolo. Ao contrário. A Marcopolo apresenta carta emitida pelo Bank Boston, que nada mais foi do que uma resposta à uma consulta formulada pela própria recorrente, ou seja, correspondência cujo conteúdo em nada se assemelha à imposição mencionada. Ademais, a referida carta é datada de outubro de 2005, mas as exportações supostamente intermediadas pela Kilvert e Kemplive iniciaramse já em 2004, bem antes, então, do que a pretensa indicação da instituição financeira. Intimada, novamente, a esclarecer a forma como a Kilvert e a Kemplive viabilizavam as suas exportações, a fiscalizada limitouse a informar que as referidas empresas eram domiciliadas no exterior e realizavam operações de trading, comprando produtos das Marcopolo e revendendoos a terceiros. Apesar dessas informações, não apresentou nenhum contrato de representação comercial que tivesse sido celebrado entre a Marcopolo e as empresas em questão. Também não apresentou qualquer documento que comprovasse a efetiva existência de algum pedido de compras efetuado pela Kilvert ou pela Kemplive. Nesse sentido, interessante ressaltar que entre 2004 e 2006 a Marcopolo teria exportado mais de R$ 164 milhões para a Kilvert. E apesar dessa vultosa quantia, a fiscalizada não possui um documento sequer que tivesse formalizado estas operações? Parecenos, no mínimo, estranho que a recorrente tivesse, de fato, realizado tais operações sem as formalidades necessárias. Ademais, não informou, nem mesmo, quem eram os dirigentes das empresas com as quais negociava. A fiscalização identificou que a Kilvert foi constituída pelos Srs. Marcelo Pereira Darriulat e Fernando Juan Castagno Schickendantz. A Kemplive foi constituída por Fernando Juan Castagno Schickendantz e Janine Gómez Suarez. Identificou, ainda, que os Srs. Fernando Juan Castagno Schickendantz e Janine Gómez Suarez não tem por atividade costumeira a compra de ônibus, mas sim a constituição de empresas SAFI's no Uruguai, provavelmente para a venda a terceiros. Não bastasse tudo isso, destacase, ainda, o fato de que a Marcopolo também não conseguiu provar as razões que a teriam levado a se utilizar da Kilvert e da Kemplive nas suas exportações, ainda mais considerandose que ela possuía uma controlada no Uruguai, não se fazendo necessárias, a priori, a intermediação de terceiras empresas. Outrossim, o principal comprador das mercadorias exportadas com intermediação da Kilvert e da Kemplive era a Polomex, empresa controlada pela Marcopolo, o que somente vem a reforçar a tese de que a participação daquelas empresas nas operações era totalmente desnecessária, já que a opção pela intermediação de tais empresas, na verdade, prejudica suas controladas. A par destas constatações, verificase que as empresas Kilvert e Kemplive teriam realizado diversas intermediações sem auferir qualquer ganho financeiro. Com isso, o que se vê é que a fiscalizada, mais uma vez, não conseguiu demonstrar a participação da Kilvert e da Kemplive em suas operações, assim como também não demonstrou o propósito negocial de tais intermediações ou a relação Fl. 5876DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 37 37 comercial que possuía com tais empresas, o que, por óbvio, levaria o Fisco à conclusão de que não houve a efetiva participação destas offshores nas referidas operações. IV.3. DA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Da mesma forma como os fatos adjacentes às exportações indicam que as operações, na realidade, não ocorreram da forma como constam nos papéis, tampouco os motivos declinados pela recorrente sustentam a existência de um legítimo propósito negocial nas transações entre a autuada e suas subsidiárias. A recorrente afirma que estruturou suas exportações com a figura intermediária de offshore como forma de contornar a instabilidade econômica e cambial brasileira, fatores como o risco país e a burocracia, bem como garantir condições favoráveis de logística e mecanismos financeiros ágeis, tanto para obter financiamentos quanto para realizar pagamentos. Contudo, não esclarece como, efetivamente, a interposição das empresas MIC, Ilmot, Kilvert e Kemplive, no que tange às operações de exportação questionadas, proporciona ao grupo econômico os benefícios mencionados em maior grau do que se as exportações ocorressem de forma direta pela Marcopolo. De logo, se vê que manter uma maior proximidade com os mercados consumidores não pode ser a justificativa para a intermediação das referidas empresas. Elas são estabelecidas em paraísos fiscais, sendo que um deles (Ilhas Virgens Britânicas) não foi destino final de qualquer mercadoria. O outro (Uruguai) até o foi, porém quem forneceu a mercadoria nesse caso foi a empresa sediada nas Ilhas Virgens, já que a Ilmot, a Kilvert e a Kemplive não poderiam vender para o mercado interno uruguaio sem que fossem tributadas normalmente. Outrossim, as mercadorias saíam do Brasil diretamente para o destinatário final, sendo irrelevante, sob esta perspectiva, onde se situam as intermediárias ou mesmo sua existência. Desta forma, os benefícios de logística mencionados certamente não se referem a um modelo mais eficiente de distribuição das mercadorias. Quanto à necessidade de se contornar a instabilidade econômica e cambial brasileira, em que pese a densidade teórica dos argumentos trazidos, não restou claro, em nenhum momento, como essa instabilidade afetava as operações da recorrente, nem como a estrutura de exportações indiretas na qual as mercadorias passavam, apenas formalmente, por empresas offshore encarregadas de refaturálas a um preço superior permitia a ela minimizar essa instabilidade. A fim de contornar oscilações cambiais excessivas, entendese que a empresa domiciliada no exterior poderia, por exemplo, formar estoques adquiridos com o real desvalorizado (gastando menos dólares, portanto), para se prevenir para uma encomenda do importador final realizada em época na qual a moeda nacional esteja em alta (quando ela gastaria mais dólares para fazer a mesma compra). Nesta situação, meramente ilustrativa, se vislumbra claramente que tal proceder redunda em proteção contra oscilações cambiais inesperadas. Entretanto, como admitido pela própria recorrente, suas subsidiárias encomendavamlhe as mercadorias depois de têlas supostamente negociado com o cliente externo. Nesta hipótese, não se vislumbra como o fato de a exportação ocorrer com sua intermediação poderia proteger a fiscalizada da volatilidade cambial da moeda brasileira. Tampouco se preocupou a recorrente em demonstrá lo de forma suficientemente clara, como feito no exemplo acima. Limitase a Fl. 5877DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 38 38 alegar, teórica e genericamente, que a estabilidade política, institucional e monetária dos paraísos fiscais propicia benefícios que convergem para uma maior competitividade internacional das companhias. Ocorre que não é isso que se questiona nos autos. Não se está a refutar que o uso de um centro offshore possa trazer vantagens competitivas às empresas que atuam no comércio internacional, como um instrumento de logística financeira. É legítimo a qualquer empresa, principalmente a uma multinacional como a Marcopolo, estabelecer filial ou subsidiária nessas jurisdições para usufruir das facilidades que elas oferecem. O que não se vê é uma razão pela qual, nas operações de exportação da Marcopolo, as mercadorias tenham que se submeter ao refaturamento no exterior para alcançar essas vantagens, já que, como se viu, as empresas intermediárias não possuem nenhum outro papel efetivo nas exportações. Também não há que se falar em redução de custos gerada pela estrutura das exportações questionadas. Neste particular, vale transcrever outro trecho do acórdão 10517.084 que, repitase, analisou caso idêntico, relativo ao mesmo contribuinte: 9. não se discute, também, que a conjuntura econômica brasileira em especial no ano submetido à auditoria fiscal, é passível de acarretar custos mais elevados para as empresas nacionais que operam no exterior, tanto em relação a competidores de países desenvolvidos, como em relação a competidores de outros países emergentes. O que se questiona é que, especificamente na situação que ora se examina, em absolutamente nenhum momento a Recorrente materializou tais custos, demonstrando documentalmente, a título de exemplo, que, em uma determinada operação de exportação, se a transação fosse efetuada de forma direta o custo seria X, o lucro seria Y e o imposto pago seria Z, enquanto que, em razão da forma adotada, o custo seria X — n, o lucro seria Y+m e o imposto pago representou Z + p. Não, o que a Recorrente procurou demonstrar é que, considerada uma série histórica de suas exportações, houve significativo aumento de suas receitas e, por decorrência, dos tributos pagos. Como já se disse, admitida uma significativa capitalização de recursos por meio de métodos evasivos, outro resultado não se poderia esperar. Da mesma forma, não se especifica as burocracias que se pretende minimizar através da operação por meio de controladas offshore, sendo provável que as operações de comércio exterior entre controladora e controlada enfrentam burocracias da mesma ordem das que seriam enfrentadas numa operação direta entre a recorrente e o importador final, senão maiores. Também não parece verdadeiro que a facilidade para obter financiamentos ou a necessidade de efetuar pagamentos em moeda estrangeira de forma expedita justifiquem a intermediação das offshore. Não se pode crer que uma sociedade constituída em um paraíso fiscal, sem a mínima estrutura e sem funcionários possa gozar de maior confiabilidade, prestígio e mais fácil acesso a financiamentos do que uma empresa com o porte, tradição e knowhow da Marcopolo. Antes, são as empresas offshore que adquirem tais predicados pelo justo fato de pertencerem ao mesmo grupo econômico da Marcopolo! Isso tanto é verdade que os financiamentos contratados por elas apresentam a Marcopolo como garantidora. Outro fato completamente injustificável é o de que as empresas MIC e Ilmot foram utilizadas até mesmo na intermediação de exportações para empresas do mesmo grupo econômico (Polomex e Marcopolo South África) e ainda para outra empresa Fl. 5878DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 39 39 cujo quadro societário apresenta pessoa intimamente ligada a sócios da Marcopolo (Brasa ltda). A recorrente argumenta que este fato, aparentemente incongruente, decorre do modelo negocial adotado, dando a entender que suas exportações sempre se fazem por intermédio de controladas, mediante a atuação de representantes comerciais, seja quem for o comprador final da mercadoria. No entanto, não se compreende porque empresas tão intimamente ligadas optariam negociar por intermédio de terceiros, inclusive se sujeitando ao pagamento de comissões a representantes comerciais. Enfim, todos os motivos indicados pela recorrente para explicar o porquê de suas exportações fazerem uma "escala formal" em empresas no exterior antes de seguirem para os seus reais destinatários, conhecidos desde o início da operação, são inconsistentes, sendo certo que os mesmos resultados poderiam ser obtidos caso as exportações fossem feitas diretamente dela para aqueles, exceto a redução das receitas de exportação submetidas à tributação no país. A inexistência de motivos que justifiquem a primeira etapa das operações auditadas, qual seja, a exportação da Marcopolo para a MIC, Ilmot, Kilvert e Kemoplive traz à tona uma das características principais das operações que, mediante simulação, visam à finalidade de pagar menos tributos que o devido: a ausência de propósito negocial legítimo. Propósito negocial é o conjunto de razões de caráter econômico, comercial, societário ou financeiro que justifica a adoção dos atos e negócios jurídicos, não sendo lícito aos contribuintes praticar atos desprovidos de qualquer utilidade a não ser proporcionar a esquiva ao recolhimento de tributos que, sem sua prática, seriam devidos. A ausência de propósito negocial é própria dos atos simulados, que são praticados apenas para esconder uma realidade subjacente que acarretaria maior ônus tributário às partes. No caso, conforme demonstrado nos parágrafos acima, os motivos declinados para justificar a interveniência das controladas MIC e Ilmot e das empresas Kilvert e Kemplive nas exportações de Marcopolo S/A não se sustentam, e os fatos apurados mostram que esta intermediação é meramente artificial e foi simulada para dissimular a operação que, na realidade, acontecia: a exportação se dava entre a Marcopolo S/A e os chamados importadores finais. Neste cenário, as offshore funcionavam como meras centrais de refaturamento, possibilitando que a Marcopolo contabilizasse receita inferior ao valor efetivamente pago pelas suas exportações, mantendo parte desse valor nos paraísos fiscais referidos, imune à tributação. Tal conclusão é corroborada pelos artifícios usados a fim de se esquivar dessa tributação. Originalmente, os estatutos da MIC possibilitavam que seus diretores constituíssem fundo de reserva com qualquer parcela do lucro, e que os dividendos não reclamados após 3 anos fossem reincorporados em benefício da empresa, evitando sua distribuição e tributação pelas leis brasileiras, até o advento da MP 215835/2001. A partir de 2001, quando os lucros apurados passaram a ser tributados independentemente de distribuição, a MIC, coincidentemente, passou a apresentar prejuízos acumulados2, não revertidos até 2004. Até 2003, em razão do prejuízo acumulado pela MIC, não houve qualquer reflexo tributário para a Marcopolo. Fl. 5879DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 40 40 No entanto, dada a evolução dos lucros daquela controlada, esperavase que em 2004 a mesma tivesse de submeter à tributação no Brasil provável saldo de lucros acumulados. No entanto isso não aconteceu, já que em 2004 a MIC foi transferida para a Marcopolo Latino América S.A que, em 2004, apresentou prejuízo acumulado que continuou em anos seguintes. Desta forma, o lucro das referidas empresas permaneceu incólume à tributação no Brasil. De tudo isto, vêse que o modelo de exportações da recorrente, mediante a interveniência de offshore sediadas em paraísos fiscais, não tinha qualquer propósito negocial que efetivamente o justificasse, a não ser a economia de tributos proporcionada pelo refaturamento que essas empresas promoviam. Tanto assim é, que as evidências mostram que a participação dessas empresas no processo de exportação era meramente formal. A inexistência de propósito negocial, além da inexistência de execução material das exportações por parte das controladas, tornam evidente que a participação formal dessas empresas nas exportações não passou de simulação. IV.4. DAS REGRAS DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Diante da ocorrência da simulação, isto é, diante do fato de que as vendas da Marcopolo às controladas MIC e Ilmot não ocorreram no mundo dos fatos, mas apenas no papel, não é necessariamente aplicável a legislação referente a preços de transferência (arts. 18 a 24 da Lei 9.430/96). Nada impede a realização de investigações que possam levar à constatação fática daquilo que, por meio de presunções, a lei busca reprimir. As regras de preços de transferência estabelecem parâmetros que, por presunção legal, são os mínimos a serem observados nas exportações entre coligadas. Todavia não proíbem a constatação de que, mesmo observados estes parâmetros, ainda assim persistiu o subfaturamento Ademais, a legislação supõe a efetiva existência da operação entre pessoas vinculadas. No caso em apreço, há que se considerar que não se trata simplesmente de reconhecer o subfaturamento em operações de exportação entre empresas vinculadas. O que autoridade fiscal demonstrou é que as operações entre a Marcopolo e MIC/Ilmot não existiram na realidade, revestindose de mera aparência, para encobrir exportações realizadas diretamente da Marcopolo para os importadores finais, que nem sempre eram empresas do mesmo grupo econômico. Desta forma, não procede a alegação de que as regras de preços de transferência excluem a possibilidade de qualquer outro tipo de controle pelas autoridades tributárias em operações entre pessoas jurídicas vinculadas. V. DO IRRF Como se viu, as estruturas utilizadas pela recorrente no exterior se assemelham em tudo às centrais de refaturamento, conforme exposto no anexo I ao relatório fiscal, cujo objetivo é manter parte das receitas de exportação no exterior, sem submetêlas à tributação no país. O uso das centrais de refaturamento possibilitou às beneficiárias uma dupla vantagem indevida. Ao tempo em que diminui as receitas de exportação da controladora, diminuindo a base imponível dos principais tributos federais, enseja Fl. 5880DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 41 41 efeito equivalente à remessa de capital para o exterior, sem causa que o justifique e sem a retenção na fonte do imposto de renda devido. Vejase que, conforme todo o exposto até aqui, a operação subjacente, camuflada pela simulação, é uma exportação diretamente da Marcopolo para os importadores finais por preço superior ao preço consignado na venda da Marcopolo para as intermediárias. A diferença entre os preços não ingressa no país, mas apenas no caixa das empresas no exterior. Ou seja, um valor que deveria ter sido pago à Marcopolo foi creditado diretamente pelas empresas estrangeiras. Do ponto de vista financeiro, é como se a Marcopolo tivesse recebido todo o valor pago pelo comprador final e remetido parte desse valor para o exterior (valor remetido = preço pago pelo comprador final preço pago pela controlada). Essa remessa de divisas às avessas permitiu o suprimento financeiro das empresas no exterior sem causa que o justifique, já que estas empresas nunca participaram de fato das exportações. Esta situação amoldase à hipótese de incidência prevista nos artigos 674 e 725 do RIR/99 (art. 61,§1, da Lei 8981/95). É de se reconhecer que não se verificou, "fisicamente", a transferência de numerário da controladora para as intermediárias. Entretanto, como fruto da simulação praticada, obtevese fluxo financeiro equivalente, que sem ela não teria sido possível. Por ser decorrente de comprovada simulação, a situação deve ser tratada de acordo com os efeitos jurídicos que efetivamente produziu, e não simplesmente da forma como consta no papel, sendo devido o IRRF sobre o valor destinado às empresas no exterior. Quanto às objeções sobre o reajustamento da base de cálculo, fundadas na ilegalidade da IN 15/01, cumpre observar que a jurisprudência administrativa é firme no sentido de ser devido tal reajuste. Exemplificativamente: IRF PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA INCIDÊNCIA Sujeitase à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n° 8.981, de 20/01/1995, art. 61, § 1°). REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, cuja operação ou causa não forem comprovadas, serão considerados líquidos, devendo ser reajustado o respectivo valor para fins de incidência do imposto de renda na fonte (Lei n° 8.981, de 20/01/1995, art. 61, § 3°). Recurso negado. [2a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Recurso 131.618, Processo 10283.010318/200112, Relator José Oleskovicz, data da sessão 15/05/2003]. Assim, correto o lançamento do IRRF, que deve, por isso, ser mantido. VI. DA MULTA QUALIFICADA Demonstrado que houve simulação com vistas ao não pagamento de tributos devidos, a qualificação da multa é conseqüência lógica, nos termos do artigo 44, II, da Lei n° 9.430/94 (correspondente ao § 1° do mesmo artigo, na redação conferida a partir da Lei n° 11.488/07). O ilícito não decorreu, como quer a impugnante, de mero erro de proibição. A elaboração de documentos visando dar concretude formal a operações que nunca Fl. 5881DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 42 42 ocorreram na prática, que não correspondem à realidade, não pode ser considerada um erro, mas apenas uma confirmação do intuito doloso de ludibriar àqueles que a eles tenham acesso. A manutenção da multa imposta em face da Marcopolo, em operações idênticas, já foi consagrada por este Conselho, em acórdão outrora mencionado (n° 10517.084). Vejamos o trecho que hora nos interessa: (...) MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a titulo de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso IIdo artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. No caso vertente, não há que se falar em erro de proibição, vez que os elementos carreados aos autos pela autoridade fiscal deixam fora de dúvida que a Recorrente tinha real consciência da ilicitude de sua conduta.(...) Por estes motivos, também neste particular o lançamento deve ser mantido. VII. DA MULTA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL DEVIDOS POR ESTIMATIVA A contribuinte contesta, ainda, a imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, aplicada com base no art. 44, II, alínea 'b', da Lei n° 9.430/96 e cumulativamente com a multa pelo lançamento de ofício. Sem razão, no entanto, a recorrente. A multa isolada deve ser exigida quando se verifique o descumprimento da obrigação, mesmo após o encerramento do anocalendário, inobstante se apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, conforme art. 44, inc. II , "b" da Lei 9.430/96. Verificada, então, falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta, bem como quedado inerte o sujeito passivo em comprovar, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso, verificamse os pressupostos fáticos e jurídicos, devendo ser mantida a exigência fiscal, por se apresentar legal e legítima. Outrossim, é possível a aplicação concomitante das multas por falta de recolhimento das estimativas mensais e por lançamento de ofício. Explicase. O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. Por outro lado, vale destacar que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades, com a mesma base de cálculo ou não. Ora, como se sabe, a base de cálculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, possuindo, necessariamente, estreita relação com os fatos/atos que dão origem aos mesmos, mas não se confundindo com esses fatos/atos. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade. Fl. 5882DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 43 43 O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. Pois bem, com a redação dada pela Lei 11.488 de 2007, até as bases de cálculo foram diferenciadas, afastando de uma vez por todas qualquer alegação de bis in idem. Segundo texto dado pela 11.488/2007, a base de cálculo da multa pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75% . Dessa forma, terseia ocorrido o bis in idem se as referidas multas decorrerem de uma mesma infração; por outro lado, será lícita a concomitância se as multas resultarem de infrações diversas, notadamente diante de bases de cálculo diferentes. Em suma, a multa isolada tem como hipótese de incidência o descumprimento, pelo sujeito passivo, da obrigação legal de efetuar os recolhimentos dos valores por estimativa, enquanto a multa de ofício vinculada, traz como hipótese de incidência a falta de recolhimento do imposto devido no encerramento do período de apuração, de cujo cálculo são deduzidas o valor das estimativas pagas durante o anocalendário. São hipóteses de incidência distintas, com bases de cálculo distintos, não ocorrendo a alegada duplicidade na aplicação das multas. Assim, se não há nenhuma dúvida de que a contribuinte cometeu o ilícito acusado pela fiscalização, não há que se falar em dispensa da punição, apenas porque ao recorrido já havia sido exigida multa em decorrência de outro ilícito. Essa não pode ser a ratio da Lei 9.430/96. Por outro lado, o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, que somente a lei pode determinar hipóteses de dispensa ou redução de penalidade. Sob essa ótica, não se pode criar nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, com a multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo. Assim, por estarem, ambas, devidamente fundamentada na legislação pátria, as multas impostas devem ser mantidas. VIII. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS INCORRIDOS PELAS EMPRESAS MIC E ILMOT Em que pese a juntada, ao recurso voluntário, de uma série de comprovantes de despesas incorridas por MIC e Ilmot, tais elementos, assim como eventuais custos, não constam da contabilidade da autuada. Como bem observado pela decisão recorrida, "a consideração dos custos e despesas efetuadas por MIC e Ilmot agride um dos princípios basilares da contabilidade: o princípio da entidade. O alvo da fiscalização não foi a desconsideração da personalidade jurídica das empresas externas (a existência delas sequer foi questionada) com o intuito de repassar à autuada todos os direitos e obrigações". Fl. 5883DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 44 44 De fato, o auto de infração tem fundamento na constatação de que as controladas estrangeiras não tiveram participação nas operações de exportação auditadas. A acusação é no sentido de que as exportações eram feitas diretamente pela autuada, sendo a participação daquelas empresas nessas operações constituída de mera aparência. Neste diapasão, os custos e despesas efetivamente vinculados às exportações promovidas pela Marcopolo são aqueles que constam da sua própria contabilidade, já considerados no lançamento, devendo, por isso, ser negado provimento ao recurso, na esteira, aliás, do que já restou decidido anteriormente por este Conselho, em processo contra o mesmo contribuinte. Senão vejamos: (...) IX. DAS DEMAIS QUESTÕES A recorrente ainda postula pela recomposição dos saldos dos prejuízos das controladas estrangeiras e pelo recálculo de incentivos fiscais. O pedido de consideração dos prejuízos fiscais das coligadas estrangeiras encontra óbice na regra do artigo 7°, §2°, da IN SRF 213/2002, além da concomitância decorrente da postulação, perante o Poder Judiciário, de idêntica pretensão, no sentido de se permitir a compensação dos prejuízos apurados por suas controladas no exterior. Quanto aos impactos do presente lançamento em incentivos fiscais, cumpre remeter às precisas considerações da autoridade julgadora de primeira instância, não merecendo prevalecer a pretensão da recorrente. Por fim, mister registrar a correção da base de cálculo utilizada pela fiscalização na apuração dos tributos devidos. Com efeito, verificouse que a autoridade autuante levou em conta os dados constantes no Sistema da Receita Federal, assim como aqueles apresentados pela própria contribuinte e, também, pela Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul. Com base em tais informações, elaborou mais de cem páginas de planilhas, compostas de uma parte referente aos dados básicos das exportações; outra relativa aos dados fornecidos pela Marcopolo e pela CIC (cuja validade foi verificada por amostragem setenta DDEs de MIC e Ilmot e mais de sessenta DDEs da Kilvert e Kemplive) e uma última parte que indica o valor do refaturamento(obtido pela diferença entre o valor das faturas das intermediárias e o das faturas da Marcopolo), a taxa de conversão (taxa de compra fixada pelo boletim de abertura do Banco Central do Brasil, vigente na data da averbação dos produtos), a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, obtida pela conversão do refaturamento para reais. A base de cálculo do IRRF, reajustada com base no artigo 20 da IN SRF n° 15/2001, foi obtida aplicandose a fórmula do reajustamento aos valores referentes à omissão de receitas constante da coluna relativa à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim sendo, mais uma vez mostrase correto o lançamento. X. DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF SOBRE AS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO DA RECORRENTE Fl. 5884DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 45 45 As operações de exportação da recorrente, tais quais as que fundamentaram o presente lançamento, já foram objeto de análise deste CARF, em outras ocasiões. Contra a ora recorrente há outros processos administrativos referentes a operações idênticas, ocorridas em anoscalendários anteriores. Com efeito, através do acórdão n° 10517.084, por mais de uma vez já citado nestas contrarrazões, viuse que a Primeira Sessão conclui que a participação das empresas intermediárias nas operações de exportação levadas a efeito pela contribuinte foi, de fato, simulada e que, por isso, houve omissão de receitas, decidindose, ao final, por manter a autuação. Este, no entanto, não foi o único momento em que este CARF teve a possibilidade de julgar acerca da licitude das operações realizadas pela recorrente e concluir que as mesmas era ilegítimas. Nesse sentido, nos autos do processo n° 11020.003966/200508 foi proferido o acórdão n° 10517.083, cuja ementa segue a seguir transcrita: (....) Com isso, esperase que tal entendimento, já consolidado neste Conselho, seja mantido quando do julgamento do presente processo, à exceção da tributação na fonte que, data vênia, deve ser tida por devida, nos termos do que demonstrado outrora. XI. DA CONCLUSÃO Diante dessas considerações, a Fazenda Nacional requer o não provimento do recurso voluntário e a manutenção do acórdão proferido pela e. Delegacia de Julgamento. Ato continuo, os autos foram encaminhados ao CARF e distribuido a este Conselheiro por conexão em face dos outros processos que já se encontram sobre minha relatoria. É o relatório.” Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial de divergência, alegando haver interpretações divergentes conferidas por outros colegiados, relativamente às seguintes matérias: 1 "Caracterização de simulação ou planejamento fiscal" (fls.5.636/5.657); 2 "Qualificação da multa de oficio pela configuração da simulação"(fls.5.657/5.660). 3 “cabimento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas em concomitância com multa de ofício” (fls. 5.660/5.6665) Para fins de demonstração da divergência, indicou como paradigmas os acórdãos n° 10517.083 e 105.17.084 (fls.5.637/5.639): EXPORTAÇÕES PARA PESSOAS VINCULADAS INEXISTÊNCIA. SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da pratica de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. Fl. 5885DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 46 46 No caso vertente, em que a contribuinte construiu de forma artificiosa operações de exportação para empresas sediadas em países que adotam tratamento fiscal favorecido, o abandono da intermediação inexistente impõe a tributação das receitas omitidas, resultante da diferença entre o montante efetivamente pago pelo destinatário final e o apropriado contabilmente pela fornecedora do produto (..)" É de se destacar que os Acórdãos paradigmas utilizados pela Fazenda Nacional tratam de processos da mesma empresa Marcopolo; e que, em tais paradigmas, a empresa perdeu apenas em parte, haja vista que o IRRF foi considerado indevido. Deste modo, entendo que não há demonstração de paradigma válido, para configurar a divergência, no que se refere ao IRRF. Também ressalto que, ao contrário do acórdão recorrido, as decisões dos acórdãos paradigmas não foram unânimes; havendo votos no sentido de dar total provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Por seu turno, a empresa recorrida apresentou contra razões, alegando em síntese a inexistência de paradigma válido, em razão de divergências na matéria fático probatória dos acórdãos paradigmas, e, no mérito, a manutenção do acórdão recorrido. O Presidente da Quarta Câmara considerou atendidos os pressupostos de admissibilidade e deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, e é tempestivo, devendo ser conhecido. Adoto integralmente o voto do Conselheiro Antonio José Praga de Sousa, a seguir transcrito. Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. No presente caso foi aplicado apenas a multa qualificada de 150%. Fl. 5886DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 47 47 Tendo o contribuinte optado pelo lucro real anual nos anoscalendário 2004 a 2007, consideramse ocorrido os fatos geradores do IRPJ e CSLL, complexivos, no dia 31/12 de cada ano. Assim, ainda que seja aplicada a contagem de prazo na forma do art. 150 parágrafo 4º . do CTN para o IRPJ e CSLL, considerando que a ciência dos autos de infração ocorreu em 1/12/2009, não há que se falar em decadência, pois o inicio da contagem se deu em 01/01/2005. Registrese que nesta mesma data iniciou a contagem do prazo de decadência do IRFonte, fatos geradores do ano de 2004, contandose na forma do art. 173, inciso I, pois, não há que se falar em antecipação de pagamento. I – ADOÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO 140200.752 Quanto a multa qualificada, preliminares, exigência do IRFonte e tributação do IRPJ e CSLL, aplicase neste processo, no que couber a mesma decisão do acórdão 140200.752, processo 11020.004863/200719, proferido nesta data. Isso porque a situação fática é praticamente idêntica, excetuandose a inexistência de agravamento da multa e inocorrência de decadência. Transcrevo os fundamentos do aludido acórdão. I.1 Multa de Ofício Qualificada (percentual de 150%) Inicio pela aplicação da multa qualificada, haja vista sua implicação na forma de contagem do prazo decadencial do anocalendário de 2001, alem de seus pressupostos implicarem em outros aspectos da lide, que adiante tratarei. Vejamos a transcrição do inteiro teor da acusação fiscal nessa parte: RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL – TVF (Fls. 81 e seguintes do processo) (...) 191. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, define fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 192. Diante do até então exposto, resta claro que a multa a ser aplicada de ofício é de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” 193. Transcrevemos, também, os artigos pertinentes da Lei nº 4.502/1964: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 5887DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 48 48 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.: Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos art. 7l e 72.” (...) Em síntese a Fiscalização concluiu que os procedimentos da contribuinte amoldam se á prática de “fraude tributária” e conluio, de que tratam o art. 72 e 73 da Lei 4.502/1964, respectivamente. De plano, afasto a possibilidade de conluio, isso porque a Fiscalização nada trouxe aos autos para provar que os adquirentes finais dos produtos vendidos pela contribuinte obtiveram vantagens ilícitas ou, no mínimo foram coniventes. Todas as ações descritas foram unilaterais, ou seja, realizadas pela própria autuada, seus diretores ou funcionários. Logo, não restou caracterizado o conluio entre as pessoas jurídicas que participaram diretamente dos fatos que ensejaram a tributação. Quanto a fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito neste voto, a prática de fraude pressupõe o dolo. Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. Nas palavras do ilustre conselheiro Claudemir Malaquias, o dolo é “saber e querer a realização da conduta e não exige a consciência da ilicitude” 1. Observa se que nos recentes julgamentos deste Conselho tem prevalecido considerarse a ocorrência de fraude em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas(quanto apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da Contribuinte. Inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei, que aliás não pode ser confundido com erro de interpretação da lei. Na fraude a lei, o ato em si é ilícito tendo em vista que o ordenamento jurídico proíbe sua prática. Ora, não há dúvidas quanto a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia de diversas ordens, tendo praticado todos os atos que entendeu válidos e amparados na lei. Há que ser analisado se incorreu em indevida redução dos Fl. 5888DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 49 49 tributos devidos , mas daí a se afirmar que estaria presente o dolo e configurada a fraude, data vênia, não comungo desse entendimento. A Marcopolo contabilizou regularmente todas as operações. Foi na contabilidade da contribuinte que a Fiscalização apurou todas as irregularidades que imputa à empresa. Desde o primeiro atendimento à Fiscalização, durante a auditória, o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para seus procedimentos. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado “ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”. Repito: foi a partir dos registros e operações da empresa que a fiscalização tomou conhecimento dos fatos e realizou as glosas. Nos últimos cinco anos participei de centenas de julgamentos neste Conselho em que foi apreciada a aplicação da multa qualificada. Formei critérios para estabelecer minha convicção nesses casos, os quais sempre observo, visando manter coerência em meus votos. Cabe aqui reportar alguns desses julgamentos: i) Acórdão 140200.337 de 14/12/2010 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não elide a prática dolosa anterior. Naquele processo, verificouse que as receitas auferidas e escrituradas pelo contribuinte, que inclusive eram declaradas ao Fisco Estadual pela totalidade, eram reduzidas em 99% para fins de apuração dos tributos federais. Para acobertar o conhecimento da Receita Federal, o contribuinte apresentava regularmente suas DIPJ e DCTF, bem como efetuava os recolhimentos dos tributos, porém, sobre esse 1%, e durante pelo menos 3(três) anos consecutivos. A prova do dolo, no caso Sonegação (art. 71 da Lei 4.502/64) foi justamente as Declarações de Pessoa Jurídica (DIPJ e DCTF), sistemática e reiteradamente, grafando valores a menor. No citado julgamento, a multa de 150% foi mantida por 5 votos a 1. ii) Acórdão 140200.494 de 31/03/2011 Ementa: GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. A autuada teria adquirido por R$300milhoes de Reais, debêntures cujo valor de face era de R$1mil (ágio de 299 milhões), sendo que o pagamento teria sido feito mediante TBills (Títulos do Governo dos Estados Unidos da America do Norte), cuja existência não foi comprovada. Fl. 5889DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 50 50 Na situação versada, a decisão de 1a. instância afastou a aplicação de multa qualificada “por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação mesmo que se reconheça nela todo o artificialismo argüido pela Fiscalização”. Porém, este conselheiro entendeu que eram robustas as provas trazidas aos autos da artificialidade das operações. A começar pelo fato de a empresa, que teria emitido as debêntures possuir apenas existência formal. Nas palavras da Fiscalização: “a sociedade formalizada "produz" apenas documentos (atas, estatuto, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo (...)”. No aludido acórdão, pelo voto de qualidade, a multa qualificada foi restabelecida. iii) Acórdão 10248.633 de 14/07/2007 Ementa: MULTA DE OFICIO QUALIFICADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem ou acréscimo patrimonial a descoberto, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964.). Aqui, o contribuinte omitiu na declaração de IRPF a conta bancária de sua titularidade. Além disso os valores movimentados eram elevadíssimos em relação aos rendimentos tributados. Todavia, a Fiscalização deixou de demonstrar a conduta dolosa, considerandose ainda que o lançamento de oficio se deu calcado na presunção legal (fraude não se presume). Mais a mais, “ao informar rendimentos ínfimos em sua declaração, ao invés de elidir a ação fiscal, o efeito foi justamente o contrário, o procedimento chamou a atenção do fisco.” A multa foi desqualificada à unanimidade. Situação semelhante foi observada em diversos outros acórdãos da relatoria deste conselheiro, cujo lançamento se deu exclusivamente com base em depósitos bancários, cuja contacorrente era de titularidade do próprio contribuinte. Voltando a situação versada no presente processo, constatase Pela DIPJ/2002, regularmente apresentada dentro prazo e posteriormente retificada, a Marcopolo auferiu receitas tributáveis da ordem de 728 Milhões de Reais em 2001 (vide DIPJ). Por seu turno, a base de cálculo do IRPJ e CSLL foi de aproximadamente 82 Milhões de Reais, ou seja, em pouco mais de 12% da receita total.. Ora, uma empresa com esses números certamente estava sujeita ao acompanhamento especial de que trata a de que trata a Portaria SRF nº 448 de 2002. Definitivamente não é crível que a dedução pudesse ser ocultada do Fisco na contabilidade ou na DIPJ da recorrente, o que em verdade não ocorreu. Registrese, ainda, que no anocalendário de 2002 a fiscalização arbitrou a receita considerada omitida, ou seja, aplicou presunção para apurar a base de calculo, logo, este seria um motivo para desqualificar a multa de oficio, pois: a fraude não se presume. Fl. 5890DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 51 51 Tanto é assim que o parágrafo 3o. do artigo 24 da lei 9.249/1995, que em sua redação original estabelecia a aplicação de multa qualificada sempre que apurada omissão de receitas2, foi revogado no ano seguinte pelo art. 88 da Lei 9.430/1996. Em face do exposto, até mesmo diante do detalhamento e clareza do Termo de Verificação Fiscal, formei convencimento de que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser reduzida a 75%, sem prejuízo do agravamento em 50%, que tratarei a seguir. (...) I.3 – Preliminares de nulidade Enfrento essa linha argumentativa também como preliminares haja vista que, se acatada, implicaria no cancelamento, de plano, dos autos de infração. Aduz a Recorrente que: o processo de fiscalização. que culminou na lavratura dos autos de infração. não buscou a verificação da efetiva ocorrência nos anos de 2001 e 2002 da infração atribuídas à empresa. os AuditoresFiscais entenderam, equivocadamente, que as controladas no exterior MIC e Ilmot e a revenda destas para seus clientes teriam ocorrido nos exatos termos daquelas realizadas nos anos de 1999 e 2000. a partir das supostas irregularidades nas exportações e revendas nos anos de 1999 e 2000, concluiu que nos anos de 2001 e 2002, também teriam ocorrido as mesmas irregularidades. logo, não há provas ou indícios de que haveria irregularidades nas exportações e revendas que motivaram a lavratura dos autos de infração dos anos de 2001 e 2002. Correto o entendimento sedimentado na decisão recorrida no sentido de que não há qualquer irregularidade no procedimento fiscal, muito menos cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Nunca é demais reiterar que o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) estabelece as hipóteses de nulidade, ab initio, no processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto não merece reparos a decisão recorrida ao afirmar que “..não há nulidade dos autos de infração se os atos e termos forem lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e se for garantido o mais absoluto direito de defesa... a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do processo administrativo (art. 14 do PAF). O procedimento de fiscalização é precedente, tendo caráter inquisitorial.” No presente caso, verificase que, tal qual asseverado na decisão recorrida, “a atuação da fiscalização foi conduzida dentro dos limites da legalidade. Não há evidências de impessoalidade, tendenciosidade ou cometimento vícios no curso da ação fiscal (tal como a “coação moral”), como alegado pela impugnante. A partir Fl. 5891DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 52 52 da legítima interpretação dos fatos e documentos, a fiscalização viuse obrigada a lavrar os autos de infração (art. 142, parágrafo único, do CTN)....”, sendo que certo que “... a apresentação de defesa evidencia a plena compreensão e entendimento pela impugnante acerca das infrações apontadas e possibilitou o rebate de cada uma das acusações. Isso pressupõe inexistência de prejuízo ao direito de defesa.” O arbitramento das receitas consideradas omitidas nos anos de 2001 e 2002, procedida pela Fiscalização, tem amparo no artigo 148 do CTN, que estabelece: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Segundo Misabel Abreu Machado Derzi, “ o art. 148 do CTN somente pode ser invocado para estabelecimento de bases de cálculo, que levam ao cálculo do tributo devido, quando a ocorrência dos fatos geradores é comprovada, mas o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública autorizada a arbitrar o preço, dentro de processo regular. A invocação desse dispositivo somente é cabível, como magistralmente comenta Aliomar Baleeiro, quando o sujeito passivo for omisso, reticente ou mendaz em relação a valor ou preço de bens, direitos, serviços: ‘.... Do mesmo modo, ao prestar informações, o terceiro, por displicência, comodismo, conluio, desejo de não desgostar o contribuinte etc., às vezes deserta da verdade ou da exatidão. Nesses casos, a autoridade está autorizada legitimamente a abandonar os dados da declaração, sejam do primeiro, sejam do segundo e arbitrar o valor ou preço, louvandose em elementos idôneos de que dispuser, dentro do razoável” (Misabel Abreu Machado Derzi, in Comentários ao Código Tributário Nacional, Ed. Forense, 3ª ed., 1988). ....” Frise que o procedimento fiscal também é amparado pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) nos seguintes dispositivos: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): (...) II – deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; (...) VI – omitir receitas ou rendimentos. (...) Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): I – arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração; Fl. 5892DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 53 53 II – abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, § 1º). (...) Art. 846. O lançamento de ofício, além dos casos especificados neste Capítulo, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º). § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 1º). § 2º Constitui renda disponível, para os efeitos de que trata o parágrafo anterior, a receita auferida pelo contribuinte, diminuída das deduções admitidas neste Decreto, e do imposto de renda pago pelo contribuinte (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 2º). § 3º Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 3º). § 4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas (Lei nº 8.021, de 1990, art. 6º, § 4º). Vejase que todos as disposições do RIR/99 supra transcritas tem matriz legal. Portanto, o arbitramento de receitas e rendimentos, diante de indícios veementes de sua ocorrência e concomitante recusa do contribuinte em apresentar os valores, tem amparo legal e pode ser levado a efeito em procedimento regular, sem que isso implique necessariamente no arbitramento de lucros de que trata o art. 43 do CTN e 541 do RIR/99. Nesse sentido há, inclusive decisões judiciais, a exemplo do seguinte julgado: I. À falta de apresentação pelo sujeito passivo de demonstrações contábeis idôneas à base de cálculo do Imposto de Renda, remanesce à Fiscalização o recurso de proceder ao arbitramento para chegar aos valores que deveriam ter sido declarados. ....” (TRF3ª Região. AC 96.03.0663158/ MS. Rel.: Des. Federal Baptista Pereira. 3ª Turma. Decisão: 03/10/01. DJ de 13/11/02, p. 763.) Ora, no presente caso é inegável que as vendas ocorreram e que a fiscalizada recusouse a apresentar os documentos comprobatórios dos valores efetivos das operações. É certo que a Receita Federal poderia utilizarse de seus adidos tributários, bem como dos convênios e acordos com outros países para obter a documentação, porém o procedimento seria dispendioso e demorado, tempo que o Fisco não dispunha em razão da eminência do transcurso do prazo decadencial. Fl. 5893DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 54 54 Uma vez que há amparo na legislação para o arbitramento do valor das operações, rejeito também essa preliminar. Mais a mais, caso algum valor tomado pelo Fisco esteja incorreto, bastaria a contribuinte apresentar documentos idôneos do valor correto da operação, pois, tratarse ia de mero ajuste na base de cálculo. Frisese, outrossim, que a legalidade do arbitramento do preço de venda, ou receita, não implica na procedência da exigência fiscal, pois, ainda resta verificar se realmente a contribuinte deixou de reconhecer o resultado obtido nessas operações e, principalmente, se o procedimento adotado Fisco na determinação dos tributos devidos está correto. Tais questões serão abordadas adiante neste voto. (...) I.5 – Exigência do IRFonte sobre pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados A justificativa para exigência do Imposto de Renda na Fonte, está assim descrita no relatório fiscal: 225. Sobre a diferença de preço omitido ao Fisco Federal, incide também IRRF com devidos acréscimos legais. A receita omitida que serviu para a determinação da Base de Cálculo Reajustada, assim como a multa de ofício aplicada, seguiu os padrões 1, 2 e 3 explicados anteriormente (parágrafos 199 a 221). 226. Em regra, o planejamento tributário irregular executado pela Marcopolo foi amparado por, no mínimo, 2 (dois) fechamentos de câmbio: o primeiro vinculado à “exportação” da carroceria da Marcopolo para uma de suas Centrais de Refaturamento (MIC/ILMOT), envolvendo valores inferiores aos realmente praticados; o segundo vinculado à “exportação” da mesma carroceria por essa Central de Refaturamento, consignando valores superiores aos da primeira “transação”. 227. Tal diferença de preços foi evadida do Brasil, visto essas duas empresas estarem sediadas no exterior (Ilhas Virgens Britânicas e Uruguai), sem passar por qualquer registro contábil ou fiscal na Marcopolo S.A 228. Essa diferença de preços, como foi empregada a terceira pessoa (física ou jurídica) no exterior, além de ser parcela de receita operacional omitida, caracteriza “pagamento sem causa”, razão pela qual incide indubitavelmente o imposto retido exclusivamente na fonte à alíquota de 35% sobre base de cálculo reajustada, nos termos dos artigos 674 e parágrafos e 725 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 e artigo 61, parágrafo terceiro, da Lei 8981/95 (...). Por seu turno, a recorrente afirma que “não cabe a exigência do imposto na fonte, porquanto não se verifica a ocorrência da regramatriz de incidência tributária, visto que: (i) não houve pagamento e propriamente também não houve entrega de recursos; (ii) "in casu" há prova da operação e da causa da entrega que teria havido, que é exatamente a realização das exportações; (iii) no passado já houve a previsão legal de incidência de imposto na fonte sobre omissão de receitas, mas tal norma está revogada, sendo certo que a aplicação do IRRF em questão assume norma de caráter muito mais sancionatório, do que de norma que tipificaria verdadeira incidência tributária.... Com efeito, verificase que a pretensão fiscal acaba por tributar duplamente a mesma renda (ao considerar hipóteses Fl. 5894DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 55 55 excludentes: rendimento no Brasil e cobrar IRPJ, CSLL e, ao mesmo tempo, aplicar regramento afirmando que referido rendimento foi remetido ao exterior), cujo resultado não é outro que não utilizar a exigência tributária, mediante a cobrança de IRFonte, como espécie de "sanção", ao arrepio da característica essencial de tributo: prestação pecuniária de característica não sancionatória.” (grifos do original). Pois bem, a meu ver, quanto ao IRFonte, o ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no acórdão 10517084 de 25/06/2008 apontou, precisamente, o equívoco do entendimento fiscal, senão vejamos: “Aditese ainda que mesmo que se ultrapasse a questão da caducidade do direito, o lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte não poderia subsistir, eis que, aqui, a meu ver, não se vislumbra a própria ocorrência do fato gerador. Com efeito, a tributação do imposto de renda pessoa jurídica foi formalizada pela autoridade fiscal sob a alegação de ter havido omissão de receitas derivada do subfaturamento de exportações. Tal omissão encontrase materializada pela diferença entre os valores pagos pelos importadores finais às intermediárias no exterior (MIC e ILMOT) e os remetidos por estas à Recorrente, sendo certo que tal diferença permaneceu no exterior. Ante a inexistência de movimentação física de valores por parte da Recorrente, não há que se falar em incidência de imposto de renda retido na fonte em razão de pagamento sem causa.” Em verdade, a exigência do IRFonte chega a ser contraditória com as conclusões da própria fiscalização, pois, mesmo que se considere que os pagamentos foram realizados pelos terceiros por conta Marcopolo, os pagamentos à MIC/ILMOT não só tiveram causa nos produtos vendidos, como também os beneficiários são identificados. Não há acusação nos autos de que os pagamentos são de outra natureza ou que tiveram outros destinatários;, pelo contrário, afirmase que os recurso são da Marcopolo e que teriam sido entregues à MIC/ILMOT no exterior para evadir da tributação do IRPJ e CSLL no Brasil. Portanto, não cabe mesmo a incidência do IRFonte, pois, a Marcopolo não fez qualquer pagamento a esses beneficiários, ainda que se considere que se tratam de receitas diretas da autuada. Noutro giro: se os valores tributados são mesmo receitas direta da Marcopolo, então MIC/ILMOT apenas receberam essas diferenças por conta desta, logo, não se sustenta a acusação de que a Marcopolo realizou “pagamentos sem causa” às suas controladas no exteriores consubstanciado nos recursos entregues pelas empresas adquirentes. Nesse sentido já decidiu este colegiado no acórdão 140200.155, de 6/4/2010, cujas ementas elucidam: PAGAMENTO SEM CAUSA CARACTERIZAÇÃO DO ATO ÔNUS DA PROVA. A caracterização pela fiscalização, mediante provas, de que ocorreu pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, de que trata o caput do art. 61 da Lei 8.981/95. Cumpre, então, o cancelamento da exigência do IRFonte. I.6 – Exigência do IRPJ e da CSLL A Fiscalização concluiu que a contribuinte simulou as vendas às empresas MIC e ILMOT, suas controladas no exterior (situadas em paises considerados paraísos Fl. 5895DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 56 56 fiscais), praticando valores consideravelmente inferiores ao que eram revendidos por essas a seus clientes no exterior. Isso sem qualquer justificativa material, caracterizando a prática de subfaturamento de preços. Vejamos o cerne da acusação fiscal (verbis): 177. Após a extensiva análise de todos os documentos e explicações disponíveis, restounos certo que as empresas Marcopolo International Corp. (MIC) e Ilmot International Corporation S.A. (ILMOT) são, de fato, Centrais de Refaturamento. As alegadas intermediações foram simulações visando a acobertar, por um elaborado mas ilícito planejamento fiscal, a prática de subfaturamento dos preços de produtos exportados pela Marcopolo. Concluímos que as participações dessas Centrais de Refaturamento nas operações analisadas não passaram de atos ou negócios jurídicos aparentes, que dissimularam a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ocultando a ocorrência do fato gerador de tributos federais (IRPJ, CSLL e IRRF) e a evasão de divisas para o exterior. Assim, resta ao Fisco apenas o devido lançamento dos autos referentes a essas irregularidades. 178. Ressaltamos que não cabem, para a determinação desse ilícito, tanto a análise de preços de transferência quanto a descaracterização da existência das empresas MIC e ILMOT. Esta, pela insuficiência de indícios que assegurem tal interpretação; aquela, pela inegável inexistência das intermediações dessas Centrais de Refaturamento. É do conjunto de simulações e refaturamentos, e não dos valores praticados (pela aplicação do mecanismo de Preços de Transferência), em suma, que resultou o indevido subfaturamento alvo dessa Fiscalização. A primeira assertiva relevante que se extrai do entendimento fiscal é que em momento algum foi desconsiderada a personalidade jurídica das empresas MIC e ILMOT, tampouco a existência formal e material de ambas, e principalmente, a efetividade dos negócios. Afirmam os Auditores que essa intermediação não ocorreu, que as vendas foram diretas, logo, as operações entre Marcopolo/MIC/Clientes e Marcopolo/Ilmot/Clientes teriam sido simuladas. Vejamos o exemplo ilustrativo das operações extraído do Relatório Fiscal: Fl. 5896DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 57 57 Pois bem, os AuditoresFiscais encarregados da fiscalização da empresa Marcopolo S/A executaram, por mais de 5(cinco) anos um minucioso trabalho, envolvendo os anos calendário de 1999 a 2007, cujas verificações, provas e conclusões encontramse compiladas em detalhados TVF, integrantes dos respectivos autos de infração; no presente caso são mais de 100 (cem) páginas contendo exposição dos fatos, remissões legais, gráficos, memórias de cálculo, etc. É de se enaltecer a qualidade do trabalho fiscal no que concerne a clareza e transparência, possibilitando o pleno conhecimento das infrações imputadas à contribuinte. A Fiscalização apurou, ao fim e ao cabo, que nas operações intermediadas pela ILMOT, a média ponderada da diferença entre o preço pago pelos compradores finais e o valor de venda da MARCOPOLO foi de 14,08%, em relação à MIC esse percentual foi de 18,94% (fl. 87 do TVF). Nos exatos termos do art. 29 do Decreto 70.235/1972, “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”. A meu ver, a Marcopolo, logrou provar a existência formal e material de MIC e ILMOT, bem como que intermediaram as operações, ainda que de forma incipiente, conforme asseverado pela recorrente nos seguintes termos (verbis) “(...)ao longo dos cinco anos em que a Recorrente vem sendo fiscalizada acerca da presente operação, em nenhum momento qualquer indício documentos, evidência de ligações telefônicas, correspondências, mensagens eletrônicas, etc... foi trazido pela fiscalização para demonstrar a primeira etapa da simulação por ela apontada, qual seja, o contato com clientes situados no exterior com a Recorrente. E não há indícios ou provas desse contato, por mais óbvio que pareça, porque, simplesmente, os clientes situados no exterior NÃO ENTRAM EM CONTATO OU NEGOCIAM DIRETAMENTE COM A RECORRENTE, mas sim com representantes comerciais situados em países diversos, contratados (doe. 01 fls. 1289/1424) e geridos e comissionados (doe. 02 fls. 1188/1197 e fls. 2636/2660 dos autos) pelas empresas MIC e Ilmot. Notem que as atividades exercidas pelas empresas MIC e Ilmot consistiam basicamente na gestão dessa rede de representantes comerciais situados em diversos países, responsáveis pela prospecção e o contato direto com os clientes, gestão financeira para a captação de financiamentos no exterior e gestão da assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente. Essas atividades de gestão, parece evidente, não demandam o uso intensivo de mão deobra ou o uso de uma estrutura operacional complexa, mas apenas e tão somente a capacidade laborai de um gestor e um escritório com funcionalidades básicas (linha telefônica, fax, email, computador e secretária). Nesse sentido, restou comprovado pela Recorrente que, nos anos de 2001 e 2002, tal atividade de gestão era exercida pelo Sr. Rafael Adauto, que possuía a sua disposição a estrutura operacional necessária para o exercício de suas atividades. Acerca da comprovação da atividade de gestão comercial da rede de representantes comerciais das empresas MIC e Ilmot, gestão financeira e da assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela Recorrente, foram trazidos aos autos os seguintes documentos: Fl. 5897DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 58 58 • Contas telefônicas com o detalhamento das ligações realizadas e recebidas para diversos clientes, representantes comerciais e para a Recorrente, bem como emails (docs. 03); • Comprovantes de despesas de viagens para visitas comerciais à clientes e representantes comerciais (doe. 04); • Comprovantes de despesas de assistência técnica e garantia dos produtos Marcopolo (does. 05 fls.669 e seguintes); Vale mencionar que a decisão de primeiro grau, apesar de reconhecer a participação do Sr. Rafael Adauto como gestor das empresas MIC e Ilmot3, afasta a pertinência da documentação trazida sob o argumento de que não teria restado demonstrada a relação direta entre as despesas e as exportações fiscalizadas, além do referido gestor possuir vínculo empregatício com a Marcopolo no período. (A propósito da participação do Sr. Rafael Adauto da Costa como gestor da MIC e ILMOT, cuja atuação foi reconhecida pela própria fiscalização, há que se registrar que não há vinculação formal dessa participação com as vendas consideradas simuladas, além do fato de o gestor possuir vínculo empregatício com a Marcopolo no período. ) Vejam, contudo, que essas singelas justificativas não são suficientes para afastar a robustez das provas de execução material das atividades de negociação comercial e revenda exercidas pelas empresas MIC e Ilmot por meio de seu gestor Rafael Adauto. Isso porque os comprovantes de despesas com viagens comerciais, contatos e correspondências com clientes e representantes resultaram sim nas vendas realizadas pelas empresas MIC e Ilmot e, por conseqüência, nas exportações realizadas pela Recorrente. A esse respeito, impende mencionar apenas como exemplo, os comprovantes de ligações e viagens para os representantes e clientes, que resultaram na venda e exportação das carrocerias nos anos fiscalizados. Veja que nas fls. 24412442 dos autos, encontrase juntada a conta telefônica da Marcopolo of America dos meses de abril e maio de 2002 (doe. 03). Esta conta registra uma ligação feita em 21/05/2002 para o número 0115065513119. Este número pertence à empresa Importaciones Zuzu, S.A., representante comercial da MIC na Costa Rica (contrato de representação comercial juntado às fls. 13261338), conforme se comprova pelo documento anexo (doc. 03). Registrese que no documento ora anexado, a representante comercial enviou, em 08.05.2002, após receber solicitação formal do cliente, uma cotação para a venda de uma carroceria modelo Torino, montada sob chassi Volvo. Esta carroceria de n° 3562002 acabou sendo faturada em 20.09.2002 e consta da planilha do fisco, juntada à fl. 434. Não se argumente que se trata de uma operação isolada, vez que desde 2001, a empresa Importaciones Zuzu, S.A. já realizava a venda de carrocerias para sua representada MIC, conforme se infere pelo documento ora anexado (doe. 03), no qual fica evidenciada a venda da carroceria de n° 128925, constante da planilha do fisco às fls. 433. Fl. 5898DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 59 59 Da mesma forma, quanto à assertiva de que o gestor comercial da MIC e da ILMOT possuía vínculo empregatício com a Marcopolo no período, é inegável o reconhecimento da Recorrente de que as empresas MIC e ILMOT compõem o grupo Marcopolo. Assim, é óbvio que os serviços prestados pelos trabalhadores das controladas (MIC e ILMOT) impactam toda a atividade do grupo.. (...)” Aliás, em pese colocar em dúvida a existência efetiva de MIC e ILMOT, a própria Fiscalização deixa claro que isso não é tão relevante. Aduz o fisco: “(...)Mesmo considerando que os indícios coletados sobre a inexistência de fato das empresas MIC e ILMOT não se limitam aos anteriormente citados, o conjunto de provas indiciárias não se mostrou sólido o suficiente para que formássemos a convicção de que a MIC e ILMOT não existiam. Por outro lado, a contribuinte tampouco conseguiu, com os argumentos e documentos apresentados, convencernos de que existiam ... Ressaltamos, entretanto, que as conclusões a que chegamos, de acordo com o corpo do Relatório de Auditoria Fiscal, independem da existência ou não da MIC/ILMOT, uma vez que é da ausência de intermediação nas operações fiscalizadas que resulta o lançamento do crédito tributário.” (fl. 102 do TVF). Pois, pela análise dos autos formei pleno convencimento de que a contribuinte realizou um minucioso planejamento fiscal, daí a certeza pessoal da existência fática de MIC e ILMOT, bem como da participação de ambas nas operações, ainda que dispensável. Um ponto pacífico: mantendose o preço de venda ao adquirente final, se ao invés de 15%, a diferença entre esse valor e o preço de repasse da Marcopolo para MIC e ILMOT fosse em média de 0,15% (1/100), certamente inexistiria subfaturamento, mesmo mantendo todas as demais características das operações. Essa conclusão é facilmente sustentável, a começar pela própria decisão de 1a. instância que afastou a tributação sobre as operações que importaram em margem de apenas 0,12% para a MIC. A medida que a Marcopolo detém o integral controle e quase 100% de participação em MIC e IMOLT, na prática, a empresa não tem lucro ou prejuízo nessas operações. Explico: elevandose o preço de venda MIC e ILMOT, aumenta o lucro de Marcopolo; reduzindose o preço de venda, aumenta o lucro de MIC e ILMOT. Ora, se o resultado de MIC e ILMOT são da Marcopolo, salvo outros aspectos secundários, relativos a movimentação de recursos no exterior, a empresa Marcopolo pode gerenciar esses preços a seu critério. Logo, se havia necessidade da Marcopolo utilizarse de MIC e ILMOT, nada impediria que o preço do repasse você próximo do de venda ao adquirente final. A contribuinte apresentou diversos documentos no intuito de comprovar as despesas da MIC/ILMOT que justificariam a diferença de preço e, consequentemente afastariam a acusação fiscal. Todavia, somandose todos esses valores não chega nem próximo da diferença de preços praticada. Repito: é evidente que Marcopolo poderia praticar o preço que entendesse adequado nas vendas à MIC e ILMOT, visando preservar seus interesses e propósitos negociais, pois, o que importaria mesmo para o resultado da empresa é o valor de venda ao adquirente final praticado pelas subsidiárias. Fl. 5899DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 60 60 Interessante observar que, caso a intermediação fosse realizada por terceiros independentes, ainda que o trabalho desses fosse apenas conseguir os clientes e intermediar as vendas, a exemplo de “representantes comerciais” que atuam dentro do território Brasileiro, a comissão de 10% a 15% até poderia ser considerada razoável e, provavelmente, não seria objeto de autuação. Cumpre observar também que, para regular situações semelhantes à que está sendo debatida nestes autos, quais sejam, transações jurídicas com empresas constituídas no exterior e submetidas a um tratamento de país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado3, em 2009, foi editada a Medida Provisória 472, convertida na Lei 12.249, de 2010, que passou a exigir a comprovação da capacidade operacional da pessoa física ou entidade no exterior de realizar a operação. Todavia, à luz do art. 104 do CTN, tal norma não é aplicável ao caso presente em face do principio da irretroatividade (A lei vigente após o fato gerador, para a imposição do tributo, não pode incidir sobre o mesmo, sob pena de malferir os princípios da anterioridade e irretroatividade. ....” STJ. REsp 179966/RS. Rel.: Min. Milton Luiz Pereira. 1ª Turma.). Chegase assim aos pontos terminais da lide, quais sejam: a redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL da Marcopolo, à medida que a contribuinte teria praticado o subfaturamento, bem como a forma de tributação desses diferenças. Admitindose, em tese, a prática do subfaturamento, verificase que a fiscalização tratou tais valores como omissão de receitas, procedimento que entendo inadequado ao caso. Isso porque não há que se falar em omissão de receitas à medida que não se questiona o preço de venda praticado por MIC e ILMOT, sendo que a Marcopolo é i) obrigada a reconhecer e tributar os resultados positivos apurados pelas suas controladas, pelo método da equivalência patrimonial, tendo em vista a tributação bases mundiais, ii) bem como observar a legislação de preços de transferência. Em relação ao primeiro ponto, tributação dos resultados de controladas no exterior, o artigo 1o. da Lei 9.532/1997, dispõe: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Por sua vez, a Medida Provisória nº 2.15835/2001, Art. 74, estabeleceu que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. O artigo 394 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) cuja matriz legal está no art. 25 da lei 9.249/1995, estabelece: Atividades Exercidas no Exterior Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25); Fl. 5900DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 61 61 (...) § 5º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 2º): I – as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira II – os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária para apuração do lucro real; III – se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV – as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 1966. § 6º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 3º): I – os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II – os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do período base de apuração da pessoa jurídica; III – se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 7º Os lucros a que se referem os §§ 5º e 6º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada e coligada (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 4º). § 8º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 5º). § 9º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 5º e 6º (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 6º). Portanto, os lucros de controladas serão apurados segundo a legislação brasileira, isto é, com base em demonstrativos contemporâneos ao encerramento do período Fl. 5901DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 62 62 base da empresa nacional e com as adições, inclusões e compensações reguladas na lei nacional. Dispõe o art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 que o resultado positivo da equivalência patrimonial deverá compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL apurados em 31 de dezembro e que o resultado negativo deverá ser adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, inclusive por ocasião do levantamento de balanços ou balancetes de suspensão ou redução de pagamentos mensais. Essa disposição é corroborada pelo entendimento desde Conselho, manifestado em diversos julgados a exemplo do acórdão 10196.318 em 13.09.2007, cuja ementa elucida: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL INVESTIMENTOS NO EXTERIOR Os resultados positivos da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, segundo a legislação do Imposto de Renda, não se enquadram na categoria de lucros auferidos pela controladora sujeitos à incidência desse Imposto. Entretanto, com o comando fixado pelo artigo 74 da Medida Provisória n. 2.15835/2001, o resultado positivo dessa equivalência decorrente de investimentos no exterior, integram a base de cálculo do lucro real e da CSLL. Logo, considerando a existência formal e fática de MIC e Ilmot, bem como a participação dessas nas operações, ainda que incipiente, ao constatar irregularidades na apuração dos resultados das controladas no exterior, o procedimento correto do Fisco seria ajustar o valor para fins de tributação na Marcopolo, observando o art. 394 do RIR/99. Quanto a não observância desse procedimento consta o seguinte no Termo de Verificação Fiscal: NÃO TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS AUFERIDOS PELA MIC E ILMOT 117. Um dos principais argumentos utilizados pelas empresas estadunidenses que se valem de empresas subsidiárias como Centrais de Refaturamento para subfaturar preços é que, por legislação local, os lucros auferidos por empresas no exterior são tributados. De forma semelhante, alegou a contribuinte em Impugnação: “56. Ademais, o fato da autoridade fiscal estar totalmente apegada à falsa idéia de conspirações fantasiosas, não permitiu que se ativesse ao fato de que o investimento da Impugnante nas duas empresas que entende a fiscalização não existirem de fato (argumento que será demonstrado e comprovado que não possui qualquer fundamento), foi trazido à tributação por decorrência dos arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249/95.” 118. Uma análise mais criteriosa, entretanto, revela outra situação. Partindo do “Demonstrativo dos Lucros/Prejuízos Acumulados” (folha nº 1741) apresentado pela contribuinte com relação à empresa MIC, extraímos os dados constantes na tabela seguinte, que serviram de base para a análise do Fisco a respeito dos lucros das empresas “intermediárias”. Lucros e Prejuízos da MIC Ano Base Lucros/Prejuízos Lucros/Prejuízos Acumulados 1998 4.320.471,00 4.291.040,00 1999 5.062.802,00 9.353.842,00 Fl. 5902DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 63 63 2000 (871.609,00) 8.482.233,00 2001 (30.060.574,12) (21.578.341,12) 2002 (12.824.870,89) (34.403.212,01) 2003 15.511.821,74 (18.891.390,27) 2004 17.054.509,31 (1.836.880,96) 119. No documento “Articles of Association of Marcopolo International Corp” (folhas nº 1900 a 1927), firmado em abril de 1998 (razão pela qual o quadro acima indica apenas os anos de 1998 em diante), a cláusula 16.2 permitia que, antes de serem estipulados os dividendos, os diretores da empresa constituíssem um Fundo de Reserva com a parcela do lucro que lhes parecesse necessária. Ainda, na cláusula 16.3, estava previsto que dividendos não solicitados por três anos seriam, após resolução dos diretores, reincorporados para benefício da MIC. 120. À época, a legislação vigente só obrigava a tributação de lucros e dividendos quando do pagamento ou crédito em conta representativa da empresa no exterior. Esse fato aliado às duas cláusulas citadas no parágrafo anterior explicam o porquê de os lucros auferidos pela MIC em 1998 e 1999 não terem sido disponibilizados para a Marcopolo (que, à época, já detinha 100% do capital social da MIC): eles somente seriam efetivamente distribuídos se a Marcopolo assim o quisesse. Assim, os lucros da MIC, ao invés de serem tributados no Brasil, ficaram integralmente nas Ilhas Virgens Britânicas, onde não há cobrança de imposto sobre a renda para empresas que, como a MIC, foram estabelecidas em conformidade com o BVI International Business Companies Act (No. 8 of 1984) (art. 111, folhas nº 1776 a 1805). 121. A partir da Medida Provisória nº 215835, de 24 de agosto de 2001, entretanto, os lucros apurados por empresas controladas ou coligadas no exterior passaram a ser, independente de sua efetiva distribuição, considerados disponibilizados, para a controladora ou coligada no País, na data do balanço em que fossem apurados. Percebese que, coincidentemente, em 2001 houve um vultuoso prejuízo, fato que se repetiu em 2002. Criouse, assim, um total de prejuízos acumulados que, em 2004, ainda não havia sido revertido. 122. Lembremos que, no Brasil, a Marcopolo está sob a supervisão da CVM. Não há, porém, qualquer órgão que assegure as informações prestadas em relação à MIC e ILMOT. Não se pode descartar, assim, que despesas e até prejuízos pudessem ser estabelecidos de acordo com os interesses da contribuinte, diminuindo a eventual necessidade de tributação decorrente de equivalência patrimonial. 123. Em relação aos anos 2001 e 2002, tendo em vista o prejuízo apresentado na MIC, não houve qualquer reflexo tributário para a Marcopolo. Em relação aos resultados da ILMOT, a contribuinte informou que eles eram reconhecidos pela MIC (folha nº 1752, item 6). CONTRATOS, HONORÁRIOS DE ADVOGADOS, DESPESAS DE PATROCÍNIO Parte da documentação apresentada pela contribuinte poderia comprovar a efetiva participação da MIC e da ILMOT em atividades diversas, comprovando, dessa forma, sua existência. Entre esses documentos, foram disponibilizados: contratos Fl. 5903DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 64 64 diversos de distribuição e agenciamento comercial, assim como de outros prestadores de serviços (folhas nº 1289 a 1424), comprovantes de pagamentos de honorários a advogados (folhas nº 1278 a 1283), recibo de despesas de patrocínio (folhas nº 1284 a 1285). Entretanto, como não estamos descaracterizando as empresas, e sim a sua intermediação nas operações fiscalizadas, esses dados não são relevantes. O trecho do TVF acima transcrito, especialmente nas partes grifadas, evidenciam que a Fiscalização verificou a possibilidade da tributação dos resultados obtidos pela Marcopolo com a MIC e ILMOT na forma da legislação de regência. Mas, nada fizeram diante da constatação de que “em 2001 houve um vultuoso prejuízo, fato que se repetiu em 2002. Criouse, assim, um total de prejuízos acumulados que, em 2004, ainda não havia sido revertido.” Entendo que nesse ponto residiu o maior equívoco da Fiscalização: o correto seria, sob amparo da legislação vigente, fiscalizar esse prejuízo e glosar eventuais valores deduzidos indevidamente nos resultados. Repito: se a participação de MIC e ILMOT nas operações era mesmo incipiente, sendo que a intermediação foi uma forma da Marcopolo “viabilizar os negócios” ou manter recursos no exterior, então os lucros dessas empresas deveriam ser altos. A partir da MP 215835/2001 não há que se falar em fugir da tributação dos resultados no Brasil via controladas no exterior, a menos que existam outras irregularidades. No tocante ao segundo ponto, verificação dos Preços de Transferência, constatadas operações comerciais com empresas subsidiárias localizadas no exterior, ou empresas situadas em países com tributação favorecida, inexistindo circunstância que caracterize prática de omissão receitas na venda ao adquirente final, deve a Fiscalização apurar eventuais valores tributáveis na forma dos artigos 18, 19 e 24 da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I – Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Fl. 5904DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 65 65 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 9.959, de 27.01.2000, DOU 28.01.2000) III – Método do Custo de Produção mais LucroCPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescidos dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 4º. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º. Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 7º. A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 7º. A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. Art. 20. Em circunstâncias especiais, o Ministro de Estado da Fazenda poderá alterar os percentuais de que tratam os artigos 18 e 19, caput, e incisos II, III e IV de seu § 3º. Art. 24. As disposições relativas a preços, custo e taxas de juros, constantes dos artigos 18 a 22, aplicamse, também às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento. Assim, alem da possibilidade de ajustar o valor tributado dos resultados no exterior, a fiscalização também poderia/deveria verificar o valor dos Preços de Transferência. Procedimento que foi feito, conforme descrito no TVF (verbis): PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: PREÇOS PRATICADOS x PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA 111. Em análise preliminar (parágrafo Error! Reference source not found.), constatouse que os preços praticados nas exportações para a MIC/ILMOT pareciam estar em conformidade com o Método de Preços de Transferência. Entretanto, ao confrontarmos essa adequação com o extenso conjunto de indícios levantados sobre a simulação da intermediação da MIC/ILMOT, nova interpretação emerge. Fl. 5905DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 66 66 112. Como já observado, em casos de simulação, o ilícito é praticado de forma a dificultar a produção de provas diretas. Mais que isso, medidas são tomadas para mascarálo com a aparência de legalidade. A emissão de faturas, a contratação de empresas para emprestar domicílio em outros países, contratos e pedidos eletrônicos são apenas alguns dos meios para proteger o planejamento tributário irregular. 113. Nesse sentido, nada seria mais seguro para coibir análises do Fisco do que se adequar a um mecanismo de fiscalização. Com o devido planejamento tributário, é possível estar em conformidade com os Preços de Transferência, muito embora o importador “intermediário” sequer exista. 114. Ao longo das fiscalizações de 2005 e 2006 e, perceptivelmente, na Impugnação ao auto de 2005, a contribuinte alegou reiteradamente a sua adequação a esse mecanismo, desconsiderando o fato óbvio de que não era essa a constatação do Fisco. Guardadas as devidas proporções, é como se, após a verificação de uma exportação fictícia, o exportador invocasse o Método de Preços de Transferência para alegar a conformidade da operação. 115. Essa demasiada insistência, por si só, caracterizouse como mais um indício de que houve um planejamento tributário ilícito: ao invés de, desde o princípio, a contribuinte buscar comprovar a intermediação da MIC/ILMOT, buscou desviar, nos anos anteriores, a atenção para a sua adequação aos Preços de Transferência e para a impossibilidade de provar a inexistência fática dessas empresas. Constatase pois, que o planejamento tributário elaborado e executado pelo contribuinte foram respeitados os limites dos preços de transferência na forma da legislação em vigor. O conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira abordou ambas as questões em sua declaração de voto (vencido) no processo 11020.004103/200621, acordão 1017.084, de 25/06/2008. Transcrevo seus fundamentos (verbis). Trata o presente feito de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal no Chuí, em desconsideração dos negócios praticados pela Recorrente com suas empresas controladas MIC e ILMOT, localizadas, respectivamente, nas Ilhas Virgens Britânicas – BVI e no Uruguai (na forma de sociedade anônima financeira de investimento SAFI), ambas sujeitas ao regime de tributação favorecida. Antes de se adentrar no cerne dos negócios praticados pela Recorrente e que foram detalhadamente expostos no voto relator vejo como indispensáveis algumas considerações conceituais de forma a poder enquadrar referidos negócios ao direito pertinente. Isso se faz necessário na medida em que a norma é a descrição hipotética de um fato; sendo que, somente após a correta delimitação do instrumento normativo é que se poderá investigar a correta subsunção do fato. E, no presente caso, por se tratar de negócios realizados com empresas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida, é necessário, inicialmente, conhecer o regime jurídico adotado pelo Brasil em referidas operações, para, somente depois, buscar o devido enquadramento dos fatos praticados no caso concreto. A comunidade internacional, desde a fundação da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico – OCDE, vem se ocupando das questões relacionadas à tributação no plano mundial, seja para evitar a dupla pretensão Fl. 5906DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 67 67 tributária sobre o mesmo fato, seja para restringir os negócios comerciais realizados com países que concedam regimes preferenciais de tributação. Em 1998, referido órgão publicou o relatório “Harmful Tax Competition – An Emerging Global Issue”, em que procura “reconhecer a distinção entre os regimes preferenciais de tributação aceitáveis e os danosos”4, bem como os impactos e as medidas de contenção para os países exportadores e importadores de capital. Essa posição da OCDE foi bastante importante: apesar de a organização ser composta pelas maiores economias de mercado do mundo – e, por conseqüência, majoritariamente, países exportadores de capital – a OCDE também recomenda aos países nãomembros – em sua maioria, importadores de capital – a adotarem as recomendações traçadas pela organização. No entanto, muitas vezes, as recomendações traçadas para os países majoritariamente exportadores de capital não interessa aos países majoritariamente importadores de capital. Dessa forma, tratase de uma questão de política fiscal, a ser implementada por cada país, segundo sua soberania e seus interesses comerciais. Embora o Brasil não seja membro da OCDE, não se sujeitando, assim, diretamente às suas diretivas, adotou e tem adotado várias das medidas recomendadas pela organização para controle de seu comércio exterior, sobretudo no que tange ao tratamento tributário deferido a sociedades empresárias que atuam no cenário internacional. A título de ilustração, podemos citar a implementação, em 1996, de normas de controle de preços de transferência e de negócios realizados com Países com Regime de Tributação Favorecida. Conceitualmente, Países com Regime de Tributação Favorecida podem ser entendidos como aqueles que concedem regime de tributação global das pessoas e investimentos nele realizados em patamares inferiores àqueles observados no cenário internacional. No entanto, Hermes Marcelo Huck adverte que: “O conceito de um paraíso fiscal pode variar radicalmente, conforme seja a fonte do qual emana. O Secretário da Receita Federal, um fiscal de impostos, um contribuinte envolvido em negócios internacionais, um jurista, um advogado descreverão o paraíso fiscal ora como a face negra do capitalismo, ora como o algoz das economias dos demais países, ora como uma alternativa para fugir à opressão dos impostos que impedem o livre fluxo de capitais, ou ainda como um poderoso catalisador da economia capitalista mundial. Tão diversas as formas como se apresentam os paraísos fiscais que uma conceituação consensual do fenômeno dependerá muito mais do grau de facilidades ou isenções fiscais que cada um ofereça do que de qualquer outro fator. Não seria exagero afirmar que até os Estados Unidos, cujo empenho de suas autoridades fiscais contra os paraísos de impostos é notório e intenso, podem ser considerados como um deles, se o enfoque da análise se concentrar no tipo de tratamento tributário favorável que a legislação americana concede aos investidores estrangeiros que mantêm recursos depositados em bancos daquele país”5. Diante deste contexto, cabe a cada país, mediante normalização própria, a definição específica de quais critérios irá tomar para que um país seja classificado como de Regime Tributário Favorecido. No Brasil, a questão veio a ser tratada por meio do art. 24A da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que considerou de Fl. 5907DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 68 68 tributação favorecida o país “que não tribute a renda ou que tribute à alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento)”. Assim, a legislação brasileira adotou um critério objetivo, delimitando os países com Regime de Tributação Favorecida com base na alíquota máxima de tributação da renda. Cumpre esclarecer, ainda, que a Lei nº. 9.430/96 sofreu recente alteração, restringindo ainda mais o conceito, por meio da Lei nº. 11.727, de 23 de junho de 2008, que a acrescentou o art. 24A e seu parágrafo único, que dispõe o seguinte: Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase regime fiscal privilegiado aquele que: I – não tribute a renda ou a tribute à alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento); II – conceda vantagem de natureza fiscal a pessoa física ou jurídica não residente: a) sem exigência de realização de atividade econômica substantiva no país ou dependência; b) condicionada ao não exercício de atividade econômica substantiva no país ou dependência; III – não tribute, ou o faça em alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento), os rendimentos auferidos fora de seu território; IV – não permita o acesso a informações relativas à composição societária, titularidade de bens ou direitos ou às operações econômicas realizadas.” Cabe ressaltar que são inúmeras as formas de utilização dos Países com Regime de Tributação Favorecida que permitem a redução de carga impositiva, valendose De mecanismos e procedimentos lícitos, dentro da chamada elisão fiscal 6. Desta forma, cada país, identificado o planejamento empresarial ou negocial com o objetivo de redução de carga tributária, poderá adotar medidas antielisivas para atribuição de efeitos tributários próprios – e diversos – daquele que originalmente seriam aplicáveis. No caso em apreço, interessa a utilização das empresas estrangeiras no formato de trading companies, ou empresa de comercialização. Heleno Torres explica que “estas espécies de empresasbase offshore são constituídas para realizar operações comerciais fora dos países com tributação favorecida, concentrando os lucros decorrentes da suas operações comerciais no exterior com empresas vinculadas), bem como com royalties, patentes e honorários por serviços. Este tipo de empresa encontrase, portanto, representada por filiais intermediárias em operações de compra e venda, que têm como objetivo derivar os ganhos das companhias produtoras e distribuidoras de bens, situadas em território de alta tributação para países de baixa tributação”7. Para lidar com os negócios realizados com referida espécie de empresa, a Lei nº. 9.430/96 definiu o seguinte regime de tributação: Art. 24. As disposições relativas a preços, custos e taxas de juros, constantes dos arts. 18 a 22, aplicamse, também, às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento. E, com a redação dada pela Lei nº. 11.727/08, renovouse o regime aplicável: Fl. 5908DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 69 69 Art. 24A. Aplicamse às operações realizadas em regime fiscal privilegiado as disposições relativas a preços, custos e taxas de juros constantes dos arts. 18 a 22 desta Lei, nas transações entre pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada no exterior. Verifico que, na realização de negócios com empresas ou pessoas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida, a legislação adotou parâmetros mínimos de valores a serem considerados na exportação; e máximos em valores a serem considerados em pagamentos realizados ao exterior, nos mesmos critérios adotados para os preços de transferência. Aqui, importa ressaltar que a legislação não igualou os conceitos de negócios realizados com pessoas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida e preços de transferência. O que a lei fez foi igualar os critérios para controle de ambos, mas para operações conceitualmente distintas. Assim, partindo do pressuposto de que o direito brasileiro trata especificamente na legislação, por meio de norma antielisiva específica, de negócios realizados com empresas em Países com Regime de Tributação Favorecida, não vejo como pretender a desconsideração dos negócios praticados pela empresa nacional com as suas subsidiárias no exterior, a partir da descaracterização destas por serem empresas offshore nos respectivos países onde estão constituídas. Na verdade, todo País com Regime de Tributação Favorecida tem, como pressuposto, a existência de empresas offshore, em que as atividades são limitadas aos negócios voltados para o exterior. No caso dos autos, temos duas empresas subsidiárias integrais da Recorrente, quais sejam, MIC – Marcopolo International Corporation, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas e ILMOT International Corporation S.A., constituída sob a forma de sociedade anônima financeira de investimentos – SAFI, no Uruguai. Do que se extrai dos autos, os negócios realizados pela Recorrente com os adquirentes finais dos produtos eram intermediados por ambas as empresas, sendo que o auto de infração imputou, como rendimento da Recorrente, os valores finais dos negócios realizados por estas empresas intermediárias com os adquirentes no exterior. No entanto, não foi este o tratamento legal dado pelo direito brasileiro para os negócios realizados com empresas offshore estabelecidas em Países com Regime de Tributação Favorecida. A Lei nº. 9.430/96 limitouse à verificar se o preço praticado encontra respaldo nos critérios definidos pelos seus artigos 18 a 22; sendo que, alcançados estes parâmetros mínimos, há de ser respeitado o planejamento negocial8 realizado pelo contribuinte. Portanto, no caso, entendo que não poderia a Fiscalização desconsiderar os negócios realizados pela Recorrente com as suas subsidiárias integrais para além daquilo que a Lei nº. 9.430/96 prevê para a hipótese de empresas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida. Aliás, também não vejo a possibilidade de a Fiscalização buscar, nas empresas MIC e ILMOT, indícios, por exemplo, da existência de funcionários e estrutura operacional compatível com o montante dos negócios realizados, ou até perquirir, de forma oficiosa, a efetiva existência do seu endereço no país estrangeiro. Ora, Fl. 5909DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 70 70 estas são empresas trading comerciais constituídas no formato offshore em Países com Regime de Tributação Favorecida. Por óbvio que elas não possuem o formato estrutural e organizacional de uma empresa comercial ordinária. Ressaltese, ainda, que a forma que o direito brasileiro definiu para lidar com esta categoria de empresas não foi a desconsideração dos negócios por elas realizadas com as empresas residentes, mas sim o controle dos preços praticados nas operações realizadas com estas empresas. Não fosse este argumento suficiente ao reconhecimento de improcedência do lançamento, verifico, ainda, que as empresas MIC e ILMOT tiveram, ainda que parcialmente, seu lucro tributado no Brasil por força da residência da empresa controladora, ora Recorrente. De fato, sendo estas empresas subsidiárias integrais da empresa brasileira, a tributação de seus rendimentos se faz quando da disponibilização do lucro ou por meio da equivalência patrimonial. Assim, não pode a fiscalização, ao promover a desconsideração dos negócios realizados pelo contribuinte, deixar de considerar o reflexo que referidos rendimentos provocaram na contabilidade da empresa no curso dos anos. Isso porque essa desconsideração acaba provocando a dupla incidência do imposto de renda sobre o mesmo rendimento, situação absolutamente contrária à lei e à sistemática de funcionamento do tributo em questão. O mesmo se diga com relação à consideração das despesas das empresas MIC e ILMOT na formação do lucro tributável. Na verdade, o auto de infração desconsiderou parcialmente os negócios da Recorrente com as suas subsidiárias: se por um lado, imputou como rendimento da empresa residente o resultado das vendas das subsidiárias estrangeiras; por outro não levou em consideração as despesas dedutíveis que estas empresas registravam em sua contabilidade. Conforme satisfatoriamente demonstrado pela Recorrente, as subsidiárias MIC e ILMOT, além da intermediação dos negócios na condição de trading companies, também prestavam serviços auxiliares e de pósvenda dos produtos da Recorrente, como, por exemplo, fornecimento de garantia, pagamento de comissão a vendedores finais, etc. Se a Fiscalização pretendia integrar as receitas das subsidiárias na formação do lucro tributável da Recorrente, os referidos custos também deveriam, necessariamente, ser considerados, sob pena de se tributar “receita” como se fosse “renda” da pessoa jurídica. Por estas razões, peço vênia do nobre Conselheiro Relator e dou provimento ao recurso para julgar improcedente o lançamento. Verificase, pois, que o ilustre conselheiro embora vencido, já havia adotado a mesma linha de entendimento que ora manifesto, pelo que peço vênia par adotar seus fundamentos como razões adicionais de decidir. Outrossim, caso o entendimento fosse pela manutenção do lançamento, todos os custos e despesas devidamente comprovados deveriam ser reduzidos da base de cálculo, haja vista que as vendas foram efetivamente realizadas, seja considerando a participação de MIC e ILMOT ou não. Uma vez que a exigência está sendo cancelada em face do erro na forma de tributação, as demais alegações do contribuinte ficam prejudicadas, especialmente quanto a consideração dos custos suportados nas vendas por MIC e ILMOT II – PASSO A APRECIAR AS DEMAIS MATÉRIAS. Fl. 5910DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 71 71 Operações com as empresas KILVERT e KEMPLIVE No tocante à tributação das operações com essas empresas, que somente ocorreu neste processo, a recorrente traz as seguintes alegações: II IMPOSSIBILIDADE DA TESE FISCAL PARA AS EMPRESAS KIL VERT E KEMPLIVE O ponto que deve ser considerado, antes do aprofundamento nas provas materiais do caso, é o fato de que, nesta autuação em particular, a Fiscalização buscou abarcar as operações envolvendo as empresa KILVERT e KEMPLIVE, indicadas pelos Bancos (doc. 01 fls. 4221 a 4223 dos autos) que financiaram as operações de exportação e que não guardam qualquer relação societária com a Recorrente. De fato, as certidões de notário uruguaio traduzidas por escrivão juramentado (doc. 02 fls. 4205 a 4219) demonstraram, de forma inequívoca, que as empresas KILVERT e KEMPLIVE são totalmente independentes e não têm nenhum vínculo societário com a Recorrente, empresas do seu grupo econômico, sócios ou administradores, o que torna ilógica e inaplicável a tese fiscal de que a Recorrente teria auferido vantagem fiscal ilícita nessas operações. Com efeito, o cerne da tese arguida pelas autoridades fiscais para justificar as autuações lavradas contra a Recorrente reside no suposto subfaturamento nas vendas para "paraísos fiscais" e o subseqüente refaturamento a preços de mercado, de forma a deslocar o lucro para locais com menor tributação, porém, mantendose os ganhos financeiros dentro do grupo econômico. Contudo, essa tese não se sustenta logicamente quando as supostas "centrais de refaturamento" não são empresas do mesmo grupo econômico, visto que o lucro auferido por essas empresas no exterior jamais acrescerão o patrimônio da Recorrente ou de suas empresas controladas e coligadas. Mesmo admitindo que as empresas KILVERT e KEMPLIVE constituemse em "centrais de refaturamento", sem qualquer substância, ainda sim, não poderia subsistir a acusação de omissão de receitas contra a Recorrente, uma vez que essas receitas não se incorporaram, quer direta, quer indiretamente, ao patrimônio da Recorrente ou das empresas de seu grupo econômico. Manterse a autuação fiscal para essa situação representa uma afronta às provas trazidas aos autos acerca da correção formal e material das operações praticadas pela Recorrente, mas principalmente um atentado à todo e qualquer princípio e regra constante em nosso sistema tributário, pois implicaria em admitir, sem qualquer indício, prova, fundamento legal ou sequer alegação lógica, que a Recorrente seja tributada e penalizada em razão de um acréscimo patrimonial auferido por um terceiro. Tal questão é particular dos Autos de Infração envolvidos neste processo administrativo e, desta forma, deve ter atenção especial dos N. Conselheiros, haja vista não se fazer presente nos demais processos administrativos julgados na mesma sessão, em que pese a relevância de todos os outros argumentos ora trazidos e constantes nos demais autos. Quanto a esse matéria, a meu ver, cabe integral razão à recorrente. Isso porque não foi trazido aos autos quaisquer elementos de prova de que essas empresas teriam devolvido ao menos parte dos valores recebidos pela intermediação à Marcopolo ou a pessoas ligadas a esta. Fl. 5911DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 72 72 Tal qual asseverou a recorrente, ainda que se possa admitir que as empresas KILVERT e KEMPLIVE constituemse em "centrais de refaturamento", cumpre ao fisco o ônus da prova de que as receitas retornaram à Marcopolo. Às fls. 10 e 11 do TVF, a Fiscalização destaca que foram acrescentadas as exportações intermediadas por KILVERT e KEMPLIVE, pois que obedecem ao mesmo padrão operacional daquelas supostamente intermediadas por MIC e ILMOT. E mais (verbis): “(....) destaquese que: tendose em vista que em procedimentos fiscais anteriores “foram regularmente colhidas provas, de pleno conhecimento da fiscalizada, que apontam para a existência de simulação nas operações de intermediação de exportações da mesma, efetuadas por empresas sediadas em países com tratamento fiscal favorecido (MIC, ILMOT, KILVERT e KEMPLIVE” a fiscalização sempre possibilitou à fiscalizada que apresentasse “quaisquer esclarecimentos e informações que considere afastar os indícios de simulação nas operações de exportação já levantados, ocorridas nos anos de 2004 a 2007, acompanhados, quando for o caso, da documentação pertinente” (fls 390 e 706), ao que a fiscalizada alegou tão somente desconhecer “a existência de provas ou indícios que apontem para a existência de simulação nas operações de exportações realizadas, especialmente para os anos objeto da presente fiscalização.” (fl 403). Reitera a mais absoluta legitimidade e legalidade das operações cujo modelo operacional foi motivado e influenciado pelas condições econômicas, cambiais e burocráticas vigentes no país (fl 404 e 715). Afirma que “as operações de trading fiscalizada efetivamente foram praticadas, estando comprovadas em todos seus aspectos comerciais, financeiros e jurídicos, não havendo razão para se ventilar hipótese de simulação.” (fl 715). Neste tópico, além das alegações, nada apresentou que pudesse desfazer o entendimento desta fiscalização. Por fim, apresentou uma Nota Cosit nº 480, de 21 de dezembro de 2007 (fls 1799 e 1802) que analisa uma sugestão de regulamentação das operações de exportação por conta e ordem de empresas controladas domiciliadas no exterior. Tal Nota conclui pela desnecessidade de tal regulamentação posto que a atual legislação já contempla adequadamente o tema. Não ficou muito claro qual o objetivo da fiscalizada ao apresentar tal Nota Cosit, nem como teve acesso a tal documento, porém destacase, da Nota Cosit, o seguinte excerto: “Por outro lado, poderá a fiscalização, em função da documentação apresentada, concluir tratarse de simulação ante a insuficiência de dados comprobatórios da materialidade das operações em questão, entendimento que poderá gerar autuação e posteriores discussões nas esferas administrativa e judicial.” (...) Mais adiante, às fls. 26 e seguintes do TVF, a Fiscalização volta ao tema e consigna: 5.2.3 DA DOCUMENTAÇÃO INERENTE À SUPOSTA INTERMEDIAÇÃO DE KILVERT/KEMPLIVE Também em relação à intermediação supostamente efetuada por KILVERT e KEMPLIVE a fiscalizada foi intimada a esclarecer o papel destas empresas nas exportações efetuadas. Inicialmente cumpre destacar que a fiscalizada por diversas Fl. 5912DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 73 73 vezes fez questão de tentar demonstrar que nunca teve qualquer relação com KILVERT e KEMPLIVE e que ambas empresas não são nem nunca foram empresas controladas ou coligadas à fiscalizada. Outrossim inicialmente informou que as mesmas tão somente “viabilizaram financeira e comercialmente a exportação dos produtos Marcopolo” (fl 399), sem esclarecer a forma como isso ocorrera. Novamente intimada a detalhar a participação das mesmas, limitouse a dizer que as empresas (KILVERT e KEMPLIVE) realizavam operações de trading, adquirindoos(produtos) da fiscalizada e revendendoos para terceiros (fl 714). Procurou sempre colocar em suas respostas, que KILVERT e KEMPLIVE nunca tiveram qualquer ligação com a fiscalizada. Notese que apesar de ter sido expressamente intimada a explicar detalhadamente a forma como tais operações ocorriam, particularmente sobre a forma como eram estabelecidos os contatos entre os clientes finais e a intermediária e entre esta e a fiscalizada, bem como a motivação para que as exportações tenham se realizado por meio de KILVERT e KEMPLIVE, a fiscalizada é extremamente econômica em suas explicações. Intimada a apresentar documentos da área comercial relacionados com contratos, pedidos, contatos ou correspondências trocadas entre estes importadores (KILVERT e KEMPLIVE) afirmou que dispunha tão somente da “entrada do pedido das referidas mercadorias em seu sistema, bem como as faturas comerciais emitidas pela Marcopolo S A para as mencionadas empresas.” (fl 713) Notese que a tal “entrada do pedido” é um simples extrato interno de pedido, gerado pelo próprio sistema da fiscalizada (fl 1431 a 1433). Ou seja, nada é apresentado que comprove a existência de um suposto pedido de compras efetuado pelas supostas intermediárias KILVERT e KEMPLIVE. Doutro lado, quando intimada a apresentar quaisquer contratos que porventura tenham sido firmados entre KILVERT e KEMPLIVE e a fiscalizada, informa que “não existem contratos de representação comercial firmados entre Marcopolo S A e as empresas KILVERT e KEMPLIVE” (fl 1714). Quer a fiscalizada fazer crer que nos anos de 2004 e 2005, quando exportou mais de 64 milhões à empresa KEMPLIVE, ou nos anos de 2005 e 2006, quando exportou mais de 100 milhões à empresa KILVERT, o fez sem qualquer contrato firmado com as mesmas, e sem que tenha guardado qualquer registro de pedidos, contatos, comunicações, correspondências, ou semelhantes. Da mesma forma que em relação às exportações supostamente intermediadas por MIC/ILMOT, também em relação às exportações efetuadas por KILVERT/KEMPLIVE, a fiscalizada não consegue demonstrar a efetiva participação/intermediação das mesmas nas operações realizadas. Nem mesmo a fiscalizada consegue (por óbvio que não deseja) esclarecer qual o papel destas empresas em suas exportações, vez que ora afirma que elas viabilizaram financeira e comercialmente a exportação, e depois afirma que as empresas adquiriam os produtos e os revendiam para terceiros. 5.2.4. DA MOTIVAÇÃO À SUPOSTA INTERMEDIAÇÃO DE KILVERT/KEMPLIVE Fl. 5913DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 74 74 Muito interessante ainda destacar que a fiscalizada também não consegue demonstrar qual a motivação para o uso das empresas KILVERT e KEMPLIVE (sediadas no Uruguai) em suas operações de exportação, uma vez que a fiscalizada poderia utilizar sua própria controlada no mesmo país, a ILMOT. Claro que inicialmente se poderia imaginar que nestas operações, com a KILVERT e KEMPLIVE, seriam estas empresas que teriam prospectado os clientes e, portanto, intermediado a operação, por conta própria. Mas NÃO é isso que ocorre. Notese que o principal importador final das exportações intermediadas por KILVERT e KEMPLIVE (mais de 60%) é a Polomex, que já era também um dos principais importadores finais das exportações intermediadas pela MIC, controlada da fiscalizada. Destaquese ainda que a Polomex é empresa controlada pela Marcopolo (vide tópico 5.2.6). Ora, como explicar que a uma empresa controlada pela Marcopolo (Polomex) utilizese de uma terceira empresa trading (KILVERT ou KEMPLIVE) totalmente estranha e independente ao grupo Marcopolo, para efetuar suas importações, em detrimento de empresa do mesmo ramo (trading) pertencente ao grupo Marcopolo (MIC ou ILMOT)? Qual o interesse negocial para a fiscalizada nesta operação? Certamente à fiscalizada não é interessante esclarecer tal incoerência. Quando intimada a tanto (fl 1819) simplesmente informa que “a estruturação das operações realizadas para as empresas KILVERT e KEMPLIVE, 2004 a 2006, foi apresentada pelas instituições financeiras à época parceiras da fiscalizada, que indicaram as empresas para viabilizar financeiramente a exportação dos produtos Marcopolo” (fl. 1835). Aliás a fiscalizada insiste na alegação de que as empresas KILVERT e KEMPLIVE lhe teriam sido indicadas por instituições financeiras parceiras. Alegou isto em mais de uma oportunidade. De plano não é crível que a Marcopolo, empresa brasileira líder nacional na fabricação de carrocerias de ônibus e uma das maiores fabricantes de ônibus do mundo, se submeteria à ingerência de um banco que determinando à qual empresa deve a Marcopolo vender/exportar sua produção. Para tentar demonstrar esta “indicação”, apresentou uma carta do Bank Boston (fl 1435), em que este traz algumas informações da KILVERT. Ocorre que tal correspondência foi uma resposta a um questionamento da própria Marcopolo, ou seja, não demonstra uma imposição/indicação da instituição financeira (Bank Boston) para realização das operações da fiscalizada. Com efeito, depois de intimada (fl 1818, item 5) a apresentar a correspondência que dá origem à resposta do Bank Boston, a fiscalizada a apresenta, onde notase que é a mesma quem solicita as informações ao Bank Boston, e não o contrário (fl 1925). Além disso, a suposta “indicação” data de 26/10/2005, enquanto a fiscalizada tem exportações à KILVERT desde fevereiro de 2005. Antes disso a fiscalizada já houvera providenciado, em dezembro de 2004, uma procuração da KILVERT para que funcionários da Marcopolo pudessem, em nome da KILVERT, assinar documentos necessários às operações de exportações (vide tópicos 5.2.9 Faturas Emitidas Pela Marcopolo e pela MIC/ILMOT/KILVERT/KEMPLIVE e 5.2.11 Mandatários da MIC/ILMOT/KILVERT/KEMPLIVE e Pagamentos de Remuneração). Ora, se a fiscalizada estivesse mesmo operando com a KILVERT por força de imposição ou indicação da instituição financeira (BANK BOSTON) efetuada por meio da correspondência apresentada, datada de outubro de 2005, Fl. 5914DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 75 75 porque desde de dezembro de 2004 a fiscalizada já mantinha relações com esta suposta empresa? Outro forte indício de ausência de motivação negocial nas supostas intermediações efetuadas por KILVERT/KEMPLIVE reside no fato de que diversas destas intermediações foram efetuadas sem qualquer ganho por parte de KILVERT e KEMPLIVE. Notese que no caso da KEMPLIVE, segundo planilha apresentada pela fiscalizada e validada pelo fisco, das 602 DDEs analisadas, 181 não tiveram ganho por KEMPLIVE, ou seja, a suposta intermediária revendeu o produto pelo mesmo preço pelo qual o tinha adquirido, ou mesmo por um valor um pouco menor. No caso da KILVERT, das 853 DDEs, em 561 delas não houve qualquer ganho para a KILVERT. Ora, caso KILVERT e KEMPLIVE, nas operações com a fiscalizada, fossem empresas totalmente independentes, que simplesmente compram e revendem os produtos da fiscalizada, por que motivo então realizariam tão expressivo número de operações sem qualquer ganho? Caridade? Por certo que não. Outrossim, muito embora a fiscalizada não queira apresentar a real motivação para a utilização de intermediárias estranhas ao grupo Marcopolo para a realização destas operações, é muito provável que o real motivo para tanto tenha sido novamente tributário. Certo é que, caso tais operações tivesse sido intermediadas pela ILMOT ou MIC, ao invés de KILVERT ou KEMPLIVE, aquelas empresas poderiam vir a ter lucros a serem tributados pela fiscalizada no país, ou no mínimo, no caso da MIC, diminuiria consideravelmente o prejuízo de sua controladora Marcopolo Latino América S.A, prejuízo este que permite que seus (MIC) resultados não sejam tributados no Brasil (vide tópico 5.2.14 Outros Indícios – Não Tributação dos Resultados). De qualquer forma, o que resta evidente deste tópico e do anterior, é que a fiscalizada não comprova a existência de qualquer intermediação das empresas KILVERT ou KEMPLIVE em suas exportações. Tampouco consegue comprovar qualquer relação comercial sua com estas empresas, e por fim, não demonstra qualquer motivação lógica ou intuito negocial para estas operações, o que consolida o entendimento desta fiscalização, de que também nas operações com KILVERT e KEMPLIVE, a exemplo das operações com MIC e ILMOT, há simulação objetivando manter valores a margem da tributação. Mas vejamos mais: (...) Ora, quando a fiscalizada afirma que sequer conhecia os dirigentes das SAFIs Uruguaias para as quais teria supostamente exportado mais de R$ 164.000.000,00 no período de 2004 a 2006, somado ao fato de que os fundadores destas empresas aparentemente tinham por atividade corriqueira a fundação de SAFIs uruguaias, provavelmente para transmitilas a estrangeiros, reforçase a convicção de tais exportações não passavam de simulação. Vide ainda o anexo II deste relatório. (...) O que se está a demonstrar, e que não resta claro o porquê de haver a necessidade de intermediação nessas operações, uma vez que é óbvio que importadores finais com estreitos laços com a fiscalizada contratam suas importações diretamente com a mesma. Afinal de contas, para o comprador final (Marcopolo South Africa ou, analogamente, Polomex), o preço final poderia ser o mesmo se a exportação fosse Fl. 5915DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 76 76 realizada diretamente com a Marcopolo. Ao mesmo tempo, o lucro do sujeito passivo poderia ser maior, sem a necessidade de dividir parte de sua receita com uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas ou no Uruguai. Apesar desses aparentes contrasensos, a Marcopolo continua afirmando que as exportações cujo importador final era a Brasa, a Marcopolo South África e a POLOMEX, contaram com a efetiva participação de representantes comerciais ou ainda de KILVERT e KEMPLIVE. Diante da óbvia existência de vínculos entre a Polomex (importador final de mais da metade das intermediações de KILVERT e KEMPLIVE), Marcopolo South Africa, Brasa e a Marcopolo, não se delineiam motivos que justifiquem a intermediação da MIC/ILMOT ou de KILVERT e KEMPLIVE, restando prejudicados os argumentos do sujeito passivo. O objetivo da transcrição de todo esse trecho do TVF e deixar claro neste voto a convicção deste Relator quanto ao caráter presuntivo da autuação. Ainda que se concorde com a linha acusatória desenvolvida pelo Fisco, Repito, a meu ver, seria necessário fazer prova de que o valor das intermediações KILVERT e KEMPLIVE, ou ao menos parte desses, foram vertidos ao grupo Marcopolo. Os indícios são relevantes, mas as justificativas da contribuinte também são consistentes. Não se pode admitir que as operações com KILVERT e KEMPLIVE foram simuladas sem uma única prova direta dessa fraude. É certo que a jurisprudência admite o lançamento calcado em presunção simples, conforme trazido na decisão de 1ª . instância, mas reitero: inexiste nos autos quais indícios de que as empresas KILVERT e KEMPLIVE de alguma repassaram os recursos ao Grupo Marcopolo. Sequer foram apuradas ingressos de recursos de origem não justificada na Marcopolo que pudessem ser relacionados a essas operações. O Fisco não pode esperar que a Marcopolo faça prova a seu desfavor. Estivéssemos tratando de uma glosa de despesas ou de custos, o ônus seria da Marcopolo. Mas nesse caso devo admitir que a Fiscalização exigiu provas que ela deveria ter produzido. Repito: se KILVERT e KEMPLIVE são empresas de fachada da própria Marcopolo e sendo certo que os pagamentos realmente foram efetuados para essa empresas, então estamos diante de uma fraude, a qual não pode ser presumida. Logo, para efetuar a tributação o fisco deveria mesmo fazer prova de que por alguma forma KILVERT E KEMPLIVE repassaram ao menos parte desses valores para o Grupo Marcopolo, pelo que comprovaria não só a omissão de receitas como a fraude. Acerca do ônus da prova em matéria de omissão de receitas, este Conselho tem entendimento sedimentado de que cabe ao Fisco trazer aos autos elementos desse prática, ainda que indiretos. Nesse sentido é farta a jurisprudência administrativa. Vejase: CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à fiscalização, como regra geral, reunir os elementos caracterizadores da infração atribuída ao sujeito passivo. ACÓRDÃO 110300.136 de 09.03.2010. ÔNUS DA PROVA Nos casos de lançamento por omissão de receitas, excetuando se as presunções legais, incumbe a Fazenda provar os pressupostos do fato gerador Fl. 5916DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 77 77 da obrigação e da constituição do crédito. Não se comprovando a existência efetiva da omissão cancelase o lançamento. ACÓRDÃO 10807839 em 16/05/2004. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. ACÓRDÃO 10320.419 de 19/10/2000 Concluo, pois, que as exigências calcada em omissão de receitas envolvendo as operações com KILVERT E KEMPLIVE deve ser cancelada por insuficiência no conjunto probatório apresentado pelo Fisco. No que concerne a incidência do IRFonte, a total incompatibilidade da acusação Fiscal com as operações envolvendo KILVERT e KEMPLIVE, pois, admitindose por hipótese que as operações forma simuladas, sendo essas empresas meramente “veículo”, então, inexistiu pagamento da Marcopolo para as mesmas, salvo por eventual “prestação de serviços” (que evidentemente não seria sem causa). Concluo, pois, que tanto a tributação em face de omissão de receitas, quanto pelo acusação de pagamento se causa, envolvendo as operações com as empresas KILVERT e KEMPLIVE devem ser canceladas. Multa de oficio isolada em concomitância com a multa de oficio proporcional Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009,cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verifica se que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;”(...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente;” Fl. 5917DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 78 78 Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Registrese que, no entendimento deste Relator, os fundamentos acima se aplicam mesmo após a alteração no artigo 44 da Lei 9.430/1996, estabelecida na Lei 11.941/2009. Fl. 5918DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 79 79 Portanto, cumpre afastar a exigência da multa isolada em concomitante com a multa de oficio proporcional, na hipótese de ser restabelecida a exigência do principal. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de: i) afastar a aplicação da multa de oficio qualificada, reduzindo ao percentual básico de 75%; ii) afastar a aplicação da multa de oficio isolada, concomitante com a multa de oficio proporcional; iii) rejeitar as demais preliminares; iv)cancelar a tributação do IRFonte, pagamento sem causa, pela inocorrência do fato gerador; v) cancelar a tributação do IRPJ e CSLL por erro na forma de constituição do crédito tributário e insuficiência de provas. É este o voto condutor do presente Acórdão. Antônio José Praga de Souza – Relator” Conclusão Diante de todo, voto no sentido de manter o cancelamento da exigência, tendo em vista o erro flagrante da fiscalização quanto a forma de tributação dessas operações, Conforme voto transcrito anteriormente. Em face do exposto, manifestome por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e NEGAR PROVIMENTO . JORGE CELSO FREIRE DA SILVA – Relator Declaração de Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN Primeiramente esclareço que a presente declaração de voto é apresentada considerando que pedi vistas do processo antes que o eminente relator tivesse apresentado o seu voto e, pela complexidade da matéria, entendi por bem preparar o presente voto. Fl. 5919DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 80 80 Rendo as minhas homenagens ao ilustre relator e faço as minhas considerações sobre o caso em julgamento. No presente caso, a fiscalização apurou omissão de receitas, caracterizada por suposto subfaturamento de exportações, perpetrada por meio de alegada simulação de intermediação de empresas controladas no exterior. Nesta sessão estão sendo julgados os três autos de autos de infração lavrados pela douta fiscalização, para a exigência de IRPJ, CSLL e IRRF, relativos aos anoscalendário de 2001 a 2003. Em breve síntese dos fatos temse que a Fiscalização concluiu que a empresa contribuinte utilizava as sociedades vinculadas MIC (Marcopolo International Corporation) e a Ilmot International Corporation, situadas, respectivamente, nas Ilhas Virgens Britânicas e no Uruguai, como “centrais de refaturamento”, funcionando como intermediárias, formais, em negócios que, efetivamente, eram realizados entre a Marcopolo e seus importadores finais. Quantificouse a omissão de receitas em cada operação de exportação, pela diferença entre o valor da fatura emitida pela intermediária no exterior (MIC ou Ilmot) para o importador final e o valor da fatura emitida pela Marcopolo para a Mic ou para a Ilmot. Cabe desde logo esclarecer que tais diferenças são, em média, no importe de 12% entre o valor praticado pela Marcopolo para as suas controladas e das suas controladas para as clientes. Assim, importante frisar que o valor relevante do conjunto dos autos de infração se dá porque foi cobrado o valor do imposto relativo a esta diferença, a respectiva CSL sobre a diferença, a multa de 150% em vista de alegada simulação, multa de 50% em razão de obstrução à fiscalização, além da exigência do IR Fonte sobre os valores omitidos (o que sequer tinha base legal). Daí que num primeiro momento, em face do relevante valor dos autos, pode aparentar que haveria uma grande diferença praticada entre os valores praticados entre a primeira e a segunda operação, o que, ao se verificar nos autos, não procede. O acórdão recorrido, proferido pela 2° Turma Ordinária da 4° Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, deu provimento integral ao recurso voluntário do contribuinte, para afastar a aplicação da multa de ofício qualificada, reduzindoa para 75%, e cancelar a tributação do IRRF, por inocorrência do fato gerador, e para cancelar a tributação do IRPJ e da CSLL, por erro na forma de constituição do crédito tributário. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fundamento em divergência jurisprudencial relativamente à (a) caracterização da simulação ou planejamento fiscal e quanto à (b) questão referente à qualificação da multa de ofício pela configuração de simulação, conforme previsto no artigo 44, inciso II, §1°, da Lei n° 9.430/96 (isto é, não se discute mais a aplicação da multa agravada e do IR Fonte). Discorreu a Recorrente, no sentido de que, conforme os julgados apresentados como paradigmas, o acórdão recorrido não andou bem na qualificação jurídica Fl. 5920DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 81 81 dos fatos apurados pela fiscalização, os quais, em verdade, configuram, inequivocamente, simulação. Sustentouse que, na hipótese, não seria o caso, propriamente, de reexame das provas constantes dos autos, mas sim de sua qualificação jurídica, tratandose de questão de direito, e não de fato. Por outro lado, no que se refere à multa qualificada, discorreu, em síntese, no sentido da caracterização da simulação, o que enseja a multa mais grave. Pois bem, primeiramente, importa tecer algumas considerações sobre o âmbito do conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Inicialmente, a questão do reexame de provas. Firme é o meu entendimento de que, no julgamento do recurso especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim como consolidado na súmula n° 07 do Superior Tribunal de Justiça, não pode declinarse sobre o conjunto probatório presente nos autos, a fim de novamente avaliálo, no sentido de constatar se determinado fato encontrase ou não comprovado. A Câmara Superior de Recursos Fiscais é campo de discussão de questões jurídicas, de direito. A avaliação probatória, no âmbito do CARF, vai até a segunda instância. Isso não quer dizer que, aqui, não se pode verificar, para fins de decidir sobre uma questão jurídica, aquilo que se tem, no decorrer do processo, por inequivocamente comprovado. Esta inequívoca comprovação depreendese, precipuamente, do teor do acórdão recorrido, de segundo grau. Reparese bem a sutileza da questão. Uma vertente é a Câmara Superior de Recursos Fiscais mergulhar no exame das provas presentes nos autos (documentos, laudos) e, de tal exame, concluir que determinado fato encontrase provado ou não, em contraposição ao explicitado no acórdão de segunda instância. Isto não é aceitável em sede de recurso especial. Outro o cenário, contudo, em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face do narrado no acórdão recorrido, e nele tido por comprovado ou não, emite um juízo jurídico diverso daquele emitido pela órgão a quo, mas desde que sobre as mesmas premissas fáticas. Neste caso, não se tem propriamente um reexame do material de conhecimento (dos fatos e provas), mas sim uma reavaliação jurídica daqueles fatos já explicitados no acórdão recorrido. É neste sentido que o Superior Tribunal de Justiça vem interpretando o seu próprio entendimento consolidado no enunciado n° 07 da sua súmula jurisprudencial. Cito alguns julgados: “PENAL. RECURSO ESPECIAL. ART. 168A DO CÓDIGO PENAL. REEXAME E REVALORAÇÃO DE PROVAS. SÚMULA Nº 07/STJ. I – A revaloração da prova ou de dados explicitamente admitidos e delineados no decisório recorrido não implica no vedado reexame do material de conhecimento (Precedentes). Fl. 5921DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 82 82 II Não se conhece de recurso especial que, para o seu objetivo, exige o reexame da quaestio facti (Súmula nº 7 STJ). Recurso não conhecido. (REsp 683702/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 01/03/2005, DJ 02/05/2005, p. 400)” AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ROUBO DE CARGA DEMANDA REGRESSIVA DE SEGURADORA CONTRATADA PELO PROPRIETÁRIO DOS BENS EM FACE DA TRANSPORTADORA DECISÃO MONOCRÁTICA PROVENDO O RECLAMO DA DEMANDADA, PARA ISENTÁ LA DO DEVER DE INDENIZAR. INSURGÊNCIA DA AUTORA 1. A REDEFINIÇÃO DO ENQUADRAMENTO JURÍDICO DOS FATOS EXPRESSAMENTE MENCIONADOS NO ACÓRDÃO HOSTILIZADO CONSTITUI MERA REVALORAÇÃO DA PROVA DELIBERAÇÃO UNIPESSOAL EM CONFORMIDADE AO ENTENDIMENTO CRISTALIZADO NA SÚMULA N. 7 DO STJ 2. SUBTRAÇÃO DA CARGA, MEDIANTE AÇÃO ARMADA DE ASSALTANTES CAUSA INDEPENDENTE, DESVINCULADA À NORMAL EXECUÇÃO DO CONTRATO DE TRANSPORTE, QUE CONFIGURA FATO EXCLUSIVO DE TERCEIRO, EXCLUDENTE DA RESPONSABILIDADE CIVIL ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ALUSÃO, ADEMAIS, NO ARESTO ATACADO, DA ADOÇÃO DE PROVIDÊNCIAS CONCRETAS POR INICIATIVA DA TRANSPORTADORA VISANDO À PREVENÇÃO DA OCORRÊNCIA 3. RECURSO DESPROVIDO. (AgRg no REsp 1036178/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 13/12/2011, DJe 19/12/2011) Neste julgado, o Min. Marco Buzzi esclarece que a “reincursão no acervo fático probatório mediante a análise detalhada de documentos, testemunhos, contratos, perícias, dentre outros” constitui reexame de prova, não admissível em recurso especial. Por outro lado, “a revaloração da prova constitui em atribuir o devido valor jurídico a fato incontroverso sobejamente reconhecido nas instâncias ordinárias, prática francamente aceita em sede de recurso especial”. Pois bem, no presente caso, é de se fixar se a pretensão recursal da Fazenda envolve a revaloração jurídica da prova ou se demanda uma verdadeira reincursão no material probatório. Pareceme que, no caso, só é possível analisar o recurso sob a ótica da revaloração jurídica da prova, apesar de a pretensão da Recorrente ser o de uma verdadeira reincursão no material probatório. Veja, há que se distinguir entre o error facti judicando (julgamento errôneo da prova) e o error in judicando (erro de julgamento). Somente este pode ensejar o recurso especial; aquele, não. Naquele, ao órgão ad quem caberia avaliar as provas presentes nos autos. Neste, o órgão ad quem analisa o julgamento em relação aos fatos reputados comprovados pelo órgão a quo. Ora, no presente caso, a recorrente fundamenta o seu pleito no error facti Fl. 5922DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 83 83 judicando, uma vez que a sua intenção é que este órgão julgador considere como não comprovado algo que o órgão a quo entendeu comprovado. Inequívoco o reexame da prova, não admissível, na linha do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial. Tal questão fica clara pela análise dos termos do Recurso Especial apresentado. De fato, conforme se depreende dos acórdãos paradigmas, temse que, em síntese, se negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte com base na ausência de comprovação, não da existência das empresas intermediárias situadas no exterior, mas sim da sua efetiva participação na operação de exportação. Entendeuse, no acórdão paradigma, que o contribuinte não apresentara provas que atestassem, de forma clara, tal participação. Tenhase por presente as seguintes passagens: “Cabe ressaltar, também, que, como foi reiteradamente afirmado tanto pela autoridade fiscal responsável pelo feito como pela a julgadora de primeira instância, no caso vertente, não se encontra em discussão a existência ou não das empresas controladas pela Recorrente (MIC e ILMOT), mas, sim, se tais empresas efetivamente promoveram a revenda, no exterior, de produtos adquiridos de sua controladora no Brasil (a Recorrente)” (acórdão n°10517.083). “8. Não se discute nos presentes autos que uma empresa transnacional brasileira não possa vislumbrar, além de benefícios tributários, outras razões para realizar suas operações por intermédio de centros financeiros offshores. O que efetivamente está em pauta é que, instada a comprovar (repisese, com documentação hábil e idônea) que suas controladas efetivamente adquiriram e revenderam os seus produtos, a Recorrente não traz ao processo sequer um único documento capaz de revelar, de forma efetiva, relação comercial entre suas controladas e os destinatários finais dos referidos produtos” (acórdão n° 10517.084). No acórdão recorrido, entendeuse que o contribuinte logrou comprovar, consoante os termos do referido acórdão, ainda que de forma incipiente, a efetiva intermediação das operações. Analisando o acórdão recorrido em sua totalidade inclusive com as declarações de voto, pareceme que as provas foram analisadas e de forma detalhada, inclusive com citação de documentos para se concluir que a contribuinte logrou comprovar, ainda que de forma inicial, a existência das operações. Enquanto que a fiscalização não logrou comprovar que as citadas operações de fato não existiram. Assim, não vejo como fazer revaloração das provas. Mas, desde logo esclareço que se eu tivesse que fazer nova análise das provas seria para concluir que a comprovação não foi incipiente, mas robusta e efetiva. Mas o acórdão recorrido não se resumiu à questão da comprovação das operações, que levou ao cancelamento do lançamento do IRPJ e da CSLL. A este resultado Fl. 5923DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 84 84 chegouse, sobretudo, porque se entendeu, no acórdão recorrido, ter havido erro na constituição do crédito tributário. Com efeito, estabeleceuse, no acórdão recorrido que: “Logo, considerando a existência formal e fática de MIC e Ilmot, bem como a participação dessas nas operações, ainda que incipiente, ao constatar irregularidades na apuração dos resultados das controladas no exterior, o procedimento correto do Fisco seria ajustar o valor para fins de tributação na Marcopolo, observando o art. 394 do RIR/99. (...) O trecho do TVF acima transcrito, especialmente nas partes grifadas, evidenciam que a fiscalização verificou a possibilidade da tributação dos resultados obtidos pela Marcopolo com a MIC e ILMOT na forma da legislação de regência. Mas, nada fizeram diante da constatação de que ‘em quem 2001 houve um vultuoso prejuízo, fato que se repetiu em 2002. Criouse, assim, um total de prejuízos acumulados que, em 2004, ainda não havia sido revertido’. Entendo que nesse ponto residiu o maior equívoco da Fiscalização: o correto seria, sob amparo da legislação vigente, fiscalizar esse prejuízo e glosar eventuais valores deduzidos indevidamente nos resultados. Repito: se a participação de MIC e ILMOT nas operações era mesmo incipiente, sendo que a intermediação foi uma forma da Marcopolo “viabilizar os negócios” ou manter recursos no exterior, então os lucros dessas empresas deveriam ser altos. A partir da MP 215835/2001 não há que se falar em fugir da tributação dos resultados no Brasil via controladas no exterior, a menos que existam outras irregularidades. No tocante ao segundo ponto, verificação dos Preços de Transferência, constatadas operações comerciais com empresas subsidiárias localizadas no exterior, ou empresas situadas em países com tributação favorecida, inexistindo circunstância que caracterize prática de omissão de receitas na venda ao adquirente final, deve a fiscalização apurar eventuais valores tributáveis na forma dos artigos 18, 19 e 24 da lei n° 9.430/1996. Citouse, no acórdão recorrido, expressamente como “razões adicionais de decidir” o voto do Ilustre Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, vencido no acórdão n° 1057.084, um dos paradigmas, do qual cito a seguinte passagem: “Do que se extrai dos autos, os negócios realizados pela Recorrente com os adquirentes finais dos produtos eram intermediados por ambas as empresas, sendo que o auto de infração imputou, como rendimento da Recorrente, os valores finais dos negócios realizados por estas empresas intermediárias com os adquirentes no exterior. Fl. 5924DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 85 85 No entanto, não foi este o tratamento legal dado pelo direito brasileiro para os negócios realizados com empresas offshores estabelecidas em Países com Regime de Tributação Favorecida. A Lei n° 9430/96 limitouse a verificar se o preço praticado encontra respaldo nos critérios definidos pelos seus artigos 18 a 22; sendo que alcançados estes parâmetros mínimos, há de ser respeitado o planejamento negocial realizado pelo contribuinte. (...) Ressaltese, ainda, que a forma que o direito brasileiro definiu para lidar com esta categoria de empresas não foi a desconsideração dos negócios por elas realizadas com as empresas residentes, mas sim o controle dos preços praticados nas operações realizadas com estas empresas. Não fosse este argumento suficiente ao reconhecimento de improcedência do lançamento, verifico, ainda, que as empresas MIC e ILMOT tiveram, ainda que parcialmente, seu lucro tributado no Brasil por força da residência da empresa controladora, ora recorrente”. Verificase, desta forma, que o acórdão recorrido ao cancelar o lançamento tributário sustentouse em quatro fundamentos i) a existência das operações realizadas pelas empresas MIC e ILMOT (entendendo que o fisco não conseguiu comprovar a inexistência de tais operações); ii) a empresa recorrida obedeceu as regras de preço de transferência; iii) que o lançamento foi feito de forma errônea pois “ A partir da MP 215835/2001 não há que se falar em fugir da tributação dos resultados no Brasil via controladas no exterior, a menos que existam outras irregularidades” de tal modo que se houve a alegação de que em 2001 houve um vultoso prejuízo, caberia a fiscalização ter fiscalizado esse prejuízo e glosar eventuais valores deduzidos indevidamente nos resultados; iv) ademais, mantido o lançamento, todos os custos e despesas devidamente comprovados deveriam ser reduzidos da base de cálculo, pois as vendas foram efetivamente realizadas. Assim, feitas estas considerações, em especial que a argumentação de que não nos cabe mais em sede de CSRF a nova análise das provas e a fim de manter a coerência com o quanto até agora exposto, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais deve restringir a sua análise aos dados fáticos expressamente delineados no acórdão recorrido, cuja prova explicitouse. Pois bem, no acórdão recorrido, consignouse que, conforme a fiscalização, “em momento algum foi desconsiderada a personalidade jurídica das empresas MIC e ILMOT, tampouco a existência formal e material de ambas, e principalmente, a efetividade dos negócios”. Considerouse, por outro lado, no acórdão recorrido que, efetivamente, o contribuinte, pelos elementos de prova coligidos aos autos, logrou comprovar a intermediação das operações por parte da MIC e da ILMOT. Devo ainda considerar que o conhecimento do Recurso Especial se dá, em especial, porque as premissas fáticas foram similares em todos os lançamentos, tanto os que originaram o acórdão recorrido como os acórdãos paradigmas, além disso as demais questões de direito e que fundamentaram o acórdão recorrido também restaram analisadas nos acórdãos Fl. 5925DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 86 86 paradigmas, de tal modo, que ainda que de forma menor do que a pretendida pela recorrente, a divergência se faz presente. Assim concluindo a questão do conhecimento do Recurso Especial, no que tange à análise das provas, entendo que o que se deve considerar para a análise do mérito recursal é o dado reputado como comprovado, e que, portanto, deve servir de premissa para o desfecho do julgamento do recurso especial. Partese, portanto, das seguintes premissas fáticas: a MIC e a ILMOT realmente existem, material e formalmente; as operações de exportação efetivamente ocorreram; a MIC e a ILMOT participaram, intermediando, as operações de exportação. Neste sentido, não se vislumbra presente, primeiramente, a caracterização da simulação negocial. Com efeito, o acórdão recorrido reputou comprovada a efetivação da atividade de intermediação negocial promovida pelas empresas MIC e ILMOT, dentro daquilo que lhes cabia (atividade de gestão, consistente, fundamentalmente, em prospecção, contato com os clientes, gestão financeira e de assistência técnica e garantia dos produtos fabricados pela empresa autuada). A base para tal constatação foi justamente os elementos de provas trazidos aos autos pelo contribuinte, que atestaram a perpetração daquelas atividades, por meio, por exemplo, de contas telefônicas, correspondências comerciais, comprovantes de despesas de viagens dos gestores comerciais para visitas a clientes e representantes comerciais, comprovantes de despesas de assistência técnica e de garantia dos produtos. Estas provas comprovaram a intermediação desconsiderada pela fiscalização. Não nos cabe, aqui, mergulhar na análise das provas constantes dos autos, pois que isto constituiria o indevido reexame probatório. Cabenos apenas considerar aqueles dados retratados no acórdão recorrido. Caso contrário, este órgão julgador estaria a analisar um eventual “julgamento errôneo da prova” (error facti judicando), o que, nos termos do acima exposto, não é cabível em sede de recurso especial. É neste sentido que se deve analisar o recurso especial: estando comprovadas a existência das empresas MIC e ILMOT e a efetividade da intermediação dessas empresas nas operações de exportação, estaria presente a simulação negocial? Pareceme que não. A autuação deuse porque a fiscalização compreendeu que o contribuinte autuado utilizou as empresas MIC e ILMOT para simular uma intermediação entre a Marcopolo (autuado) e seus importadores finais, funcionando, aquelas empresas como “centrais de refaturamento”. Com a perpetração de tal simulação, a empresa tinha por efeito redução relevante nas suas receitas de exportação (na formação da base de cálculo do IRPJ e CSLL) e na remessa de divisas ao exterior. Sucede que, tendo por comprovada a efetiva participação das empresas intermediárias nas operações de exportação, não se tem por configurada a simulação. Com efeito, a simulação prevista, no Código Civil, nos seguintes termos: Fl. 5926DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 87 87 “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado” A simulação importa, por sua própria natureza, a concretização aparente de um negócio jurídico que, em verdade, não ocorre, no que tange ao próprio negócio jurídico, ou no que se refere aos seus participantes. Nele, temse uma intenção em desconformidade com o ordenamento jurídico. Nestor Duarte, discorrendo sobre o instituto, ensina que: “Para se caracterizar a simulação são necessários a intencionalidade da divergência entre a vontade e a declaração, o acordo entre as partes e o objetivo de enganar. (...) No rol dos negócios simulados, encontramse aqueles que aparentam negócio inexistente ou diverso do verdadeiro; os celebrados com pessoa diversa da que auferirá o proveito; os que encerram falsidade ideológica por conter disposições não verdadeiras; e os documentos com data anterior ou posterior à verdadeira”. 1 A simulação configurase, deste modo, na concretização de um negócio jurídico que encoberta alguma violação à lei. Miguel Delgado Gutierrez, discorrendo sobre o assunto, discorre no seguinte sentido: “Para que ocorra a simulação há a necessidade de dos seguintes requisitos: a) conluio entre as partes, na maioria dos casos configurando uma declaração bilateral de vontade; b) não correspondência entre a real intenção das partes e o negócio por elas declarado, apenas aparentemente querido; c) intenção de enganar, iludir terceiros, inclusive o Fisco. Heleno Tôrres põe em relevo a presença do conluio entre as partes na simulação. Segundo ele, a relação simulatória é regida 1 DUARTE, Nestor. Código Civil Comentado. Coordenador Ministro Cezar Peluso. Manole: São Paulo. 2011.p. 134. Fl. 5927DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 88 88 por duas normas jurídicas, a que cria o negócio simulado e a que estipula o ‘pacto simulatório’. As partes, no exercício da sua autonomia privada, estabelecem uma específica relação entre elas, decorrente do concurso de declarações de vontade, visando criar uma aparência de negócio jurídico legítimo, com causa própria a terceiros de boafé. Paralelamente, as mesmas partes, também por um ato de vontade, colocam outra norma jurídica no ordenamento, cujo objeto é a manifestação de declaração contrária ao ato aparente e desconhecida dos terceiros de boafé. Essa seria a norma do ‘acordo simulatório’. O acordo simulatório é necessário para haver simulação. Tulio Rosembuj ensina que a simulação sempre se apóia em um convênio, pacto, entendimento entre vários sujeitos. Na simulação, a divergência entre o que as partes querem e o que declaram é produzida deliberadamente, em decorrência de acordo entre os contratantes ou entre o declarante e o destinatário”2 Ora, devese fazer, necessariamente, uma diferenciação, em termos de simulação: dentro do negócio jurídico simulado, há um desvio de cunho subjetivo, entre a vontade efetivamente declarada e a vontade real. Este desvio importa a caracterização de um conluio, entre as partes, com vistas a enganar terceiros, encobrindo um negócio que realmente se quer perpetrar, por outro. Há simulação, em si, do negócio, quando há intento de ludibriar terceiros. Outro fato é a realização de um negócio jurídico, com a intenção de realização efetiva desse negócio jurídico, ainda que desse negócio, como ocorre no presente caso, importe em uma economia tributária em relação aos interessados. Realidade outra haveria se estivéssemos a tratar de um negócio que apenas formalmente existia, sem a sua concretização material. Não é o caso, pois que temos como premissa o fato de que, substancialmente, as intermediações realmente ocorreram, conforme depreendemos do acórdão recorrido. O contribuinte agiu de maneira legítima, de modo que concordo com a conclusão exposta no acórdão recorrido, pelo relator, de que o contribuinte realizou um planejamento fiscal legítimo. O contribuinte juntou farta documentação, com laudos, documentos fiscais, procedimentos aceitos pelas fiscalizações federais e estaduais, e, consoante meu entendimento provou efetivamente a ocorrência das operações (ainda que, como salientado, esta análise não mais é objeto deste recurso especial). Ressaltese que, para a caracterização da simulação, fazse necessário que os atos negociais praticados tenham finalidade subjacente, oculta, diversa daquela que assoma do negócio que aparentemente viceja. 2 GUTIERREZ, Miguel Delgado. Do Negócio Indireto no Direito Tributário. Revista Dialética de Direito Tributário. N° 190.p. 63. Fl. 5928DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 89 89 No caso, a intermediação da venda dos produtos da autuada pelas empresas MIC e ILMOT, deveria encobrir negócio outro, como a fiscalização concluiu, de exportação direta da autuada para os seus importadores finais, sem efetiva participação das empresas controladas no exterior, com o fim único de diminuir as receitas. Contudo, não se pode fugir disso, a participação material das empresas MIC e ILMOT encontrase demonstrada e importante relevar que a própria fiscalização não descaracteriza a existência das empresas MIC e ILMOT. As operações tiverem o objetivo de concretizar exportações, podendose mesmo incluir, nesse objetivo, um abrandamento da carga tributária, mas um abrandamento legítimo e lícito, dentro de um planejamento que não se choca com o ordenamento jurídico brasileiro. Não há simulação na hipótese. Neste sentido, cumpre ter por presente aspectos de suma relevância. O primeiro deles é que a diferença entre as duas operações, o que restou comprovado ser, na média, no importe de 10%, é totalmente consonante com a atividade da segunda operação – ou seja, o valor acrescentado pelas empresas controladas contempla os custos da intermediação dos negócios (custos de representação comercial ou distribuição e custos atinentes à venda propriamente dito). Fosse este citado percentual muito maior, por exemplo, na casa dos 25% em diante, haveria fortes indícios de que o valor da segunda operação contemplava valores diversos ao da venda para exportação. O segundo argumento é no sentido de que o contribuinte, ao perpetrar o planejamento fiscal, pelo que se depreende dos autos, respeitou limites que condizem com as regras de preços de transferência. Com efeito, as regras de preços de transferência, como sabido, no que aqui nos toca, tem por finalidade evitar o subfaturamento nas exportações perpetradas com pessoas vinculadas. A sua previsão, encontrase no artigo 19 da Lei n° 9.430/96. A fiscalização entendeu que a MIC e ILMOT funcionavam, nas operações de exportação, como verdadeiras “centrais de refaturamento”, servindo unicamente para abrigar, por assim dizer, os lucros das transações de exportação. No entanto, na medida em que se constata, como se concluiu no presente caso, que o contribuinte autuado respeitou os limites estabelecidos pela Lei n° 9.430/96, referentes aos preços de transferência, nas exportações por ele praticadas, cujas intermediações foram concretizadas por empresas a ele ligadas, não há como permanecer hígida a assertiva de que tais intermediárias seriam apenas “centrais de refaturamento”, a não ser que se confira às ditas “centrais de refaturamento” uma legitimidade resguarda pela observância das margens de preços aceitáveis nas exportações, sem que estas sejam consideradas subfaturadas. Reparese que a própria fiscalização reconheceu, aliás como mencionado expressamente no acórdão recorrido, a observância, por parte do contribuinte, dos parâmetros estabelecidos pelos Métodos de Preços de Transferência. Textualmente, eis o quanto dito pela Fiscalização: Fl. 5929DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 90 90 “PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: PREÇOS PRATICADOS X PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA 111. Em análise preliminar, constatouse que os preços praticados nas exportações para a MIC/ILMOT pareciam estar em conformidade com o Método de Preços de Transferência. Entretanto, ao confrontarmos essa adequação com o extenso conjunto de indícios levantados sobre a simulação da intermediação da MIC/ILMOT, nova interpretação emerge. 112. Como já observado, em casos de simulação, o ilícito é praticado de forma a dificultar a produção de provas diretas. Mais que isso, medidas são tomadas para mascarálo com a aparência de legalidade. A emissão de faturas, a contratação de empresas para emprestar domicílio em outros países, contratos e pedidos eletrônicos são apenas alguns dos meios para proteger o planejamento tributário irregular. 113. Nesse sentido, nada seria mais seguro para coibir análises do Fisco do que se adequar a um mecanismo de fiscalização. Com o devido planejamento tributário, é possível estar em conformidade com os Preços de Transferência, muito embora o importador intermediário sequer exista. 114. Ao longo das fiscalizações de 2005 e 2006 e, perceptivelmente, na Impugnação ao auto de 2005, a contribuinte alegou reiteradamente a sua adequação a esse mecanismo, desconsiderando o fato óbvio de que não era essa a constatação do Fisco. Guardadas as devidas proporções, é como se, após a verificação de uma exportação fictícia, o exportador invocasse o Método de Preços de Transferência para alegar a conformidade da operação. 115. Essa demasiada insistência, por si só, caracterizouse como mais um indício de que houve um planejamento tributário ilícito: ao invés de, desde o princípio, a contribuinte buscar comprovar a intermediação da MIC/ILMOT, buscou desviar, nos anos anteriores, a atenção para a sua adequação aos Preços de Transferência e para a impossibilidade de provar a inexistência fática dessas empresas”. A intermediação fora comprovada por um valor condizente com o de mercado (média de 10%). A adequação aos Preços de Transferência, praticada pelo contribuinte, não poderia ser levada em conta, desta forma, contra o próprio contribuinte, quanto mais como um indício da simulação (que não ocorrera), conforme concluiu a Fiscalização. Aqui, acrescento os bem lançados argumentos aduzidos pela Conselheira Karem Jureidini Dias ao prolatar o seu voto. Em síntese expôs a eminente Conselheira que as regras de preço de transferência constituemse em regra específica antielisiva e que uma vez tratarse, no caso, de empresas relacionadas (Marcopolo – autuada – e ILMOT e MIC – controladas pela autuada) a única via de constituição do crédito tributário via lançamento tributário seria pela fundamentação nos dispositivos legais atinentes ao Preço de Transferência. Fl. 5930DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 91 91 Assim, a autuação fiscal não poderia estar fundamentada na desconsideração das operações realizadas pela MIC e ILMOT e, em vista das regras de Preço de Transferência estabelecidas no artigo 19 da Lei 9.430/96, só poderia ser fundamentado eventual lançamento tributário com base nas regras acima especificadas. Cabe ainda observar que no acórdão recorrido, foi adotada a declaração de voto vencido do Conselheiro Alexandre Alkmim Teixeira que trata do tema das operações com empresas estabelecidas em países com tributação favorecida, cujos trechos principais também cito neste voto: Do que se extrai dos autos, os negócios realizados pela Recorrente, quais sejam, MIC – Marcopolo International Corporation, localizado nas Ilhas Virgens Britânicas e ILMOT International Corporation S/A, constituída sob a forma de sociedade anônima financeira de investimentos – SAFI, no Uruguai. Do que se extrai dos autos, os negócios realizados pela Recorrente com os adquirentes finais dos produtos eram intermediados por ambas as empresas, sendo que o auto de infração imputou, como rendimento da Recorrente, os valores finais dos negócios realizados por estas empresas intermediárias com os adquirentes no exterior. No entanto, não foi este o tratamento legal dado pelo direito brasileiro para os negócios realizados com empresas offshore estabelecidas em Países com Regime de Tributação Favorecida. A Lei 9.430/96 limitouse a verificar se o preço praticado encontra respaldo nos critérios definidos pelos seus artigos 18 a 22; sendo que, alcançados estes parâmetros mínimos, há de ser respeitado o planejamento negocial realizado pelo contribuinte. Portanto, no caso, entendo que não poderia a Fiscalização desconsiderar os negócios realizados pela Recorrente com as suas subsidiárias integrais para além daquilo que a Lei no. 9.430/96 prevê para a hipótese de empresas localizadas em Países com Regime de Tributação Favorecida. Estes argumentos também restam fortes e fundamentam o acórdão recorrido. Ademais, e para mim, de fundamental importância, argumento este que por si só seria suficiente para determinar a manutenção do acórdão recorrido, o fato do erro no lançamento pelo fato de que a fiscalização deveria ter levado em conta, na apuração do quanto devido pelo contribuinte a título de IRPJ e CSLL, não apenas as receitas decorrentes das operações de exportação, pois, impunhase que considerasse os custos e despesas, comprovados pelo contribuinte, nas operações de venda para o exterior, com vistas à dedução correta da base de cálculo daqueles tributos. Isto não ocorreu. Ora, como levar apenas as receitas das vendas? Como afastar as despesas? Se a operação não ocorria por meio das empresas controladas, como alegou a fiscalização, por decorrência lógica, os custos incorridos pelas controladas (e que certamente existiram) também deveriam ter sido trazidos para o cômputo da base de cálculo dos tributos exigidos. Fl. 5931DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 92 92 E, parece que resta claro o motivo pelo qual a fiscalização não trouxe tais despesas e custos, pois eles foram elevados e a fiscalização acabou por optar por não entrar nesta seara, o que nos termos do acórdão recorrido induziu a outro erro no lançamento, qual seja, segundo o r. acórdão recorrido a fiscalização após o advento da MP 217835, deveria ter sido por meio deste veículo normativo e aí, deveria ser verificado o conteúdo do prejuízo fiscal. Enfim e em síntese resta certo que: a) não há fundamento jurídico para fazer uma revaloração jurídica da prova; b) que a partir das premissas adotadas resta indubitável que não houve simulação e portanto a fundamentação fática do lançamento não se sustenta; c) a autuação teria que ser feita via disposições relativas ao preço de transferência, pois, por serem empresas relacionadas há a obrigatoriedade da utilização da norma antielisiva específica; d) o lançamento, ao só trazer as receitas das operações de intermediação, sem trazer também as despesas e custos incorreu em erro que acarreta a nulidade do lançamento; e) o lançamento só poderia ter se fundamentado no previsto para a Lei 9.430/96 no que se refere às hipóteses de empresas localizadas em países com regime de tributação favorecida; f) que o argumento principal do acórdão recorrido – de que houve erro na forma do lançamento tributário que deveria ter fiscalizado os prejuízos das controladas e glosar eventuais valores deduzidos indevidamente dos resultados – não foi atacado pelo Recurso Especial. Por todo o exposto e em vista de todos os argumentos não vejo como entender como sustentável o lançamento objeto deste processo administrativo e, por conseqüência, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) SUSY GOMES HOFFMANN Declaração de Voto Conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Peço vênia ao ilustre relator, para divergir do seu voto, pelas razões que passo a expor. A questão posta em julgamento reside, inicialmente, em verificar se resta demonstrada a simulação nas operações de exportação por conta e ordem de empresas subsidiárias no exterior. A prima facie, já saliento que é irrelevante, in casu, que a contribuinte tenha observado as regras de preços de transferência (Lei 9.430/96). Ora, a observância das regras de preços de transferência não têm o condão de validar atos simulados. Se houve atos simulados, estes são nulos e lhes devem ser negados os efeitos que lhes são próprios. Fl. 5932DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 93 93 Assim, o que se deve perquirir é se a fiscalização logrou demonstrar o pacto simulatório, o que só se pode constatar a partir de uma análise minuciosa do conjunto probatório. Isso porque dificilmente existirá uma prova direta para demonstrar a simulação. No mais das vezes, a simulação restará demonstrada pela dinâmica dos fatos que aflora da análise das provas. Caso ultrapassada a fase de demonstração do pacto simulatório, deveria também a fiscalização demonstrar que o ato dissimulado sofreria uma incidência tributária mais gravosa do que o ato simulado. Bem, por ora, cabe verificar quais as conclusões dos julgados administrativos que antecederam esta sessão de julgamento, pois, a eles, caberiam a análise minuciosa do conjunto probatório. A decisão da DRJ/Porto Alegre analisa com profundidade todo o conjunto probatório, conforme se verifica do item 2.6 do Acórdão a fls. 3.156 e segs.. Vários pontos são analisados e sustentados, para, alfim, concluir pela existência de simulação. Por sua vez, o Acórdão recorrido se limita a transcrever os argumentos de defesa da contribuinte, exarados no recurso voluntário, se não vejamos o seguinte excerto desse julgado: Nos exatos termos do art. 29 do Decreto 70.235/1972, “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”. A meu ver, a Marcopolo, logrou provar a existência formal e material de MIC e ILMOT, bem como que intermediaram as operações, ainda que de forma incipiente, conforme asseverado pela recorrente nos seguintes termos (verbis) “(...)ao longo dos cinco anos em que a Recorrente vem sendo fiscalizada acerca da presente operação, em nenhum momento qualquer indício documentos, evidência de ligações telefônicas, correspondências, mensagens eletrônicas, etc... foi trazido pela fiscalização para demonstrar a primeira etapa da simulação por ela apontada, qual seja, o contato com clientes situados no exterior com a Recorrente. ........................................................................................ Da mesma forma, quanto à assertiva de que o gestor comercial da MIC e da ILMOT possuía vínculo empregatício com a Marcopolo no período, é inegável o reconhecimento da Recorrente de que as empresas MIC e ILMOT compõem o grupo Marcopolo. Assim, é óbvio que os serviços prestados pelos trabalhadores das controladas (MIC e ILMOT) impactam toda a atividade do grupo.. (...)” Aliás, em pese colocar em dúvida a existência efetiva de MIC e ILMOT, a própria Fiscalização deixa claro que isso não é tão relevante.” Ora, causa espécie, que a decisão da DRJ/POA tenha sido reformada pelo acórdão recorrido sem o enfrentamento de qualquer dos pontos por ela levantados. O acórdão recorrido não apreciou as provas, pois quem se limita a transcrever o que o contribuinte alega, sem articular idéias próprias, não fez qualquer juízo de valor sobre o conjunto probatório. Fl. 5933DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão n.º 910101.402 CSRFT1 Fl. 94 94 Ademais, há vários pontos sustentados pela DRJ/POA que não foram enfrentados pela contribuinte e que o Relator do acórdão recorrido passou ao largo. Ademais, a alegação final do Relator do acórdão recorrido é merecedora de reparo, pois, em toda simulação, os atos simulados sempre são aparentemente válidos, logo, o fato de Fiscalização afirmar que as empresas existiam formalmente, não elimina, de plano, a possibilidade de ter existido simulação nas operações. Em face do exposto, voto no sentido de declarar nula a decisão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, pois, reformou a decisão da DRJ/POA, sem analisar o conjunto probatório. Tal fato impede que impede que esta CSRF se pronuncie, porque, já que não podemos revisitar a prova, ou tomamos como correto a conclusão da DRJ/POA – o que significaria supressão de instância para o contribuinte, ou tomamos como verdadeiro o que o contribuinte afirmou no recurso voluntário (que fora transcrito pelo Relator no acórdão recorrido), o que também seria uma supressão de instância, já que não houve apreciação pela autoridade julgadora da Turma Recorrida. (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 5934DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000411/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SIMPLES. EXCLUSÃO. DESRESPEITO AO LIMITE ANUAL DE FATURAMENTO.
Comprovada
a desobediência ao limite imposto pela legislação de regência para a opção ao SIMPLES, deve ser mantido o ato de exclusão.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Consoante entendimento sumulado, o CARF não é competente para apreciar
constitucionalidade de norma.
Numero da decisão: 1102-000.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2006 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. DESRESPEITO AO LIMITE ANUAL DE FATURAMENTO. Comprovada a desobediência ao limite imposto pela legislação de regência para a opção ao SIMPLES, deve ser mantido o ato de exclusão. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Consoante entendimento sumulado, o CARF não é competente para apreciar constitucionalidade de norma.
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Recorrida 3ª TURMA DRJ/RPO Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. DESRESPEITO AO LIMITE ANUAL DE FATURAMENTO. Comprovada a desobediência ao limite imposto pela legislação de regência para a opção ao SIMPLES, deve ser mantido o ato de exclusão. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Consoante entendimento sumulado, o CARF não é competente para apreciar constitucionalidade de norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15956.000411/200920 Acórdão n.º 110200.714 S1C1T2 Fl. 111 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Em decorrência de procedimento fiscalizatório iniciado em 19/12/08, foi constatado que a Recorrente auferiu, no anocalendário de 2005, receita bruta anual de vendas de mercadorias no montante de R$ 8.105.492,27, mas apenas ofereceu a tributação parte das receitas – R$ 1.148.324,54 – o que ensejou autos de infração para exigência dos tributos devidos, além do Ato Declaratório Executivo n.º 182, de 21 de maio de 2010 determinando a sua exclusão do Simples, com efeito a partir de 01/01/06 (fl. 47). Cientificada do ato de exclusão, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, defendendo que não teria omitido receitas e que a autoridade administrativa teria apurado faturamento com base em mera presunção, carente de provas ou elementos seguros capazes de comprovar a prática da suposta infração, porquanto amparadas em movimentações bancárias, cujo sigilo estaria assegurado pelo art. 5º, XII, da Constituição Federal, mas que foi desrespeitado, sem respaldo em ordem judicial Acrescentou, ainda, que os valores espelhados nos extratos bancários representariam o mesmo dinheiro que teria ido e voltado da conta inúmeras e repetidas vezes e, portanto, inexistiria a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, a que se reporta o art. 43, do CTN para fins de lançamento de tributos e penalidades. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base na caracterização de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada nos autos do processo administrativo n.º 10480.721306/200910 e afastou as alegações de inconstitucionalidade suscitadas pela Recorrente. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário limitandose a repetir as razões submetidas à apreciação da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fito de afastar ato de exclusão motivado pela comprovação de faturamento superior ao máximo permitido. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15956.000411/200920 Acórdão n.º 110200.714 S1C1T2 Fl. 112 3 De início, registro que o recurso interposto nos autos do processo administrativo n.º 10840.721306/200910, cujo objetivo era afastar a exigência de tributos e penalidades decorrentes de omissão de receitas no montante de R$ 6.957.167,73 não foi conhecido e mantida integralmente a exigência tributária, tornandose definitivamente constituído o crédito tributário lançado. Referida decisão torna incontroverso o desrespeito ao limite de faturamento anual imposto pela legislação de regência e confirma o ato de exclusão repudiado pela Recorrente. Apesar de despiciendo, registro, ainda, que incompetente este Colendo Tribunal Administrativo para apreciar constitucionalidade de normas, consoante entendimento já sumulado, o que evidencia se tratar de recurso manifestamente improcedente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002086/2001-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de pessoas físicas podem ser consideradas para efeito de cálculo do crédito presumido. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, DE 1996. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES EFETUADAS QUANDO A APLICAÇÃO DA LEI N.º 9.363/96 ESTAVA SUSPENSA. O crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96 é concedido em relação às aquisições de matérias-primas, produtos intermediário e material de embalagem. Assim, as aquisições efetuadas no período em que a aplicação da lei ficou suspensa não podem ser incluídas no cálculo do benefício, ainda que a exportação do produto tenha ocorrido em período posterior ao da suspensão. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. LIMITES. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da repetição de indébito. Por conseguinte, não há respaldo legal para sua atualização monetária com base na Taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido. Entretanto, em observância ao art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode deixar de aplicar, no presente processo, orientação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543-C do Código de Processo Civil. Com base em tal precedente, há que se reconhecer o direito à correção dos créditos concedidos por este Colegiado, a partir da data da ciência do despacho decisório que denegou o aproveitamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso com relação ao aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de combustíveis e energia elétrica; b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso no que se refere ao aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas e à correção monetária dos créditos, a partir da data do despacho decisório. Vencidos os conselheiros Paulo Celani, relator, e Ricardo Rosa; e c) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que se refere à possibilidade de se apurar créditos no período em que a Lei nº 9363/96 teve sua aplicação suspensa. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Luciano Maya Gomes e Álvaro Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de pessoas físicas podem ser consideradas para efeito de cálculo do crédito presumido. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, DE 1996. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES EFETUADAS QUANDO A APLICAÇÃO DA LEI N.º 9.363/96 ESTAVA SUSPENSA. O crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363/96 é concedido em relação às aquisições de matériasprimas, produtos intermediário e material de embalagem. Assim, as aquisições efetuadas no período em que a aplicação da lei ficou suspensa não podem ser incluídas no cálculo do benefício, ainda que a exportação do produto tenha ocorrido em período posterior ao da suspensão. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. LIMITES. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da repetição de indébito. Por conseguinte, não há respaldo legal para sua atualização monetária com base na Taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido. Entretanto, em observância ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode deixar de aplicar, no presente processo, orientação assentada no REsp nº 1.035.847 / Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 2 RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com base em tal precedente, há que se reconhecer o direito à correção dos créditos concedidos por este Colegiado, a partir da data da ciência do despacho decisório que denegou o aproveitamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso com relação ao aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de combustíveis e energia elétrica; b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso no que se refere ao aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas e à correção monetária dos créditos, a partir da data do despacho decisório. Vencidos os conselheiros Paulo Celani, relator, e Ricardo Rosa; e c) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que se refere à possibilidade de se apurar créditos no período em que a Lei nº 9363/96 teve sua aplicação suspensa. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Luciano Maya Gomes e Álvaro Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI e não homologou as compensações declaradas. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9363/96 e na Portaria MF nº 38/97, no montante de R$ 2.207.601,06 (R$ 1.938.164,31 de crédito e R$ 269.436,75 de juros), relativo ao 2º trimestres de 2000, a ser aproveitado em compensações com débitos da própria empresa. O pleito foi indeferido em razão da exclusão, no cálculo do crédito presumido, das compras de mercadorias de pessoas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS; de insumos Fl. 371DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 711 3 importados, de valores referentes à energia elétrica e combustíveis e dos insumos e estoques de produtos acabados e em elaboração existentes em 31/12/1999, além de negar a correção monetárias dos valores, por falta de amparo legal. Regularmente cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alegou ser é ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, conforme sua análise da legislação, o entendimento dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes citados, sendo que a jurisprudência também demonstraria o direito à atualização dos valores pleiteados. Protestou também contra a exclusão dos custos de energia elétrica e combustíveis, alegando que estão abrangidos pelo conceito de matériaprima e produto intermediário, pois, embora não se integrem ao novo produto, foram consumidos no processo de industrialização, entendimento, inclusive, conformado pela legislação do ICMS. Quanto aos estoques existentes em 31/12/1999, alegou não se poder admitir a restrição do benefício para além dos limites fáticos e temporais determinados na medida provisória, pois o incentivo às exportações tem objetivo extrafiscal e o fato gerador do crédito presumido é a exportação. Por fim, solicitou o deferimento integral do pedido de ressarcimento e a homologação de todas as declarações de compensação a ele vinculadas. A manifestação de inconformidade foi deferida em parte pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado, mesmo que estes participem do ciclo produtivo do estabelecimento. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 4 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUES EM 31/12/1999. ADIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os estoques dos insumos aplicados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos, adquiridos entre 1º de abril a 31 de dezembro de 1999, não devem ser adicionados ao cálculo do crédito presumido no primeiro trimestre de 2000. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Impugnação Procedente em Parte. Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. A lei nº 9.363/96, que instituiu o benefício pleiteado pela recorrente, traz, entre outras, as seguintes disposições: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 373DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 712 5 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(Realcei e sublinhei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.(Destaquei) § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Vejase que a lei restringe sim quais empresas farão jus ao crédito e quais operações o ensejarão, de modo que o benefício será dispensado apenas às empresas produtoras e, apenas, como ressarcimento da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP1 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de produto exportado. Logo, as aquisições de produtos pela produtoraexportadora que não tenham sofrido a incidência das citadas contribuições nestas operações de aquisição não estão entre aquelas para as quais a lei atribuiu o benefício. É o caso de aquisições de pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes. Notese que não é preciso recorrer à Instrução Normativa SRF n.º 23/97 para tal conclusão, o que implica não ser relevante para este julgamento a alegação de que esta norma seria ilegal. 1 As leis complementares citadas no art. 1º da Lei nº 9.363/96 tratam da instituição destas contribuições. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 6 Apesar de o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 993.164, representativo de controvérsia, ter decidido que a IN SRF n.º 23/97 é ilegal, tal decisão também não socorre a recorrente. Isto porque, por força do art. 26A do Decreto n.º 70.253/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, é vedado aos órgãos julgadores do processo administrativo fiscal afastar ou deixar de observar lei, o que não se aplica apenas nas hipóteses previstas no parágrafo 6o. do mesmo artigo, as quais não ocorreram. E, além disso, não se aplica ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque a decisão do STJ ainda não transitou em julgado, logo, não é definitiva. Quanto a energia elétrica e combustíveis, não merece acolhida alegação de que não podem ser excluídos, porque a legislação do IPI permitiria que se incluíssem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário todos os insumos consumidos no processo de industrialização, ressalvandose, apenas, os compreendidos entre os bens do ativo permanente. A lei n.º 9.363/96 exige que a empresa beneficiária seja produtora e que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sejam obtidos, subsidiariamente, da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Uma vez que ela própria não apresenta tais conceitos, a aplicação subsidiária da legislação do IPI se torna relevante. Mais do que subsidiária, ela é fundamental. No julgamento do recurso especial 1.075.508, também submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o STJ, interpretando a legislação do IPI, especialmente, o art. 164, I, do Decreto nº 4.544/2002, RIPI/2002, e o art. 147, I, do Decreto nº 2.637/98, revogado pelo RIPI/2002, decidiu que a aquisição de bens que integrem o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporem ao produto final ou cujo desgaste não ocorra imediatamente e integralmente no processo de industrialização não gera direito a crédito do imposto. Esta decisão transitou em julgado em 23/11/2009, logo, por determinação do art. 62A do RICARF, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por seu turno, após enfrentar vários casos versando sobre o que estaria compreendido nos conceitos de matériaprima e produtos intermediários, os antigos Conselhos de Contribuintes e o CARF firmaram entendimento segundo o qual para assim serem considerados, matériasprimas e produtos intermediários, os bens deveriam ser consumidos em contato direto com o produto obtido e exportado. Esta conclusão se extrai da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória pelos membros deste órgão colegiado, por força do art. 72, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009, assim redigido: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.”[Destaquei.] Fl. 375DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 713 7 Este entendimento também se confirma – e não é contraditado, como se poderia asseverar , pelo fato de que outra lei, a de n.º 10.276, de 2001, conversão da MP n.º 2.202/01, passou a permitir, expressamente, apenas para aqueles que utilizassem forma alternativa para o cálculo do crédito, prevista na própria lei, a inclusão neste cálculo dos custos com aquisição de energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e dos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, apenas na hipótese de o encomendante ser o contribuinte do IPI. Observese que, ao introduzir os termos “energia elétrica”, “combustíveis” e “prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” por meio da locução “bem assim”, a lei deixou claro que energia elétrica, combustíveis e serviços decorrentes de industrialização por encomenda não são matériasprimas ou produtos intermediários, ainda que componham o custo de produção. Notese, também, que o fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme o cálculo autorizado por esta lei é diferente do fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme permissão dada pela Lei n.º 9.363/96. E, além disso, outras limitações foram impostas para os casos em que a forma de cálculo alternativa prevista na Lei n.º 10.276/01 pudesse ser utilizada. Cito trechos desta lei:: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 8 I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7o Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6o, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. O aproveitamento desses gastos só abrange períodos a partir do 4º trimestre de 2001 e restringese aos contribuintes que optarem pela sistemática do regime alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Portanto, no caso em discussão, em que a contribuinte não se enquadrou na Lei n.º 10.270/01, os bens não consumidos em contado direto com o produto obtido, porque não se incluem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não dão direito ao crédito de IPI Com respeito à suspensão da aplicação da lei n.º 9.363/96 pelo art. 12 da MP nº 1.807/99, destaquese que o crédito presumido foi concedido às empresas produtoras e exportadoras em relação às suas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, destinadas a serem utilizadas no processo produtivo. Não obstante tratarse de um benefício condicionado à efetiva exportação dos produtos, a operação escolhida pelo legislador para a fruição do benefício foi a aquisição dos citados materiais para utilização no processo produtivo. Assim, a suspensão da lei n.º 9.363/96 implicou a nãoconcessão do benefício às aquisições promovidas no período em que vigorou a suspensão, de 01/04/1999 a 31/12/1999. Quanto à aplicação da Taxa Selic para fins de atualização do ressarcimento, destaquese que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 714 9 indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Conforme já observou a relatora do acórdão recorrido, não se pode dizer que tal benefício equivale a uma restituição de indébito tributário, porque não houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, não se tratando de restituição de indébito, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. E uma vez que, por força do princípio da legalidade, não pode a Administração Fazendária aplicar a estes créditos acréscimos a título de atualização monetária ou de juros, também neste ponto os argumentos da recorrente não devem ser acolhidos. Porém, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847, também representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, entendo que os casos de solicitação de crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devam ser corrigidos a partir da data em que ficar caracterizada oposição pela Administração Fazendária. No caso sob discussão, por entender que as aquisições que a recorrente pretende sejam consideradas para fins de inclusão no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n.º 9.363/96 não estão amparadas na própria lei e que aquelas efetuadas no período em que a lei teve sua aplicação suspensa também não podem ser incluídas no cálculo, ainda que a exportação dos produtos ocorra em período posterior à vigência da suspensão, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando, por conseguinte, prejudicada eventual atualização. Paulo Sergio Celani Relator Voto Vencedor Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado. Peço licença para discordar do judicioso voto condutor, pois entendo que, em dois aspectos, razão assiste ao Recorrente. Analisoos separadamente. 1 Aquisições de Pessoas Físicas A admissibilidade dos créditos presumidos apurados a partir das aquisições de insumos a pessoas físicas longe está de representar uma novidade para este Colegiado. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 10 Com efeito, muito se discute acerca da exegese do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, assim redigido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Essencialmente, havia quem defendesse que a expressão “incidente sobre as respectivas aquisições” fixaria o comando no sentido de só se admitiria o crédito se a operação de venda das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem estivessem sujeita ao pagamento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins. Em sentido diverso, há quem defenda que a tributação “em cascata”, própria de tais contribuições, estaria presente independentemente das mesmas incidirem no último elo da cadeia. Ou seja, para os defensores da segunda corrente, na medida em que o produtor arcaria com as contribuições “embutidas” nos insumos necessários à produção das mercadorias comercializadas, restaria cumprida a condição legal, independentemente do fato deste último estar ou não sujeito ao pagamento das mesmas contribuições, quando da venda dos produtos. Confesso que até recentemente me filiava à primeira corrente, focado na literalidade inerente à interpretação das normas que disciplinam a concessão de benefício fiscal, mas sem perder de vista a razoabilidade da tese contrária. A meu ver, dúvida não há de que, efetivamente, as mercadorias eram oneradas pelas contribuições, mas entedia que o termo “incidência”, tomado em sua literalidade, não poderia ser equiparado ao “oneração”, mesmo tendo conhecimento que esta seria a exegese adotada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. Aliás, como é cediço, esta última corte, mais precisamente quando do julgamento do REsp nº 993.164 MG2, ratificou esse entendimento em sede de Recurso Repetitivo, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Notar que, diferentemente da discussão acerca da correção monetária, que será enfrentada adiante, dito acórdão, pelo menos segundo consulta ao sítio do STJ, ainda não transitou em julgado, de modo que a interpretação nele fixada ainda não está contemplada pelo comando do art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais3. Ocorre que, diante da força dos precedentes e, principalmente em razão da inexistência de dispositivo legal ou regulamentar em sentido contrário, passo a me filiar à segunda corrente e, consequentemente, a admitir o cômputo das aquisições de pessoas físicas, para efeito de cálculo do crédito presumido. 2 MINISTRO LUIZ FUX, julgado em 13/12/2010. 3 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI Processo nº 13811.002086/200100 Acórdão n.º 310201.101 S3C1T2 Fl. 715 11 2 Correção Monetária Busca a contribuinte, finalmente, o emprego da taxa Selic para correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento. A aplicação da taxa Selic à compensação ou à restituição encontrase disciplinada no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim redigido: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Inexiste, portanto, previsão legal para a incidência de tal taxa sobre créditos escriturais pendentes de reconhecimento por parte do Fisco. De outra banda, tratandose de matéria sujeita à tipicidade cerrada, não há espaço para o emprego da analogia, pois, em verdade, não haveria que se falar em lacuna da lei, mas silêncio eloquente do legislador. Lembro, à esta altura, observação do Min. Moreira Alves nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” Assim, entendo que só há fundamento para reconhecimento da correção monetária sobre os créditos alvo de ressarcimento nos termos da orientação jurisprudencial assentada no REsp nº 1.035.847 / RS4, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil, aplicável por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais5. 4 MINISTRO LUIZ FUX, julgado em 24/06/2009. 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI 12 Segundo tal aresto, a taxa Selic passa a incidir sobre os créditos ressarcidos a partir do momento em que se configura a resistência do Fisco, materializada, segundo entendo, na negativa do reconhecimento. Nessa esteira, não vejo como reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre todos os créditos deferidos, mas exclusivamente sobre aqueles concedidos por este Colegiado, na medida em que, em relação aos demais, não restou configurada a préfalada resistência.. Assim sendo, acolho o pedido de correção monetária, a partir da data em que a autoridade de jurisdição se negou a reconhecer os créditos reconhecidos por este Colegiado, ou seja, sobre os créditos glosados exclusivamente em razão do fato dos insumos terem sido fornecidos por pessoas físicas. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso para acatar exclusivamente os créditos relativos a aquisições de pessoas físicas, acolhendo, ainda, o pleito de correção dos créditos reconhecidos no presente julgamento a partir da ciência da decisão da autoridade de jurisdição que denegou o reconhecimento desses mesmos créditos. Sala das Sessões em 7 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por PAULO SERGIO CE LANI
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Numero do processo: 16327.004426/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Data do fato gerador: 30/10/1997
DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA.
A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta- se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca-se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Preliminar rejeitada. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.784
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PAGAMENTO SEM CAUSA. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.004426/200260 Acórdão n.º 220201.784 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, INDIANA FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA, foi lavrado o auto de infração. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.13/16, em fiscalização empreendida junto ao contribuinte supramencionado, o agente fiscal relata o seguinte: DOS FATOS Período de 01/1997 a 12/1997. O contribuinte realizou depósito bancário em conta corrente de JANDIR COELHO MARIN, CIC 506.454.12104, no valor de R$58.250,00, em 30/10/1997, através do DOC eletrônico, conforme cópia xerox do BANCO SAFRA CC n°0339607, AG 025. Intimado por esta fiscalização, o contribuinte não esclareceu a origem e natureza do depósito. Desta forma, apurandose em fiscalização pagamento efetuado pala pessoa jurídica a beneficiário não identificado, ficará o contribuinte sujeito a incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte, a aliquota de 35% conforme prescreve o art. 61 da Lei n°8981/95, que diz: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ressalvado o disposto em normas especiais. §1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o ,sS. 2°, do art. 74 da Lei no 8.383, de 1991. §2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §' 3º 0 rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Da mesma forma, quando apurada a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, inclusive os benefícios indiretos previsto no parágrafo 2° do art. 74 da Lei n°8383/91 conforme prescreve o dispositivo acima citado, em seu inciso. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 18/12/2002 foi dada ciência do Auto de Infração referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls.4), com os valores a seguir discriminados: O autuado apresentou a impugnação de fls.42/65, protocolizada em 16/01/2003, acompanhada dos documentos de fls.66 a 87, expondo, em síntese, que: DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR No demonstrativo de apuração que faz parte integrante do Auto de Infração, fato gerador e o vencimento se deram em 30/10/1997, conforme previsto no §2° da norma legal e a constituição do crédito tributário em 19/12/2002. 0 lançamento tributário pode ser de três modalidades, a saber: de oficio, por declaração e por homologação. (A fls. 47/48 é definida cada uma das modalidades, segundo Hugo de Brito Machado e comentários sobre cada modalidade as fls. 47 a 50). Para os tributos em relação aos quais o sujeito passivo da obrigação tributária tem o dever de apurar o valor devido, e fazer o pagamento antes que a autoridade administrativa se manifeste sobre sua apuração, o prazo de decadência é de cinco anos, contados da data do fato gerador do tributo respectivo. (cita ementas de acórdãos do CC as fls.51 a 61). DO MÉRITO A fiscalizada apresentou ao Sr. AFRF o Livro Diário n°002, registrado na JUCESP sob o n°66699, em 24/04/98, onde está escriturado o movimento do anocalendário de 1997. O ilustre AFRF não se ateve a examinar o livro diário apresentado, pois se o tivesse feito, observaria clara e absolutamente contabilizada a receita do anocalendário de 1997 no valor de R$ 59.195,31. 0 valor de R$ 58.250,00 entregue ao Sr. Jandir Coelho Marlin teve como causa a liquidação de um empréstimo feito a fiscalizada, e tal fato foi, como dito, relatada de maneira verbal ao Senhor Agente por que este jamais solicitou que fosse feito de outra maneira. No caso sob análise é incabível a tributação eis que o pagamento de empréstimo não esta tipificado na norma legal capitulada na exação Os membros da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiram Acórdão que considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.004426/200260 Acórdão n.º 220201.784 S2C2T2 Fl. 3 5 Não comprovado recolhimento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, A alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada a operação que lhe deu causa. Lançamento Procedente A contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 174/175, onde reitera as razões da impugnação. Destaquese a preliminar de decadência e no mérito que a operação estava devidamente contabilizada. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço Da Decadência – do Pagamento sem Causa No que diz respeito ao Imposto de Renda na Fonte, entendo que a hipótese trazida pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, reproduzido pelo art. 674 do RIR/99, não se enquadra no disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, eis que, nos termos do referido dispositivo, as regras ali estampadas estão dirigidas para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Resta evidente que a hipótese de incidência em discussão (pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado) revelase, sempre, a partir de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência preconizada pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, a meu ver, sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. Nesse diapasão, resta claro que a constituição do crédito tributário em questão só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo o disposto no parágrafo 2º do art. 674 do RIR/99 (“considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância”) relevante apenas para fins de determinação dos termos iniciais dos encargos legais incidentes. Na hipótese de aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95, repiso, estamos diante de LANÇAMENTO DE OFÍCIO, e, por conta disso, sendo inaplicáveis as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional, a decadência é regida pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. A ausência total de pagamento faz com que se afaste a regra específica do artigo 150, e se utilize a regra geral do artigo 173, ambos do CTN. Descabe, portanto, a argüição de caducidade, visto que, nesse caso. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.004426/200260 Acórdão n.º 220201.784 S2C2T2 Fl. 4 7 Do Mérito No que toca ao mérito o recorrente não trouxe qualquer novo elemento capaz de propiciar sustentação ao lançamento. Cabe aqui reproduzir os argumentos da autoridade recorrida: Cumpre ressaltar que o § 1 0, do artigo 9°, do Decreto n°1598/77, reproduzido pelo artigo 923, do Decreto n°3000/99 (RIR199), diz o seguinte: "A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais" (g.n). Como se depreende do dispositivo acima transcrito a escrituração deve estar subsidiada por documentos hábeis para comprovar a consistência e exatidão dos valores computados na declaração de rendimento. Sem estes elementos não poderá ser acolhido qualquer argumento no sentido de comprovação de valores contabilizados. Examinando os documentos de fls.67 e 68, juntados na fase impugnatória, verificase o seguinte: o documento de fls.67 — Termo de Abertura do Livro Diário n°02 e o documento de fl. 68 —Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/1997, por si só, desacompanhados dos documentos que lhes dêem suporte e dos lançamentos contábeis, não comprovam as alegadas operações. Em seu recurso o recorrente vagamente tenta invalidar a linha de argumentação esboçada pela autoridade recorrida. Entretanto. o recorrente não traz outros elementos além daqueles que já foram questionados pela autoridade lançadora. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Ante ao exposto, voto por rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003858/2010-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. PEREMPÇÃO. O recurso
voluntário contra decisão de primeira instância deverá ser interposto dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. O recurso perempto não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 1103-000.681
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso em razão de intempestividade.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário contra decisão de primeira instância deverá ser interposto dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. O recurso perempto não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso em razão de intempestividade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário de Plasmetal Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. contra o Acórdão nº 1526.209/2011 (fls. 402), da 2ª Turma da DRJ/SalvadorBA. O contexto de fato do lançamento foi assim pormenorizado no relatório da decisão contestada: “Tratase do Ato Declaratório Executivo DRF/AJU nº 25, de 27 de outubro de 2010, anexado às fls. 12/14, que procedeu à exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento do Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES FEDERAL, além dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em relação ao anocalendário de 2005, anexados às fls. 16/56, tudo em conformidade com os fatos narrados no Relatório de Ação Fiscal de fls. 297/306, que tem o seguinte teor, em síntese: DENÚNCIA: a ação fiscal foi motivada por denúncia anônima, dando conta de que diversos contribuintes domiciliados nos estados da Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte teriam se unido com o propósito de sonegar tributos, criando várias pessoas jurídicas para a industrialização de “caixas protetoras para medidores de energia elétrica”, distribuindo o faturamento entre si, com a finalidade de permanecerem na condição de optante pelo SIMPLES, se beneficiando indevidamente dos incentivos concedidos por esse regime fiscal; o denunciante cita que as pessoas jurídicas criadas adotaram alterações nos seus quadros sociais com a inclusão de parentes e/ou funcionários e que, no caso da fiscalizada, Tainá Aci Amaral de Oliveira, CPF 020.067.89570, teria sido usada para compor o esquema. Sendo menor impúbere ao tempo da constituição da Plasmetal, é filha de Galmar de Souza Oliveira, CPF 267.775.17553, denunciado como um dos mentores do esquema fraudulento e sócio majoritário da JMC – Indústria e Comércio de Artefatos de Metais e Plásticos Ltda., CNPJ 40.562.191/000108, situada em Vitória da Conquista/BA; APURAÇÃO DOS FATOS: em pesquisa nos dados constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), foi constatado que a fiscalizada possui em seu quadro societário dois sócios: o Sr. Marcelo Almeida Silva, CPF 083.066.80553, e Tainá Aci Amaral de Oliveira, à época acionista de menor idade assistida por seu representante legal, o seu pai, o Sr. Galmar de Souza Oliveira, confirmando as informações prestadas pela denúncia; em relação a esses fatos, é relevante registrar as seguintes apurações: a) no que diz respeito às pessoas jurídicas com domicílio em Sergipe, apenas 2 ou 3 mencionadas na denúncia possuíam faturamento relevante. Entre elas, a fiscalizada; b) a Plasmetal Ltda. registrou faturamento elevado, de R$7.690.230,68, apenas no anocalendário de 2005, período no qual encontravase no SIMPLES; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 3 3 c) a produção e o faturamento foram, com o passar dos anos, concentrados em algumas pessoas jurídicas do grupo, notadamente nas empresas Metalplástico e Plasmetal, sediadas em Sergipe, conforme tabela a seguir: Razão Social Receitas Auferidas (R$) 2003 2004 2005 2006 Multiplástico Ltda. (SE) 12.808,00 5.148.986,79 1.169.383,92 11.567.995,24 Plasmetal Ltda. (SE) 0,00 17.327,55 7.690.230,68 593.240,47 JMC Indústria e Comércio (BA) 3.166.289,71 286.488,02 20.400,00 20.400,00 d) a fim de evitar que esta concentração de receitas resultasse em provável aumento da carga tributária para as empresas citadas, o faturamento era distribuído entre ambas, de forma que, sistematicamente, a maior parte ficasse com a optante pelo SIMPLES, como se vê da tabela a seguir, com os dados da forma de tributação: Razão Social Forma de Apuração do Lucro 2003 2004 2005 2006 Multiplástico Ltda. (SE) L. Presumido Simples L. Presumido Simples Plasmetal Ltda. (SE) Simples Simples Simples L. Presumido JMC Indústria e Comércio (BA) Simples L. Presumido L. Presumido L. Presumido e) cruzandose os dados dessas tabelas, notase que, no anocalendário de 2004, o faturamento, superior a cinco milhões de reais, foi concentrado na empresa Metalplástico, optante pelo SIMPLES. Em 2005, quando a Metalplástico estava impedida de optar por essa sistemática de tributação, o faturamento, de mais de sete milhões de reais, concentrouse na empresa Plasmetal, que neste ano optou pelo SIMPLES. Em 2006, ocorreu o inverso, tendo em vista que o faturamento, de mais de onze milhões de reais, foi novamente concentrado na Metalplástico, após nova opção pelo SIMPLES, já que a Plasmetal encontravase em situação impeditiva; pelos fatos narrados, há fortes indícios de que houve elisão fiscal, reforçados pela inclusão na sociedade de Tainá Aci Amaral de Oliveira, que era menor de idade e tinha como representante legal o seu genitor, que também é sócio de outra empresa estabelecida no estado da Bahia, demonstrando o propósito de não incidir na situação impeditiva do SIMPLES, nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996; é relevante o fato de que em nenhum momento houve distribuição de lucros beneficiando a sócia majoritária da Plasmetal, Tainá Aci Amaral de Oliveira, considerandose que a empresa obteve, no anocalendário de 2005, um faturamento de mais de cinco milhões de reais; FISCALIZAÇÃO: no curso da fiscalização, com o propósito de se apurar e elucidar os fatos descritos, a fiscalizada foi intimada e reintimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na abertura do capital social por parte da sócia majoritária, Tainá Aci Amaral de Oliveira, integralizados em 25/07/2003, no ato e em moeda corrente, informando de que forma tais recursos foram adquiridos; em resposta, a interessada relatou que a sócia era menor impúbere à época da constituição da sociedade e foi representada por seu genitor, sendo que os recursos utilizados na integralização do capital social foram adquiridos por doação do seu genitor e que essas informações encontramse na DIRPF/2004, no entanto, não apresentou qualquer documento comprobatório. Pelo contrário, em análise na DIRPF/2004, no campo específico “pagamentos e doações efetuados”, não há Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 4 4 nenhum registro referente a doações, como também não se verificou nenhuma contrapartida em outra rubrica, quer seja oriunda dos rendimentos ou de bens; diante desses fatos, concluise pela existência de interposta pessoa com o intuito de infringir o art. 9º, inciso IX, da Lei nº 9.317, de 1996, já que a utilização da sócia menor de idade teve como propósito beneficiarse da sistemática do SIMPLES; com isso, foi feita a Representação Fiscal de fls. 01/03, propondo a exclusão do SIMPLES da interessada, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005, em conformidade com o art. 15, V, da Lei nº 9.317, de 1996, acatada pela autoridade competente, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/AJU nº 25, de 27/10/2010, às fls. 12/13; na impossibilidade de a fiscalizada permanecer no SIMPLES, os tributos devem ser apurados pela modalidade do lucro real, conforme balancetes trimestrais e demonstrativos mensais das bases de cálculo do PIS, da Cofins e do IPI apresentados pela empresa, tendo em vista que ela mantinha escrita contábil regular; de posse dos livros e balancetes apresentados, foram elaboradas as planilhas de fls. 57/63, em que se encontram demonstradas as bases de cálculo, alíquotas e valores a recolher dos tributos lançados, tendo sido compensados os valores dos tributos recolhidos pela sistemática do SIMPLES; em face dos fatos mencionados, o Sr. Galmar Souza de Oliveira foi incluído na condição de Sujeito Passivo Solidário, através do Termo de Sujeição Passiva de fls. 305/306; foi também formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista que a infração apurada possui elementos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária.” Em face de tempestiva impugnação apresentada por Plasmetal Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. (fls. 307), a turma de primeira instância julgou a exigência procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Deve ser mantido o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES expedido por autoridade competente, na ocorrência da situação prevista pela legislação de regência e tendo sido assegurado o pleno exercício do contraditório Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 5 5 e da ampla defesa, sujeitandose a pessoa jurídica às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento matriz, no que couber.” Cientificada da decisão em 07/04/2011 (fls. 409), a contribuinte autuada (Plasmetal Indústria e Comércio de Plásticos Ltda.) interpôs o recurso no dia 10 do mês seguinte (fls. 410). Alegou que a comprovação foi realizada por intermédio da declaração de rendimentos (DIRPF) do exercício 2004 de Galmar Souza de Oliveira, juntada aos autos, na qual a filha Tainá Aci Amaral de Oliveira constou como dependente. A DIRPF provaria capacidade econômica suficiente para a doação em espécie utilizada pela filha para integralização do capital social, restando comprovada, portanto, a origem dos recursos. As quotas de capital em nome de Tainá teriam sido informadas na declaração de bens. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva O art. 33 do Decreto 70.235/72 estabelece prazo de 30 (tinta) dias para apresentação de recurso voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. O art. 5º do mesmo decreto determina que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, com a ressalva de que só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A contribuinte autuada tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 07/04/2011 (fls. 409), uma quintafeira, apresentando recurso no dia 10 do mês seguinte (fls. 410). O prazo para interposição do recurso iniciou na sextafeira 08/04/2011 e encerrou no dia 09 do mês seguinte, uma segundafeira, conforme a legislação indicada. Portanto, o recurso estava perempto na data da sua apresentação, na terça feira 10/05/2011. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10510.003858/201018 Acórdão n.º 110300.681 S1C1T3 Fl. 6 6 Conclusão Pelo exposto, não conheço do recurso em razão da intempestividade demonstrada neste voto. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001097/2005-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA. LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃO-REVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei nº 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/1958, pelo que se conclui ser legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil.
Numero da decisão: 1803-001.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA. LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃO-REVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei nº 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/1958, pelo que se conclui ser legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil.
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LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃOREVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei nº 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/1958, pelo que se conclui ser legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: 1. Trata o presente processo de autos de infração do IRPJ, CSLL e IRRF, lavrados pela Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro, nos quais são exigidos da interessada os valores a seguir, acrescidos de multa de oficio de 75%, e de juros de mora, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000. • IRPJ (fls. 214/218), de R$ 64.201,27; • IRRF (fls. 219/224), de R$ 25.641,35; e • CSLL (fls. 225/228), de R$ 24.414,82. 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 206/213, lavrado em 28.07.2005, os lançamentos decorreram das seguintes verificações: 2.1 dedução de valores a titulo de royalties acima do limite de 1% da receita dos produtos licenciados, conforme estabelecido pela Portaria Ministerial 436/58, no total de R$305.185,36; e 2.2 dedução de despesas de arrendamento mercantil de automóveis que, por sua natureza, configuram remuneração indireta paga a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica, com base no art. 74 da Lei 8383, de 1991, no valor de R$47.619,73. 3. No dia 29.08.2005, a interessada apresentou impugnação (fls. 237/249),alegando as seguintes razões: 3.1 preliminarmente, argumenta que, relativamente à parte do credito tributário lançado a titulo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, operouse a decadência quanto aos fatos geradores supostamente ocorridos nos meses de janeiro a junho do ano calendário de 2000, tendo em vista tratarse de lançamento por homologação, sujeito ao prazo definido no parágrafo 4° do art. 150 do CTN; 3.2 quanto à glosa de despesas com royalties excedentes ao percentual de 1%, argumenta que os dispositivos legais em que se sustenta a autuação autorizam a dedução das despesas com royalties, no mínimo, em 5%, sendo que a pretensão fiscal encontrase lastreada, exclusivamente, no disposto na Lei 3.470/58 combinada com a Portaria do Ministro da Fazenda n° 436, de 30/12/1958, dispositivos esses que não foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988 e que estariam revogados pelo art. 71 da Lei n° 4506/64, que não limita quantitativamente a dedução de despesas com royalties; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 3 3 3.3 para corroborar seu entendimento quanto ao limite para dedução dos valores pagos a titulo de royalties, a interessada cita em sua impugnação ementas de julgamentos realizados pelo Primeiro Conselho de Contribuintes; 3.4 quanto à glosa das despesas com o arrendamento de veículos e respectiva exigência do imposto sobre a renda na fonte sobre os pagamentos considerados como rendimentos indiretos pagos a beneficiários não identificados, a interessada alega que a autuação partiu da equivocada premissa de que as despesas com os veículos não estariam "intrinsecamente" relacionadas com a manutenção da fonte produtora e de que constituiriam rendimento indireto a pessoas físicas que integram ou representam a interessada; e 3.5 a autuação não apresentou qualquer justificativa para a presunção de que os veículos não são usados na consecução dos objetivos sociais da interessada, presunção essa inexistente no nosSo ordenamento legal, além de desconsiderar o notório conhecimento que qualquer pessoa jurídica utiliza veículos de passeio, quer para a representação da sociedade, quer para o transporte de pessoal e de seus quadros comerciais.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “ROYALTIES. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. LIMITE PERCENTUAL. A Lei n° 4.506/1964 não revogou o artigo 74 da Lei n° 3.470/1958, permanecendo vigentes os coeficientes estabelecidos pelo Ministro da Fazenda. GLOSA DE DESPESAS COM LEASING DE VEÍCULOS. BENEFÍCIOS A ADMINISTRADORES. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. A glosa é improcedente quando a fiscalização não se desincumbe do emus de provar que os veículos não eram utilizados nas atividades da empresa e sim em proveito particular dos dirigentes ou terceiros. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. Cancelase a exigência em razão de não restar provado que os pagamentos de leasing de veículos reverteram em favor dos dirigentes. CSLL. DECORRÊNCIA DO IRPJ. Aplicase ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto Aquele do qual se origina, salvo quando o valor glosado não integra a base de cálculo da contribuição reflexa.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, reitera os argumentos contidos na impugnação contra a exigência mantida pela Delegacia de Julgamento, qual seja, o lançamento relativo ao excesso de despesas com royalties, por ausência dos requisitos legais para dedutibilidade. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 4 4 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 26/03/2009 (AR de fls. 278). O recurso foi protocolado em 29/04/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A Delegacia de Julgamento manteve apenas o lançamento de IRPJ, tendo cancelado os valores relativos ao IRRF e à CSLL. A questão controversa gira em torno da revogação do art. 74 da Lei n° 3.470/58, pelo art. 71, da Lei n° 4.506/64. Os dispositivos possuem o seguinte teor: “Lei n° 3.470/58 Art 74. Para os fins da determinação do lucro real das pessoas jurídicas como o define a legislação do imposto de renda, somente poderão ser deduzidas do lucro bruto a soma das quantias devidas a título de " royalties " pela exploração de marcas de indústria e de comércio e patentes de invenção, por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes até o limite máximo de 5% (cinco por cento) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. Lei n° 4.506/64 Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao impôsto de renda, será admitida: a) quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento; e b) se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros de pessoa jurídica. Parágrafo único. Não são dedutíveis: a) os aluguéis pagos pelas pessoas naturais pelo uso de bens que não produzam rendimentos, como o prédio de residência; b) os aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes, em relação à parcela que exceder do preço ou valor do mercado; c) as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 5 5 d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes; e) os "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: 1) Pagos pela filial no Brasil de emprêsa com sede no exterior, em benefício da sua matriz; 2) Pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, contrôle do seu capital com direito a voto; f) os "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: 1) Que não sejam objeto de contrato registrado na Superintendência da Moeda e do Crédito e que não estejam de acôrdo com o Código da Propriedade Industrial; ou 2) Cujos montantes excedam dos limites periòdicamente fixados pelo Ministro da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau de sua essencialidade e em conformidade com o que dispõe a legislação específica sôbre remessa de valores para o exterior; g) os "royalties" pelo uso de marcas de indústria e comércio pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: 1) Que não sejam objeto de contrato registrado na Superintendência da Moeda e do Crédito e que não estejam de acôrdo com o Código da Propriedade Industrial; ou 2) Cujos montantes excedem dos limites periòdicamente fixados pelo Ministro da Fazenda para cada grupo de atividade ou produtos, segundo o grau de sua essencialidade, de conformidade com a legislação específica sôbre remessas de valores para o exterior.” No entendimento da recorrente (corroborado por decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais), o art. 71 da Lei n° 4.560/64 disciplinou inteiramente a matéria relativa à dedutibilidade dos royalties, operandose a revogação tácita da legislação anterior. Ocorre porém, que o Supremo Tribunal Federal firmou jurisprudência no sentido contrário, entendendo que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei n° 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/1958. Isto porque a Lei n° 4.506/1964 não regulou inteiramente a matéria, dispondo diversamente apenas e unicamente em relação aos domiciliados no exterior, da mesma forma como dispôs o Decreto n° 85.450/1980, em seus arts. 233 e seguintes. Logo, o art. 74 da Lei n. 3.470/1958 coexiste perfeitamente com a Lei n° 4.506/1964. É oportuna a transcrição da seguinte decisão monocrática da Ministra Carmen Lúcia: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 6 6 “DECISÃO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃO REVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. PRECEDENTE. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo de instrumento contra decisão que não admitiu recurso extraordinário, interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República. 2. O recurso inadmitido tem como objeto o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO SOBRE A RENDA E ADICIONAL. ROYALTIES. LEI Nº 3.470/58, ARTIGO 74, E LEI Nº 4.506/64, ARTIGO 71. COMPATIBILIDADE. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. LEGITIMIDADE PASSIVA "AD CAUSAM". 1. Ainda que não tenha impugnado administrativamente o valor que lhe era exigido, em nada interfere no direito que tem o contribuinte de buscar diretamente o acesso ao Poder Judiciário, mesmo porque o esgotamento das vias administrativas não é pressuposto para a atuação da lei no caso concreto. 2. O fato de o lançamento atacado pelo "mandamus" estar definitivamente constituído na via administrativa não desloca a legitimidade passiva para a Procuradoria da Fazenda Nacional, maxime em se considerando a data do ajuizamento da ação mandamental e a data da notificação do Sr. Delegado da Receita Federal, à época autoridade que detinha poderes e meios para desfazer o ato indigitado coator. Preliminar de ilegitimidade passiva "ad causam" que se afasta. 3. Legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil. 4. Não há falarse em revogação tácita do artigo 74 da Lei nº 3.470/58 pelo artigo 71 da Lei nº 4.506/64, porquanto esta não regulou inteiramente a matéria, coexistindo perfeitamente com a Lei nº 3.470/58. O que fez a nova legislação editada foi dispor diversamente apenas e unicamente em relação aos domiciliados no exterior, da mesma forma como dispôs o Decreto nº 85.450RIR/80 em seus arts. 233 e seguintes. 5. Apelação e remessa oficial providas para o fim de denegar a ordem" (fl. 62).” 3. A decisão agravada teve como fundamento para a inadmissibilidade do recurso extraordinário a harmonia do acórdão recorrido com a jurisprudência do Supremo Tribunal Fl. 312DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 7 7 Federal e a circunstância de que a ofensa à Constituição, se tivesse ocorrido, seria indireta. 4. A Agravante alega que teria sido afrontado o art. 5º, inc. II, da Constituição da República. Argumenta, em síntese, que “o art. 71 da Lei n. 4.506/64, ao se referir expressamente à dedutibilidade de despesas com royalties quando pagos a beneficiário residente no exterior, inegavelmente regula matéria de que trata o art. 74 da Lei n. 3.470/58. Em decorrência, a teor do art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil, o art. 74 da Lei n. 3.470/58 foi revogado.” (fl. 91). Analisada a matéria posta à apreciação, DECIDO. 5. Razão jurídica não assiste à Agravante. 6. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de que, embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei n. 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/1958. Nesse sentido: “Recurso extraordinário. Imposto de Renda. "Royalties". Deduções por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, em montante superior ao limite estabelecido no art. 74, da Lei n. 3.470, de 1958. Lei n. 4.506, de 30/12/1964, art. 71 e seu parágrafo único. R.I.R. de 1966, arts. 232, 233 e 234. A Lei n. 4.506/1964, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas com "royalties", não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/1958. R.I.R. de 1966, arts. 174 e 175. Acórdão que negou vigência ao art. 74, da Lei n. 3.470/1958, devidamente prequestionado, e ao art. 175, do RIR de 1966. Recurso extraordinário conhecido e provido, para restabelecer a sentença.” (RE 104.368, Rel. Min. Néri da Silveira, Primeira Turma, DJ 28.2.1992) 7. Não há, pois, o que prover quanto às alegações da parte agravante. 8. Pelo exposto, nego seguimento a este agravo (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 12 de agosto de 2008. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora(AI 671362, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 12/08/2008, publicado em DJe171 DIVULG 10/09/2008 PUBLIC 11/09/2008)” Me filio ao entendimento jurisprudencial que acabou prevalecendo no STF. O presente lançamento aplicou corretamente o disposto no art. 74 da Lei n° 3.470/1958, devendo ser mantida a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001097/200518 Acórdão n.º 180301.287 S1TE03 Fl. 8 8 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 314DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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