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Numero do processo: 13982.000703/2005-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA
Os créditos de bens adquiridos para revenda do regime de não-cumulatividade somente podem ser admitidos se tais bens estiverem sujeitos ao pagamento da contribuição. Não tendo sido comprovado nos autos do atendimento desta condição, os bens adquiridos para revenda não geram direito ao crédito do PIS.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção dos bens destinados à venda. Não tendo sido comprovado nos autos o atendimento desta condição, a depreciação não gera direito ao crédito do PIS.
AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO.
Inexistindo nos autos prova da aquisição de veículos escriturados no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação destes bens.
DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA.
Não tendo sido confirmado, pela autoridade fiscal, em face da documentação apresentada pela interessada, os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito que seriam decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica, e não tendo sido carreado aos autos, sem sede de recurso, qualquer comprovação de tais valores, incabível o crédito pleiteado.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA ADQUIRIDOS DE
PESSOAS FÍSICAS.
A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria).
VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL.
A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplica-se aos custos, despesas e encargos que sejam comuns a ambas as receitas.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-001.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA Os créditos de bens adquiridos para revenda do regime de não-cumulatividade somente podem ser admitidos se tais bens estiverem sujeitos ao pagamento da contribuição. Não tendo sido comprovado nos autos do atendimento desta condição, os bens adquiridos para revenda não geram direito ao crédito do PIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção dos bens destinados à venda. Não tendo sido comprovado nos autos o atendimento desta condição, a depreciação não gera direito ao crédito do PIS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. Inexistindo nos autos prova da aquisição de veículos escriturados no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação destes bens. DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. Não tendo sido confirmado, pela autoridade fiscal, em face da documentação apresentada pela interessada, os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito que seriam decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica, e não tendo sido carreado aos autos, sem sede de recurso, qualquer comprovação de tais valores, incabível o crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplica-se aos custos, despesas e encargos que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado
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PER/DCOMP Recorrente AGRÍCOLA COLFERAI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA Os créditos de bens adquiridos para revenda do regime de não cumulatividade somente podem ser admitidos se tais bens estiverem sujeitos ao pagamento da contribuição. Não tendo sido comprovado nos autos do atendimento desta condição, os bens adquiridos para revenda não geram direito ao crédito do PIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram crédito das contribuições no regime nãocumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção dos bens destinados à venda. Não tendo sido comprovado nos autos o atendimento desta condição, a depreciação não gera direito ao crédito do PIS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. Inexistindo nos autos prova da aquisição de veículos escriturados no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação destes bens. DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. Não tendo sido confirmado, pela autoridade fiscal, em face da documentação apresentada pela interessada, os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito que seriam decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica, e não tendo sido carreado aos autos, sem sede de recurso, qualquer comprovação de tais valores, incabível o crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 07 03 /2 00 5- 96 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de créditos do PIS/Pasep Exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa — Mercado Externo, apresentado em formulário em 31/10/2005, correspondente ao 2º trimestre de 2004, totalizando R$ 134.092,09 (f1. 01), cumulado com Declaração de Compensação, apresentada em formulário na mesma data, pretendendo compensar débitos próprios no total de R$ 39.305,00 (fl. 02), que foi, posteriormente, substituída pela Declaração de Compensação, entregue em 24/11/2005, compensando débitos no valor de R$ 80.000,00 (fl. 108). A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do Despacho Decisório n° 130/2010 (fls. 672/682), a partir das informações fornecidas pela interessada, indeferiu o pedido de ressarcimento formulado e, em conseqüência, não homologou a compensação pretendida. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 777 3 Na análise realizada pela autoridade administrativa, foram feitas glosas dos créditos decorrentes de: 1) Dos Bens para Revenda aquisições de produtos que estavam sujeitos à alíquota diferenciada (alíquotas concentradas e alíquotas reduzidas), como produtos farmacêuticos, cuja venda pelo industrial/importador não está sujeita ao pagamento da contribuição alíquota reduzida a zero (inciso I do art. 1° da Lei nº 10.147/2000) e produtos tributados com alíquota diferenciada concentrada (inciso I do art. 1° e art. 2°), e aquisições que não foi [sic] fornecido [sic] o NCM, totalizando R$ 104.025,61; 2) Das Despesas de Energia Elétrica taxa de iluminação pública e outros valores incluídos na conta mensal, mas que não representam consumo de energia elétrica, e fatura de energia do mês de junho/2004 que deixou de ser apresentada, que totaliza RS 3.273,15; 3) Despesas Financeiras Decorrentes de Empréstimos e Financiamentos por falta de confirmação de alguns valores considerados na apuração do crédito, no valor de R$ 10.703,22; 4) Dos Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado itens constantes do ativo imobilizado que não são efetivamente utilizados na produção de bens e valores de depreciação dos veículos Fiat Strada Working e Volvo NL 12360 4X2T, cujas notas fiscais de entrada não foram apresentadas, totalizando R$ 22.666,02; 5) Do Crédito Presumido — Atividades Agroindustriais crédito presumido apurado sobre aquisição de produtos agrícolas diretamente de pessoas físicas, uma vez que a legislação permitiu o creditamento para as pessoas jurídicas cerealistas a partir de fevereiro de 2004, apenas sobre compras de produtos de origem vegetal in natura, quando as vendas fossem efetuadas às agroindústrias: para o período, algumas vendas de "milho de Grão" atenderam a todos os requisitos exigidos pela legislação, representando, respectivamente, 20%, 30% e 20%, em abril/2004, maio/2004 e junho/2004, do total das vendas; e 6) Do Rateio dos Créditos créditos vinculados ao mercado externo, pelo critério de rateio, mas que foram identificados como totalmente vinculados ao mercado interno. Cientificada em 13/07/2010 (fl. 683), a interessada, por intermédio de seu representante legal (fls. 720/725), ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 688/719, em 12/08/2010, contestando as glosas procedidas pela autoridade administrativa, com o teor a seguir descrito. Argumenta que, por não possuir um sistema de custo integrado, utilizou o critério de rateio proporcional de todos os créditos, tendo sido esse o método por ela adotado em todo o anocalendário, a teor do § 8° do art. 3° da Lei IV 10.637, de 2002, e que a autoridade fiscal não se embasou em nenhuma lei ou instrução normativa, que estabeleça a vinculação dos créditos aos tipos de receita a ser realizada diretamente, sendo uma interpretação pessoal do auditor fiscal. Em relação à glosa de bens para revenda, diz que foi equivocada a inclusão dos créditos relativos a "bens adquiridos para revenda — alíquota zero , tendo sido acertada a glosa efetuada. No entanto, discorda da glosa de R$ 49.268,48 de duas notas fiscais de aquisição de defensivos agrícolas, uma vez que as aquisições ocorreram com amparo em documentos fiscais e sobre elas incidiu a tributação de PIS/Pasep e Cofins, sendo registradas em seus livros fiscais. Chama atenção ao fato de que foi intimada a apresentar um rol de 416 cópias de documentos, em formato digital, referindose aos anos 2003 Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 e 2004, ou seja, após decorridos de seis a sete anos, para atendimento num curto prazo (cinco dias), o que poderia haver ocorrido falha na inclusão de algum documento, por isso, solicita seja desconsiderada a glosa, pois de fato faz jus ao crédito. Quanto às glosas das despesas de energia elétrica, discorda do procedimento fiscal, primeiramente, porque não foi informado com clareza qual a composição dos valores glosados e, depois, porque o Legislador não limitou o crédito, segregando a fatura e detalhando os itens passíveis de crédito, já que o seu objetivo foi conceder o crédito sobre toda a fatura de energia elétrica. No que tange à glosa de despesas financeiras, diz que a não apresentação dos documentos comprobatórios pode ter ocorrido devido a falha involuntária no ato de salvar a cópia digital no CD, já que eram muitas cópias digitais solicitadas, mas as despesas ocorreram e foram registradas nos livros fiscais e na escrita contábil, de forma a possibilitar a apropriação dos referidos créditos. No que se refere a glosa dos encargos de depreciação, diz que: 1) para os bens alocados no "setor administrativo" e no "setor de faturamento" a glosa de R$ 1.039,38 procede; 2) contesta a glosa da depreciação veículos (bens) utilizados na assistência técnica agronômica, para prestação de assistência técnica aos agricultores e garantir a eficiência dos produtos que comercializa, e também para o transporte de mercadorias e grãos, já que necessários a atividade da empresa; e 3) os veículos Fiat Strada e Volvo NLI2360 foram adquiridos com amparo de documentos fiscais e foram devidamente registrados em seus livros a época, permitindo, portanto, o direito ao credito postulado sobre a depreciação dos mesmos. Aduz que o crédito presumido aproveitado está disposto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que foi permitido em duas hipóteses: no § 5º para as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal e nos §§ 10 e 11 para aquelas pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, armazenar, padronizar e comercializar os produtos "in natura" de origem animal ou vegetal; ao contrário do que entendeu o auditor fiscal que partiu do equivocado pressuposto de que o crédito só poderia ter sido pleiteado por agroindústria e não por empresas cerealistas. Outro equívoco da autoridade fiscal é o de que estaria sendo pleiteado somente o crédito previsto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, pois o crédito postulado foi também fundamentado no § 10 do art. 3º da Lei n° 10.637/2002, a exemplo do seu principal produto: "soja, que é por ela produzido, está previsto no capitulo 12 e gera direito ao crédito. Enfatiza que devem ser atendidos dois requisitos: ser pessoa jurídica e produzir as mercadorias de origem vegetal ali relacionadas e adquirir bens, no período, diretamente de pessoas físicas residentes no pais, relacionados no inciso II do caput do art. 3º. Entende haver atendido os pressupostos elencados, já que produz as mercadorias de origem vegetal, pois, ao efetuar o processo de secagem, padronização e limpeza dos grãos efetua o processo de produção/industrialização, na modalidade de beneficiamento, conforme art. 3" do RIPI, e que o entendimento de que há industrialização podese buscar na Portaria n° 262, de 1983, do Ministério da Agricultura, que define a padronização necessária para que a soja seja introduzida no mercado, assim como o julgado do STJ que entendeu ser o "arroz beneficiado" um produto industrializado. Diz atender também ao segundo requisito, já que adquire bens e insumos diretamente de pessoas físicas domiciliadas no país. Ressalta que, a partir do dispositivo vigente a partir de 02 de fevereiro de 2004, enquadrase nos requisitos estabelecidos pela lei: adquire diretamente de Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 778 5 pessoas físicas residentes no pais produtos de origem vegetal; exerce cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos ali listados; e o terceiro, que gerou a glosa, é que as vendas tenham sido efetuadas às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal e vegetal (§ 5º), mas cujo requisito também foi atendido, pois as mercadorias foram exportadas para essas pessoas jurídicas (§ 5º) estabelecidas no exterior. Tece consideração acerca da intenção do legislador na concessão do crédito presumido, concluindo que a norma tem o objetivo de não exportar tributos e fez de forma geral. Por fim, solicita seja atualizado monetariamente o valor integral do crédito que tem direito, pois, ao contrário, tipificaria um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública, não podendo ser prejudicada pela demora do Fisco na apreciação de seu pedido.” A DRJCuritiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 732/744), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. Permitese o crédito nãocumulativo em relação aos valores da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO/DEPRECIAÇÃO. BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. A partir de 01 de fevereiro de 2004, podese descontar créditos calculados em relação à depreciação apenas de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. AQUISIÇÕES DE VEÍCULOS. BENS PARA REVENDA. DESPESAS FINANCEIRAS. COMPROVAÇÃO. O aproveitamento de créditos no sistema de nãocumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, calculados sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumo, fica condicionada a comprovação dos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA' ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire produtos” in natura" de pessoas físicas residentes no País, realizando operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem para futura Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 comercialização (cerealista), somente faz jus ao crédito presumido, no período de fevereiro a julho de 2004, quanto às vendas realizadas às pessoas jurídicas produtoras de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). CRÉDITO PRESUMIDO. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. Os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por pessoas jurídicas cerealistas não geram a elas direito a crédito presumido da contribuição. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATE() PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SEL1C. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos apurados no sistema de nãocumulatividade do P1S/Pasep, por expressa vedação legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 748/783), repisando idênticos argumentos expendidos na impugnação, quais sejam . a) quanto ao rateio das receitas do mercado interno e mercado externo: que não existe nenhuma lei ou instrução normativa que estabeleça que a vinculação dos créditos aos tipos de receita deve ser realizada diretamente, quando for possível identificar a vinculação exclusiva dos créditos a cada tipo de receita; que a lei estabelece que o crédito deve ser determinado a critério a pessoa jurídica, cabendo a esta escolher a forma como irá apurálo: se possuir um sistema de contabilidade de custos integrada, poderá optar pela forma de apropriação direta; se não o possuir, poderá optar pela forma de rateio proporcional – a pessoa jurídica deve optar entre uma ou outra forma de rateio, mas não pode mesclar os dois procedimentos. que usando da faculdade que a lei lhe outorgou, por não possuir um sistema de controle permanente de estoque que lhe permitisse a sua avaliação, visto que seu estoque é apurado com base em levantamento físico e posterior avaliação, não lhe foi possível optar pela apropriação direta, restandolhe a opção do rateio proporcional; b) quanto às glosas dos bens para revenda: que foi equivocada a inclusão dos créditos relativos a "bens adquiridos para revenda alíquota zero”, tendo sido acertada a glosa efetuada. No entanto, discorda da glosa de Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 779 7 R$ 49.268,48 de duas notas fiscais de aquisição de defensivos agrícolas, uma vez que as aquisições ocorreram com amparo em documentos fiscais e sobre elas incidiu a tributação de PIS/Pasep e Cofins, sendo registradas em seus livros fiscais. que foi intimada a apresentar um rol de 416 cópias de documentos, em formato digital, referindose aos anos 2003 e 2004, ou seja, após decorridos de seis a sete anos, para atendimento num curto prazo (cinco dias), o que poderia haver ocorrido falha na inclusão de algum documento, por isso, solicita seja desconsiderada a glosa, pois de fato faz jus ao crédito; c) quanto às glosas das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica que foi submetida a um tratamento ditatorial, pois o auditor fiscal e o julgador transferiram o ônus da prova ao contribuinte, que, após longo período de tempo, teve apenas 15 dias para apresentar a documentação da forma como quis o fiscal. Afirma que a obrigação seria do fiscal ir à empresa para conferir. que a escrituração contábil faz a prova necessária e que cabe ao fisco comprovar as incorreções; que as referidas despesas financeiras ocorreram e foram registradas na escrita fiscal à época, conforme indicam os livros razão e demais demonstrativos que foram entregues em atendimento à intimação fiscal; d) quanto às glosas dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado: que a glosa de R$ 1.039,38 é procedente em relação aos bens alocados no "setor administrativo" e no "setor de faturamento"; que é indevida a glosa dos encargos de depreciação restantes, no valor de R$ 21.626,64, calculados sobre os veículos utilizados na Assistência Técnica Agronômica e no transporte de mercadorias, que são atividades de prestação de serviços que dão suporte às vendas; que os veículos Fiat Strada Working e Volvo NLI2360 foram adquiridos com amparo de documentos fiscais e foram devidamente registrados nos livros fiscais e na escrita contábil à época, permitindo, assim, o direito de se creditar em relação à depreciação dos veículos e) quanto ao crédito presumido do PIS/PASEP referente a atividades agroindustriais: que a decisão a quo violou o artigo 111 do CTN ao restringir a aplicação do termo "produzir", que tem clara definição nos artigos 3° e 4° do Regulamento do IPI, como sendo qualquer operação, mesmo incompleta, parcial ou intermediária, prevista no artigo 4º; que a decisão foi equivocada ao entender que o crédito só poderia ser requerido por agroindústria e que, como a contribuinte é empresa cerealista, não teria direito ao crédito. Entende que, para fazer jus ao crédito pretendido, importa saber se a recorrente Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 preenche os requisitos estabelecidos pela lei, não importando se é agroindústria ou cerealista ou se é agroindústria e cerealista ao mesmo tempo; que o crédito presumido aproveitado está disposto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e que foi permitido em duas hipóteses: no § 5,º para as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, e nos §§ 10 e 11, para aquelas pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, armazenar, padronizar e comercializar os produtos "in natura" de origem animal ou vegetal, como é o caso da recorrente; ao contrário do que entendeu o auditor fiscal, que partiu do equivocado pressuposto de que o crédito só poderia ter sido pleiteado por agroindústria e não por empresas cerealistas; que a autoridade fiscal equivocadamente entendeu que estava sendo pleiteado somente o crédito previsto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, mas o crédito postulado foi também fundamentado no § 10 do art. 3º da Lei n° 10.637/2002, a exemplo do seu principal produto, a soja, que é por ela produzido, está previsto no capitulo 12 e gera direito ao crédito. que, para ter direito ao crédito do PIS/PASEP referente ao §10 do art. 3º da lei nº. 10.637/2002, devem ser atendidos dois requisitos: i. ser pessoa jurídica e produzir as mercadorias de origem vegetal ali relacionadas; e ii. adquirir bens, no período, diretamente de pessoas físicas residentes no pais, relacionados no inciso II do caput do art. 3º; que atende ao primeiro requisito da lei, já que produz, na modalidade de beneficiamento, as mercadorias de origem vegetal (milho, soja e trigo, dentre outros). Afirma que, ao proceder à secagem, padronização e limpeza dos grãos, efetua o processo de produção/industrialização, na modalidade de beneficiamento. Aduz que realiza não somente um dos processos de produção, mas vários deles e simultaneamente. Alega que é infundado o entendimento da autoridade julgadora a quo, de que a contribuinte estaria ampliando a definição do termo “produzir”, vez que é o RIPI quem estabelece que o termo “produzir” é aplicável às várias situações descritas no seu art. 4º; que o entendimento de que há industrialização pode ser buscado na Portaria n° 262, de 1983, do Ministério da Agricultura, a qual define a padronização necessária para que a soja seja introduzida no mercado, assim como o julgado do STJ que entendeu ser o "arroz beneficiado" um produto industrializado; e faz considerações acerca da intenção do legislador ao conceder o crédito presumido, que seria corrigir alguma distorção relacionada à carga tributária que sobrecarrega alguma atividade ou etapa da cadeia produtiva; e f) quanto ao direito à atualização monetária, afirma que tem direito aos créditos corrigidos monetariamente, vez que a correção representa apenas uma atualização do valor nominal da moeda. Alega que a concessão dos créditos sem a atualização monetária implica em enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Ao final, requereu seja dado provimento ao recurso voluntário para : a) que sejam homologadas as declarações de compensação apresentadas; b) seja deferido, na integralidade, o crédito presumido de PIS;e c) seja atualizado monetariamente o valor integral do crédito presumido de PIS pleiteado. É o Relatório. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 780 9 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de créditos do PIS/Pasep Exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa Mercado Externo, correspondente ao 2º trimestre de 2004, no valor total de R$ 134.092,09 (f1. 01), cumulado com Declaração de Compensação, apresentada em formulário na mesma data, pretendendo compensar débitos próprios no total de R$ 39.305,00 (fl. 02), que foi, posteriormente, substituída pela Declaração de Compensação, entregue em 24/11/2005, compensando débitos no valor de R$ 80.000,00 (fl. 108). Dos Bens Adquiridos Para Revenda O art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, na redação vigente à época dos fatos alegados, assim estabelece: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) ......................................................................................................... 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ......................................................................................................... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A autoridade fiscal efetuou a glosa em relação aos bens adquiridos para revenda em razão de: a) ter a contribuinte incluído bens ( produtos farmacêuticos) não sujeitos ao pagamento da contribuição (alíquota reduzida a zero) e b) terem sido incluídos produtos farmacêuticos para os quais não foram fornecidos os códigos NCM. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Em seu recurso voluntário, a contribuinte discorda apenas da glosa efetuada no montante de R$ 49.268,48, que seriam referentes a duas Notas Fiscais de aquisição de defensivos agrícolas e que, segundo afirma a querelante, sobre elas teria incidido a tributação de PIS/Pasep e Cofins. Acontece, porém, que a contribuinte não indica o número das Notas Fiscais, tampouco junta cópia das tais NF aos autos, de forma que não há qualquer comprovação daquilo que alega. Tratandose de pedido de ressarcimento, cujo ônus de provar o direito creditório alegado cabe à contribuinte, há que se manter a glosa efetuada. Dos Encargos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado No período entre 01/02/2004 a 31/07/2004, dão direito a crédito do PIS os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços, independentemente da data de aquisição (art.3º, VI, e art. 15, II, da Lei n° 10.833/2003, c/c art.31 da Lei nº 10.865/2004). A Fiscalização efetuou a glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, tendo em vista que dizia respeito a valores relativos à depreciação de bens do imobilizado que não eram utilizados na produção dos bens destinados à venda. Já a glosa relativa à depreciação de dois veículos Fiat Strada Working e Volvo NL12360 4X2T, temse que esta ocorreu em razão de não terem sido apresentadas as Notas Fiscais de aquisição dos veículos. Em sede de recurso, a querelante incorreu na mesma carência probatória: não comprovou que os bens do imobilizado seriam utilizados na produção dos bens destinados a venda, tampouco juntou aos autos as Notas Fiscais de aquisição dos veículos, razões pelas quais não há como se deferir o crédito pretendido. Das Despesas Financeiras Decorrentes de Empréstimos e Financiamentos de Pessoa Jurídica A contribuinte teve glosados os valores referentes às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, em razão de a autoridade fiscal, em face da documentação apresentada, não ter confirmado os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito. Em sede de recurso, a contribuinte também não traz nenhum elemento de prova, limitandose a apresentar alegações referentes à dificuldade para apresentar os documentos e a afirmar que as despesas foram realizadas, sem, no entanto, respaldar tal afirmação com elementos de prova. Mais uma vez, por ausência de comprovação do crédito alegado, deve ser mantida a glosa efetuada. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 781 11 Do Crédito Presumido do PIS/PASEP Referente a Atividades Agroindustriais Em fase recursal, centrase a defesa da contribuinte na tentativa de demonstrar que teria direito ao crédito presumido do PIS/PASEP de acordo com os §§ 10 e 11 do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, já que preencheria todas as condições ali estabelecidas, quais sejam: i. ser pessoa jurídica e produzir as mercadorias de origem vegetal ali relacionadas; e ii. adquirir bens, no período, diretamente de pessoas físicas residentes no pais, relacionados no inciso II do caput do art. 3º. Vejase o que dispõe o referido §10º do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002 Art. 3º. ............................................................................................ § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Alega a recorrente que é produtora das mercadorias de origem vegetal elencadas no §10º acima transcrito, em razão de praticar a atividade de beneficiamento prevista no art. 4º do RIPI. Afirma que o art. 3º daquele Regulamento define o que vem a ser produção. Vejamos o que dispõe a legislação do RIPI invocada pela recorrente: Art. 3º. – Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária Art. 4º. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: ......................................................................................................... II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento) Vêse, claramente, que a definição do art. 3º do RIPI resumese à identificação do que seja um produto industrializado e, no art. 4º, o que vem a ser Fl. 797DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 industrialização para fins de incidência do IPI. Não há qualquer relação daqueles artigos com a definição de “produção”. Demais disso, se a legislação do PIS/PASEP e da COFINS quisesse se aproveitar de qualquer conceito firmado na legislação do IPI, assim expressamente teria mencionado nas leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, ainda que se adotasse a linha de raciocínio equivocada manifestada pela recorrente, e se buscasse o conceito de produtor na legislação do IPI, ainda assim a querelante não se enquadraria como estabelecimento industrial e, por conseguinte, com perdão das obviedades e cacofonias, não poderia ser identificada como “produtor industrial que produz produto industrializado por beneficiamento”, visto que trigo, milho e soja são produtos não tributados pelo IPI (NT), não atendendo a querelanete, assim, ao conceito estabelecido no art. 8º do mesmo RIPI: Art. 8º. Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. É claro que todos os “produtos”, por óbvio, foram “produzidos”, foram objetos de “produção”, mas “produção” no sentido de criação, de origem. No dicionário Aurélio, temse como definição do vernáculo “produzir”: 1. dar nascimento ou origem a; dar o ser a; fazer existir; criar; gerar (...) 2. Fazer aparecer, ocasionar, originar (...). Assim, o produtor dos grãos de soja, milho e trigo é aquele que planta esses produtos, que faz nascer os grãos, não aquele que os adquire. A recorrente não produz soja, milho e trigo; ela adquire estes grãos, como cerealista, e os submete ao processo de limpeza, padronização, secagem e armazenagem. A recorrente é comerciante de cereais, ou seja, é cerealista, jamais podendo ser beneficiada pelo creditamento previsto nos §§10 e 11 da lei nº.10.637/2002. Demais disso, vale repisar as considerações tecidas pela autoridade julgadora de piso: “.......................................................................................................................... De qualquer maneira, analisando a evolução legislativa sobre o tema, é possível facilmente observar a distinção dida para as atividades econômicas de "produção" de mercadorias e o seu "beneficiamento". A Lei nº. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que trata da incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, mas aplicável à contribuição para o PIS/PASEP, em decorrência do disposto em seu art. 15, estabelecia em seu § 11 do art. 3°, cuja vigência permaneceu de 1º/02/2004 a 31/07/2004: §11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no Pais produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS . devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5º, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 782 13 por cento) daquela prevista no art. 2º sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura." (Negritouse). Posteriormente, a Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (com a redação dada pelas Leis n°11.05:1, de 2004, e n°11.196, de 21/11/2005), veio determinar: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capitulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCMI, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM: (Redação dada pela Lei n2 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Pais, observado o disposto no § 4' do art. 3º das Leis nºsS 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (Destacou se). Por sua vez, a Instrução Normativa SRF n° 660, de 17 de julho de 2006, ao dispor sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente da aquisição desses produtos, na forma dos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, disciplinou: "Art.2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins,) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura, de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b)12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na .fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. (...) Art.3° A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art 22, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; (...) III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária. no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 22. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 22; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça atividade de comercialização da produção seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção." (Negritou se). Portanto, mostrase correta a glosa procedida pela unidade de origem, no sentido de que a contribuinte não poderia calcular créditos presumidos, até o mês de fevereiro/2004, vinculados a produtos "in natura” de origem vegetal: soja. trigo ou milho adquiridos de pessoas físicas, ainda que os tenha processado mediante classificação, limpeza, secagem, padronização c armazenagem para futura comercialização, pois não havia base legal que sustentasse a utilização desses créditos, à época, a não ser que a contribuinte se enquadrasse na condição de agroindústria, ou seja, que exercesse a atividade agropecuária, pelo cultivo da terra e/ou produção de animais, produzindo mercadorias de origem animal ou vegetal, nos termos do § 10 do art. 3° da lei 10.637, de 2002, o que, como visto, não é o seu caso.” Assim, pelas razões acima postas, também não vislumbro direito ao crédito previsto no §10 do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, requerido pela interessada e defendido no recurso voluntário. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 783 15 Quanto ao crédito presumido previsto nos §5º e §11 do art. 3º da Lei nº. 10.833/2003, temse que a recorrente nada trouxe em seu recurso para defender a existência do direito ao crédito relativo a esses dispositivos. Do Rateio dos Créditos A DRFBPonta Grossa constatou haver rubricas em que era possível identificar que os créditos relativos aos custos, despesas e encargos, estavam totalmente vinculados a Receita do Mercado Interno, isto é, os custos relativos a tais rubricas não se vinculavam a operações de exportação, não sendo possível, portanto, adotar o rateio proporcional em relação aos créditos assim originados. Em razão disso, foram efetuadas correções na DACON, as quais, aliadas às glosas efetuadas, resultaram na existência de crédito em favor da contribuinte. Alega a recorrente que a lei estabelece que o crédito deve ser determinado a critério a pessoa jurídica, cabendo a esta escolher a forma como irá apurálo. Desta forma, a querelante, usando da faculdade que a lei lhe conferiu, decidiu por efetuar o rateio proporcional. O §8º do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002 assim estabelece: § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Como bem salientou a autoridade julgadora a quo, o inciso II acima transcrito deixa claro que a possibilidade do rateio proporcional somente se dá em relação aos custos, despesas e encargos comuns, isto é, que estejam vinculadas tanto às receitas de vendas auferidas no mercado interno quanto às receitas de vendas auferidas no mercado externo. Assim, a despeito de a contribuinte alegar que se utilizou do método de rateio proporcional por não possuir um sistema de controle permanente de estoque que lhe permitisse a sua avaliação, não lhe sendo possível optar pela apropriação direta, fato é que a Fiscalização conseguiu bem identificar os custos, despesas e encargos que estavam vinculados às receitas de vendas auferidas no mercado interno, conforme descreveu às efl.686: “........................................................................................................................... Ocorre que em algumas rubricas é possível identificar que os créditos, relativos aos custos, despesas e encargos, estão totalmente vinculados a Receita do Fl. 801DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 Mercado Interno, não sendo possível, portanto, vincular nelas créditos com a Receita de Exportação. A primeira rubrica nesta condição é a de "Bens para Revenda", na qual encontramse registrados somente produtos e mercadorias que foram revendidos no mercado doméstico. Este fato é facilmente constatado pela verificação dos produtos que foram exportados no período: "Milho em Grão" e "Soja em Grão". Estes produtos, segundo consta dos documentos apresentados (declarações que explicam o processo produtivo), foram processados (secagem, padronização, limpeza e armazenagem) antes de serem comercializados, devendo o possível crédito relativo à entrada dos insumos constar da rubrica "Bens Utilizados como Insumos", a qual não registra qualquer valor nos três meses do período analisado. Contudo, com relação à rubrica "Bens para Revenda", todas as notas fiscais relacionadas nesta rubrica referemse a produtos e mercadorias que foram revendidas no mercado nacional, não havendo, portanto, qualquer vinculação com o mercado externo. Com a rubrica "Devoluções de Venda Sujeita A Incidência Nãocumulativa", constatase somente algumas notas fiscais de devolução de vendas de "milho em grão", nos meses de abril e junho, totalizando R$ 901,20. Tais notas encontramse relacionadas no relatório denominado "Rateio dos créditos — Devolução de Vendas vinculadas receita de Exportação" (fls02) Assim, de um total de RS 135.675,16 (total de devoluções de vendas no período), somente referidas notas podem ser consideradas, sendo todas as demais Notas Fiscais relacionadas nesta rubrica relativas a devoluções de produtos e mercadorias que foram comercializados no mercado interno, desvinculadas totalmente da Receita de Exportação. Acertadas, portanto, as correções efetuadas na DACON. Da Atualização Monetária dos Créditos Por óbvio, não tendo sido reconhecido qualquer direito creditório da contribuinte, não há que se falar em correção monetária de créditos. Demais disso, temse que a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros de créditos porventura apurados encontramse expressamente vedadas pelo artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, aplicado aos PIS por força do art. 15 da Lei nº. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ lº e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do §4º e §5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ......................................................................................................... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos§§ 1º incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 784 17 É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 803DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 12466.000273/98-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 09/08/1994 a 02/09/1994
Ementa:
VALORAÇÃO ADUANEIRA - USO DE MARCA NO BRASIL-DECISÕES COSIT 14 e 15 de 1997. Para efeito do art.8º parágrafo 1º, alínea a inciso I do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930/86, não compõem o cálculo do valor aduaneiro os custos enfrentados pelas Concessionárias as detentoras do uso da marca no País, relativamente aos serviços prestados em território brasileiro. Recursos providos.
Numero da decisão: 9303-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente substituto.
FRANCICO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 09/08/1994 a 02/09/1994 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA USO DE MARCA NO BRASIL DECISÕES COSIT 14 e 15 de 1997. Para efeito do art.8º parágrafo 1º, alínea “a” inciso “I” do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930/86, não compõem o cálculo do valor aduaneiro os custos enfrentados pelas Concessionárias as detentoras do uso da marca no País, relativamente aos serviços prestados em território brasileiro. Recursos providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. FRANCICO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 02 73 /9 8- 34 Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Keramidas (Substituto convocado), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Relatório Submetem Recurso Especial a Cia. Importadora e Exportadora – COIMEX e MMC Automotores do Brasil Ltda., protocolados em 03.05.2012, dentro do prazo estabelecido no art. 68 do RICARF, admitido parcialmente pelo Despacho nº 3.200105 caracterizando insurgimento contra o Acórdão de fl.1.123 que por maioria de votos rejeitou preliminares de nulidade e no mérito negou provimento aos recursos das ora Recorrentes, por voto de qualidade. A Decisão da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento admitiu que os valores pagos a título de licença para uso da marca constituem acréscimo ao Valor Aduaneiro da mercadoria para efeito do dimensionamento da base de cálculo dos tributos relativos à importação. O Acórdão referese a demonstrativos fiscais constantes dos autos e a existência de quantias cobradas das concessionárias pela distribuidora no Brasil, a esse título, com fundamento nos arts. 1º e 8º, 1, “c” e “d” do AVA promulgado pelo Decreto nº 92.930/86. Comprovam o dissídio jurisprudencial discorrendo sobre o conteúdo dos Acórdãos 310100.574; 310200.239 e 310200.496 que trataram de matéria idêntica deste processo. O tema já é de conhecimento farto deste Colegiado e trata do fato em que uma empresa denominada MMC Automotores do Brasil Ltda. distribuidora não exclusiva no Brasil de veículos da marca Mitsubishi, em decorrência de contrato celebrado com a Mitsubishi Motors do Japão, transfere a Cia. Importadora e Exportadora – COIMEX, na qualidade de comercial exportadora, os encargos de importar produtos japoneses. A MMC Automotores do Brasil Ltda. constitui rede de concessionários para operacionalizar a comercialização dos produtos no Brasil e para tanto, soleniza o relacionamento por via de contrato onde fica estabelecido a cobrança de remuneração pela prestação de serviços de assistência técnica e garantia e promoção publicitária e ainda, pela utilização da marca e sua divulgação. O lançamento objeto do litígio se fundamenta na declaração a menor do Valor Aduaneiro sob o pretexto de que houve influência numa possível vinculação entre importador e exportador, tudo levando a autoridade autuante ao entendimento de ter havido descumprimento de normas sobre a matéria. Em sede de Contrarrazões a Procuradoria da Fazenda Nacional que inicia combatendo a preliminar arguida pelos ora Recorrentes, relativamente à inexistência de inovação na decisão de primeira instância quando alterou a fundamentação do lançamento constante do art.8º,§ 1º, “a”, “i” do AVA para o art. 1º, “b” e “c” c/c o art. 8º, § 1º alínea “c” do AVA ou art. 8º, § 1º, “d” do AVA, o que poderia ter causado cerceamento de defesa. Alega que ao contrário de inovação o que de fato ocorreu foi um aumento nos fundamentos da autuação porque demarcando normas de incidência ao contexto fático à luz das peculiaridades das provas carreadas aos autos. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000273/9834 Acórdão n.º 9303002.876 CSRFT3 Fl. 1.410 3 Transcreve textos do Acórdão recorrido para defender a inexistência de comprometimento a ampla defesa das Recorrentes, tendo em vista o completo acesso aos fatos contrários ao interesse delas. Quanto ao ajuste da valoração aduaneira afirma que o Acórdão recorrido comprovou que a COIMEX promoveu despachos de importação de veículos produzidos pela MMC caracterizando a condição de contribuinte do imposto, lavrando notas fiscais para as concessionárias vinculadas à MMCB das quais recebia remuneração por serviços prestados e por licença de uso da marca, fato registrado n intimação nº 111/96 na fl. 489. Continua afirmando que o ajuste lançado encontra supedâneo no art.8º, “c” do AVA que prevê a inclusão de direitos de licença relacionados com as mercadorias objeito de valoração, que o comprador deva pagar direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar e, bem como, o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. Com relação ao fato sustentado pelas Recorrentes de que a MMCB não seria contribuinte do II porque não teve relação pessoal e direta com situação que constituiu o fato gerador, afirma que a responsabilidade dessa empresa está estampada expressamente no art. 124, I do CTN uma vez que as provas colhidas nos autos revelam ter ela o poder de controle das operações de importação, mesmo que elas fossem praticadas pela COIMEX. Conclui afirmando que a MMCB deve ser responsabilizada nos termos do art. 124,I do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Constato na leitura do Despacho 3200105 que não foram admitidos como divergentes os paradigmas oferecidos cuidando de Valoração Aduaneira com fundamento no art. 8º, “c” ou “d” do AVA, todos os demais tratando de nulidade, cerceamento, valoração aduaneira com fundamento no art.8º, 1, “a” e “i” do AVA e responsabilidade solidária obtiveram admissibilidade e deles tomo conhecimento. De todos sabido, que a finalidade de se quantificar economicamente o ingresso de produtos estrangeiros em um País, diz respeito ao estabelecimento dos seus exatos valores, objetivando a equalização das trocas entre os Estados, regulando o mercado na busca de impedir sub/supervaloração, e cuidando igualmente do controle documental necessário as internalizações. A Decisão objeto dos presentes Recursos, como inserido no relatório, adota o entendimento da necessidade de ajustes ao Valor Aduaneiro com a inclusão de montantes Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 pagos pelos concessionários Mitsubishi a título de licença de uso da marca com fundamento nos arts. 1º e 8º, 1, “c” e “d”, do AVA promulgado pelo Decreto nº 92.930/86. Assim, cuido primeiramente de saber se as rubricas objeto do lançamento constituem ou não valores a serem agregados por ocasião da quantificação legalizadora do ingresso no Brasil dos veículos da marca Mitsubishi. Para tanto examino os contratos que pactuam os diversos procedimentos comerciais entre as empresas envolvidas. Tais contratos celebram relações de distribuição, fornecimento, uso da marca, prestação de serviços de assistência técnica e de publicidade e ainda de compra e venda por encomenda estabelecendo que a COIMEX fica responsável pelas importações tendo a MMCB como interveniente indicando essa importadora como consignatária, nas faturas próforma repassando igualmente as necessárias cartas de crédito. Destaco inicialmente que as remunerações percebidas pela MMCB dizem respeito ao seu desempenho na prestação de serviços à rede de concessionários no Brasil e igualmente pela cessão de uso da marca não sendo ela, in casu, responsável pelas vendas dos produtos da MMC e assim, nada indica estarse tratando de comissões. Verifico nas decisões COSIT 14/15/97 que os valores pagos pelas concessionárias às detentoras de uso da marca e treinamento de pessoal não deverão constituir acréscimo ao valor aduaneiro para cálculo do II e igualmente não devem integrar a base de cálculo do IPI interpretando o disposto no art. 8º, 1 “a” do AVA como inaplicável ao caso dos autos. Nesse passo, mesmo que a decisão combatida tenha se subsumido na parte que diz respeito aos valores pagos a título de licença de uso da marca ao art. 8º, 1, “c” e “d” do AVA e o exame de admissibilidade não tenha considerado os paradigmas oferecidos quanto a essa matéria como suficientes, esse mesmo exame deferiu acesso aos paradigmas quanto ao art. 8º, 1,”a”, “i” (item 2 do Despacho 3200105) admitindo julgamento para remuneração paga no Brasil por concessionários às detentoras do uso da marca, após importação de veículos, serviços de assistência técnica, treinamento de pessoal, garantia, publicidade e concessão de autorização do uso da marca, esse último aspecto contido inteiramente na decisão combatida, fornecendo a base processual para seu julgamento. De fato, os dados constantes deste processo confirmam que a COIMEX é a importadora dos produtos e conforme constatou o Ilustre Conselheiro Júlio Alves Ramos no voto vencedor no processo 12466.000155/9816, Acórdão nº 9303002105 a cobrança dos serviços postos à disposição dos concessionários, discriminada em documento fiscal emitido pela MMCB não encontra nenhum registro de participação da COIMEX. Como já me referi em outros casos idênticos, entendo que os serviços foram realizados após as importações o mesmo ocorrendo com a cessão do uso da marca tudo sendo materializado após a entrada e o desembaraço aduaneiro em território brasileiro inexistindo, portanto, relação imediata com elas independentemente do método de valoração eleito o que me posiciona na direção de não adotar o contido no art. 124,I do CTN quanto a solidariedade. Diante de todo o exposto, sou pela inexistência de fundamento causal justificador da inclusão no cálculo da valoração aduaneira dos ditames fiscais contidos no lançamento, o que me faz dar provimento aos Recursos interpostos. Sala das Sessões, 19 de janeiro de 2014. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000273/9834 Acórdão n.º 9303002.876 CSRFT3 Fl. 1.411 5 FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11080.922006/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 20 06 /2 00 9- 50 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 3803005.940 S3TE03 Fl. 484 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 10 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 3803005.940 S3TE03 Fl. 485 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 3803005.940 S3TE03 Fl. 486 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 3803005.940 S3TE03 Fl. 487 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 3803005.940 S3TE03 Fl. 488 11 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.727440/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO CONTRIBUINTE A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO.
A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto de renda da pessoa física nas hipóteses em que o Estado não tenha efetuado a retenção na fonte.
IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRIBUINTE.
Nos termos do Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passa-se a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, nos casos em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza salarial.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO CONTRIBUINTE A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto de renda da pessoa física nas hipóteses em que o Estado não tenha efetuado a retenção na fonte. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRIBUINTE. Nos termos do Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, nos casos em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza salarial. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 40 /2 00 9- 24 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 129/216) interposto em 25 de novembro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls. 118/125), do qual o Recorrente teve ciência em 08 de novembro de 2010 (fl. 128), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/09, lavrado em 17 de novembro de 2009, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda pessoa física, verificada nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 118). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.727440/200924 Acórdão n.º 2101002.440 S2C1T1 Fl. 226 3 Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 129/216, por meio do qual reitera os argumentos trazidos em sua impugnação, alegando, em apertada síntese, que: (i) a própria fonte pagadora, no caso o Ministério Público da Bahia, aduziu a natureza indenizatória das diferenças de URV, à luz da Lei Estadual Complementar n.º 20/2003, mencionando, ainda, a Resolução n.º 245 do STF, o que demonstraria que sobre as verbas não incidiria IR; (ii) a decisão recorrida não enfrentou a suposta falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda, que pertenceria ao Estado, acarretando em ofensa a vários princípios constitucionais, dentre os quais o devido processo legal, motivação, contraditório e ampla defesa e, bem assim, ao deixar de analisar a ofensa à capacidade contributiva do Recorrente, incorreu em cerceamento ao direito de petição; (iii) no mérito, além da natureza indenizatória das verbas, alegou quebra do princípio da isonomia, porquanto a supra citada resolução do STF aplicarseia, por analogia, aos membros do Ministério Público; (iv) a autoridade fiscal aplicou alíquotas incorretas, bem como desconsiderou deduções cabíveis; (v) necessidade de exclusão da multa de ofício e dos juros de mora; (vi) não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodosbase de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação, sendo nítida a sua boafé no caso vertente; e (vii) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e aos rendimentos isentos; conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em face do contribuinte, em virtude de ter sido verificada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, tendo estes sido apontados como rendimentos isentos e não tributáveis. Mencionados rendimentos foram recebidos do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003. Em se tratando de recurso que versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, houve resolução deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de determinar o sobrestamento de seu julgamento, até o trânsito em julgado de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos art. 62A, §§ 1º e 2º, do RICARF. Cumpre salientar, todavia, que, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria MF n.º 545, que alterou o Regimento Interno do CARF, revogando os parágrafos primeiro e segundo do supracitado art. 62A, razão pela qual retornam os autos para julgamento. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Preliminarmente, com relação ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista a redação do art. 157, I, da Constituição Federal, verificase que este dispositivo trata da repartição da receita tributária. Não obstante a destinação da arrecadação obtida por meio de tributos ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. Sustenta o Recorrente, ainda preliminarmente, que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo devido seria da fonte pagadora, ou seja, o Estado da Bahia. Contudo, o Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, dispôs que, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, no caso em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Verificandose que os rendimentos auferidos pelo contribuinte constaram da Declaração de Ajuste Anual, concluise por sua responsabilidade quanto ao Imposto de Renda não recolhido. Quanto ao mérito, aduz o contribuinte, inicialmente, que os valores recebidos teriam natureza indenizatória, razão pela qual não haveria que se falar em sua inclusão na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fundamentase, para tanto, na redação do art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003, segundo o qual “São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei”. Não obstante o mencionado dispositivo consignar o caráter indenizatório dos rendimentos, imprescindível que se realize a análise de sua natureza jurídica, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças decorrentes do erro na conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requer o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, o qual disporia acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.727440/200924 Acórdão n.º 2101002.440 S2C1T1 Fl. 227 5 A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução nº 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Sustenta ainda o Recorrente que deveriam ser excluídas de eventual tributação os valores relativos a (i) 13ª salário, por ser parcela isenta, e às (ii) férias indenizadas, por entender que sujeitas a tributação exclusiva. Neste sentido, aduz que os valores recebidos pelo Estado da Bahia tratou de todo o valor pago, URV e as supostas verbas em comento, sem, contudo, especificar as parcelas de acordo com sua natureza jurídica. Ocorre, todavia, que, como constou expressamente no auto de infração, tais verbas já foram excluídas do cálculo do tributo pela fiscalização. Por fim, em relação à multa de ofício, entendo que esta deve ser excluída do lançamento. Isso com base na boafé do Recorrente, caracterizada pelo fato de ter agido simplesmente de acordo com expressas informações existentes na Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003. Justificando referido entendimento, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido que o erro escusável do contribuinte, em situações como a dos autos, autoriza a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Assim, ao recurso deve ser dado provimento em parte, apenas para afastar a multa de ofício. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento EM PARTE ao recurso, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10380.011656/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.578
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MÁRCIO MILITÃO SABINO
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dr. Marcos Machado Fiuza, OAB/CE nº 10.921.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dr. Marcos Machado Fiuza, OAB/CE nº 10.921. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 11 65 6/ 20 08 -4 0 Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, MÁRCIO MILITÃO SABINO, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 03/13, para cobrança de Imposto de Renda, no valor total de R$ 1.018.864,62. Sobre o Imposto de Renda apurado foi lançada Multa de Oficio, no percentual de 75%, no valor total de R$ 764.148,46. O Auto de Infração vem cobrando, também, Multa de Oficio Isolada, no valor de R$ 67.322,79, relacionada a rendimentos percebidos de pessoas físicas, objeto de infração dc omissão de rendimentos, relativamente ao fato gerador do mês de dezembro do ano calendário de 2003 e ao lato gerador do mês de dezembro do anocalendário de 2004. O crédito Tributário totalizou, em 31/07/2008, o valor de R$ 2.430.534,48, incluindo Imposto dc Renda Pessoa Física Suplementar, Multa de Oficio, Multa de Oficio Isolada e Juros de Mora, apurados corn base na Taxa Selic. De acordo com a descrição dos fatos c enquadramento legal, fls. 06/07, e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 14/31,0 crédito tributário decorreu das seguintes infrações: INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS, SUJEITOS A CARNÊ LEÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Rendimentos de honorários advocatícios percebidos de pessoas físicas, pela atuação, como advogado, em diversos processos judiciais de precatórios relacionados a ações judiciais movidas por pessoas físicas contra o Instituto Nacional do Seguro Social, INSS. O senhor contribuinte, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, atuou, conjuntamente com outros advogados, em diversos processos judiciais de precatórios, percebendo rendimentos dc honorários advocatícios pagos pelas pessoas físicas beneficiárias dos precatórios, e percebendo, também, rendimentos de honorários advocatícios por sucumbência pagos pelo INSS. A fiscalização de posse da relação dos processos judiciais de precatórios, para os quais o senhor contribuinte atuou, identificou os demais advogados, o valor de cada precatório e o valor dos honorários, documentos anexados às fls. 106/339 e 341/553. Verificouse que o senhor contribuinte percebeu de pessoas físicas, beneficiários dos precatórios, honorários advocatícios no ano calendário de 2003, que somaram o valor de R$ 281.151,75. Verificouse que o senhor contribuinte percebeu de pessoas físicas, beneficiários dos precatórios, honorários advocatícios no ano calendário de 2004, que somaram o valor dc R$ 211.545,57. A infração de omissão de rendimentos foi definida através de diligência contra o senhor contribuinte e contra os outros advogados que atuaram nos diversos processos judiciais de precatório. Os advogados foram intimados a informar o valor dos honorários relativamente a Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 4 3 cada precatório levantado. Em resposta, os advogados informaram o valor do precatório levantado e o valor dos honorários. Fezse diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, contra todos os advogados atuantes no processo judicial de precatórios (foram intimados 14 advogados), intimandoos a responder sobre o valor de honorários efetivamente recebidos, relativamente a cada processo judicial em que atuaram. Com base nas respostas, a fiscalização logrou obter informação sobre o valor do precatório e o valor dos honorários, relativamente a cada advogado. Deduziuse que o senhor contribuinte percebeu dc pessoas físicas para todo o anocalendário de 2003 um montante de R$ 281.151,75, e para o anocalendário de 2004, um montante de R$ 211.545,57, demonstrativo anexado is lis. 31. Esse valor foi deduzido corno base no montante dos precatórios liberados e depositados na conta corrente do senhor contribuinte mantidas na CEF e no Banco do Brasil. Considerando que na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2004 e na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, não foi informado nenhum valor de rendimentos percebidos de pessoas físicas, a fiscalização imputou ao senhor contribuinte infração de omissão de rendimentos. Tanto na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2004 como na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, o senhor contribuinte informou apenas rendimentos percebidos da Gerencia Executiva do INSS, CNPJ n° 29.979.036/004219. Para uma melhor concepção dessa infração de omissão de rendimentos, transcrevemse, abaixo, trechos do Termo de Verificação Fiscal. Quanto aos honorários recebidos, diligenciamos os advogados sindicados pelo contribuinte e apenas um, o Sr. Pedro Gomes Pimenta não respondeu a nossa intimação, os demais confirmaram o trabalho em conjunto e informaram valores recebidos superiores ao constante na tabela fornecida pelo fiscalizado nos anos de 2002 e 2003. Indagado sobre tais divergências no Termo de Intimação n° 3 o mesmo afirmou que cometera um engano, pois possivelmente informara os valores sem a correção monetária devida por ocasião do pagamento. Referidos valores são provenientes dos honorários recebidos de pessoas físicas, e de acordo coin as declarações do imposto de renda dos exercícios de 2003, 2004 e 2005, não foram oferecidos à tributação pelo contribuinte, portanto, serão tributados neste Auto de Infração como omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carne leão. A falta de discriminação do contribuinte por datas e valores dos recebimentos dos honorários condicionou a esta fiscalização o lançamento da omissão de rendimentos no mês de dezembro, forma esta menos lesiva ao contribuinte; Não é usual a observação do contribuinte ao dizer que o gerente da instituição financeira poderia ter aplicado os recursos disponíveis em suas contas sem sua autorização previa; isso costuma acontecer quando a conta é de aplicação automática, o que não é o caso em Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 5 4 questão, conforme se observa nos seus extratos bancários. E importante ressaltar que nos Informes dc Rendimentos Financeiros dos anos calendários de 2003 e 2004 apresentados pelo contribuinte a esta fiscalização, verificase um acréscimo significativo em suas aplicações financeiras e não declarados por ele ao fisco. No ano de 2003, o fiscalizado aplicou R$ 586.843,57 em Fundo de Investimento FAC na Caixa Econômica Federal, permanecendo com esta aplicação até o fi m do ano seguinte, ou seja, 31/12/2004, com o valor de R$ 542.436,34. A permanência de vultosa quantia por longo prazo nas suas aplicações financeiras denotam que de fato o contribuinte auferiu rendimentos em valores bastantes superiores aos declarados em suas declarações de imposto de renda; Diante do acima exposto, relativamente aos anos calendário de 2003 e 2004, apuramos as seguintes infrações: Em conformidade com o Art. 42, § 2o da Lei n 0 9.430/96, foram tributados os valores de R$ 281.151,75 e R$ 211.545,57 recebidos nos anos calendários de 2003 e 2004, respectivamente, a titulo de honorários advocatícios obtidos através do fiscalizado ( documentos (is. 106 e 341) c ratificado em diligência junto aos advogados ( documentos fls. 718 a 849), conforme discriminado abaixo e consolidados na Tabela n°8. Para o lançamento foram considerados tais valores de acordo corn os esclarecimentos do próprio contribuinte. Vale salientar que nas planilhas e demais documentos de lis. 108 a 338 ano 2003 c lis. 342 a 552 ano calendário 2004 , apresentados pelo contribuinte constam os números dos processos, os nomes dos advogados responsáveis por tais ações, os valores dos precatórios pagos e o valor dos honorários correspondentes. Podese observar que os valores dos honorários correspondem a 30% dos valores dos precatórios, distribuídos entre os advogados de acordo com o percentual que de direito lhes cabe. Referidos rendimentos não foram oferecidos A tributação pelo contribuinte conforme se constata nas suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2004 e 2005, anos calendários de 2003 c 2004. Embora recebidos no decorrer do ano, os rendimentos omitidos foram lançados no presente Auto de Infração no mês de dezembro, tendo em vista que o contribuinte não apresentou os valores mensais recebidos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA Em decorrência da infração de omissão de rendimentos percebidos de pessoas físicas, honorários advocaticios, processos judiciais de precatórios, exigiuse Multa de Oficio Isolada que foi apurada sobre o carnêleão que deixou de ser recolhido, relativamente aos rendimentos de honorários advocaticios omitidos da Declaração de Ajuste Anual. Assim: 1) relativamente ao anocalendário de 2003, fato gerador do mês de dezembro, a Multa de Ofício Isolada foi apurada no percentual de 50% sobre o carnêledo no valor de R$ 76.893,65, que teve por base de cálculo o rendimento omitido no valor de R$ 281.151,75. Apurouse Multa de Oficio Isolada, no valor de R$ 38.446,83. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 6 5 2) relativamente ao anocalendário de 2004, fato gerador do mês de dezembro, a Multa de Oficio foi apurada no percentual de 50% sobre o carnêleão no valor de R$ 57.51,95, que teve por base de cálculo o rendimento omitido no valor de R$ 211.545,57. Apurouse Multa de Oficio Isolada, no valor de R$ 28.875,98. Desta forma, apurouse Multa de Oficio Isolada no valor total de R 67.322,79, conforme consignado no Auto de Infração. INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Dada a constatação de incompatibilidade entre o montante dos rendimentos declarados e o montante da movimentação financeira em contas correntes, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários, relativamente aos anoscalendário de 2002, 2003 c 2004, das contas correntes, contas de poupança e de aplicação financeira. Em resposta à intimação, fls.99/101, o senhor contribuinte informou que exercia a atividade dc advocacia, na área previdenciária, e que os recursos creditados na conta corrente da Caixa Econômica Federal e na conta corrente no Banco do Brasil são relativos a levantamentos de precatórios relacionados à processos judiciais contra o Instituto Nacional do Seguro Social, INSS (clientes do senhor contribuinte). Os precatórios foram depositados na sua conta corrente e posteriormente transferidos para o cliente, autor do processo judicial, diminuídos dos honorários advocatícios. Os honorários advocatícios eram rateados com os advogados que atuaram no processo judicial e transferidos para a conta corrente de cada um. Nos processos de precatórios relacionados à conta corrente da Caixa Econômica Federal houve sempre a participação conjunta de advogados. O senhor contribuinte esclareceu que por questão de sigilo profissional não poderia identificar os clientes autores do processo de precatório e beneficiários dos precatórios. Estava impossibilitado de apresentar os recibos para os clientes relacionados ao valor do precatório hem como o recibo Fornecido pelo recebimento dos honorários. Como prova, o senhor contribuinte apresentou: 1) um demonstrativo de distribuição de honorários, fls.106/116 e 341/353, discriminando o processo de precatório, o valor do precatório, o nome dos advogados e o valor dos honorários; 2) um extrato do Tribunal Regional Federal da 5' Região, Ils.116/338 e 359/552, discriminando os precatórios liberados nos anos calendário dc 2002, 2003 e 2004. A fiscalização considerou, no exame dos argumentos, relativamente as contas correntes mantidas no Unibanco e no Banco do Brasil S/A, as Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 7 6 transferências, via TED, provenientes da conta corrente mantida na Caixa Econômica Federal. Todas as transferências via TED, consignadas nas contas correntes do Unibanco e no Banco do Brasil S/A, provenientes da conta corrente da Caixa Econômica Federal, foram excluídas para efeito de comprovação da origem. Intimouse o senhor contribuinte a apresentar documento que correlacionasse o valor do precatório e o crédito na conta corrente na Caixa Econômica Federal, hem como na conta corrente do Banco do Brasil, e a apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo aos honorários de sucumbência, conforme informado na Declaração de Ajuste Anual. Em resposta, o senhor contribuinte reiterou o dever do sigilo profissional, referindose aos recibos dos clientes relacionados aos repasses do precatório, e apresentou: 1) uma declaração da Caixa Econômica Federal referindose aos levantamentos de precatórios, Ils. 562/565; 2) cópias de Documento de Arrecadação de Receitas Federais, DARFs, com código 0588, fls.567/568. DARF relativo ao IRRF recolhido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (Gerencia Executiva do INSS em Fortaleza), CNRI n° 29.979.036/004219 (documento fornecido pela CEF. 3) copias de Documento de Arrecadação de Receitas Federais, DARFs, 8 DARFs corn código 0190 e 49 DARFs corn código 0588, Ils.573/797. Recolhimentos mensais de responsabilidade do próprio senhor contribuinte, utilizandose o CPF n°310.726.58372. Pelo fato de o senhor contribuinte ter informado na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2004, anocalendário 2003, rendimentos percebidos de pessoas jurídicas, Gerência Executiva do INSS em Fortaleza, no valor de R$ 140.000,00, com retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor dc R$ 5.130,67, e, pelo fato de o senhor contribuinte ter informado na Declaração de Ajuste Anual do exercício Financeiro de 2005, anocalendário 2004, rendimentos percebidos de pessoas jurídicas, Gerência Executiva do INSS em Fortaleza, no valor de R$ 173.717,60, com retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 5.562,72, a fiscalização intimou o senhor contribuinte a apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fornecido pela Gerencia Executiva do INSS, CNPJ ri° 29.979.036/004219. O senhor contribuinte não apresentou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte que teria sido fornecido pela Gerencia Executiva do INSS, CNPJ n° 29.979.036/004219. A fiscalização considerou os depósitos da conta corrente mantida na Caixa Econômica Federal que guardaram correspondência com o levantamento do precatório como de origem comprovada, tendo por base os extratos das contas do contribuinte contendo os valores Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 8 7 relativos aos precatórios, documentos fornecidos pela Caixa Econômica Federal. Relativamente à conta corrente mantida na CH, verificaramse: 1) para o anocalendário de 2003, depósitos bancários com um montante anual de R$ 5.275.301,12. Verilicaramse depósitos bancários correspondentes aos precatórios judiciais, em um montante anual de R$ 2.578.360,53. A diferença no valor de R$ 2.696.940,67 foi tida como de origem não comprovada; 2) para o anocalendário de 2004, depósitos bancários com um montante anual de R$ 2.467.498,77. Veri ficaramse depósitos bancários correspondentes aos precatórios judiciais, em um montante anual de R$ 2.138.398,94. A diferença no valor de R$ 329.099,83 foi tida como de origem não comprovada. Relativamente à conta corrente mantida no Banco do Brasil S/A, verificaramse: 1) para o anocalendário de 2003, depósitos bancários com um montante anual de R$ 115.000,00 (para efeito de intimação para comprovação da origem, as transferências, via TED, da CEF não foram consideradas). Não se veri ficaram depósitos bancários correspondentes aos precatórios judiciais. Todos os depósitos bancários foram tidos como de origem não comprovada; 2) para o anocalendário de 2004, depósitos bancários com um montante anual de R$ 71.224,45 (para efeito de intimação para comprovação da origem, as transferências, via TED, da CEF não foram consideradas). Não se verificaramse depósitos bancários correspondentes aos precatórios judiciais. Todos os depósitos bancários foram tidos como de origem não comprovada. Relativamente aos anoscalendário de 2,003 e 2004, ha de se esclarecer, portanto, que os depósitos bancários objeto da infração de omissão de rendimentos são relativos à conta corrente da CEF e à conta corrente do Banco do Brasil S/A. O depósito bancário que não teve sua origem comprovada, por falta de documento ou por não haver coincidência de data e valor, foi considerado corno omissão de rendimento, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 06/09, no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 10, anexos ao Auto de Infração. Inconformado com a exigência, da qual tornou ciência, em 13/08/2008, conforme Aviso de Recebimento, fls.857, o contribuinte apresentou, em 04/09/2008, impugnação, documento anexado às us. 858/863. Em sua impugnação, o contribuinte argumentou, em síntese: Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 9 8 1) nulidade por quebra de sigilo bancário. Extrato bancário obtido sem autorização judicial. Provas ilícitas; 2) os honorários advocatícios eram rateados entre os demos advogados coparticipantes. A fiscalização não observou esse fato ao apurar os honorários a ele atribuídos; 3) pelas informações da CEF não remanescem depósitos bancários de origem não comprovada. Todos os depósitos bancários foram provenientes da Tribunal Regional Federal da 5" Região. Aos depósitos bancários de origem não comprovada aplicase o entendimento da Súmula 182 do extinto Tribunal de Recursos, não podendo prevalecer as disposições do artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996; 4) depósito bancário não configura fat o gerador do Imposto de Renda. Para uma melhor compreensão dos argumentos da impugnação, transcrevemse trechos da impugnação. E axiomático que o signatário, na condição de profissional liberal, advogado, seu escritório, por si só, já é uma entidade societária de Cato, e que, para efeito de IR, dispensa as formalidades legais. De principio fica claro Sr. Julgador, que os honorários calculados sobre os recursos que aportam nas contas do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal objeto de fiscalização e abertas por exigência do INSS, são rateados pelos entre os sócios do nosso escritório de nomes: FRANCISCO RONALDO VIEIRA MARTINS – CPF 398.705.96304, FRANCISCO JOSE SIQUEIRA CAVALCANTE CPI' 172.314.933 00, MARCO ANTONIO FEITOSA MOREIRA C13 1 7 266.313.93353, DEODATO JOSE RAMALHO JÚNIOR CPF 053.107.33353, GLAUCIA MILITÃO SABINO CPF 223.226.04372, ANTONIO SALDANHA FREIRE CPF 081.573.16391, PEDRO MORAES FILHO CIF 233.90S.48368, GERALDO MAGELA RIOS FILHO CPF 059.482.66320, ALVARO AVILA COSTA LIMA CPF 247.918.223 '5, ANTONIO PADUA DO NASCIMENTO CPF 220.185.90359, JOSE RAMIRO TEIXEIRA JÚNIOR CPI; 242.196.22349, PEDRO GOMES PIMENTA 530.316.01815, JOSE CLAUDIO GOMES BARROS CPF 455.907.45349, JOSÉLIA DE MORAIS SERAFIM CPF 367.550.10359, CÍCERO ROGER MACEDO GONÇALVES CPF 381.029.51320. Outrossim, é quase impossível poder comprovar toda movimentação.dado que, grande parte dos depósitos é retorno, cujo interessado não foi encontrado ou até faleceu, quando posteriormente foi novamente enviado para herdeiros habilitados para o recebimento dos créditos. Tivemos a boa vontade de atender no que foi possível, a todos os termos que nos foi enviado, conforme consta dos autos. Até do ponto de vista lógico, é fácil entender que o valor dos recursos depositados (3 do beneficiário, e não dos advogados. Ao escritório, cabe os honorários, cm média 30% (trinta por cento), que por sua vez é rateado pelos componentes do escritório dc advocacia do ora impugnante. 31)0 Direito Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 10 9 Entendemos que esta autuação tem corno base um programa de fiscalização respaldado na "CPMF", Contribuição Provisória sob Movimentação Financeira. A simples ocorrência de movimentação financeira é um dado absolutamente insuficiente para que se cogite da existência de dever referente ao Imposto de Renda Pessoa Física. E nítida, portanto, a distinção entre "auferimento de renda" (fato gerador de Imposto dc Renda) e a "movimentação financeira" fato gerador de CPMF. O sigilo bancário é urna garantia individual que tern guarida em dois dispositivos constitucionais. No inciso X, do art. 5', em que se dispõe acerca da inviolabilidade da privacidade e da intimidade dos indivíduos, a proteção ao sigilo bancário está pois naturalmente a intimidade e a privacidade de cada um envolve sua vida financeira econômica. .1Ei no inciso XII do mesmo artigo, a inviolabilidade do sigilo bancário é compreendida a partir da proteção ao segredo de dados: "X são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;" (...) • "XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no Ultimo caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na rotina que a lei estabelecer para fins de investigação criminal e instrução processual penal;" Da literalidade de tais normativas é possível concluir que, primeiro; deve ser interpretado o direito de modo restritivo no que diz respeito que são invioláveis a intimidade e a vida privada, já que nenhuma exceção foi prevista. Estes são direitos e garantias individuais e fundamentais, consagrados no art. 5o. da Constituição Federal, com aplicação imediata, independente de lei, conforme prescreve o seu parágrafo 1 0, e sequer podem ser objeto de Emenda à Constituição. O direito aos respeito à vida privada consiste no direito de impedir que terceiros venham a descobrir as particularidades da vida alheia. Tendo assim, o cidadão o direito a garantia constitucional de que outras pessoas não venham a intrometerse na sua es fera particular, inclusive o fisco. Já o de direito à intimidade é sucessivo ao direito de respeito a vida privada, consistindo na garantia do cidadão na não divulgação de sua imagem ou de noticias suas sem o seu prévio consentimento. Portanto, não havendo exceções na norma constitucional, vedase tanto a intrusão quanto A divulgação dc dados inerentes A vida privada e A intimidade de cada cidadão. A compreensão de a privacidade e intimidade envolve, necessariamente, o sigilo bancário do cidadão, conforme já que foi assentado no Supremo Tribunal federal, em voto do Ministro Carlos Veloso, na Petição n°. 5775DF, que tem os seguintes termos: Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 11 10 "Senhor Presidente, permitome, com licença de V. lixa., voltar ao tema. Em primeiro lugar, para dizer que tenho o sigilo bancário como espécie de direito à privacidade, que é inerente à personalidade das pessoas, já que não é possível que a vida destas pudesse ser exposta a terceiros. Isto é o que está escrito no inciso. X art. 50 da Constituição Federal: " são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação" É certo que não se trata de um direito absoluto. Embora seja um direito privado, com finalidades públicas, pode sofrer abrandamentos e refreamentos diante de outros direitos públicos fundamentais. Assim, se dá com todos os direitos fundamentais, inscritos na Constituição Federal. Contudo, esta limitação somente poderá ocorrer diante do Poder Judiciário, já que se trata do único órgão estatal competente para tratar desde tipo de sopesamento de direitos fundamentais, tendo em vista sua imparcialidade e independência. Além do mais, para tanto, o magistrado deve ser especialmente cauteloso e prudente, deixando tal medida como último recurso. Assim, percebemos que, se a Secretaria da Receita Federal entender que a abertura da movimentação financeira será imprescindível para uma investigação fiscal, deverá levar o caso ao Judiciário, apresentando suas razões para tanto. A partir dai, mediante urna análise do caso concreto, contrapondo as razões do Fisco As alegações do particular, é que poderia o magistrado, fundamentadamente, autorizar a quebra de sigilo. Só com esta efetiva participação do particular em processo judicial, em que se garanta sua ampla defesa, mediante a comunicação e possibilidade de participação em todos os atos processuais, c: que se poderá Calm em legitima apresentação de documentos reveladores de sua movimentação bancária. certo que, a fim de ser identificada renda tributável, é imperioso que, num determinado lapso de tempo (período anual), alguém obtenha um incremento em seu patrimônio (saldo positivo), oriundo do confronto de suas eventuais receitas e despesas, situação esta impossível de ser verificada mediante o simples exame da movimentação financeira. A partir de informações prestadas pelas instituições financeiras não há como concluir que tendo havido movimentação superior à declarada isto acarretaria falta de pagamento de Imposto de Renda Pessoa Física. Neste sentido, é imperioso trazer a lume a Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos: "Súmula n° 182 É ilegítimo o lançamento de Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos bancários" Outrossim, este é também o atendimento do Egrégio I° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 12 11 "PROCEDIMENTO FISCAL AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITO BANCÁRIO No arbitramento, em procedimento de oficio, efetuado com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42 da Lei n°9.430/96, de 27/12/1996, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é Imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados corno renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si so, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando for comprovado o nexo causal entre o deposito e o fato que represente omissão de rendimentos," Do pedido Do exposto Sr. Julgador, nos parece que a autoridade fiscal se deixou levar tão somente pela "presunção" de omissão de receita e não levou em consideração os aspectos mais relevantes da fiscalização em si. Por oportuno, lembramos que estamos à disposição de Senhores para qualquer diligência que julgar necessária. E na ausência de outro assunto para o momento, pedimos a total improcedência desse Auto de infração, para em seguida, reiterar os protestos de elevada estima e distinta consideração. impugnação não foi juntado nenhum documento. A DRJ julga a impugnação improcedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os altos geradores ocorridos a partir dc I° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n0 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. ONUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, 6, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, mormente se a movimentação bancária supera em muito o montante de rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual. DEPOSITO BANCÁRIO. ORIGEM COMPROVADA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. LIBERAÇÃO DE PRECATÓRIOS. RENDIMENTOS SUJEITOS A CARNÊLEÃO. Comprovada a origem do depósito bancário como proveniente de levantamento de precatórios, feito através de processo judicial, no qual Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 13 12 o senhor contribuinte atuou como advogado, cabível a averiguação da tribulação dos honorários advocaticios relacionados aos precatórios, pagos pelos clientes beneficiários dos precatórios. Não se tendo informado na Declaração dc Ajuste Anual nenhum rendimento percebido de pessoas fisicas, caracterizada está a infração de omissão de rendimentos. Não há como se elidir o ilícito se a documentação de demonstração dos precatórios e dos correspondentes honorários advocaticios foi apresentada pelo próprio contribuinte e não foi objeto dc argumentação de incompatibilidade com a verdade dos latos. RENDIMENTOS PERCEBI DOS DE PESSOAS JURÍDICAS. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊ,NCIA. Tratandose de precatórios gerados em processo judicial contra o Instituto Nacional do Seguro Social, os honorários de sucumbencia são rendimentos percebidos de pessoa jurídica, mormente se o Instituto Nacional do Seguro Social fez a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte, quando da liberação do precatório, conforme a documentação apresentada pela CEF, instituição financeira que foi utilizada para pagamento dos precatórios. RECOLHIMENTO DE CARNELEÃO. COMPENSAÇÃO. Verificandose recolhimento de Carneleão correlacionado rendimentos percebidos de pessoas físicas que foram omitidos da Declaração de Ajuste Anual, temse como correta a compensação dos valores recolhidos, na apuração do Imposto de Renda no Auto de Infração, urna vez que estarse tributando rendimentos que sofreram tributação no mês dc percepção, mas foram omitidos da Declaração de Ajuste Anual. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação As leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis 6. tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. DECISÕES DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Aplicase a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARE, com efeito vinculante conforme Portaria do Ministro da Fazenda n° 383, de 2010, somente quando o acórdão, citado na defesa, enquadrase como acórdão paradigma. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 14 13 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA PELO FISCO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. NÃO VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS INSERIDAS NOS INCISOS X E XII DA CF/88. SIGILO FISCAL. 0 sigilo bancário só tem sentido enquanto protege o contribuinte contra o perigo da divulgação ao público, nunca quando a divulgação é para o fisco que, sob pena de responsabilidade, jamais poderá transmitir o que lhe foi dado a conhecer. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após análise da autoridade de primeira instância, esta resolveu afastar parte do lançamento, no relativo a multa isolada por estar devidamente comprovado nos autos o recolhimento de R$ 3.449,71. A Recorrente apresenta recurso voluntário, onde reitera basicamente os mesmo argumento da impugnação, reiterando os seguinte pontos: Da quebra de sigilo bancário e das provas ilícitas; Da irregularidade do lançamento baseado em depósitos bancários; Dos rendimentos percebidos pela pessoa física – Honorários advocatícios Para fazer prova da improcedência total do AI, faz anexar os Doc III e Doc IV, as relações pormenorizadas com todos os detalhes que possibilitam identicar claramente e comprovar devidamente os pagamentos e / ou repasses dos valores recebidos pelo contribuinte autuado, tais como explicita nas fls, 955 a 973. É o relatório. Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.011656/200840 Resolução nº 2202000.578 S2C2T2 Fl. 15 14 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício e voluntário estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Considerando o teor do recurso, bem como os aspectos fundamentalmente fáticos citados no recursos, penso que no caso concreto, o recorrente tem direito a ter seus argumentos apreciados. Diante dos fatos, e tendo em vista a documentação acostada no recurso voluntário, e os argumentos enunciados no recurso, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido mais uma vez em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 – Que a fiscalização aprecie os argumentos/provas, particularmente aquelas previstas no recurso voluntário, sobre a validade das provas apresentadas, bem como realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as explicações propostas pela recorrente, particularmente no que toca aos precatórios apontados pelo recorrente em seu recurso; 2 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10768.012468/2003-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 16/09/1993 a 10/04/1995
DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TESE CINCO MAIS CINCO.
Tratando-se de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, não há de se aplicar o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do que restou decidido pelo STF no Acórdão 566.621 e, sim pelo STJ conforme o norteamento traçado pelo no Acórdão nº 644.736, que acolhe a cognominada tese dos cinco mais cinco anos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito do contribuinte à repetição do indébito e determinar o retorno do processo à DRJ Rio de Janeiro II para que seja julgado o mérito da manifestação de inconformidade.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 16/09/1993 a 10/04/1995 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TESE CINCO MAIS CINCO. Tratando-se de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, não há de se aplicar o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do que restou decidido pelo STF no Acórdão 566.621 e, sim pelo STJ conforme o norteamento traçado pelo no Acórdão nº 644.736, que acolhe a cognominada tese dos cinco mais cinco anos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito do contribuinte à repetição do indébito e determinar o retorno do processo à DRJ Rio de Janeiro II para que seja julgado o mérito da manifestação de inconformidade. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 16/09/1993 a 10/04/1995 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TESE CINCO MAIS CINCO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, não há de se aplicar o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do que restou decidido pelo STF no Acórdão 566.621 e, sim pelo STJ conforme o norteamento traçado pelo no Acórdão nº 644.736, que acolhe a cognominada tese dos cinco mais cinco anos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência do direito do contribuinte à repetição do indébito e determinar o retorno do processo à DRJ – Rio de Janeiro II para que seja julgado o mérito da manifestação de inconformidade. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 24 68 /2 00 3- 80 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário visando afastar o não reconhecimento do direito de crédito do período de apuração de 16/09/1993 a 10/04/1995 referente à COFINS, negado ao argumento de decadência do direito de pleitear o indébito. A decisão recorrida sustenta que o dies a quo do prazo decadencial para que o sujeito passivo repetir o indébito tributário é contado do pagamento efetivo e não o da homologação, motivo pelo qual reconheceu a perda do direito da Recorrente, visto que, entre a data do pagamento e o protocolo do pedido de ressarcimento teria decorrido mais de cinco anos. Ao contrário da Administração Fiscal, a tese defendida pela empresa Interessada é de que o prazo decadencial é de 05 (cinco) anos, acrescido de mais 05 (cinco anos) anos, o que totaliza 10 (dez) anos o direito de pleitear o indébito. Extraíse da leitura deste caderno que o protocolo do pedido de compensação aconteceu em 15 de dezembro de 2003. Em razão do juízo de que houve perda do direito de repetir, o julgamento não adentrou no mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A questão trazida no bojo deste caderno processual se refere exclusivamente a perda do direito de requerer o indébito pelo fato de que entre a data do pagamento das contribuições e o do protocolo do pedido contar com mais de cinco anos, invocado a título de fundamento o disposto no artigo 168 do CTN e em disposições da Lei Complementar nº 118/2005. Essa matéria atualmente encontra pacificada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621. Até então esse assunto vinha sendo decido à luz do norteamento traçado perante o Superior Tribunal de Justiça, posteriormente, examinado em sede de inconstitucionalidade os dispositivos da Lei Complementar 118/2005, fixou regra quanto a prescrição do direito de pleitear o indébito, fixando data limite em 09 de junho de 2005, como se extrai da leitura do acórdão: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE Fl. 438DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.012468/200380 Acórdão n.º 3403002.597 S3C4T3 Fl. 7 3 INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. “Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 439DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Assim, o “fato pretérito” considerado pelo STF foi a data de ajuizamento das ações (ou dos pedidos administrativos) e não a data em que o pagamento indevido foi efetuado. Desse modo, quem ajuizou ações ou formalizou pedidos administrativos antes de 09 de junho de 2005 tem direito à contagem do prazo pela regra dos dez anos, quem rompeu seu estado de inércia a partir dessa data está sujeito ao novo prazo de prescrição de cinco anos instituído pela Lei Complementar nº 118/2005. Constatado que o pedido da Interessada foi protocolado em 15/12/2003, fl.3, e, sendo assim ocorreu antes de 09 de junho de 2005. Como se sabe o exercício à repetição ou à compensação do indébito, de modo a afastar a decadência, dáse pela data do pedido protocolado. Assim, no caso concreto o prazo decadencial restou afastado no momento do pedido protocolado ou enviado eletronicamente, ocorrido antes de 09/06/2005, portanto, incide aplicação do decidido pelo STJ no REsp. nº 644.736 que assegura a contagem do prazo de decadência de 5 anos mais cinco anos contados da extinção da obrigação tributária. A regra a ser seguida no caso aqui examinado é aquela traçada no Resp 644.736, que nos casos dos tributos sujeito a lançamento por homologação, aplicase a cognominada tese dos cinco mais cinco. “RECURSO ESPECIAL Nº 644.736 PE (2004/00270793) RELATOR : MINISTRO FRANCIULLI NETTO RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: MARTA SUZI PEIXOTO PAIVA LINARD E OUTROS RECORRENTE: CAXANGÁ VEÍCULOS LTDA ADVOGADO: GLAUCIO MANOEL DE LIMA BARBOSA E OUTROS RECORRIDO: OS MESMOS EMENTA: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. PIS. COMPENSAÇAO COM OUTROS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CABIMENTO. ART. 74, DA LEI N. 9.430//96. Com o advento da Medida Provisória n. 66, de 29.08.02, convertida na Lei n. 10.637, de 20.12.2002, o art. 74da Lei n. 9.430/96 passou a dispor que "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Dessa forma, para que o contribuinte realize a compensação, exigese apenas que os tributos objeto de compensação sejam arrecadados pela Secretaria da Receita Federal SRF, diversamente da orientação restritiva adotada pelo v. acórdão da Corte de origem. Recurso especial do contribuinte provido, para deferir a compensação do PIS com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.012468/200380 Acórdão n.º 3403002.597 S3C4T3 Fl. 8 5 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. COMPENSAÇAO. PIS. PRESCRIÇAO. CINCO MAIS CINCO. COMPENSAÇAO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS E JUROS DE MORA. APLICAÇAO. INSCRIÇAO NO CADIN. IMPOSSIBILIDADE. DÉBITO DISCUTIDO EM JUÍZO. A egrégia Primeira Seção deste colendo Superior Tribunal de Justiça, porém, na assentada de 24 de março de 2004, houve por bem afastar, por maioria, a tese acima esposada, para adotar o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos à homologação declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição se dá após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita (EREsp 435.835/SC, Rel. p/acórdão Min. José Delgado cf. Informativo de Jurisprudência do STJ n. 203, de 22 a 26 de março de 2004). Na hipótese em exame, proposta a ação em 28 de junho de 2000, somente estarão prescritas as parcelas anteriores aos dez anos desta data. Em relação ao pretendido afastamento dos expurgos inflacionários, sem razão a alegação da Fazenda Pública, pois é firme a orientação deste Sodalício no sentido da aplicação dos expurgos na compensação, bem como dos juros de mora. No que se refere à possibilidade de inclusão do nome da recorrida no CADIN, a par da ausência de prequestionamento do disposto no artigo 205 do CTN, é cediço que, "nos termos da jurisprudência desta Corte, estando a dívida em juízo, inadequada em princípio a inscrição do devedor nos órgãos controladores de crédito"(REsp 180.665PE, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU 03.11.98). Recurso especial da Fazenda Nacional provido em parte, apenas para reconhecer a prescrição das parcelas relativas ao decênio que antecedeu a impetração. ACÓRDAO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso do contribuinte e deu parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator."Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Castro Meira e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Peçanha Martins. Brasília (DF), 24 de agosto de 2004 (Data do Julgamento). MINISTRO FRANCIULLI NETTO Relator”. Assim, acolho o pleito para afastar a decadência. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Considerando que o julgado de piso não examinou o mérito da questão em razão de ter vislumbrado a perda do direito da Recorrente repetir o indébito, acrescido do fato de que o crédito utilizado encontra em discussão no caderno processual administrativo número 10768.011742/200301, daí a necessidade de que os autos retornem à origem para que se faça o julgamento do mérito. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e dar provimento parcial para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro/II – DRJ/RJOII para que seja examinada a questão de fundo da Manifestação de Inconformidade, isto é, decidir se há o direito e saldo credor capaz de suportar a compensação desejada. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 442DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904104/2012-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 63 1 62 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904104/201204 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.541 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS MARAU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 41 04 /2 01 2- 04 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904104/201204 Acórdão n.º 3803005.541 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.722554/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para juntada de documentos nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para juntada de documentos nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para juntada de documentos nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. RELATÓRIO Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 37 a 40: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento acostada às fls. 07/10, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física do ano calendário 2009, exercício 2010, que reduziu o imposto a restituir apurado na declaração de ajuste anual no valor de R$12.509,13 para R$2.175,23 (dois mil, cento e setenta e cinco reais e vinte e três centavos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 22 55 4/ 20 11 -7 4 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.722554/201174 Resolução nº 2102000.176 S2C1T2 Fl. 11 2 Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 08, o lançamento decorreu da omissão de rendimentos tributáveis recebidos no valor de R$58.470,90, indevidamente declarados como isentos na DIRPF/2010 do contribuinte. A autoridade lançadora esclarece que “de acordo com informações repassadas pela Prefeitura Municipal à RFB, os médicos que prestam serviços em Postos de Saúde e UPA não estão investidos no cargo de perito. Laudos por eles emitidos não são laudos periciais e, sim, laudos diagnósticos.” Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/06, onde aduz, em síntese, o que se segue. Que é aposentado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão desde 26/03/2001 e, segundo laudo médico fornecido pelo SUS – Prefeitura Municipal de Belo Horizonte – Centro de Saúde Menino Jesus, é definitivamente portador de patologia identificada como Cardiopatia Grave, CID I 25, desde 26/03/2001. Destaca que o laudo foi emitido após perícia presencial e documental e assinado pelas servidoras municipais Drª Cristina Gomes Gonçalves, CRM MG 17989, Gerente de Unidade de Saúde, e Drª Valéria Vieira Machado dos Santos, CRM MG 14479. Argumenta que o Centro de Saúde Menino de Jesus, sendo Unidade Municipal subordinada à Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Distrito Sanitário Centro Sul, é competente para a emissão do laudo médico e cita a Solução de Consulta Interna nº 1 –SRRF06/Disit, de 08/04/2010 e ParecerConsulta nº 3949/2010, do Conselho Regional de Medicina – Seção Minas Gerais, no intuito de fundamentar suas alegações. Assevera que o documento apresentado é, sim, laudo pericial conforme definido pela Solução de Consulta nº 119, de 14/08/2006 e que a Receita Federal deveria preocuparse com a veracidade das informações e não se perder na busca de definições equivocadas, pois o laudo fornecido pelo SUS só mereceria contestação mediante decisão fundamentada, se e quando presentes nos autos elementos de convicção que permitissem concluir por sua imprestabilidade. Reportase à Lei nº 9.784, de 1999, para ressaltar que “A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.” Salienta que a própria Receita Federal já reconheceu seu direito à isenção por meio do processo n° 10680.006538/200754, além de sua fonte pagadora já ter deixado de reter o imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Requer o acolhimento da impugnação para reconhecimento de seu direito à restituição do imposto retido e a prioridade na tramitação do processo garantida pela Lei nº 10.741, de 2003 (Estatuto do Idoso). Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a anotação na notificação de lançamento descaracterizando o laudo apresentado impedia a concessão do benefício da moléstia grave pleiteado, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Somente são Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.722554/201174 Resolução nº 2102000.176 S2C1T2 Fl. 12 3 isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por portador de moléstia grave atestada por laudo médico pericial, correspondentes a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. LAUDO PERICIAL. Laudo pericial é o documento que formaliza uma perícia médica realizada por profissional médico investido na função de perito por ato administrativo, ou na falta de perito, por junta médica com atribuição pericial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REVISÃO DE ATOS. É dever da Administração rever os seus atos, praticados em desconformidade com a legislação tributária. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls.46 a 65, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando que é aposentado e portador de moléstia grave que lhe dá direito a isenção do IR conforme documentos anexos. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É o Relatório. VOTO Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. O contribuinte pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser aposentado e portador de moléstia grave, ou seja, a solução da lide cingese à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria. Ocorre que não encontrei nos autos os documentos que embasaram o lançamento e a decisão recorrida, quais sejam, laudo(s) médico(s) e a informação da prefeitura municipal, conforme a menção na Descrição do Fatos e Enquadramento Legal, anexo à Notificação de Lançamento à fl. 08, in verbis: Dessa transcrição posso entender que foram apresentados documentos (laudos) e Informação da Prefeitura, contudo, como já dito, não encontrei tais documentos nos autos. Ainda, concluo que o acórdão recorrido manteve o lançamento exclusivamente pelo que constou na notificação de lançamento, citação acima, sem a verificação dos referidos documentos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.722554/201174 Resolução nº 2102000.176 S2C1T2 Fl. 13 4 De minha parte, sem estes documentos não há como prosseguir no julgamento. Dessa forma, para que se possa formar convicção acerca dessa lide, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o órgão de origem promova a juntada dos documentos, quais sejam, laudo(s) médico(s) e a informação da prefeitura municipal, citados na Descrição do Fatos e Enquadramento Legal, anexo à Notificação de Lançamento à fl. 08. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001864/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 12.200,00, nos termos do voto da Relatora. Vencidos o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que declarava a nulidade do lançamento, por vício formal, e o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 12.200,00, nos termos do voto da Relatora. Vencidos o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que declarava a nulidade do lançamento, por vício formal, e o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 12.200,00, nos termos do voto da Relatora. Vencidos o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que declarava a nulidade do lançamento, por vício formal, e o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 18 64 /2 00 9- 19 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13886.001864/200919 Acórdão n.º 2801003.464 S2TE01 Fl. 148 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2006, por meio da qual se exigiu do Contribuinte o credito tributário de R$ 11.657,75. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos e dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, o Contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: “1. para que a autoridade pudesse glosar as deduções promovidas pela Impugnante em decorrência dos serviços médicos e odontológicos tomados, imprescindível a observância dos ditames previstos em lei federal, a fim de ser preservado princípio da estrita legalidade tributária e a garantia do contraditório e da ampla defesa; 2. a autoridade fiscal agiu segundo suas próprias convicções, afastandose do princípio da legalidade no cumprimento de sua função pública; 3. o impugnante efetivamente tomou os serviços profissionais indicados em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005/2006, conforme demonstrado pelos documentos anexos e pelos recibos de pagamento que foram colocados à disposição do Auditor Fiscal; 4. o fato de não haver apresentado cópia do cheque emitido em favor dos respectivos profissionais, não é razão bastante para a glosa das deduções oportunamente realizadas, vez que houve pagamentos em dinheiro, o que não retira a legitimidade dos recibos emitidos; 5. a legislação tributária não impõe ao contribuinte a obrigação de promover pagamento em cheques para valerse de deduções do imposto a pagar ou restituição do pagamento efetuado a maior; 6. de acordo com o artigo 46 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, a comprovação dos pagamentos em cheques só é exigida quando não há comprovação com recibo firmado pelo profissional; 7. a autoridade administrativa deveria ter promovido outras provas para justificar a glosa efetuada, tais como demonstrar de maneira inequívoca que os pagamentos efetuados pela Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13886.001864/200919 Acórdão n.º 2801003.464 S2TE01 Fl. 149 3 impugnante não se encontram devidamente tributados na Declaração de Rendimentos da emitente dos recibos; 8. é fato que a simples presunção não autoriza o lançamento da obrigação tributária, como prevê o artigo 845, parágrafo 1º do Decreto n° 3.000/99, que aprova o Regulamento do Imposto de Renda (traz à colação jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda nesse sentido); 9. requer, portanto, que seja acolhida a preliminar de nulidade do Auto de Infração e Imposição de Multa, ante à desconsideração dos negócios jurídicos em afronta ao princípio da legalidade e da segurança jurídica; 10. para a glosa das deduções apresentadas, imprescindível que a autoridade administrativa demonstrasse de forma inequívoca que os serviços não foram efetivamente prestados ou apresentasse elementos convincentes que apontassem para a inidoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte, o que não ocorreu; 11. a autoridade fiscal sequer promoveu a emissão do relatório fiscal com a finalidade de apontar ao contribuinte ou a quem de direito as razões que justificaram a glosa das deduções com despesas médicas e odontológicas realizadas e, muito menos, apontou os elementos de prova ou indícios que justifiquem atribuir inidoneidade aos recibos apresentados; 12. logo, o lançamento tributário carece de elementos seguros para demonstrar a incorreção procedimental do impugnante, devendo ser declarado nulo de pleno direito, por violação do princípio da estrita legalidade tributária; 13. a autoridade fiscal lastreada exclusivamente na existência de levantamento de importância depositada judicialmente, afirmou no trabalho fiscal que o contribuinte percebeu rendimentos tributáveis em decorrência de ação trabalhista; 14. houvesse a autoridade fiscal adotado a cautela de diligenciar acerca da busca da natureza do rendimento auferido, verificaria que o contribuinte é autor de ação de repetição de indébito contra a União, relativamente a empréstimo compulsório; 15. a natureza da verba recebida é de ressarcimento, não se constituindo em resultado do trabalho ou do capital do impugnante, tampouco representando acréscimo patrimonial; 16. o rendimento que possibilitou o pagamento indevido do empréstimo foi devidamente tributado quando da sua percepção e nova exigência tributária implicará em bis in idem.” A 3ª Turma da DRJ/SP2/SP julgou procedente em parte a impugnação, conforme Acórdão de fls. 76/84, para cancelar o lançamento corresponde à omissão de rendimentos. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13886.001864/200919 Acórdão n.º 2801003.464 S2TE01 Fl. 150 4 Regularmente cientificado daquele acórdão em 30/06/2011 (fl. 88), o Interessado, representado por seu advogado (fl. 29), interpôs recurso voluntário de fls. 89/113, em 01/08/2011, no qual, em síntese, repete os argumentos da impugnação no que diz respeito à glosa de despesas médicas. Conforme Resolução nº 2801000215 (fls. 136/139), o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fosse juntada aos autos a intimação que solicitou ao Contribuinte a comprovação do efetivo pagamento e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas, bem como o registro da correspondente ciência do Contribuinte. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 142/144, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Quanto à alegada nulidade, o Recorrente não aponta nenhum vício que possa levar a essa conseqüência. Compulsandose os autos, verificase que, ao contrário, o procedimento fiscal ocorreu segundo procedimento definidos nas normas que regem o processo administrativo fiscal e, da mesma forma, a atuação se deu segundo essas mesmas normas. Não vislumbro, portanto, vício que possa ensejar a nulidade do lançamento, razão pela qual rejeito a preliminar. No mérito, o litígio cingese à glosa da dedução de despesas médicas, que assim foi motivada pela Autoridade Fiscal: “glosa do valor de H$ ********12.480,00, indevidamente deduzido a titulo de Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8.°, inciso II, alínea 'a', e §§ 2.° e 3.°, da Lei n.° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. ART 73 DO RIR/99 COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS LANÇOU EM SUA DECLARAÇÃO VALORES DE DESPESAS MÉDICAS PERTENCENTES A PESSOA QUE NÃO OSTENTA Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13886.001864/200919 Acórdão n.º 2801003.464 S2TE01 Fl. 151 5 A CONDIÇÃO DE DEPENDENTE (ESPOSA QUE DECLAROU EM SEPARADO EM MODELO SIMPLIFICADO). NÃO COMPROVOU A REAL PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E OS PAGAMENTOS EFETUADOS A PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE (ATRAVÉS DE CHEQUES NOMINATIVOS, EXTRATOS BANCÁRIOS, TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA, ETC, COINCIDENTE COM AS DATAS E OS VALORES DOS RECIBOS APRESENTADOS) APESAR DE REGULARMENTE INTIMADO PARA FAZÊLO.” Relativamente às despesas médicas referentes a pessoa que não ostentava a condição de dependente à época, tendo em vista que apresentou declaração em separado no modelo simplificado, considerase acertado o lançamento, devendo se mantida a correspondente glosa, no valor de R$ 280,00. No que tange à demais despesas médicas, considerando que não se encontrava nos autos a intimação que solicitou ao Contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços mencionada pela fiscalização, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fosse juntada aos autos a intimação que solicitou ao Contribuinte a comprovação do efetivo pagamento e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas, bem como o registro da correspondente ciência do Contribuinte. Em atendimento, foi juntado, às fls. 142/144, o Termo de Intimação Fiscal datado de 15/06/2009 (fl. 103), com AR em 19/06/2009, demonstrando a relação de documentos solicitados ao Contribuinte, quais sejam: Comprovante de todos os Rendimentos recebidos pelo contribuinte e/ou seus dependentes no anocalendário. Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente, planilha das verbas, contendo os cálculos de liquidação de sentença, atualização de cálculos, Guia de Levantamento, DARF do Recolhimento do IRRF, e Recibos dos Honorários Advocatícios e/ou Periciais. Comprovante de pagamento de Contribuição à Previdência Privada e Fapi. Comprovantes originais e cópias das despesas médicas, com a identificação do paciente. Comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiário. Como se vê, não foi solicitado ao Contribuinte a comprovação da efetiva prestação dos serviços/efetivo pagamento das despesas médicas que montam R$ 12.200,00 e cuja falta foi a única motivação do lançamento, não tendo a fiscalização apontado qualquer irregularidade nos comprovantes de despesas médicas apresentados pelo contribuinte. Portanto, não há como prosperar a glosa dessas despesas médicas. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 12.200,00. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13886.001864/200919 Acórdão n.º 2801003.464 S2TE01 Fl. 152 6 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11040.900316/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PARCELAMENTO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.INEXISTÊNCIA.
Não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de dívida acompanhada do seu pedido de parcelamento. Matéria que já foi objeto de decisão do STJ respeitando o regime do art.543C do Código de Processo Civil. Aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovadopelaPortariaMFnº256de2009, e alterações posteriores.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de dívida acompanhada do seu pedido de parcelamento. Matéria que já foi objeto de decisão do STJ respeitando o regime do art.543C do Código de Processo Civil. Aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovadopelaPortariaMFnº256de2009, e alterações posteriores. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 03 16 /2 00 9- 90 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900316/200990 Acórdão n.º 3402002.308 S3C4T2 Fl. 99 3 Relatório Tratamse os autos de Declaração de Compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de IRPJ do período de Dez/2003, no valor de R$1.164,04 (hum mil, cento e sessenta e quatro reais e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Mai/2001, no valor de R$1.018,47 (hum mil e dezoito reais e quarenta e sete centavos). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 09/03/2009, conforme Consulta de Postagem de fls. 10 (numeração eletrônica) o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 1113 (numeração eletrônica), alegando que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco, bem como antes da entrega da DCTF (15/08/2001), portanto, a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivale a denúncia espontânea. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, através do Acórdão nº. 1020.822 houve por bem em considerar Improcedente o pleito do contribuinte, ementando seu julgamento nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Resumidamente a DRJ POA/RS entendeu que valores declarados em DCTF recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Entendeu, ainda, que o mesmo pode ser dito para os casos em que o recolhimento decorre de pedido de parcelamento. A denúncia seguida de pedido de parcelamento não está sendo acompanhada de pagamento, como requer a leitura do artigo 138 do CTN. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 28/09/2009, conforme AR de fls. 45 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 19/10/2009, seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade os quais, por brevidade, não os repetirei. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTANCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 10/08/2011, tendo a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para “que a unidade preparadora esclareça se: a) o débito a que o recolhimento foi vinculado consta em DCTF; b) caso afirmativo, se ela foi entregue antes do recolhimento; c) em caso negativo, qual o instrumento que permitiu a sua vinculação ao pagamento realizado, indicando no caso “processo” a sua natureza, isto é, se o processo referese a parcelamento, lançamento de ofício ou outro.”. DA DILIGÊNCIA Cientificada da Resolução nº 3401000.287, da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos retro descrita, a unidade preparadora acostou aos autos (fls. 67/73 – n.e.), os seguintes esclarecimentos/documentos: 1) Item “a” – confissão do débito em DCTF O pagamento (valor original: R$5.092,37 + multa moratória objeto do presente pedido: R$ 1.018,47 + juros), não está vinculado a débito confessado em DCTF, de forma que o item “b” fica prejudicado, ao passo que o item “c” requer resposta. 2) Item “c” – natureza do processo As consultas de fls. 62/65 informam que o pagamento foi utilizado no processo administrativo n. 11040.001.55/0010, referente a pedido de parcelamento formalizado em 22/11/2000 e quitado em 14/07/2001. DO 2º JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 20/03/2013, tendo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, afim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento DA 2ª DILIGÊNCIA Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900316/200990 Acórdão n.º 3402002.308 S3C4T2 Fl. 100 5 Cientificado da Resolução acima mencionada em 02/08/2013, conforme AR de fls. 84 – numeração eletrônica, o contribuinte acostou aos autos a petição de fls. 88 – n.e., confirmando a ciência da diligencia efetuada em 30/05/2012, bem como para requerer o provimento do Recurso Voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 volume, numerado até a folha 100 (cem), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, portanto, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Retornam os autos de diligências determinadas pelas Resoluções nº. 3401 000.287 e nº 3402000.512, nas quais, na primeira Resolução, em sessão de julgamento ocorrida em 10/08/2011, foi determinado à Autoridade Preparadora o esclarecimento de fatos que possibilitam o julgador à efetiva análise e deslinde da causa. Conforme se extrai da diligência promovida pela autoridade preparadora, as consultas de fls. 62/65 informam que o pagamento foi utilizado no processo administrativo n. 11040.001.55/0010, referente a pedido de parcelamento formalizado em 22/11/2000 e quitado em 14/07/2001. Portanto, embora não tenha constado de DCTF, e, a princípio, haveria uma espontaneidade na conduta da Recorrente, a verdade é que ao apresentar pedido de parcelamento, o contribuinte realizou um “autolançamento”, e ainda que tenha sido voluntariamente, tal não se caracteriza mais como denúncia espontânea, como passa a expor. Com a ressalva de meu entendimento pessoal, pois que o assunto já rendeu, historicamente, muitas contendas e inclusive era matéria agasalhada pelo Superior Tribunal de Justiça na década de 90, a verdade é que atualmente tornouse pacífico o entendimento, tanto daquela Casa (o Egrégio STJ) como também deste Tribunal Administrativo, de que o Código Tributário Nacional, no art. 138, estabelece que a multa deve ser excluída quando concomitantemente à denúncia espontânea, houver também o pagamento, o que, por óbvio, não ocorre quando há o parcelamento da dívida. Assim, o pagamento extingue o crédito tributário (art. 156, I do CTN), enquanto o parcelamento apenas suspende a sua exigibilidade (art. 155, I do CTN). O parcelamento não é pagamento e nem se pode presumir que, pagas algumas parcelas, as demais também serão adimplidas. Em razão disso, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C, do CPC), a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou seu posicionamento de que o instituto da denúncia espontânea não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário, in verbis: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. 1.O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1102577/DF, Rel. MIN. HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009) – Grifouse. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900316/200990 Acórdão n.º 3402002.308 S3C4T2 Fl. 101 7 Sendo este acórdão um recurso representativo de controvérsia, aplico o art. 62A, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a fim de acolher o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Na esteira das considerações acima, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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