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Numero do processo: 15374.002392/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991
REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Crédito expressamente reconhecido e homologado, sobre o qual não se apresentou recurso à DRJ, não é suscetível de revisão por esta, a não ser que se enquadre em uma das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA 91 DO CARF.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Se a contribuinte submeteu ao Judiciário o reconhecimento de seus créditos e não logrou êxito, não é cabível, por preclusão consumativa, que ela venha novamente apresentar no âmbito administrativo seu pretenso direito relativo aos mesmos créditos, ainda que sob fundamentos diversos.
Numero da decisão: 3301-004.750
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 REVISÃO DO LANÇAMENTO. Crédito expressamente reconhecido e homologado, sobre o qual não se apresentou recurso à DRJ, não é suscetível de revisão por esta, a não ser que se enquadre em uma das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA 91 DO CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Se a contribuinte submeteu ao Judiciário o reconhecimento de seus créditos e não logrou êxito, não é cabível, por preclusão consumativa, que ela venha novamente apresentar no âmbito administrativo seu pretenso direito relativo aos mesmos créditos, ainda que sob fundamentos diversos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 23 92 /2 00 8- 36 Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.059 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira. Relatório O presente versa sobre Pedido de Compensação de créditos decorrentes de recolhimentos que teriam sido efetuados a maior, referentes à COFINS, nos períodos de apuração de abril/1992 a dezembro/1995, e de créditos, que também teriam sido recolhidos a maior, referentes ao PIS, nos períodos de janeiro/1991 a dezembro/1995. Tais créditos, atualizados monetariamente pela contribuinte, importariam em R$ 14.714.313,85 (fls. 09/15). Para compreensão integral do caso, mister consignar informações sobre seu andamento processual. O pleito do contribuinte, segundo seu requerimento inicial, pautouse na informação de que, por ser distribuidor de livros, jornais e periódicos, o seu faturamento deveria ser o produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor e que, equivocadamente, vinha considerando corno receita, o produto total arrecadado para os editores, fazendo incidir, portanto, sobre esse valor as contribuições para a COFINS e para o PIS. Esclarece que tal procedimento deu origem a recolhimentos superiores ao realmente devido, e que, de acordo com a Decisão n° 68/1996, relativa a consulta formalizada no processo administrativo n° 13710.001338/9577, foi possível corrigir o seu erro e reaver o indébito recolhido a maior. O contribuinte anexou ao processo cópia não assinada da Decisão n° 68/96, às fls. 22/24 (mas da qual consta, conforme fl. 24, que o Chefe da Divisão de Tributação assinou o original). Anexou mapa demonstrativo das diferenças recolhidas a maior de COFINS, bem como cópias de recolhimentos judiciais e de DARF'S da referida contribuição (fls. 25 a 44). Anexou também o mapa demonstrativo das diferenças recolhidas a maior do PIS, bem como os respectivos DARF de recolhimento (fls. 46 a 74). Constam (fls. 75 a 134) cópias de documentos elaborados pelo Departamento de Contabilidade da Recorrente e enviados ao Departamento de Pessoal, nos quais estão indicados o faturamento da Fernando Chinaglia nos períodos de janeiro/1991 a dezembro/1995, discriminado por filial matriz. Os valores constantes nestes documentos estão indicados nas Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.060 3 planilhas de fls. 25, 26 ,45 e 46 como sendo o faturamento indevidamente utilizado na base de cálculo da COFINS e do PIS. Inicialmente a Divisão de Tributação da DRFRio de Janeiro solicitou os originais dos DARF's apresentados pela Recorrente (fl. 135), bem como, esclarecimentos sobre ao que se referiam os depósitos judiciais cujas cópias das guias encontramse nos autos (fls. 27 a 33). Solicitou, ainda, que a ARF/Tijuca confirmasse os respectivos pagamentos. Em atendimento, a Recorrente informou que foram propostas duas ações judiciais relativamente à COFINS (fls. 138 a 139). A primeira tratavase de Medida Cautelar Inominada com pedido de liminar, Processo no 9200229913 da 20a Vara Federal do RJ, na qual foi concedida liminar para garantir a realização de depósitos, que foram efetuados a partir de maio/1991 até dezembro/1995, conforme demonstrativo e guias de recolhimento que anexou às fls. 140 a 149. Informou, a Recorrente, que o pedido foi julgado improcedente e revogada a liminar, conforme sentença anexada às fls. 150 a 156. A sentença teria sido publicada em 14/04/94, transitando em julgado, vez que não houve interposição de recurso. Tendo sido o processo arquivado, os depósitos foram considerados como renda da Unido. O segundo provimento judicial tratavase de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária, Processo n° 9201357540; distribuída em 01/06/92, por dependência ao Juizo da 20a Vara Federal do RJ, tendo sido julgada improcedente, conforme sentença de 24/03/94, publicada em 14/04/94. Cópia da sentença consta dos autos às fls. 215 a 220. O presente processo retornou à Divisão de Tributação da Delegacia do RJ, quando então foi encaminhado à PFNRJ, a fim de que fosse informado o andamento da ação de n° 9201357540. Em 04.02.1997, determinase retorno do processo à DISITSECIJUCESO, conforme despacho constante da fl. 223. O extrato do andamento processual foi juntado ao autos (fls. 224 a 226), do qual consta a baixa e o arquivamento dos autos. Às fls. 227 a 401, foram juntadas cópias dos auto judiciais anteriormente mencionados. Às fls. 402 a 403, encontramse cópias de petições formuladas pela PFN, nos autos do processo judicial n° 92.00229913, no sentido de que fosse efetuada a conversão dos depósito em renda da União. Da fl. 409, consta petição da Procuradoria da Fazenda Nacional ao Juízo da 20a Vara Federal, a fim de que fosse desconsiderado o pedido formulado quanto à conversão em renda, tendo em vista que tais providencias já haviam sido atendidas. Da fl. 410, consta despacho datado de 09.04.1997, encaminhando o processo para a DRF/CESU/SECIJU, face o domicilio Fiscal da empresa. Foi, então, o processo encaminhado DIFIS/DISAR para que fossem verificados os depósito judiciais e a conversão em renda. Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.061 4 Da fl. 401, consta Termo de Intimação, datado de 19.05.1997, sem, entretanto, constar ciência da Recorrente, no qual, é solicitado, entre outros documentos, qual a decisão judicial proferida nos autos do processo n° 92/0029913, a respeito do solicitado pelo representante legal da empresa, em 20.10.1992, quanto ao recolhimento de diferenças da COFINS pagas a maior nos meses de 05/1992, 06/1992 e 07/1992. Da fl. 413, consta Termo de Intimação, no qual são solicitados os Demonstrativos de Apuração dos Exercícios após as modificações sofridas na base de cálculo das recitas auferidas, bem como os Balanços Patrimoniais decorrentes dos Demonstrativos de Resultados para os anosbase de 1991 a 1995. Solicitou, também, as declarações de rendimentos IRPJRetificadoras para os exercícios não decadentes, ou seja, exercício 1993, anobase 1992, em diante. Informa, ainda, a Fiscal, que somente desta forma poderá verificar as novas bases de calculo encontradas para a contabilização das Comissões Auferidas, nos termos da Consulta n° 68/96. Consta, também, determinação no sentido de que '"... a empresa deverá expurgar de seus Custos, Despesas Operacionais e NãoOperacionais, todos os dispêndios não envolvidos diretamente com as Comissões efetivamente auferidas, apurandose novas bases de cálculo do IRPJ e Contribuição Social" Cópias das declarações retificadoras dos anos Calendário de 1991 a 1995 foram anexadas aos autos, às fls. 416 a 562. No Relatório Fiscal, datado de 01.12.1997 (fls. 563 a 565), a Fiscalização informa, dentre outras considerações, que a Recorrente cometeu equívoco na utilização da UFIR para conversão da base de cálculo, e ratifica a exigência de ação Fiscal na empresa, tendo em vista a decadência a ocorrer para o ano de 1992. Abaixo, transcrevemse algumas observações registradas pela Fiscalização no referido relatório: O confronto das declarações de rendimentos apresentadas inicialmente com as retificadas nos alerta para alguns fatos curiosos: 1°) Em todos os anoscalendário os Balanços Patrimoniais permaneceram os mesmos, ou seja, houve enxugamento:das Receitas, mas não houve modificações do ATIVO e PASSIVO. Observase em Fornecedores Passivo (que trata dos Editores) e em Valores Mobiliários Ativo, montantes 10 (dez) vezes superiores as comissões recebidas (faturarnento). Concluise que não houve expurgo dos valores pertinentes aos Editores. (...) 3°) Em Clientes (incluiuse os revendedores de periódicos/revistas) (...) 7°) As bases de cálculos do PIS são superiores às da COFINS em 100%. Investigar se a empresa incluiu receitas financeiras nas bases de cálculo (se trabalha com a receita operacional). Exigir esclarecimentos. 8) Exigir esclarecimentos quanto ao fa o de que as Receitas Liquidas mensais divergem dos valores declarados no Anexo 4 Bases d Cálculo do PIS/COFINS. 9°) Com relação ao anocalendário de 1992 , dado o tempo exíguo, sugiro que sejam revistos: 9.1 o Faturamento mensal bases de cálculo do PIS e COFINS. Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.062 5 (...) 10°) Para os demais exercícios: 10.1 Balanços. 10.2 Faturamentos. 10.3 Saldos devedores correção monetária (às vezes muito baixo, às vezes muito alto). 10.4 Custos. 10.5 Outras Despesas Operacionais. Quanto ao presente processo e as compensações requeridas, este Grupo Fiscal aguarda confirmação dos faturamentos, exclusões das frises de cálculo do PIS e da COFINS, para prosseguir na apuração do montante que d everá permanecer à disposição da empresa. O presente processo foi então encaminhado ao grupo Fiscal 086 para verificação das irregularidades apontadas (fl. 565). A Recorrente foi então intimada a informar com quais tributos administrados pela SRF desejava compensar os valores que lhe seriam creditados (original do termo de Intimação às fls. 509). Foi intimada também a apresentar os contratos de compra por consignação dos três maiores fornecedores editores e os contratos de venda por consignação com os três maiores clientes. Foi exigida ainda a comprovação dos valores das bases de cálculo do PIS e FINSOCIAL constantes nas declarações de IRPJ retificadoras referentes aos anos base de 1992 a 1995. Às fls. 567 a 597, foram anexados os contratos solicitados. Da fl. 559, consta a resposta da Recorrente A intimação acima citada, na qual informa, entre outros esclarecimentos, pretender compensar os créditos de COFINS e PIS, com débitos das mesmas e, quando couber, de acordo com a IN 21197, compensar com IRPJ e CSLL. Na oportunidade apresentou, também, mapas Demonstrativos das Receitas apuradas nos períodos de 1992 a 1995, os quais foram juntados aos autos às fls. 542 a 545. Às fls. 599 a 607, a Recorrente apresentou novas planilhas de cálculo das importâncias a serem restituídas de PIS e COFINS. A Fiscalização, às fls. 608, esclarece que de acordo com a IN SRF 211/97, a Recorrente poderia compensar os seus créditos com tributos e contribuições da mesma espécie, independentemente de requerimento, e relativamente a outros tributos e contribuições administrados pela RFB, a compensação deveria ser efetivada mediante a apresentação de requerimento à RFB. Informa ainda a Fiscalização que para comprovar o procedimento alegado pela Recorrente, relativamente ao fato de que o seu faturamento somente seria as comissões recebidas dos editores para análise os contratos com os fornecedores e clientes, bem como algumas notas fiscais. Interessante reproduzir trecho que a Fiscalização informa que, além da Decisão no 98/96, analisou os contratos da Recorrente e concluir que esta trabalha por consignação (Relatório de Fiscalização, f. 608): Em atendimento ao despacho de fls. 504 do presente processo, compareci ao domícilio tributário do contribuinte ... Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.063 6 (...) Conforme consta no processo a origem desta compensação foi uma consulta feita à SRF onde a empresa alega que sua operação principal é toda por consignação e que, portanto, o seu faturamento somente seria as comissões recebidas dos editores. Para comprovar tal procedimento foi que solicitei os contratos com fornecedores e clientes . Neste caso, analisando estes contratos e também algumas 'notas fiscais ,conclui que a empresa realmente trabalha por consignação. (grifos nossos) Por tal motivo, esclarece a Fiscalização que procedeu ao levantamento das corretas bases de cálculo e alíquotas aplicadas para o PIS e a COFINS, no período de 01.01.92 a 31.12.95. Portanto solicitou a apresentação de demonstrativo das receitas totais contabilizadas e transcritas nas declarações de IRPJ no período. Determinou, também, a apresentação de mapas demonstrando as bases de cálculo, alíquotas e os valores dos tributos corretamente devidos no período. Concluiu o Fiscal que: Estes mapas informam exatamente os valores dos tributos pagos com a base de cálculo anterior, os valores devidos após a resposta da consulta e as diferenças a compensar em UFIR. Após conferidas por este AFTN podemos afirmar que as quantidades de UFIR pleiteadas para compensação estão corretas e são de 12.336.259,18 (Doze milhões, trezentos e trinta e seis mil, duzentas e cinqüenta e nove e dezoito centésimos) para a Cofins e 2.208.353,08 (Dois milhões duzentos e oito mil, trezentos e cinqüenta e três e seis centésimos) para o Pis. O relatório Fiscal constante das folhas 502 e 503 deste processo alerta para o erro de cálculo na transformação de ufir bem como ratifica a exigência de ação Fiscal na empresa para o período de 010192 a 311295. No que se refere ao erro na transformação de ufir os mapas juntados agora ao processo fazem esta correção. Quanto a ação Fiscal na empresa propomos que seja feita somente para os anos calendário de 1.993 a 1.995, tendo em vista o tempo previsto para decadência do anobase de 1.992." Da fl. 609, consta que o processo foi encaminhado para a DISAR/EQREST em face do pedido de compensação por via administrativa. No despacho de encaminhamento, há um alerta para o fato de que a Fiscalização já teria revisto as bases de cálculo do PIS e da COFINS e que haveria, ainda, erro no valor a ser compensado (apuração) para o ano base de 1991 (fl. 546). Por fim, foi registrado o questionamento se teria ocorrido soma de BTNF com UFIR. Do despacho proferido pela Divisão de Tributação às fls. 611/612, consta, em resumo, que: A Recorrente quer compensar créditos no valor de R$ 14.714.313,85 com débitos constantes dos processos n° 13710.002471/9875, 13710.001875/9950, 13710.001876/9912 e 13710.001877/9985. Foram cometidos equívocos quando da conversão dos valores a serem restituidos, totalizando valores de UFIR e Reais a compensar incorretos. O valor referente ao PIS seria significativamente maior e o relativo à COFINS, menor. Ao final solicita que seja informada se existe discordância entre os valores informados como recolhidos indevidamente a titulo de COFINS e os valores constantes das Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.064 7 cópias dos DARF e Guias de Depósito de fls. 19 a 36, relativos ao período de abril/92 a junho/94, ou se os valores constantes das planilhas de fls. 545 e 546 estão corretos. Retorna, então o processo para a DIFIS para possível reconsideração quanto ao valor a que faz jus a interessada. Às fls. 619, em despacho datado de 16.05.2001, a Fiscalização informa haver anexado novas planilhas demonstrativas, corrigindose o erro cometido anteriormente na conversão de valores em UFIR. Acrescenta que as bases de cálculo não foram alteradas pois encontravamse exatamente corno na contabilidade do contribuinte. O presente processo retoma à DISIT/DRF/RJ (cf. fl. 620), que o reencaminha, face à solicitação de fl. 621, ao CACTijuca. Da fl. 625, consta termo de retirada de cópias das planilhas de fls. 555 a 558, pelo procurador da interessada. Em 13.06.2003, a DIORT informa, às fls. 629, que se encontram apensos ao presente processo os de n° 13710.000174/9514, 13710.002471/9875, 15374.000014/9811, 13710.001875/9950, 13710.001876/9912, 13710.001877/9985 e 15374.002150/0097, cujos débitos pretende a interessada compensar. Esclarece, ainda, em resumo, que para prosseguimento da análise da compensação pleiteada da COFINS é necessário que sejam verificados os efetivos valores dos depósitos judiciais convertidos em renda da União, ocorridos no período de abril/1992 a novembro/1993, enviando, pois o presente processo à DICAT. A DICAT (fls. 645/646) esclarece, em resumo, que os depósitos judiciais representavam exatamente a COFINS devida por todas as integrantes da empresa no Brasil, sendo a conversão suficiente para guitar os débitos das mesmas, não restando, portanto, saldo de depósitos a favor da empresa. Retoma, então, em 01.12.2003, o processo para a DIORT/RJ/EQPEJ. Em 05.03.2003, o presente processo, mais uma vez, retoma ao CAC/TIJUCA para atualização no PROFISC dos processos n° 13710.000174/9514, 13710.002471/9875, 13710.001875/9950, 13710.001876/9912 e 13710.001877/9985 (débitos de terceiros), conforme despacho de fls. 646. Feitas as atualizações solicitadas, o processo retorna à DIORT/RJ/EQPEJ), conforme despacho de fls. 652. Mais uma vez, em 22.07.2004, o processo retoma ao CAC/TIJUCA a fim de que fosse verificado se os débitos controlados pelos processos apensos encontravamse parcelados, tendo em vista que a interessada aderiu ao PAES, conforme despacho de fls. 654. Das fls. 655 a 658 constam cópias de Pedidos de Compensação. Nestas, verificase que: · Da cópia do pedido de compensação de fls. 655, consta que a protocolização ocorreu em 09.04.2002, e referese a débitos relativos ao período de apuração de dezembro/2001. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.065 8 · Da cópia do pedido de compensação de fls. 656, consta que a protocolização ocorreu em 17.04.2002, e referese a débitos relativos ao período de apuração de dezembro/2001. · Da cópia do pedido de compensação de fls. 657, consta que a protocolização ocorreu em 16.05.2002, e referese a débitos relativos ao período de apuração de janeiro/2002, fevereiro/2002 e março/2002. · Da cópia do pedido de compensação de fls. 658, consta que a protocolização ocorreu em 01.10.2002, e referese a débitOs relativos ao período de apuração de abril/2002, maio/2002 e junho/2002. À fl. 659, a Recorrente requer correção dos valores requeridos no Pedido de Compensação, protocolado em 01.10.2002, de R$ 78.355,16 para R$ 50.582,11 e de R$ 80.036,90 para R$ 79.784,94, permanecend6 os demais valores ali consignados. Para tal, anexa novo pedido de compensação As fls. 602. Das fls. 666 a 668, constam recibos de entrega de DCTF, onde se verifica que a Recorrente informa haver compensado a CSLL nos valores de R$ 50.582,11 e R$ 79.784,94 para os períodos de apuração maio e junho de 2002. O processo retorna, em 22.09.2004, à DIORT/DERAT/RJ/EQPARC. Despacho a fl. 672. Da fl. 672, consta informação da DERAT/RJOEQRES a respeito da situação de débitos no SIEF, de processos, que até então não constavam como apensados ao presente. São eles os de n° 13710.001175/200410 (foi desapensado As fls. 619), 13710.001204/2003 54, 13710.001205/200307, 13710.000121/200348, 13710.000122/260392. Em 03.03.2005, às fls. 672, o presente processo é encaminhado A EQPEJ, para análise com urgência, tendo em vista a ocorrência de prazo para homologação tácita. No Parecer Conclusivo n° 60/2005, de fls. 733 a 737, a DERAT/RJO/DIORT/EQPEJ, informa em resumo que: A compensação requerida no valor total de R$ 14.714.313,85 ocorreria relativamente aos processos n° 13710.000174/9514, 15374.000014/9811, 13710.002471/98 75, 137120.001875/9950, 15374.002150/0097, 13710.001338/200294, 13710.000122/2003 92, 13710.000121/200348, 13710.001204/200354, 13710.001205/200307, 13710.000561/2004 86, 13710.000603/200489, 13710.000858/200441, 13710.000986/2004 95, 13710.001697/200411, 13710.001911/200421, 13710.001902/200431, 13710.001909/2004 52, 13710.001908/200416, .13710.001907/200463, 13710.001912/200476, 13710.001910/200487, 13710.001906/200419, 13710.002380/2004 94, 13710.002583/200481, 13710.002791/200480, 13710.003154/200421, 13710.003313/200497, 13710.003562/200482, 13710.000614/00540 e 13710.000824/2005 38. Tendo sido convertidos em renda os depósitos judiciais, relativos à COFINS no período de. abril/1992 a novembro/1993, somente analisou os recolhimentos efetuados a partir do período de apuração de dezembro/1993 a dezembro/1995. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.066 9 Segundo a planilha de fls. 559 a 561 (renumeradas para 616/618), os recolhimentos foram efetuados entre os dias 21/05/1992 e 10/01/1996, relativamente à COFINS, e entre os dias 04/04/1991 e 15/01/1996, relativamente ao PIS. Como o processo foi protocolizado em 29/10/1996, não analisou os pagamentos efetuados no período de 04/04/1991 a 15/10/1991, para exame de mérito do pedido de compensação, pelo fato de encontrarse extinto o direito de pleitear a restituição no período citado. Analisou a restituição quanto aos pagamentos períodos de 13/11/1991 a 15/01/1996 e, relativamente a 10/01/1996. Às fls. 619 a 626 (renumeradas para 669/671), encontramse extratos das DIPJ retificadoras dos anos calendários de 1991 a 1995. De acordo com o art. 64 da IN SRF n° 460/2004, o pedido de compensação de fls. 01 a 06 foi convertido em Declaração de Compensação. Da análise das planilhas de fls. 559 a 561 (renumeradas para 616/618), anexadas pela DEFIC, e das DIRPJ, anos calendário de 1991 a 1995, entregues pela Recorrente, elaborou novas planilhas, anexadas Às fls. 661 a 663 (renumeradas para 729/732), demonstrando as bases de cálculo, bem como os valores de COFINS e PIS, anos bases de 1991 a 1995. A partir de outubro/1995 utilizou a aliquota de 0,65% para o PIS, em observância ao disposto na MP n° 1212/1995, convertida na Lei n° 9715/98. Da fl. 635 (renumerada para 704), consta consulta ao sistema SIEF PERDCOMP, onde demonstrase que a interessada apresentou Declarações de Compensação, anexas às fls. 636 a 659 (renumeradas para 705/728), nas quais foram informados débitos a serem compensados com o crédito pleiteado no presente processo. Ao final, às fls. 736 , em 12.04.2005; a DERAT/RJO/DIORT propõe o reconhecimento do direito creditório no valor de 13.024.448,06 UFIR, que atualizado de acordo com o art. 52 da IN SRF 460/2004, corresponde a R$ 10.793.360,11. Destes 8.562.497,58 UFIR (R$ 7.095.741,74) referentes a CORNS e 4.461.950,48 UFIR (R$ 3.697.618,36) referentes ao PIS. Propôs, ainda, que fossem homologadas as compensações efetuadas: . nos processos 13710.000174/9514, 15374.000014/9811, 13710.002471/98 75, 13710.001875/9950, 15374.002150/0097, 13710.001338/200294, 13710.000122/200392, 13710.000121/200348, 13710.001204/200354, 13710.001205/200307, 13710.000561/200486, 13710.000603/200489, 13710.000858/200441, 13710.000986/200495, 13710.001697/200411, 13710.001911/200421, 13710.001902/200431, 13710.001909/200452, 13710.001908/200416, 13710.001907/200463, 13710.001912/200476, 13710.001910/200487, 13710.001906/200419, 13710.002380/200494, 13710.002583/200481, 13710.002791/200480, 13710..003154/200421, 13710.003313/200497, 13710.003562/200482, 13710.000614/200540 e 13710.000824/200538, apensados ao presente, bem como através das DCOMP, de fls. 636 a 659 (renumeradas para 705 a 728), até o limite do crédito reconhecido. Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.067 10 Das fls. 737, consta a decisão exarada pela DERAT, em 11.05.2005, reconhecendo parcialmente o direito creditório da Recorrente, com base no Parecer Conclusivo n° 60/2005. Das fls. 893/894, consta demonstrativo indicativo por processo, onde deveria ocorrer a homologação integral, parcial e a não homologação. A partir deste demonstrativo, elaborado pela DERAT/RJO/DIORT/EQRES, foi elaborado o despacho de fls. 895, onde consta decisão, datada de 04.07.2005, nos seguintes termos: HOMOLOGO INTEGRALMENTE as¡ Declarações de Compensação de fls. 01 do proc. 13710.002471/9875; fls. 32/35 do proc. 13710.001875/9950; fls.143 do proc. 4 . 15374.002150/009741s.599 do proc. 13710,000174/951; fIs. 593/596, 640/643, 644/647 e 648/651 do proc. 18710.002341/9606; fls. 01 do proc. 13710.001204/200354; fls. 01 do proc. 1710.001205/200307; fls. 01 do proc. 1 3710.000121/200348; fls. 01 do proc. 13710.000122/200392; fls. 01 do proc. 13710.000561/200486; fls. 01 do proc. 13710.000603/200489; fls. 01 do proc. 13710.000858/200441; fls. 01 do proc. 1 3710.000986/200495; fls. 01. do proc. 13710.001697/200411; fls. 01 do proc. 1 3710001911/200121; fls. 01 do proc. 13710.001902/200431; fls..01 do proc. 1371 0.001909/200552; fls. 01 do proc. 13710.001908/200416; fls. 01 do proc. 13710.001907/200463; fls. 01 do proc. 13710.001912/200476; fls. 01 do proc. 13710.001910/200487, NÃO HOMOLOGO as Declarações de Compensação de fls. 01 do proc. 13710.002380/200484; fls. 01 do proc. 137 10.002583/200481; fls. 01 do proc. 13710.002791/200480; fls. 01 do prod. 13710.003154/200421; fls. 01 do proc. 13710.003313/200497; fls. 01 do proc. 13710.003562/200482; fls. 01 do proc. 13710.000614/200540; fls. 01 do proc. 137 10.000824/200538, HOMOLOGO PARCIALMENTE a de fls. 01 do proc. 13710.001906/200419 ,que apresenta, nesta data, um saldo devedor de R$ 448.222,21( quatrocentos e quarenta re oito mil duzentos e vinte e dois reais e vinte e um centavos) (grifos nossos). Homologando parcialmente a declaração de compensação constante nas fls. 01 do processo n° 13710.001906/200419, restando neste um saldo devedor de R$ 448.222,21. Ao final, a referida decisão de fl. 895 determina o encaminhamento do processo ao CAC/TIJUCA para: "a) ciência à interessada do Despacho Decisório de fls. 661/668, dos cálculos efetuados pela EQRES de fls. 669/787 e do presente Despacho; e b) cobrança dos saldos devedores remanescentes discriminados nos quadros 2e 3 às fls. 822 concernente) às citadas Declarações de Compensação, obedecidas as determinações da IN SRF no 460/2004, destacandose, em especial, as contidas em seus artigos 29, 30 e 48, sem se descuidar dos prazos decadenciais e prescriCionais insertos no CTN (Lei n° 5172/66)." Das fls. 902 a 904, consta petição da Recorrente, com recibo da DERAT/CAC/Centro datado de 20/04/2005, na qual alega que, baseada na Solução de Consulta no 68/96, formalizou processos de compensação, cujo crédito é oriundo do presente. Relaciona, na petição, processos que estão sendo analisados separadamente e de forma desvinculada do processo principal, a saber o de n° 13710.002341/9606, podendo acarretar prejuízos tanto para a requerente quanto para a SRF. Requer ao filial a apensação dos processos, por ela listados à fl. 903, para análise conjunta, com o fim de ver a homologação da compensação pleiteada. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.068 11 Às fls. 946, o presente processo foi encaminhado ao GAB/DIORT/DERAT/RJ, para juntada dos processos identificados As fls. 866 a 873 (renumerada para 946 a 953), relacionados na petição de fls. 830 a 832, (renumerada para 902 a 904), e para que fosse proferido despacho de não homologação por insuficiência de crédito. Às fl. 947, consta ciência em 21.02.2006, do inteiro teor do Parecer Conclusivo n° 60/2005 de fls. 364 a 667 (renumerada para 733/736), dos Despachos Decisórios de fl. 668 (renumerada para 737) e fls. 821 a 823 (renumeradas para 893/895) e dos cálculos de fls. 669/787 (renumeradas para 738/ 856), e recebimento de cartas cobrança relativas aos débitos remanescentes após as compensações descritas às fls. 821 a 823 (renumeradas para 893/895) Das fls. 955 consta encaminhamento da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, ao Chefe da Equipe de Auditoria de Procedimentos da Corat, tendo ern vista que o presente processo se encontrava naquela Divisão. Às fls. 953, a CORAT/DIAUP retorna a peça contestatória, informando que o presente processo encontrava se na DERAT. Ao final, às fls. 952, a referida manifestação de inconformidade é encaminhada para a EQPEJ/DIORT/DERAT/RJO. Na manifestação de inconformidade, de f1s. 956/1015, a Recorrente alegou em síntese: § A tempestividade de sua manifestação. § Ser empresa cujo objeto social consubstanciase na atividade de distribuição de livros, jornais e periódicos pelo Pais, sendo responsável por toda a operação de logística das mercadorias existente entre os editores e os varejistas. § Ser consignatária, operando suas atividades de acordo com os interesses dos editores, que estabelecem a tiragem de cada edição, o tempo que cada publicação deve permanecer nas bancas e, o principal, fixam o valor final da revenda dos bens. § Receber um percentual sobre o preço tIe capa das revistas, livros e periódicos vendidos pelos jornaleiros, nada recebendo sobre as revistas, livros e outros periódicos encalhados (não vendidos pelos jornaleiros), que são devolvidos ao editor. § Que até 1996, contabilizava como receita o produto total arrecadado pela venda da mercadoria (e não apenas por sua real participação nos preços, ou seja, a comissão pela venda em consignação), fazendo incidir sobre esses valores as contribuições sociais relativas ao PIS e a COFINS, como se detivesse, ao final da operação, toda essa receita em seu nome, quando, na verdade, apenas lhe cabia a comissão relativa às vendas. § Ter formulado em 31.07.1995, perante a SRF, o processo de consulta n° 13710.001338/9577, o qual resultou na Decisão n° 68/96, exarada no sentido de considerar como receita bruta da sociedade apenas as comissões recebidas de cada editor, em vez do produto total da venda das mercadorias de terceiros. Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.069 12 § Que, diante do posicionamento da RFB, e levando em consideração a quantia de crédito decorrente do recolhimento a maior das contribuições ao longo dos anos, deu inicio, com base na legislação vigente, A compensação desses valores. § Após 25 anos da vigência do art..170 do CTN, foi editada a Lei n° 8383/91, para que fosse possível a compensação de tributos da mesma espécie, de acordo com o preceituado em seu art. 66, com a redação dada pela Lei n° 9069/95.1 § A IN SRF n° 21/97, ern seu art. 14 restringiu a possibilidade de compensação, ao exigir que os tributos tivessem a mesma destinação constitucional, bem como determinou que o procedimento de compensação se desse independentemente de requerimento, significando que o direito de compensar é exercido pelo contribuinte independentemente de qualquer autorização das autoridades fiscais. § A Lei n° 9430/96 trouxe os procedimentos a serem adotados nos seus arts. 73 e 74. Com isto foi permitida a compensação de tributos de naturezas diferentes, desde que tutelados pela RFB. § A compensação de créditos de mesma natureza e espécie continuou a ser procedida sem grandes formalizações, já os tributos de naturezas diferenciadas seriam objeto de Pedido de Compensação. § Esse panorama prevaleceu até setembro/2002, quando então entrou em vigor a IN SRF n° 210/2002, que passou a exigir para compensação dos tributos a apresentação de "Declaração de Compensação". § O procedimento adotado até setembro de 2002 pelos contribuintes restou modificado passando a depender de apresentação da declaração de compensação para que o instituto da extinção do crédito Tributário pela via da coMpensação fosse levado a efeito. § A IN SRF n° 210/2002 foi revogada pela IN SRF n° 460/2004, que não trouxe nenhuma alteração relevante. § A Impugnante, considerando os termos da Consulta n°68/95, peticionou em 29.10.1996, cautelarmente, no sentido de solicitar ao Fisco a homologação de seu credito de PIS/COFINS para compensação de débitos vincendos, gerando o processo n° 13710.002341/9606. § Ter sido instaurado nesses autos, o longo e demorado procedimento Fiscal de apuração e homologação do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, que perdurou por quase dez anos, quando então, em 21.02.2006, o contribuinte tomou ciência da decisão ora impugnada, que determinou o quantum passível de compensação em R$ 14.714.313,85, o qual está equivocado. § A partir de 1997, a Sociedade efetuou, via DCTF, diversas compensações com as mesmas contribuições vincendas (PIS/COFINS Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.070 13 com PIS/COFINS), tomando por base valores apurados pela própria Impugnante, os quais foram posteriormente confirmados pela Fiscalização (fls. 559 a 561), com vistas a liquidar seu crédito Fiscal perante a Fazenda. § Até setembro/2002, as compensações de crédito de PIS/COFINS com débitos de PIS/COF1NS foram exteriorizadas pela impugnante à SRF, via DCTF, onde informava o número do presente processo. Quanto às compensações de tributos de naturezas diferenciadas foram apresentados Pedidos de Compensação específicos, que ganharam novos números. § Esses procedimentos perduraram até outubro de 2002, quando por força da alteração da legislação, se viu obrigada a apresentar à RFB declarações de compensação para cada nova compensação que fizesse. § Assim passou a protocolizar, perante a RFB, seus pedidos de compensação, em vez de apenas proceder pelo confronto de valores em sua DCTF, conforme lhe exigia a legislação passada. § Em julho de 2004, a impugnante apresentou declarações de compensação, nos moldes da IN SRF n° 210/02, para o período compreendido entre janeiro de 1999 a setembro, de cuja compensação já havia sido feita via DCTF. Estas declarações contemplavam, inclusive, os valores de PIS/COFINS compensados com débitos de mesmas espécies e já informados nas DCTF dos meses respectivos. § Adotou este procedimento apenas para adaptar suas condutas anteriores à legislação vigente. Entretanto, o protocolo desses pedidos de compensação acabou por representar para a Receita, inadvertidamente, a substituição automática das compensações anteriormente procedidas, por essas novas, como se efetuadas as destempo e, portanto, passíveis de multa e juros, trazendo sérias conseqüências ao montante do crédito compensável. § Existem 33 processos de compensação em tramite na RFB, todos referentes ao crédito ora discutido, cada qual decorrente de uma declaração de compensação protocolizada pelo contribuinte, entre as competências de outubro/1996 (primeira compensação em maio/1997) e março/2005 (período de apuração de fevereiro/2005), quando então, a ora impugnante, base nos cálculos atualizados sobre a planilha elaborada pelo Fisco (fls 559 a 561), julgou encerrado seu direito creditório. § O quantum do crédito determinado pela SRF é consideravelmente menor do que aquele apurado pelo contribuinte. § Dos 33 processos de compensação, 8 não foram homologados, alem de 1 cuja homologação foi apenas parcial. No mais, 21 compensações foram integralmente homologadas, perfazendo um total de 30 processos. § Restam três processos, a saber os de n° 13701.002644/200419, 13710.001175/200410 e 13710.000531/200551, cuja compensação Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.071 14 pretendida também se refere ao crédito ora discutido, muito embora seus autos não tenham sido apensados ao presente processo. Segundo a Fazenda, todos os três encontramse em fase processual diversa do restante dos processos, haja vista que já tiveram suas homologações indeferidas, bem como já possuem protocolizadas manifestações de inconformidade próprias. § Quanto aos depósitos judiciais efetuados no bojo das ações n° 92.002.29912 (Medida Cautelar Inominada) e n° 92.013.57540 (Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica) é de se observar que estes foram convertidos em renda da Unido e correspondem a pagamento da COFINS realizado em bases muito superiores As realmente devidas, pois a Impugnante, à época, considerou corno base imponível o montante integral dos ingressos relacionados As vendas das mercadorias, inclusive da parte repassada aos Editores, quando o correto seria considerar como base de cálculo somente o produto das comissões de vendas efetuadas em nome das editoras. § O despacho decisório ao aduzir não haver saldos devedores ou credores ao fim da lide judicial, está a tratar da comparabilidade entre a base de cálculo usada pela Impugnante no período de abril/1992 a novembro/1993 para fins de determinação da COFINS devida (valores dos ingressos totais) em comparação com os depósitos judiciais da exação feitos na ocasião. § Não compararam se os depósitos judiciais estavam formalizados pelo valor das comissões, mesmo porque as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e as DCTF daqueles anos foram originariamente preenchidas como sendo o valor do faturamento o total dos ingressos, sendo retificadas posteriormente para o valor das comissões sobre as vendas de revistas, livros e periódicos. § A planilha elaborada pela própria RFB, abarcou normalmente as competências em que as contribuições foram pagas em juizo. Isto porque a imica diferença entre os recolhimentos é que uns foram realizados ordinariamente e outros ocorreram em Juizo, com posterior conversão em renda da Unido. § Não procede a alegação transcrita no Despacho Decisório n° 60/2005, haja vista que a conversão do depósito judicial em renda corresponde ao pagamento (art. 156, I, CTN), sendo, portanto, modalidade extintiva do crédito Tributário, passível de compensação se. efetuado a maior. § Elaborou planilha demonstrativa do equivoco ocorrido durante o período de apuração de abril/1992 a novembro/1993, resultando em saldo a ser compensado no valor de 3.720.682,41 UFIR. § O Parecer Conclusivo n° 60/2005 desconsiderou que a compensação desse montante já havia sido homologada tacitamente, pois os valores discutidos no .bojo daquele feito judicial, assim como todos os outros pagamentos a maior que foram objeto de compensação até a data de Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.072 15 fevereiro/2001, já se encontram, em fevereiro/2006, tacitamente homologados pela Administração Tributária, a teor do art. 150 §4°, do CTN. § Os diversos procedimentos de compensação efetuados pelo contribuinte, resultaram no pagamento antecipado da diferença das contribuições PIS e COFINS devidas a cada período. Portanto, passados cinco anos da conduta praticada pelo contribuinte, ora Impugnante, não há nada que o Fisco possa fazer, além de assentir com o procedimento adotado á época. § O próprio Chefe de Divisão da DERAT, em despacho de fls. 611 (renumerada para 673), reconhece a necessidade da análise urgente do direito creditório da ora Impugnante, tendo em vista a homologação tácita que acontece mês a mês. § Ainda que o lançamento não estivesse homologado tacitamente (e está), o débito em questão decorre de compensação corretamente procedida pelo contribuinte, porque havia saldo de COFINS a maior a compensar, já que os depósitos judiciais convertidos em renda foram realizados em montantes superiores aos realmente, devidos, com fulcro na legislação de regência e em prestigio à Solução de Consulta n° 68/96. Ambos os fatos, mesmo isoladamente, já seriam suficientes para garantir o direito creditório .'em comento. § Quanto aos créditos de PIS nas compétências compreendidas entre 04191 , e 10/91, cuja compensação foi afastada no referido Despacho Decisório, ocorreu homologação tácita em maio/2002, pois a compensação desses créditos foi procedida em maio/1997. § Foi o primeiro crédito compensado pela Impugnante, já que a primeira compensação atinge o crédito Fiscal mais antigo referente ao mesmo tributo, não sendo cabível imaginar que os períodos mais pretéritos não estariam tacitamente homologados, já decorridos nove anos do procedimento adotado pelo contribuinte. § A decisão ora impugnada somente poderia questionar os procedimentos adotados pelo contribuinte após a competência de fevereiro/2001, ou seja, nos cinco anos anteriores à revisão fiscal. Caso contrario, admitir seia a penalização do contribuinte pela inércia do Fisco, que usando de sua própria torpeza, apenas em 2006 decidiu rever os procedimentos referentes a 1997 (cuja competência originária é 1991), ou seja, anos e anos depois de iniciado o procedimento de compensação. § Considerando o disposto no art. 150, § 4o do CTN, bem assim os Princípios da Segurança Jurídica e da Moralidade Pública, não procede a extemporânea alegação de decadência do direito de compensar. Ao contrário, a perda do prazo para discutir sobre aquelas competências do Fisco, que se demorou nove anos para emitir parecer sobre os fatos. § As competências compreendidas entre 04/91 e 10/91 não estavam decadentes ao ser pleiteada a repetição do indébito, haja vista que a teor Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.073 16 do inc. I do art. 168, a extinção do crédito Tributário nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no presente caso, ocorre na data da homologação expressa ou tácita do pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, ex vi do art. 156, inc. VII. § Somente em 2005, com a edição a LC n° 118/05, o CTN foi alterado para sacramentar que o pagamento de tributos regidos pela modalidade de homologação, somente poderiam ser objeto de restituição (e compensaçao) até cinco anos da data do pagamento, que deveria ser considerado como dies a quo do prazo prescricional para repetição do indébito. § O art. 40 dessa Lei Complementar pretendeu conferir caráter interpretativo à nova legislação, que, nos moldes do art. 106, do CTN, tentou sem sucesso, estender seus efeitos a eventos pretéritos, como se aquela fosse a interpretação vislumbrada pelo legislador da norma anterior, incorrendo em violação ao Principio da Anterioridade, já que o art. 3° da LC 118/05 implica alteração de entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ, inclusive já tendo sido, em hipótese análoga, objeto de decisão no STF. § Tratase, portanto, de lei modificativa com efeitos ex nunc. A aplicabilidade desta Lei Complementar é apenas para os fatos geradores ocorridos a partir de 09 de junho de 2005. § As compensações, em referência, estão sujeitas à sistemática dos dez anos, vigente época dos fatos. § O Fisco esperou nove anos para aplicar uma lei nova a fatos passados, porque teria a informação de que a lei estaria para ser votada no Congresso Nacional e, então, de forma torpe, protelou sua decisão até a edição da lei. E injusto, ilegal , arbitrário, imoral e inconstitucional. § Há que se desconsiderar o disposto no Ato Declaratório no 096/99 , haja vista sua afronta às normas hierarquicamente superiores, em especial ao CTN, não cabendo ao Julgador a alegação de estar vinculado ás normas espúrias, eis que afrontam o ordenamento vigente. § Em 1997 poderia a Impugnante compensar débitos registrados até 1987, haja vista que seus lançamentos foram homologados tacitamente. § Portanto, que seja pela decadência do Fisco em rever os procedimentos adotados em 1997, seja pela aplicabilidade da interpretação pacifica naquela época sobre a contagem do prazo decadencial do contribuinte para fins de repetição/compensação do indébito, não é legitima a pretensão Fiscal disposta no Parecer Conclusivo n° 60/2005, no sentido de considerar decadentes as competências compreendidas entre os meses de abril e outubro de 1991. § Ainda que não homologado tacitamente o procedimento de compensação desses valores, bem como fosse aceitável a aplicação dos ditames da LC Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.074 17 n° 118/05, mesmo assim não haveria óbice para o aproveitamento dos créditos, visto que protocolou processo de consulta em 31.07.1995, o qual resultou na Decisão n°68/96. Esta data está inserida no interregno calculado pelo Fisco para que o contribuinte saísse da inércia, sendo, portanto, tempestiva a sua ação, que possuía até abril/96 para questionar o lançamento. § O Fisco é quem demorou até 1996 para responder a consulta e só com esta é que poderia o contribuinte levantar créditos de PIS/COFINS que entendia possuir. A decisão exarada no processo de consulta deu sustentação jurídica para, sem solução de continuidade, pleitear os créditos por pagamentos a maior, não podendo os recolhimentos de PIS feitos em 1991 serem alijados do bojo de créditos, porque a atitude cessou a decadência. § Ser desnecessária a ratificação, efetuada pelo mesmo, quando da apresentação dos pedidos de compensação para competências anteriores a outubro/2002, ocorrendo excesso de forma. § Em julho de 2004, apresentou pedidos de compensação para as competências compreendidas entre janeiro de 1999 e setembro de 2002, quando não havia necessidade de apresentação formal do pedido de compensação. Os valores informados de compensação são absolutamente idênticos Aqueles apurados nas DCTF apresentadas originariamente. § O sistema da Receita Federal considerou as declarações corno retificadoras (quando eram meramente ratificadoras), fazendo incidir sobre as informações multa correspondente a R$ 1.007.079,13 e juros no valor de R$ 2.819.541,49, pelo suposto pagamento extemporâneo. Solicita a retificação do crédito realmente aproveitado pela ora Impugnante, com base nas compensações tempestivamente apresentadas, desconsiderando as supostas retificadoras. § A despeito do disposto na IN SRF n° 210/02, por um descuido seu, somente tomou ciência de que deveria apresentar DCOMP para compensações de tributos de mesma natureza, em meados de 2003. Nesse momento retificou as compensações de PIS/COFINS com débitos nascidos a partir de outubro de 2002, também de PIS/COFINS, apresentando declarações de compensação retroativas até essa data. Neste caso houve sim uma retificação, pois a partir de outubro de 2002 só estava considerando como instrumento demarcador da compensação as DCTF, para os casos de débitos de PIS/COMS. § Na apuração dos créditos a Decisão n° 60/2005 cominou multa e juros, para as declarações de compensação apresentadas A RFB, após 28.05.03, com base no art. 51 da IN SRF n° 460/04, tendo em vista que as retificações foram consideradas como pagamento em atraso, quando na realidade as DCTF apresentadas no período em tela, demonstram todas as compensações procedidas de boafé pelo contribuinte. Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.075 18 § É caso de denúncia espontânea, a teor do art. 138 do CTN, referente A mera obrigação acessória não podendo ensejar o pagamento de multa e juros, sequer houve prejuízo aos cofres da União. § Elaborou quadro demonstrativo dos valores envolvidos, apurando multa equivalente a R$ 268.513,24 e juros no montante de R$ 51.998,18, devendo também a Decisão n°60/2005 ser reformada a fim de que os saldos de créditos de PIS e COFINS e as respectivas homologações das compensações sejam concretizadas. § Ter havido erro no cômputo do débito referente ao Auto de Infração constante do processo n° 13710.000174/9514.0s DARF's emitidos para pagamento têm os mesmos valores constantes do Pedido de Compensação efetuado em 28.05.2002 (dentro do prazo para pagamento do débito, ou seja, 31.05.2002). Por algum motivo, na contabilização dos créditos utilizados pelo contribuinte, a SRF lançou esses valores majorados, conforme se extrai da fl. 711 (renumerada para 712) do presente processo. § O erro no lançamento comporta valores a maior de R$ 76.435,17 e R$ 19.108,83, respectivamente de IRPJ e CSL, cujos valores originários eram de R$ 608.714,63 e R$ 152.178,61, respectivamente. Solicita que estes saldos voltem a compor a planilha de créditos fiscais a favor da Impugnante, bem como sirvam de quitação de débitos fiscais que regularmente foram objeto de pedido de compensação. § Ter informado em duplicidade os débitos de PIS e COFINS nos períodos de apuração de 10/2003, 11/2003 e 12/2003. Protocolizou três pedidos de compensação (PERDCOMP), para os períodos mencionados de valores R$ 268.646,10, R$ 245.943,58 e R$ 374.135,97, correspondentes ao somatório de PIS e COFINS. Para todos essesNaloro•foi indic o o n° do presente processo para fins de baixa do crédito. § Em 27.02.2004, a Impugnante protocolizou, em papel, novo pedido de compensação indicando os mesmos valores a serem compensados, importando na formalização do processo n° 13710.000561/200456. § Tal equivoco do contribuinte não pode representar que os débitos sejam compensados duas vezes, como de fato ocorreu, sendo necessária retificação, a fim de que seja estornado o débito inexistente equivalente a R$ 888.725,65. § O Parecer Conclusivo n° 60/2005 tomou por base as segundas DIPJ retificadoras relativamente aos anoscalendário de 1993 a 1995, apresentadas em 02.10.1997 e 15.10.1997, respectivamente, quando, na realidade deveria ter utilizado os valores de base de calculo constantes nas terceiras declarações retificadoras apresentadas em 12.01.1998 e 14.01.1998, respectivamente. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.076 19 § Tal fato resultou na utilização incorreta de valores de base de cálculo das contribuições em referência, conforme demonstrado nas planilhas, efetuadas pela mesma, constante de fls. 935 a 937. § Ao final requer seja julgada a procedência da presente Manifestação de Inconformidade, a fim de que seja cancelado o crédito Tributário decorrente do Parecer Conclusivo n° 60/2005, com a conseqüente homologação dos procedimentos adotados pela interessada, determinando o seu arquivamento e impondo o seu retomo à origem para que o departamento competente refaça os cálculo pertinentes as compensações em voga. Protesta, ainda, por todos os meios de prova admitidos, mormente pela produção de prova documental a fim de que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive com a conversão de diligência Fiscal, se assim for julgado necessária e suficiente para demonstrar a verdade dos fatos e do direito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II, por meio do Acórdão no 1313.968 4a Turma da DRJ/RJOII (fls. 1129/1166), decidiu conforme da ementa constante da fl. 1129 e 1131 deste processo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995 HOMOLOGAÇÃO TACITA A homologação tácita prevista no art. 74 da Lei n° 9430/96, somente se aplica aos Pedidos de Compensação, de créditos com débitos próprios do contribuinte, efetivamente convertidos em Declaração de Compensação e não analisados no prazo de cinco anos contados a partir da data do seu protocolo. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte pleitear a restituição/compensação de contribuição paga em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. As argüições de inconstitucionalidade, que visam afastar a aplicação de norma legal inserta no ordenamento jurídico, não são oponíveis na esfera administrativa, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995 SOLUÇÃO DE CONSULTA. INEFICÁCIA Solução de consulta ineficaz não tem o Condão de funcionar como suporte para o reconhecimento de direito creditório e consequente homologação de compensação PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e pericias que considerar prescindíveis ou impraticáveis para a solução da lide. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995 Homologação de Compensação. Requisitos. A fim de se homologar compensação efetuada pelo contribuinte, necessário se faz o reconhecimento do seu direito creditório que por sua vez tem como pressuposto o Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.077 20 pagamento indevido do tributo, cuja ocorrência deverá estar devidamente comprovada nos autos. Base de Cálculo. Operações em Consignação. Para que seja considerada a base de cálculo alegada pelo contribuinte, fazse necessário estar configurada, através de provas hábeis, a ocorrência de operação em consignação que implique faturamento composto exclusivamente por comissões recebidas. Base de Cálculo. PIS e COFINS A norma de incidência tributária do PIS e da COFINS, tem como um de seus critérios quantitativos o faturamento, assim entendido o valor total da venda efetuada pelo contribuinte. Solicitação indeferida. Em decorrência da Decisão da DRJ, a DIORT/EQPEG da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária RJ, emitiu o Parecer Conclusivo no 198/2008, tornando sem efeito o Parecer Conclusivo no. 60/2005 e revendo seus atos em relação aos pedidos de compensação da recorrente (fls. 1170/1175). Em face da decisão da DRJ e do novo parecer conclusivo, a Recorrente requereu (fls. 1180/1183) que lhe fosse informado, com a necessária urgência, qual o recurso cabível. Defendeu que não seria razoável exigirlhe interposição de dois recursos diferentes diante de decisões de mesmo teor. A DIORT/EQPEJ da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária informou (fls 1185/1186) que eram facultados os dois recursos à contribuinte: recurso voluntário ao CARF e manifestação de inconformidade contra o despacho decisório. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls 1189/1246, do qual consta o seguinte resumo conclusivo das suas razões; a) Preliminarmente: 1. O Acórdão ora recorrido transbordou sua competência ao julgar matéria incontroversa, a qual sequer foi submetida a sua apreciação. Seu papel, em suma, era o de apenas apreciar as divergências apontadas entre o Parecer Conclusivo no 60/05 e a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, já que sobre todo o resto há consenso entre as partes; 2. Operouse a homologação tácita sobre a maior parte das compensações, a saber, sobre todas que foram efetuadas até o dia 12.03.2002. Esse marco temporal decorre unicamente da anulação do Parecer Conclusivo n° 60/05, pelo superveniente Parecer Conclusivo n° 198/06, cuja ciência foi tomada em 12.03.2007. Ressaltese, por oportuno, que as compensações efetuadas com competências anteriores a outubro/2002, devem ser consideradas consumadas no momento efetivo do pagamento antecipado (competência da compensação), não importando, nesses casos, as datas de entrega das DCOMP, eis que inexigíveis à época; b) No mérito: 3. A atividade desenvolvida pela ora Recorrente é de distribuição de mercadorias por consignação, com operação exclusivamente em conta de terceiros e com receita baseada no recebimento de comissões. Esse entendimento, devidamente retratado na realidade da Empresa, foi chancelado inúmeras vezes por diversos diferentes agentes fiscais representantes da SRF, além de ter sido objeto de Processo de Consulta com manifestação favorável ao Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.078 21 contribuinte. Também assentiu com tal metodologia, o Parecer Conclusivo n° 60/05, indevidamente reformado pelo Acórdão em debate; 4. A Consulta Formal n° 68/95 realizada pela ora Recorrente (devidamente arquivada em 1996) é inquestionavelmente válida, eis que atendidos todos os seus pressupostos formais. Ainda que eivada de vicio formal, seu conteúdo técnico revela a melhor aplicação do direito e esta assertiva restou patente no texto da Solução de Consulta n° 168/98, cujo teor é exatamente igual àquele conferido na Consulta n° 68/95, ofertada A ora Recorrente, de modo que a receita bruta de sua atividade é a comissão pela distribuição de revistas na modalidade de consignação. Absurdo admitirse questionamentos quanto A validade depois de transcorridos onze anos de seu arquivamento, depois de dada ciência a Recorrente.Reparese que a Oposta nulidade levantada pelo Acórdão (ausência do recurso de oficio) decorreu de omissão da própria Administração Fiscal, a qual foi posteriormente convalidada (e revisada) com A dupla ordem de arquivamento (do Agente Fiscal José Luiz dos Santos e de seus Superior Aylton Luiz Freire Dias — fls. 16, daquele processo). É clara, portanto, a ofensa à Moralidade e A Segurança Jurídica. 5. Confirmada a validade da decisão exarada na Consulta Formal, deve ser respeitada a irretroatividade de cobrança para as competências transcorridas sob sua guarda, de modo que não se pode admitir a não homologação determinada no Acórdão combatido, tendo em vista a permanência inalterada do posicionamento adotado na Consulta nesse período; c) Caso não houvesse extrapolação de competência julgadora: 6. Descabe a vedação ao crédito decorrente do recolhimento a maior de COFINS efetuado entre as competências de abril/1992 e novembro/1993, no bojo das ações judiciais no 92.002.29913 e n°92.013.5754O, pelo simples fato dos valores terem sido integralmente convertidos em renda da União. Vale ressaltar que, à época do referido trâmite judicial, a ora lmpugnante recolhia COFINS com base nos ingressos totais, em montante muito superior Aquele que deveria servir de base imponivel da contribuição social — fato este que só veio a ser confirmado em meados de 1996, .com a ciência da Decisão exarada no Processo de Consulta n°.13710.0001.338/9577. Portanto, compensar os valores judicialmente depositados (e posteriormente convertidos em renda da União) corresponde a compensar os demais recolhimentos ordinários, haja vista que em todas as competências (inclusive aquelas congruentes ao processo judicial em referência) a COFINS foi recolhida a maior pela ora Impugnante. 7. Não há que sé falar em decadência do direito do contribuinte de repetir, em 1997, indébito de 1991 com base nos ditames da Lei Complementar n° 118/05, por absoluta inaplicabilidade da norma no tempo (vedação à irretroatividade). À época, vigia a tese dos cinco mais cinco, a qual foi devidamente respeitada. Ademais, quando do julgamento das referidas compensações (originalmente realizado em 2006), aquelas datadas dé 1997 já estavam há muito homologadas tacitamente, em razão da inércia do Fisco. Em seguida, a contribuinte apresentou o seu pedido, nos seguintes termos: Por todo o exposto, protesta a ora Recorrente pela anulação do Acórdão n° 13 13.968, exarado pela 4a Turma da DRJ/RJ011, em razão do acolhimento in totum das razões hora aduzidas. Reflexivamente, requer que este I. Conselho reconheça também a nulidade do Parecer Conclusivo n° 198/06, tendo em vista a correlação existente entre as decisões. Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.079 22 Incidentalmente, requer sejam julgados integralmente procedentes os procedimentos de compensação adotados .pela FERNANDO CHINAGLIA DISTRIBUIDORA S/A., determinando.á Delegacia de origem que efetue os cálculos de acordo com o Direito reconhecido neste Recurso. Por fim, a ora Recorrente reitera os cálculos e argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade dátada de 23 de março de 2006, por ali constarem todos os elementos que conduzem ao mais absoluto reflexo da realidade. O presente processo foi então encaminhado a este CARF. Por meio da Resolução nº 3301000.297 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fl. 2052), houve conversão do julgamento em diligência para que fosse solicitado o processo 13710.002341/9606, a fim de se efetuar julgamento conjunto, na forma do art. 6º, Inciso III, § 1º, do Ricarf. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. De início, cabe consignar que está sendo realizado em conjunto o julgamento deste processo e do o processo 13710.002341/9606, em razão de conexão, conforme pleiteado pela Recorrene. A Recorrente, frente a dúvidas concernentes à abrangência da tributação pela contribuição para o PIS e pela COFINS sobre as receitas de sua atividade, formulou consulta à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esta recebeu a consulta, considerandoa, portanto, eficaz. Houve resposta da Divisão de Tributação da 7a Região Fiscal favorável ao contribuinte por meio da Decisão no 68/96. Indicouse, na parte final desta Decisão, que haveria "remessa do processo à COSIT, após o decurso do prazo previsto para interposição de recurso voluntário". A decisão favorável ao contribuinte lhe foi cientificada, e o processo não foi encaminhado à Cosit, mas foi arquivado. Cumpre observar que não é de se esperar que a contribuinte, depois de ser devidamente cientificada de decisão favorável a seu interesse, tivesse o dever de fiscalizar a autoridade administrativa para verificar se esta seguiu posteriormente o rito legal. Ao contrário, segundo princípio basilar do Direito Administrativo, os atos administrativos gozam de presunção legitimidade. A recorrente, de posse da solução de consulta, Decisão no 68/96, apresentoua à fiscalização, que apesar de constar expressamente da Decisão que esta deveria ser remetida à Cosit também pressupôs que a Decisão era legítima e a aceitou. Outrossim, foi elaborado extenso Relatório neste voto com o intuito de evidenciar que a fiscalização teve, além da Decisão no 68/96, amplo acesso aos documentos, comprovantes de recolhimento de tributos, contratos com fornecedores e clientes e a todos documentos necessários a embasar suas conclusões. Isso fica evidente o Relatório de Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.080 23 Fiscalização (fl. 608), já reproduzido no Relatório deste voto, mas que cumpre novamente colacionar: Em atendimento ao despacho de fls. 504 do presente processo, compareci ao domícilio tributário do contribuinte ... (...) Conforme consta no processo a origem desta compensação foi uma consulta feita à SRF onde a empresa alega que sua operação principal é toda por consignação e que, portanto, o seu faturamento somente seria as comissões recebidas dos editores. Para comprovar tal procedimento foi que solicitei os contratos com fornecedores e clientes . Neste caso, analisando estes contratos e também algumas 'notas fiscais ,conclui que a empresa realmente trabalha por consignação. (grifos nossos) Dessarte, a Fiscalização, durante largo período de tempo e de forma minuciosa, realizou diligências, levantou informações, documentos, solicitou esclarecimentos e correções que foram devidamente realizados pela recorrente. Além disso, reiterese, em nenhum momento se questionou a solução de consulta, ao contrário, corroborouse o seu entendimento. No final, a decisão da RFB se consignou no Parecer Conclusivo no 60/2005 (fls. 733/737), que reconheceu parcialmente o direito creditório da recorrente e homologou as compensações pertinentes. Anotese que não foram reconhecidas, e portanto não foram homologadas, as compensações relativas a valores considerados decaídos e também aos relacionados à conversão em pagamento de depósito judicial. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 956/1015), insurgindose somente em relação às compensações não homologadas. Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II, por meio do Acórdão no 1313.968 (fls. 1129/1166), de 29 de setembro de 2006, analisou toda a matéria, entendendo que a consulta originalmente apresentada pela contribuinte e respondida pelo Fisco era ineficaz e improcedente no mérito e que, consequentemente, a Recorrente não fazia jus às compensações pleiteadas, inclusive aquelas homologadas pelo Parecer Conclusivo no 60/2005. Consta do Acórdão mencionado que "É de se alertar à Delegacia de Jurisdição do contribuinte, tendo em vista todo o exposto neste voto, que, a Juízo do Titular daquela Unidade, considere a adequação de se adotar providencias necessárias no sentido de rever os atos administrativos de reconhecimento de direito creditório e a conseqüente homologação das compensações indevidamente efetuadas pelo contribuinte, ressalvando aquelas para as quais tenha ocorrido a homologação tácita nos termos da legislação que rege a matéria" (fl. 1166) Em 04.01.2007, ainda sem a decisão definitiva da matéria no âmbito administrativo, a DIORT/EQPEJ da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária RJ emitiu o Parecer Conclusivo no 198/2008, tornando sem efeito o Parecer Conclusivo no 60/2005, e portanto, não reconhecendo o direito creditório que havia anteriormente reconhecido e não homologando as compensações que havia anteriormente homologado (fls. 1170/1174). Neste momento cumpre revisitar o artigo 149 do Código Tributário Nacional: Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.081 24 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Ademais, à homologação, no caso de lançamento por homologação, devem ser aplicados os mesmos parâmetros consignados no artigo colacionado. Ou seja, crédito expressamente reconhecido e homologado, sobre o qual não se apresentou recurso à DRJ, não é suscetível de revisão por esta, a não ser que se enquadre em uma das hipóteses do art. 149 do CTN. Caso contrário, estarseia mudando de critério jurídico para alterar lançamento/homologação expressamente reconhecido e consolidado, o que nosso sistema jurídico, com fulcro em princípios como a da segurança jurídica e do devido processo legal, não permite. Sendo assim, afasto a decisão da DRJ, por vício material decorrente de determinação de mudança de critério jurídico de lançamento por homologação consolidado, anulo o Parecer Conclusivo no 198/2008 e os atos dele decorrentes, sendo restabelecidos, consequentemente, os efeitos do Parecer Conclusivo no 60/2005 em tudo que não conflitar com este Acordão do CARF. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 15374.002392/200836 Acórdão n.º 3301004.750 S3C3T1 Fl. 2.082 25 No que tange à decadência do direito do contribuinte de repetir/compensar, em 1997, indébito do ano de 1991, deve ser aplicado, a favor do contribuinte, o entendimento já consolidado na Súmula 91 do CARF: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Quanto à possibilidade de reconhecer crédito da Recorrente concernente a recolhimento a maior da COFINS, no bojo das ações judiciais em que os valores depositados foram integralmente convertidos em renda da União, mister anotar que, tendo em conta que neste caso a contribuinte submeteu ao Judiciário o reconhecimento de seus créditos e não logrou êxito, não é cabível, por preclusão consumativa, que ela venha novamente apresentar no âmbito administrativo seu pretenso direito relativo aos mesmos créditos, ainda que sob fundamentos diversos. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2082DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.964921/2012-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/06/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3002-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente JOHNSON CONTROLS BE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/06/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 49 21 /2 01 2- 30 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10880.964921/201230 Acórdão n.º 3002000.309 S3C0T2 Fl. 400 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 03/07), transmitido em 30/09/2010, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A compensação declarada foi parcialmente homologada, conforme despacho decisório (fl. 08), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.". Após ser intimada da decisão em 13/11/2012, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 12/13), na qual informou que, em maio de 2008, a empresa apurou débito de COFINS no valor de R$ 1.016.194,80, tendo informado tal valor na DCTF do referido período. Porém, por um lapso, arrecadou o referido valor aos cofres Federais através de 2 DARF's: um no valor de R$ 900.911,08 em 25/11/2009 e outro no valor de R$ 266.548,51. O Sujeito Passivo alega, ainda, que procedeu a compensação do valor pago a maior em 30/09/2010, contudo, a Receita Federal equivocouse ao homologar parcialmente a compensação, pois o crédito pleiteado está correto. Por fim, requereu o deferimento da Manifestação de Inconformidade pelos motivos de fato e de direito mencionados. Para comprovar o seu direito, a ora recorrente juntou à Manifestação de Inconformidade cópias da DCTF retificadora, referente a maio/2008. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10880.964921/201230 Acórdão n.º 3002000.309 S3C0T2 Fl. 401 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 98/115), no qual informou de forma mais detalhada as sucessivas retificações do valor de COFINS, referente a maio de 2008, e requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando, preliminarmente, a nulidade do Acórdão recorrido por falta de análise de todos os pontos suscitados no recurso, por falta de motivação e por falta de fundamentação e, por conseguinte, havendo afronta aos Princípios do Contraditório e o da Ampla Defesa. Posteriormente, no mérito, assevera a legitimidade da retificação da DCTF, o primado do Princípio da Verdade Material, a existência do crédito e a legitimidade da compensação, assim como da denúncia espontânea, visando a não incidência da multa de mora. Ademais, aduz que seria obrigação das instâncias julgadoras a conversão em diligência, conforme Parecer Normativo Cosit nº 02/2015. Por fim, requer a nulidade da decisão recorrida, a conversão do julgamento em diligência para apuração do crédito e a homologação da compensação pleiteada. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Com efeito, da confrontação do teor do Despacho Decisório com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que ocorreu discrepância entre a realidade fática do presente processo e a situação tratada no voto. Enquanto, em realidade, a compensação pleiteada foi parcialmente homologada, a análise realizada pelo relator daquele Acórdão consideroua não homologada totalmente. Transcrevese o seguinte excerto do voto condutor: "Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10880.964921/201230 Acórdão n.º 3002000.309 S3C0T2 Fl. 402 4 efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à restituição ou compensação." (grifo nosso) Por outro lado, o voto condutor do Acórdão recorrido considerou que "A DCTF foi retificada posteriormente, reduzindo o débito anteriormente confessado. Entretanto, no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida", ou seja, considerouse que a DCTF foi retificada após a ciência do Despacho Decisório. Contudo, pelas cópias acostadas aos autos, verificase que a retificadora foi transmitida em 03/07/2012. Assim, a alteração na declaração foi promovida antes da emissão do Despacho Decisório. Além disso, conforme as informações contidas no Recurso Voluntário, embora tenha sido realizado uma retificação na DCTF para reduzir o débito em 30/09/2010, na última retificadora transmitida, em 03/07/2012, foi confessado um débito de valor superior ao anteriormente confessado na DCTF original. Assim, a princípio, quando do Despacho Decisório, o valor confessado pela contribuinte era superior ao original. Dessa forma, não há como negar que, por ter se baseado em situação diversa da realidade fática dos autos, a motivação esposada no Acórdão recorrido encontrase eivada de vício insanável. Ademais, apenas visando aclarar outro ponto, ressaltese que o entendimento majoritário desta Corte é que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Entretanto, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. Sendo do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o Acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001249/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1994 a 31/05/1998
EXISTÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE ÓRGÃO COLEGIADO QUE ADMINISTRA O TRIBUTO. QUESTIONAMENTO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
O julgamento em outros órgãos da administração federal far-se-á de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.
Existindo decisão definitiva exarada por órgão colegiado da administração federal que administra o tributo e havendo questionamento em sede de recurso voluntário, não há de se conhecer desse questionamento, vez que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscuti-la, pois não cabe a este atuar como instância revisora das decisões exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. ART. 173, I E II, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há que se falar de decadência quando não transcorrido o lapso quinquenal previsto no art. 173 do CTN.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO À ÉPOCA DOS FATOS. SOLIDARIEDADE.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o prestador pelo pagamento das contribuições previdenciárias, forte no art. 31, caput e § 2°., da Lei n. 8.212/91, com a redação vi gente à época dos fatos, c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a decadência, vencido o conselheiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a decadência, vencido o conselheiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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QUESTIONAMENTO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972. Existindo decisão definitiva exarada por órgão colegiado da administração federal que administra o tributo e havendo questionamento em sede de recurso voluntário, não há de se conhecer desse questionamento, vez que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscutila, pois não cabe a este atuar como instância revisora das decisões exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. ART. 173, I E II, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar de decadência quando não transcorrido o lapso quinquenal previsto no art. 173 do CTN. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO À ÉPOCA DOS FATOS. SOLIDARIEDADE. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o prestador pelo pagamento das contribuições previdenciárias, forte no art. 31, caput e § 2°., da Lei n. 8.212/91, com a redação vi gente à época dos fatos, c/c art. 124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 49 /2 00 7- 16 Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 102 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a decadência, vencido o conselheiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 562/586) em face da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) Acórdão n. 1516.140 7ª. Turma da DRJ/SDR (efls. 546/556) que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.521.6248 consolidado em 21/12/2005 e constituído em 30/12/2005 no valor total de R$ 93.942,08 Competências: 08/1994 a 05/1998 (efls. 03/65), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social, nos termos dos arts. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, todas decorrentes do instituto da responsabilidade tributária, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 104/120. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 104/120), a NFLD DEBCAD n. 35.521.6248, em litígio, substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.616.0450, de 18/12/1998, declarada nula por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 000192, de 19/02/2004 (efls. 541/545). O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório Fiscal (efls. 104/120), em virtude do não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída nas notas fiscais correspondentes aos serviços prestados pela empresa ÀVILA GOIS TRANSPORTES LTDA. CNPJ 00.125.513/000129 nas competências 08/1994 a 05/1998. O lançamento em lide foi efetuado em face da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 (contribuinte fiscalizado), havendo a empresa ÀVILA GOIS TRANSPORTES LTDA. CNPJ 00.125.513/000129 sido qualificada como devedor solidário. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 103 3 Irresignados com o lançamento, o contribuinte fiscalizado CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 , bem assim a empresa qualificada como devedor solidário ÀVILA GOIS TRANSPORTES LTDA. CNPJ 00.125.513/000129 , apresentaram as impugnações de efls. 390/409 e efls. 424/445, respectivamente, alegando, em apertada síntese: Contribuinte Fiscalizado (CARAÍBA METAIS S/A) i) preliminar de decadência; ii) inexistência de solidariedade; iii) inexistência de prestação de serviços por cessão de mãodeobra. Devedor Solidário (ÀVILA GOIS TRANSPORTES LTDA.) i) preliminar de decadência; ii)inexistência de diferenças a recolher, vez que todos os recolhimentos devidos à época foram efetuados; iii) inexistência dos pressupostos da cessão de mãodeobra nos contratos de transportes celebrados entre as interessadas. Ambas impugnações foram julgadas improcedentes pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), nos termos do Acórdão n. 1516.140 7ª. Turma da DRJ/SDR (efls. 546/556), sumarizada na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1994 a 31/05/1998 DECADÊNCIA. É inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212, de 1991, consoante entendimento esposado pela Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008. No presente lançamento, não há que se cogitar em decadência, pois o prazo de cinco anos, previsto no art. 173, incisos I e II do Código Tributário Nacional, foi respeitado. CESSÃO DE MÃODEOBRA. SOLIDARIEDADE. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde solidariamente com o prestador pelo pagamento das contribuições previdenciárias (Art. 31 da Lei 8.212, de 1991). Lançamento Procedente A Recorrente (CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108) foi cientificada do teor do do Acórdão n. 1516.140 7ª. Turma da DRJ/SDR (efls. 546/556) em 22/08/2008 (efl. 561), e, inconformada, apresentou, em 19/09/2008, o Recurso Voluntário de efls. 562/586, tempestivo, portanto, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos que nortearam a impugnação de efls. 390/409. A empresa qualificada como devedor solidário ÀVILA GOIS TRANSPORTES LTDA. CNPJ 00.125.513/000129 não foi cientificada do Acórdão n. 15 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 104 4 16.140 7ª. Turma da DRJ/SDR (efls. 546/556) , havendo tal ciência sido considerada, pela própria DRF/Camaçari/BA, desnecessária como condição ao prosseguimento deste processo, vez que, em relação a essa empresa, foi reconhecida a decadência do lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.521.6248 (efls. 03/65), nos termos do despacho de efls. 594/596. Destarte, a análise por parte do órgão julgador de segunda instância restringe se ao Recurso Voluntário (efls. 562/586) da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108. A pessoa jurídica PARANAPANEMA S/A, sucessora por incorporação universal de CARAÍBA METAIS S/A, atravessou petição às efls. 508/510 requerendo o julgamento em uma só assentada da relação de processos que elenca, enquanto que às efls. 523/528 reforça os termos do Recurso Voluntário (efls. 562/586) e requer urgência no julgamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 562/586) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Da Preliminar de Decadência Não obstante o lançamento em lide ter sido consolidado em 21/12/2005 e constituído em 30/12/2005, a Recorrente reportase no Recurso Voluntário (efls. 562/586) a NFLD lavrada em 2007, o que revela evidente erro na identificação do objeto do recurso. O lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.521.6248 foi constituído em 30/12/2005 compreendendo as competências 08/1994 a 05/1998 (efls. 03/65) e veio a substituir a NFLD DEBCAD n. 32.616.0450, de 18/12/1998, declarada nula com fulcro em vício formal por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 000192, de 19/02/2004 (efls. 541/545). De plano, cabe destacar que a decisão abrigada no Acórdão CRPS n. 000192, de 19/02/2004 (efls. 541/545) de cujo teor a Recorrente tomou conhecimento e contra ela não se insurgiu é definitiva e de mérito, vez que transitada em julgado na esfera administrativa, não sendo passível, assim, de qualquer tipo de discussão ou revisão suscitada por questionamento em sede de recurso voluntário, vez que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para o mister. por tratarse de instâncias de mesmo nível horizontal, sem qualquer hierarquia entre elas. Nesse sentido, cabe resgatar o art. 38 do Decreto n. 70.235/1972, verbis: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 105 5 Art. 38. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo. É dizer, não há que se rediscutir a natureza do vício (formal ou material) que fundamentou a anulação da NFLD DEBCAD n. 32.616.0450, prevalecendo assim a natureza de vício formal expressamente indicada no decisum do CRPS, incidindo, destarte, a regra do art. 173, II, do CTN, consoante determinado naquela decisão. Todavia, e apenas por amor à argumentação, destaco o teor do Acórdão CRPS n. 000192, de 19/02/2004 (efls. 541/545) ao tratar da NFLD DEBCAD n. 32.616.045 0, verbis: [...] Conforme já relatado, trata a presente NFLD, lavrado em 21 JAN 99, de Contribuições Sociais destinadas ao custeio da Previdência Social e Terceiros, parcela empresa (Empresa/SAT/Terceiros) e empregados, incidente sobre a remuneração da mãodeobra cedida à Recorrente através da contratação de prestação de serviços (transporte de carga Avila Góis Transportes Ltda.) e a ela imputado por solidariedade, vide Art. 31, da Lei 8.212/91. O debito é referente as competências 08.94 a 05.98 e foi apurado com base em nota fiscal de serviço (25%), tudo conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 16/19, que trás em anexo um discriminativo de apuração dos saláriosdecontribuição, fls. 28/32. [...] Inicialmente deve ficar registrada a inexistência de impedimentos ao conhecimento do Pedido de Revisão da empresa, bem como das manifestações do INSS em contra razões, no sentido de que o Acórdão da 2ª CaJ não deve ser revisto. Ocorre após analisar diversas NFLD's lavradas contra a Recorrente numa mesma ação fiscal, com os mesmos fundamentos e motivação, passei a identificar a ocorrência de cerceamento de defesa. Assim é relevante apresentar no momento tais manifestações, não obstante a Recorrente já ter juntado o respectivo voto em seu Pedido de Revisão. Do Cerceamento de Defesa Como já dito, contra a Recorrente foram lavradas mais de duas centenas de NFLD's, decorrentes da solidariedade na contratação da prestação de serviços com cessão de mãodeobra. Nas primeiras NFLD's por mim julgadas neguei provimento ao recurso. Posteriormente, quando do julgamento de outras NFLD's passei a solicitar a realização de diligência para que o INSS se manifestasse com relação a refiscalização período anterior a 11.95, bem como evidenciasse de forma mais precisa a existência da cessão de mãodeobra. Assim, por iniciativa própria, o INSS adotou a diligência determinada pela 2ª CaJ/CRPS, como regra, e então instruiu todos os processos com os respectivos contratos e notas fiscais. Aqui cabe realçar que as manifestações do INSS por ocasião da diligência limitaramse a reafirmar a tese da terceirização das atividades normais da empresa e a citação de conceitos relacionados sobre a cessão de mãodeobra, deixando de fazer a correlação entre a documentação juntada e a caracterização da cessão de mãodeobra. O INSS chegou a se manifestar em seu pronunciamento que os dois primeiros pressupostos básicos do conceito de cessão de mãodeobra (colocação a disposição do contratante, nas suas dependências ou de terceiros) estariam Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 106 6 "demonstrados de forma inequívoca e pacifica nos contratos", sem, entretanto, especificar sequer um contrato (fls., cláusula ou outro) em que obteve tal certeza. A situação é complexa e não se pode perder de vista que não é a simples contratação de um serviço que traz a solidariedade. Esta decorre tão somente da prestação de serviço onde se verifica a existência de cessão de mãodeobra. O próprio INSS reconhece em seus atos normativos, que o elenco das atividades que comportam cessão de mãodeobra especificados na legislação previdenciária (lei e decreto) é meramente exemplificativo, "ou seja, pode haver cessão de mãodeobra nas atividades arroladas assim como em qualquer outra, desde que haja enquadramento no conceito de cessão de mãodeobra". (grifei) Manual de Fiscalização MAFISC (Fonte: Sislex). Daí decorre a necessidade de uma maior precisão na afirmativa do INSS, de que os contratos e serviços relacionados com as NFLD's comportam cessão de mãode obra. Não é a presunção de legitimidade da afirmativa fiscal que possibilita o exercício do amplo direito de defesa e sim a motivação e a explicitação que for apresentada. Como poderia a Recorrente se contrapor a afirmativa da existência da cessão de mãodeobra, se o INSS não apontou, de forma concreta, de onde extraiu tais conclusões. A simples tese de terceirização das atividades normais da empresa não basta, até porque não ficou evidenciado que todos os contratos decorrem das "tais atividades normais". Voltamos aos procedimentos adotados por esta CaJ, quando do julgamento de outras NFLD's: ocasião em que este Relator passou a analisar os documentos apresentados pelo INSS, buscando, caracterizar através da referida documentação a cessão de mãodeobra. Hoje, quando do julgamento de novos processos conexos, instruídos de forma semelhante, e após diversas discussões corn meus pares, entendo que tal procedimento foi equivocado, posto que substitui, ainda que com deficiências, atribuição do INSS. Caberia sim ao INSS configurar a existência da cessão de mão deobra com relação a cada um dos contratos e serviços relacionados com a NFLD em pauta, possibilitando que a Recorrente concordasse ou pudesse contestar satisfatoriamente o que deveria ter sido apresentado. O INSS procedeu de forma generalizada apresentando um único modelo de Relatório Fiscal, Pronunciamento Fiscal e DN, sem adentrar nas peculiaridades de cada um dos contratos e/ou serviços. Só quando esta CaJ reclamou a necessidade de uma melhor caracterização da cessão de mãodeobra foram apresentados os contratos e outros, ainda assim nenhum esclarecimento foi apresentado, além de teorias. O INSS não conseguiu sair do campo da suposição tese da terceirização, e dos dispositivos legais para a realidade fática dos contratos ou das prestações de serviços. Ainda lembro, quando analisei diversos contratos e serviços, ter apontado o que, sob minha ótica, caracterizava ou evidenciava a existência de cessão de mãode obra. Reputo, hoje, tal procedimento como intolerável, posto que comporta total cerceamento de defesa. Não cabe a este ou a qualquer outro Conselheiro garimpar nos autos evidências do que foi afirmado pelo INSS de forma genérica. Devemos sim cotejar as afirmativas do INSS, devidamente delimitadas e comprovadas, com as alegações do contribuinte inconformado. Cabe sim, ao INSS, motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no Inciso LV, do Art. 5°, da CF/88. [...] (grifei) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 107 7 Ao fim e ao cabo, conclui o Acórdão CRPS n. 000192, de 19/02/2004 (efls. 541/545): [...] Portanto, entendo que o melhor desfecho para a NFLD em pauta é apontar sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sanando a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mãodeobra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere a prazo decadencial Inciso II, do Art. 173, do CTN. [...] Assim por tudo o que foi exposto, entendo que a NFLD deve ser anulada. Caso o INSS entenda oportuno refazer o lançamento em pauta, entendo que devem ser superadas as duas nulidades apontadas com relação á motivação da resficalização, bem como da existência da cessão de mãodeobra. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO CONTRIBUINTE e no mérito DARLHE PROVIMENTO, anulando o Acórdão n° 02/002758 12002, da 2 a CaJ/CRPS, fls. 539. Em substituição àquele voto no sentido de CONHECER DO RECURSO do notificado e ANULAR a NFLD em pauta, na forma do voto do acima apresentado. [...] Assim, da leitura do Acórdão CRPS n. 000192, de 19/02/2004 (efls. 541/545) resta evidenciado que a NFLD DEBCAD n. 32.616.0450 foi anulada por cerceamento de defesa, oportunizandose expressamente ao INSS novo lançamento com fulcro no art. 173, II, do CTN, conforme decidido no retrocitado acórdão, caracterizandose, portanto, vício formal, restando afastada qualquer possibilidade de rediscussão da sua natureza. Assim, com espeque no decisum acima resgatado, a Fiscalização da RFB, procedeu, em 30/12/2005, à constituição do crédito tributário abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.521.6248 (efls. 03/65), dentro, portanto, do lapso temporal de cinco anos. Isto posto, não há que se falar de decadência, vez que tanto o lançamento original abrigado na NFLD DEBCAD n. 32.616.0450, quanto o lançamento substitutivo abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.521.6248, obedeceram aos prazos estipulados no art. 173, I e II, do CTN. Do Mérito Conforme já relatado, a Recorrente referese no Recurso Voluntário (efls. 562/586) à NFLD que foi lavrada em janeiro de 2007. É evidente o equívoco, vez que o lançamento abrigado na NFLD em lide foi consolidado em 21/12/2005 e constituído em 30/12/2005. O lançamento substitutivo abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.521.6248 decorre de responsabilidade solidária da Recorrente com a empresa transportadora ÀVILA Fl. 625DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 108 8 GOIS TRANSPORTES LTDA. CNPJ 00.125.513/000129, havendo assim sido lavrada a retrocitada Notificação Fiscal em virtude do não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída nas notas fiscais correspondentes aos serviços prestados pela indigitada empresa transportadora nas competências 08/1994 a 05/1998. Assim, procedeuse ao Levantamento AVI ÁVILA GOIS TRANSPORTES por aferição indireta, consoante discriminado no Relatório Fiscal (efls. 104/120), a seguir reproduzido: Com relação à solidariedade questionada pela Recorrente, é de se ressaltar que o art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966), informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei)" Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 109 9 Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral, econômico ou financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária. Constatase, a partir das situações caracterizadas no Relatório Fiscal (efls. 104/120) e apreciadas na decisão recorrida, a seguir reproduzidas, constituem uma unidade de interesse jurídico entre a Recorrente e a empresa transportadora ÀVILA GOIS TRANSPORTES LTDA. CNPJ 00.125.513/000129, consolidandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação de riquezas: Nos Contratos C281/94, C058 e nos diversos BPS (Boletins de pequenos serviços) vislumbro, a presença dos pressupostos da cessão de mãodeobra, conforme será a seguir explicitado. Segurados à disposição do contratante. Cláusula Sétima —Obrigações e responsabilidades (C 281/94 e 058/95): 7.2 A Transportadora se obriga a atender as instruções da Caraiba no tocante às programações de entrega, horários de carga e descarga, bem como as normas administrativas e de segurança da CARAÍBA, DNER, DERBA, e outras que se façam necessárias à operacionalização deste Contrato. 7.6 (C281/94 e 058/95) A Caraíba fornecerá a programação até 14 h do dia útil anterior. Em suas dependências ou nas de terceiros. Cláusula Primeira Objeto do C281/94 — 1.1 Transporte rodoviário de granalha de cobre com origem na Metalúrgica da CARAÍBA em Dias Dávila e destino ao Estado do Rio de Janeiro Mesmo objeto se repete nos Contratos C058/95 e C177/95. Serviços contínuos. a) Item 5.5 do Relatório Fiscal (fls. 110) — Necessidade permanente de recepção de insumos e escoamento da produção. b) A sucessão de contratos, aditivos e BPS ao longo do período objeto desta NFLD. Assim sendo, constato que os serviços se tratam efetivamente de transporte de cargas, prestados mediante cessão de mãodeobra, sujeitos à solidariedade, de acordo com o previsto no Art. 31, § 2° da Lei 8.212, de 1991. A subsunção é direta, pois os fatos encaixamse perfeitamente na descrição legal. (grifos originais) Com efeito, extraise do disposto art. 31, caput e § 2°., da Lei n. 8.212/1991, com as respectivas redações vigentes à época dos fatos (prestação dos serviços objeto do lançamento em litígio), que para a caracterização de cessão de mãodeobra é necessário que os serviços sejam contínuos, prestados nas dependências do contratante ou nas de terceiros e que os segurados fiquem à disposição do contratante, conforme destacado na decisão a quo:: Fl. 627DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 110 10 ORIGINAL Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. Alteração Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigaçõesdecorrentes desta lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. (Redação alterada pela MP n° 1.5239, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) ORIGINAL § 2° Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente da natureza e da forma de contratação. [...] Alteração 1 § 2° Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação alterada pela Lei n° 9.032/95) Alteração 2 § 2° Entendese corno cessão de mãodeobra a colocação a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação alterada pela Lei n° 9.129/95) Alteração 3 § 2° Exclusivamente para os fins desta lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação alterada pela MP n° 1.5237/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Destarte, considerandose o disposto no art. 31, caput e § 2°., da Lei n. 8.212/91, nas redações vigentes à época prestação dos serviços objeto do lançamento em litígio, acima reproduzidas, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide, para caracterização da solidariedade por cessão de mãodeobra, não apenas a regra do inciso I do art. 124 do CTN, mas também do inciso II do retrocitado dispositivo legal, destacandose ainda a impossibilidade de benefício de ordem É oportuno destacar que, consoante consignado na decisão a quo, os recolhimentos efetuados pela empresa transportadora ÀVILA GOIS TRANSPORTES LTDA. CNPJ 00.125.513/000129 informados em sede de impugnação (efls. 424/445), consoante GRPS acostadas aos autos (efls. 462/503), dizem respeito unicamente a quitação de contribuição devida por contribuinte individual (pro labore de sócio), não se prestando para dedução do crédito tributário em apreço que possui natureza diversa, qual seja, contribuição devida sobre remunerações pagas a segurado empregado. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 13502.001249/200716 Acórdão n.º 2402006.493 S2C4T2 Fl. 111 11 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 562/586), REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 629DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.720294/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
Numero da decisão: 3302-005.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 02 94 /2 00 7- 27 Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10183.720294/200727 Acórdão n.º 3302005.720 S3C3T2 Fl. 1.534 2 Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 1.1501.158: Tratam os autos de pedido de ressarcimento PER/DCOMP nº 37601.43556.281206.1.1.088427 referente a crédito de PIS não cumulativo mercado externo, no montante de R$ 92.967,70, apurado no 2º trimestre de 2003, para o qual foram também formalizadas as declarações de compensação nº 14140.18622.080107.1.3.082349 transmitida em 08/01/2007 e nº 07156.98462.070307.1.3.087193 transmitida em 07/03/2007, as quais totalizam R$ 182.573,83 em débitos. A seguir, um resumo dos fatos extraído dos autos. Para as verificações do crédito pleiteado foi realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/CuiabáMT o Procedimento Fiscal n° 0130100.2008.00410, iniciado em 16/07/2008. Solicitados arquivos contábeis magnéticos, documentos e esclarecimentos necessários a análise do crédito de PIS e Cofins, o sujeito passivo entregou em 21/11/2008 arquivos magnéticos correspondentes aos períodos de 2003 a 2007 não gravados pelo SINCO – Sistema Integrado de Coleta de Dados. Após diversas intimações, prorrogações de prazo e alertas de que a não apresentação dos documentos solicitados resultaria no indeferimento dos pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins, e tendo em vista que os documentos solicitados nas intimações não foram entregues no período do procedimento fiscal, o Serviço de Fiscalização concluiu pelo não reconhecimento da existência de créditos de PIS e Cofins entre o 1° trimestre de 2003 e o 2° trimestre de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal de 30/09/2009. Em 19/11/2009, após o encerramento da fiscalização, o interessado requereu no Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT/DRF Cuiabá (MT) juntada de livros e de cópias de notas fiscais de fornecedores relativas ao ano de 2004. Por meio do Despacho Decisório n° 421, de 16/04/2010, o pedido de ressarcimento foi indeferido e as declarações de compensação não homologadas, em razão do Fisco não poder comprovar a legitimidade e materialidade dos direitos creditórios pretendidos pelo contribuinte. Cientificado do referido Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 46 a 55), acompanhada de planilhas juntadas às folhas 56 a 146 e mídia digital (CD) e documentos impressos: razão, balancetes, relatórios, planilhas, notas fiscais de exportação, etc., os quais foram juntados apenas ao processo n° 10183.720293/200782, e alega dispor de todos os documentos originais e/ou autenticados que comprovam o seu direito, podendo ser diligenciado para verificação das notas fiscais de venda para o mercado interno e externo e das notas fiscais e comprovantes de aquisição de bens e insumos. Em 09/08/2011, a DRJ/CGE, por meio do Despacho 11 – 2° Turma (fls. 152 a 153), propôs o retorno do processo à DRF/Cuiabá – MT em diligência a fim de serem analisadas a legitimidade e a materialidade dos direitos creditórios pleiteados. Para subsidiar a Diligência, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relacionados na Intimação n° 0032/14, de 20/01/2014 (fls. 158 a 161). Após vários pedidos de dilação de prazo (28/03/2014, 24/04/2014, 29/05/2014, 25/06/2014, 25/07/2014, 05/09/2014, 24/10/2014 e 27/11/2014), respondeu em 19/12/2014 (fls. 170 a 172). Não sendo os documentos apresentados satisfatórios para análise, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar esclarecimentos e Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10183.720294/200727 Acórdão n.º 3302005.720 S3C3T2 Fl. 1.535 3 documentos adicionais relacionados na Intimação n° 0352/15SEORT/DRF CUIABÁ/MT (fls. 199 a 203). Após pedido de dilação de prazo e reintimação, em 12/06/2015, o contribuinte respondeu às fls. 211 a 225. Toda a documentação apresentada pelo sujeito passivo referente ao período objeto destes autos foram anexados às folhas 226 a 1427. Com base na documentação apresentada, o Auditor Fiscal do SEORT/DRF Cuiabá/MT realizou detalhada análise do pleito, emitindo a Informação Fiscal SEORT/DRFCuiabá/MT nº 186/2016 (fls. 1467 a 1504), na qual consta descrição minuciosa do exame da documentação apresentada pelo sujeito passivo, bem assim da fundamentação legal dos valores admitidos e glosados, concluindo, pelo deferimento parcial do pedido no montante de R$ 27.283,79. Cientificado, o sujeito passivo não se manifestou. Os autos retornaram para julgamento da manifestação de inconformidade apresentada às fls. 46 a 55, na qual o sujeito passivo discorre, em síntese, que: por fazer parte de um grupo de 35 empresas com contabilidade centralizada, não consegue atender a tempo todas as solicitações das autoridades fiscais, mas que as informações foram prestadas; os autos de infração lavrados no curso do procedimento fiscal dificultaram a situação do sujeito passivo, o que não poderia ocorrer conforme Lei n° 9.430/96, art. 74, § 9o, na Portaria RFB n° 666/08, art. 1º, e nos termos da CF de 1988; seria ilegal a exigência pela fiscalização de formato específico para apresentação das informações e validação pelo SINCO; apresenta mídia digital e algumas partes impressas contendo: Livros Razão, balancetes, contas geradoras de crédito, contas do ativo e passivo, relatórios e planilhas diversas, amostragem de notas fiscais de aquisição de insumos, notas fiscais de exportação e relatório de auditoria. os documentos apresentados traduzem as operações fiscais da empresa nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005 e janeiro a setembro de 2006, argumentando que, pelo fato de a empresa ter obtido faturamento, significa que tenha adquirido bens e insumos para suas atividades. sobre as notas fiscais de aquisição, alega tratarse de uma amostragem, pois os documentos originais teriam sido enviados para auditoria, tratandose de mais de 20 caixas de papel, sendo inviável o encaminhamento dos mesmos e colocandoos a disposição para serem diligenciados. Fundado nessas alegações, ao final, requer o reconhecimento da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, que a documentação apresentada em mídia digital e impressa seja admitida como prova inconteste do direito creditório, ou caso não sejam suficientes, sejam solicitados os documentos originais ou autenticados, ou que se diligencie para verificação das notas fiscais de venda e de aquisição de bens e insumos e que seja reconhecido o direito creditório e homologadas as compensações. Em 09 de fevereiro de 2017, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10183.720294/200727 Acórdão n.º 3302005.720 S3C3T2 Fl. 1.536 4 Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA Mercado Externo. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Os créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa somente são reconhecidos no caso de as operações que lhe deram origem estarem efetivamente comprovadas por documentação hábil e idônea segundo as prescrições legais. Intimado da decisão em 20.02.2017 (fls.1.527), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.03.2017 (fls.1.531), reproduzindo, com exceção de duas questões preliminares, os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 20.02.2017 (fls.1.527) e protocolou Recurso Voluntário em 22.03.2017 (fls. 1.531), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminarmente Em sede preliminar a Recorrente apresenta dois questionamentos. O primeiro questionamentos foi realizado nos seguintes termos: 12. Levantase o presente ponto porque os nobres julgadores perceberão que durante todo o relatório e o voto da douta Turma de Julgamento e também na diligência levada a cabo pelo r. AFRFB perpassa a ideia central de que cabe ao Contribuinte, no caso de ressarcimento, restituição, compensação e desconto, o ônus da prova. No entanto, salta os olhos o fato de que os livros contábeis e fiscais trazidos como prova aos autos não servem de prova. Afirmase, inclusive, que são necessários documentos hábeis e idôneos para comprovar aquilo que está nos livros contábeis e fiscais. Por outro lado, quando interessa ao Fisco, a análise dos livros contábeis e fiscais do Contribuinte é suficiente para servir de base para uma autuação fiscal. Afinal, qual é o papel da escrituração contábil e fiscal se ela não pode servir de prova a favor do Contribuinte, mas pode servir de suporte fático e prova para uma autuação pelo Fisco? 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10183.720294/200727 Acórdão n.º 3302005.720 S3C3T2 Fl. 1.537 5 Em relação ao questionamento formulado pela Recorrente, embora não se trata de nenhum requerimento para declarar a nulidade das decisões proferidas nos autos, insta tecer que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20112. Isto quer dizer, em linhas gerais, que a escrituração contábil e fiscal deve sempre estar lastreada em documentos que comprovem a origem do registro, sob pena de ser desconsiderada. Já o segundo questionamento foi realizado da seguinte forma: 13. Outra questão que chama atenção neste processo administrativo fiscal é que se está tratando de uma empresa do setor exportador. O Contribuinte era ao tempo da apuração do direito creditório de Pis/Pasep preponderantemente exportador. Ora, a Secretaria da Receita Federal do Brasil é responsável pelos sistemas de controles das exportações brasileiras e acreditase que tenha conhecimento de quem exporta direta e indiretamente. No entanto, esses dados não são carreados aos autos pelo AFRFB e que serviriam para comprovar ou não o pedido de ressarcimento e reconhecimento do crédito. Não tem o Fisco o interesse de exercer seu papel com isenção e dar a cada um o que é seu por direito? Sim, é a resposta para o questionamento realizado pela Recorrente. Contudo, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Neste ponto e, adiantamento as questões de mérito, o fisco com base no documentos fornecidos pela Recorrente, admitiu o crédito no limite daquilo que foi comprovado, ou seja, conferiu ao contribuinte o direito que ele demonstrou. Neste cenário, mesmo inexistindo qualquer pedido de anulação das decisões proferidas nos autos, entendo que os questionamentos realizados pela Recorrente merecem ser respondidos para evitar recursos procrastinatórios. III. Mérito Conforme explicitado anteriormente, em cumprimento a diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a fiscalização deferiu parcialmente o crédito apurado pela Recorrente, nos termos da Informação Fiscal Seort/DRF Cuiabá/MT Nº 0185/2016, de 11 de julho de 2016, carreada às fls. 3.4643.498. Em resumo a fiscalização glosou parte do crédito apurado pela Recorrente por entender que os bens e serviços não se enquadram no conceito de insumos para tomada de crédito e, principalmente pela ausência de documentos para comprovar a origem dos lançamento contábeis. Intimado da diligência fiscal a Recorrente permaneceu inerte. Já em fase recursal a Recorrente manifestou genericamente sobre a questão envolvendo a ausência de 2 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10183.720294/200727 Acórdão n.º 3302005.720 S3C3T2 Fl. 1.538 6 documentos, não sendo capaz de comprovar especificamente quais documentos seriam capaz de demonstarr seu pretenso direito e fulminar as alegações da fiscalização. Não apresentou, ainda, manifestação sobre o conceito de insumo utilizado pela fiscalização para negar o crédito apurado, tampouco demonstrou a utilização de bens e serviços em seu processo produtivo, obstando este relator de apresentar qualquer juízo de valor sobre a matéria em comento. Com efeito e, conforme explicitado anteriormente, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC4). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)5 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 5 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10183.720294/200727 Acórdão n.º 3302005.720 S3C3T2 Fl. 1.539 7 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20116. Neste cenário, deixando a Recorrente de trazer aos autos documentos capazes de comprovar a origem dos lançamentos contábeis, o indeferimento do pedido de ressarcimento deve se mantido, motivo pelo qual, entendo correta a decisão de piso e, adoto seus fundamentos como razão complementar de decidir. IV. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo 6 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 1539DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.006590/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho.
Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2202-004.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 90 /2 00 9- 11 Fl. 429DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1138.266, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE (DRJ/REC), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Cuidase de crédito tributário, no montante de R$903.537,85 (novecentos e três mil, quinhentos e trinta e sete reais e oitenta e cinco centavos), constituído por meio do AI 37.054.3025, sob o protocolo n.°16707.006590/2009ll no Ministério da Fazenda, envolvendo, exclusivamente, contribuições sociais destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), relativas às competências 01/2005 a 12/2006. Mencionadas contribuições sociais são incidentes sobre: I remunerações de segurados empregados, relativas a obras de construção civil de responsabilidade da empresa supracitada. Assinala o Fisco divergências verificadas entre os salários registrados na contabilidade em confronto com aqueles declarados em GFIP (cf. quadro do item 1 do relatório fiscal, fls. 79/104). Acresce, ainda, que desconsiderou a contabilidade, porque a mesma não registrava quer a totalidade da folha de pagamento (cf. quadros às fls. 98/99 do relatório fiscal), quer as Notas Fiscais especificadas no quadro de fl. 100 do mesmo relatório, motivo pelo qual aferiu as citadas remunerações com base no art. 33, § 6o, da Lei n.° 8.212/91 c/c art. 600 da IN SRP n.° 03/2005 (Levantamento NF); Fl. 430DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 431 3 II gastos com fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, sem comprovação de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, e remunerações de pessoal da administração (levantamento CON) Cientificada do lançamento em 18/12/2009, conforme aviso de recebimento postal à fl. 216, a empresa manejou impugnação (fls. 223/277), em 18/01/2010, ocasião em que argúi, em síntese: A Improcedência do arbitramento, porque: I As notas fiscais apontadas pela fiscalização foram devidamente contabilizadas e a omissão contábil das folhas de pagamento referemse apenas ao ano de 2005, não havendo cabimento para o arbitramento do ano de 2006; II houve cerceamento de defesa, dado que, no arbitramento, não foram explicitados os percentuais utilizados para cada obra, nem identificados os documentos fiscais utilizados para a sua feitura, requerendo, assim, elaboração de demonstrativos por obra; III somente foram deduzidos créditos nos meses em que houve lançamento fiscal; IV extensão do arbitramento a outras obras, nas quais não foram apontadas quaisquer irregularidades; V no tocante à acusação de que não contabilizou as notas fiscais, salienta que a receita deve ser contabilizada quando o serviço for prestado, independente da emissão da nota fiscal. Também, destaca que, quando emitidas as citadas notas, devese levar em consideração os períodos de prestação dos serviços nelas indicado. B Improcedência das diferenças de GFIP X Contabilidade acusa inexistirem as diferenças consignadas no processo, requerendo a retificação do lançamento. Passa a tecer considerações por CEI/obra: I CEI 50.004.00328/71 OBRA PR030; CEI 50.016.95806/75 OBRA PB006; CEI 50.023.40802/70 OBRA RN243; CEI 50.020.77490/74 OBRA RJ035; CEI 50.023.58653/78 OBRA RN244; CEI 50.019.58931/76 OBRA RJ033; CEI 50.016.917/76 OBRA AM 100 as diferenças apontadas advêm de verbas não sujeitas à contribuição previdenciária, pagas em rescisões de contrato de trabalho, como saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional. II CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033 as diferenças, segundo planilha de fls. 279/280, advêm de verbas rescisórias não tributáveis e de valores pagos à pessoa jurídica (SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda); III CEI 50.020.37627/79 diz que os lançamentos assinalados pelo fisco para referida matrícula são da OBRA RJ034 e não da Fl. 431DF CARF MF 4 OBRA SC011 e que as diferenças decorrem de verbas rescisórias não sujeitas à tributação. C Acréscimos legais indevidos não vê qualquer irregularidade na forma de contabilização das GPS código 2631 (retenções de contribuições sociais por serviços tomados de outras pessoas jurídicas). D Correta contabilização das Notas Fiscais diz que as NF 22939; 18892 e 94, apontadas no item 5 do relatório fiscal como não contabilizadas e motivadoras do arbitramento no exercício de 2006, foram registradas à fl. 237 do livro diário respectivo. Acresce que a NF 18892 corresponde, na verdade, ao valor de R$ 609,23, sendo relativa a serviços de corte e dobra de ferro, não sujeitos à retenção. E Recolhimento dos valores retidos, constantes das NF apontadas no item 7 do relatório fiscal, requerendo sua exclusão do processo em pauta. F Cobrança indevida de contribuições previdenciárias sobre faturas UNIMED, dado que não se trata de cooperativa de trabalho. G Falta de apropriação de créditos referentes ao estabelecimento /000187 a fiscalização listou GPS pagas, com valores incorretamente apurados. Assinala, no item 108 de sua impugnação, as diferenças que o fisco deixou de computar. Acusa, ainda, divergências entre valores constantes do relatório de documentos apresentados RDA e da apropriação efetuada nos meses que especifica no item 111 de sua impugnação, requerendo a corresponde retificação. H Levantamento "CON Salários Administrativos", para o estabelecimento /000187, sem detalhamento de origem das bases de cálculo, cerceando o exercício do direito de defesa. I Não dedução das contribuições sociais: 1.1 retidas pelos tomadores elencados às fls. 254/265. Acresce, também, não terem sido deduzidas as retenções sobre serviços de subempreiteiros. 1.2 referentes ao 13° salário nas obras que especifica (itens 144 e 149 de sua defesa); J Lançamentos indevidos nos estabelecimentos: CEI 50.019.58931/76 OBRARJ 033, na competência 10/2006, com base em NF no valor de R$ 95.485,28. Diz que não existe referida NF, requerendo, assim, o cancelamento dos tributos lançados; CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033, na competência 12/2005, porque concernentes a outra obra (PR032). L Indevida exigência de contribuições sobre alimentação fornecida in natura. Contesta não apenas a incidência, como a forma de apuração da base de cálculo. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 432 5 M Glosa de compensação diz que os erros nos recolhimentos foram produzidos pelos tomadores de serviços e não pela empresa, não podendo, assim, ser responsabilizada. N Lançamentos relativos aos estabelecimentos 70.001.25497/70 e 70.001.25522/75, integrantes do DD Discriminativo do Débito, sem qualquer referência aos documentos sobre os quais se efetivaram, nem os percentuais adotados, cerceando seu direito de defesa. Por fim, requer diligência, juntando documentos às fls. 321/334, como elementos probatórios. O feito foi convertido em diligência (fls. 296/299), ocasião em que o fisco voltou a se pronunciar (fls. 301/316), especificando, dentre outros pontos: I) a elaboração de quadro demonstrativo da forma de aferição indireta da remuneração dos segurados empregados por NFS (fl. 302/311); II) em relação às Notas Fiscais, apontadas como não contabilizadas, atesta que a NF 022939, emitida em 27/01/2006, foi lançada contabilmente somente em 02/2006, com inobservância ao princípio da competência; a NF 18.892 foi informada erroneamente no relatório fiscal (na verdade, tratase da NF 18.982); reconhece que a NF 094 foi contabilizada; III) detalhamento do levantamento CON, esclarecendo tratarse de contribuições sociais incidentes sobre salários pagos aos empregados da administração, bem como valores pagos a título de salário alimentação, ambos especificados no quadro de fl. 314. Cientificada da diligência, consoante fl. 317/8, em 17/04/2011, a empresa não aditou sua impugnação inicial. O feito foi novamente convertido em diligência para que o fisco apontasse os valores lançados a título de alimentação (fl. 321), dada a nova orientação emanada do Parecer PGFN/CRJ n.° 2117/2011 , tendo a mesma sido atendida, consoante fls. 322/3, com ciência do fato ao sujeito passivo, conforme fl. 338, que, mais uma vez, mantevese inerte. A impugnação da recorrente foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/REC, que deduziu do levantamento CON, os seguintes valores: Comp. Contribuição Social a Deduzir (R$) 09/2005 131,52 10/2005 144,74 11/2005 206,84 12/2005 165,59 01/2006 175,56 02/2006 76,63 03/2006 171,75 Fl. 433DF CARF MF 6 05/2006 260,12 06/2006 176,11 07/2006 176,30 08/2006 168,75 09/2006 177,46 10/2006 278,98 11/2006 186,35 12/2006 108,89 Referida decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTABILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO. ARBITRAMENTO. Encontra amparo legal o arbitramento das contribuições sociais, feito pela fiscalização, quando constata que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE STJ E PARECER PGFN. A jurisprudência pacífica das cortes superiores do país e o entendimento esposada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, acerca da não incidência de contribuições sociais sobre despesas relativas a fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, determinam a revisão do lançamento entabulado, relativamente à citada exação, com retificação do crédito para exclusão de mencionada rubrica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 14/02/2014. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 12/03/2014 (fls. 370), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consideração inicial Fl. 434DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 433 7 As referências ao longo deste voto às folhas do processo nº 16707.006588/200934, do qual este é apenso, são feitas em função do presente processo ser decorrente daquele, cujos lançamentos foram originados dos mesmos elementos de prova, e as cópias dos documentos acostados à impugnação não terem sido anexadas a este. Das preliminares Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Sem razão a recorrente, que não especifica qual ou quais documentos o julgador deixou de analisar. Extraio do acórdão recorrido os seguintes trechos (efls. 346): A eventual divergência entre as datas da prestação de serviço e da emissão das respectivas notas fiscais, para fins de sua contabilização, tampouco restou demonstrada pela impugnante nos autos. Não prospera, também, a argüição de cerceamento de defesa, em relação ao citado arbitramento, dado que o Fisco o explicitou, por meio da planilha de fls. 302/311, da qual teve pleno conhecimento, consoante fl. 317/8, especificando os percentuais utilizados para cada obra e as NF utilizadas. No tocante às deduções feitas, a empresa não demonstrou possuir créditos,além daqueles considerados pelo Fisco, que pudessem ser abatidos das competências lançadas. Quanto ao argumento de extensão do arbitramento a obras sem irregularidades, não restou demonstrado no feito, resultando, assim, desprovido de sustentação. Da transcrição acima, ao contrário do que afirma a recorrente, considero que o julgador a quo apreciou os documentos acostados à impugnação. Sem entrar no mérito se tal apreciação está correta ou não, o fato é que ela entendeu que eles não foram suficientes para sustentar as alegações da defesa. Além disso, consta nos autos que o processo foi baixado em diligência para que fossem sanadas dúvidas em relação a todos os argumentos da recorrente referenciados por documentos acostados à impugnação (efls. 297/300). É certo que do resultado da diligência, o julgador forma seu livre convencimento, baseado em elementos acostados aos autos, fatos narrados pela fiscalização e argumentos trazidos na defesa, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a faculdade de solicitar diligências para formação de sua convicção, podendo a seu critério valorar as provas trazidas aos autos: Fl. 435DF CARF MF 8 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, não cabe ao julgador fazer batimentos de dados constantes em todos os documentos acostados à impugnação, principalmente quando deixaram de ser apresentados ao longo do procedimento fiscal, e cuja apreciação poderia demandar análises ou recálculos mais específicos que, naquele momento, a autoridade autuante estaria mais apta a fazêlos. Quanto ao argumento de que a autoridade julgadora não se pronunciou sobre os quesitos apresentados em impugnação, entendo que o deferimento da diligência e respectivo resultado continuem prova suficiente de que os questionamentos postos pela recorrente foram considerados. Frisese que no deferimento da diligência, a autoridade julgadora fez vários questionamentos que julgou necessários, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não vislumbro qualquer cerceamento de defesa à recorrente, visto que as suas alegações foram apreciadas pelo julgador a quo, ao longo de todo o acórdão recorrido. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. O Termo de Verificação Fiscal, a Informação Fiscal resultante da diligência, e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo autuante, a forma de apuração da base de cálculo, e os valores e diferenças apuradas, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Entretanto, mesmo após a realização de diligência determinada pelo julgador a quo, a recorrente nada complementou em sua impugnação, cujas alegações foram repetidas no Recurso Voluntário. Por isso, desnecessária a diligência nesta fase, uma vez que o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador. Ressaltese que o fato de a recorrente ter denominado seus questionamentos para a diligência como quesitos não o caracteriza como solicitação de perícia, visto que esta demanda requisitos necessários ao pedido, nos temos do inciso IV e § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei). Fl. 436DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 434 9 Portanto, indefiro o pedido de diligência por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito Arbitramento A recorrente alega que as irregularidades apontadas pela fiscalização para o ano de 2006 não eram suficientes para o arbitramento, pois o Auditor Fiscal reconheceu que a Nota Fiscal nº 94, emitida pela J. Balbino Reps Coml Ltda foi contabilizada, e depois afirmou o que número correto da nota fiscal da Manchester Serv. Constr. Ltda era 18982, e não 18892. Ressaltou que mesmo na impugnação comprovou que a nota fiscal 18892 foi contabilizada (item 98 da impugnação). Além disso, a recorrente assevera que a omissão quanto à contabilização das folhas de pagamento se deu apenas no ano de 2005, estando a de 2006 em perfeita ordem. Como se vê, a controvérsia está na motivação do arbitramento efetuado pela fiscalização, relativo ao ano de 2006, visto que a recorrente reconheceu a falta de contabilização das folhas de pagamento relativas a 2005. Então, vamos analisar por partes os motivos que levaram a fiscalização a proceder ao arbitramento. Em relação à falta de contabilização das notas fiscais, o Auditor Fiscal respondeu o seguinte, no resultado da diligência solicitada pelo órgão julgador a quo (efls. 313/314): Letra G. Argumentação do contribuinte: "houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de RS 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de RS 14.734.00) e, em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção Esclarecimentos da auditoria: A nota fiscal 022939, da empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA SA, CNPJ 33.146.648/000120, data de emissão em 27/01/2006, folha 198 do processo, somente foi contabilizada em 02/2006, deixando de observar o princípio contábil da competência, conforme se pode observar na pg 237 do diário geral 59. Já a nota fiscal de Manchester Serviços de Construção Ltda, CNPJ 02.687.270/000148, emitida em 30/01/2006, foi equivocadamente informada no relatório fiscal como sendo a de no. 18.892, quando na realidade o número correto é 18.982, mas entendemos que a citação equivocada do número da nota no relatório fiscal não modifica o fato constatado, até por que (sic) a cópia da nota foi anexada aos autos, fl. 200. Cabe retificação o registro contábil de J. Balbino Reps Coml. Ltda, visto que o contribuinte demonstrou sua contabilização. Fl. 437DF CARF MF 10 Analisando os documentos constantes nos autos, entendo que o número da nota fiscal emitida pela Manchester Serv. Constr. Ltda., a qual a auditoria faz referência no Relatório Fiscal só poderia ser a 18982, porque é a única nota no valor de R$ 5.071,78, que espelha o documento constante às efls. 175, confirmando que o Auditor Fiscal cometeu apenas um erro de numeração em seu relato fiscal. Dito isso, verifico que a nota fiscal nº 18982, sobre cuja falta de contabilização se insurgiu a fiscalização, aparece contabilizada no Livro Diário no dia 28/02/2006, no valor de R$ 609,23 (efls. 2410 do processo nº 16707.006588/200934), apesar de a referida nota ter sido emitida em 30/01/2006, no valor de R$ 5.071,78 (efls. 175). Portanto, entendo que a contabilização da referida nota fiscal não espelhou o que nela constava. Da mesma forma, a nota nº 022939, foi emitida pela Concremat Eng. Tecnologia S/A em 27/01/2006 (efls. 173), mas está contabilizada no Diário Geral na data de 28/02/2006 (efls. 2410 do processo nº 16707.006588/200934). Acrescento que, o lançamento por arbitramento não decorreu apenas da falta de contabilização das citadas notas fiscais, mas pelos seguintes fatos, conforme relato fiscal: a) Deixar o sujeito passivo de apropriar a folha de pagamento dentro do mês em que ocorrer a prestação de serviços, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher. Este descumprimento ocorreu quando houve a falta da contabilização das folhas de pagamento dentro do período a que se referiram, como foi demonstrado nas planilhas apresentadas no item 2.1 b) Deixar o tomador de provisionar notas fiscais de serviços dentro do mês em que os serviços foram prestados, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher; (Grifei) Além disso, o Auditor Fiscal informa ter constado divergência entre os salários contabilizados nos Livros Diários de 2005 e 2006 e os declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentando planilha (item 2.1) com as respectivas divergências (efls. 80/94). Considerando esses fatos, apesar de a recorrente dizer que não haveria motivos para arbitrar o ano de 2006, entendo de forma diversa. Pela planilha constante no Relatório Fiscal (item 2.1) é possível ver que as divergências entre a escrituração contábil dos salários e o declarado em GFIP persistiram no exercício de 2006. E, mesmo intimada a justificar as divergências, a recorrente não apresentou elementos suficientes para isso. Diante da inércia, a auditoria seguiu o que determina a legislação, efetuando o arbitramento. A recorrente ainda afirmou que tais diferenças se referiam a verbas rescisórias não sujeitas à tributação. Contudo, isso não restou comprovado pelos documentos acostados à impugnação, conforme se verá mais adiante, não merecendo reparos a afirmação da auditoria fiscal de que os custos com remuneração não estavam corretamente contabilizados. Lembro à recorrente que, a auditoria fiscal enumerou por obra e competência, os salários não contabilizados nas competências de 2005 (fls. 99/100) e as divergências entre os salários contabilizados e os declarados em GFIP, neste caso, incluídas as competências de 2006 (efls. 80/94). Portanto, não há fundamento na afirmação da defendente de que as irregularidades contábeis se restringiram apenas aos fatos geradores de 2005. A recorrente alega ainda que, a falta de contabilização de uma única nota fiscal não seria motivo para o arbitramento. Ocorre que, conforme visto acima, também houve Fl. 438DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 435 11 falta/divergências de escrituração contábil dos salários dos segurados. Considero que esses fatos em conjunto são suficientes para o arbitramento, nos termos da legislação previdenciária aplicada ao caso: Lei nº 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifei). RPS/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(Grifei) Além disso, o argumento da recorrente de que os dados das GFIP's seriam suficientes para apurar o movimento real dos salários, não se sustenta. Os salários declarados em GFIP divergiam dos contabilizados, e a recorrente não apresentou documentos suficientes que demonstrassem quais deles estavam corretos, sendo necessário que a apuração da verdade se efetuasse por outros meios, dispostos em lei e atos normativos. Também não vejo razão ao argumento de que o arbitramento se daria apenas nos casos de vícios insanáveis, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que, o arbitramento relativo às contribuições previdenciárias tem legislação específica, conforme transcrição acima, a qual foi aplicada corretamente pela fiscalização. Ademais, a legislação não quantifica os registros errados para que a contabilidade seja desconsiderada, mas assevera "a Fl. 439DF CARF MF 12 contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados". E, entendo que a fiscalização conseguiu demonstrar que isso efetivamente ocorreu. Aliás, analisando a forma de contabilização dos salários, as folhas de pagamento e as rescisões acostadas à impugnação (efls. 375/2935 do processo nº 16707.006588/200934), e comparando os valores constantes nesses elementos, percebese que a maioria deles não corresponde com o registro contábil. Como exemplo, podemos citar os abaixo: Dados extraídos do Relatório Fiscal Dados extraídos dos documentos acostados à impugnação Contabilidade GFIP Folhas de Pagamento/Planilhas FP Compe tência CEI Rescisões Contab Salário Contab Total Contab Gfip Refisc 13 gfip Refisc Total Gfip Sal FP Salário Fam FP Base Inss FP Total Rescisões jun/06 5001691776/73 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 2.900,00 13.351,70 jan/06 5001695806/75 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 2.017,02 abr/06 5001695806/75 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 4.250,73 jun/06 5001695806/75 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 13.244,12 out/06 5001695806/75 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 2.391,94 jan/06 5001958931/76 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 61.169,73 224,85 3.878,71 fev/06 5001958931/76 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 50.440,42 239,84 607,93 mar/06 5001958931/76 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 29.772,51 104,93 1.988,59 abr/06 5001958931/76 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 24.610,62 110,18 11.714,12 mai/06 5001958931/76 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 22.777,35 mar/06 5001964708/77 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 48.939,16 36.928,94 20.951,51 jun/06 5001964708/77 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 30.930,72 26.955,21 3.425,82 jul/06 5001964708/77 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 27.005,84 25.497,58 5.534,02 ago/06 5001964708/77 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 26.339,76 22.755,60 7.132,79 set/06 5001964708/77 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 28.825,49 21.076,57 11.788,56 out/06 5001964708/77 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 19.239,95 15.971,81 5.583,40 nov/06 5001964708/77 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 33.898,05 18.718,42 29.609,80 dez/06 5001964708/77 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 7.731,75 4.654,72 4.634,26 jan/06 5002037627/79 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 11.530,88 59,96 2.582,38 mar/06 5002037627/79 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 27.322,96 0,00 15.563,26 abr/06 5002037627/79 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 54.604,22 0,00 12.083,13 mai/06 5002037627/79 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 54.068,69 648,28 9.770,17 jun/06 5002037627/79 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 5.514,88 0,00 14.445,49 jan/06 5002077490/74 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 8.960,81 0,00 276,46 fev/06 5002077490/74 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 44.210,21 648,42 86,53 mar/06 5002077490/74 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 30.293,49 581,17 1.993,87 abr/06 5002077490/74 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 53.182,46 884,38 2.647,41 mai/06 5002077490/74 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 73.680,58 236,10 5.986,94 jun/06 5002077490/74 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 138.200,47 1.737,28 12.773,64 jul/06 5002077490/74 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 66.314,43 774,20 6.130,78 ago/06 5002077490/74 59.133,22 51.675,69110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 51.675,68 141,66 59.390,28 nov/06 5002077490/74 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 8.402,60 0,00 64.334,68 dez/06 5002077490/74 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 10.994,43 282,38 16.301,20 set/06 5002340802/70 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 2.510,80 223,40 235,20 out/06 5002340802/70 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 5.441,26 134,04 1.008,54 nov/06 5002340802/70 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 3.261,00 111,70 1.293,06 set/06 5002358653/78 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 6.052,10 513,82 807,27 out/06 5002358653/78 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 10.605,29 759,56 425,70 nov/06 5002358653/78 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 11.591,23 714,88 2.451,64 A recorrente insurgese quanto à afirmação do julgador a quo de que ela não teria comprovado a alegada regularidade contábil das obras, a fim de que não fosse estendida a estas o arbitramento. Arrazoa que os livros Diário e Razão foram juntados aos autos para que o Fisco procedesse às verificações necessárias. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 436 13 Ocorre que a auditoria informou ter verificado a contabilidade da fiscalizada, e, como vimos, apontou várias divergências. Então, se efetuou a apuração das obras por arbitramento, é porque considerou que a contabilidade não evidenciava a verdade real. Assim, caberia à recorrente, apontar por obra quais eventos provariam que elas estavam perfeitamente contabilizadas. Entretanto, a recorrente não se incumbiu de tal intento, pois analisando os documentos juntados à impugnação, constatase a existência de divergências, que apenas corroboram o afirmado pela fiscalização. A recorrente assevera que o julgador a quo não se manifestou sobre a diligência requerida e os quesitos a serem respondidos pelo Fisco. Pelo contrário, a autoridade julgadora deferiu o pedido de diligência, conforme despacho 912 (efls. 297/300), direcionando os questionamentos para a auditoria fiscal, que em ampla Informação Fiscal (efls. 302/318) respondeu a todos os pontos alegados. A recorrente afirma que apesar de ter sido cientificada do relatório de diligência e não ter se manifestado, teve cerceado seu direito de defesa, porque os livros Diário e Razão não lhe foram disponibilizados. Ora, tal alegação não tem qualquer sustentação, visto que esses livros são elaborados pela própria empresa, e não há qualquer prova nos autos de que a fiscalização os tenha apreendido e não os tenha devolvido. Além disso, cópia deles foram acostadas à impugnação (efls. 3302/5600 do processo nº 16707.006588/200934), possuindo a recorrente a faculdade de vista e de pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Assim, se não dispunha deles para confrontar o resultado da diligência deveria ter solicitado cópia do processo da mesma forma que fez antes da apresentação da impugnação, em 29/12/2009 (efls. 219). Por todo o exposto, entendo que o lançamento por arbitramento teve motivação, não havendo razão para reforma do acórdão recorrido, nessa parte. Da improcedência do lançamento relativo às diferenças entre GFIP e contabilização dos salários. A recorrente afirma que não existiram as diferenças apontadas pela fiscalização, entre o salário escriturado na contabilidade e o declarado em GFIP, porque existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Cita, por obra, documentos anexos à impugnação que comprovariam o alegado. Entendo de forma contrária. A análise desses documentos, cujos dados foram apresentados na tabela da seção anterior, confirma a divergência apontada pela fiscalização, pois os valores constantes nas folhas de pagamento apresentam base de cálculo de INSS diferente do valor declarado em GFIP; o valor total de vencimentos constante nas planilhas de salários é diferente do valor de salários contabilizado; as rescisões não estão escrituradas por obra; em algumas obras a recorrente contabiliza apenas as rescisões, noutras contabilizada o somatório dos salários com as rescisões, sem discriminação das verbas sobre as quais incide contribuição previdenciária. A recorrente afirma que as diferenças entre o salário contabilizado e as GFIP's encontradas pela fiscalização nas obras 50.016.95806/75, 50.019.64708/77, 50.023.40802/70, 50.02077490/74, 50.023.58653/78, 50.019.58931/76, 50.020.37627/79, 50.019.58931/76, 50.016.91776/73 se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide Fl. 441DF CARF MF 14 contribuição previdenciária. Entretanto, não aponta, por competência, quais seriam essas verbas, pois pelas rescisões apresentadas existem diversas rubricas: Verbas constantes nas rescisões apresentadas Int Hora Extra DSR Int Ad Not 13 sal Aviso Previo Indenizado Ad not prop Saldo Salário 1/3 férias 13º Salário DSF Int Hora Extra 13 Salário Hora Extra 13 Salário Inden. Hora Extra 50% Férias vencidas Hora Extra 70% Férias proporc. Hora Extra 100% Int Hora Extra férias venc Passagem Int Hora Extra férias ind t serv 14a cc Int Ad Not Férias prop ind t serv 15a cc Int Ad Not Férias venc art. 479 CLT Analisando essas rubricas, a tabela abaixo apresenta as que poderiam guardar relação com as verbas rescisórias que a empresa menciona às fls. 235 e seguintes, sobre as quais afirma que não incidiria contribuição previdenciária (saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional): Verbas constantes nas rescisões apresentadas Aviso Previo Indenizado Int Ad Not Férias prop Férias vencidas Int Ad Not Férias venc Férias proporc. 1/3 férias Int HE férias venc Salário Família Int HE férias art. 479 CLT Pois bem, mesmo excluindo as verbas rescisórias consideradas pela empresa (verbas constantes nas rescisões apresentadas) e pela legislação previdenciária como não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária1, continuam existindo divergências entre o valor de salário contabilizado e o valor declarado em GFIP, conforme planilha abaixo, que apresenta uma amostragem da análise dos documentos acostados à impugnação2: CompetênciaCEI (A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa (B) Verbas Rescisórias sobre a quais não incide CP versão SRF (C) Rescisões contabilizadas (D) Salário contabilizado (E) Total Salário Contabilizado (C+D) (F) Gfip Refisc (G) 13 Gfip Refisc (H) Total GFIP (F+G) (I) Diferença Contabilidade GFIP (EH) jun/06 5001691776/73 10.421,06 12.514,34 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 7.688,48 jan/06 5001695806/75 1.576,42 1.638,99 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 1.576,42 abr/06 5001695806/75 1.503,21 2.239,83 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 2.239,83 jun/06 5001695806/75 8.954,23 11.915,05 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 8.752,68 out/06 5001695806/75 1.621,65 2.067,59 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 1.621,65 jan/06 5001958931/76 1.569,53 1.721,74 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 737,69 fev/06 5001958931/76 373,11 491,40 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 156,71 mar/06 5001958931/76 785,90 1.200,75 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 526,21 abr/06 5001958931/76 6.215,22 7.856,49 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 8.033,60 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/pagamentoseparcelamentos/emissaoepagamentode darfdasgpsedae/calculodecontribuicoesprevidenciariaseemissaodegps/tabeladeincidenciade contribuicao 2 Como algumas rescisões estavam ilegíveis, foram desconsideradas como amostra, as competências a que elas se referiam. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 437 15 mai/06 5001958931/76 11.383,42 15.512,46 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 15.885,82 mar/06 5001964708/77 7.096,84 7.747,28 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 11.980,24 jun/06 5001964708/77 1.849,79 2.298,01 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 3.858,51 jul/06 5001964708/77 2.527,45 3.472,87 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 17.698,56 ago/06 5001964708/77 3.511,34 4.781,49 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 3.549,12 set/06 5001964708/77 5.784,21 8.402,83 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 6.002,72 out/06 5001964708/77 2.895,56 4.430,80 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 3.249,87 nov/06 5001964708/77 13.222,62 21.074,96 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 15.179,63 dez/06 5001964708/77 3.099,12 4.291,08 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 3.077,03 jan/06 5002037627/79 1.488,18 1.619,48 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 1.558,19 mar/06 5002037627/79 7.296,74 9.369,32 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 9.120,63 abr/06 5002037627/79 6.955,19 8.548,70 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 8.305,19 mai/06 5002037627/79 4.570,43 6.435,69 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 7.421,87 jun/06 5002037627/79 9.159,35 11.676,58 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 1.332,39 jan/06 5002077490/74 106,32 106,32 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 174,81 fev/06 5002077490/74 0,00 0,00 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 280,17 mar/06 5002077490/74 1.050,47 1.247,42 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 1.350,51 abr/06 5002077490/74 1.238,57 1.565,35 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 812,69 mai/06 5002077490/74 1.868,54 3.021,39 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 4.523,63 jun/06 5002077490/74 7.031,34 9.590,59 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 14.896,33 jul/06 5002077490/74 3.119,86 4.535,82 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 3.463,56 ago/06 5002077490/74 23.057,51 36.026,26 59.133,22 51.675,69 110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 30.973,45 nov/06 5002077490/74 20.565,89 34.713,54 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 30.351,45 dez/06 5002077490/74 8.760,26 13.132,83 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 9.900,26 set/06 5002340802/70 79,73 139,53 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 79,73 out/06 5002340802/70 404,77 733,51 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 404,77 nov/06 5002340802/70 378,66 647,58 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 378,66 set/06 5002358653/78 663,84 783,36 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 345,51 out/06 5002358653/78 156,76 246,40 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 156,82 nov/06 5002358653/78 568,72 939,26 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 419,39 Ora, se a empresa afirma que as divergências apontadas pela fiscalização se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária, é certo que as colunas "(A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa" e "(I) Diferença Contabilidade GFIP (EH)" deveriam ser iguais. Entretanto, isso não ocorre, o que corrobora que as diferenças realmente existiram. Dessa forma, considerando que o Auditor Fiscal efetuou o lançamento por arbitramento, diante das inconsistências entre a contabilidade e os documentos apresentados, caberia à recorrente o ônus da prova, nos termos do § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, conforme demonstrado nas planilhas acima, a recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes que pudessem contradizer o lançamento. Primeiro, porque os documentos acostados à impugnação apenas ratificam o afirmado pela fiscalização: a necessidade de arbitramento em decorrência de divergência nos registros contábeis. Segundo, os documentos apresentados não foram suficientes para demonstrar a real base de cálculo, considerando que a maioria das folhas de pagamento apresentadas estão em desacordo com as formalidades exigidas pela legislação previdenciária: não há discriminação das verbas sobre as quais incide ou não contribuição previdenciária; a maioria delas se trata de planilhas com valores de salário, algumas contém assinatura dos segurados, outras não; o somatório das verbas constantes nos termos de rescisão contratual divergem dos valores contabilizados. Além disso, não foram anexados documentos de todas as obras objeto do lançamento, pois os documentos constantes nos autos referemse às seguintes: Documentos apresentados relativos diferença FPxGFIP Matrícula CEI OBRA Localização nos autos, efls do processo Fl. 443DF CARF MF 16 nº 16707.006588/200934 50.016.95806/75 PB 006 416/534 (doc 2) 50.016.93906/71 SE 001 não vieram rescisões 50.016.91776/73 AM 100 2007/2418 (doc 9) 50.019.64708/77 PR 033 764/1111 (doc 3) 50.019.58931/76 RJ 033 1688/1861 (doc 7) 50.020.37627/79 RJ 034 1865/2003 (doc 8) 50.020.77490/74 RJ 035 1213/1544 (doc. 5) 50.023.40802/70 RN 243 1113/1210 (doc 4) 50.023.58653/78 RN 244 TRE 1548/1685 (doc. 6) 50.004.00328/71 PR 030 375/413 (doc. 1) Assim, a recorrente não apresentou qualquer outro documento relativo às demais obras, não se incumbindo do ônus de provar que os fatos narrados pela fiscalização eram inverídicos. A recorrente assevera que teve seu direito de defesa cerceado, porque os documentos anexos à impugnação não foram analisados, pois o julgador deveria têlos confrontado com os dados do Diário e Razão que estavam em poder do Fisco. Diz ainda que, a fundamentação do acórdão, quanto à alegação de que as diferenças apontadas pelo Fisco decorreriam das rescisões, foi genérica e omissa. Não vejo razão à recorrente. O julgador a quo, diante dos questionamentos da recorrente, baixou o processo em diligência, de cujo resultado concluiu que a defesa não conseguiu comprovar todas as alegações. Para as que houve comprovação, foram efetuadas as respectivas exclusões. Ademais, quando a recorrente afirma que as diferenças apontadas pela fiscalização decorrem de verbas de rescisão, e tais valores não batem com os termos de rescisão apresentados, não vejo em que ponto a DRJ/Recife tenha destoado do que verificou nos autos, pois vislumbro das mesmas inconsistências, conforme demonstrado nas planilhas anteriormente apresentadas. Neste ponto, há que ser lembrado que a fiscalização efetuou o lançamento por aferição indireta. Em função disso, cabe a este colegiado analisar se houve motivação para tal, e se a recorrente se incumbiu do ônus da prova em contrário. Situações essas que não vislumbro em seu arrazoado. Por isso, considero correta a decisão pela aferição indireta. Com relação à MATRICULA CEI nº 50.004.00328/71 OBRA PR030, de acordo com o Discriminativo de Débito DD (efls. 6/17) não houve débitos neste auto de infração, não prosperando qualquer alegação em relação a ela. Com relação à MATRICULA 50019647008/77 OBRA PR033, cabe observar que para fins de determinar as divergências entre o salário escriturado e o declarado em GFIP, não se levou em consideração os valores relativos aos serviços prestados por pessoas jurídicas, tais como os abaixo (que não são passíveis de declaração em GIFP); mas, mesmo os excluindo do batimento, as diferenças permaneceram, conforme verificado anteriormente: MES/ ANO VR. CONTÁBIL. VALOR GFIP DIFER. ORIGEM 12/05 9.247,74 0 9.247,74 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 03/06 20.825,67 0 20.825,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 04/06 16.589,00 0 16.589,00 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 05/06 5.908,54 0 5.908,54 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 06/06 9.613,67 0 9.613,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 07/06 20.412,13 0 20.412,13 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 438 17 08/06 23.141,04 0 20.141,04 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 09/06 28.650,17 0 28.650,17 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 10/06 18.804,56 0 18.804,56 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Quanto à MATRICULA CEI 50.020.37627/79 OBRA RJ034, a incorreção da planilha apontada pela recorrente não decorreu de erro da fiscalização, que apenas apresentou os dados da forma que constavam na contabilidade (efls. 3023/3024 do processo nº 16707.006588/200934): Além disso, em relação a essa obra, o Auditor Fiscal já tinha se pronunciado em diligência (efls. 313): Portanto, diante do exposto, não vejo motivo para reforma do acórdão recorrido, nem vislumbro qualquer cerceamento de defesa, pois a recorrente dispunha de todos Fl. 445DF CARF MF 18 os elementos para construir seu contraditório, mas se manteve inerte em trazer quaisquer outros argumentos ou elementos, quer após as diligências efetuadas, quer em sede de recurso voluntário. Improcedência do lançamento. Acréscimos legais indevidos. A recorrente alega que agiu corretamente quanto à contabilização das retenções, não havendo razão para lançamento de acréscimos legais, visto que só pode haver retenção quando há pagamento. Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores de acréscimos legais no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Improcedência do lançamento. Correta contabilização das notas fiscais A recorrente arrazoa que as notas fiscais foram contabilizadas. Em relação a isso, o julgador a quo já havia se pronunciado depois da diligência fiscal, em que o Auditor Fiscal confirmou a escrituração da nota fiscal nº 94, informando o número correto da nota fiscal 18982, e a contabilização indevida da nota 022939, por ter sido escriturada em data posterior à emissão, permanecendo a falta, conforme se verifica no trecho abaixo: Do exposto, concluise que procede, em parte, a impugnação na matéria, dado que a citada NF n.ºs 94 foi adequadamente contabilizada, ao contrário do referido no relatório fiscal original. De ressaltarse, porém, que a falha persiste em relação à mencionada NF 18.982 e que, também, a empresa é compelida a observar o princípio contábil da competência, segundo o qual o reconhecimento de despesas e receitas deve ser feito quando de sua ocorrência (no caso, pela emissão da NF), independentemente de saída ou entrada de numerários, fato inobservado pela impugnante em relação à NF 022939 supracitada. A alegação da recorrente já foi analisada em tópico anterior, onde entendi que a falta permaneceu em relação às notas fiscais emitidas pela Manchester e Concremat, pois a recorrente deixou de observar os princípios contábeis ressaltados pela auditoria. Cobrança indevida relativa ao item 7 do Termo de Verificação Fiscal (retenção e recolhimento de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços) Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores de por falta de retenção e recolhimento de 11% sobre cessão de mão de obra, no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Improcedência cobrança INSS sobre faturas Unimed A recorrente alega ser indevida a cobrança de 15% sobre as faturas emitidas pela Unimed, porque esta não é cooperativa trabalho. Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores relativos a essa rubrica, no Auto de Infração relativo à contribuição de terceiros. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 439 19 Falta de apropriação de créditos no "RADA" no estabelecimento matriz A Recorrente apresenta uma planilha com possíveis valores que foram recolhidos por GPS, mas não apropriados no lançamento do estabelecimento matriz (CNPJ: 08.323.347/000187). Sem razão a defesa. Primeiramente, observo que a planilha apresentada na defesa (efls. 5821/5822 do processo nº 16707.006588/200934) contém o somatório, por competência, das GPS com códigos de recolhimento 2100, 2640, 2631 e 2909, incluindo juros e multa, sendo que as únicas GPS que deveriam ser consideradas pela fiscalização para apropriação, como o foram, são as de código 2100, pois as demais se referem a recolhimentos específicos: 2909 (reclamatória trabalhista, que não foi objeto de lançamento); 2631 e 2640 (retenção sobre cessão de mãodeobra). Em relação a estas, devese observar que o contribuinte têm a faculdade de compensálas por meio de declaração em GFIP, ou solicitar restituição, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, c/c caput e parágrafos do art. 219 do Decreto nº 3.048/99, artigos 192 a 196 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, fato que foi considerado pela fiscalização, conforme veremos em tópico específico. Segundo, analisando as GPS apresentadas às efls. 2429/2929 do processo nº 16707.006588/200934, verifico que elas já constam no RDA, à exceção da relativa às competências 01/2005, 11/2005, 13/2006, conforme planilha abaixo: Comp Código Dt Pgto INSS Terceiros Total líquido multa/ juros Total efls. do processo nº 16707.006588/200934 jan/05 2100 4.445,86 903,81 5.349,67 2429 jan/05 2100 14/05/2008 29,41 19,51 29,41 RDA jan/05 Total 5.379,08 fev/05 2100 3.593,45 742,35 4.335,80 2459 fev/05 2100 14/05/2008 29,40 19,05 29,40 RDA fev/05 Total 4.365,20 mar/05 2100 3.271,51 667,41 3.938,92 2473 mar/05 2100 14/05/2008 167,82 106,39 167,82 RDA mar/05 Total 4.106,74 abr/05 2100 5.082,51 1.064,39 6.146,90 2488 abr/05 2100 14/05/2008 296,14 183,3 296,14 RDA abr/05 Total 6.443,04 mai/05 2100 9.288,94 2.009,01 11.297,95 2507 mai/05 Total 11.297,95 jun/05 2100 10.852,87 2.419,85 13.272,72 2539 jun/05 2100 14/05/2008 877,88 516,19 877,88 RDA jun/05 Total 14.150,60 jul/05 2100 13.557,53 3.061,15 16.618,68 2570 jul/05 2100 14/02/2006 7949,06 1525,42 7.949,06 RDA jul/05 Total 24.567,74 ago/05 2100 14.342,91 3.150,60 17.493,51 2614 ago/05 2100 14/02/2006 8073,76 1428,24 8.073,76 RDA ago/05 Total 25.567,27 set/05 2100 4.089,04 771,96 4.861,00 2656 set/05 Total 4.861,00 Fl. 447DF CARF MF 20 out/05 2100 4.161,93 785,75 4.947,68 2667 out/05 Total 4.947,68 nov/05 2100 4.042,73 760,36 4.803,09 2681 nov/05 Total 4.803,09 13/2005 2100 3.570,49 665,93 4.236,42 2680 13/2005 Total 4.236,42 jan/06 2100 4.368,15 819,55 5.187,70 2698 jan/06 Total 5.187,70 fev/06 2100 4.012,08 754,56 4.766,64 2715 fev/06 2100 30/10/2008 68,11 35,69 68,11 RDA fev/06 Total 4.834,75 mar/06 2100 4.113,41 777,76 4.891,17 2733 mar/06 2100 30/10/2008 68,11 34,96 68,11 RDA mar/06 Total 4.959,28 abr/06 2100 5.486,70 889,12 6.375,82 2746 abr/06 2100 30/10/2008 76,36 38,22 76,36 RDA abr/06 Total 6.452,18 mai/06 2100 5.614,38 864,76 6.479,14 2762 mai/06 2100 30/10/2008 76,35 37,31 76,35 RDA mai/06 Total 6.555,49 jun/06 2100 5.749,61 872,75 6.622,36 2776 jun/06 2100 30/10/2008 76,34 36,41 76,34 RDA jun/06 Total 6.698,70 jul/06 2100 5.716,66 882,13 6.598,79 2792 jul/06 Total 6.598,79 ago/06 2100 7.254,47 1.024,32 8.278,79 2806 ago/06 Total 8.278,79 set/06 2100 30,00 1.458,29 1.488,29 2826 set/06 Total 1.488,29 out/06 2100 30,00 1.405,38 1.435,38 2849 out/06 Total 1.435,38 nov/06 2100 30,00 1.497,89 1.527,89 2868 nov/06 Total 1.527,89 dez/06 2100 30,00 1.332,63 1.362,63 2901 dez/06 Total 1.362,63 13/2006 2100 30,00 1.169,14 1.199,14 2929 13/2006 Total 1.199,14 Observo que o lançamento fiscal foi efetuado apenas em relação aos valores não declarados em GFIP, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, por isso, apesar de as GPS das competências 01/2005, 11/2005, 13/2006 não estarem listadas no RDA, elas se referem a recolhimentos de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP (efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934 do processo nº 16707.006588/200934), e só a eles poderiam ter sido apropriadas, portanto, mesmo que viessem a compor o RDA não refletiriam no valor do débito apurado nessas competências. A apropriação de GPS que aparece no RADA (relativo ao levantamento "DAG SAL DECLARADOS EM GFIP") é um batimento entre o valor declarado em GFIP e o recolhido em GPS, como forma de verificar se existem sobras de recolhimento que pudessem ser aproveitadas a levantamentos de remunerações não declaradas, o que não ocorreria no caso dessas três competências, conforme efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934 do processo nº 16707.006588/200934. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 440 21 Com relação à MATRÍCULA CEI 50.020.77490/74, ao contrário do que afirma a recorrente, não se verifica discrepância entre o extrato de contribuições (efls. 2950 do processo nº 16707.006588/200934) e os valores constantes no RDA (efls. 41). Por seu turno, as retenções declaradas em GFIP também constam no RDA (efls. 20), que aparecem apropriadas aos valores declarados em GFIP (efls. 62/65). Por tudo isso, a planilha apresentada pela recorrente às efls. 398/399 discrepa da realidade dos documentos mencionados na impugnação e constantes nos autos do processo nº 16707.006588/200934. Ausência de detalhamento das origens das bases de cálculo do item "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS" A recorrente alega que a fiscalização não discriminou as divergências relativas ao estabelecimento 08.323.347/000187, a que se refere o levantamento "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS", para as competências 01/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 02/2006, 03/2006. Afirma que a autoridade recorrente entendeu que tal discriminação foi feita pela auditoria em diligência, da qual a recorrente foi cientificada, mas não se pronunciou. Alega que não teria como se pronunciar porque os livros Diário e Razão estavam de posse da fiscalização, o que impossibilitou seu direito à ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03, recebido em 23/03/2009 (efls. 112), a auditoria solicita que a recorrente justifique as "divergências entre as GFIP e os lançamentos contábeis indicados nas planilhas anexas", e logo às efls. 115 consta o Anexo "Justificar as diferenças verificadas entre os valores contabilizados e os informados na GFIP Salários Administrativos", em que estão relacionados, por competência, os valores de salários administrativos e o valor declarado em GFIP. Novamente às efls. 315, o Auditor Fiscal discrimina esses valores, acrescentando parte relativa à alimentação. A alegação da empresa de que não se pronunciou sobre o resultado da diligência porque os livros Diário e Razão estavam com a fiscalização, não tem fundamento, visto que a ela é facultado pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574/2001. Além disso, esses livros são elaborados pela empresa com base em seus próprios documentos, o que torna sem propósito dizer que não poderia recorrer porque não dispunha deles, sem considerar que, conforme consta às efls. 3302/5591 do processo nº 16707.006588/200934, tais livros são resultado de escrita digital, sendo razoável que a empresa tenha esses dados em sistema, seja na própria empresa ou em escritório responsável por sua contabilidade, e possivelmente acessível a ela. Portanto, sem sentido essa alegação. Da falta de apropriação de INSS retido pelas fontes pagadoras A recorrente arrazoa que os valores retidos sobre as notas fiscais de prestação de serviços, referente às obras abaixo listadas não foram apropriados no lançamento fiscal: 50.020.77490/74 RJ 035 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.020.37627/79 RJ 034 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.019.58931/76 RJ 033 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.023.58653/78 RN 244 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RN TRE Fl. 449DF CARF MF 22 50.016.95806/75 PB 006 SUPLAN SUPERINTENDÊNCIAS DE OBRAS DO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO PARAÍBA 50.023.40802/70 RN 243 CIA DE AGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE CAERN Para análise desse argumento, oportuno transcrever os dispositivos legais e normativos que tratam da retenção sobre notas fiscais, faturas e recibos por serviços prestados mediante cessão de mãodeobra: Lei nº 8.212/91 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Grifei) Decreto nº 3.048/99 Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5ºO contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 441 23 §6ºA empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7ºNa contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8ºCabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. §11. As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. IN SRP nº 3, de 14/07/2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: I a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos; Fl. 451DF CARF MF 24 II o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD e débito decorrente de Auto de Infração AI, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG, de Débito Confessado em GFIP DCG; III o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas ao acordo de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto nos arts. 218 e 219; V a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. § 1º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições sociais previdenciárias devidas, desde que a compensação seja declarada em GFIP. § 2º Caso haja recolhimento indevido, comprovado mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, relativo à obra sem atividade, ou seja, para a qual tenha sido entregue GFIP sem movimento ou que tenha sido encerrada, a compensação poderá ser realizada em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 3º A empresa, o equiparado na forma do § 4º do art. 3º, e o empregador doméstico, poderão efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 4º É vedada a compensação em documento de arrecadação previdenciária de valor recolhido indevidamente para outro órgão da Administração Pública, ainda que se refira a contribuições devidas à Previdência Social, mesmo aquelas decorrentes da opção pelo SIMPLES. Art. 194. A compensação, observada a prescrição estabelecida no art. 218, não deverá ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social, em cada competência, independentemente da data do recolhimento, e de acordo com as seguintes disposições: [...] Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 442 25 § 1º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser obedecidas as mesmas condições estabelecidas neste artigo e no art. 193. § 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na GFIP, na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP. Art. 195. No documento de arrecadação relativo ao pagamento das contribuições incidentes sobre o décimoterceiro salário poderão ser compensadas importâncias que a empresa tenha recolhido indevidamente, observado o limite de trinta por cento do total do valor devido à Previdência Social nesta competência. (Grifei). Sobre esse questionamento, a auditoria fiscal já havia se pronunciado no resultado de diligência (efls. 315): Esclarecimentos da auditoria: Os créditos relacionados no RAD correspondem aos códigos de recolhimento; 2100 Código da GPS Empresas em geral CNPJ 2208 Código da GPS Empresas em geral CEI Créditos créditos por retenção na prestação de serviços Deixamos de considerar todos os créditos campo compensação da GFIP, porque ao fazer o batimento entre os valores informados na GFIP e os valores retidos nas notas fiscais emitidas pela Construtora A Gaspar S A foi detectada diferença entre os mesmos. Intimada através dos Termos de Intimação no. 10 (fl 42), 11(fl. 44) , 12 (fl. 58) processo 16707.006588/200934 a apresentar os elementos ali indicados e necessários à comprovação da origem da compensação, não houve a apresentação, o que impossibilitou a consideração do crédito pretendido, fato citado no relatório fiscal fl. 122 processo 16707.006588/200934 Conforme se observa do trecho acima, o Auditor Fiscal incluiu como créditos apenas os valores de retenção que foram declarados em GFIP, desconsiderando os valores destacados na nota fiscal por divergirem dos informados em GFIP. Nesse sentido, analisando a planilha às efls. 97/98, as notas fiscais mencionadas na impugnação e constantes nos autos do processo nº 16707.006588/200934, e os valores de créditos no RDA, confirmei a existência de divergências, por Matrícula CEI. Matrícula CEI nº 50.020.77490/74 As GPS de retenção apresentadas pela recorrente (efls. 3069/3099 do processo nº 16707.006588/200934) foram recolhidas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação às competências 02/2006, 06/2006 e 10/2006, apesar de não aparecerem no RDA, por terem sido declaradas em GFIP já foram Fl. 453DF CARF MF 26 apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. Em relação a 11/2006 a recorrente declarou R$ 12.904,22 de retenção, mas só conseguiu comprovar R$ 9.919,95; como o valor foi apropriado a maior, só restaria glosar a diferença. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA dez/05 50.020.774.9074 2.777,28 2.777,28 6.204,11 2.777,28 jan/06 50.020.774.9074 4.922,67 4.922,67 5.428,53 4.922,67 fev/06 50.020.774.9074 10.711,52 10.711,52 12.456,30 mar/06 50.020.774.9074 16.062,00 16.062,00 16.062,0016.062,00 abr/06 50.020.774.9074 15.499,10 15.499,10 15.499,1015.499,10 mai/06 50.020.774.9074 12.011,15 12.011,15 12.035,5712.011,15 jun/06 50.020.774.9074 22.459,38 22.459,38 35.820,48 jul/06 50.020.774.9074 20.468,50 20.468,50 11.529,7911.529,79 ago/06 50.020.774.9074 24.128,68 24.128,68 17.143,7017.143,70 set/06 50.020.774.9074 15.903,23 15.903,23 31.798,8215.903,23 out/06 50.020.774.9074 17.397,41 17.397,41 26.258,45 nov/06 50.020.774.9074 12.904,22 12.904,22 9.919,95 dez/06 50.020.774.9074 2.671,51 2.671,51 13/2006 50.020.774.9074 1.060,72 1.060,72 Matrícula CEI nº 50.020.37627/79 Com relação à obra 50.020.37627/79 RJ 034, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3061/3088) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecerem no RDA, por terem sido declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA nov/05 50.020.376.2779 1.987,69 1.987,69 2.054,47 dez/05 50.020.376.2779 9.480,95 9.480,95 11.281,80 9.480,95 jan/06 50.020.376.2779 3.643,47 3.643,47 3.643,47 3.643,47 fev/06 50.020.376.2779 2.673,63 2.673,63 2.673,63 2.673,63 mar/06 50.020.376.2779 6.368,39 6.368,39 7.299,25 6.368,39 abr/06 50.020.376.2779 9.832,78 9.832,78 13.034,23 9.832,78 mai/06 50.020.376.2779 16.917,79 16.917,79 25.768,0816.917,79 jun/06 50.020.376.2779 3.105,27 3.105,27 3.105,27 jul/06 50.020.376.2779 4.791,20 0,00 Matrícula CEI nº 50.019.58931/76 Com relação à obra 50.019.58931/76 RJ 033, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3057/3084) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecer no RDA, por ter sido declarada em GFIP já foi apropriada nesse documento, não cabendo apropriação ao Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 443 27 presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA set/05 50.019.589.3176 960,7 960,7 6.226,44 960,7 out/05 50.019.589.3176 6.474,94 6.474,94 11.512,08 6.474,94 nov/05 50.019.589.3176 10.483,47 10.483,47 10.942,77 dez/05 50.019.589.3176 15.288,95 15.288,95 16.895,9315.288,95 jan/06 50.019.589.3176 19.309,13 19.309,13 19.538,5419.309,13 fev/06 50.019.589.3176 15.432,08 15.432,08 15.432,0815.432,08 mar/06 50.019.589.3176 9.501,34 9.501,34 9.808,93 9.501,34 abr/06 50.019.589.3176 9.274,56 9.274,56 9.907,23 9.274,56 mai/06 50.019.589.3176 1.572,47 1.572,47 1.572,47 1.572,47 Com relação à alegação da recorrente quanto à inexistência da nota fiscal emitida em 10/2006, o Auditor Fiscal já havia respondido no resultado da diligência fiscal: Argumentação do contribuinte. 'em relação ao CEI 50.01958931/76. na competência 10/2006. teria havido lançamento com base de calculo no valor de RS 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Esclarecimentos da auditoria: Para a competência 10/2006 houve a prestação de serviços para a Concessionária da Rodovia Presidente Dutra com a emissão da nota fiscal número 001786 no valor de R$ 530.473,75 . Realmente, não há como acolher a alegação da recorrente, considerando que a nota fiscal nº 1786, no valor de R$ 530.473,75, foi emitida em 19/10/2006 (efls. 2948 do processo nº 16707.006588/200934). Matrícula CEI nº 50.023.58653/78 Com relação à obra 50.023.58653/78 RN 244, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3109/3111 do processo nº 16707.006588/200934) foram pagas no CNPJ Matriz. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.586.5378 58,41 58,41 4.259,26 58,41 set/06 50.023.586.5378 1.232,03 1.232,03 8.640,52 1.232,03 out/06 50.023.586.5378 2.543,32 2.543,32 19.664,57 2.543,32 Fl. 455DF CARF MF 28 nov/06 50.023.586.5378 3.278,44 3.278,44 19.931,09 3.278,44 dez/06 50.023.586.5378 4.798,80 4.798,80 10.397,81 4.798,80 13/2006 50.023.586.5378 1.580,95 1.580,95 1.580,95 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.023.58653/78, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Esclarecimentos da auditoria: Para o CEI 5002358653/78 houve a dedução do décimoterceiro salário conforme demonstrativo. [...] RN 244 N FISCAL COMP VRDANF % MÃO DE OBRA REMUNERAÇÃO DEDUZIDA DIFERENÇA CEI DA OBRA 200607 0,00 746,93 500235865378 001761 200603 110.629,98 20 22.126.00 3.472,82 17.906,25 500235865378 001784 200610 510.768,04 20 102.153.61 9.153,83 92.999,78 500235865378 001773 200609 224.429,21 20 44.885.84 5.199,12 39.686.72 500235865378 001790 200611 517.690,70 20 103.538,14 10.979,33 92.558,81 500235865378 001795 200612 270.073,10 20 54.014,62 17.405,10 500235865378 200613 3.868,19 32.741,33 Analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 16), razão pela qual não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente. Matrícula CEI nº 50.016.95806/75 A recorrente não informou em GFIP as retenções sofridas nas notas fiscais de prestação de serviços, o que impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA abr/05 50.016.958.0675 2.808,88 mai/05 50.016.958.0675 6.487,80 mar/06 50.016.958.0675 36.550,44 abr/06 50.016.958.0675 3.223,80 out/06 50.016.958.0675 13.387,23 ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.016.95806/75, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 444 29 Esclarecimentos da auditoria: [...] Para o CEI 5001695806/75, não houve emissão de nota fiscal em dezembro/2010. Analisando os documentos citados na impugnação e acostados aos autos do processo nº 16707.006588/200934, não consta esse valor no extrato da obra (efls. 3118 do processo nº 16707.006588/200934), por isso, não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 10/12). Matrícula CEI nº 50.023.40802/70 Com relação à obra 50.023.40802/70 RN 243, as retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total: Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 set/06 50.023.408.0270 899,95 899,95 9.767,1 899,95 out/06 50.023.408.0270 1.688,72 1.688,72 9.767,10 1.688,72 nov/06 50.023.408.0270 1.138,05 1.138,05 21.697,23 1.138,05 dez/06 50.023.408.0270 1.308,46 1.308,46 1.308,46 13/2006 50.023.408.0270 371,31 371,31 371,31 Quanto às GPS no código 2208, nos valores de R$ 820,61; R$ 380,61; R$ 283,29 e R$ 39,37, que a recorrente diz não terem sido consideradas pelo Auditor Fiscal, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 15/16), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente: CEI cod comp Dt pagto inss terceiros total efls. do processo nº 16707.006588/200934 50.023.40802/70 2208 jul/06 02/08/2006 676,59 144,02 820,61 3156 50.023.40802/70 2208 out/06 03/11/2006 30,00 350,61 380,61 3161 50.023.40802/70 2208 dez/06 01/01/2007 30,00 253,29 283,29 3164 50.023.40802/70 220813/2006 20/12/2006 33,11 6,26 39,37 3165 Diante de todo o exposto, considero correta a atuação da auditoria, pois os valores retidos sobre notas fiscais de prestação de serviço podem ser compensados com as contribuições previdenciárias devidas no mês de emissão da nota fiscal, desde que declarados em GFIP, conforme legislação e atos normativos acima transcritos. Ademais, a compensação tem procedimento próprio, e a fase do contencioso não é sede adequada para que ela seja efetuada. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.016.93906/71 Obra SE001 Fl. 457DF CARF MF 30 Em relação à obra CEI 50.016.93906/71 OBRA SE001, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, entretanto, as GPS no código 2208 acostadas aos autos pela recorrente (efls. 3220/3226 do processo nº 16707.006588/200934) já constam no RDA (efls. 34). Há que se observar que as GPS apresentadas cód 2208 são apropriadas aos valores declarados em GFIP, conforme esclarecido em tópico anterior. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.019.64708/77 Obra PR033 Em relação à obra CEI 50.019.64708/77 Obra PR033, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, entretanto, as GPS no código 2208 constantes no extrato (efls. 765 do processo nº 16707.006588/200934) já constam no RDA (efls. 38). Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 13), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente. Quanto à alegação da empresa de que a auditoria incluiu os seguintes valores na MATRÍCULA CEI 50.019.64708/77, na competência 12/2005: R$ 87.831,17; R$ 187.506,70; R$ 116.096,94; R$ 123.512,15; R$ 129.495,20, o Auditor Fiscal já havia se pronunciado no resultado da diligência (efls. 317) da seguinte forma: Argumentação do contribuinte: "teriam sido incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEI 50.01964708/77 (obra PR — 033), as quantias de R$ 87.831.17; R$ 187.506,70, R$ 116.096,94; R$ 123 512,15. e R$ 129 495,20, os quais se referem a obra PR — 032" Esclarecimentos da auditoria: Durante a auditoria o contribuinte informou que as obras PR 033 e PR 032 são um só contrato, sendo utilizadas dois códigos para efeito de controle de custos. Caso a informação prestada durante a auditoria não seja procedente, deverá o sujeito passivo, informar qual é a matrícula da obra denominada PR 033 e a matrícula da obra PR 032. Assim, considerando que a recorrente apenas alegou, sem informar a que matrícula CEI correspondem os lançamentos, sobre os quais se insurge, não há como acatar seu arrazoado. Acrescento que, os valores retidos pela recorrente sobre as notas fiscais de serviços prestados por subempreiteiros devem ser discriminados na nota fiscal para fins de dedução do valor da retenção sofrida, e desde que efetivamente recolhidos os valores retidos. Nas notas fiscais acostadas à impugnação não há qualquer informação sobre a dedução desses valores. Porém, uma vez que o Auditor Fiscal lançou como crédito o valor retido informado em GFIP pela recorrente, sem essa dedução, não cabe atribuir o valor retido nas subempreiteiras como crédito da recorrente. Da glosa da compensação de créditos de INSS Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 445 31 Não cabe pronunciamento em relação a esse tópico, pois não foram lançados valores de glosa de compensação no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Do lançamento relativo aos estabelecimentos 70001.25497/70 e 70001.25522/75 A recorrente informa estar impossibilitada de apresentar defesa em relação aos lançamentos dessas obras, por não terem sido evidenciados os dados mínimos para conhecimento claro das bases de cálculo. Não assiste razão à recorrente. Conforme visto, por meio de diligência o Auditor Fiscal respondeu a vários questionamentos feitos pela recorrente em sua peça impugnatória, em que consta às efls. 303/305 relação das notas fiscais utilizadas, sendo que às efls. 311/312 está discriminado o cálculo que deu origem ao lançamento das obras Matrícula CEI nº 70001.25497/70 e 70001.25522/75, com respectivos percentuais considerados para o lançamento, conforme abaixo: [...] Os dados constantes na planilha acima estão exatamente consistentes com os valores lançados pela fiscalização, apresentados no relatório DD Discriminativo do Débito (e fls. 16/17). Além disso, a relação de notas fiscais utilizadas pela fiscalização já constavam como anexo do Relatório Fiscal (efls. 70/78), em que o Auditor Fiscal apresentou a metodologia do cálculo efetuado para o lançamento (efls. 102): DA AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO DE OBRA 1. Considerando que a contabilidade apresentada pelo sujeito passivo deixou de atender aos princípios contábeis , o valor da mãodeobra foi apurada pelo método do arbitramento, com Fl. 459DF CARF MF 32 base no artigo 33, parágrafo 6o. da Lei no. 8.212., de 24/07/1991. 2. Da análise da documentação apresentada pela empresa (Contratos, Notas Fiscais e Medições de Serviços) observase à previsão contratual de fornecimento de material e equipamentos, contudo não existe, nem nos contratos e tampouco nas notas fiscais e medições, discriminação clara dos valores desses itens. 3. Sendo assim, o valor da remuneração da mão de obra utilizada foi calculada, com base na aplicação dos critérios estabelecidos nos Art 600 e seguintes da IN nº SRP 03/2005, conforme abaixo: • Aplicação do percentual de 50% sobre o valor bruto da Nota Fiscal para fins de aferição do valor dos serviços embutidos na prestação do serviço; Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. 4. As bases de cálculo, (valores da remuneração da mão de obra aferidas conforme itens acima), as contribuições apuradas, alíquotas e deduções utilizadas e recolhimentos aproveitados, encontramse devidamente discriminados nos relatórios "Discriminativo do Débito DD", integrantes da presente notificação. Portanto, a recorrente tinha todos os elementos necessários para sua plena defesa, não havendo razão para elaboração de novo demonstrativo, porque o que consta nos autos espelha de onde se originaram os valores efetivamente lançados. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16707.006590/200911 Acórdão n.º 2202004.557 S2C2T2 Fl. 446 33 Fl. 461DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.928385/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.928385/2011-84 Acórdão n.º 1401-002.453 S1-C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de março de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaram-se indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.928385/2011-84 Acórdão n.º 1401-002.453 S1-C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1401-002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/2011-96, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo trata-se de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de março de 1997, com débitos do contribuinte. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401-002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendo-se do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.928385/2011-84 Acórdão n.º 1401-002.453 S1-C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologa-se tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontram-se preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originou-se de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.928385/2011-84 Acórdão n.º 1401-002.453 S1-C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo refere-se ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 115DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000314/2003-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2003
Ementa:
SIMPLES. EXCLUSÃO. FATOS MOTIVADORES. INSUFICIÊNCIA.
Nos termos do disposto no inciso I do art. 333 do Código Processo Civil, o ônus da prova cabe a quem alega. Nessa linha, se a Administração Fazendária pretende excluir determinada pessoa jurídica de sistemática favorecida de recolhimento de tributos, deve fazê-lo reunindo elementos que demonstrem de forma efetiva que o referido contribuinte incorreu em causa impeditiva de
opção pela sistemática em questão, sendo insuficiente para tal pretensão a mera indicação de que o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) utilizado para fins cadastrais aponta no sentido do exercício de atividade que impossibilita a opção em referência.
Numero da decisão: 1301-000.917
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. FATOS MOTIVADORES. INSUFICIÊNCIA. Nos termos do disposto no inciso I do art. 333 do Código Processo Civil, o ônus da prova cabe a quem alega. Nessa linha, se a Administração Fazendária pretende excluir determinada pessoa jurídica de sistemática favorecida de recolhimento de tributos, deve fazê-lo reunindo elementos que demonstrem de forma efetiva que o referido contribuinte incorreu em causa impeditiva de opção pela sistemática em questão, sendo insuficiente para tal pretensão a mera indicação de que o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) utilizado para fins cadastrais aponta no sentido do exercício de atividade que impossibilita a opção em referência.
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EXCLUSÃO. FATOS MOTIVADORES. INSUFICIÊNCIA. Nos termos do disposto no inciso I do art. 333 do Código Processo Civil, o ônus da prova cabe a quem alega. Nessa linha, se a Administração Fazendária pretende excluir determinada pessoa jurídica de sistemática favorecida de recolhimento de tributos, deve fazêlo reunindo elementos que demonstrem de forma efetiva que o referido contribuinte incorreu em causa impeditiva de opção pela sistemática em questão, sendo insuficiente para tal pretensão a mera indicação de que o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) utilizado para fins cadastrais aponta no sentido do exercício de atividade que impossibilita a opção em referência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 13977.000314/200378 Acórdão n.º 130100.917 S1C3T1 Fl. 76 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 13977.000314/200378 Acórdão n.º 130100.917 S1C3T1 Fl. 77 3 Relatório INGOBERT MEYER, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, que indeferiu solicitação formalizada por meio de manifestação de inconformidade anteriormente apresentada, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exclusão de sistemática simplificada de recolhimento de tributos e contribuições (SIMPLES), efetivada ao amparo das disposições do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte argumentou, em apertada síntese, que se dedica à exploração de atividade não vedada à opção pelo SIMPLES (reparação e manutenção de telefones), ocasião em que requereu a realização de perícia para que fosse comprovada a sua alegação. Sustentou, ainda, que o efeito da exclusão deveria operar a partir do ato correspondente. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, apreciando as razões de defesa oferecidas pela contribuinte, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0323.023, de 31 de outubro de 2007, pela procedência da exclusão. O referido julgado restou assim ementado: Opção pelo Simples. Condição Vedada. Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 68/72, por meio do qual sustenta: que, ao apresentar "Declaração de Firma Mercantil Individual", assinalou os códigos de atividade econômica n° 45497/99 obras de instalação de equipamentos telefônicos e, como atividade secundária o de n° 52450/03 comércio varejista de máquinas, equipamentos e materiais de comunicação; que referida declaração serviu de base para o preenchimento da ficha cadastral para a obtenção do CNPJ, bem como para opção pelo SIMPLES; que a legislação que exclui garantias deve ser interpretada restritivamente, sobretudo quando se firma em preceito constitucional, como é o caso; que não pode a União dar interpretação extensiva, aplicando analogicamente norma que veda à opção pelo SIMPLES a pessoa jurídica que se dedica à atividade de engenharia (transcreve manifestação do STJ no sentido de que a atividade de instalação elétrica não está alcançada pela vedação prevista no parágrafo 4º do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996); Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 13977.000314/200378 Acórdão n.º 130100.917 S1C3T1 Fl. 78 4 que “as próprias regras da experiência comum indicam que exploram serviços de instalação e manutenção de equipamentos elétricomecânicos não se enquadram no art. 9º, inciso XII, alínea "f" da Lei 9317/96”; que a equiparação pretendida significa aplicação de analogia (transcreveu manifestações jurisprudenciais judiciais e administrativas, e os artigos 1º e 7º da Lei nº 5.194/66); que a atividade por ela explorada não pode ser equiparada a de engenheiro, já que não exige habilitação técnica para a sua prestação e tampouco inscrição no_CREA; que o fato de oferecer manutenção das peças que comercializa não caracteriza atividade privativa de engenheiro, o que viabiliza a sua inclusão no SIMPLES (transcreve manifestação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região). É o Relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 13977.000314/200378 Acórdão n.º 130100.917 S1C3T1 Fl. 79 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exclusão de sistemática simplificada de recolhimento de tributos e contribuições (SIMPLES), efetivada ao amparo das disposições do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996. Mantida a exclusão pela decisão exarada em primeira instância, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. Em síntese, sustenta a recorrente que se dedica à prestação de serviços de instalação e manutenção de equipamentos elétricomecânicos, atividades não contempladas no dispositivo legal que serviu de base para a exclusão do SIMPLES. Noto que o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 464 (fls. 51), que declarou a contribuinte excluída do SIMPLES, aponta como motivo para a providência o exercício de atividade vedada. Considerada a sintética descrição contida no referido ato, depreendese que a exclusão em questão levou em consideração tãosomente o código de atividade econômica utilizado pela contribuinte no seu cadastramento. Não identifico nos autos qualquer outro documento indicativo de que a atividade exercida pela recorrente é exercida por pessoas cujas profissões dependem de habilitação legalmente exigida. A autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, indeferiu a solicitação apresentada na Manifestação de Inconformidade reafirmando que a ora recorrente “se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/1996 (que preste serviços profissionais de engenheiro ou de técnico, cuja profissão depende de habilitação profissional legalmente exigida)”. Verifico que a contribuinte aportou aos autos cópia de notas fiscais indicando que, em regra, presta serviços de conserto de telefones e similares. Em sua peça recursal, reproduziu manifestações administrativas e judiciais que convergem para o seu entendimento, qual seja, o de que a atividade por ela explorada não pode ser enquadrada nas disposições do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/1996. Penso que, no caso, deve prevalecer o entendimento de que, considerada a inteligência do disposto no inciso I do art. 333 do Código Processo Civil, o ônus da prova cabe a quem alega, isto é, se a Administração Fazendária pretende excluir determinada pessoa jurídica de sistemática favorecida de recolhimento de tributos, deve fazêlo reunindo elementos que demonstrem de forma efetiva que o referido contribuinte incorreu em causa impeditiva de opção pela referida sistemática, sendo insuficiente para tal pretensão a mera indicação de que o Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 13977.000314/200378 Acórdão n.º 130100.917 S1C3T1 Fl. 80 6 Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) utilizado para fins cadastrais aponta no sentido do exercício de atividade que impossibilita a opção em referência. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000010/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da COFINS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da COFINS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 10 /2 01 0- 57 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 2 exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.862. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 7 IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 8 a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 9 bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 10 entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 11 Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 12 que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 13 sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 14 receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 15 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 16 NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10925.000010/201057 Acórdão n.º 3401005.020 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000340/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 18/07/2005
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE
Quando da lavratura do auto de infração, os tributos incidentes na operação sob análise não estavam com a exigibilidade suspensa, cabível, portanto, a exigência de juros de mora e multa de ofício.
Numero da decisão: 3302-005.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 196 1 195 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11891.000340/200744 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.699 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SANTA CASA MISERICÓRDIA DE JUIZ DE FORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/07/2005 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE Quando da lavratura do auto de infração, os tributos incidentes na operação sob análise não estavam com a exigibilidade suspensa, cabível, portanto, a exigência de juros de mora e multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 03 40 /2 00 7- 44 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11891.000340/200744 Acórdão n.º 3302005.699 S3C3T2 Fl. 197 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 171177: DO LANÇAMENTO O interessado, por meio da DI nº 05/07524718, registrada em 18/07/2005, submeteu a despacho 01 (um) APARELHO DE RAIOSX MÓVEL (NCM 9022.14.90), tendo sido desembaraçada a mercadoria importada sem recolhimento de IPI e Contribuições Sociais (PISimportação e Cofins importação) por força de medida liminar deferida no processo judicial n° 2005.38.00.0257051. Entretanto, a segurança foi denegada em sentença de 1° Grau proferida em 25/04/2006 nos termos: "denego a segurança pedida, ante a ausência do direito liquido e certo, revogando a liminar anteriormente concedida". A alíquota do Imposto de Importação era zero na data de registro. Assim, em 01/08/2007, a fiscalização procedeu ao lançamento para cobrança dos tributos incidentes na importação e seus acréscimos legais. O valor consolidado do crédito tributário perfaz a soma de R$ 74.313,54. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a empresa autuada apresentou tempestivamente a sua defesa, com as seguintes alegações, em síntese (destaques do original): a) dentro do principio basilar do Direito Tributário, Estrita Legalidade dos atos da Administração Pública, não pode haver cobrança de imposto e/ou contribuições sociais da Impugnante, ora, como se observa nos documentos acostados a essa impugnação, tratase de instituição beneficente de assistência social, frisando, sem interesse de lucro. Tanto é verdade que, conforme admitido no auto de infração, a alíquota que incidia a época da importação referente ao IPI era ZERO; b) os tributos referenciados estão sendo discutidos na via judicial, como já admitido pela Auditora Fiscal na lavratura do auto de infração, razão pela qual não cabe nova discussão sobre o tema na via administrativa, eis que a decisão judicial é soberana e faz coisa julgada. Assim, não há como subsistir o presente Auto de Infração, devendo Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11891.000340/200744 Acórdão n.º 3302005.699 S3C3T2 Fl. 198 3 ser julgado improcedente. Transcreve decisões do então Conselho de Contribuintes; c) o caso concreto enquadrase no Ato Declaratório do PGFN nº 9, de 16.11.2006. Colaciona trecho desse Ato e argumenta que não resta alternativa que a invalidade do presente auto de infração, até mesmo por uma decisão do Procurador Geral da Fazenda Nacional; d) a multa no valor de 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO) sobre o valor dos tributos supostamente devidos, não pode ser aplicada em desfavor da Impugnante, visto que, primeiramente ela optou pela discussão na via judicial não podendo subsistir a mesma discussão na via administrativa, depois, por se tratar de um percentual exorbitante, tem um caráter nitidamente confiscatório, o que é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Cita trechos de decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a incidência da Multa de Mora; e) por se tratar de um posicionamento pacificado no STF, tal entendimento vincula a atuação da Administração Pública, conforme o art. 1º, do Decreto Presidencial n° 2.346, de 10 de outubro de 1997; f) a boa interpretação constitucional é clara no sentido de afastar a arbitrariedade da cobrança de uma multa de 75%, por causa de um possível atraso do cumprimento de uma obrigação acessória, com fundamento nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; g) pelo fato da Impugnante ter optado pela discussão da incidência ou não do respectivo tributo na via judicial, não pode subsistir a cobrança dos chamados acréscimos legais, juros de mora e multa de mora, sendo que, pelo fato de subsistir até os dias de hoje a ação de Mandado de Segurança discutindo incidência das exações ao caso concreto, essa decisão que prevalecerá e trará as conseqüências jurídicas cabíveis, não sendo a via administrativa o meio cabível para a cobrança dos valores mencionado no r. Auto de Infração. Por fim, requer o acolhimento das suas razões, para que o presente Auto de Infração seja julgado improcedente e arquivado. Em 12 de agosto de 2014, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu em não conhecer o mérito da presente ação administrativa, em face da concomitância de objeto com processo judicial em curso e, julgar devida a cobrança dos juros de mora e da multa de ofício de 75% por falta de recolhimento dos impostos, nos termos da ementa abaixo: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11891.000340/200744 Acórdão n.º 3302005.699 S3C3T2 Fl. 199 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/07/2005 Ação Judicial. IPI, PIS e Cofins lançamentos. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa dos impostos e contribuições sociais devidos, que deve ser realizado, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a esses tributos, ficando o crédito constituído sujeito ao que vier a ser decidido, com trânsito em julgado, pela autoridade judicial. Concomitância de objeto com ação judicial.A propositura de ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa implica em renúncia a este litígio e, em consequência, no impedimento da apreciação, pela autoridade administrativa, das razões de mérito, no tocante à cobrança dos tributos vinculados à importação. Intimada da decisão em 27.08.2014 (fls.193), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10.09.2014 (fls. 180186), alegando, em síntese, os seguintes tópicos: (i) inexigibilidade do crédito tributário, diante da pendência de discussão judicial sobre imunidade; e (ii) inexigibilidade dos juros de mora e da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 27.08.2014 (fls.193) e protocolou Recurso Voluntário em 10.09.2014 (fls. 180186) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inexigibilidade do Crédito Tributário Pendência de discussão judicial sobre a imunidade Neste ponto, assevera o Recorrente que o mérito da matéria (exigência principal, consistente na inexigibilidade dos tributos incidentes na importação em razão da imunidade do contribuinte está pendente de decisão judicial, logo inexigível o principal, não há que se falar em exigência de seus acessórios (juros de mora e multa). 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11891.000340/200744 Acórdão n.º 3302005.699 S3C3T2 Fl. 200 5 De fato, uma vez afastada a obrigação principal relativa ao pagamento dos tributos, tornase inexigível a cobrança de juros de mora e multa de ofício. Entretanto, considerando que a Recorrente levou a matéria sobre a incidência do imposto nas operações sob análise ao judiciário, fica este relator impedido de apreciar os argumentos explicitados pela Recorrente, em razão da renúncia a esfera administrativa. II.2 Juros de Mora e Multa de Ofício Alega a Recorrente que estando os tributos objeto do auto de infração com a exigibilidade suspensa, não está caracterizada qualquer mora do contribuinte, sendo inexigível a cobrança de juros de mora e multa de ofício. Pois bem. O artigo 63 da Lei n.º 9.430/1996 dispõe acerca da não imposição da multa de ofício nos casos que indica. Tal dispositivo, está assim redigido: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Como se percebe, o dispositivo determina a não imposição da multa de ofício quando do lançamento de ofício, naqueles casos em que o contribuinte, por deter um provimento jurisdicional, mesmo que temporário ou ainda não definitivo (dentre aqueles indicados nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN), adota uma conduta contrária ao entendimento da Administração Tributária. À evidência, por detrás do dispositivo está a idéia de que aquele contribuinte que age com base em provimento judicial (mesmo que temporário ou resultante de cognição sumária), não age à margem das normas jurídicas. Com base nisso, há que se ter como incluída dentro dos limites do dispositivo, não apenas as situações especificamente postas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN (a concessão de medida liminar em mandado de segurança e a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial), mas também a decisão em mandado de segurança (sentença) que reconhece o direito pleiteado pelo sujeito passivo. E diz se isso, como já antes se ressaltou, porque não se pode dizer que esteja agindo unilateralmente e em detrimento das normas jurídicas, aquele que pauta sua conduta em provimento judicial passível de adoção imediata (como é o caso, em regra, da sentença em mandado de segurança). Diante deste quadro, há que se concluir, portanto, que a contribuinte, ao tempo da autuação ocorrida 20 de agosto de 2007, já não detinha provimento judicial que Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11891.000340/200744 Acórdão n.º 3302005.699 S3C3T2 Fl. 201 6 determinava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, posto que a decisão liminar proferida em 15.07.2005 foi cassada em 25.04.2006, por meio da sentença que denegou a segurança do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, sendo que o recurso de apelação foi recebido apenas no efeito devolutivo (vide certidão de objeto e pé de fls.79). Portanto, quando da lavratura do auto de infração, os tributos incidentes na operação sob análise não estavam com a exigibilidade suspensa, cabível, portanto, a exigência de juros de mora e multa de ofício. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.908648/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 48 /2 00 9- 08 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art.2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 4 3 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 5 4 fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ em 26/06/2015, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2015, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.855, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.908642/2009 22, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.855): Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 6 5 E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 9 8 Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformando se o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.908648/200908 Acórdão n.º 1302002.861 S1C3T2 Fl. 10 9 inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcritos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 126DF CARF MF
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