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Numero do processo: 16349.000404/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994
CRÉDITOS DE PIS. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO
Devem ser negados os créditos de PIS, cujas liquidez e certeza não foram demonstradas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3301-005.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO Devem ser negados os créditos de PIS, cujas liquidez e certeza não foram demonstradas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3102001.673, de 27/11/12, reformado pelo Acórdão de Recurso Especial n° 9303004.600, de 25/01/17: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 04 04 /2 00 8- 68 Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.075 2 "Por bem relatar os fatos em tela, adoto com as devidas adições e exclusões, o relatório da primeira instância. 'O presente processo administrativo trata de Declarações de Compensação DCOMP apresentadas pelo contribuinte em epígrafe (fls. 02/141) com base em decisão judicial transitada em julgado em 26/08/2002 proferida nos autos da Ação Ordinária n° 94.00301421. 2. As referidas DCOMP não foram homologadas, conforme Despacho Decisório de fls. 557/563, do qual foi dada ciência ao contribuinte em 15/06/2009 por meio do Termo de Intimação n° 3756/2009 (fls. 565/565v). 3. Irresignado com o referido Despacho Decisório, o Interessado apresentou, tempestivamente, em 08/07/2009, sua Manifestação de Inconformidade (fls. 569/600), acompanhada de documentos (fls. 601/626), alegando, em síntese, que: 3.1. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva nos termos do art. 66 da Instrução Normativa SRF n° 900/2008 (fls. 571). 3.2. Foi instaurado o presente processo administrativo para verificação das DCOMP efetivadas pela Manifestante, relativamente ao crédito de contribuição para o PIS da incorporada Cimento Santa Rita Ltda., proveniente de decisão judicial transitada em julgado na Ação de Conhecimento de Rito Ordinário n° 94.00301421. Encontrase em apenso a este processo administrativo o Pedido de Habilitação de Decisão Judicial Transitada em Julgado formalizado em 08/06/2005. 3.3. Foi cientificada, em 05/12/2008, do Termo de Intimação Fiscal n° 327/2008 (fls. 142), para apresentação de informações e documentos. 3.4. Dentro do prazo, apresentou os documentos mencionados as fls. 573, bem como requereu o acolhimento da documentação e reconhecimento do cumprimento do referido termo de intimação fiscal, solicitando a homologação das compensações e o reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo remanescente da incorporada a ser compensado. Caso se entendesse que a documentação não era suficiente, deveria ser concedido prazo suplementar de 30 dias para comprovação do crédito. A petição (fls. 153/156) foi pessoalmente despachada com o Fiscal responsável pela lavratura do citado termo de intimação. 3.5. "Assim, conforme foi verbalmente acordado com o Sr. Fiscal, decidiuse que a ora Manifestante deveria providenciar, por amostragem, planilha de apuração detalhada da base de cálculo do PIS para os créditos relacionados aos fatos geradores de 1989, no prazo de 30 dias e, que após a análise seriam destacadas as contas do Livro Razão a serem pontualmente apresentadas, tomando se por base a apresentação por amostragem, das unidades e produtos mais representativos em termos de volume de faturamento." 3.6. Em 19/01/2009, em razão do exíguo prazo e nos termos do mencionado acordo verbal, protocolou petição (fls. 165) requerendo a concessão de prazo suplementar de 30 dias para apresentação da documentação faltante. O pedido foi deferido e prorrogado para 16/02/2009. 3.7. Em 16/02/2009, foi protocolada petição (fls. 166/167) requerendo ajuntada de "Planilha de apuração da Base de Cálculo" relativa ao ano de 1989, bem como de novos Demonstrativos de Apuração e Atualização de Créditos, Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.076 3 esclarecendo, sobre as providências adotadas para obtenção dos DARF relativos ao ano de 1991. 3.8. Em 07/04/2009, protocolou petição (fls. 612/613) requerendo a juntada de Certidão emitida pela Receita Federal do Brasil, na qual são confirmados os recolhimentos realizados, e de novo Demonstrativo de Apuração e Atualização dos Créditos, sendo o protocolo cancelado sob o fundamento que já havia sido proferida decisão, a qual deve ser reformada, pois, conforme será demonstrado, a questão da chamada "semestralidade" e a possibilidade de compensação com quaisquer tributos ou contribuições federais já se encontram pacificadas na seara administrativa e judicial. 3.9. Ao contrário do que se afirma na decisão recorrida, o valor destacado no pedido inicial da Ação de Conhecimento é meramente exemplificativo, não se tratando de crédito liquido. O que se pretendeu foi o reconhecimento de que os valores devidos a titulo de contribuição ao PIS, nos moldes dos Decretoslei n° 2.445/1988 e n° 2.449/1988, foram indevidamente recolhidos. Ademais, houve pedido declaratório de reconhecimento do direito A compensação, portanto, independente de qualquer procedimento para confirmação dos valores devidos. E neste sentido, deuse a decisão pelo Tribunal Regional Federal da 3' Regido. 3.10. 0 despacho decisório considerou que não houve, na decisão judicial, definição da interpretação dada ao parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar n° 7/1970 até o advento da Medida Provisória n° 1.215/1995, sendo que desde a edição da Lei n° 7.691/1988 o prazo deixou de ser o de 6 (seis) meses contados do fato gerador (Semestralidade da Contribuição para o PIS). No entanto, tal entendimento deve ser reformado pela razões aduzidas As fls. 578/588. 3.11. 0 despacho decisório também considerou que não houve autorização judicial para compensação com outros tributos federais. Contudo, este pronunciamento não se coaduna com o entendimento administrativo e judicial, tendo em vista a edição de norma tributária (art. 74 da Lei n° 9.430/1996) que autoriza a compensação com quaisquer tributos federais. Neste sentido, discorre as fls. 588/594. 3.12. 0 despacho decisório também merece ser reformado em relação ao período do indébito reconhecido na ação judicial, conforme exposto As fls. 594/596. 3.13. Também não merece subsistir a alegação feita no despacho decisório de que não foram atendidas as formalidades necessárias para a verificação da exatidão das bases de cálculo do PIS, pois, conforme já mencionado, a Manifestante foi extremamente diligente ao dar atendimento ao item 3 do Termo de Intimação n° 327/2008, não podendo ser prejudicada pela falta de comunicação interna na substituição do auditor responsável pela análise do crédito. Não houve falta de comprovação, mas sim, uma busca adequada para a não apresentação de milhares de páginas do Livro Razão. Ademais, devese buscar a verdade material no processo administrativo. Neste sentido, apresenta um DVD (fls. 610) contendo as microfichas do Livro Razão para que se apurem as bases de cálculo (fls. 596/598). 3.14. Deve ser conferido efeito suspensivo à Manifestação de Inconformidade, suspendendo a exigibilidade dos valores compensados até a decisão final administrativa (fls. 598/600). 3.15. Diante do exposto, requer a reforma integral do despacho decisório, com o reconhecimento de que o crédito da Manifestante é superior as compensações realizadas e tem direito à compensação do saldo remanescente.' Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.077 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial a impugnação, determinando que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Apesar do provimento parcial, manteve o mesmo entendimento do despacho decisório, quanto a impossibilidade da homologação da compensação pleiteada, em razão da sentença na ação judicial ter determinado a compensação dos créditos do PIS somente com valores devidos desta mesma contribuição. A decisão da DRJ foi assim ementada: 'ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. LIMITES. As compensações efetuadas com fundamento em decisão judicial transitada em julgado devem observar os limites do provimento judicial obtido, sob pena de não homologação. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. Incabível qualquer pretensão de alteração do que já foi determinado em decisão judicial transitada em julgado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITOS. SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. Não compete ás Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ a apreciação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da interposição de manifestação de inconformidade. JURISPRUDÊNCIA. DOUTRINA. CONSULTAS. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação aplicável, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada A. jurisprudência administrativa ou judicial, doutrinas ou consultas existente sobre a matéria. COMPENSAÇÃO. DIREITO. NÃO RECONHECIMENTO. LITÍGIO. DEMAIS QUESTÕES. Não reconhecido o direito à compensação nos moldes em que foram apresentadas as Declarações de Compensação, a apreciação das demais questões suscitadas na Manifestação de Inconformidade não alteram a decisão proferida. PIS. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.078 5 A não comprovação dos créditos, objeto das Declarações de Compensação apresentadas, obsta o reconhecimento dos créditos nelas informados. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DISTINÇÃO. O principio da verdade material não tem o condão de afastar o ônus da prova. Por aquele principio, a Administração Pública deve, em caso de dúvidas sobre a veracidade dos fatos alegados e demonstrados nos autos, investigar a real ocorrência dos mesmos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido' A autuada ao tomar ciência da decisão, veio aos autos e interpôs recurso, alegando que existindo norma legal prevendo a possibilidade de compensação com quaisquer tributos federais e não havendo afronta ao pedido e a decisão judicial, é possível estenderse a compensação com demais tributos ou contribuições federais, ainda que a decisão judicial tenha autorizado apenas a compensação com a própria contribuição ao PIS. Prossegue o recurso, afirmando que a decisão da primeira instância deu provimento parcial a impugnação, mas não reconheceu o direito creditório em razão da não apresentação das cópias do Livro Razão exigidos pela Fiscalização, tal entendimento não merece prosperar, vez que o crédito foi efetivamente comprovado pela Recorrente, por meio da documentação apresentada em mídia digital (DVD) que contém cópias extraídas das microfichas dos Livros Razão da Recorrente, encaminhadas para a apuração e para confirmar esta apresentação requer a juntada de arquivos armazenados em mídia digital (CD), onde constariam os termos de encerramento dos Livros Diário e Declarações e planilha com informações dos livros Razão apresentados, confirmando o direito creditório da Recorrente. Por fim, pede a Recorrente pede que seja aplicado ao presente Recurso, efeito suspensivo, com a interrupção de qualquer ato tendente à cobrança dos valores em questão até o final do julgamento. É o Relatório." Em 27/11/12, foi negado provimento ao recurso voluntário e o Acórdão n° 3102001.673 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária. Recurso Voluntário Negado" Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.079 6 Irresignado, o contribuinte interpôs recurso especial, sob a alegação de que a compensação deveria ser autorizada, com base na legislação contemporânea à compensação, que não vigia à época da prolação da sentença judicial. Em 25/01/17, por meio do Acórdão n° 9303004.600, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) acatou os argumentos da recorrente e deu provimento parcial ao recurso especial, determinando que os autos retornassem a esta instância, para julgamento das demais questões de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de não homologação de compensações de crédito de PIS com débitos de CSLL, IRRF e CSRF (Contribuições Sociais Retidas na Fonte). A recorrente obteve provimentos judiciais, que declararam serem inconstitucionais os Decretoslei n° 2.445/89 e 2.449/89 e que o cálculo da contribuição deveria seguir a LC n° 7/70. Adicionalmente, o direito a crédito equivalente aos pagamentos a maior (fatos geradores de setembro de 1989 a maio de 1994) e o direito à compensação do indébito com o PIS devido em períodos futuros. De acordo com a conclusão do Despacho Decisório (fls. 560/566), a compensação não foi autorizada, em razão de que o provimento judicial autorizou a compensação exclusivamente com débitos de PIS. E, subsidiariamente, de que i) calculou o crédito do PIS com adoção da "semestralidade" (base de cálculo do PIS do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária) e para um período findo em outubro de 1994, ao contrário do que dispunha a sentença judicial; e ii) não atendeu ao item 3 do Termo de Intimação n° 327/08, a saber (fl. 143): "(. . .)" 3) Apresentar cópias das folhas do Livro Razão, acompanhadas dos respectivos termos de abertura e encerramento, onde constem os totais das contas dos valores escriturados/lançados que comprovem a base de cálculo mensal do PIS, no período em que julga ter direito a crédito, conforme o demonstrativo apresentado no processo n° 19679.005747/200522. Demonstrar mês a mês, conta por conta, os valores das receitas e das exclusões consideradas. No caso de não haver receita em algum período, comprovar essa situação com documentação hábil. Os valores deverão estar devidamente destacados com caneta marcatexto nas cópias do Razão apresentadas; (. . .)" Dos obstáculos à compensação impostos pela DRF em São Paulo (SP), a DRJ superou o da adoção do critério da "semestralidade", matéria objeto da Súmula CARF n° 15, e o do termo final do período a que se referia o crédito o despacho decisório teria cometido um erro, ao dispor que o contribuinte computou créditos de pagamentos a maior efetuados até o período de apuração outubro de 1994. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.080 7 E, conforme consta no relatório, a CSRF admitiu a compensação de PIS com outros tributos federais. Desta forma, para a homologação das compensações, restou apenas o fato de a recorrente não ter atendido ao item 3 do Termo de Intimação n° 327/08. Sobre este último empecilho ao reconhecimento do crédito, na manifestação de inconformidade, foram apresentados novos documentos, que, todavia, a DRJ julgou não serem hábeis para a comprovação dos créditos, conforme o consignado na decisão recorrida (fls. 654/655): "(. . .) 64. Notese que o DVD apresentado pela Manifestante (fls. 610), rubricado nesta data, compõese de arquivos de imagens relativas a milhares de folhas de Livros Razão da empresa Cimento Santa Rita S/A separados em 6 (seis) "pastas" relativas aos anos de 1989 a 1994 (STA1989; STA1990; STA1991; STA1992; STA1993 e STA1994). 65. Em cada uma destas "pastas", constam "subpastas", nas quais se encontra um total de 208 (duzentos e oito) arquivos de imagem (00000001.tif a 00000208.tif) por "subpasta" separados da seguinte forma: Pasta STA1989: Subpastas: 052, 053, 059 a 088; Pasta STA1990: Subpastas: 062, 067 a 095; Pasta STA1991: Subpastas: 074, 080 a 107; Pasta STA1992: Subpastas: 085, 091 a 116; Pasta STA1993: Subpastas: 001 a 027; e Pasta STA1994: Subpastas: 001 a 003. 66. Cada "subpasta", conforme já observado, contém 208 (duzentos e oito) arquivos de imagens (00000001.tif a 00000208.fif), alguns destes arquivos em branco, como por exemplo, o arquivo "00000207.tif' da subpasta 088 da Pasta STA 1989. 67. Nestes arquivos de imagens, além de algumas imagens em branco, constam folhas dos citados Livros Razão, bem como em cada uma das "subpastas" uma imagem contendo uma "Página (de) indice" de contas (00000208.tif), dispostas da seguinte forma: a) Pasta STA1989: Subpastas: 052 a 053: folhas 10.558 a 10.971; e 059 a 088: folhas 12.007 a 18.057 (arquivo 00000048.tif da subpasta 088); b) Pasta STA1990: Subpastas: 062: folhas 12.628 a 12.834; e 067 a 095: folhas 13.663 a 19.639 (arquivo 00000181.tif da subpasta 095); c) Pasta STA1991: Subpastas: 074: folhas 15.112 a 15.318; e 080 a 107: folhas 16.354 a 22.003 (arquivo 00000061.tif da subpasta 107); d) Pasta STA1992: Subpastas: 085: folhas 17.389 a 17.595; e 091 a 116: folhas 18.631 a 23.974 (arquivo 00000169.tif da subpasta 116); e) Pasta STA1993: Subpastas: 001 a 014: folhas 001 a 2.887 (arquivo 00000196.tif da subpasta 014); 015 a 024: folhas 2.899 a 4.825 (arquivo 00000064.tif da subpasta 024); e 025 a 027: folhas: 2.485 a 3.105 (arquivo 00000207.tif da subpasta 027); f) Pasta STA1994: Subpastas: 001 a 003: folhas 001 a 549 (arquivo 00000135.tif da subpasta 003). Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.081 8 68. Do exposto, fica claro que o Interessado, nem mesmo em sua Manifestação de Inconformidade, conseguiu atender às exigências contidas no mencionado item 3 do Termo de Intimação no 327/2008, pois não apresentou os termos de abertura e encerramento dos Livros Razão. 69. Ademais, a Manifestante nem sequer indicou as contas que compuseram as bases de cálculo mensais do PIS, muito menos demonstrou mês a mês os valores das receitas e exclusões consideradas no cálculo destas bases, nem mesmo esclareceu a ausência de folhas dos Livros Razão, conforme se pode constatar acima. (. . .)" No recurso voluntário, insurgiuse contra os acima reproduzidos argumentos, insistindo que o apresentado no curso da fiscalização e o incluído no anexo da manifestação de inconformidade seriam suficientes para a comprovação do crédito. Concordo plenamente com a DRJ. O objetivo do item 3 do Termo de Intimação Fiscal n° 327/2008 era o de validar as bases de cálculo do PIS apuradas de acordo com a LC n° 7/70, cujos valores devidos foram comparados com os pagos, para determinação dos créditos. E isto não podia ser efetuado apenas com os elementos apresentados pela recorrente. No recurso voluntário, foram trazidos mais documentos. Entretanto, antes de adentrar em seu exame, cumpre consignar que não invoco o instituto da preclusão (art. 16 do Decreto n° 70.235/72), para desqualificálos como provas. Tal qual em outras oportunidades, privilegio o Princípio da Verdade Material, que entendo ser derivado do Princípio Constitucional da Legalidade. Isto posto, passemos à nova documentação, qual seja: i) CD, contendo cópias do Livro razão; ii) demonstrativos das bases de cálculo mensais do PIS devido (fls. 695/730), apurado de acordo com a LC n° 7/70, com indicação dos números das contas contábeis das receita e exclusões e as respectivas localizações no CD (pasta, arquivo e página do razão); e iii) cópias dos termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário e declarações do contador, atestando a veracidade das informações do razão. Diversos foram os processos em que propus a conversão em diligência, para elucidação de dúvidas suscitadas da leitura de documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário. Mas, em todos os casos, era notória a consistência da documentação apresentada. Contudo, o mesmo não se verifica no presente. Senão, vejamos: a) Os demonstrativos de apuração (fls. 695/730) não apontam os valores devidos mensalmente, porém, apenas as bases de cálculo. A recorrente deveria não apenas tê los indicado, mas também os conciliado com os efetivamente utilizados para fins de cálculo dos créditos. b) Há divergências entre as bases de cálculo constantes dos demonstrativos anexados ao recurso voluntário e as apresentadas à fiscalização (fl. 543), que, em princípio, foram as adotadas para fins de cálculo dos créditos utilizados. Exemplos das inconsistências: bases de cálculo relativas aos fatos geradores de março a junho de 1990 e junho de 1991 a Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 3301005.362 S3C3T1 Fl. 1.082 9 junho de 1992, calculadas, respectivamente, a partir dos saldos das contas contábeis dos meses de setembro a dezembro de 1989 e dezembro de 1990 a dezembro de 1991. c) No tópico "V DO PEDIDO", item "ii", do recurso voluntário (fl. 689), a recorrente pleiteia o reconhecimento de um "saldo remanescente" de R$ 1.279.865,53 não informa em que database. E informa que este montante encontrarseia demonstrado no "doc. 03" da manifestação de inconformidade. E que, atualizado para 02/2010, montaria a R$ 1.310.984,72. Ocorre que, no "doc. 03" da manifestação de inconformidade, há planilhas (fls. 622/623), cujo total de créditos monta a R$ 2.622.522,85. A demonstração do cálculo do crédito de PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, imprescindível ao reconhecimento dos créditos, foi requerida no curso da fiscalização. Contudo, a recorrente a trouxe tão somente com o recurso voluntário e incompleta e repleta de inconsistências. E não percamos de vista que o ônus de comprovar a liquidez e certeza do direito é daquele que alega detêlo, isto é, do contribuinte. Julgo que não estamos diante de uma situação em que caiba a conversão do em diligência. Não há esclarecimentos adicionais a fazer, porém trabalhos de conciliação e demonstração de cálculos mensais de créditos, que há muito já deveriam ter sido executados e apresentados à fiscalização (a fiscalização concedeu duas dilações de prazo) ou aos julgadores. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1082DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900959/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO.
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação da base de cálculo da CSLL por meio do percentual mitigado de 12%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1401-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10166.907504/2009-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PERDCOMP Recorrente CLÍNICA PREVILABOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação da base de cálculo da CSLL por meio do percentual mitigado de 12%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10166.907504/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 59 /2 00 8- 73 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal Brasília (DF), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não ter homologado a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP. Compulsando os autos, percebese que a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio de Despacho Decisório Eletrônico, através do qual não foi homologada a DCOMP sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a DRF/Brasília não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Ciente da autuação, a Interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, tão somente: 1) Que as atividades da Sociedade com base na Legislação pertinente, podem ser consideradas como Atividades Hospitalares; 2) Que o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas enquadradas nestas Atividades têm o beneficio de serem tributadas pelo Lucro Presumido, tendo como base de cálculo para o Imposto de Renda, 8% (oito por cento) sobre seu faturamento; 3) Que sempre calculou e recolheu seu IRPJ tendo como base de calculo 32% (trinta e dois por cento) sobre seu faturamento mensal; 4) Que diante desta possibilidade e consultando tributaristas, chegou a conclusão de que a Empresa poderia ser ressarcida dos valor que foram pagos a maior via do PER/DECOMP. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB ao argumento de que a atividade do sujeito passivo (constante do CNPJ como sendo "atividade médica ambulatorial restrita a consultas" e, no contrato social, que suas atividades não contemplam a internação de pacientes, nem a disponibilidade de serviço de radiologia) não se enquadra no conceito de serviços hospitalares para fins de utilização do coeficiente de presunção de 12% na apuração de CSLL. Irresignada com a decisão proferida pela DRJ/BSB, a Recorrente apresentou recurso voluntário em que alega, em resumo: 1) A Recorrente é empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatorial, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do ltcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção)"; 2) Consta do Contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local"; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.900959/200873 Acórdão n.º 1401003.022 S1C4T1 Fl. 3 3 3) O art. 23, inc. II, alíneas "a", "b" e "c" da Instrução Normativa SRF nº 306/03, de 12 de março de 2003, publicada no DOU de 03.04.2003, com base no art. 64 da Lei n.° 9.430/96, classifica como serviços hospitalares, por sua vez, o seguinte: "Art. 23 . Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de UMA DAS ATIVIDADES ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capitulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: (...) II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; 4) A Secretaria da Receita Federal emitiu, à época, dois pronunciamentos oficiais, consubstanciados na Solução de Divergência em Consulta n.° 11/2003, proferida pela sua Coordenação Geral do Sistema de Tributação, e no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18, de 23 de outubro de 2003 (DOU de 24 de outubro de 2003), nos quais fica patente a posição favorável do órgão fazendário, no sentido de enquadramento das clinicas médicas como serviços hospitalares, desde que atendidos os requisitos legais. Eis o teor dos referidos atos administrativos: "SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N.° 11, de 21 de julho de 2003. ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO, PERCENTUAIS, SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS POR CLÍNICAS DE ORTOPEDIA, TRAUMATOLOGIA E RADIOLÓGICAS. A prestação de serviços de clinica médica de ortopedia e traumatologia, bem assim, a prestação de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (exames radiológicos), por se enquadrarem dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado de saúde, poderão ser enquadradas como serviços hospitalares, podendo ser aplicado às referidas atividades o percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido. DISPOSITIVOS LEGAIS: RIR/99, arts.518, "caput", 519, § 2°, Lei n.° 9.249, de 1995, § 2°, art. 15; PN/ CST n.° 36/77; Portaria GM do Ministério da Saúde n.° 1.884, de 1994; Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS n.° 20, de 18 de fevereiro de 2002 e IN SRF n.° 306, de 12 de março de 2003, art. 23, inciso V." Fl. 60DF CARF MF 4 "Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18, de 23 de outubro de 2003. Dispõe sobre a abrangência do conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF' n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12 de marco de 2003, e o Processo n° 13819.000897/9921, declara: Art. 1° Para fins do disposto no art. 15, §1°, III, "a" da Lei n° 9.249, 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2° Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo." 5) A Recorrente tem em sua estrutura organizacional médicos sócios e nãosócios, além de desenvolver atividades que transbordam a esfera meramente intelectual, conforme já comprovado pela análise do contrato social, encaixandose pois, perfeitamente, no conceito de "serviços hospitalares", a teor de todo o conjunto de atos normativos acima reproduzidos. 6) No âmbito do Judiciário, os Tribunais manifestaram posição favorável aos Contribuintes, relativamente à abrangência da expressão "serviços hospitalares." 7) Diante do exposto, colocadas as considerações sobre o tema, inaplicável ao caso os arts. 106 do CTN c/c ADI no 19/2007, vez que à época dos atos e fatos, encontravase em vigor a IN SRF n.° 306, de 12 de março de 2003 e ADI n° 18/2003, caso contrário a Contribuinte, sob pena de infringência das próprias normas editadas pela Receita Federal à época. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro Relatar e votar. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10166.900959/200873 Acórdão n.º 1401003.022 S1C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.020, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10166.907504/2009 60, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.020): "O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como vimos no Relatório, o presente processo diz respeito a declaração de compensação não homologada por inexistência do crédito informado no PER/DCOMP. O crédito referese a Imposto de Renda Pessoa Jurídica pago a maior em virtude da aplicação do percentual de 32% na apuração da base de cálculo do tributo, quando deveria ter sido adotada a alíquota de 8%. Por entender que, dentre as atividades por ela desempenhadas, existem procedimentos caracterizados como serviços hospitalares, propugna pelo reconhecimento da existência do crédito alegado. Fundamenta seu pleito na Instrução Normativa SRF nº 306/03, de 12 de março de 2003, e no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18, de 23 de outubro de 2003, que seriam as normas emanadas da Administração Tributária vigentes à época dos pagamentos a maior, segundo a Recorrente. A decisão recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, ao argumento de que a atividade do sujeito passivo (constante do CNPJ como sendo "atividade médica ambulatorial restrita a consultas" e, no contrato social, que suas atividades não contemplam a internação de pacientes, nem a disponibilidade de serviço de radiologia) não se enquadraria no conceito de serviços hospitalares para fins de utilização do coeficiente de presunção de 8% na apuração do IRPJ. Fundamentou seu raciocínio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 10/12/2007, considerado retroativamente por sua natureza meramente interpretativa. A matéria não é desconhecida do Colegiado. Atualmente, inclusive, não admite mais discussão acerca de qual instrumento normativo deva ser aplicado, haja vista o decidido pelo STJ no REsp 1.116.399/BA (Tema 217 de recursos repetitivos), ao qual este CARF está vinculado no que diz Fl. 62DF CARF MF 6 respeito à sua aplicação, conforme o disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Assim, não importa a discussão sobre a aplicação do ADI nº 19/2007 ou da IN SRF nº 306/2003 e ADI SRF nº 18/2003. Vejamos o que dispôs o acórdão no REsp nº 1.116.399/BA, publicado em 24/02/2010: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10166.900959/200873 Acórdão n.º 1401003.022 S1C4T1 Fl. 5 7 não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos nossos) Apenas para efeito de integração com o conteúdo do acórdão citado, reproduzimos abaixo a matriz legal do benefício pretendido pela Recorrente, o art. 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 64DF CARF MF 8 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Restou patentemente esclarecido no referido Acórdão que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte). Concluiuse que a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Restou assentado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Portanto, para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 1º do artigo 15 da Lei 9.249/95. Assim, o benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorram da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Assim, a resolução de casos tais passa, necessariamente, pela identificação de quais atividades desenvolvidas pela Recorrente atenderiam, de forma objetiva, aos pressupostos delineados pelo STJ. Em outras palavras, deve se segregar as atividades desenvolvidas pela Contribuinte entre aquelas passíveis de receber o benefício de redução de alíquota e aquelas outras que deverão seguir a regra geral (alíquota de 32%). Em seu recurso voluntário, a Contribuinte alega ser empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatorial, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do ltcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção)". Também aduz constar do seu contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho, Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10166.900959/200873 Acórdão n.º 1401003.022 S1C4T1 Fl. 6 9 Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local". Comparando as atividades desenvolvidas pela Recorrente, admitidas por ela própria em seu recurso, não consigo vislumbrar, em relação a nenhuma delas, adequação ao disposto no acórdão lavrado quando do julgamento do REsp nº 1.116.399/BA. Nenhuma daquelas atividades citadas se coaduna com o conceito de serviços hospitalares desenvolvido pelo STJ. Percebese, claramente, que a principal atividade realizada pela Contribuinte é de assessoria na área trabalhista/previdenciária, mormente no que diz respeito às condições de trabalho postas à disposição dos trabalhadores (através da definição de programas de prevenção de riscos ambientais, elaboração de laudos de condições ambientais do trabalho e serviços de segurança e medicina do trabalho) e à saúde ocupacional dos trabalhadores, mediante atendimento médico em diversas especialidades que possam, de alguma forma, influenciar ou intervir na continuidade do trabalho desenvolvido pelos empregados de seus clientes. Para que não pairem dúvidas a respeito das atividades desenvolvidas pela Recorrente, reproduzo abaixo uma tela extraída do seu sítio na internet. O endereço eletrônico é www.samdeltaguatinga.com.br (SAMDEL nada mais é do que o nome de Fantasia da Recorrente e pode ser visualizado no próprio timbre do documento utilizado na impugnação e no contrato social). Fl. 66DF CARF MF 10 Do mesmo sítio, extraí a seguinte informação a respeito da Recorrente: Conheça mais sobre a Samdel A Clínica Samdel é um posto avançado do Hospital Dia Samdel. Em Taguatinga há mais de 10 anos a Clínica Samdel proporciona um serviço de Assistência Médica que tem a função de intermediar a relação entre os interesses das empresas e a saúde de seus colaboradores, visando sempre a harmonia, de maneira ética e imparcial. A clínica assiste às empresas nos assuntos ligados a SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO, não só fazendose cumprir as Normas Regulamentadores editadas pelo Ministério do Trabalho, mas buscando o equilíbrio da empresa como um todo, onde a saúde e a satisfação de seus funcionários no ambiente de trabalho refletemse na tranqüilidade, maior produtividade e melhoria da qualidade dos serviços prestados pela empresa. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10166.900959/200873 Acórdão n.º 1401003.022 S1C4T1 Fl. 7 11 Tais elementos me dão maior segurança em afirmar que a Recorrente não atua na área daquilo que ficou definido como serviços hospitalares, para efeito de aplicação do disposto na Lei nº 9.249/95, em seu art. 15, § 1º. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.905738/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Na tabela abaixo, relacionamos os processos de crédito, e respectivos PER/DCOMP (PD), por meio dos quais a Interessada pretende aproveitar um suposto crédito de pagamento a maior de IOF, código 3467 (Seguros), efetuado em 04/06/2003: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 05 73 8/ 20 10 -7 5 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 12448.905738/201075 Resolução nº 3201001.465 S3C2T1 Fl. 170 2 2. Embora haja três processos com Despachos Decisórios impugnados, as Manifestações de Inconformidade devem ser apreciadas em conjunto, pois se referem a um mesmo pagamento. Sendo assim, relataremos e consideraremos neste Acórdão todas as alegações apresentadas, nos três recursos. 3. Do Despacho Decisório do presente processo, consta que, a partir das características do DARF discriminado no PD, foi localizado um pagamento, parcialmente utilizado para quitação de débitos próprios. A compensação declarada foi parcialmente homologada porque o crédito reconhecido, R$ 39.288,46, era insuficiente para compensação integral dos débitos confessados. Segundo as “Informações Complementares da Análise do Crédito”, o pagamento informado no PD foi utilizado conforme tabela abaixo: 4. A Interessada interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 12448.905738/201075 Resolução nº 3201001.465 S3C2T1 Fl. 171 3 4.1 Dos R$ 670.225,74 pagos, R$ 660.394,35 foram recolhidos a maior. 4.2 O valor utilizado no PD 13546.55359.300905.1.3.046105 foi R$ 50.796,41, e não R$ 57.401,61, como consta na análise do crédito. Apresenta o próprio PD para comprovar sua alegação. 4.3 O débito de IOF da 1ª semana de outubro de 2005 era de R$ 9.831,39, conforme DCTF retificadora anexada, e não R$ 16.370,34, como apontado na decisão impugnada. 4.4 Após o PD objeto do Despacho Decisório vergastado, existiram outros que utilizaram o mesmo crédito e que foram homologados pela RFB, situação que igualmente denota a improcedência do decisum, uma vez que é ilógico admitir que para os PD seguintes houve crédito suficiente e para o presente foi insuficiente. 4.5 O crédito de pagamento a maior, no valor de R$ 660.394,35, foi aproveitados em diversos PD, conforme demonstrado na tabela abaixo: 5. O Despacho Decisório do processo 12448.901033/201089 reconheceu o crédito pleiteado, mas este revelouse insuficiente para compensar todos os débitos informados, de modo que a compensação foi parcialmente homologada. 6. A Interessada interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: 6.1 Consultando o site da RFB, verificou que a alegada insuficiência de crédito ocorreu devido ao acréscimo da multa de mora. Todavia, não há como prosperar tal entendimento, pois, em 04/05/1999, ajuizou a ação ordinária n° 99.00115821, em anexo, objetivando que fosse declarada a inexistência de relação jurídica com a União que a sujeite ao pagamento da referida multa, sempre que denunciar espontaneamente a infração pelo pagamento do principal, atualizado monetariamente e acrescido de juros. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 12448.905738/201075 Resolução nº 3201001.465 S3C2T1 Fl. 172 4 6.2 Naquele feito, obteve autorização para depositar judicialmente os valores relativos à multa de mora, inclusive os valores apontados pela RFB como devidos a título de multa de mora por compensações após o prazo de vencimento dos tributos, conforme comprovam a planilha e o comprovante de arrecadação em anexo. Dessa forma, não há como se exigir o recolhimento das multas de mora, cujas exigibilidades encontramse suspensas por depósitos judiciais, na forma do art. 151, II, do CTN. 7. O Despacho Decisório do processo 12448.905740/201044 não homologou a compensação porque o pagamento indicado no PD havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos próprios. 8. A Interessada interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual, em síntese, ratificou alegações já relatadas." A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO. Homologase a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) em 04.06.2003 recolheu R$ 670.225,74 a título de IOF, referente ao período de apuração de 2003, sendo que desse montante R$ 660.394,35 haviam sido recolhidos a maior, dando início ao aproveitamento do indébito, mediante compensação com créditos vincendos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; (ii) em 14.09.2005 apresentou a PER/DCOMP citada no Despacho Decisório compensando uma parte daquela pagamento indevido, isto é, R$ 45.827,43, com créditos tributários devidos; (iii) a Ação Declaratória nº 99.00115821 foi julgada extinta sem julgamento de mérito pela Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos termos do § 3º do inc. VI do art. 267, do CPC; (iv) os depósitos relacionados à multa de mora exigida no presente processo foram convertidos em renda da União, estando, portanto, extinto o crédito tributário na forma do inc. VI do art. 156 do CTN; (v) exigir a multa de mora no presente processo afronta o art. 138 do CTN; Fl. 172DF CARF MF Processo nº 12448.905738/201075 Resolução nº 3201001.465 S3C2T1 Fl. 173 5 (vi) no caso concreto, tendo o Fisco tomado conhecimento da suposta infração cometida pela Recorrente apenas por ocasião da compensação, uma vez que somente após esse fato a DCTF fo retificada, a exigência da multa de mora deve ser afastada, conforme pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme julgamento proferido no RESP 1.149.022/SP, representativo de controvérsia para fins de aplicação do rito dos recursos repetitivos; (vii) o instituto da denúncia espontânea se aplica aos casos de compensação; (viii) a compensação encontrase regulada no art. 74, da Lei 9430/96; (ix) a compensação declarada à Receita Federal do Brasil equivale a pagamento e extingue o crédito tributário integralmente, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, donde, até que haja decisão administrativa definitiva desfavorável à existência do crédito do sujeito passivo, fato que até mesmo poderá não acontecer, os débitos compensados estarão extintos; (x) sendo a recorrente titular de crédito em valor maior do que os débitos suscetíveis de compensação, declaradas espontaneamente as compensações pelos meio legal, totalmente quitados estarão esses débitos, e, se estiverem eles em atraso, excluída estará a responsabilidade, extinguindose, concomitantemente, a parcela do crédito tributário dela decorrente, qual seja, a multa, como preconiza o art.138; e (xi) não dispondo, o art. 138 do CTN, sobre exclusão do crédito tributário, afastado deve ser o comando inserto no inc. I do art. 111 do CTN; É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator A decisão recorrida assim pontua: "CRÉDITO UTILIZADO NO PD 13546.55359.300905.1.3.046105 14. 14. No PD 13546.55359.300905.1.3.046105, a Interessada não considerou o valor da multa de mora e, em função disso, apurou um total de débitos compensados igual e R$ 70.007,61 (principal mais juros, fl. 54). Assim, como a Selic acumulada de julho de 2003 a agosto de 2005, mais 1%, é igual a 37,82%, afirma ter utilizado apenas R$ 50.796,41 do crédito original (50.796,41 = 70.007,61/1,3782). 15. Contudo, considerandose a multa, verificase que os R$ 57.401,61 reconhecidos no Despacho Decisório foram integralmente consumidos, posto que insuficientes para compensar todos os débitos, conforme detalhamento da compensação, fl. 115." A divergência, portanto, restringese sobre a incidência ou não da multa de mora. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 12448.905738/201075 Resolução nº 3201001.465 S3C2T1 Fl. 174 6 A Recorrente anexa com a peça recursal documentos que, em princípio, atestam a conversão dos valores depositados na ação nº 99.0011582 em renda da União, nos importes de R$ 6.868,60; R$ 4.230.707,57; R$ 7.267,74; R$ 25.736,48 e R$ 210,47. Neste contexto, existem indícios probatórios de que o valor da multa realmente não poderia ter sido considerado, como o fez a Recorrente, pois depositado em Juízo e convertido em renda da União Federal. A teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, a Recorrente teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de em casos como o presente ser possível a sua conversão em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12448.905738/201075 Resolução nº 3201001.465 S3C2T1 Fl. 175 7 Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) "No presente caso, a recorrente efetivamente trouxe documentos que constroem plausibilidade a suas alegações. Há demonstrativos de apuração (fls. 38/40), folhas de livros de escrituração (fls. 42/54), e explicação da origem do erro (fl. 147). O Despacho Decisório foi do tipo eletrônico, no qual somente são comparados o Darf e DCTF, sem qualquer outra investigação. Corrobora ainda, pela recorrente, o fato de que o Dacon original (fl. 20), anterior ao Despacho Decisório, continha os valores que pretende verídicos, restando que somente a DCTF estaria incorreta. No exercício de aferição do equilíbrio entre a preclusão e o princípio da verdade material, entendo configurados, no presente caso, os pressupostos para que o processo seja baixado em diligência, a fim de se aferir a idoneidade e consistência dos valores apresentados nos documentos acostados junto à Manifestação de Inconformidade. Assim, com base no artigo 29 do PAF, combinado com artigo 16, §6º, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco proceda à auditoria dos documentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, e outras que entender cabíveis, formulando relatório conclusivo sobre a procedência ou improcedência do valor de Pis de maio de 2005, alegado pela recorrente." (Processo nº 10880.934626/200953; Resolução nº 3201001.303; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/04/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento do Recurso em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando para tanto, os valores depositados em Juízo e convertidos em renda da União Federal, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela Recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte, com a elaboração de relatório. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 12448.905738/201075 Resolução nº 3201001.465 S3C2T1 Fl. 176 8 É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728429/2014-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão de prejudicialidade externa.
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.
A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO.
É possível o reexame de período já fiscalizado, quando autorizado por autoridade competente, conforme previsão legal.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em decadência quando a alteração do saldo de prejuízo fiscal se deu em ano anterior ao lançado. Decadência, caso tenha se operado foi em processo administrativo que lançou o ano anterior, não este. O ano lançado é de 2009, a ciência se deu em 2014, portanto, dentro do prazo decadencial.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. MANUTENÇÃO DE GANHO DE CAPITAL EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA.
Tendo sido mantida a receita de ganho de capital efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se a manutenção da glosa dos saldos de prejuízos fiscais.
Numero da decisão: 1301-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em: (i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento de julgamento do feito em razão de questão prejudicial externa, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por acolhê-la; (ii) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosRoberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão de prejudicialidade externa. NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. É possível o reexame de período já fiscalizado, quando autorizado por autoridade competente, conforme previsão legal. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando a alteração do saldo de prejuízo fiscal se deu em ano anterior ao lançado. Decadência, caso tenha se operado foi em processo administrativo que lançou o ano anterior, não este. O ano lançado é de 2009, a ciência se deu em 2014, portanto, dentro do prazo decadencial. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. MANUTENÇÃO DE GANHO DE CAPITAL EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido mantida a receita de ganho de capital efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se a manutenção da glosa dos saldos de prejuízos fiscais.
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PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão de prejudicialidade externa. NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. É possível o reexame de período já fiscalizado, quando autorizado por autoridade competente, conforme previsão legal. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando a alteração do saldo de prejuízo fiscal se deu em ano anterior ao lançado. Decadência, caso tenha se operado foi em processo administrativo que lançou o ano anterior, não este. O ano lançado é de 2009, a ciência se deu em 2014, portanto, dentro do prazo decadencial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 84 29 /2 01 4- 99 Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.391 2 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. MANUTENÇÃO DE GANHO DE CAPITAL EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido mantida a receita de ganho de capital efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõese a manutenção da glosa dos saldos de prejuízos fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em: (i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento de julgamento do feito em razão de questão prejudicial externa, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por acolhêla; (ii) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheirosRoberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.392 3 Relatório COMPANHIA SIDERURGICA NACIONAL, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO (fls. 835/844), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o crédito tributário exigido de IRPJ, de R$103.893.122,02, acrescido de multa de ofício, de 75% e juros de mora. Valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Do lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, lavrado pela DelexSãoPauloSP e cientificado à interessada acima identificada em 08/12/2014, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 326, no valor de R$ 103.893.122,02, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Constatação de Irregularidades FiscaisTCIF de fls. 309/315, decorre de glosa de prejuízos compensados indevidamente, uma vez que insuficientes, no ano calendário de 2009, no montante de R$ 415.572.488,08. A insuficiência foi resultado dos autos de infração objetos dos processos nºs 19515.723092/201351 (que consolidou saldo de prejuízos compensáveis de R$ 53.210.572,05 em 31/12/2007), 16682.720452/201181 (referente a “lucros no exterior”, que a interessada reconheceu procedente, tendo incluídoo em parcelamento especial da Lei nº 12.865/2013) e 19515.723039/201279 (chamado pela interessada de caso “Big Jump”), que absorveram, no quarto trimestre do anocalendário de 2008, quase todo o saldo de prejuízos fiscais compensáveis que a interessada dispunha, restando apenas R$ 53.210.572,05, utilizado no parcelamento especial das leis nºs 11.941/2009 e 12.249/2010, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2008, sendo o auto de infração exatamente a glosa dos prejuízos compensados pela interessada no ano calendário de 2009. Enquadramento Legal: Art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 02/01/2014, sua impugnação de fls. 332/398, na qual descreve a autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese: Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.393 4 Que à época da compensação glosada, em 31/12/2009, detinha prejuízos compensáveis suficientes, uma vez que o auto de infração que tornou os mesmos indisponíveis somente foi lavrado após 31/12/2009, mais precisamente em 27/12/2012. Que o julgamento do processo nº 19515.723039/201279, em 26/08/2014 pelo CARF, não é definitivo. Discorre que o períodobase autuado já havia sido examinado nos autos dos processos nºs 19515.723039/201279 (“Big Jump”) e 1515.723092/201351, o que gerou a necessidade da expedição pelo Delegado da DELEXSP da Autorização para reexame de período já fiscalizado, fundada no art. 906 do RIR/1999, arguindo a nulidade de tal ato, e consequentemente do lançamento em litígio, uma vez que o artigo 906 do RIR/1999 determina a expedição de “ordem” do Delegado e não “autorização a pedido de AuditorFiscal”, bem como no mesmo não consta a sua motivação, requisito indispensável para sua validade. Protesta que o Fiscal excedeu a autorização, uma vez que não se restringiu aos anos autorizados de 2009 e 2010, revisitando o saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008. Alega que os arts. 250, inciso II, e 509 do RIR/1999, nos quais foi enquadrada a autuação, não a tipificam, mas sim salvaguardam seus procedimentos de compensação, demonstrando a inexistência de tipicidade na autuação. Discorre que a inexistência de saldo de prejuízos teve origem em conduta praticada pela fiscalização em autuações anteriores, e não pela interessada, não havendo que se falar, portanto, em prática de infração por sua parte, uma vez que não realizou de forma deliberada qualquer compensação que soubesse não ter saldo de prejuízos suficiente para tal. Argumenta que, em face do principio da legalidade, é essencial o exato enquadramento das infrações, além da necessidade de ser provado o dolo na conduta do agente, ou seja, o intuito de desrespeitar a lei com o fito de se reduzir tributos, não tendo isso ficado evidenciado no trabalho fiscal. Discorre que o Fiscal alterou a formação do saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008 para então desqualificar a compensação deste saldo realizada em 31/12/2009, efetuando o presente lançamento com base em auto de infração restabelecido pelo CARF em 2014, que destaca sequer se encontra definitivamente julgado em sede administrativa, protestando que isso gera insegurança jurídica quanto ao direito de utilização de saldos de prejuízos, uma vez que o Fiscal se utilizou, no ano de 2012, para compensação de ofício no auto de infração do processo nº 19515.723039/201279, de saldo já absorvido por compensação anterior realizada pela interessada em 31/12/2009, protestando que a interferência em seu saldo de prejuízos naquele processo não poderia ter ocorrido sem a desqualificação notificada das compensações por ela realizadas em 2009. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.394 5 Alega que a autuação não diz respeito ao exercício de 2009, mas à alteração promovida pelo CARF, em 2014, em seu saldo de prejuízos do ano de 2008, em função do auto de infração “Big Jump”. Assim, o presente auto estaria “inaugurando uma nova situação em 2008”. Discorre que seu saldo de prejuízos de 2008 foi por três vezes homologado expressamente, não podendo a revisão objeto do presente processo reverter tal homologação. Protesta que o auto de infração “Big Jump” não poderia ter alterado, em 2014, o saldo de prejuízos de 31/12/2008, quão menos o presente auto de infração, igualmente em 2014, uma vez que já transcorrido o prazo decadencial do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN). Considera que o presente lançamento tem como motivação corrigir um erro no processo nº 19515.723039/201279 (“Big Jump”), quando o Fiscal se utilizou, em 2012, de prejuízos de 2008 já consumidos pela interessada em 2009. Pede o reconhecimento da homologação da apuração de IRPJ de 2008 e argui a decadência do direito da Fazenda Pública à revisão dos mesmos em 2014. Alega que teria ocorrido a preclusão do Fisco rever os fatos relativos ao ano calendário de 2008. Pede a nulidade do lançamento por afrontar institutos consagrados no Direito, em especial o exercício regular de um direito (à compensação de prejuízos), ato jurídico perfeito (a formação do saldo de prejuízos em 2008 e o pagamento de imposto em 2009 via compensação de tais prejuízos) e o direito adquirido de ter reconhecida a existência de prejuízos e a quitação parcial do IRPJ. Protesta que o lançamento não poderia se basear no SAPLI, por ser o mesmo tão somente um instrumento de controle interno na RFB da criação, utilização e extinção de saldos de prejuízos fiscais dos contribuintes. Alega que o auto de infração seria nulo, pois não poderia ser lavrado antes do deslinde do processo do qual seria reflexo, de nº 19515.723039/201279 (Big Jump), que se encontra suspenso, ocorrendo com isso o cerceamento do seu direito de defesa. Protesta ainda contra a multa de ofício, uma vez que a mesma seria voltada a combater e coibir atos ilícitos por parte dos contribuintes, quando no presente caso agiu conforme a lei, utilizando saldos de prejuízos fiscais conforme se encontravam escriturados e declarados à época. Quando muito seria cabível a hipótese do auto ter sido lavrado para evitar a decadência, o que ainda neste caso resulta em descabimento da multa de ofício. Encerra elencando e resumindo suas razões impugnatórias, pedindo a decretação da nulidade do auto de infração ou o integral provimento da impugnação, com o cancelamento dos créditos tributários de IRPJ e multa de ofício e requerendo o direito de juntada de novos documentos. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.395 6 Da decisão da DRJ Em julgamento realizado em 15 de abril de 2015, a 2ª Turma da DRJ/RJO, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e prolatou o acórdão 12075018, assim ementado: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantémse a glosa do valor compensado pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. CABIMENTO. Apurada falta ou insuficiência de recolhimento de Imposto, cabível é a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 852/919, atendose aos seguintes pontos, conforme resumo da Resolução de fls. 983/1000: que a presente atuação decorre de glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, no anocalendário de 2009. A insuficiência dos prejuízos, consoante o agente fiscal, resultou dos autos de infração que são objeto de outros processos administrativos, quais sejam: os processos 19515.723092/201351, Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.396 7 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279 (este último chamado de "Big Jump"). Tais feitos, segundo a Fiscalização, teriam absorvido quase todo o saldo de prejuízos fiscais compensáveis de que dispunha a Recorrente. O processo nº 16682.720452/201181 se refere à ausência de adição, ao lucro líquido da Recorrente, no anocalendário de 2008, de lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas. Conforme o relatório fiscal, durante o 4º trimestre do ano calendário de 2008, exercício 2009, a Recorrente teria apurado prejuízo no valor de R$ 913.092.707,01 (DIPJ 2009/2008), do qual reduziuse o montante de R$ 227.131.540,84, em função da adição, de ofício, dos citados lucros auferidos no exterior. Inicialmente, a Recorrente optou por impugnar a autuação fiscal acima, mas, ao final, em virtude de parcelamento específico criado para essa espécie de débito, desistiu do recurso para aderir ao referido programa, assumindo, assim, o resultado do lançamento tributário e suas consequências, dentre elas a redução do prejuízo fiscal gerado no 4ª trimestre do anocalendário de 2008, que passou de R$ 913.092.707,01 para R$ 685.961.166.17, bem como o pagamento de eventual diferença do tributo cobrado por meio do auto de infração do processo administrativo nº 19515.723092/201351. A Recorrente informa que os efeitos do decidido no processo n° 16682.720452/201181, em relação ao aproveitamento, no anocalendário de 2010, do saldo de prejuízo fiscal remanescente do anocalendário de 2009, já foram devidamente tratados no auto de infração do processo nº 19515.723092/201351 (lavrado em dezembro de 2013), assim como no auto de infração constante do processo nº 16561.720063/201474, de tal forma a extinguirse todo o saldo de prejuízo fiscal no ano de 2010. Ainda no tocante ao tema "lucros no exterior", insta elucidar que a Fiscalização lavrou outro auto de infração em desfavor da Recorrente, constante do processo administrativo n° 16643.720041/201313, mediante o qual majorou o lucro real anterior à compensação de prejuízos, referente ao ano calendário de 2009. Conforme o declarado na DIPJ de 2010/2009, esse lucro correspondia a R$ 1.385.241.626,91. Com o lançamento tributário, esse lucro passou a ser R$ 1.534.602.236,14. Vale salientar, ademais, que o agente fiscal que atuou nesse feito, à semelhança daquele que lavrara o auto de infração relativo ao processo nº 16682.720452/201181, descuidouse das tarefas respeitantes às alterações, de ofício, nos sistemas eletrônicos de controle do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL. Dessa omissão surgiu a necessidade dos devidos ajustes, levadas a efeito no procedimento de revisão interna que gerou a autuação ora combatida. Antes dos lançamentos tributários supracitados, este era o quadro de controle de saldos de prejuízos fiscais: Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.397 8 Com as autuações supracitadas, o quadro de controle de saldos de prejuízos tomou a configuração que segue: Também é preciso anotar que a compensação de R$ 276.557.583,82, inserida no precedente demonstrativo, decorreu de conclusão exarada no processo administrativo nº 10768.008689/200949, no qual apreciouse pedido de parcelamento formulado com base na Lei nº 11.941, de 2009, e na MP nº 470, de 2009 Lei nº 12.249, de 2010. O valor de R$ 276.557.583,82 foi reconhecido em decisão da DRJ/São Paulo, no Acórdão nº 1659.704, de 25 de julho de 2014. Entretanto, a Fiscalização antes instaurou o procedimento fiscal encerrado no processo nº 19515.72039/201279, voltado ao acertamento tributário relativo ao ano calendário de 2008, efetuado por meio de auto de infração lavrado para a constituição de crédito de IRPJ, no valor de R$ 6.931.510.087,46. Desse montante, compensouse o valor de R$685.961.166,17, relativo ao prejuízo fiscal do 4º trimestre de 2008, resultando na importância de R$ 6.245.548.921,29. O lançamento controlado nos autos de processo nº 19515.72039/201279, uma vez impugnado, nos devidos termos da lei, foi julgado improcedente, em primeira instância, com recurso de ofício ao CARF, o qual, pelo Acórdão nº 1401.001, de 26 de agosto de 2014, restabeleceu a exigência tributária. Assim sendo, os valores dos saldos de prejuízos de períodos anteriores, e de cada período, passíveis de compensação para cada anocalendário a partir de 2008, tomaram a seguinte moldura: Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.398 9 Comparandose os dois últimos quadros, constatase: A importância de R$ 223.347.011,77 é a parcela compensada a maior, no processo nº 10768.008689/200949, em função do benefício instituído pela Lei nº 11.941/2009 e na Lei nº 12.249/2010. A glosa em exame nestes autos é exatamente a que se refere ao valor de R$415.572.488,08, compensado em excesso na apuração do lucro real de 2009, em função da insuficiência de prejuízos de períodos anteriores. Aqui, podese perceber que a decisão do processo administrativo n° 19515.723039/201279 é questão prejudicial do presente feito. Porém, é preciso considerar que, anteriormente à lavratura do auto de infração de que trata o processo administrativo 19515.723039/201279, a Recorrente já tinha empregado, de forma legal e legítima, o citado valor do saldo de prejuízo fiscal em duas oportunidades: i) no importe de R$ 415.572.488,08, conforme DIPJ 2010/2009, em relação ao fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31.12.2009; ii) no valor de R$ 276.557.583,82, na extinção parcial do parcelamento instituído pela MP 470/09, pedido de compensação formalizado em 30.06.2010 (o pedido de adesão ao parcelamento previsto pela MP 470 ocorreu em novembro de 2009). 1) DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR PRESSUPOSTO FÁTICO EQUIVOCADO À vista do exposto, preliminarmente, cumpre assinalar que a decisão recorrida é nula de pleno direito, em razão de incorrer em nítido erro material, ao adotar pressuposto fático equivocado. Isso porque, no entender da autoridade julgadora, o débito exigido no processo administrativo n° 19515.723039/201279 não estaria, no momento da decisão, com sua exigibilidade suspensa. Este raciocínio se deve à circunstância de que a autoridade julgadora, ao verificar o "sistema", nele constatou, somente, a interposição de Recurso Especial pelo Procurador da Fazenda, em que se questiona, apenas, a redução da multa de ofício aplicada. Entendeu a autoridade julgadora, de forma equivocada, que a Recorrente não teria, naquele processo, se insurgido contra a citada decisão, que, em face do contribuinte, Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.399 10 tornarase, na esfera administrativa, definitiva. Contudo, tal entendimento não merece prevalecer, pois, conforme consta nos "sistemas" da Receita Federal do Brasil, a Recorrente sequer havia sido intimada do citado acórdão proferido nos autos, motivo pelo qual ainda não dispunha da oportunidade de interpor eventual Recurso Especial contra esse acórdão. Para tanto, basta verificar, em documento de lavra da própria Receita Federal do Brasil relativo ao processo administrativo n° 19515.723.0927/201351, posterior a este julgamento, que o auditorfiscal que efetuara a diligência expressamente indicou que a Recorrente ainda não tinha sido intimada do Acórdão relativo ao processo administrativo 19515.723039/201279 (Doc. 03). Assim, resta evidente que a decisão recorrida partiu de um pressuposto fático equivocado isto é que a decisão administrativa do processo nº 19515.723039/2012 79, na parte que é contrária à Recorrente, é definitiva, quando, de fato ela ainda é passível de recurso e de ser alterada. Mister, portanto, reconhecer a nulidade da decisão recorrida, anulandoa e determinando sua remessa à primeira instância, a fim de ser proferida nova decisão. 2) DA NULIDADE EM RAZÃO DE O ACÓRDÃO NÃO TER ANALISADO QUESTÕES DE DEFESA, QUE, POR SI SÓS, PODERIAM TRAZER RESULTADO DIVERSO AO JULGAMENTO Também acarreta a nulidade da decisão recorrida o fato de que, ao proferir sua decisão, a autoridade julgadora omitiuse na análise de todas as razões de mérito expostas na defesa, além de não se aprofundar nos fatos e argumentos de direito trazidos pela Recorrente. Com efeito, a autoridade julgadora deixou de apreciar as questões sobre a preclusão do direito do Fisco quanto à alteração de fatos passados, bem como a violação ao exercício regular do direito, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido, questões fundamentais que, se apreciadas, poderiam alterar o resultado do julgamento. Quanto à afronta ao princípio da segurança jurídica, a decisão apenas indicou que não a analisaria ao argumento de se tratar de questão constitucional, o que não foi a tônica da impugnação, que demonstrou, didaticamente, que a conduta da Fiscalização ferira a segurança jurídica, tendo em conta todos os atos praticados pela Recorrente e chancelados pelo Fisco. A omissão, pelo órgão julgador, com relação a ponto de defesa lançado pelo contribuinte em sede de impugnação, com influência no resultado do julgamento do processo, acarreta a nulidade da decisão, exsurgindo daí a necessidade de um novo julgamento para o pronunciamento sobre o ponto que restou omitido na decisão a quo. Nesses termos, a Recorrente requer, desde já, que seja declarada a nulidade da decisão da DRJ, ora recorrida, com a devolução dos autos à Delegacia de Julgamento competente para que se pronuncie sobre os argumentos de direitos expostos e que não foram anteriormente apreciados, em virtude de serem fundamentais para o convencimento da defesa. 3) DA NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO A SER PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO N° 19515.723039/2019 PREJUDICIALIDADE Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.400 11 Caso sejam superadas as nulidades acima mencionadas, o que se admite por amor à argumentação, destaca a Recorrente que o julgamento do presente processo administrativo deve ficar suspenso até o término do processo administrativo n° 19515.723039/201279, em razão da existência de prejudicialidade, uma vez que o resultado do julgamento desse último pode impactar seriamente o julgamento do presente, como foi detalhadamente demonstrado na Impugnação. Com base no artigo 151, inciso III, do CTN, é possível afirmar que o crédito discutido no processo nº 19515.723039/201279 está com sua exigibilidade suspensa, não podendo, então, a autoridade administrativa efetuar lançamento de ofício, glosando esses valores. 4) DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA REVISÃO DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO Se ultrapassados os argumentos que traduzem a nulidade da decisão de primeira instância ou a suspensão do julgamento deste processo até decisão definitiva do processo administrativo 19515.723039/201279, o que só se admite pelo princípio da eventualidade, a Recorrente passa a apresentar os demais argumentos recursais. Conforme narrado, o auto de infração é consequência de revisão interna dos saldos controlados no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal da Receita Federal SAPLI, em decorrência de autuação constante do processo nº 19515.723092/2013 51 e das decisões proferidas em sede de julgamento de recurso voluntário no CARF, relativamente aos processos 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279. A Recorrente, na impugnação, pugnou pela impossibilidade de revisão de períodos já fiscalizados sem motivação. Contudo, ao analisar tal argumento, a autoridade julgadora entendeu que não há nulidade no auto de infração, pelo singelo argumento de que o ato havia sido autorizado. Ou seja, por "autorização" ou por "ordem", o ato poderia ser realizado. Ressaltase do artigo 906 do RIR/99 que a revisão de período já fiscalizado deve ser suportada por uma "ordem" escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal", não por mera "autorização", tal e qual o ocorrido no presente processo. Malgrado tal irregularidade formal, em um primeiro exame, aparentar que não deu causa a maiores problemas, pois não constitui o "mérito" do ato administrativo, a ausência da forma (aqui entendido também como o procedimento) adequada leva à conclusão de que a autoridade fiscal que lavrou a presente autuação foi o emissor da ordem do artigo 906 do RIR/99, em vez de ter sido emitida pela autoridade competente do "Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Em outro norte, cabe acrescentar que não houve qualquer motivação ao referido ato. O ato de autorização apenas traz o dispositivo legal do RIR/99 que prevê a possibilidade de revisão de período já fiscalizado e não a necessária evidenciação da indispensabilidade desta revisão. Portanto, estando ausentes os motivos e a motivação do ato administrativo, é indubitável que a "autorização" concedida não pode surtir efeitos jurídicos como ato administrativo, pois padece de um dos seus requisitos de validade. Nessa linha, os atos que dele sucederam devem ser considerados ineficazes. Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.401 12 Além disso, não obstante ter constado o reexame do período de 2009 a 2010, o agente fiscal exorbitou dos limites que lhe foram concedidos por meio da autorização, pois, ao efetuar a revisão do saldo de prejuízos fiscais da Recorrente, acabou por atingir o período de 2008, ou seja, período anterior aquele para o qual foi autorizada a revisão interna, uma vez que revisitou o saldo de prejuízo do 4º trimestre do ano de 2008. A decisão de primeira instância entendeu que não há que se falar em extrapolação dos limites, porque não houve ajuste em 2008, o que não é verdade, pois o ajuste incidiu justamente no saldo final do prejuízo em 2008. 5) DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL PARA O PROCEDIMENTO DE ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL E A CONSEQUENTE AUTUAÇÃO A Recorrente defendeu em sua impugnação que o auto de infração é nulo, em razão da ausência de subsunção do fato à norma tida como infringida. Contudo, a autoridade julgadora apenas alegou que a autuação cumpre todos os requisitos necessários previstos no Decreto n° 70.235/72. Ocorre, porém, que, ao contrário do entendimento exposto pelo julgador, no presente caso a norma tida como violada não se aplica aos fatos que serviram de base à autuação. Isso porque o auditorfiscal enquadrou a suposta infração perpetrada pela Recorrente no artigo 250, inciso III, e artigo 509, ambos do RIR/99. Ora, tais fundamentos em nada tipificam a suposta infração atribuída à Recorrente. Ao contrário, referidos dispositivos legais, que suportam a autuação, salvaguardam todos os procedimentos levados a efeito pela fiscalizada e confirmam a legitimidade do saldo de prejuízos entre 2008 e 2010, que, conforme destacado, não foi impugnado pela Fiscalização; ao revés, foi confirmado. Portanto, a suposta infração atribuída à Recorrente, que motivou a glosa do valor do saldo de prejuízos fiscais compensados em excesso, não se coaduna com a tipificação legal do RIR/99 adotada pela autoridade fiscal para fundamentar a lavratura do auto de infração. Estabelecido isso, o que fica evidenciado é a inexistência de tipicidade na conduta infracional atribuída à Recorrente, razão pela qual o auto de infração é nulo de pleno direito. E, mais do que isso, a suposta infração decorreu do procedimento da autoridade fiscal de revisitar o saldo de prejuízo da Recorrente em 2008 no ano de 2014, conduta para a qual resta ausente a fundamentação legal, no Relatório Fiscal. Dessa forma, o que de fato se verifica é arbitrariedade da autoridade fiscal. Todavia, essa inexistência de saldo teve origem, justamente, numa conduta praticada pela própria Fiscalização, e não pela Recorrente. Ou seja, em nenhum momento, houve prática de infração por parte da Recorrente, pois esta não realizou, de forma deliberada, uma compensação para a qual, sabidamente, não tinha saldo de prejuízo suficiente. Tanto é assim que a própria Autoridade Fiscal confirmou a "coerência" entre a sua DIPJ e o LALUR. Com efeito, a Fiscalização, de ofício, "revogou" a compensação realizada e declarada pela Recorrente em sua DIPJ 2010/2009 (valor de R$ 415.572.488,08), levando em consideração um ato posterior a essa compensação (julgamento do processo nº 19515.723039/201279), retroagindo para "zerar" o saldo de prejuízos do 4º trimestre de 2008, o que, por via reflexa, fundamentou a imputação de infração à legislação. Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.402 13 Contudo, essa postura fiscal de revisitar o saldo de prejuízos e, por consequência, imputar a prática de infração à Recorrente com base na redução de ofício do saldo, carece de fundamentação em dispositivo legal válido. Em outra senda, a Fiscalização, ao contrário, referese a preceitos normativos que somente confirmam a regularidade do saldo apurado e do procedimento de compensação realizado pela Recorrente (isto é, compensação de prejuízo fiscal de anos anteriores com respeito à "trava" de 30%, nos termos do artigo 250, inciso III, do RIR/99). Importante observar que a decisão de 1ª instância cometeu um equívoco, ao rebater este argumento da impugnação, porquanto limitouse a dizer que Recorrente havia entendido perfeitamente a autuação. Notese que a alegação não foi de violação ao princípio da ampla defesa e, sim, de ausência de indicação de infração. A Recorrente, de forma exaustiva, indicou que nenhum ato seu infringiu a lei, Com isso, reitera que o atual lançamento não se apoia em qualquer fundamento legal, o que é o bastante para a anulação do feito. Há de se destacar, também, que o lançamento de tributo e a respectiva aplicação de penalidade de ofício exigem o exato enquadramento em qualquer das condutas tipificadas na legislação, conforme o acima exposto, e a comprovação do dolo na conduta do agente, ou seja, o intuito de desrespeitar a lei com o fito de se reduzir o montante de tributos a serem recolhidos. No entanto, a autoridade julgadora, quando submetida a tais argumentos, preferiu conterse na afirmativa de que o lançamento atendera integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, motivo por que a Recorrente suplica a invalidação do lançamento objeto deste processo administrativo. 6) DA PRETENDIDA REFORMA DA DECISÃO DA DRJ POR SUA EQUÍVOCA INTERPRETAÇÃO DO MÉRITO 6.1) DA HOMOLOGAÇÃO DA CONDUTA DA RECORRENTE No mérito, a Recorrente manifesta que sua conduta fora homologada pelo órgão fiscal, tanto expressa como tacitamente, em virtude da imperiosa decadência do direito estatal de alterar, em 2014, fatos ocorridos no 4º trimestre de 2008. A despeito disso, a autoridade julgadora entendeu que não há que se falar em decadência, uma vez que o objeto do auto de infração diz respeito a fatos ocorridos em dezembro de 2009, dentro do prazo de cinco anos, portanto, já que a Recorrente fora cientificada do auto de infração em dezembro de 2014. Tal entendimento, contudo, merece reforma. Conforme relatado, a autoridade fiscal, sob o pretexto de revisão interna do SAPLI, em razão da "lavratura do auto de infração por meio do processo 1915.723092/201351 e dos Acórdãos nº (s) 1301001570 de 05/06/2014 e 1401 001239 de 26/08/2014, relativos aos Autos de Infração lavrados por meio dos processos Nº (s) 16.682720.452/201181 e 19.515723.039/201279", lavrou a presente autuação, apontando a compensação indevida de prejuízos, no valor tributável de R$415.572.488,08. Ocorre que para chegar a essa glosa por suposta compensação indevida, o auditorfiscal teve de percorrer e alterar fatos que já estavam solidificados no passado, relativos ao 4º trimestre de 2008, período em que se formou o saldo de prejuízo fiscal de R$ 685.961.166,17, que fora utilizado para a compensação do valor de R$415.572.488,08, em 31/12/2009. Assim, para fundamentar a glosa do valor acima referido, a autoridade fiscal partiu de fato ocorrido em 2014, qual seja, a decisão do processo nº 19.515723.039/2012 Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.403 14 79, proferida pelo CARF, em 26/08/2014, a qual, no entender da Fiscalização, teria "restabelecido" a exigência objeto do auto de infração, relacionada a fato gerador de 31/12/2008, para então afirmar a inexistência do saldo de prejuízos do 4º trimestre de 2008 e, desse modo, glosar a compensação do valor de R$ 415.572.488,08. Portanto, uma premissa que deve ser fixada é a de que o fatobase ou motivador para o lançamento relativo ao fato gerador de 2009, que é objeto do presente auto de infração, não se refere ao exercício de 2009, mas, sim, decorre da alteração promovida, em 2014, no saldo de prejuízos da Recorrente no SAPLI do ano de 2008, em função da decisão no processo nº 19.515723.039/201279. A alteração precitada, promovida pelo agente fiscal, acarretou o lançamento ora recorrido, em decorrência da suposta ausência do saldo utilizado em 31/12/2009 pela Recorrente, saldo este totalmente legítimo e que, inclusive, havia sido confirmado em decisão definitiva da Derat/SPO, de 13/06/2012. Todavia, essa visão do agente fiscal não deve prevalecer, porque a fiscalização não retirou e sequer tentou retirar a validade da DIPJ 2010/2009 da Recorrente, que registrou o crédito e a compensação em 31/12/2009, não obstante as fiscalizações a que se submetera, nos períodos citados no Termo fiscal, as quais visavam, justamente, a averiguar a regularidade da apuração dos tributos lançados (IRPJ/CSLL), sem que, nessas oportunidades, fossem constatadas irregularidades, ou seja, a conduta da Recorrente fora expressamente homologada pelo Fisco. Com efeito, não se pode perder de vista que o fato gerador do IRPJ é complexivo, isto é, sua consumação se subordina aos acontecimentos ocorridos ao longo de cada período anual de incidência. Nesse rumo, o resultado das atividades da Recorrente, ao final de cada período, pode ser positivo (lucro) ou negativo (prejuízo). É certo, porém, que a Recorrente obteve prejuízo fiscal no anocalendário de 2008; tal é o resultado do ano de 2008 e é ele que compõe o fato gerador de 2008. Tanto é assim que, ao longo de referido exercício, mesmo apurando prejuízo, ao final, a Recorrente sofreu retenções e recolheu o imposto em bases estimadas durante referido ano calendário. Digase, ainda, que o saldo de prejuízo fiscal de 2008 (logo, o fato gerador do IRPJ de 2008) foi efetivamente analisado pelo Fisco em pelo menos 3 momentos, na seguinte ordem cronológica: (i) procedimento de fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração do processo nº 16.682720.452/201181 ("caso lucros no exterior 20072008") ; (ii) processo nº 10768.008689/200949 (caso "MP 470"), por meio do qual houve a análise e a homologação expressa da compensação de saldo de prejuízo fiscal para pagamento de parcelas do programa MP 470; e (iii) processo nº 19515.723092/201351, similar ao presente auto de infração, porém referente ao ano de 2010, que partiu do saldo de prejuízo fiscal de 2008, nos mesmos moldes do processo da homologação parcial do parcelamento previsto na MP 470/09, ou seja, também homologou expressamente aquele saldo. Citese que, em 13/06/2012, ou seja, antes da lavratura do auto de infração do processo nº 19.515723.039/201279, a Derat/SPO já havia ratificado o saldo de prejuízos da Recorrente, no valor de R$ 276.557.583,82 (dos R$ 440.768.936,90 solicitados), para compensação com débitos junto à Receita Federal, relativos ao parcelamento instituído pela MP 470/2009. Tal decisão, a propósito, foi ratificada pela DRJ/SPO, na apreciação da manifestação de inconformidade apresentada para contestar o crédito não homologado. Nesse sentido, a Recorrente sustenta, como suporte ao seu trabalho, a limitação imposta pelo tempo aos fatos utilizados pela Fiscalização, clamando o apoio da regra da homologação tácita aplicável aos Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.404 15 tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme artigo 150, parágrafo 4o, do CTN. Com relação à aplicação do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN, a Recorrente assinala que houve pagamento do imposto de renda ao longo de 2008, seja por estimativa mensal, seja em consequência de retenção em fonte, conforme comprovam os DARF anexos. Diante disso, para contagem do prazo decadencial há de se considerar a data do pagamento, em consonância com a linha interpretativa definida pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, representativo de controvérsia, nos termos do artigo n° 543C, do CPC/1973. Porém, a autoridade julgadora de primeira instância não analisou detidamente os argumentos da Recorrente, restringindose a afastar a decadência pelo singelo argumento de que o fato gerador deste lançamento se refere ao ano de 2009 e não ao de 2008, não traçando sequer uma linha sobre toda a argumentação suscitada na impugnação em apoio à assertiva de que o lançamento em debate alterou o fato gerador de 2008. No mesmo prumo, a DRJ afirmara que não há que se falar em homologação expressa no que tange ao saldo de prejuízo fiscal, sem se debruçar sobre os argumentos lançados pela Recorrente em sua impugnação, não obstante toda os argumentos erigidos para fundamentar a tese da homologação expressa e tácita de toda a apuração do resultado fiscal de 2008. 6.2) DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. DA PRECLUSÃO DO DIREITO DE O FISCO ALTERAR REALIDADES ESTABELECIDAS EM TERMOS LÓGICOS E CRONOLÓGICOS. DA VIOLAÇÃO AO EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO, AO ATO JURÍDICO PERFEITO E AO DIREITO ADQUIRIDO Em outro tema, a Recorrente explicita que demonstrou, na impugnação, que a autoridade fiscal retroagira no tempo, alterando fatos passados para gerar efeitos futuros, alterando a formação do saldo de prejuízo do 4o trimestre de 2008 para, então, desqualificar a compensação desse saldo realizada em 31/12/2008, no valor de R$ 415.572.488,08, e efetuar o presente lançamento, destacando que isso se deu sem a devida motivação no Relatório Fiscal e, mais do que isso, baseandose em fatos ocorridos posteriormente (i.e. auto de infração do processo nº 19515.723039/201279 e o seu "restabelecimento" pelo CARF em agosto de 2014, ainda não definitivamente julgado em sede administrativa). Daí, então, ressalta que o fato gerador da obrigação ora discutida ocorreu em 31/12/2009, porém o saldo negativo de prejuízo fiscal utilizado por ela foi constituído no 4º trimestre de 2008, período esse que a Administração Fiscal não estava autorizada a modificar. Essa conduta, além de ter dado causa à atribuição (indevida) de infração à Recorrente, com a consequente glosa da compensação realizada em 31/12/2009, também criou situação de insegurança jurídica quanto ao exercício do direito de utilização do saldo de prejuízos da Recorrente, apesar deste ser assegurado pela legislação do imposto de renda. Ao assim agir, a Administração Pública acabou infringindo o princípio "venire contra factum proprium", princípio este que veda a adoção de atos contraditórios. Portanto, o antedito lançamento revelase insubsistente também por fundarse em ato administrativo contraditório em relação àquele prolatado sob as mesmas circunstâncias fáticas e jurídicas, em patente violação aos princípios constitucionais da isonomia, da boafé e da proteção da confiança. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.405 16 Tal contradição reforça o argumento da Recorrente de que a motivação da lavratura do auto de infração partiu de um equívoco da Receita Federal, ao se valer do saldo de prejuízos, no ano de 2012, com a compensação de ofício no auto de infração do processo nº 19515.723039/201279, que já tinham sido absorvidos por compensação anterior realizada pela Recorrente em 31/12/2009. Assim, diante da impossibilidade de se corrigir referido erro, pretendeuse reparálo por meio da presente autuação, como se tal intuito estivesse respaldado legalmente. Em face do exposto, a Recorrente afirma que, por mais que se aceite que a conduta fiscal possui fundamento na possibilidade de "compensação de ofício", é certo, entretanto, que isso deveria seguir um procedimento à semelhança do que determina a Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012 (artigo 61, §2º) para os casos de compensação/restituição de tributos. Logo, a interferência no saldo de prejuízos da Recorrente, se por hipótese admitida, não poderia ter sido efetivada mediante lavratura do auto de infração do processo n°19515.723039/201279, sem notificação da interessada ou sem a desqualificação motivada da compensação realizada pela própria Recorrente em 2009, pois o Fisco não tem total liberdade para dar qualquer destinação ao crédito do contribuinte. Ademais, resta evidente para a Recorrente, com relação à utilização do saldo de prejuízo fiscal de 2008, a ocorrência da preclusão consumativa ou lógica no processo administrativo, pois se trata de questão já decidida pela Receita Federal, que agora se contrapõe à decisão anterior que ratificara o saldo de prejuízos de 2008. O Estado de Direito fornece direitos às pessoas, dentre os quais a segurança jurídica das relações entre Estado e contribuintes (artigo 5o da Constituição Federal), que é materializada pelos institutos da decadência, da prescrição e, em sede da lei processual, da preclusão, porquanto as partes de uma relação jurídicoprocessual não podem ser surpreendidas por atos consumados no tempo ou não esperados no processo. Disso decorre que o ato de revisão do saldo de prejuízos de 2008 praticado pela autoridade fiscal, por meio da presente autuação, não pode ser considerado, porque atingido pela preclusão consumativa/lógica. Dessa forma, em reforço à ocorrência da decadência, também operouse, in casu, a preclusão do direito do Fisco de rever os fatos consumados no ano de 2008, motivo por que a presente autuação não conta com condições de prevalecer. E, se não bastassem os argumentos já trazidos, a Recorrente ainda salienta que o agente fiscal, no presente lançamento, ao considerar a insuficiência de saldo para a compensação de prejuízo fiscal já realizada em relação ao fato gerador de seu IRPJ de 31/12/2009, afrontou institutos consagrados do Direito, em especial o exercício regular de um direito (o direito à compensação de prejuízos fiscais), o ato jurídico perfeito (a formação do saldo de prejuízo de 2008 e o pagamento do imposto devido em 2009 via compensação de prejuízos), e o direito adquirido (o direito de ter reconhecida a existência de saldo de prejuízo e a efetiva extinção parcial do IRPJ devido, por meio da compensação realizada). E, por isso, o lançamento deve ser reconhecido como nulo. Com efeito, em 31/12/2009, em função da conhecida "trava" dos 30%, prevista nos artigos 250 e 509 do RIR/99, a Recorrente, reunindo as condições exigidas na legislação (isto é, imposto a pagar e existência de prejuízo fiscal de exercícios anteriores), exercera, regularmente, o direito a compensação como forma de extinção parcial do IRPJ, em relação a referido fato gerador. Todavia, em 2012, houve a lavratura do auto de infração do processo nº 19515.723032/201279, por Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.406 17 meio do qual a Fiscalização, ao apurar o montante devido, abatera integralmente o prejuízo (o mesmo utilizado parcialmente em 2009) consolidado em 31/12/2008. Aplicando os conceitos doutrinários acima ao presente caso, considerandose a razão de ser e a essência de referidos institutos, no sentido de proteger situações consolidadas no tempo a fim de evitar prejuízos indevidos e proporcionar segurança jurídica aos jurisdicionados, resta evidente que, no trabalho fiscal ora recorrido, não se observou a lógica prescrita por referidos institutos, na medida em que se objetivou a alteração de fatos passados, já consumados e imutáveis, tudo para viabilizar, a partir de mencionada alteração, efeitos futuros. 6.3) DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO FUNDADO NO SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DE PREJUÍZO FISCAL SAPLI A Recorrente também defende que não poderia a autoridade fiscal lavrar o discutido auto de infração com base no SAPLI. Já a autoridade julgadora, em análise a esse argumento, afirmou que o presente lançamento não fora efetuado com base no SAPLI, mas, sim, por meio de informações prestadas pelo próprio contribuinte. Com o devido respeito, é certo que o entendimento da recorrida decisão não condiz com a realidade dos fatos, uma vez que, se assim o fosse, teria a autoridade fiscal verificado que o saldo do prejuízo fiscal já havia sido utilizado pela Recorrente muito antes da lavratura do auto de infração objeto do processo administrativo n° 19515.723039/201279, ao adimplir com sua obrigação acessória e entregar a competente DIPJ, na qual constava essa informação. Por essa razão, mister reconhecer que a presente autuação foi fundada no SAPLI. A própria autoridade julgadora, da mesma forma que constou no TVF, acaba por admitir, ainda que indiretamente, que o lançamento foi baseado no SAPLI. Vejase que, no TVF, constou que o procedimento de Revisão Interna que culminou no presente estaria motivado na "necessidade de acompanhamento do SAPLI Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal decorrente da lavratura do Auto de Infração por meio do processo 1915.723092/201351 e dos Acórdãos No. (s) 1301 001570 de 05/06/2014 e 1401001239 de 26/08/2014, relativos aos Autos de Infração lavrados por meio dos processos No. (s) 16.682720.452/201181 e 19.515723.039/201279". Ora, é sabido que o SAPLI funciona como um controle interno da RFB e somente aos seus agentes é dado o acesso e, especialmente, a sua alteração, ou seja, a operação do SAPLI é atribuição exclusiva dos agentes fiscais, conforme normas regimentais da RFB. Não se pode admitir que as informações desse sistema possam gerar a constituição de créditos tributários, mormente quando as realocações ou alterações nele inseridas são realizadas a destempo, ou seja, quando têm como objetivo alterar fatos passados, já atingidos pela decadência, para supostamente "viabilizar" o alcance de fatos futuros, ou, ainda, subvertendo a lógica e a cronologia do direito, acarretar preclusão consumativa/lógica, ou, finalmente, implicar ofensa aos institutos do exercício regular de direito, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. 6.4) DO EQUÍVOCO DA DRJ AO NÃO AFASTAR A MULTA DE OFÍCIO Segundo a Recorrente, na remotíssima hipótese de ser mantida a exigência do crédito tributário ora discutido, ainda assim não poderá ser mantido em sua totalidade, porque, ao contrário do exposto na decisão recorrida, no presente caso não houve a simples falta de recolhimento do imposto. O que ocorreu, isso sim, foi Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.407 18 um nítido erro da autoridade fiscal que, ao efetuar o lançamento, reduziu a base de cálculo do IRPJ com a utilização do saldo do prejuízo fiscal, sem observar que este já havia sido utilizado pela Recorrente com expressa homologação pelo Fisco. A multa de ofício aplicada é voltada claramente para os casos em que o tributo devido não é recolhido pelo contribuinte. E, como visto, o lançamento em debate não se derivou da falta de recolhimento de tributo para o período aqui tratado (31/12/2009), mas, sim, de realocação, de ofício, dos prejuízos fiscais da Recorrente, para o processo administrativo nº 19515.723039/201279, a acarretar a suposta insuficiência do saldo e, consequentemente, a conclusão fiscal de que a compensação realizada pela Recorrente foi indevida. Como já dito, referida autuação ainda nem havia sido lançada quando a Recorrente efetuou a compensação em 31/12/2009, atualmente em discussão administrativa. Por conseguinte, a Recorrente não poderia ter cometido a infração atribuída pela Fiscalização ("compensação indevida"), afinal sequer havia como imaginar que dois anos depois dessa compensação seria lavrado o auto de infração "Big Jump". Deixouse claro que a Recorrente, observando a legislação tributária vigente, compensou o tributo devido com o saldo de prejuízo fiscal de que dispunha à época dos fatos. Daí por que não pode agora, em virtude de um nítido erro da autoridade fiscal, ser punido. Se houve algum erro por parte da Recorrente, o que se admite apenas por amor à argumentação, esse erro é escusável. Escusável porque a situação concreta foi executada de forma aparente, a qual não comportava suspeitas de nenhuma sorte. Até porque vige, no direito brasileiro, o princípio da presunção de constitucionalidade das leis e dos atos administrativos Além disso, o princípio da boafé deve sempre nortear todas as searas do direito, inclusive o direito tributário, pois, conforme dispõem os artigos 109 e 110, do CTN, as normas tributárias devem observar e respeitar, quando de sua aplicação e hermenêutica, os conceitos e princípios de direito privado. Assim, uma conduta eivada de boa fé há de ser preservada para que o seu agente não sofra, injustamente, qualquer consequência jurídica a que não faz jus. Dessa forma, na remota hipótese de se entender devido o crédito tributário, somente poderá ser exigido o valor principal do imposto, sem a incidência de juros e multa, consoante as regras acima transcritas. Outrossim, quando muito, em hipótese meramente argumentativa, somente se pode cogitar, em 2014, da constituição do crédito tributário relativo a fato gerador de 31/12/2009, para fins de se evitar a decadência (o que, no caso, já tinha ocorrido), nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/1996. Mas ainda assim, como já comentado, jamais teria cabimento a multa de 75% aplicada pela Fiscalização, em sintonia com a Súmula n° 17 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. E nem se alegue que o artigo 63 da Lei 9.430/96 prescreve o lançamento sem multa apenas nas hipóteses dos incisos do artigo 151 do CTN a que faz referências, deixando à parte os demais, inclusive o seu inciso III, que é o que importa no presente processo. Isso porque a prescrição contida em referido artigo, inserto em lei ordinária, apenas explicita aquilo que, na Lei Complementar (isto é, o CTN), já estava (como de fato está) garantido, mas que precisou ser expressamente reforçado, em razão das inúmeras discussões judiciais de cunho tributário que marcaram o período compreendido entre a promulgação da Constituição da República de 1988 e a edição da Lei 9430/1996, por meio das quais se impedia ou se pretendia impedir a Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.408 19 possibilidade de constituição de créditos tributários cuja exigibilidade estava suspensa por medida liminar ou similar, em prejuízo ao prazo decadencial que corria contra o Fisco. Portanto, a hipótese é de aplicação do próprio artigo 151, III do CTN. Em suma, como foi demonstrado ao longo de toda esta peça recursal, a glosa de prejuízos fiscais seria, aqui, mero reflexo de autuação anterior (caso "Big Jump"), mas que ainda não é definitiva, não sendo cabível, portanto, a cobrança da multa de ofício. Por todo o exposto, a Recorrente requer que o presente recurso seja conhecido para que: a) seja dado provimento, reconhecendose a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à DRJ para saneamento da premissa equivocada adotada, bem como para que a autoridade julgadora se manifeste expressamente sobre os argumentos que não foram analisados; b) caso não seja atendido o pedido anterior, o que se admite para argumentar, que seja dado provimento, reconhecendose a questão de prejudicialidade do processo administrativo n° 19515.723039/201279, decidindose pela suspensão do julgamento do presente; c) na remota hipótese de não serem acolhidos os pedidos anteriores, que seja dado provimento ao recurso para se declarar a nulidade do lançamento tributário, seja em razão dos fundamentos preliminares suscitados, seja em razão dos argumentos de mérito para reforma da decisão da DRJ e, por consequência, ser determinado o cancelamento integral do lançamento tributário objeto deste processo administrativo; d) ainda, na remota hipótese de ser mantida a exigência do tributo, que seja dado provimento parcial para se cancelar a multa de ofício, juros e correção monetária aplicados. Da Resolução CARF 1301000.380 Os autos chegaram ao CARF, e em 15/09/2016, por meio da Resolução 1301 000.380, de fls. 843/1000 decidiu o Colegiado em converter o julgamento em diligência, sobrestandoo até o julgamento final do processo 19515.723039/201279, em razão de sua prejudicialidade. À fl. 1209 consta a Informação Fiscal da DERAT, em que se noticia que o PA em questão foi julgado procedente quando do julgamento do recurso de ofício, havendo interposição de recurso especial apenas em relação à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Ressalta, ainda, que o contribuinte interpôs Ação Anulatória de Lançamento Fiscal 48.2017.4.03.6100, questionando a autuação daqueles autos, bem como Mandado de Segurança 100228825.2017.4.01.3400 e 100713303.2017.4.01.3400, requerendo a anulação do julgamento do mencionado recurso de ofício e a decisão por voto de qualidade do CARF. Assim, recebi os autos por sorteio em 12/04/2018. É o relatório. Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.409 20 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJO e intimada ao recolhimento do débito em 23/04/2015, (Abertura do documento fl. 849), e apresentou em 21/05/2015, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 852 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata da glosa de prejuízos fiscais referente ao anocalendário de 2009, de R$415.572.488,08, com base no art. 3º da Lei 9.249/95 e arts. 247, 250, III, 251, 509 e 510 do RIR/99, bem como multa de ofício de 75%. De acordo com o Fiscal, o TVF decorreu da ação fiscal de Revisão Interna, diante da necessidade de acompanhamento do SAPLI, quando da lavratura dos autos de infração objeto dos PAs 19515.723092/201351, 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279, que, conforme o TVF absorveram o saldo de prejuízos fiscais compensáveis. Preliminares Foi trazido em sede de memoriais, bem como através de sustentação oral da tribuna no dia da sessão, o requerimento de sobrestamento do feito, agora, em razão de Ação Judicial proposta para se anular a decisão havida no processo administrativo 19515.723039/201279, já mencionado. Conforme se verificou, este processo já foi sobrestado em razão de prejudicialidade por pendência de julgamento final de processo administrativo. Este processo findouse, sem que o recurso do contribuinte tenha sido provido. Assim, adentrouse em processo judicial, em que o contribuinte interpôs Ação Anulatória de Lançamento Fiscal, questionando a autuação do PA 19515.723039/2012 79, requerendo a anulação do julgamento do recurso de ofício e a decisão por voto de qualidade no CARF. Meu entendimento, assim como da maioria do Colegiado é de que não seja plausível tal solicitação, na esfera administrativa foi aguardado o resultado final, e agora aguardar o resultado judicial? Até quando o processo deve esperar? Entendo que o processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, devendo ser impulsionado ex officio, conforme determina o inc. XII do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento processual em razão de processo judicial, diante disso, voto pela continuação do julgamento. Da Nulidade da decisão recorrida por pressuposto fático equivocado Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.410 21 Alega a recorrente que a decisão a quo é nula pois incorre em nítido erro material por adotar pressuposto fático equivocado, já que o julgador entendeu que o débito exigido no PA 19515.723039/201279 não estaria, no momento da decisão, com sua exigibilidade suspensa, pois constatou através de "sistema" que houve somente a interposição de Recurso especial pelo Procurador, em que questiona, apenas, a redução da multa de ofício aplicada. No entanto, a recorrente afirma que nem sequer havia sido intimada do citado acórdão e por isso não teve a oportunidade de interpor eventual Recurso Especial contra o acórdão. De fato, a recorrente não havia sido intimada da decisão, no entanto, posteriormente, somente apresentou Recurso Especial para a CSRF para continuar a discutir apenas e tãosomente os juros sobre a multa de ofício (fls. 1092 e ss), ou seja, em que pese a alegação, o mérito não foi rediscutido. Ademais, resta claro também que não foi somente nisso em que se baseou a decisão recorrida, já que entendeu também que o Decreto 70235/72 não autoriza a suspensão do trâmite processual. Dessa forma, não vejo que o julgador a quo tenha se baseado em fatos equivocados, devendo esta preliminar ser afastada. Da Nulidade em razão de o acórdão não ter analisado questões de defesa, que por si só poderiam trazer resultado diverso ao julgamento Alega a recorrente a nulidade, pois em seu entendimento, a decisão recorrida não analisou todas as razões de mérito. Questões trazidas pela recorrida relacionadas à preclusão do direito do Fisco em alterar fatos passados, violação ao exercício regular do direito, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido e outras questões relacionadas ao mérito. No meu entendimento também de se afastar essa preliminar, a decisão recorrida talvez não tenha se detido em cada um dos temas acima colocados, mas certo é que sua decisão Casos de nulidade da decisão se aplicariam se algum item não fosse apreciado e a decisão omissa. Não é o caso em tela. O caso tratado se refere à glosa de prejuízos fiscais, e a decisão tratou dos fatos, baseouse em documentos e na norma. No entanto, ao final, com suas razões manteve o lançamento. Assim, não vejo como preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72, ou qualquer supressão de instância nesse sentido. Ademais, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão, com base em norma legal. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.411 22 Assim, não procede o pedido de nulidade da decisão de primeira instância pela ausência de análise das provas constantes dos autos. Quanto ao sobrestamento do feito Foi requerido também, em sede recursal o sobrestamento do feito em razão da prejudicialidade com relação ao PA 19515.723039/201279, uma vez que a insuficiência de saldo de prejuízo fiscal decorreu da utilização do saldo de prejuízo fiscal de ofício naqueles autos. Dessa forma, conforme Resolução 1301000.380, de fls. 843/1000, decidiu o Colegiado em converter o julgamento em diligência, sobrestandoo até o julgamento final do processo 19515.723039/201279, em razão de sua prejudicialidade. À fl. 1209 consta a Informação Fiscal da DERAT, em que se noticia que o PA em questão foi julgado procedente quando do julgamento do recurso de ofício, havendo interposição de recurso especial apenas em relação à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Ressalta, ainda, que o contribuinte interpôs Ação Anulatória de Lançamento Fiscal 48.2017.4.03.6100, questionando a autuação daqueles autos, bem como Mandado de Segurança 100228825.2017.4.01.3400 e 100713303.2017.4.01.3400, requerendo a anulação do julgamento do mencionado recurso de ofício e a decisão por voto de qualidade do CARF. Da nulidade do auto de infração da ausência de motivação para revisão de período já fiscalizado Alega a recorrente pela impossibilidade de revisão de períodos já fiscalizados sem motivação. Pois de acordo com o art. 906 RIR/99, a nova revisão deve ser suportado por uma "ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal" e não por uma mera "autorização". E além do mais, a tal autorização era para o período de 2009 a 2010, e o agente fiscal exorbitou os limites pois ao efetuar a revisão do Saldo de Prejuízos Fiscais, acabou por atingir o período de 2008. A decisão recorrida assim decidiu: O fato do ato administrativo do Delegado da DelexSP ter sido originário de sugestão de AuditorFiscal ou ser intitulado de autorização, e não ordem, não macula, quão menos anula o procedimento, uma vez que contém expressamente a permissão para que o reexame seja efetuado, conforme determina o art. 906 do RIR/1999, que não impõe a determinação expressa de motivação para validade do ato. O Fiscal não excedeu a autorização, como protesta a interessada, uma vez que efetuou lançamento somente no ano autorizado de 2009 (e no caso da CSLL também no ano igualmente autorizado de 2010), não tendo havido qualquer lançamento ou ajuste no anocalendário de 2008, bem como no saldo de prejuízos do quarto trimestre daquele ano, que foi alterado pelos processos nºs 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279, e não pelo presente processo. “Revisitar”, como denominou a interessada, o saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008, com o intuito de consulta de seu montante, é uma necessidade para confirmação e apuração de sua disponibilidade para utilização nos anos autuados (2009 e 2010), tendo sido exatamente esta indisponibilidade em 2009 a motivação da autuação objeto do presente processo. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.412 23 Vejamos o que diz o art. 906 do RIR/99: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34 ). Ora, a autorização para reexame consta de fl. 04, assinado pelo Delegado da DELEX, no dia 17/02/2014. Diante dos transcritos acima, entendo que no MPF citado já consta a autorização para o reexame, pois foi assinado por autoridade competente para emissão de MPF, nos termos do art. 6, da Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, vigente à época lançamento fiscal: Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I CoordenadorGeral de Fiscalização; II CoordenadorGeral de Administração Aduaneira; III Superintendente da Receita Federal; IV Delegado de Delegacia da Receita Federal, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras, de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais e de Delegacia da Receita Federal de Fiscalização; V Inspetor de Alfândega ou de Inspetoria da Receita Federal de Classe Especial. (Grifei) Quanto à alegação de que atingiu o período de 2008, também não vejo como procedente, o lançamento se refere ao ano de 2009, o que alterou o ano de 2008 foram os lançamentos nos outros PAs, não neste. Ademais, recente Súmula CARF 111, nesse sentido: Mandado de procedimento fiscal – “O Mandado de Procedimento Fiscal supre a autorização, prevista no art. 906 do Decreto nº 3.000, de 1999, para reexame de período anteriormente fiscalizado”. Convertida na súmula nº 111. Não vejo nulidade neste procedimento. Da ausência de fundamentação legal para o procedimento de alteração do saldo de prejuízo fiscal e consequente autuação Neste ponto, alega a recorrente a nulidade do lançamento, posto que a norma tida como violada não se aplica aos fatos que serviram de base à autuação. Quais sejam, os arts. 250, III e 509 do RIR e art. 15, § único da Lei 9.065/95. Conforme trechos do TVF; Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.413 24 Ora, também não vejo quaisquer nulidades neste item. Cerceamento de defesa ou algo semelhante, a recorrente entendeu os termos do lançamento e deles muito bem se defende. Nnos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo ou do lançamento. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, deixo de conhecer das preliminares argüidas. Da decadência Alega, também, a recorrente que houve uma homologação de sua conduta, e tacitamente, a decadência do direito do Fisco de alterar, somente em 2014 fatos ocorridos no 4º trimestre de 2008. A decisão recorrida assim se posicionou: Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.414 25 Não há que se falar neste voto da decadência no direito da Fazenda Pública rever os lançamentos no anocalendário de 2008, uma vez que o lançamento objeto do presente processo se refere ao anocalendário de 2009, sendo incontroverso que na data de sua ciência, em 08/01/2014, não estava decaído tal exercício. O saldo de prejuízos do anocalendário de 2008, mais especificamente do quarto trimestre, foi alterado pelos autos de infração de 30/05/2011 e 28/12/2012, objetos dos processos nºs 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279, e não pelo auto de infração objeto do presente processo. Não ocorre a este julgador que os lançamentos naqueles processos tenham sido alcançados pela decadência, mas tal matéria, se cabível, deveria ser apreciada naqueles processos e não no presente. Por fim, cumpre destacar, ainda, que não existe a figura da “homologação expressa ou tácita de compensação de prejuízos” evocada pela interessada em sua impugnação. Vamos aos fatos. O lançamento é de glosa de prejuízos fiscais relativos ao ano de 2009. O recorrente teve ciência do lançamento em 11/12/2014, fl. abertura do documento, fl. 325. Concordo com o entendimento exarado pela decisão recorrida, não há que se falar em decadência. Os autos de infração dos outros PA que alteraram o saldo de 2008 e consequentemente afetou o valor utilizado em 2009, mas para o ano de 2009 não se operou a decadência. Caso tenha ocorrido em relação aos fatos de 2008, naqueles autos é que deveriam ser analisados. Bem como também não vejo que se falar em homologação tácita. Da Ofensa ao princípio da segurança jurídica. Da preclusão do direito de o Fisco alterar realidades estabelecidas em termos lógicos e cronológicos. Da violação ao exercício regular de um direito, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido A recorrente alega neste tópico diversas ofensas. Que o lançamento seria nulo pois alterou fatos passados para gerar efeitos futuros alterou o saldo de prejuízo fiscal do 4º trimestre de 2008. Já verificamos acima que o que ocorreu foi o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL do ao de 2008 que alterou e não este lançamento. Que o auto de infração na realidade partiu de um erro por parte da RFB que se equivocou ao ter se utilizado de saldo de prejuízos no ano de 2012, quando se utilizou de prejuízos que já tinham sido absorvidos pela recorrente. Pugna pela aplicação do que ocorre quando da compensação de tributos. Que se verificou a preclusão consumativa com relação à utilização do saldo de 2008, já reconhecida pela RFB e por própria decisão da DERAT, quando em 13/06/2012, e posteriormente pela DRJ/SPO, em 25/07/2014, Acórdão 1659704, confirmou o saldo de prejuízo fiscal e sua utilização para compensação dos débitos objeto de parcelamento da MP 470/2009. Ou seja são fatos já consumados no tempo, não sendo passíveis de alteração por lançamento. Ademais, que todos os seus atos praticados o foram feitos o exercício de um direito, de uma to jurídico perfeito e ao direito adquirido. Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.415 26 Entendo que muito do que aqui se trata se confundese com o mérito, e assim será tratado. Da impossibilidade de lançamento fundado no sistema de acompanhamento de prejuízo fiscal SAPLI Diz a recorrente que a autoridade fiscal não poderia lavrar este auto de ifração com base no sistema de acompanhamento de prejuízo fiscal SAPLI. A decisão recorrida assim disse: A legislação tributária permite que a pessoa jurídica reduza o lucro real apurado no períodobase mediante a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores, devendo tais prejuízos compensáveis serem registrados na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur. Por sua vez, o Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal, do Lucro Inflacionário e da Base de Cálculo Negativa da CSLL – Sapli recebe as informações fornecidas pelos contribuintes em suas DIPJ relativamente ao resultado do exercício e à compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Caso a fiscalização apure infrações em procedimento de ofício, deve efetuar as correspondentes alterações no sistema, de forma a espelhar o resultado apurado de ofício. Se for instaurado o litígio administrativo em relação ao auto de infração, os dados do sistema serão ajustados às decisões administrativas de 1ª e de 2ª instância (Delegacias de Julgamento e CARF). No presente caso, a consulta ao sistema Sapli indicou inexistência de saldo de prejuízos a compensar em 31/12/2009, gerando, assim, a glosa da compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores efetuada pela interessada em 31/12/2009, informada na sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ do exercício de 2010, anocalendário 2009, havendo que se destacar que o lançamento não foi “baseado no SAPLI”, mas nos dados nele constantes, oriundos, como dito, de informações fornecidas pela contribuinte e compensações de ofício. A insuficiência apurada foi motivada, em especial, pela lavratura do auto de infração objeto do processo nº 19515.723039/201279, que absorveu os prejuízos apurados pela interessada no quarto trimestre de 2008, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2009, uma vez que o saldo de prejuízos em 31/12/2007 foi utilizado no pedido de parcelamento especial pelas Leis nºs 11.941/2009 e 12.249/2010. Alega a recorrente que se o SAPLI de fato refletisse a realidade, teria verificado que o saldo já havia sido utilizado. Ora, como dito, o SAPLI é o sistema de acompanhamento dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa do contribuinte, baseado nas informações por ele declaradas em DIPJ e alteradas conforme lançamentos de ofício e decisões administrativas, utilização em parcelamentos, etc. O fato é que foi verificado, através da fiscalização, que se utilizou de diversos documentos e informações, dentre eles o SAPLI, que o valor utilizado em 2009 não era suficiente. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.416 27 Não vejo nulidade também. Do mérito Conforme se observou acima, a glosa de prejuízo fiscal de 2009, a totalidade daquilo que foi utilizado pela recorrente, R$415.572.488,08, se deu em razão da insuficiência de saldo em período anterior, pois, com a lavratura do auto de infração, em 2012 para cobrança de IRPJ sobre fatos ocorridos no 4o trimestre de 2008, PA 19515.723039/201279, utilizouse o montante de R$685.961.166,17, do saldo de prejuízos fiscais existente em 31/12/2008. Nessa esteira, aguardouse o fim do processo em referência. O recorrente já tinha tido seu recurso voluntário negado, conforme acórdão 1401001.239, de 26/08/2014, e o Recurso Especial para a CSRF tanto da PGFN, quanto do recorrente não diziam respeito ao mérito (redução da multa para 75% e juros sobre a multa). Ou seja, a questão prejudicial que antes existia, não existe mais, já que definitiva em esfera administrativa a decisão. Por esta razão, por si só, já bastaria a manutenção destes autos, como bem arrazoado na Resolução que sugeriu que se aguardasse a decisão definitiva. Ora, é fato que quando da utilização do saldo de prejuízo fiscal antes existente, e assim declarado em DIPJ, tudo estava correto. Porém, fato é certo que sobreveio um auto de infração que alterou todo o cálculo de IRPJ de 2008, e por consequência aquilo que era prejuízo fiscal. Assim, no ano de 2009, em que se utiliza um saldo que se esvaiu diante do auto de infração e sua confirmação, nada há que se fazer a não ser alterar o valor de 2009, já que inexistente aquele saldo. Ademais, como menciona a recorrente, o fiscal deveria saber que aquele saldo dantes existente já havia sido utilizado em 2009 e portanto não deveria têlo considerado em 2008. Não é bem assim que funciona, o ano fiscalizado naquele auto era 2008, consequência, em havendo, como houve, deveria ser no ano de 2009. Apenas, por hipótese, em se aceitando o que foi colocado pela recorrente, é certo também, que o valor aplicado no lançamento de 2008 seria maior, já que não se consideraria o valor já utilizado, fato esse que seria prejudicial à recorrente, uma vez que seria aplicado com juros de mora de um ano a mais, e no caso ainda, com aplicação de multa de 150% sobre uma base maior (ainda que em discussão). A autoridade fiscal atuou de maneira correta, de início requereu a revisão interna, e em verificando, em 2014 com a decisão do CARF no PA 19515.723039/201279, negando provimento ao recurso voluntário, e antes do prazo decadencial, que o valor utilizado em 2009 sobejava o saldo existente, efetuou o lançamento. É certo também, que ainda que em 2009 tenha se utilizado de um valor lídimo, a recorrente ao estar ciente do lançamento do ano de 2008, deveria saber que o valor utilizado em 2009 sofreria consequências, tal qual a glosa do prejuízo fiscal e de igual forma da multa de ofício. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.417 28 Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Do afastamento da multa de ofício Requer a recorrente, caso se mantenha o lançamento, o afastamento da multa de ofício de 75%, uma vez que no caso não houve a simples falta de recolhimento ao imposto e sim erro da Autoridade Fiscal, que reduziu a base de cálculo do IRPJ com a utilização do saldo de prejuízo fiscal sem observar que o mesmo já havia sido utilizado pela recorrente. Que a multa só deve ser aplicada nos casos em que o tributo devido não é recolhido pelo contribuinte, e no caso em tela ocorreu tão somente a realocação de prejuízos fiscais para o PA. E que sempre agiu de boafé. Ademais, alega que já havia se operado a decadência e quando não, o crédito tributário foi constituído para fins de se evitar a decadência, e sendo assim, não haveria que se falar em aplicação da multa, diante da Súmula CARF 17. A decisão recorrida manteve a multa nesse sentido: É fato que, nos casos de lançamento para prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública exigir os créditos tributários cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial, descabe a incidência da multa de ofício, à luz do caput do art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Porém, inexiste previsão legal para o afastamento da multa de ofício no presente processo, por força do inciso III do art. 151 do CTN, uma vez que o fato do processo nº 19515.723039/201279 estar com sua exigibilidade suspensa, não suspende o crédito tributário do presente processo, que também não se encontra com medida judicial suspensiva na forma prevista no inciso IV do at. 151 do CTN. Desta forma, correta está a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, com fulcro no art. art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que assim versa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Destaquese que a multa não foi exigida por comprovação de atitude dolosa da interessada, mas pela falta de pagamento de IRPJ, resultado da glosa de Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.418 29 compensações de prejuízos que se tornaram indevidas após a lavratura do auto de infração objeto do processo nº 19515.723039/201279. A multa de ofício não seria aplicada se a interessada, em face da intimação constante do Termo de Encerramento da ação fiscal daquele processo tivesse retificado sua declaração do anocalendário de 2009 e pago o IRPJ resultado de novos cálculos sem redução com prejuízos compensáveis de períodosbase anteriores (quarto trimestre de 2008). Destarte, cabível a exigência da multa de ofício no percentual de 75%. Eu concordo inteiramente com o acima decidido, no caso não há que se falar em autuação para prevenir a decadência, e assim sendo, não há base legal para afastamento da multa de ofício ou dos juros, já que também não havia nenhuma medida judicial que a respaldasse nesse sentido. Assim, também, de se manter o multa de ofício. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares arguidas, bem como a decadência, para no mérito NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.419 30 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Peço vênia ao Colegiado para divergir quanto à posição assumida no julgamento de questão de ordem suscitada pelo Contribuinte. Entendo que uma questão prejudicial à análise do mérito do presente processo seria exatamente a existência de uma relação de prejudicialidade entre os processos judiciais apontados pelo Recorrente e o crédito tributário objeto do presente processo. A noção de questões prejudiciais no âmbito processual foi objeto de erudita tese do Professor José Carlos Barbosa Moreira, em seu concurso de livre docência na UERJ (MOREIRA, José Carlos Barbosa. Questões Prejudiciais e Coisa Julgada. Tese de Livre Docência. Rio de Janeiro: UERJ, 1967), na qual aduziu que elas seria "questões cuja solução depender necessariamente o teor da solução que se haja de dar a outras questões" é dizer, a influência exercida sobre a questão sob julgamento se dá a nível meritório, afetando diretamente o deslinde da solução jurídica a ser adjudicada ao caso. Diante disso, podese verificar de pronto que o Mandado de Segurança nº 100228825.2017.4.01.3400, cujo pedido tem potencial de afetar o decidido no processo nº 19515.723039/201279, com efeitos sobre o montante de prejuízo fiscal apurado no início do anocalendário de 2008. O pedido do MS consiste na anulação do julgamento proferido pela CSRF no processo administrativo, em razão de apontado vício procedimental. Há, portanto, uma prejudicialidade entre o presente processo e o mandamus. Por outro lado, há que se perquirir os efeitos jurídicos dessa prejudicialidade sobre o exame da matéria deste processo. Sobre o tema, o CPC/2015 é expresso em determinar a suspensão em seu art. 313, cuja aplicação ao processo administrativo se dá tanto de forma subsidiária quanto supletiva, conforme seu art. 15: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. (...) Art. 313. Suspendese o processo: V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Compulsando o Regimento Interno do CARF, se verifica que o mesmo traz o regramento relativo ao sobrestamento em seu art. 6º, §§ 4º, 5º e 6º: Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.420 31 Art. 6 (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Como se vê, o Regimento dá duas hipóteses de sobrestamento: i) se o processo principal não estiver localizado no CARF, em casos de vinculação por decorrência ou reflexo, devendo ocorrer o sobrestamento na unidade preparadora; e ii) no caso dos processos estarem em Seções diversas do CARF, caso em que o sobrestamento se dará na Câmara. Uma leitura apressada do art. 6º, §6º poderia indicar que o §4º, ao se referir a "não localizado no CARF", estaria se referindo apenas aos processos que estão sob análise das delegacias de julgamento da Receita Federal, é dizer, em etapas anteriores do processo administrativo. Essa leitura restritiva não se sustenta, entretanto, diante de uma compreensão sistemática do Regimento Interno, mormente em razão das competências específicas da Assessoria Técnica e Jurídica ASTEJ, constantes no art. 4º do Anexo I do RICARF: Art. 4º A Presidência do CARF será assistida pela Assessoria Técnica e Jurídica Astej, dentre outras, nas seguintes atividades: V controle e acompanhamento dos mandados de segurança e demais ações judiciais e comunicação da tramitação nos respectivos processos administrativos fiscais; Como se vê, é competência específica deste órgão do CARF o acompanhamento de processos judiciais que tenham efeitos sobre os processos administrativos fiscais aos quais eles se vinculem, cabendo à ASTEJ a apresentação da informação pertinente no âmbito administrativo e encaminhamento para julgamento. Essa competência serve, portanto, para infirmar a leitura restritiva do art. 6º, §4º, no sentido de que a prejudicialidade juridicamente relevante poderia se dar apenas entre processos administrativos, comportando assim uma leitura que abarque relações entre processos que ainda não chegaram ao CARF, como também processos judiciais que impactem na solução jurídica a ser dada neste âmbito. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10314.728429/201499 Acórdão n.º 1301003.421 S1C3T1 Fl. 1.421 32 Desse modo, constatada a prejudicialidade exclusivamente entre a Mandado de Segurança nº 100228825.2017.4.01.3400 e o presente processo, voto por converter o presente julgamento em diligência para sobrestar o presente feito na unidade preparadora, com fundamento no art. 6º, §4º do Anexo II do RICARF, até que seja julgado definitivamente a referida ação. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1421DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.009563/2007-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/07/2003
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO.
Quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior.
Numero da decisão: 9303-007.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 11/07/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO. Quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.009563/200728 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.393 – 3ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria II. RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PANASONIC DO BRASIL LIMITADA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/07/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO. Quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 95 63 /2 00 7- 28 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3803006.007, de 23 de abril de 2014, decisão que deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado. A discussão dos presentes autos tem origem em pedido de restituição apresentado no qual o contribuinte, em resumo, informa: a ocorrência da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos; que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA; que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. que o preenchimento dos campos da DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. que em razão do exposto foi compelido ao recolhimento integral do imposto de importação, eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil se deu com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 4 3 O Contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, Coordenação Geral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descritas. O Contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório lavrado pelo Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP, sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA (conforme fatura comercial), foram descarregadas em solo americano. Posteriormente, foi emitida nova fatura comercial pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo, ao final, as mercadorias embarcadas para o Brasil, conforme conhecimento de Embarque (BL). Portanto a mercadoria foi, no entender da autoridade fiscal, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pelo Contribuinte foi exarado Despacho Decisório pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos, que indeferiu o pleito, sob o fundamento de que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição foi o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil, e que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado. Ainda, alega o Contribuinte o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pelo contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894, a título de precedente. A DRJ/SP2 julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado a quo, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, conforme acórdão assim ementado, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/07/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 5 4 Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao direito à redução tarifária em comento. Para comprovar o dissenso jurisprudencial apresentou o acórdão número 3202000.680, cuja cópia de inteiro teor foi juntada aos autos. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. O Contribuinte apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose a decisão recorrida É o relatório, em síntese. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.381, de 18/09/2018, proferido no julgamento do processo 11128.007256/200711, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.381): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 328 a 330. Do Mérito A matéria já vem sendo discutida neste Conselho, há muito tempo. A discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.9) No mesmo sentido o documento, denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN, informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Inicialmente cumpre ressaltar que há várias decisões adotadas pelas turmas julgadoras que caminham no sentido de considerar que a operação realizada pela Contribuinte é legítima, quando se tem apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem e associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil. Esses procedimentos Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 7 6 comprovam o cumprimento do regime de origem da ALADI e impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, senão vejamos: Processo nº 18336.001558/200507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.436 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria II Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DE ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Processo nº 10209.000087/2003¬93 Recurso nº 344.651 Voluntário Acórdão nº 3102¬001.548 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria Preferência Tarifária Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ¬ PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ¬ II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 8 7 comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Luis Marcelo Guerra de Castro ¬ Presidente e Relator. Acórdão nº 320100.444: Julg. 30/04/2010. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/1999 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIECO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifaria em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Acórdão 310200.691 Julg. 01/07/2010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Processo n" 10209.000544/200540 Recurso n° 138291 Voluntário Acórdão n° 310200.250 — l a Câmara! 24 Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 . Matéria II/IPI FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 9 8 Recorrida DRLFORTÁLEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO /I Data do fato gerador: 28/06/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO PREFERÊNCIA TARIFÁRIA TRIANGULAÇÃO COMERCIAL POSSIBILIDADE. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da ALADI (Res.78). Recurso Voluntário Provido. Relator Luciano Lopes Processo nº 18336.000160/200201 Recurso nº 3021.279.44 Especial do Contribuinte Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão nº 03006.239 Sessão de 08 de dezembro de 2008 Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhada das respectivas faturas, bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar no Certificado de Origem, como previsto no art. 9° do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso Especial do Contribuinte Provido Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Substituto e Redator ad hoc Transcrevo, agora, o voto do e. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Acórdão nº 310201.338, que ao enfrentar a matéria, expôs de forma brilhante o entendimento ao qual concordo e que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir: Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 10 9 a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobrás Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada DF CARF MF Fl. 219 8 pela apresentação da fatura comercial nº 1163480, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Punta Cardon, Venezuela, a bordo do Navio THEANO, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte. Cabe aqui destacar o que diz o artigo Quarto da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontra¬se satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 11 10 h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. O artigo nono da Resolução ALADI nº 252 nesse ponto é explícito: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº 56921 capaz de invalidalo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consignase expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identificase a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo 10 (observações), indicase a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário." Ou seja, não obstante as normas que regem o regime de origem, a Resolução 252 que engloba as Resoluções nºs 227, 232 e os Acordos nºs 25, 91 e 215 do Comitê de Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 12 11 Representantes da ALADI, em seu artigo 9º veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Assim sendo, entendo cabível a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (Países Membros da Comunidade Andina). Vale ressaltar que no presente caso o Contribuinte, realizou um consulta à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10. Seguindo a orientação contida no ofício mencionado o Contribuinte protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 43.997,53 (fls.). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo n.º 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n.º 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Contribuinte trouxe à baila a Decisão n.º 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Vale ainda, ressaltar que a fruição dos tratamentos preferenciais achase normatizada no art. 4o, da Resolução ALADI/CR n" 78 Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto n" 98.836, de 1990, 4o, in verbis: CUARTO. Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Diante disto, de acordo com o normativo acima a exportação direta do EUA para o Brasil, é suficiente para garantir a redução tarifária, sendo legitimo o beneficio fiscal. Vale ainda ressalta que a NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: Na triangulação comercial que reiteramos, é prática freqüente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 13 12 Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiarse do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". Após, foi publicada a Resolução n° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n.º 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9º da Resolução n.º 78, prevendo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Vale ainda ressaltar o Superior Tribunal de Justiça tem pronunciamento judicial favorável a esses casos de importação: RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.856 PE (2014/03106001) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO: TACIANA MATIAS BRAZ DE ALMEIDA E OUTRO(S) PE021487 DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA REDUZIDA. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. DECISÃO DO TRIBUNAL A QUO NO SENTIDO DE QUE OS REQUISITOS NECESSÁRIOS AO BENEFÍCIO FISCAL FORAM ATENDIDOS. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REAPRECIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA EM FACE DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20, §§ 3o. E 4o. DO CPC/1973. REVISÃO DO VALOR DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. REEXAME DE PROVAS. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. 1. Tratase de Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra acórdão proferido pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 5a. Região, assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. PETROBRÁS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 14 13 VENEZUELA. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL ASSEGURADO. 1. Hipótese em que se discute a possibilidade da Petrobrás fazer jus às preferências tarifárias do Acordo de Complementação Econômica ACE27, firmado entre Brasil e Venezuela, objeto do Decreto 1.381/95, para fins de redução do montante pago a'titulo de Imposto de Importação de produtos derivados de petróleo. 2. Não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de, que não houve, prova, do recolhimento do tributo e a Juntada de documentos essenciais para fins de fruição do beneficio, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem, que fazem constar a República da Venezuela como pais originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bili of Lading) demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4o., a, da Resolução 78/87. 3. O país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as llhas Cayman. 0 que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas llhas Cayman, a Braspetro Qil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. 4. 0 fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRÁS nas llhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da, ALADI. (AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Canitareíli, TRF5 1 Quarta Turma, DJ Data: 09/07/2009 Página169 129.) (...) Inicialmente, não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de que não houve prova do recolhimento do tributo e a juntada de documentos essenciais para fins de fruição do benefício, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem (fls. 145 e 252), que fazem constar a República da Venezuela como país originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas às fls. 71/74, 126/129, 164/170 e 217/220, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bill of Lading) de fls. 119, 148 e 172 demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4º, a, da Resolução 78/87, como bem ressaltou a juíza de 1º grau. Alega a Fazenda, ainda, que o produto importado tem origem nas Ilhas Cayman, país não signatário do acordo em questão, razão pela qual é indevida a redução do tributo Ocorre que, como já visto, o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman. O que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas Ilhas Cayman, a Braspetro Oil Service Co Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 15 14 Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. Essa triangulação comercial, com participação de empresa situada em país não membro do ACE 27, não acarreta a perda da preferência tarifária preconizada no aludido acordo, pois a operação comercial realizada pela Petrobrás é prática frequente no comércio internacional, sendo admitido que o produto seja faturado em outro país, desde que a origem da mercadoria seja preservada, sem descaracterização do acordo cujas preferências se desejar obter (juíza de 1º grau). 12. Como visto, o Tribunal a quo afastou todos os argumentos que seriam óbice ao benefício fiscal requerido. Ou seja, entendeuse ali que os requisitos estavam preenchidos. Assim, os elementos fáticos usados pelo Tribunal local não podem ser alterados nesta seara recursal, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Ilustrativamente: 15. Diante do exposto, negase seguimento ao Recurso Especial. 16. Publiquese. Intimações necessárias. Brasília (DF), 21 de agosto de 2017. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR (Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, 28/08/2017) RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 ¬ CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: PROCURADORIA¬GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO: PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Trata¬se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. IA PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 16 15 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company ¬ PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extrai se do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publique¬se. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Frisese, ainda, a jurisprudência exarada pelo TRF: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. IMPORTAÇÃO. PETROBRAS. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. PETROBRÁS FINANCE COMPANY SEDE ILHAS CAYMAN. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 17 16 ORIGEM E DESTINO DA MERCADORIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL EXISTENTE. APELAÇÃO PROVIDA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO IMPROVIDAS. 1. Tratase de remessa oficial e apelações interpostas em face de sentença que, em ação anulatória de débito fiscal, proposta pela PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A para anular ato de lançamento de imposto de importação de derivados de petróleo adquiridos da Venezuela, julgou parcialmente procedente o pedido apenas para determinar a exclusão da multa isolada, aplicada. Concluiu a sentença pela existência do crédito tributário, por considerar inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela apelante nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. 2. A razão determinante para a autuação fiscal, que descaracterizou o benefício de redução do Imposto de Importação, foi a participação na operação comercial realizada para com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRAS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses. Sob outro aspecto, certamente de maior relevância, não se verificam nas razões que motivaram o auto de infração, circunstância fática que descaracterizasse a origem e o destino da mercadoria importada. Não há, assim, informação de que, além da triangulação comercial realizada, houvesse descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA. Precedentes: (AGA, Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, TRF1 ¬ Sétima Turma, eDJF1. Data: 19/10/2012, p. 1344; AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 ¬ Quarta Turma, DJ ¬ Data: 09/07/2009 – p. 169 nº 129). 3. Apelação da PETROBRAS provida. Remessa oficial e apelação da União, improvidas. Honorários de sucumbência, R$ 5.000,00. TRF 1ª Região, Apelação/Reexame Necessário 2004.39.00.002359¬3/PA, julg. 07/10/2013. PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisão de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 18 17 termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questionamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossímil e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importação por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país integrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderia ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Ora, as decisões acima caminham junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11128.009563/200728 Acórdão n.º 9303007.393 CSRFT3 Fl. 19 18 Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. Assim, entendo que não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, nos presentes autos os "documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 384DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.903387/2009-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.069
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, a fim de que se aprecie a matéria devolvida pelo paradigma nº 2803-00.109, com posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner, que conheceram do recurso, entendendo não ser necessária a conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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(assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 03 38 7/ 20 09 -5 1 Fl. 160DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 156 ___________ Relatório Tratase de recurso especial (efls. 86/98) interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1802001.569, da sessão de 06 de março de 2013 (efls. 70/84), proferido pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário interposto pela EMPRESA BRASILEIRA DE LOCAÇÃO E TRANSPOR ("Contribuinte"). Discutese reconhecimento de direito creditório. Foi encaminhado PER/DCOMP pela Contribuinte visando o aproveitamento de créditos decorrentes de pagamento a maior efetuado em DARFSIMPLES. Despacho eletrônico da DRF/NatalRN não homologou a compensação pleiteada porque o pagamento fora integralmente utilizado na extinção do débito de SIMPLES que constava nos sistemas internos. Em manifestação de inconformidade, aduziu a Contribuinte que foi transmitida declaração retificadora IRPJSIMPLES (posteriormente à ciência do despacho decisório), no qual informou a Contribuinte que teria apurado incorretamente o tributo devido porque aplicou alíquotas destinadas à prestação de serviço, quando na realidade sua atividade consiste em locação de automóveis e ônibus de passeio, que seriam operações de natureza comercial. A primeira instância (DRJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A decisão discorre que a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do despacho decisório, e se a retificação de declaração do SIMPLES foi efetuada posteriormente à ciência da decisão caberia à Contribuinte fazer a prova do erro alegado, mediante apresentação de documentação. Manifestouse também no sentido de que, no contrato social da empresa, consta atividade de "Locação de automóveis e ônibus com motorista e Locação de automóveis e ônibus sem motorista". Entendeu que no caso da locação de bens móveis sem motorista, de fato não haveria que se falar em prestação de serviços, conforme já decidido pelo STF (Súmula Vinculante nº 31). Contudo, no caso de locação com motorista, haveria incidência de prestação de serviços, com alíquota diferenciada no SIMPLES. E nos autos não consta que a Contribuinte tivesse efetuado a segregação de receitas auferidas de locação com motorista e locação sem motorista. Conclui no sentido de que mesmo que tivesse a Contribuinte apresentado a declaração retificadora antes do despacho decisório, não caberia revisão, por falta de provas. Foi interposto recurso voluntário, apreciado pela Turma Especial da 1ª Seção do CARF, decidindo no sentido de darlhe provimento, nos termos da ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/12/2004 LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL, COM OU SEM MOTORISTA. SIMPLES. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10469.903387/200951 Resolução nº 9101000.069 CSRFT1 Fl. 157 3 Sobre a receita bruta decorrente da locação de veículos, com ou sem motorista, não se aplicam os percentuais referidos no art. 5o da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, alterado pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, com o acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) previsto no artigo 2º da Lei nº 10.034 de 24/10/2000, porque essa atividade não configura prestação de serviços. COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. CRÉDITO COMPROVADO Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização para a extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação/PER DCOMP, ainda que para a demonstração do crédito a Declaração Simplificada IRPJSIMPLES retificadora seja apresentada após a emissão do despacho decisório eletrônico expedido pela autoridade administrativa. Reconhecido o direito creditório a favor da Contribuinte, inexiste óbice para homologação da compensação declarada no PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. O voto da decisão recorrida entendeu que o contrato de locação de veículos com motorista não configura locação de mão de obra, e tampouco desnatura do contrato de locação de bem móvel. Assim, não haveria diferença entre a locação de automóveis com ou sem motorista, e, não sendo prestação de serviços, não caberia a alíquota majorada do SIMPLES. Assim, partindo de tal premissa, e analisando a declaração da Contribuinte, entendeu que restou comprovada a existência do direito creditório pleiteado. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 86/98), apresentando os paradigmas nº 10517.143 e 280300.109. Aduz que o primeiro paradigma entendeu pela impossibilidade de inovação da lide no caso de demonstração extemporânea do crédito. Assim, não caberia a análise de documentação probatória após a decisão administrativa que indeferiu o crédito, ou seja, discorre sobre o momento de apresentação de provas quando referente à retificação de declaração. Sobre o segundo paradigma, discorre que a decisão firmou entendimento no sentido de que, após o despacho decisório que indeferiu o pedido de crédito, a apresentação de declaração retificadora deveria estar acompanhada de documentação probatória apta a demonstrar o erro de preenchimento. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 101/106) deu seguimento ao recurso especial. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10469.903387/200951 Resolução nº 9101000.069 CSRFT1 Fl. 158 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Passo ao exame da admissibilidade. O recurso especial pretender devolver para a discussão do presente Colegiado duas matérias de ordem processual: A primeira, tendo como referência o paradigma nº 10517.143, diz respeito à impossibilidade de, em sede de processo de reconhecimento de direto creditório, se apreciar documentação probatória apresentada posteriormente, após a decisão administrativa que indeferiu a compensação. Transcrevo paradigma e excerto do recurso: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 Ementa: LIMITES DA LIDE INOVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO DA ANÁLISE NO MESMO PROCESSO Os eventuais direitos creditórios, oriundos de retificação de DIPJ efetuada após a decisão administrativa em processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo processo, por se tratar de inovação em relação à matéria originalmente discutida. ............................................................................................................ Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de análise do mérito do pleito de compensação mesmo diante de DIPJ retificadora apresentada após a protocolização da DCOMP, por entender possível a apresentação de prova documental em momento posterior, o acórdão paradigma entendeu por essa impossibilidade, tendo em vista os limites objetivos da lide delineados com o pedido/declaração inaugural de restituição/compensação, deixando expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação”. Noutros termos, não admitiu a demonstração extemporânea do crédito. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10469.903387/200951 Resolução nº 9101000.069 CSRFT1 Fl. 159 5 Para a demonstração da divergência jurisprudencial, partese do referencial de que o paradigma ora apresentado entende pela impossibilidade de inovação da lide no sentido de demonstração extemporânea do crédito. Consoante se demonstrou, ficou assente a tese de que, “O erro alegado, se comprovado, é perfeitamente passível de retificação, mas os direitos creditórios daí oriundos não mais podem ser apreciados no presente processo”. Tratase, portanto, de momento de apresentação de provas quando referente à retificação de declaração, tal como no presente caso. Ou seja, após a emissão do despacho decisório que indeferiu o direito creditório, teria restado precluso o direito de apresentar documentação probatória, inclusive em relação à retificação da declaração. A segunda matéria, tendo como referência o paradigma nº 280300.109, discute outra situação, no qual, uma vez publicado o despacho decisório, poderia ser admitida a apresentação de declaração retificadora, desde que acompanhada de documentação probatória apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. E, no caso dos presentes autos, teria sido apresentado apenas a retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI, que a decisão recorrida considerou suficiente para retificar a declaração e reconhecer o direito creditório. Segue ementa e excerto do recurso: Ementa(s) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O DESPACHO DECISÓRIO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova do erro no preenchimento da DCTF, segundo o sistema de distribuição do ônus probatório adotado no processo administrativo federal. .............................................................................................................. De um lado, o Colegiado a quo reconheceu o direito creditório, superando a conclusão da DRJ de origem no sentido de que “a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do Despacho Decisório, pois a disponibilidade do crédito suplicado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Se a retificação somente foi promovida após exarado o despacho, cabia à interessada o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. A simples retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI , desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações veiculadas em sede de manifestação de inconformidade”. Por outro lado, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, em decisão consubstanciada no acórdão nº 280300.109, firmou o entendimento de que caberia ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da declaração (que naquele caso tratavase de DCTF, Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10469.903387/200951 Resolução nº 9101000.069 CSRFT1 Fl. 160 6 em contraponto ao presente feito, que trata de DIPJ), do qual resultaria seu indébito. Enquanto no primeiro paradigma, descartase por completo a possibilidade de a declaração retificadora apresentar documentação probatória em momento posterior à emissão do despacho, por preclusão processual, no segundo paradigma, admitese a apresentação de documentação probatória em sede de declaração retificadora. Ocorre que o despacho de exame de admissibilidade efetuou a análise apenas de primeira matéria, como se pode observar o excerto transcrito: Do simples confronto da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos apontados como paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a discussão da possibilidade de inovação na matéria objeto de análise pelo despacho decisório, onde o crédito declarado em DCOMP apenas foi demonstrado em data posterior à sua apresentação. Ou seja, segundo as informações da DIPJ no momento da apresentação da DCOMP, o referido direito creditório invocado não era líquido e certo, somente sendo objeto de demonstração em momento ulterior à apresentação da DCOMP. Assim, o mero cotejo entre as ementas e os votos (recorrido e paradigmas) já é possível caracterizar a divergência, haja vista que tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido entendeuse pela possibilidade de análise do mérito do pleito de compensação mesmo diante de DIPJ retificadora apresentada após a protocolização da DCOMP, por entender possível a apresentação de prova documental em momento posterior. Por sua vez, os acórdãos paradigmas manifestaramse pela impossibilidade, tendo em vista os limites objetivos da lide delineados com o pedido/declaração inaugural de restituição/compensação, deixando expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação”. Noutros termos, não admitiu a demonstração extemporânea do crédito. (Grifei) Não obstante a citação em plural, "os acórdãos paradigmas", o que se observa é que foi apreciada apenas a matéria trazida pelo paradigma nº 10517.143, inclusive com transcrição da redação do recurso especial sobre o assunto. O despacho de exame de admissibilidade não apreciou a segunda matéria, posta no paradigma nº 280300.109. No caso, aduziu a recorrente que decisão recorrida teria acatado a declaração retificadora da Declaração Anual Simplificada – PJSI, e que o paradigma teria entendido que a declaração retificadora, para fundamentar o direito creditório, deveria estar lastreada por documentação probatória. A apreciação da divergência posta pela recorrente deve ser efetuada em sede de despacho de exame de admissibilidade, falecendo ao presente Colegiado,no presente momento Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10469.903387/200951 Resolução nº 9101000.069 CSRFT1 Fl. 161 7 processual, efetuar o exame da divergência aduzida. Tratase de competência do presidente da câmara recorrida, conforme art. 68, § 1º do Anexo II do RICARF: Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão. § 1º Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negar lhe seguimento. Uma vez efetuado o exame de admissibilidade da matéria pelo presidente da câmara, caso seja negado seguimento, cabe apresentação de agravo. E, sendo admitida a matéria, passase à apreciação do presente Colegiado, que poderá avaliar novamente a admissibilidade. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para devolução dos autos para a câmara recorrida, visando a elaboração de despacho de admissibilidade complementar, para apreciar a matéria devolvida pelo paradigma nº 2803 00.109. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.721513/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/05/2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
Reconhecido, no lançamento anterior, o cerceamento de defesa na realização de auditoria em endereço diverso do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, que levou à decretação da invalidade da autuação fiscal fundamentada na ausência de apresentação de documentos, fica caracterizada a existência de vício material. Uma vez efetuado o novo lançamento em relação aos mesmos fatos geradores somente ao final do ano de 2013, operou-se a extinção do crédito tributário pela decadência.
Numero da decisão: 2401-005.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 31/05/2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Reconhecido, no lançamento anterior, o cerceamento de defesa na realização de auditoria em endereço diverso do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, que levou à decretação da invalidade da autuação fiscal fundamentada na ausência de apresentação de documentos, fica caracterizada a existência de vício material. Uma vez efetuado o novo lançamento em relação aos mesmos fatos geradores somente ao final do ano de 2013, operou-se a extinção do crédito tributário pela decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada).
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MONTREAL INFORMÁTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/05/2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Reconhecido, no lançamento anterior, o cerceamento de defesa na realização de auditoria em endereço diverso do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, que levou à decretação da invalidade da autuação fiscal fundamentada na ausência de apresentação de documentos, fica caracterizada a existência de vício material. Uma vez efetuado o novo lançamento em relação aos mesmos fatos geradores somente ao final do ano de 2013, operou se a extinção do crédito tributário pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 13 /2 01 3- 22 Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10680.721513/201322 Acórdão n.º 2401005.858 S2C4T1 Fl. 963 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), por meio do Acórdão nº 0963.960, de 14/07/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 918/928): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/05/2005 VÍCIO FORMAL. AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. Vício formal se caracteriza nos elementos extrínsecos do ato administrativo. O novo auto de infração deve ser efetuado com os mesmos elementos do anterior, a menos do fato irregular efetuado e tem, por prazo de decadência, o previsto no art. 173, II do CTN. Impugnação Improcedente Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 70/85, que o processo administrativo é composto dos Autos de Infração (AI) nº 37.410.5928 e 37.410.5936, relativos às contribuições previdenciárias patronal (20%) e a cargo dos segurados empregados (8%), respectivamente, incidentes sobre valores pagos pela empresa a seus empregados a título de "participação nos lucros e resultados", nas competências 10/2001 a 05/2005. Segundo o agente fazendário, os autos de infração tiveram por finalidade a substituição da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.004.7354, controlada no Processo nº 35301.013568/200684, que foi tornada nula em razão da constatação de vício formal, conforme decidido no Acórdão nº 20500.837, de 03/07/2008, prolatado pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A fiscalização tributária constatou a realização de pagamentos aos segurados empregados no período a título de participação nos lucros, os quais estavam previstos em convenção coletiva de trabalho e integravam as rubricas 0231 e 0444 das folhas de pagamento de salários. Entretanto, para fins de exclusão das parcelas da base de cálculo da remuneração, a empresa fiscalizada deixou de comprovar o atendimento ao disposto na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, visto que não apresentou a documentação comprobatória da definição de metas e resultados previamente ao pagamento da participação ao empregado, bem como do cumprimento pelo trabalhador do estipulado no instrumento de negociação. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10680.721513/201322 Acórdão n.º 2401005.858 S2C4T1 Fl. 964 3 Por tais motivos, e com base nos documentos constantes do Processo nº 35301.013568/200684, a fiscalização considerou os desembolsos efetuados pela empresa como salário indireto pago a segurado empregado, integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A autuada tomou ciência do auto de infração, por via postal, em 16/12/2013, tendo impugnado a exigência fiscal (fls. 244 e 254/263). Intimada da decisão de primeira instância em 09/08/2017, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, a empresa autuada protocolou recurso voluntário no dia 08/09/2017, em que aduz os seguintes argumentos de fato e de direito (fls. 929/932 e 933/946): (i) ao contrário do que afirmou a decisão de piso, o lançamento original não foi anulado por vício formal, mas em função do cerceamento do direito de defesa da recorrente; (ii) em diversos acórdãos, sobre os mesmos fatos, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se pronunciou pela existência de vício material, ante a impossibilidade de apresentação de documentos e a prestação de esclarecimentos úteis à ação fiscalizatória; (iii) considerando que o lançamento fiscal em discussão diz respeito a obrigações tributárias do período de 07/2001 a 05/2005, há que se reconhecer a extinção do crédito tributário pela decadência; e (iv) alternativamente, mesmo que o lançamento substitutivo não estivesse fulminado pela decadência, houve nítido cerceamento do direito de defesa da recorrente ao constituir o crédito tributário por arbitramento, na medida em que o único documento exigido pela fiscalização para a lavratura do auto de infração foi a última alteração do contrato social da recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10680.721513/201322 Acórdão n.º 2401005.858 S2C4T1 Fl. 965 4 Decadência Como se observa da narrativa acima, tratase de lançamento substitutivo relativo às competências de 10/2001 a 05/2005, com ciência do auto de infração pelo sujeito passivo em 16/12/2013. Quanto ao lançamento original, que compõe o Processo nº 35301.013568/2006 84, apenso aos autos, em nenhum momento as decisões administrativas explicitaram a natureza do vício, se formal ou material, que levou à decretação da nulidade da NFLD nº 37.004.7354. Em contrapartida, se reconheceu o cerceamento do direito de defesa do contribuinte na realização de auditoria em endereço diverso do seu domicílio tributário. Com efeito, toda a celeuma instaurouse com a exigência de documentos pela fiscalização previdenciária em estabelecimento da empresa distinto daquele eleito como seu local centralizador, a partir de orientação dada pela ProcuradoriaGeral Federal, à época responsável pela área de assessoramento e consultoria em matéria jurídica no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Desde o início do procedimento fiscal, nos anos de 2005/2006, a empresa questionou a determinação do agente fazendário para apresentação de documentos na sua filial da cidade do Rio do Janeiro, em razão de que o seu domicílio fiscal, conforme indicado no respectivo contrato social, localizavase no estabelecimento sede no município de Rio das Flores (RJ). Posteriormente ao término da ação fiscal, no processo autuado originalmente sob o nº 2003.51.01.0224300, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF/2ª Região) proferiu decisão, transitada em julgado, em que considerou procedente o pedido da empresa, ora recorrente, para declarar como domicílio tributário a sua sede, na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, município de Rio da Flores (RJ). Além de vincular a Administração Tributária, a declaração de validade do domicílio eleito pelo sujeito passivo, conforme acórdão do TRF/2ª Região, acarretou a ilegalidade do atos praticados pela fiscalização que, desprovidos de justificação válida, desconsideraram o estabelecimento da empresa localizado no município de Rio das Flores (RJ) como aquele onde a pessoa jurídica deveria manter os elementos necessários aos procedimentos fiscais, com obrigação legal de disponibilizálos à fiscalização sempre que solicitados. A postura do agente fiscal em exigir a apresentação dos documentos em estabelecimento, ainda que da mesma empresa, localizado em município diverso do eleito pelo contribuinte como centralizador, no qual estava a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, configura, após a avaliação do caso concreto, evidente prejuízo ao autuado. Não foi outro o entendimento do Acórdão nº 20500.837, de 03/07/2008, da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao julgar o recurso voluntário no Processo nº 35301.013568/200684. Para melhor compreensão do decidido, reproduzo excertos do votocondutor do acórdão (fls. 86/97): (...) Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10680.721513/201322 Acórdão n.º 2401005.858 S2C4T1 Fl. 966 5 No caso sob exame temos que o sujeito passivo, logo após a ciência dos MPF e TIAD, manifestouse através de requerimento sobre o domicílio tributário eleito, apontando alteração de seus atos constitutivos e informando que sua documentação se encontrava no estabelecimento centralizador eleito. A resposta ao requerimento se limitou às alegações trazidas pela Procuradoria do INSS, já expostas no relatório, que em síntese são: (...) Assim procedendo, preferiu o órgão fiscalizador não demonstrar qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal, se configurou para a recusa do domicílio eleito pelo sujeito passivo, já que a matéria estava sendo deduzida em juízo e não havia até aquela data decisão judicial deferindo as pretensões do sujeito passivo. (...) Sobre a documentação da empresa, a fiscalização não deixou de admitir que, de fato, era mantida no domicílio eleito, tal como previsto no artigo 743 da Instrução Normativa n° 03, de 14/07/2005; porém, embora seja esse o critério para fixação de oficio do domicílio, ainda assim se manteve em outro estabelecimento da empresa. E pior, os documentos solicitados pela fiscalização através das 71 páginas de Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD foram transportados para o estabelecimento no Rio de Janeiro, resultando autuações e lançamentos por arbitramento, como conseqüência da impossibilidade de atendimento integral das intimações. Reconheço a existência de cerceamento de defesa, o que acabou se evidenciando através das autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento. O acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, prestando os esclarecimentos necessários e exibindo os documentos que justificam os fatos constatados pela fiscalização, constitui direito do contribuinte alinhado com os preceitos constitucional garantidores da ampla defesa e do contraditório. Por todo o exposto, uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendose por fim que o domicílio tributário e estabelecimento centralizador do recorrente está situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto pela anulação do lançamento. (...) Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10680.721513/201322 Acórdão n.º 2401005.858 S2C4T1 Fl. 967 6 Dessa decisão administrativa, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial na forma regimental, que foi negado provimento, conforme Acórdão nº 920201.457, de 12/04/2011, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 98/103). Como assentado na doutrina e jurisprudência, o lançamento substitutivo decorrente de vício formal deve pautarse nos mesmos elementos de prova do procedimento anterior, mediante o saneamento do defeito do instrumento de constituição do crédito tributário, ficando vedada, por outro lado, qualquer inovação no próprio lançamento. No entanto, o lançamento anterior, consubstanciado na NFLD nº 37.004.7354, foi anulado em decorrência do cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, evidenciado pela exigência do crédito tributário com fundamento na falta de apresentação de documentação pela empresa para demonstrar a inexistência de natureza remuneratória das parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados. Em tal hipótese de invalidade, o lançamento substitutivo não é executável sem alteração do conteúdo do lançamento, porque, antes de mais nada, sob pena de acarretar um outro cerceamento de defesa, a autoridade fiscal deve oportunizar ao contribuinte, no seu domicílio tributário, a apresentação de todos os documentos e informações necessários à atividade fiscalizatória, para só depois, se for o caso, proceder ao novo lançamento. É de se notar, portanto, que no caso em apreço não se reconheceu a existência de vício formal, na medida em que o defeito do lançamento, segundo a decisão no Processo nº 35301.013568/200684, afetou a própria fundamentação em que se sustentou a imputação infracional. De fato, a conduta fiscal não implicou tão somente desrespeito às normas atinentes à realização de procedimento de auditoria, concentradas que são, via de regra, no estabelecimento centralizador da empresa. É inegável que o vício no procedimento fiscal tem relação direta com os fundamentos adotados para a autuação, haja vista que o lançamento de ofício estava escorado na existência de conduta omissiva da empresa na apresentação de documentação comprobatória do cumprimento dos requisitos da legislação específica para exclusão dos valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da tributação das contribuições previdenciárias. Em razão disso, a falha do lançamento original está associada ao conteúdo do ato e, desse modo, a mácula atinge a própria motivação do ato administrativo, configurando um vício material. O lançamento fiscal controlado no Processo nº 35301.013568/200684 revelou vício intrínseco, na sua origem, que contaminou o fundamento da autuação fiscal, de modo que a validade do lançamento fiscal somente era possível a partir da edição de um novo ato administrativo com alteração de conteúdo (motivação). Nesse cenário, o prazo decadencial para o novo lançamento não se submete à regra do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, como acatado pelo colegiado de primeira instância, que se posicionou pela existência de vício formal. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10680.721513/201322 Acórdão n.º 2401005.858 S2C4T1 Fl. 968 7 Na hipótese de vício material, como ora se cuida, a contagem do prazo decadencial para o novo lançamento segue a disciplina do § 4º do art. 150 ou do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Em qualquer das duas regras, levandose em consideração que os AI´s nº 37.410.5928 e 37.410.5936, lavrados em substituição à NFLD nº 37.004.7354, dizem respeito a fatos geradores do período de 10/2001 a 05/2005, com ciência do lançamento fiscal pelo sujeito passivo no dia 16/12/2013, é forçoso reconhecer a extinção do crédito tributário, em virtude da decadência quinquenal (art. 156, inciso V, do CTN). Não obstante o reconhecimento da decadência, acrescento que mesmo na hipótese de vício formal e, portanto, um lançamento substitutivo dentro do prazo de cinco anos da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o lançamento anteriormente efetuado, o que se cogita apenas para fins de raciocínio, também não prospera o presente lançamento fiscal. É que, de acordo com os termos de intimação carreados aos autos pela própria fiscalização, o único documento exigido do contribuinte para a lavratura dos AI´s nº 37.410.5928 e 37.410.5936 foi a última alteração do contrato social. Nada mais foi pedido pela autoridade fiscal, segundo consta, lastreando o lançamento tributário exclusivamente nos fatos verificados no procedimento anterior (fls. 35/43). Assim sendo, avultase, novamente, o cerceamento do direito de defesa, dado que a fiscalização justificou o lançamento com base na omissão do contribuinte na apresentação de documentos e/ou informações, sem oferecer a oportunidade para a sua exibição e/ou prestar esclarecimentos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 968DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720152/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/02/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/02/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 52 /2 00 9- 50 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.720152/200950 Acórdão n.º 3402005.831 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.348. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.720152/200950 Acórdão n.º 3402005.831 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.720152/200950 Acórdão n.º 3402005.831 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.720152/200950 Acórdão n.º 3402005.831 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.721726/2011-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 08/01/2007 a 18/12/2008
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece de recurso especial quando ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, necessária para caracterização da divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de recurso especial quando ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, necessária para caracterização da divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 17 26 /2 01 1- 14 Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 10611.721726/201114 Acórdão n.º 9303007.536 CSRFT3 Fl. 2.595 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 2.549 a 2.554), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3102002.144 (efls. 2.522 a 2.537) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26 de fevereiro de 2014, no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 08/01/2007 a 18/12/2008 Concomitância. Não caracterizada. Discussão administrativa distinta da matéria apresentada administrativamente. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a Cofins Importação e PIS sobre o serviço de transporte internacional de mercadorias realizado por empresas residentes ou domiciliadas no exterior, por não produzir resultado no Pais. INTERMEDIAÇAO DE VENDAS NA EXPORTAÇÃO. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃOINCIDÊNCIA. Não há incidência da CofinsImportação e do PIS na prestação, por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, de serviços de intermediação de vendas, remunerados mediante comissões, concernentes as exportações realizadas pela pessoa jurídica. SEGUROS. SEGURADORA DOMICILIADA NO BRASIL. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência da CofinsImportação e PIS sobre prêmios de seguro contratados com empresas nacionais. Recurso de Oficio Negado. Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10611.721726/201114 Acórdão n.º 9303007.536 CSRFT3 Fl. 2.596 3 O Colegiado a quo entendeu por negar provimento ao recurso de ofício afastando a alegação veiculada pela Procuradoria da Fazenda Nacional da existência de concomitância entre o processo administrativo e o mandado de segurança n.º 0028586 89.2004.4.01.3800 impetrado pela Contribuinte. Além disso, foi excluída do lançamento tributário a incidência do PIS e da COFINS sobre a importação dos seguintes serviços: a) o serviço de transporte internacional de mercadorias realizado por empresas residentes ou domiciliadas no exterior; b) os serviços de intermediação de vendas, remuneradas mediante comissões, decorrentes das exportações realizadas pela pessoa jurídica; e c) os prêmios de seguros contratados com empresas nacionais. Face ao referido julgado, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (e fls. 2.539 a 2.540) alegando omissão na sua fundamentação ao não apreciar os argumentos contidos no item III das “Razões do Recurso de Ofício”. Nos termos do despacho s/n.º, de 8 de junho de 2015 (efls. 2.544 a 2.547), os aclaratórios não foram admitidos, pois o acórdão de recurso de ofício encontravase devidamente embasado, inexistindo a suposta omissão, mas tão somente divergência de entendimentos. Nesse seguir, foi interposto recurso especial pela Fazenda Nacional (efls. 2.549 a 2.554) suscitando divergência jurisprudencial com relação à concomitância das matérias discutidas nos processos judicial e administrativo. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, colacionou os acórdãos paradigmas n.º 30133.151 e 380301.064. Em suas razões recursais, sustentou, em síntese, que a propositura pelo interessado, por meio de qualquer modalidade processual, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, em momento anterior ou posterior à autuação, tendo o mesmo objeto, implica em renúncia tácita à discussão administrativa e desistência de eventual recurso interposto. Após a prolação do despacho s/nº, de 01 de setembro de 2015 (efls. 2.560 a 2.563), que negou seguimento ao recurso especial por ausência de comprovação da divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e os paradigmas, a Fazenda Nacional interpôs agravo (efls. 2.566 a 2.568), o qual foi acolhido para dar seguimento ao apelo especial quanto "[...] à caracterização da concomitância em razão da continência do objeto do litígio administrativo no objeto debatido na via judicial" (efls. 2.570 a 2.574). A Contribuinte foi cientificada do acórdão de recurso de ofício e demais atos que se seguiram, consoante "Termo de Ciência de Abertura de Mensagem" (efl. 2.584), não tendo sido apresentadas contrarrazões (efl. 2.585). Posteriormente, foi concedida vista dos autos (efls. 2.590 a 2.592), com acesso aos documentos do processo (efl. 2.593), sem ter havido manifestação. Com o retorno dos autos ao CARF, o presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 10611.721726/201114 Acórdão n.º 9303007.536 CSRFT3 Fl. 2.597 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009). Conforme relatado, em sede de exame de admissibilidade, o recurso especial da Fazenda Nacional teve seguimento negado, pois se entendeu inexistir a necessária divergência jurisprudencial, uma vez que as circunstâncias fáticas subjacentes aos acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas não se assemelhavam (efls. 2.560 a 2.563). Interposto agravo pela Fazenda Nacional (efls. 2.566 a 2.568), o mesmo foi acolhido para dar seguimento ao apelo especial considerandose como comprovada a divergência jurisprudencial quanto à concomitância entre o processo administrativo e judicial com base no segundo paradigma indicado, acórdão n.º 380301.064 (efls. 2.570 a 2.574), em razão da “caracterização da concomitância em razão da continência do objeto do litígio administrativo no objeto debatido na via judicial”. No entanto, entendese não deva ter prosseguimento o recurso especial, no mesmo sentido da conclusão exarada no despacho de admissibilidade s/n.º, de 01 de setembro de 2015 (efls. 2.560 a 2.563), que com relação ao acórdão n.º 380301.064 afastou a existência de divergência jurisprudencial nos seguintes termos, in verbis: [...] Nos presentes autos, o Colegiado recorrido, em sede de preliminar, decidiu tomar conhecimento do referido recurso, por não haver concomitância entre o objeto deste processo e o do processo do Mandado de Segurança n° 002858689.2004.4.01.3800, ajuizado pela autuada, com a pretensão de afastar a exigência da Contribuição para o PISPasep e da Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços em face de inconstitucionalidade da Lei 10.865/2004, sob as seguintes alegações: a) inconstitucionalidade por veicular matéria reservada à lei complementar; b) instituir contribuição sem qualquer Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10611.721726/201114 Acórdão n.º 9303007.536 CSRFT3 Fl. 2.598 5 vinculo com o provimento do custeio da seguridade social; c) ampliar a base de cálculo das novas contribuições sociais incidentes sobre importação de bens, em descompasso com o § 2º do art. 149 da Constituição; e d) violação do principio da isonomia. No mérito, o Colegiado negou provimento ao recurso de ofício e manteve na íntegra a decisão de primeiro grau, que reconheceu a não incidência das referidas contribuições sobre: a) os serviços de (i) transporte internacional de mercadorias realizado por empresas residentes ou domiciliadas no exterior e (ii) de intermediação de vendas, remuneradas mediante comissões, decorrentes das exportações realizadas pela pessoa jurídica; e b) os prêmios de seguros contratados com empresas nacionais. Ante a decisão exarada, a recorrente se insurgiu por meio do recurso especial de fls. 2549/2554, no qual alegou que, ao contrário da decisão recorrida, a leitura dos paradigmas apresentados não deixava qualquer dúvida no sentido de que propositura, por qualquer que fosse a modalidade processual, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importava, por parte do interessado, renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto. Segundo a recorrente, no acórdão nº 380301.064, assim como no julgado recorrido, o processo judicial objetivava o não recolhimento dos tributos, em virtude da suposta inconstitucionalidade da Lei 10.865/2004. Porém, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o objeto do processo judicial não abrangia o conteúdo deste processo, os paradigmas defenderam exatamente o contrário e aplicaram os feitos da concomitância. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, a recorrente reproduziu, como paradigmas, no corpo do recurso, o enunciado das ementas dos acórdãos nºs 30133.151 e 380301.064 proferidos, respectivamente, pela 1ª Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e pela extinta 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, cujos enunciados das respectivas seguem transcritos: [...] Acórdãos nº 380301.064: AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE OBJETOS. OCORRÊNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa em renúncia à instancia administrativa a concomitância entre mandado de segurança por meio do qual o sujeito passivo pretende afastar a exigibilidade do PIS e da COFINS, imposta pela Medida Provisória nº 164, de 2004, convertida na Lei nº 10.865, de 2004, eximindose de seu pagamento, e processo administrativo de determinação e exigência dessas contribuições sociais, apuradas com base no Valor Aduaneiro, nos termos do Acórdão proferido no julgamento da apelação na mesma ação judicial, em face da Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 10611.721726/201114 Acórdão n.º 9303007.536 CSRFT3 Fl. 2.599 6 continência do objeto deste no objeto daquela. Incidência da Súmula CARF nº 1. [...] O segundo acórdão apontado como paradigma tratou da não cobrança da Contribuição para o PISPasep e da Cofins incidente sobre a operação de importação de equipamento médico, sem similar nacional, em razão da alegada inconstitucionalidade da Lei 10.865/2004 que instituiu a cobrança das referidas contribuições sobre a importação. E por ter o mesmo objeto do processo judicial (o MS nº 2006.70.00.0055704), conforme entendimento exarado no voto condutor do julgado, o recurso não conhecido por concomitância entre o processo administrativo de judicial. Assim, também fica demonstrado que esse segundo acórdão não se presta como paradigma, porque não há identidade das circunstâncias fática e jurídica abordadas nos arrestos confrontados. Com efeito, no acórdão recorrido o Colegiado decidiu que não havia incidência das referidas contribuições sobre os serviços de (i) transporte internacional de mercadorias realizado por empresas residentes ou domiciliadas no exterior e (ii) de intermediação de vendas, remuneradas mediante comissões, decorrentes das exportações realizadas pela pessoa jurídica, e sobre os prêmios de seguros contratados com empresas nacionais, com base no entendimento de que tais serviços não integravam o campo de incidência da Contribuição para o PISPasepImportação e da CofinsImportação, definido na Lei 10.865/2004, e como este assunto não fora objeto da citada ação judicial, foi a afastada a concomitância entre os referidos processos. Ao passo que no segundo acórdão dito paradigma, a questão analisada foi a não cobrança das referidas contribuições incidente sobre a importação de equipamento médico, sem similar nacional, sob a alegação de inconstitucionalidade da Lei 10.865/2004, que instituiu a cobrança das referidas contribuições sobre a importação, assunto que também fora objeto do respectivo processo administrativo, razão pela qual o Colegiado não tomou conhecimento do recurso voluntário interposto, em face da comprovada concomitância do objeto discutido em ambos os processos. Assim, por serem distintos as circunstâncias fática e jurídica apresentadas no acórdão recorrido e nos acórdãos ditos paradigmas, resta incomprovada a divergência jurisprudencial suscitada, pois, não há que se falar em divergência na aplicação da legislação tributária ante circunstâncias fáticas e jurídicas diferentes. [...] Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10611.721726/201114 Acórdão n.º 9303007.536 CSRFT3 Fl. 2.600 7 Dessa forma, não deve ser conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional, em razão da inexistência de similitude fática e jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730072/2015-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
BOA FÉ DO AGENTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA
A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. Ocorrido o fato previamente descrito na norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida
APROPRIAÇÃO DE VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Os recolhimentos em GPS a maior, anteriores ao início do procedimento fiscal e não declarados em GFIP não podem ser apropriados na ação fiscal, haja vista as regras estabelecidas pela IN 971/2009. As apropriações somente poderiam ser realizadas se houvesse declaração em GFIP com a respectiva correspondência à GPS recolhida. Como não foram apresentadas as retificações na sua integralidade, algumas apropriações deixaram de ser efetuadas pela autoridade fiscal.
SERVIDORES TEMPORÁRIOS, AUTÔNOMOS E COMISSIONADOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. JETONS
Os servidores temporários, autônomos e comissionados são classificados no Regime Geral da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. Foram excluídos os Jetons pagos a estatutários comprovados.
Numero da decisão: 2401-005.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 BOA FÉ DO AGENTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. Ocorrido o fato previamente descrito na norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida APROPRIAÇÃO DE VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Os recolhimentos em GPS a maior, anteriores ao início do procedimento fiscal e não declarados em GFIP não podem ser apropriados na ação fiscal, haja vista as regras estabelecidas pela IN 971/2009. As apropriações somente poderiam ser realizadas se houvesse declaração em GFIP com a respectiva correspondência à GPS recolhida. Como não foram apresentadas as retificações na sua integralidade, algumas apropriações deixaram de ser efetuadas pela autoridade fiscal. SERVIDORES TEMPORÁRIOS, AUTÔNOMOS E COMISSIONADOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. JETONS Os servidores temporários, autônomos e comissionados são classificados no Regime Geral da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. Foram excluídos os Jetons pagos a estatutários comprovados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
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FATO GERADOR. OCORRÊNCIA A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. Ocorrido o fato previamente descrito na norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida APROPRIAÇÃO DE VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Os recolhimentos em GPS a maior, anteriores ao início do procedimento fiscal e não declarados em GFIP não podem ser apropriados na ação fiscal, haja vista as regras estabelecidas pela IN 971/2009. As apropriações somente poderiam ser realizadas se houvesse declaração em GFIP com a respectiva correspondência à GPS recolhida. Como não foram apresentadas as retificações na sua integralidade, algumas apropriações deixaram de ser efetuadas pela autoridade fiscal. SERVIDORES TEMPORÁRIOS, AUTÔNOMOS E COMISSIONADOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. JETONS Os servidores temporários, autônomos e comissionados são classificados no Regime Geral da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. Foram excluídos os Jetons pagos a estatutários comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 00 72 /2 01 5- 40 Fl. 19763DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC (DRJ/FNS) que julgou improcedente a impugnação, mantendo na íntegra o crédito tributário exigido por meio dos Autos de Infração AI DEBCAD nº 51.075.9335, AI DEBCAD nº 51.075.9351, AI DEBCAD nº 51.075.9378 e AI DEBCAD nº 51.075.9360, conforme ementa do Acórdão nº 0739.021 (fls. 19667/19712): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária a prestação de serviços prestados por segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, cuja base de cálculo corresponde ao saláriodecontribuição. Considerase saláriodecontribuição para o empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Considerase saláriodecontribuição para o contribuinte individual a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. Fl. 19764DF CARF MF Processo nº 10580.730072/201540 Acórdão n.º 2401005.904 S2C4T1 Fl. 3 3 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS NÃO INTEGRANTES. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o saláriode contribuição. CONTRIBUIÇÃO AO SAT/RAT. FAP. Para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incide contribuição social, cuja base de cálculo corresponde o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. A partir de Janeiro de 2010 a alíquota poderá sofrer redução ou majoração em face da aplicação do FATOR ACIDENTÁRIO de PREVENÇÃO FAP, que afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período, consistindo num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais sobre a alíquota RAT. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com informações incorretas ou omissas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I – a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. A multa de ofício aplicada ao lançamento fiscal encontra previsão legal expressa, sem espaço para interpretação diversa por parte do julgador administrativo. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no Fl. 19765DF CARF MF 4 interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, cuja inobservância impõe a sanção de multa pelo seu descumprimento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário. IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL. CONTAGEM DO PRAZO INICIAL. ART. 150, § 4º, ART. 173, I, CTN. REGRAS DE AFERIÇÃO. LEI 8.212/91. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, com a edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, bem como sua revogação pela Lei Complementar nº 128/2008, o prazo decadencial das contribuições sociais passou a ser regido pelo Código Tributário Nacional. Na constatação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase na constituição do crédito o disposto no inciso I do art. 173 do CTN, independentemente de ter havido pagamento parcial. Constatado pagamento parcial do tributo, a decadência tem por marco inicial a ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, CTN. Inexistindo pagamento a decadência tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, segundo o art. 173, I, CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. PRAZO. Ao lançamento fiscal relativo às obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária aplicase a regra do inciso I, do art. 173, do CTN, para fins de sua constituição. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 19766DF CARF MF Processo nº 10580.730072/201540 Acórdão n.º 2401005.904 S2C4T1 Fl. 4 5 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ATIVIDADE VINCULADA DO JULGADOR. Não cabe ao julgador administrativo, em função da atividade vinculada que exerce, afastar a multa pelo descumprimento da obrigação acessória sob argumento de confisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de quatro Autos de Infração, consolidados em 15/01/2016, que são: 1. AI DEBCAD nº 51.075.9335, referente às contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, não recolhidas na época própria, no período de 01/2011 a 12/2011, no valor de R$ 9.146.649,49 (fls. 03/20); 2. AI DEBCAD nº 51.075.9351, referente às contribuições patronais incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais e a contribuição patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (1% de SAT/RAT x FAP de 1,0755) sobre as remunerações de segurados empregados, no período de 01/2011 a 13/2011, não declaradas em GFIP, no valor de R$ 24.601.298,82 (fls. 21/50); 3. AI DEBCAD nº 51.075.9378, referente à diferença de contribuição patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT x FAP), incidente sobre as remunerações declaradas em GFIP, mas com informação inexata de redução das contribuições devidas, no período de 01/2011 a 13/2011, lançadas no levantamento denominado DT, no valor de R$ 42.505,23 (fls. 52/114); 4. AI DEBCAD nº 51.075.9360 – CFL 78, no valor de R$ 14.895,00, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (fl. 51). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 117/173): 1. Constitui fato gerador das contribuições apuradas, a prestação de serviço remunerada, realizada por segurados empregados classificados pelo sujeito passivo como: CLT, Regime Especial, Regime Especial CLT, Temporários submetidos ao Regime Especial de Direito Administrativo REDA, pagamentos por força de Termo de Ajustamento de Conduta TAC e Agente público) e contribuintes individuais sem vínculo empregatício (prestadores de serviços diversos categoria 13) que trabalharam na Prefeitura Municipal de Salvador, no período compreendido entre janeiro/2011 a dezembro/2011; Fl. 19767DF CARF MF 6 2. O município possui Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), instituído pela Lei nº 2.456, de 15/01/1973; 3. Os órgãos ou entidades da administração direta, autarquias e fundações públicas são considerados empresa, conforme art. 15 da Lei nº 8.212/91 e, em relação aos segurados que lhes prestam serviços, quando não amparados por RPPS, ficam sujeitos ao cumprimento das obrigações principais e acessórias da Lei nº 8.212/91; 4. O enquadramento do sujeito passivo, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias, conforme Lei nº 8.212/91, corresponde: a. Contribuição patronal de 20% FPAS 5820; b. Contribuição ao RAT/SAT – 2%, válido a partir de 06/2007, conforme CNAE Fiscal 84.11600; c. FAP – Fator Acidentário Previdenciário de 1,3817, de 01/2010 a 13/2010 e 1,0755 de 01/2011 a 13/2011, constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Resolução MPS/CNPS nº 1.316 de 31/05/2010; 5. Foram feitas as autuações fiscais por descumprimento de obrigações acessórias e também lançamento de obrigações principais; 6. O Contribuinte, no que se refere ao AI DEBCAD nº 51.075.9360 – CFL 78, omitiu em GFIP valores passíveis de contribuições previdenciárias, infringindo o art.32, inciso IV e § 9º, e art. 32A, todos da Lei nº 8.212/91; 7. O Contribuinte entregou GFIP das competências 01/2010 a 13/2011, sem constar a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais; 8. Para os fatos geradores não declarados em GFIP em que houve apuração de débitos – lançamento de ofício , foi aplicada a multa de 75%, conforme art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; 9. Para os fatos geradores com recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal em valor superior ao declarado, mas que durante a ação fiscal houve a retificação da GFIP, foi aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, conforme disciplinado no art. 463, § 5º, inciso II, da IN RFB nº 971/2009; 10. As condutas de não repassar à RFB a integralidade das contribuições retidas, de não inclusão de segurados ou remunerações nas GFIP ou folhas de pagamento e de suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante omissão de informações, ou prestação de informação falsa às autoridades fazendárias, caracterizamse, em tese, crime contra a ordem tributária, motivo pelo qual serão objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Em 29/01/2016 o Contribuinte tomou ciência pessoal dos Autos de Infração (fls. 03, 21, 51 e 52) e em 23/02/2016, tempestivamente, apresentou Impugnação única para os Autos de Infração (fls. 19625/19659). Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/FNS para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0739.021, em 19/01/2017 a 5ª Turma resolveu Fl. 19768DF CARF MF Processo nº 10580.730072/201540 Acórdão n.º 2401005.904 S2C4T1 Fl. 5 7 julgar improcedente a impugnação, mantendo na íntegra o crédito tributário exigido por meio dos Autos de Infração. O Contribuinte tomou Ciência do Acórdão proferido pela DRJ/FNS em 02/02/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – fl. 19719) e, em 21/02/2017, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 19722 a 19753, onde: 1. Disserta acerca da boa fé do ente público e alega que não houve qualquer omissão intencional de informações a caracterizar o dolo mas tão somente irregularidades formais que comprometeram a compreensão plena dos dados previdenciários; 2. Informa que existe um enorme volume de recolhimentos efetuados no período fiscalizado que não correspondem a qualquer fato gerador declarado em GFIP e alega que esses valores não foram aproveitados; 3. Discorre sobre a decadência, argumentando que houve recolhimento em todas as competências do lançamento, ainda que a menor e, portanto, a regra aplicável é a data da ocorrência do fato gerador (mês a mês), conforme § 4º do art. 150 do CTN, e não a regra do inciso I do art. 173 deste mesmo diploma, citando doutrina e jurisprudência; que no caso presente, como foi cientificado do auto de infração em 29 de janeiro de 2016, os créditos exigidos referentes a janeiro/2011 estão decadentes; 4. Demonstrada a boafé do Contribuinte, a ausência de prejuízo e sua natureza de ente público, requer a suspensão da multa de ofício sob alegação de equidade; 5. Com relação ao AI DEBCAD nº 51.075.9360 – CFL 78 aduz: a. Que a penalidade de multa aplicada, decorrente da elaboração e registro da folha de pagamento em desacordo com as prescrições previdenciárias, é indevida; b. Que não houve qualquer omissão intencional a caracterizar dolo, mas, no máximo, apenas irregularidades formais laterais e que, mesmo que comprometam a compreensão plena dos dados previdenciários, podem ser complementadas com informações acessórias; c. Que eventuais irregularidades nas folhas decorrem da enorme complexidade que é o seu registro por ente de Direito Público da dimensão do Contribuinte; 6. Com relação ao AI DEBCAD nº 51.075.9335 aduz: a. Que conforme o próprio Relatório Fiscal reconhece que a ausência de recolhimento deriva unicamente da recusa em se proceder a apropriação/imputação de pagamento dos valores comprovadamente pagos, portanto, tratase de questão meramente formal; b. Que não existe prova do desconto efetivo e não recolhimento, já que tudo se baseia na ausência de declaração em GFIP, porém, caso sejam aproveitados os recolhimentos, os valores seriam mais que suficientes para anular qualquer questionamento; Fl. 19769DF CARF MF 8 c. Que resta evidente a ausência de qualquer dolo em se apropriar de recursos dos segurados, mesmo porque os valores foram recolhidos, porém não reconhecidos pela RFB por questões formais; d. Que há pagamentos que sequer constituem fato gerador, a exemplo dos jetons de conselheiros e pagamentos a pessoas jurídicas; 7. Com relação ao AI DEBCAD nº 51.075.9351 assevera: a. Que a grande parte da base de cálculo se refere a pagamentos vinculados à Secretaria Municipal de Saúde a saber: i) pagamentos a empregados por força do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e ii) pagamentos a servidores temporários submetidos ao Regime Especial de Direito Administrativo (REDA), contratados após Processo Seletivo Simplificado; b. Que, devido ao enorme volume de informações, considera impossível conferir todos os dados no prazo exíguo de 30 (trinta) dias, razão pela qual requer prorrogação de prazo para apresentação de documentos e contestação; c. Ser impossível exigir contribuição sobre valores pagos a servidores públicos municipais vinculados ao Regime Próprio (RPPS); d. Que no caso dos pagamentos de JETONS, decorrentes de participação em reuniões do Conselho Municipal de Contribuintes (CMC) e Conselho Municipal de Educação (CME), são feitos em sua maioria a servidores públicos municipais efetivos, portanto, se tais valores se constituírem em base de cálculo de contribuição, esta será para o RPPS e não para o RGPS; e. Que o pagamento de JETONS e OPERAÇÃO CARNAVAL possuem natureza indenizatória, decorrente de participação em reuniões e sessões, portanto, tratase de verba eventual, sem o condão de se constituir em renda, típica de ajuda de custo, sem incidência de contribuição previdenciária; f. Que mesmo não reconhecido o caráter indenizatório do JETON, este não pode integrar a base de cálculo da contribuição ao RGPS, por se tratar de gratificação eventual, sem natureza salarial, paga sem vínculo específico em relação ao trabalho, a título honorífico e sem habitualidade, condicionada a um fato pontual, incerto e eventual, que é a ocorrência da reunião/sessão e participação do conselheiro; 8. Com relação ao AI DEBCAD nº 51.075.9378 diz que não há erro no cálculo do FAP feito pela empresa; que o FAP para o setor público está correto para o período fiscalizado, não havendo diferença a ser apontada. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo a reforma do Acórdão da DRJ/FNS e que sejam julgados nulos/improcedentes os Autos de Infração impugnados e que, mesmo que isso não se dê de forma integral, seja reconhecida a decadência parcial dos créditos constituídos e sejam apropriados/imputados os valores identificados no relatório fiscal como recolhimentos efetuados pelo Contribuinte no período, bem como relevada a multa aplicada por força da equidade. Em 31/07/2017 foi juntado aos autos Requerimento do Contribuinte (fl. 19757) requerendo a Desistência Parcial do Recurso Voluntário interposto em relação aos Autos de Infração DEBCAD 51.075.9360 e 51.075.9378, para fins de adesão ao Programa de Regularização Previdenciária de Estados e Municípios (PREM). Fl. 19770DF CARF MF Processo nº 10580.730072/201540 Acórdão n.º 2401005.904 S2C4T1 Fl. 6 9 É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O lançamento fiscal foi apurado tendo como fato gerador a prestação de serviço remunerado, realizada por segurados empregados classificados pelo ente municipal como: CLT, Regime Especial, Regime Especial CLT, Temporário, REDA, TAC e Agente Público, além de contribuintes individuais sem vínculo empregatício. Inicialmente, há de se destacar toda a normatização relativa à seguridade social, a organização de custeio, a determinação de que os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias e que os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos, vinculamse obrigatoriamente ao RGPS, sendo que os regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo são somente para aos servidores titulares de cargos efetivos. Com efeito, a Constituição Federal estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII), a qual será financiada por toda a sociedade, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e das contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, senão vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Nesse sentido, a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, estabelece em seu artigo 15, que os órgãos e Fl. 19771DF CARF MF 10 entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias: Art. 15. Considerase: I – empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 1988, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, ocorreram profundas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos, vinculamse obrigatoriamente ao RGPS. Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: "Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Fl. 19772DF CARF MF Processo nº 10580.730072/201540 Acórdão n.º 2401005.904 S2C4T1 Fl. 7 11 Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, assim determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Destarte, os servidores empregados, temporários, autônomos e comissionados são segurados obrigatórios da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, conforme norma emanada do § 13, do art. 40 da Constituição Federal. Os lançamentos consideraram as remunerações pagas a servidores não efetivos, não abrangidos pelo RPPS. Em razões recursais, o contribuinte alega a boa fé do ente público e que não houve omissão intencional de informações mas tão somente irregularidades formais. Nesse ponto, importante registrar que a infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, ocorrido o fato previamente descrito na norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida (art. 113, § 1º e 114 do CTN), cabendo à autoridade administrativa, em face do princípio da legalidade, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). No que tange à supressão da multa de ofício sob a alegação de equidade, não assiste razão ao contribuinte. A imputação encontrase prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Dessa forma, resta incólume o lançamento e a decisão recorrida. Alega ainda o Recorrente que deve ser retificado o auto de infração para a apropriação dos valores registrados no Relatório Fiscal como pagamentos efetuados, inobstante não terem sido declarados em GFIP. Argumenta que a fiscalização entende que não pode ocorrer o aproveitamento por conta da revogação do art. 457 da IN nº 971/2009 pela IN nº 1.477/2014. Fl. 19773DF CARF MF 12 Conforme demonstrou a autoridade fiscal no Relatório de lançamento (itens 6.6 e seguintes – fls. 122 e seguintes), o sujeito passivo foi intimado para entregar as GFIP´s compatíveis com os recolhimentos, a fim de sanar erro de fato, bem como para retificar as GFIP´s para o aproveitamento dos recolhimentos havidos antes do procedimento fiscal. No entanto, como não foram apresentadas as retificações na sua integralidade, algumas apropriações deixaram de ser efetuadas pela autoridade fiscal. Esclareceu a autoridade autuante que o contribuinte retificou GFIP´s, incluindo os contribuintes individuais (pagamentos de Jetons e prestação de serviços) porém, não foram declarados todos os contribuintes individuais compatíveis com os recolhimentos que o próprio sujeito passivo identificou. Afirma que os valores de recolhimentos anteriores ao procedimento fiscal referentes a folhas de pagamento descentralizadas de empregados temporários, não foram declarados em GFIP. Assim, os recolhimentos em GFIP a maior, anteriores ao início do procedimento fiscal e não declarados em GFIP não foram apropriados na ação fiscal, haja vista as regras estabelecidas pela IN 971/2009. As apropriações somente poderiam ser realizadas se houvesse declaração em GFIP com a respectiva correspondência à GPS recolhida. Como já se constatou pela autoridade fiscal, o sujeito passivo foi intimado a retificar as GFIP para o aproveitamento dos recolhimentos efetuados e não as retificou na integralidade. Nos itens 6.19.2 e 6.19.3 do Relatório de autuação, a auditoria fiscal esclarece que não existe procedimento de vincular o crédito tributário do apurado aos indébitos do contribuinte, pois os sistemas da Secretaria da Receita Federal não permite que um mesmo pagamento seja vinculado, simultaneamente, a uma GFIP e a um processo administrativo fiscal, além de não existir o controle pela RFB do valor do indébito aproveitado, podendo, inclusive, o contribuinte solicitar restituição ou se compensar, tendo em vista a impossibilidade de se vincular o pagamento ao crédito apurado. Dessa forma, o próprio contribuinte informou que, em paralelo ao recurso, irá efetuar o pedido administrativo de compensação dos valores pagos em GPS. Nesse diapasão, agiu correto o fiscal ao intimar o contribuinte para fazer as retificações nas GFIP´s e, não tendo sido efetuada todas as retificações, não houve apropriação de valores recolhidos em GPS sem compatibilidade com os valores declarados em GFIP, razão pela qual compartilho do entendimento adotado pela decisão de piso, não assistindo razão, neste ponto, ao contribuinte. Quanto a alegação de decadência com relação a competência 01/2011, verificase que o contribuinte foi cientificado em 29 de janeiro/2016 para a apuração dos fatos geradores de 01/2011 a 12/2011, e como teve antecipação de pagamento foi considerado pela decisão de piso a contagem do prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: 20. Pelo que interessa ao deslinde da matéria, em relação ao argumento da impugnante sobre a decadência da competência 01/2011, contado da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN), uma vez que foi cientificado em janeiro/2016, considero não haver amparo legal à pretensão, posto que o prazo que o Fisco dispunha para efetuar o lançamento, nesta competência, consoante tal regra, seria o último dia do mês da ocorrência do fato gerador (31/01/2016). Portanto, tendo a ciência ocorrido dentro do próprio mês (29/01/2016), não transcorreu o prazo limite de cinco anos, estando hígido o lançamento. Fl. 19774DF CARF MF Processo nº 10580.730072/201540 Acórdão n.º 2401005.904 S2C4T1 Fl. 8 13 21. No caso específico do descumprimento da obrigação acessória, a decadência segue a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício em que o lançamento poderia ser efetuado, não importando se houve ou não o pagamento da contribuição social, e se adotar a regra do art. 150, § 4º, CTN. Assim, não merece reparos a decisão de piso. O Recorrente traz ainda alegações gerais acerca da exigência tributária, ao pagamento de jetons e operação carnaval a servidores vinculados a regime próprio e da sua natureza indenizatória, portanto, fora da hipótese de incidência tributária. Assevera que o pagamento de Jetons pela participação em reuniões do Conselho Municipal de Contribuintes (CMC) e do Conselho Municipal de Educação (CME) é efetuado, em sua maioria, a servidores públicos municipais efetivos, sujeitos ao regime próprio. Assim, sendo os beneficiários de Jeton pagos a servidores efetivos, seus valores jamais poderiam constituir parcela sujeita a incidência previdenciária. Compulsando os autos do processo administrativo, constatase que o Recorrente traz alegações gerais acerca da não exigência das contribuições previdenciárias sobre os Jetons, Operação Carnaval, além de não apresentar nenhuma lista com nomes de servidores que pudesse conduzir ao reexame da questão analisada em face do lançamento fiscal. Tendo em vista os elementos constantes no lançamento, entendo que não merece reforma a decisão de piso. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 19775DF CARF MF
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