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Numero do processo: 13839.900967/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO
A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na não homologação da compensação. Não basta retificar as DCTF, mas deve ser demonstrado o motivo da redução do débito, que justificasse o pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 1302-004.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na não homologação da compensação. Não basta retificar as DCTF, mas deve ser demonstrado o motivo da redução do débito, que justificasse o pagamento indevido ou a maior.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na não homologação da compensação. Não basta retificar as DCTF, mas deve ser demonstrado o motivo da redução do débito, que justificasse o pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 09 67 /2 01 2- 24 Fl. 196DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900967/2012-24 Para fins de celeridade e economia processual, e por se tratarem de mesmo tema, os processos a seguir discriminados, que cuidam de Declaração de Compensação cujo crédito tem origem em dois pagamentos indevidos ou a maior, relativos ao ajuste de IRPJ e CSLL no final do ano-calendário de 2008, estão apensados ao presente processo: PROCESSO TRIBUTO CRÉDITO ORIGINAL PARCELA DO CRÉDITO UTILIZADA CÓDIGO DATA DA ARRECADAÇÃO 13839901078201284 CSLL R$ 298.755,84 R$ 173.561,40 6773 31/03/2009 13839901077201230 CSLL R$ 298.755,84 R$ 17.603,52 6773 31/03/2009 13839900967201224 CSLL R$ 298.755,84 R$ 107.590,92 6773 31/03/2009 13839903006201271 IRPJ R$ 1.330.021,96 R$ 647.739,40 2430 31/03/2009 13839902728201217 IRPJ R$ 1.330.021,96 R$ 643.728,84 2430 31/03/2009 13839901724201041 IRPJ R$ 1.330.021,96 R$ 38.553,72 2430 31/03/2009 Os pagamentos, objeto de crédito, são os seguintes: TRIBUTO CRÉDITO ORIGINAL PARCELA DO CRÉDITO CÓDIGO DATA DA ARRECADAÇÃO CSLL R$ 298.755,84 R$ 298.755,84 6773 31/03/2009 IRPJ R$ 1.802.127,86 R$ 1.330.021,96 2430 31/03/2009 As declarações de compensação não foram homologadas pela DRF/Jundiaí/SP, pois os pagamentos se encontravam integralmente utilizados para quitação de débitos da recorrente, não restando créditos disponíveis para compensação de débitos informados nas Declarações de Compensação. Foi apresentada manifestação de inconformidade, alegando que efetuou indevidamente recolhimentos a maior dos tributos em questão, que pode ser constatado pela DIPJ/2009 apresentada. Logo, há que ser acolhido a justificativa de erro e homologadas as compensações. Em sessão do dia 29/11/2013, a 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP julgou improcedentes as manifestações de inconformidade apresentadas, por meio do Acórdão nº 14- 47.572, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. A turma julgadora de primeira instância não acatou a alegação de erro, pois as DCOMP foram apresentadas sem que ocorresse a retificação da DCTF, documento hábil para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar a forma de sua quitação. No caso analisado, a turma julgadora concluiu que não se tratava de um simples erro de Fl. 197DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900967/2012-24 preenchimento passível de retificação, pois trata-se de vício insuperável até por conta do decurso de prazo de 5 anos para pleitear a restituição. A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 05/03/2014, conforme Termo de Abertura de Documento de fls. 139. O recurso voluntário foi apresentado em 01/04/2014, fls. 142/152, com as seguintes alegações: A constituição de crédito tributário por DIPJ ou DCTF é provisória e somente se torna definitiva com a homologação, situação que indica a incorreção da decisão de 1ª instância. A legislação não condiciona a restituição ou compensação à retificação da DCTF. A IN SRF nº166/99 reconhece a produção dos efeitos da DIPJ retificadora, com a qual a recorrente demonstrou claramente a existência de seu direito creditório. A análise não poderia se limitar apenas às informações prestadas na DCTF. Cabe manifestação de inconformidade nos casos previstos no artigo 174, inciso III do Regimento Interno da Receita Federal, relativo à redução de tributos, como ocorre quando o débito é declarado em DCTF como exigível, mas, posteriormente, por circunstâncias diversas, deixa de ser devido. O efeito da confissão de dívida referida no DL nº 2.124/84 não é absoluto, merecendo temperamentos quanto aos seus efeitos, já que a verdade material sobrepõe-se a eventuais declarações incorretas. O erro no preenchimento de uma declaração não tem o efeito de deflagrar o nascimento da obrigação tributária, destacando que há inúmeros julgados do Conselho de Contribuintes reconhecendo a improcedência de autos de infração quando comprovado que a obrigação tem origem em erro de preenchimento, prevalecendo a verdade material. A recorrente comprovou o recolhimento a maior, sendo incorreto o entendimento da autoridade fiscal quando diz que “No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito pela DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior”. A decisão não considerou a prova produzida e a análise não se pautou na jurisprudência deste Conselho, daí porque o provimento é medida que se impõe. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900967/2012-24 Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli - Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Conforme relatado, o direito creditório não foi reconhecido uma vez que os pagamentos estavam totalmente alocados aos débitos de IRPJ e CSLL, que foram declarados em DCTF. Importa esclarecer que estes pagamentos se referem aos citados tributos apurados no ajuste do ano-calendário de 2008, e que são pagos em 31/03/2009 com os acréscimos de juros de mora, conforme demonstra a Ficha DARF das DCOMP que possuem o detalhamento dos créditos: Por sua vez, a recorrente alega que teria comprovado seu direito ao apresentar a DIPJ/2009 retificadora, transmitida em 15/10/2009. Com relação a CSLL, ela teria apurado base de cálculo negativa, motivo pelo qual teria direito à totalidade do valor pago. E, com relação ao IRPJ, o valor devido no final do período seria de R$ 472.105,90, de forma a demonstrar o pagamento a maior de R$ 1.330.021,96 (desconsiderados os juros de mora). Trata-se de uma questão de prova. São duas declarações apresentadas pela recorrente que apresentam valores distintos. De um lado, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), declaração que a Administração Tributária elegeu como documento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, nos termos da IN SRF nº 786/2007, vigente à época dos fatos geradores. Por outro lado, a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica, que tem natureza apenas informativa, e foi retificada reduzindo o valor devido a título de IRPJ e CSLL. Fl. 199DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900967/2012-24 Cumpre frisar que, nos termos do artigo 170 do CTN, o direito creditório só poderá ser reconhecido se estiverem presentes a certeza e liquidez do crédito. E o ônus da prova é daquele que pleiteia, por força do artigo 373 do CPC. No caso dos autos, a alegação de que teria ocorrido erro no preenchimento da DCTF não foi comprovada. A simples apresentação da DIPJ/2009 retificadora, desacompanhada de maiores explicações que justificassem a redução da base de cálculo dos tributos, não tem o condão de demonstrar a certeza e liquidez do crédito. Como dito anteriormente, são duas declarações apresentadas pela recorrente, destacando que a DCTF é o instrumento capaz de confessar o débito. Por certo que, como alega a recorrente, é possível a retificação da DCTF mesmo após emitido o Despacho Decisório, entendimento já acatado pela própria Administração, conforme Parecer Normativo COSIT nº 2, DE 01/09/2015. Entretanto, é necessário a comprovação do erro de fato no preenchimento da DCTF original, condição que não ocorreu no presente caso. Para demonstrar o erro, nos termos do artigo 147, § 1º do CTN, necessário se faz esclarecer: (1) qual foi a base de cálculo inicial, que deu origem ao recolhimento, (2) qual foi o erro cometido e (3) a suposta base de cálculo correta, que daria origem ao crédito em função do pagamento a maior. A par disso, a recorrente ainda deveria demonstrar o valor correto do tributo apurado, e devidamente registrado na escrituração contábil, acompanhado dos documentos hábeis e idôneos que lastreassem os lançamentos. Nada disso foi apresentado nos autos. Nestes termos, já que a certeza e liquidez dos créditos não restaram comprovadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720110/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos seguintes: i) Reforçar a solicitação de diligência anterior, no sentido de solicitar à Fiscalização que, a par dos questionamentos acerca das metodologias utilizadas pelo contribuinte (que serão objeto de apreciação pela Turma), também se manifeste de modo objetivo acerca dos cálculos apresentados; ii) Relativamente às Notas Fiscais de saída objeto da autuação, que a Fiscalização esclareça se foram deduzidas as Notas Fiscais de Devolução; iii) No que toca ao "giro de estoque" considerado pelo Recorrente, que este esclareça se adotará o mesmo critério utilizado pela Fiscalização (mês a mês) ou se insiste na utilização do critério de giro de estoque, adequando o levantamento realizado; iv) Quanto às verificações realizadas nas filiais recebedoras, que a Recorrente esclareça e comprove que considerou também as entradas recebidas com suspensão de outros estabelecimentos, que não o autuado; e, v) Por fim, que a Fiscalização esclareça a afirmação constante do item 23 do Relatório de diligência em face das informações apresentadas pelo contribuinte acerca das notas fiscais saídas sem destaque do IPI, que já teriam sido consideradas no levantamento realizado no Relatório da KPMG. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que entendia desnecessária a realização de diligência. Processo julgado no dia 25/09/2019, no período da tarde.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Hélcio Lafetá Reis e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-24T17:38:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-24T17:38:37Z; Last-Modified: 2019-10-24T17:38:37Z; dcterms:modified: 2019-10-24T17:38:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-24T17:38:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-24T17:38:37Z; meta:save-date: 2019-10-24T17:38:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-24T17:38:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-24T17:38:37Z; created: 2019-10-24T17:38:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-10-24T17:38:37Z; pdf:charsPerPage: 2401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-24T17:38:37Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16095.720110/2014-23 Recurso Voluntário Resolução nº 3201-002.305 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2019 Assunto IPI Recorrente AMBEV S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos seguintes: i) Reforçar a solicitação de diligência anterior, no sentido de solicitar à Fiscalização que, a par dos questionamentos acerca das metodologias utilizadas pelo contribuinte (que serão objeto de apreciação pela Turma), também se manifeste de modo objetivo acerca dos cálculos apresentados; ii) Relativamente às Notas Fiscais de saída objeto da autuação, que a Fiscalização esclareça se foram deduzidas as Notas Fiscais de Devolução; iii) No que toca ao "giro de estoque" considerado pelo Recorrente, que este esclareça se adotará o mesmo critério utilizado pela Fiscalização (mês a mês) ou se insiste na utilização do critério de giro de estoque, adequando o levantamento realizado; iv) Quanto às verificações realizadas nas filiais recebedoras, que a Recorrente esclareça e comprove que considerou também as entradas recebidas com suspensão de outros estabelecimentos, que não o autuado; e, v) Por fim, que a Fiscalização esclareça a afirmação constante do item 23 do Relatório de diligência em face das informações apresentadas pelo contribuinte acerca das notas fiscais saídas sem destaque do IPI, que já teriam sido consideradas no levantamento realizado no Relatório da KPMG. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que entendia desnecessária a realização de diligência. Processo julgado no dia 25/09/2019, no período da tarde. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Hélcio Lafetá Reis e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 11 0/ 20 14 -2 3 Fl. 346099DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 2 ___________ Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 11-50.148 - 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE), que assim relatou o feito: Trata-se da Impugnação contra Auto de Infração do IPI, cujos valores são os seguintes: IMPOSTO 46.505.775,31 JUROS DE MORA 17.539.565,80 MULTA PROPORCIONAL (75%) 34.879.331,49 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 98.924.672,60 A infração deve-se à saída de produtos do estabelecimento industrial (filial 0040), com emissão de Nota Fiscal mas utilização de suspensão indevida. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (fls. 36/44) que acompanha o lançamento o autuante considera o seguinte: 5. Da análise das notas fiscais emitidas no período de janeiro a dezembro de 2010, constatamos que parte da produção do estabelecimento (cervejas e refrigerantes), foram transferidos para outros estabelecimentos da empresa, com a utilização dos CFOPs 5151, 5408 e 6151, COM SUSPENSÃO DO IPI, com base no art. 42, inciso X do RIPI/2002 (Decreto 4.544/2002) ou art.43, inciso X do DEC.7212/10 (RIPI/2010). 6. Ocorre que, sendo o contribuinte optante do REFRI - Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias, como mencionado no item 3, está sujeito à legislação prevista nos arts. 58-A e 58-J a 58-T da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, incluídos pelo art. 32 da Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008 e regulamentada pelo Decreto n° 6707/08, que determinam que no regime especial, o imposto incide uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, conforme art. 58-N, inciso I, da Lei n° 10.833/2003 e art. 32 do Decreto n° 6.707/200; 7. Ainda conforme disposto no art. 42 do Decreto 6.707/2008, as demais disposições da legislação relativa ao IPI aplicam-se aos regimes previstos no referido Decreto, naquilo gue não forem contrárias. Desta forma, considerando que no regime especial o imposto incide uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, não cabe o regime de suspensão previsto no art. 42, inciso X do RIPI/2002 e art. 43, inciso X do RIPI do RIPI/2010; (...) 11. A empresa COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS, CNPJ 02.808.708/0001-07, foi incorporada pela AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001- 00, NIRE MATRIZ 35300368941, conforme registro datado de 16/01/2014 na Junta Comercial do Estado de São Paulo. As notas fiscais utilizadas no procedimento fiscal estão inseridas dentro das emitidas pelo então estabelecimento 02.808.708/00032-03 da Cia de Bebidas das Américas, no Ano Calendário 2010, (...). Em decorrência desta incorporação, o auto de infração IPI será lavrado em nome do estabelecimento filial da empresa incorporadora, de CNPJ 07.526.557/0040-16, que deu continuidade às operações industriais efetuadas no mesmo endereço do estabelecimento fiscalizado, e respondem pelo imposto devido pelo estabelecimento extinto por incorporação, na condição de sucessora universal em direitos e obrigações, incluídas as de natureza fiscal, nos termos do art. 132 da Lei n° 5.172/66. (...) Fl. 346100DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 15. Conforme disposto nos arts. 58- J, § 1o, 58-N, inciso I da Lei n° 10.833/2003 e arts. 28, inciso II e 32, inciso I do Decreto n° 6.707/2008, a opção pelo REFRI - Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias, alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante, abrangendo todos os produtos de que trata o art. 1o por ela fabricados, e o IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial. E o art. 42 remete às demais disposições da legislação relativa ao IPI, naquilo que não forem contrárias, não cabendo desta forma, a aplicação do regime de suspensão previsto no art. 42, inciso X do RIPI/2002 e art. 43, inciso X do RIPI do RIPI/2010, nas transferências de produção do estabelecimento; Na Impugnação (fls. 5635/5643), tempestiva, o contribuinte alega a improcedência da autuação, defendendo a compatibilidade da suspensão adotada com a tributação ad rem do REFRI, que por opção do contribuinte assumiu o lugar do regime geral com tributação ad valorem. Afirma o seguinte, verbis: ... não pode o legislador ordinário apartar-se completamente das normas gerais do imposto, até porque isto poderia acarretar a completa desvirtuação da figura e, consequentemente, violação à lei complementar e à Constituição. Como o tributo é uno, na hipótese de modelos de tributação específicos, somente não se poderiam aplicar as normas da legislação em vigor que inviabilizassem o seu adequado funcionamento, na forma como pretendido pelo legislador. A interpretação do art. 42 do Decreto n. 6.707/2008, que preconiza a plena aplicação das normas do imposto “naquilo que não forem contrárias” às normas específicas do modelo monofásico, deve amparar-se, portanto, no critério de compatibilidade, ressalvadas as hipóteses expressamente excluídas. O equívoco da Fiscalização reside justamente no fato de que o critério de compatibilidade veiculado pelo Decreto n. 6.707/2008, longe de redundar no afastamento da suspensão no caso em exame, antes confirma a lisura do procedimento adotado pela Impugnante. (...) Ora, Inexistindo vedação legal, a promoção de saídas sujeitas ao regime monofásico do IPI com suspensão do imposto somente não seria admissível se, de algum modo, pudesse desvirtuar o funcionamento desse específico modelo. Desvirtuar o modelo monofásico, de acordo com o critério de compatibilidade, significa torná-lo plurifásico, ou transformá-lo em um terceiro modelo. Mas isso nitidamente não ocorreu. Isso porque a suspensão consiste em técnica de deslocamento do pagamento do imposto para momento posterior, à semelhança do que acontece nas hipóteses de diferimento contempladas pela legislação do ICMS. É o que diz a jurisprudência pátria, como se verifica, por exemplo, do seguinte precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região... (...) A suspensão, assim, em nada descaracteriza o sistema monofásico, por duas razões. Primeiro, porque o imposto não deixa de incidir uma única vez e no início da cadeia econômica dos produtos, tal como pretendido pelo legislador com a criação do novo modelo. Segundo, porque os estabelecimentos adquirentes da Impugnante não podem se apropriar de créditos nessas operações, o que seria até mesmo inviável em virtude da ausência de destaque do IPI, característico da suspensão. (...) Fl. 346101DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 De outro lado, ainda que se pudesse entender que a interpretação do Fisco fosse admissível, seria forçoso reconhecer que existe, no mínimo, dúvida razoável a respeito da possibilidade de aplicação da suspensão do IPI no caso de que se cuida, já que: (i) não é vedada expressamente pela lei e (ii) nem é incompatível com o regime de tributação monofásica/concentrada do IPI. Dessa maneira, seria aplicável o art. 112 do CTN, que exige a adoção da interpretação mais favorável ao acusado (in dubio pro contribuinte) nos casos em que não haja certeza quanto à ilicitude de seus atos. Também alega que houve o efetivo recolhimento do imposto por parte dos estabelecimentos aos quais foram transferidas as mercadorias e, assim, no máximo teria havido postergação do pagamento. Observa que a constatação de tal recolhimento "dependia unicamente do exame da escrita contábil e fiscal da empresa, o que deveria ter sido feito no curso da fiscalização por dever de ofício (CTN, art. 142, par. único). Assim, o simples fato de o agente autuante não ter se disposto a fazê-lo já exigiria a anulação do 'trabalho fiscal', não tendo sido efetivamente provada a irregularidade que ensejou a lavratura do Auto de Infração." Junta documentos visando demonstrar que as mercadorias revendidas pelos estabelecimentos adquirentes dos produtos fabricados pela unidade autuada não apropriaram créditos nas entradas e saíram com débito do IPI, requerendo perícia técnica ou diligência para examinar toda a documentação pertinente. Considera que a postergação no recolhimento do imposto não autoriza o procedimento adotado pela fiscalização, que se aceito caracteriza bis in idem vedado pelo ordenamento jurídico, e argúi que quando a obrigação tributária principal é satisfeita após a data em que o crédito tributário deveria ter sido recolhido a legislação prevê o lançamento apenas de juros de mora e multa isolados, nos termos do artigo 43 da Lei n. 9.430/96, do Parecer Normativo CST nº 02, de 1996 (relativo ao IRPJ e à CSLL) e de entendimento pacífico do CARF (menciona os Acórdãos nºs 201-77829, de 14/09/2004, e 201-73931, de 15/08/2000, e a Súmula CARF nº 36). Ao final requer "seja integralmente cancelada a autuação e reconstituída a sua escrita fiscal" ou, na eventualidade de dúvida, seja determinada diligência ou perícia técnica, apresentando os quesitos em anexo e indicando a empresa cujos sócios podem atuar como assistentes da Impugnante. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a impugnação da Contribuinte, por maioria, tendo sido o acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS PELO “REFRI”. LIVRE OPÇÃO DA PESSOA JURÍDICA, COM SUJEIÇÃO ÀS NORMAS ESPECÍFICAS. A pessoa jurídica que optou pelo Regime Especial de Tributação das Bebidas Frias (conhecido como “REFRI”) - instituído pela Lei nº 11.727/2008, que acrescentou artigos na Lei nº 10.833/2003 -, o fez por livre e espontânea vontade, sabedora que teria que cumprir todos os ditames das normas que o regiam. "REFRI". INCIDÊNCIA ÚNICA, NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL DO PRODUTO ACABADO. No Regime Especial de Tributação das Bebidas Frias - REFRI, a lei era clara ao dizer que o IPI incidia uma única vez sobre os produtos nacionais, nas saídas do estabelecimento industrial do produto final (para quem quer que fosse), excluída, por consequência, qualquer hipótese de suspensão nas referidas saídas, por absoluta impossibilidade da existência de outros sujeitos passivos nas etapas posteriores. Quando Fl. 346102DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 a regulamentação dos dispositivos legais diz que a opção alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, não quer ela dizer que a empresa pode escolher quem será o sujeito passivo. Ele somente explicita que, quando um estabelecimento de determinada empresa, qualquer que seja, fabricar um produto acabado, ele será o contribuinte, e nenhum outro. SUPOSTA NORMA GERAL SUSPENSIVA DO RIPI. EXCEPCIONALIDADES TRAZIDAS PELOS PRÓPRIOS COMANDOS LEGAIS DOS REGIMES GERAIS DE BEBIDAS FRIAS. O art. 58-H da Lei nº 10.833/2003, do Regime Geral da Lei nº 11.7272/2008 (a mesma que criou o “REFRI”), estabelece uma hipótese de suspensão obrigatória que afronta a propalada “norma geral” suspensiva inciso X do art. 43 do RIPI/2010 (que nem base legal tem), e a Lei nº 13.097/2015, que hoje regula o Regime (único) Geral de tributação das bebidas frias, traz uma excepcionalidade ainda mais contundente no § 5º do seu art 14, que inadmite qualquer hipótese de suspensão aos moldes do citado dispositivo do RIPI/2010. ANTINOMIA APARENTE DAS NORMAS DE TRIBUTAÇÃO EM ETAPA ÚNICA DO “REFRI” COM A SUPOSTA "NORMA GERAL" SUSPENSIVA DO RIPI. PREVALÊNCIA DA PRIMEIRA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Quando o Decreto n° 6.707/2008, que regulamentou o REFRI, diz, em seu art. 42, que as demais disposições da legislação relativa ao IPI aplicam-se aos regimes nele previstos, naquilo que não forem contrárias, pois, caso a invocada “regra geral” suspensiva do RIPI fosse aplicável ao REFRI, haveria a inusitada hipótese de suspensão do imposto no único elo da cadeia onde há incidência do IPI. Assim, não ocorreria nesse caso apenas diferimento do imposto, mas sim total desoneração do produto. A única hipótese interpretativa que se vislumbra adotar, então, para resolver o aparente conflito entre as normas, é do especialidade, prevalecendo a do REFRI. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. OBJETIVO. SIMPLICIDADE E EFICÁCIA NA ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO. PULVERIZAÇÃO. TOTAL DESVIRTUAMENTO. Ainda que traga benefícios também para os contribuintes - simplificando o cumprimento de suas obrigações tributárias e até proporcionando o diferimento, em alguns casos -, o objetivo determinante da tributação concentrada nos “elos-chave” da cadeia de produção e comercialização (seja pela via da substituição tributária “para a frente” ou “para trás”, seja pela alíquota concentrada, seja pela tributação monofásica) é concentrar e tornar mais simples e eficiente a fiscalização e a arrecadação. Permitir a “pulverização”, podendo qualquer um da cadeia recolher o tributo devido, seria não só descumprir, mas também desvirtuar completamente o objetivo da lei. ABATIMENTO DO VALOR PAGO POR QUEM NÃO É SUJEITO PASSIVO, IMPONDO À FISCALIZAÇÃO A SUA APURAÇÃO. DESCABIMENTO, MAS SEM PREJUÍZO DO DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. Não pode o sujeito passivo único eleito pela lei do Regime Especial - REFRI, pelo qual livremente optou, atribuir à Fiscalização o ônus, ainda mais em caráter irrestrito, de verificar se outros estabelecimentos, que não são sujeitos passivos, à revelia e por conta e risco da empresa, recolheram, em mora (e sabe-se lá por qual razão), o tributo que não era por eles devido. À Fiscalização, quando vai a um estabelecimento, cabe verificar o seu cumprimento das obrigações tributárias e, sendo o caso, constituir o crédito tributário pelo lançamento, exercendo atividade plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A quem pagou tributo indevidamente, resta a via do pedido de restituição, nos termos da legislação pertinente. Fl. 346103DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 Impugnação Improcedente Inconformado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário reforçando os argumentos de defesa apresentados em sede de Impugnação. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso. Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à minha relatoria. Em primeiro exame do feito esta Turma Julgadora deliberou pela conversão do feito em diligência, por meio da Resolução nº 3201-000.896, de 23 de maio de 2017, nos seguintes termos: Diante de tal fato, entendeu-se relevante, a estes julgadores, verificar se houve ou não o recolhimento do IPI nas etapas subsequentes e, em caso positivo, de que forma tal recolhimento poderia ser abatido no crédito tributário lançado. É preciso esclarecer que tal diligência não tem por escopo alterar o valor do crédito tributário apontado como devido, mas, sim, verificar a possibilidade de abatimento financeiro do IPI recolhido nas etapas subsequentes sobre os mesmos produtos lançados com a suspensão do IPI. Isto posto, a diligência é proposta nos seguintes termos: - Que a Autoridade Preparadora intime o contribuinte para informar / comprovar os valores de IPI apurados / lançados nas etapas subsequentes, relativamente aos produtos cuja saída do estabelecimento autuado se deu com a suspensão do IPI considerada indevida pela Fiscalização (Prazo de 60 dias, prorrogável por mais 30); - Que a Autoridade Preparadora efetue o abatimento dos valores comprovadamente apurados / lançados pela Recorrente relativamente àqueles lançados no presente Auto de Infração. Tal levantamento deverá considerar os valores lançados na presente autuação e os valores efetivamente apurados / lançados pelos estabelecimentos recebedores das mercadorias saídas com suspensão, considerando, ainda, eventual ajuste de correção monetária em face das datas de apuração e efetivo recolhimento. Poderá a Autoridade Preparadora prestar demais informações que entenda pertinente, bem como solicitar documentos e esclarecimentos ao contribuinte, devendo, ao final, apresentar relatório conclusivo. Após, seja concedida vista à Recorrente para se manifestar acerca do resultado da diligência, no prazo de 30 dias, prorrogável por mais 30. Após, vista à PFN, por igual período. Concluído, retornem os autos para julgamento. É como voto. Os autos, então retornaram à autoridade lançadora, que proferiu Relatório de Diligência Fiscal de fls. 346.011/346.029 Os autos, então, retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 346104DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário, Relator. O Recurso é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. O Relatório Fiscal elaborado em razão da diligência solicitada é bastante claro ao reforçar o seu entendimento de direito, já exposto quando da lavratura do Auto de Infração. Contudo, como demonstrado por ocasião da Resolução nº, os esclarecimentos solicitados por este CARF fundamentam-se no entendimento de que, muito embora possa ser censurável o procedimento utilizado pelo contribuinte (suspensão do IPI no âmbito do Refri), é igualmente passível de censura efetuar a cobrança do tributo que tenha sido levado à apuração na operação subsequente, do mesmo contribuinte (não sob o ponto de vista jurídico, mas do ponto de vista financeiro). Repise-se o que restou consignado na Resolução anterior: Diante de tal fato, entendeu-se relevante, a estes julgadores, verificar se houve ou não o recolhimento do IPI nas etapas subsequentes e, em caso positivo, de que forma tal recolhimento poderia ser abatido no crédito tributário lançado. É preciso esclarecer que tal diligência não tem por escopo alterar o valor do crédito tributário apontado como devido, mas, sim, verificar a possibilidade de abatimento financeiro do IPI recolhido nas etapas subsequentes sobre os mesmos produtos lançados com a suspensão do IPI. Ademais, como é sabido, foi lançado no presente Auto de Infração penalidade por descumprimento de obrigação acessória por falta de lançamento do imposto (art. 80 da Lei nº 4.502/64), que visa, justamente, penalizar a conduta do contribuinte. Existem, portanto, dois aspectos distintos a serem considerados: (i) o tributo apurado, que não constitui sanção de ato ilícito, e a (ii) penalidade pelo descumprimento da obrigação legal que, no entendimento da fiscalização, impede as saídas realizadas com suspensão do imposto pelo estabelecimento autuado. Nesse sentido, também necessário pontuar que ainda que, de fato, se possa afirmar que não houve “recolhimento efetivo”, em razão da existência de saldo credor em alguns dos estabelecimentos recebedores, nota-se que o objetivo da diligência não foi apurar o IPI recolhido, mas o IPI levado à apuração no encontro de créditos e débitos. Mais uma vez transcrevo a diligência anterior, com destaques do original nas expressões “apurados / lançados”: 1. Que a Autoridade Preparadora intime o contribuinte para informar / comprovar os valores de IPI apurados / lançados nas etapas subsequentes, relativamente aos produtos cuja saída do estabelecimento autuado se deu com a suspensão do IPI considerada indevida pela Fiscalização (Prazo de 60 dias, prorrogável por mais 30); 2. Que a Autoridade Preparadora efetue o abatimento dos valores comprovadamente apurados / lançados pela Recorrente relativamente àqueles lançados no presente Auto de Infração. Fl. 346105DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 Tal levantamento (itens 1 e 2) deverá considerar os valores lançados na presente autuação e os valores efetivamente apurados / lançados pelos estabelecimentos recebedores das mercadorias saídas com suspensão, considerando, ainda, eventual ajuste de correção monetária em face das datas de apuração e efetivo recolhimento. Para que reste melhor esclarecido à Fiscalização, destaca-se o posicionamento do ilustre Conselheiro ROSALDO TREVISAN, que, a par de defender a impossibilidade do procedimento adotado pelo contribuinte (conforme entendimento fiscal), legitima o aproveitamento do IPI recolhido nas etapas subsequentes, visando a evitar a dupla incidência do imposto. Confira-se o acórdão 3403-003.602, de 25 de fevereiro de 2015, ementa e trecho do voto: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010 IPI. REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL. REFRI. INCIDÊNCIA ÚNICA. RECOLHIMENTOS. ESTABELECIMENTOS. No regime tributário especial de que tratam os arts. 58J e seguintes da Lei no 10.833/2003 (REFRI), o IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial. Como o REFRI alcança, por disposição legal expressa (do próprio art. 58J), todos os estabelecimentos da empresa e todos os produtos fabricados, não se pode exigir o IPI se houver prova de que ele já tenha sido recolhido, para os mesmos produtos, e sobre a mesma base, ainda que por outro estabelecimento da mesma empresa (“firma”). Contudo, é preciso analisar a informação prestada pela recorrente de que os estabelecimentos da AMBEV S.A. que receberam os produtos transferidos pelo estabelecimento autuado efetivamente recolheram o IPI, nos moldes estabelecidos na legislação que rege o REFRI (inclusive com exemplos e documentos juntados, e evidências de que tanto a fiscalização quanto a DRJ observaram a sistemática de recolhimento, mas a entenderam irrelevante ao deslinde do presente processo). Então, não se pode simplesmente tratar a operação como mera falta de recolhimento, na linha seguida pelo fisco. Entende-se, pelo exposto, que os valores recolhidos em relação aos produtos a que se refere a autuação (a serem apurados efetivamente pelo fisco) devem ser abatidos do montante lançado. Se o REFRI é aplicável a todos os estabelecimentos da empresa, e se comprova que um estabelecimento da empresa efetuou o recolhimento, ainda que se respeite a autonomia dos estabelecimentos, qualquer pagamento por outro estabelecimento se torna indevido. E aí assiste razão ao argumento de existência de dupla cobrança, pelo fisco. Deveria a fiscalização ter prosseguido nas verificações (ainda que fosse para checar se efetivamente os recolhimentos efetuados pelos demais estabelecimentos respeitaram integralmente a forma de cálculo prevista para o REFRI). Retornandose ao art. 58N da Lei no 10.833/2003, percebese facilmente que o IPI incide uma única vez. Não se pode então ignorar recolhimentos efetuados pela empresa (ainda que por outros estabelecimentos) com a nítida e declarada intenção de saldar o débito decorrente da Fl. 346106DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 incidência de que trata o art. 58N, ainda mais quando o art. 58J da mesma lei afirma textualmente que a opção pelo REFRI se estende a todos os estabelecimentos e a todos os produtos. Não faz sentido, assim, que um dos estabelecimentos recolha o IPI e o outro igualmente o recolha, sobre a mesma base, em relação aos mesmos produtos. Afinal de contas, a incidência deve ser, nos termos da lei, única. Logo, a diligência solicitada atende exatamente ao que restou consignado na decisão transcrita: ainda que se entenda pela impossibilidade de se efetuar a saída dos produtos com a suspensão do IPI no âmbito do REFRI, há que se permitir a efetiva dedução do imposto levado à apuração nas etapas subsequentes, sob pena de enriquecimento ilícito pelo Estado e penalização desproporcional ao contribuinte e sem prejuízo da eventual aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Pelo exposto, entendo necessário reforçar a solicitação de diligência anterior, observando, inclusive, que providência de igual sentido restou cumprida nos autos do Processo Administrativo nº 10480.721667/2015-32, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife Serviço de Fiscalização/EFI 03 – IPI, e também 16095.720103/2014-21, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis (MG) Seção de Fiscalização, ambos em processos do mesmo contribuinte e por solicitação de idêntico teor desta mesma Turma Julgadora. Ademais, verifica-se que no curso da diligência já realizada, verificam-se aspectos que demandam maior esclarecimentos e que, inclusive, têm impacto mesmo na manutenção do entendimento fiscal. Pois bem. A Recorrente foi intimada a efetuar os cálculos tendentes a comprovar que o IPI das mercadorias saídas com suspensão foram levados à apuração pelos estabelecimentos receptores. O trabalho foi efetuado pela consultoria KPMG e resultou no “Termo de Constatação” de fls. 82.384 e seguintes, doravante denominado “Termo KPMG”. Posteriormente, a Fiscalização efetuou o exame do referido Termo e elaborou o Termo de Diligência Fiscal de fls. 346.011 e seguintes, , ou apenas “Termo de Diligência” tecendo alguns comentários acerca dos critérios adotados, sem, contudo, validar os cálculos apresentados. Intimado, o contribuinte apresentou “Ficha Técnica de Natureza Contábil” de fls. 346.084 com dados e informações complementares, doravante chamado “Termo Complementar KPMG”. Do exame dos referidos documentos, extraio alguns aspectos que demandam maiores esclarecimentos: O Termo KPMG indica a existência de divergência entre aas saídas constantes do Auto de Infração e as saídas que foram identificadas nos Livros de Registro e Saídas, acarretando uma variação no montante de 24.285.520 unidades. O Termo de Diligência aduz que valeu-se dos Relatórios constantes do SPED. Fl. 346107DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 O Termo Complementar KPMG esclarece que concorda em adotar os números utilizados pela Fiscalização. Contudo, informa que parte dessa divergência de corre do fato de que não foram abatidas das saídas consideradas as Notas Fiscais de Devolução. Desse modo, cumpre à Fiscalização verificar se houve o não a dedução das Notas Fiscais de Devolução no levantamento inicial realizado na autuação. O Termo KPMG informa que observou “que a média dos dias necessários para que haja o giro de estoque dos produtos autuados é de 52 dias”. Por essa razão, quando examinou as operações realizadas nos estabelecimentos recebedores das mercadorias autuadas, considerou as saídas realizadas nos 2 (dois) meses posteriores à autuação. Ou seja, até fevereiro de 2011. Veja-se, por exemplo, o item A.2.1.1 (fl. 82.397): Comentários: Constatamos que os estabelecimentos que receberam as mercadorias autuadas da Ambev escrituraram de acordo com o exigido pela legislação aplicável e mantém em boa ordem e guarda os documentos fiscais relativos às operações de entradas dos produtos, sob o número de CFOP 1.152/2.152, 1.408 e 1.409, recebidos por transferência do estabelecimento autuado de Águas Claras do Sul assim como das saídas desses mesmos produtos, relativamente ao período compreendido entre 1º de janeiro de 2010 a 28 de fevereiro de 2011, já que consideramos dois meses adicionais devido ao giro de estoque apresentado, quais sejam (Anexo Geral XX): Há, contudo, um grave erro de premissa. Caso o contribuinte pretenda se valer do seu giro de estoque para considerar as saídas realizadas nos 2 (dois) meses posteriores à autuação, deverá aplicar exatamente o mesmo racional e desconsiderar as saídas relativas aos 2 (dois) primeiros meses. Não há como se legitimar um cálculo que considerada apenas as entradas realizadas entre janeiro de dezembro de 2010 (12 meses) e todas as saídas realizadas entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2011 (11 meses). Desse modo, se faz essencial que se proceda ao devido ajuste. Deverá esclarecer a Recorrente se adotará o mesmo critério utilizado pela Fiscalização (mês a mês) ou se insiste na utilização do critério de giro de estoque. Nesta hipótese, deverá adequar o levantamento realizado. O Relatório de Diligência observa que constatou que algumas das filiais recebedoras das mercadorias autuadas “receberam entradas do mesmo tipo de bebidas oriundas de outros estabelecimento da empresa diferentes daquele autuado no processo ora analisado”. Sobre esta afirmação a Recorrente não faz qualquer ponderação. Desse modo, é preciso que a Recorrente comprove que, nos cálculos realizados, considerou também as entradas recebidas com suspensão de outros estabelecimentos, que não o autuado. O Relatório de Diligência aduz que ainda que se possa considerar as saídas realizadas pelos estabelecimentos recebedores, constatou-se a saída de mercadorias daqueles estabelecimentos sem a tributação pelo IPI e indicou a diferença que entende devida. Não obstante, o Laudo KPMG esclarece que na verificação realizada junto aos estabelecimentos recebedores, foram apuradas: Fl. 346108DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 Saídas tributadas: 98,66% do total de unidades relacionadas aos produtos autuados tiveram saída tributada dos estabelecimentos verificados. Saídas transferidas tributadas: 0,17% do total de unidades relacionadas aos produtos autuados tiveram saída por transferência tributada dos estabelecimentos da verificados. Saídas não tributadas: 0,11% do total de unidades relacionadas aos produtos autuados tiveram saída não tributada dos estabelecimentos verificados. Saídas transferidas não tributadas: 1,06% do total de unidades relacionadas aos produtos autuados tiveram saída por transferências não tributadas dos estabelecimentos da verificados. Assim, entendo que deve a Fiscalização esclarecer se a constatação apresentada no item 23 do seu Relatório de Diligência equivale às saídas não tributadas já consideradas pelo contribuinte em seu cálculo. Conclui-se, do exposto, que o presente feito ainda não se encontra maduro para julgamento. Existem aspectos fáticos que necessitam ser melhor esclarecidos. Por todo o exposto, voto por novamente converter o feito em diligência para: i. Reforçar a solicitação de diligência anterior, no sentido de solicitar à Fiscalização que, a par dos questionamentos acerca das metodologias utilizadas pelo contribuinte (que serão objeto de apreciação pela Turma), também se manifeste de modo objetivo acerca dos cálculos apresentados; ii. Relativamente às Notas Fiscais de saída objeto da autuação, que a Fiscalização esclareça se foram deduzidas as Notas Fiscais de Devolução; iii. No que toca ao “giro de estoque” considerado pelo Recorrente, que este esclareça se adotará o mesmo critério utilizado pela Fiscalização (mês a mês) ou se insiste na utilização do critério de giro de estoque, adequando o levantamento realizado. iv. Quanto às verificações realizadas nas filiais recebedoras, que a Recorrente esclareça e comprove que considerou também as entradas recebidas com suspensão de outros estabelecimentos, que não o autuado; v. Por fim, que a Fiscalização esclareça a afirmação constante do item 23 do Relatório de diligência em face das informações apresentadas pelo contribuinte acerca das notas fiscais saídas sem destaque do IPI, que já teriam sido consideradas no levantamento realizado no Relatório da KPMG. A Fiscalização deverá intimar o Recorrente a apresentar as informações, documentos e esclarecimentos a seu encargo, devendo, ao final, apresentar Relatório conclusivo acerca dos questionamentos ora apresentados. Deve-se conceder o prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Fl. 346109DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3201-002.305 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16095.720110/2014-23 Concluído, retornem os autos para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 346110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720166/2007-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/05/2004
PROVAS. VERDADE MATERIAL.
Admite-se a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando comprovam inequivocamente a certeza e liquidez do direito creditório declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida.
Numero da decisão: 9303-007.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Demes Brito e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PETROBRAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/05/2004 PROVAS. VERDADE MATERIAL. Admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando comprovam inequivocamente a certeza e liquidez do direito creditório declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Demes Brito e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 66 /2 00 7- 11 Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 706 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 574 a 577) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 330101.564 (efls. 558 a 563) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de julho de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2002 GLP. RECEITAS. TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA. As receitas decorrentes de operação com gás liquefeito de petróleo, inclusive, butano e propano, estão sujeitas à tributação diferenciada pela Cofins. DÉBITO FISCAL DECLARADO A MAIOR. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO. O pagamento indevido decorrente de débito fiscal declarado a maior e comprovado, mediante documentos contábeis, notas fiscais, cópia do Razão e darf, constitui indébito tributário, passível de repetição/compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/05/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida, homologase a compensação do débito fiscal nela declarado até o limite do crédito reconhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 707 3 O acórdão de recurso voluntário foi confirmado pelo despacho s/nº, de 14 de dezembro de 2012 (efls. 569 a 570), que rejeitou os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional com fulcro em suposta omissão na fundamentação do acórdão embargado quanto ao afastamento do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Não resignada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à concessão de provimento parcial ao recurso com base em documentos juntados aos autos apenas na fase recursal. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigma o acórdão n.º 20177.370. O apelo especial da Fazenda Nacional foi admitido nos termos do despacho s/nº, de 15/04/2016 (efls. 595 a 597), por se ter entendido como comprovada a divergência. Devidamente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 605 a 611) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09), devendo, portanto, ter prosseguimento. Em sede de contrarrazões, sustenta a Contribuinte que a Fazenda Nacional pretende ver discutida matéria relativa à suposta supressão de instância, ponto sobre o qual supostamente não trata o acórdão n.º 20177.370 indicado como paradigma. No caso em apreço, a discussão principal de mérito referese à possibilidade de serem considerados como prova os documentos juntados aos autos na fase recursal, matéria que foi tratada no acórdão recorrido entendendo pela possibilidade de serem aceitas as notas fiscais e o livro razão para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário e também no julgado paradigmático, segundo o qual a instrução processual deve ficar concentrada ao momento da impugnação. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 708 4 O exame de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento foi claro nesse sentido, in verbis: [...] As ementas e os votos condutores da decisão recorrida e da decisão paradigma evidenciam a divergência de entendimento suscitada: no paradigma, entendeuse que a instrução processual é concentrada na impugnação, considerando precluso o direito de juntar documentos após esta fase, a menos que o sujeito passivo requeira em primeira instância a juntada posterior ou apresente justificativa legal para fazêlo; no recorrido, aceitou se a juntada de documentos após o julgamento de primeira instância e decidiuse favoravelmente à contribuinte com base nestes documentos, sem que tenha havido requerimento ou justificativa legal nos termos considerados no acórdão paradigma. [...] Portanto, resta caracterizada a divergência jurisprudencial apta a ensejar o prosseguimento do apelo especial. Mérito No mérito, gravita a controvérsia em torno da possibilidade de serem apreciados argumentos e provas trazidos na fase recursal, posteriormente ao julgamento de primeira instância. A impugnação e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º do art. 771 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, que reproduzem os termos dos §§ 4º e 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008. 1 Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido ou a não homologação da compensação. [...] § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 709 5 No âmbito do processo administrativo fiscal, portanto, a impugnação instaura a sua fase litigiosa (art. 14, do Decreto nº 70.235/72) e constituise em meio de suspensão da exigibilidade do débito pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando o contribuinte omitese em combater algum item da exigência fiscal na impugnação ou deixa de juntar os documentos que comprovem o seu direito, caracterizarseá a sua concordância com aquela parte, considerandose como não impugnada, razão pela qual poderá a Autoridade Administrativa providenciar, em autos apartados, a cobrança da parcela não contestada. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode discutir no processo administrativo aquilo que o contribuinte se absteve de questionar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 710 6 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por conseguinte, a não impugnação da matéria trará, efetivamente, a presunção de verdade das alegações, impedindo o julgador de adentrar nas discussões a ela pertinentes. Sobre a preclusão, lecionam os ilustres doutrinadores Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "A preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Consiste em um fato impeditivo a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o recuo às fases anteriores do procedimento. Por força deste princípio, anulase uma faculdade ou o exercício de algum poder ou direito processual. Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestá la no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto nº 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos conforme se depreende do exame do seu artigo 16, a saber: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir." Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na produção recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento." Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 711 7 Por outro lado, o §4º, do art. 16 do Decreto 70.235/72 prevê hipóteses em que se admite a juntada posterior de provas no processo ou a apresentação de novos argumentos de defesa, destacandose o item "c" que trata da destinação dos documentos para contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. No caso em tela, como bem sintetizado pela Turma a quo, a juntada de documentos com o recurso voluntário deuse da seguinte forma: [...] A questão de mérito se restringe à comprovação de erro no valor da contribuição da Cofins apurada e declarada para o mês de fevereiro de 2002. Na Diligência, a Fiscalização apurou Cofins, para aquele mês, no valor de R$21.474.352,56, assim discriminado: [...] Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 712 8 Na manifestação de inconformidade, a recorrente discordou das bases de calculo apuradas pela Fiscalização, em relação à gasolina e ao GLP, alegando que não foram excluídas daquelas bases, os valores de R$7.100.736,52 e R$13.436.620,95 correspondentes a vendas de gasolina de aviação e de gases butano e propano, respectivamente, sob os argumentos de que a gasolina de aviação é tributada à alíquota de 3,0 % e de que a IN SRF nº 247 que determinou a tributação diferenciada daqueles gases somente foi publicada em 21/11/2002. Assim, as receitas decorrentes das operações com aqueles produtos estariam sujeitas à tributação pelo regime geral, ou seja, à alíquota de 3,0 %. Segundo o disposto na Lei nº 9.718, de 27/11/1998, arts. 2º e 3º, a base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal correspondente à receita operacional bruta. Já em seu art. 8º, elevou a sua alíquota de cálculo para o percentual de três por cento. Esta mesma lei estabeleceu tributação diferenciada para receitas decorrentes de algumas operações econômicas, dentre elas as de gasolina automotiva e gás liquefeito de petróleo, assim dispondo: [...] Ora, de acordo com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas de gasolina de aviação estão sujeitas à tributação pelo regime geral, à alíquota de 3,0 %. Já os gases liquefeitos de petróleo estão sujeitos à tributação diferenciada, inclusive os gases butano (2711.13.00) e propano (2711.12.10). Portanto, em relação à gasolina de aviação estão sujeitas à tributação pelo regime geral, à alíquota de 3,0 %. Já os gases liquefeitos de petróleo estão sujeitos à tributação diferenciada, inclusive os gases butano (2711.13.00) e propano (2711.12.10). Portanto, em relação à gasolina de aviação assiste razão à recorrente, devendo ser excluída da base de cálculo da gasolina automotiva, tributada à alíquota diferenciada de 12,45 %, o valor das receitas de vendas de gasolina de aviação, no total de R$7.100.736,52, provadas, nesta fase recursal, por meio das cópias de notas fiscais às fls. 265/288 e do Livro Razão às fls. 404/510, tributandoas à alíquota de 3,0 %. Já em relação às receitas de gases liquefeitos de petróleo, no presente caso, de butano e propano, ao contrário do entendimento da recorrente, desde a Lei nº 9.990, de 21/07/2000, que deu nova redação ao art. 4º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, as receitas de vendas destes gases estão sujeitas à tributação diferenciada, à alíquota de 11,84 %, devendo, portanto, ser mantida a tributação adotada pela Fiscalização. Dessa forma, refeitos os cálculos, resulta um indébito de R$671.019,60 que corresponde à diferença entre a tributação das receitas de gasolina de aviação, à alíquota de 12,45%, adotada pela Fiscalização, e à tributação correta, à alíquota de 3,0%. Embora, a documentação (cópias das notas fiscais e do Razão) tenha sido apresentada somente nesta fase recursal, sem quaisquer justificativas pela não apresentação, quando da interposição da manifestação de Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 713 9 inconformidade, em face do princípio da verdade material, aquelas provas devem ser aceitas, reconhecendose à recorrente o direito à repetição/compensação do indébito de R$671.019,60, a valores originais. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a documentação apresentada pela recorrente comprovou a liquidez e certeza de parte do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. Dessa forma, reconhecido a liquidez e certeza de parte do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão, a compensação do débito declarado deve homologada, em parte, ou seja, até o limite do crédito financeiro a que a recorrente faz jus. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a liquidez e certeza de parte do crédito financeiro declarado, na Dcomp em discussão, ou seja, do valor de R$ 671.019,60 (seiscentos e setenta e um mil dezenove três reais e sessenta centavos), a valores originais, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação do débito tributário declarado até este limite, acrescidos de juros compensatórios, à taxa Selic, exigindose o saldo devedor não extinto pela homologação ora determinada. [...] No caso dos presentes autos, tendo em vista que os documentos trazidos aos autos pela Contribuinte comprovaram a liquidez e certeza de parte do crédito tributário declarado na DCOMP, e têm valor fiscal notas fiscais e livro razão entendese pela possibilidade de aceitação, já que não demandam novas discussões no âmbito do recurso voluntário, apenas complementando o que já fora trazido em sede de manifestação de inconformidade. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação quando concretizadas quaisquer das situações previstas no §4º, o que ocorre nos presentes autos. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10768.720166/200711 Acórdão n.º 9303007.855 CSRFT3 Fl. 714 10 "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Dispositivo Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 714DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.930102/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 01 02 /2 00 9- 93 Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10880.930102/200993 Acórdão n.º 3401005.472 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) indeferido por meio do Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa COSMED INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS E MEDICAMENTOS S.A. (sucessora de LABORATÓRIO AMERICANO DE FARMACOTERAPIA S.A.) que: (a) o montante demandado resulta de pagamento a maior, mas, por lapso, não foi retificada a correspondente DCTF; (b) em razão de ser do ramo de farmacêuticos e cosméticos, está sujeita tanto ao regime não cumulativo, quanto àquele previsto no art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha); (c) apesar de declarar em DACON o valor devido correto, com deduções, efetuou pagamento pelo valor total, apresentando DCTF retificadora, alocando parte do pagamento indevido ao PER/DCOMP constante no presente processo; e (d) privilegiar aspectos formais em detrimento do efetivo direito de crédito, além de contrapor decisões administrativas, enseja enriquecimento sem causa da União. Junta à manifestação a seguinte documentação pertinente: DACON, planilha de apuração de PIS/COFINS e DCTF. Requer, por fim, sejam as intimações feitas no endereço dos advogados, sob pena de nulidade absoluta. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0837.886. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivo, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”, reiterando que devem as intimações ser remetidas ao escritório de advocacia, sob pena de nulidade absoluta. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10880.930102/200993 Acórdão n.º 3401005.472 S3C4T1 Fl. 4 3 3401005.460, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690054/200995, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.460): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Sobre a demanda por intimação no endereço do advogado, “sob pena de nulidade absoluta”, destaquese que a intimação, nos processos tributários, como o presente, é regida pelo disposto no Decreto no 70.235/1972, que não contempla a intimação no endereço de advogado do contribuinte, tema que é assentado neste tribunal administrativo a ponto de recentemente ensejar a edição de súmula: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Expurgada essa discussão inicial do contencioso, resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10880.930102/200993 Acórdão n.º 3401005.472 S3C4T1 Fl. 5 4 relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403 002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito existe, e deriva do art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha). Para provar o alegado, junta tabelaresumo de receitas auferidas, DACON de setembro/2006, DARF de pagamento, planilha de apuração da base de cálculo, e DCTF retificadora referente a setembro/2006 datada de 09/12/2009. Por certo que tal documentação é insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, o que fez com que a instância de piso, diante da carência probatória, indeferisse o direito, chegando a sugerir o que deveria ter a demandante carreado aos autos: “Portanto, no presente caso, caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência. O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon (...), por si só não pode ser considerado como Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10880.930102/200993 Acórdão n.º 3401005.472 S3C4T1 Fl. 6 5 elemento de prova. Tanto a DCTF original quanto o Dacon foram apresentados tempestivamente, assim permanece a dúvida: em qual dos dois documentos foram informados os valores corretos? Daí porque, entendo que, no presente caso, o contribuinte deveria ter apresentado cópia de documentos da escrituração (livro Razão, por exemplo), para efetivamente demonstrar o erro supostamente cometido. Destarte, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da defesa, mantendose, pois, o despacho decisório da autoridade local que originou o presente litígio.” (grifo nosso) Até entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. No entanto, mesmo depois de ter seu pleito rechaçado na instância de piso, com a expressa revelação dos motivos pelos quais se entendeu haver carência probatória, com indicação exemplificativa da documentação que poderia provar o alegado, decidiu a recorrente manter postura inerte, de simplesmente endossar que possui o crédito, reproduzindo a manifestação de inconformidade, sem apresentar novos documentos, e acrescentando tópico no qual sustenta que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 E faltou com seu dever de colaboração duplamente a recorrente: primeiro, pelo pedido de crédito alçado em documentação que, por lapso, não corrigiu, nem comprovou, ao 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10880.930102/200993 Acórdão n.º 3401005.472 S3C4T1 Fl. 7 6 apresentar sua manifestação de inconformidade; e, segundo, por insistir em sua peça recursal na não comprovação, mesmo tendo a instância de piso indicado expressamente as razões do indeferimento e que documentos, exemplificativamente, deveria a postulante ter carreado aos autos. A demanda derradeira para “...provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário” opera como um desejo de, na segunda instância do contencioso administrativo, permitirse à empresa a apresentação de provas que ela própria tinha o dever de apresentar desde o início da contenda, sob pena de indeferimento do crédito, como aqui exposto, e opõese ao que reza o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, visto que não se está mais, no caso, diante de nenhuma das situações previstas em suas alíneas. Concluise, então, que a empresa postulante ao crédito efetivamente não se desincumbe de seu dever de comproválo, cabendo a este colegiado, consequentemente, a manutenção da decisão de piso, com a negativa do direito de crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720411/2017-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL A EXCEPCIONAR A REGRA GERAL.
Inexistindo previsão legal específica, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais de empresa objeto de incorporação.
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS INCORRIDAS.
Não merece amparo pretensão calcada tão somente em alegações desprovidas de provas suficientes a sustentá-las. Sem a apresentação do suporte probatório necessário a evidenciar o pagamento das despesas incorridas no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT não há como reconhecer o direito à sua dedução do imposto devido exigido através do Auto de Infração.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
ART. 24 DA LINDB. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. INAPLICABILIDADE.
O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de situação plenamente constituída. A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
A responsabilidade independe do momento da autuação fiscal (se antes ou depois do evento societário). Já a expressão "créditos tributários", constante da sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", compreende não apenas os créditos decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
PRECLUSÃO.
A matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
CSLL.
O decidido quanto ao IRPJ deve ser igualmente aplicado à CSLL, haja vista estarem ambos os lançamentos alicerçados nos mesmos substratos legais.
Numero da decisão: 1401-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a argüição de aplicação do art. 24 da LINDB, reconhecer a preclusão da argüição de impossibilidade da exigência de multa e juros por força da existência de alegada jurisprudência dominante à época do fato gerador e negar provimento ao recurso (i) por unanimidade de votos, em relação à: (i.i) inexigibilidade da multa de ofício por força da responsabilidade por sucessão; (i.ii) dedução das despesas incorridas com o Programa de Alimentação ao Trabalhador - PAT; (i.iii) juros SELIC sobre a multa de ofício; (ii) por voto de qualidade, em relação à trava dos 30% na incorporação, vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Letícia Domingues Costa Braga. Declarou-se impedido o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada em substituição ao impedimento do Conselheiro Daniel Ribeiro Silva), Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL A EXCEPCIONAR A REGRA GERAL. Inexistindo previsão legal específica, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais de empresa objeto de incorporação. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS INCORRIDAS. Não merece amparo pretensão calcada tão somente em alegações desprovidas de provas suficientes a sustentá-las. Sem a apresentação do suporte probatório necessário a evidenciar o pagamento das despesas incorridas no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT não há como reconhecer o direito à sua dedução do imposto devido exigido através do Auto de Infração. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 ART. 24 DA LINDB. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. INAPLICABILIDADE. O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de situação plenamente constituída. A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A responsabilidade independe do momento da autuação fiscal (se antes ou depois do evento societário). Já a expressão "créditos tributários", constante da sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", compreende não apenas os créditos decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 PRECLUSÃO. A matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2013 CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser igualmente aplicado à CSLL, haja vista estarem ambos os lançamentos alicerçados nos mesmos substratos legais.
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LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL A EXCEPCIONAR A REGRA GERAL. Inexistindo previsão legal específica, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais de empresa objeto de incorporação. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS INCORRIDAS. Não merece amparo pretensão calcada tão somente em alegações desprovidas de provas suficientes a sustentálas. Sem a apresentação do suporte probatório necessário a evidenciar o pagamento das despesas incorridas no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT não há como reconhecer o direito à sua dedução do imposto devido exigido através do Auto de Infração. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 ART. 24 DA LINDB. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. INAPLICABILIDADE. O artigo 24 da LINDB dirigese à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 04 11 /2 01 7- 62 Fl. 2113DF CARF MF 2 entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A responsabilidade independe do momento da autuação fiscal (se antes ou depois do evento societário). Já a expressão "créditos tributários", constante da sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", compreende não apenas os créditos decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 PRECLUSÃO. A matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser igualmente aplicado à CSLL, haja vista estarem ambos os lançamentos alicerçados nos mesmos substratos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a argüição de aplicação do art. 24 da LINDB, reconhecer a preclusão da argüição de impossibilidade da exigência de multa e juros por força da existência de alegada jurisprudência dominante à época do fato gerador e negar provimento ao recurso (i) por unanimidade de votos, em relação à: (i.i) inexigibilidade da multa de ofício por força da responsabilidade por sucessão; (i.ii) dedução das despesas incorridas com o Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT; (i.iii) juros SELIC sobre a multa de ofício; (ii) por voto de qualidade, em relação à trava dos 30% na incorporação, vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Letícia Domingues Costa Braga. Declarouse impedido o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.114 3 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada em substituição ao impedimento do Conselheiro Daniel Ribeiro Silva), Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório O presente processo trata de auto de infração de IRPJ e CSLL, período de apuração de 2013, lavrado em função de inobservância do limite de compensação de 30% de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. O crédito exigido importou em R$238.414.976,20, incluídos multa de ofício e juros moratórios. Todo o procedimento de fiscalização está pormenorizado no Termo de Verificação Fiscal de efls. 15/28. Do Termo de Verificação Fiscal extraímos o essencial, reproduzido abaixo: 1. Da identificação dos montantes de compensação indevida de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, ocorridas em 30 de agosto de 2013. A Braskem, na condição de sucessora da Braskem QPAR S.A, que por sua vez sucedeu a Rio Polímeros S.A, foi regularmente intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 0001, a apresentar os Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR das incorporadas, referentes aos anos calendário 2005 a 2014, contudo os apresentou parcialmente (2010 a 2013). De posse do Livro fiscal de 2013 da empresa Rio Polímeros S.A, verificouse que o Lucro antes das Compensações equivalia a R$ 485.800.302,45 (quatrocentos e oitenta e cinco milhões, oitocentos mil, trezentos e dois reais e quarenta e cinco centavos) e que fora realizada compensação de prejuízos fiscais no valor de R$ 470.524.123,55 (quatrocentos e setenta milhões, quinhentos e vinte e quatro mil, cento e vinte e três reais e cinquenta e cinco centavos). Da Parte “B” do referido LALUR, foi possível extrair que o valor compensado de prejuízos fiscais se referia a todo o montante ali registrado, conforme demonstrativo abaixo. Registrese que a formação do prejuízo fiscal a compensar da empresa Rio Polímeros S.A se deu a partir do ano calendário 2006, contudo, apesar de intimada, a Braskem não apresentou os referidos LALUR (2006 e 2008). Fl. 2115DF CARF MF 4 No entanto, o artigo 15, da Lei nº 9.065 de 20 de junho de 1995, estabeleceu que o prejuízo fiscal apurado a partir de 1996, poderia ser compensado com o lucro líquido ajustado do período, observado o limite máximo de 30% (trinta por cento). Diante da norma positiva, verificouse que o contribuinte compensou equivocadamente a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais registrados na parte “B” do LALUR, conforme demonstrativo abaixo. A análise do Livro de Apuração da Contribuição Social – LACS, referente ao ano calendário 2013, revelou um Lucro antes das Compensações equivalente a R$ 485.788.635,78 (quatrocentos e oitenta e cinco milhões, setecentos e oitenta e oito mil, seiscentos e trinta e cinco reais e setenta e oito centavos) e compensação integral desse montante relativo a base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Há de se registrar que a formação da base de cálculo negativa de CSLL compensada integralmente em agosto de 2013 se iniciou em 2006, porém, apesar de regularmente intimada, a Braskem não apresentou os referidos LACS referentes a períodos anteriores a 2010 (2006 a 2009), conforme se observa no demonstrativo abaixo. Entretanto, o artigo 16, da Lei nº 9.065 de 20 de junho de 1995, estabeleceu que a base de cálculo negativa de CSLL apurada a partir de 1996, poderia ser compensada com o lucro líquido ajustado do período, observado o limite máximo de 30% (trinta por cento). Diante da norma positiva, verificouse que o contribuinte compensou equivocadamente a totalidade dos saldos de base de cálculo negativa de CSLL registrados na parte “B” do LACS, conforme demonstrativo abaixo. Uma vez demonstrado o montante ilícito de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL compensados sem a observância do limite legal de 30% (trinta Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.115 5 por cento), descreverseá as razões legais para a constituição do crédito tributário através da lavratura de Auto de Infração. 2. Da compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, ocorrida em 30 de agosto de 2013. ... As razões apresentadas pela Braskem para a conduta perpetrada são idênticas as aplicadas na apuração do imposto de renda, ou seja, em face da extinção por incorporação da Rio Polímeros S.A a empresa optou pela compensação integral da base de cálculo negativa de CSLL informando tal ação no item 63, rubrica “Outras Exclusões”, ficha 17, da DIPJ em epígrafe. Uma vez compreendidos os motivos das divergências entre as informações prestadas na DIPJ, declaração essa enviada pelo contribuinte ao Fisco Federal, e no LALUR/LACS, constatouse que de fato a empresa Rio Polímeros S.A indevidamente compensou integralmente o saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL com o lucro ajustado do período, em desalinho com a legislação de regência dos tributos mencionados que determina a aplicação do limite de 30% (trinta por cento), consoante relato que se segue. ... Uma vez definido tratarse de benefício fiscal, as compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, há de se interpretar de forma literal/restritiva a legislação que estabeleceu a benesse. Nesse sentido, a única constatação possível é que a lei concedeu o benefício estabelecendo os limites para sua fruição não indicando exceção para as empresas que encerrassem suas atividades por incorporação. ... 3. Da Responsabilidade por sucessão atribuída a Braskem S.A pelo crédito tributário ora constituído. ... O artigo 227, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das S.A), estabeleceu que a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Por seu turno, o artigo 129 do CTN, estabeleceu que o disposto na seção que trata da responsabilidade dos sucessores se aplica por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Ou seja, o dispositivo legal expressamente declara que os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição até a data da sucessão, mas também pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data (caso concreto aqui analisado). Em complemento, o artigo 132, do CTN dispôs que a pessoa jurídica de direito privado que remanescer da incorporação é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado incorporadas. Fl. 2117DF CARF MF 6 Da leitura dos comandos legais acima mencionados, não resta qualquer dúvida que a Braskem S.A responde por sucessão pelos créditos tributários devidos pela Rio Polímeros S.A a partir da data da incorporação da Braskem QPAR (01/12/2014). Outrossim, cumpre ressaltar que a expressão créditos tributários compreende não somente aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias, tais como multas de oficio, que fazem parte do conjunto de obrigações transferidas por incorporação a incorporadora. ... Apesar do STJ reconhecer a responsabilidade tributária do sucessor pelas multas punitivas, sem fazer qualquer ressalva quanto à existência de relação societária entre as empresas envolvidas, demonstrarseá a relação de controle havida entre os partícipes das operações de incorporação em comento. De acordo com o anexo I, às fls. 1 e 2, da Ata de Assembléia Geral Extraordinária, ocorrida em 30 de agosto de 2013, na empresa Rio Polímeros S.A, bem como 1ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da Braskem Petroquímica LTDA, ocorrida em 02 de maio de 2013, verificouse a seguinte disposição societária envolvendo as empresas mencionadas. Considerandose a data da incorporação da empresa Rio Polímeros S.A pela Braskem QPAR S.A, ocorrida em 30 de agosto de 2013, é possível concluir que a Braskem S/A controlava diretamente ou indiretamente 100% (cem por cento) do Capital total de todas as sociedades envolvidas na operação. Ainda de acordo com o Anexo I, da Ata de Assembléia Geral Extraordinária, ocorrida em 01 de dezembro de 2014, a Braskem S.A adquiriu da Braskem Petroquímica LTDA sua participação remanescente na Braskem QPAR S.A (3,04% do CT), tornandose a titular da totalidade do seu Capital Social. Do todo acima exposto, concluiuse que a Braskem S.A controlava integralmente todas as empresas envolvidas nas operações de incorporação, restando inconteste sua condição de responsável tributário por sucessão em relação ao crédito tributário ora constituído. ... 4. Da Conclusão. Da análise dos livros fiscais (LALUR e LACS) e outros documentos e declarações apresentados pelo contribuinte, bem como dos fatos acima expostos, constatouse que a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.116 7 foram realizadas ilicitamente sem a observância do limite legal de 30% (trinta por cento). Em função desta constatação foi necessária a recomposição das compensações, respeitandose o limite legal, cuja consequência foi a lavratura de Autos de infração referentes aos tributos IRPJ e CSLL, consoante demonstrativo abaixo. Em face da legislação vigente, a Braskem S/A, na condição de responsável por sucessão, responderá pelos créditos tributários, leiase, tributos e multas, acima mencionados. A multa de ofício referente a esta infração é de 75% (setenta e cinco por cento) nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, com nova redação dada pelo artigo 14, da Lei nº 11.488/2007. A Impugnação (v. efls. 1.908/1.928) e o Recurso Voluntário (v. efls. 2.015/2.042) abordam praticamente os mesmos argumentos, que reproduzo abaixo em apertadíssima síntese: 1) Não há vedação para o aproveitamento dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acima de 30% quando o sujeito passivo põe termo às suas atividades; 2) Entender pela aplicabilidade da trava no caso de incorporação implica em tributação do patrimônio, em clara ofensa às normas de competência tributária; 3) Permitir a compensação integral de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, no caso, não traz qualquer prejuízo ao Fisco, já que, não fosse a incorporação, tais créditos seriam utilizados pela pessoa jurídica em exercícios futuros; 4) Ainda que se adote a premissa de que a compensação de prejuízos e base de cálculo negativa de CSLL é espécie de benefício fiscal, considerar a necessidade de sua interpretação literal e restritiva nos termos do art. 111 do CTN representa grave impropriedade, já que não se trata de hipótese ali prevista; 5) Sejam deduzidos do IRPJ os gastos com o Programa de Alimentação do Trabalhador nos anos de 2011 a 2013; 6) Seja afastada a exigência de multa de ofício e juros de mora, em observância ao art. 100, III, § único do CTN, já que o Fl. 2119DF CARF MF 8 procedimento adotado estava em perfeita sintonia com a jurisprudência dominante à época; 7) Seja reconhecida a impossibilidade de a Recorrente responder pela multa lançada, já que a sucessora apenas responde pelos tributos devidos até a data da incorporação, e não pelas multas que venham a ser lançadas após a citada data; 8) Seja reconhecida a ilegalidade/inconstitucionalidade da exigência de juros sobre a multa. Ao apreciar a Impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) proferiu o Acórdão nº 0443.811 2ª Turma, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. RESPONSABILIDADE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47). INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. A compensação de prejuízos fiscais não é elemento inerente ao cálculo da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. CSLL Aplicamse aos lançamentos da CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ, naquilo em que há similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS APLICÁVEL. A compensação de bases negativas não é elemento inerente ao cálculo da base de cálculo da CSLL, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de bases negativas da empresa a ser incorporada. Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.117 9 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência do referido Acórdão deuse em 14/08/2017 (v. efls. 2.012). Já o Recurso Voluntário foi protocolado em 12/09/2017 (v. efls. 2.014). As razões do recurso expusemos acima e, como dito, não trouxe nenhuma inovação em relação à Impugnação, à exceção da alegada impossibilidade de se exigir multa de ofício e juros de mora, em observância ao art. 100, III, § único do CTN, já que o procedimento adotado estaria em perfeita sintonia com a jurisprudência dominante à época. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, impõese a análise da aplicabilidade e do alcance do artigo 24 da LINDB ao/no caso concreto, arguição apresentada em sede de sustentação oral. O dispositivo tem a seguinte redação: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Fl. 2121DF CARF MF 10 Adoto o entendimento exposado pela Ilustre Conselheira Lívia De Carli Germano e gravado no Acórdão nº 1401002.993, de 20 de novembro de 2018. Defende a Recorrente que tal dispositivo tem aplicação imediata ao caso, devendo ser cancelada a autuação fiscal, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, ou seja, foi pautado na jurisprudência majoritária deste CARF sobre a matéria. Todavia, entendo que não é este o alcance da norma. É que o campo tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. De fato, o artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E não é à toa. É que em um ambiente em que todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) têm competência e capacidade tributária ativa, a edição de normas gerais não pode emanar de um desses entes (lei federal), devendo advir de norma especial com caráter de legislação nacional, papel da lei complementar. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Vale lembrar, ademais, que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Na verdade, a análise mais detida do teor do artigo 24 da LINDB também leva à conclusão de que ele não tem o alcance que a Recorrente pretende. A começar pelo contexto em que tal norma foi editada, eis que a exposição de motivos do projeto de lei indica que suas disposições tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Ademais, a análise do texto indica que o dispositivo se dirigese à revisão de ato, processo ou norma emanados da própria Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, eis que lançamento não configura procedimento de “revisão”, uma vez que não cuida de “revisar” a validade de quaisquer atos ou contratos da Administração. Assim, o lançamento tributário não se ocupa da revisão de atos administrativos e jamais declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.118 11 sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. Vale notar que dar ao artigo 24 da LINDB o alcance pretendido pela Recorrente em nome da "segurança jurídica" acabaria por "engessar" o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos Tribunais/Conselhos de Recursos Fiscais, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos que o Poder Judiciário não tem condição (e nem estrutura) para analisar, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes trazendo, veja só, insegurança jurídica. Ante o exposto, oriento meu voto por rejeitar a preliminar de aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em questão. Como vimos no Relatório, o presente processo diz respeito a auto de infração lavrado por força de compensação indevida/a maior de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, relativamente ao ano calendário de 2013, realizada pela empresa Rio Polímeros S/A quando de sua incorporação pela empresa Braskem QPAR S/A (também incorporada pela Recorrente em 2014). Além do IRPJ e da CSLL devidos, também foi exigido pelo Auto de Infração multa de ofício e juros de mora. Assim, o recurso discorre, em linhas gerais, sobre cinco pontos: a) A possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL em limite superior a 30% por força da incorporação; b) A impossibilidade de lhe ser exigida multa e juros, haja vista a alegação de que à época do fato gerador autuado, a jurisprudência seria pacífica no sentido do afastamento da trava na compensação de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL; c) A impossibilidade de lhe ser exigida a multa de ofício por força da ausência de responsabilidade por sucessão, conforme o disposto no art. 129 do CTN; d) O direito à dedução do incentivo fiscal ao Programa de Alimentação do Trabalhador; e) A ilegalidade/inconstitucionalidade da exigência de juros SELIC sobre a multa de ofício; O segundo item, relativo à impossibilidade de se exigir multa e juros por conta da jurisprudência reinante na época do fato gerador autuado, não será objeto de apreciação neste voto haja vista que tal matéria não foi impugnada. Como é cediço, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário, sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal. Fl. 2123DF CARF MF 12 Assim, questões não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, arguidas pela recorrente somente na fase recursal, constituem matérias preclusas, vedada a sua análise pelo órgão "ad quem". Escapam dessa regra questões de ordem pública, as quais transcendem aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Tratemos, pois, de cada um dos pontos de forma individualizada. 1) A possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL em limite superior a 30% por força da incorporação Esse primeiro ponto é o mais importante e, por óbvio, revelase prejudicial em relação aos demais. A Autoridade Fiscal efetuou o lançamento pois chegou à conclusão que a empresa Rio Polímeros S/A, ao apresentar a DIPJ relativa ao evento Incorporação, ocorrido em 30/08/2013, teria compensado prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL além do limite de 30% estabelecido no art. 15, da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Já a Recorrente alega que assim procedeu diante da ausência de disposição expressa na legislação de regência que lhe impusesse tal restrição haja vista a situação particular do encerramento de atividades (por via de incorporação). O procedimento fiscal, da forma como realizado, estaria, na prática, lhe tolhendo o patrimônio, o que se caracterizaria como verdadeiro confisco. Considera que o direito à compensação é subjetivo e sua utilização não estaria limitada no tempo, considerando a continuidade da empresa, mas tal limitação seria tão somente em termos quantitativos, no intuito de preservar os interesses da arrecadação. Por força desse raciocínio, nos casos de incorporação, a pessoa jurídica não estaria submetida ao limitador de 30%, pois que inexistente o pressuposto fundamental de suporte à restrição legal, exatamente a continuidade da empresa. O presente tema não é desconhecido deste Conselho, nem tampouco desta Turma, como veremos mais adiante alguns acórdãos por ela prolatados a respeito. Tratase de matéria bastante controversa, com posições divergentes na sua solução, entretanto, filiome à corrente que entende que a compensação de prejuízos fiscais deva observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento societário. Fundamento minha posição nos mesmos argumentos exposados pela decisão recorrida, mormente na constatação de que não há previsão legal para afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL da empresa a ser incorporada. E, para tanto, reproduzo excerto do voto condutor do Acórdão nº 9101001.337, da lavra do Ilustre Conselheiro Alberto Pinto Souza, em julgamento ocorrido na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que trata, inclusive, das principais linhas de defesa da Recorrente: Com a devida vênia dos que defendem a compensação sem trava do prejuízo fiscal no último balanço da empresa a ser incorporada, ouso discordar, por enxergar, nos argumentos que assim sustentam, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.119 13 Sustentase que o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estar seá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo recorrente, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir "renda". Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu decréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial n° 188.855GO, in verbis: Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores. Data maxima venia, confundese aqueles que citam o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que "o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores". Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6° e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6º e 67, XI, do DL 1598/77 já Fl. 2125DF CARF MF 14 demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustentase também que a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que "somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados", conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). Enganase também quem defende que a não submissão dos prejuízos à trava, nos casos de que se trata, não se encontra vedada pelas normas veiculadas pelos artigos 32 e 33 do Decretolei 2.341/1987, pois, teleologicamente, o art. 33 visa impedir que o saldo de prejuízo fiscal da empresa a ser incorporada cause qualquer impacto financeiro na incorporadora, o que ocorreria se, no seu último exercício, fosse permitido a incorporada pagar menos IRPJ compensando o saldo de prejuízos além dos 30% permitidos. Todavia, a questão principal não gira em torno do art. 33 do DL 2.341/87, mas da total falta de previsão legal para que se afaste a regra geral da trava de 30% no último período de apuração da empresa a ser incorporada. Isso mesmo, não há previsão legal, mas um mero esforço exegético do recorrente, o qual desborda os parâmetros hermenêuticos das normas de regência da matéria. Ademais, permissa venia, a interpretação, digamos, sistemática feita pelo recorrente já que não se baseia em nenhum dispositivo legal específico, mas no sistema jurídico como um todo é contraditória e ofende a isonomia, pois, "já que sustenta que o prejuízo fiscal deve ser integralmente compensável no tempo, para que a tributação não ofenda o conceito de renda, como fazer então se houver saldo remanescente de prejuízo no último período de existência da pessoa jurídica ainda que lhe fosse afastada a trava dos 30%? Ora, em alguns países, a exemplo dos Estados Unidos da América Unidos da América3, é permitida a compensação retroativa de prejuízos fiscais (ou seja, com lucros anteriores). Será então que, para respeitar o conceito de renda, o intérprete deveria também entender autorizada a compensação retroativa na situação em tela sem lei que a preveja? A resposta é, por tudo que já demonstramos antes, indubitavelmente, negativa. Ocorre, porém, que, nessa hipótese, o recorrente aceita que se perca o direito à compensação do saldo de prejuízo fiscal, criando um situação não isonômica entre a incorporada que tem lucro no seu último exercício suficiente para ser compensado 100% do saldo de prejuízos acumulados e aqueloutra que não o tenha, a qual ficará com saldo de prejuízo fiscal que jamais será compensado. Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.120 15 Conforme muito bem delineado no voto acima reproduzido, a limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores está claramente prevista em lei, inexistindo exceção legal para a exclusão dessa limitação no caso de extinção da pessoa jurídica. Dar interpretação diversa, implicaria ao órgão julgador atuar como legislador positivo, o que é consabidamente vedado, inclusive aos órgãos do Poder Judiciário. Também ficou evidente no referido voto a insubsistência da argumentação da Recorrente de que impedir a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores significaria tributar o patrimônio em detrimento da renda, o que absolutamente não é verdade e ficou cabalmente demonstrado com a rápida, mas esclarecedora abordagem feita no voto, ao discorrer sobre a evolução legislativa do instituto da compensação de prejuízos, desde a Lei nº 154/47 até a Lei nº 9.065/95. Abaixo colaciono alguns julgados deste Conselho no mesmo sentido: Acórdão nº 9101002.226 1ª Turma, Sessão de 04/02/2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Acórdão nº 9101002.588 1ª Turma, Sessão de 14/03/2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL 31/ 12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida. Fl. 2127DF CARF MF 16 Acórdão nº 1402003.200 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 16/05/2018 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30%. Aplicase o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%) à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados, ainda que ocorra encerramento de atividades, ou qualquer outro evento de reorganização societária. Acórdão nº 1301002.837 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 14/03/2018 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXCEPCIONANDO A REGRA GERAL. A compensação de prejuízos fiscais não é elemento inerente ao cálculo da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. Acórdão nº 1401001.753 e 1401001.754 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 24/01/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ/CSLL. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. No contexto do ordenamento jurídico tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido, pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetive assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos\ diplomas legais que regem a matéria. E concluo a análise do ponto com a jurisprudência do STJ e do STF: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. LUCRO DE EMPRESA INCORPORADA A SER COMPENSADO COM PREJUÍZO DA EMPRESA INCORPORADORA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A empresa incorporadora não pode compensar prejuízos apurados em determinado exercício com lucros obtidos por empresa incorporada, para fins de imposto de renda, por ausência de previsão legal. 2. O silêncio da lei sobre determinada situação não gera direitos para as partes que compõem a relação jurídicotributária. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.121 17 3. A homenagem ao princípio da legalidade tributária exige expressa disposição na lei da conduta a ser praticada pelo ente tributante e pelo contribuinte. 4. Compensação não permitida. Precedente: REsp 54348/RJ, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, 1ª Turma. 5. Recurso improvido. (Recurso Especial nº 307389 RS) TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS SUCESSÃO DE PESSOAS JURÍDICAS INCORPORAÇÃO E FUSÃO VEDAÇÃO ART. 3 DO DECRETOLEI 2.341/87 VALIDADE ACÓRDÃO OMISSÃO: NÃO OCORRÊNCIA. 1. Inexiste violação ao art. 535, II do CPC se o acórdão embargado expressamente se pronuncia sobre as teses aduzidas no recurso especial. 2. Esta Corte firmou jurisprudência no sentido da legalidade das limitações à compensação de prejuízos fiscais, pois a referida faculdade configura benefício fiscal, livremente suprimível pelo titular da competência tributária. 3. A limitação a compensação na sucessão de pessoas jurídicas visa evitar a elisão tributária e configura regular exercício da competência tributária quando realizado por norma jurídica pertinente. 4. Inexiste violação ao art. 43 do CTN se a norma tributária não pretende alcançar algo diverso do acréscimo patrimonial, mas apenas limita os valores dedutíveis da base de cálculo do tributo. 5. O art. 109 do CTN não impede a atribuição de efeitos tributários próprios aos institutos de Direito privados utilizados pela legislação tributária. 6. Recurso especial não provido. (Recurso Especial nº 1.107.518 SC) RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 50, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (Recurso Extraordinário 344.9940) Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso no que tange à possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL em limite superior a 30% por força da incorporação. 2) A impossibilidade de lhe ser exigida a multa de ofício por força da ausência de responsabilidade por sucessão, conforme o disposto no art. 129 do CTN A recorrente pleiteia o cancelamento da multa de ofício porque, segundo ela, "as penalidades decorrentes de infrações cometidas antes da incorporação não são sucedidas pela incorporadora, se já não estivessem constituídas ou estivessem em curso de constituição na data da incorporação". Fl. 2129DF CARF MF 18 O tema que se aprecia neste ponto também não é novo no CARF. Alega a Recorrente, fundamentalmente, que "as penalidades decorrentes de infrações cometidas antes da incorporação não são sucedidas pela incorporadora, se já não estivessem constituídas ou estivessem em curso de constituição na data da incorporação". Lastreia o seu entendimento no disposto no art. 129 do CTN: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Como vimos no Relatório, a incorporação se deu em 30/08/2013, e o lançamento foi efetuado em 22/03/2017. A solução para o presente caso vou buscar no Acórdão nº 9101002.226 1ª Turma, Sessão de 04/02/2016, da lavra do Ilustre Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, cuja ementa reproduzo abaixo: MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. RESP 923.012/MG decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. O referido acórdão tomou por base julgado emanado do Superior Tribunal de Justiça STJ, no Recurso Especial nº 923.012/MG, admitido sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.122 19 SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...] Para ilustrar melhor o decisum, transcrevo parte do seu voto condutor: VOTO [...] No tocante ao segundo ponto suscitado, qual seja, a responsabilidade da sucessora empresa incorporadora pela multa aplicada à empresa incorporada, impõese o conhecimento do recurso, ante o preenchimento dos requisitos de admissibilidade recursal. Deveras, a questão não é nova nesta Corte Superior, consoante dessumese dos seguintes precedentes: [...] Com efeito, não é outra a conclusão que desponta de uma interpretação conjunta dos dispositivos legais pertinentes, sitos na Seção II, do Código Tributário Nacional, que versa a Responsabilidade dos Sucessores, in verbis: [...] Deveras, conquanto os arts. 132 e 133 do CTN refiramse tão somente aos tributos devidos pelos sucedidos, se interpretados tais dispositivos conjuntamente com o art. 129, chegase à conclusão de que a regra naqueles insculpida aplicase também aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição. Nesse segmento, temse que os "créditos tributários" mencionados no aludido art. 129, na ótica do legislador, compreendem não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias, consoante dessumese do art. 113, § 1º, do Codex Tributário, litteris: [...] Nesse sentido, Sacha Calmon Navarro leciona que, in verbis: [...] Fl. 2131DF CARF MF 20 Ex positis, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Notase da ementa e do voto acima transcritos que a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas inclui os oriundos de penalidades pecuniárias; também se conclui do arrazoado que as normas de responsabilização aplicamse tanto aos créditos tributários definitivamente constituídos, quanto aos em curso de constituição; Também podemos concluir que a responsabilidade tributária do sucessor abrange igualmente as multas (moratórias ou punitivas), desde que seu fato gerador (infração tributária) tenha ocorrido até a data da sucessão. Para integrar ainda mais as disposições contidas no acórdão acima reproduzido, o STJ proferiu nova decisão, desta feita em sede de embargos no mesmo processo, cuja ementa foi assim redigida: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo que o recurso de embargos de declaração, desafiado contra decisão judicial monocrática ou colegiada, se subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um destes requisitos: (a) obscuridade, (b) contradição ou (c) omissão, querendo isso dizer que, se a decisão embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido. Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade da observância rigorosa desses chamados pressupostos processuais, muito menos usar o recurso como forma de reversão pura e simples da conclusão do julgado. 2. As omissões e contradições apontadas, em verdade, não ocorreram; o que se constata é que o contribuinte pretende reverter o resultado do julgamento, tentando fazer prevalecer seu ponto de vista sobre os temas discutidos. 3. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do ICMS das mercadorias dadas em bonificação, [...] 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.123 21 Assim como o fez o acórdão nº 9101002.226 1ª Turma CSRF, transcrevo abaixo os fundamentos do voto que orientaram a rejeição dos embargos pelo STJ, em relação à questão da responsabilidade do sucessor pelas multas: VOTO [...] 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: [...] 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 9. Todos esses aspectos foram bem examinados no acórdão embargado, in verbis: [...] 11. Ante o exposto, rejeitamse os Embargos Declaratórios. Resta claro da leitura do referido acórdão que a responsabilidade independe do momento da autuação fiscal (se antes ou depois do evento societário). Em resumo, extraise do entendimento do STJ que a expressão "créditos tributários", constante da sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", compreende não apenas os créditos decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias; também é possível abstrair do referido acórdão que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos "créditos tributários" já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Fl. 2133DF CARF MF 22 Em se tratando de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013 e, considerando o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, tal posicionamento deve ser reproduzido pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, não havendo como fugir do entendimento exposado no Acórdão do STJ acima analisado, voto no sentido de negar provimento ao recurso no ponto. 3) O direito à dedução do incentivo fiscal ao Programa de Alimentação do Trabalhador A Recorrente alega ter direito à dedução do imposto devido relativo às despesas incorridas no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, referentes ao ano calendário da incorporação (2013) e aos dois períodos de apuração imediatamente anteriores (2011 e 2012). A DRJ/CGE negou provimento ao recurso neste ponto alegando o seguinte (v. efls. 2.003): O direito a descontos legais, tais como os do programa indicado, configuram faculdade dos contribuintes, ou seja, podem ou não ser utilizadas no cálculo do tributo a pagar e, se utilizadas, devem ser observadas as condições e os limites de cálculo estabelecidos. No caso em apreço, a pretensão não merece amparo, visto que a impugnante apenas alega que teria direito a descontar do IRPJ devido gastos relativos ao PAT, sem apresentar suporte documental hábil a comprovar tais dispêndios e a regularidade de sua adesão ao referido programa, no período em questão. Concluise, no caso, que com a apresentação apenas do balancete consolidado de agosto de 2013 em anexo (doc. 04), não fica devidamente comprovada a aplicabilidade da referida dedução em conformidade com as regras previstas para o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. A decisão recorrida fundamentouse na insuficiência de provas a confirmar o direito alegado, haja vista que a Contribuinte teria apresentado junto à impugnação tão somente o documento de efls. 1.964/1.976 que, segundo a Impugnante, tratarseia do balancete consolidado de agosto de 2013. Já o recurso voluntário limitouse a repetir o que já constara da impugnação. Acresceu apenas o seu repúdio à conclusão da decisão a quo no que diz respeito à não apresentação de conteúdo probatório suficiente para comprovar o seu direito e apresentou o documento de efls. 2.108, que comprovaria a sua adesão ao PAT. Por mais que seja crível que uma empresa do porte da Recorrente tenha incorrido em despesas com o PAT, creio que a mesma não foi capaz de comprovar, de forma eficaz, o quantum alega ter despendido com o referido Programa. Quando da Impugnação, apresentou tão somente o balancete levantado em agosto de 2013, considerado pela DRJ/CGE como insuficiente para o provimento do recurso, no que estou absolutamente de acordo. Vejam que a Recorrente alega ter direito à dedução das despesas incorridas em 2011, 2012 e 2013. Entretanto, anexou à impugnação tão somente o balancete de 2013, não apresentando, até este momento, nenhum elemento probatório relativamente às despesas que teria incorrido nos anos calendários de 2011 e 2012. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 13502.720411/201762 Acórdão n.º 1401003.041 S1C4T1 Fl. 2.124 23 Ao recorrer ao CARF juntou, tão somente, o Certificado de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária de efls. 2.108. Tal Certificado indica como fornecedores as empresas Ticket Serviços S/A e Gastroservice Refeições Ltda. Ora, poderia muito bem ter anexado os contratos com tais empresas, algumas notas fiscais dos serviços realizados, enfim, poderia ter utilizado de inúmeros meios probatórios para comprovar o direito alegado. Não o fazendo, sou obrigado a concordar com os termos da decisão recorrida, mantendoa pelos próprios fundamentos. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso também neste ponto. 4) A ilegalidade/inconstitucionalidade da exigência de juros SELIC sobre a multa de ofício A Recorrente alega que inexiste previsão legal para a exigência de juros sobre a multa de ofício. A matéria relativa aos juros sobre a multa de ofício não carece de maiores digressões, haja vista que foi sumulada pelo CARF. A Súmula a que me refiro é a de nº 108, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto, nego provimento ao recurso em relação aos juros sobre a multa de ofício. Todos os argumentos postos até aqui aplicamse indistintamente aos lançamentos de IRPJ e CSLL. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 2135DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.720855/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM PRESUNÇÕES. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar lançamento baseado em presunção quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima baseada em documentos apurados regularmente juntos às partes envolvidas.
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL.DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO INCIDÊNCIA.
Nos termos do § 2º do art.3º da Lei nº 7.713/1988,a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. CABIMENTO.
O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade conjugal pode ser lançado contra todos ou contra um dos cônjuges, em razão da solidariedade.
Numero da decisão: 2401-005.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. : Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada), Matheus Soares Leite, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM PRESUNÇÕES. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar lançamento baseado em presunção quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima baseada em documentos apurados regularmente juntos às partes envolvidas. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL.DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art.3º da Lei nº 7.713/1988,a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. CABIMENTO. O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade conjugal pode ser lançado contra todos ou contra um dos cônjuges, em razão da solidariedade.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se falar lançamento baseado em presunção quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima baseada em documentos apurados regularmente juntos às partes envolvidas. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL.DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art.3º da Lei nº 7.713/1988,a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 08 55 /2 01 4- 17 Fl. 541DF CARF MF 2 GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. CABIMENTO. O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade conjugal pode ser lançado contra todos ou contra um dos cônjuges, em razão da solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. : Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada), Matheus Soares Leite, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Adoto o relatório de fls. 497/509, de minha relatoria, por já ter tratado o caso de forma minuciosa, quando da solicitação de diligência: Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 3/9, acompanhado do Relatório Fiscal de fls. 12/25, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2010, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.440.715,04, composto da seguinte forma: R$ 690.143,27 relativo ao Imposto; R$ 232.964,31 de Juros de mora (calculados até 06/2014); e R$ 517.607,46 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 5), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos (ações e quotas não negociadas em bolsa de valores), cujos fatos geradores ocorreram em 27/08/2010 e 15/10/2010. Consta do Relatório Fiscal (fls. 87/97): “13. Consoante dispõe o Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, o Contribuinte alienou, no mês de agosto de 2010, parte de suas Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 3 3 quotas do capital social da Pessoa Jurídica INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA. 14. A referida alienação foi informada na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010 (folhas nos 29 a 44). Segundo a DIRPF (AC 2010), o imposto devido e pago na operação corresponde a R$ 199.959,39 (cento e noventa e nove mil, novecentos e cinquenta e nove reais e trinta e nove centavos). 15. O recolhimento no valor de R$ 199.975,00 foi encontrado no Sistema Informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (folha n° 46). 16. A seguir será analisada a correção do valor apurado diretamente pelo Fiscalizado. III.1.1 – Custo de Aquisição das Quotas 17. O Contribuinte adquiriu as quotas da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA da seguinte forma: I) de acordo com a 8ª alteração contratual datada de 09032010, registrada na JUCEG em 22062010 (folhas nos 120 a 137), o Sr. Wilson Constante adquiriu 5.000.000 quotas do capital social da Pessoa Jurídica, com valor nominal de R$ 1,00 cada uma, totalizando R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). 18. Do que foi relatado no parágrafo anterior, depreendese que o custo unitário (e médio) das quotas pertencentes ao Fiscalizado antes da alienação é de R$ 1,00 (um real). III.1.2 – Quantidade de Quotas Alienadas 19. De acordo com o Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, o Contribuinte alienou, em 26 de agosto de 2010, 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentas mil) quotas do capital social da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA à ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A (CNPJ n° 60.659.463/000191). 20. Em diligência anterior realizada junto à ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A (MPFDiligência n° 0120100.2013.008393) foi obtida a cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da MELCON, realizada em 20 de dezembro de 2010 (folhas nos 160 a 167). No mencionado documento foi registrada a retificação do número de quotas alienadas pelo Contribuinte: 1.289.167 (um milhão, duzentas e oitenta e nove mil e cento e sessenta e sete) quotas, com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. Fl. 543DF CARF MF 4 21. Importante salientar que a ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A adquiriu, no total, 3.867.501 (três milhões, oitocentas e sessenta e sete mil, quinhentas e uma) quotas da MELCON, com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. Ou seja, apenas um terço do total das quotas foram adquiridas do ora Fiscalizado. III.1.3 – Valor de Alienação 22. O instrumento contratual por meio do qual foi realizada a negociação da alienação / transferência de parte das quotas da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA à ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A foi lavrado em 26 de agosto de 2010 (folhas nos 168 a 213). 23. Do referido documento consta a forma de pagamento das quotas (folhas nos 171 e 172): 2.3 Forma de Pagamento do Preço de Compra. O Preço de Compra será pago pela Compradora aos Vendedores da seguinte forma: (i) o total de R$ 20.072.000,00 (vinte milhões e setenta e dois mil reais) será pago na presente data mediante transferência eletrônica disponível – TED, com recursos imediatamente disponíveis, para as contas correntes dos Vendedores indicadas no Anexo 2.3 (i), de acordo com os percentuais nele indicados; (ii) observadas as disposições da Cláusula 2. 4 abaixo, o valor remanescente de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) será pago mediante transferência eletrônica disponível – TED, com recursos imediatamente disponíveis, para as contas correntes dos Vendedores indicadas no Anexo 2.3 (i), de acordo com os percentuais nele indicados, quando da ocorrência dos seguintes eventos: (a) o valor de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) será pago no 15° dia útil após a data da publicação, no Diário Oficial da União, do registro na ANVISA do último dos seguintes Produtos: Hora H, Hora H Uno e Melisse, ou seus genéricos, o que for publicado primeiro. Sendo considerado como prazo limite para publicação 2 (dois) anos da previsão de lançamento indicados na Cláusula 2.2. (b); (b) o valor de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), corrigido anualmente, a partir da data de assinatura do presente instrumento, pelo Índice de Reajuste de Preços de Medicamentos, será pago 15 (quinze) dias após a aferição do VPL do Fluxo de MC2 Realizado Deflacionado acumulado até o 18° (décimo oitavo) mês contados do lançamento de cada Produto, em uma ou mais parcelas conforme os respectivos lançamentos ocorrerem na mesma data ou em datas distintas, observadas as proposições aplicáveis a cada Produto (Anexo 2.3 (b) (i)), tendo por referência a “Parcela Variável 1” do “VPL do Fluxo de MC2 Base dos Produtos” (Anexo 2.3 (b(ii)). As aferições mencionadas neste item serão efetuadas mensalmente até o 15° dia após o fechamento do mês. (c) o valor de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), corrigido anualmente, a partir da data de assinatura do presente instrumento, Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 4 5 pelo Índice de Reajuste de Preços de Medicamentos, será pago 15 (quinze) dias após a aferição do VPL do Fluxo de MC2 Realizado Deflacionado acumulado até o 36° (trigésimo sexto) mês contados do lançamento de cada Produto, em uma ou mais parcelas conforme os lançamentos ocorrerem na mesma data ou em datas distintas, observadas as proposições aplicáveis a cada Produto (Anexo 2.3 (b) (i)), tendo por referência a “Parcela Variável 2” do VPL do Fluxode MC2 Base dos Produtos (Anexo 2.3 (b) (ii)). As aferições mencionadas neste item serão efetuadas mensalmente até o 15° dia após o fechamento do mês. 24. Conforme visto acima, na resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, o Contribuinte apresentou cópia de extrato bancário do qual consta o recebimento do valor de alienação das quotas, no montante informado na DIRPF (folhas nos 43 e 256). 25. O valor de R$ 6.690.666,67 (seis milhões, seiscentos e noventa mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos), pago um dia após a celebração do contrato, equivale a em terço (são três vendedores) da primeira parcela do pagamento, correspondente a R$ 20.072.000,00 (vinte milhões e setenta e dois mil reais). 26. O pagamento do valor correspondente a R$ 6.690.666,67 (seis milhões, seiscentos e noventa mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos) também foi confirmado pela ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A, em resposta ao Termo de Diligência Fiscal n° 01, por meio da apresentação da cópia do documento de transferência bancária (folha n° 294). 27. Na mesma oportunidade, a respeito dos esclarecimentos requeridos acerca do pagamento realizado ao Fiscalizado, no mês de outubro de 2010, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), a Diligenciada informou o seguinte (folha n° 264): c) Conforme celebrado no “Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças”, firmado entre as empresas Aché e os sócios da empresa Melcon: Sérgio Paulo Carrijo Elias, Jairo de Melo e Wilson Constante, ficou estabelecido no item iv “Das Considerações”, que o capital social da Companhia seria reduzido com o intuito de ajustar o caixa para R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais), composto por R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) por parte dos vendedores e R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) por parte da Compradora, vez que a presente negociação, entre as partes, considerava saldo de caixa zero. Sendo assim, caberia aos Vendedores efetuarem a redução do capital social e para isso, seria necessário efetuar a baixa de aplicações Fl. 545DF CARF MF 6 bancárias, o que geraria uma perda de rentabilidade do montante aplicado. Diante do exposto, os sócios resolveram manter o valor total aplicado e acordaram que a Compradora faria o depósito dos R$1,750MM (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais), diretamente aos sócios fundadores. Ainda, quando do pagamento, foram efetuados alguns ajustes (relacionados a encontro de contas), reduzindo o valor de R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) para R$ 1.597.866,36 (Um milhão, quinhentos e noventa e sete mil, oitocentos e sessenta e seis reais e trinta e seis centavos), o que justifica o depósito de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois e doze centavos), para cada sócio vendedor das cotas. 28. A ACHÉ enviou cópia do comprovante de transferência bancária relativo ao valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), datado de 15 de outubro de 2010 (folha n° 325). 29. Depreendese da análise dos esclarecimentos prestados pela Diligenciada que: I) o preço de venda no valor de R$ 32.072.000,00 (trinta e dois milhões e setenta e dois mil reais = R$ 20.072.000,00 + 12.000.000,00) foi ajustado para saldo de caixa igual a zero; II) para que fossem obtidas as condições equivalentes às pactuadas no contrato de transferência das quotas, os sócios da MELCON deveriam reduzir o capital social da Pessoa Jurídica; III) mas a referida redução do capital social não foi realizada, pois, segundo informado, seria necessário resgatar aplicações financeiras, o que geraria perda de rentabilidade; IV) consequentemente foi realizado um depósito adicional na conta de cada sócio, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), para compensar a “não redução” do capital social da MELCON; V) ou seja, o preço de venda correspondente a R$ 32.072.000,00 é relativo a um capital social menor do que aquele efetivamente transferido à ACHE e, para fins de ajuste, foi realizado um depósito adicional no valor total de 1.597.866,36 (um milhão, quinhentos e noventa e sete mil,oitocentos e sessenta e seis reais e trinta e seis centavos); VI) em outras palavras, o depósito realizado na conta corrente do Contribuinte, na data de 15102010, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), corresponde a complemento do preço de venda de suas respectivas quotas. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 5 7 30. Ao encontro da conclusão apresentada acima, apresentase a escrituração do fato contábil pela ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A, consoante informação obtida por meio do “download” da Escrituração Contábil Digital referente ao anocalendário 2010, apresentada pelo Pessoa Jurídica junto ao sítio SPED. A Empresa informou no histórico do lançamento contábil que o pagamento a WILSON CONSTANTE, em 15102010, no valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos) se refere a integralização de capital: Data Conta D/C Valor Histórico 1510 2010 Importações em Andamento D 532.622,12 159 – Wilson Constante Ref. Integraliza##o de capi 1510 2010 Transitória – Banco Itaú S/A – C/C 086006 C 532.622,12 159 – Wilson Constante Ref. Integraliza##o de capi 31. Observase que o pagamento das outras parcelas do preço de venda das quotas (R$ 12.000.000,00 – doze milhões de reais) está submetido a uma condição suspensiva: o lançamento do(s) produto(s). 32. Os artigos nos 116 e 117 do Código Tributário Nacional dispõem sobre fatos geradores associados a tais circunstâncias: [...] 33. Assim, de acordo com o art. 117, inciso I, do CTN, quando da celebração do contrato, as parcelas do preço de venda submetidas à condição suspensiva não podem ser consideradas no cômputo do preço de alienação para efeito do cálculo do gando de capital. Significa dizer que o preço de alienação deve ser composto pelas parcelas não submetidas a tal condição. Posteriormente, à medida do recebimento (se ocorrer), as parcelas submetidas à condição suspensiva serão tributadas como ganho de capital, sem abatimento de custo de aquisição (todo utilizado anteriormente). 34. O preço de alienação das quotas (pertencentes ao Sr. Wilson Constante) relativas ao capital social da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MELCON DO BRASIL LTDA corresponde à soma das seguintes parcelas: I) R$ 6.690.666,67 (seis milhões, seiscentos e noventa mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos), pagos em 27 de agosto de 2010; II) R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), pagos em 15 de outubro de 2010. Fl. 547DF CARF MF 8 [...] 40. Consoante o exposto nos itens III.1.1 a III.1.4 acima, é demonstrado abaixo o cálculo do imposto de renda sobre o ganho de capital: Quotas Alienadas 1.289.167,00 Custo Unitário/Médio das Quotas R$ 1,00 Custo Total das Quotas R$ 1.289.167,00 Valor da Alienação R$ 7.223.288,79 Parcela Recebida em 27082010 R$ 6.690.666,67 Parcela Recebida em 15102010 R$ 532.622,12 Ganho de Capital R$ 5.934.121,79 Referente à Parcela de 27182010 R$ 5.496.558,70 Referente à Parcela de 27182010 R$ 437.563,09 Imposto de Renda Apurado (15%) R$ 890.118,27 Vencimento em 30092010 R$ 824.483,81 Vencimento em 30112010 R$ 65.634,46 Por fim, a autoridade fiscal atribui a responsabilidade solidária a Senhora Mariamárcia Melo Constante (esposa do contribuinte), inscrita no CPF sob o n° 498.265.57153, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, com fundamento no artigo 124, I, do CTN, tendo em vista que o bem alienado foi adquirido após a contração de núpcias. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls.332/338), alegando, resumidamente, o que segue: (i) O Impugante e os seus dois sócios celebraram contrato de compra e venda de quotas (antes da sua transformação em sociedade por ações) com a empresa Aché Laboratórios Farmacêuticos, por meio do qual foi realizada a alienação de 50% das quotas do capital social da empresa Industria Farmacêutica Melcon do Brasil Ltda.; (ii) O Capital social subscrito e integralizado da empresa à época da alienação era de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões), distribuídos igualmente entre os três sócios (33,33%) e o valor nominal da respectiva quota de R$ 1,00 (um real); (iii) Nos termos da avença, restou convencionado como preço da venda das 7.500.000 cotas o valor total de R$ 32.072.000,00 (trinta e dois milhões e setenta e dois mil reais), conforme descrito na cláusula 2.2 do contrato, definindo as condições de pagamento no item 2.3 e demais disposições nos itens 2.4 e 2.5; (iv) Restou estipulado que o pagamento seria realizado da seguinte forma: R$ 20.072.000,00 pagos à vista, uma parcela intermediária de R$ 4.000.000,00 quando da entrada em comercialização dos produtos ali destacados pela aprovação junto a ANVISA, e o saldo remanescente, ou seja, R$ 8.000.000,00, baseado no cumprimento de metas de desempenho; (v) Informa que cada sócio recebeu o valor de R$ 6.690.066,67 em 27/08/2010, correspondente a 2,5 milhões de cotas de cada um vendidas; Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 6 9 (vi) Dessa forma, defende que a base de cálculo do IR sobre o ganho de capital desta venda de 50% é o preço pago (R$ 6.690.066,67) pela Aché, subtraído o que cada sócio possuía de cotas (2,5 milhões) no momento da ocorrência do fato gerador. Isto é, da formalização do contrato e do pagamento do preço por parte do Aché, o que ocorreu no dia 27/08/2010; (vii) Sendo assim, assegura que o IR apurado na competência de setembro de 2010 (mês subsequente à venda) é de R$ 628.599,99 e não de R$ 890.118,27, como pretende o fisco federal; (viii) Destaca que a venda e o pagamento ocorreram em agosto de 2010. Explica que nesta data as cotas valiam R$ 5 milhões (50%, então, R$ 2,5 milhões). Contudo, segundo o defendente, erroneamente, ao elencar como valor das cotas negociadas R$ 1.289.167,00, o representante do fisco (aumentando assim a base de cálculo) entendeu que a redução de capital ocorrida em momento posterior retroagiu à data da venda, o que, para o autuado, não é o correto. Ou seja, a venda foi em agosto/10, ao passo que a redução do capital foi efetivada em dezembro/10; (ix) Sustenta que não pode o fiscal querer considerar que o capital social foi reduzido na data da venda, quando tal evento só teria ocorrido 3 meses depois, quando já realizada a venda e já ocorrido o fato gerador da tributação sobre o ganho de capital; (x) Nesse rumo, informa que, para comprovar suas alegações, anexou a ata realizada em 20/12/2010 que formalizou a cessão à Aché de R$ 3.867.501 de capital social do total de R$ 15 milhões existentes, sendo certo que cada um dos três sócios cedeu R$ 1.289.167; (xi) Prossegue, alegando que, consoante consta da ata de 22/12/2010, houve a redução de capital da empresa para R$ 9.485.001,00 e a Aché (quarta sócia) deveria, em consequência, repassar o total dessa redução ocorrida somente nas ações dos três sócios (total de R$ 5.514.999,00) para estes sócios (a título de retorno de capital), ou seja, R$ 1.838.330,00 per capita; (xii) Cita também a Ata de 02/12/2011, em que teria ficado deliberado o aumento de capital de R$ 9.485.001,00 para R$ 11.235.000,00 com a subscrição da Aché de R$ 1.750.000,00; (xiii) Assim, segundo o autuado, restou formatado o cenário atual do capital social: R$ 1.872.500,00 para cada sócio, somando R$ 5.617.500,00, e R$ 5.617.500,00 para a Aché (R$ 3.867.000,00 + R$ 1.750.000,00), totalizando R$ 11.235.000,00; (xiv) Com base nas considerações feitas, aduz que auditor fiscal entendeu que estas mesmas cotas teriam um custo de R$ 1.289.167,00, por considerar que no momento da ocorrência do fato gerador já teria ocorrido a redução de capital que, na verdade, somente ocorreu em dezembro de 2010; Fl. 549DF CARF MF 10 (xv) Não bastasse isso, pondera o impugnante que o auditor cometeu outro erro no tocante à competência do recolhimento do tributo no caso da alienação das cotas; (xvi) Explica que a venda foi realizada em agosto de 2010, com pagamento à vista, logo, a seu ver, o imposto de renda sobre o ganho de capital deveria ser apurado no mês subsequente, ou seja, setembro de 2010; (xvii) Em outro plano, discorda também do entendimento por parte da fiscalização de que o valor de R$ 532.622,12 recebido em conta pelo impugnante em 15/10/2010, referese à parcela da venda, afirmando que tal importância não está prevista em contrato, nem como parcela com vencimento posterior; (xviii) Assim, assevera que tal parcela não integrou o valor da venda das cotas, razão por que não há que se falar em ganho de capital, visto que de alienação de patrimônio não se tratou; (xix) Por fim, requer a procedência da impugnação para determinar o cancelamento integral do Auto de Infração e o cancelamento da multa aplicada. Ademais, pleiteia a exclusão da responsável solidária, sob a justificativa de que não teve participação nenhuma nos presentes atos, bem como deles pouco sabe e participou. Assim, como deles não se beneficiou ou se prejudicou, de modo que o suposto beneficio exposto pela autoridade fiscal é completamente baseada em suposições e achismos, o que não estabelece ou justifica a solidariedade apontada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0736.896 da 6ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 403/413, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE. O custo de aquisição, para fins de apuração de ganho de capital, deve ser aferido com base real venda realizada, devendo prevalecer a realidade fática sobre a realidade formal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CÔNJUGE BEM COMUM DO CASAL. CARACTERIZAÇÃO. O Cônjuge casado sob o regime de comunhão parcial de bens é considerado responsável solidário em relação ao débito de imposto de renda em nome do consorte decorrente da alienação de bem comum, por estar presente o interesse comum na situação jurídica que constitui o fato gerador do tributo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIAS DAS DRJ. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 7 11 As Delegacias de Julgamento não são competentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 08/04/2015, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 420. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 422/440), alegando o que segue: (i) É sabido que não existe legalidade alguma em autuação por presunção como ocorreu no presente caso. A jurisprudência administrativa e judicial não permitem presunção como forma de autuação. Cita jurisprudência a corroborar a sua tese e defende que não existe obrigação do contribuinte em fazer prova negativa, prova de que não sonegou, de que não incorreu em determinado fato gerador do tributo, cabendo ao Fisco provar o que alega. Assim, a simples alegação de presunção de certeza e liquidez não pode afastar a necessidade da Administração Pública de provar, mediante documentação hábil, o fato supostamente tido como infrator, não podendo, de forma alguma, permitir sob o véu de tal presunção, a arbitrariedade de seus atos; (ii) Da verdade fática e documental – Em 26/08/2010, o primeiro Recorrente e os seus dois sócios celebraram contrato de compra e venda de quotas (antes da sua transformação em sociedade por ações) com a empresa Aché Laboratórios Farmacêuticos, por meio do qual foi realizada a alienação de 50% das quotas do capital social da empresa Industria Farmacêutica Melcon do Brasil Ltda., à Aché, pelo preço ajustado de R$ 32.072.000,00, sendo R$ 20.072.000,00 pagos à vista e o restante sob resultados operacionais a serem apurados nos anos seguintes. O Capital social subscrito e integralizado da empresa à época da alienação era de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões), distribuídos igualmente entre os três sócios (33,33%) e o valor nominal da respectiva quota de R$ 1,00 (um real). Cada sócio recebeu o valor de R$ 6.690.066,67 em 27/08/2010, correspondente a 2,5 milhões de cotas de cada um vendidas. Dessa forma, defende que a base de cálculo do IR sobre o ganho de capital desta venda de 50% é o preço pago (R$ 6.690.066,67) pela Aché, subtraído o que cada sócio possuía de cotas (2,5 milhões) no momento da ocorrência do fato gerador. Isto é, da formalização do contrato e do pagamento do preço por parte do Aché, o que ocorreu no dia 27/08/2010. Fl. 551DF CARF MF 12 Sendo assim, assegura que o IR apurado na competência de setembro de 2010 (mês subsequente à venda) é de R$ 628.599,99 e não de R$ 890.118,27, como pretende o fisco federal. Narra que a prova do capital social à época, para fins de certificação dos valores, é, além do contrato já anexado na defesa, a demonstração da mutação de patrimônio líquido e sua publicação no Diário Oficial de 29/04/2013, documento que ora se junta; À par de elucidar todos os pontos controversos, anexa o “Acordo de Acionistas – Anexo 3.1 (V) do “Contrato de Compra e Venda de Quotas”, que trata dos seguintes pontos: (i) Alteração Contratual; (v) Assinatura do Acordo de Acionistas da Sociedade; 3.11. Registro de Alteração Contratual. Destaca que à folha 03 do documento referido acima, consta expressamente que: “O capital social da Companhia, totalmente subscrito e integralizado nesta data é de R$ 15.000.000,00, dividido em 15.000.000 de ações, todas nominativas e sem valor nominal, assim distribuídas entre os acionistas: Aché 7.500.000 de ações, equivalentes a 50% do capital social da Companhia, Sérgio detém 2.500.000 ações, equivalente a 16,66% do capital social da Companhia ... sendo certo que o capital social poderá ser reduzido para ajustar o saldo de caixa da companhia, que deverá ser de R$ 3.500.000,00, sendo R$ 1.750.000,00 por parte dos acionistas fundadores e R$ 1.750.000,00 por parte do Aché, vez que a negociação efetivada considera saldo de caixa zero. Esclarece que no próprio contrato de compra e venda (anexo 3.1) ficou prevista a possibilidade da redução de capital, diferente do que entendeu a decisão recorrida. Para melhor elucidar a questão, destaca que, em atendimento ao item dos “Considerandos” do Acordo de Acionistas (Anexo 3.1 do Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças), foi promovida, em 31/08/2010, a transferência de R$ 2.000.000,00, sendo um terço desse valor para cada sócio vendedor (Recorrente), originada da baixa de aplicações financeiras da Companhia no Banco do Brasil (doc. 03), como efetivação de parte da redução do capital social, prevista no acordo de acionistas. Afirma que ocorreu uma manutenção das aplicações financeiras, conforme demonstra o Razão de agosto/10 (doc. 04), no valor aproximado de R$ 3.208.000,00, visando tão somente que se evitasse de “baixar” esses valores aplicados há mais de dois anos, o que poderia gerar prejuízos tributários por conta dos impostos sobre rendimentos em aplicações financeiras, e assim atender o acordo relativo ao valor do caixa inicial da empresa, à partir do início da nova sociedade, de R$ 3.500.000,00, após o caixa zero. Argumenta que a parte que cabia ao Aché, no valor de R$ 1.750.000, correspondente a 50% de sua participação no valor acordado, foi depositada diretamente na conta dos sócios vendedores, em 15/10/2010, conforme documentos 05 e 06 anexados ao recurso, resultando em valores depositados de R$ 532.622,12 para cada. Ainda, o valor de R$ 152.133,70, referese tão Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 8 13 somente a ajustes de responsabilidade societárias relativos a eventos anteriores à aquisição, para atender a decisão conjunta da nova sociedade de não mexer nas aplicações financeiras, cujos valores muito se aproximavam do valor total do caixa inicial de R$ 3.500.000,00 – o restante se completaria com os saldos em conta corrente da Companhia existentes à época. Ato contínuo, diz que na Ata de 20/12/2010 ocorreu a aprovação de ajustes para promover a equalização dos capitais, de acordo com as participações de cada sócio, a partir da redução do capital social de R$ 15.000.000,00 da data da referida aquisição, para 11.235.000,00, como pode ser comprovado pelas Demonstrações Financeiras – Balanços Patrimoniais, publicados no D.O.U., referentes aos exercícios findados em 31/12/2010 e 31/12/2011. Informa que o objetivo dos ajustes foi promover a redução do capital em R$ 3.765.000,00, conforme demonstrado no balanço patrimonial de 31/12/2010, como “Adiantamento aos sócios”, sendo um terço para cada sócio vendedor. Assim, de acordo com o alega, o novo quadro de capital deveria ficar, mantendo a igualdade de participações (50% para cada parte), da seguinte forma: Assevera que após a redução do capital de R$ 3.765.000,00, ocorrida através a transferência para os sócios vendedores em 31/08/2010 pela empresa de R$ 2.000.000,00 e de depósitos efetuados pela Aché aos sócios vendedores em 15/10/2010 de R$ 532.622,12, correspondendo aos R$ 1.750.000,00, relativos à sua obrigação de 50% no caixa inicial da sociedade. Assim, como a Aché precisava formalizar sua parte relativa aos 50% na formação do caixa inicial de R$ 3.500.000,00, restou decidido entre as partes que a Aché faria uma subscrição de R$ 1.750.000 de ações, no valor de R$ 1.750.000,00, da seguinte forma: A Melcon depositaria a importância de R$ 1.750.000,00 (doc 06) na conta corrente dos três sócios vendedores, sendo R$ 583.333,33 para cada, e estes, por sua vez, transfeririam a referida quantia para a Aché, que, ao final, Fl. 553DF CARF MF 14 depositaria na conta corrente da Melcon, caracterizando e oficializando a subscrição. Para registrar e oficializar tudo o quanto foi dito acima, foi elaborada a Ata de 21/12/2010 com um quadro de capitais onde os três sócios vendedores (fundadores) “receberiam” uma quantidade de ações que, multiplicada por três e deduzidas do capital social de R$ 15.000.000,00, registrado quando da aquisição de R$ 50% da empresa pelo Aché em 26/08/2010, encontrarseia um número saldo de ações que, somado à subscrição de R$ 1.750.000,00 a ser efetuada pelo Aché posteriormente, para a regularização da formalização da sua obrigação de R$ 50% na formação do caixa inicial de R$ 3.500.000,00, levaria à sua participação no novo capital social, já reduzido para R$ 11.235.000,00, a 5.617.500 ações, ou R$ 5.617.500,00, isto é, 50% do mesmo. Contudo, informa que para continuidade e formalização dos atos que regularizariam e fixariam, em definitivo, as participações corretas, como assim foi feito, de acordo com o percentual de participação de cada acionista na sociedade, viuse a necessidade de promover uma redução do capital superior a R$ 3.765.000,00, ou seja, de R$ 5.515.000 – unicamente por parte dos sócios vendedores, para quando o Aché integralizasse, através da referida subscrição, o valor de R$ 1.750.000,00, este ato traria a igualdade entre as partes (50% para a Aché e 50% aos três sócios vendedores). Com isso, foram então decididos os atos constantes da Ata 22/12/2010, onde o novo quadro de capitais ficaria com a seguinte distribuição de ações: Destaca, ainda, a Ata de 02/12/2011, cujo objetivo era formalizar em definitivo a participação de 50% no caixa inicial de R$ 3.750.000,00, e de oficializar o capital social reduzido em 2010, em termos reais e categóricos (sem prejuízo e sem maiores riscos jurídicos e fiscais às duas partes), conforme a movimentação financeira ocorrida naquele ano de 2010, de forma inadequada do ponto de vista formal, a respeito dos atos tomados quando da criação do Acordo de Acionistas, foram aprovados outros atos que tornariam, como o fez, o Capital Social para R$ 11.235.000,00 e todas as suas responsabilidades conseqüentes, inclusive com algumas alterações do Estatudo Social. Com essas considerações entende que resta comprovado que: 1º O valor das cotas/ações quando da venda de 50% da Melcon ao Aché era de R$ Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 9 15 5.000.000,00 para cada sócio, tendo então sido alienadas R$ 2.500.000,00, ou seja, a metade, e, portanto, o valor base para cálculo do ganho de capital; 2º A redução do capital ocorreu após a entrada do comprador e, por consequência, reduziu o valor da participação remanescente de cada acionista vendedor, de R$ 2.500.000,00 (saldo após a venda de 50%) para R$ 1.872.500,00 e de R$ 7.500.000,00 (correspondente a 50% das cotas/ações adquiridas pelo comprador quando das assinaturas do Contrato de Compra e Venda) para R$ 5.617.500,00. Alega que a venda ocorreu em agosto de 2010, e a redução do capital social somente em dezembro/2010, ou seja, no momento da ocorrência do fato gerador as cotas valiam R$ 2.500.000,00. Em outro plano, discorda também do entendimento por parte da fiscalização de que o valor de R$ 532.622,12 recebido em conta pelo impugnante em 15/10/2010, referese à parcela da venda, afirmando que tal importância não está prevista em contrato, nem como parcela com vencimento posterior. Assim, assevera que tal parcela não integrou o valor da venda das cotas, razão por que não há que se falar em ganho de capital, visto que de alienação de patrimônio não se tratou. (iii) Requer a exclusão da responsável solidária ao fundamento de que esta não teve participação nenhuma nos presentes atos. (iv) Requer a exclusão da multa de ofício aplicada, ou, alternativamente, a sua redução. Ao final requer o provimento do Recurso Voluntário para julgar improcedente a ação fiscal. Juntamente com o Recurso Voluntário, o Recorrente juntou os documentos de fls. 441/490. Prosseguindo, às fls. 510/512, decidi por converter o julgamento em diligência, tendo em vista a juntada de novos documentos pelo Recorrente, para que a Fiscalização deles tomasse conhecimento e se manifestasse. Às fls. 517/523, a Fiscalização, após analisar os novos argumentos e documentação juntada pelo Recorrene, manifestouse, respondendo aos questionamentos desta Relatora, concluindo não haver motivo para alteração de seu entendimento, solicitando o retorno dos autos a este CARF para julgamento do Recurso Voluntário outrora interposto. Posteriorment, intimado em 28/05/2018 (fl. 529), o Recorrente protocolou Manifestação com irresignação aos argumentos esposados pela Fiscalização com reiteração dos argumentos já elencados, requerendo, ao final, o conhecimento e provimento da manifestação em seu inteiro teor. É o relatório. Fl. 555DF CARF MF 16 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/04/2015 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 420, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/04/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da autuação por presunção. De início, vale destacar que não há que se falar em autuação por presunção, apta a gerar a improcedência da mesma, como pretende o Recorrente. Alega este que o valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), distribuído para cada sócio se deu a título de ajuste de caixa, posto que a compra e venda da empresa previa “caixa zero”, e modificações no capital social da Melcon. Alega, ainda, que não há prova nos autos que corroborem a autuação e que não pode o Recorrente fazer “prova negativa, prova de que não sonegou, de que não incorreu em determinado fato gerador de tributo” e que, portanto, “fraude ou sonegação não se presumem”. Ocorre, porém, que não se trata de presunção, mas sim de autuação baseada em provas robustas constantes dos autos e apuradas de modo incontestável. Portanto, sem razão o Recorrente. Compulsando os autos, verificase que, ao analisar a documentação apresentada nos autos, a Fiscalização identificou elementos fáticos que guardam relação com as normas tributárias. Ora, como bem apontado pela Fiscalização (fl. 519), quando de sua manifestação em sede de diligência, quando do lançamento do crédito tributário, a empresa ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S.A. esclareceu nitidamente (fl. 263/265) a respeito dos valores pagos ao Recorrente, especificamente com relação ao valor supramencionado. Vejase: (...) c) Conforme celebrado no “Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças”, firmado entre as empresas Aché e os sócios da Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 10 17 empresa Melcon: Sérgio Paulo Carrijo Elias, Jairo de Melo e Wilson Constante, ficou estabelecido no item iv “Das Considerações”, que o capital social da Companhia seria reduzido com o intuito de ajustar o caixa para R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais), composto por R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) por parte dos vendedores e R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) por parte da Compradora, vez que a presente negociação, entre as partes, considerava saldo de caixa zero. Sendo assim, caberia aos Vendedores efetuarem a redução do capital social e para isso, seria necessário efetuar a baixa de aplicações bancárias, o que geraria uma perda de rentabilidade do montante aplicado. Diante do exposto, os sócios resolveram manter o valor total aplicado e acordaram que a Compradora faria o depósito dos R$ 1,750MM (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais), diretamente aos sócios fundadores. Ainda, quando do pagamento, foram efetuados alguns ajustes (relacionados a encontro de contas), reduzindo o valor de R$ 1.750.000,00 (Um milhão, setecentos e cinquenta mil reais) para R$ 1.597.866,36 (Um milhão, quinhentos e noventa e sete mil, oitocentos e sessenta e seis reais e trinta e seis centavos), o que justifica o depósito de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), para cada sócio vendedor das cotas. (...) Além disso, acordaram os sócios da empresa do Recorrente que deveriam realizar nova redução do capital social da pessoa jurídica, porém não o fizeram para não perder rentabilidade de aplicação financeira. Logo, o valor de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos), foi depositado pela ACHE diretamente na conta pessoal de cada sócio alienante de quotas, na data de 15 de outubro de 2010. Isso se deu ao fato de ter a compradora adquirido um patrimônio líquido superior ao contratado. Dessa forma, possível se verificar que tais depósitos foram frutos da negociação havida entre as partes, sendo fato gerador necessário de tributação. Outrossim, novamente como bem dito pela Fiscalização, tais fatos podem ser percebidos de forma cristalina em outras documentações presentes nos autos, especificamente na Ata de Assembleia de 22/12/2010, às fls. 355/361, a qual dispõe sobre a redução do capital social e dos números apontados há coerência quanto ao aqui relatado. Portanto, a autuação sobre tal valor está amplamente baseada em provas carreadas aos autos, afastandose toda e qualquer alegação de autuação por presunção. Fl. 557DF CARF MF 18 Desta feita, não há razões de reforma no julgado recorrido, nem tampouco para declarar sua improcedência, merecendo a respeitável decisão de primeira instância administrativa ser confirmada nesse ponto. 2.2. Da alienação de cotas e ganho de capital. Recorre o contribuinte trazendo em seu recurso razões que entende ser suficientes para gerar a improcedência do lançamento. Informa, a seu ver, os cálculos corretos que deveriam ter sido considerados pela autoridade fiscalizadora. Compulsando os autos, verificase que o Auto de Infração está devidamente motivado por meio de elementos suficientes para gerar o lançamento, bem como contém o discriminativo de todos os fundamentos legais que suportam o débito, não havendo que se cogitar sua reforma e/ou improcedência. Isso porque, o lançamento foi originado a partir de uma fiscalização regular, onde se constatou valores devidos pelo Recorrente. Conforme relatado, a Fiscalização apurou que o Recorrente alienou parte de suas quotas sociais à empresa ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S.A, contudo, não recolheu devidamente a totalidade do imposto devido sobre a transação originária de ganho de capital. O Recorrente em se de impugnação lançou seus argumentos, porém, sem sucesso à vista da instância administrativa primária que manteve a higidez do lançamento. Assim, o Recorrente se insurge quanto ao fato, repisando os argumentos já lançados em sede de Impugnação. Portanto, o cerne da questão não é saber se a operação realizada pelo Recorrente configura ganho de capital, pois tal fato é incontroverso, mas apurarse a quantidade do referido ganho e discutirse a tributação sobre tal montante. De início, O autuado inicialmente sustenta que o número total de quotas alienadas foi de 2.500.000 e não 1.289.167 como considerou o fiscal, o que teria elevado o valor do ganho de capital apurado. Todavia, como já amplamente discutido no transcurso destes autos, diversamente do quanto defendido pelo Recorrente, e conforme delineado pela Fiscalização, foi possível se verificar que em verdade houve rerratificação contratual da empresa vendedora, ocasionando a mudança na situação inicial, qual seja, de que cada sócio alienaria 2.500.000 quotas do capital social de cada um. Com tal alteração, sobrou consignado que o número de quotas destinadas seriam de 1.289.167 à Aché, e não o montante outrora consignado em contrato, ou seja, 2.500.000. Assim, por derradeiro, como bem dito pela instância a quo quando de seu julgamento (fl. 410), “em vista disso, a cláusula do contrato social constante daquela alteração contratual alusiva ao Capital Social também ficou alterada, fazendo constar como Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 11 19 participação do Sr. Wilson a quantidade de 3.710.833 quotas, correspondendo às 5.000.000 de quotas antes da transação diminuídas das 1.289.167 alienadas à Aché.” Portanto, percebese, até mesmo pelo conjunto probatório dos autos, que em verdade, certa está a Fiscalização em suas considerações. Assim, temse que de acordo com a 8ª alteração contratual, o Sr. Wilson Constante adquiriu 5.000.000 quotas do capital social da Pessoa Jurídica, com valor nominal de R$ 1,00 cada uma, totalizando R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Posteriormente, do citado Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, Contribuinte alienou, inicialmente, 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentas mil) quotas do capital social da empresa Melcon, para, posteriormente, registrarse retificação da referida alienação para 1.289.167 (um milhão, duzentas e oitenta e nove mil e cento e sessenta e sete) quotas – de cada sócio, com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. Portanto, chegase à conclusão que houve a aquisição, por parte de empresa ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A, do total de 3.867.501 (três milhões, oitocentas e sessenta e sete mil, quinhentas e uma) quotas da MELCON, com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. Ou seja, o Recorrente alienou um terço do total dessas quotas. Outrossim, apurouse que o valor total da venda consiste no montante de 20.072.000,00 (vinte milhões e setenta e dois mil reais), sendo 1/3 (um terço), portanto, no importe de R$ 6.690.666,67 (seis milhões, seiscentos e noventa mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos), pago um dia após a celebração do contrato, afora aquele pagamento já discutido de R$ 532.622,12 (quinhentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais e doze centavos). Importo, para fins de elucidação, quadro demonstrativo elaborado pela Fiscalização para justificar o lançamento: Quotas Alienadas 1.289.167,00 Custo Unitário/Médio das Quotas R$ 1,00 Custo Total das Quotas R$ 1.289.167,00 Valor da Alienação R$ 7.223.288,79 Parcela Recebida em 27082010 R$ 6.690.666,67 Parcela Recebida em 15102010 R$ 532.622,12 Ganho de Capital R$ 5.934.121,79 Referente à Parcela de 27182010 R$ 5.496.558,70 Referente à Parcela de 27182010 R$ 437.563,09 Imposto de Renda Apurado (15%) R$ 890.118,27 Vencimento em 30092010 R$ 824.483,81 Vencimento em 30112010 R$ 65.634,46 Portanto, corretamente apurado o montante devido a titulo de imposto pelo Contribuinte, não assiste razão ao recurso interposto, pelo qual mantemse o lançamento tal qual efetivado. Fl. 559DF CARF MF 20 2.3. Da responsabilidade solidária Requer o Contribuinte a exclusão da responsável solidária, sra. Mariamárcia Melo Constante (esposa do contribuinte), inscrita no CPF sob o n° 498.265.57153, ao fundamento de que esta não teve participação nenhuma nos presentes atos. Contudo, o pedido não pode prevalecer. Na situação ora examinada, se está diante de caso típico de solidariedade, conforme o disposto no art. 124, inciso I, do CTN, que assim estipula: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." No caso em apreço, as informações contidas nos autos evidenciam que o contribuinte é casado sob o regime de comunhão parcial de bens, estando a empresa vendedora em questão (Melcon) no âmbito da sociedade conjugal, vez que adquirida pelo Recorrente após terem os cônjuges contraído matrimônio. Tal fato, destarte, demonstra a existência de interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, nos exatos termos no artigo 12 do CTN: Demonstrada a hipótese de interesse comum, patente a existência de solidariedade, devendose manter incólume o entendimento esposado pela Delegacia Julgadora, no sentido que o imposto apurado em relação ao ganho de capital pode ser lançada em face de ambos os cônjuges, sem benefício de ordem, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 124 do CTN. Art. 124. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges." Assim, podese, perfeitamente, nesse caso, exigirse do responsável solidário (ora cônjuge) o pagamento integral do débito tributário. Posto isso, nego provimento ao Recurso Voluntário nesse quesito. 2.4. Da multa aplicada. Sobre o tema em debate, requer o Recorrente a exclusão da multa de ofício aplicada, ou, alternativamente, a sua redução. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13116.720855/201417 Acórdão n.º 2401005.844 S2C4T1 Fl. 12 21 Todavia, entendo que as razões recursais não merecem prosperar. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (multa de 75%). “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de aração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Neste sentido, o artigo 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Logo, impossível se falar, ainda, em teor confiscatório da multa. Assim, nego provimento ao recurso, também, nesse ponto. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 561DF CARF MF 22 Fl. 562DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904424/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/1999
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.950
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/1999 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 44 24 /2 01 1- 61 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.256 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.054, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Acórdão n.º 3402005.950 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914653/2008-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 1001-001.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 46 53 /2 00 8- 29 Fl. 150DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação 15098.36279.200404.1.3.047089 (efls. 07/11), de 30/01/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (CSLL 1° Trim. / 2004) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (3° trimestre do anobase de 2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 783808021 (efl. 02), que analisou as informações e reconheceu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13) na qual alegou que declarou em DCTF original valor do débito de CSLL equivocado, motivandose, assim, a retificação das respectivas DCTF (em 02/07/2008). Requereu também que fosse retificada a Per/Dcomp referente ao Despacho Decisório recorrido e retificadas as DCTF'S do 1° Trim/2002 ao 4° Trim/2002 pelo motivo da alteração quanto ao crédito compensado. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 16 24.588 7ª Turma da DRJ/SP1, efl. 53/60). A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, por entender que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida em sede de contencioso administrativo e que as DCTFs retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008, portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 3° trimestre do ano calendário 2002: denotase que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida para fins de alteração das informações reportadas na DCOMP original, haja vista que a pretensão motivouse a destempo, ou seja, manifestada imediatamente após a ciência da decisão administrativa, circunstância que indica descumprimento de requisito preliminar firmado pelo art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. De outra parte, ante o exame simultâneo das alegações inerentes às alterações das informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2002, fica patente que o interessado transmitiu as DCTF retificadoras extemporaneamente, uma vez que somente levou a efeito após o decurso do prazo decadencial admitido para que o contribuinte adotasse as providências necessárias visando promover correções de débitos regularmente confessados perante a Administração Tributária Federal. Retomando a situação fática tratada nos autos, evidenciase que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008 (fls. 30 e 34), portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos a CSLL apurado no 3° trimestre do ano calendário 2002, visando flagrante intuito de incitar, a destempo, a desoneração de parcela do imposto pago e regularmente confessado por intermédio da DCTF do respectivo períodobase, assim, produzindo, de forma inoportuna e ilegítima, a constituição do saldo credor reivindicado no pleito em discussão. (...) Cientificada em 08/04/2010 (efl. 68), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 07/05/2010 (efl. 69), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e complementa que não operou a decadência, acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.914653/200829 Acórdão n.º 1001001.100 S1C0T1 Fl. 151 3 pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB e requer diligência: há de se esclarecer que a retificação das DCTF do 1°, 2°, 3° e 4° Trimestres/2002 foram aceitas pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (doc. 03), tornando incompetente a DRJ para analisar o seu deferimento. Caso o Nobre Colegiado entenda por necessário à busca da verdade material, certamente determinará a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora ratifique a validade da DCTF retificadora, a qual está ativa no sistema da RFB. Ao tema, há de se considerar que, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o ora Recorrente acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O § 10 do art. 74 da Lei 9.430/71 estabelece que da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Quanto ao pedido para que a PER/DCOMP seja retificada adiro aos fundamentos da decisão de primeira instância, pois retificação de PERDCOMP incluise na competência da DRF, e não matéria do contencioso administrativo. Acrescento que, conforme demonstrado na decisão de piso, mesmo as informações e documentos fiscais trazidos junto com a manifestação de inconformidade não se mostraram capazes de confirmar o direito creditório pleiteado. Isto porque sob este enfoque, importa frisar inclusive, que não basta que o interessado se limite a comprovar se houve ou não os pagamentos indevidos ou a maior do imposto reportado no curso do processo, ou mesmo restringirse a assegurar a lidimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, deixar patente a constituição e a disponibilidade da importância pretensamente paga a maior, devendo apoiarse em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. A respeito da alegada decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2002, constato que as DCTF retificadoras foram apresentadas em 02/07/2008 cabendo razão à decisão de primeira instância, visto que o "prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN". Por fim, ao contrário daquilo que alega o requerente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Fl. 152DF CARF MF 4 Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Desta forma indefiro também o pedido de diligência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005710/2008-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a fonte pagadora Secretaria Executiva de Saúde Pública, CNPJ 05.054.929/0001-17, a informar o valor correto dos rendimentos pagos ao contribuinte no ano calendário 2003 e do IRRF correspondente.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 37 1 36 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.005710/200846 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.058 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 29 de janeiro de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF Recorrente JOAQUIM LUIZ DE MATOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a fonte pagadora Secretaria Executiva de Saúde Pública, CNPJ 05.054.929/000117, a informar o valor correto dos rendimentos pagos ao contribuinte no ano calendário 2003 e do IRRF correspondente. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 03/07) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004 (efls. 19/22), onde se apurou: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 2.173,45 referente à fonte pagadora Secretaria Executiva de Saúde Pública, CNPJ 05.054.929/000117. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .0 05 71 0/ 20 08 -4 6 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10280.005710/200846 Resolução nº 2002000.058 S2C0T2 Fl. 38 2 O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 28): Em sua impugnação, fl. 01, o Interessado, alega, em síntese, que: A DIRPF foi feita de acordo com o Comprovante de Rendimentos fomecidos pelas fontes pagadoras, em anexo. Se Dirigiu ao Hospital Abelardo Santos para cobrar a emissao de DIRF, caso não seja emitida não é de sua responsabilidade essa cobrança. A impugnação foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/BEL (efls. 27/29), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. PROVA. A força probante do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte está no seu completo alinhamento com a IN SRF n” 120/2000, que descreve de forma detalhada quais são seus elementos e como devem ser preenchidos seus campos. Cientificado do acórdão de primeira instância em 24/03/2010 (efls. 32), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 23/04/2010 (efls. 33) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que procurou novamente a Secretaria de Estado de Saúde Pública e que, em levantamento realizado, foi constatado que o comprovante referente ao Hospital Abelardo Santos foi entregue indevidamente. Afirma que o valor efetivamente recebido foi R$ 16.488,45 sendo R$ 12.726,00 de rendimento sem vínculo empregatício e R$ 3.762,45 de rendimento com vínculo empregatício, conforme declaração em anexo. Alega que, por ter passado mais de 5 anos, não há mais como fazer a retificação. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à compensação de IRRF, extraise do art. 87 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, que esta somente é permitida se os rendimentos correspondentes forem incluídos na base de cálculo do imposto apurado na Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10280.005710/200846 Resolução nº 2002000.058 S2C0T2 Fl. 39 3 Declaração de Ajuste Anual e se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Do exame dos autos verificase que a autoridade lançadora considerou indevida a compensação do IRRF de R$ 2.173,45 declarado para a Secretaria Executiva de Saúde Pública com base na DIRF apresentada pela fonte pagadora (efls. 06,17). Inicialmente, cabe observar que o interessado informou duas fontes pagadoras com o mesmo CNPJ 05.054.929/000117 em sua Declaração de Ajuste (efls. 20): Secretaria Executiva de Saúde Pública e Hospital Regional Dr. Abelardo Santos. Rendimentos IRRF Secretaria Executiva de Saúde Pública 3.762,45 200,20 Hospital Regional Dr. Abelardo Santos 25.929,00 2.173,45 29.691,45 2.373,65 Em sua impugnação o interessado anexou documentos a fim de comprovar os valores declarados (efls. 09, 12), mas a decisão recorrida manteve a glosa de R$ 2.173,45 por não considerar hábil para a finalidade pretendida a declaração fornecida pelo diretor do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (efls. 27/29). Para contrapor as razões trazidas pela DRJ, o recorrente alega que houve erro no comprovante emitido pelo Hospital Regional Dr. Abelardo Santos e junta uma declaração da Secretaria Executiva de Saúde Pública confirmando que este fez parte do quadro de servidores temporários do referido hospital no ano calendário em exame e que percebeu remuneração conforme comprovante de rendimentos anexado (efls. 34/35). Do exame do comprovante de rendimentos tido pela fonte pagadora como correto (efls. 35), emitido em 22/04/2010 pela Secretaria Executiva de Saúde Pública, verificase que o recorrente recebeu o montante de R$ 16.488,45 em 2003 (R$ 12.726,00 sem vínculo empregatício e R$ 3.762,45 com vínculo empregatício) e sofreu a retenção de imposto de renda total de R$ 1.212,92. Considerando a divergência entre os documentos acostados aos autos na Impugnação (efls. 09, 12) e no Recurso Voluntário (efls. 34/35), voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a fonte pagadora Secretaria Executiva de Saúde Pública, CNPJ 05.054.929/000117, a informar o valor correto dos rendimentos pagos ao contribuinte no ano calendário 2003 e do IRRF correspondente. Após, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com reabertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 39DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901585/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/01/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.575
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 85 /2 01 3- 64 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10280.901585/201364 Acórdão n.º 3401005.575 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.232. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10280.901585/201364 Acórdão n.º 3401005.575 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10280.901585/201364 Acórdão n.º 3401005.575 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.901585/201364 Acórdão n.º 3401005.575 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.901585/201364 Acórdão n.º 3401005.575 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.901585/201364 Acórdão n.º 3401005.575 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
