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Numero do processo: 10680.901878/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 87 8/ 20 12 -5 8 Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.169 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SAMARCO MINERAÇÃO S/A contra Acórdão nº 0246.030, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 880); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do DOC. 01 do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: proceder à Recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando a(s) Dcomp apresentada(s), até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de PIS nãocumulativo – Exportação, relativo ao 2º trimestre de 2010, no valor de R$ 6.306.843,14, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito, além de Dcomp relativa ao mês de abril, no valor de R$ 3.346.973,61. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 8.676.284,68, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100 2011.014270 (fls. 964/984). Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.170 3 Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394463, emitido em 04.05.2012 (fl. 433), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 986. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/432), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.171 4 da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que tais obras se referem Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.172 5 a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.173 6 pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.174 7 A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.175 8 Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.176 9 fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.177 10 Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.178 11 Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.179 12 Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.180 13 relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.181 14 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.182 15 apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.183 16 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.184 17 · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.185 18 rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.186 19 Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.187 20 · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.188 21 elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.189 22 · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Do Serviços prestados no mineroduto Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.190 23 Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.191 24 aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.192 25 · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.193 26 Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.194 27 Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901878/201258 Resolução nº 3202000.239 S3C2T2 Fl. 1.195 28 · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 19311.720395/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
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NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 95 /2 01 1- 46 Fl. 941DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 5, no município de São Paulo, prestado pela empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo para tentar demonstrar que as empresas que prestaram os serviços deixaram de ser permissionárias, passando a efetiva condição de contratadas, com a remuneração fixada em função do custo do serviço prestado, considerando a frota de veículos, equipamentos, mãodeobra e instalações alocados à disposição do sistema. Informa que a operadora deixa de ser remunerada diretamente pela apropriação da tarifa paga pelo usuário, sendo que a arrecadação tarifária centralizada pela contratante é a principal fonte de recursos para o pagamento das empresas contratadas, modelo estabelecido por lei e que ficou conhecido como “municipalização do sistema de transporte”. Esclarece que os contratados têm obrigação de colocar permanentemente à disposição do usuário os serviços especificados pela contratante, nos horários, percursos e demais critérios operacionais, conforme cláusulas contratuais “Das Obrigações da Contratada”, e que a tomadora do serviço determina estritamente todas as condições para sua adequada execução, especificando o percurso e os horários dos ônibus, bem como a quantidade e a qualidade dos recursos (materiais e humanos) a serem disponibilizados pela cedente. A seguir, discorre sobre contratos e como o serviço era prestado, trazendo a legislação correlata sobre a matéria e reafirma o entendimento de que incide retenção de 11% sobre os serviços de operação de transportes de passageiros, pois prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Lei 8.212/1991. Conclui que, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem deixado de destacar os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é a responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal. Defende ainda que o lançamento deva ser feito em face da tomadora do serviço, com fundamento no art. 31, caput e § 1º e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91, ficando a prestadora de serviços solidariamente responsável pelo débito, nos termos dos arts. 124, I e II e Fl. 942DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720395/201146 Acórdão n.º 2301003.990 S2C3T1 Fl. 941 3 128 do CTN, bem como art. 71 da Lei 8.666/93, pois entende que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota, uma vez que a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte nesses casos em que não há retenção pelo tomador, nem destaque na nota, permanecendo ambos (tomador e prestador) responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas, também com fulcro no artigo 128 do CTN. A autoridade lançadora esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 02/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as concessionárias recolheram ou não as contribuições cuja ausência de retenção é objeto do auto de infração impugnado. No mérito, defende que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãodeobra e, por isso, ausente a ocorrência do fato gerador relativo ao tributo cobrado no AI em tela. A empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA que, no entendimento da fiscalização, é responsável solidária pelo débito, também apresentou defesa asseverando que não há qualquer prova do interesse comum em relação ao débito entre o autuado e o contribuinte tido como passivo solidário, existindo, sim, a hipótese de o Município, no caso de arcar com o pagamento do auto de infração, tentar ação regressiva contra os prestadores. Alega que o débito relativo à retenção de 11% é restrito ao tomador de serviços, consistindo em obrigação acessória que somente diz respeito ao mesmo, não podendo ser comungada com o prestador. Requer que sejam considerados créditos da Via Sul os valores demonstrados como retenções relativas à aplicação do percentual de 11% incidente sobre o valor da mão de obra contida no contrato e recibos de mão de obra e jamais a ocorrência de sujeição passiva solidária. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.635, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 846), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra. Cientificadas da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada e a responsável solidária não se manifestaram. É o relatório. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi realizado com cessão de mão de obra. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços com cessão de mãode obra da empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA e, nessa condição, está diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros, fundamentando a autuação no art. 31, da Lei 8.212/91. A autuada se defende do débito argumentando que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãode obra e, sim, uma concessão de prestação de serviços públicos, e que a prestação de serviços/terceirização não se confunde com a concessão/permissão De fato, a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720395/201146 Acórdão n.º 2301003.990 S2C3T1 Fl. 942 5 Ou seja, o Órgão Público contrata uma empresa de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de construção civil, para reformas e obras em suas edificações, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas especializadas de determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente Fl. 945DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de concessão de um serviço público, o de transporte coletivo. E, entendo que não restou demonstrada, nos autos, a cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela concessionária Via Sul Transportes Urbanos Ltda. O conceito legal de cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter nãoeventual, respeitados os limites do contrato. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, constatase que não houve contratação de serviços de mero fornecimento de mão de obra, mas sim uma concessão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que a Via Sul Transportes Urbanos Ltda assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve cessão de mão de obra à Prefeitura nos serviços prestados. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda se enquadra na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção se realizados mediante cessão de mãodeobra. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720395/201146 Acórdão n.º 2301003.990 S2C3T1 Fl. 943 7 A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da cessão de mãodeobra foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de cessão de mãodeobra, que houve colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao seu poder de comando, e que o serviço tenha sido prestado no estabelecimento do tomador ou de terceiros. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e as empresas concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Mesmo estando a modalidade de concessão de transporte de passageiros no rol do § 2o, do art. 219, do Decreto 3.048/99, entendo que para o implemento da condição expressa no caput tem que ficar demonstrada a cessão de mão de obra, o que não ocorreu nos autos. Não restou comprovado que a autuada tomou mão de obra das contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. O contrato apresentado não demonstra que a concessionária tenha se obrigado a colocar mão de obra por ela contratada à disposição da Prefeitura. Pela cláusula 4.1.5, citada no Relatório Fiscal, verificase apenas que a empresa assumiu o compromisso de operar com pessoal devidamente capacitado e habilitado, e de cumprir as obrigações decorrentes da legislação trabalhista. E, como observou com muita propriedade o relator do acórdão recorrido, a constituição, manutenção e a permanente utilização de uma estrutura material e humana na execução dos serviços contratados se trata “de uma das mais elementares obrigações de qualquer concessionária de serviço público”. E o fato de os serviços serem executados nas vias públicas, indicadas pela contratante, não configura, por si só, a cessão de mão de obra que enseja a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Da mesma forma, a determinação de condições e especificação do percurso e dos horários dos ônibus são características dos contratos administrativos em geral, conforme disposto na Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pois, nesse tipo de contrato, as cláusulas são fixadas unilateralmente pela Administração, já que o serviço continua público, sendo delegada à concessionária apenas a execução dos serviços. Como também é incumbência do poder público concedente a fiscalização dos serviços prestados, nos termos do art. 29, da citada Lei 8.987/95, que também não conceituou a forma de remunerar a concessionária pela execução dos serviços. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Assim, a forma como a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda foi remunerada pelos serviços de transporte público não descaracteriza a concessão, como não também não demonstra a ocorrência da situação fática do art. 31, da Lei 8.212/91. Observase ainda que a autuada não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Conforme palavras do próprio auditor notificante, “Com o total da arrecadação da tarifa (fonte primária de recursos), mais os subsídios autorizados (quando previstos), a SPTrans efetua os pagamentos às empresas prestadoras, de acordo com a participação das mesmas no custo total do sistema...”.(...) Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. (...). Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. O fato de constar, da cláusula 19.1.25, do contrato de concessão do serviço público de transporte de passageiros, a previsão de criação de Grupo de Trabalho para apresentar critérios para desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, não prova que tal parcela se refere à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, ou que tenha sido efetivado o desconto. Mesmo porque, se se tratasse da retenção de 11%, não seria necessária a constituição de um Grupo de Trabalho para apresentação de critérios, uma vez que a aplicação do referido art. 31 é imediata e obrigatória. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviço público de transporte urbano no Município de São Paulo, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. A fiscalização imputou à concessionária, ainda, a responsabilidade solidária pelo débito. Fundamenta seu entendimento nos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como no art. 71 da Lei 8.666/93, argumentando que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota. Contudo, não assiste razão ao auditor autuante. Após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Portanto, não há que se falar em solidariedade pelo débito correspondente à retenção de 11%, nos casos em que não houve a retenção pelo tomador, como entendeu de forma equivocada a fiscalização, pois, conforme consta do próprio relato fiscal, o desconto se presume feito pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91. A fiscalização é contraditória em seu relatório, pois, ao mesmo tempo em que cita o mencionado § 5o para fundamentar o débito, o auditor autuante retira a aplicabilidade do Fl. 948DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720395/201146 Acórdão n.º 2301003.990 S2C3T1 Fl. 944 9 referido dispositivo legal ao afirmar que permanece a responsabilidade solidária da tomadora nos casos em que ela “não realizar a obrigação que está a seu cargo”. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ou seja, a obrigação é somente da contratante, de proceder ao recolhimento da retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91 e, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, não há omissão de qualquer natureza nesse sentido na lei de custeio. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 949DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.015439/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS OPERACIONAIS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. LEI 9.718/98.
As receitas obtidas pelas entidades de previdência privadas com o fim de prover assistência à saúde de seus beneficiários, inserem-se no conceito de faturamento ou receita operacional, pois são receitas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional, prevista em seu estatuto social.
PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES.
As exclusões decorrentes de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, previstas respectivamente nos inc. II e III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, só são permitidas para as operadoras de planos de saúde, que não é o caso da recorrente.
PIS. IMUNIDADE. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
A imunidade prevista no art. 195, § 7º da Constituição Federal não tem como destinatário as entidades fechadas de previdência privada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Mônica Elisa de Lima, que davam provimento total. Acompanhou o julgamento o advogado Rodrigo Rodrigues Bretas, OAB/DF 6864.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS OPERACIONAIS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. LEI 9.718/98. As receitas obtidas pelas entidades de previdência privadas com o fim de prover assistência à saúde de seus beneficiários, inserem-se no conceito de faturamento ou receita operacional, pois são receitas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional, prevista em seu estatuto social. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. As exclusões decorrentes de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, previstas respectivamente nos inc. II e III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, só são permitidas para as operadoras de planos de saúde, que não é o caso da recorrente. PIS. IMUNIDADE. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A imunidade prevista no art. 195, § 7º da Constituição Federal não tem como destinatário as entidades fechadas de previdência privada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Mônica Elisa de Lima, que davam provimento total. Acompanhou o julgamento o advogado Rodrigo Rodrigues Bretas, OAB/DF 6864. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS OPERACIONAIS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. LEI 9.718/98. As receitas obtidas pelas entidades de previdência privadas com o fim de prover assistência à saúde de seus beneficiários, inseremse no conceito de faturamento ou receita operacional, pois são receitas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional, prevista em seu estatuto social. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. As exclusões decorrentes de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, previstas respectivamente nos inc. II e III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, só são permitidas para as operadoras de planos de saúde, que não é o caso da recorrente. PIS. IMUNIDADE. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A imunidade prevista no art. 195, § 7º da Constituição Federal não tem como destinatário as entidades fechadas de previdência privada. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 54 39 /2 00 4- 11 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 394 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Mônica Elisa de Lima, que davam provimento total. Acompanhou o julgamento o advogado Rodrigo Rodrigues Bretas, OAB/DF 6864. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 395 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, transcrevo abaixo o relatório elaborado por ocasião do julgamento de 1ª instância administrativa, Acórdão nº 0215.403 da DRJ/Belo Horizonte: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 04/19), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 54.212,29, incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente aos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2003 (fls. 09/14). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 20/25, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 26/30. A fiscalização informa que no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000 não foram incluídos pela empresa na base de cálculo todos os valores de receita contabilizados no grupo 4.1.0.0.00.00 Receitas do Programa Assistencial, especificamente a conta 4.1.1.1.01.00 Contribuições das Patrocinadoras. No período de janeiro a dezembro de 2001, o contribuinte não incluiu na base de cálculo todos os valores de receita contabilizados no grupo 5.1.0.0.00.00 Receitas do Programa Administrativo, especificamente a conta 5.1.2.0.02.00 Contribuição das Patrocinadoras para Reembolso de Despesas Administrativas Assistenciais. Já no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, o autuado deduziu indevidamente valores a título de "Recursos Utilizados Assistenciais" que correspondem aos valores de receita contabilizados na conta 4.1.1.1.01.00. Em síntese, foram tributados os valores recebidos das pessoas jurídicas patrocinadoras da entidade para cobrir as despesas administrativas efetuadas com o atendimento ambulatorial dos associados. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 08). Irresignado, tendo sido cientificado em 15/12/2004 (fl. 04), o autuado apresentou, em 12/01/2005, acompanhadas dos documentos de fls. 258/340, as suas razões de defesa (fls. 243/257), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, informa que, como Entidade Fechada de Previdência Privada EFPP, os seus lançamentos contábeis, por força do disposto na Resolução n° 5/2002 do Conselho de Gestão de Previdência Complementar, são registrados nos seguintes programas: Programa Previdencial: relativo ao grupo de contas 3.0.0.0.00.00, registra os lançamentos correspondentes aos planos de benefícios de caráter previdenciário; Programa Assistencial: relativo ao grupo de contas 4.0.0.0.00.00, registra os lançamentos correspondentes aos planos de benefícios de assistência à saúde; Programa Administrativo: relativo ao grupo de contas 5.0.0.0.00.00, registra os lançamentos correspondentes ao gerenciamento da administração dos planos de benefícios; e Programa de Investimentos: relativo ao grupo de contas 6.0.0.0.00.00, Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 396 4 registra os lançamentos correspondentes ao gerenciamento das aplicações de recursos. Esclarece que, nos termos de seu Estatuto, além da concessão de benefícios de previdência complementar, presta serviços assistenciais médicos custeados pelas empresas pertencentes ao Grupo Mercantil do Brasil S/A, cujos registros foram efetuados no grupo de contas 4.0.0.0.00.00 e, no ano de 2001, no grupo 5.0.0.0.00.00. Explica o procedimento do repasse de tais recursos pelas empresas patrocinadoras e afirma que esses recursos, recebidos para o custeio de serviço médico ambulatorial, oferecido gratuitamente aos associados, por não constituírem receita, mas sim mero reembolso de despesa, não foram submetidos à incidência do PIS. Registra o histórico da tributação das entidades de previdência privada pelo PIS, concluindo que a dedução das parcelas destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, prevista no art. 1° da Lei n° 9.701, de 1998, estendese às contribuições assistenciais que tenha essa destinação, uma vez que a referida Lei não faz qualquer distinção entre as parcelas previdenciais e assistenciais. Nos termos do § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP n° 2.15835, de 2001, as operadoras de planos de saúde poderão deduzir as receitas relativas à constituição de provisões técnicas, indenizações correspondentes aos eventos ocorridos e coresponsabilidades cedidas, sem exigir dessas operadoras qualquer condição para implementação das deduções. Porém, sem previsão legal, a IN n° 215, de 2002, determinou que às entidades de previdência fechada fossem aplicadas as mesmas deduções permitidas às operadoras de planos de saúde, exigindo para tanto seu registro junto à Agência Nacional de Saúde ANS. Assim, nos termos da IN n° 215, de 2002, é possível a dedução dos "recursos coletados previdenciais", estando a dedução dos "recursos coletados assistenciais" (indenizações correspondentes aos eventos ocorridos e coresponsabilidades cedidas) e da "constituição de provisões técnicas assistenciais" condicionados ao registro da entidade na ANS. Aduz, então, que as verbas assistenciais não devem ser tributadas pelo PIS por não constituírem receita da entidade e porque a exigência de registro na ANS não se aplica, por não ser operadora de plano de saúde e por haver sentença judicial a desobrigando do registro. Esclarece, para fins de cumprimento ao disposto no art. 16, V, do Decreto n° 70.235, de 1972, que a matéria impugnada não é objeto de discussão judicial. Entende que deve ser declarado nulo o crédito tributário constituído, posto incidir sobre valor que não possui a natureza de receita. Estas quantias são meros reembolsos de custos/despesas que tem com o serviço médico ambulatorial, o qual deve ser custeado pelas empresas patrocinadoras. Assim, os valores são recebidos apenas para que possa pagar as despesas médicas de obrigação das empresas patrocinadoras perante os empregados associados, não constituindo, pois, receita sua. O fato de ter que devolver a diferença dos valores não gastos no custeio das atividades ambulatoriais demonstra que o montante que lhe é repassado no início do mês para cobertura dessas despesas não lhe pertence, não representando, portanto, disponibilidade para a empresa. Tais recursos assistenciais, assim como os previdenciais, não pertencem à entidade, mas sim aos beneficiários, não constituindo receita da mesma. Nesse sentido, transcreve entendimento doutrinário e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Reafirma que a IN n° 215, de 2002, incorre em ilegalidade ao somente permitir a dedução das "receitas assistenciais" para as EFPP's registradas junto à Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 397 5 ANS, porque não há dispositivo legal condicionando as deduções a esse registro, nem mesmo para as operadoras de plano de saúde. Lembra que não é operadora de plano de saúde, não estando obrigada a tal registro para o seu regular funcionamento, conforme a decisão judicial que possui nesse sentido. Noutro giro, argumenta que a não incidência do PIS sobre os valores repassados para custeio de despesas médicas ambulatoriais deve ser reconhecida em razão da imunidade conferida às "receitas assistenciais" pelo art. 195, §7°, da CF/1988, que outorga imunidade das contribuições sociais para as entidades beneficentes de assistência social. Diz que o STF entendeu que as entidades fechadas de previdência, formadas exclusivamente com contribuições dos entes patrocinadores, sem qualquer contribuição dos associados, têm natureza assistencial, devendo lhes ser aplicado a imunidade relativa a impostos e contribuições. Tendo em vista que o serviço médico ambulatorial é custeado exclusivamente pelas empresas patrocinadoras, as verbas para sua cobertura têm natureza assistencial, e, portanto, são imunes. Sobre o assunto, transcreve julgado do Conselho de Contribuintes. Por fim, requer o cancelamento do presente Auto de Infração. Ao julgar a impugnação a DRJ/Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 15.403, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 A base de cálculo da contribuição para o PIS das entidades fechadas de previdência privada, nos termos da Lei n° 9.718, de 1998, é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, deduzidas as exclusões previstas na legislação de regência. Os órgãos administrativos de julgamento em primeira instância devem observar os atos normativos do Órgão a que estão subordinados, conforme determina o art. 7°, da Portaria n° 58, de 17 de março de 2006, do Ministro de Estado da Fazenda. Para se usufruir do beneficio da imunidade previsto no §7°, do art. 195, da Constituição Federal, é necessário que a entidade seja beneficente de assistência social e que concomitantemente atenda aos requisitos da lei. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 366/388 (383/405 do eprocesso), por meio do qual enriquece o debate sobre as mesmas questões trazidas em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 398 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA Muito embora o contribuinte não tenha suscitado a decadência em seu recurso voluntário, entendo ser ela uma questão de ordem cogente, de análise obrigatória pelas autoridades lançadoras e julgadoras, e, em razão disto, analiso de ofício a questão decadencial no presente lançamento. Neste sentido transcrevo abaixo o art. 150 do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) De acordo com este dispositivo do CTN, se houver antecipação do pagamento, e não ocorrendo as situações de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento decai em cinco anos contados do fato gerador. Transcrevo abaixo parte do relatório em que a própria fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal, fl. 21, reconhece que houve antecipação de pagamentos do PIS no período fiscalizado. “4 A CAVA é optante pelo regime especial de tributação previsto no caput do art. 2° da MP 2.222/01, tendo recolhido parcelas do PIS referentes aos períodos de apuração de janeiro de 1997 a agosto de 2001, nos termos do art. 5º da mesma medida provisória.” Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 399 7 Portanto, como houve antecipação de pagamento e não há acusação de dolo, fraude ou simulação, há que se reconhecer que para o presente caso, o prazo decadencial deve ser contado em cinco anos da ocorrência do fato gerador. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 15/12/2004, a fazenda pública somente poderia lançar no presente caso os fatos geradores ocorridos até 16/12/1999. Portanto há que se reconhecer o transcurso do prazo decadencial relativo aos fatos geradores de 01/99 até 11/99. Não foram atingidos pela decadência os períodos lançados a partir de 12/99, pois para este mês o fato gerador mensal deuse em 31/12/1999. MÉRITO A autuação fiscal decorreu do fato de que a recorrente, Caixa Vicente de Araújo de Assistência aos Funcionários do Grupo Financeiro Mercantil do Brasil, entidade fechada de previdência privada (EFPP), sem fins lucrativos, deixou de integrar na base de cálculo do PIS do período de janeiro/99 a dezembro/2003, os repasses oriundos das contribuições das patrocinadoras relativas aos programas assistenciais de saúde de seus associados/beneficiários. Este procedimento pode ser destacado de forma clara com o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: (...) 7 Do exame das planilhas apresentadas pela fiscalizada, que demonstram a apuração dos valores do PIS declarados por ela, em confronto com sua contabilidade, constatase: I Nos anos de 1999 e 2000, ela não incluiu no montante da receita bruta o total da receita auferida e contabilizada no Programa Assistencial — código 4.1.0.0.00.00. Deixou de incluir as contribuições recebidas das patrocinadoras, contabilizadas no código 4.1.1.1.01.00. Em defesa, alega que o recebimento de tais valores não constitui, em momento algum, acréscimo patrimonial e sim uma transferência de valores contábeis, aonde são registrados os recursos coletados das patrocinadoras a título de adiantamento, para fazer face às despesas a incorrer durante o mês, para o atendimento ambulatorial de seus associados (Termo de Intimação datado de 18/11/2004 fls. 110 às 112). II No ano de 2001, não incluiu no montante da receita bruta o total da receita auferida e contabilizada no Programa Administrativo — código 5.1.0.0.00.00. Deixou de incluir as contribuições recebidas das patrocinadoras, contabilizadas no código 5.1.2.0.02.00 Contribuição patrocinadoras para reembolso despesas Adm. Assistenciais, alegando que tais recebimentos não constituem de fato receitas porque têm o objetivo de cobrir as despesas efetuadas com o atendimento ambulatorial dos associados (Termo de Intimação datado de 26/11/2004 — fls. 132 às 133) . III Nos anos de 2002 e 2003, incluiu na base de cálculo o total das receitas contabilizadas no Programa Assistencial, porém excluiu a titulo de "Recursos Utilizados Assistenciais" os valores referentes às contribuições recebidas das pessoas jurídicas patrocinadoras, contabilizadas na conta 4.1.1.1.01.00. (os grifos não são do original) (...) Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 400 8 A inclusão destas rubricas no lançamento tributário teve como fundamento os art. 2º e 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, in verbis: "art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COF1NS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...) A fiscalização afirma que a partir desta norma a base de cálculo da Cofins e do PIS abrange o total das receitas auferidas pelas EFPP, independente de sua classificação contábil e destaca ainda que a legislação então vigente não permitia a exclusão ou dedução destas receitas para fins de apuração das contribuições devidas. O STF no RE 585.235QO/MG decidiu que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Com esta decisão, em relação aos valores tributados, temos primeiro de verificar se estes ingressos de recursos são receitas e, em sendo receitas, se estão encaixadas no conceito de faturamento ou receita operacional. Caso a resposta seja positiva, indubitavelmente há a incidência da Cofins e do PIS, nos termos da legislação acima transcrita. Existem interpretações doutrinárias bem amplas a respeito do conceito de receitas, inclusive as citadas pelo contribuinte em seu recurso voluntário, o qual traz um conceito mais restritivo quanto à abrangência do termo. Não me filio a este pensamento, entendo que os ingressos financeiros com o objetivo de que a entidade, no caso a EFPP, cumpra os seus objetivos estatutários compreendem sim dentro do conceito de receita. Veja o conceito de receita extraído do Vocabulário Jurídico de De Plácido e Silva, 20ª Edição, 2002: (...) “Na significação econômica e financeira, jurídica ou contábil, receita resulta sempre de uma entrada de numerário, recebimento de dinheiro ou arrecadação de verbas” (...) “No sentido contábil, entendese todo recebimento de numerário ou a entrada de dinheiro, que se contabiliza, isto é, que se registra ou se escritura nos livros comerciais como um deve da conta de Caixa, correspondendo a um crédito da conta que produziu a renda, ou da pessoa que fez a entrega do dinheiro, isto é, que pagou ou cumpriu um pagamento” Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 401 9 O próprio contribuinte em sua contabilidade, registrou estes ingressos como receitas a teor de seus balancetes mensais e contas do Livro Razão, juntados ás fls. 134/233. Portanto não é somente a fiscalização que classificou estes ingressos financeiros como receitas. Porém, também não se trata de faturamento, em seu sentido stricto senso, o que resultaria da receita bruta da venda de mercadorias ou de prestação de serviços. Isto não resta dúvida. Porém o STF, apesar de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deixou dúvidas a respeito do real alcance do que seria faturamento para fins de composição da base de cálculo dos tributos a ele incidentes. De fato, as decisões e pronunciamentos dos Ministros do STF tem deixado a entender que o faturamento corresponde ao somatório das receitas provenientes das atividades empresariais típicas. No recurso extraordinário 401.348, o Ministro Cezar Peluso em decisão monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS, receita estranha ao seu faturamento, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei) Já no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR, o mesmo Ministro Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas.” (Grifei) (...) Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 402 10 “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.” (Grifei) Extraise dos entendimentos acima exarados que a declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão somente aquelas vinculados ao exercício de sua finalidade institucional. Ou seja, aquele conceito antigo de que faturamento restringese a emissão de faturas estaria ultrapassado. De acordo com o Estatuto Social da recorrente, fls. 97/103, podese extrair do capítulo III a sua finalidade institucional: Capitulo III Dos fins da CAIXA Art. 5º A CAIXA terá por finalidade básica a concessão a seus associados de benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência social, em conformidade com seu "Regulamento do Plano de Benefícios e Serviços", devidamente aprovado pelo Ministério da Previdência Social. Art. 6º A CAIXA destinase, ainda, à prestação de serviço de assistência médica aos seus associados, na forma estabelecida no "Regulamento do Plano de Benefícios e Serviços", os quais serão,contudo, custeados pelas patrocinadoras e contabilizados em separado. Art. 7º A CAIXA poderá executar também programas assistenciais de natureza social e financeira destinados exclusivamente a seus associados, nas condições e limites fixados pelo Conselho de Previdência Complementar CPC. Da leitura de seus objetivos institucionais concluise que as receitas decorrentes dos repasses de recursos das patrocinadoras inseremse dentro de suas atividades operacionais, portanto faturamento diante do entendimento antes infirmado, pela análise das decisões proferidas pelo STF. Neste sentido, há a incidência tributária, nos termos do caput dos art. 2º e 3º da Lei 9.718/98. "art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COF1NS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Adicionalmente, em caráter subsidiário, o recorrente solicita que possam ser excluídas da base de cálculo tributável as parcelas destinadas à constituição de reservas técnicas relativas ao plano assistencial da saúde dos beneficiários bem como sejam permitidas as deduções correspondentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 403 11 efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades". Argumenta em síntese que há previsão legal para que se proceda a estas exclusões, mas que elas não foram consideradas pela fiscalização, a teor do disposto na IN SRF nº 215/02, uma vez que as provisões de natureza assistencial só seriam permitidas para aquelas entidades que possuam registro na ANS. Ressalta que a exigência efetuada pelo ato normativo não tem sustentação legal, pois não está prevista em lei. Cita todo o arcabouço legal, afirmando que não é operadora de plano de saúde, e que possui provimento judicial desobrigandoa do registro junto à ANS. Abaixo colaciono a legislação citada que, segundo a recorrente, seria permissivo legal para as referidas deduções. Art. 76 da LC nº 109/2001 Art. 76. As entidades fechadas que, na data da publicação desta Lei Complementar, prestarem a seus participantes e assistidos serviços assistenciais à saúde poderão continuar a fazêlo, desde que seja estabelecido um custeio específico para os planos assistenciais e que a sua contabilização e o seu patrimônio sejam mantidos em separado em relação ao plano previdenciário. Observase neste artigo, somente a autorização legal para que as entidades de previdência fechada continuem com os serviços de assistência à saúde de seus participantes, estabelecendo a obrigatoriedade de separar a contabilização dos planos assistenciais e previdenciário. Não estabelece direito a qualquer dedução de natureza tributária. Art. 1º, inc. V, da Lei nº 9.701/98: Art. 1o Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (...) V no caso de entidades de previdência privada abertas e fechadas, a parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; (...) O preâmbulo desta lei assim especifica: “dispõe sobre a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e dá outras providências. Assim regulamenta a composição da base de cálculo de pessoas jurídicas específicas, entre elas, entidades de previdência privada abertas e fechadas. Portanto as provisões técnicas de que trata esta lei são dedutíveis em relação ao plano previdenciário e não ao plano assistencial. Art. 3º da Lei nº 9.718/98: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 404 12 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III – Revogado pela MP 215835/2001; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente; V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (...) § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (...) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (...) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (...) Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 405 13 § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Da leitura deste dispositivo legal pode se extrair que as deduções previstas no § 2º são permitidas às pessoas jurídicas em geral e não trata das deduções discutidas no âmbito deste processo. As deduções previstas no § 6º, inc. III, são direcionadas às entidades de previdência privada, porém também não é objeto de discussão neste processo. As deduções que o contribuinte pleiteia são as constantes do § 9º, inc. II e III, ou seja, a dedução das provisões técnicas de seu programa assistencial de saúde e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Ocorre que estas deduções somente são permitidas para as operadoras de planos de saúde, que não é o caso da recorrente. O próprio recorrente afirma esta condição expressamente em seu recurso voluntário. Ele informa também que impetrou ação judicial para não ser compelido a ter registro na ANS, processo nº 2003.51.01.0135624. A Justiça Federal da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro proferiu decisão favorável ao pleito da recorrente, fls. 113/ 130. Do conteúdo desta decisão constatase claramente que a recorrente efetivamente não é operadora de plano de saúde. Inclusive está registrado que ela contrata a empresa Mediservice – Administradora de Planos de Saúde Ltda, para prestar os serviços de assistência médica hospitalar para os seus associados. Daí, obrigatório concluir, que não faz jus às deduções previstas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em sendo assim, também afasto o argumento de que o empecilho ao uso destas deduções tenha sido criado por meio da IN SRF nº 215/92. Efetivamente o impedimento não depende de a entidade estar ou não registrada na ANS e sim porque as deduções são direcionadas às operadoras de planos de saúde. O contribuinte defende também que não poderia haver o lançamento em questão porque deve ser reconhecida a imunidade das receitas assistenciais prevista no art. 195, § 7º da CF. Afirma que o STF teria reconhecido a imunidade e cita os acórdãos nº 10193991 e 10193992 do Conselho de Contribuintes que teriam ratificado estes entendimentos. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 406 14 Estas decisões do Conselho de Contribuintes foram referentes ao Imposto de Renda, sendo que elas tiveram como sustentação o RE 259756 RJ, cuja ementa tem o seguinte teor: “IMUNIDADE – ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na dicção da ilustrada maioria, entendimento em relação ao qual guardo reservas, o fato de mostrarse onerosa a participação dos beneficiários do plano de previdência privada afasta a imunidade prevista na alínea “c” do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal. Incide o dispositivo constitucional, quando os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ônus. Consenso unânime do Plenário, sem o voto do ministro Nelson Jobim, sobre a impossibilidade, no caso, da incidência de impostos, ante a configuração da assistência social.” Como se vê, esta decisão do pleno do STF reconhece a imunidade prevista no art. 150, inc. VI, “c” da CF. Este dispositivo constitucional trata da imunidade de impostos e não das contribuições. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; No meu ponto de vista esta decisão do STF não autoriza reconhecer o mesmo tratamento à imunidade prevista no art. 195, § 7º da CF. Primeiro porque aquela decisão tratou da equiparação das entidades de previdência privada às entidades de assistência social, para fins de incidência de impostos e não das contribuições sociais. Segundo, porque este artigo da Constituição Federal prevê a imunidade das contribuições sociais para as entidades beneficentes de assistência social e não para as entidades de previdência privada. Além disto, a imunidade tributária não é para qualquer entidade beneficente de assistência social, mas para aquelas que atendam as exigência estabelecidas em lei. Portanto, a recorrente além de não ser entidade beneficente de assistência social, ainda teria que comprovar que atende todos os pré requisitos legais, o que seria impossível, já que não atende desde logo ao primeiro pressuposto, por se tratar de entidade fechada de previdência privada. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.015439/200411 Acórdão n.º 3301002.192 S3C3T1 Fl. 407 15 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para reconhecer a decadência dos créditos tributários lançados referentes aos fatos geradores de 01/1999 a 11/1999, mantendo a exigência quanto aos demais fatos geradores. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 19515.721245/2011-63
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 01/10/2009
CONFLITO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVO X JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. OS CRÉDITOS EM EXECUÇÃO JUDICIAL E OS CRÉDITOS EM DISCUSSÃO NESSES AUTOS SÃO DE ORIGENS DISTINTAS. NA ESFERA JUDICIAL ESTÁ SENDO EXIGIDA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA EM GFIP E COM AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. NESTE PROCESSO ADMINISTRATIVO ESTÁ SENDO EXIGIDO CRÉDITO DE PARCELA REMUNERATÓRIA AUSENTE DE DECLARAÇÃO EM GFIP E PORTANTO SEM RECOLHIMENTO. OS CRÉDITOS SÃO DIFERENCIADOS. INOCORRENDO O CONFLITO DE INSTÂNCIA SUSCITADO. MULTA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. PATAMAR DE MULTA PREVISTA EM LEI E ADMITIDA PELO STJ E STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 01/10/2009 CONFLITO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVO X JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. OS CRÉDITOS EM EXECUÇÃO JUDICIAL E OS CRÉDITOS EM DISCUSSÃO NESSES AUTOS SÃO DE ORIGENS DISTINTAS. NA ESFERA JUDICIAL ESTÁ SENDO EXIGIDA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA EM GFIP E COM AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. NESTE PROCESSO ADMINISTRATIVO ESTÁ SENDO EXIGIDO CRÉDITO DE PARCELA REMUNERATÓRIA AUSENTE DE DECLARAÇÃO EM GFIP E PORTANTO SEM RECOLHIMENTO. OS CRÉDITOS SÃO DIFERENCIADOS. INOCORRENDO O CONFLITO DE INSTÂNCIA SUSCITADO. MULTA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. PATAMAR DE MULTA PREVISTA EM LEI E ADMITIDA PELO STJ E STF. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 235 1 234 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721245/201163 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.344 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO e SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO – SAT/RAT/GILRAT e TERCEIROS. Recorrente NAVI CARNES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 01/10/2009 CONFLITO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVO X JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. OS CRÉDITOS EM EXECUÇÃO JUDICIAL E OS CRÉDITOS EM DISCUSSÃO NESSES AUTOS SÃO DE ORIGENS DISTINTAS. NA ESFERA JUDICIAL ESTÁ SENDO EXIGIDA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA EM GFIP E COM AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. NESTE PROCESSO ADMINISTRATIVO ESTÁ SENDO EXIGIDO CRÉDITO DE PARCELA REMUNERATÓRIA AUSENTE DE DECLARAÇÃO EM GFIP E PORTANTO SEM RECOLHIMENTO. OS CRÉDITOS SÃO DIFERENCIADOS. INOCORRENDO O CONFLITO DE INSTÂNCIA SUSCITADO. MULTA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. PATAMAR DE MULTA PREVISTA EM LEI E ADMITIDA PELO STJ E STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 45 /2 01 1- 63 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 236 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. . Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 237 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.158.8430, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores das categorias de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.158.8448, contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 142 a 146, com período de apuração de 05/2009 a 12/2009, conforme Termo de Início de Fiscalização TIF, de fls. 26 e 27. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 11/10/2011, conforme Folhas de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02 e 12. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 149 a 163; 178 a 192, recebida, em 08/11/2011, conforme carimbo de recepção, de fls. 149, estando acompanhada dos documentos, de fls. 164 a 177; 193 a 206. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 207 a 209. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1646.733 12ª, Turma DRJ/SP1, em 17/05/2013, fls. 210 a 224. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/07/2013, conforme AR, de fls. 229. Irresignado o contribuinte impetrou os Recursos Voluntários, petições de interposição com razões recursais, as fls. 230 a 249; 257 a 276, respectivamente, DEBCAD 37.158.8430 e 37.158.8448, recebidas, em 07/08/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 230, acompanhados dos documentos, de fls. 250 a 256; 277 a 283, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. A segunda peça recursal repete as argumentações da primeira, sendo idêntica àquela, razão pela qual apenas uma será resumida. Mérito. · que o crédito tributário representado nestes autos é objeto da execução fiscal nº 349239.2011.403.6182, 1ª Vara de Execuções Fiscais Justiça FederalSP; · que a multa de 75% imposta à recorrente é confiscatória, desproporcional e de desarrazoada, pois a recorrente é mera Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 238 4 inadimplente e não sonegadora, impugnandose a multa em razão do princípio da vedação do confisco; · conclui a recorrente: a) que a constatação do crédito não se dá por sonegação, mas inadimplência; b) que a multa aplicada tem caráter confiscatório, pois a recorrente ira experimentar significativa redução em seu patrimônio; c) que a exorbitante multa aplicada representa aniquilamento do patrimônio da recorrente e enriquecimento sem causa da União; d) que o tributo exigido já se encontra inscrito em Dívida Ativa e sendo executado na justiça federal; e) que o auto de infração é nulo de pleno direito, pois a multa aplicada além de ser inconstitucional, em razão de seu caráter confiscatório, desrespeitou o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, não podendo ser exigida ante o conflito de instâncias cobrança administrativa X judicial; · Do pedido e requerimento: a) declaração de improcedência do auto de infração que exige a parte patronal e do auto que exige a contribuição para terceiros; b) decretando o arquivamento do processo e dos respectivos créditos. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 284. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 286. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, fls. 287. É o Relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 239 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cabe ressaltar que serão julgados de forma conjunta os dois recursos apresentados, pois em verdade apenas uma peça recursal deveria ter sido interposta, além do que a segunda peça apenas repete as argumentações já firmadas na primeira. Cumpre esclarecer, também, que a questão relativa a inconstitucionalidade da multa de ofício em razão de seu caráter confiscatório, não é campo de análise e julgamento na seara administrativa, pois se a lei existe, é válida e eficaz e de observação obrigatória aos entes é órgãos da Administração Pública. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, aquém a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 240 6 Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Entretanto, o contrário pode ser objeto de apreciação, isto é, a constitucionalidade da exigência, o que será objeto de análise mais adiante. Não existe a concomitância de instâncias suscitada pela recorrente a execução fiscal nº 349239.2011.403.6182, em andamento na 1ª Vara de Execuções Fiscais da JF/SP referese a valores declarados em GFIP e não recolhimento em GPS, que são objeto de batimento automático pelos sistemas de controle da receita e que deflagram a cobrança automática do crédito e caso esse crédito não seja pago, parcelado ou demonstrado a sua insubsistência, tornase alvo de cobrança. Os créditos em questão lançados nesse PAF são objeto de parcelas remuneratórias constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, ou seja, parcelas não oferecidas a tributação, o REFISC é claro nesse ponto, veja a transcrição. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 241 7 As passagens acima apresentadas deixam claro que os valores exigidos nestes autos NÃO FORAM INCLUÍDOS EM GFIP e que para a competência 13/2008, ou seja, décimo – terceiro/2008 NÃO houve sequer a declaração da GFIP para os estabelecimentos/filias 0002; 0003 e 0005. Evidente, pois que não há conflito de instâncias, haja vista que, o que se exige na execução fiscal judicial, nada tem a ver com o que está lançado nesses autos e que esta sendo objeto da presente discussão, mas não de cobrança, na via administrativa, uma vez que essa – cobrança só ocorre, quando o PAF encontra decisão definitiva na instância administrativa e essa é comunicada ao contribuinte, o que no presente caso não ocorreu até o momento. A multa de ofício de setenta e cinco por cento prevista em lei, lei essa que passou pelo processo legislativo como projeto, tendo sido aprovado e obtido sanção presidencial e promulgação, tornandose existente, válida e eficaz é obrigatória para os agentes do Estado, em especial o fisco, artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e parágrafo único, da Lei 5.172/66. A proporcionalidade e a razoabilidade da multa por certo foram objeto de discussão nos debates legislativos, quando do trâmite do projeto de lei e os legisladores entenderam que o percentual é adequado para sancionar a conduta de quem, embora mero adimplente permanece por inerte ao longo tempo e espera que o fisco aja em busca de seus direitos e assim mova toda uma máquina administrativa para buscar o que deveria ter sido ofertado espontaneamente a sociedade. Deve ser por essa razão que a multa para quem espontaneamente recolhe o que deve, ainda, que em atraso é de vinte por cento, mas para quem espera o fisco agir esta multa é de setenta e cinco por cento e nos casos previstos na lei 4.502/64 é de cento e cinquenta por cento, sendo que essa duas multa, ainda, ponde ser agravadas e qualificadas em situações especificas determinadas em lei. Ora, no caso em análise o contribuinte ficou sem cumprir sua obrigação, até que o fisco promovesse o procedimento fiscal e lançasse o crédito situação que o legislador entendeu por apenar com a multa de setenta e cinco por cento e o fisco só fez cumprir a lei e nada mais. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 242 8 Aliás, nossos tribunais superiores Superior Tribunal de Justiça – STJ e Supremo Tribunal Federal – STF admitem multa de até cem por cento do tributo como legitimas, observese a decisões trazidas a colação. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL DO CPC. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ENTREGA DA GFIP (LEI 8.212/91). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ENQUADRAMENTO NA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 11, I, § 1º, DA MP 38/2002. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE APENAS DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONVOLAMENTO EM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 113, § 3º, DO CTN. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. Os benefícios fiscais devem ser interpretados restritivamente, prevalecendo a máxima lex dixit quam voluit (art. 111 do CTN). Precedentes: REsp 989.193/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/11/2009, DJe 18/12/2009; REsp 1089202/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 20/08/2009. 2. O benefício previsto no art. 11, § 1º, I, da MP 38/2002 (dispensa de acréscimos legais), direcionase tãosomente àqueles acréscimos incidentes sobre débitos oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o que não inclui, obviamente, as multas impostas em virtude do inadimplemento de obrigação acessória, (in casu, a apresentação de GFIP/GRFP com informações errôneas acerca dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, conduta tipificada no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, que determina que a apresentação de documento, com dados não correspondentes aos fatos geradores, sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada). 3. É que a MP 38/2002 estabelece, verbis: "Art. 11. Poderão ser pagos ou parcelados, até o último dia útil do mês de julho de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e no art. 11 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, relativamente a ações ajuizadas até esta data. § 1o Para os fins do disposto neste artigo, a dispensa de acréscimos legais alcança: I as multas, moratórias ou punitivas;" 4. Ressoa inequívoco, da dicção do referido dispositivo legal, que, para beneficiarse da dispensa das multas moratórias ou punitivas (§ 1º, I, art. 11), impõese a observância, de forma cumulativa, dos seguintes requisitos: (i) os débitos sobre os quais esses acréscimos incidem hão que ser oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; (ii) os fatos geradores da obrigação tributária devem ter ocorrido até 30 de abril de 2002; (iii) os referidos débitos devem ser objeto de discussão judicial até 30/04/2002. 5. Destarte, interpretandose finalisticamente a norma jurídica supratranscrita, forçoso concluir que a mens legis reside no Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 243 9 incentivo ao pagamento ou parcelamento de tributos (por isso exclui as multas) e não na instituição de remissão irrestrita do inadimplemento de obrigação instrumental. 6. In casu, o auto de infração é constituído tãosomente pelo valor principal, sem acréscimos, decorrente de multa por descumprimento de dever instrumental que, nos termos do art. 113, § 3º, do CTN convolou se em obrigação principal. 7. O caput do art. 11 da MP 38/2002 prevê que os referidos débitos tributários podem ser pagos ou parcelados nas condições previstas nos arts. 17 da Lei 9.779/1999, e no art. 11 da Medida Provisória 2.15835/2001, os quais ostentam a seguinte redação, litteris: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. (vide Medida Provisória nº 2.15835, de 24.8.2001)" "Art. 11. Estendese o benefício da dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, com a redação dada pelo art. 10, aos pagamentos realizados até o último dia útil do mês de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, desde que até o dia 31 de dezembro de 1998 o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento.(Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002) § 1o A dispensa de acréscimos legais, de que trata o caput deste artigo, não envolve multas moratórias ou punitivas e os juros de mora devidos a partir do mês de fevereiro de 1999." 8. Destarte, ao contrário do alegado pela recorrente, não se vislumbra o seu enquadramento em qualquer das condições previstas nos artigos supratranscritos, uma vez que: (i) o art. 17, da Lei 9.779/99, não faz qualquer alusão a débitos decorrentes de multa por descumprimento de obrigação acessória, tratando especificamente de valor relativo a tributo, cuja regra matriz de incidência tenha sido declarada inconstitucional, e cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal; (ii) o art. 11 da MP 2.15835/2001, conquanto possibilite a dispensa dos acréscimos legais aos pagamentos de débitos de qualquer natureza, restringea a duas condições concomitantes, quais sejam: a) que a ação, objetivando a exoneração do débito, tenha sido ajuizada até o dia 31 de dezembro de 1998, o que não ocorreu no caso sub examine (o mandamus foi impetrado em 2001, consoante exposto pela própria recorrente às fls. eSTJ 5); b) conforme disposto no § 1º, as multas de qualquer natureza e juros de mora têm que ser anteriores a fevereiro de 1999, fato Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 244 10 que, à míngua de menção nas instâncias ordinárias, atrai a incidência da Súmula 07 do STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial desprovido. ..EMEN: (RESP 200802699820, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:05/11/2010 ..DTPB:.) (o grifo é meu). Além, do que já disse o Superior Tribunal de Justiça – STJ o Supremo Tribunal Federal – STF, também, proclamou a constitucionalidade e legalidade de multa aplicada em valor de até cem por cento do tributo, veja a ementa. Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. MULTA MORATÓRIA APLICADA NO PERCENTUAL DE 40%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES DO TRIBUNAL PLENO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal já decidiu, em diversas ocasiões, serem abusivas multas tributárias que ultrapassem o percentual de 100% (ADI 1075 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, DJ de 24112006; ADI 551, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, DJ de 14022003). 2. Assim, não possui caráter confiscatório multa moratória aplicada com base na legislação pertinente no percentual de 40% da obrigação tributária. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 400927 AgR, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 04/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 115 DIVULG 17062013 PUBLIC 18062013. (destaquei o trecho). Dessa forma, evidenciado ficou a inexistência de efeito confiscatório da multa aplicada. Cito apenas para constar que a DRJ já havia feito esclarecimentos semelhantes nos tópicos denominados: Procedência das Contribuições Lançadas e do Lançamento de Ofício e da Multa e Ofício. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.721245/201163 Acórdão n.º 2803003.344 S2TE03 Fl. 245 11 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15987.000235/2009-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 35 /2 00 9- 69 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep exportação relativo ao 2 trimestre de 2007, no valor de R$ 1.880.394,92. De acordo com o Despacho Decisório DRF/Santos/Seort/SP nº 23, de 7 de março de 2012, fls. 725 a 736, apoiado nas conclusões da ação fiscal levada a efeito junto ao requerente, objeto dos processos 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, e cujo desfecho a contribuinte já tomou ciência em 02.03.2012, parte dos créditos reclamados não teve sua liquidez e certeza assegurados, vez que sua obtenção está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. O Despacho Decisório dá conta de que, em operações empreendidas pela Receita Federal, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (Operação Tempo de Colheita, Operação Broca e Operação Robusta), apurouse que o requerente participou de fraudes, “comprando” notas fiscais de venda de café, emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para o fim de permitir a obtenção de créditos de contribuições sociais não cumulativas “cheios”, quando, por se tratar de fornecimento de pessoas físicas, ensejariam tão somente crédito presumido1. Constatouse também que o requerente tomou crédito por compras de café feitas a cooperativas de produtores, que haviam excluído de suas bases de cálculo o valor da receita repassada ao seus associados, de forma que as contribuições sociais nelas não incidiram, situação que não admite o creditamento, nos termos do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O pleito foi parcialmente deferido, em R$ 183.263,45, reconhecendose direito ao crédito presumido, quando foi o caso: DACON FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO EXPORTAÇÃO CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO DISPONÍVEL 04/07 405.897,54 354.345,08 51.552,46 05/07 962.913,86 872.977,94 89.935,92 03/07 694.846,96 653.071,89 41.775,07 1 O modusoperandi empregado nas operações efetuadas com diversos fornecedores de café, de acordo com o relatório da Operação "Tempo de Colheita", era o seguinte: os grandes adquirentes de café exigiam notas fiscais de pessoas jurídicas para poderem aproveitar o crédito de PIS/COFINS integralmente à razão de 9,25% do valor da operação. Se os vendedores fossem pessoas físicas só seria possível o aproveitamento de crédito presumido, no valor de 3,5% do valor integral. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 3403002.966 S3C4T3 Fl. 1.340 3 Total R$ 183.263,45 O interessado interpôs manifestação de inconformidade de fls. 757 a 785, na qual, como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% decorrente de compras de pessoas físicas e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas. Quanto ao mérito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas, argumenta que, em que pese a provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, não praticou crime algum, afirmando seu interesse no esclarecimento dos fatos. Lembra que o preço pago pelo café era o de mercado e que nunca cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada, no qual estava embutida a contribuição, de forma que houve despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros. Aduz que a falta de pagamento das contribuições por fornecedores não implica a ausência do direito de crédito ao adquirente, dispondo a Receita Federal e a PGFN de meios próprios de cobrar tais tributos. Discorre sobre a cena econômica do mercado cafeeiro. Rechaça a extensão das conclusões da operação da Polícia Federal ao pedido de ressarcimento em tela. Reafirma sua condição de adquirente de boafé, sem conhecimento das irregularidades societárias dos seus fornecedores. Entende legítima a tomada de crédito, porquanto ao pagar pelo café ao valor de mercado, cobrado mediante nota fiscalfatura de pessoa jurídica, estava embutido o valor das referidas contribuições. Quanto à anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não se poderiam cursar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0540.394, de 18 de março de 2013, fls. 979 a 1027, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 1087 a 1138, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado todos os seus argumentos de defesa. Insiste em não ter conhecimento, muito menos participado do que chama de “pretenso esquema fraudulento” de que trata a Fiscalização, acusandoa de fundar suas conclusões em meras presunções no sentido de que todos os seus fornecedores pessoas jurídicas inidôneas por serem omissas nas entregas de suas declarações, procedimento vedado, segundo a jurisprudência do CARF. Lembra que a decretação da inidoneidade dos fornecedores, abaixo listados, não pode retroagir para alcançar as operações da recorrente: RAZÃO SOCIAL CNPJ DATA ABERTURA Columbia Comércio de Café Ltda. 04.497.908/000103 08/06/2001 Cafeeira São Sebastião Ltda. 00.837.387/000135 29/09/1995 Ceiba Comercial Importação e Exportação Ltda. 00.323.994/000187 28/11/1994 Séculos Comercio de Café Ltda. 05.516.878/000106 30/12/2002 Sancosta Comercio, Importação e Exportação de Café Ltda. 06.222.888/000193 15/04/2004 F.J.B. Baroni 07.155.547/000105 16/12/2004 Cerealista Carmo Sul Ltda. 04.439.727/000120 21/03/2001 P Fernandes 04.460.832/000141 22/05/2001 Vila Rica Coffee Comercio de Café Ltda. 03.740.999/000101 07/04/2000 V. Munaldi ME 06.078.929/000110 12/01/2004 Comercial São Lourenço Ltda. 04.580.404/000233 22/10/2002 E M Gomes 05.688.607/000120 14/05/2003 Nova Brasilia Comércio de Café Ltda. 05.206.408/000138 24/07/2002 Enseada Comércio de Café e Sacaria Ltda. 06.201.690/000123 07/04/2004 Na continuação, retoma as digressões sobre a cadeia de produção do café no Brasil e sobre a comercialização do café sob o ponto de vista comercial e civil, já oferecida na Manifestação de Inconformidade. Com relação às compras de café a sociedade cooperativas de produtores, argumenta que nas notas fiscais apresentadas pela Fiscalização, todas as cooperativas exerceram beneficiamento, situação que não admite a suspensão da incidência da contribuição. Nesse sentindo, retoma a arguição de erro nas notas fiscais em que constou a suspensão. Transcrevo os requerimentos finais (grifos do original): 3 Conclusão E Pedidos Diante do acima exposto, requer seja provido o presente recurso para que seja reformado o Despacho Decisório e acórdão de fIs., para o fim de chancelar e reconhecer os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 3403002.966 S3C4T3 Fl. 1.341 5 Subsidiariamente, ainda, considerando que a inidoneidade posteriormente declarada em nada reflete para Recorrente, e que toda a alegação posterior ao Despacho decisório exarado nos autos em 2010 é inaplicável, dado que não há fato julgado na esfera criminal, é de se revogar o atual despacho decisório, revigorando se o despacho decisório anterior, e intimado novamente a Recorrente para, em querendo, que apresente manifestação de inconformidade. Requer, de imediato, contudo, que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida, tanto no que tange à compras de fornecedores considerados inidôneos, como perante cooperativas, conforme página 284 do Termo de Verificação Fiscal: "9.2. DO CRÉDITO PRESUMIDO Conforme explicado acima, o crédito ordinário correspondente às empresas inidôneas não pode ser concedido integralmente, já que sua origem é referente a vendas de pessoas físicas produtoras de café. Entretanto, é cabível o aproveitamento do crédito presumido correspondente. Mesmo raciocínio se aplica ao crédito referente às observações que tratam da suspensão das contribuições. No caso das notas fiscais com suspensão existe a possibilidade de crédito presumido." Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral, aplicandose a legislação mais benigna Lei n° 12.350/2010, artigo 56A, de forma retroativa. Para facilitar a liquidação deste montante a Recorrente anexa planilha de cálculo extraído do trabalho de fiscalização, em cumprimento do trecho acima reproduzido, (doc. anexo) Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2005 a 2007, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. Caso esse Conselho entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, considerando ainda parte integrante destes autos, os procedimentos n° 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247. De qualquer forma, estão documentalmente comprovadas a operação e as alegações acima, ficando ao dispor do órgão julgador todos os documentos, inclusive notas fiscais já examinadas pela fiscalização, para eventuais diligências. Requer sejam admitidos todos os meios de provas, incluindo diligências e juntada de novos documentos que privilegiem a verdade material. Protesta a RECORRENTE pela realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento do presente Recurso, nos termos regimentais. Para tanto, Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 requer seja notificada com antecedência da data, hora e local da sessão de julgamento. Nestes termos, Pede deferimento. Santos, 7 de maio de 2013. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com os processos nºs 15987.000230/200936, 15987.000231/200981 e 15987.000232/200925, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1087 a 1138 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3ª Turma nº 0540.394, de 18 de março de 2013. Pedido de liberação imediata do valor do crédito incontroverso. Em atendimento aos Despachos de fls. 568 e 569, o valor do crédito deferido foi pago por meio da emissão da Ordem Bancária 2012OB801207 em 17/09/2012, fls. 602, conforme despacho de fls. 978, quedando plenamente satisfeito o pedido de liberação da parcela incontroversa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 3ª Turma da DRJ em Campinas é hígida e enfrentou a Manifestação de Inconformidade sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 3403002.966 S3C4T3 Fl. 1.342 7 No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Mérito – glosa dos créditos amparados em notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” O argumento recursal fundamental é o de que jamais participou das fraudes apontadas nessas operações e que nunca obteve vantagens econômicas em decorrências das práticas ilícitas, sempre adquirindo o café a preço de mercado. Diz ter pesquisado sempre a situação da empresa vendedora no CNPJ e SINTEGRA. Lembra, além disso, que o mercado de compra e venda de café é complexo e que as suas peculiaridades não foram consideradas nas conclusões alcançadas ao fim das citadas operações. Assim, não seria possível afirmar que necessariamente as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais examinadas sejam de fachada. Ainda, entende que eventuais fraudes verificadas em determinados elos da cadeia comercial do café não podem ser estendidas para os demais atores sem prova inconteste, o que não ocorreria nos autos. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. A culpa da recorrente é objeto do processocrime no qual ela foi denunciada. O fato é que, na extensa e profunda auditoria levada a cabo, segregaramse do pedido de ressarcimento formulado pela Outspan todas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas comprovadamente interpostas com o fito de “inchálo”, admitindose tão somente as notas fiscais idôneas. A quantidade de empresas "laranja" explica a magnitude da glosa: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR 2 Cito apenas a título exemplicativo, muito de longe de esgotar todos os elementos existentes, a prova testemunhal dos depoimentos de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, entre outros; e documental, como a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Case de Café Corretora, e a planilha de fls. 19773 do processo 15983.720078/201247, elaborada pela recorrente, que demonstra o total controle que mantinha sobre seus fornecedores pessoas físicas, sobre os vendedores (empresas "laranjas" noteiras) e qual a origem do café fornecido. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 3403002.966 S3C4T3 Fl. 1.343 9 Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” Contra essas glosas o recorrente tergiversa. Insurgese contra retroação de declarações de inaptidão de empresas, que lista. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19933 e no art. 824 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diploma que instituiu também (art. 815) a Declaração de 3 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 4 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 5 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/04/2007 a 30/06/2007, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007), que, em sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha (negrito na transcrição): IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 3403002.966 S3C4T3 Fl. 1.344 11 Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Portanto, quanto ao efeito temporal objetado pelo recorrente, frisese que, no caso de créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Sustenta, também, a recorrente que os fornecedores mantinham cadastro ativo no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp n 1.148.444, segundo o qual “a boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS”. A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Importante salientar que a Fiscalização deferiu o crédito presumido, quando foi o caso, reconhecendo o negócio jurídico subjacente. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000235/200969 Acórdão n.º 3403002.966 S3C4T3 Fl. 1.345 13 A recorrente não logrou convencerme de que as glosas procedidas pelas DRF/Santos – uma sequer – foram improcedentes. Por essa razão, julgoas corretas, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Mérito – glosa dos créditos por aquisições de mercadorias não oneradas pela contribuição social não cumulativa No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). A base da contestação dirigida pela interessada contra a glosa dos créditos referente aos bens adquiridos de sociedades cooperativas diz respeito ao fato de que o mencionado art. 3º, §2º da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplicaria ao café, já que este é um bem sujeito à incidência das contribuições. Assim, ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas. Diz ainda que a suspensão de PIS e Cofins praticada por algumas cooperativas não se aplicava às operações de venda de café por força do que diz o art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004. Aduz que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario 6 As respostas estão às fls. 19.539 e seguintes do processo administrativo nº 15983.720078/201247. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela de fls. 20015 e 20016. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Quanto à alegação de erro na emissão de notas fiscais com suspensão por cooperativas que de alguma forma beneficiaram o grão, a insurgência recursal, mais uma vez, é inespecífica e omitiuse em denunciar em quais casos o trabalho fiscal mereceria reparos. Compulsandose a planilha de fls. fls. 20015 e 20016 do processo 15983.720078/201247, anexo ao presente, constato que o Fiscalização foi minuciosa, detalhando, cooperativa por cooperativa, fornecedoras da recorrente, quais executavam o beneficiamento excepcionado no art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004, e, simultaneamente, excluíam de sua base de cálculo, o valor das receitas repassados aos cooperados, caso em que o creditamento não foi admitido, muito embora não fosse caso de suspensão. Omitindose a recorrente em infirmar especificamente esse levantamento, que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente para decidir sobre a admissibilidade da tomada de crédito, tenho o com correto. Mérito – atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de maio de 2014 Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10980.005232/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 20/03/1998 a 16/02/2005
PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO
Para os pedidos efetuados até 09/06/2005 prevalece a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 sujeitam-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN.
DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Aquele que voluntariamente confessar a realização de uma infração ao Fisco, efetuando, caso seja necessário, o pagamento do tributo devido, com os acréscimos legais, terá o benefício de exclusão da responsabilidade por essa infração, ficando livre do pagamento de qualquer penalidade. Precedentes do STJ no regime do art. 543-C do CPC.
Numero da decisão: 3302-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Walber José da Silva apresentou declaração de voto.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 18/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 20/03/1998 a 16/02/2005 PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO Para os pedidos efetuados até 09/06/2005 prevalece a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 sujeitam-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Aquele que voluntariamente confessar a realização de uma infração ao Fisco, efetuando, caso seja necessário, o pagamento do tributo devido, com os acréscimos legais, terá o benefício de exclusão da responsabilidade por essa infração, ficando livre do pagamento de qualquer penalidade. Precedentes do STJ no regime do art. 543-C do CPC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Walber José da Silva apresentou declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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RESTITUIÇÃO Para os pedidos efetuados até 09/06/2005 prevalece a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 sujeitamse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Aquele que voluntariamente confessar a realização de uma infração ao Fisco, efetuando, caso seja necessário, o pagamento do tributo devido, com os acréscimos legais, terá o benefício de exclusão da responsabilidade por essa infração, ficando livre do pagamento de qualquer penalidade. Precedentes do STJ no regime do art. 543C do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Walber José da Silva apresentou declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 52 32 /2 00 5- 34 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 3 2 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido, por bem refletir a contenda. “A contribuinte acima identificada apresentou, em 08/06/2005, pedido de restituição em formulário (fls. 01/02), seguido de declarações de compensação, de valores pagos indevidamente a titulo de multa moratória de Cofins/PIS, relativo ao período de março/1998 a fevereiro/2005, no montante de R$257.193,85. A DRF Belo Horizonte, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 43/46, indeferiu o pedido por duas razões: com relação aos pagamentos de multa de mora relativos ao período de 20/03/1998 a 19/05/2000 (datas de arrecadação), "o pedido de restituição foi feito após o decurso de prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário", estando extinto o direito à restituição/compensação com fundamento nos artigos 165 e 168 do CTN; quanto aos pagamentos de multa de mora efetuados entre 29/06/2000 a 16/02/2005, os mesmos foram efetuados com base na legislação vigente, não havendo, portanto, pagamento indevido ou a maior. Cientificada da decisão em 18/08/2009 (fl.47), a interessada apresenta, em 31/08/2009, a manifestação de inconformidade às fls. 48/54, com os seguintes argumentos: em relação ao prazo para restituição/compensação dos pagamentos havidos, argumenta que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que, nas ações que versem sobre tributos lançados por homologação, o prazo é de dez anos, correspondentes aos cinco anos de que dispõe a Fazenda para homologação (art. 150, § 40 do CTN), acrescidos de cinco anos relativos à prescrição do direito (art. 168, I, do CTN); Fl. 342DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 4 3 não merece acolhida o entendimento de que o art. 30 da Lei Complementar 118/05 vem esclarecer a questão de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, vez que referida lei foi publicada em 09/02/05, não tendo efeito retroativo, além de que esse mesmo artigo faz menção ao parágrafo 1° do art. 150 do C'TN que dispõe que o pagamento antecipado extingue o crédito sob condição ulterior homologação do lançamento. Neste sentido, cita decisões judiciais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; no tocante à multa de mora, o art. 138 do CTN estabelece que a responsabilidade tributária seria elidida nos casos em que o contribuinte oferece denúncia espontânea dando conta da infração. A jurisprudência seria pacifica sobre o assunto, conforme ementas de decisões dos Tribunais Superiores.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 10/06/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22/06/2010. A Resolução nº 330200.168, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, converteu o julgamento do referido recurso voluntário em diligência, requisitando que, “... a fiscalização intime a contribuinte a demonstrar que consignou em suas obrigações acessórias tais valores, e as datas em que o fez, se anteriores ou posteriores aos pagamentos eventualmente espontâneos”. Realizada a diligência e apresentado as informações solicitadas os autos retornaram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, por isso dele o conheço. Como dito, a contribuinte apresentou, em 08/06/2005, pedido de restituição em formulário (fls. 01/02), seguido de declarações de compensação, de valores pagos indevidamente a titulo de multa moratória de PIS/COFINS, relativo ao período de março/1998 a fevereiro/2005, no montante de R$ 257.193,85. I Da Prescrição Fl. 343DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 5 4 No que se refere à prescrição, claro é a necessidade de observar o presente caso sob a ótica anterior à LC 118/2005, uma vez que o Pedido de Restituição, realizado em 08/06/2005, é anterior a data de início de vigência da referida Lei. Como se sabe, no que se refere a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, e do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça havia pacificado entendimento, há mais de uma década, no sentido de que o contribuinte dispunha do prazo de dez anos (tese dos “cinco mais cinco”) para pleitear a restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos ou recolhidos a maior. Tal entendimento, pacificado pela doutrina e jurisprudência, era decorrente da interpretação conjunta dos artigos 168, inciso I c/c 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, o entendimento até então consolidado pelo Egrégio Tribunal Superior sempre foi no sentido de que, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos previsto no artigo 168, do Código Tributário Nacional, para que o contribuinte pudesse pleitear a restituição ou compensação do indébito tributário recolhido indevidamente ou a maior, somente se iniciaria após a extinção definitiva do crédito tributário, que somente ocorreria com a homologação expressa pela autoridade administrativa competente ou, na sua ausência, pelo decurso do prazo de cinco anos computados da ocorrência do fato gerador (homologação tácita). Todavia, não obstante o fato de que tal tese era aplicada de modo pacífico e rotineiro pelo Poder Judiciário, a Lei Complementar nº 118/2005, por meio da disposição contida em seu já citado artigo 3º, inovou o ordenamento jurídico, determinando que, para os efeitos do artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, considerase como início da contagem do prazo prescricional não mais o prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, mas sim a data do pagamento indevido ou a maior que se pretende restituir, conforme se verifica de sua redação, in verbis: Art. 3º. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do artigo 150 da referida Lei. Verificase que a nova interpretação dada ao inciso I, do artigo 168, do Código Tributário Nacional, reduziu de dez para cinco anos o prazo para que o contribuinte possa repetir ou compensar tributos indevidos ou pagos a maior, haja vista que o termo inicial para sua contagem se dá, a partir de então, do pagamento, e não mais da data da homologação expressa ou tácita do crédito tributário. Além disso, por ter sido supostamente qualificado como dispositivo introdutor de norma interpretativa, a segunda parte do artigo 4º da mesma Lei Complementar determinou que quanto ao referido dispositivo (artigo 3º) fosse observado o disposto no artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, o que justificaria, portanto, a aplicação do artigo Fl. 344DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 6 5 3º, da Lei nº 118/2005 a fatos não só ocorridos após a sua vigência, mas, inclusive, aos fatos pretéritos. Entretanto, iluminando o entendimento acerca do tema em questão e concedendo a aplicação justa do dispositivo, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por meio de seu Órgão Plenário, pacificou entendimento de que o artigo 3º da referida lei complementar não é meramente interpretativo, uma vez que criou direito novo e que, portanto, tem natureza modificativa, não podendo atingir fatos pretéritos, sob pena de afronta a autonomia e independência dos Poderes (artigo 2º, Constituição Federal) e a garantia constitucional ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e a coisa julgada (artigo 5º, inciso XXXVI, Carta Magna). Neste sentido a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu: “PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n°118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS exigido com base nos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE nº 148.754/RJ, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário provido em parte.” (CSRF – Acórdão nº 9900000.381, Sessão de 28/08/2012, Rel. Cons. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Assim, para as situações ocorridas anteriormente ao advento da lei nova, como é o caso dos presentes autos, não podem por ela ser alteradas, em face do princípio da irretroatividade das leis. Desse modo, é lícito afirmar que o novo prazo prescricional reduzido tem aplicação tãosomente a partir da vigência da lei nova. Portanto, temse, no presente caso, que os valores recolhidos anteriormente ao advento da Lei Complementar nº 118/2005 possuem sua prescrição regulamentada pelo entendimento pregresso, limitandose, porém, aos cinco anos posteriores ao advento da nova legislação complementar, motivo pelo qual não há que se cogitar na incidência de prescrição Fl. 345DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 7 6 no presente caso, haja vista que os recolhimentos deramse a partir do anobase de 1998, tendo a Recorrente, portanto, até o ano de 2008 para reaver os montantes indevidamente recolhidos. II Da Denúncia Espontânea Primeiramente, cumpre esclarecer que não se discute no presente caso, se seria cabível, ou, não o instituto da denúncia espontânea. Discutese, se aplicado o instituto da denúncia espontânea caberá ou não a devolução da multa de mora. Segundo o artigo 138 do Código Tributário Nacional, aquele que voluntariamente confessar a realização de uma infração ao Fisco, efetuando, caso seja necessário, o pagamento do tributo devido, acrescido de juros de mora, ou realize o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante deste tributo depender de apuração, terá o benefício de exclusão da responsabilidade por essa infração, ficando livre do pagamento de qualquer penalidade, in verbis: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Em decisão proferida pelo E. Superior Tribunal de Justiça nos termos do que determina o regime previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil, adotouse o seguinte entendimento. O STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificada (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de Fl. 346DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 8 7 tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, Resp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 9 8 O artigo 138 deve ser aplicado, para a exclusão da multa de mora, não havendo que se falar em distinção entre multa punitiva e multa compensatória. É certo que caso o tributo seja pago em atraso enseja a multa moratória. Todavia, a responsabilidade por essa infração é excluída pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN. A denúncia espontânea serve para incentivar o contribuinte a denunciar situações em que ocorreram fatos geradores, mas que por algum motivo, foram omitidos da fiscalização. O Superior Tribunal de Justiça também já decidiu que na aplicação do artigo 138 do CTN, não é permitido a distinção entre multa punitiva e moratória, não veicula qualquer distinção dessa natureza. “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA.EXCLUSÃO. 1. O art. 138 do CTN não estabelece distinção entre a multa moratória e a punitiva, de modo que ambas são excluídas pela denúncia espontânea. Precedentes. 2. Recurso Especial não conhecido. (STJ. REsp 922.206. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. D.J 22/08/2008) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (STJ. AGRESP nº 1136372. Rel. Min. Hamilton Carvalhido. D.J. 18/05/2010) Outrossim, Recorrente já cumpriu sua obrigação, pois ao recolher os tributos em atraso, o fez com juros e correção monetária devidos, configurando dessa forma a denúncia espontânea, devendo ser excluída a sanção pelo atraso no pagamento. Exigir a multa moratória, in casu, seria desconsiderar o motivo pelo qual a denúncia espontânea foi criada, incentivando o contribuinte, por conseguinte a permanecer na indesejada via da impontualidade. No direito Tributário a multa é uma sanção, uma penalidade, abrangida pela idéia de responsabilidade presente no artigo 138 do CTN. É claro neste ponto que o legislador não fez nenhuma distinção das referidas multas, não podendo o intérprete fazer. Seguindo este raciocínio, Luiz Alberto Gurgel de Faria defende: “A multa aplicada no âmbito do Direito Tributário, seja de que natureza for, tem feição sancionatória e, como tal, seria atingida pelo artigo 138, que, de modo explícito, menciona que a Fl. 348DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 10 9 responsabilidade por infrações é relevada quando a falta for espontaneamente declarada, acompanhada do “pagamento de tributo devido e dos juros de mora”, nada dispondo acerca da quitação quanto às multas. Se fosse intenção do legislador retirar do benefício as multas de cunho moratório, certamente teria feito de forma expressa.” 1 III. Conclusão Por todo exposto, bem como face às informações apresentadas pela Secretaria da Receita Federal, fls. 337/338, no sentido de que o montante recolhido, a maior, a título de multa foi realizado antes das transmissões das DCTF´s, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para 1) afastar a prescrição; 2) reconhecer o alcance do instituto da denúncia expontânea sobre a multa de mora, apurandose em sequência o valor efetivamente recolhido a maior pela delegacia competente; 3) homologar a compensação no limite do crédito existente. É como voto (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator 1 FARIA, Luiz Alberto Gurgel.Código Tributário Nacional Comentado: doutrina e jurisprudência, artigo por artigo, inclusive ICMS e ISS, 4ª edição, Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 653. Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Ouso discorda do voto do Ilustre Conselheiro Relator, Dr. GILENO GURJÃO BARRETO, pelas razões que passo a expor. A restituição pleiteada referese ao PIS e à Cofins, cujos fatos geradores ocorreram entre abril de 2000 e novembro de 2004 e os pagamentos realizados após o Fl. 349DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 11 10 vencimento mas antes do prazo legal para apresentação da DCTF, estabelecido nas INs SRF nº 126/98 e 255/02, cujo § 2º, do art. 2º, da primeira delas, está abaixo reproduzido. Art. 2º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. § 2º A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. O prazo para apresentação da DCTF não sofreu alteração com a edição da IN SRF nº 255/02. O argumento da recorrente de que ocorreu a denúncia espontânea no presente caso está superado no âmbito do Poder Judiciário com a edição, pelo STJ, da Súmula nº 360, abaixo reproduzida: SÚMULA 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. (destaquei) Para que não exista nenhuma dúvida sobre o alcance da referido Súmula nº 360, no dia 09/06/2010 o STJ julgou o REsp 1.149.022/SP, pelo rito do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (Recurso Repetitivo a que se refere o art. 62A do RICARF), para decidir que é devido a multa de mora quando o débito de tributo sujeito a lançamento por homologação for declarado regularmente e pago em data posterior à do vencimento, confirme ementa do respectivo acórdão, abaixo reproduzida. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de Fl. 350DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 12 11 tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (os grifos são do original) Fl. 351DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.005232/200534 Acórdão n.º 3302002.572 S3C3T2 Fl. 13 12 A dispensa do pagamento da multa de mora, reconhecido pelo STJ na decisão acima referida, somente ocorre quando o débito objeto do pagamento não tiver sido regularmente declarado, ou seja, quando não for declarado dentro do prazo regulamentar. O fato de o prazo para apresentar a DCTF ser posterior ao do vencimento dos débitos de declaração obrigatória não significa que a multa de mora não é devida até a data limite para apresentar a DCTF. No caso dos autos, o prazo para apresentar a DCTF era até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Todos os pagamentos foram realizado após o vencimento mas antes do referido prazo para apresentar a competente DCTF. Nesta hipótese, não há que se falar em ocorrência de denuncia espontâneo antes do prazo legal que a Recorrente tinha para confessar seus débitos à RFB, posto que privado estava a RFB de qualquer procedimento de ofício para apurar a declaração e o pagamento insuficiente de débitos. Como concluiu o STJ na súmula e no julgamento do REsp acima citados, estando o débito regulamente declarado, como é o caso dos autos, não há que se falar em denuncia espontânea quando o pagamento ocorre a destempo. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13687.000286/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 7. 00 02 86 /2 00 9- 40 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13687.000286/200940 Acórdão n.º 2102002.580 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 46 a 51: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrada, em 17/08/2009, a Notificação de Lançamento de fls.. 02 a 04, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, que resultou em crédito total apurado no valor de R$ 5.968,34, sendo R$ 2.966,82 de IRPFSuplementar, R$ 2.225,11 de multa de ofício e R$ 776,41 de juros de mora (calculados até 08/2009). Motivou o lançamento de ofício (fl. 03) a dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 12.600,00, tendo em vista que: O contribuinte não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas seja mediante comprovação do pagamento (cópia de cheques, recibos de depósito, ordem bancária, etc) ou apresentação de exames/radiografias com os profissionais Juliana S. Mendes e William Palis. Os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços. A ciência da Notificação de Lançamento se deu em 01/09/2009 (fl. 42) e o interessado apresentou impugnação de fl. 01, em 04/09/2009, alegando que a Notificação foi baseada no não atendimento, por parte do contribuinte, ao termo de intimação inicial, porém este foi atendido, conforme protocolo em 20/04/2009, tendo inclusive sido solicitados novos esclarecimentos que foram atendidos em 02/06/2009. Anexa, os mesmos documentos já apresentados à fiscalização, quais sejam: três recibos, laudo e ficha odontológica, além das respostas às intimações. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos e documentos apresentados pela recorrente não foram acompanhados de provas dos pagamentos acerca das despesas médicas glosadas, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse o lançamento relativo às despesas médicas para cujos recibos não ficou evidenciada a efetividade dos pagamentos e prestação dos serviços, sobretudo quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13687.000286/200940 Acórdão n.º 2102002.580 S2C1T2 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 81 a 84, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: Pela leitura da jurisprudência apresentada, é de fácil visualização que a apresentação da prova dos efetivos pagamentos se trata de obrigação alternativa, de apresentar prova da efetiva realização do serviço ou do pagamento. Assim o requerente procedeu em conformidade com o que foi intimado pelo fisco, fazendo prova da efetiva realização dos serviços médicos e odontológicos através da ficha odontológica e laudo médico. Portanto para cumprir com suas obrigações diante do fisco era necessário somente fazer esta prova (da efetiva prestação dos serviços, laudos médico e ficha odontológica), pois se trata de obrigação alternativa, não sendo necessário fazer prova do pagamento através de cópias de cheque, ordem de pagamento ou movimentação bancária, até mesmo porque os pagamentos foram feitos em moeda corrente, assim como foi esclarecido na resposta a primeira intimação fiscal. Diante do exposto é de cristalina visualização de que os reclames do fisco foram devidamente atendidos com a apresentação dos recibos, bem como as provas da efetiva realização dos serviços com o laudo médico e a ficha odontológicas apresentadas. A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Discutese as seguintes glosas das despesas médicas, quais sejam: um valor de R$7.500,00, emitido por Juliana S. Mendes, dentista, e, outro no valor de R$5.100,00, emitidos por William Palis, médico otorrinolaringologista. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13687.000286/200940 Acórdão n.º 2102002.580 S2C1T2 Fl. 5 4 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, p.ex. no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13687.000286/200940 Acórdão n.º 2102002.580 S2C1T2 Fl. 6 5 Nesse caso, o contribuinte se enquadrou pelo menos na tipologia 2. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, mas também da efetividade do pagamento. Entendo que diante dos fatos colocados nos autos, a apresentação da declaração médica e das fichas de tratamento dentário sem nenhuma comprovação de pagamento, não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou apenas duas fontes de rendimentos, quais sejam agentes públicos federais, que sabidamente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, aceitável se não fosse possível a prova de todos os pagamentos mas de alguns, contudo, no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10980.002743/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO CONTRA VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE.
NULIDADE. A teor da Súmula CARF nº 71, todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade, razão pela qual é nula a decisão de 1a instância que, sob o fundamento de incompetência do órgão administrativo de julgamento, deixa de apreciar impugnação contra vínculo de responsabilidade.
Numero da decisão: 1101-000.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário dos responsáveis tributários Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, para ANULAR a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ARGÜIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO CONTRA VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE. NULIDADE. A teor da Súmula CARF nº 71, todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade, razão pela qual é nula a decisão de 1a instância que, sob o fundamento de incompetência do órgão administrativo de julgamento, deixa de apreciar impugnação contra vínculo de responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário dos responsáveis tributários Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, para ANULAR a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 27 43 /2 00 8- 47 Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório BSD COMERCIAL IMPORTADORA EXPORTADORA LTDA e os responsáveis tributários Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTES os lançamentos formalizados em 29/02/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 20.650.019,44. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Em ação fiscal procedida na empresa supra, doravante denominada BSD, segundo consta da descrição dos fatos, foi arbitrado o lucro dos períodosbase de 2003 e 2004, com base na no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –, art. 530, III, tendo em vista que ela, notificada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme termo de inicio de fiscalização e termo de intimação, deixou de apresentálos. Foi apurada, ainda, omissão de receitas, no mesmo período, decorrente de depósitos bancários não escriturados, cujos valores constam dos extratos das contas bancárias da empresa. [...] O termo de verificação fiscal de fls. 1.787/1.794 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando, ainda, os seguintes fatos: 1. Interposição de pessoas: todos os elementos e documentos apontam na direção de que a fiscalizada foi mais uma das empresas constituídas para dar continuidade às operações de sonegação fiscal e importação fraudulenta do Grupo Sundown (posteriormente denominada Exteima), de propriedade e administrada pela família Rozenblum Trosman; 2. A família Ronzenblum Trosman, de nacionalidade uruguaia, nas pessoas de Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, tinham como modus operandi a constituição de empresas com pessoas de poucos recursos financeiros, que geralmente possuíam uma pequena parte das quotas de capital, sendo que a sócia majoritária geralmente é uma empresa de fachada do Uruguai, sempre com o intuito de ocultar os verdadeiros donos do negócio, que administravam a empresa por intermédio de procurações; 3. Ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 124, tendo em vista a ligação de interesse comercial entre a fiscalizada e as empresas do grupo Sundown, e as ligações pessoais entre os sócios da BSD e os proprietários e administradores das empresas do grupo Sundown, conforme documentos anexos (fls. 131/259); 4. Da análise dos extratos bancários, ficou constatado que os valores creditados nas contas da empresa, nos anos de 2003 e 2004 (R$ 58.861.317,98 e R$ 53.048.946,65, respectivamente), a título de depósitos, cobrança, descontos de duplicatas e outros créditos, é superior aos valores declarados pela empresa (R$ 18.685.994,18 e R$ Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 5 4 9.208.108,70), na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); 5. Tendo em vista que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, e pelo fato de que as irregularidades apontadas tratarem de infrações continuadas, nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2004, operações bancárias não contabilizadas, fatos esses que evidenciam ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, fica caracterizada a sonegação fiscal, prevista na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 71, caput e inciso I, ficando a contribuinte sujeita à multa qualificada prevista no art. 44, II, e art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996; 6. A fiscalização foi encerrada parcialmente, com referência ao anocalendário de 2002 por meio dos processos administrativos nº 10980.016004/200751 e 10980.016007/200795; 7. Foi elaborada Representação Fiscal para fins penais, cuja comunicação ao Poder Judiciário será formalizada, conforme determinação da Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2005, art. 1o. Notificada do lançamento em 29/02/2008, conforme autos de infração, a interessada, por intermédio de seu sócio Paulo Oscar Goldstein, ingressou, em 01/04/2008, com a impugnação de fls.1.887/1.910, alegando, em suma: · Ofensa ao artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que o auto impugnado é resultado de fiscalização de revisão de anterior procedimento, realizado nos autos do Processo nº 10980.014135/200532, e não houve motivação suficiente e idônea a autorizar essa fiscalização; · Cumpria aos autuantes demonstrar também a ocorrência de erro de fato ou erro de direito, hábil a justificar a necessidade e a legalidade da revisão; · Por força da ausência de manifestação quanto aos critérios e elementos utilizados na fiscalização realizada no Processo nº 10980.014135/200532, objeto de revisão, devem ser corrigidos os equívocos constantes do auto de infração impugnado, especialmente no que tange à compensação dos valores encontrados com aqueles constituídos no auto de infração; · Embora a fiscalização informe que abateu do valor apurado como devido no auto de infração as quantias lançadas no auto de infração lavrado naquele processo, a metodologia de cálculo adotada está completamente equivocada, pois deveria proceder à compensação entre a base de cálculo encontrada na primeira fiscalização (apurada com base no lucro real) com a base de cálculo obtida na fiscalização de revisão, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL; · Improcedência dos lançamentos relativos ao PIS e à Cofins, pois, no demonstrativo de reconstituição da base de cálculo dessas contribuições, a fiscalização desconsiderou valores pagos a maior e os valores lançados no auto de infração anterior, que se encontram reconhecidos como devidos e vêm sendo devidamente pagos, no parcelamento; · No que se refere à multa aplicada no auto de infração, a sanção imposta desobedeceu aos preceitos normativos, “ao não lhe possibilitar a ciência de no curso do procedimento de fiscalização poderia ocorrer não apenas a constituição de crédito tributário, mas também a imposição de grave sanção administrativa”, tendo em vista que se encontravam em poder da fiscalização desde o início dos trabalhos, em dezembro de 2006, que se decidiu autorizar o procedimento em questão; · Aplicamse ao presente caso as disposições contidas nos arts. 2o, X, 3o e 38, caput, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que asseguram aos interessados a ciência Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 6 5 e tramitação e a apresentação de razões de fato e de direito que deverão ser consideradas pela Administração antes de ser proferida decisão administrativa que venha a afetar direitos ou interesses do particular; · Está caracterizada a ofensa aos dispositivos legais supracitados, às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa (art. 5o, LV), corolários do devido processo legal (art. 5o, LIV); · A imposição da multa prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser invalidada pela inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta típica infracional; · A motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai nos seus atos constitutivos não reflete, minimamente, a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista no tipo infracional indicado no auto de infração como tendo sido violado; · Nada há no ordenamento jurídico pátrio dispositivo que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional; · A referência genérica a infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, operações bancárias não contabilizadas, é igualmente incapaz de sustentar a imposição de multa agravada; · A mera referência genérica a suposta ocorrência de dolo ou, ainda, a simples transcrição do dispositivo legal indicado não constitui motivação idônea à imposição de multa, especialmente quando se trata de sanção relacionada a possível intuito de sonegação e no patamar da que foi imposta à impugnante, uma vez que se trata de privação de direitos patrimoniais do particular; · O dolo deve ser devidamente provado, não bastando, para sua caracterização, a simples opinião do agente fiscal responsável pela lavratura do ato, como está ocorrendo, pois a fiscalização contestada se deu sob a modalidade de arbitramento, diante da impossibilidade da apresentação dos documentos contábeis, ou seja, a contabilidade não foi analisada, tendo eles afirmado a existência de operações bancárias não contabilizadas; · Tudo indica que os auditoresfiscais trabalharam com uma mera presunção, porém o dolo não se presume, não pode resultar de uma mera conjectura, cabendo à Administração o ônus da prova relativa ao dolo, entendimento pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes; · A conduta da empresa BSD, durante todo o curso da fiscalização, foi no sentido de atender, na medida do que lhe era possível, a todas as solicitações formalizadas pelos autuantes, dentro dos prazos que lhe foram assinalados, comportamento claramente oposto àquele que descrito pela fiscalização para justificar a imposição da multa agravada; · Não havendo prova da efetiva ocorrência de dolo por parte da empresa impugnante, ou ainda havendo elementos concretos que demonstram justamente a nãocaracterização desse tipo de comportamento, não pode prevalecer a imposição da multa qualificada. Requereu o provimento da impugnação, para o fim de proceder à invalidação do lançamento ou, subsidiariamente, a redução dos valores encontrados pelos autuantes. Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 7 6 Os responsáveis solidários também foram notificados, sendo que Karina Rozenblum, por meio do aviso de recebimento, em 10/03/2008, e Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern e Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum, por meio dos editais de fls. 1.864/1.866, afixados em 05/03/2008, e ingressaram, representados pelo advogado Julio Assis Gehlen (procurações de fls. 1.935, 1.937, 1.939 e 1.941), em 07/04/2008, com as impugnações de fls. 1.911/1.932, 2.051/2.072, 2.191/2.211 e 2.327/2.348, alegando, em suma: · Preliminarmente, impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo até a conclusão da Ação Penal Pública nº 2006.70.000122997, pois a questão relativa à possibilidade de inclusão dos impugnantes na condição de responsáveis tributários é oriunda do que está sendo debatido naquela ação proposta pelo Ministério Público Federal e em trâmite na 2a Vara Criminal de CuritibaPR; · Nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa, pois os impugnantes não participaram das diligências realizadas anteriormente à lavratura do auto de infração; · Erro na compensação do valor exigido no auto de infração, por erro na metodologia de abatimento dos valores lançados pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração constante do processo nº 10980.01413/200532; · Inaplicabilidade da multa majorada, pois não houve ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; · A suposição de que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, não é motivo determinante para configuração de sonegação fiscal; · Não prospera também a afirmação de que houve infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, pois a autuação somente se refere a março de 2003 a dezembro de 2004; · O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados; sendo assim, a não apresentação da escrituração contábil é que motivou o arbitramento dos lucros, não se justificando o agravamento da penalidade; · Ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco, implícito na CF, art. 5o, XXII, na aplicação da multa equivalente a 150%; · Inaplicabilidade da taxa Selic como taxa de juros, pois essa taxa não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua (contrariando o disposto no art. 161, § 1o, do CTN) ou porque os valores acumulados de tal taxa em nada coadunam com o dispositivo constitucional (art. 192, § 3o); e ainda porque sua natureza é de juros remuneratórios, e não moratórios, contrariando mais uma vez o dispositivo do CTN, norma de hierarquia superior à que traz a taxa Selic como aplicável aos débitos de natureza fiscal (Lei nº 9.065, de 1995); · Decadência do direito de lançar, para os fatos geradores ocorridos antes de março de 2003, nos termos do CTN, art. 150, § 4o, uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu somente em 10/03/2008. Requereram: a determinação do sobrestamento do feito até que seja concluído o trâmite da Ação Penal Pública nº 2006.70.000122997, ou que o teor das alegações finais apresentadas ao juízo criminal e as razões de defesa eventualmente apresentadas pela empresa BSD sejam consideradas como parte de sua defesa; a Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 8 7 declaração da improcedência da autuação ou, em caso negativo, que a multa aplicada não ultrapasse 20% dos tributos exigidos e que seja determinada a exclusão da taxa Selic; que as intimações sejam realizadas exclusivamente na pessoa do advogado subscritor. A Turma julgadora não apreciou a impugnação dos responsáveis tributários por entender que o exame da legalidade do lançamento a ser exercido na esfera administrativa fica restrito aos aspectos previstos no art. 142 do CTN. Deste modo, não pode o julgador administrativo, encontrandose o contribuinte perfeita e incontroversamente identificado – como no caso em questão, na empresa BSD –, ir além e declarar a existência ou inexistência de responsabilidade solidária de terceiros. Acrescentou que a circunstância de haverem sido arrolados responsáveis solidários autoriza a formação de litisconsórcio passivo no momento da cobrança do crédito, e só a partir deste ponto, e perante o Poder Judiciário, será apropriado discutir se aquelas pessoas físicas possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. O voto condutor do acórdão recorrido conclui que o registro constante do termo de declaração de sujeição passiva é uma mera informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição do débito em dívida ativa, de modo que o juízo de valor acerca destas circunstâncias cabe apenas à Procuradoria da Fazenda Nacional, e não estão elas dependentes de entendimentos anteriormente emanados a respeito, seja pelas Delegacias de Julgamento, seja pelo Conselho de Contribuintes. De outro lado, foram apreciados os argumentos tecidos pelos responsáveis contra a validade do lançamento, afastandose a argüição de nulidade por ausência de participação daquelas pessoas durante o procedimento fiscal, na medida em que os atos praticados observaram as disposições legais e foi concedida a oportunidade de o autuado apresentar documentos e esclarecimentos na fase de impugnação. Quanto aos argumentos da pessoa jurídica: 1) rejeitou a argüição de nulidade em razão da revisão de procedimento anterior; 2) afastou a argüição de decadência em razão da aplicação do disposto no art. 173, inciso I do CTN; 3) rejeitou a pretensão de se deduzir, nesta autuação pelo lucro arbitrado, a base de cálculo antes submetida a lançamento na sistemática do lucro real; 4) manteve a aplicação de multa qualificada dada a interposição de pessoas; 5) declarou a atividade de julgamento vinculada à lei em face de argüição de efeito confiscatório da penalidade; e 6) afirmou a exigibilidade dos juros calculados com base na taxa SELIC. O resultado de julgamento foi cientificado a todos os responsáveis, mediante intimações específicas (fls. 2508/2516). BSD Comercial Importadora e Exportadora Ltda foi cientificada pessoalmente em 29/10/2008 (fl. 2517). Os demais responsáveis foram cientificados, por via postal, em 14/10/2008 (fls. 2519/2523). Os responsáveis apresentaram recurso voluntário conjunto, tempestivamente, em 03/11/2008 (fls. 2523/2556), no qual reiteram a impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo até a conclusão da ação penal pública nº 2006.70.0001229977, asseverando que aquele é o procedimento próprio para aferição de responsabilidade tributária da pessoa física, e observando que desconhecem as operações realizadas pela pessoa jurídica autuada, de modo que não têm como sustentar qualquer defesa de mérito, pedindo, assim, o aproveitamento em seu favor das razões de impugnação que por ela venha a ser apresentada. Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 9 8 Na seqüência, reputam indispensável a análise dos elementos existentes nos autos relativamente à responsabilidade que lhes foi impugnada, observando que assim procedia o Conselho de Contribuintes, bem como que nesta linha é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Assevera que a não apreciação de matéria aduzida em sede de impugnação acarreta a nulidade da decisão de primeira instância, e assim requer a nulidade do acórdão prolatado. Ainda, reafirmam a alegação de cerceamento de direito de defesa por não terem participado do procedimento fiscal, defendem a nulidade do ato administrativo que autorizou a revisão do lançamento, argúem a decadência de parte do valor lançado, apontam equívocos na apuração do crédito tributário, afirmam inaplicável a multa majorada, alegam ofensa ao princípio do nãoconfisco, e se opõem à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. BSD Comercial Importadora e Exportadora Ltda interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/11/2008 (fls. 2572/2598), no qual, de forma semelhante ao recurso voluntário dos demais responsáveis, defende a nulidade do ato administrativo que autorizou a revisão do lançamento, aponta equívocos na apuração do crédito tributário, afirma improcedente a multa agravada, e argúi ofensa ao contraditório e à ampla defesa por ausência de motivação idônea para aplicação da penalidade. Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre, preliminarmente, apreciar a argüição de nulidade da decisão recorrida, apresentada pelos responsáveis tributários em razão da não apreciação de matéria aduzida em sede de impugnação acerca da responsabilidade que lhes foi imputada no lançamento. Vejase que tais recorrentes estruturam sua defesa de modo a primeiramente pleitear a suspensão do processo administrativo até a conclusão da ação penal pública nº 2006.70.0001229977, na medida em que seria esse o procedimento próprio para aferição de responsabilidade tributária da pessoa física. Todavia, tal suspensão também foi argüida em impugnação, e à semelhança dos demais argumentos atinentes à responsabilidade tributária, também não apreciada. Por esta razão, aquela argüição é prejudicial à análise do pedido de suspensão do processo. No voto condutor da decisão recorrida constam os seguintes argumentos para afirmar a incompetência da Turma Julgadora para apreciação da responsabilidade tributária imputada aos recorrentes: Necessário se faz recordar que o processo administrativotributário materializa um instrumento de controle da legalidade do ato administrativo. Por sua vez, legalidade significa obediência aos expressos termos da lei. Assim sendo, o controle da legalidade abrange não só o exame da forma do ato (lançamento), como também a análise de todos os seus elementos: manifestação de vontade, motivo, forma, objeto, inclusive e, especialmente, o seu conteúdo e mérito. No campo tributário, o mérito deverá ser visto sob a perspectiva da realidade fática subsumida aos comandos da hipótese descrita na lei. Daí decorre que o controle passe efetivamente pelo exame da legalidade, legitimidade, regularidade e conformidade com os precisos termos da lei que autoriza e regula a sua forma e conteúdo, competência para a sua execução e até mesmo a correção do ato original, quando houver inexatidão ou incorreção na apuração do fato jurídico tributável pela autoridade fiscal. Todos esses aspectos, contudo, dizem respeito à relação de natureza tributária objeto do lançamento. Este, aliás, na dicção do art. 142 do Código Tributário Nacional, é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Significa, portanto, que o exame da legalidade do lançamento a ser exercido na esfera administrativa fica restrito a esses aspectos. Não pode o julgador administrativo, encontrandose o contribuinte perfeita e incontroversamente identificado – como no caso em questão, na empresa BSD –, ir além e declarar a existência ou inexistência de responsabilidade solidária de terceiros. Em princípio, a circunstância de haverem sido arrolados responsáveis solidários autoriza a formação de litisconsórcio passivo no momento da cobrança do crédito. Nesse momento, portanto, será apropriado discutir se aquelas pessoas físicas Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 11 10 possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. É necessário registrar, portanto, que não somente o momento, mas também a autoridade incumbida de decidir essa questão, será outra, ou seja, o Poder Judiciário. Assim, o registro constante do termo de declaração de sujeição passiva é uma mera informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição do débito em dívida ativa. Como se sabe, o CTN, art. 202, I, determina que o termo de inscrição da dívida ativa indicará o nome do devedor e, sendo o caso, o dos coresponsáveis. Essa mesma disposição consta do § 5º do art. 2º da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que regula o processo de inscrição e cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. Por outro lado, o § 4º do mesmo artigo estipula que a Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim sendo, fácil é de concluir que caberá à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão incumbido da inscrição da dívida ativa, a análise das circunstâncias relatadas pela fiscalização e, entendendo que aqueles senhores realmente se encontram na condição prevista no CTN, art. 124, I, fazer constar seus nomes como responsáveis. Em hipótese contrária, proceder de forma diversa. Por óbvio, esse é um juízo de valor dos senhores Procuradores, em face dos elementos carreados para os autos pelo Fisco, ou de outros a que vierem ter acesso. Assim sendo, não estão dependentes de entendimentos anteriormente emanados a respeito, seja pelas Delegacias de Julgamento, seja pelo Conselho de Contribuintes. Demonstrado está, portanto, que não se trata de matéria que deva ser apreciada por qualquer dessas instâncias julgadoras. É necessário recordar, ainda, que o fato de constar da Certidão de Dívida Ativa o nome de alguém como coresponsável não significa que essa pessoa estará definitivamente revestida dessa condição. Isso porque, como se sabe, por força do art. 3º da Lei nº 6.830, de 1980, a Dívida Ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez. Todavia, o parágrafo único desse mesmo artigo ressalva que essa presunção é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca em contrário. Concluise, portanto, que, ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional entenda que as pessoas mencionadas como coresponsáveis pelo crédito tributário devem efetivamente por ele responder, a última palavra a respeito caberá ao Poder Judiciário. Apenas nesse momento será cabível discutir se a situação fática determina a existência desse vínculo obrigacional. Assim, este Colegiado não dispõe da necessária competência para analisar a pretendida exclusão daqueles senhores do pólo passivo do auto de infração e afastar a imputação de responsabilidade solidária, como solicitado. Assim sendo, devese abster de emitir julgamentos a respeito. Também, pelo mesmo motivo, desnecessário o sobrestamento do feito até a conclusão da ação penal citada na impugnação. (negrejouse) Por outro lado, a autoridade lançadora relata que a pessoa jurídica autuada é constituída por interpostas pessoas, uma delas, inclusive, pessoa jurídica de origem uruguaia (Vizzel Corp. Sociedade Anônima), prática comum do Grupo Sundown (posteriormente denominada Exteima), de propriedade da família Rozenblum Trosman, para promover sonegação fiscal e importação fraudulenta. Acrescenta que a pessoa jurídica autuada sofreu apreensão de mercadorias estrangeiras em 2003, por ocultação do sujeito passivo, e submeteu se a conseqüente processo de inaptidão iniciado em 30/07/2004 e concluído em 25/05/2005; recebeu estoques transferidos de outra empresa do grupo em 2002; firmou contrato de licença Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 12 11 de uso de marcas com outra empresa do grupo; e apresentava evidências de ser administrada por Rolando Rozenblun Elpern e Isidoro Rozenblum Trosman. Assim, tendo em vista a ligação de interesse comercial entre a fiscalizada e as empresas do grupo Sundown e as ligações pessoais entre os sócios da BSD Industrial Importadora e Exportadora Ltda e os proprietários e administradores das empresas do grupo Sundown, a autoridade fiscal concluiu pela sujeição passiva solidária dos recorrentes em relação aos créditos tributários apurados nos anoscalendário 2003 e 2004. Ainda, a interposição de pessoas, associada às infrações continuadas, motivou a qualificação da penalidade. Resulta, daí, que o procedimento fiscal promoveu a inclusão dos responsáveis tributários no pólo passivo da obrigação tributária, e de forma solidária, ou seja, ao lado da pessoa jurídica e no momento da prática do fato gerador. Tais pessoas, portanto, foram integradas à relação jurídica tributária como sócios ocultos, praticantes do fato gerador, e não apenas como responsáveis pelo crédito tributário. Neste sentido, inclusive, questionaram o próprio crédito tributário constituído em suas impugnações, e não meramente o vínculo de responsabilidade. A autoridade julgadora de 1a instância, porém, limitou a análise das defesas aos aspectos de mérito do crédito tributário. Em tais condições, a própria Receita Federal do Brasil, por meio da Portaria RFB nº 2274/2010, posteriormente à decisão recorrida, determinou a ciência dos autos aos responsáveis, bem como a abertura de prazo de impugnação para questionamento não só do crédito tributário, como também do vínculo de responsabilidade: Art. 1º Os processos de determinação e exigência de créditos tributários relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nas hipóteses em que houver pluralidade de sujeitos passivos, serão disciplinados conforme o disposto nesta Portaria. Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. [...] Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 13 12 § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. § 5º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. § 6º Se um dos autuados pedir parcelamento ou compensação do crédito tributário lançado, aplicase o disposto no art. 5º ou no art. 6º, respectivamente. [...] (negrejouse) E, nesta esteira, também o CARF já apresenta jurisprudência pacificada por meio da recente edição da Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Necessário se faz, portanto, o retorno dos autos à 1a instância administrativa de julgamento, para apreciação dos questionamentos dos responsáveis acerca das demais imputações feitas pela Fiscalização. Considerando que, dentre os argumentos não apreciados está a própria suspensão do processo administrativo, imperioso se mostra anular integralmente o julgamento de 1a instância. Por esta razão, é desnecessário apreciar, neste momento, o recurso interposto pela autuada BSD Comercial e Exportadora Ltda, devendo serlhe oportunizada nova defesa caso a nova decisão de 1a instância lhe seja desfavorável. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de ANULAR a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.002743/200847 Acórdão n.º 1101000.905 S1C1T1 Fl. 14 13 Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000581/2003-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998
AUDITORIA INTERNA NA DCTF. CSLL. COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS EFETUADA ANTES DE OUTUBRO DE 2002.
A compensação administrativa de créditos decorrentes de decisão judicial requisita o trânsito em julgado da sentença e a participação da autoridade fiscal, que atentará para os estritos termos do comando imposto pelo Judiciário. Ainda que o encontro de contas se faça unilateralmente, ao pretexto de efetivação na seara do lançamento por homologação, há de apresentar pressupostos mínimos de validade, como a quantificação dos indébitos e, notadamente, os lançamentos contábeis tendentes à identificação das dívidas anuladas e a época do evento.
AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO.
Interpretando a decisão constante no Acórdão do TRF da 3a Região restou claro que embora tenha sido excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD). Fazendo-se a atualização pela TRD não existe saldo credor e sim devedor, motivo pelo qual não se homologou a compensação.
Numero da decisão: 1401-001.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. CSLL. COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS EFETUADA ANTES DE OUTUBRO DE 2002. A compensação administrativa de créditos decorrentes de decisão judicial requisita o trânsito em julgado da sentença e a participação da autoridade fiscal, que atentará para os estritos termos do comando imposto pelo Judiciário. Ainda que o encontro de contas se faça unilateralmente, ao pretexto de efetivação na seara do lançamento por homologação, há de apresentar pressupostos mínimos de validade, como a quantificação dos indébitos e, notadamente, os lançamentos contábeis tendentes à identificação das dívidas anuladas e a época do evento. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO. Interpretando a decisão constante no Acórdão do TRF da 3a Região restou claro que embora tenha sido excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD). Fazendo-se a atualização pela TRD não existe saldo credor e sim devedor, motivo pelo qual não se homologou a compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
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CSLL. COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS EFETUADA ANTES DE OUTUBRO DE 2002. A compensação administrativa de créditos decorrentes de decisão judicial requisita o trânsito em julgado da sentença e a participação da autoridade fiscal, que atentará para os estritos termos do comando imposto pelo Judiciário. Ainda que o encontro de contas se faça unilateralmente, ao pretexto de efetivação na seara do lançamento por homologação, há de apresentar pressupostos mínimos de validade, como a quantificação dos indébitos e, notadamente, os lançamentos contábeis tendentes à identificação das dívidas anuladas e a época do evento. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO. Interpretando a decisão constante no Acórdão do TRF da 3a Região restou claro que embora tenha sido excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD). Fazendo se a atualização pela TRD não existe saldo credor e sim devedor, motivo pelo qual não se homologou a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 05 81 /2 00 3- 03 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13890.000581/200303 Acórdão n.º 1401001.171 S1C4T1 Fl. 600 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13890.000581/200303 Acórdão n.º 1401001.171 S1C4T1 Fl. 601 3 Relatório Tratase de auto de infração de CSLL relativo aos 2° e 3o trimestres de 1998, lavrado em decorrência de irregularidades constatadas em auditoria interna de DCTF, no montante de R$221.042,75 (fls. 7). Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, onde alegou que o tributo exigido foi compensado com indébitos do IRPJ, de CSLL e de ILL, todos do períodobase de 1991, decorrentes do reconhecimento judicial de inaplicabilidade, naquele período, do indexador monetário denominado UFIR, já transitado em julgado, consoante autos do processo n° 93.00067710 que tramitou na 9a Vara da Justiça Federal em São Paulo. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) não acolheu a impugnação, com base nos seguintes fundamentos: Os documentos trazidos não revelam nenhuma autorização judicial para proceder ao " encontro de contas. A decisão judicial apenas declarou que atualização pela UFIR prevista na Lei n° 8.383/1991 teria eficácia a partir de 01/01/1993. Já vigia na época da petição requisitando a ciência da decisão judicial à autoridade fiscal, a IN n° 21/1997, a qual estipulou que em se tratando de créditos decorrentes de decisão judicial, a compensação requisita, além do trânsito em julgado da sentença, também o requerimento à autoridade fiscal. Não desejando a contribuinte liquidar a sentença que lhe foi favorável no Judiciário, optando, em decorrência pela compensação junto à Administração, seja no encontro de contas de tributos de mesma espécie, seja na de espécies distintas, se faz necessária obediência aos termos postos na legislação fiscal. A recorrente não logrou comprovar o cumprimento destas disposições, nem tampouco possuir a decisão judicial os contornos pretendidos pela impugnante, a alegada compensação é inservível ao adimplemento da exigência. Incumbe à contribuinte apresentar a formalização contábil dos créditos, aí incluídas as atualizações e amortizações, bem como, as anulações das dívidas fiscais, notadamente a perfeita identificação delas, já que o tributo se repete mês a mês, enquanto perdurar a empresa em suas atividades, de sorte a evitarse a figura do "cheque em branco", oponível sempre que o Fisco intentar cobranças. No caso dos autos, em tema de provas contábeis da compensação, nada foi apresentado. Ouso discordar do respeitável entendimento da autoridade preparadora inserto às fls. 96/98, inclusive na quantificação do possível crédito da impugnante, pois, ao tomar as duas primeiras quotas dos tributos devidos em 1992 a cifras fixas, desconsiderou que o v. Acórdão do TRF/33 Região, embora tenha excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD). Remanesce, em essência, que os créditos que a recorrente julga possuir não foram comprovados, de sorte que pertine a exigência fiscal. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13890.000581/200303 Acórdão n.º 1401001.171 S1C4T1 Fl. 602 4 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, no qual alega em síntese que: a) Em novembro de 1997 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira foi regularmente intimada da decisão judicial e informada de que os valores recolhidos a maior seriam objeto de compensação com débitos existentes. b) A recorrente pessoa jurídica optante pelo regime tributário do lucro presumido e tendo como única documentação contábil seu Livro Caixa, diante de sentença reconhecendo um direito de crédito, compensou referido valor lançandoos diretamente em DCTF's. c) A decisão que reconheceu o direito da recorrente em não recolher os referidos tributos, ano base 1991, pela correção da UFIR, transitou em julgado em 14/05/1997. d) Tendo sido reconhecido judicialmente um direito do ora recorrente, com o seu respectivo trânsito em julgado, não pode haver nenhuma espécie de dúvida quanto à sua validade. e) A recorrente apenas agiu de forma equivocada ao declarar valores a serem compensados em DCTF's, não os realizando via pedido de compensação, cometendo um erro totalmente passível de correção. f) O fato de o contribuinte incorrer em erro não justifica a atitude da autoridade administrativa em proceder ao lançamento e imediata cobrança desses valores, devendo o erro ser corrigido de oficio. g) Requer o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que o contribuinte apenas incorreu em equívoco ao preencher suas declarações, bem como da existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo seu direito creditório. Resolveram os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos seguintes termos, naquilo que é relevante: (...) b) verificar a liquidez e certeza do crédito de CSLL recolhido a maior em 29/05/1992, observandose que o acórdão do TRF/33 Região, "embora tenha excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD)". , c) verificar a liquidez e certeza de eventuais créditos de CSLL que foram objeto dos parcelamentos mencionados pela autoridade administrativa no despacho de fls. 96/98, observandose que o acórdão do TRF/3a Região, "embora tenha excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD)". d) verificar se os créditos de CSLL foram utilizados para compensar outros débitos pela recorrente, ou se ocorreu sua compensação de ofício pela autoridade administrativa. Às fls. 527/544, consta retorno de diligência desfavorável à Recorrente Fl. 603DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13890.000581/200303 Acórdão n.º 1401001.171 S1C4T1 Fl. 603 5 Às fls. 566/569 consta a manifestação de inconformidade contra o retorno de diligências. O seu inconformismo não se dá quanto aos cálculos feitos pelo fiscal, mas quanto à interpretação e alcance do que se entende por corrigir os créditos pela TRD. É o relatório. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13890.000581/200303 Acórdão n.º 1401001.171 S1C4T1 Fl. 604 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A validade do lançamento diretamente ligada à compensação alegada pela recorrente, bem como ao próprio crédito utilizado na compensação. É que a Recorrente utiliza o instituto da compensação como argumento de defesa para infirmar os débitos confessados em DCTF. Pontos que considero incontroverso, nos autos: As ações judiciais não tratam de possível autorização para se proceder a qualquer tipo de restituição ou compensação. A decisão judicial apenas declarou que atualização pela UFIR prevista na Lei n° 8.383/1991 teria eficácia a partir de 01/01/1993. Mas, não disse só isso. Disse mais: o Acórdão do TRF/33 Região, embora tenha excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD). Vigia na época da petição requisitando a ciência da decisão judicial à autoridade fiscal, a IN n° 21/1997, a qual estipulou que em se tratando de créditos decorrentes de decisão judicial, a compensação requisita, além do trânsito em julgado da sentença, também o requerimento à autoridade fiscal, com abertura de um procedimento específico a fim de autoridade fiscal validar o pedido de compensação. Portanto, se optou o contribuinte por não liquidar a sentença que lhe foi favorável no Judiciário, mas sim fazer a compensação junto à Administração, se faz necessária obediência aos termos postos na legislação fiscal. Conforme fartamente explicitado pela DRJ, a recorrente não logrou comprovar o cumprimento destas disposições, pois não procedeu com a abertura de um procedimento administrativo pertinente. Também não apresentou a formalização contábil dos créditos, aí incluídas as atualizações e amortizações, o que por si só da ensejo à figura do "cheque em branco", que em tese poderia ser oponível sempre que o Fisco intentar cobranças. Outrossim, assim como posto também pela DRJ, discordo do entendimento da autoridade preparadora constante às fls. 96/98, procedendo inclusive com a quantificação do possível crédito da Recorrente, vejo que esse pronunciamento preliminar e de certa forma favorável à Recorrente naquele processo que intentava solucionar a inscrição irregular em dívida ativa, não vincula o presente processo. Apesar de não ser vinculante, não posso olvidar que o Acórdão do TRF/33 Região, embora tenha excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD) e que isso precisaria mesmo ser averiguado. Foi o que intentou a Resolução da Sétima Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes que converteu o julgamento do recurso em diligência, nos seguintes termos, naquilo que é relevante: (...) b) verificar a liquidez e certeza do crédito de CSLL recolhido a maior em 29/05/1992, observandose que o acórdão do TRF/33 Região, "embora tenha Fl. 605DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13890.000581/200303 Acórdão n.º 1401001.171 S1C4T1 Fl. 605 7 excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD)". , c) verificar a liquidez e certeza de eventuais créditos de CSLL que foram objeto dos parcelamentos mencionados pela autoridade administrativa no despacho de fls. 96/98, observandose que o acórdão do TRF/3a Região, "embora tenha excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD)". d) verificar se os créditos de CSLL foram utilizados para compensar outros débitos pela recorrente, ou se ocorreu sua compensação de ofício pela autoridade administrativa. Às fls. 527/544, consta retorno de diligência desfavorável à Recorrente nos termos que adiante se esclarecerá. Inicialmente a Fiscalização solicitou as seguintes providências por parte da Recorrente: (...) 8.1 Da existência, ou não, de processos judiciais movidos contra Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB que envolva direta ou indiretamente o IRPJ e reflexos, PIS/COFINS, ILL e CSLL; 8.2 Livros Diário e Razão (anoscalendários 1991 e 2011), nos termos do Decreto n° 3.000/99 (RIR), arts. 257 a 260 ou Livros Caixa, nos termos do Decreto n° 3.000/99 (RIR), arts. 527, parágrafo único, Lei n° 9.317/96, art. 7o, § 1o, "a", Lei Complementar n° 123/2006, art. 26, §2°; 8.3 Elaborar, em papel e em meio magnético, com as devidas explicações, Demonstrativo Analítico (lançamentos contábeis, controles auxiliares, comprovantes de pagamentos, parcelamentos, controles das compensações efetuadas, processos judiciais, índices de atualização utilizados, PER/DCOMPs, DCTFs, DIPJs) que justifiquem de janeiro de 1991 a junho de 2012 a liquidez e certeza dos créditos que foram apresentados na impugnação/defesa no processo 13890.000581/200303; (...) Apesar de a Recorrente não ter atendido totalmente o que lhe fora solicitado, principalmente a entrega dos livros contábeis solicitados, o que inviabilizou a verificação de que eventuais créditos teria já sido utilizados ou não, o Fiscal levou a bom termo a parte mais relevante da solicitação de diligência, concluindo ao final: Com relação a liquidez e certeza do crédito de CSLL de eventuais créditos de CSLL que foram objeto dos parcelamentos mencionados pela autoridade administrativa no despacho de fls. 96/98, e considerando o acórdão do TRF/3a Região, que embora tenha excluído a incidência da UFIR, manteve a cobrança da indexação ao índice da Taxa Referencial Diária (TRD), verificamos que não foi considerada a atualização pela TRD na apuração da compensação efetuada nas folhas 94/96, fazendose a atualização pela TRD não existe saldo credor e sim devedor, conforme tabelas abaixo: (...) A Seguir o Fiscal elaborou planilhas demonstrando detalhadamente a apuração do cálculo da correção pela TRD, chegando ao final com um saldo devedor, ao invés de saldo credor, ora pleiteado pela Recorrente. Às fls. 566/569 consta a manifestação de inconformidade contra o retorno de diligências. O seu inconformismo não se dá quanto aos cálculos feitos pelo fiscal, mas quanto à interpretação e alcance do que se entende por corrigir os créditos pela TRD. Segundo ela, afastado por decisão judicial o formato de cálculo estabelecido na Lei n° 8.383/91 e, retornando ao status quo, anterior qual seja, a aplicação da norma anterior que regulamentava o tema, não haveria qualquer previsão de utilização da TRD para fins de correção das quotas pagas dentro dos respectivos vencimentos, tal como ocorrido no caso em tela. É que fora Fl. 606DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13890.000581/200303 Acórdão n.º 1401001.171 S1C4T1 Fl. 606 8 considerado a indexação pela TRD como forma de substituição da UFIR, quando aquela somente poderia incidir sobre valores recolhidos após o vencimento das quotas, fato não consumado nos autos. Uma análise do Acórdão do TRF da 3ª Região, verificase que o mesmo é claro em afirmar o “Reconhecimento do direito do impetrante recolher o IRPJ s (anobase de 1991) pelo índice oficial da TRD”. A decisão foi assim ementada: TRIBUTÁRIO IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA LEI N° 8383/91 CIRCULAÇÃO DO DIÁRIO OFICIAL. 1 O Diário Oficial de 31/12/91, que publicou a Lei n° 8383/91, só veio a circular em 02/01/92, não podendo, assim, ter seus preceitos aplicados a fatos geradores ocorridos antes da edição da lei, sob pena de infringência ao princípio constitucional da anterioridade. 2 Reconhecimento do direito do impetrante recolher o IRPJ s (anobase de 1991) pelo índice oficial da TRD. 3 R e c u r s o de a p e l a ç ã o a que se dá provimento. Lendo o inteiro teor do referido Acórdão, vêse que a indexação da UFIR foi descartada em função do rompimento do princípio constitucional da anterioridade. O Relator deixou claro que referida indexação pela UFIR não representaria majoração de tributo, pois o índice visaria apenas a atualizar a base de cálculo do tributo deixandoa em equilíbrio com a inflação. Isso quer dizer que é coerente a interpretação implícita na solicitação feita pela Resolução da então sétima Câmara no sentido de entender que o status quo anterior seria a atualização do tributo pelo índice da TRD, então válido, para fazer face à inflação. O julgado não visou simplesmente beneficiar a Recorrente com a desoneração de qualquer tipo de correção monetária, afinal como se colocou retro, a norma que criou a UFIR apenas foi afastada em função por aspectos formais atinentes ao descumprimento do princípio da publicidade e da anterioridade. Assim, mesmo que abstraíssemos o descumprimento formal em relação à ausência de processo administrativo relativo à compensação, o que se viu foi que os créditos que a recorrente julgava possuir não foram comprovados. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 607DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10845.003415/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO.
Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO. Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/04/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 34 15 /2 00 5- 70 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 27/12/2005 a empresa VOLCAFÉ LTDA protocolizou Declaração de Compensação de débitos seus com créditos de Confins apurado no mês de junho/2005 (§ 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2003). A DRF em Santos SP indeferiu o pedido da recorrente, alegando falta de comprovação, por documentação hábil e idônea, dos créditos declarados, conforme Despacho Decisório DRF/STS 053/2008 de fls. 24/38. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas razões foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos: “1. A impugnante é empresa que tem como objetivo social predominante a exportação de café cru, atividade esta que, por força do disposto nos incisos primeiros dos art. 6° da Lei ii. 10.833/03 e 5° da Lei 10.637/01, não está sujeita ao recolhimento de PIS e COFINS e [...] este crédito poderá ser aproveitado para liquidação de obrigações tributárias das próprias contribuições e dos demais tributos arrecadados pela Delegacia da Receita Federal. “2. Assim, desde a vigência da referida norma, a Impugnante aproveita os créditos que tem e faz a compensação com os demais tributos que deveria recolher, obedecendo às obrigações acessórias que as normas impõem. “3. [...] a Impugnante foi intimada em 06/02/2006 [...] sobre a abertura do procedimento de fiscalização [fls. 124 a 127] [...]. “4. Em 15/02/2006, a pedido verbal do Sr. Fiscal, foram entregues cópias de DARFs, DCTFs e DACONs, e dos procedimentos fiscais Vs 15983.000109200511 COFINS e 15983.0001092005 76 PIS [fls. 128a 198, 202 a211] [...]. “5. Novamente houve unia solicitação de documentos pela fiscalização [fls. 212 e 213] [...] em 03/04/06 [.. .]. Tais documentos foram apresentados em 16/05/2006 [fls. 214 a 254] [...]. “6. Em 31/06/2006 a Impugnante foi intimada a apresentar novos documentos e aprestar informações [fls. 255 e 256] [...], o que fez por força de carta endereçada ao Sr. Fiscal [fls. 257 a 260] [...]. [...] [e] a pedido verbal do mesnio fiscal, a Impugnante apresentou em 18/08/06 informações complementares àquelas anteriormente requeridas [fls. 261 e 262] [...]. Mais uma vez, [...] a Impugnante apresentou ao Sr. Fiscal em 25/08/06 as mesmas informações anteriormente passadas [fls. 263 e 264] [...]. “7. Em 01/09/2006 a Impugnante foi intimada a apresentar novos documentos [fls. 265] [...], o que foi atendido em 12/09/2006 [fls. 266 a 276] [...] e em 14/09/2006 — por meio eletrônico [lis. 277 a 281] [...]. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 4 3 “8. Apurado pela Impugnante erro no preenchimento de declaração de compensação, a Impugnante pediu, em 22/09/06, a suspensão do procedimento fiscal até que fosse refeita a declaração [fls. 282] [...]. “9. [.. .] em 26/09/2006 foi encerrada a fiscalização [fls. 283] [...]. “10. [...] a Impugnante, em 27/09/06, encaminhou [...] o pedido de correção da compensação [fls. 284 a 288] [...]. Os referidos documentos foram entregues em 05/10/06 [fls. 289 a 296] [...]. “11. Em 21/11/06 foram apresentado pela Receita Federal novos formulários retificadores [fls. 297 a 299] [...] que foram entregues em 28/11/2006 [fls. 300 a 327] [...]. “12. Mesmo antes de encerrar completamente a fiscalização atinente aos períodos anteriores, a Impugnante foi intimada, em 15/10/07, da abertura de nova fiscalização, com idênticos objetivos, quais sejam, a apuração da exigência de créditos compensáveis de PIS e COFINS [fls. 328 a 330]. [...]13. Atendendo ei intimação que fora fella [...] no dia 30/10/2007 funcionários da Impugnante [fls. 331 a 334] compareceram Delégacia da Receita Federal, portando todos os documento solicitados pela intimação [fls. 331]. [...] Ao ver a quantidade de documentos apresentados pela Impug,nante, o Sr. Fiscal cdegou que não tinha condições de recebêlos e disse que [...] deviam retornar à empresa onde seriam analisados posteriormente. No mesmo dia, o Sr. Fiscal ligou para a empresa informando que iria auditor os documentos, sendo informado que os mesmos estavam à disposição [...] dentro da empresa. “14. [...] mesmo sem comparecer ir sede da Impugnante para dar andamento na fiscalização, o Sr. Fiscal, ern 15/12/2007, apresentou nova intimação, dando prazo de 10 dias para o cumprimento da obrigação anteriormente atendida, mas que ficou a mercê de conclusão por imposição do próprio fiscal [fls. 335] [...]. Nesta oportunidade, [...] não foi requerida a apresentação dos documentos, mas apenas, nos termos da própria intimação: “ ‘(..) Colocar à disposição do FISCO, para entrega imediata (no prazo ora fixado), quando solicitado, (..)’ “15. [.. .] a Impugnante apresentou requerimento de prorrogação do prazo [fls. 336] [...]. • 16. Em 17/01/2008, o Sr. Fiscal solicitou o encaminhamento das planilhas de compensação para o seu email particular [...] coin fins de terminar a apuração dos créditos, o que foi feito através do contador da empresa [...]. “17. No dia 05/02/2008 a Impugnante recebeu um ""Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF"" [fls. 339] [...], prorrogando a fiscalização até 05/04/08. “18. [...] em 07/02/2008, [...] a Impugnante recebeu do Sr. Fiscal um ""Termo de Encerramento de Ação Fiscal"" [fls. 338] [...]. “19. [...] a Impugnante apresentou junto à Delegacia da Receita Federal no dia 13/03/2008 correspondência informando sobre os fatos ocorridos e sobre a apresentação dos documentos solicitados, reafirmando que todos os documentos estavam à disposição da fiscalização para análise [fls. 340] [...]. “20. [. ..] [o interessado] não soube que encerramento era este e por que de encerrar a fiscalização sem que os livros tivessem sido vistoriados pela Autoridade Fiscal. Ainda mais confuso é o termo de encerramento praticamente concomitante ao de prorrogação. Atentese para o fato que a petição [fls. 340] foi protocolada antes do Fl. 946DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 5 4 prazo dado na ""prorrogação"" e antes de lavrada a declaração de não homologação pela Receita Federal. “21. [...] em 25/04/2008, a Impugnante recebeu as decisões [...],dando por não homologadas as compensações por falta de apresentação dos documentos solicitados, embora a Impug,nante tenha sempre zelado com esmero na apresentação de todos os documentos que lhe foram solicitados. “22. [...] a prorrogação somente se operou por solicitação do Sr. Fiscal e que o mesmo, anteriormente, ainda quando do inicio do segundo procedimento fiscal, havia recebido na própria delegacia — e devolvido — todos os documentos necessários (2. auditoria. “23. [...] a Impugnante sempre que intimada apresentou todos os documentos e informações que se fizeram necessárias, e são prova disso os documentos que acompanham a presente [manifestação de inconformidade], nunca se furtando ao atendimento de suas obrigações [...]. “24. É direito do contribuinte a utilização dos créditos fiscais de PIS/COFINS havidos pelas vendas não tributadas, conforme preceituam as leis 10.637/01 e 10.833/03. [. ..] “25. [...] sendo a Impugnante empresa eminentemente exportadora, tem acumulados créditos e tem o direito de utilizálos para a compensação dos débitos futuros, cabendo apenas fiscalização o direito de averiguar as origens dos créditos. “27. Sustentam as assertivas trazidas nas razões impugnadas que não basta a existência de créditos para que se operem as compensações, mas estes devem ser provados. Porém, prova há e só a administração assim não quis ver. “28. [...] prova há, e suficiente, do zelo da Impugnante em promover o correto processamento da fiscalização. Porém há evidência da falta de eficiência da fiscalização [...]. [...] mas fato é que quem não levou ao fim os trabalhos foi a fiscalização. esta sempre sinalizou com informações pouco precisas, inclusive. “29. Não se sabe ao certo como foram prestadas as informações de fls. 90, posto que os livros estiveram sempre à disposição da fiscalização que não os vistoriou, sendo que apenas as informações que foram passadas por email, para o endereço particular do Sr. Fiscal é que podem ter sido analisadas. Porém, sem o exame das bases de cálculo que compuseram tais números. “30. Estas informações são contraditórias às auditorias independentes que examinaram os documentos fiscais da Impugnante (conforme cópia do resumo Docs. 1C e 2C), dos mesmos períodos vistados pela fiscalização. [...] se tivesse [a fiscalização] o mesmo zelo dos auditores independentes, não teria chegado a outra conclusão que não aquela de que os créditos existiam e que eram passíveis de compensação. “31. Em relação à ação fiscal que sofreu a Impugnante, ficou claro o mau comportamento da fiscalização colocando de lado o principio da impessoalidade na ação fiscal, em total agressão ao principio constitucional da Moralidade e às normas preceituadas pela Lei 9.784/99 [...]. “32. Fora os dois incisos retirados do texto [é dizer, do art. 2° da Lei n.° 9.784/99], todos os demais, parcial ou totalmente, foram agredidos pela ação fiscal, que não se baseou na moralidade, entendida esta como comportamento ético, legal e transparente do administrador frente ao administrado. [...]33. [...] a mesma lei Fl. 947DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 6 5 9.784/99, exige que o Administrado seja respeitado e lhe seja permitido atender as exigências da forma menos gravosa possível, inclusive que os documentos que este faculte a administração sejam examinados, tendo total ciência e informação do ocorrido, conforme disposto no art. 3°. “34. [...] o art. 4° da mesma lei, impõe como dever ao administrador, não agir de forma temerária de modo a impedir ou dificultar a ação do contribuinte, ou não lhe manter informado sobre os procedimentos adotados, agindo também com lealdade e boafé. “35. Na forma do contido no art 16, IV do Decreto N.°.70.235/72, evidenciada a desídia da fiscalização na verificação dos livros e documentos fiscais da Impugnante e por economia processual, com fim de se evitar perecimento de direito, pede a Impugnante seja realizada perícia contábil, ou diligência para que se comprove a existência concreta dos créditos. “38. [...] espera a Impugnante seja julgada procedente a presente Impugnação para o fim de ser autorizada a compensação inicialmente requerida. “39. [...] protesta a Impugnante pela apresentação de documentos e planilhas para instrução da presente, na forma como prescrito no Art. 38 da Lei n.° 9.784/99, tendo em vista os mais de dez mil documentos referentes as origens dos créditos.” 4.1. Consta, além disso, às fls. 64 e 65 um rol de alegações do interessado acerca da condução da ação fiscal pela autoridade administrativa. A 9a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1620.907, de 27/03/2009, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PETIÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Cabe apreciar o pleito do contribuinte no que toca A matéria não submetida A apreciação da Justiça. Ocorre que, tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, apenas não se conhece da manifestação de inconformidade, quanto ao mérito, quando se tenha o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Constituição Federal de 1988. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Administração Pública, para assegurarlhe a autoridade necessária A consecução de seus fins, sãolhe outorgados prerrogativas e privilégios que permita assegurar a supremacia do interesse público sobre o particular. Entre estes privilégios temse a presunção da veracidade dos seus atos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 7 6 A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. É prescindível a perícia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes 6. formação da convicção do julgador para proferir sua decisão. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 17/04/2009, conforme AR de fl. 378, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 12/05/2009, com o recurso voluntário de fls. 379/393, no qual: 48. Alega a decisão recorrida que não é possível se atender ao pedido de prova em virtude de negativa geral do contribuinte, além de não haver no procedimento administrativo novas provas relativas ao direito de crédito. 49. Pois bem, a função do procedimento fiscal administrativo é se evitar que se mandem ao judiciário processos que poderiam ter se findado pela análise da administração. 50. Há nos autos vestígio de prova que não pode ser desprezado, sob pena de tornar a forma superior ao mérito. Agora a Recorrida junta nova prova que demonstra a má prática da Fiscalização, que reafirma o seu direito de provar que tinha crédito suficiente e apenas o Sr. Fiscal não buscou analisar os documentos que lhe foram facultados. 51. Da mesma forma, fincada no Art. 38 da Lei no 9.784/99, a Recorrente pediu a juntada de novos elementos para a instrução processual, que só estão sendo conseguidos agora. Verifiquese que o Sr. Fiscal esteve por mais de 2 anos em auditoria e não conseguiu efetuar seu trabalho. 52. Ainda, em breve a Recorrente juntará aos autos prova de Auditoria Externa Independente, já elaborada pela KPMG, mas ainda pendente de lavratura do termo final, que apurou a existência de crédito suficiente para a quitação dos tributos lançados pela Recorrente nas Per/DComp. 53. Assim, para que não se mantenha lançamento fiscal sem base contábil, reitera o pedido de perícia ou diligência, inicialmente formulado. Apresentou, também, cópia de proposta de prestação serviços profissionais firmada com empresa de auditoria, “para a revisão dos Pedidos Eletrônicos de Restituição/Compensação PER/DCOMP apresentados pela Volcafé à Receita Federal do Brasil RFB, referentes ao período de Dezembro de 2002 a Dezembro de 2007.” Fl. 949DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 8 7 Em 30/06/2009, a Interessada apresentou o requerimento com o resultado da referida auditoria em dois anexos, relativamente à regulação dos pedidos e aos demonstrativos de cálculos. Quanto à regularização, foram apresentadas considerações sobre a adoção de conta contábil única para registro dos créditos de PIS e Cofins e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS; sobre a compensação de débitos da Cofins utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP; sobre as compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e a sua regularização; sobre a necessidade de retificação das declarações; sobre a apresentação de PER/DCOMP em formulário papel para os períodos de janeiro e fevereiro de 2006, em desacordo com a IN SRF no 598, de 2005; sobre a elaboração de “pedidos de ressarcimento informando os créditos relativos a um único mês e com valor correspondente ao debito compensado”; sobre compensação não identificadas no livre Razão; sobre a apropriação indevida de despesas diversas para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2007 (PIS) e fevereiro de 2004 a janeiro de 2007 (Cofins); sobre a apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas, taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. Quanto aos cálculos, a auditoria apresentou demonstrativos resumidos. Na sessão do dia 23/08/2010, o julgamento foi convertido em diligência junto à DRF de origem, nos termos da Resolução nº 330200.051. A Fiscalização informou que o período de apuração deste processo foi trabalhado quando da realização da diligência solicitada no Processo nª 10845.003414/2005 25, de tal sorte que adota o mesmo relatório daquela diligência. No referido relatório, a Fiscalização informa que intimou a Interessada a apresentar documentação, e a mesma lhe foi apresentada em meio magnético e analisada por amostragem. Seguiuse intimação para apresentar documentação adicional e justificar valores apurados. Ainda relatou a Fiscalização: Verificamos em relação a situação dos fornecedores da VOLCAFÉ perante o cadastro CNPJ, que alguns encontramse na situação atual de INAPTA, SUSPENSA ou BAIXADA. Em relação às aquisições de cooperativas, a Fiscalização esclareceu o seguinte: Com base em informações prestadas pelas cooperativas e/ou nas DACON's, verificase que uma parcela pequena da receita foi oferecido a tributação do PIS e COFINS, não se podendo assegurar da inclusão dos valores relativos aos fornecimentos efetuados por estas cooperativas ao contribuinte (VOLCAFÉ). A partir daí a Fiscalização fez a apuração dos valores, analisando cada um dos adquirentes. Ainda reportouse às aquisições de pessoas físicas, a notas fiscais consideradas em duplicidade, valores contabilizados a maior, créditos não previstos em legislação (Despesas de Corretagem, Seguros (sobre transporte até o armazém, depósito em armazém e transporte do armazém ao porto), Despesas Diversas, Telefone, Taxa de Fl. 950DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 9 8 Manutenção de PABX, Despesas Bancárias, Comissões Bancárias, Taxa de Entrada em Armazém e Taxa de Saída de Armazém). Na sequência, passou a tratar dos questionamentos efetuados pelo Carf e pela DRJ, explicando o seguinte: 1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse último caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela Interessada). a) Como se pode observar do relato acima, a empresa não apresentou naquela oportunidade a composição dos créditos contabilizados (detalhado por nota fiscal). Nesta diligência, em atendimento a intimação fiscal apresentou inicialmente em CD relação compondo os valores contabilizados. Intimada a apresentar relação impressa devidamente assinada, a mesma, apresentou outras duas relações com alteração na composição. Diante disso foi diligenciado, tendo como base a primeira relação apresentada em CD, e cuja composição consta do anexo de n° 004. b) Em relação aos valores apurados pela auditoria, informamos que os valores são divergentes do apurado nesta diligência, considerandose as situações acima relatadas, com respeito a aquisições de sociedades cooperativas, créditos oriundos da aquisição de produtos em bolsa de mercadorias operadoras das negociações de estoques públicos (CONAB), aquisições de empresas com situação cadastral atual: inapta ou suspensa ou baixada, glosa de créditos presumidos nos meses de dezembro/02 e janeiro/03 (aquisições de pessoas físicas), notas fiscais em duplicidade, valores a contabilizado a maior em relação ao demonstrado pelo contribuinte e créditos calculados sobre insumos/despesas em desacordo com a legislação. 2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações de compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a). A adoção de conta única para registro dos créditos de PIS e COFINS e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS. Os registros contábeis referente aos créditos de PIS e COFINS foram efetuados em contas distintas: 115040000001 Créditos de Pis e 115040000003 Créditos da COFINS. Ocorreu que a contabilização do valor de R$ 3.518.916,04 compensado pelo contribuinte no mês de novembro/04, objeto do processo 10845.003528/2004¬94, foi efetuado na conta do COFINS, quando o correto seria parte (R$ 955.483,71) na conta do PIS e outra parte (R$ 2.563.432,33) na conta do COFINS. Diante das apurações constantes deste Relatório, este fato encontrase alterado, pois os valores dos créditos passíveis de compensação Fl. 951DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 10 9 apurado pela fiscalização diferem daquele apontado no Relatório da Auditoria Externa. b). Compensação de débitos da COFINS utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP. c). Compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e sua regularização. Em relação aos itens "b" e "c", da mesma forma, diante da apuração de outros valores, estes itens encontramse prejudicados. d). Compensações não identificadas no livro Razão. Referese a período (2006 /2007) não considerado nesta diligência, conforme anteriormente relatado. e). Apropriação indevida de despesas diversas para o período de dezembro de 2.002 a janeiro de 2.007 (PIS) e fevereiro de 2.004 a janeiro de 2.007 (COFINS). f). Apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas , taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. Em relação aos itens "g" e "h", os valores relativos aos créditos calculados sobre essas despesas/custos relativos estas contas, por falta de previsão na legislação, os mesmos estão sendo glosados. 3) Esclarecer se apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são f suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. Nos quadros demonstrativos de n° 006 e 007, deste Relatório encontramse demonstrados os resultados mensais de créditos de PIS EXPORTAÇÃO E COFINS EXPORTAÇÃO, passíveis de serem compensados, considerandose as glosas mencionadas neste Relatório. Em decorrência dessas glosas, os valores apurados divergem daqueles apurados pela Auditoria Externa. Em relação se os mesmos são suficientes para a compensação, cabe ao SEORT, manifestação à respeito. 4) Certidão de objeto e pé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais nela decisões proferidas. A certidão de objeto e pé referente ao processo 2008.61.04.0076581 (cautelar inominada) da 4ª Vara Federal de Santos, encontrase anexa a correspondência datada de 19/06/2012. Verificase nesta certidão, não ter havido nenhuma decisão proferida até então. A Seort elaborou relatório esclarecendo o seguinte: Fl. 952DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 11 10 b) Com relação a suficiência dos créditos acima demonstrados para compensação do débito constante da Declaração de Compensação apresentada pelo Recorrente, como o crédito apurado pela Fiscalização foi maior que o solicitado, o débito foi totalmente compensado. Não foi dado ciência do Relatório à Recorrente, mesmo tendo a Fiscalização determinado que essa providência fosse adotada pela SEORT. É o Relatório Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Conselheiro. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Considerando que esta mesma matéria foi objeto do Acórdão nº 3302 002.201 (Processo nº 10845.003415/200570), para o presente julgamento adoto os mesmos fundamentos de decidir do voto do Ilustre Conselheiro José Antonio Francisco, abaixo reproduzido na íntegra. Com a realização da diligência, várias das questões inicialmente apresentadas pela Interessada foram superadas e outras surgiram, à vista da apresentação da documentação. A situação é peculiar à vista de, inicialmente, a Interessada não haver identificado na documentação a origem dos valores que lhe confeririam o direito de crédito. Como a Fiscalização não foi clara na descrição desses fatos e a Interessada insistia em afirmar que tinha a documentação comprobatória, resolveuse converter o julgamento em diligência. Como resultado, as questões que são agora apresentadas a análise visam a apuração do crédito da Interessada, que não foi efetuada até o momento. Tratase de matéria de competência privativa da autoridade fiscal, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), art. 224. Ademais, admitindo, em tese, que a matéria pudesse ser apreciada no âmbito do Carf, haveria necessariamente supressão de instância, o que seria vedado pelas leis disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal. E, quando se falar, em “matéria” no parágrafo anterior, devese esclarecer que se trata de outra matéria em relação à originalmente apresentada no recurso da Interessada. A questão posta no recurso dizia respeito, primeiramente, à existência de prova do direito, razão pela qual os autos foram baixados em diligência. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003415/200570 Acórdão n.º 3302002.574 S3C3T2 Fl. 12 11 Essa foi a questão que levou ao indeferimento original e que veio à discussão no recurso. Portanto, realizada a diligência, o presente processo deve ser saneado, restabelecendo o contraditório apropriadamente. Para isso, a diligência deve servir de base à unidade de origem para que emita novo despacho decisório a respeito da declaração de compensação. Tal despacho decisório não poderá desconsiderar a documentação juntada aos autos com a diligência, nem a informação fiscal da Fiscalização e a chamada “manifestação de inconformidade” apresentada pela Interessada. Do indeferimento parcial ou total do direito de crédito e da não homologação das compensações, caberá direito a manifestação de inconformidade à DRJ. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de a Interessada ver o seu direito de crédito analisado com base na documentação apresentada e nas demais informações coletadas na diligência, por meio de novo despacho decisório da seção competente da unidade de jurisdição da RFB. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 954DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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