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Numero do processo: 10580.728990/2016-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, proposta pelo Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Vencida a Conselheira Relatora. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro para redigir o Voto Vencedor. A proposta de diligência foi realizada após a leitura do voto da Conselheira Relatora no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Allan Távora Nem (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, a conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, proposta pelo Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Vencida a Conselheira Relatora. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro para redigir o Voto Vencedor. A proposta de diligência foi realizada após a leitura do voto da Conselheira Relatora no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Allan Távora Nem (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, a conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 28 99 0/ 20 16 -9 0 Fl. 4085DF CARF MF Processo nº 10580.728990/201690 Resolução nº 3402001.624 S3C4T2 Fl. 877 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre autos de infração, relativos aos períodos de apuração de 04/2012 a 09/2013, para a exigência das contribuições não cumulativas de PIS/Pasep e Cofins, nos valores totais de R$ 20.761.493,98 e R$ 95.399.795,60, respectivamente, com juros de mora calculados até dezembro de 2016, em face da apuração de omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo dessas contribuições e de apropriação indevida de créditos, com base nos seguintes fatos e fundamentos: I.1. Das receitas de VPC e Outras Congêneres Da análise da planilha de apuração do PIS e da Cofins e da escrituração contábil verificouse a existência de verbas de propaganda e publicidade (VPC) dentre outras como a Equalização, o Rebate, o Bônus Performance, as Ações de Saldão, as Verbas Extras e Aniversários, os Mostruários, as Verbas para Ações Diversas, a Verba Trade e outras. Na sua totalidade é preestabelecida em uma percentagem do faturamento das vendas das referidas mercadorias adquiridas. Percebese que todas essas rubricas são referentes a ações de marketing e propaganda (com a exceção da Equalização). A RN estabelece como cláusulas comerciais previamente pactuadas com os fornecedores de mercadorias que serão vendidas nas instalações e sítios eletrônicos da fiscalizada. As verbas extras aos valores de fornecimento são vinculados a uma percentagem do total de vendas das mercadorias entregues, inferindose que, ao fornecer uma mercadoria, a equação comercial se faz pela soma do preço da mercadoria com certa porcentagem da venda total dessas mesmas mercadorias. Em nenhum momento a fiscalizada reconhece essa remuneração como uma receita, mas realiza a sua contabilização como recuperação de gastos com publicidade e propaganda, em uma conta retificadora. A RN realiza ações de marketing em seu nome destacando as mercadorias adquiridas nos veículos de comunicações e panfletos, cobra dos seus fornecedores uma remuneração préajustada, sendo remunerada pelo serviço de marketing que realiza. Não se trata de uma recuperação de custos. Diante desse contexto, temse configurada a remuneração, devido ao serviço de publicidade e propaganda, da RN realizados por seus fornecedores. A fiscalizada, em vez de contabilizar essas receitas em função das vendas, realiza o artifício contábil de abater essas verbas das obrigações perante os seus fornecedores. Ao receber em dinheiro por esse serviço, contabiliza como retificadora de seus gastos. No entanto, tratase de receita operacional por prestação de serviço, devendo, então, fazer parte da apuração do PIS/Cofins. Também não são descontos comerciais pois não são incondicionais. Mas previamente acordados em função direta como percentagem do resultado das vendas de cada mercadoria, sendo um "plus" no valor das obrigações do fornecedor perante a RN. I.2. Dos Créditos tomados sobre despesas de propaganda e publicidade sem amparo legal Não é possível a geração de créditos oriundos de serviços contratados de terceiros, mesmo de pessoa jurídica, se destinem a atividademeio do contratante. Assim, são excluídas do conceito de insumo as despesas de propaganda e publicidade, pois esses serviços não foram aplicados ou consumidos na produção de bens ou prestação de serviços da fiscalizada. Fl. 4086DF CARF MF Processo nº 10580.728990/201690 Resolução nº 3402001.624 S3C4T2 Fl. 878 3 I.3. Dos Créditos de PIS e Cofins tomados sobre as despesas diretas com vendas comissão de administradores de cartões Pela mesma razão, não assiste direito à fiscalizada de descontar créditos sobre as despesas de taxas de cartão de crédito, que não foram aplicadas ou consumidas na produção de bens ou prestação de serviços da RN. I.4. Créditos com Transferência de Estoques A transferência de estoque de uma empresa/filial para outra do mesmo grupo não gera o direito a crédito sobre essa remessa, pois essa mercadoria já foi creditada no momento da entrega realizada pelos fornecedores no primeiro estabelecimento. A interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: a) há erro de cálculo nas planilhas que subsidiaram o lançamento; b) os valores relacionados à VPC constituem meros ingressos de numerários visando a restituição de gastos/despesas conjuntas e, não sendo incorporados ao patrimônio da Impugnante, não podem ser considerados receita ou faturamento; c) a premissa utilizada pelos Auditores Fiscais de que a Impugnante teria prestado um serviço de publicidade e propaganda para o fornecedor/indústria leva a possibilidade de tal receita ser inteiramente deduzida da base de cálculo do PIS e da Cofins; d) os descontos a posteriori também não são configuram receitas, eis que não são reveladores da medida de riqueza ou exprimem a capacidade econômica da Impugnante, tratando se de descontos dados sem qualquer condicionante prédeterminada ou fórmula prédefinida e que visam recompor os custos; e) não existindo dúvidas quanto à essencialidade da despesa de comissão da administradora do cartão de crédito para a atividade financeira da Impetrante, há direito ao crédito nos termos do que dispõe o inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; f) da mesma forma, cabível o creditamento sobre a despesa com publicidade e propaganda em face da sua essencialidade; e g) se a operação de compra e venda das mercadorias do estoque da LIR Comércio Varejista de Eletrodomésticos Ltda. pela Impugnante constituise em hipótese de incidência tributária do PIS e da Cofins, o crédito dos tributos inerente às mercadorias que foram adquiridas para revenda pela última não pode ser vedado. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Da Inclusão das Verbas de Propaganda Cooperada (VPC) na Base de Cálculo do PIS e da Cofins Na modalidade não cumulativa das contribuições, a base de cálculo é a totalidade dos ingressos, a receita em sentido amplo. De outra parte, as receitas decorrentes de Verbas de Propaganda Cooperada (VPC) não foram contempladas dentre as previstas como passíveis de exclusão/dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins. Fl. 4087DF CARF MF Processo nº 10580.728990/201690 Resolução nº 3402001.624 S3C4T2 Fl. 879 4 Conforme contratos comerciais firmados, as Verbas de Propaganda Cooperada são préestabelecidas em uma porcentagem sobre o faturamento das vendas das mercadorias adquiridas junto ao fornecedor. Dessarte, não procede a alegação da Impugnante de que os valores relacionados à VPC constituem meros ingressos de numerários visando a restituição de gastos/despesas conjuntas. Conforme dispõe o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/64, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/1999), as recuperações de despesas são receitas e, como tal, inseremse no campo de incidência do PIS e da Cofins. A Interessada, que atua no comércio varejista especializado de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, não é considerada como agência de publicidade e propaganda e, portanto, não faz jus à exclusão da base de cálculo, das contribuições para o PIS e da Cofins, nos termos do art. 13 da Lei nº 10.925/2004. Dos Descontos para Equalização de Margem (Descontos a posteriori) Como o desconto é operacionalizado por meio de um lançamento contábil de crédito em conta de receita (e débito em conta de passivo), fica assim caracterizado o aumento patrimonial que, por seu turno, implica a ocorrência do fato gerador da receita. Resta evidente que tais “descontos” nada têm a ver com descontos incondicionais. Não obstante, certo é que, apenas na hipótese de que os descontos concedidos pelos fornecedores fosse considerado um desconto incondicional por eles concedidos – mas não o são –, é que poderia ser apartado, na contabilidade do fornecedor (e nunca da Contribuinte!), da apuração da base de cálculo das contribuições. A previsão da legislação é para a exclusão dos descontos incondicionais concedidos da base do vendedor, conforme art.1º, § 3º, inciso V, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Da Glosa de Créditos utilizados para Dedução das Bases de Cálculo do PIS e da Cofins 1. Das Comissões de Administração de Cartão de Crédito As despesas relativas ao pagamento dos serviços prestados pelas administradoras de cartões de crédito, ainda que necessárias ou usuais às atividades de comércio, não configuram insumos para fins de apuração de créditos das contribuições. Tais despesas também não estão listadas entre as hipóteses exaustivamente descritas na legislação de regência, passíveis de gerar crédito das referidas contribuições. 2. Das Despesas com Publicidade e Propaganda Da mesma forma, as despesas com publicidade e propaganda não guardam relação com o conceito de insumo, tendo, sim, a natureza de despesa operacional. 3. Dos Créditos inerentes a Transferência de Estoque A transferência de mercadoria de um estabelecimento de uma pessoa jurídica para outra do mesmo grupo não tem natureza de contraprestação em negócio jurídico que envolta a venda de mercadorias ou prestação de serviços, cessão onerosa e temporária de bens e direitos ou mesmo a remuneração de investimentos (aquelas hipóteses de aferição de renda tributável). Embora a Interessada alegue ter ocorrido uma operação de compra e venda de mercadorias para fins de revenda, não constam dos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovariam sua alegação, de forma a refutar as informações prestadas pela própria Interessada em sua EFDContribuições. Da Planilha de Cálculo do Auto de Infração Fl. 4088DF CARF MF Processo nº 10580.728990/201690 Resolução nº 3402001.624 S3C4T2 Fl. 880 5 Os demonstrativos apresentados na impugnação não comprovam erros de cálculo nas planilhas que subsidiaram o lançamento. A uma, porque os cálculos apresentados pela Impugnante não condizem com os valores contidos na Escrituração Fiscal Digital Contribuições, transmitida originalmente. A duas, porque os cálculos efetuados pela Impugnante se basearam na procedência das exclusões da base de cálculo das contribuições e dos créditos ora sob julgamento. Ademais, a Impugnante não especificou quais os erros foram cometidos no cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal. Cientificada dessa decisão em 27/06/2017, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/07/2017, em síntese, com as seguintes alegações e pedidos: Ante ao exposto, a Recorrente pleiteia que o presente recurso seja conhecido para: a) não sendo receita/faturamento, mas tão somente restituição dos valores gastos com publicidade e propaganda, reformar o acórdão prolatado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte e julgar improcedente o lançamento que incidiu o PIS e a COFINS sobre a VPC; a.1) se o entendimento dos Auditores Fiscais no sentido de ter sido prestado serviço de publicidade e propaganda para os fornecedores/indústrias persistir, deverá ser, ante a expressa dicção do artigo 13 da Lei Federal nº 10.925/2004 e do artigo 53 da Lei Federal nº 7.450/1985, permitido que as despesas de publicidade sejam deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS. b) não configurando receita, mas tão somente um desconto incondicionado que visa recompor os custos, reformar o acórdão prolatado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte e julgar improcedente o lançamento que incidiu o PIS e a COFINS sobre os descontos a posteriori; c) sendo essencial a atividade, restabelecer o crédito das despesas com as comissões das administradoras decorrentes das vendas realizadas por meio de cartão de crédito e, reformando o acórdão prolatado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, julgar improcedente o lançamento decorrente da glosa de tal crédito realizado no auto de infração; d) sendo essencial a atividade, restabelecer o crédito das despesas com publicidade e propaganda e, reformando o acórdão prolatado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, julgar improcedente o lançamento decorrente da glosa de tal crédito realizado no auto de infração; e) não se configurando em uma mera transferência e sim uma operação de compra e venda de mercadorias da LIR Comércio Varejista de Eletrodomésticos Ltda. para revenda, tendo, portanto, gerado receita tributável pelo PIS e pela COFINS, restabelecer o crédito sobre tais mercadorias e, reformando o acórdão prolatado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, julgar improcedente o lançamento decorrente da glosa deste realizado no auto de infração. É o relatório. Voto vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 10580.728990/201690 Resolução nº 3402001.624 S3C4T2 Fl. 881 6 Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Em meu entendimento não se faz necessária a diligência determinada pelo Colegiado para a apuração de créditos das contribuições da contribuinte sobre insumos em relação à Verba de Propaganda e Publicidade Cooperada (VPC), estando o processo pronto para imediato julgamento, conforme Voto de mérito lido na sessão de julgamento. O desconto de créditos das contribuições de PIS/Cofins sobre a aquisição de insumos no período de apuração é uma faculdade da contribuinte, que deverá, para exercêla, adotar os procedimentos previstos na legislação para tal. Em contrapartida poderá a autoridade administrativa da Unidade de Origem glosar ou admitir tais créditos e adotar as providências daí decorrentes, e, em contrapartida, poderá a contribuinte manifestar sua inconformidade com as glosas ou impugnar o lançamento delas decorrente, dando origem ao processo administrativo fiscal no qual o CARF é órgão de julgamento de segunda instância. No caso, a fiscalização apurou que a VPC não se enquadraria no conceito de recuperação de custos como informara a contribuinte, mas no de receita tributável, razão pela qual foram exigidas as contribuições de PIS/Cofins sobre esses valores. De outra parte, no recurso voluntário, não consta qualquer pedido específico da contribuinte em relação ao reconhecimento de direito creditório relativo aos insumos aplicados no serviço de propaganda e marketing prestado no âmbito da VPC aos fornecedores das mercadorias. O pedido da contribuinte neste tópico é exatamente o que se segue, constante ao final do Recurso Voluntário: a.1) se o entendimento dos Auditores Fiscais no sentido de ter sido prestado serviço de publicidade e propaganda para os fornecedores/indústrias persistir, deverá ser, ante a expressa dicção do artigo 13 da Lei Federal nº 10.925/2004 e do artigo 53 da Lei Federal nº 7.450/19851, permitido que as despesas de publicidade sejam deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS. E isso nada tem a ver com desconto de créditos das contribuições sobre insumos na prestação de serviços. O tratamento dado pelo art. 53 da Lei nº 7.450/85 c/c o art. 13 da Lei nº 10.925/2004, quando for o caso, é de exclusão da base de cálculo das contribuições das importâncias ali mencionadas, inclusive vedandose, expressamente, o "aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas". 1 LEI FEDERAL Nº 7.450/1985: Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. LEI FEDERAL Nº 10.925/2004: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Fl. 4090DF CARF MF Processo nº 10580.728990/201690 Resolução nº 3402001.624 S3C4T2 Fl. 882 7 Ademais, eventual direito creditório sobre insumos, acaso existente, só seria cabível após a decisão administrativa definitiva do presente processo que confirmasse a tese da fiscalização de que houve uma efetiva prestação de serviços. Assim, seja porque não há qualquer pedido da contribuinte no sentido da diligência determinada pelo Colegiado; seja porque o CARF não seria competente para analisar em caráter originário pedido de reconhecimento de direito creditório, o que acarretaria supressão de instância; ou seja porque a qualificação jurídica da VPC como prestação de serviços ainda está sob julgamento; entendi na sessão de julgamento pela desnecessidade da diligência proposta. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Voto vencedor Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Redator designado 1. Ouso divergir da douta Relatora do caso, o que passo a fazer nos seguintes termos. 2. Conforme se observa dos autos, em especial do recurso voluntário do contribuinte, percebese que um dos tópicos objeto da autuação é no sentido de que superado o tratamento jurídico dado pelo contribuinte aos valores recebidos a título de verbas de propaganda e publicidade (VPC) (redutor de custo) e, por conseguinte, mantida a premissa fiscal de que a receita auferida pelo contribuinte seria decorrente de prestação de serviço a título de publicidade e propaganda, deveria a fiscalização, ao apurar a base de cálculo da exação aqui tratada, levar em consideração os dispêndios necessários e essenciais utilizados na prestação deste serviço para fins de crédito e, consequentemente, reduzir o montante devido a título de tributo. 3. Acontece que, todavia, tal fato não foi considerado pela fiscalização no momento da apuração da presente exigência o que, na opinião deste colegiado, impede a devida análise do caso em comento. 4. Sendo assim, o motivo da presente diligência é no sentido de que: (i) caso o este colegiado considere eventualmente válida a qualificação jurídica dos fatos aqui apurados (VCP), ou seja, o seu tratamento como receita de publicidade e propaganda, que a unidade preparadora (i.i) apure, analiticamente, quais seriam os dispêndios essenciais e necessários (nos termos do REsp repetitivo n. 1.221.270) empregados para a prestação de tal serviço; bem como (i.ii) qual o impacto da aquisição de tais insumos e os créditos daí decorrentes na apuração das exações aqui tratadas no presente tópico da discussão e, por conseguinte, o impacto que isto causaria no valor da exigência fiscal aqui tratada. 5. Por fim, uma vez realizada a diligência acima, Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 10580.728990/201690 Resolução nº 3402001.624 S3C4T2 Fl. 883 8 (ii) o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 6. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 4092DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.905217/2009-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Os serviços médicos de atendimento em consultórios, prestados em clínicas médicas, não podem ser considerados como serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 8%. O ônus da prova para comprovação da prestação de serviços com estrutura equiparada ao serviço hospitalar é do contribuinte. Na falta de comprovação de equiparação, não há que se falar de direito creditório baseado em suposto recolhimento a maior baseado na aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32%, principalmente quando o contribuinte modifica o objetivo social para acrescentar a prestação de serviço ambulatorial anos após os recolhimentos efetivados.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.548
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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MARCELO G. REIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Os serviços médicos de atendimento em consultórios, prestados em clínicas médicas, não podem ser considerados como serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 8%. O ônus da prova para comprovação da prestação de serviços com estrutura equiparada ao serviço hospitalar é do contribuinte. Na falta de comprovação de equiparação, não há que se falar de direito creditório baseado em suposto recolhimento a maior baseado na aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32%, principalmente quando o contribuinte modifica o objetivo social para acrescentar a prestação de serviço ambulatorial anos após os recolhimentos efetivados. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 52 17 /2 00 9- 24 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 125 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 101/107) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo, apenso ao Processo n.º 10580.905929/200943 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 94/97), proferida em sessão de 30 de agosto de 2013, consubstanciada no Acórdão n.º 1142.466, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 25/27) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 09/04/2009 (efl. 21), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 08856.42897.240406.1.3.047916 (efls. 02/06), transmitido em 24/04/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 126 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto. Através de despacho emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal identificou integral utilização anterior do pagamento, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que apurou o imposto a pagar com o percentual de presunção de 32%, enquanto o correto seria de 8%. Diz que, por equívoco, deixou de retificar a DCTF oportunamente. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 7.774,18, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2001 2089 R$ 7.774,18 31/07/2001 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3058540728 R$ 7.774,18 DB: cód 2089 PA 30/06/2001 R$ 7.774,18 Valor Total R$ 7.774,18 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 127 4 Principal: R$ 1.846,61 Multa: R$ 369,32 Juros: R$ 664,77 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito objeto da irresignação e, por conseguinte, não homologando a compensação no limite do crédito objeto do inconformismo, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF n.º 077, de 24 de julho de 1998; 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados. Alega a inconformada que se equivocou no percentual de presunção do lucro, pois desenvolve serviços hospitalares, aduzindo que retificou a DCTF posteriormente à decisão denegatória. A Solução de Divergência Cosit n.º 10, de 14 de setembro de 2007, traz as seguintes conclusões acerca do tema: (...) Isto posto, concluise que, para ser considerado prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, e do percentual de 12% (doze por cento), para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, o estabelecimento assistencial de saúde deverá atender cumulativamente aos seguintes requisitos, previstos no art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1.º da IN SRF n.º 539, de 2005: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1.º da IN SRF n.º 539, de 2005, ou, no caso da atribuição “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia”, exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC n.º 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC n.º 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC n.º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n.º 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n.º 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 128 5 Relevese que a disponibilidade do crédito pleiteado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Se a retificação somente foi promovida após exarado o despacho, como admite a interessada, cabialhe o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. Entretanto, não há, nos autos, comprovação de que a interessada efetivamente seja prestadora de serviços hospitalares, nas condições da legislação regente. Como a simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, temse que quando da transmissão do PER/DCOMP em análise o crédito não existia, já que o pagamento estava integralmente vinculado a débito declarado pela contribuinte em DCTF. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. No recurso voluntário (efls. 101/107), em apertada síntese, invocando os princípios da legalidade objetiva e da verdade material, o contribuinte argumenta que exerce a atividade de prestação de serviço médico ambulatorial, com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos serviços hospitalares. Por isso, diz que se equivocou no recolhimento tributário, pois ao invés de imputar o percentual de 8% do Lucro Presumido o fez em base maior (32%), pelo que teria crédito a restituir passível de posterior compensação. Sustenta que retificou a DIPJ e a DCTF por se enquadrar no conceito de "serviços hospitalares". Pondera, também, que a decisão de primeira instância não reformou o despacho decisório com base na premissa de que a DCTF retificadora foi posterior ao despacho decisório e pelo fato de não terem sido apresentadas provas para satisfazer a comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Neste prisma, alega que a retificação da DCTF e da DIPJ são permitidas, face a verdade material e jurisprudência administrativa. Por sua vez, a exigência de provas para comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido não poderia ser levada em consideração, pois o cerne da questão que motivou o despacho decisório era a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado o mesmo considerando o contexto da DCTF original ao se confrontar créditos e débitos. Por fim, defende que presta serviço equiparado ao hospitalar, inclusive argui que teria apresentado Consulta na RFB da 5.ª Região Fiscal, cuja resposta teria sido objeto da Solução de Consulta n.º 9, de 31 de março de 2008. Juntou contrato social, com data no ano de 2005, no qual consta como objetivo social "a prestação de serviços médicos em geral e especializado" (efls. 113/117). Juntou, outrossim, alteração social, com data no ano de 2006, no qual consta modificação do Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 129 6 objetivo social para "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 118/119). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 7.774,18. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 18/10/2013, sextafeira, efls. 98/99, e protocolo recursal em 19/11/2013, efl. 101), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 130 7 Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação no despacho decisório, eis que não se reconheceu o direito creditório; naquela ocasião ainda não havia sido retificada a DIPJ e a DCTF. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação e também foi apresentada a retificadora. Ocorre que, após analisar os autos, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 131 8 Fato é que quando o despacho decisório analisou o PER/DCOMP o crédito estava integralmente alocado face ao conteúdo da DCTF e DIPJ, inexistindo saldo disponível, inexistindo crédito apto a restituição. Quando do recurso para a primeira instância, sobreveio argumentos no sentido de que o saldo passou a estar disponível, pois ocorrera a retificação da DCTF e da DIPJ, no entanto, observo que a liquidez e certeza do crédito não foram demonstradas, haja vista que a mera retificação, apesar de possível, face a verdade material, por si só não dá certeza e liquidez ao crédito vindicado. Aliás, a DCTF e a DIPJ foram retificadas após o prazo legal de 5 anos, o que lhes retira o valor probante para o efeito de gerar direito creditório, a não ser que estivessem acompanhadas de documentos contábeis e fiscais, o que não é o caso dos autos. A questão é que o crédito é bastante controvertido. Vejase. A despeito do contribuinte alegar que exerceu a atividade de prestação de serviço médico ambulatorial, procedimentos cirúrgicos, supostamente tendo se equiparado a serviços hospitalares, o que lhe daria permissão ao recolhimento tributário com base no percentual de 8% do Lucro Presumido, quando o fez em base de cálculo maior (32%), não se comprovou que efetivamente tenha exercido as supostas atividades de "serviços hospitalares" na época do recolhimento. Aliás, no contrato social, datado do ano de 2005, consta como objetivo social "a prestação de serviços médicos em geral e especializado" (efls. 113/117), não havendo verossimilhança de que se equiparou a serviços hospitalares por ocasião do recolhimento. Por sua vez, somente na alteração social datada do ano de 2006 constou a modificação do objetivo social para "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 118/119), sendo que esta modificação é posterior ao período em litígio. Logo, inexistindo provas do efetivo serviço prestado equiparado ao serviço hospitalar, bem como diante destas observações dos atos constitutivos, não visualizo certeza e liquide no crédito. Importante ponderar, ainda, que tendo o contribuinte constituído nova linguagem competente com a apresentação da DIPJ e da DCTF retificadas, dando nova roupagem a lide tributária, entendo que agiu corretamente a primeira instância quando manteve a não homologação do PER/DCOMP após efetivar uma adequada análise da matéria de prova presente nos autos, quando julgou a contenda. A retificação efetivada pelo contribuinte constituiu nova situação fáticojurídico que prescinde da análise probatória, não sendo, portanto, correta a afirmativa da defesa no sentido de que a exigência de provas para comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido não poderia ser levada em consideração, pois o cerne da questão que motivou o despacho decisório era a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado o mesmo. Ora, aceitar tal conclusão seria permitir o "Tu quoque" (a categoria está intimamente ligada a teoria dos atos próprios), isto é, uma prática que estimularia uma ofensa a boafé objetiva; o contribuinte poderia se valer de sua própria torpeza, o que é vedado pelo direito em sua função de controle, que impõe o dever de agir conforme a boafé. Por fim, o Decreto n.º 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal no âmbito Federal, bem enuncia que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29). Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 132 9 De mais a mais, uma suposta consulta apresentada não foi anexada nos autos para eventual análise, mas, de toda forma, o contrato social e a alteração efetivada no ato constitutivo foram colacionados e não apontam para uma eventual certeza e liquidez do vindicado crédito, como explanado em linhas pretéritas, uma vez que somente após o recolhimento alegado como indevido exsurgiu no contrato social a "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 118/119). Logo, em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. As conclusões da DRJ não foram infirmadas de modo apto a justificar uma eventual reforma ou nulidade. Por conseguinte, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos, não resta comprovado o crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 133 10 Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam dos documentos. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária e a primeira instância não agiram em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10580.905217/200924 Acórdão n.º 1002000.548 S1C0T2 Fl. 134 11 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722626/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -
IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009
GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL.
Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efe
tividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados.
Para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica descrita no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc), imprescindíveis à apreciação dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação de regência. Quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, as notas fiscais/faturas não devem ser admitidas como hábeis à comprovação das operações.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL/BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES.
Diante do reconhecimento de saldo de Prejuízo/Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores, esse deve ser aproveitado na execução do presente acórdão.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão de auto de infração decorrente.
Numero da decisão: 1402-003.580
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para deferir a utilização, na execução do presente acórdão, do saldo de Prejuízos/Base de Cálculo Negativa
de períodos anteriores, apurado com os efeitos da decisão desse colegiado no processo 19515.720891/201294, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: Evandro Correa Dias
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. Para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica descrita no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc), imprescindíveis à apreciação dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação de regência. Quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, as notas fiscais/faturas não devem ser admitidas como hábeis à comprovação das operações. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL/BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Diante do reconhecimento de saldo de Prejuízo/Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores, esse deve ser aproveitado na execução do presente acórdão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão de auto de infração decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 26 /2 01 2- 41 Fl. 1681DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.682 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para deferir a utilização, na execução do presente acórdão, do saldo de Prejuízos/Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores, apurado com os efeitos da decisão desse colegiado no processo 19515.720891/201294, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Paulo Mateus Ciccone. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1682DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.683 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 1646.158 7ª Turma da DRJ/SP1, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em 12/11/2012, Delegacia de Fiscalização de São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 22.545.422,77, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas, nos anos calendário 2008 e 2009, e descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 362 e seguintes, parte integrante da peça acusatória. Segundo o autor do procedimento, a pessoa jurídica teria sido intimada a discriminar os valores informados na DIPJ 2009 e 2010 (anoscalendário 2008 e 2009), Ficha 04A – “Custos dos Bens e Serviços Vendidos”, nas Linhas “Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas”, e “Outros Custos”, rubricas representativas de 80% e 78%, respectivamente, dos custos da atividade conforme abaixo: 1. Anocalendário 2008: a. Serviços prestados por Pessoa Jurídica R$ 26.583.133,87; b. Outros Custos R$ 3.430.734,26; 2. Anocalendário 2009: a. Serviços prestados por Pessoa Jurídica R$ 11.902.735,90; b. Outros Custos R$ 11.980.658,63; Em resposta, foram discriminados os lançamentos contábeis de despesas que teriam sido informados nas linhas da DIPJ (fls. 310), tendo a fiscalização destacado os abaixo relacionados e mais expressivos a serem regularmente comprovados, mediante documentação hábil e idônea: Fl. 1683DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.684 4 2008 2009 Conta Nome Valor Valor 6.03.01.02.02.21 Fretes Pessoa Jurídica 22.548.401,35 11.326.596,23 6.03.01.02.02.79 Assessoria Operacional 3.135.799,67 2.588.087,62 6.03.01.02.02.45 Segurança Predial 804.549,66 470.581,69 6.03.01.02.02.03 Aluguel de Imóveis 7.280.476,07 4.299.807,05 6.03.01.02.02.32 Material de Embalagens 1.494.901,09 1.854.125,16 6.03.01.02.02.88 Fretes Aéreo 1.634.689,82 6.03.01.02.02.90 Fretes Distribuição 11.183.849,92 Totais 35.264.127,84 33.357.737,49 Quanto à escrituração relativa ao anocalendário 2008, entregue por meio de arquivos digitais, foi verificado que os lançamentos de janeiro a outubro estariam agrupados em um único lançamento com o histórico “Valor referente à Implantação de Saldo” com contrapartida na Conta 20503010103 Lucros Acumulados do Patrimônio Líquido. Instada a justificar o procedimento, a fiscalizada explicou que teria decidido e executado mudança de sistema de contabilidade integrado e informatizado, devido ao fim de operacionalidade do sistema anterior. Como também teriam sido mudadas as estruturas do sistema de contas contábil e do centro de custos, a movimentação contábil teria sido escriturada baseada em um plano de contas de janeiro a outubro, em outra, em novembro e dezembro. No que diz respeito à comprovação dos custos/despesas escrituradas em 2008 nas contas acima discriminadas, a forma de atendimento às intimações, mediante apresentação da documentação, teriam permitido também, segundo a fiscalização, a comprovação dos créditos de PIS e Cofins. O autor do procedimento registrou que teriam sido analisados todos os documentos apresentados. Finalmente, em 04/06/2012, a pessoa jurídica foi intimada a comprovar os lançamentos ainda não comprovados, discriminados na planilha de fls. 321/325, por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, bem como comprovar o pagamento de referidas despesas. De outro lado, em relação à comprovação dos custos/despesas escriturados em 2009, anotou a fiscalização que teria sido entregue um rol de notas fiscais, a partir das quais teriam sido apurados os seguintes fatos: · Nas Contas “Fretes Pessoa Jurídica”, “Fretes Distribuição” e “Fretes Aéreo que somam mais de R$ 24.000.000,00, os principais prestadores de serviço são empresas do mesmo grupo econômico, INTEC e LUFT, tendo sido necessário verificar o efetivo pagamento das despesas nas contas correntes; · Na Conta “Aluguel de Imóveis”, os locadores seriam MGM, INTEC, LUFT e GB, tendo sido pesquisados os contratos e os imóveis a que se referiam. Fl. 1684DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.685 5 Em 25/04 e 04/06/2012, a contribuinte foi intimada a comprovar lançamentos ainda não comprovados, discriminados na planilha de fls. 311/320 e 326/333, por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, bem como a comprovar o pagamento de referidas despesas. Consta a observação feita na intimação de que estariam em poder da fiscalização as faturas relativas aos lançamentos marcados com “ok”, mas que deveriam ainda ser comprovados os pagamentos correspondentes. Foi registrado também que todos os documentos anteriormente apresentados teriam sido devolvidos, conforme termos de devolução de livros e documentos (fls. 11 e 41). A outra infração apurada se refere à compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, ocorrida em 31/12/2009, tendo em conta os lançamentos constantes do processo administrativo nº 19515.720891/201294, em que houve a reversão, no anocalendário de 2007, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL para lucro real e base de cálculo positiva da CSLL, e a utilização de todo o saldo disponível de períodos anteriores. No mesmo procedimento fiscal, foram apuradas ainda infrações relativas ao PIS e Cofins não cumulativos, cujos lançamentos foram autuados no processo administrativo nº 19515.722627/201295. Cientificada dos lançamentos, em 21/11/2012, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (cf. instrumento de mandato de fls. 442), a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 427/440, em 21/12/2012, com base nas seguintes razões de fato e de direito. Afirma a tempestividade da impugnação, e que a glosa das despesas estaria fundada, basicamente, na ausência de comprovação dos pagamentos de despesas efetivamente incorridas, e já comprovadas mediante documentação idônea, cujas cópias são novamente apresentadas em anexo à impugnação. Para a defesa, como o auto de infração não esclarece as razões pelas quais as despesas regularmente contabilizadas foram consideradas não comprovadas, seria imperioso o reconhecimento da nulidade dos lançamentos, por falta de fundamentação. Faz remissão aos preceitos do art. 26 do Decreto nº 7.574, de 2011, segundo o qual a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade fiscal a prova da inveracidade de tais fatos. Anota que apesar da referência a custos, todos os lançamentos seriam relativos a despesas. Com relação ao mérito, contesta a glosa das despesas por falta de comprovação dos pagamentos, uma vez que não teria sido questionada a efetividade ou a necessidade das despesas para a atividade empresarial, e que Fl. 1685DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.686 6 a contribuinte estaria sujeita ao regime de competência, no qual para serem dedutíveis basta que as despesas necessárias à atividade tenham sido incorridas, sendo desnecessária a prova da quitação. Faz referência ao art. 299 do RIR/99 e à Solução de Consulta nº 229, de 2010, de seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: DESPESAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RETIFICAÇÃO. As despesas devem ser registradas na contabilidade no período em que incorridas, entretanto, a despesa não lançada no período de competência poderá ser objeto de exclusão do lucro líquido para fins de apuração do lucro real ou poderá ser registrada em período posterior, desde que isso não cause redução indevida do lucro real. Erros na apuração do imposto devido devem ser corrigidos pela entrega de declaração retificadora, o que poderá ser feito enquanto não extinto o direito de o contribuinte pleitear a restituição”. Colaciona também as lições de Ricardo Mariz de Oliveira e de Hiromi Higuchi, no sentido de que a comprovação do pagamento não seria condição de dedutibilidade das despesas. De qualquer forma, afirma que todas as despesas objeto de glosa pela fiscalização teriam sido efetivamente pagas pela pessoa jurídica. No que se refere aos valores contabilizados como despesas com fretes , explica que, sendo uma operadora logística, a atividade da empresa envolveria a armazenagem e o gerenciamento do transporte de mercadorias de seus clientes até o destino final. É prática no mercado que o operador logístico não disponha de frota própria, mas apenas gerencie o transporte das mercadorias, mediante subcontratação de transportadoras, pelo que a maior parte de suas despesas é de subcontratação de transporte de carga. No caso, a contribuinte teria subcontratado a INTEC – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda., e os valores faturados por esta última teriam sido registrados, em 2008, nas contas “Fretes Rodoviário” e “Fretes Pessoa Jurídica”, e em 2009, nas contas “Fretes Aéreo”, “Fretes Distribuição” e “Fretes Pessoa Jurídica”. Ocorre que tais despesas estariam devidamente comprovadas pelas FATURAS/DUPLICATAS, emitidas pela INTEC, em favor da contribuinte, em razão dos serviços prestados, documentos que instruem a presente impugnação (Anexos INTEC 2008 e 2009). Apesar de dispensável a prova do pagamento para garantir a dedutibilidade das despesas, traz aos autos a comprovação de todos os pagamentos realizados à INTEC, em 2008 e 2009, e correspondentes às despesas registradas na contabilidade. Esclarece que realizava o pagamento das FATURAS/DUPLICATAS sempre em bloco, mediante transferência de valores ao longo do mês, ou mesmo realizando pagamentos a terceiros, por conta e ordem da INTEC, conforme demonstrado nos mesmos Anexos acima referidos, valores que eram deduzidos do valor total a ela devido. Fl. 1686DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.687 7 Segundo a defesa, nos anexos, teria sido demonstrado o controle dos pagamentos, mediante a indicação de todas as FATURAS/DUPLICATAS, emitidas pela INTEC, todos os depósitos realizados pela fiscalizada em favor da INTEC ou de terceiros, acompanhados de cópias da seguintes documentação: (i) as faturas/duplicatas; (ii) os extratos bancários indicativos dos depósitos efetuados em favor da INTEC; e (iii) os comprovantes dos pagamentos efetuados a terceiros, por conta e ordem da INTEC. Requer o cancelamento da glosa e da autuação. Nos Anexos “Contratos de Locação”, “Despesas 2008” e “Despesas 2009” estariam comprovadas as despesas incorridas e os pagamentos (depósitos bancários, boletos e outros meios de pagamento legalmente admitidos) das demais despesas objeto de glosa, contabilizadas nas contas “Fretes Gerenciamento”, “Assessoria Operacional”, “Vigilância” e “Segurança Predial”, em 2008; e nas contas “Aluguéis de Imóveis”, “Assessoria Operacional” e “Material de Embalagem”, em 2009. Especificamente em relação às despesas registradas na conta “Aluguéis de Imóveis”, diz que a glosa abrangeria contratos de locação celebrados com as seguintes empresas: 1. BRPR XXVI Empreendimentos e Participações Ltda. (nova denominação de MGM Empresa de Participações e Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ nº 08.839.112/000142 – contrato de locação em Itapevi/SP; 2. GB Armazéns Gerais Ltda., CNPJ nº 77.376.093/000188 – contrato de locação de imóvel no Rio de Janeiro; 3. INTEC – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda., CNPJ nº 52.134.798/000915 – contrato de sublocação de imóvel no Rio de Janeiro. Afirma que, além de os contratos estarem em pleno vigor em 2008 e 2009, apresenta comprovantes de inscrição no CNPJ de suas filiais instaladas nos endereços dos imóveis locados para comprovar a sua vinculação com a atividade da empresa. Com relação à documentação que instrui a autuação explica que teria reconstituído, mensalmente, as planilhas elaboradas pela fiscalização, denominadas “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”, relativamente aos anos de 2008 e 2009, nas quais foram discriminados os lançamentos contábeis objeto de glosa, e anexou os documentos comprobatórios das despesas incorridas, bem como dos respectivos pagamentos. Em cada planilha foi indicada a data do lançamento, o número e título da conta contábil, o mês de competência, o histórico do lançamento, o valor da despesa e, a última coluna, denominada “Nº Ordem Doc.”, a indicação de onde se encontram os documentos comprobatórios de cada despesa incorrida, bem como a prova do respectivo pagamento. Quando a coluna “Nº Ordem Doc.” apontar um número, o respectivo documento poderá Fl. 1687DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.688 8 ser localizado junto à própria planilha, identificado com o referido número em sua face; quando apontar um “Anexo”, significa que poderá ser localizado em um dos anexos que instruem a presente impugnação, organizados por mês de competência. Por fim, segundo a contribuinte, por motivo de força maior, deixaram de ser juntados alguns poucos comprovantes de pagamento, em razão do não fornecimento pela instituição financeira, pelo que protesta pela juntada posterior. No que diz respeito à glosa da compensação de prejuízo fiscal, por conta de lançamento anterior relativo ao anocalendário 2007, diz que referida exigência teria sido impugnada e ainda não proferida a decisão de 1ª instância. Ademais, em havendo cancelamento daquela autuação, com o restabelecimento do prejuízo fiscal de 2007, automaticamente a presente exigência se tornará insubsistente. Na ótica da Impugnante, como a redução do prejuízo fiscal de 2007 se encontra com a exigibilidade suspensa não poderia gerar efeitos nos períodos seguintes, enquanto não esgotada a discussão administrativa, impondose o cancelamento da autuação também desta matéria. Na seqüência foi juntada a seguinte documentação: 1. “Anexo Despesas 2008”, às fls. 505/617; 2. “Anexo Despesas 2009”, às fls. 618/676; 3. “Anexo Contratos de Locação”, às fls. 677/745. 4. “Anexo INTEC 2008”, às fls. 746/1096; 5. “Anexo INTEC 2009”, às fls. 1097/1506; Em 28/12/2012, a autoridade preparadora manifestouse pela tempestividade da impugnação, e encaminhou o processo à DRJ (fls. 1510). Em 11/03/2013, este processo anteriormente distribuído para a 4ª Turma da DRJ São Paulo, e ainda sem Relator designado, foi redistribuído para esta 7ª Turma de Julgamento (fls. 1511), tendo em conta a conexão existente com o processo nº 19515.720891/201294 já distribuído para esta Relatora. Conforme informação do SIEF/Processos, o crédito tributário se encontra regularmente suspenso até a ciência da presente decisão." Fl. 1688DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.689 9 Passase a complementar o relatório acima transcrito. A impugnação da Recorrente foi julgada procedente em parte, conforme a seguinte ementa do Acórdão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Glosa de Despesa. Comprovação. Documentação Hábil. Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. Para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica descrita no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc), imprescindíveis à apreciação dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação de regência. Quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, as notas fiscais/faturas não devem ser admitidas como hábeis à comprovação das operações. Glosa de Compensação de Prejuízo Fiscal. Diante das reversões dos prejuízos fiscais apurados e da utilização, em lançamento anterior, de todo o saldo acumulado de períodos anteriores, deve ser a manutenção da glosa da compensação de prejuízos, devido à ausência de saldo disponível. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão de auto de infração decorrente. Quanto ao crédito tributário exonerado, cabível RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, de forma que a exoneração da exigência, procedida por este acórdão, só será definitiva após o julgamento na segunda instância. Para esclarecimentos, transcrevese a seguir trechos do voto que trata da redução das exigências de IRPJ e CSLL: Em regra, não há suporte fático a amparar a glosa das despesas, se intimada a comprovar os custos/despesas contabilizados, a contribuinte apresenta as faturas/duplicatas ou contratos, emitidos e subscritos por empresas, cuja Fl. 1689DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.690 10 idoneidade não é questionada, nos quais os serviços prestados ou a causa dos pagamentos se encontram regulamente discriminados. Por conta da natureza dialética do ônus da prova, em face da apresentação da documentação hábil, para que o ônus da prova dos custos/despesas volte regularmente a pesar sobre a contribuinte, com a exigência de comprovação também dos pagamentos escriturados, é imprescindível que a fiscalização proceda à desconstituição da validade da prova apresentada, com a adoção das providências porventura cabíveis, dentre os quais se pode destacar a intimação dos prestadores de serviços ou das partes contratantes para atestar a veracidade das operações, inclusive com as devidas repercussões fiscais em sua própria escrituração comercial e fiscal, o que não foi feito. Observese, novamente que, em todos os casos, a exigência da comprovação dos pagamentos, para a admissão da dedutibilidade das despesas, não se fez sem que circunstancias fossem devidamente invocadas, para afastar o valor probante da documentação, em princípio, considerada hábil a dar suporte à operação. Nesses termos, frágil é a glosa do custo/despesa baseada unicamente na falta de comprovação do pagamento, quando não questionada a idoneidade da documentação hábil apresentada e a efetividade da prestação do serviço, devidamente discriminado no documento fiscal. Para que a imputação se sustente, necessária é a desconstituição da validade das faturas e dos contratos apresentados. Por outro lado, para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica retratada no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc.), imprescindíveis à apreciação dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação de regência – no caso das despesas, por exemplo, os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade. Justamente por isso as notas fiscais/faturas, quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, não são consideradas hábeis e suficientes a dar suporte às operações, momento em que se impõe também a comprovação dos pagamentos efetuados. DDAA GGLLOOSSAA DDAASS DDEESSPPEESSAASS CCOONNTTAABBIILLIIZZAADDAASS NNAASS CCOONNTTAASS ““FFRREETTEESS RROODDOOVVIIÁÁRRIIOOSS””,, ““FFRREETTEESS PPEESSSSOOAA JJUURRÍÍDDIICCAA””,, ““FFRREETTEESS AAÉÉRREEOO””,, ““FFRREETTEESS DDIISSTTRRIIBBUUIIÇÇÃÃOO”” Na fundamentação adotada pela fiscalização, consta que os documentos comprobatórios dos lançamentos na Conta Rodoviário referemse a faturas da Intec – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda, CNPJ 52.134.798/000168, empresa do mesmo grupo do contribuinte. Reiterese que o fato de se tratar de empresa do mesmo grupo econômico não retira o valor probante dos documentos hábeis a comprovar as operações, principalmente Fl. 1690DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.691 11 porque as faturas regularmente emitidas devem ter ensejado repercussões na apuração das bases de cálculo dos tributos devidos pela prestadora dos serviços, fato que deveria ter sido verificado pela fiscalização, para aprofundar a investigação acerca da validade dos custos/despesas operacionais da tomadora dos serviços ora sob apreciação. Ademais, anotese que as faturas mencionam os conhecimentos de transporte vinculados à subcontratação dos serviços, informação a ser vista como um elemento a mais a dar concretude às operações. Compulsando os demonstrativos elaborados pela fiscalização dos custos/despesas não comprovados relativos às operações contratadas com a INTEC (fls. 345 e 350/351), com a documetação apresentada juntamente com a impugnação – Anexo INTEC 2008”, às fls. 746/1096 e “Anexo INTEC 2009”, às fls. 1097/1506 –, verificase que quase todas as operações se encontram regularmente comprovadas pela documentação hábil, as faturas, as exceções foram abaixo demonstradas: Competência Data Histórico Valor Fatura Fls. Não Comprovado jan/08 18/02/2008 VLR REF. FAT. 49276 FRETE JAN/08 468.211,07 771 jan/08 18/02/2008 VLR REF. FAT. 49268 FRETE RODO MEDLEY OR/PRO 246.096,46 768 jan/08 18/02/2008 VLR REF. FAT. 49273 FRETE RODO ALTANA/NYCOMED 399.846,93 769 jan/08 27/02/2008 REF. FAT. 049413 (1.8) EMISSÃO 31.01.2008 1.800.000,00 797 2.914.154,46 fev/08 17/03/2008 REF PAGTO INTEC FRETE MEDLEY FEV/2008 49896 383.749,08 814 fev/08 17/03/2008 REF PAGTO INTEC FRETE NYCOMED FEV/2008 49893 329.139,36 821 712.888,44 mar/08 16/04/2008 VLR REF. 50582 03/2008 111.971,40 836 mar/08 16/04/2008 VLR REF. 50584 03/2008 577.560,40 838 mar/08 16/04/2008 VLR REF. 50578 03/2008 408.665,53 839 1.098.197,33 abr/08 14/05/2008 VLR REF FAT 051210 INTEC REPASSE NYCOMED AEREO 171.384,05 878 abr/08 14/05/2008 VLR REF FAT 051208 INTEC REPASSE NYCOMED AEREO 135.923,04 880 abr/08 14/05/2008 VLR REF FAT 051199 INTEC REPASSE MEDLEY ORIG. 708.986,86 882 1.016.293,95 mai/08 10/06/2008 VLR REF FAT 051877 INTEC MEDLEY REPASSE 584.132,12 902 mai/08 10/06/2008 VLR REF FAT 051899 INTEC NYCOMED REPASSE 468.198,82 908 1.052.330,94 jun/08 14/07/2008 VLR REF FAT 052564 INTEC MEDLEY 668.765,35 924 jun/08 14/07/2008 VLR REF FAT 052565 INTEC MEDLEY 115.188,78 925 jun/08 14/07/2008 VLR REF FAT 052571 INTEC TORRENT 126.077,35 930 jun/08 14/07/2008 VLR REF FAT 052576 INTEC NYCOMED 295.101,78 935 jun/08 14/07/2008 VLR REF FAT 052577 INTEC GALDERMA 99.684,90 936 1.304.818,16 jul/08 13/08/2008 VLR REF FAT 053352 MEDLEY REPASSE 567.007,63 953 jul/08 13/08/2008 VLR REF FAT 053355 INTEC REPASSE TORRENT 136.766,26 957 jul/08 13/08/2008 VLR REF FAT 053357 INTEC REPASSE ALTANA 446.583,57 959 jul/08 13/08/2008 VLR REF FAT 053359 INTEC REPASSE MEDLEY 91.233,15 960 jul/08 13/08/2008 VLR REF FAT 053368 INTEC REPASSE GALDERMA 91.215,69 962 1.332.806,30 Fl. 1691DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.692 12 Competência Data Histórico Valor Fatura Fls. Não Comprovado ago/08 09/09/2008 VLR REF FAT 054005 INTEC REPASSE ROD MEDLEY 784.526,60 982 ago/08 09/09/2008 VLR REF FAT 054022 INTEC REPASSE ROD NYCOMED 304.915,53 984 ago/08 09/09/2008 VLR REF FAT 054007 INTEC REPASSE ROD. TORRENT 128.307,89 987 ago/08 09/09/2008 VLR REF FAT 054012 INTEC REPASSE ROD. GALDERMA 108.675,01 988 1.326.425,03 set/08 13/10/2008 VLR REF FAT 054670 INTEC NYCOMED REPASSE ROD 375.135,24 1000 set/08 13/10/2008 VLR REF FAT 054672 INTEC GALDERMA REPASSE ROD 101.802,69 1001 set/08 13/10/2008 VLR REF FAT 054666 INTEC MEDLEY REPASSE RODOVIARIO 556.824,61 1008 set/08 13/10/2008 VLR REF FAT 054668 INTEC TORRENT REPASSE RODOVIARIO 149.041,46 1009 1.182.804,00 out/08 22/10/2008 VLR REF FAT 054038 INTEC TRANSFERENCIA ABL PER. 01/04 A 136.561,03 136.561,03 out/08 12/11/2008 VLR REF FAT 055392 INTEC MEDLEY ORIGINAL E MEDLEY 670.202,92 1016 out/08 12/11/2008 VLR REF FAT 055396 INTEC REPASSE NYCOMED ROD 343.061,58 1022 out/08 12/11/2008 VLR REF FAT 055400 INTEC REPASSE GALDERMA ROD 125.072,20 1023 1.274.897,73 nov/08 30/11/2008 0001VL.DOC 705 056035 INTEC 654.218,38 1037 nov/08 30/11/2008 0001VL.DOC 705 056039 INTEC 405.129,85 1041 nov/08 30/11/2008 0001VL.DOC 705 056042 INTEC 134.469,77 1044 1.193.818,00 dez/08 31/12/2008 0003VL.DOC 705 056634 INTEC 706.024,17 1059 dez/08 31/12/2008 0003VL.DOC 705 056636 INTEC 200.184,53 1064 dez/08 31/12/2008 0003VL.DOC 705 056638 INTEC 287.014,69 1068 dez/08 31/12/2008 0003VL.DOC 705 056641 INTEC 182.047,39 1077 dez/08 31/12/2008 0003VL.DOC 705 056646 INTEC 132.871,64 1089 1.508.142,42 136.561,03 Total do Ano 15.917.576,76 136.561,03 Data Conta Valor Histórico Fatura Fls. 31/01/2009 Fretes PJ 421.653,10 VL.DOC 705 057221 INTEC 31/01/2009 Fretes PJ 218.633,82 VL.DOC 705 057224 INTEC 640.286,92 27/02/2009 Fretes PJ 366.068,08 VL.DOC 705 057800 INTEC 27/02/2009 Fretes PJ 183.845,21 VL.DOC 705 057804 INTEC 27/02/2009 Fretes PJ 120.955,20 VL.DOC 705 057807 INTEC 670.868,49 31/03/2009 Fretes PJ 541.716,45 VL.DOC 705 058379 INTEC 31/03/2009 Fretes PJ 532.627,49 VL.DOC 705 058385 INTEC Fl. 1692DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.693 13 Data Conta Valor Histórico Fatura Fls. 31/03/2009 Fretes PJ 108.622,29 VL.DOC 705 058386 INTEC 31/03/2009 Fretes PJ 168.694,68 VL.DOC 705 058387 INTEC 1.351.660,91 30/04/2009 Fretes PJ 399.368,33 VL.DOC 705 058991 INTEC 1124 30/04/2009 Fretes PJ 402.591,50 VL.DOC 705 058999 INTEC 1130 30/04/2009 Fretes PJ 153.991,84 VL.DOC 705 059001 INTEC 1132 955.951,67 22/05/2009 Fretes PJ 107.000,00 VL.DOC 705 000149 INTEC 29/05/2009 Fretes PJ 496.748,93 VL.DOC 705 059607 INTEC 1154 29/05/2009 Fretes PJ 339.815,94 VL.DOC 705 059613 INTEC 1160 29/05/2009 Fretes PJ 130.768,89 VL.DOC 705 059614 INTEC 1161 29/05/2009 Fretes PJ 102.547,11 VL.DOC 705 059615 INTEC 1162 1.176.880,87 15/06/2009 Fretes PJ 107.000,00 VL.NFE. 000163 LUFT. 30/06/2009 Fretes PJ 101.514,48 VL.NFE. 060137 INTEC 1191 30/06/2009 Fretes PJ 457.280,90 VL.NFE. 060146 INTEC 1201 30/06/2009 Fretes PJ 519.457,32 VL.NFE. 060152 INTEC 1210 30/06/2009 Fretes PJ 138.547,22 VL.NFE. 060153 INTEC 1213 30/06/2009 Fretes PJ 158.724,27 VL.NFE. 060350 INTEC 1234 1.482.524,19 31/07/2009 Fretes Aéreo 70.198,07 VL.NFE. 060761 INTEC 1262 31/07/2009 Fretes PJ 447.922,96 VL.NFE. 060774 INTEC 1269 31/07/2009 Fretes PJ 707.843,13 VL.NFE. 060780 INTEC 1275 31/07/2009 Fretes PJ 126.493,54 VL.NFE. 060781 INTEC 1276 31/07/2009 Fretes PJ 131.404,18 VL.NFE. 060782 INTEC 1277 1.483.861,88 31/08/2009 Fretes Aéreo 67.103,53 VL.NFE. 000061660 INTEC 31/08/2009 Fretes Dist. 335.644,85 VL.NFE. 000061640 INTEC 1303 31/08/2009 Fretes Dist. 540.095,39 VL.NFE. 000061645 INTEC 1308 31/08/2009 Fretes Dist. 101.689,78 VL.NFE. 000061646 INTEC 1309 31/08/2009 Fretes Dist. 118.813,07 VL.NFE. 000061647 INTEC 1310 1.163.346,62 30/09/2009 Fretes Aéreo 79.464,75 VL.NFE. 000062370 INTEC 1349 30/09/2009 Fretes Dist. 441.503,40 VL.NFE. 000062378 INTEC 1359 30/09/2009 Fretes Dist. 723.391,66 VL.NFE. 000062384 INTEC 1368 30/09/2009 Fretes Dist. 107.999,66 VL.NFE. 000062386 INTEC 1373 1.352.359,47 31/10/2009 Fretes Aéreo 119.783,64 VL.NFE. 000063051 INTEC 1401 31/10/2009 Fretes Dist. 462.936,75 VL.NFE. 000063063 INTEC 1412 31/10/2009 Fretes Dist. 784.327,90 VL.NFE. 000063069 INTEC 1421 31/10/2009 Fretes Dist. 121.351,10 VL.NFE. 000063070 INTEC 1422 31/10/2009 Fretes Dist. 106.877,41 VL.NFE. 000063071 INTEC 1423 1.595.276,80 30/11/2009 Fretes Aéreo 81.784,03 VL.NFE. 000063766 INTEC 1442 30/11/2009 Fretes Aéreo 54.153,71 VL.NFE. 000063767 INTEC 1443 30/11/2009 Fretes Aéreo 64.909,73 VL.NFE. 000063769 INTEC 1445 30/11/2009 Fretes Dist. 338.807,68 VL.NFE. 000063775 INTEC 1451 30/11/2009 Fretes Dist. 776.989,69 VL.NFE. 000063781 INTEC 1457 1.316.644,84 Fl. 1693DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.694 14 Data Conta Valor Histórico Fatura Fls. 31/12/2009 Fretes Aéreo 141.755,38 VL.NFE. 000064413 INTEC 1479 31/12/2009 Fretes Aéreo 82.307,34 VL.NFE. 000064414 INTEC 1480 31/12/2009 Fretes Aéreo 127.582,94 VL.NFE. 000064416 INTEC 1482 31/12/2009 Fretes Dist. 106.252,75 VL.NFE. 000063782 INTEC 1458 31/12/2009 Fretes Dist. 467.303,03 VL.NFE. 000064422 INTEC 1488 31/12/2009 Fretes Dist. 1.113.521,90 VL.NFE. 000064426 INTEC 1492 31/12/2009 Fretes Dist. 169.653,04 VL.NFE. 000064427 INTEC 1493 31/12/2009 Fretes Dist. 152.842,67 VL.NFE. 000064428 INTEC 1494 2.361.219,05 Total do Ano 15.550.881,71 Conforme se observa às fls. 350/351, com relação à glosa das despesas escrituradas no anocalendário de 2009, a fiscalização teria discriminado as glosas cujo fundamento foi a falta de comprovação da operação, daquelas cujo fundamento foi a falta de comprovação dos pagamentos, tendo feito constar ainda em relação a estas últimas, aquelas em que houve apresentação das faturas, com a indicação “ok”. Segundo informação contida no termo de verificação, estariam em poder da fiscalização as faturas relativas aos lançamentos marcados com “ok”, mas deveriam ainda ser comprovados os pagamentos correspondentes. Notese que em relação às operações escrituradas em janeiro, fevereiro e março de 2009, na documentação apresentada juntamente a impugnação, as faturas correspondentes não foram localizadas. Entretanto, como no demonstrativo de fls. 350/351, tais operações contém o indicativo “ok”, que segundo a fiscalização diz respeito aquelas em que as faturas foram apresentadas no curso do procedimento, devem ser admitidas como comprovadas. Conforme se observa na planilha acima permanecem não comprovadas mediante a documentação hábil as despesas escrituradas em 22/05 e 15/06/2009, na conta “Fretes PJ”, ambas no valor de R$ 107.000,00, pelo histórico vinculadas às Notas Fiscais Eletrônicas nº 149 e 163, emitidas respectivamente pela INTEC e pela LUFT, mas não apresentadas. DDAA GGLLOOSSAA DDEE DDEESSPPEESSAASS CCOONNTTAABBIILLIIZZAADDAASS NNAA CCOONNTTAA ““FFRREETTEESS ––GGEERREENNCCIIAAMMEENNTTOO”” Com relação à glosa da despesa escriturada na Conta “Fretes – Gerenciamento” não foi localizado qualquer documento a comprovar a operação cujo documento teria sido emitido em 25/03/2008, relativo à competência de fev/2008, no valor de R$ 800.000,00, e histórico: “REF JAN E FEV /2008 GER. DE FRETE”. Destaquese inclusive que no demonstrativo elaborado pela defesa de fls. 533/534 para indicar a documentação de suporte das operações constabilizadas, não foi indicado qualquer documento, pelo que se mantém a glosa. Fl. 1694DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.695 15 DDAA GGLLOOSSAA DDAASS DDEESSPPEESSAASS CCOONNTTAABBIILLIIZZAADDAASS NNAA CCOONNTTAA ““AASSSSEESSSSOORRIIAA OOPPEERRAACCIIOONNAALL”” No que se refere à documentação apresentada às fls. 505/617 e 618/676 e , para afastar a glosa das despesas contabilizadas na conta “Assessoria Operacional” por falta de comprovação, temse que fazer alguns registros específicos. A falta de adequada discriminação dos serviços prestados é o principal problema em relação a maior parte das Notas Fiscais Eletrônicas de Serviços apresentadas. Consta apenas dos documentos a informação: “prestação de serviços” ou “serviços prestados”. Nesse aspecto, deve ser mantida a glosa por falta de comprovação, porque não é possível identificar o serviço prestado , na documentação apresentada, e, assim, verificar observância dos requisitos essenciais de dedutibilidade das despesa, quais sejam, a necessidade, a usualidade e a normalidade, impondose a manutenção da exigência em relação às despesas escrituradas com base no documentário fiscal emitido pelas seguintes empresas: 1. CRISTINA NEVES RABELO DE OLIVEIRA – ME, CNPJ nº 08.646.084/000147; 2. ORBITAL EXPRESS TRANSP. E LOGÍSTICA LTDA. – EPP, CNPJ nº 06.140.395/000104; 3. ALMEIDA COSTA LOG. EMPRES. E ASSESS. ADM. LTDA., CNPJ nº 06.335.912/000109; 4. GCPS LOG. ASSESS. ADM. LTDA., CNPJ nº 07.099.444/0001 75; 5. ALEXANDRA DOS SANTOS REIS – ME, CNPJ nº 09.207.525/000177; 6. RAFAEL DE CASTRO MARTAU – ME, CNPJ nº 05.762.287/000100; 7. EQUIPO SERV. DE INFORMÁTICA LTDA., CNPJ nº 03.727.137/000130. Nas notas fiscais/faturas emitidas pela MATRIX GESTÃO ESTRATÉGICA S/C LTDA., CNPJ nº 03.271.679/0001/41, e FLM COM. E SERVIÇOS LTDA., CNPJ nº 05.093.317/000133, há menção à prestação de serviços de consultoria, conforme contrato ou prestação de serviço de consultoria. Todavia, como consultoria é um termo muito amplo, para a efetiva comprovação, necessária a apresentação do referido contrato ou de outra documentação de que dispuser a fiscalizada para comprovar o tipo de serviço de consultoria prestado. As notas fiscais eletrônicas de serviços emitidas por ELAINE BITTENCOURT DOS SANTOS – ME, CNPJ nº 01.244.510/000177, foram aceitas como provas hábeis porque apesar de no campo Discriminação dos Serviços também constar apenas “prestação de serviços durante o mês”, no campo Código do Serviço consta: “02658 – Análise e Desenvolvimento de Sistemas”. Fl. 1695DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.696 16 Em relação à algumas operações como não foi trazida a documentação de suporte do registro contábil, deve ser mantida a glosa. Na planilha abaixo se demonstram as operações em que: (i) foram apresentadas e admitidas as provas apresentadas; (ii) apesar de apresentadas, não foram admitidas como hábeis as provas apresentadas; e (iii) não foi apresentada a documentação de suporte da escrituração: Data Compet. Valor Histórico Fls. Comprovada Não Admitida/Não Comprovada 02/01/2008 jan/08 44.620,48 REF PAGTO MATRIX NF B12/07 DESC R$ 1791,86 (34/36) EMP IND+R$ 538 44.620,48 07/01/2008 jan/08 29.080,00 REF PAGTO ELAINE NF 00000001 MES DEZ/07 DESC R$ 31,50 PL ODONT 542 29.080,00 30/01/2008 jan/08 44.620,48 REF PAGTO MATRIX 50% RESTANTE BONUS/2007 44.620,48 31/01/2008 jan/08 44.620,48 REF PAGTO MATRIX BONUS/07 DESC.R$ 1791,86 EMP IND(35/36 44.620,48 01/02/2008 jan/08 20.000,00 REF PAGTO CRISTINA NEVES RABELO DE OLIVEIRA NF 15 BONUS 2007 545 20.000,00 01/02/2008 jan/08 38.160,00 REF PAGTO ORBITAL NFS 000046/48 MES JAN/08 E BONUS/2007 547/548 38.160,00 01/02/2008 jan/08 21.667,80 REF PAGTO RAFAEL DE CASTRO MARTAU NF 044 BONUS 2007 550 21.667,80 01/02/2008 jan/08 23.790,00 REF PAGTO ALMEIDA NF 041 BONUS 2007 552 23.790,00 01/02/2008 jan/08 32.900,00 REF PAGTO ALMEIDA NF 042 BONUS 2007 554 32.900,00 01/02/2008 jan/08 38.160,00 REF PAGTO ELAINE B. DOS SANTOS NF 00000002 BONUS 2007 556 38.160,00 01/02/2008 jan/08 20.000,00 REF PAGTO GCPS NF 056 BONUS 2007 558 20.000,00 01/02/2008 jan/08 20.000,00 REF PAGTO EQUIPO NF 0106 BONUS 2007 561 20.000,00 07/02/2008 fev/08 29.080,00 REF PAGTO ELAINE BITTENCOURT NF 00000003 MES JAN/08 DESC R$ 511 29.080,00 07/02/2008 fev/08 44.620,48 REF PAGTO MATRIX MES JAN/08 44.620,48 10/03/2008 mar/08 30.224,80 REF PAGTO ELAINE NF 00000004 MES FEV/08 DESC R$ 31,50 PL 521 30.224,80 25/04/2008 abr/08 47.297,71 IRRF REF NF B03/08 MATRIX 563 47.297,71 02/05/2008 abr/08 30.224,80 ASS REF NF 0000005 ELAINE B. DOS SANTOS MES MAR/08 565 30.224,80 13/05/2008 mai/08 30.224,80 ASS REF NF 0000006 ELAINE B. DOS SANTOS MES ABR/08 568 30.224,80 10/06/2008 jun/08 30.224,80 ASS REF NF 00000007 ELAINE B. DOS SANTOS MES MAI/08 573 30.224,80 19/06/2008 jun/08 47.297,71 ASS REF FAT B02/08 MATRIX 576 47.297,71 19/06/2008 jun/08 94.595,41 ASS REF FAT B05/08 MATRIX 577 94.595,41 19/06/2008 jun/08 26.150,25 ASS REF FAT B105/08 MATRIX 578 26.150,25 10/07/2008 jul/08 30.224,80 ASS REF NF 00000008 ELAINE B. DOS SANTOS MES JUN/08 585 30.224,80 17/07/2008 jul/08 47.297,71 ASS REF FAT B06/08 MATRIX 586 47.297,71 04/08/2008 ago/08 30.224,80 ASS REF NF 00000009 ELAINE B. DOS SANTOS 590 30.224,80 07/08/2008 ago/08 47.297,71 ASS REF FAT B07/08 MATRIX 592 47.297,71 09/09/2008 set/08 47.297,71 ASS REF FAT B08/08 MATRIX 595 47.297,71 10/09/2008 set/08 30.224,80 ASS REF NF 00000010 ELAINE B. DOS SANTOS MES AGO/08 597 30.224,80 10/10/2008 out/08 30.224,80 ASS REF NF 00000011 ELAINE BITTENCOURT DOS SANTOS 600 30.224,80 Fl. 1696DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.697 17 Data Compet. Valor Histórico Fls. Comprovada Não Admitida/Não Comprovada 15/10/2008 out/08 47.297,71 ASS REF FAT B09/08 MATRIX 605 47.297,71 06/11/2008 nov/08 20.224,80 NFE. 000012 ELAINE.. 614 20.224,80 13/11/2008 nov/08 47.297,71 DOC 705 B1008 MATRIX 612 47.297,71 28/11/2008 nov/08 47.297,71 NFE. 1108 MATRIX 615 47.297,71 05/12/2008 dez/08 20.224,80 NFE. 013 ELAINE.. 617 20.224,80 Totais 378.568,00 854.127,06 Data Valor Histórico Fls. Comprovado Não Comprovado 01/01/2009 5.300,00 VL.NFE. 000018 ALEXANDRAS 621 5.300,00 06/01/2009 17.437,00 VL.NFE. 000001 ALMEIDA 17.437,00 13/03/2009 12.850,00 VL.NFE. 000280 FLM 626 12.850,00 31/03/2009 5.465,00 VL.NFE. 000003 RAPHAEL DEL BONNE 629 5.465,00 Totais 41.052,00 DDAA GGLLOOSSAA DDAASS DDEESSPPEESSAASS CCOONNTTAABBIILLIIZZAADDAASS NNAASS CCOONNTTAASS ““VVIIGGIILLÂÂNNCCIIAA”” EE ““SSEEGGUURRAANNÇÇAA PPRREEDDIIAALL”” Quanto às despesas com serviços de vigilância e segurança predial prestados pela empresa EXCEL SEGURANÇA PATRIMONIAL LTDA., CNPJ nº 00.515.043/000100, a maioria das operações foi regulamente comprovada pela documentação apresentada pela empresa, exceto as operações em destaque, conforme abaixo: Data Compet. Valor Histórico Fls. 16/01/2008 jan/08 20.756,40 REF PAGTO EXCEL NF 00001133 506 17/01/2008 jan/08 57.898,72 REF PAGTO EXCEL NF 00001148 508 31/01/2008 jan/08 20.756,40 REF PAGTO EXCEL NF 00001053 16/02/2008 fev/08 20.756,40 REF PAGTO EXCEL NF 00001134 515 18/02/2008 fev/08 21.504,78 REF PAGTO EXCEL NF 00001202 517 21/02/2008 fev/08 59.956,86 REF PAGTO EXCEL NF 00001213 519 18/02/2008 mar/08 21.504,78 REF PAGTO EXCEL NF 00001203 525 03/04/2008 mar/08 51.879,20 REF NF 00001316 EXCEL 527 04/04/2008 mar/08 60.596,79 REF NF 00001323 EXCEL 530 28/04/2008 abr/08 44.490,24 REF NF 00001381 EXCEL 30/05/2008 mai/08 39.322,88 REF NF 00001439 EXCEL 571 04/07/2008 jun/08 38.054,40 REF NF 00001511 EXCEL 583 16/07/2008 jul/08 39.322,88 REF NF 00001573 EXCEL 588 11/08/2008 ago/08 39.322,88 REF NF 00001616 EXCEL 594 01/10/2008 set/08 39.955,20 REF NF 00001764 EXCEL 598 29/10/2008 out/08 40.335,73 REF NF 00001828 EXCEL 607 28/11/2008 nov/08 31.691,81 NFE. 1901 EXCEL 26/12/2008 dez/08 30.137,18 NFE. 2022 EXCEL 678.243,53 Fl. 1697DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.698 18 Cumpre validar a dedutibilidade das despesas, cuja documentação hábil de suporte foi apresentada, devendo ser mantida a glosa em relação às demais rubricas contabilizadas e não comprovadas, no valor total de R$ 127.075,63. DDAA GGLLOOSSAA DDAASS DDEESSPPEESSAASS CCOONNTTAABBIILLIIZZAADDAASS NNAA CCOONNTTAA ““AALLUUGGUUEELL DDEE IIMMÓÓVVEEIISS”” Para comprovar a escrituração das despesas registradas na conta “Aluguel de Imóveis” foram apresentados juntamente com a impugnação (ANEXO Contratos de Locação – fls. 677/745), os contratos de locação, em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em discussão, conforme designados abaixo: 1. fls. 678/687 contrato de locação não residencial, celebrado em 01/09/2007, entre GB ARMAZÉNS GERAIS LTDA. (CNPJ nº 77.376.093/000188), na qualidade de locadora, e a INTEC, na qualidade de locatária, dos armazéns 1 e 2, localizados na Rua Francisco de Souza e Melo, 252, Cordovil, Rio de Janeiro/RJ (sede da filial da fiscalizada aberta em 17/01/2008 – cf. Ficha Cadatral da JUCESP), pelo valor mensal de aluguel de R$ 53.105,63; 2. fls. 702/710 – contrato de sublocação de imóvel, celebrado em 01/03/2008, entre a INTEC, na qualidade de sublocadora, e a fiscalizada, na qualidade de sublocatária, dos armazéns 1 e 2, localizados na Rua Francisco de Souza e Melo, 252, Cordovil, Rio de Janeiro/RJ, pelo valor mensal de R$ 13.950,00; 3. fls. 713/743 – aditivo ao contrato de locação de 17/05/2008, celebrado em 08/01/2010, entre BRPR XXVI EMPREEND. E PARTIC. LTDA., CNPJ nº 08.839.112/000142, na qualidade de locadora, e a fiscalizada na qualidade de locatária, do imóvel situado na Avenida Portugal, 1100, Itaqui, Itapevi/SP (sede da filial da fiscalizada aberta em 10/09/2007, e depois sede da empresa a partir de 13/05/2008 – cf. Ficha Cadastral da JUCESP), pelo valor mensal de R$ 775.786,21, a ser reajustado após entrega de área adicional a ser construída pela locadora; 4. fls. 690/697 contrato de locação não residencial, celebrado em 26/08/2009, entre GB ARMAZÉNS GERAIS LTDA. (CNPJ nº 77.376.093/000188), na qualidade de locadora, e a filial da fiscalizada, CNPJ nº 04.019.475/000695, na qualidade de locatária, com sede na Rua Francisco de Souza e Melo, 252, Armazéns 1 e 2, Cordovil, Rio de Janeiro/RJ, , tendo por objeto da locação o armazém 7 do imóvel, localizado no mesmo endereço, pelo valor mensal de aluguel de R$ 25.994,12; 5. fls. 698/699 – aditivo ao contrato de locação de 26/08/2009, celebrado em 14/12/2009, para inclusão dos armazéns 8 e 9 do imóvel situado no mesmo endereço, passando o preço do aluguel para R$ 79.598,92. Fl. 1698DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.699 19 Conforme consulta CNPJ, MGM Empresa de Participacoes e Empreendimentos Imobiliários Ltda. é a antiga denominação social da BRPR XXVI Empreendimentos e Participações Ltda. Como se confirma que os imóveis locados se destinam à atividade empresarial, onde estabelecidas as sedes e algumas filiais, impõese admitir a dedutibilidade das despesas efetivamente comprovadas pela documentação, conforme abaixo: Data Valor Histórico Comprovado Não Comprovado 22/01/2009 319.656,24 VL.DOC 705 012009 MGM 319.656,24 26/03/2009 20.791,80 VL.DOC 706 000081 INTEC 20.791,80 08/04/2009 20.791,80 VL.DOC 706 000112 INTEC 20.791,80 21/05/2009 337.409,80 VL.DOC 705 052009 MGM 337.409,80 22/05/2009 20.699,72 VL.DOC 706 000137 INTEC 20.699,72 12/06/2009 20.699,72 VL.NFE. 000169 LUFT. 20.699,72 16/06/2009 337.409,80 VL.DOC 705 062009 MGM 337.409,80 20/07/2009 21.009,85 VL.NFE. 000190 INTEC 21.009,85 23/07/2009 337.409,80 VL.DOC 705 072009 MGM 337.409,80 31/07/2009 20.699,72 VL.NFE. 000222 INTEC 20.699,72 24/08/2009 337.409,80 VL.DOC 705 082009 MGM 337.409,80 24/09/2009 337.409,80 VL.DOC 705 092009 MGM 337.409,80 07/10/2009 20.699,72 VL.NFE. 000000295 INTEC 20.699,72 26/10/2009 337.409,80 VL.DOC 705 102009 MGM 337.409,80 10/11/2009 21.425,78 VL.NFE. 000000309 INTEC INT NACIONAL T 21.425,78 31/12/2009 26.014,16 VLR.REF. ALUGUEL 12/09 GB ARMAZENS 26.014,16 2.536.947,31 2.516.247,59 20.699,72 Nesse tópico, a única despesa cuja comprovação não foi admitida se refere à contabilizada em 12/06/2009, no valor de R$ 20.699,72, em favor da LUFT, sendo certo que nenhum contrato foi apresentado com esta empresa na qualidade de locadora ou sublocadora. GGLLOOSSAA DDEE DDEESSPPEESSAASS CCOONNTTAABBIILLIIZZAADDAASS NNAA CCOONNTTAA ““MMAATTEERRIIAALL DDEE EEMMBBAALLAAGGEEMM”” A glosa relativamente a essa conta abrangeu dois lançamentos efetuados em 03/11/2009, no valor de R$ 20.040,00 cada um deles, com o seguintes históricos respectivamente: “VL.NFE. 000000083 CIBRAGEL” e “VL.NFE. 000000093 CIBRAGEL”, e deve ser mantida porque não localizados nos autos qualquer documento de suporte dos registros contábeis. Fl. 1699DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.700 20 DDAA DDEEMMOONNSSTTRRAAÇÇÃÃOO DDOO MMOONNTTAANNTTEE TTRRIIBBUUTTÁÁVVEELL MMAANNTTIIDDOO NNOO JJUULLGGAAMMEENNTTOO Diante de tal quadro fático e normativo, podem ser assim demonstradas as despesas cuja escrituração ainda remanescem sem a devida comprovação: Conta Data Histórico Valor Ass. Operacional 02/01/2008 REF PAGTO MATRIX NF B12/07 DESC R$ 1791,86 (34/36) EMP IND+R$ 44.620,48 Ass. Operacional 30/01/2008 REF PAGTO MATRIX 50% RESTANTE BONUS/2007 44.620,48 Ass. Operacional 31/01/2008 REF PAGTO MATRIX BONUS/07 DESC.R$ 1791,86 EMP IND(35/36 44.620,48 Vigil. E Segurança 31/01/2008 REF PAGTO EXCEL NF 00001053 20.756,40 Ass. Operacional 01/02/2008 REF PAGTO CRISTINA NEVES RABELO DE OLIVEIRA NF 15 BONUS 2007 20.000,00 Ass. Operacional 01/02/2008 REF PAGTO ORBITAL NFS 000046/48 MES JAN/08 E BONUS/2007 38.160,00 Ass. Operacional 01/02/2008 REF PAGTO RAFAEL DE CASTRO MARTAU NF 044 BONUS 2007 21.667,80 Ass. Operacional 01/02/2008 REF PAGTO ALMEIDA NF 041 BONUS 2007 23.790,00 Ass. Operacional 01/02/2008 REF PAGTO ALMEIDA NF 042 BONUS 2007 32.900,00 Ass. Operacional 01/02/2008 REF PAGTO GCPS NF 056 BONUS 2007 20.000,00 Ass. Operacional 01/02/2008 REF PAGTO EQUIPO NF 0106 BONUS 2007 20.000,00 Ass. Operacional 07/02/2008 REF PAGTO MATRIX MES JAN/08 44.620,48 FretesGerenciam. 25/03/2008 REF JAN E FEV /2008 GER. DE FRETE 800.000,00 Ass. Operacional 25/04/2008 IRRF REF NF B03/08 MATRIX 47.297,71 Vigil. E Segurança 28/04/2008 REF NF 00001381 EXCEL 44.490,24 Ass. Operacional 19/06/2008 ASS REF FAT B02/08 MATRIX 47.297,71 Ass. Operacional 19/06/2008 ASS REF FAT B05/08 MATRIX 94.595,41 Ass. Operacional 19/06/2008 ASS REF FAT B105/08 MATRIX 26.150,25 Ass. Operacional 17/07/2008 ASS REF FAT B06/08 MATRIX 47.297,71 Ass. Operacional 07/08/2008 ASS REF FAT B07/08 MATRIX 47.297,71 Ass. Operacional 09/09/2008 ASS REF FAT B08/08 MATRIX 47.297,71 Ass. Operacional 15/10/2008 ASS REF FAT B09/08 MATRIX 47.297,71 Fretes 22/10/2008 VLR REF FAT 054038 INTEC TRANSFERENCIA ABL PER. 01/04 A 136.561,03 Ass. Operacional 13/11/2008 DOC 705 B1008 MATRIX 47.297,71 Ass. Operacional 28/11/2008 NFE. 1108 MATRIX 47.297,71 Vigil. E Segurança 28/11/2008 NFE. 1901 EXCEL 31.691,81 Vigil. E Segurança 26/12/2008 NFE. 2022 EXCEL 30.137,18 Total da Glosa Mantida do Anocalendário 2008 1.917.763,72 Conta Data Histórico Valor Ass. Operacional 01/01/2009 VL.NFE. 000018 ALEXANDRAS 5.300,00 Ass. Operacional 06/01/2009 VL.NFE. 000001 ALMEIDA 17.437,00 Ass. Operacional 13/03/2009 VL.NFE. 000280 FLM 12.850,00 Ass. Operacional 31/03/2009 VL.NFE. 000003 RAPHAEL DEL BONNE 5.465,00 Fretes 22/05/2009 VL.DOC 705 000149 INTEC 107.000,00 Fretes 15/06/2009 VL.NFE. 000163 LUFT. 107.000,00 Aluguel de Imóveis 12/06/2009 VL.NFE. 000169 LUFT. 20.699,72 Material de Embal. 03/11/2009 VL.NFE. 000000083 CIBRAGEL 20.040,00 Material de Embal. 03/11/2009 VL.NFE. 000000093 CIBRAGEL 20.040,00 Total da Glosa Mantida do Anocalendário 2009 315.831,72 Fl. 1700DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.701 21 No que tange ao auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, destaquese que se trata de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, e assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação àquele constitui prejulgado na decisão do lançamento dele decorrente. DDAA GGLLOOSSAA DDAA CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO DDEE PPRREEJJUUÍÍZZOOSS FFIISSCCAAIISS EE BBAASSEE DDEE CCÁÁLLCCUULLOO NNEEGGAATTIIVVAA DDAA CCSSLLLL Protesta a defesa contra a glosa da compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário de 2009, no valor de R$ 299.265,03, porque o lançamento anterior que lhe teria dado causa, relativo ao anocalendário 2007, teria sido impugnado e ainda não proferida a decisão final, e que havendo cancelamento daquela autuação, com o restabelecimento do prejuízo fiscal de 2007, automaticamente a presente exigência se tornaria insubsistente. Na ótica da Impugnante, como o lançamento do fato gerador relativo ao ano calendário de 2007 se encontraria com a exigibilidade suspensa não poderia gerar efeitos nos períodos seguintes, enquanto não esgotada a discussão administrativa, impondose o cancelamento da autuação também desta matéria. Entretanto, não se pode dar razão à Impugnante, principalmente porque a suspensão da exigibilidade somente se aplica ao crédito tributário exigível, ou seja, aquele objeto de lançamento de ofício, e não propriamente à retificação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, e às compensações do saldo de períodos anteriores de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, efetuadas no anocalendário de 2007. Somente quando a retificação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL de 2007 e a compensação do saldo de períodos anteriores gerou crédito tributário exigível, o que ocorreu em 2009, ano em que a contribuinte procedeu à utilização do prejuízo e da base de cálculo negativa já retificados ou já utilizados em 2007, é que foi efetuado lançamento de ofício, que se encontra suspenso por conta da presente impugnação, e não por causa daquela apresentada no processo nº 19515.720891/201294. De qualquer forma, tem razão a defesa quando afirma que a presente exigência é decorrente daquela apreciada por esta Turma de Julgamento naquele processo (19515.720891/201294), conforme Acórdão nº 1646.144, de 24/04/2013 (cópias juntadas às fls. 1557/1584), em que o montante tributável apurado exofficio foi assim alterado: Lançamento Mantido DRJ Valor Tributável Ex Officio 53.915.631,23 39.441.943,36 Prejuízo/Base de Cálculo Negativa do Período 2.058.067,58 2.058.067,58 Lucro Real/Base de Cálculo CSLL Ajustados 51.857.563,65 37.383.875,78 Limite de Compensação – 30% 15.557.269,10 11.215.162,73 Prejuízo de Per. Anteriores Compensado 7.076.563,21 7.076.563,21 Valor Trib. Após Compensação 44.781.000,44 30.307.312,57 Fl. 1701DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.702 22 Notese que apesar da redução do montante tributável de R$ 53.915.631,23 para R$ 39.441.943,36, não houve alteração quanto à reversão do prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL apurados no período (R$ 2.058.067,58) para lucro real/base de cálculo da CSLL, nem quanto à compensação do saldo de períodos de anteriores (R$ 7.076.563,21). No anocalendário de 2008, no lançamento ora sob apreciação, houve novamente a reversão do prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL apurados no período de R$ 311.379,64 para lucro real/base de cálculo da CSLL de R$ 1.606.384,08 (a diferença entre o montante tributável mantido de R$ 1.917.763,72 e o prejuízo fiscal apurado pela contribuinte de R$ 311.379,64). Desta forma, no anocalendário de 2009, não há prejuízos/bases de cálculo negativas de períodos anteriores disponíveis para a compensação efetuada pela contribuinte na DIPJ 2010, pelo que procedente a exigência. Por todo o exposto, VOTO por JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, conforme demonstrativos em anexo. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO Lançamento Mantido DRJ IRPJ 2008 2008 Valor Tributável 18.628.515,35 1.917.763,72 Prejuízo do Período 311.379,64 311.379,64 Lucro Real Ajustado 18.317.135,71 1.606.384,08 Alíquota 15% 2.747.570,36 240.957,61 Adicional 1.807.713,57 136.638,41 Total do IRPJ Devido 4.555.283,93 377.596,02 Lançamento Mantido DRJ IRPJ 2009 2009 Valor Tributável 13.627.925,71 315.831,72 Prejuízo do Período Lucro Real Ajustado 13.627.925,71 315.831,72 Alíquota 15% 2.044.188,86 47.374,76 Adicional 1.362.792,57 31.583,17 Total do IRPJ Devido 3.406.981,43 78.957,93 Lançamento Mantido DRJ CSLL 2008 2008 Valor Tributável 18.628.515,35 1.917.763,72 BCNeg. do Período 311.379,64 311.379,64 BC CSLL Ajustada 18.317.135,71 1.606.384,08 Alíquota 9% 1.648.542,21 144.574,57 Lançamento Mantido DRJ CSLL 2009 2009 Valor Tributável 13.627.925,71 615.096,75 BCNeg. do Período BC CSLL Ajustada 13.627.925,71 615.096,75 Alíquota 9% 1.226.513,31 55.358,71 Fl. 1702DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.703 23 Principal Multa de Ofício 75% Trib. Per. Apur. Exigido Cancelado Mantido Exigida Cancelada Mantida IRPJ 2008 4.555.283,93 4.177.687,91 377.596,02 3.416.462,95 3.133.265,93 283.197,02 IRPJ 2009 3.406.981,43 3.328.023,50 78.957,93 2.555.236,07 2.496.017,63 59.218,45 Total IRPJ 7.962.265,36 7.505.711,41 456.553,95 5.971.699,02 5.629.283,56 342.415,46 CSLL 2008 1.648.542,21 1.503.967,64 144.574,57 1.236.406,66 1.127.975,73 108.430,93 CSLL 2009 1.226.513,31 1.171.154,60 55.358,71 919.884,98 878.365,95 41.519,03 Total CSLL 2.875.055,52 2.675.122,25 199.933,27 2.156.291,64 2.006.341,68 149.949,96 Total do Processo 10.837.320,88 10.180.833,66 656.487,22 8.127.990,66 7.635.625,24 492.365,42 Fl. 1703DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.704 24 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Os recursos voluntário e de ofício atendem aos pressuposto de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Recurso Voluntário A decisão da Instância a quo manteve as glosas das seguintes contas de despesas: Quadro1: Glosas Mantidas Despesas/Contas Valor da glosa mantida Motivo “Fretes Rodoviários”, “Fretes Pessoa Jurídica”, “Fretes Aéreo”, “Fretes Distribuição” R$ 350.561, 03 Não apresentação do documento comprobatório (Notas Fiscais). “Fretes –Gerenciamento” R$ 800.000,00 Não apresentação do documento comprobatório (Notas Fiscais). “Assessoria Operacional” R$ 895.179,06. Ausência de discriminação adequada dos serviços prestados em relação em relação a maior parte das Notas Fiscais. Manutenção parcial da glosa por ausência de comprovação, pois não é possível identificar o serviço prestado. “Vigilância” e “Segurança Predial” R$127.075,63 Não apresentação do documento comprobatório (Notas Fiscais). “Aluguel de Imóveis” R$ 20.699,72, Não apresentação do documento Fl. 1704DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.705 25 comprobatório (contrato de locação). “Material de Embalagem” R$ 40.080,00 Não apresentação do documento comprobatório (Notas Fiscais). Quanto à Glosa da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, verificase que foi mantida integralmente no valor de R$ 299.265,03, sob o argumento de que, no anocalendário de 2009, não houve prejuízo de períodos anteriores disponíveis para a compensação efetuada pelo Contribuinte na DIPJ 2010. A recorrente em seu recurso voluntário, apresenta argumentos de fato e de direito, insurgindose contra o Acórdão da DRJ. Da Glosa Realizada e os limites delineados pelo Auto de Infração. A recorrente afirma que o único argumento utilizado pela autoridade Fiscal que lavrou o Auto de Lançamento, para glosar as despesas, é que a Contribuinte não teria comprovado o pagamento das despesas relacionadas na planilha "Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados" e, por esta razão, não poderiam sido deduzidas na apuração do IRPJ e da CSLL de 2008 e 2009. Destaca que no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal não colocou em dúvida a existência ou a necessidade destas despesas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Repisa que, conforme o Auto de Infração, o único fato invocado pela Sra. Auditora Fiscal é a alegada falta de comprovação do pagamento destas despesas incorridas. Alega que em razão do regime de competência a que estão submetidas as empresas tributadas pelo regime do Lucro Real, como é o caso da Contribuinte, basta que se tratem de despesas necessárias e que tenham sido incorridas pela Contribuinte para serem as mesmas dedutíveis, sendo desnecessária a prova da respectiva quitação. Todavia, a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração, glosou despesas, incorridas e registradas pela Contribuinte durante os anos de 2008 e 2009, por alegada ausência de "comprovação de pagamento", o que não procede pois, como visto, a prova de pagamento não é requisito essencial à dedutibilidade de despesa comprovadamente incorrida pela empresa. Refere que em momento algum, no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal comprovou (ou sequer alegou) que as despesas glosadas não seriam necessárias à atividade da empresa, ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Lembra que tais despesas estão regularmente escrituradas na contabilidade da contribuinte, bem como que o Decreto 7.574/2011 assim dispõe: Fl. 1705DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.706 26 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § lo). Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (Decretolei n* 1.598, de 1977, art. 9?, § 2^). Afirma que, conforme demonstrado na Impugnação Fiscal, competia à Contribuinte demonstrar que havia realizado a escrituração da despesa, e não comprovar o desembolso dos valores a ela relativos. Refere que em momento algum, no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal comprovou (ou sequer alegou) que as despesas glosadas não seriam necessárias à atividade da empresa, ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Afirma que as evidências trazidas pela Contribuinte em sua impugnação não deixam quaisquer dúvida de que as despesas glosadas foram efetivamente incorridas, não havendo que se falar em qualquer possibilidade de glosa, sendo, portanto, improcedente o lançamento fiscal neste aspecto. Verificase, conforme Termo de Verificação Fiscal 20082009, que a recorrente foi intimada a comprovar por meio de documentação idônea, coincidente em data e valor os lançamentos contidos nas contas de despesas “Fretes Rodoviários”, “Fretes Pessoa Jurídica”, “Fretes Aéreo”, “Fretes Distribuição”, “Fretes –Gerenciamento”, “Assessoria Operacional”, “Vigilância” e “Segurança Predial”, “Aluguel de Imóveis” e “Material de Embalagem”, bem como o pagamento das referidas despesas ou custos referente a 2008/2009. Verificase ainda, nas planilha de custos e serviços de terceiros não comprovados os Status de "não comprovado" e "pgto não comprovado". Notase que a Autoridade Fiscal utilizou os critérios de apresentação do documento comprobatório e dos referidos pagamentos para considerar a dedutibilidade das despesas. Portanto não assiste razão à recorrente na alegação de que o único argumento utilizado pela autoridade Fiscal que lavrou o Auto de Lançamento, para glosar as despesas, é que a Contribuinte não teria comprovado o pagamento das despesas relacionadas na planilha "Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados" e, por esta razão, não poderiam sido deduzidas na apuração do IRPJ e da CSLL de 2008 e 2009. Ressaltase que a escrituração da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. Logo, competia à recorrente apresentar documentos hábeis que dessem suporte às despesas registradas em sua contabilidade. Não tendo sido apresentados esses documentos temse como não comprovadas as despesas. Fl. 1706DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.707 27 É fato incontroverso que em momento algum, no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal alegou que as despesas glosadas não seriam necessárias à atividade da empresa, ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, por esse motivo essa questão é irrelevante para o presente caso, pois as despesas foram glosadas por ausência de comprovação, seja por falta de apresentação de documentação hábil e/ou comprovação dos pagamentos. Ressaltase que a decisão de 1ª Instância entendeu que é frágil a glosa do custo/despesa baseada unicamente na falta de comprovação do pagamento, quando não questionada a idoneidade da documentação hábil apresentada e a efetividade da prestação do serviço, devidamente discriminado no documento fiscal. Para que a imputação se sustente, necessária é a desconstituição da validade das faturas e dos contratos apresentados. Por outro lado, para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica retratada no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc.). Justamente por isso as notas fiscais/faturas, quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, não são consideradas hábeis e suficientes a dar suporte às operações, momento em que se impõe também a comprovação dos pagamentos efetuados. Aferese no "Quadro 1 Glosas Mantidas", que a maioria das glosas mantidas devese a não apresentação do documento comprobatório da respectiva despesa. Exceto na análise da conta “Assessoria Operacional”, que mantevese a glosa por ausência de discriminação adequada dos serviços prestados em relação em relação a maior parte das Notas Fiscais. Pelos motivos expostos, devem ser afastadas as alegações da recorrente quanto às glosas efetuadas, não merecendo reparo a decisão de 1ª Instância. Fl. 1707DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.708 28 Da Glosa da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL A recorrente alega que o ilustre julgador de primeiro grau entendeu por manter a glosa do prejuízo fiscal aproveitado pela Contribuinte no ano de 2009, no valor de R$ 299.265,03, por entender que todo o saldo de prejuízo fiscal já aproveitado nos exercícios anteriores. Esclarece que, conforme consta do próprio acórdão recorrido, no ano de 2007 foi realizada uma compensação de ofício pela Receita Federal do Brasil no âmbito de outra autuação (processo n. 19515.720891/201294) relativa a IRPJ/CSLL. Naquele momento foram compensados de ofício, na própria autuação, R$ 7.076.563,21, fato este que reduziu o estoque de prejuízo fiscal para os anos seguintes e impactou diretamente no saldo de prejuízo para o ano de 2009. Informa que tal autuação fiscal, relativa ao ano de 2007, no âmbito da qual ocorreu a referida compensação de ofício, foi tempestivamente impugnada pela Contribuinte e atualmente encontrase suspensa e aguardando julgamento do Recurso Voluntário. Deduz que caso seja julgado procedente aquele recurso voluntário e com o conseqüente cancelamento daquela autuação, automaticamente o saldo de prejuízo fiscal em 2009 será aumentado em R$ 7.076.563,21, o que tornará insubsistente a presente autuação no ponto em que não reconhece o prejuízo fiscal aproveitado pela Contribuinte no ano de 2009, no valor de R$ 299.265,03. Alega que, como a compensação de ofício que reduziu o saldo de prejuízo fiscal existente no ano de 2009 continua suspensa, ante a propositura do Recurso Voluntário pelo Contribuinte, não pode a mesma gerar efeitos enquanto não esgotada integralmente a instância administrativa relativa àquela autuação, razão pela qual a presente glosa deve ser desconstituída também neste ponto. Verificase que não se pode dar razão à Impugnante, principalmente porque a suspensão da exigibilidade somente se aplica ao crédito tributário exigível, ou seja, aquele objeto de lançamento de ofício, e não propriamente à retificação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, e às compensações do saldo de períodos anteriores de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, efetuadas no anocalendário de 2007. Contatase que, somente quando a retificação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL de 2007 e a compensação dos saldos de períodos anteriores gerou crédito tributário exigível, o que ocorreu em 2009, ano em que a contribuinte procedeu à utilização do prejuízo e da base de cálculo negativa já retificados ou já utilizados em 2007, é que foi efetuado lançamento de ofício, que se encontra suspenso por conta da presente impugnação, e não por causa daquela apresentada no processo nº 19515.720891/201294. De qualquer forma, tem razão a defesa quando afirma que a presente exigência é decorrente daquela apreciada por este Colegiado naquele processo (19515.720891/201294), em que o montante tributável apurado exofficio foi assim alterado: Fl. 1708DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.709 29 Lançamento Mantido DRJ Mantido CARF Valor Tributável Ex Officio 53.915.631,23 39.441.943,36 10.608.347,19 Prejuízo/Base de Cálculo Negativa do Período 2.058.067,58 2.058.067,58 2.058.067,58 Lucro Real/Base de Cálculo CSLL Ajustados 51.857.563,65 37.383.875,78 8.550.279,61 Limite de Compensação – 30% 15.557.269,10 11.215.162,73 2.565.083,88 Prejuízo de Per. Anteriores Compensado 7.076.563,21 7.076.563,21 2.565.083,88 Valor Trib. Após Compensação 44.781.000,44 30.307.312,57 5.985.195,73 Notese que houve redução do montante tributável de R$ 53.915.631,23 para 10.608.347,19, não houve alteração quanto à reversão do prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL apurados no período (R$ 2.058.067,58) para lucro real/base de cálculo da CSLL, contudo houve alteração da compensação do saldo de períodos de anteriores (de R$ 7.076.563,21 para R$ 2.565.083,88 ), restando o saldo de R$ 4.511.479,33 de Prejuízo de Períodos Anteriores. No anocalendário de 2008, no lançamento ora sob apreciação, houve novamente a reversão do prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL apurados no período de R$ 311.379,64 para lucro real/base de cálculo da CSLL de R$ 1.606.384,08 (a diferença entre o montante tributável mantido de R$ 1.917.763,72 e o prejuízo fiscal apurado pela contribuinte de R$ 311.379,64). Desta forma, no anocalendário de 2009, há prejuízos/bases de cálculo negativas de períodos anteriores disponíveis para a compensação efetuada pela contribuinte na DIPJ 2010, pelo que improcedente a exigência. Reconhecido o saldo de Prejuízo/Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores, após provimento parcial no processo 19515.720891/201294, alegouse da tribuna o aproveitamento de Prejuízo/Base de Cálculo Negativa de anoscalendário anteriores nos lançamentos efetuados nos anoscalendário de 2008 e 2009. Entendese que deve ser acatado e deferido o pedido, observandose o limite legal de compensação de 30%. Quanto aos lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão de auto de infração decorrente. Fl. 1709DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.710 30 Recurso de Ofício O Acórdão de 1ª instância exonerou da base de cálculo do lançamento os valores referentes a despesas que entendeu comprovadas com base em documentos e critérios utilizados para aceitação da dedutibilidade. Elaborouse quadro resumo dos documentos apresentados e dos critérios de dedutibilidade. Despesas/Contas Documentos Comprobatórios Critérios “Fretes Rodoviários”, “Fretes Pessoa Jurídica”, “Fretes Aéreo”, “Fretes Distribuição” Faturas da Intec, empresa do mesmo grupo do contribuinte. Glosa de despesa não se sustenta apenas na falta de comprovação de pagamentos. Dedutibilidade de R$ 15.917.576,76 (2008). Não comprovada R$ 136.561,03 (2008). Dedutibilidade de R$ 15.550.881,71 (2009). Não comprovada R$ 214.000,00 (2009). “Fretes –Gerenciamento” Não foi localizado quaisquer documento. No demonstrativo da defesa não foi indicado qualquer documento. Glosas mantidas. “Assessoria Operacional” Notas Fiscais Eletrônicas de Serviços Ausência de discriminação adequada dos serviços prestados em relação em relação a maior parte das Notas Fiscais. Manutenção parcial da glosa por ausência de comprovação, pois não é possível identificar o serviço prestado. Dedutibilidade de R$ 378.568,00 (2008) Não comprovada R$ 854.127,06 (2008) Não comprovada R$ 41.052,00 (2009) Fl. 1710DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.711 31 “Vigilância” e “Segurança Predial” Notas Fiscais da empresa EXCEL SEGURANÇA PATRIMONIAL LTDA. Foram validadas a dedutibilidade das despesas, cuja documentação hábil de suporte foi apresentada. Não comprovada R$ 127.075,63. “Aluguel de Imóveis” Contratos de locação, em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em discussão Dedutibilidade no valor de R$ 2.516.247,59. Não comprovada R$ 20.669,72, em favor da LUFT, pois nenhum contrato foi apresentado com esta empresa. “Material de Embalagem” Não foram localizados nos autos qualquer documentos de suporte dos registros contábeis. Glosas mantidas. Verificase que a exoneração dos valores da base de cálculo do lançamento ocorrido devido a apresentação de documentos na impugnação (faturas, contrato de locação, notas fiscais eletrônicas, notas fiscais/faturas de serviço). Entendese que os documentos aceitos pela Acórdão da DRJ são hábeis a comprovar a dedutibilidade das referidas despesas. Quantos aos critérios adotados, esses são razoáveis, com base legal e de acordo com a jurisprudência colacionados na decisão a quo. Portanto, não merece reparos as conclusões e análises realizadas quanto aos documentos apresentados com base nos critérios para a regular dedutibilidade das referidas despesas. Fl. 1711DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722626/201241 Acórdão n.º 1402003.580 S1C4T2 Fl. 1.712 32 Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para deferir a utilização, na execução do presente acórdão, do saldo de Prejuízos/Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores, apurado com os efeitos da decisão desse colegiado no processo 19515.720891/201294. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1712DF CARF MF Documento de 32 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0219.15102.MX91. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EVANDRO CORREA DIAS em 20/12/2018 11:14:00. Documento autenticado digitalmente por EVANDRO CORREA DIAS em 20/12/2018. Documento assinado digitalmente por: PAULO MATEUS CICCONE em 07/02/2019 e EVANDRO CORREA DIAS em 20/12/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/02/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.0219.15102.MX91 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: AD62764E00EC3EC3328604CB1B068E1D3A0CD798E82E871E9E94D5E2DD78AB2F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.722626/2012-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10920.004417/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/01/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais previdenciárias.
INAPTIDÃO DO CNPJ. DRJ. COMPETÊNCIA.
Está nos limites de competência da Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas à declaração de inaptidão do CNPJ.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.com o novo art. 35 ou com o art. 35-A, todos da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer parcialmente do recurso, deixando de conhecer a questão envolvendo (a.1) a matéria relativa às verbas indenizatórias e (a.2) a declaração de inaptidão de sociedades, e, em relação à matéria conhecida, dar parcial provimento ao recurso para determinar a aplicação da Súmula CARF n.º 119.
(assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente
(assinado digitalmente)
WESLEY ROCHA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais previdenciárias. INAPTIDÃO DO CNPJ. DRJ. COMPETÊNCIA. Está nos limites de competência da Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas à declaração de inaptidão do CNPJ. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.com o novo art. 35 ou com o art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 44 17 /2 00 9- 60 Fl. 763DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer parcialmente do recurso, deixando de conhecer a questão envolvendo (a.1) a matéria relativa às verbas indenizatórias e (a.2) a declaração de inaptidão de sociedades, e, em relação à matéria conhecida, dar parcial provimento ao recurso para determinar a aplicação da Súmula CARF n.º 119. (assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente (assinado digitalmente) WESLEY ROCHA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela INDÚSTRIA DE BORRACHAS NSO LTDA, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (5ª Turma da DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. Conforme relatório fiscal (fls. 08 e seguintes do eprocesso), AIAuto de Infração DEBCAD N°. 37.126.1643, referente a multa por apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas Código de Fundamento Legal 68. O relatório do Acórdão recorrido (fls. 714, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: "O Auto de Infração em pauta (DEBCAD n° 37.126.1643) foi lavrado em razão da sociedade empresária Indústria de Borrachas NSO Ltda ter cometido a infração que O era prevista no artigo 32, inciso IV e §5°, da Lei n° 8.212/1991, ao apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as 'contribuições'sociais previdenciárias. Conforme se depreende dos autos, a presente autuação foi lavrada porque a Autuada deixou de incluir em GFIP de competências compreendidas no período de 05/2005 a 01/2007, remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que serviram de base de cálculo para o lançamento de contribuições sociais previdenciárias nos autos de infração de DEBCAD n° 37.126.1678, n° 37.126.1686 e n° 37.126.1660. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10920.004417/200960 Acórdão n.º 2301005.616 S2C3T1 Fl. 3 3 A autoridade fiscal ressalta, em seu relatório (fls. 07 a 20), que a multa lançada na presente autuação se refere somente a competências em que as penalidades (por descumprimento de obrigação principal e de obrigação acessória de declarar fatos geradores em GFIP) previstas na legislação que era vigente antes da edição da Medida Provisória n° 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009), se mostraram, nos tennos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, mais benéficas à Autuada do que as O penalidades aplicáveis com supedâneo na legislação vigente a partir da edição da citada medida l provisória (n° 449/2008). Foi aplicada multa no valor de R$ 266.636,00 (duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos e trinta e seis reais), de acordo com o que era previsto no artigo 32, §5°, da Lei n° 8.212/1991, c/c os artigos 284, inciso II, e 373 do Regulamento da Previdência Social, e a Portaria Intemiinisterial MPS (Ministério da Previdência Social) / MF (Ministério da Fazenda) n° 48, de 13/02/2009). Após seus argumentos em sede de impugnação não terem sidos acolhidos, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 729, e seguintes do eprocesso, aduzindo o seguinte: A impossibilidade de declaração de inaptidão do CNPJ das empresas KP MJ por parte da então Secretaria da Receita Federal (através da sua delegacia em Joinville) em razão da falta de competência para tanto violação ao principio da legalidade. Nulidade do processo administrativo que declarou a inaptidão das duas pessoas jurídicas por violação aos princípios da ampla defesa, devido processo legal, contraditório e a publicidade e, de conseqüência, inexistência de base fáticojurídica para os lançamentos das contribuições sociais A impossibilidade e de retroação dos efeitos da declaração de lnaptidão anteriores a março de 2007 violação ao principio da legalidade Os Lançamentos indevidos referentes as competências 01, 09 e 10/2007, Referente As Empresas KP E MJ. Lançamento indevido referente à competência 13/2006 DA N.S.O (fato gerador próprio). Verbas sobre as quais não devem incidir a contribuição previdenciária a encargo do empregador (cota patronal) e que devem ser glosadas do lançamento. Nesse ponto a recorrente alega que seria uma tese sucessiva em relação aos itens anteriores argumentados por ela acima. Alega a não incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre verbas pagas a título de auxílio doença, efetuado pelo empregador nos 15 primeiros dias do evento "ensejador" (sic) do acidente/doença, bem como a não incidência a partir de janeiro/2009 sobre o valor pago a título de aviso prévio indenizado, adicional noturno; terço constitucional de férias gozadas, e adicional de insalubridade. Fl. 765DF CARF MF 4 retroação da multa de mora de que trata o art. 35, da lei n° 8.212/91 com redação dada pela mp 449/08 e convertida na lei n° 11.941/09, em substituição a multa de mora do art. 35, II, da lei n° 8.212/91 com a redação revogada pelos instrumentos referidos. Reconhecer o bis in idem em relação às multas aplicadas nos auto de infrações n.º 37.126.1686 e 37.126.1678, excluindose totalmente as multas impostas no presente AI Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. DELIMITAÇÃO DA LIDE EM FASE RECURSAL Em seu recurso a recorrente apresenta diversos pedidos que não são objetos de autuação, pois esse tratase de descumprimento da obrigação acessória (referente a multa por apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas), Contudo, as matérias alegadas não formaram conteúdo de lançamento, sendo lavrado somente por não ter sido recolhido o valor principal devido. Assim, não conheço das matérias que não fazem parte do presente processo. Nessas circunstâncias, passo a analisar as demais matérias aduzidas. DA NULIDADE ALEGADA Alega a recorrente que existe nulidade devido ao cerceamento ao direito de defesa por terceiras empresas ter sido declaradas inaptas sem ter sido intimadas. Além disso, argumenta a recorrente que o art. da IN 42 da IN 568/2005, é inconstitucional, uma vez que autoriza a suspensão do CNPJ antecipadamente (sem intimação para defesa). No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10920.004417/200960 Acórdão n.º 2301005.616 S2C3T1 Fl. 4 5 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Nesse sentido, conforme se constada do relatório fiscal , o procedimento adotado pela fiscalização teria ocorrido de forma regular, dos Atos Declaratórios Executivos/Delegacia da Receita Federal em Joinville n°s. 03 e 04, respectivamente, ambos de 27/02/2007, publicados no Diário Oficial da União em 28/02/2007 e, com efeitos a partir de 01/01/2002, cujas cópias juntamos ao presente relatório. Ainda, o art. 80, nos seus parágrafos §2º e §3°, que tiveram redação alterada pela Lei n° 11.941/2009, determinava a suspensão cautelar do CNPJ, e também autorizava a intimação do ato via DOU. Ademais, o CARF carece de competência para analisar ilegalidade ou constitucionalidade de lei, conforme dispõe o art. art. 26A, do Decreto o Decreto n° 70.235/1972, e da Súmula CARF n.º 02, assim transcritos: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade" Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". A referida fundamentação também serve para todas as demais alegações de inconstitucionalidade alegada pela recorrente em seu recurso. DA COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DE CNPJ A recorrente realiza as mesmas argumentações de sua impugnação, referente à competência do Secretário da Receita Federal local para declaração de inaptidão de empresa considerada inexistente, em razão da falta de competência para tanto, a qual aduz que haveria violação ao principio da legalidade. Porém, mais uma vez sua pretensão não pode prosperar. Primeiro que, conforme Instrução Normativa RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) n° 568, de 08/09/2005, dispõe sobre o cadastro nacional da pessoa jurídica (CNPJ), aplicada à época dos fatos geradores, o Secretário possui competência para o referido ato, conforme transcrição abaixo: O SECRETÁRIOGERAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, "(...) resolve: (‹) Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: III inexistente de falo; Fl. 767DF CARF MF 6 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa JURÍDICA que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II não for localizada na endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante a CNPJ e seu preposto; _ III tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; 0 IV se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos 1, 11 e quando caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Art. 42. 0 Delegado da DRF, da DERAT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (DEFIC) ou da DEINJ com jurisdição sobre o domicílio tributário da pessoa jun'dica, acatando a representação referida no parágrafo único do art. 41, suspendem' sua inscrição no CNPJ, intimandoa, por meio de edital publicado na DOU, a regularizar, no prazo de trinta dias, sua situação ou contrapor as razões da representação. Art. 43. Na falta de atendimento à intimação referida no art. 42, ou quando não acatadas as contraposições apresentadas, a inscrição no CNPJ será declarada inapta por meio de ADE do Delegado da DRF, da Derat, da Defic ou da Deinfi publicado no DOU, no qual serão indicados o nome empresarial e o número de inscrição da pessoa jurídica no CNPJ". Portanto, existe determinação administrativa para o ato do Secretário da Receita Federal. Segundo que a alegação de ilegalidade do ato, não compete a esse órgão julgador realizar o controle de ilegalidade ou inconstitucionalidade, diante do art. 26A, do Decreto o Decreto n° 70.235/1972, e da Súmula CARF n.º 02. DAS VERBAS INDENIZATÓRIAS Pede a recorrente o afastamento da incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre verbas pagas a título de auxílio doença, efetuado pelo empregador nos 15 primeiros dias do evento que ensejou o acidente/doença, bem como a não incidência a partir de janeiro/2009 sobre o valor pago a título de aviso prévio indenizado, adicional noturno; terço constitucional de férias gozadas, e adicional de insalubridade. Entretanto, não verifico dos autos o lançamento de tais verbas. Nesse sentido, caberia à autuada fazer prova de que foram cobradas referente às referidas verbas indenizatórias. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10920.004417/200960 Acórdão n.º 2301005.616 S2C3T1 Fl. 5 7 Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99, em seu art. 36: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei". Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Assim, deveria ter sido apontado ao menos algum código de cobrança que a corrente entenderia indevido, para que pudesse ter sido feito o cotejo das possíveis verbas que não incidem contribuição previdenciária, segundo o entendimento do STJ no Recurso Especial nº 1.230.957/RS. DA MULTA A nova Súmula CARF n.º 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Nesse caso, deve ser aplicada a Súmula em questão, tendo em vista que não foram aplicadas as multas mais benéficas ao contribuinte. DO ALEGADO BIS IN IDEM Inexiste cobrança de multa em duplicidade. Tomo por empréstimo os argumentos da DRJ de origem, o qual explica de forma clara o conteúdo lavrado nos autos de infrações correlacionados: "A multa aplicada na presente autuação (DEBCAD n° 37.126.1643) foi lançada, conforme demonstrado no relatório fiscal (fls. 07 a 20) e nos anexos de fls. 21 e 22, devido ao descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação previdenciária (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias). Fl. 769DF CARF MF 8 Já a multa cobrada nos autos de infração de DEBCAD n° 37.126.1678, n° 37.126.1686 e n° 37.126.1660, nas competências a que se refere a presente autuação (05/2005, 07/2005 a 12/2005, 13/2005, 01/2006 a 12/2006 e 01/2007), tem caráter moratório e foi aplicada devido ao não cumprimento, dentro do prazo, de obrigações principais (pagamento de contribuições previdenciárias). Verificase facilmente, portanto, que a multa moratória cobrada nos autos de infração de DEBCAD n° 37.126.1678, n° 37.126.1686 e n° 37.126.1660, referente às competências 05/2005, 07/2005 a 12/2005, 13/2005, 01/2006 a 12/2006 e 01/2007, e a multa pecuniária lançada na presente autuação (DEBCAD n° 37.126.1643), foram aplicadas por motivos diferentes, e com base em fundamentos legais também distintos, vigentes na época das lavraturas das citadas autuações" Assim, não acolho a alegação de bis in idem. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário, deixando deixando de aprecia matérias que tratam sobre inconstitucionalidade, e também da preliminar de declaração do fiscal em declarar inaptidão ou inexistência de CNPJ de empresa, por não ser de competência desse órgão julgador, e das verbas de natureza indenizatória e da multa agravada, em razão da inexistência no auto de infração,, e no mérito dar PARCIAL PROVIMENTO, para determinar a aplicação da Súmula CARF n.º 119. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720083/2007-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR.
A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz.
Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos.
COFINS. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO.
Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo da COFINS não-cumulativa.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece de recurso especial quando ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, necessária para caracterização da divergência jurisprudencial.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 125.
No ressarcimento da Contribuição para a COFINS não-cumulativa não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à taxa selic sobre os valores a serem ressarcidos de Cofins e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR. A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos. COFINS. NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo da COFINS nãocumulativa. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 83 /2 00 7- 10 Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 649 2 nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de recurso especial quando ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, necessária para caracterização da divergência jurisprudencial. COFINS NÃOCUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 125. No ressarcimento da Contribuição para a COFINS nãocumulativa não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à taxa selic sobre os valores a serem ressarcidos de Cofins e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 650 3 Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, combinado com os artigos 7º, inciso I, e 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 147/2007, e de recurso especial de divergência apresentado pela Contribuinte PENASUL ALIMENTOS LTDA, com base nos artigos 64 e 67 do Regimento Interno Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. As Recorrentes buscam a reforma do Acórdão n.º 220100.162, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, no sentido de conhecer em parte do recurso voluntário em razão da preclusão e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de oficio. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CALCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é corn a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS nãocumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso não conhecido em parte, em face de preclusão, e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CARF: I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à matéria referente ao Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 651 4 questionamento acerca da definição de insumo, por estar preclusa; e II) na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o ressarcimento tal como constou no pedido original, sem a aplicação da selic. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negou provimento ao recurso. No julgamento do recurso voluntário, portanto, decidiu o Colegiado a quo por não conhecer do recurso no que tange à discussão quanto ao conceito de insumo, em razão da preclusão e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo o pedido de ressarcimento tal com pleiteado pela Contribuinte, com a reversão de todas as glosas efetuadas pela Fiscalização, uma vez ausente o lançamento de ofício para a constituição do crédito, no entanto, sem aplicação da taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido. Nessa oportunidade, por meio de recurso especial, a Fazenda Nacional alega violação aos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil de 1973, vigente à época da interposição do recurso, bem como ao artigo 5º, §2º, da Lei n.º 10.637/2002. Em suas razões, aduz preliminarmente a nulidade da decisão recorrida, pois defeso ao julgador decidir sobre a necessidade de lançamento de ofício das glosas efetuadas, matéria não aventada pela Contribuinte no processo. No mérito, sustenta não haver necessidade da realização de lançamento de ofício para a cobrança de débitos da Contribuinte para com a Fazenda Nacional, reconhecidos em razão do pedido de ressarcimento por ele apresentado. A possibilidade de glosas no pedido de ressarcimento está prevista no art. 5º da Lei n.º 10.637/2002. Foi dado seguimento ao recurso especial por contrariedade à lei, nos termos do despacho n.º 340000.248, de 08/10/2012, proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como preenchidos os requisitos de admissibilidade. A Contribuinte, por sua vez, suscita divergência jurisprudencial com relação à (a) preclusão de matéria não expressamente contestada na impugnação, mais especificamente quanto às discussões sobre as glosas de bens não compreendidos no conceito de insumos/produto intermediário; e (b) possibilidade de atualização monetária pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Para comprovar o dissenso, indicou como paradigmas os acórdãos n.º 280102.078 e 3401002.075, respectivamente. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 18/09/2015, proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. Na mesma oportunidade, a empresa trouxe suas contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, postulando a sua negativa de provimento. De outro lado, a Fazenda Nacional, devidamente intimada da insurgência do Sujeito Passivo, postulou a negativa de provimento ao apelo especial do mesmo em sede de contrarrazões. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 652 5 O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade 1. Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso especial por contrariedade à lei interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, combinado com os artigos 7º, inciso I, e 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 147/2007, merecendo prosseguimento. 2. Recurso Especial da Contribuinte De outro lado, o apelo especial de divergência interposto pela Contribuinte PENASUL ALIMENTOS LTDA. atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tão somente com relação à possibilidade ou não de incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento das contribuições, devendo, portanto, ter prosseguimento nessa parte. Com relação à preclusão de matéria que não foi expressamente contestada na manifestação de inconformidade, entendese que há diferença fática importante entre os acórdãos recorrido e aquele indicado como paradigma, o que obsta o trânsito do recurso especial quanto a essa divergência. Diversamente do presente processo, no caso julgado pelo acórdão paradigma houve a juntada de prova inconteste do seu direito pela Contribuinte, o que justificaria a Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 653 6 aplicação do princípio da verdade material para análise da prova trazida aos julgadores administrativos, consoante depreendese de trecho do voto, in verbis: [...] Em que pese tais rendimentos tenham sido considerados acertadamente pela decisão recorrida como matéria preclusa por não ter sido expressamente contestada, entendo que a aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderálos adequadamente. Assim, no presente caso, em observância ao princípio da verdade material verifico que é improcedente o correspondente lançamento, haja vista que o documento apresentado pelo recorrente, à fls. 54, demonstra que o valor de R$ 1.072,74 não deve integrar a base de cálculo do imposto de renda, consoante o disposto no art 50, III, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/1999, eis que se trata de taxa de administração, ou seja, despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento. [...] Assim, por serem distintas as circunstâncias fática e jurídica apresentadas no acórdão recorrido e nos acórdãos ditos paradigmas, resta incomprovada a divergência jurisprudencial suscitada, pois, não há que se falar em divergência na aplicação da legislação tributária ante circunstâncias fáticas e jurídicas diferentes. Dessa forma, não deve ser conhecido o recurso especial da Contribuinte, em razão da inexistência de similitude fática e jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma. Mérito No mérito, a Fazenda Nacional insurgese em relação a dois pontos: (a) preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão recorrida, por ter decidido a demanda além do que foi pedido pela parte ao aventar a necessidade de lançamento de ofício para cobrança das glosas efetuadas; e (b) acaso superada a preliminar, aduz ser possível a constituição do crédito tributário relativo aos valores indevidamente compensados no próprio pedido de ressarcimento, nos termos do art. 5º, da Lei n.º 10.637/2002. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 654 7 A Contribuinte, por sua vez, suscita divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de correção monetária pela taxa Selic dos valores da COFINS nãocumulativa a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido. Passase à análise dos recursos especiais: 1 Recurso especial da Fazenda Nacional A preliminar suscitada pela Fazenda Nacional cingese à possibilidade de conhecimento de ofício de prejudicial referente à necessidade de lançamento em auto de infração de reajuste na base de cálculo do débito em pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep nãocumulativo. Com relação a esse tópico, adoto os argumentos trazidos no Acórdão n.º 9303006.608, de 11 de abril de 2018, de relatoria dessa Conselheira, para afastar a possibilidade de ser aventada pelo Julgador a necessidade de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo do tributo pretendido ressarcir. Seguem abaixo transcritos, in verbis: [...] Com a devida vênia ao acórdão proferido pelo Colegiado a quo e embora possa reconhecer e concordar com fundamentos relativos à necessidade de realização do lançamento de ofício para alterar a base de cálculo do tributo pretendido ressarcir, não se verifica a possibilidade de o julgador conhecer da preliminar de ofício. Tratase de matéria que deve ser suscitada pelas partes envolvidas no processo administrativo. Há entendimento deste Conselho em ambos os sentidos: ser necessário o lançamento para alterar a base de cálculo do tributo pretendido ressarcir; bem como existir a possibilidade de ser verificada a correção da base de cálculo nos próprios autos do pedido de ressarcimento/compensação, tendo em vista a necessidade de tornar a obrigação líquida e certa para que ocorra o pagamento pelo Poder Público do montante a ressarcir. Portanto, a necessidade ou não de realização de lançamento de ofício é matéria que poderia ter sido alegada pela parte desde o início da discussão travada no processo administrativo, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 655 8 trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e as questões de ordem pública, como a prescrição e a decadência, exemplificativamente. Para elucidar o raciocínio, são transcritos abaixo alguns dos dispositivos do novo CPC/2015 demonstrando os momentos em que o juiz atuará de ofício nos autos: CPC/2015 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. [...] Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. [...] Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: I inexistência ou nulidade da citação; II incompetência absoluta e relativa; III incorreção do valor da causa; IV inépcia da petição inicial; V perempção; VI litispendência; VII coisa julgada; VIII conexão; IX incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; X convenção de arbitragem; XI ausência de legitimidade ou de interesse processual; XII falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; XIII indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 656 9 §1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. §2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. §3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. §4º Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. §5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. [...] Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. [...] Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I indeferir a petição inicial; II o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; VIII homologar a desistência da ação; IX em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X nos demais casos prescritos neste Código. §1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 657 10 §2º No caso do § 1o, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmente as custas, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e dos honorários de advogado. §3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. §4º Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. §5º A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. §6º Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de requerimento do réu. §7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratarse. [...] Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir. [...] Art. 803. É nula a execução se: I o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível; II o executado não for regularmente citado; III for instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrer o termo. Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte, independentemente de embargos à execução. [...] Art. 938. A questão preliminar suscitada no julgamento será decidida antes do mérito, deste não se conhecendo caso seja incompatível com a decisão. §1º Constatada a ocorrência de vício sanável, inclusive aquele que possa ser conhecido de ofício, o relator determinará a realização ou a renovação do ato processual, no próprio tribunal ou em primeiro grau de jurisdição, intimadas as partes. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 658 11 §2º Cumprida a diligência de que trata o § 1o, o relator, sempre que possível, prosseguirá no julgamento do recurso. §3º Reconhecida a necessidade de produção de prova, o relator converterá o julgamento em diligência, que se realizará no tribunal ou em primeiro grau de jurisdição, decidindose o recurso após a conclusão da instrução. §4º Quando não determinadas pelo relator, as providências indicadas nos §§ 1o e 3o poderão ser determinadas pelo órgão competente para julgamento do recurso. (grifouse) Importa registrar não se estar analisando se, na hipótese de discordância da base de cálculo do tributo, deveria ou não a Autoridade Fiscal promover o respectivo lançamento, mas sim se esse argumento pode ser suscitado de ofício pelo Relator. E, nesta hipótese, entendese deva ser suscitado pela parte do processo a quem aproveitaria essa declaração de vício do ato administrativo, e não suscitada de ofício pelo julgador. [...] Consectário lógico da presente decisão é que ficam restabelecidas as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores do ICMS, devendo os autos retornar ao Colegiado a quo para decidir o mérito das referidas discussões. Naquela ocasião, decidiuse pelo restabelecimento da glosa e retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise do mérito quanto à não inclusão na base de cálculo do PIS dos valores relativos ao crédito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores de ICMS. No presente caso, no entanto, não se vislumbra a pertinência de retorno dos autos à Turma a quo, porque a única matéria a ser examinada inclusão dos valores relativos às transferências de ICMS a terceiros na base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, e que é de observância obrigatória por estes Conselheiros. Nessa linha, entendese ser possível superar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, e passar a análise do mérito da glosa por este Colegiado em observância aos princípios da eficiência e celeridade processual, prestigiandose a teoria da causa madura, prevista no Código de Processo Civil de 2015, em seus artigos 332 e 1.013, §3º. Assim, com relação à não inclusão das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep e COFINS nãocumulativos, a matéria restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, pela sistemática da repercussão geral, consoante art. 543B da Lei nº 5.869/1973 Código de Processo Civil Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 659 12 vigente à época do julgado, declarando a inconstitucionalidade da inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos, dos valores de créditos de ICMS oriundos de exportação cedidos onerosamente a terceiros. O acórdão de relatoria da Ministra Rosa Weber recebeu a seguinte ementa: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 660 13 anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) Nos termos do art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recurso no âmbito do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 661 14 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Portanto, há de ser mantido o afastamento da incidência do PIS nãocumulativo sobre os valores das transferências de ICMS a terceiros decorrentes das operações de exportação, negandose provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. 2 Recurso especial da Contribuinte Taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos de PIS/Pasep Com relação a esse tópico, na Sessão do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais de 03 de setembro de 2018, foi aprovada a Súmula CARF n.º 125, segundo a qual não é possível a incidência de correção monetária sobre o valor de PIS nãocumulativo a ser ressarcido: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 330100.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301 Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11020.720083/200710 Acórdão n.º 9303007.741 CSRFT3 Fl. 662 15 002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303005.941, de 28/11/2017. (grifouse) Nessa senda, com fulcro na Súmula CARF n.º 125, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. Dispositivo Diante do exposto, é conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, ser negado provimento; bem como, é conhecido apenas em parte o recurso especial da Contribuinte, tão somente quanto à taxa Selic e, na parte conhecida, é negado provimento. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 662DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.002448/2010-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal apure os valores devidos, haja vista a apresentação das notas fiscais com retenção de PIS/COFINS. Vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Redator Designado.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal apure os valores devidos, haja vista a apresentação das notas fiscais com retenção de PIS/COFINS. Vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila – Relator. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 02 44 8/ 20 10 -6 6 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 105 2 Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração de n. 0610400/00471/10, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora/MG, na data de 16/08/2010, em face de Otimize Divulgação e Publicidade Ltda., segundo o qual se verificou a insuficiência do recolhimento de PIS e COFINS no período de janeiro a dezembro de 2007, no valor de R$ 109.326,74 (cento e nove mil trezentos e vinte e seis reais e setenta e quatro centavos), sendo R$ 43.589,64 de COFINS, acrescido de R$ 13.575,82 de juros de mora e R$ 32.692,19 de multa, bem como R$ 9.444,43 de PIS com R$ 2.941,38 de juros moratórios e R$ 7.083,28 de multa. A autuação tem a seguinte fundamentação legal para a COFINS: “Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02” e para o PIS: “Arts. 1º e 3º, da Lei Complementar nº 07/70; Arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02”. A multa foi aplicada com base no art. 10, parágrafo único da Lei Complementar n. 70/91 e 44, inciso I da Lei n. 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n. 351/07 para os fatos geradores ocorridos entre 22/01/2007 e 14/06/2007 e pelo art. 14 da Lei n. 11.488/07 para aqueles praticados a partir de junho de 2007. Por sua vez, os juros de mora foram calculados com base na Taxa SELIC por força do art. 61, §3º da Lei n. 9.430/96. A autuada foi intimada para apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Impugnação Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que incorreu em equívoco ao preencher as DACONs do 1º e 2º semestre de 2007, tendo retificado as mesmas em 16/07/2010, requerendo, portanto, que elas sejam analisadas pelos julgadores de primeira instância juntamente com demais documentos que acompanham a defesa. DRJ/JFA A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0951.702 2ª Turma da DRJ/JFA Sessão de 14 de maio de 2014 Processo 10640.002448/201066 Interessado OTIMIZE DIVULGACAO E PUBLICIDADE LTDA CNPJ/CPF 03.685.834/000176 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOA JURÍDICA A PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. RETENÇÕES NA FONTE. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 106 3 1. As retenções de contribuição constantes de DIRF devem ser reconhecidas como componentes da apuração da respectiva contribuição, desde que considerado o percentual correspondente a cada uma delas e obedecida a legislação de regência. 2. Ao contrário, as retenções não declaradas em DIRF, somente podem ser consideradas como antecipação dos valores devidos, se apresentados comprovantes hábeis e idôneos das retenções pretendidas e se restar demonstrada a sujeição dos respectivos rendimentos à tributação, em obediência à legislação que rege a matéria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOA JURÍDICA A PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. RETENÇÕES NA FONTE. 1. As retenções de contribuição constantes de DIRF devem ser reconhecidas como componentes da apuração da respectiva contribuição, desde que considerado o percentual correspondente a cada uma delas e obedecida a legislação de regência. 2. Ao contrário, as retenções não declaradas em DIRF, somente podem ser consideradas como antecipação dos valores devidos, se apresentados comprovantes hábeis e idôneos das retenções pretendidas e se restar demonstrada a sujeição dos respectivos rendimentos à tributação, em obediência à legislação que rege a matéria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Contra a pessoa jurídica acima qualificada foram lavrados Autos de Infração (fls. 02/22) de PIS e COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2007 a 31/12/2007 em decorrência da insuficiência de declaração ou de recolhimento do PIS e da COFINS devidos, apurados pelo cotejo entre os dados informados em DACON e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, tudo conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, Termo de Verificação Fiscal e respectivos anexos. Os dois autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram os montantes a pagar de R$ 19.469,09 (AI PIS) e R$ 89.857,65 (AI – COFINS), incluídos os valores devidos a título de contribuição, de multa e de juros de mora, calculados até 30/07/2010. A autoridade fiscal, além de relacionar os fatos geradores correspondentes às infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Termo de Verificação Fiscal (TVF), que pode ser assim resumido: Dos Fatos 1A empresa optou pelo Lucro Presumido, DIPJ, fls. 31/38, e pelo Regime Cumulativo, Dacon, fls. 39/63, como forma de tributação. Do cotejo dos dados informados nas duas Declarações relativas ao anocalendário. 2007 foram encontradas as seguintes divergências: Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 107 4 a)as Receitas Brutas trimestrais informadas na ... DIPJ são superiores as Receitas de Vendas informadas nas Dacon ...; b)os valores dos tributos Pis e Cofins apurados em Dacon são inferiores aos resultados obtidos ao se calcular estes tributos tomandose as Receitas Brutas da DIPJ: ... Receita total de venda informada na DIPJ: R$1.575.032,82 Receita total de venda informada na Dacon: R$174.659,77 2 ... caso se confirme que os valores das Receitas Brutas de Vendas informadas em DIPJ são os corretos, os valores dos tributos Pis e Cofins informados nas Dacon e nas DCTF estariam inferiores aos corretos, e consequentemente estariam gerando insuficiência de Declaração e de Recolhimento dos tributos Pis e Cofins. para o anocalendário 2007. . ... a empresa foi regularmente cientificada do Termo de Intimação/Safis /DRF/JFA/MG/021/2010, fls.73f74, para ... : "Prestar os esclarecimentos ... quanto à ocorrência ... de que o valor da Receita Bruta informado na DIPJ ... está superior ao valor da Receita ... na Dacon ...” Em sua resposta, informa a contribuinte, fls.75/76: "(...) na apuração da contribuição para o Pis/Pasep e Cofins, ..., foram lançados valores indevidos, por terem sido considerados valores das NFs que não tinham retenções conforme planilha e cópias de NFs anexas...” ... conforme confirma a própria interessada, as Receitas Brutas trimestrais de vendas coincidem com os valores informados em DIPJ, fazendose necessário novo cálculo ... Valores corretos das receitas brutas de vendas: . 1°t/2007 = (183.400,00+45.800,00+196.850,00) = 426.050,00 = ... DIPJ 2°t/2007=(179.625,00+210.675,00i214.532,00) = 604.832,00 = ... DIPJ 3°t./2007 = (65.657,00+37.707,00+186.357,00) = 289.721,00 = ... DIPJ 4°t/2007 = (41.673,82+128.257,00+84.499,00) = 254.429,82 = ... DIPJ 3A interessada entregou Dacon retificadora para ... 2007 em 16/07/2010, fls.77/101, ou seja, após ciência da Intimação/Safis/021/2010. ... são lançados os valores de receitas totais de vendas coincidentes com os da DIPJ, os quais geraram novos totais de Pis e Cofins a pagar, fls.771101. ... o início do procedimento fiscal se deu em 07/07/2010, data em que o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação, ... (fls.74), não se considera espontânea qualquer alteração posterior, relacionada com a infração identificada anteriormente. 4As informações prestadas pelo sujeito passivo à SRF devem expressar a verdade. Assim, os dados informados em declarações distintas (DIPJ, Dacon e DCTF), as quais se Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 108 5 submetem igualmente à comprovação sempre que solicitado pela administração tributária, devem ser coincidentes. As Dacon e DIPJ apresentadas, as quais estariam refletindo os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, não configuram denúncia espontânea pare efeito da exclusão da responsabilidade ... pela infração de falta de declaração e de recolhimento de tributos e contribuições. Assim sendo, ... Dacon e a DIPJ, ... anocalendário de 2007, ... apenas confirmam que a contribuinte não declarou corretamente em DCTF ..., ratificando a necessidade de constituição de oficio da diferença ... Assim, os tributos não declarados corretamente ... e não recolhidos espontaneamente ... caracterizam infração à legislação impondo a formalização do credito tributário, atividade essa obrigatória e vinculada diante de apuração em procedimento fiscal. Das Infrações Apuradas A interessada informou em DJPJ ... Receitas Brutas de vendas em totais superiores aos informados em Dacon. Declarou em DCTF e recolheu os tributos Pis e Cofins nos mesmos valores informados nas Dacon de fls. 40/63. Conforme anteriormente explanado, a entrega das Dacon Retificadoras de fls.77/001, apenas confirma que houve engano no preenchimento das Dacon Originais, fls.39/63, o que resultou em insuficiência de declaração e de recolhimento dos tributos Pis e Cofins ..., conforme demonstrado nos quadros abaixo, caracterizando infração à legislação, impondo a formalização do crédito tributário ... : Período 2007 Receita bruta de vendas Dacon correta Pis a pagar sobre RB vendas Dacon correto Pis a pagar sobre RB vendas Dacon original Pis Recolhido Sinal 06 Insuficiência recolhimento./declaração PIS JAN 183.400,00 1.192,10 110,50 110,50 1.081,60 FEV 45.800,00 297,70 32,50 32,50 265,20 MAR 196.850,00 1.279,53 26,00 26,00 1.253,53 ABR 196.850,00 1.167,56 26,00 26,00 1.141,56 MAI 210.675,00 1.369,39 52,00 52,00 1.317,39 JUN 214.532,00 1.394,46 52,00 52,00 1.342,46 JUL 65.657,00 426,77 78,00 78,00 348,77 AGO 37.707,00 245,10 78,00 78,00 167,10 SET 186.357,00 1.211,32 78,00 78,00 1.133,32 OUT 41.673,82 270,88 93,06 93,06 177,82 NOV 128.257,00 833,67 78,00 78,00 755,67 DEZ 84.499,00 539,27 89,23 89,23 460,01 Período 2007 Receita bruta de vendas COFINS a pagar sobre RB vendas COFINS a pagar sobre RB vendas COFINS Recolhido Insuficiência recolhimento./declaração Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 109 6 Dacon correta Dacon correto Dacon original Sinal 06 COFINS JAN 183.400,00 5.502,00 510,00 510,00 4.992,00 FEV 45.800,00 1.374,00 150,00 150,00 1.224,00 MAR 196.850,00 5.905,50 120,00 120,00 5.785,50 ABR 196.850,00 5.388,75 120,00 120,00 5.268,75 MAI 210.675,00 6.320,25 240,00 240,00 6.080,25 JUN 214.532,00 6.435,96 240,00 240,00 6.195,96 JUL 65.657,00 1.969,71 360,00 360,00 1.609,71 AGO 37.707,00 1.131,21 360,00 360,00 5.230,71 SET 186.357,00 5.590,71 360,00 360,00 820,71 OUT 41.673,82 1.250,21 429,50 429,50 5.230,71 NOV 128.257,00 3.847,71 360,00 360,00 3.487,71 DEZ 84.499,00 2.534,97 411,84 411,84 2.123,13 Ao final do TVF a auditoria colaciona todo o enquadramento legal no qual se baseou para constituição dos créditos tributários constantes de ambos os Autos de Infração. Cientificada dos Autos de Infração e do TVF em 25/08/2010, a empresa apresentou sua defesa alegando que “ao preencher as Dacons do 1º e 2º semestre de 2007, ocorreu um lapso no preenchimento das mesmas” e que em 16/07/2010 ambos os demonstrativos foram retificados. A impugnante solicita a análise das cópias das Dacons retificadoras anexadas, o que, segundo ela, referendaria a impugnação apresentada. É o relatório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente apresentou uma relação de tomadores de serviço para quem lhe prestou serviços no ano de 2007, bem como as retenções por eles realizadas a título de PIS e COFINS, tendo juntado as respectivas notas fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração n. 0610400/00471/10. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 110 7 Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de impugnação em 12.06.2014, conforme o Aviso de Recebimento – AR de fl. 408, nos termos do inciso II do §2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 11.07.2014, conforme comprova o comprovante de protocolo da DRF de Juiz de Fora/MG à fl. 410, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado em decorrência de decisão que julgou procedente em parte impugnação oferecida contra auto de infração que perfaz o montante de R$ 109.326,74, sendo R$ 43.589,64 de COFINS, acrescido de R$ 13.575,82 de juros de mora e R$ 32.692,19 de multa, bem como R$ 9.444,43 de PIS com R$ 2.941,38 de juros moratórios e R$ 7.083,28 de multa, em função do não recolhimento de montantes relativos ao ano de 2007. Questionase, nesse julgamento, a retenção e adimplemento das contribuições sociais por ocasião dos serviços prestados pela recorrente, confrontandose DACONs, DIPJs, DIRFs e notas fiscais. MERITO lavrados Autos de Infração (fls. 02/22) de PIS e COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2007 a 31/12/2007 em decorrência da insuficiência de declaração ou de recolhimento do PIS e da COFINS devidos, apurados pelo cotejo entre os dados informados em DACON e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados. se verificou a insuficiência do recolhimento de PIS e COFINS no período de janeiro a dezembro de 2007, no valor de R$ 109.326,74 (cento e nove mil trezentos e vinte e seis reais e setenta e quatro centavos), sendo R$ 43.589,64 de COFINS a contribuinte alegou que incorreu em equívoco ao preencher as DACONs do 1º e 2º semestre de 2007, tendo retificado as mesmas em 16/07/2010, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 111 8 Anexos: Dacon 1° semestre enviada em 17/09/2007 e 2° semestre em 18/03/2008 Dacons retificadoras1° e 2° semestre enviadas em 16/07/2010 Dipj ref 2008 ano base 2007. Cópias das Notas Fiscais de serviços ref. ano de 2007. Planilha ref. os valores retidos pelos clientes. Cópias dos Autos d Infração Dos fundamentos do voto condutor Como se depara da leitura do venerando acórdão de primeira instância administrativa, a motivação para a manutenção do lançamento fundase no raciocínio no qual somente podem ser consideradas como antecipação dos valores devidos, se apresentados comprovantes hábeis e idôneos das retenções pretendidas e se restar demonstrada a sujeição dos respectivos rendimentos à tributação PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOA JURÍDICA A PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. RETENÇÕES NA FONTE. 1. As retenções de contribuição constantes de DIRF devem ser reconhecidas como componentes da apuração da respectiva contribuição, desde que considerado o percentual correspondente a cada uma delas e obedecida a legislação de regência. 2. Ao contrário, as retenções não declaradas em DIRF, somente podem ser consideradas como antecipação dos valores devidos, se apresentados comprovantes hábeis e idôneos das retenções pretendidas e se restar demonstrada a sujeição dos respectivos rendimentos à tributação, em obediência à legislação que rege a matéria. A DRJ considerou que a impugnante não realizou as retenções de PIS e COFINS da forma como deveria, que seria através de Comprovante Anual de Retenção ou DIRF. Apesar disso, constatou através das DIRF das pessoas jurídicas que prestaram serviços à contribuinte que parte das contribuições devidas para o período autuado foi devidamente retida e recolhida. 1A empresa optou pelo Lucro Presumido, DIPJ, fls. 31/38, e pelo Regime Cumulativo, Dacon, fls. 39/63, como forma de tributação. Do cotejo dos dados informados nas duas Declarações relativas ao anocalendário. 2007 foram encontradas as seguintes divergências: a)as Receitas Brutas trimestrais informadas na ... DIPJ são superiores as Receitas de Vendas informadas nas Dacon ...; b)os valores dos tributos Pis e Cofins apurados em Dacon são inferiores aos resultados obtidos ao se calcular estes tributos tomando se as Receitas Brutas da DIPJ: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 112 9 ... Receita total de venda informada na DIPJ: R$1.575.032,82 Receita total de venda informada na Dacon: R$174.659,77 2 ... caso se confirme que os valores das Receitas Brutas de Vendas informadas em DIPJ são os corretos, os valores dos tributos Pis e Cofins informados nas Dacon e nas DCTF estariam inferiores aos corretos, e consequentemente estariam gerando insuficiência de Declaração e de Recolhimento dos tributos Pis e Cofins. para o anocalendário 2007. . Merece destaques os seguintes trechos do acórdão em exame, na medida em que resume os fundamentos da decisão recorrida, caracterizada pela desconformidade apontada nos valores relativos ao lançados nas DACON originais. Assim sendo, ... Dacon e a DIPJ, ... anocalendário de 2007, ... apenas confirmam que a contribuinte não declarou corretamente em DCTF ..., ratificando a necessidade de constituição de oficio da diferença ... Conforme anteriormente explanado, a entrega das Dacon Retificadoras de fls.77/001, apenas confirma que houve engano no preenchimento das Dacon Originais, fls.39/63, o que resultou em insuficiência de declaração e de recolhimento dos tributos Pis e Cofins ..., conforme demonstrado nos quadros abaixo, caracterizando infração à legislação, impondo a formalização do crédito tributário DO MOMENTO DA JUNTADA DAS PROVAS Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 113 10 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido DAS PROVAS NECESSÁRIAS Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa, sendo que pressupõese a demonstração de documentos contábeis sólidos para a comprovação dos argumentos postos em sede de recurso voluntário interposto contra auto de infração. Neste sentido, entendo que as notas fiscais, em especial, juntadas entre as efls. 107 a 188 do II Volume de PAF, consubstanciase razão suficiente para detida análise da formação da base de cálculo do tributos lançados sob ordem do auto de infração. DA ANÁLISE DAS PROVAS ACOSTADAS Ao analisar, mesmo que por amostragem, os argumentos trazidos a tona pelo contribuinte, inegável a solidez de seus argumentos e sua construção probante. Em sede de seu recurso voluntário, efls. 410, a recorrente destaca a tomada de serviço por Astrazeneca do Brasil, demonstrando que a NOTA FISCAL 1236, no valor de R$ 45.600,00, foi informa na DIRF em fevereiro de 2007, sendo que o lançamento correto deveria ser em janeiro de 2007. Ao compulsar os autos, deparase com conjunto de notas fiscais acostadas, a exemplo da nota colocada em fls. 06 do Recurso voluntário, emitida em face da tomadora de serviço apontada Astrazeneca do Brasil, na qual se extrai a informação a respeito de sua base de cálculo descrita no campo Preço Unitário, no valor R$ 45.600,00, com a inscrição dos tributos devidamente retidos sob a rubrica Desconto CSLL+COFINS+PIS (4,65%). Desta feita, razoável subsistência deve ser reconhecida à matéria trazida à análise do colegiado pela recorrente. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 114 11 Desta documentacão trazida à tona, é de se destacar que merece ser reformulada a base de cálculo dos tributos pela unidade preparadora, levandose em conta os valores detidos nas retenções de Pis e Cofins, e não considerados para fins Ainda, merece destaque a planilha em fls. 113 a 120, na qual se encontram listadas e resumidas as notas fiscais, seguidas de sua devida numeração e data, com os valores de operação, seguidos dos valores das retenções. DA LEGISLAÇAO ACERCA DO TEM O assunto da possibilidade de compensar os valores antecipados a título de valores retidos sob a rubrica do PIS e COFINS com seus próprios débitos é assunto tratado pela IN 459/04, mais especificamente em seu artigo segundo, o qual prevê a incidência da retenção. Base de Cálculo e Alíquotas Art. 2.º O valor da retenção da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep será determinado mediante a aplicação, sobre o valor bruto da nota ou documento fiscal, do percentual total de 4,65%, (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente, e recolhido mediante o código de arrecadação 5952. § 1.º As alíquotas de 3,0% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), relativas à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, aplicamse inclusive na hipótese de as receitas da prestadora dos serviços estarem sujeitas ao regime de não cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep ou a regime de alíquotas diferenciadas. Sobre a possibilidade de dedução dos valores retidos na forma do artigo segundo acima exposto, devese mencionar o artigo sétimo da mesma IN 459/04, a qual contem medida prevendo a possibilidade . Tratamento dos Valores Retidos Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, quanto ao mérito, darlhe provimento. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 115 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado Resolução Considerando o bem redigido voto do ilustre Conselheiro Relator Renato Vieira de Avila, ouso divergir parcialmente do seu entendimento, como será visto a seguir. A discussão objeto da presente demanda versa sobre a possibilidade de utilização das Contribuição para Fins Sociais (COFINS) retidas em notas fiscais de prestação de serviços e que não foram consideradas na apuração da contribuição. O nobre Conselheiro relator considerou como corretas as retenções constantes das notas fiscais de prestação de serviços apresentadas e deu provimento ao Recurso Voluntário. Entretanto, o Colegiado analisou as citadas notas fiscais e verificou que de fato há o destaque de retenções da COFINS, mas que não pode concluir com precisão se aqueles valores realmente foram retidos pelo tomador de serviços e se são suficientes para suportar os créditos tributários objeto do lançamento do auto de infração. Portanto tornase necessário que a fiscalização faça uma análise pormenorizada dos documentos acostados. Diante do exposto, voto por baixar o processo em diligência para que se proceda o seguinte: 1) Tendo em vista as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela recorrente, verificar se houve a efetiva retenção dos valores destacados por meio de comprovante anual de retenção; 2) Verificar se as retenções efetivamente realizadas foram deduzidas do lançamento do auto de infração nas respectivas competências de emissão das notas fiscais em relação aos seguintes tomadores de serviços: Mês Tomador Nota Valor da Nota Retenção Jan/07 Astrazeneca do Brasil 1326 R$45.600,00 PIS R$296,40 COFINS R$1.368,00 Jan/07 Boehringer Ingelheim do Brasil 1231 R$4.000,00 PIS R$26,00 COFINS R$120,00 Abr/07 Bayer S/A 1297 R$9.750,00 PIS R$63,37 COFINS R$292,50 Abr/07 Novartis 1296 R$9.600,00 PIS R$63,40 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10640.002448/201066 Resolução nº 3001000.151 S3C0T1 Fl. 116 13 Biociências S/A COFINS R$288,00 Set/07 Astrazeneca do Brasil 1359 R$5.000,00 PIS R$32,50 COFINS R$150,00 Set/07 Astrazeneca do Brasil 1358 R$70.000,00 PIS R$455,00 COFINS R$2.100,00 Set/07 Astrazeneca do Brasil 1360 R$70.000,00 PIS R$455,00 COFINS R$2.100,00 Set/07 Produtos Roche Quim e Farmaceuticos 1367 R$12.500,00 PIS R$81,25 COFINS R$375,00 Set/07 Bayer S/A 1361 R$16.857,00 PIS R$109,57 COFINS R$505,71 3) Confirmar se os valores retidos ou informados em DIRF para os meses de abril/2007 e setembro/2007 foram deduzidos das contribuições lançadas no auto de infração; 4) Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos contábeis e fiscais. 5) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; 6) Dêse ciência dos documentos juntados ao processo à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG, para atendimento da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.005185/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002
CERCEAMENTO DE DEFESA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado, bem como se constatado que não houve alteração do critério jurídico do Lançamento.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. DEFERIMENTO.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
Havendo constatação da antecipação de pagamentos, a contagem do prazo decadencial deve seguir o disposto no art. 150, 150, §4º do CTN.
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, nos termos da Súmula 99 do CARF.
DECADÊNCIA INTEGRAL DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Inexistindo causa para aplicação dos efeitos de decadência para o processo, de maneira integral, o auto de Lançamento deve ser mantido.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA E EMPREITADA. NATUREZA DOS SERVIÇOS PASSÍVEIS DE RETENÇÃO DE 11%.
A natureza das atividades contratadas não é o único requisito a ser averiguado para que se dê a obrigatoriedade da retenção. Na prestação do serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada, deve haver necessariamente no mínimo duas situações, somatórias, para a exigência da retenção dos 11% legal para que possa ser enquadrado na normal legal, consoante o fator continuidade da relação jurídica, quais sejam i) haver necessariamente a cessão de mão de obra nas dependências da contratante ou de terceiros; e ii) os serviços estarem efetivamente descritos na norma legal, sendo possível o enquadramento das atividades desenvolvidas no rol descritivo. Por fim, o quesito continuidade deve fazer parte das características do contrato estabelecido, mas que nem toda empreitada cede mão de obra, e o enquadramento da empreitada em alguns casos pode afastar a necessidade de retenção, quando se tratar, por exemplo, de serviços de desenho técnico em que deve haver a necessidade da descrição das características do seu conteúdo para enquadramento que trata da retenção do serviço de informática.
Nos demais casos, em se verificando os elementos necessários para a exigibilidade do crédito fiscal, consoante do que dispõe a norma legal, em especial no que tange ao art. 31, §§3º e 4º, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 219, do Decreto 3.048/99, a retenção do 11% é devida e deve ser mantida.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito.
O pedido de perícia não pode ser deferido quando for impossível ou impraticável em razão da dificuldade e condições temporais. Ademais, caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-005.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, acordam em acolher a preliminar de decadência até a competência 09/2000 (inclusive), vencido o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, que a acolheu integralmente. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de realização de perícia e em não conhecer as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o levantamento ASD.
(assinado digitalmente)
JOÃO MAURÍCIO VITAL - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
WESLEY ROCHA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre EvaristoPinto, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária. Ausente justificadamente os conselheiros João Bellini Júnior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. Havendo constatação da antecipação de pagamentos, a contagem do prazo decadencial deve seguir o disposto no art. 150, 150, §4º do CTN. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, nos termos da Súmula 99 do CARF. DECADÊNCIA INTEGRAL DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo causa para aplicação dos efeitos de decadência para o processo, de maneira integral, o auto de Lançamento deve ser mantido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA E EMPREITADA. NATUREZA DOS SERVIÇOS PASSÍVEIS DE RETENÇÃO DE 11%. A natureza das atividades contratadas não é o único requisito a ser averiguado para que se dê a obrigatoriedade da retenção. Na prestação do serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada, deve haver necessariamente no mínimo duas situações, somatórias, para a exigência da retenção dos 11% legal para que possa ser enquadrado na normal legal, consoante o fator continuidade da relação jurídica, quais sejam i) haver necessariamente a cessão de mão de obra nas dependências da contratante ou de terceiros; e ii) os serviços estarem efetivamente descritos na norma legal, sendo possível o enquadramento das atividades desenvolvidas no rol descritivo. Por fim, o quesito continuidade deve fazer parte das características do contrato estabelecido, mas que nem toda empreitada cede mão de obra, e o enquadramento da empreitada em alguns casos pode afastar a necessidade de retenção, quando se tratar, por exemplo, de serviços de desenho técnico em que deve haver a necessidade da descrição das características do seu conteúdo para enquadramento que trata da retenção do serviço de informática. Nos demais casos, em se verificando os elementos necessários para a exigibilidade do crédito fiscal, consoante do que dispõe a norma legal, em especial no que tange ao art. 31, §§3º e 4º, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 219, do Decreto 3.048/99, a retenção do 11% é devida e deve ser mantida. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito. O pedido de perícia não pode ser deferido quando for impossível ou impraticável em razão da dificuldade e condições temporais. Ademais, caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Recurso de Ofício Negado.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado, bem como se constatado que não houve alteração do critério jurídico do Lançamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. DEFERIMENTO. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. Havendo constatação da antecipação de pagamentos, a contagem do prazo decadencial deve seguir o disposto no art. 150, 150, §4º do CTN. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 51 85 /2 00 8- 84 Fl. 16418DF CARF MF 2 antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, nos termos da Súmula 99 do CARF. DECADÊNCIA INTEGRAL DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo causa para aplicação dos efeitos de decadência para o processo, de maneira integral, o auto de Lançamento deve ser mantido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA E EMPREITADA. NATUREZA DOS SERVIÇOS PASSÍVEIS DE RETENÇÃO DE 11%. A natureza das atividades contratadas não é o único requisito a ser averiguado para que se dê a obrigatoriedade da retenção. Na prestação do serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada, deve haver necessariamente no mínimo duas situações, somatórias, para a exigência da retenção dos 11% legal para que possa ser enquadrado na normal legal, consoante o fator continuidade da relação jurídica, quais sejam i) haver necessariamente a cessão de mão de obra nas dependências da contratante ou de terceiros; e ii) os serviços estarem efetivamente descritos na norma legal, sendo possível o enquadramento das atividades desenvolvidas no rol descritivo. Por fim, o quesito continuidade deve fazer parte das características do contrato estabelecido, mas que nem toda empreitada cede mão de obra, e o enquadramento da empreitada em alguns casos pode afastar a necessidade de retenção, quando se tratar, por exemplo, de serviços de desenho técnico em que deve haver a necessidade da descrição das características do seu conteúdo para enquadramento que trata da retenção do serviço de informática. Nos demais casos, em se verificando os elementos necessários para a exigibilidade do crédito fiscal, consoante do que dispõe a norma legal, em especial no que tange ao art. 31, §§3º e 4º, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 219, do Decreto 3.048/99, a retenção do 11% é devida e deve ser mantida. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito. Fl. 16419DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 3 3 O pedido de perícia não pode ser deferido quando for impossível ou impraticável em razão da dificuldade e condições temporais. Ademais, caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, acordam em acolher a preliminar de decadência até a competência 09/2000 (inclusive), vencido o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, que a acolheu integralmente. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de realização de perícia e em não conhecer as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o levantamento ASD. (assinado digitalmente) JOÃO MAURÍCIO VITAL Presidente em Exercício (assinado digitalmente) WESLEY ROCHA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre EvaristoPinto, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária. Ausente justificadamente os conselheiros João Bellini Júnior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Referência e indicação das peças do eprocesso em nota de roda pé1. Fl. 16420DF CARF MF 4 Tratase de Recurso de Ofício apresentado pela Fazenda e Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte BRASKEM S.A., em face do Acórdão de julgamento de primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: "a) considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento de que trata o AI sob exame; b) excluir as contribuições lançadas nas competências fevereiro a novembro de 1999, em razão de que, quando do lançamento, tais já tinham sido alcançadas pela decadência (parágrafos 87 a 96); c) excluir os competências valores lançados nos códigos de levantamento e constantes da tabela apresentada no parágrafo 101 do presente documento, devido ao fato de que a Defendente estava desobrigada de efetuar a retenção de 11% das empresas prestadoras que tinha sua competências opção pelo SIMPLES ativa no período de janeiro de 2000 a agosto de 2002 (parágrafos 97 a 102); d) excluir os valores lançados nos códigos de levantamento QUA, ARH, JLF, NJS, PAS, BMF, JCS e UPP em função de não ter sido comprovado nos autos a existência dos requisitos necessários à caracterização da cessão de mãodeobra relativo aos serviços contratados das empresas a eles correspondentes (parágrafos 122 e 271); e) excluir os valores lançados nos códigos de levantamento CAL, CTA, GE4 (contrato n° 3.333), ITP, JRS, NTS e ORG em função de se tratar de serviço cujo objeto não se encontrava previsto no §2°, art. 219 do RPS c/c item 12.1 da OS, de 1999, (parágrafos 130 a 133; 134 a 136; 143 a 147; 148 e 149; 150 e 151; 152 e 153; e 154 a 160, respectivamente); Í) excluir os valores lançados nos códigos de levantamento JPG, SSE, GE7, Ill, PQ e T12 em função de se tratar de serviço cuja natureza encontravase excluída da obrigatoriedade da retenção de 11% (parágrafos 170 a 174; 198 a 202; 203; 216 e 217; 290 a 294; e 361 a 364, respectivamente); g) excluir as bases de cálculo referentes às notas fiscais 03 e 10, no valor de RS 63.500,00 e RS 37.553,88, respectivamente, lançadas na competência 07/2001 do código de levantamento PL2, em razão de terem sido lançadas em duplicidade (parágrafo 450); h) excluir os valores lançados no código de levantamento CN2, tendo em vista que o objeto do contrato a ele referente tratase de obra de construção civil por empreitada total, atividade cuja retenção é facultativa (parágrafo 463); i) excluir do código de lançamento CT2 os valores vinculados aos contratos listados no .parágrafo 464, tendo em vista que o objeto do contrato a ele referente tratase de obra de construção civil por empreitada total, atividade cuja retenção é facultativa (parágrafos 464 a 466); e j)manter, a contribuição previdenciária no valor atualizado de R$ 9.949.815,63 (nove milhões, novecentos e quarenta e nove mil, oitocentos e quinze reais e sessenta e três centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, nos termos do Discriminativo Analítico do Débito Retificad I ADR), ora juntado aos autos, às fls. 12.072 a 12.45 1". Fl. 16421DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 4 5 A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), identificado pelo DEBCAD n° 35.690.7503, da qual é exigido crédito tributário do sujeito passivo em epígrafe, no valor de R$ 15.369.895,10 (quinze milhões, trezentos e sessenta e nove mil, oitocentos e noventa e cinco reais e dez centavos), além de acréscimos legais correspondentes, referese à exigência de Contribuição Previdenciária, instituída pela Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. O relatório do Acórdão recorrido (efls. 11.937 e seguintes), assim dispõe: 2. Em seu Relatório Fiscal, fls. 1.271 a 1.285, dispõem, os Auditores Fiscais, que a contribuição previdenciária exigida na NFLD sob julgamento corresponde à antecipação compensável referente à parcela de 11% (onze por cento) sobre o valor dos serviços realizados mediante empreitada ou cessão de mãodeobra, prevista no art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) n° 1.663 15/98, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/1998, cuja vigência, no que tange à retenção, iniciouse em 02/1999. Os serviços sujeitos à referida retenção encontramse listados no §2°, art. 219 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de março de 1999, c/c o item 12.1 da Ordem de Serviço INSS/DAF (OS INSS/DAF) n° 209, de 20 de maio de 1999. 3. Informa ainda que, cada empresa prestadora de serviço foi identificada com um código de levantamento no qual foram lançados as retenções que deixaram de ser efetuadas pela Defendente. Ressalta também que até 16/08/2002 a denominação social da Defendente era Copene Companhia Petroquímica do Nordeste S/A. 4. Afirmam também os Auditores que não foi lançado crédito referente às notas fiscais cujas empresas prestadoras encontravamse em litispendência com o INSS no que tange à retenção de 11% sobre as prestações de serviços realizadas. 5. A respeito da metodologia de apuração, discorrem que examinou os processos de pagamento, onde constavam as notas fiscais e recibos, a partir dos quais criou um banco de dados contendo referência aos instrumentos que lastrearam os referidos contratos de prestação de serviços. 6. A partir da análise, por amostragem, dos contratos apresentados foram identificadas as prestações de serviços enquadradas no campo de incidência da contribuição previdenciária de que trata o lançamento, consideradas como fatos geradores de contribuições previdenciárias. 7. A partir desses dados elaborou a planilha constante do Anexo II, fls. 1.302 a 1.407, que foi estniturada em dois níveis: por empresa e por contrato. Nessa planilha foram evidenciados vários aspectos dos serviços realizados por grande parte das empresas contratadas e identificados como fatos geradores, tais como: a forma de enquadramento da retenção realizada pela contratada ou pela contratante; o fornecimento de materiais e/ou equipamentos; o cálculo realizado pela Fiscalização da porcentagem destes materiais ou equipamentos em relação ao preço total da nota fiscal; a identificação da modalidade de presta `o de serviço (cessão de mãodeobra ou empreitada); e 0 período de vigência dos contratos. Fl. 16422DF CARF MF 6 8. Além disso, afirmam que foram identificados e também considerados fatos geradores, os destaques referentes a retenção efetuados pelos prestadores de serviço contidos nas notas fiscais. 9. Dispõem que foram identificadas e consideradas para fins de crédito todas as Guias da Previdência Social (GPS) com o código de pagamento específico referentes à retenção e que após o cruzamento dos fatos geradores com as informações de créditos contidas nas GPS, foi identificado o cálculo prévio do débito da empresa. 10. Expõem que os fatos geradores da contribuição previdenciária de que trata o lançamento sob julgamento foram classificados em dois níveis: 0 _ 1. por empresas contratas, cuja codificação, específica para cada empresa prestadora, consta do Anexo I, fls. 1.294 a 1.300; 2. pela forma de enquadramento dos serviços prestados feita pela contratada, contratante e pela Fiscalização, em relação à legislação previdenciária. 11. Neste segundo nível de classificação, adotouse o critério da ocorrência do autoenquadramento, assim como da base de cálculo oferecida à tributação, da seguinte forma: a. Fatos geradores objeto de autoenquadramento, considerando a base de cálculo integral; b. Fatos geradores objeto de autoenquadramento, considerando a base de cálculo parcial; c. Fatos geradores sem autoenquadramento, considerando a base de cálculo integral; d. Fatos geradores sem autoenquadramento, considerando a base de cálculo parcial. 12. Discorrem a respeito do conceito de cessão de mãodeobra e, em seguida, afirmam que em alguns serviços o sujeito passivo sistematicamente omitiase da obrigação de efetuar a retenção sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, dentre tais serviços destacamse: serviços contratados em decorrência de manutenção em parada; planejamento e elaboração de pareceres; recepção, triagem e movimentação de materiais/produto; transporte marítimo de carga. 13. Ressaltam que todas as notas fiscais analisadas onde constavam a realização dos serviços nas oficinas das empresas contratadas foram desconsideradas do levantamento. 14. Afirmam que encontravamse, também, evidenciados na Braskem a prestação de serviços mediante empreitada, preponderantemente na área de construção civil e de outros serviços gerais. 15. O Sujeito Passivo foi cientificado da NFLD por meio pessoal no dia 07/10/2005, conforme assinatura aposta à fl. 01 e apresentou impugnação no dia 21/10/2005, conforme tela do Sistema de Cobrança, às fls. 10.922. PRIMEIRA IMPUGNAÇÃO 16. A impugnação foi juntada aos presentes autos, às fls. 10.924 a 11.014, e nela o Sujeito Passivo apresenta os argumentos a seguir resumidos: Fl. 16423DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 5 7 DECADÊNCIA 17. Preliminarmente alega que o prazo de decadência para o lançamento de contribuições previdenciárias é de cinco anos conforme previsto no art. 173, I do Código Tributário Nacional (CTN). Como, no presente caso, a autuação foi lavrada no mês de outubro de 2005, estariam decadentes os débitos referentes aos fatos geradores ocorridos no ano de 1999 e anteriores. 18. Além disso a obrigação de guardar notas fiscais, guias e demais documentos, por lógica, seguiria o mesmo critério, ficando o contribuinte dispensado de guardar tais documentos após a consumação do prazo decadencial. EXCLUSÃO DOS DIRETORES DO PÓLO PASSIVO 19. Requer a exclusão dos seus diretores do pólo passivo da NFLD, tendo em vista que não lhes foi apontada qualquer conduta ilícita que justificasse a responsabilização pessoal dos diretores por débitos da empresa. INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA FISCALIZAR CRÉDITOS DO SIMPLES 20. Alega que, embora com o advento da MP 258, de 21 de julho de 2005, as atribuições de arrecadar e fiscalizar do INSS tenham sido repassadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), certo é que a NFLD sob julgamento decorre de fiscalização que teve início em 05/01/2005, ou seja, mais de seis meses antes da introdução da referida nonna no sistema. 21. A competência para as atividades de arrecadação, cobrança e fiscalização das empresas enquadras no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), na forma da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, é exclusiva de RFB e, por outro lado, a IN INSS/DC n° 100, de 2003, reconhece a competência da RFB para constatar irregularidades e excluir desse Sistema as empresas que deixarem de atender os requisitos legais. 22. Desse modo, seria evidente que a previsão de substituição tributária, em que se fundamenta a lavratura do crédito tributário sob julgamento, não pode servir de pretexto para burlar a competência legalmente atribuída à RFB. Em outras palavras, mesmo que a Fiscalização pelo não pagamento das contribuições em questão se dê, no caso, na sede da Braskem, por conta da substituição tributária, é certo que isso não afasta a competência da RFB par fiscalizar os tributos em questão, uma vez que o débito objeto de cobrança decorre de um tributo devido por uma empresa optante pelo SIMPLES. 23. Assim, afirma que a autuação deverá ser nulificada, pois, do contrário, correrá o risco de ser cobrada duas vezes pelo mesmo débito, sendo numa delas por autoridade legalmente incompetente para tanto. 24. Além disso, as empresas enquadradas no SIMPLES, em razão de ter seu regime de tributação regrado por lei especial, estão sujeitas a uma tributação completamente diferenciada das demais empresas, não se aplicando a elas a retenção prevista na Lei n° 9.711, e 1998. Tendo em vista que este diploma não declarou expressamente a revogação da Fl. 16424DF CARF MF 8 legislação do SIMPLES, não é com ela incompatível e nem regula integralmente a matéria de que trata a referida Lei n° 9.317, de 1996. Assim, independentemente de quem administre o tributo em questão, a obrigação de retenção não é exigível relativamente aos contribuintes optantes do SIMPLES, conforme dispõe a jurisprudência sobre o assunto que transcreve. NÃO ENQUADRAMENTO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO CESSÃO DE MÃODEOBRA 25. Afirma que o Decreto n° 4.729, de 2003, ao alterar a redação do inciso XIX, do §2° do art. 219 do RPS, retirou do campo de incidência da retenção de 11% o serviço de transporte de cargas, afastando qualquer possibilidade de enquadramento dessa atividade como cessão de mãode obra. 26. No seu entendimento, ao excluir o transporte de cargas do rol de serviços sujeitos à retenção de 11%, indicando a impossibilidade de tal serviço ser prestado mediante cessão de mãodeobra, o citado Decreto apenas interpretou e esclareceu dúvida sobre esse tipo de serviço, tomando impositiva sua aplicação de forma retroativa, nos termos do art. 106, I do CTN. A fim de confirmam o seu entendimento transcreve trecho de decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). NATUREZA DO SERVIÇO SEM PREVISÃO NORMATIVA 27. Frisa que, em respeito ao princípio da legalidade, é vedado à lei atribuir competência a ato normativo para criar nova obrigação não esculpida no corpo legal. 28. Diferentemente do que ocorre na legislação do ISS, em que os serviços são dispostos na norma de incidência com clareza solar e bem individualizados, circunstância necessária para que o contribuinte possa entendese como tal a partir da correta adequação do fato gerador praticado à hipótese de incidência tributária, a relação de serviços do regulamento previdenciário padeceria do vício do superficialismo, tomandose obscuro para o contribuinte, a quem não se pode imputar responsabilidade pela imperfeição da norma. 29. Continua argumentando que o reconhecimento formal, por parte da Administração Pública, da superficialidade e da falta de clareza na disposição dos serviços passíveis de enquadramento como cessão de mão deobra surgiu com a publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (IN SRP) n° 3, de 15 de julho de 2005, que ampliou a dimensão dos significados terminológicos previstos na relação de serviços, acrescentando redação que cede passo para um universo muito maior de possibilidades de enquadramento de serviços como cessão de mãodeobra. 30. Dessa forma, a redação dos arts. 145, 146 e 147 da IN supracitada obrigaria às empresas contratantes de serviços a se esmerarem ao extremo na análise das hipóteses de enquadramento de serviços como cessão de mãodeobra. Cobrar, atualmente, contribuição previdenciária não retida outrora, por conta de falha e imprecisão da própria legislação seria punir o contribuinte pelo erro da Administração Pública, acarretando, inclusive, duplicidade de Fl. 16425DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 6 9 arrecadação, vez que o prestador de serviço, em época própria, já teria recolhido todas as contribuições incidentes sobre a remuneração de seus trabalhadores o quanto não tinha sofrido, no passado, retenção de 11% sobre o valor de suas notas fiscais. 31. Referese ao serviço de “expediente”, previsto na letra “W” do subitem 12.1 da OS INSS/DAF n° 209, de 1999, e afirma que, com muito esforço, podese buscar enquadrar muitos serviços nesta letra. 32. Isso porque, de acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa “expediente” é todo serviço que se faz como rotina diária. Desse modo, poderseia substituir toda a lista de serviço contida no citado item 12.1 simplesmente pela expressão “serviços de expediente”, o que cederia passo à instalação da insegurança jurídica. 33. Destaca também que as normas previdenciárias que dispõem sobre a retenção (IN n° 71/2002, IN n° 100/2003, IN SRP n° 03/2005) vêm sendo aprimoradas, sempre se buscando corrigir sua falta de clareza e de objetividade. Porém, as normas ditas interpretativas, como é o caso das Ordens de Serviço e das Instruuções Normativas previdenciárias, retroagem no tempo para esmiuçar, esclarecer questão duvidosa da lei, mas não para modificar ato jurídico perfeito. Desse modo requer a exclusão do cálculo do tributo, por ausência total de subsunção dos serviços à relação prevista tanto no RPS quanto no subitem 12.1 da OS INSS/DAF n° 209, de 1999, das notas fiscais de serviços constantes dos levantamentos ARII, ASD, BBL, BIA, CAL, CEL, CTA, DUP, FEC, GEO, ISSO, ITP, JRS, NTS, ORG, QUA, SGS e SOD. SERVIÇOS DISPENSADOS DE RETENÇÃO ITEM 16 DA OS 209/99 34. Assevera que foram incluídos no cálculo do tributo serviços dispensados de retenção de 11%, à luz do item 16 da OS INSS/DAF n° 209, de 1999. Como exemplo cita os contratos consignados nos códigos de levantamento: BEM, JBF, JLF, JPE, MFF, NJS, PAS, PQ e TWY, que se enquadrariam na alínea “a” do item 16; AEL, ALT, AMC, BX, CCE e EPS, que se enquadrariam na alínea “b”; CCL, CES, JOI, KSV, MNS, PRT, REN e SPS, que se enquadrariam nas alíneas “a” e “b”; BMF, que estaria enquadrado nas alíneas “b” e “h”; TET, que estaria enquadrado nas alíneas “d” e “i”; ABB e HDO, que estariam enquadrados na alínea “Í”; J CS, MLM, UPP e PWP, que estariam enquadrados na alínea “h”. SERVIÇOS COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS 35. Afirma que os prestadores de serviço contratados pela indústria petroquímica, em sua totalidade, revestemse de especialidades das mais variadas e que essa singularidade da natureza dos serviços prestados exige a utilização de máquinas e equipamentos especiais, a maioria deles com grande aparato tecnologicamente sofisticado. Nesses casos, continua, a própria legislação previdenciária confirma a justificativa da necessidade de deduzir da base de cálculo da retenção de 11% os materiais e equipamentos previstos em contratos, ainda que não discriminados em nota fiscal. 36. Em detrimento desse dispositivo, a Fiscalização não teria utilizado critério objetivo para a dedução do valor de materiais e equipamentos não Fl. 16426DF CARF MF 10 discriminados em nota fiscal, mesmo que tais materiais e equipamentos estivessem previstos no contrato, visto que, como exemplo: a. na nota fiscal 1843, do prestador de serviço ABB Service Ltda. (ABB), competência 10/1999, tendo constatado que o contratante operou a retenção sobre 50% da nota fiscal, a Fiscalização lançou na NFLD os outros 50% do valor da mesma nota fiscal, considerando a falta de discriminação do valor do serviç e dos materiais e equipamentos, deixando de observar o conteúdo do contrato; e b. na nota fiscal 254, do prestador IIILDCAN Manut. Eletr. Ltda (HIL), competência 02/2002, tendo constatado que a contratante operou a retenção sobre 5% do valor total da nota, a Fiscalização lançou um complemento de 45% do valor total da nota, buscando atingir os 50% admitidos pela legislação como valor mínimo da base de . cálculo. 37. Assim, constatado o fornecimento de materiais e equipamentos, a base de cálculo da retenção que corresponder a 100% do valor bruto das notas fiscais deverá ser reduzida em 50% e as retenções complementares que incidiram sobre notas fiscais que originalmente já tinham alguma retenção devem ser eliminadas. Encontrarseiam nessa situação as notas fiscais vinculadas aos seguintes códigos de levantamentos: ABB, ABD, ABL, CEG, CEMAN, CML, CNO, COR, CTE, DIA, ELO, EML, ENG, ENL, FRE, FSP, GA, GEA, HIL, HOT, JMG, JPE, JPG, KEL, MCE, MIT, MMM, MTI, PBA, PII, PLM, PLQ, PRD, RIP, ROT, SSE, TES e TUT. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO 38. Destaca que, no caso da Plena (PLM), as notas fiscais de número 03 e 10, ambas da competência 07/2001, foram lançadas em duplicidade. Um dos lançamento foi considerado como DIF e o outro considerou a nota pelo seu valor bruto, havendo o lançamento de 150% do valor das referidas notas fiscais. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA E/OU CORRETIVA 39. Afirma que, conforme explicita a Circular do INSS n° 46, de 24 de junho de 1999, os serviços de manutenção preventiva e/ou corretiva não estão sujeitos à retenção de 11% quanto não há colocação de equipe de trabalhadores à disposição do contratante. Assim devem ser excluídos os valores contidos nas notas fiscais relacionadas aos seguintes códigos de levantamento: ANA, COO, HOA e MCC. SERVIÇOS CUJ OS CONTRATOS POSSUEM MATRÍCULA PRÓPRIA CEI 40. Alega que a NFLD inclui indevidamente diversos contratos finnados com prestadores de serviços que possuem abertas matriculas CEI, dentre as quais destaca os valores lançados nos seguintes códigos de levantamento: CNO, CTE e PRD. 41. Uma vez que não há incidência da retenção previdenciária sobre as notas fiscais emitidas em conexão com os contratos matriculados tais valores deveriam ser excluídos. Além disso, é imperativa a realização de perícia para pronta exclusão de tais contratos. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DOS CONCEITOS DE DIREITO PRIVADO 42. Afirma que, na forma do CTN, os conceitos de direito privado são inalteráveis pelo legislador tributário para efeito de expandir suas Fl. 16427DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 7 11 competências. Transcreve o art. 110 do citado Código e trechos doutrinários e jurisprudenciais sobre esse dispositivo. Em seguida, transcreve também disposições doutrinárias a respeito da cessão de mão deobra, concluindo que para a caracterização deste instituto são exigíveis: i) contratação da própria mãodeobra (pessoalizada), e não do serviço, produto dela resultante; ii) transferência do poder diretivo para o contratante; iii) irrelevância do fim a 0 qual estão cedidos os trabalhadores; iv) natureza contínua dos serviços contratados. 43. No caso concreto, tanto a Lei quanto a Fiscalização teriam procurado ampliar, indevidamente, o alcance deste instituto, deturpando o conceito de cessão de mãodeobra assentado na doutrina, para o efeito de ampliar indevidamente competências tributárias. 44. Assevera que a NFLD abarca contratos que, por obra da Fiscalização, distorcem e ampliam ainda mais Ó conceito de cessão de mãodeobra para incluir prestações de serviço que, pela própria natureza, são incompatíveis com este instituto. DESOBEDIÊNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DAS EXIGÊNCIAS DA LEI N° 8.212/91. 45. A Defendente lista uma série de serviços (fls. 10.977 a 10.979) e afirma que eles teriam sido objeto de distorcida, forçada e ilegal caracterização como cessão de mãodeobra e apresenta as razões por que acredita que tais serviços não foram prestados mediante cessão de mãodeobra. A fim de corroborar o seu entendimento transcreve decisões judiciais. TIPICIDADE CERRADA E LEGALIDADE ESTRITA 46. Argumenta que o fisco ou o legislador não podem, pra efeito algum, distorcer conceitos para o fim de considerar típico aquilo que não é. CONTINUIDADE E INTERMITÊNCIA CONCEITOS ANTAGÔNICOS 47. Especificamente, ao pretender conceituar como contínuo um serviço que é intermitente, a Administração Tributária rasga por completo a língua portuguesa, na exata medida que tmi conceito é exatamente a negação do outro. Pois contínuo é o que é ininterrupto. Já intermitente é o que apresenta interrupções. 48. Dessa forma, requer a exclusão de todos os valores cobrados à título de intermitência e, especialmente, os seguintes, constantes do Relatório da NFLD: manutenção, montagem, alimentação, controle de embarque e análises de produtos, transporte de pessoal ou de carga. 49. Ainda sobre esse tema, afirma que tanto as paradas quanto às atividades envolvendo manutenção não estão sujeitas apenas a eventos certos e determinados, o que, automaticamente, demonstra a ausência de continuidade. O processo de manutenção e as paradas envolvem eventos diferentes, providencias diferentes, campanhas diferentes, unidades diferentes, equipamentos diferentes, equipes diferentes, etc. Fl. 16428DF CARF MF 12 LIMITAÇÃO DE 50% EM NORMA INFRA LEGAL 50. Afinna ser ilegal a aplicação de percentual fixo previsto na OS n° 209, de 1999, do valor da mãodeobra contida em nota fiscal de prestação de serviço, tendo em vista que o valor dos matérias utilizados na prestação de serviço é variável, devendo, assim, ser anulada a NFLD em todos os pontos que não considerou o valor real dos materiais. VÍCIOS DA LEI N° 9.711/98 51. Alega que, sob o pretexto de instituir mera modificação de sistemática na tributação, o art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, alterada pela Lei n° 9.711, de 1998, distorceu a tributação constitucionalmente autorizada pelo art. 195, I, “a”, da Constituição Federal de 1988 (CF/88), adotando base de cálculo diversa (e muito maior) do que aquela permitida pela Carta, ou caso entendase que se trata, não da mera modificação de sistemática, mas da criação de um novo tributo ingressando no ordenamento jurídico mediante veículo impróprio (lei ordinária, quando se sabe que no caso, a Carta expressamente exige lei complementar). NÃO SE TRATA DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA 52. Argumenta também que não se pode fundamentar a presente exação no art. 150, §7° da CF/88, que introduziu na Carta a possibilidade de substituição tributária “para frente”, porém referido dispositivo não seria aplicável ao caso, que não se subsume no conceito de substituição tributária, ante a ausência dos pressupostos ínsitos a essa sistemática. Em seguida transcreve jurisprudência que confirmaria o seu entendimento. DUPLA EXIGÊNCIA DO MESMO TRIBUTO 53. Alega que as contribuições exigidas na NFLD sob julgamento já foram pagas pelos prestadores de serviço. Assim, a Administração Pública estaria se locupletando e enriquecendo ilicitamente, mediante dupla exigência do mesmo tributo. Isso porque, com a sistemática prevista na Lei n° 8.212, de 1991, alterada pela Lei n° 9.711, de 1998, independentemente de ter havido ou não retenção do valor pago a prestador de serviço, mediante cessão de mãodeobra, a Administração Tributária sempre receberá o seu dinheiro, se não pela mão do substituto, pela mão do substituído. 54. Dentro da sistemática legalmente prevista, de um modo ou de outro, a contribuição será sempre recolhida, em sua integralidade, aos cofres públicos. O que pode haver é uma discussão privada entre tomadora e prestadora, para ressarcimento de eventuais prejuízos que a prestadora tenha suportado em razão da ausência de retenção. 55. Transcreve trecho de julgado do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) que apresentaria entendimento semelhante ao seu e conclui afirmando ser impositiva a realização de perícia contábil para que reste demonstrado que a contribuição não retida foi paga pela substituída (que não pode dispor de crédito em sua conta), não tendo a Administração Tributária mais nada a receber. MULTA 56. Dispõe que a majoração da multa no tempo não é critério razoável, visto que sua imposição não guarda nenhuma relação com o tempo que o contribuinte leva para satisfazer a obrigação tributária, pois ela não Fl. 16429DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 8 13 objetiva a remuneração ou a reposição de qualquer patrimônio, mas sim a punição do sujeito passivo por uma infração cometida. APLICAÇÃO DA SELIC 57. Com relação à aplicação da taxa do SELIC aos créditos tributários, discorre que a ausência de disciplina legal da fonna de seu cálculo no seu diploma instituidor fere de morte O princípio da legalidade, havendo vários julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que vêm declarando a inconstitucionalidade e a ilegalidade deste encargo. Transcreve ementa de decisão do STJ nesse sentido. ERROS DE CÁLCULO 58. Afirma que os valores foram apurados pela Fiscalização de forma errônea e em desconformidade com os valores reais dos títulos e rubricas constantes da notificação. Erro não menor fora cometido quando das atualizações dos valores principais em excesso, atingindo tanto correção monetária quanto juros e multa". Em seu recurso, a recorrente alega os mesmos argumentos postulados em sede de impugnação, excluindo o que lhe já lhe deu provimento, e acrescentado a tese de que há decadência no presente feito. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARES DA INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL DO INSS PARA REALIZAR FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTO DO SIMPLES Inicialmente, cumpre destacar o que prescreve o artigo 142, do CTN, dispõe: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Fl. 16430DF CARF MF 14 Consoante a competência tributária do ente público no que diz respeito ao agente fiscal da Fazenda Nacional e sua atividade vinculada, bem como seu poderdever para fiscalizar tributos instituídos pela Constituição Federal, o presente lançamento se reveste de legalidade e formalidade devida. Por outro lado, existem matérias no presente recurso que já foram objeto de exclusão em sede de primeira instância, a exemplo das matérias referente ao SIMPLES, que foi retirado da autuação, conforme se percebe do item c, das conclusões de primeira instância. Nesse sentido, nas efls. 11.958 é possível constatar que as empresas que realizaram relação jurídica com a recorrente e foram objetos de lançamento fiscal, tiveram os valores excluídos do Lançamento. Portanto, há no recurso pedido que já objeto de "abatimento" na decisão de primeira instância. Assim, não conheço da referida alegação por falta de interesse recursal e perda de objeto. DA SOLIDARIEDADE DOS SÓCIOS Os sócios foram arrolados no presente processo como de praxe pela fiscalização para identificar quem era responsável legal pela empresa durante o período autuado. Com isso, os representantes legais não são responsáveis solidários nesse momento da autuação fiscal, e nem são sujeitos passivos da demanda administrativa. Cabe mencionar que a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, e fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG. Nesse sentido, a Súmula CARF 88 esclarece que o fato do sócio ser mencionado no RepLeg não configura por si só a corresponsabilidade pelo tributo exigido, conforme se constata abaixo: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". Portanto, não conheço da preliminar arguida. NULIDADE DE LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL A recorrente sustenta a nulidade do auto de infração, alegando que ao realizar o relatório fiscal complementar o fisco alterou o critério jurídico do Lançamento fiscal, ocasionando assim o cerceamento de defesa, em desobediência ao que prescreve o art. 10º, e incisos, do Decreto lei ° 70.235/72. Contudo, essa alegação foi a mesma apresentada em sua impugnação complementar, e que de modo a analisar novamente a argumentação trazida pela recorrente não vislumbro motivos de nulidade do Lançamento Fiscal, seja ela formal ou material, em decorrência de alteração de critério jurídico. Fl. 16431DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 9 15 No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993". Por sua vez, o art. 60 da referida Lei, menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Nesse sentido, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos solicitados para as conclusões do lançamento. Portanto, para que haja a declaração de nulidade formal deve haver necessariamente prejuízo à defesa. O que não foi o caso do presente processo. Cabe ressaltar que a diligência fiscal foi feita de maneira complementar, e não mudou o critério jurídico fiscal da autuação. Nesse sentido, a recorrente, apesar de sua irresignação, obteve total êxito em realizar sua defesa de forma clara, sem embaraços, e defenderse de todo Lançamento, sem cerceamento de defesa, onde possui o indicativos dos critérios adotados, quantum autuado, bem como dos elementos que constituíram a infração. Incluise nessa situação, correção e exclusão de valores que não deveriam constar no Lançamento, por inexistir tributo a ser exigido, e que nessa questão também não alterou o critério jurídico adotado, pois apenas excluiu da base de cálculo quantia que seria indevida, segundo o entendimento da própria fiscalização, e que restou confirmado pela decisão de primeira instância. Fl. 16432DF CARF MF 16 Portanto, não acolho a preliminar de nulidade. DA PREJUDICIAL DE MÉRITO DECADÊNCIA Aduz a recorrente que existem hipóteses de incidência do instituto da decadência no que tange ao período de 12/99, onde em se de primeira instância foi reconhecido somente aos períodos anteriores. A recorrente foi intimada da NFLD em 07/10/2005, referente aos períodos de 02/1999 a 06/2002. A decisão recorrida anulou o lançamento as competências anteriores a 11/1999, incluindo essa, em razão da superveniência da Súmula Vinculante n° 8 do STF, mantendo a autuação das competências de 12/1999 a 06/2002 ao argumento de que a última competência de 1999 teria o vencimento em janeiro de 2000, e, ainda, segundo a recorrente nada teria se referido ao nada especificado sobre a incidência do art. 150§ 4°, do CTN. Para que a regra do dispositivo acima citado possa ser aplicada deve ter havido recolhimento de alguma das competências fiscalizadas, ainda que parcial. Nesse sentido, verifico das informações de efls e 1.254, 1.157/1.158, e 1.268, realizadas pela fiscalização que houve recolhimento parcial para o período que não foi considerado atingindo pela decadência em primeiro grau (de 12.1999 a 09.2000). O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Portanto, os cincos anos seriam contados a partir dos fatos geradores, correspondentes ao também período de 12/1999 e competências seguintes, até 09.2000, já que com a regra interpretada pelo STJ teria se consumado o prazo decadencial no período mencionado, uma vez que a intimação ocorreu no período de 07.2005. Assim, transcorridos os 5 anos decadenciais. Com isso, deve ser declarada a decadência do período de dezembro de 1099 até setembro de 2000, uma vez que os comprovantes dos pagamentos foram juntados ao feito. Ainda, de acordo com a Súmula CARF nº 99, "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Nessas circunstâncias, existindo recolhimento de contribuições, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica, devendo ser acatada a decadência dos períodos de dezembro de 1099 até setembro de 2000. Fl. 16433DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 10 17 DO PEDIDO DE NULIDADE INTEGRAL DECADÊNCIA Pede a recorrente o reconhecimento total do instituto de decadência. Pedido feito em sede de sustentação oral, invocando matéria de ordem pública, uma vez que o relatório complementar teria sido feito posterior e causado também. Conheço do pedido postulado, por ser matéria de ordem o pública. Porém não dou provimento, uma vez que a alegação diz respeito ao segundo relatório fiscal (relatório fiscal complementar), tendo em vista que não há novo lançamento no presente processo, possível de atrair os efeitos da decadência. O REFISC complementar levantou diversas informações, prestou esclarecimentos e excluiu valores que deveriam não constar do Lançamento fiscal, constatando a inexistência da relação jurídica tributária por falta de previsão legal. Porém, as datas estão dentro do prazo decadencial permitidos para o lançamento, da qual não houve alteração no critério jurídico adotado. Inexistiu anulação do Lançamento, tampouco, declaração de nulidade que pudesse configurar algum tipo de prazo decadencial para a notificação da contribuinte. Nesse sentido, o prazo estaria interrompido pelos procedimentos inerentes ao PAF (notificação do Lançamento), e o crédito fiscal suspenso pela impugnação primeira apresentada, da qual houve somente oportunidade para nova manifestação do REFISC complementar, a fim de se evitar o cerceamento de defesa, salvo a decadência parcial já reconhecida acima. Na página 02, percebese que a intimação da contribuinte se deu em 07.10.2005. As competências exigidas são de 12/1999 a 06/2002. A intimação da contribuinte do relatório complementar se deu em 09.12.2009 (efl. 10.531). Nesse sentido, o fato do novo relatório ultrapassar o prazo de cinco anos dos períodos fiscais exigidos não influi no prazo decadencial, uma vez que o prazo estaria interrompido pela primeira intimação da empresa defendente. De certo que não estamos a tratar de prazo "ad aeternum" para a que o fisco realize os atos de cobrança do crédito fiscal. Porém, o que se verifica é a necessidade de procedimentos inerentes do PAF que servem para a constituição ou não do crédito público, onde se apuram os elementos que irão embasar o auto de infração, e que apesar de levar considerável período, não deixou o fisco de realizar atos administrativos inerentes para proceder com as verificações necessárias do auto de infração. Como dito acima, não houve novo Lançamento, mas somente o complemento a ele, do qual a contribuinte teve acesso dentro do prazo legal, garantidose a ampla defesa e contraditório. Portanto, não conheço da argumentação de decadência integral do Lançamento fiscal, mas parcial, nos termos do tópico acima lançado. DO MÉRITO PROPRIAMENTE DITO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS PELA RECORRENTE E DO DEVER DE RECOLHIMENTO/RETENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 16434DF CARF MF 18 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, nº 5.790.6853, lavrado contra o contribuinte identificado em decorrência da aferição da remuneração da mãodeobra contida em notas fiscais/faturas de serviços por diversas empresas que prestaram serviços para a contratante BRASKEM S/A (sucedida pela COPENE), visto não ter comprovado esta a elisão da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991; e, tem por finalidade apurar e constituir as contribuições previdenciárias, correspondente às contribuições dos segurados. Nesse sentido, a recorrente também alegou, desde sua impugnação, que não seria devido a exigibilidade do crédito em razão de suas atividades ou daquelas contratadas pela contribuinte não estarem enquadradas no disposto do artigo 31, §§3º e 4º, da Lei 8.212/91, conforme transcrição do citado artigo: "Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974". Visando regulamentar a Lei citada, especificamente no que diz respeito ao artigo 31, da Lei 8.212/91, acima citado, o Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999, por meio do artigo 219, previu a retenção dos 11% das contribuições previdenciárias nos seguintes molde: "Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999. "Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende se como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do Fl. 16435DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 11 19 contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. Diversas empresas foram enquadradas como se tivesse contrato cessão de mão de obra, com o intuito de verificação dos serviços prestados, e recolhimento das contribuições sociais devidas, sendo que as operações realizadas entre elas e recorrente foram classificados por meio de códigos. Antes de verificar como cada serviço foi enquadrado dentro do levantamento da fiscalização, consoante a legislação em vigor, cabe mencionar que, segundo Fábio Zambietti, "a cessão de mão de obra é a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou na de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Já a contratação por meio de cessão de mão de obra é o contrato derivado locatio operarum, onde o objeto da contratação é a mão de obra. Assim, a mão de obra envolvida é a razão de ser Fl. 16436DF CARF MF 20 da existência do contrato. Por outro lado, a empreitada é a locatio operis, contratação na qual as partes visam a uma tarefa ou obra em sentido amplo, não se restringindo à construção civil. A mão de obra é mero meio de se atingir o fim desejado pelas partes" (IBRAHIM, Fábio Zambietti, in Curso de Direito Previdenciário, 23ª Ed. Rev. Atua., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2018, pág.364). Nesse sentido, nos caso dos serviços descritos na legislação e descritos em contratos ou identificados pelas nas notas fiscais juntadas ao processo, deve haver necessariamente duas situações, somatórias, para a exigência da retenção dos 11% legal para que possa ser enquadrado na normal legal, quais sejam i) haver necessariamente a cessão de mão de obra nas dependências da contratante ou de terceiros; e ii) os serviços estarem efetivamente descritos na norma legal, sendo possível o enquadramento das atividades desenvolvidas no rol descritivo. Por fim, o quesito continuidade deve fazer parte das características do contrato estabelecido, mas que como visto, nem toda empreitada cede mão de obra, e o enquadramento da empreitada em alguns casos pode afastar a necessidade de retenção. Em alguns casos, segundo o relatório fiscal complementar, a empresa recorrente, BRASKEM que sucedeu a empresa COPENE Petroquímica do Nordeste S.A., teve como método de lançamento a aferição indireta, uma vez que teria essa se recusado a apresentar todos os contratos realizados com as empresas identificadas pela autoridade administrativa, em serviços seriam devidos pela retenção. Nesse sentido, a técnica de aferição indireta está estabelecida no art. 33, § 3º e §6º, Lei nº 8.212/91, conforme transcrição dos dispositivos: "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário". Grifouse. Assim, passase a analisar cada serviço enquadrado como atividade a ser recolhida os valores das contribuições que estariam ou não descritas na norma legal. Fl. 16437DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 12 21 A recorrente requer a exclusão dos valores lançados nos códigos de levantamentos, a seguir transcritos, conforme consta do relatório fiscal e do relatório complementar o seguinte: Levantamento GTO "Relacionamse à utilizaçao de prestação de serviço remunerado, contratado mediante cessão de mãodeobra, e realizado pelas pessoas físicas vinculadas à GLOBAL TRANSPORTE OCEÂNICO SA, CNPJ n° 06704415/000122, entre fevereiro/1999 a maio/2002, nas dependências da COPENE". Nesse sentido, apesar da recorrente pretender retirar a interpretação da natureza do contrato firmado entre a recorrente e as partes envolvidas, ela está taxativamente arrolada no art. 219, §2, incisos XVII, in verbis: "Art. 219. (...) XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão". A Instrução Normativa da RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, em seu artigo 149, superveniente ao lançamento fiscal, e também ao relatório fiscal complementar, por sua vez assim dispõe: Art. 149. Não se aplica o instituto da retenção: I à contratação de serviços prestados por trabalhadores avulsos por intermédio de sindicato da categoria ou de OGMO; II à empreitada total, conforme definida na alínea "a" do inciso XXVII do caput e no § 1º, ambos do art. 322, aplicandose, nesse caso, o instituto da solidariedade, conforme disposições previstas na Seção III do Capítulo IX deste Título, observado o disposto no art. 164 e no inciso IV do § 2º do art. 151; III à contratação de entidade beneficente de assistência social isenta de contribuições sociais; IV ao contribuinte individual equiparado à empresa e à pessoa física; V à contratação de serviços de transporte de cargas, a partir de 10 de junho de 2003, data da publicação no Diário Oficial da União do Decreto nº 4.729, de 9 de junho de 2003; VI à empreitada realizada nas dependências da contratada; VII aos órgãos públicos da administração direta, autarquias e fundações de direito público quando contratantes de obra de construção civil, reforma ou acréscimo, por meio de empreitada total ou parcial, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 151, ressalvado o caso de contratarem serviços de construção Fl. 16438DF CARF MF 22 civil mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, em que se obrigam a efetuar a retenção prevista no art. 112. No período fiscalizado, 01/02/1999 a 30/06/2002, a norma anterior determinava o recolhimento dos valores dessa atividade, e, portanto, deve ser mantida na presente autuação, tendo em vista ocorrência do fato gerador no período dos fatos geradores. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO ASD ASD DESENHOS TÉCN1COS. OBJETO DO CONTRATO: Serviço de eletronização do acervo de engenharia (desenhos). Alega a recorrente que não se trata de serviço relacionado à construção civil, nem há previsão normativa para retenção previdenciária nessa atividade. A decisão de primeira instância diz o seguinte: "125. O Código de Levantamento ASD, referese aos pagamentos efetuados pela Defendente à prestadora de serviços ASD Desenhos Técnicos, contrato fls. 2.320 a 2.333, cujo objeto foi a execução dos serviços de eletronização do acervo de engenharia, que consiste na digitalização de documentos num processo que inclui, dentre outros, o escaneamento, tratamento, formatação e validação. Tais atividades estão contempladas no serviço de “preparação de dados para processamento” previsto na alínea “e” do item 12.1 da OS 209,1999, que inclui os serviços executados com vistas a viabilizar ou a facilitar o processamento de informações, dentre os quais incluemse o escaneamento manual ou a leitura ótica. Dessa forma, o lançamento referente a este código encontrase procedente". Nesse contexto, interpretando o contrato juntado ao feito tenho que ainda pende de uma conclusão sobre os serviços prestados, diante da falta de especificidade do serviço realizado e da falta dos conceitos para enquadramento legal na retenção dessa atividade. Para corroborar com o entendimento aqui esposado, verifico outra situação semelhante, e que detalha as atividades que deveriam ocorrer retenção, conforme a Solução de Consulta nº 131 Cosit, de 1º de junho de 2015, e que também mesmo sendo posterior ao auto de infração ajuda a trazer esclarecimentos aos fatos e objetos da autuação, mesmo que seja, nesse caso, se a contratante fosse pessoa jurídica de direito público, pois os conceitos abordados são didáticos por si só, conforme transcrição in verbis: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS RETENÇÃO. SERVIÇOS NA ÁREA DE INFORMÁTICA. ÓRGÃOS DO PODER PÚBLICO E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. 1. Não se aplica a retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, aos serviços de: a) desenvolvimento, aperfeiçoamento, integração e manutenção preventiva e corretiva de sistemas; b) implementação, configuração, instalação e customização de software; c) mudança de plataforma; d) catalogação federal e padronização de bens e serviços; e) migração de dados. 2. Ficam sujeitos à retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, os serviços de digitação, compreendendo a inserção de dados em meio Fl. 16439DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 13 23 informatizado por operação de teclados ou de similares, e os de preparação de dados para processamento, executados com vistas a viabilizar ou a facilitar o processamento de informações, tais como escaneamento manual ou a leitura ótica, quando forem executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada não realizada nas dependências da contratada; e os de treinamento de sistemas informáticos, quando houver cessão de mão de obra. 3. A prestação do serviço nas dependências da contratada é incompatível com o conceito de cessão de mão de obra e afasta a obrigatoriedade da retenção também no caso de empreitada, por força do inciso VI do art. 149 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, ainda que a natureza do serviço se enquadre nas hipóteses submetidas à retenção de que trata o artigo 117 da referida Instrução Normativa; 4. Os órgãos da Administração Pública direta, as autarquias, as fundações de direito público e as sociedades de economia mista das diferentes esferas federativas devem fazer a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços quando contratarem serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, segundo os mesmos termos da legislação aplicável às empresas em geral". Como forma de aclarar ainda mais a conclusão do presente voto, transcrevo parte da trabalho feito na respectiva Solução de Consulta, onde são exaustivamente descritos os conceitos dos institutos abordados no presente julgado: "(...) 7. Para que o contratante de determinado serviço fique obrigado a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e a recolher a importância retida é necessário que a execução dos serviços se dê mediante cessão ou empreitada de mão de obra. Além disso, o serviço deve estar relacionado no art. 117 ou no art. 118 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. Confirase: Art. 117. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 149, os serviços de: I limpeza, conservação ou zeladoria, que se constituam [...]; II vigilância ou segurança, que tenham por finalidade [...]; III construção civil, que envolvam [...]; IV natureza rural, que se constituam [...]; V digitação, que compreendam a inserção de dados em meio informatizado por operação de teclados ou de similares; Fl. 16440DF CARF MF 24 VI preparação de dados para processamento, executados com vistas a viabilizar ou a facilitar o processamento de informações, tais como o escaneamento manual ou a leitura ótica. Parágrafo único. Os serviços de vigilância ou segurança prestados por meio de monitoramento eletrônico não estão sujeitos à retenção. Art. 118. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra, observado o disposto no art. 149, os serviços de: I acabamento, que envolvam a conclusão, o preparo final ou a incorporação das últimas partes ou dos componentes de produtos, para o fim de colocálos em condição de uso; II embalagem, relacionados com o preparo de produtos ou de mercadorias visando à preservação ou à conservação de suas características para transporte ou guarda; III acondicionamento, compreendendo os serviços envolvidos no processo de colocação ordenada dos produtos quando do seu armazenamento ou transporte, a exemplo de sua colocação em paletes, empilhamento, amarração, dentre outros; IV cobrança, que objetivem o recebimento de quaisquer valores devidos à empresa contratante, ainda que executados periodicamente; V coleta ou reciclagem de lixo ou de resíduos, que envolvam a busca, o transporte, a separação, o tratamento ou a transformação de materiais inservíveis ou resultantes de processos produtivos, exceto quando realizados com a utilização de equipamentos tipo contêineres ou caçambas estacionárias; VI copa, que envolvam a preparação, o manuseio e a distribuição de todo ou de qualquer produto alimentício; (....) X treinamento e ensino, assim considerados como o conjunto de serviços envolvidos na transmissão de conhecimentos para a instrução ou para a capacitação de pessoas; Art. 119. É exaustiva a relação dos serviços sujeitos à retenção, constante dos arts. 117 e 118, conforme disposto no § 2º do art. 219 do RPS. Parágrafo único. A pormenorização das tarefas compreendidas em cada um dos serviços, constantes nos incisos dos arts. 117 e 118, é exemplificativa. (original sem destaque) 8. Como se pode verificar, o artigo 117 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, relaciona os serviços sujeitos à retenção quando “contratados mediante cessão de mão de obra ou empreitada” (g.n.) e, o artigo 118, aqueles obrigados à retenção se executados “mediante cessão de mão de obra” (destacouse). Fl. 16441DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 14 25 9. Como a relação dos serviços sujeitos à retenção constante dos artigos 117 e 118 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, é exaustiva, temse, por exclusão, em razão da natureza das atividades, que o instituto da retenção não se aplica aos seguintes serviços prestados pela Consulente: a) desenvolvimento, aperfeiçoamento, integração e manutenção preventiva e corretiva de sistemas; b) implementação, configuração, instalação e customização de software; c) mudança de plataforma; d) catalogação federal e padronização de bens e serviços; e) migração de dados. 10. Atendose aos artigos acima reproduzidos e à natureza das atividades executadas pela Consulente, constatase que os serviços por ela prestados que poderiam estar sujeitos à retenção são os de digitação, compreendendo a “inserção de dados em meio informatizado por operação de teclados ou de similares” e os de preparação de dados para processamento, “executados com vistas a viabilizar ou a facilitar o processamento de informações, tais como escaneamento manual ou a leitura ótica”, quando executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada; e, os serviços de treinamento (de sistemas), por meio de cessão de mão de obra. 11. Vêse que a natureza das atividades não é o único requisito a ser averiguado para que se dê a obrigatoriedade da retenção. É preciso que a prestação do serviço se dê mediante cessão de mão de obra ou empreitada. Além disso, ordena também o art. 117 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, que sejam observadas as hipóteses em que a retenção não se aplica e que se encontram relacionadas no art. 149 dessa Instrução Normativa. Cumpre distinguir, a seguir, a contratação efetuada mediante cessão de mão de obra e por empreitada. 12. O § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998, assim conceitua cessão de mão de obra: Art. 31. [...] § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (original sem destaque) 13. Esse conceito também é apresentado pela Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, que explicita, com maior detalhamento, os elementos objetivos dessa definição. Confira se: Art. 115. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Fl. 16442DF CARF MF 26 §1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante, entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. (destacouse) 14. Segundo a conceituação acima reproduzida, podese dizer que ocorre cessão de mãodeobra quando a empresa contratada cede trabalhadores, colocandoos à disposição da empresa contratante, para realizar serviços contínuos, em suas dependências ou na de terceiros. Três seriam, assim, os requisitos fundamentais para que a prestação de serviço seja considerada cessão de mãodeobra: a) os trabalhadores devem ser colocados à disposição da empresa contratante; b) os serviços prestados devem ser contínuos; c) a prestação de serviços deve se dar nas dependências da contratante ou na de terceiros. 15. Com relação à continuidade dos serviços, verificase, pela conceituação normativa, que sua caracterização não guarda relação com a periodicidade contratual, mas, sim, com a necessidade da empresa contratante. Sob esse aspecto, a norma faz referência a uma necessidade “permanente”, que se revelaria pela sua repetição periódica ou sistemática. 16. Esse caráter (permanente) pode restar evidenciado pelo número de vezes que foi demandado o serviço, embora o critério mais adequado seja o da natureza dos serviços, tomandose como referencial a empresa contratante. A necessidade permanente é aquela que não é eventual, e eventual é aquilo que ocorre de maneira fortuita, imprevisível. 17. Quanto à prestação dos serviços nas dependências da contratante ou na de terceiros, essa caracterização não comporta dificuldade, considerando que a própria legislação buscou definir o que seria dependência de terceiro – é aquela indicada pela empresa contratante, que não seja as suas próprias e que não pertença à empresa prestadora dos serviços. 18. Nessa medida, quando os serviços forem prestados nas dependências da empresa prestadora dos serviços (contratado), não há que se falar em cessão de mãodeobra, nem ocorrerá, via de conseqüência, a incidência da retenção de 11% (onze por cento) prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. 19. Já com relação à colocação do trabalhador à disposição do tomador, esse requisito pressupõe que o trabalhador atue sob as ordens do tomador dos serviços (contratante), que conduz, supervisiona e controla o seu trabalho. 20. Percebese, assim, que a empresa contratada, ao ceder trabalhadores a outra, transfere à contratante a prerrogativa, Fl. 16443DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 15 27 que era sua, de comando desses trabalhadores. Ela abre mão, em favor da contratante, de seu direito de dispor dos trabalhadores que cede, do direito de coordenálos. Dessa forma, a empresa contratante dos serviços poderá exigir dos trabalhadores cedidos a execução de tarefas objeto da contratação. 21. Enfim, se os trabalhadores limitaremse a fazer o que está previsto em contrato, mediante ordem e coordenação da empresa contratada, não ocorrerá a disponibilização da mãode obra e, por conseguinte, não restará configurada a sua cessão. Nesse tipo de prestação de serviço a empresa contratada comprometese à realização de tarefas específicas, que por ela devem ser levadas a cabo. 22. Como se disse anteriormente, a incidência da retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços também ocorrerá quando a contratação se der mediante empreitada no caso dos serviços descritos no art. 117 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. Assim, apresenta se necessário trazer a definição de empreitada, para fins da retenção previdenciária. Observe a dicção do dispositivo conceitual extraído da Instrução Normativa nº 971, de 2009: Art. 116. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. (grifouse) 23. A cessão de mãodeobra é originada do chamado locatio operarum, com característica marcante centrada na própria mãodeobra, sendo esta a essência desse tipo de contrato. Já a empreitada de mãodeobra tem sua origem no locatio operis, contrato caracterizado quando as partes objetivam a realização de uma tarefa ou de uma obra, sendo a mão de obra apenas um meio de se alcançar o objeto almejado pelas partes. 24. A empreitada tem como característica principal a predeterminação clara da necessidade a ser atendida e, por conseqüência, sua finitude. O serviço necessário para produzir o resultado apto a atender a necessidade pode ser antecipadamente dimensionado e especificado. Acrescentase, ainda, que, na empreitada, a relação de negócio é estabelecida entre tomador e prestador e este mantém intacto seu poder de direção, supervisão egerenciamento da execução dos serviços, direitos estes que não são transferidos nem compartilhados com o tomador, porquanto os trabalhadores não foram colocados à disposição daquele. 25. Destacase, ainda, como diferença em relação à cessão de mão de obra, o fato de a empreitada poder ser realizada nas dependências do contratante, de terceiro, ou do contratado. Entretanto, o art. 117 da Instrução Normativa RFB nº 971, de Fl. 16444DF CARF MF 28 2009, ao trazer as hipóteses de serviços submetidos à retenção quando realizados por meio de cessão de mão de obra ou empreitada, ordena que sejam observadas as exceções do art. 149 daquela Instrução Normativa, que assim dispõe: Art. 149. Não se aplica o instituto da retenção: I à contratação de serviços prestados por trabalhadores avulsos por intermédio de sindicato da categoria ou de OGMO; II à empreitada total, conforme definida na alínea "a" do inciso XXVII do caput e no § 1º, ambos do art. 322, aplicandose, nesse caso, o instituto da solidariedade, conforme disposições previstas na Seção III do Capítulo IX deste Título, observado o disposto no art. 164 e no inciso IV do § 2º do art. 151; III à contratação de entidade beneficente de assistência social isenta de contribuições sociais; IV ao contribuinte individual equiparado à empresa e à pessoa física; V à contratação de serviços de transporte de cargas, a partir de 10 de junho de 2003, data da publicação no Diário Oficial da União do Decreto nº 4.729, de 9 de junho de 2003; VI à empreitada realizada nas dependências da contratada". Importante mencionar que as Instruções Normativas citadas nas Soluções de Consultas são todas posteriores à época dos fatos geradores. Contudo, para interpretações dos dispositivos em comento, somente aquilo que poderia ser aplicado, entendo ser possível a utilização do art. 106, inciso I, do CTN, quando seja norma expressamente interpretativa. DOS CÓDIGOS QUE DEVEM SER MANTIDOS NO LANÇAMENTO FISCAL Em uma análise aprofundada dos códigos em questão dos contratos juntados aos autos (relação jurídica de prestação de serviço realizada por terceiros e recorrente), verifico que são de fato cessãodemão de obra e que devem ser mantidos na autuação fiscal, qual sejam. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO BBL BUREAU BRASILEIRO S/C Objeto do contrato: Ensaio de íris nos equipamentos. Conforme a recorrente não há previsão normativa para este serviço, uma vez que não se trata nem de serviço de construção civil, nem de manutenção (efl. 2.821 e seguintes). Ocorre que, a descrição dos servidos enquadrase na atividade de manutenção de instalações prevista no item 12.1, alínea “o” da OS 209, de 1999, devendo ser mantido no auto de infração. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO FEC Relativamente à empresa FOCO Empresarial Consultoria LTDA, analisada pela fiscalização no item 5.66 do relatório complementar, verificase que as contratações realizadas (13/2000, 125/01, 239/01 , 328/02) tiveram como objeto o seguinte: 13/2000, execução de serviços de acompanhamento e apoio ao gerenciamento da documentação dos empreendimentos da Copene; o de n° 239, de 01/01/2001, que teve como objeto a execução de serviços de apoio às atividades do arquivo técnico, controle, cadastramento, organização e Fl. 16445DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 16 29 pesquisa da documentação da Ceman; e o de 11° 328, de 01/01/2002, que teve como objeto a execução de serviços de apoio às atividades do Arquivo Técnico de Engenharia da Copene. Segundo a contribuinte esses serviços não se configuram como cessão de mãodeobra. Contudo, os serviços descritos estariam enquadrados no inciso XXIII, §2°, art. 219, do RPS, como secretaria e expediente, que visa organizar o funcionamento interno da empresa, tendo as características inerentes ao descritivo legal. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO DU1 DU. PONT DO BRASIL S/A. OBJETO DO CONTRATO: Consultoria em segurança. Observase que essa empresa também presta serviços de treinamento nessa área. Segundo a recorrente, o recolhimento foi procedido pelo prestador de serviços dupla exigência do mesmo tributo. Porém, nesse ponto, a recorrente não indica onde estão os comprovantes de recolhimentos. Prova que lhe incumbia. Portanto, não há como afastar a exigência do Lançamento. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO GE4 CSD GEOKLOCK Geologia e Engenharia Ambiental Ltda. Objeto do contrato: remoção, acondicionamento, transporte e queima nos fornos da HOLDERCIM. Os dois contratos analisados são enquadrados no art. 219, §2°, VIII e no XV, do RPS, e referidos serviços foram enquadrados pela Fiscalização como “coleta e reciclagem de lixo e resíduos”. de manutenção de instalações, de máquinas ou de equipamentos, dos quais estão sujeitos à retenção, quando indispensáveis ao seu funcionamento regular e permanente. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO SOD SODEXHO DO BRASIL COMERCIAL LTDA. Objeto do contrato: Serviço de preparo e distribuição de refeições e lanches. Nesse quesito, o objeto do contrato é a execução da exploração do Restaurante Central e refeitórios da COPENE, compreendendo serviços de preparo e distribuição de refeições, lanches, cafezinhos e serviços da cantina, nas condições estabelecidas pela Copene, e a recorrente alega que: A extensão do significado terminológico do vocábulo “copa” não tem o condão de alcançar o serviço previsto no contrato em questão. Não é por acaso que existem os serviços de cozinha, de copa, de bar e de restaurante, todos guardando suas devidas peculiaridades. A meu ver essa alegação de conceitos não é suficiente a afastar a exigência pelo art. 219, §2°, IX do RPS, uma vez que o contrato prevê situação específica ocorrida pela norma e o que efetivamente foi realizado. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO ABB ABB Contrato 3.344/99. Contrato Simplificado 232/01. Relativamente ao contrato em questão, o objeto era a complementação da substituição de Duto de Nafta RLAM/COPENE. Essas atividades estão enquadradas no inciso XV, §2°, art. 219 do RPS, pois se trata de atividade de manutenção de instalações. Fl. 16446DF CARF MF 30 CÓDIGO DE LEVANTAMENTO EL5 Esse código de levantamento referente à empresa Elos Engenharia, tendo por objeto a repotencialização e a conversão de fornos ou a remoção, desmontagem e montagem de válvulas. Novamente temse aqui atividades de manutenção de instalações. Os contratos tiveram como cessão de mãodeobra para a repotencialização e a conversão de fomos ou a remoção, desmontagem e montagem de válvulas. Portanto, deve ser mantida na autuação. DOS DEMAIS CÓDIGOS Quanto aos demais códigos, conforme colocado pela decisão de primeira instância, entendo que estão enquadrados como tributáveis na presente autuação, uma vez que se enquadram na norma legal. Nesse sentido, a recorrente solicitou a exclusão dos seguintes códigos: ARII, ASD, BBL, BIA, CAL, CEL, CTA, DUP, FEC, GEO, ISSO, ITP, JRS, NTS, ORG, QUA, SGS, NTS, ORG, JPG, MO3, LOC, ITP, PRT, CCE, SYM, TTV, REN, JBF, PIE, FEC, CEL, JCR, LOC, BEM, JBF, JPE, MFF, PQ, TWY, AEL, BX, CCE, EPS, CES, JOI, KSV, PRT, REN, SPS, TET, ABB, HDO e PWP. No que diz respeito a todos as atividades relacionadas nos códigos de levantamentos pela fiscalização, entendo pela manutenção da decisão de primeira instância, as quais se enquadram em um dos incisos, do §2º, do art. 219, do Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999, tendo em vista a ocorrência dos elementos necessários para seu enquadramento legal. DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA DOS SERVIÇOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL Nos casos que não foram apresentados os comprovantes de recolhimentos desses serviços, devem ser mantidos no auto de infração. O que já foi enquadrado de forma indevida, é dispensada nova análise, tendo em vista a exclusão de certos serviços considerados como dispensáveis da retenção. Para os demais casos, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente, uma vez que lhe faltaram as provas necessárias de sua argumentação. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Fl. 16447DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 17 31 Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu Fl. 16448DF CARF MF 32 direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO Fl. 16449DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 18 33 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mãodeobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 16450DF CARF MF 34 Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com os fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Ainda, no REFISC complementar e da decisão de primeira instância, constou o seguinte (efl. 11.974): "o Relatório Fiscal Complementar apresenta uma planilha, às fls. 11.489, na qual discrimina diversas notas fiscais da empresa Serconsul Serviços de Engenharia Ltda. decorrentes de serviços prestados à Defendente. Sobre tais pagamentos afirma que .não foi possível efetuar a análise dos contratos a eles referentes, tendo em vista que a Braskem não apresentou os Boletins de Medição, nem os contratos solicitados. Diante da conduta omissiva da Braskem, decidiu pela manutenção desses valores". Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento Fl. 16451DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 19 35 por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Fl. 16452DF CARF MF 36 Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Entretanto, não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. E INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da alegação de seu direito. O pedido de perícia não pode ser deferido quando for impossível ou impraticável em razão da dificuldade e condições temporais. Ademais, caberia ao recorrente ter providenciado as provas necessárias das razões do seu direito em instância de primeiro grau, ou em seu recurso, a depender das circunstância e aceitação do órgão julgador. Porém, entendo não ser o caso de deferimento de diligência, tendo em vista que inclusive foram realizados dois relatórios fiscais, e que discorrem de maneira exaustivas as descrições de fato e direito do Lançamento. MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA A recorrente pede a retroatividade benigna quanto à aplicação da multa. Fl. 16453DF CARF MF Processo nº 18050.005185/200884 Acórdão n.º 2301005.757 S2C3T1 Fl. 20 37 Contudo, a nova Súmula CARF nº 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Assim, deve prevalecer a matéria sumulada, para aplicação da multa e retroatividade benigna, a qual já foi objeto de aplicação por parte do fisco (conforme enquadramento legal mencionado na efl. 1.254). DO RECURSO OFÍCIO No que diz respeito ao recurso de ofício, os serviços retirados pela decisão de primeira instância diziam respeito aos serviços que não cabiam a retenção. Logo, em análise do segundo relatório fiscal, constato que de fato os serviços praticados e contratados junto à recorrente não caberiam a retenção dos 11% devidos pela legislação. Assim, entendo não ser o caso de provimento do recurso de ofício. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário nas matérias que não diz respeito à inconstitucionalidade, bem como daquilo que já foi objeto de exclusão em sede de primeira instância, para nas matérias conhecidas não acolher as preliminares arguidas, e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO para acatar o pedido de reconhecimento da decadência do período de 12.1999 a 09.2000 (inclusive), não acolher ao pedido de decadência integral do Lançamento fiscal, bem como excluir da tributação o código de levantamento ASD, e nas demais matérias manter a exigência fiscal, bem como para conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator Fl. 16454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720130/2015-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. FATO GERADOR. MOMENTO.
Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações para o capItal socIal da companhia incorporadora é espécie de alienação de bens e direitos. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há a efetiva realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora , tornando-se proprietário das ações.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. CLÁUSULA LOCK UP.
A existência de cláusula contratual de restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionais, consistente na obrigação de não alienar os ativos por determinado tempo, não tem eficácia de desconstituir a transferência de domínio por ocasião da incorporação das ações. A situação jurídica que representa a disponibilidade econômica pela realização de renda passível de tributação foi definitivamente constituída no momento da transferência da propriedade das ações, quando restou configurado o acréscimo patrimonial da pessoa física.
Numero da decisão: 2402-006.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recuso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações para o capItal socIal da companhia incorporadora é espécie de alienação de bens e direitos. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há a efetiva realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora , tornandose proprietário das ações. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. CLÁUSULA LOCK UP. A existência de cláusula contratual de restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionais, consistente na obrigação de não alienar os ativos por determinado tempo, não tem eficácia de desconstituir a transferência de domínio por ocasião da incorporação das ações. A situação jurídica que representa a disponibilidade econômica pela realização de renda passível de tributação foi definitivamente constituída no momento da transferência da propriedade das ações, quando restou configurado o acréscimo patrimonial da pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recuso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 30 /2 01 5- 31 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 446 2 Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrado Auto de Infração em face da recorrente para exigência do IR na monta de R$ 3.692.461,50 (principal) sobre o Ganho de Capital GCAP experimentado na alienação de 5.983.589 ações ordinárias da sociedade SAPEKA IND E COM DE FRAUDAS DESCARTÁVEIS para a HYPERMARCAS S/A, pelo valor de R$ 30.599.998,98, em 6.9.10. (TVF às fls. 337/349) Regulamente cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou sua Impugnação (fls. 363/376) que, como já dito, foi julgada improcedente pela DRJ fls. 387/400. O acórdão de piso foi assim ementado: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 447 3 Cientificado do acórdão, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 409/440, por meio do qual aduz em resumo: Da inocorrência do fato gerador. Que quando do recebimento das ações da HYPERMARCAS, havia cláusula contratual que impedia, durante o período de 5 (cinco) anos, a prática de qualquer ato relacionado à alienação, oneração ou disposição de qualquer dessas ações. Logo, não haveria disponibilidade econômica ou jurídica relativa a essas ações. Que, assim sendo, os fatos geradores somente passariam a ocorrer a partir de 2012, à razão de 20% ao ano, segundo previsão no instrumento negocial. Da unicidade do negócio jurídico. Que a fundamentação no sentido de que as cláusulas mencionadas "dizem respeito à alienação das ações a Hypermarcas, ao passo que o presente processo trata da alienação das ações da Sapeka", não faria sentido, na medida em que todas as condições fariam parte de um único negócio, incluindo alienação de ações, reestruturação societária, incorporação de empresa e recebimento de ações da empresa Hypermarcas com restrição temporária da disponibilidade econômica e jurídica, o qeu as obstaria de serem comercializadas de pronto. Da não ofensa ao art. 123 do CTN. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 448 4 Que referido dispositivo trataria da transferência de responsabilidade, eis que o direito tributário deve prever apenas os efeitos do negócio jurídico para dele determinar a hipótese de incidência com todas as nuances. Da cobrança indevida de tributo. Que o lançamento deveria ter considerado o recolhimento efetuado em 2012, posto que, no máximo, teria havido postergação do pagamento, sob pena de restar caracterizado o crime de excesso de exação. Da opção de incorporação de bens por valor contábil ou de mercado. Que o contribuinte optou por declarar as novas ações recebidas da HYPERMARCAS pelo mesmo valor de custo que vinha declarando com relação às ações da SAPEKA, em observância ao artigo 23 da Lei 9.249/95. Optou, assim sendo, por tributar o ganho quando efetivamente se dessem suas alienações, o que teria ocorrido em 2012. Que o laudo de avaliação de que se valeu o Fisco, por si só não se submete à tributação, mas apenas baliza os parâmetros para a justa substituição das ações, pois prestase apenas para atender a legislação societária e contábil, que exige, no caso de incorporação de ações, que o patrimônio das empresas (investida e investidora) sejam avaliados pelo mesmo critério, sem, contudo, caracterizar opção a valor de mercado de que trata o artigo 23 da Lei 9.249/95. Que ainda que admitisse a transferência por valor superior, também não haveria ganho a tributar, pois é corrente o entendimento de que nas permutas sem torna não há que se falar em ganho tributável. Da não incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 15.9.17, consoante se denota de fls. 406 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 29.9.17 (fls. 409). Antes de adentrarmos ao mérito, cumpre destacar que o recurso voluntário trouxe indesejada inovação à lide, em inobservância ao artigo 16, III, do Dec 70.235/72, quando passou a aduzir, somente nesta fase recursal, "que ainda que admitisse a transferência por valor superior, também não haveria ganho a tributar, pois é corrente o entendimento de que nas permutas sem torna não há que se falar em ganho tributável". Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 449 5 Nesse sentido, forte no dispositivo acima, forçoso o conhecimento parcial do recurso. Da inocorrência do fato gerador. Quanto ao tema, sustenta o recorrente que a existência de cláusula contratual que impedia, durante o período de 5 (cinco) anos, a prática de qualquer ato relacionado à alienação, oneração ou disposição de qualquer dessas ações recebidas da Hypermarcas teria o condão de postergar a data do fato gerador para o momento em que passasse a ser detentor da disponibilidade econômica ou jurídica relativa a essas ações. E, assim sendo, os fatos geradores somente passaram a ocorrer a partir de 2012, à razão de 20% ao ano, segundo previsão no instrumento negocial. Não vejo dessa forma. O ganho tornouse evidente e incorporado a seu patrimônio no momento em que o recorrente recebera ações em valor superior àquele que correspondia às ações dadas na incorporação. O fato de haver cláusula celebrada entre as partes que criava restrição à alienação das ações recebidas não significa dizer que o negócio não produziu efeitos durante referido período. Em outras palavras, não havia qualquer condição que viesse a suspender o ganho experimentado no recebimento dessas ações (Hypermarcas) quando comparadas com as que possuía junto à SAPEKA, tanto o foi, que a recorrente, valendose da disponibilidade das ações que já estavam sob seu domínio, acordou/admitiu referida restrição. Vale destacar, como bem colocado pela instância de piso, que "condição suspensiva é aquela que determina que o ato só terá eficácia a partir da realização de uma acontecimento futuro e incerto, isto é, no momento da prática do ato, o direito não está ainda constituído; existe apenas a previsão de que, ocorrendo determinada condição, virá a se constituir. E mais, não ocorrendo a condição, nenhuma eficácia terá o ato, como se nuca houvera sido firmado." Oportuno mencionar que o artigo 123 do CTN, embora refirase textualmente à modificação da definição legal do sujeito passivo por meio de convenções particulares, traz implícita a regra de que os contornos da tributação são regidos pela lei e não à conveniência dos envolvidos, fazendo com que se aplique, assim penso eu, às demais circunstâncias onde se pretenda modificar, por exemplo, a data do vencimento do tributo e o momento do fato gerado. Nesse mesmo sentido, os julgados a seguir colacionados: CLÁUSULA DE LOCK UP. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador, no caso, não é a alienação futura com eventual ganho, mas o acréscimo patrimonial que acontece no momento da incorporação das ações, havendo um plus, naquele momento, no patrimônio do contribuinte. O que ele fará com esse patrimônio, inclusive o compromisso de não aliená lo, não afeta a obrigação tributária que então surge. Acórdão 2202003.966, de 07.06.2017 2ª TO 2º Câmara Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 450 6 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. CLÁUSULA DE "LOCK UP". A existência de cláusula contratual de restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, consistente na obrigação d e não alienar os ativos por determinado lapso temporal, não tem a eficácia de desconstituir a transferência de domínio por ocasião da incorporação das ações. A situação jurídica que representa a disponibilidade econômica pela realização de renda passível de tributação foi definitivamente constituída no momento da transferência da propriedade das ações, quando restou configurado o acréscimo patrimonial da pessoa física. Acórdão 2401004.822, de 11.05.2017 1ª TO 4º Câmara Nesse ponto, sem reparos no lançamento. Por sua vez, no que toca à apuração e recolhimento efetuados pelo sujeito passivo em 2012, vale destacar que a ação fiscal desenvolveuse a partir da alienação em 2010 das 5.983.589 ações que detinha na SAPEKA. Nesse sentido, reputo até então correto o procedimento fiscal, salientando, ainda, que o valor eventualmente recolhido indevidamente ou a maior em 2012 deve ser objeto de procedimento próprio (restituição e/ou compensação) no âmbito da RFB, na medida em que a pretensa utilização dos mesmos neste lançamento caracterizaria compensação de oficio não autorizada em lei, por trataremse, assim penso, de eventos autônomos. Definitivamente o caso não se trata do que constou do Parecer Normativo Cosit nº 2/1996. Para tanto, passo a colacionar a observação promovida pelo julgador de piso quanto ao assunto. Vejamos: Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 451 7 O aproveitamento do recolhimento, tal como pretendido pelo recorrente, implicaria, em última análise, a não cobrança da multa de oficio que tem seu fundamento, justamente, no descumprimento da legislação tributária que impulsionara a atuação fiscal. E, como se nota, foi o que efetivamente se deu. Por fim, vale destacar que acaso deferido o pleito de restituição/compensação do valor eventualmente recolhido de maneira indevida em 2012, o indébito será regularmente corrigido pela Selic. Na sequência em seu recurso, sustenta o contribuinte ter optado por declarar as novas ações recebidas da HYPERMARCAS pelo mesmo valor de custo que vinha declarando com relação às ações da SAPEKA, em observância ao artigo 23 da Lei 9.249/95. Assim sendo, teria optado por tributar o ganho quando efetivamente se dessem suas alienações, o que teria ocorrido em 2012. Prossegue ao afirmar que o laudo de avaliação de que se valeu o Fisco, por si só não se submeteria à tributação, mas apenas balizaria os parâmetros para a justa substituição das ações, pois prestase apenas para atender a legislação societária e contábil, que exige, no caso de incorporação de ações, que o patrimônio das empresas (investida e investidora) sejam avaliados pelo mesmo critério, sem, contudo, caracterizar opção a valor de mercado de que trata o artigo 23 da Lei 9.249/95. E mais, segundo o recorrente, ainda que admitisse a transferência por valor superior, também não haveria ganho a tributar, pois é corrente o entendimento de que nas permutas sem torna não há que se falar em ganho tributável. Não lhe assiste razão. Vejamos: Conforme constatado pela Fiscalização, o autuado era detentor de 5.983.589 ações da empresa SAPEKA, que possuía a seguinte composição acionária: Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 452 8 Referidas ações possuíam valor de custo de aquisição da ordem de R$ 5.983.589,00 (valor unitário de R$ 1,00), conforme declarado pelo próprio contribuinte na apuração em sua DIRPF/2011, valor esse que não foi questionado pela Fiscalização. Ato contínuo, o contribuinte alienou tais ações, ao integralizálas ao capital social da Hypermarca, e recebeu, em pagamento, 1.356.985 ações da Hypermarcas. Assim, no patrimônio do recorrente ocorreu a saída das ações da companhia incorporada (SAPEKA) e o ingresso das novas ações, da companhia incorporadora (HYPERMARCAS), que passou à seguinte configuração acionária; As ações emitidas pela Hypermarcas possuíam custo unitário de R$ 22,55, sendo que a relação de substituição das ações constante do Protocolo e justificação de Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 453 9 Incorporação de Ações teria sido a seguinte, em função da avaliação que constou em laudos apresentados por três empresas especializadas contratadas para esse desiderato: Assim, considerouse que cada ação da SAPEKA corresponderia a 22,68 % de cada ação da HYPERAMARCAS ou, que cada ação da HYPERMARCAS corresponderia a quase 4,5 ações da SAPEKA. A relação acima significa dizer que cada ação da SAPEKA teria sido avaliada economicamente ao preço unitário de R$ 5,113987437500657, vale dizer, superior ao custo de aquisição declarado pelo contribuinte em sua DIRPF. Economicamente, podese dizer que o contribuinte recebeu R$ 30.599.998,98 em novas ações emitidas pela HYPERMARCAS, como pagamento pelas suas 5.983.589 na empresa SAPEKA, que lhe custaram R$ 5.983.589,00, experimentando um GCAP da ordem de R$ 24.616.409,98, como adiante sintetizado: AÇÕES ALIENADAS SAPEKA CUSTO GCAP IR 15% QUANTIDADE VLR UNITÁRIO VLR TOTAL AQUISIÇÃO 5.983.589 5,11398743750657 30.599.998,98 5.983.589,00 24.616.409,98 3.692.461,50 AÇÕES RECEBIDAS HYPERMARCAS 1.356.985 22,55 30.600.011,75 Percebase que o pagamento não se deu mediante a entrega em dinheiro, mas sim em bens (ações), na forma de novas ações. Assim, a transmissão da propriedade dos ativos foi onerosa e mensurada em dinheiro, a partir da prévia avaliação de profissionais peritos. Não custa lembrar que o § 3º do artigo 3º da Lei 7.713/88 estabelece que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importarem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Por sua vez, o artigo 23 da Lei 9.249/95 trata especificamente da alienação de bens e direitos mediante sua integralização no capital social de empresas. Sobre esse ponto, aduz o recorrente que se valera da faculdade conferida pelo § 2º daquele dispositivo, quando preconizaria, a contrario senso, que se a transferência do bem se fizer pelo valor constante de sua declaração, não haveria ganho de capital tributável. Não é bem assim. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 454 10 Como bem colocado pela decisão de piso, "a opção da pessoa física pela transferência das ações pelo valor constante em sua declaração de bens implica que o contrato entre as partes (alienante e adquirente) seja feito por esse mesmo valor. Nos casos em que o contrato entre as partes estipula a integralização pelo valor de mercado, não pode a pessoa física pretender considerar como valor de alienação aquele constante em sua declaração de bens, tão somente para fins e cálculo do ganho de capital, com o fim de evitar ou postergar o pagamento do imposto." Ademais, por se tratar de incorporação envolvendo sociedade anônima, há, de forma imprescindível, de se observar os artigos 7º, 8º e 252 da Lei 6.404,76, com destaque para aqueles que determinam que a integralização de capital deva necessariamente ocorrer pelo valor de mercado, levantado por meio de laudos de avaliação, observadas as formalidades legais. Nessa linha, tenho que dada a natureza da operação, não lhe era facultada a opção pela transferência das ações pelo valor de aquisição que constara declarado em sua DIRPF, importando ressaltar que a análise daquele § 2º do artigo 23 da Lei 9.249/95 não se deve dar de maneira isolada, desassociada dos demais dispositivos legais (acima citados) que regem a operação objeto da tributação. Com efeito, alinhome as razões e conclusão da decisão vergastada, nos seguintes termos: Há de se destacar, por oportuno, que nos autos do processo 16561.720129/201515 foi julgado Recurso Voluntário que atacou lançamento efetuado em função da mesma operação, tendo como alienante, todavia, outro contribuinte. (Acórdão 2401.004.822, de 11.05.2017 1º TO 4ª Câmara). Naquela oportunidade, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso, como adiante ementado. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16561.720130/201531 Acórdão n.º 2402006.871 S2C4T2 Fl. 455 11 Por derradeiro, no que toca ao pleito de exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício, releva trazer à colação o conteúdo da Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória por este Colegiado. Confirase: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER parcialmente do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.693845/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/10/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/10/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 38 45 /2 00 9- 77 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.693845/200977 Acórdão n.º 3302006.262 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.464, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.693845/200977 Acórdão n.º 3302006.262 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.693845/200977 Acórdão n.º 3302006.262 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.902372/2008-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, que exarou o presente Despacho Decisório, para que se analise os documentos acostados aos autos de modo a confirmar a correlação entre os dados informados na DIPJ e na PER/DCOMP e os constantes dos Livros Diário e Razão do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, que exarou o presente Despacho Decisório, para que se analise os documentos acostados aos autos de modo a confirmar a correlação entre os dados informados na DIPJ e na PER/DCOMP e os constantes dos Livros Diário e Razão do contribuinte. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de PIS/COFINS no 1º Trimestre de 2004, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor total de R$1.247,12 por meio das Declaração de Compensação 34694.65802.110804.1.3.043869. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 02 37 2/ 20 08 -7 5 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10983.902372/200875 Resolução nº 3001000.161 S3C0T1 Fl. 154 2 A DRF de Florianópolis/SC, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efls. 7) não homologando a compensação declarada tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, entretanto os mesmos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que quando da declaração da DCTF informou e recolheu valores maiores do que o realmente devido, necessitando apenas retificar a referida declaração. A DRJ de Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, convalidando integralmente a não homologação consubstanciada no despacho decisório conforme Acórdão no 0719.243 a seguir transcrito: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância apresentando, em síntese, que: (i) houve erro nos dados informados na DCTF; (ii) que os valores pagos a maior se referem a inclusão na base de cálculo das receitas de revendas de medicamentos importados sujeitos ao regime de tributação monofásica nos termos do art. 2º da Lei no 10.147/00. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão objeto da presente demanda versa sobre o indeferimento do pedido de compensação com crédito de PIS recolhido a maior no valor de R$1.247,12 relativo ao 1º Trimestre de 2004 em virtude da inclusão na base de cálculo das receitas de revendas de Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10983.902372/200875 Resolução nº 3001000.161 S3C0T1 Fl. 155 3 medicamentos importados/industrializados sujeitos ao regime de tributação monofásica nos termos do art. 2º da Lei no 10.147/00. A DRJ decidiu ser improcedência da manifestação de inconformidade tendo em vista a ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado em função de, inicialmente, a recorrente ter informado débitos em DCTF que foram totalmente liquidados pelo recolhimento efetuado. Afirmou ainda que a posterior apresentação da DCTF Retificadora, apesar de ser permitida, não caracterizaria o direito naquele momento. Em face da decisão da DRJ a recorrente apresenta em seu Recurso Voluntário os argumentos de que houve um erro na apuração da base de cálculo do PIS em virtude da inclusão de receitas de revendas de medicamentos sujeitos à tributação monofásica. Este erro gerou, segundo a recorrente, um recolhimento a maior da contribuição. Além do erro na apuração, a recorrente teria informado equivocadamente os mesmos valores em DCTF, motivo pelo qual foi indeferido o pedido de compensação por meio do despacho decisório, e ratificado pelo Acórdão da DRJ. Para comprovar o erro na apuração da base de cálculo e, por conseguinte, na contribuição a recolher, a recorrente apresenta cópias dos livros diário e razão bem como os cálculos efetuados considerando os valores relacionados ao PIS devido e o efetivamente recolhido, gerando um crédito tal qual o pleiteado em sua Declaração de Compensação. Portanto, proponho baixar o presente julgamento em diligência para responder aos seguintes quesitos: 1) Efetuar a analise dos documentos acostados aos autos de modo a confirmar a correlação entre os dados informados na DIPJ e na Declaração de Compensação e os constantes dos Livros Diário e Razão do contribuinte. Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos contábeis e fiscais. 2) Avaliar se procedem as diferenças entre as contribuições para o PIS (devido e recolhido) alegadas na efl 38 de modo a confirmar o direito creditório pleiteado e informado na Declaração de Compensação. 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, para atendimento da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10983.902372/200875 Resolução nº 3001000.161 S3C0T1 Fl. 156 4 Fl. 226DF CARF MF
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