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Numero do processo: 19515.000059/2004-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
IRRETROATIVIDADE DA LEI.
O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016.
DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
Numero da decisão: 2201-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. IRRETROATIVIDADE DA LEI. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
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RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. IRRETROATIVIDADE DA LEI. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 59 /2 00 4- 68 Fl. 462DF CARF MF 2 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 284/305) por sua precisão: Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 458 3 Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 210/217, relativo ao anocalendário 1998, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 1.249.221,78, conforme abaixo: A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 79, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O contribuinte foi intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal, fls. 17, a apresentar extratos bancários do ano calendário 1998, relativos às contas que deram origem a sua movimentação financeira, no valor total de R$ 4.123.151,99 e, a apresentar comprovante de entrega da declaração de rendimentos do anocalendário de 1998. Também lhe foi solicitado comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias relacionadas no referido Termo de Intimação Fiscal. A solicitação foi motivada pela incompatibilidade da movimentação financeira referida com a omissão na entrega da DIRPF 1999. Após requisitar dilação do prazo para apresentação da documentação solicitada, fls. 19, o contribuinte informou, em 25.05.2001, fls. 20, que no anocalendário de 1998, apresentava declaração em conjunto com seu cônjuge, afigurandose como dele dependente, informando ainda que não houve movimentação bancária no Banco kali S.A, no Banco Mercantil de São Paulo S.A e no Banco Safra, nas contas mantidas em seu nome e de seu cônjuge, neste anocalendário nos montantes alegados, solicitando à fiscalização que verificasse em seus arquivos internos se essa movimentação era efetivamente referente ao seu CPF. Em vista disso, a fiscalização solicitou, através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF as informações referentes à movimentação financeira da Autuada nos bancos em que possuía contas, fls. 23/34. A contribuinte impetrou Mandado de Segurança n° 2001.16.1.00.0149062 com pedido de liminar objetivando assegurar o direito de não apresentar os documentos exigidos Fl. 464DF CARF MF 4 em / procedimento fiscal, bem como impedir o seu prosseguimento, por entender que violava seu direito constitucional à intimidade, privacidade e sigilo bancário. O Tribunal Regional Federal da 3' Região julgou improcedente a ação e/ denegou a segurança pleiteada, nos termos da decisão de fls. 117/123. • Em 16.12.2003, fls. 196, foi novamente intimada a contribuinte a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes dos recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários em seu nome constantes dos quadros de fls. 197/2002 e a identificar outros titulares de contascorrentes e contas de poupança dos bancos relacionados no referido termo. Não tendo a contribuinte apresentado nenhum elemento ou documento de forma a atender as exigências da intimação, foi considerado omissão de rendimentos o valor de R$ 1.770.499,03, referentes a depósitos/créditos efetuados no ano de 1998, em obediência ao art. 42 da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 18.02.2004, fls. 223/270, alegando em breve síntese que: • Com a inclusão na Receita Bruta de meros depósitos bancários, os valores devidos mensalmente, ora cobrados, foram aumentados, uma vez que os percentuais aplicados passaram a ser mais elevados, sob a alegação de que estes variam de acordo com a receita bruta acumulada; O agente fiscal acabou por considerar insuficientes os valores declarados e pagos pela impugnante, aplicando multa de 75%, sobre a alegação de falta de pagamento, em razão da alteração da alíquota aplicável, aplicando ainda a multa de 150% sobre os valores de receitas consideradas não declaradas; PRELIMINARMENTE DA CONSUMAÇÃO DA DECADÊNCIA NO PRESENTE CASO CONCRETO O SIMPLES é tributo cujo crédito tributário está sujeito ao lançamento por homologação previsto no § 40, 150, CTN e, a consumação da decadência haverá de ser reconhecida como causa extintiva de qualquer crédito tributário cujo respectivo fato jurídico tenha ocorrido antes de 15.10.1998; DO MÉRITO DA IMPOSSIBILIDADE DE CONFIGURAR COMO RECEITA BRUTA SIMPLES DEPÓSITOS BANCÁRIOS O simples depósito bancário não foi o critério material referente ao SIMPLES elegido pelo legislador e, portanto, não poderão ser considerados como fato gerador de tal tributo; Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 459 5 O princípio da legalidade estrita a que está submetida a autoridade tributária não permite lançamentos que não obedeçam fielmente a legislação vigente. Assim a autoridade utilizando outro fato imponível como fato gerador do SIMPLES, fugiu à legalidade estrita a que estava submetida; • o presente auto de infração não pode prosperar já que elege hipótese de incidência diversa da prevista pela Legislação de Regência, caracterizando afronta ao art. 142 do CTN, dentre diversos outros princípios constitucionais, como o da legalidade estrita e da tipicidade cerrada; DA NÃO PERMISSÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO BASEADA EM DECISÃO JUDICIAL A Lei Complementar 105/2001, o Decreto 3.724/2001, a Portaria n° 180/2001 do Secretário da Receita Federal e o artigo 11 da Lei 9.311/96 (com alterações sofridas pela Lei 10.174/2001) devem ser declarados, nestes autos, incidentalmente, inconstitucionais; O sigilo bancário é um direito fundamental, motivo pelo qual, somente poderá ser afastado em duas hipóteses, quais sejam: em Comissão Parlamentar de Inquérito e em Processo Judicial tramitando sob o crivo de todos os princípios constitucionais; Tornase ainda mais patente a ilegalidade da quebra do sigilo bancário da Impugnante, visto que nos autos da Medida Cautelar n° 2002.03.00.0034028, foi proferida decisão no sentido de impedir a autoridade fiscal de realizar qualquer medida contrária ao direito líquido e certo ao sigilo bancário da Impugnante. Sendo assim, as supostas provas utilizadas pelo Fisco devem ser consideradas inidôneas, sendo mister que ocorra a anulação do presente Auto de Infração e imposição de multa; DA IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 O princípio da irretroatividade das normas deve ser respeitado, tendo em vista que os fatos que a ora impugnada pretende esclarecer administrativamente ocorreram em 1998, e a LC 105 foi editada em 11.01.2001; DA NECESSÁRIA JUNTADA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA OMISSÃO DE RECEITAS E DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL Tendo em vista que a autuação ora impugnada foi lavrada sem a plena verificação da ocorrência ou não de fatos regulados pelo direito (repitase, em nenhum momento houve a demonstração de máfé da Impugnante), referida incidência tributária tornouse falaciosa por representar desrespeito patente ao princípio da segurança jurídica; Fl. 466DF CARF MF 6 Não ocorreu a juntada da prova de quebra de sigilo bancário, através de documentos fornecidos ou enviados à instituição bancária. O alegado oficio enviado pela Justiça Federal e o citado procedimento Criminal não foram carreados aos autos; DA INAPLICABILIDADE E DO EFEITO CONFISCATÓRIO DAS MULTAS IMPOSTAS Ao presente caso foram aplicadas as multas capituladas no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96 c/c art. 19 da Lei 9.317/96, em relação a insuficiência de recolhimento apurado em razão do aumento do percentual aplicável ao SIMPLES e, ainda, a multa de 150%, capitulada no artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96 c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96, em relação aos depósitos bancários não escriturados e que foram considerados receita bruta da empresa; A multa de 75% somente é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo e, no presente caso, o recolhimento devido ocorreu no momento oportuno, sendo que a multa ora aplicada referese as diferenças apuradas pelo fisco em razão do aumento do percentual referente ao SIMPLES, pois ao considerar os depósitos realizados em conta corrente como receita bruta, entendeu este, ocorrer modificação do enquadramento da alíquota aplicável à Impugnante; As multas aplicadas apresentam evidente caráter confiscatório, não venerando, dessarte, o princípio previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal; DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAR A TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA A taxa SELIC, por se tratar de índice de atualização monetária estabelecido pelo Ministério da Fazenda, é totalmente inconstitucional, pois estabelecido em afronta ao princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da Constituição Federal; Requer, ante o exposto, seja cancelado o presente auto de infração. 2 A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 1998 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 460 7 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove ou apenas comprove em parte, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. PROVAS. Dissociadas de provas materiais que as sustentem as alegações do contribuinte não podem ser consideradas na solução do litígio. SIGILO BANCÁRIO. PRELIMINAR. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, eessttáá o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar lhe execução. RETROATIVIDADE a Lei 10.174/2001, por ampliar os poderes conferidos à fiscalização federal, aplicase ao ato de lançamento realizado após sua publicação, mesmo que este se reporte a fato gerador pretérito. JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. MULTAS DE OFÍCIO. A multa de oficio, no percentual de setenta e cinco por cento, é aplicável nos casos de falta de Fl. 468DF CARF MF 8 pagamento ou recolhimento, sendo aplicável a multa de oficio de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude. DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. 3 Apresentado o Recurso Voluntário de fls.310/335 houve em sessão de 03/12/2014 da extinta 1ª TO da 1ª Câmara dessa Seção a conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos: Dessa forma, tendo em vista que a Contribuinte alega “que no ano calendário de 1.998, apresentava declaração em conjunto com meu então cônjuge, o Sr. Pascoal Roberto Aranha Napolitano, afigurandose como dele dependente” (efl. 22), entendo ser prudente a conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização junte aos autos cópia da referida declaração para ser possível a determinação do prazo inicial decadencial. Frisese que de acordo com as telas juntas às efls. 17 e 18, a única declaração em nome da Recorrente que não foi encontrada foi exatamente a do exercício de 1999. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização junte aos autos cópia da referida declaração do Sr. Pascoal Roberto Aranha Napolitano, bem como informe a existência de pagamento de imposto efetuado pelo declarante e/ou dependente no referido ano, dando ciência do resultado da diligência à Recorrente para que se manifeste em 30 dias. 4 Realizada a diligência (fls. 359/363) houve a apresentação da DIRPF do ano calendário 1998 exercício 1999 do Sr. Pascoal Roberto Aranha Napolitano (ex cônjuge da contribuinte que alega ser seu dependente) e às fls. 365/393 consulta do contribuinte e às fls. 394/420 telas da consulta da recorrente e às fls. 421/424 cópia da declaração do ajuste de 1998/1999 do excônjuge, cientificado ao contribuinte às fls. 425/426 com sua manifestação às fls. 429/433 pedindo o reconhecimento da decadência. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 461 9 5 – Às fls. 448/449 pede o sobrestamento do feito com base no art. 62§ 2º do RICARF pelo fato da existência do RE nº 855649 no qual se discute a constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/96 e o STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria. 6 Sendo o relatório do necessário, passo ao voto. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 7 – Conheço do recurso por estar presentes as condições de admissibilidade. 8 Antes de adentrar ao mérito passo a analisar o pedido de fls. 448/449 a título de preliminar em que o contribuinte alega haver a necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento final pelo STF do RE 855649 que reconheceu a seguinte matéria como repercussão geral: IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório.(RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) 9 No caso afasto o pedido de suspensão do andamento do processo em vista do princípio da oficialidade que rege o processo administrativo, não havendo lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral, uma vez que não há nos autos da decisão indicada qualquer determinação judicial para suspensão dos feitos tendo por objeto tal lançamento. Fl. 470DF CARF MF 10 10 O presente caso envolve a apuração de omissão de rendimento por depósitos bancários derivado do art. 42 da Lei 9.430/96. 11 – Após detida análise dos autos e dos argumentos do recorrente entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, constituise em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. 12 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 13 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 462 11 14 Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, verbis. "A impugnação é tempestiva, uma vez que o contribuinte obteve ciência do Auto de Infração em 14.01.2004, fls. 218, e apresentou impugnação em 13.02.2004, fls. 222. Ademais atende aos requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235, de 06/03/1972 e suas alterações posteriores. Assim, dela tomo conhecimento. Da leitura da Impugnação apresentada, verificase que em diversos momentos referese a fatos não tratados na presente ação fiscal e, em outros, referese a tributo não contemplado no presente auto de infração, entretanto, visando proporcionar o mais amplo direito ao contraditório e a ampla defesa, procederseá ao julgamento da lide procurando o melhor entendimento das questões tratadas na impugnação. Depósitos Bancários — Receita Bruta Aumentada Em relação às alegações de que os valores devidos mensalmente, ora cobrados, foram aumentados, uma vez que os percentuais aplicados passaram a ser mais elevados com a inclusão na Receita Bruta de meros depósitos bancários, visto que estes variam de acordo com a receita bruta acumulada, salientase que os valores utilizados como base de cálculo do imposto de renda foram apurados com base nos depósitos efetuados nas contas do contribuinte, uma vez não demonstrada a origem dos valores nelas depositados, tudo como determina o artigo 42 da Lei 9.430/96. Com base nestes valores, foi calculado o imposto devido da mesma forma como apurado por ocasião da declaração de ajuste anual, não ocorrendo o referido fenômeno de aumento dos percentuais aplicados em função da variação destes com a receita bruta acumulada. Também não cabe razão à Impugnante quando alega que sobre os valores das receitas consideradas não declaradas foi aplicada a multa de 150%, visto que da leitura do Auto de Infração — Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a fiscalização demonstrou que sobre os valores tributáveis foi aplicada a multa de 75%. Decadência. Fl. 472DF CARF MF 12 A Impugnante alega que o SIMPLES é tributo cujo fato gerador está sujeito ao lançamento por homologação previsto no § 4° do artigo 150 do CTN e requer a decadência dos fatos geradores ocorridos até 15.10.1998. Tendo em vista que o presente lançamento trata de auto de infração de imposto de renda pessoa física, fazse necessário, antes de examinar a decadência suscitada pelo impugnante, a análise a respeito do fato gerador do imposto de renda. A legislação tributária identifica os rendimentos como tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, isentos e não tributáveis e os imunes. Relevantes para a questão são os tributáveis e os tributáveis exclusivamente na fonte. O art 10, I, da Lei 8.134, de 1990, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto apurado anualmente, e determina que devem ser levados ao ajuste todos os rendimentos tributáveis, exceto os tributados exclusivamente na fonte. Isto significa dizer que o fato gerador de todos os rendimentos que não sejam tributados exclusivamente na fonte ocorre no final do anocalendário, ou seja, em 31 de dezembro. Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: 1 de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano base, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; (.) Nos casos de lançamento de oficio, a contagem do prazo dáse, sempre, seguindo as regras estabelecidas no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, conforme reproduzido abaixo: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.) O artigo 150, §4°, do mesmo diploma legal, trata da homologação tácita do pagamento, no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e este tenha sido corretamente recolhido. Tal norma é reproduzida abaixo, in verbis: Fl. 473DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 463 13 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme descrito no artigo 150, caput, o lançamento por homologação ocorre somente nos casos de tributos em que o sujeito passivo tem o dever de antecipar o pagamento e operase pelo ato em que a autoridade fiscal, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Apesar de existir alguma divergência sobre o assunto, podese afirmar que a atividade a ser "expressamente homologada" pela autoridade administrativa, conforme prevista pela citada norma, é a apuração e posterior recolhimento do imposto, ou seja, é o pagamento do tributo. Sacha Calmon Navarro Coelho (in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Editora Forense, 6° Edição, Rio de Janeiro, 2002, pág.672) assim leciona sobre a questão: A homologação é mera acordância relativa a ato de terceiro, no caso o contribuinte, de natureza satisfativa, pagamento. Por isso, o §1°diz que o pagamento extingue o crédito, mas sob a condição resolutária de ulterior homologação do lançamento. Que lançamento? O que a Fazenda homologa é o pagamento. (grifos nossos) Assim, não havendo recolhimentos antecipados, não se pode falar em lançamento por homologação e o termo inicial da contagem do prazo decadencial segue o artigo 173, I. Da mesma forma, ou seja, remetese à contagem do artigo 173, I, quando sujeito passivo efetua recolhimento incorreto, pois, em relação à diferença de tributo não paga, o lançamento será de oficio, por meio de lavratura de auto de infração, nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, e não mais "lançamento por homologação" que se restringiu à parcela apurada e paga pelo sujeito passivo. Reproduzo, abaixo, a citada norma: Fl. 474DF CARF MF 14 Art. 149 — O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (.) V — quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;" (grifouse) Como o que se homologa é o pagamento, não se pode considerar ocorrida a dita "homologação tácita" quando o contribuinte nada recolheu ou quando houve recolhimento insuficiente, pois não se pode reputar homologado o que não foi pago. Assim, quando há pagamento a menor, operase a homologação tácita apenas do pagamento efetuado e, quanto ao restante, à diferença, cabe o lançamento de oficio nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, segundo a contagem decadencial do artigo 173, I. Podese afirmar, portanto, que, nos casos de lançamento de oficio, a contagem decadencial sempre segue a forma estabelecida pelo artigo 173, I e nunca a do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Por oportuno, reproduzo abaixo excerto do Acórdão CSRF/0101.994: "O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência dofato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no ,5Ç 40 do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que nãofoi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de oficio. (G1V) Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." (negrito da transcrição)." Fl. 475DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 464 15 No caso em apreço, deve ser examinada a decadência em relação ao lançamento do imposto relativo aos rendimentos tributáveis no ajuste anual, levando em consideração que o contribuinte foi notificado do lançamento em 14.01.2004. O lançamento em questão referese a fato gerador ocorrido em 31.12.1998. Dessa forma, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1° de janeiro de 2000, tendo como termo final 31/12/2004. Desta forma, o direito de lançar não estava extinto e, portanto, não se vislumbra decadência. Depósitos Bancários — Presunção Legal O presente lançamento fundamentase no disposto no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração posterior introduzida pelo art. 4°, da Lei n° 9.481, de 1997, a seguir transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 0 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3 0 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física oujurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei n°9.481, de 1997) Fl. 476DF CARF MF 16 §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Portanto, os depósitos bancários de origem não comprovada efetuados a partir do anocalendário de 1997, por presunção legal, caracterizam omissão de rendimentos, estando, por conseguinte, sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. A presunção favorável ao Fisco transfere para o contribuinte o ônus de rechaçar a imputação, mediante comprovação da origem dos recursos. Tratase, pois, de uma presunção relativa, passível de prova em contrário. A seguir, a doutrina de José Luiz Bulhões Pedreira (Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas JUSTEC RI 1979 pág. 806) a respeito do tema: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negóciojurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que ofato presumido não existe no caso. A seguir, ementas de Acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes sobre a matéria: "OMISSÃO DE RECEITAS — PRESUNÇÃO LEGAL — DEPÓSITO BANCÁRIO — ORIGEM NÃO COMPROVADA — A ocorrência de depósito bancário com recursos de origem não comprovada caracteriza presunção legal relativa de omissão de receitas, cabendo ao contribuinte o ônus de desfazer tal presunção. Reforça a prova a constatação dafalta de escrituração do depósito investigado." Acórdão 10807387, de 13/05/2003. "OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — A partir da Lei 9430/96, o contribuinte deve comprovar a origem de depósito bancário, sob pena de ser considerado omissão de receita conforme presunção legal." Acórdão 108 07187, de 05/11/2002.(Grifouse). "IRPF EXS.: 1998 e 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITO BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos com lastro em depósitos e créditos bancários concretizase pela identificação destes, mediante procedimento fiscal Fl. 477DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 465 17 regular, no qual inexistente a correspondente prova em contrário, ônus do fiscalizado." Acórdão 10246048, de 11/06/2003 (Grifouse) Da análise dos autos, verificase que o Contribuinte foi regularmente intimado, no decorrer da ação fiscal, a comprovar a origem dos depósitos que foram objeto deste lançamento, fls. 18; 203, entretanto, até a data da lavratura do auto de infração, não apresentou nenhum elemento ou documento de forma a atender às exigências das intimações. Da mesma forma, na impugnação, o Contribuinte também não traz qualquer documento hábil a comprovar a origem dos depósitos listados pela Fiscalização nas citadas intimações e discriminados no Auto de Infração. Alegações Desprovidas de Provas As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Acrescentese que, conforme preceitua o art. 15 do Decreto no 70.235, de 1972, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos que fundamentem os argumentos de defesa. Portanto, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Ratificando tal entendimento, Paulo Celso Bonilha, na obra "Da Prova no Processo Administrativo Tributário", Dialética, pág. 68 e 70: "Fazer justiça, em princípio, é aplicar lei ao fato. Indispensáveis, portanto, à administração da justiça o conhecimento da lei e da verdade do fato. A descoberta desta verdade como elemento essencial ao julgamento impõe a exigência da prova. Cabe, portanto, ao impugnante indicar os pontos de discordância e com isto deduzir os fatos sobre os quais versará o litígio (..) Quanto aos fatos, porém, impõese a prova dos que forem alegados e controversos e, por isso mesmo, relevantes ou influentes no encaminhamento da decisão do litígio" (Grifouse). Assim, uma vez não comprovada a origem dos depósitos por parte do Contribuinte, há de se manter a presunção legal de omissão de rendimentos estabelecida pela Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 478DF CARF MF 18 Além disso, em relação aos julgados do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que o Impugnante entende virem ao encontro da tese da defesa, cumpre observar que as decisões daquele colegiado não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (Parecer Normativo CST n.° 390, publicado no D.O.U. de 04/08/1971). Sigilo Bancário O Impugnante afirma que o sigilo bancário é um direito fundamental e, assim sendo, somente poderá ser afastado em Comissão Parlamentar de Inquérito e em Processo Judicial tramitando sob o crivo de todos os princípios constitucionais. Em face dessa argumentação, será feita a seguir uma breve exposição sobre a legalidade da obtenção, pela Autoridade Fiscal Administrativa, de dados relativos à movimentação bancária do contribuinte sob fiscalização. Primeiramente, cabe esclarecer que o art. 38, da Lei n° 4.595/64, já autorizava a ação fiscal, conforme se depreende de sua leitura: "Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (.) § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames serem conservados em sigilo, não podendo ser utilizados se não reservadamente. § 7°A quebra do sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, aplicandose, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis." (grifamos) O texto legal acima transcrito enumerava apenas dois requisitos para permitir ao Fisco o exame de documentação bancária: a existência de um processo instaurado; a manifestação da autoridade competente, Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 466 19 considerandoos indispensáveis. Não havia a exigência de autorização judicial. A autoridade administrativa, ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, estava se valendo de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal pudesse ter o mínimo de eficácia e dar, não só aos órgãos de fiscalização tributária, mas à sociedade, um resultado que demonstrasse, de maneira inequívoca, haver indícios de omissão de rendimentos em certas condutas. Ademais, todos os contribuintes estão obrigados a prestar informações ao Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, tanto que apresentam regularmente declarações de rendimentos, ficando sujeitos à auditoria das informações prestadas, momento em que pode serlhes exigida a documentação comprobatória, conforme estatui o artigo 927, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99: Art. 927. Todas as pessoas fisicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei n°2.354, de 1954, art. 7°). • Pode ocorrer, no entanto, de o contribuinte negarse a apresentar tais comprovantes, ou até mesmo nem os possuir, restando ao Fisco buscálos junto às pessoas fisicas ou jurídicas com as quais se deram as transações. O Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), em seu artigo 197, inciso II, impõe a obrigação a bancos e outras instituições financeiras de prestarem informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: Art.197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) ii os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; (...) Fl. 480DF CARF MF 20 Devese observar, ainda, que, assim como os funcionários das instituições financeiras, os servidores públicos fazendários estão sujeitos ao dever de resguardar as informações apuradas, não só em virtude do sigilo bancário, mas em função de um manto maior que é o sigilo fiscal. O repasse dos dados bancários à Secretaria da Receita Federal pelo banco não infringe este dever. A transferência destas informações a terceiros é que significaria a quebra do sigilo. Em um procedimento administrativofiscal, somente têm acesso às informaçõe auditadas os agentes do Fisco e o próprio contribuinte. O segredo, portanto, permanece intocado. De qualquer maneira, cumpre notar que o art. 38 da Lei n.° 4.595/64 foi posteriormente substituído, no que se refere às investigações fiscais, pelo art. 8° da Lei n° 8.021/90, abaixo transcrito: Art. 8° Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n.° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento deste prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 7°. Ressaltese que a utilização do dispositivo legal supra pelas autoridades administrativas, além de correta, era obrigatória, em razão do caráter vinculado de sua função, sendo improfícuas as argüições sobre a sua inaplicabilidade em função de não ser lei complementar. A matéria em foco foi tratada pela citada Lei Complementar 105, de IP 10/01/2001, que teve seu artigo 6° regulamentado pelo Decreto 3.724, da mesma data. Seu artigo 1°, § 3°, inc. VI, artigo 5° e artigo 6° preceituam: Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (..) § 3°Não constitui violação do dever de sigilo: () Fl. 481DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 467 21 VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 22, 32, 4, 5Q, 6g 7.2 e 9° desta Lei Complementar. (..) Art. 5° O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (..) § 4° Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. (.) Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Constatase, no caso em tela, que o Auditor Fiscal Autuante não transgrediu os ditames da Lei Complementar supra, quando, durante a fase inicial do procedimento fiscal, intimou o impugnante a apresentar os extratos bancários de suas contas bancárias, referentes ao ano calendário de 1998, e os documentos comprobatórios da origem dos créditos/depósitos ali efetuados. Havia um procedimento fiscal instaurado, em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.34.002001 007548, em nome do impugnante, e o exame dos documentos bancários era necessário para a verificação da regularidade de sua situação fiscal. Fl. 482DF CARF MF 22 Ao mesmo tempo em que a legislação dá ao Fisco esta prerrogativa, ela impõe aos servidores públicos — aos servidores que vierem a ter conhecimento, por dever de oficio, das informações bancárias e mesmo daquelas protegidas pelo manto do sigilo fiscal — sérias restrições, inclusive com a tipificação penal do ato de revelar fato de que tenha ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo. Para melhor compreensão, seguem abaixo os citados dispositivos: Decreto 3.724/2001: Art. 82 O servidor que utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação obtida nos termos deste Decreto, em finalidade ou hipótese diversa da prevista em lei, regulamento ou ato administrativo, será responsabilizado administrativamente por descumprimento do dever funcional de observar normas legais ou regulamentares, de que trata o art. 116, inciso HL da Lei n2 8.112, de 11 de dezembro de 1990, se o fato não configurar infração mais grave, sem prejuízo de sua responsabilização em ação regressiva própria e da responsabilidade penal cabível. Art. 92 O servidor que divulgar, revelar ou facilitar a divulgação ou revelação de qualquer informação de que trata este Decreto, constante de sistemas informatizados, arquivos de documentos ou autos de processos protegidos por sigilo fiscal, com infração ao disposto no art. 198 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), ou no art. 116, inciso VIII, da Lei n2 8.112, de 1990, ficará sujeito à penalidade de demissão, prevista no art. 132, inciso IX, da citada Lei n2 8.112, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. Art. 10. O servidor que permitir ou facilitar, mediante atribuição, fornecimento ou empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações, banco de dados, arquivos ou a autos de processos que contenham informações mencionadas neste Decreto, será responsabilizado administrativamente, nos termos da legislação especifica, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. Parágrafo único. O disposto neste artigo também se aplica no caso de o servidor utilizarse, indevidamente, do acesso restrito. Código Penal: Fl. 483DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 468 23 "Art. 325. Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar lhe a revelação: Pena — detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave." A matéria em foco é regulada, também, nos arts. 918, 998 e 999 do vigente Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Decreto 3.000/1999: Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os Auditores Fiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 1964 (Lei n°4.595, de 1964, art. • 38, §§ 5° e 6°, e Lei n° 8.021, de 1990, art. 8°) Art. 998. Nenhuma informação poderá ser dada sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 198e 199) (.) § 2° A obrigação de guardar reserva sobre a situação de riqueza dos contribuintes se estende a todos os funcionários públicos que, por dever de oficio, vierem a ter conhecimento dessa situação (Decretolei n°5.844, de 1943, art. 201, § 1°). § 3° É expressamente proibido revelar ou utilizar, para qualquer fim, o conhecimento que os servidores adquirirem quanto aos segredos dos negócios ou da profissão dos contribuintes (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 2°)." • Art. 999. Aquele que, em serviço da Secretaria da Receita Federal, revelar informações que tiver obtido no cumprimento do dever profissional ou no exercício de ofício ou emprego, será responsabilizado como violador de segredo, de acordo com a lei penal (Decretolei n°5.844, de 1943, art. 202)" Portanto, a legislação tributária, ao conceder a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras, está dando instrumentos para o Fisco poder levar a contento aquilo que a sociedade clama Fl. 484DF CARF MF 24 que ele o faça, qual seja, dar eficácia às normas tributárias. Pois de nada valeria a obrigação de entrega da declaração de rendimentos, se fosse vedado à Administração Pública verificar a veracidade das informações prestadas. Por outro lado, obedecendo ao mandamento do artigo 5°, incisos X e XII, da Constituição Federal, que tratam da inviolabilidade da intimidade, a legislação obriga a um sério comportamento ético profissional dos servidores públicos que tenham conhecimento destas informações. Está ai o sigilo bancário pleiteado na impugnação, e não na transferência de informações bancárias de instituições privadas para um órgão de Estado, que possui a responsabilidade de sigilo em um espectro maior que é o sigilo fiscal. Inconstitucionalidades e Ilegalidades Complementase, observando que, no âmbito da instância administrativa, descabe discutir os aspectos apontados concernentes à constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001, do Decreto 3.724/2001, da Portaria n° 180/2001 do Secretário da Receita Federal e do artigo 11 da Lei 9.311/96 (com alterações sofridas pela Lei 10.174/2001). À autoridade administrativa, cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações constatadas. Nos termos da Constituição Federal, artigos 97 e 102, incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão sobre questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. A alegação de inconstitucionalidade de dispositivo normativo é passível de acolhimento por esta Delegacia de Julgamento somente na hipótese deste ter sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em via direta (Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, art. 1 0, § 1°) ou indireta, com ou sem suspensão de execução da norma pelo Senado Federal (Decreto n° 2.346, de 1997, art. 1°, §§ 2° e 3°, e art. 4°, parágrafo único). Insta consignar que a citada Medida Cautelar n° 2002.03.00.0034028, que a Impugnante alega ter proferido decisão no sentido de impedir a autoridade fiscal de realizar medida contrária ao seu direito ao sigilo bancário, na verdade tem como requerente a empresa Keiko MoritaME e, sendo assim, não se refere ao presente processo, fls. 273. Irretroatividade da Lei Complementar n° 105/2001 Aplicação Imediata da Legislação que Amplia Poderes de Investigação Fl. 485DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 469 25 O impugnante argumenta que o Fisco não pode imprimir efeitos retroativos à Lei Complementar 105/2001, fazendo com que tal dispositivo alcance fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência. Com efeito, a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, estabelece em seu art. 1°, § 3°, inciso III, que "não constitui violação do dever de sigilo o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996". E prossegue, em seu art. 6° e parágrafo único: Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Por seu turno, a Lei n° 10.174, de 9 de janeiro de 2001, alterou o art. 11, § 30 da Lei n° 9.311/1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 11 (..) §3 A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alterações posteriores. (grifamos) A matéria atinente a aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos do CTN, na forma abaixo transcrita: Fl. 486DF CARF MF 26 Art. 144.O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros( grifamos). Consoante o ensinamento ministrado por ilustres tributaristas, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional" (Editora Forense), o caput do art. 144 põe regra de direito material, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento. O § 1° do art. 144, regulando matéria diferente de seu caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse diapasão, o consagrado tributarista José Souto Maior Borges, em sua obra "Lançamento Tributário" (2 edição, Malheiros Editores Ltda.) ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: "Lançamento está, aí, no art.144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu ssç 1° o art. 144 reportase ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, 55' 1°, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 470 27 Ao ato de lançamento aplicase, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplicase legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no ,55. 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico —enquanto in fieri o procedimento de lançamento legislação nova, aplicar selheá também a legislação coetânea à data dofatojurídico tributário." Diversos julgados do Poder Judiciário têm respaldado, igualmente, o posicionamento adotado pela autoridade fazendária, nesse particular, como a sentença proferida pela MM. Juíza Federal Substituta da 16a Vara Cível Federal em São Paulo/SP, nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0282473, da qual transcrevemos o seguinte excerto: "Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2.001, em ofensa ao art. 144 do CIN, na medida em que a lei a ser aplicada continuará sendo aquela lei material vigente à época do fato gerador, no caso, a lei vigente para o IRPJ em 1998, o que não se confunde com a lei que conferiu mecanismos à apuração do crédito tributário remanescente, esta sim promulgada em 2.001, visto que ainda não decorreu o prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda constituir o crédito previsto no art. 173, 1, do Código Tributário Nacional, o que dá ensejo ao lançamento de oficio, garantido pelo art. 149, VIII, parágrafo único do CTN." Ora, na situação em tela, a fiscalização aplicou de imediato a faculdade, prevista no art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/1996, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.174/2001, de utilizar as informações prestadas pelas instituições financeiras para a instauração do procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo ao (1111 imposto de renda e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário existente. É válido, portanto, o lançamento em questão realizado com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, sob todos os aspectos examinados. Multa de Oficio Quanto à multa de oficio, os percentuais de 75% e 150%, são aplicados em consonância com o inciso I e II, do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, in verbis: Fl. 488DF CARF MF 28 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Ou seja, a multa de oficio com percentual de 75%, aplicada em face de infração às regras instituídas pelo direito fiscal, possui a devida previsão legal e, aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de oficio é supedâneo à sua exigência. Por outro lado, a multa de oficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) tem lugar quando se comprove tratarse de casos de evidente intuito de fraude como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, que se transcrevem: Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73— Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72." Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 471 29 No caso dos autos, a multa aplicada foi somente a de 75%, visto que houve falta de pagamento ou recolhimento, referente ao imposto de renda incidente sobre os valores omitidos, caracterizados por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, sendo improcedentes as alegações referentes à aplicação de multa no montante de 150%. Também são inócuas as alegações referentes a oficio enviado pela Justiça Federal e procedimento criminal, dado que não guardam relação com o presente auto de infração. Multas — Efeito Confiscatório Não cabe razão à Impugnante no que respeita à alegação de que as multas aplicadas apresentam evidente caráter confiscatório, não venerando o princípio previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal. É importante asseverar que tributo não se confunde com multa, e o que a Constituição Federal veda é a utilização de tributo com efeito confiscatório. Aliás, esse é o entendimento do renomado Hugo de Brito Machado: "A vedação constitucional de que se cuida não diz respeito às multas, porque tributo e multa são essencialmente distintos. No plano estritamente jurídico, ou plano da Ciência do Direito, em sentido estrito, a multa distinguese do tributo porque em sua hipótese de incidência a ilicitude é essencial, enquanto a hipótese de incidência do tributo é sempre algo lícito. Em outras palavras, a multa é necessariamente uma sanção de ato ilícito, e o tributo, pelo contrário, não constitui sanção de ato ilícito. No plano teleológico, ou finalístico, a distinção também é evidente. O tributo tem por finalidade o suprimento de recursos financeiros de que o Estado necessita, e por isto mesmo constitui receita ordinária. Já a multa não tem por finalidade a produção de receita pública, e, sim, desestimular o comportamento que configura sua hipótese de incidência, e por isto mesmo constitui uma receita extraordinária ou • eventual. Porque constitui receita ordinária, o tributo deve ser um ônus suportável, um encargo que o contribuinte pode pagar sem sacrifício do desfrute normal dos bens da vida. Por isto mesmo é que não pode ser confiscatório. Já a multa, para alcançar a sua finalidade, deve representar um ônus significativamente pesado, de sorte Fl. 490DF CARF MF 30 que as condutas que ensejam sua cobrança restem efetivamente desestimuladas. Por isto mesmo pode ser confiscatória." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 21° edição, São Paulo: Malheiros, 2002, págs. 244 e 245). É evidente, pois, que toda multa tem a função, não só de apenar, mas visa também desestimular o administrado na adoção de atos que constituam desrespeito ou infração a dispositivos de determinada legislação, como é o caso presente. A vedação à utilização de tributo com efeito confiscatório, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, impede que o padrão de tributação seja insuportável ao contribuinte e é dirigida ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito, quando da feitura das leis. Assim, não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito confiscatório, dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. Juros de Mora — SELIC Em relação à taxa SELIC, dispõe o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (.) " A aplicação da taxa Selic foi instituída pela Lei n° 9.065, de 20/06/1995, e hoje tem fundamento na Lei n° 9.430/1996. Entendese que estas leis são perfeitamente adequadas à ressalva contida no § 1° do art. 161 do CTN, ainda que somente equiparem a taxa de juros moratórios à taxa Selic, pois não há qualquer óbice a este procedimento. Da mesma maneira o dispositivo em comento não prevê a limitação dos juros a 1%, podendo a legislação estabelecer qualquer índice, maior ou menor. Novamente cumpre ressaltar que a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegitimidade de lei, matéria reservada ao Poder Judiciário. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 472 31 A legalidade da cobrança dos juros de mora, nos débitos para com a União, calculados pela aplicação da taxa Selic, também está pacificada na jurisprudência administrativa, podendose citar, a título exemplificativo, os seguintes Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes: "JUROS MORA TÓRIOS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC LEGALIDADE A Lei n°9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa SELIC para os débitos tributários não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Não consta, até o momento, que os tribunais superiores tenham analisado e decidido, especificamente, a constitucionalidade ou não da referida Lei (7° Câmara, Ac. 107 06478, sessão de 09/11/2001)" "JUROS DE MORA TAXA SELIC LEGALIDADE O Código Tributário Nacional outorgou à lei a faculdade de estipular os juros de mora aplicáveis sobre créditos tributários não pagos no vencimento. O • parágrafo 1° do art. 161 do CTN estabelece que os juros serão calculados à taxa de 1%, se outra não for fixada em lei. A partir de 1° de janeiro de 1996, os juros de mora passaram a refletir a variação da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC conforme artigo 13 da Lei 9.065/95. (3° Câmara, Ac. 103 20437, sessão de 08/11/2000)" Cabe ressaltar, que não há qualquer impedimento legal à aplicação cumulativa de multa de oficio e juros moratórios, mesmo porque correspondem a débitos de natureza distinta. 15 Apenas complementando o quanto acima indicado e tomado como razões de decidir, entendo que em relação a matéria de decadência, ainda, o fato da recorrente ter sido indicada na DIRPF de seu ex marido às fls. 421/424 como dependente (cuja informação consta como nada declarado em relação a bens e direitos) em nada afasta o entendimento da decisão de piso, nem sequer o fato alegado pelo contribuinte sobre a existência de rendimentos submetidos à tributação exclusiva, uma vez que ficou bem delineado na decisão recorrida ,os fundamentos para afastar tal recolhimento como antecipação do devido no ajuste anual. Fl. 492DF CARF MF 32 16 Quanto a quebra do sigilo fiscal, apenas complementando o voto há recente posicionamento do STF no RE 601314 em repercussão geral abaixo ementado que por si só afasta as razões recursais quanto a esse tema, verbis: RE 601314 I O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. 17 Quanto ao mérito a contribuinte não nega em nenhum momento que houve os depósitos em sua conta corrente e que tais contas não são de sua titularidade, apenas traz razões argumentativas que na análise desse relator em nada auxilia para afastar a presunção legal contida nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 cujo ônus da prova é do contribuinte para elidila, sendo que o ponto nodal da discussão se atem a esse ponto, não havendo maiores necessidades de digressões para a solução do assunto. 18 – As disposições do art. 42 da Lei 9.430/96 são claras no sentido de prever que a identificação de depósitos bancários, de origem não comprovada pelo contribuinte, autoriza a Administração Tributária a constituir créditos tributários de Imposto de Renda, incidente sobre o valor total dos depósitos, configurada a presunção legal de omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 19 Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, há de se ter em mente que o legislador, ao estabelecer a presunção de existência de receitas ou rendimentos omitidos a partir da apuração de depósitos de origem não identificada, oportuniza ao titular da conta em que encontrados os valores, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa. 20 Serve a presunção, assim, unicamente como técnica para aliviar o ônus probatório do fisco quanto à existência de receitas ou rendimentos omitidos, tornando praticável e garantindo a efetividade da legislação tributária, portanto, não há nenhuma Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 473 33 ilegalidade quanto a questão arguida pelo recorrente em relação à não configuração de rendimento tributável. 21 Como se vê, o lançamento não é decorrente da simples transcrição dos extratos bancários, mas de criterioso e diligente trabalho investigativo efetuado pela autoridade fiscal, que intimou e reintimou a contribuinte a apresentar os extratos de suas contas bancárias e a documentação comprobatória da origem dos recursos depositados. 22 Como se pode inferir, o dispositivo legal que embasou o lançamento (Lei n° 9.430/1996), ao mesmo tempo em que define que a responsabilidade do fisco é tãosomente a de evidenciar a existência de depósitos bancários com origem não comprovada, determina que cabe ao contribuinte, para afastar a presunção, justificar, de forma minudente e individualizada, e por meio de documentos hábeis, os ingressos em suas contas bancárias. 23 Ora, diante deste quadro legal, há que se reconhecer que a autoridade lançadora nada mais fez que subordinarse à lei apenas aquilo que restou individualizadamente comprovado acabou acatado. 24 É assim que a alegação da contribuinte de que valores incluídos em suas contas bancárias representariam quantias depois repassadas a terceiros, em razão da intermediação de negócios com bovinos, não pode ser acatada pelo simples fato de que não está acompanhada de documentos que, de forma individualizada, identifique que depósito bancário está associado a que negócio em nome de terceiro. Tratase de meras alegações sem qualquer valor probante e prova unilateral que individualmente não corrobora para a comprovação dos fatos alegados. Sem a prova específica, a presunção legal de omissão de rendimentos permanece incólume, sendo que a decisão da DRJ ao analisar uma a uma as justificou sendo que as razões levantadas pelo contribuinte em nada modificam os fundamentos adotados na decisão recorrida. 25 Ressaltase que em se tratando de omissão de rendimentos, decorrente de depósitos bancários não justificados, o ônus da prova é do contribuinte. É necessário, portanto, que a impugnante apresente provas irrefutáveis que permita identificar o efetivo ingresso dos recursos a fim de serem excluídos do montante apurado. 26 Dos créditos apurados foram descontados os correspondentes aos que o contribuinte conseguiu comprovar na fase de fiscalização, sendo que a diferença, não comprovada pela contribuinte, após intimada e reintimada, com todo o empenho da autoridade fiscal, foi lançada, conforme determinação do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Fl. 494DF CARF MF 34 27 Portanto, de acordo com os termos do TVF de fls. 220/221: 28 Os fatos indicados no TVF acima são importantes, pois no caso desse tipo de lançamento, a atitude do contribuinte durante a fase de fiscalização é crucial para o deslinde do julgamento. No caso o contribuinte juntou provas apenas na fase de defesa para rebater a planilha indicada na acusação fiscal e portanto caberia ao mesmo o ônus da prova na forma do art. 42 da Lei 9.430/96 uma vez que por conta da leitura do caput revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. 29 Assim, o deslinde da controvérsia passa, necessariamente, pelo entendimento do que seja comprovar “a origem dos recursos utilizados nessas operações”, condição necessária para desfazer a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. 30 A Fiscalização, em regra, interpreta o vocábulo “origem” de maneira abrangente, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação, sendo irrelevante o aspecto temporal da comprovação. 31 Assim, seja na fase anterior à autuação, seja na fase do contencioso administrativo, não bastaria comprovar a mera origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria necessário, ainda, comprovar, documentalmente, tanto quem fez o depósito bancário, quanto a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 474 35 32 A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vem entendendo, no entanto, que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, basta a comprovação da origem dos depósitos bancários, sem necessidade de comprovação da motivação da operação. 33 Nessa linha de raciocínio, caberia à Autoridade fiscal, após a comprovação da origem dos depósitos bancários, submeter os valores depositados às normas de tributação específicas, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 (Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos). Nesse sentido o seguinte precedente no Ac. 9202007.233 da CSRF j. 27/09/2018 Rela. I. Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. (Grifei) 34 Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente seria elidida se ele comprovasse, também, que os valores não eram tributáveis. 35 Em outras palavras: transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, os contribuintes deveriam sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderia ser afastada se o contribuinte comprovasse, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Fl. 496DF CARF MF 36 36 Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES INEXISTÊNCIA – HIGIDEZ DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 10617.093, da extinta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 8 de outubro de 2008). 37 A razão deste entendimento é óbvia: a possibilidade de comprovação exclusiva da origem na fase contenciosa tornaria inócua a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. É que os contribuintes esperariam a autuação e, em sede de contencioso administrativo, afastariam a presunção de omissão de rendimentos tão somente com a comprovação da origem dos depósitos, sem a necessidade de se comprovar que os rendimentos estariam fora do campo da tributação. Tudo indica que foi esse o modus operandi do contribuinte no presente processo. 38 Assim, comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas específicas de tributação, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.000059/200468 Acórdão n.º 2201005.051 S2C2T1 Fl. 475 37 39 Repitase, coube no caso em apreço ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada essa omissão. 40 Porém, a prova requerida não é impossível de ser produzida, nem deveria apresentar grande dificuldade na sua obtenção, afinal tratamse das contas bancárias do próprio interessado, que é a pessoa que detém o conhecimento das operações que realizou. Não se está exigindo que o contribuinte mantenha escrituração contábil equivalente às pessoas jurídicas, mas é indispensável que ele mantenha algum controle sobre os rendimentos recebidos, até para oferecêlos à tributação em sua declaração de ajuste anual. 41 A lei tem como pressuposto lógico o fato de que o titular de uma corrente bancária tem, ou deve ter, conhecimento das movimentações dos recursos que por ela transitam, por ser de seu precípuo interesse econômico. Nesse contexto, intimado dado contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, fica caracterizada a omissão de rendimentos. 42 A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento que foi escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela. 43 Em vista da inexistência de qualquer tipo de prova nesse sentido, deve ser negado provimento ao recurso. Conclusão 44 Diante do exposto, conheço do recurso para NEGARLHE provimento na forma da fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 498DF CARF MF 38 Fl. 499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001106/2005-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
INDENIZAÇÃO PELO USO DE VEÍCULO PRÓPRIO NO EXERCÍCIO DE CARGO PÚBLICO. NATUREZA DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA.
Os rendimentos recebidos em decorrência do trabalho estão sujeitos à incidência do IRPF, independentemente da denominação que lhe tenha sido atribuída.
Numero da decisão: 9202-007.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira Pinho Filho - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NATUREZA DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. Os rendimentos recebidos em decorrência do trabalho estão sujeitos à incidência do IRPF, independentemente da denominação que lhe tenha sido atribuída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. (assinado digitalmente) Mário Pereira Pinho Filho Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 06 /2 00 5- 50 Fl. 111DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 210201.266 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 15 de abril de 2011, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 83: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 INDENIZAÇÃO POR USO DE VEÍCULO PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. A indenização por uso de veículo próprio recebida pelos Auditores Fiscais da Receita do Estado de Santa Catarina tem por objetivo a recomposição patrimonial do contribuinte, sendo, pois, de natureza indenizatória, estando, portanto, fora do campo de incidência do IRPF. Recurso Voluntário Provido O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 96 e seguintes, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 106 a 107, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante à incidência do imposto de renda sobre a rubrica auxílio combustível paga aos auditores fiscais da Receita Estadual de Santa Catarina. Aduz a Recorrente, em síntese, que: a) a discussão dos presentes autos consiste em saber se as verbas percebidas pelo contribuinte a título de auxílio transporte possuem ou não natureza indenizatória, a fim de perquirir se elas estão no âmbito de incidência do imposto de renda; b) de acordo com o art. 43 do CTN, o Imposto de Renda possui como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, cujo conceito prendese à noção de acréscimo patrimonial; c) exatamente por não representarem acréscimo patrimonial algum, os valores pagos ao indivíduo como forma de recompor o seu patrimônio, violado após a perda ou a ofensa a direito de sua titularidade, estão fora do âmbito de incidência do IR; d) especificamente ao auxilio transporte, vale frisar que o caráter indenizatório prendese, justamente, ao fato de tal verba possuir a finalidade de reembolsar o servidor pelas despesas potencialmente realizadas na execução de serviços externos inerentes às atribuições próprias do cargo ou função; e) não possuindo as verbas pagas as características acima elencadas (uso de veiculo próprio; exercício de atividades fora de sua repartição; atividades relacionadas ao cargo ou função Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11516.001106/200550 Acórdão n.º 9202007.188 CSRFT2 Fl. 3 3 exercidos), não poderão ser qualificadas como indenizatórias, ainda que recebam tal nomenclatura; f) conforme se extrai da legislação estadual que disciplina o pagamento, aos determinados servidores do Estado de Santa Catarina, da verba referente ao auxilio transporte, vêse que esse pagamento é realizado a todos os servidores referidos nos dispositivos acima transcritos, independentemente da comprovação de que fazem uso de seus veículos para a realização de atividades fora de suas repartições; g) todos esses servidores do Estado de Santa Catarina recebem o valor máximo da verba referente ao auxilio transporte, ainda que alguns deles não realizem trabalhos externos com veículos próprios. Em outras palavras: recebem o mesmo valor a titulo de auxilio transporte tanto os servidores que, efetivamente, utilizam seus veículos a fim de se locomoverem para outras localidades a serviço, quanto aqueles que atuam sempre em sua própria repartição e que, portanto, não realizam despesas com transporte; h) o auxilio transporte atualmente pago aos servidores acima mencionados possui o atributo da generalidade, no sentido de que e pago sempre a todos os servidores, independentemente da realização de despesas com locomoção para o desempenho de suas funções, o que lhe retira o caráter compensatório, imprimindolhe, por outro lado, nítida feição remuneratória; i) sendo certo que nem todos os servidores do Estado de Santa Catarina, previstos na legislação supra transcrita, desempenham suas funções institucionais fora de sua unidade de trabalho, é igualmente certo que nem todos realizam despesas com transporte passíveis de indenização; j) diante da natureza remuneratória das verbas pagas ao contribuinte a titulo de auxilio combustível, não há como deixar de considerálas incluídas no campo de incidência do Imposto de Renda, nos exatos termosprevistos no art. 43 do CTN. Intimado, o Contribuinte não apresentou Contrarrazões, conforme consta do Despacho de fls. 110. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Como narrado, a discussão dos presentes autos consiste em saber se as verbas percebidas pelo contribuinte a título de auxílio combustível possuem ou não natureza indenizatória, a fim de perquirir se elas estão no âmbito de incidência do imposto de renda O processo sob análise decorreu do processamento eletrônico das declarações retificadoras que resultou no cancelamentos destas com a justificativa de ISENÇÃO SEM PREVISÃO LEGAL, em relação ao exercício 2001, e ISENÇÃO AUXÍLIO COMBUSTÍVEL SEM PREVISÃO LEGAL, exercício 2002, o que configurou o indeferimento do pedido de restituição formulado pelo interessado. Aduz a Procuradoria da Fazenda que as verbas recebidas pelos auditores a título de auxílio combustível possui natureza remuneratória, essencialmente, pelas seguintes razões: a) pagamento é realizado a todos os servidores referidos na lei estadual, independentemente da comprovação de que fazem uso de seus veículos para a realização de atividades fora de suas repartições; b) todos esses servidores do Estado de Santa Catarina recebem o valor máximo da verba referente ao auxilio transporte, ainda que alguns deles não realizem trabalhos externos com veículos próprios. Não obstante os argumentos da Procuradoria, no presente caso, o indeferimento da restituição teve como razão apenas a ausência de previsão legal da isenção, não havendo a possibilidade de inovar com relação aos fundamentos do indeferimento do pedido de restituição. Assim, não há nos autos evidência sobre as alegações das Fazenda no sentido de que não houve o efetivo uso do automóvel pelo Contribuinte ou que o sujeito passivo não realiza trabalho externo. O auxílio combustível pago ao servidor do Estado de Santa Catarina está previsto no art. 1º da Lei Estadual n.º 7.881/89, que assim dispõe: " Art. 1º Ressalvados os casos de acumulação lícita, nenhum servidor ativo e inativo da Administração Direta, Indireta, de Autarquia ou Fundação instituída pelo Estado, poderá perceber mensalmente, a qualquer título, dos cofres públicos estaduais, importância superior ao valor percebido como remuneração, em espécie, a qualquer título, por Deputado Estadual, Secretário de Estado e Desembargador. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11516.001106/200550 Acórdão n.º 9202007.188 CSRFT2 Fl. 4 5 (...). §2º Ficam excluídas do limite previsto neste artigo as importâncias percebidas a titulo de: (...). VIII – indenização pelo uso de veiculo próprio, para desempenho de funções de inspeção ou fiscalização de tributos, por ocupantes dos cargos de Grupo: Fiscalização e Arrecadação — FAR e cargos isolados de Inspetor de Exatoria e Inspetor Auxiliar de Fiscalização de Mercadorias em Transito, no âmbito da regido administrativofiscal, na forma a ser prevista em regulamento. §3º A indenização prevista no inciso VIII do parágrafo anterior não se incorpora ao vencimento ou remuneração para fins de adicional por tempo de serviço, ferias, licenças, aposentadoria, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciaria." Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça já manifestou posicionamento no sentido de que o auxílio condução consubstancia compensação pelo desgaste do patrimônio dos servidores, que se utilizam de veículos próprios para o exercício da sua atividade profissional, inexistindo acréscimo patrimonial, mas uma mera recomposição ao estado anterior sem incremento líquido necessário à qualificação de renda, conforme se observa do REsp n.º 1.096.288RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC, ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/09, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS. SÚMULA 07 DO STJ. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial, sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba paga pela empresa sob o designativo de auxílio condução, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. O auxílio condução consubstancia compensação pelo desgaste do patrimônio dos servidores, que utilizamse de veículos próprios para o exercício da sua atividade profissional, inexistindo acréscimo patrimonial, mas uma mera recomposição ao estado anterior sem o incremento líquido necessário à qualificação de renda. (Precedentes: REsp Fl. 115DF CARF MF 6 825.845/RS, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 08/04/2008, DJe 02/05/2008; REsp 825.907/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/04/2008, DJe 12/05/2008; REsp 639.635/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/06/2007, DJe 30/09/2008; REsp 731883 / RS , 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 03/04/2006; REsp 852572 / RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ 15/09/2006; REsp 840634 / RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 01/09/2006; REsp 851677 / RS, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ25/09/2006). (...). Portanto, não havendo provas aptas à demonstração dos argumentos sustentados pela Procuradoria da Fazenda, bem como tendo em vista a vinculação do Colegiado às decisões proferidas em sede de repetitivo pelos Tribunais Superiores, entendo pela manutenção da decisão recorrida. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Redator Designado Não obstante as razões suscitadas no Recurso Especial e o entendimento esposado pela i. Relatora, entendo que a análise da legislação afeta a matéria conduz a conclusão diversa. De acordo com o art. 43 do Código Tributário Nacional, o imposto objeto do presente lançamento incide sobre a renda e os proventos de qualquer, independentemente da denominação da verba ou receita: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. [...] Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11516.001106/200550 Acórdão n.º 9202007.188 CSRFT2 Fl. 5 7 O caput e o § 4º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, por seu turno, estatui que, ressalvadas as hipóteses legalmente estabelecidas, o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, qualquer que seja a denominação desse rendimento, bastando, para tanto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Confirase: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. No caso concreto, temse que o sujeito passivo recebeu do Estado de Santa Catarina a verba denominada “indenização pelo uso de veiculo próprio”, que, nos termos do inciso VII do § 2º da Lei do Estado de Santa Catarina nº 7.881, de 22 de dezembro de 1989, destinase ao desempenho de funções de inspeção ou fiscalização de tributos: Art. 1º Ressalvados os casos de acumulação lícita, nenhum servidor ativo e inativo da Administração Direta, Indireta, de Autarquia ou Fundação instituída pelo Estado, poderá perceber mensalmente, a qualquer título, dos cofres públicos estaduais, importância superior ao valor percebido como remuneração, em espécie, a qualquer título, por Deputado Estadual, Secretário de Estado e Desembargador. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, entendese por remuneração a soma do vencimento ou do subsídio ao valor correspondente à representação do cargo, prevalecendo como limite nos Três Poderes do Estado o menor valor, resultante da operação a que se refere este parágrafo. § 2º Ficam excluídas do limite previsto neste artigo as importâncias percebidas a título de: [...] VIII – indenização pelo uso de veiculo próprio, para desempenho de funções de inspeção ou fiscalização de tributos, por ocupantes dos cargos de Grupo: Fiscalização e Arrecadação – FAR e cargos isolados de Inspetor de Exatoria e Inspetor Auxiliar de Fiscalização de Mercadorias em Trânsito, no âmbito da região administrativofiscal, na forma a ser prevista em regulamento. A dita “indenização” foi regulamentada pelo art. 3º do Decreto do Estado de Santa Catarina nº 4.606, de 06 de fevereiro de 1990, nos seguintes termos: Art. 3º O valor da indenização pelo uso de veículos próprio de que trata o inciso VIII do § 2º do artigo 1º da Lei nº 7.881, de 22 de dezembro de 1989, será calculado mediante a aplicação da Fl. 117DF CARF MF 8 fórmula a seguir, observados os critérios estabelecidos nos incisos I e II: onde: I = valor da indenização; P = preço de um automóvel novo, nacional, produzido em série, de porte médio, vigente no último dia do mês anterior, K = quilometragem, igual a 120.000 quilômetros; r = coeficiente relativo ao valor residual do veículo, após 5 anos, igual a 0,2; f = custo financeiro do gasto realizado na compra de um veículo novo, igual a 0,762 (12% a.a.); m = coeficiente relativo às despesas de manutenção, igual a 0,2; s = coeficiente relativo ao valor das despesas com seguros, igual a 0,1; e = coeficiente relativo ao valor das despesas com licenciamento, igual a 0,02; L = preço de 1 (um) litro de gasolina, vigente no último dia do mês anterior; c = consumo médio de combustível à razão de 8 quilômetros por litro; I metade do valor apurado na forma deste artigo será atribuída pelo desempenho das atividades previstas no item I do Anexo I ou pelo exercício de cargo ou função em órgão da estrutura organizacional da Secretaria de Estado do Planejamento e Fazenda; II a outra metade será atribuída pelo desempenho das atividades previstas nos itens 2, 3 ou 4 ou pela antecipação prevista na alínea "a" da Nota III do Anexo I. (Redação dada pelo Decreto nº 663/1991) § 1º Nas operações especiais em que o funcionário seja deslocado, por mais de 30 dias, para desempenho de suas atividades em região fiscal diversa da sua, em complementação à indenização prevista neste artigo e sem prejuízo das diárias que lhe couberem, o funcionário receberá o valor correspondente a um mês de vencimento no início e outro no final do período. § 2º A indenização prevista neste artigo não se incorpora ao vencimento ou remuneração para fins de adicional por tempo de serviço, férias, licenças, aposentadoria, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciária. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11516.001106/200550 Acórdão n.º 9202007.188 CSRFT2 Fl. 6 9 Recorrendose aos Anexos I e II ao Decreto do Estado de Santa Catarina nº 4.606/1990, verificase que, dentre as atividades cujo desempenho propicia o pagamento da rubrica estão: a) exercício das funções inerentes à fiscalização de tributos, inclusive informação em processos, inscrição e alteração cadastral, verificação em máquina registradora e/ou terminal ponto de venda, plantões fiscais em: Coordenadorias Regionais, Setores Fiscais, Postos Fiscais fixos e móveis ou em volantes, devidamente certificados pelo Corfe; b) controle de atividades desenvolvidas no órgão de arrecadação, inclusive inscrição, alteração e baixa no cadastro de contribuintes a informações em processos. Vejase que, muito embora o cálculo do valor da “indenização” tenha como parâmetro, dentre outros, preço de automóvel e da gasolina, despesas de manutenção, seguro e licenciamento, a percepção da vantagem pecuniária não tem qualquer relação com o uso de veículo próprio para o desempenho de atividades laborais. O benefício está atrelado ao desenvolvimento de tarefas como inscrição e alteração cadastral, prestação de informações em processos, ou seja, tratase verdadeira gratificação pelo desempenho de atividades rotineiras inerentes ao cargo ocupado pelo sujeito passivo e não de indenização para recompor seu patrimônio. Assim, independentemente da denominação dada pela legislação estadual, os valores recebidos pelo contribuinte a título de “indenização pelo uso de veiculo próprio”, tratamse de rendimentos provenientes do trabalho e, portanto, sujeitos à tributação pelo Imposto sobre a Renda de Pessoa Físicas. Conclusão Em virtude do exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância administrativa. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.722445/2011-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 24 45 /2 01 1- 23 Fl. 207DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na DAA. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pelo Contribuinte de R$ 2.272,98 para R$ 8.685,69, de imposto de renda pessoa física a pagar, acrescido da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado parte dos recibos e se ser considerado valor expressivo de despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação parcial e valor considerado elevado segundo entendimento da autoridade tributante, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da DRF/Juiz de Fora/MG, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, anocalendário 2009. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 8.685,69, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Dedução indevida de despesas médicas, sendo glosadas as seguintes despesas, por falta de comprovação do efetivo pagamento: Claudia Meirelles Barra R$ 27.935,20 e Rosana da Paz Moreira R$ 11.914,50. Complementação da Descrição dos Fatos Valor glosado após revisão: R$39.849,70, relativo aos pagamentos declarados para CLAUDIA MEIRELLES BARRA (R$27.935,20) e ROSANA DA PAZ MOREIRA SABIR (R$11. 4,50), por falta de comprovação do efetivo desembolso de tais quantias. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 2010/052578862248324 o contribuinte apresentou os seguintes recibos: 1CLAUDIA MEIRELLES BARRA: 12 (doze) recibos no valor de R$1.494,60 cada, emitidos mensalmente de janeiro a dezembro de 2009, totalizando R$17.935,20, relativos a tratamento fisioterápico. Não foi apresentado nenhum documento para comprovação da diferença de R$10.000,00 entre o total declarado(R$27.935,20) e o total de recibos apresentados. 2ROSANA DA PAZ MOREIRA SABIR : 2 x R$1.222,00 (29/01/2009 e 26/02/2009) +R$1.374,75 (31/03/2009) + 2 x R$1.222,00 (28/04/2009 e 28/05/2009) + R$1.374,75(30/06/2009) + R$916,50 (30/07/2009) + R$611,00 (25/08/2009) + R$763,75(29/09/2009) + 2 x R$611,00 (27/10/2009 e 24/11/2009) + R$763,75 (29/12/2009),relativos a atendimentos psicológicos. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10640.722445/201123 Acórdão n.º 2001001.210 S2C0T1 Fl. 208 3 Valor glosado: R$ 39.849,70. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. O contribuinte se insurge contra a totalidade da glosa das despesas médicas e alega, em síntese que os recibos gozam de presunção de veracidade, que ante a falta de qualquer apontamento de indício de inidoneidade e/ou fraude dos recibos apresentados, deve ser revista a glosa e restabelecida a dedução e que a alegação de incompatibilidade entres os recibos emitidos por Claudia Meirelles Barra e o valor declarado foi devido a erro de digitação, corrigido por meio de declaração retificadora não aceita pelo Auditor Fiscal e que que os saques realizados pelo contribuinte em sua conta bancária são suficientes para cobrir seus gastos com profissionais da área de saúde. De acordo com o art. 33, §1º do Decreto nº 7.574/2011, após o início do procedimento de ofício, assim entendido, qualquer ato praticado por servidor competente, está excluída a espontaneidade e, no caso em análise, não cabe, por parte do contribuinte, a entrega de uma declaração retificadora. Normalmente, o recibo é o documento hábil para comprovar a dedução da despesa médica. Entretanto, é facultado ao Auditor Fiscal nos casos em considerar necessários, solicitar ao contribuinte provas adicionais relativas às deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual, fundamentado no art. 73 combinado com o art. 80 do Decreto nº 3.000/99. Fl. 209DF CARF MF 4 Não é necessário que a autoridade fiscal descaracterize os recibos apresentados pelo contribuinte para exigir que novos elementos probatórios sejam juntados aos autos. Ademais, é equivocado entenderse que o inciso III do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação dessa legislação. A tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos, tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Porém, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8º da Lei 9.250, de 1995. (...) Cabe, portanto, ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução no período assinalado. O interessado junta recibos emitidos pelos profissionais (fls. 52/75) a seguir relacionados: (...) O sujeito passivo argumenta que conforme tabela de saques e pagamentos, verificase que os saques realizados em sua conta bancária são suficientes para cobrir seus gastos com profissionais da área de saúde. Ocorre que o volume dos saques realizados e a capacidade financeira da contribuinte não são suficientes para comprovar o efetivo pagamento das despesas, se não estiver demonstrada a correlação entre os valores e datas de cada recibo e o respectivo desembolso. Analisando os extratos bancários, juntados aos autos (fls. 17/51), observase que os saques efetuados na conta do Banco do Brasil nos dias 27/03/2009 (R$ 2.150,00) e 28/12/2009 (R$ 2.000,00) e 29/12/2009 (R$ 1.000,00) atestam o efetivo pagamento das despesas com a profissional Claudia Meirelles Barra no dia 30/03/2009, no valor de R$ 1.494,60 e no dia 28/12/2009 no valor de R$ 1.494,60 e com a profissional Rosana da Paz Moreira no dia 29/12/2009 no valor de R$ 763,75, totalizando R$ 3.752,95, valor a ser restabelecido. Foi adotado o critério de saques com até três dias antes da data de emissão desses recibos em valores suficientes para quitálos, tendo sido esse o critério adotado para a verificação do efetivo pagamento. Registrese que o critério adotado é mais benéfico ao contribuinte, pois é mais flexível do que a exigência de que a data do saque Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10640.722445/201123 Acórdão n.º 2001001.210 S2C0T1 Fl. 209 5 coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo). Nos extratos bancários do Banco Real não foram localizados saques em datas compatíveis com as datas de emissão dos recibos. Assim, restabelecemse as despesas médicas no valor de R$ 3.752,95. Com base nesta decisão, procedamse as seguintes alterações no lançamento: (...) Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 3.752,95, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 7.653,63, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 7.653,63, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Quanto aos recibos relativos a despesas médicas pagas de Cláudia Meirelles Barra – CPF 830.603.83634 (fisioterapeuta) e Rosana da Paz Moreira – CPF 805.413.99691 (Psicóloga), o Auditor as glosou, adotando um critério arbitrário de três dias entre a movimentação bancária e a emissão dos recibos, desta forma justificou as glosas alegando que o contribuinte simplesmente não comprovou o pagamento devido à movimentação financeira incompatível. Ora, os recibos apresentados gozam de presunção de veracidade, devendo o Auditor apontar eventuais vícios que possam macular o teor das informações prestadas. A jurisprudência do próprio órgão julgador administrativo é clara ao enfatizar a validade dos recibos apresentados, quando corretamente identificado o profissional, seu registro no respectivo conselho, seu CPF e demais dados cadastrais, o que ocorreu nos recibos apresentados pelas profissionais Claudia e Rosana. Ressaltese que conforme requisitado pelo Auditor, que não se bastaram com os recibos apresentados, foi apresentado pelo contribuinte sua movimentação bancária, uma vez que o mesmo não trabalha com cheques nominais, ou ordem de pagamentos. A esse respeito diz o Decreto 3000 de 1999 e legislação correlata: Art. 80. (...) Fl. 211DF CARF MF 6 Art. 845 (...) Art. 924 (...) Assim, ante a falta de qualquer apontamento de indício de inidoneidade e/ou fraude dos recibos apresentados, deve ser revista a glosa e restabelecida a dedução. Ademais, a alegação de incompatibilidade entre os recibos de Claudia Meirelles Barra no valor de R$ 17.935,20 e o valor declarado de R$ 27.935,20 com diferença de R$ 10.000,00 foi devida a erro de digitação e que foi corrigido na declaração retificadora enviada em 12/05/2010 com o número de recibo de 38.32.35.29.40 04, o que não foi considerado na argumentação do auditor. Assim, analisando a tabela de saques e pagamentos em anexo, pode se verificar com clareza que os saques realizados pelo contribuinte em sua conta bancária são suficientes para cobrir seus gastos com profissionais da área de saúde. De um total de R$ 87.770,00 sacados de suas contas correntes foram gastos com pagamentos de profissionais um total de R$ 29.844,00 durante todo o ano de 2009, o que comprova claramente movimentação financeira compatível com os gastos. Insta salientar que o critério adotado pelos auditores, qual seja o critério de saques com até três dias antes da data de emissão dos recibos em valores suficientes para quitálos, como sendo o mais benéfico ao contribuinte, não se encontra legalmente amparado. Haja vista que a Lei 8.846 de 21 de janeiro de 1994 em seu artigo 1º determina apenas que a emissão de recibos referentes à prestação de serviços deverá ser realizada no momento da efetivação do serviço. É pertinente aqui transcrever o disposto no artigo 1º da Lei 8.846/94: Art. 1: A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. Assim sendo, não concorda o contribuinte com o critério adotado pelos auditores para conferência dos extratos bancários e recibos apresentados na forma da lei vigente. À vista de todo exposto, demonstrada as irregularidades da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso voluntário para o fim de que seja revisto todos os lançamentos, conforme acima demonstrado e que sejam retiradas as glosas das deduções ora impugnadas, pelos fatos e fundamentos de direito expostos acima. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10640.722445/201123 Acórdão n.º 2001001.210 S2C0T1 Fl. 210 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A decisão do Acórdão da DRJ contempla parcialmente a demanda do Contribuinte e reduz o crédito tributário lançado de R$ 8.685,69 para R$ 7.653,63, em razão da aceitação de parte dos recibos, pela comparação com a planilha de saques das disponibilidades bancárias apresentada pelo Recorrente, o Relator do Acórdão vergastado constatou proximidade entre os saques e a data dos recibos, pelo critério adotado. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 213DF CARF MF 8 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10640.722445/201123 Acórdão n.º 2001001.210 S2C0T1 Fl. 211 9 quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de Fl. 215DF CARF MF 10 defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. A decisão de primeiro grau administrativo que manteve em parte a glosa da dedução das despesas médicas tem como suporte o dizer do Agente Fiscal que assim se expressou na “descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Lançamento”: Glosa do valor.de R$ 19.285,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Foi glosada a despesa médica, pois o contribuinte quando intimado apresentou recibo de dentistas que não consta o endereço do profissional nem a descrição dos serviços médicos prestados, conforme documentos apresentados pelo interessado. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. No que se refere à observação constante no voto da DRJ quanto ao dever de constar no “documento comprobatório da despesa que contenha a indicação de nome endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente...”, constatase pelas provas acostadas aos autos que está demanda legal/fiscal foi atendida desde a fase de revisão fiscal, conforme fls. 52/75, em sede de impugnação fls. 96/97 e fls. 142/166, bem como por ocasião deste Recurso Voluntário, fl. 203. Quanto à observação constante do voto da DRJ de que deve constar nos documentos comprobatórios da despesa o tipo de tratamento ou “a discriminação do tipo de serviços prestado”, cabe salientar que esta exigência não consta da lei, contudo, a demanda também foi atendida conforme provas acostadas aos autos fls. 52/75, 96/97 e 142/166. Quanto à observação constante do voto da DRJ de que deve constar nos documentos comprobatórios da despesa “o nome da pessoa beneficiária”, é oportuno dizer que o recibo é dado ao ContribuintePaciente e somente deve ser especificado outro nome de Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10640.722445/201123 Acórdão n.º 2001001.210 S2C0T1 Fl. 212 11 paciente quando é o caso de atendimento a dependentes, o que é destacado na INRFB nº 1.500/2014, art. 97, inciso II, como se vê: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; grifei A decisão do Acórdão da DRJ contestado na defesa do Recorrente e aceita em parte pelos comprovantes emitidos pela profissional Cláudia Meirelles Barra, pela adoção de critério subjetivo considera válidos os recibos com data de emissão com até três dias depois de algum saque bancário, argumentando que este “critério é mais benéfico ao contribuinte, pois é mais flexível do que a exigência de que a data do saque coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo)”. Destaquese que o critério mais benéfico ao contribuinte é aquele disposto em lei e a obrigação de os saques bancários coincidirem com a data da emissão do recibo não está respaldado na legislação. Além disso, a data da emissão do recibo não garante que o pagamento tenha ocorrido naquele exato momento. Por isso, o critério adotado é subjetivo e inconsistente pelos motivos expostos. Assim, considerando que o Contribuinte apresentou planilha de disponibilidade financeira compatível com os desembolsos para cobrir despesas médicas, fica provada a sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, fica constatada a providência de atendimento da exigência da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor de R$ 11.914,50 da profissional Rosana da Paz Moreira Sabir, e de R$ 17.935,20 da profissional Cláudia Meirelles Barra. Quanto ao valor restante de R$ 10.000,00 (27.935,20 deduzidos na DAA menos R$ 17.935,20 devidamente comprovados), da profissional Cláudia Meireles Barra, os autos mostram que ouve Declaração de Ajuste Anual Retificadora fl. 83, apresentada via SERPRO em 12/05/2010, às 11:09:17, Número de Recibo: 38.32.35.29.4004, fl. 82, em que aparece a informação no campo “pagamentos e Doações Efetuados” o valor correto de R$ 17.935,20, fl. 85, e finaliza a Declaração Retificadora do Contribuinte com saldo de imposto à pagar de R$ 477,02, fl. 87, resultado diferente da Declaração Original que era de imposto a restituir de R$ 2.272,98. A argumentação da decisão do Acórdão vergastado referente à glosa do valor de R$ 10.000,00 é de que “De acordo com o art. 33, §1º do Decreto nº 7.574/2011, após o início do procedimento de ofício, assim entendido, qualquer ato praticado por servidor competente, está excluída a espontaneidade e, no caso em análise, não cabe, por parte do contribuinte, a entrega de uma declaração retificadora”. Contudo, conforme exposto acima, a Declaração Retificadora foi apresentada em 12/05/2010, antes de qualquer ação fiscal tendente a verificar irregularidade no preenchimento da DAA e o Agente Fiscal Autuador não considerou a modificação corretiva espontânea do contribuinte realizada a tempo legal. Se não tivesse havido a apresentação de Declaração Retificadora em 12/05/2010, data anterior ao início da ação fiscal, os documentos juntados às fls. 82/87 seriam Fl. 217DF CARF MF 12 inidôneos e a ação da defesa seria considerada simulação ou fraude documental, fato grave que não foi apontado no julgamento da impugnação de primeiro grau administrativo. Assim sendo, a retificação deve ser considerada verdadeira no julgamento do caso. Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante comprovantes assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Assim, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas, com a correção da Declaração Retificadora. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, excluindo se, por consequência, o crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.721797/2016-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
EXCLUSÕES. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. NOVA APURAÇÃO APRESENTADA. REDUÇÃO DE ADIÇÕES E EXCLUSÕES. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS ADIÇÕES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Cancela-se o lançamento, fundado na redução de exclusões relativas a contas de provisão decorrentes de nova apuração apresentada no curso da ação fiscal, quando a fiscalização não leva em conta a concomitante redução de adições nessas mesmas contas, e a impugante demonstra de forma razoável que as reduções de exclusão e adição decorrem de mudança de metodologia de cálculo (de valores acumulados para saldos
líquidos).
GLOSA DE DESPESAS. VARIAÇÃO CAMBIAL NÃO REALIZADA. DIVERGÊNCIA DE VALORES. ACEITAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Cancela-se o lançamento, de glosa de despesa fundado em excesso de valores adicionados de Variação Cambial Não Realizada, quando, em procedimento de diligência, a fiscalização aceita o valor demonstrado pelo contribuinte.
GLOSA DE DESPESAS. IPI SOBRE COMPRAS DE INSUMOS. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. MANDADO DE SEGURANÇA POSTULANDO DIREITO AO RESSARCIMENTO DI IPI. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL. BAIXA DO ATIVO. AUSÊNCIA DE PROVA DA FISCALIZAÇÃO.
Cancela-se o lançamento, de glosa de despesa relativa a conta do Ativo contendo valores de IPI sobre compras de insumos de produto não tributável, baixada em decorrência de decisão judicial desfavorável em que se postulava direito ao ressarcimento do IPI, quando a fiscalização alega que esse imposto foi contatilizado como custo ou que houve contrapartida em conta de receita não tributada, sem demonstração ou investigação na contabilidade, nem no curso da ação fiscal nem em procedimento de diligência.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1201-002.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 EXCLUSÕES. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. NOVA APURAÇÃO APRESENTADA. REDUÇÃO DE ADIÇÕES E EXCLUSÕES. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS ADIÇÕES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Cancela-se o lançamento, fundado na redução de exclusões relativas a contas de provisão decorrentes de nova apuração apresentada no curso da ação fiscal, quando a fiscalização não leva em conta a concomitante redução de adições nessas mesmas contas, e a impugante demonstra de forma razoável que as reduções de exclusão e adição decorrem de mudança de metodologia de cálculo (de valores acumulados para saldos líquidos). GLOSA DE DESPESAS. VARIAÇÃO CAMBIAL NÃO REALIZADA. DIVERGÊNCIA DE VALORES. ACEITAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Cancela-se o lançamento, de glosa de despesa fundado em excesso de valores adicionados de Variação Cambial Não Realizada, quando, em procedimento de diligência, a fiscalização aceita o valor demonstrado pelo contribuinte. GLOSA DE DESPESAS. IPI SOBRE COMPRAS DE INSUMOS. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. MANDADO DE SEGURANÇA POSTULANDO DIREITO AO RESSARCIMENTO DI IPI. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL. BAIXA DO ATIVO. AUSÊNCIA DE PROVA DA FISCALIZAÇÃO. Cancela-se o lançamento, de glosa de despesa relativa a conta do Ativo contendo valores de IPI sobre compras de insumos de produto não tributável, baixada em decorrência de decisão judicial desfavorável em que se postulava direito ao ressarcimento do IPI, quando a fiscalização alega que esse imposto foi contatilizado como custo ou que houve contrapartida em conta de receita não tributada, sem demonstração ou investigação na contabilidade, nem no curso da ação fiscal nem em procedimento de diligência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 EXCLUSÕES. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. NOVA APURAÇÃO APRESENTADA. REDUÇÃO DE ADIÇÕES E EXCLUSÕES. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS ADIÇÕES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Cancelase o lançamento, fundado na redução de exclusões relativas a contas de provisão decorrentes de nova apuração apresentada no curso da ação fiscal, quando a fiscalização não leva em conta a concomitante redução de adições nessas mesmas contas, e a impugante demonstra de forma razoável que as reduções de exclusão e adição decorrem de mudança de metodologia de cálculo (de valores acumulados para saldos líquidos). GLOSA DE DESPESAS. VARIAÇÃO CAMBIAL NÃO REALIZADA. DIVERGÊNCIA DE VALORES. ACEITAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Cancelase o lançamento, de glosa de despesa fundado em excesso de valores adicionados de Variação Cambial Não Realizada, quando, em procedimento de diligência, a fiscalização aceita o valor demonstrado pelo contribuinte. GLOSA DE DESPESAS. IPI SOBRE COMPRAS DE INSUMOS. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. MANDADO DE SEGURANÇA POSTULANDO DIREITO AO RESSARCIMENTO DI IPI. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL. BAIXA DO ATIVO. AUSÊNCIA DE PROVA DA FISCALIZAÇÃO. Cancelase o lançamento, de glosa de despesa relativa a conta do Ativo contendo valores de IPI sobre compras de insumos de produto não tributável, baixada em decorrência de decisão judicial desfavorável em que se postulava direito ao ressarcimento do IPI, quando a fiscalização alega que esse imposto foi contatilizado como custo ou que houve contrapartida em conta de receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 17 97 /2 01 6- 78 Fl. 752DF CARF MF 2 não tributada, sem demonstração ou investigação na contabilidade, nem no curso da ação fiscal nem em procedimento de diligência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente em exercício (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, e nas funções de Presidente do Colegiado, designome para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro Rafael Gasparello Lima deixou o colegiado antes da formalização do Acórdão. Para esse fim, adoto o relatório entregue eletronicamente pelo relator originário à secretaria do CARF na época do julgamento, verbis: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), por unanimidade, julgou procedente a impugnação administrativa da contribuinte, conforme o acórdão nº 0662.379, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 753 3 EXCLUSÕES. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. NOVA APURAÇÃO APRESENTADA. REDUÇÃO DE ADIÇÕES E EXCLUSÕES. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS ADIÇÕES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Cancelase o lançamento, fundado na redução de exclusões relativas a contas de provisão decorrentes de nova apuração apresentada no curso da ação fiscal, quando a fiscalização não leva em conta a concomitante redução de adições nessas mesmas contas, e a impugante demonstra de forma razoável que as reduções de exclusão e adição decorrem de mudança de metodologia de cálculo (de valores acumulados para saldos líquidos). GLOSA DE DESPESAS. VARIAÇÃO CAMBIAL NÃO REALIZADA. DIVERGÊNCIA DE VALORES. ACEITAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Cancelase o lançamento, de glosa de despesa fundado em excesso de valores adicionados de Variação Cambial Não Realizada, quando, em procedimento de diligência, a fiscalização aceita o valor demonstrado pelo contribuinte. GLOSA DE DESPESAS. IPI SOBRE COMPRAS DE INSUMOS. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. MANDADO DE SEGURANÇA POSTULANDO DIREITO AO RESSARCIMENTO DI IPI. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL. BAIXA DO ATIVO. AUSÊNCIA DE PROVA DA FISCALIZAÇÃO. Cancelase o lançamento, de glosa de despesa relativa a conta do Ativo contendo valores de IPI sobre compras de insumos de produto não tributável, baixada em decorrência de decisão judicial desfavorável em que se postulava direito ao ressarcimento do IPI, quando a fiscalização alega que esse imposto foi contatilizado como custo ou que houve contrapartida em conta de receita não tributada, sem demonstração ou investigação na contabilidade, nem no curso da ação fiscal nem em procedimento de diligência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Fl. 754DF CARF MF 4 Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativos ao ano calendário de 2011. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 507/513) exige o recolhimento de R$ 13.091.433,78 de imposto e R$ 9.818.575,33 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 524/534: Adições não computadas na apuração do lucro real. Custo/Despesa indedutível: no período de 12/2011. Enquadramento legal nos arts. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247 e 249 inciso I do RIR/1999. Multa de 75%; Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do luco real. Exclusões indevidas: no período de 12/2011. Enquadramento legal nos arts. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247 e 250 do RIR/1999. Multa de 75%; 3. O auto de infração de CSLL (fls. 514/523) o recolhimento de R$ 4.634.088,72 de contribuição e R$ 3.475.566,54 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 524/534: Custos/Despesas operacionais/encargos não dedutíveis: no período de 12/2011. Enquadramento legal nos arts. 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. Multa de 75%; Exclusões indevidas da base de cálculo ajustada da CSLL: no período de 12/2011. Enquadramento legal nos arts. 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. Multa de 75%; 4. Cientificada em 16/09/2016, conforme AR de fl. 535, em 03/10/2016, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 539/574, que se resume a seguir: DOS FATOS a. Em 02/09/2016, a Impugnante foi intimada acerca da lavratura, contra si, de Auto de Infração (AIIM) para constituição de supostos créditos tributários de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2011, no valor total de R$ 39.315.208,89. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 754 5 b. A cobrança veiculada no AIIM decorre de procedimento no qual a Fiscalização, em síntese, auditou adições e exclusões efetuadas pela Impugnante na apuração do Lucro Real do ano calendário de 2011. c. No curso do procedimento fiscalizatório mais precisamente, por meio de resposta a Termo de Intimação apresentada em 05/05/2016 a Impugnante esclareceu à Fiscalização que havia identificado algumas pequenas inconsistências na apuração de seu Lucro Líquido do anocalendário de 2011, que serviu de base para apuração do Lucro Real. d. Diante de tais pequenas inconsistências, a Impugnante refez toda a apuração de seu Lucro Real no anocalendário em questão (2011) e. Ressaltese que, na ocasião (05/05/2016), a Impugnante esclareceu à Fiscalização que as modificações efetuadas nesta nova apuração do Lucro Real não tiveram nenhum impacto sobre o valor de IRPJ e de CSLL devidos no período, uma vez que a Impugnante continuou a verificar um prejuízo fiscal ao final daquele anocalendário (2011) embora em valor inferior ao informado originalmente na DIPJ (isto é, () R$ 1.244.665,05, ao invés de () R$ 1.588.630,00). f. Para que estes d. Julgadores possam melhor visualizar as modificações efetuadas pela Impugnante na apuração do Lucro Líquido (e, por conseguinte, do Lucro Real) que serviu de suporte para a DIPJ originalmente entregue para o ano calendário de 2011, a Impugnante se valerá da Tabela n° 2 a seguir a qual compara, sinteticamente, a apuração original do Lucro Real (i.e., DIPJ) e aquela informada à Fiscalização no curso do procedimento fiscalizatório (05/05/2016): g. Conforme se nota da Tabela n° 2 acima, as modificações efetuadas pela Impugnante na apuração do Lucro Real de 2011 (coluna à direita) levaram a uma redução do prejuízo fiscal apurado de () R$ 1.588.580,00 para () R$ 1.244.665,05 – do que se depreende que não houve prejuízo à arrecadação naquele anocalendário, tal como oportunamente informado pela Impugnante em sua resposta ao Termo de Intimação apresentada em 05/05/2016. Fl. 756DF CARF MF 6 h. De fato, o próprio relato construído pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 4, Item 12, alínea "d") registra o quanto declarou a Impugnante à Fiscalização: "(...) d) Que a referida alteração não gerou qualquer diferença de IRPJ e CSLL a recolher aos cofres públicos, mas ião somente uma redução do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, os quais passam a ser de R$ 1.244.665,05 e R$ 1.826.450,77, respectivamente". (cf. Termo de Verificação Fiscal, Fls. 4, item 12, alínea "d" destaques acrescidos) i. Em outro trecho do Termo de Verificação Fiscal, o Sr. Agente Fiscal reconheceu que a nova apuração apresentada pela Impugnante à Fiscalização em 05/05/2016 está coerente com o balancete anual apresentado: “Em 05/05/2016 (item 12, letras b, c) a fiscalizada informou eu ao checar as informações entregues na DIPJ 212 a mesma constatou incorreções que a fez recalcular seu Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica e sua Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sendo que tais informações estão em consonância com o Balancete Anual entregue à fiscalização no dia 29/04/2016". (cf. Termo de Verificação Fiscal, Fls. 9, Item 27) j. Não obstante, a Fiscalização não está se atendo à nova apuração apresentada pela Impugnante em 05/05/2016. k. Conforme a Impugnante descreverá em maiores detalhes ao longo da presente defesa, a autuação se deve, em grande parte, a uma má compreensão do Sr Agente Fiscal quanto aos diferentes métodos empregados para o controle de provisões que se verificam nos dois cálculos, o que efetivamente viciou algumas das premissas adotadas pelo AIIM. l. É importante observar que na nova apuração do Lucro Real informada pela Impugnante durante a fiscalização (05/05/2016), foi utilizado um método diferente para exclusão de saldo de provisões indedutíveís que já haviam sido adicionadas ao Lucro Real do anocalendário anterior (2011). m. Primeiramente, notese que, na DIPJ originalmente transmitida, as diversas rubricas de adições e exclusões não foram abertas por natureza, ao passo que, na nova apuração apresentada em 05/05/2016, houve segregação dos diversos componentes das adições e exclusões. n. Além disso, na apuração do Lucro Real originalmente efetuada pela Impugnante, as provisões foram informadas por meio da adição dos saldos das contas patrimoniais de provisão encontrados em 31/12/2011 e exclusão do saldo das contas de provisão encontrados ao final do ano anterior (31/12/2010) os quais foram adicionados ao Lucro Real daquele ano (2010). o. Vale notar que este método de ajuste é comumente utilizado pelos contribuintes e tem como objetivo ajustar na apuração do Lucro Real (adição ou exclusão) as movimentações líquidas (constituições, reversões ou realizações) das provisões durante o ano corrente. Ou seja, o saldo das contas patrimoniais de provisão em 31/12/2011, subtraídos do saldo em 31/12/2010, devem corresponder à movimentação líquida das provisões durante o anobase 2011. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 755 7 p. Por outro lado, na nova apuração apresentada em 05/05/2016 a Impugnante informou apenas a movimentação líquida das referidas provisões, ao invés de demonstrar o saldo inicial e o saldo final das contas contábeis patrimoniais, da maneira como havia sido feito originalmente. q. Ou seja, a Impugnante informou como adição no Lucro Real apenas o valor líquido das contas de provisões, equivalente à diferença entre o saldo final encontrado em tais contas ao final do anocalendário corrente (no caso 31/12/2011) e o saldo adicionado ao Lucro Real ao final do anocalendário anterior (2010). r. Como a impugnante demonstrará nos tópicos seguintes, ambos os métodos possuem embasamento legal e produzem o mesmo efeito fiscal. s. De fato, em vista de uma compreensão do cálculo apresentado pela Impugnante em 05/05/2016 por parte do Sr. Agente Fiscal, todo o AIIM está maculado por premissas equivocadas, afetando as conclusões da Fiscalização no AIIM. t. A seguir, temse um breve resumo das acusações constantes dos Itens do AIIM (1, 2 e 3), bem como as razões de sua improcedência, que serão melhor desenvolvidas ao longo da presente defesa: u. De fato, várias das premissas da Fiscalização estão viciadas, o que conduz à improcedência do AIIM e necessidade de cancelamento integral do crédito tributário por ele constituído. DO DIREITO. ITEM "1" DA INEXISTÊNCIA DE "CONFISSÃO" DA IMPUGNANTE E DA AUSÊNCIA DE PROVAS DA OMISSÃO DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO v. Como já dito, a cobrança veiculada no AIIM decorre de uma compreensão errônea do Sr. Agente Fiscal quanto aos diferentes critérios empregados no cálculo original e na nova apuração do Lucro Real apresentada pela Impugnante no curso da Fiscalização em 05/05/2016, no que se refere às diferentes formas de controle das provisões adicionadas e excluídas em ambos os cálculos. w. No Item 1, por exemplo, a Fiscalização constatou que, no cálculo original, havia exclusões em montante total de R$ 48.779.947,59, ao passo que a nova apuração do Lucro Real apresentada pela Impugnante passou somente uma exclusão em valor de R$ 9.898.025,71 (correspondente ao ajuste de equivalência patrimonial), uma vez que as demais provisões informadas no cálculo original não foram mais informadas pelo valor acumulado, mas sim, adicionadas pela movimentação no ano. x. Para que se possa mais facilmente realizar a comparação entre os dois cálculos, a Impugnante se valerá, novamente, da Tabela n° 2: Fl. 758DF CARF MF 8 y. Tal constatação levou a Fiscalização a concluir de forma precipitada, com a devida vénia que a diferença entre as exclusões apontadas nos dois cálculos (ou seja, R$ 48.779.947,59 R$ 9.898.025,71 = R$ 38.881.921,88) corresponderia, supostamente, a exclusões realizadas de forma indevida. z. Verificase que a Fiscalização entendeu equivocadamente, digase que todo esse valor (R$ 38.881.921,88) deveria ter sido incluído na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o que é o objeto da cobrança efetuada no Item 1 do AIIM (cf. Temo de Verificação fls. 7, Item 21). aa. Conforme se verifica do trecho do Termo de Verificação Fiscal acima reproduzido, a Fiscalização afirma que a Impugnante teria, supostamente, concordado expressamente com a cobrança perpetuada no Item 1 o que, simplesmente, contraria à realidade descrita nos autos. bb. Em verdade, em nenhum momento a Impugnante reconheceu como devida a diferença existente entre os valores de exclusões apontados na nova apuração do Lucro Real apresentada em 05/05/2016 e aqueles indicados no cálculo original, cc. Como registrado pelo próprio Sr. Agente Fiscal no Termo de Verificação Fiscal (Fls. 4, item 12, alínea "d"), em 05/05/2016 a impugnante, na verdade, declarou expressamente que as modificações efetuadas na apuração do Lucro Real não impactaram o valor de IRPJ e CSLL devidos no anocalendário, mas, tão somente, a redução dos valores de prejuízo fiscal/base negativa apurados (vide Tabela n° 2 acima). dd. Logo, temse que a Fiscalização deduziu uma "confissão" que na verdade nunca existiu conforme reconheceu o próprio Sr. Agente Fiscal no Termo de Verificação Fiscal (Fls. 4, item 12, alínea "d") e, sobre esta pretensa e inverídica confissão, baseou toda a cobrança levada a termo no item 1 do AIIM. Não mais bastasse, o raciocínio da Fiscalização é manifestamente incorreto. ee. Como cediço, um determinado valor que tenha sido adicionado para fins de determinação do Lucro Real em um período de apuração e que competir a outro período de apuração poderá ser excluído para fins de apuração do Lucro Real do período competente, o que encontra fundamento no art. 247, §2°, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). ff. A regra mencionada se aplica no caso das provisões consideradas indedutíveis nos termos da legislação do IRPJ e da CSLL, pois ainda que uma determinada provisão seja indedutível, a sua reversão poderá ser excluída do Lucro Real para fins de anulação dos efeitos fiscais, desde que ja tenha sido adicionada no anocalendário anterior. gg. A respeito do tema, já se pronunciou a SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA 6a REGIÃO FISCAL: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Ementa: PROVISÃO. REVERSÃO. A exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 756 9 depende da existência de uma despesa (contrapartida da provisão) que foi adicionada ao lucro líquido no passado e de sua reversão contábil em período posterior, momento no qual é admitida a sua exclusão do lucro real. DISPOSITIVOS LEGAIS: Legais: DecretoLei N° 1.598/1977, artigo 6°, §§ 2°e3°e RIR/1999, artigo 392, li. SANDRO LUIZ DE AGUILAR Chefe", (destaques acrescidos). (Processo de Consulta n° 118/10 órgão: Superintendência Regional da Receita Federa! SRRF/6a. RF, Data de decisão: 08/11/2010, Data de publicação: 11/11/2010) hh. No mesmo sentido, já decidiu o E. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF): "(...) A dedução que não esta prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extracontabilmente, a sua reversão, desde que, sensibilize o lucro liquido, pode ser excluída do lucro real. Deve ser cancelada a autuação quando comprovada, por meio de documento hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e as anteriores provisões" (destaques acrescidos). (Acórdão n° 1401 001.012, Relator: Antonio Bezerra Neto, Primeira Seção de Julgamento, 4a Câmara/1a Turma Ordinária) ii. Como sabido, há, do ponto de vista prático, diferentes sistemáticas para realizar a reversão de uma provisão adicionada no período anterior, para fins de anular o seu efeito fiscal em um exercício seguinte. jj. Quaisquer métodos para esta finalidade devem ser considerados válidos, desde que respeitadas as premissas básicas de anular os efeitos fiscais das constituições e reversões de provisões, ocorridas durante o ano corrente, que afetaram o resultado do exercício.. kk. No caso, como explicado anteriormente, na apuração do Lucro Real que originalmente embasou a DIPJ e na nova apuração informada pela Impugnante à Fiscalização em 05/05/2016 foram utilizados diferentes critérios para informação de tais provisões, sendo que, no que se refere ao segundo cálculo (05/05/2016), as provisões foram adicionadas ao Lucro Real pelo seu valor líquido, ao passo que, no primeiro cálculo, que embasou a DIPJ, havia sido levado em consideração o valor acumulado das contas patrimoniais (isto é: isto é: adicionouse o saldo acumulado das contas patrimoniais de provisão encontrado ao final do período, 31/12/2011 e excluiuse o saído encontrado no início do período, 01/01/2011, o qual havia sido adicionado ao Lucro Real do ano anterior: 2010). ll. Na verdade, ambos os métodos possuem embasamento legal no art. 247, §2°, do RIR/IR, bem como representam o mesmo impacto fiscal. Tanto que a diferença líquida entre as adições e exclusões que se verificam entre a DIPJ e a nova apuração do Lucro Real informada pela Impugnante à Fiscalização em 05/05/2016 é de grandeza muito semelhante (abstraídas algumas reconhecidas diferenças, que foram corrigidas pela Impugnante no segundo cálculo, apresentado em 05/05/2016). Fl. 760DF CARF MF 10 mm. De fato, no que se refere às provisões adicionadas e excluídas, as aparentes divergências entre os dois cálculos se devem, majoritariamente, ao diferente método utilizado para seu controle, porém, o efeito fiscal é o mesmo, como já referido. nn. Para facilitar a compreensão do que se está a dizer, a Impugnante se valerá do seguinte exemplo numérico para fins de ilustrar as diferentes formas de informação das provisões no resultado, bem como seu idêntico efeito fiscal. oo. Considerese um hipotético Contribuinte que tenha auferido, ao finai do anocalendário de 2011 (31.12.2011), um Lucro Líquido no valor de R$ 1.000.000,00, bem como tenha verificado ao final daquele anocalendário (31.12.2011) um saldo nas contas patrimoniais das provisões (digamos, para fins do exemplo, "Provisões para Contingências") no valor de R$ 100.000,00, sendo que o Contribuinte em questão adicionou ao Lucro Real do ano anterior (31.10.2010) o saldo então encontrado na conta de provisões para contingências, no valor de R$ 90.000,00. pp. No exemplo citado, se o Contribuinte em questão tivesse se utilizado da forma de ajuste das provisões por meio dos saldos finais verificados no anocalendário de 2011 e no ano anterior (31.12.2010), o cenário seria o seguinte: Exemplo Numérico Cenário n° 1 Controle das Provisões pelos Saldos iniciais e Finais encontrados no AnoCalendário de 2011: AnoCalendário 2011: Lucro Líquido: R$ 1.000.000,00 (+) Adições (Provisões para Contingências Saldo em 31/12/2011): R$ 100.000,00 () Exclusão (Provisões para Contingências Saldo em 31/12/2010): (R$ 90.000,00) OBS: VALOR ADICIONADO AO LUCRO REAL DO ANO ANTERIOR (2010). LUCRO REAL DO ANOCALENDÁRIO DE 2011: R$ 1,010,000,00 qq. Agora, levandose em conta os mesmos dados, confirase os efeitos sobre o Lucro Real caso o mesmo Contribuinte hipotético houvesse considerado o critério de informação das provisões pelo seu saldo patrimonial líquido (tal como fez a Impugnante na nova apuração apresentada à Fiscalização em 05/05/2016): Exemplo Numérico Cenário n° 2 Controle das Provisões pelo seu Saldo Patrimonial Líquido AnoCalendário 2011: Lucro Líquido: R$ 1.000.000,00 (+) Adições Provisões Contingências (*) = R$ 100.000,00 (saldo em 31.12.2011) () R$ 90.000,00 (saldo adicionado em 31.12.2010) Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 757 11 = (+) R$ 10.000,00 LUCRO REAL DO ANOCALENDARIO DE 2011: R$ 1.010.000.00 (*) Pela Movimentação do Saldo patrimonial líquido rr. Observase que o efeito da utilização de ambos os métodos para fins adição das provisões ao Lucro Real é, rigorosamente, idêntico, pois, em ambos os cenários, chegouse a um Lucro Real no valor de R$ 1.010.000,00 muito embora, no Cenário n° 1, o valor nominal a título de exclusão tenha sido maior do que no Cenário n°2. ss. A partir da explanação apresentada por meio do exemplo numérico (Cenários 1 6 2) acima tornase claro o erro de raciocínio em que incorreu a Fiscalização no que se refere à cobrança levada a termo no Item 1 do AIIM. tt. Como já dito, verificase que a Fiscalização está comparando o valor de exclusões indicado no segundo cálculo (ou seja, R$ 9.898.025,71 – Conforme Tabela n° 2 acima, o qual equivale ao "Cenário n° 2" no exemplo citado) com o valor de exclusões indicado no primeiro cálculo (ou seja, R$ 48.779.947,59 Conforme Tabela n° 2 acima, o qual, por sua vez, equivale ao "Cenário n° 1» no exemplo citado acima), para fins de exigir a inclusão, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, da diferença entre os dois valores (R$ 38.881.921,88 = 48.779.947,59 9.898.025,71). uu. À toda evidência, esse raciocínio da Fiscalização está equivocado pois primeiramente – implica em uma comparação entre grandezas de diferente natureza, pois como já dito no cálculo original, a Impugnante controlou as provisões pelos saldos das contas de provisões verificados no final do período anterior (isto é, em 31/12/2010) e que haviam sido adicionados ao Lucro Real daquele ano (2010), ao passo que foram adicionados os saldos das contas de provisão verificados ao final do período (31/12/2011). vv. Por outro lado, na nova apuração apresentada em 05/05/2016, a Impugnante controlou as provisões pela movimentação líquida, tendo apenas informado adição correspondente à diferença entre o saldo encontrado ao final do período (isto é, em 31/12/2011) e o valor adicionado no ano anterior (saldo final encontrado em 31/12/2010) – o que, como demonstrado, tem o mesmo efeito fiscal. ww. Além disso, verificase que a Fiscalização agiu precipitadamente ao efetuar o lançamento da diferença entre as exclusões indicadas em ambos os cálculos, pois este raciocínio considera, isoladamente, as exclusões indicadas na nova apuração do Lucro Real, sem levar em conta o valor de adições informado no novo cálculo (05/05/2016). Fl. 762DF CARF MF 12 xx. Assim, não se justifica a "glosa" e cobrança do valor de R$ 38.881.921,88 a título de supostas exclusões indevidas. A Fiscalização, na verdade, está comparando o cálculo original com a nova apuração apresentada pela Impugnante (05/05/2016), porém, faz esta comparação de forma parcial, com dois pesos e duas medidas. Em outras palavras, a Fiscalização compara apenas as exclusões indicadas em ambos os cálculos, ignorando por completo as adições o que, evidentemente, prejudica todo o seu raciocínio. yy. Para suportar seu raciocínio, a Fiscalização teria que ter auditado e refutado não apenas as exclusões isoladamente, mas, também, as adições informadas pela Impugnante na nova apuração do Lucro Real apresentada em 05/05/2016 – o que, em nenhum momento, foi feito no curso do procedimento fiscalizatório que antecedeu o AIIM. zz. E muito pelo contrário, pois verificase, inclusive, que a Fiscalização, aparentemente, está validando o vator de R 55.709.904,04 a título de adições informado no segundo cálculo apresentado pela Impugnante (05/05/2016), o que se verifica a partir da seguinte afirmação do Sr. Agente Fiscal: aaa. Verificase que o Sr. Agente Fiscal reconhece que a nova apuração informada pela Impugnante em 05/05/2016 está coerente com os balancetes entregues à Fiscalização em 29/04/2016 inclusive, no que se refere às adições informadas (R$ 55.709.904,04). bbb. Entretanto, a Fiscalização está aplicando um critério dúplice no tratamento da informação prestada pela Impugnante em 05/05/2016: quanto às exclusões, a Fiscalização considerou o cálculo novo, ao passo que, quanto às adições, a Fiscalização está considerando o cálculo antigo. Eis os "dois pesos e duas medidas" aplicados pela Fiscalização. ccc. Semelhante "critério" aplicado pela Fiscalização não serve para demonstrar qualquer omissão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL pois, como já dito, está considerando as exclusões de forma isolada, sem levar em contra o valor de adições informado no segundo cálculo (05/05/2016). ddd. No lugar de produzir provas que supostamente pudessem refutar o segundo cálculo apresentado pela Impugnante, a Fiscalização se valeu, exclusivamente, de uma suposta confissão que, como demonstrado, jamais existiu. eee. Esse fato, por si só, já permitiria concluir pela NULIDADE do AIIM quanto ao ítem "1" por defícíêncía de fundamentação, uma vez que a metodologia empregada pela Fiscalização é, claramente insuficiente para demonstrar, cabalmente, a existência de valores a serem adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 2011 – cujo reconhecimento fica, desde já, requerido. fff. Subsidiariamente, deve ser reconhecida a improcedência do Item "1" pois a Impugnante provou, por meio da nova apuração apresentada em 05/05/2016, que não foi apurado valor devido de Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 758 13 IRPJ/CSLL ao final do ano calendário de 2011 mas tão somente, um prejuízo fiscal/base negativa em valor ligeiramente inferior ao quanto havia sido informado na DIPJ. ggg. Em última análise, verificase que a nova apuração do Lucro Real informada à Fiscalização no curso do procedimento fiscaiizatório (05/05/2016) está coerente com o balancete anual entregue pela Impugnante à Fiscalização em 29/04/2016 conforme reconheceu o Sr. Agente Fiscal no Termo de Verificação Fiscal (Fís. 9, Item 27). hhh. Sendo assim, que outras provas poderia produzir a Impugnante para refutar a alegação da Fiscalização, quando é o próprio Sr. Agente Fiscal quem, apesar de assumir que o novo cálculo apresentado pela Impugnante (05/05/2016) possui respaldo no balancete apresentado à Fiscalização, está tratando as informações fornecidas com um duplo critério, para efeito de considerar o novo cálculo (05/05/2016) apenas no que se refere ao valor das exclusões, mas não para fins das adições? iii. Logo, na remota hipótese de não se entender pela NULIDADE ou improcedência da autuação quanto ao Item "1", por deficiência de fundamentação, deverá o julgamento ser convertido em diligência a fim de que se possa realizar nova auditoria da apuração do Lucro Real apresentada pela Impugnante à Fiscalização em 05/05/2016. DO ERRO DA FISCALIZAÇÃO QUANTO ÀS CONTAS CONTÁBEIS RELACIONADAS À VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA/PASSIVA NÃO REALIZADA (EMPRESA OPTANTE PELO REGIME DE CAIXA) jjj. No Item "2" do AIIM, a Fiscalização questiona os valores adicionados pela Impugnante ao Lucro Real a título de variação cambial, sendo que a Impugnante adicionou o montante de R$ 38.225.147.00 a tal título, ao passo que a Fiscalização entende que o valor de R$ 42.949.089,05 deveria ter sido adicionado. kkk. Como consequência, a Fiscalização está exigindo a inclusão do valor de R$ 4.475.379,96 à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (cf. Termo de Verificação Fiscal fls. 10, Item 31). lll. O fundamento apontado pela Fiscalização para suportar tal conclusão é que o valor de R$ 38.225.147,00 a título de variação cambial, supostamente, não encontraria suporte no balancete anual apresentado à Fiscalização, considerando os valores informados nas Contas Contábeis n°s 513202999 e 513203999. mmm. Como cediço, o art. 30 da MP n° 2.15835/20112 tornou facultativa a opção pelo regime de competência para fins de reconhecimento das receitas/despesas relativas à variação cambial. nnn. Conforme reconhece a Fiscalização, no caso da Impugnante, a opção foi peia tributação pelo regime de caixa, o que significa que os valores efetivamente pagos/realizados são Fl. 764DF CARF MF 14 considerados como despesas dedutíveis do Lucro Real, ao passo que as despesas ainda não pagas/provisionadas são consideradas como indedutíveis. ooo. Conforme se verifica, no caso de opção pelo regime de caixa, a obrigação relativa a variação cambial deve ser considerada para fins de determinação do Lucro Real no momento de sua liquidação. ppp. Ocorre que Conta Contábil n° 513202999 apontada pela Fiscalização na verdade, se refere a Variação Cambial Passiva Realizada, que portanto – é uma despesa dedutível do Lucro Real, uma vez que a Impugnante é optante pelo Regime de Caixa, ao contrário das contas relativas a Variação Cambial Passiva Não Realizada, despesas indedutíveis que, como tal, devem ser adicionadas ao Lucro Real. qqq. Observese que, somandose as Contas Contábeis que, efetivamente, se referem a Variações Cambiais Não Realizadas (Contas Contábeis n°s 513102999 e 513202999), chegase ao valor de R$ 38.225.147.00, conforme balancete entregue pela Fiscalização em 29/04/2016, que por sua vez corresponde, exatamente, ao valor adicionado ao Lucro Real. rrr. Logo, verificase que a Fiscalização, em verdade, se equivocou quanto às contas contábeis a serem adicionadas ao Lucro Real, sendo que, se se tratando de contribuinte optante pelo Regime de Caixa caso da Impugnante somente devem ser adicionadas ao Lucro Real as Contas Contábeis relativas às variações cambiais não realizadas. sss. Diante disso, verificase a patente improcedência da cobrança veiculada no Item 2 do AIIM. ITEM "3" DA IMPOSSILIDADE DE SUSTENTAR ACUSAÇÃO DE OMISSÃO DE RESULTADO EM MERA PRESUNÇÃO, DESPROVIDA DE FUNDAMENTO LEGAL OU LÓGICO. PREMISSAS EQUIVOCADAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE CONTABILIZAÇÃO DO CRÉDITO DE IPI ttt. No item "3" do AIIM, a Fiscalização questiona o fato de que a Impugnante transferiu ao resultado uma despesa atinente à baixa do ativo referente ao crédito de IPI que havia sido anteriormente registrado, com fundamento em decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n° 2004.51.010.044738, em trâmite perante a Justiça Federal da Subseção Judiciária do Rio de Janeiro. uuu. Alega a Fiscalização que o valor atinente a este crédito teria sido originalmente contabilizado pela Impugnante em Contas do Ativo (124144 "IPI/PER/DCOMP" e 124115"IPI A RECUPERAR"), e que a Impugnante teria, supostamente, constituído uma suposta "provisão de receita" referente à expectativa de direito existente com base no Processo Judicial. vvv. Sustenta a Fiscalização que a suposta "provisão de receita" não teria sido adicionada ao resultado no momento de sua suposta constituição, e que, portanto, a Impugnante não poderia Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 759 15 transferir para o resultado a despesa referente à baixa do ativo em questão. www. Do quanto afirmado pela Fiscalização, extraemse os seguintes pontos: a) A cobrança veiculada no Item 3, na verdade, decorre de uma presunção, pois a Fiscalização reconhece não ter produzido provas de que o valor atinente ao crédito de IPI contabilizado no ativo teria sido supostamente excluído do lucro real (a própria Fiscalização afirma que "possivelmente" a Impugnante teria excluído). xxx. No entanto, é da Fiscalização o ônus de produzir provas de fatos que impliquem em redução do montante de imposto devido (como, por exemplo, uma exclusão). Como, no caso, a Fiscalização não se desincumbiu deste ônus, isto já seria suficiente para se considerar NULO o Item, ou no mínimo improcedente, por ausência de fundamentação. yyy. b) Ainda que assim não fosse, uma presunção fiscal ou decorre de lei ou deve, ao menos estar baseada em um fato indiciário que guarda necessário nexo de causa e efeito com a conclusão assumida pela Fiscalização. No caso, a presunção da Fiscalização não é prevista em lei e tampouco possui nexo lógico. O raciocínio é nitidamente circular, pois a Fiscalização presume que, se houve dedução de uma despesa referente à baixa de um ativo contabilizado anteriormente, então, é porque o lançamento em contrapartida a este ativo não teria sido tributada. Entretanto, não há nenhum nexo causal entre um fato (baixa de um ativo transferida ao resultado) e outro (não adição da receita atinente a este ativo ao Lucro Real em um primeiro momento). zzz. c) Na verdade, a lógica empregada pela Fiscalização contraria a forma usual como se dá a contabilização de um crédito de IPI como a Impugnante passará a expor. aaaa. No que se refere ao crédito de IPI em questão, esclareça se que o pedido formulado pela Impugnante na Petição Inicial do Mandado de Segurança visava assegurar o direito a "créditos de IPI pagos na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes (águas minerais naturais 2201.10.00); b) autorização para compensação de tributos, via PER/DCOMP". bbbb. Quando se trata de tributos recuperáveis (como se dá, via de regra, no caso do ICMS e do IPI), o valor atinente ao tributo não deve fazer parte da contabilização dos estoques3, e, por conseguinte, não compõe o Custo dos Produtos Vendidos (CPV). cccc. O valor atinente aos Impostos a Recuperar (no que se inclui o valor do crédito de IPI) deve ser contabilizado em Conta do Ativo tal como, efetivamente, fez a Impugnante. dddd. Para fins de melhor ilustrar a forma de contabilização de um crédito de IPI, a Impugnante se valerá do seguinte exemplo numérico. Fl. 766DF CARF MF 16 eeee. Considerese uma empresa que realize, em um determinado período, a compra 3 de insumos no valor de R$ 400.000,00, onde está incluído o IPI (10%) e em que, para fins de simplificação, todos estes insumos tenham sido utilizados para produção de bens e que todos os seus produtos tenham sido vendidos por Rí 800.000,00. ffff. Neste cenário hipotético, confirase a contabilização do crédito de IPI: gggg. No exemplo numérico acima referido, notese que os estoques de matériaprima e, por consequente, o Custo dos Produtos Vendidos (CPV) aparecem por seus valores de custo sem inclusão do IPI (ou seja, R$ 400.000,00 R$ 40.000,00 = R$ 360.000,00). O valor do IPI está contabilizado em conta de ativo, uma vez que exprime o direito da empresa de recuperar/compensar este valor contra o IPI devido nas vendas. hhhh. Para a apuração do resultado do período, basta transferir as Vendas e Custo dos Produtos Vendidos (CPV) para o Resultado. Notese que o valor de CPV transferido para resultado não inclui o valor referente ao crédito de IPI: iiii. A conclusão, portanto, é que o valor de IPI a recuperar, registradono Ativo, impactou, positivamente, o resultado, incrementando, assim, o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSLL; jjjj. Observese que, se se tratasse de Imposto não recuperável, o cenário descrito acima seria diferente, uma vez que o IPI teria que ser considerado no valor dos estoques e, consequentemente, do CPV. Notese que a redução do Lucro Real teria sido maior caso o IPI não fosse recuperável (R$ 400.000,00, e não R$ 360.000). kkkk. Do acima exposto, concluise que, ao contrário do presumido pela Fiscalização, o valor do crédito de IPI (Imposto Recuperável) não foi deduzido do Lucro Real no momento da sua contabilização. Ao contrário do que presumido pela Fiscalização, o registro do valor do crédito de IPI a "débito" em Conta do Ativo (IPI a Recuperar) implicou em adição deste valor ao Lucro Real, base de cálculo do IRPJ e da CSLL. llll. Por outro lado, em razão do cenário jurisprudencial então existente quanto à tese jurídica discutida nos autos do Processo Judicial em questão, a Impugnante decidiu baixar do Ativo o crédito de IPI então contabilizado por força da decisão judicial. mmmm. Observese que, em 09 de novembro de 2009, o V. Acórdão proferido pela C. Quarta Turma Especializada do E. Tribunal Regional Federai da 2a Região houve por negar provimento à Apelação da Impugnante nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.51.010.044738. nnnn. Por meio deste V. Acórdão, o E. TRF da 2a Região houve por confirmar a r. Sentença que havia denegado a segurança embora mantendo os efeitos da liminar inicialmente concedida à Impugnante para efeito de afastar o direito da Impugnante ao ressarcimento e compensação de créditos de IPI acumulados em Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 760 17 razão da aquisição de insumos tributados utilizados na fabricação de produtos não tributados na saída, tanto no período anterior quanto no período de vigência do art. 11 da Lei n° 9.779/1999. oooo. Portanto, a partir do V. Acórdão acima cessaram os efeitos da medida liminar que reconhecera, em um primeiro momento, o direito da Impugnante aos créditos de onde a decisão de proceder à sua baixa do Ativo. pppp. Uma vez que, como demonstrado, o valor do crédito de IPI havia impactado positivamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no momento de sua contabilização, a despesa referente à sua baixa do Ativo é, evidentemente, dedutível para fins de apuração do Lucro Real. qqqq. Portanto, resta demonstrado que a Impugnante procedeu corretamente ao proceder à dedução dos valores atinentes ao crédito de IPI contabilizado nas contas do Ativo 124144 ("IPI/PER/DCOMP") e 124115 ("IPI A RECUPERAR") quando da baixa de tais créditos do ativo contra resultado. DO PEDIDO rrrr. Diante do exposto, a Impugnante requer que V.Sas, se dignem de: 1) quanto ao Item "1" do AIIM, acolher a preliminar de NULIDADE, uma vez que a metodologia da Fiscalização é claramente insuficiente para demonstrar a suposta exclusão indevida da base de cálculo, uma vez que a Fiscalização está comparando as exclusões informadas no cálculo original pelo valor bruto das contas de provisão, ao passo que, na nova apuração informada pela Impugnante à Fiscalização (05/05/2016), estes valores foram informados pelo seu saldo patrimonial líquido. Logo, não há nenhum sentido na metodologia empregada pela Fiscalização, que, por sinal, considera, isoladamente, o valor das exclusões, sem levar em conta o valor das adições informadas no segundo cálculo (05/05/2016), que, conforme reconheceu o Sr. Agente Fiscal, está coerente com o balancete anual apresentado à Fiscalização; ssss. 2) Subsidiariamente, deve ser reconhecida a improcedência do Item "1", pois a Impugnante provou, por meio da nova apuração apresentada em 05/05/2016, que não foi verificado valor devido de IRPJ/CSLL ao final do anocalendário de 2011, mas, tão somente, um prejuízo fiscal/base negativa em valor ligeiramente inferior ao quanto havia sido informado na DIPJ; tttt. 3) Caso assim não se entenda o que se admite apenas para argumentar requer a Impugnante que o julgamento seja convertido em diligência, a fim de que a Fiscalização possa realizar nova auditoria do novo cálculo apresentado pela Impugnante em 05/05/2016, à luz dos esclarecimentos constantes da presente Impugnação; uuuu. 4) Quanto ao Item "2" do AIIM, reconhecer a sua flagrante improcedência, pois a Fiscalização se equivocou Fl. 768DF CARF MF 18 quanto à exigência de adição de conta contábil que, na verdade, se refere a Variação Cambial já realizada e, portanto, dedutível do Lucro Real, uma vez que a Impugnante é optante peio regime de caixa; vvvv. 5) Quanto ao Item "3" do AIIM, reconhecer a sua NULIDADE, pois a própria Fiscalização reconhece que não produziu provas da suposta não adição do valor da "receita" correspondente ao crédito de IPI contabilizado no Ativo prova esta cujo ônus lhe incumbia, por se tratar de circunstância que implica em omissão de resultado e redução do montante do Imposto devido. Por outro lado, é também, claramente, improcedente o Item "3", pois a presunção da Fiscalização não possui embasamento lógico ou legai, sendo que, como demonstrado pela Impugnante, ao contabilizar o crédito de IPI no ativo, o valor do Custo dos Produtos Vendidos (CPV) foi reduzido o que significa dizer que o valor do crédito de IPI foi, sim, adicionado ao Lucro Real em um primeiro momento. Logo, é justa a dedução do valor correspondente à baixa deste ativo quando de sua conversão em despesa, para fins de anulação do seu efeito fiscal. wwww. Protesta a Impugnante provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, bem como pela juntada de outros documentos aptos à comprovação de suas alegações após a apresentação da presente defesa o que se justifica em atenção aos Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado que devem permear o Processo Administrativo Fiscal. 5. Às fls. 613/614 consta despacho proferido por esta 2ª Turma da DRJ/Curitiba, em 26/06/2017, solicitando diligência à DRF de origem. Relatouse que a fiscalização glosou R$ 38.881.921,88 a título de exclusões indevidas, R$ 4.475.379,96 a título de Variação Cambial Passiva, e R$ 11.251.599,48 a título de estorno de crédito de IPI. Foi feito um resumo dos principais argumentos formulados na impugnação, e foi solicitado que a autoridade fiscal: i) analizasse as alegações resumidas; ii) pronunciasse quanto a essas alegações; iii) demonstrasse eventuais correções a serem feitas no lançamento. 6. A diligência foi cumprida, conforme Relatório de Diligência de fls. 622/626, lavrado em 20/02/2018. 7. O contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 673/696, assim resumidas: ITEM (I) – Glosa das Exclusões – Diferentes Metodologias para o Cálculo das Provisões – Demonstração de que o Uso das Diferentes Metodologias Gera o Mesmo Resultado – Consideração de Todas as Contas de Provisão. a. No auto de infração, a Fiscalização constatou que, no cálculo original, havia exclusões em montante total de R$ 48.779.947,59, ao passo que, na nova apuração do Lucro Real apresentada pela Impugnante em 2016, passou a existir somente uma exclusão em valor de R$ 9.898.025,71 (correspondente ao ajuste de equivalência patrimonial). Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 761 19 b. Tal constatação levou a Fiscalização a concluir – de forma precipitada, com a devida vênia – que a diferença entre as exclusões apontadas nos dois cálculos (ou seja, R$ 48.779.947,59 – R$ 9.898.025,71 = R$ 38.881.921,88) corresponderia, supostamente, a exclusões realizadas de forma indevida. Para que se possa mais facilmente realizar a comparação entre os dois cálculos, foram elaboradas as planilhas abaixo: c. Em sua defesa Defesa Administrativa, a Impugnante demonstrou que, na apuração do Lucro Real que originalmente embasou a DIPJ/2012 e na nova apuração informada pela Impugnante à Fiscalização em 05/05/2016, foram utilizados diferentes critérios para a informação das provisões, sendo que, no que se refere ao segundo cálculo (05/05/2016), as provisões foram adicionadas ao Lucro Real pelo seu valor líquido, ao passo que, no primeiro cálculo, que embasou a DIPJ/2012, havia sido levado em consideração o valor acumulado das contas patrimoniais (isto é: adicionouse o saldo acumulado das contas patrimoniais de provisão encontrado ao final do período, 31/12/2011 e excluiuse o saldo encontrado no início do período, 01/01/2011, o qual havia sido adicionado ao Lucro Real do ano anterior: 2010). d. Ambos os métodos possuem embasamento legal no art. 247, §2º, do RIR/IR, bem como representam o mesmo impacto fiscal. Tanto que a diferença líquida entre as adições e exclusões que se verificam entre a DIPJ e a nova apuração do Lucro Real informada pela Impugnante à Fiscalização em 05/05/2016 é de grandeza muito semelhante (abstraídas algumas reconhecidas diferenças, que foram corrigidas pela Impugnante no segundo cálculo, apresentado em 05/05/2016). e. Neste sentido, foi demonstrado na Impugnação que as aparentes divergências entre os dois cálculos se devem, majoritariamente, ao diferente método utilizado para seu controle, porém, o efeito fiscal foi o mesmo, como já referido. f. Por óbvio, para que não se gere distorções, é imperioso que as provisões adicionadas ou excluídas sejam analisadas em conjunto e se sujeitem ao mesmo método. Ocorre que, no presente caso, o Fisco acabou por comparar o valor de exclusões indicado no segundo cálculo (R$ 9.898.025,71 – apurado com base no saldo patrimonial líquido) com o valor de Fl. 770DF CARF MF 20 exclusões indicado no primeiro cálculo (R$ 48.779.947,59, apurado com base no valor acumulado das contas patrimoniais). g. Além disso, o raciocínio do Fisco considera, isoladamente, as exclusões indicadas na nova apuração do Lucro Real, sem levar em conta o valor de adições informado no novo cálculo (05/05/2016). Ou seja, utiliza um método de cálculo das adições diverso das exclusões, gerando as distorções acima apontadas. h. Diante do patente erro na metodologia adotada pela Fiscalização, o feito foi convertido em diligência, contudo, a Autoridade Fiscal, ainda assim continuou cometendo alguns equívocos. Em primeiro lugar, foi, equivocadamente, dito no relatório fiscal que a Impugnante reduziu o montante das exclusões do ajuste referente ao resultado apurado em 31.12.2011 de R$ 48.779.947,59 para R$ 9.898.025,71, e que as provisões contidas nas exclusões eram: i) provisão para variação cambial ativa no valor de R$ 5.071.877,81; ii) provisão de contingências no valor de R$ 828.680,32; iii) Outras provisões no valor de R$ 26.051.914,08; TOTAL: R$ 31.952.472,21 i. Todavia, como já exaustivamente exposto, a Impugnante não reduziu, simplesmente, as suas exclusões como equivocadamente afirma o Fisco. Na realidade, como já dito, a diferença entre os referidos montantes se refere, especialmente, à metodologia utilizada pela Impugnante para o cálculo de suas provisões no primeiro e segundo cenários. j. Além disso, como já exposto, em 2016, a Impugnante realizou alguns ajustes na apuração do seu Lucro Real em consonância com os seus demonstrativos contábeis e os preceitos da legislação fiscal. Neste sentido, mesmo que a Impugnante houvesse adotado a mesma metodologia para a apuração das suas provisões de acordo com o critério adotado na DIPJ/2012, o valor apurado a título de exclusões seria ligeiramente diferente dos citados R$ 48.779.947,59. k. Com efeito, utilizandose a metodologia para o cálculo dos ajustes das provisões de acordo com o mesmo critério utilizado na DIPJ/12, seria possível resumir o valor total dos ajustes do referido período (adições e exclusões) de acordo com o quadro abaixo: Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 762 21 l. O quadro acima foi elaborado para a demonstração da apuração do Lucro Real, de acordo com a mesma metodologia utilizada na DIPJ/2012, contudo, considerando os ajustes realizados na nova apuração apresentada em 2016, de acordo com o balancete juntado aos autos do processo. m. De acordo com o demonstrativo acima, elaborado com base nos balancetes apresentados à Fiscalização e constantes dos autos do processo, verificamse ajustes de exclusões no montante de R$ 41.653.015,60 e não de R$ 48.779.947,59. Frisese que tal demonstrativo foi elaborado com a finalidade de possibilitar a comparação de cenários dentro de uma mesma sistemática de apuração de ajustes do Lucro Real. Contudo, devese destacar que a mera alteração do método de evidenciação dos ajustes não gera quaisquer efeitos na apuração do Lucro Real, consoante verificase dos quadros comparativos abaixo: n. Conforme se depreende dos resumos acima, o valor do prejuízo apurado é o mesmo nas duas situações. A única diferença entre eles é que, no primeiro, os ajustes de provisão foram informados de acordo com o método de adição e exclusão dos saldos das contas patrimoniais e o segundo foi elaborado de acordo com o método do saldo líquido de movimentação do período. o. Ainda, para que não restem dúvidas a respeito da correta apuração do Lucro Real pela Impugnante, é imperioso esclarecer que os ajustes de variação cambial não realizada foram considerados líquidos por ocasião da reapresentação dos cálculos de apuração do Lucro Real em 2016, resultando numa Fl. 772DF CARF MF 22 adição de R$ 38.225.147,00. Ao passo que no demonstrativo ora apresentado, foi realizado o referido ajuste por meio da adição de R$ 43.297.025,00 e da exclusão no valor de R$ 5.071.877,81, resultando no mesmo efeito positivo líquido na apuração do Lucro Real de R$ 38.225.147,00. p. Ressaltese que referido ajuste da conta de variação cambial foi expressamente considerado como correto pela digníssima Fiscalização, conforme abaixo: q. Ademais, para facilitar a compreensão do acima exposto, a Impugnante requer a juntada dos demonstrativos anexos, elaborados com base nos balancetes juntados aos autos (docs. anexos). Nova Apuração do Lucro Real, informada durante a Fiscalização (05/05/2016) r. Apesar dos mencionados equívocos, a Fiscalização não se limitou a considerar como exclusão indevida a diferença entre R$ 48.779.947,59 e R$ 9.898.025,71, assim como o fez o Fisco quando da lavratura do auto de infração. s. Com efeito, na manifestação fiscal ora em comento, a Autoridade Fiscal passou a verificar as contas de provisão constantes do balancete da Impugnante, para então apurar o valor das exclusões que seriam permitidas e das adições que deveriam ser feitas. t. Devese ressaltar que, ao fazer a abertura das contas de provisão mencionadas pela Fiscalização, para apurar o valor das exclusões e adições, a Autoridade Fiscal utilizou um terceiro método de cálculo, diverso dos dois métodos anteriormente mencionados e utilizados pela Impugnante. Nos cálculos ora elaborados pela Autoridade Fiscal, não foi utilizado o método de adição ao Lucro Real pelo valor líquido das contas de provisão, nem se adicionou o saldo acumulado das contas patrimoniais de provisão encontrados ao final do período, excluindose o saldo no início do período. u. Como dito, a Autoridade Fiscal utilizou um terceiro método, no qual foram apuradas, mês a mês, as constituições e reversões das provisões, considerando como passível de exclusão as reversões e como exigível de adição as constituições. v. Vejase a conta 227101005 – Provisão para Contingências, utilizada pela Fiscalização no termo de diligência ora em comento: w. O mesmo foi realizado em relação à conta contábil 215102099 – Outras Provisões: x. Ao final, tendo em vista as contas contábeis de provisão acima mencionadas, a Autoridade Fiscal conclui que seria possível uma exclusão total de Reversão de Provisões Constituídas (acima destacadas em vermelho), no valor de R$ 15.969.979,45. y. Neste ponto, é importante destacar um pequeno equívoco na conclusão da Autoridade Fiscal. Como dito, o valor total de Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 763 23 exclusão de R$ 15.969.979,45, aceito pela Fiscalização, é composto pelas Reversões de Provisões Constituídas das duas contas contábeis acima referidas. Todavia, o valor R$ 15.969.979,45 está incorreto, uma vez que a soma das Reversões de Provisão Constituída constantes das planilhas elaboradas pela própria Fiscalização (R$ 13.147.342,80 + R$ 4.812.694,72) perfaz o valor de R$ 17.960.037,52. z. O equívoco do Fisco se dá pelo fato de que acabou considerando o valor incorreto das Reversões de Provisão Constituída para a conta contábil 215102099 – Outras Provisões. Com efeito, ao invés de o Fisco considerar o valor das Reversões de Provisão Constituída de R$ 4.812.694,72, considerou, equivocadamente, o saldo líquido entre as reversões de provisão (R$ 4.812.694,72) e as constituições de provisão (R$ 7.635.331,37), chegando ao equivocado valor de R$ 2.822.636,65. aa. Neste sentido, ainda que não sejam acolhidos os argumentos sobre o valor total das exclusões, que a Impugnante passará a expor, é imperioso que Ilustre Delegacia de Julgamento reconheça, desde logo, o valor de exclusão de R$ 17.960.037,52 e não de R$ 15.969.979,45, tendo em vista o patente equívoco acima mencionado. bb. Em outro giro, conforme passará a Impugnante a demonstrar, independentemente do método que se utilize para a contabilização das provisões, o resultado deve ser sempre o mesmo, contanto que se faça isso de forma coerente. cc. Ou seja, o fato de a Fiscalização ter utilizado um terceiro método de contabilização das provisões (com base na soma das constituições e das reversões de provisão), não altera em nada o resultado do ajuste final das provisões. dd. Utilizandose o método da própria Fiscalização para a conta contábil 227101005 – Provisão para Contingências, verificase que o Fisco considerou como objeto de exclusão o valor total das reversões de provisão no montante de R$ 13.147.342,80, e, como objeto de adição as constituições de provisão no valor total de R$ 23.626.617,82. No final das contas, a diferença entre as reversões (exclusões) e as constituições (adições) é um reflexo positivo líquido no Lucro Real de R$ 10.479.275,02 (R$ 23.626.617,82 R$ 13.147.342,80). Vejase o quadro explicativo abaixo: Fl. 774DF CARF MF 24 ee. Caso a Autoridade Fiscal houvesse utilizado o método de adição do saldo acumulado das contas patrimoniais de provisão encontrado ao final do período, em 31/12/2011, e exclusão do saldo encontrado no início do período, 31/12/2010, teria considerado a exclusão do saldo inicial da conta no montante de R$ 16.272.098,90 e adicionado o saldo final da conta, no valor de R$ 26.751.373,92. O resultado líquido dessa conta seria exatamente o mesmo: R$ 10.479.275,02 (R$ 26.751.373,92 R$ 16.272.098,90). Vejase o quadro abaixo: ff. Por fim, caso a Autoridade Fiscal houvesse utilizado o método de adição ao Lucro Real pelo valor líquido da conta patrimonial, assim como a Impugnante fez em sua reapuração do Lucro Real apresentada em 2016, simplesmente teria adicionado o valor líquido de R$ 10.479.275,02, sem informar qualquer tipo de exclusão. Vejase o quadro demonstrativo abaixo: Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 764 25 gg. Como se vê, independentemente do método que se utilize, o resultado é absolutamente o mesmo para efeito de apuração do Lucro Real. A única diferença é que no método de adição ao Lucro Real pelo valor líquido da conta patrimonial, não se informa qualquer a exclusão, mas somente a adição líquida da conta. hh. Neste sentido, se a utilização dos diferentes métodos não gera qualquer diferença na apuração do Lucro Real, a questão que surge é: por qual razão o valor apurado na diligência Fiscal para as exclusões (R$ 15.969.979,45) não está de acordo com o montante das exclusões apurado pela Impugnante? ii. A razão dessa divergência reside, principalmente, no fato que a Autoridade Fiscal utilizou somente duas contas contábeis para o cálculo das provisões e não as demais contas constantes do balancete. Com efeito, na diligência fiscal, o Fisco utilizou somente as contas 227101005 – Provisão para Contingências e conta contábil 215102099 – Outras Provisões, conforme acima exposto. Caso a Autoridade Fiscal houvesse utilizado as demais contas constantes do seu balancete, certamente teria apurado o valor correto das provisões. jj. Com efeito, a Autoridade Fiscal deveria ter considerado não somente as contas acima, mas também as contas referidas no quadro abaixo: kk. Caso a Autoridade Fiscal houvesse considerado também as 5 contas contábeis não analisadas e acima referidas, teria Fl. 776DF CARF MF 26 apurado um resultado de ajuste positivo, por meio do método do saldo líquido das contas de provisão no valor positivo de R$ 14.245.225,57. Frisese que este é o exato montante informado pela ll. Impugnante em sua apuração apresentada em 2016, a título de “5.01 Provisões não Dedutíveis – Custos”. mm. Ao apurar as referidas contas, caso a Autoridade Fiscal houvesse utilizado o método de adição e exclusão dos saldos acumulados das contas patrimoniais, teria apurado a exclusão no valor de R$ 26.683.112,08 e adição de R$ 40.928.337,65, o que resultaria no mesmo efeito positivo líquido na apuração do Lucro Real de R$ 14.245.225,57. nn. Por fim, caso a Autoridade Fiscal houvesse utilizado o método de adição e exclusão das constituições e reversões das provisões, para todas as contas contábeis acima referidas, e não somente para as duas contas efetivamente utilizadas, teria apurado a exclusão de R$ 33.416.028,32 (reversões) e adição de R$ 47.661.250,81 (constituições), o que também resultaria no mesmo efeito positivo na apuração do Lucro Real de R$ 14.245.225,57 oo. Foi elaborado o quadro demonstrativo abaixo, com base nos balancetes da Impugnante, para a comparação entre os três métodos acima referidos: pp. Para demonstrar a composição dos saldos de acordo com cada um dos três métodos, utilizaremos, de forma exemplificativa duas outras contas patrimoniais retiradas dos balancetes: 215102099 – Outras Provisões qq. Utilizandose o método de saldos líquidos, verificase somente uma adição no valor de R$ 2.822.636,65, sem qualquer tipo de exclusão. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 765 27 rr. Empregandose o método de adição e exclusão dos saldos acumulados das contas patrimoniais, seria possível verificar a adição de R$ 4.887.537,23 e a exclusão de R$ 2.064.900,58, o que resultaria no mesmo efeito positivo líquido de R$ 2.822.636,65. ss. Por fim, caso fosse utilizado o método de adição e exclusão das constituições e reversões, seria apurada a adição de R$ 7.635.331,37 e a exclusão de R$ 4.812.694,72, o que também resultaria num efeito positivo líquido de R$ 4.887.537,23: Fl. 778DF CARF MF 28 214201099 – Provisão Outros GastosGerais tt. Utilizandose o método de saldos líquidos, verificase somente uma adição no valor de R$ 222.307,08, sem qualquer tipo de exclusão. uu. Empregandose o método de adição e exclusão dos saldos acumulados das contas patrimoniais, seria possível verificar a adição de R$ 1.213.231,49 e a exclusão de R$ 990.924,41, o que resultaria no mesmo efeito positivo líquido de R$ 222.307,08. vv. Por fim, caso fosse utilizado o método de adição e exclusão das constituições e reversões, seria apurada a adição de R$ 15.033.679,10 e a exclusão de R$ 14.811.372,02, o que também resultaria num efeito positivo líquido de R$ 222.307,08. ww. Como se vê, independentemente do método que se utilize para a evidenciação dos ajustes das provisões, o resultado é sempre o mesmo, contato que se utilize todas as contas contábeis de provisão de maneira coerente conforme acima exposto. xx. Para facilitar o trabalho de análise da digníssima Fiscalização, a Impugnante elaborou demonstrativos, nos mesmos termos acima expostos, para cada uma das contas de provisão acima mencionadas, constantes do seu balancete, bem como planilha com a simulação comparativa dos efeitos da adoção de cada um dos métodos acima detalhados e seus reflexos (docs anexos). Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 766 29 yy. O resumo dos resultados pode ser conferido no quadro abaixo: zz. Por todo exposto, restando demonstrado que a Impugnante efetuou os ajustes de provisão de forma absolutamente correta, deve ser cancelada a cobrança do auto de infração no que se refere a este ponto. ITEM (III) – Suposta Falta de Adição no Ajuste Baixa do Crédito de IPI do Ativo Contra Resultado – Ausência de Comprovação da Exclusão da Receita Relativa ao Crédito de IPI em 2004 – Impossibilidade de se Presumir tal Exclusão. aaa. Conforme abordado na Impugnação, no auto de infração a Fiscalização questiona o fato de que a Impugnante transferiu ao resultado uma despesa atinente à baixa do ativo referente ao crédito de IPI que havia sido anteriormente registrado, com fundamento em decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 2004.51.010.044738, em trâmite perante a Justiça Federal da Subseção Judiciária do Rio de Janeiro. bbb. Alega a Fiscalização que o valor atinente a este crédito teria sido originalmente contabilizado pela Impugnante em Contas do Ativo (124144 – “IPI/PER/DCOMP” e 124115 – “IPI A RECUPERAR”), e que a Impugnante teria, supostamente, constituído uma suposta “provisão de receita” – referente à expectativa de direito existente com base no Processo Judicial. ccc. Seguindo essa linha de raciocínio, a Fiscalização presumiu que a suposta “provisão de receita” não teria sido adicionada ao resultado no momento de sua suposta constituição, e que, portanto, a Impugnante não poderia transferir para o resultado a despesa referente à baixa do ativo em questão. ddd. Além disso, a própria Fiscalização reconheceu que não produziu provas de que o valor atinente ao crédito de IPI contabilizado no ativo teria sido supostamente excluído do lucro real eee. Em sua peça de defesa, a Impugnante demonstrou, conceitualmente, o erro da premissa do Sr. Agente Fiscal, uma vez que o registro do crédito de IPI em conta do ativo em um Fl. 780DF CARF MF 30 momento inicial, em verdade, indica que o valor atinente ao crédito de IPI foi tributado pelo IRPJ e pela CSLL por ocasião de sua constituição. fff. Isso porque, como demonstrado na defesa, o valor do IPI é contabilizado em Conta do Ativo (“IPI a recuperar”), enquanto o valor registrado em estoques é contabilizado sem inclusão do IPI. ggg. Logo, o Custo dos Produtos Vendidos (CPV) não incluiu o valor do IPI recuperável e, por conseguinte, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é impactada positivamente pela escrituração do IPI em Conta do Ativo – o que significa dizer que, ao contrário do que presumiu a Fiscalização, o valor do crédito de IPI foi tributado no momento em sua constituição como ativo, e, portanto, é correta a dedução da despesa atinente à baixa deste ativo. hhh. Em sua defesa, a Impugnante apresentou algumas situações exemplificativas da contabilização do IPI. Vejase a NF nº 7777, referente à entrada de insumos para industrialização contabilizada em 09/03/2011, cujo valor destacado a título de IPI é de R$ 3.850,56. iii. O valor do IPI (R$ 3.850,56) é contabilizado em Conta do Ativo (112403001 – IPI a Recuperar): jjj. A despesa relativa a esta NF nº 7777 (pagamento de fornecedores) é registrada em Conta do Passivo (Outras Contas a Pagar – 214201099), com o valor de R$ 29.520.96: Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 767 31 kkk. Porém, o valor contabilizado na Conta de Estoques (911101001) aparece sem o valor dos tributos Recuperáveis, ou seja: R$ 29.520.96. () ICMS (R$ 3.080,45) () IPI (R$ 3.850,56) () PIS (R$ 423,57) () COFINS (R$ 1.950.95) = R$ 20.215,43 lll. Observese que este valor de R$ 20.215,43, líquido dos tributos recuperáveis, foi transferido ao Resultado do Exercício (Conta 91101001 – Resultado do Exercício): mmm. Assim, por meio do referido exemplo, foi comprovado que contabilização do crédito de IPI como ativo, em verdade, impactou positivamente o resultado tributável do respectivo ano calendário. nnn. Tendo em vista a comprovação realizada pela Impugnante a respeito da contabilização do valor do IPI – nos termos cima expostos – a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal verificasse se a contabilização em questão estava correta. ooo. No termo de diligência, ao invés de a Autoridade Fiscal fazer tal verificação, limitouse a repetir exatamente o mesmo entendimento formulado no auto de infração, presumindo que a Impugnante, muito possivelmente, teria excluído a receita atinente ao crédito de IPI. Vejase abaixo: ppp. Como se vê, a Autoridade Fiscal continua presumindo uma contabilização completamente equivocada e absurda do IPI, e que não reflete a realidade das apurações da Impugnante, conforme acima demonstrado. Fl. 782DF CARF MF 32 qqq. A Fiscalização não prova que a Impugnante contabilizou o IPI de forma equivocada, simplesmente faz uma presunção que não possui previsão legal nem embasamento documental. rrr. Se o Fisco acredita que a Impugnante excluiu a receita atinente ao crédito de IPI para efeito de apuração do seu Lucro Real, deveria ter produzido essa prova e não ter simplesmente reiterado o equivocado entendimento firmado no auto de infração. sss. Vejase que a presunção fiscal é tão desarrazoada que acaba por impor a Impugnante a produção de uma prova impossível de um fato negativo “não exclusão da receita atinente ao crédito de IPI para efeito de apuração do Lucro Real”, o que não se pode admitir. DO PEDIDO ttt. Por todo o exposto, restando demonstrados os equívocos cometidos no termo de diligência e a improcedência do Auto de Infração, deve ser ele integralmente cancelado, nos termos acima expostos. uuu. Caso esta C. Delegacia de Julgamento entenda necessária a apreciação dos demonstrativos e alegações da Impugnante pela Autoridade Fiscal, requer seja o feito convertido em diligência, retornando os autos para que a Autoridade Fiscal aprecie os argumentos e demonstrativos da Impugnante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerando o valor exonerado pelo acórdão recorrido, efetivou a remessa necessária do Recurso de Ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório." Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc. Reproduzo as razões do voto apresentadas pelo relator originário na minuta entregue eletronicamente à secretaria do CARF na ocasião do julgamento, in verbis: "De acordo com artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de setembro de 2017, "O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00", sendo assim, existindo esse requisito de admissibilidade e conhecimento do Recurso de Ofício. De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do Recurso de Ofício: Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 768 33 9. Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativos ao ano calendário de 2011. 10. A impugnação foi apresentada, às fls. 539/574, em 03/10/2016. O recurso é tempestivo, já que a ciência deuse em 16/09/2016, conforme AR de fl. 535. Dessa forma, conheço da impugnação. Preliminar. Nulidade. 11. Preliminarmente, o contribuinte pugna pela nulidade dos lançamentos. Entende que a metodologia da Fiscalização é claramente insuficiente para demonstrar a suposta exclusão indevida da base de cálculo, uma vez que a Fiscalização está comparando as exclusões informadas no cálculo original pelo valor bruto das contas de provisão, ao passo que, na nova apuração informada pela Impugnante à Fiscalização (05/05/2016), estes valores foram informados pelo seu saldo patrimonial líquido. Conclui que não há nenhum sentido na metodologia empregada pela Fiscalização, que, por sinal, considera, isoladamente, o valor das exclusões, sem levar em conta o valor das adições informadas no segundo cálculo (05/05/2016), que, conforme reconheceu o Sr. Agente Fiscal, está coerente com o balancete anual apresentado à Fiscalização. 12. Cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). 13. Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no lançamento não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 14. No caso, todas as alegações se referem ao mérito do litígio, que passo a apreciar. Mérito. Custos/despesas indedutíveis. Exclusões indevidas. Fl. 784DF CARF MF 34 15. A presente ação fiscal foi inaugurada pelo Termo de Início de fls. 06/07, pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar livros e documentos fiscais dos anoscalendário 2010 e 2011. 16. Pelo Termo de Intimação de fls. 135/137, a fiscalização solicitou explicações acerca do valor informado na linha 34 das fichas 05A e 05D da DIPJ 2012, referente a 'Outras Despesas Operacionais', no montante de R$ 30.189.664,11, e do valor informado na linha 78 da ficha 09A, referente a 'Outras Exclusões' no montante de R$ 48.779.947,59. 17. Na resposta, às fls. 138/166, a fiscalizada trouxe os seguintes esclarecimentos: · Que a linha 34 das fichas 05A e 05D da DIPJ 2012 dizem respeito às despesas intituladas 'outras despesas operacionais', no valor total de R$ 30.189.664,11, conforme se verifica na planilha apresentada neste ato, o item 'outras despesas' compõe tudo que não está especificado nas outras linhas anteriores. · Que a fiscalizada computou as despesas necessárias para a sua atividade, referente à: mão de obra temporária, treinamentos, seguros, valetransporte, presentes, despesas com funcionários, energia elétrica, gás, correios, telefone, transportes e fretes, seguros, comissões, viagens de funcionários, material de escritório, materiais auxiliares de consumo, material de limpeza, revistas e publicações legais, uniformes, condução, conselho, preservação ao meio ambiente, contingências, despesas bancárias, impostos, licenciamento de veículos, doações, devedores duvidosos e provisões. · Que muito embora a fiscalizada tenha incluído nesta apuração as despesas com 'provisões', ao final da apuração do resultado do exercício ela adicionou esses montantes. · Que com respeito à linha 78 da ficha 09A da DIPJ 2012, tratase do item 'outras exclusões', no valor total de R$ 48.779.947,59. Conforme se verifica na planilha apresentada neste ato, o referido item é composto das exclusões que não estão dispostas nas linhas anteriores, contendo as exclusões referentes à variação cambial, participação nos lucros, equivalência patrimonial, reversão de provisões, dispêndios com pesquisas tecnológicas, auditoria, incentivo de vendas, atividades promocionais, contratos, marketing, fretes, bônus, materiais obsoletos e hedge. · Que apresenta planilha detalhada (em meio papel e em meio digital) demonstrando a composição da linha 34 das fichas 05A e 05D da DIPJ 2012, referente a 'Outras Despesas Operacionais'. · Que apresenta planilha detalhada (em meio papel e em meio digital) demonstrando a composição da linha 78 da ficha 09A da DIPJ 2012, referente a 'Outras Exclusões'. 18. Após analisar a documentação encaminhada, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação de fls. 176/178, solicitando informações das contas contábeis que deram origem às referidas deduções. A fiscalizada respondeu, às fls. 180/200, que: Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 769 35 · neste ato a fiscalizada apresenta arquivo Excel denominado de 'Base Consolidada' composto por duas abas que contém as informações solicitadas. · a aba denominada 'Base_2', fornece, para parte dos lançamentos, todos os dados requisitados como mínimos por essa fiscalização, inserindo na coluna k breve descrição do evento/serviço. · a aba denominada 'BaseJ' trata, em sua maioria, de provisões, contingências e lançamentos em folha de pagamento, motivo pelo qual não apresentamos neste ato o arquivo nos moldes do requerido pela fiscalização, mas que a fiscalizada entende atender as finalidades da fiscalização. · na aba denominada 'Base J', 97% do valor ali trazido se refere a duas contas especificas, quais sejam: 512705004 (Provisão para Contingências) e 512901038 (Outras Despesas Operacionais). Ressaltase que o montante de R$ 11.251.599,48 lançado na conta 512901038 se trata de estorno de crédito de IPI originado do Mandado de Segurança n.° 2004.51.010.04473 8, conforme comprovado com anexo nomeado 'DOC 2'. · apesar de ser solicitado pela fiscalização que a planilha em questão fosse apresentada em meio papel e digital, devido ao montante de informações envolvido, a NESTLÉ WATERS a fornece apenas em formato Excel e requer que a fiscalização se manifeste expressamente no sentido de entender necessário a entrega também em papel. · não foi possível, segundo a fiscalizada, dentro do prazo fornecido consolidar todas as informações necessárias para atendimento do item referente à planilha 'Ficha 09A Linha 78', nesse sentido, requer prazo adicional de 20 (vinte) dias para apresentar os documentos suporte, bem como a composição entre lançamentos contábeis e lançamentos fiscais. · apresenta Laudo Constitutivo, referente ao reconhecimento do beneficio fiscal da Redução do IR nos termos do Art. 13°, da Lei 4.239/1963, com nova redação dada pelo Art. 3o da Lei n.° 9.532/1997 e alterações posteriores, conforme Medida Provisória n.° 2.19914/2001 e o Decreto n.° 4.213/2002, e detalha as plantas incentivadas. 19. Nova intimação foi feita, às fls. 233/234, em que se buscou balancetes de verificação e memórias de cálculo. A empresa respondeu, às fls. 236/241 e 245/250, que: · Que apresenta documentação referente ao Mandado de Segurança n.° 2004.51.01.0044738 que sustenta o montante de R$ 11.251.599,48 lançado na conta 512901038, esclarecendo que não é possível fornecer Certidão de Objeto e Pé do mencionado processo em virtude de seu trânsito em julgado e baixa definitiva, conforme se comprova pelos documentos ora acostados. Fl. 786DF CARF MF 36 · Que apresenta neste ato balancete anual em versão Excel informando a ficha e a linha daDIPJ correspondente ao valor da conta contábil, bem como especificando os valores mensais acumulados mês a mês. · Que apresenta Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) dos anos de 2010 e 2011 em meio digital. · Que no ano de 2011 não houve a base tributável IRPJ, motivo pelo qual não se fez necessário a utilização de eventual beneficio do lucro da exploração. Assim, requeremos que a fiscalização esclareça se de fato entende necessário que apresentemos a Memória de Cálculo de todos os periodos do ano fiscalizado. · Que durante o decorrer desse procedimento fiscalizatório a Nestlé Waters identificou algumas inconsistências em sua escrita fiscal, motivo pelo qual as informações contidas na planilha 'Ficha 09 Linha 78' que foi anteriormente disponibilizada à fiscalização estão sendo analisadas. · Que requer prazo adicional até 05/05/2016 para que a Nestlé Waters forneça as informações sobre as eventuais inconsistências encontradas para que essas sejam devidamente corrigidas. · Que na data de 29/04/2011 a NESTLE expôs que havia identificado algumas inconsistências em sua escrita fiscal, motivo pelo qual requereu dilação de prazo até 05/05/2016 para que pudesse analisar criteriosamente as informações que constaram da DIPJ do anocalendário de 2011, especificamente quanto a sua Ficha 09, Linha 78. · Que desta forma, ao checar as informações entregues na referida DIPJ a Nestlé constatou incorreções que a fez recalcular o seu Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica e sua Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sendo que tais informações estão em consonância com o Balancete Anual entregue à fiscalização no dia 29/04/2016, conforme arquivo anexo (DOC 1). · Que no presente recalculo foram ajustados o Lucro Liquido antes da despesa do IRPJ e da CSLL, bem como, as adições e exclusões da base de cálculo do IRPJ e CSLL, da apuração do exercício de 2011. · Que a referida alteração não gerou qualquer diferença de IRPJ e CSLL a recolher aos cofres públicos, mas tão somente uma redução do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, os quais passam a ser de R$ 1.244.665,05 e R$ 1.826.450,77, respectivamente. 20. No Termo de Intimação de fls. 344/345, a autoridade fiscal questionou os seguintes pontos: a) Informar se além das contas de resultados 512704001 – Devedores Duvidosos, 512705004 Provisões para Contingências, 512705008 Provisões Diversas e 512905001 Contingência, a empresa utilizou, no ano calendário de 2011, outras contas de resultados para a constituição ou reversão de provisões indedutíveis; b) Na Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 770 37 planilha apresentada pela empresa sob intimação intitulada 'Cópia da Ficha 05A_05D Linha 34', a empresa indicou o valor de R$ 13.937.515,02 para a rubrica 512705004 Provisões para Contingências, ocorre que, de acordo com o SPED Contábil, a empresa apropriou ao Resultado do Exercício em dezembro de 2011 o valor de R$ 25.369.856,07 (vide extrato do Razão abaixo). Justificar a divergência encontrada; c) Considerando as informações prestadas pela empresa, em atendimento às intimações lavradas pela fiscalização, esclarecer a razão de ter sido apropriado como despesa (512901038 Outras despesas operacionais) o valor de R$ 11.251.599,48 (segundo informação prestada pela empresa sob intimação), a titulo de Estorno de crédito de IPI indevido, uma vez que, de acordo com a ementa do Recurso Especial N.° 1.276.625 RJ (2011/02138407), a empresa adquiriu o direito à manutenção dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados, utilizados na fabricação de produto final isento ou sujeito à alíquota zero, desde que surgidos no período posterior à vigência do Art. 11 da Lei n.° 9.779/99. 21. Na resposta (fls. 347/356), o contribuinte justificou nos seguintes termos: · a NESTLÉ WATERS informa que não se utilizou no ano de 2011 de outras contas de resultados além das já elencadas pela fiscalização, quais sejam as 512704001 – Devedores Duvidosos, 512705004 Provisão para Contingências, 512705008 Provisões Diversas e 512905001 Contingências. · Analisando a divergência apontada pela fiscalização entre o declarado no SPED e na DIPJ do período, constatamos que na realidade ela inexiste, vez que o saldo final da conta 512705004 Provisões de Contingências é de R$ 13.937.515,02, em consonância com a Ficha 05A_05D Linha 34 da DIPJ. Como se nota na própria imagem no SPED anexada pela fiscalização no Termo de Intimação, consta, como encerramento do exercício, o valor de R$ 25.369.856,07 a crédito e R$ 11.432.341,05 a débito, resultando no saldo de RS 13.937.515,02. · no ano de 2004 a EMPRESA DE AGUAS SÃO LOURENÇO, atualmente sob denominação NESTLÉ WATERS BRASIL BEBIDAS E ALIMENTOS LTDA., impetrou o Mandado de Segurança n.° 2004.51.010.044738 perante a Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro visando: a) garantir o direito aos créditos de IPI pagos na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes (águas minerais naturais 2201.10.00); b) a autorização para compensação dos créditos com débitos de outros tributos federais; · a correção monetária dos créditos de IPI a serem tardiamente apropriados. · Entre a propositura da ação e a sentença, a NESTLÉ WATERS ingressou com diversos pedidos de restituição junto à Receita Federal do Brasil, totalizando o valor de R$ 6.017.811,52, Fl. 788DF CARF MF 38 alocados na conta 124144 IPI/PERDCOMP, conforme relação anexada na resposta. · além do valor supramencionado que foi objeto dos pedidos de restituição apresentados pela NESTLÉ WATERS à Receita Federal do Brasil, havia no final de 2011 o montante de R$ 5.233.787,96 na conta 124115 IPI A RECUPERAR, referente também a créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. · no final de 2009 foi proferida decisão judicial desfavorável à NESTLÉ WATERS, sendo interposto Recurso Especial que permaneceu pendente de julgamento até o ano de 2012. · a NESTLÉ WATERS, em dezembro de 2011, analisando seu saldo de contas diante do cenário judicial desfavorável, optou por neutralizar o registro contábil do ativo, vez que tais valores que estavam contabilizados não contavam com possibilidade efetiva de realização naquele momento, motivo o valor total de R$ 11.251.599,48 (conta 124144 + conta 124115) foram transferidos para o resultado (conta 512901038). 22. Ao final da auditoria, a fiscalização apurou “custos/despesas” indedutível de R$ 15.726.979,44 e “exclusões indevidas” de R$ 38.881.921,88. Justificou o lançamento com os seguintes fundamentos: · Em 01/03/2016 (item 5, letra b) a fiscalizada foi intimada a apresentar todos os documentos de suporte que permitiram a exclusão, do lucro real, dos valores ali descritos, efetuando a composição entre lançamentos contábeis (débito e crédito) e lançamentos fiscais (adições e exclusões) mesmo que tais lançamentos tenha influenciado a apuração do IRPJ e CSLL em períodos distintos do ano de 2011. · Em 29/04/2016 (item 11, letra e) a fiscalizada informou que durante o decorrer desse procedimento fiscalizatório a Nestlé Waters identificou algumas inconsistências em sua escrita fiscal, motivo pelo qual as informações contidas na planilha 'Ficha 09 Linha 78' que foi anteriormente disponibilizada à fiscalização estavam sendo analisadas. · Em 05/05/2016 (item 12 letras b,c) a fiscalizada informou que ao checar as informações entregues na DIPJ 2012 a mesma constatou incorreções que a fez recalcular o seu Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica e sua Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, sendo que tais informações estão em consonância com o Balancete Anual entregue à fiscalização no dia 29/04/2016. No recálculo foram ajustados o Lucro Liquido antes da despesa do IRPJ e da CSLL, bem como, as adições e exclusões da base de cálculo do IRPJ e CSLL, da apuração do exercício de 2011. Na data de 05/05/2016 a fiscalizada encaminha novo demonstrativo da apuração do Lucro Real correspondente a 31/12/2011 (parte A), no qual consta, agora, apenas a exclusão no valor de R$ 9.898.025.71 que corresponde aos Ajustes por Aumento de Valor de Investimentos Avaliados pelo Patrimônio Líquido. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 771 39 · Ou seja, a fiscalizada, após rever seus apontamentos contábeis/fiscais, verificou que todo aquele detalhamento correspondente ao valor de R$ 48.779.947,59 apresentado a esta fiscalização (item 16) ESTAVA ERRADO, e que o correto, na verdade, é apenas uma exclusão no valor de R$9.898.025.71. · Assim, considerandose o exposto nos itens 15 a 20. e com a concordância expressa da fiscalizada, não resta outra alternativa a esta fiscalização a não ser efetuar, de ofício, a glosa de exclusões indevidas no montante de R$ 38.881.921,88 (48.779.947,59 9.898.025,71). · O art. 30 da MP n..° 1.85810/1999 prevê, para fins fiscais, a apuração das variações cambias (Ativas e Passivas) pelo regime de caixa e não competência. Nesse sentido, o contribuinte deverá adicionar o valor da variação cambial passiva apropriada ao resultado contábil (competência), para tanto deverá informar na Linha 12 Var. Cambiais Passivas (MP n..° 1.85810/1999, art. 30), da Ficha 09A da DIPJ 2012 o mesmo valor informado na Linha 45 () Variações Cambiais Passivas, da Ficha 07A da DIPJ 2012, devendo excluir somente o montante efetivamente liquidado no período. · Voltando ao presente caso, entendemos que a adição identificada pelo fiscalizado como Variação Cambial Regime Caixa' tratase, na realidade, de Variação Cambial Passiva, uma vez que no primeiro Lalur encaminhado (item 2) é informado como Variação Cambial Passiva. Dentro desse entendimento, e considerandose que o contribuinte usou o regime de caixa, para fins de reconhecimento das Variações Cambiais, verificase que nessa recomposição dos valores das adições, o valor adicionado a titulo de Variação Cambial Passiva Regime de Caixa, no montante informado de R$ 38.225.147,19, não guarda correspondência com o valor apropriado ao resultado contábil, constante no Balancete Anual entregue à fiscalização no dia 29/04/2016, cujo montante é R$ 42.918.844,48 (contas 513202999 e 513203999), valor este que guarda correspondência com o valor informado na Linha 45 () Variações Cambiais Passivas, da Ficha 07A da DIPJ 2012, a saber: RS 42.949.089,05. · Assim, se ajustarmos o valor correspondente à adição da Variação Cambial Passiva Regime Caixa para R$ 42.918.844,48, e tomandose como correto o valor adicionado a título de Custos e Despesas Não Dedutíveis, teremos como valor adicionado a titulo de Provisões não Dedutíveis Custos o montante de RS 9.551.528,89 (55.709.904,04 42.918.844,48 3.239.530,67). · Pelo exposto nos itens 22 a 30. e considerandose que a despesa com a constituição de provisões apropriada ao resultado contábil apurado em 31/12/2011 foi R$ 14.026.908,85 (item 25), temos que a fiscalizada deixou de adicionar no ajuste efetuado em 31/12/2011 o valor de RS 4.475.379.96 (14.026.908,85 9.551.528,89). Fl. 790DF CARF MF 40 · Com relação à rubrica Outras Despesas Operacionais, no valor de 11.251.599,48 (item 23) a fiscalizada informa (item 6, letra d) que o montante de R$ 11.251.599,48 lançado na conta 512901038 (Outras Despesas Operacionais) se trata de estorno de crédito de IPI originado do Mandado de Segurança n.° 2004.51.010.044738, conforme comprovado com anexo nomeado 'DOC 2'. · Foi informado a esta fiscalização (item 14, letra c) que no ano de 2004 a EMPRESA DE ÁGUAS SÃO LOURENÇO, atualmente sob denominação NESTLE WATERS BRASIL BEBIDAS E ALIMENTOS LTDA., impretrou o Mandado de Segurança n.° 2004.51.010.044738 perante a Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro visando: a) garantir o direito aos créditos de IPI pagos na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes (águas minerais naturais 2201.10.00); b) a autorização para compensação dos créditos com débitos de outros tributos federais; c) a correção monetária dos créditos de IPI a serem tardiamente apropriados. · Segundo a fiscalizada (item 14, letra d) entre a propositura da ação e a sentença, a NESTLÉ WATERS ingressou com diversos pedidos de restituição junto à Receita Federal do Brasil, totalizando o valor de R$ 6.017.811,52, alocados na conta 124144 IPI/PERDCOMP, conforme relação anexada na resposta. Podemos verificar, portanto, que a fiscalizada reconheceu em seu ativo a expectativa de direito ao crédito de IPI objeto da ação judicial, tendo sido utilizado parte desse valor (R$ 6.017.811,52) para compensação de tributos, via PERDCOMP. · Que (item 14, letra e) além do valor de RS 6.017.811,52 que foi objeto dos pedidos de restituição apresentados pela NESTLÉ WATERS à Receita Federal do Brasil, havia no final de 2011 o montante de R$ 5.233.787,96 na conta 124115 IPI A RECUPERAR, referente também a créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. · Segundo a fiscalizada (item 14, letras f, g) no final de 2009 foi proferida decisão judicial desfavorável â NESTLÉ WATERS, sendo interposto Recurso Especial que permaneceu pendente de julgamento até o ano de 2012. Que a NESTLÉ WATERS, em dezembro de 2011, analisando seu saldo de contas diante do cenário judicial desfavorável, optou por neutralizar o registro contábil do ativo, vez que tais valores que estavam contabilizados não contavam com possibilidade efetiva de realização naquele momento, motivo pelo qual o valor total de R$ 11.251.599,48 (conta 124144 + conta 124115) foram transferidos para o resultado (conta 512901038). · Esta fiscalização interpreta essa explicação da seguinte forma: como a fiscalizada tinha, quando impetrou a ação, uma expectativa de direito, a fiscalizada reconheceu essa expectativa de direito debitando as contas de Ativo 124144 e 124115, no valor de R$ 11.251.599,48, tendo como contrapartida uma conta de receita, ou seja, a fiscalizada simplesmente "provisionou uma receita", uma vez que naquele momento era apenas uma expectativa de direito. Por tratarse de uma expectativa de Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 772 41 direito, muito possivelmente ela excluiu essa receita para fins de apuração do lucro real. · O que corrobora esse entendimento da fiscalização é o fato de que para neutralizar o registro contábil do ativo, vez que tais valores que estavam contabilizados não contavam com possibilidade efetiva de realização naquele momento, a fiscalizada baixa esse ativo contra resultado (conta 512901038). · Considerando o exposto nos itens 32 a 38 entendemos que esse débito reduziu o resultado fiscal, e por tratarse de despesa indedutivel, a fiscalizada deveria, para fins de apuração do lucro real, efetuar a correspondente adição no valor de RS 11.251.599,48. · Em atendimento à solicitação da fiscalização no sentido de encaminhar Memória de Cálculo da apuração do lucro da exploração em meio digital (.xlsx), de todos os períodos de 2011 (item 10,b) a fiscalizada informa (item 11 ,d) que no ano de 2011 não houve a base tributável IRPJ, motivo pelo qual não se fez necessário a utilização de eventual beneficio do lucro da exploração. 23. Esta 2ª Turma da DRJ/Curitiba, em 26/06/2017, solicitou diligência à DRF de origem. Relatouse que a fiscalização glosou: i) R$ 38.881.921,88 a título de exclusões indevidas; ii) R$ 4.475.379,96 a título de Variação Cambial Passiva, e iii) R$ 11.251.599,48 a título de estorno de crédito de IPI. Foi feito um resumo dos principais argumentos formulados na impugnação, solicitandose que a autoridade fiscal analizasse as alegações resumidas, pronunciasse quanto a essas alegações, e demonstrasse eventuais correções a serem feitas no lançamento. 24. A diligência foi cumprida, conforme Relatório de Diligência de fls. 622/626, lavrado em 20/02/2018. 25. Quanto ao primeiro item (exclusões indevidas de R$ 38.881.921,88), a fiscalização analisou a movimentação das contas “Provisão para Contingência” e “Outras Provisões”. E concluiu que o total de exclusões, a título de Reversão de Provisões Constituídas, seria de R$ 15.969.979,45, e não os R$ 31.952.472,21 contido na rubrica na rubrica '6.03 Outras Exclusões' do Lalur Parte A 31/12/2011, cujo montante informado era R$ 43.589.281,71. 26. Quanto ao segundo item, a fiscalização afirmou que: diferentemente do que alega o contribuinte, segundo o balancete apresentado pelo mesmo em 29/04/2016, sob intimação no decorrer da fiscalização, a conta n.° 513202999 corresponde a Outras Variações Cambiais Passivas Não Realizadas, despesa indedutível, devendo ser adicionada ao lucro real. Contudo, aceitamos a explicação do contribuinte quando o mesmo declara que somandose as contas contábeis que, efetivamente, se referem a variações cambeis não realizadas (contas contábeis n°s 513102999 e 513202999) chegase ao valor de R$ 38.225.147,00). Fl. 792DF CARF MF 42 27. Quanto ao terceiro item, a fiscalização assim concluiu: Assim, mantemos o entendimento constante do Termo de Verificação Fiscal de que, quando impetrou a ação, o contribuinte possuía uma expectativa de direito, o mesmo reconheceu essa expectativa de direito debitando as contas de Ativo 124144 e 124115, no valor de R$ 11.251.599,48, tendo como contrapartida uma conta de receita, ou seja, o contribuinte simplesmente "provisionou uma receita", uma vez que naquele momento era apenas uma expectativa de direito. Por tratarse de uma expectativa de direito, muito possivelmente ele excluiu essa receita para fins de apuração do lucro real, nesse sentido, entendemos ser indedutível o estorno de crédito de IPI, no valor de R$ 11.251.599,48, lançado na conta 512901038 (Outras Despesas Operacionais). 28. Na seqüência são apreciados os argumentos da impugnante. Item "1". Inexistência de "confissão" da impugnante e da ausência de provas da omissão de recolhimento do imposto 29. A impugnante traz o seguinte arrazoado: i) houve compreensão errônea do Sr. Agente Fiscal quanto aos diferentes critérios empregados no cálculo original e na nova apuração do Lucro Real apresentada em 05/05/2016, no que se refere às diferentes formas de controle das provisões adicionadas e excluídas em ambos os cálculos; ii) tal constatação levou a Fiscalização a concluir que a diferença entre as exclusões apontadas nos dois cálculos (ou seja, R$ 48.779.947,59 R$ 9.898.025,71 = R$ 38.881.921,88) corresponderia, supostamente, a exclusões realizadas de forma indevida; iii) em nenhum momento a Impugnante reconheceu como devida a diferença existente entre os valores de exclusões apontados na nova apuração do Lucro Real apresentada em 05/05/2016 e aqueles indicados no cálculo original; iv) a impugnante na verdade declarou que as modificações efetuadas na apuração do Lucro Real não impactaram o valor de IRPJ e CSLL devidos no anocalendário, mas, tão somente, a redução dos valores de prejuízo fiscal/base negativa apurados; v) determinado valor que tenha sido adicionado para fins de determinação do Lucro Real em um período de apuração e que competir a outro período de apuração poderá ser excluído para fins de apuração do Lucro Real do período competente, o que encontra fundamento no art. 247, §2°, do RIR/99; vi) essa regra se aplica no caso das provisões consideradas indedutíveis nos termos da legislação do IRPJ e da CSLL, pois ainda que uma determinada provisão seja indedutível, a sua reversão poderá ser excluída do Lucro Real para fins de anulação dos efeitos fiscais, desde que ja tenha sido adicionada no anocalendário anterior, conforme decisões da RFB e CARF; vii) no que se refere ao segundo cálculo (05/05/2016), as provisões foram adicionadas ao Lucro Real pelo seu valor líquido, ao passo que, no primeiro cálculo, que embasou a DIPJ, havia sido levado em consideração o valor acumulado das contas patrimoniais (isto é: isto é: adicionouse o saldo acumulado das contas patrimoniais de provisão encontrado ao final do período, 31/12/2011 e excluiuse o saldo encontrado no início do período, 01/01/2011, o qual havia sido adicionado ao Lucro Real do ano anterior: 2010); viii) ambos os métodos possuem embasamento legal no art. 247, §2°, do Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 773 43 RIR/99, bem como representam o mesmo impacto fiscal. Tanto que a diferença líquida entre as adições e exclusões que se verificam entre a DIPJ e a nova apuração do Lucro Real é de grandeza muito semelhante (abstraídas algumas reconhecidas diferenças, que foram corrigidas pela Impugnante no segundo cálculo, apresentado em 05/05/2016); ix) a Fiscalização agiu precipitadamente ao efetuar o lançamento da diferença entre as exclusões indicadas em ambos os cálculos, pois este raciocínio considera, isoladamente, as exclusões indicadas na nova apuração do Lucro Real, sem levar em conta o valor de adições informado no novo cálculo (05/05/2016); x) a Fiscalização está aplicando um critério dúplice no tratamento da informação prestada pela Impugnante em 05/05/2016: quanto às exclusões, a Fiscalização considerou o cálculo novo, ao passo que, quanto às adições, a Fiscalização está considerando o cálculo antigo. Eis os "dois pesos e duas medidas" aplicados pela Fiscalização; xi) na hipótese de não se entender pela NULIDADE ou improcedência da autuação quanto ao Item "1", por deficiência de fundamentação, deverá o julgamento ser convertido em diligência a fim de que se possa realizar nova auditoria da apuração do Lucro Real apresentada pela Impugnante à Fiscalização em 05/05/2016. 30. O exame dos fatos conduzem à conclusão de que não há como sustentar as exigências relativas a Exclusões Indevidas, glosadas no montante de R$ 38.881.921,88. 31. Conforme já narrado no item anterior, no curso da fiscalização, na data de 05/05/2016, a empresa alterou o demonstrativo de apuração do Lucro Real, de acordo com o abaixo ilustrado: 32. Diante disso, apegandose somente à redução das exclusões, a fiscalização entendeu que R$ 9.898.025,71 era o montante correto e não os R$ 48.779.947,59 informados originalmente. E assim efetuou a glosa correspondente à diferença entres essas duas importâncias (R$ 48.779.947,59 – R$ 9.898.025,71= R$ 38.881.921,88), justificando que a empresa concordou expressamente com o erro, nos seguintes termos: Ou seja, a fiscalizada, após rever seus apontamentos contábeis/fiscais, verificou que todo aquele detalhamento correspondente ao valor de R$ 48.779.947,59 apresentado a esta fiscalização (item 16) Fl. 794DF CARF MF 44 ESTAVA ERRADO, e que o correto, na verdade, é apenas uma exclusão no valor de R$9.898.025.71. Assim, considerandose o exposto nos itens 15 a 20. e com a concordância expressa da fiscalizada, não resta outra alternativa a esta fiscalização a não ser efetuar, de ofício, a glosa de exclusões indevidas no montante de R$ 38.881.921,88 (48.779.947,59 9.898.025,71). 33. Na impugnação, a interessada contesta a admissão de erro, alegando que em nenhum momento reconheceu como devida a diferença existente entre os valores de exclusões. Quanto à diferença nas apurações justificou que, no segundo cálculo, as provisões foram adicionadas pelo seu valor líquido, ao passo que, no primeiro cálculo, havia sido levado em consideração o valor acumulado das contas patrimoniais. E concluiu que a fiscalização se precipitou pois considerou, isoladamente, as exclusões indicadas na nova apuração do Lucro Real, sem levar em conta o valor de adições informado no novo cálculo. 34. Diante da plausibilidade das alegações, e considerando que o posicionamento complementar do autuante era imprescindível, já que envolvia questões não analizadas durante a fiscalização, foi providenciado procedimento de diligência, solicitandose que a DRF avaliasse tais argumentos e demonstrasse eventuais correções a serem feitas no lançamento. 35. No Relatório de Diligência (fls. 622/626), a autoridade fiscal inicialmente faz menção às provisões contidas nas exclusões, quais sejam Provisão para Variação Cambial Ativa Empréstimos Coligada (R$ 5.071.877,81), Provisão de Contingências (R$ 828.680,32), e Outras Provisões (R$ 26.051.914,08), totalizando RS 31.952.472,21. A seguir, analisou o movimento dessas duas últimas provisões, com detalhamento mensal das reversões (que correspondem a exclusões) e constituição (que correspondem a adições), conforme abaixo transcrito: Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 774 45 36. E concluiu que: De acordo com a sistemática de constituição de provisões, é feita a adição das provisões indedutíveis constituidas e a exclusão das reversões contábeis de provisões constituídas. É possível se efetuar a exclusão de reversão de provisão contábil, considerandose que quando da sua constituição ocorreu a correspondente adição no ajuste fiscal do ano de sua constituição. Assim, no ajuste efetuado em 31/12/2011 seria possível uma exclusão total, a título de Reversão de Provisões Constituidas, no montante de R$ 15.969.979,45 (13.147.342,80+2.822.636,65) e não no valor de R$ 31.952.472,21 (LALUR Parte A 31/12/2011 valor contido na rubrica '6.03 Outras Exclusões' cujo montante informado era R$ 43.589.281,71). 37. Observase que a fiscalização não se pronunciou quanto ao ponto central da presente controvérsia. Na segunda apuração apresentada pela fiscalizada houve redução tanto das exclusões quanto das adições, sendo razoável a explicação do contribuinte, de que passou a informar, nos ajustes positivos e negativos, o saldo líquido em vez do valor acumulado das contas de provisão. Assim, a análise deveria ser feita de forma conjunta, incluindo também a movimentação que repercutiram nas adições, o que não foi feito. Além disso, verificase que o exame da fiscalização não foi realizado nem com base nos valores acumulados das contas de provisão, nem com base nos saldos líquidos. A autoridade fiscal entendeu que seria possível uma exclusão total correspondente ao total de Fl. 796DF CARF MF 46 reversões, ou seja, R$ 13.147.342,80 para Provisão de Contingências e R$ 4.812.694,72 para Outras Provisões. Cabe observar que, para a segunda provisão, o autuante cometeu o deslize de somar a diferença entre adições e reversões (R$ 2.822.636,65) em vez do total de reversões (R$ 4.812.694,72). 38. No trecho final, a fiscalização sugere que o total de exclusões obtido (R$ 15.969.979,45, que corrigido se torna R$ 17.960.037,52) deve ser cotejado com o valor R$ 31.952.472,21, que por sua vez, corresponderia ao valor contido no LALUR Parte A 31/12/2011, rubrica '6.03 Outras Exclusões' cujo montante informado era R$ 43.589.281,71. Não foi informado se esse parâmetro, que foi tomado como referência, corresponde a um valor calculado com base em valores acumulados ou em saldos líquidos. No entanto, qualquer que seja o caso, a comparação não faz sentido, já que o cálculo da fiscalização foi feito por um terceiro critério, ou seja, pelo total de reversões. Ademais, deve ser frisado que, novamente, as adições foram ignoradas. 39. A inconsistência na demonstração do alegado excesso de exclusões já seria, por si só, suficiente para autorizar o cancelamento dessa exigência. Em sua peça de defesa a impugnante traz justificativas coerentes quanto à corretude das exclusões, o que acaba por inviabilizar o lançamento. 40. Esclarece a interessada que a autoridade fiscal utilizou somente duas contas contábeis para o cálculo das provisões e não as demais contas constantes do balancete. Na diligência fiscal foram utilizadas somente as contas 227101005 – Provisão para Contingências e 215102099 – Outras Provisões. Mas deixou de considerar as seguintes outras contas: 226101001 Provisão benefício pós emprego CPC 33, 214102033 – Provisão CEFEM, 112301001 Provisão de crédito de liquid duvidosa, 214201099 Provisão Outros GastosGeral, 113107001 Material Obsoleto. 41. Afirma que, caso a autoridade fiscal houvesse considerado também essas 5 contas contábeis não analisadas, teria apurado um resultado de ajuste positivo, por meio do método do saldo líquido das contas de provisão no valor positivo de R$ 14.245.225,57. Frisa que este é o exato montante informado em sua apuração apresentada em 2016, a título de “5.01 Provisões não Dedutíveis – Custos”. E que esse mesmo resultado de ajuste positivo seria obtido, caso os cálculos fossem feitos também pelo critério dos saldos acumulados e do total de reversões surgido na diligência. 42. Apresenta o quadro comparativo abaixo, acompanhado de demonstrativos, nos mesmos termos acima expostos, Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 775 47 para cada uma das contas de provisão acima mencionadas, constantes do seu balancete, bem como planilha com a simulação comparativa dos efeitos da adoção de cada um dos métodos acima detalhados e seus reflexos (arquivo não paginável de fl. 697). 43. O mencionado valor de R$ 14.245.226,18 coincide com o montante de “Provisões não Dedutíveis” informado na Nova Apuração do Lucro Real, apresentada no curso da ação fiscal em 05/05/2016, e que corresponde a uma das parcelas de Adições ao Lucro Real, cuja tabela foi copiada linhas acima. 44. Em conclusão, considerando que: i) a fiscalização autuou com base na redução de exclusões relativas a contas de provisão sem levar em conta a concomitante redução de adições nessas mesmas contas; ii) a fiscalização deixou de analisar a procedência ou não da redução das adições em sede de diligência; iii) a fiscalização analisou as exclusões de forma incompleta, desconsiderando algumas contas de provisão; iv) a impugante demonstra de forma razoável que as reduções de exclusão e adição decorrem de mudança de metodologia de cálculo (de valores acumulados para saldos líquidos), entendo que a decisão que se impõe é pelo cancelamento dessa infração. Contas contábeis relacionadas à variação cambial ativa/passiva não realizada (empresa optante pelo regime de caixa) 45. A interessada argumenta que: i) a Impugnante adicionou o montante de R$ 38.225.147.00 a tal título, ao passo que a Fiscalização entende que o valor de R$ 42.949.089,05 deveria ter sido adicionado; ii) no caso de opção pelo regime de caixa, a obrigação relativa a variação cambial deve ser considerada para fins de determinação do Lucro Real no momento de sua liquidação; iii) a Conta Contábil n° 513202999 apontada pela Fiscalização na verdade, se refere a Variação Cambial Fl. 798DF CARF MF 48 Passiva Realizada, que portanto – é uma despesa dedutível do Lucro Real, uma vez que a Impugnante é optante pelo Regime de Caixa, ao contrário das contas relativas a Variação Cambial Passiva Não Realizada, despesas indedutíveis que, como tal, devem ser adicionadas ao Lucro Real; iv) somandose as Contas Contábeis que, efetivamente, se referem a Variações Cambiais Não Realizadas (Contas Contábeis n°s 513102999 e 513202999), chegase ao valor de R$ 38.225.147.00, conforme balancete entregue pela Fiscalização em 29/04/2016, que por sua vez corresponde, exatamente, ao valor adicionado ao Lucro Real; v) a Fiscalização, em verdade, se equivocou quanto às contas contábeis a serem adicionadas ao Lucro Real, sendo que, se se tratando de contribuinte optante pelo Regime de Caixa caso da Impugnante somente devem ser adicionadas ao Lucro Real as Contas Contábeis relativas às variações cambiais não realizadas; vi) verificase a patente improcedência da cobrança veiculada no Item 2 do AIIM. 46. De acordo com o narrado no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização discordou do valor de R$ 38.225.147,19 informado a título de “Variação Cambial Não Realizada” na apuração do lucro real apresentada no curso da ação fiscal, abaixo demonstrada. Nova Apuração do Lucro Real, informada durante a Fiscalização (05/05/2016) Lucro Líquido Após Ajuste do RTT R$ 47.056.543,38 (+) ADIÇÕES R$ 55.709.904,04 Provisões não dedutíveis R$ 14.245.226,18 Custos e Despesas não Dedutíveis R$ 3.239.530,67 Variação Cambial Não Realizada R$ 38.225.147,19 () EXCLUSÕES: R$ 9.898.025,71 Ajustes Equivalência Patrimonial R$ 9.898.025,71 LUCRO REAL ANTES DACOMP. PREJUÍZOS R$ 1.244.665,05 47. O autuante verificou que o montante informado de R$ 38.225.147,19 não guardava correspondência com o valor apropriado ao resultado contábil, constante no Balancete Anual entregue à fiscalização em 29/04/2016, que era de R$ 42.918.844,48 (contas 513202999 e 513203999). E assim entendeu que esse deveria ser o valor a ser considerado como “Variação Cambial Não Realizada” na referida apuração. Na seqüência, a autoridade fiscal efetuou uma operação algébrica, assumindo como corretos Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 776 49 os valores de Adições (R$ 55.709.904,04) e sua parcela de “Custos e Despesas não Dedutíveis” (R$ 3.239.530,67), raciocinando que o excesso constatado na conta “Variação Cambial Não Realizada” (R$ 42.918.844,48 R$ 38.225.147,19 = R$ 4.693.697,29) deveria ser compensado com uma redução em idêntico valor no campo “Provisões não dedutíveis”, que resultaria em R$ 9.551.528,89 = R$ 14.245.226,18 R$ 4.693.697,29. Com isso, tomando como base das despesas com provisões o valor de R$ 14.026.908,85, informado pelo contribuinte em resposta a intimação fiscal, concluiu que a empresa deixou de adicionar R$ 14.026.908,85 – R$ 9.551.528,89 = R$ 4.475.379,96, que corresponde ao valor glosado. 48. Na impugação a litigante insistiu que, somandose as Contas Contábeis de Variações Cambiais Não Realizadas (n°s 513102999 e 513202999), chegase ao valor de R$ 38.225.147.00, conforme balancete entregue pela Fiscalização em 29/04/2016, que corresponde exatamente ao valor adicionado ao Lucro Real. 49. No já comentado procedimento de diligência, solicitou se a análise das alegações do contribuinte. No Relatório de Diligência consta a seguinte conclusão: Na impugnação o contribuinte alega que a conta contábil n.° 513202999 apontada pela fiscalização na verdade se refere a Variação Cambial Passiva Realizada, que, portanto, é uma despesa dedutível do lucro real, uma vez que a impugnante é optante pelo regime de caixa, ao contrário das contas relativas a Variação Cambiai Passiva Não Realizada, despesa indedutível, que, como tal, devem ser adicionadas ao lucro real. Ocorre que, diferentemente do que alega o contribuinte, segundo o balancete apresentado pelo mesmo em 29/04/2016, sob intimação no decorrer da fiscalização, a conta n.° 513202999 corresponde a Outras Variações Cambiais Passivas Não Realizadas, despesa indedutível, devendo ser adicionada ao lucro real. Contudo, aceitamos a explicação do contribuinte quando o mesmo declara que somandose as contas contábeis que, efetivamente, se referem a variações cambeis não realizadas (contas contábeis n°s 513102999 e 513202999) chegase ao valor de R$ 38.225.147,00). 50. Verificase que a autoridade fiscal acatou a alegação do contribuinte, de que o total de Variações Cambiais Não Realizadas era mesmo de R$ 38.225.147,19 e não os R$ 42.918.844,48 que havia considerado na autuação. Dessa forma, não mais subsiste o excesso originalmente constatado na conta “Variação Cambial Não Realizada” (R$ 42.918.844,48 R$ 38.225.147,19 = R$ 4.693.697,29). No cálculo feito pela fiscalização, eliminandose tal parcela, permaneceria o valor correspondente à diferença entre despesas com provisões informado pelo contribuinte Fl. 800DF CARF MF 50 em resposta a intimação fiscal (R$ 14.026.908,85) e o correspondente montante contido na apuração do lucro real (R$ 14.245.226,18), ou seja, R$ 218.317,33. Entretanto, conforme explanado no item anterior, a impugnante demonstrou satisfatoriamente que, independentemente do critério utilizado para o cômputo das provisões (valores acumulados, saldos líquidos, total de reversões), as “Provisões não Dedutíveis” eram sempre de R$ 14.245.226,18. 51. Pelo exposto, a infração em comento deve ser cancelada. Premissas equivocadas da fiscalização quanto à forma de contabilização do crédito de IPI 52. A litigante contesta nos seguintes termos: i) é da Fiscalização o ônus de produzir provas de fatos que impliquem em redução do montante de imposto devido (como, por exemplo, uma exclusão); ii) ainda que assim não fosse, uma presunção fiscal ou decorre de lei ou deve, ao menos estar baseada em um fato indiciário que guarda necessário nexo de causa e efeito com a conclusão assumida pela Fiscalização; iii) o raciocínio é nitidamente circular, pois a Fiscalização presume que, se houve dedução de uma despesa referente à baixa de um ativo contabilizado anteriormente, então, é porque o lançamento em contrapartida a este ativo não teria sido tributada; iv) o pedido formulado pela Impugnante na Petição Inicial do Mandado de Segurança visava assegurar o direito a "créditos de IPI pagos na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes (águas minerais naturais 2201.10.00); v) quando se trata de tributos recuperáveis (como se dá, via de regra, no caso do ICMS e do IPI), o valor atinente ao tributo não deve fazer parte da contabilização dos estoques, e, por conseguinte, não compõe o Custo dos Produtos Vendidos (CPV); vi) o valor atinente aos Impostos a Recuperar (no que se inclui o valor do crédito de IPI) deve ser contabilizado em Conta do Ativo tal como, efetivamente, fez a Impugnante; vii) o valor de IPI a recuperar, registrado no Ativo, impactou, positivamente, o resultado, incrementando, assim, o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSLL; viii) se se tratasse de Imposto não recuperável, o cenário descrito acima seria diferente, uma vez que o IPI teria que ser considerado no valor dos estoques e, consequentemente, do CPV; ix) ao contrário do presumido pela Fiscalização, o valor do crédito de IPI (Imposto Recuperável) não foi deduzido do Lucro Real no momento da sua contabilização. Ao contrário do que presumido pela Fiscalização, o registro do valor do crédito de IPI a "débito" em Conta do Ativo (IPI a Recuperar) implicou em adição deste valor ao Lucro Real, base de cálculo do IRPJ e da CSLL; x) em razão do Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 777 51 cenário jurisprudencial então existente quanto à tese jurídica discutida nos autos do Processo Judicial em questão, a Impugnante decidiu baixar do Ativo o crédito de IPI então contabilizado por força da decisão judicial. 53. Nas contrarazões da diligência, a impugnante acrescentou os seguintes argumentos, em síntese: i) a Fiscalização presumiu que a suposta “provisão de receita” não teria sido adicionada ao resultado no momento de sua suposta constituição, e que, portanto, a Impugnante não poderia transferir para o resultado a despesa referente à baixa do ativo em questão; ii) a própria Fiscalização reconheceu que não produziu provas de que o valor atinente ao crédito de IPI contabilizado no ativo teria sido supostamente excluído do lucro real; iii) o valor do IPI é contabilizado em Conta do Ativo (“IPI a recuperar”), enquanto o valor registrado em estoques é contabilizado sem inclusão do IPI; iv) logo, o CPV não incluiu o valor do IPI recuperável e, por conseguinte, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é impactada positivamente pela escrituração do IPI em Conta do Ativo; v) ao contrário do que presumiu a Fiscalização, o valor do crédito de IPI foi tributado no momento em sua constituição como ativo, e, portanto, é correta a dedução da despesa atinente à baixa deste ativo; v) em sua defesa, a Impugnante apresentou algumas situações exemplificativas da contabilização do IPI; vi) exemplifica que a contabilização do crédito de IPI como ativo, em verdade, impactou positivamente o resultado tributável do respectivo anocalendário; vii) a Fiscalização não prova que a Impugnante contabilizou o IPI de f orma equivocada, simplesmente faz uma presunção que não possui previsão legal nem embasamento documental; viii) se o Fisco acredita que a Impugnante excluiu a receita atinente ao crédito de IPI para efeito de apuração do seu Lucro Real, deveria ter produzido essa prova e não ter simplesmente reiterado o equivocado entendimento firmado no auto de infração. 54. A última infração referese à rubrica Outras Despesas Operacionais, no valor de R$ 11.251.599,48, atinente a estorno de crédito de IPI originado do Mandado de Segurança n.° 2004.51.010.044738, impetrado em 2004, visando a garantir o direito aos créditos de IPI pagos na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes (águas minerais naturais 2201.10.00). Esse montante é composto de duas parcelas. A primeira, no valor de R$ 6.017.811,52, corresponde a diversos pedidos de restituição, alocados na conta 124144 (IPI/PERDCOMP), reconhecidos no ativo, como expectativa de direito ao crédito de IPI objeto da ação Fl. 802DF CARF MF 52 judicial. A segunda, de R$ 5.233.787,96, registrada na conta 124115 IPI A RECUPERAR, referese a créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. 55. No Termo de Verificação Fiscal a fiscalização assim fundamentou a glosa: Esta fiscalização interpreta essa explicação da seguinte forma: como a fiscalizada tinha, quando impetrou a ação, uma expectativa de direito, a fiscalizada reconheceu essa expectativa de direito debitando as contas de Ativo 124144 e 124115, no valor de R$ 11.251.599,48, tendo como contrapartida uma conta de receita, ou seja, a fiscalizada simplesmente "provisionou uma receita", uma vez que naquele momento era apenas uma expectativa de direito. Por tratarse de uma expectativa de direito, muito possivelmente ela excluiu essa receita para fins de apuração do lucro real. O que corrobora esse entendimento da fiscalização é o fato de que para neutralizar o registro contábil do ativo, vez que tais valores que estavam contabilizados não contavam com possibilidade efetiva de realização naquele momento, a fiscalizada baixa esse ativo contra resultado (conta 512901038). Considerando o exposto nos itens 32 a 38. entendemos que esse débito reduziu o resultado fiscal, e por tratarse de despesa indedutivel, a fiscalizada deveria, para fins de apuração do lucro real, efetuar a correspondente adição no valor de RS 11.251.599,48. 56. No Relatório de Diligência o auditor fiscal manteve o seu entendimento, assim se expressando: No ato da compra dos insumos o contribuinte entendia que não teria o direito do creditamento do IPI sobre os insumos, nos moldes do art. 11 da Lei 9.779/99, nesse sentido, o mesmo não teria lançado o IPI em sua contabilidade de acordo com o exemplo contido na peça de impugnação, ou seja, debitando Matériaprima (Estoques), debitando imposto a recuperar (IPI) e creditando Fornecedores (pela compra da Matéria Prima). Possivelmente o IPI foi apropriado como custo, em um primeiro momento, pois se assim não fosse, o contribuinte não teria impetrado o referido Mandado de Segurança, pois teria a certeza do direito ao crédito. Ademais, o exemplo de contabilização contido na peça de impugnação não guarda correspondência com o presente caso, uma vez que não ocorreu a incidência do IPI sobre os produtos vendidos, por tratarse de produtos imunes (águas minerais naturais 2201.10.00). Segundo o teor do expediente encaminhado pelo contribuinte, em 16/08/2016, no decorrer da fiscalização, uma das solicitações constantes do Mandado de Segurança foi a correção monetária dos créditos de IPI a serem tardiamente apropriados, onde pode se concluir que o contribuinte no ato da compra dos insumos não se creditou do IPI vindo a se creditar do direito posteriormente, quando impetrou a ação judicial. Entendemos que esse crédito de IPI teve como contrapartida conta de receita, pois se assim não fosse, o contribuinte não reverteria tendo como contrapartida conta de despesa. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 778 53 Assim, mantemos o entendimento constante do Termo de Verificação Fiscal de que, quando impetrou a ação, o contribuinte possuía uma expectativa de direito, o mesmo reconheceu essa expectativa de direito debitando as contas de Ativo 124144 e 124115, no valor de R$ 11.251.599,48, tendo como contrapartida uma conta de receita, ou seja, o contribuinte simplesmente "provisionou uma receita", uma vez que naquele momento era apenas uma expectativa de direito. Por tratarse de uma expectativa de direito, muito possivelmente ele excluiu essa receita para fins de apuração do lucro real, nesse sentido, entendemos ser indedutível o estorno de crédito de IPI, no valor de R$ 11.251.599,48, lançado na conta 512901038 (Outras Despesas Operacionais). 57. Alega a autoridade fiscal que os lançamentos contábeis a débito das contas do ativo tiveram como contrapartida uma conta de receita. No entanto, não foi mencionado nem demonstrado que conta seria esta. A seguir, a fiscalização afirma que a baixa dos ativos contra resultado corrobora a existência da suposta conta de receita. E concluiu tratarse de despesa indedutível. 58. Não se pode dizer que o IPI incidente sobre compras seja indedutível. Assim como ocorre com outros tributos incidentes sobre compras (ICMS, PIS e Cofins), quando recuperável, o tributo é contabilizado em conta do ativo, separada do estoque, como uma espécie de crédito contra o Estado, a ser recuperado pelas vendas futuras. Por outro lado, se o IPI for não recuperável, ele é incorporado aos estoques, ou seja, comporá o custo. Nesse sentido, confiramse lições doutrinárias de Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e outros, na obra Contabilidade Introdutória (Equipe de Professores da FEA/USP. Contabilidade Introdutória, 11ª Edição. São Paulo: Atlas, 2010, p. 144): Todos os tributos pagos nas compras de mercadorias que são recuperáveis nas vendas (PIS, Cofins e IPI, em certas circustâncias) têm essa mesma forma de contabilização mostrada para o caso de ICMS. Aliás, mesmo quando há recuperações desses tributos sobre despesas ou transações com imobilizados, a forma de contabilização é dentro dessa lógica. Porém, se há o pagamento de qualquer tributo, esses ou outros, na compra, mas não há incidência dele nas vendas, e não há direito à recuperação do que houver sido pago nessas compras, o tributo é incorporado a tais compras (conseqüentemente, aos estoques). Idem com relação a despesas, imobilizados e outras circunstâncias. 59. Na impugnação, o contribuinte afirma que contabilizou o IPI incidente sobre compras em conta do ativo, de modo que tais valores não fizeram parte dos custos. No procedimento de diligência, em vez de verificar na contabilidade como foi feita a contabilização do IPI, a fiscalização sugeriu que “possivelmente o IPI foi Fl. 804DF CARF MF 54 apropriado como custo, em um primeiro momento, pois se assim não fosse, o contribuinte não teria impetrado o referido Mandado de Segurança, pois teria a certeza do direito ao crédito.” Ora, o Mandado de Segurança é uma ação judicial que tem por escopo garantir direito líquido e certo do impetrante, objeto de resistência por parte determinada autoridade pública. No caso, a RFB rejeitava o creditamento do IPI incidente sobre insumos aplicados em produtos não sujeitos à tributação do IPI, sendo este o ato de autoridade pública atacado pelo impetrante. A empresa entendia que tinha o direito líquido e certo, e por isso recorreu ao Poder Judiciário. Se ela tivesse contabilizado o IPI como custos, estaria concordando com o entendimento da RFB, o que retiraria a motivação de impetrar o mandamus. 60. A fiscalização também rejeitou o exemplo de contabilização contido na impugnação, justificando que não guarda correspondência com o caso, uma vez que não ocorreu a incidência do IPI sobre os produtos vendidos, por tratarse de produtos imunes. Nesse ponto da defesa, o contribuinte exemplifica um caso hipotético que, resumidamente, mostra o IPI sobre compras contabilizado em conta do Ativo, evidenciando que tal valor não transitou pelo CPV, ou seja, não afetou o resultado do período em questão. A autoridade fiscal parece insistir que o IPI fazia parte do custo e que a empresa assim o contabilizou. Deveria, entretanto, ter analisado como foi feita tais lançamentos contábeis. 61. Ademais, no curso da ação fiscal o contribuinte apresentou amostras de como efetuou a contabilização de algumas notas fiscais de compra, extraídas do Razão de contas do Ativo (IPI a compensar), conforme arquivo não paginável de fl. 608. Tratase de uma pequena amostra, mas que não foram contraditadas pela fiscalização. 62. Prossegue a autoridade fiscal afirmando que, como fez pedido de correção monetária dos créditos de IPI no Mandado de Segurança, concluise que o contribuinte no ato da compra dos insumos não se creditou do IPI, vindo a se creditar do direito posteriormente, quando impetrou a ação judicial. E que o crédito de IPI teve como contrapartida conta de receita, pois se assim não fosse, o contribuinte não reverteria tendo como contrapartida conta de despesa. Aqui, a fiscalização parece utilizar raciocínio circular, partindo da própria tese para justificar as razões. 63. A fiscalização finaliza concluindo que o estorno de crédito de IPI é indedutível, pois tratandose de uma expectativa de direito, muito possivelmente ele excluiu essa receita para fins de apuração do lucro real. Como se vê, resta claro que a glosa foi fundada em ilações, que Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10314.721797/201678 Acórdão n.º 1201002.701 S1C2T1 Fl. 779 55 poderiam ter sido dirimidas mediante análise dos lançamentos contábeis contidos no Razão das duas contas do Ativo em que o IPI sobre insumos foi contabilizado. 64. O resultado dos Pedidos de Restituição/Ressarcimento do IPI não foi comentado pela fiscalização nem pela impugnante. No entanto, verifiquei que todos eles foram indeferidos pela DRF, sendo que alguns deles já foram julgados em primeira instância, em que o indeferimento foi mantido. Vejase, a propósito, a ementa exarada no processo número 10880.986385/201223, que tem por objeto Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI do períodos 10/2007 a 12/2007, proferido pela DRJ/Ribeirão Preto em 27/08/2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo 65. Nesse processo, assim como em todos os outros, não surgiu discussão em torno de como o crédito de IPI foi contabilizado. Mas notese que o teor da ementa desse julgado, além de estar em consonância com o entendimento expressado neste presente acórdão, ao sugerir que o contribuinte DEVERIA ter contabilizado o IPI como custo, parece partir do pressuposto que a contabilização foi feita de modo diverso. E de fato, se o contribuinte faz pedido de ressarcimento/restituição de IPI, e ao mesmo tempo contabiliza esse imposto como custo, a DRF vai simplesmente indeferir o pedido sem precisar analisar a controvérsia jurídica que gira em torno desse caso (no caso, o direito de creditamento do IPI sobre compras de insumos utilizados em produto não tributável). Bastaria, nessa hipótese, justificar que o contribuinte não detém crédito porque o IPI já foi utilizado como custo. 66. Em conclusão, considerando que a glosa foi fundada em afirmações sem confirmação na contabilidade, a qual não foi analisada nem no curso da ação fiscal nem em procedimento de diligência, e sendo razoável a explicação dada pela impugnante, entendo que a infração deve ser cancelada. 67. Finalmente, à fl. 536 consta formulário de alteração do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, Fl. 806DF CARF MF 56 solicitado pelo autuante, em decorrência dos lançamentos fiscais. Como a presente decisão foi no sentido de cancelar o auto de infração, as alterações da fiscalização na base do Sapli e Sacs deveriam ser revertidas. No entanto, em consulta a essas bases, a partir do aplicativo eSapli, constatei que nenhuma alteração de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL foi feita. Isto posto, voto pelo conhecimento e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício." Reproduzi acima os fundamentos do relator Rafael Gasparello Lima, pois foi esta a tese que angariou a unanimidade dos votos na assentada do dia 22 de janeiro de 2019. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 807DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.722184/2017-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.835
Decisão: Vistos, relatados se discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 22 18 4/ 20 17 -4 5 Fl. 8002DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.112 2 Relatório e voto: Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande que decidiu por unanimidade de votos em conhecer das impugnações da Contribuinte e da Responsável Solidária, e no mérito, considerálas improcedentes, mantendo o crédito tributário exigido. A r. DRJ em Campo Grande proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. LUCRO REAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO INDEVIDA. A incidência da norma contida no art. 443 do RIR/99 demanda a verificação se, efetivamente, os valores percebidos e seu emprego pelo contribuinte se amoldaram às características da subvenção de investimento, que primordialmente pressupõe o estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos. Não se configuram subvenções para investimento e não podem ser excluídas do Lucro Real, importâncias oriundas de diferenças de ICMS, previstas em lei, que, ao instituir regime especial de tributação do referido imposto, não as vincula a programas de estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. RATEIO DE CUSTOS E DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas rateadas se: a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços efetivamente pagos e recebidos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio se der mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; d) o critério de rateio for consistente com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios gerais de Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriar como despesa tãosomente a parcela que lhe couber segundo o critério de rateio. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 8003DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.113 3 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos regularmente editados. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É defeso na esfera administrativa o exame de constitucionalidade de lei, bem como o da violação pelo ato normativo a princípios constitucionais, entre eles o da vedação ao confisco. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, quando restar devidamente caracterizado em procedimento fiscal, o evidente intuito de fraude, nos termos da lei. EMPRESAS PARTICIPANTES DAS OPERAÇÕES. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Restando caracterizado o interesse comum de empresa do grupo que participou, juntamente com a contribuinte, das operações que motivaram a autuação, mantémse a responsabilização (solidária) da referida empresa CSLL Aplicamse aos lançamentos da CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ, naquilo em que há similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A responsável solidária, Expressa Distribuidora de Medicamentos LTDA, e Recorrente, Expressa Serviços Administrativos LTDA, apresentaram recursos voluntários em que alegou o cumprimento dos requisitos previstos n Lei nº 12.973/2014 para dedução de valores a título de subvenção para investimento, inclusive relativo à benefícios de ICMS concedidos a titulo de subvenção. Em relação ao rateio de despesas, afirma se tratar de rateio legítimo entre empresas que operam como grupo econômico fundado na participação percentual das empresas para as receitas globais do grupo. Dessa forma não haveria prejuízo ao erário, pois a redução da base em uma, implica aumento na outra. Além disso, sustenta que em nenhum momento teve como objetivo fraudar os cofres públicos por meio da ocultação das exclusões. Também não prejudicou a fiscalização, pelo contrário terá atendido todas as intimações, e prestado todas as informações requeridas. Nesse contexto, não vislumbra presentes os requisitos autorizadores da majoração da multa. Aduz ainda que a multa imposta viola o princípio da capacidade contributiva e da vedação ao efeito de confisco. Fl. 8004DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.114 4 A Recorrente, Expressa Serviços Administrativos LTDA, ainda juntou petição suplementar alegando a aplicação dos §§ 4º e 5º do art. 30 da Lei n. 12.973/2014, introduzidos pela Lei Complementar nº 160/2017. A Responsável ainda aduz não estarem presentes os requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 124, I do CTN: Além disso aduz que é condição essencial para aplicação do art. 124, I do CTN e as partes interessadas estejam no mesmo polo de uma determinada relação jurídica. É o relatório. Fl. 8005DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.115 5 Voto: A DRJ manteve o auto de infração no que computou na apuração do lucro real as importâncias anteriormente excluídas de sua base de cálculo à título de subvenção, sob o fundamento de que o Regime Especial de Tributação a qual faz jus, conferido pelo Estado do Ceará não cumpre os requisitos para ser considerado uma subvenção para investimento. Nos termos do voto do relator, depreendese que no Regime de Especial de Tributação (cópia acostada aos autos) adotado pela Interessada não há qualquer previsão para estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos, assim não resta duvidas, que, sob o aspecto da legislação do imposto de renda, que as importâncias excluídas do lucro real, de que tratam os lançamentos tributários, não se enquadram como subvenções para investimento, previstas no artigo 443, do RIR/99. Em sede de memoriais pretende a recorrente aplicação da Lei Complementar 160/2017, que a título de resolver a guerra fiscal do ICMS ainda tratou de resolver questão antiga relativa à dedutibilidade dos benefícios concedidos ilegalmente pelos Estados: Fl. 8006DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.116 6 “Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: ‘Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados.’ (NR) Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar.” O art. 3 da Lei Complementar 160/2017 dispõe que: Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1o O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste Fl. 8007DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.117 7 artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2o A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3o Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4o A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5o O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior Fl. 8008DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.118 8 ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6o As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7o As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2o deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8o As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2o, enquanto vigentes. A matéria foi então objeto do Convênio Confaz n. 190/2017. Consultando o sítio do CONFAZ, onde constam os benefícios fiscais indicados nos termos do Convênio CONFAZ n. 190/2017 (https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodepositocvicms19017 1), e posteriormente, verificando os Decretos Estaduais que teriam publicitado os benefícios regularizados, a saber Decretos Estaduais nº nº 32.563, de 26 de março de 2018, Decreto nº 32.755, de 11 de julho de 2018 e Decreto nº 32.766, de 25 de julho de 2018, verifiquei que ali se encontra o Decreto nº 29.560/2008 que embasa o regime especial adotado pela Recorrente. Nessa perspectiva, o fundamento adotado pela r. DRJ perde sua razão de ser, uma vez que estão presentes os requisitos previstos nos arts. 9º e 10 da Lei Complementar nº 160/2017. Nessa linha o quanto decidido nos autos do Processo administrativo nº 10903.720017/201551, acórdão n 1402003.711, j. 24/01/2019, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ADVENTO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 160/17. APLICAÇÃO AOS PROCESSOS EM CURSO. INTERPRETAÇÃO RACIONAL E SISTEMÁTICA COM AS NORMAS VIGENTES À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. PROVA DE REGISTRO E DEPÓSITO. ATENDIMENTO AOS ARTS. 9 e 10. CANCELAMENTO DA EXAÇÃO. O disposto nos artigos 9 e 10 da Lei Complementar nº 160/17 tem aplicação imediata aos processos ainda em curso, retroativamente em relação aos fatos geradores, devendo ser interpretados sistematicamente com as normas vigentes ao tempo das circunstâncias colhidas. Após tal alteração legislativa, a averiguação da efetiva aplicação dos recursos tratados pelo contribuinte como subvenções de investimentos em projetos de implementação e expansão de seus negócios é irrelevante para a exclusão dos valores correspondentes do cálculo do Lucro Real, Fl. 8009DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.119 9 assim como qualquer outro elemento relacionado a essa exigência, agora legalmente superada. Tratandose de subvenção, efetivada por meio de créditos de ICMS, concedida por estado da Federação à revelia do CONFAZ e suas regras, uma vez trazida aos autos a prova do registro e do depósito abrangendo a benesse sob análise, nos termos das Cláusulas do Convênio ICMS nº 190/17, resta atendido o art. 10 da Lei Complementar nº 160/17. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento de ofício do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Transcrevo excerto do voto do Conselheiro Caio Quintela proferido naquele voto que muito acuradamente apresenta o tratamento tributário aplicável às subvenções para a subvenções para investimento: Mais do que isso: o art. 30 da Lei nº 12.973/14 ¬ e a própria MP 627/13 não eram vigentes à época dos fatos geradores. Mesmo que a Lei Complementar nº 160/17 carregue norma com efeitos retroativos e faça alteração direta em tal dispositivo, não poderia ser imputado à Contribuinte, como infração fiscal, o cumprimento de norma que não era plenamente vigente e, muito menos, cogente, para fins tributários, à época dos fatos. A interpretação da sua aplicação deve ser sistemática, racional e considerar a neutralidade fiscal de parte das normas vigentes à época dos fatos geradores. Nesse sentido, em 2012, estava a Contribuinte sujeita ao RTT e às disposições da Lei nº 11.941/2009, como será melhor visto a seguir. (...) A figura das subvenções, que pode ser tida de maneira geral como um auxílio econômico prestado pelo Estado, é antiga no Direito nacional, sendo figura presente já na Lei nº 4.320/64, que diferencia as subvenções sociais das econômicas, habitando a regulamentação das finanças públicas, assim como a Lei das S/A, quando esta trata do patrimônio líquido das companhias, determinando a classificação e registro como reserva de capital das subvenções de investimento percebidas nas contas das companhias. Ganhando pertinência tributária, mais especificamente para o Imposto de Renda, o DecretoLei nº 1.598/77, logo depois alterado pelo DecretoLei nº 1.730/79, previu a exclusão dos valores relativos às subvenções para investimento da apuração do lucro real, na condição de instrumento estatal financeiro de fomento econômico e de patrocínio do desenvolvimento da iniciativa privada. Tal matéria foi imediatamente regulada pelo Parecer Normativo CST nº 112/78. Até esse referido momento, as subvenções de investimento não transitavam pelo resultado das companhias, restando registradas apenas nas contas patrimoniais, Fl. 8010DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.120 10 especificamente em reserva de capital (conta Capital Social, dentro do Patrimônio Líquido) a teor daquilo expresso no art. 443 do RIR/99. Posteriormente, inaugurando a implementação do IFRS no Brasil, a alínea "d" do art. 182 da Lei das S/A, a qual expressamente previa o registro de subvenções para investimento naquela conta do Capital Social, foi revogado pela Lei nº 11.638/2007. Observe que a alteração foi puramente de norma contábil e não tributária. Ainda nesse cenário transitório, e diante da inserção do art. 195A na Lei das S/A, com advento da Lei nº 11.638/2007 , e também por força das disposições da Lei nº 11.941/2009, os valores referentes às subvenções de investimento passaram a transitar pelo resultado das empresas não obstante o próprio art. 18 da Lei nº 11.941/2009 prever a sua exclusão do LALUR e manutenção em conta de Reserva de Lucros (Reserva de Incentivos Fiscais), quando não se promover destinação diversa do numerário. Posto isso, como dito, no anocalendário de 2012, a Contribuinte estava sujeita às regras do RTT, trazidas pelas Lei nº 11.941/2009, que regulava o tratamento da oneração tributária das subvenções de investimento, nos termos do seu art. 18: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: Fl. 8011DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.121 11 I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2o O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3o Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes. Como se observa, a legislação vigente ao tempo dos fatos colhidos, que já regulava o trânsito de tais valores pelo resultado e a sua exclusão (ou adição) no cálculo do Lucro Real, determina a sua tributação em face apenas de destinação diversa da hipótese do inciso III, do art. 18 colacionado, que simplesmente menciona manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Porém, não só era o art. 195A da Lei das S/A uma inovação inaugurada pela Lei nº 11.638/07, como o próprio § 2º deste art. 18 vinculava sua aplicação ao disposto no § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (correspondente integral ao art. 443 do RIR/99), que ainda mencionava a nomenclatura contábil da reserva de capital e permitia a sua utilização para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, remetendo aos limites do art. 545 do RIR/99, que, igualmente, já previa a tributação de tais valores em casos de destinação diversa. Desse modo, considerando a legislação competente sobre a matéria, vigente no anocalendário de 2012 (especialmente o art. 18 da Lei nº 11.941/09 e os arts. 443 e 545 do RIR/99), dentro da sua devida interpretação sistemática, somente podese exigir da Contribuinte a tributação dos valores de subvenção de investimento que tiveram a efetiva destinação diversa da absorção de prejuízos e manutenção em reserva de capital. Adotada essa premissa, não há nos autos qualquer informação relativa ao desvio de finalidade na segregação de tais valores nos autos que ensejasse a sua inclusão na base tributável. É claro que a despreocupação da fiscalização em verificar tal condicionante está na ausência de regulamentação específica relativa aos benefícios estaduais há época dos fatos – que só veio recentemente com a Lei Complementar 160/2017. Fl. 8012DF CARF MF Processo nº 10380.722184/201745 Resolução nº 1402000.835 S1C4T2 Fl. 1.122 12 Por tais razões, reputase necessário que o julgamento seja convertido em diligência para confirmação da regular destinação das receitas de subvenção a reserva, bem como para juntada dos mencionados compromissos firmados para aplicação em implantação e expansão de unidade industrial, para obtenção do incentivo fiscal estadual. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 8013DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905223/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.755
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 52 23 /2 01 2- 28 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10675.905223/201228 Acórdão n.º 3201004.755 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09053.075, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de PIS. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09053.075. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10675.905223/201228 Acórdão n.º 3201004.755 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.905223/201228 Acórdão n.º 3201004.755 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10675.905223/201228 Acórdão n.º 3201004.755 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.187) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017228/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE IRPF A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA.
Não comprovado recolhimento antecipado de IRPF a título de ganho de capital, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência do art. 150, § 4°., do CTN, nem do Enunciado de Súmula CARF n. 123, incidindo, destarte, a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018.
Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
Numero da decisão: 2402-007.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, alínea "d", do Decreto-Lei nº 1.510/1976, em face da alienação das participações societárias objeto do lançamento, restando este integralmente desconstituído.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE IRPF A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. Não comprovado recolhimento antecipado de IRPF a título de ganho de capital, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência do art. 150, § 4°., do CTN, nem do Enunciado de Súmula CARF n. 123, incidindo, destarte, a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, alínea "d", do Decreto-Lei nº 1.510/1976, em face da alienação das participações societárias objeto do lançamento, restando este integralmente desconstituído. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
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DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE IRPF A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. Não comprovado recolhimento antecipado de IRPF a título de ganho de capital, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência do art. 150, § 4°., do CTN, nem do Enunciado de Súmula CARF n. 123, incidindo, destarte, a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510/1976, em face da alienação das participações societárias objeto do lançamento, restando este integralmente desconstituído. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 72 28 /2 00 9- 81 Fl. 480DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 481 2 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 388/422) em face do Acórdão n. 02 41.313 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 344/367), que julgou procedente em parte a impugnação de efls. 298/330, mantendo em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2004; 2005; 2006; 2007 e 2008 no montante de R$ 2.751.435,84 (efls. 05/37) sendo R$ 1.268.626,96 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 531.338,85 de juros de mora calculados até 31/08/2009 e R$ 951.470,03 de multa proporcional calculada sobre o principal com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação das ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135. Cientificada do lançamento em 20/10/2009 (efl. 07), a contribuinte, inconformada, apresentou, em 18/11/2009, por meio do seu representante legal, impugnação (e fls. 298/330), aduzindo, preliminarmente, decadência do lançamento, e, no mérito: i) direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei n. 1.510/76; ii) condição suspensiva (não ocorrência do fato gerador até o seu implemento); iii) apuração do percentual do ganho de capital; iv) apuração dos juros; e v) redução do valor do Auto de Infração. A impugnação (efls. 298/330) foi julgada parcialmente procedente pela instância de piso, nos termos do Acórdão n. 0241.313 (efls. 344/367), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA QUINQUENAL. Diante da ausência de qualquer pagamento prévio, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao Fl. 481DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 482 3 contribuinte.As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como se a venda fosse à vista e o imposto deve ser pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida. IMPLEMENTO DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. FATO GERADOR. FLUÊNCIA DE JUROS. Na alienação sob condição suspensiva, em que a eficácia do negócio jurídico está condicionada à aprovação de órgão governamental, reputase ocorrido o fato gerador (alienação) na data da homologação. Os pagamentos recebidos em data anterior, inclusive parcela referente a sinal, devem ser considerados para fins fiscais na data do implemento da condição suspensiva, momento em que se inicia a fluência de juros moratórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE DE PARCELA. Os juros incidentes sobre as parcelas de alienação de ações são tributados mediante a aplicação de alíquotas progressiva do IRPF do ano respectivo em que for recebido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A impugnante, agora Recorrente, foi cientificada do Acórdão n. 0241.313 (e fls. 344/367) em 11/01/2013 (efls. 386/387) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 07/02/2013 (efls. 388/422), oportunidade em que repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados quando da impugnação (efls. 298/330), inclusive no que diz respeito à preliminar de decadência e às questões de mérito. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 483 4 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O Recurso Voluntário (efls. 388/422) já foi conhecido por este Colegiado. Passo à análise. Os presentes retornam de diligência solicitada nos termos da Resolução n. 2402000.632 (efls. 432/433), atendida conforme Informação Fiscal de efls. 446/452. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 38/64) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (efls. 05/37) a fiscalização teve como objeto a operação de alienação da participação societária que a contribuinte SIMONE GARCIA PORCARO CPF 001.446.95618 detinha junto à Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 e à Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 à pessoa jurídica Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 , bem assim à pessoa jurídica BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 , respectivamente. As ações alienadas foram adquiridas em 10/02/1979 por sucessão hereditária, conforme denuncia o TVF (efls. 38/64), verbis: 1.3.2 As ações alienadas foram adquiridas por sucessão hereditária em 10 de fevereiro de 1979, sendo que o custo corresponde a 10% (Dez por cento) do capital social de cada uma das empresas na data da alienação, já que este valor corresponde à integralização do capital na data da constituição, acrescido da incorporação de reservas até àquela data. Assim o custo das Ações da Cia São Geraldo e Viação Nacional, correspondem, na data da alienação, a R$4.196.000,00 (Quatro milhões cento noventa e seis mil reais) e R$260.000,00(Duzentos e sessenta mil reais), respectivamente.(grifei) Conforme o TVF (efls. 38/64), as ações da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foram alienadas em 02/02/2004 para a Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 10%, cada uma, das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta a contribuinte SIMONE GARCIA PORCARO CPF 001.446.95618; b) Empresa e Participações Augusto Braga Filho Ltda. CNPJ 25.612.300/000152, que era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada; c) Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que igualmente era titular de 25% (vinte e cinco por cento) de ações representativas do capital social da empresa alienada. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 484 5 O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 154.000.000,00 a ser pago pela Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149 nas seguintes condições: i) sinal: R$ 10.000.000,00; ii) complementação do sinal: R$ 10.365.000,00 até o dia 05/05/2004; iii) saldo de R$ 133.635.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP(M) da FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 2.265.000,00. Por sua vez, nos termos do TVF (efls. 38/64), as ações da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 também foram alienadas em 02/02/2004 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104 e eram de titularidade de: a) cinco pessoas físicas, denominadas no contrato de Família Porcaro, as quais possuíam 50% das ações representativas do capital da empresa alienada. Entre aquelas pessoas físicas consta a contribuinte SIMONE GARCIA PORCARO CPF 001.446.95618; b) Família Braga, os quais possuíam 25% das ações representativas do capital social da empresa alienada; c) dos quotistas da Empresa e Administração Paula Maciel Ltda. CNPJ 21.622.428/000146, que possuíam 25% de ações representativas do capital social da empresa alienada. O preço livremente pactuado entre as partes, incluído a totalidade das participações societárias, foi fixado em R$ 6.000.000,00 a ser pago pela BH Parking nas seguintes condições: i) sinal: R$ 572.000,00 a ser pago até o dia 05/05/2004; ii) saldo de R$ 5.428.000,00 em 59 parcelas com vencimentos mensais e sucessivos, sendo a primeira no dia 20/02/2004, proporcionalmente à quantidade de ações e quotas de titularidade de cada um dos alienantes. As parcelas serão corrigidas pelo IGP (M) da FGV e INPC do IBGE desde 20/12/2003 até a data de vencimento de cada uma delas. Cada parcela totaliza R$ 92.000,00. De acordo com os instrumentos particulares de compra e venda de participações societárias e seus anexos, em 02/02/2004 a contribuinte era titular de ações representativas de 10% do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 que à época era de R$ 41.960.000,00 , bem como era titular dos mesmos 10% do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 que à época era de R$ 260.000,00. Na data de 02/02/2004, a contribuinte vendeu a totalidade de suas ações do capital social da Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 para Gontijo Participações S/A CNPJ 25.583.659/000149. Na mesma data, a contribuinte vendeu também Fl. 484DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 485 6 a totalidade de suas ações do capital social da Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/0001 35 para a BH Parking S/A (BH Holding S/A) CNPJ 71.109.268/000104. Em ambas transações foi estipulada, nos termos do art. 125 do Código Civil Lei n. 10.406/2002 , condição suspensiva de eficácia dos referidos instrumentos à obtenção prévia da Agencia Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, em conformidade com os contratos de compra e venda de participações societárias e outras avenças (efls. 78/102 e 103/123). Considerando que a Cia. São Geraldo de Viação CNPJ 19.315.118/000137 foi vendida por R$ 154.000.000,00 coube à contribuinte receber a quantia de R$ 15.400.000,00 (10%). Por sua vez, como a Viação Nacional S/A CNPJ 61.898.813/000135 foi vendida por R$ 6.000.000,00 coube à contribuinte receber a quantia de R$ 600.000,00 (10%). Desta forma, verificouse que a contribuinte auferiu ganho de capital nas vendas das participações societárias sob exame correspondente à diferença positiva entre o valor de alienação das citadas quotas e o respectivo custo, conforme discriminado abaixo: Ações Vendidas Valor da Venda (R$) Custo de Aquisição (R$) Ganho de Capital (R$) Cia. São Geraldo 15.400.000,00 4.196.000,00 11.204.000,00 Viação Nacional 600.000,00 260.000,00 340.000,00 O custo de aquisição das ações em apreço foram obtidos conforme o regramento do § 2º. do art. 16 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. Nas alienações em tela, os percentuais resultantes da relação entre o ganho de capital total e o total da alienação correspondem a 72,75325% referentes à alienação das ações da Cia. São Geraldo e 56,66667% à alienação das ações da Viação Nacional. Tais percentuais devem ser aplicados aos valores de cada parcela recebida nos anoscalendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008 pelas vendas das participações societárias. O efetivo recebimento das parcelas, por parte da contribuinte, foi comprovado pela documentação bancária fornecida pelas empresas pagadoras. Considerando que, conforme disposição contratual, os preços de aquisições das participações societárias em apreço seriam pagos em parcelas corrigidas e sujeitas a ajustes de acréscimos e reduções de preço, os montantes correspondentes à correção mensal pela média aritmética do IGPM e do INPC deveriam ter sido tributados na fonte pelas empresas, mediante aplicação de alíquotas progressivas, consoante tabelas de cálculo de IRPF vigentes à época dos fatos, e informados pela contribuinte em suas respectivas DIRPF a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, vez que a tributação de tais montantes deveria ter sido realizada em separado da tributação do ganho de capital apurado nas alienações em tela. A Fiscalização da RFB verificou que a contribuinte omitiu, nos anos calendário 2004; 2005; 2006; 2007; e 2008, os ganhos de capital apurados em cada pagamento recebido da Gontijo Participações Ltda. e da BH Parking (BH Holding S/A) obtidos mediante incidência dos percentuais de 72,75% e de 56,66%, respectivamente sujeitos à incidência de IRPF à alíquota de 15% decorrendo, destarte, o lançamento de ofício conforme discriminado Fl. 485DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 486 7 no Auto de Infração IRPF (efls. 05/37), observandose as tabelas elaboradas pela fiscalização “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Cia São Geraldo” e “Demonstrativo dos Valores Recebidos pela Alienação das Ações do Capital Social da Viação Nacional”, indicam o valor total, os juros, a parcela que gera incidência do imposto e o ganho de capital efetivo calculado de acordo com a Instrução Normativa n. 84/2001. Em oposição ao fato de a contribuinte ter indicado nas respectivas DIRPF 2005; 2006; 2007; 2008; e 2009, no campo rendimentos isentos e não tributáveis, o artigo 4º, “d” do DecretoLei n. 1.510/1976, que trata da isenção do imposto de renda nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, a autoridade lançadora não considerou tal pretensão, pois o fato gerador ocorreu já na vigência da Lei n. 7.713/88, que revogou a isenção pretendida. Estes são os fatos. Da Preliminar de Decadência No tocante à alegação de decadência suscitada pela Recorrente é fundamental que se investigue qual o momento da ocorrência do fato gerador nas operações relativas ao ganho de capital da pessoa física. Na perspectiva da Recorrente, o fato gerador, nesse caso, ocorreria no momento da alienação (mês da venda), pois tratase de fato gerador instantâneo, no qual o tributo é devido no momento em que o sujeito passivo pratica a conduta típica. Outrossim, alega ainda que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, pois nesta modalidade o que se homologa é a atividade de lançamento exercida pelo contribuinte. Também, segundo a Recorrente "equivocase o acórdão quando diz que não houve pagamento de IRPF no ano de 2004 (data da ocorrência do fato gerador)." Isto porque, conforme declaração de rendimentos da Recorrente anexada aos autos, houve apuração de imposto na declaração de ajuste, não resultando em saldo a pagar, mas saldo a restituir, uma vez que sofreu retenções na fonte sobre os rendimentos percebidos no ano. Assim, a retenção na fonte equivale ao seu pagamento, motivo pelo qual a decadência efetivamente ocorreu. A instância de piso, por sua vez, entendeu que, pelo fato de não haver pagamento, o lançamento não se submete à regra especial do art. 150, § 4°. do CTN, mas sim ao disposto no art. 173, I, do Codex tributário. Pois bem. É cediço que nas operações de vendas parceladas a apuração do ganho de capital e o fato gerador do IRPF ocorrem em momentos distintos. Assim, o aspecto temporal do fato gerador ocorreria no momento do efetivo recebimento de cada parcela pactuada. Com efeito, verificase que nas alienações parceladas a apuração do ganho de capital ocorre no momento da realização do negócio, como venda à vista. Todavia, para a tributação do IRPF, de acordo com o percentual de ganho de capital relativo a cada parcela, será considerada a data de recebimento. Apurase o ganho de capital e o percentual referente a cada parcela na data da alienação, no entanto, a tributação do IRPF devido pelo sujeito passivo ocorre nas datas de recebimento de tais parcelas. É o que estabelece a legislação tributária, pois Fl. 486DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 487 8 no momento da alienação ainda não há imposto devido, uma vez que o fato gerador e a respectiva obrigação tributária surgem com a aquisição das disponibilidades representadas pelos valores decorrentes da operação de venda. De se observar que a constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa privativa, vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, não admitindo delegação de competência ao sujeito passivo ou a terceiro. Desta forma, na modalidade de lançamento por homologação, a legislação do tributo comete ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento do tributo porventura devido e cumprir deveres instrumentais e formais, dando conhecimento de tais fatos à autoridade administrativa. Todavia, esta atividade exercida pelo contribuinte não se confunde com o lançamento em si, que só ocorrerá no momento em que a autoridade tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado a homologue. É apenas nesse momento que a atividade legalmente cometida ao contribuinte se converterá em lançamento. Entretanto, deve haver, necessariamente, a antecipação do pagamento do tributo devido, pois o que se homologa é o pagamento. Logo, não basta que o contribuinte tenha cumprido o dever formal de apresentar a declaração de ajuste anual, se não houver declarado corretamente o imposto devido e antecipado o seu pagamento. No caso de inexistência de pagamento, não há o que se homologar. Então, impõese à autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício, no que tange ao imposto que não foi pago. Assim, mesmo no lançamento por homologação, em que o auxílio prestado pelo contribuinte é maior do que nas demais modalidades, aquele não deixa de ser ato privativo do Fisco. No caso concreto, na data da alienação, em 02/02/2004, o ganho de capital foi apurado, havendo, consoante discriminado nos autos, pagamentos durante todo o ano de 2004 a partir daquela data (inclusive nos anoscalendário 2005 a 2008). Sobre as alienações a prazo, é oportuno destacar o disposto no art. 140 do Decreto n. 3.000/99, verbis: "Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. [...]" No mesmo diapasão segue o art. art. 2°., § 2°., e no art. 21, todos da Lei n. 7.713/88, verbis: "Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º (omissis) [...] Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 488 9 § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. [...] Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. [...]" Igualmente relevante colacionar a regra estampada no art. 31 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, a seguir reproduzido: "Art. 31 . Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. [...]" Quanto à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, convém resgatar o art. 43 do CTN, in verbis: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e roventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. [...]" No caso em análise, não restam dúvidas quanto à inexistência de pagamento de IRPF sobre ganho de capital no anocalendário 2004, vez que a Recorrente informou, na sua Fl. 488DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 489 10 DIRPF/2005 (efls. 224/228), os rendimentos decorrentes da alienação de ações como isentos e não tributáveis com fulcro no art. 40, alínea "d" do DecretoLei n. 1.510/76. A retenção na fonte (IRRF de R$ 16.041,92) que a Rcorrente, em sua peça recursal, equipara a pagamento de IRPF para fins de aplicação da regra do art. 150, § 4°., do CTN, não guarda nenhuma relação com o ganho de capital decorrente das alienações societárias em apreço, pois estão vinculados a outros rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$ 68.629,34), conforme informados na DIRPF/2005 (efls. 224/228), observandose ainda que a tributação do ganho de capital, não obstante ser informada na declaração de ajuste anual, com esta não se confunde, vez que possui rito próprio de apuração, não se prestando sequer para fins de dedução do imposto devido, esta restrita ao IRRF, Imposto Complementar, Carnê Leão e Imposto pago no exterior. Isto posto, restando caracterizada a ausência de recolhimento antecipado a título de ganho de capital, não há que se falar da regra especial decadência insculpida no art. 150, § 4°. do CTN, bem assim do Enunciado n. 123 Súmula CARF, incidindo, destarte, a regra geral estabelecida no art. 173, I, do CTN. Nessa perspectiva, considerando que os fatos em lide (apuração de ganho de capital na alienação das ações) referemse ao anocalendário 2004, o prazo decadencial iniciou se em 01/01/2006 e terminou em 31/12/2010. Como o lançamento em litígio aperfeiçoouse (foi constituído) em 20/10/2009 (efl. 07), não há que se falar em decadência, que resta afastada, por óbvio, para os anoscalendário seguintes (2005 a 2008). Rejeito a preliminar. Do Mérito No mérito, a Recorrente se insurge contra a instância de piso alegando isenção do DecretoLei n. 1.510/76 (direito adquirido); condição suspensiva (não ocorrência do fato gerador até seu implemento); erro na identificação do aspecto temporal da hipótese de incidência tributária; impropriedade na apuração de juros; redução do valor do Auto de Infração; metodologia equivocada para apuração do ganho de capital e dos juros. Muito bem. Iniciando a análise pela alegação de direito adquirido à isenção prevista no art. 4°., alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/1976, observase que as ações em apreço foram adquiridas em 10/02/1979, permaneceram com a Recorrente, não havendo, portanto, mudança de titularidade, e foram alienadas em 02/02/2004, em parcelas determinadas no contrato de venda, conforme já relatado. Pois bem. Na dicção do art. 62, § 1º., II, alínea "c", do RICARF, os conselheiros do CARF podem afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, quando houver Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Na espécie, as ações alienadas foram adquiridas em 10/02/1979 por sucessão hereditária, conforme informa o Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 38/64) e só vieram a ser alienadas em 02/02/2004. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 490 11 Destarte, verificase que a pretensão da Recorrente é objeto do Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros)” (grifei). Nessa perspectiva, é forçoso admitirse a procedência da alegação da Recorrente, vez que sua pretensão amoldase ao disposto no Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, restando assim improcedente o lançamento abrigado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (efls. 05/37). Por oportuno, julgo relevante destacar que em diversos julgamentos deste Colegiado posicioneime contra a referida isenção, que, não obstante o teor do superveniente Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, continua a ser o meu entendimento pessoal, conforme anotado no voto vencido dos Acórdãos n. 2402006.602 e n. 2402006.603, ambos da Sessão de Julgamento de 13 de setembro de 2018. Jurisprudência atual deste Colegiado (Sessão de Julgamento de 13/08/2018): Acórdão n. 2402006.602: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 [...] IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (grifei) Fl. 490DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 491 12 Acórdão n. 2402006.603: IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento os valores relativos às 4.696.399 ações, adquiridas anteriormente a 1983. Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.(grifei) Jurisprudência anterior deste Colegiado (Sessão de Julgamento de 04/07/2017): Acórdão n. 2402005.889 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 [...] ISENÇÃO. ART. 4º DO DECRETOLEI Nº 1.510/76. REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. Não havendo sido concedida a prazo certo, a isenção prevista no art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 foi revogada pela Lei nº 7.713/88, não havendo falar em direito adquirido a regime jurídico. [...](grifei) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, pelo voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild que davam provimento ao recurso. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 15504.017228/200981 Acórdão n.º 2402007.042 S2C4T2 Fl. 492 13 Conforme se observa da evolução jurisprudencial deste Colegiado, acima transcrita, à época do primeiro julgamento deste processo, na sessão de 09 de agosto de 2017, prevalecia a tese à qual me filio (contra a isenção), razão pela qual votei por converter o julgamento em diligência, junto à autoridade lançadora, no sentido de esclarecer, de forma detalhada e circunstanciada, as diferenças entre os valores apurados a título de juros/correção nas planilhas de efls. 61/64 do TVF parte integrante do Auto de Infração de efls. efls. 05/37 e aqueles informados pela Recorrente nas planilhas de efls. 416/418 do Recurso Voluntário em apreço. A autoridade lançadora atendeu plenamente à solicitação, conforme Informação Fiscal de efls. 446/452. Todavia, entre a data daquela sessão (09/08/2017) e o retorno dos autos, houve significativa mudança na jurisprudência deste Colegiado, conforme relatei acima, decorrendo, em homenagem ao Princípio do Colegiado, a minha submissão à tese vencedora, vez que o Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018 foi aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda e, nos termos do RICARF, pode ser aplicado pelos membros do CARF, inclusive, esclareçase, para evitar judicialização e indevida movimentação do aparato administrativo em questão já pacificada. Desta forma, uma vez que já resolvido o litígio na análise da primeira questão de mérito, é despicienda a apreciação das demais alegações consignadas no Recurso Voluntário (eefls. 388/422). Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e efls. 388/422), REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer o direito adquirido à isenção prevista no art. 4°., alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/1976 em face da alienação das participações societárias objeto do lançamento, restando este integralmente desconstituído. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 492DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.004458/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem junte aos autos cópia das DCTFs (original e retificadoras) do 4º Trimestre de 2002, expondo a data em que foram transmitidas e os valores de débito da Cofins nelas declarados para os PA's 11/2002 a 12/2002, código de receita 2172. Vencidos os Conselheiros Salvador Cândido Brandão Júnior e Semírames de Oliveira Duro, que deram provimento ao recurso voluntário e o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que negou provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem junte aos autos cópia das DCTFs (original e retificadoras) do 4º Trimestre de 2002, expondo a data em que foram transmitidas e os valores de débito da Cofins nelas declarados para os PA's 11/2002 a 12/2002, código de receita 2172. Vencidos os Conselheiros Salvador Cândido Brandão Júnior e Semírames de Oliveira Duro, que deram provimento ao recurso voluntário e o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1625.235 9ª Turma da DRJ/SP1, que considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração nº 1009125, lavrado, em 15/03/2007, para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 04 45 8/ 20 07 -5 1 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11610.004458/200751 Resolução nº 3301001.084 S3C3T1 Fl. 73 2 constituir multa de mora não paga em razão do recolhimento em atraso do tributo Cofins, períodos de apuração 11/2002 e 12/2002, no valor de R$ 43.145,40. Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir. Em auditoria fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi constatado “Multa paga a menor” da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 11/2002 e 12/2002 declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 15 e 16 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa perfazendo o total de R$ 43.145,40 (quarenta e três mil e cento e quarenta e cinco reais e quarenta centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 L 9430/96; Art 9 e par UN L 10426/02. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 11/04/2007 (Extrato dos CORREIOS Histórico do Objeto á fl. 22) o contribuinte protocolizou, em 10/05/2007 a impugnação de fls. 01 a 07 acompanhada dos documentos de fls. 0821, na qual alega: 2.1. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA: O Impugnante, reconhecendo o estado de mora em relação ao pagamento da COFINS, efetuou seu recolhimento em atraso, corrigido monetariamente e acrescido de juros de mora, antes da prática de qualquer auto de fiscalização por parte da Receita Federal. 2.2. Inserto na Seção IV, do Capítulo V do Título Il do CTN, que dispõe sobre a responsabilidade tributária por infrações `legislação tributária, o art. 138 preceitua, conforme reproduzido. 2.3. Do dispositivo supra transcrito, vêse claramente que, à exceção dos juros de mora, nenhum outro ônus pode recair sobre o contribuinte que denunciou espontaneamente seu débito e que, consequentemente, teve excluída a responsabilidade pela infração cometida. Reproduz jurisprudência. 2.4. Por fim, requer o Impugnante que o presente auto de infração seja cancelado em razão da impossibilidade da exigência de multa, seja ela punitiva ou moratória, nos casos em que houve denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do CTN. Protesta pela juntada dos documentos anexos e de outras provas em direito admitidas. Regularmente processada a Impugnação apresentada, a 9ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso apresentado e manteve o crédito tributário, conforme Acórdão nº 1625.235, datado de 07/05/2010, cuja ementa reproduzo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11610.004458/200751 Resolução nº 3301001.084 S3C3T1 Fl. 74 3 A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em que repisa os argumentos antes apresentados. Juntou, ainda, cópia da DCTF que deu origem ao Auto de Infração e de petição protocolada em 14/02/2003, direcionada ao Delegado da Receita Federal em São Paulo, na qual comunicou o recolhimento da Cofins, PAs 11/2002 e 12/2002, sem a multa de mora, para fins de denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A matéria destes autos concerne à aplicação do instituto da denúncia espontânea, estabelecido no art. 138, do Código Tributário Nacional, notadamente quanto a tributo sujeito a lançamento por homologação e declaração em DCTF. Tal assunto já se encontra pacificado no STJ à luz do que restou decido no REsp nº 1.149.022, julgado em 09/06/2010, sob a sistemática de recurso repetitivo, e na Súmula 360, de 27 de agosto de 2008, a saber: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11610.004458/200751 Resolução nº 3301001.084 S3C3T1 Fl. 75 4 Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) *** Súmula 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. (Súmula 360, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/08/2008, DJe 08/09/2008) *** Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11610.004458/200751 Resolução nº 3301001.084 S3C3T1 Fl. 76 5 Ressaltese que o entendimento do STJ no REsp nº 1.149.022 deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62 [...]§2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, inferese da decisão e da súmula supra citadas que o benefício da denúncia espontânea será aplicado aos casos em que não houver declaração do débito (ou em que houver declaração a menor) e o contribuinte realiza o pagamento integral (ou da diferença não declarada) antes de qualquer procedimento fiscal. Ou seja, o contribuinte primeiro recolhe os débitos e, posteriormente, declaraos em DCTF. No presente caso, a Recorrente realizou os pagamento da Cofins, PAs 11/2002 a 12/2002, nos valores principais de R$ 163.181,85 e 123.094,16, respectivamente, em 12/02/2003, portanto, em atraso, sem o acréscimo multa de mora. Ato contínuo, comunicou tal fato à Administração Tributário por intermédio da petição protocolizada em 14/02/2003, que deu origem ao Processo Administrativo nº 11610.002453/200380, para os efeitos de denúncia espontânea do art. 138 do CTN. O Auto de Infração aqui tratado, nº 1009125, foi lavrado em 15/03/2007 (ciência 11/04/2007) e teve como base a DCTF retificadora do 4º Trimestre de 2002, apresentada em 12/07/2006, nº 0000100200612294219. Nos presentes autos, porém, não há qualquer documento que comprove a data em que a DCTF original do 4º Trimestre de 2002 foi entregue/transmitida, nem a existência de DCTFs retificadoras transmitidas para o mesmo período, obstando a análise deste julgador acerca do exato momento em que houve a declaração/constituição dos débitos, pois estes já poderiam estar devidamente constituídos antes da realização dos recolhimentos, ou seja, antes de 12/02/2003. Nesse contexto, as informações sobre a data de entrega da DCTF original e sobre os valores nela contidos a título de Cofins para os PAs 11/2202 a 12/2002, bem como sobre a existência de demais DCTFs retificadoras, são indispensável para definir o alcance e aplicação da decisão e da súmula STJ. Em face do exposto, deve o processo ser encaminhado à unidade de origem, para que junte aos autos cópia das DCTFs (original e retificadoras) do 4º Trimestre de 2002, expondo a data em que foram transmitidas e os valores de débito da Cofins nelas declarados para os PA's 11/2002 a 12/2002, código de receita 2172. É como voto. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908379/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.692
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CESUSC COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 37 9/ 20 09 -8 1 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10983.908379/200981 Resolução nº 3201001.692 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que efetuou pagamento a maior da contribuição, sendo que utilizou este crédito para compensação com débitos de outros tributos; b) que havia crédito original, na data da transmissão da DCOMP, em montante suficiente para efetivar a compensação declarada, acreditando que o despacho decisório tenha indeferido o pleito pelo fato da empresa ter se equivocado na DCTF original, onde teria informado valor da contribuição maior que o efetivamente devido; c) que retificou a DCTF corrigindo a informação (conforme documento em anexo), pelo que será possível identificar a existência do crédito e a validade do PER/DCOMP transmitido. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.684, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10983.904405/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10983.908379/200981 Resolução nº 3201001.692 S3C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.684): "Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente ao recolhimento a maior de tributos. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que após a apuração e recolhimento do tributo calculado, verificou que incorreu em erro no preenchimento de sua DCTF e DACON, acarretando em recolhimento a maior. Descreve os valores declarados e aqueles efetivamente devidos, visando a demonstrar o alegado recolhimento a maior. Esclarece que verificado o erro a partir da intimação do despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF original. Foram anexadas à Manifestação de Inconformidade cópias das declarações mencionadas e do Razão Consolidado do Período A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação apresentada ao argumento de que a posterior retificação da DCTF não tem o condão de validar o crédito postulado, uma vez que este deveria estar disponível ao contribuinte antes da apresentação do PER/DComp: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP e até mesmo posteriormente à emissão e intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa acrescenta à documentação as cópias do Termo de abertura e encerramento do livro diário e cópias do período em exame. Na hipótese dos autos, entendo não ter ocorrido não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que a Fiscalização, apegandose a aspectos formais relacionados às declarações prestadas pelo contribuinte, deixou de examinar as alegações de erro pelo contribuinte e a documentação pertinente apresentada. Discordo, contudo, do posicionamento adotado pela Autoridade Julgadora. A alegação de erro na prestação de informações pelo sujeito passivo pode e deve ser verificada no curso do processo administrativo fiscal, que, como é cediço, preza pela verdade material dos fatos. Erro não é fato gerador de obrigação tributária. Ainda que concorde ser inviável a retificação da DCTF após o despacho decisório, tal fato não impede a comprovação do erro em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, como o presente. Por óbvio que a alegação de erro deve vir acompanhada da documentação pertinente, e isso se verifica na hipótese dos autos. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10983.908379/200981 Resolução nº 3201001.692 S3C2T1 Fl. 5 4 Quanto ao fato de ter sido juntada documentação adicional em sede de Recurso Voluntário, tenho que, na hipótese dos autos, tal circunstância não impede a sua apreciação. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respectivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário que visam à comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10983.908379/200981 Resolução nº 3201001.692 S3C2T1 Fl. 6 5 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário, que visam comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010656/2006-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84).
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF de origem.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF de origem. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 06 56 /2 00 6- 67 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório TELASA CELULAR S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com indébito de estimativa de IRPJ recolhida em 30/05/2003. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. 02/06, transmitida em 27/12/2004, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ com debito de sua responsabilidade. 0 crédito inicial informado, no valor de R$ 393.507,06, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ apurado por estimativa no mês de abril de 2003. 2. Em diligencia realizada pela Delegacia da Receita Federal no Recife — DRF/Recife (relatório de fls. 07/10), concluiuse pela inexistência do crédito apontado na DCOMP, tendo em conta que, conforme preceitua o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor a maior pago por estimativa ao final do período de apuração. Por meio do Despacho Decisório de fl. 11, a autoridade a quo, acatando os fundamentos expostos no relatório, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. 3. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da TELASA CELULAR S/A, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 17/29), alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife; b) que, quando muito, o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, impediria a compensação do IRPJ e da CSLL pagos a maior com tributos, e não com eles próprios, e que esse entendimento esta exposto no "perguntas e respostas" do sitio da Receita Federal; c) que, se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2003; d) que possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do anocalendário 2003. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; e) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do Fl. 140DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 4 3 crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN). 4. Ao final, requereu a reforma do despacho decisório, para que sejam homologadas as compensações. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, reafirmando a impossibilidade de apuração de indébito em recolhimentos de estimativa, na forma do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e defendendo a validade desta vedação, vez que o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96 somente admite a compensação de créditos passíveis de restituição ou ressarcimento, e as estimativas, sendo mera antecipação, não extinguem o crédito tributário e não dão origem a pagamento indevido ou a maior, interpretação que teria respaldo em diversos outros normativos editados desde a inauguração da sistemática de apuração do imposto de renda sobre base estimada. Observou que caberia ao sujeito passivo pleitear corretamente o indébito como saldo negativo e esclareceu a correlação entre este processo e do de nº 19647.009690/200699, no qual a infração de dedução indevida de estimativas compensadas indevidamente foi afastada por aplicação da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, dada a possibilidade de cobrança das referidas estimativas por meio do presente processo. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que ,integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas â. observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 5 4 Cientificada da decisão de primeira instância em 19/10/2009 (fl. 73, efl. 95), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/11/2009 (fls. 75/90, efl. 98/113), no qual argumenta que seu direito creditório deveria ser, necessariamente, analisado como saldo negativo do anocalendário 2003, utilizado apenas em parte para compensação com os débitos indicados na DCOMP. Aduz também que o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 não tem amparo legal, vez que ausente qualquer vedação neste sentido no art. 74 da Lei nº 9.430/96, mormente tendo em conta que §14 daquele dispositivo não permite à Receita Federal restringir direitos à compensação. Argumenta, ainda, que a compensação de estimativas recolhidas indevidamente a maior já é admitida pela Receita Federal nos meses anteriores, e assim a vedação em questão somente poderia impedir, quando muito, a compensação com tributos distintos do IRPJ ou da CSLL. Reitera que teria apurado saldo negativo ao final do anocalendário de 2003 e, subsidiariamente observa que, caso seus argumentos não sejam acolhidos, então que se reconheça a sua dependência em relação ao processo administrativo nº 19647.009690/200699 que, ao apontar indedutibilidade de amortização de ágio realizada pela sucedida Tim Nordeste S/A, teria motivado a nãohomologação aqui em debate. Prossegue discorrendo acerca da revisão promovida no processo administrativo nº 19647.009690/200699 para anotar que os 160 (cento e sessenta) despachos decisórios de nãohomologação de estimativas teriam resultado em exigência superior ao excluído na revisão, a evidenciar que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, inadmissível segundo a legislação que expõe. Ao final, pede que o despacho decisório da DRF/Recife seja reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. Os autos foram originalmente distribuídos para relatoria da Conselheira Maria de Lourdes Ramirez que os restituiu à Presidência da 3ª Câmara para regularização da digitalização. Com a extinção da 1ª Turma Especial da 3ª Câmara, os autos foram objeto de novo sorteio, sendo atribuídos à relatoria desta Conselheira. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora A compensação em litígio nestes autos, declarada em 27/12/2004, tem por objeto crédito de recolhimento a maior de estimativa de IRPJ apurada em abril/2003 e débito de estimativa de IRPJ devida em novembro/2004. A nãohomologação, cientificada ao sujeito passivo em 02/04/2007, decorreu, apenas, da constatação de que o indébito teria origem em recolhimento de estimativa mensal que, por sua natureza, somente poderia ser utilizado ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. A recorrente, porém, observa que em outubro/2006 foi cientificada dos lançamentos formalizados nos autos do processo administrativo nº 19647.009690/2006/99, dos quais constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 6 5 CSL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSL devidos por estimativa mensal. Revisão posterior destes lançamentos, em razão da Solução de Consulta COSIT nº 18/2006 e destinada a evitar cobrança em duplicidade, resultaram na exclusão daqueles autos de certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC, dentre os quais o débito aqui compensado com o indébito de estimativa apurado em abril/2003. A autoridade julgadora de 1ª instância assim se manifestou acerca da relação entre este e o processo administrativo nº 19647.009690/200699: 28. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.0096901200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 29. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em consequência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao fina1 dos anoscalendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 30. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de divida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 31. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.0096901200699 é que foi influenciado por este, e não o contrario. É através do presente processo que o débito da estimativa não homologada será cobrado, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. 0 não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e o débito que sell cobrado por via do presente processo é rigorosamente aquele espontaneamente declarado pela contribuinte na DCOMP. Não sofreu, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.0096901200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. O relato contido no Acórdão nº 1402001.876, que apreciou o litígio formado nos autos do processo administrativo nº 19647.009690/200699, confirma estas circunstâncias: Tratase de autos de infração de IRPJ (período 01/2000 a 12/2004) e CSLL (período 01/1998 a 12/2004), cumulados com juros, multa de ofício e multa isolada, apurados em decorrência da glosa de exclusão indevida na apuração do Lucro Real (fls. 424/463 digital, 209/248 papel). A ciência foi tomada em 30/10/06. A Tim Nordeste S/A (antiga Maxitel S/A), foi autuada em razão da sua condição de sucessora da Tim Nordeste Telecomunicações S/A (antiga Telpe Celular S/A), que, por sua vez, sucedeu as empresas: Telasa Celular S/A, Teleceará Celular S/A, Telern Celular S/A, Telepisa Celular S/A e Telpa Celular S/A. Conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 482/538, 265/321 papel) as infrações apuradas podem ser resumidas da seguinte forma: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 7 6 [...] Infração 6. Deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas. Glosa de dedução de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa. A fiscalização não conseguiu confirmar créditos informados em diversas DCOMP’s transmitidas pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 1998 a 2004); e Infração 7. Multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidas por estimativa mensal. Em razão das infrações apuradas acima, sustenta a fiscalização que as empresas sucedidas teriam deixado de recolher (ou teriam recolhido a menor) os valores devidos pelas estimativas de IRPJ e CSLL, sujeitandose, portanto, à multa isolada de 50%. Envolve as empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 4º trimestre de 2001, 2002 a 2004 e CSLL 1998 a 2004). Em relação a esta última infração, no que toca ao IRPJ, esclareçase que foram lançadas apenas as diferenças a maior apuradas com base nas novas infrações levantadas para os meses de outubro, novembro e dezembro do anocalendário de 2001, haja vista que no processo n°. 19647.012821/200534 já está sendo cobrada multa isolada (IRPJ estimativa) para esses meses (Encerramento Parcial), contra a empresa Tim Nordeste Telecomunicações S/A (CNPJ 02.336.993/000100 incorporada). Com relação a CSLL, da mesma forma, foram lançadas apenas as diferenças a maior apuradas para o anocalendário 2001, com base nas novas infrações apuradas, uma vez que no processo n°. 19647.012818/200511 já está sendo cobrada a multa isolada (CSLL Estimativa) para esse ano (Encerramento Parcial). Vale notar, para logo, que após a impugnação dos autos de infração, a Fiscalização produziu um Relatório de Informação Fiscal, por meio do qual procurou aplicar a Solução de Consulta Interna COSIT nº. 18, de 13/10/06. Com isso, os valores lançados referentes às infrações 6 e 7 foi revisto de ofício, diminuindo o montante da exigência contida no presente processo. O Relatório de Informação Fiscal às efls. 117/121 evidencia que, nos autos do lançamento nº 19647.009690/200699, a autoridade lançadora excluiu os tributos lançados em razão das estimativas não recolhidas, porque compensadas, bem como as multas isoladas aplicadas em razão desta falta de recolhimento. Dentre elas possivelmente se encontrava a parcela da estimativa de novembro/2004 aqui compensada. Esta, portanto, é a correlação que se pode estabelecer, até o momento, com o processo administrativo nº 19647.009690/200699. As referências no sentido de que a definição acerca do direito creditório utilizado em compensação é dependente da decisão daquele processo administrativo não têm lugar neste momento, vez que a autoridade fiscal não se manifestou sobre a existência do crédito, mas apenas em relação à impossibilidade de ele ser utilizado em compensação, na forma do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Este entendimento, por sua vez, restou superado pela edição da Súmula CARF nº 84 (É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa). Aliás, antes mesmo da edição da referida súmula, esta Conselheira já se manifestava favoravelmente à possibilidade de compensação de indébito de IRPJ formado em Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 8 7 recolhimento de estimativas, nos termos do voto vencedor encartado no Acórdão nº 1101 00.329: Divirjo do I. Relator quanto à eficácia dos atos normativos que vedaram a compensação de estimativas, pois neles não vislumbro a regulamentação de procedimentos para utilização de indébitos de estimativas, mas sim a interpretação das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 melhor se Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 9 8 adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 10 9 De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei nº 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negrejouse) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 11 10 que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 12 11 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo anocalendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do anocalendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova Fl. 149DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 13 12 de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimento. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. No presente caso, como já dito, foi analisada DCOMP transmitida em 27/12/2004 para utilização de indébito de IRPJ apurado em recolhimento 30/05/2003, e a não homologação resultou, apenas, da impossibilidade de formação de direito creditório a partir de recolhimento de estimativas, sendo referida decisão cientificada à contribuinte em 02/04/2007. Assim, o litígio circunscrevese àquele aspecto preliminar, o que dispensa a apreciação da defesa dirigida aos demais aspectos da formação do indébito. Assim, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à Unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 150DF CARF MF Processo nº 19647.010656/200667 Acórdão n.º 1402003.803 S1C4T2 Fl. 14 13 Fl. 151DF CARF MF
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