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Numero do processo: 10936.720225/2011-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo. Inteligência da Súmula CARF 49.
Numero da decisão: 1803-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo. Inteligência da Súmula CARF 49.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
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A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo. Inteligência da Súmula CARF 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 72 02 25 /2 01 1- 40 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10936.720225/201140 Acórdão n.º 1803002.149 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência de R$ 500,00, decorrente de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao mês de julho 2011, tendo como fundamento legal o art. 7º da Lei nº 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, argumentando, em síntese, que procedeu à entrega espontânea da declaração, estando, portanto, de acordo com o art. 138 do CTN, desobrigada do pagamento da referida multa. Em sede de cognição ampla, o lançamento foi mantido sob o fundamento que a benesse da denúncia espontânea não se aplica nos casos de obrigações acessórias. Inconformada com os fundamentos da r. decisão, a autuada interpõe Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos lançados na oportunidade da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Preliminarmente admito o Recurso Voluntário por tempestivo e próprio. No tocante ao instituto da denúncia espontânea, depreendese importante salientar que embora a contribuinte tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, in verbis: “rt. 138 – A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização,relacionados com a infração.” Ou seja, a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de Fl. 32DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10936.720225/201140 Acórdão n.º 1803002.149 S1TE03 Fl. 4 3 entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Portanto, se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. E para colocar uma pá de cal na questão, importante transcrever o enunciado da Súmula CARF 49, verbis: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Em virtude do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 33DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904443/2012-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/08/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/08/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 44 43 /2 01 2- 99 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904443/201299 Acórdão n.º 3801003.683 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904443/201299 Acórdão n.º 3801003.683 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904443/201299 Acórdão n.º 3801003.683 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904443/201299 Acórdão n.º 3801003.683 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904443/201299 Acórdão n.º 3801003.683 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904443/201299 Acórdão n.º 3801003.683 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000186/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
COFINS. NÃO -CUMULATIVIDADE, DIREITO CREDITÓRIO.
As despesas com os serviços de extração de madeira é passível de direito creditório, pois se trata de atividade essencial e necessária à sua realização do processo produtivo de portas e batentes de pinus.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Nos pedidos de ressarcimento, é ônus do contribuinte da prova do direito creditório afirmado.
Numero da decisão: 3201-001.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE, DIREITO CREDITÓRIO. As despesas com os serviços de extração de madeira é passível de direito creditório, pois se trata de atividade essencial e necessária à sua realização do processo produtivo de portas e batentes de pinus. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento, é ônus do contribuinte da prova do direito creditório afirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 86 /2 00 5- 44 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino. Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que trata o art. 5° da Lei 10.637/2002, relativo ao primeiro trimestre de 2005. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 550 a 584 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$176.286,09, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.0047320/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A interessada incluiu, indevidamente, as receitas de variações cambiais entre as receitas de exportação e contabilizou notas fiscais relacionadas a despacho de exportação cancelado pela aduana. Assim, efetuaramse ajustes nos valores das receitas de exportação declaradas; d) Considerandose a proporção das receitas de exportação em relação à receita operacional bruta, observouse uma discrepância entre os percentuais de exportação das receitas declaradas no DACON. Foram efetuados ajustes nos percentuais de exportação para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e mercado externo, com base nos valores das receitas totalizadas a partir dos lançamentos efetuados no LRS e os ajustes descritos; e) Quanto ao CFOP 1.101, no mês de março observaramse divergências entre os valores obtidos do arquivo digital e os informados na memória de cálculo em fl. 59. A mesma discrepância se repetiu em relação' ao CFOP 5.201 (devolução de compra para industrialização) no mês de fevereiro. Foram efetuados ajustes em consonância com o arquivo digital; Fl. 788DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000186/200544 Acórdão n.º 3201001.644 S3C2T1 Fl. 94 3 t) Foram glosados os valores pagos à pessoa física na aquisição de insumos; g) A descrição dos produtos da nota fiscal de fl. 212 não corresponde ao valor total indicado na mesma. A ocorrência de declarações inexatas caracteriza um caso de documento inidôneo, razão pela qual foi efetuada a glosa; h) A interessada incluiu valores de mercadorias adquiridas da empresa de CNPJ 92.639.954/000167 que, em verdade, saíram do estabelecimento do fornecedor com o fim específico de exportação, uma vez que as notas foram emitidas com CFOP 6.501; i) Verificouse um equívoco na planilha de fl. 59, com a inclusão indevida do CFOP 1.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos; j) O preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não fora efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Principais irregularidades: não indicação do número da nota fiscal transportada, emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço. Os valores das notas fiscais que apresentaram vícios formais relevantes foram glosados. O Anexo II detalha as notas fiscais cujos valores foram deferidos; k) Foram glosados os valores de despesas de doação incluídos incorretamente nas despesas de energia elétrica; l) A requerente foi intimada a apresentar memória de cálculo com os valores informados no DACON como despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, bem como cópia dos contratos de locação e comprovantes de pagamentos. Em resposta, apresentou cópia do registro no Livro Razão e de um contrato particular de locação entre empresas do mesmo grupo. Os comprovantes de pagamento não foram apresentados. A comprovação insuficiente ensejou a glosa integral dos valores declarados; m) A planilha de fis. 446 a 448, as notas fiscais de fls. 449 a 548 e os registros digitais foram os elementos básicos de análise dos valores informados no DACON a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda. Parcela relevante dos CTRC não fora preenchido em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Verificou se ainda, a apuração de créditos sobre serviços não relacionados na legislação tributária, tais como serviços de remoção, handling, seguro, entre outros. Os valores das notas fiscais com vícios formais ou serviços não previstos na legislação foram glosados. O Anexo III detalha as notas fiscais deferidas; n) Com relação ao crédito a descontar referente ao ativo imobilizado, constatouse que a requerente fez a opção prevista Fl. 789DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 no § 14 do art. 3° da Lei 10.833/2003, incluído pela Lei 10.865/2004. Entretanto, efetuou o cálculo sobre valores de diversos tipos de bens do ativo imobilizado em inobservância ã legislação que limita a opção em tela à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, como também o inciso I do § 2° do art. 1° da IN SRF 457/2004; o) Quanto aos bens constantes das notas fiscais de fls. 386/387, apurouse que o contribuinte não descontou os valores de ICMS da base de cálculo do crédito. Os valores deferidos estão relacionados na tabela do Anexo IV. Procedeuse ao ajuste das diferenças entre os valores utilizados na memória de cálculo de fls. 331 a 334 e os valores deferidos; p)Considerandose as glosas e os ajustes efetuados, houve a necessidade de reescrita da utilização dos créditos do trimestre, especialmente quanto ã desconsideração do saldo inicial de crédito de mercado externo, à luz da IN SRF 600/05, conforme demonstrado no Anexo V. Cientificada da decisão em 14/12/2007 (fl. 587), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/01/2008 (fls. 602 a 612), alegando, em síntese que: a) A constatação pela autoridade fazendária de que a descrição dos produtos da nota fiscal de fl. 212 não corresponde ao valor indicado na mesma devese ao fato de que referida nota tem duas páginas e somente uma delas foi submetida ou considerada pela fiscalização, sendo que, nesta oportunidade, o contribuinte faz a devida comprovação de toda a extensão da nota fiscal. A, comprovação é feita somente nesta fase em função de o contribuinte não ter sido intimado para esclarecimentos; b) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; c)O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; d) Notese que a empresa Vidroforte destacou 0 ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; e) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; f)Na época das aquisições mesmo havendo lei autorizando a suspensão do PIS e da COFINS, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das Fl. 790DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000186/200544 Acórdão n.º 3201001.644 S3C2T1 Fl. 95 5 contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; g) Não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; h) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; i) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine 0 retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; j) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3°, II,da Lei 10.637/02; ' k)De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Anexa aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; l) A legislação prevê o direito ao creditamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda; m) Não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes nas operações de venda mas, quando muito, meras irregularidades. As empresas contratadas para efetuar o transporte da mercadoria, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam urna nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; n) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; o) A autoridade fazendária indeferiu o crédito relativo ã aquisição de determinados bens destinados ao ativo permanente, assim como a aquisição de bens destinados a substituir peças do ativo desgastadas ou consumidas no processo produtivo. Os bens adquiridos (trator carregador, trator de esteira, semireboque Fl. 791DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 graneleiro, pneus e caminhão) são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, não havendo razão para a distinção. Ainda que se queira dar uma interpretação restritiva à lei de regência, não há como negar que os bens em questão são máquinas ou equipamentos; p) Não há como concordar com a exclusão do ICMS da base de cálculo do crédito se este integra a base econômica de incidência da COFINS; q) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. ` O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO2 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: Assunto: COFINS Período de apuração: 0l/01/2005 a 31/03/2005 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da Cofins nãocumulativa, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. ' PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. As despesas com frete na aquisição de insumos compõem a base de cálculo do crédito a ser descontado da Cofms no regime não cumulativo quando o serviço for prestado por pessoa jurídica domiciliada no país e quando devidamente escrituradas e amparadas por documentos hábeis que lhe dêem suporte. COFINS. CRÉDITOS RELATIVO ATIVO IMOBILIZADO. O crédito de Cofins relativo a bens incorporados ao ativo imobilizado pode, à opção do contribuinte, ser calculado no prazo de quatro anos, mediante aplicação da alíquota ,de 7,6% sobre a parcela correspondente a 1/48 do valor de aquisição do Fl. 792DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000186/200544 Acórdão n.º 3201001.644 S3C2T1 Fl. 96 7 bem, restringindose tal opção às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. COFINS. CRÉDITOS. BENS INCORPORADOS _AO ATIVO IMOBILIZADO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ICMS. Integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores do ICMS suportados na compra de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, desde que tais valores não sejam recuperados pelo contribuinte. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que: i. reconhecido o direito creditório relativo ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS referente ao 1° trimestre de 2005, calculado sobre as aquisições de bens da empresa Laminadora Catarinense Ind. e Com. Ltda através da Nota Fiscal de venda n° 828, emitida em janeiro de 2005; ii. reconhecido o direito creditório relativo ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS referente ao 1° trimestre de 2005, calculado sobre as aquisições de bens da empresa Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros; iii. negado o crédito relativo às despesas incorridas em decorrência dos serviços de extração de madeira, porque a produção tem início na etapa de serraria, tendo a madeira como um dos insumos utilizados; iv. negado o crédito referente a serviços descritos como relativos à manutenção de máquinas, a previsão para o aproveitamento de crédito está limitada à hipótese de se tratar de máquinas ou equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e desde que não represente um acréscimo de vida útil superior a um ano; v. negado o crédito referente a despesas com transporte rodoviário de cargas: constatase que os valores relacionados pelo contribuinte na planilha de fl. 59, no CFOP 1.352 e 2.352 são superiores aos registrados na contabilidade da empresa nas contas 41.403 “Frete s/ pinus em torretes"`e 41.404 “Fretes e carretos”, conforme dados do balancete de verificação em fls. 101, 115 e 129; vi. quanto aos créditos referentes ao Ativo Imobilizado, na forma prevista no parágrafo 14 do artigo 3° da Lei 10.833/2003, ou seja, calculados sobre a parcela correspondente a 1/48 do valor de aquisição dos itens relacionados na memória de cálculo de fls. 331 a 334 que não correspondam a máquinas e equipamentos utilizados na produção, manteve a glosa; Fl. 793DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 vii. foi reconhecido o crédito de COFINS apurado sobre o valor do ICMS não recuperável, incidente sobre as aquisições de máquinas incorporadas ao ativo imobilizado e representadas pelas Notas Fiscais de fls. 386/387. Assim, reconheceuse o crédito de COFINS relativo ao 1° trimestre de 2005 no valor de R$ 66.783,02. No recurso voluntário, a Recorrente alegou: i. as atividades de extração de madeiras como integrantes do processo produtivo, o fato de a empresa ser proprietária da matériaprima, geralhe despesas de extração para que ela possa ser empregada na etapa produtiva e faz com que essa etapa de extração integre o seu processo produtivo; ii. quanto às glosas referentes às despesas com máquinas utilizadas para extrair a madeira, incabível o argumento de que não geram direito a crédito por se tratarem de etapa anterior ao processo produtivo, estando compreendidas na sua fase inicial; iii. em relação as demais máquinas empregadas no processo, o simples argumento de não ser possível identificar, com base nos documentos trazidos pela Recorrente, quais eram os serviços de manutenção nelas utilizados, não pode embasar uma glosa de créditos, pois cabia à autoridade fazendária intimála para que prestasse as informações necessárias ao esclarecimento, para então analisar, minuciosamente, o pedido de crédito. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tal como relatado, o presente litígio versa sobre o reconhecimento de créditos de Cofins, pela sistemática nãocumulativa. Grande parte do direito creditório foi reconhecido, restando à apreciação de órgão julgador, apenas alguns itens trazidos pelo recurso voluntário. Em consonância com as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, no caso do PIS e da Cofins, no procedimento de apuração devese localizar valores passíveis de creditamento dentre as aquisições, aplicandose a alíquota determinada, sendo o resultado subtraído do saldo a pagar. Observese que o critério material dessas contribuições referese à apuração de receitas do contribuinte, o que desde logo lhes confere um raio de abrangência muito maior que o do IPI, que se restringe aos produtos industrializados: as contribuições, da mesma forma, incidem sobre receitas decorrentes de comercialização, financeiras e de serviços. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000186/200544 Acórdão n.º 3201001.644 S3C2T1 Fl. 97 9 Essa constatação é ponto de partida para a discussão sobre o conceito de “insumos” para efeitos de creditamento das contribuições, cujo alcance semântico é, ainda hoje, definido pelo Fisco, com fulcro na legislação do IPI, que o vincula a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Destarte, dentre as hipóteses de creditamento das contribuições, o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e n° 10.833/03 admitese o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Por força da edição de diversos atos normativos, especialmente as Instruções Normativas SRF nº 247/02 e nº 404/04, amesquinhouse o conteúdo semântico de “insumo”, para restringilos àquelas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, e aos serviços prestados, aplicados e/ou consumidos na produção, e quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no ativo permanente, e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. replicando os vetores veiculados no Parecer Normativo COSIT n° 65/79, que trata de IPI. Logo, insurgiramse os contribuintes contra tal apropriação da legislação do IPI, para efeitos de creditamento de PIS e da Cofins, cuja racionalidade é distinta do imposto, não havendo qualquer remissão na legislação das contribuições que estabelecesse regramento nesse sentido. Ainda que o regime jurídico da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, surgido com as alterações pela Emenda Constitucional n° 20/98 e pela Emenda Constitucional n° 42/03, em seu artigo 195, § 12, da Constituição Federal, tenha delegado a sua disciplina à lei infraconstitucional e que o legislador, por sua vez, tenha instituído um regime que peca em sua sistematização, abrangendo alguns setores de atividade econômica, restringindo as despesas que dão direito ao crédito, dentre muitas outras incongruência que tornam esse regime jurídico casuístico e assistemático, o fato é que, sendo a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas e recaindo o IPI sobre o consumo, restrito à etapa de industrialização do produto, desde sempre, os critérios para disciplina de cada qual, caminharão por sendas diversas. Por essa razão, a jurisprudência administrativa, invariavelmente, tem afastado o entendimento restritivo atribuído à matéria, rechaçando o tratamento tributário dado ao IPI, para ampliálo, ora alargando o conceito para aproximálo ao regime jurídico de deduções do imposto sobre a renda, ora intentando encontrar um caminho intermédio. Nesse sentido, trilha a jurisprudência administrativa para, a partir do processo produtivo de determinado contribuinte, depreender as atividades essenciais e necessárias à sua realização, aos quais estariam vinculados os custos e despesas que possibilitariam a utilização do crédito. Da mesma forma, seguia a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que estabeleceu que o conceito de “insumo” para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins seria atrelado à “essencialidade”, não se vinculando nem à legislação do IPI, nem a o IRPJ, conforme se noticiou do julgamento do RESP 1246317/MG, da Relatoria do Ministro Campbell Marques, que afastaria a possibilidade de interpretação do conceito de insumo para fins de aproveitamento de créditos de PIS e da Cofins com base em conceitos extraídos da Fl. 795DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 legislação do IPI e do IRPJ, adotando o critério da essencialidade, no sentido de que o insumo deveria ser essencial para o processo produtivo ou para a prestação de serviços. Feito o intróito, inicialmente é de se afastar o conceito de insumos, nessa hipótese, como “serviços ou produtos intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos no serviço prestado”, para adotar um conceito que contemple a essencialidade de determinado insumo para a prestação dos serviços. No caso dos autos, às fls. 87 e 88 temse a descrição do processo produtivo de porta e batente de pinus, que tem como etapa inicial a serraria da madeira, portanto, a decisão recorrida desconsiderou os créditos decorrentes da etapa da extração da madeira, pois seriam anteriores ao processo produtivo. Ora, as despesas com os serviços de extração de madeira da Recorrente e por ela suportados, que compõe o produto comercializa, são, inegavelmente, atividades essenciais e necessárias à sua realização, sendo que a negativa do direito creditório consubstanciase em amesquinhamento indevido do conceito de insumo no âmbito do PIS e da Cofins não cumulativos. No que tange às despesas com máquinas utilizadas para extrair a madeira, o mesmo raciocínio pode ser aplicado. Contudo, em relação as demais máquinas empregadas a prova e a demonstração dos serviços de manutenção nelas utilizados, deveria ser feita pela Recorrente, pois nos processos de ressarcimento, é ônus do contribuinte fazer a prova de seu direito creditório, pois há direito à compensação de direitos líquidos e certos. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 796DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10920.722288/2011-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
DESISTÊNCIA.
No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.
Numero da decisão: 1803-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 22 88 /2 01 1- 18 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 428 2 A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 6, de 01 de fevereiro de 2012, fl. 71, com efeitos a partir de 01.07.2007, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM JOINVILLE, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do art. 295 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e o art. 33 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e considerando o disposto no § 1º do art. 75 da Resolução nº 94, de 29 de novembro de 2011, do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), e o apurado no Processo nº 10920.722288/201118, declara: Art. 1º Excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional – a pessoa jurídica PLaneta Centro Cultural de Idiomas, CNPJ nº 03.806.162/000100, em virtude da prática de atividade intelectual, de natureza técnica,cientifica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, sendo vedada sua opção por aquele regime diferenciado nos termos do inciso XI do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 2º A exclusão surtirá efeito a partir de 1º de julho de 2007, conforme disposto no § 1º do art. 29 e no § 5º do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º Poderá a pessoa jurídica apresentar, no prazo de trinta dias contados a partir da ciência deste Ato Declaratório Executivo, manifestação de inconformidade junto ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC, nos termos do Decreto nº 70.235, de 7 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), e suas alterações posteriores, assegurando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Art. 4° Não havendo manifestação no prazo acima, a exclusão tornarseá definitiva. Art. 5º O presente Ato entrará em vigor na data de sua publicação. KLEBS GARCIA PEIXOTO JUNIOR Consta no Despacho Decisório, fls. 6970: Segundo a Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples Nacional no curso de procedimento fiscal foi constatada a obtenção de receitas decorrentes da “tradução de textos” nos registros da empresa desde o mês de janeiro de 2007 o que caracteriza desrespeito à legislação vigente, sujeitando a infratora à exclusão do regime diferenciado do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006). [...] Confirmada prática de atividade vedada à opção entre os meses de janeiro e junho de 2007 deve a empresa ser excluída retroativamente a 1º de julho de 2007. Em face do exposto, com base na documentação anexada ao presente processo e considerando a legislação que rege a matéria (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006), concluise pela necessidade da exclusão de ofício da empresa do Regime Diferenciado do Simples retroativa a 1º de julho de 2007, pelo exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, Fl. 445DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 429 3 que constitua profissão regulamentada ou não, vedada para opção por aquele regime diferenciado. Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 177188, com a exigência do crédito tributário no valor de R$118.826,68 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007 e aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2008 e de 2009. O lançamento fundamentase na omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) consolidadas no Extrato do Simples Nacional, fls. 1114. O lucro presumido pertinente à prestação de serviços, fls. 5962, foi calculado pelo coeficiente é de 32% (trinta e dois por cento) incidente sobre a receita bruta auferida. Essa foi a opção de regime de tributação expressa pela Recorrente em 19.10.2011 em resposta à Intimação Fiscal, fls. 0205. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 224, art. 518 e art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 189200 a exigência do crédito tributário no valor de R$71.295,95 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. III O Auto de Infração às fls. 201213 com a exigência do crédito tributário no valor de R$16.166,04 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 430 4 IV – O Auto de Infração às fls. 214226 com a exigência do crédito tributário no valor de R$74.614,44 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º, e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005 e art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Cientificada, a Recorrente apresenta a manifestação de inconformidade, fls. 7690 e a impugnação, fls. 238258, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: Tratase de 04 Autos de Infração alusivos a cobrança de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL (cópia anexa) decorrentes da exclusão do Simples da Impugnante. Foi utilizada como base de cálculo a receita bruta da Impugnante, uma vez que antes da lavratura do auto de infração lhe foi oferecida a opção pelo Lucro Presumido. A Impugnante respondeu que não concordaria com a exclusão, mas, se fosse excluída, optaria pelo lucro presumido. Foi aplicada sobre o principal, multa de 75%. Na apuração do montante, que perfaz R$280.903,11, não foram compensados os valores declarados/pagos no Simples Nacional. A Impugnante apresenta sua defesa em duas partes. Na primeira trata dos elementos específicos do auto de infração e, na segunda, transcrevemse e ratificamse as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade contra o ato de exclusão do Simples, uma vez que não há decisão administrativa definitiva em relação à citada exclusão. 1ª PARTE [AUTOS DE INFRAÇÃO] DA IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO PROCESSO DE EXCLUSÃO SOB RECURSO Como já demonstrado na narração dos fatos que amparam a notificação impugnada, o Auditor Fiscal procedeu ao lançamento tributário. Todavia, como também já visto, a Impugnante ainda não foi excluída do Simples, pois apresentou manifestação de inconformidade em face Ato Declaratório de Exclusão que não foi julgada. Por tal razão, a referida exclusão não esta consumada. Portanto, o Auditor Fiscal ao considerar a Impugnante excluída do Simples, antes mesmo do julgamento definitivo sobre a questão, desrespeitou o princípio constitucional da presunção da inocência (ninguém será considerado culpado antes de decisão final sobre a questão). Também houve ofensa à Garantia Constitucional de Ampla Defesa (art. 5º , LV, CF/88). [...] Ainda, ato desse jaez contraria o disposto no art. 151, III, do CTN, que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com as reclamações e recursos administrativos. [...] Fl. 447DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 431 5 Assim, pugnase pela nulidade de todo o procedimento fiscal impugnado, tendo em conta que a autoridade fiscal impôs à Impugnante exigência fiscal amparada na sua exclusão do SIMPLES sem que esse fato fosse consumado. DA NULIDADE QUANTO AO INSTRUMENTO UTILIZADO Conforme se denota, para fins de constituição do crédito tributário foram utilizados Autos de Infrações. Todavia, o Auto de Infração é meio próprio tãosomente para aplicação de penalidades, não para a constituição de crédito tributário [art. 10 e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972]. Destarte, o "auto de infração" é procedimento para aplicação de "penalidade", já a "notificação de lançamento" o meio próprio para constituir "crédito tributário". Como a constituição do crédito tributário se dá por ato administrativo plenamente vinculado (arts. 3º e 142 do CTN), com o devido respeito à. competência, finalidade e forma, deve ser anulado o ato que descumpra a forma exigida em lei. [...] Dessa maneira, por desrespeito à forma exigida em lei, requerse a anulação do Auto de Infração. Caso seja mantido, vindicase, sucessivamente, sejam eles mitigados para constar apenas as penalidades. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA/MITIGAÇÃO Conforme se denota nos Autos de Infração, foi aplicada multa de 75% com fulcro no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. [...] Contudo, o Fisco não especifica em momento algum, seja no Auto de Infração, seja no Relatório De Atividade Fiscal, qual ação prevista na norma que deu origem a multa. Existem nela diversos fatos típicos: falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou, ainda, de declaração inexata. Tais fatos impossibilitam o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, fato que enseja na nulidade da infração. Inclusive nenhuma ação da Manifestante se enquadra em qualquer hipótese do artigo. Mesmo que existisse algo que se assemelhasse não se aplicaria [...] o art. 112 do CTN. Inclusive, não existe norma específica que trate de tal penalidade em relação ao SIMPLES que possui características bastante específicas. Ademais, houve recolhimento dos tributos dentro do Simples Nacional. Eventual imposição de multa deveria, no máximo, incidir sobre a diferença entre o IRPJ+CSLL (lucro presumido) + PIS + COFINS (cumulativos) e os valores efetivamente pagos ao Simples Nacional, conforme prevê a própria regra citada no auto de infração. Assim, deve ser cancelada a penalidade. Máxime, vindicase seja mitigada a base de cálculo, considerandose nesta, tão somente, a diferença do valor recolhido no regime diferenciado e favorecido e o valor apurado pelo fisco. 2ª PARTE [ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO] [...] Fl. 448DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 432 6 DA NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PELA FALTA DA IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE QUE O EXPEDIU: O ato de exclusão do Simples é nulo, visto que não identifica precisamente a autoridade que o expediu [art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972]. [...] Segundo a Súmula 1, do [...] CARF: É nula por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Este requisito formal, indicador da matrícula do servidor, é fundamental na medida em que fundamenta a capacidade e competência do agente que lavra o ato administrativo. Portanto, independentemente da análise do mérito, requerse a nulidade do ADE (Ato Declaratório Executivo) impugnado. DA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO PRECISA DA INFRAÇÃO Aduz o Fisco no ADE (Ato Declaratório Executivo) que a exclusão decorre "...em virtude da prática de atividade intelectual, de natureza técnica, cientifica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, sendo vedada sua opção por aquele regime diferenciado...". Notese que não houve a individualização dos fatos que geraram a exclusão. Não se pode olvidar que, principalmente, os atos implicativos de sansão ou restrição de direitos devem ser devidamente fundamentados para que se possibilite o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LVI da CF). Quanto ao processo administrativo, também há que se observar que o Constituinte não circunscreveu tais garantias no plano do processo judicial. Estendeuas, também, ao contencioso administrativo, instrumento pelo qual a administração procede ao controle da legalidade de seus próprios atos. Inclusive, a Lei nº 9.784/1999 (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal) reconhece estes princípios: Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] Conforme se denota no ADE não consta a razão específica de fundamentação da exclusão fato que torna nulo tal ato restritivo de direitos. DA AUSÊNCIA DE PROVA Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 433 7 Não consta no processo administrativo prova de que a Manifestante tenha praticado qualquer ato que implique em sua exclusão do regime simplificado. É cediço que o processo administrativo é ato formal que deve conter todos os elementos e provas de convencimento da autoridade administrativa. A inexistência culmina em sua nulidade. Portanto, por ausência de provas no processo administrativo deve ser cancelado o ato de exclusão. DA DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE NA APLICAÇÃO DO ATO PUNITIVO O tema da eficácia dos princípios constitucionais não é estreito. Os princípios são as prescrições jurídicas mais importantes do ordenamento jurídico, vez que conformam o sentido das normas interpretadas, e por tal razão se distinguem das demais. "Logo, desobedecer um princípio é muito mais grave que desobedecer uma Simples norma [...] "Por isto mesmo o princípio jurídico tem grande importância como diretriz para o hermeneuta. Na valoração e na aplicação dos princípios jurídicos. Portanto, "É o princípio que iluminará a inteligência da Simples norma; que esclarecerá o conteúdo e os limites da eficácia das normas constitucionais esparsas, as quais têm que harmonizarse com ele. Para fins de facilitar o entendimento dessa exegese Constitucional, impende trazer à baila considerações atinentes aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade que visam justamente facilitar o trabalho do hermeneuta. A Lei nº 9.784/1999 tratou da razoabilidade e da proporcionalidade como princípios, conforme o art. 2º , parágrafo único, VI, da Lei nº 9.784/1999, abaixo: Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Tanto o princípio (ou postulado) da proporcionalidade quanto da razoabilidade estão feridos no caso em apreço. Vejamos: Muito embora não tenha sido carreada prova aos autos, o Fisco, no corpo do processo administrativo, aduz que foi constatada a obtenção de receitas decorrentes de tradução de textos sujeitando a infratora à exclusão do Simples Nacional. Consta na planilha de fls. 60, tabela com receitas de tradução de texto, cópia em anexo. Ocorre que, se confrontada referida tabela com os extratos do Simples Nacional contidos às fls. 11/14, cópia em anexo, o total das receitas com tal atividade é diminuto em relação ao faturamento. [...] Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 434 8 Por exemplo, por amostragem: no mês de setembro/2007 haveria uma receita referente à tradução de texto de R$569,60, enquanto que o faturamento no mesmo período foi de R$22.917,48; no mês de março/2008 haveria uma receita referente a tradução de texto de R$128,00, enquanto o faturamento foi de R$72.822,18. Além disso, no ano de 2009 consta uma única receita de R$650,00 em Janeiro. Tais fatos demonstram que, mesmo que se admitisse que tal atividade fosse impeditiva ao regime diferenciado e favorecido, referemse a uma fração extremamente pequena em relação à atividade não impeditiva (ensino de idiomas). Além disso, é evidente que uma escola de idiomas tem muitos alunos e que o volume de trabalho é muito superior ao de tradução de textos. Inclusive se junta RAIS do período que demonstram elevada quantidade de funcionários, entre eles, certamente, diante da natureza da atividade de professores. [...] Ou seja, no caso concreto, identificouse que, segundo o senso comum, próprio da razoabilidade como equidade, importação diminuta dentro do contexto fático não poderia ensejar a exclusão do Simples, mesmo que houvesse ocorrido a incidência do fato à norma. [...] De outro lado, a finalidade da norma criadora do Simples está expressa no art. 179 da Constituição Federal, quando estabelece que a simplificação das obrigações tributárias para as microempresas e empresas de pequeno porte visa a incentiválas. Ou seja, o povo brasileiro quer estimular o nascimento e a manutenção de microempresas e empresas de pequeno porte. Não deseja que o país mantenha apenas grandes empresas, pertencentes a grandes grupos econômicos. Esse é o fim da norma. De outra banda, todas as causas listadas na LC nº 123/2006 que excluem as ME e EPP do Simples tratam de descumprimento da própria lei. Ou seja, haverá o tratamento diferenciado e favorecido às ME e EPP. Porém, se tais empresas forem infratoras da norma, não receberão tal tratamento, pois prejudicarão às demais cumpridoras das regras. No caso concreto, é perceptível, pela diminuta quantidade de traduções indicadas e pela atividade principal do contribuinte que não houve intenção de fraudar a lei. Ademais, vejase que a atividade de ensino de línguas estrangeiras, permitida de opção pelo SIMPLES (art. 18, § 5°B, I, LC nº 123/2006), é desenvolvida pelas mesmas pessoas e com a mesma técnica que a atividade de tradução. Mostrase, por evidente, que o contribuinte sequer conhecia a ilicitude do fato. Dessa forma, a exclusão do Simples como meio para excluir os descumpridores da lei do SIMPLES não é proporcional em sentido estrito, no caso concreto, porque não promove o fim da norma (punir as ME e EPP infratoras) e ainda restringe a finalidade do próprio Sistema diferenciado e favorecido, que é incentivar a existência de microempresas e empresas de pequeno porte. A exclusão do contribuinte do SIMPLES no caso concreto não alcançará a finalidade da norma. Portanto, haverá o descumprimento do postulado da proporcionalidade e do art. 2°, VI, da Lei nº 9.784/1999. Logo, em virtude da desproporcionalidade entre o fato e a consequência da norma, bem como da ausência de razoabilidade, vindicase seja julgada improcedente a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 435 9 No mínimo, vindicase a não exclusão quanto ao exercício de 2009 já que foi constatada uma única receita diminuta de tradução de textos no período. DO ERRO INEVITÁVEL SOBRE A ILICITUDE DO FATO. Não é demais repisar que, considerando a similaridade das atividades de ensino de línguas estrangeiras e traduções, realizadas pelas mesmas pessoas e com as mesmas técnicas, tornouse inevitável o erro sobre a ilicitude do fato. O contribuinte, por óbvio, desconhecia a vedação da prática da atividade (se é que praticou). [...] Portanto, em virtude do erro inevitável sobre a ilicitude do fato, requerse seja julgada improcedente a exclusão do contribuinte do Simples. DA LIMITAÇÃO DO PERÍODO DE EXCLUSÃO Ademais, o ato declaratório de exclusão estabelece que o ato, caso mantido, surtirá efeito a partir de 1º de julho de 2007. Todavia, não estabelece até qual momento os efeitos da exclusão serão aplicados. Caso seja mantida a exclusão do Simples, o que a Manifestante não acredita, requer que a exclusão seja limitada ao último dia do anocalendário em que a referida situação deixou de existir, conforme art. 31, §5° da LC Nº 123/2006 /2006. DA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS NO SIMPLES Por fim, é certo que houve o recolhimento de valores por meio do Simples e, se mantida a exclusão, ocorreu o recolhimento indevido de tributos, que é passível de restituição, conforme art. 165, I, do CTN [...]. Requerse, assim, a restituição dos valores recolhidos indevidamente. Preferencialmente, que os valores recolhidos a maior sejam compensados com débitos próprios do contribuinte, vencidos ou vincendos, conforme autoriza o art. 74 da Lei 9.430/1999 [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, a Impugnante requer o recebimento da presente Impugnação, para que: 1) Sejam anulados e/ou julgados improcedentes os Autos de Infração, nos termos da fundamentação; 2) Sejam anulados e/ou julgados improcedentes os Autos de Infração, em virtude do instrumento utilizado ser inadequado, nos termos da fundamentação; 3) Seja cancelada ou mitigada as multas constantes nos Autos de Infração, nos termos da fundamentação; 4) Seja anulado o ato declaratório de exclusão do Simples; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 436 10 5) Caso não seja anulado o ato, que seja julgada improcedente a exclusão do Simples; 6) Caso seja mantida a exclusão do Simples, que a exclusão seja limitada ao último dia do anocalendário em que a referida situação deixou de existir, conforme art. 31, § 5° da LC nº 123/2006 e os dados constantes neste processo administrativo, preferencialmente mitigado até o exercício de 2008, nos termos da fundamentação (uma única nota); 7) Caso seja mantida a exclusão do Simples, que sejam restituídos os valores indevidamente pagos pelo contribuinte no período em que ficar definida a exclusão, preferencialmente autorizando a compensação dos valores indevidamente recolhidos com débitos próprios, vencidos ou vincendos. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0433.526, de 17.09.2013, fls. 374381: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA. PRÁTICA DE ATIVIDADE INTELECTUAL. TRADUÇÃO. É de se excluir do Simples Nacional a empresa que presta serviços de tradução, a qual se enquadra dentre as atividades de natureza intelectual para as quais é vedada a opção, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. Mantida a exclusão da empresa do Simples Nacional, é de se manter a tributação com base no Lucro Presumido, conforme sua opção. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 15.10.2013, fl. 388, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 23.10.2013, fls. 390423, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal discordando do entendimento exarado pela autoridade de primeira instância de julgamento: A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em relação ao Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples, alegando: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 437 11 a nulidade do ADE pela falta da identificação da autoridade que o expediu, violando o Decreto nº 70.235/1972; ausência da descrição precisa da infração no ADE, não havendo a individualização dos fatos que geraram a exclusão, o que impossibilita o correto exercício do contraditório e ampla defesa; ausência de provas; houve desproporcionalidade e irrazoabilidade na aplicação do ato punitivo, pois as receitas oriundas da tradução de textos são muito diminutas em relação ao faturamento total da Recorrente; houve erro inevitável sobre a ilicitude do fato, vez que ambas atividades (ensino de línguas e traduções) são similares; os efeitos do período de exclusão devem se limitar ao último dia do anos calendário em que a referida situação deixou de existe (art. 31, § 5º da LC nº 123/2006); caso seja mantida a exclusão, que haja compensação/restituição dos valores pagos no Simples. [...] A Recorrente não concordando com a exigência fiscal, apresentou Impugnação Administrativa em relação aos Autos de Infração alegando, em suma: foi considerada excluída do Simples Nacional antes mesmo de haver o julgamento definitivo sobre a questão, pois apresentou Manifestação de Inconformidade contra o ADE; o Auto de Infração não é o meio próprio para constituição de crédito tributário; foi aplicada multa de 75%, porém não houve especificação de qual seria a ação prevista na norma que deu origem a multa; ratificou as teses levantadas na manifestação de inconformidade contra o ADE de exclusão do Simples. Foi proferida decisão [...] julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, somente para limitar os efeitos da exclusão do Simples Nacional até 31/12/2009, e improcedente a Impugnação aos Autos de Infração. DA LIMITAÇÃO DO PERÍODO DE EXCLUSÃO A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade para declarar que "a receita da atividade vedada foi apurada até Janeiro de 2009. Logo, não tendo sido demonstrada a ocorrência de receitas após essa data, é de se limitar os efeitos do ADE a 31/12/2009" conforme art. 31, § 5° da LC nº 123/2006. Todavia, no demonstrativo de débito que acompanha o acórdão, há parcelas com vencimento em janeiro de 2010. Dessa maneira, requer que referidas parcelas sejam canceladas/excluídas, tendo em vista que houve limitação dos efeitos da exclusão do SIMPLES a 31/12/2009. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 438 12 DA NULIDADE QUANTO AO INSTRUMENTO UTILIZADO Conforme se denota, para fins de constituição do crédito tributário foram utilizados Autos de Infrações. Porém, o Auto de Infração é meio próprio tão somente para aplicação de penalidades, não para a constituição de crédito tributário. Contudo, o acórdão recorrido aduz que "o Auto de infração é instrumento utilizado pelo auditorfiscal para constituir o crédito tributário, cujo exercício lhe é privativo. (...) Já a Notificação de Lançamento é o instrumento utilizado pelo Chefe de Repartição para os lançamentos decorrentes de procedimento interno na repartição fiscal, (...) Porém, ambos os instrumentos (AI e NL) são hábeis para exigir o tributo lançado (principal) e seus consecutários (multa e juros)" [art. 10 e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972]. Logo, o "auto de infração" é procedimento para aplicação de "penalidade", já a "notificação de lançamento" o meio próprio para constituir "crédito tributário". Como a constituição do crédito tributário se dá por ato administrativo plenamente vinculado (arts. 3º e 142 do CTN), com o devido respeito à competência, finalidade e forma, deve ser anulado o ato que descumpra a forma exigida em lei. [...] Dessa maneira, por desrespeito à forma exigida em lei, requerse a modificação da decisão para anulação do Auto de Infração. Caso seja mantido, vindicase, sucessivamente, sejam eles mitigados para constar apenas as penalidades. DA NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PELA FALTA DA IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE QUE O EXPEDIU O ato de exclusão do Simples é nulo, visto que não identifica precisamente a autoridade que o expediu, conforme preceitua o Decreto 70.235/1972. Diferentemente entendeu o acórdão, ao afirmar que não se aplica referida legislação ao presente caso vez que esta diz "respeito aos procedimentos de lançamento fiscal, que não se confundem com o ato administrativo de exclusão da empresa do Simples Nacional." E pela LC nº 123/2006 (legislação que regula o Simples Nacional) "verificase que o ADE, ao ser emitido pela autoridade fiscal, não precisa conter o n° da matrícula da autoridade (delegado) que o subscreveu." [...]. Tal fato implica em nulidade do ato administrativo. Segundo a Súmula 1, do 3º Conselho do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. [...] Este requisito formal, indicador da matrícula do servidor, é fundamental na medida em que fundamenta a capacidade e competência do agente que lavra o ato administrativo. Portanto, requer se a nulidade do ADE (Ato Declaratório Executivo) impugnado. DA DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE NA APLICAÇÃO DO ATO PUNITIVO EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL De início, cumpre esclarecer que os fundamentos deste recurso não são pautados na declaração de inconstitucionalidade de qualquer norma. Porém, os princípios constitucionais serão usados para alinhar o método interpretativo que deve prevalecer no caso concreto. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 439 13 O tema da eficácia dos princípios constitucionais não é estreito. Os princípios são as prescrições jurídicas mais importantes do ordenamento jurídico, vez que conformam o sentido das normas interpretadas, e por tal razão se distinguem das demais. [...] Para fins de facilitar o entendimento dessa exegese Constitucional, impende trazer à baila considerações atinentes aos princípios (ou postulados, como quer Humberto Ávila5) da razoabilidade e da proporcionalidade que visam justamente facilitar o trabalho do hermeneuta. A Lei nº 9.784/1999 tratou da razoabilidade e da proporcionalidade como princípios, conforme o art. 2ª, parágrafo único, VI, da Lei nº 9.784/1999 [...]. Tanto o princípio (ou postulado) da proporcionalidade quanto da razoabilidade estão feridos no caso em apreço. Todavia, a decisão recorrida entendeu referidos princípios "não se ajustam à matéria aqui versada." Contudo, no corpo do processo administrativo, a autoridade fiscal constatou a obtenção, por parte da Recorrente, de receitas decorrentes de tradução de textos, sujeitando a infratora à exclusão do Simples Nacional [conforme ocorre que, se confrontada referida tabela com os extratos do Simples Nacional contidos às fls. 11/14, o total das receitas com tal atividade é diminuto em relação ao faturamento. Por exemplo, por amostragem: no mês de setembro/2007 haveria uma receita referente à tradução de texto de R$569,60, enquanto que o faturamento no mesmo período foi de R$22.917,48; no mês de março/2008 haveria uma receita referente a tradução de texto de R$128,00, enquanto o faturamento foi de R$72.822,18. Além disso, no ano de 2009 consta uma única receita de R$650,00 em Janeiro. Tais fatos demonstram que, mesmo que se admitisse que tal atividade fosse impeditiva ao regime diferenciado e favorecido, referemse a uma fração extremamente pequena em relação à atividade não impeditiva (ensino de idiomas). Além disso, é evidente que uma escola de idiomas em muitos alunos e que o volume de trabalho é muito superior ao de tradução de textos. [...] Ou seja, no caso concreto, identificouse que, segundo o senso comum, próprio da razoabilidade como equidade, importação diminuta dentro do contexto fático não poderia ensejar a exclusão do Simples, mesmo que houvesse ocorrido a incidência do fato à norma. [...] De outro lado, a finalidade da norma criadora do Simples está expressa no art. 179 da Constituição Federal, quando estabelece que a simplificação das obrigações tributárias para as microempresas e empresas de pequeno porte visa a incentiválas. Ou seja, o povo brasileiro quer estimular o nascimento e a manutenção de microempresas e empresas de pequeno porte. Não deseja que o País mantenha apenas grandes empresas, pertencentes a grandes grupos econômicos. Esse é o fim da norma. De outra banda, todas as causas listadas na LC nº 123/2006 que excluem as ME e EPP do Simples tratam de descumprimento da própria lei. Ou seja, haverá o tratamento diferenciado e favorecido às ME e EPP. Porém, se tais empresas forem infratoras da norma, não receberão tal tratamento, pois prejudicarão às demais cumpridoras das regras. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 440 14 No caso concreto, é perceptível, pela diminuta quantidade de traduções indicadas e pela atividade principal do contribuinte que não houve intenção de fraudar a lei. Ademais, vejase que a atividade de ensino de línguas estrangeiras, permitida de opção pelo SIMPLES (art. 18, § 5°B, I, LC nº 123/2006), é desenvolvida pelas mesmas pessoas e com a mesma técnica que a atividade de tradução. Mostrase, por evidente, que o contribuinte sequer conhecia a ilicitude do fato. Dessa forma, a exclusão do Simples como meio para excluir os descumpridores da Lei do Simples não é proporcional em sentido estrito, no caso concreto, porque não promove o fim da norma (punir as ME e EPP infratoras) e ainda restringe a finalidade do próprio Sistema diferenciado e favorecido, que é incentivar a existência de microempresas e empresas de pequeno porte. A exclusão do contribuinte do Simples no caso concreto não alcançará a finalidade da norma. Portanto, haverá o descumprimento do postulado da proporcionalidade e do art. 2°, VI, da Lei nº 9.784/1999. Logo, em virtude da desproporcionalidade entre o fato e a consequência da norma, bem como da ausência de razoabilidade, vindicase seja julgada improcedente a exclusão do contribuinte do Simples. No mínimo, vindicase a não exclusão quanto ao exercício de 2009 já que foi constatada uma única receita diminuta de tradução de textos no período. DO ERRO INEVITÁVEL SOBRE A ILICITUDE DO FATO Não é demais repisar que, considerando a similaridade das atividades de ensino de línguas estrangeiras e traduções, realizadas pelas mesmas pessoas e com as mesmas técnicas, tornouse inevitável o erro sobre a ilicitude do fato. O contribuinte, por óbvio, desconhecia a vedação da prática da atividade. [...] Portanto, em virtude do erro inevitável sobre a ilicitude do fato, requerse seja julgada improcedente a exclusão do contribuinte do Simples. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA/MITIGAÇÃO Além do mais, conforme se denota nos Autos de Infração, foi aplicada multa de 75% com fulcro no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n. 11.488/2007. [...] Contudo, o Fisco não especifica em momento algum, seja no Auto de Infração, seja no Relatório de Atividade Fiscal, qual ação prevista na norma que deu origem a multa. Existem nela diversos fatos típicos: falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou, ainda, de declaração inexata. Tais fatos impossibilitam o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, fato que enseja na nulidade da infração. Inclusive nenhuma ação da Recorrente se enquadra em qualquer hipótese do artigo. Mesmo que existisse algo que se assemelhasse não se aplicaria, ex vi do art. 112 do CTN. [...] Inclusive, não existe norma específica que trate de tal penalidade em relação ao Simples que possui características bastante específicas. Ademais, houve recolhimento dos tributos dentro do Simples Nacional. Eventual imposição de multa deveria, no máximo, incidir sobre a diferença entre o IRPJ+CSLL (lucro presumido) + PIS + COFINS (cumulativos) e os valores Fl. 457DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 441 15 efetivamente pagos ao Simples Nacional, conforme prevê a própria regra citada no auto de infração. Assim, deve ser modificada a decisão e cancelada a penalidade. Máxime, vindicase seja mitigada a base de cálculo, considerandose nesta, tão somente, a diferença do valor recolhido no regime diferenciado e favorecido e o valor apurado pelo fisco. DA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DOS VALORES NO SIMPLES Por fim, é certo que houve o recolhimento de valores por meio do Simples e, se mantida a exclusão, ocorreu o recolhimento indevido de tributos, que é passível de restituição, conforme art. 165, I, do CTN [...]. Requerse, assim, a restituição dos valores recolhidos indevidamente. Preferencialmente, que os valores recolhidos a maior sejam compensados com débitos próprios do contribuinte, vencidos ou vincendos, conforme autoriza o art. 74 da Lei 9.430/1999 [...]. DA IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO – PROCESSO DE EXCLUSÃO PENDENTE DE JULGAMENTO DEFINITIVO Como já demonstrado na narração dos fatos, o AuditorFiscal procedeu ao lançamento tributário. Todavia, a Recorrente ainda não foi excluída do Simples, pois apresentou manifestação de inconformidade em face Ato Declaratório de Exclusão e Impugnação aos Autos de Infração, sendo proferido o presente acórdão, contudo, não houve julgamento definitivo acerca da exclusão Por tal razão, a referida exclusão não esta consumada. Pois, como é sabido, pelo princípio da presunção da inocência e pela garantia de ampla defesa, insculpidos na Constituição Federal, a Recorrente não é considerada irregular até que seja julgado definitivamente o processo administrativo relativo à exclusão do SIMPLES. Portanto, o Auditor Fiscal ao considerar a Recorrente excluída do Simples, antes mesmo do julgamento definitivo sobre a questão, desrespeitou o princípio constitucional da presunção da inocência (ninguém será considerado culpado antes de decisão final sobre a questão). Também houve ofensa à Garantia Constitucional de Ampla Defesa (art. 5o , LV, CF/88). [...] Ainda, ato desse jaez contraria o disposto no art. 151, III, do CTN, que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com as reclamações e recursos administrativos. [...] Todavia, repetese: a Recorrente ainda não foi excluída do Simples, visto que não foi encerrado o processo administrativo relativo a esse fato. Assim, pugnase pela nulidade de todo o procedimento fiscal impugnado, tendo em conta que a autoridade fiscal impôs à Recorrente exigência fiscal amparada na sua exclusão do Simples sem que esse fato fosse consumado. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 442 16 Diante das razões acima elencadas, a Recorrente requer que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conheça e dê provimento ao presente Recurso para julgar improcedente o Auto de Infração Impugnado, no todo ou em parte, conforme solicitado em cada item deste recurso. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário. Acerca da desistência total do recurso voluntário, estabelece o art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] §3° No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010). A Recorrente, por meio da petição datada de 23.09.2014, fls. 428429, apresentou desistência total do recurso voluntário e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta: A Recorrente informa que aderiu ao parcelamento previsto na Lei 11.941 (REFIS), reaberto pela lei 12.996/2014, conforme comprovante em anexo. Assim, desiste do recurso voluntário anteriormente interposto e renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam o presente recurso, consoante dispõe o art. 8º da Portaria PGFN/RFB n° 13, de 30 de Julho de 2014. Por conseguinte, não há mais litígio por falta de objeto. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 459DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.722288/201118 Acórdão n.º 1803002.370 S1TE03 Fl. 443 17 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11516.006565/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A simples argumentação de que o prazo estabelecido pela autoridade fiscalizadora para atendimento de intimações formalizadas no curso do procedimento revelou-se exíguo, na circunstância em que os fatos refletidos nos autos demonstram que a ação fiscal transcorreu com perfeita normalidade, não pode dar azo à nulidade do Lançamento Tributário. Ademais, não é apropriado falar em ocorrência de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal, eis que o exercício de tal direito, à evidência, só emerge a partir da instauração do litígio.
NULIDADE. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA.
A argumentação de que o lançamento exige crédito tributário com a presunção de passivo fictício em 31.12.2006 pautado em saldo que se tornou inexistente pelos ajustes realizados nos anos subseqüentes não pode servir de fundamento para argüição de nulidade. No caso, se o contribuinte dispõe de elementos para comprovar que os saldos de passivo que foram tributados efetivamente constituíam obrigações pendentes em 31 de dezembro, visto que se tornaram inexistentes nos anos subseqüentes, estamos diante de comprovação em sede de contestação do feito fiscal, e não de nulidade do lançamento. Obviamente, se referida documentação tivesse sido apresentada no curso da ação fiscal, o lançamento de ofício correspondente não teria sido realizado.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO.
Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA.
Descabe a exasperação da penalidade na situação em que não foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL.
Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aos lançamentos reflexos deve ser aplicado o decidido no denominado lançamento principal.
Numero da decisão: 1301-001.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples argumentação de que o prazo estabelecido pela autoridade fiscalizadora para atendimento de intimações formalizadas no curso do procedimento revelou-se exíguo, na circunstância em que os fatos refletidos nos autos demonstram que a ação fiscal transcorreu com perfeita normalidade, não pode dar azo à nulidade do Lançamento Tributário. Ademais, não é apropriado falar em ocorrência de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal, eis que o exercício de tal direito, à evidência, só emerge a partir da instauração do litígio. NULIDADE. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. A argumentação de que o lançamento exige crédito tributário com a presunção de passivo fictício em 31.12.2006 pautado em saldo que se tornou inexistente pelos ajustes realizados nos anos subseqüentes não pode servir de fundamento para argüição de nulidade. No caso, se o contribuinte dispõe de elementos para comprovar que os saldos de passivo que foram tributados efetivamente constituíam obrigações pendentes em 31 de dezembro, visto que se tornaram inexistentes nos anos subseqüentes, estamos diante de comprovação em sede de contestação do feito fiscal, e não de nulidade do lançamento. Obviamente, se referida documentação tivesse sido apresentada no curso da ação fiscal, o lançamento de ofício correspondente não teria sido realizado. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. Descabe a exasperação da penalidade na situação em que não foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aos lançamentos reflexos deve ser aplicado o decidido no denominado lançamento principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.792 1 1.791 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.006565/200953 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.640 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de setembro de 2014 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS E PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Recorrente GRUTZMANN E BAMBINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples argumentação de que o prazo estabelecido pela autoridade fiscalizadora para atendimento de intimações formalizadas no curso do procedimento revelouse exíguo, na circunstância em que os fatos refletidos nos autos demonstram que a ação fiscal transcorreu com perfeita normalidade, não pode dar azo à nulidade do Lançamento Tributário. Ademais, não é apropriado falar em ocorrência de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal, eis que o exercício de tal direito, à evidência, só emerge a partir da instauração do litígio. NULIDADE. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. A argumentação de que “o lançamento exige crédito tributário com a presunção de passivo fictício em 31.12.2006 pautado em saldo que se tornou inexistente pelos ajustes realizados nos anos subseqüentes” não pode servir de fundamento para argüição de nulidade. No caso, se o contribuinte dispõe de elementos para comprovar que os saldos de passivo que foram tributados efetivamente constituíam obrigações pendentes em 31 de dezembro, visto que se tornaram inexistentes nos anos subseqüentes, estamos diante de comprovação em sede de contestação do feito fiscal, e não de nulidade do lançamento. Obviamente, se referida documentação tivesse sido apresentada no curso da ação fiscal, o lançamento de ofício correspondente não teria sido realizado. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 65 65 /2 00 9- 53 Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.793 2 Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. Descabe a exasperação da penalidade na situação em que não foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aos lançamentos reflexos deve ser aplicado o decidido no denominado lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.794 3 Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.795 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; PIS e COFINS) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa; ii) omissão de receitas caracterizada por passivo fictício; e iii) pagamentos a beneficiários não identificados. Por identificar conduta dolosa na prática das infrações, a autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150%. Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 490/517), por meio da qual argumentou: que a autuação seria nula em razão de cerceamento do direito de defesa, haja vista os exíguos prazos concedidos para o cumprimento das intimações para prestação de informações; que muitos pagamentos eram efetuados em parte “com cheques compensados, e em parte com dinheiro do caixa”, porém, a empresa de contabilidade recebia os boletos pagos e lançava os valores destes a crédito da conta Caixa; que, posteriormente, recebido o extrato bancário pela empresa de contabilidade, esta promovia a conciliação, com o lançamento dos valores dos cheques compensados a débito da conta Caixa; que restava “totalmente inviável a averiguação de qual cheque especificamente fez a quitação de determinado boleto, pois os mesmos não coincidiam em data e valor”; que os esclarecimentos sobre essas operações foram prestados: “os cheques eram utilizados em parte para o pagamento de diversos boletos, na maioria dos casos, também eram complementados com dinheiro do caixa, portanto, tornouse impossível para a empresa reclamante identificar os valores da forma exigida pela fiscalização e no prazo imposto”; que não houve a comprovação do fato gerador do imposto pois não foi provada a infração do pagamento sem causa; que houve cerceamento de defesa em face de o autuante efetuar o reajustamento da base de cálculo relativa aos pagamentos sem causa, sem demonstrar o cálculo efetuado para se chegar ao montante utilizado para lançamento; que não ocorreu saldo credor da conta Caixa uma vez que a reconstituição desta “se deu em razão da exclusão de cheques compensados que foram lançados para a conta caixa” utilizados pela contribuinte para pagamento a fornecedores, como já explicado acima; Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.796 5 que “... não foi observado pelo agente fiscal nenhum pagamento não lançado na conta caixa, e sim valores que foram transferidos da conta banco para a conta caixa”; que, portanto, não possui a exigência qualquer subsídio legal para sua cobrança, devendo ser cancelado o lançamento; que não houve “passivo fictício” no que diz respeito à conta “Fornecedores”, nem relativamente à conta “Empréstimos”, conforme esclarecimentos comprovados pelos documentos juntados à impugnação; que a multa no percentual de 150% tem efeito confiscatório e não houve comprovação do intuito de fraude. Ao final, a contribuinte requereu: a) o cancelamento integral dos Autos de Infração ou fossem considerados os documentos apresentados, com a exclusão nos lançamentos dos valores correspondentes aos pagamentos comprovados; e b) a redução da multa para o percentual de 75%. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, apreciando as razões trazida pelas defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 0433.527, de 17 de setembro de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Observados os preceitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72 e tendo sido a contribuinte intimada de todo o procedimento realizado, abrindoselhe prazo para impugnação, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E SALDO CREDOR DE CAIXA. Não havendo documentos coincidentes em data e valor com os lançamentos a débito da conta Caixa e com as saídas evidenciadas nos extratos bancários, corretos os lançamentos por presunção de omissão de receitas decorrentes de pagamentos a beneficiário não identificado e saldo credor de Caixa. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção de obrigações já pago (sic) ou de empréstimos não efetuados nas contas de passivo faz presumir a omissão de receitas. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO E QUALIFICAÇÃO. A qualificação da multa de ofício ocorre nos casos de apuração de evidente intuito de fraude e seu percentual está previsto na legislação, não havendo se falar em efeito confiscatório. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.797 6 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1.715/1.770, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.798 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 290/307, à contribuinte fiscalizada foram imputadas as seguintes infrações, relativamente ao ano calendário de 2006: i) pagamentos sem comprovação da sua causa; ii) omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de caixa; e iii) omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício. Por entender que as infrações apuradas decorreram de conduta dolosa por parte da fiscalizada, os lançamentos tributários foram efetivados com aplicação de multa qualificada de 150%. A Turma Julgadora de primeira instância reduziu parcela das exigências formalizadas, eis que acolheu comprovações relacionadas ao passivo tido como não comprovado/fictício pela Fiscalização. Cabe notar que o montante de crédito tributário (tributo e multa de ofício) exonerado em primeira instância não ultrapassou o limite estabelecido na Portaria MF nº 3, de 2008, motivo pelo qual não houve interposição de recurso de ofício. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA Argumenta a Recorrente que os prazos destacados pela Fiscalização para a apresentação de documentos representam uma tentativa de punila, tolhendo seus direitos de ampla defesa. Alega que o agente fiscal reteve a documentação por cerca de sete meses, forçandoa a esclarecer as dúvidas levantadas em apenas três dias. Diz que foi prejudicada pela pressa do referido agente fiscal. Sustenta que o auto de infração deve ser cancelado, vez que este tem por fundamento um levantamento que tolheu os seus direitos constitucionais, vício que não comporta saneamento. Penso não assistir razão à Recorrente. De fato, os Termos de Intimação lavrados pela autoridade fiscal impuseram à contribuinte fiscalizada prazo relativamente exíguo para apresentação de documentos e esclarecimentos. Contudo, para que se possa falar em nulidade do lançamento tributário, é necessário analisar o procedimento fiscal em um contexto mais amplo, notadamente no que diz respeito ao comportamento do fiscalizado no curso do referido procedimento. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.799 8 A ação fiscal ora em apreciação foi iniciada em 31 de março de 2009, por meio da lavratura do competente Termo de Início de Fiscalização (fls. 02/04). No período de março a outubro de 2009, a autoridade fiscal promoveu análise na documentação apresentada e, servindose da técnica denominada CIRCULARIZAÇÃO, lavrou dez Termos de Intimação para FORNECEDORES da fiscalizada (fls. 63/82). De posse de variadas informações, a autoridade fiscal retomou as investigações em relação a ora Recorrente, lavrando sucessivos Termos de Intimação no período de 10 de novembro a 04 de dezembro de 2009 (fls. 84/108). Observo que a cada Termo de Intimação dirigido à fiscalizada, não obstante o estabelecimento do prazo de três dias para atendimento, nenhum protesto foi apresentado ou mesmo pedido de prorrogação. Noto, também, que os Termos em referência revelam que a sua sucessividade decorreu de pronunciamentos da contribuinte acerca dos questionamentos que lhe eram apresentados, refletindo assim absoluta normalidade da ação fiscal empreendida. Ademais, em convergência com o pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau, não é apropriado falar em ocorrência de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal, eis que o exercício de tal direito, à evidência, só emerge a partir da instauração do litígio, momento em que o contribuinte poderia até mesmo sustentar (e demonstrar) não ser possível reunir, ainda que em sede de impugnação, a documentação comprobatória que deu causa ao lançamento. Não custa destacar que, se fosse essa a situação (comprovação de não ser possível a reunião da documentação comprobatória), à autoridade administrativa julgadora caberia decretar a conversão do julgamento em diligência, mas, não, a nulidade do lançamento. Pelas razões expostas, rejeito a preliminar argüida. NULIDADE DO ATO FISCAL – ERRO NA BASE DE CÁLCULO Assinala a Recorrente que “o lançamento exige crédito tributário com a presunção de passivo fictício em 31.12.2006 pautado em saldo que se tornou inexistente pelos ajustes realizados nos anos subseqüentes, mas antes do início de qualquer procedimento fiscal, tornandose evidente a existência de erro na base de cálculo do lançamento ora impugnado.” Adiante, tece considerações acerca de disposições do Decreto nº 70.235/72 e do Código Tributário Nacional. A infração a que se reporta a Recorrente, tomandose por base o Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 298/304, pode assim ser sintetizada: CÓDIGO DESCRIÇÃO VALOR TRIBUTADO SALDO EM 31/12/2006 10089 MC MARMORARIA CANASVIEIRA LTDA (GRUTZMANN & BAMBINI LTDA)* 150.000,00 10040 DENVER IND. E COM. LTDA 59.367,84 Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.800 9 (KILLING AS TINTAS)* 10030 KILLING S/A (ANJO QUÍMICA(OU SUL AMERICANA DISTR. SOLV)* 37.831,33 10003 BASF 70.865,07 10014 BOAINAIN 37.958,23 10008 SHERWIN WILLIAMS 11.759,83 TOTAL 367.782,30 EMPRÉSTIMOS 74.537,89 (*) assinala a autoridade autuante que a contribuinte, na resposta apresentada, deu um novo nome às contas contábeis. O motivo que levou a autoridade fiscal a considerar o passivo como fictício está representado pelo fato de a contribuinte não ter apresentado a totalidade da documentação comprobatória da existência do passivo em 31 de dezembro de 2006. Salvo melhor juízo, a argumentação da contribuinte no sentido de que “o lançamento exige crédito tributário com a presunção de passivo fictício em 31.12.2006 pautado em saldo que se tornou inexistente pelos ajustes realizados nos anos subseqüentes” não pode servir de fundamento para argüição de nulidade. Com efeito, se a Recorrente dispõe de elementos para comprovar que os saldos de passivo que foram tributados efetivamente constituíam obrigações pendentes em 31 de dezembro de 2006, visto que se tornaram inexistentes nos anos subseqüentes, estamos diante de comprovação em sede de contestação do feito fiscal, e não de nulidade do lançamento. Obviamente, se referida documentação tivesse sido apresentada no curso da ação fiscal, o lançamento de ofício correspondente não teria sido realizado. Absolutamente improcedente o argumento de que, no caso, estamos diante de ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO por parte da autoridade fiscal. Rejeito, assim, a preliminar em referência. PAGAMENTO SEM CAUSA Transcrevo, abaixo, esclarecimentos trazidos na peça recursal, por meio dos quais a contribuinte procura demonstrar os procedimentos contábeis adotados por ela que levaram a Fiscalização a promover a autuação. [...] É imprescindível, no presente caso, antes de qualquer posicionamento, esclarecer os procedimentos contábeis adotados pela contabilidade para os lançamentos da conta banco e caixa. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.801 10 A empresa de contabilidade terceirizada recebia diversos boletos pagos, e lançavaos da conta caixa. Os mesmos, na maioria dos casos, eram quitados com recursos do caixa e do banco respectivamente, mas essas informações não eram repassadas à contabilidade. Assim, muitos boletos que eram pagos em parte com cheques compensados, e em parte com dinheiro do caixa, dificultavam o lançamento da forma como foram realizados, restando totalmente inviável a averiguação de qual cheque especificamente fez a quitação de determinado boleto, pois os mesmos não coincidiam em data e valor. Portanto, ao receberem no final do mês os extratos bancários, para que fosse realizada a conciliação, eram lançados os cheques compensados a débito para a conta caixa, tendo em vista que os pagamentos dos boletos já haviam sido lançados a crédito dessa mesma conta. Exemplificando, no caso prático ficaria assim: Lançamento exigido pelo fiscal para a baixa do boleto: D – Fornecedores C – Banco Baixa do boleto realizado (a) pela contabilidade: D – Fornecedores C – caixa D – caixa C – banco Observase que o lançamento duplicado é apenas um artifício contábil para a conciliação das contas, haja vista que o saldo de ambas as contas ficam corretas (sic). Adiante, argumenta que tais esclarecimentos foram prestados no curso da ação fiscal e que tornouse impossível para ela identificar os valores na forma exigida pela Fiscalização e no prazo estabelecido. Diz que os documentos comprovam as quitações realizadas, de modo que a Fiscalização não poderia considerar pagamentos sem causa. Relativamente ao fato de o lançamento do imposto de renda retido na fonte recair sobre a base reajustada, afirma que “quando existe qualquer correção ou reajuste no lançamento, devese apresentar o cálculo ou a forma para se chegar ao montante disposto na notificação”. A infração imputada à contribuinte decorreu da constatação da Fiscalização de que foram efetuados diversos pagamentos, cujos beneficiários não restaram identificados e a sua causa não foi devidamente comprovada. Diante de tal fato, concluiu a autoridade fiscal pelo lançamento do imposto de renda na fonte com base nas disposições do art. 674 do RIR/99. O referido art. 674 do RIR/99, que abaixo reproduzo, dispõe sobre o tratamento tributário que deve ser dispensado aos casos em que são efetuados pagamentos a beneficiário não identificado ou em que não restou comprovada a operação ou a sua causa. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.802 11 Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Como se vê, referido dispositivo, que reproduz a norma trazida pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, trata de incidência de imposto na fonte por presunção, isto é, ausentes a comprovação da operação, da sua causa ou a identificação de beneficiários de pagamentos, a determinação da lei é a de que a fonte pagadora seja a responsável pelo recolhimento do tributo correspondente, isto porque pressupõe que os recursos envolvidos seriam passíveis de tributação por parte dos destinatários finais. À evidência, diferentemente do que parece ter entendido a Recorrente, a presunção legal em questão não é de ter havido omissão de receitas, mas, sim, de que o imposto devido nas operações (com beneficiários não identificados ou cuja causa não foi comprovada) não foi recolhido, motivo pelo qual a fonte pagadora assume a responsabilidade por tal recolhimento. Observo que em relação a dois aspectos inexiste controvérsia, quais sejam: i) a efetividade dos pagamentos; e ii) a impossibilidade de comprovação individualizada dos beneficiários desses pagamentos e da sua causa. Embora a Recorrente afirme que “os documentos” comprovam as quitações, não indica que documentos seriam esses e aonde podem ser localizados, seja na impugnação, seja no recurso voluntário. Ao contrário disso, afirma textualmente ser “impossível para a empresa reclamante identificar os valores da forma exigida pela fiscalização e no prazo imposto”. No que tange ao reajuste da base de cálculo, cabe apenas o registro de que o procedimento, de índole matemática, apenas efetiva o comando normativo de que “o rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto”, nos exatos termos do disposto no parágrafo 3º do art. 674 do RIR/99, antes reproduzido. Diante de tal circunstância, não há como afastar a imputação feita pela Fiscalização, eis que o fato apurado amoldase perfeitamente à norma que serve de suporte à formalização da exigência tributária. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.803 12 SALDO CREDOR DE CAIXA Esclarece a Recorrente que em sua contabilidade inexistia SALDO CREDOR DE CAIXA. Diz que tal situação (saldo credor de caixa) decorreu da exclusão dos lançamentos contábeis referenciados no item anterior (“transferências contábeis entre a conta caixa e a conta banco, sendo na maioria dos casos de cheques compensados”). Afirma que, “partindo do pressuposto de que a reconstituição se deu em razão da exclusão de cheques compensados que foram lançados para a conta caixa, observase, nesse caso, a ausência de qualquer prova acerca da suposta irregularidade”. Sustenta que o auto de infração foi respaldado em presunções, e não em provas inequívocas. A infração sob análise guarda inteira conexão com a tratada no item anterior (PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM COMPROVAÇÃO DA CAUSA). Em resumo, temos que a Fiscalização identificou diversos pagamentos para os quais a contribuinte, embora intimada, não comprovou os beneficiários e a sua causa. Tais montantes, apesar de terem sido destinados a pagamentos, foram registrados contabilmente a débito da conta CAIXA, o que, à evidência, revela em última análise suprimento indevido à referida conta contábil, eis que se os valores foram destinados a pagamentos diversos não poderiam ao mesmo tempo representar ingresso no caixa da empresa. A partir de tal constatação, cuidou a autoridade fiscal de promover a recomposição da conta CAIXA, o que resultou no surgimento de saldos credores. O esclarecimento da Recorrente no sentido de que houve impropriedade na contabilização dos “boletos pagos” (crédito na conta CAIXA em momento anterior ao débito decorrente de transferências bancárias), embora verossímil, para que se pudesse ter como absolutamente verdadeiro seria necessário que tivessem sido aportados ao processo documentos capazes de demonstrar a efetiva ocorrência do alegado. Cabe destacar que, no caso, estamos diante de presunção eleita pela lei, conforme transcrição abaixo. DecretoLei nº 1.598/77 Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. ... § 2º O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Verificase, pois, que, tratandose de presunção legal, o ônus da prova da sua insubsistência recai sobre o contribuinte. Assim, ausentes elementos capazes de demonstrar a alegada impropriedade dos registros contábeis analisados pela Fiscalização, há de ser mantida a exigência nos termos em que foi formalizada. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.804 13 PASSIVO FICTÍCIO Alega a Recorrente que muitos dos saldos de contas passivas, considerados fictícios pela Fiscalização, referemse a erros de lançamento já corrigidos em período posterior a 31 de dezembro de 2006. Adiante, traz considerações sobre cada um dos saldos mantidos em primeira instância, discorrendo ainda acerca da presunção aplicada pela Fiscalização. O quadro abaixo indica os valores que serviram de base para a autuação, as comprovações aceitas em primeira instância e os saldos remanescentes. CÓDIGO DESCRIÇÃO VALOR TRIBUTADO SALDO EM 31/12/2006 CONSIDERADO COMPROVADO EM 1ª INSTÂNCIA VALOR REMANESCENTE 10089 MC MARMORARIA CANASVIEIRA LTDA 150.000,00 150.000,00 0,00 10040 KILLING AS TINTAS 59.367,84 38.000,00 21.367,84 10030 ANJO QUÍMICA 37.831,33 34.281,55 3.549,78 10003 BASF 70.865,07 0,00 70.865,07 10014 BOAINAIN 37.958,23 13.862,23 24.096,00 10008 SHERWIN WILLIAMS 11.759,83 0,00 11.759,83 TOTAL 367.782,30 236.143,78 131.638,52 EMPRÉSTIMOS 74.537,89 0,00 74.537,89 Objetivando demonstrar a inconsistência da autuação, a Recorrente afirma que realizou uma série de ajustes na escrituração contábil em razão da constatação de equívocos nos registros. Contudo, não identifica que ajustes seriam esses, bem como não aporta ao processo documentos capazes de comprovar a sua procedência. Debruçandose sobre os valores mantidos em primeira instância, a Recorrente, reiterando argumentos expendidos na peça impugnatória, traz alegações no sentido de refutar os fundamentos da decisão de primeiro grau. Analiso, pois, cada um dos valores mantidos em primeira instância FORNECEDOR 10040 – KILLING TINTAS – R$ 21.367,84 Relativamente aos argumentos expendidos na peça impugnatória (que foram repisados no recurso), o voto condutor da decisão de primeiro grau assinala: Quanto ao saldo de R$ 21.367,84, a contribuinte argumenta (fl. 507): Já o saldo de R$ 21.367,84 (vinte e um mil, trezentos e sessenta e sete reais e oitenta e quatro centavos) referemse as seguintes notas fiscais: Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.805 14 Nota Fiscal no 650248 R$ 5.269,92 nota fiscal apresentase em aberto porque foi lançada em duplicidade conforme se demonstra com cópia do livro Diário; Nota Fiscal no 706427 – foi feito em duplicidade a baixa da respectiva duplicada no valor de R$ 3.492,24; Nota Fiscal no 714599 foi feito em duplicidade a baixa da respectiva duplicada no valor de R$ 3.077,48; Nota Fiscal no 731165 foi feito em duplicidade a baixa da respectiva duplicada no valor de R$ 1.307,77; Não foi localizado nenhum lançamento de R$ 5.269,92 na cópia das páginas do livro Diário anexado à impugnação (doc. 15 fls. 616 a 653). Quanto às Notas Fiscais nº 706427 e nº 731165, foram encontrados lançamentos duplicados: R$ 3.492,24 em 15/02/2005 e 14/04/2005; R$ 1.307,77 em 30/04/2005 e 05/07/2005. Foi localizado um lançamento de R$ 3.077,48 em 20/02/2005, que seria relativo à Nota Fiscal nº 714599. Pelo quanto delineado na impugnação e comprovado nas cópias do livro Diário anexas a esse documento (fl. 645), houve o lançamento quanto ao pagamento das duplicatas. Assim, não pode ser aceita a alegação uma vez que o valor relativo a essas Notas Fiscais não compunham o saldo da conta do respectivo fornecedor em 31/12/2006. ... Para refutar o pronunciamento da Turma Julgadora de primeira instância, a Recorrente simplesmente alega: A alegação do Julgador Singular para manutenção dessa exigência é imprópria, pois afirma que existia passivo fictício em 31.12.2006, mas esqueceu o Nobre Julgador de verificar que os lançamentos foram realizados posteriormente, em 2007, corrigindo o saldo, e isso aconteceu ANTES DE QUALQUER INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O argumento, além de representar inovação em relação ao esposado na peça impugnatória, encontrase desprovido de comprovação, pois, como já dito, não cuidou a contribuinte de indicar o registro contábil pertinente e de aportar ao processo a documentação correspondente. FORNECEDOR 10030 – ANJO QUÍMICA – R$ 3.549,78 Assinala a decisão recorrida: [...] A contribuinte argumenta à fl. 508: Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.806 15 Independente da data do lançamento, os valores foram quitados e lançados, ainda que posteriormente, na contabilidade, portanto descabe o entendimento do fiscal para não acatar os valores, que são: NF 11200224 (R$ 1.372,66) e NF 10558125 (R$ 1.226,08). No mais; apresentamse as notas fiscais nº 10887126 (R$ 34.281,75) e nº 11767827 (R$ 1.184,76), bem como suas quitações, comprovando assim que o saldo questionado não tratase de passivo fictício, devendo o mesmo ser excluído da base de cálculo da exigência. Dos documentos mencionados, somente o de nº 108871 (R$ 34.281,75) foi desconsiderado pelo auditor, como pode ser visto no Termo (fl. 303). Os demais foram acatados. A cópia dessa Nota Fiscal consta às fls. 667 e 668 e os comprovantes de quitação às fls. 669 a 671. Por esses comprovantes, os pagamentos ocorreram em 29/01/2007, 02/03/2007 e 02/04/2007. Pela cópia do livro Razão (fl. 119), verificase o lançamento desse valor a crédito na conta 10030 entre 01/10/2006 a 31/12/2006 (data não disponível na cópia). Os lançamentos relativos a dois dos pagamentos ocorreram em 10/09/2007 (fl. 123) e 2008 (fl. 118). Contudo, como o lançamento em tela referese ao ano de 2006, acatamse os pagamentos para redução do passivo fictício para R$ 3.549,58. De fato, embora tenha havido referência às fls. 303, quando na verdade trata se das fls. 301, os valores de R$ 1.372,66, R$ 1.226,08 e R$ 1.184,76 não compunham o saldo tido como fictício pela Fiscalização, eis que esta acolheu a documentação apresentada, conforme registro feito no Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 301). Observese, inclusive, que o saldo tido como fictício/não comprovado é de R$ 3.549,78, que não corresponde a soma das notas fiscais referenciadas pela Recorrente (R$ 3.783,50). FORNECEDOR 10003 – BASF – R$ 70.865,07 Reiterando a alegação expendida na peça impugnatória, a Recorrente diz que o valor de R$ 31.854,49 (nota fiscal nº 625.874) se refere a comodato. Afirma que houve equívoco no registro contábil, que foi corrigido em 2007. Apreciando tal argumentação, assim se pronunciou a Turma Julgadora de primeira instância: Relativamente à Nota Fiscal nº 625.874, no valor de R$ 31.854,49, a contribuinte alega ter recebido as máquinas em face de contrato de comodato. A autuada não trouxe o instrumento do contrato aos autos. Muito embora no livro Diário de 2007 (fl. 681) exista um lançamento a crédito desse valor, com o histórico “Bens/produtos em comodato – 01/01/2007 saldo do balanço em 31/12/06 (BASF)”, a falta do instrumento e os dados da Nota Fiscal cuja cópia consta às fls. 676 e 677, indicam que as máquinas não entraram no estabelecimento da autuada a esse título. Na Nota Fiscal a natureza da operação está descrita como “Alienação contratual”, o CFOP utilizado foi o 6949 “Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado” enquanto que o relativo a “Remessa de bem por conta de contrato de comodato” é o 6908. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.807 16 Vêse, pois, que a documentação juntada pela Recorrente, além de não corresponder efetivamente ao alegado, foi tida como insuficiente para comprovar o passivo, o que não foi contraditado em sede de recurso. No que diz respeito ao valor de R$ 39.010,58, que somado ao anterior totaliza o montante de passivo fictício considerado pela Fiscalização e que foi mantido em primeira instância, assinala a decisão recorrida: Com relação a esta última (na realidade NF nº 0485556, de R$ 39.010,58), o documento de quitação anexo à impugnação (fl. 686) está datado de 27/12/2006. Na ficha do razão (fl. 129) do período de 01/10/2006 a 31/12/2006 estão registrados dois lançamentos desse valor: o primeiro constante da referida ficha, a crédito e, o último, a débito. Em face disso, não é possível que esse valor possa fazer parte do saldo da respectiva conta em 31/12/2006, pelo que não pode ser excluído do valor do passivo fictício. Em sede de recurso a contribuinte limitase a repisar a argumentação trazida pela peça impugnatória no sentido de que, relativamente à conta em que o montante estava inserido, “apresentou uma série de documentos comprovando a sua origem, restando ao final o valor de R$ 39.010,58 da Nota Fiscal nº 048556, para o qual também se comprova a quitação”. Como resta evidente, a comprovação trazida ao processo apenas reafirma a existência de passivo fictício, eis que os lançamentos contábeis apontam para quitação da obrigação no próprio ano de 2006. FORNECEDOR 10014 – BOAINAIN – R$ 24.096,00 Relativamente a esse item, a decisão recorrida registra: O passivo fictício considerado pelo autuante para essa conta foi de R$ 37.958,23 (fls. 304 e 305). As considerações abaixo referemse aos pagamentos não relacionados pelo autuante na tabela de fl. 304 e 305, aceitos como comprovação do passivo. Relativamente aos pagamentos da Nota Fiscal nº 363.762, ocorridos em 04/12/2006 e 18/12/2006 (R$ 5.238,49 e R$ 11.092,28, respectivamente), a contribuinte alega (fl. 510): Independente da data do lançamento, os valores foram quitados e lançados, ainda que posteriormente, na contabilidade, portanto descabe a argumentação do fiscal para não acatar os valores, que são: NF 363762232 (R$ 5.238,49) e NF 363762133 (R$ 11.092,28). Essa alegação apenas confirma a existência do passivo fictício, pelo que não pode ser acatada. Quanto à Nota Fiscal nº 365221, houve vários pagamentos conforme comprovantes de fls. 700 e 701. A contribuinte pleiteia o acatamento de R$ 13.688,73. Os comprovantes são nos valores respectivos de R$ 4.178,43 (um pagamento) e R$ 1.902,06 (seis pagamentos), perfazendo o total de R$ 15.590,79. Conforme pode ser visto na fl. 700, o pagamento de R$ 4.178,43 foi efetuado em 28/12/2006 e o primeiro de R$ 1.902,06 em 13/12/2006, com lançamentos contábeis em 30/06/2008 (fl. 132) e em dezembro de 2006 (fl. 126). Dessa forma, o primeiro Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.808 17 não pode ser considerado por confirmar essa parcela do passivo fictício e o segundo por já não compor o saldo da conta em 31/12/2006. Os demais pagamentos, efetuados e lançados todos em 2007, no valor total de R$ 9.510,30 devem ser deduzidos do valor do passivo fictício dessa conta. No que se refere ao pagamento relativo à Nota Fiscal nº 368.188, no valor de R$ 4.351,93, conforme comprovante de fl. 707, este ocorreu em 15/01/2007. O lançamento no livro Razão deuse nessa mesma data (fl. 132). Portanto, esse valor também deve ser abatido daquele do passivo fictício relativo a esse fornecedor. O total a ser abatido é de R$ 13.862,23, o que faz resultar um passivo fictício de R$ 24.096,00. Como se verifica, os valores em que efetivamente restaram comprovados que constituíam passivo em 31 de dezembro de 2006 foram acolhidos em primeira instância. Os valores que não foram acatados, como acertadamente assinala a decisão combatida, apenas confirmam o passivo fictício. FORNECEDOR 10008 – SHERWIN WILLIAMS – R$ 11.759,83 No que tange à conta em referência, registra a decisão recorrida: A contribuinte traz um arrazoado sobre as duas contas relativas a esse fornecedor, informando que apresentou documentos comprobatórios dos pagamentos referentes à primeira delas. Ocorre que tais pagamentos já foram aceitos pelo autuante, conforme consta no Termo (fl. 306). Contudo, “em relação à 2a conta, do saldo questionado pelo agente fiscal, foram apresentados documentos, reduzindo o saldo para R$ 11.759,83” (impugnação – fl. 511). A argumentação da contribuinte é (fl. 511): Novamente, alguns valores apresentados não foram aceitos para comprovar o lançamento, haja vista que os mesmos foram pagos em dezembro de 2006 e lançados na contabilidade somente em janeiro e fevereiro de 2007. Independente da data do lançamento, os valores foram quitados e lançados, ainda que posteriormente, na contabilidade, portanto descabe a argumentação do fiscal para não acatar os valores, que são: NF 3810882 36 (R$ 423,60), NF 11364337 (R$ 839,14) e NF 375360438 (R$ 4.483,12). Mais uma vez, salientase que essa alegação apenas confirma a existência do passivo fictício, pelo que não pode ser acatada. Correto o decidido em primeira instância, pois, se a quitação se deu em 2006, o fato de o registro correspondente só ter sido feito em 2007 não afasta a ocorrência de PASSIVO FICTÍCIO, vez que a obrigação não era exigível em 31 de dezembro de 2006. EMPRÉSTIMOS – R$ 74.537,89 Quanto a esse item, irretocável o decidido em primeira instância, senão vejamos: Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.809 18 No que tange ao passivo relativo aos empréstimos, o autuante assim se manifestou no Termo (fls. 307 e 308): 3.2.3. PASSIVO FICTÍCIO — EMPRÉSTIMOS Pelo Termo de Intimação Fiscal n° 04/2009 — TIF N° 04/2009, em 04/12/2009, a contribuinte/fiscalizada foi intimada a "comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, os lançamentos nos livros correspondentes, que originaram o PASSIVO CIRCULANTE — FINANCIAMENTOS A CURTO PRAZO — no valor de R$ 553.364,53, bem como em exercício(s) seguinte(s), as efetivas quitações destas dividas." (fls. 107). Em 12/12/2009, respondeu (fls. 142/143) e apresentou documentos (fls. 152/244). Do saldo credor de R$ 553.36,53, comprovou a existência de R$ 61.061,23 de empréstimo no BANCO BRADESCO e de R$ 417.765,41 de empréstimos na Caixa Econômica Federal — CEF, totalizando R$ 478.826,64. Portanto, tem um passivo de empréstimos não comprovado de R$ 74.537,89 ... [...] O próprio contribuinte admite este passivo fictício quando responde à intimação (às fls. 142): “A diferença entre o saldo demonstrado acima e o valor apurado no razão contábil de R$ 74.537,89, referente a empréstimos de períodos anteriores, que foram e estão sendo periciados para ajustes em períodos posteriores a 2006.” Na impugnação (fls. 512 e 513), a contribuinte argumentou: Esse montante referese a empréstimos de períodos anteriores que foram periciados e ajustados em períodos posteriores a 2006. Portanto, descabe a informação de passivo fictício, até porque da mesma forma que já argumentado alhures, essa conta tem um saldo tanto no ativo como no passivo, e assim, descabe a presunção de passivo fictício... [...] Para comprovar a explanação, segue resumo da conta desde período de 2004, bem como sua correção até o saldo zerado em 2008. Além dessa argumentação e de uma simples tabela (fls. 723 e 724), nenhum outro documento trouxe a contribuinte para comprovar o alegado. Com relação à jurisprudência do CARF, está claro que mero erro na escrituração não pode ensejar a presunção de receitas. Ocorre que o erro tem de ser demonstrado com documentos hábeis e idôneos, o que não ocorreu no caso. Mantémse, pois, o valor de R$ 74.537,89 como passivo fictício da conta em questão. Como é cediço, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Como reiteradamente repisado, a contribuinte simplesmente renovou em sede de recurso o que já havia alegado na fase impugnatória. A autoridade julgadora de primeira Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.810 19 instância, apreciando os argumentos e documentos, de forma fundamentada, acolheuos em parte. Não identifico, pois, relativamente aos itens que compõem a infração aqui apreciada (PASSIVO FICTÍCIO), reparos a serem feitos ao decidido na instância precedente. Registro, ainda, que merece reparo a afirmação da Recorrente no sentido de que “a existência pura de passivo fictício não pode representar em absoluto a ocorrência de infração à legislação tributária, para que isso ocorra, existe necessidade de que o lançamento firme a presunção de que seu valor tem origem na omissão de receitas”. Com efeito, é certo que a presunção legal em debate não é de natureza absoluta. Porém, como já dito, o ônus de demonstrar a sua insubsistência é do contribuinte. Para a autoridade fiscal, basta tão somente trazer o fato indiciário apontado pela norma legal, no caso, a existência de passivo fictício (manutenção no passivo de obrigações já liquidadas) ou não comprovado. Com o devido respeito, tenho por incompreensível a afirmação de que o lançamento deveria firmar a presunção de que seu valor tem origem na omissão de receitas, pois, no caso, o fato a ser provado pela Fiscalização está representado pela existência de passivo fictício e, quanto a isso, como visto anteriormente, excluídos os montantes comprovados em sede de impugnação, penso não restar dúvida. No mais, registro que as considerações trazidas pela Recorrente, colhidas em autorizada doutrina, com o devido respeito (mais uma vez), nenhuma contribuição trazem no sentido de afastar a aplicação da presunção legal em debate. MULTA QUALIFICADA Alega a Recorrente que a multa fiscal não pode ser utilizada como técnica de arrecadação ou verdadeiro tributo disfarçado. Diz que a não observância de uma proporcionalidade na previsão das multas fiscais pode levar a multas confiscatórias, ensejando a possibilidade de declaração de inconstitucionalidade. Argumenta que a exigência do crédito tributário foi pautada em presunção legal, não existindo nos autos qualquer prova que comprove o dolo. No que tange às alegações de inconstitucionalidade da norma autorizadora da aplicação da multa de ofício, cabe apenas destacar que a matéria não pode ser apreciada no âmbito deste Colegiado, conforme súmula nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que diz respeito à comprovação do dolo na prática das infrações imputadas pela Fiscalização, contudo, penso assistir razão à Recorrente. O simples fato de as infrações derivarem da aplicação de presunções legais, a meu ver, não constitui por si só elemento suficiente ao afastamento da exasperação da penalidade, vez que, em muitos casos, as citadas presunções servem tão somente para reproduzir quantitativamente o resultado da conduta. Em tais situações, encontramse reunidos aos autos elementos que efetivamente demonstram ter havido intenção por parte do fiscalizado de, por meio de variadas condutas, evitar a incidência do tributo ou o seu recolhimento. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.811 20 No caso vertente, entretanto, o espelhado no processo não traz qualquer indicativo de que a contribuinte intencionalmente pretendeu, por meio de lançamentos contábeis indevidos (de pagamentos, de suprimentos de caixa ou de obrigações), evitar a incidência tributária em referência. Nesse diapasão, merece reprodução o registrado no Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal acerca da qualificação da penalidade. 2.3. QUALIFICAÇÃO DA MULTA A fiscalizada omitiu receita conforme está provado neste termo. Assim, a sua conduta denota o elemento subjetivo da pratica dolosa de enganar o fisco, o que enseja a aplicação da MULTA QUALIFICADA, conforme o artigo 44, inciso II e § 1° da Lei 9.430/96. Ainda que se despreze o fato de a autoridade fiscal ter sido extremamente econômica ao justificar a aplicação da penalidade qualificada, não cuidou ela de demonstrar a conduta (ou condutas) adotada pela contribuinte que poderia servir de suporte para a providência. Tenho, pois, por indevida a exasperação da penalidade aplicada TAXA SELIC Sustenta a Recorrente que a aplicação da taxa selic, além de violar o princípio da legalidade, afronta também o princípio da anterioridade, por ser taxa flutuante, manipulada de acordo com os ajustes que se pretende fazer na economia. No que diz respeito aos juros de mora com base na taxa SELIC, a questão, como é cediço, já foi também objeto de súmula por parte deste Colegiado, conforme transcrição abaixo. Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 150% para 75%. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.006565/200953 Acórdão n.º 1301001.640 S1C3T1 Fl. 1.812 21 Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727480/2009-76
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 80 /2 00 9- 76 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.727480/200976 Acórdão n.º 2801002.756 S2TE01 Fl. 245 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 40.816,46, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.727480/200976 Acórdão n.º 2801002.756 S2TE01 Fl. 246 3 tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim,por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto,não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.727480/200976 Acórdão n.º 2801002.756 S2TE01 Fl. 247 4 j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios.; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.727480/200976 Acórdão n.º 2801002.756 S2TE01 Fl. 248 5 r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia;” É o relatório. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 126/133. Regularmente cientificada daquele acórdão em 10/11/2010 (fl. 136), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 137/225, em 11/01/2011. Em sua defesa, reitera os argumentos expendidos por ocasião de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Na dicção do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência do contribuinte. No presente caso, a contribuinte, ora recorrente, teve ciência do Acórdão que julgou sua impugnação em 10/11/2010 e somente veio a interpor Recurso Voluntário em 11/01/2011, sendo portanto, claramente intempestivo. Ante tudo acima exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000168/00-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000
MULTA REGULAMENTAR POR AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS DE REGISTRO DE ENTRADAS E DO CONTROLE ALTERNATIVO DE ESTOQUE. ARTIGO 470 DO RIPI/98..
O estabelecimento industrial de charutos, cigarros, cigarrilhas ou de fumo desfiado, picado, migado, em pó, ou em rolo e em corda que não escriturarem, nos livros de registro de entradas e do controle da produção e do estoque (assentamentos próprios para tal mister), as aquisições de tabaco em folha ou do papel para cigarros em bobinas, está sujeito à multa igual a vinte por cento do valor comercial das quantidades não escrituradas. O livro de registro do controle da produção e do estoque pode ser substituído por fichas (sistema de controle equivalente) desde que atendam obrigatoriamente, os mesmos requisitos, do livro substituído.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que se declarou impedido de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2000 MULTA REGULAMENTAR POR AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS DE REGISTRO DE ENTRADAS E DO CONTROLE ALTERNATIVO DE ESTOQUE. ARTIGO 470 DO RIPI/98.. O estabelecimento industrial de charutos, cigarros, cigarrilhas ou de fumo desfiado, picado, migado, em pó, ou em rolo e em corda que não escriturarem, nos livros de registro de entradas e do controle da produção e do estoque (assentamentos próprios para tal mister), as aquisições de tabaco em folha ou do papel para cigarros em bobinas, está sujeito à multa igual a vinte por cento do valor comercial das quantidades não escrituradas. O livro de registro do controle da produção e do estoque pode ser substituído por fichas (sistema de controle equivalente) desde que atendam obrigatoriamente, os mesmos requisitos, do livro substituído. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que se declarou impedido de votar. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000 MULTA REGULAMENTAR POR AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS DE REGISTRO DE ENTRADAS E DO CONTROLE ALTERNATIVO DE ESTOQUE. ARTIGO 470 DO RIPI/98.. O estabelecimento industrial de charutos, cigarros, cigarrilhas ou de fumo desfiado, picado, migado, em pó, ou em rolo e em corda que não escriturarem, nos livros de registro de entradas e do controle da produção e do estoque (assentamentos próprios para tal mister), as aquisições de tabaco em folha ou do papel para cigarros em bobinas, está sujeito à multa igual a vinte por cento do valor comercial das quantidades não escrituradas. O livro de registro do controle da produção e do estoque pode ser substituído por fichas (sistema de controle equivalente) desde que atendam obrigatoriamente, os mesmos requisitos, do livro substituído. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que se declarou impedido de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 01 68 /0 0- 18 Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Nanci Gama Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial contra decisão não unânime interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 20309.998, proferido pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento por ausência de MPF e, no mérito, deu provimento ao recurso voluntário, conforme a seguir: (i) por unanimidade de votos, para excluir a multa regulamentar, prevista no artigo 15, II, do Decreto 1.593/77, de “100% sobre o valor das mercadorias que se encontravam no estabelecimento destinadas à fabricação de cigarros, sem que esse estabelecimento possuísse registro especial”, eis que entendeu como suficiente, para o período autuado, a apresentação, pelo contribuinte, de registro especial específico para a empresa como um todo; e (ii) por maioria de votos, para excluir a multa regulamentar de “20% dos valores do tabaco em folhas e do papel para fabricação de cigarros, adquiridos pelo estabelecimento, que não foram escriturados nos assentamentos próprios”, prevista no artigo 470 do RIPI/98 e no artigo 16 do Decretolei 1.593/77, eis que entendeu que o contribuinte detinha autorização para escriturar os seus livros por processamento eletrônico de dados, tanto que registrou o seu “Livro de Registro de Entradas” na JUCESP assim que o mesmo se encerrou (durante o curso do processo), e que o ”Controle alternativo de Estoques” realizado pelo contribuinte foi válido e, inclusive, utilizado para quantificar as mercadorias apreendidas e valorar a penalidade pela própria fiscalização no lançamento. O acórdão restou assim ementado: “IPI. CIGARROS. REGISTRO ESPECIAL. EXIGIBILIDADE. CONTROLE DE ESTOQUE. A interpretação sistemática dos artigos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.593/77 conduz ao entendimento de que, até o advento da MP nº 1991, de 10/03/2000 (15ª reedição), regulamentada pela INSRF nº 69, de 05/07/2000, o registro especial para a fabricação de cigarros junto à Secretaria da Receita Federal era concedido para a pessoa jurídica e não em relação a cada estabelecimento. Comprovada a escrituração de controle de estoque. Recurso provido.” Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.000168/0018 Acórdão n.º 9303002.353 CSRFT3 Fl. 1.652 3 Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 32, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98 com alterações da Portaria MF nº 103/2002, interpôs recurso especial contra a parte não unânime da decisão a quo, ou seja, contra a exclusão da multa regulamentar de 20% prevista no artigo 470 do RIPI/98 e no artigo 16 do Decretolei 1.593/77. Para tanto, aduziu, com base em transcrições da decisão de primeira instância prolatada em 22/01/2002, que o contribuinte deveria ter feito prova da efetiva escrituração, por processamento eletrônico de dados, dos seus livros de registro de entradas e de controle de estoque, caso pretendesse afastar a exigência fiscal, e que a mera prova de que detinha autorização para escriturar por processamento eletrônico não comprova a efetiva escrituração. Complementa, ainda, que a existência de controles alternativos de estoques “não têm o condão de sanar a inexistência das notas fiscais, do registro de entradas e dos demais livros fiscais que a impugnante está obrigada a escriturar”, pugnando, ao final, pela manutenção da aludida multa regulamentar no lançamento. Em despacho de fls. 1.579, o i. Presidente da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes acolheu a informação de fls. 1.576/1.578 e deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 1.589/1.605, requerendo fosse negado provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial é tempestivo e, a meu ver, preenche os pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno vigente à época da prolação do acórdão, e, por essa razão, o conheço. A controvérsia cingese acerca da aplicação da multa regulamentar prevista no artigo 470 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 2.637/98, ainda em vigor, que assim dispõe: “Art. 470. Apurada, em estabelecimento industrial de charutos, cigarros, cigarrilhas ou de fumo desfiado, picado, migado, em pó, ou em rolo e em corda, a falta da escrituração, nos assentamentos próprios, da aquisição do tabaco em folha ou do papel para cigarros em bobinas, aplicarseá ao estabelecimento infrator a multa igual a vinte por cento do valor comercial das quantidades não escrituradas (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 16).” (grifouse) Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Nos autos restouse demonstrado que o contribuinte foi intimado a apresentar, em 13/01/2000, dentre outros documentos, os seus “Livros de Registro de Entrada” e “Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque”. Quanto ao “Livro de Registro de Entradas”, o contribuinte o apresentou à fiscalização em dia, juntamente a algumas notas fiscais de entrada e saída. No entanto, o referido livro não estava encadernado nem registrado devido ao fato de o mesmo ainda não ter sido encerrado à época da intimação. Apenas em 10/06/2000, com o encerramento do seu “Livro de Registro de Entradas”, é que o contribuinte procedeu ao seu devido registro, sob nº 95.365, na JUCESP, tendo juntado aos autos, em 22/03/2002, conjuntamente ao seu recurso voluntário, a comprovação do referido registro, no qual foram consubstanciadas todas as notas fiscais relacionadas no auto de infração. E, não tendo sido prequestionado, pela Fazenda Nacional, o momento de juntada das referidas provas, nem por meio de embargos de declaração, nem, tampouco, por meio do seu recurso especial, entendo que o momento de questionar aludidos quesitos foi atingido pela preclusão, cabendo ser plenamente consideradas as provas juntadas pelo contribuinte em seu recurso voluntário em razão, também, do princípio da verdade material e da tipicidade que devem reger os atos administrativos. Ademais, o recurso especial da Fazenda Nacional se resume, basicamente, em transcrever trechos da decisão da DRJ, momento em que o contribuinte ainda não tinha apresentado o seu livro devidamente escriturado, o que apenas comprova a ausência de inconformismo quanto ao momento de apresentação das provas. A meu ver, portanto, no que se refere aos “Livros de Registro de Entradas”, a juntada da aludida prova, pelo contribuinte, comprovando o seu registro, afasta a pretensão da fiscalização de exigir a multa regulamentar pela ausência de escrituração de seus livros, eis que exclui a hipótese típica prevista no artigo 470 do RIPI/98. Quanto à ausência de escrituração do “Livro de Registro de Controle de produção e Estoque” – Livro Modelo 3 , a Recorrida demonstrou, desde o início, que mantinha a sua escrituração por meio de “Registro de Controle Alternativo / Quantitativo de Produtos” e em processamento eletrônico de dados, conforme, inclusive, prova nos autos por meio da juntada de autorização de regime especial concedida pela Receita Federal em 16/06/1999 e da juntada dos referidos registros de controle alternativos. Inclusive, foi com base nos referidos controles alternativos que a fiscalização apurou a quantidade das mercadorias apreendidas e valorou a penalidade aplicada, conforme se extrai do seguinte trecho do lançamento consubstanciado às fls. 2 e 8: “As quantidades de tabaco em folhas constantes do quadro acima foram levantadas por contagem fisica no próprio local em que se encontravam. Correspondem às que constam do Controle de Estoque do próprio contribuinte, intitulado "Estoque Físico DEPOSITO DE FUMOS, em 13/01/2000, às 15:40:42 hrs", que anexamos. (...) As quantidades de tabaco em folhas foram extraídas do anexo controle de estoque do próprio contribuinte.” (grifos não existentes no original) Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.000168/0018 Acórdão n.º 9303002.353 CSRFT3 Fl. 1.653 5 Dessa forma, não tendo a fiscalização, em momento algum, provado que o “Controle Alternativo de Estoques” mantido pelo contribuinte estava irregular o que lhe incumbia diante da sua pretensão acerca da exigência de multa regulamentar – e, paralelamente, tendo a mesma admitido que as quantidades de mercadorias levantadas por contagem correspondem às que constam do “controle de estoque” do contribuinte, já afastam, por si só, a exigência da multa regulamentar em comento. Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para manter o acórdão recorrido nos seus próprios termos. Nanci Gama Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Quanto à questão da escrituração do livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, bem como de outra forma alternativa de controle, não merecem ser acolhidos os argumentos de defesa, pelas razões a seguir expendidas: O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, de escrituração obrigatório por todos os estabelecimentos industriais, 1artigo 345, parágrafo 2º, do RIPI/1998, possibilita ao Fisco auditar, a posteriori, as saídas de produtos industrializados do estabelecimento fiscalizado, com base na produção industrial, nos produtos retornados ao estabelecimento e incorporados aos estoques, no consumo de matérias primas e na consolidação periódica do estoque de produtos. De outro lado, predito livro pode ser substituído por fichas (sistema de controle equivalente), que atendam obrigatoriamente, dentre outros, ao seguinte requisito, conforme art. 361 abaixo reproduzido: 1 Art. 345. Os contribuintes manterão, em cada estabelecimento, conforme a natureza das operações que realizarem, os seguintes livros fiscais: I Registro de Entradas, modelo 1; II Registro de Saídas, modelo 2; III Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3; IV Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, modelo 4; V Registro de Impressão de Documentos Fiscais, modelo 5; VI Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, modelo 6; VIl Registro de Inventário, modelo 7; VIII Registro de Apuração do IPI, modelo 8. § 1º Omissis § 2º O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque será utilizado pelos estabelecimentos industriais, e equiparados a industrial, e comerciantes atacadistas, podendo, a critério da Secretaria da Receita Federal, ser exigido de outros estabelecimentos, com as adaptações necessárias. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Art. 361. O livro poderá, a critério da autoridade competente do Fisco Estadual, ser substituído por fichas: I impressas com os mesmos elementos do livro substituído; II numeradas tipograficamente, de um a novecentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove; III prévia e unitariamente autenticadas pelo Fisco Estadual ou pela Junta Comercial. Parágrafo único. Deverá ainda ser visada, pela repartição do Fisco Estadual, ou pela Junta Comercial, fichaíndice, na qual, observada a ordem numérica crescente, será registrada a utilização de cada ficha. Como se verifica da transcrição acima, não é qualquer ficha que pode substituir o livro em questão, tem de atender aos critérios estabelecidos no dispositivo acima transcrito, mas do que isso, deve ser escriturado no prazo máximo de 15 dias, conforme 2art. 362 do RIPI/1998. Tal não ocorreu. Esse fato, de per si, já seria suficiente para refutar os argumentos de defesa acerca da escrituração regular desse livro fiscal. Em outro giro, merece ser aqui reproduzido trecho da decisão de primeira instância sobre o tema: Quanto à multa do art. 470, está claro que a impugnante não apresentou o livro, registro de entradas e demais documentos fiscais solicitados pela intimação de fl. 17. ) À fl. 18 constatase que a impugnante foi autorizada pelo fisco estadual a utilizar sistema eletrônico de processamento de dados. No entanto, uma coisa é estar autorizada a fazer a contabilidade por processo eletrônico e outra coisa completamente distinta é escriturar os livros por aquele processo. A impugnante não se desincumbiu do ônus da prova, pois provou que estava autorizada a utilizar o processamento eletrônico, mas não provou a alegação de que possui a contabilidade em dia, uma vez que não anexou à impugnação os livros solicitados na intimação de fl. 17. Tal intimação é de clareza vítrea: a impugnante deveria apresentar de imediato os livros registro de entradas; registro de saídas; controle da produção e do estoque, ou as fichas a que se refere o art. 361 do Regulamento, ou, ainda, o controle alternativo disciplina o no art. 364; o livro modelo 8; as notas fiscais de mercadorias em estoque; as notas fiscais de saída e os demais documentos que lastrearam as operações praticadas pelo estabelecimento. Portanto, a alegação de que a fiscalização apreendeu os livros errados não; socorre a causa da impugnante, posto que nas duas oportunidades que lhe foram oferecidas, não apresentou os livros supostamente escriturados por processo eletrônico. O fato das quantidades de insumos terem sido retiradas dos controles alternativos de estoque, em nada desabona o trabalho 2 Art. 362. A escrituração do livro ou das fichas não poderá atrasarse mais de quinze dias. Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.000168/0018 Acórdão n.º 9303002.353 CSRFT3 Fl. 1.654 7 fiscal. É que a existência desses controles alternativos não tem o condão de sanar a inexistência das notas fiscais, do registro de entradas e dos demais livros fiscais que a impugnante está obrigada a escriturar. Não se olvide que o disposto no art. 470 do Regulamento abrange todos os livros fiscais a que a impugnante está obrigada a escriturar e não apenas o livro de registro de controle da produção e do estoque. Para arrematar o que se afirma acima, transcrevese o item 2 da descrição dos fatos do auto de infração, fl. 3, onde, categoricamente, é afirmado que os livros apresentados não se encontravam escriturados: 2. Falta de Registro nos Assentamentos Próprios da Aquisição do Tabaco em Folha do Papel para Fabricação de cigarros, A infração, tipificada no artigo 470 do R1P1, é punida com multa de 20% do valor das quantidades não escrituradas. Constatada, portanto, a existência" do estoque, intimamos o contribuinte a apresentar as notas fiscais de aquisição e os livre fiscais em que as mesmas deveriam estar escrituradas. Os assentamentos próprios mencionados na legislação. são o Livro Registro de Entradas, e o de Registro de Controle da Produção e do Estoque (artigos 354 e 359 do AIPI). Todos os livros apresentados, cujas cópias também anexamos não se encontravam escriturados. Por este motivo, exigimos também a multa de R$860.241,02 (oitocentos e sessenta mil, duzentos e quarenta e um reais e dois centavos) definida no artigo 16 do Decretolei 1.593/77, baselegal do artigo 470 do R1PI. Os Autuantes, para arrimar a acusação fiscal, juntaram aos autos cópias dos livros fiscais, os quais não haviam sido escriturados. Para refutar esse fato deveria ter demonstrado que havia escriturados os livros, ainda que de forma eletrônica, como alegou que estava autorizada a fazêlo, mas não o fez. Daí o acerto da decisão de primeira instância de manter o lançamento fiscal. Anotese, por oportuno, que eventual escrituração extemporânea desses livros não ilidi a infração apontada pela fiscalização, ao contrário, a confirma, pois demonstra que, de fato, à época dos fatos tais livros não eram escriturados. Frisese que o sujeito passivo foi intimado formalmente a apresentar os livros fiscais e não o fez, nem no decorrer da fiscalização nem por ocasião da impugnação de lançamento. Em outro giro, a legislação do IPI, mais precisamente, o art. 470 do RIPI/1998, prevê que o estabelecimento industrial de charutos, cigarros, cigarrilhas ou de fumo desfiado, picado, migado, em pó, ou em rolo e em corda que não escriturarem, nos livros de registro de entradas e do controle da produção e do estoque (assentamentos próprios para tal mister), as aquisições de tabaco em folha ou do papel para cigarros em bobinas, está sujeito à multa igual a vinte por cento do valor comercial das quantidades não escrituradas. O livro de registro do controle da produção e do estoque pode ser substituído por fichas (sistema de controle equivalente) desde que atendam obrigatoriamente, os mesmos requisitos, do livro substituído. Diante do exposto, dúvida não de que o sujeito passivo incorreu na infração sancionada com a multa prevista no Art. 470 do RIPI/1998. Assim, não há como deixar de reconhecer a procedência do lançamento fiscal, no tocante a esse item da autuação. Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10882.904895/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/08/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.904895/201271 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 3801003.700 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/08/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 95 /2 01 2- 71 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904895/201271 Acórdão n.º 3801003.700 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904895/201271 Acórdão n.º 3801003.700 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904895/201271 Acórdão n.º 3801003.700 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904895/201271 Acórdão n.º 3801003.700 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904895/201271 Acórdão n.º 3801003.700 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904895/201271 Acórdão n.º 3801003.700 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000774/98-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 27/06/1995 a 25/11/1996
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos.
Embargos de Declaração rejeitados.
Numero da decisão: 3202-000.542
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela interessada.
Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior e Octávio Carneiro Silva Corrêa declararam-se impedidos.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos de Declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela interessada. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior e Octávio Carneiro Silva Corrêa declararamse impedidos. Irene Souza de Trindade Torres – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 45DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Helder Massaki Kanamaru. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, em face do Acórdão nº 3202000.058, de 19/10/2009, proferido por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Nos termos do que dispõe o art. 65, § 2o, do Anexo II do RICARF, o então presidente da Turma – Conselheiro José Luiz Novo Rossari – designoume para analisar os embargos apresentados. Alega a embargante que teria havido omissão e obscuridade no votocondutor do Acórdão, o qual decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, pelos motivos a seguir expostos. No entender da embargante a decisão proferida é omissa quando, em relação à Declaração de Importação n° 154/95, rejeitou o documento de fl. 22 por entender que o mesmo era uma cópia fotostática de um certificado de origem que já fora objeto de outra cópia fotostática em que havia selo de tabelionato dizendo ser reprodução de original. Consta do votocondutor do Acórdão recorrido a seguinte argumentação: “Por óbvio que o certificado de origem foi idealizado para ser apresentado em sua via original, sendo passível de aceitação, no máximo, a cópia autenticada da via original; essa última hipótese marca o limite para a aceitação de documento de certificado de origem. (...)”. Assim, a decisão teria sido omissa quando deixou de apontar qual a norma legal estabelece tal limite para a referida aceitação de cópia do certificado de origem, uma vez que os atos administrativos devem ser motivados. E mais, aduz que o artigo 383 do CPC prescreve que qualquer reprodução mecânica faz prova dos fatos ou das coisas representadas. Deste modo, uma vez autenticada a cópia, esta tem o mesmo valor probante do original, de sorte que uma segunda autenticação não lhe retira o seu valor probante. Argumenta, ainda, a embargante, no que se refere à Declaração de Importação n° 407/96, o Acórdão recorrido contém obscuridade quando, utilizandose da NOTA COANA/COLAD/DITEG No. 60/97, afirma que “diante do desinteresse da Aladi em permitir essa triangulação comercial, resta inequívoco que a interveniência de operador de 3º país no âmbito do Mercosul foi instituída a partir da Diretiva n° 12/1996 e para a Aladi, somente a partir da Resolução 232/1997”, sendo que em nenhum momento teria sido dito na referida Nota que a ALADI não permitia a triangulação comercial. Prossegue a embargante, asseverando que a citada Nota é clara ao prescrever que a triangulação comercial foi admitida como prática de uso frequente na ALADI e, assim, conclui que a decisão teria sido obscura no ponto em que afirma que a ALADI não permitia a triangulação comercial, quando pela própria literalidade da NOTA COANA/COLAD/DITEG No. 60/97 se extrai que a triangulação comercial foi admitida como prática de uso frequente na ALADI. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10320.000774/9812 Acórdão n.º 3202000.542 S3C2T2 Fl. 2 3 Destarte, no entender da embargante, este órgão julgador deveria esclarecer a obscuridade contida no acórdão embargado, explicando, juridicamente, por qual motivo a decisão negou o direito a restituição, sob o fundamento de que somente após a Resolução n° 232 da ALADI seria possível a realização da triangulação comercial no âmbito da ALADI. Por fim, requer sejam os presentes embargos de declaração conhecidos, para suprir a omissão e esclarecer a obscuridade apontada, sendo dado efeito modificativo à decisão, para julgar totalmente improcedente a ação fiscal. É o Relatório. Voto Os embargos de declaração estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Destarte, temos que os embargos declaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. O que se verifica da leitura do Acórdão embargado é que neste não há qualquer contradição, obscuridade ou omissão a serem supridas. O voto condutor do Acórdão enfrentou os principais pontos trazidos pelas partes, bem como se pronunciou acerca dos pontos que foram suscitados nos embargos ora analisados. A meu entender, as questões trazidas nos embargos já foram devidamente apreciadas e submetidas à análise do Colegiado, senão vejamos. No tocante a alegada omissão do Acórdão recorrido, em relação à Declaração de Importação n° 154/95, o votocondutor foi embasado nos seguintes motivos para a rejeição da citada cópia do certificado de origem apresentado: No mérito, os autos demonstram que o certificado de origem original apresentado pela requerente em resposta à intimação fiscal (fl. 29) não se trata de um documento expedido por entidade oficial, e sim, de documento assinado apenas pelo exportador, que não possui habilitação para tal certificação. Já o documento assinado pela entidade que eventualmente teria tal habilitação (fl. 22) é uma cópia fotostática de um certificado de origem que já fora objeto de outra cópia fotostática em que havia selo de tabelionato dizendo ser reprodução de original, e cujo carimbo da entidade certificadora mostrase praticamente ilegível. Embora possa ser aceita a reprodução fiel da via original de um certificado de origem, tal aceitação só pode se implementar se a Fl. 47DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 reprodução for acompanhada de autenticação feita com a obediência de todos os requisitos que lhe dizem respeito e lhe dão credibilidade. Destarte, não é com a documentação acostada pela requerente neste processo que se pode aceitar o documento de certificação de origem para efeitos de preferência tarifária da Aladi. Verifico que a unidade preparadora do processo fez a devida intimação para que a requerente apresentasse a via original do certificado de origem, sem que essa intimação tivesse sido satisfeita pela parte. Na verdade o processo já foi objeto de sucessivas delongas pertinentes à apresentação desse documento, sem que, até hoje, tenha sido satisfeito tal requisito pela requerente. Cumpre ressaltar que o documento que faz acreditar o cumprimento da certificação de origem deve ter plena e inequívoca credibilidade, não podendo deixar dúvidas à autoridade competente para efeitos de sua aceitação. Por óbvio que o certificado de origem foi idealizado para ser apresentado em sua via original, sendo passível de aceitação, no máximo, a cópia autenticada da via original; essa última hipótese marca o limite para a aceitação de documento de certificação de origem. Pelo exposto, entendo que os documentos acostados aos autos não satisfazem ao requisito de origem para os efeitos pretendidos. Analisandose todo o contexto da fundamentação do voto do Acórdão recorrido acima transcrito (e não apenas um mero trecho isolado desta fundamentação, como destacado nos embargos), fica claramente demonstrado que a Recorrente não se desincumbiu de seu ônus da provar a existência do certificado de origem (assim como sua autenticidade) necessário para embasar o seu pedido de restituição de tributos, nos termos do que dispõe o artigo 333, inciso I, do CPC. Vejamos os vários elementos que levaram o Relator do processo a esta convicção: i. “o certificado de origem original apresentado pela requerente em resposta à intimação fiscal (fl. 29) não se trata de um documento expedido por entidade oficial, e sim, de documento assinado apenas pelo exportador, que não possui habilitação para tal certificação”; ii. “o documento assinado pela entidade que eventualmente teria tal habilitação (fl. 22) é uma cópia fotostática de um certificado de origem que já fora objeto de outra cópia fotostática em que havia selo de tabelionato dizendo ser reprodução de original, e cujo carimbo da entidade certificadora mostrase praticamente ilegível”; iii. “Embora possa ser aceita a reprodução fiel da via original de um certificado de origem, tal aceitação só pode se implementar se a reprodução for acompanhada de autenticação feita com a obediência de todos os requisitos que lhe dizem respeito e lhe dão credibilidade”; iv. “o documento que faz acreditar o cumprimento da certificação de origem deve ter plena e inequívoca credibilidade, não podendo deixar dúvidas à autoridade competente para efeitos de sua aceitação”; Fl. 48DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10320.000774/9812 Acórdão n.º 3202000.542 S3C2T2 Fl. 3 5 v. “o certificado de origem foi idealizado para ser apresentado em sua via original, sendo passível de aceitação, no máximo, a cópia autenticada da via original; essa última hipótese marca o limite para a aceitação de documento de certificação de origem”. Portanto, não se pode tomar apenas um trecho isolado da fundamentação do voto para alegar que a decisão é omissa; devese analisar todo o contexto em que está inseria uma argumentação específica para, ai então, chegarse aos motivos que levaram à formação da convicção do julgador. Ademais, é certo que o artigo 383, do CPC, ao prescrever que a reprodução mecânica (p.ex. fotocópia) pode servir de prova dos fatos ou das coisas representadas faz, entretanto, a seguinte ressalva: “se aquele contra quem foi produzida lhe admitir a conformidade”. No caso concreto, a Fazenda Nacional não admitiu sua conformidade, conforme amplamente registrado ao longo de todo o processo. Portanto não se pode dizer que uma vez autenticada a cópia esta terá, sempre, o mesmo valor probante do original. Há necessidade de tomaremse alguns cuidados que lhe garantam a autenticidade. E exatamente esta a lição que pode ser extraída do artigo 385, do CPC: “A cópia de documento particular tem o mesmo valor probante que o original, cabendo ao escrivão, intimadas as partes, proceder à conferência e certificar a conformidade entre a cópia e o original”. Registrese, ainda, que cessa a fé do documento particular enquanto não se lhe comprovar a veracidade (art. 388/CPC). Não houve, portanto, a alegada omissão arguida pela embargante. No meu entender, o votocondutor apenas não adotou a tese defendida pela Recorrente, pelos fundamentos constantes da decisão acima transcritos. O Relator, em suma, fundamentou sua decisão na falta/insuficiência de prova documental que satisfizesse ao requisito de comprovação de origem do produto importado. Em outro giro, quanto à aventada obscuridade constante da decisão, no que se refere à Declaração de Importação n° 407/96, transcreveremos a seguir os fundamentos do voto do Acórdão recorrido para melhor análise da questão: Finalmente, quanto à DI n° 407/96, verificase que a lide decorre do entendimento fiscal de que somente a partir de 8/12/1998, data de publicação do Decreto n° 2.865, de 7/12/1998, que deu publicidade à Resolução 232 que veio a alterar o Acordo 91 do Comitê de Representantes da Aladi, referente à Regulamentação das Disposições Referentes Certificação de Origem, promulgado pelo Decreto n° 98.836/1990, é que esse organismo internacional passou a permitir a participação de um operador de terceiro pais, membro ou não da Aladi, com a manutenção da preferência tarifária prevista no Tratado de Montevidéu. É pacifico na legislação pertinente aos atos que promulgam os tratados internacionais celebrados pelo País, que os mesmos têm sua vigência a partir das datas constantes em seus textos originais. A matéria já foi objeto de manifestação especifica da Coordenação do Sistema de Tributação, como se verifica do Parecer Normativo CST n° 3, de 1979 (DOU, de 2/2/1979), que, ao tratar justamente da promulgação de atos internacionais em Fl. 49DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 datas posteriores às previstas para inicio de vigência dos textos originais, concluiu que "Conseguintemente, se a promulgação somente se verificar em data posterior h prevista no acordo, o que se estará atestando é que o tratado já estava em vigência desde aquele termo, e o que se estará ordenando é que seus efeitos a ele retroajam". Referido Parecer, de eficácia normativa, assim dispôs em sua ementa, verbis: "Os atos que promulgam os tratados internacionais, celebrados pelo Brasil, geram efeitos "ex tune" com relação as datas eventualmente previstas nos textos originais para vigência do acordo." Depreendese dai que, salvo expressa disposição em contrário, a data de entrada em vigor de um ato internacional não pode anteceder à de assinatura desse mesmo ato. Assim, não há que se cogitar, como defende a recorrente, de aplicação da norma instituída pela Resolução 232 da Aladi antes de sua assinatura pelas Partes Contratantes, tendo em vista que somente a partir da entrada em vigor dessa Resolução é que foi acordada a possibilidade de interveniência de operador de terceiro pais. No que respeita à Nota Coana n° 60/97, alegada pela recorrente, cumpre ressaltar que, no que concerne ao regime de origem especifico da Aladi, esse ato apenas sugere, em suas conclusões, providências temporárias na hipótese de interveniência de operador de terceiro pais. Tal Nota não tem a faculdade de se sobrepor à vigência de ato internacional, de forma a sugerir trâmites procedimentais com vistas a permitir a possibilidade de interveniente de terceiro pais, hipótese posteriormente implementada no âmbito da Aladi. De mais, tal ato explicita que no Mercosul a situação de triangulação comercial foi disciplinada pela Diretiva n 12/1996 da Comissão de Comércio do Mercosul, posta em execução pela Portaria Interministerial MF/MICT/MRE n° 11, de 21/1/1997. No entanto, no que respeita à Aladi, a mesma Nota acrescentou que foi apresentado Projeto de Resolução ao Comitê de Representantes da Aladi em 28/10/1992 (ALADI/SEC/Proposta 145), que abarcava também a triangulação comercial, prevendo uma série de alterações no formulário de certificação de origem, dentre as quais a possibilidade de se declarar no campo destinado às "observações", se necessário fosse, que a mercadoria estava sendo comercializada por um terceiro. Aduz que "entretanto tal projeto não foi levado a cabo, face ao desinteresse comercial dos principais países membros da Associação, uma vez que as atenções dirigiamse cada vez mais ao MERCOSUL". Diante do desinteresse da Aladi em permitir essa triangulação comercial, resta inequívoco que a interveniência de operador de 3º país no âmbito do Mercosul foi instituída a partir da Diretiva n' 12/1996 e para a Aladi, somente a partir da Resolução 232/1997. Destarte, a importação de mercadoria envolvendo operador de terceiro pais, cuja declaração de importação foi registrada antes da assinatura da celebração do acordo pertinente A. Resolução 232, não goza da preferência tarifária prevista em acordos da Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10320.000774/9812 Acórdão n.º 3202000.542 S3C2T2 Fl. 4 7 Aladi. Pelo exposto, e tendo em vista que a declaração de importação foi registrada em 25/11/1996, data anterior à da assinatura da Resolução 232 da Aladi, há que se considerar a operação de importação ao desamparo das normas estabelecidas nesse ato e, em decorrência, concluir pelo descabimento da preferência tarifária pleiteada para as mercadorias importadas. Da mesma forma já comentada na análise da matéria anterior, também neste tópico a Embargante toma um trecho isolado da fundamentação do voto condutor do Acordão, para então, afirmar que há obscuridade na decisão. No meu entender não há, vejamos. O argumento principal declinado pelo Relator, para denegar o pedido de restituição da empresa em relação à DI n° 407/96 referese ao fato que somente a partir de 8/12/1998, é que a Resolução 232 passou a ter vigência no Brasil (data da publicação do Decreto do Decreto n° 2.865, de 7/12/1998, que deu publicidade a esta Resolução). Muito bem, foi exatamente a Resolução 232 que alterou o Acordo 91 do Comitê de Representantes da Aladi, referente à Regulamentação das Disposições Referentes Certificação de Origem, promulgado pelo Decreto n° 98.836/1990, permitindo, assim, a participação de um operador de terceiro país, membro ou não da Aladi, com a manutenção da preferência tarifária prevista no Tratado de Montevidéu. Portanto, a questão relevante para o deslinde da matéria referese ao fato de que a data de entrada em vigor de um ato internacional não pode anteceder à de assinatura desse mesmo ato. Logo, a norma instituída pela Resolução 232 somente poderá ser aplicada no País a partir do momento em que foi inserida no ordenamento jurídico pátrio (com o Decreto n° 2.865, de 7/12/1998). Como a DI n° 407/96 foi registrada em 25/11/1996, data anterior à assinatura da Resolução 232 da ALADI, não é possível a utilização da preferência tarifária para operadores de terceiros países. Quando à Nota Coana n° 60/97, objeto dos embargos, o Relator apenas afirma em seu voto que “(...) cumpre ressaltar que, no que concerne ao regime de origem específico da Aladi, esse ato apenas sugere, em suas conclusões, providências temporárias na hipótese de interveniência de operador de terceiro país. Tal Nota não tem a faculdade de se sobrepor à vigência de ato internacional, de forma a sugerir trâmites procedimentais com vistas a permitir a possibilidade de interveniente de terceiro país, hipótese posteriormente implementada no âmbito da Aladi”. Não vislumbro obscuridade nestes enunciados, mas apenas a constatação de que uma “Nota Coana” não pode se sobrepor às regras de aplicação das normas no tempo. Deste modo, entendo não ter havido a omissão ou as obscuridades apontadas pelo embargante. Isto porque o sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, por tais razões, contradição, obscuridades ou omissão no Acórdão embargado, o que demonstra a impossibilidade de se reformar esta decisão em sede de embargos de declaração. Em outro giro, registrese que os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Neste sentido, pronunciouse o STJ: AgRg no AREsp 179411 / SP Data da decisão: 19/06/2012 DJe 27/06/2012 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos de declaração apenas são cabíveis quando constar no julgamento obscuridade ou contradição ou quando o julgador for omisso na análise de algum ponto. Admitese, por construção jurisprudencial, também a interposição de aclaratórios para a correção de erro material. 2. "A omissão a ser sanada por meio dos embargos declaratórios é aquela existente em face dos pontos em relação aos quais está o julgador obrigado a responder; enquanto a contradição que deveria ser arguida seria a presente internamente no texto do aresto embargado, e não entre este e o acórdão recorrido. Já a obscuridade passível de correção é a que se detecta no texto do decisum, referente à falta de clareza, o que não se constata na espécie."(EDcl no AgRg no REsp 1.222.863/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 13/6/2011) 3. Embargos manejados com nítido caráter infringente, onde se objetiva rediscutir a causa já devidamente decidida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (grifamos) Com essas considerações, REJEITO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela interessada. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri (assinado digitalmente) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10830.004864/2003-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
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Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 48 64 /2 00 3- 32 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de auto de infração eletrônico (fls. 40/49) relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1998, lavrado em 13/06/2003 e cientificado à interessada em 10/07/2003 (AR fl. 51), com descrição dos fatos calcada em FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, apurada em razão da nãolocalização de pagamentos vinculados à compensação de débitos declarados, disso decorrendo a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 14.064,38, assim discriminados: (i) Contribuição: R$ 5.109,86; (ii) Multa de Ofício: R$ 3.832,40 e (iii) Juros de Mora: R$ 5.122,12, conforme demonstrativos anexos ao auto de infração. 2.Inconformada, a contribuinte protocolizou em 22/07/2003, por intermédio de seu representante legal, impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/39, alegando em sua defesa, as razões de fato e de direito, em síntese: “...... DOS FATOS O débito de R$ 5.109,86, referente apuração do mês de Março/98, informado no AI N º 0007041 supra citado, corresponde a valores compensados de recolhimentos a maior nas guias do Cofins – Cód. 2172, relativo aos períodos de apuração dos meses de Fevereiro/97, Março/97, Maio/97 e Junho/97. Como segue demonstrado para verificação: Período Vr. Devido Vr. Pago e Atualização Valor a Apuração Código Correto Informado DCTF Diferença Selic % Vr. R$ compensar Fevereiro/1997 2172 78.570,93 80.324,06 (1.753,13) 26,95 (472,47) (2.225,60) Março/1997 2172 85.886,35 86.922,62 (1.036,27) 25,31 (262,28) (1.298,55) Maio/1997 2172 93.295,04 93.968,66 (673,62) 22,07 (148,67) (822,29) Junho/1997 2172 106.018,70 106.652,45 (633,75) 20,46 (129,67) (763,42) (5.109,85) DO DIREITO DA PRELIMINAR Não tem fundamento o Auto de Infração aplicado pela autoridade impetrante de exigir o pagamento dos respectivos débitos, uma vez que os mesmos já foram quitados, sendo que houve apenas um erro nas informações declaradas na DCTF dos meses de Fevereiro/97, Março/97, Maio/97 e Junho/97, não retificadas na época. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.004864/200332 Acórdão n.º 3802003.674 S3TE02 Fl. 368 3 DO MÉRITO É permitido a compensação de pagamentos indevidos ou a maior, conforme IN SRF Nº 21 de 10/03/07, vigente na época. Senhor julgador, estes, síntese, são os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: Com relação ao recolhimento do Cofins competência Março/1998, foi corretamente deduzido a importância de R$ 5.109,86, conforme demonstrado. O Tributo foi homologado em 05/05/98 (DCTF original); o A.I. emitido em 13/06/03 e, entendemos que estava extinto o Crédito Tributário nos termos do Artigo 150, § 4º da Lei 5.172/66. E não havendo concordância de sua parte, solicitamos sua orientação para ser realizada as devidas correções das informações prestadas corretamente nas DCTF´s dos meses de Fevereiro, Março, Maio e Junho/97. [........] DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total, do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CPS no 0522.428, de 21/07/2008, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA.DECADÊNCIA. Na ausência de pagamento não há que se falar em aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, regendose o instituto da decadência pelos ditames que emanam do art. 173 do mesmo código. Ademais, descabe discutir o prazo para formalização da exigência, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração, mormente quando formalizado o lançamento dentro do prazo previsto no art. 173 do CTN. COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO. Não confirmada, em declarações apresentadas pelo contribuinte, sua alegação de crédito decorrente de pagamento efetuado a maior, não há como afastar a exigência do principal lançado. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA.Em relação ao débito mantido, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 exoneração da multa de lançamento de ofício a ele vinculada, em razão de o débito já estar declarado em DCTF. Lançamento Procedente em Parte. O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte, exonerando a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada, tendo em vista retroatividade benigna. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a Recorrente integral provimento ao mesmo, para que seja reconhecida a extinção do crédito tributário exigido pela Fazenda, em razão da homologação tácita da compensação efetuada, nos termos do artigo 156, inciso VII do Código Tributário Nacional, e, por consequência seja reconhecida a impossibilidade da Fazenda exigir de oficio eventuais diferença decorrentes desta compensação, vez que decorridos mais de cinco anos da entrega da DCTF (artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional). Apresenta documentos (02) referentes ao razão geral de abril/98. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo auto de infração eletrônico relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1998, lavrado em 13/06/2003 e cientificado à interessada em 10/07/2003, com descrição dos fatos com base na FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, apurada em razão da nãolocalização de pagamentos vinculados à compensação de débitos declarados. Exigese COFINS, no valor de R$ 5.109,86 (cinco mil, cento e nove reais e oitenta e seis centavos), acrescido de juros de mora e multa de oficio, a qual já excluída pela DRJ, apurada em Março de 1998 e que foi compensada com valores recolhidos a maior, a titulo da mesma contribuição, nos meses de Fevereiro/1997, Março/1997, Maio/1997 e Junho/1997, em razão da não exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da COFINS deste período. Como alega a recorrente, esclarecendo que o débito de COFINS apurado no mês de Março de 1998, corresponde a R$ 98.871,99 (noventa e oito mil, oitocentos e setenta e um reais e noventa e nove centavos), o qual foi compensado parte com créditos oriundos do Fl. 370DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.004864/200332 Acórdão n.º 3802003.674 S3TE02 Fl. 369 5 ressarcimento de IPI — Processo Administrativo n° 10830.000697/9822 e parte com os valores de COFINS recolhidos a maior do período de Fevereiro/1997, Março/1997, Maio/1997 e Junho/1997, sendo que apenas é objeto de discussão nestes autos a última compensação noticiada (R$ 5.109,86). Pois bem, ressaltese que na DCTF do 1º trimestre/98, em relação ao PA Março de 1998 a recorrente indicou o débito de Cofins, código 2172, no montante de R$ 98.871,99 ao qual vinculou dois créditos distintos. Ou seja, o primeiro do tipo Compensação sem DARF, no valor de R$ 93.762,13 (crédito de R$ 93.762,13 teve como origem Ressarcimento de IPI, tendo sido mencionado o processo administrativo nº 10830.000697/98 22, o qual não foi objeto de exigência. O segundo, como sendo Compensação com DARF na quantia de R$ 5.109,86, o qual foi recusado dada a nãolocalização dos pagamentos indicados na declaração. Inicialmente, a recorrente invoca que o tributo foi homologado em 05/05/98 (DCTF original); o A.I. emitido em 13/06/03 e, entendemos que estava extinto o Crédito Tributário nos termos do Artigo 150, § 4º da Lei 5.172/66. O art. 150, § 4º do CTN prescreve: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado , expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. […] § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No entanto, não localizando o pagamento, aplicase o art. 173 do CTN, que dispõe: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Em sendo assim, na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames que emanam do art. 173, inc. II do CTN. Logo, não assiste razão à recorrente, pois a contagem iniciouse em 01/01/99 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), então, regular é o lançamento cientificado em 10/07/2003. Portanto, rejeitase preliminar arguida de que o crédito tributário estaria extinto por conta do decurso de prazo do art. 150, § 4° do CTN. Com intuito de comprovar o crédito, a recorrente apresentou planilhas; cópias do Livro de Registro de Notas Fiscais do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza e cópias do Livro de Registro de Saídas, para justificar as alterações nas bases de cálculo da Cofins ocorridas naqueles períodos que teriam ensejado ao crédito utilizado na compensação do débito cobrado no auto de infração. Bem como em sede de recurso voluntário, apresentou dois documentos referentes ao razão geral de abril/98. A própria recorrente admite erro na DCTF de valores de fevereiro a junho de 1997, os quais não foram retificados, à época. Pois bem, não se homologou a compensação, à vista do crédito vinculado, o qual não foi confirmado, ou seja, a indicação dos DARFs de 03/97, 04/94, 06/97 e 07/97, não tiveram os pagamentos localizados. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Em razão da falta de comprovação da totalidade dos créditos informados na DCTF do período de apuração de Mar/1998, logo fica mantido o lançamento. Bem como, a recorrente não retificou as DCTFs apresentadas, logo, as mesmas têm caráter de confissão de dívida (divergência entre valores na DIPJ e DCTF, nos períodos de 02,03, 05 e 06/1997. Por todo o exposto, rejeito a preliminar e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.004864/200332 Acórdão n.º 3802003.674 S3TE02 Fl. 370 7 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 373DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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