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Numero do processo: 19740.720138/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006
IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO.
Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 refere-se à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança.
FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.
A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL incidente sobre as bases de cálculo mensais estimadas, por força do princípio da consunção, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio pela falta de pagamento da contribuição devida ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 1201-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para exonerar a multa isolada, por concomitância. Ausente justificadamente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira suplente Cristiane Silva Costa.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006 IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 refere-se à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL incidente sobre as bases de cálculo mensais estimadas, por força do princípio da consunção, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio pela falta de pagamento da contribuição devida ao final do ano-calendário.
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BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 referese à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 38 /2 00 9- 30 Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1227.175, exarado pela 4ª Turma da DRJ1 no Rio de Janeiro – RJ. Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 2576 e ss.): Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco do auto de infração de CSLL (fls. 2.309/2.321), no valor de R$ 3.117 862,11, acrescido da multa de ofício de 75%, acrescida dos juros e mora e, também, da multa exigida isoladamente em razão do não recolhimento das estimativas (50%) no valor de R$ 1.563.786,37. O entendimento fiscal encontra seu respaldo no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.296/2.308), cujo teor abaixo se transcreve: a) A alíquota dos períodos examinados é de 9%; b) Os ajustes ao lucro líquido para a apuração da CSLL seguem a mesma orientação dos previstos na apuração do Lucro Real; c) Significa dizer que a apuração da base de cálculo da CSLL segue lógica semelhante aquela do IR, tanto no que diz respeito ao regime e à periodicidade da apuração, como também no que diz respeito aos princípios de dedutibilidade de despesas e provisões, sendo as exceções previstas na legislação específica para cada tributo; d) O presente procedimento fiscal teve por objetivo verificar valores que, embora adicionados na apuração do lucro real, não foram adicionados nas bases de cálculo da CSLL relativa aos anoscalendário de 2005 e 2006; e) Para tanto, a empresa foi intimada a apresentar os livros e documentos relativos ao período objeto de fiscalização, onde, em sua resposta, trouxe o fato de que não havia previsão legal para a adição à base de cálculo da CSLL dos Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 4 3 valores de COFINS com exigibilidade suspensa; das multas indedutíveis e das gratificações pagas aos administradores; f) Os lançamentos contábeis, relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, caracterizamse como provisões, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas à exigência futura, mas sim, um provisionamento contra eventuais riscos de a ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose a empresa contra os conseqüentes impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio. Impõese, portanto, a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo da CSLL; g) No que respeita às multas examinadas e às gratificações pagas a administradores, a obrigatoriedade da adição decorre da própria natureza destas despesas, por não atenderem aos requisitos de dedutibilidade na forma do artigo 13 da Lei n° 9.249/1995; h) A não adição destes valores tem como conseqüência a redução da CSLL, inclusive nas estimativas calculadas mensalmente, com base em balancete de suspensão/redução; i) No caso das estimativas de CSLL não recolhidas deve ser aplicada a multa isolada de 50%, conforme o disposto na Lei 11.488/2007; Devidamente cientificada em 07/07/2009, a interessada, em 05/08/2009, apresentou impugnação (fls. 2.323/2.343), instruída com a documentação de fls. 2.344/2.572, alegando, em síntese, o que se segue: a) Efetuou a dedução para o cálculo da CSLL das provisões contábeis relativas à COFINS, uma vez que tal tributo, até então, encontravase com sua exigibilidade suspensa, em função de liminar obtida em sede de mandado de segurança Processo 99.00140400 7a Vara Federal da Seção Judiciária RJ (artigo 151, inciso IV do CTN); b) Com efeito, para a apuração do IRPJ, deve ser considerado que seu fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza, conforme preceitua o artigo 43 do CTN; c) Nesse sentido, vale dizer que a base de cálculo do IRPJ deve ser determinada com base no lucro real, que corresponde ao resultado do períodobase, ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda; d) Por seu turno, a CSLL é uma contribuição cobrada sobre o lucro das pessoas jurídicas com a finalidade de financiamento da seguridade social. Nesse particular, a apuração do tributo deve considerar o lucro contábil; Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 5 4 e) A distinção é fundamental, tendo em vista que o artigo 41 da Lei n° 8.981/1995 dispõe que os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, sendo certo que o parágrafo primeiro excetua a aplicação do "caput" aos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do artigo 151 do CTN; f) A rigor, acolhendose o entendimento manifestado pela fiscalização, estarseia criando um novo LALUR para a CSLL, sem qualquer previsão legal; g) Enumera inúmeros princípios contábeis concernentes ao caso, tais como o Princípio da Competência, da Continuidade, da Oportunidade e da Prudência; h) Afirma que a exigência fiscal decorre da aplicação do disposto tanto na IN SRF n° 390/2004, em especial no artigo 3°, onde consta que à CSLL devem ser aplicadas as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidos para o IRPJ quanto na IN SRF n° 93/1997 (mesmo teor da primeira IN citada); i) Tais artigos das IN citadas infringem o Princípio Constitucional da Reserva Legal previsto no artigo 150, inciso I da Constituição Federal; j) Esclarece também que os artigos 56 e 57 da IN SRF n° 390/2004 tentam inovar, ao estabelecer restrições às deduções de multas por infrações fiscais, bem como aquelas de natureza não tributária; k) Afirma que não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, tendo em vista que as deduções efetuadas, em sua maioria, decorreram de provisões relativas à COFINS que, por sua vez, encontrase com sua exigibilidade suspensa, por força de decisão liminar obtida em sede de mandado de segurança; l) Por seu turno, as deduções efetuadas a título de gratificação a administradores e multas têm amparo legal, conforme já demonstrado na impugnação; m) Neste sentido, vale dizer que a própria IN SRF n° 93/1997 autoriza a dedução das retiradas por administradores, conforme se depreende do artigo 31; n) Ora, considerando que o auto de infração deve conter, com clareza e precisão, a indicação objetiva da infração cometida, com a exata correspondência dos dispositivos de lei desatendidos, o que não ocorreu, houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, razão pela qual deve ser declarada a nulidade da presente peça fiscal, eis que ocorrera vício formal injustificável; Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 6 5 o) Por conseguinte, sendo improcedente o auto de infração para a exigência de CSLL, também se torna inadmissível a aplicação da multa de ofício isolada, em face da suposta falta de recolhimento das estimativas de CSLL; p) Além disso, ainda que se admita procedente a lavratura do auto de infração, apenas por amor ao debate, não se pode chegar a outra conclusão senão pela improcedência da multa de ofício isolada. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar a exigência da CSLL sobre despesas desnecessárias, haja vista falta de previsão legal para tanto, bem como para afastar a correspondente parcela da multa isolada. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 2649 e ss.): a) os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial devem ser contabilizados como despesas incorridas, e não como provisão, conforme julgados das 1ª e 3ª Turmas, ambas da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF; b) é ilegal a Instrução Normativa SRF nº 390/2004, haja vista que o art. 41 da Lei nº 8.981/95, que determina a adição dos tributos cuja exigibilidade encontrase suspensa somente se aplica à apuração do lucro real, não se estendendo à base de cálculo da contribuição; c) ao contrário do afirmado pela fiscalização, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não são idênticas; d) é nulo o auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, pois a autoridade fiscal deixou de indicar com precisão as normas legais supostamente infringidas pela contribuinte; e) ainda que se admita a legalidade da exigência da CSLL, é incabível a exigência da multa isolada já que a contribuinte não praticou nenhuma das condutas previstas no art. 44, caput, e § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegada Nulidade do Lançamento Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 7 6 Afirma a recorrente que a imprecisão na indicação, no auto de infração, das normais legais supostamente infringidas implica cerceamento de seu direito de defesa e, por conseguinte, a nulidade do lançamento. Não está correta, todavia, a tese da defesa. Conforme jurisprudência administrativa pacífica, a imprecisão quanto à indicação das normas infringidas não implica a nulidade do auto de infração, desde que os fatos tenham sido ali claramente descritos. No caso sob exame a autoridade tributária, além de expressamente apontar tanto no auto de infração quanto no termo de verificação fiscal, dentre outras normas, o art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88 e o art. 13 da Lei nº 9.249/95, fez constar no TVF o seu entendimento sobre os fatos, conforme a seguir transcrito (fl. 2305 e ss.): 3. Do Lançamento Esta Fiscalização entende que os lançamento contábeis relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas a exigência certa e futura, mas, sim, um provisionamento contra eventuais riscos de a ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose a empresa contra os conseqüentes impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio. Impõese, portanto, a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo da CSLL por força do art. 2º, parágrafo 1º, letra “c”, da Lei nº 7.689/88, na redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, e art. 13, I, da Lei nº 9.249, de 1995. Em assim sendo, demonstrado que o auditor descreveu claramente a infração que, em seu entendimento, teria cometido a contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. 3) Da Distinção entre as Bases de Cálculo do IRPJ e da CSLL Contesta a interessada a incidência da CSLL sobre a Cofins, cuja exigibilidade encontravase suspensa, sob o argumento de que não há identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Argumenta que o abaixo transcrito art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95 aplicase somente à determinação do lucro real. Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...) Pois bem, está correta a tese defendida pela defesa segundo a qual não são idênticas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De fato, devese notar que o art. 57 da mesma Lei nº 8.981/95, ao estabelecer que “[a]plicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 8 7 de renda das pessoas jurídicas” imediatamente ressalva que serão “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei”. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 não se refere aos ajustes ao lucro líquido previstos nas legislações desses tributos, e sim à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo. Em assim sendo, adotada a apuração de lucro real trimestral para o IRPJ, a base de cálculo da CSLL também deverá ser determinada trimestralmente, com base no lucro líquido ajustado. Mutatis mutandis, o mesmo se diga quando a forma de apuração do IRPJ eleita pelo contribuinte for o lucro real anual ou o lucro presumido. No entanto, como visto no item anterior deste voto, a autuação encontrase lastreada no art. 2º, § 1º, “c”, da Lei nº 7.689/88, bem como no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95, que assim estabelecem: Lei nº 7.689/88: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (...) Lei nº 9.249/95 Art. 13 Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964 : I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e do décimoterceiro salário, a de que trata o 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065. de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguros e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a aplicável; (...) Isso posto, ao contrário do alegado pela recorrente, a autuação não se deu em virtude de suposta identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas sim porque a autoridade fiscal entendeu que é de provisão a natureza do registro contábil relativo aos valores Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 9 8 de tributos não pagos, cuja exigibilidade esteja suspensa por medida liminar em mandado de segurança. Nesse sentido, também não há que se falar em nulidade do lançamento por suposta ilegalidade do art. 50 da Instrução Normativa nº 390/2004. Isso porque a validade formal do lançamento independe da citada norma regulamentar, pois pode se sustentar, apenas, nas normas legais acima referidas. 4) Das Adições à Base de Cálculo da CSLL – Provisões Indedutíveis Superado o argumento de defesa examinado no item anterior, resta agora determinar se devem ou não ser conceituados como provisões os valores contabilizados pela ora recorrente nos anos de 2005 e 2006 a título de Cofins, cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança. Segundo a fiscalização referidos valores caracterizamse como provisões, daí porque a contribuinte deveria têlos adicionado lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, conforme estabelecem os já transcritos art. 2º, § 1º, “c”, item 3, da Lei nº 7.689/88 e art. 13, I, da Lei nº 9.249/95. Por sua vez afirma a interessada que os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial devem ser contabilizados como despesas incorridas, e não como provisão. Sobre o conceito de provisão o Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, assim estabelece: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. (...) vi. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (...) Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a. uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b. é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 10 9 c. o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. De ver que, no caso sob exame, além da incerteza quanto ao prazo ou valor da obrigação de pagar a Cofins cuja exigibilidade estava suspensa, encontramse também presentes as três condições antes referidas, necessárias e suficientes ao surgimento do dever de constituição da provisão para pagamento da Cofins, a saber: a) a contribuinte tinha a obrigação de pagar a Cofins em razão da ocorrência do respectivo fato gerador legalmente previsto; b) havia probabilidade de a contribuinte vir a precisar de recursos para liquidar a obrigação quando fosse pronunciada a decisão judicial definitiva; c) o montante da obrigação poderia ter sido, e foi, estimado pela contribuinte, tanto assim que deduziu o valor da Cofins na apuração do lucro líquido dos anos de 2005 e 2006. Por fim, importante ressaltar que, em relação aos julgados das 1ª e 3ª Turmas, ambas da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, apontados pela defesa a fim de sustentar sua argumentação, é de se dizer que ao menos a 1ª Turma passou a adotar posição contrária, conforme se observa na abaixo transcrita ementa ao acórdão 110100813 (sessão de 03/10/2012): CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. JUROS APLICADOS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São também indedutíveis os acréscimos de juros feitos às provisões contábeis de tributos com exigibilidade suspensa. Ademais, ao apreciar a mesma questão de direito em sessão realizada no dia 04/07/2012, no âmbito do processo nº 19740.720170/200915, esta 1ª Turma da 2ª Câmara, por unanimidade de votos, decidiu que os tributos com exigibilidade suspensa por medida judicial devem ser contabilizados como provisão e, assim, adicionados à base de cálculo da CSLL. Não é outro também o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por meio do Acórdão nº 910100.592, exarado na sessão de 18 de maio de 2010, pacificou a questão, também por unanimidade de votos, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 11 10 CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. 5) Da Multa Isolada Relativamente à falta de adição da Cofins suspensa à base de cálculo da CSLL, a decisão recorrida manteve tanto a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento da contribuição social apurada por estimativas mensais, como a incidência da multa de ofício aplicada sobre a CSLL devida ao final dos anoscalendários de 2005 e 2006. Em suas razões, a recorrente limitase a afirmar não haver praticado nenhuma das condutas previstas no art. 44, caput, e § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. No entanto, ao deixar de adicionar à base de cálculo da CSLL o valor da Cofins cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de medida judicial, a contribuinte incorreu em falta ou insuficiência do pagamento da contribuição social, seja a calculada por estimativa, seja a apurada ao final do período. Em assim sendo, ao contrário do afirmado pela defesa, houve a prática de conduta expressamente prevista no art. 44, caput, e § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Ocorre que, conforme entendimento já pacificado nesta Turma, a exigência da multa isolada deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Segundo Damásio de Jesus (in Direito Penal, vol. 1), incide o princípio da consunção ou absorção, entre outras hipóteses, quando a prática de um determinado ato infracional constituise em meio necessário ou normal à prática de um segundo ato infracional. Assim, na hipótese de cometimento das duas infrações, a aplicação da norma que tipifica o primeiro ilícito é excluída, subsistindo apenas a aplicação da norma que tipifica o segundo. Esse é exatamente o caso dos autos. A falta de pagamento das estimativas mensais da CSLL constitui infração ao art. 2º da Lei nº 9.430/96, conduta essa punível com multa isolada estabelecida no art. 44, § 1º, IV, da mesma Lei nº 9.430/96 em sua redação original. Todavia, referida conduta constituise em meio normal à prática da infração relativa à falta de pagamento da CSLL devida ao final do anocalendário, conforme estabelecido no art. 6º, § 1º, I, da Lei nº 9.430/96, infração essa punível com a multa de ofício proporcional a que se refere o art. 44, caput, da Lei nº 9.430/96 em sua redação original. Tendo em vista que a contribuinte cometeu as duas infrações, e em atenção ao princípio da consunção, a aplicação da norma “meio” é afastada, subsistindo apenas aplicação da norma “fim”, razão pela qual devese eximir a contribuinte da exigência da multa isolada. 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.720138/200930 Acórdão n.º 1201000.810 S1C2T1 Fl. 12 11 Marcelo Cuba Netto Fl. 2682DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10840.003588/2004-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.370
Decisão: RESOLUÇÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca- OAB/SP 236.471
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca OAB/SP 236.471 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 03 58 8/ 20 04 -5 7 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 112 2 Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSERV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de COFINS. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000314/200856 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: Na informação fiscal (fls. 117/119), que acompanha o despacho denegatorio, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito da Cofins demonstrado na ficha 06 do DACON, referentes do I o ao 4 o trimestre de 2004, foram glosados valores relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo IV e glosa do excesso de crédito presumido calculado sobre operações de Hedge anexo III. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 07 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de Cofins devida, apurada após esgotados os créditos j á ajustados, resultando no saldo devedor, no mês, de R$ 872.587,63. Assim, no mês de outubro de 2004, inexistia valor de créditos de Cofins a serem compensados,. O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento junto à 4ª Câmara, da 2º Turma da 3ª. Seção do CARF. Analisando o litígio, a DRJRibeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 215), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCQMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE. DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 113 3 CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras goza do benefício da nãoincidência, que , por conseqüência natural do regime da nãocumulatividade da contribuição, resulta na inexistência do direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. HEDGE. CRÉDITOS SOBRE PERDAS. O crédito presumido relativo a perdas com hedge verificase quando, em determinado período de apuração mensal, as perdas superam os ganhos totais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Datado fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DA COFINS. Tendo a apuração do crédito da Cofins sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada nas mesmas razões de direito e nos mesmos elementos de prova. Às fls. 258 e seguintes, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: · Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 114 4 VOTO Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como se depreende do relatório acima, a Recorrente sofreu procedimento de fiscalização instaurado pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), que culminou na lavratura do Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. No Auto de Infração lavrado, além de não reconhecer os créditos tributários indicados pelo Recorrente no pedido de compensação objeto do presente procedimento administrativo, a fiscalização constituiu créditos tributários em desfavor do Recorrente. Ademais, pela simples leitura do relatório da fiscalização anexo aos autos, que, inclusive, foi utilizado pela Delegacia de Ribeirão Preto como balizamento para o indeferimento da compensação pleiteada, naquele Auto de Infração discutese a mesma matéria invocada pelo Recorrente em suas razões recursais. Ou seja, como os procedimentos – o Auto de Infração e o presente pedido de compensação – estão afetados por julgadores distintos, correse o risco de haver decisões conflituosas, que trarão grande insegurança jurídica às partes envolvidas, tanto para o Recorrente como para a Fazenda Nacional. Como a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto alegou, o certo, in casu, seria o julgamento em conjunto destes processos. Confirase as alegações do eminente relator neste sentido: De fato, o procedimento fiscal de que trata o processo de lançamento fiscal da Cofíns, revisou os créditos da contribuição informados no Dacon, correspondentes ao ano de 2004. O presente processo trata de PER/DCOMP encaminhada pela interessada tratando do aproveitamento dos citados créditos, que teriam sido apurados no mês de outubro de 2004. Ora, como conseqüência daquele procedimento, a pretensão perdeu o objeto, pois foi constatada a inexistência do saldo credor que seria passível de compensação. A Manifestação de Inconformidade ora apresentada apenas ratifica as razões de defesa que foram analisadas na decisão de 2009 e, nas palavras da interessada: exauriu toda a sua dilação.probatória (fl. 133), portanto, o que foi decidido naquele processo, que analisou as mesmas questões de direito e de fato concernentes a existência do crédito da Cofíns, aqui aplicase integralmente. De fato, nesses casos, como ambos processos possuem o mesmo objeto, em relação à existência'do crédito compensável, é preferível que os julgamentos da impugnação ao lançamento e da manifestação de inconformidade ao despacho denegatório sejam realizados na mesma.sessão de julgamento. (fl. 241) Naquela oportunidade, quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, já havia sido proferida decisão pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, em face da impugnação apresentada pela Recorrente no Auto de Infração. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 115 5 Assim, tendo em vista a impossibilidade de apensamento dos autos, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, aquela Delegacia, justamente para evitar a existência de decisões conflitantes, em sua decisão, baseouse no voto proferido nos autos do Auto de Infração lavrado em desfavor do Recorrente. Este egrégio Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do julgado abaixo colacionado, já se manifestou pela necessidade de apensamento dos autos, para que não haja risco de decisões conflituosas com relação à mesma matéria. Vejase: 3º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 30334.677 em 12.09.2007 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM CRÉDITO DE TERCEIROS Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2001, 10/04/2001 Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. O C.P.C, cuja disciplina é subsidiária ao PAF, define claramente a conexão, a continência e a identidade de ações, todas causas de prevenção de competência. Comparando o presente processo com o processo nº 13886.000820/9975, observamse as mesmas partes envolvidas em ambos os processos, a mesma causa de pedir e mesmo o objeto (pedido). As partes, em ambos os processos considerados, este e o outro, de nº 13886.000820/9975, que abrange o primeiro pedido de compensação, protocolado em 10.01.2000, são de um lado, a União, e de outro lado, GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (alegada credora da União) e METALÚRGICA GALMAR (devedora de IPI à União); a causa de pedir é a mesma, isto é, a existência de crédito decorrente de indébito de Finsocial; e o objeto nos dois processos também é o mesmo, ou seja, pedido de compensação de crédito decorrente de indébito de Finsocial, de titularidade da GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, com débito de IPI da METALÚRGICA GALMAR. Entre os processos referidos há mais do que conexão, ou mesmo continência, há identidade de ações no âmbito administrativo. O apensamento deste processo àquele outro é medida que se impõe pela litispendência evidente, e poderia ter evitado os equívocos explicitados. Entendese que a decisão quanto ao pedido de homologação de compensação formalizado nos presentes autos representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de nº 13886.000820/9975. (...) Decisao: Por maioria de votos, decidiuse apensar o processo ao de número 13886.008820/9975, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto. O Conselheiro Marciel Eder Costa votou pela conclusão. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 03.06.2008 Relator: ZENALDO LOIBMAN Recorrente: METALÚRGICA GALMAR LTDA. Recorrida: DRJRIBEIRAO PRETO/SP Em consulta realizada na movimentação processual do Auto de Infração nº 15956.000314/200856 perante este egrégio Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003588/200457 Resolução nº 3801000.370 S3TE01 Fl. 116 6 verificase que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi distribuído para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF e ainda não foi julgado. Desta forma, para que não haja decisões conflituosas no presente caso, uma vez que poderá haver ou não o reconhecimento do crédito tributário invocado pela Recorrente, é imperioso que o presente processo seja remetido para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que o julgador do Auto de Infração profira o seu voto em ambos os processos, garantindose, assim, a integridade do princípio da segurança jurídica, que deve ser o Norte de todos os julgamentos, sejam eles administrativos ou judiciais. Por tudo, voto pela remessa dos presentes autos para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que seja apensado ao Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.005935/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008
COFINS. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. PROVA.
Cabe ao contribuinte demonstrar no processo de restituição, que verse sobre incidência alegadamente indevida sobre exportação de serviços, as condições sobre a isenção das operações, especificamente no que diz respeito a se tratar de prestador residente ou domiciliado no exterior e a haver efetivo ingresso de dívidas no País.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 COFINS. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. PROVA. Cabe ao contribuinte demonstrar no processo de restituição, que verse sobre incidência alegadamente indevida sobre exportação de serviços, as condições sobre a isenção das operações, especificamente no que diz respeito a se tratar de prestador residente ou domiciliado no exterior e a haver efetivo ingresso de dívidas no País. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 59 35 /2 00 8- 72 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 517 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 493 a 505) apresentado em 13 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 0122.821, de 31 de agosto de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 482 a 491), cientificado em 07 de dezembro de 2011, que, relativamente a pedido de restituição de Cofins dos períodos de outubro de 2003 a setembro de 2008, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 COFINS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 DECISÕES JUDICIAIS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n 45, DOU de 31/12/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 518 3 O pedido foi apresentado em 30 de outubro de 2008 e inicialmente apreciado pelo parecer de fls. 34 a 39. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição de Cofins nãocumulativa do período de 10/03 a 09/08, no valor de R$213.117,05 (fl. 03) e Declaração de Compensação de fls. 29/32. A Delegacia de origem indeferiu o pleito sob o seguinte fundamento: (...) Contudo, nem mesmo depois de intimado regularmente a empresa apresentou os elementos que provariam a suposta situação fática que alegara quando da formulação da consulta tributária e do pleito que ora se analisa. 22. Por outro lado, também não há nos autos ou nos sistemas informatizados informações seguras que levem a concluir pela ocorrência de pagamento ou retenção de Cofins por ocasião de eventuais serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. ... frente à absoluta ausência de provas do direito creditório alegado, opino pelo indeferimento do pedido de restituição de Cofins (fl. 1) e pela nãohomologação da declaração de compensação número 06777.96940.290109.1.3.047264, ambos da empresa Ocidental Transportes e Navegação Ltda., CNPJ 84.656.164/000161. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 43/55, em 25/03/2011, na qual alegou que: ... a Recorrente não conseguiu cumprir o prazo, tendo em vista o atraso do condomínio, a complexidade da documentação exigida e o curto prazo. Vale ainda ressaltar que parte da documentação exigida, como os Contratos de prestação de serviços firmados com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, não é de posse da Recorrente, mera prestadora de serviços e sim do Agente/Representante do armador estrangeiro no Brasil. (...) Em 26 de julho do ano corrente houve julgamento dos Embargos Infringentes n° 2001.37 . 00 . 0001339 / MA interposto por um prestador de serviços, o qual foi dado provimento por unanimidade, nos termos do voto da Relatora, a Sra. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, a qual passase a discorrer, resumidamente: (...) Ora, resta claro, que a utilização de agente ou representante do transportador estrangeiro como intermediário para a realização Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 519 4 do serviço de rebocador ou praticagem não tem o condão de afastar a regra da isenção, uma vez que o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, não o intermediário. (...) Como se vê, a legislação federal acabou por desconsiderar o local de realização do serviço, privilegiando, como critérios identificadores da exportação imunizada, a localização além fronteira do tomador e a entrada de divisas no país. Porém, como se restou demonstrado, em momento algum o legislador se preocupou em elencar qualquer tipo ou modo de serviço prestado, pois a finalidade da imunidade é o incentivo a exportação. Assim, ainda que uma prestação tenha início, desenvolvimento e conclusão exclusivamente em território brasileiro, e aqui se verificar o seu resultado, esta pode vir a ser considerada, para efeitos de PIS e da COFINS, como exportação de serviços, bastando, para tanto, que (i) essa atividade tenha sido desenvolvida em favor de terceiro não residente e que (ii) sua contraprestação acarrete a entrada de divisas no país. (...) Os agentes ou representantes são simples intermediários nas vendas. Assim, temos que o contratante da prestação de serviço, no presente pleito não é o agente ou representante, mas a empresa estrangeira. Concluise, pois, que a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, quer seja, a empresa estrangeira. Ademais, a Solução de Consulta é clara nesse sentido ao dizer que: “Os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato do pagamento ser feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não descaracteriza, por si só, para efeitos de não incidencia do Pis/Pasep e da COFINS. (...) No que concerne ao segundo requisito disposto para a configuração de uma prestação de serviço como exportação entrada de divisas a situação em estudo merece a mesma conclusão exposta acima. O pagamento das despesas incorridas no País suportadas pelo transportador estrangeiro está previsto no item 5, da Seção 2, do Capítulo 9 do RMCCI, são os seguintes: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 520 5 “ 5 . As despesas incorridas no País por transportador estrangeiro residente, domiciliado ou com sede no exterior devem ser objeto de: a) regular ingresso de moeda estrangeira; b) débito em moeda nacional titulada pela transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, mantida na forma da regulamentação em vigor; c) utilização dos recursos objeto de registros escriturais de que trata a seção 9 do capítulo 14”. Assim, ainda que o preço dos serviços seja pago à Recorrente por empresa nacional, representante do armador estrangeiro, é este último, na qualidade de real tomador dos serviços, quem arca com tal encargo, enviando previamente ao país divisas suficientes à sua quitação. O custeio dos serviços prestados pela Recorrente, portanto, tem imediata relação com o ingresso de divisas no país. O fato de o preço ser pago em moeda nacional não desabona a condição de imunidade da receita da Recorrente, pois o que importa é o efetivo ingresso de divisas. (...) O Banco Central do Brasil acompanha a atividade dos armadores estrangeiros no país mediante rígido controle das divisas que entram e das divisas que saem do Brasil, as primeiras para pagamento dos fornecedores brasileiros, as segundas relativas ao frete contratado por nacionais. Até recentemente, era a CartaCircular n° 2.297, de 08 de julho de 1992, com suas posteriores alterações, que disciplinava as transferências de valores pertinentes ao transporte marítimo internacional. Em 30 de julho do corrente ano as normas anteriores foram revogadas consolidadas na Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, atualizada até a Circular Bacen n° 3.493, de 24 de março de 201049, que divulgou o Regulamento sobre Frete Internacional, o qual integra a Consolidação das Normas Cambiais (CNC) do BACEN (Capítulo 7). Os normativos do BACEN estipulam que todo armador estrangeiro que atue no Brasil deve ter representante constituído no país, sobre o qual recairá a responsabilidade pela comprovação dos resultados da atividade de transporte marítimo realizada por aquele. Em suma, as divisas remetidas ao país para pagamento das despesas decorrentes do serviço de transporte marítimo serão destinadas ao representante do armador estrangeiro, que fica obrigado a comprovar o destino dado a tais valores e manter o registro dessas operações. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 521 6 O representante nacional do transportador estrangeiro é também quem recolhe das empresas nacionais contratantes do serviço de transporte o frete cobrado, remetendoo ao exterior mediante o fechamento de contratos de câmbio com as instituições autorizadas para tal mister pelo próprio BACEN. Assim, nas transferências do e para o exterior relacionadas aos serviços de transporte marítimo internacional haverá sempre uma empresa brasileira atuando como intermediária do armador estrangeiro. Tal fato só se dá por expressa imposição das normas cambiais, que não desnaturam a operação, a qual continua adstrita a receitas e despesas de entidade não domiciliada no país (armador estrangeiro). (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Senhoria entender ser devido. (...) Podemos concluir assim que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. (...) Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 522 7 Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autorizaesse tipo de transação. (...) Diante dos argumentos acima aludidos, temos que a r. decisão deva ser reformada, dando provimento ao presente recurso, a fim de reconhecer o Pedido de Restituição, bem como homologar a compensação n° 06777.96940.290109.1.3.047264, conforme teor da Solução de Consulta n° 30 SRRF /2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007. No recurso, a Interessada defendeu, incialmente, o direito à restituição, a não incidência de PIS e Cofins sobre a exportação de serviços e o entendimento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região sobre a matéria. A seguir, tratou das condições para a não incidência (prestador de serviços residente no exterior e ingresso de dividas no País) e dos atos normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil que seriam aplicáveis ao caso, especialmente no que concerne à estipulação da representação no Brasil de armador estrangeiro. Assim, as divisas seriam remetidas ao representante nacional para envio ao estrangeiro, por meio de contrato de câmbio. Na sequência, tratou do direito de restituição e de compensação e alegou o seguinte quanto à sua comprovação: Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Senhoria entender ser devido. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a questão discutida nos autos é de prova, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações da Interessada, fazendo constar o entendimento da própria ementa. Mas a Interessada não trouxe novas provas ou argumentos em seu recurso. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 523 8 Em que pesem serem coerentes seus argumentos, a questão da prova é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes ao caso os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: Dessa forma, a interessada teria que provar esses dois requisitos. Quanto a prestação de serviços, informa que os Contratos de prestação de serviços firmados com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, não é de posse da Recorrente, apresentando apenas cópias das notas fiscais emitidas para empresas de navegação do país (fls. 78/480). Verificase, pois, que não há nos autos prova inequívoca de que a beneficiária dos serviços prestados foi pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, vez que a contribuinte admite na peça impugnatória não ter a posse dos contratos de prestação de serviços firmados. Quanto ao segundo requisito, a manifestante argumenta que, por imposição das normas cambiais, haverá sempre uma empresa brasileira atuando como intermediária do armador estrangeiro, o que não desnatura a operação. Ressaltese que o pagamento efetuado pelo agente ou representante não descaracteriza o ingresso de divisas, mas não resta dúvidas que a contribuinte deve provar o nexo causal existente entre a prestação do serviço e o ingresso de divisas. Por oportuno, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30 SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007 (fls. 23/24), citada pela interessada: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p. ex., CartaCircular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a nãoincidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (grifouse) Em vista do exposto, não há reparos a fazer no despacho decisório. Portanto, as alegações da Interessada não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.005935/200872 Acórdão n.º 3302002.158 S3C3T2 Fl. 524 9 À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11968.001031/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Carlos Frederico Cordeiro dos Santos, OAB/PE nº. 20.653..
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Gilberto de Castro Moreira Junior - Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Carlos Frederico Cordeiro dos Santos, OAB/PE nº. 20.653.. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Gilberto de Castro Moreira Junior Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (5) lavrados para a desclassificação fiscal de produto importado pela empresa autuada, através das Declarações de Importação registradas em abril e maio de 2008 (nove DIs, ao todo, relacionadas às fls. 07 e 08 do Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação e repetidas nos demais Autos, correspondentes ao IPI, ao PIS/PASEP, à Cofins e à multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 68 .0 01 03 1/ 20 08 -3 1 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 372 2 Os cinco Autos de Infração lavrados dizem respeito aos seguintes lançamentos: 1° Auto de Infração: para cobrança da diferença do Imposto de Importação (II), no valor original de R$ 12.186,32 (doze mil, cento e oitenta e seis reais e trinta e dois centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 457,85 (quatrocentos e cinqüenta e sete reais e oitenta e cinco centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto o valor de R$ 12.644,17 (doze mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e dezessete centavos). 2° Auto de Infração: para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (1PI), no valor original de R$ 17.060,89 (dezessete mil, sessenta reais e oitenta e nove centavos), acrescido de juros de mora, no montante de R$ 571,76 (quinhentos e setenta e um reais e setenta e seis centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto R$17.632,65 (dezessete mil, seiscentos e trinta e dois reais e sessenta e cinco centavos), 3° Auto de Infração: para a cobrança da diferença do PIS/PASEP Importação, no valor original de R$ 108,95 (cento e oito reais e noventa e cinco centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 4,04 (quatro reais e quatro centavos). Totalizou o crédito tributário objeto deste Auto R$112,99 (cento e doze reais e noventa e nove centavos). 4º Auto de Infração: para cobrança da diferença da Cofins, no valor original de R$ 501,72 (quinhentos e um reais e setenta e dois centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 18,82 (dezoito reais e oitenta e dois centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto R$520,54 (quinhentos e vinte reais e cinquenta e quatro centavos). 5º Auto de Infração: para a cobrança da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) n°2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 2003, no valor de R$ 4.539,37 (quatro mil, quinhentos e trinta e nove reais e trinta e sete centavos). O valor total do crédito tributário, considerados os cinco Autos de Infração, perfaz R$ 35.449,72 (trinta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e setenta e dois centavos). A descrição dos fatos, às fls.04 a 08 do Auto de Infração relativo ao II, repetida nos demais AI, será, a seguir, resumida: a) O importador, através das Declarações de Importação enumeradas às fls. 07 e 08 do AI referente ao II (repetidas nos demais Autos), submeteu a despacho mercadoria descrita como: "ladrilhos de granito artificial para uso exclusivo cai revestimento de pisos, na construção em geral”, classificandoa na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), então vigentes, no código 6810.19.00, como: "Outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas", com alíquotas de 8% de II, 0% de 1,65% de PIS/PASEP, e 7,60% de COFINS. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 373 3 b) Tendo em vista o exame da mercadoria, objeto de diversos laudos e análises, e considerando as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n's 1 e 6, incorporadas pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e pela Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) (entendimento corroborado pela Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007 (Anexo 01), a mercadoria foi reclassificada para o código 6907.90.00 da NCM/TEC e da NBM/TIPI, como "Placas (lages) de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento". c) A alteração na classificação do produto importado gerou diferenças a recolher relativamente ao II, ao PIS/PASEP e à COFINS, e imposto a pagar no que toca ao IPI, além da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria por classificação incorreta da mesma na NCM/TEC, tudo conforme Demonstrativos de Apuração desses impostos, contribuições e multa. Fazem parte dos Autos de Infração, a cópia da Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 16.08.2007, As fls. 104 a 107 (Anexo 01), e a cópia da Decisão prolatada no Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0066185, impetrado pela empresa contra o Inspetor da ALF/SPE, às fls. 65 a 69 (Anexo 02), Extratos do Processo, As fls.71 a 77, Relação de Processos e Telas, obtidas no Sistema COMPROT, As fls.78 a 82, além do despacho de fl.83. DA IMPUGNAÇÃO Intimado nos respectivos Autos de Infração, em 06.11.2008, a empresa apresentou, tempestivamente a sua impugnação, às fls. 85 a 99 do Volume I, a ela anexando os documentos de fls. 100 a 249 do mesmo Volume, além dos de fls. 252 a 264 do Volume II. A defendente alega que importou matériaprima, classificandoa no código NCM/TEC 6810.19.00, classificação essa consolidada pela RFB em diversas importações e fundamentada em Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, emitido em agosto de 2002, por solicitação da própria ALF/SPE. Diz que foi surpreendida pela alteração da classificação, sem direito à ampla defesa, o que ensejou a impetração de Mandado de Segurança n°2008.83.00.0066185, com o objetivo exclusivo de desembaraçar as mercadorias importadas mediante o depósito das diferenças de tributos porventura devidas, enquanto não regularmente intimada do processo administrativo que determinou a nova e equivocada interpretação quanto à classificação do produto importado. Na Preliminar, argüiu: 1) Ausência de Concomitância: O MS impetrado teve apenas o fito de discutir a liberação das mercadorias mediante depósito prévio dos valores exigidos. Em nenhum momento pretendeu discutir no Mandamus a classificação fiscal do produto importado ou qualquer outra matéria de direito. 2) Nulidade da autuação afronta ao Principio da Verdade Material: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 374 4 A autoridade lançadora não apresentou classificação fiscal válida para embasar o lançamento e fundamentou a autuação em Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007, que se pronunciou sobre o produto ao desamparo de qualquer análise de amostra do mesmo, o que vai de encontro ao principio da verdade material. E no Mérito: 3) Mudança de Critério Jurídico: A mudança de critério jurídico foi fruto da insistência da Secretaria da Fazenda do Estado de PE que, baseada em questionável laudo e informações de concorrentes que produzem produtos diversos do importado e industrializado pela impugnante, pretendem alterar a classificação fiscal do produto por ela importado há anos, tendo sido, inclusive, objeto de previa e regular Consulta, conforme provam os documentos anexos. (Grifei) 4) Inadequação da Classificação imposta: Na realidade, "...tratase de importação de produto comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura cientifica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente "novo", surgiram divergências quando à classificação fiscal a ser adotada (item 25 da defesa). O porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fimdente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que é diversa da cerâmica e se assemelha mais ao granito, consoante laudo técnico do 1PT, de São Paulo (item 26 da defesa). O porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1.400°C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210° C a 1.2500 C, de sorte que os seus elementos não atingem o ponto de fusão, sendo apenas aglutinados. Não alcançando o ponto de fusão, são mantidas as características químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão. A cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de até 1.150° C, podendo ser fundida a temperatura de 1.000° C, donde se conclui, quanto à cozedura e ponto de fusão, que há uma substancial diferença entre porcelanato e cerâmica. "Em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há características fundamentais que diferenciam os referidos produtos, tanto que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. ...quando se fala de revestimento de pisos ou paredes, temse como principais opções: cerâmica, granito ou porcelanato. Inexiste confusão ou dúvidas quanto às característica de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 375 5 facilmente, se constata maior similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica." 5) Multa regulamentar incabível: A imposição da multa regulamentar decorreria do suposto erro quanto à classificação da mercadoria importada. Contudo, não se trata de erro, mas de divergência de interpretação. "... há uma divergência de interpretação das regras de classificação fiscal”. 6) Pedido de Perícia: A defendente requer a realização de perícia, de acordo com o artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tendo em vista estar envolvida no litígio a composição do produto importado (apresenta alguns quesitos a serem respondidos, ás fls.97 e 98). Corroborando o seu pedido, transcreve Ementa de Acórdão do então Conselho de Contribuintes do MF, que diz respeito à dúvida de classificação de determinado produto estar pautada exclusivamente na sua composição química, tornandose, nesse caso, indispensável a produção de perícia. Anexa, além dos documentos de constituição e de representação da empresa, o Parecer Técnico n° 8.202, de agosto de 2002, do IPT, de São Paulo, do qual fazem parte o Relatório Técnico n° 58.258, Relatórios de Ensaio n's 888 054 e 882052, além de outras análises. Por todo o exposto, requer seja julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração. Caso assim não entenda a autoridade julgadora, pede que seja a ação fiscal julgada improcedente pelas razões de mérito apresentadas, protestado pelo deferimento do pedido de perícia formulado.” A DRJRecife/PE julgou improcedente a impugnação (fls. 262/280), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIAS NA NCM/TEC E NBM/TIPI. MULTA. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Lajes de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pela Fl. 457DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 376 6 Resolução Camex n° 43, de 2006, e pelo Decreto n° 6.006, de 2006, respectivamente. À mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre o valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. RECOLHIMENTO A MENOR. Constatado o recolhimento a menor do imposto no registro da Declaração de Importação, em função da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe o lançamento da sua diferença, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, e Lei e 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatado o não recolhimento do imposto sobre a mercadoria importada objeto de nova classificação tarifária, cabe o lançamento desse imposto,nos termos do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIM/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. RECOLHIMENTO A MENOR. Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto n° 4.543, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Fl. 458DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 377 7 Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004, c/c Decreto n°4.543, de 2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 REVISÃO DE OFICIO Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de mais um laudo técnico sobre as características da mercadoria quando os laudos e documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO CONHECIDA. Tomase conhecimento da impugnação, no tocante à. matéria (classificação tarifária) que não faz parte da discussão judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls.301/316), alegando, em síntese: a) Preliminarmente: nulidade da decisão de primeira instância, por não ter determinado necessária realização de perícia. Alega que em outro processo administrativo, o qual versa sobre o mesmo tema, de nº. 19647.013825/200882, foi determinada a produção de prova pericial. Aduz, ainda, que os pareceres e laudos constantes deste processo não levaram em consideração a real composição do produto comercializado pela recorrente; e nulidade do auto de infração, vez que, ao se fundamentar na Nota COANA/COTAC/DINON nº.2007/0319, a Fiscalização não adotou qualquer procedimento para apurar a composição das mercadorias importadas, pois não solicitou a retirada de amostras. Afirma que a autoridade fiscal baseouse em presunções, dados subjetivos e informações de empresas concorrentes. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 378 8 b) No mérito: que está sendo prejudicada por força de abrupta mudança de entendimento da Receita Federal do Brasil quanto à classificação fiscal que deve adotar. Afirma que tal mudança é fruto de insistência da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco que, baseada em laudo e informações sobre concorrentes que produzem mercadorias diversas daqueles importadas e industrializadas pela recorrente, pretende alterar a classificação fiscal que há anos tem sido aceita no âmbito da Receita Federal; que o porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e argila em quantidade inferior a 15%. Afirma que tal composição é diversa da cerâmica e mais se assemelha a um granito, consoante laudo técnico emitido pelo ITP (doc. 06 da impugnação); que, para proceder à classificação fiscal da mercadoria, não é o processo produtivo o elemento determinante, mas sim as matériasprimas que compõem o produto, daí a necessidade de análise específica do produto importado pela recorrente; que o produto importado pela recorrente foi submetido a 1 laudo técnico, emitido pelo IPT (doc. 04), não tendo havido posterior análise de composição do produto a permitir uma alteração de classificação; que, enquanto o porcelanato importado utiliza até 15% de argila em sua composição, a cerâmica é composta basicamente por argila. Aduz que as características técnicas do porcelanato são muito diferentes da cerâmica: 75% do porcelanato são compostos por matérias duras, tratandose de um produto estável e mais resistente a temperaturas baixas, enquanto que a cerâmica, com a oscilação do tempo, sofre mais retração e expansão. Afirma que o porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, daí ser compatível com a classificação fiscal costumeiramente adotada; alega que, quanto à cozedura e o ponto de fusão, há substancial diferença entre o porcelanato e a cerâmica, o que demonstra incorrer em grave equívoco a Nota COANA/COTAC/DINON nº. 2007/0319. Afirma que o ponto de fusão do porcelanato é acima de 1.400ºC, enquanto que o da cerâmica é de 1.000ºC; que é incabível a multa por erro na classificação fiscal, vez que não houve erro, mas sim divergência de interpretação das regras de classificação fiscal; e que, uma vez efetuado o depósito judicial do montante integral correspondente aos tributos entendidos pela Receita Federal como devidos, deve ser cancelada a exigência de juros. Ao final, requer a nulidade do auto de infração ou, ainda, a nulidade da decisão recorrida. No mérito, requer a improcedência da autuação. É o Relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 379 9 Voto Vencido Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Preliminarmente, foi suscitada, nesta sessão, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja elaborado novo laudo técnico para identificação da natureza da mercadoria. Isto porque, em sustentação oral, a querelante trouxe a notícia de que a DRJ, em outro processo da mesma contribuinte, teria deferido o pedido de diligência formulado e, diante do novo laudo elaborado, julgado procedente a impugnação. Trouxe o patrono da recorrente cópia do laudo e da decisão da DRJ elementos que não constam destes autos, digase. Entendo, entretanto, que tal diligência se mostra desnecessária. Existem nos autos três laudos que analisaram a mercadoria importada pela interessada, sendo dois deles laudos oficiais elaborados pelo IPT e pelo IPET, institutos renomados e que em diversos processos têm seus laudos aceitos pelo CARF, diante de sua qualidade técnica e idoneidade. A partir dos três laudos constantes deste processo, vislumbro todos os elementos necessários para que se proceda à correta classificação fiscal da mercadoria. Demais disso, não se conhecem os elementos probatórios que constam do outro processo do qual a contribuinte traz a notícia em sede de sustentação oral, nem mesmo se se trata da mesma mercadoria, razão pela qual entendo que não se pode pautar o julgamento deste processo com base em elementos de outro processo do qual não se tem pleno conhecimento de seus termos. Desse modo, voto por NÃO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Voto Vencedor Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Redator Malgrado a existência nos autos de laudos do IPT e do IPET, a Recorrente trouxe através de memoriais e de juntada por petição uma decisão da DRJ de Fortaleza no processo 19647.013825/200882 (acórdão 0821.613), onde ela teria sido autuada pelas mesmas razões aqui debatidas e onde teria sido aceita a classificação fiscal por ela adotada (6810.19.00). Naquela oportunidade, referida decisão baseouse em laudo elaborado pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR, cujo tópico final do laudo segue abaixo: “Resumo: A amostra do produto importado (porcelanato), após análises, indicou ser o mesmo confeccionado, usandose pós de rochas (albita, mulita), acrescido de mais componentes naturais e ainda de componentes sintéticos e/ou industriais, em sua base. Aglutinado/colado à massa base do produto, através de uma resina plástica, encontrase rocha meta calcárea (calcítica/Mármore), conforme mostra Difratograma da amostra porcelanato e fotografias microscópicas do laudo Petrográfico da UNESP. Produzido dessa forma, o Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 380 10 produto ‘imita uma pedra natural, podendo ser tratado como um ‘artefato de granito artificial’”. (grifos no original) O acórdão 0821.613, de 26 de agosto de 2011, da DRJ de Fortaleza foi assim ementado: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Classificase no código 6810.10.19.00, por força das Regras Geais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1 e 6, e, ainda, como subsídio nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, o produto denominado como ‘artefato de granito artificial’, produzido majoritariamente com matériasprimas não plásticas, como minerais de feldspatos e quartzo (SiO2), este com um teor superior a 50% e cujas partículas micronizadas são mantidas aglutinadas pela massa vítrea após a sinterização, caracterizado, ainda, pela presença da argila apenas com a função de dar plasticidade à massa.” O Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco ITEP constante dos autos, por sua vez, assim informa: “7.6 Está correto afirmar que as mercadorias importadas e comercializadas por SUAPE PORCELANATO são obtidas aglomerando fragmentos, grânulos ou pó de pedra natural com cimento, cal ou outros aglutinantes, e por moldagem, extrusão ou centrifugação? RESPOSTA: Não.” O Laudo Técnico elaborado pelo IPT também constante dos autos afirma o que segue: “2.1. Definir o que é uma cerâmica. (...) Constatase pelas definições acima que existem dois níveis de definição de cerâmica: um de âmbito geral (...), que abarca desde artigos domésticos (por ex.,vaso de plantas), passando por biomateriais, e indo até componentes sofisticados de engenharia (por ex., material para espelho espacial), e outro de aplicação restrita (...), envolvendo principalmente materiais tradicionais de uso cotidiano de natureza argilosa (por ex., telhas e pisos), que neste texto serão denominados de cerâmica "tradicional". É importante salientar que todas as definições gerais de cerâmica incluem tanto as cerâmicas tradicionais, como as cerâmicas técnicas e avançadas (por ex., alumina, zircônia, carbeto de silício, e nitreto de silício). Algumas também incluem os vidros, as vitrocerâmicas e os semicondutores 2.2 Quais são as matériasprimas básicas (naturais e sintéticas) utilizadas para a produção de um produto cerâmico? Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 381 11 Considerando um produto de cerâmica tradicional, como definida na questão 2.1, a matériaprima básica para a sua produção é a argila, que é natural. Considerando um produto de cerâmica no âmbito geral, definida na questão 2.1, existem diversas matériasprimas naturais e sintéticas empregadas na sua produção. As matériasprimas básicas são definidas para cada tipo ou classe de produto cerâmico. Alguns exemplos de matériaprima sintética são alumina, carbeto de silício, nitrato de alumínio, e zircônia, e de matériaprima natural são quartzo, feldspato e talco. (...) 2.4. O porcelanato é, em termos gerais, um produto cerâmico obtido por cozedura (cozedura conforme definida no item ‘2.5d’ abaixo’) da massa (pasta) básica depois de previamente enformado ou trabalhado? No âmbito geral, sendo constituído de materiais inorgânicos não metálicos, o porcelanato pode ser classificado como um produto cerâmico. Entretanto não pode ser confundido com uma cerâmica tradicional de natureza argilosa, apesar de ser submetido a tratamento térmico, pois não é produzido majoritariamente a partir de argila, e tem distintas propriedades físicas e comportamento mecânico.” Diante das divergências apresentadas nos laudos constantes no presente PAF, proponho, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, que os autos retornem à DRF competente para a realização de perícia técnica, quando deverão ser respondidos os seguintes quesitos: 1. Foi realizado teste físicoquímico no produto importado pela Impugnante para impor a nova classificação fiscal? 2. O laudo do IPT elaborado por força de solicitação da autoridade fazendária realizou análise físicoquímica do produto? 3. Os laudos do ITEP e da UFSCAR realizaram análise físicoquímica do produto? 4. Qual a composição do porcelanato e se é semelhante a do granito? 5. Há transformação química do SiO2 a partir das matériasprimas de partida? 6. O acabamento do porcelanato para polimento é o mesmo realizado em granitos e mármores? 7. Uma cerâmica pode ser submetida ao mesmo tipo de polimento do porcelanato? 8. É correto afirmar que o produto importado pela Impugnante é feito de pó de pedra? 9. É correto afirmar que o porcelanato é uma imitação de pedra natural? 10. Há diferenças físicas e químicas entre as rochas ornamentais (granitos e mármores) e o procelanato? 11. É correto afirmar que o porcelanato é um artefato de granito artificial? Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 382 12 12. Uma fábrica de laje cerâmica para revestimento de piso pode produzir um procelanato? 13. O que acontece a uma laje cerâmica, para revestimento de piso, se for submetida ao polimento por desbaste mecânico para acabamento com abrasivos, tais como ocorre com o porcelanato e as rochas ornamentais (mármores e granitos)? 14. Como é conferida a aparência final de textura e brilho: a)Nas lajes cerâmicas?; b)No no porcelanato?; e Nas rochas ornamental (granitos e mármores)? 15. É correto afirmar que as lajes cerâmicas, para revestimento de piso, são produzidas, basicamente, com argila (barro)? 16. É correto afirmar que o porcelanato é feito principalmente de minerais “não argilosos”(pedra/rocha)? 17. É possível afirmar que o porcelanato é formado por Pós de minerais duros (pedras/rochas), aglutinados por uma massa vítrea? 18. É correto afirmar que o SiO2 é o composto de maior participação de massa do porcelanato? 19. Qual é a fórmula química do Quartzo? 20. A qual temperatura o quartzo se funde? 21. A que temperatura é submetida as massas constitutivas do porcelanato, em seu processo térmico? 22. É correto afirmar que o porcelanato apresenta microestrura formada por partículas cristalinas de quartzo, aglutinados por uma matriz vítrea? Em outras palavras, poderíamos dizer que o porcelanato é formado pelo aglomerado de fragmentos de pedras naturais micronizadas, que se mantém unidos, por um aglutinante? 23. Definir o que é uma cerâmica. 24. Quais são as matériasprimas básicas (naturais e sintéticas) utilizadas para a produção de todo produto cerâmico? 25. O tratamento térmico em temperaturas elevadas é uma etapa que ocorre na produção de todo produto cerâmico? 26. O pocelanato é, em termos gerais, um produto cerâmico obtido por cozedura da massa (pasta básica) depois de previamente enformado ou trabalhado? 27. Quais são as metériasprimas básicas que compões o grés porcelanato (ex: argilas, quartzo, feldspatos, etc..)? Qual é a finalidade de cada um? Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 383 13 28. Devido à sua composição podemos identificar o grés porcelanato como um produto (resultado) de farinhas silicosas fósseis ou como um produto refratário? 29. Quais são as matériasprimas básicas que compões uma cerâmica comum? Qual é a finalidade de cada uma? 30. Explanar sobre todo o processo produtivo do grés porcelanato, comparandoo com o processo produtivo das outras cerâmicas comuns. 31. Explanar sobre as características diferenciais entre o grés porcelanato e as outras cerâmicas comuns. 32. Em termos gerais, o processo produtivo do porcelanato envolve as seguintes operações sequenciais descritas abaixo? a) Preparação da pasta (massa) – dosagem e mistura dos diversos constituintes e/ou trituração, filtragem sob pressão, amassadura, maturação e desaeração; b) Enformação (conformação) – dar ao pó à pasta assim preparada seu formato aproximado quando possível de forma pretendida. Efetuase por estiragem ou extrusão, prensagem, moldagem, vazamento ou modelagem; c) Secagem; d) Cozedura – Submeter os artefatos “crus”a uma temperatura de 800 graus celsius ou maior, permitindose obter uma ligação íntima dos grãos quer por difusão, transformação química ou ainda fusão parcial; e) Acabamento – Operações variadas em função da utilização do artefato acabado (aposição de marcas, materialização, impregnação, vernizes, esmaltes, engobes, lustres, “polímeros”) 33. A mistura vitrificável (pasta) sofre fusão completa? Se não, qual (is) é (são) o (os) elemento(s) fundentes (s) (sofre fusão ou qualquer outro processo semelhante), caracterizandoo como elemento aglutinante da pasta? 34. Tendo em vista as definições (1) e (2) abaixo transcritas, o produto importado, objeto da presente lide, é mais bem definido como (a) PLACAS (LAJES), PARA PAVIMENTAÇÃO OU REVESTIMENTO, DE CERÂMICA ou (b) OBRA DE PEDRA ARTIFICIAL? Definição (1): Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001031/200831 Resolução nº 3202000.087 S3C2T2 Fl. 384 14 “A expressão “produtos cerâmicos” designase os produtos obtidos: A) Por cozedura de matérias nãometálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas, em geral à temperatura ambiente. As matérias primas utilizadas são, entre outras, argilas, matérias silicosas, matérias com elevado ponto de fusão, tais como os óxidos, os carbonetos, os nitretos, a grafita ou outro carbono e, em certos casos, aglutinantes tais como as argilas refratárias e os fosfatos. B) A partir de rochas (por exemplo, estreatita) que, depois de moldadas, são submetidas à ação do calor.” Definição (2): “Por “pedra artificial” designamse as imitações de pedra natural que se obtém aglomerandose com cimento, cal ou outros aglutinantes (plásticos, por exemplo), fragmentos, grânulos ou pó, de pedra natural (mármore e outras pedras calcárias, granito, pórfiro, serpentina, por exemplo). Os artefatos em granito ou em terrazzo também são variedades de pedra artificial”. As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Desta forma, a autoridade fiscal da DRF competente deverá intimar a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação (UNICAMP, INT ou alguma Universidade Federal que se destaque no tema aqui discutido) para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, ao término da perícia, a fiscalização poderá manifestarse sobre o Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10840.003587/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.369
Decisão: RESOLUÇÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca- OAB/SP 236.471
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca OAB/SP 236.471 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSERV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 03 58 7/ 20 04 -1 1 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003587/200411 Resolução nº 3801000.369 S3TE01 Fl. 112 2 por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de PIS. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000314/200856 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: Na informação fiscal (fls. 111/112), que acompanha o despacho denegatório, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito do PIS demonstrado na ficha 04 do DACON, do 4 o trimestre de 2004, foram glosados valores relativos aquisições de açúcar de álcool com fins específicos de exportação e aqueles relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo I. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 05 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de PIS devido, apurado após esgotados os créditos j á ajustados e resultou num saldo devedor de R$ 189.443,36. Assim, inexistia, neste mês, valor de crédito de PIS a ser pleiteado em compensado. O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento junto à 4ª Câmara, da 2º Turma da 3ª. Seção do CARF. Analisando o litígio, a DRJRibeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 215), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para efeito de benefício fiscal obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no SISCOMEX. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de contribuição para o PIS vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação. Tratase de caso de nãoincidência por força de disposição legal que, por consequência natural do regime da nãocumulatividade das contribuições, não resulta direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003587/200411 Resolução nº 3801000.369 S3TE01 Fl. 113 3 As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração do PIS nãocumulativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DO PIS. Tendo a apuração do crédito do PIS sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada, nos mesmos elementos de prova, Às fls. 257 e seguintes, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: · Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003587/200411 Resolução nº 3801000.369 S3TE01 Fl. 114 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como se depreende do relatório acima, a Recorrente sofreu procedimento de fiscalização instaurado pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), que culminou na lavratura do Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. No Auto de Infração lavrado, além de não reconhecer os créditos tributários indicados pelo Recorrente no pedido de compensação objeto do presente procedimento administrativo, a fiscalização constituiu créditos tributários em desfavor do Recorrente. Ademais, pela simples leitura do relatório da fiscalização anexo aos autos, que, inclusive, foi utilizado pela Delegacia de Ribeirão Preto como balizamento para o indeferimento da compensação pleiteada, naquele Auto de Infração discutese a mesma matéria invocada pelo Recorrente em suas razões recursais. Ou seja, como os procedimentos – o Auto de Infração e o presente pedido de compensação – estão afetados por julgadores distintos, correse o risco de haver decisões conflituosas, que trarão grande insegurança jurídica às partes envolvidas, tanto para o Recorrente como para a Fazenda Nacional. Como a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto alegou, o certo, in casu, seria o julgamento em conjunto destes processos. Confirase as alegações do eminente relator neste sentido: De fato, o procedimento fiscal de que trata o processo de lançamento fiscal do PIS, revisou os créditos da contribuição correspondentes ao ano de 2004. O presente processo trata de PER/DCOMP encaminhada pela interessada tratando do aproveitamento dos citados créditos, que teriam sido apurados no mês de outubro de 2004. Ora, como consequência daquele procedimento, a pretensão perdeu o objeto, pois foi constatada a inexistência do saldo credor que seria passível de compensação. A Manifestação de Inconformidade ora apresentada apenas ratifica as razões de defesa que foram analisadas na decisão de 2010 e, nas palavras da interessada: exauriu toda a sua dilação probatória (fl. 125), portanto, o que foi decidido naquele processo, que analisou as mesmas questões de direito e de fato concernentes a existência do crédito do PIS, aplicase integralmente aos autos ora sob exame. De fato, nesses casos, como ambos processos possuem o mesmo objeto, em relação à existência do crédito compensável, é preferível que os julgamentos da impugnação ao lançamento e da manifestação de inconformidade ao despacho denegatório sejam realizados na mesma sessão de julgamento. (fl. 217) Naquela oportunidade, quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, já havia sido proferida decisão pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, em face da impugnação apresentada pela Recorrente no Auto de Infração. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003587/200411 Resolução nº 3801000.369 S3TE01 Fl. 115 5 Assim, tendo em vista a impossibilidade de apensamento dos autos, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, aquela Delegacia, justamente para evitar a existência de decisões conflitantes, em sua decisão, baseouse no voto proferido nos autos do Auto de Infração lavrado em desfavor do Recorrente. Este egrégio Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do julgado abaixo colacionado, já se manifestou pela necessidade de apensamento dos autos, para que não haja risco de decisões conflituosas com relação à mesma matéria. Vejase: 3º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 30334.677 em 12.09.2007 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM CRÉDITO DE TERCEIROS Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2001, 10/04/2001 Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. O C.P.C, cuja disciplina é subsidiária ao PAF, define claramente a conexão, a continência e a identidade de ações, todas causas de prevenção de competência. Comparando o presente processo com o processo nº 13886.000820/9975, observamse as mesmas partes envolvidas em ambos os processos, a mesma causa de pedir e mesmo o objeto (pedido). As partes, em ambos os processos considerados, este e o outro, de nº 13886.000820/9975, que abrange o primeiro pedido de compensação, protocolado em 10.01.2000, são de um lado, a União, e de outro lado, GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (alegada credora da União) e METALÚRGICA GALMAR (devedora de IPI à União); a causa de pedir é a mesma, isto é, a existência de crédito decorrente de indébito de Finsocial; e o objeto nos dois processos também é o mesmo, ou seja, pedido de compensação de crédito decorrente de indébito de Finsocial, de titularidade da GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, com débito de IPI da METALÚRGICA GALMAR. Entre os processos referidos há mais do que conexão, ou mesmo continência, há identidade de ações no âmbito administrativo. O apensamento deste processo àquele outro é medida que se impõe pela litispendência evidente, e poderia ter evitado os equívocos explicitados. Entendese que a decisão quanto ao pedido de homologação de compensação formalizado nos presentes autos representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de nº 13886.000820/9975. (...) Decisao: Por maioria de votos, decidiuse apensar o processo ao de número 13886.008820/9975, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto. O Conselheiro Marciel Eder Costa votou pela conclusão. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 03.06.2008 Relator: ZENALDO LOIBMAN Recorrente: METALÚRGICA GALMAR LTDA. Recorrida: DRJRIBEIRAO PRETO/SP Em consulta realizada na movimentação processual do Auto de Infração nº 15956.000314/200856 perante este egrégio Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003587/200411 Resolução nº 3801000.369 S3TE01 Fl. 116 6 verificase que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi distribuído para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF e ainda não foi julgado. Desta forma, para que não haja decisões conflituosas no presente caso, uma vez que poderá haver ou não o reconhecimento do crédito tributário invocado pela Recorrente, é imperioso que o presente processo seja remetido para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que o julgador do Auto de Infração profira o seu voto em ambos os processos, garantindose, assim, a integridade do princípio da segurança jurídica, que deve ser o Norte de todos os julgamentos, sejam eles administrativos ou judiciais. Por tudo, voto pela remessa dos presentes autos para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que seja apensado ao Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000701/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 28/11/2002
ADMISSÃO TEMPORÁRIA.
Findo o prazo do regime suspensivo, sem que o beneficiário não comprove ter tomado nenhuma das providências para extinção do mesmo, logo, sujeita-se a cobrança das devidas penalidades.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-000.254
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '°: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4 %, 4.7.A .,,, TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10907.000701/2004-21 Recurso n° 139.440 Voluntário Acórdão n° 3201-00.254 — 2a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente CENTRIQUIP DO BRASIL LTDA. Recorrida DRJ/FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 28/11/2002 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. Findo o prazo do regime suspensivo, sem que o beneficiário não comprove ter tomado nenhuma das providências para extinção do mesmo, logo, sujeita- se a cobrança das devidas penalidades. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2 Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. 411 JUDITH 0//tie.Gt..C_ . O MARAL MARCONDES ARMANDO - Presi ei-nte M ' RCIA. HUENT; • AC(42"AMORIM - Relatorale- I Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. 1 Processo n° 10907.000701/2004-21 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 273 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, às fls. 237/239 que transcrevo, a seguir: "Por meio do Auto de Infração de fls. 01 a 09, exigiu-se da contribuinte retro epigrafada a quantia de R$ 715,83 (setecentos e quinze reais e oitenta e três centavos) a titulo de Multa Proporcional ao II e a quantia de R$ 291,44 (duzentos e noventa e um reais e quarenta e quatro centavos) a titulo de Multa Proporcional ao IN. , A Fiscalização, conforme Descrição dos Fatos, fls. 02 e 03 e 06 e 07, assim se pronunciou, em síntese: I Em 28 de novembro de 2002 foi registrada a Declaração Simplificada de Importação 02/0033095-0 para ingresso de bem descrito como "bomba volumétrica rotativa C22-50 Z HP número de série 1000/8241" com enquadramento no artigo 5 0, inciso VI da IN/SRF/N° 150/99 — "Bens destinados à promoção comercial, inclusive amostras sem destinação comercial e mostruários". O regime foi concedido pelo prazo de 03 (três meses), vigente até 17/03/2003, ficando os tributos suspensos, uma vez garantidos pelo Termo , de Responsabilidade n°215/02. Em 20/03/2003 foi expedido Termo de Intimação de n° 24/2003 para que o beneficiário comprovasse a extinção do regime ou apresentasse justificativa para seu descumprimento parcial ou total, nos termos do artigo 18, inciso II da IN SRF N° 285/2003. Em 04/04/2003 o interessado apresentou pedido de prorrogação. Por ser intempestivo o mesmo não foi conhecido, tendo sido encaminhado expediente a Sacat para adoção das providências quanto à exigência do crédito tributário suspenso. Que houve registro da DI n° 03/0755353-6 para nacionalização do bem, antes de ser iniciado os procedimentos para a execução do Termo de Responsabilidade. Que não foram observadas as normas administrativas que regulam a matéria, em especial o §1° do artigo 16 da IN SRF n° 285/2003 — "a adoção 1 / das providências para extinção da aplicação do regime será requerida pelo \/ interessado ao titular da unidade que jurisdiciona o local onde se encontrem os bens, mediante a apresentação destes, dentro do prazo de vigência do regime". i 2 Processo n° 10907.000701/2004-21 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 274 Que houve o cancelamento de oficio da referida DI, autorizada pelo Delegado da Receita Federal em Paranaguá, em 22/01/2004, nos autos do processo n°10907.000240/2004-96. • Que mais uma vez o contribuinte foi intimado, Termo de Intimação n° 17/2004, a comparecer na DRF/Paranaguá para tomar ciência do cancelamento da Dl e comprovar a extinção do regime. Que a ciência se deu em 12/02/2004 para atendimento no prazo de 10 (dez) dias. Como não houve apresentação de resposta até o dia 05/03/2004, deu- se encaminhamento para exigência do crédito tributário e lavratura dos correspondentes autos de infração para a cobrança das multas devidas. Em 12/01/2005, a DRF/Paranaguá, através do Memo SACAT/DRF/PGA n° 006/2005, fls. 172, encaminha cópia da decisão do Mandado de Segurança n o 2004.70.08.001442-9, interposto pela Impugnante, para ser anexado ao presente processo. Lavrados os mencionados autos de infração e intimada a autuada em 27/04/2004, fls. 49, a mesma ingressou em 26/05/2004 com a impugnação de fls. 50 a 71, instruída com os documentos de fls. 72 a 171 que, após fazer um breve relato das ocorrências a respeito das importações e dos lançamentos, alega em síntese: Constata-se a ocorrência de erro formal insanável no tocante ao enquadramento legal do fato descrito, posto que o agente fiscal não destacou no corpo da autuação os dispositivos constantes da Lei, não discriminando assim, com precisão os artigos infringidos. Inexiste assim, coadunação com o suporte fático concreto, de onde resultaria a inocorrência de fato imputável a ora Impugnante e, como conseqüência, gera a nulidade do auto de infração. Que o prazo de vigência do regime deve ser contado a partir do desembaraço aduaneiro, consoante disposto no artigo 297 do Decreto n° 91.030/85, encerrando-se em 06/04/2003. Que a autoridade aduaneira vem embasando suas autuações na falsa premissa da intempestividade do pedido de prorrogação do regime especial, que ocorreu em 04/04/2003, ou seja, dois dias do término do prazo legal, portanto sendo o mesmo tempestivo. Requer em preliminar a nulidade do auto de infração e no mérito que seja reconhecida a improcedência, declarando-se extinta as pretensões fiscais e ainda, que seja revisto de oficio o ato que cancelou a Dl n° 03/0755353-6 para nacionalização do bem. Em 15 de fevereiro de 2007, o presente processo foi baixado em diligência para que a Unidade Preparadora procedesse à anexação da petição inicial, bem como das decisões proferidas, do Mandado de Seguranç n° 2004.70.08.001442-9 impetrado contra o Delegado da Receita Fed al de 3 Processo n° 10907.000701/2004-21 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 275 Paranaguá. Também, estando a Unidade de posse dos documentos, os mesmos deveriam ser analisados no sentido de verificar se tratarem do mesmo objeto. Em 21/03/2007, fls. 233, em atendimento as determinações objeto da referida diligência, a DRF de Paranaguá devolveu o presente processo a essa Unidade Julgadora para prosseguimento, informando que a referida ação judicial não possui o mesmo objeto da ação fiscal. Este é o Relatório. Passo ao Voto." O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS n' 07-9.558, de 13/04/2007, proferida pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, às fls.236/245 cuja ementa dispõe, verbis: 11 "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 28/11/2002 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. Esgotado o prazo sem a extinção do regime, fica seu beneficiário sujeito à execução do Termo de Responsabilidade firmado por ocasião da concessão do regime e ao lançamento de oficio do crédito tributário não garantido no referido Termo. MULTA AGRAVADA. Incabível a aplicação de multa agravada no lançamento de oficio pelo não atendimento a intimação quando este fato não tenha causado nenhum prejuízo ao desenvolvimento da ação fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/11/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VICIO FORMAL. Somente ensejam a nulidade por vício formal os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Lançamento Procedente em Parte." O julgamento foi no sentido de que como não ficou demonstrado que o fato da recorrente não ter atendido a intimação n° 17/2004 tenha causado qualquer prejuízo ao desenvolvimento da ação fiscal, uma vez que a Fiscalização pode dar seguimento à execução do Termo de Responsabilidade e efetuou o lançamento das multas cabíveis, daí, a multa agravada não pode prosperar, devendo ser aplicada multa de 75,0 %, nos termos da Lei n.° 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, ou seja, julgar procedente em parte o lançamento. Observo também que o presente processo foi baixado em diligência para que a Unidade Preparadora procedesse à anexação da petição inicial, bem como das decisões proferidas, do Mandado de Segurança n° 2004.70.08.001442-9 impetrado contra o Delegado da Receita Federal de Paranaguá, para analisados no sentido de verificar se tratarem do mesmo objeto. 4 1 , Processo n° 10907.000701/2004-21 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 276 Em 21/03/2007, fls. 233, em atendimento as determinações objeto da referida diligência, a DRF de Paranaguá devolveu o presente processo a essa Unidade Julgadora para prosseguimento, informando que a referida ação judicial não possui o mesmo objeto da ação fiscal. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, às fls. 249/269, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 271 (última), que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. É o relatório. 5 Processo n° 10907.000701/2004-21 S3-C2T1 1 i Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 277 , Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Como ressaltado na decisão a quo, não há caso de nulidade no Auto de Infração, pois não houve cerceamento de defesa, tendo em vista que as regras sobre nulidades no Decreto n' 70.235/1972 estão contidas basicamente em três artigos: "Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Já no caput do artigo transcrito é possível vislumbrar algumas regras. Os atos e termos processuais, dentre eles o auto de infração e a notificação de lançamento, para terem validade, basta que sejam lavrados por pessoa competente. Esses atos e termos a que a lei se refere são os chamados, no processo civil, despachos de mero expediente, sem qualquer carga decisória. Note-se que as decisões (a lei não faz qualquer distinção e, portanto, trata também das decisões interlocutórias) são tratadas no inciso seguinte. A elas, é exigido que sejam proferidas por autoridade competente e que não haja preterição no direito de defesa. A decisão não motivada, por exemplo, é manifestamente nula por cercear o direito de defesa do autuado. Continuando a análise do citado artigo, seguem-se três parágrafos: "Ç1-° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §22 Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §32 Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." A regra do parágrafo primeiro visa à economia processual e permite o total aproveitamento dos atos processuais anteriores ao declarado nulo, bem como de todos os posteriores que dele não dependam diretamente ou não sejam sua conseqüência. Enfim, somente os atos atingidos pela nulidade é que devem ser refeitos. Para tanto, o comando do parágrafo segundo exige que a autoridade, ao declarar a nulidade, especifique todos os atos fingidos e também determine as providências necessárias ao prosseguimento do processo, Ni como, p. ex., determinar que sejam refeitos os atos nulos. 6 1 1 Processo n° 10907.000701/2004-21 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 278 O parágrafo terceiro também tem como objetivo a economia processual. Se a questão de mérito, ou seja, se o próprio lançamento não tiver procedência, o contribuinte sairia vencedor caso não houvesse a decretação de nulidade. Nesse caso, deve ser esta desprezada, cancelando-se, no mérito, o auto de infração. Não tem sentido o poder público gastar recursos com o saneamento de processo que se revela, de plano, improcedente. Quem pode declarar a nulidade no processo? A questão é resolvida pelo art. 61 do mesmo diploma legal: "Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade." São duas as pessoas qualificadas para declarar a nulidade: quem tem competência para praticar o ato e, nesse caso, pode haver momentos processuais próprios para tanto; e a autoridade julgadora, que obviamente tem obrigação de examinar todos os atos processuais, devendo declarar a nulidade mesmo que o contribuinte não a tenha suscitado. Todas as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das citadas no art. 59 (ou seja, praticadas por pessoa incompetente ou que provoquem cerceamento do direito de defesa), a lei, no artigo 60, diz que não importam em nulidade. Passando ao mérito, como relatado, em 28/11/2002 foi registrada a Declaração Simplificada de Importação-DSI de n° 02/0033095-0 para admissão temporária de "bomba volumétrica rotativa C22-50 Z HP número de série 1000/8241" com enquadramento no artigo 5°, inciso VI da IN/SRF/N° 150/99 — "Bens destinados à promoção comercial, inclusive amostras sem destinação comercial e mostruários". O regime suspensivo foi concedido pelo prazo de 03 (três meses), vigente até 17/03/2003, ficando os tributos suspensos, uma vez garantidos pelo Termo de Responsabilidade n° 215/02. Em 20/03/2003 foi expedido Termo de Intimação de n° 24/2003 para que o beneficiário comprovasse a extinção do regime ou apresentasse justificativa para seu descumprimento parcial ou total, nos termos do artigo 18, inciso II da IN SRF N° 285/2003. Em 04/04/2003 o interessado apresentou pedido de prorrogação. Por ser intempestivo o mesmo não foi conhecido. Exige-se, portanto, o crédito tributário decorrente da aplicação de multa proporcional ao II e IPI, tendo em vista, o descumprimento de extinguir o regime em tempo hábil, ou melhor, o compromisso firmado por ocasião da admissão temporária dos bens. Tem-se que o Regulamento Aduaneiro, à época da entrada dos bens no regime era o Decreto n° 91.030/85, que dispunha: "Art. 290 - O regime aduaneiro especial de admissão temporária é o que permite a importação de bens que devam permanecer no País durante o prazo fixado, com suspensão de tributos, na forma e condições deste Capítulo (DL 37/66, art. 75). Art. 297 - No ato concessivo, a autoridade aduaneira fixará o prazo de vigência do regime, que será contado do desembaraço aduaneiro. 7 Processo n° 10907.000701/2004-21 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 279 , i Art. 298 - De conformidade com o art. , o regime será concedido por até 1 (ano), prorrogável por período não superior a 1 (um) ano. §10(.) ,¢ 2° - Não será aceito pedido de prorrogação apresentado , após o término do prazo fixado para a permanência dos bens no País. Art. 307 - Na vigência do regime deverá ser adotada, com relação aos bens, uma das seguintes providências, para a liberação da garantia e baixa do Termo de , Responsabilidade: 1- reexportação; II - entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebê-los; III - destruição, às expensas do interessado; IV- transferência para outro regime especial; V - despacho para consumo, se nacionalizados. (grifei) 1 Ressalto, que durante a vigência no regime, passou a vigorar o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, com as alterações do Decreto n° 4.765, de 24 de junho de 2003 que prevê: "Art. 645. Nos casos de lançamentos de oficio, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos tributos ou contribuições de que trata este Decreto (Lei n' 9.430, de 1996, art. 44): 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento, de pagamento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso II; e (.) , I / Assim sendo, findo o prazo de regime suspensivo, sem que o beneficiário não omprove ter tomado nenhuma das providências para extinção do regime, logo, sujeita-se a cobrança das devidas penalidades. 8 1 Processo n° 10907.000701/2004-21 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.254 Fl. 280 Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso voluntário interposto para considerar devido o crédito tributário; prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 10 de julho de 2009 M RCIA HiY)IENA TRAIIANO D'AMORIM - Relatora 9
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906550/2009-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 50 /2 00 9- 45 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 60): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906550/200945 Acórdão n.º 3802001.341 S3TE02 Fl. 110 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7995, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 72) e o protocolo do recurso, em 09/03/2012 (fls.79). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 68). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 44). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906550/200945 Acórdão n.º 3802001.341 S3TE02 Fl. 111 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 81). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906550/200945 Acórdão n.º 3802001.341 S3TE02 Fl. 112 7 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13502.000573/00-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL – CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário
Nacional – CTN – nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo).
Numero da decisão: 3302-000.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado,
por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida DRJ Salvador/BA DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN – nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 2 Relatório Tratase de Pedido de Homologação de Denúncia Espontânea (fls, 01/08), acompanhado da comprovação do pagamento de valores de PIS e COFINS, que não haviam sido declarados nem pagos, em razão de erro no sistema de apuração de impostos do contribuinte, ora Recorrente. Conforme relatado na petição apresentada, tão logo constatado o equívoco na declaração dos tributos, e a correspondente ausência no recolhimento, o contribuinte promoveu a declaração e pagamento do valor de principal, acrescido de juros, mas sem computar qualquer penalidade, inclusive a multa moratória. A DRF ao analisar o pedido da Recorrente (fls. 10/11) indeferiu a homologação do pagamento, por entender que a denúncia espontânea não afasta a incidência da multa moratória. No entender do órgão a multa moratória não teria caráter punitivo – mas sim natureza compensatória, razão pela qual não poderia ser afastada, mesmo nos casos em que há denúncia espontânea. Irresignada a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 13/15), alegando, essencialmente, que a legislação (art. 138 do CTN) exclui a aplicação a responsabilidade pela infração, quando o contribuinte promove a denúncia espontânea de seus débitos, não fazendo qualquer distinção entre os tipos de multa, devendo, portanto, ser afastada a aplicação de qualquer multa – inclusive a moratória. Cita decisões do então Conselho de Contribuintes, que corroboram seu entendimento. Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 36/40) que indeferiu a manifestação de inconformidade, por entender devida a multa moratória, mesmo nos casos em que ocorre a denúncia espontânea, pois tal multa teria caráter indenizatório e não punitivo. Apresentado Recurso Voluntário (fls. 46/52), no qual a Recorrente reitera seus argumentos, trazendo julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Superior Tribunal de Justiça, que corroboram seu entendimento de que toda multa – inclusive e especialmente a moratória – devem ser afastadas nos casos em que ocorre a denúncia espontânea. Os autos foram então distribuídos para o 1º Conselho de Contribuintes, que decidiu por declinar a competência, em favor desta Seção, tendo em vista tratarse de denúncia espontânea de valores de PIS e de COFINS (fls. 57/62). Vieramme os autos para análise (fls. 63), é o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 65DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 13502.000573/0006 Acórdão n.º 330200.826 S3C3T2 Fl. 2 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Cingese a controvérsia à questão da aplicabilidade ou afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, formalizada por contribuinte, antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. De início importa ressaltar que nos autos não há qualquer discussão quanto à ocorrência ou não da denúncia espontânea. Vale dizer, não é caso de declaração de tributos desacompanhada de pagamento, o que poderia afastar a caracterização da denúncia espontânea, na esteira do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Ao contrário, em momento algum tal possibilidade foi sequer aventada, tendo a DRF e a DRJ reconhecido tratase de caso “clássico” de denúncia espontânea clássico, em que o contribuinte não havia realizado a declaração dos tributos, e o faz – acompanhada do pagamento de principal acrescido de juros moratórios – antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. O que se discute nos autos, portanto, é se, diante do instituto da denúncia espontânea é cabível a aplicação da multa moratória. Feitas tais considerações iniciais, passase ao exame da matéria sob julgamento. O fundamento aplicado pelos julgadores administrativos de primeira instância para manter a exigência da multa moratória em casos de denúncia espontânea, é de que tal multa não pode ser considerada uma penalidade. São no seguinte sentido as afirmações da DRJ, verbis: “O instituto da denúncia espontânea exclui tãosomente a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea.” É evidente a confusão de conceitos por parte da Delegacia de Julgamento DRJ. De início a r. decisão ora atacada afirma que a denúncia espontânea afasta as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Neste ponto é irrepreensível o raciocínio traçado, afinal, o artigo 138 do CTN é claro em afastar a aplicação de quaisquer penalidades, nos casos de denúncia espontânea. Novamente, de se destacar que, no presente caso, não há dúvidas que se trata de denúncia espontânea. Logo, a conclusão lógica é de que, porque o caso sob análise é um caso de denúncia espontânea segundo a própria DRJ devem ser afastada a aplicação de quaisquer penalidades. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 4 O problema é que, na sequência, a decisão atacada apresenta uma afirmação descabida, ao asseverar que a multa de mora não é sanção ou penalidade (?!), mas sim uma forma de indenização. Ora, para clarear a questão, vejamos o que dizem os dicionários a respeito do vocábulo MULTA: “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: Multa: Ato ou efeito de multar 1.Rubrica: termo jurídico. Sanção pecuniária. Dicionário Michaelis: Multa: 1 Ato ou efeito de multar; coima, pena pecuniária a quem infringe leis ou regulamentos. 2 Condenação, pena. Pareceme claro que o conceito de multa nada mais é, do que o conceito de SANÇÃO. Multa é sempre uma penalidade! Não há qualquer dúvida quanto ao conceito, seja em sua literalidade, seja na aplicação do mesmo em toda legislação fiscal, doutrina e jurisprudência. Neste sentido, pareceme descabida a afirmação de que multa de mora não caracteriza sanção. Ainda mais complicado, é a classificação da multa de ofício como uma “sanção punitiva” e da multa moratória como uma “sanção compensatória”. Sanção punitiva é puro pleonasmo. Afinal, toda sanção é conceitual e literalmente uma punição. E ainda que se pretenda realizar uma digressão sobre a multa moratória ser ou não uma sanção compensatória, será, ainda assim, uma sanção. Ou seja, a multa moratória – ainda que se pretenda qualificála de qualquer outra forma – sempre será uma sanção, uma punição. A este respeito, destacase que a sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1. Logo, sendo a sanção a conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. No caso da multa moratória, buscase repreender o atraso no pagamento dos tributos, penalizando o contribuinte pelo descumprimento da obrigação de recolher o tributo na data legalmente estipulada. Nada tem, portanto, a multa moratória de caráter compensatório. É pura e simplesmente uma sanção aplicada em razão de o contribuinte terse colocado em estado de mora, frente ao dever jurídico de pagar o tributo. O Estado não aplica a multa moratória para se ver indenizado ou compensado de um delito do contribuinte. Indenizações são devidas quando há patrimônio a ser restabelecido, recomposto, em razão de determinado comportamento que ofendeu de alguma forma este patrimônio. 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 13502.000573/0006 Acórdão n.º 330200.826 S3C3T2 Fl. 3 5 No caso de tributos esta recomposicão patrimonial é efetuada por meio da cobrança dos juros moratórios – este sim com função de restabelecer o patrimônio do Estado, em razão do atraso no pagamento (recomposicão monetária do valor devido, e pago em atraso). Tanto assim que os juros moratórios não são afastados quando o pagamento da denúncia espontânea é efetuado – justamente porque afastase as multas, mas não se afasta a recomposição da moeda, que não decorre de responsabilidade, tampouco se relaciona à infração, mas ao mero atraso no pagamento, que deve ser compensado. Neste sentido, destacase o voto proferido pelo Ministro Castro Meira, em decisão que asseverou que a denúncia espontânea exclui a incidência de qualquer tipo de multa, verbis: “A expressão "multa punitiva" é até pleonástica, já que toda multa tem por objetivo punir, seja em razão da mora, seja por outra circunstância, desde que prevista em lei. Daí, a jurisprudência deste Superior Tribunal terse alinhado no sentido de que a denúncia espontânea exclui a incidência de qualquer espécie de multa, e não só a "punitiva", como quer o recorrente”. (Recurso Especial nº 1.029.364, Relator Min. Castro Meira, julgamento em 03/04 2008) De qualquer modo, mesmo a denominação adotada pela DRJ, no sentido de diferenciar multas “punitivas” de multas “compensatórias” (ou indenizatórias), nas quais se classificariam as multas moratórias, também não influencia no caso da denúncia espontânea. Isto porque tanto uma como a outra são afastadas nos casos em que o contribuinte, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, promove extemporaneamente a declaração e pagamento de tributo. Isto porque o art. 138 do CTN é claro ao afastar a responsabilidade por infrações e, portanto, a aplicação de quaisquer multas – sejam ela punitivas, compensatórias, indenizatórias, ou quaisquer outras denominações que venham a ser criadas. Ou seja, tratandose de multa, qualquer que seja sua classificação – de ofício, isolada, moratória, punitiva, compensatória, indenizatória, etc. – quando se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, a multa está afastada. A este respeito já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça, verbis: “A distinção entre multa moratória e multa punitiva alegada no regimental é completamente desnecessária neste caso, em que, caracterizada a denúncia espontânea, ambas são excluídas.” (Ag Rg no Resp 919.886 – Humberto Martins – DJe 24/02/2010) Aliás, é firme a posição daquele tribunal a respeito do afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, justamente porque, sendo uma multa (não importa de qual tipo), tem de ser afastada nos casos do art. 138 do CTN, verbis: “TRIBUTÁRIO – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – CONFISSÃO DA DÍVIDA ACOMPANHADA DO PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA (CTN, ART. 138) – CARACTERIZAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 6 1. O contribuinte, ao espontaneamente denunciar o débito tributário em atraso e recolher o montante devido, com juros de mora, ou seja, na integralidade, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização fica exonerado de multa moratória. 2. O contribuinte, in casu, pagou o débito, integralmente, antes de qualquer procedimento fiscal, nos termos do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 936085 / SP, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 18/12/2007) “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRECEDENTE: RESP. 907.710/SP. (...) 4. Relativamente à natureza da multa moratória, esta Corte já se pronunciou no sentido de que "o Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138 (...)" (REsp 169877/SP, 2ª Turma, Min. Ari Pargendler, DJ de 24.08.1998). Precedente: AgRg nos EREsp 584.558/MG, Luiz Fux, Primeira Seção, DJ 20.03.2006.” (REsp 905056 / SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 11/12/2007). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO INTEGRAL ANTERIOR A QUALQUER PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E ANTES DA ENTREGA DA DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA (CTN, ART. 138). 1. Os Embargos de Declaração opostos pela parte têm nítido caráter infringente, e em face do Princípio da Fungibilidade Recursal, recebo os embargos como agravo regimental. 2. Ocorrendo o pagamento integral da dívida com juros de mora antes da entrega da DCTF e de iniciado qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização, configurada está a denúncia espontânea pelo contribuinte, afastando a aplicação da multa moratória. Agravo regimental improvido.” (EDcl nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp 977055 / PR, Relator Min. Humberto Martins, DJe de 03/05/2010) Na esteira da posição firmada pelo Superior Tribunal de Justiça a Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) também já se posicionou pelo afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, verbis: “MULTAS DE OFICIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal benefício de exclusão da multa, seja de ofício ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Fl. 69DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 13502.000573/0006 Acórdão n.º 330200.826 S3C3T2 Fl. 4 7 Nacional (CTN). Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/03 04.690, Relator: Carlos Henrique Klaser Filho, DOU de 08.08.2007) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA:A denúncia espontânea de infração, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, exclui a responsabilidade do denunciante pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa de mora sendo, portanto, inaplicável esta última. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.” (Acórdão CSRF/0104.863, Relator José Carlos Passuelo, sessão de 16/02/2004). ‘DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido”. (Acórdão CSRF/0305.102, Relatora Anelise Daudt Prieto, sessão de 06/11/2006) “TRIBUTÁRIO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA – CTN ART. 138 – MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO IMPROCEDÊNCIA. Tendo o contribuinte efetuado o recolhimento do imposto devido, corrigido monetariamente e com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte de fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecido no art. 138, do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes do descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. A MULTA DE MORA é, portanto, excluída pela denúncia espontânea, não se comportando, de forma alguma, a aplicação de multa de ofício, seja a prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, ou qualquer outra.”(Acórdão CSFR/0304.145) Assim, como no presente caso não há dúvida quanto ao procedimento adotado pelo contribuinte – declarando e pagamento o tributo extemporaneamente, antes de qualquer procedimento fiscalizatório – tampouco resta qualquer dúvida quanto a estar configurada a denúncia espontânea, sendo, então, aplicável o artigo 138 do CTN. Deve, portanto, ser afastada qualquer penalidade, seja ela a multa de ofício, seja ela a multa Fl. 70DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 8 moratória, ou compensatória, ou indenizatória, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e ampla jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reformada r. decisão proferida pela DRJ, tendo em vista que não há incidência de qualquer multa, em especial a multa de mora, nos casos em que se configura a denúncia espontânea. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2011. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 71DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 16/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 29/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS
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Numero do processo: 10880.679542/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Numero da decisão: 1802-001.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 95 42 /2 00 9- 41 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 169 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.101/116 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 95/99) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 30/01/2008 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 23662.41241.300108.1.3.048708 (fls.06/08), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL, código de receita 2484, do PA dezembro/2007, data de vencimento 31/01/2008, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 22.993,64; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 22.993,64 . b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 19.752,29 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/08/2006, DARF no valor de R$ 19.752,29 (valor original), data do recolhimento 29/09/2006. O despacho decisório da DERAT/SÃO PAULO, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 19.752,29. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 170 3 informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido {CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 05/11/2009 (fls. 05 e 91), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 08/18 em 04/12/2009. Em 24/02/2010 juntou petição reiterando os argumentos da Manifestação de Inconformidade (fls.19/21). Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em síntese, aduziu: que o entendimento da autoridade fiscal, consignado no referido despacho decisório, afigura –se equivocado; que o crédito pleiteado é legitimo haja vista decorrer de saldo negativo da CSLL dos anoscalendários de 2003 a 2006, e compensado no anocalendário 2007; que urge a declaração de suspensão do suposto crédito tributário do fisco em razão da apresentação da Manifestação de Inconformidade; que os recolhimentos por estimativa efetuados e o IRRF são considerados antecipações, nâo se tratam de indébito ou recolhimento a maior, mas podem ser deduzidos do imposto devido apurado ao final do anocalendário. que, com efeito, durante os anoscalendários de 2003 a 2007 apurou a existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL; porém, ao elaborar suas DIPJ dos anoscalendário referidos acima, por um lapso, não informou a existência do saldo negativo, mas considerou que os pagamentos dos tributos decorreram de "Pagamento Indevido ou a Maior; que, não obstante, o direito creditório é legítmo e indiscutível; que, ademais, como forma de elucidar ainda mais o exposto, elaborou quadro explicativo contendo as informações quanto ao débito apontado no despacho decisório e à comprovação da existência de créditos de saldo negativo de IRPJ e CSLL dos anoscalendários de 2003 a 2006, através do qual será possível detectar os períodos de janeiro e fevereiro, maio a outubro de 2006 devidamente compensados (quadro ilegível); que malgrada as informações equivocadas prestadas nas declarações pela impugnante e que serviram de base para o descho decisório contestado, em verdade não houve qualquer prejuízo aos cofres públicos; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 171 4 que qualquer afirmação em sentido contrário não subsiste à análise da questão à luz do princípio da verdade material, autêntico pilar do processo administrativo fiscal; que não restam dúvidas quanto ao direito de compensar os legítimos créditos de tributos federais, ante a expressa disposição do art. 170 do CTN e artigo 74 da Lei n.° 9.430/96; que seja admitida a juntada posterior dos documentos comprobatórios da regularidade do procedimento fiscal da empresa, como consagração do princípio da verdade material. Ainda, em anexo às razões de defesa, foram apresentadas cópias de DIPJ retificadoras e extratos de PER/DCOMP. Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu a reforma do despacho decisório, para o deferimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação. Por sua vez, a DRJ/São Paulo I, à luz dos fatos e elemento de prova consantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 08/12/2010 (fls. 95/99), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/09/2006 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; b) refírase a fato ou a direito superveniente; ou c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 24/01/2011 (fls. 100 e 143), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/02/2011 (fls.101/116) e juntou documentos (fls. 117/143), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 172 5 que discorda da decisão recorrida, pois, diversamente do que nela restara consignado, a compensação informada/pleiteada é regular, pois foi utilizado direito creditório legítimo; que é indiscutível a existência do direito crédito tributário em montante suficiente para dar guarida à compensações efetuada; que, contudo, analisando seus documentos fiscais e contábeis a propósito do citado Despacho Decisório, a recorrente pôde concluir que o fato que levou o sistema da Receita Federal do Brasil a acusar a suposta inexistência de crédito foi a equivocada informação constante das DIPJ apresentadas pela recorrente relativamente ao anocalendário de 2006; que, com efeito, durante o anocalendário de 2006 a recorrente apurou CSLL devida no valor de R$ 209.688,78. Contudo, em razão de recolhimentos realizados a maior, conforme se comprova através dos DARF acostados (fls. 138/142)), ao final do período houve diferença de recolhimento do imposto a maior no valor de R$ 299.372,47, conforme Planilha I constante das razões do recurso (fl. 105); que houve meramente um erro ou equívoco formal quanto ao procedimento contábil no que diz respeito ao preenchimento da DIPJ 2007, anoclendário 2006, pois, por um lapso, não foi devidamente composto o saldo negativo do IRPJ e da CSLL para que, posteriormente, a compensação pudesse vir a ser realizada. Contudo, em momento algum pode ser colocada em dúvida a existência do crédito tributário da recorrente; que a recorrente demonstrou total boafé ao apresentar, mesmo que somente após a ciência do citado despacho decisório, a DIPJ retificadora na qual comprova que no ano base de 2004 foi apurado saldo negativo; que, ainda, sobre a possibilidade de retificação tanto da DIPJ quanto da PER/DCOMP diante da ocorrência de erro de fato, a jurisprudência administrativa aponta que é possível sua realização na hipótese de ainda pender decisão administrativa e também diante da apresentação de documentação contábil/fiscal que comprovam a necessidade da retificação; que, ademais, a recorrente repetiu os argumentos apresentados na instância a quo, já resumidos anteriormente. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 173 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 30/01/2008 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 23662.41241.300108.1.3.048708 (fls.06/08), informando que compensara débito da CSLL estimativa mensal, código de receita 284 do PA dezembro/2007, data de vencimento 31/01/2008, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 284, do PA agosto/2006, data do recolhimento 29/09/2006. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de CSLL estimativa mensal, mas sim saldo negativo do anocalendário. Porém, a contribuinte não comprovou a existência dessa saldo negativo, pois transmitira a DIPJ 2007, anocalendário 2006, sem apuração de tal saldo negativo. Restando, por conseguinte, não comprovada a liquidez e certeza do direito créditório pleiteado. Entretanto, nas razões do recurso, e na sustentação oral, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: 1) – Existência de questão prejudicial, ou seja, pagamento indevido ou a maior por erro na base de cálculo estimada da CSLL estimativa mensal; porém, tal questão não restou enfrentada pelas decisões anteriores: que o crédito utilizado não se trata de saldo negativo de CSLL; que não se trata de simples antecipação de CSLL em excesso no anocalendário, como se pautou a decisão recorrida para negar procedência à manifestação de inconformidade; que, ao contrário, a recorrente se equivocou na apuração da base estimada, erro que ocasionou o recolhimento indevido, em parte, da estimativa do PA agosto de 2006; que a recorrente recolheu R$ 19.752,29 a título de estimativa de CSLL estimativa mensal do PA agosto de 2006; que retificando sua apuração, no entanto, verificou em balanço de suspensão desse PA, que sua base estimada de agosto de 2006 era menor, ou seja, negativa, implicando apuração de CSLL estimativa de R$ 0,00 e não no montante originalmente apurado; que recolheu CSLL estimativa mensal a maior ou indevidamente R$ 19.752,29 (valor original); que o despacho decisório e a decisão recorrida não entraram sequer na análise da existência do crédito apontado pela recorrente. Para tanto, bastava confrontar a DCTF (retificadora) do PA agosto de 2006 com os correspondentes comprovantes de Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 174 7 arrecadação (notadamente o da estimativa em questão) para verificar que houve um recolhimento a maior (em excesso) de R$ 19.752,29 à época; que, vale dizer, a decisão recorrida reafirma o quanto afirmado pelo despacho decisório, ao considerar o crédito utilizado indisponível pelo simples fato de se tratar de pagamento efetuado a título de estimativa, e que a legislação regente não autoriza a restituição ou compensação de pagamentos por estimativa indevidos ou a maior”, mas apenas o saldo negativo, a partir do primeiro dia útil do exercício subseqüente; que o crédito utilizado não se trata de saldo negativo de CSLL, mas sim de excesso de pagamento por antecipação de CSLL estimativa mensal do PA agosto/2006, por erro na base de cálculo estimada; que o recolhimento sobre uma base estimada correta não é tratado como pagamento indevido ou a maior justamente porque os pagamentos (antecipados) serão computados no ajuste anual (para reduzir o valor a pagar ou compor o saldo negativo); que, no caso, a situação é diversa, houve excesso de recolhimento do PA agosto/2006, por erro na base de cálculo estimada da CSLL; que, nesse caso, é cabível a restituição do excesso de pagamento ainda no próprio anocalendário, conforme Solução de Consulta nº 285 de 17/07/2009 da Superintendência da 8ª Região Fiscal, in verbis: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL EMENTA: SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. que, ainda, o Acórdão nº 10200.465, proferido pela 2ª Turma Ordinária da Colenda 2ª Câmara do CARF, reconheceu a possibilidade de o contribuinte utilizar o crédito decorrente de estimativa de imposto recolhida a maior independente do correspondente saldo negativo. A recorrente cita o seguinte trecho deste Acórdão: (...) O ponto fundamental para análise deste colegiado se refere à possibilidade de compensação de recolhimentos indevidos de estimativas mensais de CSLL no período de vigência das IN SRF 460/2004 e 600/2005, que apresentavam vedação expressa à referida compensação, enquanto a IN SRF nº 900/2008 não mais disciplinou aludida vedação. Em análise da matéria, posteriormente a edição da IN SRF nº 900/2008, a SRRF9ªRF proferiu Solução de Consulta 285 de 17/06/2009, na qual conclui pela possibilidade da compensação da diferença a maior entre o valor efetivamente recolhido e o Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 175 8 apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, conforme conclusão abaixo transcrita: Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. (...) que, tanto a decisão recorrida quanto o despacho decisório, ignorando por completo a citada distinção, nem chegaram a analisar a existência do crédito da recorrente, com a fundamentação de que pagamento por estimativa não se devolve, mas apenas saldo negativo. 2) Erro de fato no preenchimento da DIPJ 2007, anocalendário 2006. Existência do crédito, seja como excesso de pagamento (pagamento indevido ou a maior), seja como saldo negativo. que, em face do erro de base de cálculo do PA agosto/2006, tem direito a restituição do pagamento indevido ou a maior (erro de base de cálculo estimada) ou do saldo negativo do anocalendário 2006; que houve meramente um erro ou equívoco formal quanto ao procedimento contábil no que diz respeito ao preenchimento da DIPJ 2007, anoclendário 2006 (e de anos anteriores), pois, por um lapso, não foi devidamente composto o saldo negativo do IRPJ e da CSLL para que, posteriormente, a compensação pudesse vir a ser realizada. Contudo, em momento algum pode ser colocada em dúvida a existência do crédito tributário da recorrente; c) que a recorrente demonstrou total boafé ao apresentar, mesmo que somente após a ciência do citado despacho decisório, as DIPJ retificadoras na quais comprova que no anosbase de 2003 a 2006 foi apurado saldo negativo; d) que, ainda, sobre a possibilidade de retificação tanto da DIPJ quanto da PER/DCOMP diante da ocorrência de erro de fato, a jurisprudência administrativa aponta que é possível sua realização na hipótese de ainda pender decisão administrativa e também diante da apresentação de documentação contábil/fiscal que comprovam a necessidade da retificação. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2003 a 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 176 9 No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução), pois serão abatidos do imposto apurado no encerramento do anocalendário ou vão compor o saldo negativo. O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior o excesso de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso por erro de base de cálculo estimada do imposto, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Ainda, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA agosto/2006: a) sequer há cópia completa nos autos da DIPJ 2007, anocalendário 2006 (DIPJ original); b) embora a recorrente alegue erro de base de cálculo do imposto (pagamento em excesso) e erro de preenchimento da DIPJ ou, seja, preenchimeno de forma incompleta, sem indicação da CSLL paga por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2006 quanto ao Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 177 10 erro de base estimada da CSLL de agosto/2006 e quanto à formação regular de eventual saldo negativo; c) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de base de cálculo estimada de agosto/2006 e o erro de preenchimento da DIPJ, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material; c) entretanto, como já dito, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos ou se com base em balancetes de suspensão/redução. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial constante do despacho decisório e a decisão a quo, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente é possível a restituição de saldo negativo, pois é possível a devolução de direito creditório pago em excesso, por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, ou seja, à DERAT/SP para analise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, vale dizer para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve erro de base de cálculo do PA agosto/2006 e se realmente houve equívoco no preenchimento da da DIPJ 2007, anocalendário 2006, em relação à Ficha do saldo de CSLL a pagar ou do saldo negativo; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado (apurar se o alegado saldo negativo foi formado regularmente, nos termos da legislação de regência). Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar o seu valor e se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, indevido ou maior ou em decorrênia de apuração de prejuízos, no ajuste anual. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DERAT/São Paulo para que ela prossiga no julgamento, na análise do mérito do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679542/200941 Acórdão n.º 1802001.688 S1TE02 Fl. 178 11 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10814.010082/2005-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 05/06/2003
REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO
DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE
FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE
IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE.
O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não
apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior
(Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de
importação realizada. Precedentes da Turma.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-000.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/06/2003 REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Precedentes da Turma. Recurso Voluntário Negado. Crédito Creditório Não Reconhecido.
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LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Precedentes da Turma. Recurso Voluntário Negado. Crédito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 19/05/2012 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/06/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÕRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANTO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS A ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito credit6rio nãoreconhecido, o que implica na não homologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente apresentou pedido de restituição de Imposto de Importação (II) supostamente pago à maior em decorrência da não aplicação do benefício fiscal do regime automotivo (que, nos termos do art. 5º da Lei nº 10.182/2001, reduz o imposto “na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos”, destinados ao processo produtivo de empresas relacionadas no § 1º). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 380200.989 S3TE02 Fl. 166 3 O acórdão recorrido manteve o despacho decisório, por entender que, sem a apresentação de certidão negativa de débitos de tributos federais (CND) em cada despacho aduaneiro, o benefício da Lei nº 10.182/2011 não seria aplicável. Logo, diante da recusa do recorrente em apresentar a prova de regularidade fiscal no despacho de importação, a restituição seria indevida. A Recorrente, nas razões de fls. 118/224, alega, em síntese, ter direito adquirido ao benefício fiscal da Lei nº 10.182/2001, bem como a ilegalidade da exigência de CND a cada operação de importação. Apresenta precedente do Superior Tribunal de Justiça, julgado na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, bem como Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN nº 492/2010), reconhecendo a ilegalidade da exigência de regularidade fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 27/10/2010 (fls. 115), interpondo recurso tempestivo em 24/11/2010 (fls. 118). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O presente recurso trata de matéria com entendimento consolidado pela Turma em diversos julgados envolvendo o mesmo Recorrente. Destacase, nesse sentido, o Recurso Voluntário (Atual/Original): nº 344.301/144.301, relatado pelo eminente Conselheiro Regis Xavier Holanda: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 16/10/2000 REGIME AUTOMOTIVO. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITOS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. 1. O direito de desfrutar o benefício previsto na Lei no 10.182/2001 passa por duas etapas distintas: a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX e a concessão, propriamente dita, do benefício da redução do imposto de importação. 2. Para cada importação realizada deve ser aferido o cumprimento das condições e requisitos necessários à fruição do benefício de redução do imposto de importação, incluindose aí a comprovação da regularidade fiscal e a confirmação da adequação da mercadoria importada à destinação prevista em lei. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 3. A legislação que disponha sobre isenção ou redução deve ser interpretada literalmente. 4. As diligências consideradas prescindíveis devem ser indeferidas. Recurso Voluntário Negado.”(Carf. 2ª TE. 3ª S. Processo nº 11128.005815/200588. Rel. Conselheiro Regis Xavier Holanda. Sessão de 01/02/2010) Acompanhase a referida interpretação, uma vez que, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está condicionada à comprovação da regularidade fiscal do interessado: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. O reconhecimento da isenção, por outro lado, deve ser efetivado em cada caso concreto pela autoridade aduaneira, nos termos do art. 121 do Regulamento Aduaneiro RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), do art. 120 do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002) e art. 134 do RA/1985 (Decreto nº 91.030/1985): Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). Art. 123. As disposições desta Seção aplicamse, no que couber, a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. Tais dispositivos alinhamse ao disposto no art. 179 do Código Tributário Nacional e ao art. 195, § 3º, da Constituição Federal, que assim estabelecem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Art. 195. [...] § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios Por fim, o Parecer PGFN nº 492/2010 e o precedente do STJ (Recurso Especial nº 1.041.237/SP. DJ 19/11/2009), invocados nas razões recursais, não se aplicam ao caso em exame, uma vez que se referem especificamente ao regime especial de drawback. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10814.010082/200501 Acórdão n.º 380200.989 S3TE02 Fl. 167 5 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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